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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA 4ª VARA FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO X
Processo n.º: __________
Apelante: Empresa Jurídica A
Apelada: União
EMPRESA JURÍDICA A, já devidamente qualificada na Execução Fiscal, processo acima em epígrafe, que contende em face da UNIÃO, também já devidamente qualificada, vem respeitosamente, perante a Vossa Excelência, por seu advogado infra-assinado (DOC.01), com escritório profissional na Rua _______, nº_______, Bairro _______, CEP _______, Município ________, Estado ________, onde recebe intimações e avisos, inconformada com a referida sentença de fls. ________, apresentar, com fulcro no artigo 1.009 do Código de Processo Civil/2015, a presente APELAÇÃO, com base nos seguintes fundamentos fáticos e jurídicos.
A priori, vale observar que a Apelante foi intimada em __/__/____, através do _________, findando-se o prazo recursal em __/__/____, sendo, pois, tempestivo este recurso de apelação. Requer que seja recebida a apelação no efeito devolutivo e, após, seja remetida ao Superior Tribunal Regional Federal.
O Apelante faz o devido preparo, juntando os comprovantes de pagamento de custas recursais.
Nesses temos,
Pede deferimento.
Local e Data.
Advogado/OAB
RAZÕES DA APELAÇÃO
Processo n.º: __________
Apelante: Empresa Jurídica A
Apelada: União
EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO X
COLENDA CÂMARA
PRECLARO RELATOR
Data maxima venia, é de ser reformada a veneranda sentença de primeira instância vez que proferida de forma conflitante com as normas vigentes que regem a matéria e a pacífica jurisprudência dos tribunais.
Assim, pretende o Apelante buscar, pela via do duplo grau de jurisdição, a decisão final que possa derramar justiça no deslinde da demanda em tela. Para tanto, respeitosamente, vem expor suas razões, articuladamente, como a seguir:
DOS FATOS
A pessoa jurídica A, fabricante de refrigerantes, recolheu em montante superior ao devido o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente nas operações de venda à pessoa jurídica B (distribuidora de bebidas), nos anos de 2013 e 2014. Ao verificar o equívoco, a pessoa jurídica A ajuizou ação, em dezembro de 2014, visando à compensação do indébito do IPI, correspondente ao valor pago em excesso, com débitos do mesmo tributo, anexando, para tanto, autorização expressa da pessoa jurídica B para que ela (pessoa jurídica A) pleiteasse a repetição. A referida ação foi distribuída à 4ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado X e foi devidamente contestada pela União.
Ao proferir a sentença, o juiz julgou improcedente o pedido, condenado a Autora nos ônus da sucumbência, por entender que: (i) o pedido de compensação deveria ter sido realizado inicialmente por meio da via administrativa; (ii) apenas a pessoa jurídica B, contribuinte de fato do imposto, possui legitimidade para pleitear a repetição de indébito do IPI, uma vez que apenas ela suportou o encargo financeiro do tributo; e (iii) somente é possível a repetição do indébito, sendo incabível o pedido de compensação.
MÉRITO
Inafastabilidade do controle jurisdicional
O Juízo a quo, argumentou em sua sentença que o pedido de compensação deveria ter sido realizado inicialmente por meio da via administrativa.
Ocorre que, a Constituição Federal não exige que o contribuinte requeira administrativamente a compensação como condição de acesso ao Poder Judiciário. Ao contrário, a Constituição consagra, no Art. 5º, XXXV, a inafastabilidade do controle jurisdicional, conforme in verbis:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
Contudo, tal argumento deve ser afastado, pois é contraditório ao que prescreve na Constituição Federal.
A repetição de indébito
O Juízo a quo, argumentou em sua sentença que apenas a pessoa jurídica B, contribuinte de fato do imposto, possuía a legitimidade para pleitear a repetição de indébito do IPI, uma vez que apenas ela suportou o encargo financeiro do tributo.
Ocorre que, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 166, permite a restituição de tributos indiretos quando o terceiro que suportou o encargo expressamente autorizar o contribuinte de direito a requerer a repetição, que foi o que aconteceu no caso em tela, conforme transcrito no artigo abaixo:
Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la.
Dessa forma, a decisão do Juízo a quo, fere o que preconiza a lei, devendo assim ser afastada.
Da compensação do indébito tributário
Ainda na decisão, o Juízo a quo, proferiu que somente é possível a repetição do indébito, sendo incabível o pedido de compensação. Assim, vale descatar o que prescreve a Súmula 461 do STJ:
Súmula 461/STJ - 12/07/2016. Recurso especial repetitivo. Recurso especial representativo de controvérsia. Tributário. Sentença declaratória do direito à compensação de indébito tributário. Possibilidade de repetição por via de precatório ou requisição de pequeno valor. Faculdade do credor. Precedentes do STJ. CPC, art. 543-C. CF/88, art. 100. CTN, art. 165, I. Lei 8.383/97, art. 66, § 2º. Dec. 3.000/99 (RIR/99), art. 890, § 2º. «O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado».
Dessa forma, a decisão do juiz a quo que afirmou ser incabível o pedido de compensação, não está de acordo com a legislação vigente, uma vez que o contribuinte pode optar pela compensação do indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado, conforme a Súmula 461 do STJ.
PEDIDOS
Ante o exposto, requer que seja reconhecida e provida a presente apelação para reformar a sentença, para que seja reconhecido o direito de compensação do indébito e a inversão dos ônus sucumbenciais, por ser medida da mais lídima JUSTIÇA.
Nesses temos,
Pede deferimento.
Local e Data.
Advogado/OAB