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PUR I – PLANEJAMENTO URBANO e REGIONAL I URBANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO URBANO NO BRASIL Breve panorama histórico URBANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO URBANO NO BRASIL Breve panorama histórico • PERÍODO COLONIAL: URBANISMO DAS CARTAS RÉGIAS; • OS PLANOS DE EMBELEZAMENTO E MELHORAMENTOS URBANOS; • PERIODO MILITAR • CIDADES CAPITAIS PLANEJADAS NO BRASIL • PERÍODO DE TRANSIÇÃO (DÉCADA DE 1980- 2000): EXPERIÊNCIAS LOCAIS. • PERÍODO 1988 – ATÉ OS DIAS DE HOJE. • DESAFIOS DO PLANEJAMENTO URBANO Brasil colonial: até meados do 2. Império; controle e legislação para as cidades litorâneas administrativos(centros comerciais) impostos pela e entrepostos coroa portuguesa segundo critérios da urbanização ibérica; LEI DE TERRAS – 1850 legislação para a questão fundiária; estabelece a COMPRA como única forma de acesso à terra, abolindo o regime de Sesmarias. As terras ainda não ocupadas passavam a ser propriedade do Estado e só podiam ser adquiridas mediante compra nos leilões, e não mais através de posse; quanto às terras já ocupadas podiam ser regularizadas como propriedade privada. PERÍODO COLONIAL: URBANISMO DAS CARTAS RÉGIAS produção agrícola: café (São Santos, Rio), açúcar (Salvador), pecuária (Recife), (Porto Paulo, cacau Alegre), borracha (Belém, Manaus). Êxodo rural, imigração: concentração de pessoas e de atividades nas principais cidades; Crescimento desordenado e acelerado: os centros não correspondiam às necessidades modernas de administração, produção, comércio e circulação. Cenário urbano do Brasil na virada do sec XIX – XX Brasil, 1900: 17 milhões de hab. 35% urbana. População em crescimento geométrico: São Paulo: 31 mil hab em 1872, 240 mil em 1900; Centros urbanos dispersos, em função da Desejo de progressista, oposta à mudança: positivista, sociedade elite urbana cosmopolita, tradicional, conservadora e agrária Planejamento urbano no Brasil: cronologia e etapas I.- de 1895 a 1930: (República Velha) Planos de embelezamento e melhoramentos das áreas centrais, início do processo de periferização e valorização imobiliária; destruição de áreas de cortiços, centros históricos e construção de grandes prédios públicos e comerciais. Obras de saneamento e expansão urbana. Implantação de novos ramais ferroviários. Destaques: Saturnino de Brito, Pereira Passos. II.- de 1930 a 1950: (Estado Novo) Planos de conjunto para as grandes cidades. Zoneamento. Órgãos de planejamento municipais. Ideologia do Planejamento enquanto técnica de base científica. Destaques: planos para São Paulo (Prestes Maia) e Rio (Agache); Infraestrutura de saneamento e transportes; Remodelação urbana a favor do interesse imobiliário. III.- A partir de 1964 (período militar): planos regionais de desenvolvimento integrado. Emergência de novos temas e participação multidisciplinar (economia, geografia, sociologia). Planejamento integrado: Planos Diretores: política e discurso; planos sem mapas. BNH e SERFHAU. IV - Constituição de 1988 até o presente: Experiências locais; Movimento pela Reforma Urbana. Institucionalização da política urbana; novos paradigmas e participação social. Estatuto da Cidade. Autonomia dos municípios. Influência do urbanismo monumental e embelezador europeu (Paris de Haussman) e norte-americano (City Beautiful: Chicago, Washington). Conteúdo ideológico dos planos: não eram elaborados para resolver os problemas das massas populares urbanas, mas para atender aos interesses dominantes urbanos. “mas será obra social atender-se aos habitantes das favelas do DF que não são a rigor, operários? todos os indivíduos que ocupam essas casas de cachorro não são trabalhadores que vivem de um trabalho honesto... será obra social fazer-se uma edificação para esses vadios? Salgado Filho, Min. do Trabalho, 1937 “a favela também é uma espécie de cidade satélite de formação espontânea, no alto dos morros, composta porém de uma população meio nômada, avessa a toda e qualquer regra de hygiene” Agache, 1930 Os planos de embelezamento e melhoramentos urbanos