Ponto 1 - Processo Civil
17 pág.

Ponto 1 - Processo Civil


DisciplinaDireito Processual Civil I45.573 materiais802.261 seguidores
Pré-visualização5 páginas
PONTO 01
Processo Civil
	Direito e os Conflitos de Interesses. Princípios Gerais do Processo Civil. Fontes. Lei Processual Civil. Eficácia. Aplicação. Interpretação. Direito Processual Intertemporal. Critérios. Processo Cautelar. Princípios Gerais. Poder Cautelar do Juiz. Medidas Cautelares Inominadas. Procedimentos Cautelares Específicos. Arresto. Seqüestro. Caução. Exibição. Produção Antecipada de Provas. Justificação. Atentado. Tutelas de Urgência nos Tribunais. Busca e Apreensão. Protestos. Notificações. Interpelações. 
	**DIREITO E OS CONFLITOS DE INTERESSES.***
Se o conflito intersubjetivo de interesses não se resolve, surge a pretensão de um dos sujeitos envolvidos, que é o modo de ser do direito (subjetivo) que tende a fazer-se valer frente a quem não o respeite ou, em geral, o discute. É a exigência de subordinação do interesse alheio ao interesse próprio (Carnelutti). Pode ser fundada (de quem tem o direito) ou infundada (de quem não tem o direito). Pode haver o direito e não haver uma pretensão. 
A resistência à pretensão é a oposição de alguém a uma pretensão de outrem (não aceito subordinar meu interesse ao alheio)..
Se um dos interesses se subordina ao outro, há a solução pacífica do conflito. Caso contrário, surge a lide, que pode ser de pretensão contestada ou de pretensão insatisfeita. Esta é o litígio. É, segundo Carnelutti, o conflito de interesses qualificado pela pretensão de um dos interessados e pela resistência do outro. 
Lide: na concepção mais clássica (Carnelutti), corresponde a um conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida. Trata-se do núcleo essencial de um processo judicial civil, o qual visa, em última instância resolver a Lide (conflito) apresentada perante o juízo.
O processo é a forma mais comum de solução da lide, a qual se caracteriza por uma pretensão resistida ou insatisfeita. No momento em que nasce um conflito de interesses entre dois ou mais indivíduos, a parte ofendida irá buscar, através do processo, o Poder Judiciário para dirimi-lo. 
Existem, porém, outras formas de composição da lide. São elas: 
Autotutela ou Autodefesa: Caracterizada pela força bruta é a forma mais antiga de solução da lide. Atualmente sua utilização é vedada, sendo substituída pela autoridade estatal. 
Autocomposição: Onde uma ou ambas as partes abre mão de todo ou parte do seu interesse. Existem 3 formas: 
Renúncia - é unilateral, é a renúncia à pretensão; 
Submissão (reconhecimento jurídico do pedido) - é a renúncia à resistência oferecida à pretensão; 
Transação - em que ocorrem concessões recíprocas por ato bilateral. 
Arbitragem: se dá por ato de TERCEIRO, quem decide o conflito é uma terceira pessoa imparcial e de confiança das partes.
Natureza jurídica da arbitragem: é possível identificar três correntes:
1) Arbitragem com natureza jurisdicional: fundamenta-se na premissa de se enquadrar como jurisdição em razão do resultado desta atividade, qual seja, de pacificação de conflitos;
2) Arbitragem sem natureza jurisdicional: entende-se que não obstante atinja o resultado de resolução de conflitos, a atividade em si não decorre da atuação do Poder Judiciário (embora a sentença arbitral tenha o "status" de título executivo judicial - CPC, art. 475-N, inc. IV). Isso porque no conceito de jurisdição da Profª Ada Pelegrini Grinover a atividade consiste em "poder-função-atividade", sendo que a arbitragem não é dotada dos elementos de poder, pois não decorre da expressão do Estado. Além disso, em caso de inadimplemento da obrigação prevista na sentença arbitral será necessária a propositura de uma ação de cumprimento de sentença (art. 475-N, parágrafo único).
3) Arbitragem como para-jurisdicional: o Prof. Candido Rangel Dinamarco entende que a arbitragem, embora não seja jurisdição, é equiparada à tal, em vista à sua finalidade precípua e o reconhecimento da natureza judicial do título executivo aí produzido.
	***Princípios gerais do processo civil***
Princípio da isonomia: as partes vão para o processo com as mesmas armas (art. 125 do CPC). 
	Inafastabilidade do controle jurisdicional: - Encontra-se no art. 5o, inc. XXXV, aonde fala: \u201ca lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito\u201d. 
	Contraditório e ampla defesa: contraditório é a ciência bilateral dos atos do processo.
	Direito de defesa envolve a) direito de informação, b) direito de manifestação e c) direito de ver os argumentos serem considerados (STF).
	Princípio da demanda ou da inércia de jurisdição: a atividade jurisdicional só existe após regular provocação da parte interessada;
	Princípio da congruência: estabelece a correlação entre o pedido e a sentença.
	Princípio do juiz natural: está em dois dispositivos da Constituição: "ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente" e XXXVII -"não haverá juízo ou tribunal de exceção".
	Princípio da publicidade: tem fundamento constitucional, estando consagrado nos art.93, IX e art.5º LX da CRFB/88. A lei pode restringir a publicidade dos atos processuais, com base nos critérios da defesa da intimidade e interesse social. O CPC em seu art. 155 também faz este tipo de proibição.
	Princípio do dispositivo e da livre investigação das provas: 
	O princípio dispositivo consiste na regra de que o juiz depende, na instrução da causa, da iniciativa das partes quanto às provas e às alegações em que se fundamentará a decisão.
	Princípio da instrumentalidade das formas: a forma se destina a alcançar um fim. Se, ainda que a forma não tenha sido observada, a finalidade tenha sido alcançada, o ato pode ser considerado válido.
	***FONTES DO DIREITO PROCESSUAL CIVIL***
	Fontes imediatas: a lei e os costumes.
	Fontes mediatas: a doutrina a jurisprudência.
	***DA INTERPRETAÇÃO DA LEI PROCESSUAL***
	Métodos:
	1) Método gramatical: como as leis se expressam por meio de palavras, o intérprete de analisá-las, tanto individualmente como na sua sintaxe.
	2) Método sistemático: exame em suas relações com as demais normas que compõem o ordenamento e à luz dos princípios gerais que o informam.
	3) Método histórico: análise das vicissitudes sociais de que resultou e das aspirações a que correspondeu.
	
