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PUR urbanismo no Brasil

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PUR I – PLANEJAMENTO URBANO e REGIONAL I
URBANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO URBANO NO BRASIL
Breve panorama histórico
URBANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO URBANO NO BRASIL
Breve panorama histórico
• PERÍODO COLONIAL: URBANISMO DAS CARTAS RÉGIAS;
• OS PLANOS DE EMBELEZAMENTO E MELHORAMENTOS URBANOS;
• PERIODO MILITAR
• CIDADES CAPITAIS PLANEJADAS NO BRASIL
• PERÍODO DE TRANSIÇÃO (DÉCADA DE 1980- 2000): EXPERIÊNCIAS 
LOCAIS.
• PERÍODO 1988 – ATÉ OS DIAS DE HOJE.
• DESAFIOS DO PLANEJAMENTO URBANO
Brasil colonial: até meados do 2. Império;
controle e legislação para as cidades litorâneas
administrativos(centros 
comerciais) impostos pela
e entrepostos 
coroa portuguesa
segundo critérios da urbanização ibérica;
LEI DE TERRAS – 1850
legislação para a questão fundiária; estabelece a 
COMPRA como única forma de acesso à terra, 
abolindo o regime de Sesmarias.
As terras ainda não ocupadas passavam a ser 
propriedade do Estado e só podiam ser 
adquiridas mediante compra nos leilões, e não 
mais através de posse; quanto às terras já 
ocupadas podiam ser regularizadas como 
propriedade privada.
PERÍODO COLONIAL: URBANISMO DAS CARTAS RÉGIAS
produção agrícola: café (São
Santos, Rio), açúcar
(Salvador), pecuária
(Recife), 
(Porto
Paulo, 
cacau 
Alegre),
borracha (Belém, Manaus).
Êxodo rural, imigração: concentração de pessoas e de atividades nas principais 
cidades;
Crescimento desordenado e acelerado: os centros não correspondiam às
necessidades modernas de administração, produção, comércio e circulação.
Cenário urbano do Brasil na virada do sec XIX – XX
Brasil, 1900: 17 milhões de hab. 35%
urbana. População em crescimento
geométrico: São Paulo: 31 mil hab em
1872, 240 mil em 1900;
Centros urbanos dispersos, em função da
Desejo de
progressista,
oposta à
mudança: 
positivista, 
sociedade
elite urbana 
cosmopolita, 
tradicional,
conservadora e agrária
Planejamento urbano no Brasil: cronologia e etapas
I.- de 1895 a 1930: (República Velha) Planos de embelezamento e
melhoramentos das áreas centrais, início do processo de periferização e
valorização imobiliária; destruição de áreas de cortiços, centros históricos e
construção de grandes prédios públicos e comerciais. Obras de saneamento e
expansão urbana.
Implantação de novos ramais ferroviários. 
Destaques: Saturnino de Brito, Pereira Passos.
II.- de 1930 a 1950: (Estado Novo) Planos de conjunto para as grandes
cidades. Zoneamento. Órgãos de planejamento municipais. Ideologia do
Planejamento enquanto técnica de base científica. Destaques: planos para São
Paulo (Prestes Maia) e Rio (Agache); Infraestrutura de saneamento e
transportes; Remodelação urbana a favor do interesse imobiliário.
III.- A partir de 1964 (período militar): planos regionais de desenvolvimento 
integrado. Emergência de novos temas e participação multidisciplinar 
(economia, geografia, sociologia). Planejamento integrado: Planos Diretores: 
política e discurso; planos sem mapas. BNH e SERFHAU.
IV - Constituição de 1988 até o presente: Experiências locais; Movimento 
pela Reforma Urbana. Institucionalização da política urbana; novos paradigmas 
e participação social. Estatuto da Cidade. Autonomia dos municípios.
Influência do urbanismo monumental e embelezador europeu (Paris de 
Haussman) e norte-americano (City Beautiful: Chicago, Washington).
Conteúdo ideológico dos planos: não eram elaborados para resolver os
problemas das massas populares urbanas, mas para atender aos
interesses dominantes urbanos.
