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73
UNIDADE 2
CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO 
DO ORÇAMENTO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
 A partir do estudo desta unidade você estará apto(a) a:
• conhecer os princípios fundamentais para a elaboração de um sistema or-
çamentário;
• identificar quem são os profissionais envolvidos na elaboração dos orça-
mentos e os cenários inerentes à sua implantação e execução;
• identificar, separar e apurar os custos diretos e indiretos em um processo 
industrial para servir de base orçamentária; 
• conhecer como é realizado o planejamento da produção e a sua importân-
cia para o processo orçamentário;
• aprender o processo de apuração dos custos para utilizar no planejamento 
orçamentário dos gastos de produção; 
• compreender a importância da formação do preço de venda para o orça-
mento e, consequentemente, planejar o retorno econômico e financeiro de-
sejado do investimento.
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No final de cada um deles você 
encontrará atividades que o(a) ajudarão a consolidar o seu aprendizado
TÓPICO 1 – UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL
TÓPICO 2 – IDENTIFICAÇÃO DOS CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS 
INDUSTRIAIS
TÓPICO 3 – IDENTIFICAÇÃO DOS GASTOS DE PRODUÇÃO
TÓPICO 4 – APURAÇÃO DOS CUSTOS E FORMAÇÃO DO PREÇO DE 
VENDA
74
75
TÓPICO 1
UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Na Unidade 1 vimos o sistema empresa, os tipos de orçamentos e a 
implantação do orçamento empresarial. 
Dando continuidade ao nosso estudo, iniciaremos a Unidade 2 
conhecendo quais são os aspectos que envolvem a utilização do orçamento. Por 
isso, neste tópico, estudaremos a importância do controle orçamentário, seus 
limites, a comunicação, a criação de cenários e o perfil do profissional designado 
pela empresa para fazer o orçamento. E, por fim, um estudo de caso em que 
apresentamos o orçamento de vendas de uma empresa.
2 IMPORTÂNCIA E VANTAGENS DO CONTROLE 
ORÇAMENTÁRIO
Quando falamos em orçamentos, muitas vezes podemos imaginar qual é a 
sua verdadeira aplicabilidade e utilidade. Nesse sentido, algumas perguntas são 
frequentes, tais como: é viável implantar um sistema orçamentário? Qual é o grau 
do retorno de informações que o mesmo pode fornecer para o gestor? Qual é o 
custo financeiro e de treinamento de pessoal qualificado para a sua implantação?
De modo geral, o controle orçamentário parece ser complexo. Mas pode 
não ser se a equipe selecionada para a sua implantação corresponder à estrutura 
organizacional da empresa. 
A importância do sistema de controle orçamentário para a administração 
moderna comprova-se, facilmente, através da notável aceitação que 
o uso de orçamentos vem alcançando nas últimas décadas, apesar 
de sua complexidade. [...] a técnica orçamentária, apesar de simples 
em teoria, é de aplicação complexa, exige trabalhos de implantação 
relativamente dispendiosos e não costuma dar resultados plenamente 
satisfatórios antes de decorridos dois ou três anos de prática constante 
e de contínuos aperfeiçoamentos. (PASSARELLI, 2004, p. 17-18).
O sistema de controle orçamentário precisa ser claro, objetivo e 
corresponder às necessidades da organização. Mas, para apresentar um perfeito 
nível de adequação e corresponder às necessidades dos gestores, deve passar por 
um processo de “moldagem” para melhor se adequar à estrutura organizacional 
da empresa. A sua utilização é de grande relevância, pois empresas que o adotam 
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
76
podem ser consideradas bem administradas. Conforme Passarelli (2004, p. 18), 
“[...] pesquisas recentes conduzidas nos Estados Unidos indicam que 95% das 
empresas consideradas bem administradas adotam uma ou outra forma de 
controle orçamentário”. 
Um dos problemas enfrentados para um bom controle orçamentário é a 
falta de profissionais qualificados. Passarelli (2004, p. 18) aborda que: 
 
No Brasil, assim como em outros países de igual nível de 
desenvolvimento, a restrita difusão do método prende-se mais à 
insuficiência de pessoal técnico realmente habilitado do que à falta de 
interesse ou a dúvidas quanto à eficiência do método por parte das 
empresas. [...] a larga utilização do controle orçamentário explica-
se, fundamentalmente, em razão da constatação de que objetivos e 
planos bem definidos constituem condição indispensável de sucesso 
empresarial. [...] ao barco que não definiu o seu porto de destino (não 
fixou objetivos e nem delineou rotas), nenhum vento será propício. 
 