A reorganização da cidade se justifica: Salubridade, embelezamento, funcionalidade, compatibilização com as novas atividades; preparação do espaço para a nova ordem social; “Foi sob a égide dos planos de embelezamento que surgiu o planejamento urbano brasileiro”. VILLAÇA, 1999, p. 193. Eram planos que provinham da tradição européia, e consistiam basicamente no alargamento de vias, erradicação de ocupações de baixa renda nas áreas mais centrais, implementação de infra-estrutura, especialmente de saneamento, e ajardinamento de parques e praças Geralmente se limitavam a intervenções pontuais em áreas específicas, na maioria das vezes o Centro da cidade. Grande parte desses planos previam abertura de novas avenidas, conectando partes importantes da cidade, geralmente tendo como consequência imediata a destruição de áreas consideradas insalubres, compostas pelos chamados “cortiços”. VILLAÇA, 1999; LEME, 1999. Pereira Passos Prefeito do Rio 1903-1906 PLANO DE PEREIRA PASSOS PARA REMODELAÇÃO DO RIO DEJANEIRO Remodelação do Rio de Janeiro por Pereira Passos Remodelação do Rio de Janeiro por Pereira Passos Plano de Alfred Agache, para o Rio de Janeiro elaborado em 1930. Esse plano marca uma transição dos planos de embelezamentos, para os “superplanos”, que viriam a ser desenvolvidos nas décadas de 60 e 70 (VILLAÇA, 1999). Ele traz a idéia de cientificismo à elaboração de planos urbanos, como se os problemas da cidade só pudessem ser realizados com o auxílio da ciência e da técnica. uma das características desse plano é o extenso diagnóstico realizado. Entre os temas tratados no plano de Agache estão a remodelação imobiliária, abertura de amplas avenidas (Rio Branco, Brasil), zoneamento ordenador; valorização de edifícios e monumentos, o inundações e abastecimento de água, a coleta de aesgoto, o combate a limpeza pública; Conjunto de leis sobre gabaritos, loteamentos, e estética urbanísticas desapropriações, urbana. PLANO AGACHE –RIO DEJANEIRO Agache mostrando o plano ao Presidente WashingtonLuiz PlanoAgache Rio de Janeiro 1930 Plano de Avenidas de Prestes Maia para São Paulo, elaborado em 1930. Apesar do nome, o plano tratava sobre vários aspectos do sistema urbano, tais como as estradas de ferro e o metrô, a legislação urbanística, o embelezamento urbano e a habitação. Entretanto, o destaque foi mesmo o plano de avenidas, que possuíam um caráter monumental. O conjunto de novas vias radiais e perimetrais transformou a cidade concentrada e baseada na locomoção por transporte coletivo (ônibus e bondes) em uma cidade mais dispersa e dependente do tráfego de automóveis. • Criação de anéis de circulação (plano radiocêntrico) e abertura de amplas avenidas radiais. • Zoneamento e densificação de acordo com o sistema viário. • Legislação urbanística; Retificação do rio Tietê e urbanização das marginais; • Parques e embelezamento urbano (desenho urbano barroco monumental e arquitetura art decó). • Misto de Plano, Compêndio de urbanismo, Estudos acadêmicos e Obra de divulgação da administração do prefeito. PLANO DE AVENIDAS –PRESTESMAIA PrestesMaia Plano de Avenidas para SãoPaulo 1938-1965 PrestesMaia Plano de Avenidas para São Paulo 1938-1965 integração•Ideólogo da Engenharia Sanitária: físico x social. Influência do trabalho como topógrafo: urbanismo com traçados de acordo com declividadedo terreno; adequação das linhas de drenagem de águas pluviais com o sistema viário. Idéias influenciadas pelos engenheiros higienistas (Haussman), arquitetos modernos e os princípios de Camillo Sitte; integração de critérios higiênicos, racionais e estéticos (Higiotecnia). SATURNINO DE BRITO •Engenheiro pela Politécnica do Rio, 1886. •Fundador da Engenharia Sanitária no Brasil, pelo conjunto de projetos e obras, e pela contribuição tecnológica. •Atuação em mais de 53 cidades brasileiras, em reformas sanitárias e de circulação viária, embelezamento e remodelação urbana. Plano de saneamento e expansão de Santos, 1905-10: saneamento e expansão da cidade. Integração das questões técnico-sanitárias (esgoto, abastecimento, drenagem) e ocupação do solo: habitações