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Lesões fundamentais
São como as letras de um alfabeto que unidas formam palavras, e destas, as frases, e por fim, um idioma. Da combinação de lesões fundamentais surgem os sinais morfológicos que caracterizam as doenças. As lesões fundamentais são alterações morfológicas que ocorrem na mucosa bucal e assumem características próprias, individualizadas e padronizadas. Juntamente com outros dados clínicos, pode-se identificar as patologias maxilofaciais. Não basta anotar a lesão, esta deve ser descrita como riqueza de detalhes de modo que outro profissional ao ler a ficha clinica possa visualiza-la claramente. 
O profissional deve ter em mente os fatores que podem produzir alterações nas lesões primarias. Uma história adequada das lesões é fundamental para o raciocínio diagnostico. Deve-se descrever o maior número de características da lesão, como a localização anatômica, consistência, coloração, tamanho, e identificação de benignidade ou malignidade.
Lesões benignas – geralmente são lesões capsulares, sem dor e não invade tecidos vizinhos.
Lesões malignas – lesões dolorosas e que invadem tecidos vizinhos.
Essas lesões são resultantes de processos patológicos básicos: 
Inflamatórios – processo agudos e crônicos 
Degenerativo 
Circulatório – edema
Tumorais
Metabólicos 
Defeitos de formação 
Mácula: ocorre apenas mudança de cor.
Pápula: ocorre apenas elevação, menos de 1 cm – mm, seu interior não contém líquido. 
Placa: ocorre discreta elevação. Alteração na cor. 
Nódulo: ocorre uma elevação maior que do na pápula, 1 cm. É uma pápula grande. Seu interior também não contém líquido. 
Vesícula: uma bolha pequena, com líquido ou semilíquido no seu interior, como pus, sangue ou saliva. Tem consistência mole.
Bolha: é uma vesícula grande, com líquido no seu interior. 
Pústula: ocorre antes da fístula romper. Seu interior contém pus.
Erosão: ocorre perda de epitélio. É uma lesão mais superficial. 
Úlcera: são as conhecidas aftas, ocorre exposição de tecido conjuntivo. 
Crosta: na pele ocorre em forma de casquinha. Na mucosa fica com aspecto amarelado, isso ocorre devido ao processo de cicatrização, onde se têm a formação de fibrina. 
Séssil: nódulo com base larga.
Pediculada: a lesão se movimenta, têm base fina.
Papilar: ocorre projeções digitiformes, caria em número.
Verrugosa: ocorre projeções em maior número. 
Aparecem na mucosa e na pele, sendo divididas em cinco tipos mais comuns:
Lesões enegrecidas: Manchas ou máculas
Perdas teciduais: Erosão e ulcera 
Lesões vesicobolhosas: Vesículas e bolhas 
Lesões brancas: Placas
Lesões elevadas: Nódulos e pápulas 
Lesões enegrecidas – manchas ou máculas
Manchas ou máculas: São alterações de coloração normal da mucosa bucal, sem que ocorra elevação ou depressão tecidual. Podem variar de tamanho, indo desde puntiformes até centímetros, coloração diferenciada como vermelho, preto, branco, e outras formas, números, distribuição, tamanho e contornos. Deve-se lembrar que, a coloração normal da mucosa é consequência de vários fatores entre eles a coloração do sangue circulante e dos pigmentos melânicos presentes no conjuntivo e no epitélio, que por transparência e reflexão interferem na coloração final da mucosa. 
Perdas teciduais – erosão e úlcera
Erosão, ocorre a perda tecidual superficial do epitélio. Ex: pacientes que realizam uso de medicamentos em comprimidos não indicados, mas usam diretamente na boca, os quais possui indicações de ingestão, podem causar queimaduras e consequentemente perdas teciduais de erosão. A ulcera é a exposição do tecido conjuntivo e terminações nervosas 
Lesões vesicobolhosas – vesículas e bolhas
Vesículas são como bolhas pequenas, medindo mm, e há presença de, contudo liquido no seu interior, e as bolhas são maiores que 1cm, e também possui liquido, como pus, sangue ou até saliva
Lesões brancas – placas
Placas, possui discreta elevação com alteração de cor
Lesões elevadas – pápulas e nódulos 
Pápulas, são pequenas elevações e no interior sem liquido. Os nódulos são maiores 
Crosta
Encontrada na mucosa e na pele. É devido ao processo de cicatrização.
