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2015
Fundamentos de 
GeomorFoloGia e 
BioGeoGraFia
Org.ª Katia Spinelli
Prof. Arildo João de Souza
Prof.ª Ângela da Veiga Beltrame
Prof. Ricardo Wagner Ad-Víncula Veado
Prof.ª Rosimar Bizello Müller
Copyright © UNIASSELVI 2015
Elaboração:
Org.ª Katia Spinelli
Prof. Arildo João de Souza
Prof.ª Ângela da Veiga Beltrame
Prof. Ricardo Wagner Ad-Víncula Veado
Prof.ª Rosimar Bizello Müller
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
551.4
F981f Spinelli, Kátia
 Fundamentos de geomorfologia e biogeografia/ Kátia 
Spinelli (Org.)... [et al.] . Indaial : UNIASSELVI, 2015.
 
 262 p. : il.
 
 ISBN 978-85-7830-897-1
 
 1.Geomorfologia; 2.Biogeografia. 
 I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. 
III
apresentação
A Geografia é uma ciência tão fascinante quanto dinâmica, ao nos 
proporcionar o conhecimento, desde a estrutura do núcleo da Terra e seu 
funcionamento, até o topo da atmosfera, passando pelos vários ecossistemas 
e, naturalmente, a origem das variadas formas da superfície rochosa do 
planeta, objeto de estudo desta disciplina. 
 
Originado das palavras gregas geo (Terra), morfo (forma) e logia 
(estudo), a Geomorfologia é, portanto, o estudo das formas da Terra ou do 
relevo terrestre. 
A Biogeografia explica a distribuição dos seres vivos no espaço 
organizado. O dinamismo da expansão e distribuição das espécies na biosfera 
é muito complexo e envolve conceitos da Geografia, da Ecologia, da Biologia, 
da Climatologia, da Hidrologia e muitas outras disciplinas, inclusive as 
ligadas à Geografia Humana.
Abordaremos os fundamentos conceituais, ou seja, origem e evolução 
do conhecimento das formas do relevo terrestre, ressaltando os principais 
ícones mundiais e nacionais deste importante conhecimento. Afinal, vivemos 
na superfície da Terra e dependemos do equilíbrio entre as forças naturais 
envolvidas para continuar sustentando a vida. 
Sabemos que a crosta terrestre é formada por grandes blocos 
rochosos que flutuam sobre o manto, chocando-se uns com os outros, 
criando cordilheiras na costa oeste de um continente e fossas abissais na 
costa leste, por exemplo, alterando constantemente a superfície do planeta. 
Estudaremos, portanto, as forças internas ou endógenas e as forças externas 
que atuaram e atuam para criar as mais belas formas de relevo, sejam elas 
continentais, costeiras ou submarinas, muitas musas de grandes poetas, mas 
que também escondem riquezas e os segredos da história geológica da Terra. 
Há o cuidado, na orientação deste estudo, no sentido de sempre se 
considerar a integração dos diferentes aspectos biogeográficos. Com isso, 
queremos enfatizar que a vida pode se desenvolver ou se adaptar ou se 
extinguir por um conjunto de fatores bióticos e abióticos, que agem sobre uma 
população ou comunidade de forma correlacionada, nunca isoladamente.
Não temos intenção de esgotarmos os assuntos aqui colocados. 
Pretendemos que o conteúdo deste caderno seja uma boa introdução aos 
seus estudos em Biogeografia e que, a partir dele, possa desenvolver outras 
leituras sobre esta fascinante disciplina.
IV
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto 
para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há 
novidades em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é 
o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um 
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova 
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também 
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
É importante salientar que as informações apresentadas neste caderno 
são abordadas de forma sintética e resumida, portanto não significam um 
fim em si mesmas, mas a abertura de muitas portas, através das quais você 
deve entrar e se aprofundar, procurando realizar a leitura e estudo de outros 
autores.
Bom estudo.
Prof. Arildo João de Souza
Prof.ª Rosimar Bizello Müller 
Prof.ª Ângela da Veiga Beltrame 
Prof. Ricardo Wagner Ad-Víncula Veado
NOTA
V
VI
VII
UNIDADE 1 – INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA .................................... 1
TÓPICO 1 – PROCESSOS MORFOGENÉTICOS ATUANTES NA FORMAÇÃO E 
DESGASTE DO RELEVO ............................................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 O PAPEL DOS PROCESSOS ENDÓGENOS NA FORMAÇÃO DO RELEVO ....................... 4
2.1 A ATUAÇÃO DOS FENÔMENOS MAGMÁTICOS .................................................................. 5
2.2 A ATUAÇÃO DOS FENÔMENOS METAMÓRFICOS .............................................................. 6
2.3 A ATUAÇÃO DO TECTONISMO ................................................................................................. 6
2.3.1 A atuação da orogênese e epirogênese ................................................................................ 7
2.3.2 A atuação dos falhamentos e dobramentos ........................................................................ 8
2.3.3 A tectônica de placas e a evolução do relevo ...................................................................... 10
3 PROCESSOS EXÓGENOS E SEUS EFEITOS NO RELEVO ....................................................... 10
3.1 EROSÃO E DENUDAÇÃO ............................................................................................................ 11
3.2 TIPOS E FORMAS DE EROSÃO ................................................................................................... 12
3.2.1 O trabalho erosivo das águas ................................................................................................ 13
3.2.1.1 Erosão pluvial ............................................................................................................. 13
3.2.1.2 Erosão fluvial .............................................................................................................. 14
3.2.1.3 Erosão marinha ........................................................................................................... 16
3.2.2 Erosão glacial ........................................................................................................................... 16
3.2.3 A erosão eólica ........................................................................................................................ 18
3.2.3.1 Registroserosivos ....................................................................................................... 18
3.2.3.2 Registros deposicionais ............................................................................................. 20
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 22
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 23
TÓPICO 2 – ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA ............................ 25
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 25
2 VERTENTES .......................................................................................................................................... 25
2.1 MORFOGÊNESE DAS VERTENTES ............................................................................................ 26
2.2 EVOLUÇÃO DAS VERTENTES .................................................................................................... 30
2.3 A FORMA DAS VERTENTES ........................................................................................................ 32
2.4 DINÂMICA DAS VERTENTES ..................................................................................................... 38
2.5 A IMPORTÂNCIA GEOLÓGICA DO ESTUDO DAS VERTENTES ....................................... 39
3 MOVIMENTO DE MASSA ................................................................................................................ 40
3.1 FATORES CONDICIONANTES .................................................................................................... 41
3.2 TIPOS DE MOVIMENTO DE MASSA ......................................................................................... 42
3.3 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE ESCORREGAMENTOS E DESLIZAMENTOS ..... 48
3.4 EXEMPLOS DE MOVIMENTOS DE MASSA OCORRIDOS NO BRASIL .............................. 48
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 53
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 55
TÓPICO 3 – A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL ................................................................................. 57
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 57
sumário
VIII
2 A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL ..................................................................................................... 57
2.1 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE OS RIOS ...................................................................... 58
2.2 OS PADRÕES DE DRENAGEM DOS RIOS ................................................................................ 59
2.3 OS TIPOS DE LEITOS FLUVIAIS .................................................................................................. 62
2.4 OS TIPOS DE CANAIS FLUVIAIS ................................................................................................ 63
2.4.1 Canais retilíneos ...................................................................................................................... 64
2.4.2 Canais meandrantes ............................................................................................................... 64
2.4.3 Canais anastomosados ........................................................................................................... 66
2.4.4 Canais entrelaçados ou ramificados .................................................................................... 66
2.5 LEQUES ALUVIAIS E DELTAICOS ............................................................................................. 67
2.6 OS DEPÓSITOS ALUVIAIS ............................................................................................................ 69
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 72
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 74
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 75
UNIDADE 2 – GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO 
DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA ......................................... 77
TÓPICO 1 – GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA .................................................... 79
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 79
2 A GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA .............................................................................................. 79
2.1 DESCRIÇÃO DO PERFIL LITORÂNEO ...................................................................................... 80
2.2 OS PROCESSOS MORFOGENÉTICOS RESPONSÁVEIS PELA MORFOGÊNESE 
LITORÂNEA ..................................................................................................................................... 81
2.2.1 As forças marinhas atuantes na morfogênese litorânea ................................................... 83
2.3 ALGUMAS FEIÇÕES LITORÂNEAS .......................................................................................... 85
2.3.1 As planícies costeiras .............................................................................................................. 85
2.3.2 As escarpas e as falésias ......................................................................................................... 86
2.3.3 Restinga .................................................................................................................................... 88
2.3.4 Tômbolo .................................................................................................................................... 88
2.3.5 Pontal ........................................................................................................................................ 89
2.3.6 Baía ............................................................................................................................................ 89
2.3.7 Golfo ......................................................................................................................................... 90
2.3.8 Enseada .................................................................................................................................... 91
2.3.9 Recifes ....................................................................................................................................... 91
2.3.10 Laguna .................................................................................................................................... 92
2.3.11 Atol .......................................................................................................................................... 93
2.3.12 Praia ........................................................................................................................................ 94
2.3.13 Dunas costeiras ..................................................................................................................... 94
3 A GEOMORFOLOGIA CÁRSTICA ................................................................................................. 95
3.1 OS SISTEMAS CÁRSTICOS ........................................................................................................... 96
3.2 DISSOLUÇÃO DE ROCHAS CARBONÁTICAS ........................................................................97
3.3 DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS CÁRSTICOS ................................................................. 98
3.4 AS CAVERNAS E OS CONDUTOS .............................................................................................. 99
3.4.1 Sistemas de cavernas .............................................................................................................. 99
3.5 AS FORMAS DE RELEVO CÁRSTICO ........................................................................................ 100
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 104
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 106
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 108
TÓPICO 2 – COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO ...................................................................... 111
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 111
IX
2 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A COMPARTIMENTAÇÃO TOPOGRÁFICA DO 
RELEVO .................................................................................................................................................. 111
3 CARACTERÍSTICAS MORFOESTRUTURAIS DAS BACIAS SEDIMENTARES ................. 112
3.1 RELEVO TABULAR OU TABULIFORME ................................................................................... 113
3.2 RELEVO DO TIPO CUESTA .......................................................................................................... 116
4 CARACTERÍSTICAS MORFOESTRUTURAIS NAS ÁREAS DE DEFORMAÇÃO 
TECTÔNICA .......................................................................................................................................... 117
4.1 RELEVO DO TIPO HOG-BACK ..................................................................................................... 117
4.2 DOMO ............................................................................................................................................... 118
4.3 ESTRUTURA APALACHIANA .................................................................................................... 119
4.4 RELEVO JURÁSSICO ...................................................................................................................... 120
4.5 ESCARPAMENTO DE FALHA ..................................................................................................... 121
4.6 GRABEN OU FOSSA TECTÔNICA .............................................................................................. 122
4.7 HORST OU MURALHA ................................................................................................................. 122
5 ESCUDOS ANTIGOS OU MACIÇOS CRISTALINOS ................................................................ 122
6 AS PRINCIPAIS FORMAS DE RELEVO TERRESTRE ................................................................ 122
6.1 CADEIAS DE MONTANHAS ....................................................................................................... 123
6.2 PLANALTOS .................................................................................................................................... 127
6.3 PlANÍCIES ........................................................................................................................................ 128
6.4 DEPRESSÕES ................................................................................................................................... 130
7 A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO SUBMARINO ........................................................... 133
7.1 PLATAFORMA CONTINENTAL .................................................................................................. 133
7.2 TALUDE CONTINENTAL ............................................................................................................. 134
7.3 REGIÃO E/OU PLANÍCIE ABISSAL ............................................................................................ 134
7.4 OUTRAS FORMAS DO RELEVO BATIMÉTRICO ..................................................................... 134
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 136
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 137
TÓPICO 3 – A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA .......................................................................... 139
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 139
2 A ESTRUTURAÇÃO DA GEOMORFOLOGIA NO BRASIL ..................................................... 140
2.1 AS BASES CONCEITUAIS DA GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA........................................ 140
2.2 GEOMORFOLOGIA NO CONTEXTO DA GEOGRAFIA BRASILEIRA ................................ 142
3 ESTRUTURA GEOLÓGICA DO RELEVO BRASILEIRO ........................................................... 148
3.1 ESCUDOS CRISTALINOS OU NÚCLEOS CRATÔNICOS ....................................................... 150
3.2 BACIAS SEDIMENTARES ............................................................................................................. 151
3.3 TERRENOS VULCÂNICOS ........................................................................................................... 152
4 AS CLASSIFICAÇÕES DO RELEVO BRASILEIRO ..................................................................... 152
4.1 CLASSIFICAÇÃO DE AROLDO DE AZEVEDO ........................................................................ 153
4.2 CLASSIFICAÇÃO DE AZIZ AB’SABER ...................................................................................... 154
4.3 CLASSIFICAÇÃO DE JURANDYR ROSS ................................................................................... 155
5 HIPSOMETRIA DO BRASIL ............................................................................................................. 160
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 162
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 164
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 166
UNIDADE 3 – TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM ....... 167
TÓPICO 1 – OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS .................................................... 169
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 169
2 TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS .............................................................................................. 169
2.1 REINO HOLÁRTICO ...................................................................................................................... 173
X
2.2 REINO PALEOTROPICAL ............................................................................................................. 174
2.3 REINO AUSTRALIANO ................................................................................................................. 175
2.4 REINO ARQUINÓTICO ................................................................................................................ 180
2.5 REINO NEOTROPICAL ................................................................................................................. 186
3 OS BIOMAS........................................................................................................................................... 189
3.1 BIOMA DE TUNDRA ..................................................................................................................... 189
3.2 BIOMA DE TAIGA - FLORESTA BOREAL DE CONÍFERAS ................................................. 193
3.3 FLORESTA TEMPERADA SEMIDECÍDUA OU MISTA ........................................................... 199
3.4 BIOMA DE ESTEPES, PRADARIAS OU CAMPOS ................................................................... 202
3.5 BIOMA DE DESERTOS E SEMIDESERTOS ............................................................................... 205
3.6 VEGETAÇÃO MEDITERRÂNEA ............................................................................................... 213
3.7 BIOMA DE SAVANAS .................................................................................................................... 215
3.8 BIOMA DE FLORESTAS PLUVIAIS EQUATORIAIS ............................................................... 219
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 226
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 229
TÓPICO 2 – AS PAISAGENS FITOGEOGRÁFICAS DO REINO NEOTROPICAL ................. 231
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 231
2 DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS BRASILEIROS ................................................................... 231
2.1 DOMÍNIO DOS CHAPADÕES TROPICAIS COM DUAS ESTAÇÕES, RECOBERTOS POR 
CERRADOS E COM FLORESTAS-GALERIA ............................................................................. 232
2.2 DOMÍNIO DAS REGIÕES SERRANAS TROPICAIS ÚMIDAS OU DOS "MARES DE 
MORROS", RECOBERTOS POR FLORESTAS PLUVIAIS ......................................................... 235
2.3 DOMÍNIO DAS DEPRESSÕES INTERMONTANAS SEMIÁRIDAS, COM INSELBERGS E 
DRENAGEM INTERMITENTE E RECOBERTAS POR CAATINGAS .................................... 239
2.4 DOMÍNIO DAS TERRAS BAIXAS EQUATORIAIS, EXTENSIVAMENTE FLORESTADAS 
DA AMAZÔNIA .............................................................................................................................. 241
2.5 DOMÍNIO DOS PLANALTOS DAS ARAUCÁRIAS ................................................................ 244
2.6 DOMÍNIO DAS PRADARIAS ....................................................................................................... 247
2.6.1 Mistas do Sudeste do Rio Grande do Sul ............................................................................ 247
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 251
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 254
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................... 257
1
UNIDADE 1
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA 
GEOMORFOLOGIA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• entender de que forma as forças tectônicas, como vulcões, terremotos, mo-
vimento de placas tectônicas etc., atuaram ao longo de bilhões de anos, 
para dar a atual conformação do planeta Terra;
• saber como as forças externas ou exógenas atuaram ao longo do tempo 
para esculpir as diferentes formas de relevo;
• descobrir o que é uma vertente, sua dinâmica, tipos, importância, equilí-
brio;
• saber analisar um movimento de massa e identificar a causa do mesmo.
• compreender a dinâmica do rio no transporte e deposição de sedimentos, 
na construção do seu leito, meandros, estuários etc.;
Esta unidade está organizada em três tópicos. Em cada um deles você 
encontrará atividades para uma maior compreensão das informações 
apresentadas.
TÓPICO 1 – PROCESSOS MORFOGENÉTICOS ATUANTES NA 
FORMAÇÃO E DESGASTE DO RELEVO
TÓPICO 2 – ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA
TÓPICO 3 – A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
PROCESSOS MORFOGENÉTICOS ATUANTES NA 
FORMAÇÃO E DESGASTE DO RELEVO
1 INTRODUÇÃO
O relevo atual não foi sempre assim, pois a superfície da Terra é dinâmica. 
Como você estudou na Geografia Física, a Terra é um planeta “vivo”. Através 
dos processos endógenos e exógenos, a superfície do planeta foi se modificando 
ao longo do tempo geológico, deixando marcas de sua história nas sucessivas 
camadas que foram dando origem ao relevo atual. Ademais, “a interação da 
litosfera móvel terrestre com os fluidos da atmosfera e hidrosfera guia a formação 
de uma variada paisagem, única no sistema solar”. (PENHA, 2009, p. 51). 
As forças endógenas e exógenas são responsáveis por modelar e/ou 
esculpir a superfície do planeta Terra. As formas de relevo que você visualiza 
no seu dia a dia são o resultado da atuação dessas forças ao longo de milhões ou 
bilhões de anos. Lembrando que a Terra tem aproximadamente 4,5 a 4,6 bilhões 
de anos.
A título de curiosidade, de acordo com Penha (2009), se apenas as forças 
exógenas agissem sobre a superfície da Terra, considerando a não existência 
da atuação das forças endógenas, o nosso planeta estaria coberto por um único 
oceano cuja profundidade seria de aproximadamente 2,6 km. Na realidade, como 
você bem sabe, os oceanos cobrem 71% da superfície terrestre e a profundidade 
em média é de 3,8 km. É evidente que essa profundidade é muito irregular. Para 
você ter uma ideia, a maior profundidade é de 11.033 metros na fossa Challenger, 
nas Marianas, a sudoeste do Pacífico. Os 29% correspondem às terras emersas, 
com uma altitude média de 840 metros acima do nível do mar, tendo como ponto 
mais alto o Pico Everest, no Himalaia (Ásia), com 8.848 metros. Desse modo, 
pode-se dizer que a maior diferença altimétrica registrada no nosso planeta, 
se considerarmos o ponto mais alto e o ponto mais profundo, corresponde a 
aproximadamente 20 km.
O intuito deste tópico é fazer com que você entenda o processo de 
formação, transformação e desgaste do relevo. 
Respire fundo, mantenha a concentração e bom estudo!
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
4
2 O PAPEL DOS PROCESSOS ENDÓGENOS NA 
FORMAÇÃO DO RELEVO
Os processos endógenos ou endogenéticos, ou ainda geodinâmicos 
internos, correspondem aos processos geológicos que atuam no interior da Terra. 
O fluxo da matéria do interior para o exterior ou vice-versa é contínuo e constitui o 
ciclo das rochas, no qual as massas rochosas são impulsionadas para a superfície, 
acentuando o relevo e impedindo o aplainamento generalizado oriundo dos 
processos exógenos. 
Caso você não se lembre dos estudos do caderno de Geografia Física, 
relacionam-se à geodinâmica interna da Terra os fenômenos magmáticos vulcânicos 
e plutônicos, os dobramentos e falhamentos, a epirogênese e a orogênese, os 
terremotos e a tectônica de placas.
A maior parte do conhecimento do interior do planeta é fornecida através de 
estudos geofísicos, principalmente com o auxílio da sismologia (estudo dos terremotos).” 
(PENHA, 2009). 
ATENCAO
A conjunção dos processos endógenos, presentes durante toda a 
evolução da história geológica da Terra, ocasiona a dinâmica da litosfera e, 
consequentemente, a formação das cadeias de montanhas, das fossas oceânicas, 
do deslocamento de porções continentais e das atividades magmáticas em 
grandes extensões da crosta terrestre. 
Em zonas tracionadas por correntes convectivas ascendentes, a crosta 
oceânica é formadapor sucessivas injeções de magma básico, dorsais são 
estruturadas, e o assoalho submarino é arrastado, simetricamente, para fora 
da cordilheira oceânica, levando consigo porções continentais mais leves e de 
natureza siálica. (PENHA, 2009). 
Ainda de acordo com o mesmo autor, em zonas compressivas, 
presumivelmente geradas por correntes convectivas descendentes, ocorre a 
formação de cordilheiras, favorecendo assim o aparecimento de cinturões 
orogenéticos, zonas de subducção e, consequentemente, a formação de arcos de 
ilhas e fossas oceânicas. Desse modo, podem ser visualizadas as colisões de crosta 
oceânica, bem como, continental. Assim, movimentações tectônicas intensas são 
encontradas, ocasionando dobramentos e falhamentos da crosta em larga escala, 
bem como a presença de terremotos e vulcões.
TÓPICO 1 | PROCESSOS MORFOGENÉTICOS ATUANTES NA FORMAÇÃO E DESGASTE DO RELEVO
5
Para facilitar sua compreensão, observe atentamente a ilustração a seguir, 
a qual indica zonas de construção e destruição de placas litosféricas e feições 
geológicas associadas.
FONTE: Penha (2009)
FIGURA 1 – SEÇÃO NA CROSTA TERRESTRE INDICANDO ZONAS DE CONSTRUÇÃO E 
DESTRUIÇÃO DE PLACAS LITOSFÉRICAS E FEIÇÕES GEOLÓGICAS ASSOCIADAS
Se necessário, retome os estudos do caderno de Geografia Física, com os 
conteúdos do Tópico 1 da Unidade 2.
ATENCAO
Embora os fenômenos e/ou processos geológicos associados à 
geodinâmica interna da Terra já tenham sido abordados no caderno de Geografia 
Física, gostaríamos de rever alguns aspectos, no intuito de compreender melhor 
a formação do relevo. Vejamos:
2.1 A ATUAÇÃO DOS FENÔMENOS MAGMÁTICOS
As rochas ígneas ou magmáticas resultam do processo de resfriamento e/
ou consolidação do material em estado de fusão proveniente do manto, o chamado 
magma. Estas podem ser intrusivas ou plutônicas (solidificação no interior da 
crosta) e extrusivas ou vulcânicas (solidificação na superfície). 
A ascensão do magma, na litosfera, pode ocorrer de forma ativa, 
ocasionando a formação de corpos intrusivos de aspecto globular, que forçam e 
deformam as rochas envolventes, possibilitando a formação de corpos circunscritos 
com características dômicas (meia esfera), bem como, pode ocorrer de forma 
passiva, sem deformar ou arquear as rochas encaixantes. (PENHA, 2009). Ainda 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
6
de acordo com o mesmo autor, é evidente que tais condições intrusivas podem 
influenciar as formas do relevo, seja pela erosão diferencial, seja pela deformação 
das formações rochosas envolventes, quando esses corpos magmáticos ficam 
expostos na superfície por meio da denudação.
2.2 A ATUAÇÃO DOS FENÔMENOS METAMÓRFICOS
2.3 A ATUAÇÃO DO TECTONISMO
As rochas metamórficas resultam da transformação (metamorfização) de 
rochas preexistentes (magmáticas, sedimentares e as próprias metamórficas) em 
condições de pressão e de temperaturas muito elevadas. Dependendo da pressão 
e da temperatura, as rochas metamórficas poderão mudar ou não a composição 
mineralógica, mas a textura obrigatoriamente muda. 
É importante relembrar que são identificados três cenários ou tipos de 
metamorfismo fundamentais: regional ou dinamotermal, de contato ou termal 
e dinâmico ou cataclástico. No que concerne ao metamorfismo regional, não 
podemos deixar de abordar a sua importância como fenômeno plutônico, pois 
vastas porções da crosta podem ser afetadas, originando tipos rochosos comuns, 
como o escudo brasileiro e o canadense (pré-cambrianos).
As rochas variam em composição, bem como o grau de cristalinidade, 
sendo o maior para os gnaisses, onde alguns minerais chegam a ser centimétricos 
e de grande influência no relevo de terrenos muito antigos, como o denominado 
Complexo Cristalino. (PENHA, 2009). É claro que um gnaisse rico em cristais 
centimétricos de feldspato potássico (gnaisse facoidal) manifestar-se-á 
diferentemente, por exemplo, dos filitos e os micaxistos, isso porque são mais 
débeis e susceptíveis à erosão. O quartzito, por exemplo, quando exposto na 
superfície, tende sempre a formar relevo positivo e cristas, nem sempre ocorrentes 
em arenitos. (PENHA, 2009).
Sobre o material rochoso da litosfera ocorrem tensões de diferentes tipos e 
ordem de esforços. Amplas deformações e movimentos são produzidos em larga 
escala, estabelecendo assim a configuração arquitetônica do modelado terrestre. 
Associados ao estudo do tectonismo ocorrem a movimentação de placas, os 
falhamentos, os dobramentos, a orogênese e a epirogênese. Estes processos são 
determinantes na formação e transformação do relevo. 
A ordem dos fenômenos relacionados à tectônica de placas, à orogênese, 
bem como à epirogênese é de nível mundial e/ou regional, isso porque seus 
efeitos são verificados em grades extensões da superfície do planeta, a ponto de 
considerarmos uma tectônica global. Já as consequências dos falhamentos e dos 
dobramentos também relacionados à tectônica de placas podem ser efetuadas a 
nível regional e/ou local e de forma independente, quando tratados isoladamente. 
TÓPICO 1 | PROCESSOS MORFOGENÉTICOS ATUANTES NA FORMAÇÃO E DESGASTE DO RELEVO
7
Segundo Penha (2009, p. 61), “o fato de o material rochoso, quando 
submetido a esforços, fraturar ou dobrar deve-se ao tipo de resposta que 
ele apresentará às tensões, isto é, se quebrando, indicando regime rúptil de 
deformação, ou se dobrando indicando regime plástico de deformação”. Como 
você já sabe, esses regimes físicos estão presentes no interior da Terra. O regime 
rúptil pode se estabelecer a uma profundidade média inferior a 20 km, enquanto 
que o regime dúctil pode ser superior a esta, face obviamente às condições de 
pressão e temperatura.
É importante relembrar que os dobramentos e os falhamentos são 
processos endógenos, processados no interior da crosta e não na superfície, como 
aparentam ser. Assim, estratos de rochas que sofreram deformação há milhões 
de anos (Era Cenozoica) só agora estão aflorando, contribuindo assim, em maior 
ou menor grau, para as formas de relevo que estamos visualizando. Desse modo, 
podemos dizer que a idade das rochas ou das deformações nelas existentes não 
é necessariamente a mesma das formas nelas esculpidas. (PENHA, 2009). Pode-
se dizer que os principais traços do relevo que visualizamos no nosso cotidiano 
foram delineados recentemente, na sua maioria no período terciário da Era 
Cenozoica.
2.3.1 A atuação da orogênese e epirogênese
A orogênese corresponde aos processos tectônicos responsáveis pela 
deformação e elevação de extensas regiões da crosta, formando assim os grandes 
cinturões montanhosos, a exemplo da Cordilheira dos Andes (foto), os Alpes e a 
Cordilheira do Himalaia (foto), dentre outros.
FONTE: Disponível em: <http://www.dolphinscommunications.com/wp- content/
uploads/2009/06/Foto-72-_3.jpg>. Acesso em: 10 jun. 2010.
FIGURA 2 – CORDILHEIRAS DOS ANDES E DO HIMALAIA
Cordilheira dos Andes Cordilheira do Himalaia
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
8
Uma faixa orogênica é uma longa e relativamente estrita região próxima a 
uma margem continental de colisão de placas. Nesta, existem muitos ou todos os 
processos formadores de montanhas. Desse modo, podemos dizer que uma faixa 
orogênica “é uma região alongada da crosta, intensamente dobrada e falhada 
durante os processos de formação de montanhas”. (PENHA, 2009, p. 62). 
Uma informação importante que você não pode esquecer é que as orogenias 
apresentam diferenciação no que concerne à idade, à história, ao tamanho, bem 
como à origem. No entanto, todas já foram uma vez terrenos montanhosos. Os 
Apalaches, por exemplo, na Era Paleozoica foram uma grande cordilheira.
Quanto à epirogênese, podemos dizer que se caracteriza por movimentos 
verticais de extensas áreas continentais, sem gerar perturbações significativas à 
disposiçãoe estrutura geológica das formações rochosas afetadas. Para Leinz e 
Amaral (2001), apesar da grande lentidão dos movimentos epirogênicos, as provas 
diretas da sua ocorrência podem ser observadas em muitos lugares do globo 
terrestre, à beira-mar. Assim, esses movimentos podem causar variações lentas 
no nível do mar, denominadas eustasia ou movimentos eustáticos. (GUERRA; 
GUERRA, 1997).
De acordo com Penha (2009, p. 63), “um produto típico do movimento 
epirogenético negativo é a bacia, uma depressão geralmente de expressão regional, 
preenchida por sedimentos, como as bacias sedimentares intracratônicas”. 
Extensas camadas de rochas sedimentares podem ser encontradas nesses locais, 
inclusive com vários quilômetros de espessura, como, por exemplo, a bacia de 
Michigan (EUA) e a bacia do Parnaíba (Brasil).
2.3.2 A atuação dos falhamentos e dobramentos
De acordo com Leinz e Amaral (2001, p. 351), as falhas “são fraturas nas 
quais ocorre um deslocamento perceptível das partes, o que se dá ao longo do 
plano de fratura”. O tipo de falha está diretamente relacionado com o regime 
geotectônico que ocorreu e ainda ocorre em determinadas áreas do globo terrestre. 
As feições lineares do fraturamento da crosta são facilmente identificadas na 
superfície, através de imagens aéreas ou de satélites. Muitas vezes as falhas 
podem promover variações bruscas da litologia, ocasionando alteração no relevo. 
Dependendo da amplitude e idade do falhamento, a configuração do relevo será 
afetada em maior ou menor escala.
Na ilustração a seguir é possível verificar as principais feições morfológicas 
associadas aos falhamentos. Observe-a.
TÓPICO 1 | PROCESSOS MORFOGENÉTICOS ATUANTES NA FORMAÇÃO E DESGASTE DO RELEVO
9
FONTE: Penha (2009)
FIGURA 3 – TIPOS DE FALHAS E RELEVOS ASSOCIADOS
Quanto aos dobramentos, é importante relembrar que estes correspondem 
às deformações dúcteis que afetam os corpos rochosos. As dobras são geradas no 
interior da crosta, onde a temperatura e a pressão ocasionam a plasticidade das 
rochas. E, quando expostas na superfície, podem controlar o relevo, principalmente 
quando geradas em sequências de rochas acamadas, de diferentes composições, 
bem como, com resistência diferencial à erosão. Atente para a ilustração que 
segue.
FONTE: Penha (2009)
FIGURA 4 – FORMAS CONTROLADAS PELO MERGULHO DE STRATOS RESISTENTES 
DEFORMADOS
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
10
2.3.3 A tectônica de placas e a evolução do relevo
A maioria das atividades tectônicas se manifesta no limite das placas 
tectônicas. Podemos exemplificar as montanhas e as cadeias montanhosas que 
praticamente foram formadas nos limites das placas. Assim, sua evolução é 
comumente acompanhada de falhamentos, dobramentos, terremotos, erupções 
vulcânicas, intrusões de plútons e metamorfismo, principalmente nas zonas de 
subducção de margens continentais ativas. (PENHA, 2009).
Os esforços compressivos, gerados nas zonas de colisão de placas 
convergentes, associados ao intenso magnetismo que introduz corpos ígneos 
no material crustal afetado, edificam vulcões na superfície, criando as condições 
necessárias para o enrugamento do relevo por extensas áreas do planeta, 
em diferentes períodos geológicos. Assim, as montanhas quase sempre se 
apresentam como cadeias ou cordilheiras, porque as forças que as criaram 
operavam por extensas regiões da crosta terrestre, associadas a fenômenos de 
grande transcendência geodinâmica interna, sejam montanhas vulcânicas, de 
blocos falhados ou de dobramento e empurrão, como os Alpes e o Himalaia (vide 
imagem anterior). (PENHA, 2009).
Sem dúvida, o relevo terrestre está intimamente ligado aos episódios 
de grande mobilidade crustal, que confere inúmeros aspectos morfológicos à 
superfície da Terra no decorrer do tempo geológico.
Sugerimos que você retome os estudos do caderno de Geografia Física no que 
concerne ao estudo das rochas e, principalmente, o estudo sobre a gênese e evolução da 
tectônica global. Esta releitura poderá facilitar seu entendimento sobre a atuação dos agentes 
endógenos na formação do relevo, uma vez que as informações estão mais detalhadas.
IMPORTANT
E
3 PROCESSOS EXÓGENOS E SEUS EFEITOS NO RELEVO
Os processos exógenos correspondem aos processos que atuam no 
exterior da Terra. Sem dúvida, nas mais diversas paisagens do mundo é possível 
reconhecer a presença dos agentes exógenos no relevo. O trabalho destes agentes 
é denominado de erosão. 
Mas, o que é propriamente a erosão?
TÓPICO 1 | PROCESSOS MORFOGENÉTICOS ATUANTES NA FORMAÇÃO E DESGASTE DO RELEVO
11
2.3.3 A tectônica de placas e a evolução do relevo 3.1 EROSÃO E DENUDAÇÃO
Antes de verificarmos os tipos e formas de erosão é preciso deixar claro o 
conceito de erosão e denudação. Vejamos:
O conceito de erosão (do latim = erodere) está vinculado aos
processos de desgaste da superfície do terreno com a retirada e o 
transporte dos grãos minerais. Implica na relação de fragmentação 
mecânica das rochas ou na decomposição química das mesmas, 
bem como na remoção superficial ou subsuperficial dos produtos 
do intemperismo. Atua através de vários processos intempéricos 
(mecânicos [corrasão], químicos [corrosão], dissolução) e pela ação 
das águas correntes, das ondas, dos movimentos das geleiras e dos 
ventos. (BIGARELLA, 2003, p. 884). 
Em um sentido mais amplo, a erosão consiste no desgaste, no 
“afrouxamento” do material rochoso, bem como na remoção dos detritos através 
dos processos atuantes na superfície da Terra. De acordo com Bigarella (2003), 
muitas vezes a erosão é confundida com a denudação.
O termo denudação (do latim = denudare = descobrir) por muito tempo 
tem sido empregado na geomorfologia como sendo a remoção do material solto 
resultante do processo de intemperismo das rochas, oriundo da ação dos diferentes 
processos erosivos. (BIGARELLA, 2003). A denudação, conforme foi ressaltado 
no tópico 1, consiste no desgaste das formas de relevo mais salientes devido à 
ação dos agentes erosivos, ou seja, ocasionará acentuadamente a exposição das 
estruturas rochosas. 
Mas, afinal, você conseguiu entender a diferença entre a erosão e a 
denudação? Lembre-se: A erosão refere-se aos processos de desgastes da 
superfície e a denudação consiste nas consequências deste desgaste.
Você também precisa ter clara a diferença entre corrasão, corrosão e 
dissolução. Vejamos conforme a conceituação de Bigarella (2003, p. 885): 
Corrasão → refere-se ao desgaste exclusivamente mecânico da rocha pela ação de 
materiais que se movem sobre a superfície, seja pelos movimentos de massa nas vertentes 
pela força da gravidade, ou pelos agentes de transporte que exercem ação erosiva.
Corrosão → refere-se ao desgaste de natureza química sobre os constituintes minerais das 
rochas. A corrosão é muito efetiva e evidente nas paisagens cársticas.
Dissolução → neste processo, um material no estado sólido ou gasoso é transformado no 
estado líquido pela ação de um solvente, principalmente pela água. 
ATENCAO
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
12
É importante destacar que a determinação das taxas de erosão ou de 
denudação, segundo Bigarella (2003), é bastante complexa, dependendo de uma 
série de fatores envolvidos no intemperismo e na remoção de detritos. Dentre 
eles podem ser destacados as condições geográficas e climáticas; o tipo de relevo 
(sua forma e altimetria) e a natureza das rochas. 
No que se refere à cronologia dos eventos denudacionais, segundo 
Bigarella (2003), diz respeito tanto aos geomorfólogos como aos geógrafos, 
geólogos, estratígrafos e pedólogos, uma vez que se torna necessário correlacionar 
as diversas superfícies ou níveis de erosão com seus depósitos correlativos. 
“A cronologia da denudação depende da obtenção de muitos dados relativos 
aos depósitos correlativos associados,bem como da aplicação de metodologia 
apropriada”. (BIGARELLA, 2003, p. 908).
3.2 TIPOS E FORMAS DE EROSÃO
A erosão pode ser considerada normal ou natural e acelerada. A erosão 
normal é menos evidente, sendo percebida apenas com o decorrer do tempo e 
efetua-se dentro das condições naturais do ambiente. Já a erosão acelerada consiste 
na remoção de grande massa de material, a curto prazo, ocasionando sulcos mais 
ou menos profundos na superfície do terreno, destruindo o solo no meio rural e 
as propriedades na área urbana, além de afetar as obras de engenharia de modo 
geral. (BIGARELLA, 2003). É importante destacar que na erosão acelerada existe 
a interferência antrópica, bem como as mudanças climáticas, que fazem com que 
ocorra o aumento da intensidade erosiva. 
Na verdade, desde o período neolítico (caracterizado pelas sociedades 
sedentárias) o homem passou a interferir decisivamente no meio ambiente, ao 
utilizar práticas agrícolas inadequadas à conservação do solo, criando assim 
novas situações para a atuação de fenômenos erosivos acelerados. Atualmente, o 
ser humano continua fazendo uso do solo de maneira inadequada, seja nas áreas 
rurais ou nas áreas urbanas.
O processo erosivo pode ser compreendido em três etapas: a desagregação, 
o transporte e a sedimentação e/ou acumulação. 
A erosão inicia com a desagregação das rochas em virtude do intemperismo 
(processos que geram a destruição física e a decomposição química dos minerais 
em decorrência da ação dos agentes climáticos e biológicos). Os sedimentos que se 
formam são posteriormente transportados para áreas mais baixas pelos próprios 
mecanismos naturais em movimento (vento, chuvas, rios etc.). Esses sedimentos 
são depositados nas partes mais baixas da superfície, nas quais se acumulam.
Os principais agentes erosivos são: a água (que pode agir no desgaste do 
relevo de diferentes formas, através das chuvas, rios, mares); glaciações; vento e 
a própria ação do ser humano.
TÓPICO 1 | PROCESSOS MORFOGENÉTICOS ATUANTES NA FORMAÇÃO E DESGASTE DO RELEVO
13
3.2.1 O trabalho erosivo das águas
3.2.1.1 Erosão pluvial
A ação das águas pode gerar o desgaste no relevo de diferentes formas, 
através da água das chuvas, dos rios e dos mares. A saber.
A erosão pluvial é ocasionada pela retirada de material correspondente à 
parte superficial do solo pelas águas das chuvas. Quando o solo está desprovido 
de vegetação, este processo erosivo ocorre de maneira acelerada. Num primeiro 
momento, o contato das águas das chuvas com o solo pode provocar a desagregação 
dos “torrões” e agregados do solo, o que resultará no lançamento do material mais 
fino para o alto e para longe, processo conhecido como salpicamento. À medida 
que aumenta o impacto do contato, o material mais fino do solo é pressionado 
para baixo da superfície, ocasionando a obstrução da porosidade do solo, 
aumentando, consequentemente, o fluxo superficial e a erosão. Assim, conforme 
o grau de agressão da força destrutiva das águas, podem ser consideradas as 
seguintes e principais formas de erosão pluvial:
Erosão Laminar → consiste no processo de remoção de uma camada 
delgada e uniforme de solo superficial, ocasionada pelo fluxo hídrico não 
concentrado, no qual o solo não apresenta incisões significativas, bem como 
canais perceptíveis. 
Erosão de Sulcos → são pequenas incisões na superfície terrestre, em 
formato de filetes muito rasos, perpendiculares às curvas de nível, representando 
áreas em que a erosão laminar é mais intensa. É possível recuperar os sulcos 
através de operações normais de preparação do solo.
Erosão de Ravinamento → são formas erosivas resultantes do 
aprofundamento dos sulcos devido ao fluxo concentrado de águas pluviais. 
É importante destacar que a velocidade do fluxo pluvial é em decorrência do 
aumento da intensidade da chuva, da declividade da encosta e/ou terreno e da 
ultrapassagem da capacidade de armazenamento do solo. 
Erosão de Voçorocas → podemos dizer que este tipo de erosão é a mais 
complexa e destrutiva. Corresponde ao produto da ação combinada das águas 
do escoamento superficial e subterrâneo, apresentando grande porte e formas 
variadas. As voçorocas são verdadeiras “crateras”, possuindo paredes laterais 
íngremes e, em geral, fundo chato, ocorrendo fluxo de água no seu interior 
durante os eventos chuvosos. Observe a figura a seguir.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
14
FONTE: Almeida e Rigolin (2004)
Acerca da erosão pluvial, é importante destacar também que parte das 
águas das chuvas que caem sobre a superfície da Terra infiltra-se no subsolo, 
formando a água subterrânea. Essa água subterrânea realiza um trabalho de 
erosão no subsolo, modelando formas bem características, principalmente em 
terrenos constituídos por rochas de fácil dissolução. O calcário é uma delas, e as 
regiões onde ele é trabalhado pelas águas formam um relevo típico denominado 
karst (nome emprestado de uma região da Croácia). Sem dúvida, as cavernas 
são as mais belas formações desse relevo, que possui vários outros aspectos 
característicos, como os lapiás (formas superficiais) e as dolinas (depressões).
FIGURA 5 – IMAGEM DE UMA VOÇOROCA EM PARANAVAÍ (PR). É O TIPO DE EROSÃO MAIS 
AGRESSIVA PROVOCADA PELAS ÁGUAS DAS CHUVAS
No Tópico 2 da Unidade 2 abordaremos a morfologia cársica ou cárstica. 
ATENCAO
3.2.1.2 Erosão fluvial
A erosão fluvial corresponde à erosão ocasionada pela ação das águas 
dos rios sobre a superfície terrestre. As águas dos rios, durante o seu percurso, 
retiram, transportam e depositam materiais, ocasionando a “construção” e/ou 
destruição de suas respectivas margens.
É evidente que o trabalho de construção e/ou destruição realizado pela 
erosão fluvial depende de alguns fatores, como a natureza da rocha, a declividade 
do terreno, a velocidade do fluxo das águas e a força da correnteza. 
TÓPICO 1 | PROCESSOS MORFOGENÉTICOS ATUANTES NA FORMAÇÃO E DESGASTE DO RELEVO
15
Os vales fluviais são considerados um dos mais significativos testemunhos 
do trabalho erosivo fluvial. Não podemos deixar de ressaltar que este processo 
erosivo de formação dos vales fluviais levou bilhões e/ou milhões de anos para 
ocorrer. 
Os exemplos mais comuns desse tipo de formação são os vales em V e os 
cânions, a exemplo do Grand Canyon, nos Estados Unidos (Figura 15). Para você 
ter uma ideia, o cânion exemplificado foi escavado pelas forças das águas do rio 
Colorado, sendo que, entre o ponto mais alto do rio e sua foz há um desnível de 
aproximadamente 2.400 metros, cuja extensão é de cerca de 500 km e varia de 7 a 
30 km de borda a borda. Sua idade é de aproximadamente 13 milhões de anos. A 
ilustração a seguir explica como se forma um cânion. Atente para a foto à direita.
FONTE: FARNDON, J. Dictionary of the Earth. London: Dorling Kindersley, 2000.
É importante destacar que não são todos os vales que apresentam a forma 
de “garganta”, como os cânions. Os vales também podem ser encontrados em forma 
de vale em calha, vale normal e vale assimétrico. Ao observar a figura a seguir você 
perceberá a diferença entre eles.
FIGURA 6 – FORMAÇÃO DE UM CÂNION. À ESQUERDA VOCÊ OBSERVA UMA ILUSTRAÇÃO 
DE COMO OS RIOS ESCAVAM OS CÂNIONS. À DIREITA TEMOS UMA IMAGEM DO GRAND 
CANION DO COLORADO (EUA)
FONTE: Disponível em: <www.agriturismo.net>. Acesso em: 2 jun. 2009.
FIGURA 7 – ETAPAS DA EROSÃO FLUVIAL
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
16
3.2.1.3 Erosão marinha
Podemos dizer que o mar também forma e/ou transforma as paisagens 
litorâneas. A erosão marinha pode ser construtiva e também destrutiva. Assim, 
o trabalho de construção do relevo, bem como de destruição, realizado pelo mar 
nas áreas litorâneas, chama-se de erosão marinha.
No que concerne ao processo construtivo de erosão marinha, podemos 
exemplificar a formação daspraias, tômbolos e restingas, resultados a partir da 
deposição de sedimentos. 
O poder erosivo (destrutivo) das ondas é conhecido como abrasão 
marinha.
Quando as ondas quebram nas partes em que o continente avança sobre 
o mar, arrancam fragmentos das rochas, fazendo com que as paredes rochosas 
desmoronem, num processo erosivo de destruição (abrasão).
Um exemplo típico de formas resultantes da abrasão marinha são as 
falésias (costas altas e abruptas). O esquema a seguir ilustra a formação de uma 
falésia. Observe-o.
FONTE: Almeida e Rigolin (2004)
FIGURA 8 – ESQUEMA DE FORMAÇÃO DE UMA FALÉSIA
3.2.2 Erosão glacial
Os processos de erosão glacial ocorrem sob as massas de gelo. Este tipo de 
erosão pode ser definido como envolvendo a incorporação e remoção, pelas geleiras, 
de partículas ou detritos do assoalho sobre o qual elas se movem. De modo geral, 
ocorrem três processos principais de erosão glacial: abrasão; remoção e ação da água 
no degelo. Vejamos cada um deles, segundo Campos e Santos (2001, p. 223):
TÓPICO 1 | PROCESSOS MORFOGENÉTICOS ATUANTES NA FORMAÇÃO E DESGASTE DO RELEVO
17
3.2.1.3 Erosão marinha
3.2.2 Erosão glacial
Processo de abrasão – corresponde ao desgaste do assoalho sobre o qual 
as geleiras se deslocam, pela ação de partículas rochosas transportadas na base 
de gelo. É importante frisar que a maior parte da abrasão é produzida não pela 
ação direta do gelo, mas pelos fragmentos rochosos que ele transporta, pelo 
fato de o gelo ter dureza relativamente baixa. A maior ou menor eficiência da 
abrasão depende da pressão exercida pela partícula rochosa sobre o assoalho, 
da velocidade do movimento das geleiras e da disponibilidade de partículas 
protuberantes na base.
Processo de remoção – consiste na remoção de fragmentos rochosos 
maiores pelas geleiras. O fenômeno está associado à presença de fraturas ou 
descontinuidades nas rochas do substrato que podem corresponder a estruturas 
previamente existentes ou a descontinuidades formadas subglacialmente pelo 
alívio da pressão causada pela erosão glacial. Variações na pressão basal do gelo, 
normalmente associadas à presença de irregularidades no embasamento, podem 
gerar campos de esforços ou alterar os existentes, facilitando o aparecimento 
ou ampliação das zonas de fraqueza, promovendo a remoção de fragmentos de 
rocha. O mesmo pode resultar de mudanças térmicas na base do gelo. Finalmente, 
variações na pressão da água de degelo subglacial, nas adjacências de cavidades 
nas rochas do embasamento, podem também tornar o processo de remoção mais 
eficiente.
Água de degelo – duas são as maneiras pelas quais a água do degelo 
glacial produz erosão: a) mecanicamente – resulta do impacto de partículas 
transportadas sobre a superfície das rochas do assoalho das geleiras, pela 
agitação de clastos transportados e ação de redemoinho destes, dentro de 
cavidades subglaciais, e pelo processo de cavitação (consiste na formação de 
ondas de choques pelo colapso de bolhas de ar dentro da corrente aquosa, que 
se faz sentir mais intensamente em geleiras de base quente, drenadas por fortes 
correntes aquosas subglaciais). b) por ação química – os estados insaturados das 
soluções aquosas, a disponibilidade de partículas finas, com grande superfície 
relativa de reação e a maior solubilidade do dióxido de carbono em razão da 
baixa temperatura da água, acidificando-a, são os fatores aventados para explicar 
a erosão química glacial.
Os vales e os circos glaciais são as estruturas mais impressionantes 
esculpidas pelo gelo. Vales glaciais formaram-se devido à canalização das geleiras 
ao longo de depressões topográficas, modificando-as. A ação abrasiva do gelo 
resulta em modificação do perfil dos vales fluviais de V para vales glaciais de U. 
Os fiordes da Escócia, da Groenlândia e da Noruega são antigos 
vales glaciais localizados em litorais de costas altas, que foram reescavados 
profundamente pela ação das geleiras e invadidos pelas águas do mar.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
18
FONTE: Disponível em: <http://www.almadeviajante.com/fotos/noruega/noruega.php>. Acesso 
em: 15 maio 2010.
FIGURA 9 – IMAGEM DO FIORDE AURLANSFJORD, PATRIMÔNIO MUNDIAL 
DA UNESCO
3.2.3 A erosão eólica
3.2.3.1 Registros erosivos
A ação do vento fica registrada tanto nas formas de relevo como nos 
fragmentos trabalhados pela ação eólica, seja de forma destrutiva (erosão) ou de 
forma construtiva e/ou acumulativa (sedimentação ou deposição).
Os dois processos erosivos que correspondem à atividade eólica são: a 
deflação e abrasão. Segundo Sígolo (2001, p. 252), “na deflação a remoção de 
areia e poeira da superfície pode produzir depressões no deserto, chamadas 
bacias de deflação, podendo chegar a níveis mais baixos do que o nível do mar”. 
De acordo com o mesmo autor, deflação também pode produzir os chamados 
pavimentos desérticos (figura a seguir (esquerda)), caracterizados por extensas 
superfícies exibindo cascalho ou o substrato rochoso, expostas pela remoção dos 
sedimentos finos. Se o nível topográfico no deserto sofrer um rebaixamento por 
esse mecanismo até atingir a zona subsaturada ou saturada em água, podem 
originar-se os chamados oásis (figura a seguir).
TÓPICO 1 | PROCESSOS MORFOGENÉTICOS ATUANTES NA FORMAÇÃO E DESGASTE DO RELEVO
19
FONTE: Sígolo (2001)
FIGURA 10 – REGISTROS EROSIVOS. À ESQUERDA VOCÊ OBSERVA O PAVIMENTO DESÉRTICO 
NO DESERTO DO ATACAMA, CORDILHEIRA DOS ANDES. A FOTO À DIREITA CORRESPONDE 
AO OÁSIS, TAMBÉM NO DESERTO DO ATACAMA
Por causa dos constantes impactos de diferentes partículas em movimento 
(areia fina, média ou mesmo grossa) entre si e com materiais estacionados, 
geralmente maiores (seixos, blocos etc.), ocorre um intenso processo de desgaste 
e polimento de todos esses materiais. (SÍGOLO, 2001). Este processo denomina-
se abrasão eólica. É importante ressaltar que o vento, isoladamente, não produz 
qualquer efeito abrasivo sobre materiais rochosos. Apenas quando transporta areia 
e poeira é que exerce papel erosivo. A abrasão produzida pelo vento assemelha-
se ao processo de jateamento e polimento com areia, utilizado na indústria para 
limpar, polir ou decorar diversos objetos. 
Segundo Sígolo (2001), a ação erosiva do vento produz outras formas 
de registro, como os yardangs, que se assemelham a cascos de barcos virados, 
formados pela ação abrasiva eólica sobre materiais relativamente frágeis, como 
sedimentos e rochas sedimentares pouco consolidadas. Representam formas de 
abrasão importantes em diferentes áreas desérticas, tais como a Bacia do Lut, no 
sudoeste do Irã, e Atacama, no Chile.
No Brasil, embora os ventifactos (seixos que apresentam duas ou mais 
faces planas desenvolvidas pela ação da abrasão eólica) sejam raros, outras 
formas erosivas são encontradas, muitas delas conjugadas à atividade pluvial. 
Quando assim ocorrem, as ações erosivas eólica e pluvial podem produzir formas 
específicas no relevo, como, por exemplo, nos arenitos do Subgrupo Itararé em 
Vila Velha, Paraná. Observe a imagem a seguir.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
20
FONTE: Sígolo (2001)
3.2.3.2 Registros deposicionais
FIGURA 11 – ARENITOS DO SUBGRUPO ITARARÉ ERODIDOS PELA CONJUGAÇÃO DA AÇÃO 
EÓLICA E PLUVIAL, EM VILA VELHA, PARANÁ
O transporte e a posterior deposição de partículas pelo vento formam 
registros geológicos peculiares que são testemunhos desse tipo de atividade no 
passado. Os principais registros eólicos deste tipo são as dunas, os mares de areia 
e os depósitos de loess. Atente para estes registros.
Dunas – são formadas por uma deposição contínua, apresentam-se como 
grandes elevações de areia, podendo ser estacionárias (fixas) ou migratórias 
(móveis). As formas de dunas mais comuns são as dunas transversais, barcanas, 
parabólicas, estrelae longitudinais.
Mares de areia – é empregado em desertos para grandes áreas cobertas 
de areia, a exemplo da Arábia Saudita, com cerca de 1.000.000 km² da superfície 
atualmente cobertos por areia. Gigantescas áreas com dunas também ocorrem 
na Austrália e Ásia. As extensas coberturas de areia no Norte da África são 
conhecidas como ergs. (SÍGOLO, 2001).
Loess – sedimentos muito finos, quase sempre amarelados, e muito férteis, 
constituídos por quartzo, argila e calcário. Sua área de ocorrência mais conhecida 
é a da China meridional.
TÓPICO 1 | PROCESSOS MORFOGENÉTICOS ATUANTES NA FORMAÇÃO E DESGASTE DO RELEVO
21
As paisagens estão em constante transformação, seja pelos agentes exógenos 
ou pelos agentes endógenos. Como a nossa presença no planeta é muito curta, dado o 
tempo de formação e/ou transformação dessas paisagens, não conseguimos identificar 
mudanças significativas em suas formas.
ATENCAO
22
Neste tópico você estudou que:
• Os processos endógenos correspondem aos processos geológicos que atuam 
no interior da Terra. O fluxo da matéria do interior para o exterior ou vice-
versa é contínuo e constitui o ciclo das rochas, no qual as massas rochosas 
são impulsionadas para a superfície, acentuando o relevo e impedindo o 
aplainamento generalizado oriundo dos processos exógenos. 
• Estão relacionados à geodinâmica interna da Terra os fenômenos magmáticos 
vulcânicos e plutônicos, os dobramentos e falhamentos, a epirogênese e a 
orogênese, os terremotos e a tectônica de placas.
• A conjunção dos processos endógenos, presentes durante toda a evolução da 
história geológica da Terra, ocasiona a dinâmica da litosfera e, consequentemente, 
a formação das cadeias de montanhas, das fossas oceânicas, do deslocamento 
de porções continentais e das atividades magmáticas em grandes extensões da 
crosta terrestre.
• Os processos exógenos correspondem aos processos que atuam no exterior da 
Terra. Nas mais diversas paisagens do mundo é possível reconhecer a presença 
dos agentes exógenos no relevo. O trabalho destes agentes é denominado de 
erosão.
• Os principais agentes erosivos do relevo são: a água (que pode agir no desgaste 
do relevo de diferentes formas, através das chuvas, glaciações, rios, mares); o 
vento e a própria ação do ser humano. 
• A ação das águas pode gerar o desgaste no relevo de diferentes formas, através 
das chuvas, gelo, rios, mares. 
• Os processos de erosão glacial ocorrem sob as massas de gelo. Este tipo de 
erosão pode ser definido como envolvendo a incorporação e remoção, pelas 
geleiras, de partículas ou detritos do assoalho sobre o qual elas se movem. 
De modo geral, ocorrem três processos principais de erosão glacial: abrasão; 
remoção e ação da água no degelo.
• A ação do vento fica registrada tanto nas formas de relevo como nos fragmentos 
trabalhados pela ação eólica, seja de forma destrutiva (erosão) ou de forma 
construtiva e/ou acumulativa (sedimentação).
RESUMO DO TÓPICO 1
23
1 Sobre o papel dos processos endógenos na formação do relevo, analise as 
afirmativas que seguem e posteriormente assinale a alternativa que apresenta 
as afirmações CORRETAS:
I- A junção dos processos endógenos, presentes durante toda a evolução 
da história geológica da Terra, ocasionou a formação das cadeias de 
montanhas, das fossas oceânicas, do deslocamento de porções continentais 
e das atividades magmáticas em grandes extensões da crosta terrestre. 
II- A orogenia é responsável pela deformação e elevação de extensas regiões 
da crosta, formando assim os grandes cinturões montanhosos.
III- As dobras, quando expostas na superfície, podem controlar o relevo, 
principalmente quando são geradas em sequências de rochas acamadas 
com diferentes composições e uma resistência diferencial à erosão. 
IV- A configuração do relevo, dependendo da amplitude e idade do falhamento, 
será afetada em maior ou menor escala.
a) ( ) Estão corretas apenas as afirmativas II, III e IV.
b) ( ) Estão corretas apenas as afirmativas I e II.
c) ( ) Somente a afirmativa III está correta.
d) ( ) Todas as afirmativas estão corretas.
2 A presença dos agentes exógenos do relevo pode ser reconhecida nas mais 
diversas paisagens. Em relação a este estudo, analise as afirmativas e em 
seguida assinale a alternativa que corresponde à sequência CORRETA: 
I- A erosão pluvial é um dos agentes erosivos mais ativos no relevo, pois pode 
ocasionar grandes crateras no solo ou as chamadas voçorocas. 
II- Os vales fluviais são considerados os mais significativos testemunhos do 
trabalho erosivo dos rios.
III- As falésias são as formas típicas de abrasão marinha.
IV- Um dos processos erosivos eólicos é a deflação. Nesta, a remoção de areia e 
poeira da superfície pode produzir depressões no deserto, chamadas bacias 
de deflação. 
a) ( ) As alternativas I, II e III estão corretas.
b) ( ) As alternativas II, III e IV estão corretas.
c) ( ) Somente a alternativa III está correta.
d) ( ) Todas as alternativas estão corretas.
3 Diante do que foi exposto sobre a atuação dos processos endógenos e 
exógenos na formação, transformação e desgaste do relevo, teça um texto, 
elencando o seu entendimento acerca desses processos e sua interação no 
modelado terrestre. 
AUTOATIVIDADE
24
25
TÓPICO 2
ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
2 VERTENTES
Sem dúvida, o estudo das vertentes é um dos mais importantes setores 
de pesquisa geomorfológica, contemplando não apenas a análise de processos, 
mas também das formas. Todavia, o estudo das vertentes é muito complexo, pois 
envolve a ação de vários processos responsáveis tanto pela formação como pela 
remoção de material detrítico.
Os vários processos que atuam nas vertentes dependem de muitos fatores, 
dentre eles podemos destacar o clima atuante da região, a cobertura vegetal, 
a litologia, a estrutura geológica e a forma erosiva. Desse modo, ter-se-á uma 
grande variedade de formas, dificultando assim o estabelecimento de um modelo 
generalizado de desenvolvimento e evolução de vertentes.
 
