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Aula 5 - Tratamento Preliminar e Primário Meta da aula Objetivos Discutir as etapas de tratamento preliminar e primário de efluentes. Ÿ Identificar as etapas de tratamento preliminar e primário de efluentes; Ÿ Descrever os tratamentos preliminar e primário de efluentes; Ÿ Relacionar as etapas de tratamento preliminar e primário de efluentes com a redução do potencial tóxico destes. 5.1. Tratamento Preliminar Este nível de tratamento abrange unicamente operações físicas. Nesta etapa, é feita a remoção dos materiais mais grosseiros (de maior dimensão) presentes no efluente, ou sólidos bem mais densos que o líquido (como areia). Se pensarmos em esgotos domésticos, são removidos materiais como tubos de pasta de dente, escovas, e outros materiais. São utilizadas, por exemplo, grades. A remoção de areia é feita pelas caixas de areia (desarenação). É a primeira etapa do processo de tratamento do esgoto. Esta etapa serve fundamentalmente para proteger as demais unidades de tratamento, as bombas e tubulações e os corpos receptores. A remoção da areia impede a abrasão nos equipamentos e tubulações, além de facilitar o transporte dos líquidos. Nesta etapa também são retirados gorduras, óleos e graxas que possam existir no efluente. Passemos a discriminar cada um dos dispositivos empregados no pré- tratamento. Aula 5 - Tratamento preliminar e primário 63 e-Tec Brasil 5.1.1. Gradeamento 5.1.2. Peneiramento Nesta etapa preliminar, se usa uma superfície gradeada para remover sólidos grosseiros. As grades são formadas pelo alinhamento paralelo de das barras metálicas. O espaçamento dentre elas situa-se na faixa de 10 a 2 cm. O emprego de grades em sequência costuma ser feito, de tal forma que a abertura entre as barras fique cada vez menor a medida em que o efluente avança. Deste modo, são disponíveis grades grosseiras (espaços de 5,0 a 10,0 cm), grades médias (espaços entre 2,0 a 4,0 cm) e grades finas (entre 1,0 e 2,0 cm). Em esgoto doméstico, materiais tão grosseiros como absorventes femininos, preservativos, garrafas pet e muitos outros são, infelizmente, descartados, e, nesta etapa removidos. As grades podem ser mecânicas ou de limpeza manual. Embora, como já dito, a finalidade principal nesta etapa seja remover materiais grosseiros, parte da carga poluidora do efluente também é eliminada. Na Figura 5.1 é apresentada, em detalhes, a operação de gradeamento. Sua finalidade é remover sólidos de diâmetros maiores que 1 mm. Estes sólidos são responsáveis por entupimentos em equipamentos, além de e-Tec Brasil 64 Aula 5 - Tratamento preliminar e primário Figura 5.1: Operação de gradeamento do efluente. Fonte: www.daebauru.com.br/site2006/esgoto/images/gradeamento.jpg 65 e-Tec Brasil contribuírem significativamente com o aumento da carga orgânica. As peneiras possuem abertura na faixa de 0,5 a 2mm. Em muitos casos, os sólidos separados podem ser reaproveitados. A limpeza das peneiras se dá com jatos de água ou escovas. Ghandi preconiza que para o caso de efluentes gordurosos ou com a presença de óleos minerais deve-se utilizar as peneiras com limpeza mecanizada por escovas. Alerta o referido autor ainda que, é necessário o uso de peneiras em tratamentos de efluentes de indústrias de refrigerantes, têxtil, pescado, abatedouros e frigoríficos, curtumes, cervejarias, sucos de frutas e outras indústrias de alimentos. Importante destacar que, dependendo da natureza e da granulometria do sólido, as peneiras podem substituir o sistema de gradeamento ou serem colocadas em substituição aos decantadores primários. Nas peneiras rotativas, o fluxo atravessa o cilindro de gradeamento em movimento, de dentro para fora. Os sólidos são retidos em função da perda de carga na tela, removidos continuamente e recolhidos em caçambas. O material fino e pesado, composto principalmente por areia, é decantado em tanques denominados desarenadores. As caixas de areia (ou desarenadores) têm a finalidade primordial de remover as substâncias inertes, como areias e sólidos minerais sedimentáveis, originárias de águas residuárias. Tais partículas sólidas possuem diâmetro 3superior a 0,30 mm e densidade na ordem de 2,5 g/cm . Finalidade Ÿ Evitar abrasão nos equipamentos e tubulações (bombas, válvulas, etc.); Ÿ Eliminar ou reduzir a possibilidade de obstruções em tubulações e demais unidades subsequentes do sistema; e facilitar o transporte do líquido. Tipos de caixas de areia Ÿ Caixa de areia em canal (de fluxo horizontal); Ÿ Caixa de areia com raspador mecânico (decantador de areia); Ÿ Caixa de areia aerada. Por sedimentação a areia é removida. 