Papilar
Possui projeções digitiformes, e varia em expressura tamanho e número. A verrugosa possui aumento no número de projeções. 
As lesões fundamentais são frequentemente divididas de acordo com suas características: 
Primárias: São caracterizadas por terem a forma inicial
Secundárias: São caracterizadas pela evolução das primarias 
Localização: É a determinação da posição e da região anatômica onde se localiza a lesão 
Limites: São demarcadas as estruturas anatômicas adjacentes a lesão 
Formas: Representa a forma geométrica com a qual a lesão se assemelha 
Cor: É descrita a cor predominantemente da lesão, como amarelada, enegrecida, esbranquiçada, acastanhada, azulada
Tamanho: É descrito em milímetros, medindo o eixo de maior diâmetro ou extensão aproximadamente da lesão
Base da lesão:
Séssil: quando a base da lesão é maior que o equador (base larga, lembra a forma de uma montanha)
Pediculada: quando a base da lesão é menor que o equador (lembra a forma de um cogumelo) 
Consistência: é descrita a resistência da lesão frente a pressão. 
Fibrosa
Borrachóide – mais flexibilidade
Esponjosa
Branca
Pétrea – dura
Elástica 
Textura: 
Brilhante
Opaca
Globosa – possui menor número de projeções 
Verruciforme ou verrugosa – maior número de projeções
Lisa
Rugosa – uma quantidade média de projeções 
Áspera 
Número: 
Refere-se a quantidade de lesões semelhantes presentes, quando houver presença de múltiplas anotamos a quantidade, se são simétricas, e sua proximidade as outras
Lesões enegrecidas – manchas ou máculas
São alterações da coloração normal da mucosa bucal, sem que ocorra elevação ou depressão tecidual. Podem variar em tamanho (desde puntiformes até centímetros), cor (vermelho, preto e branco, etc.) forma, número, distribuição, tamanho e contorno.
Deve-se lembrar que, a coloração normal da mucosa é consequência de vários fatores entre eles a coloração do sangue circulante e dos pigmentos melânicos presentes no conjuntivo e no epitélio, que por transparência e reflexão interferem na coloração final da mucosa.
Camada mais profunda: tecido conjuntivo
Camada média: tecido epitelial
Camada mais superficial: queratina 
Quando se depara com uma mancha, o clinico deve realizar um procedimento para avaliar a origem da lesão, chamado de vitopressão, que consiste em apoiar uma lamina de vidro sobre a pele ao nível de uma lesão, para apreciar a cor que ela apresenta quando é comprimida, ou seja, privada de sangue. Quando a lesão fica branca, tem origem vascular, quando não, a origem é pigmentar que pode ser endógena ou exógena
É comum usar essa técnica para o diagnóstico dos hemagiomas bucais, uma neoplasia benigna caracterizada pela proliferação de vasos sanguíneos. 
Manchas de origem sanguínea ou vascular – hipercrômica: Hipercrômica – são causadas pelo aumento do pigmento 
Púrpuras: extravasamento sanguíneo por trauma, discrasias sanguíneas (plaquetopenia inferior a 70.000) ou fragilidade capilar. Não desaparecem sob pressão e evoluem com mudanças de cores (azul, verde, amarelo) que, segundo critérios de dimensão, forma e cor, são classificadas em: 
Petéquias: extravasamento puntiforme e homogêneo, pequenas e múltiplas, de coloração vermelha subepitelial com menos de 1cm de diâmetro. Ex: paciente tosse bastante 
Equimoses: mancha hemorrágica idêntica, porem com tamanho maior que 1cm. Ex: pancada por trauma
Víbices: em forma de linha
Icterícia: cor amarelada
Manchas de origem sanguínea ou vascular – hipocrômica: 
Hipocrômica – são causadas pela diminuição ou ausência de pigmento: 
Vitiligo, com perda parcial ou total da pigmentação melânica 
Hanseníase ou também chamada de lepra, os sintomas incluem manchas claras ou vermelhas na pele com diminuição da sensibilidade, dormência e fraqueza nas mãos e nos pés. Geralmente se manifesta com surgimento de nódulos. 
Pitíriase é uma enfermidadecutânea que se caracteriza pelo aparecimento de manchas brancas, amarelas, acastanhadas ou róseas 
Podendo também ocorrer no albinismo, sendo muito raro 
Lividez, pode ser localizada: quando há isquemia no palato causada pela infiltração de anestésico local com vasoconstrictor ou agenesia vascular. Ou generalizada: causada por quadros de anemia ou leucemia, causa boca pálida e meio amarelada. No caso de anemia se faz o hemograma para confirmar e encaminhar para o médico. 
