Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Professor: Marlon Jorge Silva de Azevedo 
 
 
 
 
É expressamente proibido a reprodução total ou parcial de imagens ou texto deste 
produto inclusive quanto às características gráficas de seu conteúdo sem autorização 
escrita de seu autor, a violação de direitos autorais constitui crime (Código Penal, art. 
184, Lei nº 6.895 de 17/12/1980). 
 
 
Estudos Surdos no Ensino Superior 
3 
 
 APRESENTAÇÃO 
 
Aos Professores e Professoras, 
 
 É com satisfação que lhes apresento o material do aluno/Cursista 
referente ao Curso de Língua Brasileira de Sinais LIBRAS, incluído na Disciplina 
Curricular Obrigatória para a formação de professores. O “ Estudos Surdos no 
Ensino Superior” Tem como propósito apoiar e incentivar o desenvolvimento 
profissional de professores e especialistas para a aprendizagem e posterior 
utilização pedagógica da língua de sinais em sala de aula em qualquer ambiente 
educacional, lhes proporcionando a ampliação do conhecimento socialmente 
construído e poder exercer a sua cidadania e conhecer um pouco do sujeito 
surdo sua língua e sua cultura. 
 A ideia central desse material é favorecer o estudo e a aplicabilidade 
do ensino de língua de sinais, por meio da aprendizagem em parceria com os 
surdos da comunidade e sua localidade profissional onde esta inserida, 
favorecendo assim práticas que estimulem no desenvolvimento da comunicação 
entre surdos e não surdos. 
 O curso utilizar material impresso e vídeos que podem, além de 
ampliar o universo de conhecimento dos participantes, ajudar a elaborar 
propostas de trabalho com toda comunidade escolar, criando novas 
possibilidades de trabalho com os alunos para melhorar a qualidade de sua 
aprendizagem. 
 Esperamos que este curso colabore o processo de institucionalização 
de educação escolar dos surdos em nosso país, garantindo-lhes o respeito a sua 
diversidade sociocultural e uma educação de qualidade. 
 Desejo a todos um bom trabalho. 
 
 O autor 
4 
 
 
 
 
 
Conceito, o que é LIBRAS? ..............................................................06 
Clichês sociais/ Cumprimentos .........................................................08 
Alfabeto Manual.................................................................................11 
Empréstimo linguistico.......................................................................13 
Pedagogia Surda ..............................................................................14 
Inclusão e Exclusão ..........................................................................16 
História da Educação de Surdos.......................................................18 
Parâmetros .......................................................................................20 
Numeral: Cardinais/Quantidade e ordinais........................................24 
Identidade cultural surda na diversidade Brasileira ..........................26 
Características de sinais de pessoas ...............................................31 
Iconicidade e arbitrariedade ........................................................... 32 
Estrutura e variações linguísticas .....................................................33 
Estrutura sintática .............................................................................35 
Tempo/Dias de Semana ...................................................................37 
Meses/calendário .............................................................................39 
Pronomes pessoais ..........................................................................41 
Pronomes interrogativos ..................................................................44 
Família .............................................................................................48 
Quem são os surdos....................................................................... 51 
SÚMARIO 
5 
 
Lei 10.436 de 24 abril de 2002 ........................................................52 
Decreto 5.626 de 22 de dezembro 2005..........................................53 
Cores................................................................................................65 
Material escolar ............................................................................. 67 
Matérias disciplinas ....................................................................... 68 
Meios de transportes ..................................................................... 70 
Principais verbos em Libras .......................................................... 71 
O Congresso de Milão em 1880 .....................................................76 
Oralismo, Comunicação total, Bilinguismo, Comunicação Total e 
Atendimento Educacional Especializado ...................................... 78 
Documentos ....................................................................................80 
Estado Civil ................................................................................... 82 
Substantivos/Sinônimos ................................................................ 83 
Meios de comunicação e tecnológico............................................. 91 
Profissões / Especialidade ............................................................. 93 
Frutas ............................................................................................. 97 
Sinais Religiosos .......................................................................... 99 
Produções Literários em Libras ......................................................101 
Alimentos variados ........................................................................ 106 
Animais/Peixes............................................................................... 109 
Classificadores .............................................................................. 113 
 
 
 
6 
 
 
 
 
 
Língua Brasileira de Sinais –LIBRAS é a Língua oficial da comunidade surda 
brasileira, foi desenvolvida a partir da língua de sinais francesa, é uma língua 
gestual-visual, com estrutura gramatical própria, articulada através das mãos e 
da expressão facial e corporal, compostas pelos níveis linguísticos: o fonológico, 
o morfológico, o sintático e o semântico. O que diferencia as Línguas de Sinais 
das demais línguas é a sua modalidade visual-espacial, faz se necessário 
esclarecer também que a LIBRAS não é uma língua limitada, e não é universal, 
cada país possui a sua língua. 
 
A LIBRAS pois, ao contrario do que muitos pensam, ela não expressa somente 
informações concretas, mais também transmite, assim como qualquer outras 
línguas, ideias abstratas seus usuários podem discutir historia, literatura, política, 
poesia, esportes, filmes, teatro, humor, contar histórias etc... 
 LEI 10.436 de 24 de abril de 2002 no Art. 1o É reconhecida como meio legal de 
comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos 
de expressão a ela associados. 
 Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - 
Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de 
natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constitui um sistema 
linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de 
pessoas surdas do Brasil. 
 Art. 2o Deve ser garantido, por parte do poder público em geral 
e empresas concessionárias de serviçospúblicos, formas institucionalizadas de 
apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais - Libras como meio de 
comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil. 
Decreto 5.626 de 22 de dezembro de 2005, regulamenta a inclusão da libras 
como disciplina curricular, no Capitulo ll do Art. 3o A Libras deve ser inserida 
como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores 
CONCEITO O QUE É LIBRAS? 
7 
 
para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de 
Fonoaudiologia, de instituições de ensino, públicas e privadas, do sistema 
federal de ensino e dos sistemas de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios. 
 § 1o Todos os cursos de licenciatura, nas diferentes áreas do conhecimento, 
o curso normal de nível médio, o curso normal superior, o curso de Pedagogia e 
o curso de Educação Especial são considerados cursos de formação de 
professores e profissionais da educação para o exercício do magistério. 
 § 2o A Libras constituir-se-á em disciplina curricular optativa nos demais 
cursos de educação superior e na educação profissional, a partir de um ano da 
publicação deste Decreto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CLICHÊS SOCIAIS/ CUMPRIMENTOS 
OI! TUDO BEM! 
COMO É SEU! 
NOME! 
MEU NOME É!... PRAZER CONHECER-LO! 
BOM (@) 
DIA! TARDE! NOITE! 
9 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DESCULPA! POSSO AJUDÁ-LO! 
QUAL A SUA IDADE? 
ÓTIMO! COM LICENÇA! SORTE! 
MAIS OU MENOS! 
QUE SAUDADE! DE-ME UM ABRAÇO! MEUS SENTIMENTOS! 
10 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMO VAI VOCÊ! EU ESTOU BEM! 
MEU SINAL É! COMO É SEU SINAL! OBRIGADO! 
OK! DE NADA! 
OLÁ/TCHAU! 
11 
 
 
 
 
A datilologia (alfabeto manual): usada para expressar nomes de pessoas, lugares e 
outras palavras que não possuem sinal, estará representada pelas palavras 
separadas por hífen. 
Ex.: M-A-R-I-A, 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Exemplos de utilização do alfabeto: 
 
NOME DE LUGARES E SINAIS DESCONHECIDOS. 
NOME PESSOA, A-N-A, B-E-N-J-A-M-I-M 
O NOME DELA É M-A-R-I-A! 
 VOU VIAJAR PARAR-E-C-I-F-E! 
 EL@ COMPRAR CARRO C-O-M-O TER DINHEIRO? 
N-U-N-C-A ESQUEÇA QUE TE AMO! 
ALFABETO MANUAL 
12 
 
1. Treinamento do alfabeto manual, 
2. Faça seu nome em datilologia e de seus colegas, 
3. Você será capaz de descobrir os sinais feitos em datilologia 
apresentado pelo professor de libras. 
 
Espaço para rascunho: 
 
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
.................................................................................................................. 
1ª Ligue as palavras conforme 
 
LIBRAS 
LIVRO 
APRENDER 
ENSINAR 
CONVERSAR 
ESCOLA 
 
ESCOLA 
CONVERSAR 
LIBRAS 
APRENDER 
LIVRO 
ENSINAR 
13 
 
 
EMPRESTIMO LINGÜISTICO (É DENOMINADO QUANDO USAMOS O 
PORTUGUES SOLETRADO NO LUGAR DOS SINAIS) 
O sinal soletrado, ou seja, uma palavra da língua portuguesa que, por empréstimo, 
passou a pertencer à LIBRAS por ser expressa pelo alfabeto manual com uma 
incorporação de movimento próprio desta língua, está sendo representado pela 
datilologia do sinal em itálico. Exemplos: R-S “reais”, A-C-H-O, QUM “quem”, N-U-NC-
A, etc; 
 
 
DEUS É P-A-I 
 VAMOS PARA O B-A-R! 
N-U-N-C-AESQUEÇAQUE TE AMO! 
 
 
Na LIBRAS não há desinências para gêneros (masculino e feminino) e número 
(plural), o sinal, representado por palavra da língua portuguesa que possui estas 
marcas, está terminado com o símbolo @ para reforçar a idéia de ausência e não 
haver confusão. Exemplos: AMIG@ “amiga(s) e amigo(s)” , FRI@ “fria(s) e frio(s)”, 
MUIT@ “muita(s) e muito(s)”, TOD@, “toda(s) e todo(s)”, EL@ “ela(s), ele(s)”, ME@ 
“minha(s) e meu(s)” etc; 
 
Rascunho: 
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
.................................................................................................................. 
 
 
14 
 
 Porque precisamos de Pedagogia da diferença? 
 
Novos paradigmas estão se fazendo surgir no horizonte. E em contraste o ser 
outro e a sua alteridade despontam nas tramas do pós-moderno. A essência de 
ser, a identidade, a alteridade, a diferença surgem e se fazem marcos 
necessários da dinâmica interna da individualidade. Skliar( 2003) um atributo 
essencialista pode ter vigor como aspecto negativo para o modernismo e se 
infiltrar na educação. Atribuir uma ideia à essencialidade como uma deficiência, 
significa uma estratégia de pouca valia para com o que é antes de tudo uma 
atitude essencial. Uma estratégia onde as atitudes experiências de vida 
constituem no espaço outro da diferença. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É preciso antes de tudo, nos adentrarmos no espaço do pós-colonial. Entrar lá 
naquele espaço outro onde o “povo gosta de estar” ( Bhabha 2002). É preciso 
retomar aqui este aspecto da essencialidade do ser diferente, esta atitude 
experiencial e teoriza-la no seu aspecto de validade invertendo a lógica habitual 
de que tudo que é diferente de mim é maléfico. Assim temos o espaço positivo 
das diferenças entre os grupos, o espaço constitutivo do ser o outro na sua 
etnicidade, e instâncias culturais motivadoras, tais como a língua, o jeito de ser, 
15 
 
o modo de encarar a vida, em síntese a atitude experiencial de vivencia no 
essencial das diferenças comuns ao grupo, etnia ou povo. 
A diferença como pedagogia nos permite retomamos esta atitude experiencial, o 
aspecto essencial como inovador no processo de aprendizagem sem causar 
interferência na radicalidade do ser diferente, respeitando a alteridade. 
A pedagogia da diferença como pedagogia do surdo – Aspectos da pedagogia. 
Qual língua, qual currículo, qual professor, qual povo, qualcultura para que o 
surdo seja radicalmente o outro na sua essencialidade? 
1 –A língua que acompanha esta pedagogia é a Língua de Sinais. Deve ser a 
língua do surdo e desde cedo ele deve iniciar contatos com ela. Ela não é 
somente a sinalizada, senão também a língua de sinais escrita. 
2 – Os conteúdos para os surdos não devem ser inferiores aos dos ouvintes, 
inclusive devem ter outras noções vai ter de conviver numa sociedade ouvinte e 
isto não quer dizer oralização, mas como ser surdo hoje? Notadamente as 
crianças surdas gostam muito de informações sobre a sociedade em geral. 
3 – O português como língua estrangeira tem lugar especial nesta pedagogia 
além disso querem aprender outras línguas como o inglês. 
4 – O ambiente entra na pergunta por qual povo a pedagogia de surdos deve 
dotar. A essência dos surdos, sua pertença a um povo diferente, sua cultura e 
história. 
5 – Acompanha uma forte tecnologia direta para a aquisição visual do 
conhecimento. 
6 –Tecnologias de comunicação à distancia. 
Pedagogia da diferença e professores surdos 
Uma maiores dificuldades do professor surdo está na observância do processo 
educacional. Ele se sente um marginal, e ao mesmo tempo um revolucionário 
diante do processo educacional vigente que envolve o seu povo. Qual processos 
histórico, social e cultural teve o objetivo de apoiar exclusiva e amplamente sua 
visão da educação dos surdos? Consequentemente a sua ideia sempre foi 
16 
 
absorvida pelo processo colonial. Ela inclusive é tão repetida pelos modelos 
históricos como o oralismo e o bilinguismo que o declaram deficiente, o 
controlam, e lhe impõem na memória, no corpo, na historia esta visão inclusive 
lhe tirando o espaço da essencialidade. 
O espaço que o professor surdo encontra trata-se do espaço da luta interna 
entre diferença de ser e exigência de subordinação a esta milenar estratégia da 
aparente normalidade do ouvinte. 
 
Inclusão e exclusão? 
Nos encontramos defronte a uma narrativa e a um legado quando utilizamos a 
palavra diferença. Esta palavra mexe com seus adeptos. Obriga a um a 
reviravolta, uma atitude revolucionaria, a uma instabilidade, uma errância , uma 
busca teórica. Inclusive a implicância de visualizar que a diferença obriga a fazer 
uma inclusão na nas diferenças e devia-se pensar a exclusão das diferenças 
como um aspecto a ser trabalhado. No entanto isto não ocorre quando usamos 
a educação sob o aspecto formal da temporalidade moderna onde a inclusão 
significa excluir a deficiência e trazer para a normalidade e não significa como o 
pós-moderno sugere: incluir na diferença da alteridade. 
É evidentemente certo que com a educação que vigora hoje, incluir o surdo 
numa escola de surdos ou incluir o surdo numa escola de ouvintes tem a mesma 
significação como? Foi observado durante estas colocações, sem presença da 
representação do surdo em sua alteridade significativa, sem pedagogia da 
diferença não haverá inclusão escolar. A inclusão social acontece a parti da 
inclusão do surdo numa pedagogia da diferença onde o surdo constrói sua 
subjetividade como diferente do ouvinte. 
“ Sabemos desde Platão que a pedagogia é constitutiva de um olhar de cima. E 
para que este olhar seja possível temos que fabricar retórica e ontologicamente 
um abaixamento: a infância, o povo, os estudantes, os imigrantes, os imorais, os 
pobres, os desempregados, os trabalhadores, os consumidores, os jovens, os 
professores, os ignorantes, os selvagens... os outros..., sempre definindo por 
uma distancia: pelo que lhes falta, pelo que necessitam, pelo que não são, pelo 
17 
 
que deveriam ser, por sua resistência a submeter-se às boas intenções dos que 
tratam do que sejam como deveriam ser”( Larrosa 2003) 
E preciso considerar que os povos surdos são 
povos que constróem e reconstróem de maneira 
diferentes suas próprias culturas, suas formas de 
viver e de pensar a educação para as novas 
gerações. Essas múltiplas maneiras surdas de 
pensar, de relacionar-se com os ouvintes, de 
construir a vida são inspiradas para a superação 
de alguns dos grandes desafios da prática 
pedagógica constantes na inclusão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
 
 História da Educação de Surdos 
 
Primeira iniciativa de educação de surdos quando o professor francês surdo Ernest 
Huet, a convite de D. Pedro II, veio ao Brasil e preparou um programa que consistia 
em usar o alfabeto manual e a Língua de Sinais da França. Apresentou documentos 
importantes para educar os surdos, mas ainda não havia escola especial. Solicitou 
então ao imperador D. Pedro II um prédio para fundar uma escola. 
O filósofo grego Sócrates perguntou ao seu discípulo 
Hermógenes: “Suponha que nós não tenhamos voz ou língua, 
e queiramos indicar objetos um ao outro. Não deveríamos nós, 
como os surdos-mudos, fazer sinais com as mãos, a cabeça e 
o resto do corpo?” Hermógenes respondeu: “Como poderia ser 
de outra maneira, Sócrates?” (Cratylus de Plato, discípulo e 
cronista, 368 a.C.). 
Na Idade Média Os surdos eram sujeitos estranhos e objetos de curiosidades da 
sociedade; Aos surdos era proibido receberem a comunhão; Também existiam leis 
que proibiam os surdos de receberem heranças, de votar e, enfim, de usufruírem de 
todos os direitos como cidadãos. 
O monge beneditino Pedro Ponce de Leon (1510- 1584), 
defendeu o direito à herança. Fray de Melchor Yebra, de 
Madrid, escreveu livro chamado “RefugiumInfirmorum”, que 
descreve e ilustra o alfabeto manual da época. 
Samuel Heinicke (1729-1790), “Pai do Método Alemão” – 
Oralismo puro – iniciou as bases da filosofia oralista, onde um 
grande valor era atribuído somente à fala, na Alemanha. Em 
1778- Fundou a primeira escola de oralismo puro em Leipzig, 
inicialmente a sua escola tinha 9 alunos surdos. 
Idade Contemporânea até hoje Abade Charles Michel de 
L’Epée(1712-1789), em Paris conheceu duas irmãs gêmeas 
surdas que se comunicavam através de sinais, iniciou e 
manteve contato com os surdos carentes e humildes, 
procurando aprender seu meio de comunicação e levar a efeito 
os primeiros estudos sérios sobre a língua de sinais. Fundou a 
primeira escola pública para os surdos “Instituto para Jovens 
Surdos e Mudos de Paris” e ensinou inúmeros professores para 
surdos. 
 
