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unidade 3 economia clássica (1)

Unidade de Economia Política (curso de Direito) sobre a Economia Clássica — Adam Smith, Ricardo, Malthus e Mill. Apresenta bibliografia e discussão das origens da disciplina, teoria do valor e distribuição, racionalismo jurídico, mercantilismo, fisiocracia e vantagens comparativas.

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CURSO: DIREITO - 2019/1 
DISCIPLINA: ECONOMIA POLÍTICA - 1ª. Série 
Profa. Ma. Valéria C. Scudeler 
prof.valeria.scudeler@faesb.edu.br 
 
UNIDADE 3: ECONOMIA CLÁSSICA: ADAM SMITH, DAVID RICARDO, 
THOMAS MALTHUS E STUART MILL 
 
Bibliografia 
CARNEIRO, R. (org.) Os Clássicos da Economia (volume 1). São Paulo: Editora Ática, 1997. 
COUTINHO, M. C. Lições de Economia Política Clássica. São Paulo: Hucitec, 1993. 
VICECONTI, P. NEVES, S. das. Introdução à economia. 11a ed. São Paulo: Saraiva. 2012. 
 
1 - As Origens da Economia Política Clássica 
 
Meados do sec. XVIII: nascimento da disciplina da Economia Política, que trata da relação entre 
os homens na reprodução da vida material em sociedades mercantis. 
Marco histórico: publicação de A Riqueza das Nações, de Adam Smith, em 1776. 
 Desde início do sec. XVII, temas econômicos como juros, preços e câmbio vinham sendo 
objeto de atenção crescente, sem que houvessem ainda se convertido num ramo específico da 
especulação humana. Havia ainda muito preconceito em relação aos negócios de financistas e 
comerciantes na Europa. 
Ponto chave para a Economia Política Clássica: desenvolvimento da categoria "valor", que 
advém da generalização da produção de mercadorias. Adam Smith e Ricardo: distribuição da 
riqueza. 
A Economia Política está associada ao surgimento do capitalismo, a partir do sec. XV 
(Idade Moderna). Elementos constitutivos da ciência nascente: 
 
a) Racionalismo e Humanismo: as raízes filosóficas 
 
Os precursores e fundadores foram, antes de tudo, filósofos. Tanto quanto a filosofia da 
época, a economia veio a se beneficiar do desenvolvimento das ciências naturais e do impacto 
destas sobre o conhecimento humano em geral. As analogias mecânica e fisiológica são logo 
transportadas para um objeto de conhecimento, a sociedade humana, anteriormente excluída do 
campo das observações científicas. Os pensadores passam a conceber a sociedade humana 
como um sistema regido por leis. Jurisnaturalismo - o primado da razão: "a construção de 
uma ética racional separada definitivamente da teologia e capaz, por si mesma, precisamente 
 Profa. Valéria C. Scudeler 2 
porque fundada finalmente numa análise e numa crítica racional dos fundamentos, de garantir a 
universalidade dos princípios de conduta humana." 
O racionalismo jurisnaturalista, ao se propor a conhecer e normatizar a ação 
humana, traz uma noção da natureza humana decisiva na constituição da Economia Política. 
Noção de comportamento humano certo e regular, racional. 
 Ideário da Economia Política Clássica: a sociedade humana complexa e cooperativa, 
que pressupõe a coerção estatal, será não só uma sociedade de progresso e fartura para todos, 
como também uma sociedade cuja relação econômica básica pressupõe o exercício da liberdade. 
Na sociedade econômica o homem busca o benefício privado, favorecendo a si próprio e à 
sociedade. Ao obedecer aos instintos aquisitivos, próprios de sua natureza humana, o homem 
promoverá o benefício social. 
 
b) Temas econômicos correntes 
 
Sec XVII e XVIII: a unificação dos espaços nacionais e a consolidação do poder central, bem 
como o crescimento do comércio e das relações internacionais, trouxeram à tona questões 
relevantes à prática comercial, às finanças do soberano e ao progresso das nações. 
Liberação do comércio internacional de grãos: liberalismo francês (fisiocracia) e David 
Ricardo. 
Teoria das Vantagens Comparativas: David Ricardo. 
Mercantilismo: um conjunto de doutrinas econômicas dominadas pelo nacionalismo e pelo 
intervencionismo que, já presentes no final da Idade Média, ganharam impulso nos séculos XVI e 
XVII. Trata-se de um corpo integrado de políticas de Estado em defesa da riqueza nacional que 
pressupõe, portanto, Estados constituídos e um poder central capaz de fazer face ao 
particularismo de guildas, corporações e relações agrárias feudais, favorecendo a criação de 
espaços econômicos nacionais, tendo em vista a produção de mercadorias. 
Politicamente, a partir do sec. XIV vai ocorrendo a associação entre monarcas e burgueses (a 
nova classe ligada ao comércio), o que garantiu a centralização do poder em detrimento da antiga 
classe dos senhores feudais. O nacionalismo exacerbado nos recém-criados Estados-nações 
conferiam poderes absolutos e divinos ao rei. 
Noção de unidade política somada à grandeza econômica: busca de superávit comercial no 
comércio internacional. O poder de uma nação é associado ao tesouro. O comércio interno 
promove a produção e a circulação de mercadorias e, ao favorecer o progresso, eventualmente 
gera saldos para exportação. O comércio internacional assegura tesouro (e riqueza). 
Para a Economia Política Clássica, o mercantilismo representa principalmente a 
emergência de questões econômicas no debate corrente, pano de fundo para posterior 
desenvolvimento da reflexão sistemática em economia. 
 