“mas será obra social atender-se aos 
habitantes das favelas do DF que não são 
a rigor, operários? todos os indivíduos que 
ocupam essas casas de cachorro não são 
trabalhadores que vivem de um trabalho 
honesto... será obra social fazer-se uma 
edificação para esses vadios?
Salgado Filho, Min. do Trabalho, 1937
“a favela também é uma 
espécie de cidade satélite de 
formação espontânea, no 
alto dos morros, composta 
porém de uma população 
meio nômada, avessa a toda 
e qualquer regra de hygiene”
Agache, 1930
Os planos de embelezamento e melhoramentos urbanos
A reorganização da cidade se justifica:
Salubridade, embelezamento, funcionalidade, compatibilização com as 
novas atividades; preparação do espaço para a nova ordem social;
“Foi sob a égide dos planos de embelezamento que surgiu o planejamento
urbano brasileiro”.
VILLAÇA, 1999, p. 193.
Eram planos que provinham da tradição européia, e consistiam
basicamente no alargamento de vias, erradicação de ocupações de baixa
renda nas áreas mais centrais, implementação de infra-estrutura,
especialmente de saneamento, e ajardinamento de parques e praças
Geralmente se limitavam a intervenções pontuais em áreas específicas, na
maioria das vezes o Centro da cidade.
Grande parte desses planos previam abertura de novas avenidas,
conectando partes importantes da cidade, geralmente tendo como
consequência imediata a destruição de áreas consideradas insalubres,
compostas pelos chamados “cortiços”.
VILLAÇA, 1999; LEME, 1999.
Pereira Passos
Prefeito do Rio
1903-1906
PLANO DE PEREIRA PASSOS PARA REMODELAÇÃO DO RIO DEJANEIRO
Remodelação do Rio de Janeiro por Pereira Passos
Remodelação do Rio de Janeiro por Pereira Passos
Plano de Alfred Agache, para o Rio de 
Janeiro elaborado em 1930.
Esse plano marca uma transição dos 
planos de embelezamentos, para os 
“superplanos”, que viriam a ser 
desenvolvidos nas décadas de 60 e 70 
(VILLAÇA, 1999).
Ele traz a idéia de cientificismo à 
elaboração de planos urbanos, como se os 
problemas da cidade só pudessem ser 
realizados com o auxílio da ciência e da 
técnica.
uma das características desse plano é o 
extenso diagnóstico realizado.
Entre os temas tratados no plano de
Agache estão a remodelação imobiliária,
abertura de amplas avenidas (Rio Branco,
Brasil), zoneamento ordenador;
valorização de edifícios e monumentos, o
inundações e
abastecimento de água, a coleta de
aesgoto, o combate a 
limpeza pública; Conjunto de leis
sobre 
gabaritos,
loteamentos, 
e estética
urbanísticas 
desapropriações, 
urbana.
PLANO AGACHE –RIO DEJANEIRO
Agache mostrando o plano ao Presidente WashingtonLuiz
PlanoAgache
Rio de Janeiro
1930
Plano de Avenidas de Prestes Maia para São Paulo, elaborado em
1930.
Apesar do nome, o plano tratava sobre vários aspectos do sistema 
urbano, tais como as estradas de ferro e o metrô, a legislação 
urbanística, o embelezamento urbano e a habitação.
Entretanto, o destaque foi mesmo o plano de avenidas, que possuíam 
um caráter monumental.
O conjunto de novas vias radiais e perimetrais transformou a cidade 
concentrada e baseada na locomoção por transporte coletivo (ônibus e 
bondes) em uma cidade mais dispersa e dependente do tráfego de 
automóveis.
• Criação de anéis de circulação (plano radiocêntrico) e abertura de 
amplas avenidas radiais.
• Zoneamento e densificação de acordo com o sistema viário.
• Legislação urbanística; Retificação do rio Tietê e urbanização das 
marginais;
• Parques e embelezamento urbano (desenho urbano barroco
monumental e arquitetura art decó).
• Misto de Plano, Compêndio de urbanismo, Estudos acadêmicos e 
Obra de divulgação da administração do prefeito.
