Prévia do material em texto
FACULDADE SEQUENCIAL ENFERMAGEM M8 SWAN-GANZ SÃO PAULO MARÇO/2019 SWAN-GANZ Andréia Farias Beatriz Sicília Fabiane Souza Ivan Martinez Trabalho solicitado pelo professor Marcelo Henrique na disciplina de Processo de Enfermagem lll Como requisito de nota para o 1º semestre. Sumário Introdução ................................................................................................................... 4 1. Conceito .................................................................................................................. 5 2. Indicações ............................................................................................................... 5 3. Especificações do cateter........................................................................................ 5 3.1. Tipos..................................................................................................................... 5 3.2. Embalagem e armazenamento ............................................................................ 6 4. Materiais utilizados na introdução do cateter Swan-Ganz ....................................... 6 4.1. Colocando o introdutor do cateter Swan-Ganz ..................................................... 7 4.2. Passando cateter de Swan-Ganz ......................................................................... 7 4.3. Passagem do cateter de Swan-Ganz ................................................................... 7 4.4. Caminhos percorridos pelo cateter de Swan-Ganz .............................................. 9 4.5. Introduzindo o cateter e acompanhando pelo monitor ......................................... 9 5. Medidas de pressão .............................................................................................. 10 6. Assistência de enfermagem .................................................................................. 11 7. Considerações finais ............................................................................................. 12 8. Referências ........................................................................................................... 13 4 Introdução O método de Swan-Ganz, para cateterismo cardíaco, nas Unidades de Terapia Intensiva é completamente novo, tendo sido iniciado por volta de 1970, na Universidade da Califórnia, Los Angeles, com os médicos americanos William Ganz e Harold J. C. Swan, que aperfeiçoaram este tipo de cateter. Foram feitos estudos comparativos em animais e no homem, utilizando-se o método convencional do contraste e a novel. técnica de medida do Débito Cardíaco (D.C.) pelo termo diluição, concluindo-se a superioridade deste último, por ser mais simples, além de seguro. No Brasil, os primeiros estudos com Cateter de Swan-Ganz, foram iniciados em 1971, no Instituto "Dante Pazzanese" de Cardiologia, pelo Dr. Leopoldo Soares Piegas, chefe do Setor de Terapia Intensiva, trazendo possibilidades de conhecimento de certos parâmetros hemodinâmicos valiosos para o diagnóstico, prognóstico e tratamento de pacientes acometidos das mais graves entidades clínicas e complicações pós-operatória. As enfermeiras(os) indicadas para administrar uma Unidade de Terapia Intensiva, onde se pratica estas técnicas, devem ser altamente capacitadas e bem treinadas, com conhecimento científico mais aprofundado, tornando possível e facilitando a aplicação destes procedimentos sem complicações significativas e num intervalo de tempo relativamente curto. 5 1. Conceito O cateter de Swan-Ganz, constitui um método rápido para obter informações diagnósticas úteis, sem o uso do Raio-X, através da avaliação das pressões nas cavidades direitas, tronco e Artéria Pulmonar (A.P.), Capilar Pulmonar (C.P.) e débito cardíaco pelo termo diluição. 2. Indicações Tem sido usado no controle da função ventricular esquerda e aplicado na prevenção e tratamento da falência cardíaca em pacientes com Infarto Agudo do Miocárdio (I.A.M.), no controle da sobrecarga hídrica imposta pela infusão de líquidos e transfusões em pacientes com baixa reserva cardíaca; no controle pós-operatório de doentes submetidos à cirurgia cardíaca, na determinação do D.C pela termo diluição; na avaliação de efeitos clínicos e hemodinâmicos de drogas vasopressoras como nitroprussiato de sódio e dopamina e ainda como item importante, no diagnóstico diferencial entre algumas patologias cardíacas. 