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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA
CAMPUS ARARANGUÁ
  
GUSTAVO HENRIQUE CAVATÃO
GABRIELA JOPPERT PEDROSO
  
  
  
  
  
RECICLAGEM 
DE PAPEL
  
  
 
  
  
  
  
  
	    	
  
ARARANGUÁ
 JUNHO/2017  
GUSTAVO HENRIQUE CAVATÃO
GABRIELA JOPPERT PEDROSO
  
  
  
  
  
  
  
RECICLAGEM 
DE PAPEL
  
  
  
 
  
  
Trabalho apresentado à disciplina Poluição Ambiental do Curso Engenharia de Energia da Universidade Federal de Santa Catarina como cumprimento de atividade avaliativa. 
Docente Orientador: Profa. Dra. Maria Angeles Lobo Recio.
  
  
  
  
  
ARARANGUÁ 
JUNHO/2017 
LISTA DE TABELAS
TABELA 1: Benefícios da relação positiva entre empresa e meio ambiente.............................................................................................................. 09
TABELA 2: Papéis recicláveis e não recicláveis.............................................. 13
LISTA DE FIGURAS
FIGURA 1: Processo de reciclagem do papel.................................................. 15
SUMARIO
RESUMO ............................................................................................................. 06
INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 07
RECICLAGEM ......................................................................................................08
HISTÓRIA DO PAPEL ......................................................................................... 09
PRODUÇÃO DE PAPEL NO BRASIL ................................................................ 10
O PAPEL ............................................................................................................. 12
RECICLAGEM DO PAPEL .................................................................................. 14 
IMPACTOS DA PRODUÇÃO DE PAPEL ........................................................... 17
POLÍTICAS PÚBLICAS DE INCENTIVO A RECICLAGEM ............................... 19
REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR ............................................................... 19
CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 22
BIBLIOGRAFIA ................................................................................................... 23
RESUMO
Atualmente, a reciclagem de resíduos sólidos é um dos principais temas relacionados à preservação do meio ambiente. A adoção de tal prática se apresenta como a forma mais viável para a diminuição dos impactos ambientais que o ser humano veio causando na natureza ao logo do tempo. Neste ponto, o presente trabalho busca discutir e analisar o panorama da produção de papel no Brasil juntamente com sua reciclagem. Para realização desta proposta, se fez o uso da pesquisa bibliográfica e de conteúdo digital como método de estudo.
Nota-se então, conforme o presente estudo, que embora a reciclagem do papel apresente índices superiores aos de outros produtos como vidro, metal e plástico, o Brasil ainda tem muito a avançar em termos de reciclagem e incentivo de atividades análogas.
Palavras-chave: Papel, Reciclagem, Sustentabilidade, Meio Ambiente.
INTRODUÇÃO
Hoje em dia grande parte da população brasileira vive em cidades de médio e grande porte e um dos reflexos dessa realidade populacional é o imenso volume de resíduo gerado. Diariamente milhares de toneladas de resíduos são depositados em aterros sanitários e outras tantas toneladas são destinadas a terrenos baldios, lixões a céu aberto e córregos, causando graves problemas à saúde, ao meio ambiente e a qualidade de vida da população.
Mensalmente é jogado fora cerca de fora 76 milhões de toneladas de lixo, dos quais 30% poderiam ser reaproveitados, porém apenas 3% vão para a reciclagem. Com o objetivo de evitar danos ambientais e no panorama visual, reduzindo seus desperdícios, muitas cidades estão aderindo a reciclagem como uma das maneiras para a minimização da poluição. Nos últimos 10 anos, o número de municípios que implantaram programas de reciclagem aumentou de 81 para mais de 900 e, embora seja um aumento expressivo, essa numeração não representa nem 20% das cidades do país.
Reciclar é um método particular de reaproveitar matérias-primas, tais como o papel, plásticos, latas de alumínio e de aço, vidro, orgânicos e outros, onde se gera uma nova quantidade de materiais a partir do material já captado no mercado e reprocessado para ser comercializado, trazendo maiores economias em energia e em matéria-prima.
