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APOSTILA ATIV AQUATICAS

Material programático sobre atividades aquáticas e hidroginástica: apresenta histórico e variantes (hidroaeróbica, hidropower, deep water, etc.), propriedades físicas da água, fisiologia da imersão, princípios do treinamento, equipamentos, planejamento de aulas e grupos especiais.

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ATIVIDADES 
 
AQUÁTICAS 
 
 
PROF. PAULO GIL SALLES 
 
pgsalles@uniabeu.edu.br 
 
 1 
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 
 
1- FITNESS AQUÁTICO. 
 
2- HIDROGINÁSTICA: 
a. HISTÓRICO. 
b. VARIANTES DA HIDROGINÁSTICA. 
c. PROPRIEDADES FÍSICAS DA ÁGUA APLICADAS À HIDROGINÁSTICA: 
� DENSIDADE 
� TENSÃO SUPERFICIAL 
� ARRASTO 
� VISCOSIDADE 
� PRESSÃO HIDROSTÁTICA 
d. BENEFÍCIOS DA HIDROGINÁSTICA 
e. FISIOLOGIA DA IMERSÃO: 
� TERMORREGULAÇÃO 
� FREQÜÊNCIA CARDÍACA 
� PRESSÃO ARTERIAL 
� POLINÚRIA 
� ÁGUA QUENTE X ÁGUA FRIA 
f. PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO APLICADOS À HIDROGINÁSTICA. 
� SOBRECARGA 
� ADAPTAÇÃO 
� ESPECIFICIDADE 
� CONTINUIDADE 
� REVERSIBILIDADE 
g. A PISCINA PARA HIDROGINÁSTICA: 
� TEMPERATURA 
� PROFUNDIDADE 
� COBERTA X DESCOBERTA 
 2 
h. CINESIOLOGIA NO MEIO AQUÁTICO: 
� CONTRAÇÕES MUSCULARES 
� PLANOS E EIXOS 
� ALAVANCAS 
i. MATERIAIS E EQUIPAMENTOS: 
� RESISTIVOS 
� FLUTUANTES 
� PESOS E ELÁSTICOS 
� OUTROS 
j. IMPACTO. 
k. COMPONENTES DA AULA DE HIDROGINÁSTICA: 
� PARTES DA AULA 
� O PLANEJAMENTO SEMANAL 
� A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA 
� MÉTODOS DE MONTAGEM COREOGRÁFICA 
l. CONTROLE DA INTENSIDADE. 
� FREQÜÊNCIA DE RESERVA 
� ESCALA DE ESFORÇO PERCEBIDO 
 
3- ATIVIDADES AQUÁTICAS PARA GRUPOS ESPECIAIS: 
a. GESTANTE 
b. 3ª IDADE 
c. PORTADORES DE PATOLOGIAS – DIABETES, DPOC, OSTEOPOROSE. 
 
 
 
 3 
BIBLIOGRAFIA 
 
ABOARRAGE, N. (2003). Hidro Treinamento. Editora Shape. Rio de Janeiro. 
 
AEA (2001). Manual do Profissional de Fitness Aquático. Editora Shape. Rio de Janeiro 
 
AEA (2004). Standard and Guidelines for Aquatic Fitness Programming. Congresso da AEA. 
Orlando, FL 
 
BATES, A & HANSON, N. (1998). Exercícios Aquáticos Terapêuticos. Editora Manole. São 
Paulo. 
 
DI MASI, F. & BRASIL, R. (2006). A Ciência Aplicada à Hidroginástica. Editora Sprint. Rio de 
Janeiro. 
 
DI MASI, F. (2003). Hidro – Propriedades Físicas e Aspectos Fisiológicos. Editora Sprint. Rio 
de Janeiro. 
 
