Propriedade Industrial
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Propriedade Industrial


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DIREITO EMPRESARIAL - PROPRIEDADE INDUSTRIAL
Origem e evolução da Propriedade Industrial
A p reocupação com a tutela dos produtos, sua origem e qu alidade, bem como das técnicas d e produção ou extração, p assaram a
existir a partir do reconhecimento e fama dos mesmos pelo mercado. E, com a conquista do mercado, surgiu a preocupação d o
comerciante com relação aos seus c oncorrentes que, muitas vezes, utilizavam artifícios para desviar a clientela formada pe lo
comerciante. É certo que m uitos c omerciantes obtiveram o reconhecimento da qualidade extrínseca e intrínseca de seus produtos
pela realeza e, com isso, o direito de explorar determinado comércio, rota de comércio, marca ou produto com exclusividade,
incluindo o direito de obstar os concorrentes de atuar. Di Blasi e outros nos contam que, não ob stante episódios es parsos
ocorridos na Antiguidade (proteção a e mblemas e brasões), foi na Idade Média que as primeiras cartas d e privilégios a inventores
apareceram.
Com relação ao Brasil, é c erto q ue até a vinda da família real po rtuguesa para o Brasil, em 1808, a intenção da corte portugu e sa
sempre foi no s entido de criar e ntraves ao desenvolvimento da in dústria manufatureira na col ônia, para manter a sua depend ência
com Po rtugal. Foi somente através do Al vará de 1º.04.1808 que o Prínci pe Regente restaurou a liberdade ao es tabelecimento de
indústrias, complementando com o Alvará de 28.01.1809, qu e concedeu incentivos p ara o florescimento da industrial nacional.
Conforme nos relata Gama Cerqueira , este alvará de 1 809 consignou a conveniência da pro teção das criações intelectuais, tant o
utilitárias (máquinas) c omo artísticas (invenção nas artes), que gozassem de p rivilégio exclusivo, atribuindo à Real Junta do
Comércio a verificação do “plano de seu novo invento” e, se procedente, o reconhecimento do privilégio por 14 anos.
Após a declaração da independência, todas as Constituições brasileiras, a pa rtir da de 1824, arrolaram, dentre as garantias
individuais, o direito dos inventores sobre suas c riações, sendo certo que, a partir da Constituição de 1891, foi incluído no texto
pertinente a proteção à propriedade das “marcas de fábrica”.
A p rimeira l ei brasileira, não mais colônia de Portugal, sobre concessão de privilégios aos inventores, foi promulgada em 183 0,
que reconhecia aos inventores de uma indústria útil a propriedade e o direito de uso exclusivo de su a descoberta ou invenção.
E a primeira lei brasileira sobre marcas (lei nº 2.682) data de 1875, cujo projeto decorreu de um embate c riminal relativo a imi tação
da marca de rapé “Arêa Preta”, patrocinado por Rui Barbosa, por um concorrente (rapé “Arêa Parda ”).
Atualmente, está em vigor a Lei nº 9.279/1996 em matéria de Propriedade Industrial.
DIREITOS INTELECTUAIS
Nova categoria de direitos, ao lado dos pessoais, reais e obrigacionais, os direitos intelectuais se dispõem a regular as rel ações
entre as pessoas e s uas criações in telectuais, provendo -lhes p roteção quanto à titularidade e utilização e conômica, sob regime
monopolístico, de suas obras. Propiciam, dessarte, inegável e importante incentivo ao esforço criativo do ser humano,
promovendo o desenvolvimento da literatura, das artes, do conhecimento, de objetos uti litários, em especial, de aparelhos e
equipamentos que impulsionem a evolução técnica e tecnológica, trazendo comodidade ao dia a dia de todas as pessoas. Os
direitos intelectuais são considerados bens móveis para efeitos de direito.
Os direi tos intelectuais se subdividem em Direitos d e Autor e Direito da Propriedade Industrial , em vista do tipo de criação
intelectual que seja objeto de disciplina.
