E_tica - OAB Revisac_o
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E_tica - OAB Revisac_o


Disciplina<strong>civil</strong> e <strong>processo Civil</strong>4 materiais8 seguidores
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2016	-	09	-	13
Reta	final	OAB:	revisão	unificada	-	Edição	2016
1.	ÉTICA	PROFISSIONAL
ATIVIDADE	DE	ADVOCACIA
São	atividades	privativas	do	advogado:
a)	Postulação	em	órgão	do	Poder	Judiciário:
A	postulação	exclusiva	do	advogado	em	juízo	encontra-se	respaldada	no	art.	133	da	CF/1988:
Art.	133.	O	advogado	é	indispensável	à	administração	da	justiça,	sendo	inviolável	por	seus	atos	e	manifestações	no	exercício
da	profissão,	nos	limites	da	lei.
Porém,	convém	lembrar	que	o	texto	original	do	inc.	I	do	art.	1.º	do	Estatuto	da	Advocacia,	ao	estabelecer	como	atividade
privativa	 de	 advocacia	 a	 postulação	 em	 juízo,	 continha	 a	 expressão	 \u201cqualquer\u201d,	 que	 foi	 declarada	 inconstitucional	 com	 o
julgamento	da	ADIn	1.127-8.	Dessa	forma,	em	regra	deve	prevalecer	a	exigência	do	advogado	para	a	postulação	em	órgãos	do
Poder	Judiciário,	devendo	as	exceções	serem	previstas	em	lei	própria,	conforme	descrito	no	quadro	abaixo:
\u2022\u2022	Exceções:
art.	1.º,	§	1.º,	da	Lei	8.906/1994 Habeas	Corpus
art.	9.º	da	Lei	9.099/1995 Juizado	Especial	Cível,	nas	causas	de	valores	até	20	salários	mínimos
art.	10,	caput,	da	Lei	10.259/2001 Juizado	Especial	Federal
art.	2.º,	caput,	da	Lei	5.478/1968 Lei	de	Alimentos
Súmula	Vinculante	5	(STF) Defesa	em	processo	administrativo	disciplinar
A	 Consolidação	 das	 Leis	 Trabalhistas	 (CLT)	 também	 é	 uma	 exceção	 da	 postulação	 privativa	 do	 advogado,	 contudo,
necessário	observar	o	entendimento	do	TST	na	Súmula	425.	Vejamos:
b)	Consultoria,	assessoria,	direção	jurídica.
As	 atividades	 de	 consultoria,	 assessoria	 e	 direção	 jurídicas,	 seja	 em	 empresa	 pública	 ou	 privada,	 são	 privativas	 de
advogados,	não	podendo	ser	praticadas	por	bacharéis	em	Direito,	ainda	que	se	trate	de	um	bacharel	já	aprovado	no	Exame
de	Ordem.
Neste	sentido,	vale	lembrar	que	a	aprovação	no	Exame	de	Ordem	é	apenas	um	dos	requisitos	para	se	obter	a	inscrição
como	advogado	junto	a	OAB,	devendo-se	cumprir	com	os	demais	requisitos	previstos	no	art.	8.º	do	Estatuto	da	Advocacia.
\u2022\u2022	Contrato	social:	qualquer	ato	constitutivo	de	pessoa	jurídica,	para	ser	levado	a	registro	no	órgão	competente,	deverá
ser	visado	por	advogado,	à	 exceção	das	microempresas	e	 empresas	de	pequeno	porte,	que	 têm	essa	dispensa	prevista	no
Estatuto	Nacional	da	Microempresa	e	da	Empresa	de	Pequeno	Porte	(art.	9.º,	§	2.º,	da	LC	123/2006)
A	exigência	do	visto	do	advogado	nos	atos	e	contratos	constitutivos	de	pessoas	jurídicas	não	deve	ser	interpretada	como
mera	formalidade,	mas	sim	como	uma	responsabilidade	efetiva	do	profissional	que	deverá	analisar,	não	só,	a	 forma,	mas
também	o	conteúdo	do	referido	documento.
