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CARLOS HIAGO FERREIRA 4º SEMESTRE Anatomia Topográfica Carlos Hiago Ferreira CARLOS HIAGO FERREIRA PERITÔNIO Conceito Membrana serosa, lisa e brilhante, que reveste cavidade abdominal internamente desde o diafragma (superiormente) ao assoalho pélvico (in- feriormente). Se revestir a parede é chamado de peritônio parietal e se sofrer reflexão da parede em direção a cavidade para revestir as vísceras- formando suas túnicas externas é denominado de peritônio visceral. Cavidade abdominal é uma cavidade virtual, que existiria na pratica somente se todas as vísceras e o peritônio fossem retirados da cavidade peritoneal. Cavidade peritoneal - Grande saco da cavidade abdominal revestida de peritônio. - Lâmina visceral + lamina parietal do peritônio. - Homem: saco completamente fechado - Mulher: tubas uterinas abrem-se no interior da cavidade peritoneal à comunicação com o exterior. Tuba, corpo e colo do útero são revestidos pelo peritônio. Funções do peritonio - ↓ atrito entre as vísceras → peritônio produz uma quantidade pequena de líquido seroso para que haja um maior deslizamento entre as lâminas. - Oferece resistência a infecções - Omento maior move-se para a irritação - Armazenamento de gordura - Bloqueia processos infecciosos - Bloqueia perfurações. Ex.: na úllcera perfurada o omento maior se direciona para o local e tenta fazer o bloqueio, para que não haja extravasamento do conteúdo para a cavidade. - Através dele: introduzir drogas e retirar substâncias tóxicas - Transudação de vasos: derrame cavitário peritoneal = ascite (ex.: cir- rose hepática → estase sanguínea → transudação). Terminologia O peritônio prende algumas vísceras as outras. Podem ser: Mesos: pregas de peritônio que fixam uma víscera à parede - Mesentério, mesocolo e mesoapêndice O mesocolo transverso divide a cavidade em superior (supramesocólico) e inferior (inframesocólico) Omentos: pregas de peritônio que fixam uma víscera a outra víscera. - Menor: da borda inferior do fígado à curvatura menor do estômago. - Maior: reveste a parede anterior e posterior do estômago, depois se unem revestem o colo transverso e ficam como uma parte livre. Ligamentos: fazem a sustentação a partir da condensação das pregas pe- ritoneais de um órgão a outro. Também podem fazer o revestimento de estruturas. - Lig. hepatoduodenal: parte densa do omento menor que liga o fí- gado ao duodeno (1ª porção). Contém o pedículo hepático (A. hepática própria (medial), V. porta (intermédioposterior) e vias biliares (lateral)). - Lig. gastrocólico: do estomago à flexura E do colo. Está contido den- tro do omento maior. - Lig. frenocólico: do diafragma à flexura E do colo. Impede que haja a subida de líquido do sulco paracólico E para a região subfrênica E. - Lig. falciforme: remanescente da V. umbilical. Localiza-se na parede anterior do abdome, supra-umbilical, em direção a face diafragmá- tica do fígado. Divide o fígado em lobo D e E. Na margem livre, há o lig. redondo do fígado (V. umbilical obliterada que entra na cicatriz umbilical e desemboca na V. porta). Na hipertensão portal, a V. umbilical pode voltar a ser pérvia, por conta do refluxo causado pela obstrução. Pregas peritoneais: peritônio pode ser levantado por estruturas - Prega umbilical: mediana (úraco), medial (A. umbilical) e lateral (va- sos epigástricos inferiores) BOLSA OMENTAL OU PEQUENO SACO Retrocavidade dos epíplons. Pequena cavidade ou espaço irregular posterior ao estômago e ao omento menor Parede anterior: - Lâmina posterior do omento menor - Lâmina peritoneal da parede posterior do estômago - Lâmina posterior do lig. hepatoduodenal Parede posterior: Peritônio parietal que recobre: - Pilares do diafragma - Pâncreas - Grandes vasos - Lâmina superior do mesocolo transverso e colo transverso Entrada da bolsa Forame omental ou Forame/Hiato de Winslow: atrás do lig. hepatoduodenal. Limites do forame omental: - Anterior: lig. hepatoduodenal - Posterior: peritônio recobrindo a VCI - Superior: lobo caudado do fígado - Inferior: 1ª porção do duodeno Partes: - Vestíbulo - Recesso (reflexão peritoneal) superior - Recesso gastroesplênico - Recesso omental: local de maior declive dentro de uma cavidade CARLOS HIAGO FERREIRA Importância cirúrgica do forame: Atrás do pedículo hepático não tem nada, e na frente só o ligamento. Com isso, algumas estruturas podem ser comprimidas através de um pinçamento do pe- dículo (manobra de Pringle). Ex.: trauma por arma de fogo no local = tem que fazer o pinçamento do pedículo para comprimir a saída de sangue dos vasos hepáticos (principalmente a V. porta, a qual tem um maior aporte de sangue). PEDÍCULO HEPÁTICO Sintopia - Lateral: Vias bilíferas - Compartimento intermédioposterior: V. porta - Medial: A. hepática própria - Trígono de Buddi-Callot: delimitado pela A. hepática própria medi- almente, pelas vias biliares lateralmente e pela borda inferior do fí- gado superiormente, que contém A. cística (ramo da A. hepática D) - Linfonodos RECESSOS = REFLEXÕES PERITONEAIS Recessos duodenais: supra, infra e retroduodenal – localizados na altura da flexura duodeno-jejunal ou ângulo de Treitz. Recessos em relação ao ceco, apêndice e íleo terminal: - Recesso íleocecal superior: entre íleo e ceco - Recesso íleocecal inferior: entre íleo, ceco e apêndice Prega apendicular ou cecal anterior: avascular e limita o recesso Prega cecal posterior (sustenta o apêndice): forma o mesentério do apêndice vermiforme; é vascular e contém a A. apendicular. Recessos retrocecais: entre o ceco e a parede abdominal, no sulco paracólico Recesso intersigmoide: no mesossigmoide, uma depressão profunda Recessos retrocolicos ou paracólicos: no sulco paracólico E (entre o colo des- cendente e a parede do abdome) e o paracólico D está entre o colo ascendente e a parede do abdome. Sulco paracólico = goteira paracólica ou parietocólica. A raiz do mesentério vai da flexura duodenojejunal E e vai até o ceco, da E para a D, súpero-inferiormente. Relações entre o peritônia e os órgãos: Vísceras peritonizadas/peritoneais: são recobertas totalmente pelo peritônio → jejuno, íleo, cólon transverso, ceco, apêndice cecal, sigmoide, cauda do pâncreas, estômago, 1ª parte duodeno, baço. Vísceras parcialmente peritonizadas: colo ascendente e colo des- cendente (paredes anteriores e mediais são parcialmente peritonizadas, a parede posterior é retroperitoneal). Vísceras retroperitoneais: (2ª, 3ª e 4ª) parte do duodeno, cabeça e corpo do pâncreas, rim, reto. ESCAVAÇÕES - Escavação vesico-retal: entre a bexiga e reto - Escavação vesico-uterina: entre a bexiga e útero - Escavação útero-retal (fundo de saco de Douglas): entre o útero e o reto. Ponto de declive mais baixo da cavidade quando a pessoa está em pé. É onde acumula a maior quantidade de líquido da cavidade peritoneal nesta posição. Comunica-se com o fórnice posterior da vagina. Há uma comunicação entre a região subfrênica com a região sub-hepática que desce e vai para o sulco paracólico D, de onde pode ir para a região mesentérico cólico E ou para a cavidade pélvica. Diálise peritoneal: tentativa de trocar o líquido da cavidade peritoneal “mais sujo” por um líquido mais limpo, ou seja, daqueles íons que não foram retirados. Feito através do cateter Tenkoff. Transudação: perda de substâncias através da parede do vaso. Ex.: trombose da V. porta e das Vv. hepáticas (síndrome da hipertensãoportal → ascite), esquis- tossomose, cirrose hepática. ANDAR SUPRAMESOCÓLICO: dividido em três partes 1) Parte D ou região hepática: a. Região subfrênica ou supra-hepática: entre diafragma e fígado, que pode ser divida entre D e E pelo lig. falciforme. O lig. coroná- rio, que está acima do fígado, divide em anterior e posterior. b. Região hepática c. Região sub-hepática ou infra-hepática O ponto de maior declive quando a pessoa está deitada é a fossa de Morison ou fossa hepatorrenal, que está entre o rim D e o fígado. Ponto de maior acúmulo de secreções... 2) Parte E ou região gastroesplênica: a. Região pré-gástrica: anterior ao estômago b. Região gástrica c. Região retrogástrica: revestida pelo omento maior 3) Parte central ou região duodenopancreática a. Região pancreática: pré-pancreática, pancreática... b. Região duodenal: ... ANDAR INFRAMESOCÓLICO: Dividido em 3 regiões pela raiz do mesentério 1. Sulco paracólico D: lateral, entre a parede e o colo 2. Região mesentérico-cólica D: totalmente fechada, pois é limitada pelo colo ascendente, colo transverso e raiz do mesentério. 