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perfil do engenheiro

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minuto. O engenheiro deve estar consciente de que
continuará estudando enquanto quiser acompanhar as transformações do ambiente de trabalho. Para isso, as
universidades têm papel importante na formação desse espírito de contínua aprendizagem, quando esse profissional
ainda se encontra em processo de amadurecimento, e em fornecer cursos de especialização, aperfeiçoamento e extensão,
quando este já estiver no mercado de trabalho.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando os vários aspectos citados, surge a seguinte pergunta: “Será que o engenheiro que sai das
universidades tem o perfil que as empresas desejam?”
Segundo a Ref. [2], tradicionalmente a educação vem tentando ser um instrumento de preparação do futuro
profissional para o mundo do trabalho, oferecendo informações armazenadas pela cultura e ajudando no processo de
construção dos conhecimentos técnicos para que possa desempenhar bem o seu papel e realizar-se como pessoa e como
profissional em sua área de atuação. Porém, o que se percebe é que a educação está cada vez mais distanciada do mundo
e da vida e não oferece instrumentos técnicos para que o indivíduo possa ser competente na linha profissional escolhida,
continuando frágil e incompetente demais para ser uma educação transformadora, mantendo-se isolada dos processos de
transformação política, econômica e social.
Como diz Demo [6], o mundo profissional sofre pressões e inovações que a universidade, por vezes sonha que
existem. Esta constatação já e suficiente para mostrar como a formação acadêmica tem, cada vez mais, a marca negativa
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do “acadêmico”: longe da realidade. Torna-se necessária, portanto, a reformulação tanto nos currículos como na
maneira de ensinar.
A formação de qualquer profissional de nível superior está invariavelmente fundada na implementação de um
currículo. Pode-se dizer que o currículo é o caminho que será trilhado pelo ingressante no ensino superior, para tornar-
se um profissional preparado para enfrentar os desafios do mercado de trabalho e para cumprir seu juramento feito na
ocasião de sua colação de grau (Ref. [4]).
Porém, o currículo do profissional de nível superior é apresentado sob a forma de itens de conteúdo, não sendo
capaz de esclarecer o que o aprendiz deve estar apto a fazer após ter sido submetido a esses conteúdos ou classes de
informações. Ou seja, o ensino é concebido como adesão a informações e adoção de práticas e procedimentos
conhecidos e difundidos, e não como desenvolvimento de uma atuação transformadora da realidade (Rebelatto [7]).
Em relação ao currículo dos cursos de Engenharia, a sua forma de construção não foi diferente dos demais cursos
de nível superior. Os processos de formação profissional do engenheiro, ao que parece, tem se mantido distanciado das
alterações que têm ocorrido na sociedade e isso pode ser observado a partir da maneira como é planejada essa formação.
Novamente, é importante ressaltar que a decisão sobre “o quê” ensinar deverá partir das necessidades da comunidade
onde o engenheiro irá atuar (Ref. [7]).
Segundo a Ref. [1], além da questão do aprimoramento curricular, os cursos de Engenharia deveriam seguir
algumas diretrizes:
• Fornecer sólida base conceitual.
• Enfatizar a necessidade de aperfeiçoamento contínuo;
• Motivar o aluno para auto-aprendizagem: aprender a aprender;
• Criar uma cultura onde alunos e professores se orgulhem do curso, valorizando-o sempre, tanto dentro da
instituição quanto na sociedade.
Finalizando, a Ref. [2] diz que essas novas pautas em educação e o novo perfil do engenheiro que está sendo
requerido nesta transição de milênio exigem mudanças urgentes no paradigma educacional vigente, no sentido de
focalizar o indivíduo, um sujeito contextualizado, dotado de inteligências múltiplas, que constrói o conhecimento em
função de sua bagagem genética, cultural e social. Um paradigma que valorize o processo de aprendizagem, a
atualização constante dos conteúdos, a adoção de currículos flexíveis e adaptados às condições dos alunos, que respeite
o ritmo individual e grupal nos processos de assimilação e de acomodação do conhecimento. Um paradigma que
reconheça a interatividade e a interdependência entre sujeito e objeto, onde o mais importante é o como você sabe e não
mais o quanto você sabe ou apenas o que você sabe. Somente a partir de uma novo paradigma educacional que estimule
a inteligência, o desenvolvimento do pensamento e da consciência dos estudantes, é que estar-se-á colaborando para o
desenvolvimento de novas gerações constituídas de sujeitos éticos, criativos, autônomos, cooperativos, solidários e
fraternos, capazes de liderarem com a incerteza, com a complexidade na tomada de decisão e de serem mais
responsáveis pelas decisões tomadas.
6. REFERÊNCIAS
[1] D. Silva, “O engenheiro que as empresas querem hoje”, In: I. von Linsingen et al, “Formação do Engenheiro:
desafios da atuação docente, tendências curriculares e questões da organização tecnológica”. Florianópolis, Editora da
UFSC: 1999, pp. 77-88.
[2] M. C. Moraes, “O perfil do engenheiro dos novos tempos e as novas pautas educacionais”, In: I. von Linsingen et al,
“Formação do Engenheiro: desafios da atuação docente, tendências curriculares e questões da organização tecnológica”.
Florianópolis, Editora da UFSC: 1999, pp. 53-66.
[3] W. P. Longo and M. O. da C. Telles “Programa de desenvolvimento das engenharias: situação atual”, Revista de
Ensino de Engenharia, no. 19, Jul. 1998, pp. 74-82.
[4] R. S. Ferreira, “Tendências curriculares na formação do engenheiro do ano 2000”, In: I. von Linsingen et al,
“Formação do Engenheiro: desafios da atuação docente, tendências curriculares e questões da organização tecnológica”.
Florianópolis, Editora da UFSC: 1999, pp. 129-142.
[5] M. J. G. Salum, “Os currículos de engenharia no Brasil – estágio atual e tendências”, In: I. von Linsingen et al,
“Formação do Engenheiro: desafios da atuação docente, tendências curriculares e questões da organização tecnológica”.
Florianópolis, Editora da UFSC: 1999, pp. 107-118.
[6] P. Demo, “profissional do futuro”, In: I. von Linsingen et al, “Formação do Engenheiro: desafios da atuação
docente, tendências curriculares e questões da organização tecnológica”. Florianópolis, Editora da UFSC: 1999, pp. 29-
50.
[7] D. A. N. Rebelatto, “O campo de atuação profissional do engenheiro de produção: inter-relações com as áreas de
economia e finanças”, São Carlos. Tese (Doutorado) - Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São
Paulo.1999.