PLANO DE AVENIDAS –PRESTESMAIA
PrestesMaia
Plano de Avenidas para SãoPaulo
1938-1965
PrestesMaia
Plano de Avenidas para São Paulo 
1938-1965
integração•Ideólogo da Engenharia Sanitária:
físico x social.
Influência do trabalho como topógrafo: urbanismo com traçados de acordo
com declividadedo terreno; adequação das linhas de drenagem de águas
pluviais com o sistema viário.
Idéias influenciadas pelos engenheiros higienistas (Haussman), arquitetos 
modernos e os princípios de Camillo Sitte; integração de critérios higiênicos, 
racionais e estéticos (Higiotecnia).
SATURNINO DE BRITO
•Engenheiro pela Politécnica do Rio, 1886.
•Fundador da Engenharia Sanitária no Brasil, pelo
conjunto de projetos e obras, e pela contribuição
tecnológica.
•Atuação em mais de 53 cidades brasileiras, em
reformas sanitárias e de circulação viária,
embelezamento e remodelação urbana.
Plano de saneamento e expansão de Santos, 1905-10: saneamento
e expansão da cidade. Integração das questões técnico-sanitárias
(esgoto, abastecimento, drenagem) e ocupação do solo: habitações
populares, edifícios e espaços públicos, circulação viária, sem perder
a dimensão estética na resolução dos problemas urbanos.
GALERIAS PLUVIAIS com tubulação de concreto armado; CANAIS 
DE DRENAGEM e RETIFICAÇÃO DE CURSOS NATURAIS, AVENIDAS
LATERAIS com 35m; PONTES E PASSADIÇOS, elementos estéticos,em
granito e mármore.
Plano de saneamento do Recife, 1909; plano de expansão de
Vitória; projetos de saneamento em Campinas, Ribeirão Preto,
Limeira, Sorocaba, Amparo, Petrópolis, Paraíba do Sul; projetos
habitacionais em Campos; plano diretor de Campo Grande, MS.
Introduz a idéia de PLANEJAMENTO URBANO no Brasil: necessidade de
planos em função das exigências técnicas de saneamento com previsões
futuras.
SATURNINO DE BRITO
Saturnino de Brito Plano de saneamento e expansão de Santos – 1905-1910
Saturnino de Brito
Plano de saneamento e expansão de Santos
– 1905-1910
Saturnino de Brito Plano de saneamento e expansão de Santos 1905 -1910
Saturnino de Brito
Plano de saneamento e expansão de Santos
– 1905-1910
BANCO NACIONAL DE HABITAÇÃO - BNH
Criado em 1964 (extinto em 1986), inaugura uma nova fase de intervenção estatal nahabitação 
Paradoxo: o regime militar produziu mais habitações populares no Brasil: 4.000.000unidades
Objetivo central: a acumulação privada de setores da economia envolvidos com a produção habitacional –
grandes empreiteiras.
Criação de grandes conjuntos-dormitórios, distantes das áreas centras e da oferta de empregos, mal 
servidos por transporte público e sem serviços urbanos ou equipamentosnecessários.
PERIODOMILITAR
Conjunto Castelo Branco, SantosSP Conjunto habitacional SumaréSP
SERFHAU – Serviço Federal de Habitação e Urbanismo
Criado em 64
Atua na política habitacional e no planejamento urbano. 
Juntamente com o BNH, tinha por pressuposto atuar na 
política habitacional brasileira, com os seguintes objetivos:
-coordenar a política habitacional dos órgãos públicos;
-assessorar os municípios;
-definir diretrizes de planejamento urbano;
-orientar a iniciativa privada, estimulando a construção de 
moradias populares;
-financiar a aquisição da casa própria, propiciando a 
melhoria do padrão habitacional do ambiente;
-eliminar as favelas;
-aumentar o investimento da indústria de construção civil;
-estimular a poupança privada e o investimento
Planejamento CENTRALIZADOR e TECNOCRÁTICO
Planos Nacionais de Desenvolvimento (PND): integração nacional,
desenvolvimento econômico e justiça social; combinação entre planejamento
territorial e planos diretores;
Investimento em infra-estrutura, sistema urbano existente, política setorial de
investimento no meio urbano, política fiscal e financeira do setor público: fatores
transformadores do meio urbano.