5.1.3. Desarenadores - Caixas de Areia Aula 5 - Tratamento preliminar e primário Os grãos de areia, por serem maiores e mais densos que a matéria orgânica em suspensão, decantam rapidamente, acomodando-se no fundo da caixa de areia. A matéria orgânica, menos densa e de menor dimensão, possui velocidade de sedimentação bem menor, não sendo capaz de decantar nesta etapa. Desta forma, segue arrastada pelo efluente líquido para a etapa seguinte. A remoção de areia, como dito acima, apresenta os benefícios de evitar abrasão nos equipamentos e tubulações, impedir obstrução de tubulações. Livre da areia, o efluente também pode ser mais facilmente bombeado. São utilizadas na etapa preliminar dos sistemas de tratamento. Envolvem um processo físico de separação regido pela diferença de densidade entre as frações oleosa e aquosa do efluente. A fração oleosa, mais leves, é recolhida na superfície, enquanto que óleos ou borras oleosas mais densas que a água, são sedimentados e removidos por limpeza de fundo do tanque. Importante destacar que não é um processo capaz de remover óleo emulsionado. O termo “óleos e graxas” (OG) é usado em tratamento de águas residuárias para englobar uma variedade de materiais como gorduras, ceras, ácidos graxos livres, sabões de cálcio e magnésio, óleos minerais e outros materiais não-voláteis que são solúveis e podem ser extraídos por hexana de uma amostra acidificada. Segundo NUNES (2001), as caixas retentoras de óleos ou caixas de separação água/óleo se destinam a remover o óleo das águas residuárias provenientes de postos de lavagem e lubrificação de veículos, oficinas mecânicas, etc. Uma vez que as águas residuárias, provenientes de lavagem de veículos, arrastam grande quantidade de areia e outros materiais inertes, é conveniente que as caixas retentoras de óleo sejam precedidas de unidades de desarenação. Para águas residuárias provenientes de atividades industriais, como, por exemplo, da indústria petroquímica, onde as vazões são muito consideráveis e as concentrações de óleo são elevadas, recomenda-se a adoção de separadores API ou tanques de flotação. No esgoto sanitário, a graxa constitui 10% do total de matéria orgânica. Existem dois processos principais na remoção de óleos e graxas: 5.1.4. Caixas de Retenção de Óleos e Gorduras (Graxas) e-Tec Brasil 66 Aula 5 - Tratamento preliminar e primário 67 e-Tec Brasil 1. 2. 5.2. TRATAMENTO PRIMÁRIO Separação por Gravidade (Remoção Primária); Flotação. A separação por gravidade é realizada em caixas de gordura, sendo muito comum para pequenas instalações ou nos casos em que não se exige eficiência elevada. Para um melhor funcionamento das caixas de gordura, devem ser evitadas as seguintes condições: Ÿ Temperatura na entrada da caixa superior a 35ºC; Ÿ pH acima de 8,5 (que provoca a saponificação ou emulsificação); Ÿ Excesso de detergentes (que prejudicam a eficiência de separação, pela formação de gotículas de menor tamanho, com menor velocidade ascensional). O tratamento preliminar de uma água residuária pode ser melhor compreendido pelo fluxograma exposto naFigura 5.2. O tratamento primário envolve a remoção de sólidos em suspensão não removidos no pré-tratamento. São empregadas operações de sedimentação ou flotação das mesmas partículas sólidas. Aula 5 - Tratamento preliminar e primário Figura 5.2: Tratamento preliminar de água residuária. Fonte: www.sabesp.com.br/sabesp/filesmng.nsf/site/tratamento_esgoto.gif/%24File/tratamento_esgoto.gif?OpenElement e-Tec Brasil 68 Os sólidos sedimentáveis e flutuantes são retirados através da diferença de densidade entre o sólido e o líquido. Como a velocidade com que o efluente escoa é muito baixa, os sólidos em suspensão (mais densos) sedimentem gradualmente no