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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS CURSO DE QUÍMICA LICENCIATURA ANDRÉ LUIZ DE SOUZA GIOVANA MAIA SALES HEVANNDER RUBIAN ROLIM DE ALBUQUERQUE HYGOR FABRICIO DO NASCIMENTO SANTOS MELKEN LOPES RAIOL ÉMILE DURKHEIM. MANAUS 2018 ANDRÉ LUIZ DE SOUZA GIOVANA MAIA SALES HEVANNDER RUBIAN ROLIM DE ALBUQUERQUE HYGOR FABRICIO DO NASCIMENTO SANTOS MELKEN LOPES RAIOL ÉMILE DURKHEIM. Trabalho de fundamentos da educação, turma QL01, apresentado a Universidade Federal do Amazonas - UFAM - como pré- requisito para obtenção de nota. Orientador: Prof. VALLACE CHRICIANO SOUZA HERRAN, MSc. MANAUS 2018 SUMÁRIO INTRODUÇÃO .................................................................................................. 3 1 BIOGRAFIA ................................................................................................... 4 2 OBRAS DE ÉMILE DURKHEIM ..................................................................... 5 2.1 DA DIVISÃO DO TRABALHO SOCIAL .................................................... 5 2.2 AS REGRAS DO MÉTODO SOCIOLÓGICO ........................................... 7 2.3 O SUICÍDIO ............................................................................................. 9 2.4 AS FORMAS ELEMENTARES DA VIDA RELIGIOSA ........................... 10 2.5 EDUCAÇÃO E SOCIOLOGIA ................................................................ 12 2.6 SOCIOLOGIA E FILOSOLFIA ............................................................... 13 2.7 EDUCAÇÃO MORAL ............................................................................. 16 3 SOB FOGO CRUZADO: AS CRÍTICAS À SOCIOLOGIA DURKHEIMIANA . 19 3.1 SOCIALIZAÇÃO, MORALIZAÇÃO E CONTROLE SOCIAL................... 20 3.2 O NATURALISMO METODOLÓGICO E A CONSERVAÇÃO DA ORDEM SOCIAL BURGUESA .................................................................................. 22 3.3 DURKHEIM E O CONSERVADORISMO............................................... 24 4 ATUALIDADE DOS FATOS SOCIAIS DE DURKHEIM ................................ 28 CONCLUSÃO ................................................................................................. 30 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 31 3 INTRODUÇÃO Durkheim entende a educação como uma poderosa ferramenta para a construção gradativa de uma moral coletiva, fundamental para a continuidade da sociedade capitalista. Esse é um pressuposto fundamental para o entendimento de suas preocupações expressa em um grande debate com as ideias liberais presentes na Europa no início do século XX. A crítica ao liberalismo se apresenta com a demonstração da impossibilidade de concretização de uma sociedade mais avançada sob a lógica do individualismo. O individualismo, entende Durkheim, é o maior inimigo para a constituição e manutenção de uma sociedade das máquinas herdeira da primeira revolução tecnológica. A constituição de uma moral coletiva expressa na divisão social do trabalho manifesta pela solidariedade orgânica é entendida como grande desafio para o avanço de uma sociedade. Esse debate não se deu ao acaso. Durkheim viveu em um período histórico conturbado, marcado por crises econômicas, crescente urbanização da sociedade e a construção gradativa da Primeira Grande Guerra Mundial, desdobramento dos conflitos econômicos das grandes potências mundiais em busca de novos mercados para a troca de mercadorias e acesso a matérias primas. Esse processo social foi acompanhado pelos desdobramentos da grande crise econômica de 1870, uma crise de superprodução de mercadorias acompanhada do crescimento da miséria, violência e falências de várias empresas. Esses processos de transformações na sociedade capitalista influenciaram Durkheim e suas preocupações quanto ao futuro da humanidade. Alguns afirmam que seus pressupostos não mais influenciam a sociedade. Outros entende que não mais se aplicam à educação. O que pretendemos é recuperar alguns fundamentos de seu pensamento, proporcionando aos educadores, um relacionar com suas práticas no cotidiano escolar, para que juntos encontremos respostas e perguntas. Para tanto contamos com o grande legado de obras deixado por este grande pensador. 4 1 BIOGRAFIA Émile Durkheim (1858-1917) foi um sociólogo francês. É considerado o pai da Sociologia Moderna e chefe da chamada Escola Sociológica Francesa. É o criador da teoria da coesão social. Junto com Karl Marx e Max Weber, formam um dos pilares dos estudos sociológicos. Nasceu em Epinal, região de Lorena, na França, no dia 15 de abril de 1858. Descendente de família judia, filho e neto de rabinos, foi preparado para seguir o mesmo caminho, mas rejeitou sua herança judaica. Estudou no Colégio d’Epinal e no Liceu, em Paris. Estudou filosofia na Escola Normal Superior de Paris. O fato de Durkheim não ter seguido os preceitos da cultura judaica pode ter influenciado no teor de seus estudos e de suas preocupações religiosas, preferindo analisá-las desde o ponto de vista social. Estudou as teorias de Auguste Comte e Herbert Spencer, o que fez com que conferisse uma matriz científica às suas teorias. Em 1897 fundou a revista L’Année Sociologique na qual reuniu um eminente grupo de estudiosos. Formou grande número de discípulos que por sua vez forneceram contribuições à pesquisa sociológica. A teoria dos fatos sociais de Durkheim influiu decisivamente sobre o desenvolvimento da Sociologia Científica do século XX. Émile Durkheim foi nomeado professor de Ciências Sociais em curso criado especialmente para ele, e de Pedagogia, na Universidade de Bordeaux. Em 1902, foi nomeado para a primeira cadeira de Sociologia na França, e para a cadeira de Pedagogia, ambas na Sorbonne. Émile Durkheim foi considerado um dos fundadores da Sociologia Moderna e chefe da chamada Escola Sociológica Francesa, rival da Escola da Ciência Social de Frédéric Le Play. Durkheim escreveu obras que foram definitivas nos rumos dos estudos sociológicos, como No livro "Da Divisão do Trabalho Social" (1893), "As Regras do Método Sociológico" (1895), "O Suicídio" (1897), "Formas Elementares da Vida Religiosa" (1912). Émile Durkheim morreu no dia 15 de novembro de 1917. Seus restos mortais encontram-se no cemitério de Montparnasse, em Paris. 5 2 OBRAS DE ÉMILE DURKHEIM Émile Durkheim foi considerado um dos fundadores da Sociologia Moderna e chefe da chamada Escola Sociológica Francesa, rival da Escola da Ciência Social de Frédéric Le Play. Durkheim escreveu obras que foram definitivas nos rumos dos estudos sociológicos. No livro "Da Divisão do Trabalho Social" (1893), ele estabeleceu as bases da sociedade comparando a um organismo vivo, onde cada parte funcionava como um órgão biológico que agiria de forma dependente. Assim, numa sociedade "doente", que ele denominava de anomia, a cura para o melhor funcionamento social seria a solidariedade orgânica. No livro "As Regras do Método Sociológico" (1895), estabeleceu as bases para a sociologia como ciência. Em sua obra "O Suicídio" (1897), avaliou que o maior nível de integração social estava ligado aos índices de suicídio, que seriam maiores quanto mais frágeis fossem os laços sociais. Também pesquisou assuntos sobre religião, através do livro "Formas Elementares da Vida Religiosa", publicado em (1912), entreoutras obras como “Educação e Sociologia” (1922), “Sociologia e Filosofia” (1924) e “A educação Moral” (1925). 