3. Região mesentérico-cólica E: aberta para a cavidade pélvica, pois está entre a raiz do mesentério e o colon descendente apenas. 4. Sulco paracólico E CARLOS HIAGO FERREIRA RETROPERITÔNIO Retro: atrás de... Peritônio = membrana serosa que envolve a cavidade abdominal e pélvica, assim como vários órgãos em seu interior. Um órgão extraperito- neal não necessariamente é retroperitoneal. O fígado (área nua), a parte descendente do duodeno e a cauda do pâncreas têm partes que não são peritonizadas. Por isso, são chamados de parcialmente peritonizados. Retrotroperitônio: região situada entre a parede abdominal poste- rior e o peritônio parietal posterior. Estruturas: pâncreas, maior parte do duodeno, colo descendente, reto, aorta abdominal, VCI, rins e glândulas suprarrenais, porção abdomi- nal das vias urinárias. Limites do retroperitônio - Superiormente: diafragma - Inferiormente: vísceras pélvicas - Posteriormente: fáscia transversal (reveste o M. transverso do ab- dome e também o M. quadrado do lombo). - Anteriormente: peritônio parietal posterior. Componentes do retroperitônio Parte do duodeno, cólons ascendente e descendente, pâncreas, adrenais, rins, ureteres, M. psoas, aorta e VCI, linfonodos, tecido adiposo (gordura pararenal → gordura marrom), nervos (N. subcostal, N. iliohipo- gástrico, N. ilioinguinal, N. cutâneo lateral da coxa, N. genitofemoral). *Loja renal = rins, suprarrenais, ureteres, gordura para-renal... Espaços do retroperitônio São espaços delimitados pelas fáscias Delimitam processos patológicos 1. Espaço pararrenal anterior 2. Espaço pararrenal posterior 3. Espaços perirrenais. PERITÔNIO PERITONIZADO PARCIALMENTE RETRO INTRA Estômago Fígado Grandes vasos Duodeno Ovários Baço Colo ascendente Rins Pâncreas N. vago Intestino delgado Colo descendente Suprarrenal Reto Ceco Ureteres Apêndice cecal Colo transverso Colo sigmoide LOJA RENAL Conteúdo Gordura perirrenal, cápsula fibrosa do rim, rim, glândula suprarre- nal, pedículo renal e constituíntes. Estratigrafia do acesso cirúrgico ao rim pela parede posterior do abdome 1. Pele (epiderme e derme) 2. Tela subcutânea 3. Fáscia externa no M. latíssimo do dorso 4. M. latíssimo do dorso 5. Fáscia interna do M. latíssimo do dorso 6. Aponeurose toracolombar 7. Fáscia externa do M. quadrado do lombo 8. M. quadrado do lombo 9. Fáscia interna do M. quadrado do lombo 10. Lâmina anterior da aponeurose toracolombar 11. Fáscia transversalis 12. Gordura pararrenal 13. Fáscia renal 14. Gordura perirrenal 15. Cápsula renal fibrosa Estratigrafia do acesso cirúrgico a margem posterolateral dos rins 1. Pele (epiderme e derme) 2. Tela subcutânea 3. Fáscia externa do M. obliquo externo 4. M. obliquo externo 5. Fáscia interna do M. obliquo externo 6. Fáscia externa do M. obliquo interno 7. M. oblíquo interno 8. Fáscia interna do M. obliquo interno 9. Fáscia externa do M. transverso 10. M. transverso 11. Fáscia interna do M. transverso 12. Fáscia transversalis 13. Gordura pararrenal 14. Fáscia renal 15. Gordura perirrenal ou cápsula adiposa 16. Cápsula renal fibrosa 17. Rim: córtex e medula Sintopia 1. Córtex renal 2. Capsula renal fibrosa 3. Gordura perirrenal 4. Fáscia renal (lâminas anterior e posterior ← Fáscia diafragmática) 5. Gordura pararrenal (envolve a loja renal) 6. Fáscia transversalis Conteúdo 2 RINS - Direito: T12 e L3 E Esquerdo: T11 e L2 - Retroperitoneais o Lateralmente: cápsula CARLOS HIAGO FERREIRA o Medialmente: A. e V. renal, ureter, A. suprarrenal, A. gonadal E do lado E, parte da glândula suprarrenal, VCI, aorta e gor- dura perirrenal e fígado. o Posteriormente: Mm. psoas e quadrado lombar - Rim D: limite o fígado (anterosuperior) - Rim E: limites o baço (lateral) e o estômago (anterior). - Sintopia do rim: colo ascendente e colo descendente, área nua do fígado, duodeno (porção descendente), pâncreas, baço do lado E. - PEDICULO RENAL A. renal, V. renal, ureter, V. gonadal (esquerda), A. polar, A. suprarrenal inferior, V. frênica e V. suprarrenal (D → VCI e a E → V. renal E). INERVAÇÃO Tanto dos órgãos peritonizados quanto dos retroperitoneais: Parassimpática: - N. vago o Tronco vagal anterior: órgãos peritoneais → forma o plexo mioentérico, os nervos pós-ganglionares são intramurais o Tronco vagal posterior: órgãos retroperitoneais. Simpática: cadeia simpática lombar Ganglio simpático aórtico renal IRRIGAÇÃO DA GLÂNDULA SUPRARRENAL 1. A. suprarrenal superior ← A. frênica inferior 2. A. suprarrenal média ← Aorta 3. A. suprarrenal inferior ← A. renal VASCULARIZAÇÃO DOS RINS Os rins são supridos pela A. renal, que se origina da aorta, divide-se no hilo em um ramo anterior e um ramo posterior, que dividem-se em várias Aa. segmentares que irão irrigar vários segmentos do rim, dão ori- gem às Aa. interlobares, que na junção cortico-medular dividem-se para formar as Aa. arqueadas e posteriormente as Aa. interlobulares, de onde surgem as arteríolas aferentes, as quais sofrem divisão formando os capi- lares dos glomérulos, que em seguida, confluem-se para forma de arterí- olas eferentes, que dá origem aos capilares peritubulares a às arteríolas retas, responsáveis pelo suprimento arterial da medula renal. DRENAGEM VENOSA DOS RINS Costuma seguir paralelamente o trajeto do sistema arterial. O san- gue do córtex drena para as Vv. arqueadas → Vv. interlobares → Vv. seg- mentares → V. renal → VCI. DRENAGEM LINFÁTICA DOS RINS No córtex há numerosos linfáticos que drenam para a cápsula ou junção córtico-medular. Na medula, os linfáticos correm do ápice das pirâ- mides para a junção córtico-medular, onde formam linfáticos arqueados que acompanham os vasos sanguíneos até o hilo para drenar em linfono- dos para-aórticos. Ex.: Vasos linfáticos juntos as artérias... Imagem SOBOTTA 2 pág 169 CARLOS HIAGO FERREIRA IRRIGAÇÃO ABDOMINAL AORTA ABDOMINAL Ramos (topografia) - 1º → A. frênica inferior (superior) - 2º → Tronco celíaco (anterior) - 3º → A. mesentérica superior (anterior oblíqua para D) - 4º → Aa. renais(lateral) - 5º → Aa. gonadais (testicular e ovariana) - 6º → A. mesentérica inferior(oblíqua para E) - 7º → Aa. ilíacas D e E. - Ramo “terminal”: A. sacral mediana (continuação) - Aa. lombares: 3 a 5 de cada lado (posterolateralmente) - Aa. gastromentais se anastomosam na grande curvatura do estômago. TRONCO CELÍACO 1. A. esplênica: baço, estômago, pâncreas (corpo e cauda) 1. A. gastromentalE: curvatura maior do estômago 2. A. gástrica curta: fungo gástrico 3. A. pancreática dorsal 4. A. pancreática transversa 5. A. pancreática magna 2. A. gástrica E: pequena curvatura do estômago 3. A. hepática comum: fígado, duodeno, pâncreas (cabeça) I. A. gástrica D: pequena curvatura do estômago. Pode originar- se da A. hepática própria. II. A. hepática própria: há algumas variações anatômicas, nas quais a A. hepática D pode sair da A. mesentérica superior. o A. hepática D → A. cística → trígono de Callot, delimi- tado pela borda inferior do fígado (superior), vesícula biliar e ducto cístico (inferior) e ducto hepático comum (medial). Numa colecistectomia, deve-se fazer a liga- dura da A. cística. o A. hepática E III. A. gastroduodenal: pâncreas e duodeno: o A. gastromental D: omento maior e curvatura maior do estômago o A. pancreatoduodenal superior: duodeno e cabeça do pâncreas A curvatura menor do estômago é irrigada por uma anastomose en- tre as As. gástricas D e E. Enquanto que a curvatura maior é irrigada por uma anastomose entre as As. gastromentais D e E (= gastroepiploica). A. MESENTÉRICA SUPERIOR Inferior ao tronco celíaco e origina-se atrás do corpo do pâncreas, desce à frente do duodeno sobre a transição da parte horizontal e da parte ascendente (3ª e 4ª parte), onde pode haver um "pinçamento" no duo- deno, causando repercussão no fluxo intestinal → Síndrome da A. mesen- térica superior ou de Wilkie. 1. A. pancreatoduodenal inferior: irriga a cabeça do pâncreas, anas- tomosa-se com a A. pancreatoduodenal superior. 2. Aa. Jejunais: ramos calibrosos e compridos, poucas arcadas 3. Aa. Ileais: mais curtos e mais finos, com mais arcadas. 