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Educação Física Adaptada e Primeiros Socorros

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Prévia do material em texto

2016
Educação Física 
adaptada E primEiros 
socorros
Prof. Igor de Oliveira Insaurriaga Silva
Profª. Paula Dittrich Corrêa
Copyright © UNIASSELVI 2016
Elaboração:
Prof. Igor de Oliveira Insaurriaga Silva
Profª. Paula Dittrich Corrêa
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
SI586e
 Silva, Igor de Oliveira Insaurriaga 
 Educação física adaptada e primeiros socorros. / Igor de
Oliveira Insaurriaga Silva; Paula Dittrich Correa – Indaial: 
UNIASSELVI, 2016.1,5
 225 p.; il.
 ISBN 978-85-7830-981-7
1.Educação física para deficientes – Brasil. 2.Primeiros socorros 
- Legislação – Brasil. I. Correa, Paula Dittrich. II. Centro Universitário 
Leonardo Da Vinci.
CDD 371.904486 
III
aprEsEntação
Prezado(a) acadêmico(a)!
 
Bem-vindo(a) à disciplina de Educação Física Adaptada e Primeiros 
Socorros. Este Caderno de Estudos foi elaborado com o objetivo de contribuir 
para a realização de seus estudos e para a ampliação de seus conhecimentos 
sobre a inclusão de pessoas com deficiência na prática de atividades físicas. 
Serão abordadas, também, as emergências mais frequentes na prática de 
atividades físicas, suas causas, sintomatologia, prevenção, tratamento e 
condições de discernimento de ação nessas situações.
 
Na Unidade 1, você estudará as características da Educação Física 
Adaptada, enfatizando as diferentes deficiências, suas causas, graus de 
comprometimento (sensorial, motor e cognitivo) e o processo de inclusão 
na Educação Física escolar. Verá que ninguém é deficiente, ou portador de 
deficiência, mas há sim pessoas com deficiência. Conhecerá a história dos 
Jogos Paraolímpicos e suas modalidades e entenderá a sua importância para 
as pessoas com deficiência, além de aprender o que é Classificação Funcional 
e a sua aplicabilidade em cada modalidade paraolímpica.
 
Na Unidade 2, você descobrirá como surgiram os primeiros 
socorros, compreenderá que o professor de educação física exerce um papel 
importantíssimo no desempenho e recuperação da saúde de um indivíduo. 
Também estudará sobre sinais vitais, atendimento pré-hospitalar e ética 
profissional, com foco no atendimento à vítima.
 
Na Unidade 3, você aprenderá como atuar diante de determinados 
acidentes relacionados às atividades esportivas, bem como frente a alguns 
acidentes corriqueiros durante sua atuação profissional, objetivando 
agilidade, segurança e consciência, a fim de evitar agravamento da saúde 
da vítima. Nesse contexto, delineamos os assuntos importantes a serem 
conhecidos e dessa forma, convidamos você a iniciar as atividades, como 
multiplicador da boa ideia de trabalharmos juntos a educação física.
 
Atenciosamente, 
Igor de Oliveira Insaurriaga Silva
Paula Dittrich Corrêa
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto 
para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
NOTA
V
VI
VII
UNIDADE 1 – EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO ......................................................................... 1
TÓPICO 1 – TIPOS DE DEFICIÊNCIAS, CARACTERÍSTICAS E CAUSAS ............................. 3
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 AS DEFICIÊNCIAS .............................................................................................................................. 4
2.1 DEFICIÊNCIA AUDITIVA ............................................................................................................. 4
2.2 DEFICIÊNCIA FÍSICA .................................................................................................................... 6
2.3 DEFICIÊNCIA INTELECTUAL ..................................................................................................... 10
2.4 DEFICIÊNCIA VISUAL .................................................................................................................. 12
3 OUTROS ACOMETIMENTOS .......................................................................................................... 13
3.1 DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS ........................................................................................................ 13
3.2 SÍNDROMES .................................................................................................................................... 14
3.2.1 Síndrome de Down ................................................................................................................. 14
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 16
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 17
TÓPICO 2 – MOVIMENTO PARAOLÍMPICO ................................................................................. 19
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 19
2 PARAOLIMPÍADAS ............................................................................................................................ 20
3 ESPORTES PARAOLÍMPICOS ......................................................................................................... 21
4 CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL ...................................................................................................... 46
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 60
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 61
TÓPICO 3 – ATIVIDADES FÍSICAS ADAPTADAS ........................................................................ 63
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 63
2 ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS ............................................................................................. 65
2.1 SURDOS ........................................................................................................................................... 65
2.2 DEFICIENTESFÍSICOS .................................................................................................................. 66
2.3 DEFICIENTES INTELECTUAIS .................................................................................................... 66
2.4 CEGOS OU COM BAIXA VISÃO .................................................................................................. 67
3 AVALIAÇÃO MOTORA ..................................................................................................................... 67
4 ATIVIDADES ADAPTADAS ............................................................................................................. 69
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 74
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 84
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 85
UNIDADE 2 – PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ........................................... 87
TÓPICO 1 – ASPECTOS GERAIS DOS PRIMEIROS SOCORROS ............................................. 89
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 89
2 HISTÓRIA E CONTEXTUALIZAÇÃO ............................................................................................ 90
3 CONCEITO ............................................................................................................................................ 92
4 ASPECTOS LEGAIS ............................................................................................................................. 96
sumário
VIII
5 ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA EM PRIMEIROS SOCORROS .....99
5.1 ATENDIMENTO INICIAL E CONDUTA .................................................................................... 102
5.2 AVALIAÇÃO PRIMÁRIA ............................................................................................................... 103
5.3 AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA ........................................................................................................ 106
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 108
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 109
TÓPICO 2 – FUNÇÕES VITAIS E PLANEJAMENTO ..................................................................... 111
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 111
2 SINAIS VITAIS ..................................................................................................................................... 112
2.1 PULSO ............................................................................................................................................... 113
2.2 RESPIRAÇÃO ................................................................................................................................... 115
2.3 PRESSÃO ARTERIAL ..................................................................................................................... 117
2.4 TEMPERATURA .............................................................................................................................. 120
2.4.1 Como realizar a leitura do termômetro de mercúrio ........................................................ 121
2.4.2 Classificação da temperatura conforme Oliveira et al. (2007) .......................................... 122
3 IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO E DO PLANEJAMENTO ................................................... 122
3.1 PLANEJAMENTO ESCOLAR ....................................................................................................... 123
3.2 INSTALAÇÕES ................................................................................................................................ 124
3.3 EQUIPAMENTOS ............................................................................................................................ 125
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 128
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 129
TÓPICO 3 – ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR E ÉTICA ........................................................ 131
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 131
2 EMERGÊNCIA E URGÊNCIA ........................................................................................................... 131
2.1 EMERGÊNCIA ................................................................................................................................ 132
2.2 URGÊNCIA....................................................................................................................................... 134
2.3 DIFERENÇA ENTRE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA ................................................................ 134
3 ÉTICA E ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR ............................................................................. 135
3.1 ÉTICA ................................................................................................................................................ 135
3.2 ÉTICA NO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR ...................................................................... 136
4 PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA ............................................................................................. 138
4.1 CONCEITO ....................................................................................................................................... 139
4.2 PRINCIPAIS CAUSAS .................................................................................................................... 139
4.2.1 Respiratórias ............................................................................................................................ 139
4.2.2 Cardíacas .................................................................................................................................. 140
4.3 REANIMAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA ............................................................................. 141
4.3.1 Passos para reanimação de acordo com a Associação American Heart Association (2015) .......142
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 145
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 148
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 149
UNIDADE 3 – EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS ........... 151
TÓPICO 3 – PRIMEIROS SOCORROS EM LESÕES ESPORTIVAS ........................................... 153
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 153
2 FRATURAS ............................................................................................................................................ 153
2.1 CONCEITO ....................................................................................................................................... 153
2.2 CLASSIFICAÇÃO ............................................................................................................................155
2.3 SINAIS E SINTOMAS DE FRATURAS ......................................................................................... 156
2.4 COMO SOCORRER ......................................................................................................................... 158
IX
3 HEMORRAGIA ..................................................................................................................................... 159
3.1 IMPORTÂNCIA DO SANGUE...................................................................................................... 159
3.2 CONCEITO DE HEMORRAGIA ................................................................................................... 160
3.3 CLASSIFICAÇÃO ............................................................................................................................ 161
3.4 COMO PROCEDER ......................................................................................................................... 162
3.5 TORNIQUETE .................................................................................................................................. 164
4 FERIMENTOS ....................................................................................................................................... 166
4.1 CONCEITO ....................................................................................................................................... 166
4.2 CLASSIFICAÇÃO ............................................................................................................................ 166
4.2.1 Ferida fechada ......................................................................................................................... 166
4.2.2 Ferida aberta ............................................................................................................................ 168
4.3 COMO PROCEDER ........................................................................................................................ 169
4.4 FATORES QUE INTERFEREM NO PROCESSO DE CICATRIZAÇÃO .................................. 171
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 172
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 173
TÓPICO 2 – PRIMEIROS SOCORROS EM INCIDENTES EMERGENCIAIS ........................... 175
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 175
2 CURATIVO E BANDAGEM............................................................................................................... 176
2.1 CONCEITO E MODO DE APLICAÇÃO...................................................................................... 176
2.2 CUIDADOS PARA CURATIVOS E BANDAGENS .................................................................... 177
2.3 TIPOS DE FERIMENTOS E CURATIVOS .................................................................................... 180
3 QUEIMADURAS .................................................................................................................................. 180
3.1 CONCEITO ....................................................................................................................................... 180
3.2 CLASSIFICAÇÃO ............................................................................................................................ 182
3.3 EXTENSÃO DA LESÃO ................................................................................................................. 183
3.4 COMO PRESTAR SOCORRO ........................................................................................................ 185
4 CHOQUE ELÉTRICO ........................................................................................................................... 186
4.1 INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE ELETRICIDADE .................................................................. 186
4.2 EFEITOS NO ORGANISMO .......................................................................................................... 187
4.3 COMO SOCORRER ......................................................................................................................... 188
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 190
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 191
TÓPICO 3 – EMERGÊNCIAS NO AMBIENTE EXTRA HOSPITALAR ...................................... 193
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 193
2 OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS .................................................................................................. 194
2.1 CONCEITO E SINAIS DE ASFIXIA .............................................................................................. 194
2.2 COMO SOCORRER ......................................................................................................................... 194
2.3 CAUSAS PARA OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS.................................................................. 196
2.4 MANOBRA DE HEIMLICH .......................................................................................................... 197
3 DESMAIO .............................................................................................................................................. 199
3.1 CONCEITO ....................................................................................................................................... 199
3.2 CAUSAS DO DESMAIO ................................................................................................................. 199
3.3 SINAIS E SINTOMAS ..................................................................................................................... 200
3.4 COMO SOCORRER ......................................................................................................................... 201
4 INSOLAÇÃO ......................................................................................................................................... 203
4.1 CONCEITO ....................................................................................................................................... 203
4.2 SINAIS E SINTOMAS ..................................................................................................................... 204
4.3 COMO SOCORRER ......................................................................................................................... 205
5 INTOXICAÇÃO .................................................................................................................................... 207
X
5.1 CONCEITO ....................................................................................................................................... 207
5.2 SINAIS E SINTOMAS ..................................................................................................................... 208
5.3 O QUE FAZER .................................................................................................................................. 210
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 212
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 214
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................................215
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................... 217
1
UNIDADE 1
EDUCAÇÃO FÍSICA E 
INCLUSÃO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• conhecer atividades físicas adaptadas para serem aplicadas na escola;
• entender a importância e a história dos jogos paraolímpicos;
• refletir sobre o deficiente e sua participação nas aulas de Educação Física.
Esta unidade está dividida em três tópicos. Ao final de cada um deles, você 
encontrará atividades que o(a) auxiliará a fixar os conhecimentos estudados.
TÓPICO 1 – TIPOS DE DEFICIÊNCIAS, CARACTERÍSTICAS E CAUSAS
TÓPICO 2 – MOVIMENTO PARAOLÍMPICO 
TÓPICO 3 – ATIVIDADES FÍSICAS ADAPTADAS
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
TIPOS DE DEFICIÊNCIAS, CARACTERÍSTICAS E CAUSAS
1 INTRODUÇÃO
As pessoas com deficiências possuem algumas características que as 
impedem (de acordo com a especificidade da deficiência) de movimentar-se com 
desenvoltura, organizar ou abstrair rapidamente seu pensamento, ou seja, são 
aquelas que por alguma condição motora, sensorial ou intelectual, são limitadas 
de viver plenamente, mas é importante que fique bem claro que elas merecem 
respeito e têm todo o direito de participar de qualquer atividade proposta, desde 
que sempre respeitando as limitações de cada um.
A CIDID (Classificação Internacional das Deficiências, Incapacidades 
e Desvantagens) propõe uma classificação da conceituação de deficiência que 
pode ser aplicada a vários aspectos da saúde e da doença, sendo um referencial 
unificado para a área. Por essa classificação são conceituadas:
Deficiência: perda ou anormalidade de estrutura ou função psicológica, 
fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. Incluem-se nessas a 
ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um membro, órgão, tecido ou 
qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das funções mentais. Representa a 
exteriorização de um estado patológico, refletindo um distúrbio orgânico, uma 
perturbação no órgão.
Incapacidade: restrição, resultante de uma deficiência, da habilidade 
para desempenhar uma atividade considerada normal para o ser humano. 
Surge como consequência direta ou é resposta do indivíduo a uma deficiência 
psicológica, física, sensorial ou outra. Representa a objetivação da deficiência 
e reflete os distúrbios da própria pessoa, nas atividades e comportamentos 
essenciais à vida diária.
Desvantagem: prejuízo para o indivíduo, resultante de uma deficiência 
ou uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho de papéis de 
acordo com a idade, sexo, fatores sociais e culturais. Caracteriza-se por uma 
discordância entre a capacidade individual de realização e as expectativas do 
indivíduo ou do seu grupo social. Representa a socialização da deficiência e 
relaciona-se às dificuldades nas habilidades de sobrevivência.
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
4
Na CIDID evitou-se utilizar a mesma palavra para designar as 
deficiências, incapacidades e desvantagens. Assim, para uma deficiência foi 
adotado um adjetivo ou substantivo, para uma incapacidade, um verbo no 
infinitivo e para uma desvantagem, um dos papéis de sobrevivência no meio 
físico e social (AMIRALIAN et al., 2000).
TABELA 1 - DISTINÇÃO SEMÂNTICA ENTRE OS CONCEITOS
FONTE: AMIRALIAN et al., 2000
Para que haja a plena inclusão dos alunos com deficiência nas aulas 
de Educação Física concordamos com SOLER (2006, p. 14) quando afirma que 
o professor precisa entender “a diferença entre adestramento e educação”, ou 
seja, independentemente de ser ou não deficiente, a criança deverá construir seu 
próprio saber e nunca realizar uma atividade de forma mecânica, com fim em si 
mesma.
Nesta unidade, buscaremos aprofundar os conhecimentos sobre os tipos 
de deficiências, suas características principais e o que pode causá-las.
2 AS DEFICIÊNCIAS
2.1 DEFICIÊNCIA AUDITIVA
A comunicação é uma necessidade básica de sobrevivência de todos os 
indivíduos, possibilita vários acontecimentos, como a interação social. O homem 
está sempre se comunicando, seja através da linguagem verbal, gestual ou 
corporal, mas de alguma maneira está se relacionando com o outro, expondo sua 
opinião, seus sentimentos compartilhando emoções e, dessa forma, vivendo a 
realidade de um mundo que necessita das relações interpessoais.
Conforme BORDENAVE (1987, p. 9): “A comunicação confunde-se, assim, 
com a própria vida. Temos tanta consciência de que comunicamos, como de que 
respiramos ou andamos”.
TÓPICO 1 | TIPOS DE DEFICIÊNCIAS, CARACTERÍSTICAS E CAUSAS
5
TABELA 1 - DISTINÇÃO SEMÂNTICA ENTRE OS CONCEITOS
2 AS DEFICIÊNCIAS
2.1 DEFICIÊNCIA AUDITIVA
Para que a boa comunicação e o relacionamento com os demais aconteçam, 
o ser humano precisa vivenciar, durante o seu desenvolvimento, diferentes formas 
de expressão, ter oportunidades de se relacionar, de manter contato, enfim, de 
movimentar-se e, de alguma maneira, comunicar-se no meio em que vive.
A comunicação humana é muito rica em suas diferentes formas e meios, 
ou seja, o ser humano comunica até mesmo em silêncio, pois o seu corpo está 
servindo como instrumento desta comunicação de si para os outros ou para ele 
mesmo, e essas situações com significados é que tornam a comunicação humana 
interessante e necessária na vida das pessoas.
A transmissão e compreensão de mensagens e estímulos ocorrem 
diferentemente entre as pessoas. Muitas vezes nos expressamos querendo 
transmitir algo, porém obtemos diferentes respostas ao que realmente pensamos 
e queremos dizer, pois a comunicação também depende da interpretação de cada 
um.
Os indivíduos, ao se comunicarem, utilizam diferentes formas de 
expressão. Formas que podem ser comuns a todos, denunciar o grupo a qual 
pertencem, ou ainda, caracterizar a individualidade de cada um.
Resumindo, o processo de comunicação é uma experiência entre quem 
transmite e quem recebe uma determinada informação, onde ambos utilizam 
significados comuns, como signos, símbolos, fala, gestos etc.
Agora que já entendemos a importância da comunicação para os humanos, 
vamos falar sobre as pessoas que apresentam dificuldades na comunicação oral 
e dependem da linguagem de sinais para uma plena comunicação, infelizmente 
limitada às outras pessoas que necessariamente devem ter conhecimento desta 
linguagem.
Deficiência auditiva é a perda total, ou parcial, na condução ou percepção 
de sinais sonoros (DIEHL, 2006).
Conforme ROSADAS (1989), considera-se, em geral, que a audição 
normal corresponde à habilidade para detecção de sons até 20 decibéis (dB). A 
surdez é classificada em leve, média, severa e profunda, como podemos observar 
no Quadro 1.
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
6
QUADRO 1 - CLASSIFICAÇÕES DA SURDEZ
Classificação
Perda da 
audição
Características
Surdez Leve 20-40 dB
A criança se mostra insegura, desatenta, ansiosa, mas 
capaz de adquirir a linguagem sem complicações.
Surdez Média 40-70 dB
A criança não compreende a fala, requer repetição ou 
auxílio da visão, necessita atendimento especializado.
Surdez Severa 70-90 dB
Nestes casos, a criança necessita de escola ou classe 
especial para aquisição da linguagem básica, precisa 
de auxílio de um intérprete educacional.
Surdez Profunda > 90 dB
Há extrema dificuldade para compreender a voz 
humana e necessita de reeducação auditiva, além do 
exposto para a surdez severa.
FONTE: O autor
ROSADAS (1989) destaca, como principais causas:
■ Período Pré-natal – alterações genéticas, rubéola, caxumba, sarampo.
■ Período Neonatal – fator Rh incompatível, circular de cordão umbilical, parto 
demorado ou com contrações intensas intrauterinas;
■ Período Pós-natal – sífilis, meningite, traumatismos locais, viroses.2.2 DEFICIÊNCIA FÍSICA
Podemos conceituar a deficiência física como um comprometimento 
limitador, nos diferentes níveis de intensidade e localização, os movimentos de 
um indivíduo. Esse comprometimento pode ser em consequência de fatores de 
origem congênita ou adquirida.
 Segundo Diehl (2006, p. 92), deficiência física é:
[...] algum tipo de comprometimento para a realização dos padrões 
motores esperados. Essa dificuldade em executar os padrões 
motores pode acarretar comprometimento ou a não realização 
de alguns movimentos como: caminhar, correr, saltar, manipular 
coordenadamente objetos e movimentos de estabilização do corpo.
A deficiência física pode ser de origem neurológica ou de origem 
ortopédica, conforme os quadros a seguir:
TÓPICO 1 | TIPOS DE DEFICIÊNCIAS, CARACTERÍSTICAS E CAUSAS
7
QUADRO 2 - ORIGEM NEUROLÓGICA
FONTE: O autor
QUADRO 3 - ORIGEM ORTOPÉDICA
FONTE: O autor
A origem principal de deficiências físicas no Brasil é de cunho social, ou 
seja, as deficiências adquiridas em: 
[...] acidentes de trânsito, acidentes de trabalho, devido principalmente 
à falta de condições adequadas ao trabalho, à negligência dos 
trabalhadores quanto ao uso de equipamentos de segurança; erros 
médicos, embora de difícil constatação e comprovação; poliomielite, 
apesar de as campanhas de vacinação diminuírem sensivelmente este 
tipo de doença; violência urbana como tiros e uso de outras armas; 
desnutrição, quando ocorre na infância ou em períodos de gestação. 
Tais causas podem conduzir o indivíduo à restrição total ou parcial 
dos seus movimentos expressivos e funcionais e à necessidade de 
adaptações específicas para a realização dos mesmos. (DIEHL, 2006, 
p. 92).
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
8
É possível classificar a deficiência física conforme o aparecimento, a 
etiologia, a localização e a origem e, portanto, abordá-la de diversos ângulos 
(SANCHÉZ,1990). É importante conhecer as diversas classificações, pois elas 
definirão a condição motora para as atividades físicas e esportivas. 
Pode-se ainda considerar, para a classificação, os segmentos do corpo 
afetados (monoplegia, diplegia, triplegia, tetraplegia, hemiplegia e dupla 
hemiplegia); ou o grau de comprometimento do quadro (leve, moderado e severo). 
O conhecimento dessas classificações é importante, pois será utilizado no esporte 
adaptado. O desconhecimento do quadro clínico leva à tendência de enquadrar a 
criança com paralisia cerebral como deficiente mental. Isso ocorre, muitas vezes, 
em razão da aparência que a criança apresenta (DUARTE; ARAÚJO, 2002, p. 31). 
As definições auxiliam o profissional no trabalho junto às pessoas com 
deficiência física, na escolha de atividades que elas possam fazer, de acordo 
com seu potencial remanescente, sua eficiência, que dependerá de sua força de 
vontade e autonomia. Infelizmente, lesões no sistema nervoso central, como 
cérebro e medula, podem levar a graves sequelas, até o momento, irreversíveis. 
As deficiências físicas de origem cerebral são causadas por lesões ocorridas 
no cérebro que afetam diferentes segmentos do corpo, causando monoplegia 
quando afetam um membro; diplegia quando afetam dois membros; triplegia se 
afetarem três membros; quando atingem quatro membros, será quadriplegia; e 
hemiplegia, quando todo um lado do corpo é atingido. 
Em relação ao membro/segmento afetado, o comprometimento pode variar 
conforme o grau: leve, quando a pessoa consegue realizar movimentos quase na 
sua perfeição; moderado, quando há necessidade de alguma forma de auxílio; e 
severo, se a pessoa se torna dependente em função do comprometimento. 
As lesões mais comuns são a paralisia cerebral e os traumatismos 
cranioencefálicos.
A paralisia cerebral (PC) é uma lesão que afeta o Sistema Nervoso Central 
(SNC) antes que seu desenvolvimento tenha se completado, causando uma 
desordem motora e sensitiva na movimentação ampla e fina do corpo. Segundo 
Adams (1985, p. 80): "Essa alteração frequentemente é complicada pela ocorrência 
de convulsões, alterações do comportamento ou retardo mental". As PCs mais 
comuns são subdivididas em três tipos: espástica, atetoica e atáxica. 
Espástica: quando há uma desordem no movimento voluntário, o que faz 
com que todo o corpo participe de um movimento que, normalmente, envolveria 
apenas uma parte do corpo. Pode agravar-se conforme o estado emocional. 
Atetoica: reflexo que causa um movimento involuntário do corpo, até 
mesmo quando em repouso. 
TÓPICO 1 | TIPOS DE DEFICIÊNCIAS, CARACTERÍSTICAS E CAUSAS
9
Atáxica: distúrbio motor que causa problemas na postura e na coordenação 
motora, causando dificuldades no equilíbrio e na percepção tátil. Raramente 
ocorre em estado puro. É caracterizada pela falta de coordenação da atividade 
ou função, ou ambas, por causa do distúrbio do senso cinestésico. O atáxico 
tem de se concentrar para não cair e sua marcha assemelha-se àquela de uma 
pessoa intoxicada. Na maioria dos casos, o tônus muscular é fraco. O grau de 
envolvimento na paralisia cerebral determina as capacidades do movimento e a 
capacidade funcional. 
As atáxicas são classificadas de acordo com as extremidades afetadas: 
MONOPLEGIA: é um membro comprometido, é raro, pode ser a perna 
ou braço. 
PARAPLEGIA: quando a paralisia afeta apenas os membros inferiores; 
podendo ter como causa resultante uma lesão medular torácica ou lombar. Este 
trauma ou doença altera a função medular, produz como consequências, além de 
déficits sensitivos e motores, alterações viscerais e sexuais. 
HEMIPLEGIA: somente um lado do corpo é comprometido. Pode ser 
mais afetado o membro superior ou inferior.
DIPLEGIA: envolvimento de ambas as pernas, com leve envolvimento 
dos braços, pode o lado direito ou esquerdo se mais comprometido.
TRIPLEGIA: três membros, com frequência as duas pernas e um braço. É 
raro porque a lesão é sempre difusa.
TETRAPLEGIA ou QUADRIPLEGIA: quatro membros acometidos, as 
pernas geralmente espásticas e os braços discinéticos.
O traumatismo cranioencefálico é um outro tipo de lesão no cérebro que 
afeta o SNC, provocada por trauma ou Acidente Vascular Cerebral (AVC). Pode 
causar hemiplegia, afasia (dificuldade da fala), comportamento social e emocional 
alterados. É adquirido e ocorre após os três meses de idade. 
De acordo com Sanchéz (1990), as causas mais comuns são acidentes 
domésticos como quedas e golpes; acidentes de trânsito ou de outra natureza. 
Segundo o autor, suas características são variadas, pois dependem da região 
lesionada, da gravidade, da combinação com outros traumatismos, da duração e 
profundidade da perda da consciência. 
Os aspectos comumente apresentados são lentidão gestual e intelectual e 
movimentos involuntários, parecidos com os movimentos dos atetoicos ou dos 
atáxicos. Além de afetar o cérebro, as lesões do SNC podem também afetar a 
medula, causando um traumatismo raquimedular. 
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
10
As deficiências de origem medular são causadas por lesões na região da 
coluna medular, afetando a sensibilidade o controle motor ou ambos. Pode ocorrer 
na coluna cervical, torácica, lombar ou sacral. As lesões podem ser originadas 
pela poliomielite, espinha bífida, degeneração ou traumatismos. 
NOTA
Você poderá encontrar mais informações sobre poliomielite, espinha bífida, 
degeneração e traumatismos na trilha da disciplina. 
Há tipos de degeneração progressiva da musculatura, de origem genética 
ligada ao sexo. A forma mais comum é a denominada distrofia muscular de 
Duchenne, distúrbio recessivo ligado ao cromossomo X.
Na origem osteoarticular, as malformações congênitas podem ocorrer 
durante a gestação ou no momento do nascimento, variando desde a ausência 
da parte distal até a ausência total do membro afetado. A ausência do membro 
ou parte dele pode sercausada por toxicidade de medicamentos como a 
talidomida. Outra forma de malformação congênita é a rigidez articular, em que 
há calcificação de articulações, de tal forma que o indivíduo perde a mobilidade 
das áreas atingidas. 
A amputação é uma lesão ósseo muscular adquirida, em geral, por algum 
trauma que afeta o sistema nervoso periférico, causa sequelas graves e leva à 
necessidade da retirada do membro um pouco acima da lesão, como medida de 
segurança, para garantir a saúde do indivíduo.
2.3 DEFICIÊNCIA INTELECTUAL
Deficiência intelectual pode ser caracterizada pelo inferior funcionamento 
intelectual, geralmente abaixo da média, que, juntamente com déficits no 
comportamento adaptativo, manifesta-se no período de desenvolvimento. 
É a condição na qual o cérebro está impedido de atingir um desenvolvimento 
adequado, dificultando a aprendizagem no indivíduo, privando-o de adaptação 
social.
Segundo Almeida (2004), deficiência intelectual é o estado de diminuição 
evidente do funcionamento intelectual expressivamente abaixo da média, 
acompanhado de limitações em, pelo menos, dois aspectos do funcionamento 
adaptativo: comunicação; cuidados pessoais; competências domésticas; 
habilidades sociais; utilização dos recursos comunitários; autonomia; saúde e 
segurança; aptidões escolares; lazer; trabalho.
TÓPICO 1 | TIPOS DE DEFICIÊNCIAS, CARACTERÍSTICAS E CAUSAS
11
Podemos, também, caracterizar o deficiente intelectual como um indivíduo 
que apresente seu Quociente de Inteligência (QI) inferior a 70.
De acordo com Diehl (2006), para que um indivíduo seja diagnosticado 
como deficiente intelectual, todos os aspectos citados acima devem ocorrer, 
impreterivelmente, durante seu desenvolvimento infantil.
A tendência atual é de não classificar por QI, por serem esses testes muito 
específicos e, por isso, limitados. Devemos sempre levar em conta o histórico 
de cada aluno, o meio onde vive, a maneira como é tratado e os estímulos que 
recebe. Podemos encontrar crianças ou adolescentes com o mesmo QI e respostas 
comportamentais muito diferentes. Ou seja, alguns conseguem articular e 
organizar o pensamento conforme as tarefas propostas e outros, com o mesmo 
QI, não apresentam iniciativa de respostas comportamentais. 
A deficiência intelectual pode ser classificada em seis áreas, conforme a 
etiologia (Diehl, 2006): 1) genéticas; 2) complicações pré-natais; 3) complicações 
no parto; 4) complicações pós-natais; 5) socioculturais e 6) desconhecidas. 
Nesta unidade serão relacionadas aquelas que apresentam maior 
incidência.
1) Genéticas – Apresentam-se sob duas formas: aquelas geradas por 
desordem bioquímica, como a fenilcetonúria e a galactosemia e aquelas com 
aspecto de desordem cromossômica, como a Síndrome de Down, a Síndrome de 
Rett e a Síndrome do X Frágil. 
2) Complicações pré-natais – No período entre a concepção até o início do 
trabalho de parto, o feto não é imune aos fatores exógenos. Sendo assim, pode ser 
afetado por determinados hábitos e ações da mãe ou, ainda, por doenças por ela 
contraídas. As complicações pré-natais podem ser causadas pela ação de raios X 
durante o período de gestação, ingestão de drogas e álcool pela mãe no período 
gestatório, doenças adquiridas pela mãe e que passam ao feto, tais como rubéola 
e infecções hepáticas. É muito importante que a futura mãe tenha boa assistência 
médica durante a gestação, pois muitos riscos podem ser minimizados através de 
cuidados médicos. 
3) Complicações no parto – O período perinatal corresponde ao início do 
trabalho de parto e vai até o 30° dia de vida do bebê. Os problemas decorrentes 
deste período são relacionados à prematuridade, que ocasiona o baixo peso (PIG 
– Pequeno para a Idade Gestacional); má assistência no momento do parto, que 
pode ocasionar traumas ao bebê; hipóxia ou anóxia e icterícia grave do recém-
nascido. 
4) Complicações pós-natais – As complicações pós-natais são aquelas que 
incidem do 30° dia de vida até o final da adolescência e podem ser causadas 
por desnutrição ou desidratação grave; carência de estimulação global; infecções 
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
12
como encefalites, febres altas que podem destruir as células cerebrais, e meningite, 
resultante do ataque de bactérias que causam danos ao sistema nervoso central; 
intoxicações exógenas (envenenamento) por remédios, inseticidas, produtos 
químicos (chumbo, mercúrio); acidentes, tais como de trânsito, afogamento, 
choque elétrico, quedas etc. Ou infestações como a neurocisticercose. 
UNI
Ainda podemos citar as complicações socioafetivas, que são problemas 
decorrentes da insuficiência de estímulos sensoriais nos primeiros anos de vida, além de 
fatores que não podem ser atribuídos a nenhum dos acima relacionados. Muitas das causas 
podem ser evitadas através dos exames pré-natais. 
2.4 DEFICIÊNCIA VISUAL
De acordo com DIEHL (2006 apud CHIVIACOWSKY et al., 2009) deficiente 
visual é um indivíduo com redução ou incapacidade total de ver com o melhor 
olho, mesmo após o uso de correção ótica (recursos como óculos ou lente de 
contato). Para uma pessoa ser considerada com comprometimento visual, além 
de apresentar um comprometimento em relação à acuidade visual, ela deverá ter 
seu campo visual restrito. 
São consideradas com baixa visão as pessoas que possuem resquícios 
visuais, mas que necessitam utilizar recursos de orientação; são consideradas 
cegas aquelas que não possuem capacidade total de ver a qualquer distância e, 
apesar de distinguir a luminosidade, não distinguem as formas. 
Segundo Diehl (2006), nós podemos classificar a deficiência visual em leve, 
moderada, severa, profunda (visão subnormal ou baixa visão) e ausência total da 
resposta visual (cegueira). Sob o enfoque educacional, os cegos são indivíduos 
que apresentam desde ausência total da visão até a perda da projeção de luz. Seu 
processo de aprendizagem se dará com o uso dos sentidos remanescentes (tato, 
audição, olfato e paladar), utilizando o sistema Braille como meio de leitura e 
escrita.
Já os indivíduos com baixa visão preservam algum resquício de sua 
acuidade visual para a percepção de luz, vultos, letras etc. Apesar de utilizar 
recursos específicos, seu processo educativo se dará, preferencialmente por meios 
visuais.
TÓPICO 1 | TIPOS DE DEFICIÊNCIAS, CARACTERÍSTICAS E CAUSAS
13
2.4 DEFICIÊNCIA VISUAL
As causas podem ser congênitas ou adquiridas, de fatores genéticos e 
ambientais. Nem todas as anomalias visuais congênitas resultam de fatores 
genéticos, muitas são resultantes de fatores ambientais que atuam no feto, como 
radiação (mãe exposta a raio x), doenças infecciosas, alcoolismo e uso de drogas 
em geral (lícitas ou não).
Os principais acometimentos que ocasionam a cegueira são:
- Glaucoma.
- Retinose pigmentar.
- Retinoblastoma.
- Retinopatia da prematuridade.
- Retinopatia diabética.
- Degeneração macular senil.
- Rubéola (até os três meses de gestação).
- Outras infecções neonatais: sarampo, quando ocorre lesão da retina e a 
prematuridade. 
3 OUTROS ACOMETIMENTOS
Além das deficiências supracitadas, existem diversos acometimentos 
que poderão dificultar o pleno desenvolvimento dos indivíduos, como as 
deficiências múltiplas (surdocegueira), síndromes (Down, Rett), transtornos do 
desenvolvimento (TDAH, autismo, Asperger) e transtornos psíquicos (pânico, 
esquizofrenia, desordem obsessiva compulsiva (DOC), depressão e distúrbio 
bipolar).
3.1 DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS
O Ministério de Educação do Brasil define a deficiência múltipla como: 
O termo deficiência múltipla tem sido utilizado com frequência, para 
caracterizar o conjunto de duas ou mais deficiências associadas, de 
ordem física, sensorial, mental, emocional ou de comportamento social. 
No entanto, não é o somatório dessas alterações que caracterizam 
a múltipladeficiência, mas sim o nível de desenvolvimento, as 
possibilidades funcionais, de comunicação, interação social e de 
aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas 
pessoas. (GODÓI, 2006, p. 11).
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
14
3.1.1 Surdocegueira
Pessoa surdocega é "aquela que tem uma perda substancial da visão e 
da audição, de tal forma que a combinação das duas deficiências cause extrema 
dificuldade na conquista de metas educacionais, vocacionais, de lazer e sociais", 
como consta nos documentos da I Conferência Mundial Helen Keller sobre 
serviços para os surdocegos jovens e adultos.
Segundo informações do Instituto Benjamim Constant, do Rio de Janeiro, 
o comprometimento simultâneo de ambos os sentidos varia de pessoa para 
pessoa. Alguns surdocegos têm audição residual e até a fala, nos casos em que 
a surdez evoluiu depois de o indivíduo já ter adquirido a linguagem oral (os 
chamados "pós-simbólicos"). Os casos mais graves são os "pré-simbólicos", de 
surdocegueira congênita ou adquirida antes da aquisição da linguagem. Estes, 
sem dúvida, precisam de mais atenção para desenvolver formas alternativas de 
comunicação.
FONTE: Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/formacao/surdo-cegueira-deficiencia-
multipla-inclusao-636397.shtml>. Acesso em: 13 jan. 2016.
3.2 SÍNDROMES
Síndrome é o nome que se dá a uma série de sinais e sintomas que, 
juntos, evidenciam uma condição particular. A síndrome de Down, por exemplo, 
engloba deficiência intelectual, baixo tônus muscular (hipotonia) e dificuldades 
na comunicação, além de outras características, que variam entre os atingidos por 
ela. 
FONTE: Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/formacao/aprender-superar-511027.
shtml>. Acesso em: 13 jan. 2016.
3.2.1 Síndrome de Down
A síndrome de Down é um distúrbio genético que ocorre ao acaso durante 
a divisão celular do embrião. Esse distúrbio ocorre, em média, em 1 a cada 800 
nascimentos e tem maiores chances de ocorrer em mães que engravidam quando 
mais velhas. É uma síndrome que atinge todas as etnias. Em uma célula normal 
da espécie humana existem 46 cromossomos divididos em 23 pares. A pessoa que 
tem síndrome de Down possui 47 cromossomos, sendo que o cromossomo extra 
é ligado ao par 21 (MORAES, 2016).
TÓPICO 1 | TIPOS DE DEFICIÊNCIAS, CARACTERÍSTICAS E CAUSAS
15
IMPORTANT
E
O problema ortopédico mais conhecido em crianças com síndrome de Down 
é a instabilidade atlantoaxial, que significa um movimento maior do que o usual entre a 
primeira e a segunda vértebra do pescoço. Estima-se que 15% das crianças com síndrome de 
Down apresentem essa condição. A instabilidade atlantoaxial é uma preocupação por causa 
do risco presumido de danos na espinha dorsal, caso uma das vértebras pressione a mesma. 
De acordo com as Diretrizes de Atendimento à Pessoa com Síndrome de Down do Ministério 
da Saúde, independentemente de um diagnóstico prévio, todas as crianças com síndrome 
de Down devem realizar um exame de raio-X da coluna cervical aos três e aos dez anos para 
identificar se existe instabilidade atlantoaxial e deve evitar atividades que coloquem pressão 
sobre o pescoço, como mergulho, ginástica olímpica e esportes de contato, como basquete 
e futebol, por exemplo.
FONTE: Disponível em: <http://www.movimentodown.org.br/2013/01/questoes-
ortopedicas-2/>. Acesso em: 14 jan. 2016.
16
Neste tópico, você estudou que:
• Podemos definir a deficiência como a perda ou anormalidade de estrutura 
ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, temporária ou permanente. 
Incluem-se nessas a ocorrência de uma anomalia, defeito ou perda de um 
membro, órgão, tecido ou qualquer outra estrutura do corpo, inclusive das 
funções mentais.
• A deficiência auditiva é a perda total, ou parcial, na condução ou percepção de 
sinais sonoros.
• A deficiência física como um comprometimento que limita, nos mais diferentes 
níveis de intensidade e localização, os movimentos de um indivíduo.
• A deficiência intelectual pode ser caracterizada pelo inferior funcionamento 
intelectual, geralmente abaixo da média, que, juntamente com déficits no 
comportamento adaptativo, manifesta-se no período de desenvolvimento.
• Deficiente visual é um indivíduo com redução ou incapacidade total de ver 
com o melhor olho, mesmo após o uso de correção ótica.
• Além das deficiências supracitadas, existem diversos acometimentos que 
poderão dificultar o pleno desenvolvimento dos indivíduos, como as 
deficiências múltiplas (surdocegueira), síndromes (Down, Rett), transtornos do 
desenvolvimento (TDAH, Autismo, Asperger) e transtornos psíquicos (pânico, 
esquizofrenia, desordem obsessiva compulsiva (DOC), depressão e distúrbio 
bipolar).
RESUMO DO TÓPICO 1
17
1 Quais atividades um aluno com Síndrome de Down, que apresenta 
diagnóstico de instabilidade atlantoaxial, não poderá realizar nas aulas de 
educação física? 
2 Cite duas causas para cada deficiência a seguir:
a) Auditiva: 
b) Física: 
c) Intelectual: 
d) Visual:
AUTOATIVIDADE
18
19
TÓPICO 2
MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
O esporte é um bem cultural e um direito de todos. Os deficientes como 
todos os outros, podem e devem praticar esportes.
Muitas modalidades esportivas são adaptadas às suas peculiaridades, com 
o objetivo de lhes oferecer os benefícios trazidos pelo esporte: o desenvolvimento 
de uma autoimagem positiva, a utilização de capacidades ainda não conhecidas, 
a autorrealização, a melhoria da saúde, uma autonomia maior e a interação social 
e cultural. 
Existem várias modalidades, competitivas ou não, a que os deficientes 
podem se dedicar. Os Jogos Paraolímpicos são uma expressão internacional 
importante na valorização do esporte adaptado. O estímulo ao desenvolvimento 
da prática esportiva pelos deficientes deve romper duas barreiras: a falta de 
conhecimento e o preconceito.
UNI
Paralímpicos ou Paraolímpicos?
 Novembro de 2009, época em que foi divulgado o evento Rio 2016 – “Jogos 
Paralímpicos” que ocorrerão em 2016. Constatamos, disso não resta nenhuma dúvida, 
embora não tenhamos nos atentado para o fato de que a vogal “o” foi suprimida da palavra 
“Paraolímpicos”. Daí, usuários desse precioso idioma que somos, sentimo-nos questionados: 
mais uma vez a língua estaria sendo maltratada? Há rumores de que o VOLP tão logo passará 
a registrar a nova forma, pois somente assim teríamos ciência de que o termo, em questões 
formais, estaria sendo registrado. Prosseguindo com o impasse, as discussões parecem 
ganhar ainda mais vivacidade, restando saber as reais intenções de tal fato.
 A resposta parece emergir quase que de forma imediata, uma vez que para o CPB 
(Comitê Paralímpico Brasileiro), fundado desde 1995, a nova mudança operou-se no intuito 
de o Brasil se igualar mundialmente aos demais países. Assim, diante de tais intenções, estaria 
o Comitê seguindo adiante e deixando para trás o esquecido “o” de épocas e épocas de 
permanência, vindo a se transformar em Comitê Paralímpico Brasileiro? Ao contextualizarmos 
essa questão, tudo parece estar perfeitamente nítido, haja vista que não há nada que 
contradiga: o fato é que tudo isso nada mais é do que o reflexo da globalização sobre a 
nossa língua, de cujas origens não podemos discordar. Nesse sentido, é bom que se diga que 
a palavra “paraolímpico” resultou da junção do prefixo de origem grega para (de paraplegia) 
com o adjetivo olímpico, semelhantemente a tantas outras palavras que compartilham nosso 
cotidiano linguístico.
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
20
 O que se percebe é que, vivenciando fatos norteados por um estilo amplamente 
sincrônico da língua, precisamos nos conscientizar de que somente o tempo dirá: se eles 
permanecerão, até se tornarem formalizados, ou se conceberão como objeto de refutação,pelo menos por boa parte dos gramáticos. Ao menos, por enquanto, prevalece a segunda 
das alternativas, mesmo porque até para os atletas paraolímpicos trata-se da Paraolimpíadas, 
Jogos Paraolímpicos, enfim, justamente porque são realizados de forma paralela ao Jogos 
Olímpicos.
FONTE: DUARTE, V. M. do N. Jogos Paralímpicos ou Jogos Paraolímpicos?". Brasil Escola. 
Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/gramatica/jogos-paralimpicos-ou-jogos-
paraolimpicos.htm>. Acesso em: 6 mar. 2016.
2 PARAOLIMPÍADAS
Há notícia da existência de clubes esportivos para pessoas surdas em 
Berlim, Alemanha, ainda em 1888.
 
Em 1922, foi fundada a Organização Mundial de Esportes para Surdos 
(CISS). Assim, as pessoas com este tipo de deficiência chegaram a organizar uma 
própria competição internacional – os Jogos Silenciosos. Hoje, os atletas surdos 
costumam praticar esportes junto de pessoas sem deficiência e não possuem 
modalidades no programa paraolímpico.
Em 1948, Ludwig Guttman organizou uma competição esportiva que 
envolvia veteranos da Segunda Guerra Mundial com lesão na medula espinhal. O 
evento foi realizado em Stoke Mandeville, na Inglaterra. Quatro anos mais tarde, 
competidores da Holanda uniram-se aos jogos e, assim, nasceu um movimento 
internacional. Este fez com que jogos no estilo olímpico, para atletas deficientes, 
fossem organizados pela primeira vez em Roma, em 1960.
Em Toronto, 16 anos depois, foram adicionados na competição outros 
grupos de pessoas com deficiência. A partir daí, surgiu a ideia de fundir estes 
diferentes atletas em um grande torneio esportivo internacional. Naquele mesmo 
ano, 1976, a Suécia organizou os primeiros Jogos Paraolímpicos de Inverno.
Hoje, os Jogos Paraolímpicos são um evento de esporte de alto rendimento 
para atletas deficientes. Apesar disso, os jogos enfatizam mais as conquistas do 
que as deficiências dos participantes. O movimento tem crescido de maneira 
significante desde os primeiros dias. 
 
