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2012
LegisLação aduaneira 
Comparada
Prof. Anderson de Miranda Gomes
Prof.ª Sonia Adriana Weege
Copyright © UNIASSELV 2012
Elaboração:
Prof. Anderson de Miranda Gomes
Prof.ª Sonia Adriana Weege
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri 
UNIASSELVI – Indaial.
343.056
 G633l Gomes, Anderson de Miranda
 Legislação aduaneira comparada / Anderson de Miranda 
Gomes; Sonia Adriana Weege. Indaial : Uniasselvi, 2012.
 226 p. : il 
 
 ISBN 978-85-7830- 614-4
 1. Direito aduaneiro - Alfândegas.
 I. Centro Universitário Leonardo da Vinci.
 
III
apresentação
Caro(a) acadêmico(a)!
Iniciamos os estudos da disciplina de Legislação Aduaneira 
Comparada. Entraremos no mundo das relações comerciais estabelecidas 
internacionalmente. As informações trazidas neste Caderno de Estudos têm 
como objetivo demonstrar a você, acadêmico(a), algumas das situações que 
estabelecem as relações comerciais internacionais que são além de outras 
disciplinas, campo de atuação da legislação aduaneira. O que aqui segue 
descrito não é definitivo nem mesmo finito. 
A legislação brasileira é modificada rotineiramente, da mesma forma 
que as relações de comércio ou em sociedade que se modificam no transcorrer 
dos tempos. Entretanto, podemos lhe ofertar uma visão inicial do que ocorre 
no regramento legal aplicável às relações aduaneiras, com o seu compromisso 
de manter-se atualizado(a).
A Unidade 1 trará a compreensão da proposta do direito aduaneiro. 
Além disso, veremos o papel do Estado neste contexto, e de forma sucinta 
apresentaremos a legislação aduaneira no território brasileiro. Esta unidade 
contém a descrição das características que envolvem o Direito Internacional 
Público e o Direito Internacional Privado, oportunizando distingui-los.
As estruturas e as funções do regulamento aduaneiro que é um dos 
mais importantes textos legais dispostos na legislação brasileira em relação ao 
comércio internacional será objeto da Unidade 2. Serão igualmente objeto de 
estudos desta unidade os despachos aduaneiros de exportação e importação, 
seus conceitos e as operações que lhe são pertinentes.
A Unidade 3 traz em seu conteúdo as perspectivas, conceitos e 
características que envolvem o contrato internacional, como partes do 
contrato, objeto, foro, elementos dentre outros aspectos que conduzem à 
relação estabelecida entre os diversos tipos de contratos internacionais. 
O aprendizado é uma constante, nos acompanhe nos estudos. Leia 
o conteúdo do caderno com atenção, acesse o AVA, participe do fórum e da 
enquete e descubra a importância do saber.
Seja bem vindo(a)! Sucesso!
Prof. Anderson Miranda
Prof.ª Sonia Adriana Weege
IV
UNI
Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para 
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades 
em nosso material.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o 
material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato 
mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. 
O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação 
no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir 
a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.
Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, 
apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade 
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. 
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para 
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto 
em questão. 
Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas 
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa 
continuar seus estudos com um material de qualidade.
Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de 
Desempenho de Estudantes – ENADE. 
 