2.1 DA DIVISÃO DO TRABALHO SOCIAL Publicado originalmente em 1893, analisa as funções sociais do trabalho e procura mostrar como, na modernidade, tal divisão é a principal fonte de coesão social. Durkheim classificou a sociedade em dois tipos de solidariedade: a mecânica e a orgânica, que associou a dois tipos de lei, por ele denominados de direito repressivo e direito restitutivo. Tal divisão está ancorada nos dois tipos de consciência que têm lugar nos seres sociaisː a consciência coletiva e a individual. Para Durkheim, o desenvolvimento de uma é exclusivo em relação à outra, sendo o processo de predominância da consciência coletiva em relação à individual o processo de evolução das sociedades, ou de sua complexificação. A complexificação define uma mudança em que os diversos corpos sociais, primitivamente indiferenciados no seu interior, fragmentam-se estabelecendo trocas com outros grupos e definindo diferentes funções no seu interior. As sociedades primitivas seriam aquelas em que a consciência coletiva se encontra desenvolvida de modo absoluto. Todos os indivíduos que compõem 6 uma sociedade neste estágio detêm as mesmas representações coletivas, as mesmas finalidades, estando de acordo com os mesmos valores. O trabalho necessário para atender a suas necessidades encontra-se pouco diferenciado, apenas entre os sexos. Neste estágio, a consciência individual é nula ou quase nula, isto permite sustentar o argumento de que não se trata de sociedades mais ou menos coercitivas, pois, onde não se desenvolveu a consciência individual, não se pode coibi-la. Durkheim ainda argumenta que, nestas sociedades, o indivíduo, e/ou um pequeno seguimento dentro delas, mais facilmente rompe e deserda da mesma pois contém, em si, o conjunto das representações que definem o todo social e, por isso, está apto a cumprir todas as funções necessárias a sua sobrevivência. O que caracteriza o desenvolvimento das sociedades modernas para Durkheim seria a diferenciação social, a complexificação das funções exercidas por um corpo social. A isso, encontra-se, vinculada, a predominância da consciência individual com relação à coletiva. Entretanto, o argumento durkheimiano é contrário ao individualismo do liberalismo econômico, que pressupõe a ação econômica como o fundamento da sociedade e a única razão possível de uma moral que não impeça o indivíduo. Durkheim vê, neste argumento, um erro segundo sua lógica funcionalista. Para o autor, mesmo a consciência individual é formada socialmente. A consciência levada a ver o indivíduo como desprovido de influências de seu meio social é somente incapaz de percebê-la, pois esta é profunda e constitui seu próprio processo formativo. Desse modo é que a diferenciação social, a complexificação da sociedade, não trata de romper os laços sociais, mas de transformá-los. A divisão do trabalho social não provoca, segundo o autor, senão em suas formas patológicas, a desintegração da sociedade mas um novo tipo de solidariedade. Sendo mecânica a solidariedade das sociedades primitivas, nas sociedades evoluídas, a solidariedade é orgânica. O processo de divisão do trabalho forma indivíduos que são cada vez mais capazes de perceber o quanto dependem dos outros. Por isso, a consciência individual, para Durkheim, não é sinônimo de individualismo e/ou egoísmo, mas de uma autoconsciência formada socialmente. É possível diferenciar-se assumindo gostos particulares, desempenhar diferentes profissões, mas, na medida em que estas 7 possibilidades proliferam, mais estreita se torna a complementariedade proveniente das diversas atividades exercitadas pelos indivíduos no corpo social pois, quanto mais especializadas as funções, maior o seu número. 2.2 AS REGRAS DO MÉTODO SOCIOLÓGICO As regras do método sociológico representa a formulação abstrata da prática dos dois primeiros livros. O objetivo de Durkheim é demonstrar que pode e deve existir uma sociologia objetiva e científica, tendo por objeto o fato social. Para que haja tal sociologia, duas coisas são necessárias: que seu objeto seja específico, distinguindo-se do objeto das outras ciências, e que possa ser observado e explicado de modo semelhante ao que acontece com os fatos observados pelas outras ciências. Esta dupla exigência leva às duas fórmulas que servem de fundamento para a metodologia de Durkheim: é preciso considerar os fatos sociais como coisas; a característica do fato social é que ele exerce uma coerção sobre os indivíduos. De acordo com Durkheim, a coerção é apenas a aparência externa, uma característica que permite reconhecer o fato social. Durkheim parte da ideia de que convém definir os fatos sociais pelas características externas facilmente reconhecíveis, a fim de evitar os preconceitos. O perigo deste método é duplo: substituir imperceptivelmente uma definição, intrínseca, por outra, extrínseca, relacionada com sinais exteriores reconhecíveis, e pressupor arbitrariamente que todos os fatos classificados nessa categoria derivam necessariamente de uma mesma causa. Essa tendência a ver os fatos sociais como suscetíveis de serem classificados em gêneros e em espécies aparece no Cap. V, dedicado às regras relativas à constituição dos tipos sociais. A classificação das sociedades, de Durkheim, se baseia no princípio de que o diferente grau de complexidade é que as diferencia. O ponto de partida é o grupo mais simples, a que Durkheim chama horda. Depois da horda vem o clã, que compreende várias famílias e é a mais simples sociedade historicamente conhecida. Para classificar as outras sociedades, basta aplicar o mesmo princípio. Este critério permite determinar a natureza de uma sociedade sem referência às fases históricas, tais como as etapas do desenvolvimento econômico. 8 Os sociólogos do século XIX, Auguste Comte e Karl Marx, se esforçaram por determinar as fases do progresso intelectual, econômico e social da humanidade. Segundo Durkheim, estas tentativas não levam a nada, pois uma sociedade pode absorver certo desenvolvimento econômico sem que sua natureza fundamental se transforme. Contudo, é possível fazer uma classificação cientificamente válida dos gêneros e espécies de sociedades, com base num critério que reflete a estrutura da sociedade considerada, como o número dos segmentos justapostos numa sociedade complexa e o modo de combinação desses segmentos. As teorias da definição e classificação dos gêneros e espécies levam à distinção do normal e do patológico. A distinção do normal e do patológico, desenvolvida no Capitulo III de As regras do método sociológico, é uma das bases do pensamento de Durkheim. Sua vontade de ser um cientista puro não o impedia de afirmar que a sociologia não valeria nada se não permitisse o aperfeiçoamento da sociedade. A distinção entre o normal e o patológico é precisamente uma das intermediações entre a observação dos fatos e os preceitos. Se um fenômeno é patológico, temos um argumento cientifico para justificar projetos de reforma. Para Durkheim, será considerado normal o fenômeno que encontrarmos mais frequentemente numa sociedade dada, num certo momento do seu desenvolvimento. Esta definição da normalidade não exclui que, subsidiariamente, se procure explicar a causa que determina a frequência do fenômeno considerado. Assim como a normalidade é definida pela generalidade, a explicação, segundo Durkheim, é definida pela causa. Explicar um fenômeno social é identificar o fenômeno que o produz. Uma vezestabelecida a causa de um fenômeno, pode-se procurar igualmente a função que exerce, a sua utilidade. As causas dos fenômenos sociais devem ser procuradas no meio social. É a estrutura da sociedade considerada que constitui a causa dos fenômenos que a sociologia quer explicar. A explicação dos fenômenos pelo meio social se opõe à explicação histórica segundo a qual a causa de um fenômeno deveria ser procurada no estado anterior da sociedade. Durkheim pensa que se podem explicar os fenômenos sociais pelas condições concomitantes. De certa maneira, a 9 causalidade eficiente do meio social representa, para Durkheim, a condição da existência da sociologia cientifica. Esta teoria da sociologia cientifica se fundamenta numa afirmativa central do pensamento de Durkheim: a sociedade é uma realidade de natureza diferente das realidades individuais. Todo fato social tem como causa um outro fato social, e nunca um fato da psicologia individual. Este é o centro do pensamento metodológico de Durkheim. Para ele o fato social é específico, provocado pela associação dos indivíduos, e diferente, pela sua natureza, do que se passa no nível das consciências individuais. Os fatos sociais podem ser objeto de uma ciência geral porque se distribuem em categorias, e os próprios conjuntos sociais podem ser classificados em gêneros e espécies. 