 
Manchas de origem pigmentar – hipercrômica: 
Origem endógena: Hereditária, ligada ao fator racial (pigmentação racial melânica) ou as inúmeras síndromes como doença de Addison e síndrome de Peutz-jeghers, entre outras. 
Síndrome de Peutz-jeghers: 
Popilose gastrointestinal (hematomas) 
Pigmentação muco cutânea 
Risco aumentado de neoplasia em múltiplos órgãos 
Doença de Addison: Insuficiência adrenal crônica ou hipocortisolismo 
Origem exógenas: Tatuagem por amalgama (Argirose), pode identificar através de radiografia, usa-se a técnica de diminuir o tempo de exposição para a radiografia ficar mais clara e conseguir a melhor visualização de possíveis restos de amalgama. Não causa problema algum para o paciente, e em casos estéticos, realiza a remoção para tentar amenizar a coloração escura. 
Lesões brancas – placas
Ligeira elevação, mais extensa do que alta, bem delimitada e consistente a palpação. 
Pode apresentar superfície lisa, rugosa, papulosa, ondulada ou com combinação de todas principalmente quando secada com gaze ou jato de ar, ou seja, na secagem fica mais evidente. 
Deve-se fazer uma diferenciação de lesão e hiperqueratose, que consiste em um espessamento de queratina, geralmente causado por exposição excessiva ao sol, causando um espessamento protetor.
Causas: pode ser traumática, infecciosa e hereditária.
Traumática: pode ser de origem mecânica, ex. próteses mal adaptadas, restos radiculares. Pode ser química, como produtos químicos e tabagismos, ou física como radiação solar. 
Infecciosa: é provocada por Candida albicans ou HPV. Não é consistente ao toque. Se sair na raspagem se confirma a Candida. 
Hereditária: está mais ligada a raça, e é sempre bilateral. Geralmente é leucoedema, nevo branco esponjoso. 
Outros: líquen plano, leucoplasia.
 
A manobra de semiotécnica indicada é a raspagem. Quando cede, estamos frente a uma pseudomembrana cujo diagnostico mais frequente é a candidose pseudomembranosa aguda. 
Seu diagnostico deve ser cuidadoso, pois em forma de placa podem apresentar-se patologias inócuas (hiperqueratose ou candidíase hiperplásica) e lesões cancerizáveis (leucoplasia e líquen plano).
Lesões elevadas – pápulas e nódulos 
Pápulas
Elevação circunscrita, bem delimitada, menor que 5 mm de diâmetro podendo ser séssil ou pediculada e no seu interior contém material sólido. Ex: grânulos de Fordyce, hiperplasia fibrosa inflamatória.
Nódulo 
Elevação circunscrita, bem delimitada, maior que 5 mm de diâmetro e menor que 3 cm, podendo ser séssil ou pediculada, no seu interior também contém material sólido. Ex: Fibroma, fibroma ossificante periférico.
Lesões vesicobolhosas – vesículas e bolhas
Vesícula 
Lesão elevada com conteúdo líquido em seu interior com até 3 mm de diâmetro. Ex: herpes, na fase de prurido toma aciclovir comprimido, quando as vesículas começam a estourar começa a usar o aciclovir pomada. 
Bolha
Lesão elevada com conteúdo líquido em seu interior com mais de 3 mm de diâmetro. Ex: mucocele, rânula, pênfigo vulgar.
Perdas teciduais – erosão e úlcera
Erosão
Perda parcial do tecido epitelial sem atingir o tecido conjuntivo adjacente. Ex: líquen plano erosivo, candidíase.
Úlcera
Perda do tecido epitelial com exposição do tecido conjuntivo adjacente. Ex: Carcinoma espinocelular, úlcera traumática.
Variações da normalidadeGrânulos de fordyce 
São glândulas sebáceas que ocorrem na mucosa oral. Como as glândulas sebáceas são consideradas tipicamente estruturas anexas da pele, aquelas encontradas na cavidade oral têm sido, muitas vezes, consideradas "ectópicas“. Contudo, pelo fato de os grânulos de Fordyce terem sido relatados em mais de 80% da população, a sua presença deve ser considerada uma variação anatômica normal.
Apresentam-se como múltiplas lesões papulares amareladas ou branco amareladas, mais comumente localizadas na mucosa jugal e vermelhão do lábio superior.