Neste tópico você também terá a oportunidade de compreender os 
movimentos de massas que são reconhecidos como os mais importantes processos 
geomórficos modeladores da superfície terrestre. 
Assim, dada a importância do estudo das vertentes, bem como dos 
movimentos de massa, convidamos você a “mergulhar” neste estudo e 
compreender a morfogênese das vertentes, os tipos e formas de vertentes, bem 
como a importância geológica do estudo das mesmas.
Primeiramente é importante que você entenda o que é uma vertente. De 
acordo com o dicionário geológico-geomorfológico de Guerra e Guerra (1997, 
p. 634-635), vertentes “são planos de declives variados que divergem das cristas 
ou dos interflúvios, enquadrando o vale. Nas zonas montanhosas, as vertentes 
podem ser abruptas e formarem gargantas”. Neste caso, as vertentes estão mais 
próximas do leito do rio, enquanto nas planícies estão mais afastadas.
 
Você ficou confuso? Vejamos em um sentido mais amplo o que é uma 
vertente. 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
26
Vertente significa superfície inclinada, não horizontal, sem apresentar 
qualquer conotação genética ou locacional. As vertentes podem ser 
subaéreas ou submarinas, podendo resultar da influência de qualquer 
processo, e, nesse sentido amplo, abrangem todos os elementos 
componentes da superfície terrestre, sendo formadas pela ampla 
variedade de condições internas e externas. (CHRISTOFOLLETI, 1980, 
p. 26). 
 
Pode-se dizer que o conceito de vertente foi consagrado por J. Dylik como 
“toda superfície terrestre inclinada, muito extensa ou distintamente limitada, 
subordinada às leis gerais da gravidade”. (CASSETI, 2005). 
Na verdade, o estudo das vertentes enquanto categoria dorelevo ganha 
importância acadêmico-institucional em 1957, com o trabalho de Tricart, no qual 
afirmava que a vertente compunha o elemento principal do relevo. 
 De fato, o estudo das vertentes é caracterizado pelos geógrafos de 
fundamental importância, pois consistem nas mais básicas de todas as formas de 
relevo. E essa importância pode ser justificada, pois contribui no entendimento 
do processo evolutivo do relevo, bem como, por sintetizar as diferentes formas 
tratadas pela geomorfologia.
2.1 MORFOGÊNESE DAS VERTENTES
Conforme Christofoletti (1980), as vertentes podem resultar da influência 
de qualquer processo e, nesse sentido amplo, abrangem todos os elementos 
componentes da superfície terrestre, sendo formadas pela ampla variedade de 
condições tanto internas quanto externas.
Desse modo, as vertentes endogenéticas correspondem àquelas vertentes 
cuja formação está relacionada aos processos endógenos (que se originam no 
interior da Terra). As vertentes exogenéticas resultam dos processos exógenos 
(que se originam na superfície da Terra). Enquanto que os processos endógenos 
modificam a posição altimétrica e a orientação preexistente das vertentes, bem 
como podem ocasionar a formação de novas vertentes, os processos exógenos 
reduzem a paisagem terrestre a um determinado nível de base (o principal é o 
nível do mar). 
É evidente que a interação dos processos endógenos e exógenos 
responsáveis pela formação das formas de relevo tanto da superfície continental 
quanto oceânica é um processo relativamente lento na escala do tempo geológico. 
Gostaríamos de destacar também, conforme coloca Christofoletti (1980, 
p. 26): 
TÓPICO 2 | ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA
27
2.1 MORFOGÊNESE DAS VERTENTES
Que considerando que os processos endógenos pertencem ao âmbito 
da geodinâmica, e que qualquer que seja a origem endogênica primitiva 
toda vertente está esculpida pelos processos exógenos, em maior ou 
menor grau, podemos afirmar que as vertentes representam a categoria 
de forma que se constitui no objeto primordial da geomorfologia, pois 
são os componentes básicos de qualquer paisagem.
 Os processos morfogenéticos são os responsáveis pela esculturação das 
formas de relevo, representando a ação da dinâmica externa sobre as vertentes. 
(CHRISTOFOLETTI, 1980). Apesar desses processos atuarem conjuntamente, 
apresentam um desenvolvimento diferenciado, cuja eficácia é igualmente variada, 
conforme o meio no qual agem. Para Christofolleti (1980, p. 27):
os processos morfogenéticos constituem fenômenos de escala métrica 
ou decamétrica, e o seu estudo traz informações de ordem teórica 
e prática. No âmbito teórico, explica a evolução das vertentes e a 
esculturação do relevo, e no campo prático fornece informações a 
propósito da melhor aplicabilidade das técnicas de conservação dos 
solos. 
Na Unidade 3 você fará um estudo aprofundado sobre o solo, bem como as 
técnicas de conservação.
ESTUDOS FU
TUROS
Todavia, se considerarmos os processos morfogenéticos isoladamente, 
segundo Christofolleti (1980), podemos distinguir as seguintes categorias mais 
importantes na morfogênese do modelado terrestre:
a) Meteorização ou intemperismo → este processo é responsável pela produção 
de detritos que serão erodidos, ocasionando a formação do regolito. Pode-se 
dizer que é um pré-requisito necessário para a movimentação de fragmentos 
rochosos ao longo das vertentes.
Caso você não saiba o significado de regolito, é importante ter claro o conceito. 
Assim, regolito é o “material decomposto que repousa sobre a rocha-matriz, sem ter 
sofrido transporte. O material do regolito é um resíduo que não sofreu ainda o processo de 
edafização. Por conseguinte, o regolito constitui um material decomposto, isto é, resultante 
da meteorização e não edafização, o que leva alguns pedólogos a denominá-los de solo 
cru”. (GUERRA; GUERRA, 1997, p. 525).
IMPORTANT
E
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
28
b) Movimentos do regolito → este processo corresponde a todos os movimentos 
gravitacionais que ocasionam a movimentação de partículas ou parte do 
regolito encosta abaixo. A gravidade é a única força importante na qual não 
está envolvido nenhum meio de transporte (o vento, a água em movimento, o 
gelo e a lava em fusão). Contudo, é evidente que a presença da água e do gelo, 
por exemplo, pode acelerar o movimento do regolito.
c) O processo morfogenético pluvial → é um dos processos mais generalizados 
e importantes na esculturação das vertentes, distinguindo-se entre a ação 
mecânica das gotas de chuva e o escoamento pluvial. No que tange à ação 
mecânica das gotas de chuva, pode-se afirmar que este é o primeiro impacto 
erosivo dos solos, promovendo o “arrancamento” e deslocamento das partículas 
terrosas. Isso ocorre em função da energia cinética das gotas, variando conforme 
o tamanho e a velocidade das mesmas. Embora o impacto das gotas de chuva 
represente a primeira fase da morfogênese pluvial, o processo de transporte 
mais importante é o escoamento pluvial que se origina quando a quantidade 
de água precipitada é maior que a velocidade de infiltração.
No tópico anterior você pôde verificar a ação erosiva das águas das chuvas. Se 
for necessário, retome a leitura.
ATENCAO
d) A ação biológica → sem dúvida, a ação dos seres vivos também contribui 
no modelado das vertentes. As plantas, através das raízes, ocasionam o 
deslocamento de partículas, aumentando a permeabilidade do solo, bem como 
intensificam as ações bioquímicas e a retirada de nutrientes. As plantas também 
funcionam como camada interceptora diante da ação mecânica da água das 
chuvas, servindo de obstáculos ao escoamento pluvial e à ação dos ventos. 
Merece destaque também a ação dos animais. As minhocas, ao digerirem a 
terra, ocasionam a diminuição granulométrica das partículas. Os “fuçadores”, 
ao escavarem suas tocas, deslocam as partículas para jusante. As formigas, ao 
escavarem galerias no solo, facilitam a permeabilização e infiltração, removendo 
as partículas de locais mais profundos para a superfície. Desse modo, esse 
material é desagregado e carregado facilmente pela água das chuvas. De modo 
geral, a influência morfogenética dos animais pode ser considerada mais ativa 
que a ação das plantas.
TÓPICO 2 | ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA
29
Jusante corresponde a uma área que fica abaixo de outra, ao considerar a 
corrente fluvial pela qual é banhada. Costuma-se também empregar a expressão relevo de 
jusante ao descrever uma região que está numa posição mais baixa em relação ao ponto 
considerado. (GUERRA; GUERRA, 1997). 
ATENCAO
Segundo Christofoletti (1980, p. 31-32), o estudo dos processos 
morfogenéticos demonstra a importância que o fator climático assume no 
condicionamento para a esculturação das formas de relevo. Salienta também 
que dois conceitos básicos estão implicitamente envolvidos: que processos 
morfogenéticos diferentes produzem formas de relevo diferentes; e que as 
características do modelado devem refletir até certo ponto as condições climáticas 
sob as quais se desenvolveu a topografia. Baseando-se nesses princípios, 
decorre o corolário de que as consequências das oscilações climáticas podem 
ser reconhecidas através de elementos específicos da topografia, constituindo 
as formas relíquias que ainda não se adaptaram às novas condições de fluxo de 
matéria e energia.
Individualmente, os processos morfogenéticos possuem uma dinâmica 
própria e são elementos componentes de um conjunto maior, refletindo a 
influência do clima regional. Esse conjunto é denominado morfogenético, 
formando uma estrutura perfeitamente caracterizada, pois: a) a estrutura 
não é reduzível à soma de suas partes. Cada processo pode se integrar e 
ser encontrado em diversos sistemas morfogenéticos, mas o seu papelse 
modificará em função das condições gerais e dos demais processos aos quais 
está associado; b) a estrutura é um sistema de relações, os processos inter-
relacionam-se em um verdadeiro conjunto; c) a estrutura é ordenada e possui 
uma dominante. Em cada sistema podem ser encontrados inúmeros processos 
comuns aos demais; todavia, todos os processos não possuem a mesma 
importância em cada sistema, compondo uma certa hierarquia, mas um deles 
será o predominante e fornecerá a característica básica de determinado sistema 
morfogenético, implicando a existência de relações variáveis entre os processos. 
Por exemplo, a alternância gelo-degelo constitui a dominante no sistema 
morfogenético periglaciário, mas é elemento subsidiário no sistema desértico 
ou no temperado; da mesma forma, a meteorização bioquímica é intensa nos 
sistemas tropicais úmidos, mas é reduzida nos sistemas desérticos e frios. 
A verificação de semelhanças no modelado regional, aliada aos tipos de 
vegetação e aos solos, permite distinguir as regiões morfogenéticas. Essa noção 
foi introduzida primeiramente por Julius Büdel (1944), utilizando o termo 
Formkreisen, mas ganhou realce a partir de 1950. O seu conceito é o seguinte: 
“sob um conjunto determinado de condições climáticas, predominarão 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
30
processos geomórficos particulares que, por sua vez, imprimirão à paisagem da 
região características que a tornarão distinta de outras áreas desenvolvidas sob 
condições climáticas diferentes”. Nota-se, portanto, que a região morfogenética 
nada mais é que a expressão areal do sistema morfogenético. Como tais sistemas 
são dependentes dos tipos de clima, facilmente se depreende o conceito de 
região ou zona morfoclimática. 
 
Na verdade, várias foram as tentativas realizadas no intuito de definir 
e/ou reconhecer as regiões morfoclimáticas da superfície terrestre, podendo ser 
classificadas em três categorias: indutivas, sintéticas e objetivas.
Caso você queira saber detalhes e/ou características sobre as classificações 
indutivas, sintéticas e objetivas, recomendamos a leitura do capítulo 2 da obra de Antônio 
Christofoletti, intitulada Geomorfologia. Este capítulo também está disponível no material de 
apoio desta disciplina.
DICAS
De modo geral, podemos dizer que os fatores morfoclimáticos intervêm 
através da meteorização e pedogênese e da natureza dos processos de afeiçoamento 
das vertentes. Enquanto que as influências litológicas podem intervir de várias 
maneiras, seja na forma do perfil da vertente, na sua declividade média, na 
velocidade do recuo, dentre outras.
2.2 EVOLUÇÃO DAS VERTENTES
A evolução das vertentes compreende duas fases distintas: a produção 
de detritos e sua remoção. (BIGARELLA, 2003). Pode-se dizer que a evolução 
das vertentes é uma consequência da atuação dos processos deposicionais. 
Para Bigarella (2003 p. 984), “o mecanismo da evolução das vertentes consiste 
essencialmente em uma sutil interação entre profundas mudanças climáticas, 
variações de níveis de base locais e deslocamentos crustais”. Segundo o mesmo 
autor, esse mecanismo parece ser global. Na verdade, a atuação dos agentes 
modeladores da paisagem foi sincronizado e ao mesmo tempo seguiu um 
processo cíclico repetido nas vastas extensões da Terra. 
Se partirmos do princípio de que os processos de vertentes se diferenciam 
em função do clima ou da ação tectônica, o limite do umbral de funcionamento de 
uma vertente sofre alterações, sobretudo na escala de tempo geológico, suscetível 
a eventuais mudanças. (CASSETI, 2005). Desse modo, em virtude das glaciações 
TÓPICO 2 | ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA
31
pleistocênicas, nas regiões temperadas, por exemplo, no limite superior das 
vertentes ocorria um declive de aproximadamente 2 graus, comandado pelo 
processo de solifluxão, associado à fusão de geleiras. Com o recuo dos glaciais 
no Holoceno, os processos de vertente atuais passam a ser observados em 
condições de declividade mais elevada. (CASSETI, 2005). Assim, a vertente deve 
ser analisada numa perspectiva onde o fator temporal assume relevância para a 
compreensão do processo evolutivo. 
Na visão de Casseti (2005), as relações processuais em uma vertente 
dependem de fatores como o declive, a litologia e as condições climáticas. Ainda 
de acordo com o mesmo autor, o movimento de massa, por exemplo, pode 
ocorrer em declive moderado, desde que a presença de água e de argila seja 
suficiente para reduzir o atrito do material intemperizado em relação à estrutura 
subjacente. Desse modo, tanto o umbral de destacamento quanto o de parada, 
para uma vertente mais longa, variam em função das condições climáticas, do 
material proveniente da rocha subjacente (não necessariamente) e da própria 
declividade. 
Observe atentamente o esquema proposto por Clark e Small (apud 
CASSETI, 2005), no qual procuram mostrar as relações processuais em uma 
vertente considerando sua forma.
FONTE: Clark e Smal (apud CASSETI, 2005)
FIGURA 12 – O SISTEMA EM UMA VERTENTE CONVEXO-RETILÍNEA-CÔNCAVA
Clima
Temperatura Precipitação Infiltração Percolação
ImtemperismoImtemperismo
Escoamento
Composição 
química
Juntas e 
acamamento
Permeabilidade 
e porosidade
Tipo de rocha 
e estrutura
Fatores endógenos
Vegetação
Fatores exógenos
Infiltração de água 
no subsolo
M
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Vege
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Flu
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de 
sub
-sup
erfíc
ie
Solo 
e Regolito
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
32
Para Cruz (1982), o estudo geomorfológico da evolução das vertentes é 
de fundamental importância, pois auxilia o entendimento espaçotemporal dos 
mecanismos morfodinâmicos recentes e antigos. No que concerne aos estudos 
morfodinâmicos mais recentes, é importante destacar que estes são fundamentais 
para o estudo geomorfológico, pois ajudam a entender as paisagens geográficas. 
De acordo com Cruz (1982), são esses estudos (morfodinâmicos) que mostram 
os mecanismos dessa evolução e levam ao melhor entendimento dos estudos 
morfogenéticos de épocas passadas.
De acordo com Bigarella (2003), várias formas têm sido usadas pelos 
geomorfólogos para estabelecer cronologias locais que podem ter também grande 
valor na explicação da morfologia de vastas áreas. O problema fundamental da 
evolução das vertentes tem sido extensivamente reconhecido pelos geomorfólogos. 
Na visão de Bigarella (2003), parece que as diferenças básicas de opiniões entre os 
pesquisadores do assunto estão relacionadas com a morfologia das vertentes e o 
papel do clima como fator de relevância na evolução da paisagem.
2.3 A FORMA DAS VERTENTES
No que se refere à evolução dos conhecimentos geomorfológicos, cabe 
destacar que o desenvolvimento do perfil das vertentes talvez tenha sido um dos 
temas mais difíceis de serem interpretados.
Apesar dos conhecimentos adquiridos desde o início do século XX, até 
pouco depois da metade deste mesmo século, as concepções sobre o perfil das 
vertentes ainda não eram conclusivas. No intuito de discutir esta problemática 
foram seguidas duas metodologias distintas. Segundo Bigarella (2003, p. 973), 
uma das metodologias procurou dar “um tratamento geométrico, muitas vezes 
matemático, para deduzir o que poderia resultar numa vertente inicial, a partir de 
uma sequência de condições estipuladas”. A outra metodologia, utilizada desde 
os tempos de Gilbert e Davis, corresponde à análise de inúmeras observações, 
ou seja, o uso do método empírico. É evidente que esta metodologia não tem a 
mesma precisão que a geométrica. 
Existe uma diversificação de tipos de vertentes que abarcam desde 
superfícies suavementeinclinadas, bem como superfícies muito íngremes, 
escarpadas, quase verticais. Contudo, antes de verificarmos os tipos básicos de 
vertentes é importante destacar os principais termos utilizados para descrever as 
parcelas componentes das mesmas. Vejamos, segundo Christofoletti (1980, p. 39):
Unidade de vertente → consiste em um segmento ou em um elemento.
Segmento → é a porção do perfil da vertente na qual os ângulos 
permanecem aproximadamente constantes, o que lhe dá o caráter retilíneo.
TÓPICO 2 | ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA
33
Elemento → é a porção da vertente na qual a curvatura permanece 
aproximadamente constante. Pode ser dividido em elemento convexo, com 
curvatura positiva, quando os ângulos aumentam continuadamente para baixo, 
e elemento côncavo, com curvatura negativa, quando os ângulos decrescem 
continuadamente para baixo.
Convexidade → consiste no conjunto de todas as partes de um perfil de 
vertente no qual não há diminuição dos ângulos em direção à jusante.
Concavidade → consiste no conjunto de todas as partes de um perfil de 
vertente no qual não há aumento dos ângulos em direção à jusante.
Sequência de vertente → é uma porção do perfil consistindo 
sucessivamente de uma convexidade, de um segmento com declividade maior 
que as unidades superior e inferior, e de concavidade.
Ruptura de declive → consiste no ponto de passagem de uma unidade 
à outra.
 
A maior parte das vertentes é composta por vários segmentos. Para 
Bigarella (2003), as vertentes, por sua vez, geralmente apresentam um perfil 
formado por um segmento superior convexo, no qual a declividade aumenta para 
a jusante, seguido por um segmento inferior côncavo com redução de declive 
encosta abaixo. Pode-se encontrar também um segmento retilíneo com uma 
declividade constante, bem como, segmento escarpado marcado pela presença de 
rochas mais resistentes, no qual os detritos intemperizados deslizam livremente. 
Você deve estar imaginando ou tentando imaginar, diante do que 
foi exposto, o perfil dos vários segmentos das vertentes. Para facilitar sua 
compreensão, atente para as figuras que seguem. 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
34
FONTE: Adaptado de Bigarella (2003)
FIGURA 13 – DESIGNAÇÃO DOS VÁRIOS SEGMENTOS DA VERTENTE. A FIGURA A1 
REPRESENTA UMA VERTENTE CONVEXO-[RETILÍNEA]-CÔNCAVA-CONVEXA. A FIGURA A2 
CORRESPONDE A UMA VERTENTE CONVEXO-CÔNCAVA. A FIGURA B REPRESENTA UMA 
VERTENTE FORMADA PELO RECUO DA ESCARPA
O perfil típico de uma vertente, conforme Max Derruau (em 1965), 
geralmente apresenta uma convexidade no topo e uma concavidade na parte 
inferior, sendo que ambas estão separadas por um simples ponto de curvatura 
e/ou desvio ou por segmento. (DERRUAU, 1965 apud CHRISTOFOLETTI, 
2005). Conforme Christofoletti (2005, p. 39), “quando tais vertentes se encontram 
recobertas por um manto de detritos, com superfície lisa e sem ravinamentos, são 
denominadas de regular ou normal”. É importante salientar que a declividade de 
uma vertente para outra varia muito. Contudo, a declividade nas vertentes normais 
é sempre inferior à dos taludes de gravidade dos materiais. (CHRISTOFOLETTI, 
2005). 
Observe na figura a seguir a composição de uma vertente normal ou 
regular, conforme a concepção de Max Derruau. A área pontilhada indica o 
regolito.
TÓPICO 2 | ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA
35
FONTE: Christofoletti (1980)
FIGURA 14 – A COMPOSIÇÃO DA VERTENTE NORMAL OU REGULAR, CONFORME A 
CONCEPÇÃO DE DERRUAU (1965)
Não podemos deixar de ressaltar também a importante contribuição de 
Frederick R. Troeh, que utilizou equações matemáticas para explicar as formas 
das vertentes. Atente para os quatro tipos básicos de vertentes, combinando a 
concavidade e convexidade, conforme a concepção de Troeh, em 1965.
FONTE: Adaptado de Christofoletti (1980)
FIGURA 15 – OS QUATRO TIPOS BÁSICOS DE VERTENTES, COMBINANDO A CONCAVIDADE E 
CONVEXIDADE, CONFORME TROEH (1965)
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
36
Diferentemente do perfil típico de vertente apresentado anteriormente por 
Max Derruau e Frederick R. Troeh (ambos em 1965), vale a pena relembrar que 
Lester C. King (em 1953) propôs um modelo universal, no qual a vertente típica 
apresenta quatro partes: convexidade no topo; face livre ou escarpa retilínea; 
parte reta com detritos da porção superior da vertente e pedimento suavemente 
côncavo. Observe essas quatro partes na ilustração a seguir.
FONTE: Adaptado de Christofoletti (1980)
FIGURA 16 – AS QUATRO PARTES COMPONENTES DA VERTENTE, CONFORME O MODELO 
APRESENTADO POR KING, EM 1953
Contudo, anterior à proposta de King (em 1953), Arthur N. Strahler (em 
1950) divide as vertentes erosivas em três tipos básicos considerando o ângulo 
de repouso dos materiais não coesivos. O primeiro corresponde às vertentes 
em repouso, dentro dos limites do ângulo de repouso. O segundo refere-se às 
vertentes de alta coesão, elaborada comumente em material rochoso, apresentando 
uma declividade maior. E o terceiro diz respeito às vertentes reduzidas pelo 
escoamento difuso e rastejamento, ou seja, declividades suaves. 
Não podemos deixar de destacar as contribuições de Dalrymple, Blong 
e Conacher (em 1968). Estes propuseram nove unidades hipotéticas no modelo 
de perfil das vertentes, baseando-se nos estudos em áreas temperadas úmidas. 
Para eles, a vertente é um sistema complexo tridimensional que se “estende do 
interflúvio ao meio do leito fluvial e da superfície do solo ao limite superior da 
rocha não intemperizada”. (CHRISTOFOLETTI, 1980, p. 40). Nesta concepção, 
a vertente é dividida em nove unidades, cada uma sendo definida em função 
da forma e dos processos morfogenéticos dominantes e normalmente atuantes 
sobre ela. Observe atentamente na figura a seguir as nove unidades hipotéticas 
no modelo de vertente.
TÓPICO 2 | ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA
37
FONTE: Adaptado de Christofoletti (1980)
Para ampliar a discussão quanto à feição tridimensional de uma vertente, 
Ruhe (em 1975-1979) apresenta nove aspectos geométricos dependentes do 
perfil e da forma. As várias feições compõem segmentos que estão associados de 
diversas maneiras, sem que isso implique na presença de todos numa determinada 
vertente. (RUHE e WALKER, 1968 apud BIGARELLA, 2003). Vejamos então os 
nove tipos de feições tridimensionais eventualmente presentes numa vertente. 
FIGURA 17 – AS NOVE UNIDADES HIPOTÉTICAS NO MODELO DE VERTENTE APRESENTADO 
POR DALRYMPLE, BLONG E CONACHER (EM 1968)
FONTE: Bigarella (2003)
FIGURA 18 – GEOMETRIA DAS FORMAS DE VERTENTES CONFORME RUHE (1975, 1979)
LINEAR - 
LINEAR
CONVEXO - 
LINEAR
CONCAVO - 
LINEAR
LINEAR - 
CONVEXO
CONVEXO - 
CONVEXO
CONCAVO - 
CONVEXO
LINEAR - 
CONCAVO
CONVEXO - 
CONCAVO
CONCAVO - 
CONCAVO
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
38
Como você pôde perceber, os métodos de analisar, bem como determinar 
as formas de vertente, são numerosos. Neste contexto, iremos encontrar 
pesquisadores que procuram efetuar seus estudos em função de levantamentos 
dos perfis reais, bem como autores que estudam as formas das vertentes através 
de equações matemáticas. De modo geral, o emprego de perfis tornou-se uma 
técnica descritiva com uma ampla aceitação na análise das vertentes. Pode-se 
dizer que esta técnica foi inicialmente proposta por Savigear (em 1952-1956) e 
estruturada pelo mesmo autor (1967) e também ampliada por Young (em 1964-
1971). Para eles, o método usado com maior frequência na análise dos perfis de 
vertentes é dividir as unidades em retilíneas, convexas e côncavas.
2.4 DINÂMICA DAS VERTENTES
Sem dúvida, o funcionamento de uma vertente é muito complexo. Muitas 
foram as contribuições de estudiosos para tentar compreender a complexidade 
do funcionamentode uma vertente. Dentre elas, merecem destaque o conceito de 
balanço morfogenético e a dinâmica das vertentes como sistema aberto.
Em 1954, Alfred Jahn apresentou o conceito de balanço morfogenético. 
Neste, a meteorização e a pedogênese correspondem aos componentes verticais 
na vertente. Assim, a ação combinada desses componentes pode aumentar a 
espessura do regolito. Para Jahn, os demais processos morfogenéticos, como o 
movimento do regolito, o escoamento, a ação eólica, dentre outros, correspondem 
aos componentes paralelos. O efeito desses processos corresponde à retirada 
de detritos da vertente, ocasionando a diminuição da espessura do regolito e o 
rebaixamento do modelado. (CHRISTOFOLETTI, 1980). 
Esquematicamente, a vertente “estende-se do interflúvio ao canal fluvial 
e apresenta a superfície topográfica como limite superior e a superfície rochosa 
inalterada como limite inferior”. (CHRISTOFOLETTI, 1980, p. 58). Tendo por 
base esta compreensão, a dinâmica da vertente pode ser estudada na perspectiva 
dos sistemas abertos, recebendo, bem como perdendo matéria e energia. Neste 
contexto, a ilustração a seguir facilitará sua compreensão. Observe-a.
TÓPICO 2 | ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA
39
FONTE: Christofoletti (1980)
Diante do que foi exposto, não esqueça que as vertentes apresentam um 
equilíbrio dinâmico, podendo chegar a um estado de estabilidade, com o qual a 
forma da vertente permanecerá imutável com o passar do tempo, mesmo com a 
ocorrência do desgaste do relevo.
FIGURA 19 – DINÂMICA DA VERTENTE CONSIDERADA COMO SISTEMA ABERTO, RECEBENDO 
E PERDENDO MATÉRIA E ENERGIA DE MANEIRA CONSTANTE
2.5 A IMPORTÂNCIA GEOLÓGICA DO ESTUDO DAS 
VERTENTES
O estudo das vertentes abarca uma grande importância nas pesquisas 
geológicas. Você deve estar se perguntando: por quê? Por causa de dois motivos 
principais. Vejamos, de acordo com Christofoletti (1980, p. 61):
a) O conhecimento e a compreensão dos processos atuais levam-nos a 
interpretar os ambientes antigos e estudar a paleogeografia. Charles Lyell, 
em 1930, afirmara que “o presente é a chave do passado”. A afirmação de 
Lyell deu origem ao princípio do atualismo (vimos no caderno de Geografia 
Física) e essa perspectiva foi muito utilizada no decorrer do último século. O 
que resta discutir é se os processos atuais e as suas consequências podem ser 
extrapolados pura e simplesmente para as épocas passadas. 
b) Os fenômenos atuantes sobre as vertentes regulam o tipo de material a ser 
fornecido aos rios e aos demais meios de transporte do material detrítico. 
Conforme o tipo de material originado na fonte (vertente) será o tipo de 
material ocorrente no ambiente de sedimentação. Essa inter-relação foi melhor 
explorada por Henri Erhart, que em 1955 apresentou os fundamentos da teoria 
biorresistásica, baseando-se em observações sobre os processos pedogenéticos 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
40
e nas variações da cobertura vegetal dos continentes. Essa teoria também pode 
servir como critério geocronológico no que tange ao fornecimento aproximado 
da amplitude das oscilações climáticas ocorridas em certas épocas geológicas.
A teoria biorresistásica baseia-se na ação geoquímica exercida pelas florestas. 
As rochas sob cobertura florestal densa, no decorrer de sua evolução pedogenética perdem 
as suas bases alcalinas e alcalino-terrosas e também a maior parte da sílica. Assim, somente 
o ferro, o alumínio e a argila residual permanecem no local. Desse modo, estabelece-se 
uma distinção dos materiais em duas fases: a fase migradora (bicarbonatos de Na, K, Ca, 
Mg e lentes de sílica hidratada) e a fase residual (hidróxidos de ferro, alumínio, argila do tipo 
caolinita). A ocorrência dessa separação é porque sob as florestas a erosão mecânica é 
praticamente nula, mas existe uma intensa denudação química que carrega dos solos todos 
os elementos químicos solúveis. (Adaptado de: Christofolleti, 1980).
ATENCAO
3 MOVIMENTO DE MASSA
Você sabe o que é um movimento de massa ou também denominado 
movimento gravitacional de massa?
Segundo Bigarella (2003, p. 1026), “os movimentos de massa são 
reconhecidos como os mais importantes processos geomórficos modeladores 
da superfície terrestre”. De acordo com o mesmo autor, os movimentos de 
massa referem-se ao deslocamento de material, ou seja, solo e rocha, vertente 
abaixo, sendo influenciados pela gravidade. Ainda segundo o mesmo autor, 
esses movimentos são desencadeados pela interferência direta de outros agentes 
independentes, como, por exemplo, a água, gelo ou ar. 
 
Podemos dizer, ainda conforme Bigarella (2003, p. 1026), que, 
os movimentos de massas são fenômenos comuns em terrenos 
acidentados íngremes, podendo ocorrer igualmente em vertentes de 
baixa declividade. Grande desmoronamento (landslides) é frequente 
em regiões tectonicamente ativas. Outros são causados ou induzidos 
pela pressão de água no solo. 
No caso dos deslizamentos ocorridos na mesorregião do Vale do Itajaí 
(SC) em novembro de 2008, o fator da pressão da água foi determinante, dado o 
alto índice pluviométrico nos dias que antecederam os deslizamentos.
 
