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MEIO AMBIENTE E 
SUSTENTABILIDADE 
Nicolas Lavor de Albuquerque 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
 
2 RESÍDUOS 
 
Apresentação 
Neste segundo bloco, estudaremos sobre “resíduos”. Para isso, primeiramente, vamos 
entender a definição do termo e como classificaremos cada um dos tipos de resíduos. 
Em seguida, veremos sobre uma ferramenta muito importante na decomposição dos 
resíduos orgânicos, que os transformam em fertilizante orgânico, rico em micro e 
macronutrientes. Vamos estudar sobre a compostagem, que é uma ferramenta de 
baixo custo e é uma das formas de destinação ambientalmente adequadas para os 
resíduos orgânicos. Por fim, veremos como é feita a gestão de resíduos, por meio de 
descarte em lixões e aterros sanitários e a relevância e o impacto da reciclagem. 
2.1 Definições de resíduos 
Lei Federal nº 12.305/2010, a qual regulamenta a política nacional de resíduos sólidos 
(PNRS), dispõe sobre princípios, objetivos e instrumentos, bem como as diretrizes 
relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluídos os 
resíduos perigosos. Além disso, determina as responsabilidades dos geradores e do 
poder público, e os instrumentos econômicos aplicáveis. Com o objetivo de reduzir a 
quantidade de resíduos direcionada para aterros e lixões, a PNRS tem oferecido um 
conjunto de diretrizes para adequarmos o nosso presente a um futuro melhor, em um 
cenário de escassez. Para além de uma questão exclusivamente ambiental, a PNRS 
aborda questões políticas, sociais e de saúde pública, desencadeando um 
conhecimento que pode sugerir uma posição vantajosa e competitiva no mercado. 
Certamente um ponto fundamental é a descrição de alguns conceitos que são 
fundamentais neste tema. Muitas pessoas acabam acreditando que tudo aquilo que 
não serve mais, deveria ser lançado como lixo. Porém podemos refinar em várias 
definições mais úteis para a sustentabilidade: O rejeito, segundo o capítulo II da lei 
Federal nº 12.305/2010, “Resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as 
possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e 
 
11 
 
economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição 
final ambientalmente adequada”; por esta mesma lei o resíduo sólido é “Material, 
substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em 
sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado 
a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em 
recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede 
pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou 
economicamente inviável em face da melhor tecnologia disponível” (Brasil, 2010). 
A PNRS (no seu artigo 13) classifica os resíduos da seguinte maneira: 
I. Quanto à Origem: 
a) Resíduos Domiciliares: os originários de atividades domésticas em residências 
urbanas; 
b) Resíduos de Limpeza Urbana: os originários da varrição, limpeza de 
logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana; 
c) Resíduos Sólidos Urbanos: os englobados nas alíneas “a” e “b”; 
d) Resíduos de Estabelecimentos Comerciais e Prestadores de Serviços: os 
gerados nessas atividades, excetuados os referidos nas alíneas “b”, “e”, “g”, “h” 
e “j”; 
e) Resíduos dos serviços Públicos de Saneamento Básico: os gerados nessas 
atividades, excetuados os referidos na alínea “c”; 
f) Resíduos Industriais: os gerados nos processos produtivos e instalações 
industriais; 
g) Resíduos de Serviços de Saúde: os gerados nos serviços de saúde, conforme 
definido em regulamento ou em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama 
(Sistema Nacional de Meio Ambiente) e do SNVS (Sistema Nacional de 
Vigilância Sanitária. Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999); 
h) Resíduos da Construção Civil: os gerados nas construções, reformas, reparos e 
demolições de obras de construção civil, incluídos os resultantes da preparação 
e escavação de terrenos para obras civis; 
 
12 
 
i) Resíduos Agrossilvopastoris: os gerados nas atividades agropecuárias e 
silviculturais, incluídos os relacionados a insumos utilizados nessas atividades; 
j) Resíduos de Serviços de Transportes: os originários de portos, aeroportos, 
terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira; 
k) Resíduos de Mineração: os gerados na atividade de pesquisa, extração ou 
beneficiamento de minérios. 
II. Quanto à Periculosidade: 
a) Resíduos Perigosos: aqueles que, em razão de suas características de 
inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, 
carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade, apresentam 
significativo risco à saúde pública ou à qualidade ambiental, de acordo com lei, 
regulamento ou norma técnica; 
b) Resíduos Não Perigosos: aqueles não enquadrados na alínea “a”. 
Por outro lado, a norma técnica ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) NBR 
10004, que foi editada em 2004, de forma mais detalhada, define a classificação dos 
resíduos perigosos (Classe I) e não perigosos (Classe II). Esta mesma norma define o 
potencial nocivo, com parâmetros como inflamabilidade, corrosividade, reatividade, 
toxicidade e patogenicidade. 
 