LEI Nº 4.380, DE 21 DE
AGOSTO DE 1964.
Institui a correção monetária 
nos contratos imobiliários de 
interêsse social, o sistema 
financeiro para aquisição da 
casa própria, cria o Banco 
Nacional da Habitação 
(BNH), e Sociedades de 
Crédito Imobiliário, as Letras 
Imobiliárias, o Serviço 
Federal de Habitação e 
Urbanismo e dá outras 
providências.
CIDADES CAPITAIS PLANEJADAS NOBRASIL
GOIÂNIA –Atíllio Correa Lima,1930 Belo Horizonte, Aarão Reis,1895
PALMAS, Walfredo Antunes e uiz 
Fernando Cruvinel Teixeira
CIDADES CAPITAIS PLANEJADAS NOBRASIL
PERÍODO DE TRANSIÇÃO (Década de 1980- 2000)
Período marcado pela :
• Ausência de políticas urbanas e habitacionais no âmbito federal: fimdo 
SERFHAU e extinção doBNH;
• Grandes períodos de recessãoeconômica;
• Maior crescimento e adensamento urbano (boom imobiliário) e 
amplificação da especulação imobiliária;
• Movimentos populares se intensificam: Diretas Já, Movimento pela
ReformaUrbana;
EXPERIÊNCIAS LOCAIS DE PLANEJAMENTOURBANO
DÉCADAS DE 1980 -2000
• ORÇAMENTO PARTICIPATIVO – PORTOALEGRE
• PREZEIS – RECIFE
• EIXO TAMANDUATEHY - SANTO ANDRÉSP
• CURITIBA
• RIO CIDADE/FAVELA BAIRRO RIO DEJANEIRO
• PROGRAMAS HABITACIONAIS EM SÃOPAULO
ORÇAMENTO PARTICIPATIVO –PORTOALEGRE
O Orçamento Participativo (OP) é um processo pelo qual a
população decide, de forma direta, a aplicação dos recursos
em obras e serviços que serão executados pela
administração municipal.
Inicia-se com as reuniões preparatórias, quando a Prefeitura
presta contas do exercício passado, apresenta o Plano de
Investimentos e Serviços (PIS)para o ano seguinte.
http://www2.portoalegre.rs.gov.br/op/#
PREZEIS –RECIFE
Plano de Regularização das Zonas Especiais de Interesse Social (PREZEIS) foi
concebido na cidade do Recife em 1987.
Tido como referência para a urbanização de favelas, o PREZEIS provocou um
redirecionamento das políticas públicas de desenvolvimento urbano e habitacional no
Brasil.
O projeto de lei que criou o PREZEIS partiu do movimento popular e da Comissão de
Justiçae PazdaArquidiocese de Olinda eRecife.
Versava sobre o processo de regularização urbanística e fundiária do Recife para
garantir o direito à moradia, que futuramente foi um dos pilares da Lei Federal
10.257/2001 – o Estatuto da Cidade – o resultado da luta dos movimentos sociais
urbanos.
Nesse contexto, a participação dos diversos representantes de segmentos da sociedade
organizada na concepção dos PREZEIS iniciava um importante modo de elaboração das
políticas públicas municipais apartir da Constituição de 1988.
A experiência pioneira do PREZEIS inspirou vários municípios brasileiros em suas
políticas públicas, muitos deles apresentando êxito em suaimplementação.
O processo de criação da Lei do Prezeis tem uma relação direta com a história do
Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (CENDHEC)que foi fundado em
1989, integrado pelos membros destituídos do Colegiado e do Setor Jurídico da
Comissão de Justiça e Paz de Olinda e Recife; de professores e alunos do Instituto de
Teologia do Recife-ITERe de militantes dos Direitos Humanos.
Fonte(s): MEDEIROS, José Carlos de L. O PREZEIS e a Nova Política Urbana nacional. In: ALVES, Mércia; SOLER, 
Salvador; AZEVEDO, Luciana, et.al. Prezeis em Revista. Recife: Cendhec, 2005, 67p.