Bons estudos!
V
VI
VII
sumário
UNIDADE 1: PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA ............................................. 1
TÓPICO 1: PERFIL DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA ................................................................... 3
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 3
2 A CONCEPÇÃO DO DIREITO ADUANEIRO .............................................................................. 3
3 A LEI BRASILEIRA E O DIREITO ADUANEIRO ........................................................................ 6
4 O PAPEL DA ADUANA NO CONTEXTO NORMATIVO ......................................................... 8
5 O PODER ADUANEIRO COMO MEIO DE COAÇÃO LEGAL ................................................ 8
6 O CONCEITO DE JURISDIÇÃO ADUANEIRA ........................................................................... 9
7 A INTERIORIZAÇÃO ADUANEIRA .............................................................................................. 9
8 CONCEITOS DE DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO E PRIVADO ............................... 10
RESUMO DO TÓPICO 1 ...................................................................................................................... 13
AUTOATIVIDADE ............................................................................................................................... 14
TÓPICO 2: O CONTROLE DOS PROCEDIMENTOS ADUANEIROS ...................................... 15
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 15
2 CONCEITO DE ENTRADA ADUANEIRA .................................................................................... 15
2.2 ESPÉCIES DE ENTRADAS ADUANEIRAS ............................................................................... 16
2.2.1 Entrada aduaneira de veículos ............................................................................................ 16
2.2.2 Entrada aduaneira de mercadorias ..................................................................................... 17
2.2.3 Entrada aduaneira de pessoas ............................................................................................. 18
2.3 EXERCÍCIO DO PODER DISCRICIONÁRIO NAS ENTRADAS ADUANEIRAS ............... 21
3 O PROCESSO ADUANEIRO CONTENCIOSO ............................................................................ 22
4 O CONTENCIOSO ADUANEIRO NO BRASIL ........................................................................... 23
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 32
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 33
TÓPICO 3: CONTENDAS ADUANEIRAS ....................................................................................... 35
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 35
2 FRAUDES E INFRAÇÕES ADUANEIRAS .................................................................................... 36
2.1 CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA ............................................................................ 383 O CONTRABANDO E O DESCAMINHO ..................................................................................... 41
3.1 SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL ...................................................................................... 44
3.2 COPLANC ....................................................................................................................................... 44
4 INTEGRAÇÃO REGIONAL .............................................................................................................. 45
5 FRANQUIAS TERRITORIAIS .......................................................................................................... 47
6 SUJEITOS PASSIVOS DOS IMPOSTOS DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO ................. 50
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 51
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 57
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 58
VIII
UNIDADE 2: REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR .......................... 59
TÓPICO 1: DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS ...................................................................................... 61
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 61
2 ESTRUTURA DO REGULAMENTO ADUANEIRO .................................................................... 62
2.1 FUNÇÕES ADMINISTRATIVA E TRIBUTÁRIA ........................................................................ 63
2.2 O TERRITÓRIO ADUANEIRO ..................................................................................................... 64
2.3 PORTOS, AEROPORTOS E PONTOS DE FRONTEIRA ALFANDEGADOS ........................ 65
2.3.1 Portos marítimos .................................................................................................................... 65
2.3.2 Aeroportos .............................................................................................................................. 69
2.4 RECINTOS ALFANDEGADOS .................................................................................................... 71
2.5 CONTROLE ADUANEIRO DE VEÍCULOS ............................................................................... 72
2.6 MANIFESTO DE CARGA ............................................................................................................. 73
3 VALOR ADUANEIRO ........................................................................................................................ 74
4 CLASSIFICAÇÃO FISCAL ................................................................................................................ 76
4.1 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL ........................................................................ 77
4.1.1 Estrutura e composição do NCM ........................................................................................ 78
4.1.2 Regras de Classificação na NCM ......................................................................................... 78
4.1.2.1 Regra Geral de Interpretação nº 1 ........................................................................... 78
4.1.2.2 Regra Geral de Interpretação nº 2 ........................................................................... 79
4.1.2.3 Regra Geral de Interpretação nº 3 ........................................................................... 80
4.1.2.4 Regra Geral de Interpretação nº 4 ........................................................................... 82
4.1.2.5 Regra Geral de Interpretação nº 5 ........................................................................... 82
4.1.2.6 Regra Geral Complementar nº 6 ............................................................................. 83
4.1.2.7 Regra Geral Complementar nº 1 ............................................................................. 83
4.1.2.8 Regra Geral Complementar nº 2 ............................................................................. 84
4.2 NOTAS EXPLICATIVAS DO SISTEMA HARMONIZADO ..................................................... 84
5 HABILITAÇÃO DOS DEMAIS INTERVENIENTES ................................................................... 84
6 SISTEMAS INFORMATIZADOS .................................................................................................... 87
7 O DESPACHANTE ADUANEIRO ................................................................................................... 88
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 90
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 91
TÓPICO 2: DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO ......................................................... 93
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 93
2 TRATAMENTO ADMINISTRATIVO ............................................................................................. 94
3 DOCUMENTOS PARA EXPORTAÇÃO ......................................................................................... 96
3.1 DOCUMENTOS ELETRÔNICOS ................................................................................................. 96
3.1.1 Registro de Exportação (RE) ................................................................................................ 96
3.1.2 Registro de Operação de Crédito (RC) ............................................................................... 98
3.1.3 Registro de Exportação Simplificado (RES) ....................................................................... 99
3.1.4 Declaração de Despacho de Exportação (DDE) ................................................................ 99
3.1.5 Declaração Simplificada de Exportação (DSE) .................................................................. 101
3.1.6 Comprovante de Exportação (CE) ....................................................................................... 101
3.2 OUTROS DOCUMENTOS ............................................................................................................ 101
3.2.1 Fatura Proforma ..................................................................................................................... 102
3.2.2 Fatura comercial ..................................................................................................................... 103
3.2.3 Nota fiscal ............................................................................................................................... 105
3.2.4 Romaneio (packing list) ........................................................................................................ 106
3.2.5 Conhecimento de embarque ................................................................................................ 107
3.2.6 Contrato de câmbio, apólice de seguro e fatura consular ................................................ 108
IX
3.2.7 Certificados e demais comprovantes .................................................................................. 110
3.2.7.1 Certificados de origem ............................................................................................. 110
3.2.7.1.1 Certificado de origem padrão ou comum .............................................. 111
3.2.7.1.2 Certificado de Origem SGP – Formulário A (Form A) ......................... 111
3.2.7.1.3Certificado de origem SGPC .................................................................... 111
3.2.7.1.4 Certificado de Origem Mercosul ............................................................. 111
3.2.7.1.5 Certificado de origem ALADI .................................................................. 112
3.2.7.1.6 Outros certificados ..................................................................................... 113
4 FORMAÇÃO DE PREÇO NA EXPORTAÇÃO .............................................................................. 114
5 TIPOS DE EXPORTAÇÃO ................................................................................................................. 116
5.1 EXPORTAÇÃO DIRETA ................................................................................................................ 117
5.2 EXPORTAÇÃO INDIRETA ........................................................................................................... 117
5.3 CONSÓRCIOS DE EXPORTAÇÃO .............................................................................................. 117
5.3.1 Consórcio de promoção de exportações ............................................................................. 118
5.3.2 Consórcio de vendas ............................................................................................................. 118
5.3.3 Consórcio de área ou país ..................................................................................................... 118
5.4 EXPORTAÇÃO DE AMOSTRAS .................................................................................................. 119
6 DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO ........................................................................... 119
6.1 ETAPAS DO DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO ................................................ 119
6.2 ETAPAS DE UMA EXPORTAÇÃO .............................................................................................. 121
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 123
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 124
TÓPICO 3: DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO ........................................................ 125
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 125
2 REGISTROS PARA IMPORTAÇÃO ............................................................................................... 126
2.1 REGISTRO DE IMPORTADOR .................................................................................................... 126
2.2 REGISTRO NO SISTEMA INTEGRADO DE 
 COMÉRCIO EXTERIOR (SISCOMEX) ........................................................................................ 126
3 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DAS MERCADORIAS ..................................................................... 127
4 DOCUMENTOS PARA IMPORTAÇÃO ........................................................................................ 128
4.1 DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO ........................................................................................... 128
4.2 LICENCIAMENTO DAS IMPORTAÇÕES ................................................................................. 129
4.2.1 Dispensadas de licenciamento ............................................................................................. 129
4.2.2 Licenciamento automático .................................................................................................... 131
4.2.3 Licenciamento não automático (LI) ..................................................................................... 132
4.2.3.1 Antes do despacho aduaneiro ................................................................................. 133
4.2.3.2 Antes do embarque da mercadoria ........................................................................ 134
4.3 COMPROVANTE DE IMPORTAÇÃO (CI) ................................................................................ 134
5 CÂMBIO E CONDIÇÕES DE PAGAMENTO ............................................................................... 135
6 FORMAÇÃO DOS CUSTOS NA IMPORTAÇÃO ....................................................................... 139
6.1 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO (II) ............................................................................................... 140
6.2 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) .................................................. 141
6.3 IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS 
 OU SERVIÇOS (ICMS) ................................................................................................................... 141
6.4 ADICIONAL AO FRETE PARA A RENOVAÇÃO DA 
 MARINHA MERCANTE (AFRMM) ........................................................................................... 142
6.5 TAXA DE CAPATAZIA E ARMAZENAGEM ............................................................................ 142
7 DRAWBACK: UM REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE IMPORTAÇÃO .......................... 142
7.1 DRAWBACK SUSPENSÃO ............................................................................................................ 143
7.2 DRAWBACK ISENÇÃO ................................................................................................................. 144
X
8 DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO ........................................................................... 144
8.1 ETAPAS DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO ................................................ 144
8.2 ETAPAS DE UMA IMPORTAÇÃO .............................................................................................. 147
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 148
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 156
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 157
UNIDADE 3: CONTRATOS INTERNACIONAIS ........................................................................... 159
TÓPICO 1: PRESSUPOSTOS DOS CONTRATOS INTERNACIONAIS ................................... 161
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 161
2 ATOS E CONTRATOS INTERNACIONAIS ................................................................................. 162
2.1 CONTRATOS INTERNACIONAIS .............................................................................................. 163
2.2 PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS COMO CONTRATANTES ............................................. 165
2.2.1 Pessoas jurídicas ..................................................................................................................... 165
2.2.2 Pessoas físicas ......................................................................................................................... 166
2.3 AUTONOMIA DA VONTADE E LIBERDADE CONTRATUAL ............................................ 167
3 CONSIDERAÇÕES GERAIS ............................................................................................................ 168
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................................... 170
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 171
TÓPICO 2: OS MODELOS DE CONTRATOSINTERNACIONAIS 
 PRIMEIRA PARTE: CONTRATOS DE COMPRA E VENDA 
 INTERNACIONAL ............................................................................................................ 173
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 173
2 PARTES (ELEMENTOS) DO CONTRATO DE COMPRA E VENDA INTERNACIONAL . 174
3 ASPECTO JURÍDICO ......................................................................................................................... 174
4 FORO INTERNACIONAL ................................................................................................................. 175
5 CLÁUSULAS ........................................................................................................................................ 176
6 O FATOR ALEATÓRIO ...................................................................................................................... 177
7 CONDIÇÕES DE VENDA (INCOTERMS) .................................................................................... 178
7.1 GRUPO E – CONTRATO DE PARTIDA ..................................................................................... 180
7.2 GRUPO F – TRANSPORTE PRINCIPAL NÃO PAGO ............................................................ 181
7.3 GRUPO C – TRANSPORTE PRINCIPAL PAGO ....................................................................... 182
7.4 GRUPO D – CONTRATO DE CHEGADA .................................................................................. 183
8 ARBITRAGEM INTERNACIONAL ................................................................................................ 184
9 SANÇÕES .............................................................................................................................................. 185
10 RESCISÃO OU REVOGAÇÃO ....................................................................................................... 185
11 MODELO DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA ............................................................... 186
RESUMO DO TÓPICO 2 ....................................................................................................................... 195
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 196
TÓPICO 3: CONTRATOS INTERNACIONAIS
 OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – SEGUNDA 
 PARTE: OUTROS TIPOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS ......................... 197
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 197
2 CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO OU AGENCIAMENTO INTERNACIONAL ............. 197
3 CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING) ............................................. 200
4 CONTRATO DE FATURAMENTO (FACTORING) ..................................................................... 204
XI
4.1 CLÁUSULAS ESSENCIAIS E FACULTATIVAS ......................................................................... 205
5 CONTRATO DE FRANQUIA (FRANCHISING) ........................................................................... 206
6 CONTRATO DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA (KNOW-HOW) .............................. 207
7 CONTRATO DE EMPREENDIMENTO EM CONJUNTO (JOINT VENTURE) ...................... 208
8 CONTRATO DE EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS ......................................................................... 210
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................................. 212
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................. 212
RESUMO DO TÓPICO 3 ....................................................................................................................... 217
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................ 218
REFERÊNCIAS ........................................................................................................................................ 219
XII
1
UNIDADE 1
PRESSUPOSTOS DA 
LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• compreender a proposta da concepção do direito aduaneiro e o papel do 
Estado nesta percepção é identificar os fatores que caracterizam os textos 
legais aduaneiros no território brasileiro;
• analisar o papel da aduana, o poder aduaneiro, o conceito de jurisdição 
aduaneira e de interiorização aduaneira e reconhecer os conceitos do di-
reito internacional público e direito internacional privado;
• identificar o conceito de entrada aduaneira e as espécies reconhecidas, 
dentre elas as entradas de veículos, mercadorias ou bens e pessoas;
• compreender o exercício do poder discricionários nas entradas aduaneiras;
• reconhecer o conceito de processo contencioso aduaneiro e seus princí-
pios e distinguir o contencioso aduaneiro no Brasil;
• distinguir as situações de fraude e infrações contidas na legislação adua-
neira e legislação afim;
• observar e reconhecer os crimes contra a ordem tributária encontradas nas 
relações comerciais aduaneiras e compreender os conceitos de contraban-
do e descaminho.
A Unidade 1 está dividida em três tópicos. Ao final de cada um deles, você terá 
a oportunidade de fixar seus conhecimentos realizando as atividades propostas.
TÓPICO 1 – PERFIL DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
TÓPICO 2 – O CONTROLE DOS PROCEDIMENTOS ADUANEIROS
TÓPICO 3 – CONTENDAS ADUANEIRAS
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
 PERFIL DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
1 INTRODUÇÃO
Assim como encontramos em outros segmentos das relações de comércio 
estabelecidas no território brasileiro, temos: normas jurídicas que regulamentam 
as situações que envolvem as transações comerciais praticadas em território 
aduaneiro e reconhecidas como DIREITO ADUANEIRO.
O Estado edita normas legais com o pressuposto básico de manter a própria 
ordem jurídica em seu território, buscando a harmonia dos atos praticados em 
sociedade.
Este tópico tem por objetivo demonstrar as situações que determinam a 
própria existência do direito aduaneiro e sua formatação inicial, especificamente 
as determinações estabelecidas no território brasileiro.
Prezado acadêmico, iniciamos agora uma aventura que ultrapassa 
fronteiras. Vamos a ela.
2 A CONCEPÇÃO DO DIREITO ADUANEIRO
As situações que confirmam a organização do direito aduaneiro estão 
ligadas à existência de fatos constatados em operações que são realizadas por meio 
do intercâmbio comercial com o exterior. Ou seja, além-fronteiras do território 
brasileiro.
Como exemplifica Carlucci (2001, p. 19), “quando da chegada de uma 
mercadoria estrangeira no porto, aeroporto ou ponto de fronteira, se aplicam 
normas sobre transporte, seguros, tributárias, administrativas de controle, 
cambiais, infracionais (penais e administrativas), de direito internacional público 
(tratados internacionais), trabalhistas, de direito financeiro, processuais etc.”
O comércio internacional e a relação comercial que ultrapassa fronteiras 
são situações que ocasionam o próprio surgimento do direito aduaneiro, como 
forma de regulação das situações estabelecidas a partir destes fatos. 
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
4
Os acordos internacionais são os instrumentos normativos que em grande 
parte regulam as relações de comércio exterior e são originados de uma política 
aduaneira estabelecida pelo poder estatal.
A intervenção do Estado se faz necessária sob o argumentoeconômico, pois 
se busca: a proteção da indústria, o pleno emprego e oferta de melhores salários, 
a estabilidade da economia nacional, a necessidade de defesa das fronteiras 
econômicas etc (CARLUCCI, 2001).
Ainda segundo Carlucci (2001, p. 20), “os meios pelos quais o Estado exerce 
a intervenção são econômicos e fiscais, sendo os econômicos mais eficientes que os 
fiscais, pois os econômicos decorrem diretamente da política aduaneira”. 
FONTE: Adaptado de: <http://www.bc.furb.br/docs/MO/2009/339696_1_1.pdf>. Acesso em: 2 out. 
2012.
Segundo Sosa (1995, p. 49), “o papel do Estado no comércio exterior pode 
ser visto de duas formas. A primeira delas como negociados no plano internacional, 
e na segunda forma, como regulador no plano nacional. O papel de negociador 
está presente quando o Estado estabelece e firma acordos em matérias de tarifas, 
comércio e transporte, além das questões eminentemente tributárias”.
Seguindo o entendimento do autor Sosa (1995), a atividade reguladora 
do Estado pode estar sendo entendida como normatizadora e controladora. 
Na função normatizadora, o Estado estabelece a maneira como se realizam as 
operações externas e de que forma ocorrem as entradas e saídas de mercadorias 
no território aduaneiro. Esta função está baseada em textos legais aplicáveis ao 
comércio exterior.
A função controladora do Estado é encontrada nos meios de coação legal, 
dispostos para as relações comerciais estabelecidas pelo comércio aduaneiro. 
Neste contexto, a aduana está dotada de poder, que é sua capacidade legal de 
coagir pessoas ao cumprimento de determinadas obrigações, ou ainda, proceder 
de maneira específica.
A função normativa do Estado é encontrada em três áreas de abrangência, 
sendo estas:
Como meios econômicos diretos, temos os regimes de 
contingenciamento na importação e exportação e as proibições e restrições, 
também na exportação e importação; os meios indiretos se revelam nos 
incentivos à exportação e os regimes aduaneiros especiais na importação e 
exportação. Os meios fiscais se destinam à execução e ao controle da política 
aduaneira traçada pelo país (CARLUCCI, 2001).
TÓPICO 1 | PERFIL DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
5
● Regime administrativo: disciplina que as mercadorias podem ingressar ou sair 
do país e traça os procedimentos que deverão ser adotados para implementar 
quaisquer operações de comércio exterior.
● Regime cambial: cuida dos aspectos atinentes à liquidação financeira dos fluxos 
comerciais de ingresso (por pagamento) ou saída (por recebimento).
● Regime administrativo-fiscal: “atende à política de extrafiscalidade, inserida 
num contexto de política econômica, pela taxação ou desoneração fiscal aplicadas 
sobre ingressos e saídas de mercadorias do país, e ainda, na normatização das 
rotinas de ingresso e saída de veículos e pessoas do país” (SOSA, 1995, p. 50-51).
UNI
Caro acadêmico, o direito aduaneiro possui alguns conceitos a ele atribuídos. 
Utilizaremos o proferido por Ildefonso Sánchez González, que afirma: “Direito aduaneiro é o 
conjunto de normas e princípios que disciplinam juridicamente a política aduaneira, entendida 
esta como a intervenção pública no intercâmbio internacional de mercadorias que constitui 
um sistema de controle e de limitações com fins públicos” (CARLUCCI, 2001, p. 22).
A natureza jurídica do direito aduaneiro é de direito público, muito 
vinculada ao direito internacional público, pois as ações efetuadas são de origem 
aduaneira, sendo estas ações públicas e normatizadas, em sua maior parte, por 
acordos internacionais.
O objeto do direito aduaneiro está vinculado às relações jurídicas que se 
constituem a partir das relações de comércio internacional, quando bens, pessoas 
ou ainda veículos, saem da jurisdição do território aduaneiro.
Segundo Carlucci (2001, p. 23), a especificidade do direito aduaneiro tem 
suas origens em alguns fatores, sendo eles:
1. Origem consuetudinária: os usos comerciais, internos ou externos 
exigiram e condicionaram as normas, dando feições próprias ao direito 
aduaneiro.
2. Técnica específica: a necessidade da classificação alfandegária de 
mercadorias, dos conceitos jurídicos e econômicos precisos, como valor, 
preço, notas de tarifas etc.
3. Acelerado dinamismo: evolução da técnica de transporte e 
comunicações, a incidência dos convênios e outros atos internacionais, 
o incremento dos blocos econômicos e organismos internacionais etc.
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
6
4. Importância do fator econômico e o contencioso aduaneiro: com 
ritos próprios para processos específicos.
5. Influência preponderante dos tratados: uma grande variedade 
preponderando os acordos e convenções internacionais.
3 A LEI BRASILEIRA E O DIREITO ADUANEIRO
Caro acadêmico, as normativas legais que estabelecem as regras das 
relações comerciais internacionais e, a partir deste contexto, do próprio direito 
aduaneiro, evoluíram e permanecem em constante evolução, acompanhando 
a realidade construída pela economia e pela própria sociedade de determinado 
território.
Na concepção de Carlucci (2001), o direito aduaneiro brasileiro está 
caracterizado e influenciado por alguns fatores, sendo estes:
a) Diversidade de órgãos intervenientes:
● Ministério da Fazenda (SRF e BACEN)
- Operações cambiais.
- Fiscalização dirigida ao fim arrecadatório.
- Controle do fluxo de mercadorias – importação e exportação.
- Expressividade da barreira não tarifária (burocracia, excesso de papéis, 
excesso de controles formais, laudos técnicos etc.).
- Controle de valor aduaneiro das mercadorias.
- Repressão ao contrabando e descaminho e repressão ao tráfico ilícito de 
drogas na zona primária.
● Ministério da Indústria e do Comércio e Ministério do Turismo
- Licenciamento de importações e exportações.
- Investigação de dumping e subsídios.
- Processo de redução de alíquotas do imposto de importação.
- Controle do preço de mercadorias importadas e exportadas.
● Ministério da Justiça
- Fiscalização de tripulantes de embarcações e aeronaves.
- Fiscalização de passageiros (imigração).
- Repressão ao contrabando e descaminho.
- Repressão ao tráfico de drogas.
TÓPICO 1 | PERFIL DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
7
● Ministérios Militares
- Fiscalização da importação de armas e munições.
- Fiscalização de produtos controlados.
● Ministérios da Agricultura e da Saúde.
- Controle da importação de medicamentos, vegetais, sementes, agrotóxicos, 
animais etc.
FONTE: Disponível em: <www.bc.furb.br/docs/MO/2009/337527_1_1.pdf>. Acesso em: 2 out. 
2012.
b) A existência de uma superposição de serviços, uma normatização abundante, 
a necessidade de quadro funcional especializado e um regulamento aduaneiro 
ainda voltado quase que em sua integralidade para a satisfação tributária.
Encontramos, hoje, no território brasileiro, o Decreto-lei n◦ 37/66 e o Decreto 
nº 6.759/09, como alguns textos legais que orientam e determinam a atuação das 
relações de comércio internacional. Ou seja, representam as normas jurídicas do 
direito aduaneiro.
Lembrando que os acordos e tratados internacionais igualmente 
direcionam estas atividades comerciais, e que estes textos legais não abrangem 
todas as situações, sendo ainda originadas normas complementares, portarias, 
resoluções, dentre outros.
UNI
DUMPING - SAIBA O QUE É
“Dumping: normalmente, caracteriza o abuso de caráter internacional. Uma empresa recebe 
subsídio oficial de seu país de modo a baratear excessivamente o custo do produto. Como o 
preço é muito inferior ao das empresas que arcam com os próprios custos, ficam estas sem 
condições de competir com aquelas, propiciando-lhes uma inevitável elevação de lucros” 
(CARVALHO FILHO, 2011, p. 843).
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
8
4 O PAPEL DA ADUANA NO CONTEXTO NORMATIVO
Aaduana está reconhecida como órgão ou instituição que executa a política 
aduaneira. Na percepção de Carlucci (2001, p. 21), “a aduana designa a instituição 
jurídica, a organização ou entidade na totalidade de seus aspectos e funções e seus 
múltiplos fins: arrecadação, protecionismo, controle administrativo etc”. 
O autor prossegue afirmando que as alfândegas são repartições das adunas 
e que aplicam as normas e controles das aduanas.
Sosa (1995, p. 51) afirma que “é incumbência da aduana verificar se 
foram observados, pelos particulares e pelo próprio Estado, na pessoa dos entes 
públicos, os procedimentos de admissão aduaneira, o que implica em verificar se 
foram atendidos todos os preceitos legais vigentes, especialmente os referentes às 
normas administrativas propriamente ditas e, subsidiariamente, aqueles relativos 
ao câmbio”. 
As aduanas, nesta proposta, têm a lógica de estar no uso do poder estatal, 
executando a atividade reguladora do Estado, na perspectiva de que a função 
normativa está descrita em três áreas, relembrando: administrativa, cambial e 
fiscal.
5 O PODER ADUANEIRO COMO MEIO
DE COAÇÃO LEGAL
A aduana está dotada de um poder legal, que é o de fazer cumprir 
regramentos legais instituídos como necessários e esperados, quando falamos das 
operações de comércio exterior ou, ainda, relações comerciais internacionais. Este 
poder do qual a aduana está instituída não é aplicável somente aos particulares, 
mas também ao Estado, quando este pratica atividades que envolvem o comércio 
internacional.
Sosa (1995, p. 52) exemplifica este poder aduaneiro na capacidade que a 
aduana tem de direcionar o fluxo de transporte em um determinado sentido. 
Não está no livre-arbítrio do comandante de uma embarcação escolher 
porto para descarregar ou carregar mercadorias, senão onde se localize 
uma aduana. Tampouco pode uma aeronave em voo internacional 
escolher, ao bel-prazer do piloto, aeroporto à sua conveniência exclusiva. 
Salvo casos fortuitos devidamente regulados em lei, os veículos devem 
ingressar em território nacional somente em locais onde se situem 
repartições alfandegárias. 
TÓPICO 1 | PERFIL DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
9
6 O CONCEITO DE JURISDIÇÃO ADUANEIRA
“A jurisdição aduaneira é conhecida na concepção de: poder conferido à 
Alfândega para que, nos limites do território jurisdicional, aplique a lei aduaneira, 
ou, mais propriamente dito, o direito aduaneiro” (SOSA, 1995, p. 55).
No território brasileiro, a jurisdição aduaneira está compreendida no 
próprio território nacional. Ou seja, o território brasileiro e o território aduaneiro 
são geograficamente os mesmos.
Parafraseando Sosa (1995), a pretensão de se estender a aduana para 
o interior do território brasileiro estava inicialmente na proposta de prevenir e 
reprimir as fraudes, contrabandos e descaminhos de mercadorias, que porventura 
pudessem acontecer e, por consequência, estarem sendo trazidas ao Brasil 
mercadorias clandestinas, movimentando equivocadamente a economia nacional.
7 A INTERIORIZAÇÃO ADUANEIRA
Os processos empreendidos nas relações comerciais internacionais 
precisam, necessariamente, acompanhar a evolução das tratativas e da conjuntura 
econômica estabelecida. Nesta proposição, a interiorização vem ao encontro do 
atendimento aos interesses estabelecidos.
A política de interiorização provém da necessidade de agilidade, buscando 
reduzir os tempos de desembaraço e de entrada das mercadorias em circulação 
econômica. Os importadores e exportadores têm todo interesse em contar com 
aduanas as mais próximas possíveis dos centros produtivos, buscando otimizar e 
acelerar as saídas dos produtos.
Caro acadêmico, a penalidade aplicada quando do descumprimento da 
regra acima descrita e tida como básica nas relações de comércio internacional 
é inicialmente a apreensão do veículo e das mercadorias, podendo chegar ao 
“perdimento das mercadorias” em favor do Estado.
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
10
8 CONCEITOS DE DIREITO INTERNACIONAL
PÚBLICO E PRIVADO
O direito internacional público, nas palavras de Varella (2011, p. 21), “é o 
conjunto de regras e princípios que regulam a sociedade internacional. A sociedade 
internacional é composta por Estados, organizações internacionais e, mais 
recentemente, se aceita em diferentes níveis a participação de entes com algumas 
características estatais, a exemplo de movimentos de libertação, sistemas regionais 
de integração, além de outros atores, como indivíduos, empresas e organizações 
não governamentais”. 
Este ramo do direito nasceu na Idade Média e vem crescendo a partir da 
interdependência global, fenômeno enfatizado no século XX e que permanece em 
constante modificação.
No direito internacional público, a preocupação está no direito que regula 
as relações entre os estados ou entre os estados e outros atores internacionais. O 
direito internacional público também pode ser chamado de direito das gentes, são 
expressões sinônimas. (VARELLA, 2011).
Lembrando que sujeitos de direito são aqueles capazes de serem titulares 
de direitos e obrigações no direito internacional. Os estados e as organizações 
internacionais são denominados de sujeitos do direito internacional.
Entretanto, Varella (2011) reafirma que atores internacionais são todos 
aqueles que participam de alguma forma das relações jurídicas e políticas 
internacionais, sendo, portanto, uma expressão ampla, quando relacionada aos 
sujeitos do direito internacional.
O direito internacional possui características específicas, elencadas por 
Varella (2011, p. 25):
a) A inexistência de subordinação dos sujeitos de direito a um Estado.
b) A inexistência de uma norma constitucional acima das demais 
normas.
c) A inexistência de atos jurídicos unilaterais obrigatórios, oponíveis a 
toda sociedade internacional.
Acadêmico, de uma forma simplificada, não existe a possibilidade de um 
Estado ter poder sobre outro Estado. Ninguém é superior ao outro. Todos estão no 
mesmo nível. Da mesma forma que não existe uma lei, ou texto legal, que possa ser 
comparada ou esteja colocada em grau superior ao da Constituição de cada Estado.
Da mesma forma que o direito internacional possui características, 
encontramos princípios gerais que o norteiam, sendo estes, na ótica de Varella 
(2011, p. 25):
TÓPICO 1 | PERFIL DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
11
a) Igualdade soberana.
b) Autonomia, não ingerência nos assuntos internos dos outros estados.
c) Interdição do recurso à força e solução pacífica de controvérsias.
d) Respeito aos direitos humanos.
e) Cooperação internacional.
Estes princípios determinam que todos os estados são iguais perante o 
direito que lhes cabe. O Estado pode governar a si mesmo, atendendo a seus próprios 
interesses, não podendo nenhum outro Estado interferir neste processo. Havendo 
alguma situação ou conflito entre os estados, estes devem procurar solucioná-
lo por meio de soluções pacíficas que existem e estão dispostas para todos. Os 
Estados devem buscar proteger de forma contundente os direitos humanos e, por 
fim, os estados devem conduzir seus atos conjuntamente, colaborando uns com 
os outros para que todos busquem e alcancem os objetivos a que se propuseram.
O direito internacional privado está voltado para a resolução de eventuais 
litígios que possam ocorrer entre particulares que ultrapassam as fronteiras 
nacionais. Esta situação acontece, normalmente, pela mobilidade das pessoas, 
pelas relações comerciais estabelecidas ou outras situações afins. 
Podemos citar, como exemplo, o fato de um(a) brasileiro(a) casar com 
um(a) estrangeiro(a), um brasileiro sofrer um acidente de carro no exterior, uma 
empresa brasileira que adquire equipamentos de uma empresa estrangeira etc. 
Segundo Rechsteiner (2011, p. 22-23): 
São situações nasquais ressalta o fato de possuírem uma conexão 
internacional, sendo este elemento comum. Ou porque as pessoas 
envolvidas têm nacionalidade estrangeira ou o domicílio ou a sede 
de uma ou de ambas as partes do negócio jurídico está situado no 
exterior. Ou ainda um outro fato: um bem está localizado ou um direito 
é adquirido além-fronteiras, são situações onde o direito internacional 
privado é aplicável. 
“O direito internacional privado é representado por normas que definem 
qual o direito a ser aplicado a uma relação jurídica com conexão internacional” 
(RECHSTEINER, 2011, p. 23).
Caro acadêmico, é importante ressaltar que o direito internacional 
privado se restringe somente às relações jurídicas de direito privado com conexão 
internacional, não sendo adaptado para resolver conflitos de leis internacionais de 
direito público.
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
12
As fontes formais do direito internacional são encontradas nos tratados 
que são identificados como acordos internacionais concluídos entre 
estados ou estados e organizações internacionais, regidos pelo direito 
internacional , que constem de um instrumento único, quer de dois 
ou mais instrumentos conexos, qualquer que seja sua denominação 
específica (VARELLA, 2011, p. 37).
Você pode perceber, caro acadêmico, a importância da existência de 
uma regulamentação em lei de situações que acontecem e envolvem estados 
ou particulares. Ou ainda ambos, para que, na eventualidade de conflitos, os 
envolvidos tenham segurança na aplicação de leis que possam resguardar o justo 
direito e a paz entre os países. 
UNI
O direito é o conjunto de normas obrigatórias que determinam a vida em 
sociedade. Apesar de ser um todo, único, ele é dividido em ramos específicos, facilitando seus 
estudos e sua maneira de aplicá-lo.
O direito divide-se em privado (regula as relações jurídicas dos particulares) e público (regula 
e disciplina as relações jurídicas de interesse estatal ou do Estado).
13
Neste tópico você:
• Compreendeu a proposta da concepção do direito aduaneiro e o papel do Estado 
nesta percepção.
• Identificou os fatores que caracterizam os textos legais aduaneiros no território 
brasileiro.
• Analisou o papel da aduana, o poder aduaneiro, o conceito de jurisdição 
aduaneira e de interiorização aduaneira.
• Reconheceu os conceitos de direito internacional público e direito internacional 
privado.
RESUMO DO TÓPICO 1
14
1 Identifique os sujeitos do direito internacional público.
2 Explique o poder de coação legal da aduana.
3 O que significa o princípio da igualdade soberana no direito internacional? 
AUTOATIVIDADE
15
TÓPICO 2
O CONTROLE DOS PROCEDIMENTOS 
ADUANEIROS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A relação de comércio internacional é estabelecida por regras descritas 
em leis e aqueles que a fiscalizam a sua execução devem observar exatamente 
a descrição destas normas. Os regulamentos impostos determinam a forma de 
circulação e entrada de pessoas e mercadorias em território estrangeiro.
As regras de nosso território para as relações aduaneiras, igualmente, 
compreendem a forma de controle e fiscalização daqueles que entram no território 
brasileiro, sendo este o papel das aduanas ou das alfândegas. Relembramos que o 
território alfandegário brasileiro compreende toda extensão territorial brasileira. 
Portanto, a fiscalização ocorre em todo território nacional por órgãos competentes 
para a realização destas atividades.
 Diante desta perspectiva, caro acadêmico, estudaremos a partir de agora 
circunstâncias que envolvem as entradas aduaneiras e situações que podem 
ocorrer em relação à entrada de pessoas, veículos e mercadorias, estas últimas com 
a possibilidade de “perdimento”, além de buscarmos a compreensão do termo 
jurisdição.
 Vamos aos estudos!
2 CONCEITO DE ENTRADA ADUANEIRA
Sosa (1995, p. 109) descreve entrada aduaneira como “ingresso de veículo, 
mercadorias ou pessoas num dado território sob jurisdição da alfândega, sendo 
condição implícita de que estas procedam do exterior”.
É importante observar, caro acadêmico, mesmo que se possa achar 
redundante, que a entrada deve ser de mercadorias, veículo ou pessoas que 
venham do exterior, já que o território brasileiro e o território alfandegário, como 
já vimos, são geograficamente os mesmos. 
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
16
2.2 ESPÉCIES DE ENTRADAS ADUANEIRAS
A entrada aduaneira é gênero que incorpora algumas espécies, e as mais 
reconhecidas por autores diversos, estão reconhecidas como entrada aduaneira de 
mercadorias, a entrada aduaneira de veículos e a entrada aduaneira de pessoas.
2.2.1 Entrada aduaneira de veículos
Os veículos estão identificados em razão de sua natureza e de como se 
locomovem, sendo, portanto, aquaviários, terrestres e aéreos. Os aquaviários ainda 
podem ser marítimos, lacustres e fluviais. Os terrestres podem ser rodoviários e 
ferroviários.
Vale lembrar que cada veículo pode possuir ainda outras tantas 
classificações, como os aéreos, que podem ser cargueiros ou comerciais, sendo 
utilizados para transporte de passageiros ou de cargas.
Passaremos a relatar a visita e busca aduaneiras, na descrição feita por Sosa 
(1995, p. 110-111):
1. Os veículos marítimos, ao aportarem, são recebidos pela autoridade 
aduaneira. Nesta oportunidade, declaram a natureza de sua viagem, 
cargas transportadas e equipamentos de transporte para aquele e outros 
portos, número de tripulantes, passageiros etc. É lavrado termo de 
visita aduaneira.
2. Nos veículos aéreos, o procedimento é semelhante. Nos veículos 
terrestres, praticamente inexistem formalidades. Entretanto, a 
verificação ocorre no sentido de que os transportadores devem estar 
habilitados para exercer o transporte internacional, na obediência dos 
convênios de transporte firmados com países limítrofes e terceiros cujas 
redes viárias permitem tráfego internacional.
3. Podem ocorrer, na ocasião da entrada do veículo, vistorias que são 
chamadas de busca aduaneira, que estão enquadradas nas atividades 
preventivo-repressivas da Alfândega. Estas vistorias têm por objetivo 
abordar embarcações dentro dos limites jurisdicionais para vistoriá-
las, antes mesmo que aportem, mas são situações excepcionais.
É importante registrar que, de acordo com cada local de entrada de veículos, 
serão encontradas especificidades na alfândega, principalmente as localizadas nas 
regiões de fronteira.
O Decreto nº 6.759/2009, que regulamente a administração das atividades 
aduaneiras e a fiscalização, o controle e a tributação das operações de comércio 
exterior, prevê em seus arts. 26 e 27:
TÓPICO 2 | O CONTROLE DOS PROCEDIMENTOS ADUANEIROS
17
Art. 26. A entrada ou a saída de veículos procedentes do exterior ou 
a ele destinados só poderá ocorrer em porto, aeroporto ou ponto de 
fronteira alfandegado. 
§ 1o O controle aduaneiro do veículo será exercido desde o seu ingresso 
no território aduaneiro até a sua efetiva saída, e será estendido a 
mercadorias e a outros bens existentes a bordo, inclusive a bagagens 
de viajantes. 
§ 2o O titular da unidade aduaneira jurisdicionante poderá autorizar 
a entrada ou a saída de veículos por porto, aeroporto ou ponto de 
fronteira não alfandegado, em casos justificados, e sem prejuízo do 
disposto no § 1o. 
Art. 27. É proibido ao condutor de veículo procedente do exterior ou a 
ele destinado:
I - estacionar ou efetuar operações de carga ou descarga de mercadoria, 
inclusive transbordo, fora de local habilitado;
II - trafegar no território aduaneiro em situação ilegal quanto às normas 
reguladoras do transporte internacional correspondente à sua espécie; e
III - desviá-lo da rota estabelecida pela autoridade aduaneira, sem 
motivo justificado. (BRASIL, 2012).
UNI
Acesse o link: <http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/ins/ant2001/1998/in13798.htm> e conheça a instrução normativa da Receita Federal que dispõe sobre o 
tratamento tributário e o controle aduaneiro aplicáveis à operação de navio estrangeiro em 
viagem de cruzeiro pela costa brasileira, possuindo a situação de busca ou visita aduaneira.
2.2.2 Entrada aduaneira de mercadorias
Segundo Sosa (1995), as mercadorias ingressam no país definitivamente 
quando são absorvidas pelo aparelho reprodutivo e entram em circulação 
econômica. Caso das matérias-primas, insumos, produtos intermediários ou 
produtos acabados. Ou ainda os ingressos podem ser temporários, na condição de 
retornarem ao exterior.
A Receita Federal, em seu site e link, disponível em: <http://www.receita.
fazenda.gov.br/aduana/regadmexporttemp/regadm/regespadmtemp.htm>, 
define admissão temporária de mercadorias como: 
Admissão Temporária é o regime aduaneiro que permite a entrada no 
país de certas mercadorias, com uma finalidade e por um período de 
tempo determinados, com a suspensão total ou parcial do pagamento de 
tributos aduaneiros incidentes na sua importação, com o compromisso 
de serem reexportadas (RECEITA FEDERAL, 2012).
Igualmente, a Receita Federal define os bens dentre outros que podem ser 
submetidos ao regime de admissão temporária, destinados:
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
18
FONTE: Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/aduana/regadmexporttemp/regadm/
regespadmtemp.htm>. Acesso em: 3 out. 2012.
A mercadoria entra na aduana a partir da declaração do transportador, 
sendo o documento que assim o identifica o manifesto de cargas. O importador, 
tendo em mãos o título de propriedade, que é o conhecimento de carga, levará a 
mercadoria aos procedimentos destinados ao despacho aduaneiro, que terá como 
processo final o desembaraço fiscal.
l A feiras, exposições, congressos e outros eventos científicos, técnicos, 
comerciais ou industriais.
l A eventos de caráter cultural e esportivo.
l A promoção comercial, inclusive amostras sem destinação comercial e 
mostruários de representantes comerciais.
l Ao exercício temporário de atividade profissional de não residente.
l Ao uso de viajante não residente, quando integrantes de sua bagagem.
l Bens trazidos durante visita de dignitários estrangeiros.
l Bens reutilizáveis para acondicionamento e manuseio de outros bens 
importados ou a exportar. 
l Bens a serem submetidos a ensaios, testes, conserto, reparo ou restauração.
l Bens a serem utilizados com finalidade econômica no Brasil (empregados 
na prestação de serviços ou na produção de outros bens).
2.2.3 Entrada aduaneira de pessoas
Encontramos neste critério de admissão três níveis: a entrada de pessoas 
que se dedicam a tripular veículos em viagens internacionais (equipagens), pessoas 
que utilizam os veículos na qualidade de passageiros e pessoas que têm a condição 
especial de representantes diplomáticos ou funções afins.
Segundo Sosa (1995), a lei aduaneira diferencia as pessoas com relação 
ao tratamento fiscal a elas dispensado. No caso das tripulações é permitido o 
desembaraço de objetos de uso pessoal indispensável à estadia em terra, sendo 
proibida a descarga de outros pertences. A exceção feita é se o tripulante, naquele 
momento, estiver se desligando como tripulante efetivo do veículo, quando passará 
a ser tratado como passageiro comum.
Na situação de passageiros comuns, turistas e em viagem de negócios, têm 
tratamento fiscal de isenção tributária, quando relacionamos os bens e pertences de 
uso pessoal indispensáveis à sua estadia. Exceções serão feitas quando excederem 
o valor determinado em lei para isenção tributária para as mercadorias trazidas. 
Da mesma forma que existem mercadorias com isenção especial, além da situação 
de estrangeiros que tenham a prerrogativa de estabelecer residência definitiva no 
país, situações estas que necessitam ser devidamente comprovadas.
TÓPICO 2 | O CONTROLE DOS PROCEDIMENTOS ADUANEIROS
19
Art. 2◦ Constitui mala diplomática ou consular, nos termos do art. 27 da 
Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (CVRD) e do art. 35 da 
Convenção de Viena sobre Relações Consulares (CVRC), promulgadas, 
respectivamente, pelos Decretos n◦ 56.435, de 11 de junho de 1965, e n◦ 
61.078, de 26 de julho de 1967, o volume que contenha:
I - documentos diplomáticos ou consulares, apresentados sob qualquer meio 
físico; ou
II - materiais, objetos e equipamentos destinados a uso oficial da 
representação do Estado acreditante, tais como papel timbrado, envelopes, 
selos, carimbos, caderneta de passaporte, insígnias de condecorações, 
equipamentos de informática e de comunicação.
Parágrafo único. A mala diplomática ou consular não está sujeita a limite 
de volume ou de peso.
Art. 3◦ A mala diplomática ou consular está dispensada do despacho 
aduaneiro de importação e de exportação e será liberada pela autoridade 
aduaneira em procedimento sumário, à vista dos elementos de identificação 
ostensiva, mediante a apresentação de:
A legislação estabelece pressupostos especiais no tratamento aduaneiro aos 
diplomatas e com funções afins, onde é deferida isenção especial na obediência 
aos convênios internacionais e da reciprocidade de tratamento entre estes países 
(Convenção de Viena).
UNI
Acesse o link: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/LegisAssunto/
Bagagem.htm> e conheça o ordenamento legal disponível sobre a entrada e saída de bagagens 
na aduana.
A Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil SRF nº 
338, de 7 de julho de 2003, traz o conceito de mala diplomática e o tratamento 
aduaneiro desta:
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
20
I - documento emitido pelo Estado acreditante que indique a condição de 
correio diplomático ou consular e o número de volumes que a constituem, 
quando conduzida como bagagem acompanhada;
II - documento emitido pelo Estado acreditante que indique o número de 
volumes que a constituem, quando confiada a comandante da aeronave; 
ou
III - conhecimento de carga ou documento equivalente consignado à missão 
diplomática ou à repartição consular, quando enviada como carga.
§ 1◦ Na hipótese dos incisos II ou III, a mala somente será entregue a integrante 
da missão diplomática ou repartição consular, ou a pessoa autorizada a 
recebê-la.
§ 2◦ Quando remetida ao amparo de conhecimento de carga ou documento 
equivalente, a mala diplomática ou consular deverá receber tratamento de 
carga que não implique sua destinação para armazenamento, exceto se o 
interesse do Estado acreditante determinar tratamento diverso.
Art. 4◦ A mala diplomática ou consular não poderá ser aberta ou retida.
§ 1◦ No caso de denúncia ou de suspeita fundada de uso da mala consular 
para a importação ou a exportação irregular de bens e mercadorias, a 
fiscalização aduaneira solicitará a abertura dos volumes, em sua presença, 
por representante autorizado do Estado que a envia.
§ 2◦ Em caso de recusa da verificação referida no § 1◦ por parte da representação 
do Estado que envia, a mala consular será devolvida à origem.
§ 3◦ Na hipótese prevista no § 1◦, a unidade local da SRF que conhecer do 
fato deverá notificar imediatamente o Ministério das Relações Exteriores 
(MRE), por intermédio da Coordenação-Geral de Administração 
Aduaneira (Coana).
Art. 5◦ As importações e exportações promovidas por missões diplomáticas 
ou repartições consulares que não se enquadrem no conceito de mala 
diplomática ou consular serão regularmente submetidas a despacho 
aduaneiro, nos termos desta Instrução Normativa.
FONTE: Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/ins/2003/
in3382003.htm>. Acesso em: 3 out. 2012.
TÓPICO 2 | O CONTROLE DOS PROCEDIMENTOS ADUANEIROS
21
2.3 EXERCÍCIO DO PODER DISCRICIONÁRIO 
NAS ENTRADAS ADUANEIRAS
A alfândega ou aduana, como vimos anteriormente,pode direcionar o 
fluxo de transporte, sempre tomando como referência a regra de que os veículos 
que trazem pessoas ou mercadorias somente entrem no território aduaneiro em 
pontos ou locais alfandegados. Portanto, fica claro que se torna irregular qualquer 
entrada fora desses pontos ou locais legalmente habilitados como aduaneiros.
O ingresso irregular permite que a aduana atue de forma preventiva 
e repressiva, possuindo a capacidade de apreender veículos e mercadorias que 
eventualmente possam ultrapassar o controle fiscal, infringindo a linha aduaneira. 
Se isto vier a ocorrer, a ação da aduana é ativa, baseada no poder de polícia a ela 
inerente. Ou também conhecido como poder discricionário.
Os veículos devem, com antecedência e na forma prevista na lei, informar 
a sua chegada. A partir deste momento, a autoridade aduaneira emprega os 
procedimentos destinados ao ingresso de veículos. Observa a entrega dos 
manifestos de carga, os efeitos das declarações das mercadorias relacionadas para 
os fins da alfândega.
Entretanto, segundo Sosa (1995), se o particular deixar de atender a 
algum requisito formal ou se abstiver de apresentar declaração à Alfândega, 
imediatamente entrará em ação, que poderá levar à determinação de abertura de 
volumes, malas, vistoriar porões etc.
UNI
Define o Código Tributário Nacional:
CTN. Art. 78. Considera-se poder de polícia a atividade da administração pública que, limitando 
ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, 
em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, 
à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes 
de concessão ou autorização do poder público, à tranquilidade pública ou ao respeito à 
propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.
Parágrafo único: Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado 
pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, 
tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou desvio de poder.
FONTE: Código Tributário Nacional.
 Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5172.htm>. Acesso em: 10 set. 2012.
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
22
3 O PROCESSO ADUANEIRO CONTENCIOSO
Carlucci (2001, p. 205):
Observa que o contencioso aduaneiro tem por objeto a resolução 
de um conflito de interesses submetido ao julgamento de um órgão 
atuando com função jurisdicional, tendo por um lado o Estado, credor 
de uma obrigação tributário-aduaneira, cujos crédito e sanção são por 
ele reclamados e, por outro lado, o suposto infrator, o contribuinte ou 
demandado, que procura a prestação de uma justiça e a defesa de seus 
direitos fundamentais.
O contencioso aduaneiro nada mais é que um procedimento administrativo 
instaurado no momento em que se encontra alguma situação que necessite de 
solução ou verificação em razão das regras determinadas no direito aduaneiro 
para entradas ou saídas de veículos, pessoas e mercadorias.
UNI
Finalidade da função jurisdicional 
A finalidade da função jurisdicional é resolver os conflitos da sociedade, aplicando as 
normas aos casos concretos, levando à harmonização social (convivência harmônica). 
A ideia de jurisdição é a de uma decisão definitiva do conflito. O Estado-juiz substitui a 
vontade particular pela vontade do Estado. Desde que as partes não consigam a chamada 
autocomposição (solução pacífica e natural do conflito), torna-se necessário que se leve o 
exame desse conflito ao Poder Judiciário. 
FONTE: FUNÇÕES DO ESTADO. Disponível em: <http://www.licoesdedireito.kit.net/
constitucional/constitucional-judiciario.html>. Acesso em: 10 set. 2012.
Na concepção de José Del Cueto (apud CARLUCCI 2001, p. 206-208), existem 
alguns princípios aplicados ao contencioso aduaneiro, assim determinados:
a) Princípio da jurisdicionalidade formal: evita que o mesmo órgão atue 
como juiz e parte. No Brasil encontramos este princípio representado pela 
instância judicial que efetua o controle dos atos administrativos.
b) Princípio da tutela da ordem pública: está representado pelo direito 
público, que neste segmento é o próprio direito aduaneiro.
TÓPICO 2 | O CONTROLE DOS PROCEDIMENTOS ADUANEIROS
23
4 O CONTENCIOSO ADUANEIRO NO BRASIL
O contencioso aduaneiro brasileiro pode ser dividido em dois segmentos: 
um a que se aplica o rito processual geral, comum a todos os tributos de competência 
da União, regido pelo Decreto nº 70.235, de 06/03/72, Decreto nº 6.103/2007 e 
Decreto nº 6.574/2011; e outro a que se aplicam ritos especiais.
O artigo 7º do Decreto nº 70.235/1972 assim descreve:
Art. 7º O procedimento fiscal tem início com:
I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, 
cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto;
II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros;
III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada 
(BRASIL, 2012).
c) Princípio da unilateralidade eventual: a identificação deste princípio está 
nos procedimentos administrativos aduaneiros em que existe apenas uma 
parte – o Estado – nos casos de apreensão de mercadorias em que não se 
pode identificar o infrator. Nos casos de mercadorias abandonadas nos 
recintos alfandegados, nos casos de mercadorias submetidas a regimes 
aduaneiros especiais.
d) Princípio do devido processo legal: é o princípio constitucional que 
assegura a todos o direito a um processo justo e com todas as regras 
previstas em lei, bem como todas as garantias constitucionais.
e) Princípio da tendência ao equilíbrio de poderes: em razão do princípio 
da tutela da ordem pública, o demandado é o que possui poderes mais 
restritos. O Estado tem a seu favor uma gama de presunções cuja destruição 
está a cargo do demandado.
f) Princípio da verdade real: no processo aduaneiro a sentença é independente 
da vontade das partes (no que se respeita às provas) e o julgador está 
obrigado a constatar a autenticidade dos fatos.
g) Princípio da preclusão: implica na perda, extinção ou consumação de 
uma faculdade processual.
h) Princípio da rapidez: o processo aduaneiro deve ser caracterizado pela 
rapidez, simplicidade e economia de seus procedimentos. 
i) Princípio da imediação: pelo qual se autoriza o saneamento das incorreções 
ou omissões antes da decisão de primeira instância.
j) Princípio da estruturação dual: no Brasil se adota o princípio da unidade 
de jurisdição.
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
24
Caro acadêmico, passaremos a analisar de forma sucinta algumas situações 
de contencioso aduaneiro que possam servir de parâmetro para suas atividades.
A determinação e a exigência de créditos tributários decorrentes de 
infração às normas aduaneiras são apuradas mediante processo administrativo 
fiscal, na forma do Decreto nº 70.235/1972.
Tais créditos podem ser consequentes:
a) Do começo do despacho aduaneiro de mercadorias.
b) Da revisão de despacho aduaneiro procedida dentro do prazo decadencial 
de cinco anos da data do registro da Declaração de Importação.
Carluci afirma (2001, p. 208) que:
O processo de determinação e exigência de crédito tributário relativo 
ao Imposto de Importação ou infração administrativa ao controle 
de importações, diferentemente dos demais tributos federais, é 
condicionado à existência de garantia representada pela retenção da 
mercadoria nos armazéns alfandegados ou a sua substituição por fiança 
bancária, depósito em dinheiro ou caução em títulos da dívida pública.
Encontramos também os processos e atos contenciosos administrativos 
aduaneiros especiais, e dentre eles temos:
1. Processo de Perdimento: as infrações em que se aplique a pena de 
perdimento são regulamentadas pelo Decreto-Leinº 1.455/76, de forma mais 
específica o artigo 27:
Art. 27. As infrações mencionadas nos artigos 23, 24 e 26 serão 
apuradas através de processo fiscal, cuja peça inicial será o auto de 
infração acompanhado de termo de apreensão, e, se for o caso, de termo 
de guarda (BRASIL, 2012).
Vejamos o que dispõem os arts. 23, 24 e 26 do Decreto nº 1.455/76 com 
relação às referidas infrações:
Art. 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias:
I - importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito 
equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma 
da legislação específica em vigor;
II - importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do 
prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições:
TÓPICO 2 | O CONTROLE DOS PROCEDIMENTOS ADUANEIROS
25
a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenha sido iniciado o seu 
despacho; ou
b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão 
do importador ou seu representante; ou
c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do 
Decreto-Lei n◦ 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no 
artigo 55 do mesmo decreto-lei; ou
d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotar-se o prazo fixado para permanência 
em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona 
secundária.
III - trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada 
e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 
(quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção do seu 
desembaraço;
IV - enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo 
único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decreto-lei 
número 37, de 18 de novembro de 1966.
V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese 
de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de 
responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive 
a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 
30.12.2002).
VI - (Vide Medida Provisória nº 320, 2006).
§ 1◦ O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste 
artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.
[...]
§ 2◦ Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a 
não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos 
empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002).
§ 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao 
valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da 
respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando 
a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, 
observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 
6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro 
de 2010).
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
26
Para que ocorra o devido processo legal no processo de perdimento, sendo 
este um dos princípios do contencioso aduaneiro, é preciso que sejam observadas 
algumas prerrogativas inerentes ao processo administrativo, entre as quais:
§ 4◦ O disposto no § 3◦ não impede a apreensão da mercadoria nos casos 
previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo 
ou circulação no território nacional. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 
30.12.2002).
Art. 24. Consideram-se igualmente dano ao Erário, punido com a pena 
prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos 
I a VI do artigo 104 do Decreto-lei número 37, de 18 de novembro de 1966.
Art. 26. As mercadorias de importação proibida na forma da legislação 
específica em vigor serão apreendidas, liminarmente, em nome e ordem 
do Ministro da Fazenda.
Parágrafo único. Independentemente do curso de processo criminal, as 
mercadorias a que se refere este artigo poderão ser alienadas ou destinadas 
na forma deste decreto-lei.
FONTE: Disponível em: <http://www.portaltributario.com.br/legislacao/dl1455.htm>. Acesso em: 
3 out. 2012.
NOTA
Pena de perdimento, o que é?
A Pena de perdimento é, sem sombra de dúvida, a mais severa sanção administrativa existente 
no direito aduaneiro. Consiste na decretação da perda de mercadorias e veículos quando 
constatado, na operação de comércio exterior, dano ao erário.
FONTE: CIESP. Pena de perdimento convertida em multa. Disponível em: <http://www.
ciespsorocaba.com.br/releases-texto.php?id=892>. Acesso em: 12 set. 2012.
TÓPICO 2 | O CONTROLE DOS PROCEDIMENTOS ADUANEIROS
27
Art. 27. [...] 
§ 1º Feita a intimação, pessoal ou por edital, a não apresentação de 
impugnação no prazo de 20 (vinte) dias implica em revelia.
§ 2º Apresentada a impugnação, a autoridade preparadora terá o prazo 
de 15 (quinze) dias para remessa do processo a julgamento.
§ 3º O prazo mencionado no parágrafo anterior poderá ser prorrogado 
quando houver necessidade de diligências ou perícias, devendo a 
autoridade preparadora fazer comunicação justificada do fato ao 
Secretário da Receita Federal.
§ 4º Após o preparo, o processo será encaminhado ao Secretário da 
Receita Federal que o submeterá a decisão do Ministro da Fazenda, em 
instância única (Vide Medida Provisória nº 38, de 13.5.2002).
§ 5◦ As infrações mencionadas nos incisos II e III do art. 23 deste 
decreto-lei, quando referentes a mercadorias de valor inferior a US$ 
500.00 (quinhentos dólares dos Estados Unidos da América), e no inciso 
IX do art. 105 do Decreto-Lei n◦ 37, de 18 de novembro de 1966, serão 
apuradas em procedimento simplificado, no qual: (Incluído pela Lei nº 
12.058, de 13 de outubro de 2009).
I - As mercadorias serão relacionadas pela unidade da Secretaria da 
Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o local de depósito, 
devendo a relação ser afixada em edital na referida unidade por 20 
(vinte) dias; e (Incluído pela Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009).
II - Decorrido o prazo a que se refere o inciso I: (Incluído pela Lei nº 
12.058, de 13 de outubro de 2009).
a) Sem manifestação por parte de qualquer interessado, serão declaradas 
abandonadas e estarão disponíveis para destinação, dispensada a 
formalidade a que se refere o caput, observado o disposto nos arts. 28 
a 30 deste decreto-lei. Ou (Incluído pela Lei nº 12.058, de 13 de outubro 
de 2009).
b) Com manifestação contrária de interessado, será adotado o 
procedimento previsto no caput e nos §§ 1◦ a 4◦ deste artigo. (Incluído 
pela Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009).
§ 6◦ O Ministro de Estado da Fazenda poderá complementar a disciplina 
do disposto no § 5◦, bem como aumentar em até 2 (duas) vezes o limite 
nele estabelecido. (Incluído pela Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009).
§ 7◦ O disposto nos §§ 5◦ e 6◦ não se aplica na hipótese de mercadorias 
de importação proibida. (Incluído pela Lei nº 12.058, de 13 de outubro 
de 2009) (BRASIL, 2012).
Decorridos os prazos previstos para a permanência de mercadorias em 
recintos alfandegados, os depositários devem fazer em cinco dias a comunicação 
ao órgão local da Secretaria da Receita Federal, relacionando as mercadorias e 
mencionando todos os elementos necessários à sua identificação dos volumes e do 
veículo transportador (art. 31, Decreto-Lei nº 1.455/76).
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
28
Com relação à comunicação da permanência da mercadoria nos recintos 
alfandegados diante da discussão no processo de perdimento, temos:
Art. 31. [...]
Parágrafo 1º: Feita a comunicação de que trata este artigo dentro 
do prazo previsto, a Secretaria da Receita Federal, com os recursos 
provenientes do FUNDAF, efetuará o pagamento, ao depositário da 
tarifa de armazenagem devida até a data em que retirar a mercadoria.Parágrafo 2º: Caso a comunicação estabelecida neste artigo não seja 
efetuada no prazo estipulado, somente será paga pela Secretaria da 
Receita Federal a armazenagem devida até o término do referido prazo, 
ainda que a mercadoria venha a ser posteriormente alienada (BRASIL, 
2012).
● Termos de Responsabilidade e sua execução: 
Art. 547. O termo de responsabilidade é o documento mediante o 
qual se constituem obrigações fiscais, cujo adimplemento fica suspenso 
pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais ou pela postergação de 
cumprimento de formalidades ou de apresentação de documentos, ou ainda, 
por outros motivos previstos neste regulamento ou em atos normativos 
destinados a complementá-lo. 
(Decreto-Lei n◦ 37/66, art. 71 - alterado pelo Decreto-Lei n◦ 1.223/72 - § 1◦).
O termo de responsabilidade constitui título representativo de direito 
líquido e certo da Fazenda Nacional com relação à obrigação tributária nele 
garantida. Não efetuado o pagamento do crédito tributário exigido, será 
encaminhado à cobrança judicial.
FONTE: Disponível em: <sijut.fazenda.gov.br/netacgi/nph-brs?...l...>. Acesso em: 3 out. 2012.
FONTE: Disponível em: <sijut.fazenda.gov.br/netacgi/nph-brs?...>. Acesso em: 3 out. 2012.
NOTA
Acadêmico(a)!
Acesse os links: <http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/ins/ant2001/1998/in08498.htm>, 
<http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/ins/ant2001/1999/in15099.htm>. 
Acessando estes sites, poderá ver as alterações que as sucederam. Leia as Instruções Normativas 
da Secretaria da Receita Federal que regulamentam os Termos de Responsabilidade.
TÓPICO 2 | O CONTROLE DOS PROCEDIMENTOS ADUANEIROS
29
● Processo de Vistoria Aduaneira: a formalização da exigência do crédito 
tributário decorrente de vistoria aduaneira é feita através de notificação de 
lançamento instruída pelo termo de vistoria. 
Orienta Carlucci (2001, p. 211-212) que o processo de determinação e 
exigência de crédito tributário resultante de vistoria obedece a rito sumário 
descrito a seguir:
a. Intimando-se o indicado como responsável a produzir defesa em 5 
(cinco) dias.
b. Proferindo-se a decisão de primeira instância nos 5 (cinco) dias 
subsequentes.
c. Proferida a decisão de primeira instância pode a mercadoria ser 
entregue independentemente de garantia de qualquer natureza.
d. A matéria de fato deve exaurir-se na decisão de primeira instância, 
devendo a autoridade julgadora promover as diligências necessárias 
para isso.
e. Na fase de recursos adota-se o procedimento estabelecido no Decreto 
nº 70.235, de 06/03/1972.
A decisão de primeira instância dos processos de vistoria compete às 
Delegacias da Receita Federal de Julgamento, onde encontramos a Portaria nº 416 
do Ministério da Fazenda de nº 416/2000:
Art. 1o As Delegacias da Receita Federal de Julgamento – DRJ da Secretaria 
da Receita Federal – SRF são competentes para realizar o julgamento, 
em primeira instância, de processos administrativos de determinação 
e exigência de créditos tributários, inclusive os decorrentes de vistoria 
aduaneira e de manifestação de inconformidade contra decisões dos 
inspetores e dos delegados da Receita Federal relativas a restituição, 
ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção ou redução de tributos 
e contribuições administrados pela SRF. (grifo nosso) (BRASIL, 2012).
DICAS
Caro(a) acadêmico(a), acessando o link: <http://www.receita.fazenda.gov.
br/legislacao/portarias/2001/ministeriodafazenda/anexos/Anexo5.htm>, Localização e 
Jurisdição Territorial e por Matérias (redação dada pela Portaria SRF n◦ 3.022, de 29 de 
novembro de 2001), você conhecerá as Delegacias da Receita Federal de Julgamento.
● Processo de destinação de mercadorias: a destinação dos bens objetos da pena 
de perdimento é feita sob uma das formas descritas a seguir: 
a) Por alienação:
• a missões diplomáticas, repartições consulares ou órgãos internacionais 
de que o Brasil faça parte;
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
30
• a lojas francas;
• a empresas comerciais exportadoras;
• a pessoas jurídicas, mediante licitação, na modalidade concorrência,
• a pessoas físicas, mediante licitação, na modalidade leilão,concorrência, 
de lotes constituídos de unidade, ou diminuta quantidade, vedada sua 
destinação comercial.
b) Por incorporação ao patrimônio:
• De órgãos da administração pública.
• De entidades beneficentes, religiosas, científicas e de instituições 
educacionais, sem fins lucrativos (CARLUCI, 2001, p. 212- 213).
Prevê ainda o Decreto-Lei nº 1.455/76, quanto ao processo de destinação de 
mercadorias originado da pena de perdimento:
Art. 29. A destinação das mercadorias a que se refere o art. 28 será feita 
das seguintes formas: (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010).
I – alienação, mediante: (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010).
a) licitação; ou (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010).
b) doação a entidades sem fins lucrativos; (Redação dada pela Lei nº 
12.350, de 2010).
II – incorporação ao patrimônio de órgão da administração pública; 
(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010).
III – destruição; ou (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010).
IV – inutilização. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010).
§ 1o As mercadorias de que trata o caput poderão ser destinadas: 
(Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010).
I – após decisão administrativa definitiva, ainda que relativas a 
processos pendentes de apreciação judicial, inclusive as que estiverem à 
disposição da Justiça como corpo de delito, produto ou objeto de crime, 
salvo determinação expressa em contrário, em cada caso, emanada de 
autoridade judiciária; ou (Incluído pela Lei nº 12.350 de 2010).
II – imediatamente após a formalização do procedimento administrativo-
fiscal pertinente, antes mesmo do término do prazo definido no § 1o do 
art. 27 deste decreto-lei, quando se tratar de: (Incluído pela Lei nº 12.350, 
de 2010).
a) semoventes, perecíveis, inflamáveis, explosivos ou outras mercadorias 
que exijam condições especiais de armazenamento; ou (Incluído pela 
Lei nº 12.350, de 2010).
TÓPICO 2 | O CONTROLE DOS PROCEDIMENTOS ADUANEIROS
31
b) mercadorias deterioradas, danificadas, estragadas, com data 
de validade vencida, que não atendam exigências sanitárias ou 
agropecuárias ou que estejam em desacordo com regulamentos ou 
normas técnicas e que devam ser destruídas (Incluído pela Lei nº 12.350, 
de 2010). (BRASIL, 2012).
À Secretaria da Receita Federal cabe a administração e alienação das 
mercadorias apreendidas (parágrafo 4º, art. 29, Decreto-Lei nº 1.455/76).
Provisiona o art. 30 do mesmo texto legal: na hipótese de decisão 
administrativa ou judicial que determine a restituição de mercadorias que 
houverem sido destinadas, será devida indenização ao interessado, com recursos 
do Fundaf, tendo por base o valor declarado para efeito de cálculo do imposto de 
importação ou de exportação (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). 
 Este dispositivo de lei tem por objetivo evitar o prejuízo daquele que teve 
suas mercadorias apreendidas indevidamente, após toda a formatação e conclusão 
do processo administrativo contencioso aduaneiro.
Prezado acadêmico, podemos observar que toda situação envolvendo as 
relações comerciais, ultrapassando fronteiras e que trazem situações de litígio, 
passam por um devido processo legal, denominado de contencioso aduaneiro, 
que é de natureza administrativa. Relatamos apenas algumas situações. Outras, 
obviamente, são encontradas e dispõem de regramento que as conduzem. Esteja 
atento, busque saber deles para que saiba encontrar as soluções necessárias.
32
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico você pôde:
● Identificar o conceito de entrada aduaneira e as espécies reconhecidas, dentre 
elas as entradas de veículos, mercadorias ou bens e pessoas.
● Compreender o exercício dopoder discricionário nas entradas aduaneiras.
● Reconhecer o conceito de processo contencioso aduaneiro e seus princípios.
● Distinguir o contencioso aduaneiro no Brasil, inclusos neste os contenciosos 
aduaneiros especiais.
33
1 O Estado tem o poder/dever, em razão de atuar em função do interesse 
público, de agir para que seja determinada a paz social e a obediência às 
normas jurídicas existentes no território brasileiro. Neste contexto, atribua 
um conceito para o exercício do poder de polícia ou poder discricionário.
2 O Estado tem definidos poderes e funções determinadas pela lógica da divisão 
dos poderes instituída constitucionalmente, assim entendidos como: Poder 
Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário. Diante desta perspectiva, 
descreva a finalidade da função jurisdicional.
3 O processo administrativo contencioso aduaneiro pode resultar, em 
algumas circunstâncias, no perdimento de bens ou mercadorias. Diante 
desta realidade, atribua um conceito para pena de perdimento de bens ou 
mercadorias.
AUTOATIVIDADE
34
35
TÓPICO 3
CONTENDAS ADUANEIRAS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Da mesma forma que em outros segmentos da sociedade ou, ainda, das 
relações em sociedade, as fraudes, os delitos e as infrações também são percebidos 
nas relações aduaneiras.
No início, a aduana apenas fiscalizava, não havia muita preocupação com 
o volume econômico representado pelas relações comerciais aduaneiras. Após a 
Segunda Guerra Mundial, esta situação se modificou. As atribuições dos serviços 
aduaneiros passaram a ser voltadas ao interesse econômico.
 