Quatrocentos atletas participaram dos Jogos Paraolímpicos de Verão de 
Roma, em 1960. Nos Jogos de Pequim, em 2008, foram 3.951 atletas, de 146 países.
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
21
2 PARAOLIMPÍADAS
Os Jogos Paraolímpicos têm sido sempre realizados no mesmo ano dos 
Jogos Olímpicos. Desde os Jogos de Seul, em 1988, também têm sido sediados 
no mesmo local. Em 19 de junho de 2001, foi assinado um acordo entre o Comitê 
Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) que 
assegura esta prática para o futuro.
Desde o processo de escolha para os Jogos de 2012, a cidade-sede escolhida 
também é obrigada a acolher os Jogos Paraolímpicos. Londres, no Reino Unido, 
sediou os últimos Jogos Paraolímpicos de Verão, em 2012 e os Jogos Paraolímpicos 
de Inverno foram realizados em Sochi, na Rússia.
FONTE: Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Disponível em: <http://www.cpb.org.br/>. Acesso 
em: 16 fev. 2016.
3 ESPORTES PARAOLÍMPICOS
Entre os mais diversos esportes destinados aos deficientes, falaremos a 
seguir sobre os que compõem o programa paraolímpico, de acordo com o Comitê 
Paralímpico Brasileiro, até RIO 2016:
ATLETISMO
O atletismo faz parte do programa dos Jogos Paraolímpicos desde a 
primeira edição, em Roma-1960. Mas foi apenas em 1984 que o Brasil conquistou 
as primeiras medalhas, em Nova Iorque (Estados Unidos) e em Stoke Mandeville 
(Inglaterra). Naquele ano, o país faturou seis medalhas de ouro, doze de prata e 
três de bronze na modalidade.
FIGURA 1 - ATLETISMO
FONTE: CPB/divulgação
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
22
Como é disputado
O atletismo paraolímpico é praticado por atletas com deficiência física ou 
visual. Há provas de corrida, saltos, lançamentos e arremessos, tanto no feminino 
quanto no masculino. Os competidores são divididos em grupos de acordo com 
o grau de deficiência constatado pela classificação funcional.
Nas corridas, os atletas com deficiência visual mais alta podem ser 
acompanhados por guias, ligados a eles por uma corda. Já entre os deficientes 
físicos, há corridas com o uso de próteses ou em cadeiras de rodas.
O Brasil nos jogos
O atletismo brasileiro passou a brilhar com mais força a partir de 2004, nos 
Jogos Paraolímpicos de Atenas, quando o país conquistou 16 medalhas. Os Jogos 
Parapan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, foram outro marco. Em casa, a 
delegação verde e amarela somou 73 medalhas apenas neste esporte, sendo 25 de 
ouro, 27 de prata e 21 de bronze, terminando em primeiro lugar geral. No total, o 
país já faturou 112 medalhas na modalidade em Jogos Paraolímpicos: 32 de ouro, 
50 de prata e 30 de bronze.
BASQUETE EM CADEIRA DE RODAS
Praticado inicialmente por ex-soldados norte-americanos que haviam 
saído feridos da 2ª Guerra Mundial, o basquete em cadeira de rodas fez parte de 
todas as edições já realizadas dos Jogos Paraolímpicos. As mulheres passaram a 
disputar a modalidade em 1968, nos Jogos de TelAviv.
FIGURA 2 - BASQUETEBOL EM CADEIRA DE RODAS
FONTE: CPB/divulgação
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
23
No Brasil, o basquete em cadeira de rodas tem forte presença na história 
do movimento paraolímpico, sendo a primeira modalidade praticada no país, 
a partir de 1958, introduzida por Sérgio Del Grande e Robson Sampaio. Depois 
de ficar de fora dos Jogos Paraolímpicos por 16 anos, a Seleção Brasileira voltou 
à disputa ao conquistar a vaga para Atenas-2004 durante os Jogos Parapan-
Americanos de Mar Del Plata-1995.
As cadeiras de rodas utilizadas por homens e mulheres são adaptadas e 
padronizadas pelas regras da Federação Internacional de Basquete em Cadeira 
de Rodas (IWBF).
Como é disputado
O jogador deve quicar, arremessar ou passar a bola a cada dois toques 
dados na cadeira. As dimensões da quadra e a altura da cesta seguem o padrão 
do basquete olímpico. São disputados quatro quartos de dez minutos cada.
O Brasil nos Jogos
Apesar da popularidade no país, o Brasil ainda não conquistou medalhas 
na modalidade em Jogos Paraolímpicos. A estreia da seleção masculina foi nos 
Jogos de Heidelberg-1972, e, da feminina, em Atlanta-1996. A melhor colocação 
brasileira na modalidade foi o oitavo lugar em Atlanta-1996 e Pequim-2008, com 
a Seleção Feminina.
BOCHA
 
Praticada por atletas com elevado grau de paralisia cerebral ou deficiências 
severas, a bocha estreou nos Jogos Paraolímpicos em 1984, no masculino e 
no feminino. A modalidade passou a contar com a disputa em duplas em 
Atlanta-1996. A origem do esporte, no entanto, é incerta. Os indícios dizem que 
tudo começou na Grécia e no Egito antigos como um passatempo, tornando-se 
um esporte apenas mais tarde, na Itália. No Brasil, a bocha desembarcou junto 
com os imigrantes italianos.
FIGURA 3 - BOCHA
FONTE: CPB/divulgação
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
24
A versão adaptada da modalidade só passou a ser praticada na década de 
1970. Antes de se tornar uma modalidade olímpica, no entanto, a bocha teve um 
antecessor nos Jogos Paraolímpicos. Foi o lawnbowls, uma espécie de bocha jogada 
na grama. Foi justamente no lawnbowls que o Brasil conquistou sua primeira 
medalha na competição. Róbson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos “Curtinho” 
foram prata nos Jogos de Heidelberg, na Alemanha em 1972.
Como é disputado
Os atletas usam cadeiras de rodas e têm o objetivo de lançar as bolas 
coloridas o mais perto possível de uma branca (jack ou bolim). É permitido usar 
as mãos, os pés, instrumentos de auxílio e até ajudantes (calheiros) no caso dos 
atletas com maior comprometimento dos membros.
O Brasil nos Jogos
O Brasil estreou em Pequim-2008, com duas medalhas de ouro e uma de 
bronze. Em Londres-2012, o país conquistou outros três ouros e um bronze.
ESTUDOS FU
TUROS
Ao final desta unidade, serão apresentadas, como LEITURA COMPLEMENTAR, 
as regras da BOCHA.CICLISMO
Praticado desde a década de 1980, o ciclismo paraolímpico era destinado 
apenas aos deficientes visuais. Nas Paraolimpíadas de Nova Iorque-1984 foi 
estendido aos paralisados cerebrais e aos amputados, e nas de Seul-1988, passou 
a contar com a prova de estrada no programa oficial. Mas foi apenas na edição 
de Atlanta-1996 que as deficiências passaram a ser setorizadas em categorias. 
O velódromo entrou para a programação naquele ano e, em Sydney-2000, foi 
exibido pela primeira vez o handcycling.
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
25
FIGURA 4 - CICLISMO
FONTE: CPB/divulgação
Como é disputado
Paralisados cerebrais, deficientes visuais, amputados e lesionados 
medulares (cadeirantes), de ambos os sexos, competem no ciclismo adaptado. 
Seguindo as regras da União Internacional de Ciclismo (UCI), a modalidade tem 
apenas algumas diferenças para adequar-se ao programa paraolímpico. Entre 
os paralisados cerebrais, por exemplo, as bicicletas podem ser convencionais 
ou triciclos, de acordo com o grau de lesão do atleta. Já os cegos pedalam em 
uma bicicleta dupla (tandem), sendo guiados por outra pessoa, que fica no banco 
da frente. Enquanto isso, o handcycling é movido pelas mãos e destinado aos 
cadeirantes. As provas são de velódromo, estrada e contrarrelógio.
Velódromo
As bicicletas não têm marchas e a competição ocorre em uma pista oval, 
que varia de 250 m a 325 m de extensão.
Estrada
Os ciclistas de cada categoria largam ao mesmo tempo. As competições 
são as mais longas da modalidade, com até 120 km de percurso.
Contrarrelógio
Os atletas largam de um em um minuto, pedalando contra o tempo. Nesta 
prova, a posição dos ciclistas na pista não diz, necessariamente, a colocação real 
em que se encontram, pois tudo depende do tempo.
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
26
O Brasil nos Jogos
 
A estreia brasileira na modalidade ocorreu em Barcelona-1992, com a 
participação de Rivaldo Gonçalves Martins. O atleta foi também o primeiro do 
país a ser campeão mundial, em 1994, na Bélgica. Apesar disso, o Brasil ainda não 
conquistou medalhas no ciclismo em Jogos Paraolímpicos.
ESGRIMA EM CADEIRA DE RODAS
Destinada a atletas com deficiência locomotora, a esgrima adaptada surgiu 
em 1953 e foi aplicada originalmente pelo médico alemão Ludwig Guttman, o 
pai do movimento paraolímpico. A modalidade, uma das mais tradicionais, é 
disputada desde a primeira edição dos Jogos Paraolímpicos, em Roma-1960.
FIGURA 5 - ESGRIMA EM CADEIRA DE RODAS
FONTE: CPB/divulgação
A disputa segue as regras da Federação Internacional de Esgrima (FIE), 
mas é administrada pelo Comitê Executivo de Esgrima do Comitê Paraolímpico 
Internacional (IPC).
Como é disputado
Em competição, as pistas medem 4 m de comprimento por 1,5 m de 
largura, e as cadeiras de rodas ficam fixas ao chão. Se um dos esgrimistas mover 
a cadeira, o combate é interrompido. Há duelos de florete, espada e sabre. Para 
cada prova, há uma proteção específica para o competidor e para as cadeiras, 
além de regras para a pontuação ser validada.
O Brasil nos Jogos
Em Londres-2012, o Brasil faturou pela primeira vez uma medalha na 
modalidade: um ouro. O gaúcho Jovane Guissone derrotou os franceses Marc 
Cratere e Alim Latreche nas quartas de final e na semifinal, respectivamente. Na 
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
27
decisão, superou a disputa acirrada com Chik Sum Tam, de Hong Kong, por 15 
a 14. O gaúcho perdeu o movimento das pernas após levar um tiro nas costas 
durante um assalto.
FUTEBOL DE 5
Há relatos de que no Brasil, na década de 1950, cegos jogavam futebol com 
latas. Em 1978, nas Olimpíadas das APAEs, em Natal (RN), ocorreu o primeiro 
campeonato de futebol com deficientes visuais. A primeira Copa Brasil foi em 
1984, na capital paulista. Das quatro edições da Copa América, os brasileiros 
trouxeram três ouros: Assunção (1997), Paulínia (2001) e Bogotá (2003). Em 
Buenos Aires (1999), o título não veio, mas os brasileiros venceram os argentinos. 
Em 1998, o Brasil sediou o primeiro Mundial de futebol e levou o título. Dois anos 
depois, em Jerez de la Frontera (ESP), a Seleção se sagrou campeã novamente.
FIGURA 6 - FUTEBOL DE 5
FONTE: CPB/divulgação
Como é disputado
O futebol de cinco é exclusivo para cegos ou deficientes visuais. As 
partidas normalmente são em uma quadra de futsal adaptada, mas desde os 
Jogos Paraolímpicos de Atenas também têm sido praticadas em campos de grama 
sintética. O goleiro tem visão total e não pode ter participado de competições 
oficiais da Fifa nos últimos cinco anos. Junto às linhas laterais, são colocadas 
bandas que impedem que a bola saia do campo. Cada time é formado por 
cinco jogadores – um goleiro e quatro na linha. Diferentemente de um estádio 
convencional de futebol, as partidas de futebol de cinco são silenciosas, em locais 
sem eco.
A bola tem guizos internos para que os atletas consigam localizá-la. A 
torcida só pode se manifestar na hora do gol. Os jogadores usam uma venda nos 
olhos e, se tocá-la, cometerá uma falta. Com cinco infrações, o atleta é expulso de 
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
28
campo e pode ser substituído por outro jogador. Há ainda um guia, o chamador, 
que fica atrás do gol, para orientar os jogadores, e que diz onde devem se 
posicionar em campo e para onde devem chutar. O jogo tem dois tempos de 25 
minutos e intervalo de 10 minutos. No Brasil, a modalidade é administrada pela 
Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV).
Brasil nos Jogos
A modalidade passou a fazer parte dos Jogos Paraolímpicos na edição de 
2004, em Atenas (GRE). Desde então, o Brasil faturou a medalha de ouro em todas 
as ocasiões. Na estreia, a decisão foi contra os rivais argentinos. A seleção ficou 
com o topo do pódio ao bater os sul-americanos por 3 a 2.
Na edição seguinte, em Pequim (CHN), a briga pela láurea dourada se deu 
contra os donos da casa. Em partida disputada, o Brasil ficou com o bicampeonato 
ao batê-los por 2 a 1. A hegemonia verde e amarela seria consolidada quatro anos 
mais tarde, nos Jogos Paraolímpicos de Londres. A terceira conquista consecutiva 
ocorreu após o triunfo por 2 a 0 sobre os franceses, em jogo na capital britânica.
FUTEBOL DE 7
Em 1978 surgiu o futebol de 7 para paralisados cerebrais. Foi na cidade 
de Edimburgo, na Escócia, que aconteceram as primeiras partidas. A primeira 
Paraolimpíada em que a modalidade esteve presente foi em Nova Iorque, em 
1984. Em Barcelona (1992), o Brasil estreou nos Jogos Paraolímpicos e ficou em 
sexto lugar. Na Paraolimpíada de Atlanta (1996), a seleção brasileira ficou em 
penúltimo lugar na classificação geral. Quatro anos depois, em Sidney, virou o 
jogo e conquistou o terceiro lugar geral. Nos Jogos Paraolímpicos de Atenas (2004), 
o Brasil se superou mais uma vez e conquistou a medalha de prata, deixando 
para trás potências como a Rússia, Estados Unidos e Argentina.
FIGURA 7 - FUTEBOL DE 7
FONTE: CPB/divulgação
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
29
O futebol de sete é praticado por atletas do sexo masculino, com paralisia 
cerebral, decorrente de sequelas de traumatismo cranioencefálico ou acidentes 
vasculares cerebrais. As regras são da FIFA, mas com algumas adaptações feitas 
pela Associação Internacional de Esporte e Recreação para Paralisados Cerebrais 
(CP-ISRA). 
O campo tem no máximo 75 m x 55 m, com balizas de 5 m x 2 m e a marca 
do pênalti fica a 9,20 m do centro da linha de gol. Cada time tem sete jogadores 
(incluindo o goleiro) e cinco reservas. 
A partida dura 60 minutos, divididos em dois tempos de 30, com um 
intervalo de 15 minutos. Não existe regra para impedimento e a cobrança lateral 
pode ser feita com apenas uma das mãos, rolando a bola no chão. 
Os jogadores pertencem às classes menos afetadas pela paralisia cerebral 
enão usam cadeira de rodas. No Brasil, a modalidade é administrada pela 
Associação Nacional de Desporto para Deficientes (ANDE).
GOALBALL
O Goalball foi criado em 1946 pelo austríaco Hanz Lorezen e o alemão 
Sepp Reindle, que tinham como objetivo reabilitar veteranos da Segunda Guerra 
Mundial que perderam a visão. Nos Jogos de Toronto – 1976, sete equipes 
masculinas foram estreantes. Dois anos depois, ocorreu o primeiro Campeonato 
Mundial de Goalball, na Áustria. Em 1982, a Federação Internacional de Esportes 
para Cegos (IBSA) começou a gerenciar a modalidade. As mulheres entraram 
para o Goalball nos Jogos Paraolímpicos de Nova Iorque, em 1984. A modalidade 
foi implementada no Brasil em 1985. Inicialmente, o Clube de Apoio ao Deficiente 
Visual (CADEVI) e a Associação de Deficientes Visuais do Paraná (ADEVIPAR) 
realizaram as primeiras partidas. O primeiro campeonato brasileiro de Goalball 
foi realizado em 1987, em Uberlândia-MG.
FIGURA 8 - GOALBALL
FONTE: CPB/divulgação
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
30
Como é disputado
Ao contrário de outras modalidades paraolímpicas, o Goalball foi 
desenvolvido exclusivamente para pessoas com deficiência – neste caso, a visual. 
A quadra tem as mesmas dimensões da de vôlei (9 m de largura por 18 m de 
comprimento). As partidas são realizadas em dois tempos de 12 minutos, com 3 
minutos de intervalo. Cada equipe conta com 3 jogadores titulares e três reservas. 
De cada lado da quadra há um gol com 9 m de largura e 1,30 m de altura. Os 
atletas são, ao mesmo tempo, arremessadores e defensores. O arremesso deve 
ser rasteiro ou tocar pelo menos uma vez nas áreas obrigatórias. O objetivo é 
balançar a rede adversária.
A bola possui um guizo em seu interior que emite sons – existem furos 
que permitem a passagem do som – para que os jogadores saibam sua direção. O 
Goalball é um esporte baseado nas percepções tátil e auditiva, por isso não pode 
haver barulho no ginásio durante a partida, exceto no momento entre o gol e o 
reinício do jogo e nas paradas oficiais. A bola tem 76 cm de diâmetro e pesa 1,25 
kg. Sua cor é azul. Hoje, o Goalball é praticado em 112 países dos cinco continentes. 
No Brasil, a modalidade é administrada pela Confederação Brasileira de Deporto 
de Deficientes Visuais (CBDV).
Brasil nos Jogos
A Seleção Brasileira masculina conquistou uma medalha de prata no 
Parapan de Buenos Aires, em 1995. Na Carolina do Sul, em 2001, as mulheres 
conquistaram o bronze no Parapan-americano, enquanto a seleção masculina ficou 
com o quarto lugar. Em 2003, as atletas brasileiras foram vice-campeãs no Mundial 
da IBSA, disputado em Quebec, no Canadá. Com isso, o Brasil se classificou 
para uma edição dos Jogos Paraolímpicos pela primeira vez. Em Pequim-2008, 
foi a estreia da Seleção masculina em uma edição dos Jogos Paraolímpicos. Nos 
Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara-2011, a Seleção feminina conquistou a 
medalha de prata e, a masculina, a outro, o que resultou na classificação de ambas 
para Londres-2012. Nos Jogos Paraolímpicos de Londres, a Seleção masculina 
realizou o maior feito do goalball brasileiro, ao conquistar a medalha de prata. No 
Mundial disputado em 2014, na Finlândia, a Seleção masculina sagrou-se campeã 
mundial pela primeira vez.
HALTEROFILISMO
O halterofilismo apareceu pela primeira vez em uma edição de Jogos 
Paraolímpicos, em 1964, em Tóquio (JAP). A deficiência dos atletas era apenas 
com lesões na coluna vertebral. Até os Jogos de Atlanta (1996), somente os homens 
competiam. Quatro anos depois, em Sydney, as mulheres entraram de vez para a 
modalidade. Atualmente, 109 países possuem halterofilistas paraolímpicos.
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
31
FIGURA 9 - HALTEROFILISMO
FONTE: CPB/divulgação
O Brasil estreou nos Jogos de Atlanta, com o atleta Marcelo Motta. 
Em Sydney (2000), Alexander Whitaker, João Euzébio e Terezinha Mulato 
competiram. Três anos depois, no Pan-Americano de Oklahoma (EUA), Marcelo 
Motta conquistou medalha de ouro, e um novo recorde das Américas na categoria 
até 60 kg. João Euzébio (até 82,5 kg) e Terezinha Mulato (até 60 kg) ganharam 
prata e Walmir de Souza (até 75 kg) ficou com o bronze. Em Atenas, Whitaker 
e Euzébio ficaram em quarto e 12º lugares, respectivamente. Nenhum atleta do 
país, contudo, conquistou medalhas em Jogos Paraolímpicos até hoje.
Como é disputado
No halterofilismo, os atletas permanecem deitados em um banco e executam 
um movimento conhecido como supino. A prova começa no momento em que a 
barra de apoio é retirada – com ou sem a ajuda do auxiliar central – deixando o 
braço totalmente estendido. O atleta flexiona o braço descendo a barra até a altura 
do peito. Em seguida, elevam-na até a posição inicial, finalizando o movimento. 
Hoje, competem atletas com deficiência física nos membros inferiores 
ou paralisia cerebral. As categorias são subdivididas pelo peso corporal de cada 
um. São dez categorias femininas e dez masculinas. O atleta pode realizar o 
movimento três vezes, e o maior peso é validado. Os árbitros ficam atentos à 
execução contínua do movimento e à parada nítida da barra no peito. No Brasil, 
a modalidade é organizada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro por meio da 
Coordenação de Halterofilismo.
HIPISMO
A estreia paraolímpica do hipismo ocorreu nos Jogos de Nova Iorque 
(EUA), em 1984. Três anos depois, foi realizado o primeiro Mundial, na Suécia. A 
modalidade só voltaria ao programa oficial na Paraolimpíada de Sydney (2000). 
A única disciplina do hipismo do programa paraolímpico é o adestramento.
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
32
FIGURA 10 - HIPISMO
FONTE: CPB/divulgação
Em março de 2002, nasceu o hipismo paraolímpico nacional a partir de um 
curso promovido pela Confederação Brasileira de Hipismo (CBH). Ainda naquele 
ano, ocorreram as primeiras provas-treino, com a participação de competidores 
do Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo.
Em julho de 2003, houve o primeiro Campeonato Brasileiro, em Ibiúna. 
Participaram nove atletas dos três estados pioneiros na modalidade. Em agosto 
Ibiúna sediou a Primeira Copa Sul-americana. No mesmo ano, os cavaleiros 
Natalie Goutglass e Daniel Loeb participaram pela primeira vez de uma 
competição paraolímpica internacional, o Mundial de Moorsele, Bélgica. Ainda 
em 2003, no Parapan de Mar del Plata, Marcos Fernandes Alves (o Joca) garantiu 
a primeira vaga do país em uma Paraolimpíada.
Como é disputado
O hipismo paraolímpico é praticado por atletas com vários tipos de 
deficiência, em cerca de 40 países. A competição de hipismo é mista. Ou seja, 
cavaleiros e amazonas competem juntos nas mesmas provas. Outra característica 
da modalidade é que não só os competidores recebem medalhas, mas os cavalos 
também. No Brasil, o hipismo é organizado pela Confederação Brasileira de 
Hipismo (CBH).
Brasil nos Jogos
Nos Jogos de Atenas (2004), o Brasil contou com a participação do cavaleiro 
Marcos Fernandes Alves, cuja melhor posição foi um nono lugar no estilo livre. 
Quatro anos mais tarde, em Pequim (CHN), pela primeira vez, o Brasil competiu 
com equipe completa. Joca foi o principal nome da equipe, responsável por faturar 
duas medalhas de bronze: uma no estilo livre e outra na prática individual. Em 
Londres 2012, novamente o país foi com a sua equipe completa, mas não obteve 
vaga no pódio.
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
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JUDÔ
Praticado por deficientes visuais desde a década de 1970, o judô foi a 
primeira modalidade de origem asiática a integrar o programa paraolímpico, 
estreando nos Jogos de Seul-1988, apenas com disputas entre homens. Os Jogos 
de Atenas-2004 marcaram a entrada das mulheres nos tatames. A entidade 
responsável pelo judô é a Federação Internacional de Esportes para Cegos 
(IBSA, na sigla em inglês), fundada em Paris, em 1981. No Brasil, a ConfederaçãoBrasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV) administra a modalidade.
FIGURA 11 - JUDÔ
FONTE: CPB/divulgação
Como é disputado
A modalidade é disputada por atletas com deficiência visual divididos 
em categorias de acordo com o peso. Com até cinco minutos de duração, as lutas 
acontecem sob as mesmas regras utilizadas pela Federação Internacional de Judô, 
com pequenas modificações em relação ao judô convencional. A principal delas é 
que o atleta inicia a luta já em contato com o quimono do oponente. Além disso, a 
luta é interrompida quando há perda desse contato e não há punições para quem 
sai da área de combate.
Brasil nos Jogos
O Brasil teve cinco judocas na edição dos Jogos Paraolímpicos de Seul-
1988, primeira em que o esporte foi disputado. A delegação verde-amarela da 
modalidade voltou para casa com três bronzes, conquistados por Jaime de Oliveira 
(categoria até 60 kg), Júlio Silva (até 65 kg) e Leonel Cunha (acima de 95 kg). Desde 
então, o judô brasileiro só não conquistou medalhas nos Jogos de Barcelona-1992. 
Em Atlanta-1996 veio o primeiro ouro, com Antônio Tenório da Silva, na categoria 
até 86 kg. As primeiras medalhas femininas vieram em Atenas-2004, com Karla 
Cardoso, prata na categoria até 48 kg, e Daniele Silva, bronze na categoria até 
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
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57kg. No total, a modalidade já rendeu ao Brasil 18 medalhas na história dos 
Jogos, sendo quatro ouros (todos conquistados por Antônio Tenório), cinco pratas 
e nove bronzes.
NATAÇÃO
A natação faz parte do programa oficial desde os primeiros Jogos 
Paraolímpicos, em Roma-1960. Na modalidade, competem atletas com diversos 
tipos de deficiência (física e visual) nos quatro estilos: livre, costas, medley e peito. 
As provas são divididas nas categorias masculino e feminino, seguindo as regras 
do IPC Swimming, órgão responsável pela natação no Comitê Paraolímpico 
Internacional (IPC).
FIGURA 12 - NATAÇÃO
FONTE: CPB/divulgação
Como é disputado
As adaptações são feitas nas largadas, viradas e chegadas. Os nadadores 
cegos recebem um aviso do tapper, por meio de um bastão com ponta de espuma 
quando estão se aproximando das bordas. A largada também pode ser feita na 
água, no caso de atletas de classes mais baixas, que não conseguem sair do bloco. 
As baterias são separadas de acordo com o grau e o tipo de deficiência. No Brasil, 
a modalidade é administrada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).
Brasil nos Jogos
O Brasil começou a brilhar em Stoke Mandeville-1984, quando conquistou 
um ouro, cinco pratas e um bronze. Outro ano de grande destaque foi 2004, 
em Atenas, quando o país conquistou sete medalhas de ouro (sendo seis de 
Clodoaldo Silva), três de prata e uma de bronze. Nos anos seguintes, ainda mais 
vitórias: Daniel Dias foi o responsável por conquistar, sozinho, nove medalhas 
em Pequim-2008, sendo quatro de ouro. Em Londres-2012, o atleta chegou à 
conquista de seis ouros. No total, o Brasil já conquistou 83 medalhas na natação 
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
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em Jogos Paraolímpicos, sendo 28 de ouro, 27 de prata e 28 de bronze. É a segunda 
modalidade que mais medalhas deu ao Brasil nos Jogos, atrás apenas do atletismo 
(109).
PARACANOAGEM
Ao lado do paratriatlo, a paracanoagem é umas das novidades no programa 
oficial do Jogos Paraolímpicos do Rio-2016. O primeiro mundial da modalidade foi 
disputado em 2010, em Poznan, na Polônia, e contou com a participação de atletas 
de 31 países. Desde então, a competição é disputada anualmente e terá Moscou, 
Rússia, como sede em 2014. A ICF (Federação Internacional de Canoagem) é a 
entidade responsável pelo esporte. No Brasil, a modalidade é coordenada pela 
Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa).
FIGURA 13 - PARACANOAGEM
FONTE: CPB/divulgação
Como é disputado
As disputas da paracanoagem são muito semelhantes às da canoagem 
olímpica. As embarcações recebem adaptações de acordo com a deficiência dos 
competidores. Os barcos utilizados nas provas são os caiaques, identificados pela 
letra K, e as canoas havaianas, identificadas pela letra V.
Competem na paracanoagem apenas atletas com deficiências físico-
motoras. Toda a prova tem um percurso de 200 metros de extensão em linha reta 
e podem ser disputadas por homens e mulheres em embarcações individuais ou 
por ambos em barcos mistos. No Brasil, o grande destaque da modalidade é o 
paulista Fernando Fernandes, tetracampeão mundial na paracanoagem.
Brasil nos Jogos
A modalidade fará sua estreia nos Jogos Paraolímpicos do Rio-2016.
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
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REMO
O remo adaptado está no Programa Paraolímpico desde os Jogos de 
Pequim-2008. O pedido para incluir a modalidade foi feito em 2001 pela Federação 
Internacional de Remo (FISA). Antes, porém, a FISA precisou organizar dois 
campeonatos mundiais. O primeiro foi realizado em 2002, na Espanha, e contou 
com a participação de sete países. No mesmo ano, 36 federações nacionais se 
comprometeram a desenvolver projetos para remadores com deficiência. A 
iniciativa possibilitou a realização de um mundial em 2004, com 24 nações 
representadas, cumprindo assim as exigências para a entrada da modalidade nos 
Jogos Paraolímpicos.
FIGURA 14 - REMO
FONTE: CPB/divulgação
No Brasil, o remo adaptado teve o início nos anos 80, no Rio de Janeiro. A 
Superintendência de Desportos do Rio de Janeiro (SUDERJ) iniciou um programa 
de reabilitação para pessoas com deficiência física, mental e auditiva utilizando 
o remo como ferramenta. Porém, somente em 2005, depois dos dois mundiais, a 
Confederação Brasileira de Remo reativou o Departamento de Remo Adaptável.
Como é disputado
Todas as classes têm provas em percursos de 1000 metros e os atletas são 
divididos entre aqueles que fazem a propulsão só com os braços, com os braços 
e tronco e também os que utilizam braços, tronco e pernas. Há disputas no single 
skiff, doubleskiff e four skiff com timoneiro.
Brasil nos Jogos
Em duas edições com a presença do remo nos Jogos Paraolímpicos, o 
Brasil ganhou uma medalha de bronze no skiff duplo misto, classe TA, com Elton 
Santana e Josiane Lima.
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
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RUGBY EM CADEIRA DE RODAS
O rugby em cadeira de rodas nasceu na década de 70, em Winnipeg, no 
Canadá, e foi desenvolvido por atletas tetraplégicos. No entanto, a modalidade 
só foi nos Jogos Paraolímpicos de Atlanta-1996, como esporte de demonstração. 
A estreia oficial ocorreu quatro anos depois, em Sydney-2000, no qual os Estados 
Unidos conquistaram a medalha de ouro, deixando a Austrália com a prata e a 
Nova Zelândia com o bronze.
FIGURA 15 - RUGBY EM CADEIRA DE RODAS
FONTE: CPB/divulgação
Assim como no rugby convencional, a modalidade para cadeirantes tem 
muito contato físico. São quatro atletas em cada equipe, que contam ainda com 
oito reservas cada.
Como é disputado:
Os jogos ocorrem em quadras de 15 m de largura por 28 m de comprimento 
e têm 4 períodos de 8 minutos. O objetivo é passar da linha do gol com as duas 
rodas da cadeira e a bola nas mãos.
O curioso do rugby em cadeira de rodas é que ele não é dividido por 
gênero. Homens e mulheres jogam juntos em uma categoria mista. Estão aptos 
a disputar a modalidade atletas que sejam comprovadamente tetraplégicos, que 
são divididos em classes de acordo com a habilidade funcional.
O Brasil nos jogos
O Brasil ainda não tem tradição no rugby em cadeira de rodas. O país 
nunca participou dos jogos. As equipes mais fortes do esporte são o Canadá e 
os Estados Unidos, os primeiros a praticar e difundir a modalidade. A Austrália 
e a Nova Zelândia, países nos quais o rugby é convencional, também é muito 
praticado.
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
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TÊNIS DE MESA
O tênis de mesa é um dos mais tradicionais esportes paraolímpicos, sendodisputado desde os Jogos de Roma-1960, 28 anos antes de a modalidade estrear 
no programa dos Jogos Olímpicos. Todas as edições dos Jogos Paraolímpicos 
tiveram disputas da modalidade, tanto no masculino quanto no feminino. A 
entidade responsável pelo tênis de mesa é a Federação Internacional de Tênis de 
Mesa (ITTF). No Brasil, a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) é 
quem administra o esporte.
FIGURA 16 - TÊNIS DE MESA
FONTE: CPB/divulgação
Como é disputado
No tênis de mesa participam atletas do sexo masculino e feminino com 
paralisia cerebral, amputados e cadeirantes. As competições são divididas entre 
mesatenistas andantes e cadeirantes, com jogos individuais, em duplas ou por 
equipes. As partidas consistem em uma melhor de cinco sets, sendo que cada um 
deles é disputado até que um dos jogadores atinja 11 pontos. Em caso de empate 
em 10 a 10, vence quem primeiro abrir dois pontos de vantagem. Em relação ao 
tênis de mesa convencional, existem apenas algumas diferenças nas regras, como 
na hora do saque para a categoria cadeirante.
Brasil nos Jogos
O país é representado na modalidade desde os Jogos de Atlanta-1996, com 
os mesatenistas Francisco Eugênio Braga, Luiz Algacir e Maria Luiza Pereira. A 
única medalha conquistada pelo Brasil veio nos Jogos de Pequim-2008, com a 
prata da dupla Welder Knaf e Luiz Algacir.
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
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TÊNIS EM CADEIRA DE RODAS
A origem do tênis em cadeira de rodas é norte-americana. Foi em 1976 
que Jeff Minnenbraker e Brad Parks criaram as primeiras cadeiras adaptadas para 
o esporte. Não demorou nem um ano para que o primeiro torneio fosse realizado, 
na Califórnia. O tênis em cadeira de rodas se difundiu rapidamente nos Estados 
Unidos, tanto que em 1980 foi disputado o primeiro campeonato nacional da 
modalidade.
FIGURA 17 - TÊNIS EM CADEIRA DE RODAS
FONTE: CPB/divulgação
Quando foi criada a Federação Internacional de Tênis em Cadeira de 
Rodas (IWTF, em inglês), em 1988, o esporte já estava bem encaminhado para se 
tornar paraolímpico. Tanto que naquele mesmo ano a modalidade participou dos 
Jogos de Seul como exibição. Outro passo importante foi dado em 1991, ano em 
que a IWTF foi incorporada à Federação Internacional de Tênis (ITF, em inglês), 
até hoje responsável pelo tênis em cadeira de rodas. No ano seguinte, nos Jogos 
de Barcelona-1992, a disputa paraolímpica foi oficializada, valendo medalhas 
pela primeira vez.
Como é disputado
As semelhanças com o esporte convencional são muitas, mas existe a 
chamada regra dos dois quiques, que determina que o atleta cadeirante precisa 
mandar a bola para o outro lado antes que ela toque no chão pela terceira vez. As 
cadeiras utilizadas também são esportivas, com rodas adaptadas para um melhor 
equilíbrio e mobilidade. Não há diferença em relação às raquetes e às bolas.
Brasil nos Jogos
No Brasil, o primeiro atleta a ter contato com o tênis em cadeira de rodas 
foi José Carlos Morais. Ele conheceu o esporte em 1985, na Inglaterra, quando 
competia com a seleção de basquete em cadeira de rodas. Onze anos depois, 
Morais foi aos Jogos Paraolímpicos de Atlanta e, ao lado de Francisco Reis Junior, 
se tornou o primeiro brasileiro a representar o país na modalidade.
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
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TIRO COM ARCO
O tiro com arco é uma das mais tradicionais modalidades dos Jogos 
Paraolímpicos e está presente no programa desde 1960, nos jogos de Roma 
(ITA). A história do esporte é ainda mais antiga. No meio da década de 1940, na 
Inglaterra, por ideia do neurologista alemão Ludwig Guttmann, a modalidade 
começou a ser praticada como atividade de recreação e recuperação de feridos da 
Segunda Guerra Mundial. Em 1948, a primeira competição de tiro com arco para 
paraplégicos foi disputada em Stoke, Mandeville (ING).
FIGURA 18 - TIRO COM ARCO
FONTE: CPB/divulgação
Uma característica marcante, e até inusitada do tiro com arco em Jogos 
Paraolímpicos é que as provas foram disputadas por homens e mulheres desde o 
início. Ao contrário da história de diversas outras modalidades, que começaram 
com disputas exclusivamente masculinas, o tiro com arco incluiu as mulheres 
desde seus primeiros passos.
A modalidade é organizada pela Federação Internacional de Tiro com 
Arco (WA, em inglês). Em 2007, a entidade assumiu o comando da disciplina, 
que até então estava com o Comitê Paraolímpico Internacional (IPC, em inglês).
Como é disputado
O Tiro com Arco paraolímpico pode ser disputado por pessoas com 
amputações, paraplégicos e tetraplégicos, paralisia cerebral, doenças disfuncionais 
e progressivas, como a atrofia muscular e escleroses, com disfunções nas 
articulações, problemas na coluna e múltiplas-deficiências.
Além das provas individuais, a modalidade ainda conta com a disputa 
por equipes, com três arqueiros em cada time. As regras do Tiro com Arco 
paraolímpico são as mesmas do esporte olímpico. Os participantes têm como 
objetivo acertar as flechas o mais perto possível do alvo, que está colocado 
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
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a uma distância de 70 m e tem 1,22 m de diâmetro, formado por dez círculos 
concêntricos. O mais externo vale um ponto, e o central vale dez. Quanto mais 
próxima do círculo central estiver a flecha, maior a pontuação obtida.
Brasil nos Jogos
O Brasil só teve um participante na disputa de tiro com arco em toda 
a história dos Jogos Paraolímpicos. Em 1972, em Heidelberg, na Alemanha, o 
arqueiro que representou o país terminou a prova em 25º.
TIRO ESPORTIVO
O tiro esportivo estreou nos Jogos Paraolímpicos em 1976, em Toronto. 
Porém, até chegar ao formato de disputa atual, passou por algumas mudanças 
durante os ciclos. Em Toronto, apenas os homens competiram. Quatro anos 
depois, em Arnhem, Holanda, as mulheres entraram na disputa, inclusive em 
provas mistas. Em 1984 (Stoke Mandeville e Nova York) e 1988 (Seoul), as provas 
mistas foram retiradas do programa, voltando apenas em 1992, em Barcelona, 
substituindo a prova feminina. Quatro anos depois, em Atlanta, os três tipos de 
disputas foram fixados novamente nos jogos.
FIGURA 19 - TIRO ESPORTIVO
FONTE: CPB/divulgação
No Brasil, o tiro esportivo começou a ser praticado em 1997, no Centro de 
Reabilitação da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Em 2002, o Comitê Paralímpico 
Brasileiro investiu na modalidade para aumentar o número de praticantes no 
Brasil. A iniciativa deu resultado já no ano seguinte, e o trio brasileiro formado 
por Carlos Strub, Cillas Viana e Walter Calixto conquistou uma medalha de 
bronze na disputa por equipes no Aberto de Apeldoorn, na Holanda.
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
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Como é disputado
As regras das competições têm apenas algumas adaptações. Pessoas 
amputadas, paraplégicas, tetraplégicas e com outras deficiências locomotoras 
podem competir nas classes SH1 (deficiência baixa, sem necessidade de apoiar 
a arma) e SH2 (deficiência mais aguda, com necessidade de apoio para a arma). 
Deficientes visuais competem na classe SH3.
O alvo é dividido em dez circunferências que valem de um a dez pontos. Em 
finais olímpicas, os dois círculos menores (9 e 10 pontos) ainda têm pontuação decimal. 
Neste caso, é possível fazer, com apenas um tiro, a pontuação equivalente a 10,9 pontos.
Rifles e pistolas de ar, com cartuchos de 4.5 mm, são utilizados nas provas 
de 10 m de distância. Já nos 25 m, uma pistola de perfuração é utilizada com 
projéteis de 5.6 mm. Rifles de perfuração e pistolas são as armas das provas de 50 
m, também com as balas de 5.6 mm de diâmetro.
Brasil nos Jogos
O Brasil ainda não tem medalhas na modalidade em Jogos Paraolímpicos. 
Nas últimas duas edições dos Jogos, em Pequim-2008 e Londres-2012, o país teve 
um representante nas disputas: Carlos Garletti. Primeiro brasileiro a disputar 
uma edição dos Jogos no tiroesportivo, Garletti compete nas provas de carabina.
TRIATLO
Novidade para os Jogos Paraolímpicos do Rio-2016, ao lado da 
paracanoagem, o paratriatlo em crescendo desde 1989, ano da disputa do 
primeiro campeonato mundial da modalidade, realizado em Avignon, na França. 
A entidade responsável pelo esporte é a ITU (União Internacional de Triatlo, 
na sigla em inglês). No Brasil, a modalidade é administrada pela Confederação 
Brasileira de Triatlo (CBTri).
FIGURA 20 - TRIATLO
FONTE: CPB/divulgação
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Como é disputado
As competições do paratriatlo são compostas por um percurso de 750 
metros de natação, 20 quilômetros de ciclismo e cinco quilômetros de corrida, 
distância conhecida como Sprint Triatlo.
O paratriatlo é disputado por atletas com diferentes tipos de deficiência, 
como amputados, cadeirantes, deficientes visuais, paraplégicos e paralisia 
cerebral, entre outros. A modalidade permite o uso de equipamentos específicos, 
definidos de acordo com a deficiência do atleta.
Cadeirantes e paraplégicos podem usar uma bicicleta chamada handcycle, 
em que os atletas utilizam as mãos para impulsionar os pedais. Além disso, os 
atletas com estas deficiências motoras realizam o trajeto da corrida com o uso de 
uma cadeira de rodas.
No percurso do ciclismo, os atletas com deficiências visuais utilizam 
o tandem, uma bicicleta com dois assentos que permite que um guia auxilie o 
atleta. Na natação, o tapper, um bastão com ponta de espuma, serve para avisar os 
deficientes visuais de que o fim do trajeto se aproxima.
Brasil nos Jogos
A modalidade fará sua estreia nos Jogos Paraolímpicos do Rio-2016.
VELA
A vela adaptada apareceu pela primeira vez em uma edição dos Jogos 
Paraolímpicos em 1996, em Atlanta (EUA), porém, apenas como exibição. Quatro 
anos depois, em Sydney (AUS), a modalidade seguiu nos jogos, e passou a valer 
medalhas para os competidores.
FIGURA 21 - VELA
FONTE: CPB/divulgação
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No Brasil, a vela adaptada começou a se desenvolver em 1999, com 
o Projeto Água-Viva, em São Paulo, uma parceria entre a Classe de Vela Day 
Sailer, o Clube Paradesportivo Superação e o Clube Municipal de Iatismo. No ano 
seguinte, a Federação Brasileira de Vela e Motor (FBVM) criou a Coordenação de 
Vela Adaptada para desenvolver atividades da modalidade em todo o país.
Em 2007, a FBVM se dividiu e assim foi criada a Confederação Brasileira 
de Vela Adaptada, entidade responsável pela modalidade desde então.
Como é disputado
Pessoas com deficiência locomotora ou visual podem competir na 
modalidade. A vela adaptada segue as regras da Federação Internacional de 
Iatismo (ISAF) com algumas adaptações feitas pela Federação Internacional 
de Iatismo para Deficientes (IFDS). Três tipos de barco são utilizados nas 
competições paraolímpicas: classe 2.4mR, tripulado por um único atleta; classe 
Sonar, com três velejadores; e o SKUD-18, para dois tripulantes paraplégicos, 
sendo obrigatoriamente um deles do sexo feminino.
As regatas são disputadas em percursos sinalizados com boias para que o 
atleta mostre todo seu conhecimento de velejador. Barcos com juízes credenciados 
pela ISAF fiscalizam o percurso, podendo o atleta ser penalizado caso infrinja 
alguma regra. Uma competição é composta por várias regatas, e o vencedor será 
aquele que tiver melhor resultado, após a somatória de todas elas.
Brasil nos Jogos
Os velejadores brasileiros tiveram sua primeira participação em uma 
edição dos Jogos em Pequim-2008. O país foi representado pelo trio Luiz Faria, 
Darke de Matos e Rossano Leitão, na classe Sonar, e terminou a disputa na 14ª 
colocação.
Em Londres-2012, o Brasil voltou a ter velejadores na disputa por 
medalhas, desta vez, na classe SKUD-18. A dupla formada por Bruno Landgraf 
e Elaine Cunha conduziram a embarcação brasileira nas regatas e terminou a 
competição em 11º lugar.
VOLEIBOL SENTADO
A modalidade surgiu em 1956, na Holanda, resultado da fusão do voleibol 
convencional com o Sitzbal, esporte alemão que era praticado por pessoas com 
mobilidade limitada e que jogavam sentadas, mas sem a rede dividindo a quadra. 
A primeira aparição da modalidade em uma edição dos Jogos Paraolímpicos 
foi em 1976, em Toronto, mas apenas como exibição. Quatro anos depois, em 
Arnhem, na Holanda, passou a fazer parte do programa dos Jogos.
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
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FIGURA 22 - VOLEIBOL SENTADO
FONTE: CPB/divulgação
Organizado internacionalmente pela Organização Mundial de Voleibol 
para Deficientes (WOVD), o vôlei sentado tem disputa de campeonatos mundiais 
desde 1993, nas categorias masculino e feminino. Porém, somente em 2004, em 
Atenas, as mulheres passaram a disputar a modalidade nos Jogos Paraolímpicos.
Como é disputado
No vôlei sentado podem competir amputados, principalmente dos 
membros inferiores; atletas com paralisia cerebral; lesionados na coluna vertebral; 
e pessoas com outros tipos de deficiência locomotora (sequelas de poliomielite, 
por exemplo). O contato com o chão deve ser mantido em toda e qualquer ação, 
sendo permitido perdê-lo somente nos deslocamentos.
A disputa é muito semelhante com a do vôlei convencional. Seis jogadores 
de cada equipe ficam em quadra e o jogo é dividido em cinco sets (quatro de 25 
pontos e um tie-break de 15 pontos). Ganha a partida a equipe que vencer três sets.
A quadra mede 10 m de comprimento por 6 m de largura. A altura da 
rede é de 1,15 m no masculino e 1,05m no feminino.
Brasil nos Jogos
O Brasil estreou na disputa nos Jogos em Pequim-2008, só com a seleção 
masculina, que terminou o torneio em 6º lugar. Em Londres-2012, o Brasil teve 
representantes nos dois gêneros. Tanto no masculino quanto no feminino o país 
ficou em 5º lugar.
FONTE: Disponível em: <http://www.cpb.org.br/>. Acesso em: 26 jan. 2016.
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4 CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL
Objetivo da classificação funcional no esporte paraolímpico é garantir a 
igualdade geral entre os competidores.
O uso da Classificação Funcional, para fins de justificativa para seu uso, 
apresenta duas funções principais:
1ª) Determinar elegibilidade para competir (se realmente a pessoa 
apresenta alguma deficiência).
2ª) Agrupar os atletas para as competições (garantir que haja igualdade 
de condições, evitando que, apesar da deficiência, obtenha-se vantagem sobre o 
oponente). 
Com critérios específicos de cada modalidade, mas também princípios que 
se estendem a todas as práticas principais, o esporte paraolímpico se estrutura no 
que é conhecido como classificação funcional. Isso significa, na prática, a formação 
de um regulamento que vai tentar aproximar os limites de cada competidor.
O objetivo é garantir a igualdade geral e assegurar que os vencedores 
chegaram ao topo graças às suas melhores técnicas, habilidades, forças, talentos 
e não por um suposto favorecimento físico sobre as deficiências de um ou outro 
rival. O objetivo dos princípios, segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro, não 
é separar apenas as deficiências, mas tentar nivelar ao máximo a capacidade 
esportiva de cada concorrente.
Os atletas paraolímpicos, para simplificar a classificação funcional em um 
primeiro momento, se dividem em seis tipos de deficiências: amputados, lesão 
medular, paralisia cerebral, deficiência mental, deficiência visual e os chamados 
“les autres”, tradução do francês para “os outros”. Nesse rol, se enquadram os que 
não podem ser colocados nas outras cinco categorias.
Há modalidades que só recebem competidores com tipos específicos 
de deficiências, o que visa aproximar a prática entre atletas paraolímpicos e 
olímpicos. Um exemplo claro são os esportes de quadra: no basquete em cadeira 
de rodas, só homens e mulheres com deficiências físico-motoras são aceitos. Novoleibol sentado, o critério é semelhante: só participam amputados ou outros 
atletas com limitações motoras.
Há mais esportes que recebem competidores com deficiências atreladas 
a limitações físicas nos membros inferiores. São os casos do tiro com arco, rúgbi 
em cadeiras de rodas, tênis em cadeiras de rodas, esgrima e tiro esportivo. Por 
suas naturezas, porém, há outras modalidades com forte poder de inclusão e que 
conseguem abrigar e dividir vários tipos de atletas. É onde efetivamente entra em 
prática de maneira mais objetiva a classificação funcional.
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
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4 CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL Natação e atletismo são os esportes que mais conseguem incluir 
competidores com diferentes características. Nas provas de pista do atletismo, por 
exemplo, deficientes visuais competem entre as categorias T11 a T13, deficientes 
mentais na categoria T20, paralisados cerebrais entre T31 e T38, amputados e 
outros entre T41 e T46 e cadeirantes entre T51 e T54. Nas piscinas, as divisões são 
semelhantes, a exemplo do remo e hipismo, por exemplo.
As avaliações físicas e técnicas que geram as divisões dentro de cada 
modalidade são feitas pela Federação Internacional respectiva de cada esporte, 
normalmente dentro e fora de competições. As classificações funcionais são 
periodicamente recicladas, o que pode mudar um atleta específico de categoria. 
O nadador brasileiro Clodoaldo Silva, por exemplo, mudou de classe em 2008. 
Por ser o esporte mais popular do mundo e atrair a maior parcela de 
competidores, o futebol para deficientes é dividido em duas modalidades. O 
futebol de sete é praticado por homens com paralisia cerebral, decorrente de 
sequelas de traumatismo crânio encefálico ou AVCs. O futebol de cinco, por sua 
vez, é formado por deficientes visuais.
FONTE: Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/esporte/2012/04/classificacao-funcional>. 
Acesso em: 26 jan. 2016.
Confira a classificação funcional de cada uma das 22 modalidades 
paraolímpicas (até RIO - 2016):
 
Atletismo
F – Field (campo): provas de arremesso, lançamentos e saltos.
F11 a F13: deficientes visuais.
F20: deficientes mentais.
F31 a F38: paralisados cerebrais (31 a 34 para cadeirantes; 35 a 38 para 
ambulantes).
F40: anões.
F41 a F46: amputados e outros (les autres).
F51 a F58: cadeirantes (sequelas de poliomielite, lesões medulares e 
amputações).
T – Track (pista): provas de corrida (velocidade e fundo).
T11 a T13: deficientes visuais.
T20: deficientes mentais.
T31 a T38: paralisados cerebrais (31 a 34 para cadeirantes; 35 a 38 para 
ambulantes).
T41 a T46: amputados e outros (les autres).
T51 a T54: cadeirantes (sequelas de poliomielite, lesões medulares e 
amputações).
FONTE: Disponível em: <http://www.brasil2016.gov.br/pt-br/paraolimpiadas/
modalidades/atletismo>. Acesso em: 12 abr. 2016.
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
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Basquete em cadeira de rodas
Na classificação funcional, os atletas são avaliados conforme o 
comprometimento físico-motor em uma escala de 1 a 4,5. Quanto maior a 
deficiência, menor a classe. A soma desses números na equipe de cinco pessoas 
não pode ultrapassar 14. São disputados 4 quartos de 10 minutos cada.
UNI
Padronização – Para assegurar a competitividade, os atletas precisam usar 
cadeiras de rodas padronizadas. É obrigatório obedecer até mesmo ao diâmetro máximo dos 
pneus e a altura máxima do assento e do apoio para os pés em relação ao chão. Se o jogador 
optar por usar uma almofada no assento, ela não poderá ter mais de 10 cm de espessura, 
exceto nas classes 3.5, 4.0 e 4.5 (menor comprometimento). Nesses casos, a espessura 
máxima é de 5 cm. É permitido usar faixas para prender as pernas juntas ou fixar o atleta na 
cadeira. Todas as normas são conferidas pelos árbitros no início da partida.
FONTE: Disponível em: <http://www.brasil2016.gov.br/pt-br/paraolimpiadas/modalidades/
basquete-em-cadeira-de-rodas>. Acesso em: 12 abr. 2016. 
Bocha
Os atletas são classificados como CP1 (deficiência mais severa) ou CP2 e 
divididos em quatro classes:
BC1 – Atletas CP1 ou CP2 com paralisia cerebral que podem competir 
com auxílio de ajudantes.
BC2 – Atletas CP2 com paralisia cerebral que não podem receber 
assistência.
BC3 – Atletas com deficiências muito severas e que usam um instrumento 
auxiliar, podendo ser ajudados por outra pessoa. No caso dos atletas com maior grau 
de comprometimento, é permitido o uso de uma calha para dar mais propulsão à 
bola. Os tetraplégicos, por exemplo, que não conseguem movimentar os braços ou as 
pernas, usam uma faixa ou capacete na cabeça com uma agulha na ponta. O calheiro 
posiciona a canaleta à sua frente para que ele empurre a bola pelo instrumento com a 
cabeça. Em alguns casos, o calheiro acaba sendo a mãe ou o pai do atleta.
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
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BC4 – Atletas com outras deficiências severas, mas que não recebem 
assistência.
FONTE: Disponível em: <Http://Www.Brasil2016.Gov.Br/Pt-Br/Paraolimpiadas/Modalidades/
Bocha>. Acesso em: 12 abr. 2016.
 