 
 
 4 
FITNESS AQUÁTICO 
 
 
FITNESS – Aptidão, conveniência (Michaelis,1989) 
 
 
Filosofia de vida que pretende alcançar e manter um 
nível adequado de saúde, através de um estilo de vida 
equilibrado onde a atividade física se apresenta com 
importância fundamental. (Colado, 1997/1998) 
 
 
 
FITNESS 
SOCIAL 
FITNESS 
AQUÁTICO 
FITNESS 
RECREATIVO 
FITNESS 
PSÍQUICO 
FITNESS 
FÍSICO 
 5 
HIDROGINÁSTICA 
 
HISTÓRICO: 
 Grécia antiga – 400 A.C. – Hipócrates utilizava a água no tratamento de doenças. 
 Roma antiga – 400 A.C. – Frigidarium – banho frio 
 Tepidarium – banho morno 
 Calidarium – banho quente 
 Sudatorium – lugar saturado de vapor, com o 
objetivo de produzir suor. 
 Brasil – Década de 60 – Programa de atividades aquáticas para idosos, 
desenvolvida pela ACM. 
 Década de 70 – Surgiu como reabilitação de lesionados 
 Década de 80 – Atividade física e treinamento desportivo 
 Década de 90 – Fitness. 
 
 
VARIANTES DA HIDROGINÁSTICA 
HIDRO AERÓBICA 
Movimentos contínuos combinados com corridas e marchas, com movimentos de 
braços e pernas, sempre com alta solicitação aeróbica graças a utilização de grandes 
grupos musculares. 
 
HIDROPOWER 
É um método de musculação em que a água é quem oferece a resistência ao 
movimento. Esta resistência é relacionada à velocidade de execução do movimento e a 
 6 
posição das articulações. Inicialmente tinha-se o foco no condicionamento muscular, 
mas atualmente, o HIDROPOWER caracteriza-se por uma aula intensa tanto no aspecto 
cardiovascular como no aspecto muscular. 
 
DEEP STEP 
Os alunos usam os steps para subir e descer de forma rítmica. Mover-se 
verticalmente contra a gravidade cria um exercício aeróbico intenso. É uma aula de alta 
intensidade e baixo impacto. 
 
HIDRO DANCE 
É um programa de atividades aquáticas, desenvolvido em piscinas pouco 
profundas com a utilização de um determinado ritmo ou estilo dançado. (hip-hop, funk, 
etc.). 
 
 
 
HIDROGINÁSTICA 
CAMINHADA 
DEEP WATER 
HIDRO YOGA HIDRO DANCE HIDROPOWER 
HIDRO LOCAL 
DEEP STEP 
HIDRO JUMP DEEP RUNNING HIDRO AERÓBICA 
HIDRO JUDÔ 
HIDRO BIKE 
 7 
DEEP RUNNING 
É a simulação de corrida em piscina funda, geralmente utiliza-se um flutuante de 
sustentação (colete). 
 
DEEP WATER 
É um programa de exercícios aquáticos na vertical, sem impacto, que se adapta 
praticamente a todas as idades, níveis de condicionamento e grupos especiais. 
 
PROPRIEDADES FÍSICAS DA ÁGUA 
 DENSIDADE 
 É a relação entre a massa de uma substância e seu volume. (D = m/v) 
 A densidade de uma substância é o que determina as características de 
flutuabilidade desta substância, e normalmente é expressa em Kg/m3. 
 A água pura a 25º tem uma densidade igual a 1000kg/m3, portanto, se um objeto 
tem uma densidade menor que este valor, ele flutuará e se for maior, afundará. 
 
 PRESSÃO HIDROSTÁTICA 
 A Lei de Pascal afirma que “A pressão do líquido é exercida igualmente sobre 
todas as áreas da superfície de um corpo imerso em repouso, a uma dada profundidade”. 
 A pressão aumenta com a profundidade, então, a pressão percebida nos membros 
inferiores é maior que nos membros superiores. 
 Auxilia o retorno venoso, sendo importante para indivíduos com microvarizes. 
 É um dos prováveis motivos para a redução da FC no meio aquático. 
 Cuidado com indivíduos com capacidade vital reduzida. 
 Reforça a musculatura envolvida na inspiração. 
 É utilizada na redução de edemas. 
 8 
 TENSÃO SUPERFICIAL 
 É a força exercida entre as moléculas da superfície de um líquido (Skiner & 
Thomson, 1985) 
 Esta “pele” formada na água tem leve efeito como resistência, porém, em 
exercícios balísticos, onde ocorre mudança brusca de meios, podem ocorrer lesões pela 
diferença de densidade dos meios. 
 Evitar movimentos balísticos com mudança de meio. 
 
 VISCOSIDADE 
 É o atrito ou fricção entre as moléculas de um líquido, oferecendo resistência ao 
movimento no líquido (água) em todas as direções. 
 