\u2022\u2022	 Divulgação	 e	 associação	 da	 advocacia	 com	 outra	 atividade:	 não	 se	 admitirá	 a	 divulgação	 da	 advocacia,	 nem	 a
associação	com	qualquer	profissão	ou	atividade,	seja	mercantil,	de	natureza	beneficente,	lucrativa	ou	não	lucrativa.
Dessa	forma,	o	advogado	pode	anunciar	os	seus	serviços	profissionais,	individual	ou	coletivamente,	desde	que	observe	a
discrição	e	a	moderação,	somente	para	finalidade	exclusivamente	informativa,	sendo	vedada	a	divulgação	em	conjunto	com
outra	atividade.
Essa	vedação	procura	evitar	a	mercantilização	da	advocacia,	afastando	a	captação	indevida	de	clientela	e	de	causas,	assim
como	a	concorrência	desleal.
\u2022\u2022	Nulidade	dos	atos	praticados:	serão	considerados	nulos	 todos	os	atos	privativos	de	advogado	praticados	por	pessoa
não	inscrita	na	OAB,	sem	prejuízo	das	sanções	civis,	penais	e	administrativas,	assim	como	os	atos	praticados	por	advogado
impedido	 \u2013	 no	 âmbito	 do	 impedimento	 \u2013,	 suspenso,	 licenciado	 ou	 que	 passar	 a	 exercer	 atividade	 incompatível	 com	 a
advocacia.
\u2022\u2022	Exercício	da	advocacia:	o	efetivo	exercício	da	atividade	de	advocacia	se	dá	com	a	participação	anual	mínima	em	cinco
atos	privativos	previstos	no	art.	1.º	do	Estatuto,	em	causas	ou	questões	distintas.	Nesse	sentido,	a	prática	de	atos	privativos	de
advocacia,	por	profissionais	e	sociedades	não	inscritos	na	OAB,	constitui	exercício	ilegal	da	profissão.
MANDATO	JUDICIAL
\u2022\u2022	Conceito:	é	o	contrato	pelo	qual	o	outorgante	 (cliente)	nomeia	e	constitui	o	outorgado	 (advogado)	para	representá-lo
judicial	ou	extrajudicialmente.
\u2022\u2022	Não	 se	 admitirá	 a	 outorga	de	poderes	 para	 a	 sociedade	dos	 advogados,	 sendo	permitida	 somente	 aos	 advogados,	 na
condição	de	pessoa	física.
\u2022\u2022	Tipo	de	contrato:	 contrato	 típico	misto	 fusionado,	 tendo	 em	vista	que	o	 contrato	presume,	 além	de	uma	 relação	de
prestação	de	serviços	advocatícios,	uma	fixação	de	honorários.
\u2022\u2022	Início	do	mandato	judicial:
a)	 Constituição	 do	 advogado	 pelo	 cliente:	 tem	 início	 o	 mandato	 com	 a	 assinatura	 do	 instrumento	 de	 mandato
(procuração);
b)	Nomeação:
\u2013	ad	hoc:	nomeação	para	ato	específico	e	determinado;
\u2013	 apud	 acta:	 ocorre	 quando	 a	 nomeação	 fica	 registrada	 na	 ata	 de	 audiência.	 Conhecida	 também	 como	mandato	 tácito.
Exemplo:	art.	791,	§	3.º,	da	CLT.
\u2022\u2022	Extinção	do	mandato:
a)	Substabelecimento	sem	reserva	de	poderes	(art.	26,	§	1.º,	do	Código	de	Ética	Disciplinar	\u2013	CED);
b)	Revogação	(art.	17	do	CED);
c)	Renúncia	(arts.	15	e	16	do	CED);	e
d)	Arquivamento	dos	autos	ou	conclusão	da	causa	(art.	13	do	CED).
