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Serviço Social – Tribunal de Justiça de São Paulo
Aula 02 Movimento de Reconceituação,
Crise e Renovação do Serviço Social
Professora Conceição Costa
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AULA 02
Serviço Social
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Movimento de Reconceituação,
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SUMÁRIO
AULA 02. O MOVIMENTO DE RECONCEITUAÇÃO NA AMÉRICA LATINA, NO BRASIL E
A RENOVAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL................................................................ 3
1. CONTEXTO HISTÓRICO E POLÍTICO NA AMÉRICA LATINA. .............................. 3
2. CRISE E RENOVAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL. ................................................. 6
3. O MOVIMENTO DE RECONCEITUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL E O PROCESSO DE
RENOVAÇÃO CRÍTICA DA PROFISSÃO A PARTIR DA DÉCADA DE 1980 NO BRASIL. 9
3.1. O MOVIMENTO DE RECONCEITUAÇÃO ...................................................... 13
3.2. O DEBATE: A DIMENSÃO POLÍTICA DA PROFISSÃO DE SERVIÇO SOCIAL. .... 17
3.3. CONTRIBUIÇÃO DO MOVIMENTO DE RECONCEITUAÇÃO NO SERVIÇO SOCIAL
LATINO AMERICANO ..................................................................................... 18
3.4. O PROCESSO DE RENOVAÇÃO CRÍTICA DO SERVIÇO SOCIAL BRASILEIRO. .. 19
QUESTÕES DE PROVAS ................................................................................. 25
GABARITO 1 ................................................................................................ 32
4. A RENOVAÇÃO PROFISSIONAL: A VERTENTE MODERNIZADORA, A VERTENTE DA
REATUALIZAÇÃO DO CONSERVADORISMO E A VERTENTE DA INTENÇÃO DE
RUPTURA. .................................................................................................... 33
4.1. SEMINÁRIO DE ARAXÁ: AFIRMAÇÃO DA PERSPECTIVA MODERNIZADORA. .... 33
4.2. SEMINÁRIO DE TERESÓPOLIS: CRISTALIZAÇÃO DA PERSPECTIVA
MODERNIZADORA. 35
4.3. SUMARÉ E BOA VISTA: PERSPECTIVA DE REATUALIZAÇÃO DO
CONSERVADORISMO. ................................................................................... 39
5. TRÊS DIREÇÕES DA RENOVAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL ................ 42
5.1. PRIMEIRA DIREÇÃO – PERSPECTIVA MODERNIZADORA. ............................. 44
5.2. SEGUNDA DIREÇÃO – PERSPECTIVA DE REATUALIZAÇÃO DO
CONSERVADORISMO. ................................................................................... 47
5.3. TERCEIRA DIREÇÃO - INTENÇÃO DE RUPTURA. ......................................... 48
QUESTÕES DE PROVAS ................................................................................. 53
GABARITO 2 ................................................................................................ 57
BIBLIOGRAFIA ............................................................................................. 58
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AULA 02. O MOVIMENTO DE RECONCEITUAÇÃO NA AMÉRICA LATINA,
NO BRASIL E A RENOVAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL.
Para ajudar na compreensão deste tema, apresento um breve resumo
do contexto histórico e político na América Latina, na década de 60 a 70.
Posteriormente, através de estudos de textos, apresento: a Crise e
Renovação do Serviço Social e o Movimento de Reconceituação. Enfoco o
Processo de Renovação Crítica da Profissão e suas Vertentes (Modernizadora,
Reatualização do Conservadorismo e Intenção de Ruptura).
1. Contexto Histórico e Político na América Latina.
América Latina (1968) - Movimento estudantil na América Latina.
Protestos motivados pela luta contra o subdesenvolvimento econômico e
contra a ditadura militar. Grandes contestações culturais
Argentina (1930 a 1976) - Sete golpes militares. Objetivo era sufocar
os movimentos populares e construir uma sociedade democrática
autônoma. Desenvolvimento social harmônico. Em 1966 - General
Juan Carlos Goiana destituiu o general Arturo com um golpe militar
“Revolução Argentina”. 1930-Confederação Geral do Trabalho.
Fortaleceu durante o governo de Juan Domingo Perón. Greves anos
60 atingiu seu ápice em 1969 com o Protesto em Córdoba (greves
eram organizadas pelos sindicalistas). Em 1969, Movimentação na
Argentina marcada pelo Corde baço;
Bolívia (1952 e 1964) -Com a existência de sistema multipartidário o
partido de esquerda obteve 90% dos votos dos camponeses. Central Operária
Bolivariana (COB) (Palco político com capacidade de nomear ministros) -
Pressionar a implementação de políticas públicas.
Bolívia (1964) - Golpe de Estado. Fim a existência pacífica entre partido e
sindicato. Durou até 1982. Esse golpe chefiado por René Barrentos Fortuno.
Durante esse período do governo militar foi descoberto uma organização
guerrilheira liderada por Ernesto Che Guevara. Era uma luta antiditatorial;
manifestações dos índios e camponeses por condições de vida. Che Guevara
foi morto em 9 de outubro de 1967.
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Brasil (maio de 1968) - Ditadura militar instaurada em 1964. Golpe
que destituiu o presidente João Goulart. O movimento estudantil
(1966) ganhou força com a morte do estudante Edson Luís de Lima
Souto, no Rio de Janeiro. Manifestação contra o preço da comida do
refeitório do Instituto Coorporativo de Ensino. O regime militar deu
aos estudantes uma razão a mais para lutar. O governo militar usou
os protestos como forma de justificar a aplicação do Ato Institucional
número cinco, o AL-5 que implantou a censura e enfraqueceu o
movimento estudantil.
Chile (1968) - País estava sob o governo da democracia cristã de
Eduardo Frei Montava. Sofria com dificuldades econômicas e a perda
de apoio político tornou insustentável a continuação do partido
democrata cristão no poder. Em1970, Salvador Allende do partido de
esquerda da União Popular é eleito presidente. Allende teve um clima
de rebelião, de busca de uma alternativa socialista que se distinguia
do movimento soviético tradicional. Em1973, militares chilenos
liderados pelo general Augusto Pinochet derrubaram o governo de
Allende com um golpe de Estado.
México (1968) - Palco de reivindicações de liberdade para os presos
políticos e autonomia universitária. O movimento foi reprimido por centenas
de mortos e militares presos. O país não vivia a ditadura. Presidente Gustavo
Días Ordaz Bolaños não tolerava protestos estudantis. Setembro de 1968 ele
ordenou ao exército que ocupasse o campus da Universidade Autônoma do
México (UNAM). Fim às manifestações. Os protestos foram reprimidos com
espancamentos e detenções. Dia 2 de outubro, depois de nove semanas de
greve, 15 mil alunos protestaram contra a ocupação da UNAM, foi usado o
exército para acalmar as manifestações, muitos morreram. Na época o
governo divulgou um total de quatro mortos e 20 feridos. Fontes não oficiais
divulgaram a morte de mais de 200pessoas.
Colômbia (1968) - Reforma constitucional realizada em 1968 atribuiu ao
presidente Carlos Restrepo importantes funções econômicas como o
planejamento das políticas públicas. Renasceram as lutas reivindicatórias
sindicais com base de promover a Revolução Cubana na Colômbia. A guerra
liberal foi convertida em movimento armado.
Paraguai (1960) - Estrutura estatal era representada pelo presidente
general Alfredo Stroessner. Seu poder era centralizado, reprimia com
violência as organizações ideológicas sociais, as entidades que as
representava as forças socioeconômicas foram excluídas politicamente.
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Década de 60: Movimento 14 de Maio e a Frente Unida da Libertação
Nacional. Os jovens dos partidos de oposição não conseguiram transformar a
luta em organização política que impedisse a formação de um governo
ditatorial, a guerrilha foi reprimida e seus representantes foram presos ou
mortos.
Peru (1968) - Início da ditadura militar que foi realizada para conter
a insurreição camponesa, baseada na revolução de Cuba. O
presidente Belaunde tentou implantar indústrias para contentar a
população e segurar as revoltas.
Uruguai (Anos 60) - País com crise econômica. Industrialização
estagnada a produção agrária, estava em baixa e o comércio
defasado. Violência como instrumento de luta pelo poder. Protestos
e problemas de inflação descontrolada. Fenômenos de corrupção
política e protestos foram contidos e seguidos do golpe militar de
1971.
América Latina
Décadas de 60 e 70- Confronto entre militares e terroristas na
América Latina, com isso surgiu Guerra Fria. Estratégias respectivas
das duas grandes potências em disputa: os EUA e a URSS (União das
Repúblicas Socialistas Soviéticas).
A Guerra Fria Estava espalhando o temor pelo rápido avanço do
chamado, pela extrema direita, perigo vermelho. As esquerdas
espelhavam-se nos regimes socialistas implantados em Cuba, China
e União Soviética. O temor ao comunismo influenciou a eclosão de
uma série de golpes militares na América Latina, seguidos por
ditaduras militares de orientação ideológica à direita, com o suposto
aval de sucessivos governos dos Estados Unidos da América, que
consideravam a América Latina como sua área de influência.
CUBA E CHINA
Cuba e China passaram financiar grupos de esquerda na América Latina,
iniciando um movimento para implantar o comunismo na região, o que de
certa forma influenciou na eclosão de uma série de golpes militares apoiados
e financiados pelos Estados Unidos, que temiam o avanço comunista no
Continente.
Os EUA não admitiam que os movimentos igualitários e de desenvolvimento
regionais fossem contaminados pela doutrina comunista de caráter stalinista
ou maoísta. Com a polarização das ideologias houve a eclosão de inúmeros
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golpes de estado financiados pelos governos americanos, soviéticos e
chineses.
2. Crise e Renovação do Serviço Social.
Neste tema vamos analisar a renovação do Serviço Social sob a
autocracia burguesa, enfocando o processo de renovação e a erosão do
Serviço Social tradicional no Brasil.
Devemos compreender que o processo de renovação do Serviço
Social se instaura em fins dos anos 50, até hoje. A década de 1960 foi
o período da efervescência da sociedade civil, em que se instaurou o
movimento de reconceituação, na busca de renovação da profissão
com a utilização da teoria social fenomenológica.
A análise deste tema mostra que nesse período, há perdas para
autocracia burguesa e para a sociedade civil, mas a profissão cresce e se
desenvolve. A profissão passa a relacionar-se com outros aportes teóricos
do conhecimento, se aproximando das Ciências Sociais.
Contexto
Até o final da década de 60, e entrando pelos anos 70, inclusive
no discurso e nas ações governamentais há um claro componente de
validação e reforço do que caracterizamos como Serviço Social
“tradicional”.
Com o crescimento do mercado de trabalho para o Assistente
Social, coloca-se para a profissão um novo tipo de padrão de exigências para
o seu desempenho profissional nas agencias estatais e nos espaços privados.
A reorganização do Estado, “racionalizado” para gerenciar o
processo de desenvolvimento em proveito dos monopólios, reconsidera as
políticas setoriais e toda a malha organização encarregada de planejá-las e
executá-las.
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As Reformulações:
Surgem a partir de 1966 – 1967;
Atinge primeiro o sistema previdenciário, na área organizacional
e funcional;
Implicou complexificação dos amparatos em que se inseriam o
Assistente Social;
Acarretou uma diferenciação e especialização das atividades dos
profissionais de Serviço Social;
Surge uma extensão quantitativa da demanda dos quadros
técnicos de Serviço social- (mercado de Trabalho: estatal, privado
e filantrópico).
O novo mercado de trabalho coloca para o Serviço Social um novo
padrão de exigências para o seu desempenho profissional no âmbito das
instituições estatais e privadas.
No curso deste processo, mudou o perfil do profissional demandado
pelo mercado de trabalho que as novas condições novas postas pelo quadro
macroscópico da autocracia burguesa faziam emergir.
A racionalidade burocrática administrativa rebate nos espaços
institucionais do exercício profissional e passa a requisitar do
Assistente Social:
Postura moderna;
Compatibilidade de desempenho com normas, fluxos, rotinas e
finalidades;
Revestir-se de características formais e processuais.
Neste contexto profissional, de controle e verificação e a crescente
interseção com outros profissionais, gerou-se o vetor de erosão do Serviço
Social tradicional.
Formação do Assistente Social
Produzir um profissional “moderno” implicava uma modificação nos
mecanismos vigentes da formação dos Assistentes Sociais. Surgem as
necessidades da refuncionalização das agências de formação dos Assistentes
Social aptas a romper com o confessionalismo, paroquialismo e
provincialismo. Há a expansão quantitativa das agências formadoras.