populares, edifícios e espaços públicos, circulação viária, sem perder a dimensão estética na resolução dos problemas urbanos. GALERIAS PLUVIAIS com tubulação de concreto armado; CANAIS DE DRENAGEM e RETIFICAÇÃO DE CURSOS NATURAIS, AVENIDAS LATERAIS com 35m; PONTES E PASSADIÇOS, elementos estéticos,em granito e mármore. Plano de saneamento do Recife, 1909; plano de expansão de Vitória; projetos de saneamento em Campinas, Ribeirão Preto, Limeira, Sorocaba, Amparo, Petrópolis, Paraíba do Sul; projetos habitacionais em Campos; plano diretor de Campo Grande, MS. Introduz a idéia de PLANEJAMENTO URBANO no Brasil: necessidade de planos em função das exigências técnicas de saneamento com previsões futuras. SATURNINO DE BRITO Saturnino de Brito Plano de saneamento e expansão de Santos – 1905-1910 Saturnino de Brito Plano de saneamento e expansão de Santos – 1905-1910 Saturnino de Brito Plano de saneamento e expansão de Santos 1905 -1910 Saturnino de Brito Plano de saneamento e expansão de Santos – 1905-1910 BANCO NACIONAL DE HABITAÇÃO - BNH Criado em 1964 (extinto em 1986), inaugura uma nova fase de intervenção estatal nahabitação Paradoxo: o regime militar produziu mais habitações populares no Brasil: 4.000.000unidades Objetivo central: a acumulação privada de setores da economia envolvidos com a produção habitacional – grandes empreiteiras. Criação de grandes conjuntos-dormitórios, distantes das áreas centras e da oferta de empregos, mal servidos por transporte público e sem serviços urbanos ou equipamentosnecessários. PERIODOMILITAR Conjunto Castelo Branco, SantosSP Conjunto habitacional SumaréSP SERFHAU – Serviço Federal de Habitação e Urbanismo Criado em 64 Atua na política habitacional e no planejamento urbano. Juntamente com o BNH, tinha por pressuposto atuar na política habitacional brasileira, com os seguintes objetivos: -coordenar a política habitacional dos órgãos públicos; -assessorar os municípios; -definir diretrizes de planejamento urbano; -orientar a iniciativa privada, estimulando a construção de moradias populares; -financiar a aquisição da casa própria, propiciando a melhoria do padrão habitacional do ambiente; -eliminar as favelas; -aumentar o investimento da indústria de construção civil; -estimular a poupança privada e o investimento Planejamento CENTRALIZADOR e TECNOCRÁTICO Planos Nacionais de Desenvolvimento (PND): integração nacional, desenvolvimento econômico e justiça social; combinação entre planejamento territorial e planos diretores; Investimento em infra-estrutura, sistema urbano existente, política setorial de investimento no meio urbano, política fiscal e financeira do setor público: fatores transformadores do meio urbano. LEI Nº 4.380, DE 21 DE AGOSTO DE 1964. Institui a correção monetária nos contratos imobiliários de interêsse social, o sistema financeiro para aquisição da casa própria, cria o Banco Nacional da Habitação (BNH), e Sociedades de Crédito Imobiliário, as Letras Imobiliárias, o Serviço Federal de Habitação e Urbanismo e dá outras providências. CIDADES CAPITAIS PLANEJADAS NOBRASIL GOIÂNIA –Atíllio Correa Lima,1930 Belo Horizonte, Aarão Reis,1895 PALMAS, Walfredo Antunes e uiz Fernando Cruvinel Teixeira CIDADES CAPITAIS PLANEJADAS NOBRASIL PERÍODO DE TRANSIÇÃO (Década de 1980- 2000) Período marcado pela : • Ausência de políticas urbanas e habitacionais no âmbito federal: fimdo SERFHAU e extinção doBNH; • Grandes períodos de recessãoeconômica; • Maior crescimento e adensamento urbano (boom imobiliário) e amplificação da especulação imobiliária; • Movimentos populares se intensificam: Diretas Já, Movimento pela ReformaUrbana; EXPERIÊNCIAS LOCAIS DE PLANEJAMENTOURBANO DÉCADAS DE 1980 -2000 • ORÇAMENTO PARTICIPATIVO – PORTOALEGRE • PREZEIS – RECIFE • EIXO TAMANDUATEHY - SANTO ANDRÉSP • CURITIBA • RIO CIDADE/FAVELA BAIRRO RIO DEJANEIRO • PROGRAMAS HABITACIONAIS EM SÃOPAULO ORÇAMENTO PARTICIPATIVO –PORTOALEGRE O Orçamento Participativo (OP) é um processo pelo qual a população decide, de forma direta, a aplicação dos recursos em obras e serviços que serão executados pela administração