2.3 O SUICÍDIO A obra “O suicídio” de Durkheim escrita em 1897 diz respeito a um assunto considerado psicológico na condição de fenômeno social, a fim de provar que o suicídio é um fato social, por meio de coerção exterior e independente do indivíduo, inserida na sociedade. Para analisar o suicídio, Durkheim abordou diversos conceitos desde meios sociais, religiosos e políticos, o autor buscou relacionar as taxas de suicídios e as questões religiosas. Durkheim encontrou alguns aspectos para relacionar elementos a fim de entender a diferença nas taxas de suicídios. Segundo o autor em questões religiosas, o homem se mata porque a crença ou religião da qual integra perdeu o sentido, a coesão. Relata ainda Durkheim que no protestantismo é mais elevado o índice de suicídios por ser menos integradora, ou seja, quanto menos vínculo a outras pessoas, mais propício ao suicídio egoísta. Em contrapartida, no Judaísmo o povo foi marcado por grandes perseguições, portanto, não houve margem para um julgamento individual, portanto, com sua tradição consolidada. Para Durkheim outro elemento que pode gerar a prática de suicídio são as crises econômicas, de modo que, a crise contribui para a ruptura do equilíbrio, 10 e quando a sociedade é perturbada por crises ou mudanças repentinas, os indivíduos acabam não se ajustando e os valores das forças sociais e morais permanecem indeterminados, acarretando sofrimento e por esse motivo o suicídio. Em linhas gerais Durkheim relata que as taxas de suicídio são maiores entre solteiros, viúvos e divorciados, que o suicídio pode ser ainda sob a forma altruísta, que ocorre quando os indivíduos se sentem oprimidos pela sociedade, ou quando se sacrificam por um grande ideal, ou ainda o suicídio anômico, quando há uma interação do indivíduo com as normas da sociedade, e essas normas não correspondem com os objetivos de vida desse indivíduo. O mais importante é que esse autor foi um grande estudioso do tema e definiu alguns dos entendimentos acerca do suicídio sob um foco sociológico que relaciona o homem no interior da sociedade sob diferentes pressões, normas e contextos culturais. 2.4 AS FORMAS ELEMENTARES DA VIDA RELIGIOSA Estudando as religiões de tribos aborígenes da Austrália Durkheim faz uma análise da religião como simples fenômeno social e atribui o desenvolvimento da religião à segurança emocional proporcionada pela vida em comunidade.[1] Durkheim tinha por objeto de estudo compreender a origem das diversas religiões. Segundo ele, o homem é ser religioso e sempre será. Por isso seu desejo de investigar e explicar a origem das religiões. Para ele, era possível comparar as religiões porque elas possuíam elementos comuns. Segundo ele, uma religião é um sistema solidário de crenças seguintes e de práticas relativas a coisas sagradas, ou seja, separadas, proibidas; crenças e práticas que unem na mesma comunidade moral, chamada igreja, todos os que a ela aderem. Em, “As Formas Elementares da Vida Religiosa” ele faz uma análise das religiões primitivas australianas, explicando que são nas religiões mais simples onde se podem encontrar elementos comuns de todas as religiões, até mesmo as mais atuais. Para que uma religião seja a primitiva, elas devem conter dois elementos fundamentais: 11 1. “Sua organização não seja ultrapassada por nenhuma outra em simplicidade”. 2. “Deve-se explicá-la sem fazer intervir nenhum elemento tomado de religião anterior”. Para ele, a religião é fruto da ação social, produto da sociedade, e que a mesma “exprimem realidades coletivas” e “se destinam a promover, a manter, ou a refazer certos estados mentais desses grupos” (DURKHEIM, 2003, p.38). Ou seja, a Religião é o conjunto das atitudes e atos pelos quais o homem manifestava sua dependência em relação a seres sobrenaturais. O homem idealiza a religião, mas expressa uma realidade concreta, sendo assim ela não é fantasiosa, mas real. Ele estuda as religiões primitivas por dois motivos: 1. Satisfazem as mesmas necessidades, desempenham o mesmo papel, dependem das mesmas razões, e podem ser usadas para expressar a natureza da vida religiosa. 2. A sua evolução explicaria as religiões atuais. Assim, ele procurava analisar a realidade social da religião australiana, considerada, por ele, a mais primitiva que já existiu. Ele via a religião como representações coletivas. Estas se originam nas comunidades e incluem as categorias mais básicas do pensamento humano, tais como causalidade, tempo e espaço. Essas representações coletivas, embora inicialmente de conteúdo religioso, constituíam o paradigma de todas as formas avançadas do conhecimento teórico. Em seu relato sobre religião e a manifestação das representações coletivas, era essencial separar o profano do sagrado. Segundo ele, o fenômeno religioso divide-se em: o sagrado e o profano. A religião nasce a partir do momento que há uma diferença entre o sagrado e o profano. É sagrado, tudo aquilo que está ligado ao sobrenatural: magia, mitos, crenças. É profano tudo o se refere ao fator natural, biológico, normal. Sendo a religião uma representação das necessidades reais de uma sociedade, cabia a ciência descobrir qual era seu verdadeiro significado. Quando isso acontecesse então, seria possível conhecer os elementos comuns a todas elas. Seria possível criar uma religião geral. A conclusão geral do livro é que a religião é algo eminentemente social. A religião era importante para Durkheim como exemplo de representações coletivas compartilhadas, como não há prova da existência de um deus, a analisava como ferramenta social. Ele via a religião como 12 portadora de uma função integradora, capaz de manter a solidariedade social. Para ele, os rituais, as cerimônias e a fé são elementos comuns e imutáveis que estão presentes em todas as religiões. 2.5 EDUCAÇÃO E SOCIOLOGIA Durkheim argumenta que, a palavra educação tem sido muitas vezes empregada em sentido demasiadamente amplo para designar o conjunto de influências que são exercidas sobre nossa inteligência ao longo da vida. Durkheim entende a educação como um fator cultural e social. A educação assim definida, - como um conjunto de influências exercidasobre os indivíduos - é responsável pelas atitudes e ações destes na sociedade. Portanto, dada essa a forma da educação, cada sociedade forma o tipo de homem de que deseja e necessita. A educação, do ponto de vista sociológico, é a atividade das gerações adultas exercida sobre as gerações que ainda não alcançou o estado de amadurecimento físico, intelectual, moral e social adequado. Durkheim define a educação como a “socialização da criança”. A educação em sua natureza e função, pode ser assim definida por vários pensadores. É a preparação do indivíduo para a vida social, cultural e moral. Constitui um fenômeno eminentemente social e cultural. Ao longo da história, diferentes sociedades tiveram os mais diferentes sistemas educacionais. Os indivíduos eram educados de acordo com as regras morais e sociais adotadas por cada sociedade e épocas diferentes. Assim foi a história da educação segundo Durkheim. Uma educação para cada época e para cada povo. Cada sistema foi sucedido por outro de acordo com a organização social vigente e as normas sociais e de condutas adotadas. Ocorre ainda, de normas de educação diferentes vigorar em espaços geográficos diferentes, como foi o caso de Atenas e Esparta na Grécia. Em resumo, Durkheim mostra que; diferentes povos, em diferentes lugares e em determinadas épocas, tiveram determinados sistemas de educação que privilegiavam seus ideais de organização social. 