Fonte: Shutterstock by elenabsl. 
Figura 2.1 – A segregação de resíduos. 
 
13 
 
No Brasil, a Resolução CONAMA nº 275, de 25 de abril de 2001, define o padrão de 
cores que deve ser utilizado para regulamentar os materiais que devem ser adicionado 
a cada recipiente: AZUL: papel/papelão; VERMELHO: plástico; VERDE: vidro; AMARELO: 
metal; PRETO: madeira; LARANJA: resíduos perigosos; BRANCO: resíduos ambulatoriais 
e de serviços de saúde; ROXO: resíduos radioativos; MARROM: resíduos orgânicos; 
CINZA: resíduo geral não reciclável ou misturado, ou contaminado não passível de 
separação. 
2.2 Gestão de Resíduos 
2.2.1 Reciclagem e produtos 
O artigo 225 da Constituição Federal do Brasil descreve: “Todos têm direito ao meio 
ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia 
qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo 
e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (Brasil, 1988). 
A Sustentabilidade procura suprir as necessidades do presente sem afetar as gerações 
futuras, relacionando aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais. Sendo 
assim, nossas atividades do dia a dia estão diretamente ligadas à sustentabilidade e, 
consequentemente, ao futuro do planeta. 
Neste sentido, foram concebidos os 5 Rs da reciclagem: 
• Repensar: deve-se refletir sobre os processos socioambientais de produção, 
desde a extração das matérias primas, passando pelas condições de trabalho, 
distribuição, até o descarte. Repensar a real necessidade de consumo aos 
nossos hábitos. 
• Recusar: deve-se evitar o consumo exagerado e desnecessário, adquirindo 
apenas produtos essenciais, e com matérias primas, embalagens e 
possibilidade de reciclagem mais sustentável possível. 
• Reduzir: deve-se fomentar a diminuição da criação de lixo. Desperdiçando 
menos produtos e matéria-prima, consumo somente do necessário, redução no 
uso e fabricação de embalagens. 
 
14 
 
• Reutilizar: deve-se procurar uma maior utilidade para produtos que seriam 
descartados, jogados fora. Se não utilizado pelo indivíduo pode ser por outras 
pessoas ao invés de serem jogados fora, poderia ser muito bem ocupado por 
outra pessoa em um período longo de tempo. 
• Reciclar: Deve-se transformar algo usado em algo totalmente novo, com a 
mesma característica do velho ou mesmo sendo feito outro produto, sendo 
assim usado apenas o material para confeccionar o produto reciclado. 
Deve-se fomentar então uma coleta seletiva, para buscar uma continuidade maior 
para o último dos Rs acima. Para isso, deve-se embalar os resíduos de acordo com o 
padrão de cores definidopela resolução CONAMA nº 275, de 25 de abril de 2001, e 
que regulamenta os materiais que devem ser adicionados a cada recipiente. As formas 
mais comuns de coleta seletiva referem-se ao modo coleta porta-porta e a coleta nos 
pontos de entrega voluntária presentes nas cidades, podendo ser de domínio público 
ou particular (ou de cooperativados). Após a coleta, os resíduos são levados a galpões 
de triagem, em grande parte realizado por cooperativas de catadores, e, por fim, 
comercializados para empresas de reciclagem. Infelizmente, nem todas as embalagens 
possuem reciclagem possível, por isso, repense antes de comprá-las. 
Os resíduos orgânicos devem ser encaminhados para compostagem. Os óleos (na 
maioria das vezes vegetal) são muito utilizados para frituras, e não podem ter como 
destino a pia, o bueiro, o ralo ou guia da calçada porque impactam negativamente o 
encanamento da sua casa e também poluem a água, além de contribuírem para a 
morte de plantas e animais. Esse óleo pode ser embalado e transportado para a sua 
reciclagem, e virar sabão ou virar biodiesel, por exemplo. 
Pilhas e baterias devem ser coletadas separadamente e não descartadas com o lixo 
comum, pois contém elementos tóxicos, e no meio ambiente podem gerar 
contaminação do solo e da água. Se possível, utilize pilhas recarregáveis e também 
procure, nesses casos, a logística reversa, isto é, o conjunto de ações que envolve 
sistema de coleta, transporte, armazenamento, reciclagem e tratamento de resíduos 
produzidos pelo descarte de produtos e embalagens no pós-consumo. O objetivo na 
logística reversa é recuperar os materiais recicláveis para que possam ser 
 