19 
 
Em 1789 Abade Charles Michel de L’Epée morre. 
Na ocasião de sua morte, ele já tinha fundado 21 escolas para 
surdos na França e na Europa. 
 
Thomas Hopkins Gallaudet (1787-1851). Em 1864 foi 
fundada a primeira universidade nacional para surdos 
“Universidade Gallaudet” em Washington – Estados Unidos, um 
sonho de Thomas Hopkins Gallaudet realizado pelo filho do 
mesmo, Edward Miner Gallaudet (1837-1917). 
 
 
 
 
“Universidade Gallaudet” em Washington – Estados Unidos. 
 
Em 1855 Eduardo Huet, como professor surdo, com 
experiência de mestrado e cursos em Paris, chega ao Brasil 
sob beneplácido do imperador D.Pedro II, com a intenção de 
abrir uma escola para pessoas surdas. 
 
Em 1857 foi fundada a primeira escola para 
surdos no Rio de Janeiro – Brasil, o “Imperial 
Instituto dos Surdos-Mudos”, hoje, “Instituto 
Nacional de Educação de Surdos”– INES, no 
dia 26 de setembro. O dia do surdo é 
comemorado no dia 26 de setembro, homenagem 
à inauguração da primeira escola de surdos do 
Brasil em 1857, o INES (Instituto Nacional de 
Educação de Surdos).Em 1875, um ex-aluno do 
INES, Flausino José da Gama, aos 18 anos, 
publicou “Iconografia dos Signaes dos Surdos-
Mudos”, o primeiro dicionário de língua de sinais 
no Brasil. 
 
20O que é denominado de palavra ou item 
lexical nas línguas orais-auditivas, são 
denominados sinais nas línguas de sinais. O 
sinal é formado a partir da combinação do 
movimento das mãos com um determinado 
formato em um determinado lugar, podendo 
este lugar ser uma parte do corpo ou um 
espaço em frente ao corpo. Estas articulações 
das mãos, que podem ser comparadas aos 
fonemas e às vezes aos morfemas, são 
chamadas de parâmetros, portanto, nas 
línguas de sinais podem ser encontrados os 
seguintes parâmetros: 
 
 
 
1. Configuração das mãos: são formas das 
mãos, que podem ser da datilologia 
(alfabeto manual) ou outras formas feitas pela mão predominante (mão direita para os 
destros), ou pelas duas mãos do emissor ou sinalizador. Os sinais 
APRENDER,LARANJA e ADORAR têm a mesma configuração de mão; 
 
 
 
 
 
 
 
2. Ponto de articulação: é o lugar onde incide a mão predominante configurada, 
podendo esta tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro vertical (do 
meio do corpo até à cabeça) e horizontal (à frente do emissor). Os sinais 
TRABALHAR, BRINCAR, CONSERTAR são feitos no espaço neutro e os sinais 
ESQUECER, APRENDER e PENSAR são feitos na testa. 
 
2.1 ESPAÇO NEUTRO 
 
O sinal e seus Parâmetros 
APRENDER LARANJA ADORAR 
(( )) 
(( )) 
(( )) 
21 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.2 NA TESTA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.3 NO PEITO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2.4 NO BRAÇO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTELIGENTE 
TRABALHAR BRINCAR CONSERTAR 
LEMBRAR ESQUECER 
CORAÇÃO AMOR IDADE 
BRANCO CURSO EDUCADO 
22 
 
 
3. Movimento: os sinais podem ter um movimento ou não. Os sinais citados acima 
tem movimento, com exceção de PENSAR que, como os sinais AJOELHAR, EM-PÉ, 
não tem movimento; 
 
3.1 SEM MOVIMENTO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. Orientação: os sinais podem ter uma direção e a inversão desta pode significar 
idéia de oposição, contrário ou concordância número-pessoal, como os sinais 
QUERER E QUERER-NÃO; IR e VIR; 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PENSAR AJOELHAR EM PÉ 
QUERER NÃO-QUERER IR/VAI VIR/VEM 
ACENDER 
FECHAR ABRIR 
APAGAR 
23 
 
 
5. Expressão facial e/ou corporal: muitos sinais, além dos quatro parâmetros 
mencionados acima, em sua configuração tem como traço diferenciador também a 
expressão facial e/ou corporal, como os sinais ALEGRE e TRISTE. Há sinais feitos 
somente com a bochecha como LADRÃO, ATO-SEXUAL. 
Na combinação destes quatro parâmetros, ou cinco, tem-se o sinal. Falar com as 
mãos é, portanto, combinar estes elementos que formam as palavras e estas formam 
as frases em um contexto. 
Para conversar, em qualquer língua, não basta conhecer as palavras, é preciso 
aprender as regras de combinação destas palavras em frases. 
 
 
Sinais faciais: em algumas ocasiões, o sinal convencional é modificado, sendo 
realizado na face, disfarçadamente. 
 
 
 
 
 
5.1 Expressão corporal 
 
 
 
ANDAR DE MOTO SUSTO 
LADRÃO ATO-SEXUAL 
MAGRO GORDO ALEGRE TRISTE 
24 
 
 
 
 
NUMERAL CARDINAL 
 
 
 
 
 
 
O Número Cardinal é usado em: número do telefone e celular, número da caixa 
postal, número da casa, apartamento, número da conta no banco, número do sapato, 
placas de carro e moto, e quantidade e idade parti do número 5. 
 
Ex: 
 
1) Número seu telefone qual? 99530-1821 
2) Ônibus ir CENTRO número qual? 203 
3) Qual sua idade? 18 
4) Número seu sapato? 40 
5) Ônibus número 605. 
6) Número minha casa 3352 
 
 
 
 NUMERAL QUANTIDADE 
 
 
 
 
 
Há diferenças na configuração de mão e no posicionamento dos números de 1 a 4. 
Quantidade de canetas na mesa, quantidade de pessoas presentes, quantidade de 
ônibus....etc. 
 
Ex: 
1) Sala de aula tem 3 computadores 
2) Eu ter 2 canetas 
3) Em cima da mesa ter 4 pratos 
4) Ontem faltaram aula 3 alunos 
5) Ontem a Clara fez 1 aninho! 
6) Comprei 1 celular. 
 
NUMERAL: CARDINAL/QUANTIDADE/ORDINAIS 
25 
 
 
 
 
NUMERAIS ORDINAIS 
 
 
 
 
 
 
 
 
1) Eu morar apartamento 3° andar 
2) Conseguir 6° lugar corrida 
3) Fila banco eu 4° 
3) Brasil 1º lugar na Copa do Mundo de futebol. 
4) P-a-u-l-a foi a 2º no concurso para professor. 
5) Antes almoçar e jantar 1º orar. 
 
 
 
 
Em grupo: Escreva várias frases utilizando os números para cardinais, quantidade e 
ordinais, treine as frases para serem apresentada ao grupo. 
.....................................................................................................
.....................................................................................................
.....................................................................................................
.....................................................................................................
.....................................................................................................
.....................................................................................................
.....................................................................................................
.....................................................................................................
.....................................................................................................
.....................................................................................................
..................................................................................................... 
EXÉRCICIOS PRÁTICOS 
26 
 
 
 
 
Os conceitos de Surdez no que refere à diferença e à deficiência, o etnocentrismo da 
tradição oralista, as Identidades Surdas, o multiculturalismo são pontos relevantes neste 
trabalho. O enfoque deste trabalho é a Identidade Cultural Surda dentro do contexto 
multicultural, perpassando as várias fases da História dos Surdos, no contexto do 
oralismo, nas relações sociais, na sua trajetória para romper a homogeneidade, aos 
momentos atuais e desafios na educação. 
Surdez: diferença ou deficiência? 
A discussão sobre os termos diferença e deficiência se presta aos olhares, vivências, 
conhecimentos diversos da sociedade, do imaginário social e se faz necessário 
esclarecê-los. Portanto, a minha primeira tarefa é permear uma diversidade de conceitos 
e termos, particularmente nos campos da antropologia e da medicina. 
Ao longo do trabalho, a questão da surdez, estereotipada pelo imaginário social como 
algo deficiente, de menos valia e patológico, se fez testemunha de forma árdua e 
marcante. A discussão dentro de uma visão clínico-patológica não é o objetivo deste 
trabalho, visto que esta não é a perspectiva a ser aspirada pela Comunidade Surda, 
pelos pesquisadores Surdos e ouvintes. Estabelecer uma nova perspectiva que vise 
reconhecimento à Identidade Cultural Surda é a prioridade máxima. 
No transcurso deste trabalho, estes termos diferença e deficiência são usados e 
explicitados de forma a tornar claro o seu significado. Pretendo lançar um novo olhar 
sobre os Surdos, no que tange à Identidade Surda. 
Etnocentrismo: tradição oralista 
O Oralismo é uma filosofia educacional que propõe o ensino da língua oral para que o 
sujeito Surdo se integre ao mundo ouvinte, pressionando o ensino da fala como 
essencial, algo que lhe desse status, o que não corresponde às condições ideais para 
que o sujeito Surdo adquira linguagem e forme o pensamento. 
O etnocentrismo tem a tendência de postular a cultura dominante e vigente como padrão 
para as demais culturas, partindo do princípio de que os seus valores e a suacultura são 
superiores, os mais esmerados, os mais adequados. 
A questão do etnocentrismo é constantemente marcante na Educação dos Surdos, 
particularmente na tradição oralista, perpassando por vezes fragmentada e questionada 
nas representações sobre a surdez. E se faz necessária uma análise mais profunda 
dessa tradição oralista na Educação dos Surdos, mostrando as suas múltiplas facetas. 
Identidade Cultural Surda na Diversidade Brasileira 
 
27 
 
Ao longo deste século, a Educação dos Surdos vem assumindo uma concepção oralista, 
como Ideologia Dominante, através de uma visão clínica sobre o sujeito Surdo, o qual é 
tratado como deficiente, não se pensando na sua diferença linguística. 
A educação oferecida aos Surdos tem enfatizado demasiadamente o ensino da fala 
como suposta devolução da humanidade. Extremamente concentrados nesta tarefa, os 
educadores perdem de vista a importância da formação da Identidade e Cultura Surda 
para o Surdo, deixam de formá-los enquanto cidadãos críticos e muito pouco se 
confrontam a trabalhar o sentido real do conceito da eqüidade, a qual busca a igualdade 
sem, entretanto, eliminar a diferença. 
Como disse Skliar (1998: 07): "As ideias dominantes, nos últimos cem anos, são um 
claro testemunho do sentido comum segundo o qual os surdos correspondem, se 
encaixam e se adaptam com naturalidade a um modelo de medicalização da surdez, 
numa versão que amplifica e exagera os mecanismos da pedagogia corretiva, 
instaurada nos princípios do século XX e vigente até nossos dias. Foram mais de cem 
anos de práticas enceguecidas pela tentativa de correção, normalização e pela violência 
institucional; instituições especiais que foram reguladas tanto pela caridade e pela 
beneficência, quanto pela cultura social vigente que requeria uma capacidade para 
controlar, separar e negar a existência da comunidade surda, da língua de sinais, 
das identidades surdas e das experiências visuais, que determinam o conjunto de 
diferenças dos surdos em relação a qualquer outro grupo de sujeitos." (grifo meu) 
Nesse sentido, a negação da Cultura Surda, da Língua de Sinais, das Identidades 
Surdas é inerente à tradição oralista imperativa nas escolas, com o pressuposto de que 
o Surdo é estigmatizado como deficiente auditivo, que carece de educação oralista, que 
sofre de patologia, necessitando de especialistas para restituir-lhe a fala. 
Identidades Surdas: conceitos e heterogeneidades 
O estudo da identidade se fez presente de forma árdua. Foram diversos os autores 
pelos quais embarquei procurando definir, discutir, analisar e, apesar do termo ser 
amplo, muito discutido nas pesquisas contemporâneas, me aterei apenas às 
descobertas da autora Gladis Perlin, particularmente às Identidades Surdas. 
Para PERLIN (1998: 52) a identidade é algo em questão, em construção, uma 
construção móvel que pode freqüentemente ser transformada ou estar em movimento, e 
que empurra o sujeito em diferentes posições. 
Conceituar a identidade é dizer que a mesma não é inata, está em constante 
modificação, partindo da descoberta, da afirmação cultural em que um certo sujeito se 
espelha no outro semelhante, criando uma situação de confronto, e ainda segundo 
PERLIN (1998: 53), a identidade surda sempre está em proximidade, em situação de 
necessidade com o outro igual. O sujeito surdo nas suas múltiplas identidades sempre 
está em situação de necessidade diante da identidade surda. 
Para discutir as experiências vivenciadas pelos sujeitos Surdos na sua Identidade Surda, 
através da construção, resistência, batalha e dominação em vista da presença 
28 
 
hegemônica ouvinte, usarei um conjunto dos termos, não podendo dissociá-lo do 
processo histórico. 
Gladis Perlin critica a influência do poder ouvintista que prejudica a construção da 
Identidade Surda: É evidente que as identidades surdas assumem formas multifacetadas 
em vista das fragmentações a que estão sujeitas, face à presença do poder ouvintista 
que lhes impõem regras, inclusive, encontrando no estereótipo surdo uma resposta para 
a negação da representação da identidade surda ao sujeito surdo. 
O termo identidade, que melhor atende à temática surdez, é usado na busca do direito 
de ser Surdo. De acordo com a trajetória vivenciada pelos sujeitos Surdos, nas suas 
lutas e intempéries, o tema (re)construção da Identidade Surda é sempre usado ao 
responderem à pergunta – o que é ser Surdo no Brasil? 
Ao longo do último século, tem sido travado um verdadeiro embate imposto por alguns 
Surdos ao redor do mundo, devido ao processo histórico da colonização sobre os 
sujeitos Surdos, no que se refere à medicalização, à normalização, levando à 
degradação da Língua de Sinais, da Cultura Surda, das Identidades Surdas. Em 
resposta a essa colonização, o Movimento Surdo tem dado início à criação de 
Associações de Surdos como uma resistência contra a cultura dominante, contra a 
ideologia ouvintista. 
O foco do nosso olhar é o sujeito Surdo, com suas peculiaridades. O termo Surdo é 
carregado, no imaginário social, de estigma, de estereótipo, de deficiência, e significa a 
urgência da necessidade de normalização, em antagonismo ao conceito da diferença, 
como disse PERLIN (1998: 54): o estereótipo sobre o surdo jamais acolhe o ser surdo, 
pois imobiliza-o a uma representação contraditória, a uma representação que não 
conduz a uma política da identidade. O estereótipo faz com que as pessoas se 
oponham, às vezes disfarçadamente, e evitem a construção da identidade surda, cuja 
representação é o estereótipo da sua composição distorcida e inadequada. 
Afirmo a necessidade de uma nova visão sobre o sujeito Surdo, que é diferente e não 
deficiente. Por que não podemos repensar o nosso olhar? O que o sujeito Surdo tem de 
diferente? Segundo PERLIN (1998: 56) ser surdo é pertencer a um mundo de 
experiência visual e não auditiva. Viver uma experiência visual é ter a Língua de Sinais, 
a língua visual, pertencente a outra cultura, a cultura visual e lingüística. 
Há de se considerar outro conceito da Identidade Surda, de relevância política, dentro do 
multiculturalismo, de igual importância para outros movimentos sociais, pela batalha 
contra a ideologia dominante: a Identidade Política Surda. É um movimento pela força 
política em prol da nossa diferença... é uma luta contra o estigma, contra o estereotipo, 
contra o preconceito, contra a deficiência e especialmente contra o poder do ouvintismo. 
Cultura Surda no multiculturalismo 
Discussões referentes à Cultura Surda têm sido travadas nos dias atuais, levando à 
impossibilidade de definir sobre o que seja a Cultura Surda. Entretanto, algumas 
questões serão levantadas com o pressuposto de seguir os estudos culturais, que 
propõem pensar a surdez numa perspectiva antropológica. 
29 
 
