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TEXTO 02 - Primórdios do Behaviorismo Pavlov, Watson e Guthrie

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positivo, 
em vez de no aversivo, o controle aversivo não pode ser descartado com tanta facilidade”.
132 Teorias da Aprendizagem
Segundo, porque, em vez de eliminar o comportamento, a punição apenas o supri-
me; o que é afetada é a taxa da respostas. A vantagem que o não reforçamento tem sobre 
a punição é que, teoricamente, resulta na extinção do comportamento não reforçado.
Terceiro, a punição pode conduzir a estados emocionais não associados a amor, 
felicidade e outros sentimentos agradáveis. Por meio da contigüidade, estados emo-
cionais negativos podem acabar associados a quem pune, mais do que ao comporta-
mento indesejável.
Quarto, a mais generalizada objeção à punição é que, na maioria das vezes, não 
funciona. Segundo evidências de Sears, Maccoby e Lewin (1957), mães que punem 
os filhos por incidentes relacionados ao controle das funções fisiológicas estão mais 
propensas a ter crianças com enurese, e aquelas que punem a agressão estão mais pro-
pensas a ter filhos mais agressivos.
Formas Menos Objetáveis de Punição
As objeções mais apaixonadas dos psicólogos ao uso da punição dizem respeito, prin-
cipalmente, à punição física, como o espancamento (ou, talvez pior ainda, a surra com 
cinta). Outras objeções não são nem de perto tão relevantes em relação a outras formas 
de punição bastante comuns nas escolas e nos lares. Estas incluem procedimentos 
como time-out11 (suspensão), custo da resposta e reprimendas.
Time-out é um procedimento que retira as crianças de uma situação na qual pode-
riam esperar reforçamento e as coloca em outra situação na qual estão menos sujeitas a 
ser reforçadas. As crianças que são removidas da sala de aula em resposta ao mau com-
portamento estão sendo punidas não pela administração de um estímulo desagradável 
(a menos, claro, que sejam mandadas para a sala da diretora ou sejam detidas), mas 
para serem removidas daquilo que é considerado um ambiente de reforçamento. Do 
mesmo modo, crianças que recebem reforçadores tangíveis pelo bom comportamento 
e mais tarde alguns desses reforçadores lhe são tirados por causa de maus comporta-
mentos, estão expostas à punição do custo da resposta.
Outras punições comuns incluem o uso de reprimendas, a maioria delas é ver-
bal, embora várias possam ser não verbais (o menear de cabeça desaprovador ou a 
cara fechada, por exemplo). Uma série de estudos realizados em situações de sala de 
aula descobriu que as reprimendas verbais mais eficientes são aqueles descritas como 
“brandas” (O’Leary e Becker, 1968; O’Leary, Kaufman, Kass e Drabman, 1974). Re-
primendas brandas são as que só a criança envolvida ouve. Nas classes em que os 
professores empregaram reprimendas em voz alta houve aumento significativo de in-
cidência de comportamento perturbador. Nessa conexão, convém lembrar que o elo-
gio – um reforçador bastante eficiente em sala de aula – é muito melhor quando dito 
em “voz alta”. Resumindo, na maioria das vezes, as reprimendas devem ser brandas e 
o reforçamento deve ser público.
É potencialmente revelador olhar para o que os estudantes consideram uma puni-
ção eficaz. Numa pesquisa realizada com cerca de 1.600 alunos da oitava série, a “carta 
11 A designação time-out procedures ainda não tem uma tradução consagrada em português. Indica, geralmen-
te, a suspensão ou a retirada de uma situação reforçadora como forma de punição. (NRT)
Condicionamento Operante: O Behaviorismo Radical de Skinner 133
para os pais” foi eleita a punição mais eficiente para o mau comportamento (Casteel, 
1997). Esse tipo de punição é “branda”, pois não expõe os estudantes à humilhação na 
sala de aula. Ao mesmo tempo, entretanto, os expõe à reação dos pais. Num segundo 
estudo, com 371 alunos de quatro escolas secundárias, a punição dirigida ao com-
portamento ruim foi interpretada como mais eficiente do que a punição dirigida ao 
desempenho ruim (Wan e Salili, 1996). Por estar o comportamento sob o controle do 
aluno, a punição pelo mau comportamento é vista como justificada. Em muitos casos, 
porém, o desempenho ruim pode não estar sob o controle do aluno; daí, a punição 
pelo desempenho ruim ser interpretada como injusta e altamente ineficaz.