Os serviços aduaneiros passaram também a atuar em situações de segurança 
nacional (armas), saúde pública, agricultura, estatísticas comerciais, para dar 
suporte e informações para a organização da política de comércio exterior.
Nesta perspectiva, os serviços aduaneiros, com o crescimento da 
tecnologia, dos meios de transporte e comunicação, que tornam mais sofisticadas 
as possibilidades de fraudes, infrações e delitos nas relações comerciais aduaneiras, 
devem estar preparados para a observação desta realidade no intuito de conter 
estes abusos.
Carlucci (2001, p. 216-218) descreve as frentes de atuação dos serviços 
aduaneiros que devem reprimir estes ilícitos, devendo estes setores contar com 
estrutura física adequada e recursos humanos qualificados, sendo:
a) Serviço de vigilância e repressão nas fronteiras terrestres, portos, 
aeroportos e armazéns alfandegados de zona primária e secundária e 
veículos transportadores.
b) Serviço de verificação de mercadorias e análise da documentação 
relativa a essas mercadorias, tanto na importação quanto na exportação 
e no trânsito.
c) Serviço de revisão do despacho aduaneiro.
d) Serviço de auditoria fiscal aduaneira.
e) Serviço de logística aduaneira.
f) Serviço de vistoria de bagagem de passageiros e tripulantes.
g) Serviço de análise laboratorial de produtos químicos e/ou produtos 
naturais.
h) Serviço de inteligência aduaneira.
36
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
Entende-se, caro acadêmico, que com o funcionamento regular destes 
setores ou serviços aduaneiros, as possibilidades de ocorrência de infração, fraudes 
e delitos aduaneiros reduzam ou deixem de acontecer. 
Vamos compreender um pouco mais sobre o tema, iniciamos o estudo 
agora!
2 FRAUDES E INFRAÇÕES ADUANEIRAS
De acordo com a gravidade dos atos praticados, quando comparados 
os fatos com a legislação aduaneira, os ilícitos podem ser classificados como: 
infrações, fraudes e delitos aduaneiros, sendo que esta classificação pode alterar 
na concepção de alguns autores.
A legislação aduaneira do território brasileiro identifica dois grupos de 
infrações aduaneiras:
a) As infrações fiscais (tributárias).
b) As infrações administrativas ao controle das importações (de natureza não 
tributária).
De acordo com o Regulamento Aduaneiro, qual seja, o Decreto nº 6.759, de 
2009, em vigor, temos como conceito de Infração Aduaneira:
Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou 
involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou 
jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste decreto ou em ato 
administrativo de caráter normativo destinado a completá-lo. (Decreto-
lei n◦ 37, de 1966, art. 94, caput) (BRASIL, 2012).
Da mesma forma, o art. 674 define quem responde pelo ato infracionário:
Art. 674. Respondem pela infração (Decreto-Lei n◦ 37, de 1966, art. 95):
I - conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, 
concorra para sua prática ou dela se beneficie;
II - conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do 
veículo, quanto a que decorra do exercício de atividade própria do veículo, 
ou de ação ou omissão de seus tripulantes;
TÓPICO 3 | CONTENDAS ADUANEIRAS
37
III - o comandante ou o condutor de veículo, nos casos do inciso II, 
quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa física 
ou jurídica estabelecida no ponto de destino;
IV - a pessoa física ou jurídica, em razão do despacho que promova, 
de qualquer mercadoria;
V - conjunta ou isoladamente, o importador e o adquirente de 
mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada 
por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora 
(Decreto-Lei n◦ 37, de 1966, art. 95, inciso V, com a redação dada pela Medida 
Provisória n◦ 2.158-35, de 2001, art. 78); e
VI - conjunta ou isoladamente, o importador e o encomendante 
predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de 
pessoa jurídica importadora (Decreto-lei n◦ 37, de 1966, art. 95, inciso VI, 
com a redação dada pela Lei n◦ 11.281, de 2006, art. 12). 
Parágrafo único. Para fins de aplicação do disposto no inciso V, 
presume-se por conta e ordem de terceiro a operação de comércio exterior 
realizada mediante utilização de recursos deste, ou em desacordo com os 
requisitos e condições estabelecidos na forma da alínea “b” do inciso I do § 1◦ 
do art. 106 (Lei n◦ 10.637, de 2002, art. 27; e Lei n◦ 11.281, de 2006, art. 11, § 2◦).
FONTE: Disponível em: <www2.camara.gov.br>. Acesso em: 3 out. 2012.
E o artigo 675 deste mesmo regulamento apresenta as penalidades previstas 
para aquele que comete a infração aduaneira:
Art. 675. As infrações estão sujeitas às seguintes penalidades, aplicáveis 
separada ou cumulativamente (Decreto-lei n◦ 37, de 1966, art. 96; Decreto-lei n◦ 
1.455, de 1976, arts. 23, § 1◦, com a redação dada pela Lei n◦ 10.637, de 2002, art. 59, 
e 24; Lei n◦ 9.069, de 1995, art. 65, § 3◦; e Lei n◦ 10.833, de 2003, art. 76):
I - perdimento do veículo;
II - perdimento da mercadoria;
III - perdimento de moeda;
IV - multa; e
V - sanção administrativa. (BRASIL, 2012). 
Como conhecemos, a fraude classificada para a legislação aduaneira 
compreende a fraude fiscal que está conceituada na Lei nº 4.502/64, assim 
conceitualmente definida:
38
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou 
retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação 
tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características 
essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar 
ou diferir o seu pagamento (BRASIL, 2012).
A fraude fiscal é realizada intencionalmente com o objetivo de trazer 
prejuízo ao fisco. A fraude fiscal impede que o pagamento do tributo devido 
aconteça, impede que as rendas fiscais integrem as rendas da administração 
pública.
As infrações fiscais, em geral, e as aduaneiras em particular, constituem 
infrações antieconômicas enquadráveis no conceito de White Collar Crime – Crimes 
do Colarinho Branco.
Caro acadêmico, passaremos agora a um breve relato dos crimes contra a 
ordem tributária.
2.1 CRIMES CONTRAA ORDEM TRIBUTÁRIA
Carlucci (2001, p. 222) traz a concepção de três grupos de crimes tributários, 
sendo estes:
a) crimes essencialmente tributários – integrantes principais do direito 
penal tributário: sonegação fiscal, descaminho, excesso de exação, 
falsificação de estampilhas e de comprovantes tributários, petrechos 
de falsificação de papéis tributários, facilitação do descaminho e fraude 
contra o fisco;
b) crimes tributários por extensão legal – crimes trazidos pelo legislador 
ordinário para o direito tributário: apropriação indébita;
c) crimes circunstancialmente tributários – crimes contra a administração 
pública e que podem ter origem na violação de normas tributárias: 
peculato, concussão, corrupção ativa e passiva, prevaricação, desacato 
etc.
A lei que rege os crimes de ordem tributária é a Lei n◦ 8.137, de 22/12/90, 
que determina igualmente que todo delito tributário tem o dolo como elemento 
principal.
TÓPICO 3 | CONTENDAS ADUANEIRAS
39
UNI
SAIBA MAIS!
Dolo: significa intenção ou desejo de praticar um ato condenável, executando-o de forma 
refletida e deliberada. Pressupõe-se que o indivíduo que pratica o dolo age de má-fé, porque 
tem consciência de que está violando regras que podem prejudicar terceiros.
Dolo é também sinônimo de fraude, engano ou traição. Na análise jurídica, o indivíduo com 
intenção de burlar a lei, enganando o próximo em proveito próprio, está cometendo dolo. Por 
exemplo, na elaboração de um contrato ou concretização de um negócio.
FONTE: Disponível em: <http://www.significados.com.br/dolo/>. Acesso em: 15 set. 2012.
Os artigos 1º a 3º da Lei n◦ 8.137/90 identificam os crimes cometidos 
contra a ordem tributária nacional, a saber:
Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir 
tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes 
condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000).
 
I - omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades 
fazendárias;
 
II - fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou 
omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido 
pela lei fiscal;
 
III - falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, 
ou qualquer outro documento relativo à operação tributável; 
IV - elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que 
saiba ou deva saber falso ou inexato;
 
V - negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou 
documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou prestação de 
serviço, efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo com a legislação.
 
Pena - reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. 
Parágrafo único. A falta de atendimento da exigência da autoridade, no 
prazo de 10 (dez) dias, que poderá ser convertido em horas em razão da maior 
ou menor complexidade da matéria ou da dificuldade quanto ao atendimento 
da exigência, caracteriza a infração prevista no inciso V.
40
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 
10.4.2000).
 
I - fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou 
fatos, ou empregar outra fraude, para eximir-se, total ou parcialmente, de 
pagamento de tributo;
 
II - deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de 
contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo 
de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos;
 
III - exigir, pagar ou receber, para si ou para o contribuinte beneficiário, 
qualquer percentagem sobre a parcela dedutível ou deduzida de imposto ou 
de contribuição como incentivo fiscal;
 
V - deixar de aplicar, ou aplicar em desacordo com o estatuído, 
incentivo fiscal ou parcelas de imposto liberadas por órgão ou entidade de 
desenvolvimento;
 
V - utilizar ou divulgar programa de processamento de dados que 
permita ao sujeito passivo da obrigação tributária possuir informação 
contábil diversa daquela que é, por lei, fornecida à Fazenda Pública.
 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Seção II
Dos crimes praticados por funcionários públicos
Art. 3° Constitui crime funcional contra a ordem tributária, além dos 
previstos no Decreto-Lei n° 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal 
(Título XI, Capítulo I): 
I - extraviar livro oficial, processo fiscal ou qualquer documento, de 
que tenha a guarda em razão da função; sonegá-lo, ou inutilizá-lo, total ou 
parcialmente, acarretando pagamento indevido ou inexato de tributo ou 
contribuição social;
 
II - exigir, solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou 
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de iniciar seu exercício, 
mas em razão dela, vantagem indevida; ou aceitar promessa de tal vantagem, 
para deixar de lançar ou cobrar tributo ou contribuição social, ou cobrá-los 
parcialmente. Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos, e multa.
 
III - patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a 
administração fazendária, valendo-se da qualidade de funcionário público. 
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
FONTE: Disponível em: <www.jusbrasil.com.br/.../fraude-na-documentacao-tributaria-exigivel>. 
Acesso em: 3 out. 2012.
TÓPICO 3 | CONTENDAS ADUANEIRAS
41
As relações de comércio exterior são traduzidas por significativo 
movimento econômico e envolvem a imposição de tributos. Os crimes tributários 
são encontrados nestas relações em grande volume. Eis a necessidade dos serviços 
aduaneiros estarem preparados para a fiscalização e repressão destas práticas. 
3 O CONTRABANDO E O DESCAMINHO
O contrabando é explicado por alguns autores em razão das especificidades 
do litoral brasileiro, que apresenta várias possibilidades de “entradas sorrateiras”, 
pela ausência de vigilância nas fronteiras, ou ainda, pelo sistema cambial brasileiro.
“Desde os primórdios da introdução da cobrança dos direitos aduaneiros 
nas economias fiscais no mundo, o contrabando e o descaminho, em suas diversas 
modalidades de ação, representam uma importante forma de sonegação e evasão 
de divisas e de tributos” (CARLUCCI, 2011, p. 248).
Encontramos o conceito de contrabando e descaminho no Código Penal 
Brasileiro:
Art. 334 Código Penal – Importar ou exportar mercadoria proibida ou 
iludir, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou imposto devido 
pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria.
UNI
Acadêmico: 
Para melhor compreensão dos crimes tributários, acesse o link: <http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/leis/L8137.htm> e faça uma leitura do texto legal que regulamenta a matéria e acesse 
todas as alterações correspondentes.
42
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
NOTA
Complementando a informação!
● Contrabando: diz respeito à entrada ou saída do país de mercadorias absoluta ou 
relativamente proibidas. Já o descaminho diz respeito à fraude utilizada pelo agente no intuito 
de evitar, total ou parcialmente, o pagamento dos impostos relativos à importação, exportação 
ou consumo de mercadorias, que no caso são permitidas.
● Consumação
Contrabando: há duas situações distintas:
Primeira: o sujeito ingressa ou sai do território nacional pelos caminhos normais, transpondo 
as barreiras da fiscalização alfandegária. Nessa hipótese, o crime se consuma no momento em 
que é ultrapassada a zona fiscal.
Segunda: no caso do sujeito que se serve de meios escusos para entrar e sair do país 
clandestinamente, a consumação ocorrerá no exato instante em que são transpostas as 
fronteiras do país.
● Tentativa
Contrabando: ocorre quando, por circunstâncias alheias à vontade do agente, a condutaé 
interrompida durante a entrada ou saída da mercadoria proibida, não exigindo a lei que o 
sujeito venha a ter posse tranquila do bem.
Descaminho: ocorre quando o sujeito não consegue iludir a autoridade alfandegária e venha a 
ser pego antes de completar a entrada ou saída em território nacional com o produto.
Produto importado com fabricação estrangeira configura descaminho.
O produto fabricado no Brasil e exportado, quando retorna ao Brasil, configura contrabando.
FONTE: Disponível em: <http://direitoupf.wordpress.com/trabalho-2/>. Acesso em: 17 set. 2012.
TÓPICO 3 | CONTENDAS ADUANEIRAS
43
John F. Due (apud CARLUCCI, 2011, p. 248-250) identifica alguns fatores 
que influenciam o contrabando e o descaminho:
a) as fronteiras do país: o país é mais vulnerável quando dispõe de extensos 
litorais, pois seu patrulhamento completo se torna inviável;
b) o volume de tráfico fronteiriço: sendo grande o número de pessoas 
que atravessam a fronteira, o controle torna-se dispendioso e difícil, em 
especial nas temporadas de férias ou feriados prolongados, nos quais os 
números de viagens aumentam;
c) as fontes de abastecimento próximas: o contrabando é muito facilitado 
quando existem fontes baratas de fornecimento nas imediações, 
principalmente ilhas costeiras, possibilitando a entrada silenciosa de 
pequenos barcos à noite;
d) o nível dos direitos e dos impostos internos: existe uma relação direta 
entre tal nível e o volume do contrabando ou descaminho;
e) espécie de produto: determinados produtos são mais facilmente 
contrabandeados ou descaminhados;
f) o comportamento dos governos vizinhos: o controle mais eficaz do 
contrabando pode depender da cooperação entre as autoridades públicas 
nos países onde ocorre. Se o nível de poder de coercibilidade de um país 
for baixo, mesmo querendo, um governo não terá muitas condições para 
ajudar o outro;
g) as zonas francas e as áreas de livre comércio: criadas para acelerar o 
desenvolvimento da região onde se localizam, com as prerrogativas de 
extraterritorialidade, dada a precariedade do controle físico aduaneiro 
de seus limites territoriais, podem constituir-se em portas de entrada de 
produtos estrangeiros para o restante do território do país que as criou;
h) o transporte de carga conteinerizada: a fiscalização aduaneira encontra 
dificuldades em conferir a carga contida em cofre de carga (contêiner). 
Isto porque os custos financeiros advindos da abertura, esvaziamento e 
recarga do contêiner anulam as vantagens de seu uso pelos importadores, 
o que praticamente obriga os agentes aduaneiros a conferir seu conteúdo 
apenas pelos documentos ou por amostragem das mercadorias mais 
próximos de sua abertura. Volumes clandestinos ou em excesso podem 
existir no final da carga.
i) A deficiência dos órgãos de controle aduaneiro. A precariedade dos 
recursos humanos e materiais dos órgãos aduaneiros pode ser fator de 
incentivo ao contrabando e descaminho.
44
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
O mesmo autor John, F. Due (apud CARLUCCI) indica algumas formas de 
controle do contrabando e descaminho possíveis de implementação:
a) Patrulhamento e inspeção nas fronteiras e costas marítimas. Estas atividades 
têm função preventiva e repressiva.
b) Controle no mercado interno.
c) Marcação de produtos.
d) Investigação nos países estrangeiros.
e) Denúncias de firmas concorrentes.
f) Patrulhamento nas estradas e nas zonas de vigilância aduaneira.
Os cuidados com as fronteiras, tanto físicas como econômicas, são um 
dever fundamental do Estado, e sua violação constitui um crime, portanto pode 
ser abrangido pelo Direito Penal.
3.1 SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL
O Decreto nº 1.745, de 13/12/95, que aprova a estrutura regimental do 
Ministério da Fazenda, descreve em seu artigo 8º a competência da Receita Federal 
com relação aos crimes e contravenções penais das relações comerciais aduaneiras:
Art. 8º. [...]
X - reprimir, nos limites de sua alçada, o contrabando, o descaminho e o 
tráfico ilícito de entorpecentes e de drogas afins;
[...] (BRASIL, 2012).
 Carlucci (2001, p. 270) alerta que: “nas áreas de livre comércio, o controle 
aduaneiro, a fiscalização, a vigilância e a repressão ao contrabando e ao descaminho 
são exercidos pela Secretaria da Receita Federal, sem prejuízo da competência do 
Departamento de Polícia Federal”.
3.2 COPLANC
A Comissão de Planejamento e Coordenação de Combate ao Contrabando – 
COPLANC – foi criada pelo Decreto nº 61.337, de 12/1967, e tem como atribuições:
Art. 2º A Comissão de Planejamento e Coordenação de Combate 
ao Contrabando (COPLANC) tem atribuições de planejamento e 
coordenação. [...] (BRASIL, 2012).
Esta comissão é presidida pelo Secretário da Receita Federal e integrada 
por um representante de cada um dos ministérios militares. Um do Ministério do 
Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, um do Ministério da Justiça e 
três do Ministério da Fazenda.
TÓPICO 3 | CONTENDAS ADUANEIRAS
45
Prevê ainda o texto do decreto que cria a COPLANC:
Art. 4º Os setores do governo, por seus ministros diretores, chefes e 
demais funcionários, darão à COPLANC todo o apoio e assistência que 
lhes forem solicitados, inclusive pondo à sua disposição os recursos 
técnicos, humanos e materiais necessários ao cumprimento de suas 
atribuições (BRASIL, 2012).
De acordo com Carlucci (2001, p. 271), além da Secretaria da Receita 
Federal e da COPLANC, são competentes para prevenir e reprimir a prática de 
contrabando ou descaminho:
a) O comandante de embarcação da Marinha Mercante, a quem compete 
exercer a fiscalização e repressão ao contrabando, transporte de armas, 
munições e cargas não manifestadas.
b) A Divisão Consular do Ministério das Relações Exteriores, a quem 
compete tratar de assuntos referentes à repressão ao contrabando.
c) O comandante de embarcação da Marinha do Brasil, a quem compete 
em viagem pelo estrangeiro ou daí regressando, exercer a necessária 
fiscalização para impedir abusos contra as disposições alfandegárias e 
demais normas e instruções em vigor.
d) A Polícia Rodoviária Federal, a quem compete colaborar e atuar na 
prevenção e repressão aos crimes de contrabando e descaminho nas 
rodovias federais.
e) As autoridades postais dentro da esfera de sua competência prestarão 
toda a colaboração à Alfândega, inclusive apoio operacional, na 
arrecadação de tributos, na prevenção e repressão ao contrabando, ao 
descaminho e a outras fraudes que possam ser praticadas por via postal.
4 INTEGRAÇÃO REGIONAL
A definição que trazemos para integração regional é descrita por Carlucci 
(2011, p. 160) como “uma forma de cooperação internacional, de caráter contratual, 
em que os entes estatais tendem a coordenar suas políticas econômicas e de 
comércio exterior, por via da criação de organismos supranacionais com poderes 
normativos”.
Segundo o mesmo autor, o fenômeno da integração se caracteriza por:
a) Um fenômeno marcado pela vontade de disciplinar os campos da economia 
regional e que visa a uma redistribuição territorial dos fatores de produção, 
a longo período, no sentido de aplicar-se racionalmente aos princípios das 
vantagens comparativas no comércio internacional.
FONTE: Disponível em: <guiafacilbrasilis.tripod.com/HTMLobj-133/ADUANA2.DOC>. Acesso em: 
4 out. 2012.
46
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
b) Quadro, neste caso, traçando as grandes linhas de atuação daquele organismo 
e estabelecendo competências para os órgãos que institui e os procedimentos de 
encerramento de prazos e balanço de atividades.
c) Um fenômeno autocontido e autodisciplinado no tempo, que estabelece 
prazos para atingir determinadas metas, mecanismo de correção e eventuais 
providências, além de procedimentos de encerramento de prazos e balanço 
de atividades.
FONTE: Disponível em:<guiafacilbrasilis.tripod.com/HTMLobj-133/ADUANA2.DOC>. Acesso em: 
4 out. 2012.
d) “As regras elaboradas pelo organismo internacional regional de integração se 
dirigem aos estados participantes, aos indivíduos e empresas diretamente regidos 
pelas normas” (CARLUCCI, 2011, p. 161).
Encontramos nos ensinamentos de Thereza Maria Quintella (apud 
CARLUCCI, 2011, p. 163) o relato das vantagens econômicas da integração, assim 
reconhecidas:
1) Especialização da produção, de acordo com as vantagens comparativas 
de cada país.
2) Economia na produção em grande escala.
3) Aumento da eficiência e redução das tendências monopolísticas, 
como resultado da concorrência com os bens similares produzidos na 
região.
Carlucci (2011, p. 163) complementa a relação destas vantagens econômicas 
com:
1) Aumento do poder de negociação frente a terceiros países ou 
agrupamento de países.
2) Formulação mais coerente das políticas econômicas nacionais.
3) Introdução, a médio e longo prazo, de reformas estruturais que, de 
outra forma, poderiam vir a ser adiadas indefinidamente.
4) Atenuação de problemas de pagamento.
5) Aceleração do ritmo de crescimento econômico.
As áreas de integração estão caracterizadas por alguns segmentos 
específicos, dos quais trazemos conceitos e referências, segundo Carlucci (2011, p. 
165-166):
a) Áreas ou zonas preferenciais: caracterizam-se pela redução de tarifas 
para uma gama variada de produtos, mas sem abranger o universo 
tarifário, nem implicar na eliminação total dos direitos aduaneiros e 
outras restrições à importação.
b) Áreas ou zonas de livre comércio: trata-se da forma mais simples de 
associação econômica admitida pelo GATT. A zona de livre comércio 
prevê a eliminação de tarifas e outras barreiras ao comércio entre os 
TÓPICO 3 | CONTENDAS ADUANEIRAS
47
países que dela participam, mantendo, porém, cada um deles, sua 
política comercial em relação aos países não membros.
c) A união aduaneira: é definida pelo GATT como a formação de um 
território aduaneiro, em substituição a dois ou mais outros, quando 
esta substituição tem por consequência: que os direitos ou as restrições 
ao comércio sejam eliminados para substancialmente todo comércio 
dos bens produzidos nesses países; que substancialmente os mesmos 
gravames aduaneiros e outras disposições de comércio sejam aplicáveis 
por cada Estado-membro ao comércio com países de fora da União.
As uniões aduaneiras possuem como objetivos principais:
a) Permitir a livre passagem de pessoas e bens através das fronteiras nacionais.
b) A eliminação das tarifas internas entre os Estados-membros.
c) O estabelecimento de uma tarifa externa comum entre os Estados-membros e o 
resto do mundo.
Caro acadêmico, de forma resumida, as uniões aduaneiras determinam a 
eliminação das tarifas entre seus membros e estabelecem uma tarifa comum para 
o resto do mundo.
Carlucci (2011, p. 167):
Reforça a afirmação de que a diferença entre as uniões aduaneiras e as 
zonas de livre comércio consiste em que as primeiras constituem um 
território único do ponto de vista alfandegário e mantêm uma política 
tarifária comum com os demais países, ao passo que as segundas visam 
a eliminação de barreiras alfandegárias entre si, mas deixam a cada 
país que as integre a liberdade de definir sua própria política aduaneira 
frente a terceiros.
Encontramos ainda, no quesito integração, o Mercado Comum, onde não 
está estabelecida apenas a livre circulação de mercadorias, mas também a dos 
fatores produtivos: capital e mão de obra. Citamos como exemplo de mercado 
comum a Comunidade Econômica Europeia.
5 FRANQUIAS TERRITORIAIS
Conforme Carlucci (2011, p. 173):
As franquias territoriais compreendem a não incidência do imposto 
aduaneiro para qualquer mercadoria que penetre em área territorial 
nacional, que se considera desnacionalizada para efeitos fiscais e 
favorecimento do comércio internacional. Correspondem a certas 
porções do território nacional subtraídas à jurisdição aduaneira, nas 
quais as mercadorias procedentes do exterior podem ingressar sem 
pagar os direitos correspondentes e sair para o exterior com igual 
franquia. Somente serão devidos os impostos se passarem para outra 
área do país.
48
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
Existe o reconhecimento das Nações Unidas para quatro categorias de 
áreas de facilidade alfandegária: entrepostos aduaneiros, entrepostos industriais, 
zonas francas e zonas de trânsito direto. Na legislação geral, encontramos sua 
conceituação como zonas francas, portos livres, perímetros livres, depósitos 
francos e entrepostos aduaneiros.
Caro acadêmico, passaremos a descrever conceitos de Carlucci (2001, p. 
174-175) com relação às áreas de franquia territoriais.
a) Zonas francas: são áreas livres para a importação ou importação 
de mercadorias e gozam de incentivos fiscais especiais, destinados a 
promover o desenvolvimento local. Estão, normalmente, situadas em 
áreas servidas de portos marítimos ou fluviais ou aeroportos estratégicos 
para a navegação internacional.
b) Zonas francas industriais: concedem facilidade para importação de 
maquinaria e equipamentos destinados à implantação de indústrias e 
exportação de produtos para o exterior.
c) Portos livres: diferem da zona franca porque oferecem facilidades 
apenas ao trânsito de mercadorias, não envolvendo sua legislação 
os fatores de produção. Têm por objetivo apenas estimular as 
relações comerciais com o exterior, sem cuidar especificamente do 
desenvolvimento econômico regional.
d) Perímetros livres: criam facilidades para o ingresso, no país, de 
mercadorias destinadas ao consumo local. A liberação geral só é total 
para os produtos alimentícios ou farmacêuticos. A América Latina é a 
região que mais pratica o regime de perímetro livre: Argentina (Terra 
do Fogo), Chile (províncias de Tarapaca, Aysen, Chiloé, com o Porto de 
Arica), Peru (região amazônica), México (Províncias de Baixa Califórnia, 
Sonora e Território de Quintana Zoo).
e) Depósitos francos ou de trânsito direto: são pontos de entrada 
de mercadoria, geralmente de países que não dispõem de porto. 
As mercadorias que por eles ingressam estão isentas de quaisquer 
impostos e somente serão taxadas, pela legislação comum, no local a 
que se destinam. Tem tempo de armazenamento limitado e não podem 
sofrer transformação, beneficiamento e embalagem. Só é admitida 
a instalação de depósito franco quando autorizada em acordo com o 
convênio internacional.
f) Entrepostos aduaneiros: são usados, geralmente, pelos países que não 
instituíram o regime de zona franca. Servem ao depósito de mercadorias 
vindas do exterior, destinadas à reexportação (para o próprio país ou 
para outros países), por tempo indeterminado e com certas franquias 
alfandegárias, e também destinadas ao consumo interno.
No território brasileiro encontramos a Zona Franca de Manaus, que foi 
criada pela Lei nº 3.173, de 06/06/1967, e efetivada pelo Decreto-Lei nº 288, de 
28/02/1967. Possui uma área de 10.000 km2, abrangendo totalmente a cidade de 
Manaus e a quase totalidade do município.
TÓPICO 3 | CONTENDAS ADUANEIRAS
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UNI
UNI
O tratamento fiscal desta área foi alterado por legislações posteriores, que podem 
ser consultadas no site: <http://www.suframa.gov.br/zfm_legislacao.cfm>. busque pelo link, 
informe-se e mantenha-se informado.
Caro acadêmico!
Saiba mais!
O que é Suframa?
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) é uma autarquia vinculada ao 
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior que administra a Zona Franca de 
Manaus - ZFM, com a responsabilidade de construir um modelo de desenvolvimento regional 
que utilize de forma sustentável os recursos naturais, assegurando viabilidade econômica e 
melhoria da qualidade de vida das populações locais.
Com quatro decênios deexistência, a Suframa viabilizou a implantação dos três polos que 
compõem a ZFM - comercial, industrial e agropecuário, e promove a interiorização do 
desenvolvimento por todos os estados da área de abrangência do modelo, identificando 
oportunidades de negócios, e atrai investimentos para a região tanto para o Polo Industrial de 
Manaus quanto para os demais setores econômicos da sua área de atuação.
Com recursos arrecadados com a prestação de serviço das empresas beneficiadas com 
os incentivos fiscais do modelo ZFM, a Suframa faz parcerias com governos estaduais e 
municipais, instituições de ensino e pesquisa e cooperativas, financia projetos de apoio à 
infraestrutura econômica, produção, turismo, pesquisa & desenvolvimento e de formação de 
capital intelectual. O objetivo é minimizar o custo amazônico, ampliar a produção de bens e 
serviços voltados à vocação regional e, ainda, capacitar, treinar e qualificar trabalhadores.
FONTE: SUFRAMA.
Disponível em: <http://www.suframa.gov.br/suframa_o_que_e_suframa.cfm>. Acesso em: 
21 set. 2012.
Observamos que as áreas de livre comércio de exportação e importação 
que possuam regime fiscal especial estão inseridas e são criadas em municípios 
localizados próximos das fronteiras, e têm como finalidade principal promover 
o desenvolvimento daquela região. As mercadorias estrangeiras ou nacionais 
enviadas às áreas de livre comércio são obrigatoriamente destinadas às empresas 
autorizadas a operar nestas áreas.
50
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
6 SUJEITOS PASSIVOS DOS IMPOSTOS DE 
IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO
O Código Tributário Nacional Brasileiro (CTN) estabelece de forma clara, 
em seu artigo 121, os sujeitos passivos da obrigação tributária, a saber:
Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao 
pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.
Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se:
I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação 
que constitua o respectivo fato gerador;
II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua 
obrigação decorra de disposição expressa de lei. (BRASIL, 2012).
Confirma Carluci (2001, p. 191) que “o contribuinte é quem pratica, em 
seu nome, o ato jurídico ou o fato previsto na lei. Por exemplo, quem importa ou 
exporta a mercadoria, quem emite o título etc.”.
Com relação ao Imposto de Importação, encontramos no art. 22 do CTN a 
identificação do contribuinte:
Art. 22. Contribuinte do imposto é:
I - o importador ou quem a lei a ele equiparar;
II - o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados. (BRASIL, 
2012).
Da mesma forma, o art. 27 do CTN define a identificação do contribuinte 
do Imposto de Exportação:
Art. 27. Contribuinte do imposto é o exportador ou quem a lei a ele 
equiparar.
FONTE: Disponível em: <http://www.portaltributario.com.br/legislacao/art23a28doctn.htm>. 
Acesso em: 4 out. 2012.
Caro acadêmico, identificamos desta forma os sujeitos passivos dos 
impostos de importação e exportação. Com este conteúdo, encerramos o estudo 
desta unidade.
Acesse o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), leia os materiais de 
apoio, participe do fórum, opine na enquete da disciplina e informe-se. Você é 
responsável pelo seu saber! 
Bons estudos!
TÓPICO 3 | CONTENDAS ADUANEIRAS
51
LEITURA COMPLEMENTAR
ARBITRAGEM NO ÂMBITO INTERNACIONAL COMO PRINCIPAL 
ALTERNATIVA PARA PACIFICAÇÃO MUNDIAL
Para uma solução de conflitos, a arbitragem é a melhor solução, mas nem 
sempre é alcançada. Tem um pouco de autonomia privada, mediante um encontro 
de vontades, através de um mediador, com o objetivo de solucionar os conflitos 
internacionais. Na arbitragem voluntária, os árbitros tomam decisões, onde as 
partes acabam sendo vinculadas a elas. Teve uma grande evolução a partir da 
Segunda Guerra Mundial. Transações que ultrapassam os limites das fronteiras 
dos países têm crescido muito no cenário comercial mundial. Esse fenômeno causa 
um aumento nas disputas internacionais. Devido à natureza dessas transações, 
procedimentos tradicionais de solução de conflitos podem não ser mecanismos 
satisfatórios para resolver tais questionamentos.
A mediação e a arbitragem internacionais, por outro lado, têm sido os 
métodos preferidos para solução de conflitos que vão além das fronteiras nacionais, 
pois possibilitam a criação de procedimentos personalizados para a solução de 
disputas em um foro neutro. As legislações internacionais dos países considerados 
desenvolvidos evoluíram para solucionar com mais celeridade os conflitos 
internacionais privados, adotando a arbitragem extrajudicial internacional como 
método alternativo de solução de conflitos, pelas inúmeras vantagens que tais 
procedimentos apresentam.
A economia mundial se expandiu de tal forma que as fronteiras nacionais 
passaram a ser um obstáculo para o desenvolvimento do comércio internacional. 
Foram unificadas tarifas alfandegárias, tributos internos, regimes de competição 
entre empresas, tudo isso em favor da economia globalizada, para remover todos 
os empecilhos à expansão do capital.
Neste cenário, a arbitragem internacional veio como solução para dirimir 
conflitos cujas partes são domiciliadas em países distintos. Consiste “numa 
atividade em expansão dentro de uma economia globalizada: transformou-se 
em uma jurisdição de direito comum nas relações econômicas internacionais e 
privadas”. A arbitragem é “uma via jurisdicional, porém não judiciária, de solução 
pacífica de conflitos internacionais”. No âmbito internacional a arbitragem tem 
duas vertentes: a de direito internacional público e a de direito internacional 
privado.
O primeiro caso diz respeito às arbitragens entre Estados soberanos, tais 
como as referentes às questões políticas e territoriais, ou ainda, as oriundas de 
acordos internacionais de integração econômica, como é o caso do Mercosul. Já no 
direito internacional privado se enquadram às arbitragens de direito do comércio 
internacional. Embora já seja consagrada sua utilidade na esfera do Direito Público, 
a arbitragem assume especial relevo no âmbito privado, em especial no que tange 
ao Direito Comercial Internacional.
52
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
Particularmente em relação à arbitragem internacional comercial, entende-
se que esta é aplicável para a solução daqueles conflitos relativos a contratos 
comerciais internacionais entre particulares, ou ainda, de conflitos que tenham um 
elemento objetivo, que diga respeito a sistema jurídico estrangeiro, ainda que as 
partes sejam nacionais de um mesmo Estado.
Instituições de arbitragem estão sendo estabelecidas por diversos países 
para administrar casos internacionais. Segundo o autor, um grande número desses 
países já celebra acordos com a American Arbitration Association, de Nova York, e 
a International Chamber of Commerce, de Paris.
Na Itália, o modelo utilizado é semelhante ao brasileiro, regido pela Lei n◦ 
28/93, que procurou adaptar-se à Convenção de Genebra de Arbitragem, de 1961, 
e à Convenção de Estrasburgo, de 1966. Também não sendo passível de recurso, 
cabendo somente à interposição de ação de nulidade da sentença arbitral nos casos 
expressamente previstos, como rege igualmente a Lei n◦ 9307/96.
Na França, desde os primórdios a arbitragem já era prevista pelo Código 
de Napoleão. A lei francesa é bastante parecida com a lei brasileira, pois contém 
um dispositivo que lhe confere o caráter jurisdicional, criando autoridade de coisa 
julgada da sentença que é proferida. Assemelha-se também ao Direito francês 
quando autoriza as partes conferirem ao juiz arbitral a prerrogativa de julgar por 
equidade, quando estatuído na cláusula compromissória.
Em 1972, a arbitragem foi regulamentada na Bélgica. O modelo belga 
confere ao árbitro amplos poderes, tendo asentença os mesmos efeitos da sentença 
judicial, e o tribunal pode ordenar também todos os meios de provas, tais como 
investigações, vistorias, inspeção, comparecimento pessoal das partes. A maior 
diferença do modelo brasileiro é que na Bélgica existe o impedimento da utilização 
de embargos contra a decisão arbitral e autoriza a utilização de medidas cautelares, 
para assegurar direitos em caso de estes estarem prestes a deteriorar-se.
O primeiro passo para a constituição de um procedimento arbitral é a 
concordância das partes em fazê-lo. Não pode haver a instauração da arbitragem 
sem a vontade unânime dos envolvidos na questão, ou seja, a opção pela arbitragem 
deve ser expressamente declarada por ambos os sujeitos, através de convenção ou 
pacto arbitral.
“A convenção de arbitragem, juridicamente válida, é o elemento 
indispensável para a instituição de um tribunal arbitral e sua competência no 
julgamento de uma lide (conflito)”. As condições para que a arbitragem exista 
são, basicamente: a cláusula ou compromisso arbitral; o órgão arbitral e o 
procedimento arbitral. A cláusula arbitral é a modalidade de submissão de um 
conflito à arbitragem mais comum nas relações internacionais. E assim o é devido 
ao fato de as partes comprometerem-se àquele tipo de solução de controvérsia. “A 
cláusula compromissória é a convenção entre as partes em determinado contrato, 
no sentido de resolverem, por arbitragem, as divergências que entre elas possam 
ocorrer, relativamente a esse mesmo contrato”.
TÓPICO 3 | CONTENDAS ADUANEIRAS
53
Já o compromisso arbitral, diferentemente da cláusula arbitral, não visa 
resolver um conflito futuro, ainda não suscitado, mas tem por objetivo prever a 
solução de um conflito atual e já ocorrido. “O compromisso pode ser definido como 
um contrato fora do contrato”. O artigo 9º da Lei n◦ 9.307/96 define o compromisso 
como sendo “a convenção através da qual as partes submetem um conflito à 
arbitragem de uma ou mais pessoas, podendo ser judicial ou extrajudicial”. No 
compromisso arbitral, analisamos que é um contrato através do qual as partes 
submetem ao juízo arbitral uma controvérsia específica já instalada. Nele devem 
estar presentes os pressupostos do artigo 10 da Lei nº 9.307/96, que especificam os 
requisitos indispensáveis ao compromisso arbitral.
O artigo 11 da mesma lei cita outras disposições facultativas, e entre essas os 
incisos I, II, III e IV, que devem estar presentes quando o contrato é internacional. 
A escolha das cláusulas da lei, que determinam as normas a serem aplicadas, é 
fundamental, assim como autorização do julgamento por equidade e a determinação 
de prazo para a apresentação da sentença. Independentemente do que venha a 
ser acordado pelas partes quanto à utilização de uma instituição arbitral, ressalta-
se que, escolhida a arbitragem como sistema de solução de conflitos, a cláusula 
compromissória deverá prever a instituição, a mediação e a arbitragem.
Sendo a arbitragem regida por regras de um órgão arbitral, a instituição 
do procedimento e seu desenvolvimento se farão de acordo com as regras da 
instituição escolhida. Se as partes optarem por um conjunto de regras próprias, 
estas deverão constar expressamente no texto da cláusula arbitral.
O incremento do comércio internacional e o aprofundamento da integração 
entre os países são dois fatores de relevância que caracterizam a atual realidade 
mundial e a utilização da arbitragem.
“As diferentes legislações, as diversas formas de interpretação da lei, a 
diversidade de formação dos profissionais fazem com que a arbitragem se torne um 
caminho interessante, visto que, como um meio idôneo para solucionar conflitos, 
seria utilizado na hora da elaboração de contratos em que estejam envolvidas 
pessoas de diferentes nacionalidades e domicílios, ou em que a execução do 
contrato envolva diversas legislações e foros”.
A Lei n◦ 9.307/96 menciona, no artigo 23, que, quando nada for disposto 
pelas partes, a sentença arbitral deve ser proferida no prazo máximo de seis meses, 
a partir do tribunal arbitral constituído.
O artigo 21 da Lei n◦ 9.307/96 determina que: “A arbitragem obedecerá ao 
procedimento estabelecido pelas partes na convenção de arbitragem, que poderá 
reportar-se às regras de um órgão arbitral institucional ou entidade especializada, 
facultando-se ainda às partes delegar ao próprio árbitro, ou ao tribunal arbitral, regular 
o procedimento”. Quanto ao estabelecimento das regras para a prática da arbitragem 
internacional, os autores são praticamente unânimes em dizer que as partes normalmente 
se reportam às regras de um tribunal arbitral já instituído, como a A.A.A. (American 
Arbitration Association) ou a ICC (International Chamber of Commerce).
54
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
Dentre os textos internacionais aplicáveis à arbitragem, destaca-se a 
Convenção de Nova York firmada em 1958, a Lei-Modelo sobre Arbitragem 
Comercial da UNCITRAL, de 21 de junho de 1985, editada pela ONU, e a Convenção 
Interamericana sobre Arbitragem Comercial do Panamá de 30 de janeiro de 1975, 
elaborada no âmbito da Organização dos Estados Americanos.
Com relação ao Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul), ainda não 
foram formalizadas normas pertinentes à solução de conflitos entre particulares 
residentes nos Estados-membros. Em princípio, o documento designado por 
Protocolo de Olivos para a Solução de Controvérsias deixa os conflitos sob a égide 
dos tribunais, ou eventualmente de juízos arbitrais, por árbitros e segundo os 
procedimentos adotados pelas partes.
Considerando o aumento das relações internacionais, os conflitos 
comerciais tendem a crescer e o Poder Judiciário vem incentivando a utilização da 
arbitragem como sistema de solução de conflitos privados internacionais. Sabe-
se que os tribunais arbitrais, mesmo podendo impor obrigações às partes, não 
possuem poder de coercitividade. Em virtude disso, as legislações contemporâneas 
sobre arbitragem conferem força executiva à sentença arbitral, para que a parte 
interessada tenha o direito de requerer ao Poder Judiciário o efetivo cumprimento 
da obrigação nela contida. 
Os ordenamentos jurídicos dos países normalmente estabelecem que o 
reconhecimento de laudos estrangeiros seja feito na forma de tratados e convenções 
internacionais aplicáveis ou, se ausentes os mesmos, de acordo com o direito 
interno. No Brasil, esta disposição está inserida no artigo 34 da Lei n◦ 9.307/96, que 
prevê que: “A sentença arbitral estrangeira será reconhecida ou executada no Brasil 
de conformidade com os tratados internacionais com eficácia no ordenamento 
interno e, na sua ausência, estritamente de acordo com os termos desta lei”.
Os tratados internacionais dispõem, de um modo geral, sobre a 
obrigatoriedade do cumprimento de laudos arbitrais em países estrangeiros, bem 
como regras para a não concessão da autorização para a execução das decisões. 
As causas que ensejam denegação a decisões estrangeiras estão disciplinadas 
no artigo V da Convenção de Nova York de 1958; no artigo 5º da Convenção do 
Panamá de 1975; no artigo 2º da Convenção de Montevidéu de 1979 e no artigo 6º 
da Convenção de Buenos Aires de 1998. 
Um dos textos mais importantes sobre o assunto é a Convenção de Nova 
York, que traz dispositivos objetivos e possui um grande número de países 
signatários. Esta convenção estabelece avanços importantes, como a inversão do 
ônus da prova quanto à alegação de invalidade do laudo arbitral, bem como a 
fixação da causa pela qual o mesmo poderia deixar de ser reconhecido.
Em virtude da Emenda Constitucional de nº 45 de 31 de dezembro de 2004, 
a partir do ano de 2005 a competência para homologar laudo arbitral proferido no 
exterior passou a ser de responsabilidade do Supremo Tribunal de Justiça - STJ.
TÓPICO 3 | CONTENDAS ADUANEIRAS
55
No Brasil, apóso advento da Lei de Arbitragem nº 9.307/96, houve 
adequação às práticas internacionais, removendo os empecilhos que impediam 
o desenvolvimento de tal instituto no país, pois quando o laudo arbitral era 
estrangeiro, prevalecia a exigência de homologação prévia pelo Supremo Tribunal 
Federal-STF como condição para a execução nos termos dos artigos 35 e 36 da Lei 
n◦ 9.307/96. Somente após a homologação pelo STF poder-se-ia solicitar a execução 
do laudo estrangeiro, através de carta de sentença, perante a Justiça Federal. Ainda 
restava pendente a adesão brasileira à Convenção de Nova York de 1958, fato que 
ocorreu no ano de 2002 e modificou significativamente o cenário da homologação 
dos laudos estrangeiros no país, conforme Decreto-Lei n◦ 4.311, de 23.07.2002.
O Artigo 1º da Convenção de Nova York determina a aplicação ao 
reconhecimento ou execução de laudos arbitrais proferidos no território de um 
Estado diverso daquele em que se busca o reconhecimento e execução e estabelece 
que ela se aplique também aos laudos arbitrais não considerados nacionais no 
Estado em que se busque o respectivo reconhecimento e execução dos mesmos. 
Com a ratificação da Convenção de Nova York foi abolida a necessidade de 
homologação pelo STF das sentenças arbitrais estrangeiras, isto porque o artigo III 
da Convenção impede que a decisão arbitral estrangeira sofra onerações maiores 
do que a doméstica para ter reconhecimento, trazendo à discussão a questão 
relativa à necessidade ou não, pós-ratificação, de se proceder à homologação do 
laudo arbitral estrangeiro junto ao Supremo Tribunal Federal para assegurar seu 
reconhecimento e execução no Brasil.
O laudo arbitral, diferentemente das sentenças judiciais, tem nítida natureza 
privada e, por conseguinte, não precisa ser submetido a prévia internalização 
no direito de país estrangeiro. O autor afirma que, “da mesma maneira que um 
contrato celebrado no exterior tem validade em território nacional, um laudo 
arbitral, por ter a mesma característica contratual, também o tem”. Assim sendo, 
a exigência de prévia homologação de laudos arbitrais estrangeiros é plenamente 
dispensável. 
Conforme estabelece o artigo III da Convenção de Nova York/1958, o 
reconhecimento do laudo ou sentença arbitral se desenvolverá em conformidade 
com as regras de procedimento do território no qual a sentença é invocada. A 
internalização da Convenção de Nova York no sistema brasileiro representou um 
avanço significativo, visto que se trata do mais usual instrumento internacional 
que regula a solução de conflitos através da arbitragem. 
Ainda para a autora, tal avanço configura-se ainda mais importante por 
tratar-se de condição fundamental para o crescimento do comércio exterior no 
país e o aumento de laços comerciais com empresas internacionais, configurando-
se, dessa forma, como uma adequação significativa da legislação brasileira às 
necessidades da rápida resolução dos conflitos advindos de negócios internacionais. 
O artigo 33 da Lei nº 9.307/96 prevê a possibilidade do ajuizamento de uma ação 
56
UNIDADE 1 | PRESSUPOSTOS DA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA
anulatória específica para a anulação da sentença arbitral pela justiça estatal, no 
prazo máximo de 90 dias, caso esta esteja viciada por alguma das formas previstas 
nos incisos I, II, VI, VII e VIII do artigo 32. Os incisos III, IV e V do artigo 32 dão ao 
árbitro a possibilidade de proferir uma nova sentença arbitral. 
As vantagens que existem na aplicação da arbitragem como forma de 
solução de conflitos são inúmeras, a começar pela agilidade, com menor gasto 
econômico, melhor aproximação entre as partes juntamente com o mediador e não 
publicação das decisões, que para as partes acaba preservando a sua imagem e 
honra, conforme o caso concreto. 
A capacidade do processo de arbitragem ser adaptado às necessidades 
específicas das partes em uma disputa comercial internacional faz com que o 
instituto seja um método atrativo para as resoluções de conflitos.
FONTE: NAJJAR, Joubran Kalil. Arbitragem no âmbito Internacional como principal
alternativa para pacificação mundial. Disponível em: <http://www.egov.ufsc.br/portal/
conteudo/arbitragem-no-%C3%A2mbito-internacional-como-principal-alternativa-parapacifica%
C3%A7%C3%A3o-mundial>. Acesso em: 7 set. 2012.
57
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico você pôde:
● Reconhecer as situações de fraude e infrações contidas na legislação aduaneira 
e legislação afim.
● Observar e reconhecer os crimes contra a ordem tributária encontrados nas 
relações comerciais aduaneiras.
● Compreender os conceitos de contrabando e descaminho.
● Distinguir as funções da Secretaria da Receita Federal e da COPLANC na 
fiscalização das relações comerciais aduaneiras.
● Identificar os conceitos e características da integração regional e das franquias 
territoriais.
● Reconhecer os sujeitos passivos do Imposto de Impostação e do Imposto de 
Exportação.
58
1 O direito aduaneiro atribui conceitos e determina espaços territoriais que 
possuem tratamento alfandegário especial, com relação à tributação. Nesta 
perspectiva, atribua um conceito para zona franca. 
2 O instituto da tributação, que é de competência do Estado, prevê a existência 
de sujeitos ativos e passivos desta relação com o fisco. Identifique o sujeito 
passivo do Imposto de Importação e do Imposto de Exportação.
3 Descreva a diferença atribuída para uniões aduaneiras e zonas de livre 
comércio.
AUTOATIVIDADE
59
UNIDADE 2
REGULAMENTO ADUANEIRO E O 
COMÉRCIO EXTERIOR
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
Nessa unidade vamos:
• compreender a estrutura e as funções do regulamento aduaneiro. Estas 
administrativas e tributárias, além de identificar o conceito e as formas de 
organização do território aduaneiro: portos, aeroportos e pontos de fron-
teira alfandegados, além dos recintos alfandegados e manifesto de carga;
● distinguir as habilitações dos demais intervenientes para o contexto adu-
aneiro e suas modalidades: ordinária, simplificada, especial e restrita; 
● conhecer os sistemas informatizados vinculados ao comércio exterior e as 
funções do despachante aduaneiro e compreender como é estabelecido 
o valor aduaneiro na classificação fiscal, diferenciando a nomenclatura 
utilizada no Mercosul;
● identificar o tratamento administrativo do despacho aduaneiro de expor-
tação, ou seja, os procedimentos operacionais que envolvem a concordân-
cia, a implementação e a observação de particularidades a que as exporta-
ções estão sujeitas;
● apontar as etapas do despacho aduaneiro de exportação e sua sistemati-
zação. As etapas referentes desde o Registro da Declaração de Despacho 
de Exportação (DDE) até a etapa de averbação da mercadoria;
● demonstrar os registros necessários para que o importador possa iniciar o 
procedimento de importação; 
● distinguir a nomenclatura ou classificação fiscal com o objetivo de orde-
nar as mercadorias através de códigos no que se refere à sua natureza e 
características e apontar os documentos utilizados para ingressar no país 
mercadorias oriundas do exterior.
Esta unidade está dividida em três tópicos e em cada um deles você encon-
trará atividades visando à compreensão dos conteúdos apresentados.
TÓPICO 1 – DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS
TÓPICO 2 – DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO
TÓPICO 3 – DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
60
61
TÓPICO 1
DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
O Brasil, assim como os demais Estados que compõem a sociedade 
internacional, tende a defender seus interesses comerciais no sentido de garantir 
que os exercícios de comercialização não causem prejuízos aos atores domésticos 
e, ao mesmo tempo, salvaguardem os interesses econômicos e de soberania da 
nação. Trata-se de uma ação regulatória que intenciona estabelecer um ambiente 
confortável como mínimo de conflitos possível para os agentes comerciais no 
sistema comercial internacional.
As regulações das trocas comerciais no Brasil acontecem através de seu 
sistema aduaneiro, o qual funciona como uma malha circundante ao território 
nacional, estabelecendo as regras e a permissão ou não do que entra e sai do país.
Ao contrário do que muitos operadores e viventes do comércio exterior 
possam imaginar, as questões relacionadas à legislação aduaneira brasileira têm 
mantido um caráter bastante constante já há muitos anos. Suas quatro décadas de 
existência são marcadas por essa característica, na qual muitos de seus institutos 
jurídicos já são utilizados da mesma forma há anos. As mudanças ocorridas se deram 
de maneira a adaptar esses institutos às novas realidades e práticas operacionais 
do comércio exterior. Além da consequente mudança tecnológica e informatização 
dos sistemas que operacionalizam as questões e exercícios aduaneiros.
Quando nos referimos às questões do direito aduaneiro, temos que levar 
em conta que este é um ramo autônomo do direito que deriva das práticas, usos e 
costumes dentro do comércio exterior. Tal relação é possibilitada pela necessidade 
e pela vontade da realização de um contrato internacional que ensejará a satisfação 
de compradores e vendedores situados em territórios aduaneiros diferentes.
 O que remete essa característica que confere ao direito aduaneiro o caráter 
de uma disciplina autônoma do direito é a especificidade de suas normas, as quais 
são aplicadas pelo poder público (direito administrativo), porém derivam da lex 
mercatoria. Ainda, os usos e costumes do comércio exterior, assim como os acordos 
internacionais, são as bases para a aplicação da legislação fiscal e tributária no país. 
O que reflete o direito aduaneiro no Brasil é o Regulamento Aduaneiro, 
criado pelo Decreto-Lei n◦ 37/66 e regulado pelo Decreto n◦ 6.759/09, o qual 
contempla todas as situações e regimes aduaneiros. 
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
62
Este pode ser considerado como um manual da administração aduaneira, o 
qual requer a utilização de instruções normativas e atos declaratórios na intenção 
de aplicar o regulamento e detalhar sua natureza normativa. 
Os princípios da legislação aduaneira incorporam os princípios de 
direito público interno: da soberania; da legalidade; da supremacia do interesse 
público; da moralidade; da submissão do Estado à ordem jurídica; da igualdade 
dos particulares perante o Estado; do devido processo legal; da publicidade; da 
responsabilidade objetiva. 
Caro(a) acadêmico(a), contextualizamos a lógica do direito aduaneiro e a 
partir de agora estaremos estudando algumas especificidades. Vamos a elas!
2 ESTRUTURA DO REGULAMENTO ADUANEIRO
O Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 6.759, de fevereiro de 2009, DOU 
06/02/2009, que sofreu alterações pela entrada em vigor da Lei nº 7.213/2010, Decreto 
nº 7.296/2010 e Decreto nº 7.315/2010. Todos estes textos legais regulamentam a 
administração das atividades aduaneiras, a fiscalização das operações de comércio 
exterior, sendo o mesmo decretado pelo presidente da República. (art. 1º).
O Regulamento Aduaneiro está dividido em oito livros, dispostos em 
títulos, capítulos, artigos e parágrafos. A estrutura do mesmo pode ser resumida 
como:
• Livro I, “Da Jurisdição Aduaneira e do Controle Aduaneiro de Veículos”, trata 
de estabelecer uma base de controle aos fluxos de mercadorias pela aduana. 
Estabelece os locais de saída e entrada no território nacional, os controles 
a serem aplicados aos transportes e demais veículos, armazenamento e toda 
documentação necessária para a dinâmica das trocas comerciais.
• Livro II, “Dos Impostos de Importação e de Exportação”, trata desses tributos: 
incidência, fato gerador, contribuintes, base de cálculo, pagamento e isenções. 
Também reúne as formas especiais de tributação aplicadas à bagagem, remessas 
postais e remessas expressas.
• Livro III, “Dos Demais Impostos e das Taxas de Contribuições, Devidos 
na Importação”. Este se refere aos tributos domésticos administrados pela 
Secretaria da Receita Federal do Brasil nas transações de importação: IPI, PIS/
PASEP, COFINS, CIDE-Combustíveis, Taxa do SISCOMEX.
• Livro IV, “Dos Regimes Aduaneiros Especiais e dos Aplicados em Áreas 
Especiais”. Refere-se aos regimes aduaneiros que permitem suspensão do 
recolhimento dos tributos, parcialmente ou na sua integralidade.
TÓPICO 1 | DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS
63
• Livro V, “Controle Aduaneiro de Mercadorias”. Regula o despacho aduaneiro, 
normatizando-o na dinâmica de importação/exportação e no processo de revisão. 
Explica os procedimentos de como agir em caso de mercadorias abandonadas, 
provenientes de naufrágios, avarias, extravios e define as normas sobre os 
tráfegos de cabotagem e postal.
• Livro VI, “Das Infrações e Penalidades”. Este livro orienta sobre quais as 
penalidades a serem aplicadas às diversas infrações, assim como a gradação das 
mesmas.
• Livro VII, “Do crédito Tributário, do Processo Fiscal e do Controle Administrativo 
Específico”. Trata das normas de lançamento de crédito tributário, decadência, 
prescrição, processo fiscal, processos de aplicação e de exigência dos direitos 
antidumping e compensatórios, além dos controles administrativos existentes.
• Livro VIII, “Das Disposições Finais e Transitórias”. Este livro versa sobre 
a isenção e redução de impostos sobre produtos industrializados para as 
empresas nos ramos de informática e automação que investem na pesquisa e 
desenvolvimento de tecnologias da informação.
FONTE: Resumo explicativo adaptado pela autora do Regulamento Aduaneiro.
2.1 FUNÇÕES ADMINISTRATIVA E TRIBUTÁRIA
Ao se fazer o controle aduaneiro das mercadorias, temos que realizar as 
duas funções concomitantes: tributária e administrativa.
A função tributária: como o próprio nome indica, refere-se à arrecadação 
dos tributos concernentes ao comércio exterior. Nessa etapa deve-se incluir não 
somente os Impostos de Importação e Exportação, como também os tributos 
domésticos às respectivas modalidades.
A função administrativa: como mencionado na introdução deste caderno, 
exerce a função de monitoramento, de polícia, a qual irá controlar a entrada e saída 
dos produtos dentro do território aduaneiro, nas especificidades dos objetivos em 
que os mesmos foram importados ou exportados.
A função administrativa da aduana faz-se de grande importância, pois, 
mais do que um monitoramento ligado ao cumprimento do recolhimento dos 
impostos (função tributária que exerce paralelamente), promove significantes 
ações de segurança para o país.
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
64
Dentre essas ações de segurança, podemos citar: 
- o controle de pragas oriundas de cargas trazidas de outras localidades; 
- combate ao tráfego de materiais ilícitos como armas, drogas e substâncias 
perigosas;
- assegurar o tesouro nacional e prevenir que patrimônios histórico-culturais, de 
fauna e flora sejam indevidamente subtraídos do território nacional.
2.2 O TERRITÓRIO ADUANEIRO
Segundo o art. 2º do Decreto-Lei nº 6.759/2009 da jurisdição aduaneira 
(poder de aplicar o direito aduaneiro), o território aduaneiro compreende todo 
o território nacional. Ou seja, no interior dos limites da estrutura política e 
administrativa, o Estado brasileiro, será exercido o direito aduaneiro.
A jurisdição dos serviços aduaneiros, abrangida pelo Decreto-Lei nº 37, de 
18 de novembro de 1966, art. 33, é dividida em duas seções: zona primária e zona 
secundária. A primeira compreende a área ocupada pelos portos, aeroportos e 
demais pontos de fronteira (pontos de carga e/ou descarga, embarque de passageiros 
provenientes de outros países). Por sua vez, a zona secundária corresponde ao 
restante da zona aduaneira, todas as outraspartes do território nacional, incluindo 
as águas territoriais e o seu espaço aéreo. 
UNI
SAIBA MAIS
O QUE É TRIBUTO? 
O conceito de tributo está previsto no Código Tributário Nacional: “Tributo é toda prestação 
pecuniária compulsória, paga em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não 
constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa 
plenamente vinculada”. 
Logo, examinando o conceito legal de tributo, concluímos que é toda contribuição em dinheiro, 
paga pelo cidadão através de lei que o criou, para atender às atividades-fins do Estado, isto é, 
realizar o bem comum. 
FONTE: Conhecendo os Tributos.
Disponível em: <http://www.receita.pb.gov.br/edufiscal/edu_02.htm>. Acesso em: 12 ago. 
2012.
TÓPICO 1 | DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS
65
Na zona primária é feito o controle dos veículos, sendo que o controle 
das mercadorias é feito tanto nas zonas primária quanto secundária. Ainda sobre 
as zonas do território aduaneiro, as mesmas possuem atividades específicas, ou 
restritas a cada uma, fazendo-se necessária a verificação de cada caso particular.
“As unidades da zona primária correspondem às unidades aduaneiras 
possuidoras da jurisdição sobre os pontos de entrada e saída de veículos: 
aeroporto, porto, ponto de fronteira, etc. Já as unidades de zona secundária 
podem ser especializadas (alfândegas ou inspetorias da Receita Federal) ou mistas 
(delegacias da Receita Federal)” (ROCHA, 2005, p . 21). 
2.3 PORTOS, AEROPORTOS E PONTOS DE 
FRONTEIRA ALFANDEGADOS
Em sua interpretação do capítulo II do Regulamento Aduaneiro, Rocha 
(2005) apresenta uma síntese do papel desses pontos de passagem de mercadorias 
e pessoas:
Os portos, aeroportos e pontos de fronteira são locais onde se processam 
os controles de entrada e saída de veículos, de pessoas ou de mercadorias, 
que estão entrando ou saindo do território nacional. Nestes locais são 
processados os controles de veículos ou mercadorias, podendo ter locais 
destinados ao armazenamento dos veículos (ROCHA, 2005, p. 21).
Assim, temos a especificação de cada um dos seguintes pontos da zona 
primária do território aduaneiro:
2.3.1 Portos marítimos
O transporte marítimo é o modal mais utilizado no comércio 
internacional, sendo que sua atividade está associada à movimentação de 
cargas em navios de diferentes tipos e dimensões e possuindo rotas que ligam 
os portos e regiões de todo o globo. No Brasil, o modal marítimo responde 
por mais de 90% do transporte internacional dos produtos comercializados 
nas trocas exteriores.
FONTE: Adaptado de: <http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_1563/artigo_sobre_modal_
maritima>. Acesso em: 5 out. 2012.
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
66
FONTE: Adaptado de: <http://artigos.netsaber.com.br/resumo_artigo_1563/artigo_sobre_modal_
maritima>. Acesso em: 5 out. 2012.
UNI
Com uma costa de 8,5 mil quilômetros navegáveis, o Brasil possui um setor 
portuário que movimenta anualmente cerca de 700 milhões de toneladas das mais diversas 
mercadorias e responde, sozinho, por mais de 90% das exportações.
FONTE: Secretaria dos Portos 2011
O transporte marítimo permite a otimização do transporte global 
e o funcionamento da complexa cadeia logística, ao integrar os outros 
modais de transporte, como o ferroviário e o rodoviário. A necessidade 
de transportar por via marítima deriva do comércio de diferentes tipos de 
cargas, seus volumes, forma de distribuição por parcelas a transportar, local 
de recebimento e entrega, tempo utilizado no trânsito entre dois pontos e, 
principalmente, o custo desse transporte.
Os portos, além de desempenharem o papel de ligação entre os 
modais terrestres e marítimos, têm uma função adicional de amortecer o 
impacto do fluxo de cargas no sistema viário local, através da armazenagem 
e da distribuição física.
O sistema portuário do Brasil é composto pelo montante de 37 portos 
públicos, entre marítimos e fluviais, dos quais 18 são delegados, concedidos 
ou têm sua operação autorizada à administração dos governos estaduais e 
municipais. Existem ainda 42 terminais de uso privativo e três complexos 
portuários que operam sob concessão à iniciativa privada.
FONTE: Disponível em: <www.geografiaememoria.ig.ufu.br/downloads.php?cat_id=1...id...>. 
Acesso em: 5 out. 2012.
FONTE: Disponível em: <http://www.comexblog.com.br/logistica/portos-afogados>. Acesso em: 
5 out. 2012.
TÓPICO 1 | DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS
67
A partir da Lei de Modernização dos Portos (Lei n◦ 8.630/1993), 
emergiu uma nova organização administrativa para o setor portuário 
brasileiro. Os principais objetivos associados à implementação desta são: 
conceder a operação portuária e o arrendamento de áreas portuárias, 
gerando recursos para o governo; incentivar a concorrência entre os portos e 
terminais, de modo a reduzir custos e obter maior eficiência; e acabar com o 
monopólio dos trabalhadores portuários (CURCINO, 2007).
São pontos de passagem (entrada e saída de mercadorias e/ou pessoas) 
por via aquática, ou seja, utilizam do transporte marítimo para embarque, 
desembarque e movimentação de cargas. Dentre os inúmeros atores que operam 
e convivem dentro desta estrutura alfandegária, podemos citar: as três esferas 
políticas (Governos Federal, Estadual e Municipal), as autoridades portuárias, 
os armadores, transportadores, operadores portuários, trabalhadores, donos de 
mercadorias, os agentes, despachantes aduaneiros e consignatários.
FONTE: Disponível em: <www.ipea.gov.br/sites/000/2/publicacoes/tds/td_1423.pdf>. Acesso em: 
5 out. 2012.
Assim, a nova estrutura do sistema portuário brasileiro, no que diz respeito 
à administração, instituiu os seguintes atores:
• Autoridade Portuária (AP): esta administra o porto organizado, gera seu 
patrimônio e controla as demais entidades públicas e privadas atuantes no 
porto.
• O Conselho da Autoridade Portuária (CAP): trata-se de um órgão de 
administração, planejamento e fiscalização ao qual a administradora do porto se 
encontra subordinada. Este, por sua vez, é formado por quatro blocos de atores 
participantes do porto:
 Bloco do Poder Público (BPP).
 Bloco dos Operadores Portuários (BOP).
 Bloco da Classe dos Trabalhadores Portuários (BCTP). 
 Bloco dos Usuários dos Serviços Portuários (BUSP).
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
68
FIGURA 1- LOCALIZAÇÃO DOS PORTOS MARÍTIMOS E FLUVIAIS DO BRASIL
FONTE: ANTAQ. Agência Nacional de Transportes Aquaviários. Disponível em: <http://www.antaq.
gov.br/portal/localizaportos.html>. Acesso em: 20 jul. 2012.
Em relação à operação do serviço portuário, temos os seguintes atores, 
subordinados à autoridade portuária:
• Operador Portuário (OP): trata-se do órgão executivo de gerência, fiscalização, 
regulamentação, organização e promoção da atividade portuária.
• Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO): promove a gestão de recursos 
humanos efetivos e prestadores de serviços, administrando a contratação, a 
escala e a alocação de:
 Trabalhadores portuários (TP).
 Trabalhadores portuários avulsos (TPA).
O organograma a seguir resume a organização dos portos segundo sua 
administração e operacionalização. 
TÓPICO 1 | DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS
69
FIGURA 2 - ORGANOGRAMA DA ORGANIZAÇÃO DOS PORTOS SEGUNDO SUA ADMINISTRAÇÃO 
E OPERACIONALIZAÇÃO
FONTE: Figura própria baseada nos estudos do LIVRO 6 do IPEA (2010)
2.3.2 Aeroportos
A globalização tem propiciado com que o transporte aéreo de passageiros 
e cargas tenha uma função primordial nos fluxos internacionais. 
Em relação às cargas, há uma indução nas cadeias logísticas complexas 
voltadas para o atendimento de clientes que passaram a comprar pela internet 
e também para aquelas mercadorias que demandam velocidade de entrega, 
justificando as transferênciasaéreas. 
Os aeroportos têm destinado cada vez maiores áreas para a transferência 
e embarque de cargas, valendo-se dos grandes avanços ocorridos na tecnologia 
aeronáutica.
UNI
ACADÊMICO(A), BUSQUE SABER MAIS
Acesse o link: <http://www.receita.fazenda.gov.br/aduana/viajantes/viajantechegbrasilsaber.
htm> da Receita Federal e conheça o que o viajante que chega ao Brasil precisa saber.
No transporte de passageiros, por sua vez, também houve grande crescimento 
do número de transações e movimentação, devido ao aumento na produtividade 
das companhias e o consequente barateamento das passagens aéreas.
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
70
Essa difusão do hábito de transportar mercadorias pelo modal aéreo e as 
recorrentes e cada vez mais necessárias viagens de negócios, assim como uma 
promissora alavancada do turismo, propiciaram maior presença e agregação de 
valor à estrutura aeroportuária no Brasil. 
A existência de infraestruturas adequadas, sistemas operacionais 
eficientes e empresas nacionais privadas de porte para a logística e o 
transporte é hoje condição essencial para que as negociações entre países e 
blocos possam ser feitas em bases de maior reciprocidade (BARAT, 2007).
O Brasil possui 4.263 aeroportos e aeródromos, sendo a segunda maior 
rede do mundo, apenas superado pelos Estados Unidos, com 14.497. Dos 67 
aeroportos operados pela Infraero, 31 são internacionais e 36 domésticos. 
Eles movimentaram, em 2008, um total de 113,3 milhões de passageiros 
e 1,5 milhão de toneladas de cargas, inclusive mala postal. O número de 
passageiros em tráfego internacional foi de 13,3 milhões. Na movimentação de 
cargas, 852,2 mil toneladas corresponderam ao tráfego internacional em 2008.
FONTE: Disponível em: <www.v-brazil.com/world-cup/documents/ipea-airports.pdf>. Acesso em: 
5 out. 2012.
FONTE: LOGÍSTICA E TRANSPORTE NO BRASIL. Disponível em: <http://www.dcomercio.com.br/
especiais/outros/digesto/digesto_20_especial/03a.htm>. Acesso em: 25 set. 2012.
FONTE: IPEA. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/39065989/19/Infraestrutura-aeroportuaria-
no-Brasil>. Acesso: em 25 set. 2012. 
No Brasil, a administração dos aeroportos compete à Infraero, Empresa 
Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária, a qual é vinculada ao comando da 
Aeronáutica. 
Dentro dos aeroportos há uma infraestrutura de áreas cobertas e descobertas 
delimitadas para o recebimento, guarda, armazenagem, controle, movimentação e 
entrega de carga para transporte.
 Essa infraestrutura denomina-se TECA=Terminais de Carga, na qual todo 
material descarregado no aeroporto, seja qual for o modal de transporte, lá deve 
ser recebido, manuseado e armazenado.
TÓPICO 1 | DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS
71
2.4 RECINTOS ALFANDEGADOS
O conceito de recinto alfandegário refere-se ao local onde deve ser realizado 
o trabalho aduaneiro de controle fiscal de mercadorias, possibilitando a melhor 
fiscalização aduaneira. Este abrange espaços da zona primária (portos, aeroportos 
e pontos de fronteira) e de zona secundária (terminais alfandegados). 
É o que nos ensina o art. 9º do Regulamento Aduaneiro (Decreto n◦ 6.759/09):
Art. 9◦ Os recintos alfandegados serão assim declarados pela autoridade 
aduaneira competente, na zona primária ou na zona secundária, a fim 
de que neles possam ocorrer, sob controle aduaneiro, movimentação, 
armazenagem e despacho aduaneiro de:
I - mercadorias procedentes do exterior, ou a ele destinadas, inclusive 
sob regime aduaneiro especial;
II - bagagem de viajantes procedentes do exterior, ou a ele destinados; e
III - remessas postais internacionais.
Parágrafo único. Poderão ainda ser alfandegados, em zona primária, 
recintos destinados à instalação de lojas francas (BRASIL, 2012).
Assim, os recintos alfandegados são reservados ao trânsito e estocagem de 
mercadorias a entrar ou sair do país, à fiscalização de bagagens provenientes do e 
procedentes para o exterior, e as dependências de lojas francas.
UNI
O regime aduaneiro especial de loja franca é o que permite a estabelecimento 
instalado em zona primária de porto ou aeroporto alfandegado vender mercadoria nacional ou 
estrangeira a passageiro em viagem internacional, contra pagamento em moeda nacional ou 
estrangeira. (art. 1º Instrução Normativa RFB nº 863, de 17 de julho de 2008).
 Nas zonas secundárias temos os terminais alfandegados, os quais são 
dotados de áreas para armazenagem, pátio de contêineres, perfeito controle de 
entrada e saída da carga e local para os serviços aduaneiros. 
O acesso da carga a esses terminais é feito através do regime de trânsito 
aduaneiro. Tais terminais podem ser de uso público ou de uso privativo.
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
72
Os terminais alfandegados devem pagar a taxa do FUNDAF (Fundo 
Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização). 
Este fundo foi criado pelo Decreto-Lei n◦ 1.437/55, que cuida da base de 
cálculo do IPI na importação, mas que no art. 6° o dispõe:
Fica instituído no Ministério da Fazenda o Fundo Especial de 
Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização – 
FUNDAF, destinado a fornecer recursos para financiar o reaparelhamento 
e reequipamento da Secretaria da Receita Federal, a atender aos demais 
encargos específicos inerentes ao desenvolvimento e aperfeiçoamento 
das atividades de fiscalização dos tributos federais e, especialmente, a 
intensificar a repressão às infrações relativas a mercadorias estrangeiras 
e a outras modalidades de fraude fiscal ou cambial, inclusive mediante 
a instituição de sistemas especiais de controle do valor externo de 
mercadorias e de exames laboratoriais (BRASIL, 2012).
2.5 CONTROLE ADUANEIRO DE VEÍCULOS
Com a finalidade de controlar a entrada e saída de mercadorias, a aduana 
exerce um rígido monitoramento do trânsito de veículos, os quais são utilizados 
para o transporte desses bens. Os veículos provenientes ou que têm destino ao 
exterior somente podem fazer a transição por meio dos portos, aeroportos ou 
pontos de fronteira alfandegados. 
No intuito de prevenir que se burle essa regra, temos a proibição do 
posicionamento de uma embarcação a certa distância de outra, evitando assim a 
possibilidade de um transbordo de carga ou pessoa (art. 617, III).
A autoridade aduaneira pode, através do ato de fiscalização visita 
aduaneira, visitar o veículo proveniente do exterior e receber do responsável a 
documentação relativa ao veículo, sua carga e demais elementos presentes no 
mesmo. Depois de constatada a regularidade, é emitido o termo de entrada.
O regulamento aduaneiro não explicita quais veículos devem receber a 
visita aduaneira, no entanto, este ato só é realizado em navios, sendo dispensado 
na maioria das vezes.
UNI
A exceção a essa regra é o caso dos naufrágios.
TÓPICO 1 | DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS
73
2.6 MANIFESTO DE CARGA
Segundo o artigo 39 do Regulamento Aduaneiro, a mercadoria transportada 
deve estar registrada no manifesto de carga ou em outras declarações equivalentes. 
No artigo 40 versa que o manifesto de carga geralmente engloba toda a 
carga e independe do fato desta ser entregue em um único ou vários destinos. Ou 
seja, haverá um manifesto de carga para cada local, no exterior, onde o veículo 
houver recebido carga destinada a esse ponto de descarga.
A folha de descarga é assinalada pelo transportador e depositário no 
momento em que a mercadoria é descarregada, sendo essencial para fiscalização 
aduaneira.
Os manifestos, geralmente, listam a quantidade de peças, peso, nome 
e endereço do destinatário. Na conferência final de manifesto é apurado se as 
quantidades e a integridade das mercadorias estão corretas. 
Segundo o Regulamento Aduaneiro, a conferência deveria ser feita ao 
serem contrastadas as folhas de descarga eo manifesto. No entanto, com o 
advento do Mantra e do Siscarga, essa prática caiu em desuso e hoje em dia é feita 
automaticamente por esses sistemas informatizados.
UNI
Mantra - Manifesto de carga informatizado. Trata-se do conjunto de registros 
relativos à importação destinada a determinado ponto alfandegado de descarga de aeroporto, 
tais como o registro de saída e chegada da aeronave, dados sobre a carga, número do 
conhecimento de carga, beneficiário, consolidador e desconsolidador. A ementa e o artigo 
1º da IN SRF 102/94 sinalizam que o MANTRA corresponde ao MANIFESTO DE CARGA no 
transporte aéreo.
O SISCOMEX CARGA (SISCARGA) equivale ao manifesto de carga eletrônico na importação e 
exportação por modal marítimo.
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
74
3 VALOR ADUANEIRO
Este item busca explicar como é feito o estabelecimento do valor mais 
próximo do preço efetivo de uma mercadoria sem que este prejudique a arrecadação 
dos impostos. A forma de estabelecer o valor aduaneiro também contribui para 
solucionar os casos em que não há preço de venda, seja nas doações, locações e 
empréstimos.
Assim, o valor aduaneiro é a base de cálculo do Imposto de 
Importação. O valor aduaneiro é apurado na forma prevista no Acordo 
Sobre a Implementação do Artigo VII do GATT (Acordo de Valoração 
Aduaneira ou AVA-GATT), aprovado pelo Decreto Legislativo n° 30/94 e 
promulgado pelo Decreto Executivo nº 1.355/94, o qual possui status de lei e 
estabelece as normas fundamentais sobre valoração aduaneira no Brasil. A 
aplicação do AVA-GATT, atualmente, é disciplinada pelos artigos 76 a 83 do 
Decreto n◦ 4.543/02 e pela Instrução Normativa SRF nº 327/03 (PORTAL DO 
COMÉRCIO EXTERIOR, 2012).
FONTE: Disponível em: <www.notafiscalfacil.com.br/nota-fiscal-de-importacao/>. Acesso em: 5 
out. 2012.
Desta forma, o AVA-GATT estabelece seis métodos para a determinação 
do valor aduaneiro das mercadorias importadas, sendo que sempre que não 
for possível a utilização do primeiro método de valoração, passa-se ao método 
seguinte, sucessivamente, até que se chegue ao determinante do valor aduaneiro.
Na Rodada do Uruguai em 1994, o acordo tornou-se parte integrante 
do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio – (GATT), tornando-se 
obrigatório para todos os membros da Organização Mundial de Comércio (OMC). 
Os métodos de valoração previstos pelo Acordo de Valoração Aduaneira são:
• 1º Método - método do valor da transação.
• 2º Método - método do valor de transação de mercadorias idênticas.
• 3º Método - método do valor de transação de mercadorias similares.
• 4º Método - método do valor de revenda (ou método do valor dedutivo).
• 5º Método - método do custo de produção (ou método do valor computado).
• 6º Método - método do último recurso (ou método pelo critério da 
razoabilidade).
O primeiro método, do valor da transação, compreende o preço efetivamente 
pago ou a pagar pelas mercadorias, acrescido do custo do transporte da mercadoria 
até o porto, aeroporto ou ponto de fronteira alfandegado, somado aos gastos 
relativos à carga, descarga, manuseio e ao seguro da mercadoria durante o trajeto 
(AVA, art. 1°). O valor da transação tem sua aplicabilidade condicionada a não 
ocorrência de algumas circunstâncias, como restrições ao seu uso pelo comprador.
TÓPICO 1 | DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS
75
NOTA
AVA (ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA).
Caso o valor aduaneiro não puder ser determinado pelo primeiro método, 
o valor de transação passa a ser adotado pelo método das mercadorias idênticas, 
no qual tal valor será o mesmo aplicado na importação e exportação de mesmo 
produto para determinado país. 
Tomemos um exemplo de um benfeitor que deseja doar para um indivíduo 
em outro país um automóvel. Como não há preço de venda, também não é necessário 
considerar vinculação entre as partes. Houve certa quantidade de importações 
do mesmo carro por uma revendedora. O preço unitário aplicado à revendedora 
poderá ser aplicado, considerado o desconto que a revendedora recebeu da fábrica 
pelo número de importações. Caso seja encontrado mais de um valor de transação, 
opta-se pelo mais baixo deles na determinação do valor aduaneiro.
Se o método de mercadorias idênticas não puder determinar o valor de 
transação, será recorrido ao valor de transação de mercadorias semelhantes. 
Elucidando: uma fábrica vende com exclusividade para uma empresa do 
mesmo grupo determinada mercadoria, cujo preço tenha sido afetado por essa 
vinculação. Não será encontrada nenhuma importação de produto idêntico, pois 
só existe um importador. Dessa forma, buscar-se-á importações de produtos 
contendo características semelhantes ao produto comercializado. Também nesse 
caso, se houver valores diferentes, opta-se pelo valor mais baixo na determinação 
do valor aduaneiro.
Tendo o terceiro método falhado na determinação do valor aduaneiro, 
passa-se a adotar o método do valor deduzido, o qual é deduzido com base no 
preço pelo qual as mercadorias importadas são vendidas no mercado interno a 
pessoas não vinculadas e com uma série de deduções, como: tributos internos, 
comissões, custos de transporte e seguro dentro do país importador etc. Ou seja, 
toma-se como base o preço de venda no país importador deduzindo as despesas 
e custos nesse país para estimar o preço de exportação. Esse método pode ser 
aplicado depois do quinto método, invertendo assim a ordem seguida, sem 
prejuízo (AVA, art. 5º).
Caso o importador não tenha sucesso nos métodos anteriores ou queira 
inverter a ordem do quarto com o quinto método, o do valor computado, este irá 
proceder na quantificação da soma do custo ou valor dos insumos e da fabricação 
ou processamento empregados na confecção das mercadorias importadas de 
mesma espécie que as mercadorias a serem valorizadas, das despesas gerais, do 
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
76
custo de transporte e seguro para se tentar obter um valor aproximado de compra 
e venda para exportação. Trata-se do caminho contrário feito ao método do valor 
deduzido. 
O sexto e último método de valorização aduaneiro é determinado pelos 
critérios razoáveis, condizentes com os princípios do artigo VII do GATT 1994 e 
com base nos dados disponíveis no país de importação (AVA, art. 7º).
 É um valor determinado com base em critérios razoáveis, com vedações 
como: não poder ser baseado em valor mínimo no preço de venda no país de 
importação de mercadorias produzidas neste, não poder ser o mais alto entre dois 
valores possíveis, não poder ser baseado nos preços do mercado interno do país de 
exportação, entre outras proibições.
FONTE: Adaptado de: <pt.scribd.com/doc/.../SEXTO-METODO-–-CRITERIOS-RAZOAVEI...>. 
Acesso em: 5 out. 2012.
O que vem nos ajudar é uma flexibilização da utilização de algum 
dos métodos anteriores como critério razoável. Seja em buscar transações de 
mercadorias idênticas ou semelhantes num período maior do que o previsto na 
aplicação dos métodos 2 e 3, sendo esse valor ajustado pela taxa de inflação do 
período, gerando uma alternativa razoável na valorização do preço aduaneiro. 
O que deve ser enfatizado no processo de construção do valor aduaneiro 
é que o mesmo deve ser explícito para o importador, sendo algo previsível e não 
deixando margem para arbitrariedade de pensamentos.
4 CLASSIFICAÇÃO FISCAL
FONTE: Disponível em: <qmsconsultoria.com/...fiscal-de-mercadorias/saiba-o-que-e-
classificac...>. Acesso em: 5 out. 2012.
O Imposto de Importação é calculado através da multiplicação do valor 
aduaneiro da mercadoria pela alíquota do tributo. Tendo a base do cálculo uma 
situação invariável, devem-se discriminar as diversas mercadorias na obtenção 
de diferentes alíquotas aplicáveis, sendo essa uma alternativa, uma ferramenta 
necessária para intervenção na economia do país.
A tarifa érepresentada pela tabela de alíquotas às diferentes mercadorias. 
No Brasil é usada a TEC, Tarifa Externa Comum, a qual é válida em todo o 
A classificação fiscal de mercadorias é um importante instrumento que 
não somente determina os tributos envolvidos nas operações de importação 
e exportação, e de saída de produtos industrializados, mas também tem a 
finalidade de controle estatístico e determinação do tratamento administrativo 
requerido para determinado produto (RECEITA FEDERAL, 2012).
TÓPICO 1 | DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS
77
4.1 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL
A NCM, Nomenclatura Comum do Mercosul, corresponde a uma lista de 
mercadorias, as quais são dispostas em ordem hierárquica, divididas em capítulos 
e agrupadas em seções, método baseado no SH (Sistema Harmonizado).
Há uma divisão em alguns capítulos, subcapítulos, o que auxilia na pesquisa 
e facilita encontrar a classificação desejada. Os capítulos são numerados com dois 
algarismos de 00 a 99.
Mercosul. A TEC associa uma alíquota para cada código de classificação fiscal. E 
cada código de classificação fiscal é obtido pela tabela da NCM (Nomenclatura 
Comum do Mercosul), a qual associa os grupos de mercadorias a códigos. Ou seja, 
para determinar a alíquota para importação, precisa-se primeiro classificar a NCM 
do produto e então consultar a TEC.
UNI
Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias é uma 
nomenclatura aduaneira, utilizada internacionalmente como um sistema padronizado de 
codificação e classificação de produtos de importação e exportação, desenvolvido e mantido 
pela Organização Mundial das Alfândegas.
FIGURA 3 - ESTRUTURA SISTEMÁTICA DE CLASSIFICAÇÃO DOS CÓDIGOS NA 
NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM)
FONTE: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (2012)
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
78
Dentro do capítulo há posições expressas em quatro algarismos, sendo os 
primeiros dígitos o número do capítulo. Por sua vez, as posições estão divididas 
em subposições de primeiro nível, com um algarismo, e estas, em subposições de 
segundo nível, também com um algarismo. 
Acima, temos página retirada do site do Ministério do Desenvolvimento, 
Indústria e Comércio Exterior, com figura que ilustra e melhor explicita a NCM.
4.1.1 Estrutura e composição do NCM
Dos oito dígitos que compõem a NCM (conforme figura acima), os seis 
primeiros são formados pelo Sistema Harmonizado, enquanto o sétimo e oitavo 
dígitos correspondem a desdobramentos específicos atribuídos no âmbito do 
Mercosul.
4.1.2 Regras de classificação na NCM
Com base na interpretação de Werneck (2008), apresentamos as regras de 
Classificação na NCM.
4.1.2.1 Regra geral de interpretação nº 1
FONTE: Disponível em: <http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/SijutIntAsp/REGRAS_GERAIS.
htm>. Acesso em: 5 out. 2012.
NOTA
Para manter-se informado acerca das situações que envolvem o contexto do 
Mercosul, acesse o site: <http://www.mercosul.gov.br/>, página brasileira que traz relatos 
do que acontece neste segmento de negociação. Aproprie-se deste conteúdo.
RGI-1. Os títulos das seções, capítulos e subcapítulos têm apenas 
valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos 
textos das posições e das notas de seção e de capítulo e, desde que não sejam 
contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas regras seguintes...
TÓPICO 1 | DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS
79
4.1.2.2 Regra geral de interpretação nº 2
RGI-2-a. Qualquer referência a um artigo em determinada posição 
abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, 
no estado em que se encontram, as características essenciais do artigo 
completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, 
ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo 
que se apresente desmontado ou por montar.
Os nomes das seções, capítulos e subcapítulos não servem como base 
de classificação. Deve-se primeiro pesquisar em que seções o artigo poderia ser 
classificado e verificar se as notas das seções confirmam ou refutam as escolhas 
feitas. 
Posteriormente, deve-se averiguar em que capítulos das seções o artigo 
poderia ser classificado com base em seus títulos, verificando se as notas dos 
capítulos confirmam ou refutam as opções realizadas. Da mesma forma, deve-se 
examinar os subcapítulos, se os mesmos existirem. Por último, deve-se apurar em 
que posições dos capítulos e subcapítulos o artigo se encaixa, conferindo as notas 
dos capítulos.
Exemplo:
Seja classificar cavalos de circo. Seria natural classificá-los na seção I, 
“animais vivos e produtos do reino animal”, capítulo 1, “animais vivos”, 
posição 0101, “animais vivos das espécies cavalar, asinina e muar”. Mas 
a nota 1 do capítulo exclui os animais da posição 9508, que se refere 
a “carrosséis, balanços, instalações de tiro ao alvo e outras diversões 
de parques e feiras; circos e coleções de animais ambulantes; teatros 
ambulantes”, que é a posição certa (WERNECK, 2008, p. 155).
FONTE: Disponível em: <www.receita.fazenda.gov.br/.../TIPI%20-%20C%20-...>. Acesso em: 5 out. 
2012.
A nomenclatura pode incluir artigos nela não literalmente descritos através 
da ampliação do significado de cada posição. Trata-se de abrir a nomenclatura. A 
característica essencial é aquilo que determina a diferença de um artigo ao outro. 
Assim, um bloco de mármore só será classificado como escultura se o mesmo não 
mais se prestar a outras finalidades (WERNECK, 2008, p.155).
“Ainda no que diz respeito à ampliação de significados, a regra 2-B trata 
como iguais no que se refere à classificação os artigos puros ou misturados, 
constituídos inteira ou parcialmente de uma matéria” (WERNECK, 2008, p.156).
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
80
RGI-2-b. Qualquer referência a uma matéria em determinada posição 
diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada 
a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma 
matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente 
por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos 
compostos efetua-se conforme os princípios enunciados na Regra 3.
RGI-3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas 
ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a 
classificação deve efetuar-se da forma seguinte:
RGI-3-a. A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. 
Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a 
apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado 
ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos 
acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em 
relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicos, ainda que 
uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria:
FONTE: Disponível em: <sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/.../REGRAS_GERAIS.htm>. Acesso em: 
5 out. 2012.
Exemplo:
“A farinha de trigo, mesmo misturada com fermento, poderá ser classificada 
em 1101, “farinhas de trigo ou de mistura de trigo com centeio” (WERNECK, 2008, 
p. 156).
4.1.2.3 Regra geral de interpretação nº 3
A ampliação dos significados faz com que encontremos muitas 
possibilidades de se classificar um artigo, no entanto, com a regra três temos uma 
sequência de critérios para desempate.
FONTE: Adaptado de: <sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/.../REGRAS_GERAIS.htm>. Acesso em: 5 
out. 2012. 
O primeiro critério de desempate é a posição mais específica em que o 
artigo se encontra diante as diferentes possibilidades.
FONTE: Disponível em: <sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/.../REGRAS_GERAIS.htm>. Acesso em: 
5 out. 2012.
TÓPICO 1 | DISPOSIÇÕESADUANEIRAS
81
RGI-3-b. Os produtos misturados, as obras compostas de matérias 
diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias 
apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja 
classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam-se 
pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for 
possível realizar esta determinação:
RGI-3-c. Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar 
a classificação, a mercadoria classifica-se na posição situada em último lugar 
na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em 
consideração.
Exemplo:
Um parafuso de fixação do bloco do motor na carroceria poderia ser 
classificado em 8708, “partes e acessórios dos veículos automóveis 
das posições 8701 a 87.05”, mas classifica-se em 7318, “parafusos, 
pinos ou pernos, roscados, porcas, tira-fundos, ganchos roscados, 
rebites, chavetas, cavilhas, contrapinos ou troços, arruelas (incluídas 
as de pressão) e artefatos semelhantes, de ferro fundido, ferro ou aço 
(WERNECK, 2008, p. 157).
Algumas vezes, o que é levado em conta é apenas a parte do produto na 
posição da classificação. Isto é elucidado na parte b da regra 3:
FONTE: Disponível em: <sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/.../REGRAS_GERAIS.htm>. Acesso em: 
5 out. 2012.
Exemplo:
Um sortido contendo uma garrafa de champanhe e duas taças. As 
taças classificam-se na posição 7013, “objetos de vidro para serviço de 
mesa, cozinha, toucador, escritório, ornamentação de interiores ou 
usos semelhantes, exceto os das posições 7010 ou 7018”, o champanhe 
na 2204, “vinhos de uvas frescas, incluídos os vinhos enriquecidos com 
álcool; mostos de uva, excluídos os da posição 20.09” Considera-se o mais 
específico o champanhe, as taças servindo para permitir sua degustação, 
de modo que o sortido classifica-se em 2204 (WERNECK, 2008, p.157).
Não obstante, alguns sortidos são compostos por produtos totalmente 
diferentes e desconexos. Neste sentido, a regra 3-c nos ajuda a resolver este problema:
FONTE: Disponível em: <www.receita.fazenda.gov.br/.../TIPI%20-%20C%20-...>. Acesso em: 5 out. 2012.
Exemplo:
Um sortido contendo uma caneta e um isqueiro. A caneta classifica-se 
em 9608, “canetas esferográficas; canetas e marcadores, com ponta de 
feltro ou com outras pontas porosas; canetas tinteiro e outras canetas; 
estiletes para duplicadores; lapiseiras; canetas portas-pena, porta lápis 
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
82
e artigos semelhantes; suas partes (incluindo tampas e prendedores), 
exceto os artigos da posição 9609”; e isqueiro na 9613, “isqueiros e 
outros acendedores, mesmo mecânicos ou elétricos, e suas partes, exceto 
pedras e pavios”. A posição será a maior numericamente, ou seja, 9613 
(WERNECK, 2008, p. 157).
4.1.2.4 Regra Geral de Interpretação nº 4
Ainda que as regras anteriores deem conta de abarcar vários problemas de 
ordem que tendem a surgir na escolha da NCM, ainda restou a preocupação de que 
algum artigo ficasse sem meios de classificação. Neste sentido, a regra número 4:
4.1.2.5 Regra geral de interpretação nº 5
Quando se trata de embalagens, existem regras especiais. Caso estas 
estejam vazias, estas serão classificadas conforme sua natureza: garrafas, 
caixas, estojos, etc. Não obstante, se as mesmas estiverem cheias, a 
classificação recairá sobre o conteúdo. Há casos como dispostos na RGI-
5-b, em que o interessado pode classificar separadamente o continente e 
o conteúdo, como no caso de botijões de gás (WERNECK, 2008, p.158).
RGI-5. Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo 
mencionadas estão sujeitas às regras seguintes:
RGI-4. As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação 
das regras acima enunciadas classificam-se na posição correspondente aos 
artigos mais semelhantes.
RGI-5- a. Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos 
musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para joias e receptáculos 
semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado 
ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com 
os artigos a que se destinam, classificam-se com estes últimos, desde que sejam 
do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta regra, todavia, não diz 
respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. 
FONTE: Disponível em: <sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/.../REGRAS_GERAIS.htm>. Acesso em: 
5 out. 2012.
Exemplo:
A nomenclatura é bastante aberta. Se descobríssemos um dragão vivo, 
aquele animal mitológico que voa e solta fogo pelas ventas, ele poderia ser 
classificado em 0106, “outros animais vivos” (WERNECK, 2008, p. 158).
FONTE: Disponível em: <web.videoaulasonline.com.br/.../comercio_internacional_08.pdf>. 
Acesso em: 5 out. 2012.
TÓPICO 1 | DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS
83
4.1.2.6 Regra geral complementar nº 6
Segundo a interpretação de Werneck (2008): “após e somente nesse 
momento, a classificação do artigo na posição deverá repetir o processo para 
identificar as subposições de primeiro e segundo nível”. (WERNECK, 2008, p. 158).
4.1.2.7 Regra geral complementar nº 1
Depois da classificação da mercadoria no SH (seis primeiros algarismos), 
deve-se identificar o item e subitem conforme as regras gerais de interpretação:
RGI-5-b. Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens 
contendo mercadorias classificam-se com estas últimas quando sejam do 
tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta 
disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente 
suscetíveis de utilização repetida.
RGI-6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma 
posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições 
e das notas de subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas 
regras precedentes, entendendo-se que apenas são comparáveis subposições 
do mesmo nível. Para os fins da presente regra, as notas de seção e de capítulo 
são também aplicáveis, salvo disposições em contrário.
RGC-1. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 
se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou 
subposição o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, 
entendendo-se que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens 
e subitens) do mesmo nível.
FONTE: Disponível em: <www.receita.fazenda.gov.br/.../TIPI%20-%20C%20-...>. Acesso em: 5 out. 2012.
FONTE: Disponível em: <adonisw.tripod.com/prova_oficial_19062000.htm>. Acesso em: 5 out. 2012.
FONTE: Disponível em: <www6.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?id...>. Acesso 
em: 5 out. 2012.
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
84
4.1.2.8 Regra geral complementar nº 2
Quando se tem um regime de exportação ou admissão temporária, ou seja, 
quando a embalagem vai cheia e volta vazia, a RGI-5-b torna-se sem efeito:
4.2 NOTAS EXPLICATIVAS DO SISTEMA HARMONIZADO
As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) compreendem 
as notas de seção, de capítulo e de subposição. Trata-se de material 
extenso e pormenorizado, que estabelece, detalhadamente, o alcance e 
conteúdo da nomenclatura abrangida pelo SH (BRASIL, 2012).
5 HABILITAÇÃO DOS DEMAIS INTERVENIENTES
No processo de importação e exportação, os agentes comerciais devem 
interagir com a Alfândega apresentando um representante de suas empresas, ou 
de pessoa física, de maneira a conferir ao mesmo autoridade de agir em seu nome. 
Isto se faz necessário no exercício do desembaraço aduaneiro e na aplicação dos 
regimes aduaneiros especiais.
RGC-2. As embalagens contendo mercadorias e que sejam claramente 
suscetíveis de utilização repetida, mencionadas na Regra 5 b), seguirão seu 
próprioregime de classificação sempre que estejam submetidas aos regimes 
aduaneiros especiais de admissão temporária ou de exportação temporária. 
Caso contrário, seguirão o regime de classificação das mercadorias.
FONTE: Disponível em: <www6.senado.gov.br/legislacao/ListaTextoIntegral.action?...255249>. 
Acesso em: 5 out. 2012.
As notas são organizadas na ordem crescente das classificações e trazem 
exemplos e descrições da NCM. A publicação encontra-se disponível no seguinte endereço 
eletrônico: Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Disponível em: <http://www.
fiscosoft.com.br/nesh/nesh.htm>.
ATENCAO
TÓPICO 1 | DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS
85
Neste sentido, tem-se o processo de habilitar o responsável legal da 
empresa perante a aduana, o qual irá nomear os representantes, que agirão no 
processo de desembaraço aduaneiro. É importante salientar que o responsável 
legal atuando com esse cargo não pode exercer as atividades do desembaraço 
aduaneiro, a menos que ele próprio se nomeie também representante.
Quando se tratar de pessoa física, através da declaração de renda anual é 
verificado quais operações ela pode realizar. Deve-se lembrar que a pessoa física 
não pode comercializar, salvo artesão ou produtor rural. Quando a pessoa física 
é habilitada, ela poderá atuar diretamente ou escolher um despachante aduaneiro 
para representá-la. 
A pessoa jurídica deve provar que possui condições financeiras para 
realizar as operações pretendentes, demonstrando a relação da empresa 
com o responsável indicado através de seu estatuto ou contrato social. 
A escolha dos representantes da organização deve recair nos seus 
dirigentes máximos (WERNECK, 2008, p. 161).
Ao serem habilitados, os responsáveis legais recebem senhas com as 
quais acessam um programa informatizado disponibilizado na rede mundial 
de computadores, e nomeiam os representantes da empresa, que podem ser 
colaboradores de carteira assinada, despachantes aduaneiros ou mesmo os sócios 
e dirigentes da organização. Caso a empresa opte em terceirizar seus serviços, 
deve optar pelo despachante aduaneiro, não podendo contratar advogados ou 
contadores, pois os mesmos não são autorizados a atuar nessa área.
Os representantes nomeados devem se identificar perante a Secretaria da 
Receita Federal do Brasil para que possam receber suas senhas de atuação, que são 
pessoais e intransferíveis. 
Além da capacidade financeira, o representante legal deverá comprovar 
a existência da organização e sua regularidade fiscal e do cumprimento das 
obrigações acessórias, além de todos os sócios propostos.
Se a empresa tiver intenção de atuar com o processo de importação por 
meio de outra empresa, nas condições de importação por encomenda ou por 
importação por conta e ordem, ambas devem ser habilitadas.
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
86
As modalidades de habilitação, em função das características 
organizacionais, podem ser descritas, segundo Werneck (2008), como: ordinária, 
simplificada, especial e restrita.
• Modalidade ordinária: trata-se da mais complexa. Empresas que pretendem 
operar grandes volumes financeiros, tendo que fornecer uma grande quantidade 
de informações para que a habilitação lhes seja conferida.
• Modalidade simplificada: esta modalidade é reservada às pessoas físicas, às 
empresas públicas, entidades sem fins lucrativos, sociedades de economia mista, 
sociedades anônimas de capital aberto, às empresas que pretendem atuar no 
comércio exterior com operações de pequena monta ou para incorporar ao seu 
ativo permanente, para empresas encomendantes, ou apresentem mensalmente 
a DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), ou para as 
empresas autorizadas a utilizar a Linha Azul (Despacho Aduaneiro Expresso).
• Modalidade especial: com procedimentos ainda mais simples que a modalidade 
simplificada, é destinada aos órgãos da administração pública direta, autarquias 
e fundações públicas, órgãos públicos autônomos e organismos internacionais.
• Modalidade restrita: para pessoa física ou jurídica que já tenha operado 
anteriormente no comércio exterior, servindo para realizações de consultas ou 
retificação de declarações. Também é utilizada em situação em que a pessoa 
jurídica não existe mais, pois foi incorporada por outra empresa e esta necessita 
corrigir uma declaração anterior. A habilitação é feita com o CNPJ da empresa 
extinta. 
Através do aplicativo Cadastro de Representante Legal da página da 
Receita Federal na internet, o representante é habilitado pelo responsável legal. Não 
obstante, o cadastro não é suficiente, sendo que o representante deve se apresentar 
até uma unidade aduaneira e retirar sua senha ao mostrar a documentação que lhe 
vincule à empresa a ser representada.
UNI
Importação por encomenda. Uma empresa contrata outra (importadora) para que 
esta adquira mercadorias no exterior, as interne e depois as venda para a empresa contratante. 
O risco do negócio é para a empresa importadora.
Importação por conta e ordem. Uma empresa (importadora por conta e ordem) contrata uma 
empresa intermediária para que esta interne no país a mercadoria que a importadora adquiriu, 
cobrando desta os serviços prestados. O risco do negócio é da empresa importadora por conta 
e ordem.
TÓPICO 1 | DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS
87
Os demais interventores no comércio exterior, despachantes, 
transportadores, servidores dos órgãos públicos e depositários, devem se habilitar 
para poderem operar com os sistemas informatizados de comércio exterior.
6 SISTEMAS INFORMATIZADOS
Com o objetivo de aumentar a confiabilidade e a rapidez dos despachos 
aduaneiros, foi criado o SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior), 
que atende tanto às transações de importação quanto de exportação. Trata-
se de um sistema informatizado que interliga exportadores, importadores, 
despachantes aduaneiros, comissários, transportadores e outras entidades ao 
Decex – Departamento de Operações de Comércio Exterior, Banco Central e à 
Secretaria da Receita Federal.
O SISCOMEX foi implantado em 1993 para agilizar e desburocratizar as 
operações de exportação. As entidades interessadas em exportar necessitam de 
uma senha para operar o SISCOMEX, para o registro de suas operações, ou para 
autorizar bancos, corretoras de câmbio e despachantes aduaneiros, que disponham 
de senha, a efetuar registros no SISCOMEX (BRASIL, 2012).
Os sistemas têm ampliado cada vez mais a quantidade e confiabilidade de 
suas informações, reduzindo as falsificações e otimizando o tempo das operações, 
cujas informações são armazenadas e monitoradas cuidadosamente. Há, da 
mesma maneira, um aumento na integração com outros sistemas que tende a 
facilitar a operacionalização dos diversos agentes econômicos e governamentais e 
dificultando a ação de sonegadores e contrabandistas.
A empresa interessada em efetuar o cadastro deve procurar a SECEX ou a 
Delegacia da Receita Federal. É requerida da empresa a apresentação do contrato 
ou estatuto social, cartão CGC, CPF do responsável pela empresa.
Além do SISCOMEX, existem o Sisbacen, sistema do Banco Central 
responsável pelo controle dos pagamentos e recebimentos; o Mantra, já 
mencionado, o qual permite o monitoramento da movimentação de carga; e o 
Mercante, responsável pela arrecadação do AFRMM.
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
88
Uma questão importante que é ressaltada na página eletrônica do 
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, sobre o 
SISCOMEX, é que o Brasil é o único país no mundo a dispor de um sistema de 
registro de exportações totalmente informatizado. 
7 O DESPACHANTE ADUANEIRO
Esse ator operacional do comércio exterior é umprofissional registrado 
na Secretaria da Receita Federal do Brasil, o qual representa o exportador ou 
importador perante a Receita Federal no processo de desembaraço aduaneiro.
Como visto anteriormente, o desembaraço aduaneiro pode ser feito pelo 
próprio interessado na importação ou exportação, caso seja pessoa física, ou 
através de seus funcionários quando se tratar de uma pessoa jurídica. No entanto, 
caso queira terceirizar o serviço, o único profissional que se pode contratar para o 
serviço é o despachante aduaneiro registrado.
A empresa que realiza os despachos aduaneiros representando terceiros 
que desejam importar ou exportar é chamada comissária de despachos, que por 
procuração subestabelece o serviço do despacho ao despachante aduaneiro.
Há também a figura do ajudante de despachante aduaneiro, o qual 
também é registrado na Secretaria da Receita Federal, e auxilia o 
despachante aduaneiro, acumulando experiência e desenvolve sua 
carreira como um próximo despachante. Este tem como atribuições: 
preparação, entrada e acompanhamento da tramitação de documentos 
que tenham por objeto o despacho aduaneiro, assistência à verificação 
da mercadoria na conferência aduaneira; assistência na retirada de 
amostras para exames técnicos e parciais; recebimentos de mercadorias 
ou de bens desembaraçados, solicitação de vistoria aduaneira 
(WERNECK, 2008, p. 165).
Por fim, o despachante aduaneiro tem competência para realizar todas 
as atividades do ajudante, além de desistir de vistoria aduaneira, 
subscrever documentos que sirvam de base ao despacho aduaneiro e 
termos de responsabilidade. Também tem a incumbência de receber 
UNI
De acordo com o Decreto-Lei nº 2.404/87, o AFRMM é o Adicional de Frete para 
Renovação da Marinha Mercante - uma contribuição que visa ao desenvolvimento da marinha 
mercante e da indústria de construção e reparação naval brasileira. A tributação varia de 10% 
a 40%, com um prazo de 10 dias para o recolhimento após a entrada da embarcação no porto 
de descarga.
TÓPICO 1 | DISPOSIÇÕES ADUANEIRAS
89
intimações, notificações, autos de infração, despachos, decisões e 
demais atos e termos processuais relacionados com o procedimento 
fiscal (WERNECK, 2008, p. 165).
90
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico você:
● Compreendeu a estrutura e as funções do regulamento aduaneiro estas 
administrativas e tributárias.
● Identificou o conceito e as formas de organização do território aduaneiro: portos, 
aeroportos e pontos de fronteira alfandegados, além dos recintos alfandegados 
e manifesto de carga.
● Compreendeu como é estabelecido o valor aduaneiro, a classificação fiscal, 
diferenciando a nomenclatura utilizada no Mercosul.
● Distinguiu as habilitações dos demais intervenientes para o contexto aduaneiro, 
e suas modalidades: ordinária, simplificada, especial e restrita.
● Conheceu os sistemas informatizados vinculados ao comércio exterior e as 
funções do despachante aduaneiro.
91
AUTOATIVIDADE
1 Qual a importância do Regulamento Aduaneiro para a economia do país e 
também para os indivíduos que atuam no comércio exterior?
2 Quais as funções o Regulamento Aduaneiro exerce? Explique cada uma: 
Qual é a mais importante, em sua opinião?
3 Comente a afirmação: “O controle das mercadorias se dá exclusivamente na 
zona primária (portos, aeroportos e recintos alfandegados) de onde saem e 
entram todas as mercadorias”:
4 Como o manifesto de carga se relaciona com a folha de descarga? Qual é a 
tendência destes dois documentos?
5 O valor aduaneiro é passível de construção sob a utilização de seis métodos, 
sendo que segue-se uma ordem de utilização dos mesmos. Além da 
sequência dessa ordem, qual o outro fator importante para o estabelecimento 
do mesmo?
92
93
TÓPICO 2
DESPACHO ADUANEIRO DE 
EXPORTAÇÃO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Esse tópico tem por finalidade discorrer sobre a sistematização das 
exportações no que se refere aos aspectos administrativos, operacionais e 
financeiros. Para início de nossos estudos, no entanto, faz-se necessário entender o 
que significa exportar e para que esse exercício comercial é realizado. 
Segundo Faro (2012, p. 70):
Exportar pode ser entendido como a transferência de riquezas de um 
país para outro, materializada pela remessa de bens, ou pelos efeitos 
gerados no exterior, em decorrência da execução de serviços (mesmo 
que essa atividade tenha sido realizada integralmente no território 
nacional).
 