SANTO ANDRÉSP
O projeto “Eixo Tamanduatehy”, implantado em Santo André (SP), entre 1997 e2004.
O “Eixo Tamanduatehy” é um projeto de “requalificação urbana”, ou seja, investimento 
implementado pelo poder público, em parceria com o setor privado, sobre área 
urbanisticamente consolidada, considerada ociosa e estratégica do ponto de vista da 
competitividade da cidade.
Esta área, de uso predominantemente industrial (conforme lei de uso e ocupação do 
solo de 1976), é conformada por grandes glebas vazias e/ou desocupadas, em processo 
de redimensionamento das atividades existentes, bem como de alteração de uso, em 
decorrência do processo de reestruturação produtiva da Região do ABC e do município 
de Santo André, ocorrido a partir da década de 1990.
A concepção urbanísticadeste projeto está baseada na existência de um eixo linear, 
com área de 12,8 km2 e 10,5 km de extensão, conformado pelo rio Tamanduateí (que 
atravessa o ABC e deságua no rio Tietê) e pelo sistema de transporte, composto pela 
antiga ferrovia Santos-Jundiaí e pela Avenida dos Estados.
Tem-se, dessa forma, a utilização do conceito clássico de “eixo urbano”, entendido como
modo principal de organização do crescimento da cidade, geralmente representado por
uma grande avenida, servindo para desencadear processosde transformação interna.
São as seguintes as operações urbanas e parcerias implantadas no perímetro do Eixo, 
no período abordado: Industrial I (shopping ABC Plaza); Industrial II (complexo 
hoteleiro Íbis/Mercure); Pirelli (centro empresarial Cidade Pirelli, parcialmente 
implantado); Universidade UniABC; Pão de Açúcar e Carrefour (comércio varejista); 
Terminal Rodoviário de Santo André e o GlobalShopping.
Destas operações urbanas/parcerias, apenas três intervenções resultaram na
produção de “novos” espaços públicos urbanísticos. São elas: a operação urbana
Pirelli (miniparque) e as parcerias do Pão de Açúcar (Praça 18 do Forte) e Carrefour
(Praça do Carrefour). Todas estas áreas foram implantadas a partir das diretrizes do
Departamento de Parques e Áreas Verdes, o qual forneceu também equipamentos,
como bancose mesaspré-moldados, fabricados em canteiro próprio.
In: SANTO ANDRÉ (PREFEITURA). Projeto Eixo Tamanduatehy. Disponível em: <http://www.santoandre.sp.gov.br>.
CURITIBA –PLANEJAMENTOURBANO
A partir do “Seminário Curitiba de Amanhã”, teve inicio a elaboração do Plano Diretor e o
detalhamento das propostas, trabalho realizado ao longo da década de 1960 sob os cuidados do grupo
técnico do IPPUC Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba.
A execução do plano ocorreu a partir de 1971, quando o arquiteto Jaime Lerner foi nomeado prefeito
(1971-1974), transformando Curitiba em verdadeiro canteiro de obras: implantação do calçadão de
uso exclusivo para pedestres, melhoramento das praças, ampliação e criação de novas áreas
destinadas ao lazer, implantação de grandes parques públicos, abertura dos eixos estruturais,
inauguração do novo sistema de transporte, transformação de edificações industriais desativadas em
espaços culturais, como o Centro de Criatividade (antiga fábrica de cola e beneficiamento de couro) e o
Teatro Paiol (antigo depósito de munições e arquivo), a implantação da Cidade Industrial de Curitiba ,
entre outros projetos.
A síntese do planejamento urbano
desenvolvida pelo IPPUC, a partir das
diretrizes de Jorge Wilheim, se baseou no
tripé:
uso do solo, transporte coletivo e
circulação. Uma nova lei de zoneamento,
aprovada em 1975, passou a ser
ferrenhamente defendida e mantida pelos
urbanistas da prefeitura.
Nesta lei, o
desdobramentos
uso do solo, seus
de coeficiente de
aproveitamento e de altura dos edifícios,
estava atrelado às concepções dos Eixos
Estruturais e do Sistema de Transporte
Coletivo.