O multiculturalismo se expressa, como sucessão no mundo contemporâneo, para que os 
sujeitos sociais valorizem, expressem suas diferenças, suas culturas específicas, em 
busca da afirmação cultural. É um movimento social em oposição a todas ações 
homogeneizadas da vida social. É uma oposição a todas as tentativas dos outros a 
imprimirem a cultura dominante, vigente sobre uma outra cultura pré-existente: a Cultura 
Surda. 
Comunidade e Cultura Surda do Brasil 
 As comunidades surdas estão espalhadas pelo país, e como o Brasil é muito grande 
e diversificado, as pessoas possuem diferenças regionais em relação a hábitos 
alimentares, vestuários e situação socioeconômica, entre outras. Estes fatores geraram 
também algumas variações linguísticas regionais. As escolas de surdos, de surdos, 
mesmo sem uma proposta bilíngüe (língua portuguesa e língua de sinais), propiciam o 
encontro do surdo com outro surdo, favorecendo que as crianças, jovens e adultos 
possam adquirir e usar a LIBRAS. Em muitas escolas de surdos há vários professores 
que jásabem ou estão aprendendo com “professores surdos” a língua de sinais, além de 
oferecer cursos também para os pais destas crianças. 
Cultura surda é o jeito de o sujeito surdo entender o mundo e de modifica ló a fim de se 
torná-lo acessível e habitável ajustando-os com as suas percepções visuais, que 
contribuem para a definição das identidades surdas e das “almas” das comunidades 
surdas. Isto significa que abrange a língua, as ideias, as crenças, os costumes e os 
hábitos de povo surdo. Descreve a pesquisadora surda: 
IMAGENS CULTURA SURDA: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
[...] As identidades surdas são construídas dentro das representações possíveis da 
cultura surda, elas moldam-se de acordo com maior ou menor receptividade cultural 
assumida pelo sujeito. E dentro dessa receptividade cultural, também surge aquela luta 
política ou consciência oposicional pela qual o individuo representa a si mesmo, se 
defende da homogeneização, dos aspectos que o tornam corpo menos habitável, da 
sensação de invalidez, de inclusão entre os deficientes, de menos valia social.(PERLIN, 
2004, p. 77-78 
Continuando com os mesmos autores, Padden e Humphires (2000, p. n5) 
estabeleceram uma diferença entre cultura e comunidade: 
[...] uma cultura é um conjunto de comportamentos apreendidos de um grupo de 
pessoas que possuem sua própria língua, valores, regras de comportamento e tradições; 
uma comunidade é um sistema social geral, no qual um grupo de pessoas vivem juntas, 
compartilham metas comuns e partilham certas responsabilidades umas com as outras. 
 
IMAGENS DE ARTEFATOS CULTURAIS: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
31 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 ATIVIDADE: Os alunos devem informar para o professor, os sinais ou 
característica que possuem para ser batizado um sinal de identificação. 
 
 
 
Características de sinais de pessoas 
Os sinais de características da pessoa podem ser tirado através da aparência: 
letra do nome, altura, pinta no corpo, altura, olhos, cabelo, números, etc.. 
 
ALTO LOIRO BAIXO OBESA 
BIGODE OU BARBA CORPO OU CABELO MARCAS 
32 
 
ICONICIDADE E ARBITRARIEDADE 
 
A modalidade gestual-visual-espacial pela qual a LIBRAS é produzida e percebida 
pelos surdos leva, muitas vezes, as pessoas a pensarem que todos os sinais são o 
“desenho” no ar do referente que representam. É claro que, por decorrência de sua 
natureza linguística, a realização de um sinal pode ser motivada pelas características 
do dado da realidade a que se refere, mas isso não é uma regra. A grande maioria 
dos sinais da LIBRAS são arbitrários, não mantendo relação de semelhança alguma 
com seu referente. Uma foto é icônica porque reproduz a imagem do referente, isto é, 
a pessoa ou coisa fotografada. Assim também são alguns sinais da LIBRAS, gestos 
que fazem alusão à imagem do seu significado. 
 
 
Vejamos alguns exemplos entre os sinais icônicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SINAIS ARBITRÁRIOS 
São aqueles que não mantêm nenhuma semelhança com o dado da realidade que 
representam. Uma das propriedades básicas de uma língua é a arbitrariedade 
existente entre significante e referente. Durante muito tempo afirmou-se que as 
línguas de sinais não eram línguas por serem icônicas, não representando, portanto, 
conceitos abstratos. Isto não é verdade, pois em língua de sinais tais conceitos 
também podem ser representados, em toda sua complexidade. 
 
Exemplos: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 CONVERSAR
R 
PESSOA PERDOAR 
ÁRVORE TELEFONE BORBOLETA 
33 
 
 
ESTRUTURA VARIAÇÕES LINGÜÍSTICAS 
 
Na maioria do mundo, há, pelo menos, uma língua de sinais usada amplamente na 
comunidade surda de cada país, diferente daquela da língua falada utilizada na 
mesma área geográfica. Isto se dá porque essas línguas são independentes das 
línguas orais, pois foram produzidas dentro das comunidades surdas. A Língua de 
Sinais Americana (ASL) é diferente da Língua de Sinais Britânica (BSL), que difere, 
por sua vez, da Língua de Sinais Francesa (LSF). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ex.: NOME EM LIBRAS. EX: NOME EM ASL. 
 
 
Além disso, dentro de um mesmo país há as variações regionais. A LIBRAS 
apresenta dialetos regionais, salientando assim, uma vez mais, o seu caráter de 
língua natural. 
VARIAÇÃO REGIONAL: representa as variações de sinais de uma região para outra, 
no mesmo país. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ex.:VERDENO AM. VERDE EM SP/RS. VERDE EM PR. 
 
VARIAÇÃO SOCIAL: refere-se à variações na configuração das mãos 
e/ou no movimento, não modificando o sentido do sinal.Ex.:MAS 
 
 
 
34 
 
Podendo ser usando em diferentes formas contextuais. 
O sinal AJUDAR também vária dependendo do tema contextual. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O sinal CONVERSAR em contexto na língua de sinais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Sinal AVIÃO no Amazonas. Sinal AVIÃO no Rio e São Paulo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Sinal 1-SEMANA2-SEMANA 
35 
 
 
MUDANÇAS HISTÓRICAS: com o passar do tempo, um sinal pode sofrer 
alterações decorrentes dos costumes da geração que o utiliza. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTRUTURA SINTÁTICA 
 
A LIBRAS não pode ser estudada tendo como base a Língua Portuguesa, porque ela 
tem gramática diferenciada, independente da língua oral. A ordem dos sinais na 
construção de um enunciado obedece a regras próprias que refletem a forma de o 
surdo processar suas ideias, com base em sua percepção visual espacial da 
realidade. Vejamos alguns exemplos que demonstram exatamente essa 
independência sintática do português: 
 
Exemplo 1: LIBRAS: EU IR CASA. (verbo direcional) 
Português : " Eu irei para casa. " 
 
Para - não se usa em LIBRAS, porque está incorporado ao verbo 
Exemplo 2: LIBRAS: FLOR EU-DAR MULHER^BENÇÃO(verbo direcional) 
Português: "Eu dei a flor para a mamãe." 
Sinal BRANCO 
no passado... 
Sinal BRANCO de 
ontem... 
Sinal BRANCO no 
presente. 
Sinal AZUL 
passado... 
Sinal AZUL no 
presente. 
36 
 
 
Exemplo 3: LIBRAS: PORQUE ISTO (expressão facial de interrogação) 
Português: "Para que serve isto?" 
 
Exemplo 4: LIBRAS: IDADE VOCÊ (expressão facial de interrogação) 
Português: “Quantos anos você tem?” 
 
Há alguns casos de omissão de verbos na LIBRAS: 
Exemplo 5: LIBRAS: CINEMA O-P-I-A-N-O MUITO-BOM 
Português: “O filme O Piano é maravilhoso!” 
 
Exemplo 6: LIBRAS: PORQUE PESSOA FELIZ-PULAR 
Português: "... porque as pessoas estão felizes demais!" 
 
Exemplo 7: LIBRAS: PASSADO COMEÇAR FÉRIAS EU VONTADE... DEPRESSA 
VIAJAR 
 
Português: “Quando chegaram as férias, eu fiquei ansiosa para viajar.”Observação: 
na estruturação da LIBRAS observa-se que a mesma possui regras próprias; não são 
usados artigos, preposições, conjunções, porque esses conectivos estão 
incorporados ao sinal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
37 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEMPO/DIAS SEMANA 
(( )) 
ANO SEMANA MINUTO HORA 
MANHÃ CEDO DIA 
AMANHÃ
A 
ONTEM TARDE NOITE 
ANTEONTEM FUTURO PASSADO MADRUGADA 
38 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CHUVA FRIO CALOR ESTRÊLA 
VENTO PLANETA NEVE 
LUA 
HOJE/AGORA SEGUNDA TERÇA QUARTA 
QUINTA SEXTA SÁBADO DOMNGO 
LUA 
RELAMPAGO NUBLADO SOL 
(( )) (( )) 
(( 
)) 
)) 
39JANEIRO 
MESES/CALÉNDARIO 
 FEVEREIRO 
 MARÇO ABRIL 
 MÊS 
 MAIO 
JANEIRO FEVEREIRO 
)) 
(( 
)) 
)) 
40 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 JUNHO JULHO 
 AGOSTO SETEMBRO OUTUBRO 
NOVEMBRO DEZEMBRO 
(( 
)) 
)) 
(( 
)) 
)) 
41 
 
 
 
Pronomes pessoais: a LIBRAS possui um sistema 
pronominal para representaras seguintes pessoas do 
discurso: 
 
 
 
 
Primeira pessoa Singular: EU - apontar para o peito do 
enunciador (a pessoa que fala) 
 
 
 
 
 
Segunda pessoa Singular: VOCÊ - apontar para o 
interlocutor (a pessoa com quem se fala). 
 
 
 
Terceira pessoa Singular: ELE - apontar para uma pessoa 
que não está na conversa ou para um lugar convencional. 
 
 
 
 
 
Terceira pessoa Singular: TU- apontar para uma 
pessoa que não está na conversa ou para um lugar 
convencional. 
 
 
PRONOMES PESSOAIS 
42 
 
 
NÓS DOIS: A mão ficará com o formato da letra K, mais 
próximo da pessoa que fala. 
 
 
 
VOCÊS DUAS: A mão em forma da letra K, mais distante 
da pessoa que fala. 
 
 
VOCÊS TRÊS: A mão assume o formato de três 
((números quantidade) 
 
 
 
VOCÊS QUATRO: A mão assume o formato de quatro 
(números quantidade) 
 
 
 
NÓS TODOS: Usa-se o indicador girando sentindo um 
círculo. 
 
 
 
43 
 
 
 
1 Agora vou te ensinar os pronomes! 
2 Onde você mora? 
3 Ela é minha amiga! 
4 Onde você trabalha? 
5 Ele gosta do Flamengo! 
6 Nós dois vamos viajar juntos. 
 7 Você é bonita! 
 8 Tu alta e bela! 
 9 Eu gosto de namorar! 
 10 Ele não fuma! 
11 Nós três vamos almoçar juntos! 
 
12 Vocês duas são professoras? 
 
13 Vocês são inteligentes! 
 
14 Vocês dois são amigos! 
 
15 Elas duas foram ao cinema! 
 
16 Vocês todos precisam aprender libras? 
 
17 Eles dois não aprenderam libras! 
 
18 Nós três iremos pescar! 
 
19 Nós quatro fomos para o sitio! 
 
 20 Eles dois não aprenderam libras! 
21 Nós dois aprendemos libras! 
 
22 Vocês todos estudam na UEA 
ATIVIDADES A PARA SEREM TREINADAS EM GRUPO. 
44 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRONOMES INTERROGATIVOS 
QUE DIA? 
ONDE? PARA QUE? 
QUAL? 
COMO? 
POR QUE? 
QUANDO? QUE DIA? 
45 
 
 
 
 
 
 
 
1- BOM DIA, EU QUERO COMPRAR UMABLUSA. 
2- QUAL COR VOCÊ QUER? 
3- QUAL A MAIS BONITA? VERDE OU VERMELHA? 
4- A VERMELHA! 
5- OBRIGADO! 
 
 
 
 
 
1- COMO VOCÊVAI A ESCOLA ? DE CARRO OU DE ÔNIBUS? 
2- COMO TU QUERES VIAJAR SEM DINHEIRO? 
3- COMPRASTE ESTE CARRO PRA QUÊ? 
JÁ TENS UM IGUAL! 
EXEMPLOS : PRONOMES INTERROGATIVOS 
QUAL? 
COMO? 
PRA QUÊ? 
46 
 
 
 
 
 
POR QUEVOCÊ FALTOU CURSO ONTEM? 
- POR CAUSA DA CHUVA! 
 
 
 
 
 
1- COMO FOI A FESTA? 
2- PARA QUÊ COMPRASTE ESSA BLUSA? 
3- POR QUE FALTASTE A AULA? 
4- ONDE VOCÊ VAI? 
5- QUANDO É SEU ANIVERSÁRIO? 
6- POR QUE TU É MAGRO? 
7- POR QUE TU NÃO GOSTA DE MIM? 
8- COMO VOCÊ VAI PARA CASA, MOTO OU BICICLETA? 
9- ONDE É O BUMBÓDROMO? 
FALTOU TRABALHOPOR QUÊ? 
- PORQUE ESTAVA DOENTE! 
 
POR QUE? 
47 
 
 
 
 
ESPAÇO PARA ANOTAÇÕES. 
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
..................................................................................................................
................................................................................................................. 
 