4. A. ileocólica: apêndice cecal, ceco, íleo terminal e parte do colo ascendente – “A. ileocecoapendicocólica”, é a continuação da me- sentérica em direção a fossa ilíaca D. 5. A. cólica D: colo ascendente 6. A. cólica média: arcada marginal, justacólica ou de Drummond. Quanto maior o nº de arcadas, maior a mobilidade das alças na cavidade e por isso, o íleo é mais móvel do que o jejuno. Dentro da cavidade peritoneal, normalmente o jejuno está no quadrante supe- rior E e o íleo no quadrante inferior D. O intestino delgado, no corpo vivo, tem de 5 a 8 m de comprimento. Ao término de cada arcada, há vasos retos que penetram na alça. A irrigação da mesentérica superior vai até o 2/3 proximais do colo transverso. Isso ocorre pois do ponto de vista embrionário é onde se faz a divisão entre intestino médio e posterior primitivos. Enquanto que o 1/3 distal do colo transverso é irrigado pela A. mesentérica in- ferior. A A. mesentérica superior passa em cima da V. renal E → síndrome do quebra-nozes → paciente pode ter HAS, hematúria, dilatação da V. gonadal E, que desemboca na V. renal E. A. MESENTÉRICA INFERIOR 1. A. cólica E: irriga 1/3 distal do colo tranverso e colo descendente 2. Aa. sigmoideas (1 ou 2 artérias): irrigam o colo sigmoide 3. A. retal superior: irriga o 1/3 superior do reto. Arcada marginal ou A. marginal = comunica essas artérias. O 1/3 médio e o 1/3 inferior do reto é irrigado pela A. retal média e A. retal inferior, que são ramos da A. ilíaca interna. No colo, há 2 arcadas importantes: 1. Arcada marginal de Riolan: anastomose da A. cólica E com a média, que promove anastomose entre a A. mesentérica superior e inferior. 2. Arcada marginal de Drummond: toda a arcada marginal que molda o colo/irriga a moldura do colo (justacólica). São anastomoses entre a A. ileocólica, Aa. cólicas (D, média e E) e Aa. sigmoideas. Arco de Riolan faz parte desse arco. Arterioscleroses podem ocorrer através da aorta abdominal nas abertu- ras das artérias celíaca, mesentérica superior e mesentérica inferior. Frequen- temente a A. mesentérica inferior torna-se obstruída. Interessantemente, a maioria dos pacientes não sofre qualquer complicação devido às anastomoses entre as Aa. cólicas D, média e E que gradualmente aumentam e formam a ar- téria marginal. Gangrena do intestino: trombose à isquemia à necrose à gangrena. CARLOS HIAGO FERREIRA AA. RENAIS Há muitos tipos de variações anatômicas. Exemplos: 2 ou 3 Aa. re- nais, A. polar superior, uma A. polar inferior. Nos transplantes renais, nos casos de oclusões das Aa. renais e nos casos de infecções, estenoses, ate- rosclerose, deve-se observar se o doador/paciente possui variações ana- tômicas e as condições dos rins (muitos casos de HAS advêm de problemas renais, da irrigação renal). ANEURISMAS DE AORTA Dilatação de todas as paredes da aorta, que estão relacionadas, na maior parte das vezes, com o processo aterosclerótico da artéria, que fra- giliza essas paredes. Quanto maior a pressão arterial, maior a fragilidade da artéria e risco de se romper. Para isso, deve-se fazer cirurgia. DRENAGEM VENOSA ABDOMINAL A maioria das veias acompanham as artérias. V. PORTA Traz a maioria do sangue e das substâncias que vêm das vísceras ab- dominais (exceção das Vv. renais), para fazer o metabolismo no fígado. Origem: união da V. mesentérica superior com a V. esplênica, mas também pode ter a contribuição da V. mesentérica inferior. A V. mesentérica inferior pode desembocar na V. mesentérica supe- rior, na V. esplênica ou no ângulo entre as 2. Recebe também a drenagem das Vv. gástricas D e E. Às vezes, a V. gástrica E pode desembocar na V. esplênica e a V. gástrica D pode desem- bocar na V. mesentérica superior. A V. porta também pode sofrer variações anatômicas e anomalias na drenagem do sistema porta (pode drenar para o pulmão...). Partes da V. porta - Retropancreática: atrás do pâncreas - Retroduodenal: atrás do duodeno - Parte livre: dentro do omento menor (lig. hepatoduodenal), onde compõe o pedículo hepático. ø da V. porta: 1 cm ø da V. mesentérica superior: 0,5 cm ø da V. esplênica: 0,5 cm ø da aorta abdominal: 2,5 cm DOENÇAS: HIPERTENSÃO PORTAL Problemas obstrutivos (trombose) na V. porta, problema nos sinu- soides, problemas na V. hepática, cirrose hepática (hepatites, cirrose al- coólica) ... Circulação colateral: O sangue não consegue entrar no fígado e volta para a V. esplênica, para a V. mesentérica superior ou para as Vv. gástricas (que dilata também as Vv. do esôfago = varizes esofágicas). A V. esofágica drena para a V. ázigo (desemboca na VCS) e para a veia hemiázigo. Portanto, em um caso de hipertensão portal o sangue pode desviar da V. porta e ir para a V. cava através do sistema ázigo. Outra anastomose que pode acontecer é entre a V. porta e a V. umbilical (que estava pérvia no feto e que se oblitera ao nascimento). Na hipertensão portal, a V. umbilical volta a ser pérvia, por onde passará, então, sangue. Isso formará dilatações venosas ao redor da cicatriz umbilical, que formam a chamada cabeça de medusa = Caput me- dusae. Mas também há uma fuga para o coração, subindo normalmente pelas veias da parede abdominal: V. toracoepigástrica → V. axilar à VCS; Vv. epigástricas superior e inferior que estão atrás do M. reto do abdome à V. torácica interna à V. subclávia; ou descendo, fazendo anastomoses com a V. epigástrica inferior, que desemboca na V. ilíaca externa, que de- semboca na V. ilíaca comum e vai para a VCI. Pode descer também através da V. epigástrica superficial, que desemboca na V. safena magna, que de- semboca na V. femoral, vai para a V. ilíaca e vai, finalmente, para a VCI. ASCITE Acontece quando o sangue não é drenado pelas Vv. jejunais e ileais. Isso causará um acumulo de sangue na região, ocorrendo a transudação de líquido para a parede abdominal. Fáscias de coalescência do colo: São fáscias que sustentam o colo na parede abdominal, onde exis- tem veias que drenam tanto o colo comoa parede = Vv. das fascias coa- lescentes. Estas veias podem se dilatar, deixando a parede abdominal cheia de varizes, veias dilatadas e tortuosas. Essas veias estão na parede abdominal posterior e se direcionam para as Vv. lombares, as quais de- sembocam na VCI. Anastomose na parede do reto: Drenagem do plexo submucoso e subseroso do reto = essas veias também se dilatam e há uma comunicação com a V. retal média e inferior, quando deveria ir para a V. retal superior. Então, o sangue sai da V. retal inferior, passa para a V. ilíaca interna, V. ilíaca comum e VCI. HEMORROIDAS Dilatações do plexo venoso submucoso do 1/3 distal do reto (canal anal). Normalmente não há na hipertensão portal, porque as outras anas- tomoses conseguem “suprir” o retorno venoso. Tromboses de V. hepática = Síndrome de Buddi Chiari → o sangue não consegue sair do fígado. É a hipertensão portal com hepatomegalia cau- sada pela obstrução venosa do sistema de drenagem do fígado. Na VCI, há a entrada das veias lombares. A A ilíaca comum D cruza ou sobre a VCI ou sobre a V. ilíaca comum E, o que pode levar a quadros de obstrução da V. ilíaca = Síndrome de Cockett ou Síndrome de May-Thurner → compressão da A. ilíaca D sobre a V. ilíaca comum E. Essa constrição faz com que haja uma dificuldade no retorno de sangue da perna E para o coração, causnado varizes e, em casos mais graves, trombose ANASTOMOSES PORTO-CAVAIS Inferiores 1. V. porta → V. esplênica → V. mesentérica inferior → V. retal superior → Vv. retais média e inferior → V. ilíaca interna → V. ilíaca comum → VCI. 2. V. porta → V. umbilical → V. epigástrica inferior → V. ilíaca externa → V. ilíaca comum → VCI. 3. V. porta → V. umbilical → V. epigástrica superficial → V. safena magna → V. femoral → V. ilíaca externa → V. ilíaca comum → VCI Superiores 1. V. porta → Vv. gástricas → V. ázigo/hemiázigo → VCS. 2. V. porta → V. umbilical → V. epigástrica superior → V. torácica interna → V. subclávia → V. braquiocefálica → VCS. 3. V. porta → V. umbilical → V. torácica lateral → V. axilar → V. subclávia → V. braquiocefálica → VCS. CARLOS HIAGO FERREIRA ASSOALHO PÉLVICO E PERÍNEO PELVEi Conceito Parte do tronco situado abaixo e atrás do abdome Ligeiramente inclinada Dividida pela margem pélvica (linhas terminais) em: Do promontório até a sínfese púbica ↑ → pelve maior ou pelve falsa → grande bacia Faz parte da cavidade abdominal ↓ → pelve menor ou pelve verdadeira → pequena bacia Faz parte da cavidade pélvica Conteúdo Mulher Parte inferior do tubo digestório Sigmoide e reto Bexiga urinária Parte da uretra e vagina Partes do ureter e do sistema genital Útero, ovário, tuba uterina Homem Parte inferior do tubo digestório Parte do sigmoide Bexiga urinária Uretra e próstata Partes do ureter e do sistema genital Ducto deferente Entrada do bebê pela abertura superior e saída pela abertura inferior. Canal anal parte terminal faz parte do períneo A. ilíaca interna: A. uterina, A. vesical, A. retal média e inferior Histerectomia → clampear A. uterina pq o ureter