 Profa. Valéria C. Scudeler 3 
Metalismo ou Bulionismo: o principal problema que vinha assolando a Europa nos últimos dois 
séculos era a insuficiência de dinheiro em circulação para sancionar o aumento das trocas. A 
oportunidade propiciada pelas colônias americanas para o afluxo de metais preciosos parecia não 
só resolver o problema, mas garantir às potências colonizadoras a possibilidade de estimular a 
produção interna e com isso enriquecer o reino. Tal fato levou os primeiros autores mercantilistas 
do século XVI a uma associação simplista entre moeda e riqueza, acreditando-se que a primeira 
levaria automaticamente a um aumento da oferta de bens reais na economia. A concepção 
denominada bulionismo ou metalismo confundia moeda com riqueza, e a consequência 
dessa interpretação era a defesa de toda medida que contribuísse para o acúmulo de ouro 
e prata dentro das fronteiras do país. O comércio internacional era visto como meio para a 
aquisição de metais preciosos e todas as medidas restritivas que resultassem em aumento da 
entrada de metais seriam desejáveis (protecionismo de mercado). 
Quais as questões econômicas em debate? Dos Estados nacionais constituídos. A discussão a 
respeito da riqueza da nação muitas vezes se confunde com a problemática das finanças do 
soberano. De comparações entre países e digressões sobre causas do atraso e progresso. 
Temas em debate: fluxos de comércio de mercadorias e metais internacionais, taxas de juros, 
protecionismo, política monetária, renda da terra, nível de salários, relação entre preços e salários, 
relação entre nível de preços e renda da terra, tributação, opiniões sobre valor e preços, riqueza. 
Teoria do valor-trabalho. 
O mercantilismo, deste modo, pela gama de questões que suscita, representa a passagem 
das questões econômicas ao primeiro plano do debate corrente. Do debate sistemático destes 
temas, e muitas vezes em oposição aos postulados mercantilistas (especialmente o 
protecionismo), nasce a Economia Política Clássica. 
 
c) A bandeira do liberalismo 
 
Economia Política: pensamento científico que elabora uma das ideologias dominantes a partir da 
metade do século XVIII, o Liberalismo. Adam Smith (mão invisível), Ricardo (teoria das vantagens 
comparativas). O Liberalismo é um substrato do Iluminismo. 
Iluminismo: baseado no mesmo racionalismo presente na filosofia jurisnaturalista. O racionalismo 
assegura que o homem pode conhecer, pelo uso sistemático da razão, até mesmo a sociedade 
humana. O iluminismo, propondo-se a fornecer regras de condutapara a transformação da 
sociedade humana, em nome da razão, reforça os pressupostos da natureza humana 
jurisnaturalista. "Conhecer para Transformar". 
Para o Iluminismo, o homem é o senhor da natureza, e o progresso econômico uma 
resposta voluntária do homem à natureza. Ordem natural. Harmonia, Tendência ao equilíbrio, 
em contraposição à Ordem Sobrenatural Divina. 
 Profa. Valéria C. Scudeler 4 
O Liberalismo representa a face econômica do Iluminismo, ao considerar a 
existência de leis econômicas naturais, cuja existência o governo deveria esforçar-se por 
preservar. A admissão de leis econômicas naturais leva à caracterização de um revolucionário 
conceito de sociedade econômica. A sociabilidade humana não prescinde do Estado, muito pelo 
contrário. Há, todavia, um campo específico da ação humana - a economia - onde regras naturais 
e privadas conduzem a sociedade à harmonia. Vale dizer, admite-se a existência de uma 
sociedade econômica, com regras próprias de interação, à margem do Estado. O poder público 
deve se pautar em critérios que não perturbem o equilíbrio. 
O Liberalismo promove o ataque ao Mercantilismo (protecionismo, forte presença do 
Estado Nacional e confusão entre poder nacional e progresso). Apesar de ambos terem origens 
intelectuais semelhantes no jurisnaturalismo, apresentam profundas diferenças nas conclusões 
práticas e na própria forma de caracterizar o sistema econômico. 
No Mercantilismo, a indistinção entre tesouro do Estado e riqueza nacional fez com que as 
discussões sobre poder e propriedade tivessem como referência a tributação. Locke e Petty 
retratam, no sec. XVII, a preocupação extremada com a boa fiscalidade, isto é, aquela que 
compatibilizava a autoridade simbólica da Coroa com as prerrogativas dos proprietários. A 
economia converte-se quase que em uma disciplina do "bom governo". 
No sec. XVIII, o "século das luzes", a temática fiscal vai perdendo importância, e sofre 
transformações. A economia deixa de ser uma "ciência do bom governo", convertendo-se em uma 
ciência da riqueza privada e comercial. A temática fiscal não desaparece, mas é adequada aos 
desígnios de um pensamento que vê no progresso do capital a riqueza das nações. 
A doutrina Liberal teve como seu maior expoente Adam Smith (1723-1790) que é 
considerado o fundador da Economia Política Clássica. O liberalismo propagado por Adam Smith 
tem como pressupostos: 
A obediência à ordem natural, que consiste no respeito às leis absolutas que regem tanto 
a economia, como o universo, tal como a lei da oferta e da demanda. 
O individualismo econômico pressupõe a ideia de que cada pessoa tem o direito de 
dispor sobre a sua propriedade, desde que esta tenha sido adquirida por meios lícitos e que não 
esbarre no direito de outrem. Acredita-se que a sociedade é beneficiada quando os indivíduos 
seguem os seus próprios interesses, sem a ingerência nociva do Estado. 
 A liberdade de contrato é defendida como o arbítrio de que cada pessoa dispõe para 
negociar tanto o contrato que lhe seja mais favorável, como as questões relativas ao valor do 
salário e às horas de trabalho. 
 A livre concorrência e o livre cambismo. A concorrência é um método eficaz para 
manter tanto a baixa dos preços como a qualidade dos produtos. Deve-se também evitar todo e 
qualquer tipo de monopólio que só contribui para manter no mercado produtores não aptos e a 
prejudicar a concorrência. 
 Profa. Valéria C. Scudeler 5 
 A máxima do laissez faire et laissez passer, le monde va de luimême (deixar fazer e 
deixar passar, o mundo marcha sozinho) que consiste na redução das funções do Estado, as 
quais devem ficar restritas à segurança pública – manutenção da ordem e da propriedade. 
"A grandeza de um Estado e a felicidade de seus súditos, por mais independentes que possam 
ser consideradas sob alguns aspectos, são comumente tomadas como inseparáveis do comércio; 
assim como os particulares recebem maior segurança do poder público na posse de seus 
negócios e riquezas, assim o povo torna-se poderoso na proporção da opulência e extensão do 
comércio dos particulares." 
 Se o comércio produz riqueza, cabe ao governo não prejudicá-lo. 
 Deste modo, segundo o Liberalismo, a riqueza da nação passa a ser identificada à riqueza 
privada, e os economistas passam a tratar, sobretudo, da produção de mercadorias. O liberalismo 
e o espírito científico herdado da tradição jurisnaturalista abrem espaço para que as questões 
econômicas sejam fundidas em uma ciência nova: a Economia Política. 
 