3. Especificações do cateter São construídos com material flexível (polyvinyl chloride), tendo diâmetro externo de 1,7 mm (5 F) e 110 cm de comprimento. Possuem uma ou dupla luz e na sua extremidade distai, situa-se um balão de látex com capacidade para 1 ml quando inflado e um termo receptor (termistor) destinado a captar as diferenças na temperatura sanguínea intracardíaca. Tem característica radiopaca e é fornecido estéril. 3.1. Tipos Duas vias: o cateter possui um grande lúmen, que termina na ponta do cateter e é através dele que os traçados pressóricos de A.P. e C.P. são monitorizados, as amostras de sangue venoso misto são colhidas e as soluções infundidas. O outro lúmen serve para inflar ou esvaziar o balão. Quatro vias: possui um lúmen distai que fica posicionado em A.P., com as finalidades citadas anteriormente. Outro, denominado proximal, termina mais ou menos a 30 cm da ponta, servindo para motorização da pressão atrial direita e infusão de líquidos 6 (soro gelado). uma 3.ª via do termistor, faz conexão do termo receptor com aparelho de D.C. (Débito Cardíaco). A última via é a do balão. 3.2. Embalagem e armazenamento O empacotamento tem por finalidade evitar o esmagamento do cateter. Para maior proteção o balão e o tubo estão envolvidos em revestimento plástico. A esterilização e a manipulação fora da embalagem, parecem contribuir para o esmagamento, por isso recomendasse que o cateter permaneça na embalagem até o uso. Devido sua construção especial, não é possível consertá-los. O período de armazenamento recomendado é de 1 ano, com data de expiração impressa em cada embalagem. A ultrapassagem do tempo previsto pode causar deterioração do balão, pois todos produtos de borracha. são influenciados pela atmosfera. Armazena-se sob condições que protejam os cateteres de variações extremas de temperatura e umidade. numa área de boa ventilação, protegidos da água e empilhados de maneira que evite o esmagamento. Deve ser empregada uma rotação de estoque, periodicamente. 4. Materiais utilizados na introdução do cateter Swan-Ganz Material de Flebotomia ou Intracath, campos cirúrgicos e campo fenestrado, avental e luvas estéreis. Gorro, máscaras, óculos de proteção. PVPI tintura, anestésico (lidocaína 2% s/vasoconstrictor), seringas descartáveis de 10 e 20 ml, agulhas descartáveis (40x12; 25x7), fios de algodão, lâmina de bisturi, torneiras de 3 vias. Soluções fisiológicas (500 e 250 ml), equipo simples (macrogotas), heparina (opcional). Bolsa pressurizadora, suporte de soluções e suporte para transdutores. Cateter de Swan-Ganz 7F, introdutor do cateter com dilatador venoso 8F, e kit de monitorização invasiva. Monitor com saídas para ECG e pressões invasivas. 7 4.1. Colocando o introdutor do cateter Swan-Ganz Todo o procedimento para inserção do cateter é realizado através da técnica de Seldinger, com uma pequena diferença descrita a seguir. Segundo CINTRA, é utilizado a técnica de Seldinger, e as veias de escolha são a jugular internae a subclávia. O médico, paramentado, deve verificar a integridade do balonete, e quem estiver auxiliando, deve puxar o sistema intra-flow para irrigar todas as vias do cateter de Swan-Ganz. Primeiramente abre-se apenas o kit com o introdutor, onde será feito a punção para sua introdução. Atenção: deixe para abrir o cateter de Swan-ganz e o sistema intra- flow após terminar todo o processo com o introdutor, para evitar excesso de material sobre a mesa. No procedimento, é realizado a punção da veia de escolha para introduzir o fio-guia metálico flexível. Então é feito um pequeno corte com a lâmina de bisturi para passar o dilatador através do fio-guia. Retira-se o dilatador e conecta-se junto o introdutor. Agora serão passados ambos (introdutor e dilatador) pelo fio-guia. É retirado então o fio-guia e a cânula plástica interna (dilatador) do introdutor e fixado à pele do paciente. A passagem do cateter de Swan-Ganz é feita através do introdutor venoso, posicionado em veia jugular interna ou subclávia. Agora, certifique-se que estejam todas as conexões estejam corretas e que o monitor esteja ligado e respondendo à manipulação do cateter junto à mão do médico. Coloca- se a bainha plástica sanfonada para facilitar o posicionamento sem contaminar o cateter caso ele venha se deslocar futuramente. 4.2. Passando cateter de Swan-Ganz Agora é o momento mais importante do procedimento, onde o enfermeiro e o médico (intensivistas) devem ter o domínio dos padrões que as curvas apresentam, de acordo com o posicionamento do cateter. 