Trata-se de uma operação na qual um produto que se encontrava no 
território alfandegário de um país é levado para outro distinto. Esse procedimento 
independe da natureza do produto e do motivo que levou à sua externalização.
As exportações podem ocorrer mediante um pagamento, ou não, e ser de 
natureza temporária ou definitiva. Também possuem procedimentos variados 
para que a mercadoria possa seguir seu destino licitamente. Os procedimentos são 
necessários de forma a adequar os seus custos à efetividade da fiscalização.
Quanto aos procedimentos, Werneck (2008) nos resume da seguinte forma:
Existem procedimentos específicos para bagagem acompanhada, para 
remessas postais ou expressas. Mesmo o procedimento mais geral, com 
base em declaração de exportação (DDE) e registros de exportação (REs), 
eletrônicas, por meio do Siscomex, admite a modalidade simplificada, 
amparada por Declaração Simplificada de Exportação (DSE), também 
eletrônica, e outra modalidade ainda mais simples, com base em 
declaração simplificada de exportação (DSE), em papel (WERNECK, 
2008, p. 2001).
“No Brasil, as exportações estão quase livres de restrições, classificando-se 
em quatro grandes grupos: livres; sujeitas a limitações; suspensas e proibidas”. 
(FARO E FARO, 2012, p. 67). 
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
94
As exportações livres são as que não necessitam observações de qualquer 
tipo de procedimento especial. Algumas exportações requerem procedimentos 
especiais, dependendo de uma prévia análise de algum órgão anuente, ou observar 
algum procedimento especial. São as exportações sujeitas a limitações.
Já as exportações suspensas são as que não podem ser autorizadas devido 
a políticas aplicadas que tenham o objetivo de regulação do mercado interno, ou 
por algum compromisso internacional que o Brasil tenha assumido. 
Por fim, as exportações proibidas, como o próprio nome indica, não podem 
ser operacionalizadas, seja por acordo interno ou internacional.
Apresentamos conceitos vinculados à exportação e passaremos agora 
a verificar o conjunto de ações e atividades que a envolvem e as regras que a 
determinam.
Bons estudos!
2 TRATAMENTO ADMINISTRATIVO
Os procedimentos operacionais que envolvem a concordância, a 
implementação e a observação de particularidades a que as exportações estão 
sujeitas são chamados de tratamento administrativo.
Existem operações de exportação que não estão voltadas ao comércio, 
ou seja, não possuem expectativa de retorno. Elucidando esse tratamento 
administrativo, exemplificamos com materiais de competição esportiva que foram 
enviados para uma competição no exterior.
Outro tipo de tratamento administrativo é a exportação em consignação, 
na qual os materiais podem ser enviados ao exterior para que a venda ocorra 
posteriormente, sem que antes seja feita uma negociação prévia. 
“Existem alguns produtos que não podem obedecer a esse tipo de 
tratamento, como a soja, o álcool etílico e cigarros (com tabaco)”. (FARO E FARO, 
2012, p. 68). 
O exportador tem 720 dias, contados a partir do embarque da mercadoria, 
para comprovar a efetiva venda da mesma no exterior ou retornar a mesma para 
o país. Pode haver prorrogação deste prazo de permanência da mercadoria em 
consignação, não obstante, o não cumprimento deste compromisso pode gerar 
sanções ao exportador, de acordocom a legislação vigente.
As mercadorias destinadas ao uso e consumo a bordo, tais como 
combustível, lubrificantes etc., utilizadas em transportes de tráfego internacional, 
correspondem, para os efeitos fiscais, a uma exportação (exportação para uso e 
TÓPICO 2 | DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO
95
consumo de bordo). As mesmas também requerem um Registro de Exportação 
(RE), o qual poderá ser obtido depois do fornecimento do material até o último dia 
útil do mês subsequente.
A exportação destinada a feiras, exposições e certames semelhantes 
permite o embarque das mercadorias sem comprovação de pagamento. Em até 
365 dias, contados do embarque das mercadorias, o exportador deve promover 
o retorno das mesmas ao país ou regularizar as possíveis vendas ocorridas nesse 
tempo. O não cumprimento das especificações desse tratamento administrativo 
gerará sanções ao exportador.
As exportações com descontos são aquelas amparadas em RE, em que o 
exportador pretenda conceder um desconto pela mercadoria, sendo autorizado 
pelo DECEX. O exportador formula o pleito ao departamento, apresentando 
informações detalhadas sobre o que motiva esse desconto, de maneira a justificá-
lo. 
Devem ser fornecidas cópias das faturas comerciais e conhecimentos de 
embarque, assim como correspondências trocadas com o importador sobre o 
desconto.
Há também a exportação de material usado, quando devem ser observadas 
as normas gerais de sua composição sujeitas ao despacho aduaneiro de exportação.
“Em relação à exportação comercial, deve-se antes de tudo verificar 
como enquadrar a operação na legislação, procurando, em princípio, utilizar o 
procedimento mais favorável” (WERNECK, 2008, p. 201).
O objetivo maior no enquadramento do procedimento de exportação 
está em desonerar e facilitar a exportação, garantindo assim um aumento das 
vendas, melhorando a balança comercial. Justifica-se a esse objetivo a existência de 
poucas mercadorias sujeitas ao Imposto de Exportação ou outros procedimentos 
administrativos.
O procedimento geral na exportação comercial é o seguinte: fechar o negócio 
com o importador; formular o registro de exportação, RE (obter uma autorização 
para exportar o produto); formular a Declaração de Exportação (pode englobar 
vários REs); desembaraçar a mercadoria na alfândega; embarcar a mercadoria. 
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
96
3 DOCUMENTOS PARA EXPORTAÇÃO
Um bom resultado em negócios internacionais advém da circunstância 
de dominar bem os documentos do comércio exterior. Não é diferente no ato de 
exportar uma mercadoria, a qual, apesar de seguir uma padronização internacional 
de documentos, pode requerer uma especificidade em seu tratamento. Assim, 
temos uma série de documentos que podem ter caráter administrativo, comercial, 
financeiro, contábil ou fiscal.
3.1 DOCUMENTOS ELETRÔNICOS
As exportações são licenciadas por um conjunto de documentos obtidos 
no módulo exportação do SISCOMEX, no qual serão feitas, além de sua operação, 
retificações em qualquer tempo, emissão de extratos, consultas sobre o status (em 
análise, aprovado, negado etc).
 Os documentos eletrônicos são:
 Registro de Exportação (RE).
 Registro de Operação de Crédito (RC).
 Registro de Exportação Simplificada (RES).
 Declaração de Despacho de Exportação (DDE).
 Declaração Simplificada de Exportação (DSE).
 Comprovante de Exportação (CE).
3.1.1 Registro de Exportação (RE)
O Registro de Exportação (RE) trata-se de “um conjunto de informações 
de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal que caracteriza a exportação de 
uma mercadoria e define seu enquadramento legal” (DIAS; RODRIGUES, 2010, 
p.189).
É o conjunto de informações necessárias para desembaraço da mercadoria 
nos portos, aeroportos e pontos de fronteiras, e também para que os agentes 
financeiros fechem o câmbio e efetuem os pagamentos das exportações.
“Em suma, o RE corresponde ao licenciamento da exportação. Este detalha 
todas as características da operação, discriminando se será realizada com cobertura 
cambial ou não, se sua condução envolve algum mecanismo de crédito etc” (FARO 
E FARO, 2012, p. 47).
TÓPICO 2 | DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO
97
NOTA
Caro acadêmico!
Todas as mercadorias exportadas pelo Brasil necessitam que sejam emitidos os Registros de 
Exportações, exceto aquelas mercadorias ou operações relacionadas na Portaria SCE nº 2, de 
22/12/92, Anexo A (casos especiais, como emissão de bagagem de viajante ao exterior, urnas 
funerais, animais domésticos, objetos sem cobertura cambial e sem finalidade comercial).
FIGURA 4 – MODELO DE REGISTRO DE EXPORTAÇÃO - RE
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
98
FONTE: CENTRO DAS INDÚSTRIAS DO VALE DO RIO GRANDE - CIGRADisponível em: <http://
www.cigra.com.br/aprendaexportar/paginas/comExportar/pp_regExpModelo.html>. Acesso em: 
20 jul. 2012.
3.1.2 Registro de Operação de Crédito (RC)
O RC é um documento eletrônico que contém informações cambiais e 
financeiras referentes a exportações com prazo maior de 180 dias para pagamento 
(exportações financiadas). Seu preenchimento é feito antes do RE. Entretanto, o 
RC deverá ser registrado posteriormente ao RE quando a exportação for realizada 
em consignação ou destinada a feiras e exposições, e posteriormente ocorrer 
negociação com prazo de pagamento superior a 360 dias. (MINISTÉRIO DO 
DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR, 2012). 
A validação do mesmo é confirmada pelo Banco do Brasil ou DECEX 
(de acordo com o tipo de enquadramento da operação), e o Siscomex fornece ao 
exportador um número para cada RC emitido.
TÓPICO 2 | DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO
99
3.1.3 Registro de Exportação Simplificado (RES)
O RES corresponde a um Registro de Exportação para facilitar as operações 
em que empresas atuem num montante de até US$ 50 mil. As informações e 
dados exigíveis são menores e os procedimentos operacionais mais simples do 
que as demais exportações. Além do valor máximo das operações, não pode ser 
aplicado nas operações sujeitas ao Imposto de Exportação ou a procedimentos 
especiais; financiadas; contingenciadas em função de compromissos internacionais 
assumidos pelo país ou aquelas conduzidas ao amparo do Regime Automotivo.
3.1.4 Declaração de Despacho de Exportação (DDE)
Documento eletrônico que provoca junto à Receita Federal o início do 
despacho aduaneiro de exportação. Através de sua emissão inicia-se a possibilidade 
de adotar os procedimentos alfandegários referentes ao desembaraço aduaneiro 
da mercadoria (exame documental, verificação de mercadoria, autorização para 
embarque ou transposição de fronteira, emissão do comprovante de exportação).
UNI
UNI
SAIBA MAIS!
O passo a passo do Registro de Operação de Crédito pode ser visualizado no sítio eletrônico 
da Receita Federal, com o endereço: <http://www.receita.fazenda.gov.br/manuaisweb/
exportacao/guia/telas-por-assunto/de/registro-operacao-credito-rc.htm>.
Instrumento de política setorial que estabelece parâmetros para a realização de 
transações internacionais de compra e venda envolvendo o setor automotivo (FARO E FARO, 
2012).
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
100
Em cada DDE, um ou mais Registros de Exportação podem ser consolidados, 
caso envolvam operações de um mesmo exportador, negociados em mesma 
moeda e condição de venda. Para isso, os REs devem estar vinculados às mesmas 
unidades de despacho e de embarque da RFB (local de conferência e desembaraço 
da mercadoria a ser exportada). 
FIGURA 5 – MODELO DDD
FONTE: BRASIL. MDIC- Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio. Disponível em: <http://
www.aprendendoaexportar.gov.br/sitio/paginas/comExportar/pp_fatComComInvDModelo.html>. 
Acesso em: 19 jul. 2012. 
TÓPICO 2 | DESPACHO ADUANEIRODE EXPORTAÇÃO
101
3.1.5 Declaração Simplificada de Exportação (DSE)
Trata-se de uma alternativa à DDE, permitindo à repartição aduaneira da 
Receita Federal jurisdicionante iniciar o despacho aduaneiro de exportação de 
mercadorias. É passível de utilização em casos que admitem um procedimento 
simplificado, como: importação de bens até o limite de US$ 50 mil; exportação de 
bens integrantes de bagagem desacompanhada; exportação de amostras sem valor 
comercial, animais domésticos sem cobertura cambial e finalidade comercial.
3.1.6 Comprovante de Exportação (CE)
Este documento é emitido pela unidade aduaneira da Receita Federal via 
Siscomex, o qual sintetiza todos os dados e registros vinculados a uma exortação. É 
obtido ao final do despacho aduaneiro de exportação (FARO E FARO, 2012, p. 50). 
3.2 OUTROS DOCUMENTOS
UNI
A maneira de solicitar a CE está descrita passo a passo no site eletrônico da 
Receita Federal na página disponível em:
<http://www.receita.fazenda.gov.br/manuaisweb/exportacao/guia/telas-por-assunto/de/
registro-operacao-credito-rc.htm>. Acesso em: 6 out. 2012.
Durante a preparação das mercadorias, outros documentos são emitidos e 
solicitados, tais como:
 Fatura Proforma.
	Fatura Comercial (Commercial Invoice).
	Nota Fiscal.
 Romaneio (Packing list).
 Conhecimento de embarque.
 Contrato de câmbio.
 Apólice de seguro.
 Fatura consular.
 Certificados (de origem, fitossanitário etc.).
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
102
3.2.1 Fatura Proforma
A Fatura Proforma é o primeiro documento oficial, porém sem valor 
comercial. Também é conhecida como Pro Forma Invoice, sendo que nesta constam 
todos os elementos indispensáveis para ser considerado um documento, incluindo 
as condições passíveis de serem praticadas na venda. Também são encontradas na 
Proforma as características da mercadoria, como quantidades, valores, descrição, 
enfim, tudo o que o vendedor está oferecendo para o importador. Tal documento 
é enviado ao importador quando este demonstra manifesto interesse sobre a 
mercadoria, ou seja, trata-se de uma cotação de um negócio. Trata-se da base do 
contrato preliminar, sendo que sua geração não incide compromisso efetivo a 
qualquer uma das partes.
Assim, uma Fatura Proforma deve conter obrigatoriamente:
 A denominação: FATURA PROFORMA ou PROFORMA INVOICE.
 Caracterização adequada do destinatário, comprador em potencial.
 Descrição da mercadoria ou produto.
 Modalidade de venda (Incoterms).
 Condições de pagamento.
 Quantidade do produto.
 Preço do produto.
 Embalagem de apresentação e de transporte.
 Volumes.
 Transporte e seguro internacional.
 Prazo de entrega.
 Prazo de validade da cotação.
Após a confecção da Fatura Proforma, faz-se necessário um bom contrato 
que esclareça todas as dúvidas que possam existir entre as partes. O exportador 
receberá um pedido de compra ou uma carta de crédito de um banco estrangeiro, 
ou seja, documentos que confirmem a aquisição da mercadoria. O exportador deve 
conferir os dados da carta de crédito ou no pedido da mercadoria, contrastando-os 
com a Fatura Proforma ou o contrato de compra e venda.
TÓPICO 2 | DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO
103
3.2.2 Fatura comercial
Também conhecida como Commercial Invoice, trata-se de um documento 
que representa a realização do negócio e essencial para o desembaraço aduaneiro 
de exportação e importação. Trata-se da confirmação do pedido feito na Fatura 
Proforma. Esta deve ser emitida no idioma do importador ou em inglês.
 Nela devem constar, segundo Dias e Rodrigues (2010):
	Modalidade de pagamento.
	Modalidade de transporte.
	Local de embarque e desembarque.
	Número e data do conhecimento de embarque.
	Nome da empresa de transporte.
	Descrição da mercadoria.
	Peso bruto e líquido.
	Tipo de embalagem, número e marca de volumes.
	Preços unitário e total.
	Valor total da mercadoria.
NOTA
O Modelo da Fatura Comercial é o mesmo apresentado na Fatura Proforma, 
modificando apenas a sua denominação (título).
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
104
FIGURA 6 – FATURA PROFORMA
TÓPICO 2 | DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO
105
FONTE: BRASIL. MDIC- Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio. Disponível em: <http://
www.aprendendoaexportar.gov.br/sitio/paginas/comExportar/pp_fatComComInvDModelo.
html>. Acesso em: 19 jul 2012.
3.2.3 Nota fiscal
A nota fiscal tem validade dentro do território nacional. Esta é emitida 
e acompanha a mercadoria desde o local em que a mesma foi produzida até o 
local onde será desembaraçada para o exterior. Tem por finalidade comprovar 
a regularidade fiscal da mercadoria, mencionando que a mesma destina-se à 
exportação. A nota fiscal deve ser emitida na moeda nacional com base no preço 
FOB (Free On Board), por questões de ordem legal. Tratando-se de uma exportação 
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
106
direta, a nota é emitida em nome da empresa importadora. No caso de uma 
exportação indireta, a trading company ou o operador que realizará a importação 
deve ter o nome emitido em nota.
3.2.4 Romaneio (packing list)
Trata-se da identificação da mercadoria, suas quantidades, volumes, 
referências, peso bruto e líquido, marca etc., enfim, a listagem ocasionada na 
preparação das mercadorias a exportar. Trata-se de um documento informal, que 
serve como referência para conferência da mercadoria pelo importador e fiscal da 
alfândega, tanto na origem quanto no destino da mesma.
 