Os Direitos de Autor incidem s obre as criações de caráter es tético do gênio humano, isto é, as manifestações que tenham por
objeto sensibilizar o ser humano e alimenta -lo espiritualmente, parafraseando o Prof. Newton Silveira , através dos seus sentidos e
também através de sua mente (da í a proteção às obr as intelectuais científicas, que se voltam à satisfação do intelecto em te rmos
de transmissão e aq uisição de conhecimento e aprimoramento intelectual). Exemplos de criações intelectuais d e caráter estétic o:
livros, obras de arte, música, cinema e fotografia.
o Dir eito da Propriedade Industrial se volta à proteção das criações intelectuais de caráter utilitário, prá tico, elaborad as para
servir o homem no seu dia a dia, proporcionando-lhe maior praticidade ou conforto, suscetíveis de exploração econômica
empresarial, como: máquinas, aparelhos, medicamentos, aparatos e outras invenções e modelos de utilidade que sejam
consideradas inovações ao esta do da técnica e, assim, possam me recer a proteção através de patentes. Porém, o Direito da
Propriedade Industria l tam bém se ocupa da proteção de outros el ementos relacionados ao exercício da atividade empresarial, tais
como desenhos industriais, marcas, indicações geográficas e c rimes que envolvam esses sticos ou que c aracterizem
concorrência desleal, como veremos mais adiante.
A distinção desses sub -ramos que compõem os Direitos Intelectuais leva em c onsideração, entre outros, o fato de as criações de
caráter utilitário, pelo s eu impacto prático no dia a dia das pessoas, são de interesse mais premente para o homem e, por isso, o
prazo de proteção (sob regime de monopólio) é m enor que o prazo de proteção c oncedido às c riações de caráter estético. De
qualquer fo rma, deco rrido o prazo legal de proteção, a criação cairá em d omínio público, isto é, poderá se r ut ilizada e reproduzida
por quem quer que seja, não importando a finalidade.
Regime Jurídico dos Direitos Intelectuais: c omo ramos distintos do Direito, tanto os Direitos de Autor (Direito Civil) como o Dir eito
de Propriedade Industrial (Direito Empresarial ) possuem princípios e regras próprias, calcadas em convenções internacionais: a
Convenção Internacional de Berna, de 1886, sobre Direitos de Autor, e a Convenção Internacional de Paris, de 1883, sobre os
direitos industriais. O Brasil é signatário d e amba s as Convenções. Em sede de l egislação nacional vigente, tanto a Lei
9.610/98, relativamente aos Dire itos de Autor, como a L ei 9.279/96, relativa à Propriedade Industrial, a colhem os ditames
dessas convenções internacionais.
DIREITOS DE AUTOR
Direitos de Autor: c onforme os e nsinamentos de Carlos Alberto Bittar , é o ramo do Direito Privado que regula as relações
jurídicas advindas d as criações intelectuais d e caráter estético, voltadas à literatura, à s artes e à s ciências, de m odo a tu telar seus
autores e criadores quanto à titularidade (paternidade) e ao aproveitamento econômico que possam fazer de suas obras,
abrangendo tanto os vínculos pessoais como também os patrimoniais.
É direito sui g eneris, uma vez que tem por ob jeto a c riação intelec tu al de c aráter imaterial que faz eme rgir direitos pesso ais e
direitos patrimoniais, e xtravasando o campo restrito dos d ireitos pessoais e dos direitos reais categorias clássicas do Direi to
Privado.
Disciplina legal: a par da inscrição d os di reitos autor ais n o rol das ga rantias constitucionais (art. 5º, incisos XXVII e XXVIII), a
regulamentação dos Direitos de Auto r está concentrada na Lei nº 9.61 0/1998, que consolida os princípios da Convenção
Internacional de Berna (1886), da qual, como já dito, o Brasil é signatário (sistema de caráter subjetivista exclusivista).
Criações intelectuais objeto de proteção pelos Direitos de Autor: aque las que apresentam valor estético autônomo,
independentemente de sua origem, função ou destinação, que se revelem originais , isto é, diferentes d e quaisquer outras
produzidas, e que se exteriorizem, s ob as mais variadas formas, atra vés da literatura, das artes e das ciências. O c aráter de
novidade absoluta da c riação não é requisito para a proteção dessas obras, o qu e as fa z diferir das criações utilitá rias, que devem
sempre inovar o estado da técnica (novidade objetivamente considerada).
Frisamos que, c om relação à forma de exteriorização da criação i ntelectual es tética, a própria lei de regência e stabelece uma
diversidade; porém, a doutrina cos tuma diferenciar o s uporte mate rial d a obra (c orpo mec ânico) co m o seu conteúdo pro tegido
(corpo místico). Assim, o adquirente ou o usuário da obra terá direi tos sobre o seu corpo mec ânico (suporte) mas não terá dir eitos
sobre o co rpo místico (a criação em si), impossibilitando -lhe certos u sos, especialmente os de cunho comercial (p or exemplo, a
aquisição de um livro não permite explorá-lo em caráter comercial).