4.3. Passagem do cateter de Swan-Ganz Após a fixação do introdutor, parte-se para a introdução do cateter de Swan-ganz. 8 Abra sobre a mesa estéril o cateter de Swan-ganz e o Kit de monitorização (intra-flow). Neste momento, o médico lhe dará a parte do kit que contém o intra-flow, a conexão para o monitor e a conexão do equipo para a bolsa pressurizadora. Coloca-se o equipo que vem com o kit à solução (sol. fisiológica ou com heparina) e adapte à bolsa pressurizadora, pendurando tudo a um suporte de soluções. No suporte de soluções, coloque o suporte para transdutores, adaptando aos transdutores a serem utilizados e identificando suas vias (Pressão Arterial e Pressão Venosa). Então insufle a bolsa de pressão de 150 a 300 mmHg. Através do sistema de intra- flow, puxe o sistema para irrigar todo o prolongamento do(s) equipo(s). OBS: Dentro do kit de monitorização, estão todos os dispositivos para a irrigação contínua sob pressão. Prepara-se a solução a ser utilizada no sistema sob pressão (Solução fisiológica com ou sem heparina*). *Este sistema de irrigação, quando sob uma pressão de aproximadamente 300 mmHg, envia um fluxo para o cateter de 3 ml/h. Então, a literatura questiona o uso da heparina nesta solução, que se for usada, deve-se utilizar uma concentração de 1 U de heparina para cada 1 ml de solução fisiológica. Sempre siga a orientação do protocolo da unidade da instituição. Conecte o cabo do kit de monitorização ao cabo de pressão ou ao módulo do monitor. Agora, encontre o nível "zero" através da linha axilar média do paciente e nivele a torneirinha encontrada no transdutor a este ponto. Certifique-se que estejam todas as conexões estejam corretas, e que o monitor esteja ligado e respondendo à manipulação do cateter junto à mão do médico. Através do intra-flow, puxe para irrigar todas as vias do cateter (podendo estar utilizando um kit para cada via, ou apenas um kit, sedo necessário uma torneirinha de três via) É importante testar o balonete antes de iniciar todo o processo, certificando-se que não está com vazamentos ou outros problemas. Então inicia-se todo o processo. Coloque-se a bainha ou "camisinha" sobre o cateter e então introduza o cateter através do introdutor, observando sempre as curvas registradas no monitor. Serão as curvas que indicarão o caminho em que o cateter está percorrendo. 9 4.4. Caminhos percorridos pelo cateter de Swan-Ganz Relembrando os caminhos que existem para chegar até a artéria pulmonar e seus ramos direito e esquerdo, o cateter de Swan-ganz poderá entrar pelas veias cava inferior ou superior (a mais utilizada devido a facilidade da punção das veias jugular ou subclávia), percorrerá até o Átrio Direito, em seguida entra no Ventrículo Direito e finalmente alcançando a artéria pulmonar. 4.5. Introduzindo o cateter e acompanhando pelo monitor Introduza o cateter pelo introdutor. ele percorrerá seu caminho até encontrar a primeira câmara cardíaca, ou seja, o Átrio Direito (AD). Neste momento, haverá o registro no monitor de uma curva de PVC, com 3 ondas, a onda a, c e v e seus colapsos x e y. Então pode-se insuflar o balonete com ar (1,5 ml), permitindo que o fluxo sanguíneo dirija a ponta do cateter para o Ventrículo Direito. Os valores médios oscilam entre 3-5 mmH. Agora, através da ajuda do fluxo sanguíneo, dirija o cateter até a próxima câmara cardíaca, ou seja, o Ventrículo Direito (VD). Sabe-se que o cateter se encontra em VD devido a uma alteração na curva, apresentando esta uma oscilação ampla, com valores de 20-25 mmHg (sistólica) e 0-2 mmHg (diastólica). Também podem surgir algumas extra-sístoles durante a passagem do cateter pelo VD, principalmente pelo estímulo causado pela ponta do cateter sobre a parede do ventrículo. Quando é atingido a Artéria Pulmonar (AP), a curva se altera, surgindo uma pressão sistólica de 20-25 mmHG e diastólica de 8-12 mmHg. Como o balonete está insuflado, ao progredir com o cateter pela artéria pulmonar, o mesmo irá ocluir um dos ramos da artéria pulmonar, fazendo que apareça uma curva semelhante à da PVC, só que com valores médios um pouco maior, 8-12 mmHg. Também é semelhante ao valor da pressão diastólica da artéria pulmonar. Um dos testes existentes para uma maior certeza de que o cateter se encontra "capilarizado", ou seja, ocluindo a artéria pulmonar, a curva deve se alterar 10 imediatamente após a desinsuflação do balonete, entornando a curva da pressão da AP. Ao término de todo o processo, onde o cateter está posicionado corretamente na artéria pulmonar, e a curva de capilarizarão ou artéria pulmonar ocluída aparecem com facilidade durante o enchimento do balonete, o médico estende a bainha ou "camisinha" sobre o cateter (colocada antes de introduzir o cateter no paciente) para facilitar futuras manipulações sem contaminar o cateter caso o mesmo venha a se deslocar da artéria pulmonar. OBS: é importante não dar ponto nem amarrar o cateter ao introdutor, pois é muito frequente ter que manipular o cateter para melhor posicionamento. 