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A mudança foi gradativa das escolas. O discurso começa a ser
modificado. No final dos anos 60 as mudanças já eram sensíveis. O discurso
da renovação do conservadorismo foi forte.
O impacto operado no ingresso da universidade foi multifacetado e
contraditório:
Propiciou institucionalmente a interação das preocupações
técnicos profissionais com as disciplinas vinculadas as Ciências
Sociais:
A formação recebe de fato o influxo da sociologia, da psicologia
social e antropologia;
Viés tecnocrático e asséptico das disciplinas sociais (Universidade
da ditadura);
O conjunto de sequelas que o ciclo ditatorial imprimiuao quadro
educacional e cultural do país rebateu sobre a formação dos
Assistentes Sociais.
Recrutamento do pessoal docente tornou-se contraditório:
Agregou elementos que vinham da formação anterior e posterior
à implantação da ditadura;
Componente da docência se desenvolvera desigualmente.
A “modernização conservadora” revela-se inteiramente neste
domínio: redefine-se a base da legitimidade profissional ao se
redefinirem as exigências do mercado de trabalho e o quadro da
formação para ele.
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1. 2014/CESPE/TJ-SE. Julgue o item seguinte: Novas demandas
profissionais e dos espaços ocupacionais são determinadas pelo
movimento de reconceituação, o qual é responsável pelo
fortalecimento do serviço social tradicional.
Certo / Errado
Comentário: O novo mercado de trabalho coloca para o Serviço
Social um novo padrão de exigências para o seu desempenho
profissional no âmbito das instituições estatais e privadas. No
curso deste processo, mudou o perfil do profissional
demandado pelo mercado de trabalho que as novas condições
novas postas pelo quadro macroscópico da autocracia
burguesa faziam emergir. A racionalidade burocrática
administrativa rebate nos espaços institucionais do exercício
profissional e passa a requisitar do Assistente Social: postura
moderna; compatibilidade de desempenho com normas,
fluxos, rotinas e finalidades; revestir-se de características
formais e processuais.
Resposta Correta: Errado.
3. O Movimento de Reconceituação do Serviço Social e o Processo de
Renovação Crítica da Profissão a partir da década de 1980 no Brasil.
O Serviço Social é uma profissão cujo processo de construção não
aconteceu de forma contínua e linear, da sua gênese à sua trajetória sócio
histórico, possuem características complexas, que nem sempre são
apreendidas e compreendidas pela sociedade e até mesmo dentro da própria
categoria há apreensões divergentes quanto ao seu processo de
transformação e atuação profissional.
Como o Serviço Social tem hoje em sua fundamentação teórica e
prática o método dialético de Karl Marx?
Vamos compreender como uma profissão que surge no seio da Igreja
Católica, que teve sua base teórica os conceitos morais, confessional do
neotomismo, em meio a uma conjuntura sócio histórica e contexto
institucional, tem hoje em sua fundamentação teórica e prática o método
dialético de Karl Marx.
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De início vamos tentar compreender o processo de renovação
crítica do Serviço Social pontuando a denúncia do conservadorismo
profissional, iniciada ainda na década de 1960 e desenvolvida nas
décadas de 1970 a 1980, sob a influência do Movimento de
Reconceituação do Serviço Social Latino Americano,
contextualizando a conjuntura histórica da época e principalmente na
América latina.
O conservadorismo profissional
O Serviço Social tem em sua gênese, na sociedade capitalista
monopolista, mediante as necessidades da divisão sócio técnica do
trabalho, marcado por um conjunto de variáveis que vão desde a
alienação, a contradição ao antagonismo.
Neste contexto, no Brasil, o Serviço Social buscou afirmar-se
historicamente como uma prática de cunho humanitária, através da
legitimação do Estado e da proteção da Igreja, a partir da década de
1940.
O conservadorismo profissional pode ser identificado na prática
profissional desta época, onde ação profissional consistia em forma
de intervir na vida dos trabalhadores, ainda que sua base fosse à
atividade assistencial; porém seus efeitos eram essencialmente
políticos: através do “enquadramento dos trabalhadores nas relações
sociais vigentes, reforçando a mutua colaboração entre capital e
trabalho” (IAMAMOTO, 2004, p. 20).
Conforme Iamamoto (2004, p. 20-21) observa-se que
diferentemente da caridade tradicional, que se limitava à reprodução
da pobreza, a profissão propõe: uma ação educativa, preventiva e
curativa dos problemas sociais através de sua ação junto às famílias
trabalhadoras. Diferentemente da assistência pública, por
desconhecer a singularidade e as particularidades dos indivíduos, o
Serviço Social passa a orientar a “individualização” da proteção legal,
entendida como assistência educativa adaptada aos problemas
individuais. Uma ação organizativa entre a população trabalhadora,
dentro da militância católica, em oposição aos movimentos operários
que não aderiram ao associativismo católico.
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Conceito de conservadorismo profissional
Iamamoto e Carvalho conceituam o conservadorismo profissional
como:
[...] uma forma de intervenção ideológica que se baseia no
assistencialismo como suporte de uma atuação cujos efeitos são
essencialmente políticos: o enquadramento das populações pobres e
carentes, o que engloba o conjunto das classes exploradas. Não pode
também ser desligado do contexto mais amplo em que se situa a
posição política assumida e desenvolvida pelo conjunto do bloco
católico: a estreita aliança com o ‘fascismo nacional’, o constituir-se
num polarizador da opinião de direita através da defesa de um
programa profundamente conservador, a luta constante e encarniçada
contra o socialismo, a defesa intransigente das relações sociais
vigentes (CARVALHO, in IAMAMOTO e CARVALHO, 1988: 221-2).
Mediante esses elementos a autora enfatiza que o “Serviço Social
emerge como uma atividade com bases mais doutrinarias que científica, no
bojo de um movimento de cunho reformista-conservador” (IAMAMOTO, 2004,
p. 21). E mesmo com o processo de secularização e ampliação do suporte
técnico-científico da profissão, com o desenvolvimento das escolas e
faculdades de Serviço Social, sob influência das Ciências Sociais no marco do
pensamento conservador, do Serviço Social americano.
Com o processo de desenvolvimento econômico no Brasil
principalmente o desenvolvimento da indústria automotiva na década de
1950, as mazelas da “questão social”, demandaram aos assistentes sociais
uma ação profissional, de abordagem individual, grupal e de
comunidade.
Abordagem comunitária
A abordagem comunitária foi definida por Ammam como:
Um processo através do qual os esforços do próprio povo se unem aos
das autoridades governamentais, com o fim de melhorar as condições
econômicas, sociais e culturais das comunidades, integrar essas
comunidades na vida nacional e capacitá-la a contribuir plenamente
para o progresso do país (1984, p.32 apud ONU 1962, p.25).
A partir da incorporação teórica e metodológica da abordagem
comunitária no Serviço Social, conforme Netto (2005) os profissionais
passaram a sentir maior sensibilidade no tocante às questões
macrossociais, além disso, o autor destaca que esta forma de intervenção
estava “mais consoante com as necessidades e as características de uma
sociedade como a brasileira – onde a “questão social” tinha magnitude
elementarmente massiva”.Serviço Social – Tribunal de Justiça de São Paulo
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Esta nova realidade profissional vai marcar o início da erosão das bases
do Serviço Social “tradicional”, no qual “o assistente social quer deixar de ser
um ‘apostolo’ para investir-se da condição de ‘agente de mudança” (2005, p.
138).
Elementos para detectar a erosão do serviço social tradicional:
Neste contexto Netto (2005, p. 139), aponta três elementos
relevantes para a erosão do Serviço Social “tradicional":
1. “O reconhecimento de que a profissão ou se sintoniza com ‘as solicitações
de uma sociedade em mudança e em crescimento’ ou se arrisca a ver seu
exercício profissional ‘relegado a um segundo plano”;
2. “levanta-se a necessidade ‘de [...] aperfeiçoar o aparelhamento conceitual
do Serviço Social e de [...] elevar o padrão técnico, cientifico e cultural dos
profissionais desse campo de atividade”;
3. “à reivindicação de funções não apenas executivas na programação e
implementação de projetos de desenvolvimento”.
Fatores que identificaram a crise do Serviço Social tradicional:
1. Amadurecimento profissional e a sua relação em equipes
multiprofissionais;
2. Desligamento de segmentos da Igreja Católica mais tradicional e a imersão
de grupos católicos mais progressistas;
3. Participação do movimento estudantil nas escolas de Serviço Social;
4. O “referencial próprio de parte significativa das ciências sociais do período,
imantada por dimensões críticas e nacional–populares” (NETTO, 2005, p.
140).
Mediante aos fatores aqui expostos, Miranda e Cavalcanti (2005, p. 7)
destacam que se deu uma “crise ideológica, política e de eficácia” na
categoria profissional, na qual o Serviço Social questionava a sua
burocratização, “seu caráter importado e sua ligação com as classes
dominantes”.
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Consequências: três projetos para a profissão de Serviço Social:
1. A manutenção da matriz conservadora e tradicional;
2. Uma modernização conservadora;
3. E a ruptura com o conservadorismo, projeto este, herdado pelo
Movimento de Reconceituação do Serviço Social na América
Latina.
3.1. O Movimento de Reconceituação
O Movimento de Reconceituação foi um movimento que
aconteceu nos países latinos americanos (Chile, Argentina, Peru e
Uruguai), segundo Faleiros (1981), consistiu em um movimento de
crítica ao positivismo e ao funcionalismo e a fundamentação da visão
marxista na história e estrutura do Serviço Social.
2. 2015/CESPE/MPO. Julgue o item a seguir. O processo de reconceituação
do serviço social, no período de 1965 a 1975, é marcado pela relação com a
perspectiva positivista, a partir da qual prevalece a visão do homem como ser
abstrato e universal, e da sociedade como lugar em que ocorrem os processos
evolutivos, os quais independem da ação humana.
Certo / Errado
Comentários: O Movimento de Reconceituação foi um movimento que
aconteceu nos países latinos americanos (Chile, Argentina, Peru e
Uruguai), segundo Faleiros (1981), consistiu em um movimento de crítica
ao positivismo e ao funcionalismo e a fundamentação da visão marxista
na história e estrutura do Serviço Social. Netto esclarece que neste
contexto surgiram diferentes posicionamentos profissionais,
relacionados às concepções política, teórica e da própria profissão.
Portanto, não podemos afirmar que o movimento é marcado pela relação
com a perspectiva positivista, visto que também ocorreu a primeira
aproximação com o marxismo.
Resposta Correta: Errado.
Nos anos 60, os movimentos e lutas sociais, o desenvolvimento de
experiências reformistas na América Latina, o surgimento da revolução
cubana, a luta de guerrilhas e a reflexão em torno do processo de
dependência acentuaram a insatisfação de muitos assistentes sociais que se
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viam como ‘bombeiros’, chamados a apagar pequenos incêndios, a atuar no
efeito da miséria, a estabelecer contatos sem contribuir efetivamente para a
melhoria da vida cotidiana do povo. (FALEIROS, 1981, p.117).
CHILE
No Chile, segundo Faleiros a participação do movimento
estudantil no enfrentamento político global, e especificamente no
Serviço Social, é de extrema relevância, o que acarretou na
reorganização da escola de Serviço Social, cujo objetivo foi de
“transformar as práticas do Serviço Social, iniciando, impulsionando
novas práticas a partir dos estágios, e nas instituições num novo
dimensionamento teórico político” (FALEIROS, 1981, p.114).
Este direcionamento profissional não aconteceu alheio às relações
sociais, muito pelo contrário, uma vez que, os estágios curriculares
aconteciam dentro das “indústrias, institutos de reforma agrária, sindicatos,
centro sociais urbanos”, revelando, portanto, um “novo contexto social e
político em que as forças populares dos operários, camponeses e movimentos
urbanos estavam em fase de ascensão” (FALEIROS, 1981, p.114).
Em meio às lutas de classes, e reivindicações dos trabalhadores e
movimentos sociais, a escola de Serviço Social no Chile, “passou a organizar
o ensino do Serviço Social numa nova dinâmica de alianças com as forças de
transformação Social, dentro do projeto popular de construção de uma
sociedade socialista” (FALEIROS, 1981, p.114); para isso foi necessário um
compromisso da profissão com a classe trabalhadora, o que caracterizou
segundo Faleiros “numa ruptura com o Serviço Social paternalista ou
meramente desenvolvimentista” (FALEIROS, 1981, p.115).
O questionamento social, político, os movimentos sociais e as novas
exigências da acumulação do capital, a partir do pós-guerra, forma colocando
o Serviço Social como profissão numa posição de a - contemporaneidade com
o seu tempo, prestando favores, em vez de serviço, na base do consenso
religioso da colaboração de classes (FALEIROS, 1981, p.115).