As áreas suscetíveis aos movimentos de massa, de acordo com Leopold, 
Wolman e Miller (apud BIGARELLA, 2003), possuem as seguintes características:
TÓPICO 2 | ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA
41
3 MOVIMENTO DE MASSA
a) intemperismo profundo das rochas;
b) na ausência de uma alteração profunda, a presença de estruturas sedimentares 
favoráveis e de litologia variada;
c) a presença de argilas expansivas;
d) teor elevado de umidade;
e) possibilidade de ação criogênica perene, sazonal ou de tempo menor;
f) ocorrência de terremotos;
g) vertentes perturbadas pela ação de ondas ou de rios. 
 Para Bigarella (2003), os movimentos de massa enquadram-se em duas 
categorias:
a) aqueles devidos a causas externas que aumentam a tensão de cisalhamento 
(shear stress) dos materiais das vertentes sem afetar as tensões internas (shear 
strength) desses materiais; 
b) aqueles que afetam as tensões internas sem mudanças de cisalhamento.
De acordo com o Novo Dicionário Geológico-Geomorfológico, de Guerra e 
Guerra (1997, p. 144), “cisalhamento corresponde à fraturação das rochas onde aparecem 
abruptos, produzida pelos esforços tectônicos”.
ATENCAO
3.1 FATORES CONDICIONANTES
De modo geral, os geomorfólogos designam movimentos de massa quando 
parte de uma vertente fica instável e os materiais envolvidos movimentam-se 
pela ação da gravidade.
A ocorrência dos movimentos de massa é condicionada por vários fatores. 
Contudo, merecem destaque principalmente:
• A estrutura geológica da área → neste, devemos considerar os aspectos 
litológicos; os padrões de fratura e diáclase (aberturas microscópicas que 
aparecem no corpo de uma rocha, principalmente devido aos esforços 
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
42
tectônicos, tendo direções variadas); o manto de intemperismo; coesão e peso 
por unidade do material formador das vertentes; circulação das águas; esforços 
de cisalhamento e planos de cisalhamento.
• A declividade da vertente → o movimento de massa é fortemente influenciado 
pela morfologia da vertente. Assim, por exemplo, a altura e a inclinação da 
mesma são determinantes na ocorrência dos movimentos de massa. Os maiores 
eventos catastróficos registrados no Brasil, relacionados a estes movimentos, 
segundo Bigarella (2003), foram em áreas de alta declividade.
• O índice pluviométrico → a intensidade das chuvas, bem como o seu 
prolongamento, podem ocasionar o deslocamento do solo vertente abaixo, 
principalmente em áreas desnudas, cuja infiltração da água é mais acentuada.
• A perda da vegetação → a presença da vegetação é importante, pois controla 
o escoamento superficial e a infiltraçãodas águas no manto intemperizado, 
diminuindo a penetração excessiva da água no subsolo. A perda da vegetação 
expõe o solo ao processo erosivo, principalmente após o período de chuvas 
prolongadas, no qual o excesso de água irá encharcar o solo, ocasionando 
o relaxamento dos esforços internos através da lubrificação dos planos de 
cisalhamento, dando início aos movimentos de massa. 
• O solo muito intemperizado → a intensidade do processo de intemperização 
do solo contribuirá na aceleração dos movimentos de massa, bem como no 
fluxo de lama.
• A ação antrópica → a atuação do ser humano nas vertentes também pode 
ser um fator decisivo na ocorrência dos movimentos de massa, seja com a 
retirada da vegetação, na construção de moradia nas encostas ou na abertura 
de estradas, dentre outras. Um simples corte para a abertura de uma estrada, 
por exemplo, no sopé de uma vertente, poderá ocasionar, após a atuação de 
fortes chuvas, algum tipo de movimento de massa.
3.2 TIPOS DE MOVIMENTO DE MASSA
Para distinguir os vários tipos de movimento de massa nas vertentes são 
empregados alguns critérios que se baseiam no material, no conteúdo de água 
do subsolo, na velocidade, no mecanismo, bem como no tipo do movimento. De 
acordo com Bigarella (2003, p. 1038), “a classificação dos movimentos de massa 
apresenta dificuldades, principalmente no que diz respeito à quantificação das 
variáveis envolvidas. Os movimentos são de natureza variada, podem mudar 
vertente abaixo; via de regra, são transacionais entre si”. 
É importante destacar que o teor do material que se move e sua consistência 
podem determinar o desenvolvimento de uma variedade de tipos gradacionais 
de movimentos de massa, os quais dependem também das diversas proporções 
da mistura da água e do solo.
TÓPICO 2 | ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA
43
A tabela a seguir apresenta simplificadamente a classificação dos 
movimentos de massa, de acordo com Vernes (apud BIGARELLA, 2003, p. 1038). 
Vejamos.
Tipos de movimentos 
de massa
Tipo de material
Rocha
Solo
Grosseiro Fino
DESMORONAMENTO
(avalanche, queda)
[Falls]
Desmoronamento 
rochoso
(avalanche 
rochosa)
[Rock fall]
Desmoronamento
de escombros
(avalanches de 
escombros)
[Debris fall]
Desmoronamento 
terroso
(avalanche 
terrosa)
[Earth fall]
TOMBAMENTO
[Topple]
Tombamento 
rochoso
[Rock topple]
Tombamento de 
escombros
[Debris topple]
Tombamento 
terroso
[Earth topple]
ESCORREGAMENTO
Rotacional
Translacional 
Translocacional
Escorregamento 
rochoso
Escorregamento 
de escombros
Escorregamento 
terroso
Deslizamento de 
blocos rochosos 
[Rock block glide]
Deslizamento 
de blocos de 
escombros
(Debris block glide)
Deslizamento de 
blocos terrosos
(Earth block glide)
Escorregamento 
de rochas
Escorregamento 
de escombros
Escorregamento 
terroso
CORRIDAS DENSAS Corridas de lama 
ou de areia
FONTE: Vernes (apud BIGARELLA, 2003, p. 1038)
Na verdade, existem várias propostas de classificações de diferentes 
autores sobre os tipos de movimentos de massas. A tabela que vimos anteriormente 
é uma delas. Vejamos outra classificação.
QUADRO 1 – CLASSIFICAÇÃO DOS MOVIMENTOS DE MASSA
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
44
QUADRO 2 – TIPOS DE MOVIMENTOS DE MASSA
Tipo de movimento Características do movimento
Rastejos
(creep)
Movimento lento. Ocorre em declives acima de 35º, deslocando 
porção superior do solo, atingindo baixa profundidade. Possui 
gradiente vertical de velocidade (maior próximo à superfície, 
diminuindo com a profundidade).
Escorregamentos
(slide)
D
es
liz
am
en
to
s
Envolvem participação da água. Ocorre em relevos de elevada 
amplitude, com presença de manto de regolito. Causado por 
elevada pluviosidade e antropismo. Envolve fragmentos de 
rochas (rockslide) e solos (landslides)
Corridas de 
massa
(flow)
Participação intensa de água, forte caráter hidrodinâmico. O 
transporte é feito por suspensão ou saltação. A separação entre 
água e carga sólida é dificultada.
Queda de blocos
(fall)
Movimentos desenvolvidos em declives com ângulos próximos 
a 90º. Queda livre de material (rochas, solos). Ação maior da 
gravidade, sem água como agente mobilizador.
FONTE: Adaptado de Chorley et al. (1984), IPT (1989), Fernandes e Amaral (1996 apud SESTINI, 
1999, p. 31)
As figuras abaixo procuram ilustrar cada tipo de movimento de massa de 
acordo com a classificação adaptada de Chorley et al (quadro 2) acima descrita. 
Observe.
FONTE: Movimentos Gravitacionais de Massa. Disponível em: <http://www.meioambiente.pro.
br/baia/mov.htm>. Acesso em: 9 jun. 2009.
FIGURA 20 – MOVIMENTOS GRAVITACIONAIS DE MASSA
Trincas
massa movimentada
surgências 
d'água
solo
ruptura
superficial
solo de 
alteração
estrutura 
residual
inclinação 
excessivo
altura 
excessivo
lençol freático
limite do 
rastejo
TÓPICO 2 | ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA
45
FONTE: Movimentos Gravitacionais de Massa. Disponível em: <http://www.meioambiente.pro.
br/baia/mov.htm>. Acesso em: 9 jun. 2009.
FIGURA 21 – MOVIMENTOS GRAVITACIONAIS DE MASSA
Quanto ao escorregamento, destacam-se três tipos de movimentos de 
massa associados: Ruptura Planar, Ruptura Circular e Ruptura em Cunha. Atente 
para a representação a seguir.
Fonte: IPT/SP (1991 apud AUMOND, 2009)
Se fizermos uma análise mais detalhada dos mecanismos de transporte 
gravitacional envolvendo a interação grãos/fluidos, veremos que, do ponto de 
vista estritamente físico, os fluxos gravitacionais distinguem-se pelo objeto de 
atuação da força-peso (a mistura grãos/fluido). (GIANNINI; MELO, 2009). Quanto 
ao ponto de vista geológico, de acordo com os mesmos autores, três características 
são consideradas mais comuns aos diferentes tipos de fluxos gravitacionais: a 
associação preferencial a de declives; a formação de depósitos na base destes 
FIGURA 22 – ESCORREGAMENTO: TIPOS DE MOVIMENTOS DE MASSA ASSOCIADOS
solo
rocha sã
blocos instáveis
surgências
blocos deslocados 
do encosto
materiais depositados 
pela corrida
descontinuidades 
do maciço
Corrida de massa
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
46
declives; e o caráter brusco, com dissipação de grande quantidade de energia e 
deslocamento de grande massa de sedimentos em um tempo muito reduzido 
(segundos a poucas horas).
Giannini e Melo (2009) destacam seis principais variedades de fluxos 
gravitacionais: escorregamento; deslizamento; fluxo de massa friccional 
(granular); fluxo de massa coesivo (de lama); liquidificação; e corrente de 
turbidez.
Observe, na interessante tabela a seguir, os principais fluxos gravitacionais 
destacados acima e suas características quanto ao regime reológico (tipo de 
resposta mecânica da mistura grãos/fluido no momento em que o limiar de 
movimento é vencido), mecanismo de interação grãos/fluido, declive mínimo e 
depósito.
TÓPICO 2 | ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA
47
FONTE: Giannini e Melo (2009)
QUADRO 3 – PRINCIPAIS FLUXOS GRAVITACIONAIS E SUAS CARACTERÍSTICAS
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
48
Embora não há uniformidade de conceitos em relação às nomenclaturas 
empregadas na classificação dos movimentos de massa, podemos dizer que os 
escorregamentos (slumpus) e os deslizamentos (glides) têm em comum o fato de 
que o movimento ocorre essencialmente ao longo de uma superfície de fraqueza 
preexistente ou definida durante o início do processo. (GIANNINI; MELO, 2009). 
Nos escorregamentos esta superfície é côncava. Nos deslizamentos, a superfície 
é plana.
A ocorrência dos escorregamentos é sempre ao longo de superfícies 
de cisalhamento côncavas, sobre as quais a massa em movimento apresentaum comportamento rotacional. (BIGARELLA, 2003). Os escorregamentos 
são comuns em solos bastante intemperizados, assim como em sequências de 
rochas síltico-argilosas (lamitos) e também em rochas duras muito fraturadas. O 
escorregamento, para Bigarella (2003, p. 1053), “corresponderia a um movimento 
mais lento, uniforme, rotacional ou convoluto, que pode ser muito, pouco 
ou ligeiramente deformante. Por sua vez, as corridas de terra ou de lama são 
movimentos mais fluidos, via de regra bastante rápidos”.
 Os deslizamentos ocorrem ao longo de superfícies de cisalhamento 
planares, nas quais a massa em movimento, na maioria das vezes, fragmenta-
se em vários blocos. “A superfície de movimentação é abrupta e o volume de 
material envolvido é muito grande. No deslizamento os blocos de solo ou de 
rocha permanecem por longo tempo inalterados, movendo-se sobre um plano 
uniforme constituído por argila com alto teor de água”. (BIGARELLA, 2003, p. 
1055).
3.3 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE 
ESCORREGAMENTOS E DESLIZAMENTOS
3.4 EXEMPLOS DE MOVIMENTOS DE MASSA OCORRIDOS 
NO BRASIL
Nesta seção selecionamos alguns eventos associados aos movimentos de 
massa ocorridos no Brasil nas últimas décadas.
Em 2009:
As fortes chuvas registradas no final de 2009 e início de 2010 e a 
ocorrência de deslizamentos transformaram um dos principais paraísos turísticos 
do Estado do Rio de Janeiro. Um intenso deslizamento em uma encosta na 
enseada do Bananal, Ilha Grande, em Angra dos Reis, atingiu uma pousada e 
aproximadamente sete casas, ocasionando a morte de várias pessoas. Também foi 
registrado desmoronamento no Morro da Carioca, no centro histórico de Angra 
dos Reis. Observe as imagens.
TÓPICO 2 | ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA
49
FONTE: Disponível em: <http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1432330-5606,00.html>. 
Acesso em: 15 maio 2010.
FIGURA 23 – DESLIZAMENTO EM ANGRA DOS REIS (RJ). A IMAGEM À DIREITA CORRESPONDE 
AO DESLIZAMENTO NA ENSEADA DO BANANAL, ILHA GRANDE, E A IMAGEM À ESQUERDA 
MOSTRA O DESLIZAMENTO NO MORRO DA CARIOCA
Em 2008:
O Brasil inteiro acompanhou a grande tragédia que ocorreu em novembro 
de 2008 no Estado de Santa Catarina, principalmente no Vale do Itajaí. Muitos 
consideram como sendo a maior tragédia geoclimática brasileira. Além de 
enchentes e inundações, ocorreram intensos movimentos gravitacionais de massa 
que ocasionaram corridas de detritos, gerando danos em áreas urbanas e rurais. 
Pode-se dizer que os deslizamentos mudaram significativamente a morfologia 
dos vales e encostas de muitas áreas. 
Embora já tenhamos registros da ocorrência de movimentos gravitacionais 
de massa no Brasil em décadas anteriores, não se tem evidências de movimento 
de massa com tamanha intensidade no Brasil em relação ao ocorrido no final de 
2008 no referido Estado (SC). 
No caso dos deslizamentos no Vale do Itajaí, vários fatores podem justificar 
esta ocorrência. Contudo, podem estar associados à morfologia da paisagem; os 
solos profundos; desmatamentos/cultivos inadequados; obras de terraplanagem: 
cortes/aterros; drenagem inadequada e evento pluviométrico. Sem dúvida, os 
três meses consecutivos de intensa chuva foram determinantes. Porém, sabemos 
que em muitas das áreas de movimento de massa houve a interferência direta ou 
indireta do homem. Inclusive em áreas onde, ao que tudo indica, já havia ocorrido 
algum tipo de movimento de massa anteriormente, seja a um curto intervalo de 
tempo ou longo (20, 50, 100, 150 anos). 
Vejamos algumas imagens de deslizamentos ocorridos principalmente no 
Morro do Baú, em Ilhota, e em Blumenau.
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
50
FONTE: Disponível em: <http://aleosp2008.files.wordpress.com/2008/12/1198.jpg>. Acesso em: 
15 maio 2010.
FONTE: Disponível em: <http://www.apremavi.org.br/media/fotosPaginas/472_fot.jpg>. Acesso 
em: 15 maio 2010.
FIGURA 24 – VISTA PARCIAL DOS DELIZAMENTOS NO MORRO DO BAÚ EM ILHOTA-SC
FIGURA 25 – DESLIZAMENTOS EM BLUMENAU-SC
Conforme havíamos dito anteriormente, os registros de ocorrência de 
movimentos de massa no Brasil não são recentes. Outras catástrofes foram 
registradas em décadas passadas. Vejamos algumas delas, segundo Bigarella (2003):
Em 1995: 
Em dezembro de 1995 ocorreram eventos catastróficos nas vertentes 
íngremes da Serra Geral, no sul de Santa Catarina. As corridas de lama causaram 
danos importantes ao longo dos vales dos rios Figueira, em Timbé do Sul, 
Pinheirinho, em Jacinto Machado, e São Bento. A ocorrência desses eventos estava 
associada às altas precipitações nas vertentes. Chuvas torrenciais provocaram 
desmoronamentos e enchentes em pelo menos 24 municípios durante uma 
tormenta de quatro horas de duração. Após aproximadamente três horas do 
início das chuvas originou-se um fluxo concentrado que destruiu tudo à sua 
frente, levando troncos, blocos e matacões rochosos englobados numa massa de 
detritos finos. Atente para a impressionante imagem a seguir.
TÓPICO 2 | ANÁLISE DE VERTENTES E OS MOVIMENTOS DE MASSA
51
FONTE: Bigarella (2003)
Em 1974: 
Em março de 1974, as bacias dos rios Tubarão e Araranguá sofreram 
pesadas precipitações atmosféricas. Várias áreas da mesorregião do Sul catarinese 
foram atingidas por enchentes e desmoronamentos catastróficos, principalmente 
em Araranguá, Mampituba, Criciúma, Tubarão e Serra Geral. Os movimentos de 
massa em Tubarão, por exemplo, afetaram a parte superior de vertentes muito 
íngremes, ocasionando grandes quedas de blocos de rochas. Observe a imagem 
a seguir.
FONTE: Bigarella (2003)
FIGURA 26 – ÁREA DO ALTO RIO FIGUEIRA, TIMBÉ DO SUL, ONDE OCORRERAM OS EVENTOS 
CATASTRÓFICOS EM 1995 NA SERRA GERAL
FIGURA 27 – EVENTO CATASTRÓFICO EM TUBARÃO-SC – 1974
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
52
Em 1967: 
Ocorreram acentuados movimentos de massa sob a forma de 
desmoronamentos nas encostas íngremes da Serra do Mar, em Caraguatatuba, 
no litoral norte de São Paulo, em março de 1967. A ocorrência desta catástrofe 
ocasionou a movimentação de cerca de dois milhões de toneladas de material 
das encostas da Serra do Mar, originando depósitos de fundo de vale com 
características comuns àquelas apresentadas pelos sedimentos neocenozoicos. 
Observe nas imagens as cicatrizes ocasionadas pelos desmoronamentos.
FONTE: Bigarella (2003)
Em 1956: 
Em março de 1956 ocorreram escorregamentos de terra nos morros de 
Santos (SP) em áreas densamente habitadas. Esses escorregamentos foram 
causados basicamente pelas condições geológicas e pela ação antrópica, e 
efetivados pela intensidade e prolongamento das chuvas.
Se você começar a observar com atenção o relevo à sua “volta” é provável 
que perceba, em alguns “pontos”, a ocorrência de movimentos de massa antigos, 
ou seja, que ocorreram algumas décadas atrás. Estes pontos podem ter sido 
encobertos por uma vegetação mais densa ou podem ser facilmente visualizados 
em campos abertos. É evidente que pode ser que não tenha ocorrido nenhum 
tipo de movimento de massa na sua cidade. De qualquer maneira, a partir dos 
conhecimentos adquiridos neste tópico, comece a observar a paisagem com um 
olhar mais atento.
FIGURA 28 – EVENTO CATASTRÓFICO NA SERRA DO MAR, EM CARAGUATATUBA (SP) - 1967 
Sugerimos que você busque mais informações sobre estes e outros movimentos 
de massa ocorridos não só no Brasil, mas também em outros países. Tire um tempo e realize 
esta pesquisa. Vai ser muito interessante.
DICAS
53
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico você estudou que:
• As vertentes são planos de declives variados que divergem das cristas ou 
dos interflúvios, enquadrando o vale. Nas zonas montanhosas as vertentes 
podem ser abruptas e formarem gargantas. Neste caso, as vertentes estão mais 
próximas do leito do rio, enquanto nas planícies estão mais afastadas. 
•O estudo das vertentes enquanto categoria do relevo ganha importância 
acadêmico-institucional em 1957, com o trabalho de Tricart, no qual afirmava 
que a vertente compunha o elemento principal do relevo. 
• Os processos morfogenéticos são os responsáveis pela esculturação das formas 
de relevo, representando a ação da dinâmica externa sobre as vertentes.
• As vertentes podem resultar da influência de qualquer processo, e, nesse 
sentido amplo, abrangem todos os elementos componentes da superfície 
terrestre, sendo formadas pela ampla variedade de condições tanto de processos 
endógenos quanto exógenos.
• A maior parte das vertentes é composta por vários segmentos. Contudo, as 
vertentes, por sua vez, geralmente apresentam um perfil formado por um 
segmento superior convexo, no qual a declividade aumenta para a jusante, 
seguido por um segmento inferior côncavo com redução de declive encosta 
abaixo. Pode-se encontrar também um segmento retilíneo com uma declividade 
constante, bem como, segmento escarpado marcado pela presença de rochas 
mais resistentes, no qual os detritos intemperizados deslizam livremente. 
• O perfil típico de uma vertente, conforme Max Derruau (em 1965), geralmente 
apresenta uma convexidade no topo e uma concavidade na parte inferior, 
sendo que ambas estão separadas por um simples ponto de curvatura e/ou 
desvio ou por segmento. Frederick R. Troeh (em 1965), utilizando equações 
matemáticas para explicar as formas das vertentes, formulou quatro tipos 
básicos de vertentes, combinando a concavidade e convexidade. Lester C. King 
(em 1953) propôs um modelo universal, no qual a vertente típica apresenta 
quatro partes: convexidade no topo; face livre ou escarpa retilínea; parte reta 
com detritos da porção superior da vertente e pedimento suavemente côncavo. 
Arthur N. Strahler (em 1950) divide as vertentes erosivas em três tipos básicos 
considerando o ângulo de repouso dos materiais não coesivos. Dalrymple, 
Blong e Conacher (em 1968) propuseram nove unidades hipotéticas no 
modelo de perfil das vertentes, baseando-se nos estudos em áreas temperadas 
úmidas. Ruhe (em 1975-1979) apresenta nove aspectos geométricos de vertente 
dependentes do perfil e da forma. 
54
• Os movimentos de massas são reconhecidos como os mais importantes 
processos geomórficos modeladores da superfície terrestre. Os movimentos 
de massa referem-se ao deslocamento de material, ou seja, solo e rocha, 
vertente abaixo, sendo influenciados pela gravidade. Esses movimentos são 
desencadeados pela interferência direta de outros agentes independentes, 
como, por exemplo, a água, gelo ou ar. 
 
• A ocorrência dos movimentos de massas é condicionada por vários fatores. 
Contudo, merecem destaque principalmente a estrutura geológica da área; a 
declividade da vertente; o índice pluviométrico; a perda da vegetação; o solo 
muito intemperizado e a ação antrópica. 
• Para distinguir os vários tipos de movimento de massa nas vertentes são 
empregados alguns critérios, que se baseiam no material, na quantidade 
de água do subsolo, na velocidade, no mecanismo, bem como no tipo do 
movimento. A classificação dos movimentos de massa apresenta dificuldades, 
principalmente no que diz respeito à quantificação das variáveis envolvidas.
55
1 No que tange ao estudo da morfogênese das vertentes, analise as afirmativas 
a seguir e posteriormente assinale a alternativa que apresenta as afirmativas 
CORRETAS:
I- As vertentes endogenéticas correspondem àquelas vertentes cuja formação 
está relacionada aos processos endógenos.
II- Os processos morfogenéticos são os responsáveis pela esculturação das 
formas de relevo, representando a ação da dinâmica externa sobre as 
vertentes.
III- Enquanto que os processos endógenos modificam a posição altimétrica 
e a orientação preexistente das vertentes, bem como podem ocasionar a 
formação de novas vertentes, os processos exógenos reduzem a paisagem 
terrestre a um determinado nível de base. 
IV- Os processos morfogenéticos constituem fenômenos de escala métrica ou 
decamétrica, e o seu estudo traz informações de ordem teórica e prática. 
No âmbito teórico, explica a evolução das vertentes e a esculturação do 
relevo, e no campo prático fornece informações a propósito da melhor 
aplicabilidade das técnicas de conservação dos solos. 
a) ( ) Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas.
b) ( ) Somente as afirmativas I e II estão corretas.
c) ( ) Apenas a afirmativa IV está correta.
d) ( ) Todas as afirmativas estão corretas.
2 O desenvolvimento do perfil das vertentes talvez tenha sido um dos temas 
mais difíceis de serem interpretados. Neste tópico você pôde verificar as 
várias contribuições de estudiosos no intuito de compreender e definir os 
perfis das vertentes. Neste contexto e com base neste estudo, relacione os 
autores com suas respectivas contribuições.
I- Max Derruau (em 1965).
II- Frederick R. Troeh (em 1965).
III- Lester C. King (em 1953).
IV- Arthur N. Strahler (em 1950).
V- Dalrymple, Blong e Conacher (em 1968).
( ) O perfil típico de uma vertente geralmente apresenta uma convexidade no 
topo e uma concavidade na parte inferior, sendo que ambas estão separadas 
por um simples ponto de curvatura e/ou desvio ou por segmento.
( ) Utilizou de equações matemáticas para explicar as formas das vertentes. 
Desenvolveu quatro tipos básicos de vertentes, combinando a concavidade 
e convexidade.
AUTOATIVIDADE
56
( ) Propôs um modelo universal, no qual a vertente típica apresenta quatro 
partes: convexidade no topo; face livre ou escarpa retilínea; parte reta com 
detritos da porção superior da vertente e pedimento suavemente côncavo. 
( ) Divide as vertentes erosivas em três tipos básicos considerando o ângulo de 
repouso dos materiais não coesivos.
( ) Estes propuseram nove unidades hipotéticas no modelo de perfil das 
vertentes, baseando-se nos estudos em áreas temperadas úmidas. 
A sequência CORRETA é:
a) I – II – III – IV – V. 
b) V – IV – III – II – I. 
c) II – I – III – V – IV. 
d) III – V – II – IV – I. 
e) IV – III – V – I – II.
3 Agora que você sabe sobre os movimentos de massa, bem como os tipos de 
movimentos e os fatores condicionantes, sugerimos que faça uma pesquisa 
de campo na sua cidade, no intuito de investigar a ocorrência de movimentos 
de massa de maior ou menor intensidade. 
57
TÓPICO 3
A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Os rios podem ser considerados como uma das consequências mais 
importantes do ciclo hidrológico. Por definição, os rios correspondem aos 
sistemas que comportam a água doce na superfície do planeta. Exercem um 
papel fundamental para o escoamento das águas das chuvas; para o transporte 
dos sedimentos do continente para o mar, uma vez que a maioria dos rios são 
exorreicos (na drenagem exorreica, o rio corre para fora do continente); para 
o transporte de nutrientes e organismos essenciais para a biosfera, bem como 
servem de habitat para muitas espécies de animais e plantas. São fundamentais 
também para o ser humano, pois são fontes de água potável; servem como vias 
de transporte; suas águas são utilizadas para a irrigação, bem como para as 
indústrias. Assim, na ciência Geomorfológica, a Geomorfologia Fluvial representa 
um setor de destaque, pelo seu caráter condicionante da própria vida humana, 
o que despertou o interesse dos pesquisadores ao longo da história da ciência 
geomorfológica. Assim, é possível encontrar uma grande produção científica 
acerca desta área de conhecimento.
Neste tópico trataremos os aspectos físicos essenciais dos rios, bem como 
os processos e formas associadas com o escoamento dos rios, objeto de estudo da 
Geomorfologia Fluvial.
Mantenha a concentração e bom estudo!
2 A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL
Segundo Christofoletti (1980, p. 65), “a Geomorfologia fluvialinteressa-se 
pelo estudo dos processos e das formas relacionadas com o escoamento dos rios”. 
Para Cunha (2009, p. 211), “a Geomorfologia Fluvial engloba o estudo dos cursos 
de água e das bacias hidrográficas”. De modo geral, a Geomorfologia Fluvial 
abarca o estudo da dinâmica física dos rios e sua relação com a (trans)formação 
das formas de relevo resultantes. 
Três abordagens diferentes a respeito desta área de conhecimento 
começaram a ser discutidas a partir de 1945: a morfometria numérica; a compressão 
do tratamento estático e inter-relação de dados sobre canais fluviais; a produção de 
modelos estocásticos (CUNHA, 2009).
58
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
No decorrer de 1970, ocorreu uma intensificação nos estudos sobre a 
Geomorfologia Fluvial, no que tange principalmente aos processos e mecanismos 
observados no canal fluvial, permitindo uma visão mais ampla, com o 
envolvimento de outras áreas do conhecimento, como a Hidrologia, a Pedologia 
e a Ecologia. Ainda na década de 1970, as contribuições da Geomorfologia Fluvial 
geraram, segundo Cunha (2009), uma perspectiva temporal para as mudanças 
fluviais e passando a se preocupar com as modificações decorrentes da maior 
atuação do homem sobre o ambiente fluvial, em especial modificando-o com a 
construção de obras de engenharia, ou usos indevidos nas bacias hidrográficas.
Dentre os trabalhos realizados no Brasil nas décadas de 1970 e 1980, 
merece destaque o trabalho de sistematização sobre os estudos sedimentológicos, 
responsável pela consolidação de alguns conceitos básicos ligados ao campo 
da Geomorfologia Fluvial, como as publicações dos livros-textos de Antônio 
Christofoletti (1974 e 1981) e João José Bigarella et al. (1979) (SUGUIO, 1973).
2.1 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE OS RIOS
O que é um rio, para você? Essa pergunta parece ser muito óbvia, você não 
acha? Provavelmente você respondeu que um rio corresponde a uma corrente 
contínua de água, mais ou menos caudalosa, que deságua no mar ou lago. Este 
é um conceito elencado pela maioria dos dicionários. Contudo, precisamos 
destacar que embora o curso de água de um rio deva ter certa grandeza para ser 
designado como rio, é muito difícil precisar a partir de qual tamanho utiliza-se 
esta designação (rio). Todavia, a toponímia é muito rica em termos designativos 
no que concerne aos cursos menores de água. Assim, podemos encontrar 
designações como: riacho, arroio, ribeira, ribeiro, ribeirão, sanga, córrego, 
dentre outros, reservando-se o termo rio para o principal e maior dos elementos 
componentes de determinada bacia de drenagem. (CHRISTOFOLETTI, 1980). 
O termo rio, geológica e geomorfologicamente, “aplica-se exclusivamente 
a qualquer fluxo canalizado e, por vezes, é empregado para referir-se a canais 
destituídos de água”. (CHRISTOFOLETTI, 1980, p. 65). Nos casos dos canais 
secos, durante a maior parte do ano com fluxos de água durante ou após as 
chuvas, são designados de rios efêmeros. Para os casos nos quais os cursos de 
água funcionam durante parte do ano, são denominados de rios intermitentes. 
E, para os cursos de água cujo fluxo ocorre durante o ano todo, são os chamados 
rios perenes. 
É importante destacar que todos os acontecimentos que ocorrem na bacia 
de drenagem automaticamente repercutirão nos rios, direta ou indiretamente. 
Assim, conforme coloca Christofoletti (1980), as condições climáticas, a cobertura 
vegetal e a litologia são fatores que controlam a morfogênese das vertentes e, por 
sua vez, o tipo de carga detrítica fornecida aos rios. Desse modo, a realização do 
estudo e análise dos rios, para uma maior compreensão, só poderá se dar numa 
perspectiva mais globalizada do sistema hidrográfico.
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL
59
2.1 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE OS RIOS
No que tange às bacias de drenagem, é importante destacar que os principais 
componentes das bacias de drenagem são os cursos d’água. A bacia de drenagem de um 
determinado rio abarca todos os afluentes que deságuam na drenagem principal e eventuais 
lagos associados a esse sistema. O que separa uma bacia de drenagem das bacias de 
drenagem vizinhas são os divisores de água, ou seja, elevações topográficas, a exemplo da 
Serra da Mantiqueira e da Canastra, no Sudeste do Brasil. Outra característica importante 
das bacias de drenagem é que elas podem atingir grandes extensões territoriais, como, por 
exemplo, dos rios Amazonas (norte da América do Sul), com cerca de 5.780.000 km², do 
Congo (região central da África), com 4.000.000 km², e do Mississipi (centro-leste dos EUA), 
com cerca de 3.220.000 km². (RICCOMINI et al., 2009). 
ATENCAO
2.2 OS PADRÕES DE DRENAGEM DOS RIOS
A classificação dos padrões de drenagem dos rios pode ocorrer de 
diferentes formas. Todavia, a classificação mais comum apresenta como base o 
padrão de drenagem, bem como o comportamento das drenagens em relação ao 
substrato e à forma de canais. 
A exemplo de uma carta topográfica, de uma fotografia aérea ou em 
uma imagem de satélite, as drenagens observadas ilustram padrões muito 
característicos, em virtude do tipo de rocha e das estruturas geológicas presentes 
em seu substrato. 
De acordo com Riccomini et al. (2009), existem diferentes arranjos de 
drenagem que permitem uma classificação com base em sua geometria. Os que 
veremos a seguir são considerados os principais padrões de drenagem. Vejamos:
• Padrão Dendrítico → é considerado o arranjo mais comum. Este tipo de 
arranjo se assemelha à distribuição dos galhos de uma árvore ou os “veios” de 
determinadas folhas de algumas plantas. Ocorre quando a rocha do substrato é 
homogênea, formada apenas por granito, ou, no caso das rochas sedimentares, 
com estratos horizontais. 
• Padrão Paralelo → ocorre em regiões cuja declividade é mais acentuada e as 
estruturas do substrato orientam-se conforme a inclinação do terreno. 
• Padrão Radial → neste tipo de arranjo a drenagem se distribui em todas as 
direções, originando-se em um ponto central, como os de um cone vulcânico 
ou uma feição dômica. 
60
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
• Padrão em treliça → quando a drenagem apresenta um arranjo retangular, 
mas os tributários são paralelos entre si. Este tipo de arranjo é típico de regiões 
com substrato rochoso onde as rochas mais ou menos resistentes se alteram 
em faixas paralelas com planos de fraqueza ortogonais, a exemplo das regiões 
dobradas de relevo do tipo Apalachiano. 
Na figura a seguir você poderá observar atentamente os diferentes arranjos 
de drenagem considerados como sendo os principais padrões de drenagem. 
Observe-os.
FONTE: BLOOM, A. L. Geomorphology: a systematic analysis of Late landforms. Englewood 
Cliffs, NJ: Prentice-Hall, 1991 (apud RICCOMINI et al., 2009). 
FIGURA 29 – OS PRINCIPAIS PADRÕES DE DRENAGEM
É evidente que existem outros padrões intermediários, com denominações 
específicas, pois ao longo de um mesmo rio ou bacia de drenagem podem ocorrer 
alterações nos padrões de drenagem. 
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL
61
Quanto ao comportamento das drenagens em relação ao substrato, vale a 
pena ressaltar a natureza e o arranjo espacial das rochas do substrato das bacias 
de drenagem que exercem um papel fundamental quanto ao sentido de fluxo 
das águas em seus cursos. Assim, os rios que estão em terrenos constituídos por 
rochas sedimentares podem ser classificados, segundo Riccomini et al. (2009, p. 
310-311), em:
• Rios Consequentes → fluem segundo a declividade do terreno, em concordância 
com a inclinação das camadas. O rio Tietê, no seu trecho sobre os terrenos 
sedimentares da bacia do Paraná, é um exemplo típico de rio consequente.
• Rios Subsequentes → têm seu curso controlado por descontinuidades do 
substrato, como folhas, juntas e presença de rochas menos resistentes. Um 
exemplode rio Subsequente é o do Passo Cinco, na região de Itirapina e Ipeúna 
(Estado de São Paulo), controlado por uma zona de falha de direção noroeste-
sudeste.
• Rios Obsequentes → apresentam fluxo no sentido oposto à inclinação 
das camadas e normalmente são de pequena extensão, descem escarpas e 
desembocam em rios subsequentes. As drenagens que descem as serras de 
Botucatu, São Pedro e São Carlos, no interior paulista, são do tipo obsequente.
• Rios Insequentes → não apresentam controle geológico reconhecível e 
normalmente estão relacionados à presença de rochas homogêneas ou de 
camadas sedimentares horizontais. Alguns rios meandrantes, como o Ribeira 
de Iguape (no Estado de São Paulo), apresentam caráter predominantemente 
insequente.
Observe-os na ilustração a seguir.
FONTE: Guerra e Cunha (2009)
FIGURA 30 – CLASSIFICAÇÃO DOS RIOS. (1) CONSEQUENTE; (2) SUBSEQUENTE; (3) 
OBSEQUENTE; (4) RESSEQUENTE (É TAMBÉM CONSIDERADO POR ALGUNS AUTORES); (5) 
INSEQUENTE
62
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
É importante você saber que as bacias de drenagem, conforme Christofoletti 
(1980, p. 102), podem ser classificadas de acordo com o escoamento global nos seguintes 
tipos:
a) Exorreicas: quando o escoamento das águas se faz de modo contínuo até o mar ou 
oceano.
b) Endorreicas: quando as drenagens são internas e não possuem escoamento até o mar, 
desembocando em lagos ou dissipando-se nas areias do deserto, ou perdendo-se nas 
depressões cársicas.
c) Arreicas: quando não há nenhuma estruturação em bacias hidrográficas, como nas áreas 
desérticas onde a precipitação é escassa e a atividade dunária é intensa, dificultando as linhas 
e os padrões de drenagem.
d) Criptorreicas: quando as bacias são subterrâneas, como nas áreas cársicas.
IMPORTANT
E
2.3 OS TIPOS DE LEITOS FLUVIAIS
Os leitos fluviais compreendem os espaços que podem ser ocupados pelo 
escoamento das águas. Conforme o perfil transversal das planícies de inundação, 
podemos distinguir quatro tipos de leitos fluviais. (CRISTOFOLETTI, 1980). A 
saber: 
• Leito de vazante → inclui-se no leito menor e é utilizado para o escoamento das 
águas baixas. Este tipo de leito constantemente serpenteia entre as margens do 
leito menor, acompanhando o talvegue, que é a linha de maior profundidade 
ao longo do leito.
• Leito menor → é bem delimitado e encaixa-se entre as margens bem definidas. 
Ao longo do leito menor constata-se a existência de irregularidades, com 
trechos mais profundos, as depressões, acompanhadas de partes com menor 
profundidade, mais retilíneas e oblíquas em relação ao eixo aparente do leito, 
designadas de umbrais. Neste tipo de leito o escoamento das águas apresenta 
uma frequência suficiente capaz de impedir o crescimento da vegetação. 
• Leito maior periódico ou sazonal → é um tipo de leito regularmente tomado 
pelas cheias, ao menos uma vez por ano. Dependendo do tempo de intervalo 
entre uma cheia e outra, é possível ocorrer o crescimento da vegetação herbácea. 
• Leito maior excepcional → corresponde àquele por onde ocorrem as cheias 
mais intensas, no decorrer das enchentes. A frequência do escoamento das 
águas obedece a intervalos irregulares, podendo se estender por alguns anos.
Observe, na ilustração a seguir, os tipos distintos de leitos fluviais. Note a 
distinção entre o leito de vazante, o leito menor e o leito maior.
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL
63
FONTE: Adaptado de Christofoletti (1976) e Guerra (1993 apud GUERRA; CUNHA, 2009)
FIGURA 31 – OS TIPOS DE LEITOS FLUVIAIS
2.4 OS TIPOS DE CANAIS FLUVIAIS
Os tipos de canais fluviais correspondem ao modo de se padronizar o 
arranjo espacial que o leito apresenta ao longo do rio. A maioria dos estudos 
realizados acerca dos rios emprega uma classificação com base em quatro padrões 
básicos de canais caracterizados em função de parâmetros morfométricos, como 
sinuosidade, grau de entrelaçamento e relação entre largura e profundidade. Os 
quatro padrões básicos e/ou tipos de canais fluviais são designados de: retilíneos, 
meandrante, anastomosado e entrelaçado ou ramificado. Observe-os na figura 
que segue e posteriormente atente para algumas considerações sobre cada um 
dos canais fluviais.
FONTE: Adaptado de Miall (1977 apud RICCOMINI et al., 2009)
FIGURA 32 – OS QUATRO TIPOS FUNDAMENTAIS DE CANAIS FLUVIAIS
64
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
2.4.1 Canais retilíneos
2.4.2 Canais meandrantes
Os canais retilíneos são aqueles cujo rio percorre um trajeto retilíneo 
sem que ocorra um desvio significativo em sua trajetória normal em direção à 
foz. Segundo Christofoletti (1980, p. 88), “os canais verdadeiramente retos são 
muito raros na natureza, existindo principalmente quando o rio está controlado 
por linhas tectônicas, como no caso de cursos de água acompanhando linhas de 
falha”. Os rios retilíneos estão praticamente restritos a pequenos segmentos de 
drenagens e distributários deltaicos. Um exemplo típico é o delta do Mississipi, 
composto por distributários retilíneos. Observe a ilustração.
FONTE: Riccomini et al. (2009)
São aqueles em que os rios apresentam curvas sinuosas, largas e 
semelhantes entre si, através de um trabalho contínuo de escavação na margem 
côncava (ponto de maior velocidade da corrente) e de deposição na margem 
convexa (ponto de menor velocidade). No intuito de distinguir entre os canais 
meândricos e os que não são, foi proposto o índice de sinuosidade, que é a relação 
entre o cumprimento do canal e a distância do eixo do vale. Observe a figura 
a seguir. Note que a distância axial é medida ao longo da linha interrompida. 
Outro fator importante é o valor de 1,5 usado por alguns pesquisadores como 
ponto de partida para considerar os canais como meandros.
FIGURA 33 – DELTA DO MISSISSIPI
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL
65
FONTE: Christofoletti (1980)
Os canais meândricos são encontrados com frequência nas áreas úmidas 
cobertas por vegetação ciliar. A formação da sequência de depressões e umbrais 
ao longo do leito fluvial, definindo margens de erosão e deposição, representa o 
estágio inicial do meandro. 
Várias são as condições essenciais para o desenvolvimento dos meandros, 
tais como: camadas sedimentares de granulação móvel, coerente, firmas e não 
soltas; gradientes moderadamente baixos; fluxos contínuos e regulares; cargas em 
suspensão e de fundo em quantidades mais ou menos equivalentes. (GUERRA; 
CUNHA, 2009). As formas meandrantes representam o estado de estabilidade do 
canal, denunciando um certo ajustamento entre todas as variáveis hidrológicas, 
tais como: declividade, largura e profundidade do canal, velocidade dos fluxos, 
rugosidade do leito, carga sólida e vazão. (CHRISTOFOLETTI, 1980). Contudo, 
este estado de equilíbrio poderá ser alterado pela ocorrência de um distúrbio na 
região, como, por exemplo, a ação do homem no que tange ao plantio em áreas 
férteis próximas aos meandros. 
Para Christofoletti (1980), os meandrantes fluviais, tradicionalmente na 
Geomorfologia, eram relacionados às planícies fluviais e deltaicas. Assim, partindo 
desta verificação, chegou-se à noção de que os meandros estavam ligados aos 
grandes rios no seu estágio de maturidade do ciclo davisiano (estudo do Tópico 
1 da Unidade 1). No entanto, esta interpretação na visão de Christofoletti (1980), 
não está correta, pois existem rios de vários tamanhos e em todas as altitudes 
que podem formar meandros, desde que uma condição básica seja encontrada, 
como a presença de camadas sedimentares de granulação móvel, que estejam 
coerentes, firmes, e não soltas.
FIGURA 34 – SINUOSIDADES DESENVOLVIDAS PELOS RIOS
66
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
Existe uma ampla nomenclatura descritiva aplicada aos meandramentos. Os 
termos citados com maior ênfase são: meandros abandonados;diques semicirculares; colo 
de meandro; banco de solapamento; faixa de meandro e point-bars.
IMPORTANT
E
2.4.3 Canais anastomosados
2.4.4 Canais entrelaçados ou ramificados
Os canais anastomosados são caracterizados por apresentar grande carga 
sedimentar no seu leito. Quando o material grosseiro é transportado em grande 
quantidade pelo rio e este, por sua vez, não tem potencial suficiente para carregá-
lo até seu nível de base final, deposita-o no seu próprio leito. Desse modo, se forma 
um obstáculo natural (rugosidade e saliência), fazendo com que o rio se ramifique 
em vários canais pequenos e rasos, bem como apresentam-se desordenados 
devido às constantes migrações entre ilhotas. Para Christofoletti (1980, p. 88), “os 
trechos anastomosados sempre se localizam ao longo do curso fluvial, pois no 
ponto de início como no ponto terminal deverá haver um único canal”. Isto é para 
diferenciar do padrão reticulado, que se assemelha à disposição anastomosada, 
mas que se caracteriza pelo escoamento efêmero e pela subdivisão em várias 
embocaduras que se perdem nas baixadas ou lagos temporários.
De modo geral, o padrão anastomosado se estabelece pela existência 
de algumas condições básicas, como a disponibilidade da carga do leito, a 
variabilidade do regime fluvial e a existência de contraste topográfico acentuado. 
Conforme Guerra e Cunha (2009), a grande quantidade de carga detrítica 
grosseira e heterogênea, em conjunto com a flutuação das descargas, permite a 
seleção, a deposição de material e, consequentemente, a formação de bancos. A 
formação dessa topografia do leito promove a divergência de fluxos e o “ataque” 
às margens. Podemos dizer que o padrão anastomosado dos canais expressa uma 
melhor relação entre o débito, a carga detrítica e os mecanismos de transporte.
Os canais entrelaçados ou ramificados surgem quando existem braços de 
rios que voltam ao leito principal, formando ilhas. Essa junção deve ser verificada 
até dezenas de quilômetros à jusante. Um exemplo típico deste tipo de canal é 
o rio Araguaia, em Tocantins, cuja ramificação deu origem à Ilha do Bananal, 
considerada a maior ilha fluvial do mundo.
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL
67
2.5 LEQUES ALUVIAIS E DELTAICOS
O que você sabe sobre os leques aluviais e deltaicos? Pense um pouco.
 
Os leques aluviais são formados a partir de pontos em que drenagens 
confinadas em regiões montanhosas cortam escarpas íngremes, convertem-se 
em canais que se bifurcam ao invés de confluírem (distributários ou fluxos não 
canalizados), atingem a planície da bacia, onde dispersam radialmente a carga 
de sedimentos transportada. Nos casos em que os leques aluviais avançam 
diretamente para o interior de um corpo de água (lago ou mar), eles são 
denominados de leques deltaicos.
Segundo Bigarella (2003, p. 1353), leque aluvial “constitui um corpo de 
sedimentos fluviais cuja forma aproxima-se de um segmento de cone, com ápice 
no sopé de um relevo acidentado, de onde adquire um padrão radial divergente”. 
As condições climáticas e o tectonismo são apontados como os principais fatores 
envolvidos na determinação da sedimentação de leques aluviais. 
Em leques aluviais de climas áridos, o transporte principal de sedimentos 
ocorre durante as chuvas torrenciais (que são raras) sob a forma de enchentes 
em lençol e fluxos gravitacionais, permitindo a dispersão de sedimentos sobre 
a superfície do leque a partir do seu ápice (ponto de saída). Nos leques aluviais 
de climas úmidos, o transporte de sedimentos ocorre nos canais distributários, 
contudo, poucos canais são ativos ao mesmo tempo. Além dos processos de 
transporte sedimentar, outras características distinguem os leques aluviais de 
climas áridos dos leques de climas úmidos. Conforme Riccomini et al. (2009), 
os leques de climas áridos (comuns em regiões desérticas) geralmente estão 
associados à escarpa de falhas, cujos raios são normalmente menores do que 
uma dezenas de quilômetros. Ainda segundo Riccomini et al. (2009), os leques de 
climas úmidos podem apresentar raios superiores a uma centena de quilômetros, 
constituindo megaleques, como o do rio Kosi, na Índia, assim como o rio Taquari, 
no Pantanal Mato-grossense. Para você ter uma ideia, o leque do rio Taquari, com 
seus 250 km de diâmetro, é provavelmente o mais extenso do mundo. Observe-o 
na ilustração a seguir.
68
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
FONTE: Riccomini et al. (2009)
FIGURA 35 – O MEGALEQUE DO RIO TAQUARI, NO PANTANAL MATO-GROSSENSE
Quanto aos leques deltaicos, podemos dizer que são exemplos particulares 
dos leques aluviais. É importante ressaltar que os leques deltaicos não devem ser 
confundidos com os verdadeiros deltas, que são proeminências na linha de costa 
formadas nos locais onde os rios adentram os oceanos, mares, interiores ou lagos. 
(RICCOMINI, et al., 2009). Os deltas são constituídos pelos sedimentos que são 
transportados pelos rios que os “alimentam”.
A designação delta é oriunda da semelhança das feições com a letra grega delta 
D maiúscula, reconhecida por Heródoto, em 4 a. C., nos depósitos da desembocadura do rio 
Nilo.
IMPORTANT
E
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL
69
2.6 OS DEPÓSITOS ALUVIAIS
Podemos dizer que os depósitos aluviais constituem um importante 
componente da história geológica da Terra e ocorrem em contextos geotectônicos 
distintos em diversos períodos. O estudo dos depósitos aluviais fundamentados 
na análise dos depósitos recentes permite a caracterização dos processos 
hidrodinâmicos, bem com a compreensão da evolução sedimentar dos depósitos 
antigos. Economicamente, o estudo dos depósitos aluviais torna-se interessante 
e/ou importante em função da exploração dos recursos minerais (abordados no 
caderno de Geografia Física).
 
Os geólogos, através do método de fáceis, analisam e interpretam os 
depósitos aluviais, bem como seus processos geradores. Este método baseia-
se na comparação de perfis verticais e seções em afloramentos com modelos, 
sucessões e associações de fáceis. Segundo Riccomini et al. (2009, p. 317), “os 
modelos são elaborados para representar, em sua essência, a combinação de 
feições de depósitos sedimentares recentes e antigos e permitir a caracterização 
dos diferentes sistemas deposicionais”.
 
Devido à grande variedade de fatores que controlam os diferentes tipos 
de rios e leques aluviais, é possível elaborar uma grande quantidade de modelos 
deposicionais. Dentre eles podemos destacar: os leques aluviais de climas áridos 
e úmidos, rios entrelaçados, meandrantes e anastomosados. Assim, selecionamos 
algumas imagens de depósitos em leques aluviais de clima árido, depósitos 
em sistemas de rios entrelaçados e depósitos em sistema fluvial meandrante, 
respectivamente. Observe-as atentamente.
FONTE: Riccomini et al. (2009)
FIGURA 36 – EXEMPLOS DE DEPÓSITOS EM LEQUES ALUVIAIS DE CLIMA ÁRIDO
70
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
A foto à esquerda refere-se ao depósito de detritos contendo blocos 
métricos de rochas do embasamento na porção proximal de leque aluvial da 
formação de Resende (período Oligoceno), junto à borda norte da bacia de 
Resende (RJ). A foto à direita corresponde ao sopé do maciço de Itatiaia (RJ), 
onde ocorrem intercalações de depósitos de fluxos de detritos, contendo blocos 
arredondados de rochas alcalinas, com depósitos de corridas de lama em antigo 
leque aluvial da formação Resende (Oligoceno).
FONTE: Riccomini et al. (2009)
FIGURA 37 – DEPÓSITOS NO SISTEMA FLUVIAL ENTRELAÇADO
A foto (a) representa o depósito de barra longitudinal de cascalhos na 
porção proximal de um rio entrelaçado atual. A foto (b) ilustra depósitos antigos 
de natureza semelhante em terraço fluvial do mesmo rio, mostrando a persistência 
do processo no tempo geológico. Imagens ao longo do rio do Braço, no municípiode Cruzeiro (SP).
FONTE: Riccomini et al. (2009)
FIGURA 38 – DEPÓSITOS EM SISTEMAS MEANDRANTES 
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL
71
A foto à esquerda representa o depósito de canal de rio meandrante da 
Formação São Paulo (Oligoceno e Mioceno da bacia de São Paulo), nos arredores 
de Santa Isabel (SP). A foto à direita ilustra a exposição de seção transversal de um 
rio meandrante da Formação São Paulo na região de Guararema (SP), mostrando 
estratificação cruzada sigmoidal, na parte centro-esquerda da foto, e depósitos de 
meandro abandonado na porção central e centro-direita da foto.
Para finalizar este tópico, gostaríamos de destacar os terraços fluviais. Estes 
apresentam antigas planícies de inundação que foram abandonadas. Morfologicamente, 
os terraços fluviais surgem como patamares aplainados, de largura variada, limitados por 
uma escarpa em direção ao curso de água. Existem diferentes tipos de terraços. Vejamos, 
de acordo com Christofoletti (1980): Terraços aluviais (quando os terraços são constituídos 
por materiais relacionados a antigas planícies de inundação); terraços rochosos (quando os 
terraços foram esculpidos, através da morfogênese fluvial, sobre as rochas componentes das 
encostas dos vales); terraços estruturais (são patamares ao longo das vertentes, mantidos 
pela existência de camadas de rochas resistentes); terraços encaixados (resultado de 
movimentos tectônicos, de abaixamento do nível de base ou de modificação no potencial 
hidráulico do rio, ocasionando a formação desse tipo de terraço).
IMPORTANT
E
72
UNIDADE 1 | INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA GEOMORFOLOGIA
LEITURA COMPLEMENTAR
INUNDAÇÕES
Riccomini et al. (2009)
Historicamente, as populações que se concentram às margens dos rios 
estão, invariavelmente, sujeitas às inundações. Os prejuízos anuais acumulados 
pelas inundações atingem cifras astronômicas.
As inundações constituem um dos principais e mais destrutivos tipos 
de acidentes geológicos e ocorrem quando a descarga do rio torna-se elevada e 
excede a capacidade do canal, extravasando suas margens e alagando as planícies 
adjacentes. Elas podem ser controladas por fatores naturais ou antrópicos. 
Entre os fatores naturais encontram-se normalmente as chuvas excepcionais 
e o degelo. Períodos anômalos de chuva sobre as bacias de drenagem podem 
ocasionar a súbita elevação do nível de água dos cursos fluviais, os quais, além de 
inundar áreas cultivadas e reduzir a disponibilidade de água potável, acarretam 
a destruição de construções e podem redundar na perda de vidas humanas e 
dos animais. Por outro lado, a ação antrópica pode ser responsável por grandes 
enchentes, como nos casos de ruptura de barragens e diques artificiais.
Importantes obras de engenharia, como diques marginais artificiais, 
barragens de contenção e canalização de rios são construídas para minimizar os 
efeitos das enchentes, com resultados positivos, mas que também apresentam 
seus inconvenientes. Diques marginais artificiais provocam o assoreamento do 
canal em virtude do incremento da acumulação de sedimentos que normalmente 
seriam depositados nas planícies de inundação. Barragens de concentração, que 
de um lado podem ser aproveitadas para a geração de energia hidroelétrica e 
irrigação, de outro, retêm sedimentos e, por vezes, em sua construção, acabam 
por alagar áreas cultiváveis, núcleos urbanos, reservas florestais, monumentos 
históricos, sítios arqueológicos e geológicos. A canalização significa a alteração 
do padrão do canal de um rio, em casos extremos por sua retificação, de modo 
a aumentar a velocidade de fluxo das águas e evitar que estas atinjam o nível 
de inundação. Pode envolver a simples desobstrução do canal ou até seus 
alargamentos e aprofundamentos. Reduzindo-se o comprimento do canal, 
aumenta-se seu gradiente e, portanto, a velocidade de fluxo. Assim, a grande 
descarga associada às enchentes pode ser rapidamente dissipada. Entretanto, a 
canalização não impede a tendência de um rio meandrar e retornar ao seu curso 
prévio. Um exemplo, que quase todos os anos causa grande comoção à população 
paulista, é o das enchentes ao longo das antigas várzeas do rio Tietê e de seus 
tributários. As inundações ocorrem em função da redução da área de infiltração 
das águas pluviais pelas construções e pavimentações de vias públicas, levando 
a um rápido escoamento superficial rumo a um rio originalmente meandrante 
a atualmente retificado, com sua planície de inundação densamente ocupada. 
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA FLUVIAL
73
Apesar dos altos custos das obras de contenção de enchentes na cidade de São 
Paulo – barragens de contenção (popularmente conhecidas como “piscinões”), 
canalização de rios e córregos, construção de diques marginais–, uma solução 
para o problema está muito distante.
A alternativa mais racional para minimizar o efeito das enchentes é 
o adequado planejamento da ocupação territorial, particularmente das áreas 
inundáveis, mediante a identificação de áreas de risco e o estabelecimento de 
regras específicas para seu uso.
74
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico você estudou que:
• A Geomorfologia fluvial interessa-se pelo estudo dos processos e das formas 
relacionadas com o escoamento dos rios. Na ciência Geomorfológica, a 
Geomorfologia Fluvial representa um setor de destaque, pelo seu caráter 
condicionante da própria vida humana, o que despertou o interesse dos 
pesquisadores ao longo da história da ciência geomorfológica. Assim, é possível 
encontrar uma grande produção científica acerca desta área de conhecimento. 
• A classificação mais comum dos padrões de drenagem dos rios pode ocorrer de 
diferentes formas. Os principais padrões de drenagem são: Padrão Dendrítico; 
Padrão Paralelo; Padrão Radial e Padrão em Treliça.
 
• Os rios que estão em terrenos constituídos por rochas sedimentares podem ser 
classificados em: Rios Consequentes; Rios Subsequentes; Rios Obsequentes e 
Rios Insequentes. 
 