Ciclismo
LC – Locomotor Cycling (atletas com dificuldade de locomoção).
LC1 – Atletas com pequeno prejuízo em função da deficiência, normalmente 
nos membros superiores.
LC2 – Atletas com prejuízo físico em uma das pernas, permitindo o uso de 
prótese para competição.
LC3 – Atletas que pedalam com apenas uma perna e não podem utilizar 
próteses.
LC4 – Atletas com maior grau de deficiência, normalmente amputação em 
um membro superior e um inferior.
Tandem – Para ciclistas com deficiência visual (B1, B2 e B3). A bicicleta tem 
dois assentos e ambos ocupantes pedalam em sintonia. Na frente, vai um ciclista 
não deficiente visual e, no banco de trás, o atleta com deficiência visual.
Handbike – Para atletas paraplégicos que utilizam bicicleta especial 
impulsionada com as mãos.
FONTE: Disponível em: <http://www.brasil2016.gov.br/pt-br/paraolimpiadas/modalidades/
ciclismo>. Acesso em: 12 abr. 2016.
Esgrima em cadeira de rodas
 
Classe 1A – Atletas sem equilíbrio sentado, com limitações no braço 
armado, sem extensão eficiente do cotovelo e sem função residual da mão. Nesse 
caso, é necessário fixar a arma com uma atadura;
Classe 1B – Atletas sem equilíbrio sentado, com limitações no braço 
armado. Detém extensão funcional do cotovelo, mas sem flexão dos dedos. Nesse 
caso, a arma é fixada com uma bandagem;
Classe 2 – Atletas com total equilíbrio sentado, com braço armado normal. 
Paraplegia do tipo T1/T9 ou tetraplegia incompleta com sequelas mínimas no 
braço armado e bom equilíbrio sentado;
Classe 3 – Atletas com bom equilíbrio sentado, sem suporte de pernas 
e braço armado normal. Pequenos resquícios de amputação abaixo do joelho 
ou lesões incompletas abaixo da D10 ou deficiências comparáveis, mas com 
manutenção do equilíbrio sentado;
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
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Classe 4 – Atletas com bom equilíbrio sentado, com suporte das 
extremidades superiores e braço armado normal, como lesões abaixo da C4 ou 
deficiências comparáveis;
FONTE: Disponível em: <http://www.brasil2016.gov.br/pt-br/paraolimpiadas/modalidades/
esgrima-em-cadeira-de-rodas>. Acesso em: 12 abr. 2016.
Futebol de 5
Em jogos paraolímpicos, esta modalidade é exclusivamente praticada por 
atletas da classe B1 (cegos totais) que não têm percepção luminosa em ambos os 
olhos; ou têm percepção de luz, mas com incapacidade de reconhecer o formato 
de uma mão a qualquer distância ou direção.
Os atletas são divididos em três classes que começam sempre com a letra 
B (blind, cego em inglês).
B1 – Cego total: de nenhuma percepção luminosa em ambos os olhos até 
a percepção de luz, mas com incapacidade de reconhecer o formato de uma mão 
a qualquer distância ou direção.
B2 – Jogadores já têm a percepção de vultos. Da capacidade em reconhecer 
a forma de umamão até a acuidade visual de 2/60 e/ou campo visual inferior a 5 
graus.
B3 – Os jogadores já conseguem definir imagens. Da acuidade visual de 
2/60 a acuidade visual de 6/60 e/ou campo visual de mais de 5 graus e menos de 
20 graus.
FONTE: Disponível em: <http://cpb.org.br.187.38-89-161.groveurl.com/modalidades/futebol-
de-5/>. Acesso em: 12 abr. 2016.
Futebol de 7
Os jogadores são distribuídos em classes de 5 a 8, de acordo com o grau 
de comprometimento físico. Quanto maior a classe, menor o comprometimento 
do atleta. 
Durante a partida, o time deve ter em campo no máximo dois atletas 
da classe 8 (menos comprometidos) e, no mínimo, um da classe 5 ou 6 (mais 
comprometidos). 
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
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Os jogadores da classe 5 são os que têm o maior comprometimento motor 
e, em muitos casos, não conseguem correr. Assim, para estes atletas, a posição 
mais comum é a de goleiro. Vale lembrar que a paralisia cerebral compromete 
de variadas formas a capacidade motora dos atletas, mas, em cerca de 45% dos 
indivíduos, a capacidade intelectual não é comprometida.
FONTE: Disponível em: <http://cpb.org.br.187.38-89-161.groveurl.com/modalidades/futebol-
de-5/>. Acesso em: 12 abr. 2016.
Goalball
Nesta modalidade, os atletas deficientes visuais das classes B1, B2 e B3 
competem juntos, ou seja, dos atletas completamente cegos até os que possuem 
resíduo visual. Todas as classificações são realizadas por meio da mensuração 
do melhor olho e da possibilidade máxima de correção do problema. Todos os 
atletas, independentemente do nível de perda visual, utilizam uma venda durante 
as competições para que todos possam competir em condições de igualdade.
B1 – Cego total: de nenhuma percepção luminosa em ambos os olhos até 
a percepção de luz, mas com incapacidade de reconhecer o formato de uma mão 
a qualquer distância ou direção.
B2 – Atletas que têm a percepção de vultos. Da capacidade em reconhecer 
a forma de uma mão até a acuidade visual de 2/60 ou campo visual inferior a 5 
graus.
B3 – Os atletas conseguem definir imagens. Acuidade visual de 2/60 a 6/60 
ou campo visual entre 5 e 20 graus.
FONTE: Disponível em: <http://cpb.org.br.187.38-89-161.groveurl.com/modalidades/goalball/>. 
Acesso em: 12 abr. 2016.
Halterofilismo
 
É a única modalidade em que os atletas são categorizados por peso 
corporal, como no halterofilismo convencional. São elegíveis para competir atletas 
amputados, les autres com limitações mínimas, atletas das classes de paralisia 
cerebral e atletas das classes de lesões na medula espinhal. Os competidores 
precisam ter a habilidade de estender completamente os braços com não mais do 
que 20 graus de perda em ambos cotovelos para realizar um movimento válido, 
de acordo com as regras.
FONTE: Disponível em: <http://cpb.org.br.187.38-89-161.groveurl.com/modalidades/
halterofilismo/>. Acesso em: 12 abr. 2016.
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
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Hipismo
As habilidades funcionais de cada cavaleiro definem o enquadramento 
em uma das quatro classificações:
Classe I: Predominantemente cadeirantes com pouco equilíbrio do tronco 
e/ou debilitação de funções em todos os quatro membros ou nenhum equilíbrio 
do tronco e bom funcionamento dos membros superiores.
Classe II: Predominantemente cadeirantes ou aqueles com severa 
debilitação envolvendo o tronco e de leve a bom equilíbrio do tronco ou severa 
debilitação unilateral.
Classe III: Predominantemente capaz de caminhar sem suporte, com 
moderada debilitação unilateral. Podem requerer o uso de cadeira de rodas para 
longas distâncias ou devido à pouca força. Atletas que têm total perda de vista 
em ambos olhos.
Classe IV: Debilitação de um ou mais membros ou algum grau de 
deficiência visual.
FONTE: Disponível em: <http://cpb.org.br.187.38-89-161.groveurl.com/modalidades/hipismo/>. 
Acesso em: 12 abr. 2016.
Judô
Além das categorias por peso, os judocas são divididos em três classes, 
de acordo com o grau da deficiência visual. Todas começam com a letra B (Blind, 
cego em inglês): B1, B2 e B3. Homens e mulheres têm o mesmo parâmetro de 
classificação. Em algumas competições, atletas de diferentes classes podem 
competir juntos.
B1 – Cego total: de nenhuma percepção em ambos os olhos até a percepção 
de luz com incapacidade de reconhecer o formato de uma mão a qualquer 
distância ou direção.
B2 – Lutadores que têm a percepção de vultos, com capacidade em 
reconhecer a forma de uma mão até a acuidade visual de 2/60 ou campo visual 
inferior a cinco graus.
B3 – Lutadores conseguem definir imagens. Acuidade visual de 2/60 a 
6/60 ou campo visual entre cinco e 20 graus.
FONTE: Disponível em: <http://cpb.org.br.187.38-89-161.groveurl.com/modalidades/judo/>. 
Acesso em: 12 abr. 2016.
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
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Natação
O atleta é submetido à equipe de classificação, que procederá a análise de 
resíduos musculares por meio de testes de força muscular; mobilidade articular 
e testes motores (realizados dentro da água). Vale a regra de que, quanto maior a 
deficiência, menor o número da classe. As classes sempre começam com a letra S 
(Swimming). O atleta pode ter classificações diferentes para o nado peito (SB) e o 
medley (SM).
S1 a S10 / SB1 a SB9 / SM1 a SM10 – nadadores com limitações físico-
motoras
S11, SB11, SM11 S12, SB12, SM12 S13, SB13, SM13 – nadadores com 
deficiência visual (a classificação, neste caso, é a mesma do judô e do futebol de 
cinco)
S14, SB14, SM14 – nadadores com deficiência intelectual
FONTE: Disponível em: <http://cpb.org.br.187.38-89-161.groveurl.com/modalidades/natacao/>. 
Acesso em: 12 abr. 2016.
Paracanoagem
Após anos de estudos a Federação Internacional de Canoagem, por meio 
do Departamento da Canoagem para todos alterou e reformulou a Classificação 
Funcional da Paracanoagem no início de 2015.
Dentro das principais alterações está elegibilidade para a modalidade: 
atletas com amputação e deficiência em membros superiores não são elegíveis 
para participar de eventos no caiaque.
Outra modificação foi relacionada a nomenclatura de suas classes, o que 
antes era “LTA”, “TA” E “A”, transformou se em “L1”, “L2” e “L3”. Estas letras 
indicam o nível de funcionalidade do atleta de acordo com novos protocolos de 
avaliações de pernas, tronco e teste na água. Para cada uma destas avaliações o 
atleta receberá uma pontuação e um determinado cluster que por fim definirão 
sua classe funcional.
Desta forma, o atleta participando da prova de Caiaque receberá letra “K” 
antes de sua classe funcional, por exemplo, “KL1”. O mesmo ocorrerá para os 
atletas que participarem na Canoa Havaiana, estes receberam um “V” antes do 
nível de sua classe, por exemplo, “VL3”.
FONTE: Disponível em: <http://www.brasil2016.gov.br/pt-br/paraolimpiadas/modalidades/
canoagem>. Acesso em: 12 abr. 2016.
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
54
Remo
A1+ (somente braços) utiliza banco fixo e com encosto. O barco é o single 
skiff com tripulação masculina ou feminina.
• Paralisia cerebral: CP4, de acordo com a CP-ISR.
• Prejuízo neurológico: equivalente a uma lesão completa na medula, no 
nível T 10.
• Perda de função motora no tronco e pernas.
• Caso apresente perda motora nos membros superiores, poderá utilizar 
equipamentos para adaptações para a prática da modalidade.
TA 2x (troncos e braços), o banco são fixos. O barco utilizado é o double 
skiff, com tripulação mista: um homem e uma mulher.
• Amputações nos membros inferiores que impossibilitem a utilização do 
assento deslizante.
• Paralisia cerebral: CP5, de acordo com a CP-ISR.
• Prejuízo neurológico: equivalente a uma lesão completa na medula, no 
nível L4.
LTA (pernas, tronco e braços) usa assento deslizante no barco four skiff, 
com timoneiro e tripulação mista: dois homens e duas mulheres.
• Cegueira:10% de visão, de acordo com a IBSA (B1, B2 e B3); uso 
obrigatório de venda – não poderão compor a mesma tripulação 2 atletas B3.
• Amputação: a) um único pé; b) 3 dedos da mão que permitam ao atleta 
a utilização do assento deslizante.
• Paralisia cerebral: CP8, de acordo com a CP-ISRA.
• Prejuízo neurológico: mínima perda motora conforme tabela manual 
FISA EX. Flexão e extensão do tornozelo, punho ou ombro.
• Prejuízo intelectual: critérios da Federação Desportiva Internacional para 
Pessoa com Inaptidão Intelectual (INAS-FID) para eventos não qualificatórios 
IPC.
FONTE: Disponível em: <http://cpb.org.br.187.38-89-161.groveurl.com/modalidades/remo/>. 
Acesso em: 12 abr. 2016.
Rugbi em cadeira de rodas
O rugbi em cadeira de rodas é praticado por atletas tetraplégicos dos 
sexos masculino e feminino. 
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
55
Os jogadores são categorizados em sete classes a depender da habilidade 
funcional: 0,5; 1,0; 1,5; 2,0; 2,5; 3,0 e 3,5. As classes superiores são destinadas 
aos atletas que têm maiores níveis funcionais e as classes mais baixas são para 
jogadores de menor funcionalidade. A classificação é baseada nos seguintes 
componentes:
• Teste de banco: teste muscular realizado em toda a extremidade da 
musculatura superior, além do exame do alcance do movimento, tônus e sensação;
• Teste funcional do tronco: é realizada uma avaliação do tronco e das 
extremidades inferiores em todos os planos e situações, que pode incluir um teste 
manual da musculatura do tronco;
• Testes de movimentação funcional.
FONTE: Disponível em: <http://cpb.org.br.187.38-89-161.groveurl.com/modalidades/rugby-em-
cadeira-de-rodas/>. Acesso em: 12 abr. 2016.
Tênis de mesa
Os atletas são divididos em onze classes distintas. Mais uma vez, segue 
a lógica de que quanto maior o número da classe, menor é o comprometimento 
físico-motor do atleta. A classificação é realizada a partir da mensuração do 
alcance de movimentos de cada atleta, sua força muscular, restrições locomotoras, 
equilíbrio na cadeira de rodas e a habilidade de segurar a raquete.
TT1, TT2, TT3, TT4 e TT5 – atletas cadeirantes
TT6, TT7, TT8, TT9, TT10 – atletas andantes
TT11 – atletas andantes com deficiência intelectual
FONTE: Disponível em: <http://cpb.org.br.187.38-89-161.groveurl.com/modalidades/tenis-de-
mesa/>. Aceso em: 12 abr. 2016.
Tênis em cadeira de rodas
O único requisito para que uma pessoa possa competir em cadeira de 
rodas é ter sido medicamente diagnosticada com uma deficiência relacionada à 
locomoção, ou seja, deve ter total ou substancial perda funcional de uma ou mais 
partes extremas do corpo. Se como resultado dessa limitação funcional a pessoa 
for incapaz de participar de competições de tênis convencionais (para pessoas 
sem deficiência física), deslocando-se na quadra com velocidade adequada, estará 
credenciada para participar dos torneios de tênis para cadeirantes.
FONTE: Disponível em: <http://cpb.org.br.187.38-89-161.groveurl.com/modalidades/tenis-em-
cadeira-de-rodas/>. Acesso em: 12 abr. 2016.
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
56
Tiro com arco
Os atletas do tiro com arco são divididos em três categorias: 
ARST – engloba aqueles que não possuem deficiência nos braços, mas 
possuem grau de perda de força muscular nas pernas, de coordenação ou 
mobilidade articular.
ARW1 – o atleta pode atirar sentado em uma cadeira normal, com os pés 
no chão ou em pé. A ARW1 é para atletas com deficiência nos braços e nas pernas, 
com alcance limitado de movimentos, de força, de controle dos braços e pouco ou 
nenhum controle do tronco.
RW2 – é para aqueles que possuem paraplegia e mobilidade articular 
limitada nos membros inferiores e que precisam da cadeira de rodas para uso 
diário.
FONTE: Disponível em: <http://cpb.org.br.187.38-89-161.groveurl.com/modalidades/tiro-com-
arco/>. Acesso em: 12 abr. 2016.
Tiro esportivo
O tiro utiliza um sistema de classificação funcional que permite que atletas 
com diferentes tipos de deficiência possam competir juntos, tanto no individual 
como por equipes. Dependendo das limitações existentes (grau de funcionalidade 
do tronco, equilíbrio sentado, força muscular, mobilidade de membros superiores 
e inferiores), e das habilidades que são requeridas no tiro, os atletas são divididos 
em três classes:
SH1: atiradores de pistola e rifle que não requerem suporte para a arma.
SH2: atiradores de rifle que não possuem habilidade para suportar o peso 
da arma com seus braços e precisam de um suporte para a arma.
SH3: atiradores de Rifle com deficiência visual.
Mas as competições paraolímpicas incluem apenas as classes SH1 e SH2. 
A diferença básica entre SH1 e SH2 é que atletas da SH2 podem usar suporte 
especial para a arma, que obedece às especificações do IPC.
FONTE: Disponível em: <http://cpb.org.br.187.38-89-161.groveurl.com/modalidades/tiro-
esportivo/>. Acesso em: 12 abr. 2016.
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
57
Triatlo
Todos os atletas devem ser submetidos a testes funcionais para determinar 
a classe de disputa. Estes testes funcionais medem, principalmente, a força, 
amplitude e coordenação dos movimentos. O atleta deve ter um padrão mínimo 
de deficiência para ser elegível em uma das classes da modalidade. São elas:
PT1 – Cadeirantes – Atletas com comprometimentos que impedem a 
capacidade de conduzir de forma segura uma bicicleta convencional e de correr. 
Os atletas devem usar um handcycle na etapa de ciclismo e uma cadeira de rodas 
na etapa de corrida. Para se enquadrar nessa categoria, os atletas devem ter uma 
pontuação de até 640,0 pontos na avaliação de classificação.
PT2 – Atletas com comprometimentos como: deficiência nos membros, 
hipertonia, ataxia e/ou atetose, carência de força muscular e amplitude de 
movimentos diminuída, entre outros. Nas etapas de ciclismo e corrida, atletas 
amputados podem utilizar próteses ou outros dispositivos de apoio aprovados. 
Para se enquadrar nessa categoria, os atletas devem ter uma pontuação de até 
454,9 pontos na avaliação de classificação.
PT3 – Atletas com comprometimentos semelhantes aos da categoria PT2, 
mas que obtiverem uma pontuação entre 455,0 e 494,9 pontos na avaliação de 
classificação. Nas etapas de ciclismo e corrida, atletas amputados podem utilizar 
próteses ou outros dispositivos de apoio aprovados.
PT4 – Atletas com comprometimentos semelhantes aos das categorias PT2 
e PT3, mas que obtiverem uma pontuação entre 495,0 e 557,0 pontos na avaliação 
de classificação. Nas etapas de ciclismo e corrida, atletas amputados podem 
utilizar próteses ou outros dispositivos de apoio aprovados.
PT5 – Deficiência visual total ou parcial (Dividida nas subcategorias B1, 
B2 e B3).
Atletas totalmente cegos, desde os que não têm percepção de luz até os 
que têm percepção da luz, mas que são incapazes de reconhecer o formato de 
uma mão a qualquer distância (B1), além de atletas com deficiências visuais, cuja 
acuidade visual seja menor que 6/60 de visão ou cujo campo visual seja inferior 
a 20 graus na condição de melhor visão corretiva (B2-B3). Um guia de mesma 
nacionalidade e sexo é obrigatório durante toda a prova. Nesta categoria, os 
atletas e seus guias devem montar uma bicicleta Tandem (de dois lugares) durante 
a etapa de ciclismo. 
FONTE: Disponível em: <http://www.brasil2016.gov.br/pt-br/paraolimpiadas/modalidades/
triatlo>. Acesso em: 12 abr. 2016.
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
58
Vela
O sistema de pontuação baseado no nível de habilidade permite que atletas 
com diferentes tipos de deficiência possam competir juntos. Após a avaliação do 
comitê classificador, são concedidos pontos baseados nas habilidades funcionais, 
que vão de 1 a 7, indo do mais baixo ao mais alto nível de funcionalidade, 
respectivamente. Atletas com deficiência visual são situados em umadas três 
classes de competição, baseadas em sua acuidade visual e campo de visão. Para 
assegurar a participação de atletas com todas as contagens de pontos e todas as 
classes de deficiências, a pontuação agregada não pode ser maior do que 14, o que 
permite aos velejadores com mais deficiência participar das competições.
Na classe de barcos SKUD-18, os velejadores são classificados como TPA 
ou TPB.
• TPA quando são adjudicados em 1 ponto pela classificação funcional, 
ou, quando completando mais de 1 ponto, têm a pontuação funcional do membro 
superior em 80 pontos ou menos na combinação de ambos os braços, juntamente 
com uma perda de 30 pontos no melhor braço.
• TPB quando têm ao menos uma deficiência mínima que os torna eligíveis 
para velejar. Pelo menos um dos velejadores precisa ser mulher. 
Para a classe de barcos 2.4mR, os velejadores apenas precisam possuir 
uma deficiência mínima.
FONTE: Disponível em: <http://www.brasil2016.gov.br/pt-br/paraolimpiadas/modalidades/vela>. 
Acesso em: 12 abr. 2016.
Vôlei sentado
O sistema de classificação funcional do voleibol é dividido, portanto, entre 
amputados e “les autres”. Para amputados, são nove classes básicas baseadas nos 
seguintes códigos:
AK – Acima ou através da articulação do joelho (above knee).
BK – Abaixo do joelho, mas através ou acima da articulação tálus-calcanear 
(below knee).
AE – Acima ou através da articulação do cotovelo (above elbow).
BE – Abaixo do cotovelo, mas através ou acima da articulação do pulso 
(below elbow).
TÓPICO 2 | MOVIMENTO PARAOLÍMPICO
59
Classe A1 – Duplo AK.
Classe A2 – AK Simples.
Classe A3 – Duplo BK.
Classe A4 – BK Simples.
Classe A5 – Duplo AE.
Classe A6 – AE Simples.
Classe A7 – Duplo BE.
Classe A8 – BE Simples.
Classe A9 – Amputações combinadas de membros inferiores e superiores.
Em “les autres” são enquadradas pessoas com alguma deficiência 
locomotora. Atletas pertencentes a categorias de amputados, paralisados cerebrais 
ou afetados na medula espinhal (paratetra-pólio) podem participar de alguns 
eventos pela classificação “les autres”.
FONTE: Disponível em: <http://www.brasil2016.gov.br/pt-br/paraolimpiadas/modalidades/volei-
sentado>. Acesso em: 12 abr. 2016.
60
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico você estudou que:
• Os primeiros Jogos Paraolímpicos ocorreram em 1960.
• Atualmente existem 22 modalidades paraolímpicas.
• Em cada modalidade paraolímpica existem classificações funcionais para 
garantir a igualdade de condições entre os competidores.
61
1 O que é classificação funcional?
2 Cite as 22 modalidades oficiais dos Jogos Paraolímpicos.
AUTOATIVIDADE
62
63
TÓPICO 3
ATIVIDADES FÍSICAS ADAPTADAS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
“O corpo não é uma máquina como nos diz a ciência. Nem uma culpa 
como nos fez crer a religião. O corpo é uma festa.”
(Eduardo Galeno)
A terminologia que denomina a pessoa portadora de necessidades 
especiais ao longo do tempo vem sofrendo profundas mudanças. A primeira 
denominação adotada foi excepcional, depois pessoa deficiente, pessoa portadora 
de deficiência, pessoa portadora de necessidades especiais, hoje, pessoa com 
deficiência. Constatamos, porém que, apesar da terminologia ter mudado, a 
questão da marginalização não diminuiu (SOLER, 2006).
De acordo com as estratégias para a educação de alunos com necessidades 
educacionais especiais, deve haver adaptações curriculares, para a Educação 
Especial (BRASIL, 2003, p. 27):
A expressão necessidades educacionais especiais pode ser utilizada 
para referir-se a crianças e jovens cujas necessidades decorrem de 
sua elevada capacidade ou de suas dificuldades para aprender. 
Está associada, portanto, à dificuldade de aprendizagem, não 
necessariamente vinculada à deficiência(s).
E ainda, continua no mesmo documento adaptado (2003, p. 27):
O termo surgiu para evitar os efeitos negativos de expressões utilizadas 
no contexto educacional (deficientes, excepcionais, subnormais, 
superdotados, infradotados, incapacitados etc.) para referir-se aos 
alunos com altas habilidades/superdotação, às pessoas com deficiências 
cognitivas, físicas, psíquicas e sensoriais. Tem o propósito de deslocar 
o foco do aluno e direcioná-lo para as respostas educacionais que eles 
requerem, evitando enfatizar os seus atributos ou condições pessoais 
que podem interferir na sua aprendizagem e escolarização. É uma 
forma de reconhecer que muitos alunos, tendo ou não deficiências ou 
superdotação, apresentam necessidades educacionais que passam a 
ser especiais quando exigem respostas específicas adequadas. 
Numa sociedade como a nossa, capitalista, em que são exigidas a eficiência 
e a produtividade, não ser eficiente é ser deixado de lado.
64
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
A história de superação do deficiente é muito antiga, pois como nos 
mostra Rosadas (1989, p. 10):
No tocante ao indivíduo deficiente, os fundamentos ético-religiosos 
dos povos pré-cristãos não permitiam uma valorização semelhante, 
pois os portadores de moléstias, sobretudo os deficientes físico-
mentais congênitos, eram considerados amaldiçoados pelos deuses, 
sendo segregados, ou mesmo por muitos eliminados.
A própria história da Educação Física nos mostra que o deficiente foi 
discriminado, algumas vezes não podendo nem ser matriculado nas escolas.
Em 1938, de acordo com o Decreto nº 21.241, proibiam a matrícula nos 
estabelecimentos de ensino secundário, a alunos cujo estado patológico os 
impedia permanentemente da frequência às aulas de Educação Física. Sendo 
assim, temos a função eugênica chegando ao seu limite.
Eugenia significa a tentativa, através da medicina, de se buscar uma raça 
pura. Uma grande bobagem, que a Educação Física, via medicina eugênica, tentou 
alcançar. Waldemar Areno, em 1939, recomenda a esterilização tanto masculina 
quanto feminina, das pessoas com deficiências. (SOLER, 2006).
Dando um salto no tempo, e chegando aos dias atuais, verificaremos 
que a Educação Física se transformou em relação ao deficiente, e os Parâmetros 
Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998, p. 56) nos mostram essa mudança de 
enfoque:
Por desconhecimento, receio ou mesmo preconceito, a maioria dos 
portadores de necessidades especiais tendem a ser excluídos das aulas 
de Educação Física. A participação nessa aula pode trazer muitos 
benefícios a essas crianças, particularmente no que diz respeito ao 
desenvolvimento das capacidades perceptivas, afetivas, da integração 
e inserção social, que levam este aluno à uma maior condição de 
consciência, em busca da sua futura independência.
A Educação Física já não pode deixar de lado esse contingente de pessoas, 
que anteriormente ficou impedido de participar.
Atividade Física Adaptada designa a atividade modificada, ou criada para 
suprir as necessidades especiais dos deficientes. Pode ser realizada em ambientes 
integrados, em que os deficientes interagem com indivíduos sem deficiências, ou 
em ambientes próprios para a prática exclusiva dos deficientes.
Com base na definição supracitada, por exemplo, o basquetebol é um 
esporte regular, ao passo que o basquetebol em cadeira de rodas é considerado 
uma atividade adaptada, pois utilizou, como base, as regras do jogo original. O 
goalball não é considerado uma atividade adaptada, pois foi especialmente criada 
para suprir as necessidades especiais dos cegos, sem ser baseada em outro jogo.
TÓPICO 3 | ATIVIDADES FÍSICAS ADAPTADAS
65
As pessoas com necessidades especiais, quando bem estimuladas, podem 
alcançar objetivos como qualquer outra pessoa, só necessitando de algumas 
adaptações.
A diferença básica entre a Educação Física Geral e a Adaptada é apenas em 
relação ao local de atendimento, ao tipo de material utilizado, que algumas vezes 
tem que ser adaptado a eles, currículo trabalhado, e aos profissionaisenvolvidos.
Embora as necessidades especiais na escola sejam amplas e diversificadas, 
a atual Política Nacional de Educação Especial (BRASIL, 1994) aponta para uma 
definição de prioridades no que se refere ao atendimento especializado a ser 
oferecido na escola para quem dele necessitar. 
Nessa perspectiva define como aluno com necessidades especiais aquele 
que, por apresentar necessidades próprias e diferentes dos demais alunos no 
domínio das aprendizagens curriculares correspondentes à sua idade, requer 
recursos pedagógicos e metodológicos educacionais específicos. 
A classificação desses alunos, para efeito de prioridade no atendimento 
educacional especializado (preferencialmente na rede regular de ensino), consta 
da referida política e dá ênfase a:
• Pessoas com deficiência mental, visual, auditiva, física e múltipla.
• Pessoas com condutas típicas (problemas de conduta).
• Pessoas com superdotação.
2 ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS
As orientações relacionadas a seguir, podem, comumente, serem utilizadas 
nas escolas regulares em aulas de Educação Física, destinadas tanto para grupos 
específicos como em situação de inclusão, lembrando que o professor deverá 
sempre avaliar a turma com a qual trabalha.
2.1 SURDOS 
Ao utilizarmos atividades de inclusão para crianças e jovens surdos, 
devemos sempre utilizar a língua de sinais (LIBRAS) e muita informação visual 
nas explicações dos jogos.
O professor deverá intermediar a comunicação entre o aluno surdo e os 
colegas ouvintes. 
 