2 - A Escola Clássica 
 
 A Escola Clássica têm como principais representantes os autores Adam Smith, Thomas 
Malthus, Jean Baptiste Say, David Ricardo e John Stuart Mill. O que os une, independentemente 
de suas contribuições específicas à Escola do Pensamento Econômico, é a visão liberal quanto ao 
funcionamento da economia. Acreditam na existência de uma Ordem Natural que regula o 
funcionamento do mercado e que, por si só, leva ao máximo benefício para a sociedade. 
 A ideia de ordem natural está relacionada às ciências naturais, como a matemática, a 
física e a astronomia. Existem leis imutáveis que regem o movimento dos astros e o 
funcionamento da natureza. Os Clássicos acreditam que tais leis também se aplicam ao 
funcionamento da sociedade e da economia, isto é, ciências que estudam o comportamento 
humano também estão sujeitas à existência de regras imutáveis e inerentes ao homem, 
portanto passíveis de racionalização e modelização. 
 Exemplos dessas "leis" são a inclinação natural do homem para a troca de 
mercadorias e para a busca do maior benefício individual. Se o mercado atuar livremente, 
sem proteção ou privilégios para nenhum tipo de produção, a tendência é se chegar a um nível de 
equilíbrio entre preços e quantidades produzidas, bem como à melhor alocação e maior 
produtividade dos recursos existentes (capital, terra e trabalho). O nível de equilíbrio subentende 
pleno emprego da mão de obra e níveis de salários e preços condizentes com as leis de oferta e 
procura. 
 O conceito de ordem natural traz em seu bojo a idéia de igualdade de oportunidades 
entre os agentes (pessoas ou empresas). O que torna alguns melhor sucedidos do que outros são 
méritos individuais. Como todos buscam o maior bem-estar possível, aqueles que conseguirem 
ser mais produtivos, mais empreendedores, mais aplicados em sua tarefa e mais parcimoniosos 
com seus gastos terão um melhor desempenho no mercado, acumulando capital e se tornando 
 Profa. Valéria C. Scudeler 6 
proprietários. A sociedade só tem a ganhar com isso, pois somente a partir da sobrevivência dos 
agentes mais produtivos é que se chegará aos os melhores resultados em termos de geração de 
bens materiais que aumentarão o conforto e o bem-estar de todos. (por exemplo, uma empresa 
que aplica melhor seus recursos gera uma produção maior com preços menores, o que beneficia 
todos os consumidores). 
 Deste modo, os Clássicos imaginam a sociedade capitalista como uma sociedade 
harmônica e igualitária, que visa à produção de bens reais (mercadorias) com vistas a 
atender as necessidades de consumo dos indivíduos. O capitalista sente-se estimulado a 
produzir porque também quer aumentar seu conforto e ter acesso ao maior número possível de 
bens. Os fatores de produção engajados no processoprodutivo (capital, terra e trabalho) recebem 
como remuneração aquilo que lhes é de direito, isto é, o que compete à sua contribuição para o 
produto final. 
 É importante notar que, para os Clássicos, não existe conflito entre as classes sociais e 
nem uma relação histórica de dominação do capital sobre o trabalho. Por isso vigora a idéia de 
harmonia social. Encaram as relações sociais e de produção de maneira apolítica, como se os 
agentes tivessem as mesmas oportunidades e fossem livres para optar se querem ser capitalistas 
ou trabalhadores. 
 Uma outra característica comum aos Clássicos é a preocupação apenas com a esfera da 
circulação de mercadorias, acreditando numa troca de equivalentes. Vêem o capitalismo como um 
sistema composto por pequenos produtores independentes que trocam seus bens no mercado. O 
valor de cada bem depende do tempo de trabalho incorporado em sua produção, portanto 
as mercadorias se trocam segundo as horas de trabalho contidas (teoria do valor-trabalho). 
Como não investigam a geração do valor dos bens no âmbito da produção das mercadorias (o 
que Karl Marx fará adiante), não conseguem desvendar a origem do excedente, isto é, do lucro 
capitalista. 
 Os Clássicos, ao acreditarem na existência de uma ordem natural com leis imutáveis, 
negligenciam o papel fundamental das transformações históricas e sociais dos modos de 
produção e acabam apresentando uma visão ingênua e idealizada do funcionamento da economia 
capitalista, especialmente no que se refere ao papel do dinheiro neste sistema. Para eles, o 
dinheiro é neutro, só funciona como um meio de troca. O objetivo dos indivíduos é produzir uma 
mercadoria somente porque querem ter acesso a outras mercadorias. Karl Marx vai desbancar 
esta visão simplista, mostrando que o objetivo último de toda a produção dentro do 
sistema capitalista é o acúmulo de dinheiro. O capitalismo é uma economia monetária, e só 
existe produção porque o capitalista quer ter acesso ao dinheiro, que é a mercadoria mais 
importante de todas. 
Por fim, apesar de encararem o capitalismo como um sistema que visa ao 
atendimento das necessidades materiais dos indivíduos, o que é uma utopia, os Clássicos 
contribuíram de maneira decisiva para o avanço da Teoria Econômica e para a 
 Profa. Valéria C. Scudeler 7 
sistematização de conceitos como valor, produção e riqueza - antes dispersos e imbuídos de 
fortes considerações éticas e morais - numa disciplina de estudo independente e com uma lógica 
própria de funcionamento. 
 