• Os leitos fluviais compreendem os espaços que podem ser ocupados pelo 
escoamento das águas. No entanto, conforme o perfil transversal das planícies 
de inundação, os leitos fluviais podem ser distinguidos em quatro tipos: Leito 
de vazante; Leito menor; Leito maior periódico ou sazonal e Leito maior 
excepcional. 
• Os tipos de canais fluviais correspondem ao modo de se padronizar o arranjo 
espacial que o leito apresenta ao longo do rio. Os quatro padrões básicos 
e/ou tipos de canais fluviais são designados de: retilíneos, meandrante, 
anastomosado e entrelaçado ou ramificado. 
• Os leques aluviais são formados a partir de pontos em que drenagens 
confinadas em regiões montanhosas cortam escarpas íngremes, convertem-se 
em canais que se bifurcam ao invés de confluírem, atingem a planície da bacia, 
onde dispersam radialmente a carga de sedimentos transportada. Nos casos 
em que os leques aluviais avançam diretamente para o interior de um corpo de 
água (lago ou mar) eles são denominados de leques deltaicos.
• O estudo dos depósitos aluviais fundamentado na análise dos depósitos 
recentes permite a caracterização dos processos hidrodinâmicos, bem com a 
compreensão da evolução sedimentar dos depósitos antigos. Economicamente, 
o estudo dos depósitos aluviais torna-se interessante e/ou importante em 
função da exploração dos recursos minerais.
75
1 Relacione as colunas quanto aos principais padrões de drenagem e suas 
respectivas características:
1. Padrão Radial. 
2. Padrão Dendrítico. 
3. Padrão Paralelo. 
4. Padrão em Treliça.
( ) É considerado o arranjo mais comum.
( ) Quando a drenagem se distribui em todas as direções.
( ) Quando a drenagem apresenta um arranjo retangular, mas os tributários 
são paralelos entre si.
( ) Ocorre onde a declividade é mais acentuada e as estruturas do substrato 
orientam-seconforme a inclinação do terreno. 
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) 2 – 3 – 4 – 1. 
b) ( ) 2 – 1 – 4 – 3. 
c) ( )3 – 4 – 2 – 1. 
d) ( ) 1 – 2 – 3 – 4. 
2 No que tange ao estudo realizado sobre a Geomorfologia Fluvial, analise as 
afirmativas a seguir:
I- A maioria dos estudos realizados acerca dos rios emprega uma classificação 
com base em quatro padrões básicos de canais, caracterizados em função 
de parâmetros morfométricos, como sinuosidade, grau de entrelaçamento 
e relação entre largura e profundidade. 
II- Os leitos fluviais compreendem os espaços que podem ser ocupados pelo 
escoamento das águas. Conforme o perfil transversal das planícies de 
inundação, quatro tipos de leitos fluviais podem ser distinguidos: leito de 
vazante; leito menor; leito entrelaçado e leito meandrante. 
III- Acerca do comportamento das drenagens em relação ao substrato, a 
natureza e o arranjo espacial das rochas do substrato das bacias de 
drenagem exercem um papel fundamental quanto ao sentido de fluxo das 
águas em seus cursos. 
IV- Os leques aluviais constituem um corpo de sedimentos fluviais, cuja forma 
aproxima-se de um segmento de cone, com ápice no sopé de um relevo 
acidentado, de onde adquire um padrão radial divergente. 
V- O estudo dos depósitos aluviais fundamentado na análise dos depósitos 
recentes permite a caracterização dos processos hidrodinâmicos, bem 
como a compreensão da evolução sedimentar dos depósitos antigos. 
AUTOATIVIDADE
76
a) ( ) Estão corretas apenas as afirmativas I, II e III.
b) ( ) Estão corretas apenas as afirmativas I, III, IV e V.
c) ( ) Somente a afirmativa V está correta.
d) ( ) Todas as afirmativas estão corretas. 
3 Diante do que foi exposto sobre os padrões de drenagem, o comportamento 
das drenagens em relação ao substrato, os tipos de canais fluviais, os tipos 
de leitos fluviais e os depósitos aluviais, você terá condições de elencar 
algumas características dos rios de sua cidade e/ou região. Assim, propomos 
que você escolha um rio e caracterize-o levando em conta os aspectos 
citados anteriormente. Para analisar os padrões de drenagem, utilize uma 
carta topográfica ou um mapa físico da região.
Você poderá anotar os resultados na tabela que segue ou construir sua própria 
tabela.
NOME DO RIO
LOCALIZAÇÃO
PADRÃO DE DRENAGEM
COMPORTAMENTO DA 
DRENAGEM
TIPO DE CANAL
TIPO DE LEITO
OBSERVAÇÕES A RESPEITO 
DOS DEPÓSITOS
77
UNIDADE 2
GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E 
CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO 
DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA 
BRASILEIRA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Nessa unidade vamos:
• entender como se formaram os litorais e as forças envolvidas para dar 
origem às diferentes formas de relevo, encontradas nos litorais de todos 
os continentes; 
• descobrir as diferentes formas de relevo originadas a partir do calcário;
• compreender a compartimentação das diferentes formas de relevo conti-
nental e submarino;
• compreender a origem e formação da Geomorfologia brasileira, suas bases 
teóricas e principais autores;
• entender a estrutura geológica sobre a qual se formou o relevo brasileiro;
• identificar a evolução ocorrida na forma de classificar o relevo brasileiro 
ao longo da história recente da Geomorfologia no Brasil;
• identificar e localizar as maiores altitudes do território brasileiro.
Esta unidade está organizada em três tópicos. Em cada um deles você encon-
trará atividades para uma maior compreensão das informações apresenta-
das.
TÓPICO 1 – GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA
TÓPICO 2 – COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO
TÓPICO 3 – A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA
78
79
TÓPICO 1
GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste tópico você terá a oportunidade de conhecer algumas características 
importantes da Geomorfologia Litorânea, bem como apreciar alguns dos 
impressionantes ambientes costeiros. Embora não esteja pautada neste tópico 
a degradação antrópica destes ambientes, não podemos deixar de destacar o 
processo de exploração turística, com o uso inadequado das zonas praianas, 
bem como a construção de molhes, dragagens de sedimentos para ampliar a 
costa litorânea, dentre outras intervenções que têm ocasionado modificações na 
dinâmica costeira, como a erosão de praias e o assoreamento de baías e estuários, 
constituindo sérios problemas ambientais. 
Você estudará também sobre a Geomorfologia Cárstica. Aliás, as paisagens 
correspondentes ao sistema cárstico são espetaculares, a exemplo das cavernas. 
Estas, por sua vez, além de representarem atrações turísticas, sua exploração tem 
despertado o interesse da humanidade desde tempos pré-históricos.
Concentre-se e bom estudo!
2 A GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA
As paisagens resultantes da morfogênese marinha, no que tange à zona 
de contato entre a terra e mar, são objeto de estudo da geomorfologia litorânea. 
Pode-se dizer que a morfologia litorânea torna-se muito complexa em virtude 
da interferência de processos marinhos e subaéreos sobre estruturas e litologias 
muito diferenciadas. Para Christofoletti (1980), em qualquer período geológico 
a ação dos processos litorâneos afeta uma faixa de largura reduzida. Contudo, 
as flutuações do nível marinho, principalmente no decorrer do Plioceno e 
Quaternário, permitem distinguir formas subaéreas atualmente submersas nas 
águas oceânicas. As flutuações do nível marinho permitem também verificar 
a presença de formas e terraços escalonados, esculpidos pela ação marinha, 
localizados em diferentes altitudes acima do nível do mar. Assim, é importante 
destacar que o estudo da geomorfologia litorânea não abarca somente a porção 
territorial atualmente sob influência da morfogênese marinha, mas também 
abarca toda a área que foi influenciada e/ou afetada pela ação marinha, em função 
dos movimentos relativos do nível das terras e águas no transcurso do passado 
geológico recente. (CHRISTOFOLETTI, 1980).
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
80
2.1 DESCRIÇÃO DO PERFIL LITORÂNEO
A descrição do perfil litorâneo, no que se refere ao estabelecimento de 
nomenclaturas precisas, foi desenvolvida pelos ingleses, pois foram eles os 
responsáveis pelos estudos mais aprofundados acerca da morfologia litorânea. 
Contudo, no Brasil tornou-se necessário propor uma nomenclatura apropriada 
que correspondesse aos mesmos conceitos, conforme você pode observar na 
descrição a seguir, de Christofoletti (1980).
FONTE: Christofoletti (1980)
FIGURA 39 – NOMENCLATURA DESCRITIVA DE PERFIL LITORÂNEO
Para Christofoletti (1980), na figura observada, a zona intertidal (shore) 
estende-se entre o nível da maré baixa e o da efetivação das ondas nas marés altas. 
Esta zona pode ser subdividida em zona intertidal menor (foreshore), exposta 
durante a maré baixa e submersa no decorrer da maré alta, e zona intertidal maior 
(backshore), que se estende acima do nível normal da maré alta, inundando-se com 
as marés altas excepcionais ou pelas grandes ondas durante as tempestades. A 
linha do litoral (shoreline) é a linha (estritamente) que demarca o contato entre as 
águas e as terras, podendo ter variações conforme os movimentos das marés entre 
os limites da zona intertidal. Quanto à zona sublitorânea interna (nearshore) e a 
zona sublitorânea externa (offshore), a interna se estende entre a linha do litoral e 
a zona de arrebentação das ondas, e a externa começa na linha de arrebentação e 
estende-se em direção às águas mais profundas.
É importante destacar que a extensão e a largura dos elementos comentados 
variam de acordo com a oscilação das marés e também das características locais 
da costa. A costa pode ser entendida como um conjunto de formas componentes 
da paisagem que estabelece a área de contatosob influências marinhas.
TÓPICO 1 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA
81
Vejamos outra descrição do perfil litorâneo, na visão de Tessler e Mahiques 
(2009).
FONTE: Tessler e Mahiques (2009)
Atualmente, a descrição que você acabou de observar é comumente a 
mais utilizada.
FIGURA 40 – PERFIL ESQUEMÁTICO DA TOPOGRAFIA PRAIAL
2.2 OS PROCESSOS MORFOGENÉTICOS RESPONSÁVEIS 
PELA MORFOGÊNESE LITORÂNEA
As formas de relevo litorâneas ou costeiras sofrem a atuação dos processos 
morfogenéticos. Segundo Christofoletti (1980), estes, por sua vez, podem ser 
controlados por vários fatores ambientais, como o geológico, o climático, o 
biótico e os fatores oceanográficos. 
Nas costas escarpadas, cujos aspectos estão relacionados com a estrutura 
e litologia, é perceptível a atuação do fator geológico. A atuação do tectonismo, 
como os falhamentos, dobramentos e o vulcanismo, exerce influência no 
modelado costeiro. Segundo Christofoletti (1980, p. 128), “as estruturas menores 
também possuem importância em função da resistência que as rochas podem 
oferecer ao ataque dos processos litorâneos.” Desse modo, as falésias talhadas 
em quartzito compacto, com poucas diáclases (fratura, junta ou fenda), por 
exemplo, apresentam elevada resistência à ação da meteorização e das ondas. 
Através da ação hidráulica, as ondas são capazes de atuar em qualquer linha de 
menor resistência, originando formas menores como cavernas, arcos e entalhes 
de solapamento. As formas deposicionais das costas baixas sofrem a atuação 
do fator geológico no que tange às fontes de sedimentos, às áreas das bacias de 
drenagem e ao fundo dos mares. (CHRISTOFOLETTI, 1980). 
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
82
O fator climático é responsável pelo controle da meteorização dos 
afloramentos rochosos. Estes, sofrem a atuação dos processos físicos, químicos 
e biológicos, relacionados às condições subaéreas, bem como à presença 
ou proximidade do mar. Assim, as rochas são decompostas, resultando 
na granulometria dos materiais. É interessante notar que a diferenciação 
granulométrica nas diferentes áreas costeiras do planeta está atrelada às 
variações regionais do clima. Vejamos esta diferenciação, conforme a exposição 
de Christofoletti (1980, p. 130):
Nos trópicos úmidos, a rápida meteorização química resulta na 
profunda decomposição de quase todas as formações rochosas, 
propiciando o abastecimento de sedimentos de granulometria fina e 
escassez de fragmentos grosseiros, quer no ataque direto das falésias, 
quer pela carga detrítica transportada pelos rios. Nas regiões frias, 
ao contrário, a ativa gelificação favorece a presença de fragmentos 
grosseiros, dominantes nas formas oriundas da acumulação. Nas 
costas desérticas também é dominante a presença de fragmentos 
grosseiros; elas inclusive se caracterizam pela pequena quantidade de 
material terrestre transportado pelo escoamento e pela presença maior 
de sedimentos biogênicos, derivados de conchas marinhas e detritos 
de corais, nas formas de acumulação.
Dentre os elementos climáticos, os ventos também exercem um papel 
fundamental na morfogênese litorânea, isso porque são responsáveis pela 
edificação das dunas, bem como pela geração de ondas e correntes, que, juntamente 
com as marés, estabelecem o padrão de circulação das águas marinhas nas zonas 
litorâneas e sublitorâneas.
 
Quanto ao fator biótico, pode-se dizer que sofre uma grande influência 
das condições climáticas. Isso porque as condições climáticas são responsáveis 
por estabelecer ou não condições favoráveis à presença de determinados 
organismos. Se você pensou nos corais e nos organismos que lhe estão associados 
na construção de recifes, acertou. Assim, esses organismos são típicos das 
zonas intertropicais; do mesmo modo, os manguezais ocupam os pântanos e 
os estuários que sofrem a influência das marés, nas regiões baixas das latitudes 
tropicais. (CHRISTOFOLETTI, 1980). Mas, você deve estar se perguntando qual 
a influência desses organismos na atuação do relevo litorâneo. É simples: esses 
organismos podem atuar como agentes erosivos, pois “escavam” e promovem a 
desagregação dos minerais nas rochas, ou ainda podem servir como protetores e 
construtivos, facilitando a retenção dos sedimentos e acumulando seus detritos.
Quanto ao fator oceanográfico, é importante que fique claro que este 
fator relaciona-se com a natureza da água do mar, ou seja, com as variações de 
salinidade, desde teores mais baixos, a exemplo do mar Báltico, bem como teores 
mais elevados, a exemplo do mar Morto. Caso você não saiba, o sal marinho 
apresenta poder corrosivo e compressivo (quando da cristalização), atuando 
como processo de meteorização nos afloramentos rochosos. Por outro lado, 
TÓPICO 1 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA
83
conforme Christofoletti (1980), o sal marinho condiciona diferentes ambientes 
ecológicos, possuidores de fauna e flora específicas, que, por sua vez, influenciam 
nos processos de meteorização, transporte e deposição dos sedimentos ao longo 
da faixa costeira.
2.2.1 As forças marinhas atuantes na morfogênese 
litorânea 
A principal força marinha atuante na morfogênese litorânea é a atuação 
das ondas, das correntes costeiras e das marés. 
As ondas são resultantes da ação dos ventos, representando a transferência 
direta da energia cinética da atmosfera para os oceanos. Quanto maior a velocidade 
do vento, maiores serão as ondas. Calcula-se que as maiores dimensões são 
atingidas quando a extensão da superfície sob a ação do vento aproxima-se de 
100 milhas náuticas.
A maioria das ondas que atinge a costa é gerada em zonas de alta pressão 
atmosférica, no meio dos oceanos, propagando-se em direção aos continentes. 
Quando as ondas são produzidas em mar aberto e se propagam em direção 
às áreas mais rasas, sofrem um processo de modificação determinado por sua 
interação com o fundo marinho. (TESSLER; MAHIQUES, 2009). A profundidade 
em que ocorre esta interação é equivalente à metade do comprimento de ondas 
incidentes. Essa profundidade é considerada como sendo o limite exterior da 
plataforma interna, também denominada de nível de base das ondas.
De acordo com Tessler e Mahiques (2009), o movimento das partículas de 
água das ondas, originalmente circular, passa a ser elíptico, ao se aproximarem de 
áreas mais rasas, apresentando junto ao fundo um movimento que se assemelha a 
um vaivém no sentido de propagação da onda. Desse modo, esta movimentação 
é suficiente para não permitir que partículas finas, como as areias (muito finas), 
os siltes e as argilas se depositem, ocasionando uma deposição preferencial de 
frações granulométricas mais grosseiras, como as areias médias e grossas nos 
fundos dominados pelas ondas. Quando atingem áreas com profundidades 
menores (que equivalem a 1/25 do seu comprimento de onda), a diminuição das 
velocidades orbitais, junto ao fundo, em comparação com a superfície, faz com 
que a onda perca o equilíbrio, ocorrendo a arrebentação. (TESSLER; MAHIQUES, 
2009). 
A título de curiosidade, existem três tipos mais evidentes de arrebentação, 
definidos pela forma e energia das ondas incidentes e pela topografia da zona 
costeira na qual sofre influência das ondas. Observe na figura a seguir os três 
tipos de arrebentação.
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
84
FONTE: Tessler e Mahiques (2009)
Observe que a arrebentação ascendente ocorre em fundos que apresentam 
alta declividade. A arrebentação mergulhante ocorre em fundos que apresentam 
declividade média, quando as cristas das ondas se rompem após formarem 
um enrolamento em espiral. E a arrebentação deslizante ocorre em regiões de 
topografia de fundo mais raso, quando as ondas se quebram percorrendouma 
grande distância. 
Como resultado dos processos de arrebentação de ondas ter-se-á o 
desenvolvimento do ambiente praial. A maior parte do trabalho de esculturação 
das paisagens costeiras é executada pela atuação das ondas. 
Quanto às correntes costeiras, pode-se dizer que constituem alguns dos 
mais importantes agentes de remobilização de sedimentos. Isso porque essas 
correntes são responsáveis pelo transporte de material ao longo da costa, a 
partir de um rio, por exemplo, bem como constituem um grande mecanismo 
de circulação responsável pela manutenção da estabilidade e do equilíbrio dos 
ambientes praianos. (TESSLER; MAHIQUES, 2009). De acordo com os mesmos 
autores, além das correntes de deriva ocorrem também, em regiões costeiras, as 
correntes de retorno, que constituem um fluxo transversal à costa, no sentido 
do mar aberto. Estas correntes são, muitas vezes, associadas a canais ou cânions 
de plataforma e, portanto, permitem o transporte de sedimentos costeiros em 
direção a porções mais profundas dos oceanos.
 
Quanto à influência das marés na esculturação litorânea, pode-se dizer 
que esta é indireta e relaciona-se com as variações do nível do mar que lhe são 
implicadas. A ação das ondas pode-se dar sobre uma amplitude vertical muito 
ampla e, por esta razão, sua influência é mais acentuada onde as marés são 
maiores. Além dessa função, a de elevar e abaixar o nível de ataque das ondas, as 
marés também podem gerar correntes. (CHRISTOFOLETTI, 1980). 
De modo geral, as marés atuam na configuração e dinâmica de todas as 
desembocaduras fluviais, podendo originar estuários, que constituem áreas de 
grande importância para o desenvolvimento de espécies de organismos marinhos 
de interesse comercial.
FIGURA 41 – TIPOS DE ARREBENTAÇÃO
TÓPICO 1 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA
85
Você sabe como resulta a formação das marés? Pense um pouco. As marés são 
fenômenos ondulatórios, gerados pelos processos de atração gravitacional entre a Terra, o Sol 
e a Lua. É importante destacar que tanto a periodicidade quanto a intensidade e amplitude 
das marés não são homogêneas nos oceanos. A amplitude das marés pode variar de alguns 
centímetros a mais de dez metros, fazendo com que o efeito da maré sobre os processos 
sedimentares seja extremamente diversificado.
IMPORTANT
E
2.3 ALGUMAS FEIÇÕES LITORÂNEAS 
2.3.1 As planícies costeiras
As formas de relevo litorâneas podem ser originadas tanto da ação erosiva 
como da deposição de sedimentos. A partir de agora veremos algumas feições 
litorâneas. Atente para as características de cada uma delas.
As planícies costeiras correspondem às superfícies relativamente planas, 
baixas, situadas junto ao mar, cuja formação resultou da deposição de sedimentos 
marinhos e fluviais. No Brasil, principalmente nas regiões Norte, Nordeste e 
Sudeste, a largura das planícies costeiras é geralmente estreita, confinada entre o 
mar e a escarpa dos depósitos sedimentares do Grupo Barreiras. (MUEHE, 2009). 
Segundo o mesmo autor, o desenvolvimento das planícies amplas está associado 
ao aporte de sedimentos do rio Amazonas, na ilha de Marajó e litoral do Amapá, 
na região Norte, e associadas às feições deltaicas dos rios Parnaíba, São Francisco, 
Pardo e Jequitinhonha, no Nordeste, e dos rios Doce e Paraíba do Sul, no Sudeste. 
A partir do Rio de Janeiro, o confinamento devido ao Grupo Barreiras é substituído 
pelas escarpas dos afloramentos do embasamento cristalino, com as planícies 
costeiras embutidas nas depressões lateralmente balizadas por interflúvios que 
se estendem em direção ao mar na forma de promontórios. (MUEHE, 2009). 
Exemplos típicos dessas planícies são as baixadas de Sepetiba e Jacarepaguá, no 
Rio de Janeiro. Estas se repetem em dimensões muito variadas até o Rio Grande 
do Sul, onde se encontra a planície costeira mais extensa, com uma largura de 
aproximadamente 120 km e 520 km de litoral oceânico. Vale a pena destacar que 
esta planície abarca a Lagoa dos Patos, a maior laguna do Brasil.
Dentre as planícies costeiras, não podemos deixar de ressaltar as planícies 
de cristas de praia, as planícies de chênier e as planícies deltaicas.
As planícies de cristas de praia resultam da progradação (processo 
natural de ampliação das praias provocado pelos rios, que durante seu curso até 
a foz carregam sedimentos, depositados nas áreas de costa próximas) da linha de 
costa em direção ao oceano, através do processo de acumulação de sedimentos 
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
86
devido à atuação das ondas, no qual cada crista de praia representa um depósito 
individualizado, associado a uma linha de praia ativa. (DOMINGUEZ et al., 1992 
apud MUEHE, 2009). Assim, as cristas de praia originam, segundo o mesmo 
autor, uma espécie de “anéis de crescimento”, permitindo a reconstituição da 
evolução da planície costeira. Através desse mesmo processo também ocorre o 
alargamento dos cordões litorâneos.
 
As planícies de chêniers são uma forma particular de planícies de cristas 
em ambientes deltaicos. São caracterizadas por sequências de depósitos praiais 
separados por afloramentos do substrato formado por sedimentos argilosos 
orgânicos. (MUEHE, 2009). De acordo com o mesmo autor, este tipo de planície 
foi muito estudado pelos norte-americanos do Golfo do México, onde os depósitos 
de praia apresentam espessuras de até 4,5 metros e largura de até 200 metros. Em 
território brasileiro este tipo de planície pode ser encontrado no litoral do Pará e 
também há indícios no Amapá.
A designação planície de chênier vem da presença do carvalho (chêne, em 
francês), árvore típica do delta do Mississipi.
ATENCAO
No que concerne às planícies deltaicas, é importante ressaltar que, 
dependendo dos processos fluviais ou marinhos, os deltas podem ser 
classificados como construtivos (fluviais) e destrutivos (ondas e marés). O delta 
do Mississipi é um caso típico de processos fluviais sobre os marinhos, cujo 
avanço da sedimentação fluvial, à frente da planície costeira, se faz acompanhado 
da construção de diques marginais, resultando num padrão conhecido como 
pés-de-pássaros (tópico anterior). (MUEHE, 2009). Podemos exemplificar como 
deltas destrutivos através das ondas, as desembocaduras dos rios São Francisco 
(SE e AL), Jequitinhonha (BA), Doce (ES) e Paraíba do Sul (RJ). O delta do rio 
Amazonas se caracteriza como sendo altamente destrutivo, pois é dominado 
pelas marés.
2.3.2 As escarpas e as falésias
Os elementos topográficos básicos das costas escarpadas podem ser 
visualizados na figura a seguir. Observe-a e atente para a explicação.
TÓPICO 1 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA
87
FONTE: Christofoletti (1980)
FIGURA 42 – OS ELEMENTOS TOPOGRÁFICOS BÁSICOS DE UMA COSTA ESCARPADA
A força das ondas promove um entalhe de solapamento na escarpa, 
ocasionando o desmoronamento da parte cimeira, resultando na formação de 
falésias. Assim, “falésia é um ressalto não coberto pela vegetação, com declividades 
muito acentuadas e de alturas variadas, localizado na linha de contato entre a terra 
e o mar”. (CHRISTOFOLETTI, 1980, p. 133). À medida que a falésia vai recuando 
para o continente, amplia-se a superfície erodida pelas ondas, que é chamada 
de terraço de abrasão (figura anterior). Os sedimentos erodidos são depositados 
em águas mais profundas, constituindo o terraço de construção marinha (figura 
anterior), formando assim um plano suavemente inclinado em conjunto com o 
terraço de abrasão. 
Nas imagens a seguir você pode verificar dois exemplos de falésias: a 
falésia de Torres, no Rio Grande do Sul (imagem à esquerda), e a falésia da Praia 
de Pitinga, na Bahia. Observe-as.
FONTE: Tessler e Mahiques (2009)
FIGURA 43 – EXEMPLOS DE FALÉSIAS
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA;A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
88
Retome a leitura do tópico 2 da Unidade 1 no que se refere à erosão marinha e 
verifique o esquema que explica a formação de uma falésia.
ATENCAO
2.3.3 Restinga
Na literatura geomorfológica a restinga é designada como barreiras 
ou cordões litorâneos. Segundo Christofoletti (1980, p. 134), “as restingas são 
formadas por faixas arenosas depositadas paralelamente à praia, que se alongam 
tendo ponto de apoio nos cabos e saliências do litoral”. De modo geral, a restinga 
é um verdadeiro depósito de areia emerso, baixo, de forma linear, que fecha ou 
tende a fechar uma reentrância mais ou menos extensa da costa.
 
Observe a vista aérea da restinga em Barra do Furado, Quissamã (à 
esquerda). Ao lado (direita) segue uma ilustração esquemática representando a 
localização de uma restinga.
2.3.4 Tômbolo
Tômbolo corresponde a um cordão e/ou faixa arenosa que liga uma ilha 
a um continente. Conforme as faixas arenosas construídas, um tômbolo pode ser 
simples, duplo ou triplo. Os tômbolos mais complexos são aqueles que reúnem 
várias ilhas em rosário, a exemplo da Praia de Nantasket, no litoral atlântico dos 
EUA. No Brasil, podemos exemplificar o tômbolo da Ilha Porchat, em Santos.
FONTE: Vista aérea da restinga em Barra do Furado, Quissamã. Disponível em: <http://www.
overmundo.com.br/uploads/guia/img/1186062860_jurubatiba_ar1.jpg>. Acesso em: 20 jun 
2010. Ilustração esquemática. (ROSSATO et al., 2003).
FIGURA 44 – RESTINGA
TÓPICO 1 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA
89
2.3.5 Pontal
Faixa plana de areia e/ou seixos disposta de modo paralelo, oblíquo, ou 
mesmo perpendicular à costa e que se prolonga, algumas vezes, sob as águas, em 
forma de banco. Inclusive, neste caso o pontal também pode ser considerado uma 
restinga. Vários exemplos podem ser encontrados no litoral brasileiro.
FONTE: Pontal de Maracaípe. Disponível em: <http://aninha_curiosidades.zip.net/images/
fotolat_pontal_maracaipe.jpg>. Acesso em: 20 jun 2010. Ilustração esquemática (ROSSATO et 
al., 2003).
FIGURA 45 – A IMAGEM À ESQUERDA CORRESPONDE AO PONTAL DE MARACAÍPE (PE) E A 
FIGURA À DIREITA ILUSTRA A FEIÇÃO DE UM PONTAL
2.3.6 Baía
A baía corresponde a uma reentrância da costa, pela qual o mar invade 
o interior do continente. É importante que fique claro que a porção do mar que 
invade esta reentrância do litoral é menor que a verificada nos golfos. Ademais, 
existe um estreitamento na entrada da baía. 
Na imagem à esquerda você pode verificar a Baía de Guanabara, no Rio 
de Janeiro, e à direita uma imagem de satélite ilustrando a referida baía.
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
90
FONTE: Disponível em: <http://blogdajuju.files.wordpress.com/2009/11/img_baia_guanabara.
jpg>. Acesso em: 20 jun. 2010.
FIGURA 46 – BAÍA DE GUANABARA (RJ)
2.3.7 Golfo
O golfo constitui uma ampla reentrância da costa, que a água do mar 
invade com maior profundeza. De modo geral, os golfos são definidos como 
grandes porções do mar, que se “intromete’ pela terra entre pontas ou cabos. 
(GUERRA; GUERRA, 1997). Um exemplo típico é o Golfo do México. Observe na 
imagem a seguir a reentrância da costa.
FONTE: Disponível em: <http://www.panoramadiario.com/uploads/pics/Golfo_de_Mexico.gif>. 
Acesso em: 20 jun. 2010.
FIGURA 47 – GOLFO DO MÉXICO
TÓPICO 1 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA
91
2.3.8 Enseada
A enseada configura uma reentrância da costa bem aberta em direção 
ao mar, limitada por dois promontórios. A ilustração à direita representa uma 
enseada. À esquerda você pode vislumbrar a enseada de Brito, em Santa Catarina.
FONTE: Enseada de Brito. Disponível em: <http://www.ferias.tur.br/admin/cidades/8441/g_
EWnsseada%20de%20Brito.jpg>. Acesso em: 20 jun. 2010. Ilustração esquemática. (ROSSATO et 
al., 2003).
FIGURA 48 – ILUSTRAÇÃO E VISTA DE UMA ENSEADA
2.3.9 Recifes
Os recifes são formações geralmente litorâneas que surgem próximas à 
costa. Segundo a sua origem, os recifes podem ser classificados em recifes de 
arenito e recifes de corais. De acordo com o dicionário Geológico-geomorfológico 
de Guerra e Guerra (1997), os recifes de arenito resultam da consolidação de antigas 
praias por cimentação dos grãos de quartzo, e os recifes de corais se formam 
por acumulação de corais. Os recifes coralígenos aparecem preferencialmente 
nas faixas intertropicais. Desse modo, a maior parte desses recifes pode ser 
encontrada nas Antilhas e Flórida (Oceano Atlântico), na Austrália (onde fica o 
maior recife de corais do mundo) e nas ilhas da Oceania (no Oceano Pacífico), no 
Mar Vermelho, nas ilhas de Sonda e Madagascar (no Oceano Índico). 
No Brasil, os mais extensos e preservados recifes de corais situam-se em 
uma Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais, que abrange 135 km da 
costa, de Tamandaré (PE) até Paripueira (Alagoas).
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
92
FONTE: Disponível em: <http://www.miramarmaragogiresort.com/documen/blog/pt/289-
ef0-002-003.jpg>. Acesso em: 20 jun. 2010.
FIGURA 49 – RECIFE DE CORAIS (TAMANDARÉ, PE) 
Ao longo da costa nordeste da Austrália fica a formação de corais mais 
importante do planeta, a Grande Barreira Coralina, que compreende 600 ilhas. É sem dúvida 
o maior recife de coral do mundo, que abriga um complexo e diverso ecossistema.
NOTA
2.3.10 Laguna
De acordo com o dicionário Geológico-geomorfológico de Guerra e Guerra 
(1997), laguna é uma depressão contendo água salgada, localizada na borda 
litorânea. A separação das águas da laguna das do mar pode se fazer por um 
obstáculo mais ou menos efetivo. Contudo, há a existência de canais responsáveis 
pela ligação das águas da laguna com as águas do mar. Muitas vezes, o termo 
lagoa é usado equivocadamente ao invés de laguna. No Brasil, um exemplo 
típico de laguna é a Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. Como já havíamos 
ressaltado anteriormente, é a maior laguna do Brasil.
TÓPICO 1 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA
93
FONTE: Disponível em: <http://www.popa.com.br/cartas_mapas/guaiba_google.gif>. Acesso 
em: 20 jun. 2010.
FIGURA 50 – LAGOA DOS PATOS
2.3.11 Atol
Os atóis são anéis de corais, recortados por passagens, cercando uma 
laguna cuja profundidade geralmente ultrapassa 30 metros, mas que apenas em 
casos excepcionais atinge 100 metros. O diâmetro é muito variado. Um exemplo 
típico é o Atol das Rocas, cerca de 200 km ao largo da costa do Rio Grande do 
Norte. Este atol possui um contorno de 10 km, com pouco mais de 3 km em seu 
maior comprimento. Observe a imagem a seguir.
FONTE: Disponível em: <http://www.mariafillo.org/imagens/atol2.jpg>. Acesso em: 20 jun. 2010.
FIGURA 51 – ATOL DAS ROCAS
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
94
2.3.12 Praia
As praias correspondem aos depósitos de sedimentos, mais comumente 
arenosos, acumulados por ação de ondas que, por apresentarem mobilidade, 
se ajustam às condições de ondas e marés. Quanto ao material que compõe as 
praias, há a predominância dos grãos de quartzo. Os depósitos de praias, quando 
situados a alguns metros acima do alcance das marés, servem como indicadores 
da oscilação entre o nível dos oceanos e das terras. O Brasil, com sua enorme 
extensão litorânea (7.400 km, sem considerar os contornos de baías e ilhas), 
apresenta uma grande quantidade de praias.
2.3.13 Dunas costeiras
FONTE: Tessler e Mahiques (2009)
As dunas costeiras se formam em locais cuja velocidade do vento e a 
disponibilidade de areia praial de granulometria são adequadas para o transporte 
eólico. Estas condições são mais frequentemente encontradas em praias do tipo 
dissipativo a intermediário, de gradientesuave, como ocorre em grande parte do 
litoral do Rio Grande do Sul, em Cabo Frio, no litoral do Rio de Janeiro, e também 
em muitas áreas litorâneas do Maranhão, Piauí e Ceará, onde são favorecidas 
pelo clima seco e a maior amplitude da maré. (MUEHE, 2009).
FIGURA 52 – PRAIAS. A IMAGEM À DIREITA CORRESPONDE À PRAIA DE MASSAGUAÇU, 
CARAGUATATUBA, SP. A IMAGEM À ESQUERDA REPRESENTA A PRAIA DE PARATI, RJ
TÓPICO 1 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA
95
FONTE: Tessler e Mahiques (2009), Dunas da Joaquina. Disponível em: <http://www.
fotosdesantacatarina.com.br/wp-content/uploads/2010/03/dunas-da-joaquina-floripa.jpg>. 
Acesso em: 20 jun. 2010.
FIGURA 53 – DUNAS. A IMAGEM À DIREITA REFERE-SE ÀS DUNAS NAS ILHAS CANÁRIAS 
(ESPANHA). A IMAGEM À ESQUERDA REPRESENTA AS DUNAS DA PRAIA DA JOAQUINA, EM 
SANTA CATARINA
Caro(a) acadêmico(a), procure aprofundar, em outras bibliografias, informações 
mais detalhadas sobre estas feições.
IMPORTANT
E
3 A GEOMORFOLOGIA CÁRSTICA
No hodierno, a geomorfologia cárstica compreende o estudo da forma, 
gênese e dinâmica dos relevos elaborados sobre rochas solúveis pela água, tais 
como as carbonáticas e os evaporitos, e, mesmo, rochas menos solúveis, como os 
quartzitos, granitos, basaltos, dentre outros. (KOHLER, 2009).
O termo carste é a tradução do termo alemão Karst, originado da palavra 
Krasz, denominação dada pelos camponeses a uma paisagem da atual Croácia 
e Eslovênia (antiga Iugoslávia), marcada por rios subterrâneos, com cavernas 
e superfície acidentada dominada por paredões rochosos e torres de pedra. 
(KARMANN, 2009). Para Christofoletti (1980), o termo carste abarca um sentido 
amplo e é empregado para designar as áreas calcárias ou dolomíticas, que 
possuem uma topografia característica, oriunda da dissolução de tais rochas.
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
96
3.1 OS SISTEMAS CÁRSTICOS
Os sistemas cársticos, do ponto de vista hidrológico e geomorfológico, 
são constituídos por três componentes principais: sistemas de cavernas (formas 
subterrâneas acessíveis à exploração); aquíferos de condutos (formas condutoras 
da água subterrânea) e o relevo cárstico (formas superficiais). (KARMANN, 2009). 
Estes componentes se desenvolvem de maneira conjunta e interdependente. 
Observe atentamente na figura a seguir os principais componentes do sistema 
cárstico.
FONTE: Karmann (2009)
FIGURA 54 – COMPONENTES PRINCIPAIS DO SISTEMA CÁRSTICO
Os sistemas cársticos são formados pela dissolução de certos tipos de rochas 
através da água subterrânea. Dentre as rochas mais favoráveis à carstificação 
podemos destacar as rochas carbonáticas (calcários, mármores e dolomitos), 
cujo principal mineral, calcita, dissocia-se nos íons Ca² e /ou Mg² e CO² pela 
ação da água. (KARMANN, 2009). Os calcários, por exemplo, apresentam uma 
solubilidade maior que os dolomitos. Mas, o que é uma rocha solúvel? É uma 
rocha que, após sofrer intemperismo químico, produz pouco resíduo insolúvel.
Segundo Karmann (2009), as rochas evaporíticas, constituídas por 
halita e/ou gipsita, apesar de sua altíssima solubilidade, originam sistemas 
cársticos somente em situações especiais, como em áreas áridas a semiáridas, 
pois o intemperismo sob o clima úmido é muito rápido e não permite o pleno 
desenvolvimento do carste.
TÓPICO 1 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA
97
3.1 OS SISTEMAS CÁRSTICOS 3.2 DISSOLUÇÃO DE ROCHAS CARBONÁTICAS
A calcita é um mineral quase insolúvel em água pura, produzindo 
concentrações máximas em Ca² de cerca de 8mg/L. Em águas naturais, ao 
contrário, é muito solúvel, como pode ser evidenciado em nascentes cársticas, 
cujas águas são denominadas de “duras”, em virtude do alto teor em Ca e Mg. 
(KARMANN, 2009). Isto ocorre em função da dissolução ácida do carbonato de 
cálcio pelo ácido carbônico, gerado pela reação entre água e gás carbônico. Para 
facilitar o seu entendimento, observe atentamente, na figura a seguir, a dissolução 
e precipitação de calcita num perfil cárstico. Atente também para os principais 
tipos de espeleotemas.
FONTE: Karmann (2009)
FIGURA 55 – DISSOLUÇÃO E PRECIPITAÇÃO DE CALCITA NUM PERFIL CÁRSTICO E OS 
PRINCIPAIS TIPOS DE ESPELEOTEMAS
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
98
Ao observar a figura você pôde verificar que as águas das chuvas, 
acidificadas inicialmente com CO2 atmosférico, sofrem um grande enriquecimento 
em ácido carbônico quando infiltram no solo, pois a respiração das raízes das 
plantas e a decomposição de matéria orgânica resultam em elevado teor de 
CO2 no solo. Perceba que o ácido carbônico é quase totalmente consumido nos 
primeiros metros de percolação da água de infiltração no pacote rochoso, sendo 
que, nas partes mais profundas do aquífero, resta somente uma pequena parcela 
deste ácido para dissolver a rocha. (KARMANN, 2009).
3.3 DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS CÁRSTICOS
Três condições básicas são responsáveis para que ocorra um 
pleno desenvolvimento de sistemas cársticos. São elas: rocha solúvel com 
permeabilidade de fratura; relevo; clima e disponibilidade de água. Vejamos 
agora, simplificadamente, algumas considerações acerca de cada uma das 
referidas condições, conforme Karmann (2009, p. 204).
• Rocha solúvel com permeabilidade de fraturas: rochas solúveis do substrato 
geológico, principalmente calcários, mármores e dolomitos, devem possuir 
uma rede de descontinuidades, formada por superfícies de estratificação, 
planos de fraturas e falhas, caracterizando um aquífero de fraturas. Através 
da dissolução da rocha ao longo de intercessões entre planos, instalam-se rotas 
preferenciais de circulação da água subterrânea.
• Relevo: o desenvolvimento do carste é favorecido quando a região carbonática 
possui topografia, no mínimo, moderadamente acidentada. Vales encaixados 
e desníveis grandes geram gradientes hidráulicos maiores, com fluxos 
mais rápidos das águas de percolação ao longo dos condutos no aquífero, à 
semelhança do que se observa no escoamento superficial. Estas velocidades 
maiores da água subterrânea resultam em maior eficiência na remoção de 
resíduos insolúveis, bem como a dissolução da rocha ao longo das rotas de 
fluxo e rios subterrâneos, acelerando o processo de carstificação. Águas com 
fluxo lento exercem pouca ação, pois logo se saturam em carbonato, perdendo 
sua ação corrosiva e a capacidade de transportar partículas.
• Clima e disponibilidade de água: como a dissolução é a causa principal da 
formação de sistemas cársticos, o desenvolvimento do carste é mais intenso em 
climas úmidos. Além de alta pluviosidade, a carstificação também é favorecida 
em ambientes de clima quente com densa vegetação, pois nestes a produção 
biogênica de CO2 no solo é maior, aumentando o teor de ácido carbônico nas 
águas de infiltração. Desse modo, as paisagens cársticas são mais desenvolvidas 
em regiões de clima quente e úmido quando comparadas às regiões de clima 
frio.
TÓPICO 1 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA
99
3.4 AS CAVERNAS E OS CONDUTOS
As cavernas são concavidades naturais com dimensões diferenciadas que 
aparecem mais frequentemente nas rochas calcárias ou em arenitos de cimento 
calcário. As cavernas cársticas fazem parte do sistema de condutos e vazios 
característicos das rochas carbonáticas.
De acordo com Karmann (2009), a ampliação dos condutos que compõem 
as rotas preferenciais de fluxo da água subterrânea aumenta gradativamente a 
permeabilidade secundária da rocha, transformando parte do aquífero fraturado 
em aquífero de condutos. Esta é uma característica hidrológica fundamental de 
sistemas cársticos. 
Em virtude do rebaixamento do lençol freático devido ao aumento de 
permeabilidade (muitas vezes associado ao soerguimento tectônico), setoresda 
rede de condutos são expostos acima do nível da água, passando por modificações 
e ampliação em ambiente vadoso (Zona vadosa: onde há livre escoamento de 
água). Estes condutos, quando atingem dimensões acessíveis ao ser humano, 
constituem as cavernas. É importante destacar que os processos que resultam na 
formação do aquífero de condutos e cavernas são denominados de espeleogênese.
No que tange ao vasto sistema de porosidade de condutos de um aquífero 
cárstico, é significativo ressaltar que apenas cerca de 1% está acessível ao ser humano.
UNI
3.4.1 Sistemas de cavernas
O conjunto de galerias, condutos e salões compõe um sistema de cavernas. 
Lembrando que todos esses componentes fazem parte da mesma bacia de 
drenagem subterrânea, caracterizada pela entrada e saída de água.
Os padrões morfológicos dos sistemas de cavernas refletem principalmente 
a estrutura da rocha e a maneira como é realizada a recarga de água no sistema, 
ou seja, por meio de sumidouros de rios com origem externa ao carste, ou a 
partir de vários pontos de infiltração distribuídos sobre a superfície carbonática. 
(KARMANN, 2009). 
Um fenômeno interessante oriundo das cavernas e que ocorre acima 
do lençol freático é a deposição de minerais nos tetos, formando um variado 
conjunto de formas e ornamentações, chamados de espeleotemas (verifique a 
figura apresentada anteriormente).
 
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
100
Os espeleotemas podem ser classificados segundo sua forma e o regime 
de fluxo da água de infiltração, fator essencial na diversificação morfológica. As 
estalactites e estalagmites, por exemplo, são formadas por gotejamento da água 
de infiltração. As estalactites são originadas a partir de gotas que surgem em 
fraturas nos tetos de cavernas e crescem em direção ao piso. Já as estalagmites 
crescem do piso em direção à origem de gotejamento, em função do acúmulo de 
carbonato de cálcio precipitado pela gota ao atingir o teto. Quando ocorre a união 
da estalactite com a estalagmite, formar-se-á uma coluna.
FONTE: Os autores
Para Karmann (2009), os espeleotemas podem formar acumulações de 
várias camadas, compostas por mais de um mineral, a exemplo da calcita e a 
aragonita, e também englobar contribuições detríticas, como areia e argila, trazidas 
por enchentes de rios subterrâneos, ou ainda, por água de gotejamento. Assim, 
dar-se-á a constituição de rochas sedimentares de origem química precipitada a 
partir da água subterrânea.
3.5 AS FORMAS DE RELEVO CÁRSTICO
FIGURA 56 – IMAGENS DAS ESTALAGMITES (À DIREITA) E AS ESTALACTITES (À ESQUERDA)
A substituição da rede de drenagem fluvial (com seus vales e canais 
organizados), por bacias de drenagens centrípetas, é a principal característica de 
uma superfície cárstica. Estas bacias, por sua vez, conduzem a água superficial 
para sumidouros, que conectam a superfície com a drenagem subterrânea. É 
evidente que quanto maior for o desenvolvimento do sistema cárstico, maior será 
sua permeabilidade secundária, o que resultará no aumento de sumidouros, bem 
como as bacias de drenagem centrípeta.
Associadas às drenagens centrípetas, desenvolve-se uma das mais comuns 
feições de relevo cárstico, as chamadas Dolinas.
 