Percebe-se que diariamente uma grande quantidade de papel é recolhida dos cestos de lixo nos diversos ambientes de trabalho e até mesmo nas ruas, e que o destino desse material são os lixões públicos. No entanto, tem-se que o papel usado é um material com grande possibilidade de reaproveitamento. Reciclando-o, pode-se reduzir o volume de resíduos acumulados com o uso desmensurado, poupando então árvores, já que a celulose é a matéria-prima para sua fabricação. Para cada tonelada de papel reciclado são poupadas aproximadamente 22 árvores. Tal método se alia à proteção do meio ambiente a permuta resultados econômicos, sociais, ecológicos e de economia de recursos naturais através de uma destinação adequada de resíduos.
O atual trabalho dirige-se a importância da seleção dos materiais recicláveis, enfatizando o reaproveitamento do papel – considerado o segundo tipo de lixo mais produzido pelo ser humano – analisando os impactos causados pela produção por método tradicional e por método de reciclagem, causando impactos e trazendo benefícios ao meio ambiente, alertando também sobre a importância da implantação dos 3 R’s (redução, reutilização e reciclagem) na conservação do meio ambiente.
RECICLAGEM 
Derivada do inglês recycle, onde re = repetir e cycle = ciclo, a palavra reciclar originou-se em meados de 1970 tendo em vista a apreensão com questões ligadas ao meio ambiente e a necessidade de preservação deste. Assim, a reciclagem se conceitua como uma série de atividades pelas quais os materiais que se tornariam lixo ou estão nele, são desviados, sendo coletados, separados e processados, para serem utilizados como matéria-prima na manufatura de outros bens, o que seria realizado anteriormente apenas com a matéria-prima virgem.
O intuito da reciclagem é preservar os recursos naturais, ou seja, a matéria-prima, a água e a energia que seriam consumidos, minimizando a poluição, diminuindo a quantidade de lixo em aterros – com uma destinação correta – e abrir portas para a criação de empregos. Desta forma, para que a reciclagem aconteça, os resíduos sólidos precisam sofrer o processo de triagem em sua coleta, instrumento esse que depende de vertentes envolvendo a sociedade o poder público, estes então são um sistema de coleta eficiente com locais apropriados para o descarte do material e a conscientização social sobre a importância da reciclagem dos resíduos sólidos.
Assim, a harmonia entre empresa e meio ambiente é um instrumento capaz de otimizar a produtividade dos recursos utilizados, culminando em benefícios diretos para a empresa, no o processo industrial e no produto final, como é exibido na tabela 1.
Tabela 1: Benefícios da relação positiva entre empresa e meio ambienteFonte: FIESP, 2004.
HISTÓRIA DO PAPEL
Considerado um dos maiores inventos do homem, o papel foi inicialmente produzido através da polpa de madeira, farrapos ou outras substâncias fibrosas. Hoje, a indústria moderna faz o uso da fibra de celulose, adquirida das paredes celulares das plantas, principalmente de árvores de madeira branca. Com o avanço da tecnologia e a digitalização das informações, acreditava-se que o uso do papel iria ser reduzido, porém este ainda é o material mais utilizado para o registro de informações, principalmenteem escritórios e indústrias.
Com origem na palavra em latim papyrus, a palavra papel refere-se ao papiro, planta que se desenvolve nas margens do rio Nilo, no Egito, da qual se eram retiradas as fibras para a produção de cordas, de barcos e também das folhas fabricadas para a escrita. O papiro é considerado o primeiro material para escrever inventado pelo homem, originário a 3 mil anos atrás, no Egito e obtido com o esmagamento dos talhos de junco. Até então, desde o surgimento da escrita a 6 mil anos atrás, utilizava-se tabuletas de pedras ou argila para registro desta. Mais tarde surgiram os pergaminhos fabricados com o couro curtido bovino, que eram considerados mais resistentes que os papiros. 
O papel que conhecemos hoje teve sua origem a 105 anos d. C., na china, criado por T’sai Lun. É resultado da mistura umedecida da casca de amoreira, cânhamo, restos de roupas, e outros produtos que continham fontes de fibras vegetais, no qual a massa era batida até a formação de uma pasta, peneirada para obtenção de uma camada fina e, em seguida, deixada para secar ao Sol. Após seca, a folha de papel estava pronta. Este foi considerado pelos orientais como um milagre, pois era composto de um material mais barato que a seda e era altamente valorizado por suas qualidades estéticas e espirituais, já que servia como depositário de informações e era utilizado como meio de comunicação.
