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TEXTO 02 - Primórdios do Behaviorismo Pavlov, Watson e Guthrie

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que tanto o reforçamento positivo quanto o negativo, por definição, re-
sultam no aumento da probabilidade de ocorrer uma resposta – uma por ter sido acres-
centada a uma situação (recompensa), a outra por ter sido removida (alívio). Cada uma 
delas, entretanto, está sujeita a ter efeitos diferentes. Você poderá fazer um rato saltar 
sobre um banco se o alimentar cada vez que ele o fizer (reforçamento positivo). Pode 
fazê-lo saltar sobre o mesmo banco aplicando-lhe um choque elétrico quando ele não 
o fizer. No final, ele pode saltar sobre o banco com igual presteza, não importando 
como tenha sido treinado, mas é possível que o rato reforçado positivamente apresen-
te muito mais entusiasmo para saltar do que seu colega treinado de forma aversiva. 
Há uma diferença fundamental entre aprender uma resposta por aproximação (que 
geralmente é o caso do reforçamento positivo) e a aprendizagem por escape ou esquiva 
(que, em geral, resulta do reforçamento negativo).
Como os ratos que aprenderam a saltar sobre um banco para escapar de um choque 
elétrico, não se pode esperar que alunos atentos e estudiosos por força das contin-
gências aversivas (reforçamento negativo ou punição) gostem da escola tanto quanto 
aqueles que são atentos e estudiosos por causa do reforçamento positivo.
Talvez o mesmo se aplique àqueles que vão à igreja para evitar o fogo do inferno 
e a condenação eterna.12
12 A Velha Senhora dirigiu-se ao guarda-louça, fazendo sinal para que eu desligasse o gravador. Disse que 
estava faminta e que queria um sanduíche. Ela pegou, então, um pedaço de presunto que sobrara do jantar, 
passou manteiga em dois pedaços do pão que minha avó me dera, pôs mostarda e colocou cuidadosamente 
o presunto sobre eles. O gato esfregou-se nas pernas da Velha Senhora. “Sim, gato”, disse a Velha Senhora, 
e estava claro que ela falava com ele e não comigo, mas o que ela explicava ao gato era que isso foi um velho 
exemplo, aquele sobre os ratos e a igreja, eliminado de uma edição anterior. Disse que o havia parafraseado 
por não saber muito a respeito do fogo do inferno e da condenação eterna. Disse também que achou o uso 
de imagens claramente não behavioristas como a dos ratos saltando sobre os bancos “entusiasticamente” 
no mínimo engraçado, se não inteiramente significativo ou apropriado. Então, por um bom tempo perma-
neceu calada, olhando para o sanduíche. Em seguida, foi até a porta e colocou o lanche no prato do gato. 
O gato o cheirou, deu uma lambida num pedacinho de presunto que havia escapado do pão e voltou a se 
enrolar no beliche. Depois de um tempo, a Velha Senhora prosseguiu a leitura.
Condicionamento Operante: O Behaviorismo Radical de Skinner 135
Outras Aplicações: Gerenciamento do Comportamento
Um dos objetivos da indústria da moda e de alimentos é moldar e alterar a preferência 
das pessoas e, em última análise, o comportamento delas. Da mesma forma, um dos 
objetivos da área do ensino é provocar a aprendizagem (o que, por definição, implica 
mudança no comportamento) e um dos objetivos da psicoterapia é alterar as respostas 
emocionais e comportamentais das pessoas.
Tudo isso envolve o que é chamado de gerenciamento do comportamento, a 
aplicação sistemática e deliberada de princípios de aprendizagem, na tentativa de mo-
dificar o comportamento. A aplicação dos princípios pavlovianos é freqüentemente 
denominada terapia do comportamento; o uso sistemático dos princípios da apren-
dizagem operante é mais conhecido como modificação do comportamento.
Uma grande variedade de técnicas específicas de gerenciamento do comportamen-
to baseadas no condicionamento foi desenvolvida. Quatro das mais comuns estão des-
critas sucintamente a seguir.