Toda empresa deve possuir metas e objetivos, caso contrário ficará 
difícil alcançar o sucesso no mercado. O sistema orçamentário contribui para a 
fixação dessas metas e objetivos, e a integração de cada subsistema orçamentário 
auxilia a gestão de cada unidade de negócio (centros de responsabilidades), 
além de possibilitar uma efetiva delegação de poderes, pois o alto executivo não 
interfere nas atividades operacionais (delegação de autoridade e cobranças de 
responsabilidades).
É fundamental um plano orçamentário para auxiliar o gestor na decisão 
dos rumos de negócios da empresa, sempre percebendo o que ocorre no mercado, 
pois qualquer oscilação refletirá no orçamento da empresa.
3 OS LIMITES PARA A ELABORAÇÃO DOS ORÇAMENTOS
É importante observar que não existem apenas vantagens. Deve-se tomar 
cuidado com o plano orçamentário, ele não deve, em hipótese alguma, ser 
superestimado. Conforme Leone (2000, p. 227): 
Os orçamentos são baseados em estimações. Por mais científicas 
que sejam as análises, sabemos que os dados orçamentários serão 
sempre estimações; nesse caso, os orçamentos não devem ser seguidos 
rigidamente. Se alguma condição básica de influência direta nas 
informações orçadas sofrer alteração, a administração deve levar em 
consideração esse fator e tomar as medidas exigidas para correção ou, 
mesmo, agir conscientemente fora dos limites orçamentários. 
Uma empresa que não implanta nenhum tipo de ferramenta orçamentária 
também permanecerá no mercado, talvez não tão bem quanto outra que possui o 
plano orçamentário implantado, mas prossegue com suas atividades. Engana-se 
quem imagina que um plano orçamentário por si só determina se haverá redução 
TÓPICO 1 | UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL
77
de pessoal ou não e, muito menos, substitui o papel do administrador. Somente 
quem decide são as pessoas, se não houver pessoas para a tomada de decisões, 
de nada adianta elaborar um excelente plano orçamentário. Portanto, a empresa 
precisa de pessoas, sem pessoas não será possível administrar o empreendimento.
Vejamos o que Passarelli (2004, p. 22) diz:
Não se deve esquecer que o orçamento é um inestimável instrumento 
de administração, mas não deve, nunca, ser considerado como um 
substituto do administrador. Em outras palavras: não pense que você 
vai reduzir drasticamente o quadro de colaboradores pelo simples 
fato de passar a adotar o sistema orçamentário em sua empresa. 
[...] O orçamento, por si só, não administra coisa alguma, sendo 
extremamente dependente de decisões administrativas corretas para 
o seu efetivo funcionamento. 
Outro ponto limitante para a elaboração dos orçamentos é o risco de 
projetar algo fora do comum, criando situações desconfortáveis perante os demais 
gestores de cada área ou dos subordinados. O orçamento deve ser elaborado com 
estimativas realistas.
Vejamos como Passarelli (2004, p. 22) contribui neste aspecto:
Fundamentalmente baseado em previsões, o controle orçamentário 
só pode ser eficiente na medida em que essas estimativas forem 
criteriosamente desenvolvidas. Portanto, um constante trabalho de 
formação e atualização de profissionais aptos a formularem previsões 
razoavelmente corretas deve ser uma preocupação permanente na 
empresa. Pode-se, com facilidade, imaginar o que isso custaem termos 
de cursos, palestras, aquisição de publicações periódicas de atualização, 
remuneração condigna dos profissionais comprovadamente mais 
eficientes etc. 
A constante mudança de mercado também pode ocasionar impactos 
negativos ou positivos no plano orçamentário. Dependendo das tendências ou de 
acontecimentos repentinos não previstos, algumas distorções podem acontecer, 
por isso é importante realizar constantemente revisões e adaptações. O orçamento 
deve ser elaborado e implantado de forma a receber todas e quaisquer adaptações 
e ajustes necessários durante o exercício social, ou seja, durante o ano.
IMPORTANT
E
Lembre-se! Orçamento flexível  significa a facilidade de adequação à realidade 
do mercado.
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
78
E os números apresentados no plano orçamentário são exatos? Não! Nunca 
são exatos, o próprio nome orçamento deriva de orçar  prever. A previsão é 
apenas uma estimativa, é algo que se deseja atingir, e podem acontecer algumas 
frustrações de metas não alcançadas, bem como cobranças para que os resultados 
sejam atingidos. Na figura a seguir podemos observar que todas as informações 
disponíveis, envolvendo o processo de previsão na área de vendas, deverão ser 
discutidas em uma “Reunião de previsão”.
FIGURA 11 – PROCESSO DE PREVISÃO
Dados de 
variável que 
expliquem as 
vendas
Dados 
históricos de
vendas
Informações que 
expliquem 
comportamento
atípico
Tratamento estatístico
dos dados de vendas e 
outras variáveis 
Informações da
conjuntura
econômica
Informações de
clientes
Informações de
concorrentes 
Decisões da área
comercial
Outras informações 
do mercado
Outras informações 
do mercado
Reunião de Previsão
Comprometimento das áreas
envolvidas
Tratamento das
informações disponíveis
Previsão de vendas
FONTE: Adaptado de: Corrêa e Caon (2002)
TÓPICO 1 | UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL
79
Observando a figura anterior, pode-se verificar que o processo inicial do 
orçamento se baseia nas seguintes informações:
1 Dados variáveis que expliquem as vendas: referem-se às condições de mercado, 
novos produtos, mercado concorrente, políticas de incentivo do governo, 
dentre outros.
2 Dados históricos de vendas: permitem visualizar os cenários passados com 
o intuito de planejar o cenário futuro, pois as tendências, falhas ou sucesso 
ocorridos podem ser aproveitados para planejar o processo orçamentário do 
próximo período.
3 Informações que expliquem comportamento atípico: esse “comportamento” 
pode ser caracterizado por meio de tendências de moda surgidas por uma 
“onda” de sucesso de algum artista, ou outro acontecimento que a mídia 
divulga, por exemplo. São situações de mercado que podem ser aproveitadas 
ou não, dependendo da avaliação e decisão dos administradores da empresa.
Os dados dos itens 1, 2 e 3 anteriores serão processados e analisados 
estatisticamente juntamente com outras informações, tais como público 
consumidor, concorrência, cenário de mercado, entre outras. Em seguida é 
realizada uma reunião de vendas com o propósito de estabelecer as metas de 
desempenho para o próximo exercício social. Essas metas de desempenho serão 
definidas como previsão de vendas.
IMPORTANT
E
Lembre-se! O resultado alcançado é uma aproximação do que foi previsto. As 
variações ocorridas entre o orçado e o realizado devem ser analisadas e avaliadas em reuniões 
departamentais.
Todos nós sabemos que as organizações (as empresas) são formadas por 
pessoas que têm expectativas, frustrações e realizações.
Em relação ao orçamento não é diferente. O sucesso na execução do sistema 
orçamentário depende de que todas as pessoas envolvidas, não importando o 
nível hierárquico, se comprometam com a sua elaboração e acompanhamento. O 
orçamento deve ser aceito pelos gestores ou responsáveis de cada área para que 
seja implantado e executado com sucesso. É fundamental que a alta administração, 
ou seja, a direção superior, acredite, patrocine e colabore com o processo. Se assim 
não ocorrer, o mesmo se transformará em um amontoado de papéis e relatórios 
sem qualquer tipo de utilidade.
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
80
4 QUEM FAZ OS ORÇAMENTOS
Possivelmente você deve estar se perguntando: quem faz os orçamentos?
No mundo empresarial existe a necessidade do envolvimento de todas 
as áreas da empresa. Já estudamos no tópico de sistema empresa da Unidade 
1 que todas as áreas possuem conexão entre si, e que o resultado final do 
empreendimento será o resultado do somatório de todos os departamentos.
Vejamos o que Passarelli (2004, p. 27) aborda: 
[...] parece-nos evidente que o controle orçamentário envolve a 
empresa como um todo, exigindo a participação integral de todos 
os seus funcionários, sem distinção de nível ou de área de operação. 
Entretanto, como toda atividade complexa, abrangendo operações 
diversificadas, o controle orçamentário não pode prescindir de direção 
e coordenação.
Conforme você pode perceber, devido à complexidade das informações 
envolvidas, mesmo com a interação de todas as atividades, sempre há a necessidade 
de um profissional para a sua direção e coordenação. Esse profissional deve 
ser alguém que tenha conhecimento das atividades da empresa e do mercado. 
Passarelli (2004, p. 27), sobre quem faz os orçamentos, diz o seguinte:
Muitas empresas (cerca de 55%, segundo pesquisadores norte-
americanos) confiam a tarefa de coordenar e dirigir o processo 
orçamentário diretamente a um dos executivos de primeira linha da 
área de finanças: geralmente, o tesoureiro ou o ‘controller’. Outras 
empresas preferem designar alguém para a função específica de 
diretor, gerente, ou coordenador de orçamentos. Outros, ainda, 
entendem proveitosa a constituição de uma comissão de orçamentos 
(budget committee), geralmente composta de um coordenador de 
orçamentos, o presidente da empresa e mais alguns poucos executivos 
de primeiro escalão administrativo. 
No Brasil existem muitas empresas multinacionais que adotam as filosofias 
empresariais da sua empresa-sede. Por consequência, muitas dessas filosofias 
acabam sendo divulgadas e implantadas nas empresas brasileiras.
UNI
Geralmente, a coordenação do processo orçamentário fica ao encargo de um 
dos executivos de primeira linha da área de finanças: o tesoureiro ou o controller. Em alguns 
casos cria-se a função específica de coordenador de orçamentos, ou o diretor/gerente 
é quem assume. Existem empresas que constituem a comissão de orçamentos (budget 
committee), que, normalmente, é composta por um coordenador de orçamentos, o 
presidente da empresa e mais alguns poucos executivos de primeiro escalão administrativo.
TÓPICO 1 | UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL
81
Mas não basta apenas nomear alguém para a função de controle 
orçamentário se esse profissional não estiver com uma posição de status, porque 
o insucesso é bastante provável. 
Um ponto relevante a ser agora considerado reside no fato de que esse 
alguém – seja ele quem for – responsabilizado pelo bom andamento 
da complexa constelação de funções de controle orçamentário deverá 
ter uma posição bem planejada dentro do organograma. É ponto 
pacífico que o bom exercício dessa função exige um ‘status’ elevado na 
estrutura funcional da empresa. (PASSARELLI, 2004, p. 27).
Por quê? Você deve estar se perguntando!
Passarelli (2004, p. 28) aborda esse assunto com bastante propriedade, 
dizendo que: 
O meticuloso controle inerente ao sistema gera ações muitas vezes 
interpretadas como indevidas ingerências em ‘negócios alheios’, 
invasões de áreas anteriormente consideradas privativas de certos 
executivos, o que costuma gerar ciúmes, ressentimentos e outras 
reações bastante negativas em pessoas particularmente sensíveis aesse tipo de situação. 
Em certos casos, alguns gestores não compartilham informações 
importantes com o coordenador do plano orçamentário e agem como se fossem 
proprietários da informação, mas na verdade não são; as informações são da 
empresa. Tais pessoas não compreendem que compartilhar informações é 
importante para o desenvolvimento da empresa.
5 COMUNICAÇÃO PARA A ELABORAÇÃO DOS 
ORÇAMENTOS
Qual é a importância da comunicação? Ela tem grande importância. O 
profissional envolvido no processo orçamentário também deve ser a pessoa 
preparada para comunicar todas as informações aos demais gestores. A facilidade 
da comunicação e habilidade de convencimento são fatores importantes para o 
seu sucesso. Conforme Frezatti (2000, p. 66):
A confiabilidade das informações geradas pelos relatórios gerenciais 
é de grande importância e existem evidências empíricas de que, 
quanto mais proliferadas as informações gerenciais, maior a chance de 
questionamento e de diminuição de erros por classificação e alocação 
contábil, por exemplo. 
É necessário ter agilidade na geração das informações e comunicação aos 
envolvidos no processo, pois de nada adianta fornecer informações 100% corretas, 
mas com demasiado atraso. Isto poderá provocar frustrações e queixas constantes 
e prejudicar o andamento das atividades. A divulgação das informações, mesmo 
que de forma parcial, pode contribuir para colocar os gestores a par da situação 
econômica e financeira da empresa. 
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
82
Outro fator importante diz respeito aos questionamentos que podem 
colocar em dúvida a segurança e a confiabilidade das informações. Geralmente, 
determinados questionamentos são elaborados para pessoas erradas e, muitas 
vezes, as respostas obtidas não condizem com a necessidade de informação.
Segundo Frezatti (2000, p. 66), “em alguns casos observa-se que as áreas 
de linha buscam permanentemente a área financeira com a seguinte pergunta: se 
eu aumentar a venda de tal produto, o resultado final melhora ou piora?”. 
Mas seria esse o tipo de pergunta necessário a ser feito? Acredita-se que 
não. Se existe um plano orçamentário com objetivos e metas claramente definidos, 
não há a necessidade de abrir margem a esses tipos de questionamentos, pois um 
orçamento bem elaborado poderá responder a todas as questões necessárias para 
o esclarecimento de dúvidas.
Existem alguns aspectos importantes na comunicação, que são os 
seguintes: 
a) Clara definição do que comunicar: ‘o que comunicar é fundamental 
em termos de definição. Um mínimo de reflexão é requerido e uma das 
regras mais importantes e simples consiste em [...] ouvir as pessoas em 
termos de necessidade e utilidade das informações’.
b) Previsibilidade de disponibilidade de relatórios: a consistência 
na disponibilidade das informações é vital para a credibilidade dos 
instrumentos gerenciais. Significa que os relatórios gerenciais estarão 
disponibilizados mensalmente, no 5º dia útil, por exemplo. A partir daí, 
o processo decisório acomoda-se às informações e permite às pessoas 
planejar e trabalhar, esperando o feedback no momento adequado. A 
não consistência provoca distorções, insegurança em termos de dispor 
de suporte, falta de confiança e mesmo animosidades. [...] Certas 
informações só serão úteis quando disponíveis em dado momento. 
[...] Uma das formas de atender tal necessidade é disponibilizar 
informações numéricas o mais rápido possível e, posteriormente, 
disponibilizar comentários e informações adicionais.
c) Quem recebe o quê: [...] a definição de quem recebe o quê na empresa 
corresponde a algo importante para o próprio autogerenciamento das 
operações. (FREZATTI, 2000, p. 66).
A divulgação das informações, mesmo que de forma parcial, pode contribuir 
para colocar os gestores a par da situação econômica e financeira da empresa.
A demora na divulgação de informações é uma queixa entre muitos gestores.
ATENCAO
TÓPICO 1 | UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL
83
6 CRIAÇÃO DE CENÁRIOS
A criação de cenários faz parte de um bom processo orçamentário. Mas, 
afinal, qual é a finalidade da criação de cenários?
É importante que, ao implantar o plano orçamentário, a direção da 
empresa e os demais envolvidos tenham ciência de que o plano é pautado em 
situações imagináveis ou previsíveis.
Uma situação imaginável em um processo orçamentário significa criar 
cenários que podem ocorrer. Para criar os cenários, primeiramente deve-se efetuar 
uma “leitura” de como está o ambiente do mercado. “A construção de cenários 
é uma etapa posterior à leitura do ambiente. [...] O objetivo da construção de 
cenários é fundamentar as premissas orçamentárias”. (PADOVEZE, 2005b, p. 54). 
Ao observar o mercado, é necessário ter cuidado com o cenário 
macroeconômico. Lembre-se, no tópico sistema empresa da Unidade 1 estudamos 
todas as relações externas e internas que têm reflexo nos resultados da empresa. Na 
criação de cenários não pode ser diferente. Para elaborar um plano orçamentário 
o gestor deve observar o ambiente macroeconômico, pois é importante saber 
como o mercado está se comportando.
Mas de que forma se podem obter os dados para a criação desses cenários?
Uma das formas é a observação das informações que são divulgadas na 
mídia, como revistas, jornais, internet, televisão, rádios e outros meios. 
Os dados para a construção de cenários são os existentes na mídia, 
nas publicações especializadas das associações de classe e entidades 
governamentais etc., devendo ser analisados e transformados em 
informações que permitam indicar os caminhos mais prováveis a se 
seguir. (PADOVEZE, 2005b, p. 55).
7 PREMISSAS PARA A ELABORAÇÃO DE ORÇAMENTOS
Estudados os cenários para a elaboração do plano orçamentário, agora 
podemos verificar os pontos necessários para a sua elaboração.
As premissas são todas as coisas que antecedem a elaboração do orçamento 
e acontecem de acordo com o cenário escolhido. Conforme Leone (2000), os 
aspectos inerentes às premissas para a elaboração do plano orçamentário são os 
seguintes:
1 Criação de um setor que se encarregará de implantar o sistema orçamentário.
2 Esse setor deverá preparar todos os passos necessários para a instalação do 
processo.
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
84
3 Reuniões com os membros da diretoria para a definição das metas básicas sobre 
as quais o orçamento será estabelecido. Essas metas poderão ser traduzidas 
resumidamente pelos seguintes pontos:
a) participação no mercado;
b) lucro líquido sobre vendas;
c) retribuição do investimento;
d) assistência aos empregados;
e) ampliação das instalações;
f) novos produtos e retirada de outros.
4 Levantamento de dados gerais, tais como indicadores econômicos e sociais, 
tendências da indústria na qual a empresa opera e políticas de governo.
5 Preparação de manuais de orçamento em que deverão constar os objetivos do 
orçamento, os diversos passos e as técnicas de preparação das estimações.
6 Estimativa das vendas em termos quantitativos. As quantidades de cada 
produto a serem vendidas deverão ser analisadas mensalmente por territórios 
de vendas.
7 Estimativas das vendas em termos monetários. Os preços de venda deverão ser 
determinados levando-se em conta o mercado. Essas estimações poderão ser 
corrigidas no próprio trabalho de preparação do orçamento, depois que todos 
os custos tenham sido previstos.
8 Estimativas das despesas de propaganda e das despesas relacionadas à 
atividade comercial.
9 Estimativas dos estoques da produção em termos quantitativos.
10 Estimativas dos materiais a consumir, das compras, da mão de obra necessária 
e dos custos indiretos.
11 Estimativas das despesas administrativas.
12 Estimativas dos gastos de capital: aquisição e alienação de ativos permanentes, 
recuperaçõese manutenção.
13 Estimativas das cobranças.
14 Estimativas dos pagamentos a fazer, com as datas em que deverão ser 
efetivados.
15 Estimativas do fluxo de caixa.
16 Preparação da Demonstração de Resultados por período. 
17 Levantamento dos balanços mensais para conhecimento da situação financeira 
e patrimonial geral após o decurso de cada período.
Vejamos um estudo de caso:
Orçamento da Indústria de Madeiras DAC Ltda.
A divisão de DACs para piscinas e afins da Indústria de Madeiras DAC 
Ltda. produz dois tipos de Dacs: o Dac Largo e o Dac Estreito, com suas respectivas 
especificações (códigos, diferenciando-os entre si). Suas vendas se concentram 
em três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Sua matéria-prima, 
TÓPICO 1 | UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL
85
composta por madeira e tinta, é comprada no Sul (madeira) e em São Paulo 
(tinta). A divisão de DACs está iniciando seu orçamento para o ano (20X1). A 
seguir, apresentaremos as projeções para os cinco primeiros meses de 20X1.
● Estimativa de vendas para os primeiros cinco meses de 20X1 
A Indústria de Madeiras DAC Ltda. prevê um aumento de 10% no volume 
de vendas para 20X1 e projeta uma venda para os meses de janeiro a maio de 
acordo com o histórico das vendas observadas em novembro e dezembro de 
20X0. Assim, o volume de vendas previsto ficará definido da seguinte forma: 
QUADRO 2 – PREVISÃO DO VOLUME DE VENDAS PARA JANEIRO A MAIO DE 20X1 
Previsão de Vendas para os meses de janeiro a maio de 20X1
Produto Jan/20X1 Fev/20X1 Mar/20X1 Abr/20X1 Mai/20X1
DAC Largo 500 520 540 660 590
DAC Estreito 780 640 815 845 760
FONTE: O autor 
O preço previsto para o DAC Largo é de R$ 250,00, e para o DAC Estreito 
é de R$ 150,00, e o recebimento das vendas efetuadas é realizado com base em 
três opções: 
30% à vista; 
30% em 30 dias; e 
40% em 60 dias. 
As vendas realizadas nos meses de novembro e dezembro de 20X0 estão 
demonstradas a seguir:
QUADRO 3 – VENDAS DOS MESES DE NOVEMBRO E DEZEMBRO DE 20X0
Novembro Dezembro
Qtde R$ Qtde R$
DAC Largo 405 R$ 101.250,00 155 R$ 38.750,00 
DAC Estreito 605 R$ 90.750,00 560 R$ 84.000,00 
Total R$ 192.000,00 R$ 122.750,00 
FONTE: O autor 
Observe as quantidades e valores dos produtos DAC Largo e DAC Estreito 
que foram faturados nos meses de novembro e dezembro de 20X0. São os dados 
reais do faturamento, e no processo orçamentário esses meses deverão ser sempre 
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
86
QUADRO 4 – INSUMOS POR UNIDADE DE PRODUTO
Insumos por Unidade de Produto
Madeira Tinta (lt) MOD (min)
DAC Largo 3 0,300 12 
DAC Estreito 2 0,200 6 
Custo Unit. R$ R$ 14,00 R$ 7,00 R$ 5,50 
utilizados para realizar a previsão das vendas de janeiro a dezembro do próximo 
exercício social.
● Padrão de produção e previsão do custo de compra
Para produzir o DAC largo e o DAC estreito são necessários os seguintes 
insumos:
FONTE: O autor
Há a necessidade de identificarmos os insumos de produção, pois, com 
essas informações contidas no quadro anterior, teremos condições de orçar os 
gastos de produção, estoques e fornecedores para o próximo exercício social.
● Políticas de compra e de estoques
Compras – os materiais diretos são comprados mensalmente de acordo 
com a necessidade da produção e a política de estoques da empresa. O pagamento 
é efetuado sempre no mês seguinte à compra.
Estoque de materiais diretos – a indústria mantém estoques correspondentes 
a 15 dias de produção do mês seguinte. Vejamos o estoque inicial de materiais 
diretos para o ano de 20X1 no quadro a seguir:
QUADRO 5 – ESTOQUE INICIAL DE MATERIAL DIRETO
Estoque Inicial de Material Direto
Qtde R$ 
Madeira 860 kg R$ 23.000,00 
Tinta 850 kg R$ 7.600,00 
Total R$ 30.600,00 
FONTE: O autor
TÓPICO 1 | UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL
87
Esse estoque de material se faz necessário para manter o giro de estoque 
em função dos prazos de entrega dos fornecedores, por questões logísticas.
Estoques de produtos acabados – a política da empresa para o ano de 
20X1 é manter um estoque mínimo referente às vendas do mês seguinte. Dessa 
forma, o estoque inicial para 20X1 é o seguinte:
QUADRO 6 – ESTOQUE INICIAL PARA 20X1
Estoque Inicial
Qtde. Tinta (lt) MOD (min)
DAC Largo 570 81.664,000 12 
DAC Estreito 760 68.293,000 6 
Soma R$ 149.957,00 R$ 5,50 
FONTE: O autor
O estoque inicial demonstrado na tabela anterior é o saldo do estoque 
final do exercício social anterior e, portanto, poderá ser utilizado para suprir a 
demanda inicial do novo período.
• Custos indiretos de fabricação
Os custos indiretos de fabricação totalizaram R$ 70.000,00/mês referentes a 
suprimentos, MOI – Mão de Obra Indireta, encargos sociais, energia, manutenção, 
seguros e outros.
• Custo de depreciação
Os ativos foram depreciados em dezembro de 20X0 a uma quota de R$ 
8.000,00. O custo de depreciação integra o custo indireto de fabricação.
• Despesas administrativas
Estimadas mensalmente em R$ 20.000,00, com desembolso no próprio 
mês de registro.
• Despesas de vendas
As despesas fixas de venda estão estimadas no valor de R$ 15.000,00/ mês 
(publicidade institucional, salário dos vendedores, despesas de viagem etc.), e a 
despesa variável de vendas (comissão dos vendedores) é de 5% do faturamento, 
pagas no próprio mês.
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
88
• Novos investimentos
A empresa planeja adquirir novas máquinas no valor de R$ 250.000,00 em 
janeiro e de R$ 80.000,00 em fevereiro. O pagamento será no ato da compra, e a 
depreciação destes novos equipamentos será de 10% aa. 
• Política de caixa
A empresa planeja manter um saldo mínimo de caixa de R$ 2.000,00 
em suas projeções para prevenir-se de eventuais imprevistos. E, em caso de 
necessidade de recursos, poderá ser acessada uma conta garantida aberta em um 
banco comercial com juros de 1,5% am. 
• Balanço patrimonial da empresa em 31/12/20X0
QUADRO 7 – BALANÇO PATRIMONIAL
Balanço Patrimonial
Ativo 31/12/20X0 Passivo 31/12/20X0
Circulante 507.557,00 Circulante 125.000,00 
 Caixa 2.000,00 Contas a Pagar 125.000,00 
 Contas a Receber 325.000,00 
 Estoques - Mat. Prima 30.600,00 
 Estoques - Prod. Acab. 149.957,00 
Não Circulante 4.425.000,00 Patrimônio Líquido 4.807.557,00 
 Imob. Terrenos 450.000,00 Capital Social 4.190.000,00 
 Imob. Prédios e Equip. 4.300.000,00 Reservas de Lucros 617.557,00 
 ( - ) Deprec. Acumulada (325.000,00) Lucros Acumulados - 
Total do Ativo 4.932.557,00 Total do Ativo 4.932.557,00 
FONTE: O autor
Com isso, você percebe como é importante realizar um levantamento 
orçamentário de todos os itens dos ativos e passivos da empresa para facilitar a 
apuração de um Balanço Patrimonial.
ESTUDOS FU
TUROS
Na Unidade 3 iremos apurar um balanço patrimonial projetado de acordo com 
as previsões orçamentárias apresentadas.
89
RESUMO DO TÓPICO 1
Chegamos ao final do Tópico 1 desta unidade. Vamos fazer uma revisão 
do que estudamos até agora.
● O uso do sistema de controle orçamentário aumentou nas últimas décadas, 
comprovando sua eficácia nas empresas, apesar de sua complexidade.
● Objetivos e planos bem definidos constituem condição indispensável de 
sucesso empresarial.
● O plano orçamentário não deve, em hipótese alguma, ser superestimado.
● O orçamento, por si só, não administra coisa alguma, sendo extremamente 
dependente de decisões administrativas corretas para o seu efetivo 
funcionamento.
● O controle orçamentário envolve a empresa como um todo, exigindo a 
participação integralde todos os envolvidos, sem distinção de nível ou de área 
de operação.
● A tarefa de coordenar e dirigir o processo orçamentário pode estar relacionada 
a um dos executivos de primeira linha da área de finanças: geralmente 
o tesoureiro ou o controller, a função específica de diretor, o gerente, ou 
coordenador de orçamentos. Algumas empresas constituem uma comissão 
de orçamento (budget committee), geralmente composta de um coordenador 
de orçamento, o presidente da empresa e mais alguns poucos executivos de 
primeiro escalão administrativo.
● A rapidez na geração das informações é de grande importância para o processo 
de divulgação dos resultados para os gestores.
● A divulgação das informações, mesmo que de forma parcial, pode contribuir 
para deixar os gestores a par da situação econômica e financeira da empresa.
● É importante que, ao implantar o plano orçamentário, a direção da empresa e 
os demais envolvidos tenham ciência de que o plano é pautado em situações 
imagináveis ou previsíveis.
● Para criar os cenários, deve-se efetuar uma “leitura” sobre o comportamento 
do mercado.
90
AUTOATIVIDADE
1 Como se comprova a importância do sistema de controle orçamentário na 
administração moderna?
2 Quem coordena ou dirige o processo orçamento?
3 Explique o que é uma situação imaginável.
4 De que forma se podem obter os dados para a construção dos cenários?
5 O que são as premissas para a sua elaboração dos orçamentos?
6 Apure as vendas realizadas dos meses de novembro e dezembro de 20X0 de 
acordo com os seguintes dados:
DAC Largo: Novembro  Qtde: 420 Preço de Venda Unitário: R$ 320,00.
Dezembro  Qtde: 160 Preço de Venda Unitário: R$ 325,00.
DAC Estreito: Novembro  Qtde: 800 Preço de Venda Unitário: R$ 190,00.
Dezembro  Qtde: 390 Preço de Venda Unitário: R$ 185,00.
7 Elabore o seguinte BALANÇO PATRIMONIAL PROJETADO – 20X1 de 
acordo com as contas contábeis a seguir:
Lucros Acumulados: R$ 0,00
Caixa R$ 5.000,00
( - ) Deprec. Acumulada: R$ (480.000,00)
Imob. Prédios e Equip.: R$ 5.250.000,00
Contas a Pagar: R$ 325.000,00
Estoques – Prod. Acab.: R$ 198.000,00
Imob. Terrenos: R$ 542.000,00
Reservas de Lucros: R$ 425.000,00
Estoques – Mat.- Prima: R$ 45.000,00
Capital Social: R$ 5.535.000,00
Contas a Receber: R$ 725.000,00
91
TÓPICO 2
IDENTIFICAÇÃO DOS CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS 
INDUSTRIAIS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Bem-vindo(a) ao Tópico 2. Vamos identificar em um orçamento os custos 
industriais diretos e indiretos. Para facilitar a compreensão utilizaremos o 
exemplo de uma empresa que produz artigos de madeira. É importante o estudo 
dos custos industriais, para que se realize uma boa previsão orçamentária desta 
área. 
Então, vamos à busca deste conhecimento?
2 CUSTOS VARIÁVEIS OU DIRETOS E CUSTOS FIXOS OU 
INDIRETOS
2.1 CUSTOS VARIÁVEIS OU DIRETOS
Os custos variáveis ou diretos são aqueles que mantêm uma relação 
direta com o volume de produção ou serviço e, consequentemente, podem ser 
quantificados e identificados aos produtos ou serviços e valorizados com relativa 
facilidade, pois não necessitam de critérios de rateios para serem alocados aos 
produtos. São todos os materiais utilizados no processo de transformação para a 
obtenção final de um produto novo.
Destacamos que esses materiais têm um volume maior ou menor de 
consumo proporcional ao aumento ou redução da produção. Isto significa que 
quanto mais a empresa produz, mais custos diretos terá, por isso esse tipo de 
custo é chamado de direto ou variável.
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
92
IMPORTANT
E
O termo “variável” é designado aquele custo que varia de acordo com o volume 
de produção.
Para facilitar a compreensão do tema, neste Caderno de Estudos 
demonstraremos os mais variados tipos de gastos para a produção dos artigos de 
madeira de nossa empresa fictícia. 
Estes artigos de madeira serão denominados de: 
- DAC622 - Deck Autoclavado 100 x 50
- DAC615 - Deck Autoclavado 50 x 50
- D350 - Deck Frisado 50 x 50 
- D961 - Deck 100 x 50
No quadro a seguir, observe os principais tipos de materiais diretos 
produtivos que compõem os artigos de madeira:
QUADRO 7 – COMPONENTES DA MATÉRIA-PRIMA
Ref. Materia-Prima - Madeira Componentes Valor por Item/Unidade Medidas
100 Deck EUC R$ 1.050,000000 m3
200 Madeira Suporte R$ 850,000000 m3
300 Deck Autoclavado R$ 1.200,000000 m3
400 Cavalete Simples R$ 755,000000 m3
500 Cavalete Reforçado R$ 950,000000 m3
600 Guarnição/Vista e Mad. fina ( Cerca, suporte, 
etc )
 R$ 780,000000 m3
700 Banco - Madeira R$ 1.250,000000 m3
800 Dobradiça 2" R$ 0,250000 pç
900 Cavilha 8 x 60 R$ 0,002000 ml
1000 Cavilha 10 x 60 R$ 0,002500 ml
1100 Rodízios 3263-24 R$ 0,680000 cento
1200 Rodízios 3863-24 R$ 0,750000 cento
1300 Cola R$ 6,250000 kg
1400 Pino T32 R$ 0,006000 cx c/ 2500 pç.
1500 Pino T25 R$ 0,005000 cx c/ 2500 pç.
1600 Parafuso 3,5 x 16 R$ 0,009000 cento
1700 Corrente s/ fim nº 7 R$ 0,900000 mt
1800 Pé de Ferro R$ 35,000000 pç
1900 Pé de plástico R$ 10,000000 pç
2000 Perfil plástico R$ 6,500000 mt
2100 Tampa Perfil R$ 0,800000 pç
FONTE: Adaptado de: Knuth (2009, p. 69) 
TÓPICO 2 | IDENTIFICAÇÃO DOS CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS INDUSTRIAIS
93
No quadro anterior identificamos os componentes diretos de materiais 
para o processo produtivo dos artigos de madeira. Para Padoveze (2009b, p. 402), 
os materiais diretos são:
[...] os materiais necessários, com suas respectivas quantidades, para 
produzir determinado produto, são evidenciados na estrutura do 
produto. Normalmente esses dados são originados pela engenharia de 
desenvolvimento de produtos, quando da feitura do projeto original, 
mais as suas atualizações.
Tomamos o cuidado de separar cada tipo de componente por códigos 
de referência para facilitar a identificação do custo na elaboração das fichas de 
produção e, consequentemente, o orçamento de gastos:
Ref. 100  Deck EUC  Valor R$ 1.050,00.
Observe que alguns itens desses componentes possuem preços com cinco 
casas decimais após a vírgula. Isso acontece porque determinados produtos têm seus preços 
unitários tão reduzidos que é impraticável aplicar seus respectivos preços com duas casas 
decimais. O resultado seria R$ 0,00 e não justificaria o seu cálculo. 
Exemplo: Ref. 1500  Pino T25  Valor R$ 0,00500.
ATENCAO
2.2 CUSTOS FIXOS OU INDIRETOS
Os custos fixos ou indiretos são aqueles custos que permanecem constantes 
em determinada capacidade instalada de produção, independente do volume de 
produção. Consequentemente, não são identificados como custos de produção do 
período, mas como custos de um período de produção. 
IMPORTANT
E
O custo de um período de produção pode ser a depreciação de uma máquina 
industrial ou o salário da administração da fábrica. Isso quer dizer que esses dois tipos de 
custos existirão na empresa havendo ou não produção durante o mesmo período. Por esse 
motivo, ele se chama fixo (sempre vai existir) e indireto (pois não é aplicado diretamente no 
produto).
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
94
Como esse tipo de custo não é identificável ao produto, não há uma 
medida objetiva de consumo, existindo a necessidade de distribuir o custo através 
de rateio que é, na maioria das vezes, decisão arbitrária. 
São exemplos de custos indiretos o aluguel, o material de consumo geral 
da fábrica e o salário dos encarregados.
Conforme Crepaldi (1998, p. 59), os custosfixos ou indiretos “são os que, 
para serem incorporados aos produtos, necessitam da utilização de algum critério 
de rateio”.
IMPORTANT
E
O custo fixo ou indireto independe do volume de produção. Exemplo: o valor 
mensal do aluguel do prédio ou galpão da fábrica é o mesmo durante um período contratual, 
não importando se a empresa produzirá 1.000 ou 1.200 unidades/mês de determinado 
produto naquele local.
Esses custos necessitam da utilização de algum critério de rateio ou 
distribuição para sua alocação aos produtos, pois não podem ser apropriados de 
forma direta nas unidades específicas, ordens de serviços ou produtos e serviços 
executados. 
Um custo é considerado indireto quando não pode ser identificado 
diretamente aos seus portadores finais, isto é, aos objetivos que consomem os 
recursos ou às atividades que geraram esses custos. Geralmente, são comuns a 
dois ou mais objetos de custeio e são formados pelos seguintes elementos:
a) Materiais indiretos: é o material empregado nas atividades auxiliares da 
produção cuja pertinência ao produto inexiste ou é praticamente nula.
Exemplo: os materiais utilizados pela manutenção da fábrica, material de 
expediente, material de segurança e ferramentas de consumo. 
b) Mão de obra indireta: é todo o trabalho realizado no setor de fabricação não 
pertinente especificamente a algum produto, compreendendo os trabalhos 
auxiliares ou de assessoramento em determinada produção. Pode-se dizer que 
a mão de obra indireta engloba, principalmente, trabalhos relacionados com 
o controle e o planejamento da produção, tais como aqueles desenvolvidos 
por apontadores, programadores, controladores, encarregados de produção, 
supervisores, almoxarifes, entre outros. 
TÓPICO 2 | IDENTIFICAÇÃO DOS CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS INDUSTRIAIS
95
c) Outros custos indiretos: são os demais gastos com itens que também participam 
do processo produtivo, mas não se identificam diretamente com o produto. 
Exemplo: depreciação de equipamentos, seguros do prédio industrial, energia 
elétrica e aluguel.
UNI
Rateio Critério de rateio significa adotar uma forma de “dividir” esses custos 
fixos pela quantidade de volume de produção, ou horas totais disponíveis dos funcionários 
contratados pela fábrica, ou peso total do volume de produção realizado, entre outras 
formas possíveis.
2.2.1 Principais características dos custos fixos ou indiretos
Vamos verificar as principais características dos custos fixos ou indiretos, 
que são as seguintes: 
● O valor total permanece constante dentro de determinado intervalo de volume 
de produção. Se a produção for zero, o gasto existe, se a produção for 1.000 
unidades, o valor do gasto continuará sendo o mesmo.
● O valor por unidade produzida varia à medida da variação no volume de 
produção, por se tratar de um valor fixo total diluído por uma quantidade maior 
ou menor de produção. Supondo que os custos fixos ou indiretos totalizam R$ 
10.000,00 e em um determinado período a empresa produz 1.000 unidades, o 
custo fixo ou indireto unitário será de R$ 10,00, mas se no próximo período a 
empresa produzir 900 unidades, o custo indireto unitário será de R$ 11,11. Em 
outras palavras, o valor do custo fixo ou indireto por unidade será maior ou 
menor conforme o volume de produção.
● Sua alocação para os departamentos ou centros de custos necessita, na maioria 
das vezes, de critérios de rateios determinados pela administração. Essa alocação 
(critérios de rateio) pode ser efetuada de diversas formas. Vejamos dois exemplos: 
podemos dividir o valor da fatura da água pelo número de colaboradores e o 
valor da fatura da internet pode ser dividido pela quantidade de usuários. Esses 
critérios devem ser definidos pela administração e variam de uma empresa para 
outra, procurando-se utilizar o que melhor se adapta à sua realidade.
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
96
UNI
Uma característica que pode facilitar o trabalho de diferenciar os custos fixos 
ou indiretos dos custos variáveis ou diretos é a necessidade de a empresa industrial adotar 
qualquer forma de rateio dos produtos.
2.3 EMBALAGEM E ETIQUETAS DE IDENTIFICAÇÃO
Além dos materiais diretos nos produtos, as embalagens também são 
consideradas no processo produtivo. Mas o que são as embalagens?
As embalagens e os demais componentes diretos dos produtos são utilizados 
na sua produção.
Lembre-se: custos são todos os gastos necessários aplicados aos produtos até deixá-los 
em condições de vendas. E as embalagens são materiais utilizados para acondicionar os 
produtos e transportá-los ao consumidor final de forma segura, sem danos ou acidentes.
ATENCAO
No caso do processo de industrialização dos quatro produtos (DAC622, 
DAC615, D350, D961) utilizados no estudo desta unidade, os tipos de componentes 
das embalagens seguem conforme o quadro a seguir:
TÓPICO 2 | IDENTIFICAÇÃO DOS CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS INDUSTRIAIS
97
QUADRO 9 – COMPONENTES DAS EMBALAGENS
Ref. Embalagem - Componentes Valor por Item Medidas
2200 Stretch R$ 8,500000 kg
2300 Bobina de Papelão R$ 2,500000 kg
2400 Fpp/para Amarração R$ 0,050000 pç
2500 Fita Gomada R$ 0,080000 pç
2501 Embalagem Banco FG 45 e Massol 54 R$ 2,500000 750 x 550 x 140
2502 Embalagem Banco FG 150 R$ 4,800000 1510 x 750 x 090
2503 Embalagem Banco FG 180 R$ 5,500000 1810 x 750 x 090
2504 Embalagem Banco Massol 150 R$ 3,800000 1510 x 545 x 085
2505 Embalagem Banco Massol 180 R$ 4,500000 1810 x 545 x 085
2506 Embalagem Caixa de Flores 42 R$ 1,800000 445 x 445 x 15
2507 Embalagem Caixa de Flores 36 R$ 1,700000 400 x 360 x 15
2508 Embalagem Caixa de Flores 28 R$ 1,600000 285 x 285 x 15
2509 Embalagem Suporte de Vaso Liso 22 Red R$ 0,800000 230 x 220 x 220
2510 Embalagem Suporte de Vaso 22 Quad. R$ 0,800000 320 x 220 x 220
2511 Embalagem Suporte de Vaso 28 Red R$ 0,800000 230 x 280 x 280
2512 Embalagem Suporte de Vaso 28 Quad R$ 1,150000 320 x 280 x 280
2513 Embalagem Suporte de Vaso 34 Red R$ 1,500000 240 x 350 x 370
2514 Embalagem Suporte de Vaso 34 Quad R$ 1,400000 320 x 340 x 340
2515 Embalagem Suporte de Vaso Frisado 22 Red R$ 0,900000 260 x 220 x 220
2516 Embalagem Suporte de Vaso 22 Quad. R$ 0,950000 360 x 220 x 220
2517 Embalagem Suporte de Vaso 28 Red R$ 1,100000 260 x 280 x 280
2518 Embalagem Suporte de Vaso 28 Quad R$ 1,200000 360 x 280 x 280
FONTE: Adaptado de Knuth (2009, p. 70) 
Observe que no quadro anterior tivemos o cuidado de atribuir um código 
de referência para a identificação nas fichas de produção.
Ref. 2300  Bobina de Papelão  Valor R$ 2,50 (por kg).
Ref. 2400  Fpp para amarração  Valor R$ 0,05 (pç).
NOTA: Fpp  Fita de polipropileno.
Você deve observar que além dos números de referências para a melhor 
localização dos tipos de embalagens a serem utilizados nos produtos, os valores 
por itens também deverão ser distribuídos de acordo com as medidas de cada 
produto consumido.
No quadro a seguir existem mais alguns tipos de componentes que são 
consumidos no processo industrial. Esses componentes são chamados de etiquetas 
de identificação e são necessários para facilitar a identificação e armazenagem 
dos produtos.
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
98
QUADRO 10 – ETIQUETAS DE IDENTIFICAÇÃO
Ref. Etiquetas/Identifição Valor por item Medidas
2600 Ribbon R$ 0,002000 pç
2700 Etiqueta produto R$ 0,020000 ml
2800 Etiqueta volume R$ 0,030000 ml
FONTE: Extraído e adaptado de Knuth (2009, p. 71) 
As etiquetas de identificação são importantes para o cliente ou a 
transportadora identificar os tipos de produtos ou os volumes constantes 
durante o processo de transporte. Assim, quebras, avarias e péssimas condições 
de transporte poderão ser evitadas, pois as etiquetas de identificação ajudam a 
evitaresses problemas.
Salienta-se que estas etiquetas de identificação devem estar bem visíveis 
nos produtos e conter informações sobre as características dos produtos, de modo 
a auxiliar na prevenção de problemas durante o transporte, como as seguintes:
● Peso máximo por produto em cada embalagem.
● Empilhamento máximo permitido.
● Condições de fragilidade do produto, entre outros.
Nosso próximo item de estudo é a mão de obra direta e indireta. Vamos lá?
2.4 MÃO DE OBRA DIRETA E INDIRETA
Além dos materiais diretos e indiretos, das embalagens dos produtos e 
das etiquetas de identificação, outro item importante que deve ser identificado 
nos custos durante o processo industrial da empresa é a mão de obra direta.
Vejamos a contribuição de Padoveze (2009b, p. 403) sobre esse assunto:
Normalmente, a mão de obra direta padrão é determinada pela 
quantidade de horas necessárias do pessoal, ou da quantidade de 
funcionários diretos, em todas as áreas do processo de fabricação do 
produto.
[...] A base para a valorização dos custos de mão de obra direta deve 
incluir toda a remuneração dos trabalhadores mais os encargos sociais 
de caráter genérico.
A mão de obra direta é identificada na folha de pagamento da empresa, 
que apresenta os valores com os encargos sociais, além dos valores dos salários 
de todos os funcionários ligados diretamente à produção. Esses encargos sociais 
são a provisão do 13º salário, o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), 
férias e adicional de 1/3 sobre as respectivas férias.
TÓPICO 2 | IDENTIFICAÇÃO DOS CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS INDUSTRIAIS
99
No exemplo deste nosso Caderno de Estudos utilizaremos alguns nomes 
fictícios para designar os funcionários da empresa, com o propósito de avaliar 
alguns aspectos importantes da folha de pagamento da empresa.
Os gastos diretos estão relacionados aos gastos com o pessoal empregado 
na fábrica, e os gastos indiretos estão relacionados com o pessoal empregado na área 
administrativa.
ATENCAO
ESTUDOS FU
TUROS
Há necessidade de separar os gastos com mão de obra direta e mão de obra 
indireta, pois a mão de obra direta tem relação com a produção do produto e é utilizada no 
cálculo da margem de contribuição. Os gastos com a mão de obra indireta não têm relação 
com o processo produtivo. Identificaremos isso na ficha técnica e aplicação dos custos, que 
estudaremos no Tópico 4 desta unidade.
A tabela a seguir se refere à folha de pagamento do nosso exemplo de 
estudos.
TABELA 1 – CUSTO DE MÃO DE OBRA (SALÁRIO E BENEFÍCIOS)
 CUSTO DE MÃO DE OBRA
Funcionários Salário Vale-Transporte Cesta Básica Plano de Saúde 
1 Eduardo R$ 1.500,00 R$ 132,00 R$ 65,00 R$ 190,00 
2 Vilson R$ 1.450,00 R$ 132,00 R$ 65,00 R$ 190,00 
3 Pedro R$ 1.300,00 R$ 132,00 R$ 65,00 R$ 190,00 
4 Osmar R$ 1.410,00 R$ 132,00 R$ 65,00 R$ 190,00 
DIRETOS Fábrica R$ 5.660,00 R$ 528,00 R$ 260,00 R$ 760,00 
1 Osvaldo R$ 2.100,00 R$ - R$ - R$ - 
2 Vitor R$ 1.950,00 R$ - R$ - R$ - 
3 José R$ 1.600,00 R$ - R$ - R$ - 
INDIRETOS Administrativo R$ 5.650,00 R$ - R$ - R$ - 
TOTAL R$ 11.310,00 R$ 528,00 R$ 260,00 
 