 ARRASTO 
 Objetos com grande área de superfície frontal deparam-se com maior resistência 
que os objetos afilados. A forma destes objetos criará um arrasto maior porque sua parte 
anterior apresenta uma superfície plana em relação à parede da água. 
 
 9 
 PESO HIDROSTÁTICO 
 Fórmula de Kruel para determinação do peso de uma pessoa imersa no ambiente 
aquático: 
PH seg = X + (Y.peso) 
Segmento X Y 
Tornozelo 0,0216 0,9753 
Joelho -1,9392 0,9111 
Quadril -18,3202 0,8361 
Umbigo -11,2189 0,6362 
Proc. Xifóide -8,6796 0,4541 
Ombro -4,3347 0,2304 
Pescoço -3,2734 0,1431 
 
 
BENEFÍCIOS DA HIDROGINÁSTICA 
 
Movimento facilitado pela sustentação 
Diminuição do impacto 
Ambiente descontraído 
Melhora a autoconfiança 
Diminui dores e espasmos musculares 
Trabalho generalizado (agonistas X antagonistas) 
Sobrecarga natural 
 
 10 
FISIOLOGIA DA IMERSÃO 
 
Segundo Eitner (1984), todo o corpo é afetado pelo fato de estar em imersão: o 
fluxo sanguíneo, a termorregulação, o sistema nervoso, a secreção de glândulas, a 
psique, etc. 
 
 TERMORREGULAÇÃO 
 O sistema termorregulador é responsável por manter a temperatura corporal 
relativamente constante (+/- 1ºC). Este sistema mantém um equilíbrio entre perda e o 
ganho de calor (WILMORE E COSTILL, 2001). 
A capacidade de condução de calor da água é cerca de 26 vezes maior que a do ar 
na mesma temperatura. 
 
FREQÜÊNCIA CARDÍACA 
A FC é considerada uma forma práticae eficiente de se determinar a intensidade 
do exercício. Na hidroginástica devemos estar atentos às diferenças que podem existir 
entre o exercício terrestre e o aquático. 
Vários autores (Rosas & Denadai, 1997, Barreta, 1996, Pollock & Willmore, 
1993, McCardle et al, 1992) descrevem uma redução na freqüência cardíaca, tanto em 
repouso quanto durante esforço. 
Porque a FC é mais baixa no meio aquático? 
� O volume sistólico que é de aproximadamente 71 ml sobe para perto de 100 
ml. 
� Termorregulação – para esfriar o corpo dentro da água o coração faz menos 
esforço. 
 11 
� Gravidade – o sangue flui de volta para o coração com menos esforço, o 
que reduz os batimentos. 
� Pressão Hidrostática – facilita o retorno venoso. 
� Reflexo do mergulho – é um reflexo básico associado a terminações 
nervosas na região nasal. 
 
PRESSÃO ARTERIAL 
Já é sabido que a atividade física apresenta um efeito benéfico, a longo prazo, 
sobre a pressão arterial, podendo reduzi-la. Apesar de não haver nenhum estudo sobre a 
prática prolongada da hidroginástica sobre a PA, provavelmente, esta atividade promove 
os mesmos benefícios que o exercício regular em terra. 
Alguns autores (Kravitz & Mayo, 1997, Graveline et al, 1961) não encontraram 
mudanças agudas significativas na PA durante a imersão. 
 
POLINÚRIA 
É comum alunos se queixarem da vontade constante de urinar, durante e após as 
aulas de hidroginástica, devido ao Fator Natriurético Atrial. 
É importante conscientizar os alunos diabéticos, os com incontinência urinária, os 
que fazem uso de diuréticos e as gestantes para o aumento da vontade de urinar. 
 
ÁGUA QUENTE X ÁGUA FRIA 
Efeitos fisiológicos da imersão em água quente: 
� Vaso dilatação periférica e vaso constrição central. 
� Redução da sensibilidade nos terminais nervosos (Bates e Hanson , 
1996). 
� Diminuição da PA em repouso (Bates e Hanson , 1996). 
� Relaxamento da musculatura. 
 12 
Efeitos fisiológicos da imersão em água fria: 
� Vasoconstrição periférica e vaso dilatação central. 
� Calafrios - Maior atividade muscular para produção de calor, 
aumentando o consumo de O2 e, por conseguinte o gasto energético. 
O tremor pode aumentar a taxa metabólica em 3 vezes ou mais que 
no estado de repouso (Pate, 1997). 
� Cãibras – ocorrem por circulação insuficiente nas regiões periféricas. 
 