13 2.6 SOCIOLOGIA E FILOSOLFIA Durkheim quis ser um pensador positivista e um cientista, um sociólogo capaz de estudar os fatos sociais como coisas, explicá-los da mesma forma como os especialistas nas ciências da natureza explicam os fenômenos. Há, contudo, no pensamento de Durkheim a ideia de que a sociedade é o lar do ideal e também o objeto real da fé moral e religiosa. Há equívocos e dificuldades que resultam desta dupla interpretação da sociedade. Na primeira acepção, a sociedade é definida como o meio social e considerada como aquilo que determina os outros fenômenos. Durkheim insiste, com razão, no fato de que as várias instituições, família, crime, educação, politica, moral, religião, são condicionadas pela organização da sociedade. Mas Durkheim se inclina a ver o meio social como uma realidade objetiva e materialmente definida, quando na verdade ele é apenas uma representação intelectual. Esta tendência a realizar abstrações aparece na noção de “corrente suicidógena”. Na verdade, não há “corrente suicidógena”. A frequência do suicídio é maior ou menor conforme as condições sociais e os grupos. As taxas de suicídio revelam certas características dos grupos; mas não demonstram que os desesperados que se matam são transportados por uma “corrente coletiva”. Durkheim se exprime muitas vezes como se o meio social fosse suficientemente determinado para que se pudesse precisar as instituições que lhe são necessárias. É verdade que cada sociedade tem instituições, crenças ou práticas morais que lhe são próprias, e que caracterizam o tipo a que essas sociedades pertencem. Contudo, afirmar que as atitudes morais variam de um tipo social para outro não significa que, conhecendo um tipo social, seja possível determinar a moral que lhe convém. As concepções morais estão em conflito, e algumas delas terminam por se impor. Em outras palavras, é preciso substituir a noção de sociedade, unidade completa e integral, pela noção de grupos sociais, que coexistem dentro de toda sociedade complexa. Essa ilusão sobre a possibilidade de deduzir imperativos das análises de fato se explica pela teoria da classificação dos tipos de sociedade. Durkheim acreditava que era possível distribuir as diversas sociedades conforme seu grau de complexidade, das sociedades unissegmentadas até as sociedades polissegmentadas duplamente compostas. Esta classificação é provocada por 14 uma ilusão segundo a qual apenas uma classificação das sociedades é válida, em termos absolutos. Para examinar e criticar o segundo sentido durkheimiano de sociedade, segundo o qual ela é concebida como moradia do ideal, objeto de respeito e adoração, vou servir-me de um livrinho, SOCIOLOGIA E FILOSOFIA. Nesta pequena obra estão enunciados alguns dos temas essenciais de Durkheim. O primeiro tema afirma que “o homem só é homem na medida em que é civilizado”; só a integração na sociedade faz do homem um animal diferente dos outros. A isto é fácil de objetar: esta condição só é suficiente na medida em que o homem animal é dotado de capacidades que as outras espécies não possuem. Durkheim tem razão quando diz que a linguagem, a moral e a religião são fenômenos sociais. Isto não quer dizer, contudo, que estes fatos humanos sejam essencialmente sociais, ou que a significação verdadeira do fenômeno considerado resulte da sua dimensão social. Esta observação se aplica particularmente à moral. Segundo Durkheim, um ato só é moral se tem por objeto uma pessoa que não a do seu autor. Ora, esta outra pessoa não vale mais do que eu. Portanto, para que possa haver uma moralidade, é preciso que haja uma realidade que valha mais do que eu, ou do que qualquer outra pessoa. Esta realidade só pode ser Deus ou a sociedade, e não há nenhuma diferença entre as duas hipóteses, já que a religião, de acordo com o estudo das formas elementares da vida religiosa, não passa de adoração da sociedade transfigurada. O primeiro sofisma reside na análise daquilo que constitui um ato e que faz dele um ato moral. Durkheim afirma que, se um ato que tem por objeto minha própria pessoa não pode ser moral, um ato que tenha outra pessoa por objeto também não poderia sê-lo. Ora, o ato que tem por objeto salvar a vida de outrem é moral, mesmo que a pessoa salva não valha mais do que a que a salvou. É o desprendimento e o devotamento a outrem que tornam o ato moral, não o valor realizado no objeto do ato. É também um sofisma acreditar que o valor que criamos com nossa conduta deva estar encarnado antecipadamente no real. Numa filosofia puramente humana, os valores morais são uma criação gratuita da humanidade. O homem é uma espécie animal que alcança progressivamente a humanidade. 15 Postular que haja um objeto valorizado em si mesmo é falsear o sentido da religião, ou o sentido da moralidade humana. Um terceiro sofisma consiste em admitir que o termo sociedade é definido, e que se podem comparar e opor sociedade e divindade, como duas coisas circunscritas e observáveis. Não existe a sociedade, ou uma sociedade; há grupos humanos. Qual é a sociedade equivalente a Deus? É a família? É a sociedade nacional? É a humanidade? Se não estabelecermos com precisão o que entendemos por sociedade, a concepção de Durkheim pode levar às pseudo-religiões da nossa época, à adoração de uma coletividade nacional pelos seus próprios membros. A possibilidade deste mal-entendido mostra o perigo de usar o conceito de sociedade sem uma especificação. Essa metafisica da sociedade vicia, infelizmente, certas intuições profundas de Durkheim, sobre as relações entre a ciência, a moral e a religião, por um lado, e o contexto social, por outro. Segundo Durkheim, as diferentes atividades do homem se diferenciaram progressivamente no curso da história. No correr dos séculos, as categorias do direito, da ciência, da moral e da religião adquiriram sua autonomia. Esta afirmação é correta, mas não implica que todas estas categorias tirem sua autoridade de sua origem social. Quando Durkheim esboça uma teoria sociológica do conhecimento e da moral, essa teoria deveria resultar da análise objetiva das circunstâncias sociais que influenciam o desenvolvimento das categoriascientificas e das noções morais. Mas a análise é falseada pela convicção de Durkheim de que não há uma diferença fundamental entre ciência e moral, entre julgamento de valor e de fato. Nos dois casos, a autoridade de tais julgamentos estaria fundamentada na própria sociedade. Neste ponto há um equívoco. O estudo sociológico das origens dos conceitos não se confunde com a teoria do conhecimento. As condições da verdade científica nada tem a ver com as circunstâncias do advento social da verdade. Existe, sim, uma teoria sociológica das condições nas quais se desenvolve a ciência (sociologia do conhecimento) a qual presta serviços à teoria do conhecimento, mas não se confunde com ela. Com relação aos julgamentos de valor, o erro é outro. Durkheim pretende que o ideal moral seja um ideal social, que a sociedade confira seu valor à moral. Isto é outro equívoco. O fato de que nossos julgamentos de valor nos sejam 16 sugeridos pelo meio social não prova que a finalidade da moral