Argumentos em Favor da Punição
A punição corporal, assim como a ameaça de sua aplicação, permanece como prática 
comum na criação dos filhos. Davis (1996) colocou pesquisadores para observar pais 
e filhos em várias situações públicas, e registrar as situações nas quais os adultos (ge-
ralmente pai, mãe ou responsável, na maioria dos casos) ameaçavam as crianças com 
castigos físicos. Tais ameaças eram bastante comuns e muitos adultos chegavam a 
bater nos filhos.
Que a punição física seja comum nas sociedades industrializadas é uma justificativa 
insuficiente para sua utilização. Não obstante, vários argumentos podem ser apresen-
tados para o emprego da punição. Primeiro, embora o reforçamento, a imitação e o 
raciocínio possam ser eficazes para fazer aflorar e manter o comportamento desejável, 
em muitos casos, parecem não ser suficientes. Como diz Ausubel (1977), nem sempre 
é possível para a criança determinar o que é indesejável e generalizar ao contrário, com 
base naquilo que foi identificado como desejável.
Claro está que nem sempre a persuasão gentil vai convencer de imediato a criança 
de que certos comportamentos são indesejáveis. Se Johnny insiste em jogar o gato na 
banheira após ter-lhe sido explicado que a pobre criatura não sabe nadar, a punição 
deve ser aplicada. Embora os psicólogos há muito insistam que a punição não parece 
funcionar para eliminar comportamentos indesejáveis, há evidências consideráveis de 
que pode ser bastante eficaz para no mínimo suprimi-los (ver, por exemplo, Rush, 
Crockett e Hagopian, 2001; Atkins, Osborne, Benn, Hess e Halperin, 2001). Na ver-
dade, o argumento de que a punição não leva à extinção do comportamento em ques-
tão é irrelevante. Se Johnny parar agora de jogar o infeliz do gato na banheira, sua avó 
certamente não pensará que ele esqueceu como se faz isso – mas poderá, justificada-
mente, esperar que ele se contenha para não fazer a mesma coisa no futuro.
Apesar das objeções morais e éticas que muitos apresentam em relação ao uso da 
punição, há situações nas quais ela parece ser a menos cruel e a mais eficiente alterna-
tiva. Por exemplo, Lerman, Iwata, Shore e DeLeon (1997) descrevem uma pesquisa 
sobre o uso da punição em cinco adultos mentalmente retardados que se envolviam 
com freqüência em episódios comportamentais de autoflagelação (CAF), como arran-
car os cabelos ou mastigar a própria carne. O reforçamento para que não se envol-
vessem nesses comportamentos ou as reprimendas simples (uma forma de punição) 
foram pouco eficientes no caso desses indivíduos. No entanto, os sujeitos que foram 
expostos a esquemas contínuos de punição (time-out ou procedimentos restritivos) – 
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ou seja, que foram punidos no início de cada episódio de CAF – apresentaram redução 
significativa desses comportamentos. Interessante notar, porém, que quando a admi-
nistração da punição se alterou de contínua para a de intervalos fixos, a incidência de 
CAFs aumentou de novo para os níveis anteriores ao tratamento.
Como o reforçamento, a punição parece ser mais eficaz quando aplicada imediata-
mente após o comportamento. Essa observação é mais válida para os animais do que 
para os seres humanos, talvez por causa da capacidade humana de simbolizar, o que 
permite as associações entre o comportamento e suas conseqüências mesmo quando 
as conseqüências ocorrem tempos depois do comportamento.
Além disso, a punição parece ser mais eficaz quando administrada por um pai 
(ou outro adulto) amoroso e acolhedor. Não há evidência de que a afeição que existe 
entre pai e filho seja prejudicada por causa do uso criterioso da punição (Walters e 
Grusec, 1977).
Reforçamento Negativo
Lembremos

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