3 - Adam Smith 
 
 
Adam Smith (1723-1790) é 
considerado o fundador da 
Economia Política Clássica. 
Sua obra Uma investigação 
sobre a natureza e as 
causas da riqueza das 
nações, mais conhecida 
como A Riqueza das 
Nações, de 1776, organiza e 
delimita a temática daquela 
nova disciplina de 
conhecimento. 
 
Objetivo central de seu trabalho: definir em que consiste e como ampliar a riqueza das nações. 
A partir de uma ferrenha crítica ao mercantilismo, chama a atenção para a confusão entre 
a riqueza e bens que a simbolizam e entre a pujança econômica da nação e a de seu soberano. 
Para Smith, a riqueza de uma nação não se confunde com a abundância de ouro, mas é 
constituída pelos bens necessários e confortos de que a nação, em seu conjunto, pode 
dispor. Tal argumento se constitui numa crítica direta aos mercantilistas. 
A riqueza (conjunto de bens materiais) é produto do trabalho humano, por isso defende a 
teoria do valor-trabalho. O potencial criador da riqueza é um produto social, depende da 
evolução da divisão do trabalho, isto é, da produtividade do trabalho. Os principais 
condicionantes do aumento da riqueza são o livre-mercado (mão invisível) e a acumulação de 
capital. 
Smith tinha a preocupação em encontrar uma medida invariável para o valor dos bens, 
isto é, seu valor real, e elegeu como medida a quantidade de trabalho necessária para a produção 
dos bens. O preço real dos bens é o custo humano para obter determinada mercadoria, isto é, a 
dose de sacrifício e renúncia necessários para que seja produzida. Uma mesma quantidade de 
trabalho sempre significa o mesmo custo. "A proporção entre as quantidades de trabalho 
necessárias para adquirir diferentes objetos será o único fator capaz de constituir uma norma de 
troca recíproca". 
 Profa. Valéria C. Scudeler 8 
As fontes do valor da produção são os salários, que remuneram o trabalho; a renda da 
terra, que paga a utilização da terra; e os lucros, que remuneram a riqueza acumulada sob a 
forma de capital, essencial para permitir o grau vigente de divisão do trabalho. Essas três fontes 
formam o valor natural dos bens. 
O valor natural dos bens constitui um termo de comparação ou normas com os quais 
todos os "preços artificiais", estabelecidos por interferências e obstáculos assumindo a forma de 
regulamentações legais, "privilégios exclusivos das corporações, estatutos de aprendizagem" e 
monopólios podiam ser contrastados. Por outro lado, deixando o mercado operar segundo as leis 
de oferta e procura real, sem obstáculos impostos pelo protecionismo, o preço dos bens tenderia 
ao seu nível "natural", de equilíbrio, com a adequada remuneração das fontes de valor (salários, 
renda da terra e lucros). Portanto, o "preço natural" dos bens é definido como sendo igual à soma 
das "taxas naturais dos salários, do lucro e da renda". 
 
 
O livre-mercado e a "mão invisível" 
É Adam Smith o primeiro filósofo a conceber uma organização dinâmica da sociedade no sentido 
de sua evolução para um sempre maior bem estar coletivo, uma linha de pensamento que evoluirá 
no século XIX para Utilitarismo: Ele concebe como agente desse movimento a própria "natureza 
humana" levada por uma forte inclinação para a troca comercial e pelo desejo de melhoramento 
próprio, porém susceptível de ser guiada pelas faculdades da razão. 
Livre concorrência: os homens que agem segundo sua liberdade e pensam exclusivamente no 
próprio lucro é que finalmente serão, involuntariamente, os motores do desenvolvimento social. 
"Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, 
mas da consideração que eles têm pelo seu próprio interesse", diz Smith. 
O desejo apaixonado do homem para melhorar sua condição pelo melhoramento próprio em 
detrimento do outro - "um desejo que vem conosco do útero materno e nunca nos deixa até que 
vamos para a sepultura" - é transformado em um agente beneficente social, dando nascimento a 
uma sociedade ordenada e progressista. 
Divisão do trabalho: A Riqueza das Nações abre com uma famosa passagem descrevendo a 
divisão do trabalho em uma fábrica de alfinetes na qual dez pessoas, por se especializarem em 
várias tarefas, produzem 48.000 alfinetes por dia, comparada com uns poucos, talvez somente 
um, que cada um poderia produzir isoladamente. E no Capítulo II do mesmo Livro I é descrito o 
princípio que dá origem à divisão do trabalho no grupo social: "Essa divisão do trabalho, da qual 
derivam tantas vantagens, não é, em sua origem, o efeito de uma sabedoria humana qualquer. 
Ela é consequência necessária, embora muito lenta e gradual, de uma certa tendência ou 
propensão existente na natureza humana, .a propensão a intercambiar, permutar ou trocar uma 
coisa pela outra."Profa. Valéria C. Scudeler 9 
 Dessa forma, a certeza de poder permutar toda a parte excedente da produção de seu 
próprio trabalho que ultrapasse seu consumo pessoal estimula cada pessoa a dedicar-se a uma 
ocupação específica, e a cultivar e aperfeiçoar todo e qualquer talento ou inclinação que possa ter 
por aquele tipo de ocupação ou negócio. A divisão do trabalho se equilibra pelo mesmo 
mecanismo da competição e da oferta e procura. 
Crescimento econômico. A análise de Smith do mercado como um mecanismo auto-regulador 
era impressionante. Assim, sob o ímpeto do apelo aquisitivo, o fluxo anual da riqueza nacional 
podia ser vista crescer continuamente. A riqueza das nações cresceria somente se os homens, 
através de seus governos, não inibissem este crescimento concedendo privilégios especiais que 
iriam impedir o sistema competitivo de exercer seus efeitos benéficos. Consequentemente, muito 
do Riqueza das Nações, especialmente o Livro IV, é uma polêmica contra as medidas restritivas 
do "sistema mercantil" que favorecem monopólios no país e no exterior. 
"Mão invisível": imagem metafórica, através da qual Smith argumentava que, apesar de as 
decisões numa economia de mercado serem tomadas de modo descentralizado pelos produtores, 
seguindo seus próprios interesses egoístas, elas levam à consecução dos melhores interesses do 
conjunto da sociedade. A mão invisível do livre comércio é que dá coerência e eficácia a essas 
decisões e que compatibiliza busca de interesses privados e bem público. O principal motivo para 
isso é que a elevação da produtividade permite que todos ganhem. 
 