15 
 
reaproveitados dentro dos ciclos da cadeia produtiva própria, ou tenham outra 
destinação ambientalmente apropriada. 
O descarte incorreto de medicamentos pode fazer com que as substâncias químicas 
contidas neles cheguem aos rios e córregos, podendo contaminar a água e assim 
causar efeitos adversos para a saúde humana e animal. Os medicamentos devem ser 
descartados em coletores específicos e devidamente identificados. Entre os 
medicamentos estão incluídos: comprimidos, cápsulas, frascos de vidro, pomadas, 
ampolas e seringas (os quais também devem utilizar coletores específicos de 
perfurocortantes modelo Descarpack). A bula e a caixa devem ser colocadas em um 
coletor de resíduos recicláveis. 
No Brasil, menos de 20% dos copos descartáveis são reciclados, devido ao seu baixo 
valor de mercado. Podemos reduzir o uso de copos descartáveis de plástico 
substituindo-o por um copo, caneca ou garrafa durável. Se estiver sem copo, caneca 
ou garrafa durável utilize o mesmo copo ao longo do dia. Um copo descartável de 
plástico pode levar até 450 anos para se decompor, e dependendo do plástico, pode 
ainda contaminar o solo ou a atmosfera com substâncias químicas tóxicas. 
Em relação ao papel, deve-se incentivar a redução de impressão, imprimindo apenas o 
que for necessário; usar ao máximo tecnologias disponíveis para evitar impressões 
desnecessárias (arquivos digitais ou digitalizados com computadores, tablets, celulares 
etc); ou ainda utilizar impressão em frente e verso; fazer reuso de papel, sempre que 
não for utilizado frente e verso. Por exemplos, pode-se confeccionar blocos de 
anotações, lembretes, utilização como rascunho etc. Além disso, procurar utilizar papel 
reciclado. A cada 1000 quilos de papel, 12 árvores foram utilizadas, ou a cada 1000 
quilos reciclados, 12 árvores deixaram de ser derrubadas. 
O vidro reciclado, um aliado poderoso na promoção de práticas sustentáveis, 
desempenha um papel essencial na conservação do meio ambiente e na economia. 
Sua reciclagem apresenta uma série de benefícios que vão muito além do mero 
reaproveitamento de materiais. Ao reciclar vidro, impedimos que esse material acabe 
em aterros sanitários ou na natureza, onde pode permanecer inalterado por 
aproximadamente dez mil anos. Importante ressaltar que, ao separar os vidros, 
 
16 
 
especialmente garrafas para reciclagem, eles devem ser lavados para retirada de 
resíduos orgânicos, o que facilita o processo, especialmente pelos cooperativados, 
que, muitas vezes, não possuem recursos para essa etapa. 
Um dos produtos de maior destaque (com recorde de reciclagem no mundo) são as 
latas de alumínio. Pela possibilidade de reciclagem, muitas vezes, o alumínio é visto 
como uma “opção mais sustentável” em relação ao plástico, por exemplo. No entanto, 
é preciso considerar que ele pode gerar grandes impactos ambientais e que, na 
maioria das vezes, mundialmente utiliza-se matéria-prima virgem e não alumínio 
reciclado (o que consume demasiada energia e matéria prima – principalmente 
bauxita, cuja extração é bastante nociva ao meio ambiente). Em geral, a reciclagem de 
latas de alumínio possui um papel importante na economia brasileira. A indústria 
brasileira de alumínio tem participação significativa no PIB do país, representando 
cerca de 4,9 % do PIB Industrial. O Brasil é recordista mundial no recolhimento e 
reciclagem de latas de alumínio. Em 2021, 98,7% das latas comercializadas em todo o 
país foram reutilizadas, o maior volume da história. Para se ter uma ideia da 
grandiosidade dos números, das mais de 414 mil toneladas de latas comercializadas, 
409 mil toneladas foram recicladas. 
O Brasil, em 2021, reciclou 23,4% dos resíduos plásticos pós-consumo. Neste período, 
também há um aumento de 14,7% na produção de plástico reciclado pós-consumo, 
chegando a mais de 1 milhão de toneladas. Esses dados são da pesquisa sobre a 
reciclagem mecânica do material para o ano de 2021, encomendado pelo Plano de 
Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast), parceria entre a Associação Brasileira da 
Indústria do Plástico (ABIPLAST), representante do setor de transformados plásticos e 
reciclagem, e a petroquímica Braskem. De qualquer forma, os plásticos são muito 
diversos, e devem ser repensados, quanto à possibilidade de substituição por outros 
materiais, como em relação aos copos descartáveis ou canudos descartáveis, grandes 
geradores de microplásticos que já foram encontrados em diversos animais no mundo, 
e até mesmo em placentas humanas. 
 