 R$ 760,00 
FONTE: Adaptado de Knuth (2009, p. 72)
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
100
Podemos identificar os gastos diretos e indiretos sobre a folha de 
pagamento com sete funcionários:
• Salário: Direto  R$ 5.660,00
• Salário: Indireto  R$ 5.650,00
• Salário: Total  R$ 11.310,00
• Vale-transporte: Direto  R$ 528,00
• Vale-transporte: Indireto  R$ 0,00
• Vale-transporte: Total  R$ 528,00
• Cesta Básica: Direto  R$ 260,00
• Cesta Básica: Indireto  R$ 0,00
• Cesta Básica: Total  R$ 260,00
• Plano de Saúde: Direto  R$ 760,00
• Plano de Saúde: Indireto  R$ 0,00
• Plano de Saúde: Total  R$ 760,00
IMPORTANT
E
− Salário é o valor base que o funcionário recebe da empresa pelo trabalho 
efetuado.
− Vale-transporte é um valor fixo determinado para cada funcionário da empresa.
− Cesta básica é um prêmio de assiduidade para quem não falta em nenhuma atividade da 
empresa. Absenteísmo zero.
− Plano de saúde é um plano de saúde privado que as empresas podem oferecer como 
benefício adicional aos seus empregados. Os gastos diretos com o plano de saúde 
relacionados na tabela anterior referem-se aos gastos da folha de pagamento com o pessoal 
da fábrica, ligado diretamente à produção do período. São gastos diretos de consumo ao 
processo industrial.
Na tabela que segue, acompanhe os outros gastos com encargos sociais 
que podem compor a folha de pagamento. 
TÓPICO 2 | IDENTIFICAÇÃO DOS CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS INDUSTRIAIS
101
TABELA 2 – CUSTO DE MÃO DE OBRA (ENCARGOS SOCIAIS: FGTS, INSS, 13º SALÁRIO)
CUSTO DE MÃO DE OBRA
Funcionários FGTS INSS 13°-Salário FGTS s/ 13° 
1 Eduardo R$ 120,00 R$ 300,00 R$ 125,00 R$ 10,00 
2 Vilson R$ 116,00 R$ 290,00 R$ 120,83 R$ 9,67 
3 Pedro R$ 104,00 R$ 260,00 R$ 108,33 R$ 8,67 
4 Osmar R$ 112,80 R$ 282,00 R$ 117,50 R$ 9,40 
DIRETOS Fábrica R$ 452,80 R$ 1.132,00 R$ 471,67 R$ 37,73 
1 Osvaldo R$ 168,00 R$ 420,00 R$ 175,00 R$ 14,00 
2 Vitor R$ 156,00 R$ 390,00 R$ 162,50 R$ 13,00 
3 José R$ 128,00 R$ 320,00 R$ 133,33 R$ 10,67 
INDIRETOS Administrativo R$ 452,00 R$ 1.130,00 R$ 470,83 R$ 37,67 
TOTAL R$ 904,80 R$ 2.262,00 R$ 942,50 R$ 75,40 
Fonte: Extraído e adaptado de Knuth (2009, p. 73) 
Antes de prosseguirmos, vejamos o que estabelece a tabela do INSS válida 
a partir do mês de janeiro de 2012. 
IMPORTANT
E
Essa tabela do INSS é para o desconto em folha do funcionário, e esse desconto 
não é custo para a empresa.
TABELA 3 – INSS PARA O ANO DE 2012 ATUALIZADA
Salário de contribuição (R$)
Alíquota para fins de 
recolhimento ao INSS (%)
Até 1.174,86 8,00
De 1.174,87 até 1.958,10 9,00
De 1.958,11 até 3.916,20 11,00
FONTE: Disponível em: <http://www.tabelainss.com/>. Acesso em: 31 jan. 2012.
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
102
Para a Receita Federal do Brasil é considerado CUSTO DE INSS referente 
à folha de pagamento para as empresas o seguinte:
1.1 Empresa ou Equiparado
– 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas, devidas 
ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados 
empregados e trabalhadores avulsos que lhes prestam serviços. 
(RECEITA FEDERAL, 2012, p. 1, grifos nossos).
Prosseguindo com os cálculos dos custos trabalhistas, observe que, 
conforme a Tabela 7, é possível identificar os gastos com encargos sociais, 
conforme a seguir:
• FGTS: Direto  R$ 452,80
• FGTS: Indireto  R$ 452,00
• FGTS: Total  R$ 904,80
• INSS: Direto  R$ 1.132,00
• INSS: Indireto  R$ 1.130,00
• INSS: Total  R$ 2.262,00
• 13º Salário: Direto  R$ 471,67
• 13º Salário: Indireto  R$ 470,83
• 13º Salário: Total  R$ 942,50
• FGTS / 13º Salário: Direto  R$ 37,73
• FGTS / 13º Salário: Indireto  R$ 37,67
• FGTS / 13º Salário: Total  R$ 75,40
IMPORTANT
E
O FGTS é calculado multiplicando-se o valor do salário base por 8%. 
O INSS é calculado multiplicando-se o valor do salário base por 20% (é um custo sobre a 
folha de pagamento).
O 13º salário é calculado multiplicando-se o salário base por 12. 
O FGTS s/ 13º salário é o valor da provisão do 13º salário x 8%.
Na tabela a seguir vamos identificar o INSS s/13º salário, férias, FGTS s/
férias e INSS s/ férias, que são gastos adicionaisque os funcionários têm direito 
sobre seus salários. Podem ser classificados como gastos diretos ou indiretos, de 
acordo com a aplicação da empresa industrial. 
TÓPICO 2 | IDENTIFICAÇÃO DOS CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS INDUSTRIAIS
103
TABELA 4 – CUSTO DE MÃO DE OBRA (ENCARGOS SOCIAIS: INSS S/ 13º SALÁRIO, FÉRIAS, 
FGTS S/ FÉRIAS E INSS S/ FÉRIAS)
 CUSTO DE MÃO DE OBRA
Funcionários INSS s/ 13° Férias FGTS/Férias INSS/Férias 
1 Eduardo R$ 25,00 R$ 125,00 R$ 10,00 R$ 25,00 
2 Vilson R$ 24,17 R$ 120,83 R$ 9,67 R$ 24,17 
3 Pedro R$ 21,67 R$ 108,33 R$ 8,67 R$ 21,67 
4 Osmar R$ 23,50 R$ 117,50 R$ 9,40 R$ 23,50 
DIRETOS Fábrica R$ 94,33 R$ 471,67 R$ 37,73 R$ 94,33 
1 Osvaldo R$ 35,00 R$ 175,00 R$ 14,00 R$ 35,00 
2 Vitor R$ 32,50 R$ 162,50 R$ 13,00 R$ 32,50 
3 José R$ 26,67 R$ 133,33 R$ 10,67 R$ 26,67 
INDIRETOS Administrativo R$ 94,17 R$ 470,83 R$ 37,67 R$ 94,17 
TOTAL R$ 188,50 R$ 942,50 R$ 75,40 R$ 188,50 
FONTE: Adaptado de Knuth (2009, p. 74)
Observe que os gastos se apresentam da seguinte forma:
• INSS s/ 13º Salário: Direto  R$ 94,33
• INSS s/ 13º Salário: Indireto  R$ 94,17
• INSS s/ 13º Salário: Total  R$ 188,50
• Férias: Direto  R$ 471,67
• Férias: Indireto  R$ 470,83
• Férias: Total  R$ 942,50
• FGTS s/ Férias: Direto  R$ 37,73
• FGTS s/ Férias: Indireto  R$ 37,67
• FGTS s/ Férias: Total  R$ 75,40
• INSS s/ Férias: Direto  R$ 94,33
• INSS s/ Férias: Indireto  R$ 94,17
• INSS s/ Férias: Total  R$ 188,50
IMPORTANT
E
O INSS s/13º salário é o valor da provisão do 13º salário x 20%.
O valor das férias é calculado tomando-se o salário base/por 12. 
O FGTS s/férias é o valor da provisão das férias x 8%.
O INSS s/férias é o valor da provisão das férias x 20%.
Na próxima tabela analisaremos mais alguns encargos que incidem sobre 
a folha de pagamento e dos quais os funcionários têm direitos sobre seus salários, 
que são os seguintes: 1/3 das férias, FGTS sobre 1/3 das férias e INSS referente a 
1/3 das férias. Também podem ser classificados como gastos diretos ou indiretos, 
de acordo com a aplicação da empresa industrial.
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
104
TABELA 5 – CUSTO DE MÃO DE OBRA (ENCARGOS SOCIAIS: 1/3 S/FÉRIAS, FGTS 1/3 S/FÉRIAS E 
INSS 1/3 S/FÉRIAS)
 CUSTO DE MÃO DE OBRA
Funcionários 1/3 Férias FGTS 1/3 Férias INSS 1/3 Férias GERAL 
1 Eduardo R$ 41,67 R$ 3,33 R$ 8,33 R$ 2.680,33 
2 Vilson R$ 40,28 R$ 3,22 R$ 8,06 R$ 2.603,89 
3 Pedro R$ 36,11 R$ 2,89 R$ 7,22 R$ 2.374,56 
4 Osmar R$ 39,17 R$ 3,13 R$ 7,83 R$ 2.542,73 
DIRETOS Fábrica R$ 157,22 R$ 12,58 R$ 31,44 R$ 10.201,51 
1 Osvaldo R$ 58,33 R$ 4,67 R$ 11,67 R$ 3.210,67 
2 Vitor R$ 54,17 R$ 4,33 R$ 10,83 R$ 2.981,33 
3 José R$ 44,44 R$ 3,56 R$ 8,89 R$ 2.446,22 
INDIRETOS Administrativo R$ 156,94 R$ 12,56 R$ 31,39 R$ 8.638,22 
TOTAL R$ 314,17 R$ 25,13 R$ 62,83 R$ 18.839,73 
FONTE: Adaptado de: Knuth (2009, p. 75) 
Observe que os gastos se apresentam da seguinte forma:
- 1/3 s/ Férias: Direto  R$ 157,22
- 1/3 s/ Férias: Indireto  R$ 156,94
- 1/3 s/ Férias: Total  R$ 314,17
- FGTS 1/3 s/ Férias: Direto  R$ 12,58
- FGTS 1/3 s/ Férias: Indireto  R$ 12,56
- FGTS 1/3 s/ Férias: Total  R$ 25,13
- INSS 1/3 s/ Férias: Direto  R$ 31,44
- INSS 1/3 s/ Férias: Indireto  R$ 31,39
- INSS 1/3 s/ Férias: Total  R$ 62,83
IMPORTANT
E
O adicional 1/3 s/férias é exigido por lei, sendo calculado pelo valor da provisão 
das férias / 3. O FGTS 1/3 s/férias é o valor da provisão de 1/3 das férias x 8%. O INSS 1/3 s/
férias é o valor da provisão de 1/3 das férias x 20%.
Com todas essas informações constadas na tabela anterior, é possível 
apurar o valor TOTAL da folha de pagamento. Mas é necessário somar todos os 
tipos de gastos apurados em diretos e indiretos. O resultado final será o seguinte:
• Geral: Direto  R$ 10.201,51
• Geral: Indireto  R$ 8.638,22
• Geral: Total  R$ 18.839,73
TÓPICO 2 | IDENTIFICAÇÃO DOS CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS INDUSTRIAIS
105
O valor da folha de pagamento, incluindo todos os encargos sociais, 
representa o valor final de R$ 18.839,73 mensais. Esse valor é a soma do salário, 
vale-transporte, cesta básica e plano de saúde demonstrados na Tabela 1; o FGTS, 
INSS, 13º salário e FGTS s/13º salário apresentados na Tabela 2; o INSS s/13º 
salário, férias, FGTS s/férias e INSS s/férias demonstrados na Tabela 4; e o 1/3 s/
férias, FGTS 1/3 s/férias e o INSS 1/3 s/férias da tabela anterior. 
Os valores dos salários-base dos funcionários apresentados na tabela 
anterior eram de R$ 11.310,00. Como o valor total da folha de pagamento foi 
apurado no valor de R$ 18.839,73, houve um acréscimo de custos na folha de 
pagamento geral na ordem de R$ 7.529,73, por causa do 13º salário, das férias, 
de seus encargos sociais e também dos encargos sociais sobre o salário base. Isto 
representa um impacto adicional de 66,5759 % (R$ 7.529,73 / 11.310,00 = 66,5759%).
Se você preferir adicionar o percentual de 66,5759% sobre o valor da folha 
de pagamento, então terá a seguinte operação: R$ 11.310,00 x 66,5759% = R$ 
7.529,73.
Caso queira adicionar o resultado encontrado com o valor inicial, o valor 
total do salário base dos funcionários será R$ 18.839,73.
Agora que você já sabe o valor total da folha de pagamento, precisamos 
identificar a quantidade de horas disponíveis da empresa. Isto é o que estudaremos 
no próximo item.
2.5 HORAS DE PRODUÇÃO DISPONÍVEIS
Nesta etapa do Caderno de Estudos identificaremos a capacidade de 
horas disponíveis para a produção. Já identificamos os tipos de produtos para 
a nossa base de estudos e os valores da folha de pagamento dos funcionários 
diretos (área produtiva) e indiretos (área não produtiva). As horas de produção 
estão disponíveis na tabela a seguir:
TABELA 6 – HORAS DISPONÍVEIS DE PRODUÇÃO
 Horas Semana Número de Semanas Nível de Aproveitamento Horas Úteis
40,00 4,25 90% 153,00
Funcionários 4
Total de Horas Disponíveis 612,00 
FONTE: Knuth (2009, p. 77) 
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
106
A tabela anterior apresenta as horas disponíveis dos funcionários ligados 
diretamente à produção (Eduardo, Vilson, Pedro e Osmar), totalizando 40 horas 
semanais cada um. Como um mês possui cerca de 4,25 semanas, com um nível de 
aproveitamento de 90% das horas dos funcionários, calculamos um total de 153 
horas por funcionário de centro produtivo direto.
● Horas úteis: 40,00 (horas por semana) x 4,25 (número de semanas) x 0,90 (nível 
de aproveitamento) = 153 horas úteis.
● Total de horas disponíveis: 153 (horas úteis) x 4 funcionários diretos na fábrica 
= 612 horas totais disponíveis.
Warren, Reeve e Fess (2001, p. 11, grifos nossos) esclarecem que “[...] o 
tempo despendido por um funcionário na fábrica é, normalmente, registrado em 
cartão ponto ou cartão de entrada e saída”.
Com quatro funcionários no centro produtivo direto, foi atingido um 
total de 612 horas disponíveis para a produção dos quatro produtos - DAC622, 
DAC615, D350 e D961.
IMPORTANT
E
As 612 horas são disponíveis apenas para os quatro produtos da linha produtiva 
da empresa.
2.6 VALOR DO CUSTO/HORA
Você sabe o que é o valor do custo/hora? Nas etapas anteriores aprendemos 
a identificar osprodutos disponíveis para a linha de produção da empresa, os 
componentes que irão compor a matéria-prima dos produtos, as embalagens e as 
etiquetas. Também estudamos o valor da folha de pagamento dos funcionários, 
que corresponde ao custo da mão de obra.
Então temos:
O valor do custo da Mão de obra Direta – M.O.D. = R$ 10.201,51.
A quantidade das horas disponíveis para a linha de produção da empresa 
= 612 horas.
Portanto: M.O.D. R$ 10.201,51/612 horas  R$ 16,66914.
TÓPICO 2 | IDENTIFICAÇÃO DOS CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS INDUSTRIAIS
107
Custo da Mão de Obra Direta = R$ 16,66914 por hora de produção.
ATENCAO
Isso significa que para cada hora trabalhada de produção a empresa aplica 
(gasta) um custo direto com funcionários no valor de R$ 16,66914, incluindo os 
valores do salário base, das provisões do 13º salário e das férias e os encargos 
sociais aplicados sobre os recursos mencionados.
IMPORTANT
E
Estudamos neste Tópico 2 os custos diretos ou variáveis e os custos indiretos 
ou fixos.
Mas qual sua relação com o orçamento?
Na verdade, possui uma estreita relação. Como vendas são as bases para a definição do 
orçamento, os custos de produção também têm forte relação. Com as bases dos custos 
formadas, é possível calcular as projeções orçamentárias da margem de contribuição, 
dos custos por áreas de responsabilidade, do CPV - Custo do Produto Vendido e demais 
projeções que estão relacionadas com o gasto industrial.
108
RESUMO DO TÓPICO 2
Chegamos ao final do Tópico 2. Vamos fazer uma revisão do que 
estudamos até agora?
● Os custos variáveis ou diretos são aqueles que mantêm uma relação direta com 
o volume de produção ou serviço e, consequentemente, podem ser identificados 
com os produtos fabricados. 
● Os custos fixos ou indiretos são aqueles custos que permanecem constantes em 
determinada capacidade instalada de produção independente do volume de 
produção. 
● As embalagens, assim como os demais componentes diretos dos produtos que 
são utilizados na sua produção, também fazem parte deste processo.
● As etiquetas de identificação são importantes para o cliente ou a transportadora 
identificar os tipos de produtos ou os volumes constantes durante o processo 
de transporte, evitando problemas com quebras e péssimas condições de 
transporte. 
● Outro item importante a ser identificado nos custos durante o processo 
industrial da empresa é a mão de obra direta, que é identificada através da 
folha de pagamento da empresa.
● Os gastos diretos estão relacionados aos gastos com o pessoal empregado na 
fábrica, e os gastos indiretos estão relacionados com o pessoal empregado na 
área administrativa.
● Há necessidade de separar os gastos com mão de obra direta e mão de obra 
indireta, pois a mão de obra direta tem relação com a produção do produto e é 
utilizada no cálculo da margem de contribuição. Os gastos com a mão de obra 
indireta não têm relação com o processo produtivo. 
● Com os valores da folha de pagamento dos funcionários diretos (área 
produtiva) e indiretos (área não produtiva), podemos facilmente identificar as 
horas disponíveis de produção.
● Também com os valores da folha de pagamento dos funcionários diretos (área 
produtiva), apuramos o valor do custo/hora de cada funcionário. Esse é o valor 
que será aplicado para cada hora de produção em cada produto que deverá ser 
fabricado na empresa industrial. 
109
AUTOATIVIDADE
1 Qual é o seu entendimento sobre custos variáveis ou diretos?
2 Que tipo de custos tem relação direta com os produtos?
3 Qual é o único elemento concreto que pode ser fisicamente reconhecido no 
produto acabado?
4 Quais são os demais custos que são alocados no produto apenas como 
componentes financeiros?
5 O que são os custos indiretos ou fixos?
6 Referente aos custos indiretos ou fixos, apure o valor do custo do aluguel 
por unidade de produção, utilizando como critério de rateio o volume de 
produção por período.
Valor do Aluguel Mensal: R$ 5.000,00 
Produção do mês 1: 2500
peças (em 
unidades).
Produção do mês 1: 4000
peças (em 
unidades).
Valor do Custo Fixo mês 1:
valor por 
unidade.
Valor do Custo Fixo mês 2:
valor por 
unidade.
7 De acordo com o resultado apurado na questão 6, se os custos fixos não se 
alteram durante o exercício social (ano) da empresa e houver oscilação no 
volume de produção física, os valores dos custos fixos unitários tendem a:
8 Quais são os materiais indiretos utilizados nas atividades auxiliares da 
produção?
110
111
TÓPICO 3
IDENTIFICAÇÃO DOS GASTOS DE PRODUÇÃO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico vamos estudar o planejamento da produção, conhecer e 
apurar a depreciação para os bens industriais e identificar os centros de custos 
ou departamentos em que serão alocados os gastos para apuração dos custos dos 
produtos. A identificação dos gastos de produção é fundamental para compor o 
orçamento dos gastos da área de produção.
2 PLANEJAMENTO DA PRODUÇÃO
A sazonalidade do mercado ocasiona uma demanda muito variada entre 
os períodos do ano, tanto em relação às quantidades como em relação ao mix de 
produtos, provocando picos de demanda em determinados períodos. Para ajustar a 
capacidade produtiva às oscilações na demanda, a empresa pode adotar as seguintes 
estratégias: com base em previsões e históricos, variar o nível da força de trabalho por 
meio de demissão, contratação e treinamento de funcionários, e utilizar horas extras 
nos meses de pico ao invés de carregar estoques de um mês para outro.
Estas decisões estabelecem a capacidade disponível para a produção em 
cada mês, que varia de acordo com o número de funcionários e a disponibilidade 
de utilização de horas extras. 
Cabe salientar que precedem as decisões de dimensionamento e 
sequenciamento de lotes de produção. Para isso, o departamento comercial deve 
realizar primeiramente uma pesquisa de campo, que resulta em um programa 
mensal de necessidades dos clientes. Este programa é desdobrado semanalmente 
pelos departamentos comercial e PCP, o qual resulta em uma previsão semanal. Com 
esse desdobramento semanal é possível obter uma previsão de demanda inicial, que 
serve como ponto de partida para a programação da produção em cada semana. 
Portanto, para determinar o que será produzido na primeira semana do 
mês, o programador de produção (PCP) considera a previsão inicial da demanda 
para aquela semana do mês e eventuais pedidos extras ou cancelamentos que 
recebe do departamento comercial. Também considera o saldo disponível ou 
estoque inicial, o histórico de vendas de cada produto e eventuais particularidades 
relativas a determinados clientes da curva ABC, cujos volumes de compra poderão 
ser maiores que a média. 
112
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
Desta forma, a cada semana as previsões de demanda são reavaliadas 
para determinar o que será produzido dentro de um mês fixo.
De acordo com o histórico de vendas da empresa, a previsão mensal das 
necessidades dos clientes geralmente se confirma. Entretanto, é difícil prever como será 
a distribuição da demanda ao longo do mês, ou seja, alguns clientes compram produtos 
semanalmente, enquanto outros podem fazer seus pedidos na primeira ou na última 
semana, por exemplo.
ATENCAO
Uma dificuldade do PCP é elaborar um programa de produção que atenda 
completamente à demanda semanal, não ultrapassando os limites de capacidade 
disponível, com as alternativas de utilizar horas extras ou carregar estoques de 
uma semana para outra.
A previsão da demanda mensal, o desdobramento semanal e a 
programação de cada semana determinam os tamanhos do lote. 
O próximo passo é verificar os limites da capacidade produtiva 
considerando a necessidade de utilização das horas extras.
 