seja um determinado estado da sociedade. O caráter filosófico da sociologia de Durkheim explica a violência das paixões que levantou. Quando Durkheim afirmava não encontrar diferença entre a divindade e a sociedade, afirmativa, para ele, respeitosa com relação à religião, parecia, a alguns, atentatória aos valores religiosos. Assim se explica por que hoje ainda o pensamento de Durkheim e interpretado de tantas maneiras diferentes. Durkheim procura reconstituir o consenso social e reforçar a autoridade dos imperativos e dos interditos coletivos. Para alguns críticos, esta restauração das normas sociais caracteriza um empreendimento conservador. De acordo com Durkheim, a norma social cuja autoridade convém reforçar considera dever de cada um a utilização do próprio julgamento e a afirmação da sua autonomia. Conforme se dê maior ênfase ao reforço das normas pessoais ou ao desenvolvimento da autonomia individual, a interpretação será conservadora ou, ao contrário, racionalista e liberal. A interpretação mais verdadeira é a que combina estas duas visões. Segundo as ideias de Durkheim, a sociologia justifica o individualismo racionalista e prega, ao mesmo tempo, o respeito pelas normas coletivas. Esta é a conclusão de uma investigação em cuja origem se coloca a velha questão das relações entre o indivíduo e a sociedade, ou entre o individualismo e o socialismo. 2.7 EDUCAÇÃO MORAL Moral Laica: Em primeiro lugar, o esforço do autor em combater a hegemonia da Igreja católica no campo da educação primária, com o argumento de que não seria suficiente realizar um ensino leigo da moral, mas seria imprescindível o ensino de uma moral laica. A segunda dimensão refere-se à tese — desenvolvida em maior detalhe em trabalhos ulteriores — de que a verdadeira origem de Deus não é outra senão a sociedade, o que lhe permitiu mostrar, ao mesmo tempo, a origem humana da divindade e o caráter sagrado que se atribui à moralidade. Finalmente, com esse argumento sobre a analogia entre Deus e a sociedade, o autor pôde também defender que uma educação 17 racional, que revela a origem social da moralidade, é a única que pode forjar nos indivíduos aquilo a que chamou de "espírito de autonomia". Eis no que constitui a grande dificuldade da moral laica. O que é complicado não é encontrar razões bastante laicas para justificar por que tal ou tal modo de agir é recomendável. Aquilo que é muito mais difícil, porém não impossível, é, de maneira geral, fazer com que a criança consiga compreender por que ela tem deveres, por que precisa violentar-se, desprender-se de si mesma para cumprir tais deveres. É necessário que compreenda que existe, acima dela, algo ante o qual deve prostrar-se, regras às quais deve obedecer simplesmente porque ordenam, e é preciso vincular tais regras a um poder moral do qual elas emanam; e para que os atos reclamados possam aparecer como desejáveis é preciso que esse poder seja concebido como algo benéfico, como algo bom. Se renunciamos a nos apoiarem uma potência divina, precisamos encontrar outra força que possa desempenhar o mesmo papel. Sim, existe uma potência da qual a divindade não é mais do que uma expressão simbólica; sim, existe uma potência que está ao nosso redor, dentro de nós mesmos. É tão misteriosa quanto a outra, porém, podemos mostrá-la, fazer com que seja compreendida, que seja percebida com nossos olhos, da mesma forma como podemos perceber o mundo exterior. Essa potência moral, tão real como a potência física, porém, não tão visível, é a sociedade, a sociedade da qual fazemos parte. E, com efeito, uma sociedade é para seus membros aquilo que um deus é para seus fiéis. Um deus é um poder superior ao homem, que lhe dá ordens, da qual o homem depende. Pois bem, a sociedade tem, com relação a cada um de nós, a mesma superioridade; e essa superioridade não existiria para nós se não a sentíssemos. A sociedade, tal como a divindade, ultrapassa infinitamente o indivíduo, tanto no espaço quanto no tempo. O indivíduo é, pois, um ponto no infinito social. Está perdido nessa imensidão. A ciência, a arte, a religião, todas as crenças, todas as ideias da técnica econômica, industrial, comercial, tudo isso está na sociedade; tudo isso nos ultrapassa, tudo isso nos transborda por todos os lados. O que é moral para Durkheim: Para Émile Durkheim moral é um sistema de regras que está intimamente ligado ao indivíduo e principalmente a sociedade. Para Durkheim em toda 18 corporação seja ela a família, cidade, pátria, existe uma moral, ela começa onde começa a vida coletiva e é com base nela que a opinião pública e os tribunais julgam. Ela é fruto de uma consciência coletiva que se sobressaí perante a individual, e aquele que tenta se opor a estes sentimentos coletivos são combatidos e julgados (por normas da sociedade) por terem cometidos atos imorais, porem nem todo ato imoral pode ser um crime, como no trecho do texto “Solidariedade Mecânica": "Assim, o incesto é objeto de uma aversão geral e no entanto se trata simplesmente de uma ação moral". Para Durkheim a moral é um conjunto de crenças e sentimentos comuns em uma sociedade, e estes sentimentos são passados de geração a geração na sociedade. 19 3 SOB FOGO CRUZADO: AS CRÍTICAS À SOCIOLOGIA DURKHEIMIANA Muitos dos críticos de Durkheim salientam o caráter anti-individualista de sua sociologia. Alegam que ela constitui uma “artilharia pesada” contra a consciência individual, por um lado, contrapondo-se aos filósofos iluministas (Nisbet, 2003), por outro, dando forma a um tipo de sociologia “sem sujeito” (Dubet, 1996). A maioria dessas críticas dirige-se a seus primeiros trabalhos - em especial, Da Divisão do Trabalho Social; As Regras do Método Sociológico; e O Suicídio -, em que o sociólogo opõe-se, veementemente, tanto ao sujeito da psicologia quanto ao sujeito da filosofia. Isso porque, para ele, a sociedade não se reduz à soma de suas partes, constituindo uma realidade sui generis, detentora de uma consciência independente. Como afirmou em certa ocasião, “o conjunto de crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade forma um sistema determinado, que tem vida própria; podemos chamá-lo de consciência coletiva” (Durkheim, 2008, p. 50, grifos do autor). Disso decorre a superioridade da esfera social sobre a esfera individual. A sociedade, “produto de uma imensa cooperação que se estende não apenas no espaço, mas no tempo”, apresenta-se como um ser psíquico distinto, cuja força se faz sentir sobre as consciências particulares. Trata-se, pois, do “mais poderosofeixe de forças físicas e morais”, do qual se depreende uma vida mais elevada que reage sobre a “multidão de espíritos diversos” dos quais resulta, tornando-se, por isso, “uma intelectualidade mais rica e mais complexa que a do indivíduo” (Durkheim, 1989, p. 45). Com efeito, devido à dinâmica de suas diversas instituições, a sociedade autonomiza-se em relação às suas unidades componenciais, investindo-se, assim, em uma autoridade moral que se afigura aos homens e da qual estes não podem se separar sob o risco de perder a melhor parte de si mesmos: a sua condição humana (Durkheim, 1978, p. 45). Assim sendo, na ótica de seus críticos, Durkheim seria responsável por desenvolver uma espécie de “transcendentalismo” social. Georges Gurvitch (1986, p. 11), por exemplo, fala em uma identificação da “consciência coletiva” com o “imperativo, a razão a priori, o Bem Supremo e, finalmente, a Divindade”, 20 enquanto Theodoro Adorno (2008, p. 118) culpa o sociólogo francês por hipostasiar a sociedade, tornando-a uma “realidade de segundo grau”. Desse ponto de vista, o indivíduo não passaria de um mero suporte das influências coletivas, ou seja, um ser passivo e impotente frente às forças exercidas pela realidade social. Talvez por isso, a educação moral seja um dos temas mais recorrentes de sua sociologia, pois, em último caso, só é possível explicar o indivíduo a partir dos valores sociais, políticos, econômicos e culturais aos quais está submetido, que dependem da ação educativa para serem internalizados. 