TÓPICO 1 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA
101
Você sabe o que é uma dolina? Segundo o dicionário Geológico-
geomorfológico de Guerra e Guerra (1997, p. 212), “dolina corresponde a 
uma depressão de forma acentuadamente circular, afunilada, com largura 
e profundidades variadas, que aparecem em terrenos calcários”. Segundo 
Karmann (2009), as dolinas de dissolução formam-se com a dissolução a partir 
de um ponto de infiltração na superfície da rocha fraturada. Ainda de acordo com 
o mesmo autor, as dolinas geradas a partir do colapso da superfície em virtude 
do abastecimento do teto de cavernas ou outras cavidades em profundidades são 
denominadas de dolinas de colapso.
Observe, na figura a seguir, a evolução esquemática de dolinas de 
dissolução (subsidência lenta) e de colapso.
FONTE: Karmann (2009)
FIGURA 57 – EVOLUÇÃO ESQUEMÁTICA DE DOLINAS DE DISSOLUÇÃO E DE COLAPSO
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
102
Os vales “cegos”, com rios que desaparecem repentinamente em 
sumidouros junto a “anfiteatros” rochosos ou depressões, correspondem à outra 
feição do relevo cárstico. Os vales cársticos ou de abatimentos são formados 
quando galerias de cavernas sofrem abatimento, frequentemente expondo rios 
subterrâneos, ocasionando depressões alongadas com vertentes verticalizadas. 
(KARMANN, 2009). É importante ressaltar que apesar de o produto final ser 
similar com os vales fluviais, os vales cársticos não podem ser assim classificados, 
pois sua origem não é devido ao entalhamento de um canal fluvial. 
A imagem a seguir ilustra claramente um vale cárstico. Observe-a.
FONTE: Karmann (2009)
Os cones cársticos estão entre as formas mais notáveis do relevo cárstico. 
Na verdade, os cones cársticos constituem os morros de vertentes fortemente 
inclinadas e paredes rochosas, representando morros testemunhos que resistiram 
à dissolução. Frequentemente, os cones cársticos abrigam trechos que abarcam 
antigos sistemas de cavernas. As imagens a seguir representam este tipo de 
relevo. Observe-as.
FIGURA 58 – VALE CÁRSTICO ASSOCIADO À CAVERNA DOS BREJÕES. OBSERVE O PÓRTICO 
DE ENTRADA DA CAVERNA, COM 106 METROS DE ALTURA. SITUADO NO MUNICÍPIO DE 
MORRO DO CHAPÉU, CHAPADA DIAMANTINA (BA)
TÓPICO 1 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA
103
FONTE: Karmann (2009)
FIGURA 59 – CONES CÁRSTICOS, REPRESENTANDO MORROS TESTEMUNHOS, QUE 
RESISTIRAM À DISSOLUÇÃO. A IMAGEM À ESQUERDA CORRESPONDE À REGIÃO DO VALE DO 
RIO BETARI, IPORANGA (SP). A IMAGEM À DIREITA REFERE-SE À REGIÃO DE PIÑAR DEL RIO, 
CUBA
Não podemos deixar de destacar também as áreas que apresentam rochas 
carbonáticas expostas, são os lapiás ou caneluras. Na maioria das vezes, exibem 
um padrão de sulcos com profundidades desde milimétricas a métricas, às 
vezes com lâminas proeminentes entre os sulcos. Os lapiás são formados pela 
dissolução da rocha na interface solo-rocha e após a erosão do solo continuam seu 
desenvolvimento pelo escorrimento da água de precipitação diretamente sobre a 
rocha. (KARMANN, 2009). Atente para esta impressionante formação.
FONTE: Karmann (2009)
FIGURA 60 – CALCÁRIO ENTALHADO POR CANELURAS DE DISSOLUÇÃO (LAPIÁS) NA REGIÃO 
DA CAVERNA DO PADRE, BAHIA
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
104
LEITURA COMPLEMENTAR
BELEZA E MISTÉRIO FORMAM O RICO E AMEAÇADO PATRIMÔNIO
ESPELEOLÓGICO DO PAÍS
Nilza Bellini
No Brasil, a maior parte das rochas carbonáticas foi formada há mais de 
600 milhões de anos, ao passo que as cavernas são do período geológico atual, 
o Quaternário, iniciado há cerca de 2 milhões de anos. Espeleotemas como 
as estalactites (que descem do teto) e estalagmites (que sobem do chão) e os 
travertinos, criados pelo acúmulo de minerais carregados pela água em alguns 
pontos, podem ter milhões de anos. São fantasticamente bonitos nas cavernas 
secas. Os espeleotemas conservam informações muito importantes sobre a 
formação do planeta. As cavidades subterrâneas também guardam a história 
da evolução das espécies e da cultura humana. Entre os estudos geológicos, é 
fundamental o do paleoclima, obtido a partir da análise dos espeleotemas, que 
permitem entender o atual padrão de variação climática. 
Tesouros brasileiros
As cavernas brasileiras já documentadas localizam-se, na maioria, nos 
estados do sudeste e centro-oeste e na Bahia. A toca da Boa Vista, em Campo 
Formoso (BA), é a maior caverna conhecida do hemisfério sul. Até 2006 foram 
mapeadosmais de 102 quilômetros de suas galerias. A mais alta entrada, com 215 
metros de altura, é a da gruta Casa de Pedra, no Parque Estadual Turístico do Alto 
Ribeira (Petar-SP). Principais atrativos turísticos da região do vale do Ribeira, só 
no parque mais de 300 foram exploradas. Dessas, destacam-se Santana, Morro 
Preto, Lambari, Água Suja e Casa de Pedra, e, próximo dali, a famosa Caverna do 
Diabo.
No Distrito Federal fica a maior caverna nacional conhecida em micaxisto, 
a Gruta dos Ecos, com 1.380 metros e um lago subterrâneo de 300 metros de 
comprimento. Em Minas Gerais está a maior caverna vertical em quartzito do 
país, a do Centenário, com 481 metros de profundidade. No Parque Nacional 
Cavernas do Peruaçu (MG), uma estalactite de 28 metros é considerada uma das 
maiores do mundo. Devido às suas características, as formações brasileiras têm 
sido muito procuradas por expedições espeleológicas internacionais.
“Visitar cavernas é fascinante”, assegura José Antonio Basso Scaleante, o 
Scala. “É uma experiência incomparável, a paisagem subterrânea é única”, diz 
o professor, que é também pesquisador de um grupo acadêmico que analisa o 
potencial espeleológico do Amapá. Faz quase 30 anos que Scala visita cavernas. 
Das mais de quatro mil cadastradas, já esteve em quase mil. “Sinto-me honrado, 
aconchegado no ventre da terra”, diz. 
TÓPICO 1 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA
105
Defensores da preservação de cavernas, como Scala, apontam várias razões 
para a importância de protegê-las. Elas conservam minerais raros e formações 
geológicas preciosas; abrigam importantes sítios geológicos, paleontológicos 
e arqueológicos; foram e são consideradas locais sagrados por culturas e 
civilizações; representam reservas hidrológicas estratégicas para o abastecimento 
de cidades, agricultura e indústrias; cada vez mais, tornam-se fontes de atividades 
econômicas, como o ecoturismo e a prática de esportes. Apesar de tudo isso, a 
deterioração progride. Quer seja motivada pela mineração, quer seja pelo turismo, 
a presença do homem nas cavernas ou em seu entorno é sempre uma ameaça.
Mesmo no Estado de São Paulo, onde a fiscalização é intensa, o patrimônio 
espeleológico é desrespeitado. Em 2008 o Ibama autuou proprietários rurais que 
plantaram cana-de-açúcar e eucalipto ao redor de cavernas importantes localizadas 
em Altinópolis, Ipeúna, Analândia e Itirapina, cidades da região de São Carlos. O 
órgão estabelece um perímetro de 250 metros de área livre ao redor das cavidades 
para não prejudicar o ecossistema. Na região do Alto Paranapanema, o estrago 
foi provocado por mineradoras. As multas aplicadas contra as empresas que não 
tinham licenciamento ambiental somaram cerca de R$ 1,3 milhão. O turismo 
também provoca danos. As pisadas levam à compactação dos solos, impedindo 
a sobrevivência de organismos que vivem no local. A eutrofização – acúmulo de 
matéria orgânica em decomposição transportada do exterior – causa a poluição 
do ar e das águas do interior e afeta a vida dos animais que só vivem em cavernas.
Na maioria delas, porém, não foram demarcadas áreas de proteção, nem 
restringida a visitação. São poucos os casos de interdição. Em 2002, por exemplo, 
a Gruta do Tamboril, localizada em Unaí (MG), foi fechada pelo Ibama a pedido 
da Secretaria de Saúde, por suspeita de histoplasmose, infecção causada por 
um fungo originado nas fezes de morcegos. As placas de interdição e as cercas 
de arame foram retiradas por desconhecidos e em 2004 houve novos casos de 
contaminação. A transmissão de doenças causadas por fungos que proliferam em 
cavernas, no entanto, é rara.
Danos ambientais
O professor universitário Heros Lobo, doutorando em Geociências pela 
Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, está escrevendo 
a primeira tese acadêmica sobre o impacto ambiental do turismo espeleológico. 
Ainda que seja impossível eliminar totalmente esse tipo de dano, Lobo quer criar 
um método para reduzi-lo. Com esse objetivo, faz monitoramento climático e 
microscopia eletrônica de varredura no material que coleta das rochas de cavernas 
abertas à visitação e das fechadas ao público. “No exterior existem trabalhos do 
gênero, mas ainda não foi feita uma matriz de impacto ambiental”, diz ele.
FONTE: BELLINI, N. Beleza e mistério formam o rico e ameaçado patrimônio espeleológico do 
país. 2008. Disponível em: <http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc/pb/artigo.cfm?Edicao_
Id=302&Artigo_ID=4761&IDCategoria=5441&reftype=1>. Acesso em: 25 jul 2010.
106
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico você estudou que:
• As paisagens resultantes da morfogênese marinha, no que se refere à zona de 
contato entre a terra e o mar, é objeto de estudo da geomorfologia litorânea.
• As formas de relevo litorâneas ou costeiras sofrem a atuação dos processos 
morfogenéticos. Estes, por sua vez, podem ser controlados por vários fatores 
ambientais, como o geológico, o climático, o biótico e os fatores oceanográficos. 
• A principal força marinha atuante na morfogênese litorânea é a atuação das 
ondas, das correntes costeiras e das marés. 
• As formas de relevo litorâneas podem ser originadas tanto da ação erosiva 
como da deposição de sedimentos.
• Você pôde verificar algumas feições litorâneas, com as planícies costeiras; 
 as falésias, restingas, tômbolos, pontal, baía, golfo, enseada, recifes, laguna, 
atol, praia e as dunas costeiras.
• A geomorfologia cárstica compreende o estudo da forma, gênese e dinâmica dos 
relevos elaborados sobre rochas solúveis pela água, tais como as carbonáticas e 
os evaporitos, e, mesmo, rochas menos solúveis, como os quartzitos, granitos, 
basaltos, dentre outros.
• Os sistemas cársticos, do ponto de vista hidrológico e geomorfológico, são 
constituídos por três componentes principais: sistemas de cavernas; aquíferos 
de condutos e o relevo cárstico.
• Os sistemas cársticos são formados pela dissolução de certos tipos de rochas 
através da água subterrânea. Três condições básicas são responsáveis para que 
ocorra um pleno desenvolvimento de sistemas cársticos. São elas: rocha solúvel 
com permeabilidade de fratura; relevo; clima e disponibilidade de água.
• As cavernas são concavidades naturais com dimensões diferenciadas, que 
aparecem mais frequentemente nas rochas calcárias ou em arenitos de cimento 
calcário. As cavernas cársticas fazem parte do sistema de condutos e vazios 
característicos das rochas carbonáticas.
• Os processos que resultam na formação do aquífero de condutos e cavernas 
são denominados de espeleogênese. 
107
• Os espeleotemas podem ser classificados segundo sua forma e o regime de 
fluxo da água de infiltração, fator essencial na diversificação morfológica. As 
estalactites e estalagmites são exemplos de espeleotemas.
108
AUTOATIVIDADE
1 As paisagens resultantes da morfogênese marinha, no que tange à zona de 
contato entre a terra e mar, é objeto de estudo da geomorfologia litorânea. 
Acerca deste estudo, analise as afirmativas a seguir:
I- A morfologia litorânea torna-se muito complexa em virtude da interferência 
de processos marinhos e subaéreos sobre estruturas e litologias muito 
diferenciadas.
II- As formas de relevo litorâneas sofrem a atuação dos processos 
morfogenéticos, que podem ser controlados por vários fatores ambientais, 
tais como o geológico, o climático, o biótico e os fatores oceanográficos. 
III- A principal força marinha atuante na morfogênese litorânea é a atuação 
das ondas, das correntes costeiras e das marés. 
IV- As formas de relevo litorâneas podem ser originadas tanto da ação erosiva 
como da deposição de sedimentos.
V- A descrição do perfil litorâneo, no que tange ao estabelecimento de 
nomenclaturas precisas, foi desenvolvida principalmente pelos franceses e 
russos, pois foram eles os responsáveis pelos estudos mais aprofundados 
acercada morfologia litorânea.
a) ( ) Estão corretas as afirmativas I, II, III e IV.
b) ( ) Estão corretas as afirmativas I, III, IV e V. 
c) ( ) Estão corretas apenas as afirmativas III e IV.
d) ( ) Somente a afirmativa I está correta. 
2 Na geomorfologia litorânea pode ser encontrada uma diversificação de 
feições e/ou ambientes característicos oriundos tanto da ação erosiva como 
da deposição de sedimentos. Acerca de algumas destas feições e suas 
respectivas características, relacione as colunas:
1. Planícies costeiras.
2. Falésias.
3. Restinga.
4. Pontal.
5. Golfo.
6. Enseada.
( ) É um ressalto não coberto pela vegetação, com declividades muito 
acentuadas e de alturas variadas, localizado na linha de contato entre a 
terra e o mar.
( ) São formadas por faixas arenosas depositadas paralelamente à praia, que 
se alongam tendo ponto de apoio nos cabos e saliências do litoral.
( ) Constitui uma ampla reentrância da costa, que a água do mar invade com 
maior profundeza.
109
( ) Configura uma reentrância da costa bem aberta em direção ao mar, 
limitada por dois promontórios.
( ) Correspondem às superfícies relativamente planas, baixas, situadas junto 
ao mar, cuja formação resultou da deposição de sedimentos marinhos e 
fluviais.
( ) Faixa plana de areia e/ou seixos disposta de modo paralelo, oblíquo, ou 
mesmo perpendicular à costa e que se prolonga, algumas vezes, sob as 
águas, em forma de banco.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) 4 – 5 – 3 – 2 – 1 – 6. 
b) 2 – 3 – 5 – 6 – 1 – 4.
c) 3 – 1 – 4 – 2 – 5 – 6.
d) 2 – 4 – 3 – 5 – 1 – 6.
3 Acerca dos sistemas cársticos, coloque V para as afirmativas verdadeiras e F 
para as falsas e em seguida assinale a alternativa que apresenta a sequência 
CORRETA:
( ) Os sistemas cársticos são formados pela dissolução de certos tipos de 
rochas através da água subterrânea. 
( ) O sistema de cavernas é composto por um conjunto de galerias, condutos 
e salões. 
( ) A rocha solúvel com permeabilidade de fratura é uma das condições 
básicas para que ocorra um pleno desenvolvimento de sistemas cársticos. 
( ) Uma característica hidrológica fundamental dos sistemas cársticos é a 
ampliação dos condutos que compõem as rotas preferenciais de fluxo da 
água subterrânea, ocasionando o aumento gradativo da permeabilidade 
secundária da rocha, transformando parte do aquífero fraturado em 
aquífero de condutos. 
( ) A principal característica de uma superfície cárstica é a substituição da 
rede de drenagem fluvial por bacias de drenagens centrípetas. 
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) V – V – V – V – V. 
b) F – V – F – V – V. 
c) V – F – V – V – F.
d) V – V – V – F – V. 
4 Do ponto de vista hidrológico e geomorfológico, os sistemas cársticos são 
constituídos por três componentes principais: os sistemas de cavernas, 
os aquíferos de condutos e o relevo cárstico. Assim, a partir do estudo 
realizado sobre os sistemas cársticos, procure investigar na sua cidade e/
ou região a presença de componentes característicos a estes sistemas. No 
caso de ocorrer alguma identificação de componentes cársticos, fotografe-
os, descreva-os e socialize com a turma.
110
111
TÓPICO 2
COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
No caderno de Geografia Física você estudou que a camada mais 
“superficial” da Terra é denominada de crosta. Esta é formada por diferentes tipos 
de rochas e minerais e apresenta uma superfície irregular. O relevo corresponde à 
diversidade de aspectos da superfície da crosta terrestre, ou seja, a irregularidade 
e/ou desnivelamento da superfície, seja nas formas emersas e submersas, com 
dimensões muito variadas, podendo ser microrrelevo (pequenas formas), 
mesorrelevo (formas médias) e macrorrelevo (extensas cadeias de montanhas). 
No Tópico 1 da Unidade 1 você pôde verificar que a geomorfologia é a 
ciência que estuda as formas do relevo, bem como os processos associados à sua 
(trans)formação. Neste tópico o intuito é proporcionar a você o conhecimento 
sobre a compartimentação do relevo, ou seja, apresentar alguns dos principais 
tipos de relevos correspondentes à superfície terrestre. 
Respire fundo e bom estudo!
2 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A 
COMPARTIMENTAÇÃO TOPOGRÁFICA DO RELEVO
Segundo Casseti (2005), a compartimentação topográfica corresponde à 
individualização de um conjunto de formas com características semelhantes, o 
que leva a se admitir que tenham sido elaboradas em determinadas condições 
morfogenéticas ou morfoclimáticas que apresentem relações litoestratigráficas 
ou que tenham sido submetidas a eventos tectodinâmicos. 
A junção das diferentes forças ao longo do tempo geológico leva à 
caracterização das formas de relevo, define a topografia ou altimetria, bem como 
origina traços genéticos comuns como fatores de individualização do conjunto 
(relevo). Assim, a evolução do modelado terrestre, cujas particularidades 
proporcionam a especificidade de compartimentos, resulta do antagonismo 
determinado pelas forças endógenas e exógenas (se necessário, retome o estudo 
do tópico 2 da Unidade 1). 
112
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
De modo geral, o relevo pode ser caracterizado por superfícies 
diferenciadas, como as erosivas, dobradas e falhadas. Estas podem oferecer 
variações ou combinações numa determinada área ou formar um domínio 
morfológico único de grande extensão. A partir de agora veremos a 
compartimentação de alguns dos tipos de relevo emerso e submerso.
3 CARACTERÍSTICAS MORFOESTRUTURAIS DAS BACIAS 
SEDIMENTARES
Segundo o Dicionário Geológico-Geomorfológico de Guerra e Guerra 
(1997, p. 77), “bacia sedimentar é uma depressão preenchida com detritos 
carregados das áreas circundantes”. Geralmente, a estrutura dessas áreas é 
composta de estratos concordantes ou quase concordantes, que mergulham 
normalmente da periferia para o centro da bacia. (GUERRA; GUERRA, 1997). 
A formação das bacias sedimentares ocorre nas faixas intracratônicas, 
e o processo de entulhamento é favorecido pela subsidência, ocasionando a 
compensação isostática. Assim, as bacias sedimentares assumem espessuras 
consideráveis, responsáveis pela subsidência central, permitindo a continuidade 
da sedimentação. Segundo Petri e Fulfaro (1983), as bacias sedimentares brasileiras 
(correspondem a 64% do território), por exemplo, apresentam espessuras que 
chegam a 6.000 metros, como na baixa bacia Amazônica. Merecem destaque 
também as bacias sedimentares do Meio-Norte, do Paraná, a São-Franciscana e a 
do Pantanal Mato-Grossense.
As sequências sedimentares das bacias, de modo geral, estão dispostas 
em forma de sinéclises, ou seja, a espessura das camadas cresce da borda para 
o centro, com mergulhos que acompanham o substrato cristalino, parcialmente 
atribuído ao próprio processo de subsidência, ligeiramente inclinados na periferia 
das bacias com tendência de horizontalização na seção central. (CASSETI, 2005). 
Segundo o mesmo autor, a sedimentação se inicia em discordância angular ou 
discordância erosiva, e continua com tendência de manutenção de concordância 
entre as sequências litoestratigráficas ou discordância erosiva entre as mesmas. 
Na figura a seguir você poderá entender melhor a disposição das camadas 
nas sequências sedimentares.
TÓPICO 2 | COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO
113
FONTE: Casseti (2005)
FIGURA 61 – DISPOSIÇÃO DAS CAMADAS NAS SEQUÊNCIAS SEDIMENTARES
3.1 RELEVO TABULAR OU TABULIFORME
As características litológicas dos estratos e o comportamento das camadas 
(mergulho) oferecem uma diferenciação morfologicoestrutural, responsável pela 
formação, bem como evolução do relevo tabuliforme (e também do relevo de 
cuestas).
O relevo tabuliforme é caracterizadopor uma sequência de camadas 
sedimentares horizontais ou sub-horizontais, associadas ou não a derrames 
basálticos intercalados. (CASSETI, 2005). Sua disposição tabular pode diferir 
daquelas resultantes de processo de pediplanação em estruturas não horizontais. 
Contudo, conforme Casseti (2005), a pediplanação também pode ocorrer em 
estruturas horizontais, com estreita correspondência entre a superfície de erosão 
e o comportamento dos estratos. Este tipo de relevo apresenta uma forma 
topográfica de terreno que se assemelha a planaltos, terminando geralmente de 
forma abrupta. (GUERRA; GUERRA, 1997). 
Geralmente, a ocorrência dos relevos tabulares acontece no interior das 
bacias sedimentares, dada a disposição horizontalizada dos estratos. As formas 
mais evidentes nas estruturas concordantes se caracterizam por chapadões, 
chapadas e mesas, em ordem de grandeza. Essas formas são na maioria das vezes 
mantidas à superfície, por camadas basálticas ou por sedimentos litificados de 
maior resistência. (CASSETI, 2005). De acordo com o mesmo autor, quando essas 
formas são submetidas a processos de pediplanação, podem estar associadas a 
concreções ferruginosas, com vegetação xeromórfica, muito provavelmente ligada 
às condições ambientais áridas ou semiáridas que deram origem à superfície 
erosiva.
114
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
O início da evolução dos relevos tabuliformes, especialmente no caso brasileiro, 
está relacionado a uma fase climática úmida, responsável pela organização do sistema 
hidrográfico sobre um pediplano em ascensão por esforços epirogenéticos. (CASSETI, 2005).
IMPORTANT
E
Para Casseti (2005), a evolução na elaboração do relevo tabuliforme pode 
estar associada: 
a) Organização do sistema hidrográfico em fase climática úmida, 
relacionada a efeitos epirogenéticos; b) Devido aos esforços epirogenéticos 
considerados, há uma tendência de aprofundamento dos talvegues e de 
elaboração de seus vales; c) A tendência de alternância climática, como a 
passagem do clima úmido para o seco, evidenciada na evolução morfológica 
pós-cretácea brasileira, teria sido responsável pela evolução horizontal do 
modelado, dada a aceleração do recuo paralelo das vertentes por desagregação 
mecânica; d) Uma nova fase climática úmida ensejaria uma nova organização 
da drenagem e, consequentemente, um reentalhamento dos talvegues, 
proporcionando o alçamento de antigos depósitos, como os pedimentos 
detríticos que enterraram áreas depressionárias.
O trabalho comandado pelo sistema hidrográfico enseja a evolução 
do relevo via erosão regressiva, promovendo ramificações de cursos de 
primeira ordem, podendo, então, aparecer formas residuais, como os morros-
testemunhos, mantidos ou não por coroas litoestruturais como o somital, 
associado a materiais resistentes. As diferenças litológicas poderiam ainda 
proporcionar saliências morfológicas, parcialmente mascaradas na fase 
anterior, de clima seco, denominadas cornijas. Com a abertura dos vales, 
haveria uma tendência a se formarem vales simétricos, denominados vales 
em “manjedouras’’. A presença de pedimentos detríticos em processo de 
retrabalhamento morfológico pela incisão da drenagem é testemunha do clima 
seco correspondente à fase anterior. 
Após todo o processo de evolução na elaboração do relevo tabuliforme, 
poder-se-á observar os principais elementos resultantes dessa evolução ilustrados 
na figura a seguir. Atente principalmente para a formação de morro testemunho 
e de cornija.
TÓPICO 2 | COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO
115
FONTE: Casseti (2005)
No Brasil, por exemplo, o relevo tabular ocorre principalmente no sudoeste 
do Estado de Goiás, na borda setentrional da Bacia Sedimentar do Paraná. Não 
podemos deixar de exemplificar a Chapada Diamantina, localizada no interior do 
Estado da Bahia. Esta apresenta nitidamente formas tabulares. Observe a imagem 
a seguir.
FIGURA 62 – MORFOLOGIA TABULIFORME EVIDENCIANDO OS PRINCIPAIS ELEMENTOS 
RESULTANTES DA EVOLUÇÃO DAS ESTRUTURAS CONCORDANTES HORIZONTAIS
FONTE: Disponível em: <http://www.baixaki.com.br/imagens/wpapers/BXK13133_115-1529_
imgmorrodoinaciochapadadiamantina800.jpg>. Acesso em: 28 jul. 2010.
FIGURA 63 – CHAPADA DIAMANTINA
116
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
3.2 RELEVO DO TIPO CUESTA
O termo cuesta é de origem mexicana e representa o que os franceses 
denominam de côte e em Portugal foi traduzido por costeira. De acordo com o 
Dicionário Geológico-Geomorfológico de Guerra e Guerra (1997, p. 178), cuesta 
“é uma forma de relevo dissimétrico constituída por uma sucessão alternada das 
camadas com diferentes resistências ao desgaste e que se inclinam numa direção, 
formando um declive suave no reverso, e um corte abrupto ou íngreme na 
chamada frente de cuesta”. Cabe destacar que é comum você encontrar também 
na literatura geomorfológica a expressão front de cuesta, que é o mesmo que 
frente de cuesta.
O relevo de cuesta é predominante nas bacias sedimentares e nas velhas 
plataformas, onde aparecem depressões em forma de fundo de canoa, nas quais 
a colmatagem (trabalho de entulhamento ou de enchimento) sucessiva acarreta o 
surgimento de camada inclinada. 
Conforme Guerra e Guerra (1997), as condições necessárias para que ocorra 
a existência de um relevo de cuesta são: a) existência de camadas inclinadas; b) 
alternância de camadas de dureza diferenciada; c) ataque da erosão ocasionando 
a exposição da frente da cuesta com a sua depressão subsequente. De modo geral, 
o relevo de cuesta expressa o resultado do trabalho erosivo diferencial.
Como resultado deste trabalho erosivo ter-se-á os elementos que compõem 
o relevo de cuesta. Vejamos, conforme Casseti (2005):
• Front → Corresponde à escarpa erosiva ou “costão’’, que se encontra entre a 
depressão ortoclinal e a parte superior da cuesta, referente ao reverso.
• Reverso → Corresponde ao compartimento de cimeira da cuesta, que tem 
início na parte terminal superior do front e progride em direção ao centro da 
bacia sedimentar. Quando caracterizado pelas camadas litoestratigráficas, 
denomina-se reverso estrutural; quando representado por sedimentos 
resultantes da intemperização da rocha subjacente, denomina-se reverso 
escultural. Quando pediplanado, pode ser denominado de “superfície de 
erosão”.
• Depressão ortoclinal → Refere-se à área embutida ou deprimida, a partir 
do front da cuesta, resultante de processo de denudação comandado pela 
drenagem ortoclinal (cursos subsequentes). No caso de cuestas relacionadas 
a contato estrutural (cristalino-sedimentar), geralmente as depressões 
encontram-se “abertas” em direção às rochas mais antigas, suporte das 
sequências sedimentares, e deprimidas em direção ao front. Portanto, 
geralmente, a depressão apresenta um comportamento dissimétrico, com 
bordas internas íngremes, considerando o front como um dos lados, e 
externas relativamente suavizadas, considerando o comportamento da 
estrutura cristalina que foi exumada pelo processo denudacional.
TÓPICO 2 | COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO
117
Observe atentamente na figura (à esquerda) que segue os elementos que 
caracterizam uma cuesta. Atente também para a figura (à direita) que ilustra o 
relevo dissimétrico do tipo cuesta, característico das estruturas concordantes 
inclinadas.
FONTE: Casseti (2005)
FIGURA 64 – A FIGURA À ESQUERDA REPRESENTA OS ELEMENTOS QUE CARACTERIZAM UMA 
CUESTA. A FIGURA À DIREITA CORRESPONDE AO RELEVO DISSIMÉTRICO DO TIPO CUESTA, 
CARACTERÍSTICO DAS ESTRUTURAS CONCORDANTES INCLINADAS
4 CARACTERÍSTICAS MORFOESTRUTURAIS NAS ÁREAS DE 
DEFORMAÇÃO TECTÔNICA
No tópico 2 da Unidade 1 você estudou sobre o papel dos processos 
endógenos na formação do relevo. Agora, veremos alguns dos tiposde relevos 
característicos em áreas de deformação tectônica.
4.1 RELEVO DO TIPO HOG-BACK
Hog-back é um “termo inglês usado para definir uma estrutura inclinada 
semelhante à de uma cuesta, mas na qual o mergulho das camadas é geralmente 
superior a 30º”. (GUERRA; GUERRA, 1997, p. 340). Considerando o declive 
necessário à sua caracterização, torna-se possível entendê-los como vinculados a 
fenômenos tectônicos, uma vez que dificilmente se constatam mergulhos em tais 
proporções, associados unicamente aos processos de deposição. (CASSETI, 2005).
No Brasil, a Serra Dourada (GO), por exemplo, pode ser caracterizada 
como relevo do tipo hog-back, justamente por apresentar semelhança evolutiva 
com o relevo de cuestas. Observe-a.
118
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
FONTE: Disponível em: <http://www.amarbrasil.org.br/wp-content/uploads/2014/06/
cidadedegoias_f_059.jpg>. Acesso em: 31 ago. 2018.
FIGURA 65 – SERRA DOURADA (GO)
4.2 DOMO
Segundo Casseti (2005), o relevo do tipo dômico corresponde a uma 
estrutura circular resultante de atividade intrusiva (plutonismo ou fenômenos 
magmáticos) que provocou arqueamento da paleomorfologia, com consequente 
elaboração de abóbada topográfica. Os melhores exemplos são observados em 
sequências sedimentares que passaram a ter as sequências litoestratigráficas 
em conformação com a disposição do corpo intrusivo.
A dimensão de um domo varia segundo a proporção do corpo 
intrusivo, que pode estar ou não concordante com as rochas encaixantes, ou 
segundo planos de estratificação ou de xistosidade. O sill, o lacólito, o lopólito 
e o facólito são exemplos de corpos intrusivos concordantes com as rochas 
encaixantes, enquanto o dique, o neck, a apófise e o batólito são discordantes. 
Esses corpos intrusivos são de origem tectônica, com material proveniente do 
sima ou parte superior do manto, embora os domos salinos sejam entendidos 
como resultantes de processos atectônicos. 
A estrutura dômica, após efeitos erosivos, associados a processos 
epirogênicos positivos, tende a proporcionar o desenvolvimento de uma 
morfologia circular ou elíptica e/ou semelhante a uma meio esfera, dada a 
resistência não só do corpo intrusivo, como também das rochas encaixantes que 
foram submetidas a metamorfismo de contato. Atente para a ilustração que segue.
TÓPICO 2 | COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO
119
4.3 ESTRUTURA APALACHIANA
FONTE: Casseti (2005)
No Brasil, um exemplo típico de relevo dômico é o domo de Serra 
Negra, no município de Patrocínio, em Minas Gerais. Este, abrange uma área de 
aproximadamente 500 km².
O relevo do tipo apalachiano compreende uma série de dobras com 
expressivo paralelismo entre as cristas e os vales. É importante destacar, segundo 
Guerra e Guerra (1997), que as camadas deste tipo de relevo são constituídas 
de rochas com dureza alternada. Não podemos deixar de considerar que os rios 
antecedentes atravessam transversalmente a estrutura regional.
FIGURA 66 – INTRUSÃO LACOLÍTICA RESPONSÁVEL PELA ELABORAÇÃO DE UMA ESTRUTURA 
DÔMICA
FONTE: Casseti (2005)
FIGURA 67 – ASPECTOS GERAIS DO RELEVO DO TIPO APALACHIANO
Curso cataclinal 
superimposto
Vale 
superimposto (gep)
Vale 
cataclinal
Crista 
monoclinal
b) Características dos vales e cristais
a) Sucessão de cristas e 
vales paralelos
Camada friável Camada resistente
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Vale 
sinclinal
120
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
Segundo Casseti (2005), pode ser considerada um exemplo de relevo 
apalachiano a sucessão de cristas e vales paralelos evidenciados no município 
de Alvorada (TO), à margem esquerda do Rio Tocantins, nas proximidades da 
confluência com o Rio Paraná.
4.4 RELEVO JURÁSSICO
Enquanto o relevo do tipo apalachiano corresponde a uma série de 
dobras com expressivo paralelismo de cristas e vales, o relevo do tipo jurássico 
é entendido como o resultado de inversão do relevo a partir de uma sucessão 
regular de dobras. 
O relevo jurássico (nomenclatura proveniente do Jura, região dobrada da 
França) é o resultado da evolução morfológica de uma estrutura dobrada, onde 
a intercalação de camadas de diversas resistências e as atividades morfogenéticas 
em diferentes condições climáticas respondem pela inversão do relevo, ou seja, 
as anticlinais são arrasadas, por corresponderem a material friável, enquanto as 
sinclinais ficam alçadas, por serem individualizadas por rochas duras. (CASSETI, 
2005). Se você observar na figura a seguir, perceberá essa inversão do relevo.
FONTE: Casseti (2005)
A inversão morfoestrutural a leste da cidade de Niquelândia (GO) pode 
ser considerada um exemplo de relevo do tipo jurássico. Isso porque o relevo é 
caracterizado por sinclinais suspensas, revestidas por camadas do Grupo Paranoá 
(Proterozoico Superior), enquanto a anticlinal arrasada é composta por sequência 
do Grupo Araí (Proterozoico Médio). (CASSETI, 2005).
FIGURA 68 – INVERSÃO DO RELEVO, CARACTERIZANDO O RELEVO JURÁSSICO
TÓPICO 2 | COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO
121
4.5 ESCARPAMENTO DE FALHA
O escarpamento de falhas corresponde a paredões de forma mais ou menos 
abrupta, em função da idade da falha e do clima da região. “Os escarpamentos de 
falhas, quando antigos, já se acham mais trabalhados pela erosão, que ocasiona 
uma dissecação no espelho da antiga falha, produzindo assim um recuo e um 
rebaixamento no degrau da falha”. (GUERRA; GUERRA, 1997, p. 242).
 As ilustrações a seguir procuram representar o estágio evolutivo de um 
relevo falhado. Observe-as.
FONTE: Casseti (2005)
Um dos indícios, para os geomorfólogos reconhecerem a existência de 
uma falha responsável pela topografia, é o escarpamento com abruptos, como os 
encontrados na Serra do Mar. 
FIGURA 69 – ESTÁGIO EVOLUTIVO DE UM RELEVO FALHADO
122
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
4.6 GRABEN OU FOSSA TECTÔNICA
4.7 HORST OU MURALHA
5 ESCUDOS ANTIGOS OU MACIÇOS CRISTALINOS
No estudo do caderno de Geografia Física você pôde verificar que as 
depressões estruturais ocasionadas por falhamentos são denominadas de graben 
(blocos rebaixados) ou fossa tectônica. Estas depressões apresentam formas 
alongadas, enquadradas por uma série de degraus originados por falhas paralelas. 
Conforme Guerra e Guerra (1997), um exemplo clássico de fossa tectônica é o vale 
do Rio Reno, que corre entre o maciço da Floresta Negra, na Alemanha, e a cadeia 
dos Vosges, na França. No Brasil, podemos exemplificar os grabens do Recôncavo 
Baiano (BA), o vale do Rio Paraíba do Sul (SP).
Os horsts, ou também denominados de muralha ou ainda pilares, 
correspondem às elevações estruturais alongadas salientes em relação ao relevo 
contíguo. Este tipo de formação pode estar atrelado à elevação do terreno por 
falha escalonada ou, ao contrário, pelo estabelecimento de uma fossa tectônica 
ou graben.
Você provavelmente já ouviu falar dos escudos antigos ou maciços 
cristalinos (rochas cristalinas), que são imensos blocos de rochas antigas. Mas, 
o que é um escudo? Segundo o Dicionário Geológico-geomorfológico de Guerra 
e Guerra (1997, p. 244), escudo corresponde aos “primeiros núcleos de rochas 
emersas que afloram desde o início da formação da crosta. A distribuição 
geográfica dos principais escudos é a seguinte: Fino-Escandinavo; Siberiano; 
Canadense; Sul-Africano; Guiano; Brasileiro e Patagônico”. 
Estes escudos são constituídos por rochas cristalinas (magmático-
plutônicas), formadas em eras pré-cambrianas, ou por rochas metamórficas 
(material sedimentar) do Paleozoico. São rochas resistentes, estáveis, porémbastante desgastadas. No território brasileiro, os escudos cristalinos correspondem 
a 36% da área total e dividem-se em duas grandes porções: o Escudo das Guianas 
(norte da Planície Amazônica) e o Escudo Brasileiro (porção centro-oriental 
brasileira).
6 AS PRINCIPAIS FORMAS DE RELEVO TERRESTRE
No que tange ao relevo terrestre, podemos destacar quatro formas 
fundamentais: as cadeias de montanhas, os planaltos, as depressões e as planícies. 
Além de suas características estruturais, a gênese e o desgaste são importantes 
elementos utilizados para diferenciar as principais formas de relevo. 
TÓPICO 2 | COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO
123
6.1 CADEIAS DE MONTANHAS
As cadeias de montanhas, os planaltos e as depressões relativas são 
constantemente erodidos pelos agentes exógenos, enquanto as planícies e as 
depressões absolutas recebem sedimentos das áreas mais elevadas. Conheça 
algumas características dessas principais formas de relevo.
As informações que seguem, as quais fazem alusão às formações 
montanhosas, foram extraídas do Dicionário Geológico-Geomorfológico, de 
Guerra e Guerra (1997, p. 436-437).
Montanha é uma grande elevação natural do terreno, com altitude 
superior a 300 metros e constituída por um agrupamento de morros. A orogênese 
é o ramo da geologia que estuda a origem e a formação das montanhas. 
As montanhas podem ser classificadas segundo alguns critérios:
a) Quanto à origem: montanhas de dobras; montanhas de falhas; montanhas 
vulcânicas e montanhas de erosão.
Esta classificação simplista, quanto à origem, tem apenas função 
didática para a sistematização de um conhecimento muito mais complexo das 
formas que aparecem na natureza. Os tipos, por exemplo, de montanha de 
dobra e de falha, dificilmente podem ser separados na natureza, pois é comum 
o aparecimento simultâneo de dobramentos e falhamentos, carreamento e, 
por vezes, até mesmo o vulcanismo, por ocasião da manifestação das forças 
orogênicas.
Quanto às montanhas de erosão, restringem-se, mais especialmente, 
a testemunhos e são de pequena extensão. Não se deve considerar as formas 
resultantes do trabalho erosivo, pondo em destaque as estruturas produzidas 
pelo tectonismo e pelo vulcanismo (montanhas de deslocamento e vulcânica), com 
montanhas de erosão, pois aquelas têm grande extensão.
A montanha típica é uma grande elevação de terreno, que foi formada 
por forças tectônicas, isto é, orogênese. Nas montanhas típicas encontra-se, por 
conseguinte, uma série de dobras e falhas. Como exemplo, podemos citar a 
Cordilheira dos Andes, que se estende por todo o oeste da América do Sul. Esta 
cordilheira é bem diferente das chamadas “serras” brasileiras. A Cordilheira 
dos Andes é uma típica cadeia orogênica jovem. Isto significa que foi pouco 
trabalhada pelos agentes de desgaste ou erosivos, diferentemente das serras 
brasileiras, cujo desgaste foi muito maior. No caso das chamadas “serras” 
brasileiras, as elevações são, de modo geral, de baixa altitude e os topos bastante 
regularizados pelo trabalho erosivo, principalmente pelas águas das chuvas e 
também pelos rios. Além do mais, as serras brasileiras não têm duas encostas 
tão nítidas, como acontece com a cadeia dos Andes, ou com as Montanhas 
124
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
Rochosas, na América do Norte, ou com as outras grandes cordilheiras da 
Europa (Alpes, Apeninos, Cárpatos e Pirineus); Ásia (Himalaia); África (cadeia 
do Atlas) etc. No Brasil o que se observa é a existência de grandes escarpamentos 
ou abruptos, como os da Serra do Mar ou da Mantiqueira, com um topo de 
relevo mais ou menos ondulado. A vertente oposta quase não existe, pois o 
planalto desce suavemente.
b) Quanto à idade: montanhas novas; montanhas velhas e montanhas 
rejuvenescidas.
As montanhas novas são aquelas que têm formas aguçadas, cuja 
origem ocorreu, de modo geral, na era terciária. Quanto às montanhas velhas, 
são aquelas que já sofreram o trabalho de vários ciclos de erosão, tendo suas 
formas e suas altitudes bastante suavizadas e rebaixadas. As montanhas 
rejuvenescidas são aquelas que, depois de modeladas pela erosão, sofreram 
nova movimentação orogenética, dando novamente formas aguçadas.
c) Quanto à altitude: no que concerne à altitude, as montanhas podem ser 
classificadas de modo geral em duas categorias:
Montanhas baixas → são aquelas cujo relevo relativo apresenta 
desnivelamentos que oscilam de 300 a 900 metros, medidos numa área de 100 
km².
Montanhas altas → são aquelas que apresentam desnivelamentos 
relativos superiores a 900 metros, medidos numa área de 100 km².
Cabe lembrar que as cadeias de montanhas constituem grandes elevações da 
crosta terrestre, as quais apresentam um relevo mais acidentado, com encostas íngremes 
e vales profundos, originadas pelos dobramentos modernos. As montanhas são formações 
mais recentes, cujo processo erosivo não ocasionou modificações significativas nas suas 
formas.
IMPORTANT
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As cordilheiras são geralmente compreendidas como grandes cadeias de 
montanhas, e/ou um conjunto de montanhas, como, por exemplo, as já citadas 
anteriormente, Cordilheira dos Andes (América do Sul), Montanhas Rochosas 
(América do Norte), os Alpes (Europa), Atlas (África) e Himalaia (Ásia). Estas 
são também denominadas de dobramentos modernos, pois se formaram na era 
Cenozoica. Observe o mapa a seguir e procure identificá-las. Antes, observe a 
formação correspondente às Montanhas Rochosas.
TÓPICO 2 | COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO
125
FONTE: Disponível em: <http://geographicae.files.wordpress.com/2007/05/rockymountains.
jpg>. Acesso em: 27 jul. 2010.
FIGURA 70 – MONTANHAS ROCHOSAS
126
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
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TÓPICO 2 | COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO
127
6.2 PLANALTOS
São relevos geralmente aplainados, situados em altitudes variáveis. 
Também podem ser chamados de platôs. Destacam-se em relação às áreas 
circundantes. As bordas dos planaltos são irregulares e apresentam saliências e 
reentrâncias resultantes da ação dos agentes erosivos (ação da água e do vento). 
Em virtude destes agentes, os planaltos correspondem às formações mais antigas 
do relevo terrestre. Podemos citar como exemplo o Planalto Central no Brasil, 
localizado em território dos Estados de Goiás, Minas Gerais, Tocantins, Mato 
Grosso e Mato Grosso do Sul.
É importante destacar que os planaltos, de acordo com a composição das 
rochas dos quais são formados, podem ser classificados em planaltos cristalinos, 
planaltos sedimentares e planaltos basálticos. Vejamos algumas características 
de cada um deles.
Planaltos cristalinos → podemos dizer que os planaltos cristalinos são 
considerados “restos” de antigas montanhas que foram desgastadas pelos agentes 
erosivos. São constituídos de rochas cristalinas ígneas intrusivas e também 
metamórficas. Um exemplo desse tipo de formação é o planalto de Campos do 
Jordão, em São Paulo, e o de Borborema, no Nordeste. 
Planaltos sedimentares → foram originados de áreas de rochas 
sedimentares, que foram soerguidas por movimentos internos da crosta. O 
planalto do Maranhão-Piauí, no Nordeste, é um exemplo de planalto sedimentar.
Planaltos basálticos → são constituídos de rochas ígneas extrusivas ou 
vulcânicas. Para você ter uma ideia, o território brasileiro apresenta grandes 
extensões de planaltos basálticos, a exemplo do planalto meridional, no Sul do 
Brasil. 
O esquema a seguir ilustra planaltosconstituídos de camadas sedimentares 
ou de rochas cristalinas, os quais possuem superfície plana ou suavemente 
movimentada. Trata-se, em qualquer circunstância, de área mais elevada que as 
circunvizinhas e delimitada por declives.
128
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
FONTE: CRISTOFOLETTI, A. Análise Ambiental. São Paulo: Nacional, [s.d.].
FIGURA 72 – ESQUEMA DE FORMAÇÃO DE PLANALTOS
Dependendo da composição das rochas, os planaltos podem assumir diferentes 
formas, como, por exemplo, escarpas, chapadas e cânions.
IMPORTANT
E
6.3 PlANÍCIES
São áreas relativamente planas, geralmente extensas, e são formadas 
pela deposição dos sedimentos. De acordo com o Dicionário Geológico-
geomorfológico, existem também planícies que podem estar a mais de 1.000 
metros de altitude. São as chamadas planícies de nível de base local, ou planícies 
de montanhas.
As planícies são comumente drenadas por rios de escoamento lento e que 
descrevem cursos sinuosos (meandros). O “exame” de uma planície, do ponto de 
vista geológico, em sua parte superficial, revela a presença de rochas sedimentares 
relativamente recentes, na posição horizontal ou sub-horizontal. (GUERRA; 
GUERRA, 1997). Tomamos como exemplo as planícies brasileiras: Planície 
Litorânea, Planície Amazônica e Planície do Pantanal. Esta última é uma planície 
inundável de formação recente, cuja altitude média é de aproximadamente 110 
metros. Observe-a.
TÓPICO 2 | COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO
129
FONTE: Disponível em: <http://www.riobranco.org.br/arquivos/sites2008/6_agosto/grupo8/
Orc/Imagens/Pantanal%20mato%20grossense%202.jpg>. Acesso em: 20 jul. 2010.
As planícies podem ser classificadas, quanto à situação, em: planícies 
marítimas e/ou costeiras, continentais e lacustres. Em geral, as planícies ficam ao 
lado e abaixo dos planaltos e das montanhas, que são áreas onde há o predomínio 
da erosão. Podem estar associadas a várias origens, tais como: vales fluviais, 
sedimentos trazidos pelos ventos, geleiras, dentre outros.
Na figura a seguir você pode perceber que, delimitadas por declives, as 
planícies encontram-se em posições mais baixas que as áreas circunvizinhas. 
Assim, recebem os sedimentos oriundos das partes mais altas. Observe-a.
FIGURA 73 – PLANÍCIE DO PANTANAL
FONTE: CRISTOFOLETTI, A. Análise Ambiental. São Paulo, Nacional, [s.d.].
FIGURA 74 – ILUSTRAÇÃO DE UMA PLANÍCIE
130
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
6.4 DEPRESSÕES
São áreas rebaixadas em relação aos relevos circundantes. As depressões 
situadas abaixo do nível do mar são chamadas de depressões absolutas, a 
exemplo do Mar Morto, na Ásia, localizado a 396 metros abaixo do nível do mar. 
As depressões situadas abaixo das áreas que as circundam e acima do nível do 
mar são denominadas de depressões relativas.
As depressões podem ter dimensões, formas e origens bem variadas. 
Pode-se, por exemplo, chamar um vale de depressão longitudinal em relação ao 
relevo circundante. Outro exemplo é uma fossa tectônica. 
Segundo Guerra e Guerra (1997), do ponto de vista geomorfológico é 
importante destacar também as depressões das frentes de cuestas, depressões 
subsequentes e as depressões de circundesnudação periférica, que é a zona 
deprimida entre o maciço das rochas cristalinas ou cristofolianas e a estrutura 
sedimentar inclinada da cuesta, como, por exemplo, a depressão periférica 
paulista. 
Vejamos a classificação de depressões, quanto à sua origem, do professor 
José A. P. Domingues (apud GUERRA; GUERRA, 1997).
Depressões originadas por simples deslocamentos locais de terreno:
a) Devido à larga deformação de natureza sinclinal, podendo nelas formar-se 
outras depressões. Ex: Mar Cáspio, Mar Aral.
b) Abaixamento de um fragmento da crosta terrestre devido a um sistema de 
fraturas. Ex.: série dos grandes lagos africanos.
c) Depressões devidas a um bombeamento.
d) Por falhas no caso de um deslocamento horizontal.
Depressões formadas por remoção do material da superfície:
a) Por escavamento ao longo de uma calha fluvial.
b) Por dissolução da rocha, podendo essa dissolução ser superficial ou subterrânea. 
Pode haver mesmo a formação de depressão devido a um desabamento após 
a dissolução do terreno subjacente. Formação de “panelas” de decomposição 
e cacimbas.
c) Depressão subsequente e de circundesnudação periférica.
d) Devido a ações periglaciárias ou glaciárias.
TÓPICO 2 | COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO
131
Depressões formadas por barragens:
a) Barragem devido a um desmoronamento.
b) Barragem de um rio por material trazido por um afluente, formando-se um 
cone de dejeção sobre o rio principal.
c) Barragem devido ao abandono de meandros.
d) Barragens formadas por ações periglaciárias ou glaciárias.
e) Barragens formadas por um derrame de lavas.
f) Autobarragem por cursos d’água.
g) Barragens formadas por ações dos animais (castores).
h) Barragens de um vale por dunas.
i) Barragens por um dique marginal.
Casos especiais:
a) Depressões das crateras vulcânicas.
b) Depressão causada por queda de meteoritos.
c) Depressão formada devido à topografia plana e à ação conjunta de vários 
outros fatores.
d) Ação humana.
Na ilustração a seguir você consegue distinguir claramente a ocorrência 
de uma depressão absoluta e uma depressão relativa.
132
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
FONTE: CRISTOFOLETTI, A. Análise Ambiental. São Paulo, Nacional, [s.d.].
Vejamos na figura a seguir o perfil das principais formas do relevo 
terrestre. Observe as formas de planície, planalto, depressão absoluta, montanha 
e depressão relativa.
FONTE: Almeida e Rigolin (2005)
É importante ressaltar que, associadas às principais formas de relevo 
terrestre, encontraremos outras formas, a exemplo das serras, chapadas, morros, 
colinas, espigão, dentre outras.
FIGURA 75 – ILUSTRAÇÃO DE UMA PLANÍCIE
FIGURA 76 – PRINCIPAIS FORMAS DE RELEVO TERRESTRE
TÓPICO 2 | COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO
133
Para aprofundar seu conhecimento sobre as várias características do relevo, 
acesse o site <http://www.funape.org.br/geomorfologia/cap1/index.php>.
DICAS
7 A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO SUBMARINO
7.1 PLATAFORMA CONTINENTAL
No caderno de Geografia Física você estudou que a crosta da Terra 
está dividida em crosta continental e crosta oceânica. Estima-se que a área da 
crosta terrestre recoberta pelos oceanos representa aproximadamente 70% da 
superfície total, sendo que o Oceano Pacífico constitui o maior corpo aquoso, 
com uma área de cerca de 180 milhões de Km², ou seja, 53% da área oceânica. 
A profundidade média dos oceanos é de aproximadamente 3.870 metros, sendo 
que as maiores profundidades estão localizadas no Challenger Deep (11.037), nas 
Fossas Marianas, no Oceano Pacífico. Este, em relação aos demais oceanos, é o 
que possui maior profundidade média (4.282), com cerca de 87% de seus fundos 
localizados a profundidades superiores a 3.000 metros. (TESSLER; MAHIQUES, 
2009). 
De acordo com a profundidade, o relevo submarino, e/ou também 
denominado relevo batimétrico, pode ser classificado em várias formas, com 
características próprias. A saber.
As plataformas continentais correspondem às extensões submersas dos 
continentes, apresentando pequena declividade rumo ao alto-mar. Segundo 
Tessler e Mahiques (2009, p. 378), as plataformas continentais “são contíguas e 
largas em margens do tipo Atlântico, onde estão presentes como margens passivas, 
a exemplo do encontrado no sudeste brasileiro, cuja plataforma continental pode 
apresentar largura de 160 km”. De acordo com o mesmo autor, as plataformas 
continentais do tipo Pacífico, localizadas em margens tectonicamenteativas, 
possuem larguras menores e são ladeadas por fossas submarinas, como é 
observado nas plataformas continentais do Peru e Chile.
Em média, as plataformas continentais atingem uma profundidade de 
200 metros a partir do nível do mar. É importante destacar que as plataformas 
continentais são de natureza essencialmente sedimentar.
134
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
7.2 TALUDE CONTINENTAL
O talude continental constitui uma unidade de relevo, também de 
construção sedimentar, que se inclina acentuadamente rumo aos fundos 
oceânicos, cuja profundidade é da ordem de aproximadamente 3.000 metros. Este 
tipo de relevo não é homogêneo, ocorrendo quebras de declividade e também, 
frequentemente, cânions e vales submersos. Os cânions submarinos são vales 
profundos, erodidos sobre a plataforma continental externa e o talude continental, 
atingindo, por vezes, a elevação continental. Na base dos taludes continentais, 
predominantemente em margens do tipo Atlântico, pode ocorrer uma unidade de 
relevo irregular e individualizada, sendo construída por sequências sedimentares, 
diretamente associadas aos processos de transporte e deposição de sedimentos 
que moldam as plataformas e taludes continentais, conhecida como Elevação ou 
Sopé Continental. (TESSLER; MAHIQUES, 2009). Esta se estende entre 3.000 e 
5.000 metros, apresentando declividades intermediárias entre as observadas nas 
plataformas e os taludes continentais.
7.3 REGIÃO E/OU PLANÍCIE ABISSAL
7.4 OUTRAS FORMAS DO RELEVO BATIMÉTRICO
As regiões e/ou planícies abissais são áreas extensas e profundas, de 
relevo relativamente plano, estendendo-se da base das elevações continentais 
até os relevos íngremes e abruptos das cordilheiras oceânicas, cuja profundidade 
é superior a 5.000 metros. Esses compartimentos, que constituem as maiores 
extensões territoriais dos relevos do fundo de todos os atuais oceanos, são 
localmente interrompidos pela presença de uma série de montes submarinos, ou 
montanhas submarinas, que correspondem às elevações isoladas; podem atingir 
mais de 1.000 metros de altura. A parte emersa das irregularidades do relevo das 
planícies abissais constitui as ilhas oceânicas.
Além das formas do relevo submarino mencionadas anteriormente, 
não podemos deixar de destacar as fossas submarinas, as dorsais oceânicas, os 
montes marinhos, guyots, as ilhas vulcânicas e as bacias oceânicas. Vejamos, 
simplificadamente, cada uma dessas formas.
Fossas submarinas → constituem depressões alongadas e estreitas, com 
laterais de altas declividades. A fossa submarina é uma importante feição presente 
nas zonas de subducção de placas litosféricas (se necessário, retome o estudo do 
caderno de Geografia Física).
Dorsais oceânicas → são grandes cadeias de montanhas que existem 
no fundo dos oceanos (se necessário, retome o estudo do caderno de Geografia 
Física). Seus picos podem aparecer em forma de ilhas, como o arquipélago dos 
Açores, no Oceano Atlântico. 
TÓPICO 2 | COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO
135
Montes marinhos → são montanhas submersas cujos picos não afloram à 
superfície. 
Guyots → são antigas ilhas cujos topos foram abaixados pela erosão e 
estão submersos.
Ilhas vulcânicas → são topos de vulcões submarinos que alcançam 
a superfície, formando ilhas ou arco de ilhas (retome o estudo do caderno de 
Geografia Física). 
Bacias oceânicas → correspondem ao leito dos oceanos, excluindo as 
cordilheiras e as fossas.
A figura a seguir ilustra algumas das formas de relevo submarino 
mencionadas. Observe-as.
FONTE: Almeida e Rigolin (2005)
FIGURA 77 – FORMAS DO RELEVO SUBMARINO
O nível do mar marca o limite entre o relevo continental e o relevo submarino. O 
zero é utilizado para determinar as medidas de altitude e profundidade. O relevo continental, 
com altitudes acima do nível do mar (exceção das depressões absolutas), é chamado de 
relevo hipsométrico. Já o relevo submarino é denominado relevo batimétrico.
IMPORTANT
E
136
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico você estudou que: 
• As bacias sedimentares são depressões preenchidas com detritos carregados 
das áreas circundantes. 
• O relevo tabuliforme é caracterizado por uma sequência de camadas 
sedimentares horizontais ou sub-horizontais, associadas ou não a derrames 
basálticos intercalados. 
• Cuesta é uma forma de relevo dissimétrico constituída por uma sucessão 
alternada das camadas com diferentes resistências ao desgaste e que se inclinam 
numa direção, formando um declive suave no reverso, e um corte abrupto ou 
íngreme na chamada frente de cuesta.
• Hog-back corresponde a uma estrutura inclinada semelhante à de uma cuesta, 
mas na qual o mergulho das camadas é geralmente superior a 30º.
• O relevo do tipo dômico corresponde a uma estrutura circular resultante de 
atividade intrusiva que provocou arqueamento da paleomorfologia, com 
consequente elaboração de abóbada topográfica. 
• O relevo do tipo apalachiano compreende uma série de dobras com expressivo 
paralelismo entre as cristas e os vales.
 