As três gestões consecutivas na Prefeitura,
com a mesma equipe de urbanistas,
garantiu o sucesso da implementação do
urbanismo de Curitiba.
Plano Diretor deCuritiba
JorgeWilheim
CURITIBA –PLANEJAMENTOURBANO
Programa da Prefeitura do Rio – gestão César Maia, a partir de 1993; 
Instrumento de integração urbanística e social, para reverter o quadro de 
degradação urbana nos assentamentos habitacionais espontâneos dos grupos de 
baixa renda.
PROGRAMA FAVELA BAIRRO RIO DE JANEIRO
Seu objetivo principal é a implementação de melhorias urbanísticas, compreendidas
as obras de infra-estrutura urbana, a acessibilidade e a criação de equipamentos
urbanos que visam através destas ações obter ganhos sociais, promovendo a
integração e a transformação da favela em bairro.
O Programa atendeu 60 favelas e 8 assentamentos;
Investimentos U$ 300 milhões (40% Prefeitura, 60 % BID)
Em 1994, a Secretaria de Habitação organizou com o IAB um concurso de metodologias para 
intervenção em 18 favelas, integrando tanto escritórios de profissionais jovens como de 
arquitetos de prestígio.
As principais ações foram: Complementar ou construir a estrutura urbana principal; Oferecer 
condições ambientais para a leitura da favela como um bairro da cidade; Introduzir os valores 
urbanísticos da cidade formal como signo de sua identificação como bairro: ruas, praças, 
mobiliário e serviços públicos; Consolidar a inserção das favelas no processo de planejamento 
da cidade; Implementar ações de caráter social, implantando creches, programas de geração 
de renda e capacitação profissional e atividades esportivas, culturais e de lazer; Promover a 
regularização fundiária e urbanística
PROGRAMA FAVELABAIRRO RIO DE JANEIRO
PROGRAMA FAVELABAIRRO RIO DE JANEIRO
PROJETO RIO CIDADE
•criado pela Prefeitura do Rio em 1993 -2000, atuou nos trechos principais 
dos bairros, onde há maior incremento comercial e circulação de veículos e 
pedestres, valorizando e modernizando as áreas centrais dos bairros.
•Com o Rio Cidade, o bairro passa a contar com iluminação publica moderna, 
nova pavimentação de calçadas e vias, novo mobiliário urbano, sinalização 
viária horizontal e vertical, rampas para acesso de pessoas portadoras de 
necessidades especiais, idosos e crianças, abrigos de paradas de ônibus, 
áreas de lazer, além de novas redes subterrâneas de infraestrutura de águas 
pluviais, energia, telefonia e iluminação.
•Plano Estratégico da cidade “O Urbanismo de volta às ruas”;
•Inspiração: Barcelona Olímpica;
•30 áreas de intervenção; não se configurou num macro plano de reforma, 
mas em ações pontuais, realizando-se em áreas/eixos comerciais;
“Concepção empresarial da administração dos negócios públicos, com a participação 
do setor privado na gestão de serviços e equipamentos públicos, com base em 
estratégias econômicas de investimentos e políticas de controle e exclusão social.”
Márcio Piñon Oliveira
PROJETO RIO CIDADE
MadureiraIpanema
PROJETO RIO CIDADE
Largo daAbolição
Leblon
SÃO PAULO Programas de Habitação Social
Programas públicos de habitação popular, em geral foram insignificantes pela pequena 
abrangência, devido à grande demanda da população.
Nas últimas décadas, esta condição se divide em momentos, coincidentes com os partidos 
assumidos pelas gestões públicas municipais.
A gestão Luíza Erundina (de 1989 a 1992)
Gestão Paulo Maluf (de 1993 a 1996) e também a de seu sucessor, Celso Pitta (de 
1997 a 2000)
Gestão de Marta Suplicy (de 2001 - 2004)
SÃO PAULO Programas de Habitação Social
A gestão Luíza Erundina (de 1989 a 1992)
trabalhou com conjuntos populares e reurbanizações de favelas.