Se existe capacidade disponível para os tamanhosde lote definidos, são 
emitidas ordens de fabricação para as unidades produtivas, que, por sua vez, 
definem a sequência da produção. 
O sequenciamento, durante a semana, é realizado pelo supervisor de 
produção, por intermédio das ordens de fabricação (fornecidas pelo PCP) e 
verificação de estoque (contagem diária).
O tempo de preparação da linha de produtos para mudar de um lote para 
outro pode variar de cinco a dez minutos. Mas isso depende de empresa para 
empresa, pois cada empresa tem uma realidade diferente.
No dimensionamento de lotes, a capacidade produtiva é considerada em 
termos das horas disponíveis para produção no mês e de uma taxa média de 
produção por hora. 
Segundo Ritzman e Krajewski (2004, p. 335):
TÓPICO 3 | IDENTIFICAÇÃO DOS GASTOS DE PRODUÇÃO
113
O primeiro passo no processo de planejamento consiste na 
determinação das necessidades da demanda para cada período do 
horizonte de planejamento [...]. Para os planos de pessoal, o planejador 
baseia as previsões de necessidades de pessoal para cada grupo da 
força de trabalho em níveis históricos da demanda, no julgamento dos 
gerentes e nos pedidos em carteira existentes para serviços.
Não é considerado o fato de que os tempos de preparação são dependentes 
da sequência produtiva. Diferentes programas resultam em diferentes sequências, 
sendo que algumas podem demandar maior consumo de capacidade devido à 
necessidade de mais preparações, podendo inviabilizar alguns programas de 
produção. Frequentemente, a empresa tem dificuldades para coordenar com 
eficácia o dimensionamento de lotes com o sequenciamento da produção, pois 
uma vez definidos os tamanhos de lote, pode não ser possível encontrar uma 
sequência de produção que seja viável do ponto de vista da capacidade disponível.
Veja a lista de horas disponíveis para a produção dos itens deste Caderno 
de Estudos, no quadro a seguir:
QUADRO 11 – PLANEJAMENTO DE PRODUÇÃO (HORAS DE PRODUÇÃO)
BASE - MENSAL
LINHA - NORMAL
Previsão de Produção e Vendas Unidades Horas por peça Horas Totais Consumidas
DAC622 - Deck Autoclavado 100 x 50 798
 