A fabricação mecânica do papel teve início no século XVII e possuía panos como sendo sua matéria-prima fundamental até meados do século XIX, quando estes começaram a se tornar escassos, dando início ao uso da polpa da madeira. O surgimento da imprensa e a Revolução Industrial permitiram a impressão por linotipos em papel (máquina que funde em bloco cada linha de caracteres tipográficos) e a disseminação da informação de modo rápido e acessível a todos. 
PRODUÇÃO DE PAPEL NO BRASIL
Em relação ao Brasil, a produção de papel se iniciou com a chegada de Dom João VI no Rio de Janeiro no ano de 1809, com o frei e botânico José da Conceição Veloso ocupando a posição de precursor da produção nacional, fazendo o uso de um arbusto, a imbira, como matéria-prima. A primeira fábrica do país surgiu em meados de 1810, construída por Henrique Nunes Cardoso e Joaquin José da Silva no bairro Andaraí Pequeno, no Rio de Janeiro.
Na década de 1950 novas fábricas surgiram no país, porém, enfrentando dificuldades para manter sua produção. O desenvolvimento expressivo do setor se deu nas décadas de 1920 a 1930. Logo após a Segunda Guerra Mundial é que surgiram fábricas de destaque como as da família Klabin, onde o papel de imprensa feito no país era produzido com recursos naturais nacionais. Logo após a Segunda Guerra Mundial é que surgiram fábricas de destaque como as da família Klabin, onde o papel de imprensa feito no país era produzido com recursos naturais nacionais. Esse foi um dos passos iniciais para levar o Brasil a sua posição nos dias atuais como a referência mundial entre os produtores de celulose e papel, graças às suas práticas sustentáveis.
O diferencial competitivo do país é que 100% de sua produção de celulose e papel advêm de florestas plantadas, que são recursos renováveis, criando assim uma postura positiva frente a outros, já que os demais produtores mundiais ainda utilizam as florestas nativas para produzir celulose e papel. Temos então que o Brasil possui sua produção de papel e celulose semelhante à agricultura – que cultiva e colhe soja, por exemplo – onde o setor cultiva florestas, plantado e colhendo duas espécies de arvores, o pínus e o eucalipto.
As florestas cultivadas pelo o setor de celulose e papel são as mais produtivas do mundo. As plantações de eucalipto atuais são capazes de gerar uma média anual de 41 metros cúbicos de madeira por hectare. Já o pínus tem uma média anual de 35 metros cúbicos em sua produção. Tal conquista se deve a quase 30 anos de pesquisa em melhoramento genético das espécies, que garante a alta produtividade através do cruzamento de diferentes variedades, originado árvores mais resistentes às pragas, com maior crescimento, melhor qualidade e maior quantidade de fibras; fatores estes que se unem a um clima favorável para o cultivo e os avanços nas técnicas de manejo.
Enquanto a área ocupada para a produção anual de 1 milhão de toneladas de celulose chega a ser 100 mil hectares no Brasil, países da Escandinávia e da Península Ibérica, que são grandes produtores mundiais, para produzir o mesmo volume anual necessitam de uma área de 720 e 300 mil hectares.
Hoje em dia o Brasil possui cerca de há 5,5 milhões de hectares de florestas, dos quais 1,7 milhão são destinados à produção de celulose e papel, correspondendo a 0,2% das terras agricultáveis do país.
Dessa maneira, considera-se o Brasil a região do mundo em que a monocultura de eucalipto para produção de celulose se expande de forma mais rápida, destacando o estado do Mato Grosso do sul, como a microrregião que mais produz. Ao pontuar a região sul-mato-grossense temos o destaque da fábrica de celulose da Fibria, que consiste na parceria entre a Aracruz e Votorantim, com sua fabricação de papel controlado pela estadunidense International Paper. A primeira unidade da fábrica de celulose da Fibria gerava cerca de 1,3 milhões de toneladas de celulose por ano. Em 2014, a mesma inaugurou sua segunda unidade, cujo investimento foi de 3,6 bilhões, elevando sua produtividade a 3 milhões de toneladas de celulose por ano. Atualmente, a Fibria conta com unidades industriais localizadas em Aracruz/ES, Jacareí/SP, Três Lagoas/MS e Eunápolis/BA, possuindo cerca de 563 mil hectares de eucalipto plantados. Além da Fibria, a empresa Eldorado Brasil instalou uma unidade nessa mesma microrregião, em meados de 2012, para a produção de cerca de 1,5 milhões de toneladas, ocupando hoje uma área correspondente a 239 mil hectares de eucalipto. 