 
EXERCÍCIOS: ATIVIDADE EM GRUPO, ELABORAÇÃO DE FRASES, REVISÃO 
AULA ANTERIORES. 
48 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FAMÍLIA 
MÃE 
MÃE PAI 
HOMEM MULHER 
IRMÃO IRMÃ 
FILHO FILHA 
49 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRIMO 
PRIMO PRIMA 
TIO TIA 
SOBRINHO SOBRINHA 
CUNHADO CUNHADA 
50 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MENINO 
NETO NETA 
AVÔ AVÓ 
MENINO MENINA 
51 
 
 
MONENCLATURA - PARA CONHECIMENTO E REFLEXÃO: 
Como chamar o portador desta deficiência? 
Deficiente Auditivo 
Surdo-mudo 
Mudinho 
Surdinho 
Surdo 
 
 
 
SURDO 
1. O posto do ser ouvinte, aquele que nasceu surdo, tem a incapacidade ou total da audição, 
Se comunica com a libras, entende pelos lábios. 
SURDO-MUDO 
2. Impossibilitado de falar; privado do uso de palavra por defeito orgânico, podendo omitir 
sons, mas como não ouve não sabe a fonética, se comunica com os gestos, essa atribuição é 
incorreta aos surdos, e infelizmente ainda utilizada em certas áreas e divulgada nos meios de 
comunicação, principalmente televisão, jornais e rádio. 
DEFICIENTE AUDITIVO 
3.É aquele que perdeu a audição, ouve pouco, fala com dificuldades, é oralizado, entende 
pelos lábios, usa aparelho auditivo, sabe pouco a libras. 
 
 
 
 
 
(não) 
(não) 
(não) 
(não) 
(SIM) 
 
Quem são os surdos? 
 
52 
 
 
Presidência da República 
Casa Civil 
Subchefia para Assuntos Jurídicos 
LEI Nº 10.436, DE 24 DE ABRIL DE 2002. 
 
Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais 
- Libras e dá outras providências. 
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu 
sanciono a seguinte Lei: 
Art. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira 
de Sinais- Libras e outros recursos de expressão a ela associados. 
Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de 
comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visual-motora, 
com estrutura gramatical própria, constituem um sistema lingüístico de transmissão de 
idéias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil. 
Art. 2o Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas 
concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e 
difusão da Língua Brasileira de Sinais - Libras como meio de comunicação objetiva e 
de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil. 
Art. 3o As instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de 
assistência à saúde devem garantir atendimento e tratamento adequado aos 
portadores de deficiência auditiva, de acordo com as normas legais em vigor. 
Art. 4o O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais 
e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação 
Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do 
ensino da Língua Brasileira de Sinais - Libras, como parte integrante dos Parâmetros 
Curriculares Nacionais - PCNs, conforme legislação vigente. 
Parágrafo único. A Língua Brasileira de Sinais - Libras não poderá substituir a 
modalidade escrita da língua portuguesa. 
Art. 5o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 
Brasília, 24 de abril de 2002; 181o da Independência e 114o da República. 
 
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO 
Paulo Renato Souza 
53 
 
 
 Presidência da República 
 Casa Civil 
 Subchefia para Assuntos Jurídicos 
DECRETO Nº 5.626, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005. 
 
Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de 
abril de 2002, que dispõe sobre a Língua 
Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da 
Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 
2000. 
 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 
84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei no 10.436, de 24 de 
abril de 2002, e no art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000, 
 DECRETA: 
CAPÍTULO I 
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES 
 Art. 1o Este Decreto regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, e o art. 
18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000. 
 Art. 2o Para os fins deste Decreto, considera-se pessoa surda aquela que, por 
ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências 
visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de 
Sinais - Libras. 
 Parágrafo único. Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou 
total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas 
freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz. 
CAPÍTULO II 
DA INCLUSÃO DA LIBRAS COMO DISCIPLINA CURRICULAR 
 Art. 3o A Libras deve ser inserida como disciplina curricular obrigatória nos 
cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e 
superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de instituições de ensino, públicas e 
privadas, do sistema federal de ensino e dos sistemas de ensino dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios. 
 § 1o Todos os cursos de licenciatura, nas diferentes áreas do conhecimento, o 
curso normal de nível médio, o curso normal superior, o curso de Pedagogia e o curso 
54 
 
de Educação Especial são considerados cursos de formação de professores e 
profissionais da educação para o exercício do magistério. 
 § 2o A Libras constituir-se-á em disciplina curricular optativa nos demais cursos 
de educação superior e na educação profissional, a partir de um ano da publicação 
deste Decreto. 
CAPÍTULO III 
DA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE LIBRAS E DO INSTRUTOR DE LIBRAS 
 Art. 4o A formação de docentes para o ensino de Libras nas séries finais do 
ensino fundamental, no ensino médio e na educação superior deve ser realizada em 
nível superior, em curso de graduação de licenciatura plena em Letras: Libras ou em 
Letras: Libras/Língua Portuguesa como segunda língua. 
 Parágrafo único. As pessoas surdas terão prioridade nos cursos de formação 
previstos no caput. 
 Art. 5o A formação de docentes para o ensino de Libras na educação infantil e 
nos anos iniciais do ensino fundamental deve ser realizada em curso de Pedagogia 
ou curso normal superior, em que Libras e Língua Portuguesa escrita tenham 
constituído línguas de instrução, viabilizando a formação bilíngüe. 
 § 1o Admite-se como formação mínima de docentes para o ensino de Libras na 
educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental, a formação ofertada em 
nível médio na modalidade normal, que viabilizar a formação bilíngüe, referida no 
caput. 
 § 2o As pessoas surdas terão prioridade nos cursos de formação previstos no 
caput. 
 Art. 6o A formação de instrutor de Libras, em nível médio, deve ser realizada por 
meio de: 
 I - cursos de educação profissional; 
 II - cursos de formação continuada promovidos por instituições de ensino 
superior; e 
 III - cursos de formação continuada promovidos por instituições credenciadas por 
secretarias de educação. 
 § 1o A formação do instrutor de Libras pode ser realizada também por 
organizações da sociedade civil representativa da comunidade surda, desde que o 
certificado seja convalidado por pelo menos uma das instituições referidas nos incisos 
II e III. 
55 
 
 § 2o As pessoas surdas terão prioridade nos cursos de formação previstos no 
caput. 
 Art. 7o Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, caso não 
haja docente com título de pós-graduação ou de graduação em Libras para o ensino 
dessa disciplina em cursos de educação superior, ela poderá ser ministrada por 
profissionais que apresentem pelo menos um dos seguintes perfis: 
 I - professor de Libras, usuário dessa língua com curso de pós-graduação ou 
com formação superior e certificado de proficiência em Libras, obtido por meio de 
exame promovido pelo Ministério da Educação; 
 II - instrutor de Libras, usuário dessa língua com formação de nível médio e com 
certificado obtido por meio de exame de proficiência em Libras, promovido pelo 
Ministério da Educação; 
 III - professor ouvinte bilíngüe: Libras - Língua Portuguesa, com pós-graduação 
ou formação superior e com certificado obtido por meio de exame de proficiência em 
Libras, promovido pelo Ministério da Educação. 
 § 1o Nos casos previstos nos incisos I e II, as pessoas surdas terão prioridade 
para ministrar a disciplina de Libras. 
 § 2o A partir de um ano da publicação deste Decreto, os sistemas e as 
instituições de ensino da educação básica e as de educação superior devem incluir o 
professor de Libras em seu quadro do magistério. 
 Art. 8o O exame de proficiência em Libras, referido no art. 7o, deve avaliar a 
fluência no uso, o conhecimento e a competência para o ensino dessa língua. 
 § 1o O exame de proficiência em Libras deve ser promovido, anualmente, pelo 
Ministério da Educação e instituições de educação superior por ele credenciadas para 
essa finalidade. 
 § 2o A certificação de proficiência em Libras habilitará o instrutor ou o professor 
para a função docente. 
 § 3o O exame de proficiência em Libras deve ser realizado por banca 
examinadora de amplo conhecimento em Libras, constituída por docentes surdose 
lingüistas de instituições de educação superior. 
 Art. 9o A partir da publicação deste Decreto, as instituições de ensino médio que 
oferecem cursos de formação para o magistério na modalidade normal e as 
instituições de educação superior que oferecem cursos de Fonoaudiologia ou de 
formação de professores devem incluir Libras como disciplina curricular, nos 
seguintes prazos e percentuais mínimos: 
56 
 
 I - até três anos, em vinte por cento dos cursos da instituição; 
 II - até cinco anos, em sessenta por cento dos cursos da instituição; 
 III - até sete anos, em oitenta por cento dos cursos da instituição; e 
 IV - dez anos, em cem por cento dos cursos da instituição. 
 Parágrafo único. O processo de inclusão da Libras como disciplina curricular 
deve iniciar-se nos cursos de Educação Especial, Fonoaudiologia, Pedagogia e 
Letras, ampliando-se progressivamente para as demais licenciaturas. 
 Art. 10. As instituições de educação superior devem incluir a Libras como objeto 
de ensino, pesquisa e extensão nos cursos de formação de professores para a 
educação básica, nos cursos de Fonoaudiologia e nos cursos de Tradução e 
Interpretação de Libras - Língua Portuguesa. 
 Art. 11. O Ministério da Educação promoverá, a partir da publicação deste 
Decreto, programas específicos para a criação de cursos de graduação: 
 I - para formação de professores surdos e ouvintes, para a educação infantil e 
anos iniciais do ensino fundamental, que viabilize a educação bilíngüe: Libras - Língua 
Portuguesa como segunda língua; 
 II - de licenciatura em Letras: Libras ou em Letras: Libras/Língua Portuguesa, 
como segunda língua para surdos; 
 III - de formação em Tradução e Interpretação de Libras - Língua Portuguesa. 
 Art. 12. As instituições de educação superior, principalmente as que ofertam 
cursos de Educação Especial, Pedagogia e Letras, devem viabilizar cursos de pós-
graduação para a formação de professores para o ensino de Libras e sua 
interpretação, a partir de um ano da publicação deste Decreto. 
 Art. 13. O ensino da modalidade escrita da Língua Portuguesa, como segunda 
língua para pessoas surdas, deve ser incluído como disciplina curricular nos cursos 
de formação de professores para a educação infantil e para os anos iniciais do ensino 
fundamental, de nível médio e superior, bem como nos cursos de licenciatura em 
Letras com habilitação em Língua Portuguesa. 
 Parágrafo único. O tema sobre a modalidade escrita da língua portuguesa para 
surdos deve ser incluído como conteúdo nos cursos de Fonoaudiologia. 
CAPÍTULO IV 
DO USO E DA DIFUSÃO DA LIBRAS E DA LÍNGUA PORTUGUESA PARA O 
ACESSO DAS PESSOAS SURDAS À EDUCAÇÃO 
57 
 
 Art. 14. As instituições federais de ensino devem garantir, obrigatoriamente, às 
pessoas surdas acesso à comunicação, à informação e à educação nos processos 
seletivos, nas atividades e nos conteúdos curriculares desenvolvidos em todos os 
níveis, etapas e modalidades de educação, desde a educação infantil até à superior. 
 § 1o Para garantir o atendimento educacional especializado e o acesso previsto 
no caput, as instituições federais de ensino devem: 
 I - promover cursos de formação de professores para: 
 a) o ensino e uso da Libras; 
 b) a tradução e interpretação de Libras - Língua Portuguesa; e 
 c) o ensino da Língua Portuguesa, como segunda língua para pessoas surdas; 
 II - ofertar, obrigatoriamente, desde a educação infantil, o ensino da Libras e 
também da Língua Portuguesa, como segunda língua para alunos surdos; 
 III - prover as escolas com: 
 a) professor de Libras ou instrutor de Libras; 
 b) tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa; 
 c) professor para o ensino de Língua Portuguesa como segunda língua para 
pessoas surdas; e 
 d) professor regente de classe com conhecimento acerca da singularidade 
lingüística manifestada pelos alunos surdos; 
 IV - garantir o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos 
surdos, desde a educação infantil, nas salas de aula e, também, em salas de 
recursos, em turno contrário ao da escolarização; 
 V - apoiar, na comunidade escolar, o uso e a difusão de Libras entre professores, 
alunos, funcionários, direção da escola e familiares, inclusive por meio da oferta de 
cursos; 
 VI - adotar mecanismos de avaliação coerentes com aprendizado de segunda 
língua, na correção das provas escritas, valorizando o aspecto semântico e 
reconhecendo a singularidade lingüística manifestada no aspecto formal da Língua 
Portuguesa; 
 VII - desenvolver e adotar mecanismos alternativos para a avaliação de 
conhecimentos expressos em Libras, desde que devidamente registrados em vídeo 
ou em outros meios eletrônicos e tecnológicos; 
58 
 
 VIII - disponibilizar equipamentos, acesso às novas tecnologias de informação e 
comunicação, bem como recursos didáticos para apoiar a educação de alunos surdos 
ou com deficiência auditiva. 
 § 2o O professor da educação básica, bilíngüe, aprovado em exame de 
proficiência em tradução e interpretação de Libras - Língua Portuguesa, pode exercer 
a função de tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa, cuja função é distinta 
da função de professor docente. 
 § 3o As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, 
estadual, municipal e do Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas 
neste artigo como meio de assegurar atendimento educacional especializado aos 
alunos surdos ou com deficiência auditiva. 
 Art. 15. Para complementar o currículo da base nacional comum, o ensino de 
Libras e o ensino da modalidade escrita da Língua Portuguesa, como segunda língua 
para alunos surdos, devem ser ministrados em uma perspectiva dialógica, funcional e 
instrumental, como: 
 I - atividades ou complementação curricular específica na educação infantil e 
anos iniciais do ensino fundamental; e 
 II - áreas de conhecimento, como disciplinas curriculares, nos anos finais do 
ensino fundamental, no ensino médio e na educação superior. 
 Art. 16. A modalidade oral da Língua Portuguesa, na educação básica, deve ser 
ofertada aos alunos surdos ou com deficiência auditiva, preferencialmente em turno 
distinto ao da escolarização, por meio de ações integradas entre as áreas da saúde e 
da educação, resguardado o direito de opção da família ou do próprio aluno por essa 
modalidade. 
 Parágrafo único. A definição de espaço para o desenvolvimento da modalidade 
oral da Língua Portuguesa e a definição dos profissionais de Fonoaudiologia para 
atuação com alunos da educação básica são de competência dos órgãos que 
possuam estas atribuições nas unidades federadas. 
CAPÍTULO V 
DA FORMAÇÃO DO TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LIBRAS - LÍNGUA 
PORTUGUESA 
 Art. 17. A formação do tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa deve 
efetivar-se por meio de curso superior de Tradução e Interpretação, com habilitação 
em Libras - Língua Portuguesa. 
59 
 