Se o mercado operar livremente, "a quantidade de bens ofertada no mercado deve, em 
qualquer momento, ser quase igual à procura efetiva". Este argumento tem como origem a Lei de 
Jean Baptiste Say, outro importante representante da Economia Política Clássica: "toda a oferta 
encontra sua própria demanda no mercado." 
Adam Smith elaborou o conceito de capital como importante elemento do processo 
produtivo e fonte de apropriação de valor, sob a forma do lucro. Ele é o primeiro a associar 
diretamente o lucro ao emprego do capital, isto é, de riqueza previamente acumulada, e não 
simplesmente ao ato de se vender a preço maior que o de compra. O emprego do capital 
permite a apropriação de valor porque está associado à elevação da produtividade. 
Questões relevantes para Smith e para a compreensão da economia capitalista: 
- A produtividade e sua ampliação é a forma mais importante de se acrescentar riqueza. 
- A produtividade se baseia em alguma medida na divisão do trabalho entre os membros de 
uma sociedade, o que remete à sociabilidade, à interação social dos indivíduos. 
- A divisão do trabalho significa maior especialização, menores custos de mudar de uma 
atividade a outra, além de favorecer a introdução da maquinaria. 
Requisitos para o aprofundamento da divisão do trabalho: 
a) que sobrevivam os que não produzem diretamente os bens necessários à sua própria 
subsistência; 
 Profa. Valéria C. Scudeler 10 
b) a aquisição de bens de capital fixo (máquinas, equipamentos). Essa visão era ainda 
embrionária, com importância muito inferior a que se tem hoje; 
c) a união de diversos trabalhadores na produção de um único bem; 
d) a ampliação dos mercados, que se dá com melhorias nos meios de transporte e com o livre 
comércio. 
A acumulação de capital tem perdido terreno no debate econômico para a idéia de 
alocação ótima dos recursos existentes, e não de sua expansão. Perdeu-se a dimensão dinâmica 
da criação e ampliação de riqueza e privilegiou-se a estática de alocação de recursos dada.Por 
outro lado, a ampliação da produtividade não pode mais ser considerada resultante apenas da 
simples divisão do trabalho, e sim do avanço tecnológico e das formas de organização da 
produção, entre outros. Mas isto não anula nem torna defasada a formulação de Smith pois, ao 
enfatizar o aumento da divisão do trabalho, faz a inter-relação com o crescimento dos mercados e 
da economia. 
 
4 - Thomas Malthus 
 
 
Thomas Robert Malthus (1766-1834) nasceu no seio de uma 
família próspera. Ingressou na Universidade de Cambridge aos 
18 anos. Estudou Matemática e línguas clássicas e recebeu 
formação sacerdotal. Nove anos depois, foi eleito fellow da 
instituição e em 1797 tornou-se sacerdote. Seu trabalho mais 
conhecido foi o Ensaio sobre o princípio da população e seus 
efeitos na melhoria futura da sociedade, de 1798. Combina 
um estudo demográfico (o crescimento da população) e suas 
implicações para variáveis de ordem econômica como riqueza, 
salários, lucros, etc. 
 