O Movimento de Reconceituação trouxe para os assistentes
sociais a identificação político-ideológica da existência de lados
antagônicos – duas classes sociais antagônicas – dominantes e
dominados, negando, portanto, a neutralidade profissional, que
historicamente tinha orientado a profissão.
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3. 2012/CESPE/MPE-PI. A gênese da reconceituação do serviço social
na América Latina está relacionada ao questionamento sobre o papel da
profissão em face do subdesenvolvimento bem como a determinados
condicionantes, entre os quais, o surgimento de novos sujeitos políticos
e o impacto da Revolução Cubana.
Certo / Errado
Comentários: O processo de renovação crítica do Serviço Social é
atrelado ao circuito sócio-político e histórico da América Latina
nos anos de 1960. Período marcado pela efervescência dos
movimentos sociais, determinado tanto pela crise mundial do
padrão de acumulação capitalista, gerados após a II Guerra, comoà inserção dos países latinos na nova divisão internacional do
trabalho com a implantação da política econômica
desenvolvimentista que veio para ampliar as contradições e as
desigualdades sociais. Em meio a toda essa efervescência política,
destaca-se ainda os impactos da Revolução Cubana e os
movimentos políticos vinculados ao socialismo e ao marxismo
como a experiência do Chile.
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4. 2015/EBSERH/HU-UFG/AOCP. O movimento de
reconceituação do Serviço Social na América Latina teve lugar no
período de 1965 a 1975, impulsionado pela intensificação das lutas
sociais que se refratavam na Universidade, nas Ciências Sociais, na
Igreja, nos movimentos estudantis, dentre outras expressões. Sobre
esse movimento, assinale a alternativa INCORRETA.
(A) Ele expressa um amplo questionamento da profissão (suas
finalidades, fundamentos, compromissos éticos e políticos,
procedimentos operativos e formação profissional), dotado de uma
única vertente – a marxista.
(B) Assentava-se na busca da construção de um Serviço Social latino-
americano, na recusa da importação de teorias e métodos alheios à
nossa história.
(C) Era comprometido com as lutas dos “oprimidos” pela
“transformação social” e no propósito de atribuir um caráter científico
às atividades profissionais.
(D) Denunciava a pretensa neutralidade político ideológica, a
restrição dos efeitos de suas atividades aprisionadas em micro
espaços sociais e a debilidade teórica no universo profissional.
(E) Os assistentes sociais assumem o desafio de contribuir na
organização, capacitação e conscientização dos diversos segmentos
Comentários: O Movimento de Reconceituação foi um
movimento que aconteceu nos países latinos americanos
(Chile, Argentina, Peru e Uruguai), segundo Faleiros (1981),
consistiu em um movimento de crítica ao positivismo e ao
funcionalismo e a fundamentação da visão marxista na
história e estrutura do Serviço Social. O Movimento de
Reconceituação trouxe para os assistentes sociais a
identificação político-ideológica da existência de lados
antagônicos – duas classes sociais antagônicas –
dominantes e dominados, negando, portanto, a neutralidade
profissional, que historicamente tinha orientado a profissão.
Resposta Correta: Letra (A) Ele expressa um amplo
questionamento da profissão (suas finalidades,
fundamentos, compromissos éticos e políticos,
procedimentos operativos e formação profissional), dotado
de uma única vertente – a marxista.
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3.2. O Debate: A Dimensão Política da Profissão de Serviço Social.
Esta revelação abriu na categoria a possibilidade de articulação
profissional com o projeto de uma das classes, dando início ao debate
coletivo sobre a dimensão política da profissão.
Neste contexto podemos afirmar que o Movimento de
reconceituação do Serviço Social na América Latina constituiu-se
numa expressão de ruptura com o Serviço Social tradicional e
conservador; e na possibilidade de uma nova identidade profissional
com ações voltadas às demandas da classe trabalhadora cujo eixo de
sua “preocupação da situação particular para a relação geral –
particular”, e passa a ter “uma visão política da interação e da
intervenção” (FALEIROS, 1981, p.133).
Porém o Movimento de Reconceituação do Serviço Social na
América Latina foi interrompido pela repressão da ditadura militar na
América Latina, tornando-se então, conforme Netto (2005) um
movimento inconcluso e contido em sua história, principalmente na
academia no tocante ao ensino, pesquisa e extensão.
Entretanto, apesar da asfixia provocada pela ditadura nos
países chaves da América Latina, Netto destaca que:
[...] esta inconclusividade não fez do movimento algo
intransitivo, que não remeteria mais que a si mesmo. Ao
contrário, durante mais de dez anos, na sequência da década
de 1970, a parte mais significativa do espírito renovador da
reconceituação, processado criticamente, alimentou o que
houve de mais avançado no processo profissional latino-
americano. (2005, p. 15).
Este movimento de efervescência política possibilitou a
construção de uma proposta concreta de intervenção definindo
objeto e objetivos do Serviço Social para além do conservadorismo,
através da aproximação com o marxismo, até então.
A reconceituação é sem qualquer dúvida, parte integrante do
processo de erosão do Serviço social “tradicional” e, portanto, nesta
medida, partilha de suas causalidades e características como tal, ela
não pode ser pensada sem a referência ao quadro global (econômico-
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social, político, cultural e estritamente profissional) em que aquele
se desenvolve.
No entanto, ela se apresenta com nítidas peculiaridades,
procedentes das particularidades latino americanas; nas nossas
latitudes, “a ruptura com o serviço Social tradicional se inscreve na
dinâmica de rompimento das amarras imperialistas, de luta pela
libertação nacional e de transformação da estrutura capitalista
excludente, concentradora” (NETTO, 2005, 146 e apud Faleiros,
1987, p. 51).
O Movimento de Reconceituação do Serviço Social Latino
Americano trouxe para o Serviço Social brasileiro contribuições que
foram decisivas no processo de aceleração da ruptura do Serviço
Social tradicional, como podemos observar adiante.
3.3. Contribuição do Movimento de Reconceituação no Serviço Social
Latino Americano
O processo de renovação crítica do Serviço Social tem sua
marca atrelada ao circuito sócio-político e histórico da América Latina
anos de 1960. Período marcado pela efervescência dos movimentos
sociais, determinado tanto pela crise mundial do padrão de
acumulação capitalista, gerados após a I Guerra, como à inserção dos
países latinos na nova divisão internacional do trabalho com a
implantação da política econômica desenvolvimentista que veio para
ampliar as contradições e as desigualdades sociais. Em meio a toda
essa efervescência política, destacam-se ainda os impactos da
Revolução Cubana e os movimentos políticos vinculados ao
socialismo e ao marxismo como a experiência do Chile.
Todos estes fatores foram decisivos na inquietação dos assistentes
sociais quanto o seu papel profissional mediante as expressões da “questão
social”. As ações profissionais passaram a ser questionadas quanto a sua
eficácia mediante a realidade social brasileira, assim como os fundamentos
teóricos e metodológicos que fundamentavam sua prática.
O que resultou na união de um grande grupo heterogêneo de
profissionais “interessados em promover efetivamente o desenvolvimento
econômico e social”, marcando assim os primeiros passos para a renovação
profissional. (NETTO, 2005, p.10).
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Este grupo heterogêneo de assistentes sociais estava composto por
dois segmentos:
• O Primeiro grupo apontava para uma adaptação ou renovação do
Serviço Social frente a uma nova realidade, segundo Netto, este
grupo (rigorosamente desenvolvimentistas) apostava na
possibilidade de modernizar o Serviço Social atrelado aos projetos
desenvolvimentistas é o que este mesmo autor chamou de
“aggiornamento do Serviço Social”
• O segundo grupo era formado por jovens radicais que almejavam a
“ruptura com o passado profissional, de modo a sintonizar a profissão
com os projetos de ultrapassagem das estruturas sociais de
exploração e dominação” (NETTO, 2005, p. 10).
Segundo Netto estes segmentos posteriormente dividiram-se
em dois blocos:
Reformistas-democratas (radicalmente desenvolvimentistas);
Radical—democratas (para os quais o desenvolvimento supunha a
superação da exploração-dominação nativa e imperialista).
3.4. O Processo de Renovação Crítica do Serviço Social Brasileiro.
O processo de renovação crítica do Serviço Social é também
conhecido como o processo de ruptura do Serviço Social com o
tradicionalismo profissional. Este processo não aconteceu de
imediato, mas iniciou-se a partir de questionamentos e reflexões
críticas acerca do seu conteúdo metodológico e da sua prática
profissional, explicitando assim, os conflitos e contradições
existentes, configurando novas possibilidades de ação voltadas para
a classe trabalhadora.
Entretanto, conforme Netto, a ditadura militar instalada no Brasil em
1964 e posteriormente nos demais países da América - Latina, estagnou o
processo de Reconceituação do Serviço Social na América Latina que já havia
10 anos de efervescência.
Em meados dos anos 1970, a renovação profissional materializada na
reconceituação viu-se congelada: seu processo não decorreu por mais de
uma década. E seu ocaso não se deveu a qualquer esgotamento ou
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exaurimento imanente; antes, foi produto da brutal repressão que então se
abateu sobre o pensamento crítico latino-americano (NETTO, 2005, p. 10).
Porém, essa herança da reconceituação foi à base para a
renovação crítica do Serviço Social brasileiro na década de 1980,
conforme Netto (2005) “mesmo contida e pressionada nos limites de
uma década, a reconceituação marcou o Serviço Social latino-
americano”, podendo apontar pelo menos quatro conquistas
decorrentes desta época no Brasil:
1. Intercambio e interação profissionais com outros países “que
respondessem as problemáticas comuns da América Latina, uma
unidade construída autonomamente, sem as tutelas confessionais ou
imperialistas”.
2. A explicitação da dimensão política da ação profissional: até então
a ação profissional tinha uma dimensão “pretensão assepsia
ideológica”
3. A interlocução crítica com as ciências sociais: com a
reconceituação incorpora-se a crítica ao tradicionalismo, lançando as
bases para “uma nova interlocução do Serviço Social com as ciências
sociais, abrindo-se a novos fluxos (inclusive da tradição marxista) e
sincronizando-se com tendências diversificadas do pensamento
social então contemporâneo”;
4. A inauguração do pluralismo profissional: “a reconceituação
concedeu carta de cidadania a diferentes concepções acerca da
natureza, do objeto, das funções, dos objetivos e das práticas do
Serviço Social, inclusive como resultado do recurso a diversificadas
matrizes teórico-metodológicas”. (NETTO, 2005, p. 1- 12).
Conforme Netto a principal conquista do Movimento de
Reconceituação foi à recusa dos assistentes sociais em caracterizar-se
exclusivamente em agentes técnicos executor das políticas sociais. Através
do processo de requalificação principalmente com a introdução destes
profissionais no âmbito da pesquisa acadêmica foi possível romper com a
“divisão consagrada de trabalho entre cientistas sociais (os teóricos) e
assistentes sociais (os profissionais da prática) ” (NETTO, 2005, p. 12).
Entretanto, como não poderia deixar de ser, apesar de todo esforço
teórico-político para sintonizar o Serviço Social com uma racionalidade crítico
dialética, ainda era possível identificar alguns equívocos, limites e
contradições da profissão neste período, conforme Netto (2005, p. 13)
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“ativismo político que obscureceu as fronteiras entre a profissão e o
militantismo – de onde, por vezes, a hipostasia das dimensões políticas do
exercício profissional, posto então como oficio heroico e/ou messiânico”; a
“recusa às teorias importadas”; e o “Confucionismo ideológico” este
resultante das leituras das diversas interpretações equivocadas dos escritos
de Marx. Além destes, Silva e Silva (1995, p. 90-91) pontua a redução da
assistência ao assistencialismo e a negação da institucionalização, etc.
Netto destaca que no Brasil os impactos da Reconceituação
foram peculiares:
[...] o deslocamento do “serviço Social tradicional” por viés
desenvolvimentista-modernizante tornou compatível à
renovação do Serviço Social com as exigências próprias do
projeto ditatorial e permitiu a consolidação de um perfil
profissional bastante diverso do tradicionalismo. (2005, p. 16)
Paradoxalmente a ditadura militar que no Brasil proporcionou o
fortalecimento do conservadorismo no interior da profissão, foi também
responsável no primeiro momento a uma renovação modernizadora da
profissão ainda que sob uma direção fascista imposta por esta conjuntura,
possibilitou também a emergência da renovação da categoria profissional,
dando início ao processo de ruptura profissional, em ressonâncias das
tendências que, na Reconceituação, apontavam para uma crítica radical ao
tradicionalismo.