3.1 SOCIALIZAÇÃO, MORALIZAÇÃO E CONTROLE SOCIAL Em seu itinerário intelectual, Durkheim dedicou grande parte de suas pesquisas a temas como socialização e moralidade. Estes, aliás, podem ser facilmente avistados em seus escritos sobre educação. Não é preciso ir muito longe. Em seu trabalho Educação e Sociologia, por exemplo, o autor analisa o modo como indivíduos, espacial e temporalmente situados, são socializados e passam a ocupar uma função social consoante a seu grupo originário. Mesmo consentindo que esse processo possa variar, visto que os valores diferem de uma sociedade para outra, salienta a imprescindibilidade da educação para a aculturação das novas gerações (Durkheim, 1978). O sistema de ensino, que se tornou alvo de disputa na França,14 desponta no horizonte durkheimiano como o único capaz de formar o cidadão republicano dentro de um escopo racional e laico. Afinal, como a maior parte daqueles que passaram pela École Normale Supérieure, Durkheim nutria grande entusiasmo em relação ao republicanismo. Como transmitir os valores republicanos? Como forjar indivíduos afinados com os ideais da III República Francesa? (Ramos Torre, 1999). A resposta às questões acima levantadas recai sobre o tipo de formação ofertada. Disso decorre a importância atribuída ao Estado - espécie de cérebro social - na organização do sistema de ensino. Na medida em que a educação é um “fato social”, que cumpre uma dupla função (diferenciadora e homogeneizadora), então, não pode ficar à mercê dos interesses de grupos particulares, devendo, por isso, ser gerenciada por um órgão acima de quaisquer 21 rivalidades, e de acordo com os ideais e os valores reclamados pela sociedade em seu conjunto. Na visão dos críticos, porém, o processo pelo qual as gerações mais jovens são submetidas aos padrões sociais e culturais estabelecidos oculta um tipo de violência simbólica, sutil e eficaz (Wacquant, 2010). Trata-se da inculcação de valores e normas sociais por meio, sobretudo, do sistema escolar. Apesar das posições objetivistas assumidas em seus primeiros trabalhos, ao encarar a questão social como uma questão eminentemente moral, Durkheim desloca a discussão da esfera macroscópica, fonte autêntica da produção dos valores, para a esfera microscópica, implicando a deseconomização e a desistoricização das relações sociais. Os efeitos desse deslocamento reverberam na atribuição de uma dimensão psíquica aos fatos sociais - evidenciada na distinção entre consciência coletiva e consciência individual -, situando, na esfera moral, qualquer tentativa de especificação do ser social. A psicologização do social, assim como em Comte, não desemboca na individualização, mas na evidência societária das suas refrações mais fundamentais para o conservantismo: o problema da ordem.15 Em outras palavras, embora adote um viés bem menos especulativo do que o de seu predecessor, Durkheim, calcado sem dúvida em um quadro teórico mais sofisticado, conclui que um controle efetivo e operante depende da internalização de valores. Na medida em que focaliza, de um lado, certos mecanismos básicos que determinam a estratificação social e, de outro, as tensões que destes derivam, Durkheim toma a normatização como um instrumento de equalização dos conflitos sociais. É nessa direção que se movem as críticas de Heloísa Fernandes (1994) e Maria Helena Oliva Augusto (2009). A educação, de modo geral, e a escola, em particular, promovem não apenas a socialização dos indivíduos, mas, sobremaneira, a sua moralização. O corolário disso é que as faixas mais jovens da população são vistas como moralmente incompletas, cabendo ao sistema de ensino o encargo de moralizá-las e adaptá-las à vida coletiva. Segundo a interpretação desses críticos (Fernandes, 1994; Freitag, 1992; Augusto, 2009), o sociólogo francês toma a ação educativa como uma ação moralizante, na medida em que a função primacial da escola fica reduzida a introjetar na criança aqueles valores e aquelas normas requeridos pela 22 sociedade. Desse ponto de vista claramente adultocêntrico, o indivíduo é compreendido como um ser da falta, da ausência, que necessita acessar o legado cultural produzido pelas gerações anteriores para poder desfrutar das benesses da vida social. A educação constituiria, assim, o principal mecanismo para a realização desta inserção. Todavia, subjacente ao processo de socialização-moralização, encontra-se a intenção de moldar o indivíduo à ordem social. Visto que a própria divisão do trabalho desponta como empecilho a uma educação unitária, as diferenças entre os indivíduos justificariam-se pela necessidade que a sociedade tem de manter-se viva. Por isso, os desejos individuais necessitam ser limitados - em outros termos moralizados - para que cada um detenha-se à sua função sem o prejuízo do todo. Isso explica por que, segundo Fournier (2007), pode-se avistar em Durkheim uma intersecção entre educação, moralidade e organização da vida social. Ainda que alguns autores, a exemplo de Geneyro (1991), entendam que, para Durkheim, a educação corresponde a um dos pilares básicos para a formação do cidadão republicano, o papel socializador e moralizante que o sociólogo francês outorga ao sistema educacional levanta dúvidas sobre o caráter verdadeiramente democrático acerca de sua concepção de educação moral.16 3.2 O NATURALISMO METODOLÓGICO E A CONSERVAÇÃO DA ORDEM SOCIAL BURGUESA Entre as críticas mais comuns à sociologia durkheimiana, destaca-se a que advém do marxismo. Alguns autores identificados a essa corrente teórica, tais como Michael Löwy (2007) e José Paulo Netto (2011), entendem que Durkheim dá continuidade ao positivismo de Comte, não obstante adote uma postura menos mística e mais científica. Para esses intérpretes, o modo como o sociólogo francês encara os fenômenos sociais, tomando-os como fatos similares aos naturais, pois são supostamente submetidos às mesmas leis, configuraria uma espécie de “conservadorismo metodológico”. De fato, sobretudo em suas primeiras obras, Durkheim adota um escopo francamenteorganicista, segundo o qual a sociedade caracteriza-se como um “organismo vivo”, formado por partes interdependentes e em uma correlação hierárquica que, para funcionar bem, necessitam de um ordenamento mínimo. 