fundo, formando o lodo primário bruto. A eliminação média do DBO é de 30%. Assim como o pré-tratamento, o tratamento primário também proporciona um melhor tratamento do efluente na etapa seguinte. Embora a combinação das etapas do tratamento primário possa variar de um efluente para outro, a operação de decantação é quase sempre empregada. O uso de decantador só é dispensado quando na etapa de tratamento biológico do efluente for tratado fazendo-se uso de uma lagoa de estabilização, ou em sistemas ditos de oxidação total ou aeração prolongada. Ao final do tratamento primário, é gerado grande volume de sólidos que deve ter disposição adequada. Enquanto os sólidos retirados em caixas retentoras de areia costumam ser enterrados (no caso de esgoto domiciliar), os que saem dos decantadores são adensados (diminuindo-se a concentração de água) e secados, visando posterior disposição final. Quando se trata de esgoto doméstico e, quando os mesmos forem descartados no solo, o tratamento preliminar torna-se simplificado. Neste caso, fica composto apenas de gradeamento e medidor de vazão. Passaremos então à análise das etapas de tratamento primário de efluente. O mecanismo de decantação pode se desenvolver de três modos distintos. Assim, encontramos na literatura a seguinte classificação para a operação de decantação: Ÿ Discreta. As partículas decantam independentemente umas das outras; Ÿ Floculenta. As partículas decantam em conjunto ou flocos; Ÿ Por zonas. A decantação acontece em massa. É a decantação típica de lodos. Cada um dos mecanismos apontado acima pode ser melhor entendido pelo esquema apresentado na Figura 5.3. 5.2.1. Decantação Aula 5 - Tratamento preliminar e primário 69 e-Tec Brasil A decantação é uma operação de tratamento amplamente usada em sistemas de tratamento de efluentes domésticos e industriais. Seu emprego pode acontecer nas seguintes etapas do tratamento do efluente: Ÿ Tratamento primário dos efluente líquidos; Ÿ Decantação do efluente após tratamento biológico; Ÿ Decantação do efluente após coagulação e floculação; Ÿ Decantação de metais pesados removidos por reação de precipitação promovida nos efluentes. Esta etapa consiste na separação sólido (lodo) – líquido (efluente bruto) por meio da sedimentação das partículas sólidas. O efluente líquido flui vagarosamente através dos decantadores, permitindo que os sólidos em suspensão, mais densos do que o líquido, sedimentem gradualmente no fundo. Essa massa de sólidos (lodo primário bruto), pode ser adensada no poço de lodo do decantador e enviada, diretamente, para a digestão, ou ser enviada para os adensadores. É uma operação que promove a clarificação do efluente. O efluente originário das etapas preliminares de tratamento é alimentado em um decantador. Este é um reservatório de grande volume, pelo qual o efluente contendo sólidos em suspensão é alimentado em uma das extremidades do tanque, no caso de 5.2.1.1. Decantação Primária Aula 5 - Tratamento preliminar e primário Figura 5.3: Mecanismos de decantação dos sólidos em um efluente. Fonte: VON SPERLING, 2001. e-Tec Brasil 70 decantador retangular. A retirada de efluente clarificado é feita pelas bordas, e, em região afastada do ponto de entrada. No circular, a alimentação acontece no centro e a coleta de líquido clarificado é feita pelas extremidades. As Figuras 5.3, 5.4 e 5.5 apresentam fotos de decantadores. Figura 5.3: Decantadores retangulares em série. Fonte: daescs.sp.gov.br/imagens/geral/guarau.jpg Figura 5.4: Decantador circular. Fonte: www.aguasdevalongo.net/site/imagens/image002.jpg Aula 5 - Tratamento preliminar e primário 71 e-Tec Brasil Uma vez que a vazão do efluente é baixa quando comparada com o volume do decantador, a velocidade do mesmo é bastante baixa, permitindo assim a decantação das partículas sólidas em suspensão no fundo do decantador. O tempo teórico que o efluente gasta para atravessar todo o decantador é chamado de tempo de detenção hidráulico, que pode ser calculado pela seguinte fórmula: Tempo de detenção hidráulico (td): é o tempo médio (expresso em dias) em que os despejos líquidos permanecem em uma unidade ou sistema. ou A taxa de carregamento orgânico (TCO) é uma outra