municipal. Inicia-se com as reuniões preparatórias, quando a Prefeitura presta contas do exercício passado, apresenta o Plano de Investimentos e Serviços (PIS)para o ano seguinte. http://www2.portoalegre.rs.gov.br/op/# PREZEIS –RECIFE Plano de Regularização das Zonas Especiais de Interesse Social (PREZEIS) foi concebido na cidade do Recife em 1987. Tido como referência para a urbanização de favelas, o PREZEIS provocou um redirecionamento das políticas públicas de desenvolvimento urbano e habitacional no Brasil. O projeto de lei que criou o PREZEIS partiu do movimento popular e da Comissão de Justiçae PazdaArquidiocese de Olinda eRecife. Versava sobre o processo de regularização urbanística e fundiária do Recife para garantir o direito à moradia, que futuramente foi um dos pilares da Lei Federal 10.257/2001 – o Estatuto da Cidade – o resultado da luta dos movimentos sociais urbanos. Nesse contexto, a participação dos diversos representantes de segmentos da sociedade organizada na concepção dos PREZEIS iniciava um importante modo de elaboração das políticas públicas municipais apartir da Constituição de 1988. A experiência pioneira do PREZEIS inspirou vários municípios brasileiros em suas políticas públicas, muitos deles apresentando êxito em suaimplementação. O processo de criação da Lei do Prezeis tem uma relação direta com a história do Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (CENDHEC)que foi fundado em 1989, integrado pelos membros destituídos do Colegiado e do Setor Jurídico da Comissão de Justiça e Paz de Olinda e Recife; de professores e alunos do Instituto de Teologia do Recife-ITERe de militantes dos Direitos Humanos. Fonte(s): MEDEIROS, José Carlos de L. O PREZEIS e a Nova Política Urbana nacional. In: ALVES, Mércia; SOLER, Salvador; AZEVEDO, Luciana, et.al. Prezeis em Revista. Recife: Cendhec, 2005, 67p. SANTO ANDRÉSP O projeto “Eixo Tamanduatehy”, implantado em Santo André (SP), entre 1997 e2004. O “Eixo Tamanduatehy” é um projeto de “requalificação urbana”, ou seja, investimento implementado pelo poder público, em parceria com o setor privado, sobre área urbanisticamente consolidada, considerada ociosa e estratégica do ponto de vista da competitividade da cidade. Esta área, de uso predominantemente industrial (conforme lei de uso e ocupação do solo de 1976), é conformada por grandes glebas vazias e/ou desocupadas, em processo de redimensionamento das atividades existentes, bem como de alteração de uso, em decorrência do processo de reestruturação produtiva da Região do ABC e do município de Santo André, ocorrido a partir da década de 1990. A concepção urbanísticadeste projeto está baseada na existência de um eixo linear, com área de 12,8 km2 e 10,5 km de extensão, conformado pelo rio Tamanduateí (que atravessa o ABC e deságua no rio Tietê) e pelo sistema de transporte, composto pela antiga ferrovia Santos-Jundiaí e pela Avenida dos Estados. Tem-se, dessa forma, a utilização do conceito clássico de “eixo urbano”, entendido como modo principal de organização do crescimento da cidade, geralmente representado por uma grande avenida, servindo para desencadear processosde transformação interna. São as seguintes as operações urbanas e parcerias implantadas no perímetro do Eixo, no período abordado: Industrial I (shopping ABC Plaza); Industrial II (complexo hoteleiro Íbis/Mercure); Pirelli (centro empresarial Cidade Pirelli, parcialmente implantado); Universidade UniABC; Pão de Açúcar e Carrefour (comércio varejista); Terminal Rodoviário de Santo André e o GlobalShopping. Destas operações urbanas/parcerias, apenas três intervenções resultaram na produção de “novos” espaços públicos urbanísticos. São elas: a operação urbana Pirelli (miniparque) e as parcerias do Pão de Açúcar (Praça 18 do Forte) e Carrefour (Praça do Carrefour). Todas estas áreas foram implantadas a partir das diretrizes do Departamento de Parques e Áreas Verdes, o qual forneceu também equipamentos, como bancose mesaspré-moldados, fabricados em canteiro próprio. In: SANTO ANDRÉ (PREFEITURA). Projeto Eixo Tamanduatehy. Disponível em: <http://www.santoandre.sp.gov.br>. CURITIBA –PLANEJAMENTOURBANO A partir do “Seminário Curitiba de Amanhã”, teve inicio a elaboração do Plano Diretor e o detalhamento das propostas, trabalho realizado ao longo da década de 1960 sob os cuidados do grupo técnico do IPPUC Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba. A execução do plano ocorreu a partir de 1971, quando o arquiteto Jaime Lerner foi nomeado prefeito (1971-1974), transformando Curitiba em verdadeiro canteiro de obras: implantação do calçadão de uso exclusivo para pedestres, melhoramento das praças, ampliação e criação de novas áreas destinadas ao lazer, implantação de grandes parques públicos, abertura dos eixos estruturais, inauguração do novo sistema de transporte, transformação de edificações industriais desativadas em espaços culturais, como o Centro de Criatividade (antiga fábrica de cola e beneficiamento de couro) e o Teatro Paiol (antigo depósito de munições e arquivo), a implantação da Cidade Industrial de Curitiba , entre outros projetos. A síntese do planejamento urbano desenvolvida pelo IPPUC, a partir das diretrizes de Jorge Wilheim, se baseou no tripé: uso do solo, transporte coletivo e circulação. Uma nova lei de zoneamento, aprovada em 1975, passou a ser ferrenhamente defendida e mantida pelos urbanistas da prefeitura. Nesta lei, o desdobramentos uso do solo, seus de coeficiente de aproveitamento e de altura dos edifícios, estava atrelado às concepções dos Eixos Estruturais e do Sistema de Transporte Coletivo. As três gestões consecutivas na Prefeitura, com a mesma equipe de urbanistas, garantiu o sucesso da implementação do urbanismo de Curitiba. Plano Diretor deCuritiba JorgeWilheim CURITIBA –PLANEJAMENTOURBANO Programa da Prefeitura do Rio – gestão César Maia, a partir de 1993; Instrumento de integração urbanística e social, para reverter o quadro de degradação urbana nos assentamentos habitacionais espontâneos dos grupos de baixa renda. PROGRAMA FAVELA BAIRRO RIO DE JANEIRO Seu objetivo principal é a implementação de melhorias urbanísticas, compreendidas as obras de infra-estrutura urbana, a acessibilidade e a criação de equipamentos urbanos que visam através destas ações obter ganhos sociais, promovendo a integração e a transformação da favela em bairro. O Programa atendeu 60 favelas e 8 assentamentos; Investimentos U$ 300 milhões (40% Prefeitura, 60 % BID) Em 1994, a Secretaria de Habitação organizou com o IAB um concurso de metodologias para intervenção em 18 favelas, integrando tanto escritórios de profissionais jovens como de arquitetos de prestígio. As principais ações foram: Complementar ou construir a estrutura urbana principal; Oferecer condições ambientais para a leitura da favela como um bairro da cidade; Introduzir os valores urbanísticos da cidade formal como signo de sua identificação como bairro: ruas, praças, mobiliário e serviços públicos; Consolidar a inserção das favelas no processo de planejamento da cidade; Implementar ações de caráter social, implantando creches, programas de geração de renda e capacitação profissional e atividades esportivas, culturais e de lazer; Promover a regularização fundiária e urbanística PROGRAMA FAVELABAIRRO RIO DE JANEIRO PROGRAMA FAVELABAIRRO RIO DE JANEIRO PROJETO RIO CIDADE •criado pela Prefeitura do Rio em 1993 -2000, atuou nos trechos principais dos bairros, onde há maior incremento comercial e circulação de veículos e pedestres, valorizando e modernizando as áreas centrais dos bairros. •Com o Rio Cidade, o bairro passa a contar com iluminação publica moderna, nova pavimentação de calçadas e vias, novo mobiliário urbano, sinalização viária horizontal e vertical, rampas para acesso de pessoas portadoras de necessidades especiais, idosos e crianças, abrigos de paradas de ônibus, áreas de lazer, além de novas redes subterrâneas de infraestrutura de águas pluviais, energia, telefonia e iluminação. •Plano Estratégico da cidade “O Urbanismo de volta às ruas”; •Inspiração: Barcelona Olímpica; •30 áreas de intervenção; não se configurou num macro plano de reforma, mas em ações pontuais, realizando-se