 Art. 18. Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, a 
formação de tradutor e intérprete de Libras - Língua Portuguesa, em nível médio, 
deve ser realizada por meio de: 
 I - cursos de educação profissional; 
 II - cursos de extensão universitária; e 
 III - cursos de formação continuada promovidos por instituições de ensino 
superior e instituições credenciadas por secretarias de educação. 
 Parágrafoúnico. A formação de tradutor e intérprete de Libras pode ser 
realizada por organizações da sociedade civil representativas da comunidade surda, 
desde que o certificado seja convalidado por uma das instituições referidas no inciso 
III. 
 Art. 19. Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, caso não 
haja pessoas com a titulação exigida para o exercício da tradução e interpretação de 
Libras - Língua Portuguesa, as instituições federais de ensino devem incluir, em seus 
quadros, profissionais com o seguinte perfil: 
 I - profissional ouvinte, de nível superior, com competência e fluência em Libras 
para realizar a interpretação das duas línguas, de maneira simultânea e consecutiva, 
e com aprovação em exame de proficiência, promovido pelo Ministério da Educação, 
para atuação em instituições de ensino médio e de educação superior; 
 II - profissional ouvinte, de nível médio, com competência e fluência em Libras 
para realizar a interpretação das duas línguas, de maneira simultânea e consecutiva, 
e com aprovação em exame de proficiência, promovido pelo Ministério da Educação, 
para atuação no ensino fundamental; 
 III - profissional surdo, com competência para realizar a interpretação de línguas 
de sinais de outros países para a Libras, para atuação em cursos e eventos. 
 Parágrafo único. As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino 
federal, estadual, municipal e do Distrito Federal buscarão implementar as medidas 
referidas neste artigo como meio de assegurar aos alunos surdos ou com deficiência 
auditiva o acesso à comunicação, à informação e à educação. 
 Art. 20. Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, o 
Ministério da Educação ou instituições de ensino superior por ele credenciadas para 
essa finalidade promoverão, anualmente, exame nacional de proficiência em tradução 
e interpretação de Libras - Língua Portuguesa. 
 Parágrafo único. O exame de proficiência em tradução e interpretação de 
Libras - Língua Portuguesa deve ser realizado por banca examinadora de amplo 
60 
 
conhecimento dessa função, constituída por docentes surdos, lingüistas e tradutores e 
intérpretes de Libras de instituições de educação superior. 
 Art. 21. A partir de um ano da publicação deste Decreto, as instituições federais 
de ensino da educação básica e da educação superior devem incluir, em seus 
quadros, em todos os níveis, etapas e modalidades, o tradutor e intérprete de Libras -
 Língua Portuguesa, para viabilizar o acesso à comunicação, à informação e à 
educação de alunos surdos. 
 § 1o O profissional a que se refere o caput atuará: 
 I - nos processos seletivos para cursos na instituição de ensino; 
 II - nas salas de aula para viabilizar o acesso dos alunos aos conhecimentos e 
conteúdos curriculares, em todas as atividades didático-pedagógicas; e 
 III - no apoio à acessibilidade aos serviços e às atividades-fim da instituição de 
ensino. 
 § 2o As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, 
estadual, municipal e do Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas 
neste artigo como meio de assegurar aos alunos surdos ou com deficiência auditiva o 
acesso à comunicação, à informação e à educação. 
CAPÍTULO VI 
DA GARANTIA DO DIREITO À EDUCAÇÃO DAS PESSOAS SURDAS OU 
COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA 
 Art. 22. As instituições federais de ensino responsáveis pela educação básica 
devem garantir a inclusão de alunos surdos ou com deficiência auditiva, por meio da 
organização de: 
 I - escolas e classes de educação bilíngüe, abertas a alunos surdos e ouvintes, 
com professores bilíngües, na educação infantil e nos anos iniciais do ensino 
fundamental; 
 II - escolas bilíngües ou escolas comuns da rede regular de ensino, abertas a 
alunos surdos e ouvintes, para os anos finais do ensino fundamental, ensino médio ou 
educação profissional, com docentes das diferentes áreas do conhecimento, cientes 
da singularidade lingüística dos alunos surdos, bem como com a presença de 
tradutores e intérpretes de Libras - Língua Portuguesa. 
 § 1o São denominadas escolas ou classes de educação bilíngüe aquelas em 
que a Libras e a modalidade escrita da Língua Portuguesa sejam línguas de instrução 
utilizadas no desenvolvimento de todo o processo educativo. 
61 
 
 § 2o Os alunos têm o direito à escolarização em um turno diferenciado ao do 
atendimento educacional especializado para o desenvolvimento de complementação 
curricular, com utilização de equipamentos e tecnologias de informação. 
 § 3o As mudanças decorrentes da implementação dos incisos I e II implicam a 
formalização, pelos pais e pelos próprios alunos, de sua opção ou preferência pela 
educação sem o uso de Libras. 
 § 4o O disposto no § 2o deste artigo deve ser garantido também para os alunos 
não usuários da Libras. 
 Art. 23. As instituições federais de ensino, de educação básica e superior, 
devem proporcionar aos alunos surdos os serviços de tradutor e intérprete de Libras - 
Língua Portuguesa em sala de aula e em outros espaços educacionais, bem como 
equipamentos e tecnologias que viabilizem o acesso à comunicação, à informação e à 
educação. 
 § 1o Deve ser proporcionado aos professores acesso à literatura e informações 
sobre a especificidade lingüística do aluno surdo. 
 § 2o As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, 
estadual, municipal e do Distrito Federal buscarão implementar as medidas referidas 
neste artigo como meio de assegurar aos alunos surdos ou com deficiência auditiva o 
acesso à comunicação, à informação e à educação. 
 Art. 24. A programação visual dos cursos de nível médio e superior, 
preferencialmente os de formação de professores, na modalidade de educação a 
distância, deve dispor de sistemas de acesso à informação como janela com tradutor 
e intérprete de Libras - Língua Portuguesa e subtitulação por meio do sistema de 
legenda oculta, de modo a reproduzir as mensagens veiculadas às pessoas surdas, 
conforme prevê o Decreto no 5.296, de 2 de dezembro de 2004. 
CAPÍTULO VII 
DA GARANTIA DO DIREITO À SAÚDE DAS PESSOAS SURDAS OU 
COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA 
 Art. 25. A partir de um ano da publicação deste Decreto, o Sistema Único de 
Saúde - SUS e as empresas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos 
de assistência à saúde, na perspectiva da inclusão plena das pessoas surdas ou com 
deficiência auditiva em todas as esferas da vida social, devem garantir, 
prioritariamente aos alunos matriculados nas redes de ensino da educação básica, a 
atenção integral à sua saúde, nos diversos níveis de complexidade e especialidades 
médicas, efetivando: 
 I - ações de prevenção e desenvolvimento de programas de saúde auditiva; 
62 
 
 II - tratamento clínico e atendimento especializado, respeitando as 
especificidades de cada caso; 
 III - realização de diagnóstico, atendimento precoce e do encaminhamento para 
a área de educação; 
 IV - seleção, adaptação e fornecimento de prótese auditiva ou aparelho de 
amplificação sonora, quando indicado; 
 V - acompanhamento médico e fonoaudiológico e terapia fonoaudiológica; 
 VI - atendimento em reabilitação por equipe multiprofissional; 
 VII - atendimento fonoaudiológico às crianças, adolescentes e jovens 
matriculados na educação básica, por meio de ações integradas com a área da 
educação, de acordo com as necessidades terapêuticas do aluno; 
 VIII - orientações à família sobreas implicações da surdez e sobre a importância 
para a criança com perda auditiva ter, desde seu nascimento, acesso à Libras e à 
Língua Portuguesa; 
 IX - atendimento às pessoas surdas ou com deficiência auditiva na rede de 
serviços do SUS e das empresas que detêm concessão ou permissão de serviços 
públicos de assistência à saúde, por profissionais capacitados para o uso de Libras ou 
para sua tradução e interpretação; e 
 X - apoio à capacitação e formação de profissionais da rede de serviços do SUS 
para o uso de Libras e sua tradução e interpretação. 
 § 1o O disposto neste artigo deve ser garantido também para os alunos surdos 
ou com deficiência auditiva não usuários da Libras. 
 § 2o O Poder Público, os órgãos da administração pública estadual, municipal, 
do Distrito Federal e as empresas privadas que detêm autorização, concessão ou 
permissão de serviços públicos de assistência à saúde buscarão implementar as 
medidas referidas no art. 3o da Lei no 10.436, de 2002, como meio de assegurar, 
prioritariamente, aos alunos surdos ou com deficiência auditiva matriculados nas 
redes de ensino da educação básica, a atenção integral à sua saúde, nos diversos 
níveis de complexidade e especialidades médicas. 
CAPÍTULO VIII 
DO PAPEL DO PODER PÚBLICO E DAS EMPRESAS QUE DETÊM CONCESSÃO 
OU PERMISSÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS, NO APOIO AO USO E DIFUSÃO DA 
LIBRAS 
63 
 
 Art. 26. A partir de um ano da publicação deste Decreto, o Poder Público, as 
empresas concessionárias de serviços públicos e os órgãos da administração pública 
federal, direta e indireta devem garantir às pessoas surdas o tratamento diferenciado, 
por meio do uso e difusão de Libras e da tradução e interpretação de Libras - Língua 
Portuguesa, realizados por servidores e empregados capacitados para essa função, 
bem como o acesso às tecnologias de informação, conforme prevê o Decreto no 
5.296, de 2004. 
 § 1o As instituições de que trata o caput devem dispor de, pelo menos, cinco por 
cento de servidores, funcionários e empregados capacitados para o uso e 
interpretação da Libras. 
 § 2o O Poder Público, os órgãos da administração pública estadual, municipal e 
do Distrito Federal, e as empresas privadas que detêm concessão ou permissão de 
serviços públicos buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio 
de assegurar às pessoas surdas ou com deficiência auditiva o tratamento 
diferenciado, previsto no caput. 
 Art. 27. No âmbito da administração pública federal, direta e indireta, bem como 
das empresas que detêm concessão e permissão de serviços públicos federais, os 
serviços prestados por servidores e empregados capacitados para utilizar a Libras e 
realizar a tradução e interpretação de Libras - Língua Portuguesa estão sujeitos a 
padrões de controle de atendimento e a avaliação da satisfação do usuário dos 
serviços públicos, sob a coordenação da Secretaria de Gestão do Ministério do 
Planejamento, Orçamento e Gestão, em conformidade com o Decreto no 3.507, de 13 
de junho de 2000. 
 Parágrafo único. Caberá à administração pública no âmbito estadual, municipal 
e do Distrito Federal disciplinar, em regulamento próprio, os padrões de controle do 
atendimento e avaliação da satisfação do usuário dos serviços públicos, referido no 
caput. 
CAPÍTULO IX 
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS 
 Art. 28. Os órgãos da administração pública federal, direta e indireta, devem 
incluir em seus orçamentos anuais e plurianuais dotações destinadas a viabilizar 
ações previstas neste Decreto, prioritariamente as relativas à formação, capacitação e 
qualificação de professores, servidores e empregados para o uso e difusão da Libras 
e à realização da tradução e interpretação de Libras - Língua Portuguesa, a partir de 
um ano da publicação deste Decreto. 
 Art. 29. O Distrito Federal, os Estados e os Municípios, no âmbito de suas 
competências, definirão os instrumentos para a efetiva implantação e o controle do 
64 
 
uso e difusão de Libras e de sua tradução e interpretação, referidos nos dispositivos 
deste Decreto. 
 Art. 30. Os órgãos da administração pública estadual, municipal e do Distrito 
Federal, direta e indireta, viabilizarão as ações previstas neste Decreto com dotações 
específicas em seus orçamentos anuais e plurianuais, prioritariamente as relativas à 
formação, capacitação e qualificação de professores, servidores e empregados para o 
uso e difusão da Libras e à realização da tradução e interpretação de Libras - Língua 
Portuguesa, a partir de um ano da publicação deste Decreto. 
 Art. 31. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. 
 Brasília, 22 de dezembro de 2005; 184o da Independência e 117o da República. 
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA 
Fernando Haddad 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
65 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CORES 
AZUL BRANCO 
AMARELO VERDE VERMELHO BEGE 
CINZA MARROM ROSEO VINHO 
(( )) 
66 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 FRASES EM LIBRAS UTILIZANDO AS CORES: 
 
1 – AZUL É A COR DE MINHA PAIXÃO! 
2 – O VERDE A COR DA NATUREZA! 
3 – O LEITE DA VACA É COR BRANCA! 
4 – MEU CORAÇÃO É VERMELHO E BRANCO! 
5 –VERDE, AMARELO, AZUL E BRANCO, COR BANDEIRA DO BRASIL! 
6 – ROXO É A COR DO VINHO! 
7 – AS CORES DAS FLORES SÃO ROSEA! 
8 – BEGE A COR DO MEU FUSCA! 
9 – A COR DO SAPATO DA L-Ú-C-I-A É PRETO! 
10 – CINZA É UMA COR TRISTE! 
 
 
 
 
 
 
LARANJA ROXO PRETO 
(( )) 
67 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MATERIAL ESCOLAR 
MOCHILA LIVRO/CADERNO CANETA APONTADOR 
BORACHA RÉGUA LÁPIS DE COR 
PINCEL LÁPIS QUADRO BRANCO QUADRO BRANCO 
(( )) 
68 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MATÉRIAS/DISCIPLINAS
S 
ESPANHOL INGLÊS FÍSICA GEOGRAFIA 
HISTÓRIA CIÊNCIAS FILOSOFIA PEDAGOGIA 
BIOLOGIA QUÍMICA MATEMÁTICA 
(( )) 
(( )) 
(( )) (( )) 
(( )) 
(( )) 
(( )) 
69 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LETRAS DIREITO ARTE 
PORTUGUÊS LITERATURA EDUCAÇÃO FÍSICA 
(( )) (( )) 
70 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MEIOS DE TRANSPORTES 
BARCO ÔNIBUS AVIÃO 
MOTO CARRO HELICÓPTERO 
FOGUETE 
LANCHA 
NAVIO BARCO 
SUBMARINO METRÔ 
(( )) 
(( )) 
71 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRINCIPAIS VERBOS EM LIBRAS 
AGRADECER ACABAR ATRAPALHAR APRESENTAR 
ACORDAR ACUSAR AFASTAR ACREDITAR 
AJUDAR ANUNCIAR ATRASAR AMOR 
APRENDER 
ANDAR ARREPENDER AJOELHAR APRENDER 
(( )) 
(( )) 
72 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BATER BEIJAR BEBER BRIGAR 
CHAMAR COMPARAR CANTAR BRINCAR 
CAIR CHEIRAR CHORAR CONVERSAR 
CHUTAR COMEÇAR COMER COMBINAR 
COZINHAR CUIDAR CONHECER COMPRAR 
(( )) 
73 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMPREENDER CONSEGUIR DEMORAR DAR 
DISCUTIR DESCONFIAR DESCULPAR DISCRIMINAR 
DIALOGARDECIDIR DORMIR ENCONTRAR 
DEIXAR ESCREVER ESCUTAR ESPERAR 
ENSINAR FALAR FAZER GOSTAR 
DEMORAR DAR 
FALAR FAZER GOSTAR 
(( 
)) 
(( )) 
74 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GRITAR LER LEMBRAR MANDAR 
MOSTRAR OBEDECER PEDIR PODER 
PERGUNTAR PROCURAR PASSEAR PRECISAR 
QUEBRAR QUERER RESPONDER REUNIR 
SENTAR TER TROCAR TRABALHAR 
75 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VER/OLHAR VENDER SUMIR VISITAR 
ESTUDAR EVITAR PREOCUPAR OBRIGAR 
ACOMPANHAR ENGANAR ACONSELHAR CASTIGAR 
76 
 
 O Congresso de Milão em 1880 
 
O que foi? O Congresso de Milão foi uma conferência internacional de educadores 
de surdos, em 1880. Depois de deliberações entre 6 e 11 de Setembro de 1880, o 
congresso declarou que a educação oralista era superior à de língua gestual e 
aprovou uma resolução que proibia o uso da língua gestual nas escolas. Desde sua 
aprovação em 1880, as escolas em todos os países europeus e nos Estados Unidos 
mudaram para a utilização terapêutica do discurso sem língua gestual como método 
de educação para os surdos. 
Antes do Congresso 
Antes do Congresso, na Europa, durante o século XVIII, surgiram duas tendências 
distintas na educação dos surdos: o gestualismo (ou método francês) e o oralismo (ou 
método alemão). A grande maioria dos surdos defendia o gestualismo, enquanto que 
apenas os ouvintes apoiavam o oralismo - por exemplo Bell, nos EUA, fazia 
campanha a favor deste método, entre muitos outros professores, médicos, etc. 
Resoluções do Congresso de Milão 
O Congresso de Milão, em 1880, foi um momento obscuro na História dos surdos, 
uma vez que lá um grupo de ouvintes tomou a decisão de excluir a língua gestual do 
ensino de surdos, substituindo-a pelo oralismo (o comité do congresso era 
unicamente constituído por ouvintes. Em consequência disso, o oralismo foi a técnica 
preferida na educação dos surdos durante fins do século XIX e grande parte do 
século XX. 
O Congresso durou 3 dias, nos quais foram votadas 8 resoluções, sendo que apenas 
uma (a terceira) foi aprovada por unanimidade. As resoluções são: 
1. O uso da língua falada, no ensino e educação dos surdos, deve preferir-se à 
língua gestual; 
2. O uso da língua gestual em simultâneo com a língua oral, no ensino de surdos, 
afecta a fala, a leitura labial e a clareza dos conceitos, pelo que a língua 
articulada pura deve ser preferida; 
3. Os governos devem tomar medidas para que todos os surdos recebam 
educação; 
4. O método mais apropriado para os surdos se apropriarem da fala é o método 
intuitivo (primeiro a fala depois a escrita); a gramática deve ser ensinada 
através de exemplos práticos, com a maior clareza possível; devem ser 
facultados aos surdos livros com palavras e formas de linguagem conhecidas 
pelo surdo; 
5. Os educadores de surdos, do método oralista, devem aplicar-se na elaboração 
de obras específicas desta matéria; 
77 
 
6. Os surdos, depois de terminado o seu ensino oralista, não esqueceram o 
conhecimento adquirido, devendo, por isso, usar a língua oral na conversação 
com pessoas falantes, já que a fala se desenvolve com a prática; 
7. A idade mais favorável para admitir uma criança surda na escola é entre os 8-
10 anos, sendo que a criança deve permanecer na escola um mínimo de 7-8 
anos; nenhum educador de surdos deve ter mais de 10 alunos em simultâneo; 
8. Com o objectivo de se implementar, com urgência, o método oralista, deviam 
ser reunidas as crianças surdas recém admitidas nas escolas, onde deveriam 
ser instruídas através da fala; essas mesmas crianças deveriam estar 
separadas das crianças mais avançadas, que já haviam recebido educação 
gestual, a fim de que não fossem contaminadas; os alunos antigos também 
deveriam ser ensinados segundo este novo sistema oral. 
Uma década depois do Congresso de Milão, acreditava-se que o ensino da língua 
gestual quase tinha desaparecido das escolas em toda a Europa, e o oralismo 
espalhava-se para outros continentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
78 
 
 
Oralismo, Comunicação Total, Bilinguismo, Atendimento 
Educacional Especializada. 
 