variável importante na quantificação do volume de efluente a ser tratado. Expressa a quantidade de DBO, DQO (ou de outro parâmetro), medida em Kg, que é lançada para tratamento, por dia, por unidade de volume ou de área de uma unidade. Seu cálculo é feito pela fórmula: 3 TCO = Kg DQO/ m . dia ou 3. Aula 5 - Tratamento preliminar e primário Figura 5.5: Decantadores retangulares em série, com visão da floculação. Fonte: www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/decanta0.jpg 1. td = volume do reservatório (m³) = dia vazão média diária (m³/dia) 2. td = altura ou comprimento do reservatório (m) = dia velocidade média do líquido (m/dia) e-Tec Brasil 72 4. 2 TCO = Kg DQO/ m .dia Uma outra variável usada para quantificar o efluente é a taxa de escoamento superficial. Taxa de escoamento superficial (TES): é a quantidade de efluente liquido que é aplicada por unidade de área de uma unidade durante um dia. Uma vez que o efluente tem um elevado tempo de detenção hidráulica no decantador, um fenômeno indesejável pode ocorrer. Quando o processo gera efluente com lodo orgânico, a permanência prolongada do mesmo no fundo do decantador cria um ambiente com baixa ou nenhuma concentração de oxigênio. Nestas condições, começa a acontecer atividade microbiana, com a consequente formação de gases. Estes gases, além de possuírem odor desagradável (metano e gás sulfídrico), promovem o desprendimento e posterior flutuação de aglomerados de lodos na superfície do decantador. Por este motivo, efluentes que não possuem matéria orgânica, como os originários de processos químicos inorgânicos (como tintas e produtos químicos) tal problema não existe, permitindo um maior tempo de deposição de lodo no fundo dos decantadores. A geometria dos decantadores pode ser circular ou retangular. A remoção do lodo depositado no fundo pode acontecer por mecanismo de raspagem ou sucção. A presença de escumas (materiais flutuantes), é indesejável nos efluentes que alimentam os decantadores. A inclinação no fundo do decantador deve ser tal, que permita a fácil remoção do mesmo, tendo-se o cuidado para que não exista zona morta (de acúmulo de lodo que não seja removido facilmente). A Figura 5.6 representa de forma esquemática um decantador circular, que nos permite visualizar como ocorre a acumulação de lodo no interior do mesmo. 5. 3 2 TES = vazão dos esgotos (m /dia) = m / m . dia = m/dia 2área da unidade (m ) 3 Aula 5 - Tratamento preliminar e primário 5.2.2. Filtração 5.2.2.1. Filtro Prensa É uma operação que visa separar sólidos em uma suspensão de uma fase líquida, fazendo uso de um meio poroso filtrante. Este retém os sólidos em suspensão e permite a passagem da fase líquida. Existem diferentes tipos de filtros. Os mais comuns são de leito poroso granular, filtro prensa e filtro rotativo a vácuo. Um sistemade filtração bastante empregado em estações de tratamento de efluentes é o filtro prensa de placas e quadros. O filtro prensa é amplamente usado na etapa de remoção de lodo numa estação de tratamento de efluente (ETE). O Filtro Prensa do tipo Câmara é um equipamento robusto. Promove a separação entre sólido e líquido, através da passagem forçada de soluções com resíduos, por elementos filtrantes permeáveis. A Figura 5.7 nos permite visualizar um sistema completo de filtração que emprega um filtro prensa com seus acessórios. 73 e-Tec BrasilAula 5 - Tratamento preliminar e primário Figura 5.6: Decantador circular com acúmulo de lodo Fonte: amigonerd.net/images/42285_1d.jpg Acesse o site abaixo e amplie seus conhecimentos sobre o tema. http://www.bomax.com.br/pg -print-filtro-prena.php Uma bomba alimenta o sistema com o efluente de encontro às lonas filtrantes que só permitem a passagem da parte líquida. Esta é drenada (isenta de sólidos) por canais presentes nas placas filtrantes. A parte sólida vai sendo continuamente depositada nas lonas, formando sobre as mesmas uma camada cada vez mais espessa, a qual damos o nome de torta. As placas filtrantes montadas uma contra a outra, formam no interior do equipamento câmaras (vazios) que são completamente preenchidas pelos sólidos. A acumulação destas partículas sólidas, sob a pressão do