em áreas/eixos comerciais; “Concepção empresarial da administração dos negócios públicos, com a participação do setor privado na gestão de serviços e equipamentos públicos, com base em estratégias econômicas de investimentos e políticas de controle e exclusão social.” Márcio Piñon Oliveira PROJETO RIO CIDADE MadureiraIpanema PROJETO RIO CIDADE Largo daAbolição Leblon SÃO PAULO Programas de Habitação Social Programas públicos de habitação popular, em geral foram insignificantes pela pequena abrangência, devido à grande demanda da população. Nas últimas décadas, esta condição se divide em momentos, coincidentes com os partidos assumidos pelas gestões públicas municipais. A gestão Luíza Erundina (de 1989 a 1992) Gestão Paulo Maluf (de 1993 a 1996) e também a de seu sucessor, Celso Pitta (de 1997 a 2000) Gestão de Marta Suplicy (de 2001 - 2004) SÃO PAULO Programas de Habitação Social A gestão Luíza Erundina (de 1989 a 1992) trabalhou com conjuntos populares e reurbanizações de favelas. Nestes conjuntos, havia uma rica diversidade de moradias, como meio democrático de acesso a uma habitação digna. Na reurbanização de favelas, o modelo apropriado é muito próximo do programa carioca “Favela-Bairro”, que visava integrar a região irregular (considerada assim de acordo com o planejamento urbano) à cidade oficial por meio de melhorias do espaço público, tais como asfaltamento, iluminação, sistema de esgoto e escoamento das águas pluviais, limpeza urbana, além de nomear ruas e sinalizá-las. Também trabalha com as reformas necessárias nas habitações que se encontram em condições perigosas, assim como a regularização fundiária (já que setenta por cento das habitações são clandestinas ou irregulares). Tanto os projetos de conjuntos habitacionais quanto a reurbanização das favelas defendem a manutenção das populações em seus locais originais, em paralelo com a qualificação do espaço coletivo (praças e jardins). No entanto, principalmente a reurbanização de favelastende a oficializar a condição precária de sub-moradias, já que a simples reforma sob aspectos estruturais não altera a habitação ou o entorno; CONJUNTO HABITACIONAL SÃO FRANCISCO Projeto de conjunto habitacional de 574 casas (50m² em média), de 1, 2 e 3 quartos, em oito combinações diferentes, em terreno de 75.000 m². Local: São Paulo / SP: (1990-1991). Projeto Vencedor de Concurso Público Nacional de Ante Projeto para Habitação Popular promovido pela Prefeitura Municipal de SP. O Projeto foi construído em mutirão orientado por técnicos da CoOperaAtiva e da AD, Ação Direta - AssessoriaTécnica. SÃO PAULO Programas de Habitação Social Gestão Paulo Maluf (de 1993 a 1996) e também a de seu sucessor, Celso Pitta (de 1997 a 2000) Tinham a proposta mais voltada à “higienização” da cidade, ocultando as favelas (e a pobreza visível) atrás dos conjuntos “Cingapura”, que atuam como “paredão” entre as favelas que restaram e as vias expressa (de modo que quem passe de carro não veja mais a favela – ainda existente por detrás dos conjuntos –, mas sim o marketing de sua gestão). Nestes conjuntos, de variação pobre e limitada, o espaço coletivo é subdividido com cercas e grades, o que, além de dividir a população, funciona como citações de mecanismos burgueses de defesa “contra a pobreza violenta”, isto é, uma linguagem baseada na ideologia de mercado, pseudo-ascensão social pelo uso de modelos elitistas. Deve-se acrescentar que, devido a processos não idôneos, muitos moradores de favelas, que foram removidos com a promessa de serem inseridos no programa “Cingapura”, esperam até hoje, dez anos depois, por uma resolução de sua situação, cada vez mais irregular. SÃO PAULO Programas de Habitação Social C o n ju n to H a b it a c io n a l Z a c h iN a rc h i SÃO PAULO Programas de Habitação Social SÃO PAULO Programas de Habitação Social Fonte: http://infohabitar.blogspot.com.br/2007/11/evoluo-da-produo-de-habitaes-de.html Gestão de Marta Suplicy (de 2001 - 2004) Há uma retomada dos programas de reurbanização de favelas, com o mesmo formato da gestão de Luíza Erundina. Também há um projeto para