Pessoas com surdez encaram diversos entraves para participar da educação escolar, 
devido a perda da audição e a forma como se estruturam as propostas educacionais 
da escolas. 
 
 
Diversas questões têm se cultivadas em torno da educação escolar para pessoas 
com surdez. É um desafio, a proposta de educação escolar inclusiva que para ser 
realizada é forçoso ponderar que os alunos com surdez têm direito de acesso ao 
conhecimento, à acessibilidade, assim como ao Atendimento Educacional 
Especializado. 
 
As disposições de educação escolar para pessoas com surdez centram-se ora na 
inserção desses alunos na escola comum e/ou em suas classes especiais, ora na 
escola especial de surdos. Há três vertentes educacionais: a oralista, a comunicação 
total e a abordagem por meio do bilingüismo. 
 
As escolas tradicionais ou especiais, reguladas no oralismo, apontam para a 
capacitação da pessoa com surdez para que dominem a língua da comunidade 
ouvinte na modalidade oral, como exclusiva possibilidade lingüística, de maneira que 
seja presumível o uso da voz e da leitura labial, igualmente na vida social e na escola. 
 
[...] O oralismo é uma abordagem que visa à integração da criança surda na 
comunidade ouvinte, enfatizando a língua oral dos pais (Goldfeld, 1997). 
 
De acordo com Sá (1999), o oralismo, não consegue atingir resultados satisfatórios 
por ocasionar déficits cognitivos, corroborando a manutenção do fracasso escolar, 
provocando dificuldades no relacionamento familiar, não acolhe o uso da Língua de 
Sinais, discrimina a cultura surda e nega a diferença entre surdos e ouvintes. 
 
A comunicação total leva em consideração as características da pessoa com surdez 
utilizando todo e qualquer recurso possível para a comunicação, a fim de potencializar 
as interações sociais, considerando as áreas cognitivas, lingüísticas e afetivas dos 
alunos. 
 
Caracterizam a comunicação total a linguagem gestual visual, os textos orais, os 
textos escritos e as interações sociais parecem não viabilizar um desenvolvimento 
satisfatório esses alunos que continuam segregados, permanecendo agrupados pela 
deficiência, marginalizados, excluídos do contexto maior da sociedade. Para Sá 
(1999), a comunicação total não oferece o real valor a Língua de Sinais, assim, pode-
se dizer que é outra face do oralismo. 
 
79 
 
Os dois pontos, oralista e comunicação total, negam a língua natural das pessoas 
com surdez e acarretam perdas importantes nos aspectos cognitivos, sócio afetivos, 
lingüísticos, político culturais e na aprendizagem desses alunos. 
 
A proposta educacional por meio do bilingüismo propõe capacitar a pessoa com 
surdez para a utilização de duas línguas no cotidiano escolar e na vida social, quais 
sejam: a Língua de Sinais e a língua da comunidade ouvinte. As experiências 
escolares, de acordo com essa abordagem, no Brasil, são muito recentes e as 
propostas pedagógicas nessa linha ainda não estão sistematizadas. 
 
O uso de uma língua não é o bastasse para aprender, se não pessoas ouvintes não 
teriam dificuldades no aproveitamento escolar, uma vez que entram na escola com 
uma língua oral desenvolvida aquisição da Língua de Sinais, de fato, não é garantia 
de uma aprendizagem significativa. Como apontou Poker (2001), quando trabalhou 
com seis alunos com surdez profunda que se estavam matriculados na primeira etapa 
do Ensino Fundamental, com idade entre 8 anos e 9 meses e 11 anos e 9 meses, 
investigando, por meio deintervenções educacionais, as trocas simbólicas e o 
desenvolvimento cognitivo desses alunos. 
 
A escola especial é segregadora, uma vez que os alunos isolam-se cada vez mais, ao 
serem excluídos do convívio natural dos ouvintes. Há entraves nas relações sociais, 
afetivas e de comunicação, fortalecendo cada vez mais os preconceitos. 
 
A Língua Portuguesa é difícil de ser assimilada pelo aluno com surdez. A Língua de 
Sinais é, certamente, o principal meio de comunicação entre as pessoas com surdez. 
 
As práticas pedagógicas constituem o maior problema na escolarização das pessoas 
com surdez. Vale repensar as práticas para que os alunos com surdez, não acreditem 
que suas dificuldades para o domínio da leitura e da escrita são advindas dos limites 
que a surdez lhes impõe, mas principalmente pelas metodologias adotadas para 
ensiná-los. 
 
O trabalho pedagógico com os alunos com surdez nas escolas comuns, deve ser 
desenvolvido em um ambiente bilíngüe, ou seja, em um espaço em que se utilize a 
Língua de Sinais e a Língua Portuguesa. 
 
O aluno com surdez precisa aprender a incorporar no seu texto as regras gramaticais 
da escrita na Língua Portuguesa. 
 
No Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa, o 
canal de comunicação específico é a Língua Portuguesa, ou seja, leitura e escrita de 
palavras, frases e textos, o uso de imagens e até mesmo o teatro, para a 
representação de conceitos muito abstratos. Vários recursos visuais são usados para 
aquisição da Língua Portuguesa. 
 
 
 
 
 
80 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DOCUMENTOS 
TÍTULO ELEITOR CARTEIRA DE IDENTIDADE 
CPF 
CARTEIRA DE TRABALHO CERTIDÃO DE NASCIMENTO 
(( )) 
81 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CARTEIRA HABILITAÇÃO CARRO CARTEIRA DE HABILITAÇÃO MOTO 
CERTIDÃO DE RESERVISTA CERTIDÃO DE CASAMENTO 
 )) (( )) 
(( )) 
 )) 
82 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTADO CIVIL 
SOLTEIRO (A) CASADO (A) NOIVO (A) SEPARADO (A) 
AMANTE DESQUITADO (A) 
NAMORANDO 
(( )) 
83 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUBSTANTIVOS/SINÔNIMOS 
ADEUS AINDA NÃO ANIVERSÁRIO
RIO 
AMIGO 
ATRASADO APOSENTADO BANCO 
BANDEIRA BARULHO BANHEIRO BOBAGEM 
CADEIRA BRAVO CALMA BRUTO 
(( )) 
(( )) 
84 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CANETA CARTA CASA CEGO 
CHEFE CHURRASCO CIÚME CINEMA 
COITADO COM/JUNTO COPO CORAÇÃO 
CORAGEM CUIDADO CULPA DENTRO 
85 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DINHEIRO DOCUMENTO EDUCADO 
ESCOLA EMPRESA EMPREGADA 
FABRICA FACA FARMACIA 
FAZENDA/SÍTIO FÉRIAS FERRO FORMATURA 
DINHEIRO 
86 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FESTA GASOLINA GUERRA 
GELADEIRA HISTÓRIA CERTO/PERFEITO 
HOSPITAL HOTEL IDADE IMPORTANTE 
INVEJA IMPOSSIVEL JANELA 
87 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LANCHE LANCHE 
LADRÃO LUGAR MÉDICO MAIS 
MESA MAGRO MÚSICA/CANTAR 
MORTE MOTEL MENTIRA MUITO 
(( )) 
88 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NADA NERVOSO 1 - NINGÉM 2 - NINGÉM 
NOME PACIÊNCIA PAPEL OCUPADO 
PALHAÇO 1 - PESSOA 2 - PESSOA POLICIA 
1 - PREGUIÇA 2 - PREGUIÇA PRONTO 
89 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PRESIDENTE REI RELÓGIO RESPONSABILDADE 
RESTAURANTE RUA
 RUA 
REMÉDIO 
SEGREDO SALÁRIO 
SAUDADE 
SAFADO SURDO SUSTO 
SURDO SAFADO SAUDADE 
SEGREDO 
90 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SURPRESA TAXI VAIDOSO VONTADE/DESEJO 
VENTILADOR VERDADE VAGABUNDO 
(( )) 
91 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MEIOS DE COMUNICAÇÃO 
 E TECNÓLOGICO 
DATA SHOW 
CELULAR/TELEFONE 
FAX 
CARTA 
HOTMAIL INTERNET 
CINEMA/FILME CÂMERA 
DIGITALDI
GITALDDI
GITAL 
92 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MSN 
NOTBOOK 
JORNAL 
MENSAGEM 
RÁDIO 
TELEVISÃO 
VÍDEO WHATSSAP 
TECNÓLOGIA TABLET 
SEDEX 
(( )) 
93 
 
 
 
 
 
 
Os sinais de profissões na língua de Sinais, é necessário usamos o gênero de 
masculino ou feminino para uma melhor compreensão, um determinado sinal pode 
ser feito de forma contrária, dando como exemplo o sinal “ Açougueiro” 
Homem+Carne, ou Carne+Homem, temos também o sinal “ Médica” Mulher+sinal de 
médica, ou sinal de médica+mulher. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROFISSÔES/ESPECIALIDADES 
AÇOUGUEIRO 
ADVOGADO 
ADVOGADO 
ADMINISTRADOR ASSISTENTE SOCIAL ARQUITETO 
(( )) 
94 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BANCÁRIO COZINHEIRO CONTADOR CARDIOLOGISTA 
DESENHISTA DENTISTA DIRETOR EMPRESÁRIO 
ENFERMEIRO ENGENHEIRO ELETRICISTA 
FAXINEIRO FONOLOGISTA FOTOGRÁFO 
(( )) 
(( )) 
95 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GARÇOM GESTORA 
GINECOLOGISTA INTÉRPRETE 
JUIZ MODELO MÉDICO MOTORISTA 
COBRADOR DE ÔNIBUS OFTALMOGISTA 
MODELO 
(( )) 
96 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OTORINO POLÍCIA PINTOR 
PEDREIRO PROFESSOR PSICÓLOGO 
PEDAGOGO REPÓRTER 
SECRETÁRIA REPCIONISTA TAXISTA 
97 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FRUTAS VARIADAS 
ABACATE ABACAXI 
AÇAÍ ACEROLA 
BANANA COCO CUPUAÇU 
(( )) 
(( )) 
98 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
GOIABA CAJU LARANJA 
MANGA MAÇÃ MAMÃO 
PUPUNHA MELANCIA MILHO MARACUJÁ 
TUCUMÃ UVA CACAU 
(( )) 
(( )) 
99 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SINAIS RELIGIOSOS 
ANJO DEUS 
ALMA BIBLIA 
DIABO EVANGELICO CATÓLICO 
IGREJA INFERNO 
100 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JESUS CRISTO 
PADRE PECADO PERDOAR 
PASTOR SALVAÇÃO 
101 
 
 PRODUÇÕES LITERÁRIAS EM LIBRAS 
 
 
 
Contar histórias é um hábito tão antigo quanto a civilização. Contar histórias é um ato 
que pertence a todas as comunidades: comunidades indígenas, comunidades de 
surdos, entre outras. Contar histórias, piadas, episódios em línguas de sinais pelos 
próprios surdos é um hábito que acompanha a história das comunidades surdas. 
Cabe, então, coletar as narrativas que surgem nessas comunidades, para que não 
desapareçam com o tempo. Surdos reúnem-se freqüentemente para contar histórias 
e, entreas preferidas, estão as histórias de vida, as piadas e aquelas que incluem 
elementos da cultura surda, com personagens surdos, com tramas que, em geral, 
envolvem as diferenças entre o mundo surdo e o ouvinte. (Alves e Karnopp 2003) 
Para Kyle&Allsop (1982) a comunidade surda é diferente de outras comunidades 
lingüísticas em muitos aspectos, já que eles não estão geograficamente em uma 
mesma localidade, mas estão espalhados em várias partes do mundo. Pessoas 
surdas não trabalham em um mesmo local. Em alguns centros urbanos, eles 
encontram seus pares surdos somente duas ou três vezes por semana e passam a 
maior parte de seu tempo em um mundo ouvinte. Esse fato produz um padrão de 
comunidade em que o tempo que os surdos permanecem juntos é fragmentado; por 
outro lado, são extremamente próximos uns dos outros. Essa característica social faz 
com que pessoas surdas mantenham suas vidas na comunidade surda, participando 
da associação de surdos, realizando atividades conjuntas, estudando em uma mesma 
escola, empreendendo lutas e reivindicações conjuntas. Considerando a descrição do 
parágrafo anterior de que nas comunidades surdas a língua de sinais é compartilhada 
entre os surdos, acrescentamos que nestes lugares temos a possibilidade de 
encontrar algumas das narrativas e poemas que são contados em língua de sinais. 
Essas considerações são importantes para entendermos a produção literária em 
sinais. Pessoas surdas, convivendo com ouvintes, em seu ambiente de trabalho ou 
com a família, se apropriam de meios visuais para entender o mundo e se relacionar 
com as pessoas ouvintes. Essa experiência visual, além do uso da língua de sinais, 
implica Neste sentido é que as mudanças e o reconhecimento legal da língua de 
sinais não são suficientes. A cultura surda, a experiência visual e o uso da língua de 
sinais sustentam o encontro e a vida da comunidade surda. Para escaparem da 
ridicularização da língua de sinais e de seus bens culturais, de ações intolerantes e 
até proibitivas, os surdos se organizam em comunidades, buscando o fortalecimento 
da língua de sinais, da identidade e da cultura surda. Nesta perspectiva, a literatura 
surda adquire também o papel de difusão da cultura surda, dando visibilidade às 
expressões lingüísticas e artísticas advindas da experiência visual. 
 