Ocasionalmente, estas glândulas podem também, aparecer na área retromolar e pilar amigdaliano anterior.
São mais comuns em adultos do que em crianças, provavelmente como resultado de fatores hormonais; a puberdade parece estimular o seu desenvolvimento.
Classicamente, as lesões são assintomáticas, embora os pacientes sintam uma leve rugosidade da mucosa.
Linha alba
É uma alteração comum da mucosa jugal, mais provavelmente associada a pressão, irritação por fricção, ou trauma por sucção da mucosa entre as superfícies vestibulares dos dentes. Nenhum outro problema associado, como as restaurações imperfeitas dos dentes, é necessário para o desenvolvimento da linha alba. A alteração consiste em uma linha branca, geralmente bilateral. Pode ser franzida, localizada na mucosa jugal, ao nível do plano oclusal dos dentes adjacentes. A linha varia em proeminência e é restrita a áreas dentadas.
Língua geográfica 
É conhecida também por Eritema Migratório ou glossite migratória benigna. É considerada uma afecção inflamatória da língua de causa desconhecida, de possível padrão hereditário e que acomete 1 a 2,5% da população em geral. Esta condição é caracterizada inicialmente pela presença de pequenas áreas de desqueratinização e descamação das papilas filiformes.
Além disso, a língua geográfica se apresenta com um aspecto eritematoso, de forma irregular, com margens brancas arqueadas e por vezes elevadas cuja distribuição pode alterar-se de forma contínua. As áreas de despapilação persistem por um período de tempo, normalizam e aparecem em outro local. Esse fato é que determina a denominação de migratória à condição.
Língua fissurada 
É relatada como tendo componente hereditário, sendo a anomalia congênita mais prevalente na cavidade bucal, estando presente em quase 6% da população. Apresenta como característica clínica fissuras com profundidade mínima de 2 mm, estendendo-se por 1/3 ou mais da língua.
Tórus e exostoses 
Os tórus são um crescimento ósseo protuberante, conhecido como hiperostose ou exostose, que ocorre na região mandibular ou palatina da cavidade oral. As hipóteses mais aceitas são: hereditariedade, hábitos parafuncionais e fatores ambientais. Não é uma patologia ou uma formação tumoral, mas uma peculiaridade anatômica rara, assintomática que, em geral, não causa danos ao paciente.
 
No caso de lesões por arma de fogo – chumbinho, a discrição da lesão deve ser feita com base no que se ver. Ex. presença de múltiplos círculos uniformes, radiopacos, sem acometimento de estruturas ósseas, sugestivo de projétil. 
Glossite rombóide mediana 
A glossite rombóide mediana é uma doença inflamatória que ocorre no dorso da língua. Apesar de benigna, ela pode ser confundida com processos graves pelo paciente ou por um observador inexperiente. A apresentação clínica mais comum da doença é uma vermelhidão ou um vermelho-esbranquiçado na parte mediana do dorso da língua, imediatamente anterior à região do V das papilas circunvaladas (sulco terminal).
A região avermelhada da mucosa pode ser plana ou elevada. Ela é normalmente bem circunscrita, com formato romboide e lisa. Ocasionalmente, existe um componente nodular ou o órgão pode estar lobulado. A textura pode ser similar a língua subjacente ou firme, e a superfície é relativamente macia. Às vezes observa-se candidíase do palato, mais comumente em pacientes imunodeprimidos. Os fatores causadores da doença são desconhecidos.
Varizes linguais 
Constituem uma condição comum em indivíduos com mais de 60anos de idade. Clinicamente, observam-se vasos de pequeno e médio calibre, de coloração azul violácea, múltiplos, sendo que a presença de vasos isolados é uma condição rara, podendo estar distribuídos pela mucosa bucal, mas muito mais frequentes em assoalho bucal e ventre lingual.
Não apresentam qualquer sintoma e geralmente são achados ocasionais em exames de rotina. O diagnóstico é clínico, devendo ser considerados idade do paciente, manifestações sistêmicas e varicosidades em outras regiões do corpo como, por exemplo, a presença de varizes nos membros inferiores.
Lesões que apresentam alteração de cor
Lesões brancas
Este grupo de lesões envolve desde lesões reacionais frente ao trauma mecânico (ex. queratose friccional), químico (ex. estomatite nicotínica), lesões fúngicas (ex. candidose pseudomembranosa), lesões autoimunes (ex. líquen plano oral), lesões potencialmente malignas (ex. leucoplasias) e lesões malignas (ex. carcinoma espinocelular).