 Ao longo de sua vida, Malthus foi aceito em sociedades culturais importantes como O 
Royal Society e o Clube de Economia Política. Teve estreito contato com David Ricardo e James 
Mill, pai de John Stuart Mill. 
 Imbuído no pensamento da época, partiu do conceito de ordem natural e de seleção 
natural (que Darwin desenvolveria seis décadas depois) para relacionar a sobrevivência humana 
com o crescimento populacional e a competição por recursos naturais. A quantidade de 
alimentos e outros recursos disponíveis para o consumo humano representa, para ele, um freio ou 
um estímulo, dependendo de sua escassez relativa, para o crescimento demográfico. À luz dessa 
idéia, maiores transferências de recursos para as populações carentes, no longo prazo, só 
agravariam o problema, pois levariam a um crescimento populacional desenfreado. O aumento da 
população levaria a um limite da capacidade da economia em atendê-la em suas necessidades, a 
 Profa. Valéria C. Scudeler 11 
ponto de se esgotar a capacidade de expansão demográfica ou mesmo reduzir-se a população 
em termos absolutos. 
 Em suma, a escassez dos recursos naturais seria o elemento regulador do 
crescimento populacional. Essa é uma lei natural, bem como a paixão entre os sexos é um 
estímulo incontrolável para a reprodução, em qualquer momento histórico que se analise, a 
população tenderia a crescer numa progressão geométrica. Restaria ao governo esperar o 
controle voluntário da procriação por parte das famílias, incentivando a educação e 
apelando para fatores morais, antes que a natureza impusesse, de maneira bastante dolorosa, 
esse controle. 
 No entanto, mais importante para o debate em Teoria Econômica foi sua obra Princípios de 
economia política e considerações sobre a sua aplicação prática, de 1820. Nele, Malthus discorre 
sobre riqueza, trabalho produtivo e improdutivo, valor, renda da terra, salários e lucros e investiga 
as causas de crescimento da riqueza, entendida como um conjunto de bens materiais, assim 
como concebeu Adam Smith. Também nesse livro, ele antecipa algumas ideias básicas de 
Keynes. Propunha a realização de obras públicas e o incentivo à agricultura para aumentar a 
demanda efetiva, preocupando-se com o excesso de oferta sobre a demanda agregada, o 
que levaria a um declínio da atividade econômica. Malthus acreditava que a renda dos 
proprietários de terras teria a função de injetar demanda no sistema econômico, portanto até o 
consumo perdulário teria um papel social. Injustamente, ele foi acusado de defender os privilégios 
das classes dos proprietários. 
Malthus ficaria caracterizado como adepto de um método em Economia que dá mais 
importância à experiência em contraposição ao viés mais abstrato e dedutivista de David 
Ricardo. Pode-se dizer que Adam Smith continha os dois caminhos metodológicose, com base 
nele, Ricardo enfatizou um e Malthus, o outro. Também em teoria, Ricardo foi o principal 
adversário de Malthus à época e as idéias de Ricardo acabaram sobressaindo-se às dele. 
 
5 - David Ricardo 
 
Sem sombra de dúvidas um dos maiores economistas de 
seu tempo, David Ricardo (1772-1823) é considerado, 
ainda em vida, o legítimo sucessor de Adam Smith na 
divulgação da nascente Economia Política. Sua principal 
obra é Princípios de Economia Política e Tributação, de 
1817 que, juntamente a seus outros escritos, atinge vastas 
áreas da economia, tais como: política monetária, teoria dos 
lucros, teoria da renda fundiária e da distribuição, teoria do 
valor e do comércio internacional, sendo que muitos desses 
temas permanecem atuais até os dias de hoje. 
 Profa. Valéria C. Scudeler 12 
A principal contribuição de David Ricardo para a compreensão do funcionamento do 
sistema capitalista, e que o difere dos outros autores clássicos, é a visão da importância das 
estruturas econômico-sociais, em detrimento da esfera individual de decisão, na 
determinação dos modos de produção e constituição das sociedades. Perguntas cruciais 
para a economia: 
De onde deve partir a análise econômica? Dos agentes que tomam decisões ou do 
ambiente econômico? E, consequentemente, que categorias analíticas se deve partir: do indivíduo 
ou das classes sociais? Da firma ou do mercado? Do nível micro ou macro? Da parte ou do todo? 
Ricardo foi o primeiro economista a dar uma resposta precisa a estas questões, tomando como 
ponto de partida antes a estrutura que o indivíduo. A estrutura condiciona não apenas a 
inserção social dos indivíduos mas, por meio dessa inserção, seus objetivos e toda a ação 
econômica a eles relacionada. 
Assim como para Adam Smith, os agentes econômicos relevantes no modelo Ricardiano 
são os capitalistas, os proprietários de terras e os trabalhadores assalariados. Agentes 
teoricamente livres, mas que atuam dentro de um quadro social e institucional muito bem 
determinado em que a única forma de apropriação econômica é a troca (exceto no caso do Fisco). 
O objetivo desses agentes é a maximização dos seus rendimentos. Mas os 
trabalhadores e terratenentes gastam tudo em consumo, pois os primeiros ganham apenas um 
"salário de subsistência" e os segundos têm em vista a "segurança econômica". Os capitalistas, 
ao contrário, para sobreviverem no mercado, precisam acumular (reinvestir parte dos lucros). O 
comportamento destes agentes torna-se previsível, desaparecendo a questão da "tomada de 
decisão individual". O próprio agente individual deixa de existir, o que comanda o processo 
de reprodução desses agentes é o movimento das estruturas econômico-sociais. 
A economia, a partir dessa constatação, passa a ser uma disciplina essencialmente 
racional, passível de ser "modelizada". 
Ricardo, influenciado por essa racionalidade, criou um modelo que seria aplicável a 
qualquer economia fechada (que não participa do comércio internacional), com base nas 
seguintes variáveis: 
- disponibilidade de terras agricultáveis; 
- heterogeneidade relativa destas terras (se são mais férteis ou menos férteis); 
- a taxa de salário de subsistência; 
- a parcela desses salários que é despendida em bens agrícolas; 
- a relação capital/trabalho média; 
- a produtividade do trabalho na indústria. 
O objetivo do modelo teórico de Ricardo é, a partir do conhecimento destas variáveis, e 
supondo-se estável "o estado das artes", projetar a dinâmica de evolução da taxa de lucro 
média e da acumulação privada. 
 Profa. Valéria C. Scudeler 13 
Para Ricardo, a produtividade do setor agrícola é fundamental para definir a taxa de lucro 
na indústria, pois todos os trabalhadores recebem seus salários com base numa cesta de bens de 
subsistência, basicamente os bens agrícolas. Ricardo defendia a abolição das restrições para a 
importação de cereais, pois, segundo a teoria das vantagens comparativas, a produção agrícola 
inglesa não tinha a mesma competitividade de outros países e, portanto, elevava o custo e o 
preço dos bens-salário. Só deveriam ser cultivadas as terras mais férteis, pois, quanto mais se 
buscava o cultivo nas áreas periféricas do país, aumentavam os custos de transporte e reduzia-se 
a lucratividade dos arrendatários de terras, isto é, dos capitalistas - principais responsáveis pelo 
aumento da produção e da riqueza. Os únicos que ganhavam com o protecionismo da agricultura 
na Inglaterra eram os proprietários de terras, que vivem de renda e não contribuem para o 
aumento do produto. 
 Insistindo no cultivo das terras menos férteis, tanto o preço das matérias-primas quanto o 
salário dos trabalhadores tenderiam a aumentar, repercutindo num aumento de custos para a 
produção industrial, o que penaliza seu desempenho produtivo. 
Aumento do valor dos bens agrícolas =► aumento dos salários =► queda na taxa de lucro da 
indústria. 
Sob um ponto de vista histórico-empírico, isto é, de sua adequação às tendências 
objetivamente manifestas da evolução do capitalismo, este modelo teórico é um tremendo 
fracasso. Isto porque, apesar de ser formalmente dinâmico, o que significa que está voltado não 
só para a projeção do estado futuro da economia, mas para todo o percurso desse movimento, o 
modelo de Ricardo não é "histórico", pois subestima o impacto revolucionário do capitalismo 
sobre a ordem técnico-produtiva. 
Mas, sob um ponto de vista "formal" e "histórico-metodológico", centrado na consistência 
lógica ou "interna" do sistema, a conclusão é outra: seu modelo torna-se grandioso, sendo 
totalmente voltado para a obtenção de previsões. 
 