	Espécies:
	Conforme o resultado dessa atividade, a interpretação será:
	1) Declarativa: a interpretação que atribui à lei o exato sentido proveniente do significado das palavras que a expressam.
	2) Extensiva: considera a lei aplicável a casos que não estão abrangidos pelo seu teor literal.
	3) Restritiva: a interpretação que limita o âmbito de aplicação da lei a um círculo mais estrito de casos do que o indicado pelas suas palavras.
	
	 Interpretação e Integração
	Lacunas da Lei:
	Considerando como ordenamento jurídico, o direito não apresenta lacunas: sempre haverá no ordenamento jurídico, ainda que latente e inexpressiva, uma regra para disciplinar cada possível situação ou conflito entre pessoas. O mesmo não acontece com a lei, por mais imaginativo e previdente que fosse o legislador, jamais conseguiria cobrir através dela todas as situações que a multifária riqueza da vida social, nas suas constantes mutações, poderá provocar.
	A Analogia e os Princípios Gerais do Direito:
	Analogia: consiste a analogia em resolver um caso não previsto em lei, mediante a utilização de regra jurídica relativa a hipótese semelhante.
	Princípios gerais do direito: são os princípios decorrentes do próprio ordenamento jurídico, que o informam e lhe são anteriores e transcendentes.
	***Eficácia da Lei Processual no Tempo e no Espaço***
	Lei Processual no Espaço:
	O princípio que regula a eficácia espacial das normas de processo é o da territorialidade, limitando-se o juiz a aplicar a lei local (aplicação da lex fori). Sendo, porém, necessária a colheita de provas no exterior, poderá ser utilizada a lei processual de outro país (art. 13, LICC). A sentença