Queratose irritativa / friccional
Placa branca única ou isolada, com superfície irregular e espessura variável provocada por fatores irritativos como dentes quebrados, grampos de próteses ou atrito da base da prótese sobre o rebordo. Estas áreas brancas resultam do aumento da produção de queratina como reação a este agente irritante.
Estomatite nicotínica 
Placa branca única e difusa localizada no palato com pontos avermelhados resultante principalmente do calor crônico provocado pelo tabaco. 
 
Candidíase pseudomembranosa 
Infecção fúngica cujo agente etiológico e a Candida albicans, geralmente superficial. A manifestação clínica são placas brancas removíveis à raspagem, geralmente associadas a uma alteração sistêmica como diabetes mellitus ou um estado de imunossupressão. Popularmente conhecida como “sapinho”.
Candidose hiperplásica 
Ocorre sobretudo, na mucosa retrocomissural, não removível a simples raspagem e geralmente associada a fatores locais como a perda da dimensão vertical. 
 
Queilite actínica
Alteração produzida pela exposição crônica a radiação ultravioleta (radiação solar). Ocorre na maioria das vezes na semimucosa labial inferior na forma de lesões brancas hiperqueratóticas, com perda do limite do vermelhão do lábio inferior com a pele. Pode apresentar descamação, áreas erosivas e eritematosas.
 
 
Líquen plano oral 
Doença mucocutânea crônica imunologicamente mediada por linfócitos T. Pode acometer a pele e a mucosa concomitantemente. A forma branca e denominada de reticulada. Ocorre principalmente na mucosa jugal bilateral, borda e dorso de língua e semimucosa labial. Tem curso crônico com períodos de remissão e exacerbação podendo estar associada a candidose pseudomembranosa. 
 
Leucoplasias 
Lesão predominantemente branca que não é removível à raspagem e que não pode ser caracterizada clinicamente ou histologicamente como outra doença. Se apresenta como manchas ou placas brancas únicas ou múltiplas, assintomáticas, mais comuns em mucosa jugal, gengiva e vermelhão do lábio. Quando localizada em língua e/ou assoalho, não homogêneas tendem a ser mais agressivas.
Carcinoma espinocelular 
Esta é a neoplasia maligna mais comum na mucosa oral e pode apresentar-se como uma placa branca sem sintomatologia. Normalmente ocorre na região de borda lateral de língua ou assoalho bucal. Também chamado de carcinoma de células escamosas. 
Lesões eritematosas Candidose 
Atrófica aguda: Na maioria dos casos resultante da perda da pseudomembrana esbranquiçada, ficando com coloração avermelhada. Ocorre por uso de antibióticos e outros medicamentos, principalmente em dorso lingual. Atrófica crônica: Relacionada a uso de próteses: na área chapeável, notadamente em pacientes idosos. Relacionada à queilite angular: infecção secundária das comissuras labiais por perda da dimensão vertical.
Líquen plano oral 
Doença mucocutânea inflamatória crônica com repercussão oral. Sob o aspecto clínico avermelhado apresenta-se em suas formas atrófica, erosiva e eritematosa.
Eritroplasia 
Termo clínico que se refere à mancha vermelha aveludada em mucosa oral, potencialmente maligna.
Lesões pigmentadas
Pigmentações exógenas 
Tatuagem por amálgama
Clinicamente as lesões de tatuagem por amálgama geralmente são únicas e se evidenciam como manchas enegrecidas, azuladas ou acastanhadas. Os locais de maior ocorrência são a gengiva ou mucosa alveolar e mucosa jugal.
Pigmentações endógenas 
Pigmentações melânicas
Dentre as lesões pigmentadas é a mais comum, não tendo predileção por sexo, sendo mais comuns em pessoas da raça negra, asiática, mediterrânea e seus descendentes. Pode-se apresentar clinicamente como pigmentações melânicas multifocais e difusas. Acometem principalmente gengiva marginal livre e gengiva inserida mas podem ser observadas nas demais mucosas. 
Lesões proliferativas 
Consideradas lesões que se apresentam como pápulas ou nódulos, exofíticos ou submucosos. Por isso, nestes casos, a definição do diagnóstico final só é possível a partir da biópsia e do exame histopatológico. Entretanto, o conhecimento das principais características clínicas, localização preferencial, entre outros fatores importantes, pode auxiliar no estabelecimento do diagnóstico diferencial. 