O gasto calórico em água fria é maior que em água quente. Este fator sugere que 
em programas de emagrecimento seria melhor se a água estivesse em temperatura baixa, 
mas o desconforto causado pela sensação de hipotermia, não recomenda o uso deste 
artifício. 
 
 
PRINCÍPIOS DO TREINAMENTO (APLICADOS À HIDRO) 
 
 SOBRECARGA 
Estabelece que o corpo se adapta quando a carga é maior do que normalmente 
requerido para acomodação. Após a adaptação ter ocorrido, a carga precisa ser 
aumentada. Podemos, através do treinamento planejado, sobrecarregar fontes 
energéticas, grupamentos musculares e/ou sistemas orgânicos. 
 
ADAPTAÇÃO 
Habilidade do sistema ou organismo de se ajustar ao stress ou sobrecarga. A 
adaptação será proporcional à intensidade da sobrecarga: 
 
 13 
INTENSIDADE DO ESTÍMULO RESPOSTAS 
Débil Não acarretam adaptações 
Média Apenas excitam 
Forte Provocam adaptações 
Muito forte Provocam danos 
 Fonte: ABOARRAGE, 2003 
 
ESPECIFICIDADE 
Em diversas modalidades o desempenho poderá ser otimizado ou não em função 
da especialização orientada. 
O treinamento específico tem efeitos específicos sobre o organismo, ou seja, o 
organismo sempre se adapta de modo específico à sobrecarga que lhe for oferecido. 
 
CONTINUIDADE 
“A progressão pedagógica do treinamento tem como regra geral começar o treino 
seguinte durante o estado de recuperação da sessão anterior” (Matveev, apud Dantas, 
1998). 
Todo estímulo tem que ter sua recuperação. Para que haja sucesso nos programas 
de atividades aquáticas, é necessário que se faça a aplicação de novas cargas, justamente 
no período de recuperação, ou seja, antes que o organismo retorne ao seu estado de 
homeostase inicial, dando continuidade ao treinamento. 
 
REVERSIBILIDADE 
Gradativamente o organismo voltará ao estado inicial quando este não for 
estimulado, o que mostra a característica transitória das adaptações. 
 14 
“Toda a aquisição que se ganha lentamente e em tempo prolongado, mantém-se 
com mais facilidade e perde-se com mais lentidão do que as aquisições conseguidas 
rapidamente e em tempo curto” (Barbanti, 1979). 
 
 
A PISCINA DE HIDROGINÁSTICA 
 TEMPERATURA 
 Segundo a AEA (2001), a temperatura ideal para a prática da hidroginástica é 
entre 28º e 30º C. 
 Apesar desta recomendação, outras temperaturas podem ser utilizadas desde que a 
intensidade da aula seja adaptada de forma inversamente proporcional à temperatura da 
água, ou seja, se a água estiver abaixo de 28º C devemos aumentar a intensidade da aula 
e vice-versa. 
Ainda assim devemos observar a orientação do Corpo de Bombeiros: 
Temperatura da água Tempo máximo de permanência 
24º - 28º C Tempo indeterminado 
20º C 1 hora 
18º C 45 minutos 
16º C 30 minutos 
14º C 15 minutos 
Abaixo de 14º C Não recomendado 
 
 
 PROFUNDIDADE 
 Segundo a AEA, a profundidade da piscina para aulas de exercícios aquáticos na 
vertical deve variar entre 1,10 m e 1,40 m. 
 15 
 Esta profundidade é a que provavelmente poderá atender a um número maior de 
alunos e a que proporciona o uso de diversos aparelhos como o step e o jump, além de 
possibilitar a utilização dos diferentes níveis de impacto. 
 