17 
 
 
Fonte: Shutterstock by Rawpixel.com 
Figura 2.2 – Reciclagem. 
A reciclagem deve ser uma alternativa, após ser repensado o consumo, após a recusa 
de materiais menos adequados, ou da redução do uso, ou ainda da reutilização destes 
materiais. 
2.2.2 Lixões e Aterros Sanitários 
O rejeito trata-se de um resíduo específico, no qual já se esgotaram as possibilidades 
de reciclagem, indo direto para aterro sanitário. 
O processo de urbanização sem planejamento, bem como a ausência de sistemas 
efetivos de gestão de resíduos, resultaram os lixões como um dos maiores problemas 
ambientais do mundo. Segundo a Abrelpe (2019), cerca de 40% dos resíduos sólidos do 
planeta vão para essas áreas, prejudicando a vida de cerca de 4 bilhões de pessoas. 
Uma das soluções é a criação de aterros sanitários, estratégia do governo brasileiro 
desde 2010 para desativar os lixões e promover uma melhor gestão daquilo que é 
descartado. 
O secretário de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (MMA), André 
França, indica que primeiro é preciso entender que existem lixões e aterros 
controlados, que se encontram na mesma categoria, e aterros sanitários, estruturas 
com infraestrutura controlada mais adequadas. Segundo o secretário André França: 
O lixão e o aterro controlado são muito parecidos e ambos não têm a ver 
com o aterro sanitário. O lixão não tem controle nenhum e o aterro 
controlado, como diz o nome, tem até um certo controle, mas sem garantia 
de adequação ambiental. Para não confundir, colocamos de um lado o lixão 
e o aterro controlado, que é a destinação irregular, e do outro o aterro 
sanitário, que é uma obra de engenharia preparada para isso. (BRASIL, 2020) 
 
18 
 
O Fundo Mundial para a Natureza(WWF) mostra que o Brasil é o quarto país no 
mundo que mais produz lixo. São mais de 11 milhões de toneladas por ano. Nosso país 
está atrás apenas de Estados Unidos (1º lugar), da China (2º) e da Índia (3º). Por outro 
lado, a Abrelpe mostra que o impacto dos lixões aqui no Brasil ocasiona um custo de 
mais de R$ 3 bilhões por ano para o sistema de saúde. 
Antes da criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída em agosto 
de 2010, todo o lixo brasileiro era descartado em lixões, áreas a céu aberto e sem o 
menor planejamento ou medidas de proteção ao meio ambiente e à saúde pública. 
Para desativar um lixão, porém, é necessário que outro destino ambientalmente 
preparado para os descartes esteja em pleno funcionamento, como é o caso dos 
aterros sanitários. 
Os aterros sanitários devem ser verdadeiras obras de engenharia para a proteção dos 
solos e lençóis freáticos. O solo que receberá o rejeito deve ser nivelado e todo o solo 
é impermeabilizado para que nenhuma substância possa contaminá-lo ou atingir os 
lençóis freáticos. E todo o processo de decomposição é monitorado (inclusive a 
drenagem do chorume, e canalização de gases metano produzidos). 
Mas, como o espaço é limitado, devemos voltar ao item anterior e repensar ao 
máximo, promover os 5 Rs da reciclagem para diminuir significativamente a 
necessidade de utilizar estes aterros sanitários, de maneira mais sustentável possível. 
 
Fonte: Shutterstock by AU USAnakul. 
Figura 2.3 – Aterro sanitário. 
Os aterros sanitários devem ser verdadeiras obras de engenharia para a proteção dos 
solos e lençóis freáticos. 
 