A retomada do conservadorismo pode ser percebida nos documentos
de Araxá e Teresópolis - estes marcam essa aproximação estrutural-
funcionalista - a manutenção de valores tradicionalistas, como os
neotomistas, associadas aos procedimentos positivistas, recuperados da
influência americana na profissão. Observa-se a necessidade da combinação
entre o conhecimento científico, através da apreensão das ciências sociais
positivistas, para instrumentalização técnica do fazer profissional, com o
resgate do valor da pessoa, da solidariedade, da comunicação individualizada.
Como destaca Netto:
[...] combinando senso comum, bom senso e conhecimentos extraídos
de contextos teóricos; manipulando variáveis empíricas segundo
prioridades estabelecidas por via de inferência teórica ou de vontade
burocrático administrativa; legitimando a intervenção com um discurso
que mescla valorações das mais diferentes espécies, objetivos políticos
e conceitos teóricos; recorrendo a procedimentos técnicos e a
operações ditadas por expedientes conjunturais; apelando a recursos
institucionais e a reservas emergenciais e episódicas - realizada e
pensada a partir desta estrutura heteróclita, a prática sincrética põe a
aparente polivalência (NETTO, 1992p. 103).
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Entretanto com a reativação dos movimentos sociais e operário sindical
nos meados dos anos de 1970 a 1980, em meio ao clima político de discussão
e de luta pela redemocratização do país, a cultura crítica é favorecida e
assumida pelos setores profissionais.
No Serviço Social, este contexto é responsável pelo impulso ao
processo de ruptura com o tradicionalismo, em uma parcela de assistentes
sociais, que passam a investir tanto na organização da categoria profissional
como na formação acadêmica, com a elaboração teórica e metodológica
orientada pelo método dialético marxista.
Netto destaca,
[...] o desenvolvimento de uma perspectiva crítica, tanto teórica
quanto prática, que se constituiu a partir do espírito próprio da
Reconceituação. Não se tratou de uma simples continuidade das
ideias reconceituadas, [...] antes, o que se operou foi uma retomada
da crítica ao tradicionalismo a partir das conquistas da reconceituação
(2005, p. 17).
O processo de ruptura só foi possível a partir da abertura
política, uma vez que a ditadura militar dos anos anteriores havia imposto
inúmeras dificuldades políticas para que o movimento de ruptura
acontecesse.
Vale ressaltar que este pensamento não era hegemônico, uma vez que
muitos profissionais permaneciam atuando sob a égide das orientações
modernizadoras e com a reatualização do conservadorismo cujo referencial
teórico - filosófico predominante era a fenomenologia.
Primeiros passos do processo de ruptura
Importante destacarmos que o processo de ruptura teve seus primeiros
passos através da academia, pois em meio à ditadura militar-fascista, era
este o espaço profissional possível e menos inseguro, para o desenvolvimento
do pensamento crítico marxista, não só em sala de aula, mas também através
dos projetos de pesquisa e extensão, possibilitando assim uma maior
aproximação com a prática profissional.
Neste contexto devemos salientar alguns fatores importantes
no processo de renovação crítica do Serviço Social na década de
1980:
A aprovação do novo currículo mínimo, pelo Conselho Federal de
Educação em 1982, representou um ganho significativo para a
perspectiva de intenção de ruptura;
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A aproximação do serviço Social “da discussão sobre a vida
cotidiana, através de autores como Lukács e Heller, Goldman,
Lefebvre”. (BARROCO, 2006, p. 174) e a presença da influência
Gramsciana em várias produções desta época e que possibilitou
novas reinterpretasses das possibilidades de renovação crítica,
influenciando assim a elaboração do Código de ética profissional
de 1986 que se configurou como elementos significativos no
processo de ruptura profissional, sobretudo, nos aspectos político
e teórico, expressando a influência do pensamento marxista no
Serviço Social. (BARROCO, 2006, p. 170).
Marco da intenção de ruptura - Método BH
Dentre as primeiras formulações do processo de ruptura que podemos
pontuar a experiência do Método BH, considerada um marco na intenção
de ruptura do Serviço Social brasileiro, na qual é possível identificar uma
proposta profissional alternativa de intervenção as tradicionais práticas,
apontando ao Serviço Social uma abordagem coletiva, mobilizadora,
incentivando a organização social nas reivindicações das necessidades da
classe trabalhadora.
Segundo Netto, o método BH configurou-se para,
[...] além da crítica ideológica, da denúncia epistemológica e
metodológica e da recusa das práticas próprias do tradicionalismo;
envolvendo todos estes passos, ele coroou a sua ultrapassagem no
desenho de um inteiro projeto profissional abrangente, oferecendo
uma pauta paradigmática dedicada a dar conta inclusive do conjunto
de suporte acadêmicos para a formação dos quadros técnicos e para a
intervenção do Serviço Social (NETTO, 2005, p. 276).
Outra formulação apontada por Netto na construção da intenção de
ruptura é a reflexão produzida por Marilda Villela Iamamoto, publicada em
1983 por ela e Raul de Carvalho, intitulado: Relações Sociais e Serviço Social
no Brasil: esboço de uma interpretação histórico-metodológica. Sinalizando a
“maioridade intelectual da perspectiva de ruptura – ponto de inflexão no
coroamento da consolidação acadêmica do projeto de ruptura e mediação
para o seu desdobramento para além das fronteiras universitárias” (NETTO,
2005, p. 275).
Todo esse processo ora apresentado vai resultar na construção de um
novo projeto ético – político profissional, vinculado a um projeto societário,
propondo uma nova ordem social, voltado à equidade e a justiça social, numa
perspectiva de universalização dos acessos aos bens e serviços relativos às
políticas sociais. Neste contexto a profissão busca o compromisso com a
classe trabalhadora, através do aprimoramento intelectual, baseada na
qualificação acadêmica e alicerçada na concepção teórico-metodológicas
crítica e sólida.
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Enfim, a tradição marxista vinculada ao Serviço Social ocorreu tanto
nos países de capitalismo avançado como na América do Norte e Europa
Ocidental, como nos países em desenvolvimentos da América Latina. Esta
relação não aconteceu por acaso, foi fruto da crise da profissão com a herança
conservadora tradicionalista, da pressão exercida pelos movimentos sociais
revolucionários e ainda pela atuação do movimento estudantil.
Esta relação do Serviço Social com a teoria marxista foi possível para
compreender o significado social da profissão, contribuir na reflexão de
intervenção sócio profissional e, sobretudo para fundamentar a teoria e a
prática profissional. Cuja conquista fundamental foi “a consciência do
profissional de sua condição de trabalhador, que rebate na organização
política da categoria e na reflexão marxista que, gradativamente, se apropria
da realidade social, apreendendo o trabalho como elemento fundante da vida
social” (BARROCO, 2006).
Como vimos o Serviço Social no Brasil é caracterizado, pela
herança do Movimento de Reconceituação, pois, como bem afirma
Netto (2005), é impossível imaginar o Serviço Social crítico, sem
atrelá-lo a esta herança, mesmo tendo a convicção de que há uma
pluralidade ideológica e teórica, própria da diversidade que é
formada a categoria profissional, ainda que sob a égide de um projeto
ético-político que faz a crítica ao tradicionalismo.
5. 2014/CESGRANRIO/CEFET-RJ. O processo de renovação do serviço
social brasileiro teve como primeira expressão as formulações
profissionais da perspectiva
a) humanista
b) conservadora
c) reformista
d) modernizadora
e) intenção de ruptura
Comentários: O movimento de Reconceituação do Serviço Social,
envolveu predominantemente três momentos distintos: 1-
modernização conservadora (caracterizado pelo funcionalismo/
positivismo); 2-reatualização do conservadorismo (fenomenologia/
diálogo-pessoa-transformação social); 3-intenção de ruptura
("marxismo sem Marx").
Resposta Correta: Letra d) modernizadora.
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QUESTÕES DE PROVAS
1. 2014/CESPE/TJ-SE. Julgue o item seguinte: Novas demandas profissionais e dos
espaços ocupacionais são determinadas pelo movimento de reconceituação, o qual é
responsável pelo fortalecimento do serviço social tradicional.
Certo / Errado
Resposta Correta: Errado.
2. 2015/CESPE/MPO. Julgue o item a seguir: O processo de reconceituação do serviço social,
no período de 1965 a 1975, é marcado pela relação com a perspectiva positivista, a partir da
qual prevalece a visão do homem como ser abstrato e universal, e da sociedade como lugar
em que ocorrem os processos evolutivos, os quais independem da ação humana.
Certo / Errado
Resposta Correta: Errado.
3. 2012/CESPE/MPE-PI. Julgue o item seguinte: A gênese da reconceituação do serviço
social na América Latina está relacionada ao questionamento sobre o papel da profissão em
face do subdesenvolvimento bem como a determinados condicionantes, entre os quais, o
surgimento de novos sujeitos políticos e o impacto da Revolução Cubana.
Certo / Errado
Resposta Correta: Certo.
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4. EBSERH/HU-UFG/AOCP/2015. O movimento de reconceituação do Serviço Social na
América Latina teve lugar no período de 1965 a 1975, impulsionado pela intensificação das
lutas sociais que se refratavam na Universidade, nas Ciências Sociais, na Igreja, nos
movimentos estudantis, dentre outras expressões. Sobre esse movimento, assinale a
alternativa INCORRETA.
(A) Ele expressa um amplo questionamento da profissão (suas finalidades, fundamentos,
compromissos éticos e políticos, procedimentos operativos e formação profissional), dotado
de uma única vertente – a marxista.
(B) Assentava-se na busca da construção de um Serviço Social latino-americano, na recusa
da importação de teorias e métodos alheios à nossa história.
(C) Era comprometido com as lutas dos “oprimidos” pela “transformação social” e no
propósito de atribuir um caráter científico às atividades profissionais.
(D) Denunciava a pretensa neutralidade político ideológica, a restrição dos efeitos de suas
atividades aprisionadas em micro espaços sociais e a debilidade teórica no universo
profissional.
(E) Os assistentes sociais assumem o desafio de contribuir na organização, capacitação e
conscientização dos diversos segmentos
Resposta Correta: A alternativa incorreta - Letra (A) Ele expressa um amplo
questionamento da profissão (suas finalidades, fundamentos, compromissos
éticos e políticos, procedimentos operativos e formação profissional), dotado de
uma única vertente – a marxista.
5. 2014/CESGRANRIO/CEFET-RJ. O processo de renovação do serviço social
brasileiro teve como primeira expressão as formulações profissionais da perspectiva
a) humanista
b) conservadora
c) reformista
d) modernizadora
e) intenção de ruptura.
Resposta Correta: Letra d) modernizadora.
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6. 2013/VUNESP/FUNDAÇÃO CASA. Em meados dos anos 60, a mobilização social e
política da sociedade e a mobilização interna dos assistentes sociais põem em destaque a
crise da profissão: sua desqualificação no mundo científico-acadêmico, sua inadequação
metodológica com a divisão em Serviço Social de caso, de grupo e desenvolvimento de
comunidade e a ausência de uma teorização articulada. Nesse sentido, o movimento de
reconceituação vem provocar mudanças significativas, tanto no arcabouço teórico do
Serviço Social, quanto na atuação dos assistentes sociais. No Brasil, passou a predominar
no meio acadêmico, em meados dos anos 1980, a corrente marxista estruturalista, que
enfoca o Serviço Social na perspectiva da reprodução do sistema capitalista. De acordo
com esse ponto de vista, o Serviço Social
a) é o responsável pela elaboração de políticas públicas, de corte social, que possibilita
acessos, ainda que focalizados, a serviços públicos.
b) está incumbido de combater a fome, fundamento esse assentado na teoria do estado
de bem-estar social
c) é compreendido em seu aspecto endógeno, ainda que situado no contexto das relações
sociais mais amplas.
d) é um executor de políticas sociais que intervém na questão social por meio de um
instrumento peculiar que é a política social.
e) é comumente analisado sob o ponto de vista de seu status quo, mediante as
contradições e os consensos que lhe dão sustentação
Resposta Correta: Letra d) é um executor de políticas sociais que intervém na
questão social por meio de um instrumento peculiar que é a política social.