• O relevo jurássico é o resultado da evolução morfológica de uma estrutura 
dobrada, onde a intercalação de camadas de diversas resistências e as atividades 
morfogenéticas em diferentes condições climáticas respondem pela inversão 
do relevo.
• O escarpamento de falhas corresponde a paredões de forma mais ou menos 
abrupta, em função da idade da falha e do clima da região.
• As depressões estruturais ocasionadas por falhamentos são denominadas de 
graben (blocos rebaixados) ou fossa tectônica.
• Os horsts, ou também denominados de muralha ou ainda pilares, correspondem 
às elevações estruturais alongadas salientes em relação ao relevo contíguo.
• Os escudos antigos ou maciços cristalinos são imensos blocos de rochas antigas. 
• As principais formas de relevo são: as cadeias de montanhas, os planaltos, as 
depressões e as planícies.
• O relevo submarino pode ser classificado em várias formas, tais como: as 
plataformas continentais; o talude continental; as regiões e/ou planícies 
abissais; as fossas submarinas; as dorsais oceânicas; os montes marinhos; os 
guyots; as ilhas vulcânicas; e as bacias oceânicas.
137
AUTOATIVIDADE
1 O relevo pode ser caracterizado por superfícies diferenciadas. A partir desta 
diferenciação, relacione os tipos de relevo destacados, com suas respectivas 
características:
1. Bacia sedimentar.
2. Relevo tabuliforme.
3. Cuesta.
4. Hog-back.
5. Domo.
6. Apalachiano.
7. Escarpamento de falhas.
( ) É caracterizado por uma sequência de camadas sedimentares horizontais 
ou sub-horizontais, associadas ou não a derrames basálticos intercalados.
( ) Define uma estrutura inclinada, cujo mergulho das camadas é geralmente 
superior a 30º.
( ) Compreende uma série de dobras com expressivo paralelismo entre as 
cristas e os vales.
( ) É uma depressão preenchida com detritos carregados das áreas circundantes.
( ) É uma forma de relevo dissimétrico constituída por uma sucessão alternada 
das camadas com diferentes resistências ao desgaste e que se inclinam 
numa direção, formando um declive suave no reverso, e um corte abrupto 
ou íngreme.
( ) Corresponde a uma estrutura circular resultante de atividade intrusiva que 
provocou arqueamento da paleomorfologia, com consequente elaboração 
de abóbada topográfica.
( ) Corresponde a paredões de forma mais ou menos abrupta, em função da 
idade da falha e do clima da região.
A sequência CORRETA é:
a) 7 – 5 – 3 – 1 – 6 – 4 – 2. 
b) 2 – 4 – 6 – 1 – 3 – 5 – 7. 
c) 4 – 3 – 2 – 1 – 6 – 5 – 7. 
d) 1 – 5 – 3 – 2 – 7 – 4 – 6.
2 No que tange ao relevo terrestre, podemos destacar quatro formas 
fundamentais: as cadeias de montanhas, os planaltos, as depressões e as 
planícies. Acerca destas formas do relevo, coloque Vpara as afirmativas 
verdadeiras e F para as falsas e em seguida assinale a sequência CORRETA:
( ) A Cordilheira dos Andes é considerada uma típica cadeia orogênica jovem.
( ) Os planaltos correspondem às formações mais antigas do relevo terrestre.
138
( ) As planícies correspondem às áreas relativamente planas, geralmente 
extensas, e são formadas pela deposição dos sedimentos.
( ) As chamadas planícies de base local, ou planícies de montanhas, podem 
estar a mais de 1.000 metros de altitude.
( ) As depressões situadas abaixo do nível do mar são chamadas de depressões 
absolutas, a exemplo do Mar Morto, na Ásia, localizado a 396 metros abaixo 
do nível do mar.
a) V – F – V – F – V. 
b) F – V – V – V – V. 
c) V – V – V - V – V. 
d) F – F – F – V – V. 
3 Você pôde verificar que o relevo submarino, e/ou também denominado relevo 
batimétrico, pode ser classificado em várias formas, com características 
próprias. A partir deste estudo, analise as afirmativas a seguir: 
I- Estima-se que a área da crosta terrestre recoberta pelos oceanos representa 
aproximadamente 70% da superfície total.
II- As plataformas continentais correspondem às extensões submersas dos 
continentes, apresentando pequena declividade rumo ao alto-mar.
III- Os cânions submarinos são vales profundos, erodidos sobre a plataforma 
continental externa e o talude continental, atingindo, por vezes, a elevação 
continental.
IV- A fossa submarina é uma importante feição presente nas zonas de subducção 
de placas litosféricas.
V- As regiões e/ou planícies abissais constituem as maiores extensões 
territoriais dos relevos do fundo de todos os atuais oceanos.
a) Estão corretas somente as afirmativas I, II e III.
b) Estão corretas somente as afirmativas III, IV e V.
c) Estão corretas somente as afirmativas II e IV.
d) Todas as afirmativas estão corretas.
4 Diante do que foi exposto neste tópico, como você descreveria o relevo onde 
reside? Observe atentamente o relevo à sua volta e tente descrevê-lo. Você 
poderá também fotografá-lo e levar as imagens para socializar com a turma.
139
TÓPICO 3
A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
A Geografia é uma ciência fascinante, pois proporciona a compreensão 
da formação do planeta Terra com as atuais características de clima, posição dos 
continentes e oceanos, formação dos grandes ecossistemas, formação do relevo; 
isto, apenas para falar dos aspectos físicos, ou o que chamamos de Geografia Física. 
Um leigo, ao olhar a superfície terrestre, vê apenas planícies, depressões, 
morros, montanhas, rios, lagos etc.; ou seja, não compreende a origem, o tempo 
geológico necessário, bem como os fatores que influenciaram na formação dos 
cenários mais belos da Terra, as paisagens mais deslumbrantes. 
Neste tópico, ao abordarmos a Geomorfologia Brasileira, mencionaremos 
os principais pesquisadores que deram início à compreensão do relevo brasileiro 
e suas contribuições científicas para o estudo desta ciência. 
Conheceremos os diferentes tipos de relevo que formam o território 
brasileiro, sua classificação, segundo os estudiosos, e a razão pela qual as altitudes 
no Brasil são modestas, ou seja, 85% do território encontra-se na altitude de 0 a 
600 metros. 
Outro aspecto que chama a atenção no relevo brasileiro é o fato de não 
existir vulcões em atividade ou adormecidos, tampouco existem terremotos de 
grandes proporções, e, quando ocorrem, são tremores de baixa intensidade, 
provocados pela acomodação de pequenas falhas geológicas.
Diferente de outros países considerados continentais, como Rússia, 
Canadá, China, EUA, que também possuem grandes territórios - entretanto, boa 
parte destes é ocupada por áreas inabitáveis, como: desertos, geleiras eternas, 
áreas de instabilidade geológica, grandes cordilheiras etc -, o território brasileiro, 
ao contrário, é quase totalmente habitável e ainda leva a vantagem de possuir 
a maior floresta equatorial. Divide com os demais países da América do Sul as 
duas maiores bacias hidrográficas do planeta, além de possuir solos férteis, o que 
favorece atividades como agricultura e pecuária.
A desvantagem de possuir tanto território habitável, com essa enormidade 
de recursos naturais disponíveis, é que não há uma barreira natural que impeça 
a destruição de ecossistemas frágeis como o Pantanal, a Floresta Amazônica, a 
Mata Atlântica, o Cerrado, apenas para citar os mais importantes. 
 
140
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
Enfim, o estudo da Geografia é sempre uma fascinante viagem a alguma 
parte deste lindo planeta que é a Terra. Neste tópico vamos viajar pelo relevo 
brasileiro e descobrir a gênese e evolução de suas formas.
2 A ESTRUTURAÇÃO DA GEOMORFOLOGIA NO BRASIL
2.1 AS BASES CONCEITUAIS DA GEOMORFOLOGIA 
BRASILEIRA
A Geomorfologia surgiu a partir do estudo de geólogos e geógrafos que 
procuraram compreender a formação do relevo terrestre.
No Brasil não foi diferente, entretanto, nas últimas décadas os mais 
renomados geomorfólogos em nosso país tiveram origem na Geografia, como 
são os casos de Aziz Nacib Ab’Saber; João José Bigarela; Antônio Christofoletti, 
entre outros. 
Apesar do estudo da geomorfologia ter avançado muito nas últimas cinco 
décadas, a valorização dos conhecimentos geomorfológicos só ganhou importância 
com o aumento da relevância das questões ambientais, principalmente no que 
diz respeito à análise ambiental. 
 Segundo Marques (2009 p. 37),
 Ab’Saber (1958) define a época que se segue a 1940 como sendo a de 
implantação de “técnicas modernas”, colocando a publicação do trabalho de 
Emmanuel de Martonne (1940), relativo aos problemas morfológicos do Brasil 
tropical atlântico, como marco inicial. A partir desse momento, a geomorfologia 
brasileira começa a ter maior participação de geógrafos. A criação do Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1937, do qual fazia parte o 
Conselho Nacional de Geografia (CNG), e a expansão das faculdades de 
Filosofia, tiveram grande influência nesse sentido. Marcava-se, também, uma 
forte influência das escolas alemã, francesa e norte-americana.
Maior volume de trabalhos específicos de Geomorfologia aparece, 
marcando o início desse período: Guimarães (1943) e Azevedo (1949), 
reunindo e sintetizando os conhecimentos sobre o relevo brasileiro; Lamego 
(1945), estudando as lagoas costeiras do Estado do Rio de Janeiro; Maak (1947), 
trabalhando com a Geologia do Paraná, com observações relativas às ações 
climáticas do passado; Ruellan (1953), tratando das relações do escoamento 
pluvial com o modelado do relevo tropical; King (1956), abordando a 
Geomorfologia do Brasil oriental; Tricart (1959), estabelecendo uma divisão 
morfoclimática para o Brasil atlântico central. 
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA
141
A realização do XVIII Congresso Internacional de Geografia da UGI, no 
Rio de Janeiro, em 1956, foi um marco importante, pelo contato estabelecido 
com a produção internacional, de onde emanavam novas concepções teóricas 
e práticas que estimularam o desenvolvimento de muitas pesquisas no país. 
Nessa época, a forte influência que existia das concepções de William 
Morris Davis (1850-1934 - geógrafo norte-americano, despontou como o 
principal nome a ser lembrado na história da Geomorfologia) vai dando lugar 
às abordagens que destacam a importância da geomorfologia climática. As 
obras de Ab’Saber e Bigarella constituíram volumosas e preciosas contribuições 
nessa direção.
No final dos anos 60 ao início dos anos 70, abriram-se novos cenários 
para a Geomorfologia brasileira. Começam a ser incorporados os conceitos 
oriundos da Teoria Geral de Sistemas e, com eles, a aplicação das ideias relativas 
ao equilíbrio dinâmico. Elaborador e divulgador de vários trabalhos nessalinha, Antônio Christofoletti lança, em 1974, o livro intitulado Geomorfologia, 
voltado para o ensino, o qual incorpora e divulga a perspectiva sistêmica. Esse 
livro, ainda hoje, é um dos poucos produzidos em português que atende a 
objetivos didáticos. 
Também em 1974 é lançado o livro de Margarida Penteado, sob o 
título Fundamentos de Geomorfologia, destinado ao ensino, contendo exemplos e 
referências do que estava sendo produzido no país.
O projeto Radar da Amazônia (RADAM), posteriormente expandido 
para todo o país como projeto RADAMBRASIL, foi, sem dúvida, em nível 
mundial, um dos maiores já realizados de levantamento de recursos naturais 
que incluía os temas Geologia, Geomorfologia, solos, vegetação e uso potencial 
do solo. Durante mais de uma década, a partir de um primeiro, em 1973, 
foram sendo publicados novos volumes, contendo relatórios e documentação 
cartográfica (mapas temáticos), recobrindo todo o país, perfazendo, hoje, cerca 
de 40 volumes, cujas edições estão sob a responsabilidade do IBGE.
A partir da década de 1970, a geomorfologia passou a contar com uma 
importante ferramenta, já disponível em países desenvolvidos, ou seja, as imagens 
de satélites, que passaram a ser geradas com a criação do Instituto de Pesquisas 
Espaciais (INPE), disponibilizando imagens para usuários não vinculados a 
órgãos governamentais.
Originados de profissionais ligados à Geografia ou à Geologia, os 
conhecimentos geomorfológicos são fundamentais para atender a várias áreas de 
interesse da sociedade, tais como: análise ambiental; ocupação do território para 
expansão de cidades; construção de rodovias; portos; enfim, existe uma infinidade 
de aplicações para as informações geradas pelos estudos da geomorfologia 
que podem favorecer o equilíbrio nas relações entre o homem, a sociedade e a 
natureza.
 
142
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
Cabe destacar que a solução de problemas ambientais, gerados pela 
ocupação irregular de encostas, por exemplo, exige cada vez mais a atuação de 
profissionais de várias áreas, para se ter um olhar multidisciplinar ou uma visão 
sistêmica. 
Portanto, deslizamentos de encostas provocados pelo excesso de chuvas, 
como os que aconteceram em Blumenau/SC (2008); Angra dos Reis/RJ (2009/2010) 
e Rio de Janeiro/RJ (2010), poderiam ter sido evitados caso profissionais das áreas 
de Geologia, Geografia e Geomorfologia tivessem atuado sob a coordenação e 
financiamento do poder público, para apontar as áreas de risco, recomendando a 
desocupação ou a não ocupação, no caso de ser área destinada à expansão urbana.
Caro(a) acadêmico(a), embora a Geomorfologia esteja muito ligada à Geografia, 
uma vez que em muitos países ela surgiu através do estudo de geógrafos, esta é uma área de 
estudo também para geólogos, engenheiros ambientais, engenheiros florestais, agrônomos 
e todas as profissões que necessitam do conhecimento das formas de relevo, processos 
erosivos, qualidade de solo, comportamento da crosta terrestre, entre outros. 
NOTA
2.2 GEOMORFOLOGIA NO CONTEXTO DA GEOGRAFIA 
BRASILEIRA
Aziz Nacib Ab’Saber é reconhecidamente a maior autoridade no 
conhecimento da Geomorfologia brasileira e do estudo desta ciência dentro do 
contexto da Geografia. Transcrevemos a seguir trechos de um artigo intitulado:
“A História da Geomorfologia no Brasil: a contribuição de Aziz Nacib 
Ab’Saber”, de autoria de Rafaela Soares Niemann (2010): 
Rafaela Soares Niemann. Graduada em Geografia, IG-Unicamp. Campinas 
(SP),
Brasil. Bolsista de Iniciação Científica Pibic/CNPq/Unicamp. CP 6152, CEP 
13087-970.
Antonio Carlos Vitte. Departamento de Geografia, Programa de Pós-
Graduação em
Geografia, Unicamp. Campinas (SP), Brasil. CP 6152, CEP 13087-970. 
FONTE: Disponível em: <http://www.geo.ufv.br/simposio/simposio/trabalhos/trabalhos_
completos/eixo4/018.pdf>. Acesso em: 27 jul. 2010
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA
143
1. Introdução
Nos últimos anos, a literatura internacional relacionada à 
Geomorfologia vem registrando um intenso debate sobre os caminhos da 
Geomorfologia e da Geografia Física. Assim, por exemplo, Rhoads e Thorn 
(2002) registraram a necessidade de se realizar um balanço crítico sobre a 
história e a epistemologia da Geomorfologia, uma vez que a mesma apresenta 
problemas filosóficos e metodológicos que precisam ser equacionados 
urgentemente, pois a cada dia a Geomorfologia está sendo impregnada pela 
questão cultural e política. 
Para Gregory (2000), a Geomorfologia geográfica está descaracterizada 
na Geografia Física, pois a maior produção de Geomorfologia está acontecendo 
nas ciências naturais e multidisciplinares. E esse atraso, segundo Gregory (2000, 
2001), ocorre em função do forte impacto do pragmatismo na Geomorfologia, 
sendo que não há razão para não refletirmos sobre os conceitos e as práticas da 
Geografia Física e em particular pela Geomorfologia. O que podemos verificar 
é que, atualmente, o cenário internacional referente à produção da Geografia 
Física e em especial à produção da Geomorfologia vem merecendo um amplo 
debate sobre a situação da Geomorfologia na Geografia e suas relações com 
as ciências humanas e naturais. O que fica evidente é a enorme necessidade 
de se realizar estudos sobre a constituição histórica e epistemológica da 
Geomorfologia, o que irá auxiliar na redefinição dos cursos de Geografia e no 
próprio sentido de se fazer Geomorfologia no contexto da Ciência Geográfica.
É neste contexto que o presente trabalho pretende apresentar algumas 
considerações sobre a produção epistemológica de Aziz Nacib Ab’Saber, 
geógrafo responsável pela formação da Geomorfologia Geográfica no Brasil. 
O presente trabalho, como parte de nossa bolsa de Iniciação Científica (PIBIC/
CNPq/UNICAMP), fundamentou-se no trabalho de Vitte (2008), que realizou 
ampla pesquisa sobre a história da Geomorfologia no Brasil.
2. A contribuição de Aziz Nacib Ab’Saber para a formação da geomorfologia 
geográfica no Brasil
Segundo Vitte (2008), a Geomorfologia no Brasil desenvolve-se a partir 
da influência de Emanuel de Martonne e de Pierre Monbeig (ABREU,1994), 
que acabou favorecendo o desenvolvimento de uma perspectiva metodológica 
firme para a Geografia. Para Monbeig, a análise geográfica deveria produzir 
monografias regionais, em que a delimitação regional era dada a partir da 
relação entre o natural e o social.
Historicamente, este momento coincide com a expansão cafeeira no 
sudeste do Brasil, particularmente São Paulo, o processo de industrialização 
e urbanização de São Paulo e a mudança na órbita regional, particularmente 
entre o nordeste e o sudeste (OLIVEIRA, 1981; CANO, 1990). Ou seja, a 
Geomorfologia na USP e na antiga Universidade do Brasil desenvolveu-se a 
144
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
partir de uma leitura secundária do ciclo davisiano e particularmente na USP, 
com forte influência do método monbeiguiano, em que também a noção de 
história e ocupação era importante para delimitar uma região/compartimento.
Em 1958, Ab’Saber chamava a atenção para a enorme produção da 
Geomorfologia brasileira, fruto da expansão dos cursos de Geografia no Brasil 
e da interiorização do desenvolvimento econômico do país.
A partir da década de 1950, a Geomorfologia brasileira passará por uma 
grande ruptura paradigmática, com o surgimento da Teoria da Pediplanação, 
e, associada a grandes transformações no interior da Geologia, particularmente 
no que tange à sedimentologia e à estratigrafia, além do surgimento de novas 
técnicas de representação e de aquisição de informações, ocorrerá uma ruptura 
paradigmática na Geomorfologia brasileira. (VITTE, 2008).
A década de 1950, sob o ponto de vista político e econômico, é marcadano plano mundial pela intensificação da “Guerra Fria” e pela Revolução 
Chinesa. No Brasil é a fase de Juscelino Kubitschek de Oliveira (JK) e pela 
implantação das ideias nacional-desenvolvimentistas, com a construção de 
Brasília, a indústria automobilística e a abertura de rodovias.
Para as Ciências da Terra, a década de 1950 é declarada a década dos 
oceanos, em que pesquisadores das Ciências da Terra procuram, por meio do 
estudo dos sedimentos do fundo oceânico, desvendar os processos continentais. 
É o momento em que os conhecimentos da sedimentologia e da estratigrafia 
passam a auxiliar os estudos geomorfológicos. Some-se a este fato a descoberta 
das variações climáticas da Terra e a possibilidade de associar as evidências 
destas variações com os sedimentos continentais e, a partir daí, estabelecer 
uma idade para as formas de relevo. Ainda dos anos 50, temos o uso, ainda que 
tímido, das fotografias aéreas para as pesquisas geográficas e geomorfológicas, 
possibilitando uma visão tridimensional das formas e de suas associações em 
escalas, que associadas aos trabalhos de campo permitiriam construir hipóteses 
mais condizentes para explicar os fenômenos geomorfológicos em ambiente 
intertropical. (VITTE, 2008).
É neste contexto cultural que a comunidade brasileira de geomorfólogos 
entrará em contato com a Teoria da Pediplanação elaborada pelo geólogo sul-
africano Lester King (1956), que, segundo Abreu (1982), surgirá a partir da 
influência do congresso de Chicago de 1936, que foi dedicado à obra de Walter 
Penck. 
O início dos anos 50 até aproximadamente 1957 é marcado por um 
processo de transformação nas pesquisas geomorfológicas, não propriamente 
uma ruptura, mas uma fase de transição devido a obstáculos epistemológicos 
(BACHELARD, 1992), como, por exemplo, os trabalhos de geologia que estavam 
mais avançados no conhecimento empírico da realidade brasileira que os de 
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA
145
Geomorfologia, que, guiados por um modelo anacrônico e incompatível com a 
realidade tropical brasileira, acabavam por não propiciar avanços significativos 
sobre a gênese do relevo brasileiro.
Durante os primeiros sete anos da década de 50, intensos estudos 
regionais e com preocupações genéticas serão desenvolvidos por Fernando 
Flávio Marques de Almeida e Aziz Ab’Saber. Trabalhos esses propiciados por 
significativos avanços na geologia, pela divulgação no Brasil dos trabalhos 
realizados pelos franceses na África e principalmente pela influência das 
reflexões de Lester King e Von Englen, que se realizaram a partir de 1940, logo 
após o Congresso de Chicago, que discutiu a obra de Walter Penck. (ABREU, 
1982).
Um exemplo interessante desse momento da Geomorfologia brasileira 
é a tese de doutoramento de Aziz Ab’Saber, “Geomorfologia do Sítio Urbano 
de São Paulo”, defendida em 1957 (AB’SABER, 2007), tese orientada por Aroldo 
de Azevedo, tendo como um dos membros examinadores Fernando Flávio 
Marques de Almeida. Essa obra marca uma profunda transição e ao mesmo 
tempo uma reconstrução do modelo interpretativo do relevo e de sua gênese. 
(VITTE, 2008).
Não há uma ruptura paradigmática, mas a mudança interpretativa, 
propiciada por novas fontes bibliográficas, como no caso de Von Englen e 
principalmente pelos obstáculos que a geologia, particularmente os trabalhos 
de Ruy Osório de Freitas, chamavam a atenção e passavam a exigir trabalhos 
analíticos e de profunda correlação entre os elementos da natureza, como o 
papel da tectônica e das litologias na estruturação da drenagem e na definição 
do compartimento geomorfológico, no caso a bacia de São Paulo. 
Outra influência marcante no trabalho de Aziz é o texto de Fernando 
Flávio Marques de Almeida, “O Planalto Paulistano”, publicado em 1954 pela 
AGB no livro “A Cidade de São Paulo” (VITTE, 2008). A tese de doutorado de 
Aziz é paradigmática, pois nela, além da mudança de concepção sobre a gênese 
e evolução do relevo, percebe-se claramente um tímido ensaio metodológico 
que caminhará para o trabalho de Aziz de 1969 (A Geomorfologia a serviço das 
pesquisas do Quaternário). É um trabalho de Geomorfologia, mas de cunho 
essencialmente geográfico, visto que as preocupações do autor em construir 
uma espacialidade do relevo, a bacia de São Paulo, e, de sua gênese altamente 
complexa, mas preocupado também com as questões históricas voltadas para 
a construção do espaço, no caso o sítio urbano e, como o relevo influenciou 
decisivamente a opção da ocupação e a própria valorização imobiliária dos 
terrenos. 
No ano de 1956 realiza-se, no Rio de Janeiro, o Congresso da UGI, em 
que as discussões internas são intensificadas com as que se desenvolvem nos 
trabalhos de campo “pós-congresso”, que foram comandados por Jean Tricart, 
146
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
Jean Dresch e Ab’Saber. O foco central das discussões foi o da problemática dos 
materiais nas vertentes, principalmente para os paleopavimentos detríticos e o 
seu significado paleoambiental e geomorfológico. (VITTE, 2008).
É um trabalho que marca definitivamente o nascimento de um mestre 
da geografia brasileira, demonstrando claramente a influência de Deffontaines 
e de Monbeig com a preocupação regional e histórica e, do ponto de vista da 
Geomorfologia, as influências de Francis Ruellan, Von Englen, Jean Dresch e 
Tricart. 
No ano de 1964, João José Bigarella, engenheiro químico de formação 
e discípulo de Reinard Maack por opção e paixão, publicará um trabalho, 
“Variações Climáticas no Quaternário e suas Implicações no Revestimento 
Florístico do Paraná” (Bol. Paranaense de Geografia, n.10 a 15, 1964), que será 
um marco referencial muito importante para os estudos cronogeomorfológicos 
e, pela primeira vez no Brasil, será demonstrada a validade da teoria da biostasia 
e da resistasia para explicar a evolução do relevo brasileiro. (VITTE, 2008).
Nesse momento, Aziz trabalha na USP como assistente do professor 
Aroldo de Azevedo na cadeira de Geografia do Brasil, ao mesmo tempo em 
que o professor Kullmann leciona biogeografia para os alunos de Geografia e 
detalha hipoteticamente os mecanismos que poderiam explicar as diferenças 
fitogeográficas no território brasileiro. Esse é o momento em que será 
estruturada, sob o ponto de vista da Geomorfologia, a Teoria dos Refúgios e 
Redutos Florestais por Aziz em 1979, e ao mesmo tempo, a criação dos domínios 
morfoclimáticos do Brasil (AB’SABER, 1967), a partir de uma associação 
entre as formulações de Tricart e de Cholley com a sua noção de sistemas de 
erosão, mais as reflexões de Kullmann, Monbeig e Aroldo de Azevedo. (VITTE, 
2008). A Teoria dos Refúgios Florestais representa uma imensa revolução da 
Geomorfologia brasileira em contexto mundial, uma vez que Aziz imprime 
em sua elaboração como sendo condição sine qua non para compreendermos, 
de um lado, a complexidade do tecido biogeográfico brasileiro e, de outro, a 
própria especificidade dos ditos refúgios.
A partir da Teoria dos Refúgios Florestais, a Geomorfologia climática é 
dinamizada. Agora torna-se possível especificar as relações entre as variações 
do Wurm-Winsconsin, por exemplo, com a distribuição do tecido florestal, 
a existência e a persistência de formas de relevo e depósitos correlativos em 
ambientes morfoclimáticos distintos ou mesmo contrastantes com as condições 
atuais. (VITTE, 2008).
Estava constituída assim, uma das maiores revoluções na Geomorfologia 
climática mundial, da qual farão parte Aziz Ab’Saber, João José Bigarella e 
Maria Regina Mousinho, que em muitas ocasiões trabalharão conjuntamente, 
formando a estrutura política e científica que garantirá a manutenção do 
paradigma climático na interpretação do relevo brasileiro. (VITTE, 2008). 
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA
147
Assim, emfunção das especializações da Geologia, das novas técnicas e o 
cimento teórico-metodológico que foi a Teoria da Pediplanação e a Teoria da Bio-
Resistasia, os geógrafos-geomorfólogos foram despertados para o estudo dos 
materiais superficiais e principalmente para o possível papel das “Stones-lines” 
e cascalheiras enquanto registro das mudanças climáticas no Brasil. (AB’SABER, 
1962). No final dos anos de 1960 a Geomorfologia brasileira presencia duas 
grandes revoluções. Primeiramente, com Ab’Saber, que, fruto de uma longa 
reflexão e muita experiência em campo, que já começara durante a sua tese de 
doutoramento em 1957, irá publicar em 1969 o clássico trabalho “Um Conceito 
de Geomorfologia a Serviço das Pesquisas sobre o Quaternário”, um trabalho de 
cunho metodológico e que exerce influência nas pesquisas geomorfológicas até 
os dias atuais. (VITTE, 2008).
No trabalho de 1969, Ab’Saber apresenta a sua concepção de 
Geomorfologia, que para Abreu (1982) é um marco teórico e metodológico 
nos trabalhos de Geomorfologia e, ao mesmo tempo, em que coloca Ab’Saber 
como sendo aquele que incorpora e desenvolve as proposições da linhagem 
epistemológica germânica. (ABREU, 1982).
Para Ab’Saber (1969), a análise geomorfológica deve estar centrada no 
Quaternário. Esta análise envolve três etapas, sendo o relevo o produto de uma 
interação complexa que é tecida pelas forças endogenéticas e exogenéticas. 
Assim, em um trabalho de Geomorfologia, devemos considerar como 
primeiro nível de análise a “compartimentação topográfica”, que envolve não 
apenas a análise da topografia, mas principalmente a influência da geologia 
e da estrutura nesta compartimentação, que é regionalmente definida pelos 
remanescentes de aplainamentos. 
No segundo nível de análise, o geomorfólogo deve considerar a “estrutura 
superficial da paisagem”, que corresponde aos solos, mas principalmente aos 
colúvios, às rampas coluviais e, neste caso, a possibilidade de cascalheiras e 
“Stones-lines” não apenas no contato rocha-colúvio, mas inclusive com linhas 
embutidas no pacote coluvial. As análises físicas, químicas, micromorfológicas, 
permitem a dedução dos processos e a qualidade dos mesmos que atuaram na 
destruição ou mesmo no reafeiçoamento das formas pretéritas. (VITTE, 2008).
A correlação dos dois primeiros níveis permite já o estabelecimento de 
uma compartimentação das formas geneticamente homogêneas, com grande 
utilidade no planejamento ambiental.
O terceiro nível de análise de Ab’Saber (1969) é a “fisiologia da 
paisagem”, compreendida pelo autor como sendo a expressão do funcionamento 
atual da geoesfera. No caso, corresponde aos processos atuais que atuam no 
modelamento das formas.
148
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
Com esta proposição metodológica, Ab’Saber (1969) desprende-se dos 
problemas advindos com a adoção da taxonomia das formas de relevo, como 
as propostas por Tricart (1965). Agora, as formas são produto dos processos 
passados e dos atuais, em um quadro em que participam tanto a geologia 
quanto as forças climáticas e paleoclimáticas. (VITTE, 2008).
Apesar de poucos questionamentos ao modelo de Aziz e Bigarella, a 
década de 1960 foi fundamental para se construir um verdadeiro paradigma na 
Geomorfologia brasileira. Pois, montou-se uma estrutura teórica, metodológica 
e interpretativa do relevo e de seus processos, construindo, juntamente, uma 
verdadeira Geomorfologia geográfica. Onde a grande marca do modelo é o artigo 
de 1969 de Aziz, “A Geomorfologia a serviço das pesquisas do Quaternário”, 
que até hoje (2008) exerce forte poder nas pesquisas geomorfológicas do Brasil 
e nada mais foi construído em termos teóricos e metodológicos para se buscar 
análises mais precisas e profundas sobre a gênese do relevo brasileiro. (VITTE, 
2008). 
Talvez aí esteja um dos maiores problemas da Geomorfologia geográfica 
brasileira, pois esse modelo e esse método desenvolvido exerceram tamanho 
poder por gerações de geógrafos-geomorfólogos, ao longo do tempo, que a 
própria criatividade científica, por parte da Geografia, tenha sido afetada, a tal 
ponto que hoje estamos com enorme dificuldade de manter a Geomorfologia 
na Geografia e desenvolver modelagens mais apropriadas ao atual estágio de 
desenvolvimento científico do Brasil.
Você deve estar pensando que não é fácil estudar Geomorfologia, já que 
a formação e a alteração das formas de relevo estão sujeitas a muitos fatores diferentes. 
As dificuldades existiam, principalmente porque os pesquisadores se utilizavam de teorias 
científicas conhecidas na época, como a teoria mecanicista ou reducionista, formulada em 
meados do século XVII, que estuda os elementos da natureza de forma isolada. Por esta 
razão, muitos pesquisadores desta ciência passaram a se utilizar de teorias científicas mais 
recentes, entre elas a Teoria Geral de Sistemas, que analisa as partes não como algo fechado, 
mas como um sistema aberto, interagindo com muitos outros.
NOTA
3 ESTRUTURA GEOLÓGICA DO RELEVO BRASILEIRO
O território brasileiro possui altitudes modestas, contrastando com as 
altitudes de até 6.962 metros da Cordilheira dos Andes.
A razão destas diferenças ou contrastes está na origem da formação destes 
relevos. 
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA
149
Podemos dividir genericamente a estrutura geológica planetária 
continental da seguinte forma: 
• Escudos cristalinos ou núcleos cratônicos.
• Bacias sedimentares.
• Terrenos vulcânicos. 
• Dobramentos modernos.
 
O Brasil está inserido na plataforma continental sul-americana, que por 
sua vez fazia parte, há 200 milhões de anos, do mega-continente de Gondwana, 
unindo todas as terras emersas do Hemisfério Sul. 
Pelo fato de nosso país estar localizado no centro da plataforma sul-
americana, ou seja, distante das bordas onde existem as zonas de instabilidade 
geológica, não há em território brasileiro os dobramentos modernos, formados a 
partir do choque de placas tectônicas que deram origem às grandes cordilheiras.
Portanto, o território brasileiro é formado por escudos cristalinos (36%), 
bacias sedimentares (64%) e terrenos vulcânicos (8%); entretanto, a percentagem 
de terrenos vulcânicos não deve ser somada aos demais, tendo em vista que 
o derrame de lava ocorrido no Brasil cobriu áreas de relevo sedimentar muito 
antigo. 
Importante salientar que a maior parte da estrutura geológica brasileira é 
muito antiga; entretanto, as formas do relevo, em função do constante desgaste 
que sofre pela ação dos agentes internos e externos, são recentes.
Da mesma forma como podemos classificar de analfabeta uma pessoa que 
desconhece o alfabeto utilizado para construir a escrita do seu próprio idioma, podemos 
qualificar como um “analfabeto” geográfico alguém que observa uma paisagem e não 
identifica o tipo de vegetação, clima, relevo, geologia da região observada, agentes que 
contribuíram para a formação daquela paisagem. 
Portanto, compreender as formas de relevo, sua origem e classificação é um processo de 
“alfabetização” da paisagem.
ATENCAO
150
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
3.1 ESCUDOS CRISTALINOS OU NÚCLEOS CRATÔNICOS
O Brasil possui 36% de seu território formado por estruturas geológicas 
muito antigas, ou seja, os chamados escudos cristalinos, originados no Pré-
Cambriano (figura a seguir); sendo que 34% tiveram origem na era Arqueozoica, 
com idade de mais de 3 bilhões de anos, onde a existência de minerais para 
exploração economicamente viável é pequena.
Entretanto, em 4% do território brasileiro há escudos datados do 
Proterozoico, onde é comum a existência de minérios como o ferro, a bauxita, 
manganês, ouro, cassiterita, entre outros minerais metálicos.
FONTE: Disponível em: <https://www.cprm.gov.br/publique/media/gestao_territorial/geoparques/litoral/img/figura1.jpg>. Acesso em: 31 ago. 2018.
FIGURA 78 – AS ERAS GEOLÓGICAS NO BRASIL
Os escudos cristalinos são divididos em: 
• Escudo das Guianas – localizado ao norte da planície amazônica.
• Escudo brasileiro – localizado ao sul da planície amazônica, que por sua 
vez divide-se em: Sul-Amazônico, Atlântico, Araguaia-Tocantins, Sul-Rio-
Grandense, Gurupi e Bolívio-Mato-Grossense.
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA
151
3.2 BACIAS SEDIMENTARES
Formadas por depressões no relevo que ao longo de milhões de anos 
foram preenchidas por sedimentos, as bacias sedimentares escondem enorme 
riqueza de informações do passado da Terra, especialmente com respeito à flora, 
fauna, clima, origem dos sedimentos existentes em cada época etc.
O acúmulo de sedimentos com aumento de pressão e temperatura 
promoveu a compactação dos sedimentos e a formação das rochas sedimentares. 
Entre estes sedimentos formaram-se acúmulos de restos orgânicos que, após 
milhões de anos, originaram os depósitos de petróleo em fundos de mares ou 
antigos fundos de mares, e carvão mineral, originados em antigos fundos de 
lagos, pântanos etc. 
Portanto, minerais de origem orgânica como carvão e petróleo estão 
associados às rochas sedimentares. 
 
Desde tempos geológicos muito antigos, não existiram, em território 
brasileiro, movimentos tectônicos importantes. A prova está na disposição 
praticamente horizontal das camadas de sedimentos formados ao longo de 
milhões de anos. 
Em função da ação de agentes externos e internos, o relevo terrestre está 
em constante mudança; entretanto, nas bacias sedimentares estas mudanças são 
mais acentuadas devido à ação das chuvas e, principalmente, dos rios. 
As bacias sedimentares no Brasil ocupam 64% do território, ou seja, 
aproximadamente 5,5 milhões de km².
Segundo Jurandyr Ross (2005), bacias sedimentares como a do Pantanal 
Mato-grossense, parte ocidental da bacia amazônica e trechos do litoral nordeste 
e sul tiverem origem mais recente geologicamente falando, ou seja, no terciário 
e quaternário (Era cenozoica), com idade a partir de 63 milhões de anos. Já 
as grandes bacias sedimentares vão do Paleozoico (600 milhões de anos) ao 
Mesozoico, cerca de 230 milhões de anos. 
As principais bacias sedimentares do Brasil são: Amazônica; Meio Norte; 
Paraná, do Pantanal Mato-Grossense, do São Francisco ou Sanfranciscana e a 
litorânea; além de bacias secundárias e menores. 
152
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
3.3 TERRENOS VULCÂNICOS
4 AS CLASSIFICAÇÕES DO RELEVO BRASILEIRO
A maior ocorrência de agentes internos em território brasileiro, com 
ruptura da crosta terrestre, ocorreu no final da era Mesozoica, quando movimentos 
tectônicos provocaram a abertura de fendas na região que hoje conhecemos 
como Araxá e Poços de Caldas/MG, provocando gigantescos derrames de lava 
vulcânica, conhecidos como derrame de Trapp, cobrindo de basalto (rocha 
resultante da solidificação da lava vulcânica) grandes áreas que se estendem 
desde o sul de Minas Gerais, porções ocidentais dos Estados de São Paulo, Paraná, 
Santa Catarina e Rio Grande do Sul, atingindo áreas do Paraguai e Argentina. 
Estes derrames de basalto deram origem ao solo fértil conhecido por terra roxa.
Para compreendermos a classificação do relevo brasileiro feita pelos três 
mais importantes autores, é necessário termos clareza a respeito dos conceitos 
que os mesmos utilizam.
Independente da maneira como classificaram o relevo, todos utilizam os 
conceitos de planalto, planície e depressões. 
Portanto, antes de conhecermos as classificações dos autores, vamos 
compreender o que significa cada uma destas formas de relevo.
 
• Planalto – são formados pelas áreas onde a erosão e desgaste do relevo é maior 
do que o processo de acúmulo de sedimentos.
• Planícies – partes da superfície terrestre em que o acúmulo de sedimentos é 
maior do que a erosão, o que favoreceu a formação de relevos planos ou com 
poucas ondulações.
• Depressões: 
Absolutas: são aquelas que estão abaixo do nível do mar. No Brasil não existem 
depressões absolutas. No mundo um bom exemplo é o Mar Morto, 
que encontra-se na atualidade com 417 metros abaixo do nível do 
Mar Mediterrâneo. 
Relativas: correspondem às áreas de relevo rebaixadas em relação ao seu 
entorno, onde os processos erosivos superam a sedimentação.
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA
153
4.1 CLASSIFICAÇÃO DE AROLDO DE AZEVEDO
Acompanhe através da classificação de três diferentes autores, em épocas 
diferentes, a evolução do conhecimento do relevo brasileiro através da história. Mais do 
que estudar a classificação de relevo, é mergulhar no passado e colocar-se no lugar do 
pesquisador e perceber os recursos com que contava para realizar sua pesquisa e os critérios 
que utilizou para fazer a sua classificação.
Bom estudo.
ATENCAO
Esta classificação realizada pelo prof. Haroldo Azevedo (figura a seguir) é 
a mais antiga (1940) e a mais genérica, estabelecendo apenas duas classificações, 
ou seja, planalto e planície. 
Para diferenciar estas duas formas de relevo este se baseou na altitude. 
Assim sendo, as terras até 200 metros de altitude foram classificadas como 
planície e aquelas acima disto foram classificadas como planalto.
Seguindo este critério, a classificação do relevo brasileiro, segundo este 
autor, ficou da seguinte forma:
PLANALTOS: das Guianas e Brasileiro: subdividido em: Planalto Central; 
Planalto Atlântico e Planalto Meridional
PLANÍCIES: Planície amazônica;
 Planície do Pantanal;
 Planície costeira;
154
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/_hGJz9rvNVgc/SYpDafrVQhI/
AAAAAAAAADw/5lObHU9LIZ8/s400/Arldo+de+Azevedo+relevo.gif>. Acesso em: 17 jun. 2010.
FIGURA 79 – MAPA DO RELEVO: CLASSIFICAÇÃO DE AROLDO DE AZEVEDO
4.2 CLASSIFICAÇÃO DE AZIZ AB’SABER
É de autoria do Prof. Aziz Ab’Saber a classificação de relevo em planalto 
e planície, baseado nos processos de sedimentação e erosão. 
Diferente do Prof. Aroldo de Azevedo, que usou critérios altimétricos 
para classificar o relevo, o Prof. Aziz utilizou critérios morfoclimáticos, ou seja, 
a alteração das formas de relevo pela ação climática. Desta forma, a classificação 
deste autor fica assim definida (figura a seguir):
PLANALTOS: - das Guianas e Brasileiro: Subdividido em: 
- Central
- Meridional
- Nordestino
- Serras e planaltos do leste e Sudeste
- Maranhão-Piauí
- Uruguaio-Rio-Grandense 
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA
155
PLANÍCIES:
- Planícies e terras baixas amazônicas
- Planícies e terras baixas costeiras
- Planície do Pantanal
FONTE: Disponível em: <http://geologiabr.files.wordpress.com/2009/09/mapa-aziz.jpg>. Acesso 
em: 18 jun. 2010.
FIGURA 80 – MAPA DO RELEVO: CLASSIFICAÇÃO DE AZIZ AB’SÁBER
4.3 CLASSIFICAÇÃO DE JURANDYR ROSS
Em 1989, o Prof. do Departamento de Geografia da Universidade de São 
Paulo, Jurandyr Ross, propôs uma nova classificação, onde são consideradas três 
formas de relevos principais, que são: planaltos, planícies e depressões.
 
Esta nova divisão do relevo, mais detalhada, foi possível devido ao 
desenvolvimento de modernas técnicas de cartografia e, principalmente, à 
utilização das imagens de satélites, possibilitando a obtenção de características 
detalhadas da estrutura geológica, tipos de solos, relevo, vegetação, hidrografia 
do território brasileiro. 
Esta nova divisão do relevo apresentada pelo Prof. Jurandyr fundamentou-
se em três princípios, que são:
156
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
• Morfoestrutural – relativo à estrutura geológica
• Morfoclimático– relativo às formas do relevo e o clima
• Morfoescultural - diz respeito à modelação do relevo pela ação dos agentes 
externos como chuva, vento, temperatura etc.
Seguindo estes princípios, o Prof. Jurandyr Ross classificou o relevo 
brasileiro em 28 unidades, sendo 11 planaltos, seis planícies e 11 depressões, 
conforme descrição detalhada abaixo:
PLANALTOS: 
Para Jurandyr Ross (2003), os planaltos cobrem a maior parte do território 
brasileiro e são formados por rochas que resistiram à erosão, por esta razão são 
chamados de formas residuais. 
Cabe chamar a atenção para o fato de que esta classificação subdivide os 
planaltos em quatro subgrupos, de acordo com a sua origem:
Planaltos em Bacias Sedimentares: são aqueles planaltos delimitados por 
depressões periféricas, formados por rocha sedimentar. Fazem parte deste grupo 
o planalto da Amazônia oriental e os planaltos e chapadas do Paraná e da bacia 
do Parnaíba.
Planaltos em intrusões e coberturas residuais da plataforma: Também 
chamados de escudos, estes planaltos constituem as formações mais antigas, ou 
seja, na era Pré-Cambriana. Grande parte de suas áreas está coberta por rochas 
sedimentares. Como exemplo, podemos citar: os planaltos residuais Norte 
Amazônico. 
 
