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TEXTO 02 - Primórdios do Behaviorismo Pavlov, Watson e Guthrie

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de Watson. “Aprendi muitas coisas que não 
queria saber, coisas de natureza íntima”, revelou (p. 70).
com Rayner, co-autor de um livro sobre cui-
dados com bebês e crianças, no qual defendia 
uma abordagem rígida e controladora para 
lidar com os pequenos. Essas atividades, pe-
las quais era muito bem pago, pouco valeram 
para fazê-lo estimado pelos ex-colegas acadê-
micos, que gastaram muito tempo e esforço 
criticando seus artigos e livros. (Rayner tam-
bém escreveu artigos para revistas, incluindo 
um intitulado “Eu fui a mãe dos filhos de 
um behaviorista”, publicado na Parents em 
1930.)
Watson nunca retomou a vida acadêmica. 
Contudo, em 1958, pouco antes de falecer, a 
American Psychological Association o home-
nageou pelas extraordinárias contribuições à 
psicologia, presenteando-o com uma meda-
lha de ouro.
de ferro com o martelo no momento em que Albert encostou a mão no rato. Dessa vez 
Albert começou a choramingar e, como explicou Watson, “em função de sua condição 
alterada, não foram feitos mais testes durante uma semana” (1930, p. 160).
Depois desse período, o procedimento foi repetido, com o rato e o som forte com-
binados, num total de cinco tentativas. O comportamento de Albert havia mudado 
drasticamente. Quando o rato lhe era mostrado, ele não queria mais pegá-lo. Nas 
palavras de Watson: “No momento em que o rato era mostrado, o bebê começava a 
chorar. Quase de imediato ele se virava para o lado esquerdo, ficava de quatro e en-
gatinhava tão rápido que era difícil segurá-lo antes que chegasse à ponta do colchão” 
(1930, p. 161).
Watson considerou essa demonstração muito importante para sua teoria. “Cer-
tamente, é a prova da origem condicionada de uma resposta de medo”, argumentou. 
“Ela proporciona um princípio explicativo que dará conta da enorme complexidade do 
comportamento emocional dos adultos” (1930, p. 161).
Transferência
O princípio explicativo tem duas facetas: (1) respostas emocionais são condicionadas 
a vários estímulos como resultado de emparelhamentos que ocorrem entre estímulos 
condicionados – por exemplo, sons distintos, cheiros, imagens visuais ou sabores – 
e estímulos incondicionados, como aqueles que produzem medo, amor ou raiva; e 
(2) respostas emocionais podem se ampliar para estímulos para os quais elas não foram 
condicionadas, mas que lembram os estímulos condicionados.
Esses dois princípios estão ilustrados com clareza na demonstração com o pequeno 
Albert. Primeiro, só depois de sete associações combinadas do rato ao ruído é que Al-
bert ficou realmente assustado com o bicho. Segundo, quando o menino foi testado de 
novo, após cinco dias (já com 11 meses e 15 dias), demonstrou ter medo não apenas do 
rato mas também de um coelho branco, de um paletó castanho escuro, de uma roupa 
de lã branca, de uma máscara de Papai Noel (com barba) e do cabelo do Dr. Watson – 
todos objetos com os quais já havia brincado anteriormente.11
11 Por esse estudo dar uma história tão boa, diz Gilovich (1991), foi exagerado e mal apresentado por muitos 
escritores de livros didáticos. Alguns disseram que o pequeno Albert passou a temer gatos, luvas brancas, sua 
própria mãe ou seu ursinho de pelúcia. Outros insistem em afirmar que Watson, posteriormente, curou o pe-
queno Albert de seus medos. No entanto, ele não o fez, como explica a Velha Senhora em outro parágrafo.
50 Teorias da Aprendizagem
Esse fenômeno, que Watson chamou de transferência, ou extensão, é o que Pavlov 
descreveu como generalização do estímulo – a criação de respostas similares para uma 
variedade de estímulos relacionados. A generalização do estímulo é o que ocorre quan-
do um cachorro que tenha sido condicionado a salivar depois de ouvir um determinado 
tom, salive também em resposta a vários outros tons. Foi isso, precisamente, o que ocor-
reu quando o pequeno Albert, condicionado a ter medo de um rato branco, generalizou 
a resposta de medo para outros estímulos semelhantes como barbas e gatos brancos.