Reforçamento Positivo e Punição
Como acabamos de ver, tanto o reforçamento positivo quanto a punição podem ser 
muito eficazes para modificar o comportamento, e ambos são bem conhecidos e larga-
mente aplicados na vida cotidiana. Os pais elogiam as crianças durante o treinamento 
para uso do banheiro, os empregadores oferecem bônus para o trabalho produtivo 
e os professores sorriem para os alunos aplicados. Cada um desses é um exemplo de 
reforçamento. Os pais podem suspender o elogio ou ralhar quando as crianças falham 
na tentativa de chegar a tempo ao banheiro, os patrões podem reter o pagamento por 
causa de atrasos, e os professores podem expressar sua desaprovação aos alunos pre-
guiçosos. Cada caso é um exemplo de punição.
O uso sistemático de recompensas, bem como de punição (geralmente na forma de 
procedimentos de custo da resposta ou time-out descritos anteriormente), é um aspec-
to comum de muitos dos programas de modificação de comportamento. Por exemplo, 
eles poderiam ser usados para controlar os maus comportamentos numa sala de aula, 
para encorajar a interação verbal das crianças que são tímidas ou para criar melhores 
hábitos de estudo. Algumas vezes, a relação exata entre comportamentos específicos e 
recompensas (ou punições) pode ser detalhada num documento escrito (chamado de 
contrato de contingência).
Pesquisas indicam que estratégias de gerenciamento do comportamento específi-
cas e bem planejadas costumam ser muito mais frutíferas do que as abordagens mais 
informais e menos organizadas ( Jack, Shores, Denny e Gunter, 1996). Os programas 
mais eficientes são aqueles apoiados nas contingências positivas, e não nas aversivas 
(Carpenter e McKee-Higgins, 1996). Quando se baseiam em reforçamento positivo, 
geralmente usam vales como reforçadores. Eles podem ser trocados, posteriormente, 
por algum reforçamento mais significativo. O dinheiro é uma espécie de vale bastante 
eficiente, ressalta Dickinson e Poling (1996), após terem revisado oito estudos que 
usaram vários programas de recompensas monetárias.
136 Teorias da Aprendizagem
Não é à toa, portanto, que os consultores de gerenciamento do comportamento 
treinados em aplicação e desenvolvimento de programas de gerenciamento compor-
tamental podem ser muito importantes para dar assistência a professores e pais que 
lidam com problemas de comportamento. Cicero e Pfadt (2002), por exemplo, descre-
vem um programa que usou a combinação de reforçamento e punição no treinamento 
do controle fisiológico de três crianças com autismo. Em menos de duas semanas, os 
“acidentes com xixi” tinham sido totalmente eliminados nos três casos.
Contracondicionamento
A exemplo do que vimos no Capítulo 2, Guthrie descreve como em um processo 
chamado contracondicionamento alguns hábitos indesejáveis condicionados a certos 
estímulos podem, algumas vezes, ser substituídos por respostas diferentes e incompa-
tíveis com os mesmos estímulos.
O contracondicionamento tem sido estudado extensivamente em animais. Bouton 
e Peck (1992), por exemplo, condicionaram um estímulo à apresentação do alimento 
(condicionamento) e, então, condicionaram o mesmo estímulo à apresentação de um 
choque (contracondicionamento). Sob essas condições, o animal primeiro aprende 
uma resposta ao estímulo que é apropriada e relativa ao alimento (comer), depois, 
rapidamente, aprende uma resposta relacionada ao choque (como uma sacudidela na 
cabeça). Interessante notar que o contracondicionamento não destrói a associação ori-
ginal. Bouton e Peck relatam que após um lapso de 28 dias, a resposta original foi 
recuperada espontaneamente.
Algumas vezes o contracondicionamento é utilizado na psicoterapia e é ilustrado 
pela dessensibilização sistemática (Wolpe, 1958), método aplicado primariamente no 
tratamento de ansiedades e fobias (medos). Simplificando, a dessensibilização siste-
mática envolve três etapas. Primeiro, o paciente descreve todas as situações nas quais 
aflora o comportamento indesejado, listando-os numa ordem hierárquica do menor 
para o maior. Em seguida, o terapeuta ensina ao paciente uma resposta que é incom-
patível com a resposta não desejada – quase sempre uma resposta

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