bombeamento, resulta em tortas compactas e com baixo nível de umidade. Ao se abrir o conjunto, estas “tortas” são retidas para descarte ou reaproveitamento. O fechamento do conjunto é feito por um cilindro hidráulico, que mantém as placas pressionadas firmemente uma contra a outra. Daí o nome de filtro prensa de placas e quadros. O projeto adequado do sistema de filtração (elementos filtrantes, bomba de alimentação, etc) permite elevado rendimento de separação, gerando tortas com menos de 35% de umidade. O filtro prensa é aplicado tanto no tratamento de lodos sanitários como de efluentes industriais. Vantagens do uso do filtro prensa: Ÿ Reduz o tempo de secagem dos sólidos retidos (em comparação com sistemas como leito de secagem); Ÿ Baixo custo na instalação, manutenção e no consumo de energia ( em com- Figura 5.7: Filtro Prensa Fonte: www.bomax.com.br/image/icones/filtro-prensa.jpg e-Tec Brasil 74 Aula 5 - Tratamento preliminar e primário paração a outros sistemas de filtro); Ÿ Redução nos custos de armazenagem, transporte e descarte (incineração, etc.),especialmente em estações de tratamento de efluentes (ETE); Ÿ Possibilita o reaproveitamento do material retido, se desejável; Ÿ Permite uma condição favorável de manuseio dos sólidos retidos (torta), se comparado a polpas e lamas com alto índice de umidade; Ÿ Alcança elevada área de filtragem em pequeno espaço físico de instalação; Ÿ Não exige operadores qualificados. A área filtrante pode ser aumentada, aumentando-se o número de placas. Isto, porém, interfere diretamente em dois fatores: pressão e velocidade. Área filtrante maior implica em menor velocidade de passagem (filtração) e menor a pressão do sistema. Assim, quanto maior for a área de passagem melhor será o processo de filtração, embora seja também mais lenta a operação. No sistema de filtração que emprega filtro prensa, as placas são quadradas de polímero ou aço, podendo ter arestas de até 6,0 metros. Há flexibilidade de se empregar a quantidade de placas que for necessária para cada operação, podendo alinhar até cerca de quarenta placas). Requer uma bomba para alimentar o sistema com o efluente. É importante estar acoplada uma bandeja no fundo do conjunto, visando evitar que gotas do efluente caiam no piso. A flotação envolve princípios físicos. É utilizada na remoção de sólidos em suspensão e óleos e graxas de águas residuárias e na separação e concentração de lodos (RAMALHO, 1996). Requer pouca área, embora exija investimento maior com sua mecanização. Indústrias como de pescado e frigorífico, por possuírem sólidos com altos teores de óleos e graxas devem ter uma etapa de flotação no tratamento de seus efluentes. A flotação envolve a separação de partículas sólidas ou líquidas que se unem a bolhas de ar para formar conjuntos “partículas-ar”. Estas partículas, encapsuladas pela bolha de ar, passam a ter uma densidade aparente menor que a do líquido no qual se encontram. Por tal motivo, tendem a flotar (flutuar). 5.2.2.2. Área filtrante 5.2.3. Flotação 75 e-Tec BrasilAula 5 - Tratamento preliminar e primário e-Tec Brasil 76 A flotação é dita natural, quando o material naturalmente flota no líquido (por já ser menos denso que ele). É o que acontece com óleos e gorduras nas caixas retentoras. A flotação, porém, da qual trataremos aqui é a “flotação provocada”, aquela que se realiza com a injeção de ar comprimido no tanque. . O mecanismo de separação por flotação envolve a injeção de bolhas de ar na fase líquida, por meio de um difusor. As bolhas capturam o material particulado, arrastando-no até a superfície do flotador, onde é coletado. Por este método são removidas com maior eficiência as partículas mais leves e de menores dimensões, que decantam lentamente. A flotação tem as seguintes aplicações em sistemas de tratamento de efluentes (LORA, 2000): Ÿ Separação de gorduras, óleos, fibras e outros sólidos de baixa densidade; Ÿ Espessamento de lodos em sistemas de lodos ativados; Ÿ Espessamento de lodos quimicamente floculados. Os flotadores podem ser de três espécies. São elas: flotadores a ar dissolvido (FAD), a ar ejetado e a ar induzido. A remoção do material flotado é feita por raspagem na superfície da célula