A aula também poderá contar com a presença de um intérprete. Nesse 
caso, caberá a ele a tradução. 
66
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
2.2 DEFICIENTES FÍSICOS
As crianças e jovens com deficiência física possuem necessidades variadas. 
Algumas delas usam cadeira de rodas, outras podem precisar apenas de um apoio 
e outras, muitas vezes, possuem habilidade reduzida para os padrões motores 
convencionais básicos, como manter o equilíbrio do tronco na posição sentada ou 
segurar uma bola pequena. 
Às vezes, as crianças já nascem com o comprometimento motor, tendo de 
desenvolver habilidades básicas de acordo com o seu aparato motor. Essa criança 
desenvolverá locomoção, manipulação de objetos e estabilização do corpo de 
maneira peculiar.
Por outro lado, alguns jovens podem ter adquirido sua deficiência motora 
após desenvolver os padrões motores básicos. Dessa forma, terão de reaprender as 
habilidades de locomoção, estabilização e/ou manipulação de objetos, utilizando 
talvez alguns instrumentos como auxílio.
Assim, o professor deverá elaborar jogos adequados a esses indivíduos, 
incentivando a aquisição de um novo repertório de movimentos, sem, no entanto, 
subestimar seu potencial.
É importante que o professor aprenda a usar a Libras, mas enquanto não 
fizer o curso, ele deverá cuidar de aspectos importantes, como, por exemplo, nunca 
ficar de costas para o aluno; sempre se posicionar no seu campo visual, sem, no 
entanto, demonstrar prioridade ou exclusividade a ele; falar normalmente, mas 
não muito rápido; incentivar sua participação ativa nos jogos e pedir que, a cada 
dia, ele ensine alguns sinais para seus colegas e ao professor. Desta forma, em um 
ano todos aprenderão, brincando, um novo idioma.
2.3 DEFICIENTES INTELECTUAIS
Como seria melhor se as pessoas em geral, eu inclusive, fossem como 
muitas crianças e jovens com deficiência intelectual: mais ingênuos, calmos e não 
tão competitivos. Talvez fosse mais fácil viver neste mundo. Porém, muitas dessas 
crianças, por falta de estímulos ou por outras questões, apresentam deficiências 
muito acentuadas, dificultando sua autonomia básica de proteção, alimentação e 
higiene. 
O professor orientador das atividades deve estar atento a algumas 
situações que podem ocorrer. Muitas vezes, os alunos terão dificuldade de 
entender as instruções do professor, pois a atenção deles pode não estar voltada 
à explicação. Consequentemente, o professor deverá auxiliar o aluno a organizar 
seu pensamento.
TÓPICO 3 | ATIVIDADES FÍSICAS ADAPTADAS
67
2.4 CEGOS OU COM BAIXA VISÃO
O professor deverá propor a sequência ordenadamente por várias vezes, 
porém não deverá tomar o aluno pelo braço e auxiliá-lo fisicamente, e sim fazer 
com que ele próprio entenda o que deverá ser realizado. 
O professor deverá ter calma e explicar quantas vezes for necessário para 
que o aluno entenda o jogo, podendo ser auxiliado pelos colegas do grupo que já 
compreenderam a sequência da atividade.
Em situação de inclusão, o professor deverá explicar para a turma a 
importância da participação de todos no jogo, os que têm mais dificuldade 
poderão ser auxiliados pelos demais colegas. É de grande relevância que o 
professor interaja com o grupo neste processo. O aluno com deficiência intelectual 
deverá pertencer ao grupo e não apenas estar presente nele.
Os alunos devem, com o passar das aulas, desenvolver habilidades 
motoras, independente de características específicas. Para que isso ocorra, o 
aluno em situação de inclusão precisa participar de todos os jogos ativamente, 
não apenas em tarefas simplificadas. Muitas vezes o professor deverá modificar 
as regras de jogo que, comumente, desenvolve com outros grupos.
Para nós que enxergamos, muitas vezes, fica difícil ou mesmo impossível 
perceber e interpretar um mundo sem referências visuais. Mundo construído 
através de formas, texturas, gostos, cheiros, sons e movimentos. 
O professor de Educação Física deverá desenvolver a sensibilidade de 
interpretar essa forma de percepção. Nesse sentido, as propostas de aula devem 
contemplar variadas experiências motoras a essas crianças e jovens.
Quando o aluno estiver em uma turma numa situação de inclusão, o 
professor deverá ser sensível na escolha das adaptações feitas, observando os 
seguintes critérios: para determinados jogos, é recomendável vendar todos os 
alunos, em outros, utilizar bolas com guizo, fitas ou cordas para delimitar o 
espaço e, principalmente, realizar as aulas em local silencioso. 
Em atividades de corrida, o professor, deverá sinalizar ou orientar o aluno 
através de palmas, apito ou qualquer outro sinal sonoro.
3 AVALIAÇÃO MOTORA
A avaliação serve a um objetivo muito importante na área do 
desenvolvimento motor. A avaliação de vários aspectos do comportamento 
motor de um indivíduo torna possível ao especialista em Educação Física 
Adaptada monitorar alterações desenvolvimentistas, identificar atrasos e obter 
esclarecimentos sobre estratégias instrutivas (GORLA, 2008).
68
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
Segundo DePauw (1990 apud Lopes e Santos 2002), a investigação, anterior 
aos anos 1970, sobre a atividade física em indivíduos deficientes foi descritiva, 
concentrando-se em três áreas fundamentais:
• Identificação de problemas motores.
• Efeitos da atividade física.
• Descrição do crescimento e do desenvolvimento das crianças 
deficientes.
Nos anos 1970, as investigações centraram-se, sobretudo, na fisiologia 
e na biomecânica. Na década seguinte, segundo Gorla (2008), deu-se um 
aumento substancial das investigações. As áreas de estudo diversificaram-se e os 
procedimentos tornaram-se mais sofisticados e variados.
Os esforços sistemáticos da investigação foram devotados ao 
entendimento das bases científicas, fisiológicas e biomecânicas do 
desempenho. Os fatores psicológicos e sociológicos que afetam os 
indivíduos deficientes foram estudados pela primeira vez (GORLA, 
2008, p. 15).
No período de 1980 a 2000, houve grande crescimento da área de Educação 
Física Adaptada e, com isso, a necessidade da sistematização dos processos de 
avaliação e dos programas de intervenção. As investigações mais recentes em 
Educação Física Adaptada podem ser agrupadas nas seguintes áreas:
• Ensino e aprendizagem das atividades Físicas.
• Fatores de influênciana atividade física.
• Efeitos da atividade física.
• Habilidades motoras e desempenho (rendimento).
Não há escassez de instrumentos de avaliação que proponham mensurar 
habilidades motoras. Existem centenas de testes formais, publicados ou não, 
projetados com a mensuração de várias características de comportamento 
motor em mente. Também existem métodos para a avaliação das características 
motoras de um indivíduo, os quais representam uma abordagem menos formal 
e mais naturalista. O desafio para o avaliador é identificar os procedimentos e os 
instrumentos de avaliação mais apropriados para o indivíduo ou grupo que será 
testado.
Alguns problemas parecem ter surgido na literatura sobre a avaliação. 
Primeiro, há uma preocupação relativa ao mau uso dos testes padronizados para 
determinar programas objetivos da Educação Individual; segundo, os resultados 
de testes padronizados oferecem pouca ajuda em determinar técnicas instrutivas 
ou tomar decisões; terceiro, a exatidão da medida das habilidades de um indivíduo 
em um contexto e em um tempo específico; e, por último, o uso ambíguo e, às 
vezes, até arbitrário de notas por letras para descrever o desempenho de um 
indivíduo (BLOCK et al., 1998).
TÓPICO 3 | ATIVIDADES FÍSICAS ADAPTADAS
69
A avaliação poderia ser definida em um livro educacional como coleta e 
interpretação de informação relevante sobre um indivíduo para ajudar a tomar 
decisões válidas, confiáveis e não discriminatórias, os primeiros passos são 
medir e avaliar. Para avaliar a capacidade de movimento de uma criança, a 
medida pode se estender do teste formal à observação informal dessa em seu 
ambiente natural.
A avaliação é a interpretação daquelas medidas em termos de adequação 
– o quão bem ela se desempenha de acordo com as normas de testes avaliáveis 
ou os comportamentos objetivos desenvolvidos para determinado indivíduo, 
classe ou unidade instrutiva (GEALLAHUE E OZMUN, 2001). A avaliação 
baseada em normas de testes resulta no relatório de um padrão de pontuação, 
tal como a porcentagem, enquanto a avaliação baseada em condutas objetivas 
dá ao avaliador a indicação do grau de perícia ou imperícia.
Uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos professores de 
Educação Física Adaptada é a diversidade terminológica usada entre muitos 
instrumentos de avaliação presentes nos estudos, com origem nas diferentes 
escolas superiores pelos grupos de estudo de pesquisas e editores. Isso constitui 
um desafio difícil de superar, sendo necessário optar por uma terminologia 
capaz de melhor enquadrar os fatores de uma intenção de estudos em particular. 
Na realidade, cada termo representa as dificuldades experimentadas pelas 
crianças com dificuldades de movimento.
A avaliação motora em crianças e adolescentes com deficiência é 
necessária para a intervenção de qualidade, porém é preciso identificar 
claramente os critérios que o instrumento oferece. Zittel (1994) cita alguns 
aspectos-chave para selecionar um instrumento de avaliação motora: proposta, 
adequação técnica do instrumento, fatores não discriminatórios, facilidade de 
administração, ligação instrutiva e validade ecológica.
A seleção de um instrumento de avaliação deve ser precedida da 
compreensão sobre o porquê de a criança ser testada e como as medidas 
serão utilizadas. A avaliação da habilidade motora total é, primeiramente, 
completada para a proposta de triagem, diagnóstico e prescrição.
FONTE: GORLA (2008, p. 16)
4 ATIVIDADES ADAPTADAS
Para que o aluno com deficiência tenha um autoconceito positivo, 
deverá sentir-se pertencente ao grupo, não apenas "fazendo parte" dele. 
Ele terá que ser valorizado e reconhecido pelos colegas, professores e 
por si próprio como sendo um sujeito integrante do grupo. Entretanto, 
deverá aceitar as regras, assim como o grupo precisa aceitar as 
limitações de cada colega e do conjunto, sem, contudo, deixar de tentar 
vencer as dificuldades. (DIEHL, 2006, p. 111).
70
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
Segundo Haywood e Getchell (2004, p. 155), “A autoestima influencia a 
participação em esportes e atividades físicas, bem como o domínio de habilidades. 
Ela se torna mais precisa à medida que a pessoa envelhece".
Os jogos que serão apresentados a seguir são atividades recreativas 
destinadas às aulas de Educação Física de escolas de ensino infantil, fundamental 
e médio, retiradas do livro “Jogando com as Diferenças”, da autora Rosilene 
Moraes Diehl. 
Estes jogos apresentarão adaptações indicadas aos alunos surdos, cegos, 
com deficiência intelectual e com deficiência física, quando em situação de 
inclusão ou em grupo específicos, ou seja, numa turma com crianças e/ou jovens 
com deficiências similares.
QUADRO 3 - JOGOS PARA SURDOS
Roubar o rabo do dragão
Número de Participantes: livre.
Material Necessário: nenhum.
Local: quadra.
Formação dos Alunos: uma coluna e um aluno de frente para ela.
Descrição do Jogo: O aluno que estiver posicionado de frente para a coluna deverá tentar pegar 
o último da fila, que terá um rabo feito de jornal (o rabo do dragão); o primeiro da coluna 
deverá tentar impedir através de movimentos que serão acompanhados pelos demais (o corpo 
do dragão). Finaliza a brincadeira quando o pegador conseguir tocar no rabo do dragão.
Variável: Duas colunas, uma de frente para a outra, tentarão, de forma simultânea, pegar o rabo 
do dragão da coluna adversária. Vence a equipe que conseguir pegar primeiro o rabo do dragão.
Futsal de 4 goleiras
Número de Participantes: 16.
Material Necessário: 8 cones, 8 coletes, 2 bandeiras com cores diferentes.
Local: ginásio, preferencialmente quadra de futsal.
Formação dos Alunos: 2 equipes com 8 jogadores cada.
Descrição do Jogo: A atividade será realizada em uma quadra de futsal, onde não serão 
utilizadas as goleiras e, sim, 8 cones com os quais serão montadas 4 goleiras nos cantos da 
quadra. Os alunos serão divididos em duas equipes de 8 integrantes cada, devendo marcar gol 
em 2 goleirinhas, previamente designadas para as equipes. Vence o time que fizer mais gols. As 
regras são as mesmas do futsal. A explicação deve ser na língua de sinais. O professor deverá 
usar duas bandeiras: uma verde e outra vermelha. Quando ocorrer falta, o professor levantará 
a bandeira vermelha. Para sinalizar início e término de jogo, usará a verde.
Obs.: Pode ser jogado com ou sem goleiro.
TÓPICO 3 | ATIVIDADES FÍSICAS ADAPTADAS
71
Jogo do siri
Número de Participantes: 16.
Material Necessário: 1 bola de handebol, 2 goleiras pequenas (ou cones demarcando as goleiras), 
1 bandeira amarela e 1 bandeira vermelha, coletes coloridos.
Local: quadra de vôlei ou quadra reduzida.
Formação dos Alunos: 1 goleiro, 2 zagueiros, 1 meio de campo, 2 atacantes e 2 reservas. 
Descrição do Jogo: As equipes se colocam sentadas. Para a locomoção será utilizada a posição 
de siri (4 apoios, de costas), com o quadril erguido do chão com o auxílio das mãos. A bola 
será transportada no colo, sendo arremessada com uma das mãos para efetuar o passe ou 
para a finalização do gol, podendo ser "roubada” do adversário. Vence a equipe que fizer 
mais gols. Caso a bola caia do colo de quem a está transportando, o juiz interrompe o jogo 
para recomeçá-lo com uma nova jogada, com a posse de bola da equipe adversária. O mesmo 
ocorre nas jogadas irregulares, que são as batidas, os pontapés e os empurrões propositais nos 
adversários. A bandeira vermelha será utilizada para iniciar e finalizar o jogo, assim como para 
marcar e autorizar a cobrança de pênaltis; a bandeira amarela sinalizará as marcações de faltas, 
tiros de meta, escanteios e jogadas irregulares. É recomendado que participem dois árbitros, 
um em cada lateral da quadra, cada um responsável por uma cor de bandeira.
Ouça e pegue o rabinho
Número de Participantes: de 5 a 10.
Material Necessário: barbante, latas de refrigerante com pedrinhasdo tamanho de feijão 
dentro, venda.
Local: ginásio ou qualquer lugar plano.
Formação dos Alunos: livre.
Descrição do Jogo: Amarrar a lata de refrigerante com um barbante, que será puxada pelos 
alunos, arrastada pelo chão. Cada um tentará roubar o “rabinho” do outro. Aquele que mais 
rabinhos pegar será o vencedor.
Em situação de inclusão: os alunos poderão estar em duplas de mãos dadas, onde um estará 
vendado e o outro, não. Aquele que não enxerga pega o rabinho, seguindo as instruções do 
vidente. O rabinho estará preso ao aluno cego ou com baixa visão. Vencerá a dupla que pegar 
mais rabinhos.
Corrida dos caranguejos
Número de Participantes: livre.
Material Necessário: cordas.
Local: quadra.
Formação dos Alunos: colunas, com no máximo 6 participantes cada. 
Descrição do Jogo: À frente de cada coluna, serão estendidas duas cordas no chão, na largura 
dos ombros, do início ao fim do percurso. Os integrantes se posicionarão em 4 apoios de costas, 
atrás do ponto de partida, com a cabeça em direção às cordas. Ao sinal, deverão realizar percurso, 
do início ao fim, deslocando-se como caranguejo, com as mãos em cima das cordas estendidas 
no chão, procurando percorrer toda a extensão, voltando à linha de partida da mesma
maneira. Cada equipe terá um nome previamente combinado que será gritado pelo último 
competidor ao finar do percurso, definindo a equipe vencedora.
Variável: os participantes deverão fazer o percurso conduzindo um balão entre as pernas, sem 
estourá-lo, entregando-o para o próximo da coluna. O balão deverá ser estourado pelo último 
participante, ao término do percurso. Vence a coluna que primeiro estourar o balão.
Em situação de inclusão: os alunos videntes não poderão olhar para a corda, mantendo o 
rosto voltado para cima, auxiliando o seu colega cego ou com baixa visão durante o percurso.
QUADRO 4 - JOGOS PARA CEGOS OU COM BAIXA VISÃO
72
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
QUADRO 5 - JOGOS PARA DEFICIENTES INTELECTUAIS
Passa João
Número de Participantes: livre.
Local: sala ou ginásio.
Formação dos Alunos: em círculo.
Descrição do Jogo: Com os alunos sentados em círculo, o professor inicia pegando uma bola e 
cantando a canção "Passa João": "O João vai passar, ele ainda não chegou, ele ainda não chegou, 
ele acaba de chegaaaaaar". Enquanto isso, os participantes passam a bola de mão em mão para 
os colegas, até que todos os componentes do círculo a tenham tocado. Ao parar a música, a 
bola para de ser passada e aquele que estiver com a bola deverá imitar um bicho.
Variável: Em vez de cantar "Passa João", trocar pelo nome dos alunos consecutivamente, até 
citar o nome de todos. Este tipo de brincadeira, estimula a criança a participar do jogo, cantando.
Crocodilo faminto
Número de Participantes: mínimo 5.
Material Necessário: nenhum.
Local: quadra de vôlei.
Formação dos Alunos: em fileira no fundo da quadra de vôlei e um aluno na linha central.
Descrição do Jogo: Os participantes dispostos de um lado da quadra deverão atravessar o lago 
(a quadra), fazendo imitações de determinados animais, não sendo permitida a repetição dos 
animais. No centro, um aluno que representará o "crocodilo faminto" deverá tentar pegar os 
"animais" que querem passar pela linha central. O crocodilo não poderá afastar-se da linha 
central. O participante que não conseguir fugir do crocodilo ocupará seu lugar ou auxiliará o 
crocodilo faminto a pegar os demais animais.
Não-me-toque
Número de Participantes: no mínimo 6.
Material Necessário: nenhum.
Local: quadra.
Formação dos Alunos: dispostos livremente.
Descrição do Jogo: um dos participantes, escolhido pelo professor, será o pegador. Assim que o 
professor gritar o nome de um dos outros participantes, os demais colegas deverão formar um 
círculo ao seu redor, impedindo que o pegador toque nele. Só será trocado o pegador quando 
ele conseguir tocar em alguém.
Nó no lenço
Número de Participantes: livre.
Material Necessário: apitos e vários lenços ou fitas.
Local: quadra ou sala.
Formação dos Alunos: colunas ou fileiras.
Descrição do Jogo: sentados em seus lugares, em colunas ou fileiras com igual número de 
integrantes, representando as equipes. O último de cada coluna ou fileira estará segurando 
um lenço, e o primeiro, um apito. Ao sinal dado, aqueles que têm o lenço na mão atam-no no 
braço direito do colega da frente, fazendo um nó entre o cotovelo e o ombro; o aluno desata o 
nó do seu braço com a mão esquerda, ata-o no colega da frente e, assim, sucessivamente, até 
que o primeiro dê o sinal de que sua equipe terminou. Vence a equipe que apitar primeiro.
Em situação de inclusão: o aluno vidente não poderá olhar quando for amarrar o lenço ou a 
fita, nem quando for desamarrá-las, mantendo o rosto voltado para o outro lado.
TÓPICO 3 | ATIVIDADES FÍSICAS ADAPTADAS
73
QUADRO 5 - JOGOS PARA DEFICIENTES INTELECTUAIS
QUADRO 6 - JOGOS PARA DEFICIENTES FÍSICOS
Passa repassa
Número de Participantes: livre.
Material Necessário: 1 bola de vôlei.
Local: quadra.
Formação dos Alunos: sentados.
Descrição do Jogo: os alunos estarão dispersos sentados pela quadra de voleibol, ou similar, 
dois deles sentados nas pontas. Os alunos das pontas iniciarão a troca de passes de bola, 
enquanto os alunos do centro da quadra tentarão pegá-la sem tirar o quadril do chão. O aluno 
que conseguir pegar a bola troca de lugar com aquele que a jogou.
Pegue o rabo
Número de Participantes: 15.
Material Necessário: nenhum.
Local: quadra.
Formação dos Alunos: coluna.
Descrição do Jogo: Os alunos em coluna, segurando com as mãos a cadeira de roda do colega 
da frente. Um aluno, escolhido para ficar de frente para a coluna, será o "pegador" e tentará 
pegar o último da coluna, o "rabo", enquanto os demais alunos devem movimentar-se de modo 
a impedir que isso aconteça. Quando o "rabo" for pego, este passa a ser o pegador e quem 
pegou entra na frente e passa a ser a "cabeça". O primeiro da fila ficará com as mãos livres e, 
por isso, poderá atrapalhar o pegador movimentando os braços, porém sem encostar-se nele.
Em situação de inclusão: Será realizado o mesmo jogo, sendo que o aluno cadeirante poderá 
ser o primeiro da coluna ou em outra posição, preso ao colega da frente por uma corda.
Corrida dos arcos
Número de Participantes: livre.
Material Necessário: arcos.
Local: quadra.
Formação dos Alunos: fileira.
Descrição do Jogo: Os alunos, na cadeira de rodas ou sentados no chão, estarão posicionados 
na linha de fundo da quadra, cada um com dois arcos. Cada aluno estará segurando um dos 
arcos na mão, e outro estará no chão à sua frente. Ao sinal dado pelo professor, o aluno deverá 
entrar no arco colocado no chão e colocar o outro arco no chão à sua frente; em seguida ele 
deverá entrar no arco que está no chão e pegar o arco que ficou para trás. Sucessivamente, 
posicionará e entrará nos arcos até chegar ao outro lado da quadra. Vence o primeiro que chegar.
Em situação de inclusão: Todos os alunos deverão estar sentados no chão.
74
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
LEITURA COMPLEMENTAR
REGRAS DA BOCHA ADAPTADA
PRINCIPAIS REGRAS
FILOSOFIA DO JOGO
A bocha possui algumas características semelhantes às do tênis, 
principalmente nos aspectos extra quadra, sendo que, assim como ocorre em 
torneios daquela modalidade, a bocha necessita que o público esteja em silêncio 
no momento da jogada e que suas comemorações sejam restritas aos membros do 
grupo ou da equipe, que não estejam jogando naquele momento.
APLICAÇÃO DAS REGRAS DO SISTEMA ESCOLAR
Aqui, teremos especificadas as principais regras da modalidade, lembrando 
que – para um trabalho educacional, ou seja, dentro do âmbito escolar – torna-se 
fundamental a sua aplicação, porém esta deve ocorrer num segundo momento, 
pois colocada em primeira instância pode cercear o pensamento criativo e o teor 
lúdico que todo esporte deve oferecer.Para aplicabilidade de regras é necessário que o aluno primeiramente 
assimile o conteúdo cognitivo; em seguida, possa encontrar uma adaptação 
adequada à sua condição motora e, por fim, tenha domínio motor de habilidades 
específicas de lançamento, arremesso, movimentos relativos à calha etc.
Esta primeira etapa, sem regras rígidas, pode possibilitar experiências de 
sucesso, motivando o aluno a continuar tendo desafios mais complexos.
TERMOS USADOS NA MODALIDADE
Jack, bola-mestra ou bola-alvo: refere-se à bola branca.
Cancha: quadra de superfície plana e lisa onde ocorrem os jogos.
Box: local onde ficam as cadeiras de rodas dos jogadores.
Dispositivos auxiliares: ajuda de algum material para que o jogador 
possa executar a jogada. Ex.: rampa ou calha.
Calheiro: pessoa destinada a segurar e executar o movimento com a calha 
ou rampa para o aluno mais comprometido.
Kit: conjunto de bolas de bocha.
Elegibilidade: condição motora para que o atleta possa jogar a modalidade, 
ou seja, esteja dentro do perfil da classificação funcional exigida pelo manual de 
classificação.
Bola morta: bola arremessada para fora das linhas do campo ou que tenha 
sido retirada pelo árbitro no seguimento de uma violação.
Dispositivo de medida: material para medição da distância entre as bolas.
TÓPICO 3 | ATIVIDADES FÍSICAS ADAPTADAS
75
Equipamento de medição de tempo: material usado para medir o tempo 
que o jogo de bolas deve ser jogado, dentro de uma parcial.
Parcial ou set: quando os jogadores terminam de lançar todas as bolas 
vermelhas e azuis.
Partida: soma de quatro parciais ou sets, desde que não haja tie-break.
A QUADRA
A quadra deve ser plana, lisa e regular, de madeira, cimento ou material 
sintético. Consiste em duas áreas, boxes de jogadores e área de jogo. Suas dimensões 
totais são de 12,5 m de comprimento e 6 m de largura, delimitadas por linhas de 
quatro centímetros de largura e linhas de marcação internas de dois centímetros 
de largura. As linhas limítrofes não estão inseridas nas áreas que delimitam. 
A zona de lançamento é dividida em seis boxes iguais de 2,5 metros de 
comprimento e 1 m de largura, que são numerados de 1 a 6. Na área de jogo, há 
uma área delimitada por uma linha “V”, cujas laterais distam 3 m da zona de 
lançamento e do ponto central 1,5 metro. O lançamento da bola mestra (branca) 
de dentro do boxe de lançamento só será considerado válido quando ultrapassar 
essa marca (“V”). O ponto central da área de jogo é marcado por um “X”, onde 
a bola mestra é colocada no início de cada parcial extra ou quando for colocada 
para fora do campo.
FIGURA 23 - A QUADRA
MATERIAIS E EQUIPAMENTOS
São utilizadas 13 bolas: seis azuis, seis vermelhas e uma branca, 
confeccionadas com fibra sintética expandida e superfície externa de couro. 
Seu tamanho é menor que as de bocha convencional e o peso é de 280 
gramas. O árbitro utiliza para sinalizar ao jogador, no início de um lançamento 
ou jogada, um indicador de cor vermelho/azul, similar à uma raquete de tênis de 
mesa. Para medir a distância das bolas coloridas da bola-alvo, é utilizada uma 
trena ou compasso.
76
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
FIGURA 24 - JOGO DE BOLAS DE BOCHA
FIGURA 25 - ÁRBITRO/SINALIZADOR 
FIGURA 26 - TRENA 
Para atletas que não conseguem dar à bola uma boa propulsão, pode ser 
utilizada uma calha, rampa ou canaleta, sem freio ou qualquer outro dispositivo 
mecânico. O jogador deve ter um contato físico direto com a bola imediatamente 
antes de fazer um lançamento. O contato físico inclui também o ponteiro ou 
agulha fixado na cabeça por uma faixa ou capacete.
FIGURA 27 CALHA OU RAMPA (MODELOS USADOS PELA 
EQUIPE ESPANHOLA) 
TÓPICO 3 | ATIVIDADES FÍSICAS ADAPTADAS
77
FOTO 28 - PONTEIRO FIXADO NA CABEÇA (MODELO 
USADO POR ATLETA BRASILEIRO) 
MARCADOR
Lousa ou papel para serem colocados os resultados e virados para os 
jogadores.
INDICADOR PARA AUTORIZAÇÃO DE JOGO
Raquete com duas cores.
CAIXA DE BOLA MORTA
Recipiente para colocar as bolas que forem lançadas fora da área de jogo.
AUXÍLIO AOS ATLETAS DE ACORDO COM AS CLASSES
Atletas BC3
Para os atletas da classe BC3 (que apresentam severo comprometimento 
motor nos quatro membros), as regras de bocha (segundo CP-ISRA) permitem que 
o jogador seja assistido por uma pessoa que tem como função, além de direcionar 
a calha (dispositivo auxiliar), seguindo rigorosamente as indicações do jogador, 
pode também arredondar a bola se for necessário, entregá-la e segurá-la até o 
momento da soltura na calha pelo atleta. Porém essa ajuda só será autorizada 
ao assistente (também denominado “calheiro”) mediante sinal ou indicação do 
atleta quando da sua vez de jogar. Por essas exigências da regra, faz-se necessário 
um treinamento intensivo e, sobretudo, harmonioso entre o atleta e o calheiro. 
Normalmente é escolhida, entre os auxiliares, a pessoa de maior compreensão e 
sincronia com o atleta, na maioria das vezes, pais ou familiares.
78
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
FIGURA 29 - ATLETA BC3 (APDEF – PETRÓPOLIS, RJ)
Essa comunicação pode ser feita de forma oral ou pela interpretação de 
gestos e expressões (maioria dos casos) e sempre partindo do atleta. O calheiro 
não pode, em hipótese alguma, se comunicar com o atleta e deverá colocar-se 
sempre de costas para o jogo. 
Alguns tipos de treinamento devem ser considerados específicos para 
essa classe, de forma que o calheiro e o atleta tenham atuação única e precisa, 
permitindo que a ajuda do auxiliar seja em decorrência do raciocínio e iniciativa 
do jogador e, principalmente, da sintonia que os une. 
Exemplo: O calheiro e o atleta devem ter treinado e combinado 
exaustivamente todos os diferentes tipos de sinais e principalmente expressões 
utilizadas no decorrer da partida, tais como jogo curto (calha alta e o quanto 
alta), jogo longo (calha baixa e o quanto baixa), para esquerda, para direita e 
assim sucessivamente, até mesmo após jogar uma bola quando, pela expressão 
do atleta, o calheiro perceber se foi uma boa jogada ou não. 
Em resumo, o assistente do atleta BC3 deve ser uma pessoa escolhida 
primeiramente pelo próprio jogador e deverá acompanhar todos os treinamentos 
com a mesma disponibilidade do competidor, compreender todo o processo da 
modalidade e que, acima de tudo, deseje ajudar sem, contudo, influenciar nas 
decisões do atleta. 
Deve ser paciente e sensível, conviver com o atleta o maior tempo possível, 
ajudá-lo nas dificuldades da vida diária, assim como na hora da alimentação e 
higiene, fortalecendo a interação entre eles.
Atletas BC1
Para os atletas da classe BC1, também é permitido um auxiliar, mas apenas 
com a função de entregar a bola para o jogador quando este solicitar por gesto 
previamente combinado. Oferecer um suporte de segurança, se for necessário, 
assim como o de segurar a cadeira de rodas para que ela não se desloque no 
momento do arremesso. Deve também auxiliar o retorno do tronco do atleta após 
TÓPICO 3 | ATIVIDADES FÍSICAS ADAPTADAS
79
o arremesso, caso ele apresente maior dificuldade de controle e equilíbrio. Não é 
permitida nenhuma forma de diálogo ou comunicação entre eles, exceto do atleta 
para o auxiliar, quando da sua vez de jogar. O auxiliar deve se colocar fora do box 
de arremesso durante a partida.
Atletas BC2 e BC4
Para os atletas BC2 e BC4, não é permitido nenhum tipo de ajuda externa. 
O que ocorre com frequência é a adaptação de um suporte ou cesto para as 
bolas, fixo ou não na cadeira de rodas, de modo que facilite ao atleta de pegar as 
bolas para arremessar. Isso é muito utilizado em atletas da classe BC4 com lesão 
medular e com grande comprometimento nos quatro membros.
O JOGO
O jogo de bocha poderá ser disputado nas categorias:
Individual BC1.
Individual BC2.
Individual BC3.
Individual BC4.Pares BC3 – Somente jogadores pertencentes à classe BC3.
Pares BC4 – Somente jogadores pertencentes à classe BC4.
Equipe – Somente jogadores pertencentes às classes BC1 e BC2.
Em jogo individual e de pares, cada partida será composta por quatro 
parciais. Quando houver empate de pontos, será disputada uma quinta parcial 
chamada de tie-break.
Em jogo de equipe, cada partida será composta de seis parciais, caso não 
seja necessária a disputa de tie-break.
No jogo individual, cada jogador estará de posse de seis bolas azuis ou 
seis vermelhas, conforme sorteio.
No jogo de duplas, cada jogador estará de posse de três bolas azuis ou três 
bolas vermelhas, conforme sorteio.
No jogo de equipe, cada jogador estará de posse de duas bolas azuis ou 
duas bolas vermelhas, conforme sorteio.
O árbitro fará um sorteio inicial: o vencedor escolherá a cor da bola. Caso 
escolha a vermelha, sairá jogando com a branca.
Caso a partida termine empatada e seja necessária a disputa do tie-break, a 
bola branca será colocada na marcação central X.
Uma parcial somente termina quando os jogadores lançam todas as bolas 
ou quando se esgota o tempo. Os boxes 1, 3 e 5 serão ocupados pelos jogadores 
locais (quem está de posse da bola vermelha) e os boxes 2, 4 e 6 serão ocupados pelos 
jogadores visitantes (quem está de posse da bola azul), no caso do jogo de equipes.
Em jogos de pares, os jogadores locais ocuparão os boxes 2 e 4 e os jogadores 
visitantes ocuparão os boxes 3 e 5.
80
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
Em jogos individuais, o jogador local ocupará o box 4 e o jogador visitante 
ocupará o box 3.
As parciais possuem um tempo limite para serem terminadas. Será 
aplicado de forma decrescente, como a seguir: 
Individual BC1, BC2 e BC4: 5 minutos;
Individual BC3: 6 minutos;
Pares BC3: 8 minutos;
Pares BC4: 6 minutos;
Equipes: 6 minutos.
Nenhuma bola poderá ser lançada sem que o árbitro autorize, indicando 
com placa ou raquete quem jogará.
Após o sorteio, quem está de posse da bola vermelha lança primeiramente 
a bola branca e, em seguida, a bola vermelha; depois é autorizado o lançamento 
de uma bola azul para verificação da bola que está mais próxima da branca. 
Continuará lançando a bola, quem estiver com a bola mais afastada da bola do 
adversário em relação à bola branca.
Se a bola cair acidentalmente da mão do jogador, antes do lançamento, 
o árbitro pode permitir que o atleta volte à jogada desde que o imprevisto seja 
entendido como ato acidental e não voluntário (intenção de lançar a bola). 
A bola é considerada fora quando ultrapassa as linhas laterais ou de 
fundo, não sendo considerada para pontuação. 
Caso a bola arremessada para fora seja a bola branca, será lançada 
novamente pelo jogador adversário, além da sua vez de direito, até que a bola 
mestra seja colocada no campo permitido para jogo.
Se a bola branca for empurrada para fora, será colocada na marcação do 
X central. 
Quando a bola branca é colocada no X central, jogará quem estiver mais 
longe dela.
PONTUAÇÃO
Todas as bolas mais próximas da bola branca, comparadas às do jogador 
adversário, serão consideradas ponto.
Exemplo: dois pontos para azul.
TÓPICO 3 | ATIVIDADES FÍSICAS ADAPTADAS
81
Caso uma bola vermelha e uma bola azul estejam na mesma distância da 
bola branca, ao final da parcial, será creditado um ponto para cada jogador. 
Caso duas bolas azuis e uma vermelha estejam na mesma distância da 
bola branca, serão creditados dois pontos para a azul e um ponto para a vermelha. 
Em caso de dúvida na medição de distância da bola, o árbitro poderá 
autorizar o jogador (individual) e capitão (pares e equipes) a entrar no local da 
jogada para acompanhar a medição.
Caso haja empate em número de pontos ao final das parciais, será jogada 
uma parcial de desempate, chamada de tie-break. 
Será declarado vencedor o lado que tenha o maior número de pontos em 
sua somatória ao final de todas as parciais, incluindo tie-break, caso necessário.
PENALIDADE
Quando é cometida uma falta ou infração, o árbitro irá conceder duas 
bolas de penalização para o adversário. Estas bolas serão válidas para pontuação. 
As duas bolas de penalização serão retiradas após o término do jogo. 
Sempre serão as duas bolas do jogador penalizado que estiverem mais distantes 
e não estão pontuando ou as bolas que foram lançadas para fora. 
Se for necessário retirar bolas que estão pontuando, o árbitro anotará o 
resultado antes de retirá-las. 
Se houver mais de uma bola que possa ser utilizada como bola de 
penalização, caberá ao próprio jogador beneficiado escolher qual será usada. 
Faltas cometidas por ambos os jogadores se anulam umas às outras. 
Se um jogador comete uma falta enquanto está lançando a bola de 
penalização, esta será retirada e concedida ao jogador oposto. 
Se durante a parcial o jogador cometer mais de uma falta, as bolas de 
penalização serão concedidas separadamente, ou seja, duas e depois mais duas.
FALTAS OU INFRAÇÕES SANCIONADAS
Lançar uma bola, exceto a bola mestra, enquanto alguma parte do corpo, 
cadeira de rodas ou dispositivo auxiliar (Exemplo: calha) estiver tocando a linha 
ou parte do campo que não seja o box.
Caso a falta seja cometida na hora do lançamento da bola mestra, esta será 
repassada ao jogador adversário. 
O jogador poderá manobrar a cadeira ou outro dispositivo, ultrapassando 
a área de lançamento, antes do lançamento da bola, desde que seja sua vez de 
jogar e devidamente autorizado pelo árbitro. 
Não será aplicada penalização por invasão da cadeira ou do jogador que 
efetua o lançamento com os pés. 
Caso o jogador atrapalhe de forma deliberada de maneira a interferir na 
jogada do adversário. 
Se o jogador não estiver com, pelo menos, uma parte dos quadris em 
contato com o assento da cadeira de rodas, no momento do lançamento.
82
UNIDADE 1 | EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO
FALTAS SEM PENALIZAÇÕES
Faltas que não têm como consequência uma penalização. 
Caso o jogador lançar mais de uma bola, elas serão contadas na pontuação 
final. 
Se devido ao erro do árbitro o jogador lançar a bola não sendo sua vez, ela 
lhe será devolvida, desde que não tenha tocado em nenhuma outra bola do jogo. 
Caso o jogador tenha jogado sem que a autorização do árbitro tenha sido 
dada ao jogador oposto e não tenha tocado em nenhuma outra bola do jogo. 
Quando o árbitro tentar deter o caminho da bola lançada erroneamente, 
antes que possa modificar o jogo. 
PARCIAL INTERROMPIDA
Quando as bolas que estão no jogo são movidas, advindas de uma situação 
irregular como acidentalmente movida pelo árbitro, pode-se recolocar as bolas 
movidas em seu lugar; caso não sendo possível, voltar à parcial. 
Se devido ao erro do árbitro o jogador lança a bola fora da sua vez, o 
procedimento será o mesmo do item anterior. 
Se o jogador, que entra em campo, mover alguma bola, segue-se o mesmo 
critério dos itens anteriores. 
COMUNICAÇÃO
É expressamente proibida a comunicação do auxiliar com o atleta (Classe 
BC1 e BC3) durante a parcial. Somente o atleta poderá comunicar-se, quando 
necessário e dentro da sua vez de jogar. Em jogo de pares e equipes, o capitão, 
pré-determinado anteriormente, poderá indicar qual o jogador que deve lançar 
a bola. 
Será concedido, no jogo de pares e equipes, um tempo técnico de três 
minutos para instruções do técnico para seus atletas.
O árbitro poderá punir algum jogador que entenda proceder com uma 
comunicação excessiva ou imprópria. 
O jogador poderá solicitar que seu oponente ao lado afaste a cadeira para 
trás, desde que entenda estar atrapalhando o lançamento de sua bola.
TEMPO
Cada parcial terá um tempo limite para serem lançadas as bolas ao campo 
de jogo.
Esse tempo começa a contar no momento em que o árbitro indica qual 
a cor que inicia a jogada quese conclui no momento em que a bola termina seu 
trajeto.
O tempo é descrito de forma decrescente.
Caso se esgote o tempo e o jogador ainda não tenha lançado alguma bola, 
não será permitido novo lançamento.
TÓPICO 3 | ATIVIDADES FÍSICAS ADAPTADAS
83
Os limites de tempo são assim descriminados:
Individual (Classes BC1, BC2 e BC4) – 5 minutos por jogador.
Individual BC3 – 6 minutos por jogador.
Pares BC3 – 8 minutos por dupla.
Pares BC4 – 6 minutos por dupla.
Equipes (BC1 e BC2) – 6 minutos por equipe.
REGRAS E CRITÉRIOS PARA UTILIZAÇÃO DE MATERIAL 
AUXILIAR
A rampa, calha ou canaleta deverá desenvolver suas funções dentro do 
limite do espaço do box, que também será ocupado pelo atleta com sua cadeira 
de rodas. 
A rampa, calha e canaleta não podem conter nenhum sistema mecânico. 
Após o lançamento da bola, o calheiro deverá voltar a rampa ao ponto 
médio no chão. 
Será permitido o uso de cestas para colocar as bolas, desde que devidamente 
fixadas nas cadeiras de rodas e que não atrapalhem o jogador ao lado. 
Não será permitido ao assistente da classe BC3 olhar para trás no momento 
da parcial.
FONTE: Disponível em: <www.rio2016.com/portal.esporte.gov.br/ucbweb.castelobranco.br/
www.informacao.srv.br>. Acesso em: 25 fev. 2016.
84
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico você estudou que:
• A terminologia correta é PESSOA COM DEFICIÊNCIA e não mais PORTADOR 
DE NECESSIDADES ESPECIAIS.
• Atividade Física Adaptada designa a atividade modificada, ou criada para 
suprir as necessidades especiais das pessoas com deficiências.
• O professor deverá intermediar a comunicação entre o aluno surdo e os colegas 
ouvintes.
• As crianças e jovens com deficiência física possuem necessidades variadas. 
Algumas delas usam cadeira de rodas, outras podem precisar apenas de um 
apoio e outras, muitas vezes, possuem habilidade reduzida para os padrões 
motores convencionais básicos, como manter o equilíbrio do tronco na posição 
sentada ou segurar uma bola pequena.
• O professor deverá ter calma e explicar quantas vezes for necessário para que 
o aluno com deficiência intelectual entenda a atividade, podendo ser auxiliado 
pelos colegas do grupo que já compreenderam a sequência da atividade.
• Em atividades de corrida, o professor, deverá sinalizar ou orientar o aluno com 
deficiência visual através de palmas, apito ou qualquer outro sinal sonoro.
85
1 Qual é o termo correto para definir uma pessoa com déficit cognitivo?
2 Descreva uma atividade para cegos ou com baixa visão.
AUTOATIVIDADE
86
87
UNIDADE 2
PRIMEIROS SOCORROS NA 
EDUCAÇÃO FÍSICA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• compreender conceitos básicos de primeiros socorros;
• entender a origem dos primeiros socorros;
• saber como atuar diante de um atendimento pré-hospitalar;
• conhecer a atuação do professor de educação física em primeiros socorros;
• compreender o significado da ética profissional;
• diferenciar urgência e emergência;
• saber atuar diante de uma parada cardiorrespiratória.
Esta unidade está dividida em três tópicos. Você encontrará atividades que 
o(a) ajudarão na compreensão dos conteúdos apresentados e, ao final de 
cada um deles, terá atividades que o(a) ajudarão a assimilar os conhecimen-
tos teóricos adquiridos.
TÓPICO 1 – ASPECTOS GERAIS DOS PRIMEIROS SOCORROS
TÓPICO 2 – FUNÇÕES VITAIS E PLANEJAMENTO
TÓPICO 3 – ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR E ÉTICA
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89
TÓPICO 1
ASPECTOS GERAIS DOS PRIMEIROS SOCORROS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
O tema que será abordado nesta unidade diz respeito aos primeiros 
socorros na prática de Educação Física. Perceberemos que a relação desempenhada 
por um professor de educação física e a área da saúde, é de extrema importância, 
pois a saúde sempre foi o foco do ser humano.
 
Os professores de educação física têm um papel importante na promoção da 
saúde e na prevenção de doenças e acidentes, ainda mais se falarmos em situações 
em que a atividade física está presente, seja em academias, escolas, faculdades, 
universidades, clínicas, asilos entre outras instituições, pois dependendo do 
público-alvo, o risco de acidentes aumenta ainda mais.
Organização Mundial de Saúde (OMS) no século XX, caracterizou o 
termo “acidente” se reportando a um evento independente da vontade humana, 
provocado por força exterior que atue rapidamente sobre o indivíduo, com uma 
resposta física negativa, como dano físico ou mental (BATIGÁLIA, 2002).
Você já pensou que diante de algum acidente, tanto na academia quanto 
na escola, é o professor de educação física que é solicitado para comparecer no 
local da ocorrência? Mas será que este profissional está preparado para esse tipo 
de ajuda? Se o professor não estiver preparado, não conseguirá prestar auxílio da 
maneira correta, assim, ele poderá causar consequências graves para o indivíduo, 
como lesões permanentes e sequelas irreparáveis.
Se pensarmos nas aulas que o professor realiza, também podemos identificar 
possíveis momentos de perigo, em que os alunos executam movimentos ou fazem 
atividades nas quais podem ocorrer vários acidentes, seja por uso indevido de 
materiais, aparelhos, vestimentas inadequadas ou até mesmo colisões, luxações, 
contusões e fraturas.
Os acidentes acontecem de uma hora para outra, em qualquer lugar e 
não escolhem o momento oportuno para acontecer, em virtude disso, deve-
se ter o conhecimento necessário para atuar em situações de emergência. Nem 
todos os professores de educação física possuem técnica apropriada para prestar 
atendimento de socorro e muitas vezes quando se deparam com uma situação 
emergencial não sabem como proceder e acabam escolhendo não fazer nada e 
aguardar o socorro especializado, ou ajudam sem conhecimento, o que pode 
trazer sérios comprometimentos ao estado da vítima. 
 
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
90
Você sabe como surgiram os primeiros socorros? Podemos adiantar que 
o surgimento não foi casual, houve um momento histórico que dizimou milhares 
de pessoas e em meio ao sofrimento de muitas vidas, surgiu a ajuda humanitária, 
a qual foi se aperfeiçoando aos poucos, até originar os primeiros socorros. 
 
A partir de agora, você também estudará sobre os aspectos legais e por 
falar nisso, você sabia que se um profissional da área da saúde, se omitir de prestar 
ajuda, será considerado criminoso? Na verdade, qualquer cidadão brasileiro será 
culpado, isso mesmo, será um crime de omissão de socorro, tipificado no código 
penal brasileiro e sujeito à sansão.
 
Por fim, veremos como deve ser a atuação do profissional de educação 
física e de que maneira poderemos prestar os primeiros socorros, pois qualquer 
pessoa poderá ajudar numa emergência, mas é importante lembrar que isso não 
a torna um profissional.
 
Vamos juntos nessa caminhada!
2 HISTÓRIA E CONTEXTUALIZAÇÃO
Em 1859, na região de Solferino (norte da Itália), o jovem suíço Jean Henry 
Dunant, foi em busca de Napoleão III, imperador da França, com o propósito de 
conseguir autorização para instalar uma Companhia na Argélia que pertencia ao 
domínio da França (NAYARA, 2011).
Chegando ao local, presenciou uma terrível guerra da França e Itália 
contra a Áustria, viu a chegada dos feridos de guerra e constatou que a assistência 
dos serviços médicos dada aos guerreiros tinha caído em colapso, em ambos 
os exércitos. O número de feridos, que chegava nas unidades de tratamento 
aumentava cada vez mais, transformando-as em postos de atendimento 
(NAYARA, 2011).
Dunant viu o sofrimento dos soldados que morriam abandonados nos 
campos de batalha, acompanhou doenças como tétano, gangrena, infecções, além 
de mutilações, fraturas e lesões por armas de fogo. Tudo isso sem qualquer tipo de 
atendimento digno,correto e por complicações das lesões e ferimentos, acabavam 
perdendo suas vidas (BORGES, 2006).
Devido ao horror humano, Dunant organizou um “Corpo de Assistência 
aos Feridos”, composto por mulheres da comunidade e mais de trezentos 
soldados, sendo que a assistência era oferecida indistintamente a amigos e 
inimigos (BORGES, 2006).
Durante aproximadamente dois meses, trabalhou entre os feridos, fazendo 
retornar ao “status quo” da normalidade, no que diz respeito àquela drástica 
situação. Retornou então a Genebra e escreveu um relatório de trinta mil palavras 
TÓPICO 1 | ASPECTOS GERAIS DOS PRIMEIROS SOCORROS
91
2 HISTÓRIA E CONTEXTUALIZAÇÃO
intitulado “Recordações de Solferino”, local da sangrenta batalha, ensejando a 
criação de organizações em todos os países, com o objetivo de socorrer os feridos 
sem distinção de nacionalidade (REZEK, 2002).
Posteriormente fundou um Comitê Internacional de Socorro aos Feridos, 
surgindo a Cruz Vermelha, uma organização internacional que tantos benefícios 
tem prestado à humanidade (RESEK, 2002).
Literalmente, Dunant deu tudo o que tinha pela Cruz Vermelha, além do 
seu empenho, deu também todos os seus bens, recaindo-lhe a falência, chegando 
até a miséria, vivendo de esmolas em Paris (BORGES, 2006).
Em 1870, no término da guerra, Dunant ainda clamava por humanidade e 
foi nessa época que surgiram os Primeiros Socorros, incentivando a comunidade 
que se aplicassem os primeiros socorros não apenas nos momentos de guerra, 
mas também durante as calamidades, catástrofes, fomes, enchentes, fogo etc. 
(BORGES, 2006).
Por muitos anos Dunant foi esquecido e considerado como morto, 
entretanto, em 1890 foi acolhido por um jovem professor, que proclamou ao 
mundo que o fundador da Cruz Vermelha e dos Primeiros Socorros estava vivo e 
na miséria (RESEK, 2002).
O governo suíço começou a ofertar-lhe pensão e para surpresa do próprio 
Dunant, em 1981, ele recebeu o primeiro Prêmio Nobel da Paz, falecendo após 10 
anos, com 82 anos de idade (RESEK, 2002).
FIGURA 30 – SELO COM A FACE DE DUNANT EM HOMENAGEM AO SEU 
HEROÍSMO
FONTE: Disponível em: <http://www.justiceinconflict.org>. Acesso em: 25 fev. 
2016.
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
92
3 CONCEITO
Há várias definições para primeiros socorros, uma delas refere-se aos 
cuidados imediatos que o socorrista deve ter, mediante algum acidente ou 
enfermidade, proporcionando à vítima segurança, confiança e agilidade para 
atuar diante de um acidente.
O primeiro atendimento, termo que muitos autores utilizam, deve ser 
oferecido até a chegada de uma ambulância, médico, paramédicos ou socorro 
especializado, sempre com o objetivo de ofertar à vítima um pré-cuidado, a 
fim de manter sua integridade física, ou seja, não executando manobras que 
prejudiquem a saúde de quem está acometido pelo mal súbito.
FIGURA 31 – TELEFONES DE EMERGÊNCIA
FONTE: Disponível em: <http://www.falamulher.org.br>. Acesso em: 23 
jan. 2016.
Prestar primeiro socorro significa estar apto para o atendimento de 
urgência, com vistas a não agravar os ferimentos, salvar a vida ou pelo menos 
evitar complicações futuras e danos irreparáveis no acidentado, pois muitas 
vezes, quando a pessoa não está preparada para a abordagem inicial, pode haver 
traumas vitalícios, a exemplo, paralisia e hemiplegia.
 
Para Fernandes (2012) os socorros de urgência são as ações que uma 
pessoa treinada deverá realizar em relação ao acidentado ou ao portador de mal 
súbito, antes do atendimento de um serviço especializado, com ética e sabedoria, 
a fim de não sequelar a vítima.
 
Já o socorrista é o indivíduo habilitado para praticar os primeiros socorros. 
Ele deverá ter conhecimentos básicos do assunto e treinamento que o habilite 
para o desempenho das atitudes a serem realizadas (FERNANDES, 2012).
 
TÓPICO 1 | ASPECTOS GERAIS DOS PRIMEIROS SOCORROS
93
Conforme Santos (2014), primeiros socorros são definidos como medidas 
iniciais e imediatas aplicadas a uma vítima fora do ambiente hospitalar, executadas 
por pessoas treinadas a quem está em perigo de vida. Neste conceito, incluem 
reconhecer condições que ameacem a vida, evitar o agravamento das lesões e 
manter as funções vitais até que se obtenha atendimento médico adequado.
 
O termo “primeiros socorros”, reporta-se a um socorro fora do hospital, 
que equivale à ajuda que o professor desempenhará, desde que munido de 
conhecimento para atuar em situações inesperadas do cotidiano. Não significa 
tomar uma atitude rapidamente, sem ter o controle técnico da situação, mas 
acima de tudo, saber o que está fazendo, com competência, clareza e segurança 
quanto aos procedimentos desempenhados (SANTOS, 2014).
 
Podemos observar que o primeiro atendimento à vítima, não substitui o 
profissional médico, enfermeiro ou bombeiro, principalmente em casos graves 
de lesões, aspecto importante e que deve ser oferecido ênfase aos professores. Em 
muitos casos, já foi observado que esses profissionais oferecem suporte inicial e 
direcionam a vítima para a residência, ao invés de ser encaminhada ao hospital, 
onde terá suporte de exames clínicos, laboratoriais e diagnósticos de imagem, a 
fim de verificar a gravidade da lesão.
FIGURA 32 – PRIMEIRO ATENDIMENTO À VÍTIMA
FONTE: Disponível em: <http://www.bombeiroswaldo.blogspot.
com>. Acesso em: 23 jan. 2016.
Na maioria dos pequenos acidentes, não será necessário a demanda 
médica, porém o atendimento não pode ser negligenciado, pois atender ao 
acidentado sem observar as técnicas corretas e protocolos estabelecidos, significa, 
muitas vezes, agravar a saúde de forma definitiva, gerando demandas judiciais 
por parte dos familiares das vítimas.
 
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
94
Quando falamos em socorrista, não significa apenas profissionais da área 
de saúde, mas pessoas da sociedade como alunos, familiares, amigos, clientes, 
enfim, pessoas que irão adquirir suporte técnico, ofertando benefícios às pessoas 
que demandam de atendimento inicial.
 
Conforme Santos (2012), os principais objetivos dos primeiros socorros 
são:
• Reconhecer o que fazer diante de algum acidente.
• Ligar para o serviço de emergência local.
• Aplicar procedimentos que mantenham ou restabeleçam a circulação e 
a respiração, em caso de necessidade.
• Controlar hemorragias.
• Evitar complicações com as lesões visualizadas.
• Promover conforto à vítima.
Interessante destacar que poderíamos incluir alguns itens a essa relação, 
porém um cuidado simples e que oferta garantia de qualidade à saúde da vítima, 
é afastar curiosos e pessoas despreparadas que desejam ajudar no atendimento, 
pois manipular o acidentado de qualquer jeito, pode causar sequelas irreversíveis.
Quem socorre deve estar apto a assumir a liderança da situação de 
emergência e ser proativo, assim, as qualidades do socorrista contribuem para o 
êxito das ações tomadas durante a intervenção emergencial, a fim de evitar que o 
acidente não origine outros.
UNI
Lembre-se que a vida da vítima está nas mãos da primeira pessoa que presencia 
o acidente.
Para Fernandes (2012), o socorrista deve iniciar o atendimento inicial pelo 
contato com a própria vítima, caso não esteja desacordada, através de quatro 
passos fundamentais:
• Acalmar a vítima e ouvir atentamente caso queira se comunicar seja por 
meio de queixas, ansiedades ou preocupações.
• Informar o que está fazendo para ajudá-la.
• Não mentir, não oferecer informações erradas, mas caso a situação física 
da vítima esteja lastimável, não ser “transparente” no sentido de falar a situação 
real, mas informe a verdade “entre as linhas”, por exemplo: você está sangrando 
TÓPICO 1 | ASPECTOS GERAIS DOS PRIMEIROS SOCORROS
95
“um pouco”, mas logo irá ao hospital para obter os cuidados devidos (talvez a 
vítima estejacom uma hemorragia que a leve a óbito, mas você socorrista, não 
deve emitir seu parecer “mortal”).
• Em solidariedade à vítima, deve-se permanecer junto a ela, em um 
ângulo que ela o visualize.
FIGURA 33 – COMO LIDAR COM A VÍTIMA NO PRIMEIRO ATENDIMENTO
FONTE: Disponível em: <http://www.lisriopreto.com.br>. Acesso em: 23 jan. 2016.
Todas as informações prestadas às vítimas, devem ser avaliadas antes de 
emitir algum parecer, pois, muitas vezes, as ações são mais importantes do que 
as palavras, assim, informar o estado da saúde no primeiro atendimento, pode 
causar ansiedade e medo, dessa forma, o toque ou segurar a mão da pessoa pode 
ser uma boa forma de conforto.
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
96
FIGURA 34 – CHARGE RESSALTANDO O QUE NÃO DEVE SER FEITO NO ATENDIMENTO 
EMERGENCIAL
FONTE: Disponível em: <http://www.revistaon.com.br>. Acesso em: 13 fev. 2016.
4 ASPECTOS LEGAIS
A pessoa atuante nos primeiros cuidados emergenciais, deve conhecer 
princípios éticos legais, a fim de guiar suas ações de forma juridicamente legal, a 
fim de evitar ações judiciais. 
 
A ética e a confiança devem caminhar juntas na função de socorrista, 
entretanto, não é possível exigir qualidade técnica do atendimento por um 
socorrista se comparado a um enfermeiro ou médico.
Todo o profissional e cidadão comum tem obrigatoriedade de prestar 
socorro, caso contrário, está sujeito às penalidades da lei, sejam médicos, 
enfermeiros, bombeiros, dentistas, policiais, professores, comissário de bordo, os 
quais poderão ser enquadrados por omissão de socorro.
 