23 Não por acaso, o princípio metodológico fundamental de sua sociologia considera os fatos sociais como “coisas”. Essa ideia, exposta primeiramente pelos representantes da econômica política e, mais tarde, absorvida pela filosofia social comteana, serve bem às pretensões do sociólogo, que estabelece as bases de seu método “naturalista-positivista”. Na ótica dos críticos marxistas, Durkheim foi responsável por subverter o caráter revolucionário das doutrinas naturalistas que, nas mãos dos insurretos de 1789, serviram para destruir a ordem social aristocrática. O sociólogo é acusado de empregá-las como justificação científica da ordem social burguesa, visto que, para ele, as leis naturais da sociedade impõem-se à vontade humana então podem ser abruptamente modificadas. Destarte, sua sociologia estaria na contramão do pensamento utópico e revolucionário, negando, por conseguinte, toda ação transformadora. Na medida em que a sociedade, como qualquer outro organismo, possui uma dinâmica própria, independentemente das volições particulares, qualquer ação no sentido de interromper, interferir ou transformar as suas leis põe em risco o curso natural da vida social. Desse ponto de vista, as diferenças resultantes da divisão do trabalho podem ser consideradas naturais, já que alguns órgãos sociais, por suas especificidades funcionais, gozam de uma situação especial e mesmo privilegiada em relação a outros órgãos. Trata-se, pois, da naturalização das desigualdades sociais, já que, a exemplo do que acontece na natureza, cada grupo social não reclama senão a quantidade proporcional à sua necessidade. Com efeito, as ideias revolucionárias soam a Durkheim como “sonhos infantis”, meras projeções, ainda que revestidas de um discurso científico. A démarche durkheimiana apoia-se em um pressuposto basilar, a saber: a homogeneidade epistemológica dos distintos domínios científicos. Não sem propósito, Durkheim exige do sociólogo uma postura objetiva, tal como o químico ou o biólogo, ao se debruçarem sobre os seus respectivos objetos. Entretanto, questionam os críticos marxistas: como o cientista social pode se colocar no mesmo estado de espírito desses outros cientistas, se o objeto de seu estudo, a sociedade, constitui um terreno marcado por diferentes concepções de mundo e interesses sociais radicalmente opostos? Como ignorar o combate político- ideológico travado no campo social? É possível falar em neutralidade analítica em ciências sociais? 24 Para os referidos críticos, o princípio exposto pelo autor de As Regras do Método Sociológico, segundo o qual o sociólogo deve “afastar sistematicamente as prenoções”, bem como “cercar-se de todas as precauções possíveis contra as influências irracionais”, é inócuo em termos científicos. Em resumo, os marxistas refutam a noção de objetividade analítica, difusa entre os positivistas, bem como salientam a ingenuidade da análise durkheimiana, centrada em uma acepção naturalista, organicista e evolucionária de sociedade, elementos que, em última instância, contribuem para a legitimação da ordem social burguesa e reforçam o rótulo de “conservador” que recai sobre sua sociologia. 3.3 DURKHEIM E O CONSERVADORISMO No começo do século XIX os conservadores constituíram uma força anti- iluminista. Na realidade não há uma só palavra, uma só ideia central daquele renascimento conservador, que não procure refutar as ideias dos philosophes. [...] No final do século, nas obras de Durkheim, de ideias não religiosas e liberais em política, encontramos certas teses do conservadorismo francês convertidas em algumas das teorias essenciais de sua sociologia sistemática: a consciência coletiva, o caráter funcional das instituições e ideias, as associações intermediárias e também seu ataque ao individualismo (Nisbet, 2003, p. 26-27, tradução nossa). Seria Durkheim um conservador? Se, caso a resposta for positiva, a que tipo de conservadorismo o sociólogo francês estaria vinculado? Tratar-se-ia de um conservadorismo reacionário, tradicionalista ou liberal? Poderíamos considerar a sua sociologia como sendo absolutamente conservadora? Tais indagações, postas no início deste artigo e reiteradas agora, revelam- se de suma importância, pois trazem à tona uma série de nuances que podem amenizar ou acentuar as posições assumidas pelo sociólogo ao longo de sua carreira. Uma resposta conclusiva, todavia, depende de uma análise minuciosa das críticas que lhe foram endereçadas. Do contrário, o rótulo de conservador tende a tomar a forma mais dilatada possível, colocando Durkheim no mesmo patamar de autores que, a nosso ver, distanciam-se, tanto programática quanto metodologicamente, de suas propostas mais fulcrais. Desse modo, nesta última 25 seção, pretende-se percorrer as críticas anteriormente anunciadas e, a partir de uma análise minuciosa, posicionarmo-nos em relação ao sentido mais original de sua sociologia. Aliás, entre as inúmeras críticas dirigidas a Durkheim, uma merece especial atenção: a que aponta o caráter anti-individualista de sua sociologia. Os sociólogos Robert Nisbet (2003) e François Dubet (1996) são um exemplo disso. Ambos identificam uma oposição radical entre as posições durkheimianas e aquelas assumidas pelos filósofos iluministas. Mas, em que medida Durkheim é um anti-individualista? Até que ponto a sua sociologia contrapõe-se ao legado iluminista? Anthony Giddens (1998), um dos maiores estudiosos de Durkheim, lança algumas luzes sobre o assunto. Em um artigo intitulado Durkheim e a Questão do Individualismo, o sociólogo britânico ajuda a desvelar o lugar que o indivíduo ocupa na sociologia durkheimiana. Conforme argumenta, os escritos de Durkheim representam uma tentativa de separar o individualismo liberal - encarado como uma das características fundamentais da ordem social moderna - tanto do individualismo metodológico dos utilitaristas quanto do individualismo ético de Kant. Sendo assim, para que as posições utilitaristas e kantianas pudessem ser rejeitadas, o individualismo teria que se referir a um processo social, visto que a sociologia não podia basear-se em uma teoria cujo ponto de partida é o indivíduo. Se o sociólogo francês admite que a “consciência coletiva” impõe-se tiranicamente aos indivíduos, sufocando-os, também salienta, no tocante às sociedades funcionalmente complexas, que esta tende a enfraquecer, estimulando o individualismo. Uma forte consciência moral só adquire sentido em relação às sociedades tradicionais, mas nunca em relação às sociedades modernas, dada complexidade que se lhe encerram. Por esse prisma, o individualismo desponta não como um efeito deletério, mas como uma das características definidoras do mundo moderno. A discussão em torno do “individualismo moral”, iniciada em Da Divisão do Trabalho Social e substancialmente esclarecida em seus escritos posteriores, sobretudo após a apreciação subsequente das íntimas conexões entre religião e autoridade moral, abre espaço para demonstrar que a expansão das liberdades individuais constitui um imperativo histórico-social inadiável e necessário - que nada tem a ver com a perseguição dos interesses próprios. Destarte, em termos 26 substantivos, fica evidenciado que Durkheim, longe de ignorar o legado iluminista, esforça-se para concretizar os ideais da Revolução Francesa,17 embora, em termos metodológicos, o seu afastamento dainterpretação segundo a qual o indivíduo é o ponto de partida da explicação e da transformação social, propagada pelos philosophes, seja mais do que esperado, dado que, para ele, a própria individuação resulta de um longo e lento processo coletivo. Já a acusação de que Durkheim, por meio de sua sociologia moral e da educação, defende a moralização das novas gerações, forjando-as no sentido de adequá-las aos valores e à estrutura social vigente, parece desconsiderar o fato de que, independentemente do tempo e do espaço, qualquer sociedade procede desse modo. Em outras palavras, não há meio social em que as gerações adultas não ajam sobre as gerações mais jovens por meio das diversas instâncias socializadoras. A favor do autor, pode-se afirmar que este jamais coadunou com a ideia de uma estagnação moral via reprodução geracional. O modo como opôs o individualismo moral às formas tradicionais de moralidade constitui uma clara prova disso. Finalmente, a crítica marxista segundo a qual a sociologia durkheimiana constitui uma defesa da ordem burguesa é a mais difícil de ser combatida. Isso porque o naturalismo empregado pelo sociólogo francês deixa pouco espaço para se pensar nas relações de poder entre as diversas frações sociais que configuram a complexa sociedade industrial moderna. De fato, Durkheim está longe de ser um crítico do modelo liberal, entendido como resultado de um longo processo histórico-social. Mas, ainda assim, é possível fazer algumas ponderações. Em primeiro lugar, Durkheim repudia