Traduções de texto da língua portuguesa para a Libras Alguns dos materiais 
existentes são os que traduzem os textos clássicos da literatura universal e/ou 
brasileira para a LIBRAS. A editora “Arara Azul” disponibiliza a coleção “Clássicos da 
Literatura em CD-R em LIBRAS/Português”, em que uma equipe de tradutores faz a 
tradução da língua portuguesa para a LIBRAS. Os clássicos traduzidos são para 
crianças: Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll, 2002), As aventuras de 
Pinóquio (Carlo Collodi, 2003), A história de Aladim e a lâmpada maravilhosa (autor 
desconhecido, 2004). Há também obras para jovens e adultos das 
102 
 
literaturas de língua portuguesa: Iracema (José de Alencar, 2002), , O velho da horta 
(Gil Vicente, 2004), O Alienista (Machado de Assis, 2004), O Caso da Vara (Machado 
de Assis, 2005) A Missa do Galo (Machado de Assis, 2005), A cartomante (Machado 
de Assis 2005), O Relógio de Ouro (Machado de Assis 2005). (http://www.editora-
araraazul. com.br/, acesso em março de 2005) Volume IX - A Cartomante Autor : 
Machado de Assis Ano de Publicação : 2005 Observações Gerais : Tradutores para a 
LIBRAS: HeloíseGripp Diniz e Roberto Gomes de Lima Volume X - O Relógio de Ouro 
Autor : Machado de Assis Ano de Publicação : 2005 Observações Gerais : Tradutores 
para a LIBRAS: HeloíseGripp Diniz e Roberto Gomes de Lima Quadro 2: Textos com 
tradução para a LIBRAS. Livros de literatura infantil Quanto à análise de livros 
impressos é possível encontrar alguns livros cuja temática é sobre surdez, a língua de 
sinais e/ou surdos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os livros publicados a partir de 2000 que foram analisados são os seguintes: Tibi e 
Joca (Bisol, 2001), A cigarra e as formigas (Oliveira; Boldo, 2003), Kit Libras é Legal 
(2003), O Som do Silêncio (Cotes, 2004), Cinderela Surda (Hessel; Rosa; Karnopp, 
2003), Rapunzel Surda (Silveira; Rosa; Karnopp, 2003), Adão e Eva (Rosa; Karnopp, 
2005), Patinho Surdo (Rosa; Karnopp, 2005). O livro “Tibi e Joca – uma história de 
dois mundos” (Bisol 2001) conta com a participação especial de um surdo, Tibiriçá 
Maineri. Na apresentação lemos: “Esta história de um menino surdo é parecida com a 
103 
 
de muitas outras crianças que nasceram ou ficaram surdas. Dúvidas, desespero, 
culpa, acusações, sofrem os pais. Solidão, um imenso sem-sentido, um mundo que 
teima em não se organizar, sobre a criança. O que fazer?” (Bisol, 2001, 
apresentação) No desenvolvimento da história, observamos que o personagem é um 
menino surdo que nasceu em uma família com pais ouvintes. Todos passaram por 
momentos difíceis até que começam a usar a língua de sinais. O texto é rico em 
ilustrações e, além da história registrada na língua portuguesa, há um boneco-tradutor 
que sinaliza as palavras-chave de cada página, que permitem ao usuário da Libras 
acompanhar a história. Um outro conjunto de livros impressos de literatura infantil é 
possível encontrar no KIT LIBRAS É LEGAL. Há cinco livros que cumprem uma 
função prioritariamente didática. Os livros são ilustrados, apresentam a sinalização da 
Libras em desenhos, a escrita da língua de sinais e o português. Observe a descrição 
de cada um dos livros: 
 
“VIVA AS DIFERENÇAS” é um livrinho que fala, de 
forma simples, sobre a diversidade do ser humano. 
Discutir as diferenças em sala de aula é uma 
oportunidade de semear valores como o respeito e 
a solidariedade entre as crianças, indispensáveis a 
sua convivência em grupo. “CACHOS 
DOURADOS” é um clássico da literatura infantil 
que faz parte do universo de muitas crianças 
ouvintes. Agora as crianças surdas podem 
conhecer essas histórias contadas por seus pais e 
professores através do registro em Libras. “IVO” é 
uma oportunidade de trabalhar algumas noções de 
cidadania com os 
alunos, pois os documentos pessoais são uma 
maneira de nos inserirmos à sociedade atual e dela 
participar. A história infantil oferece inúmeras 
possibilidades de trabalhar diversos conceitos a ela 
relacionados, tais como família, saúde, 
trabalho, educação, política entre outros. 
“HISTÓRIA DA ÁRVORE” é uma piada muito 
conhecida na comunidade surda, que vem sendo 
contada e recontada. Com humor ela traz uma 
mensagem muito interessante de respeito às 
diferenças individuais. 
 
A história “A cigarra surda e as formigas” – escrita por duas professoras de surdos, 
Carmem Oliveira e Jaqueline Boldo, uma ouvinte e a outra surda, respectivamente – 
apresenta como tema a importância da amizade entre surdos e ouvintes e faz um 
apelo ao final da história “Amiguinhos precisamos respeitar as diferenças.” (Oliveira; 
Boldo, s.d.) Na apresentação do livro, uma das autoras enfatiza que essa história foi 
fruto do trabalho realizado em sala de aula, onde houve uma apresentação teatral por 
crianças surdas, em Libras, e também a produção do texto em sign writinge na língua 
portuguesa. O livro foi produzido manualmente e as ilustrações foram realizadas por 
um aluno. Apresenta – nas páginas em terminação numérica par – três possibilidades 
de leitura: a) através da língua portuguesa, b) através do desenho do sinal c) através 
104 
 
da escrita do sinal (SW). Percebemos que, no livro, não está totalmente legível a 
escrita dos sinais, provavelmente por ter sido produzido manualmente. Além disso, 
nas páginas ímpares, há ilustrações que remetem ao desenvolvimento da história. O 
livro “O som do silêncio” (Cotes, 2004) conta a história de uma menina surda que não 
tem medo do barulho.“Inspirada em uma história real, a fonoaudióloga e escritora criou a personagem 
Amanda, uma menininha surda que ensina aos colegas de escola a importância do 
som do silêncio. O enredo gira em torno de um passeio ao fundo do mar. 
Acostumadas com barulhos, as crianças se assustam com o silêncio das águas, 
menos Amanda, que, maravilhada com cores e peixes, brinca à vontade. 
"É nesse momento que crianças e adultos percebem o quão maravilhoso pode ser o 
mundo das Amandas, das crianças que não ouvem e que, nem por isso, deixam de 
sonhar", conta Cláudia.” 
(retirado de O tema explorado no livro é “o som do silêncio”, ou seja, a questão 
musical, dos sons e dos ritmos, conforme evidencia a imagem da capa que apresenta 
uma pessoa com instrumento de sopro. O livro é ilustrado e na forma de 
apresentação do texto, em português, a rima e o ritmo nos versos escritos são 
explorados, por exemplo: “Na casa do Reinaldo, nasceu a Amanda, que já era amada 
muito antes de ser gerada” (Cotes, 2004). Traz a idéia de superação no mundo das 
crianças que não ouvem. Mostra uma visão compensatória da surdez, evidenciando 
que não há dificuldades que não possam ser superadas. Além disso, o desfecho da 
história revela o segredo de Amanda: “É que ela era uma sereia, do fundo do mar!!!” 
Não há tradução para a Libras, apenas na capa aparece a soletração manual do título 
da história. O livro faz parte do kit que objetiva tratar da inclusão de crianças 
deficientes. Nesse kit, os livros infantis têm como personagens crianças surdas 
(através da história “O som do silêncio”) e cegas (através da história “Parque 
quebrado, olho fechado” – um livro escrito em Braille2). Além desses dois livros, 
encontramos ainda um CD, com músicas, e um livro de atividades intitulado “A vez da 
voz”, com o seguinte comentário: “Um livro de atividades promovendo a interação 
entre crianças ouvintes e não ouvintes. Acompanha um CD com músicas e histórias.” 
Outros livros analisados foram “Cinderela Surda” (Hessel, Rosa, Karnopp 
105 
 
2003), “Rapunzel Surda” (Silveira, Rosa, Karnopp 2003), “Adão e Eva” (Rosa, 
Karnopp 2005) e “Patinho Surdo” (Rosa, Karnopp 2005) que registram histórias dos 
clássicos da literatura, com uma aproximação com as histórias de vida e as 
identidades surdas. Traduzir as histórias que são contadas em língua de sinais na 
comunidade de surdos foi o objetivo inicial dos autores desses livros. Para isso, foram 
filmadas algumas histórias contadas em língua de sinais, que foram posteriormente 
registradas na escrita da língua de sinais e traduzidas para a língua portuguesa. No 
livro “Adão e Eva”, os autores contam a origem da língua de sinais e salientam que 
versões dessa história são recorrentes nas comunidades de surdos. Na história, após 
comer a maçã, o casal percebe sua nudez e começa a usar a fala, já que as mãos 
estão ocupadas em 
esconder os corpos desnudos. Não se sabe se Adão e Eva eram surdos ou ouvintes, 
pois o livro não pontua isso. O objetivo é refletir sobre a possibilidade de as línguas de 
sinais serem utilizadas por diferentes comunidades, sejam elas ouvintes ou surdas. 
As ilustrações são em preto e branco e há um glossário ao final do livro. O livro 
“Patinho Surdo” (Rosa e Karnopp 2005) conta a história de um patinho surdo que 
nasceu em um ninho de ouvintes. Quando encontra patos surdos, aprende com eles a 
Língua de Sinais da Lagoa e descobre sua história de vida. O texto aborda as 
diferenças lingüísticas na família e na sociedade, além de apresentar a importância do 
2Na capa do kit “Vez da Voz” aparece o seguinte comentário para o livro “Parque 
quebrado, olho fechado”: “Um livro escrito em Braille, mostrando que uma criança 
com os olhos fechados pode sonhar, sonhar...”. Os autores pretendem mostrar o 
mundo de quem é cego. intérprete na comunicação entre surdos e ouvintes. As 
ilustrações são em preto e branco e há um glossário ao final do livro. “Cinderela 
Surda” faz uma releitura do clássico “Cinderela” e apresenta aspectos da cultura e 
identidade surda. O texto está numa versão bilíngüe, ou seja, as histórias estão 
escritas em português e também na escrita da língua de sinais (signwriting). As 
ilustrações acentuam as expressões faciais e os sinais, destacando elementos que 
traduzem aspectos da experiência visual. Nesse livro, as ilustrações ocupam uma 
página e a outra registra a história em signwritinge na língua portuguesa. “Rapunzel 
Surda” tematiza a aquisição da linguagem e a variação lingüística nas 
línguas de sinais. Quando nasceu, a menina foi raptada pela bruxa e viveu muitos 
anos escondida e isolada em uma torre. Diz o texto: “Passaram-se os anos, Rapunzel 
cresceu e a bruxa percebeu que a menina não falava, mas tinha uma grande atenção 
visual. Rapunzel começou a apontar para o que queria e a fazer gestos para muitas 
coisas. A bruxa então descobriu que a menina era surda e começou a usar alguns 
gestos com ela.” (Silveira, Rosa, Karnopp 2003, p. 12) Isolada em uma torre, longe 
dos pais e do convívio com outras pessoas, Rapunzel tinha contato somente com a 
bruxa, que a raptara. Na história de Rapunzel, não há um ambiente lingüístico para a 
aquisição e o desenvolvimento da linguagem, não há usuários da língua até que ela 
felizmente encontra o príncipe. A partir disso, começa a se apropriar dos sinais. Diz o 
texto “A bruxa começou a desconfiar que alguma coisa estava acontecendo, pois 
Rapunzel de repente estava usando muitos sinais.” (p. 24). As histórias, Cinderela 
Surda, Rapunzel Surda e Patinho Surdo, tematizam a importância da língua de sinais, 
da cultura e identidade surda. 
 
 
106 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ALIMENTOS 
VARIADOS 
 
 
ARROZ BATATA BOLACHA 
CEBOLA ALHO 
BOLO CARNE 
(( )) 
107 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAFÉ CHOCOLATE DOCE/ACUÇAR FRANGO 
FEIJÃO 
MANTEIGA 
LANCHE LEITE 
PIZZA PÃO PEIXE 
ÓLEO KIKÃO QUEIJO 
108 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUCO 
SALADA SORVETE REFRIGERANTE 
109 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANIMAIS/PEIXES 
BORBOLETA BURRO 
BARATA/INSERTO 
ARARA ARANHA 
ANTA 
BOTO COR DE ROSA CAVALO 
ANTA BARATA/INSERTO 
(( )) 
(( 
BOTO COR DE ROSA BOTO COMUM 
CAPIVARA CACHORRO CAVALO 
(( )) 
110 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAMELO CABRA 
COELHO GATO COBRA ELEFANTE 
MACACO 
JACARÉ 
LEÃO 
GIRAFA GALINHA GALO 
PERU 
(( )) 
(( )) 
(( )) 
(( )) 
111 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PATO PORCO PREGUIÇA 
POMBO ONÇA 
PACU PEIXE PEIXE-BOI RATO 
SAPO TUBARÃO TUCANO 
(( )) 
112 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TAMBAQUI TUCUNARÉ 
URSO 
VACA 
113 
 
 Classificadores 
 
 
 
Um classificador (CL) é uma forma que estabelece um tipo de concordância em uma 
língua. Nas línguas do mundo as classificações podem se manifestar de várias 
formas. Podem ser:uma desinência, como em português, que classifica os 
substantivos e os adjetivos em masculino e feminino: menina - menino;pode ser uma 
partícula que se coloca entre as palavras;e ainda pode ser uma desinência que se 
coloca no verbo para estabelecer concordância. Ao se atribuir uma qualidade a uma 
coisa como, por exemplo: arredondada, quadrado, cheio de bolas, de listras e etc,isso representa um tipo de classificação porque é uma adjetivação descritiva, mas 
isso não quer dizer que seja, necessariamente, um classificador como se vem 
trabalhando este conceito nos estudos lingüísticos. Para os estudiosos deste assunto, 
um classificador é uma forma que existe em número restrito em uma língua e 
estabelece um tipo de concordância. Já sabemos que para as línguas de sinais a 
descrição, a reprodução da forma, o movimento e sua relação espacial, são 
fundamentais, pois tornam mais claros e compreensíveis os significados do que se 
quer enunciar, estamos nos referindo então aos classificadores em Libras. Na 
LIBRAS, os classificadores são formas representadas por configurações de mãos 
que, relacionadas à coisa, pessoa e animal, funcionam como marcadores de 
concordância. Assim, na LIBRAS, os classificadores são formas que, substituindo o 
nome que as precedem, pode vir junto ao verbo para classificar o sujeito ou o objeto 
que está ligado à ação do verbo. Portanto os classificadores na LIBRAS são 
marcadores de concordância de gênero: 
 
PESSOA, ANIMAL, COISA. 
 
CLASSIFICADOR 
 
Os classificadores para PESSOA e ANIMAL podem ter plural, que é marcado ao se 
representar duas pessoas ou animais simultaneamente com as duas mãos ou 
fazendo um movimento repetido em relação ao número. Os classificadores para 
COISA representam, através da concordância, uma característica desta coisa que 
está sendo o objeto da ação verbal. 
 
EXEMPLOS: 
1- MESA COLOCAR (copo, prato, talher...) 
2- CARRO (mover um atrás do outro) 
3- M-A-R-I-A A-L-E-X (passar um pelo outro) 
Portanto não se deve confundir os classificadores, que são algumas configurações de 
mãos incorporadas ao movimento de certos tipos de verbos, com os adjetivos 
descritivos que, nas línguas de sinais, por estas serem espaços-visuais, representam 
iconicamente qualidades de objetos. Por exemplo, para dizer nestas línguas que “uma 
pessoa está vestindo uma blusa de bolinhas, quadriculada ou listrada”, estas 
expressões adjetivas serão desenhadas no peito do emissor, mas esta descrição não 
é um classificador, e sim um adjetivo que, embora classifique, estabelece apenas uma 
relação de qualidade do objeto e não relação de concordância de gênero: PESSOA, 
ANIMAL, COISA, que é a característica dos classificadores na LIBRAS, como também 
114 
 
em outras línguas orais e de sinais. Muitos classificadores são icônicos em seu 
significado pela semelhança entre a sua forma ou tamanho do objeto a ser referido. 
As vezes o CL refere-se ao objeto ou ser como um todo, outras refere-se apenas a 
uma parte ou característica do ser. (FERREIRA BRITO, 1995). 
 