 
 PISCINA COBERTA X PISCINA DESCOBERTA 
 Cada piscina tem vantagens e desvantagens: 
PISCINA COBERTA PISCINA DESCOBERTA 
Dificuldade para a circulação do ar Ótimo para a circulação do ar 
Ótimo para dias chuvosos Os alunos evitam dias de chuva 
Diminui a diferença de 
temperatura entre o ambiente e a 
água 
Aumenta a diferença de 
temperatura entre o ambiente e a 
água 
Diminui a perda de calor da água Aumenta a perda de calor da água 
Diminui o consumo de cloro Aumenta o consumo de cloro 
Fonte: DI MASI & BRASIL, 2006. 
 
 
CINESIOLOGIA NO MEIO AQUÁTICO 
 
CONTRAÇÃO MUSCULAR DINÂMICA 
 O músculo desenvolve tensão e acontecem modificações no comprimento deste 
músculo, apresentando movimento articular. A contração dinâmica pode ser: 
� CONCÊNTRICA (ou positiva) - O músculo se encurta durante a contração, 
a tensão muscular varia durante a amplitude do movimento. 
 16 
� EXCÊNTRICA (ou negativa) - Refere-se ao alongamento do músculo 
durante a contração. 
� ISOCINÉTICA - A tensão desenvolvida pelo músculo ao encurtar-se com 
velocidade constante é máxima em todos os ângulos durante toda a 
amplitude do movimento. 
CONTRAÇÃO MUSCULAR ESTÁTICA 
� O músculo desenvolve uma tensão sem que haja modificação no 
comprimento deste músculo, não havendo movimentação articular. 
 
 
 
Contração estática 
Contração concêntrica-concêntrica 
Contração concêntrica 
Contração excêntrica 
 17 
 
 PLANOS E EIXOS 
PLANOS 
� Sagital – divide o corpo em 
direita e esquerda 
� Frontal – divide o corpo em 
frente e trás 
� Transversal – divide o corpo 
em superior e inferior 
EIXOS 
� Transversal – de um lado ao 
outro. 
� Ântero-posterior – da frente 
para trás. 
� Longitudinal - de cima para 
baixo. 
 
 ALAVANCAS 
1ª CLASSE - A articulação (ponto de apoio) fica entre o esforço (ponto de 
aplicação de força - músculo) e a resistência. 
 
 
 18 
2ª CLASSE - A resistência está entre o apoio e o esforço. 
 
3ª CLASSE - O esforço estálocalizado entre a resistência e a articulação. 
 
MATERIAIS E EQUIPAMENTOS 
 
 EQUIPAMENTOS RESISTIVOS 
� Aumenta o arrasto produzido pelo movimento. 
� Flutuação neutra. 
� Contração concêntrica em todo movimento. 
� Ex: hidrotone, aquafins, luvas, etc. 
 
 19 
 EQUIPAMENTOS FLUTUANTES 
� Podem ser utilizados como resistivos na superfície. 
� Podem servir de apoio. 
� Contração concêntrica e excêntrica. 
� Atenção com pessoas baixas ou de densidade reduzida. 
� Ex: halteres de EVA, caneleiras de EVA, aquatubos, etc 
 PESOS E ELÁSTICOS 
� Contração concêntrica e excêntrica. 
� Funcionam como fora da água. 
� Os pesos podem se tornar âncoras. 
� Ex. halteres, caneleiras, rueber, dyna band, etc. 
 OUTROS: 
� Step 
� Jump 
� Bike 
 
 
IMPACTO 
 
 Existem três níveis de impacto nos exercícios aquáticos na vertical: 
 NÍVEL 1 OU REBOTE – De pé, numa base ereta, saltando ou empurrando o 
fundo da piscina. É a posição mais comum nos programas aquáticos, porque é a que 
mais se assemelha às atividades no solo. 
 NÍVEL 2 OU NEUTRO – Os quadris e os joelhos são flexionados e o corpo se 
abaixa, ficando com a água nos ombros. Os pés permanecem em contato com o fundo, 
mas sem força resultante de saltos e pulos. 
 20 
 NÍVEL 3 OU SUSPENSO – Os quadris e os joelhos são flexionados, abaixando o 
corpo até a água ficar na altura dos ombros. Os pés são elevados e mantidos suspensos 
por um determinado tempo, simulando exercícios em água profunda. Esta posição pode 
ser desconfortável para pessoas que não sabem nadar. 
 