Planaltos em Núcleos Cristalinos Arqueados: consistem em planaltos 
distantes uns dos outros, porém possuem em comum as formas arredondadas. 
Exemplo deste grupo é o planalto da Borborema, localizado na parte oriental dos 
estados do Nordeste. 
Planaltos dos Cinturões Orogênicos: foram formados através da erosão 
sobre os dobramentos antigos existentes em território brasileiro, ocorridos na 
Era Pré-Cambriana. Os melhores exemplos deste grupo são: as serras do Mar, da 
Mantiqueira e do Espinhaço. 
PLANÍCIE
As planícies foram formadas a partir do terciário e quaternário, por esta 
razão sua sedimentação é recente. 
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA
157
Em relação às classificações anteriores, as áreas de planícies foram 
reduzidas. A razão é que parte do que era classificado pelos demais autores como 
planície, na visão do Prof. Jurandyr passou a ser depressão periférica. 
As seis planícies existentes foram classificadas em dois subgrupos, que 
são: 
Planícies Costeiras: localizadas ao longo do litoral brasileiro. 
Planícies Continentais: na Amazônia, apenas aquelas localizadas às 
margens dos rios são consideradas planícies. Outro exemplo é a planície do 
Pantanal. 
DEPRESSÕES
Consistem nas formas de relevo cuja altitude é inferior ao seu entorno, 
aparecendo escarpas quase verticais nas áreas de contato com os planaltos. A razão 
para o surgimento destas diferenças altimétricas que dão origem às depressões 
está na diferença dos tipos de rochas. Assim, as rochas menos resistentes à erosão 
deram origem às depressões, e as rochas mais resistentes formaram os planaltos.
O Prof. Jurandyr Ross identificou a existência de 11 depressões em 
território brasileiro, formando três grupos:
Depressões periféricas: aparecem nas áreas de contato entre as rochas 
sedimentares cristalinas, como é o caso da depressão periférica Sul-Rio-Grandense.
Depressões interplanálticas: são formadas pelas áreas mais baixas 
existentes entre os planaltos. Como exemplo, temos a depressão do São Francisco 
e a depressão Sertaneja.
Depressões marginais: Um bom exemplo é a depressão Sul-Amazônica, 
que foi esculpida em rocha cristalina, limitando as bordas das bacias sedimentares. 
Identifique no mapa a seguir (figura a seguir) os 11 planaltos, 11 
depressões e seis planícies identificados pelo Prof. Jurandyr Ross, que aparecem 
devidamente numerados. 
PLANALTOS
1. Planalto da Amazônia Oriental.
2. Planalto e Chapada da Bacia do Parnaíba.
3. Planalto e Chapada da Bacia do Paraná.
4. Planalto e Chapada dos Pareceis.
5. Planaltos Residuais Norte-Amazônico.
6. Planaltos Residuais Sul-Amazônico.
7. Planaltos e Serra do Atlântico-Leste-Sudeste.
158
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
8. Planaltos e Serras de Goiás-Minas.
9. Serras Residuais do Alto Paraguai.
10. Planalto da Borborema.
11. Planalto Sul-Rio-Grandense.
DEPRESSÕES
12. Depressão da Amazônia Ocidental.
13. Depressão Marginal Norte-Amazônica.
14. Depressão Marginal Sul-Amazônica.
15. Depressão do Araguaia.
16. Depressão Cuiabana.
17. Depressão do Alto Paraguai-Guaporé.
18. Depressão do Miranda.
19. Depressão Sertaneja e do São Francisco.
20. Depressão do Tocantins.
21. Depressão Periférica da Borda Leste da Bacia do Paraná.
22. Depressão Periférica Sul-Rio-Grandense.
PLANÍCIES
23. Planície do Rio Amazonas.
24. Planície do Rio Araguaia.
25. Planície e Pantanal do Rio Guaporé.
26. Planície e Pantanal-Mato-Grossense.
27. Planície da Lagoa dos Patos e Mirim.
28. Planícies e Tabuleiros Litorâneos.
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA
159
FONTE: Disponível em: <http://3.bp.blogspot.com/-d4SzzmMzZe4/TcbjWVnHdWI/AAAAAAAAAxg/
seDBrRQJUxQ/s1600/Mapa+de+Relevo+Jurandyr+Ross.jpg>. Acesso em: 31 ago. 2018.
FIGURA 81 – MAPA DO RELEVO: CLASSIFICAÇÃO DE JURANDYR ROSS
160
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
Podemos concluir que a classificação do relevo brasileiro, segundo 
os autores citados, é também resultado da evolução das técnicas de estudo 
e mapeamento do território brasileiro. Não há dúvida de que as imagens de 
satélites e as técnicas de geoprocessamento, bem como a riqueza de detalhes 
de informações obtidas do solo, rocha e relevo, permitiram ao Prof. Jurandyr 
detalhar melhor as unidades do relevo do país, incluindo aí as depressões, não 
mencionadas pelos autores que o precederam.
5 HIPSOMETRIA DO BRASIL
Ao analisarmos o mapa do relevo abaixo, cuja hipsometria está 
representada em cores, comprova-se o que afirmamos no início deste tópico, ou 
seja, o território brasileiro possui altitudes modestas.
FONTE: Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Brazil_topo.jpg>. Acesso em: 17 
jun. 2010.
FIGURA 82 – MAPA DO RELEVO BRASILEIRO
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA
161
A maior altitude não chega a três mil metros, como é o caso do Pico da 
Neblina, com 2.993,70 metros acima do nível do mar, localizado no município de 
São Gabriel (AM), na Serra do Imeri, fronteira do Brasil com a Venezuela.
Dados antigos forneciam uma altitude de 3.014 metros, entretanto, 
técnicas mais modernas, como GPS, forçam um dado mais realista.
Na sequência, temos o Pico 31 de Março, com 2.972,66 metros, localizado 
no mesmo Parque Nacional do Pico da Neblina, na divisa com a Venezuela.
 
O terceiro maior pico do Brasil é o Pico Bandeira, com 2.891,98 metros, 
situado no Parque Nacional da Serra do Caparaó, entre os Estados do Espírito 
Santo e Minas Gerais. 
Em quarto lugar está o Pico do Calçado, com 2.849 metros de altitude, 
também localizado no Parque Nacional da Serra do Caparaó, divisa entre os 
Estados do Espírito Santo e Minas Gerais.
A Pedra da Mina, localizada na Serra da Mantiqueira, Estado de São 
Paulo, é o quinto de maior altitude, com 2.798,36 metros acima do nível do mar.
Podemos destacar ainda os seguintes picos:
Pico das Agulhas Negras, com 2.792,66, localizado na Serra da Mantiqueira, 
divisa entre SP/MG/RJ.
Pico do Cristal, sétima maior montanha do Brasil, com 2.769,76 metros, 
localizado no Parque Nacional do Caparaó.
O Monte Roraima aparece em oitavo lugar, com 2.734,06 metros. Está 
localizado na Serra de Pacaraima, Estado de Roraima, no extremo norte do país.
Com altitudes modestas, ausência de desertos, geleiras eternas, 
cordilheiras, vulcões e áreas sujeitas a terrenos, não existem em território brasileiro 
áreas anecúmenas, ou seja, onde é impossível ao homem viver. 
Ao contrário, em sua maior parte as terras são agriculturáveis,com 
solos férteis ou passíveis de recuperação, o que tem contribuído para o avanço 
da devastação sobre os domínios morfoclimáticos brasileiros, tornando difícil 
a preservação de ecossistemas importantes, como a Floresta Amazônica, Mata 
Atlântica, Pantanal Mato-grossense, Cerrado, além de ecossistemas menores, cuja 
única forma de preservação tem sido através da criação de Zonas de Preservação, 
sejam estes municipais, estaduais, federais ou particulares.
162
UNIDADE 2 | GEOMORFOLOGIA LITORÂNEA E CÁRSTICA; A COMPARTIMENTAÇÃO DO RELEVO E A GEOMORFOLOGIA BR.
LEITURA COMPLEMENTAR
PERSPECTIVAS DA GEOMORFOLOGIA 
A melhor compreensão do significado das formas e processos 
geomorfológicos é, na verdade, uma diretriz que sempre será perseguida. Pelos 
vários caminhos em que se subdivide a Geomorfologia deverão continuar surgindo 
contribuições que ampliarão o nível do conhecimento atual, como vem ocorrendo 
ao longo da história. Subdivisões nascidas por diferentes critérios existem e 
formam conteúdos que retratam as suas especificidades, seguindo, entretanto, 
a mesma diretriz comum a todas: Geomorfologia Estrutural; Geomorfologia 
Climática; Geomorfologia Costeira; Geomorfologia Continental; Geomorfologia 
Regional; Geomorfologia Aplicada; Geomorfologia Dinâmica ou Funcional, ou 
dos Processos (fluviais, eólicos, costeiros, glaciais, cársticos, de meteoração e das 
vertentes) e Geomorfologia do Quaternário.
Atualmente, novas subdivisões podem ser cogitadas e fundamentadas, 
como, por exemplo, Geomorfologia Antrópica – destacando a ação do homem; 
Geomorfologia Urbana – destacando a ação dos processos sobre um ambiente 
artificial; Geomorfologia Submarina – para as áreas cobertas pelos mares e 
oceanos; Geomorfologia Ecológica – interações de processos e formas com os 
componentes dos ecossistemas; Geomorfologia Planetária – viabilizada pelo 
uso do sensoriamento remoto, envolvendo estudos da superfície da Terra, Lua e 
planetas (VITEK & RITTER – 1989); ETC.
Na formação do geomorfólogo está havendo cada vez mais a necessidade 
de aprendizado da Física, Química, Matemática, Estatística e Computação. A 
existência de um leque amplo de temáticas de interesse da Geomorfologia deve 
conduzi-lo a obter conhecimentos básicos, oriundos de diferentes disciplinas.
Como vem ocorrendo em todas as áreas, estimular a cooperação 
interdisciplinar é fundamental para aprimorar e fazer avançar o seu conhecimento 
na interpretação dos processos e formas de relevo.
Em seu trabalho, novas ferramentas são disponíveis e apresentam 
aprimoramentos constantes. Os sistemas de tratamento digital de imagens de 
satélite oferecem novos recursos para a observação do relevo, implementação 
de classificações, acompanhamento, ao longo do tempo, de modificações das 
características de uma área e maior precisão, a partir do aumento do nível de 
resolução das imagens. Os sistemas geográficos de informações permitem 
armazenar e manusear, de diferentes modos, grande quantidade de informações, 
aferidas as suas posições geográficas, e recuperá-las, principalmente, sob 
a forma de mapas diversos, com níveis cada vez maiores. Computadores 
apresentam recursos de uso dos mais avançados. Instrumentos e equipamentos 
para trabalhos de campo e laboratório são construídos para melhor atender 
TÓPICO 3 | A GEOMORFOLOGIA BRASILEIRA
163
necessidades diversas, apresentando alta sensibilidade e precisão. A expansão das 
telecomunicações permite a construção de redes para internet com intercâmbio 
de dados e informações.
Os recursos disponíveis favorecem a implementação e o aprimoramento de 
vários métodos de trabalho. No campo experimental, áreas são instrumentalizadas, 
possibilitando acompanhar a atuação dos processos que ali ocorrem ou que são 
simulados, como, por exemplo, a chuva. Os trabalhos de mapeamento, realizados 
com base em levantamento de campo, passaram a contar com instrumentos de 
fácil manejo, que permitem a localização precisa de pontos na superfície terrestre. 
Dados ambientais e informações podem ser obtidos em tempo real. Valorizam-se 
simulações produzidas em modelos de escala ou matematicamente. Os trabalhos 
de modelagem geomorfológica ganham corpo em diversas direções.
Embora exista uma multiplicidade de novos recursos, é importante 
salientar a necessidade de evoluir também sob o ponto de vista teórico. Até 
este momento, com as novas concepções teóricas, a Geomorfologia ainda não 
ultrapassou algumas barreiras que lhe trazem dificuldades. Isso, porém, não 
deve ser definido a priori como defeito ou virtude. Não há um critério que, por 
si só, promova a classificação de todos os fatos geomorfológicos, estabelecendo 
categorias hierarquizadas em diferentes escalas espaciais e temporais, de modo 
satisfatório. Disso resultam, por exemplo, problemas com o mapeamento 
geomorfológico, que é um dos principais resultados de seu trabalho. Não há 
também, como assinala Ross (1990), “uma sistemática única de trabalho”. Várias 
são as metodologias para o desenvolvimento das pesquisas, sendo possível 
reconhecer nelas as influências das principais escolas, de origem: alemã, 
americana, francesa e inglesa. 
Questões teóricas que norteiam a evolução das ciências também se 
fazem presentes na Geomorfologia. Muitas influências ocorreram, tais como: 
deterministas, uniformistas, catastrofistas, possibilistas e historicistas. As 
discussões entre o valor dos enfoques ideográfico e nomotético remetem à 
importância do geral e do particular na pesquisa, e ressaltaram dicotomias. No 
futuro, novas questões deverão surgir.
FONTE: MARQUES, J. S. Ciência Geomorfológica. In: GUERRA, A. J. T.; CUNHA, S. B. 
Geomorfologia: uma atualização de bases e conceitos. 6ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 
2005.
164
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico você estudou que:
• A Geomorfologia surgiu através do estudo de geólogos e geógrafos, entretanto 
não é um campo de estudo exclusivo destes profissionais.
• Os conhecimentos geomorfológicos só ganharam importância com o aumento 
da relevância das questões ambientais, principalmente no que diz respeito à 
análise ambiental. 
• Destacamos os vários trabalhos de Aziz Ab’Sáber e sua grande contribuição 
à Geografia e especialmente à Geomorfologia, por ser considerado, entre 
geógrafos e profissionais da ciência de áreas afins, como uma verdadeira 
genialidade. 
• Acompanhamos a evolução do conhecimento geomorfológico dentro e fora da 
Geografia, desde o início do Século XX até a atualidade. 
• O projeto Radar da Amazônia (RADAM), posteriormente expandido para todo 
o país como projeto RADAMBRASIL, foi, sem dúvida, em nível mundial, um 
dos maiores já realizados de levantamento de recursos naturais que incluía os 
temas Geologia, Geomorfologia, solos, vegetação e uso potencial do solo.
• Segundo o artigo: A História da Geomorfologia no Brasil, Gregory (2000) afirma 
que a Geomorfologia geográfica está descaracterizada na Geografia Física, pois 
a maior produção de Geomorfologia está acontecendo nas ciências naturais 
e multidisciplinares. E esse atraso, segundo Gregory (1992, 2002), ocorre em 
função do forte impacto do pragmatismo na Geomorfologia, sendo que não há 
razão para não refletirmos sobre os conceitos e as práticas da Geografia Física 
e, em particular, pela Geomorfologia.
• Ainda segundo o artigo acima citado, apesar de poucos questionamentos ao 
modelo de Aziz e Bigarella, a década de 1960 foi fundamental para se construir 
um verdadeiro paradigma na Geomorfologia brasileira. Pois, montou-se uma 
estrutura teórica, metodológica e interpretativa do relevo e de seus processos, 
construindo, juntamente, uma verdadeira Geomorfologia geográfica. Onde 
a grande marca do modelo é o artigo de 1969 de Aziz, “A Geomorfologia a 
serviço das pesquisas do quaternário”, que até hoje (2008) exerce forte poder 
nas pesquisas geomorfológicasdo Brasil e nada mais foi construído em termos 
teóricos e metodológicos para se buscar análises mais precisas e profundas 
sobre a gênese do relevo brasileiro. (VITTE, 2008).
165
• Entre os tipos de estrutura geológica do relevo no Brasil, existem apenas 
escudos cristalinos (36%), bacias sedimentares (64%) e uma área coberta de 
lava vulcânica, chamada de derrame de Trapp, originando o basalto, rocha que 
após o processo de intemperismo formou um solo fértil chamado de terra roxa.
• O território brasileiro não está na borda de uma placa tectônica, por esta razão 
não existem, em nosso país, os dobramentos modernos que deram origem às 
cordilheiras, como os Andes, na América do Sul. Por esta mesma razão, não 
existem também vulcões e terremotos. 
 
• O Brasil possui 36% do seu território formados por escudos cristalinos, sendo 
que 34% se formaram na Era Arqueozoica, onde praticamente não existem 
minerais para exploração economicamente viável. 
• Em 4% do território, formados na Era Proterozoica, há a presença de ferro, 
manganês, bauxita, ouro etc.
• As bacias sedimentares no Brasil ocupam 64% do território, ou seja, 
aproximadamente 5,5 milhões de km².
• As bacias sedimentares mais recentes são datadas de 60 milhões de anos, já as 
mais antigas têm datação de até 600 milhões de anos. 
• O derrame de Trapp, maior derrame basáltico do mundo, cobre 8% da bacia 
sedimentar do Paraná e outras bacias menores. Este valor não deve ser somado 
aos demais, uma vez que há superposição de camadas geológicas com datas 
diferentes. 
• Aprendemos, através da classificação do relevo por Aroldo Azevedo, Aziz 
Ab’Sáber e Jurandyr Ross, como ocorreu a evolução sobre o conhecimento do 
relevo brasileiro, bem como as técnicas para obtenção dos dados geográficos 
necessários para fazer uma classificação adequada. 
• Aroldo de Azevedo e Aziz Ab’Sáber não incluíram em sua classificação a 
forma de relevo chamada de depressão. Este conceito foi introduzido pelo 
Prof. Jurandyr Ross. 
• A maior parte do território brasileiro, ou seja, 85%, está em altitude que varia 
entre 0 a 600 metros.
• A maior altitude do Brasil está no Pico da Neblina, com 2.993,70 metros acima 
do nível do mar, localizado no município de São Gabriel (AM), na Serra do 
Imeri, fronteira do Brasil com a Venezuela.
166
1 Faça um resumo sobre a evolução do conhecimento geomorfológico no 
Brasil, identificando os principais autores, suas ideias e contribuições para o 
avanço da Geomorfologia. 
2 Identifique no Artigo: “História da Geomorfologia no Brasil” qual foi a 
contribuição de Aziz Ab’Saber para a Geografia e Geomorfologia e escreva 
um resumo através de tópicos.
3 Faça uma análise das três classificações de relevo brasileiro, apresentadas 
respectivamente por Aroldo de Azevedo, Aziz Ab’Saber e Jurandyr Ross e 
aponte as diferenças, os critérios empregados e técnicas utilizadas para a 
classificação adotada, bem como a evolução que ocorreu. 
4 Que tipo de rocha do território brasileiro está associado ao surgimento de 
minérios como ferro, manganês e bauxita? 
5 Quais minérios estão associados às rochas sedimentares?
6 Qual a importância das florestas para a preservação da vida?
AUTOATIVIDADE
167
UNIDADE 3
TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, 
BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• compreender o que são territórios ou reinos biogeográficos; 
• conhecer e aprender a localizar os diferentes tipos de biomas existentes no 
planeta;
• entender o que são paisagens fitogeográficas do reino neotropical e os do-
mínios morfoclimáticos brasileiros.
Esta unidade está organizada em dois tópicos e em cada um deles você en-
contrará atividades para uma maior compreensão das informações apresen-
tadas.
TÓPICO 1 – OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
TÓPICO 2 – AS PAISAGENS FITOGEOGRÁFICAS DO REINO 
NEOTROPICAL
168
169
TÓPICO 1
OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Os seres vivos se movimentam e se distribuem na biosfera. Os padrões 
de distribuição não são aleatórios, mas dependem de vários fatores abióticos e 
bióticos, que interagem atualmente ou que interagiram no passado, para constituir 
conjuntos de hábitats. Por causa dessas interações, esses conjuntos podem 
apresentar certas correspondências nos limites territoriais de distribuição dos 
seres vivos. Em outras palavras, podemos dizer que pode existir coincidência no 
limite de distribuição dos hábitats, o que é indicado pelo nível de endemicidade 
dos seres vivos, que se dá em diversas categorias ou níveis taxonômicos: ordem, 
família, gênero e espécie. 
Isso permite a identificação de territórios de distribuição exclusiva de 
determinados grupos da flora e da fauna, denominados territórios biogeográficos 
ou biorreinos. Eles se distribuem hierarquicamente, conforme o nível de 
endemicidade que está relacionado ao nível taxonômico. 
2 TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS 
Os territórios biogeográficos possuem extensões continentais e se 
distinguem pelo número elevado de endemismos, geralmente em nível de 
ordens e de famílias. Os reinos subdividem-se em Regiões Biogeográficas, 
com endemismos ao nível de subfamílias e de gêneros. Por sua vez, as regiões 
biogeográficas subdividem-se em Domínios ou Províncias Biogeográficas, 
compreendendo áreas com elevado número de endemismo ao nível de gêneros e 
espécies. Os domínios subdividem-se em Setores ou Distritos Biogeográficos, que 
correspondem a territórios restritos com elevado número de endemismos ao de 
espécies ou de gêneros, se estes últimos possuírem poucas espécies (LACOSTE; 
SALANON, 1973; VALDÉS, 1985).
UNIDADE 3 | TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM
170
Os limites dos reinos biogeográficos, muitas vezes, se confundem e 
se interpenetram, principalmente quando as barreiras biogeográficas 
não são bem definidas. Essas divisões variam muito, principalmente 
quando o nível taxonômico é mais restrito. Por isso, existem as faixas 
de transição, que ligam reinos contíguos e indicam uma passagem 
gradual de um reino para o outro. Nessas faixas encontram-se espécies 
de um reino e de outro em convívio e ocupando hábitats diferentes. 
Por exemplo, na estreita faixa de terras da América Central coexistem 
espécies tropicais na planície costeira e nas baixas encostas cobertas 
pela mata tropical úmida e quente, mas nas serras, de clima frio e seco, 
aparecem espécies próprias de regiões frias. (TROPPMAIR, 1989, p. 
176).
Inúmeros pesquisadores estabeleceram divisões fito e zoogeográficas para 
a biota. Destacam-se, dentre tantos, De Candolle (1855), Sclater (1857), Wallace 
(1876), que criaram as bases das classificações modernas. Entre os autores atuais, 
destacam-se Schmithuesen (1961), que criou seis reinos, Lemée (1967) com sete 
reinos, Müller (1973) com cinco e Udvardy (1975) com oito reinos biogeográficos. 
Hoje, uma das classificações mais usadas é a de Müller (1979, 1980), subdividida 
em várias sub-regiões. 
Na sua classificação, Müller (1979, p. 54) estabeleceu os reinos 
biogeográficos, resumidos no quadro a seguir.
Reino Região Localização
Holártico Neártica América do Norte, Ártico e Groenlândia
Paleártica Eurásia (incluídas Islândia, Canárias, Coreia e 
Japão) e norte da África
Paleotropical Etiópica África, ao sul do Saara.
Malgache Madagascar e ilhas oceânicas
Oriental Índia Indochina, até a linha de Wallace
Australiano Australiana
Oceânica
Neozelandesa
Havaiana
Austrália, Nova Guiné e ilhas vizinhas, 
Oceania, parte da Nova Zelândia, Havaí e demais 
ilhas do Pacífico.
Neotropical - Américas do Sul e Central e Antilhas
Arquinótico - Antártida, sudoeste da América do Sul e sudoeste 
da Nova Zelândia.
FONTE: Müller (1979)
QUADRO 4 - REINOS BIOGEOGRÁFICOSDE MÜLLER (1979)
A divisão entre os reinos Neotropical e Paleotropical e o reino Holártico 
tem suscitado discussões. Alguns pesquisadores consideram a América Central 
não uma zona de transição entre os reinos Holártico e Neotropical, mas uma 
região do reino Neotropical, porque nela predomina a fauna sul-americana e o 
clima é tropical. Também é difícil traçar os limites entre os reinos Paleotropical 
e Holártico. Os animais migram com facilidade entre as duas regiões, sobretudo 
na zona de transição representada pela Península Arábica e pelo norte da África. 
TÓPICO 1 | OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
171
A linha de Wallace é uma zona de transição que separa a região Oriental 
(reino Paleotropical) da região Australiana (reino Australiano) e nela encontra-
se uma fauna mista de origem australiana e oriental. Possui também espécies 
endêmicas, como o macaco de Célebes (Cynopthecus niger). 
Na América Central, a variabilidade da capacidade de dispersão dos 
grupos de animais foi o ponto principal que levou a essa diversidade de opiniões. 
Para os mamíferos e aves, grupos com alta capacidade de dispersão, as condições 
climáticas e de relevo da América Central não influíram muito, mas, para os 
anfíbios, répteis e outros, as dificuldades de dispersão foram maiores. O número 
de espécies sul-americanas é muito maior que as norte-americanas. Ao se traçarem 
os limites setentrionais das espécies sul-americanas e os limites meridionais dos 
grupos norte-americanos, podem-se observar dois fatos (MÜLLER, 1979):
1 – as famílias sul-americanas aparecem em maior número;
2 – existe uma barreira natural que marca o limite setentrional das espécies sul- 
americanas, representada, ao norte da América Central, pela floresta tropical das 
terras baixas e pelas altitudes de 1.500 metros da Sierra Madre, no México. Acima 
dessa cota altimétrica, espécies norte-americanas predominam e migram para a 
América do Sul pelos Andes. 
O deserto do Saara é outra região de transição cujos limites são incertos. 
Nela transitam espécies de animais e de plantas dos reinos Holártico (região 
Paleártica) e Paleotropical (principalmente da região Etiópica). A região central 
do Saara é mais seca, porém, possui montanhas de clima mais ameno, que atuam 
como se fossem ilhas ou corredores biogeográficos, por onde migram espécies 
holárticas em direção ao sul. É também usada pelas espécies etiópicas, que a 
cruzam no seu movimento para o norte.
No período Quaternário, quatro flutuações climáticas marcaram as 
zonas centrais do Saara: um período úmido, entre 22.000 e 8.500 a.p., 
seguido por uma fase de aridez que se estendeu de 8.500 a 5.000 a.p. 
Nova fase de umidade predominou de 5.000 a 2.500 a.p. e, finalmente, 
o período seco atual, desde 2.500 a.p. O atual lago Tchad é um resíduo 
dos diversos lagos quaternários que se sucederam nas flutuações 
climáticas. (MÜLLER, 1979, p. 61).
Essa sucessão de condições climáticas criou refúgios, que isolaram 
as populações de animais e estabeleceram uma fauna particular, típica de 
desertos. No entanto, essa fauna aparece em zonas áridas da Índia, o que mostra 
a existência de corredores antigos entre as duas regiões, ativos possivelmente 
durante a existência do continente de Gondwana. Esse fato justifica a união das 
regiões Oriental e Etiópica no reino Paleotropical. Aparecem, nas duas regiões, 
inúmeras espécies de animais, como o elefante, o camelo, o rinoceronte, aves 
diversas, anfíbios.
UNIDADE 3 | TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM
172
Por outro lado, é pequeno o número de famílias de aves endêmicas em 
cada região. Das 67 famílias de aves existentes nas duas regiões, apenas quatro 
são endêmicas da região Etiópica e uma da Oriental. Dos 267 gêneros de aves que 
habitam as regiões, 69 espécies são etiópicas e se estendem até a Índia, ao passo que, 
destas, 63 aparecem na Europa (MÜLLER, 1979).
Outra região de transição entre os reinos Holártico e Paleotropical aparece 
na China, bastante modificada pela ocupação humana, especialmente depois 
da chegada dos europeus. As matas subtropicais originais foram totalmente 
erradicadas e a fauna florestal substituída por espécies adaptadas ao campo aberto.
A última zona de transição acha-se nas regiões meridionais da América 
do Sul e da Nova Zelândia e as separa do reino Arquinótico. Muitas famílias de 
plantas e de invertebrados atuais mostram estreita relação nessas regiões, cujas 
origens estão no período Terciário.
Na atualidade, grupos imigrantes antigos e modernos nos diversos 
reinos se superpõem uns aos outros. Origina-se aí uma confusa complexidade, 
que tende a se acentuar simultaneamente ao avanço da intervenção humana nos 
geossistemas. Contudo, cada reino ainda conserva as suas peculiaridades.
FIGURA 83 – OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS
FONTE: Müller (1979)
TÓPICO 1 | OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
173
Como foi dito antes, o problema dos limites suscita muitas discussões, eles 
são bem definidos apenas quando existem acidentes geográficos como montanhas, 
desertos e oceanos, que também atuam como barreiras (TROPPMAIR, 2002, p. 
131). 
Resumimos no Quadro 6 alguns exemplos de grupos da flora e da fauna 
de cada reino biogeográfico, para ilustrar importantes endemismos que serviram 
de indicação da delimitação desses territórios.
Reino Fauna Flora
Holártico Mamíferos: Ursidae (ursos), Canidae (cães, lobos, 
coiotes), Cervidae (cervos e alces), Bovidae (búfalo, 
bisão), Castoridae (castores), Erinaceídae* (ouriço), 
Didelphidae** (gambás), Procionedae** (quatis).
Aves: Regularidae (saracura), Tetraonidae (urogalo), 
Alcidae (papagaio-do-mar), Ciconidae* (cegonha), 
Cuculidae* (cucos), Turdidae* (rouxinóis), Vulturidae** 
(abutres).
Peixes: Acipenseridae (esturjão), Percidae (perca), 
Salmonídae (salmão e truta).
* * Exclusiva da Região Paleártica.
* Exclusiva da Região Neártica.
Betulaceae (arbustos 
e árvores como 
as avelanzeiras); 
Salicaceae (choupo, 
álamo), Ranunculaceae 
(ranúnculos), Moráceas 
(amoreiras).
Paleotropical Mamíferos: Giraffidae (girafa), Hippopotamidae 
(hipopótamos), Hyaenidae (hiena), Pongidae (gorila, 
chimpancé), Felidae (leão), Elephantidae (elefante), 
Equidae (zebras).
Aves: Struthioniformes (avestruz), Galliformes 
(galinhola).
Gêneros Pelargonium 
(gerânios), Khaia (ébano), 
Cola (árvore produtora de 
alcaloide).
Australiano Ordem Monotremata (équidna, ornitorrinco), 
Macropodidae (canguru), Phascolarctos cinereus (coala), 
Casuarius casuarius (casuar), Dromaius novaehollandiae 
(emu).
Gênero Eucalyptus.
Neotropical Mamíferos: Cebidae (macacos), Callithricidae (saguis), 
Myrmecophagidae (tamanduás), gênero Lama (lhama, 
vicuña, guanaco).
Aves: Trochilidae (beija-flores), Tinamiformes 
(perdizes), gênero Rhamphastos (tucanos).
Cactaceae (cactos), 
Bromeliaceae (bromélias), 
gênero Hevea 
(seringueira).
Arquinótico Aptenodytes forsteri (pinguim-imperador), Pycoscelis 
adeliae (pinguim-de-adélia).
Deschampsia antarctica.
Colobanthus crassifolius.
FONTE: Lacoste; Salanon (1973); Pereira; Almeida (1996)
QUADRO 5 - FAUNA E FLORA MAIS COMUNS DOS REINOS BIOGEOGRÁFICOS
2.1 REINO HOLÁRTICO
O reino Holártico é restrito ao Hemisfério Norte. Compreende a Europa, 
incluindo a Islândia, a Sibéria, os países asiáticos, incluindo a Coreia e o Japão, o 
norte da África e a América do Norte, exceto o México. O reino Holártico tem uma 
fauna e uma vegetação bem diversificadas. À época da Pangea, o reino foi parte 
dos continentes de Gondwana e Laurásia. No início do Paleoceno, a América do 
UNIDADE 3 | TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM
174
Norte e a Eurásia constituíram um bloco ligado à África por um estreito istmo, 
que separava o Atlântico Norte, recém-aberto, do Mar de Thetis, entre a Eurásia 
e a África. No Mioceno,a América do Norte separou-se da Eurásia, iniciando um 
movimento para o sul. Posteriormente, por meio de um conjunto de ilhas, que 
veio a constituir o istmo da América Central, ligou-se à América do Sul. A ligação 
da América do Norte com a Eurásia explica a semelhança verificada atualmente 
entre a fauna e a flora de ambos continentes.
No reino Holártico aparecem os biomas da tundra, taiga, floresta 
temperada decídua, estepes e pradarias, desertos e vegetação mediterrânea, 
que abrigam uma fauna muito variada. “A riqueza de biomas no reino se deve 
a uma complexa rede de interações, cujo centro está nas condições climáticas, 
que levou ao desenvolvimento de paisagens variadas e antigas”. Strahler (1984, 
p. 244) e Strahler; Strahler (1996, p. 184) classificaram o clima do reino Holártico 
no grupo climas de médias latitudes e no de altas altitudes, que variam desde o 
clima de tundras, no norte do Canadá e Alaska e no norte da Sibéria, até um clima 
subtropical úmido, no sul dos EUA, passando por clima mediterrâneo, desértico 
e de montanhas. 
O reino Holártico subdivide-se em duas regiões: a região Paleártica, que 
engloba a Eurásia e o norte da África, excluindo-se a zona de transição com o 
reino Paleotropical, e a região Neártica, representada pela América do Norte 
e a Groenlândia. O bloco continental Europa-Ásia-África é contínuo e permite 
um trânsito relativamente constante de animais e plantas em todos os sentidos, 
respeitando-se as barreiras montanhosas, que se interpõem às rotas (Montes 
Urais, Stanovoi e Verkhianski, Cárpatos, Cáucaso, Bálcãs, Alpes etc.) e, acima de 
tudo, a presença do homem. 
2.2 REINO PALEOTROPICAL
 
O reino Paleotropical aparece na África e no Oceano Índico, onde se limita 
com o reino Australiano. Três regiões biogeográficas o compõem: região Etiópica, 
região Malgache e região Oriental. Nele aparecem biomas de deserto, estepe, 
savana e a floresta tropical úmida.
No reino Paleotropical predominam climas tropicais e subtropicais, 
que dão características um pouco diferentes aos desertos e estepes, embora as 
semelhanças com seus homônimos do reino Holártico sejam maiores que as 
diferenças. 
Os climas encontrados no reino Paleotropical são todos tropicais, exceto 
os de altas montanhas. De acordo com a classificação de Strahler (1984, p. 247) 
e de Strahler; Strahler (1996, p. 185), os climas que aparecem neste reino são o 
tropical árido, o subtropical árido, o mediterrâneo, o tropical com duas estações 
(seco-úmido) e o equatorial.
TÓPICO 1 | OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
175
2.3 REINO AUSTRALIANO
O que mais chama a atenção no reino Australiano é a sua fauna endêmica, 
consequência do isolamento desde o Mesozoico Inferior. O reino inclui a 
Austrália, Nova Caledônia, Tasmânia, o centro-norte da Nova Zelândia, Nova 
Guiné, Polinésia e Havaí. O reino Australiano é um dos mais ricos em formações 
fitogeográficas, abrangendo quase todas as formações do planeta – desertos, 
estepes e pradarias, savanas, floresta temperada decídua, floresta tropical úmida 
e o chaparral. Da mesma forma, apresenta uma variedade climática significativa.
De um modo geral, as faixas climáticas do reino Australiano são estreitas 
na Austrália, mas as incontáveis ilhas da região resumem-se a apenas um tipo de 
clima, com algumas poucas exceções. 
Segundo Strahler; Strahler (1996, p. 185):
aparecem os seguintes tipos climáticos na região: nas ilhas que circundam 
a Austrália, o clima equatorial úmido predomina na Nova Guiné, Nova Caledônia, 
Fiji e Havaí; no centro da Nova Guiné, uma alta cadeia de montanhas, com 
altitudes acima de 4.000 metros, constantemente batida pelos alísios de nordeste, 
com clima tropical seco; na Nova Zelândia e na Tasmânia predomina o clima 
marítimo da costa ocidental. Na Austrália, o clima no litoral é úmido e o interior 
apresenta climas sucessivamente mais sazonais até chegar ao deserto, no centro 
do país.
No litoral oriental australiano, o domínio é do clima subtropical úmido, 
verão quente e úmido, invernos suaves e chuvas bem distribuídas 
ao longo do ano, trazidas pelos alísios de sudeste, com predomínio 
no verão. O excesso de umidade facilitou o crescimento da floresta 
subtropical úmida, que se estende apenas por duas pequenas regiões. 
No litoral sudeste, ventos frios de oeste originaram um clima com 
verões quentes e invernos frios e chuvosos. Em direção ao interior, 
uma extensa e estreita faixa de clima tropical seco margeia o deserto, 
desde o norte até o sul, com temperaturas elevadas durante todo o 
ano. No litoral norte aparecem duas pequenas faixas, separadas pelo 
mar, do clima tropical sazonal, com chuvas no verão (dezembro/
março) e seca no inverno (junho/agosto). No litoral sudoeste ocorre 
uma estreita porção de clima mediterrâneo com inverno úmido e 
verão seco. Finalmente, no interior, predomina o clima desértico, com 
massas continentais secas e quentes. (STRAHLER; STRAHLER, 1996).
A chamada linha de Wallace separa o reino Australiano do reino 
Paleotropical. A linha de Wallace passa entre a Nova Guiné e a Indonésia e 
separa as faunas asiática e australiana. Entre os anos de 1854 e 1862, o naturalista 
inglês Alfred Russel Wallace (1823-1913), ao explorar a região, sugeriu que o 
estreito de Makassar, que separa a ilhas de Borneo e Sulawesi (ou Célebes), na 
Indonésia, divide nitidamente as faunas dos dois reinos em duas porções – a 
oeste, a fauna asiática, e a leste a fauna australiana. Em homenagem a Wallace, 
a linha foi batizada com o seu nome. O estreito de Makassar é profundo – ele 
fica sobre a placa Indo-Australiana – e é improvável que, no passado, houvesse 
UNIDADE 3 | TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM
176
existido uma ponte de terra entre os reinos, mesmo nas maiores regressões do 
mar. Muitas espécies de pássaros não cruzam o estreito, que não é largo - embora 
muitas transitem normalmente pelas ilhas. Os trabalhos de Wallace o levaram a 
ser considerado um dos precursores da Biogeografia. 
Para entender as atuais flora e fauna australianas devemos recorrer à 
paleobiogeografia. No Cretáceo médio, a Austrália e as ilhas faziam parte de 
Gondwana. Com a separação dos continentes, a Austrália moveu-se para o norte 
até meados do Eoceno (há 54 MA), quando se isolou por completo do restante 
dos continentes. Em latitudes mais baixas, o clima mudou de temperado frio 
para uma variedade de climas à medida que o continente se assentava na sua 
posição atual – climas mediterrâneo, desértico, temperado, tropical e subtropical. 
(FURLEY; NEWEY, 1986). 
No Pleistoceno, a Austrália teve uma fase úmida seguida de um período 
seco, este, entre os anos 18.000 e 16.000. A alternância entre os dois períodos levou 
a uma redução do nível do mar e originou uma ligação entre a Austrália e a Nova 
Guiné, que emergiu e submergiu várias vezes. Essa ponte só se interrompeu 
em definitivo entre os anos 8.000 e 6.500. “A floresta tropical úmida da Nova 
Guiné pôde, então, colonizar o litoral nordeste da Austrália, juntamente com a 
fauna típica” (MÜLLER, 1979, p. 72). Savanas e estepes (campos) predominam 
na paisagem australiana. As florestas equatoriais formam duas estreitas faixas 
no litoral nordeste. “As maiores florestas encontram-se no litoral norte – são as 
florestas de monções, sempre verdes, com palmeiras, atingida por ventos alísios, 
que se mistura a savanas arbóreas e estepes” (STRAHLER; STRAHLER, 1996, p. 
548). “No interior, quando as precipitações escasseiam, a savana e os bosques de 
árvores esparsas passam a ter o domínio”. (WALTER, 1986, p. 176). 
No litoral ocidental, com clima mediterrâneo, destacam-se grandes 
florestas de Eucalyptus spp. As chuvas caem no inverno e o verão é seco. As 
chuvas são trazidas pelas frentes polares, que predominam no inverno – 650 a 
1.250 mm/ano. No verão, o domínio pertence às massas tropicais continentais,quentes e secas.
Os solos em que estão as florestas de eucaliptos são arenosos e bem 
drenados, o que os torna secos e limitantes para uma floresta mais densa. As 
florestas de eucaliptos são abertas, o que permite um sub-bosque esparso. Apesar 
disso, há cerca de 6.000 espécies de plantas vasculares, das quais aproximadamente 
3.500 são endêmicas na região (WALTER, 1986). No sul, a espécie dominante 
Eucalyptus diversicolor pode alcançar 85 metros de altura, enquanto no sub-bosque, 
samambaias têm mais de 1,5 metro de altura.
O gênero Eucalyptus, da família Myrtaceae, forma um arco em todo 
o litoral e penetra para o interior, onde escasseia nas proximidades da zona 
árida central. São xerófitos e perenefólios, com folhas coriáceas e duras, mas as 
raízes podem extrair muita água do solo, mesmo nos locais em que a maioria 
TÓPICO 1 | OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
177
das mesófitas tem dificuldade em obtê-la (FURLEY & NEWEY, 1986). Pouco 
exigente, o eucalipto pode se desenvolver em solos com deficiência de nutrientes 
e água. Sua ocorrência depende das chuvas no litoral, da topografia, dos solos, 
da rede de drenagem, de incêndios e do uso da terra. Nas regiões com chuvas 
de inverno do sul, as florestas de eucaliptos são densas e bem desenvolvidas. No 
interior, aonde as chuvas vão, pouco a pouco, escasseando, a floresta é aberta, 
com o solo recoberto por gramíneas. Nas regiões ao norte e ao leste, com 250 mm/
ano de chuva, o eucalipto não se desenvolveu, formando apenas moitas de uma 
variedade raquítica chamada localmente mallee, expressão aborígene (FURLEY; 
NEWEY, 1986; WALTER, 1986). Nas regiões em que a estiagem chega a sete 
meses, as savanas substituem as florestas de eucaliptos.
“Os incêndios naturais são comuns nas florestas mistas com eucaliptos e 
nas savanas. Muitas espécies só florescem após um incêndio’’. Walter (1986, p. 
179) relaciona vários gêneros pirófilos nas savanas.
Segundo Furley e Newey (1986, p. 262):
As savanas se distribuem, na Austrália, de acordo com as chuvas. 
Quanto maior o índice pluviométrico, maiores são as espécies de 
gramíneas que as recobrem. Nas regiões litorâneas, onde o índice é 
superior a 1.500 mm/ano, medra uma savana com gramíneas altas. No 
interior, em solos férteis, em que grandes propriedades usam métodos 
modernos para a agricultura e para o pastoreio de ovelhas, com índices 
menores, aparece uma savana de gramíneas baixas. Finalmente, nas 
zonas semiáridas do interior, a savana xerófita ocupou solos pobres e 
com pouca água.
Prezado(a) acadêmico(a)!
Para conhecer mais sobre espécies de plantas vasculares, acesse o site: <http://en.wikipedia.
org/wiki/Australasia_ecozone>. Acesso em: 13 jul. 2010. 
NOTA
A floresta tropical úmida sempre verde aparece em todas as ilhas que 
rodeiam a Austrália, embora, nela própria, não seja comum. Nas ilhas Célebes, o 
arquipélago das Molucas tem o maior endemismo de aves em todo o mundo. O 
gênero Agathis da família Araucariaceae é encontrado nesse arquipélago.
Na Nova Guiné, a maior ilha do reino Australiano, na floresta tropical 
é encontrada a maior borboleta do mundo, a chamada borboleta da rainha 
Alexandra (Ornithoptera alexandrae), e a ave do paraíso (Paradiseae rudolphi), que 
é endêmica. A floresta baixa guineana comporta 1.200 espécies de árvores. Nas 
ilhas Salomão convivem 148 espécies de pássaros, das quais 60 são endêmicas. Na 
UNIDADE 3 | TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM
178
Nova Caledônia existem 2.900 espécies de plantas vasculares (80% endêmicas), 
duas espécies de Araucaria, 15% de gêneros endêmicos e 5% de famílias endêmicas. 
(FURLEY; NEWEY, 1986). 
A ilha da Tasmânia tem clima marítimo das costas ocidentais, com 
verões quentes e invernos frios e chuvosos. Nas montanhas, acima de 1.500 
metros, com menos chuvas, predomina a savana com árvores esclerófilas e 
gramíneas curtas. No litoral úmido, batido pelas frentes polares, predominam 
árvores do gênero Nothofagus, típico de clima temperado do hemisfério Norte, 
e a samambaia arborescente Dicksonia, com três metros de altura. No interior, a 
floresta temperada, com mais de 800 espécies, depende dos incêndios naturais. 
“O eucalipto predomina e pode ultrapassar os 100 metros de altura” (WALTER, 
1986, p. 187). É o hábitat do marsupial diabo-da-Tasmânia (Sarchophilus harrisii), 
do équidna (Tachyglosus aculeatus), do ornitorrinco (Ornithorhyncus anatinus), do 
lobo-da-Tasmânia (Thylacinus cynocephalus) etc.
Na Nova Zelândia, nas florestas subtropicais, aparecem as coníferas 
gimnospermas Podocarpaceae, Cupressaceae e Araucariaceae. Dentre as angiospermas, 
faias do gênero Nothofagus são as espécies dominantes. Lianas e epífitas recobrem 
os galhos e os troncos das árvores. Em toda a floresta subtropical, a espécie 
dominante é a Araucariaceae Agathis australis.
No quadro a seguir vê-se uma lista dos desertos australianos:
Estado/Território Nome Extensão (km2) Austrália ( % )
WA, SA Great Victoria 348 750 4.5
WA Great Sandy 267 250 3.5
WA, NT Tanami 184 500 2.4
NT, QLD, SA Simpson 176 500 2.3
WA Gibson 156 000 2.0
WA Little Sandy 111 500 1.5
SA, QLD, NSW Strzelecki 80 250 1.0
SA, QLD, NSW Sturt Stony 29 750 0.3
SA Tirari 15 250 0.2
SA Pedirka 1 250 less than 0.1
- Total 1 371 000 18 
FONTE: Auslig Deserts database (1994). Disponível em: <http://www.ga.gov.au/education/facts/
landforms/geogarea.htm>. Acesso em: 24 jul. 2010.
QUADRO 6 - DESERTOS AUSTRALIANOS
Diversos animais domésticos, como cavalos, gado, cabras, porcos, 
jumentos, camelos, búfalos, cães, gatos, coelhos e também raposas, foram 
introduzidos no reino Australiano pelos europeus. O dingo (Canis lupus familiaris 
dingo), provavelmente criado na Índia e tendo chegado à Austrália entre 4.000 
e 3.500 anos, talvez levado pelos antigos maoris, espalhou-se pelo continente e 
TÓPICO 1 | OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
179
pela Nova Zelândia. Raposas, cabras, gatos e coelhos batem todos os recordes 
populacionais na Austrália. Os gatos têm uma densidade de um indivíduo por 
quilômetro quadrado, mas os coelhos (Lepus europaeus) ultrapassam o bom senso: 
somam entre 200 milhões e 300 milhões de indivíduos, para uma população de 
20.345.802 pessoas.
Na Nova Zelândia, os animais europeus promoveram uma devastação 
sem paralelo. O cervo vermelho escocês ou cervo europeu (Cervus elephas), 
aportado à ilha no século XIX, alimenta-se sobretudo de Nothofagus, uma das 
espécies dominantes na floresta neozelandesa. “De crescimento lento, a vegetação 
foi praticamente destruída pelo cervo, o que acelerou a erosão do solo em vastas 
áreas” (WALTER, 1986, p. 189). “Desde a década de 80, os cervos são caçados 
e levados para fazendas, onde são criados como animais de corte e couro”. 
(FURLEY; NEWEY, 1986, p. 271). 
O isolamento da Austrália e das ilhas fez com que a evolução de animais e 
plantas trilhasse outros caminhos, bem pecualiares, porque não ocorreu a troca de 
genes com outras populações. Semelhante processo também se deu na América 
do Sul, embora com menos intensidade. Na Austrália, depois da separação de 
Gondwana, o único contato se deu com a Nova Guiné, já mencionado antes.
Para conhecer mais sobre os animais, sugiro que você, acadêmico(a), acesse 
os sites:
<http://www.animalliberation.org.au/feralint.html.>
<http://www.wwwins.net.au/dingofarm/02.html> e
<http://www.abs.gov.au>. Acesso em: 13 jul. 2010.
UNI
A Austrália é a terra por excelência dos marsupiais. Apenas duas 
famílias de marsupiais aparecem em outros continentes – Didelphidae (gambás) e 
Caenolestidae (semelhante ao mussaranho). As famílias de marsupiais endêmicas 
à Austrália são Dasyuridae (gêneros Thylacinus, lobo-da-Tasmânia) Sarcophilus 
(diabo-da-Tasmânia), Phalangeridae (Phascolarctus, coala), Phascolamidae (Vombatus, 
vombate), Macropodidae (Megaleia e Macropus, cangurus, Petrogale,wallaby-das-
rochas, Lagorchestes, wallaby-lebre, Dendrolagus, canguru-das-árvores) (STORER 
et al., 1991, p. 715) etc. Totalizam, na Austrália, 16 famílias e 152 espécies de 
marsupiais.
“No século XVII, a Austrália foi denominada Terra psittacorum, por causa 
do grande número de periquitos” (MÜLLER, 1979, p. 72). Dentre as famílias 
endêmicas de aves citam-se Dromiceidae (Dromaeus, emu, na Nova Guiné e ilhas), 
Casuaridae (Casuarius, casuar), Dinornitidae (moas, na Nova Guiné), Apterygydeae 
UNIDADE 3 | TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM
180
(Apteryx, quivis), Psittacidae (muitas famílias, pagagaios e periquitos), Cacatuidae 
(cacatuas) etc. Existem 91 famílias com 826 espécies de aves na Austrália. “Na 
Nova Caledônia existem 68 espécies de aves, das quais uma é endêmica. Partindo 
da Austrália, 18 espécies invadiram a Nova Caledônia e evoluíram pela radiação 
adaptativa”. (MÜLLER, 1979, p. 73).
Os répteis endêmicos pertencem às famílias Carettochelyidae (tartaruga-de-
água-doce, existente no norte da Austrália e sul da Nova Guiné) e Pygopodidae 
(Pygopus, lagarto, na Austrália, Tasmânia e Nova Guiné, com 30 espécies). Calcula-
se que na Austrália existam 17 famílias de répteis, com 633 espécies estudadas.
“Na Nova Zelândia, muitas famílias têm afinidades com as famílias das 
ilhas do Pacífico e com a América do Sul” (MÜLLER, 1979, p. 74). A Nova Zelândia 
separou-se de Gondwana e ficou isolada por 80 milhões de anos, o que permitiu 
que 90% dos insetos e moluscos marinhos, 80% das árvores, fetos e angiospermas, 
25% das espécies de pássaros, todas as 60 espécies de répteis, quatro espécies de 
sapos e duas espécies de morcegos sejam endêmicas.
Prezado(a) acadêmico(a)!
Para auxiliar seus estudos, acesse os sites:< http://www.deh.gov.au/biodiversity/abrs/online-
resources/abif/fauna/afd/stats-est.html - Australian Faunal Directory. Estimated Numbers of 
Australian Fauna>
<http://www.deh.gov.au/biodiversity/abrs/publications/fauna-of-australia/pubs/volume2a/
ar22ind.pdf> e <http://www.deh.gov.au/biodiversity/abrs/online-resources/abif/fauna/afd/
stats-est.html - Australian Faunal Directory. Estimated Numbers of Australian Fauna>. Acesso 
em: 13 jul. 2010.
UNI
2.4 REINO ARQUINÓTICO 
O termo Arquinótico significa oposto ao Ártico e engloba o extremo sul da 
América do Sul, Antártica e o sudeste da Nova Zelândia. As condições adversas à 
vida dificultam o estabelecimento de animais e plantas, de modo que as espécies 
que lograram se adaptar às condições reinantes são altamente especializadas e de 
pequeno número de espécies.
TÓPICO 1 | OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
181
Prezado(a) acadêmico(a)!
Para conhecer mais sobre o termo Arquinótico, acesse o site: <http://www.inach.cl/portal_
educa/antartica/antartica.html>. Acesso em: 13 jul. 2010.
UNI
São 13,5 milhões de quilômetros quadrados de gelo, apenas no Continente 
Antártico. O gelo tem uma espessura média de cerca de 2.000 metros e o Monte 
Vinson, na cadeia Ellsworth, é o ponto culminante, com 4.897 metros. Cerca de 
90% do gelo da Terra estão na Antártica, que correspondem a 70% da água doce 
do planeta.
Juntamente com a América do Sul, África, Austrália e Índia, a Antártica 
fazia parte do continente de Gondwana. Portanto, a geologia da Antártica é muito 
semelhante à daqueles continentes.
O Continente Antártico foi dividido em duas partes para efeito de estudos: 
a Antártica Oriental e a Antártica Ocidental. A Antártica Oriental localiza-se ao 
sul da Austrália e da África. A Antártica Ocidental situa-se ao sul da América 
do Sul. A cordilheira Transantártica divide as duas regiões (CUNHA, 1973). “A 
geologia da parte oriental é constituída pelo embasamento granítico, de idade pré-
cambriana. A porção ocidental tem a mesma sequência de rochas sedimentares 
e ígneas da América do Sul. Os sedimentos estão associados ao sistema andino e 
têm idade jurássica e terciária”. (MÜLLER, 1979, p. 79).
Fósseis antigos encontrados na Antártica comprovam a antiga ligação 
ao continente de Gondwana. São fósseis de idades cambrianas, ordoviciana 
e siluriana. Depósitos glaciais de tilito carbonífero recobertos por sedimentos 
permianos e triássicos encerram fósseis de vertebrados terrestres, camadas de 
carvão e presença da flora Glossopteris. Essa variedade de fósseis e as evidências 
geológicas mostram que o clima antártico já foi mais quente do que o atual. As 
camadas de carvão indicam um clima úmido e quente. A flora de Glossopteris 
é de idade carbonífera e é contemporânea à do réptil carnívoro Lystrosaurus. 
(CUNHA, 1973).
Da mesma forma que no Polo Norte, a Antártica não tem um ciclo diário 
dividido em 24 horas. De setembro a março, o Sol paira sobre o horizonte, o 
que corresponde ao verão austral – o dia no Polo Sul. De março a setembro ele 
desaparece lentamente, à medida que o outono avança e o inverno o sucede. 
Quando a primavera retorna, ele ascende no horizonte para clarear nos próximos 
seis meses. O Sol nunca fica no zênite nos polos e nunca sobe muito além do 
horizonte. Por essa razão, os polos recebem muito pouca radiação solar e este é 
um dos fatores das baixas temperaturas.
UNIDADE 3 | TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM
182
A massa de gelo se desloca lentamente do centro do continente em direção 
à periferia. No Oceano Antártico, a plataforma continental tem uma extensão 
média de 30 quilômetros e, devido ao peso do gelo, é mais profunda do que dos 
demais continentes.
 