de flotação, ou pode acontecer por mero escoamento superficial. Na etapa de coagulação, ou floculação, são adicionados produtos químicos ao efluente. Tais substâncias são chamadas de agente floculante. Elas fazem com que haja a aglutinação das partículas sólidas. Agora, maiores e mais densas, tais partículas decantam mais facilmente. Os agentes floculantes mais empregados são sulfato de alumínio e cloreto férrico. Estas substâncias são sais, e, sólidos nas condições ambientes. Sua adição no efluente, entretanto, acontece na forma dissolvida em água (como uma solução aquosa). A adição do agente floculante desestabiliza os colóides. Isto acontece por coagulação. Na sequência ocorre a floculação. Os colóides podem ser desestabilizados tanto pelo agente floculante químico, como pela passagem de corrente elétrica (eletrocoagulação). Cabe ressaltar que o uso de agente químico é o mais difundido, que ainda promove a retirada 5.2.4. Coagulação/Floculação O vídeo apontado no site a seguir mostra um flotador empregado no tratamento de uma indústria de laticínios em funcionamento. http://www.youtube.com/watc h?v=aAyr_oOlEjk Aula 5 - Tratamento preliminar e primário de parte do fósforo presente no efluente. O uso de produtos químicos gera um grande volume de lodo, tornando a operação de clarificação do efluente mais eficiente. A composição dos colóides é variada, em função dos constituintes dos efluentes. Podem ser formados por microorganismos, gorduras, sólidos argilosos, dentre outros materiais. Estes materiais possuem dimensão da ordem de 0,1 ou menos. Segundo NUNES (2001) a mistura do coagulante com o efluente provoca uma reação com, formando hidróxidos denominados gel. São desprendidos no +3 +3meio líquido então, partículas carregadas positivamente (cátions Al ou Fe ). Estes íons desestabilizarão as cargas negativas dos colóides e sólidos em suspensão, permitindo a aglomeração das partículas. Desta aglomeração são formados os flocos. Estes flocos são partículas maiores e mais densas, que facilmente decantam. A etapa de coagulação envolve uma vigorosa mistura entre o agente floculante eo efluente, por isso é chamada de mistura rápida. Após esta homogeneização, porém, o efluente deverá passar pelo processo de floculação. Esta etapa é chamada de mistura lenta. Nela a velocidade de agitação do efluente é baixa, para impedir que os flocos formados se rompam. Sua finalidade é fazer com que os coágulos, que são partículas desestabilizadas, tendam a formar partículas maiores, denominadas flocos. Para que haja a formação de flocos é necessário ocorrer colisões entre as partículas. A formação de bons flocos ocorre quando se emprega dosagem de coagulante adequada, que sofre influência do pH e outros fatores (NUNES, 2001). Pequenas dosagens não chegam atingir próximo do ponto isoelétrico, enquanto altas dosagens podem reverter o sinal das cargas, re-estabilizando- as. Ambas as condições são indesejáveis. A determinação da quantidade de agente floculante a ser adicionado ao efluente é obtida por teste em laboratório. Este teste é chamado de “jar test”. Neste teste, são colocados em diferentes cubas de vidro volumes iguais do efluente. Em cada uma das mesmas é adicionada uma quantidade diferente de agente floculante. Os líquidos são vigorosamente agitados após esta adição (mistura rápida). O objetivo é a formação do floco. Em seguida a agitação fica mais lenta (mistura lenta). Do contrário, os flocos se romperiam. Ao final, por comparação entre os frascos, é identificado aquele que teve melhor formação de flocos. Assim se descobre qual a quantidade ideal de agente floculante usar no tratamento do efluente. Uma forma de se melhorar a etapa de floculação é, empregar, além do agente floculante, os chamados auxiliares de coagulação. Estes são polielétrolitos que aumentam a velocidade de sedimentação dos flocos. O tipo de polieletrólito adequado deverá ser pesquisado em laboratório. O uso dos polieletrólitos 77 e-Tec BrasilAula 5 - Tratamento preliminar e primário O vídeo a seguir complementa o texto acima, mostrando a execução de um “jar test”. Acesse então o site abaixo e amplie seus conhecimentos. http://www.youtube.com/watc