Titularidade dos Direitos de Autor: é titular desses direitos o criador, q ue assim se intitula, independentemente de quaisquer
formalidades legais (art. 18 da Lei 9.610/98). Portanto, a atribuição dos Direitos de Autor d ecorre exclusivamente do esfo rço de
criação intelectual da obra, afastando, assim, inclusive, questionament os sobre a própria capacidade do c riador. É titularidade
originária. Portanto, é considerado autor aquele que se apresenta como tal na publicação da obra, independentemente de
qualquer formalidade ou registro.
Será admissível a titularidade derivada soment e em relação aos direitos patrimoniais de a utor, como se verá na sequência. É o
caso de sucessão ou de transferência dos direitos de exploração econômica da obra, pelo titular originário a um terceiro.
A ti tularidade originária poderá se r atribuída a uma p essoa ou a uma coletividade de p essoas, como ocorre nas obras em co -
autoria e coletiva. E a pess oa ju rídica também poderá ser titular de direitos originários de autor, c onforme admite a lei únic o do
art. 11; exemplo de ti tularidade por pessoa ju rídica, na hipótese de obra encomendada a pe ssoas contratadas ou empregados,
estes titulares de direitos morais e aquela, titular dos direitos patrimoniais).
Muito em bora os direitos de autor se constituam pelo ato da criaç ão i ntelectual e i ndependam de formalidad es legais, há previs ão
na lei de regência sobre a possibilidade de registro em órgãos públicos (por exemplo, a Biblioteca Nacional com relação às ob ras
escritas e a Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro com relação às obras de art es plásticas).
Conteúdo dos Direitos de Autor: os direitos de autor se subdividem em:
(i) direitos morais de autor e
(ii) direitos patrimoniais de autor.
Essas duas categorias de direitos de autor nascem do fato único da criação e são incindíveis, como dua s facetas de um mesmo
fenômeno.
Os d ireitos morais têm a mesma natureza dos direitos da personalidade, pos to que se referem aos vínculos pessoais que un em,
de modo perene, o criador e sua criação, c omo fruto de sua personalidade, moldada por todos os fatos , conhecimentos,
percepções e sensações q ue lhe pe rmeiam. Os direitos morais de a utor estão elencados no art. 24 da l ei de regência e se
caracterizam pela pessoalidade, perenidade, inalienabilidade, imprescritibilidade e impenhorabilidade. Após a morte do autor, cabe
aos sucessores ou ao Estado a defesa dos direitos morais, no interesse público.
Os direitos patrimoniais de autor se referem àqueles concernentes à exploração econômica da obra, por todas as formas e
técnicas possíveis, s ob reg ime monopolístico temporário. O c riador p oderá e xplorar sua criação por si ou conceder o direito de
exploração a terceiros, mediante contrato (todo negócio envolvendo direitos patrimoniais de autor será interpretado
restritivamente). Após a su a morte, os di reitos patrimoni ais s e transferem para os herdeiros. Também o suscetíveis d e penhora
ou constrição judicial. Os direitos patrimoniais cingem -se aos direitos de rep rodução da obra e os de sua representação ou
comunicação direta. São direitos de representação ou comunicaç ão direta: execução dramático-musical, apresentações públicas,
transmissão por radiodifusão de sons e/ou de imagens. São direitos de reprodução as q ue permitem a fixação d as obra s em
suportes mate riais que possam ser objeto de c omercialização, como a im pre ssão , a foto grafia, gravação cinematográfica,
videográfica etc.
Assevere-se que o art. 68 da Lei 9.610/98 p roíbe a utilização de obras teatrais, composições musicais, lítero -musicais e
fonogramas, em representações e execuções públicas, sem prévia e exp ressa autorização do autor ou titular.
Ainda com relação aos direitos patrimoniais, situações há em que a lei permite a utilização da obra sem necessidade de
autorização de seu a utor. São a s hipóteses previstas na lei c omo de limitação aos direitos autorai s (arts. 46 e 48): a reprodução,
em um exemplar, de pequenos trechos da ob ra para uso privado do copista e sem intuito de lucro; a rep rodução d e obras
literárias, artísticas ou c ientíficas no sis tema braile para uso de deficientes visuais e sem fins com erciais, e a utilização de obras
para demonstração à clientela e m estabelecimentos que comercializem os suportes ou equipamentos que permitam a sua
visualização.