Não neoplásicas
Hiperplasia fibrosa inflamatória 
Lesão reacional causada por um trauma crônico de baixa intensidade (próteses desadaptadas ou com câmara de sucção, dentes fraturados e hábitos nocivos. Caracteriza-se por um aumento tecidual de tamanho variável (poucos milímetros até vários centímetros), superfície lisa ou lobulada, crescimento lento, com localização variável, pois depende do trauma. 
Em certas lesões é difícil identificar com clareza que há participação de agente irritativo. Localização mais comum: palato, rebordo alveolar, fundo de sulco e mucosa jugal.
Lesões periféricas de células gigantes 
É idêntica à lesão central de células gigantes do ponto de vista microscópico, mas sua origem é do ligamento periodontal. Por isso é importante definir através da avaliação clínica (exames clínico e radiográfico) se a lesão tem origem intraóssea ou se cresceu a partir dos tecidos moles. Alguns aspectos podem ser desencadeantes: trauma, irritação local ou exodontias recentes. 
A lesão é restrita à gengiva ou rebordo alveolar edêntulo, com coloração que varia do vermelho ao vermelho azulado, séssil ou pediculada. A superfície pode ser lisa, lobulada e até mesmo ulcerada, geralmente em decorrência de algum trauma. Mesmo um pequeno trauma ou sondagem leva ao sangramento. Radiograficamente, pode haver uma erosão do tecido ósseo, causada pelo crescimento da lesão
Fibroma ossificante periférico 
Lesão nodular de natureza reacional, representa um crescimento de tecido mole com focos de tecido mineralizado no interior. Apresenta-se como nódulo, em geral séssil, localizado exclusivamente em gengiva inserida ou papila interdental, coloração varia de vermelho ao róseo, superfície lisa ou lobulada 
A radiografia periapical pode sugerir a presença de material calcificado no interior. O crescimento da lesão é lento e pode causar deslocamento dos dentes próximos. Mais comum em jovens entre 10 e 19 anos, sexo feminino, predileção pela maxila anterior (incisivos e caninos) 
Discrição de lesões
Hiperplasia fibrosa: lesão proliferativa de tecidos moles, não neoplásica. Causado pela má higienização da prótese ou mal adaptação da mesma. Tratamento: remoção cirúrgica.
Crescimento tecidual localizado no fundo de sulco vestibular na região mandibular, com base sessil, de coloração avermelhada e textura lisa
Melanoma oral: lesão maligna. Tratamento: exérese – é uma manobra cirúrgica utilizada para retirar uma parte ou a totalidade de um órgão ou tecido visando a finalidade terapêutica – de toda a lesão 
Lesão localizada na região antero inferior da gengiva inserida vestibular da mandibula, com coloração enegrecida, bordas irregulares, textura lisa e aspecto brilhante.
Leucoplasiabucal: mancha ou placa branca não removível a raspagem. Observa-se hiperqueratose, espessamento da camada córnea. Realizar a biopsia. Lesão potencialmente maligna. 
Lesão localizada a nivel de caruncula de parotida, discreta elevação de aspecto brilhoso, aparentando ser placa, e sugestivo de leucoplasia.
Líquen plano oral: doença crônica autoimune mediada por linfócitos T. 
Lesão branca com aspectos de estrias, localizada em dorso da língua bilateralmente.
Líquen plano oral: doença crônica autoimune mediada por linfócitos T 
Lesão ulcerada, na região de dorso lingual, com borda avermelhada, indicando início do processo inflamatório e a presença de fibrinas tentando reparar
Língua geográfica: ocorre perda das papilas nessas áreas. Não tem uma causa exata. 
Lesões erosiva localizadas no dorso da língua de cor avermelhada semelhante a cor dos tecidos com bordas esbranquiçadas, com aspecto liso.
Papiloma escamoso: lesão benigna, com projeções digitiformes. 
Lesão papilar de cor rósea semelhante a cor dos tecidos, com base pediculada de consistência mole e indolor.
Carcinoma de células escamosas: lesão maligna. Realiza-se remoção cirúrgica com margem de segurança.
Lesão localizada no rebordo posterior da maxila com aspecto rugoso brilhante de cor avermelhada e branca. 
Granuloma piogênico: lesão benigna. Biópsia excisional. 
Lesão nodular com base séssil de cor avermelhada semelhante aos tecidos, com aspecto liso e brilhante. Sangrante a manipulação.