Segundo Rodrigues (1996), o romaneio deve conter:
 Número do documento.
 Nome e endereço do exportador.
 Data de emissão.
 Descrição da mercadoria, quantidade, unidade, peso bruto, peso líquido.
 Local de embarque e desembarque.
 Nome da transportadora e data de embarque.
 Número de volumes, identificação dos volumes por ordem numérica, tipo 
de embalagem, peso bruto e líquido por volume, e dimensões em metros 
cúbicos.
FONTE: Disponível em: <201.2.114.147/bds/bds.nsf/DowContador?OpenAgent&unid...>. Acesso 
em: 6 out. 2012.
TÓPICO 2 | DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO
107
FONTE: BRASIL. MDIC- Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio. 
Disponível em: <http://www.aprendendoaexportar.gov.br/sitio/paginas/comExportar/
pp_romEmbPacLisModelo.html>. Acesso em: 20 jul. 2012.
FIGURA 7 – ROMANEIO DE EMBARQUE
3.2.5 Conhecimento de embarque
Este documento é emitido pela companhia de transporte do produto 
negociado, atestando o recebimento da carga, suas condições de transporte e a 
sua obrigação de entrega ao destino estabelecido de acordo com as vias de seu 
translado (aéreo, marítimo, rodoviário e ferroviário).
Tal documento tem uma tripla função, podendo ser considerado um 
recibo de mercadorias, um contrato de entrega e um documento de propriedade. 
(BANCO DO BRASIL, 2010). “Devido a essas características, é considerado um 
título de crédito. Trata-se de um documento essencial para a negociação junto aos 
bancos com os quais estarão sendo feitos a operação e o fechamento do câmbio”. 
(DIAS; RODRIGUES, 2010, p. 195).
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
108
Ainda, esse é o único documento que concede posse da carga à empresa 
ou pessoa em que o nome nele está consignado. Quando está consignado a um 
banco para garantia do pagamento ao exportador, tal banco deve endossar o 
Conhecimento Internacional de Embarque, transferindo para o importador o 
recebimento da carga. O conhecimento é redigido em língua inglesa e expressa a 
garantia aos bancos de que a mercadoria foi embarcada para o exterior.
De acordo com o modal em que a mercadoria será transportada, este recebe 
diferentes nomes. No caso do modal marítimo, o conhecimento de embarque é 
chamado de BL (Bill of Landing). No transporte aéreo, recebe adenominação de 
AWB (Airway Bill). Nos modais rodoviário e ferroviário recebe, respectivamente, 
os nomes de CRT (Conhecimento de Transporte Internacional por Rodovias) e TIF 
(Conhecimento Internacional de Transporte Ferroviário).
3.2.6 Contrato de câmbio, apólice de
seguro e fatura consular
O contrato de câmbio refere-se à compra e venda de moeda estrangeira 
na negociação entre o exportador e o banco operador, na qual pode ou não haver 
intermediação de corretora, firmado no sistema de intermediação do Banco Central 
(Sisbacen). O exportador tem o compromisso de transferir ao banco operador em 
moeda local o valor em moeda estrangeira da operação de exportação. 
A letra de câmbio (Bill of Exchange), saque (Draft) ou cambial refere-se 
ao título de crédito, de saque internacional, que equivale a uma duplicata com 
aceite. Esta possui um modelo oficial, impressa em inglês, a qual é emitida pelo 
exportador (credor) contra o importador (devedor), a ordem do beneficiário 
indicado no prazo determinado. A letra de câmbio ocorre nas operações sob a 
modalidade de cobrança e nas operações amparadas por carta de crédito (BANCO 
DO BRASIL, 2010).
A Apólice de Seguro é um documento emitido pela companhia seguradora 
com base na proposta do exportador ou importador. Esta cobre os riscos de 
transporte da mercadoria, e quando se tratar de um seguro de crédito, também 
cobre os riscos comerciais, políticos e extraordinários. Existem dois tipos de 
apólices de seguro: apólice aberta e apólice avulsa.
 A primeira comporta mais de uma operação de seguro em um 
único documento e é utilizada mediante uma averbação para cada operação 
a ser coberta. A apólice avulsa, por sua vez, cobre uma única operação de 
exportação e dispensa averbações.
FONTE: Disponível em: <www.educacional.com.br/upload/.../RCE%20Guia%20Comex.doc>. 
Acesso em: 6 out. 2012.
TÓPICO 2 | DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO
109
FONTE: BRASIL. MDIC- Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio. Disponível em: <http://
www.aprendendoaexportar.gov.br/sitio/paginas/comExportar/pp_romEmbPacLisModelo.html>. 
Acesso em: 20 jul. 2012.
FIGURA 8 – CONHECIMENTO DE EMBARQUE
“A fatura consular objetiva atender às formalidades alfandegárias do 
despacho aduaneiro de importação. Poderá ser obtida junto às câmaras de 
comércio que representem os interesses do país importador no Brasil”. (FARO E 
FARO, 2012, p. 74-75).
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
110
3.2.7 Certificados e demais comprovantes
Determinados países exigem documentos referentes a algumas mercadorias 
que serão importadas. Desta maneira, o exportador deve estar ciente e observar 
a emissão de certificados que atestem diversas características do produto, como: 
qualidade, padrões fitossanitários, especificações, índice de nacionalização etc.
“Tais certificados são imposições das legislações nacionais ou estrangeiras 
provenientes de negociações bi ou multilaterais” (DIAS E RODRIGUES, 2010, p. 
196).
Nas linhas que se seguem temos alguns exemplos dos certificados existentes 
no processo de despacho aduaneiro de exportação. 
3.2.7.1 Certificados de origem
O certificado de origem é o documento que atesta a origem e a procedência 
da mercadoria a ser exportada, assegurando que foi elaborada utilizando-se os 
critérios de produção previamente estabelecidos e cumpre com as exigências dos 
países importadores. 
Através deste certificado, os parceiros comerciais envolvidos na 
comercialização da mercadoria são assegurados e são beneficiados por concessão 
de preferência tarifária resultante do acordo comercial. O comércio internacional 
utiliza o certificado de origem preferencial impresso em papel. 
Há diferentes certificados de origem, que irão se distinguir a partir de 
particularidades referentes ao produto ou ao mercado consumidor.
NOTA
O certificado de origem somente poderá ser emitido a partir da data da Fatura 
Comercial correspondente, ou durante os 60 dias consecutivos, sempre que não supere os dez 
dias úteis posteriores ao embarque (FECOMÉRCIO MINAS, 2012).
TÓPICO 2 | DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO
111
3.2.7.1.1 Certificado de origem padrão ou comum
3.2.7.1.2 Certificado de origem SGP – 
Formulário A (Form A)
Este certificado é emitido com o propósito de possibilitar a redução 
ou isenção do Imposto de Importação aos produtos provenientes de países em 
desenvolvimento, beneficiados pelo mecanismo Sistema Geral de Preferências 
(SGP). Este, preenchido pelo exportador e emitido pelas agências habilitadas do 
Banco do Brasil, quando a mercadoria pertencer ao grupo de produtos amparados 
pelo SGP. Em exportações para Estados Unidos da América, Canadá, Porto Rico e 
Nova Zelândia, o exportador pode emitir o certificado diretamente sem a chancela 
governamental.
3.2.7.1.3 Certificado de origem SGPC
O certificado de origem do Sistema Global de Preferências Comerciais é 
um documento preenchido pelo exportador e emitido pela Confederação Nacional 
das Indústrias ou por entidades a ela filiadas (federações estaduais de Indústria). 
Este permite que sejam obtidas margens preferenciais na aplicação do Imposto 
de Importação incidente sobre as mercadorias negociadas aos países do sistema 
(FARO E FARO, 2012; BANCO DO BRASIL, 2010).
3.2.7.1.4 Certificado de origem Mercosul
Este certificado é emitido pelas federações estaduais de Indústria, Comércio 
e Agricultura, além das entidades credenciadas pelo Governo Federal, atestando a 
origem e procedência das mercadorias e, principalmente, possibilitando a obtenção 
de tratamento preferencial pelos países do bloco do Mercosul.
O certificado de origem comum ou padrão é utilizado somente para 
comprovar a origem da mercadoria, quando a legislação do país importador 
ou o próprio comprador assim o exigir, independentemente da concessão de 
preferência tarifária (benefícios fiscais) na importação daquela mercadoria. 
FONTE: Disponível em: <www.fecomerciomg.org.br/index.php?arquivo...certorigem_oque...>. 
Acesso em: 6 out. 201.
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
112
Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiar-se dos 
tratamentos preferenciais pactuados nesses acordos, o exportador deverá fazer 
com que os documentos de exportação sejam acompanhados do Certificado de 
Origem adotado pela Mercosul, comprovando previamente perante a entidade 
certificadora que as mercadorias vendidas cumprem com os requisitos de origem 
preestabelecidos nos respectivos acordos firmados entre os países membros 
(FECOMÉRCIO MINAS, 2012).
3.2.7.1.5 Certificado de origem ALADI
O certificado de origem deverá ser expedido pelas Confederações 
Nacionais da Agricultura, Indústria ou Comércio em formulário padrão aprovado 
pela ALADI com o objetivo de comprovar a origem brasileira das mercadorias 
exportadas para fins de percepção de tratamento preferencial (benefícios fiscais) 
nos demais países importadores integrantes da associação. 
UNI
O Mercado Comum do Sul (Mercosul) é um amplo projeto de integração concebido 
por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Envolve dimensões econômicas, políticas e sociais, o 
que se pode inferir da diversidade de órgãos que ora o compõem, os quais cuidam de temas 
tão variados quanto agricultura familiar ou cinema, por exemplo. No aspecto econômico, o 
Mercosul assume, hoje, o caráter de união aduaneira, mas seu fim último é constituir-se em 
verdadeiro Mercado Comum, seguindo os objetivos estabelecidos no Tratado de Assunção, 
por meio do qual o bloco foi fundado, em 1991. (MERCOSUL, 2012). 
Disponível em: <http://www.mercosul.gov.br/>. Acesso em: 20 jul. 2012.
O formulário do Certificado de Origem MERCOSUL deverá ser 
apresentado ante a autoridade aduaneira, confeccionado mediante qualquer 
processo de impressão, sempre que sejam atendidas todas as exigências demedida, de formato (ISO/A4 - 210 x 297mm) e numeração correlativa. De 
acordo com a normativa jurídica ou administrativa de cada Estado parte e 
com a prática existente em cada um deles, os formulários de Certificados de 
Origem poderão ser pré-numerados. O mesmo não será aceito entre outras 
versões em fotocópia ou transmitidos por fax (FECOMÉRCIO MINAS, 2012).
FONTE: Disponível em: <www.fecomerciomg.org.br/index.php?arquivo...certorigem_oque...>. 
Acesso em: 6 out. 2012.
TÓPICO 2 | DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO
113
As normas de origem da ALADI seguem o estipulado na Resolução do 
Comitê de Representantes de nº 78, de 24 de novembro de 1987, que cuida do 
ESTABELECIMENTO DO REGIME GERAL DE ORIGEM. Entretanto, as normas 
que devem constar dos Certificados de Origem, no campo apropriado, estão 
definidas nos textos dos acordos (FECOMÉRCIO MINAS, 2012).
3.2.7.1.6 Outros certificados
No tratamento administrativo do despacho aduaneiro de exportação 
existem outros documentos que poderão ser exigidos, de acordo com as legislações 
do país do importador em questão. Seguem então, resumidamente, alguns destes 
documentos:
A União Europeia exige o comprovante de origem de carnes de ave e seus 
derivados, para fins de tratamento tarifário preferencial. Este bloco econômico 
também requer um certificado de autenticidade-artesanato para comprovar a 
origem brasileira de certos produtos feitos de juta, seda e algodão. A UE também 
exige nas exportações de fumo o certificado de autenticidade do tabaco, o qual 
pode ser obtido nas entidades credenciadas pelo Ministério de Desenvolvimento, 
Indústria e Comércio (FARO; FARO, 2012).
Os certificados fitossanitário e de sanidade animal são emitidos pelas 
entidades vinculadas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, 
atestando sobre a origem e sanidade dos produtos agrícolas e florestais/animais 
(FARO; FARO, 2012).
UNI
A Associação Latino-Americana de Integração (ALADI) é um organismo 
intergovernamental que, continuando com o processo iniciado pela Associação Latino-
Americana de Livre Comércio (ALALC) em 1960, promove a expansão da integração da região, 
com vistas a garantir seu desenvolvimento econômico e social e tendo como meta final a 
criação de um mercado comum latino-americano (ALADI, 2012).
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
114
4 FORMAÇÃO DE PREÇO NA EXPORTAÇÃO
Talvez o passo mais difícil de ser tomado no instante em que o 
empreendedor pretende exportar sua mercadoria seja o momento de fixação de 
preço da mesma no mercado externo. Esse exercício compete muitos estudos e 
uma intensa preparação, no sentido de fazer com que a mercadoria possa ser bem 
aceita no exterior, gerando competitividade aos demais produtos no mercado e, 
principalmente, ser rentável ao exportador. 
Segundo Faro e Faro (2012):
É preciso determinar qual preço pode ser praticado de forma a imprimir 
competitividade ao produto no mercado externo, e, ao mesmo tempo, 
não comprometer a saúde econômica e financeira do exportador (FARO; 
FARO, 2012, p. 77). 
Para o exercício da formação dos preços no mercado internacional deve-se 
ter os preços praticados no âmbito interno como um referencial. No entanto, os 
preços no mercado interno não podem ser utilizados em cotações internacionais. 
Isto se dá porque a agregação ou subtração de alguns elementos na base de cálculo 
dos preços muda de acordo com cada mercado.
Na figura a seguir, Faro e Faro (2012) demonstram como é constituído o 
preço de venda no mercado interno.
FONTE: Adaptado de Faro e Faro (2012, p. 77)
FIGURA 9 - ESQUEMA DEMONSTRATIVO DA CONSTITUIÇÃO DO PREÇO DE VENDA NO 
MERCADO INTERNO
TÓPICO 2 | DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO
115
Destarte, é de suma importância o cálculo do preço FOB da mercadoria 
a ser exportada. Com esse cálculo tem-se a análise do impacto do preço FOB no 
mercado externo em três cenários:
 PREÇO FOB < preço no mercado externo.
 PREÇO FOB> preço no mercado externo.
 PREÇO FOB = preço no mercado externo.
Quando o preço da mercadoria no local de embarque for menor que o preço 
exercido no mercado externo, poderá ser considerada a sua elevação, ou seja, tem-
se o cenário propício para ampliação da margem de lucro da empresa exportadora.
Quando o preço no local do embarque for maior que o praticado no exterior, 
deverão ser reduzidos os custos de produção, pois este não está competitivo no 
mercado almejado, inviabilizando o processo de exportação da mercadoria.
Quando o preço no local do embarque for igual ao preço praticado no 
mercado exterior, tem-se o cenário que reflete as condições mínimas para que a 
empresa exportadora continue atuando no mercado internacional.
Assim, o preço de exportação das mercadorias depende da apuração do 
preço interno das mesmas. Tem-se:
● PREÇO INTERNO = custo industrial (matéria-prima + mão de obra + custos 
indiretos fabris) + despesas comerciais + despesas administrativas + despesas 
financeiras + tributos (ICMS; IPI; PIS; COFINS) + LUCRO.
Para se conseguir o preço de exportação, ao preço interno serão acrescidas 
as despesas com a exportação (Frete + Seguro + Embalagens especiais + Demais 
custos) e retirados os tributos referentes ao preço local, os quais deixam de ser 
cobrados como forma de incentivo às exportações. São retiradas ainda as despesas 
incidentes nas vendas internas, como comissões, por exemplo. 
UNI
FOB significa em inglês Free On Board, que, traduzindo para a língua portuguesa, 
Livre a Bordo. Ou seja, o preço FOB representa o preço ofertado cobrindo todas as despesas 
e riscos do produto até que este ultrapasse a amurada do navio no país de embarque, sem a 
contratação do frete internacional (BRASIL, MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA 
E COMÉRCIO. APRENDENDO A EXPORTAR, 2012).
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
116
FONTE: Faro; Faro (2012, p. 78)
FIGURA 10 - ESQUEMA DEMONSTRATIVO DA CONSTITUIÇÃO DO PREÇO DE VENDA NO 
MERCADO EXTERNO
5 TIPOS DE EXPORTAÇÃO
As empresas brasileiras contam com diferentes maneiras para realizar suas 
exportações, dependendo de como o empresário traçará o plano de venda de suas 
mercadorias. Este plano levará em consideração o conhecimento das operações 
e custos, os quais foram apresentados no capítulo anterior referente à formação 
de preços no mercado externo, sendo que o produto precisa possuir um preço 
competitivo.
Os modos de exportar são:
 Exportação direta.
 Exportação indireta.
 Exportação por consórcios.
A exportação por consórcios pode ser subdividida em:
● Consórcio de promoção de exportações.
● Consórcio de vendas.
● Consórcio de área ou país.
Segundo Dias e Rodrigues (2010), existe ainda a exportação de amostras e 
duas modalidades especiais de exportação que são objeto de regulação específica, 
já mencionadas no início do Tópico 2: exportações temporárias e exportações em 
consignação.
TÓPICO 2 | DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO
117
5.1 EXPORTAÇÃO DIRETA
“Corresponde à operação em que a mercadoria exportada é faturada pelo 
próprio produtor/comerciante ao importador” (DIAS E RODRIGUES, 2010, p. 
201). A empresa é ciente de todo o processo de exportação, sendo que mesmo que 
o produtor/comerciante utilize de um agente comercial para a exportação, essa 
operação não se descaracteriza de uma exportação direta.
 