h?v=D4_UTjRHee4&feature= related e-Tec Brasil 78 pode gerar redução do consumo do agente coagulante primário, que pode chegar a cerca de 20%. Quando o efluente por si só já apresenta baixa turbidez (baixa concentração de sólidos em suspensão), é recomendável o uso de substâncias inertes para melhorar a floculação. Elas servem para formar núcleos de flocos. Algumas substâncias usadas com esta finalidade são a sílica ativa e a argila. A coagulação também pode ser promovida pela ação de corrente elétrica. Neste caso, chamamos de eletrocoagulação. A passagem do efluente numa calha eletrolítica promove a oxidação de substâncias químicas presentes no efluente. Como mencionado por Giordano (1999), há uma redução da concentração da matéria orgânica dissolvida no efluente, com a “desestabilização das partículas coloidais”. A equalização é indicada para diminuir as variações das características do efluente líquido, o que dificultaria o tratamento. Nela o efluente é homogeneizado. Assim, tem-se uma uniformidade em sua concentração de compostos orgânicos (DBO), sólidos em suspensão e demais poluentes, além, de promover uma regularização na vazão do efluente destinado ao tratamento. equalização é indicada para diminuir as variações das características do efluente líquido, o que dificultaria o tratamento. Nela o efluente é homogeneizado. Assim, tem-se uma uniformidade em sua concentração de compostos orgânicos (DBO), sólidos em suspensão e demais poluentes, além, de promover uma regularização na vazão do efluente destinado ao tratamento. . Segundo ECKENFELDER (2000), com a equalização consegue-se minimizar ou controlar as variações nas características do efluente, resultando assim em condições ótimas para as operações seguintes de tratamento. A equalização evita uma carga excessiva dos sistemas de tratamento biológico, garantindo-se, além disso, a alimentação contínua dos mesmos e evitando súbita elevação da concentração de produtos tóxicos (capaz de matar os micro-organismos responsáveis pelo tratamento biológico). Evitando-se oscilações de vazão durante os tratamentos físicos e químicos, torna-se mais fácil a operação de adição dos diversos produtos químicos necessários ao tratamento como agente floculante, por exemplo). 5.2.5. Equalização Aula 5 - Tratamento preliminar e primário 5.2.6. Correção de pH / Neutralização 5.2.6.1. Correção de pH para Coagulação 5.2.6.2. Correção de pH para Sistemas Biológicos Esta etapa envolve a necessidade de ajuste de pH do efluente. A neutralização do efluente pode ser necessário em diversos momentos do tratamento. Pode acontecer antes da descarga de águas residuárias em um corpo receptor, antes da descarga no sistema de coleta de esgotos municipal e antes do tratamento químico e biológico (RAMALHO, 1996). Há duas formas de se promover a neutralização do pH de um efluente. A primeira delas se dá quando numa mesma indústria são gerados simultaneamente um efluente ácido e outro alcalino. Neste caso, pode-se misturar as duas correntes. Este método é chamado de homogeneização. A segunda forma de neutralização é chamada de método de controle direto do pH. É o mais comum, pois nem sempre o processo industrial gera efluentes alcalino e ácido simultaneamente para que se faça a homogeneização. O método de controle direto de pH envolve a adição de ácidos ou bases para neutralizar as correntes ácidas ou alcalinas. De acordo com NUNES (2001), a correção do pH de um efluente é necessária para que a coagulação aconteça da melhor forma. Para isso, requer um pH ideal. Só assim, serão formados os flocos esperados. Como já citamos, o “jar test” informa os parâmetro necessários para uma melhor floculação. A correção de pH na etapa de floculação é justificada por razões técnicas e também econômica, pois os coagulantes são mais caros que ácidos e bases. Nos sistemas biológicos aeróbios, a faixa ideal de pH situa-se entre 6,5 e 8,5. Dentro destes valores há um crescimento normal dos microrganismos. Nos sistemas anaeróbios, porém, as bactérias metanogênicas requerem valor de pH ideal numa faixa mais estreita, entre 6,3 e 7,8. Um efluente com pH mais alcalino que o limite desta faixa, eventualmente, pode ser enviado para tratamento biológico. Isto será possível quando o efluente contiver a solução 2tampão dada pela presença do sistema carbônico: gás carbônico (CO ), 3 - –2bicarbonatos (HCO ) e carbonatos (CO ). 