passa por baixo da artéria. Ureter é retroperitoneal As vezes o apêndice vermiforme pode ser pélvico, se projetando ao lado Pelve óssea - 2 ossos do quadril - Sacro e cóccix - Pelve menor - Abertura superior - Cavidade - Abertura inferior Pelve masculina Pelve feminina Pelve óssea - Ligamentos sacrotuberais - Ligamentos sacroespinais Convertem as incisuras em: forames isquiáticos: maior e menor CARLOS HIAGO FERREIRA Classificação, aberturas e diâmetros Abertura superior da pelve Abertura inferior da pelve Limites: cóccix, sínfise púbica, túber isquiático, ramo isquiopúbico, ligamento sacrotuberal. Diâmetro transverso → 13,5cm ø transverso (bituberal) → 11,0 cm ø transverso (bi-isquiático)→ 10,5 cm ø reto → 9,5 cm (até 11-12cm durante o parto) ø anatômico → 11,0 cm ø verdadeiro (conjugado obstétrico) → 10,5 cm ø diagonal → 12-12,5 cm Classificação das pelves quanto a forma da abertura superior CARLOS HIAGO FERREIRA GINECOIDE - Pelve feminina mais comum (50-62%) - Abertura superior arredondada - Diâmetro transverso máximo - Porção posterior da pelve espaçosa - Espinhas isquiáticas não proeminentes - Sacro largo, côncavo, inclinação média - Diâmetro bi-isquiático grande - Prognóstico excelente!! ANTRAPOIDE - Formato comum nos negros (11-25%) - Abertura superior elíptica, alongada no sentido anteroposterior - Sacro estreito e longo - Diâmetro bi-isquiático menor - Prognóstico: se não houver distocia na abertura superior não haverá no resto da pelve ANDROIDE - Reúne as características da pelve masculina comum (18,5-20%) - Abertura superior em forma de coração/triangular - Sacro estreitado - Diâmetro reto pequeno - Prognóstico péssimo!! PLATIPELOIDE - Pelve achatada (5-8%) - Abertura superior ovalada - Diâmetro anatômico reduzido - Diâmetro bi-isquiático aumentado - Prognóstico: distocia maior na insinuação, amenizando-se de- pois Diferenças sexuais PELVE MASCULINA FEMININA Inclinação anterior Menor Maior Sacro Estreito, + curvo Largo, - curvo Fossa ilíaca + profunda + rasa Abertura superior Coração Circular Ângulo subpúbico 60° 90° Cavidade pélvica Afunilada, estreita Cilíndrica, larga Forame obturado Oval Triangular MÚSCULOS DA PELVE Parede lateral: - M. obturador interno Parede posterior: - M. piriforme Assoalho (diafragma) pélvico: - M. levantador do ânus - M. isquiococcígeo (coccígeo) Pelve vista de cima: deixando só a mus- culatura → m. le- vantador do ânus (é atravessado pelo reto, vagina e uretra (feminino)) e m. is- quiococcígeo. ASSOALHO PÉLVICO - Formado pelo diafragma da pelve (Mm. Levantador do ânus e isquiococcígeo) - Forma de funil - Entre o púbis (anteriormente) e o cóccix (posteriormente) - Serve como um diafragma → chamado de diafragma pélvico. - Abaixo temos os músculos urogenitais profundos (“diafragma urogenital”→ na verdade não têm função de diafragma) e a membrana do períneo(abaixo do músculo → sustentação passiva). - Ultrapassando o diafragma pélvico, chega-se ao períneo (entre a pele e o assoalho pélvico, ou seja, é a região inferior ao diafragma da pelve). - Fechando a pelve posteriormente: M. piriforme, que se insere no sacro e sai pelo forame isquiático maior. - Forame obturado: fechado pelo M. obturador interno, formando a parede lateral da pelve, onde passa a N. A. V. obturatória, indo para a coxa. - M. isquiococcígeo é visualizado por baixo ao se retirar o lig.sacrotuberal. DIAFRAGMA DA PELVE - Mm. Levantadores do ânus: fixa-se na ½ do m. obturador interno, o qual de cada lado tem uma parte na cavidade pélvica e uma parte no períneo. o Dão passagem à vagina, uretra e reto o 3 partes A. M. Puborretal: limite entre o canal anal, junto com o esfíncter externo do ânus, é importante para a continência fecal, pois quando contraído fecha o canal ↓ sua luz, mantendo as fezes no reto. B. M. Pubococcígeo C. M. Iliococcígeo - Mm. Isquiococcígeos (coccígeos) - Arco tendíneo do m. Levantador do ânus A curvatura entre o canal anal e o reto é chamada flexura anorretal CARLOS HIAGO FERREIRA FÁSCIAS DA PELVE - Fáscia superior do diafragma da pelve - Fáscia inferior do diafragma da pelve = teto do períneo - Fáscia obturatória PERÍNEOI (Peri = ao redor de; naion = ânus) O períneo refere-se tanto a uma área de superfície externa quanto a um “compartimento” raso do corpo. O períneositua-se abaixo da abertura inferior da pelve e é separado da cavidade pélvica pelo diafragma da pelve. É chamado, geralmente, de região entre as coxas, que se estende entre os órgãos genitais e o ânus. Linha divisória do períneo: linha transversa que une as extremidades anteriores dos tú- beres isquiáticos Divide o períneo em 2 triângulos: - Trígono anal - Trígono urogenital Períneos masculino e feminino CORPO DO PERÍNEO - Fibromuscular, mediano, entre o ânus e o trígono urogenital - É uma condensação fibromuscular no centro do períneo → fixação de musculatura - Se houver um rompimento do corpo do períneo, toda a musculatura do assoalho da pelve fica frouxa, tendendo a descer (prolapso). Pode acontecer, por exemplo, em um parto muito traumático. Por isso surgiu a técnica de episiotomia = cortar a parede da vagina para facilitar a expulsão do feto e no parto vaginal. Mais importante na mulher, o corpo do períneo se localiza entre a vagina e o canal anal. - Possibilita fixação de: o Fáscias superficial e profunda do períneo o Mm. Transversos superficial e profundo do períneo→ a mulher não tem o profundo e sim uma condensação de m. liso, por isso o termo diafragma urogenital não é correto). o M. Bulboesponjoso o M. Levantador do ânus o M. Esfíncter externo do ânus TRÍGONO UROGENITAL - Pele - Tela subcutânea → camada membranácea(fáscia de colles) - Espaço subcutâneo(é virtual, só existe qnd há rompimento de vaso ou uretra) - Fáscias o Superficial do períneo – reveste os músculos bulboespon- joso, isquiocavernoso e transv. Superficial. Fixada nos ra- mos isquiopúbicos. o Membrana do períneo – reveste inf. o m. Transv. Profundo e fixa-se nos ramos isquiopúbicos - O M. esfíncter externo e o M. levantador do ânus estão laterais aos trígonos. Os outros mm fazem parte destes.O ânus fica no centro do trígono posterior e, no trígono anterior estão os órgãos urogenitais. - Se retirar a membrana do períneo, você chega na parte profunda do períneo. Ela delimita o espaço superficial do espaço profundo. Além disso, será visível o M. transverso do períneo (na mulher, só vê a condensação de fibras musculares lisas) - O que limita o espaço inferior é a fascia superficial do períneo, que tem 2 camadas: a que envolve os músculos e a profunda. - O M. levantador do ânus sai da fáscia obturatória e forra toda a pelve. CARLOS HIAGO FERREIRA - Todas as estruturas do períneo são inervadas pelo nervo pudendo, irri- gadas pela A. pudenda interna (origem na A. ilíaca interna) ESPAÇO SUPERFICIAL DO PERÍNEO o Entre a fáscia superficial do períneo e a membrana do períneo o Contém no homem o Mm. Transversos superficiais do períneo o Mm. Isquiocavernosos e ramos do pênis o M. Bulboesponjoso e bulbo do pênis o Segmento bulbar da parte esponjosa da uretra o Ramos de vasos e nervos pudendos - Contém na mulher o Mm. Transversos superficiais do períneo o Mm. Isquiocavernosos e clitóris o M. Bulboesponjoso e bulbos do vestíbulo o Glândulas vestibulares maiores o Ramos de vasos e nervos pudendos EPISIOTOMIA - Mediolateral - Mediana: o Menor perda sanguínea o Execução e reparação fáceis o Maior respeito à integridade anatô- mica do assoalho muscular o Menor dor no puerpério imediato e dispareunia o Melhor aspecto estético. - Na mulher, há tendência de lesão no esfíncter externo do ânus = fístula anovaginal? - Mm lesados na episiotomia médio-lateral: mm. Bulboesponjoso e mm transverso superficial do períneo - A mulher tem um complexo esfincteriano, e não só o m. esfíncter interno. - Homem: M. esfíncter externo da uretra forma e parede da próstata - Mulher: M. esfíncter externo da uretra envolve a uretra e a vagina - Na parte mais anterior do M. trasnverso profundo existe uma abertura (por isso não é diafragma verdadeiro): passagem de vasos e nervos. ESPAÇO PROFUNDO DO PERÍNEO - Entre: o Membrana do períneo (inf.) o Fáscia inferior do diafragma da pelve (sup.) o Fáscia obturatória (lat.) - Contém: - Corpo adiposo (recessos anteriores da fossa isquioanal) - M. transverso profundo do períneo (♂) - M. esfíncter externo da uretra - Glândulas bulbouretrais (♂): libera uma secreção alcalina que neutraliza o ph da uretra (homem). - Parte da uretra - Nervos e vasos dorsais do pênis/clitóris CARLOS HIAGO FERREIRA