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7. 2013/VUNESP/FUNDAÇÃO CASA. Na esteira do Movimento de Reconceituação, uma
das teorias que influenciaram o Serviço Social como portadora de um conceito sobre a
relação Estado/Instituições Públicas, que considerava tais instituições como aparelhos
ideológicos do Estado, tem como seu principal expoente
a) Michael Lowy
b) Gramsci.
c) Mannheim
d) Max Weber.
e) Althusser
Comentário: Althusser é amplamente conhecido como um teórico das ideologias. O seu
ensaio mais conhecido é Idéologie et Appareils Idéologiques D'état (Ideologia e
Aparelhos Ideológicos do Estado). O ensaio estabelece seu conceito de ideologia, que
relaciona o marxismo com a psicanálise. A ideologia, para ele, deriva dos conceitos do
inconsciente e da fase do espelho (de Freud e Lacan, respectivamente), e descreve as
estruturas e sistemas que permitem um conceito significativo do eu. Estas estruturas,
para Althusser, são tanto agentes de repressão quanto são inevitáveis A ideologia, para
Althusser, é a relação imaginária, transformada em práticas, reproduzindo as relações
de produção vigentes. Na realização ideológica, a interpelação, o reconhecimento, a
sujeição e os Aparelhos Ideológicos de Estado (AIE), são quatro categorias básicas. Em
seu discurso sobre a Ideologia é patente sua preocupação em encontrar o lugar da
submissão espontânea, o seu funcionamento e suas consequências para o movimento
social. Para ele, a dominação burguesa só se estabiliza pela autonomia dos aparelhos
(de produção e reprodução) isolados. O mito do Estado, como entidade incorporada pelos
cidadãos e como instituição acima da sociedade, aparece, também no estruturalismo
marxista de Althusser sob a forma de "a instituição além das classes e soberana". Assim
os Aparelhos Ideológicos do Estado são a espinha dorsal de sua teoria. A teoria dos
Aparelhos Ideológicos de Estado constrói uma visão monolítica e acabada de
organização social, onde tudo é rigidamente organizado, planejado e definido pelo
Estado, de tal sorte que não sobra mais nada para os cidadãos. Não há mais nenhuma
alternativa a não ser a resignação ante o Estado onipresente e absolutamente
dominante. A visão extremamente simplista dos aparelhos ideológicos como meros
agentes para garantir o desempenho do Estado e da ideologia atraiu para Althusser as
frequentescríticas de funcionalismo. Isto se deve ao fato de que ele não inclui nas suas
preocupações questionamentos sobre o surgimento desses aparelhos ideológicos e
sobre sua lógica, conforme a época. Não há a noção de continuidade histórica e cada fase
é uma fase em si, dentro da qual as diferentes instituições se articulam, sempre de forma
relativa. Assim a igreja - ou a religião -, por exemplo, não é o resultado de uma
sedimentação histórico-cultural de ideias e visões do mundo, trabalho de séculos dos
organizadores da cultura; não, a igreja é a instituição e seu funcionamento só é captado
dentro da lógica respectiva do momento analisado. A dimensão da "tradição de todas as
gerações mortas que oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos" (Marx) desaparece.
a) Teoria da Ideologia e Utopia - Michael Lowy; b) Teoria do Estado Ampliado – Gramsci;
c) Teoria do Conhecimento – Mannheim; d) Teoria da Sociologia da Dominação - Max
Weber; e) Teoria dos Aparelhos Ideológicos de Estado – Althusser.
Resposta Correta: Letra E) Althusser.
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8. 2012/VUNESP/TJ-SP.O movimento de Reconceituação do Serviço Social emergiu na metade
dos anos 1960, prolongou-se por uma década e foi, na sua especificidade, um fenômeno tipicamente
latino-americano. De acordo com apontamentos de Iamamoto (1999), tal como se expressou em
sua tônica dominante na América Latina, o movimento de Reconceituação representou um marco
decisivo no desencadeamento
a) da definição de objetivos claros comprometidos com a sociedade de classes postos ao Serviço
Social.
b) do processo de revisão crítica do Serviço Social no continente.
c) de posições favoráveis ao rompimento com princípios marxistas orientadores do conjunto
teórico profissional.
d) da configuração da prática profissional vigente até os dias atuais.
e) da tendência conservadora presente nas propostas de políticas públicas estatais.
Comentário: O movimento de reconceituação, tal como se expressou em sua tônica
dominante na América Latina, representou um marco decisivo no desencadeamento do
processo de revisão crítica do Serviço Social no continente. O exame da primeira
aproximação do Serviço Social latino americano à tradição marxista se impõe como um
contraponto necessário à análise do debate brasileiro contemporâneo. O propósito é tão-
somente situar aquele movimento na sua gênese, tendo em vista analisar
posteriormente o tipo de relação com ele estabelecida pela produção brasileira do
Serviço Social nos anos 1980.
Resposta Correta: Letra b) do processo de revisão crítica do Serviço Social no continente.
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9. 2012/VUNESP/TJ-SP. Conforme destaca Iamamoto (2009), se a reconceituação
viabilizou a primeira aproximação do Serviço Social com o marxismo por rotas tortuosas,
o primeiro encontro do Serviço Social com a obra marxiana, dela decorrendo explícitas
derivações para a análise do Serviço Social, deu-se no Brasil na década de ____________.
A vertente marxista no Serviço Social teve seu espaço de ______________ ampliado e
sua legitimidade reforçada à medida que, no seu processo de maturação intelectual, foi se
munindo teórica e _____________ de elementos analíticos que lhe permitiram um diálogo
íntimo com as fontes inspiradoras do conhecimento.
Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas do texto.
a) 1950 … compreensão … praticamente
b) 1970 … discussão … conceitualmente
c) 1940 … análise … operacionalmente
d) 1980 … difusão … metodologicamente
e) 1960 … consolidação … funcionalmente
Comentário: Década de 80, Relações Sociais e Serviço Social (Iamamoto). O
grande marco literário do serviço social, ao que condiz aproximação com a teoria
social marxiana.
Resposta Correta: Letra d) 1980 … difusão … metodologicamente.
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10. 2011/CESPE/TJ-ES. O movimento de reconceituação do serviço social produziu
reflexões sobre as práticas institucionais e, independentemente das correlações de forças
existentes no interior das instituições, transformou significativamente o fazer profissional
do assistente social.
Certo / Errado
Comentário: Não é independentemente da correlação de forças no interior das
instituições. Segundo Faleiros (1991): "Transformar essas relações de força nas
instituições de Serviço Social implica, pois, capacitar-se para a construção de
categorias de análise que permitam dar conta da estrutura e da conjuntura, das
correlações de força para vincular, no cotidiano, o problema e a força, o técnico
e o político. É na correlação de forças que se definem os problemas e também é
por ela que são resolvidos. [...] A análise de conjuntura, evidentemente
compreendendo a conjuntura institucional, visa o estabelecimento de estratégias
e táticas para fortalecer o polo popular, a mudança de correlação de forças que
determina o objeto de sua demanda e suas alternativas de ação. O Código de
Ética de 1986 no Capítulo II Das Relações com as Instituições legitima como
direito do Assistente Social administrar, executar e repassar os serviços sociais
visando também fortalecer as novas demandas de seus usuários e a alteração da
correlação das forças do interior da instituição para reformulação de sua
natureza, estrutura e programas visando assim privilegiar os interesses da classe
trabalhadora.
Resposta Correta: Errado
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GABARITO 1
1 ERRADO
2 ERRADO
3 CERTA
4 LETRA A
5 LETRA
D
6 D
7 E
8 B
9 D
10 ERRADO
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4. A Renovação Profissional: a vertente modernizadora, a vertente da
reatualização do conservadorismo e a vertente da intenção de
ruptura.
Dando continuidade a abordagem do processo de renovação do Serviço
Social, podemos perceber que o exame do tema estudado permite afirmar
que, erodida a base do Serviço Social “tradicional”, a reflexão profissional se
desenvolveu diferencialmente – quer cronológica, quer teoricamente – em
três direções principais, constitutivas do processo de renovação.
A Direção da Renovação do Serviço Social.
Segundo José Paulo Netto o processo de renovação do serviço
social constitui em três momentos de ruptura:
A primeira diz respeita a perspectiva modernizadora que
encontraa sua formulação afirmada nos seminários de teorização do serviço
social organizado pelo CBCISS em Araxá (março 1967) e Teresópolis
(janeiro 1970) no sentido de inserir os profissionais num viés moderno de
teorias e técnicas para novos instrumentos que possam responder as
demandas da ordem do desenvolvimento capitalista.
Com o golpe de abril, ocorreu uma ampliação do mercado de trabalho
dos assistentes sociais com criações de instituição e organizações estatais
que por sua vez submetida ao estado ditatorial e sua racionalidade
burocrática assim contribuindo para reduzir as suas expressões na (auto)
reapresentação dos assistentes sociais.
4.1. Seminário de Araxá: afirmação da perspectiva modernizadora.
Outro ponto que teve influência neste conservadorismo do serviço
social foi o Seminário de Araxá que se manifestou de diversas formas, uma
delas é a diferenciação entre níveis de intervenção macrossocial e
microssocial.
No macrossocial o perfil do profissional do assistente social está
voltado para a formulação de políticas sociais (moderna), e no nível do
microssocial o papel do assistente social está na execução terminal das
políticas (tradicional), numa relação direta com o usuário dos serviços.
Por ter como pano de fundo o positivismo na forma de estrutural-
funcionalismo, trata-se de um princípio de globalidade que sustenta o
indivíduo que deve ser analisado na sociedade para uma análise baseada na
cristalização, desenvolvendo assim um comportamento adaptativo.
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SEMINÁRIO DE ARAXÁ
Documento De Araxá
Reflexão de 38 Assistentes Sociais;
Reposição de traços históricos da prática profissional – atuação microssocial – “junto a
indivíduos com desajustamentos familiares e sociais” – “derivado de estruturas sociais
inadequadas” – atuação macrossocial.
Observa-se:
A reposição de traços históricos da prática profissional: atuação microssocial junto aos
indivíduos com desajustamentos familiares derivados de estruturas sociais inadequadas.
O Neotomismo, humanismo abstrato e eticista da realização integral do homem, postulados
da perfectibilidade, sociabilidade e dignidade humana.
O desenvolvimento compreende a participação/integração: As disfunções colocam-se como
objeto de intervenção porque o equilíbrio dinâmico do sistema guarda potencial para corrigi-
las.
Discurso: tradicional e moderno
Contexto
Processo de desenvolvimento global. Há exigências impostas em países ou regiões
subdesenvolvidas. Surge para a profissão de Serviço Social a necessidade de “romper o
condicionamento de sua atuação ao uso exclusivo dos processos de Caso/Grupo/Comunidade e
rever seus elementos constitutivos elaborando e incorporando novos métodos e processos”.
O documento de Araxá vai na direção desse “momento” entendido como ruptura com a
exclusividade do tradicionalismo – na realidade não há rompimento – há captura do
“tradicional sob novas bases”.
O Documento de Araxá
1. Objetivos da Profissão: remoto e profissionais.
Postulados: “ dignidade da pessoa humana, sociabilidade essencial da pessoa humana e
perfectibilidade humana”, derivados do neotomismo - abstrato-idealizado e a-histórico, não atenta
para o caráter histórico temporal.
2. Intervenção
3. Planejamento e Administração – Serviço Social
4. Funções do Serviço Social
Princípios Operacionais
Perspectiva de globalidade da realidade social. Participação do homem no processo de
mudança.
Implicações Significativas
Reconhece a debilidade indicativa instrumental dos “postulados (abstrato/a-histórico).
Confere nova fundamentação “ a participação (contraface a integração). Tenta avançar sobre
noção de globalidade.
Dado Distintivo
Menção do Sistema Social.
Sai do campo ético do neotomismo para o terreno teórico do estrutural-funcionalismo.
Globalidade: perspectiva das relações sistêmicas-integrativas do indivíduo e sociedade.
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Funções do Serviço Social
O documento de Araxá reconhece que as funções se efetivam em dois níveis:
Micro atuação: operacional, administração e prestação e serviços
(caso/grupo/comunidade).
Macro atuação: integração – funções do Serviço Social a nível de política e planejamento
para o desenvolvimento.
Fulcro renovador pontuado no documento de Araxá
A demanda do macro atuação revela-se ao ponto arquimédico da sua dinâmica. É ela quem
comanda todas as reflexões novas do documento em face do passado profissional.
DOCUMENTO DE ARAXÁ (Netto:1994: páginas 167 até 177).
Rebate a demanda específica dos profissionais e a demanda técnico-funcional através de uma
frente renovadora;
Não se abria qualquer espaço de polemização acerca dos conteúdos das políticas sociais – o
documento é omisso quanto a esta polemização;
Transformismo paramenta a reflexão de Araxá (tradicionalismo sob novas bases);
Mudanças devem ser induzidas via planejamento e integração;
A priorização é econômica e tecnológica;
As dimensões sociais e política são associadas à cultura e à administração;
Eixo é o bem-estar social;
A integração é escamoteada;
Indivíduos, grupos e instituições – Constituem objeto de intervenção para os técnicos do
desenvolvimento;
O documento reduz a teorização a “ uma abordagem técnica operacional” em função do modelo
básico de desenvolvimento (CBCISS; 199:21);
Existe uma clara dominância teórica a enformar o documento de Araxá – o referência
estrutural-funcionalista;
O paradigma é extraído das teorias de ação social;
Documento Consensual entre seus formuladores.