A região do Estado de Mato Grosso do Sul se apresenta como favorável ao plantio de florestas, já que conta com extensa área antropizada (área cujas características originais como solo, vegetação, relevo e regime hídrico foram alteradas por consequência de atividade humana) disponível, boa topografia e pluviometria adequada para o cultivo do eucalipto.
O PAPEL
O papel, por ser um material orgânico e biodegradável, leva cerca de 3 a 6 meses para decompor totalmente, podendo, em aterros, aumentar para cerca de 100 anos devido a pouca umidade local.
O papel pode ser dividido em cinco principais tipos: o papel para embalagens, o papel para impressão, o papel para cartões/cartolinas, o papel para fins sanitários, o papel para escrever e os papéis especiais. 
Para sofrer o processo de reciclagem, o papel não deve conter impurezas, tais como: barbante, metal, madeira e plástico. Estando então fora da lista de recicláveis o papel vegetal, o papel carbono, o papel e cartão impregnados com substâncias impermeáveis à umidade, o papel sujo, o engordurado ou contaminado com produtos químicos nocivos à saúde e o papel sanitário usado. É possível ver na tabela 2 os tipos de papel sujeitos ou não a reciclagem.
Tabela 2: Papéis recicláveis e não recicláveis Fonte: Instituto GEA - Ética e Meio Ambiente, 2015.
Assim como a produção de outros produtos, a produção de papel também é geradora de resíduos, e o os aumentos na demanda da produção culminam na geração de grande quantidade de resíduos diariamente, tendo em vista os variados processos tecnológicos e a qualidade das aparas (sobra) de papel, que acarretam numa crescente preocupação com o meio ambiente.
Embasado nisto, a utilização da reciclagem na indústria de papel e celulose se dá como método para minimizar os impactos ambientais, atingindo uma redução de 23% a 74% na energia para a produção de papel e celulose, 74% de redução na poluição do ar, 35% de redução na poluição da água e uma redução de 58% no consumo de água.
RECICLAGEM DO PAPEL 
A reciclagem do papel consiste em produzir utilizando como matéria-prima papéis recicláveis advindos derebarbas ou de seus artefatos antes do consumo, ou seja, aquele material que é desperdiçado na fabricação do papel na indústria e material depois do seu consumo, que corresponde ao papel que sofreu descarte por seus usuários finais após sua utilização. O termo apara veio para caracterizar as rebarbas do processamento do papel em fábricas e em gráficas e passou a ter uma maior abrangência, definindo então como apara todos os papéis coletados para serem reciclados.
A reciclagem de papel, no entanto, é impulsionada pela economia. Uma vez que o fator ambiental serve como alavanca para esta prática, cresce a necessidade por produtos e processos aliados do meio ambiente, assim, reciclar papel é um dos métodos encontrados para corresponder a esta demanda. Nessa visão, os principais fatores de incentivo à reciclagem do papel, além do aspecto econômico, são a preservação de recursos naturais como a matéria-prima, energia e água.
A reciclagem do papel mostra-se então tão essencial quanto sua fabricação, uma vez que a matéria-prima para a produção do mesmo se encontra cada vez mais escassa, ainda que políticas de reflorestamento e a maior conscientização da sociedade em geral sejam insuficientes para conter a crescente demanda deste recurso. Têm-se que, para a produção de 1 tonelada de papel, a partir de papel já utilizado, o consumo de água é 80% menor e o consume-se apenas metade da metade. Economizam-se 2,5 barris de petróleo, 98 mil litros de água e 2.500 kw/h de energia elétrica com uma tonelada de papel reciclado. O processo de reciclagem do papel pode ser visto na figura 1.
Figura 1: Processo de reciclagem do papel
Fonte: Ambiente Brasil, 2011.
Numa escala mundial, em 2000, o uso de recicláveis representou cerca de 45% da produção total de papel, onde no Brasil, apenas 37% do papel produzido seguiu para a reciclagem. De todo o papel reciclado, 80% é destinado à confecção de embalagens, 18% a papéis sanitários e apenas 2% à impressão.