TRÍGONOS UROGENITAL E ANAL - M. Transverso superficial do períneo - M. Bulboesponjoso - M. Isquiocavernoso Urogenital - M. Transverso profundo do períneo (♂) - M. Esfíncter externo da uretra Diafragma urogenital o M. Esfíncter externo do ânus o Fossa isquioanal anal Sexo masculino o Espaço superficial: - M. Isquiocavernoso – ereção do pênis - M. Bulboesponjoso – ereção e ejaculação - M. Transverso superficial do períneo o Espaço profundo – “diafragma urogenital” - M. Transverso profundo do períneo – contenção visceral e estabilização do corpo do períneo - M. Esfíncter externo da uretra – expulsão e contenção do conteúdo uretral Sexo feminino - Espaço superficial: o M. Isquiocavernoso – ereção do clitóris o M. Bulboesponjoso – constrição da vagina o M. Transverso superficial do períneo - Espaço profundo – “diafragma urogenital” o Aglomerado de m. Liso o Esfíncter urogenital TRÍGONO ANAL Sexos masculino e feminino a) Fossa isquioanal (cheios de gordura) a) Corpo adiposo anal b) Passam nervos e vasos pudendos (N. pudendo, A. e V. pudendas internas) pelo canal do pudendo (Alcock). • M. Esfíncter externo do ânus(centro) • Existe um corpo fibroso: corpo anoccigeo (ligamento anoccígeo): não é to- talmente fibroso, possui fibras musculares (une a parede posterior do canal anal ao cóccix) • O N. ilioinguinal termina na parte anterior dos vasos maiores do ??, e faz inervação do períneo. Junto com ele tem os nervos pudendo (principal) e cutâneo femoral posterior. CARLOS HIAGO FERREIRA CARLOS HIAGO FERREIRA PLEXO LOMBOSSACRAL É formado por L1 a S3, com participação de T12 (N. subcostal) e S4 em alguns casos. São formados pela união de 2 plexos: lombar e sacral que se unem na região de L4 e L5 (tronco lombossacral, a rigor seria L5 e S1, mas na prática, tem contribuição do prefixado L4). Lesão do N. cutâneo femoral lateral da coxa causa meralgia parestésica. Sensibilidade: Face anteromedial da coxa e perna: ramos cutâneos anteriores e mediais ← N. safeno ← N. femoral. Face anterolateral: N. cutâneo femoral lateral da coxa. Território da sensibilidade do N. obturatório → 5 cm na face medial. Ramo cutâneo anterior do N. iliohipogástrico acompanha o canal inguinal. Principal nervo: N. isquiático O nervo subcostal é acompanhado por veia e artéria e é o último nervo costal, logo abaixo da 12ª costela. Os nervos ilioinguinal e iliohipogástrico geralmente saem de um tronco só que se origina de L1, com contribuição de T12. Todos esses nervos são retroperitoneais e são formados abaixo do M. psoas. Eles se estendem sobre o M. quadrado do lombo até penetrar a aponeurose do M. transverso do abdome. O N. ilioinguinal vai em direção a EIAS, dentro do canal inguinal. No homem, acompanha o funículo espermático e na mulher o ligamento re- dondo do útero. O N. genitofemoral, formado por L1 e L2, dentro do M. psoas maior segue até aparecer na superfície em direção ao lig. inguinal, onde se divide em 2 ramos: Ramos genital e femoral. N. ILIOHIPOGÁSTRICO (L1) Estende-se acima do M. quadrado do lombo até perfurar a aponeu- rose do M. transverso, caminhando entre o transverso e o oblíquo, na pa- rede do abdome.Vai em direção a região lateral da crista ilíaca. Inerva a região ilíaca lateral até a região glútea e também a pele acima do lig. In- guinal, indo até a região suprapúbica. N. ILIOINGUINAL (L1) Acima dos M. quadrado do lombo, transverso e segue à EIAS. Dentro do canal inguinal, no homem, acompanha o funículo espermático e na mu- lher o lig. redondo do útero. Inerva a pele da região súpero-medial da coxa e suprapúbica. LESÃO: falta de sensibilidade sobre o lig inguinal. N. GENITOFEMORAL (L1 e L2) Formado dentro do M. psoas maior e segue em direção ao lig. ingui- nal, onde se divide em 2 ramos Genital: medial, inerva a região da genitária externa Femoral: inerva a pele do trígono femoral. Bainha femoral: V. femoral (medial), A. femoral (intermediária) e ramo fe- moral do N. genitofemoral (lateral). N. femoral passa fora da bainha, late- ral ao ramo femoral. Lesões menos comuns Nn iliohipogástrico, ilioinguinal e genitofemoral. Lesões ocorrem em cirurgias e são de fácil reparo. Nessa região é difícil a perda total da sensi- bilidade pois a inervação se sobrepõe. * A lesão geralmente ocorre por imperfeições na parede abdominal e pa- rede pélvica. Ex: retirada da crista ilíaca para fazer enxerto pélvico. N. CUTÂNEO FEMORAL LATERAL (L2 E L3) Sai profundamente pelo M. psoas maior e se estende lateralmente pela parede ilíaca, sobre o M. ilíaco, em direção a EIAS, onde está fixado o lig inguinal. Sensibilidade da face anterolateral da coxa. LESÃO: dor em queimação, parestesia da face anterolateral da coxa. Meralgia paresté- sica: é a compressão desse nervo causando os sintomas acima. CARLOS HIAGO FERREIRA Etiologia: - Encarceramento (“entrapment”): entre. lig inguinal e EIAS - Traumas repetidos, lesões traumáticas na coxa são as mais comuns: apoio, roupas apertadas... Ex.: indivíduos que trabalham encostados no balcão pressionando o nervo. - Obesos e gestantes N. OBTURATÓRIO (L2, L3 E L4) Desce em direção a cavidade pélvica, medialmente ao M. psoas. O nervo e os vasos passam pelo canal obturatório, único local aberto no fo- rame obturado para chegar à região medial da coxa. Nervo misto: inerva todos os músculos e a pele da região medial da coxa. R. interno: inerva os Mm. obturadores, adutor magno e pectíneo. R. externo: inerva os Mm. grácil, adutor longo e curto. LESÃO: Sinal: coxa em abdução = base alargada. Sintomas: não faz adução da coxa, perde a propriocepção do quadril, afeta a sensibilidade da região supracondilar medial (5cm), causando instabili- dade do quadril e uma marcha com base alargada. N. obturatório acessório Inerva junto com o N. femoral a cápsula articular do quadril. Em caso de lesão, o N. femoral também é lesado. N. FEMORAL É o mais importante para a pele da coxa: pele anteromedial da coxa e medial da perna e do pé. Desce lateralmente ao M. psoas maior e aden- tra a coxa por trás do lig. inguinal, sobre o M. ilíaco. Faz inervação dos músculos que flexionam a coxa e estendem a perna: M. iliopsoas, M. pectíneo, M. sartório, M. quadríceps. Flexão da coxa sobre o quadril: M. pectíneo, M. reto femoral, M. ili- opsoas e M. sartório. Extensão da perna: M. quadríceps. Flexão da perna: jarrete e M. sartório. *Com exceção do M. sartório que faz a flexão do joelho, todos os ou- tros fazem externsão do joelho. Sintopia do N. femoral em relação aos vasos: o nervo está lateral- mente aos vasos femorais, fora da bainha femoral. Trígono femoral: ramo femoral do N. genitofemoral; região medial da coxa é inervada pelo N. obturatório. LESÃO Acima do lig. inguinal: Sinal: pernas semifletidas Sintomas: perde a capacidade de flexão da coxa sobre o quadril e da extensão da perna. Dificuldade para subir escada, le- vantar, caminhar (anda e empurra a coxa para trás com a mão), perde a sensibilidade da região anteromedial da coxa. ↓ ou ausência do reflexo patelar. Abaixo do lig. inguinal: Sinal: pernas semi-fletidas. Sintomas: não perde a flexão da coxa sobre o quadril, porque abaixo do ligamento, o M. iliop- soas está integro e é o principal flexor. Não faz extensão da perna. Reflexo patelar nulo. O N. femoral quando passa por trás do ligamento inguinal, se rami- fica em ramos cutâneos sensitivos e nervo safeno: Rr. cutâneos anteriores: ficam na coxa N. SAFENO Desce com os vasos femorais (vão para a região posterior = região poplítea, onde se tornam A e V. poplítea), entra no canal dos adutores, depois se torna subcutâneo. Desce acompanhando a V. safena magna, até chegar na margem medial do pé. Origina ramos para o tornozelo = inerva- ção sensitiva, se lesado causa dor e parestesia. PLEXO SACRAL Ramos ventras de L4+L5 (tronco lombossacral) que se une com S1, S2 e S3 formando o plexo lombossacral. L4 e L5 une-se na parede lateral da pelve → tronco lombossacral. O M. piriforme é fixado no sacro vai para a região glútea e é um pa- râmetro para saber quem passa por cima ou por baixo, principalmente na região glútea. Ele fica posterior ao plexo. A partir desse plexo, alguns ramos passam abaixo e acima do mús- culo e chegam na região glútea. O tronco dá origem ao nervo ciático (isquiático). Junto com este nervo, sai o nervo que inerva o glúteo máximo. Divisão posterior: Nn glúteo superior, glúteo inferior, cutâneo pos- terior da coxa, isquiático (parte fibular): L4-S2 CARLOS HIAGO FERREIRA N. GLÚTEO SUPERIOR Inerva o M. glúteo médio e mínimo, fica entre eles dois até chegar ao m tensor