Percebemos conforme Becker (2013), que a penalidade para o indivíduo 
que possui imposição de um dever legal e se omite, negando a solidariedade, 
incide na sansão penal, conforme vemos a seguir:
Art. 135 Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem 
risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa 
inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou 
não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. (NUCCI, 2012, p. 1123).
TÓPICO 1 | ASPECTOS GERAIS DOS PRIMEIROS SOCORROS
97
4 ASPECTOS LEGAIS
Segundo Santos (2014), a vida e a saúde são bens jurídicos que não se 
podem dispor, não é possível emprestar ou vender esses bens a ninguém, dessa 
forma, o dever de agir significa que existe a obrigatoriedade legal de prestar 
ajuda, sendo que os profissionais que possuem essa obrigação de garantia da 
integridade física, devem atuar com determinação e empenho, a fim de impedir 
um resultado danoso. 
Além do Código Penal, a Constituição Federal de 1988 oferece amparo 
legal quanto ao direito à saúde e redução dos riscos à vida, de acordo com os 
artigos destacados a seguir:
Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes 
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
Da Saúde
Art. 196 A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido 
mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco 
de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às 
ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (BRASIL, 
2004).
 Conforme Santos (2014), nós podemos perceber algumas obrigações 
e deveres legais que o socorrista deve ter durante o primeiro atendimento, que 
podem ser elencados da seguinte maneira:
• Qualquer pessoa tem o direito de receber socorro em situações de 
emergência.
• A vítima consciente e entendedora dos fatos ocorridos, tem o direito 
de negar atendimento e, neste caso, a prestação de socorro não pode ser forçada, 
exceto em situações potencialmente fatais.
• Ao iniciar o atendimento voluntário, o socorrista não pode interromper 
e nem deixar o local, até que seja liberado por um profissional qualificado e 
responsável.
• Quem auxilia no atendimento deve seguir normas e protocolos 
reconhecidos e aceitos pelas normas legais vigentes no país.
• Durante o socorro, deve-se respeitar e manter a privacidade da 
vítima, revelando informações confidenciais somente quando questionado por 
profissionais especializados e que sirvam para o completo atendimento da vítima.
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
98
Para Santos (2014), protocolos são manuais didáticos contendo informações 
de todos os procedimentos de primeiros socorros e que são orientados por padrões 
estabelecidos em conselhos mundiais, por meio de grandes autoridades médicas 
internacionais no assunto.
Nesse contexto, podemos citar o tratamento realizado na medicina 
chinesa pelo animal conhecido por sanguessuga, hematófago (que se alimenta do 
sangue), ele é colocado na pele da pessoa objetivando curar varizes, dessa forma, 
o animal suga o sangue humano e ao mesmo tempo libera em sua saliva uma 
substância anticoagulante que irá atenuar a patologia da pessoa. Cabe destacar 
que esse procedimento não é autorizado no Brasil, pois não há comprovação 
científica quanto à eficácia deste meio, nem tão pouco há protocolos para esse 
procedimento (MELO, 2005).
FIGURA 35 – SÁTIRA DA PROIBIÇÃO QUANTO À UTILIZAÇÃO DE 
SANGUESSUGAS NO TRATAMENTO MÉDICO BRASILEIRO
FONTE: Disponível em: <http://www.bethmichel.com.br>. Acesso em: 26 jan. 
2016.
Segundo Santos (2014), causar o agravamento das condições de saúde da 
vítima, através do uso de técnicas e manipulações incorretas ou desatualizadas, 
pode gerar desde sofrimento, dor e angústia, até aumento dos custos de internação, 
além de sanção penal para o profissional ou cidadão comum que a utilizou.
TÓPICO 1 | ASPECTOS GERAIS DOS PRIMEIROS SOCORROS
99
5 ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA EM 
PRIMEIROS SOCORROS
O professor de Educação Física desempenha várias atividades tanto 
educacionais, quanto na prática. Assim é suscetível de vivenciar durante a 
execução do seu trabalho, situações em que o aluno, necessite de atendimento 
de urgência diante de alguma complicação física. Dessa forma, no percurso do 
tempo entre ligar para o atendimento de urgência e receber a equipe de socorrista, 
o professor de educação física deverá saber quais cuidados prestar e quais ações 
jamais deve fazer, a fim de evitar complicação no quadro geral da vítima.
Você já parou para refletir qual é o seu papel no futuro como professor 
de Educação Física? Então, você já pode começar a pensar que contribuirá 
tremendamente para o bom desempenho ou recuperação da saúde de um 
indivíduo. Assim, é importante que o profissional tenha propriedade técnica, 
como também embasamento teórico para desempenhar adequadamente sua 
função, definindo a execução de ações que englobe o planejamento, orientação e 
avaliação para a prática da atividade física.
Flegel (2010) já se preocupava em informar que as atividades devem ser 
realizadas de maneira adequada e segura, a fim de não comprometer a saúde do 
praticante, proporcionando bem-estar físico e psicossocial.
A fim de prestar primeiros socorros com eficiência, presteza e segurança, o 
professor de Educação Física deverá conhecer as condutas a serem tomadas para 
cada ocasião, pois para cada agravante há uma intervenção diferente. Mesmo em 
acidentes simples como cortes superficiais, contusões ou quedas, o professor de 
Educação Física deve estar preparado para a emergência, pois oferecendo socorro 
correto, evitará a redução de complicações futuras. 
Conforme Flegel (2010), o profissional necessita estar apto ao atendimento, 
sendo responsável diretamente pelas consequências danosas que possam estar 
relacionadas, pois afinal de contas, ele é o profissional que lidera as práticas 
esportivas.
É importante atentar para a segurança pessoal de quem estásocorrendo 
a vítima, pois diante do impulso de ajudar as outras pessoas, não justificará 
uma conduta inconsequente, transformando o indivíduo em mais uma vítima. 
(HAFEN et al., 2002).
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
100
Segundo Flegel (2010), o primeiro atendimento relacionado ao esporte 
não vem ao encontro de que o profissional deve tratar e diagnosticar o problema 
do indivíduo, na verdade é necessário tomar ciência dos fatos e fazer um check-
up breve, pois o exame e a avaliação devem ser feitos por médicos. O professor 
de Educação Física deve prestar o primeiro atendimento no sentido de solicitar 
o resgate, ajudar no transporte da vítima, evitar que os curiosos manipulem a 
vítima, entretanto, diante da urgência e da demora do atendimento pela equipe 
médica, deverá saber como ajudar, com sua capacidade técnica e habilidades 
adquiridas.
Para Silva (1998), o profissional deve possuir um perfeito conhecimento 
das técnicas utilizadas em situações de emergência, dessa forma, torna-se 
fundamental o treinamento do pessoal envolvido nas atividades físicas e 
esportivas, especialmente no sentido de evitar que ocorram sequelas devido à 
utilização de procedimentos inadequados.
Em outras palavras, é importante saber o que fazer e o que não fazer, 
pois é muito comum na hora do “aperto” quem estiver socorrendo “recoloque o 
membro no lugar”, que manipule articulações inadequadamente ou realize outros 
procedimentos incorretos, que poderão trazer mais prejuízos do que benefícios.
A falta de conhecimento por parte dos professores de educação física 
em primeiros socorros pode ocasionar inúmeros problemas ao indivíduo, 
como a manipulação inadequada da vítima ou até mesmo a solicitação às vezes 
desnecessária do socorro especializado em emergência. De acordo com Gonçalves 
(1997), grande parte dos professores de educação física não tem os conhecimentos 
necessários para prestar o socorro diante de uma situação de emergência. 
A capacidade técnica dos professores em primeiros socorros e o 
planejamento/execução de emergência dentro das instituições é de grande 
importância, permitindo assim o socorro imediato, a promoção de saúde, 
prevenção de doenças e acidentes. Dessa forma, fica clara a importância de 
pessoas capacitadas com ciência exata à conduta correta diante de situações de 
emergência (BRASIL, 2008).
Quem presta o atendimento deve ter treinamento correto e ciência 
de suas responsabilidades, mantendo o equilíbrio emocional necessário. 
Comportamentos inadequados ou ignorados e aplicados durante a vigência 
de um acidente, complicam, muitas vezes, pequenas ocorrências que a rigor 
poderiam ser facilmente resolvidas.
TÓPICO 1 | ASPECTOS GERAIS DOS PRIMEIROS SOCORROS
101
Silva (1998) complementa a informação, aduzindo que outros aspectos 
contribuem como agravante para eventuais problemas no indivíduo, a exemplo 
de instalações destinadas à prática de esportes, que não estão dentro das normas 
de utilização. Além disso, é possível encontrar equipamentos em desacordo com 
a legislação ou que não estejam em boas condições de manutenção.
Vale lembrar que há limitações de equipamentos, materiais e instalações 
destinados ao primeiro atendimento em casos de emergência, entretanto, não 
é necessário medir esforços para o atendimento inicial, pois muitas vezes não 
há necessidade de materiais sofisticados, pois podemos improvisar materiais 
simples e adaptando o que estiver disponível na hora da emergência.
Entretanto, nada impede de sugerir e motivar os profissionais envolvidos 
na área específica, que procurem estar informados acerca dos procedimentos e 
equipamentos disponíveis no mercado.
Atualmente podemos citar como exemplo, os dispositivos infláveis para 
imobilizações, que apesar de simples, são muito práticos e eficazes no primeiro 
atendimento, em casos de lesões e traumas ortopédicos.
FIGURA 36 – MODELO DE DISPOSITIVO INFLÁVEL PARA IMOBILIZAÇÃO 
DE PÉ
FONTE: Disponível em: <http://www.cpr-savers.com>. Acesso em: 18 de 
fev. 2016.
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
102
5.1 ATENDIMENTO INICIAL E CONDUTA
Segundo Ramos e Sanna (2005), existem duas modalidades de atendimento 
emergencial: o suporte básico de vida e o suporte avançado de vida. O primeiro 
consiste em manobras básicas objetivando a preservação da vida, o segundo é 
composto por manobras invasivas de alta complexidade, que necessita de ajuda 
de aparelhos e equipamentos operados por enfermeiros ou médicos. 
Conforme Oliveira et al. (2007), o suporte básico de vida consiste em 
verificar e avaliar se a vítima está com comprometimento nos sistemas respiratório 
e cardiovascular, a fim de manter a respiração e batimento cardíaco, sem 
hemorragias graves até que o socorro móvel chegue no local do acidente. Assim, 
o professor de educação física que presta socorro, deverá manter as funções vitais 
da vítima, evitando complicações do seu estado de saúde. 
Até a chegada dos primeiros socorros por equipe especializada no assunto, 
o professor de educação física que é a pessoa mais próxima da vítima e que detém 
conhecimentos na área da saúde, obrigatoriamente acaba sendo o responsável 
naquele momento do incidente pela ajuda prestada.
Embora cada acidente tenha suas circunstâncias peculiares, algumas 
medidas devem ser tomadas pelo socorrista diante das situações encontradas, 
assim, podemos dividir o atendimento de primeiros socorros em etapas básicas 
que possibilitem organização e resultados eficazes.
O exercício da profissão do professor de educação física é amplo, 
extremamente importante e vale lembrar que a competência deve ser um valor 
ardente na prestação de atendimento de emergência e urgência, pois como já 
falamos, a demora no atendimento especializado ou o atendimento inadequado, 
pode trazer danos à saúde e a integridade do indivíduo lesionado.
Dessa forma, podemos afirmar que tanto o aluno graduando como o 
profissional já formado, tem o dever e a obrigação de saber atuar numa situação 
de emergência, realizando uma avaliação primária ou inicial da vítima, seguindo 
determinadas condutas, as quais abordaremos a seguir.
Conforme Bergeron et al. (2007), é comum e corriqueiro encontrar pessoas 
que necessitam de ajuda, as quais sofreram algum tipo de trauma ou lesão, dessa 
forma é imprescindível que o professor de educação física esteja capacitado 
para atuar como socorrista e que sempre se atualize mediante cursos, palestras, 
seminários, workshops, para que esteja apto a realizar um procedimento adequado 
de primeiros socorros, com qualquer pessoa que necessite de cuidados imediatos.
TÓPICO 1 | ASPECTOS GERAIS DOS PRIMEIROS SOCORROS
103
Antes de prestar ajuda, o socorrista deve avaliar o ambiente aonde 
ocorreu o acidente, identificando potenciais riscos à segurança, podemos citar 
como exemplos: atropelamentos, batidas, colisões, explosões, entre outros. Caso 
existam condições de risco, é necessário remover a vítima para um local seguro e 
em seguida iniciar o atendimento (OLIVEIRA et al., 2007).
 
Durante o atendimento inicial, vários cuidados devem ser tomados, 
a fim de evitar contaminação do socorrista com sangue, vômito, suor, saliva e 
demais secreções. É importante o uso de luvas, máscaras e óculos de proteção, 
dependendo da gravidade da situação.
 
Em virtude dos índices de contaminação por HIV (Vírus da 
Imunodeficiência Adquirida) estarem em ascensão ano após ano, há necessidade 
de o socorrista se precaver durante a exposição de sangue e outras secreções 
orgânicas, advindas dos acidentados infectados. Assim, é importante considerar 
toda a vítima de trauma como potencialmente infectada e que se empreguem as 
normas de precauções universais (OLIVEIRA et al., 2007).
 
Ramos e Sanna (2005) recomendam que no atendimento inicial ao 
traumatizado o socorrista execute rotinasde segurança, entre as quais se destacam:
1. Use sempre EPIs.
2. Cheque constantemente as condições de funcionamento de seus 
materiais de trabalho.
3. Higienize todos os EPIs e materiais básicos após seu uso (contaminação).
4. Antes e após cada atendimento, lave bem as mãos com água e sabão.
Durante o socorro, deve-se antes de tudo, obedecer a uma sequência 
padronizada e corrigir de imediato, os problemas encontrados que possam 
comprometer a vida do acidentado.
Para Ramos e Sanna (2005) a avaliação da vítima é dividida em dois tempos 
principais. O primeiro momento é denominado de avaliação primária e consiste 
numa análise de todas as condições clínicas que impliquem risco iminente de 
vida, quais sejam, permeabilidade das vias respiratórias, estabilização cervical, 
respiração eficaz, estabilidade circulatória e controle de sangramentos externos 
de grande porte. 
5.2 AVALIAÇÃO PRIMÁRIA
Ao chegar à cena, o socorrista deverá inicialmente verificar as condições 
de segurança e prevenir-se escolhendo adequadamente seus EPIs. 
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
104
Na avaliação primária são checadas as condições que incidem risco 
de morte como por exemplo: verificar se as vias áreas estão obstruídas, se a 
respiração está ruidosa, se há algum problema circulatório, se há hemorragias e 
muito importante, manter a vítima imóvel a fim de evitar traumas (OLIVEIRA et 
al., 2007).
Essa etapa inicial deve ser realizada no máximo em 60 segundos, pois se 
a vítima estiver em colapso, poderá ir a óbito rapidamente, portanto, celeridade 
é fundamental. Diante da avaliação, o socorrista deverá chamar ou não o serviço 
de atendimento móvel (OLIVEIRA et al., 2007).
Diante disto, as medidas devem seguir a sequência de avaliação conforme 
a American Heart Association (2015):
Circulação: verificar se há hemorragia e pulso em no máximo 10 segundos. 
Na ausência do pulso, não deverá esperar o atendimento de urgência, deverá ser 
iniciado 30 compressões torácicas na frequência de 100 vezes por minuto.
• Vias aéreas e estabilização da coluna cervical: verificar se as vias aéreas 
estão livres ou se há obstrução.
• Respiração – se houver ausência da respiração, deve-se realizar duas 
ventilações.
UNI
O objetivo de reconhecer PCR significa verificar o estado de consciência e a 
respiração da vítima.
A avaliação primária é sempre o primeiro passo do socorrista após a 
verificação das condições de segurança no local do acidente. Podemos conceituá-
la como sendo um processo ordenado para identificar e corrigir de imediato, 
problemas que ameacem a vida a curto prazo.
Essa avaliação objetiva identificar e sanar eventuais problemas que possam 
causar risco de morte à vítima. A American Heart Association (2015) recomenda que 
se o indivíduo está com problema cardíaco (pulso fraco, pele pegajosa, alteração 
da cor da pele), deve ser chamado o serviço móvel de urgência imediatamente e 
na sequência, identificar sinais de parada cardiorrespiratória, a qual chamamos 
de PCR. 
TÓPICO 1 | ASPECTOS GERAIS DOS PRIMEIROS SOCORROS
105
• Avaliação neurológica – É extremamente necessário diferenciar uma 
situação de colapso cardíaco, de um mal-estar súbito, para isso, a pessoa que irá 
socorrer a vítima, deve realizar uma avaliação do nível de consciência através do 
AVDI.
Conforme Timerman (2000), a sigla AVDI traz recomendações de como 
avaliar a vítima, conforme indicação a seguir:
A – Acordado: significa verificar se o indivíduo está no estado de alerta, 
através de uma breve conversa com a vítima, por meio da análise das respostas 
para as seguintes perguntas: Qual é seu nome? Você está bem? Posso ajudar? O 
que aconteceu? Normalmente a vítima responde ao estimulo visual, auditivo e 
tátil.
V – Verbal: verificar se há confusão nas respostas, pois muitas vezes a 
vítima responde ao comando de voz, mas as frases são desconexas. Se ocorrer 
esse tipo de confusão, a vítima deve ser mantida acordada, caso contrário poderá 
perder a consciência.
D – Doloroso: nessa fase, a vítima não consegue se comunicar, muitas 
vezes emite gemidos, mas sem contato visual direto com o socorrista. Nesse 
estágio, normalmente, a vítima ouve o que está acontecendo ao seu redor, pois a 
audição é o último sentido que se perde. Dessa forma, é importante tentar alterar 
o estado de semiconsciência da vítima ao retorno da resposta verbal, incentivando 
a melhora do nível de consciência.
I – Inconsciente: Nessa fase não há respostas ao estímulo doloroso, 
realizar algum beliscão com grande pressão não provocará uma resposta a dor, 
caracterizando uma situação grave e crítica.
UNI
Lembre-se de que o propósito da avaliação primária consiste na identificação 
e correção imediata das falhas nos sistemas respiratório e cardiovascular, que representem 
risco iminente de vida ao vitimado.
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
106
A avaliação secundária visa obter os componentes necessários para que 
o socorrista possa fazer a decisão correta dos cuidados merecidos pela vítima. 
Podemos defini-la como um processo ordenado para descobrir lesões ou 
problemas médicos que, se não são tratados, poderão ameaçar a vida.
Para Flegel (2010), as informações obtidas na avaliação primária têm por 
objetivo reunir informações que possibilitem seguir adiante direcionando para a 
próxima fase avaliar o acidentado pela avaliação secundária.
Esta avaliação é composta pela avaliação objetiva que é o exame físico, 
sinais vitais e avaliação subjetiva composta de uma breve entrevista, sendo 
realizada somente após o término da avaliação primária ou das manobras de 
reanimação cardiopulmonar, quando instituídas com sucesso (FLEGEL, 2010).
Nesta fase, o socorrista deverá estabelecer um contato com a vítima 
consciente, identificando-se e posteriormente obtendo e usando o nome dela 
para explicar movimentos pretendidos, de forma a transmitir segurança e 
tranquilidade. 
O socorrista deverá verificar lesões e buscar alguma informação 
relacionada com a saúde, através de perguntas como: o que aconteceu? Está em 
tratamento médico? É alérgico a alguma medicação ou alimento?
Segundo Timerman (2000), de maneira resumida, a avaliação secundária 
é dividida em três etapas distintas, são elas:
1. Entrevista com a vítima ou testemunhas: etapa da avaliação onde o 
socorrista conversa com a vítima buscando obter informações dela própria, de 
familiares ou de testemunhas, sobre o tipo de lesão ou enfermidade existente e 
outros dados relevantes.
2. Aferição dos sinais vitais: respiração, pulso, pressão arterial e 
temperatura. 
3. Exame padronizado da cabeça aos pés: palpação e inspeção visual 
realizada pelo socorrista, de forma ordenada e sistemática, buscando identificar 
na vítima, indicações de lesões ou problemas médicos.
5.3 AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA
TÓPICO 1 | ASPECTOS GERAIS DOS PRIMEIROS SOCORROS
107
5.3 AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA
UNI
Lembre-se de que no atendimento de vítima inconsciente, a entrevista deverá 
ser realizada com testemunhas ou familiares.
108
RESUMO DO TÓPICO 1
Chegamos ao final do tópico de estudos que aborda o assunto de 
Primeiros Socorros na prática de Educação Física, agora você já é capaz de:
• Compreender como surgiram os primeiros socorros.
• Oferecer o conceito de primeiros socorros.
• Entender o que acontece diante da omissão de socorro.
• Esclarecer qual é o papel do professor de educação física nos casos de 
emergência.
• Saber atuar diante de um acidente ou emergência.
109
AUTOATIVIDADE
1 Qual foi a contribuição de Jean Henry Dumant para os primeiros socorros?
2 Há várias definições para primeiros socorros, conceitue o que você 
compreendeu referente a esse termo, após estudar esta unidade.
3 De que maneira o professor de educação física pode contribuir na prática 
dosprimeiros socorros?
4 No que consiste a avaliação secundária?
110
111
TÓPICO 2
FUNÇÕES VITAIS E PLANEJAMENTO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Você sabia que Hipócrates já defendia a ideia da verificação de sinais 
vitais no exame físico?
Pois é, depois de séculos os sinais vitais continuam sendo imprescindíveis 
no atendimento à vítima, através deles podemos constatar inúmeros problemas 
como: hipertensão, choque, febre, taquicardia, entre outras doenças e também 
monitorar a evolução das doenças em curso.
Há várias definições para sinais vitais, podemos conceituá-los como 
sendo uma representação das funções do organismo, constituindo uma tradução 
do equilíbrio ou desequilíbrio do corpo.
Não é possível dizer qual dos sinais é mais importante, pois imagine uma 
pessoa sem a frequência cardíaca ou pense em outra situação, em um indivíduo 
com a frequência cardíaca, mas sem respiração. Não é possível mensurar o grau 
de importância, pois os sinais vitais caminham juntos e indicam a vitalidade do 
organismo.
Você verá através desta unidade, as peculiaridades de cada sinal vital, 
sua importância, modo de aferição, conceito e valores estipulados pela literatura 
quanto ao padrão da normalidade.
Estudará também a prevenção e a importância do planejamento para as 
atividades esportivas, pois os professores de educação física necessitam preparar 
as aulas antes de serem ministradas, com o objetivo de alcançar êxito no processo 
ensino-aprendizagem.
Verá dicas referentes à segurança nas quadras de esporte e também 
entenderá que os equipamentos de educação física devem respeitar a 
individualidade de cada pessoa, sendo compatíveis com a performance física do 
indivíduo.
 
Vamos aos estudos na trajetória do conhecimento!
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
112
2 SINAIS VITAIS
Toda lesão ou doença tem formas peculiares de se manifestar e isso pode 
ajudar o profissional no diagnóstico da vítima. Estes indícios são divididos em 
dois grupos: os sinais e os sintomas. Alguns são bastante óbvios, mas outros 
indícios importantes podem passar despercebidos, a menos que você examine a 
vítima através da avaliação primária e secundária.
Para identificar os sinais, é necessário realizar uma avaliação da vítima, a 
fim de investigar e descobrir alguma informação importante, assim, sinais comuns 
de lesão incluem sangramento, edema (inchaço), aumento de sensibilidade ou 
deformação, já os sinais mais comuns de doenças são: pele pálida ou avermelhada, 
suor, temperatura elevada e pulso rápido.
Sintomas são uma percepção que a vítima sente, sendo capaz de informar 
detalhes do que está acontecendo. Muitas vezes é importante que o socorrista 
faça perguntas para definir a presença ou ausência de sintomas, estabelecendo 
contato verbal e visual com quem está acometido por alguma enfermidade 
(JUNIOR; KLINGER, 2004).
Os sinais vitais são controlados pelo sistema nervoso central, que oferecem 
informações do corpo, auxiliando a conduzir na causa patológica do problema e 
posteriormente possibilitar o acompanhamento da evolução do quadro clínico 
de uma pessoa, sua verificação é essencial na avaliação da vítima, devendo ser 
efetuada simultaneamente com a história e o exame físico (JUNIOR; KLINGER, 
2004).
Conforme Flegel (2010), é importante ter capacidade técnica e teórica 
sobre os sinais vitais da vítima, a fim de informar ao serviço emergência, sobre a 
situação em que a vítima se encontra e adiantar o conhecimento dos paramédicos 
durante a trajetória, até a chegada no local.
UNI
Você sabe por que os sinais vitais recebem esse nome? Porque eles estão 
relacionados com a própria existência da vida, dessa forma, se não há sinais vitais não há vida!
Eles são fundamentais para o organismo, considerados reflexos ou indícios 
que permitem entender o estado geral de uma pessoa, ou seja, são os sinais que 
indicam o nível de funcionamento do corpo humano.
TÓPICO 2 | FUNÇÕES VITAIS E PLANEJAMENTO
113
2.1 PULSO
O pulso é a propulsão de sangue, ou seja, é força que o sangue exerce 
ao passar pelas artérias, resultante da distensão das mesmas, sendo facilmente 
percebido pela palpação e que se repete com regularidade, conforme as batidas 
do coração (BERGERON et al., 2007).
Assim, se obtêm informações sobre o estado de saúde do coração e da 
circulação sanguínea. O pulso pode ser palpado em qualquer ponto onde se 
possa comprimir uma artéria. 
Segundo Silva (2005), os locais para se verificar o pulso são: carotídeo, 
temporal, braquial, radial, femoral, poplíteo, tibial posterior e pedioso, entretanto 
na prática, os mais utilizados são a palpação da artéria radial, pediosa e femoral.
Dessa forma, os sinais vitais são sinais que podem ser facilmente 
percebidos, deduzindo-se assim, que na ausência deles, existem alterações nas 
funções vitais do corpo. Há equipamentos específicos para a verificação de cada 
sinal vital, que devem ser realizados com cuidado e de preferência sem comentar 
com o paciente, para não criar expectativas tanto positivas quanto negativas.
Os sinais devem ser verificados várias vezes, permitindo, desta forma, 
comparar os diversos valores, a fim de analisar se há alterações entre eles.
Para Oliveira et al. (2007), algumas condições podem interferir nos 
resultados dos valores como:
- condições ambientais, tais como: temperatura e umidade no local;
- condições pessoais, como exercício recente, tensão emocional e 
alimentação;
- condições do equipamento, devem ser apropriadas e calibradas 
regulamente.
A seguir, veremos as definições dos sinais vitais e dos diagnósticos mais 
comuns.
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
114
FIGURA 37 - LOCAIS PARA AFERIÇÃO DA FREQUÊNCIA CARDÍACA
FONTE: Disponível em: <http://www.enfermagem.16mb.com>. Acesso 
em: 28 fev. 2016.
Para Presto (2009), a forma mais comum para aferir o pulso do indivíduo é 
com a polpa do dedo indicador ou médio, através da localização do pulso radial. 
Quando se faz o registro dos valores encontrados, faz-se em batimentos por 
minuto (bpm) e para verificar a frequência cardíaca, se conta durante um minuto 
completo. Neste período deve-se procurar observar a regularidade, a tensão, o 
volume e a frequência do pulso.
Ainda para este autor, a frequência cardíaca, diz respeito ao número de 
sístoles (contração) realizadas pelo miocárdio por minuto, variando na função do 
ritmo da condução elétrica do sistema nervoso simpático (descarga adrenérgicas) 
e no sistema nervoso parassimpático (descargas colinérgicas). 
Pulso temporal
Pulso da carótida
Pulso femural
Pulso da artéria
libial posterior
Pulso da artéria
pediosa dorsal
Pulso popliteo
(atrás do joelho)
Pulso radial
Pulso braquial
FIGURA 38 - LOCALIZAÇÃO DO PULSO RADIAL
FONTE: Disponível em: <http://www.aenfermagem.com.br>. Acesso 
em: 28 fev. 2016.
TÓPICO 2 | FUNÇÕES VITAIS E PLANEJAMENTO
115
A frequência cardíaca é indicada pela quantidade de vezes que o coração 
bate por minuto. Assim, consegue-se avaliar o trabalho do coração, controlado pelo 
marca passo natural do coração. Os valores inferiores a 60 bpm são considerados 
bradicardia e os acima de 100 bpm são considerados taquicardia (SILVA, 2005).
DICAS
Ao aferir a frequência cardíaca, é recomendável não realizar pressão forte sobre 
a artéria, pois, dessa forma, o indivíduo não conseguirá perceber os batimentos.
Para Presto (2009), os valores estabelecidos da frequência cardíaca, podem 
variar de acordo com a idade do indivíduo, estado de saúde e forma física, 
portanto, seguem valores esquematizados para cada idade:
• Recém-nascidos até 23 meses – 120 a 140 batimentos por minuto.
• Crianças de 2 a 6 anos – de 100 a 110 batimentos por minuto. 
• Crianças de 8 anos até a adolescência – 80 a 100 batimentos por minuto. 
• Adulto sedentário– 70 a 80 batimentos por minuto.
• Adulto – 60 a 100 batimentos por minuto.
• Atletas – cerca de 50 batimentos por minuto. 
Conforme Silva (2005), o pulso apresenta características que devem ser 
avaliadas durante sua inspeção como:
– Frequência: é o número de vezes que o coração contrai, ou seja, quantas 
vezes o coração bate. 
– Amplitude: maneira como se sente o pulso, o qual pode ser dividido em: 
cheio (quando a batida é forte) e fino (quando a batida é fraca).
– Ritmo: é o intervalo entre um pulso (batida) e outro, portanto, é 
classificado em: regular (intervalos iguais) e irregulares (intervalos diferentes).
As causas fisiológicas que podem interferir no aumento dos batimentos 
do pulso são: digestão, atividade física, banho frio, ansiedade e qualquer estado 
de reatividade do organismo (OLIVEIRA et al., 2007).
2.2 RESPIRAÇÃO
Não é possível deduzir qual é o sinal vital mais importante, pois sem um 
deles, o organismo entraria em colapso, portanto, podemos dizer que a respiração 
também é fundamental para a continuidade da vida, pois é através da respiração 
que conseguimos oxigenar nossos pulmões.
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
116
A respiração é comandada pelo Sistema Nervoso Central. Seu 
funcionamento acontece de maneira involuntária e automática, é fácil constatar, 
pois não precisamos pensar para respirar, o sistema respiratório automatizou 
esse procedimento. É a respiração que permite a ventilação e a oxigenação do 
organismo e isto só ocorre através das vias aéreas desobstruídas.
Os movimentos realizados no organismo para respirar são:
• Inspiração, quando o tórax expande e inalamos ar para os pulmões.
• Expiração, quando o tórax regressa à posição anatômica normal e o ar 
sai dos pulmões.
A respiração é o ato de respirar, ou seja, é o processo que ocorre a entrada 
de oxigênio na inspiração e a eliminação de dióxido de carbono na expiração, 
objetivando a hematose que é a troca gasosa entre o sangue e o ar dos pulmões.
Conforme Oliveira et al. (2007), a verificação da respiração inclui frequência 
(quantidade de respirações em um minuto completo), caráter (respiração 
superficial ou profunda) e ritmo (regular ou irregular). 
 
Oliveira et al. (2007) ensina uma técnica de avaliação da ventilação, a fim 
de analisarmos a respiração de uma pessoa, para isso, é necessário olharmos para 
o tórax, de preferência sem a vítima perceber, a fim de não interferir no resultado 
obtido, portanto, vejamos a seguir:
• Coloque o braço da vítima cruzando a parte inferior do tórax, se ela 
estiver consciente. Segure o pulso da vítima enquanto estiver observando a 
respiração.
• Aproxime seu rosto da vítima, olhando para o tórax, assim, você 
perceberá a movimentação do tórax de subida e descida.
• Conte os movimentos respiratórios durante um minuto.
• É importante anotar os valores para não esquecer e verificar de tempo 
em tempo, até a chegada do socorro.
UNI
Lembre-se de que a principal função da respiração é ofertar oxigênio para as 
células do organismo e retirar o excesso de dióxido de carbono.
TÓPICO 2 | FUNÇÕES VITAIS E PLANEJAMENTO
117
Algumas evidências de que há algum problema com o organismo, podem 
nos remeter a determinadas patologias como: odor da respiração pode sugerir 
intoxicação, respirações rápidas e superficiais reporta-nos ao estado de choque, 
respiração difícil e pesada pode ser doença cardíaca ou pulmonar. O corpo 
humano é uma máquina perfeita, pois mesmo em desequilíbrio, avisa através de 
alguns sinais perceptíveis que há algum problema (SILVA, 1998).
Santos (2012) diz que, além desses fatores, outros podem alterar os valores 
normais da respiração como: tabagismo, sedentarismo, remédios, estresse, fadiga, 
entre outros. Quando temos alterações na frequência respiratória, empregamos 
alguns termos para essa descompensação, como:
• Apneia: parada brusca da respiração.
• Bradneia: respiração lenta e sistemática.
• Taquipneia: respiração rápida.
• Dispneia: respiração irregular e com exigência de esforço.
Para Oliveira et al. (2007) o tipo de respiração nas crianças pequenas é 
diferente, sendo menos perceptível do que nos adultos, ocorrendo a respiração 
próximo ao abdômen. Para a verificação da respiração nessa faixa etária, é 
necessário colocar a mão do adulto na parte superior do abdômen e na parte 
inferior do tórax da criança, a fim de facilitar a contagem.
2.3 PRESSÃO ARTERIAL
Conforme Santos (2012) pressão arterial (PA) é a pressão da força realizada 
pelo sangue, incidindo diretamente nas paredes das artérias, por meio da força 
de contração do coração, pelo grau de distensibilidade do sistema arterial, da 
quantidade de sangue e sua viscosidade. O funcionamento desta pressão é 
fundamental para a vida, pois ela sinaliza o percurso correto em que o sangue sai 
do coração e alcança todos os demais órgãos.
Oliveira et al. (2007), define a pressão arterial como aquela gerada pela 
contração do coração, para manter adequada e constante a circulação do sangue 
através dos vasos. A fim de superar a resistência oferecida por quilômetros de 
estreitos vasos sanguíneos e para que o sangue chegue aos tecidos com pressão 
residual suficiente, para efetuar a troca de substâncias químicas, o coração deve 
manter um nível mínimo de pressão dentro do sistema circulatório.
 
A PA pode variar conforme alguns fatores como: idade, atividade física, 
estresse, medo, entre outros. A pressão considerada normal é aquela que mantém 
valores normais estabelecidos pela literatura, entretanto, pode variar entre alta ou 
baixa e causar alguns transtornos. 
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
118
Para Santos (2012), a oscilação da pressão pode estar presente na saúde 
do indivíduo, algumas vezes pode não manifestar sintomas, outras vezes pode 
trazer consequências danosas para o organismo, no caso da pressão alta pode 
ocasionar hipertensão, doenças coronárias, hemorragia cerebral, distúrbios 
de retina, doenças do sistema urinário e outras. Já a pressão arterial baixa ou 
hipotensão, pode causar sonolência, fadiga, mal-estar, entre outros sintomas.
Podemos dividir a pressão em duas categorias, a pressão sistólica (pressão 
máxima) e a pressão diastólica (pressão mínima). Quando o coração bombeia o 
sangue, ele passa pela artéria fazendo uma pressão forte (máxima), chamada de 
pressão sistólica, dessa forma resta ainda sangue dentro da artéria, mas em menor 
quantidade, que exerce ainda uma pressão, porém menor, chamada de pressão 
diastólica (OLIVEIRA et al., 2007).
Os valores de referência de pressão arterial variam de acordo com a idade, 
Oliveira (2007) demonstra conforme destacado abaixo:
• 4 anos – 85/60mmHg
• 6 anos – 95/62mmHg
• 12 anos – 108/67 mmHg
• Adulto – 120/80mmHg
Flegel (2010) complementa informando que a posição do paciente (em 
pé, sentado ou deitado), a atividade física recente e o aparelho de pressão sem 
aferição, também podem alterar os valores da pressão. 
Vamos então aprender a técnica correta de acordo com Oliveira et al. 
(2007) para a verificação da pressão arterial:
• Reúna os materiais.
• Explique o procedimento que será realizado à vítima.
• Levante a manga da roupa acima do cotovelo ou remova a blusa se 
houver condições.
• Estenda o braço da vítima e o apoie em alguma superfície, com a palma 
da mão voltada para cima.
• Coloque o manguito no braço do paciente, em cima da artéria e cerca 
de 2 cm acima do cotovelo, com as mangueiras para a frente da mão da vítima.
• Feche a válvula perto da pera, girando o parafuso no sentido horário.
• Aperte a pera para bombear ar para o aparelho enquanto sente o pulso 
da vítima, quando parar de pulsar, pare de bombear ar.
TÓPICO 2 | FUNÇÕES VITAIS E PLANEJAMENTO
119
• Libere o ar devagar até ouvir a primeira batida (observe o número norelógio, que será a pressão sistólica), continue liberando o ar até que o barulho 
pare (observe o número no relógio, que será a pressão diastólica).
• Uma vez iniciada a liberação do ar, não pode sofrer interrupção, caso 
você esqueça os números, deve esvaziar o manguito até o zero e recomeçar.
FIGURA 39 – CONHEÇA AS PEÇAS DO APARELHO DE PRESSÃO
FONTE: Disponível em: <http://www.cirurgicaexpress.com.br>. Acesso em: 
18 fev. 2016.
É interessante saber que não é recomendado a aferição da pressão aos 
leigos, pois pode induzir a diagnósticos errados, levar falsas esperanças de 
melhora e até preconizar a cura patológica.
FIGURA 40 – POSIÇÃO CORRETA PARA VERIFICAR PRESSÃO 
ARTERIAL
FONTE: Disponível em: <http://www.enfermagem-na-saude.com.
br>. Acesso em: 18 fev. 2016.
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
120
2.4 TEMPERATURA
A temperatura corporal reflete o grau de calor mantido pelo corpo e seu 
controle é realizado pelo sistema nervoso central através do hipotálamo, ela é um 
indicador importante para o corpo, já que a temperatura é provocada por reações 
metabólicas do organismo.
O valor padrão de temperatura é verificado em graus Celsius, sendo 
estipulado para o indivíduo a temperatura média 36,5°C, entretanto, algumas 
variações podem ser consideradas dentro do padrão de normalidade: 0,3 a 0,6°C 
acima ou abaixo dos valores trazidos pela literatura (OLIVEIRA et al., 2007).
 
Conforme Oliveira et al. (2007), assim como nos outros sinais vitais que 
estudamos, a temperatura também sofre variações, dependendo dos fatores que 
atuam influenciando-a, citaremos algumas situações que ela pode aumentar: 
atividade física, digestão, estresse, infecções, ansiedade, determinados tipos 
de roupa, entre outros fatores. Por outro lado, há situações que causam sua 
diminuição como: frio, estado de choque e hemorragias.
 
A fim de aferirmos a temperatura, necessitamos utilizar um termômetro, 
atualmente existe o digital e o de mercúrio, os dois são eficazes, entretanto, o mais 
utilizado ainda é de mercúrio.
 
Conforme Silva (2005), o termômetro de mercúrio deve ser utilizado com 
precaução, pois não deve ser tocado na parte do bulbo (ponta do termômetro), 
caso contrário, poderá interferir na temperatura final.
 
A verificação pode acontecer em alguns locais do corpo como: boca, 
axila e reto. No aparelho digital, é só aguardar o sinal sonoro para verificar a 
temperatura final, já no termômetro de mercúrio, é necessário aguardar cinco 
minutos, para então se dar por finalizado o procedimento, ou ainda considerar as 
especificidades de cada local mensurado como informa Santos (2014):
• Boca: temperatura varia entre 36°C a 37°C e o tempo de espera deve ser 
de no mínimo três minutos, embaixo da língua.
• Axilar: temperatura varia entre 36°C a 36,8°C e o tempo de espera é de 
aproximadamente 5 minutos, é importante estar com a axila seca, caso contrário 
a temperatura não será fidedigna.
• Retal: temperatura varia entre 36,4°C a 37°C o tempo de espera deve ser 
de três minutos e antes de verificar a temperatura é necessário passar vaselina. 
Esse local é o mais apropriado, pois sofre menos interferência de fatores externos.
• Digital: é considerado moderno, sendo que a temperatura é aferida do 
mesmo modo que o de mercúrio, entretanto, há um visor digital para facilitar a 
leitura.
TÓPICO 2 | FUNÇÕES VITAIS E PLANEJAMENTO
121
2.4 TEMPERATURA • Digital de chupeta: ultramoderno, é igual ao digital, entretanto é usado 
na boca dos bebês, é necessário aguardar 6 a 8 minutos antes de fazer a leitura.
• Digital de ouvido: mesmo sistema, porém coloca-se no ouvido, 
aguarda-se em torno de dois minutos, ou até escutar o alarme sonoro, esse tipo 
de termômetro é bem prático.
• Digital de testa sem contato: é de última geração, é só apontar para a 
testa sem encostar e instantaneamente faz a leitura corporal.
FIGURA 41 – TIPOS DE TERMÔMETROS
FONTE: Disponível em: <http://www.diadesemana.com/tipos-de-termometros>. Acesso em: 18 
fev. 2016.
1- Mercúrio
2- Digital
3- Chupeta
4- Ouvido
5- Testa sem contato
2.4.1 Como realizar a leitura do termômetro de mercúrio
Todos os termômetros têm uma coluna fina, vermelha ou prateada de 
mercúrio no seu centro. Segure uma extremidade entre seu polegar e indicador, 
com os números e os traços de frente para você, gire com cuidado até você 
visualizar a coluna vermelha ou prateada. 
A ponta da coluna de mercúrio indica a temperatura e cada grau é 
marcado por um traço, com traços menores entre eles. Lembre-se de não segurar 
pelo bulbo, pois você sem intenção, estará interferindo na temperatura aferida.
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
122
2.4.2 Classificação da temperatura conforme Oliveira et 
al. (2007)
• Hipotermia: é a temperatura abaixo dos valores estabelecidos pela 
literatura, é caracterizada por índices abaixo de 35°C, caracterizando tremores 
em função das contrações e relaxamentos musculares e dos vasos sanguíneos 
abruptamente, no processo em que o corpo tenta gerar calor para manter o 
equilíbrio corporal. 
• Hipertermia: é o aumento repentino da temperatura do corpo acima dos 
valores normais e acontece quando o corpo produz mais calor do que consegue 
liberar, é importante lembrar que acima de 40°C a pessoa corre risco de morte. 
Há alguns fatores que podem desencadear a hipertermia como calor 
excessivo e efeitos colaterais de medicamentos.
Nesse interim pode surgir a febre, que para Oliveira et al. (2007), significa 
o aumento da temperatura corporal acima do normal. São causas de aumento 
de temperatura: infecção, trauma, ansiedade etc. Deve-se ter cuidado com 
temperaturas altas pois podem causar convulsões, principalmente em crianças.
Na tentativa de baixar a febre, é possível tomar banho com água morna 
para fria e aplicar compressas úmidas na testa, axila e virilha, pois essa região é 
hipervascularizada, assim, as chances de baixar a temperatura são grandes.
3 IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO E DO PLANEJAMENTO
Em situações que o ser humano desenvolve atividades ou até mesmo na 
sua socialização, requer cuidados a fim de evitar acidentes, sendo que a precaução 
ocorre através da prevenção.
 
Em 1958, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu o termo 
“acidente” como um acontecimento independente da vontade humana, provocado 
por força exterior que atue rapidamente sobre o indivíduo, com consequente 
dano físico ou mental (BATIGÁLIA, 2002).
 
As aulas de educação física, por si só, representam um potencial risco 
para ocorrer acidentes, seja por fadiga, quedas, torções, materiais inadequados, 
vestimenta inadequada, contato físico, aparelhos inapropriados, entre outros.
Atualmente, os professores começam a sua capacitação na jornada 
profissional durante a faculdade, pois no caso específico de atividades esportivas, 
a desqualificação profissional, impede o auxílio no momento que o acidente 
acontece, trazendo consequências para o aluno e prejuízos para a escola.
TÓPICO 2 | FUNÇÕES VITAIS E PLANEJAMENTO
123
3 IMPORTÂNCIA DA PREVENÇÃO E DO PLANEJAMENTO
É importante destacar que nas aulas de educação física nas escolas é 
comum acontecer algum acidente, pois os alunos se machucam e isso faz parte 
da atividade, caso contrário, poderiam aprender qualquer atividade que não 
exigisse esforço físico (PORTAL DA EDUCAÇÃO FÍSICA, 2012).
 
Sendo assim, as causas habituais de acidentes em fase escolar são: 
empurrões, choques, cadarços de tênis desamarrado, falta de motricidade ou 
falta de estimulação. Com relação às quedas, essas normalmente dão ensejo a 
acidentes graves, como fraturas, luxações ou cortes (PORTAL DA EDUCAÇÃO 
FÍSICA, 2012).
No caso específico de atividades esportivas, é imprescindível a adequação 
do ambiente ao estilo de atividade que será praticada, sendo necessário queas 
instalações sejam construídas com o aval de pessoas capacitadas na área da 
construção e arquitetura.
Além disso, os equipamentos devem ter selo de qualidade do INMETRO, 
necessitam ser adaptados e apropriados para cada indivíduo e ainda com 
características peculiares da modalidade que será executada, não esquecendo as 
roupas que também precisam ser confortáveis, leves e de tecido transpirante.
Silva (1998) complementa essa informação, ressaltando que as técnicas 
utilizadas para o ensino e condução das atividades devem ser adaptadas sempre 
que envolverem riscos para a integridade física dos alunos ou praticantes.
Com a finalidade de enfatizar a importância de um conjunto de fatores 
que reportam a segurança dos atletas, alunos e praticantes, vamos citar alguns 
exemplos de atitudes que devem ser tomadas.
3.1 PLANEJAMENTO ESCOLAR
Com o passar das décadas, o tempo que a criança permanece na escola 
está aumentando, em função de alguns fatores, mas principalmente devido 
ao ingresso da mulher no mercado de trabalho. Dessa forma, a segurança dos 
alunos na escola deve estar garantida, no que diz respeito ao ambiente físico e 
psicológico.
Os professores sempre devem planejar suas aulas para evitar surpresas 
desagradáveis como falta de material, falta do que fazer e falta de local para 
comportar os alunos.
Evitar jogos ou atividades agitadas em espaços confinados e pequenos, 
as bolas devem ter tamanho e peso adequados de acordo com a faixa etária. É 
importante ressaltar que não deve ser ignorado a queixa dolorida de um aluno, 
deve-se investigar o problema e encaminhar para o serviço médico quando 
necessário (PORTAL DA EDUCAÇÃO FÍSICA, 2012).
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
124
Diante de algum acidente com corte profundo, mantenha a calma, 
tranquilize o aluno e deixe o membro afetado mais elevado que o resto do corpo 
e pressione o ferimento com gaze estéril ou pano limpo e encaminhe-o ao pronto 
atendimento (PORTAL DA EDUCAÇÃO FÍSICA, 2012).
UNI
Lembre-se de que se a criança necessitar ir ao hospital, você levará em veículo 
particular só se tiver autorização dos responsáveis por escrito.
É importante que a escola ofereça oficinas ou palestras aos pais e 
funcionários sobre primeiros socorros e, além disso, se preocupe com os vidros 
que devem estar sinalizados, escadas devem ter corrimão, rampas para alunos 
com necessidades especiais, degraus sinalizados com adesivos antiderrapantes, 
entre outros cuidados.
3.2 INSTALAÇÕES
Para Silva (1998), as quadras de esportes não podem ter piso liso, a fim de 
evitar escorregões e possíveis quedas, em função do maior coeficiente de atrito 
entre a pele e o solo, com consequências danosas ao organismo.
 
Flegel (2010) relata que embora haja manutenção das áreas esportivas, 
a responsabilidade se reporta ao professor de educação física, a fim de que ele 
permaneça em vigília com relação à segurança, como: traves quebradas, quadras 
esportivas desgastadas, pisos escorregadios e vários outros problemas podem 
causar lesões nos alunos.
 
Silva (1998) aduz que as construções em que as paredes, os alambrados, 
as colunas ou outros obstáculos estejam muito próximos às linhas limites das 
áreas esportivas ou em locais de movimentação, podem predispor a acidentes 
desnecessários.
 