 
 
19 
 
2.3 Compostagem 
O Brasil gerou, no ano de 2018, aproximadamente 80 milhões de toneladas de 
resíduos sólidos urbanos, dos quais 92% foram coletados. Dos resíduos coletados 
apenas 59,5% foram encaminhados para os aterros sanitários, ao passo que 40,5% 
foram direcionados para lixões. Os resíduos sólidos urbanos depositados nos aterros 
sanitários são compostos por 51,4% de resíduos orgânicos. Entretanto, de acordo com 
a Política Nacional de Resíduos Sólidos apenas os rejeitos deveriam ser dispostos em 
aterro sanitário. Portanto, é possível afirmar que o encaminhamento dos resíduos 
orgânicos gerados no Brasil não é ambientalmente adequado. Portanto, de acordo 
com a PNRS a compostagem é uma das formas de destinação ambientalmente 
adequadas para os resíduos orgânicos. Contudo, apenas 1,6% dos resíduos orgânicos 
gerados no Brasil são destinados a processos de compostagem. 
A compostagem, segundo a Norma ABNT NBR 13591 (1996), pode ser definida como 
sendo o processo de decomposição biológica dos resíduos orgânicos, realizado em 
condições aeróbias, por meio da ação de um conjunto diversificado de organismos 
(principalmente fungos e bactérias). Ela tem vantagens por ser uma ferramenta de 
baixo custo e tem como principal objetivo a conversão de resíduos orgânicos em um 
fertilizante orgânico rico em micro e macronutrientes. Esses nutrientes podem ser 
aplicados em pequenas quantidades diretamente no solo, como adubo, melhorando 
suas características físicas, químicas e biológicas. Também pode ser utiliza-lo como 
substrato, acompanhado de outros componentes, para a produção de mudas ou 
plantio de qualquer espécie vegetal. 
A sociedade produz resíduos orgânicos, como, por exemplo: restos de alimentos, 
varrição de praças, podas de árvores, resíduos industriais etc. Esses possuem grande 
quantidade de nutrientes, que são perdidos diariamente quando despejados em lixões 
ou aterros sanitários. De forma paralela, a produção agrícola utiliza grande quantidade 
de fertilizantes para suprir as perdas de nutrientes pelo uso intensivo do solo. Quando 
os resíduos orgânicos são utilizados para a compostagem, e seu produto for útil na 
produção de alimentos, completa-se um ciclo virtuoso da matéria orgânica. Nesta 
utopia, toda a sociedade seria beneficiada, pois o solo recuperaria os nutrientes 
 
20 
 
perdidos a cada ciclo produtivo e os aterros sanitários têm sua longevidade 
aumentada. 
Neste contexto, resíduos orgânicos são de origem biológica (provenientes de animais, 
vegetais, fungos, ou partes destes), e, entre eles, diversos são possivelmente utilizados 
em composteiras. Por exemplo: cascas de frutas, legumes e verduras descartados no 
preparo de comidas; restos de pães, salgados e bolachas que possam ter passado da 
validade e terem estragado; filtros e borra de café e saquinhos e erva de chá usados; 
restos de comida cozida ou estragada; além de todos os tipos de papel sem tinta (uma 
vez que estas possuem elementos tóxicos como chumbo); também podem ser 
incluídos os restos de podas dos jardins (galhos, folhas secas, grama cortada), além de 
dejetos de animais em ambientes rurais. 
A compostagem pode ser definida como a reciclagem do resíduo orgânico. Este 
processo é um ciclo fechado (muito parecido com a economia circular). Isto é, um 
determinado alimento foi produzido na terra, ele foi cultivado, colhido e, 
posteriormente, apresentado em algum tipo de mercado, ele foi adquirido e foi 
possível utilizá-lo para fazer o almoço, mas, durante o preparo, sobraram resíduos (a 
casca de alguns legumes, por exemplo), esses resíduos podem ser separados e 
destinados para algum lugar que realize a compostagem, após esse processo, o 
composto orgânico pode ser retornado à terra, que produz o alimento. 
Existem algumas formas diferentes para destinar os resíduos orgânicos de forma 
correta. Aqui serão apresentadas três maneiras, de certa forma, bem práticas para 
compreensão, e até mesmo execução, inclusive em pequenas residências ou 
apartamentos. 
A primeira delas seria o enterramento, o qual deve ser planejado e executado em 
residências ou espaços com boa disponibilidade de áreas de terra, e com pequenas 
quantidades de resíduos orgânicos. Após cavar uma vala, os resíduos devem ser 
depositados em camadas (metaforicamente comparadas as camadas de uma lasanha), 
uma de matéria orgânica, como ele foi coletado, alternado por camadas de matéria 
orgânica seca (resíduos castanhos-marrons: restos de poda, resto de folha seca, 
serragem, os quais após secos geralmente tem a cor marrom ou castanha). Após esta 
 