Na exportação direta, a mercadoria é isenta do Imposto sobre Produtos 
Industrializados (IPI) e não ocorre incidência do Imposto sobre Circulação de 
Mercadorias e Serviços (ICMS).
5.2 EXPORTAÇÃO INDIRETA
Trata-se de operações realizadas por intermédio de empresas situadas e 
estabelecidas no Brasil, as quais adquirem mercadorias para então exportá-las. 
Tais empresas podem ser:
 Trading companies: em termos fiscais, a venda da mercadoria pela produtora/
comerciante a uma tradingé equiparada a uma operação de exportação.
 Empresas comerciais exclusivamente exportadoras.
 Empresas comerciais que operam no mercado interno e externo.
 Outro estabelecimento da empresa produtora.
5.3 CONSÓRCIOS DE EXPORTAÇÃO
“Os consórcios são associações de empresas juridicamente constituídas, 
que somam esforços e/ou estabelecem uma divisão interna de trabalho com vistas à 
redução de custos, aumento da oferta de produtos destinados ao mercado externo 
e ampliação das exportações” (DIAS; RODRIGUES, 2010, p. 202).
Estes são formados por empresas que possuem mercadorias complementares 
umas às outras ou mesmo empresas concorrentes que desejam dividir os custos e 
entrar de certa forma equilibradas no mercado externo.
Algumas motivações para a realização de consórcios são:
 A dependência de poucos provedores da mercadoria.
 Escassez de pessoal qualificado nas técnicas de comércio exterior.
 Falta de informação sobre os mercados.
 Falta de capital para investir.
 Falta de poder contratual com fornecedores, bancos e entidades governamentais.
 Falta de volume de produção para interessar grandes compradores.
 Falta de uma marca própria.
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
118
5.3.1 Consórcio de promoção de exportações
Nesse tipo de consórcio, as empresas que dele participam é que promovem 
as vendas no mercado externo. A finalidade desse consórcio é desenvolver 
atividade de capacitação, treinamento e promoção de negócios. É recomendável 
para empresas que já possuem experiência em comércio exterior (BRASIL, 2012). 
5.3.2 Consórcio de vendas
FONTE: Disponível em: <www.exportplastic.com.br/admin/.../ExportacaoPassoAPasso_Novo.p...>. 
Acesso em: 8 out. 2012.
5.3.3 Consórcio de área ou país
Esse tipo de consórcio reúne empresas que desejam concentrar suas 
vendas em um único país ou em uma região determinada. O consórcio pode ser de 
promoção de exportações ou de vendas. Ainda, estes consórcios podem ser mono 
ou multissetoriais.
 Consórcio monossetorial: agrega empresas de um mesmo setor.
 Consórcio multissetorial: os produtos das empresas integrantes podem ser 
complementares (mesma cadeia produtiva) ou diferentes, destinados ou não a 
um mesmo cliente.
As exportações são realizadas pelo consórcio, por intermédio de uma 
empresa comercial exportadora. Este tipo de exportação é recomendável 
para empresas que não possuem experiência em comércio exterior.
TÓPICO 2 | DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO
119
5.4 EXPORTAÇÃO DE AMOSTRAS
As normas administrativas que cercam as exportações de amostras fazem 
com que as mesmas tenham um caráter específico. Trata-se de uma remessa ao 
exterior sem cobertura cambial.
Dias e Rodrigues (2010) observam que as exportações de amostras devem 
ser analisadas sob dois aspectos:
1º Até US$ 5.000,00 (cinco mil dólares americanos ou equivalentes em outra 
moeda), mediante a elaboração de RE, feito na forma simplificada, com código 
99101 de enquadramento da operação.
2º Idêntico ao primeiro aspecto, porém dispensando a emissão de RE e respeitando 
as particularidades a seguir:
● Amostras representadas por quantidades, fragmentos ou partes de qualquer 
mercadoria estritamente necessária para dar a conhecer sua natureza, espécie e 
qualidade.
● As exportações de pequenas encomendas sem fins comerciais e sem cobertura 
cambial também estão dispensadas de emissão de RE.
6 DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO
O despacho aduaneiro de exportação corresponde ao procedimento 
fiscal para desembaraçar a mercadoria destinada ao exterior. O mesmo 
é formulado com base na Declaração para Despacho de Exportação 
(DDE) e instruído com a primeira via da nota fiscal, conhecimento e 
manifesto de carga, sendo que a entrega dos documentos deve ser no 
prazo máximo de 15 dias contados do início do despacho (WERNECK, 
2008, p. 203).
6.1 ETAPAS DO DESPACHO ADUANEIRO 
DE EXPORTAÇÃO
O despacho aduaneiro de exportação é desenvolvido em cinco etapas, 
conforme enumerado por Faro e Faro (2012):
1. Registro da Declaração de Despacho de Exportação (DDE).
2. Confirmação da presença de carga e recepção de documentos.
3. Parametrização e distribuição da DDE.
4. Desembaraço aduaneiro e registro dos dados de embarque.
5. Averbação de embarque/emissão do Comprovante de Exportação (CE).
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
120
Após o Registro de Exportação (RE), no Siscomex, inicia-se o registro da 
Declaração de Despacho de Exportação (DDE), ou poderá alternativamente ser 
utilizada uma Declaração Simplificada de Exportação (DSE).
O procedimento fiscal é formalizado com a confirmação da presença da carga 
para fiscalização e a entrega dos documentos do despacho à autoridade aduaneira. 
A confirmação da carga pode ser feita pelo depositário ou pelo exportador em 
recinto alfandegado ou não. A fiscalização é realizada por amostragem indicada 
automaticamente pelo Siscomex. Os parâmetros dessa fiscalização são estabelecidos 
pela Secretaria da Receita Federal (SRF), considerando aspectos da mercadoria, 
tais como: volume, valor da exportação, características da mercadoria, origem e 
procedência do produto, e regularidade do exportador.
Essa parametrização é feita mediante a designação da mercadoria para um 
dos três canais de conferência: verde, laranja ou vermelho. No canal verde são 
dispensados o exame documental e a verificação física da mercadoria. Ou seja, o 
Siscomex realiza todo o desembaraço aduaneiro de exportação, automaticamente. 
No canal laranja realiza-se o exame documental e é dispensada a verificação física 
da mercadoria. No canal vermelho, o exame documental, assim como a verificação 
física da mercadoria é feita pela aduana.
Uma vez concluído o processo de conferência de mercadoria nos indicados 
canais, registra-se o desembaraço aduaneiro de exportação, habilitando a mesma 
para o embarque. Então se efetua o registro dos dados de embarque.
Quando o embarque for aéreo, marítimo ou ferroviário, o transportador deverá 
efetuar os registros dos dados do embarque no Siscomex após a sua realização, considerando 
para esse efeito o manifesto e conhecimento de carga. Entretanto, quando forem utilizados 
os transportes rodoviário, fluvial ou lacustre, a autoridade aduaneira somente receberá os 
documentos após o registro no Siscomex dos dados relativos ao embarque. Dessa forma, fica 
evidente que o momento do registro do embarque no Sistema depende, portanto, do modal 
de transporte utilizado (FARO;FARO, 2012, p. 72).
ATENCAO
TÓPICO 2 | DESPACHO ADUANEIRO DE EXPORTAÇÃO
121
Finalmente, a última etapa do processo do despacho aduaneiro é 
representada pela averbação de embarque, que está referida à confirmação pelas 
autoridades aduaneiras do embarque da mercadoria ou da transposição de fronteira. 
Não conflitando os dados de desembaraço da DDE, o Siscomex operacionaliza 
essa etapa automaticamente. Caso os dados divirjam, a repartição aduaneira faz 
a conferência dos documentos apresentados com os dados do desembaraço e 
do embarque, manualmente. Ao fim da averbação, o Siscomex disponibiliza ao 
exportador o Comprovante de Exportação (CE).
6.2 ETAPAS DE UMA EXPORTAÇÃO
Após analisar todo o processo do despacho aduaneiro de exportação, 
numa visão mais abrangente, tem-se o passo a passo de uma exportação em 
todas as etapas para que o aluno ou o aspirante a exportar possa se guiar. Sobre a 
objetividade de Faro; Faro (2012), a quem recorremos inúmeras vezes nesse tópico, 
os procedimentos administrativos e operacionais que envolvem a sistemática das 
exportações se apresentam:
1) Cadastramento: uma empresa brasileira é habilitada à atividade exportadora 
através da sua inscrição em dois cadastros com fins específicos, o Registro de 
Exportadores e Importadores (REI) e o Registro e Rastreamento da Atuação 
dos Intervenientes Aduaneiros(RADAR), sob a gestão do MDIC/SECEX e do 
MF/RFB.
UNI
O cadastro no REI é feito automaticamente na primeira operação e é realizado 
com fins comerciais. O RADAR permite um maior controle do Estado no combate às fraudes 
no comércio exterior.
2) Análise mercadológica: através da avaliação potencial do mercado consumidor, 
consideram-se os preços praticados no local, a capacidade de consumo, 
exigências de mercado, além de outros fatores que influenciaram na decisão da 
empresa exportadora.
3) Seleção do canal de venda: o exportador decidirá entre uma venda direta ou 
por intermediários. Essa opção poderá influenciar o desempenho comercial da 
empresa.
4) Negociação: nesta fase há o contato com os importadores na busca de suas 
necessidades. Há uma troca de informações entre as partes, com o conhecimento 
das empresas e mercadorias, definições de preços, realização das cotações e 
emissão da fatura Proforma.
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
122
5) Fechamento do negócio: trata-se da concretização da venda e caracteriza-se 
pela formalização de um contrato comercial, produção da mercadoria e suas 
especificidades. Deve-se observar sempre a legislação cambial vigente.
6) SISCOMEX e documentos de exportação: há a obtenção dos registros 
eletrônicos, assim como os demais documentos de exportação que irão guiar o 
despacho aduaneiro.
7) Despacho aduaneiro de exportação e embarque: nesta etapa tem-se a execução 
do processo fiscal que compreende o desembaraço aduaneiro para o exterior 
com a averbação para embarque. Também é nessa etapa que a mercadoria deixa 
o território nacional.
8) Acompanhamento pós-venda: o desinteresse, nessa etapa, pode causar 
problemas na internacionalização da mercadoria. Faz-se necessário acompanhar 
todo o processo logístico na operação comercial, de forma a confirmar que a 
mercadoria foi entregue em sua integridade ao importador, fortalecendo assim 
o vínculo entre as partes e a potencialidade para futuros negócios entre as 
mesmas. É interessante que o exportador firme seu compromisso em relação a 
um suporte técnico no pós-venda, como forma de adensar ainda mais a relação 
com o importador.
9) Controle documental: nesta etapa, “tem-se o arquivamento documental da 
operação de exportação, observando os prazos fixados pelos dispositivos 
regulamentares para a sua manutenção e guarda, para atendimento de ordem 
fiscal, tributária e contábil” (FARO; FARO, 2012, p. 79-80).
123
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico você:
● Identificou o tratamento administrativo do despacho aduaneiro de exportação, 
ou seja, os procedimentos operacionais que envolvem a concordância, a 
implementação e a observação de particularidades a que as exportações estão 
sujeitas. 
● Distinguiu os documentos necessários ao despacho aduaneiro de exportação. 
Neste tópico são listados e apresentados tanto os documentos eletrônicos que o 
exportador deve se submeter para o exercício, quanto os demais documentos de 
negociação, operacionalização, embarque e averbação da mercadoria.
● Observou como são formados os preços para exportação. Através da análise do 
preço interno da mercadoria, o caminho para se chegar a um preço competitivo 
no mercado exterior.
● Compreendeu os tipos de exportação existentes e como deve ser a escolha do 
exportador por alguma delas. Apresentação das exportações diretas, indiretas e 
consórcios.
● Apontou as etapas do despacho aduaneiro de exportação e sua sistematização. 
As etapas referentes desde o Registro da Declaração de Despacho de Exportação 
(DDE) até a etapa de averbação da mercadoria.
● Assinalou as etapas do processo de exportação. Uma síntese de como é executada 
uma exportação, desde o momento em que a empresa se habilita a exportar até o 
momento que se refere ao controle documental.
124
AUTOATIVIDADE
1 A exportação pode ser compreendida como forma de transferência de 
riquezas de um país para outro. Com relação a este contexto, associe os itens, 
utilizando o código a seguir:
I- Exportações livres.
II- Exportações sujeitas a limitações.
III- Exportações proibidas.
IV- Exportações suspensas.
( ) Estão dispensadas de qualquer execução de procedimentos especiais.
( ) Para que possam ocorrer, são submetidas a análises prévias.
( ) Não podem ser estabelecidas por qualquer tipo de acordo interno ou externo.
( ) As exportações não acontecem pela ausência de autorização em atendimento 
à política de exportações.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) III – II – IV – I.
b) ( ) I – II – III – IV.
c) ( ) IV – III – I – II.
d) ( ) III – IV – II – I.
2 Para que se efetive o procedimento da exportação, alguns processos estão 
vinculados à sua organização. Dentre eles temos o despacho aduaneiro de 
exportação. O que é e de que forma é formalizado?
3 O ato de exportar envolve o conhecimento de diversas práticas, para que os 
processos e procedimentos alcancem os objetivos daqueles que optam por 
esta forma de vocação de sua empresa. Conhecemos no território brasileiro 
algumas formas de exportar, quais são elas?
125
TÓPICO 3
DESPACHO ADUANEIRO DE 
IMPORTAÇÃO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Como já mencionado, o comércio internacional é essencial para todos os 
países, em diferentes graus de desenvolvimento, pois contribui com as atividades 
de circulação de capitais e com o próprio desenvolvimento econômico. Neste 
tópico tem-se a pretensão de se trabalhar o despacho aduaneiro referente às 
importações, sendo que para isso faz-se necessária uma conceitualização do que 
seria uma importação e qual a sua importância para os países.
Segundo Werneck (2008), a importação pode ser descrita como a 
operação pela qual um bem material é trazido para o país, a título definitivo ou 
temporariamente. Ricardo; Fátima; Faro (2012) observam que a importação seria o 
ingresso, no país, de riquezas originárias do exterior, materializadas por bens ou, 
ainda, pelos efeitos da execução de serviços.
Segundo Maria Rebono (2010), em seu capítulo no livro de Dias e Rodrigues 
(2010):
A importação tem a finalidade de suprir possíveis falhas na estrutura 
econômica, colaborando na complementação dos produtos disponíveis 
à população de um país, ou de bens de capital necessários às empresas, 
cumprindo o papel de modernização da economia por estimular a 
competição e permitir a comparação de processos e produtos (REBONO, 
2010, p. 212)
Assim, pode-se notar que nenhum país consegue estar à parte do processo 
de importação, pois depende de recursos que não se encontram em seu território 
nacional. O que se tem é uma especialização natural dos segmentos produtivos em 
que estes são eficientes, gerando excedentes que lhe permitirão comprar o que não 
é produzido em seu território.
Serão abordados, nesse tópico, os aspectos administrativos, financeiros e 
operacionais que permeiam o despacho aduaneiro de importação. Nesse sentido, 
serão estudadas as maneiras como uma mercadoria possa entrar regularmente no 
país e os seus procedimentos geridos e operacionalizados pelo interessado nesse 
exercício.
126
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
2 REGISTROS PARA IMPORTAÇÃO
Em se tratando de uma importação, tanto pessoas físicas quanto pessoas 
jurídicas podem efetuar essa operação. No entanto, há uma série de especificidades 
que devem ser observadas a cada pessoa. Uma pessoa física, por exemplo, poderá 
importar desde que seja para uso próprio e as quantidades não caracterizem 
objeto de revenda ou outra operação comercial. O produtor rural também poderá 
importar seus insumos, desde que comprove que está devidamente registrado.
Uma pessoa jurídica, seja comercial ou industrial, caso queira importar, 
deverá alterar seu contrato ou estatuto social, incluindo a importação aos seus 
objetivos sociais. Para iniciaro exercício de importação devem ser realizados dois 
tipos de registros básicos que qualificarão as empresas para tal.
2.1 REGISTRO DE IMPORTADOR
FONTE: Disponível me: <http://www.dirad.fiocruz.br/?q=node/143>. Acesso em: 8 out. 2012.
As pessoas físicas (artesãos, produtores rurais, artistas plásticos) também 
deverão ser registradas como importadores, providenciando seu cadastramento 
diretamente no DECEX.
2.2 REGISTRO NO SISTEMA INTEGRADO DE 
COMÉRCIO EXTERIOR (SISCOMEX)
Como visto em tópicos anteriores, o Siscomex corresponde ao sistema 
informatizado da Secretaria da Receita Federal (SRF), sendo que as atividades de 
importação também deverão ser orientadas pelo mesmo. É através do Siscomex que 
o importador registra todas as informações da operação comercial e da mercadoria, 
para que sejam emitidos o Licenciamento Não Automático de Importação (LI), 
Declaração de Importação (DI), Registro de Operações Financeiras (ROF) e, 
ainda, a consulta e as retificações do Extrato da DI.
A empresa deve estar cadastrada no Registro de Exportadores e 
Importadores (REI) da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério 
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) – de acordo 
com a Portaria 280, de 12/07/95. O registro é feito através do Siscomex, 
automaticamente, durante o registro da primeira operação de importação. 
Neste momento, deve-se informar no sistema o CGC, a constituição societária, 
o capital social e os demais dados cadastrais solicitados.
TÓPICO 3 | DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
127
3 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DAS MERCADORIAS
Terminada a parte de habilitação e conclusão dos registros, faz-se necessário 
que o importador conheça as normas que regulam o comércio internacional. 
Como visto no primeiro tópico desta unidade, o instrumento da atividade dessa 
classificação de mercadorias é realizado através da Nomenclatura ou Classificação 
Fiscal (NCM ou NALADI).
A nomenclatura ou classificação fiscal tem por objetivo ordenar as 
mercadorias através de códigos no que se refere à sua natureza e características. 
Isto é necessário para que se tenham as informações básicas para a concretização 
de uma exitosa transação comercial, além de indicar a incidência de impostos e 
normas administrativas.
O Siscomex integra as atividades da Secex, da SRF e do Banco Central 
do Brasil (Bacen), nos procedimentos e controles das operações de comércio 
exterior. Após o registro do desembaraço da mercadoria no sistema, a SRF 
emite o Comprovante de Importação (CI).
Para que a empresa se habilite a importar, deve solicitar o 
credenciamento ao sistema junto à SRF apresentando o documento referente 
ao anexo IV da instrução normativa IN SRF 70/96, sob o título "Inclusão/
Exclusão de Representante Legal", devidamente preenchido. Com a 
apresentação do mesmo, a empresa receberá uma senha, permitindo seu 
acesso e inclusões de seus dados no sistema. Esta senha estará vinculada ao 
CPF do exportador ou ao seu representante.
FONTE: Disponível em: <www.dirad.fiocruz.br/?q=node/143>. Acesso em: 8 out. 2012.
Em 2002, a SRF passou a adotar mudanças à habilitação dos agentes 
de comércio exterior, com a criação do Registro de Rastreamento da 
Atuação dos Intervenientes Aduaneiros da Receita Federal, RADAR. 
Esse sistema integra todos os outros existentes e efetua a interposição 
automática de dados, capaz de comparar volumes de importações 
e exportações, faturamento, patrimônio da empresa e dos sócios, 
movimento financeiro e outras informações para fiscalização mais 
eficaz da Receita (DIAS; RODRIGUES, 2010, p. 239).
FONTE: Adaptado de: <www.acetradeways.com.br/tools_imppassoapasso.html>. Acesso em: 8 
out. 2012.
O importador poderá dispor de um terminal próprio ou acessar o 
sistema através do terminal de um despachante aduaneiro ou, ainda, em locais 
disponibilizados pelo SRF em portos e aeroportos.
128
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
4 DOCUMENTOS PARA IMPORTAÇÃO
Assim como no processo de exportação, é essencial ao agente de 
comércio exterior o conhecimento dos documentos utilizados no 
sentido de ingressar no país mercadorias oriundas do exterior. Esses 
documentos têm finalidades diversas e distintas, compreendendo as 
dimensões administrativas, comerciais, cambiais, contábeis e fiscais 
(FARO; FARO, 2012, p. 87).
 