 
COMPONENTES DA AULA DE HIDROGINÁSTICA 
 
 PARTE INICIAL – AQUECIMENTO 
MUSCULAR 
� Aumentar a oxigenação muscular / articular 
� Movimentos de baixo impacto 
� Pequenas alavancas 
CARDIORESPIRATÓRIO 
� Aumentar gradativamente a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular e 
respiratório. 
 
PARTE PRINCIPAL 
TREINAMENTO CARDIORESPIRATÓRIO 
� O nível de condicionamento do aluno interferirá no tipo de aula. 
� Utilização de estratégias para o aumento da intensidade: 
� Treinamento contínuo: 
o Depois do aquecimento, um nível de treinamento submáximo e 
relativamente constante é mantido para a série de exercícios. 
o A intensidade moderada possibilita manter o esforço por tempo mais 
prolongado e em estado de equilíbrio entre oferta e consumo de O2. 
 21 
� Treinamento intervalado 
o Série de exercícios, alternados com períodos de repouso ativo ou 
intervalos de recuperação. 
o As séries repetidas de exercícios podem ter número, duração, 
intensidade e intervalos variados, de acordo com o objetivo desejado. 
o Desenvolve tanto o sistema aeróbio como anaeróbio. 
o As pausas podem ser ativas ou passivas. 
� Treinamento em circuito 
o É realizado em estações, que podem ser de natureza aeróbica, para 
aumentar a força e a resistência muscular ou uma mistura de ambas. 
o O circuito pode ser planejado de diversas formas, oferecendo a 
diversidade do treinamento cruzado. 
CONDICIONAMENTO MUSCULAR 
� Força - Força máxima num só esforço que pode ser exercida contra uma 
resistência. 
� Resistência - Capacidade dos músculos de suprir uma força submáxima 
repetidamente. 
 
PARTE FINAL 
RESFRIAMENTO CARDIORESPIRATÓRIO 
� Diminuição da FC 
� Alavancas menores 
� Baixo impacto 
ALONGAMENTO / FLEXIBILIDADE 
� Atenção para as condições ambientais 
 
 22 
O PLANEJAMENTO SEMANAL 
 Como forma de facilitar a organização e o planejamento das seções de 
hidroginástica, é aconselhável que o professor controle as seguintes variáveis: 
� Equipamentos – resistivos, flutuantes, steps, pesos, etc. 
� Objetivos – flexibilidade, RML, endurance, força, etc. 
� Treinamento – circuito, contínuo, intervalado, etc. 
� Prioridade muscular – membros superiores, membros inferiores. 
 
 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª sáb. 
EQUIPAMENTOS 
OBJETIVOS 
TREINAMENTO 
PRIORIDADE MUSCULAR 
 
A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA 
 A música pode ser usada para motivar, manter o ritmo ou alcançar a intensidade 
desejada. Embora a atividade de fitness aquático não exija obrigatoriamente a existência 
da música, o professor pode obter algumas vantagens ao utilizar-se desta ferramenta. 
 De acordo com Kravitz (1994), a música pode oferecer muitos benefícios aos 
exercícios. Os alunos têm uma percepção melhor do desempenho quando a música faz 
parte do programa de fitness, não importando se o desempenho real tenha ou não 
melhorado. A música pode influenciar positivamente a atitude mental dos alunos durante 
o exercício, por isso é importante uma seleção adequada de músicas, pois elas podem 
estabelecer associações agradáveis com o programa de fitness. 
 A AEA (2001) sugere, no caso da utilização da música nas aulas de fitness 
aquático, aproximadamente 125 a 150 batimentos por minuto (bpm). 
 23 
 Na água, devido às resistências que esta apresenta, o ritmo recomendado é mais 
lento que nas atividades no solo. Por este motivo devemos atentar para o “TEMPO DE 
ÁGUA”. 
 
� TEMPO DE ÁGUA – O ritmo em meio tempo torna o movimento bem 
mais lento, possibilitando o aluno realizar os movimentos em sua amplitude 
total, manter o alinhamento correto, enfatizar a contração muscular 
específica e alcançar os níveis de intensidade necessários para os benefícios 
cardiorespiratórios. 
 