Outro ponto importante que sempre deve ser lembrado, é com relação 
aos ambientes fechados, pois devem sempre ser providos de ventilação, quer 
seja artificial ou natural, especialmente para que haja prevenção referente aos 
distúrbios relacionados como o equilíbrio térmico dos participantes.
Conforme Silva (1998), as instalações e os equipamentos relacionados à 
prática de esportes, devem estar de acordo com a atividade. Em locais que é 
oferecido atividade física, como em academias, o piso deve ser antiderrapante 
TÓPICO 2 | FUNÇÕES VITAIS E PLANEJAMENTO
125
para evitar quedas e lesões, já os equipamentos, necessitam estar a uma distância 
apropriada de paredes e colunas que estejam muito próximos.
A engenharia está diretamente relacionada na elaboração de ambientes, 
materiais e equipamentos seguros, também podemos recorrer à legislação 
trabalhista para auxiliar nas normas de segurança.
Flegel (2010) coloca alguns itens que o profissional deve seguir a fim de 
evitar acidentes:
- Planejar adequadamente as atividades. 
- Fornecer instruções corretas. 
- Alertar sobre riscos inerentes. 
- Fornecer um ambiente físico seguro. 
- Fornecer equipamento correto e adequado. 
- Supervisionar atentamente as atividades. 
3.3 EQUIPAMENTOS
Conforme Silva (1998), deve-se evitar o uso de calçados inadequados à 
prática de esportes, os quais, ainda que rotulados de “esportivos”, possuam salto 
muito alto, solado pouco aderente ou cadarços muito longos com possibilidade de 
se soltarem durante a atividade. Estes aspectos, embora simples, são importantes 
na prevenção de acidentes.
Se você tem o hábito de caminhar ou correr, precisará escolher o tênis 
adequado a fim de reduzir o impacto produzido com o solo e auxiliar na 
estabilidade dos movimentos.
Um tênis adequado, dependerá também do seu tipo de pé, falando 
nisso, você conhece que tipo de pé você tem? Então, faça o teste do pé molhado 
descrito abaixo, assim você entenderá porque seu tênis desgasta mais em uma 
determinada região do que em outra e conhecerá também o seu tipo de pé.
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
126
FIGURA 42 – ILUSTRAÇÃO PARA DESCOBRIR O TIPO DE PÉ VOCÊ TEM
FONTE: Disponível em: <http://www.bymarina.com.br>. Acesso em: 18 fev. 2016.
É importante destacar os tipos de pisada e relacioná-los ao tênis adequado. 
Segue uma breve descrição para você entender:
• Pisada Pronada: é a pisada para dentro, fazendo rotação interna, o tênis 
indicado seria um específico para o controle da passada, a fim de evitar torções. 
FONTE: Disponível em: <http://bymarina.com.br/tipos-de-pisada-e-o-tenis-ideal/>. Acesso em: 
13 abr. 2016.
• Pisada Neutra: é o tipo de pisada da maioria das pessoas, a pisada inicia 
no calcanhar, percebe-se o desgaste da sola do calçado. O tênis indicado seria 
com equilíbrio e estabilidade (CASTANHO, 2010).
• Pisada Supinada: é a pisada para fora, o tênis ideal seria com maior 
amortecimento. 
FONTE: Disponível em: <http://bymarina.com.br/tipos-de-pisada-e-o-tenis-ideal/>. Acesso em: 
13 abr. 2016.
TÓPICO 2 | FUNÇÕES VITAIS E PLANEJAMENTO
127
Além do tênis inapropriado, o vestuário inadequado também pode 
trazer prejuízos à saúde, como usar saias, vestidos, jeans, crocs, botas, sandálias, 
roupas muito folgadas ou justas, podem atrapalhar ou limitar a liberdade dos 
movimentos, podendo contribuir para a ocorrência de acidentes. (SILVA, 1998)
128
RESUMO DO TÓPICO 2
Após o término de estudo deste tópico, o acadêmico será capaz de:
• Conceituar sinais vitais.
• Identificar quais são os sinais vitais.
• Conhecer os equipamentos para verificar os sinais vitais.
• Compreender que as aulas de educação física podem representar risco de 
acidente.
• Reconhecer a importância de realizar plano de aula.
• Conhecer o teste do pé molhado.
129
AUTOATIVIDADE
1 Você verificou a diversidade de conceitos para sinais vitais, agora, faça a sua 
definição para este assunto.
2 Cite os quatro sinais importantes de serem monitorados, para acompanhar 
a saúde do indivíduo.
3 Cite alguns fatores que podem alterar a temperatura corporal.
4 Qual é a finalidade do teste do pé molhado?
5 Qual é a importância em seguir as recomendações quanto às instalações em 
escolas, academias, hospitais e clínicas?
130
131
TÓPICO 3
ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR E ÉTICA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Você pensa que a ética é um conceito dos tempos modernos? Se você acha 
que sim, está enganado, pois ela existe desdeo início da vida em sociedade e está 
diretamente relacionada ao modo com que o ser humano se comporta.
 
O que acontece é que a ética ganhou espaço importante no nosso dia a dia, 
exigindo valores morais mais aperfeiçoados e encontrando espaço na sociedade 
de uma maneira marcante.
 
Todas as profissões estão embasadas na ética, através de códigos, 
deontologias, condutas, fazendo redescobertas de respeitos e considerações. É 
importante destacar que muitas vezes, quando o profissional fere a ética, há uma 
punibilidade, ou seja, uma sansão imposta ao indivíduo. Entretanto, a ética não 
está presente apenas na sociedade, mas também em organizações.
 
Você sabia que os brasileiros são considerados os mais solidários da 
América Latina? Somos dotados de um forte sentimento de solidariedade, porém, 
não basta ter a boa intenção de ajudar, é necessário saber como atuar.
 
Você já pensou que pode vir a presenciar uma emergência ou urgência 
com um de seus alunos? Ou até mesmo fora de seu ambiente profissional, então 
preste atenção nesta unidade, para você saber como atuar diante de uma parada 
cardiorrespiratória, considerada uma emergência corriqueira de acontecer.
 
Para reverter a parada cardiorrespiratória, é necessário eficácia na técnica 
empregada, qualidade no atendimento, celeridade e instauração de medidas 
de suporte básico e avançado, bem como o correto atendimento baseado em 
protocolos.
Embarque nesta viagem de estudos e vamos em frente!
2 EMERGÊNCIA E URGÊNCIA
Para Santos (2012) a abordagem do tema urgência e emergência é muito 
complexa. Ela compreende a assistência pré-hospitalar realizada nos locais onde 
a vítima se encontra, exigindo do socorrista qualificação para oferecer os cuidados 
imediatos e seguros ao paciente, qualquer que seja seu estado.
 