0,2500 
 
199,5000 
DAC615 - Deck Autoclavado 50 x 50 650
 
0,0833 
 
54,1667 
D350 - Deck Frisado 50 x 50 850
 
0,1667 
 
141,6667 
D961 - Deck 100 x 50 650
 
0,3333 
 
216,6667 
2948 612,0000 
Fonte: Adaptado de: Knuth (2009, p. 84)
Observe que aqui estamos apurando as horas disponíveis de produção 
para cada artigo de madeira, conforme o total de horas apurado na Tabela 6 – 
horas disponíveis de produção.
O produto DAC622 – Deck Autoclavado 100 x 50 possui uma produção 
estimada de 798 unidades com um tempo de produção unitário de 0,2500 horas, 
ou 15 minutos (0,15 x 60 minutos = 0,2500 horas).
O produto DAC615 – Deck Autoclavado 50 x 50 possui uma produção 
estimada de 650 unidades com um tempo de produção unitário de 0,0833 horas, 
ou 5 minutos (0,05 x 60 minutos = 0,0833 horas).
114
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
O produto D622 – Deck Frisado 50 x 50 possui uma produção estimada 
de 850 unidades com um tempo de produção unitário de 0,1667 horas, ou 10 
minutos (0,10 x 60 minutos = 0,1667 horas).
O produto D961 – Deck 100 x 50 possui uma produção estimada de 650 
unidades com um tempo de produção unitário de 0,3333 horas, ou 20 minutos 
(0,20 x 60 minutos = 0,3333 horas).
IMPORTANT
E
As horas disponíveis de produção estão relacionadas ao volume de produção, 
pois é a demanda de mercado que está sendo absorvida pela empresa.
Encerramos este item do presente tópico de estudos. No próximo item 
vamos conhecer a depreciação. A identificação dos gastos com a depreciação se 
faz necessária, pois devem compor os custos dos produtos. 
3 DEPRECIAÇÃO
Você saberia dizer o que vem a ser depreciação?
Depreciação significa o reconhecimento da perda ou diminuição da 
capacidade de geração de caixa dos bens. 
Segundo Iudícibus (1998, p. 202), “A depreciação de um período é o custo 
amortizado nesse período, assim como a depreciação global de um bem é a parte 
do custo amortizado durante a vida útil do bem”.
Esses fenômenos ocorrem em virtude dos seguintes fatores:
● causas físicas: os bens vão perdendo sua eficiência funcional em decorrência do 
desgaste pelo funcionamento ou então pela ação do tempo;
● causas funcionais: os bens perdem sua eficiência funcional, ou seja, sua 
capacidade de geração de caixa à medida que são superados tecnologicamente;
● causas excepcionais: são situações de excepcionalidade em que os bens perdem 
a capacidade de geração de caixa em decorrência de acidentes, incêndios ou 
tempestades. São acontecimentos em virtude de fatores que fogem ao controle 
humano.
TÓPICO 3 | IDENTIFICAÇÃO DOS GASTOS DE PRODUÇÃO
115
IMPORTANT
E
O tempo de vida útil de um bem será determinado em função do prazo durante 
o qual é possível a sua utilização econômica (e a produção de seus rendimentos).
O reconhecimento da perda da capacidade de geração de caixa é tratado 
na contabilidade como:
● custo: desgaste ocorrido com os bens utilizados na produção;
● despesa: desgaste ocorrido com os bens cuja utilização não está relacionada à 
produção.
Segundo Iudícibus, Martins e Gelbcke (2000, p. 194):
A esse respeito, o art. 183, da Lei no 6.404/76, estabelece: a diminuição 
de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada 
periodicamente nas contas de: a) Depreciação, quando corresponder 
à perda do valor dos direitos que tem por objeto bens físicos sujeitos 
a desgastes ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou 
obsolescência.
Vejamos algumas das taxas de depreciação dos bens permitidas pelo fisco 
brasileiro mais utilizadas na contabilidade: 
TIPOS DE BENS PRAZOS ADMITIDOS TAXAS
Computadores e Periféricos 5 anos 20% a.a.
Edifícios 25 anos 4% a.a
Máquinas e Equipamentos 10 anos 10% a.a.
Instalações 10 anos 10% a.a.
Móveis e Utensílios 10 anos 10% a.a.
Veículos 5 anos 20% a.a.
A depreciação dos bens do ativo imobilizado corresponde à diminuição 
parcelada do valor dos elementos classificáveis, resultantes do desgaste pelo uso, 
da ação da natureza ou de obsolescência normal.
116
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
IMPORTANT
E
Para que se tenha uma tabela completa de todas as taxas de depreciação 
aceitas por critérios fiscais, convidamos você a acessar e a pesquisar a Instrução Normativa 
nº 162 da Receita Federal do Brasil, conforme endereço eletrônico a seguir:
FONTE: Instrução Normativa SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998.
Disponível em:<http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/ins/ant2001/1998/
in16298ane1.htm>. Acesso em: 17 Fev. 2012.
Também a Instrução Normativa nº 130/99 da Receita Federal do Brasil inclui informações 
complementares para aplicação das taxas de depreciação dos demais bens.
Convidamos você a acessar e a pesquisar a Instrução Normativa SRF nº 130, de 10 de 
novembro de 1999, que altera o Anexo I da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro 
de 1998, e inclui os seguintes bens, conforme endereço eletrônico a seguir:
FONTE: Instrução Normativa SRF nº 130, de 10 de novembro de 1999. Disponível em: 
<http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/ins/ant2001/1999/in13099.htm>. 
Acesso em: 17 fev. 2012.
3.1 MÉTODOS DE DEPRECIAÇÃO
Para o cálculo da depreciação existem alguns métodos que podem ser 
utilizados, como:
a) Método linear ou quotas constantes (baseado na vida útil do bem).
b) Quota anual de depreciação = Valordo bem dividido pelo número de períodos 
de vida útil.
c) Soma dos algarismos dos anos, 1+2+3+4+5 = 15.
O método mais utilizado de depreciação é o MÉTODO LINEAR ou método 
das quotas constantes. É o mais utilizado pela sua simplicidade de cálculo e por 
ser aceito pela legislação fiscal. Caracteriza-se pela utilização de quotas constantes 
ou iguais durante a vida útil do bem, sendo a sua parcela distribuída em função 
do tempo.
3.2 CÁLCULO DA DEPRECIAÇÃO
O cálculo da depreciação pelo método linear pode ser feito de duas formas:
− Quotas anuais: para apurar a quota anual multiplica-se o valor do bem pela 
taxa de depreciação. Nesta forma de cálculo a depreciação é contabilizada somente 
uma vez ao ano.
− Quotas mensais: quando a cota for mensal, o seu valor é obtido da divisão do 
valor da quota anual por 12. Nesta forma, a depreciação é contabilizada mensalmente. 
TÓPICO 3 | IDENTIFICAÇÃO DOS GASTOS DE PRODUÇÃO
117
Vejamos um exemplo:
− Um prédio comprado no valor de R$ 2.100.000,00
− Taxa = 4% a.a. (100% / 25 anos = 4%).
− Valor da Depreciação = R$ 2.100.000,00 X 4 / 100 = R$ 84.000,00
− Valor da Depreciação Anual = R$ 84.000,00
− Valor da Depreciação Mensal = R$ 84.000,00 / 12 meses = R$ 7.000,00
Para o trabalho de apuração dos custos e, consequentemente, a base para o 
ORÇAMENTO desses custos relacionados aos quatro produtos (DAC622, DAC615, 
D622, D961) que estamos utilizando no processo industrial desta unidade, vamos 
realizar um levantamento fictício dos bens da empresa.
Cada tipo de bem deve ser classificado de acordo com o tempo de vida útil 
aceito pelo fisco brasileiro, conforme os prazos admitidos e as taxas estabelecidas.
ATENCAO
QUADRO 11 – DEPRECIAÇÃO DOS BENS
BENS Valor R$ Vida Útil/Ano Mês/Ano Meses R$ / Mês 
Máquina de embalar R$ 2.500,00 10 12 120 R$ 20,83 
Galopa / Plaina Simples R$ 2.800,00 30 12 360 R$ 7,78 
Torno Lixador R$ 1.100,00 10 12 120 R$ 9,17 
Furadeira Pneumática R$ 8.500,00 30 12 360 R$ 23,61 
Transformador R$ 10.000,00 25 12 300 R$ 33,33 
Prensa Deck R$ 1.600,00 10 12 120 R$ 13,33 
Prensa Cavalete R$ 1.600,00 20 12 240 R$ 6,67 
Prensa Painel / Tabuado R$ 2.100,00 20 12 240 R$ 8,75 
Equipamentos Pintura 
( Pistola, etc ) R$ 2.850,00 10 12 120 R$ 23,75 
Esteira de Pintura R$ 4.200,00 10 12 120 R$ 35,00 
Destopadeira Pneumática R$ 12.000,00 10 12 120 R$ 100,00 
Paleteiras R$ 2.500,00 20 12 240 R$ 10,42 
Moldureira 4 faces R$ 32.500,00 20 12 240 R$ 135,42 
Máq. De Etiqueta R$ 650,00 10 12 120 R$ 5,42 
Serra Múltipla R$ 6.500,00 30 12 360 R$ 18,06 
Avanço R$ 2.100,00 15 12 180 R$ 11,67 
Pinadeiras Pneumáticas R$ 850,00 10 12 120 R$ 7,08 
Parafusadeiras Pneumáticas R$ 850,00 10 12 120 R$ 7,08 
Aparelho de Solda R$ 850,00 15 12 180 R$ 4,72 
Almoxarifado R$ 22.000,00 20 12 240 R$ 91,67 
Computadores etc. R$ 2.850,00 5 12 60 R$ 47,50 
Empilhadeira R$ 45.000,00 25 12 300 R$ 150,00 
Exaustão R$ 2.600,00 25 12 300 R$ 8,67 
Plaina Simples R$ 3.200,00 30 12 360 R$ 8,89 
Depreciação Mensal Fábrica
Depreciação Mensal Administrativo
 R$ 649,64 
 R$ 139,17 
Valor total da Depreciação R$ 788,81 
FONTE: Adaptado de: Knuth (2009, p. 88) 
118
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
Observe que no quadro anterior a depreciação está calculada com base 
em quotas mensais, portanto o total de gastos mensais que a empresa tem com a 
depreciação dos seus bens é R$ 788,81.
Separando os custos indiretos (gastos na fábrica) e as despesas gerais e 
administrativas (gastos na área administrativa), têm-se os seguintes valores:
● Custos indiretos de fábrica: R$ 649,64
● Despesas gerais e administrativas: R$ 139,17
● Despesas totais da depreciação: R$ 788,81
Esses gastos farão parte dos custos dos produtos e devemos criar uma 
forma de rateio que, neste Caderno de Estudos, será baseado nas horas disponíveis 
de produção.
4 NATUREZA E AVALIAÇÃO DOS CENTROS DE 
RESPONSABILIDADES
Neste item do Tópico 3 abordaremos sobre os centros de custos de uma 
empresa industrial. Lembre-se de que os exemplos utilizados neste caderno são 
propostas com valores e dados fictícios.
4.1 CENTRO DE CUSTO
Segundo Iudícibus (1995, p. 269), centro de custos “[...] é a menor fração 
de atividade ou área de responsabilidade para a qual é feita a acumulação de 
custos”. 
O centro de custos é constituído por uma parcela ou o total de uma área 
de atividade de produção, reunindo os seguintes componentes:
● mão de obra;
● máquinas;
● instalações;
● materiais e matérias-primas;
● energia elétrica ou calorífica;
● outros insumos usados ou consumidos na produção. 
São apropriados todos os dispêndios do mês, sendo que o desempenho é 
avaliado acompanhando-se a evolução do custo de produção. O termo “centros 
de custos” pode ter a mesma conotação que departamentos.
TÓPICO 3 | IDENTIFICAÇÃO DOS GASTOS DE PRODUÇÃO
119
4.2 CENTRO DE VENDAS
A atividade comercial da empresa constitui um centro de produtos ou 
vendas. Com alguns indicadores, pode-se medir o desempenho dessa atividade, 
como os seguintes:
● Vendas realizadas versus metas estabelecidas para um grupo de vendedores.
● Despesas de um escritório de vendas dividido pelo faturamento do mês desse 
escritório, ou outro indicador do gênero. 
Este conceito é bastante utilizado no ramo comercial de lojas.
4.3 CENTRO DE DESPESAS
As unidades administrativas formam centros de despesas e neles são 
apropriados todos os dispêndios do mês, relacionados com a estrutura e a 
atividade desses centros. Incluem-se os seguintes:
● as áreas de recursos humanos;
● contabilidade;
● compras;
● faturamento;
● processamento de dados;
● assessoria jurídica;
● vigilância, entre outros. 
O desempenho de um centro de despesas pode ser medido comparando-se 
os gastos realizados com os orçados, ou então, comparando-os com os preços dos 
serviços prestados por empresas terceirizadas existentes no mercado, ou ainda, 
medindo-se a evolução da eficiência dos serviços administrativos. Exemplo: 
volume de lançamentos contábeis versus número de funcionários da área e assim 
por diante.
4.4 CENTRO DE INVESTIMENTOS
O Centro de Investimento (CI) é bastante amplo na atividade empresarial, 
estando ligado diretamente ao tamanho da empresa, volume de negócios, 
complexidade de atividades e tipo de gestão adotada. A sua avaliação é feita 
pela capacidade de produzir ganhos proporcionalmente ao valor investido, com 
base em algum conceito que estabeleça esta relação. Algumas questões devem 
ser discutidas, visto que o tema centro de investimentos está relacionado com o 
retorno de investimentos.
120
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
Tipos de investimentos que poderiam ser classificados como centro de 
investimentos:
a) Investimento de expansão: quando a empresa amplia sua capacidade de 
produção agregando novas unidades produtivas.
b) Investimento de inovação: quando ocorre a substituição de processo produtivo 
que pode aumentar a produção ou baratear o custo da unidade produzida.
c) Investimento de ofensivas: quando a empresa faz um investimento para 
agregar ao produto algo diferenciado para provocar o mercado. Pode ser um 
investimento feito por determinado tempo ou de forma permanente. Exemplo: 
automóvel com motor 1.000 cc equipado com ar-condicionado.
d) Investimentos calculados e obrigatórios: apesar de não ser bem uminvestimento, 
mas determinados tipos de empresas estão sujeitas a investimentos calculados 
e obrigatórios. Podemos citar a preocupação com a ecologia, que diretamente 
nada tem a ver com o processo produtivo, mas os órgãos governamentais 
não dão licença de funcionamento sem o cumprimento de determinados 
investimentos para a preservação do meio ambiente.
e) Investimentos financeiros: podemos colocar os investimentos no mercado de 
ações, na área de imóveis (valorização patrimonial), investimento no mercado 
financeiro (Hedge, Swap, Faf, Overnight etc.). Na prática, poderia ser chamado 
especulação de mercado. Aqui se avaliam os ganhos obtidos entre o T0 (T zero) 
e T1 (T um).
4.5 CENTRO DE LUCRO
Centro de lucro é um segmento da empresa. Para Iudícibus (1995, p. 271), 
“[...] é um segmento da empresa, às vezes constituído por uma divisão que é 
responsável não apenas por custos (centro de custos), mas também por receitas 
e, portanto, por resultados”. No quadro a seguir identificaremos os gastos por 
departamentos ou centros de custos.
TÓPICO 3 | IDENTIFICAÇÃO DOS GASTOS DE PRODUÇÃO
121
QUADRO 12 – GASTOS POR CENTROS DE CUSTOS
CONTA CENTROS DE CUSTOS
Fábrica Geral Superv. Indl. ADM. TOTAL
Materiais Diversos de 
Fábrica
R$ 1.555,54 R$ 1.555,54
Custos Combustível R$ 455,22 R$ 455,22
 Energia Elétrica de 
Fábrica
R$ 1.850,60 R$ 1.850,60
Var. Gás Empilhadeira R$ 759,00 R$ 759,00
Afiação R$ 650,00 R$ 650,00
Aluguel de Fábrica R$ 1.650,00 R$ 1.650,00
TOTAL R$ 6.920,36 R$ 6.920,36
FIXOS
Fábrica Geral Superv. Indl. ADM. TOTAL
Despesas Gerais 
Escritório R$ 0,00 R$ 751,65 R$ 751,65
Telefone R$ 0,00 R$ 555,96 R$ 555,96
Celular R$ 0,00 R$ 250,00 R$ 250,00
Água R$ 0,00 R$ 200,00 R$ 200,00
 Internet R$ 0,00 R$ 125,00 R$ 125,00
Custos Contabilidade R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 1.200,00 R$ 1.200,00
 Despesas Bancárias R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 320,00 R$ 320,00
Fixos Salários Diversos R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 8.638,22 R$ 8.638,22
Alvarás e Taxas 
Diversas R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 150,00 R$ 150,00
Benefícios Funcionários R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00
Depreciação Geral 
Máquinas R$ 649,64 R$ 0,00 R$ 139,17 R$ 788,81
TOTAL R$ 649,64 R$ 0,00 R$ 12.330,00 R$ 12.979,64
 R$ 7.570,00 R$ 0,00 R$ 12.330,00 R$ 19.900,00
FONTE: Adaptado de: Knuth (2009, p. 92)
Observe no quadro anterior que os gastos estão distribuídos por 
departamentos. Os gastos relacionados à fábrica geral apresentam um valor 
mensal de R$ 7.570,00, enquanto no setor administrativo o valor mensal é de R$ 
12.330,00. O valor total gasto pela empresa é de R$ 19.900,00. 
ESTUDOS FU
TUROS
Os valores relativos à fábrica geral serão alocados aos custos de produção (nas 
fichas de produção), e os valores dos custos de produção serão identificados e apurados no 
Tópico 4 desta unidade, que estudaremos a seguir.
Toda essa etapa de apuração dos custos de produção é fundamental para a elaboração do 
orçamento de produção, que será amplamente estudado na Unidade 3 deste Caderno de 
Estudos.
122
RESUMO DO TÓPICO 3
Chegamos ao final do Tópico 3. Vamos fazer uma revisão do que 
estudamos até agora?
● A identificação dos gastos de produção é fundamental para compor o orçamento 
dos gastos da área de produção.
● A sazonalidade do mercado ocasiona uma demanda muito variada entre os 
períodos do ano, tanto em relação às quantidades como em relação ao mix de 
produtos, provocando picos de demanda em determinados períodos. A cada 
semana as previsões de demanda são reavaliadas para determinar o que será 
produzido dentro de um mês fixo.
● Depreciação significa o reconhecimento da perda ou diminuição da capacidade 
de geração de caixa dos bens e pode ser causada por fatores físicos, funcionais 
e excepcionais.
● Os gastos por centros de custos têm a finalidade de auxiliar na avaliação do que 
cada departamento gera de gastos ou de consumo e, assim, pode-se facilmente 
avaliar o que é possível ser eliminado.
● O centro de custos é constituído por uma parcela ou o total de uma área de 
atividade de produção, reunindo os seguintes componentes: mão de obra, 
máquinas, instalações, materiais e matérias-primas, energia elétrica ou calorífica, 
e outros insumos usados ou consumidos na produção. São apropriados todos 
os dispêndios do mês. O desempenho é avaliado acompanhando-se a evolução 
do custo de produção.
123
1 De acordo com o volume de produção e o tempo gasto em horas para cada 
unidade de produção, apure o número máximo de horas que deverão ser 
utilizadas na produção.
AUTOATIVIDADE
Previsão de Produção e Vendas Produção Horas por peça Horas Totais
LINHA - NORMAL
DAC622 - Deck Autoclavado 100 x 50 350 1,1500 
DAC615 - Deck Autoclavado 50 x 50 215 1,2000 
D350 - Deck Frisado 50 x 50 155 0,8500 
D961 - Deck 100 x 50 185 1,3500 
905 TOTAL DE HORAS
2 Com o que as horas disponíveis de produção estão relacionadas?
3 Com suas palavras, o que você pode dizer sobre “depreciação”?
4 O que constitui um centro de custos? 
5 O que constitui um centro de vendas? 
6 O que é um investimento de expansão? 
7 O que é um investimento de inovação? 
8 De acordo com os seguintes dados, apure o valor da depreciação:
124
BENS Valor R$ Vida Útil/Ano Mês/Ano Meses R$ / Mês 
Máquina de embalar R$ 3.000,00 10 12 120
Galopa / Plaina Simples R$ 3.200,00 30 12 360
Torno Lixador R$ 1.200,00 10 12 120
Furadeira Pneumática R$ 9.500,00 30 12 360
Transformador R$ 12.000,00 25 12 300
Prensa Deck R$ 1.750,00 10 12 120
Prensa Cavalete R$ 1.650,00 20 12 240
Prensa Painel / Tabuado R$ 2.200,00 20 12 240
Equipamentos Pintura 
( Pistola, etc ) R$ 3.000,00 10 12 120
Pinadeiras Pneumáticas R$ 900,00 10 12 120
Parafusadeiras 
Pneumáticas R$ 900,00 10 12 120
Aparelho de Solda R$ 900,00 15 12 180
Almoxarifado R$ 23.500,00 20 12 240
Computadores etc. R$ 2.450,00 5 12 60
Empilhadeira R$ 46.000,00 25 12 300
Exaustão R$ 2.700,00 25 12 300
Plaina Simples R$ 3.300,00 30 12 360
Depreciação Mensal Fábrica
Depreciação Mensal Administrativo
Valor total da Depreciação
125
TÓPICO 4
APURAÇÃO DOS CUSTOS E FORMAÇÃO DO PREÇO DE 
VENDA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Nos tópicos anteriores você estudou o que são centros de custos, gastos 
com folha de pagamento, horas disponíveis de produção, entre outros temas.
Agora chegou a hora de você colocar em prática o que foi estudado 
nos tópicos anteriores. Vamos identificar o que é uma ficha técnica ou ficha de 
produção e apontar os custos dos produtos que conhecemos no terceiro tópico 
da Unidade 2.
Com todos os custos apurados, podemos estudar e aprender como apurar 
o preço de venda e conhecer quais os principais impactos que existem em relação 
aos gastos variáveis na sua formação. 
Então, vamos estudar os próximos itens para saber quais são os custos 
demonstrados nas fichas técnicas, de acordo com a linha de montagem que 
estamos analisando neste Caderno de Estudos.
Primeiramente, precisamos compreender o que é uma ficha técnica. 
Vamos lá?
2 FICHA TÉCNICA OU DE PRODUÇÃO
Na ficha técnica ou ficha de produção são apresentados os materiais 
e insumos utilizados na produção de determinado produto. Com essa ficha é 
possível identificar quais são os custos alocados na produção, de acordo com o 
consumo existente.
Os tipos de matéria-prima foram identificados no Tópico 3 desta unidade 
e lá você teve acesso aos nomes das matérias-primas que estão sendo consumidos 
em cada um deles.
Outro fator que deve ser destacado é o número de horas disponíveis para 
a produçãoe o valor efetivamente gasto em horas de produção, determinado de 
acordo com o custo-hora que estudamos no item 2 do Tópico 3 desta unidade - 
planejamento da produção.
126
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
Veja como é a ficha técnica ou de produção, conforme o quadro a seguir:
QUADRO 14 – FICHA TÉCNICA E APLICAÇÃO DOS CUSTOS (DAC622-DECK AUTOCLAVADO 
100X50)
Ficha Técnica e Aplicação dos Custos
DAC622 - Deck Autoclavado 100 x 50
Deck p/ Jardim Autoclavado
Pinus - Autoclavado
Ref. Matéria-prima Direta Quantidade Custo por item R$