Por serem temporários, o regime de exploração monopolística dos direitos patrimoniais de autor tem um termo final. A regra é a de
que tais direitos perduram por toda a vida do criador, mais 70 anos a partir do dia de ja neiro do ano seguinte ao seu
falecimento, a favor de seus sucessores. Na obra em co -autoria, esse l apso de tempo é c omputado a p artir do falecimento do
último co-autor. Há prazos específicos, como no caso de obras audiovisuais e fotográficas, cuja proteção se estende por 70 anos a
contar de 1º de janeiro do ano subsequente à sua divulgação.
Decorrido o prazo legal de proteção, a ob ra cai em domínio público, facultando-se a q ualquer pessoa a utilização da obra,
inclusive em âmbito empresarial. Também cairá em domínio público a obra cujo criador não tiver sucessores.
DIREITOS CONEXOS AOS DE AUTOR
A Lei nº 9.610/98 disciplina, ainda, os direitos conexos aos direitos de autor.
Direitos conexos aos de autor são os direitos atribuídos aos artistas intérpretes e executantes das obras, aos produtores
fonográficos e às empresas de radiodifusão, sem prejuízo dos direitos de a utor das obras i nt erpretadas, e xecutadas, fixadas em
quaisquer meios e às transmitidas através de radiodifusão.
Tais direi tos são re conhecidos em fu nção do trabalho de disseminação e divulgação das obras pro tegidas, bem como pelo fato de
seus titulares agregarem elementos pessoais e/ou técnicos na representação, fixação ou transmissão das obras, permitindo -lhes
explorar economicamente o fruto de seu trabalho, inclusive para fins de remuneração de todos os in vestimentos direcionados à
vivificação das obras.
São titulares de d ireitos conexos, dessarte, artistas que interpretam peças teatrais e músicas (vocalizações), que recitem e
interpretem textos, poesia, declamações; a rtistas que executem peças musicais (tocadores instrumentais, orquestrações) e
coreografias; as gravadoras de discos, c d’s e dvd’s e outros suportes materiais que contenham obras, e as empresas de
radiodifusão de sons e d e s ons e i magens, p elo trabalho d e i rradiação e tra nsmissão de ob ras protegidas, i ncluindo -se novas
tecnologias como o “streaming” e suas modalidades.
Os direitos conexos conferem aos seus titulares direitos morais e patrimoniais sobre suas interpretações e execuções, sobre s uas
fixações e s obre suas irradiações, como, por exemplo, o direito de serem identificados como tais, sempre que se fizer uso de suas
interpretações, fixações e i rradiações; o di reito de permitir ou não , em c aráter oneroso ou não, a utilização das mesmas; aut orizar
a reprodução pública de suas interpretações, execuções, fixações e irradiações, autorizar retransmissões etc.
Tutela dos direitos de autor e conexos: a tutela dos direitos de autor e conexos, no que concerne à sua violação, espraia -se
pelos planos administrativo, civil e penal.
No plano administrativo, podemos destacar o registro (facultativo) das obras, especialme nte para a prova de autoria da o bra, o
depósito d e exemplares de obras escritas para fins de estatística e de conservação d e acervo cultural, a menção de rese rva
(“direitos reservados”) a indicar a incidência da proteção de dire itos de autor, e a participa ção de e ntidades de controle e
fiscalização do uso público de o bras protegidas como o ECAD (Esc ritório Central de Arrecadação e Distribuição) e de mais
associações de autores.
No plano ci vil: todas as medidas possíveis, considerando-se os aspectos personalíssimos e patrimoniais emanados das criações
intelectuais, previstas no Direito Civil e na lei específica e praticáveis através d as medidas previstas no Código de Process o Civil,
podem ser utilizadas pelos seus titulares. Assim, medidas atinentes à sustação dos atos violadores dos direitos, à reparação de
danos, à apre ensão das obras contrafeitas e dos instrumentos utilizados para a contrafação, a c obrança de multas, à rescisão de
contratos etc.
No plano penal, o art. 184 do Código Penal criminaliza a condut a consistente em “violar dire ito autoral”, com penas de dete nção
de três meses a um a no ou m ulta, sendo que a reprodução comercial inautorizada transmuda a pena para reclusão, de um a