Emoções Positivas
O estudo com o pequeno Albert indica que é possível condicionar reações emocionais 
negativas, pelo emparelhamento repetido de um estímulo primariamente relacionado 
a alguma emoção negativa com outro estímulo distinto. Do mesmo modo, é possível 
condicionar reações emocionais positivas com estímulos neutros. É bem provável, por 
exemplo, que se o rato branco tivesse sido associado a uma taça de sorvete ou a um 
beijo molhado, o pequeno Albert acabasse amando ratos brancos. E mesmo após ter 
sido condicionado a responder com medo seria possível condicioná-lo a apresentar 
uma resposta positiva à presença dos ratos – procedimento chamado de contracondi-
cionamento. (O contracondicionamento está ilustrado adiante, na seção sobre Edwin 
Guthrie.) No artigo original parece claro que Watson pretendeu isso mesmo (ver 
Harris, 1979; Prytula, Oster e Davis, 1977). Albert foi o sujeito desse estudo apenas 
porque aconteceu de estar no hospital naquela ocasião. E, por um desses caprichos do 
destino, teve alta um dia antes de Watson começar os procedimentos de contracondi-
cionamento. Que esses procedimentos seriam, provavelmente, bem-sucedidos na cura 
do pequeno Albert, foi demonstrado quatro anos mais tarde, quando Mary Cover Jo-
nes tratou, com essa técnica, Peter, um garoto que tinha pavor de coelhos. Ela o curou 
com um procedimento clássico de condicionamento ( Jones, 1974).12
A Controvérsia
Embora o estudo com o pequeno Albert seja bem conhecido e amplamente citado 
como exemplo do condicionamento emocional, permanece controverso por uma série 
de razões – sem contar o fato de que tem sido, muitas vezes, mal relatado. Primei-
ro, foi usado nele um único sujeito, por isso, muitos dos pesquisadores que tenta-
ram reproduzir as descobertas de Watson encontraram dificuldade (Eysenck, 1982). 
Segundo, Watson não descreveu com muita precisão o que exatamente fez com o 
pequeno Albert. Samelson (1980) descobriu, em um relatório publicado por Watson, 
que sempre que o pequeno Albert estava aborrecido, punha o dedão na boca – e se 
acalmava. Enquanto chupava o dedo, não apresentava sinais da resposta condicionada 
para o medo, de modo que quando Watson e Rayner tentavam filmar o experimento, 
tinham, continuamente, de tirar o dedão de Albert da boca. Samelson levanta a hipó-
12 “Os publicitários são profundamente conscientes do poder do condicionamento emocional”, disse a Velha 
Senhora, me mostrando o anúncio do carro com a foto de uma estonteante modelo. “Muitas pessoas têm 
uma reação emocional condicionada positiva quando olham para este anúncio. E é isso exatamente o que os 
anunciantes querem. Se você gostar da modelo, com certeza vai gostar do carro, sem nem mesmo conhecê-
lo.” “Não fique tão confuso”, disse ela, “falaremos mais sobre isso no Capítulo 11”. Eu não achei que estivesse 
confuso.
Primórdios do Behaviorismo: Pavlov, Watson e Guthrie 51
tese interessante de que o pequeno Albert poderia estar chorando não por medo do 
rato, mas porque não o deixavam chupar o dedo! E embora Watson não sugira isso, é 
perfeitamente aceitável que chupar o dedo possa ser também uma resposta condicio-
nada de forma clássica.
O Ambientalismo de Watson
Um tema recorrente na literatura psicológica é a discussão sobre a questão da natureza 
e da criação – a controvérsia natureza-criação. Serão os humanos primariamente 
um produto da construção genética ou eles podem ser moldados e configurados pelo 
ambiente? O principal porta-voz em defesa da natureza, na virada do século XX, foi 
Francis Galton (1870), sobrinho de Charles Darwin. Ele acreditava que os genes são 
responsáveis pelas diferenças entre as pessoas. Defendia a idéia de que as pessoas de-
veriam ser selecionadas e criadas por suas características desejáveis, como inteligência 
e força, quase do mesmo modo como os cavalos são criados para serem velozes, os ca-
chorros para terem bom

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