MÉTODOS DE MONTAGEM COREOGRÁFICA 
 O termo coreografia pode sugerir uma diversidade de imagens e movimentos de 
difícil execução, mas seu significado real é simplesmente um conjunto ou uma série de 
movimentos previamente planejados. 
 Embora não seja obrigatória, a coreografia na aula de fitness aquático tem o 
objetivo de criar um trabalho mais seguro, eficaz e divertido. 
 Abaixo estão listadas as formas mais comuns de montagem coreográfica: 
 PROGRESSÃO LINEAR OU ESTILO LIVRE 
� É um estilo em que uma série de movimentos é executada sem um padrão 
definido. O professor vai passando de um movimento ao outro até que a 
aula termine. 
PIRÂMIDE 
� O número de repetições para cada movimento da combinação é 
gradativamente diminuído e/ou aumentado. Este estilo funciona bem 
quando o objetivo é ensinar uma combinação mais complexa. 
 
 24 
INCLUSÃO 
� É uma forma de construir combinações gradualmente, ao mesmo tempo em 
que se tem o reforço da aprendizagem anterior. 
� Ex: ensine a combinação A → ensine a combinação B → pratique A+B → 
ensine a combinação C → pratique A+B+C 
PURA REPETIÇÃO OU PADRONIZADA 
� Ensina-se o padrão completo logo de início. Os alunos aprendem através da 
repetição constante da seqüência total de movimentos. Este estilo funciona 
bem quando são utilizadas combinações de pequena complexidade. 
 
CONTROLE DA INTENSIDADE 
 A freqüência cardíaca é uma ferramenta muito útil para controlar a intensidade 
das atividades aquáticas. 
 ESTIMAR A FCmax: 
� FCmax= 220 – idade 
FREQUÊNCIA DE RESERVA (FCres): 
� Estimar a FCmax 
� Medir a FCrep (em repouso) 
� Aplicar a fórmula: 
o FCres = (FCmax - FCrep) x intensidade + FCrep 
Como vimos anteriormente, a FC em imersão é menor que a FC no solo, e por 
este motivo devemos usar um redutor para a fórmula da freqüência cardíaca de reserva 
quando aplicada em atividades aquáticas: 
o FCres = {(FCmax - FCrep) x intensidade + FCrep} - 17 
O ideal para monitorar a FC de um indivíduo é utilizar monitores de freqüência 
cardíaca. 
 25 
ESCALA DE ESFORÇO PERCEBIDO 
Também conhecida como índice de percepção de esforço (IPE), é recomendada 
por alguns autores como um meio eficiente para a prescrição e controle de exercícios na 
água. Originalmente usava-se a Escala de Borg, que classificavaos exercícios de 1 (fácil 
a 20 (extremamente difícil). Atualmente utilizamos a Escala de Borg Adaptada, que 
consiste em graduá-la de 1 a 10. 
 
ESCALA DE BORG ADAPTADA 
PONTUAÇÃO ESFORÇO PERCEBIDO 
10 Extremamente difícil 
9 Muito difícil 
7 – 8 Difícil, mas realizável 
5 – 6 Esforço moderado 
3 – 4 Fácil 
1 - 2 Muito fácil 
 
 26 
ATIVIDADES AQUÁTICAS PARA 
GRUPOS ESPECIAIS 
 
GESTANTES 
BENEFÍCIOS DOS EXERCÍCIOS AQUÁTICOS 
� Diminuição do estresse no sistema osteomioarticular 
� Facilita o retorno venoso – redução de edemas 
� Ajuda na eliminação de água (FNA) – redução de edemas 
� FC, PA, temperatura central, retenção de calor e FC fetal são mais baixas 
durante a recuperação do exercício aquático. 
� Melhor dissipação de calor 
� Ambiente agradável para mãe e feto 
� Melhoria dos componentes de aptidão física 
� Controle ponderal 
SINAIS DE RISCO 
� Sangramento vaginal 
� Dispnéia antes do exercício 
� Tonteiras 
� Dor peitoral 
� Fraqueza muscular 
� Inchaço ou dor na perna 
� Trabalho de parto 
� Diminuição do movimento fetal 
� Vazamento de líquido amniótico 
� Cefaléia 
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3ª IDADE 
“Nesta fase da vida, deve-se ter como meta a aceitação 
da idade alcançada, a atividade física constante para 
manter a vitalidade e disposição necessárias para a 
execução das tarefas do dia a dia, a atividade mental e 
intelectual para entender e avaliar o mundo ao nosso 
redor e o convívio social para exercitar, com prazer, 
todas essas habilidades. A atividade aquática propicia 
e colabora para o alcance dessas metas”. 
Prof. Denis Willian Abdala 
 