Nestes conjuntos, havia uma rica diversidade de moradias, como meio
democrático de acesso a uma habitação digna.
Na reurbanização de favelas, o modelo apropriado é muito próximo do
programa carioca “Favela-Bairro”, que visava integrar a região irregular
(considerada assim de acordo com o planejamento urbano) à cidade
oficial por meio de melhorias do espaço público, tais como asfaltamento,
iluminação, sistema de esgoto e escoamento das águas pluviais, limpeza
urbana, além de nomear ruas e sinalizá-las.
Também trabalha com as reformas necessárias nas habitações que se
encontram em condições perigosas, assim como a regularização
fundiária (já que setenta por cento das habitações são clandestinas ou
irregulares).
Tanto os projetos de conjuntos habitacionais quanto a reurbanização das
favelas defendem a manutenção das populações em seus locais
originais, em paralelo com a qualificação do espaço coletivo (praças e
jardins).
No entanto, principalmente a reurbanização de favelastende a oficializar
a condição precária de sub-moradias, já que a simples reforma sob
aspectos estruturais não altera a habitação ou o entorno;
CONJUNTO HABITACIONAL SÃO FRANCISCO
Projeto de conjunto habitacional de 574 casas (50m² em média), de 1, 2 e 3 quartos, em oito 
combinações diferentes, em terreno de 75.000 m². Local: São Paulo / SP: (1990-1991).
Projeto Vencedor de Concurso Público Nacional de Ante Projeto para Habitação Popular 
promovido pela Prefeitura Municipal de SP.
O Projeto foi construído em mutirão orientado por técnicos da CoOperaAtiva e da AD, Ação 
Direta - AssessoriaTécnica.
SÃO PAULO Programas de Habitação Social
Gestão Paulo Maluf (de 1993 a 1996) e também a de seu sucessor, Celso Pitta (de 
1997 a 2000)
Tinham a proposta mais voltada à “higienização” da cidade, ocultando as favelas (e a 
pobreza visível) atrás dos conjuntos “Cingapura”, que atuam como “paredão” entre as 
favelas que restaram e as vias expressa (de modo que quem passe de carro não veja 
mais a favela – ainda existente por detrás dos conjuntos –, mas sim o marketing de 
sua gestão).
Nestes conjuntos, de variação pobre e limitada, o espaço coletivo é subdividido com 
cercas e grades, o que, além de dividir a população, funciona como citações de 
mecanismos burgueses de defesa “contra a pobreza violenta”, isto é, uma linguagem 
baseada na ideologia de mercado, pseudo-ascensão social pelo uso de modelos 
elitistas.
Deve-se acrescentar que, devido a processos não idôneos, muitos moradores de 
favelas, que foram removidos com a promessa de serem inseridos no programa 
“Cingapura”, esperam até hoje, dez anos depois, por uma resolução de sua situação, 
cada vez mais irregular.
SÃO PAULO Programas de Habitação Social
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SÃO PAULO Programas de Habitação Social
SÃO PAULO Programas de Habitação Social
Fonte: http://infohabitar.blogspot.com.br/2007/11/evoluo-da-produo-de-habitaes-de.html
Gestão de Marta Suplicy (de 2001 - 2004)
Há uma retomada dos programas de reurbanização de favelas, com o mesmo formato da 
gestão de Luíza Erundina.
Também há um projeto para habitação na área central, usando da infraestrutura já existente e 
associando os edifícios desocupados ou considerados desqualificados (mais de quarenta mil 
unidades), como, por exemplo, a requalificação do edifício São Vito (junto ao parque Dom 
Pedro), a serem reformulados para o uso de habitação.
A proposta se baseia na idéia de que o centro, além da infraestrutura já existente (água, luz, 
esgoto, telefonia, policiamento, postos de saúde, etc), é a região da cidade com maior relação 
entre oferta de emprego e a proximidade com a moradia (o que reduz o fluxo de transporte 
individual e incentiva o uso de transporte coletivo e do comércio central).