O continente gelado é a fonte da massa de ar antártica (mP), que 
se forma no anticiclone fixo polar e se deloca sob a forma de fortes 
ventos, que alcançam velocidades superiores a 100 km/h no litoral. O 
anticiclone permanente tem inversão térmica muito baixa, fazendo 
com que o deslocamento das massas quentes superiores para a 
superfície seja lento. Por esta razão, o contato das massas de ar com a 
superfície gelada é longo. Dessa forma, elas perdem totalmente o calor 
adquirido na descida. (NIMER, 1979, p. 11). 
O vento, chamado de catabático, diverge do anticiclone em direção ao 
litoral com um desvio constante para a esquerda, devido ao efeito de Coriolis, e 
atinge velocidades superiores a 100 km/h em razão do forte gradiente de pressão 
existente entre o interior do continente e o mar. 
Em alguns lugares do litoral, como no Mar de Weddel, onde há um centro 
de baixa pressão, para os quais migram as massas antárticas, as tempestades 
são violentas e podem durar semanas. No interior, as precipitações são de neve, 
raramente de água líquida. No litoral, o total pluviométrico não ultrapassa os 250 
mm/ano. Em todo o continente, o índice médio é inferior a 100 mm de precipitação.
A Antártica tem temperaturas bem menores que o Ártico. As razões são 
as seguintes:
1) no Ártico há maior quantidade de água, que retém melhor o calor. Na Antártica, 
com muito mais gelo, apenas uma pequena porcentagem do calor é mantida 
pela água;
2) o oceano reflete cerca de 5% da radiação solar incidente (de ondas curtas) e 
absorve o restante, liberando-o lentamente. A superfície exposta à radiação 
reflete entre 15% e 35% da radiação de ondas curtas. O restante é liberado com 
maior velocidade, o que resfria a superfície. A capa de gelo antártica reflete 
cerca de 80% da radiação incidente – por isto, existe mais gelo na Antártica que 
no Ártico;
3) no inverno, o Oceano Glacial Antártico se congela e praticamente dobra o 
tamanho do continente, impedindo ou dificultando, pois, que a água do mar 
funcione como um mecanismo moderador das temperaturas.
TÓPICO 1 | OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
183
Prezado(a) acadêmico(a)!
Para auxiliar nos estudos e conhecer mais sobre as baixas temperaturas na Antártica, acesse 
o site: <http://www.iespana.es/natureduca/ant_indice.htm>. Acesso em: 13 jul. 2010.
IMPORTANT
E
A temperatura média anualno interior do continente é de 54o C negativos. 
Todos os meses têm média inferior a 0o C. Mas no verão no litoral, a temperatura 
máxima do verão raramente chega a 15o C, registrada na Península Antártica 
Norte, a região mais aquecida do continente. Em outras regiões litorâneas, a 
temperatura raramente chega a 5º C. A mínima absoluta da Terra registrou-se 
na estação russa de Vostok, que está a uma altitude de 3.505 metros e na latitude 
de 78º28’: -89,2o C, em julho de 1983. O recorde anterior havia sido da mesma 
estação, em agosto de 1960: -88,3o C. A média anual na estação Vostok é de -56º C, 
a média no mês mais quente (janeiro) é de -33º C e a máxima absoluta, -21º C. No 
inverno, no litoral, a média é inferior a -40o C. 
No Polo Sul, a amplitude térmica varia antre -25º C e -62º C. Altitudes 
elevadas, o anticiclone polar, que mantém a atmosfera quase sempre límpida, e a 
baixa umidade atmosférica contribuem para as temperaturas tão baixas, a que se 
junta a posição do sol sempre no horizonte. 
A vida no reino Arquinótico enfrenta fatores limitantes severos, 
representados, sobretudo, pelo clima. Os seres vivos se viram obrigados a um 
complexo processo de adaptação, muito próximo do limite vital.
“O limite meridional das plantas superiores encontra-se a 68o de latitude sul, 
e, na Antártica, aparecem apenas duas espécies: a gramínea Deschampsia antarctica 
e a vascular com flores Colobanthus crassifolius” (MÜLLER, 1979, p. 78; WALTER, 
1986, p. 294). O restante é representado por musgos, algas terrestres e líquens, que 
ocuparam esparsamente apenas a costa. A erva C. crassifolius cresce em lugares 
protegidos do vento, que contenham alguma umidade, especialmente depois do 
degelo da primavera. Suas flores são brancas e têm menos de 0,5 centímetro de 
comprimento. D. antarctica e C. crassifolius crescem apenas na Península Antártica e 
nas ilhas mais setentrionais, que têm temperaturas mais amenas. 
Segundo Walter, 1986, p. 294:
Nas ilhas próximas, as temperaturas são superiores a 0o C no verão, 
mas o solo litólico e o frio extremo impedem o crescimento de árvores. 
As baixas temperaturas dificultam a pedogênese e a superfície é 
coberta por calhaus de pedras. Chuva e neblina ocorrem durante todo 
o ano e o vento polar varre as ilhas sem parar. A cobertura vegetal das 
ilhas é representada por musgos, samambaias e líquens. (WALTER, 
1986, p. 294). 
UNIDADE 3 | TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM
184
Líquens e musgos são as vegetações mais comuns e melhor adaptadas 
em todo o Continente Antártico, podendo ser encontrados a até 400 quilômetros 
do Polo Sul. Existem mais de 400 espécies de líquens, 75 espécies de musgos, 
oito gêneros de hepáticas e 75 espécies de fungos (apenas oito macroscópicas) na 
Antártica. Nas rochas, onde as aves fazem os seus ninhos, a alga verde terrestre 
Prasiola crispa é comum. Algas azuis, as cianofícias, são frequentes também. 
Quanto à fauna, a Antártica tem cerca de 200 espécies endêmicas de peixes, 
em geral, de tamanho pequeno, com menos de 25 cm de comprimento, raramente 
chegando a 50 cm. A maioria tem crescimento lento e grande longevidade. O 
krill (Euphausia superba) é a principal fonte de alimentação da maioria dos peixes 
antárticos. É um crustáceo muito semelhante ao camarão, que não ultrapassa 6 
cm de comprimento e pesa, no máximo, 1,5 g.
Existem 85 espécies de krills, que vivem em grupos de milhares e 
constituem uma biomassa de cerca de 5 bilhões de toneladas. Baleias, aves e 
pinguins também usam o krill como fonte de energia. As baleias ingerem cerca 
de uma tonelada de krill num único almoço. O krill integra uma complexa rede 
alimentar, que começa com os fitoplânctons, o seu alimento. Barcos pesqueiros 
japoneses e noruegueses o pescam intensamente.
As aves antárticas compõem sete famílias: Spheniscidae (pinguins, 18 
espécies); Stercorariidae (skuas, duas espécies); Laridae (gaivotas, três espécies); 
Phalacrocoracidae (cormorão, uma espécie); Procelariidae (petréis, três espécies, e 
a pomba-antártica, uma espécie); Diomedidae (albatroz, três espécies); Oceanitidae 
(andorinhas-do-mar, uma espécie).
Os pinguins são os representantes mais comuns do reino Arquinótipo. 
O pinguim-imperador (Aptenodytes forsterii), que pode ter mais de um metro 
de altura e pesar 40 quilos, e o pinguim-de-Adélia (Pygoscelis adeliae) formam 
grandes colônias de milhares de indivíduos e são os únicos que vivem ao longo do 
litoral durante todo o ano. O pinguim-imperador forma colônias de mais de 300 
mil indivíduos. O krill é o principal alimento dos pinguins e os seus predadores 
são a foca-leopardo (Hydrurga leptonyx), a gaivota (Larus dominicanus) e as skuas 
(Chataracta spp). 
O estercorário (família Sterchoranïdae), ou skuas, são os maiores predadores 
do polo Sul. Alimentam-se de aves, filhotes e ovos de pinguins, filhotes de focas, 
restos de placentas das focas, animais mortos, em adiantado estado de putrefação.
TÓPICO 1 | OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
185
Prezado(a) acadêmico(a)!
Quanto às espécies, acesse o site: <http://www.inach.cl/portal_educa/antartica/antartica.
html> e <http://www.inach.cl/portal_educa/antartica/antartica.html>.Acesso em: 13 jul. 2010.
DICAS
Na Antártica ocorrem três espécies de gaivotas: Larus dominicanus, a 
gaivota-dominicana, Sterna paradisaea, a gaivota-do-Ártico (que nos respectivos 
invernos voa para o polo oposto no verão) e Sterna vitatta, a gaivota da Antártica. 
A família Laridae tem 90 espécies de gaivotas, das quais 20 vivem no Brasil. 
O hábitat preferido são as ilhas Shetland do Sul, que dividem com as focas e 
pinguins. Alimentam-se de peixes, ovos, roedores pequenos e restos de animais 
mortos e de plantas. O seu predador mais contumaz é o estercorário.
Outras aves na Antártica são o cormorão-da-Antártica (Phalacrocorax 
bransfieldensis), que pesca a 30 metros de profundidade e prende a respiração por 
um minuto. No Brasil, o biguá, P. olivaceus, representa a espécie. O cormorão 
é uma ave cosmopolita e, no reino Paleotropical, estende os seus domínios da 
Europa Ocidental até a Ásia e a Austrália. Outros procelários (família Procelariidae) 
na Antártica são Daption capense, o petrel, Macronecte giganteus, o petrel-gigante, 
Pagoroma nivea, o petrel-das-neves, Chionis alba, a pomba-antártica. 
O simpático albatroz (família Diomedeidae) é uma das aves mais 
cosmopolitas, mas a principal concentração se dá no Hemisfério Sul, nas ilhas 
Shetland do Sul e na Península Antártica. Há três espécies: Diomedea melanophris, 
o pelicano-negro, D. chrysostoma, pelicano-de-cabeça-cinza, e D. exulans, albatroz 
comum. 
Os invertebrados têm poucos representantes – tardígrafos (invertebrados 
com 1 mm de comprimento), ácaros (parasitas de aves e mamíferos, com menos 
de 1 mm), colêmbolos (insetos ápteros com 5 mm de comprimento), que vivem 
sob o musgo (STORER et al., 1991).
Dentre os mamíferos marinhos, duas ordens fazem parte da fauna antártica: 
Carnivora e Cetacea. Dentre os carnívoros estão a foca (família Phocidae) e o lobo-
marinho (família Othariidae). As focas estão representadas por diversos gêneros: 
a foca-elefante ou elefante-marinho (Mirounga leonina), a foca-branca (Lobodon 
carcinophagus), a foca-leopardo ou leopardo-marinho (Hydrurga leptonyx), a foca 
de Weddell (Leptonychotes weddelli) e a foca-de-Ross (Ommatohoca rossi).
As baleias são os maiores animais da Terra. Na ordem Cetacea incluem-
se também os golfinhos. “As baleias são classificadas em duas subordens – 
Odontoceti, baleias-com-dentes, e Mysticeti, sem dentes” (STORER et al., 1991, p. 
UNIDADE 3 | TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM
186
721). Na Antártica encontram-se a baleia-azul (Balaenoptera musculus), o maior 
animal do planeta, com 32 m de comprimento, e filhotes que nascem com 7 m 
de comprimento, a mink (Balaenoptera acutorostrata),a baleia-de-corcova ou 
corcunda (Megaptera novaeangliae) e a baleia fin (Balaenoptera physalus), dentre 
as baleias sem dentes. As únicas baleias com dentes são a orca (Orcinus orca), 
erroneamente chamada de baleia-assassina, e o cachalote (Physeter catodon) ou 
baleia-de-espermacete, com 18 m de comprimento. O espermacete é um óleo 
lubrificante produzido pela baleia, armazenado num reservatório localizado na 
cabeça. No estômago, ela produz o âmbar-cinzento, muito usado em perfumaria 
(STORER).
Prezado(a) acadêmico(a)!
Quanto às espécies de baleias, acesse o site: <http://www.antarcticconnection.com/antarctic/
wildlife/whales/index.shtml> Acesso em: 13 jul. 2010.
DICAS
2.5 REINO NEOTROPICAL
O reino Neotropical inclui a América do Sul, as Antilhas e grandes 
extensões da parte oriental da América Central. As condições paleogeográficas e 
paleoecológicas favoreceram o desenvolvimento e a manutenção de uma fauna e 
uma flora riquíssima em espécies. 
O reino Neotropical possui os seguintes biomas: floresta equatorial, 
floresta tropical, savanas ou cerrados, campos, manguezais e restingas tropicais. 
As relações existentes no reino Neotropical são muito semelhantes às relações 
já vistas anteriormente em outros biomas tropicais e equatoriais, mas em razão 
da localização, da complexidade e da atuação da população humana, os biomas 
neotropicais apresentam peculiaridades. Por exemplo, a floresta Amazônica, 
que se estende sob o equador, e a floresta tropical da encosta da Serra do Mar 
- a floresta Atlântica - exibem características que as diferem uma da outra. A 
floresta tropical da América Central tem características próprias. O cerrado, que 
é a savana neotropical, é muito diferente da savana africana ou da australiana, 
embora as suas relações dinâmicas tenham muitas semelhanças com as outras.
Há uma grande e complexa variedade de climas no reino Neotropical, o 
que levou ao desenvolvimento de hábitats diferentes – desde os superúmidos, 
como o clima equatorial, até o semiárido da caatinga e o clima de deserto, nas 
partes mais elevadas dos Andes e nas planícies do centro e do sul da Argentina.
TÓPICO 1 | OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
187
Strahler (1984) e Strahler e Strahler (1996) enquadram os climas neotropicais 
em dois tipos principais: climas de baixas latitudes e climas de latitudes médias. 
São climas governados por movimentos de massas de ar e por zonas frontais.
As massas de ar que atuam nos climas das baixas latitudes têm regiões-
fonte variadas: podem ser continentais tropicais, tropicais marítimas e equatoriais 
marítimas e continentais. As regiões-fonte encontram-se tanto nas zonas tropicais 
quanto nas subtropicais e incluem a zona de convergência intertropical, o cinturão 
dos ventos alísios e partes das células subtropicais de alta pressão. 
Na faixa de baixas latitudes, os climas predominantes são o equatorial 
úmido, o clima de monção das costas atingidas pelos ventos alísios, o tropical 
seco-úmido e o tropical árido (STRAHLER 1984; STRAHLER; STRAHLER, 
1996). Os tipos climáticos vão desde o extremamente úmido e quente, como o 
equatorial, ao extremamente quente e árido, como o desértico. Nas montanhas, 
como os Andes, as altitudes criam tipos climáticos com características muito 
especiais e contrastantes, como vertentes a barlaventos com chuvas torrenciais 
e vertentes, a sota-vento, semiáridas (sombra de chuva). A insolação é elevada 
nas altas latitudes, devido à rarefação do ar, e a radiação solar incide sobre a 
superfície quase sem encontrar barreira imposta pela umidade, que é baixa, e 
pelos aerossóis. A concentração de radiação ultravioleta é alta e pode causar 
danos ao homem e aos animais. 
As latitudes médias situam-se na zona de confronto de massas de ar 
tropicais e polares, as zonas de descontinuidades. Nas descontinuidades, a frente 
polar origina ondas ciclônicas, que se movem, ora na direção do equador, ou 
retrocedem para o Polo Sul, trazendo chuvas constantes, muitas vezes violentas 
tempestades. As frentes predominam a partir de meados do outono até meados 
da primavera seguinte, com uma ligeira queda no inverno, que é dominado, 
no Hemisfério Sul, pela massa polar atlântica. Na América Central, a atividade 
frontal é menor, mas ciclones e furacões são comuns. As células ciclonais podem 
aparecer em qualquer época do ano, sobretudo no verão. 
Essa variedade de climas com características e propriedades diferentes 
mantém os biomas no reino Neotropical, mas a presente distribuição da fauna 
e da flora se deve, sobretudo, à sucessão de fatores paleoambientais e genéticos, 
paralelamente a flutuações climáticas, que marcaram o Pleistoceno e o Holoceno. 
As variações dos ecossistemas ocorridas no Quaternário podem ser acompanhadas 
nos estudos de fósseis vegetais e animais, o que permite formar um quadro 
preciso dos paleoambientes para entender a paisagem atual.
Ao relacionar fatores geomorfológicos, climáticos, fitogeográficos, 
hidrológicos e ecológicos, Ab'Sáber (1977) agrupou a paisagem sul-americana 
em três grandes domínios paisagísticos: planaltos intertropicais do Brasil, das 
Guianas e de parte da Venezuela, que ele chamou de áreas nucleares; domínios 
transicionais das planuras e baixos platôs meridionais do sul do continente; e 
domínios de montanhas e altiplanos da Cordilheira dos Andes, controlados pelo 
clima de altitude.
UNIDADE 3 | TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM
188
A essas paisagens integradas, Ab'Sáber (1967, p. 1977) denominou 
domínios morfoclimáticos e fitogeográficos e as definiu como "[...] um conjunto 
espacial de certa ordem de grandeza territorial – de centenas de milhares a 
milhões de km2 de área – onde haja um esquema coerente de feições de relevo, 
tipos de solos, formas de vegetação e condições climático-hidrológicas". Essas 
paisagens integradas ocorrem sempre numa área típica, que Ab'Sáber chama de 
área core ou área nuclear. A área nuclear apresenta as características típicas, que 
são reflexo dos seus fatores naturais, mas que, à medida que se afasta do centro, 
vão se alterando gradativamente, para, mais adiante, dar lugar a outra paisagem. 
Essas áreas de transição compõem corredores que interligam e envolvem as áreas 
nucleares. Elas resultam de processos diferentes, que originaram vegetação, solos 
e formas de relevo particulares. (AB'SÁBER, 1977). 
As áreas de transição são extremamente complexas e podem apresentar 
fisionomias em mosaico de duas ou várias áreas nucleares, ou mesmo combinações 
totalmente diversas, que Ab'Sáber (1977) chamou de áreas-tampão – que não 
têm nenhuma relação direta com as áreas nucleares adjacentes. As paisagens-
tampão podem se localizar no centro das faixas de transição e se destacam da 
paisagem envolvente. Essas paisagens-tampão são formações fitogeográficas que 
se adaptaram às condições climáticas, edáficas e de relevo das zonas de transição. 
Ab'Sáber (1977) cita a zona dos cocais, as matas-de-cipó e as matas-secas como 
representantes mais típicos das áreas-tampão. Na verdade, são refúgios ou 
enclaves, que se estabeleceram numa época de clima e condições ecológicas 
diferentes das de hoje. 
Todas essas variações ambientais estão sujeitas diretamente ao comando 
de mudanças e flutuações climáticas. As condições climáticas, principalmente 
as regionais, são, em parte, responsáveis pelas formas de relevo, pelos tipos de 
solos, pela hidrografia e pela cobertura vegetal (BIGARELLA, 2003; ANDRADE-
LIMA; RIEHS, 1975). Segundo o tipo de clima, ocorria a degradação lateral ou a 
dissecação vertical, que moldavam a paisagem e lhe conferiam tipos específicos 
de formações geográficas, acompanhadas das respectivas faunas. Bigarella 
& Mousinho (1965, p. 17) “mostraram, estudando os sedimentos da região de 
Pariquera-Açu (Estado de São Paulo), que a degradação lateral é típica de um 
clima semiárido”. Naquelaregião, a morfogênese mecânica formou superfícies 
aplainadas e sedimentos grosseiros e finos. A dissecação vertical, característica da 
decomposição química de climas úmidos e quentes, produziu espessos regolitos, 
recobertos por densas florestas úmidas.
Nas épocas semiáridas, as florestas recuam para os biótopos em que a 
umidade possa ser mantida e, então, constituem refúgios para a fauna e para a 
flora. Viadana (2002: 26) cita Bigarella (1964), que estudou depósitos sedimentares 
em vários lugares do Brasil e mostrou que a ciclicidade do clima fica revelada 
nos sedimentos, o que permite calcular a idade das formações vegetais atuais. 
Bigarella (apud Viadana) mostrou, estudando sedimentos quaternários em 
diversas regões do país, que as glaciações causam a semiaridez, enquanto os 
períodos interglaciais umedecem o clima. Em 1970, Damuth e Fairbridge (apud 
TÓPICO 1 | OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
189
1990, p. 114; VIADANA, 2002, p. 34) “confirmaram a afirmação de Bigarella (1964, 
apud VIADANA) e de Leite e Klein, de que nos períodos glaciais o clima é frio e 
seco e nos períodos interglaciais é úmido e quente”.
Essas mudanças atingem diretamente os seres vivos e os obrigam a adaptar-
se a elas – ou perecer. Inúmeros refúgios formaram-se no Brasil e na América do 
Sul, devido a modificações do clima no Quaternário. Os refúgios acabam por se 
tornar centros de dispersão, de onde espécies de animais e de plantas migram tão 
logo as condições ambientais externas lhes permitam expandir. 
3 OS BIOMAS
Os reinos biogeográficos compreendem os biomas, embora os critérios de 
delimitação estejam baseados mais na forma das plantas submetidas a um tipo 
climático existente atualmente do que propriamente no nível de endemismo, na 
sua evolução e nas áreas de dispersão dos seres vivos.
Os biomas estão reunidos em quatro grupos principais, também chamados 
biócoros. São eles: florestas, savanas, estepes (pradarias, campos) e desertos.
Os reinos biogeográficos abrigam os seguintes biomas:
Reino Holártico – tundra, taiga, floresta temperada decídua, estepes e 
pradarias, deserto, vegetação mediterrânea.
Reino Paleotropical – deserto, estepe, savana, floresta tropical úmida.
Reino Australiano – deserto, estepes e pradarias, savana, floresta 
temperada decídua, floresta tropical úmida, vegetação mediterrânea.
Reino Neotropical – floresta tropical úmida, savana, estepe e pradaria, 
floresta temperada decídua, vegetação de montanhas.
A seguir, a descrição dos biomas, independentemente de reino ou região 
biogeográfica em que se encontram.
 
3.1 BIOMA DE TUNDRA
Nos limites do Polo Norte, entre 50o e 70o de lat. norte, está a tundra – 
vegetação de porte rasteiro, que enfrenta um clima cujo verão é de 6 a 10 semanas, 
com apenas quatro meses do ano ultrapassando 10o C, e invernos longos de 
temperaturas abaixo de zero grau. O nome tundra significa terra nua e deriva do 
finlandês tunturia. O ecossistema da tundra é muito recente e formou-se no fim 
UNIDADE 3 | TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM
190
da última glaciação, há cerca de 10 mil anos, quando o gelo começou a recuar e 
a expor a superfície nua das rochas. É o maior ecossistema da Terra, recobrindo 
cerca de 20% do planeta. 
No Hemisfério Sul, a tundra aparece apenas em pequenas ilhas ao largo 
da Antártida e Península Antártica. Nas altas montanhas, como nos Andes, ocorre 
uma cobertura vegetal fisionomicamente muito semelhante à tundra ártica, 
embora com flora diferente. É considerada tundra altitudinal.
A tundra distingue-se por quatro fatores: um período de crescimento 
vegetativo de menos de 50 dias entre a primavera e o outono seguinte; existência 
do permafrost, denominação do subsolo sempre gelado; precipitações inferiores a 
250 mm/ano concentradas no verão; baixa produtividade das plantas (inferior a 
1g de matéria seca por m2/dia), ou seja, a vegetação cresce muito lentamente. 
As temperaturas são extremas e no mês de julho, o mais quente, elas não 
chegam a 10º C. No inverno, as temperaturas podem chegar a 50º C abaixo de 
zero ou menos. As chuvas anuais não alcançam 250 mm.
O clima da tundra do Hemisfério Norte é controlado por massas de ar 
polares e árticas. Além da temperatura, a evaporação também é baixa. As massas 
árticas dominam no extremo norte da tundra, com os seus centros de alta pressão 
localizados no Oceano Ártico e na Groenlândia. “No interior dos continentes 
aparecem massas de ar polares continentais e polares marítimas” (STRAHLER, 
1984, p. 307). A frente polar ártica atua durante todo ano com tempestades 
violentas, que se movem para leste. 
Embora a tundra ártica cubra uma larga extensão espacial, a composição 
florística é muito pobre, resumindo-se a musgos, liquens, gramíneas, arbustos e 
ervas diversas.
Não existem árvores na tundra. As baixas temperaturas e os solos litólicos, 
em sua maioria, determinam faixas de vegetação, que se estendem a partir da taiga 
(floresta de coníferas, a última linha de árvores). Furley e Newey (1986, p. 225) 
apontam três faixas: “tundra alta, tundra média e tundra baixa”. As designações 
não se referem ao porte da vegetação, mas à latitude em que se acham elas.
A tundra alta envolve o Polo Norte, aparecendo no litoral setentrional 
dos continentes e em ilhas ao norte do Canadá. Nas ilhas, a vegetação é muito 
esparsa, formada por diminutas manchas de líquens, musgos e ervas. Em algumas 
depressões aparece o salgueiro-anão, a única espécie lenhosa. 
A tundra média aparece mais ao sul, onde as condições climáticas e 
edáficas permitem uma cobertura de maior porte, como as urzes sobre solos 
pobres (charnecas). Predominam juncos e turfas, espécies de áreas pantanosas.
 
TÓPICO 1 | OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
191
No extremo sul da região estende-se a tundra baixa, que recobre o norte 
do Canadá, o Alaska, o sul da Groenlândia e vastas áreas da Sibéria. São espécies 
lenhosas, como moitas de salgueiros e bétulas, ericáceas, musgos, líquens e ervas. 
“A família Saxifragaceae, plantas herbáceas ou arbustivas lenhosas, pouco comum 
no Brasil, inclui, dentre outras, o gênero Ribes, de onde se extrai a popular bebida 
groselha”. (JOLY, 1991, p. 362). 
A tundra baixa limita-se com a taiga. Entre ambas aparece um ecótono 
(faixa de transição entre ecossistemas), com espécies de ambas as formações, 
chamada de floresta da tundra, com manchas de pinheiros, abetos e larícios.
Walter (1986, p. 292) tem outra taxonomia para a tundra do Hemisfério 
Norte: “tundra de arbustos anões, equivalente à tundra baixa (ao sul); a tundra 
verdadeira de líquens e musgos, semelhante à tundra média; e o deserto frio, 
com vegetação esparsa entremeada de blocos rochosos soltos e afloramentos 
correspondendo à tundra alta (no extremo norte)”.
O permafrost, camada permanentemente congelada do subsolo, pode 
atingir, no norte do Hemisfério Norte, centenas de metros de profundidade, 
reduzindo-se para o sul, chegando até cerca de 25 cm de espessura. O permafrost 
dificulta o crescimento das plantas superiores, porque as raízes são impedidas 
de se aprofundar, e reduz a atividade de bactérias e fungos na decomposição 
da matéria orgânica. A matéria orgânica morta mal decomposta acumula-se 
na superfície, originando uma espessa camada de turfa. O permafrost impede a 
infiltração da água do degelo, que também se acumula à superfície e origina outro 
traço marcante da tundra: milhares de lagos pontilham a paisagem no verão, e se 
constituem habitats povoados por uma enorme multidão de aves e mamíferos.
Urzes são plantas da família Ericaceae, típicas de solos pobres, ácidos e mal 
drenados. As Ericáceas têm 82 gêneros com mais de 2.500 espécies, que aparecem nas 
regiões temperadas e subtropicais dos dois hemisférios. São plantas lenhosas, arbustivas, 
com folhas esclerófilas e flores muito vistosas.No Brasil, é muito comum nos jardins o 
Rhododendron spp, a azaleia, que floresce no inverno, e a Erica spp. Na Europa, cachimbos 
de boa qualidade são feitos de madeira de Erica spp. O nome urze foi introduzido pelos 
portugueses (JOLY, 1991, p. 535).
IMPORTANT
E
UNIDADE 3 | TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM
192
A umidade do solo regula a distribuição das plantas. Em solos bem 
drenados, como os litossolos, liquens e musgos predominam. Nos solos não 
encharcados, como nas encostas suaves de solos castanhos, gramíneas e arbustos 
anões de Vaccinium spp aparecem ao lado de ervas do gênero Dryas spp. Nos 
solos alagados dos brejos são comuns ciperáceas como Carex spp, e musgos como 
Hypnum spp, Sphagnum spp e Aulocomnium spp.
As plantas desenvolveram artifícios para enfrentar os fatores limitantes. 
Como o período favorável é curto, elas têm que aproveitar ao máximo o calor. “A 
alta latitude reduz a radiação solar e as plantas procuram no calor emitido pelo 
solo outra fonte de energia para compensar. Por esta razão, não são maiores que 
8 ou 10 cm” (FURLEY; NEWEY, 1986, p. 232). Os talos e folhas do salgueiro-anão 
(Salix herbacea), por exemplo, alastram-se sobre o solo e formam um emaranhado 
intrincado, que dificulta caminhar sobre ele. 
O metabolismo das plantas é lento devido ao frio, por isto, elas 
atingem idades avançadas: o salgueiro-do-Ártico (Salix arctica) vive 150 
anos, e o zimbro (Juniperus communis) ultrapassa os 300 anos. Liquens, como 
Rhizocarpon geographicum, podem viver por milhares de anos. “Os liquens usam 
convenientemente o calor do solo ou da superfície das rochas e a água do degelo, 
o que lhes faculta uma fotossíntese eficiente”. (FURLEY; NEWEY, 1986, p. 234)
Na curta estação de crescimento (primavera e verão), as plantas 
adaptaram-se a se desenvolver, reproduzir e, em seguida, entrar em dormência 
para se preparar para o inverno seguinte. As plantas fazem fotossíntese em baixas 
temperaturas e muitas espécies usam reservas de carboidrato estocadas nas 
raízes, talos e rizomas.
Do mesmo modo que as plantas, os animais da tundra também se 
adaptaram ao frio e também aos predadores. São representantes da fauna do 
Hemisfério Norte o boi almiscarado (Ovibus muschatus), a raposa-do-Ártico 
(Alopex lagopus), a ptármiga (Lagopus hyperboreus), dentre outros e que possuem 
adaptações como grossa camada de pele, impermeável ao frio e à umidade. A 
raposa pode suportar temperaturas abaixo de 50º C negativos sem interromper 
as suas atividades. A camuflagem é importante para escapar aos predadores. A 
raposa e o arminho (Mustela erminea) são marrons no verão e brancos no inverno. 
A pelagem branca é valiosa no mercado de peles e, por isso, sofrem ambos intensa 
caça.
Vaccinium é um dos 82 gêneros da família Ericaceae. Plantas lenhosas, típicas 
de solos ácidos, algadiços (JOLY, 1991, p. 534).
IMPORTANT
E
TÓPICO 1 | OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
193
Os lemingues (o lemingue marrom, Lemmus lemmus, e o lemingue de 
coleira, Dicrostonyx torquatus) não hibernam e nem armazenam reservas de 
alimentos para o inverno. No período frio, metem-se sob a neve, formando 
enormes colônias. Alimentam-se de raízes, sementes e musgos. Estes animais 
ocupam uma posição fundamental na cadeia alimentar da tundra. Fertilíssimos, 
procriam em todas as estações do ano, quando nascem de 8 a 10 filhotes. A fêmea 
pode procriar a partir da terceira semana de idade. O tamanho não passa dos 
15 cm e pesam apenas 50 g. Contudo, com um metabolismo intenso, têm que 
consumir de 40 a 50 kg de plantas por ano. “Uma colônia que ocupe uma área de 
1 a 1,5 ha arrasa mais de 95% da vegetação” (WALTER, 1986, p. 291). Nos túneis 
cavados na neve, a temperatura é de 10º C, enquanto na superfície pode estar 50º 
C abaixo de zero. Ao fim do inverno, emigram para outra área, deixando para trás 
um terreno arrasado. Na primavera, no entanto, gramíneas e ciperáves rebrotam 
rapidamente. 
A lenda popular diz que os lemingues se suicidam no verão. Na verdade, a 
cada quatro ou cinco anos há uma explosão populacional, se a comida é farta. Após 
devastar a região, partem à procura de outras áreas e o processo de devastação 
prossegue. A redução do alimento leva a uma drástica redução populacional e 
a colônia emigra. Nesse período de escassez, os lemingues constituem massas 
compactas de animais, que vagam pela tundra. Ao encontrar um braço de mar, rio 
ou lago, não hesitam em pular na água, pois são exímios nadadores. No entanto, 
muitos perecem afogados, devido ao cansaço da marcha. Gaivotas, peixes 
carnívoros, raposas, lobos e corujas fartam-se com tanta comida. São predadores 
do lemingue a skua (Catharacta skua), a raposa do Ártico, a doninha e a coruja. Por 
isso, a variação cíclica da população de lemingues atinge em cheio as populações 
dos predadores. Quando a população dos lemingues reduz-se, os predadores 
partem para outras presas, como a ptármiga e os esquilos, ou emigram para o sul. 
3.2 BIOMA DE TAIGA - FLORESTA BOREAL DE CONÍFERAS 
Localizada ao sul da tundra, entre as latitudes de 45o e 75o graus, a taiga 
forma um cinturão contínuo entre a América do Norte (Canadá e Alaska, uma 
estreita faixa no extremo oeste americano e pequenas manchas no norte dos EUA), 
o norte da Europa (norte da Escócia e Escandinávia), atravessava toda a Sibéria, 
e chega até o Japão. Na Sibéria, a taiga alcança a sua maior extensão norte-sul, 
estendendo-se por 1.600 quilômetros de território. O bioma de taiga no Hemisfério 
Sul é pouco expressivo em território. Na latitude correspondente à localização 
da taiga predomina oceano. Aparece pontualmente no sul do Chile, no extremo 
sul-ocidental da Austrália, na Nova Zelândia e na Tasmânia - apresentam uma 
cobertura semelhante na fisionomia, mas com flora muito diferente. 
UNIDADE 3 | TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM
194
A floresta tem uma fisionomia característica – árvores, muitas vezes com 
mais de 40 metros de altura, de copa com forma cônica quando jovem, com troncos 
retos, galhos curtos e folhas pequenas, estreitas, em forma de agulha (acícula), de 
onde advém o nome da floresta – aciculifólia.
“A tundra e a taiga têm origem pós-glacial, quando o gelo começou a 
recuar, há cerca de 10 mil anos” (WALTER, 1986, p. 276). A taiga ocupava, então, 
pequenos refúgios, e, graças ao clima mais úmido do Holoceno, pôde, então, 
avançar para colonizar as terras atuais, paralelamente à tundra, ao norte.
A floresta boreal estende-se nas áreas dominadas pelas massas polares 
continentais, frias, secas e estáveis – isto é, a região fonte do anticiclone continental. 
Além disso, é sempre invadida por massas árticas continentais, extremamente 
frias. As poucas chuvas concentram-se no verão, trazidas por ciclones móveis 
marítimos. 
As condições climáticas são extremas. O gradiente de temperatura entre 
verão e inverno cresce com as latitudes. Por exemplo, na cidade de Fort Vermilion, 
Província de Alberta, no Canadá, na latidude de 58o norte, a temperatura máxima 
absoluta do verão é de 14o C, a mínima absoluta no inverno, -27o C. São sete meses 
consecutivos de temperaturas abaixo de zero. “Em Yakutsk, na Sibéria, a 62o de 
latitude norte, a máxima absoluta é de 17o C, e a mínima, -43o C” (STRAHLER; 
STRAHLER, 1996, p. 214).
As precipitações não chegam, em muitos casos, a 300 mm anuais e se 
concentram sempre no verão. Em Fort Vermilion, o máximo se dá em julho, 
com 50 mm. O total anual é de 310 mm. No verão, o sol brilha durante 16 horas 
consecutivas em julho, mas no inverno o sol só aparece por cinco horas diárias 
(janeiro) (STRAHLER; STRAHLER, 1996, p. 214).
A maioria das coníferas é perenifólia. As copas são muito densas e o 
sub-bosque, por esta razão, é ralo. A umidade no interior da mata é elevada e o 
solo é recoberto por um denso tapete de musgos. A comunidade vegetalé pobre 
em espécies, predominando, em geral, uma ou duas espécies em vastas áreas. 
Entretanto, as populações são numerosas. Nos lugares mais bem drenados, mas 
ainda com alguma umidade, líquens e certas espécies de musgos são as espécies 
dominantes, e nos trechos onde o solo é mais úmido, arbustos baixos (Vaccinium 
spp, Empetrum spp) são os dominantes. O musgo Sphagnum spp. aparece apenas 
nas baixadas muito encharcadas. 
A forma cônica das árvores impede que a neve se acumule nos galhos. 
Isso evita que quebrem com seu peso. Se houver água suficiente, a fotossíntese 
se faz sempre, exceto no inverno, quando a água congela. A forma acicular das 
folhas diminui a superfície de contato com o ar, o que reduz a evapotranspiração 
no verão e na primavera preserva a água nas células. (SIMMONS, 1982, p. 130).
TÓPICO 1 | OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
195
“A variação de latitude tem forte influência da composição florística da 
taiga”. Furley & Newey (1986, p. 242) dividem a floresta em três zonas: a floresta 
da tundra, a última linha de árvores, ao norte; a subzona de bosques, uma zona de 
transição, ao sul da floresta da tundra; e a floresta boreal. Esta última designação 
engloba toda a floresta da taiga.
A floresta da tundra é uma formação aberta de transição com árvores 
raquíticas, como lariços e abetos, lado a lado com arbustos, ervas e outras espécies 
da tundra. Na subzona de bosques, ao sul, a formação é mais densa, com um sub-
bosque muito denso. Aparecem abetos brancos (Picea glauca) e abetos negros (P. 
mariana). 
A taiga típica, a floresta boreal, é densamente povoada por coníferas 
de grande porte, bem desenvolvidas (abetos branco e negro e o bálsamo, Abies 
balsamea, são as espécies mais comuns). Pântanos e atoleiros nas depressões são 
rodeados por formações de abeto negro. Os bálsamos e o abeto branco preferem 
solos bem drenados e férteis.
Na América do Norte, quatro gêneros de coníferas predominam: o abeto 
vermelho (Picea), os pinheiros (Pinus), o abeto (Abies) e o lariço (Larix), este, o único 
gênero com espécies caducifólias. (WALTER, 1986, p. 267). Na costa do Pacífico, 
Picea glauca (abeto vermelho) é a espécie dominante, que se estende numa faixa 
contínua até a Terra Nova, no Atlântico. 
Na Europa, a dominância está a cargo de apenas duas espécies, o abeto 
vermelho (P. abies) e o pinheiro bravo (Pinus sylvestris). Na Sibéria, a flora é mais 
rica: os abetos Picea obovata, Abies sibirica, o lariço Larix sibirica e o pinheiro Pinus 
sibirica. Nas áreas de clima seco da Sibéria Oriental, em terrenos acidentados, 
longe da influência do Pacífico, a grande floresta de lariço dahuriano (Larix 
dahurica) recobria mais de 2,5 milhões de quilômetros quadrados (WALTER, 1986, 
p. 266). “Era uma formação aberta, com um sub-bosque denso de arbustos, ervas 
e briófitas” (FURLEY; NEWEY, 1986, p. 243), “hoje é praticamente inexistente 
devido ao desmatamento. A ação combinada do clima, solo, topografia, ação do 
fogo e a exploração humana são fatores atuais que interferem na distribuição e na 
variação florísticas” (FURLEY; NEWEY, 1986, p. 243)
Uma das características da floresta boreal é a competição entre as plantas, 
que determina a sua distribuição espacial. As coníferas consomem com grande 
rapidez os nutrientes do solo, restando poucos elementos úteis para o sub-
bosque, que, por isto, é formado por plantas pouco exigentes e raquíticas. Mesmo 
coníferas jovens, sobretudo os pinheiros, têm dificuldade em competir com as 
plantas adultas: têm que aguardar a morte de uma árvore velha para que possam 
se desenvolver convenientemente, livres da competição (WALTER, 1986, p. 268). 
A concentração de nutrientes é mais importante que a luminosidade para a 
composição florística do estrato herbáceo. Outro fator importante na distribuição 
das plantas é a resistência ao frio, que chega na Sibéria Oriental a -60º C. O lariço 
(Larix), que perde as acículas no inverno, é uma das poucas árvores que podem 
suportar temperaturas desta ordem.
UNIDADE 3 | TERRITÓRIOS BIOGEOGRÁFICOS, BIOMAS E A AÇÃO DO HOMEM
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Também a fauna tem participação na distribuição da floresta. Furley e 
Newey (1986, p. 245) agrupam os animais em categorias segundo os efeitos que 
causam na cobertura: dominantes, maiores influentes e menores influentes. Os 
dominantes agem sobre outros animais e plantas diretamente e, pois, controlam 
as comunidades. São o alce (Alces alces), que pisoteia o solo e muda a composição 
florística, erradicando muitas espécies, e também prejudicando outros animais. 
Entre os maiores influentes, agrupam-se os predadores de grande porte 
(os carnívoros) e mesmo o homem. Na última categoria estão os carnívoros 
invertebrados e os parasitas. 
Na costa ocidental da América do Norte, da Califórnia até o sul do 
Alaska, e também no sul da Austrália e no sul do Chile, aparece uma formação 
que pertence à floresta boreal, mas com características próprias, a floresta úmida 
das costas ocidentais. Na costa ocidental da América do Norte, a formação 
inclui a floresta de sequoias, coníferas sempre verdes, que podem alcançar mais 
de 100 metros de altura e estão entre as espécies mais longevas conhecidas – a 
idade das árvores ultrapassa, muitas vezes, os dois mil anos. Localizam-se onde 
predomina o clima oceânico das costas ocidentais. As chuvas são distribuídas 
no decorrer do ano graças à ação conjunta de tempestades ciclônicas e do efeito 
orográfico produzido pela proximidade das Montanhas Rochosas. No entanto, 
o máximo de chuvas se dá no inverno. No verão, o anticiclone subtropical do 
Pacífico invade a região, fazendo reduzirem as chuvas, porque desvia as massas 
polares e a frente polar para leste e sudeste. No inverno, as massas polares são 
desviadas para leste pelo efeito de Coriolis, impedindo que as temperaturas 
desçam a valores negativos na floresta e permanecem entre 1º e 2º C positivos 
em janeiro (STRAHLER; STRAHLER, 1996, p. 291). No entanto, a incidência 
das frentes polares aumenta com o recuo do anticiclone para o oceano durante 
os meses frios. No verão, em julho, a temperatura não ultrapassa os 17º C.
FONTE: Strahler e Strahler (1996, p. 291)
O podzol é o solo predominante. É um solo ácido e muito lixiviado. Há 
pouca atividade bacteriana, o que resulta numa espessa camada de húmus, que 
comporta razoáveis concentrações de cálcio, sódio e potássio. O teor de nutrientes, 
as chuvas abundantes, o inverno suave, são fatores primordiais para a floresta, 
que, então, abriga as maiores árvores do mundo.
“A sequoia vermelha (Sequoia sempervirens), a sequoia gigante (S. 
giganteum) e o abeto de Douglas (Psudotsuga taxifolia) são as espécies dominantes” 
(STRAHLER, 1986, p. 379). A sequoia vermelha e a gigante podem ultrapassar 
100 metros de altura e 20 metros de perímetro de tronco. 
O bioma de taiga no Hemisfério Sul não apresenta a mesma expressividade 
territorial e de diversidade. O Chile é influenciado predominantemente pela 
presença do Oceano Pacífico, de águas frias, devido à corrente de Humboldt, o 
que empurra as temperaturas para baixo. No sul do Chile a dominância é de 
espécies do gênero Nothofagus. Este gênero pertence à família Fagaceae, com 600 
espécies distribuídas em seis gêneros (JOLY, 1991, p. 228). “São árvores, em 
TÓPICO 1 | OS REINOS BIOGEOGRÁFICOS E OS BIOMAS
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geral, caducifólias, como N. obliqua, que forma extensas florestas”. (WALTHER, 
1986, p. 174). Mais para o sul, o clima torna-se superúmido, com as chuvas 
atingindo índices entre 2.000-3.000 mm anuais, e a floresta perenefólia é formada 
por N. dombeyia, com os gêneros de coníferas Austrocedrus e Podocarpus e a 
espécie Araucaria araucana. No extremo sul aparecem florestas de menor porte, 
denominadas localmente de florestas de Magalhães, com uma flora empobrecida 
pelas baixas temperaturas e árvores de porte reduzido, com 6-8 metros