132
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
Saber diferenciar urgência e emergência é o primeiro passo para planejar 
o atendimento à vítima e executar manobras e procedimentos de forma a garantir 
a segurança da vítima e da pessoa que a socorre.
Existem várias situações que requerem o atendimento de um socorrista 
ou pessoa apta ao atendimento de urgência e emergência, podemos citar alguns 
casos típicos frequentes: traumatismos, ferimentos, mordedura de animais, 
intoxicações, afogamentos, queimaduras, choques, parada cardiorrespiratória 
etc.
Para cada caso existe uma especificidade, em que condutas diferentes 
são tomadas, o atendimento deve ser individualizado para o tipo de acidente 
sofrido, sendo necessário que o socorrista esteja apto a prestar auxílio adequado 
e de qualidade.
DICAS
Apesar do transtorno de lidar com urgência e emergência, lembre-se como é 
recompensador ver as pessoas recuperarem o sorriso, além de ser gratificante a sensação de 
dever cumprido com êxito.
As definições de urgência e emergência do Conselho Federal de Medicina, 
referência de renome, indicam que deve haver diferenças de significado entre 
um termo e outro, embora, inicialmente, não se consiga identificar com clareza a 
diferença entre elas. Entretanto, sabe-se que os dois termos se referem aos agravos 
à saúde, que necessitam de atenção médica imediata. (ROMANI, 2009)
2.1 EMERGÊNCIA 
Há vários conceitos para este termo, de acordo com Ghirotto, (1998), a 
definição de emergência refere-se a um acontecimento inesperado que ocorre 
quando a pessoa está em perigo iminente, ameaçando a vida, a saúde, a 
integridade física. 
Um salvamento por pessoas capacitadas e aptas em uma situação de 
emergência, resulta em um atendimento preventivo eficiente, realizando o 
diagnóstico precoce da vítima, controlando sinais vitais e permanecendo atento 
a qualquer alteração que possa acontecer diante da situação vivida, esforçando-
se para restaurar a consciência da vítima ou para que a mesma permaneça em 
vigília.
TÓPICO 3 | ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR E ÉTICA
133
De acordo com Ferreira (2010) emergência se origina do latim emergentia, 
referindo-se à ação de emergir; situação crítica, acontecimento perigoso ou fortuito, 
incidente. Diante dessas considerações, podemos deduzir que emergência é um 
acontecimento que requer atuação imediata.
Silveira e Moulin (2006) caracterizam emergência como o estado grave 
em que a pessoa precisa de atendimento médico imediato, neste caso, a atuação 
do socorrista é fundamental para controlar a situação até a chegada do socorro 
móvel.
Romani (2009) define emergência como a constatação médica de 
condições de agravo à saúde, que incidem em risco iminente para a saúde, ou 
seja, o indivíduo corre risco de vida e sofrimento intenso, exigindo, portanto, 
tratamento médico imediato.
FIGURA 43 – REPRESENTAÇÃO TÍPICA DE UM CASO DE EMERGÊNCIA 
NA SAÚDE PÚBLICA
FONTE: Disponível em: <http://www.humortadela.com.br>. Acesso 
em: 2 mar. 2016.
Júnior e Sarquis (2004) identificam emergência como situações que 
necessitam de cuidados especializados imediatos para evitar a morte ou 
complicações graves ao indivíduo. Assim, a emergência, normalmente, implica 
estarmos diante de uma situação de aparecimento súbito e imprevisível no que 
diz respeito à saúde grave e que exige intervenção imediata, a fim de evitar 
colapso da vítima. 
134
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
2.2 URGÊNCIA
Santos (2012) define como procedimentos de urgência, ações iniciais 
prestadas a uma vítima que sofreu algum tipo de acidente. Esses procedimentos 
podem ser realizados por um indivíduo que esteja apto, desde que tenha noção 
de Primeiros Socorros.
Garcia (2003) já entende que casos de urgência podem ser realizados 
por qualquer tipo de pessoa, sempre dentro do bom senso, com prudência e 
discernimento. Para isso é necessário agilidade e saber o que está sendo realizado 
para não comprometer ainda mais a saúde da vítima.
Ferreira (2010) informa o conceito para urgência, essa palavra se origina 
do latim “urgentia”, que significa qualidade ou caráter de urgente, ou seja, 
tudo aquilo que deve ser feito com rapidez, sem demora, na qualidade de ser 
indispensável.
O Conselho Federal de Medicina define por urgência, a “ocorrência 
imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador 
necessita de assistência médica imediata” (ROMANI, 2009).
Conforme Silveira e Moulin (2006), é uma condição que exige atendimento 
com rapidez à vítima, agilidade em encaminhar a pessoa acometida por um 
acidente ao hospital com maior brevidade possível. Urgência significa o tempo 
entre o momento em que a vítima é encontrada e o seu encaminhamento o mais 
rápido possível. 
Para Flegel (2010), urgências são diversas situações clínicas acometidas 
por um momento súbito, tanto as graves como as menos graves, podendo ocorrer 
até mesmo o risco de falência das funções vitais do indivíduo, mas que não 
caracteriza situação eminente de morte. 
Assim, podemos deduzir que a urgência é uma situação em pode haver 
espera a curto prazo, pois não representa risco à vida, ou seja, a vítima não 
morrerá na situação em que esteja acometida, por outro lado, o atendimento 
requer rapidez, agilidade, alguns autores arriscam em dizer que a urgência pode 
aguardar o prazo de até 24 horas para receber atendimento.
2.3 DIFERENÇA ENTRE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA
Vamos demonstrar em forma de tópicos a diferença entre esses dois 
conceitos, entretanto, citaremos conforme Santos (2012) alguns sinais e sintomas 
que já foram analisados e classificados como urgência ou emergência.
TÓPICO 3 | ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR E ÉTICA
135
3 ÉTICA E ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
Vamos abordar esse assunto dentro do atendimento pré-hospitalar e da 
maneira com que as vítimas devem ser atendidas.
• Urgência
- dor torácica sem complicações respiratórias;
- alguns tipos de queimaduras;
- fraturas sem sinais de choque ou outras lesões maissérias;
- vômito e diarreia, acompanhados ou não por estado febril abaixo de 
39°C;
- sangramentos e ferimentos leves e moderados.
• Emergência
- parada cardiorrespiratória;
- dor torácica acompanhada de desconforto respiratório;
- politraumatismo em geral;
- hemorragias de alta intensidade;
- queimaduras extensas;
- perda do nível de consciência;
- intoxicações em geral;
- ferimento por arma de fogo;
- ferimento por arma branca; 
- estados de choque;
- estado febril acima de 40°C;
- gestações em curso com complicações.
3.1 ÉTICA 
Teoricamente o ser humano possui intrinsicamente a capacidade de 
distinguir o que é certo e errado, o qual denominamos de consciência moral. 
Acredita-se que o meio em que o indivíduo cresce e se socializa, pode influenciá-
lo a ter uma conduta digna ou não da sua vida, de qualquer modo, a moral 
permite o indivíduo discernir o bem do mal.
 Segundo o dicionário, (FERREIRA, 2010), a ética é o “estudo dos juízos de 
apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de 
vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo 
absoluto”.
A ética pode ser pensada como sendo um conjunto de valores adquiridos 
pelo ser humano, denunciados em seu comportamento no cotidiano de sua vida, 
seja no convívio familiar, com os amigos ou no trabalho.
136
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
3.2 ÉTICA NO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
Podemos entender que ética é um conjunto de atitudes e valores que 
se transformam em um princípio norteador da conduta humano, expresso em 
ações e normas a serem seguidas. Dessa forma, a ética obriga uma pessoa a 
seguir princípios morais diante de uma determinada situação, sob pena de haver 
conflitos ou até mesmo punições dependendo do código que está a infringir.
Muitas vezes nos deparamos com a ética em algumas situações inusitadas 
e acabamos questionando-a, pois ficamos confusos da maneira como nos 
comportarmos ou como devemos agir, tornando um dilema ético pessoal ou 
profissional.
Pare um pouco para pensar nessa história: um ônibus sofreu um acidente 
e bem no momento que você estava próximo ao local, quando avista 32 pessoas 
gravemente feridas, entre elas estavam crianças, adultos e idosos, alguns com 
traumatismo craniano, outras com hemorragias, fraturas e poucas com escoriações 
pelo corpo. A quem socorrer primeiro?
Algumas decisões podem ser tomadas contrárias às suas convicções 
pessoais ou à prática habitual, tais como as que dizem respeito ao processo de 
escolha das vítimas, por prioridade de tratamento. 
Os acidentes com múltiplas vítimas são aqueles que requerem atendimento 
baseado no conhecimento científico, ético e operacional, utilizando os recursos 
disponíveis, adotando a doutrina operacional protocolada.
O protocolo de seleção de atendimento das vítimas utilizado no Brasil é o 
START (Simple Triage and Rapid Treatment), baseado em uma triagem rápida. Para 
Valentim et al. (2014) triagem é um conceito que classifica as vítimas de acordo 
com aquelas que tem mais chance de sobrevida e êxito no socorro prestado, e 
não na gravidade em que as pessoas estão acometidas. Assim, as vítimas são 
atendidas no local e encaminhadas para o atendimento hospitalar.
O critério de avaliação baseia-se na respiração, circulação e nível de 
consciência, dividindo as vítimas em quatro prioridades, utilizando cartões para 
definir as prioridades, conforme destacado por Brasil (2006):
• Cartão vermelho: as vítimas apresentam poucas chances de sobrevida e 
necessitam de atendimento médico antes do transporte ao hospital.
• Cartão amarelo: as vítimas não apresentam risco de vida imediato, 
podem aguardar o transporte até o hospital, assim, são atendidas pela equipe 
local.
TÓPICO 3 | ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR E ÉTICA
137
3.2 ÉTICA NO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR
• Cartão verde: as vítimas conseguem deambular, possuem apenas lesões 
e não necessitam de atendimento pré-hospitalar e nem hospitalar.
• Cartão preto: vítimas estão mortas ou certamente não terão chances de 
sobreviver, pois não respiram.
FIGURA 44 – FLUXOGRAMA DO MÉTODO START
FONTE: Disponível em: <http://www.novo.aph.com.br>. Acesso em: 3 fev. 2016.
A ética e a moral têm acompanhando o desenvolvimento da sociedade 
ao longo dos anos e de acordo com o contexto cultural, ela apresenta conceitos 
diferentes, conforme aduz Vazquez (2008, p. 267): “[...] as doutrinas éticas 
fundamentais nascem e se desenvolvem em diferentes épocas e sociedades como 
respostas aos problemas básicos apresentados pelas relações entre os homens, e, 
em particular pelo seu comportamento moral efetivo”. 
Flegel (2010) destaca alguns itens importantes de conduta ética que se 
espera de um socorrista e de um professor de Educação Física:
• Agir com disposição frente a um caso de socorro.
138
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
• Se abster de preconceitos, seja por cor, sexo, nacionalidade, religião etc, 
atuando da melhor maneira, a fim de prestar um atendimento com qualidade e 
eficiência.
• Não deve haver um pré-julgamento das vítimas a fim de não interferir 
no atendimento.
• Para manter a ética e princípios morais não deve haver revelação de 
confidência de informações que a vítima lhe forneceu.
• Recusar-se de tudo que for ilegal, imoral e que fuja aos bons princípios.
De acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (2007), as 
principais diretrizes éticas para quem presta socorros de urgência são:
• agir conscientemente e tratar das vítimas com dignidade; 
• cuidar da saúde das vítimas como a principal preocupação;
• proteger a confidencialidade de qualquer informação compartilhada 
pelas pessoas feridas;
• abster-se de qualquer discriminação quando assistir as vítimas; 
• ter absoluto respeito pela vida, integridade e dignidade da vida da 
vítima, ou seja, não prejudicá-la.
4 PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA
É uma emergência que acontece constantemente entre a população e em 
qualquer lugar do mundo e significa a ausência de batimentos cardíacos e dos 
movimentos respiratórios.
Atualmente, a ausência de frequência cardíaca e respiratória não significa 
mais morte, pois há inúmeros recursos para reverter o quadro, com destaque 
a reanimação cardiopulmonar, medicamentos, equipamentos e capacitação de 
pessoas leigas, muitas vidas acabam sendo salvas.
Quando as funções vitais param de funcionar, as células começam a 
morrer em apenas alguns minutos, assim as células nervosas tornam-se frágeis, 
pois não sobrevivem por mais de cinco minutos sem oxigênio, assim, a pessoa 
estará em iminente risco de sofrer lesões irreversíveis.
Quando há parada cardiorrespiratória, a vítima deve ser reanimada, 
objetivando a sobrevivência, entretanto, quando houver parada total e irreversível 
do encéfalo, podemos dizer que a morte está comprovada, assim, não há mais 
nada a ser feito. 
TÓPICO 3 | ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR E ÉTICA
139
4.1 CONCEITO
A parada cardíaca ocorre quando a pessoa deixa de respirar e o coração 
para de bater. Se a intervenção de primeiros socorros não começar em 5 minutos 
a partir do início do ataque cardíaco, ocorrerá um dano permanente ao cérebro 
(FLEGEL, 2010).
Já a parada respiratória é a ausência de respiração pulmonar em 
consequência da falta do funcionamento do aparelho captador de oxigênio no 
organismo. É também chamada de Síncope Azul, por não haver oxigênio no 
sangue (CANETTI et al., 2007).
Parada cardiorrespiratória é uma situação que clinicamente não são 
perceptíveis movimentos respiratórios e batimentos cardíacos efetivos. Júnior e 
Sarquis (2004) definem como sendo a ausência total de sinais de circulação, ou 
seja, falta de batimentos cardíacos, de pulsação e de movimentos respiratórios.
Nos Estados Unidos, as lesões e mortes por parada cardíaca apresentaram 
umbaixo índice de atletas acometidos, tem-se notícia que o atleta do voleibol 
olímpico norte americano Flo Hyman e o jogador de basquetebol Hank Gathers, 
sofreram parada cardíaca no esporte, os quais tiveram maior divulgação em 2010 
(FLEGEL, 2010).
Já no Brasil, mesmo não havendo estatísticas concretas referentes às 
pessoas que sofreram parada cardiorrespiratória, acredita-se que ocorrem cerca 
de 200.000 casos por ano, metade aconteceu em ambiente hospitalar, sendo mais 
comum em adultos do que em crianças (GUIMARÃES, 2015).
A parada cardiorrespiratória, segundo Pires e Starling (2006), em pacientes 
que são acometidas fora do hospital, mas com atendimento do socorro básico e 
especializado em até cinco minutos após o acometimento do súbito, apontam 
grande êxito de sobrevida.
4.2 PRINCIPAIS CAUSAS
4.2.1 Respiratórias
As principais causas de parada respiratória, conforme Flegel (2010) são:
• Mecânicas: obstrução das vias aéreas superiores por corpos estranhos, 
compressão externa da traqueia ou laringe, aspiração, edema de lote, queda de 
língua. Perturbações periféricas como pneumotórax, espasmos neuromusculares.
• Depressão do Sistema Nervoso Central: intoxicação, superdosagem de 
drogas, edema cerebral, choque elétrico, hipóxia.
140
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
• Concentração insuficiente de oxigênio no ar inspirado: grandes altitudes, 
soterramentos.
• Deficiência no transporte de oxigênio pelo sangue: intoxicação por 
monóxido de carbono. Ocorre maior afinidade do monóxido de carbono com a 
hemoglobina, formando o composto carboxi-hemoglobina.
• Alteração na respiração celular: envenenamento por cianeto.
4.2.2 Cardíacas
As causas de parada cardíaca são variadas, podendo-se considerar 
entre elas: arritmias cardíacas, tamponamento, choque elétrico, superdosagem 
de drogas como digitálicos, potássio, depressores do Sistema Nervoso Central, 
antiarrítmicos, choque elétrico, entre outras causas.
Conforme Brasil (2003), o motivo da parada pode ser classificado em dois 
grupos:
I. Primários
Desencadeados por problemas naturais cardíacos como arritmia ou 
isquemia (quantidade de sangue oxigenado que chega ao coração é insuficiente 
para bombear o sangue)
II. Secundários
Normalmente causado por traumatismos com as seguintes complicações: 
obstrução das vias aéreas, doenças pulmonares, hemorragia grave, estado de 
choque, intoxicação por monóxido de carbono.
A ação de fatores externos sobre o coração como drogas e descargas 
elétricas, também podem gerar uma parada cardiorrespiratória.
Conforme Brasil (2003), a dificuldade de reanimação será complicada 
se o coração parar primeiro, pois a chegada de oxigênio ao cérebro estará 
imediatamente comprometida, podendo haver lesão cerebral irreversível.
O socorrista ao chegar no local onde a vítima está acometida pelo mal 
súbito, deve se aproximar do indivíduo e verificar se há ou não respiração e 
pulso, confirmando a ausência deste, não poderá afirmar que há morte encefálica, 
portanto, a vítima deverá ser reanimada.
TÓPICO 3 | ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR E ÉTICA
141
UNI
Você não pode treinar a RCP em pessoas saudáveis, pois podem ocorrer graves 
problemas cardíacos, pratique em manequins ou simuladores.
4.3 REANIMAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA 
Para Santos (2014), a reanimação cardiorrespiratória consiste num conjunto 
de procedimentos que visa restabelecer os sinais vitais, quando for constatada a 
ausência de batimentos cardíacos e movimentos respiratórios com inconsciência. 
Conforme Hafen et al. (2002), deve-se ter em mente que o principal motivo 
para realizar uma manobra de reanimação cardiopulmonar é de restabelecer a 
oxigenação e circulação sanguínea, até a chegada do socorro especializado. Pois 
quanto mais rápido for o atendimento à vítima, menores serão as sequelas.
Segundo Santos (2012), ao observar os sinais e sintomas de uma 
parada cardiorrespiratória, o socorrista deve realizar a técnica de reanimação 
cardiopulmonar, que consiste em realizar por meio de manobras, medidas que 
venham estabelecer as funções de suporte básico de vida. É realizada por meio de 
compressões torácicas estabelecendo o retardo da lesão cerebral.
Entre as complicações no atendimento ao realizar as manobras de 
reanimação cardiopulmonar, está na pessoa que presta o socorro, pois caso ela 
não tenha conhecimento para aplicar as técnicas corretas, as chances de a vítima 
sobreviver são mínimas (SANTOS, 2012).
As manobras de reanimação cardiopulmonar são defendidas por diversos 
autores, sob várias óticas, entretanto, vamos nos basear no protocolo sob as 
diretrizes da American Heart Association, que utiliza um processo internacional 
de avaliação de evidências, envolvendo 250 revisores de 39 países, os quais se 
reúnem a cada cinco anos para discutir ou modificar protocolos de suporte básico 
de vida e suporte avançado de vida.
Conforme Canetti et al. (2007), a vítima deve estar em decúbito dorsal e 
em uma superfície dura para dar início às manobras, a cabeça deve estar mais alta 
que os pés, para não prejudicar o fluxo sanguíneo cerebral. Esta posição também 
deve ser adotada para as manobras de abertura de vias aéreas e respiração. Caso 
a vítima esteja em uma cama ou outra superfície macia, ela deve ser colocada no 
chão ou sobre uma prancha longa.
142
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
A ventilação pulmonar só pode ser executada com sucesso caso as vias 
aéreas da vítima estejam abertas. Nas vítimas inconscientes a principal causa de 
obstrução é a queda de língua sobre a parede posterior da faringe. A técnica mais 
utilizada é a inclinação da cabeça com elevação do queixo e mandíbula (CANETTI 
et al., 2007).
FIGURA 45 – ILUSTRAÇÃO DA POSIÇÃO DE ELEVAÇÃO DO QUEIXO E 
MANDÍBULA
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikihow.com/Fazer-RCP-(Ressuscitação-
Cardio-Pulmonar)-em-Adultos>. Acesso em: 2 mar. 2016.
4.3.1 Passos para reanimação de acordo com a 
Associação American Heart Association (2015)
• Posicionamento
- Coloque a vítima de costas em uma superfície dura.
- Ajoelhe-se ao lado dela.
- Usando a mão, percorra a parte interior das costelas, em direção ao 
peito, com os dedos médio e indicador, até sentir a ponta do apêndice xifoide 
(extremidade inferior do esterno) é mais ou menos na linha dos mamilos.
- Coloque o calcanhar de uma mão no centro do peito da vítima e a outra 
mão em cima da primeira.
- Comprima o centro do peito forte e rápido 100 vezes por minuto, com a 
pressão numa profundidade de cerca de 5 cm até a ajuda chegar.
TÓPICO 3 | ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR E ÉTICA
143
FIGURA 46 – POSICIONAMENTO DAS MÃOS PARA INÍCIO DA 
REANIMAÇÃO CARDÍACA
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikihow.com/Fazer-RCP-
(Ressuscitação-Cardio-Pulmonar)-em-Adultos>. Acesso em: 2 mar. 2016.
DICAS
Sugerimos que você acesse: 
<https://www.youtube.com/watch?v=3MDp487I7h4> e assista ao vídeo: RCP somente com 
as mãos, da American Heart Association.
• Compressão e respiração
- Posicionar a vítima de costas sobre uma superfície dura.
- Efetuar 30 compressões torácicas, no ritmo de 100 compressões por 
minuto.
- Efetuar 2 ventilações, não se esqueça de fechar o nariz da vítima enquanto 
insufla o pulmão.
- Manter as compressões e ventilações na frequência 30:2.
- Verificar o pulso a cada 2 minutos e se não houver pulso, deve-se 
continuar com 30 compressões torácicas e 2 ventilações, até a ajudar especializada 
chegar.
144
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
FIGURA 47 – DESENHO ESQUEMATIZADO DA VENTILAÇÃO MECÂNICA E CARDÍACA
FONTE: Disponível em: <http://www.queconceito.com.br>. Acesso em: 2 mar. 2016.
Seguindo essas orientações, recomendações e diretrizes, tenha certeza que 
você salvará muitas vidas!
TÓPICO 3 | ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR E ÉTICA
145
LEITURACOMPLEMENTAR
EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO MÉDIO E PRIMEIROS 
SOCORROS: O CONHECIMENTO DE ALUNOS E PROFESSORES
Camila de Sousa Lacerda
Ronê Paiano
Todas as pessoas, de qualquer idade, em qualquer ambiente e nas mais 
diversas situações estão sujeitas a se acidentarem ou sofrerem um mal súbito. As 
consequências, em qualquer uma destas situações, são diretamente proporcionais 
à gravidade do ocorrido e a qualidade e presteza no pronto atendimento. 
Nas aulas de Educação Física, é muito comum ocorrerem situações onde o 
professor de Educação Física deve prestar o primeiro atendimento. 
De modo geral, as ocorrências durante as aulas que necessitam de 
atendimento de emergência são: feridas e hemorragias, corpos estranhos, picadas 
de animais, engasgos e queimaduras. Sendo as mais recorrentes, de nível dérmico 
e ósseo e para alunos da educação infantil, lesões na boca (dentes) e em áreas na 
cabeça e pescoço (BERNANDES et al., 2007). 
Porém, não basta apenas que o professor possua os conhecimentos 
necessários a um pronto atendimento uma vez que nem sempre ele estará 
presente, quer seja na realização de uma atividade física quer seja no dia a dia dos 
alunos. Acreditamos que parte deste conhecimento técnico deve ser disseminado 
na escola, uma vez que no contexto do aluno e seus familiares diversas situações 
podem demandar conhecimentos que quando não adquiridos podem gerar 
procedimentos de urgência incorretos chegando até a agravar alguma situação. 
Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN (Brasil, 1997) propõem 
que a saúde e os primeiros socorros, sejam trabalhados de forma consciente, por 
meio da mediação do professor para a construção correta de procedimentos e 
conceitos. Caberá, nesta perspectiva, ao professor não apenas trabalhar com a 
dimensão procedimental e atitudinal, mas também com a dimensão conceitual 
desenvolvendo conteúdos ligados à saúde e, dentre eles, os primeiros socorros. 
Os conteúdos relacionados aos primeiros socorros estão incluídos em 
uma perspectiva de Educação Física que trate dos conteúdos da saúde, ou seja, 
de uma educação para a saúde que não apenas aparece na proposta do PCN, mas 
que já vem sendo citado ao longo do tempo por alguns autores, dentre eles Matos 
e Neira (2000) e Nahas e Corbim (1992). 
O PCN ao selecionar e organizar os conteúdos relacionados à saúde, 
levou em pauta o conteúdo de Primeiros Socorros como um tema emergente, 
146
UNIDADE 2 | PRIMEIROS SOCORROS NA EDUCAÇÃO FÍSICA
que indica questões geradoras da realidade social e que necessitam serem, 
portanto, problematizados, criticados, refletidos e possivelmente encaminhados. 
(DARIDO, 2001). 
No entanto, apenas a transmissão de informações por uma disciplina 
escolar, não é suficiente. Necessitamos que todas as áreas que compõem o 
currículo escolar sejam capazes de educar para a saúde formando assim novos e 
bons hábitos e atitudes no dia a dia da escola, por isso, a saúde deve ser tratada 
como um tema transversal. O PCN+ (BRASIL, 2002) afirma que nas últimas 
décadas aumentaram-se os estudos sobre o movimento humano e vários autores 
sugerem que a ação profissional em educação física e esporte tenha como base 
um corpo teórico e interdisciplinar de conhecimentos sobre o ser humano em 
movimento. 
Ao educar para a saúde, o professor corroborará efetivamente na formação 
de cidadãos, que serão habilitados a favorecer a melhoria pessoal e social. Para 
outros autores deve-se priorizar conteúdos de maneira a fazer com que “as 
competências propostas girem em torno do autoconhecimento e autocuidado, 
assim como do desenvolvimento da consciência sanitária em sua dimensão 
coletiva”. (MATOS E NEIRA, 2000, p. 13).
 Portanto, os alunos deverão utilizar estes conteúdos para analisar 
e abordar a realidade de forma que, com isso, possam construir uma rede de 
significados em torno do que se aprende na escola e do que se vive (DARIDO et 
al., 2001).
A educação é forte aliada na prevenção de acidentes. “A prova de que isso 
funciona é que crianças estão salvando vidas e ensinado aos mais velhos lições de 
cidadania” (DARIDO & JUNIOR, 2007). 
Conhecer o que alunos e professores sabem sobre primeiros socorros 
é fundamental para orientar as escolhas de conteúdos que os professores de 
Educação Física deverão ter para os alunos do Ensino Médio, assim como dar 
subsídio para programas de formação continuada para professores de Educação 
Física possibilitando reduzir as consequências de alguma ocorrência ou até evitar 
alguma fatalidade. Relatos de experiências nos alertam sobre os alunos da sétima 
série de países europeus, como Espanha, que tem inseridas em suas grades 
curriculares aulas de primeiros socorros e que fez com que tenham reduzido o 
número de vítimas em acidentes domésticos e clínicos, como o resgate em uma 
parada cardiorrespiratória.
Madeira e Carvalho (2007) afirmam que os professores ou técnicos 
responsáveis pelos alunos devem ter noções básicas sobre as principais situações de 
emergência que poderão surgir durante a prática esportiva e quais procedimentos 
serão mais adequados utilizar em cada situação. Flegel (2002) apud Madeira e 
Carvalho (2007) relatam que profissionais com pouco conhecimento de primeiros 
socorros normalmente não fazem nada quando passam por uma situação de 
emergência até que sejam obrigados a isso. 
TÓPICO 3 | ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR E ÉTICA
147
Segundo Rodrigues (1973 apud MADEIRA; CARVALHO, 2007) é 
fundamental a forma correta de atendimento de urgência no esporte, através 
dos recursos básicos da vida, para evitar agravamentos das lesões e outras 
intercorrências graves.
Portanto o professor de Educação Física deverá se importar com o 
aprendizado e o constante treinamento sobre o atendimento em primeiros 
socorros, pois nunca se sabe qual o momento em que será obrigatório a prestação 
de socorros a alguém.
Numa pesquisa feita por Lorenz e Tibeau (2003) concluiu-se que o conteúdo 
teórico preferido dos alunos, dentre outros, foram os Primeiros Socorros, pelo 
fato de ser um conteúdo útil para a vida toda. Estes conhecimentos possuem 
significados que o aluno leva para fora da escola, sendo muito importante saber 
como lidar com situações de “perigo” e que são determinantes em momentos 
específicos. Como a adolescência é uma fase da vida em que buscamos coisas 
desafiadoras e inovadoras, os autores sugerem que este assunto deve ter 
despertado a curiosidade desses alunos.
Não basta apenas o professor saber como agir em situações de emergência, 
ele deve passar esse conhecimento para os alunos, deve-se também ter uma 
formação continuada e treinamento ou cursos atuais, para assim poder executar 
e ensinar os procedimentos corretos e de maneira sistematizada
FONTE: Disponível em: <http://www.mackenzie.com.br/fileadmin/Pesquisa/pibic/
publicacoes/2011/pdf/edf/camila_sousa.pdf>. Acesso em: 3 fev. 2016.
148
RESUMO DO TÓPICO 3
Prezado acadêmico! Chegamos no final desta unidade, sendo assim, ao 
término deste tópico você estará apto a compreender:
• Conceitos de emergência e urgência.
• Diferenças entre emergência e urgência.
• Conceito de ética.
• Que a ética está presente nas profissões.
• O protocolo de seleção de atendimento das vítimas utilizado no Brasil.
• A posição para dar início à reanimação cardiorrespiratória.
• A frequência do número de compressões e ventilações durante o procedimento 
de reanimação cardiorrespiratória.
• Os motivos para o aparecimento de uma parada cardiorrespiratória.
149
1 Explique a diferença entre urgência e emergência.
2 Dê o conceito de ética.
3 O que é reanimação cardiorrespiratória?
4 Cite os passos que o socorrista deve seguir diante de uma parada 
cardiorrespiratória.
AUTOATIVIDADE
150
151
UNIDADE 3
EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM 
PRIMEIROS SOCORROS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEMPLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• entender conceitos básicos de acidentes que podem acontecer habitual-
mente, relacionados ou não com atividade física;
• saber atuar diante dos acidentes circunstanciais;
• compreender o significado da atuação do profissional com agilidade e se-
gurança em primeiros socorros;
• assimilar o que é proibido fazer em determinados incidentes, apesar dos 
rumores populares (conhecimento empírico);
• identificar sinais e sintomas de alguns acidentes e aprender a fazer a pre-
venção em determinados casos.
Esta unidade está dividida em três tópicos. Você encontrará atividades que 
o(a) ajudarão na compreensão dos conteúdos apresentados e ao final de cada 
um deles, você encontrará atividades que o auxiliarão a assimilar os conheci-
mentos teóricos adquiridos.
TÓPICO 1 – PRIMEIROS SOCORROS EM LESÕES ESPORTIVAS
TÓPICO 2 – PRIMEIROS SOCORROS EM INCIDENTES EMERGENCIAIS
TÓPICO 3 – EMERGÊNCIAS NO AMBIENTE EXTRA HOSPITALAR
152
153
TÓPICO 1
PRIMEIROS SOCORROS EM LESÕES ESPORTIVAS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Você já deve ter visto na TV, ou no cinema, um esqueleto andando em 
algum momento do filme ou desenho animado, mas você sabia que na realidade 
isso seria impossível? Não por ser apenas ficção, mas porque para o esqueleto 
andar ele necessariamente precisa dos músculos, pois sem eles, o esqueleto cairia 
e não conseguiria se sustentar.
Quando o indivíduo sofre algum acidente, seja por meio de queda, 
empurrão ou outro meio que o faça impedir de se posicionar anatomicamente 
correto, podem acontecer luxações, fraturas, ferimentos e hemorragias.
Os acidentes podem ser na sua maioria de pequena gravidade ou não, 
resultando em ações rápidas por parte do socorrista, a fim de garantir um bom 
atendimento e excelente continuidade do tratamento, seja domiciliar, ambulatorial 
ou hospitalar.
Você sabe que nosso corpo possui 206 ossos com tamanhos variados? 
O menor osso fica localizado no ouvido (estribo) e o maior fica localizado na 
perna (fêmur). Os ossos são resistentes, rígidos, mas podem quebrar, resultando 
em sofrimento, dor, ferimentos e hemorragias.
Os assuntos abordados, neste tópico, têm a finalidade de demonstrar 
que alguns acidentes podem acontecer mediante atividades esportivas, mas o 
atendimento por parte do professor de educação física, intitulado como socorrista, 
deve ser oferecido de maneira rápida, segura e consciente do que deve ser feito, 
principalmente para as lesões que podem colocar a saúde da vítima em risco.
2 FRATURAS
2.1 CONCEITO
O esqueleto humano é um esboço de sustentação do corpo, aonde estão 
conexos todos os tecidos. Para que possamos nos mover, os ossos cobertos 
pelos músculos se mexem nas articulações e fazem com que o corpo ande. Esses 
movimentos são controlados pela nossa vontade e coordenados por nervos 
específicos.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
154
Bergeron et al. (2007) faz uma ótima comparação entre os ossos do corpo 
humano e uma construção, dizendo que os ossos compõem a parte estrutural do 
corpo humano, como as barras metálicas que fazem a estrutura de um edifício, 
dando força e sustentação a ele, os ossos fornecem a dureza à estrutura interna 
e o suporte para as atividades às quais expomos os nossos corpos todos os dias. 
Ainda para o mesmo autor, a diferença entre as barras de ferro e os ossos 
é que esses últimos são feitos de tecidos vivos, assim, eles podem se mover e se 
dobrar de acordo com a ação dos músculos e dos outros tecidos e pelos impulsos 
do sistema nervoso controlado pelo cérebro.
Existem diferentes formas de lesão nas estruturas, assim, os ossos podem 
quebrar (fratura), ou podem se desencaixar da articulação (luxação) ou podem 
acontecer ambos, quebra e luxação.
Há várias definições para fratura, uma delas pode ser conceituada em um 
contexto geral, como a quebra ou ruptura de um osso, através de um esforço 
físico não habitual, estresse maior do que o osso possa suportar, por uma queda, 
pancada, impacto, contração muscular em excesso, entre outras causas.
Também podemos dizer que fratura pode ser a perda total ou parcial 
da continuidade de um osso, se ocorrer, a vítima geralmente irá se queixar de 
dor no local da lesão e quem socorre poderá observar deformidades, edemas, 
hematomas, exposições ósseas (quando o osso fraturado fica exposto), ocasionando 
hemorragias (sangramento) e um aumento do risco de infecção.
Para Junior e Sarquis (2004) são soluções de continuidade no tecido ósseo, 
normalmente ocasionadas por traumas físicos, podendo ser fechadas, quando o 
osso não transfixa a pele e expostas, quando existir contato do meio externo com 
o tecido ósseo.
Os autores são unânimes no conceito de fratura, Santos (2014), também 
corrobora nesse sentido, aduzindo que é a ruptura total ou parcial de uma 
estrutura óssea. Pode ser fechada (sem rompimento da pele) ou exposta (com 
rompimento da pele e exposição óssea).
Para Bergeron et al. (2007), o sistema músculo esquelético é constituído 
de muitos músculos, ossos, articulações, tendões, vasos sanguíneos e nervos. 
Traumas de grandes ou pequenas proporções podem causar uma variedade 
de ferimentos aos músculos, ossos e outros tecidos que constituem o sistema 
músculo esquelético. 
Ao avaliar essas lesões, não cabe ao profissional de saúde diagnosticar 
um osso fraturado, uma articulação luxada, uma entorse de ligamentos ou 
distensão muscular. A função do profissional é avaliar cuidadosamente o 
paciente procurando sinais e sintomas que indiquem lesões, como: dor, inchaço, 
deformação e palidez da área. (BERGERON et al. 2007).
TÓPICO 1 | PRIMEIROS SOCORROS EM LESÕES ESPORTIVAS
155
2.2 CLASSIFICAÇÃO
Certas fraturas são facilmente identificadas através de sinais como: dor, 
laceração da pele onde o osso se exterioriza, porém, algumas fraturas só podem 
ser reconhecidas através de um exame radiológico apropriado, como o raio-X.
O socorrista deve saber atuar em qualquer tipo de fratura, saber o que deve 
ser feito é primordial, a fim de garantir um bom atendimento, evitar complicar 
ainda mais a quebra óssea e assim, proporcionar qualidade no tratamento. O 
socorrista deve sempre acalmar a vítima, verificar os sinais vitais, observar se há 
cianose das extremidades e redução da temperatura do membro afetado.
As fraturas são classificadas em dois tipos, conforme Zin (2007):
- fraturas fechadas ou simples: onde a pele não foi perfurada pelas 
extremidades ósseas.
- fraturas abertas: quando o osso se quebra atravessando a pele, ou 
existe uma ferida associada que se estende desde o osso fraturado até a pele. 
Este ferimento pode ser apenas uma pequena abertura sobre a fratura, ou pode 
permitir uma ou duas extremidades fraturadas que projetam através da pele.
FIGURA 48 – VISUALIZAÇÃO DE FRATURA ABERTA E FECHADA DO 
OSSO CHAMADO ÚMERO (NO BRAÇO)
FONTE: Disponível em: <http://www.escola.britannica.com.br>. 
Acesso em: 20 mar. 2016.
Fernandes (2012) classifica as fraturas em coberta, quando fica protegida 
pela pele e músculos e a outra forma de classificação é a exposta, quando há 
rompimento da pele e músculos, exteriorizando uma extremidade ou fragmento 
ósseo pela pele. 
Fratura 
Simples
Fratura 
Exposta
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
156
Para Zin (2007), é muito importante determinar se a fratura é aberta ou 
fechada. As fraturas abertas são mais graves que as fechadas, devido a sua maior 
perda sanguínea e por serem abertas, podem ser contaminadas, ocasionando 
infecção.
UNI
O corpo humano é formado por mais de 200 ossos que protegem muitos 
órgãos internos. Existem, também, mais de 600 músculos que, juntamente com os ossos, são 
os responsáveis pelos movimentos do corpo.
Transversa Longitudinal Obliqua 
exposta
ObliquaDesviada
TIPOS DE FRATURAS
Espiral Fratura 
simples
Cominutiva
FIGURA 49 – DEMONSTRAÇÃO DE SETE TIPOS DE FRATURAS QUE PODEM 
ACONTECER NO OSSO DO FÊMUR
FONTE: Disponível em: <http:///www.fisioterapiaparatodos.com>. Acesso em: 20 mar. 
2016.
2.3 SINAIS E SINTOMAS DE FRATURAS
Dependendo do acidente ocorrido, poderá haver um resultado traumático 
diferente, com um dano grande ou pequeno para a vítima. Em acidentes graves, 
pode haver fratura em algum membro, porém, em acidentes menores as chances 
de fratura caem, entretanto, pode aparecer uma “trinca” no osso.
Em determinados casos quando há fraturas, não há modificação da região 
fraturada, outras vezes há modificação anatômica do membro acometido, desse 
modo, em hipótese alguma deve-se tentar endireitar o membro que sofreu lesão 
ou colocar o osso no lugar.
TÓPICO 1 | PRIMEIROS SOCORROS EM LESÕES ESPORTIVAS
157
2.3 SINAIS E SINTOMAS DE FRATURAS
Os locais mais fáceis de o indivíduo sofrer fratura são nos antebraços e 
clavículas pois esses ossos são mais sensíveis à quebra, ao contrário das pernas 
por exemplo, que têm ossos mais resistentes.
Hafen (2002) informa que uma fratura é facilmente reconhecida se houver 
extremidades ósseas projetadas através da pele, ou se houver deformidade 
evidente de uma extremidade, porém estes sinais nem sempre estão presentes. 
Dessa forma, os sinais e sintomas que o socorrista deve suspeitar de fratura são 
os seguintes:
• Deformidade: um braço ou uma perna podem estar em posição não 
natural, ou seja, em posição anatômica diferente do habitual.
• Dor: a dor em geral é aguda e localizada no local da fratura. O ponto de 
maior sensibilidade pode ser encontrado pela palpação delicada ao longo do osso 
com a ponta de um dedo.
• Crepitação: quando há uma sensação que as extremidades fraturadas 
se atritam, entretanto cabe um alerta, pois este sinal não deve ser pesquisado 
intencionalmente, pois aumenta a dor da vítima.
• Tumefação e equimose: quando ocorre hemorragia imediatamente 
após a lesão, ou do edema que pode não se tornar evidente durante várias horas. 
O sangramento associado a uma fratura ocorre quando os vasos sanguíneos 
principais do osso e dos tecidos moles bem como os músculos próximos à fratura 
se rompem. 
Existe outro tipo de fratura chamada de estresse de fratura, que causa dor 
e acaba piorando com a atividade física, melhorando no repouso, além desses 
sinais, normalmente aparece inchaço após o esforço (SIMÕES, 2014).
Esse tipo de fratura representa 10% de todas as fraturas esportivas, sendo 
que a fadiga e o desequilíbrio muscular são os principais responsáveis, acarretando 
em uma fratura macroscópica e possível de ver no raio-x (SIMÕES, 2014).
FIGURA 50 – FRATURA POR ESTRESSE – A = FRATURA DO CUBOIDE – B = FRATURA NO 
METATARSO
FONTE: Disponível em: <http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/saude/guia/fratura-por-
estresse-conheca-sinais-riscos-e-tratamento-para-o-problema.html>. Acesso em: 20 mar. 2016.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
158
2.4 COMO SOCORRER
A imobilização provisória é o socorro mais indicado no tratamento de 
fraturas ou suspeitas de fraturas e deve ser feito com materiais improvisados, 
caso não haja, no momento do acidente, talas rígidas.
O socorrista deve imobilizar o local de modo a impedir que o osso 
fraturado se mexa e danifique os músculos, veias, nervos e pele, cabe lembrar 
que a imobilização costuma reduzir a dor. Não tente de forma alguma colocar o 
osso no lugar e se houver ferimento na pele, lave com água e sabão, colocando 
uma compressa de gaze na região afetada, antes de imobilizar.
As roupas da vítima devem ser removidas para que o socorrista possa 
visualizar o local da lesão e poder avaliá-lo mais corretamente. No tratamento 
de fraturas expostas, deve ser priorizado o controle da hemorragia através de 
curativos limpos e esterilizados sobre o ferimento.
Conforme Santos (2014), no atendimento das fraturas é importante 
imobilizar a região fraturada sempre atingindo uma articulação acima e outra 
abaixo da fratura, para que se impeça qualquer movimentação, lembrando que 
as fraturas geralmente são imobilizadas na posição em que são encontradas, 
iniciando o enfeixamento sempre da extremidade para o centro do corpo.
Como regra geral, utilize talas específicas que são moldáveis à fratura 
ou improvise com madeiras, jornais, revistas, entre outros. É também indicado 
não executar qualquer tentativa de realinhamento do osso fraturado, tão pouco 
a reintrodução do osso ao seu local de origem. As talas devem ser ajustadas e 
não apertadas, de maneira a não interromper a circulação sanguínea do local 
(SANTOS, 2014).
Conforme Hafen (2002), deve-se monitorar as funções vitais até que 
a equipe de emergência chegue. É importante lembrar que a imobilização 
inadequada ou o manuseio grosseiro da região fraturada pode transformar 
uma fratura fechada em exposta. Dessa forma, o atendimento correto evita 
o agravamento da lesão, reduzindo a dor, o sangramento e possibilita uma 
recuperação adequada e precoce.
TÓPICO 1 | PRIMEIROS SOCORROS EM LESÕES ESPORTIVAS
159
3 HEMORRAGIA
3.1 IMPORTÂNCIA DO SANGUE
Ter noção de como o sangue e os vasos sanguíneos trabalham dentro do 
corpo, ajuda a avaliar o paciente com problemas de hemorragia, portanto, vamos 
entender o sistema vascular.
O sangue exerce uma atividade de fundamental importância para o 
funcionamento do organismo, ele carrega o oxigênio para todas as células do 
corpo e remove gás carbônico, além de transportar os nutrientes para as células e 
retirar os seus catabólitos (FERNANDES, 2012).
Há várias substâncias que compõem o sangue: glóbulos vermelhos, 
glóbulos brancos, plaquetas e plasma, veremos brevemente a função de cada um 
deles, conforme Tortora (2007):
• glóbulos vermelhos – chamados de hemácias, cuja função é de 
transportar oxigênio, são produzidas pela medula óssea, ricas em hemoglobina, 
que é um pigmento que dá a cor vermelha ao sangue.
• glóbulos brancos – conhecidos por leucócitos, são produzidos na medula 
óssea, responsáveis pela defesa do corpo, com papel importante na coagulação 
do sangue.
• plaquetas – são denominados de trombócitos, não são células, mas 
fragmentos celulares, que atuam na coagulação do sangue, principalmente em 
ferimentos.
• plasma – é um líquido amarelado que contém 95% de água, proteínas e 
outras substâncias, com função de transportar substâncias dissolvidas, como 
nutrientes, medicamentos e produtos tóxicos. 
Para Zin (2007) o sangue contém células que destroem bactérias e células 
que produzem substâncias que ajudam a combater infecções. Sem sangue 
circulando pelo corpo, o indivíduo morre rapidamente, portanto, as funções do 
sangue são:
- transportar o oxigênio e o gás carbônico;
- transportar os nutrientes para os tecidos (nutrição);
- transportar os resíduos dos tecidos para os órgãos de excreção, como 
rins, pulmões e fígado;
- transportar hormônios, água sais e outros componentes necessários para 
manter as funções do corpo balanceadas;
- proteger o corpo contra os organismos causadores de doenças.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
160
UNI
O volume de sangue no corpo de um adulto normal é de aproximadamente 
seis litros.
Segundo Hafen (2002), quando ocorre hemorragia, o corpo não só perde 
as células do sangue e os elementos de coagulação, como também perde plasma 
e o volume de sangue total. A perda do volume sanguíneo pode ser prejudicial, 
pois deve ser mantido em um certo nível para que o coração funcione, bombeando 
o sangue e garantindo as trocas gasosas. 
3.2 CONCEITO DE HEMORRAGIA
Conforme Júnior e Sarquis (2004), hemorragia é o extravasamento de tecido 
sanguíneo para fora dos vasos e a consequência pode ser o choque hipovolêmico, 
que é a deficiênciado fluxo sanguíneo aos tecidos.
Santos (2014) corrobora com este conceito, informando que a hemorragia 
é considerada a perda aguda de volume sanguíneo, proveniente de lesões de 
compartimentos vasculares.
Uma hemorragia pode levar a pessoa adulta à morte em até cinco minutos, 
portanto, deve ser sempre considerado o tempo entre o início do sangramento 
e o tempo do atendimento realizado, pois isto irá determinar as condições 
hemodinâmicas do paciente.
Silveira e Moulin (2006) afirmam que hemorragia é a perda de sangue 
provocada pelo rompimento de um vaso sanguíneo, podendo ser de origem 
arterial, venosa ou capilar, veremos a diferença entre cada uma delas:
- arterial: o sangue jorra de uma artéria, frequentemente pulsando, em 
sincronia com as batidas do coração. A cor do sangue é vermelho vivo, desde 
que contenha oxigênio e pode haver perda de uma grande quantidade de sangue 
num curto período de tempo.
- venosa: o sangue flui da veia num fluxo regular. A cor do sangue é 
vermelho-escuro, frequentemente amarronzada (quando contém pouco oxigênio).
- capilar: o sangue escoa de uma rede de capilares, a cor é vermelho, 
normalmente menos vivo que o sangue arterial. O fluxo é lento, como pode ser 
visto em arranhões e nos cortes superficiais da pele.
TÓPICO 1 | PRIMEIROS SOCORROS EM LESÕES ESPORTIVAS
161
Fernandes (2012) conceitua hemorragia como a perda de sangue devido 
à ruptura, dilaceração ou corte, através de ferimentos e cavidades naturais e 
diante deste acontecimento, o indivíduo deve ser socorrido imediatamente, com 
socorros de urgência até que o atendimento médico chegue.
FIGURA 51 – ORIGEM DAS HEMORRAGIAS
FONTE: Disponível em: <http://www.lifesavers.com.br>. Acesso em: 20 mar. 2016.
Vasos Capilares
Sangue jorrando.
Fluxo pulsátil.
Cor vermelho-viva.
Fluxo lento, estável.
Cor vemelho-escura
Fluxo lento, uniforme.
Artérias Veias
3.3 CLASSIFICAÇÃO
Já aprendemos que a hemorragia é o extravasamento de sangue para fora 
das veias ou artérias, sendo importantíssimo o controle imediato desse fluxo 
sanguíneo, pois a vítima pode entrar em choque e ir a óbito.
Conforme Santos (2014), as hemorragias são classificadas em externas 
e internas, sendo a hemorragia externa a mais comum em acidentes durante 
práticas esportivas. Ocorre extravasamento de sangue ao meio externo, por 
ferimentos abertos como cortes. 
Segundo Bergeron et al. (2007), hemorragia externa é aquela cujo vazamento 
sanguíneo é visível, geralmente produzida por ferimentos na superfície do corpo 
com ruptura de artéria ou veia, fraturas expostas e amputações traumáticas.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
162
3.4 COMO PROCEDER
Ainda para o mesmo autor, hemorragia interna é produzida numa 
cavidade fechada, geralmente na cavidade torácica, cavidade abdominal e pélvica, 
em que o sangue permanece acumulado, assim, é necessário de um procedimento 
cirúrgico para colocação de dreno, por exemplo, a fim de drenar o sangue.
Para Canetti (2007), quando ocorre hemorragia em um órgão cavernoso 
com ligação externa como o estômago ou pulmão, que pode ser expelido para o 
meio externo, é denominado de hemorragia interna mista. Essa hemorragia pode 
ser um traumatismo (ferimento ou contusão), ou uma enfermidade que ataque 
diretamente ou indiretamente os vasos do órgão afetado.
A prática de esporte pode incidir em acidentes nos indivíduos em 
qualquer faixa etária, pois alguns exercícios são passivos outros ativos, podendo 
causar contusões e ferimentos extensos, em que os alunos ou profissionais não 
estão isentos de serem acometidos.
Para Santos (2014) o primeiro passo ao atender a uma vítima com 
hemorragia externa é avaliar os sinais e sintomas, como: sangramento visível, 
pulso fraco e rápido, pele pálida, fria e úmida, sudorese, ansiedade, sede, 
respiração rápida e profunda.
Flegel (2010), aduz que o ideal diante de acidentes hemorrágicos é 
manter a região que apresenta o sangramento mais elevada que o corpo, fazendo 
compressão de maneira forte sobre o ferimento com um pano limpo, a fim de 
estancar o sangramento. Diante da continuidade do sangramento, deve-se 
comprimir com as pontas dos dedos o ramo principal da artéria extravasada.
Os principais procedimentos que podem ser usados por um socorrista no 
controle da hemorragia externa, conforme Santos (2014), são:
• Compressão direta 
A hemorragia externa é tratada por meio de compressão direta sobre o 
ferimento, utilizando material apropriado como gaze e faixas ou pano limpo, 
colocados sobre o ferimento e moderadamente pressionados para estancar o 
sangramento. Caso o curativo encharque, coloque mais compressas sobre a 
primeira, evitando trocar as compressas. Não lave o local do ferimento nem passe 
qualquer tipo de substância caseira.
TÓPICO 1 | PRIMEIROS SOCORROS EM LESÕES ESPORTIVAS
163
3.4 COMO PROCEDER
FIGURA 52 – COMPRESSÃO DIRETA SOBRE O FERIMENTO
FONTE: Disponível em: <pt.wikihow.com>. Acesso em: 20 
mar. 2016.
• Elevação de membro 
Sendo possível, quando o primeiro método não mostrar eficiência, eleve 
a área afetada acima do nível do coração, empregado somente para os membros 
superiores, pois quando a extremidade é elevada, a gravidade colabora para a 
diminuição do fluxo sanguíneo à região ferida.
FIGURA 53 - ELEVAÇÃO DA REGIÃO AFETADA ACIMA DO 
NÍVEL DO CORAÇÃO
FONTE: Disponível em: <pt.wikihow.com>. Acesso em: 20 
mar. 2016.
• Compressão de pontos arteriais 
Comprima moderadamente a artéria mais próxima ao ferimento, 
bloqueando parcialmente o fluxo local, diminuindo a hemorragia. Este 
procedimento é indicado a profissionais que tenham formação básica em anatomia 
humana.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
164
FIGURA 54 – COMPRESSÃO DA ARTÉRIA
FONTE: Disponível em: <pt.wikihow.com>. Acesso em: 20 
mar. 2016.
Após estancado o sangramento, proceda ao aquecimento da vítima, caso 
esteja com frio.
Não administre líquidos, alimentos ou qualquer tipo de medicamento, 
conduta também adotada para as hemorragias internas. Na sequência, priorize o 
transporte, pelas equipes médicas de emergência, ao hospital.
3.5 TORNIQUETE
Para Bergeron et al. (2007) o torniquete é o último recurso para controlar 
hemorragias graves, usando somente quando os outros métodos de controle 
falharem. Na maioria dos casos, um curativo compressivo é a melhor escolha.
Fernandes (2012) também acredita que os torniquetes deverão ser 
utilizados em última instância e somente para controlar hemorragias provocados 
por ferimentos graves nas extremidades e quando todos os outros métodos de 
controle falharem.
Ainda para o mesmo autor, os torniquetes não devem ser aplicados sobre 
áreas de articulação como cotovelos e joelhos, sendo que a localização ideal, 
segura e efetiva é cerca de 5 cm acima do local da lesão.
Uma amputação parcial do braço ou da perna, pode deixar você sem 
alternativas a não ser a aplicação de um torniquete. Porém muitas amputações 
totais não têm hemorragia profusa e incontrolável, porque as porções finais dos 
vasos sanguíneos tendem a entrar em colapso. Nos casos de hemorragia severa 
de um braço ou de uma perna ferida, um torniquete deve ser aplicado, somente 
depois que a compressão direta, a elevação do membro e a técnica de compressão 
indireta terem falhado. (BERGERON et al. 2007). 
Vamos explicar alguns passos importantes para fazer torniquete, conforme 
descreve Fernandes (2012):
TÓPICO 1 | PRIMEIROS SOCORROS EM LESÕES ESPORTIVAS
165
3.5 TORNIQUETE
- eleve o membro ferido acima do nível do coração;
- amarre um pano limpo e largo, ligeiramente acima do ferimento, 
enrolando-o firmemente duas vezes;
- em seguida, amarre um pedaço de pau ou similar sobre o nó do tecido;
- torça o bastão até estancar o sangramento;
- marque o horário em quefoi aplicado o torniquete;
- aguarde o socorro médico;
- desaperte a vítima gradualmente a cada 10 ou 15 minutos, para manter 
a circulação do membro afetado.
O problema grave do uso de torniquete é a falta de circulação, pois se o 
socorrista não desfrouxar de vez em quando o torniquete, não haverá passagem 
de oxigênio para as células do membro acometido e poderá haver amputação.
Outro problema comum, mas que deve ser evitado, é de realizar o 
torniquete e cobri-lo com a roupa, dessa forma quando chega o socorro móvel e 
levam a vítima ao hospital, também poderá haver perda do membro (amputação), 
pois se o torniquete não é visto, não há possibilidade de afrouxá-lo.
FIGURA 55 – REPRESENTAÇÃO DO TORNIQUETE
FONTE: Disponível em: <http://www.isaudebahia.com.br>. Acesso em: 20 mar. 2016.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
166
4 FERIMENTOS
4.1 CONCEITO
Qualquer rompimento anormal da pele ou superfície do corpo é chamado 
de ferimento, sendo que a maioria das lesões acaba comprometendo os tecidos 
moles, a pele e os músculos.
Podemos dizer que é uma lesão da pele de maneira superficial ou 
profunda, se for profunda pode atingir órgãos, vasos sanguíneos e até ossos, para 
exemplificar podemos citar arma de fogo, parafusos, arames, madeiras, entre 
outros objetos.
Os ferimentos, quando acometem o indivíduo, podem causar dor, 
sangramentos e ser porta de entrada para bactérias, causando infecção, caso 
ocorra, a preocupação é grande, pois o uso de antibióticos é sempre necessário, 
porém, nem sempre a recuperação é rápida.
Conforme Zin (2007), ferida é denominada como sendo a ruptura da pele 
ou de uma membrana mucosa, geralmente causada em situações onde a vítima 
sofreu agressões ou acidentes, sendo uma agressão ao tecido, produzindo lesão 
da pele.
Segundo Hafen (2002), ferimento é uma determinada lesão produzida 
em qualquer tecido por um agente físico (elétrico, batida, térmico, mecânico) ou 
químico (ácidos ou álcalis) causando um machucado, o qual deve ser tratado a 
fim de evitar complicações.
Fernandes (2012) também concorda com as definições dadas pelos demais 
autores, conforme ele, ferimentos são rompimentos da pele por objetos que 
perfuram ou rasgam o tecido da derme ou epiderme. Ainda complementa que 
todos os ferimentos causam desconforto, dor e são vulneráveis a infecções.
4.2 CLASSIFICAÇÃO
4.2.1 Ferida fechada
É um machucado no qual a pele não foi rompida. Tais lesões são 
normalmente provocadas pelo impacto com algum objeto. O sangramento pode 
oscilar de intenso a superficial, enquanto a extensão do ferimento pode oscilar de 
uma pequena contusão à ruptura de algum órgão interno.
TÓPICO 1 | PRIMEIROS SOCORROS EM LESÕES ESPORTIVAS
167
Para Canetti (2007) um impacto ou uma compressão podem causar 
rompimento de vasos sanguíneos, causando o extravasamento de sangue. Estas 
lesões, que são chamadas de contusões, podem acometer somente estruturas 
superficiais, mas em casos de aplicação de força intensa, pode haver lesão de 
órgãos internos.
Normalmente, se houver apenas acometimento superficial, a vítima 
apresenta dor e edema da área afetada. Se houver hemorragia, o local adquire 
uma coloração preta ou azulada, que é chamada de equimose (CANETTI, 2007).
Hafen (2002) já se refere ao hematoma para o caso de dilaceração de vasos 
sanguíneos, ocorrendo acúmulo de sangue em baixo da pele, caracterizando um 
nódulo azulado.
As feridas fechadas, conforme Trevilato (2001), podem ser classificadas 
como:
- contusão: lesão não penetrante, de profundidade variável, criada por um 
impacto, podendo causar ou não hematomas e equimoses. Não há contaminação 
proveniente do meio externo nem sangramento inicial visível.
O tratamento deve iniciar logo após a ocorrência do trauma, pela aplicação 
de frio local (bolsa de gelo, compressas frias), mantido nas primeiras 24 horas, 
com o objetivo de diminuir o inchaço local e até a formação de hematomas, 
diminuindo assim a dor da lesão.
Após 24 horas deve ser iniciada aplicação de temperaturas alternadas, 
começando com o calor úmido mais intenso suportável, por três minutos e meio. 
Imediatamente alternar com o frio, apenas para fazer contraste térmico.
- escoriação: conjunto de arranhões superficiais, produzidos por atrito 
violento de uma superfície irregular, áspera, que não ultrapassam as primeiras 
camadas da pele. O sangramento, se ocorrer, é pequeno, sendo possível estancá-
lo com compressão local, o estancamento deve ser realizado após limpeza, uma 
vez que o próprio sangramento pode auxiliar na remoção de detritos.
- lesão perfurante: caraterizado pela penetração de algum objeto na pele, 
produzindo afastamento das fibras do tecido atingido, com entrada de diâmetro 
menor que o objeto, graças à elasticidade dos tecidos cutâneos. 
O problema nesse tipo de ferimento é a permanência de sujidades e 
material contaminante na ferida, podendo ocasionar infecção, sendo que a maior 
preocupação é o tétano, recomendado realizar a limpeza da região afetada e se 
necessário a aplicação da vacina antitetânica.
- lesão cortante: produzido normalmente por objeto cortante que pode 
comprometer outros planos além da pele, o ferimento possui bordas nítidas, 
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
168
geralmente regulares, o comprimento da lesão é maior que a profundidade e em 
geral o centro é mais profundo que as extremidades. 
- lesão perfurocontundente: causada por arma de fogo, o orifício de entrada 
é, em geral arredondado ou ovalado, dependendo da direção de penetração do 
projétil.
O sangramento é variável, potencialmente grave, portanto, deve-se chamar 
imediatamente atendimento de urgência e encaminhar a vítima ao hospital, se 
houver hemorragias, deve-se fazer compressão local.
A contaminação costuma ser facilmente removível, pois o sangramento 
lava a ferida de dentro para fora, o socorrista deve objetivar a limpeza inicial e a 
hemostasia, geralmente, com compressão local. 
Normalmente será necessário atendimento médico, já que o tratamento 
consiste na reconstituição cirúrgica da estrutura lesada, sendo importante 
proceder à sutura (dar pontos).
4.2.2 Ferida aberta
Conforme Hafen (2002), nos ferimentos abertos a pele é dilacerada e a 
vítima fica suscetível a sangramento externo e contaminação do ferimento. O 
ferimento pode ser apenas parte da lesão, ou pode ser uma evidência de uma 
lesão mais séria, como uma fratura.
Para Fernandes (2012) uma ferida aberta é uma lesão em que a pele sofreu 
uma ruptura no tecido dérmico, em geral a pele. É difícil o indivíduo que nunca 
teve uma ferida aberta, que pode ocorrer em uma extensão pequena ou grande, e 
a maioria delas pode ser tratada em casa.
Segundo Bergeron et al. (2007), a pele é rompida e sua extensão pode 
oscilar de um leve raspão a um rasgo ou corte aberto da pele (laceração). Este 
autor classifica as feridas abertas em:
- abrasões: cotovelos e joelhos esfolados e arranhões causados por espinhos 
são as feridas abertas conhecidas como abrasões. Por mais que os arranhões e 
raspões possam ser dolorosos, normalmente o ferimento ao tecido não é grave 
desde que a pele não seja completamente perfurada e a força que causou o 
ferimento não esmague ou rompa estruturas básicas. A contaminação da ferida é 
o mais preocupante.
- cortes: nos casos de cortes, a pele é completamente atingida, ocorrendo 
também o ferimento dos tecidos sob a pele.
TÓPICO 1 | PRIMEIROS SOCORROS EM LESÕES ESPORTIVAS
169
4.2.2 Ferida aberta
- perfurações: objetos como faca, unha, picador de gelo podem causar 
feridas perfurantes. Um objeto pontiagudo rasgará a pele e normalmente 
prosseguirá em uma linha reta transversal, danificando todos os tecidos no seu 
percurso. A perfuração também pode ser através de um ferimento penetrante, 
percorrendoos tecidos, da camada mais superficial para a profunda. Podemos 
citar os ferimentos ocasionados por arma de fogo.
- avulsões: estes ferimentos frequentemente estão relacionados à perda de 
uma grande parte da pele, podemos citar como exemplo: uma orelha rasgada, um 
globo ocular removido da cavidade, ou a perda de um dente. São lesões de uma 
parte da pele em que ela permanece pendurada.
- amputações: estes ferimentos envolvem o corte e o arranchamento de 
dedos, mãos, pés, braços ou pernas. As amputações podem ser realizadas por 
meio de um procedimento cirúrgico, o ferimento é normalmente chamado de 
amputação traumática.
- esmagamento: quando as pessoas presenciam um acidente no qual uma 
parte do corpo tenha sido esmagada, pensam logo em fratura. 
UNI
Você sabe o que fazer para minimizar a cicatriz de um ferimento simples na sua 
pele? O importante é você não pegar sol e hidratar a pele durante o processo de regeneração.
4.3 COMO PROCEDER 
As feridas habituais como pequenos cortes ou escoriações, normalmente 
cicatrizam em poucos dias e sem gerar infecções, já as feridas agudas ou crônicas, 
são tratadas por meio de curativos com medicamentos, necessitando de cuidados 
específicos.
Para Hafen (2002) o socorrista deve sempre tomar cuidados durante o 
atendimento, evitando o contato com substâncias corporais da vítima, pois 
há grande probabilidade de contato com sangue fluidos corporais, mucosas, 
ferimentos traumáticos ou feridas da vítima.
 Durante o atendimento, é ideal que o socorrista use medidas de proteção 
individual como: luvas, máscaras, óculos de proteção e após o atendimento, 
descartar esses materiais, além de lavar as mãos com água e sabonete (HAFEN, 
2002).
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
170
Agilidade no atendimento, técnica e conhecimento científico, são 
primordiais no atendimento à vítima, a fim de oferecer segurança, tranquilidade 
e desempenho para recuperação da saúde, sem complicações maiores das que a 
vítima já foi acometida.
FIGURA 56 – CHARGE PARA A NEGLIGÊNCIA DO MÉDICO DIANTE DE UMA 
FERIDA PERFURANTE 
FONTE: Disponível em: <http:///www.gestaodelogisticahospitalar.com>. Acesso 
em: 20 mar. 2016.
Segundo Hafen (2002), as lesões abertas devem ser tratadas da seguinte 
maneira:
- expor o ferimento para vê-lo;
- cortar as roupas se necessário e não removê-las puxando-as.
- remover o material estranho, aderido superficialmente ao ferimento, 
com uma gaze esterilizada. É importante não limpar a ferida ou retirar qualquer 
partícula ou resíduo mais aderido. 
- controlar o sangramento realizando compressão direta somente, ou 
compressão direta somada à elevação do membro. 
- prevenir possível contaminação utilizando material esterilizado, roupa 
limpa ou lenço limpo para cobrir a ferida.
- manter o paciente deitado e tranquilo, pois qualquer movimentação do 
paciente aumenta a circulação sanguínea, então essa posição é a ideal.
TÓPICO 1 | PRIMEIROS SOCORROS EM LESÕES ESPORTIVAS
171
4.4 FATORES QUE INTERFEREM NO PROCESSO DE 
CICATRIZAÇÃO
Quando ocorre lesão da pele por algum objeto ou pressão, inicia-se 
imediatamente o processo fisiológico conhecido como cicatrização, com o objetivo 
de reconstituir o tecido.
Conforme Cunha (2006), a cicatrização do tecido pode sofrer interferência 
de vários fatores, sendo que a nutrição é um fator de grande relevância, pois um 
indivíduo debilitado ou enfraquecido, torna sua cicatrização mais lenta.
Segundo Bergeron (2007), há alguns fatores que influenciam o processo 
de cicatrização de forma extrínseca, (são fatores ligados ao indivíduo acidentado) 
e intrínseca (fatores ligados à ferida).
Podemos relacionar aos fatores extrínsecos a idade, pois quanto mais 
velho mais lenta é a cicatrização; alimentação, pois indivíduos malnutridos torna 
a cicatrização mais lenta; condição imunológica, pois imunidade baixa dificulta 
a cicatrização; diabetes que diminui a oxigenação do tecido e consequentemente 
retarda a cicatrização; tabagismo que induz à isquemia (apodrecimento) do 
tecido e, por conseguinte retarda e dificulta a cicatrização, entre outros elementos 
(BERGERON, 2007).
Como exemplo de fatores intrínsecos, podemos citar: o local da ferida 
(articulações dificultam a cicatrização em função da mobilidade do local), ferida 
que sofreu infecção (cicatrização é bem lenta), tensão na ferida podem dificultar a 
cicatrização, pois quando o indivíduo tosse, vomita e realiza algum esforço físico, 
acaba rompendo células epiteliais (HAFFEN, 2002).
A extensão da lesão também pode ser um fator diretamente proporcional 
à cicatrização, pois quando o ferimento é pequeno, a cicatrização é rápida, em 
função de ter uma quantidade mínima de tecido para se regenerar. Uma lesão 
maior, demora mais para a pele se regenerar, além disso, é necessária ajuda através 
de recursos terapêuticos como: medicamentos, troca de curativos, melhoria da 
ingesta nutricional, para ajudar na cicatrização.
Além dos fatores acima descritos, Zin (2007) cita outros destaques que 
podem contribuir na demora da cicatrização, como: profundidade da ferida, 
necrose do tecido, doenças crônicas associadas, uso de determinados antibióticos 
e anti-inflamatório, entre outros.
172
Chegamos ao final deste tópico de estudos e agora você já é capaz de 
compreender:
• Conceitos de fraturas.
• A distinção do que é fratura aberta e fratura fechada.
• Os cuidados que se deve ter com a vítima que sofreu fratura.
• A definição de hemorragia.
• Os cuidados que você deve ter quando se depara com uma vítima que está com 
hemorragia.
• A identificação dos tipos de hemorragia.
• Os cuidados importantes com o uso de torniquetes na vítima com hemorragia.
RESUMO DO TÓPICO 1
173
1 Você estudou vários conceitos de fratura, agora dê a definição que mais lhe 
chamou atenção.
2 Cite os dois tipos de classificação das fraturas e explique cada um deles.
3 Cite pelo menos três sinais que podem evidenciar uma fratura.
4 Em que momento pode ser realizado torniquete na vítima?
5 Dê uma definição para ferida.
AUTOATIVIDADE
174
175
TÓPICO 2
PRIMEIROS SOCORROS EM INCIDENTES EMERGENCIAIS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
A atividade física vem sendo cada vez mais estimulada, pois vivemos 
numa época que além do perfeito corpo físico, buscamos uma perfeita saúde, 
casando atividade física com qualidade de vida, formando um binômio perfeito.
O aumento da prática esportiva tem acarretado alta incidência de lesões 
musculoesqueléticas, dessa forma, a fim de prevenir os acidentes, utilizam-
se várias práticas para amenizar o sofrimento do indivíduo e até mesmo para 
acelerar sua recuperação. Queremos chamar a atenção nesta unidade, para um 
desses suportes, que são as bandagens e curativos. 
É de suma importância que o professor de educação física tenha 
conhecimento em primeiros socorros, permitindo o socorro imediato à vítima, 
objetivando a continuidade do processo de saúde, como também a prevenção de 
complicações em função da lesão.
Apesar de o esporte estar ligado diretamente à saúde, as lesões esportivas 
são bem frequentes, pois é praticamente impossível dizer que o esportista, atleta 
ou praticante de atividade física, nunca sofrerá algum tipo de lesão, entretanto, 
o atleta está mais sujeito a elas, em função de executar o treino com intensidade 
e frequência.
O objetivo desta unidade é saber como socorrer atletas, crianças, adultos, 
idosos, ou praticantes de atividade física, a fim de oferecer socorro adequado 
em tempo ideal, enquanto se aguarda o atendimento para encaminhamento da 
vítima ao hospital.
Nesta unidade, estudaremos as bandagens, curativos, queimaduras e 
choque elétrico, pois é necessário saber como atuar diante de um choque elétrico, 
para que você não seja vítima, junto com a pessoaque está sofrendo a descarga 
elétrica.
Agora pense, se você presenciar um aluno fazendo educação física e de 
repente ele começar a gritar pois sofreu uma queimadura no braço em função de 
uma lagarta tóxica, o que você faria? Aplicaria creme dental ou manteiga? Essa 
resposta você encontrará no decorrer desta unidade, mas já podemos adiantar 
que nenhum dos dois produtos deve ser aplicado.
Vamos lá, foco nos estudos!
176
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
2 CURATIVO E BANDAGEM
2.1 CONCEITO E MODO DE APLICAÇÃO
O curativo é considerado qualquer material (de preferência esterilizado) 
colocado sobre um ferimento que ajuda a controlar o sangramento e prevenir a 
contaminação. Já a bandagem é qualquer material usado para fixar o curativo no 
lugar. (BERGERON, et al. 2007).
Sempre que possível os curativos devem ser esterilizados, isto significa 
que devem estar isentos de todos os microrganismos, incluindo os esporulados. 
O material dos curativos não é fibroso, assim as partículas não aderem aso 
ferimentos. Curativos comercialmente preparados contêm gazes limpas e 
usualmente esterilizadas. (BERGERON, et al. 2007).
Conforme Santos (2014), curativo é qualquer material usado para cobrir 
uma ferida que ajudará a controlar o sangramento e prevenir a contaminação. Já 
a bandagem é qualquer material usado para fixar o curativo no lugar.
Claro que o socorrista na hora do acidente, não terá disponível o tipo de 
curativo ideal, portanto, terá que improvisar com lenços, toalhas, lençóis, peças de 
roupas limpas ou outros materiais similares. Quando você improvisa o curativo, 
ele não estará esterilizado, mas poderá ser usado com segurança para prestar 
o cuidado adequado à vítima, pois o ferimento é contaminado no momento do 
acidente, dessa forma, terá que ser evitado a contaminação adicional.
A utilidade para as bandagens e curativos são diversas, elas podem 
prender curativos, fazer compressão e conter uma hemorragia, imobilizar uma 
região ou limitar seus movimentos no caso de lesões ósseas e articulares.
Fernandes (2012) relata que os curativos possuem várias finalidades, mas 
primordialmente eles impedem que os ferimentos infeccionem e também ajudam 
na aplicação de medicamentos. Podem ser de três tipos: secos, compressivos e 
úmidos.
UNI
A bandagem não deve ficar frouxa nem apertada demais. Os sinais que indicam 
compressão excessiva são: palidez, pele fria, formigamento, perda da sensibilidade, dor e 
inchaço.
TÓPICO 2 | PRIMEIROS SOCORROS EM INCIDENTES EMERGENCIAIS
177
Conforme Santos (2014), para aplicação de uma bandagem, é necessário 
seguir alguns critérios, pois ela não pode ser colocada de maneira aleatória, assim, 
devem-se observar os cuidados conforme descrito a seguir:
• Antes de iniciar o procedimento, deve-se explicar à vítima o que será 
feito.
• O socorrista deve se posicionar na frente da vítima e colocar a bandagem 
de maneira que o rolinho abra para cima.
• Analisar o tamanho do membro em que será realizada a bandagem, a 
fim de escolher a largura adequada.
• Segurar a extremidade da bandagem com a mão esquerda, enquanto 
que a direita segura o rolo.
• Desenrolar a atadura de acordo com a necessidade.
• Todas as voltas devem ser realizadas pelo caminho mais curto, a fim de 
evitar que ela se desenrole.
• Ao término do procedimento, a atadura não poderá ser aplicada em 
parte do corpo que se estreita, a fim de que ela sofra afrouxamento.
• Quando for necessário retirar a bandagem, verificar se ela aderiu à pele, 
pois caso aconteça, deve-se umedecer com soro fisiológico aquecido, para evitar 
que a pele sofra lesões.
• Ao retirar a bandagem, é necessário fazer com cautela e de maneira 
devagar, enrolando-a gradativamente.
2.2 CUIDADOS PARA CURATIVOS E BANDAGENS
Já vimos alguns conceitos para curativos, bandagens e para que eles 
servem, agora vamos estudar algumas peculiaridades sobre elas. As bandagens 
que mais são usadas, são as triangulares e as em rolo.
A bandagem triangular não é asséptica, portanto, não é livre de 
microrganismos patogênicos, dessa forma, não poderá ser usada em ferimentos 
abertos. Antes de utilizá-la, deve-se colocar gaze ou compressa cirúrgica em cima 
do ferimento, pois ela tem o objetivo de proteger o ferimento.
178
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
PONTA PONTABASE
VÉRTICE
FIGURA 57 - DOBRADURA DA BANDAGEM TRIANGULAR
FONTE: Disponível em: <http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/
manuais/biosseguranca/manualdeprimeirossocorros.pdf >. Acesso 
em: 25 mar. 2016.
É importante que a base da bandagem tenha em torno de um metro 
e a altura em torno de 60 cm, apesar de ter a opção de compra ou até mesmo 
improvisada sob vários tamanhos. Ela pode ser usada em ferimentos na cabeça, 
braço, mão, joelho, pé e tórax (BRASIL, 2003).
FIGURA 58 – EXEMPLO DE BANDAGEM DE JOELHO
FONTE: Disponível em: <http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/manuais/biosseguranca/
manualdeprimeirossocorros.pdf >. Acesso em: 25 mar. 2016.
TÓPICO 2 | PRIMEIROS SOCORROS EM INCIDENTES EMERGENCIAIS
179
A bandagem deve ser utilizada com cautela, ou seja, não pode ser aplicada 
com pressão, pois poderá haver edema, levando à má circulação local. Caso haja, 
inchaço, palidez, formigamento, dormência e pele fria, são sinais que a bandagem 
está colocada incorretamente, devendo ser, tirada e colocada novamente (BRASIL, 
2003).
É importante verificar o local aonde será aplicada a bandagem, pois não 
poderá permanecer sobre o ferimento e sempre deverá ter o tamanho maior do 
que a lesão do machucado.
Conforme Santos (2014), é importante atentar para alguns cuidados gerais 
sobre os curativos e bandagens como:
- as bandagens não podem ser muito apertadas nem muito folgadas, a fim 
de que o curativo não se mova ou deslize sobre o ferimento;
- não cobrir as extremidades dos dedos, com objetivo de verificar a 
perfusão capilar;
- caso o curativo fique manchado de sangue, deve-se aplicar novos 
curativos sobre as que estão embebidas em sangue, sem removê-las;
- quando for aplicar a bandagem, a articulação não pode ser dobrada, 
para evitar o bloqueio da circulação.
Existe ainda um tipo de bandagem que serve para oferecer proteção 
terapêutica, estamos falando de uma bandagem que aproxima as bordas, a fim 
de promover hemostasia e junção dos tecidos.
FIGURA 59 – BANDAGEM QUE APROXIMA AS BORDAS DO FERIMENTO
FONTE: Disponível em: <http://aulasobresaude.blogspot.com.
br/2013/09/tipos-de-enfaixamento-e-bandagens.html>. Acesso em: 25 
mar. 2016.
Dobre o esparadrapo e 
corte suas bordas
Bandagem borboleta
A bandagem aproxima as bordas 
do ferimento, segurando-as
180
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
2.3 TIPOS DE FERIMENTOS E CURATIVOS
Conforme Santos (2014), veremos alguns exemplos de ferimentos e 
dependendo do local do acidente, os procedimentos diferem com relação aos 
cuidados, acompanhe a seguir:
- ferimentos no couro cabeludo: esta região é bem vascularizada, portanto, 
sangra muito. Caso haja fraturas de crânio, deve ser usado curativo oclusivo (sem 
pressão).
- ferimentos na face: é importante manter as vias aéreas permeáveis e 
controlar a hemorragia.
- ferimento nos olhos: não deve ser aplicado curativo compressivo, se 
houver algum objeto no globo ocular não deve ser removido, não recoloque 
o globo ocular no lugar e não abra os olhos da vítima caso haja queimaduras. 
Chame o socorro móvel com urgência.
- ferimento da orelha: se houver sangramento pelo ouvido, deixe o sangue 
fluir e nunca feche os ouvidos com o objetivo de estancar o sangue.
- ferimento no nariz: as vias aéreas devem estar permeáveis, sendo que o 
sangramento deve ser controlado, apertando firmemente a narina, somente faça 
esse procedimento quando não houver fraturas.
Apesarde já termos falado sobre curativos, vale lembrar que são técnicas 
realizadas para limpeza e colocação de uma cobertura estéril em uma ferida, 
com a finalidade de promover a hemostasia, cicatrização, bem como, prevenir 
contaminação e infecção. 
3 QUEIMADURAS
3.1 CONCEITO
Conforme Fernandes (2012), as queimaduras representam uma forma 
de trauma facilmente encontrada, envolvendo principalmente crianças, mas 
também jovens, adultos e idosos. As lesões podem ser produzidas por agentes 
físicos como: fogo, vapor, eletricidade, gelo, sol e também por agentes químicos 
como ácidos e solução básicas (soda cáustica).
Segundo Canetti (2007), a maior parte das queimaduras acontece nas 
residências, mas consideradas de pequena gravidade. Somente 3% a 5% dos casos 
são graves, sendo que elas têm o potencial de desfigurar o corpo, incapacitando 
o indivíduo temporariamente ou permanentemente, além de causar a morte da 
vítima.
TÓPICO 2 | PRIMEIROS SOCORROS EM INCIDENTES EMERGENCIAIS
181
2.3 TIPOS DE FERIMENTOS E CURATIVOS Para Santos (2014), queimadura é uma lesão produzida no tecido de 
revestimento do organismo por agentes térmicos, químicos, eletricidade, radiação 
e outros.
A origem elétrica é resultado do contato com a eletricidade de alta ou baixa 
voltagem. O dano é ocasionado pela produção de calor à medida que a corrente 
elétrica atravessa o corpo. São lesões difíceis de serem avaliadas e mesmo aquelas 
que parecem superficiais, podem causar danos profundos aos músculos, nervos 
e vasos. (CANETTI et al., 2007)
A pele é basicamente uma estrutura de duas camadas, consistindo em uma 
epiderme externa e uma derme interna. Abaixo da derme está o tecido celular 
subcutâneo, abaixo do qual se encontram os músculos e ossos (SANTOS, 2014).
FIGURA 60 – REPRESENTAÇÃO DAS CAMADAS DA PELE
FONTE: Disponível em: <alunosonline.uol.com.br >. Acesso em: 25 mar. 2016.
Conforme Zin (2007), cada parte do organismo possui uma função 
específica, como a pele que serve para proteger o organismo de bactérias, 
atuando como se fosse uma parede, faz o controle da temperatura e também 
retém os líquidos. Qualquer lesão que interrompa o bom funcionamento desses 
mecanismos, acaba acarretando graves sinais ao organismo.
UNI
Você sabe qual é o maior órgão do corpo humano? Incrivelmente, mas a 
resposta correta é a pele.
182
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
Canetti (2007) complementa dizendo que os pacientes com queimaduras 
extensas têm a tendência de perder líquido corporal, temperatura e ainda se 
tornam mais propensos para adquirir infecções.
As queimaduras podem causar lesões em várias partes do corpo como: 
músculos, vasos, nervos, ossos, olhos, pele, estruturas do sistema respiratório, 
entre outros, causando dano estético e emocional as vítimas.
3.2 CLASSIFICAÇÃO
A queimadura pode atingir várias profundidades, dependendo da 
substância que a causou e o tempo em que a vítima ficou exposta. Qualquer 
queimadura pode causar grandes complicações, portanto, deve-se oferecer um 
cuidado especial com esse tipo de trauma.
Quando a queimadura atinge apenas a pele, dizemos que é uma 
queimadura superficial, ou seja, de primeiro grau, ocasionando vermelhidão, dor 
e inchaço (CANETTI et al., 2007).
Para Barbiere (2002), de acordo com as camadas da pele que são afetadas, 
as queimaduras são classificadas em 1º, 2º e 3º graus, sendo que as de 3º grau são 
as mais profundas e graves. As lesões não são uniformes, existem em geral, vários 
graus de profundidade em uma mesma área. 
O tratamento inadequado, sem os devidos cuidados, ou até mesmo sem 
nenhum tipo de proteção, pode causar a conversão de uma queimadura de 
segundo grau em uma queimadura de terceiro grau.
Conforme Barbiere (2002), as queimaduras de terceiro grau, destroem a 
epiderme, a derme, as porções teciduais subcutâneas e possivelmente os tecidos 
muscular e ósseo.
Nesse tipo de queimadura, a cicatrização não deixa os pelos crescerem 
novamente, resultando isquemia (falta de oxigenação), necrose (apodrecimento), 
escara (ferida) e perda da sensação de dor e da diferenciação de temperatura 
(BARBIERE, 2002).
Para Santos (2014) a queimadura de segundo grau atinge a epiderme e a 
derme, caracterizando dor no local, vermelhidão e aparecimento de bolhas.
Santos (2014) ainda acrescenta mais um grau na classificação das 
queimaduras, para ele existe a queimadura de quarto grau, sendo que nesse tipo 
de queimadura, as lesões são mais profundas e geralmente ocorre carbonização, 
além de todas as camadas da pele serem destruídas, existindo comprometimento 
no tecido muscular, adiposo e ósseo, podendo atingir também órgãos internos, 
implicando uma incapacidade funcional da região acometida.
TÓPICO 2 | PRIMEIROS SOCORROS EM INCIDENTES EMERGENCIAIS
183
FIGURA 61 – REPRESENTAÇÃO QUANTO AO TIPO DE QUEIMADURA
FONTE: Disponível em: <www.saudedicas.com.br>. Acesso em: 20 mar. 2016.
3.3 EXTENSÃO DA LESÃO
Para Neto et al. (2002) a classificação para extensão da lesão divide-se em:
• Leves: são aquelas de 1º e 2º graus, afetando pequenas extensões do 
corpo (menos de 10%) e que correspondem à maioria absoluta dos acidentes 
desse tipo.
• Moderadas: são aquelas de 1º grau extensas e de 2º de média extensão.
• Graves: são todas as de 3º grau e as de 2º grau que envolvem face, 
pescoço tórax, mãos, pés, virilha e articulações, além das queimaduras extensas 
de 2ºgrau. 
Conforme Santos (2014), a extensão da área queimada é estimada através 
da porcentagem da área da superfície corporal atingida. Nesse caso, é aplicado 
o método da regra dos nove, que parte do princípio que as grandes regiões do 
corpo do adulto representam 9% da área de superfície corporal total, sendo o 
períneo correspondente a 1% e nas crianças as grandes regiões representam 18% 
de área de superfície corporal.
Segundo Neto et al. (2002), a regra dos nove, mede a percentagem do 
corpo em múltiplos de nove. A avaliação é feita na chegada hospital e é revisada 
no segundo e terceiro dia, após a queimadura tornar-se estável e mais clara. 
Vejamos a seguir o percentual para cada parte do corpo:
• Adulto
- cabeça: 9% 
- tronco: 36% região anterior 18% e posterior 18%.
- membro superior: 9%, região anterior 4,5% e posterior 4,5%.
- membro inferior: 18%, região anterior 9% e posterior 9%.
184
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
• Criança 
- cabeça: 18%.
- tronco: 36%, região anterior 18% e posterior 18%.
- membro superior: 9%, região anterior 4,5% e posterior 4,5%.
- membro inferior: 14%, região anterior 7% e posterior 7%.
FIGURA 62 – EXEMPLIFICAÇÃO DA “REGRA DOS NOVE”
FONTE: Disponível em: <ebah.com.br>. Acesso em: 26 mar. 2016.
Bergeron et al. (2007), aduz que se pode calcular a extensão da queimadura 
em um paciente adulto pelo uso da “regra dos nove”, pois esse método divide a 
área da superfície do corpo em porcentagens que, quando totalizadas, chegam a 
100%.
A importância de aplicar a “regra dos nove” é para calcular a extensão da 
queimadura e decidir o tipo de tratamento, é importante saber que a extensão da 
área queimada é muitas vezes, mais importante do que a profundidade da lesão 
para determinar a gravidade (BERGERON et al., 2007).
TÓPICO 2 | PRIMEIROS SOCORROS EM INCIDENTES EMERGENCIAIS
185
3.4 COMO PRESTAR SOCORRO
Para Bergeron et al. (2007) o socorrista deverá analisar o percentual da área 
corporal lesada utilizando a “regra dos nove”, que permite estimular a superfície 
corporal total queimada e proporcionar atendimento adequado.
Deve-se resfriar a parte queimada com água limpa, se possível imergi-
la na água corrente ou se a queimadura for produzida por produtos químicos, 
então é necessário retirar imediatamente as roupas impregnadas pela substância, 
tomando o cuidado de proteger-se para não se queimar (BERGERON,et al., 2007).
Como já vimos, as queimaduras podem causar infecção e estado de 
choque, pela perda de líquidos corporais. Se a vítima sentir sede, o socorrista 
pode dar-lhe água, desde que a vítima esteja consciente, para evitar afogamento.
É absolutamente proibido a aplicação sobre queimaduras de qualquer 
substância como: pasta de dente, pasta d’água, pomadas, cremes etc, a não ser 
que seja curativo estéril (NETO et al., 2002).
Para Neto et al. (2002), quem presta socorro não deve furar as bolhas, não 
pode retirar roupas queimadas presas à pele e nem submeter o membro na água 
caso as bolhas estejam estouradas. Deve-se cobrir a área com um pano limpo e 
encaminhar a vítima ao hospital, a fim de receber atendimento adequado.
Conforme Neto (2002), dependendo da queimadura, existe uma forma 
diferente de intervenção, conforme veremos a seguir:
• Queimadura térmica:
- apagar as chamas com um cobertor ou rolar a vítima no chão;
- resfriar a região queimada com água corrente por 15 minutos (nunca 
colocar a vítima em lagoas ou águas paradas, o objetivo é de evitar infecção);
- jamais estourar as bolhas;
- cobrir a área queimada com gaze ou panos limpos, umedecendo com 
soro fisiológico até o socorro médico chegar;
- não oferecer medicamentos e nem alimentos;
- não usar gelo, spray, óleo, banha, pasta de dente, pomadas ou manteiga 
sobre a área queimada.
Santos (2014) também concorda com os demais autores, que para cada 
tipo de queimadura, existe um cuidado diferente, conforme descrito abaixo:
• Queimadura química
- quem socorre deve utilizar equipamento de proteção individual (EPI);
- lavar a região com água corrente durante 15 minutos;
- remover roupas se não estiverem aderidas (grudadas) na pele;
- não furar as bolhas;
- tentar a identificação do agente químico;
- esperar ajuda médica.
186
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
• Queimadura nos olhos
- lavar os olhos com água corrente durante 15 minutos;
- levar a vítima rapidamente ao hospital;
- cobrir os dois olhos com gazes umedecidas, mesmo que somente um 
olho tenha sido atingido.
4 CHOQUE ELÉTRICO
4.1 INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE ELETRICIDADE
Para Santos (2014), a eletricidade é a energia que pode fluir sob a forma de 
corrente elétrica entre dois pontos; nos condutores esta corrente flui com maior 
facilidade como água, metais e seres vivos.
Canetti (2007), avisa que com eletricidade devemos ter sempre o máximo 
de cuidado, pensando no perigo e nunca tentando experimentar para ver se está 
dando choque ou não.
Para Canetti (2007) a energia elétrica que existe nas residências, escolas, 
empresas, clínicas, academias é a de corrente alternada e existe as correntes de 
110 e 220 volts, adotadas pelos Estados da Federação.
Bergeron et al. (2007) exemplifica que nos casos de corrente de 220V, 
significa que ela passa 200 vezes por segundo no fio do condutor, por esse motivo, 
quando alguém leva choque, sente uma sensação de formigamento, em face de a 
velocidade ser muito rápida.
A ABRACOPEL (2014) que significa Associação Brasileira de 
Conscientização para os Perigos da Eletricidade, é uma entidade que trabalha 
com a prevenção de eletricidade, divulgou dados de acidentes com eletricidade 
ocorridos em 2013. O número foi de 592 mortes, portanto, uma média de dois 
óbitos por dia. Além das mortes, a quantidade de pessoas que receberam choques 
elétricos e que deixaram sequelas, foi de 173 casos, totalizando 765 ocorrências de 
descarga elétrica.
A faixa etária entre 21 a 30 anos de idade, é a maior incidência de morte 
por choque elétrico no Brasil, mas infelizmente, muitas crianças na faixa de 0 a 10 
anos morrem devido a acidentes com eletricidade e adolescentes de 11 a 15 anos. 
(ABRACOPEL, 2014).
TÓPICO 2 | PRIMEIROS SOCORROS EM INCIDENTES EMERGENCIAIS
187
4 CHOQUE ELÉTRICO
4.1 INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE ELETRICIDADE
4.2 EFEITOS NO ORGANISMO
Santos (2014) refere que os efeitos da corrente elétrica sobre o organismo, 
pode causar danos leves aos mais graves e divide em três categorias prejudiciais:
- queimaduras: observa-se em geral pontos de entrada e saída da corrente 
elétrica, podendo haver lesão de tecidos, especialmente músculos e vasos.
- lesão no coração: resulta na alteração do ritmo cardíaco, ocasionando 
aumento da frequência.
- lesões associadas: fraturas devido a espasmos musculares e arremessos 
das vítimas.
Neto (2002) também informa que os choques elétricos causam muitos 
prejuízos ao organismo, provocando alterações no funcionamento dos sistemas 
corporais, levando à parada cardíaca e morte.
Em queimaduras elétricas observam-se dois pontos ou áreas diferenciadas, 
sendo uma de entrada, em que aparece uma queimadura profunda e pouco 
extensa em forma de buraco e outra de saída, sem forma definida e com aspecto 
de explosão. Toda a área e órgãos subjacentes ao trajeto podem estar queimados 
e devem ser avaliados sempre (NETO, 2002).
Para INBEP (2015), as causas mais frequentes de a vítima ser acometida 
por choque elétrico são:
• Efeitos negativos aos tecidos nervosos: quando uma pessoa leva 
um choque elétrico, o corpo recebe uma alta descarga elétrica, ocasionando 
queimaduras graves e danos aos tecidos nervosos e sistema respiratório. 
Além desses sintomas, pode ocorrer contratura muscular, desmaios e parada 
respiratória.
• Alterações na frequência cardíaca: o coração recebe uma sobrecarga 
elétrica com a descarga, causando uma desorganização no batimento cardíaco, 
podendo ocorrer aceleração ou desaceleração acentuada, chegando até a uma 
arritmia ou parada cardíaca.
• Queimaduras graves: pode acontecer de o organismo sofrer desde 
queimaduras superficiais e até as mais graves, como a carbonização da derme.
• Efeitos psicológicos: quando o sujeito recebe uma descarga elétrica, ela 
atravessa o cérebro, resultando na perda da memória, irritabilidade, alterações do 
sono e até alterações de comportamento.
188
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
Fernandes (2012), ainda complementa com outros sintomas para o 
recebimento de descarga elétrica como: hemorragias internas, luxações e fraturas, 
pelo fato de a vítima ser arremessada a distância pelo impacto da corrente.
4.3 COMO SOCORRER
O acidente com choque elétrico é um dos acidentes mais graves que uma 
pessoa pode sofrer, pois pode ter lesões causadas diretamente pela passagem 
da corrente elétrica. Para isso, é fundamental agir corretamente utilizando os 
procedimentos de primeiros socorros.
Causas de morte por descarga elétrica são frequentes, portanto, chamamos 
de eletrocussão para esse tipo de sinistro. Podem acontecer também convulsões, 
perda dos sentidos prolongada ou não, e queimaduras, portanto, deve-se ter 
cuidado na hora de socorrer a vítima, pois tocá-la, pode ser mortal.
UNI
Em caso de choque elétrico, interrompa rapidamente a fonte de energia, antes 
de tocar na pessoa. Não seja você a próxima vítima!
Para Junior e Sarquis (2004) deve-se ter alguns cuidados para socorrer a 
vítima que sofreu choque elétrico:
- interromper o circuito, se a vítima estiver presa à corrente elétrica;
- a pessoa que irá socorrer deverá ficar sobre uma tábua seca, cadeira de 
madeira, papéis, borracha, roupas secas ou cordas secas;
FIGURA 63 - REPRESENTAÇÃO DE COMO SOCORRER UMA 
VÍTIMA QUE SOFREU CHOQUE ELÉTRICO
FONTE: Disponível em: <revistavivasaude.uol.com.br>. Acesso 
em: 26 maar. 2016.
TÓPICO 2 | PRIMEIROS SOCORROS EM INCIDENTES EMERGENCIAIS
189
- separe a vítima com um pau comprido e seco, passando por baixo da 
vítima ou do fio;
FIGURA 64 - REPRESENTAÇÃO DA ATUAÇÃO DE UM 
SOCORRISTA, DIANTE DE UMA VÍTIMA QUE ESTÁ RECEBENDO 
CHOQUE ELÉTRICO
FONTE: Disponível em: <revistavivasaude.uol.com.br>. Acesso 
em: 26 mar. 2016.
- deixe a vítima com a cabeça mais baixa que o corpo;- verificar sinais vitais;
- proceder à reanimação caso não tenha respiração e nem pulso;
- mantenha a vítima em repouso;
- encaminhar a vítima para o hospital.
Cuidar com choque elétrico vale para qualquer pessoa, as crianças são 
alvo fácil em escolas, por esse motivo, adotar um sistema de segurança para 
as tomadas é importante. Com relação às academias, clubes e universidades, é 
necessário evitar contato com eletricidade, pois haverá um técnico responsável 
para esse serviço.
A demora em prestar socorro poderá acarretar sérios problemas ao 
indivíduo, podemos pensar que a pessoa que leva um choque pode ficar presa 
à corrente elétrica, portanto, saber atuar imediatamente é importante para 
a sobrevida da vítima e a continuidade da vida de quem a atende, pois, um 
atendimento equivocado pode levar a óbito de ambas as pessoas.
190
Que ótimo você ter chegado até aqui com empenho e determinação, 
dessa forma, ao final deste tópico de estudos, você é capaz de compreender:
• O conceito de curativo e bandagem.
• Quais são os cuidados para aplicação da bandagem.
• Quais são os tipos de curativo para cada ferimento.
• A identificação das camadas da pele.
• A classificação das queimaduras.
• A atuação correta com a vítima que sofreu queimadura.
• Quais são os efeitos que o choque elétrico pode causar no organismo.
RESUMO DO TÓPICO 2
191
AUTOATIVIDADE
1 Explique a diferença entre curativo e bandagem.
 