CLASSIFICADOR 
 
2. Tipos de Classificadores 
Na LIBRAS podemos encontrar dez tipos de classificadores, os quais 
veremos a seguir. 
 
Tabela de Classificadores em Língua de Sinais 
Símbolo Explicação 
CL-D 
CLassificador Descritivo: 
Se refere ao tamanho e forma; utiliza para descrever a aparência de um objeto, isto é, 
forma, o tamanho, a textura ou o desenho de um objeto. Usualmente produzido com 
ambas mãos, para formas simétricas ou assimétricas. 
Exemplos: 
- A forma e o desenho de um vaso 
- o desenho de papel de parede 
- a altura e a largura de uma caixa 
- a descrição da roupa ou dos itens que estão no corpo. 
(Não tem movimento) 
 
CL-ESP 
CLassificador que especifica o tamanho e da forma de uma parte do 
corpo: A função é similar ao CL-D mas é utilizado para descrever a forma, o tamanho, 
e a textura de uma parte do corpo de pessoas ou animais. 
 
CLASSIFICADOR 
Exemplos: 
- as orelhas de um elefante 
- bicos de aves diversas 
- o pelo de um gato 
- o penteado de uma pessoa 
- bochechas gordas de um bebê 
(Não tem movimento) 
 
CL-PC 
CLassificador de uma Parte do Corpo: 
Retrata uma parte especifica do corpo em uma posição determinada ou fazendo uma 
ação. A configuração da mão retrata a forma de uma parte do corpo. 
Exemplos: 
- a ação da boca de um hipopótamo 
- as orelhas de um cavalo em movimento 
- os olhos de alguém em movimento 
- a cabeça de alguém repousando no seu ombro 
115 
 
- os dedos do pé sacudindo 
- a ação de pés andando na lama 
- a posição das pernas de alguém sentada em uma cadeira 
(Tem movimento) 
 
CL-L 
CLassificador Locativo: 
Retrata um objeto como lugar determinado em relacionamento a outro objeto. 
CLASSIFICADOR 
Exemplos: 
- uma prateleira onde estão copos ou livros 
- o chão onde caiu um lápis 
- a cabeça de alguém batida por uma bola 
- o alvo onde voa uma flecha 
- o gol onde entra a bola 
 
CL-S 
CLssificador Semântico: 
Função similar ao CL-L por retratar um objeto em um lugar especifico (as vezes 
indicando movimento). A configuração da mão retrata o objeto todo e o retrata 
abstratamente (muito pouco ou não se relaciona a aparência do objeto) 
Exemplos: 
- C copos na prateleira de um armário 
- B veículos ou objetos planos 
- 1 uma pessoa andando em uma direção determinada 
- Y um avião ou objetos no lugar fixo 
- V reta ou dobrada retratando a orientação do corpo ou das pernas de 
um animal ou de uma pessoa e/ou suas ações. 
 
CL-I 
CLassificador Instrumental: 
Esse classificador mostra como se usa alguma coisa. 
Exemplos: 
- carregando um balde pela alça. 
- puxando uma gaveta 
- tocando a campainha da porta 
CLASSIFICADOR 
- virando uma pagina 
- limpando com um pano 
(Pegar objeto) 
 
CL-C 
CLassificador do Corpo: 
A parte superior do corpo se torna o classificador na qual a parte superior (do 
sinalizador) “desempenha” o verbo da frase, especialmente os braços. CL-C é similiar 
a CL-I salvo CL-C não mostra nem a manipulação nem o toque de objetos. 
Exemplos: 
- acenando com a mão para alguém 
- atravessando os braços com beiço espichado 
116 
 
- coçando a cabeça com perplexidade 
- movendo os braços como em correr 
(Não tem pegar objeto) 
 
CL-P CLassificador do Plural: 
Indica o movimento ou a posição de um numero de objetos, pessoas, ou animais. 
Pode ser um numero determinado ou não determinado. 
Exemplos: 
- três pessoas andando juntas (numero determinado) 
- pessoas sentadas na platéia (numero não determinado) 
- uma fila comprida de pessoas avançando lentamente 
- muitos carros estacionados na rua 
- dois gatos em cima de um muro 
 
CLASSIFICADOR 
 
CL-E CLassificador de Elemento: 
Esses classificadores retratam movimentos de “elementos” ou coisas que não são 
sólidas, isto è, ar, fumaça, água/liquido, chuva, fogo, luz. 
Exemplos: 
- água gotejando da torneira 
- luz piscando no sinal de advertência 
- o movimento de um liquido no corpo ou dentro do corpo 
- o vapor subindo de uma xícara de chá quente. 
 
CL-Nº 
CL-NOME 
Classificar de Nome e Número: 
Esses classificadores utilizam as configurações das mãos do alfabeto manual ou os 
números, mas são parte de uma descrição. 
Exemplos: 
- números e nome na camisa de futebol 
- um titulo de um livro 
- insígnia em um boné 
- uma sigla escrita na porta de um banco 
 
CLASSIFICADOR 
 
Verbos Classificadores 
A configuração de mão é uma marca de concordância de gênero: PESSOA, ANIMAL 
ou COISA. Verbos que possuem concordância de gênero são chamados de verbos 
classificadores porque concordam com o sujeito ou objeto da frase. Como, por 
exemplo, os verbos CAIR e ANDAR/MOVER que, dependendo do sujeito da frase, 
terá uma configuração para concordar com a pessoa, a coisa ou o animal: 
EXEMPLOS: 
CAIR (pessoa, lápis, papel, carro, copo...). 
ANDAR (pessoa, carro, animal...). 
ABRIR (gaveta, porta, olho, boca...). 
117 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
 
ANDREIS-WITKOSKI, S. Educação de Surdos e preconceito: bilinguismo na vitrine e 
bimodalismo precário no estoque. 2011, 255f. Tese (Doutorado em Educação)-Programa de 
Pós-graduação em Educação, Universidade federal do paraná: Curitiba, 2011. 
 
AZEVEDO, Marlon Jorge da Silva. Registrosfotográficos de indígenas no município de 
Parintins-Amazonas. Parintins, 2014. 
 
BARCELONA. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS LINGÜÍSTICOS. 
LINGUAGEM. Revista Eletrônica de Popularização Científica em Ciências da Linguagem. 
Disponível em: <www.letras.ufscar.br/linguasagem>. Acesso em: 25.01.2015. 
 
BRASIL. Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a língua brasileira de sinais. 
Diário Oficial [da República Federativa do Brasil], Brasília, DF, n. 79, p. 23, 25 abril 2002. 
 
BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 
de abril de 2002, que dispõe sobre a língua brasileira de sinais – libras, e o art. 18 da Lei no 
10.098, de 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial [da República Federativa do Brasil], 
Brasília, DF, n. 246, p. 28-30, 22 dez. 2005. 
 
BASSO, Idavania Maria de Souza. LIBRAS: LIVRO DIDÁTICO. 3 ed. Palhoça: 
UnisulVirtual, 2011. 
 
BRASIL. Atendimento Educacional Especializado - Formação Continuada a Distância de 
Professores para o Atendimento Educacional Especializado – Aspectos Legais e 
Orientações Pedagógicas, Brasília, 2008. 
 
______. Ministério da Educação e Cultura. Secretaria de Educação Especial. O tradutor e 
intérprete de língua brasileira de sinais e língua portuguesa. 2 ed. Brasília, 2007. 
 
______. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. 
Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas. Manaus, 1998. 338 p. 
 
______ Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 
1996. 
 
CAPOVILLA, Fernando Cesar; RAPHAEL, Walkiria Duarte. Dicionário enciclopédico ilustrado 
trilíngue da língua de sinais brasileira. 3.ed. Editora Edusp, 2008. 
 
CAMPELLO, Ana Regina e Souza. Deficiência Auditiva e Libras. Centro Universitário 
Leonardo Da Vinci INDAIAL: Grupo UNIASSELVI, 2009. 
 
CASARIN. O imaginário Social dos Professores de Classe Especial em Relação à Pessoa 
Surda. Dissertação de Mestrado (1996), UFSM. 
118 
 
CERQUA, Arcângelo, Dom. Clarões de Fé no Médio Amazonas. (A prelazia de Parintins no 
seu jubileu de prata) Imprensa Oficial do Estado, 1980. 
 
COOL, César; MARCHESI, Álvaro [et al]. Desenvolvimento psicológico e educação. 
Transtorno de desenvolvimento e necessidades especiais. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2004. 
 
FANTINEL, Patrícia Farias. Contribuições da abordagem sócio-interacionista para 
aprendizagem da língua portuguesa na modalidade escrita por alunos surdos. Santa 
Maria, 1999. Monografia (Graduação em Educação Especial). Centro de Educação, 
Universidade Federal de Santa Maria. 
 
FERREIRA-BRITO, L. Por uma gramática de língua de sinais. Rio de Janeiro: Tempo 
Brasileiro, 1995. 
 
FELIPE, Tanya A. MONTEIRO, Myrna S. Libras em Contexto: Curso Básico - Livro do 
Professor. 3ª ed. Brasília: Ministério da Educação e Secretaria de Educação Especial, 2004. 
 
FERNANDES, Eulalia, [et al.]. Surdez e Bilinguismo. A evolução dos conceitos no domínio 
da linguagem. QUADROS, Ronice Muller (Org.) Porto Alegre: Mediação, 2005. 
 
FOSSILE, Dieysa Kanyela. Perspectiva sociolinguística da inclusão da Libras no ensino 
superior. Dieysa Kanyela Fossile; Sariza Oliveira Caetano Venâncio. Fórum Linguístico, 
Florianópolis, v. 10, n. 2, p. 116-125, abr./jun. 2013. DOI. Disponível em: 
<http://dx.doi.org/10.5007/1984-8412.2013v10n2p116> Acesso em: 27.11.2014. 
 
GESSER, Audrei. Libras? Que língua é essa? Crenças e preconceitos em torno da língua de 
sinais e da realidade surda. São Paulo: Parábola, 2009. 
 
GOLDFELD, Marcia. A criança surda: linguagem e cognição numa perspectiva sócio-
interacionista. São Paulo: Plexus, 1997. 
 
HERNAIZ, Ignácio. Educação na diversidade: experiências e desafios na educação 
intercultural bilíngue. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Continuada, 
Alfabetização e diversidade; UNESCO, 2009. 
 
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. FUNAI. Ministério da Justiça. Disponível 
em: <http://www.brasil.gov.br/governo/2012/08>. Acesso em 19/11/2013. 
 
 
PIVETTA, Elisa Maria., et al.Análise Semiótica da Língua de Sinais. Disponível em: 
<http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/actas/article/view/18432/10361>. Acesso em 
20/11/2014. 
 
PONZIO, Augusto. [et. al]. Fundamentos de filosofia da linguagem. Tradução de Ephraim F. 
Alves. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007 
 
QUADROS, Ronice Müller de. Aquisição das Línguas de Sinais. In: QUADROS, Ronice 
Muller de (org). Estudos Surdos IV. Petrópolis: Arara Azul, 2009. p. 143-170. (Série 
Pesquisas). 
119 
 
 
______. (Org.). O tradutor e intérprete de língua brasileira de sinais e língua portuguesa. 
Secretaria de Educação Especial; 2ª ed. Brasília: MEC; SEESP, 2007. 
 
______. Estudos surdos I / Ronice Müller de Quadros (org.). – Petrópolis: Arara Azul, 2006. 
 
QUADROS, Ronice Muller de.; KARNOPP, Lodenir Becker. O BI” em bilinguismo na 
educação de surdos. FERNANDES, Eulalia (org.) et al. Surdez e Bilinguismo.3 ed. Porto 
Alegre: Mediação, 2005. 
 
______. Língua de sinais brasileira: estudos linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004. 
 
QUADROS, Ronice Muller de; PERLIN, Gladis. Estudos Surdos II.– Petrópolis, RJ : Arara 
Azul, 2007. 
 
______. Teorias de aquisição da linguagem. Florianópolis: Ed. da UFSC, 2008. 
 
 
KARNOPP, Lodenir Becker. Aquisição do parâmetro. Configuração de mão na língua 
brasileira dos sinais (LIBRAS): estudo sobre quatro crianças surdas, filhas de pais surdos. 
Dissertação de Mestrado em Letras. PUCRS. Porto Alegre, 1994. 
 
SKLIAR, Carlos (org). Atualidade da educação bilíngüe para surdos. Texto: A localização política da 
educação bilíngüe para surdos. Porto Alegre, Mediação,1999 
 
RAMOS, Clélia Regina. LIBRAS: A Língua de Sinais dos Surdos Brasileiros. Petrópolis: 
Arara Azul. Rio de Janeiro. Disponível em: <www.editora-arara-azul.com.br. Acesso em: 
28.12.2013. 
 
RAMOS, F. P. História e Política do Ensino Superior no Brasil: algumas considerações 
sobre o fomento, normas e legislação. Para entender a história... ISSN 2179-4111. Ano 2, 
Volume mar., Série 14/03, 2011, p.01-17. Disponível em: 
˂http://fabiopestanaramos.blogspot.com.br/2011/03/historia-e-politica-do-ensino-
superior.html> Acesso em: 12.01.2014. 
 
REBOUÇAS, Larissa Silva.; AZEVEDO, Omar Barbosa. A Centralidade da Língua para os 
surdos: pelos espaços de convivência e uso da libras. In: SÁ, Nídia Regina Limeira de (org) [et 
al.]. Surdos: qual escola? Manaus: Valer e Edu, 2011, p. 169-182. 
 
RODRIGUES, Aryon Dall´Igna. Línguas Brasileiras: para o conhecimento das línguas 
indígenas. 4ª ed., São Paulo: Edições Loyola. 2002. 
 
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Ensaio sobre a origem das línguas. Trad. Fulvia M. L. Moretto. 3 
ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2008, p.97-102. Original Francês. 
 
SÁ, Nídia Regina Limeira de. Cultura, Poder e Educação de Surdos. São Paulo: Paulinas, 
2006. (Coleção Pedagogia e Educação). 
120 
 
 
______. Surdos: qual escola? Manaus:Editora Valer e Edua, 2011. 
 
SACKS, Oliver W. Vendo Vozes: uma viagem ao mundo dos surdos. Tradução Laura Teixeira 
Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. 
 
SALLES, Heloisa M. M. L. [et al.]. Ensino da língua portuguesa para surdos: caminhos para 
a prática pedagógica. 2 ed. Brasília: MEC, SEESP, 2007. v 1. 
 
SOBRINHO, Roberto Sanches Mubarac. Vozes Infantis Indígenas: As culturas escolares 
como elemento de (dês)encontros com as culturas das crianças Sateré-Mawé. Manaus: Valer, 
Fapeam, 2011. 
 
SLOMSKI, Vilma Geni, Educação bilíngue para surdos: concepções e implicações 
práticas.Curitiba: Juruá, 2010. 
 
SKLIAR, Carlos.A surdez: um olhar sobre as diferenças. 2 ed. Porto Alegre:Mediação, 
2001. 
 
STROBEL, Karin Lilian. As imagens do outro sobre a cultura surda. Florianópolis: UFSC, 
2008. 
 
______. Surdos: Vestígios Culturais não registrados na história. Florian polis, . ese 
de Doutorado em Educa o F C. Dispon vel em 
 www.ronice.cce.prof.ufsc.br index arquivos ... karinstrobel.pdf .Acesso em . 
 
STROBEL, K. L; FERNANDES, S. Aspectos linguísticos da Língua Brasileira de Sinais. 
Curitiba: SEED/SUED/DEE, 1998. 
 
TEIXEIRA, Pery. (Org). Sateré-Mawé. Retrato de um povo indígena. Manaus: 
UFAM/UNICEF, 2005. 
 
TEIXEIRA, Vanessa, Gomes. A iconicidade e a arbitrariedade na Libras. Revista 
Philologus, Ano 21, n. 61. Supl.: Anais do VII. SINEFIL. Rio de Janeiro: CIFEFIL-
jan./abr., 2015. Disponível em: <http://www.filologia.org.br/rph/ANO21/61supl/013.pdf> 
 
UGGÉ, Henrique, Padre. As Bonitas Histórias Sateré-Mawé. 1ª ed. Impressa Oficial do 
Estado, 1993. 
 
VILHALVA, S. Índios surdos: mapeamento das Línguas de Sinais do Mato Grosso do Sul. 
Petrópolis: Arara Azul, 2012. (Cultura e Diversidade: série índio surdo; 1).

Mais conteúdos dessa disciplina