21 
 
deposição, a vala deve ser fechada, com terra mesmo, de forma que não escape 
nenhum cheiro, para evitar possíveis vetores (ratos, baratas, moscas, pombos etc.). 
Outro método de compostagem seria uma deposição externa à terra. Seria também 
uma deposição em camadas, mas para cima do nível do solo. Em escalas municipais 
estas compostagens seriam feitas em leiras (amontoado em formato trapezoide) ou 
em pilhas. Deve-se delimitar a área a ser utilizada, e ela deve ser isolada, para evitar, 
novamente, a presença de vetores. Neste método, a base pode ser de terra, ou de 
concreto, uma vez que seja acima do solo. A altura deve ser viável, para que estas 
camadas sejam possivelmente reviradas de tempos em tempos (aproximadamente a 
cada 20 dias, até que o processo finalize em aproximadamente 90 dias). 
A terceira e última ideia de técnica de compostagem, é a vermicompostagem ou 
minhocário (feita com a presença de minhocas). Esta técnica foi pensada para uso em 
apartamentos. São caixas fechadas (preferencialmente de plástico duro – PVC, uma 
vez que facilita bastante a sua manutenção) com minhocas. As minhocas promovem a 
aeração e parte de decomposição, uma vez que, na natureza, elas se alimentam de 
vegetais em decomposição. Elas também se reproduzem rapidamente, gerando um 
ciclo bem satisfatório de compostagem. Três produtos desta compostagem serão: o 
húmus (composto produzido pelas minhocas); um biofertilizante líquido (o qual pode 
ser diluído, em até dez vezes, e que será muito bem-vindo como substrato de 
irrigação, rico em nutrientes – especialmente o nitrogênio), e, finalmente, a minhoca 
(que pode ser utilizada como isca para pesca, ou atividades educativastambém). 
Em alguns municípios, e até mesmo em alguns centros comunitários, existem 
programas de compostagem coletiva, e que promovem benefícios para toda a 
comunidade, e que pode arrecadar valores, para que, as pessoas que não tenham 
tempo, possam recolher os componentes orgânicos produzidos, e direcioná-los para 
quem possa realizar a compostagem e que contribua para fortalecer significativamente 
a sustentabilidade. 
 
22 
 
 
Fonte: Shutterstock by m.malinika. 
Figura 2.4 – Composteira doméstica: vermicompostagem. 
A minhocultura ou vermicompostagem é o processo de reciclagem de resíduos 
orgânicos por meio da criação de minhocas, podendo ser planejada e executada em 
espaços bem reduzidos, sendo uma importante alternativa para resolver 
economicamente e ambientalmente os problemas dos dejetos orgânicos. 
Conclusão 
Portanto, conclui-se que os resíduos podem representar um dos elementos da 
economia circular, podem fomentar a produção de biofertilizantes, ou ser minimizado 
com os 5 Rs da reciclagem, ou ainda serem destinados para aterros sanitários. 
REFERÊNCIAS 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE LIMPEZA PÚBLICA E RESÍDUOS ESPECIAIS. 
Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil. São Paulo: ABRELPE, 2019. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR 10.004/2004: Resíduos 
sólidos – Classificação. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR 13591: Compostagem. 
Rio de Janeiro: ABNT, 1996. 
 
23 
 
BRASIL. Congresso Nacional. Lei nº. 9.782, de 26 de janeiro de 1999. Define como 
Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, cria a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 
e dá outras providências. Diário Oficial da União, seção 1, Brasília, DF, 1999. Disponível 
em: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9782.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%209.
782%2C%20DE%2026%20DE%20JANEIRO%20DE%201999.&text=Define%20o%20Siste
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Acesso em: 19 jul. 2024. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Diário Oficial da 
União, Brasília, DF, 1988. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm. Acesso 
em: 19 jul. 2024. 
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Diferença entre lixão e aterro sanitário: Lixão x 
aterro sanitário: Saiba a diferença dos dois principais destinos do lixo brasileiro. Um é 
inapropriado e proibido. Outro, criados especificamente para isso. In. GOV: Ministério 
do Meio Ambiente, 28 fev. 2020. Disponível em: 
https://antigo.mma.gov.br/mmanoforum/item/15708-diferen%C3%A7a-entre-
lix%C3%A3o-e-aterro-sanit%C3%A1rio.html. Acesso em: 19 jul. 2024. 
BRASIL. Lei 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos 
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