300 Deck Autoclavado 0,10000 1.200,00000 120,00000 
1400 Pino T32 18,00000 0,00600 0,10800 
1300 Cola 0,10000 6,25000 0,62500 
5000
Custo de Mão de obra (por 
hora)
 0,25000 16,66914 4,16729 
Total Matéria-prima (R$ 
por unidade) 124,90029 
Desperdício (R$ por 
unidade)
 6,57370 
Total Matéria-prima 
e Desperdício (R$ por 
unidade)
 131,47399 
Ref. Embalagens e Materiais Adicionais Quantidade Custo por item R$ 
2700 Etiqueta produto 1,00000 0,02000 0,02000 
2800 Etiqueta volume 0,25000 0,03000 0,00750 
2400 Fpp/para Amarração 0,87000 0,05000 0,04350 
Total de Embalagens e 
Materiais Adicionais (R$ 
por unidade)
 0,07100 
Custos Variáveis por 
Departamentos (Horas 
Disponíveis)
 R$/Hora R$ 
Custos Gerais Variáveis de 
Fábrica (por hora)
 11,30778 2,82695 
Custos Variáveis por 
Departamentos (Horas 
Disponíveis)
 2,82695 
Total Custo Direto (R$ por 
unidade) 134,37194 
Custos Fixos (por hora) 1,06150 0,26538 
Total Custo Geral (R$ por 
unidade) 134,63732 
FONTE: Adaptado de: Knuth (2009, p. 96)
TÓPICO 4 | APURAÇÃO DOS CUSTOS E FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
127
Na parte superior da ficha se encontra a descrição do produto que está na 
linha de produção, neste caso o DAC622-Deck Autoclavado 100x50.
Existe uma coluna chamada de referência (Ref.), contendo um código que 
é utilizado para facilitar a identificação da matéria-prima composta nesta linha 
de produção e servir de base para auxiliar no cálculo do seu custo de produção.
No exemplo da ficha de produção existe a referência de número 300, que é o 
Deck Autoclavado, com consumo de 0,10000 m3, no preço de R$ 1.200,00 por m3. Isso 
perfaz um total de R$ 120,00 de consumo de matéria-prima em Deck Autoclavado.
IMPORTANT
E
No item - materiais diretos - que foi estudado no Tópico 2 da Unidade 2, você 
encontrará todos os componentes aplicados na composição dos custos da matéria-prima 
(constam no quadro componentes da matéria-prima).
As embalagens constam no mesmo item 2, materiais diretos, no quadro componentes das 
embalagens. As etiquetas de identificação constam no mesmo item 2, materiais diretos, no 
quadro etiquetas de identificação. Isto se aplica para todos os produtos deste tópico.
Vejamos os cálculos para a apuração dos custos da matéria-prima:
● Ref. 300  0,10000 x R$ 1.200,00000 = R$ 120,00000
● Ref. 1400  18,00000 x R$ 0,00600 = R$ 0,10800
● Ref. 1300  0,10000 x R$ 6,25000 = R$ 0,62500
● Ref. 5000  0,25000 x R$ 16,66914 = R$ 4,16729
● Total dos Custos Diretos = R$ 124,90029
Foi atribuído o desperdício de 5% sobre o processo produtivo. Esse desperdício 
é alocado ao custo, pois faz parte das operações de produção. Cada empresa possui seu 
critério de identificação e alocação dos desperdícios. Isto se aplica para todos os produtos 
deste tópico.
ATENCAO
● Desperdício  R$ 124,90029 / (1 – 0,05) 
● Desperdício  R$ 124,90029 / 0,95 = R$ 131,47399
● Desperdício  R$ 131,47399 - R$ 124,90029 =R$ 6,57370
● Valor Total da Matéria-Prima e Desperdício = R$ 131,47399
128
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
Vejamos os cálculos para a apuração dos custos das embalagens e materiais 
adicionais:
● Ref. 2700  1,00000 x R$ 0,02000 = R$ 0,02000
● Ref. 2800  0,25000 x R$ 0,03000 = R$ 0,00750
● Ref. 2400  0,87000 x R$ 0,05000 = R$ 0,04350
● Total das Embalagens e Materiais Adicionais = R$ 0,07100
IMPORTANT
E
Os gastos gerais variáveis de fábrica e os custos fixos de fábrica foram estudados 
no item 4.5 do Tópico 3 - centro de lucro, e representam, respectivamente:
- Custos variáveis por departamento (fábrica): R$ 6.920,36/612 horas de produção = R$ 
11,30778 por hora disponível.
- Custos fixos (fábrica): R$ 649,94/612 horas de produção = R$ 1,06150 por hora disponível. 
Isto se aplica para todos os produtos deste tópico.
Portanto, faz-se o cálculo do custo industrial do produto em estudo da 
seguinte forma:
● Gastos gerais variáveis de fábrica: 0,25000 hora x R$ 11,30778 = R$ 2,82695
● Custos fixos de fábrica: 0,25000 hora x R$ 1,06150 = R$ 0,26538
O custo total de produção é:
Total Matéria-Prima = R$ 124,90029
Total Desperdício = R$ 6,57370
Total Matéria-Prima e Desperdício = R$ 131,47399
Total Embalagens e Materiais Adicionais = R$ 0,07100
Total Custos Variáveis por Departamento = R$ 2,82695 (R$ 11,30778 x 0,25000)
Total Custos Fixos = R$ 0,26538 (R$ 1,06150 x 0,25000)
Total Custo Geral = R$ 134,63732
IMPORTANT
E
Sugere-se utilizar cinco casas decimais após a vírgula para a solução de 
eventuais problemas por causa da utilização de valores em pequenas peças, por exemplo, 
parafusos, pregos, entre outros. Caso forem utilizadas ferramentas de cálculos como a 
planilha Excel ou a calculadora e ocorrerem pequenas diferenças (R$ 0,00001), é normal 
em função do arredondamento de casas decimais que foram utilizadas. Isto se aplica para 
todos os produtos deste tópico.
TÓPICO 4 | APURAÇÃO DOS CUSTOS E FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
129
Vejamos como é a ficha de produção, conforme o quadro a seguir, para o 
próximo produto DAC615 – Deck Autoclavado 50 x 50. 
QUADRO 15 – FICHA TÉCNICA E APLICAÇÃO DOS CUSTOS (DAC615-DECK AUTOCLAVADO 
50X50)
Ficha Técnica e Aplicação dos Custos
DAC615 - Deck Autoclavado 50 x 50
Deck p/ Jardim Autoclavado
Pinus - Autoclavado
Ref. Matéria Prima Direta Quantidade Custo por ítem R$
300 Deck Autoclavado 0,15000 1.200,00000 180,00000 
1400 Pino T32 23,00000 0,00600 0,13800 
1300 Cola 0,05000 6,25000 0,31250 
5000
Custo de Mão de obra (por 
hora)
 0,08333 16,66914 1,38904 
Total Matéria Prima (R$ por 
unidade) 181,83954 
Desperdício (R$ por unidade) 9,57050 
Total Matéria Prima e 
Desperdício (R$ por unidade) 191,41004 
Ref. Embalagens e Materiais Adicionais Quantidade Custo por ítem R$ 
2700 Etiqueta produto 1,00000 0,02000 0,02000 
2800 Etiqueta volume 0,25000 0,03000 0,00750 
2400 Fpp/para Amarração 0,66000 0,05000 0,03300 
Total de Embalagens e 
Materiais Adicionais (R$ por 
unidade)
 0,06050 
Custos Variáveis por 
Departamentos (Horas 
Disponíveis)
 R$/Hora R$ 
Custos Gerais Variáveis de 
Fábrica (por hora)
 11,30778 0,94228 
Custos Variáveis por 
Departamentos (Horas 
Disponíveis)
 0,94228 
Total Custo Direto (R$ por 
unidade) 192,41282 
Custos Fixos (por hora) 1,06150 0,08845 
Total Custo Geral (R$ por 
unidade) 192,50127 
FONTE: Adaptado de: Knuth (2009, p. 99)
130
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
Na parte superior da ficha encontra-se a descrição do produto que está na 
linha de produção, neste caso o DAC615-Deck Autoclavado 50x50.
Existe uma coluna chamadade referência (Ref.), contendo um código que 
é utilizado para facilitar a identificação da matéria-prima composta nesta linha 
de produção e servir de base para auxiliar no cálculo do seu custo de produção.
No exemplo da ficha de produção, a referência é o código 300, que é o Deck 
Autoclavado, com consumo de 0,15000 m3, no preço de R$ 1.200,00 por m3. Isso 
perfaz um total de R$ 180,00 de consumo de matéria-prima em Deck Autoclavado.
Vejamos os cálculos para a apuração dos custos da matéria-prima:
● Ref. 300  0,15000 x R$ 1.200,00000 = R$ 180,00000
● Ref. 1400  23,00000 x R$ 0,00600 = R$ 0,13800
● Ref. 1300  0,05000 x R$ 6,25000 = R$ 0,31250
● Ref. 5000  0,08333 x R$ 16,66914 = R$ 1,38904
● Total dos Custos Diretos = R$ 181,83954
● Desperdício  R$ 181,83954 / (1 – 0,05)
● Desperdício: R$ 181,83954 / 0,95 = R$ 191,41004
● Desperdício: R$ 191,41004 - R$ 181,83954 = R$ 9,57050
● Valor Total da Matéria-Prima e Desperdício = R$ 191,41004
Vejamos os cálculos para a apuração dos custos das embalagens e materiais 
adicionais:
● Ref. 2700  1,0000 x R$ 0,02000 = R$ 0,02000
● Ref. 2800  0,25000 x R$ 0,03000 = R$ 0,00750
● Ref. 2400  0,66000 x R$ 0,05000 = R$ 0,03300
● Total das Embalagens e Materiais Adicionais = R$ 0,06050
● Gastos gerais variáveis de fábrica: 0,08333 hora x R$ 11,30778 = R$ 0,94228.
● Custos fixos de fábrica: 0,08333 hora x R$ 1,06150 = R$ 0,08845
O custo total de produção é:
● Total Matéria-Prima = R$ 181,83954
● Total Desperdício = R$ 9,57050
● Total Matéria-Prima e Desperdício = R$ 191,41004
● Total Embalagens e Materiais Adicionais = R$ 0,06050
● Total Custos Variáveis por Departamento = R$ 0,94228 (R$ 11,30778 x 0,08333)
● Total Custos Fixos = R$ 0,08845 (R$ 1,06150 x 0,08333)
● Total Custo Geral = R$ 192,50127
Vejamos como é a ficha de produção, conforme o quadro que segue, para 
o próximo produto, D350 – Deck Frisado 50 x 50.
TÓPICO 4 | APURAÇÃO DOS CUSTOS E FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
131
QUADRO 16 – FICHA TÉCNICA E APLICAÇÃO DOS CUSTOS (D350-DECK FRISADO 50X50)
Ficha Técnica e Aplicação dos Custos
D350 - Deck Frisado 50 x 50
Deck p/ Jardim Frisado
EUC - Stain
Ref. Matéria-prima Direta Quantidade Custo por item R$
100 Deck EUC 0,08000 1.050,00000 84,00000 
1400 Pino T32 20,00000 0,00600 0,12000 
1300 Cola 0,05000 6,25000 0,31250 
3100 Stain Jatoba 0,09000 6,90000 0,62100 
5000 Custo de Mão de obra (por 
hora)
 0,16667 16,66914 2,77825 
Total Matéria-prima (R$ 
por unidade) 87,83175 
Desperdício (R$ por 
unidade)
 4,62272 
Total Matéria-prima 
e Desperdício (R$ por 
unidade)
 92,45447 
Ref. Embalagens e Materiais Adicionais Quantidade Custo por item R$ 
2700 Etiqueta produto 1,00000 0,02000 0,02000 
2800 Etiqueta volume 0,25000 0,03000 0,00750 
2400 Fpp/para Amarração 0,66000 0,05000 0,03300 
Total de Embalagens e 
Materiais Adicionais (R$ 
por unidade)
 0,06050 
Custos Variáveis por 
Departamentos (Horas 
Disponíveis)
 R$/Hora R$ 
Custos Gerais Variáveis de 
Fábrica (por hora)
 11,30778 1,88467 
Custos Variáveis por 
Departamentos (Horas 
Disponíveis)
 1,88467 
Total Custo Direto (R$ por 
unidade) 94,39964 
Custos Fixos (por hora) 1,06150 0,17692 
Total Custo Geral (R$ por 
unidade) 94,57656 
FONTE: Extraído e Adaptado de Knuth (2009, p. 101)
132
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
Na parte superior da ficha encontra-se a descrição do produto que está na 
linha de produção, neste caso o D350-Deck Frisado 50x50.
Existe uma coluna chamada de referência (Ref.), contendo um código que 
é utilizado para facilitar a identificação da matéria-prima composta nesta linha 
de produção e servir de base para auxiliar no cálculo do seu custo de produção.
No exemplo da ficha de produção identifica-se a referência de número 
100, que é o Deck EUC, com consumo de 0,08000 m3, no preço de R$ 1.050,00 por 
m3. Isso perfaz um total de R$ 84,00000 de consumo de matéria-prima em Deck 
EUC.
Vejamos os cálculos para a apuração dos custos da matéria-prima:
● Ref. 100  0,08000 x R$ 1.050,00 = R$ 84,00000
● Ref. 1400  20,00000 x R$ 0,00600 = R$ 0,12000
● Ref. 1300  0,05000 x R$ 6,25000 = R$ 0,31250
● Ref. 3100  0,09000 x R$ 6,90000 = R$ 0,62100
● Ref. 5000  0,16667 x R$ 16,66914 = R$ 2,77825
● Total dos Custos Diretos = R$ 87,83175
● Desperdício  R$ 87,83175 / (1 – 0,05)
● Desperdício: R$ 87,83175 / 0,95 = R$ 92,45447
● Desperdício: R$ 92,45447 - R$ 87,83175 = R$ 4,62272
● Valor Total da Matéria-Prima e Desperdício = R$ 92,45447.
Vejamos os cálculos para a apuração dos custos das embalagens e materiais 
adicionais:
● Ref. 2700  1,0000 x R$ 0,02000 = R$ 0,02000
● Ref. 2800  0,25000 x R$ 0,03000 = R$ 0,00750
● Ref. 2400  0,66000 x R$ 0,05000 = R$ 0,03300
● Total das Embalagens e Materiais Adicionais = R$ 0,06050
● Gastos gerais variáveis de fábrica: 0,16667 hora x R$ 11,30778 = R$ 1,88467
● Custos fixos de fábrica: 0,16667 hora x R$ 1,06150 = R$ 0,17692
O custo total de produção é:
● Total Matéria-Prima = R$ 87,83175
● Total Desperdício = R$ 4,62272
● Total Matéria-Prima e Desperdício = R$ 92,45447
● Total Embalagens e Materiais Adicionais = R$ 0,06050
● Total Custos Variáveis por Departamento = R$ 1,88467 (R$ 11,30778 x 0,16667)
● Total Custos Fixos = R$ 0,17692 (R$ 1,06150 x 0,16667)
● Total Custo Geral = R$ 94,57656
TÓPICO 4 | APURAÇÃO DOS CUSTOS E FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
133
Observe como é a ficha de produção, de acordo com o quadro a seguir, 
para o próximo produto.
QUADRO 17 – FICHA TÉCNICA E APLICAÇÃO DOS CUSTOS (D961-DECK P/ JARDIM 100X50)
FONTE: Adaptado de: Knuth (2009, p. 103) 
Ficha Técnica e Aplicação dos Custos
D961 - Deck 100 x 50
Deck p/ Jardim
EUC - Stain
Ref. Matéria-prima Direta Quantidade Custo por item R$
100 Deck EUC 0,70000 1.050,00000 735,00000 
1400 Pino T32 32,00000 0,00600 0,19200 
1300 Cola 0,10000 6,25000 0,62500 
3100 Stain Jatoba 0,18000 6,90000 1,24200 
5000 Custo de Mão de obra (por 
hora)
 0,33333 16,66914 5,55632 
Total Matéria-prima (R$ por 
unidade) 742,61532 
Desperdício (R$ por unidade) 39,08502 
Total Matéria-prima e 
Desperdício (R$ por unidade) 781,70034 
Ref. Embalagens e Materiais Adicionais Quantidade Custo por item R$ 
2700 Etiqueta produto 1,00000 0,02000 0,02000 
2800 Etiqueta volume 0,25000 0,03000 0,00750 
2400 Fpp/para Amarração 1,74000 0,05000 0,08700 
Total de Embalagens e 
Materiais Adicionais (R$ por 
unidade)
 0,11450 
Custos Variáveis por 
Departamentos (Horas 
Disponíveis)
 R$/Hora R$ 
Custos Gerais Variáveis de 
Fábrica (por hora)
 11,30778 3,76922 
Custos Variáveis por 
Departamentos (Horas 
Disponíveis)
 3,76922 
Total Custo Direto (R$ por 
unidade) 785,58406 
Custos Fixos (por hora) 1,06150 0,35383 
Total Custo Geral (R$ por 
unidade) 785,93789 
134
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
Na parte superior da ficha encontra-se a descrição do produto que está na 
linha de produção, neste caso o D961-Deck p/ Jardim 100x50.
Existe uma coluna chamada referência (Ref.), contendo um código que é 
utilizado para facilitar a identificação da matéria-prima composta nesta linha de 
produçãoe servir de base para auxiliar no cálculo do seu custo de produção.
No exemplo da ficha de produção, a referência é o código 100, que é o 
Deck EUC, com consumo de 0,70 m3, no preço de R$ 1.050,00000 por m3. Isso 
perfaz um total de R$ 735,00000 de consumo de matéria-prima em Deck EUC.
Vejamos os cálculos para a apuração dos custos da matéria-prima:
● Ref. 100: 0,70000 x R$ 1.050,00000 = R$ 735,00000
● Ref. 1400: 32,00000 x R$ 0,00600 = R$ 0,19200
● Ref. 1300: 0,10000 x R$ 6,25000 = R$ 0,62500
● Ref. 3100: 0,18000 x R$ 6,90000 = R$ 1,24200
● Ref. 5000: 0,33333 x R$ 16,66914 = R$ 5,55632
● Total dos custos diretos = R$ 742,61532
● Desperdício: R$ 742,61532 / (1 – 0,05)
● Desperdício: R$ 742,61532 / 0,95 = R$ 781,70034
● Desperdício: R$ 781,70034 - R$ 742,61532 = R$ 39,08502
● Valor total da matéria-prima e desperdício = R$ 781,70034
Vejamos os cálculos para a apuração dos custos das embalagens e materiais 
adicionais:
● Ref. 2700: 1,00000 x R$ 0,02000 = R$ 0,02000
● Ref. 2800: 0,25000 x R$ 0,03000 = R$ 0,00750
● Ref. 2400: 1,74000 x R$ 0,05000 = R$ 0,08700
● Total das embalagens e materiais adicionais = R$ 0,11450
● Gastos gerais variáveis de fábrica: 0,33333 hora x R$ 11,30778 = R$ 3,76922
● Custos fixos de fábrica: 0,33333 hora x R$ 1,06150 = R$ 0,35383
O custo total de produção é:
● Total Matéria-Prima = R$ 742,61532
● Total Desperdício = R$ 39,08502
● Total Matéria-Prima e Desperdício = R$ 781,70034
● Total Embalagens e Mat. Adicionais = R$ 0,11450
● Total Custos Variáveis por Deptº. = R$ 3,76922 (R$ 11,30778 x 0,33333)
● Total Custos Fixos = R$ 0,35383 (R$ 1,06150 x 0,33333)
● Total Custo Geral = R$ 785,93789
Concluímos os cálculos dos custos de produção com base nos exemplos 
de produtos utilizados neste Caderno de Estudos.
TÓPICO 4 | APURAÇÃO DOS CUSTOS E FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
135
Outro fator importante para a determinação do sucesso do negócio é 
a formação do preço de venda, pois é com ele que a empresa determina a sua 
riqueza ou lucro.
IMPORTANT
E
Para fins de elaboração do orçamento da empresa, é importante conhecer os 
tipos de preço de venda aplicados no mercado com vistas a estabelecer a política de preço 
de venda dos produtos da empresa.
3 FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
A formação do preço de venda é uma etapa da comercialização do 
produto ou serviço muito importante, uma vez que o preço dos produtos é 
relevante nas decisões estratégicas da empresa, sendo necessário acompanhar 
o preço praticado no mercado. As decisões tomadas certamente trarão impacto 
nos resultados financeiros da empresa e, portanto, precisam ser consideradas na 
elaboração do orçamento.
Para determinar o preço dos produtos é fundamental analisar o público 
consumidor, a concorrência e estar sempre alerta para a necessidade de se adaptar 
às novas tendências de mercado, bem como as possíveis mudanças na política 
econômica e os custos com a mão de obra e a tecnologia utilizada, para que um 
determinado produto possa chegar ao consumidor. Outro fator importante é o 
conhecimento do tipo de mercado em que a empresa atua.
Somente com uma análise eficaz do mercado e dos custos dos produtos 
é que o gestor terá condições de definir estratégias de atuação no mercado, para 
então determinar o preço que será praticado. 
IMPORTANT
E
O custo de fabricação do produto desempenha um papel importante, porque a 
empresa não pode vender por um preço abaixo do custo, a não ser em alguma circunstância 
especial. E isto tem fundamental importância no processo orçamentário, pois impacta no 
planejamento dos resultados da empresa.
136
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
Os principais objetivos dos preços são:
- proporcionar a longo prazo o maior lucro possível;
- permitir a maximização lucrativa da participação de mercado;
- maximizar a capacidade produtiva;
- maximizar o capital empregado para perpetuar os negócios de modo 
autossustentável. 
Tanto empresas que têm por finalidade o lucro como as que não têm, de 
uma forma ou de outra determinam o preço de seus produtos ou serviços. Na 
verdade, conforme a atuação no mercado, os preços têm diferentes nomes, como 
tarifas, anuidades, mensalidades, aluguéis, entre outros.
Existem situações específicas que requerem maior atenção na determinação 
do preço, que são as seguintes:
a) Determinação do preço pela primeira vez, que acontece quando o produto é 
distribuído em uma nova região de vendas, quando entra regularmente em 
concorrências públicas para novos contratos de trabalho, ou quando a empresa 
desenvolve ou adquire um novo produto.
b) Possibilidade de uma alteração no preço por haver dúvida em relação à 
demanda e aos custos. 
c) Diante da possibilidade do preço aumentar por causa da inflação ou escassez. 
d) Quando a concorrência muda de preço, e a empresa precisa decidir 
estrategicamente se permanece com seu preço ou não e, se mudar, qual será o 
valor.
Um pressuposto básico na formação do preço do produto ou serviço é 
o suprimento da necessidade do cliente. É por esta necessidade suprida que o 
cliente estará disposto a pagar o preço estipulado ou não.
IMPORTANT
E
Podemos perceber, com o que vimos até agora, que não é a empresa quem 
estabelece o preço do produto ou serviço e sim o cliente. Existem mercados em condições 
de estrutura de consumo e preços que possuem determinada demanda por produtos, mas 
há outros mercados que não possuem essa estrutura. É com base nestes cenários que as 
empresas devem definir suas estratégias de preços.
TÓPICO 4 | APURAÇÃO DOS CUSTOS E FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
137
UNI
Mudanças nos gostos e preferências dos consumidores modificam a estrutura 
dos preços. Por este motivo há produtos que possuem margem de lucro bem mais elevada 
que outros em função da sua procura. É o mercado que define seu nível de consumo, 
exemplo disso são os consumos criados pelas tendências de moda. Em alguns casos, os 
gastos com matérias-primas são os mesmos que são utilizados em outro produto que não 
está na moda, mas o preço de venda final torna-se elevado por um alto índice de procura.
3.1 POLÍTICA DE PREÇOS
Com certeza, o preço é um fator de decisão de compra. Por isso, a empresa 
deve ter clareza em relação ao seu objetivo quando determina o preço de venda 
de um produto. 
Outros dois fatores devem ser considerados na formação do preço de 
venda, que são: acompanhar a concorrência ou diferenciar o produto para fugir 
de uma guerra de preços. 
É importante estabelecer uma política de preço que proporcione à empresa 
um retorno financeiro adequado, pois o mesmo deverá cobrir todos os custos e 
despesas da empresa.
3.1.1 Formação do preço de venda
O preço ideal de venda é aquele que cobre os custos do produto ou 
serviço e ainda proporciona o retorno desejado pela empresa. Em um mercado 
competitivo, os preços são formados pela lei da oferta e procura. Então, dado um 
determinado nível de preço no mercado para seu produto ou serviço, a empresa 
avalia se seu preço ideal de venda é compatível com aquele vigente no mercado.