4.2. Seminário de Teresópolis: cristalização da perspectiva
modernizadora.
Outro seminário que marcou também foi o de Teresópolis, com o
propósito de analisar a questão da metodologia do serviço social, onde três
documentos constituíram o objetivo desta reflexão são eles: Lucena Dantas,
Costa e Soeiro.
Neste sentido as ideias apresentadas por Lucena Dantas são as mais
relevantes. Para Dantas o método do profissional é o método cientifico que
opera através de diagnósticos e a intervenção planejada.
GRUPOS A e B
Outro fator que entra em destaque neste mesmo documento foi o
debate de dois grupos (A e B), onde poderão analisar e colocar suas
propostas e conclusões. O grupo A expressou o alto nível de natalidade, já
no grupo B supõe três níveis de atuação para o serviço social (prestação
direta de serviços, administração de serviços sociais e planejamento) mais
tanto o “A” como o “B” procura uma teoria que esteja relacionada com a
pratica do serviço social.
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SEMINÁRIO DE TERESÓPOLIS
Documento de Teresópolis.
O documento de Teresópolis tem características diversas. No texto de
Teresópolis o que se tem é o coroamento do transformismo – nele o
moderno triunfa sobre o tradicional. Cristaliza-se operativa e
instrumentalmente. A perspectiva modernizadora afirma-se como concepção
profissional geral e como pauta interventiva. Há continuidadeentre os dois
documentos. Dantas debate em torno dos “Fundamentos da Metodologia do
Serviço Social”.
Três textos constituíram o objeto desta reflexão:
1. “Introdução às questões de Metodologia. Teoria do diagnóstico e
intervenção em Serviço Social”, de COSTA (1978);
2. “ Bases para reformulação da metodologia do Serviço Social, de
SOEIRO (1978). Observações: paper escolástico; formulações equívocas e
errôneas. Na tematização específica da questão metodológica, Soeiro
(1978:152,150), nada acrescenta às formulações até então desenvolvidas,
exceto adições laterais e perfunctórias (Netto: 1994:180).
3. JOSÉ LUCENA DANTAS (1978) - Autor de denso ensaio: “A teoria
metodológica do serviço social – uma abordagem sistemática”.
Dantas (1978) ofereceu ao debate uma concepção articulada da
“Metodologia do Serviço Social” compatível com a perspectiva modernizadora.
Ele foi o assistente social que mais apurou as concepções nucleares da
modernização do Serviço Social no Brasil (Netto: 1994:180).
Dantas conserva a legitimação das práticas tradicionais, mas as amplia,
inserindo no seu marco práticas suscetíveis de serem comandadas pelas
exigências do processo da MODERNIZAÇÃO CONSERVADORA.
É ao aporte pessoal de Dantas que se deve acreditar o substrato teórico-
metodológico e ideocultural que embasa dominantemente os resultados do
encontro de Teresópolis.
RELATÓRIO – dois grupos profissionais:
TEMAS:
1. “ Concepção científica da prática do Serviço Social”
2. “ Aplicação da metodologia do Serviço Social”
GRUPO A
Inspirado em Lebret. Construiu um quadro geral – 7 (sete níveis):
necessidades básicas e sociais; os fenômenos observados na prática do Servi
Social; identificar variáveis significativas; localizar as funções profissionais).
GRUPO B
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Inspiração distinta assentada numa angulação desenvolvimentista. Esse
grupo se remeteu ao Instituto para o Desenvolvimento Social da Organização
das Nações Unidas. Construiu um quadro sinótico de “fenômenos e variáveis”
segundo o critério das necessidades e problemas”, com ambas as dimensões
referidas a “ níveis de vida” e “sistemas das relações”.
No que toca à situação do Serviço Social – o grupo B vai mais longe que
o grupo A.
O grupo B supõe três níveis de atuação (prestação de serviços,
administração de serviços sociais e planejamento deles). Lista o conjunto de
disciplinas sociais que podem subsidiar a intervenção em cada um deles.
Denominador comum:
TEMA 1. “A concepção científica da prática do Serviço Social” é assumida
como uma intervenção:
1. Sobre elementos intelectualmente categorizados da empiria social;
2. Ordenada a partir de variáveis de constatação imediata;
3. direcionada para generalizar a integração na modernização - entendida como
já posta em ARAXÀ: como sinônimo de superação do desenvolvimento.
TEMA 2. “ Aplicação da Metodologia do Serviço Social”
GRUPOS A E B
GRUPO A – Formula uma sequência de procedimentos metodológicos de
intervenção do Servi Social. Sequência: investigação, diagnóstico e intervenção.
GRUPO B – Defini a metodologia a nível de planejamento e depois cuidou da
aplicação aos níveis de “administração em Serviço Social” e “prestação de
serviços”. Concluiu com a prescrição das seguintes operações que configuram a
“ aplicação metodológica”:
No diagnóstico: identificar e descrever; classificar; explicar e compreender;
prever tendências;
Na intervenção – “ preparação da ação; execução; avaliação (CBCISS,
1986:93).
DESTAQUE VISÍVEL – GRUPO B
A maturação do processo de renovação do Serviço Social, no
marco da perspectiva modernizadora, alcança nestas formulações o seu
ponto mais alto.
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1. 2013/CESPE/MPU. Julgue o item que se segue. O documento de
Teresópolis, produto do seminário promovido pelo Centro Brasileiro de
Cooperação e Intercâmbio de Serviço Social (CBCISS), remete a profissão
à consciência de sua inserção na sociedade de classes.
Certo / Errado
Comentário: No documento de Teresópolis busca-se oferecer
operacionalidade ao sentido sócio técnico da profissão. Há uma
plena adequação do Serviço Social a modernização conversadora.
Resposta Correta: Errado.
2. 2015/CESGRANRIO/PETROBRAS. Na década de 1960, no processo
de renovação profissional, têm destaque dois documentos importantes, o
Documento de Araxá e o Documento de Teresópolis. Eles são
representativos da chamada perspectiva modernizadora. Apesar das
diferenças entre suas formulações, qual o traço comum entre eles?
a) A problemática da participação do serviço social no processo de
reprodução das relações sociais capitalistas
b) A relação do serviço social com a cientificidade e a dialética para a
definição de modelos de atuação profissional
c) A natureza ideológica e política da profissão com ênfase nas
possibilidades da cultura profissional
d) O desenvolvimento da consciência reflexiva no processo de ajuda
psicossocial aos usuários
e) O esforço de conceber o serviço social como suporte e instrumento para
as políticas de desenvolvimento
Comentário: Os seminários de teorização do Serviço Social vieram
para organizar o teorizar os trabalhos dos assistentes sociais e
tinha como pano de fundo os interesses da autocracia burguesa e
o regime militar que apoiavam estas mudanças. A perspectiva
modernizadora foi uma tentativa de adequação do Serviço Social
enquanto atuava como um instrumento nas estratégias do
desenvolvimento capitalista. Como nos indica Netto (1998, 154) “o
núcleo central desta perspectiva é a tematização do Serviço Social
como interveniente, dinamizador e integrador, no processo de
desenvolvimento”.
Resposta Correta: Letra e) O esforço de conceber o serviço social
como suporte e instrumento para as políticas de desenvolvimento.
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4.3. Sumaré e Boa Vista: perspectiva de reatualização do
conservadorismo.
Conforme nos escritos de J. P. Netto “depois de Araxá e Teresópolis,
vieram na sua esteira os colóquios realizados nos centros de estudos do
Sumaré (da arquidiocese carioca) e o Alto da Boa Vista (no colégio coração
de Jesus) respectivamente em 1978 e 1984 (Netto, 2010 p.1940) ”.
Refletindo aí então no surgimento de novo organismo de expressão e
representação, as observações feitas ao contexto social brasileiro. Onde dois
elementos estreitamente conexos entram em destaque.
Elementos que se destacam:
1-O primeiro diz respeito ao que se pode aludir como a expectativa das
vanguardas profissionais emergentes na década de setenta em face das
iniciativas que vinham no seguimento de Araxá e Teresópolis. Há fortes
indícios de que a identificação da CBCISS tendia a tornar céticas aquela
vanguarda em relação às promoções inscritas em um veio que estavam
colocando em causa.
2-O segundo elemento refere-se ás dimensões e direções propriamente
ideopolíticas a que se viamremetidos quer aquela entidade, quer suas
iniciativas anteriores, que experimentavam uma nítida politização na fase em
que a resistência democrática a ditadura empolgava setores sociais cada vez
mais amplos (Netto, 2010p. 195). Ocorrendo assim um deslocamento para o
conservadorismo com aberturas a referências distintas.
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SEMINÁRIOS
SUMARÉ E BOA VISTA
Através do Seminário de Sumaré – 1978 e o Seminário de Boa vista – 1984 se
explicitou a PERSPECTIVA DE REATUALIZAÇÃO DO CONSERVADORISMO.
Também expressa na tese de livre docência de Ana Augusta de Almeida (1978) que se
apoia na teoria fenomenológica.
Abordagem marxista:
Em relação à abordagem marxista, Anna Augusta de Almeida e outros autores da
Perspectiva da Reatualização do Conservadorismo não vislumbraram mudanças na
organização da sociedade.
SUMARÉ E BOA VISTA
O deslocamento da perspectiva modernizadora
Contexto: meados da década de 70
De fato, se registra o seu deslocamento da arena central do debate e da polêmica;
Surgem outras vertentes modernizadoras;
No avanço dos anos 70 surge o diagrama evolutivo da perspectiva modernizadora;
ÍNDICES EXPRESSIVOS NO PERÍODO DE 1978 – 1984:
Centro de Estudos de Sumaré – RJ – Arquidiocese Carioca;
Colégio Coração de Jesus – Alto da Boa Vista – RJ.
SUMARÉ
Período – 20 e 24/11/1978
Reunião - 25 pessoas:
Coordenadores, consultores e apoiantes e partícipes;
9 (nove) tinham estado em ARAXÀ;
7 (sete) tinham estado em TERESÓPOLIS;
BOA VISTA
Período: novembro de 1984
Reunião: 23 (vinte e três) profissionais e um estudante;
Evento: Seminário realizado com conferencistas convidados e profissionais que
apresentaram paper coletivos;
1 (um) esteve em ARAXÀ;
2 (dois) estiveram em TERESÒPOLIS;
3 (três) estiveram em SUMARÈ.
NEM SUMARÉ NEM BOA VISTA obtiveram a repercussão que cercou ARAXÀ E
TERESÒPILIS.
O documento do Alto de Boa Vista só teve divulgação nacional expressiva cerca de
quatro anos depois da realização do encontro que lhe deu origem.
A perspectiva modernizadora decrescera. Não houve expressão de avanço nos dois
seminários (Sumaré e Boa Vista).
SUMARÉ E BOA VISTA – ESTÁ PARA O DESLOCAMENTO DA PERSPECTIVA
MODERNIZADORA;
SUMARÉ: SUA DIMENSÃO IDEOPOLÍTICA NÃO SE COMPROVOU
ALTO DA BOA VISTA: POSSUI MOVIMENTO DE ABERTURA E REFERÊNCIAS
DISTINTAS – CONSERVADORAS;
ARAXÁ E TERESÓPOLIS MOMENTO ASCENDENTE.
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SUMARÉ
Seminário em que foram discutidos “documento de base” sobre:
Cientificidade;
Fenomenologia;
Processo histórico-científico;
A professora Creusa Capalbo fez duas intervenções sobre fenomenologia e pensamento
dialético;
BOA VISTA
Ocorreram sete conferências.
Temas dos convidados:
1. - “Problemática autoritária no Brasil”;
2. - “História do Marxismo no país’;
3. - Positivismo;
4. - Fenomenologia;
5. - “Estatismo e questão social”;
6. -“Estado autoritário e as Ciências Sociais”;
7. - Tecnologia Social
Temas dos Assistentes Sociais:
Pensamento científico;
Cientificidade;
Serviço Social Cibernético;
Consciência Crítica;
Produção do conhecimento;
DEFASAGEM E POBREZA TEÓRICA – 1978 – 1984
A abordagem é inequívoca, a referência à especificidade profissional;
Permanece na sombra a discussão da natureza e funções do Serviço Social;
Tirava de cena o questionamento da tradição profissional de raiz funcionalista.