No Brasil são produzidas diariamente aproximadamente 241.614 toneladas de lixo, dois quais 76% são depositados a céu aberto em lixões, 13% são depositados em aterros controlados, 10% são depositados em aterros sanitários, 0,9% são compostados em usinas e 0,1% são incinerados. Um estudo feito pelo Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS) em municípios abrangendo todos os estados brasileiros e englobando cerca de 5.564 cidades e mais de 83,8 milhões de habitantes, sobre o manejo de resíduos sólidos urbanos, pertinente ao ano de 2007, mostrou que 98,8% dos municípios pesquisados possuem serviço de coleta regular. A quantidade de lixo coletado diariamente gira em torno de 0,71Kg por cada habitante nas cidades com até 30 mil habitantes e 1,17 Kg nas cidades com mais de 3 milhões de moradores. O estudo feito sobre a composição desta quantidade de lixo gerada aponta o papel com uma significativa participação, sendo então o lixo composto por 65% de matéria orgânica, 25% de papel, 4% de metais, 13% de vidro e 3% de plástico.
Nesse âmbito, a reciclagem permitiria a recuperação de cerca de 2.400 toneladas de resíduos diários, dos quais, dos resíduos recuperados teríamos a equivalência de 50,7% de papel e papelão, 26,4% de plásticos, 12,1% metais, 6,4% vidros e 4,4% de outras substâncias. Verifica-se então que o papel é um dos produtos com mais destaque nos índices de reciclagem brasileiro. Nota-se que o Brasil tem muito a avançar na área de reciclagem, haja vista os baixos percentuais de recuperação daquilo que é jogado fora que poderia de reaproveitado.
Para a reciclagem e a produção de um novo papel é preciso antes moer, molhar, tingir e secar o papel antigo. A maior diferença entre a fabricação de um novo e a reutilização está na necessidade da utilização de alguns produtos químicos para retirada de impurezas que estejam presentes no papel que servirá como matéria-prima, como por exemplo, a solda cáustica. Para tanto, as etapas do processo de reciclagem são:
Etapa 1: Entrega das aparas (fardos) na fábrica recicladora de papel. Os fardos são inspecionados pelo controle de qualidade, depois o material vai para o estoque de aparas aonde o lote mais antigo é direcionado para as esteiras transportadoras que o leva para o hidrapulper – um grande tubo cilíndrico que possui um rotor no fundo, que desagrega o papel juntamente com água industrial, formando uma pasta de celulose;
Etapa 2: Turbo tira-plástico, processo pelo qual há a retirada do plástico;
Etapa 3: Processo de centrifugação para a retirada de impurezas como areia, grampos, etc;
Etapa 4: são adicionados aditivos à massa, como sulfato de alumínio, amido de mandioca, fibras virgens, etc;
Etapa 5: A massa vai para a caixa de entrada da máquina de papel;
Etapa 6: Mesa formadora, onde vácuo retira a umidade excedente;
Etapa 7: Prensa para fazer o acero da gramatura do papel;
Etapa 8: É feita a secagem do papel;
Etapa 9: Chega até a enroladora, onde forma-se o rolo de papel;
Etapa 10: O rolo é transportado por ponte rolante até a rebobinadeira;
Etapa 11: O papel é rebobinado conforme o formato da bobina;
Etapa 12: A bobina de papel acabada vai para o controle de qualidade;
Etapa 13: A bobina vai para o estoque, podendo ser vendida ou transformada em chapa de papelão com o intuito de ser industrializada como caixas de papelão.
IMPACTOS DA PRODUÇÃO DE PAPEL
No processo tradicional, a etapas iniciais consistem no descascamento da madeira, em sua picagem em lascas, cozimento e em seguida o líquido resultante deste cozimento, o chamado licor negro, é armazenado em lagoas de decantação, onde recebe tratamento antes de retornar aos corpos d'água. Já a massa resultante sofre o processo de branqueamento da celulose, um processo que envolve várias lavagens para retirar impurezas e clarear a pasta que será usada para fazer o papel. 
Tal branqueamento era efetuado a pouco tempo atrás com o Cloro Elementar, substituído sequencialmente pelo Dióxido de Cloro, para a minimização da formação de dioxinas. Embora essa mudança tenha ajudado a reduzir a contaminação, ela não elimina completamente as dioxinas. Tal composto, classificados pela Agência Ambiental Norte Americana (EPA), como o mais potente cancerígeno já testado em laboratórios, também está associado a várias doenças do sistema endócrino, reprodutivo, nervoso e imunológico. 
Assim, mesmo com o tratamento de efluentes na indústria, as dioxinas ainda perpetuam e são lançadas em rios, contaminando a água, o solo e consequentemente a vegetação e os animais. No organismo animal e humano essas dioxinas têm efeito acumulativo, sofrendo então o processo de biomagnificação. 
