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Anatomia dentária Está aula objetiva apresentar ao aluno os tópicos mais importantes com relação à anatomia dentária, o que inclui conceitos, classificação, morfologia e função dos dentes, tópicos imprescindíveis para o bom entendimento da radiologia odontológica como um todo. A anatomia bucomaxilofacial em radiologia odontológica é de suma importância para a interpretação e a execução das técnicas radiográficas de maneira correta e também para a avaliação dos resultados da mesma, sendo indispensável para elaborar um correto diagnóstico e posterior tratamento. Fácil é de se compreender essa importância se pensarmos que para conhecer o patológico é necessário entender o que é normal. Anatomia dentária A anatomia dentária é a parte da anatomia humana que estuda o órgão dentário formado por dente e periodonto (gengiva, desmodonto, cemento e osso alveolar). Do ponto de vista anatômico o dente é dividido em três partes: coroa, colo e raiz. A coroa é a parte visível e funcional mais utilizada no processo de mastigação. Possui aspecto brilhante e localiza-se acima da gengiva e dos ossos de suporte. O colo é o elo entre a coroa e a raiz do dente, o limite divisório. É uma linha sinuosa bastante nítida e de fácil identificação pela diferença de cor entre as estruturas. A raiz é a parte do dente que não se vê sem ser radiograficamente. É um segmento de tom amarelo, responsável pela fixação do dente ao osso alveolar. Maior do que a coroa em comprimento e também com maiores variações morfológicas por possuir relação direta com as paredes alveolares por meio das fibras do desmodonto, é responsável por suportar as cargas impostas pela mastigação. Dependendo da localização do dente, este pode apresentar uma, duas ou três raízes. Do ponto de vista estrutural o dente é dividido em quatro partes: dentina, cemento, esmalte e polpa. A dentina é o tecido que compõe todo o dente, desde a coroa até a raiz. É um tecido conjuntivo avascular, mineralizado que, na porção coronária, é recoberto pelo esmalte e, na porção radicular, pelo cemento. Embora seja mais mole do que o esmalte, trata-se de um tecido muito duro, mais que o osso e o cemento. É uma estrutura branca amarelada que tem o tom de amarelo variando de acordo com a idade do indivíduo e também de um indivíduo para o outro. O cemento é um tecido mineralizado, especializado, responsável pelo revestimento da dentina radicular, por inserir as fibras do ligamento periodontal da raíz e por contribuir para o processo de reparação após o dano da superfície radicular. O esmalte é o componente dental mais conhecido e o tecido mais rígido e mineralizado do organismo. A coloração varia de amarelo claro ao branco acinzentado e a espessura de grossa (nas cúspides) a fina (na junção amelo-cementária). A polpa é formada por tecido conjuntivo frouxo e também a estrutura mais interna do dente. Ricamente vascularizada e inervada, dá ao elemento dental a condição de elemento vivo e renovador da dentina. Classificação e funções Os seres humanos possuem vinte dentes (dez na maxila e dez na mandíbula) em sua primeira dentição (decídua). Após os seis anos, tais dentes começam a cair e então surge a dentição permanente, formada por 32 dentes: 16 superiores e 16 inferiores. Os dentes são classificados de acordo com a posição e a função que exercem em três grandes grupos: 1) incisivos 2) caninos 3) pré-molares e molares (figura abaixo). Os incisivos são oito: quatro na maxila e quatro na mandíbula, situados na parte anterior da boca. Servem para seccionar alimentos e também tem papel importante na fonação e na estética. Os caninos são quatro: dois na maxila e dois na mandíbula. Têm formato agudo, são pontiagudos e têm a função de dilacerar os alimentos. Os pré-molares e molares estão localizados na parte posterior da boca, e possuem a função de amassar e triturar os alimentos. Os pré-molares são oito (quatro na maxila e quatro na mandíbula) e os molares são doze (seis na maxila e seis na mandíbula), incluídos nesse grupo os dentes do siso (figura abaixo). Morfologia Em qualquer dente pode-se visualizar a presença de cinco faces distintas: vestibular, lingual, mesial, distal e oclusal. A face vestibular é a superfície voltada para o vestíbulo da boca, ou seja, a parte da frente dos dentes. A face lingual é a superfície oposta à face vestibular e é chamada por alguns autores de palatina quando se trata do arco superior. A face mesial é voltada para o plano sagital mediano da face e a divide em dois segmentos: direito e esquerdo. A face distal é a que se opõem à face mesial, ou seja, localiza-se mais distante do plano sagital mediano. As faces oclusais são aquelas que se encontram no momento da mastigação. Pode-se dizer que, na arcada superior, trata-se da parte inferior dos dentes e que, na arcada inferior, trata-se da face superior dos dentes. Glossário Avascular: Que não possui tecido de vascularização (vasos sanguíneos). Cúspides: Formações piramidais quadrangulares presentes em pré-molares e molares na face mastigadora dos dentes (oclusais). Desmodonto: O mesmo que ligamento periodontal ou ligamento alvéolo-dentário. É um conjunto de fibras conjuntivas que se apresentam dispostas em diversas direções com a finalidade de fixar os elementos dentais no alvéolo. Patológico: Que se apresenta fora do estado de normalidade, relativo à doença. Plano sagital mediano: Plano vertical imaginário que tem esse nome derivando da direção da sutura sagital do crânio. Divide o corpo em metades direita e esquerda (aparentemente simétricas) e é formado pelo deslocamento do eixo ântero-posterior ao longo do eixo longitudinal na linha mediana. Referências ALVARES, Luiz Casati. Curso de radiologia em odontologia. Colaboração de Orivaldo Tavano. 4. ed. São Paulo: Santos, 2002. MADEIRA, M.C. Anatomia do dente. São Paulo: Sarvier, 2000. 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