COMPARANDO
ARAXÁ E TERESÓPOLIS – Diálogo possível. Contemporâneas de
preocupações e vivências expressivas, que compunham atualidade dos
debates teóricos, culturais e políticos, objetivamente modernas no seu
contexto sócio histórico. Propiciam diálogo e confronto com vertentes
significativas do enfrentamento ideocultural das Ciências Sociais e Serviço
Social do seu tempo
SUMARÉ E BOA VISTA – Abriu debate sobre teoria do conhecimento:
fenomenologia e o marxismo. O funcionalismo perdia hegemonia.
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5. Três Direções da Renovação do Serviço Social no Brasil
O Processo de Renovação que o Serviço Social vivenciou a partir de
fins da década de 1960, não seguiu um mesmo padrão na abordagem e
tratamento do instrumental técnico. Isto se deve justamente por esse
processo ter comportado momentos e direções distintas, as quais foram
captadas por José Paulo Neto sob três grandes perspectivas
tendenciais:
PERSPECTIVA MODERNIZADORA,
PERSPECTIVA DE REATUALIZAÇÃO DE CONSERVADORISMO.
PERSPECTIVA DE INTENÇÃO DE RUPTURA
3. 2014/UFBA/UFBA. Segundo Paulo Netto, a Renovação do
Serviço Social apresenta três direções: a perspectiva
modernizadora, a reatualização do conservadorismo e a intenção de
ruptura.
Certo / Errado
Comentário: O processo de renovação do Serviço Social foi
marcado por essas três vertentes: a perspectiva
modernizadora, a reatualização do conservadorismo e a
intenção de ruptura.
Resposta: Certo.
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4. 2013/FUNCAB/PC-ES. A primeira expressão do processo de
renovação do serviço social no Brasil é denominada:
a) reatualização do conservadorismo.
b) alternativa ao tradicionalismo.
c) pós-modernismo.
d) perspectiva modernizadora.
e) intenção de ruptura
Comentário: A perspectiva modernizadora é um esforço no
sentido de adaptar o serviço social como instrumento de
intervenção para aplicar estratégias desenvolvimentismo do
capitalismo e às exigências postas pelos processos sócio-político
surgidos na ditadura, ápice da formulação ideológica
modernizadora. Os seminários de Araxá – MG em 1967, e
Teresópolis – RJ em 1970, revelam o pensamento do Estado
fundado na predominância do técnico burocrata social. O
desenvolvimento da modernização profissional apresenta fortes
vinculações com a ditadura vigente através de contratações dos
assistentes sociais nas instituições e organizações estatais e
paraestatais, o assistente social deixa de exercer funções nas
obras sociais para desempenhar funções na estrutura
administrativa estatal.
Resposta: letra d) perspectiva modernizadora.
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TRÊS MOMENTOS
TRÊS DIREÇÕES
RENOVAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NO
BRASIL
TRÊS MOMENTOS
TRÊS DIREÇÕES
Segunda metade dos anos 60
PERSPECTIVA MODERNIZADORA
Década de 1970
REATUALIZAÇÃO DO
CONSERVADORISMO
Final dos anos 1970Início dos anos 80
INTENÇÃO DE RUPTURA
5.1. Primeira Direção – Perspectiva Modernizadora.
A primeira direção conforma uma perspectiva modernizadora para as
concepções profissionais - um esforço no sentido de adequar o Serviço Social,
enquanto instrumento de intervenção inserida no arsenal de técnicas sociais
a ser operacionalizado no marco de estratégias de desenvolvimento
capitalista, às exigências postas pelos processos sociopolíticos emergentes
no pós-64.
Trata-se de uma linha de desenvolvimento profissional que, se
encontra o auge da sua formulação nos auges dos anos setenta – seus
grandes monumentos são os textos dos Seminários de Araxá e Teresópolis.
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Caráter modernizador desta perspectiva:
Aceita como dado inquestionável a ordem sociopolítica derivada de
abril, e procura dotar a profissão de referências e instrumentos capazes
de responder às demandas que se apresentam;
Reporta-se a valores e concepções mais tradicionais, não para
superá-los ou negá-los, mas para inseri-los numa moldura teórica e
metodológica menos débil;
Foi a expressão da renovação profissional adequada à autocracia
burguesa;
Terá sua hegemonia posta em questão a partir de meados dos anos
70, com a crise da autocracia burguesa;
Conteúdo reformista não atende às expectativas do segmento
profissional que resiste ao movimento de laicização ocorrente e se recusa
a romper com o estatuto e a funcionalidade subalterna historicamente
assumida pela profissão.
Seu traço conservador e sua colagem à ditadura incompatibilizam-na
com os segmentos profissionais críticos;
A expressão ideal das concepções teóricas e profissionais destes
segmentos diferenciados, objetivando-se no segundo lustro da
década de setenta, plasma as duas outras direções que compõem
o processo de renovação do Serviço Social no Brasil.
Perspectiva Modernizadora
Contexto: Crise da ditadura de 1970. A perspectiva modernizadora perde
hegemonia.
Aponta dois aspectos:
1. Conteúdo reformista (conservantismo burguês). Os Assistentes Sociais não
incorporaram;
2. Contém traço conservador incompatibilizando com os segmentos
profissionais críticos.
Aponta duas direções:
1. Perspectiva de reatualização do conservadorismo (menos afeita as
mudanças sociais);
2. Perspectiva de Intenção de Ruptura (vislumbra romper com o
conservadorismo).
Segundo Netto o que de fato se registra é a PRIMEIRA DIREÇÃO
DE RENOVAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL – PERSPECTIVA
MODERNIZADORA
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5. 2015/CESPE/MPOG. Julgue o item a seguir: Uma das três direções principais para o processo
de renovação do serviço social é a perspectiva modernizadora, que ocorreu do período pós-1964,
até meados da década de 70 do século passado, e teve o propósito de adequar a profissão às
estratégias de desenvolvimento capitalista.
Certo / Errado
Comentários: Modernização Conservadora ou Vertente Modernizadora. Primeira
expressão no processo de renovação do Serviço Social- Documento de Araxá (67) e
Teresópolis (70) - base positivista e desenvolvimentista. "A vertente modernizadora é
caracterizada pela incorporação de abordagens funcionalistas, estruturalistas e mais
tarde sistêmicas (matriz positivista), voltadas a uma modernização conservadora e à
melhoria do sistema pela mediação do desenvolvimento social e do enfrentamento da
marginalidade e da pobreza na perspectiva de integração da sociedade. Os recursos
para alcançar estes objetivos são buscados na modernização tecnológica e em
processos e relacionamentos interpessoais. Estas opções configuram um projeto
renovador tecnocrático fundado na busca da eficiência e da eficácia que devem nortear
a produção do conhecimento e a intervenção profissional”.
Resposta Correta: Certo
6. 2006/FJPF/CONAB. No encontro de Porto Alegre (1965) emergiu a perspectiva
modernizadora como primeira expressão de renovação do Serviço Social. Esta perspectiva é
afirmada nos Seminários de Teorização de Araxá e Teresópolis que são reconhecidos como:
a) o momento de ruptura com o modelo desenvolvimentista proposto pela ditadura;
b) a afirmação da perspectiva fenomenológica nos círculos profissionais;
c) a busca de elementos para definir qual o papel do Serviço Social nas equipes interdisciplinares
de trabalho;
d) a tentativa de adequar as (auto) representações profissionais do Serviço Social às tendências
sócio-políticas que a ditadura tornou dominantes;
e) a filiação de um contingente expressivo de profissionais à tradição marxista.
Comentário: Seminários de Teorização de Araxá e Teresópolis que são reconhecidos
como modernização de teorias e técnicas para responder demandas do desenvolvimento
capitalista. Foi o esforço de conceber o serviço social como suporte e instrumento
através de tendências sócio-políticas para as políticas de desenvolvimento.
Resposta Correta: Letra d) a tentativa de adequar as (auto) representações profissionais
do Serviço Social às tendências sócio-políticas que a ditadura tornou dominantes.
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5.2. Segunda Direção – Perspectiva de Reatualização do
Conservadorismo.
Recupera a herança histórica e conservadora da profissão e os repõe
sobre uma base teórico-metodológica que se reclama nova, repudiando,
simultaneamente, os padrões mais nitidamente vinculados à tradição
positivista e às referências conectadas ao pensamento crítico-dialético, de
raiz marxiana. Intervenção microscópica, visão de mundo derivada do
pensamento católico tradicional. Utiliza-se da fenomenologia. Beneficia-
se de um acúmulo de expectativas, referentes ao exercício do Serviço Social
fundado no circuito da ajuda psicossocial.
7. 2013/AOCP/. Segundo José Paulo Netto (2005), o recurso da fenomenologia foi
inicialmente utilizado pela perspectiva
a) da transformação.
b) da atualização.
c) modernizadora.
d) da intenção de ruptura
e) da reatualização do conservadorismo.
Comentários: A vertente inspirada na fenomenologia, que emerge como
metodologia dialógica, apropriando‐se também da visão de pessoa e
comunidade de E. Mounier (1936) dirige‐se ao vivido humano, aos sujeitos
em suas vivências, colocando para o Serviço Social a tarefa de "auxiliar na
abertura desse sujeito existente, singular, em relação aos outros, ao mundo
de pessoas". Esta tendência que no Serviço Social brasileiro vai priorizar as
concepções de pessoa, diálogo e transformação social (dos sujeitos) é
analisada por Netto (1994, p.201) como uma forma de reatualização do
conservadorismo presente no pensamento inicial da profissão.
Resposta Correta: Letra e) da reatualização do conservadorismo.
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Dado significativo quanto a esta vertente da renovação profissional é
a sua relativa ausência na agenda dos debates que se operam no interior do
serviço Social no Brasil.
Instalada no universo dos assistentes sociais desde meados dos anos
setenta, esta direção do desenvolvimento profissional não registra uma
polêmica acesa em torno das suas proposições, como as duas outras que
constituem o processo de renovação.
Através do Seminário de Sumaré – 1978 e o Seminário de Boa vista –
1984 se explicitou a PERSPECTIVA DE REATUALIZAÇÃO DO
CONSERVADORISMO. Também expressa na tese de livre docência de Ana
Augusta de Almeida (1978) que se apoia na teoria fenomenológica.
Abordagem marxista:
“ Em relação à abordagem marxista, Anna Augusta de Almeida e outros
autores da Perspectiva da Reatualização do Conservadorismo não
vislumbraram mudanças na organização da sociedade.
5.3. Terceira Direção - Intenção de Ruptura.
Perspectiva que se propõe como INTENÇÃO DE RUPTURA com o
Serviço Social tradicional. Crítica sistemática ao desempenho tradicional e
aos seus suportes teóricos, metodológicos e ideológicos. Resgate crítico de
tendências que supunham rupturas político-sociais de porte para adequar as
respostas profissionais às demandas estruturais do desenvolvimento
brasileiro.
Recorre progressivamente à tradição marxista e revela as dificuldades
da sua afirmação no marco sociopolítico da autocracia burguesa. Oposição ao
tradicionalismo do Serviço Social. Flagrante hiato entre a intenção de romper
com o passado conservador do Serviço Social e os indicativos prático-
profissionais para consumá-la.
Final dos anos 1970 e início dos anos 1980. Na década de 80 as
elaborações teóricas beneficiam-se da produção teórica anterior – crise na
ditadura e movimento de abertura da sociedade. Pós-Graduação implantada
– 1972 – RJ-SP- RGSUL, etc. Até 1980 as pesquisas na perspectiva de
intenção de ruptura ainda não se pautavam nas fontes originais do marxismo.
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Saldo Positivo
Coloca-se no centro do debate profissional o PROJETO DE RUPTURA
– VERTENTE MODERNIZADORA – pós-64 – atualiza a herança
conservadora da profissão. Há adequação às novas estratégias de controle e
repressão da classe trabalhadora – Estado e Política de Desenvolvimento.
Momento de espalhamento da intenção de ruptura
Período: 1982 – 1983. A intenção de ruptura se espalha na academia,
nas organizações representativas e Currículo Mínimo. Período do lançamento
da Revista Serviço Social e Sociedade.
8. 2011/CESGRANRIO/PETROBRAS. No Brasil, a reflexão profissional no Serviço
Social durante o período de vigência e crise de autocracia burguesa no pós-64 ocorre
em diferentes perspectivas. A perspectiva denominada “intenção de ruptura" busca
a) adequar o Serviço Social às exigências postas pelos processos sociopolíticos
emergentes no período, inserindo-o no arsenal de técnicas sociais voltadas ao
desenvolvimento capitalista
b) conferir um cariz tecnocrático ao Serviço Social no país, vinculando-o à
racionalidade burocrática das instituições e organizações estatais e paraestatais.
c) resistir ao movimento de laicização do Serviço Social, rompendo com a herança do
pensamento conservador e com seus paradigmas de intervenção profissional.
d) repensar o Serviço Social, criticando sistematicamente o desempenho profissional
tradicional e os seus suportes teóricos, metodológicos e ideológicos.
e) resgatar tendências que propõem rupturas político-sociais no debate profissional,
mantendo a funcionalidade historicamente assumida pelo Serviço Social.