Mas o projeto, infeliz e inevitavelmente, é atrelado ao capital especulativo imobiliário e aos 
programas sociais bancários, como o PAR – Programa de Arrendamento Residencial, da Caixa 
Econômica Federal, só abrangendo, na maioria dos casos, as famílias com renda até cinco 
salários-mínimos, o que torna o projeto voltado à classe média (cada vez menor, ampliando os 
bolsões de pobreza) e excludente de boa parte da população que realmente necessita.
As reformulações dos edifícios para novos usos, visando habitação, também aguardam o 
financiamento do BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento, moldando-se em suas 
recomendações e excluindo moradores de rua, camelôs e ambulantes, num processo 
acentuado de gentrificação.
SÃO PAULO Programas de Habitação Social
SÃO PAULO
Programas de Habitação 
Social
SÃO PAULO Programas de Habitação Social
SÃO PAULO Programas de Habitação Social
SÃO PAULO Programas de Habitação Social
PERÍODO CONSTITUIÇÃO FEDERAL de 1988 –até os dias de hoje
• Constituição de 1988: descentralização e fortalecimento do município na 
política de planejamento urbano; Inclusão do Capítulo de Política Urbana:
▪Artigo 182: institui a política de desenvolvimento urbano que visa
ordenar a elaboração das funções sociais da cidade e da propriedade.
▪Artigo 183: institui a usucapião urbana, possibilitando a regularização de
extensas áreas ocupadas por favelas, vilas, alagados, invasões ou
loteamentos clandestinos
• Década de 1980: Redemocratização do país; Movimentos urbanos de luta por 
moradia e pelo direito a cidade.
• 2001: Estatuto da Cidade – Lei 10.257/2001: marco do planejamento urbano
no Brasil. Tem como principal regulamento o conceito da
FUNÇÃO SOCIAL DAPROPRIEDADE
• 2003: Ministério das Cidades e ConCidades;
• 2009: Programa Minha Casa Minha Vida - PMCMV - Lei 1.977/2009;
• 2007: Programa de Aceleração do Crescimento - PAC – investimentos em 
infraestrutura social e urbana.
• 2007: Lei de Saneamento básico – Lei 11.445/2007: diretrizes nacionais para o 
saneamento básico e para a política federal de saneamento básico.
• 2010: Lei de resíduos sólidos – Lei 12.305/2010: Institui a Política Nacional de 
Resíduos Sólidos;
• 2012: Lei 12.587/2012: Política Nacional de Mobilidade Urbana.
• 2017: Lei da Regularização Fundiária – Lei 13.465/2017.
POLÍTICAURBANANO ÂMBITOFEDERAL atual
PLANEJAMENTOURBANO
DESAFIOS e PROBLEMAS a seremENFRENTADOS
SUSTENTABILIDADE 
URBANA
CRISE AMBIENTAL 
CRISEHÍDRICA
DESIGUALDADE e 
SEGREGAÇÃO 
SOCIOESPACIAL 
AMPLIFICAÇÃO DOS 
CONFLITOSURBANOS
GESTÃO URBANA: CRISEDO
ESTADO E DOSMUNICÍPIOS
NOVO MODELO DE CIDADE, 
NOVOS PARADIGMAS 
URBANOS: QUE CIDADE 
QUEREMOS???
?
Referências:
VILLAÇA, Flávio. Contribuição para a história do planejamento urbano no Brasil. In “O processo de urbanização
no Brasil” Deak, Czaba & Schiffer,Sueli.
DA SILVA LEME, Maria Cristina; FERNANDES, Ana. Urbanismo no Brasil, 1895-1965. Fupam, 1999. 
GUIMARÃES, Pedro Paulino. Configuração urbana: evolução, avaliação, planejamento e urbanização. São 
Paulo: ProLivros, 2004 (pg 89 –112)
FERREIRA, João Sette Whitaker. A cidade para poucos: breve história da propriedade urbana no 
Brasil. Simpósio Interfaces das representações urbanas em tempos de globalização, p. 1-20, 2005.
FARIA, Rodrigo de; SCHVARSBERG, Benny (Org.). Políticas urbanas e regionais no Brasil [recurso eletrônico]. 
Brasília: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo/UnB, 2011

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