A proibição do cloro já foi realizada em alguns países. A Europa, por exemplo, já baniu por completo o uso cloro na fabricação do papel, onde o branqueamento passou a ser realizado com oxigênio, peróxido de hidrogênio e ozônio, processo conhecido como Total Chlorine Free (TCF). Os Estados Unidos e o Brasil por sua vez defendem e incentivam o uso do cloro a favor dos interesses da indústria.
Frente a isso, vemos a reciclagem como um mecanismo para contornar tal problema, além de vantagens como a possibilidade de o papel poder ser reciclado entre 7 a 10 vezes, pois é formado essencialmente por fibras celulósicas e estas vão se degradando a cada processo de reciclagem. Para a fabricação de uma tonelada de papel novo é preciso 10 a 20 árvores, 10 mil litros de água e 5 Mw.hora de energia, enquanto que para produzir uma tonelada de papel reciclado apenas é preciso uma 1 tonelada e meia de papel velho, 2 mil litros de água e 2,5 Mw.hora de energia, evitando com isso o corte de cerca de 22 árvores, na economia de 50% de energia eléctrica e na redução de 74% de emissões de poluidores do ar.
Vê-se então que a reciclagem do papel passa por etapas das quais a matéria-prima – originária incialmente de árvores – passaria, diferindo assim na aplicação de processos iniciais na matéria prima vinda da reciclagem, uma vez que será essa reciclagem e essas etapas as responsáveis pelasreduções apontadas anteriormente. Dessa forma, o lixo passa a ser visto de outra maneira, não mais como um final, mas como o início de um ciclo em que podemos preservar o meio ambiente, a participação consciente e a transformação de hábitos.
Outra vertente da produção deste são as cautelas que algumas fabricantes não possuem. Ao negligenciar as medidas de segurança, as indústrias de papel também se tornam vulneráveis a acidentes ambientais graves, como o ocorrido na Fábrica Cataguazes de Papel, em Cataguazes (MG). O rompimento de uma lagoa de tratamento de efluentes provocou o derrame de cerca de 1,2 bilhões de litros de resíduos tóxicos no Córrego Cágados, que logo chegou aos rios Pomba e Paraíba do Sul. A contaminação atingiu oito municípios, deixando cerca de 600 mil habitantes sem água. Com a morte dos peixes, pescadores e populações ribeirinhas ficaram sem seu principal meio de subsistência.
POLÍTICAS PÚBLICAS DE INCENTIVO A RECICLAGEM 
Embora a produção de papel por meio do uso de papel reciclado possua um valor abaixo do método de produção tradicional, o preço final do papel reciclado ainda acaba sendo muitas vezes mais elevado do que o fabricado de maneira tradicional. Tal empasse se dá devido a falta de uma logística eficiente e a falta de implantação de uma coleta seletiva capaz de destinar para as indústrias os papeis velhos, somando-se também a falta de estímulos ao consumo consciente tanto em empresas quanto para a população. Ou seja, a não contribuição para a popularização deste processo e a disponibilização de caminhos eficientes para a capitação desse material, acaba elevando o preço final do papel reciclado frente a fabricação do papel tradicional.
Desde 2010, quando foi sancionada a Lei 12.305 sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), obteve-se um crescimento acentuado na coleta seletiva deste tipo de material e um alto estímulo ao consumo de papel reciclado por diversas instituições, tanto públicas quanto privadas. A PNRS estabelece a obrigatoriedade para com os órgãos públicos no consumo preferencial de materiais reciclados, de modo que o aumento na demanda influencie o preço final do papel reciclado, estimulando a queda do seu valor e também o maior acúmulo de matéria-prima devido ao aumento nas coletas, obtendo-se assim, a reciclagem de uma maior quantidade de papel e a popularização de investimentos nesse setor no Brasil.
REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR
Desde os primórdios de sua existência o homem busca moldar a natureza de forma a atender suas necessidades, limitando-se inicialmente à alimentação. No entanto, ao abandonar seus hábitos nômades tornou-se necessário desenvolver habilidades que suprissem a nova conjuntura, a qual exigia maior exploração do meio natural a fim de garantir sua sobrevivência.
Antes da Revolução Industrial a degradação ambiental ocorria em menor escala, porém é apropriado avançar e a humanidade evoluiu aumentando sua população e consequentemente a produção em todos os níveis.