2 Qual é o principal cuidado que se deve ter com a bandagem?
3 Cite e explique a classificação das queimaduras.
4 Qual é o nome do método, que é utilizado para calcular a extensão da 
queimadura em um paciente adulto?
5 Cite quatro efeitos que o choque elétrico pode causar no organismo da 
vítima.
192
193
TÓPICO 3
EMERGÊNCIAS NO AMBIENTE EXTRA HOSPITALAR
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Você, futuro professor de educação física, deve saber que no seu dia a dia, 
não encontrará somente acidentes voltados às fraturas, luxações e escoriações, 
mas irá se deparar com outros tipos de acidentes, que são tão graves quanto 
determinados incidentes que habitualmente acontecem.
Esses acidentes que acontecem intencionalmente, ou que são negligenciados 
porque não caracterizam gravidade, podem ser tão fatais quanto aqueles que são 
de risco imediato. Você nessas alturas, já consegue compreender que um bom 
atendimento com agilidade e segurança, são essenciais para o sucesso de quem 
está em perigo de vida.
Sabemos que os acidentes não acontecem quando queremos, muito pelo 
contrário, eles são inerentes à nossa vontade. É bom quebrar o tabu que todo 
acidente é grave, pois nem sempre implicará lesões à vítima. 
As modalidades que exigem uma necessidade física maior do aparelho 
cardiovascular devem ser cuidadosamente observadas, principalmente no que 
diz respeito aos sinais e sintomas de possíveis complicações.
Assim, sabendo que o professor de educação física necessita de 
conhecimentos técnico-científicos, para oferecer atendimento de emergência, 
em virtude de manifestações ocorridas durante a prática, vamos estudar alguns 
acidentes que devem ser dados atenção máxima quando ocorrem, por outro lado, 
alguns deles podem ser evitados, como veremos a seguir.
Vamos em busca do conhecimento, prezado(a) acadêmico(a), pois só 
crescemos quando encontramos essência de vida, perfume para exalar e com 
esse odor, podemos fazer a diferença para muitas pessoas, através do nosso 
conhecimento. Você, futuro profissional, terá na bagagem, competência e 
capacidade para atuar brilhantemente, ensinando, ajudando e conduzindo seus 
alunos para a construção do saber.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
194
2 OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS
2.1 CONCEITO E SINAIS DE ASFIXIA
Pense na seguinte situação, um grupo de jovens está jogando futebol e em 
meio às substituições, um dos jogadores corre para fora do campo em pânico e 
segurando a garganta, o que você acha que está acontecendo?
Segurar a mão na garganta é um sinal universal de asfixia, indicando que 
existe algo de errado e que alguém precisa prestar os primeiros socorros e se 
necessário, o atendimento de urgência móvel deve ser contatado.
A respiração é uma das funções vitais à vida, é através dela que o organismo 
recebe oxigênio, suprimento essencial ao corpo, fazendo a manutenção da vida 
do indivíduo.
Segundo Neto (2002), a obstrução das vias aéreas superiores, por corpos 
estranhos como: insetos, grãos, sementes ou demais objetos, é uma das causas de 
morte em adultos e especialmente em crianças. Afinal de contas, você já deve ter 
ouvido que determinada criança foi cheirar feijão ou arroz e os grãos pararam 
dentro do nariz.
A obstrução é conhecida por engasgamento ou sufocamento e pode ser 
classificada em obstrução total ou parcial das vias aéreas, provocada pela presença 
de um corpo estranho. A atuação de um socorrista é de fundamental importância 
para a continuidade da vida de quem está sofrendo o mal súbito (NETO, 2002).
Junior e Sarquis (2004) diferenciam a obstrução total da obstrução parcial, 
na primeira situação, a vítima não consegue tossir, falar ou respirar, aparecendo 
palidez na boca e nos dedos e ausência dos movimentos torácicos. Já na obstrução 
parcial, pode aparecer desconforto respiratório, associado à tosse, náusea ou 
chiado.
2.2 COMO SOCORRER
Já percebemos que o engasgamento gera asfixia, que pode levar o 
indivíduo a óbito, pois se a obstrução for total, impedirá a entrada de oxigênio, 
sendo fatal à vítima, por isso, o socorro deve ser imediato.
Junior e Sarquis (2004) corroboram nesse sentido, quando afirmam que 
na obstrução total a vítima não consegue se comunicar, gerando à pele uma cor 
cinza azulada e se o atendimento não for imediato, a vítima morrerá.
Conforme Flegel (2010), assim que for identificado que a vítima está 
asfixiada, deve-se prestar atendimento rapidamente, da seguinte forma:
TÓPICO 3 | EMERGÊNCIAS NO AMBIENTE EXTRA HOSPITALAR
195
• Pergunte se a pessoa está bem, mesmo se houver uma resposta positiva, 
verifique se ela está com dificuldade para respirar, pois pode estar com uma via 
aérea parcialmente obstruída.
• Incentive-a a tossir.
• Observe a vítima até que o objeto desobstrua as vias aéreas. Se a 
respiração não for restabelecida, deve-se fazer a manobra de Heimlich, que 
veremos a seguir.
• Se mesmo com todos esses cuidados, as vias aéreas não foram 
desobstruídas, é necessário encaminhar a vítima ao hospital.
DICAS
Não bata nas costas da vítima, se as vias aéreas estiverem parcialmente 
obstruídas, pois poderá deslocar o objeto e fazer com que este obstrua totalmente as vias 
aéreas.
Neto (2002), ainda, complementa algumas informações importantes na 
hora do atendimento à vítima, como:
• Realizar o posicionamento correto, de modo que aconteça uma leve 
inclinação da cabeça e elevação do queixo.
• Colocar uma das mãos na testa da vítima e aplicar pressão firme para 
trás, pendendo a cabeça contra o chão, essa manobra se chama hiperextensão.
• Deve-se realizar uma investigação rápida dentro da boca, para descobrir 
qual objeto está impedindo a passagem de ar, para então realizar a manobra de 
Heimlich.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
196
FIGURA 65 – REPRESENTAÇÃO DE HIPEREXTENSÃO DO 
PESCOÇO
FONTE: Disponível em: <www.lifesaers.com.br>. Acesso em: 10 
ago. 2018.
Flegel (2010) ainda alerta que se a vítima estiver inconsciente, ela deverá 
ser posicionada em decúbito dorsal, sobre uma superfície dura e firme, com as 
pernas estendidas, a cabeça não pode ficar mais alta que os pés, a fim de não 
prejudicar o fluxo sanguíneo cerebral.
Se o corpo estranho for localizado e o acesso for relativamente fácil para 
ser retirado, remova-o com o dedo indicador “em gancho”, caso o conteúdo sejalíquido, enrole gaze nos dedos indicador e médio. 
2.3 CAUSAS PARA OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS
Conforme Santos (2014), vários fatores podem causar obstrução das vias 
aéreas parcial ou total, como, por exemplo, quando a vítima cai desacordada, pois 
existe um relaxamento total da musculatura. Assim, a base da língua retrocede e 
bloqueia a passagem do ar. Este acontecimento é devido à posição flexionada da 
cabeça, por isso, jamais devemos colocar um travesseiro para apoiar a cabeça de 
uma pessoa inconsciente.
Para Flegel (2010) a epiglote também pode ser um motivo para a obstrução 
das vias aéreas, pois ela pode inchar por alguns motivos como: reação alérgica, 
inalação de gases aquecidos e inflamações, ocasionando asfixia total ou parcial.
Junior e Sarquis (2004) também relatam que corpos estranhos podem 
causar engasgamento, como exemplo podemos citar as substâncias líquidas, 
sólidas ou pastosas, dentes, próteses, entre outros.
Fernandes (2012) afirma que a obstrução por corpos estranhos pode 
provocar a perda de consciência e parada cardiopulmonar. Pesquisas indicam 
que o incidente é frequente durante as refeições, mas há outras causas como: 
saliva, bala e sangue, já em bebês é comum acontecer pelo leite regurgitado.
TÓPICO 3 | EMERGÊNCIAS NO AMBIENTE EXTRA HOSPITALAR
197
2.4 MANOBRA DE HEIMLICH
Talvez você já tenha ouvido que durante a asfixia, a vítima engoliu a 
língua. Entretanto, é impossível tal fato acontecer, por isso é proibido tracionar, 
puxar a língua com objetos como alicate, pinça ou com os próprios dedos, pois 
você poderá prejudicar ainda mais o quadro em que a vítima se encontra, além 
de ter seus dedos cortados, pela mordedura inconsciente que a vítima pode 
apresentar.
Quando a vítima está consciente e sem conseguir respirar, é necessário 
realizar técnicas de compressões abdominais, que conforme Santos (2014), surgiu 
na década de 70 e utiliza compressões para forçar o ar a sair dos pulmões e assim 
empurrar o objeto que está obstruindo a passagem do ar.
Conforme Santos (2014), para realizar esta manobra é necessário seguir a 
seguinte técnica:
- posicionar-se atrás da vítima;
- colocar o seu pé entre os pés da vítima;
- passar os braços por baixo das axilas da vítima e em volta da cintura, 
exatamente abaixo do umbigo;
- fechar a mão e colocar o indicador e o polegar sobre o umbigo da vítima;
- segurar a mão fechada com a outra mão;
- comprimir o abdômen com movimentos rápidos para trás e para cima, 
como se estivesse escrevendo a letra “J”.
FIGURA 66 – DEMONSTRAÇÃO DA MANOBRA DE HEIMLICH
FONTE: Disponível em: <www.mulpix.com>. Acesso em: 26 mar. 2016.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
198
Para Neto (2002), se a vítima conseguir falar ou tossir, a manobra de 
Heimlich necessita ser finalizada e imediatamente deve-se incentivar a vítima a 
tossir. Caso contrário, continue com as compressões, uma de cada vez, até que o 
objeto seja desalojado. 
No caso de vítimas obesas ou gestantes no último trimestre, a compressão 
deverá ser realizada no osso esterno, na mesma posição em que se realiza a 
ressuscitação cardiopulmonar, conforme indicado na figura a seguir. (NETO, 
2002).
FIGURA 67 – MANOBRA DE HEIMLICH EM GESTANTES
FONTE: Disponível em: <www.emaze.com>. Acesso em: 26 mar. 
2016.
Santos (2014) alerta que em bebês não deve ser feito esta manobra e sim 
aplicar cinco palmadas (compressões torácicas) nas costas, até que o bebê tussa ou 
retorne a consciência. Abra a boca da criança, visualize e tente remover qualquer 
objeto estranho se for possível.
FIGURA 68 – MANOBRA PARA DESOBSTRUÇÃO DAS VIAS 
AÉREAS EM BEBÊS
FONTE: Disponível em: <http://doutissima.com.br/2013/05/23/
o-que-fazer-em-caso-de-engasgamento>. Acesso em: 26 mar. 
2016.
TÓPICO 3 | EMERGÊNCIAS NO AMBIENTE EXTRA HOSPITALAR
199
3 DESMAIO
3.1 CONCEITO
Você estudante, que logo será um professor de educação física, fique 
atento aos alunos que estão fazendo alguma atividade física, pois em repouso 
podem se sentir bem, porém, durante ou após o exercício, podem sofrer de 
síncope do exercício.
Segundo Ribeiro (2002), desmaio é conhecido por síncope, é uma perda 
momentânea da consciência, que geralmente não dura mais que alguns minutos e 
que pode ser uma reação à dor, medo, exaustão, falta de alimentação, entretanto, 
o restabelecimento da vítima normalmente é rápido.
 
Para Santos (2014) desmaio consiste na perda transitória da consciência 
e do tônus muscular, fazendo com que a vítima caia, os sintomas acontecem em 
função da falta de oxigênio circulante no sangue. 
Conforme Fernandes (2012), o termo desmaio é conceituado como uma 
perda temporária e súbita da consciência, em consequência da diminuição de 
sangue, açúcar e oxigênio no cérebro, que faz com que a vítima caia.
Neto (2002) também concorda com as definições dos demais colegas no 
sentido de ser uma reação do sistema nervoso, que tem como resultado uma 
diminuição temporária do abastecimento de sangue ao cérebro e que pode ser 
desencadeado por fortes emoções.
 
Desmaio ainda pode ser conceituado como um mal-estar súbito, causado 
pela falta de oxigênio circulante no cérebro, ocasionando a queda da vítima. 
O desmaio normalmente ocorre de modo passageiro, mas, apesar de ser uma 
consequência da falta de oxigenação, sua causa deve ser investigada.
3.2 CAUSAS DO DESMAIO
Para Ribeiro (2002), uma das causas de desmaio pode ser em função de 
acidente de trânsito, pois o acidentado normalmente permanece tenso e muito 
nervoso durante a situação adversa e, dessa forma, pode haver um desmaio 
rápido e momentâneo.
Segundo Fernandes (2012), o motivo de uma pessoa desmaiar, pode estar 
relacionado com:
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
200
- emoções fortes;
- susto;
- cansaço;
- mudança brusca de posição;
- excesso de sol;
- ambientes fechados e quentes;
- falta de alimentação;
- acidentes;
- infarto do miocárdio.
Para Santos (2014) o desmaio pode ser causado por vários fatores, como 
subnutrição, cansaço físico e mental, exposição prolongada ao calor, estresse, 
privação do sono, queda da pressão arterial e permanência por longo período em 
pé. 
O desmaio ainda pode ser provocado por nervosismo, angústia e emoções 
fortes, além de ser proveniente de alguns tipos de doenças, situações estas que 
diminuem a oxigenação cerebral. (SANTOS, 2014)
A quantidade de sangue circulante também pode diminuir em função 
de desidratação, em decorrência de problemas como diarreia, vômito, sudorese, 
aumento do volume urinário, entre outros. Sendo que o desmaio causado pela 
micção (xixi) em excesso, é particularmente comum nos idosos.
3.3 SINAIS E SINTOMAS
Identificar que uma pessoa não está bem durante a atividade física não é 
tão difícil assim, normalmente, ela indica, refere ou dá indícios que tem alguma 
instabilidade no organismo, através de sinais e sintomas, os quais estudaremos 
a seguir.
Conforme Fernandes (2012), os sinais mais frequentes que antecedem ao 
desmaio são: fraqueza, falta de ar, zumbido nos ouvidos, náuseas, palidez, suor, 
frio, escurecimento da vista, falta de controle dos músculos e a posterior queda, 
com perda dos sentidos.
Santos (2014) também indica que há alguns sinais que podem ser observados 
atentamente, com o objetivo de auxiliar o indivíduo, que provavelmente terá uma 
síncope, eles são: tontura, vertigem, sensação de mal-estar, náuseas, pele fria, 
fraqueza e tremores.
Você poderá identificar se uma pessoa irá desmaiar, deve certificar-se 
dos seguintes sintomas: palidez, corpo amolecido, falta de força, frio e tontura. 
Geralmente quando a vítima apresenta esses sintomas será um sinal de aviso, 
sendo que a situação do desmaio poderá ser evitada, conforme veremos abaixo.
TÓPICO 3 | EMERGÊNCIAS NO AMBIENTE EXTRA HOSPITALAR201
3.4 COMO SOCORRER
Para Fernandes (2012), as medidas de socorro, caso as vítimas estejam 
prestes a desmaiar são:
- colocá-la sentada, com a cabeça baixa entre as coxas e pressioná-la para 
baixo;
- oferecer líquidos à vítima, se ela tiver condições de engolir;
- molhar a testa com água fria.
O desmaio não pode ser considerado apenas um evento simples e 
momentâneo, ele deve ser considerado um sinal de alguma causa patológica, que 
deve ser criteriosamente investigada por um médico.
FIGURA 69 – POSIÇÃO CORRETA PARA EVITAR DESMAIO 
FONTE: Disponível em: <https://www.ultracurioso.com.br/wp-
content/uploads/2015/06/sem-tc3adtulo.png>. Acesso em: 10 
ago. 2018.
Ainda para o mesmo autor, caso o socorrista perceba que a vítima esteja 
desmaiada, as medidas de ajuda devem ser:
- manter a vítima deitada, colocando sua cabeça e seus ombros em posição 
mais baixa do que o resto do corpo;
- afrouxar as roupas;
- manter a vítima aquecida;
- manter o ambiente arejado;
- encaminhá-la ao hospital.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
202
Conforme Santos (2014), para facilitar o retorno da circulação periférica 
mais rápido, a vítima deve ser mantida na posição deitada e sempre verificado se 
há algum objeto na boca que possa atrapalhar a respiração (bala, chiclete, prótese, 
entre outros), pois se houver, necessita ser retirado.
Jamais deve ser provocada a estimulação da vítima com odores como: 
álcool, éter, gasolina, acetona e perfume, pois se a pessoa for alérgica, poderá 
apresentar reações adversas, portanto, deve-se evitar estímulos dolorosos, como 
tapa ou beliscões (BERGERON et al., 2007).
Santos (2014) dispõe de algumas formas de socorrer a vítima que sofreu 
desmaio, oferecendo ajuda da seguinte maneira:
- mantenha a vítima em posição em decúbito dorsal ou com as pernas 
elevadas;
- libere as vias aéreas superiores;
- monitore os sinais vitais;
- mantenha o ambiente ventilado;
- afrouxe as roupas da vítima;
- não permita aglomeração de pessoas curiosas;
- hiperventile (sacuda um jornal ou uma revista, com objetivo de produzir 
vento).
FIGURA 70 – HIPERVENTILAÇÃO EM CASO DE DESMAIO
FONTE: Disponível em: <http://www.tuasaude.com/o-que-fazer-se-a-crianca-
desmaiar/>. Acesso em: 28 mar. 2016.
TÓPICO 3 | EMERGÊNCIAS NO AMBIENTE EXTRA HOSPITALAR
203
Agora que sabemos como ocorrem os desmaios e a maneira de atuar 
diante desse fato, podemos até impedir que a vítima caia, para evitar fraturas, 
escoriações e outros infortúnios, assim, o ideal é deixá-la em decúbito dorsal, ou 
de barriga para cima elevando as pernas, verificar os sinais vitais constantemente 
e se ela não acordar em alguns minutos, deve-se chamar o socorro.
4 INSOLAÇÃO
4.1 CONCEITO
Para Gonçalves (2007), a insolação é também chamada de intermação, 
considerada um acidente caracterizado por febre remitente (em que a temperatura 
sobe e baixa em determinados períodos do dia) por exposição aos raios solares. 
É interessante destacar que os ambientes em que a temperatura está 
muito elevada, a ponto de exceder o controle do corpo, são propícios para causar 
insolação no indivíduo, como alguns estádios desportivos, em horário de jogo 
(GONÇALVES, 2007).
Semelhante à insolação, a exaustão térmica decorre da prática de 
exercícios físicos em dias quentes e úmidos. Nesses dias, a perda de sais e água 
pelo suor, faz com que a pessoa sofra de cãibras, caracterizadas por contrações 
involuntárias e dolorosas na musculatura, mais comumente no abdômen e nos 
membros inferiores (RIBEIRO, 2002).
Segundo Bergeron et al. (2007), a exposição a ambientes quentes e úmidos 
pode causar a produção de muito calor, provocando um anormal aumento da 
temperatura corporal conhecida por hipertermia e dependendo do local onde a 
pessoa está, pode ocasionar a morte.
A transpiração é um dos meios utilizados pelo corpo para se livrar 
do excesso do calor. Num dia muito quente por exemplo, em que você esteja 
praticando alguma atividade física, é capaz de seu organismo perder mais de um 
litro de suor por hora.
O suor normalmente é evaporado pelo vento ou brisa e então a temperatura 
corporal diminui, o problema é quando o calor ocorre em dias úmidos, pois o 
suor não evapora e consequentemente o calor não diminui.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
204
Conforme Bergeron et al. (2007), normalmente, uma pessoa com quadro de 
exaustão pelo calor, apresenta pele úmida, pálida, quente ou fria, esses sintomas 
são comuns com praticantes de atividade física, que permanecem muito tempo 
ao sol.
Assim, o sistema circulatório do paciente começa a falhar porque há perda 
dos fluidos e sais. Durante esse processo, conhecido como exaustão térmica, o 
indivíduo transpira abundantemente e bebe grande quantidade de água também 
(BERGERON, et al., 2007).
Segundo Gonçalves (2007), pode ocorrer hipertermia, ou seja, febre acima 
de 40 graus centígrados, além de ocasionar lesão no cérebro, ou até mesmo a 
morte. Outros sintomas evidentes são: pele vermelha e quente, ausência de 
sudorese (suor), confusão ou perda da consciência, desmaios e convulsões.
Fernandes (2012) destaca outros sintomas como: enjoo, cefaleia (dor de 
cabeça), pele seca e quente, rosto avermelhado, febre alta, pulso rápido, tonturas, 
vômito, boca seca, fadiga (cansaço), fraqueza e respiração difícil.
 
Junior e Sarquis (2004), também informam alguns sinais típicos de 
insolação como: respiração profunda, seguida de respirações superficiais; pulso 
rápido e forte, seguido de um pulso rápido e fraco; pupilas dilatadas; perda de 
consciência, convulsões e tremores musculares também podem aparecer.
4.2 SINAIS E SINTOMAS
TÓPICO 3 | EMERGÊNCIAS NO AMBIENTE EXTRA HOSPITALAR
205
4.2 SINAIS E SINTOMAS FIGURA 71 – EFEITOS DO CALOR NO CORPO
FONTE: Disponível em: <http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/cidades/calor-
pode-ser-prejudicial-veja-sinais-que-o-corpo-da-quando-algo-nao-vai-bem>. Acesso em: 28 
mar. 2016.
4.3 COMO SOCORRER
Conforme Santos (2014), os sintomas decorrentes pelo calor são variados, 
mas podem levar a vítima a cair abruptamente e permanecer desacordada, por 
isso é importante saber como atuar de maneira correta, proporcionando segurança 
à vítima, objetivando o restabelecimento de sua saúde.
Santos (2014) informa que é importante saber que alguns fatores colaboram 
para o surgimento da insolação, portanto, devemos de uma maneira objetiva 
conhecê-los, a fim de socorrer a vítima:
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
206
UNI
A vítima com insolação deve ser hidratada para repor a falta de água, porém, 
jamais se deve oferecer bebida alcoólica.
Fernandes (2012) complementa a informação com outros cuidados 
importantes:
- afastar a vítima da fonte de calor;
- envolver a vítima com toalhas úmidas e molhá-las quando secarem;
- fazer compressas de água fria nas axilas, pulsos, testa e tornozelos;
- monitorar a temperatura corporal para não exagerar no resfriamento.
- umidade: quanto maior a umidade relativa do ar mais difícil será a 
evaporação cutânea.
- ventilação: sem ventilação, o resfriamento é difícil de ocorrer e podem 
acontecer acidentes.
- condições físicas: movimentação em excesso, aumenta a produção 
de calor pelo organismo, enquanto que o cansaço aumenta a fadiga muscular, 
gerando substâncias tóxicas nos tecidos. A associação de ambos predispõe ao 
acidente.
- alimentação excessiva, aumenta também a produção de calor corporal.
Portanto, diante dessa rápida revisão referente aos motivos que fazem a 
pessoa desmaiar, estudaremos como atuar para ajudar eficientemente a vítima 
proporcionando restabelecimento do seu bem-estar.
Conforme Santos (2014), deve-se:
- manter a pessoa em local arejado;
- colocar a pessoa em decúbito dorsal;
- afrouxaras roupas;
- verificar sinais vitais;
- baixar a temperatura corporal utilizando compressas de água em 
temperatura ambiente;
TÓPICO 3 | EMERGÊNCIAS NO AMBIENTE EXTRA HOSPITALAR
207
5 INTOXICAÇÃO
5.1 CONCEITO
Imagine que você na sua vida profissional, trabalhe com crianças, 
então você consegue entender que elas são uma caixinha de surpresas, sempre 
aprontando e surpreendendo com novidades, tanto positivas, quanto negativas.
A intoxicação é muito comum em crianças e idosos, claro que os adultos 
não estão livres dela, portanto, vamos estudar sobre esse assunto, pois a vítima 
desse mal, deve ser atendida prontamente, pois cada minuto sem atendimento, 
significa um minuto a mais em direção a graves complicações e até mesmo a 
morte.
FIGURA 72 – REPRESENTAÇÃO DE UMA CRIANÇA INGERINDO 
SUBSTÂNCIA TÓXICA
FONTE: Disponível em: <http://isorujices.com/cuidados/aumenta-
numero-de-intoxicacao-em-criancas-nas-ferias-confira-dicas-para-
prevenir-o-mal>. Acesso em: 28 mar. 2016.
Conforme Neto (2002), envenenamento é sinônimo de intoxicação, sendo 
definido como o contato do organismo humano com substância tóxica, por via 
inalatória, oral, injetável ou dérmica, causando transtornos desagradáveis à 
pessoa.
Para Gonçalves (2007) veneno é uma substância que se entrar em contato 
com o organismo, certamente causará transtornos que perturbam e lesionam a 
saúde, podendo ser fatais.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
208
Os venenos quando inalados por qualquer via, são absorvidos e as toxinas 
entram diretamente em contato com a corrente sanguínea, causando sintomas 
desagradáveis à vítima. As toxinas que normalmente causam acidente são: 
medicamentos, inseticidas, fumaça de incêndio e alimentos estragados.
Ramos (2008) corrobora que o envenenamento pode ser causado pela 
ingestão de alimentos deteriorados por vírus ou bactérias, os quais podem causar 
desde diarreia, até lesões em órgãos internos.
5.2 SINAIS E SINTOMAS
As consequências do envenenamento no organismo variam em função do 
tipo de veneno ou da toxina e dos órgãos atingidos, podendo ir de uma simples 
indisposição, até casos graves, que exigem internamento hospitalar (RAMOS, 
2008).
É importante observar quais informações que a vítima pode oferecer, 
ou verificar se há algum frasco que indique o tipo de substância ingerida, ou 
até mesmo se há queimaduras nos lábios e língua, a fim de auxiliar a repassar 
informações quando a equipe médica chegar.
Conforme Santos (2014), o socorrista ao avaliar a cena de emergência, pode 
suspeitar de intoxicação ao perceber recipientes no local, líquidos derramados, 
comprimidos, substâncias venenosas, cheiro forte no local, nas roupas e na vítima.
UNI
“Todas as substâncias são venenos; não existe uma que não seja veneno. A 
dose certa diferencia um veneno de um remédio” (SOUZA, 2016). 
Para Bergeron et al. (2007), os sinais e os sintomas de envenenamento por 
ingestão podem ser identificados durante a avaliação do paciente. Eles podem 
incluir qualquer um ou todos que veremos a seguir:
- queimadura ou manchas ao redor da boca do paciente;
- odores incomuns da respiração, no corpo, nas roupas do paciente ou no 
ambiente;
TÓPICO 3 | EMERGÊNCIAS NO AMBIENTE EXTRA HOSPITALAR
209
- respiração anormal;
- pulsação com frequência e características anormais;
- sudorese;
- pupilas dilatadas ou contraídas;
- produção excessiva de saliva ou presença de espuma na boca;
- dores na garganta ou na boca ou deglutição dolorosa;
- dor abdominal;
- mal-estar gástrico ou náusea, vômito, diarreia;
- convulsões;
- estado alterado da consciência, inclusive inconsciência.
Conforme Fernandes (2012), embora possa ser fatal, a maioria dos casos 
de intoxicação poderá ser tratada com sucesso, os sinais e sintomas mais comuns 
de envenenamentos são: alterações do hálito, dor abdominal intensa, mudança da 
cor dos lábios e língua, náusea e vômitos, dores de cabeça e perda da consciência, 
entre outros.
FIGURA 73– SINTOMAS DE INTOXICAÇÃO ALIMENTAR
FONTE: Disponível em: <http://www.tuasaude.com/sintomas-da-intoxicacao-alimentar/>. 
Acesso em: 30 mar. 2016.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
210
5.3 O QUE FAZER
Você já deve ter ouvido várias sugestões de líquidos ou procedimentos 
para oferecer à vítima, como: leite, água, coca cola, deitar a pessoa de barriga para 
baixo com a cabeça para o lado, entre outras inúmeras maneiras para reverter o 
quadro crítico. Acontece que nenhuma dessas maneiras é a melhor opção.
Deve-se providenciar socorro médico urgente, o que pode ser feito é 
descobrir nesse meio tempo, a substância que foi absorvida, porque o tratamento 
vai depender da substância ingerida.
Enquanto se aguarda a chegada da ambulância, deve-se solicitar orientação 
por telefone para o Centro de Intoxicação (CCI) de sua cidade ou faça uma ligação 
gratuita para o CCI de São Paulo pelo telefone 0800-7713733 (MORAES, 2015).
Bergeron et al. (2007) informa que no provável caso de envenenamento 
por ingestão de alguma substância, você deverá fazer um levantamento do 
histórico enquanto faz o exame físico, por exemplo: verificar se há vômito, se há 
substâncias na roupa, pois pode ser associada a algum tipo específico de veneno/
substância.
DICAS
É proibido induzir o vômito em caso de envenenamento, pois pode causar um 
desgaste desnecessário no trato digestivo da vítima e não irá resolver o problema. Em casos 
de produtos corrosivos como ácidos e bases ou derivados de petróleo, vomitar irá piorar a 
situação da vítima.
Nos casos de envenenamento por ingestão, esteja ciente quanto à limitação 
dos cuidados de emergência. Alguns venenos matam imediatamente, sendo que 
certos pacientes só poderão ser ajudados por meio de antídotos específicos e 
infelizmente há venenos que não possuem antídoto (SANTOS, 2014).
Em caso de intoxicação alimentar, normalmente, a pessoa necessita ir 
algumas vezes ao banheiro por apresentar episódios de diarreia, que podem 
estar acompanhadas de vômito. Caso a diarreia persista após 48 horas, então é 
necessário procurar auxílio médico.
TÓPICO 3 | EMERGÊNCIAS NO AMBIENTE EXTRA HOSPITALAR
211
5.3 O QUE FAZER
Se a pele for atingida, lave muito bem com água corrente ou soro 
fisiológico, a fim de retirar todos os resíduos, evitando assim que a substância 
continue agindo e danificando a pele.
Alguns riscos usuais podem ocorrer para quem está socorrendo a vítima, 
caso haja parada respiratória, não se deve fazer respiração boca a boca sem a 
máscara facial, pois caso a vítima tenha ingerido alta dose de veneno, como 
arsênico ou cianeto, os resíduos podem permanecer nos lábios da vítima, existindo 
a possibilidade de o socorrista se tornar uma vítima também.
UNIDADE 3 | EMERGÊNCIAS CIRCUNSTANCIAIS EM PRIMEIROS SOCORROS
212
LEITURA COMPLEMENTAR
EDUCAÇÃO EM SAÚDE SOBRE PRIMEIROS SOCORROS A PARTIR DOS 
SABERES DOS PROFESSORES
Rosane Teresinha Fontana e Silvia Adriana Pellat dos Santos
A educação infantil é a primeira etapa de educação básica, sendo oferecida 
em creches e pré-escolas públicas ou privadas, as quais têm a finalidade de 
educar e cuidar de crianças de 0 a 5 anos de idade (BRASIL, 2010). No ambiente 
da educação infantil circulam crianças de diferentes etapas do desenvolvimento; 
cada etapa com suas peculiaridades e sobre as quais a ocorrência de acidentes é 
comum. O acidente é compreendido como um evento não intencional, que poderá 
causar lesões físicas e/ou emocionais no âmbito doméstico ou em outros espaços 
sociais (BRASIL, 2001). 
As especificidades dos acidentes variam de acordo com a idade. De zero 
a um ano as quedas, asfixia, sufocação, aspiração, intoxicação e queimaduras 
prevalecem; na faixa etária de dois a quatro anos quedas, asfixia, sufocação, 
afogamento, intoxicação, choques elétricose traumas são os grandes vilões. 
Dos cinco aos nove anos as quedas, os atropelamentos, queimaduras, traumas, 
afogamento, choques elétricos e as intoxicações são mais frequentes e dos 10 aos 
19 anos as quedas, atropelamentos, afogamentos, choques elétricos, intoxicações 
e os traumas são os grandes responsáveis pelos acidentes (MACIEL, 2010). 
A maioria dos óbitos de crianças, ocorridas no ambiente escolar, pode ser 
atribuída por asfixia devido à broncoaspiração, expressão usada à introdução de 
algum objeto, alimento ou substância nas vias aéreas superiores (MARANHÃO, 
2011). Nas crianças pequenas, brinquedos, botões, moedas e outros objetos são 
comumente aspirados, além de alimentos. A obstrução poderá estar ocluída 
parcialmente ou completa, causando asfixia, hipóxia e pode evoluir para a 
morte. Por este motivo, é considerada uma emergência com risco de vida 
(SMELTZER e BARE, 2010) Dados do sistema Nacional de informações tóxico-
farmacológicas (SINITOX) demonstram que, no Brasil, dos casos registrados em 
2009, de intoxicação por agente tóxico em crianças na faixa etária de um a quatro 
anos, 7.200 intoxicações foram por medicamentos. Os produtos químicos foram 
responsáveis por 1.895 casos. Houve 31 óbitos registrados nesta faixa etária por 
diferentes agentes tóxicos, sendo predominantes os óbitos no sexo masculino 
(BRASIL, 2009).
 Vale ressaltar que o Estatuto da Criança e do Adolescente, enfatiza que 
a criança deve receber proteção e socorro em qualquer circunstância (BRASIL, 
1990). A construção de playgrounds, pisos que diminuem o impacto, tomadas 
elétricas altas, entre outras medidas educativas de prevenção de acidentes devem 
ser incentivadas. Da mesma forma, devem ser desenvolvidos programas de 
educação em saúde de acordo com a realidade social da comunidade, envolvendo 
TÓPICO 3 | EMERGÊNCIAS NO AMBIENTE EXTRA HOSPITALAR
213
a criança, a família, os profissionais das diversas áreas, as associações e a sociedade 
em geral, em especial, a profissionais que trabalham com crianças (MARTINS, 
2006). 
Sendo assim, o professor que ocupa um papel social expressivo, precisa, 
junto a familiares e profissionais de saúde, assumir a responsabilidade sobre a 
proteção e a preservação da vida da criança sob seus cuidados e atentar para o 
bem-estar desses pequenos sujeitos (BRASIL, 2010). Diante desses pressupostos, 
compreende-se a necessidade de instrumentalizar e educar o professor para o 
cuidado e preservação da vida, objetivo básico dos primeiros socorros diante de 
situações de urgência e emergência.
FONTE: Revista Eletrônica de Extensão da URI ISSN 1809-1636 Vivências. Vol. 10, N.18: p. 133-
146, Maio/2014. Disponível em: <http://www.reitoria.uri.br>. Acesso em: 21 mar. 2016.
214
Parabéns, você chegou no final deste tópico e desta unidade com 
sucesso, ampliando seus conhecimentos para que no futuro, possa utilizá-los 
com segurança, portanto, você é capaz de:
• A obstrução das vias aéreas é conhecida por engasgamento ou sufocamento e 
pode ser classificada em obstrução total ou parcial das vias aéreas, provocada 
pela presença de um corpo estranho.
• Vários fatores podem causar obstrução das vias aéreas como: substâncias 
líquidas, sólidas ou pastosas, dentes, próteses, entre outros.
• Quando a vítima está consciente e sem conseguir respirar, é necessário realizar 
técnicas de compressões abdominais, chamada de manobra de Heimlich.
• Desmaio pode ser definido como uma perda momentânea da consciência, que 
geralmente não dura mais que alguns minutos.
• O desmaio pode ser causado por vários fatores, como subnutrição, cansaço 
físico e mental, exposição prolongada ao calor, estresse, entre outros. 
• A transpiração é um dos meios utilizados para diminuir o calor do corpo, 
sendo que você é capaz de perder mais de um litro de suor por hora praticando 
alguma atividade física.
• Envenenamento é sinônimo de intoxicação, quando o organismo entra em 
contato com alguma substância tóxica, por via inalatória, oral, injetável ou 
dérmica, causando transtornos desagradáveis à pessoa.
RESUMO DO TÓPICO 3
215
AUTOATIVIDADE
1 Cite brevemente, como deve ser o socorro de quem está com as vias aéreas 
obstruídas.
2 Cite alguns fatores que podem desencadear o desmaio.
3 Escreva o que você entendeu por insolação.
4 Cite as vias em que uma pessoa pode se intoxicar.
5 O que não deve ser feito para a vítima que sofreu insolação?
216
217
REFERÊNCIAS
ABRACOPEL. Jornal da Instalação. São Paulo, 2014. Disponível em: <http://
www.jornaldainstalacao.com.br/index.php>. Acesso em: 21 mar. 2016.
ADAMS, R. C. et al. Jogos, esportes e exercícios para o deficiente físico. 
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