3 79 e-Tec BrasilAula 5 - Tratamento preliminar e primário e-Tec Brasil 80 5.2.6.3. Correção de Efluentes Alcalinos 5.2.6.4. Correção de Efluentes Ácidos O acidificante mais largamente empregado é o ácido sulfúrico. Por ser bastante corrosivo tanto para os recipientes como para a pele, seu uso exige cuidados. Assim, geralmente é empregado após diluição com água. O uso do gás carbônico para correção do pH de efluentes alcalinos vem sendo difundido ultimamente. É uma substância bem menos corrosiva que o ácido sulfúrico, porém é mais caro. NUNES (2001) menciona que correção de pH com ácido é feita em tanques com forma de prisma e seção horizontal quadrada. Neste caso, o tempo de retenção de cerca de quinze minutos. Cita o mesmo autor que, para se evitar curto-circuito, a entrada de ácido deverá ser por cima e a saída por baixo ou vice-versa. Para evitar vórtice, pode-se instalar cortinas nos quatro lados do tanque. Não é conveniente o uso de ácidos ou gás carbônico para abaixar o pH de efluentes alcalinos que contenham sulfetos. Isto porque, ocorreria a indesejável formação e desprendimento de gás sulfídrico. Teremos a oportunidade de falar mais sobre os inconvenientes da liberação deste gás quando estudarmos os métodos biológicos de tratamento. Por ora, já antecipamosque se trata de um gás extremamente tóxico e corrosivo. Para tais efluentes contendo sulfetos, pode-se utilizar sulfato ferroso e aerar o efluente. Assim, os sulfetos precipitam sob a forma de sulfeto de ferro (FeS). Neste caso há ainda formação de hidróxido férrico Fe(OH) , que serve para 3 abaixar o pH do efluente, pela formação de produtos de hidrólise do sulfato ferroso. Efluente ácido é neutralizado com alcalinizantes como soda cáustica, carbonato de sódio ou cal. De todos, este último é o mais barato, e, por isso, o mais utilizado. Ao se optar por cal, deve haver um tempo de contato do mesmo com o efluente de, pelo menos, trinta minutos. No caso de se usar soda cáustica, pelo fato da reação acontecer de modo mais rápido, bastam vinte minutos de contato. Segundo recomendação de Nunes (2001), águas residuárias muito ácidas (pH abaixo de 3) requerem correção de pH com cal em duas ou mais etapas. Vamos então agora verificar o que já aprendemos? Aula 5 - Tratamento preliminar e primário Atividades Propostas 1. 2. 3. 4. 5. Enumere as etapas de tratamento preliminar de efluentes. ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ Enumere as etapas de tratamento primário de efluentes. ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ Explique como atua um agente floculante, dando um exemplo de substân- cia que possua tal propriedade. ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ Em que consiste a etapa de equalização de um efluente? ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ Cite duas vantagens do filtro prensa. ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ ________________________________________________________________ 81 e-Tec BrasilAula 5 - Tratamento preliminar e primário Referências Bibliográficas NUNES, José Alves. Tratamento físico-químico de águas residuárias industriais. 3. ed. Aracaju: Triunfo, 2001. LORA, E. E. S. Prevenção e controle da poluição nos setores energético, industrial e de transporte. Brasília: ANEEL, 2000. ISBN: 85-87491-04-0. ECKENFELDER, Wesley. Industrial Water Pollution Control. 2000. USA. Mc Graw Hill. RAMALHO, R.SIntroduction to wastewater treatment processes. 2.ed. Academic Press, 1983.483 p. GIORDANO, G. Avaliação ambiental de um balneário e estudo de alternativa para controle da poluição utilizando o processo eletrolítico para o tratamento de esgotos. Niterói – RJ, 1999. Dissertação de Mestrado (Ciência Ambiental) Universidade Federal Fluminense, 1999. e-Tec Brasil 82 Aula 5 - Tratamento preliminar e primário 1: Aula 1 Página 2 Página 3 Página 4 Página 5 Página 6 Página 7 Página 8 Página 9 Página 10 Página 11 Página 12 Página 13 Página 14 Página 15 Página 16 Página 17 Página 18 Página 19 Página 20