É a partir do preço de venda que a empresa cobre seus custos e despesas 
e pode obter o lucro almejado, entre outras coisas, para reinvestimentos que 
tornem a empresa ainda mais competitiva e eficaz no alcance de seus objetivos. 
Atualmente, a formação dos preços tem sido um ponto cada vez mais 
importante dentro das organizações, pois os clientes estão mais exigentes quanto 
aos produtos ou serviços que desejam adquirir. Nesse sentido, é preciso oferecer 
produtos e/ou serviços de qualidade a um preço que os clientes estejam dispostos 
a pagar. 
Para redução desses custos exige-se um entrosamento estreito com os 
fornecedores e uma eliminação de gastos desnecessários.
138
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
Como os preços normalmentepartem dos consumidores, em vista das 
oportunidades de escolha que eles têm devido a uma razoável concorrência de 
mercado, as empresas não podem simplesmente montar seus preços com suas 
boas margens de lucro. 
Diante desses fatos, as empresas, para serem competitivas, precisam 
procurar reduzir seus custos de produção e aplicar ferramentas de controle 
constantemente para serem bem-sucedidas no alcance dos seus objetivos. 
A metodologia dominante de formação de preços consiste na aplicação 
de um percentual (mark-up) sobre o custo do produto ou serviço. O percentual de 
mark-up é geralmente aplicado sem um embasamento mais profundo. Pode ser 
o percentual usado pela empresa líder do setor de mercado ou aquele escolhido 
pelo administrador com base na tradição. 
O mark up ou taxa de marcação é um multiplicador aplicado sobre o custo 
de um bem ou serviço para a formação do preço de venda. Sua fórmula envolve 
impostos sobre venda, despesas financeiras, comissões sobre vendas, despesas 
administrativas, despesas de vendas, outras despesas e a margem de lucro 
desejada. É um índice muito utilizado para precificação, mas requer um bom 
conhecimento da estrutura operacional do empreendimento. 
Pode-se utilizar este índice de mark up para o conjunto dos produtos ou 
individualmente (para cada produto). Este último seria o mais correto, pois cada 
produto possui uma margem de lucro diferenciada devido à sua oferta e procura, 
o que acabaria acarretando em diversos índices multiplicadores diferentes, 
mesmo que os demais gastos sejam iguais. 
Pode-se utilizar a seguinte fórmula para o mark up:
Mark up = 100 / (100 - ( + ......% + ......%))
A representação destes símbolos (+ ......% + ......%) na fórmula significa que 
será composta pelo somatório de impostos sobre venda, despesas financeiras, 
comissões sobre as vendas, despesas administrativas, despesas de vendas, outras 
despesas e a margem de lucro desejada. Todos estes itens serão comparados ao 
faturamento e transformados em percentuais. Os componentes do mark up são 
determinados por relações percentuais médias sobre preços de vendas e, em 
seguida, aplicados sobre o custo dos produtos. 
Após o cálculo do preço de venda da mercadoria pela fórmula do mark 
up, o gestor poderá ter certeza de que dentro do preço de venda estarão incluídos 
todos os gastos de sua empresa e também a margem de lucro desejada. 
Vamos a um exemplo prático!
TÓPICO 4 | APURAÇÃO DOS CUSTOS E FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
139
Vejamos o cálculo do mark up de um conjunto de produtos representados 
pelo faturamento total da Empresa Beta Ltda.: 
Faturamento médio mensal R$ 200.000,00 
Despesas fixas médias mensais R$ 30.000,00 = 15% 
Custo unitário produto sem ICMS R$ 50,00 
ICMS 17,00 % 
Simples nacional 5,00 % 
Comissão 8,00 % 
Propaganda 3,00 % 
Despesas com frete 2,00 % 
Perdas estimadas 1,00 % 
Financeiras 4,00 % 
Margem desejada 10,00 % 
Para encontrar o percentual de 15% referente às despesas fixas médias mensais, 
divide-se 30.000,00 pelo faturamento médio mensal de 200.000,00.
ATENCAO
Cálculo do mark up 
Mark up: 100 / (100 - (17 + 5 + 8 + 3 + 2 + 1 + 4 + 10 + 15 )) 
Mark up: 100 / (100 - 65) = 100 / 35 = 2,8571 
Preço de venda = R$ 50,00 X 2,8571 = R$ 142,8550
Prova real:
Preço de Venda R$ 142,86 
Custo Unitário Produto sem ICMS -R$ 50,00 
ICMS -R$ 24,29 
Simples Nacional -R$ 7,14 
Comissão -R$ 11,43 
Propaganda -R$ 4,29 
Despesas com Frete -R$ 2,86 
Perdas Estimadas -R$ 1,43 
Despesas Financeiras -R$ 5,71 
Despesas Fixas Médias Mensais -R$ 21,43 
Margem de Lucro Desejada R$ 14,28 
140
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
Pode-se verificar a margem de lucro desejada de 10% dividindo-se o 
resultado final de R$ 14,28 por R$ 142,8550 (preço de venda).
Além de incluir os custos de aquisição ou produção na formação do preço, 
a empresa deve inserir os gastos com os tributos sobre o faturamento e o lucro 
da empresa. Os principais impostos são: imposto de renda das pessoas jurídicas 
(IRPJ), contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), as contribuições ao PIS e 
à COFINS, o ICMS e o IPI.
Vejamos um caso prático de como ficaria o preço de venda de um 
determinado produto com e sem a inclusão dos gastos com impostos. 
Suponhamos que em uma determinada empresa o produto tenha: 
a) o custo unitário total = R$ 137,50; 
b) a margem de lucro a ser aplicada sobre o preço de custo = 100%; 
c) a alíquota do ICMS fixada = 18%; 
d) a alíquota do IPI = 20%; 
e) as alíquotas não cumulativas do PIS e da COFINS = 1,65% e 7,6%, 
respectivamente;
f) o percentual do IRPJ e da CSLL em relação ao valor da receita bruta 
operacional do ano anterior = 2,5% e 1,5%, respectivamente. 
O Preço de Venda do Produto (PVP) sem o valor dos tributos seria: 
PVP = R$ 137,50 + 100%
PVP = R$ 275,00
Contudo, se a empresa fixar o preço de venda (PV) deste produto incluindo 
todos os tributos de forma a repassar os gastos para o consumidor, a fórmula será: 
PV = PVP + ICMS + PIS + COFINS + IPI + CSLL + IRPJ 
a) Cálculo dos tributos IRPJ, CSLL, ICMS, PIS e COFINS 
Percentual total de 31,25% = (4% + 27,25%). 
O percentual de 27,25% é composto pela alíquota do ICMS (18%) e pelas 
alíquotas não cumulativas do PIS (1,65%) e COFINS (7,6%).
E o percentual de 4% é composto pelo percentual do IRPJ (2,5%) e da 
CSLL (1,5%) em relação ao valor da receita bruta operacional do ano anterior. 
TÓPICO 4 | APURAÇÃO DOS CUSTOS E FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
141
Pode-se utilizar o mark up divisor para calcular o preço de venda sem o 
IPI, da seguinte forma:
100% - 31,25% = 68,75%
Vamos utilizar o PVP de R$ 275,00, conforme dados anteriores. 
Logo:
PVP =275,00 / 68,75% = 400,00
b) Preço de venda após o cálculo do IPI 
R$ 400,00 + 20% = R$ 480,00
Para uma melhor compreensão, vamos decompor o preço de venda de 
R$ 480,00. 
● Custo unitário total ..................................................................R$ 137,50 
● Margem de lucro da empresa 100% ......................................R$ 137,50 
● Tributos constantes no preço de venda: 
− ICMS (18% x R$ 400,00) .......... R$ 72,00 
− PIS (1,65% x R$ 400,00) .......... R$ 6,60 
− COFINS (7,6% x R$ 400,00) .... R$ 30,40 
− IRPJ e CSLL (4% x R$ 400,00). R$ 16,00 
− IPI (20% x R$ 400,00) .............. R$ 80,00 .............................. R$ 205,00 
● Valor total da venda (incluindo o IPI) ................................ R$ 480,00 
Dessa forma, o valor total da venda fica assim distribuído: 
DISTRIBUIÇÃO DO VALOR TOTAL DA VENDA 
Elementos Valores R$ % 
Valor do Custo 137,50 28,6 
Margem de Lucro Bruto (empresa) 137,50 28,6 
Tributos (Governo Federal) 205,00 42,8 
Valor total da Nota Fiscal 480,00 100 
Visualizando a distribuição do valor total da venda, percebe-se o quanto se 
tem de gasto com o custo, os tributos e quanto a empresa espera de lucro com a venda 
do produto. Mas deve-se atentar para o fato de que, como já vimos anteriormente, 
não bastam estas informações, é preciso avaliar o mercado, a concorrência e outros 
fatores. Dependendo desta avaliação, pode-se, quando necessário, por uma questão 
de estratégia de venda, diminuir o preço, e, por conseguinte, diminuir a margem de 
lucro para tornar o produto mais competitivo no mercado. 
142
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
3.1.2 Erros na formação do preço de venda
A formação de preços pode ser definida como o processo de apuração do 
custo econômico da indústria. 
Define-se custo econômico como sendo a soma de todos os materiais 
envolvidos no processo de produção de bens e serviços, incluindo o custo 
oportunidade do capital investido (os ganhos almejados pelos sócios).
O método de formação de preço com base no mark up sobre o custodifere daquele baseado no conceito de custo econômico. O primeiro consiste na 
apuração do custo de produção ou operação sobre o qual é aplicado o percentual 
de mark up desejado.
No cálculo do custo de produção ou operação há uma distorção causada 
pelo uso da depreciação linear, que é praticamente um procedimento de uso 
bastante generalizado. Embora existam outras distorções importantes, como é o 
caso do tratamento dispensado aos custos indiretos.
A depreciação linear considera que recursos financeiros a ela 
correspondentes ficam no caixa da empresa com remuneração zero. Uma vez que 
esses recursos são continuamente utilizados pela empresa, implicitamente estão 
sendo remunerados. 
Por esse método, a depreciação corresponde ao valor de uma anuidade 
para gerar um valor futuro, considerando a vida útil do bem utilizado e a taxa 
de juros que é representada pelo custo-oportunidade de capital da empresa. Este 
valor futuro é o valor de reposição do bem.
3.1.3 A equação do preço de venda
Formar o preço de venda é uma tarefa simples, porém exige conhecimento 
técnico. Praticar preços de forma aleatória é um risco, pois o concorrente pode 
estabelecer estratégia de preço competitivo e, em médio prazo, aplicando margem 
de lucro menor, obter melhores resultados. 
TÓPICO 4 | APURAÇÃO DOS CUSTOS E FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
143
IMPORTANT
E
O preço de venda de uma mercadoria pode ser definido com base em três 
procedimentos:
Baseado na concorrência, quando se busca conhecer o valor praticado por outras 
empresas e aplica-se um diferencial para mais ou para menos.
Baseado em dados técnicos, opção em que a empresa levanta informações sobre o custo 
de aquisição da mercadoria, os impostos incidentes sobre o preço de venda, as despesas 
comerciais, as despesas financeiras etc., e define o lucro que deseja obter.
Aleatório, quando a empresa define seu preço com base em estimativas de lucros, sempre 
considerando a melhor rentabilidade possível.
Destas três opções, é recomendada a definição do preço de venda com base 
em dados técnicos, porque é a maneira mais segura e correta. As demais alternativas 
podem causar complicações, pois dependem do contexto mercadológico de cada 
empresa.
Para muitos empresários, calcular o preço de venda de uma mercadoria é 
um desafio constante, por envolver fatores complexos, como a concorrência, por 
exemplo. A ausência de critério técnico é a pior maneira de se definir preço. 
3.2 TIPOS DE PREÇOS
3.2.1 Estratégias de preços distintos
Vamos buscar em Crepaldi (1998) e Cogan (2002) as definições para 
estratégias de preços distintos.
A estratégia de preços distintos ou variáveis é aquela em que diferentes 
preços são aplicados a diferentes compradores para o mesmo produto. Vejamos 
quais são os tipos de preços nestas condições:
a) Desconto em um segundo mercado: este desconto consiste na venda de um 
produto a um preço em um mercado principal, com preço reduzido em um 
segmento secundário de mercado (usualmente através de descontos). Isso 
frequentemente envolve excesso de inventário ou de capacidade de produção.
b) Desnatação: a desnatação envolve a fixação de um preço relativamente alto, 
muitas vezes, no início de vida do produto. O preço é então sistematicamente 
reduzido à medida que o tempo passa. Produtos tecnológicos são, muitas vezes, 
precipitados desta forma. Essa estratégia se aplica principalmente quando o 
produto é inovador e os consumidores estão em dúvida quanto ao seu real valor.
144
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
c) Desconto periódico ou randômico: é a estratégia de preços onde os descontos 
são oferecidos ocasionalmente e de forma não previsível.
3.2.2 Estratégias de preços competitivos
Vamos buscar em Crepaldi (1998) e Cogan (2002) as definições para 
estratégias de preços competitivos.
a) Igualando a estratégia de competição: é definido como estratégia em que uma 
organização estabelece preços iguais aos de seus competidores. Muitas empresas 
escolhem essa estratégia para evitar a competição de redução de preços.
b) Cotar por baixo do preço da competição: é a estratégia em que a organização 
estabelece preços em níveis inferiores aos dos competidores. Enfatiza o 
oferecimento do menor preço entre as alternativas disponíveis (por exemplo, 
a maioria das lojas de desconto focaliza o corte para baixo nos preços das lojas 
tradicionais de varejo). A esperança é de que volumes elevados com baixas 
margens se mostrarão mais rentáveis.
c) Líderes de preços e seguidores: é a estratégia em que organizações com grandes 
fatias de mercado e de capacidade de produção (líderes) determinam o nível 
de preço. Outras organizações mais fracas no mesmo ramo de atuação irão 
segui-las (seguidores).
d) Preço de penetração: isso é feito disponibilizando um preço baixo introdutório 
com a intenção de estabelecer o produto rapidamente no mercado. A lógica 
envolvida é a de que com o baixo preço rapidamente se conseguirá grande 
participação no mercado e seus compradores permanecerão leais ao seu 
produto, quando mais tarde o preço será aumentado.
e) Preço predatório: certos preços são estabelecidos por tradições. Esses preços 
costumeiros tendem a permanecer imutáveis por um longo período de tempo 
(preço do cafezinho, preço do jornal). Neste caso a demanda é elástica acima 
do preço tradicional e inelástica abaixo dele. Um aumento de preço acima do 
preço de percepção tradicional conduz a uma grande redução nas vendas. 
f) Estratégias de precificação por linhas de produtos: objetiva maximizar os 
lucros para o total dos produtos da linha, e não, propriamente, obter o maior 
lucro possível para um determinado item de uma linha de produtos.
g) Preço cativo: essa é a estratégia onde um produto básico, tal como aparelho 
de barbear, é precificado por baixo, mas os lucros dos produtos associados 
necessários para o funcionamento do produto básico (lâminas de barbear) 
compensam a falta de lucro no produto básico.
TÓPICO 4 | APURAÇÃO DOS CUSTOS E FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
145
h) Preço isca e preço líder: preço isca é o método de atração de clientes pelo 
oferecimento para vendas de itens de baixo preço com a intenção de vender 
os produtos mais caros. Disponibilizam-se os produtos mais baratos, mas 
utilizam-se métodos de vendas para transferir os clientes para os produtos 
mais caros.
3.3 ANÁLISE DO COMPOSTO COMPETITIVO
Nesta análise do composto competitivo, estudaremos a estrutura de 
custos e a estratégia e política de mercado.
3.3.1 Estrutura de custos
Para fabricar um produto, as empresas incorrem em uma série de gastos. 
O empresário espera recuperar todos os gastos que efetuou, e ainda obter algum 
lucro. A estrutura de custos existente constitui um fator decisivo na formação do 
preço de venda de um produto, mercadoria ou serviço.
Normalmente, o custo tende a funcionar como o parâmetro que estabelece 
o limite inferior do preço de venda.
O cálculo está fundamentado tradicionalmente em dois sistemas de 
custeio: o custeio por absorção e o custeio direto. Cada sistema apresenta estruturas 
específicas de apuração dos custos, com características próprias, conduzindo, em 
consequência, a valores diferentes. Independente, porém, do sistema utilizado, 
cabe enfatizar que ele constitui não o único, mas um dos componentes essenciais 
da gestão dos preços.
O conhecimento da estrutura de custos do concorrente é fundamental 
para o estabelecimento do preço do produto, na medida em que o piso de 
preços do mercado é dado pela estrutura de custos dos concorrentes. Se existe 
um concorrente cuja estrutura de custos é sensivelmente menor do que a dos 
outros participantes do mercado, sabe-se que ele constitui uma ameaça à posição 
competitiva dos demais. As grandes redes de supermercados, devido ao seu alto 
poder de barganha com os fornecedores,são uma ameaça de preços aos pequenos 
varejos de autosserviço, que possuem maiores estruturas de custos relativos.
3.3.2 Estratégia e política de mercado
Outro fator a ser considerado na análise da concorrência é a sua estratégia e 
política de mercado. A estratégia de preços refere-se à maneira como o concorrente 
determina os seus preços, enquanto a política se relaciona com a maneira como 
ele os gere no mercado. 
146
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
O concorrente pode, por exemplo, estabelecer preços-prêmio, que criem 
e sustentem a imagem de qualidade do produto, enquanto os administra de 
maneira agressiva nos canais de distribuição.
O preço determinado pelo fabricante influencia o volume de entrada de 
novos concorrentes e as políticas de preços existentes.
3.3.2.1 Produtos
A análise das linhas de produtos do concorrente também é um fator 
relevante, pois pode oferecer produtos complementares que provocam uma 
percepção de valor agregado maior, estimulando a intenção de compra do 
consumidor.
3.3.2.2 Fatores ambientais
Fatores macroambientais afetam consideravelmente a percepção de 
preços e não costumam estar sob controle gerencial de nenhuma empresa em 
particular, o que significa que atinge a todas. Talvez algumas sejam mais afetadas 
que outras, contudo, todas são afetadas.
O governo exerce forte pressão sobre a estrutura de preços da indústria 
e das firmas, individualmente. São exemplos de ações do governo que exercem 
impacto sobre a empresa: criação, supressão ou majoração de alíquotas de 
impostos; legislação ambiental ou sanitária, subsídios, incentivos fiscais à 
produção, à exportação, entre outros.
Novas tecnologias de produção, gestão ou comercialização afetam a 
estrutura de custos da empresa e/ou a sua capacidade de gerar diferenciais, o que 
representa uma ameaça aos demais concorrentes. 
LEITURA COMPLEMENTAR
A PROVA DE EIKE
O início da produção de petróleo pela OGX marca uma nova fase nos 
negócios do arrojado bilionário brasileiro 
Na vida do empresário Eike Batista tudo foi sempre superlativo. A 
começar pelo número de irmãos: seis. Sua trajetória empresarial deslanchou em 
meados da década de 1980, quando se lançou em múltiplos negócios na área de 
mineração no Brasil e no exterior. Em 2005, Batista vislumbrou a oportunidade de 
TÓPICO 4 | APURAÇÃO DOS CUSTOS E FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
147
conseguir recursos para colocar de pé projetos considerados polêmicos e orçados 
em muitos bilhões de dólares, se aproveitando da efervescência da bolsa de 
valores. Foi nessa época que começou a se consolidar o chamado “Mundo X”, por 
causa do hábito do empresário de usar essa letra no nome de batismo de todas as 
suas companhias. 
Eike Batista, na sede do grupo, no Rio de Janeiro: "O ano de 2012 será 
extraordinário para o grupo EBX"
Como boa parte delas só existia no papel, com exceção da usina Termoceará 
e das minas que deram origem à MMX, muitos o acusaram de “vender vento”. 
Essas tacadas, porém, foram suficientes para alçá-lo ao posto de o oitavo homem 
mais rico do planeta, com um patrimônio de US$ 30 bilhões. Agora, Batista começa 
a mostrar aos seus sócios e ao mercado que seus planos sedutores também têm 
condições de se tornar negócios viáveis. A colheita se inicia pelo setor de petróleo 
e gás. No sábado 28, se tudo ocorreu como o previsto, a OGX começou a produzir 
óleo comercialmente no campo de Waimea, na Bacia de Campos, no litoral do Rio 
de Janeiro. Como no nascimento de um bebê, Batista mandou anotar a hora, os 
minutos e os segundos em que o ouro negro começar oficialmente a jorrar. 
“O ano de 2012 será extraordinário para o grupo EBX”, disse Batista, em 
entrevista exclusiva à DINHEIRO (leia mais ao final da reportagem). “Depois das 
críticas espero que, agora, venham os parabéns por estarmos entregando o que 
foi prometido.” Apesar do tom conciliador, o empresário usou as redes sociais 
para dar uma cutucada em quem colocava em dúvida a capacidade da OGX, cujo 
cronograma previa que a exploração teria início em outubro de 2011. “Vão todos 
beber petróleo quente”, escreveu no Twitter, na segunda-feira 23, referindo-se aos 
críticos, respondendo à pergunta de um seguidor. O volume inicial de produção 
será expressivo. De imediato vão jorrar entre 15 mil e 20 mil barris diários de óleo. 
 