 O QUE OCORRE NA 3ª IDADE? 
� Perdas celulares irreversíveis 
� Diminuição da capacidade de adaptação ao meio ambiente 
� Aumento do %G 
� Diminuição da força muscular 
� Sarcopenia 
� Hipertensão arterial 
� Insuficiência cardíaca 
� Lesões vasculares 
� Desvios da coluna vertebral 
� Diminuição da coordenação motora 
� Deficiências auditivas e visuais 
� Osteoporose 
� Problemas de ordem articular 
 
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BENEFÍCIOS DOS EXERCÍCIOS AQUÁTICOS 
� Redução do impacto nas articulações 
� Ambiente agradável 
� Melhora da flexibilidade 
� Melhora da força 
� Melhora do condicionamento cardiorespiratório 
� Controle ponderal – redução do %G 
� Possível ambiente mais seguro em termos cardiocirculatórios. 
� Melhora a auto-estima / socialização 
 
DIABÉTICOS 
 BENEFÍCIOS DOS EXERCÍCIOS AQUÁTICOS 
� Aumenta o colesterol HDL e diminui o LDL. 
� Aumento da vascularização. 
� Controle ponderal. A obesidade aumenta a resistência à insulina. No 
diabetes tipo II a enfermidade pode até regredir somente pela diminuição do 
G%. 
� Tende a regular o nível de glicose no sangue. Podendo em alguns casos ser 
suspensa a medicação (tipo II). 
� Eleva a auto-estima. 
SINAIS DE RISCO 
� Hipoglicemia 
o Fome súbita 
o Dor de cabeça 
o Dormência nos lábios e língua 
o Tremores 
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o Pele fria, pálida e úmida 
o Tonteira 
o Desorientação 
o Taquicardia 
O diabético deve ter muito cuidado com seus pés, pois pode ter diminuído a 
sensibilidade nesta parte do corpo e apresentar cicatrização difícil. No fundo da piscina 
podemos ter ralos, azulejos desnivelados e até mesmo quebrados que podem causar 
algum tipo de lesão. Por este motivo, é importante o uso de sapatilhas por parte deste 
grupo especial. 
 
DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC) 
 ASPECTOS IMPORTANTES A CONSIDERAR 
� Redução da capacidade vital 
� Pressão hidrostática 
� Posição do corpo em relação a superfície 
SINAIS DE RISCO (redução da ventilação) 
� Tonteira 
� Redução da capacidade de fala 
� Confusão mental 
 
OSTEOPOROSE 
 A osteoporose é caracterizada pela diminuição da DMO (Densidade Mineral 
Óssea), causando fragilidade nos ossos do corpo, mais freqüentemente em mulheres pós-
menopausa. 
 Um dos fatores de risco para o aparecimento da osteoporose é o sedentarismo, ou 
a inatividade física. 
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 A reposição hormonal, suplementação mineral e a atividade física regular têm 
sido preconizadas como a melhor forma de prevenir, tratar e combater a osteoporose. 
 A bibliografia especializada não é unânime em indicar a hidroginástica como uma 
atividade recomendada para pessoas portadoras de osteoporose, pois vários trabalhos 
científicos demonstram a importância da sustentação do próprio peso (o que não 
acontece nas atividades aquáticas) para o aumento da DMO. 
 Segundo Di Masi (2003), ainda não podemos dizer qual a melhor atividade física 
para combater a osteoporose. Entretanto, como diversos estudos indicam que o exercício 
físico atua na prevenção e recuperação da osteoporose, podemos inferir que o 
desenvolvimento de valências físicas como força, flexibilidade, resistência, equilíbrio e 
coordenação, irá diminuir o risco de quedas. Então as atividades aquáticas podem ser 
consideradas como importantes no combate aos efeitos deletérios da DMO. 
 Menda (1998) sugere que é importante adotarmos uma posição de equilíbrio, não 
indicando a atividade aquática como um recurso mágico, nem contra-indicá-la 
formalmente, sendo mais adequado associar esta atividade com outras como a 
caminhada, ginástica e dança.