5.1 - Teoria das Vantagens Comparativas 
 
 O liberalismo e o livre-comércio são as expressões econômicas das Revoluções 
Burguesas a partir dos séculos XVII e substituem o mercantilismo ligado às políticas do Regime 
Absolutista. Sua teoria pregava que o fim dos entraves, como tarifas elevadas e “portos fechados”, 
faria que o comércio crescesse em todo o mundo, beneficiando a economia de todos os países 
que participassem. O benefício traduzir-se-ia em crescimento econômico e bem-estar, que 
promoveriam a paz entre as nações. 
 O debate sobre o livre-comércio começou a ganhar corpo teórico quando Adam Smith 
(1723-1790), o pai do liberalismo econômico, em sua famosa obra A riqueza das nações, de 1776, 
desenvolveu a tese da vantagem absoluta. 
 A tese da vantagem absoluta defendia que o crescimento econômico era uma função 
da divisão internacional do trabalho, que por sua vez dependia da escala do mercado, interno 
 Profa. Valéria C. Scudeler 14 
e externo. Quanto maior a escala, maior seria a possibilidade do crescimento, que por sua vez 
traria riqueza e poder para as nações que assim agissem. 
 A escala estava ligada à produção dos bens em que cada país tinha maior especialização 
e, portanto, maior produtividade do fator trabalho. 
Vários anos depois, um discípulo de Adam Smith, chamado David Ricardo (1772 – 1823), 
aprofundou a reflexão sobre essa divisão internacional do trabalho, analisando a especialização 
defendida por Smith como vantagens comparativas nos termos de troca de uma nação em 
relação à outra. Nas palavras de Ricardo: 
“Sob um regime de comércio perfeitamente livre, cada país dedica naturalmente seu 
capitale trabalho às atividades mais vantajosas para ambos. Essa busca da 
vantagem individual articula-se admiravelmente com o bem universal do 
conjunto. Ao estimular a indústria, recompensar o engenho e empregar de modo mais 
eficiente os poderes peculiares oferecidos pela natureza, ela distribui o trabalho de 
forma mais eficiente e mais econômica; ao mesmo tempo, ao aumentar a massa geral 
da produção, difunde os benefícios gerais e une, por um laço comum de interesse e 
intercâmbio, a sociedade universal das nações em todo o mundo civilizado. É esse o 
princípio que determina que a França e Portugal fabricarão vinho, que o milho será 
cultivado na América e na Polônia, e que máquinas e outros produtos serão 
manufaturados na Inglaterra” (RICARDO, 1817). 
 
5.2 - Modelo Clássico 
 
- Pressupostos: existem dois países; cada país produz dois bens; a mão de obra é o único fator 
produtivo considerado; a disponibilidade e produtividade da mão de obra é fixa em cada país; 
existe concorrência perfeita em todos os mercados. 
 
Tabela 1: Horas de trabalho e custo de oportunidade de produção – Alimento e Tecido 
 
- Vantagem absoluta: menor custo unitário de mão de obra na produção de todos os bens, em 
relação ao resto do mundo. 
 Profa. Valéria C. Scudeler 15 
- Vantagem comparativa (relativa): menor custo de oportunidade de produzir um bem (em 
relação a outro bem), em comparação com o resto do mundo. A vantagem comparativa decorre 
da diferença na produtividade relativa da mão de obra entre os países, sem considerar 
outros fatores produtivos. 
- Preços relativos em economia fechada: é o quanto se sacrifica de um produto para obter 
uma unidade adicional do outro. 
- Preços relativos em economia aberta: equilíbrio entre oferta e demanda mundial do bem. 
- Limitações do modelo clássico: considera apenas o fator produtivo mão de obra, impedindo 
discutir a distribuição interna de renda entre os fatores produtivos. 
 