da fáscia lata. Tanto o glúteo médio quanto o glúteo mínimo estão fixados no troncanter maior (puxam este para cima) e no osso do quadril (puxa este para o lado), assim fazem abdução lateral da coxa (pé fora do solo) ou inclinação da pelve (apoio dos pés ao andar). Durante o caminhar, quando se tira um pé do solo, o centro de gravidade muda e a tendência é que o lado ispilateral caia. O corpo, porém, não cai, porque o músculo desse lado impede a descida da pelve e que o osso incline. Lesão N. glúteo superior = individuo anda inclinando a coluna para o outro lado – aquele andar que eu sou demônio e rio (de pato) Exame físico: SINAL DE TRENDELEMBURG POSITIVO N. GLÚTEO INFERIOR Inerva o músculo glúteo máximo. Estende a coxa sobre o quadril. As lesões ocorrem por trauma (arma branca, perfurações...) N. CUTÂNEO POSTERIOR FEMORAL Apesar de ser cutâneo ele não transita “superficialmente” pela ca- mada subcutânea, e sim por baixo da fáscia lata. Inerva a pele da região posterior da coxa. Emite alguns ramos para a região do períneo (ramos perineais). *Único nervo que sai na região glútea por cima do M. piriforme = glúteo máximo. N. PUDENDO (S2, S3 e S4) Passa por baixo do M. piriforme e entra no períneo, anterior ao es- paço coberto pelo lig. sacrotuberal. Inerva toda a musculatura do períneo, inclusive o Mm. esfíncter externo do ânus e levantador do ânus. Fossa is- quioanal = região coberta por gordura. Às vezes é acometida por absces- sos, que podem atingir o N. pudendo, pois alguns ramos deste passam pela parte lateral dessa fossa. Nessa região estão os músculos gêmeos e o M. obturador interno (N. pudendo passa encostado nesse músculo). Fica den- tro do canal do pudendo ou de Alcock junto com a A. e V. pudenda interna, formado pela fáscia do M. obturador interno. N. ISQUIÁTICO OU CIÁTICO (L4, L5, S1, S2 E S3) É o maior nervo em diâmetro e comprimento. Sai por baixo do M. piriforme e desce pela parte posterior da coxa. Dentro deste nervo, temos dois fascículos de neurônios que se separam (muitas vezes já vêm da pelve separados), formando os Nn. fibular comum e tibial. Divide-se nesses 2 nervos antes de entrar na fossa poplítea. Antes da divisão, inerva os mm da região posterior da coxa (flexoresda perna: M. bíceps femoral, M. se- mimembranáceo, M. semitendíneo). LESÃO: comum em acidente automobilístico, a compressão decorrente da batida na frente do joelho, trazendo o fêmur para trás (luxação do fêmur). Lesão alta = sinal do pé caído (paralisa toda musculatura do joelho para baixo, inclusive a musculatura posterior da coxa (Sinal do jarrete). Etiologia: - Hérnia de disco - Luxação do quadril ou tentativa de redução - Lesão da criança ou mãe no parto - Fraturas de pelve, tumores, FAF (ferimentos por armas de fogo) - Injeções IM inadequadas *Se dividir a região glútea em 4 quadrantes, o N. ciático se encontra no quadrante ínfero-medial (injeção IM nessa região tem que ser dada no quadrante súpero-lateral, no M. glúteo médio). O N. ciático passa entre o túber isquiático e o trocanter maior. Radiculopatia ciática x síndrome do piriforme Lesões por hipertrofia do M. piriforme, por inflamações das fáscias desses músculos, nas raízes. O M. piriforme faz a rotação lateral da coxa. Precisa diagnosticar se o comprometimento é nervoso ou fascial. Características clínicas Sinais motores: paralisia dos Mm. Isquiocrurais (do jarrete), da perna e do pé. *Não perde a sensibilidade da região posterior da coxa porque a iner- vação sensitiva não é dada por esse nervo, e sim pelo N. cutâneo femoral posterior. Reflexo do tornozelo (aquileu) e plantar abolidos Distúrbios sensitivos: parestesia/dor (queimação) em perna e pé, exceto área do N. safeno (região medial). N. FIBULAR COMUM Por ser mais superficial, é mais fácil e comum de ser lesado. Ele con- torna a cabeça e o colo da fíbula, logo abaixo da pele. É um ramo do N. isquiático, o qual se divide em N. fibular comum (contorna lateralmente o joelho passando superficialmente à cabeça da fíbula) e N. tibial (desce pela região posterior da perna). Há 2 nervos para 3 compartimentos (anterior, posterior e lateral). Penetra no M. fibular longo e dentro dele se divide em N. fibular profundo e superficial. Compartimento anterior - M. dorsiflexores = inervados pelo N. fibular profundo. - Fazem a dorsiflexão do pé. - Lesão: síndrome de compartimento: compressão do N. fibular pro- fundo → pé caído, mas não perde nem a inversão nem a eversão. Compartimento lateral - Mm. fibular longo e curto: inervados pelo N. fibular superficial. - Formado dentro do M. fibular longo, sai e caminha pela face lateral da perna. É praticamente subcutâneo. Ramifica-se no dorso do pé. - Lesão: comprometimento dos Mm. eversores: pé invertido (raro) N. FIBULAR COMUM LESÃO: perda da dorsiflexão, extensão e eversão = pé caído e invertido, flexão dos dedos → pé equinovaro. Sintomas no dorso do pé: paresesia e ↓ da sensibilidade. Os ramos cutâneos dorsais vêm do N. fibular superficial (maior parte da pele) e N. fibular profundo (halux). Lesão do chinelo/havaiana: lesão N. fibular profundo onde há perda da sensibilidade da região entre o hálux e 2º pododáctilo. O N. safeno acompanha a V. safena magna. CARLOS HIAGO FERREIRA NERVO TIBIAL Neuroma tem que ser removido porque o local perde a inervação. Inerva a região posterior da perna e a região plantar (Mm de flexão plantar). Passa pelo retináculo dos Mm. flexores (túnel do tarso = múscu- los flexores, bainhas sinoviais, nervos e vasos tibiais) e pode ser compri- mido nesta região por uma massa tumoral, por lesões traumáticas ou in- flamações, causando a Síndrome do túnel do tarso: paciente sem compro- metimento motor significativo, mas sente dor em queimação na planta do pé e parestesia. Os maiores ramos do nervo são os plantares, medial e la- teral que vão para os músculos da planta do pé. LESÃO: perde a flexão plantar. Pct não consegue ficar na ponta dos pés. Sinal: andar em calca- nhar. Sintoma: andar em dorsiflexão. O N. tibial é acompanhado pela A. e V. tibial posterior. Vasos tibiais anteriores acompanham o nervo fibular profundo. O N. fibular superficial é sozinho. N. SURAL Formado pela união do N. tibial com o N. fibular comum (N. cutâ- neo medial e lateral da sura respectivamente). Faz a sensibilidade da re- gião posterolateral da perna. LESÃO: perda da sensibilidade da região posterior da perna. Inervação do pé: N. sural na região lateral, N. safeno na região medial e Nn. cutâneos dorsais. A = N. Tibial B = N. Plantar lateral C = N. Plantar medial D = Ramos calcâneos CARLOS HIAGO FERREIRA IRRIGAÇÃO E DRENAGEM DOS MEMBROS INFERIORES IRRIGAÇÃO DOS MMII Do ponto de vista embrionário, é formado pela A. isquiática (ramo da A. glútea inferior ou as vezes da A. glútea superior) e vai regredindo en- quanto que a A. femoral vai evoluindo. A aorta divide-se à nível de L3/L4 em A. ilíaca comum D e E (10 cm de comprimento), que se divide em A. ilíaca externa e interna na altura da articulação sacroilíaca. A. ILÍACA INTERNA (A. hipogástrica): emite ramos que vão irrigar pelve e parte glútea. Parietal: maior parte vem do ramo posterior da A. ilíaca interna - A. iliolombar (M. ilíaco e M. quadrado do lombo) - A. sacral lateral - A. glútea superior (mergulha L4/L5 e S1) - A. glútea inferior (mergulha S1 e S2) → A. isquiática - A. obturatória Visceral: + ramo anterior da A. ilíaca interna - A. umbilical (1ª porção é pérvea) → A. vesical superior - A. vesical inferior → A. prostática (embolização → ↓ tamanho) - A. pudenda interna → A. retal média - A. retal inferior - A. uterina (mais espiralada, passa acima do ureter, pode ser embo- lizada (ex.: mioma → metrorragia), equivalente ao A. ducto defe- rente no homem). - A. peniana no homem A. do clitoris na mulher Classificação de Guarany-Sampaio da A. ilíaca interna Tipos: 1. Tronco único → terminando em A. umbilical 2. A. umbilical como ramo mais alto da A. ilíaca interna 3. Três troncos → anterior, médio e posterior (+ variações) 4. Dilatação da A. ilíaca interna → os ramos (Dedo de luva) A. ILÍACA EXTERNA - A. epigástrica inferior: faz anastomose com a A. epigástrica superior atrás do M. reto do abdome. - A. circunflexa profunda do ílio (região da crista ilíaca) - Quando cruza o lig. inguinal é chamada de A. femoral. TRÍGONO FEMORAL Situada na região anterior da coxa Limites: - Superior: lig. inguinal (vai da espinha ilíaca anterosuperior até o tu- bérculo púbico, que separa a parede abdominal da raiz da coxa). - Lateral: M. sartório - Medial: M. adutor longo - Teto: fáscia femoral, que deriva da fáscia lata. - Assoalho: M. íliopsoas (lateral) e M. pectíneo (medial) - Conteúdo: N.femoral (lateralmente e fora da bainha), bainha femo- ral (A. e V. femoral e ramo femoral do N. genitofemoral) e canal femoral (linfonodo inguinal profundo = Cloquet e gordura). A bainha é formada pela aponeurose do M. oblíquo externo e do M. transverso na frente e aponeurose do M. ilíaco atrás. Medial a V. femoral há o canal femoral, onde há os linfonodos inguinais profundos (gân- glios de Cloquet) e gordura. Além disso, há um pequeno nervo que passa acima/anterior a A. femoral que é o ramo femoral do N. genitofemoral e está dentro da bainha. A. FEMORAL Origina póstero-lateralmente a A. femoral profunda, de onde saem Aa. perfurantes, Aa. circunflexas lateral e medial da coxa, as quais for- mam a anastomose cruciforme junto com a continuação da A. femoral profunda e a A. glútea superior. Essa anastomose está entre a pelve e a raiz da coxa e forma a circulação colateral. Por causa da dobra da A. femo- ral dentro do canal dos adutores pode ocorrer processos ateroscleróticos. Outras anastomoses: - A glútea inferior com ramificações da A. femoral profunda - A. obturatória com a A. circunflexa medial da coxa. - A. femoral profunda origina diversos ramos na coxa que anastomo-sarão com Aa. geniculares (joelho ← A. poplítea). 1º ramo mais importante da A. femoral é a A. femoral profunda, emitida de 3 a 5 cm do lig. inguinal, que oferece ramificações para nutrição dos MMII. A A. femoral segue e quando ela passa do trígono femoral pos- teriomente ao M. sartório ela começará a ser acompanhada pelo N. safeno (ramo do N. femoral). O ramo para o M. vastomedial passa ao lado do N. safeno e entra na musculatura. A V. femoral vai se tornando posterior a A. CARLOS HIAGO FERREIRA femoral no 1/3 médio e lateral no 1/3 distal, o N. tibial é lateral a veia e o N. fibular comum é lateral ao N. tibial. Quando a A. femoral cruza o hiato do adutor magno, ela muda de nome e vira a A. poplítea. Processos obstrutivos: desenvolve a circulação colateral. Em obstrução da A. ilíaca externa o organismo lança mão da circulação colateral entre a região pélvica e a coxa para que possa nutrir os MMII Sintomas: Tríade da Síndrome de Leriche: 1. Dor no MI = claudicação alta, no glúteo e coxa (mancar). 2. Ausência de pulsação da A. femoral 3. Impotência sexual no homem CANAL DOS ADUTORES Túnel muscular ou intermuscular ou subsartorial ou de Hunter que começa no vértice do trígono femoral e termina no hiato do M. adutor magno, que é um septo intermuscular. Limites: - Anterior: M. sartório - Medial: M. adutor longo - Lateral: M. vasto medial Conteúdo: - N. safeno (abaixo do M. sartório, acompanha a A. femoral na coxa. 1/3 distal da coxa o N. safeno se torna superficial, desce junto com a V. safena magna na perna) - Ramo muscular para o vasto medial - V. femoral é posterior à A. femoral. FOSSA POPLÍTEA Região em forma de losango cujos limites são musculares. Limites - Superomedial: Mm. semitendíneo e semimembranáceo - Superolateral: M. bíceps femoral - Inferomedial: cabeça medial do M. gastrocnêmio - Inferolateral: cabeça lateral do M. gastrocnêmio o M. plantar corre junto com a cabeça lateral do M. gastrocnêmio. - Teto: fáscia poplítea - Assoalho: face poplítea do fêmur e M. poplíteo Conteúdo: - A. poplítea: medial em relação a ... - V. poplítea (no começo é lateral e depois é posterior a artéria) - N. tibial - N. fibular comum - Linfonodos poplíteos: vasos linfáticos são direcionados para os lin- fonodos inguinais superficiais e profundos (canal inguinal). A. POPLÍTEA Ramificações: Aa. geniculares: superolatral, superomedial, inferolateral e inferomedial. Na altura da cabeça da fíbula, divide-se 2 grandes artérias terminais: A A. tibial anterior perfura a membrana interóssea, passando para o compartimento anterior da perna, desce junto ao N. fibular profundo, atravessa o retináculo e chega ao dorso do pé, sendo chamada de A. dorsal do pé ou A. pediosa, formando o arco dorsal do pé. A A. tibial posterior origina A. fibular que passa atrás da membrana interóssea, segue pelo compartimento posterior da perna junto com o N. tibial, passando atrás do maléolo medial da tíbia. Divide-se em A. plantar medial (para o hálux) e A. plantar lateral no pé, que formam o arco plan- tar, onde saem as Aa. metatársicas e digitais. CARLOS HIAGO FERREIRA Existem algumas variações anatômicas. Síndrome de compressão poplítea. Aneu- risma da A. poplítea é o mais frequente dos aneurismas periféricos. 9 a 10% das pes- soas não tem A. dorsal do pé. No diabético, a A. fibular está preservada (sem placa aterosclerótica) = arteriopatia de Monckeberg. Índice tornozelo-braço: PA MMII/ PA MMSS ≥ 1, já que a pressão dos MMII é maior. Se der < 1, é porque há processo obstrutivo e menor chegada de sangue → gangrena de perna. Abaixo do joelho, cada artéria é acompanhada por 2 veias. É raro haver 2 Vv. femorais e 2 Vv. poplíteas. DRENAGEM VENOSA DOS MMII - Superficial: 20-30% do sangue - Profundo: 70-80%, + importante, carrega a maior parte do sangue venoso. - Sistema pérfuro-comunicante: comunica o superficial com o pro- fundo, ou o superficial entre si ou o profundo entre si. Sistema venoso é a que apresenta mais variações anatômicas. VV. plantares formadas se unem. Na região anterior do pé forma-se as Vv. tibiais posteriores e mais lateralmente as Vv. fibulares. Na fossa poplítea forma-se apenas 1 V. poplítea. V. safena parva desemboca na V. poplítea, normalmente na fossa poplítea, podendo sofrer alterações ana- tômicas. Quando a V. poplítea adentra no canal dos adutores, passa a se chamar V. femoral. No trígono femoral, a V. femoral recebe a V. femoral profunda e a V. safena magna. A V. femoral ao cruzar o lig. inguinal, pas- sando pelo canal femoral, torna-se a V. ilíaca externa. 2 veias principais do SVS: V. safena magna e parva V. SAFENA MAGNA: Tem origem no dorso do pé, união do arco venoso dorsal com a V. dorsal medial do hálux, passando anteriormente ao maleolo medial da tí- bia (bem superficial). Importante acesso em urgências (flebotomia). As- cende pela face medial da perna e é acompanhada pelo N. safeno (cuidado em cirurgias com o nervo sensitivo, em caso de lesão, perde-se a sensação, tornando a parte medial do pé e o dedão dormente, principalmente o hálux). Continua pela coxa que é acompanhada pelo N. cutâneo medial da coxa, mergulhando no trigono femoral passando pelo hiato safeno (croça = cajado/pequena abertura na fáscia femoral) para desembocar na V. fe- moral. Essa croça recebe tributárias importantes que drenam não somente a região da coxa, mas também o períneo e parte da zona hipogástrica. Tri- butárias: V. circunflexa superficial do ílio drenando a face lateral da coxa e a região inguinal, V. epigástrica superficial drena principalmente a região do hipogástrico,2 Vv. pudendas externas que drenam a região do pu- dendo e do períneo, V. safena acessória (medial a V. safena magna) que drena a face medial da coxa e a face posterior da coxa no subcutâneo, veia na fáscia anterior, lateral a safena magna chamada de V. cutânea anterior da coxa drena a região anterior e face lateral da coxa. V. SAFENA PARVA: Forma-se na face lateral do pé. V. marginal lateral do pé e com o arco venoso dorsal que juntas formam a V. safena parva atrás do maléolo lateral da tíbia. Se forma na parte posterior da perna e em um determi- nado ponto da perna, a V. safena parva atravessa a fáscia (trajeto subfas- cial) e adentra na perna na fossa poplítea, para desembocar na V. poplítea. É superficial até o 1/3 médio da perna ou na fossa poplítea e depois torna- se profunda. É acompanhada pelo N. sural (que é sensitivo, formado por ramificações do N. tibial e fibular, em caso de lesão há parestesia na face lateral perna). V. de Giacomini ou intersafena é a tributária que liga a V. safena parva com a V. safena magna. Vv. perfurantes. Recebe o nome de acordo com sua topografia. Na face medial da perna são chamadas de Vv. de cocketts, comunica o superficial ao profundo. Per- furam a fáscia. Mecanismos de retorno venoso: Vis a tergo: diferença de pressão entre capilar venoso e arterial, fluxo direcionado das cavas para o átrio D pela pressão (-). Vis a front: pressão (-) dentro da cavidade torácica que faz com que o sangue suba para dentro do tórax. Fim da inspiração e começo da expiração. Vis a lateri: pulsão das artérias, ela faz com que exerça uma compressão na veia e o fluxo sanguíneo acaba ascendendo. Válvulas: abrem-se no sistema venoso superficial do profundo (veias co- municantes) e debaixo para cima tanto no superficial quanto no profundo. Es- tase. Que pode levar a TVP. Esponja plantar (Lejart): coxim da planta do pé, ao pisar, comprime a veia e o sangue sobe. Bomba muscular: SVP está dentro dos compartimentos musculares. Com uma contração do músculo, acaba comprimindo as veias. Musculatura do jarrete, glútea e da panturrilha. É o mecanismomais importante. Varizes → úlceras → varicorragia DRENAGEM LINFÁTICA DOS MMII Feita para os linfonodos poplíteos (na gordura da fossa poplítea, drenam a região posterior da perna) e para a região inguinal, nos linfono- dos inguinais superficiais e profundos (gânglio de Cloquet) (face antero- medial da perna e coxa e linfonodos poplíteos). Linfonodos inguinais superficiais: divididos em superiores (grupa- mento lateral e medial) e inferiores (apenas um grupamento), os inferiores acompanham a V. safena magna e na região da desembocadura estão os superiores. Os inferiores drenam toda a linfa que vem da face lateral da perna (indiretamente porque esta linfa desemboca primeiramente para os linfonodos poplíteos e depois ascendem para os inferiores). Toda a linfa dos superficiais e profundos vai para os linfonodos ilía- cos externos, que acompanham os vasos ilíacos externos → linfonodos pa- racavais e para-aórticos → cisterna do quilo → ducto torácico. Linfedema: inchaço no membro provocado por alteração linfática. Causas: - Congênito: deficiência de vasos linfáticos ou agenesia - Secundário: ex: esvaziamento dos linfonodos/ganglionar - Erispela: quadro infeccioso da pele e subcutâneo que destrói os va- sos linfáticos. Ex.: erisipela bolhosa. - Filariose A pele e a gordura vão sofrendo fibrose com esse edema, causando lipodermatoesclerose, adquirindo aspecto de casca de laranja. Linfocintilografia: exame para avaliar retorno venoso. CARLOS HIAGO FERREIRA ÚTERO Órgão ímpar Holotopia: centro da cavidade pélvica Sintopia - Inferior: diafragma pélvico - Superiormente à vagina - Anterior: bexiga - Posterior: reto, sigmoide e alças intestinais - Lateral: lig redondo do útero (liga-se aos lábios do pudendo) Idiotopia - Órgão axial (longitudinal): localizado no centro da cavidade pélvica ou deslocado em todas as posições. - Ângulo de versão: maior eixo entre a vagina e o corpo do utero - Ângulo de flexão: entre o corpo e o colo do utero - Comumente o fundo do útero esta deslocado anteriormente, tendo um angulo de anteversão. Caso esteja sobre o reto, teremos um an- gulo de retroversão. - Posição normal do útero: ANTE-VERSO-FLEXÃO Estratigrafia/histiotopia: relação de um órgão com suas camadas - Perimétrio: túnica externa formada por peritonio - Miométrio: túnica intermédia formada por músculo liso - Endométrio: túnica interna de aspecto mucoso-descamativa POSIÇÕES DO ÚTERO NA CAVIDADE PÉLVICA - Retroversão: diferentes graus, o fundo do útero vai se posteriori- zando e no último grau alcança o reto. - Retroflexão: corpo do útero posterioriza. - Retrossecção: útero e vagina posteriorizam. - Anteflexão: ↓ ângulo de flexão, anterização do fundo e corpo do útero. Imagem SOBOTTA 2 pág 208 Na posição ortostática, com a movimentação do íleo e dependendo do tama- nho do meso, o intestino pode “cair” na escavação uterorretal. A escavação vesicou- terina é estreita em comparação a escavação uterorretal. Quando há inflamação, o toque vaginal é doloroso, no fundo de Douglas → “Grito de Douglas”. Pús pode ser DIP e sangue gravidez ectópica. O corpo do útero está anteriorizado em relação ao colo e à vagina. O peritônio reveste o fundo da bexiga. IRRIGAÇÃO DO ÚTERO - A. uterina: origem da A. ilíaca interna (tortuosa e espiralada) - Ramos da A. ovariana (ramo da aorta) → ramos para a tuba uterina - Ramos da A. vaginal (ramo da iliaca interna) - Ramos da A. pudenda interna. - Anastomoses entre os ramos: o A. ovariana e A. uterina → fundo e no corpo do útero. o A. vaginal e A. uterina → colo do útero. o A. vaginal e A. pudenda interna → introido da vagina e parede va- ginal e diafragma pélvico o A união das 2 Aa. vaginais, na parede anterior e na posterior, for- mam A. ázigo anterior e A. ázigo posterior (longitudinais) o A. uterina passa anterior ao ureter → risco de lesão na histerecto- mia. o Em casos de tumores benignos, como miomas por exemplo, às ve- zes deve-se embolizar A. uterina ou no tronco anterior. Isto é feito para diminuir a irrigação do tumor, ocorrendo regressão do tama- nho do mesmo, dando a possibilidade da mulher engravidar ou evitar uma histerectomia. o Existem maiores chances de varizes pélvicas do lado E, pois a V. ovariana desemboca na V. renal. Metrorragia: sangramento menstrual que dura mais que o normal, chegando a 20 ou 30 dias. Útero bipartido = Didelfos: 2 fundos, 2 colos e 2 corpos. Útero septado: parcial ou completo dentro do corpo uterino. Pode dificultar a gravidez. Útero unicorno: apenas um corpo lateralizado. CARLOS HIAGO FERREIRA ESTÁTICA DAS VÍSCERAS PÉLVICAS São os elementos que mantêm as vísceras pélvicas (principalmente o útero) em posição na bacia. O assoalho pélvico é a principal estrutura que contém os elementos para manutenção da estática/posição das vísce- ras pélvicas. Evitando, assim, que elas caiam e que haja o prolapso. Qual- quer esforço físico excessivo pode levar a uma perda urinária, principal- mente em mulheres multíparas Definições de soalho pélvico: 1. Considerar como assoalho pélvico o diafragma pélvico e suas fáscias Diafragma pélvico: M. levantador do ânus + M coccígeo. Fenda no levantador (ponto potencial para hérnias "prolapsos uterinos"): hiato pélvico ou hiato retal e urogenital ou hiato retal e genital. Limites do hiato pélvico: - Anterior: uretra - Mediano: vagina - Posterior: reto 2. Considerar como assoalho pélvico os diafragmas pélvico e urogenital: Os mm da região genital e anal que se fixam no centro tendíneo le- vam a um reforço anterior. Eles revestem inferiormente a cavidade pélvica evitando que haja pontos de fraqueza na região. Músculos do diafragma urogenital: M. bulboesponjoso, M. isquiocavernoso, M. transverso super- ficial e profundo do períneo. 3. Considerar como assoalho pélvico segundo Meyer - Diafragma pélvico - Diafragma urogenital - M glúteo máximo - M esfíncter externo do ânus Nesse conceito, eles ajudariam na sustentação e fechariam o reves- timento inferior da cavidade pélvica. 4. Considerar como assoalho pélvico segundo Shellshear-Mascintoch - Peritônio - Fáscia endopélvica: condensação da fáscia abdominalis e que re- veste o fundo da bacia. - Aponeurose sacro-reto-genito-vésico-púbica (Denonvellier) - Tecido conjuntivo especializado que abraça o colo do útero e que prende aos ossos pélvicos (púbis e cóccix) - Reveste também lateralmente a bexiga, a vagina e o reto - Ligg. cardinais, radiais, transversos ou de Macherodt: prendem late- ralmente o útero a bacia, estando contidos no lig largo do útero. - Freund denominou todos os ligs e condensações de “Formação ra- diada de Freund ou retinaculum do útero” (ligg cardinais + aponeu- roses): uma única ligação que sustenta. - Abaixo da formação radiada estariam: diafrágma pélvico e uroge- nital, M. glúteo máximo, M. esfíncter externo do ânus, vasos da parede do períneo, tela subcutânea e elasticidade da cutis. 5. Considerar como assoalho segundo Tandler: Só a parte muscular, sem fáscias e tecido conjuntivo. 6. Considerar como assoalho pélvico segundo Martin: Só a parte conjuntiva da pelve. N. pudendo → pele e musculatura → anestesia no parto para episiotomia. Aparelhos que levam a estática das vísceras pélvicas 1. Aparelho de apoio ou sustentação: Diafragma pélvico e diafragma urogenital 2. Aparelho de suspensão: Tec. conjuntivo e seus espessamentos – "Retinaculum uteri" 3. Aparelho de tração ou de limitação de movimentos: Lig. redondo do útero anteriormente, ligg. largos do útero lateral- mente e lig. sacro-uterino (retouterino) posteriormente. 4. Aparelhos por Scipiades: Aparelho de sustentação(fáscias pélvicas) e aparelho de suspensão (retinaculum uteri). 5. Aparelho de fechamento do períneo ou do assoalho pélvico: Feixe pubo-retal do M. levantador do ânus, que quando contrai aproxima as lâminas da “veneziana” na região do púbis ao nível do hiato urogenital. 6. Aparelho amortecedor: Formado pelo tecido conjuntivo frouxo que preenche o espaço en- tre o retinaculum uteri e a fáscia endopélvica e tem ação de mola permi- tindo a mudança de estática da vagina, reto, etc. CARLOS HIAGO FERREIRA CARLOS HIAGO FERREIRA