5. Medidas de pressão Anteriormente ao desenvolvimento do cateter de fluxo dirigido com balão, do tipo Swan-Ganz, a única forma de se obter pressões do coração esquerdo era colocando um cateter diretamente no V.E. Atualmente a artéria pulmonar pode ser cateterizada rápida e seguramente em U.T.I., sem o auxílio de fluoro cópia. Através do cateter de Swan-Ganz mede-se as pressões sistólica, média e diastólica de A.P.; a média capilar, que reflete a pressão diastólica final de V.E., e a pressão de A.D. Em pacientes em que a pressão diastólica (P.D.) de A.D. e A.P. estão aumentadas, indicam Insuficiência cardíaca e quando estão decrescidas; hipovolemia (perda de líquidos). No choque cardiogênico as pressões de A.P. e C.P. estão elevadas. São considerados valores normais para: AD = 4 a 6 mmHg VD = 25 a 30/4 mmHg. AD = 25 a 30/12 CP = 12 mmHg VE = 120/12 até 4 mmHg. 11 A pressão diastólica de V.E. reflete a de C.P. Estando o cateter posicionado, sua via distai é lavada com solução heparinizada e conectada a um transdutor de pressão (Strain-Gauge). A cúpula sensitiva transforma a pressão do vaso num sinal elétrico que pode ser visualizadono osciloscópio de um monitor. Após as medidas de pressões de A.P.; o balão é inflado vagarosamente, nunca com volume superior a 0,8 ml, quando progredirá até 1 capilar distal, preenchendo a luz do vaso e concluindo o fluxo sanguíneo que vem do V.D., ficando o lúmen distai em contato com a pressão adiante do cateter que é igual a de V.E. Adaptando-se a via proximal do Cateter de Swan-Ganz ao transdutor, obtém-se a pressão de A.D. 6. Assistência de enfermagem Quanto ao paciente: a assistência psicológica: orientação quanto à natureza do exame, duração, métodos e objetivos. tricotomia local. região mediana dos MMSS (Membros Superiores) (Veia anticubital). região inguinal direita e esquerda (veia femoral região infra clavicular (jugular e subclávia). monitorização do paciente para controle eletrocardiográfico, posicionando os eletrodos de modo não atingir a área de inserção do cateter (subclávia) e deixando campo livre para possível cardioversão. colocação do paciente em decúbito dorsal, sem travesseiro, cama na posição horizontal e membros imobilizados para facilitar a passagem do cateter e medidas de pressões. 12 7. Considerações finais O uso de cateteres Swan-Ganz em cirurgia cardíaca permanece justificado, pois a taxa de complicações sérias é extremamente baixa. O benefício do monitoramento do cateter de Swan-Ganz em pacientes cardíacos selecionados pesa os riscos. Para manter essa taxa de complicações muito baixa e evitar armadilhas no gerenciamento do cateter de Swan-Ganz, são necessárias experiência e treinamento. Apesar do fato de que complicações sérias induzidas pelo cateter de Swan-Ganz parecem inevitáveis, seu uso em pacientes cardiovasculares selecionados para monitorização hemodinâmica é justificado. Concluímos, que o Cateter de Swan-Ganz veio nos fornecer dados mais rapidamente, sobre a situação real dos pacientes graves, antecipando a terapêutica indicada e consequentemente as possibilidades de recuperação do doente com a enfermagem participando ativa e diretamente, demonstrando habilidade, capacidade de discernimento, conhecimento científico e técnico. 13 8. Referências SLUNG, Hilton B.; SCHER, Kenneth S. Complications of the Swan-Ganz catheter. World journal of surgery, v. 8, n. 1, p. 76-80, 1984. LÓPEZ, A. Carrillo; SALA, M. Fiol; SALGADO, A. Rodríguez. El papel del catéter de Swan-Ganz en la actualidad. Medicina intensiva, v. 34, n. 3, p. 203- 214, 2010. MCNABB, T. G.; GREEN, L. H.; PARKER, F. L. A potentially serious complication with Swan-Ganz catheter placement by the percutaneous internal jugular route. British journal of anaesthesia, v. 47, n. 8, p. 895-897, 1975. LAUGA, Aina; PERRONE, Sergio V. Monitoreo de las presiones de la arteria pulmonar. Catéter de Swan-Ganz Parte III. Insuficiencia cardíaca, v. 2, n. 3, 2007. DE SOUZA RAMOS, Carla Cristina et al. Monitorização hemodinâmica invasiva a beira do leito: avaliação e protocolo de cuidados de enfermagem. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 42, n. 3, p. 512-518, 2008.