A degradação ambiental pode ser entendida como sendo alterações nas condições naturais que comprometem o uso dos recursos naturais, como solos, água, flora, fauna, e reduzem a qualidade de vida das pessoas. Esse problema ocorre devido a um conjunto de fatores, como o crescimento econômico, crescimento da população, pobreza, urbanização, intensificação da agricultura, aumento no uso de transportes e necessidades de novas fontes de energia, ou seja, é resultado de aspectos sociais, econômicos e ambientais de uma região.
Para contornar essa situação surgiu o conceito de desenvolvimento sustentável, definido em 1987 pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD) como o “desenvolvimento que atende as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de atender as suas próprias necessidades”. Uma ferramenta para alcançar essa meta é a política dos 3R’s para o controle do lixo, que são Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Reduzindo e reutilizando se evitará que maiores quantidades de produtos se transformem em lixo. Reciclando se prolonga a utilidade de recursos naturais, além de reduzir o volume de lixo. Assim, reduzir consiste em diminuir a quantidade produzida de resíduos, por exemplo, comprando produtos com maior durabilidade e evitando trocas a cada lançamento no mercado. Reutilizar significa otimizar ao máximo o uso de um produto antes do descarte final, empregando-o com outras finalidades ou retornando-o ao processo para o mesmo fim. Reciclagem consiste em transformar resíduos em matéria-prima.
Dessa forma, a aplicação dos 3R’s da sustentabilidade pode ser feita através de prática como:
- Reduzir ao máximo possível o uso de papel. 
- Evitar a compra de produtos com excesso de embalagem. 
- Utilizar os dois lados do papel ao imprimir ou escrever, 
- Optar pelo uso de meios digitais para a leitura e produção de conteúdo de informação. 
- Dar preferência a produtos reciclados ou aqueles que trazem o selo de certificação do FSC. 
- Evitar consumir papel cujo branqueamento seja feito com cloro ou hidróxido de cloro; 
- Usar filtros, guardanapos e toalhas de pano ao invés dos feitos de papel. 
- Recusar folhetos de propaganda que não sejam de seu interesse. 
- Separar o lixo doméstico, doando os materiais recicláveis para as cooperativas de catadores (80% do papel que consumimos estão na forma de embalagens). 
- Organizar-se junto a outros consumidores para apoiar ações socioambientais e pressionar o governo na fiscalização de empresas, criação de leis de proteção ambiental e programas de incentivo à produção limpa.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como foi exibida neste trabalho, a reciclagem ocupa hoje um papel essencial quando se trata do desenvolvimento sustentável, já que é uma forma de produzir e minimizar os impactos gerados pela grande quantidade de lixo que é produzida pela humanidade. Ainda sim, torna-se evidente que uma das grandes dificuldades que o mundo encontra neste âmbito é adotar uma postura positiva em relação ao meio ambiente. Para tal, instituições buscam atuar de forma ecologicamente responsável, a fim de aumentar seus índices econômicos e elevar sua produção paralelamente. 
Entretanto, é grande a quantidade de lixo produzido por tanto por indústrias quanto por consumidores e, embora no Brasil já exista políticas publicas de incentivo a reciclagem do papel, muito ainda deve ser reestruturado para que a maior parte deste seja devidamente reaproveitada após o seu consumo. Essas práticas vão desde a produção até o consumo sustentável, que irão contribuir para o não desperdício de recursos naturais, prevenção de poluição e acúmulo de lixo.
Pode-se observar que em relação ao papel, o Brasil se encontra hoje entre os maiores produtores de celulose e papel, especialmente no estado de Mato Grosso do Sul. No que tange a reciclagem, os índices de recuperação são consideráveis se comparado com outros produtos que compõe o lixo domiciliar como alumínio, metal, vidro e plástico. 
BIBLIOGRAFIA
RICHINNI, Ricardo. Reciclagem industrial de papel.
Disponível <http://www.setorreciclagem.com.br/reciclagem-de-papel/reciclagem-industrial-de-papel/>.
Acesso em 08/06/17.
RICHINNI, Ricardo. Reciclagem de papel: verdades e mitos.
Disponível < http://www.setorreciclagem.com.br/reciclagem-de-papel/reciclagem-de-papel-verdades-e-mitos/>.
Acesso em 08/06/17.
SOUSA, Derlicio Carlos. A Importância da Reciclagem do Papel na melhoria da qualidade do Meio Ambiente.
Disponível <www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2005_Enegep1004_1116.pdf>.
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