6 - John Stuart Mill 
 
 
John Stuart Mill (1806-1873) tornou-se o mais influente 
economista clássico após Ricardo. Trinta e poucos anos separam 
as respectivas idades, portanto Mill foi o jovem economista mais 
bem sucedido a dar prosseguimento à Economia Clássica, 
mantendo o prestígio da escola, ampliando o raio de suas 
reflexões e renovando-a em alguns pontos. Filho de James Mill, 
também notável economista, ele seguiu as influências do pai na 
formulação de suas idéias. Sua obra máxima em Economia, 
publicada em 1848, foi Princípios de economia política. 
 
 
 As contribuições mais importantes de Stuart Mill para a disciplina de Economia Política 
estão localizadas na área metodológica. Neste período, nota-se o aparecimento de duas 
tendências: de um lado, os autores que acreditam que a verdade dos princípios de Economia só 
pode ser julgada a posteriori, ao arbítrio dos fatos. A outra tendência viria a considerar os 
princípios de que parte o raciocínio econômico verdadeiros a priori, isto é, hipóteses de conduta 
assumidas quando se abstrai o aspecto não econômico do comportamento humano. Mill adota 
esta Segunda perspectiva. 
 Mill lança o conceito de "homem econômico", ser que existe enquanto se abstraem dele 
outras paixões e motivos humanos, exceto o desejo de riqueza e a aversão ao trabalho. É 
preciso estudar uma causa isolada, para prever e controlar seus efeitos. Assim, as conclusões da 
Economia Política são aplicáveis quando impera a causa isolada por ela. A Economia é tida 
como a ciência moral ou psicológica que trata dos comportamentos humanos em 
sociedade orientados para a obtenção de riqueza (entendida como coisas úteis produzidas 
pelo trabalho). Em sua esfera, os homens são guiados apenas por motivações pecuniárias e 
predomina neles uma única lei de conduta: a busca de riqueza. 
 Profa. Valéria C. Scudeler 16 
 Em economia, diz Mill, considera-se apenas a busca de riqueza. Ela vai descrever apenas 
ações que decorrem desse motivo. Como consequência, as leis econômicas somente expressam 
tendências. Elas determinam o curso exato dos acontecimentos quando não operam 
impedimentos. Os princípios são certos, mas as conclusões incertas. 
 As contribuições positivas em Economia, presentes na obra Princípios de economia 
política são temas como produção, distribuição da riqueza, troca, progresso da sociedade e papel 
do governo. A separação entre produção e distribuição é reforçada por Mill, pois acredita que 
enquanto as leis da produção de riqueza têm o caráter de verdades físicas, a distribuição da 
riqueza é "exclusivamente uma questão de instituições humanas, depende das leis e dos 
costumes da sociedade." 
 Stuart Mill se aproxima da visão de Marx quando discute o tipo de distribuição da 
riqueza mais adequado para as sociedades, comparando a propriedade privada com o 
socialismo e o comunismo. Ambos preocuparam-se com as consequências sociais da 
industrialização em sua época, especialmente o baixo padrão de vida da crescente classe 
trabalhadora, ao passo que a expansão da produção e a acumulação de capital caminhavam de 
vento em popa. Portanto, tanto Stuart Mill quanto Marx perceberam que o sistema de 
distribuição da renda não estava funcionando bem na economia capitalista em expansão, e 
que o instrumental teórico legado pelos clássicos não era adequado: baseava-se no 
pressuposto da "harmonia de interesses" e da ordem natural e providencial, que não se 
confirmavam. 
 Os dois autores não concordaram, contudo, quanto à solução: Mill preconizou políticas 
públicas de promoção do bem-estar social, sobretudo voltadas para a classe trabalhadora, 
enquanto Marx o criticou por não acreditar na possibilidade de harmonização entre os interesses 
do capital e o proletariado, cujas exigências não podiam mais ser ignoradas. 
 Stuart Mill, ao introduzir na Economia preocupações com "justiça social" na distribuição da 
riqueza, entrou para a história como um "clássico de transição" entre sua Escola e as reações 
socialistas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Profa. Valéria C. Scudeler 17 
ROTEIRO DE QUESTÕES PARA ESTUDO 
 
1) Apresente o conceito de jurisnaturalismo e como este influenciou o surgimento da Economia 
Política Clássica. 
2) O que foi o mercantilismo e o bulionismo? Por que essas doutrinas são importantes para o 
surgimento da Economia Política Clássica? 
3) O que se entende por liberalismo econômico? Apresente suas características básicas e sua 
crítica à doutrina mercantislista (baseada na visão de Adam Smith). 
4) Explique o conceito de ordem natural, que está na base filosófica do pensamento da Escola 
Clássica. 
5) Considerando o conjunto dos autores, quais as principais características do pensamento 
econômico e da visão de sociedade dos autores clássicos? 
6) Quais os objetivos centrais da obra "A Riqueza das Nações", de Adam Smith, e como o autor 
acredita que seja possível alcançá-los? 
7) Comente o conceito de livre mercado e de “mão invisível” sob o ponto de vista de Adam 
Smith. 
8) Cite as principais contribuições da obra de Thomas Malthus para a Economia Política 
Clássica. 
9) Quais os aspectos centrais da obra de David Ricardo? Comente sua teoria da produção 
agrícola inglesa (renda da terra) e teoria das vantagens comparativas. 
10) Qual a visão de Ricardo sobre o funcionamentodo sistema capitalista? Quais críticas podem 
ser feitas no tocante à sua teoria sobre a produção agrícola? 
11) Comente as contribuições centrais da obra de John Stuart Mill à Economia Política Clássica. 
12) Em que aspectos Stuart Mill contraria alguns pressupostos da Escola Clássica? Comente.

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