habitação na área central, usando da infraestrutura já existente e associando os edifícios desocupados ou considerados desqualificados (mais de quarenta mil unidades), como, por exemplo, a requalificação do edifício São Vito (junto ao parque Dom Pedro), a serem reformulados para o uso de habitação. A proposta se baseia na idéia de que o centro, além da infraestrutura já existente (água, luz, esgoto, telefonia, policiamento, postos de saúde, etc), é a região da cidade com maior relação entre oferta de emprego e a proximidade com a moradia (o que reduz o fluxo de transporte individual e incentiva o uso de transporte coletivo e do comércio central). Mas o projeto, infeliz e inevitavelmente, é atrelado ao capital especulativo imobiliário e aos programas sociais bancários, como o PAR – Programa de Arrendamento Residencial, da Caixa Econômica Federal, só abrangendo, na maioria dos casos, as famílias com renda até cinco salários-mínimos, o que torna o projeto voltado à classe média (cada vez menor, ampliando os bolsões de pobreza) e excludente de boa parte da população que realmente necessita. As reformulações dos edifícios para novos usos, visando habitação, também aguardam o financiamento do BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento, moldando-se em suas recomendações e excluindo moradores de rua, camelôs e ambulantes, num processo acentuado de gentrificação. SÃO PAULO Programas de Habitação Social SÃO PAULO Programas de Habitação Social SÃO PAULO Programas de Habitação Social SÃO PAULO Programas de Habitação Social SÃO PAULO Programas de Habitação Social PERÍODO CONSTITUIÇÃO FEDERAL de 1988 –até os dias de hoje • Constituição de 1988: descentralização e fortalecimento do município na política de planejamento urbano; Inclusão do Capítulo de Política Urbana: ▪Artigo 182: institui a política de desenvolvimento urbano que visa ordenar a elaboração das funções sociais da cidade e da propriedade. ▪Artigo 183: institui a usucapião urbana, possibilitando a regularização de extensas áreas ocupadas por favelas, vilas, alagados, invasões ou loteamentos clandestinos • Década de 1980: Redemocratização do país; Movimentos urbanos de luta por moradia e pelo direito a cidade. • 2001: Estatuto da Cidade – Lei 10.257/2001: marco do planejamento urbano no Brasil. Tem como principal regulamento o conceito da FUNÇÃO SOCIAL DAPROPRIEDADE • 2003: Ministério das Cidades e ConCidades; • 2009: Programa Minha Casa Minha Vida - PMCMV - Lei 1.977/2009; • 2007: Programa de Aceleração do Crescimento - PAC – investimentos em infraestrutura social e urbana. • 2007: Lei de Saneamento básico – Lei 11.445/2007: diretrizes nacionais para o saneamento básico e para a política federal de saneamento básico. • 2010: Lei de resíduos sólidos – Lei 12.305/2010: Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos; • 2012: Lei 12.587/2012: Política Nacional de Mobilidade Urbana. • 2017: Lei da Regularização Fundiária – Lei 13.465/2017. POLÍTICAURBANANO ÂMBITOFEDERAL atual PLANEJAMENTOURBANO DESAFIOS e PROBLEMAS a seremENFRENTADOS SUSTENTABILIDADE URBANA CRISE AMBIENTAL CRISEHÍDRICA DESIGUALDADE e SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL AMPLIFICAÇÃO DOS CONFLITOSURBANOS GESTÃO URBANA: CRISEDO ESTADO E DOSMUNICÍPIOS NOVO MODELO DE CIDADE, NOVOS PARADIGMAS URBANOS: QUE CIDADE QUEREMOS??? ? Referências: VILLAÇA, Flávio. Contribuição para a história do planejamento urbano no Brasil. In “O processo de urbanização no Brasil” Deak, Czaba & Schiffer,Sueli. DA SILVA LEME, Maria Cristina; FERNANDES, Ana. Urbanismo no Brasil, 1895-1965. Fupam, 1999. GUIMARÃES, Pedro Paulino. Configuração urbana: evolução, avaliação, planejamento e urbanização. São Paulo: ProLivros, 2004 (pg 89 –112) FERREIRA, João Sette Whitaker. A cidade para poucos: breve história da propriedade urbana no Brasil. Simpósio Interfaces das representações urbanas em tempos de globalização, p. 1-20, 2005. FARIA, Rodrigo de; SCHVARSBERG, Benny (Org.). Políticas urbanas e regionais no Brasil [recurso eletrônico]. Brasília: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo/UnB, 2011