\u2022\u2022	Prazos:	o	advogado	postulará,	em	juízo	ou	fora	dele,	 fazendo	prova	 imediata	do	mandato.	Afirmando	urgência,	pode
atuar	sem	procuração,	obrigando-se	a	apresentá-la	no	prazo	de	quinze	dias,	prorrogável	por	igual	período.
A	 urgência	 mencionada	 para	 a	 prorrogação	 do	 prazo	 para	 a	 apresentação	 do	 mandato	 possui	 presunção	 legal	 de
veracidade	a	favor	do	advogado,	bastando	a	sua	alegação,	sem	que	haja	a	necessidade	de	prova.
\u2022\u2022	Deveres	do	advogado	com	relação	ao	mandato	judicial:
a)	 O	 advogado	 não	 deve	 aceitar	 procuração	 de	 cliente	 que	 já	 tenha	 patrono	 constituído	 nos	 autos,	 sem	 prévio
conhecimento	deste,	salvo	por	motivo	justo	ou	para	adoção	de	medidas	judiciais	urgentes	e	inadiáveis,	sob	pena	de	infração
ético-disciplinar	punível	com	censura;
b)	O	 advogado	deve	 informar	 o	 cliente,	 de	 forma	 clara	 e	 inequívoca,	 quanto	 a	 eventuais	 riscos	 da	 sua	pretensão	 e	 às
consequências	 que	 poderão	 advir	 da	 demanda;	 deve,	 ainda,	 denunciar,	 a	 quem	 lhe	 solicite	 patrocínio,	 qualquer
circunstância	que	possa	influir	na	resolução	de	submeter-lhe	a	consulta	ou	confiar-lhe	a	causa.
c)	Ao	 fim	do	mandato	 judicial,	 o	advogado	deverá	promover	a	devolução	de	bens,	 valores	e	documentos	 recebidos	no
exercício	 do	 mandato	 e	 pormenorizada	 prestação	 de	 contas,	 não	 excluindo	 outras	 prestações	 solicitadas,	 pelo	 cliente,	 a
qualquer	momento;
d)	O	advogado	não	deve	deixar	ao	abandono	ou	ao	desamparo	as	causas	sob	seu	patrocínio,	 sendo	recomendável	que,
diante	de	dificuldades	ou	inércia	do	cliente	quanto	a	providências	que	lhe	tenham	sido	solicitadas,	renuncie	ao	mandato.
e)	A	renúncia	ao	patrocínio	implica	omissão	do	motivo	e	a	continuidade	da	responsabilidade	profissional	do	advogado	ou
escritório	de	advocacia,	durante	o	prazo	estabelecido	em	lei	(10	dias,	segundo	o	art.	5.º,	§	3.º,	do	EAOAB);	não	fica	excluída,
todavia,	a	responsabilidade	pelos	danos	causados	aos	clientes	ou	a	terceiros;
f)	 Os	 advogados	 integrantes	 da	 mesma	 sociedade	 profissional,	 ou	 reunidos	 em	 caráter	 permanente	 para	 cooperação
recíproca,	não	podem	representar	em	juízo	ou	fora	dele	clientes	com	interesses	opostos;
g)	 Havendo	 conflito	 de	 interesses	 entre	 seus	 constituintes,	 e	 não	 estando	 acordes	 os	 interessados,	 o	 advogado,	 com	 a
devida	prudência	e	discrição,	optará	por	um	dos	mandatos,	renunciando	aos	demais,	resguardado	o	sigilo	profissional;
h)	O	advogado,	ao	postular	em	nome	de	terceiros,	contra	ex-cliente	ou	ex-empregador,	judicial	e	extrajudicialmente,	deve
resguardar	o	sigilo	profissional.
i)	 O	 advogado	 deve	 abster-se	 de	 patrocinar	 causa	 contrária	 à	 validade	 ou	 legitimidade	 de	 ato