Comentários: A intenção de ruptura buscou repensar o Serviço Social,
criticando sistematicamente o desempenho profissional tradicional e os seus
suportes teóricos, metodológicos e ideológicos, recorreu ao marxismo e a
teoria social crítica trazendo um novo aporte teórico, metodológico e
ideológico para se pensar a realidade social e a profissão.
Resposta Correta: Letra d) repensar o Serviço Social, criticando
sistematicamente o desempenho profissional tradicional e os seus suportes
teóricos, metodológicos e ideológicos.
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Método BH: proposição global de alternativa ao tradicionalismo inaugurou –
enquanto formulação de um projeto profissional que, respondendo à
particularidade da conjuntura brasileira, estava sintonizado com as
vanguardas renovadoras mais crítico da América Latina – a
perspectiva da intenção de ruptura enfrentando as questões mais
candentes da configuração teórica, ideológica e operativa que constituem
uma
MÉTODO B.H.
Designação dada ao método elaborado pela equipe da escola de Serviço
Social de Belo Horizonte no período de 72 a 75 e que propunha a constituição
de uma metodologia alternativa às perspectivas das abordagens
funcionalistas da realidade. Buscava articular teoria e ação em sete
momentos.
9. 2010/EXATUS/CEFET-RJ. A intenção de ruptura do Serviço Social com o conservadorismo
se explicitou pela primeira vez, durante o período da ditadura militar (1964/1984) quando o
país se encontrava sob as ordens da autocracia burguesa. O marco desse processo de ruptura
do Serviço Social com o conservadorismo, que pretendia romper com o “Serviço Social
tradicional”, do ponto de vista teórico-metodológico, formativo e interventivo ficou conhecido
como:
a) Método Teresópolis
b) Método Positivista
c) “Método de B.H”
d) Método de Araxá
Comentário: A intenção de ruptura com o Serviço Social tradicional, teve como marco
principal a Escola de Serviço Social da Universidade Católica de Minas Gerais,
responsável pela formulação do Método Belo Horizonte, mais conhecido como BH. É
neste espaço que a perspectiva renovadora da profissão se destacou originalmente
no Brasil. Foi, portanto, na década de 1980, segundo, Netto (1996), que se consolidou
no plano ídeo-político a ruptura com o histórico conservador do Serviço Social.
Entenda-se, contudo, que “[...] essa ruptura não significa que o conservadorismo fora
superado no interior da categoria profissional [...]”. Esse movimento propiciou,
contudo, posicionamentos ideológicos e políticos que continham uma natureza crítica
e/ou contestadora em relação à ordem burguesa, conquistando, assim, legitimidade
para se expressarem.
Resposta Correta: Letra c) “ Método BH”.
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Reflexão de Iamamoto (1982): compreender o significado social do
exercício profissional em suas conexões com a produção e reprodução das
relações sociais na formação social vigente na sociedade brasileira. Serviço
Social inserido na dinâmica capitalista, à luz de uma inspiração teórico-
metodológica haurida direta e legitimamente na fonte marxista. Com ela, as
problemáticas internas da profissão encontram a base para um
equacionamento novo e concreto; situa histórica e sistematicamente as
questões de teoria, método, objetoe objetivos profissionais no âmbito que
lhes é precípuo: o da profissionalidade que se constrói nos espaços da
divisão sócio técnica do trabalho, tencionados pelo rebatimento das lutas
de classes.
Com a elaboração de Iamamoto, a vertente intenção de ruptura se
consolida no plano teórico-crítico.
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PERSPECTIVA MODERNIZADORA
REATUALIZAÇÃO DO CONSERVADORISMO
INTENÇÃO DE RUPTURA
Características da PERSPECTIVA MODERNIZADORA:
Preocupação com a problemática do desenvolvimento
A relação subdesenvolvimento/desenvolvimento
Concepção teórica: estrutural-funcionalismo
Concepção ideológica: reformismo conservador de viés desenvolvimentista
Seminário de Araxá em 1967
Seminário de Teresópolis em 1970
Características da REATUALIZAÇÃO DO CONSERVADORISMO:
Seminário de Sumaré em 1978 e Seminário de Boa Vista 1984;
Subordinação às exigências da modernização conservadora
Valorização da elaboração teórica
Crítica à herança positivista e utilização da fenomenologia
Ajuda psicossocial (viés psicologizante) das determinações de classe nos processos
societários
Centralização nas dinâmicas individuais e recuperação de valores tradicionais
Duplo combate: tendências da modernização/ incidências da tradição marxista
Intervenção em nível de micro atuação
Menos afeita a mudanças sociais
Características da INTENÇÃO DE RUPTURA:
Caráter de oposição ao regime autocrático burguês
Cresce com a crise da autocracia burguesa
Depende de liberdades democráticas para avançar no seu processamento.
Vinculação estreita com Universidades
Bases sociopolíticas: democratização
Movimento das classes exploradas
Vislumbra romper com o conservadorismo
Elementos fundamentais: método BH e a reflexão de Iamamoto (1982).
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QUESTÕES DE PROVAS
1. 2013/CESPE/MPU. Julgue o item que se segue. O documento de Teresópolis,
produto do seminário promovido pelo Centro Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio
de Serviço Social (CBCISS), remete a profissão à consciência de sua inserção na
sociedade de classes.
Certo / Errado
Resposta Correta: Errado.
2. 2015/CESGRANRIO/PETROBRAS. Na década de 1960, no processo de
renovação profissional, têm destaque dois documentos importantes, o Documento de
Araxá e o Documento de Teresópolis. Eles são representativos da chamada perspectiva
modernizadora. Apesar das diferenças entre suas formulações, qual o traço comum
entre eles?
a) A problemática da participação do serviço social no processo de reprodução das
relações sociais capitalistas
b) A relação do serviço social com a cientificidade e a dialética para a definição de
modelos de atuação profissional
c) A natureza ideológica e política da profissão com ênfase nas possibilidades da
cultura profissional
d) O desenvolvimento da consciência reflexiva no processo de ajuda psicossocial aos
usuários
e) O esforço de conceber o serviço social como suporte e instrumento para as políticas
de desenvolvimento
Resposta Correta: Letra e) O esforço de conceber o serviço social como suporte
e instrumento para as políticas de desenvolvimento
3. 2014/UFBA/UFBA. Segundo Paulo Netto, a Renovação do Serviço Social
apresenta três direções: a perspectiva modernizadora, a reatualização do
conservadorismo e a intenção de ruptura.
Certo / Errado
Resposta Correta: Certo.
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4. 2013/FUNCAB/PC-ES. A primeira expressão do processo de renovação do serviço
social no Brasil é denominada:
a) reatualização do conservadorismo.
b) alternativa ao tradicionalismo.
c) pós-modernismo.
d) perspectiva modernizadora.
e) intenção de ruptura.
Resposta Correta: Letra d) perspectiva modernizadora
5. 2015/CESPE/MPOG. Julgue o item a seguir: Uma das três direções principais para
o processo de renovação do serviço social é a perspectiva modernizadora, que ocorreu
do período pós-1964, até meados da década de 70 do século passado, e teve o
propósito de adequar a profissão às estratégias de desenvolvimento capitalista.
Certo / Errado
Resposta Correta: Certo.
6.2006/FJPF/CONAB. No encontro de Porto Alegre (1965) emergiu a perspectiva
modernizadora como primeira expressão de renovação do Serviço Social. Esta
perspectiva é afirmada nos Seminários de Teorização de Araxá e Teresópolis que são
reconhecidos como:
a) o momento de ruptura com o modelo desenvolvimentista proposto pela ditadura;
b) a afirmação da perspectiva fenomenológica nos círculos profissionais;
c) a busca de elementos para definir qual o papel do Serviço Social nas equipes
interdisciplinares de trabalho;
d) a tentativa de adequar as (auto) representações profissionais do Serviço Social às
tendências sócio-políticas que a ditadura tornou dominantes;
e) a filiação de um contingente expressivo de profissionais à tradição marxista.
Resposta Correta: Letra d) a tentativa de adequar as (auto) representações
profissionais do Serviço Social às tendências sócio-políticas que a ditadura
tornou dominantes.
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7. 2013/AOCP/. Segundo José Paulo Netto (2005), o recurso da fenomenologia foi
inicialmente utilizado pela perspectiva
a) da transformação.
b) da atualização.
c) modernizadora.
d) da intenção de ruptura
e) da reatualização do conservadorismo.
Resposta Correta: Letra e) da reatualização do conservadorismo.
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Social durante o período de vigência e crise de autocracia burguesa no pós-64 ocorre
em diferentes perspectivas. A perspectiva denominada “intenção de ruptura" busca
a) adequar o Serviço Social às exigências postas pelos processos sociopolíticos
emergentes no período, inserindo-o no arsenal de técnicas sociais voltadas ao
desenvolvimento capitalista
b) conferir um cariz tecnocrático ao Serviço Social no país, vinculando-o à
racionalidade burocrática das instituições e organizações estatais e paraestatais.
c) resistir ao movimento de laicização do Serviço Social, rompendo com a herança do
pensamento conservador e com seus paradigmas de intervenção profissional.
d) repensar o Serviço Social, criticando sistematicamente o desempenho profissional
tradicional e os seus suportes teóricos, metodológicos e ideológicos.
e) resgatar tendências que propõem rupturas político-sociais no debate profissional,
mantendo a funcionalidade historicamente assumida pelo Serviço Social.
Resposta Correta: Letra d) repensar o Serviço Social, criticando
sistematicamente o desempenhoprofissional tradicional e os seus suportes
teóricos, metodológicos e ideológicos.
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9. 2010/EXATUS/CEFET-RJ. A intenção de ruptura do Serviço Social com o
conservadorismo se explicitou pela primeira vez, durante o período da ditadura militar
(1964/1984) quando o país se encontrava sob as ordens da autocracia burguesa. O marco
desse processo de ruptura do Serviço Social com o conservadorismo, que pretendia romper
com o “Serviço Social tradicional”, do ponto de vista teórico-metodológico, formativo e
interventivo ficou conhecido como:
a) Método Teresópolis
b) Método Positivista
c) “Método de B.H”
d) Método de Araxá
Resposta Correta: Letra c) “ Método BH”.
10. 2013/VUNESP/FUNDAÇÃO CASA. Em meados dos anos 60, a mobilização social e
política da sociedade e a mobilização interna dos assistentes sociais põem em destaque a
crise da profissão: sua desqualificação no mundo científico-acadêmico, sua inadequação
metodológica com a divisão em Serviço Social de caso, de grupo e desenvolvimento de
comunidade e a ausência de uma teorização articulada. Nesse sentido, o movimento de
reconceituação vem provocar mudanças significativas, tanto no arcabouço teórico do
Serviço Social, quanto na atuação dos assistentes sociais. No Brasil, passou a predominar
no meio acadêmico, em meados dos anos 1980, a corrente marxista estruturalista, que
enfoca o Serviço Social na perspectiva da reprodução do sistema capitalista. De acordo
com esse ponto de vista, o Serviço Social
a) é o responsável pela elaboração de políticas públicas, de corte social, que possibilita
acessos, ainda que focalizados, a serviços públicos.
b) está incumbido de combater a fome, fundamento esse assentado na teoria do estado
de bem-estar social
c) é compreendido em seu aspecto endógeno, ainda que situado no contexto das relações
sociais mais amplas.
d) é um executor de políticas sociais que intervém na questão social por meio de um
instrumento peculiar que é a política social.
e) é comumente analisado sob o ponto de vista de seu status quo, mediante as
contradições e os consensos que lhe dão sustentação.
Resposta Correta: Letra d) é um executor de políticas sociais que intervém na
questão social por meio de um instrumento peculiar que é a política social.
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GABARITO 2
1 ERRADO
2 E
3 CERTO
4 D
5 CERTO
6 D
7 E
8 D
9 C
10 D
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BIBLIOGRAFIA
IAMAMOTO, Marilda Vilela. CARVALHO, Raul. Relações sociais e serviço social
no Brasil: esboço de uma interpretação histórico-metodológica. 10 ed. São
Paulo: Cortez; CELATS, 1995. pp. 71 a 105.
NETTO, J. P. Ditadura e Serviço Social: uma análise do Serviço Social no
Brasil pós - 64. 8ª ed. São Paulo: Cortez, 2005.