totalmente a lógica da dominação classista. O sociólogo jamais atribuiu qualquer vantagem a um estrato social específico- tal como Saint-Simon e sua “classe de industriais”. Parece desnecessário discutir a visão de Durkheim sobre a sociedade capitalista. Para ele, a ordem social industrial constitui uma etapa importante da evolução histórica. Mas disso não decorre que coadune com a exploração gerada em seu interior. Em diversas ocasiões, aliás, o autor aponta soluções no sentido de equalizar as desigualdades sociais: a extinção da herança, o fortalecimento das corporações profissionais, eleições baseadas em um amplo sistema de corporações nacionais, em vez das velhas organizações distritais, um Estado 27 fiscalizador, comprometido com a sociedade civil em seu conjunto e, o mais importante, a consolidação de uma moral laica e racional, capaz de limitar os insaciáveis apetites humanos, independentemente de classe social. Em segundo lugar, a crítica marxista tende a ignorar as diferenças programáticas, metodológicas e substantivas que marcam os trabalhos dos autores vinculados ao positivismo. Assim, Durkheim é visto como mero decalque de Comte, um seguidor dos apologistas católicos conservadores e, por suposto, um conservador. O grande problema dessa interpretação é que não há maiores preocupações em desvelar as características intrínsecas a cada um desses sistemas sociológicos, nem o contexto específico em que tiveram origem. Ao fim e ao cabo, dentro de um escopo marxista, os sociólogos positivistas equivalem- se, à medida que representam os valores burgueses. É bem verdade que Durkheim, a exemplo dos conservadores clássicos, jamais abandonou a perspectiva evolucionária da história, segundo a qual uma intervenção abrupta ou revolucionária põe em risco a sua dinâmica. Mas, não obstante essa aproximação, o sociólogo rejeitou o reacionarismo imbricado na defesa da transposição de valores passadistas, típicos das sociedades tradicionais, para as sociedades complexas - como no caso de Comte -, ou mesmo a ideia de um retorno às sociedades tradicionais - conforme defendiam Maistre, Bonald e Chateaubriand. Ademais, seu evolucionismo histórico nada tem de teleológico, no sentido de indicar uma superioridade - seja ética, seja ontológica, seja política - das sociedades industriais em relação a outras formas mais simples de organização social. Afinal, o critério empregado pelo autor para discernir as sociedades complexas das tradicionais é meramente morfológico, baseado na divisão do trabalho. Trata-se, pois, de modelos sociais distintos, cada qual com seus valores específicos, mas que não podem e nem devem ser analisados em termos de superioridade/inferioridade ou em termos finalísticos. 28 4 ATUALIDADE DOS FATOS SOCIAIS DE DURKHEIM O pensamento de Durkheim é centrado no conceito de fato social. "A primeira regra e a mais fundamental consiste em considerar os fatos sociais como coisas.", assim afirma Émile Durkheim em sua obra As Regras do Método Sociológico. Seria esse todo o fenômeno externo ao indivíduo com valor imperativo e coercitivo, responsável por obrigar o indivíduo a posicionar-se dentro do todo- social. Esse posicionamento faz-se necessário para a manutenção da sociedade, atribuindo-lhe caraterísticas semelhantes às de um grupo de outras sociedades, mas dando-lhe uma identidade, sendo essa única dentro de seu contexto. A criminalidade, ainda segundo Durkheim, é um fato social normal, ou seja, que ocorre em toda e qualquer sociedade, ainda que de forma singular e específica dentro de cada uma. Assim sendo, é impossível a existência de uma sociedade sem a existência de crimes. Dessa forma, há de se minimizar os impactos da criminalidade de forma indireta: atingindo suas origens ou reprimindo suas consequências. Sendo, ainda, um fato social, é derivada de fontes externas ao indivíduo (não sendo o crime consequência de um mal preexistente nos seres humanos, tal como pontua Hobbes acerca do homem selvagem). Viu-se, recentemente, na Suécia, o fechamento de presídios devido à baixa população carcerária, que sofre constante redução. Esse fato se dá como consequência de uma política governamental que busca não só a sanção do delinquente, mas também sua ressocialização. Além disso, há a intenção de prevenir a formação de novos criminosos, agindo diretamente na causa do problema. Numa questão educacional, aplicação dos fatos sociais se trata basicamente da forma como os é o processo de socialização nas escolas, na família e em todos os modos de experiências presenciados pelo indivíduo. A educação é vista como um fato social importante pois a sociedade espera muito da contribuição social que este indivíduo em formação pode vir a servir quando sua formação terminar. Esta aplicação se dá basicamente sobre a passagem de valores como o estudo visando melhor qualidade de vida, seguindo um roteiro 29 que começa com o ensino básico, passa por testes de aceitação em universidades, universidade e trabalho. 30 CONCLUSÃO Muitas são as pesquisas que se questionam sobre qual a função da Educação, afinal, para que desempenhamos a tarefa de educar? Facilmente podemos responder que a educação tem como principal papel inserir o aluno em sociedade, no entanto, ao realizarmos essa afirmação, acabamos por gerar outras dúvidas, afinal que sociedade é essa de que tanto se fala se vivemos inseridos em uma multiculturalidade? Há uma sociedade uniforme que torna possível propor a mesma educação a todos? Há de fato uma educação única em nosso país? Tais questionamentos não são tão facilmente respondidos, no entanto é possível compreender o modo pelo qual a educação tem se desenvolvido e como a mesma está em função da sociedade em que vivemos. De fato, não há uma única educação brasileira, mas há finalidades que se assemelham, em outras palavras, há características comuns que qualificam o papel da educação. Tais finalidades são impostas pelo conjunto moral que há designado em cada sociedade, embora em um mesmo país haja diversas classes sociaise culturais como ocorre no Brasil, há também normas e regras morais que são as mesmas em todo território nacional. Essas normas orientam a base educacional e direcionam o caminho pelo qual o país e a sociedade pretendem conduzir seu desenvolvimento. Desse modo, a educação exerce um poder de influência sobre os indivíduos, procurando inserir em sua formação valores sociais coletivos, que contribuam para a regularização e predomínio do bem comum. Tal pressuposto é defendido pelo sociólogo Émile Durkheim que defende a premissa de que o indivíduo deve ser formado pela sociedade e atribui à educação papel primordial nesse processo. Segundo Durkheim, (1978) Mas a sociologia pode alguma coisa mais e com proveito. Pode fornecer-nos o de que mais instantaneamente temos necessidade: um corpo de idéias diretrizes que sejam a alma de nosso labor, e que o sustenham, dêem nítida significação à nossa atividade e nos prendam a ela. Tal condição é indispensável à proficuidade de toda e qualquer ação educativa. 31 REFERÊNCIAS DURKHEIM, Émile. A educação moral. Petrópolis, RJ: Raquel Weiss, 2008 DURKHEIM, Émile. As Regras do método sociológico. 4. ed. São Paulo, SP: Martins Fontes, 2014. DURKHEIM, Émile,. Da divisão do trabalho social. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010. DURKHEIM, Émile. Educação e sociologia. 11. ed. São Paulo, SP: Lourenço Filho, 1978 DURKHEIM, Émile. O suicídio: estudo de sociologia. 2. ed. São Paulo, SP: Martins Fontes, 2011. https://www.britannica.com/biography/Emile-Durkheim Acesso em: 18 maio de 2018. https://www.ebiografia.com/emile_durkheim/ Acesso em: 20 maio de 2018. https://www.infoescola.com/biografias/emile-durkheim/ Acesso em: 20 maio de 2018.