Até o final do ano, quando os três poços estiverem em atuação, serão cerca 
de 50 mil barris por dia, suficientes para situar a empresa como a quinta maior 
força do setor no Brasil, atrás de Petrobras, Chevron, Shell e Statoil. “Ao final de 
2015 seremos a maior produtora privada do país, com 730 mil barris por dia”, 
afirma Paulo Mendonça, diretor-geral da OGX. A primeira fornada será entregue 
à anglo-holandesa Shell, que já comprou 1,2 milhão de barris. A extração de 
petróleo é apenas uma pequena parte do que vai acontecer em seu conglomerado 
148
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
empresarial ao longo de 2012 e 2013, de acordo com Batista. Outras empresas pré-
operacionais do grupo EBX também deverão seguir a trilha da OGX e começar a 
gerar caixa nos próximos meses. 
 
A LLX, da área de logística e responsável pela construção do Superporto 
de Açu, prevê embolsar R$ 80 milhões em 2012, com o aluguel de áreas para as 
indústrias que vão se instalar no local. O porto começa a operar somente em 2013. 
A OSX, fabricante de equipamentos navais, receberá pelo arrendamento do navio 
para produção e armazenamento de petróleo, usado no campo de Waimea. O 
primeiro a ser construído no Brasil em seu estaleiro, no entanto, sairá ao mar apenas 
em 2014. No setor de energia, liderado pela MPX, a receita deve subir dos atuais R$ 
260 milhões, no acumulado de janeiro-setembro de 2011, para R$ 551 milhões, com 
a entrada em operação das térmicas de Pecém I e II (CE) e Itaqui (MA). 
Em ação: o navio OSX-1 é a base do Grupo EBX para exploração e 
armazenamento de óleo no campo Waimea, na Bacia de Campos.
 
No total, o Grupo EBX, que reúne 13 empresas com tentáculos espalhados 
pelos setores imobiliário, de entretenimento e de infraestrutura, deve gerar R$ 
1 bilhão de Ebitda, que é o lucro desconsiderando os efeitos do pagamento de 
juros, impostos, dívidas e amortizações em 2012. “Vamos fechar a década com 
uma geração de caixa de R$ 30 bilhões”, afirma Batista. Para atingir esse patamar, 
Batista terá de manter o ritmo frenético exibido até aqui. Os investimentos 
previstos até o fim de 2020 são estimados na superlativa cifra de R$ 50 bilhões. 
O montante será empregado tanto em setores tradicionais, como o de mineração, 
em que atua por meio da AUX, quanto em novas áreas, como a produção de 
componentes eletrônicos. A prospecção de ouro, aliás, é uma espécie de menina 
dos olhos do empresário. 
 
Foi com essa atividade que teve início sua trajetória, em 1980, e lhe rendeu o 
apelido de Indiana Jones. Por conta disso, Batista pretende transformar a AUX em 
uma nova vedete de seu império. Em menos de dois anos, o valor de seus ativos 
cresceu 300%, para US$ 6 bilhões, graças a descobertas que totalizam oito milhões de 
onças troy de ouro. Cada unidade equivale a 31,1 gramas. “A AUX já estará madura 
TÓPICO 4 | APURAÇÃO DOS CUSTOS E FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
149
para o IPO em setembro”, afirma. Na lista de novos negócios, alguns já estão 
definidos. Um deles é a fábrica de semicondutores para atender os fabricantes 
de eletrodomésticos e de automóveis. A unidade será instalada na Grande Belo 
Horizonte ao custo de US$ 500 milhões. Como é de praxe, o empresário contará 
com um sócio estratégico cujo nome será anunciado no fim de março. 
 
As apostas recaem sobre companhias taiwanesas. Seu relacionamento 
com empresários da ilha ganhou corpo depois que ele passou a ter um contato 
mais próximo com Terry Gou, o dono da Foxconn.A habilidade para se aliar 
a empreendedores de destaque global e conglomerados líderes em seu ramo 
de atuação é vista como um dos principais ingredientes da receita de sucesso 
montada pelo bilionário brasileiro. “As parcerias com grupos importantes ajudam 
a atestar a viabilidade dos negócios da EBX”, diz o analista Rafael Andreata, 
especialista em energia e petróleo da Planner Corretora. Com uma carteira de 
projetos considerada robusta, Batista se capacitou para ser uma espécie de sócio 
preferencial de quem pretende pegar carona no sucesso da economia brasileira. 
 
A recessão nos EUA e na Europa só fez aumentar seu cacife. “Não admito 
ter menos de 70% do controle”, afirma. “Busco sócios com conhecimento técnico 
e capital para investir.” Um caso emblemático foi a associação com a alemã E.ON, 
maior empresa de energia da Europa, que garantiu uma injeção de R$ 850 milhões 
no caixa de sua empresa de energia. “A MPX tem uma posição privilegiada, pois 
é a única companhia privada brasileira que possui reservas de gás”, diz Ricardo 
Correa, analista da Ativa Corretora. Dentro do que Batista convencionou chamar 
de “Visão 360 Graus”, seu mantra empresarial, a função dos parceiros também é 
absorver produtos ou serviços gerados internamente. 
A MMX é uma das que souberam usar esse expediente com maestria. Para 
elevar a produção das atuais sete milhões de toneladas de minério de ferro para 24 
milhões, em 2014, ela se aliou à siderúrgica chinesa Wuhan Steel e à sul-coreana 
SK Networks, que juntas detêm 30% da MMX. O aporte de recursos feito por elas 
está sendo usado na construção do Superporto do Sudeste, em Itaguaí (RJ), na 
instalação de uma usina de beneficiamento de minério e no aumento da produção 
das minas de Serra Azul, em Minas Gerais. No total, eles vão consumir R$ 6,4 
150
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
bilhões até 2014. “Nossos sócios vão absorver metade da produção, pagando o 
valor de mercado”, afirma Guilherme Escalhão, CEO da MMX. O ponto fora da 
curva no “Mundo X” é a OSX. 
Apesar de contar com um parceiro tecnológico, a poderosa Hyundai 
Heavy Industries, da Coreia do Sul, dona de 10% de suas ações, a companhia 
possui uma dependência umbilical da OGX. Partiram dela as únicas 
encomendas recebidas até agora pelo estaleiro, no valor de US$ 4,8 bilhões e 
com opção de chegar até US$ 30 bilhões. Para ampliar sua musculatura, a OSX 
aposta no aquecimento do setor por conta dos investimentos ligados ao pré-sal. 
“Quem contrata fornecedor local leva vantagem nos leilões de exploração, feitos 
pela Agência Nacional do Petróleo”, diz Luiz Eduardo Carneiro, CEO da OSX. 
O mercado ainda tem dúvidas: “O risco é a OSX não conseguir diversificar a 
carteira de clientes”, afirma Andreata, da Planner Corretora. As cartas estão na 
mesa e Batista já mostrou ser bom de jogo.
TÓPICO 4 | APURAÇÃO DOS CUSTOS E FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA
151
“Vou abrir um champanhe para comemorar”
 
Dois dias antes de a OGX iniciar a exploração de petróleo na Bacia de Campos, 
prevista para o sábado 28, o empresário Eike Batista estava eufórico. “É um marco 
histórico não só para o grupo, mas também para o país”, disse à DINHEIRO. 
Qual o significado do início da exploração de óleo pela OGX?
É um marco histórico não só para o grupo, mas também para o país. 
Pela primeira vez, uma empresa privada brasileira coloca uma unidade dessas 
em operação, na qual gastei US$ 4 bilhões na campanha de exploração. Vamos 
começar a tirar o óleo pouco mais de dois anos após fazer a descoberta do poço. 
Um recorde mundial. 
 
Como o sr. vai comemorar a exploração do primeiro óleo?
Tenho uma adega com garrafas de champanhe Magnum (de 1,5 litro) de 
safras que vão de 1956 até 1980. Vamos abrir uma dessas garrafas. 
Há planos de abrir capital de outras empresas do grupo?
A CCX, que é uma joint venture com os alemães da E.ON para exploração 
de carvão, já nasce “ipionizada” (risos). Está também nos nossos planos abrir o 
capital da AUX, nossa mina de ouro. Creio que vamos estar prontos para fazer o 
IPO em setembro ou outubro deste ano. É uma operação que pode render entre 
US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões. Não descarto abrir o capital da REX, que é nosso 
braço de negócios imobiliários. 
 
O sr. está em busca de novos sócios para os seus negócios?
Gostaria de lembrar que não sou vendedor de ativos. Eu não abro mão 
do controle de minhas operações. Os alemães (da E.ON, que ficaram sócios de 
Eike Batista na MPX) compraram uma parte minoritária. Em todos os negócios, 
sempre mantive uma fatia de 70%. Só vendo participações minoritárias para 
quem agregue tecnologia e capital. 
152
UNIDADE 2 | CUSTOS INDUSTRIAIS NA UTILIZAÇÃO DO ORÇAMENTO
 Qual a próxima tacada do sr.?
Estou fazendo uma parceria para atuar na produção de semicondutores 
em Minas Gerais. Hoje, qualquer eletrodoméstico ou automóvel tem um chip 
embutido. O plano é investir US$ 500 milhões. Haverá um parceiro, mas isso só 
será divulgado entre março e abril.
 
Ao longo dos últimos dois anos, a maioria das ações das empresas do 
grupo EBX, cotadas em bolsa, desvalorizou-se bastante. A que o sr. atribui essa 
queda?
Isso se deve um pouco à falta de experiência do mercado brasileiro em investir 
em empresas pré-operacionais, que precisam de três a cinco anos para maturar. Isso 
é fruto da cultura. Na verdade, as ações caíram muito por falta de entendimento de 
que as coisas demoram mesmo. Como são projetos que têm de 70% a 80% de margem 
Ebitda (lucro operacional), eles são muitos sadios. Não vejo nada de anormal. É assim 
mesmo. Quem investe em bolsa quer ver o retorno todo dia.
 
FONTE: MANZONI JR. Ralphe; FERREIRA, Rosenildo Gomes. A prova de Eike: o início da produ-
ção de petróleo pela OGX marca uma nova fase nos negócios do arrojado bilionário brasileiro. 
Isto é Dinheiro, São Paulo, n. 747, Negócios, jan. 2012. Disponível em: <http://www.istoedinhei-
ro.com.br/noticias/77331_A+PROVA+DE+EIKE>. Acesso em: 30 jan. 2012. 
153
RESUMO DO TÓPICO 4
Chegamos ao final do Tópico 4. Vamos fazer uma revisão do que 
estudamos até agora?
● Neste tópico conhecemos a ficha técnica ou de produção. Nesta ficha 
identificamos quais os tipos de produtos utilizados na linha de produção. 
● Outro fator importante para a determinação do sucesso do negócio é a formação 
do preço de venda, pois é com o preço de venda que a empresa gera a sua 
riqueza, ou lucro.
● O preço está associado ao processo de tomada de decisões estratégicas da 
empresa, porque seus resultados financeiros são parcialmente dependentes do 
preço praticado no mercado.
● Clientes: ao estabelecer ou alterar preços, as empresas se preocupam com 
as reações dos seus clientes. Os clientes podem diminuir o consumo ou, até 
mesmo, deixar de consumir o produto. Podem passar a fabricar o produto ou 
adquirir um produto substituto.
● Custos: para produzir um produto, as empresas incorrem em uma série de 
gastos. O que o empresário espera é recuperar todos os gastos que efetuou, e 
ainda obter algum lucro.
● Muitas empresas costumam confundir na prática o mark up com o lucro sobre 
a venda. O mark up é um índice que é adicionado aos custos e despesas de uma 
organização, formando o preço de venda. 
154
1 Qual é a necessidade de conhecer e elaborar a ficha técnica ou de produção?
2 Apure o custo de produção da seguinte ficha técnica. Utilize como parâmetro 
de cálculos o que foi estudado neste tópico:
AUTOATIVIDADE
Ficha Técnica e Aplicação dos Custos
DAC622 - Deck Autoclavado 100 x 50
Deck p/ Jardim Autoclavado
Pinus - Autoclavado
Ref. Matéria-prima Direta Quantidade Custo por item R$
300 Deck Autoclavado 0,200000 R$ 1.200,00000 
1400 Pino T32 32,000000 R$ 0,06000 
1300 Cola 0,200000 R$ 6,00000 
5000
Custo de Mão de obra (por 
hora)1,500000 R$ 15,00000 
Total Matéria-prima (R$ por 
unidade)
Desperdício (R$ por unidade) 
- 5% 
Total Matéria-prima e 
Desperdício (R$ por unidade)
Ref. Embalagens e Materiais Adicionais Quantidade Custo por item R$ 
2700 Etiqueta produto 2,000000 R$ 0,02000 
2800 Etiqueta volume 1,000000 R$ 0,03000 
2400 Fpp/para Amarração 1,200000 R$ 0,04000 
Total de Embalagens e Materiais Adicionais (R$ por unidade)
 
Custos Variáveis por 
Departamentos (Horas 
Disponíveis)
R$/Hora R$
Custos Gerais Variáveis de 
Fábrica (por hora)
 R$ 10,00000 
Custos Variáveis por Departamentos (Horas Disponíveis)
 
Total Custo Direto (R$ por unidade)
 
Custos Fixos (por hora) R$ 1,20000 
Total Custo Geral (R$ por unidade)
 
155
3 Ao que está associado o preço de venda?
4 Em quais situações se faz necessário conhecer a importância da política de 
preços?
5 Qual é o preço ideal de vendas?
6 Como se define o custo econômico?
7 O preço de venda de uma mercadoria pode ser definido com base em três 
procedimentos. Quais são?
8 Segundo Padoveze, qual é o conceito de mark up?
9 De acordo com suas palavras, explique o que é preço desnatação. 
10 De acordo com suas palavras, explique o que é preço cativo.

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