Os documentos eletrônicos obtidos no Siscomex são: Declaração de 
Importação (DI), Declaração Simplificada de Importação (DSI – quando 
aplicável), Licenciamento de Importação (LI) e o Comprovante de Importação 
(CI). Os demais documentos utilizados no processo de importação guardam os 
mesmos congêneres emitidos na exportação.
Então, a seguir serão apresentados os documentos necessários para a 
importação e o seu despacho aduaneiro.
4.1 DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO
Feitos os registros da empresa, o Siscomex gerará o Extrato da 
Declaração de Importação (DI), com um resumo das informações da 
operação. Este é o documento base do processo de despacho de importação, 
pois comprova que a transação está autorizada.
FONTE: Adaptado de: <www.dirad.fiocruz.br/?q=node/143>. Acesso em: 8 out. 2012.
“Este documento representa uma série de informações sobre cada 
mercadoria a ser importada, tomadas do Siscomex, contendo os dados necessários 
para o fechamento do contrato de câmbio, o valor dos impostos e as taxas a serem 
pagas”. (DIAS; RODRIGUES, 2010, p. 254).
Existem alguns tipos de Declaração de Importação, conforme apresentado 
por Dias e Rodrigues (2010):
a) Declaração de Importação Comum: esta prevê a nacionalização total da 
mercadoria e pode ser utilizada nos terminais alfandegados e nas zonas 
primárias. O prazo máximo para nacionalização da mercadoria é de 90 dias, 
com exceção do porto seco, em que o prazo é de 120 dias.
b) Declaração de Importação Antecipada: esta DI poderá ser registrada na 
unidade da Receita Federal de despacho antes da chegada da mercadoria do 
exterior. Beneficiam-se deste tipo de DI as mercadorias inflamáveis, corrosivas, 
radioativas, que representam algum tipo de periculosidade, animais vivos e 
frutas frescas.
TÓPICO 3 | DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
129
c) Declaração Simplificada de Importação, DSI: é utilizada como documento 
básico para casos tais como: amostras sem valor comercial, matérias-primas, 
insumos e produtos acabados sem cobertura cambial, catálogos e folhetos, 
manuais, encomendas internacionais, remessas postais a pessoa física, bagagem 
desacompanhada, doações etc.
 O importador, ou seu representante legal, deve imprimi-la em duas vias, sendo 
que a primeira deve ser apresentada à unidade da Receita Federal junto de 
alguns documentos (os quais já foram apresentados no tópico anterior desta 
unidade) que instruem a DI:
 Conhecimento de embarque original.
 Fatura comercial.
 Comprovante do recolhimento de impostos (Documento de Arrecadação de 
Receitas Federais – DARF).
 Romaneio de Embarque (Packing List).
 Os documentos exigidos por força de acordos internacionais ou legislação 
específica. Certificados de origem e demais certificados.
4.2 LICENCIAMENTO DAS IMPORTAÇÕES
As importações, de maneira geral, seguem dispensadas de licenciamento, 
sendo que os importadores devem providenciar a Declaração de Importação 
(DI), no Siscomex, para que seja iniciado o processo de despacho aduaneiro de 
importação.
No entanto, a sistemática de tratamento administrativo aplicado às 
importações define as situações em que o licenciamento torna-se previsto, 
classificado em três modalidades:
 Dispensadas de licenciamento.
 Licenciamento automático.
 Licenciamento não automático.
4.2.1 Dispensadas de licenciamento
As importações dispensadas de licenciamento são aquelas que não 
são obrigadas à observação de procedimentos especiais. Segundo o Portal de 
Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento,Indústria e Comércio, estão 
dispensadas de licenciamento as seguintes importações:
130
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
I - Sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial, inclusive sob 
controle aduaneiro informatizado.
II - Sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados 
pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de 
Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de 
Petróleo e de Gás Natural (Repetro).
III - Sob os regimes aduaneiros especiais nas modalidades de loja franca, 
depósito afiançado, depósito franco e depósito especial.
IV - Com redução da alíquota de Imposto de Importação decorrente da 
aplicação de “ex-tarifário”.
V - Mercadorias industrializadas, destinadas a consumo no recinto de 
congressos, feiras e exposições internacionais e eventos assemelhados.
VI - Peças e acessórios, abrangidas por contrato de garantia.
VII - Doações, exceto de bens usados.
VIII - Filmes cinematográficos.
IX - Retorno de material remetido ao exterior para fins de testes, exames e/
ou pesquisas, com finalidade industrial os científica.
X - Amostras.
XI - Arrendamento mercantil (leasing), arrendamento simples, aluguel ou 
afretamento.
XII - Investimento de capital estrangeiro.
XIII - Produtos e situações que não estejam sujeitos a licenciamento 
automático e não automático.
XIV - Sob o regime de admissão temporária ou reimportação, quando 
usados, reutilizáveis e não destinados à comercialização, de recipientes, 
embalagens, envoltórios, carretéis, separadores, racks, clip locks, 
termógrafos e outros bens retornáveis com finalidade semelhante 
destes, destinados ao transporte, acondicionamento, preservação, 
manuseio ou registro de variações de temperatura de mercadoria 
importada, exportada, a importar ou a exportar.
XV - Nacionalização de máquinas e equipamentos que tenham ingressado 
no país ao amparo do regime aduaneiro especial de admissão 
temporária para utilização econômica, aprovado pela RFB, na condição 
de novas.
FONTE: Disponível em: <http://www.comexbrasil.gov.br/conteudo/ver/chave/importacoes-
dispensadas-de-licenciamento>. Acesso em: 8 out. 2012.
TÓPICO 3 | DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
131
NOTA
Na hipótese de o tratamento administrativo do Siscomex acarretar 
licenciamento (automático ou não automático) para as importações definidas nos incisos I 
a II e IV a XV, a necessidade de licenciamento prevalecerá sobre a dispensa (MINISTÉRIO DO 
DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO, 2012).
4.2.2 Licenciamento automático
Este é o procedimento mais comum no que se refere ao registro de uma 
importação, sendo feito automaticamente durante a formulação da DI com 
a chegada da mercadoria no país. São aplicadas as importações conduzidas ao 
regime aduaneiro de drawback, ou operações previstas na tabela de tratamento 
administrativo do Siscomex.
Cabe ao importador registrar as informações comerciais, financeiras, 
cambiais e fiscais da operação no Siscomex. Vale frisar que somente com a DI 
processada poderá ser feito o despacho aduaneiro de importação.
UNI
O regime aduaneiro de Drawback consiste na suspensão ou eliminação de 
tributos incidentes sobre insumos importados para utilização em produtos a serem exportados. 
Trata-se de um regime especial de incentivo às exportações.
132
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
4.2.3 Licenciamento não automático (LI)
“As importações sujeitas ao Licenciamento não automático (LI) são aquelas 
que devem observar algum procedimento especial, ou dependam da intervenção 
de algum órgão anuente” (FARO; FARO, 2012, p. 82).
UNI
Ainda que o licenciamento seja automático, é preciso verificar até o momento do 
desembaraço os casos sujeitos a procedimentos especiais, entre eles:
 Exigências sanitárias ou zoosanitárias estabelecidas pelo Ministério da Agricultura e 
Abastecimento para produtos de origem vegetal ou animal.
 Exigências estabelecidas pelo IBAMA para borracha natural, sintética ou artificial.
 Número de registro da empresa e/ou produto para amianto, defensivos agrícolas, produtos 
farmacêuticos, produtos de perfumaria e correlatos da área médico-hospitalar.
Neste procedimento, o importador deve prestar informações mais 
detalhadas de sua carga, sendo que a LI é solicitada antes do desembaraço 
da importação da mercadoria, e em alguns casos ela pode ser solicitada antes 
do embarque da mercadoria, no exterior.
O processo para aquisição do licenciamento é feito via Siscomex, 
sendo que o formulário da LI é preenchido off-line e transmitido para o 
computador central do SERPRO, individualmente ou em lotes. O sistema 
fará a verificação dos campos e dará a Aceitação do LI, fornecendo o número 
de Registro do LI e indicando a qual análise a operação será submetida 
(FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ, 2012).
FONTE: Disponível em: <http://www.greenservicos.com.br/ferramentas_importacao.asp?ex=3>. 
Acesso em: 8 out. 2012.
FONTE: Adaptado de: <www.fasul.edu.br/pasta_professor/download=9052>. Acesso em: 8 out. 2012.
TÓPICO 3 | DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
133
FONTE: Disponível em: <http://www.acetradeways.com.br/tools_imppassoapasso.html>. Acesso 
em: 8 out. 2012.
4.2.3.1 Antes do despacho aduaneiro
 Importações através do regime de drawback.
 Importações sob o amparo dos Decretos-Leis 1.219 (15/05/72) e 2.433 (19/05/88). 
 Transações sob o amparo da Lei n◦ 8.010 (29/03/90), que estabelece o Conselho 
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq.
 Compras externas para a Zona Franca de Manaus.
 Operações com destinos às Áreas de Livre Comércio (Tabatinga-AM; Guajará-
Mirin-RO; Macapá e Santana-AP.
 Cruzeiro do Sul, Brasiléia e Epitaciolândia - AC).
UNI
SERPRO, Serviço Federal de Processamento de Dados. Uma empresa pública de 
prestação de serviços em tecnologia da informação. Criado com o objetivo de modernizar 
e agilizar os setores estratégicos da administração pública (SERPRO, 2012). Disponível em: 
<https://www.serpro.gov.br/conteudo-oserpro/a-empresa-1>. Acesso em: 20 jul. 2012.
Este tipo de licenciamento é requerido para mercadorias com 
características peculiares e que estão sujeitas a controles especiais da 
Secretaria de Comércio Exterior (Secex) ou de outro órgão anuente. As 
mercadorias sujeitas a esse tipo de licenciamento são:
NOTA
O registro não significa autorização para importação, sendo que o solicitante 
deve aguardar o deferimento do órgão anuente, que só então concederá a LI. De posse deste 
documento, o importador tem 60 dias para embarcar a mercadoria ou solicitar o despacho 
aduaneiro. Importante lembrar ainda que os dados da LI migram automaticamente para a DI.
134
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
4.2.3.2 Antes do embarque da mercadoria
FONTE: Disponível em: <http://www.acetradeways.com.br/tools_imppassoapasso.html>. Acesso 
em: 8 out. 2012.
4.3 COMPROVANTE DE IMPORTAÇÃO (CI)
O comprovante de importação representa o documento que promove 
definitivamente a nacionalização de uma mercadoria importada. Trata-se de um 
documento eletrônico, emitido pela Secretaria da Receita Federal, após o registro 
de desembaraço e do pagamento de impostos, quando exigíveis. 
 Mercadorias sujeitas a quotas (tarifária e não tarifária).
 Sujeitas a exame de similaridade.
 Material usado.
 Importações de produtos da lista de ex-tarifários com alíquotas reduzidas 
a zero.
 Operações sem cobertura cambial de obras audiovisuais em CD-ROM; 
amostras com valor inferior a US$ 1.000; donativos; substituição de 
mercadorias; leasing; aluguel ou afretamento; investimentos de capitais 
estrangeiros; operações em reais e admissão temporária de obras 
audiovisuais.
 Importações originárias do Iraque.
 Entorpecentes e psicotrópicos.
 Produtos para pesquisa clínica. Armas, munições e correlatos.
 Produtos radioativos.
 Petróleo e seus derivados.
 Medicamentos com plasma, sangue humano e soro anti-hemofílico.
 Produtos nocivos ao meio ambiente.
 Peles e couros de animais silvestres.
 Aeronaves.
 Mercadorias com controle de preços e prazos de pagamento.
TÓPICO 3 | DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
135
FONTE: Haroldo Guieros (2012)
FIGURA 11 – MODELO DE COMPROVANTE DE IMPORTAÇÃO
5 CÂMBIO E CONDIÇÕES DE PAGAMENTO
A cobertura cambial corresponde ao pagamento da mercadoria no exterior, 
mediante contratação de câmbio. Ou seja, compra de moeda estrangeira para 
saldar a dívida da importação. No Brasil, apenas os bancos e algumas instituições 
são autorizados pelo BACEN a efetuar este tipo de operação. Ademais, toda 
operação de câmbio deve ser efetuada por meio de Contrato de Câmbio, ou seja, 
um documento que formaliza a operação de pagamento, sendo um comprovante 
que deverá ser apresentado à fiscalização.
Referente ao regime cambial, há duas modalidades de importação: com ou 
sem cobertura cambial. 
136
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
FONTE: Disponível em: <http://www.facebook.com/notes/china-link-trading/como-importar-passo-vi-
c%C3%A2mbio-e-condi%C3%A7%C3%B5es-de-pagamento/312056615549700>. Acesso em: 8 out. 2012.
UNI
Informações retiradas do sítio eletrônico da FIRST PRIME ASSESSORIA ADUANEIRA. 
Disponível em <http://www.firstprime.com.br/imp_sem_cob_camb.asp>. Acesso em 20 em: 8 
Jun. 2012.
NOTA
Existem casos especiais, como as mercadorias transferidas para entrepostos 
aduaneiros, as Estações Aduaneiras Interior (Eadis). São consideradas importações sem 
cobertura cambial e posteriormente, no ato da nacionalização, ou seja, na aquisição de 
propriedade da mercadoria, passam a ser operações com cobertura cambial. (FUNDAÇÃO 
OSWALDO CRUZ, 2012).
FONTE: Disponível em: <http://www.facebook.com/notes/china-link-trading/como-importar-
passo-vi-c%C3%A2mbio-e-condi%C3%A7%C3%B5es-de-pagamento/312056615549700>. 
Acesso em: 8 out. 2012.
Nas operações sem cobertura cambial não há pagamentos da 
mercadoria diretamente ao exterior. O procedimento é feito mediante 
pagamento com moeda nacional, no qual não ocorre a contratação de câmbio. 
São consideradas importações sem cobertura cambial:
1. Sem ônus:
 Investimento estrangeiro.
 Doação.
 Empréstimo.
 Remessas para testes ou doações.
2. Com ônus:
 Aluguel. 
 Empréstimo a título oneroso.
 Leasing.
 Importação em moeda nacional.
TÓPICO 3 | DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
137
As importações com cobertura cambial são todas as operações que 
envolvem remessa de recursos ao exterior, como forma de pagamento à apropriação 
de um bem, as quais podem ser à vista ou a prazo.
Em operações com prazo de pagamento até 360 dias, as indicações podem 
ser feitas diretamente na Declaração de Importação (DI). 
UNI
Informações retiradas do sítio eletrônico da FIRST PRIME ASSESSORIA ADUANEIRA. 
Disponível em <http://www.firstprime.com.br/imp_sem_cob_camb.asp>. Acesso em 20 em: 8 
Jun. 2012.
No caso de importações financiadas, as remessas de juros devem ser 
pactuadas entre as partes, porém celebradas na mesma moeda do financiamento 
e com apresentação de aviso de cobrança ou documento que comprove:
- o valor remetido; 
- cópia do CI; 
- aviso de desembolso da entidade credora e comprovante de pagamento de 
IR ou isenção.
 Para mercadorias importadas em caráter definitivo, os juros começam 
a correr a partir da data de embarque. Para as destinadas à entrepostagem 
aduaneira, a partir do ato da nacionalização (FUNDAÇÃO OSWALDO 
CRUZ, 2012).
FONTE: Disponível em: <www.fasul.edu.br/pasta_professor/download=9052>. Acesso em: 8 out. 
2012.
FONTE: Disponível em: <http://chinalinktrading.com/blog/como-importar-da-china-guia-passo-a-
passo-parte-33/>. Acesso em: 8 out. 2012.
Para as importações com prazos acima de 360 dias é necessário o Registro 
de Operações Financeiras (ROF) no Banco Central, antes da confecção da DI, 
assim como as remessas de juros.
Existem, como regra geral, três formas de pagamento:
● Pagamento antecipado: o importador remete o valor da importação ao exterior 
antes do embarque da mercadoria. Trata-se de uma operação de risco para 
o importador, em que o pagamento pode ser feito até 180 dias antes da data 
prevista para o embarque ou da nacionalização da mercadoria.
138
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
O importador apresenta ao banco a fatura Proforma e o contrato comercial, 
os quais apresentam os valores da transação, as condições pactuadas para a 
antecipação e o prazo de entrega da carga. Caso a mercadoria esteja sujeita a 
aprovação de LI antes do embarque, deve ser apresentado o número dela. Na 
ocasião do registro da DI deve ser informado o pagamento antecipado.
A partir da data prevista para embarque ou nacionalização, o importador 
tem 60 dias para realizar o desembaraço aduaneiro e a vinculação do contrato de 
câmbio à DI.
● Cobrança: na cobrança, o exportador encaminha a mercadoria e só após 
o recebimento o importador envia o pagamento. A cobrança pode ser 
através de remessa sem saque; à vista; e a prazo.
- Na cobrança à vista ou cobrança documentária à vista: o exportador 
embarca a mercadoria, encaminha a documentação e a cambial ao 
banco que realizará a cobrança. O importador faz o pagamento, retira os 
documentos e só então pode desembaraçar a mercadoria.
- Na cobrança a prazo ou cobrança documental a prazo: tem-se um 
procedimento semelhante ao da cobrança à vista. O que difere é que, 
no destino, o importador assina o "aceite do saque" e só então recebe os 
documentos para fazer o desembaraço. A liquidação cambial é feita na 
data do vencimento do saque.
 FONTE: Disponível em: <http://www.acetradeways.com.br/tools_imppassoapasso.html>. Acesso 
em: 8 out. 2012.
- No primeiro tipo de cobrança, remessa sem saque: as transações acontecem 
diretamente entre exportador e importador, o qual despacha a mercadoria, envia 
os documentos ao importador e este, após receber a carga, efetua o pagamento. O 
risco, neste caso, fica com o exportador, sendo comum entre empresas coligadas. 
A vantagem desse tipo de cobrança é que a documentação chega mais rápido ao 
importador, o qual pode agilizar o desembaraço da mercadoria. 
FONTE: Adaptado de: <http://translatorscafe.com/tcTerms/FR/thQuestion.aspx?id=67850>. Acesso 
em: 8 out. 2012.
● Carta de Crédito (Letter of Credit - L/C): esta modalidade é a mais onerosa e 
mais segura, pois envolve pelo menos quatro bancos para operar no comércio 
internacional. O banco emitente da carta de crédito garante, em nome do 
importador, o pagamento das divisas ao exportador, desde que sejam respeitados 
os termos e condições descritos no documento. 
TÓPICO 3 | DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
139
6 FORMAÇÃO DOS CUSTOS NA IMPORTAÇÃO
No processo de importação, a tributação tem como finalidade a 
instrumentação política, regulando as relações de mercado e monitorando o 
desenvolvimento dos setores produtivos do país. Segundo Faro; Faro (2012):
É efetuada de forma cumulativa e sucessiva, isto é, considerando o 
montante correspondente ao somatório do valor da importação acrescido 
do tributo anteriormente cobrado, a partir da cobrança do Imposto de 
Importação (II), seguido do Imposto sobre Produtos Industrializados 
(IPI) e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) 
(FARO; FARO, 2012, p. 87-88).
Ainda há outros tributos aplicados à importação, como o AFRMM 
(Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante), o qual foi explicado 
no primeiro tópico desta unidade; taxa de capatazia, taxa de armazenagem, entre 
outros.
A seguir, temos a representação, na figura, na qual Faro e Faro (2012) 
esquematizam o custo de importação:
UNI
Taxa de capataziase refere aos serviços de movimentação de mercadorias em 
terra ou de terra para o navio e vice-versa.
140
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
FONTE: Faro; Faro (2012)
FIGURA 12 – CUSTO DE INPORTAÇÃO
6.1 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO (II)
O Imposto de Importação é um tributo cobrado pela União que incide 
diretamente sobre a entrada da mercadoria no país, uma vez que o fato gerador é 
a data de registro da DI.
Para isso, consideram-se mercadorias estrangeiras as mercadorias nacionais 
ou nacionalizadas que tenham sido exportadas e que estejam retornando ao país, 
salvo as situações especiais em que as mercadorias foram enviadas em consignação 
e não foram vendidas, ou que tenham sido devolvidas por defeito, para reparo ou 
substituição.
TÓPICO 3 | DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
141
A referência ou base para o cálculo do II depende da tarifa a ser aplicada 
na cobrança, sendo específica ou ad valorem. Ou seja, numa importação em que 
a mercadoria seja negociada em função do peso, a base do cálculo do II não será 
pelo valor da transação, mas pela quantificação da mercadoria em sua unidade 
de medida. Já a tarifa ad valorem representa a base de cálculo em função do valor 
aduaneiro da mercadoria, determinada pela alíquota prevista na TEC.
A cobrança do imposto é efetuada à razão de um percentual em relação ao 
valor aduaneiro da mercadoria de acordo com o local de desembarque, incluindo 
o frete e o seguro. 
6.2 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS 
INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Trata-se do tributo sobre os produtos industrializados nacionais ou 
estrangeiros, cuja cobrança compete à União, incidindo sobre o montante 
correspondente à soma do valor aduaneiro apurado, acrescido do total relativo do 
Imposto de Importação. O fato gerador deste imposto ocorre com o desembaraço 
aduaneiro do produto importado. A alíquota utilizada varia, conforme o produto.
6.3 IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE 
MERCADORIAS OU SERVIÇOS (ICMS)
FONTE: Adaptado de: <http://www.acetradeways.com.br/tools_imppassoapasso.html>. Acesso 
em: 8 out. 2012.
As alíquotas estão dispostas na TIPI (Tabela de Incidência do 
Imposto sobre Produtos Industrializados). Na importação, a base de 
cálculo é o preço de venda da mercadoria, acrescido do II, frete, seguro e 
demais taxas exigidas. Este imposto tem por finalidade estimular ou frear o 
consumo de um produto na alteração de suas alíquotas.
Este imposto é de competência estadual e também tem como fato 
gerador o desembaraço da mercadoria. A base de cálculo inclui o valor 
aduaneiro, acrescido do II, do IPI e Imposto sobre Operações Cambiais e 
despesas aduaneiras.
As alíquotas variam de acordo com o produto. Na maior parte dos estados, 
as alíquotas são de 17% e 18%, mas podem variar ainda entre 12% e 25%.
FONTE: Adaptado de: <www.grupos.com.br/group/mkt.etec/Messages.html?...>. Acesso em: 8 
out. 2012.
142
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
6.4 ADICIONAL AO FRETE PARA A 
RENOVAÇÃO DA MARINHA MERCANTE (AFRMM)
 FONTE: Adaptado de: <http://www.dirad.fiocruz.br/?q=node/143>. Acesso em: 8 out. 2012.
6.5 TAXA DE CAPATAZIA E ARMAZENAGEM
Com o intuito de remunerar os recintos alfandegados, ou seja, os portos e 
aeroportos, são cobradas taxas referentes à movimentação e manuseio das mercadorias 
que chegam e acomodam-se nesses estabelecimentos. A taxa de capatazia refere-se a 
essa movimentação e ao manuseio das mercadorias, também é conhecida nos termos 
inglês Wharfage, Handling ou THC (Terminal Handling Charge).
A remuneração aos portos e aeroportos pelo serviço de depósito e controle 
de mercadorias que entram no país é obtida pela taxa de armazenagem, também 
conhecida no termo inglês de Storage cost ou Storage fee.
7 DRAWBACK: UM REGIME ADUANEIRO 
ESPECIAL DE IMPORTAÇÃO
Trata-se de um procedimento especial de importação que possibilita ao 
produtor nacional importar insumos sem a incidência de impostos, mediante a 
utilização dos mesmos na confecção de mercadorias que terão como destino a 
exportação. 
Já mencionado no primeiro tópico dessa unidade, o Adicional de Frete 
para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) é um tributo incidente 
sobre as importações realizadas pelo modal marítimo, correspondente a 
25% sobre o frete marítimo e demais despesas de manipulação das cargas 
nos portos. O AFRMM é recolhido pelo armador e destinado ao Fundo de 
Marinha Mercante, que tem como objetivo renovar e recuperar a frota naval 
mercante do país.
UNI
A cobrança das taxas de capatazia e de armazenagem é variável de acordo com 
cada recinto alfandegado utilizado.
TÓPICO 3 | DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
143
O Regime Aduaneiro Especial de Drawback está descrito no Regulamento 
Aduaneiro e na Portaria 4/97 da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), no 
qual consta a sistemática operacional e administrativa do benefício. (RECEITA 
FEDERAL, 2012).
O Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) tem a 
autonomia para a concessão, acompanhamento e verificação do compromisso de 
exportar da empresa produtora que importou os insumos.
O Sistema Drawback Eletrônico, implantado desde novembro de 2001 em 
módulo específico do SISCOMEX, foi desenvolvido pela SECEX e a SERPRO e 
concedido a empresas industriais ou comerciais com o intuito de exportar produtos 
beneficiados de insumos importados. 
As principais funções do sistema são:
7.1 DRAWBACK SUSPENSÃO
Esta modalidade deve ser pleiteada pela empresa produtora vinculada ao 
compromisso de exportação, antes da importação dos insumos. Tem-se o prazo 
de exportar a mercadoria beneficiada de um ano, podendo ser prorrogado por 
igual período. No entanto, há casos em que a produção da mercadoria requer um 
período extenso, cabendo a essa situação o prazo máximo de cinco anos após a 
importação do insumo.
Para a habilitação do benefício, a empresa produtora deverá apresentar o 
"Pedido de Drawback", formulário específico que dará origem ao Ato Concessório 
no qual é fixado o prazo de cumprimento. Na chegada da importação, a empresa 
firma Termo de Responsabilidade junto à Receita Federal para a suspensão dos 
impostos (FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ, 2012).
a) o registro de todas as etapas do processo de concessão do drawback em 
documento eletrônico (solicitação, autorização, consultas, alterações, 
baixa);
b) tratamento administrativo automático nas operações parametrizadas;
c) acompanhamento das importações e exportações vinculadas ao sistema. 
FONTE: Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/aduana/drawback/regime.htm>. 
Acesso em: 8 out. 2012.
Existem duas modalidades de drawback.
144
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
7.2 DRAWBACK ISENÇÃO
Trata-se da modalidade destinada à reposição de estoques dos insumos 
utilizados na confecção de mercadorias que já foram exportadas. Assim como 
na suspensão, são necessárias à expedição do Pedido de Drawback e do 
Ato Concessório documentos que comprovem a exportação e os respectivos 
Comprovantes de Importações (CI) (FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ, 2012).
8 DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
O despacho aduaneiro de importação é o processo de ações que permitirão 
a liberação da mercadoria para sua entrada em território nacional. Este é concluído 
com a conferência aduaneira da mercadoria, permitindo a entrega desta ao 
importador.
8.1 ETAPAS DO DESPACHO ADUANEIRO 
DE IMPORTAÇÃO
O despacho aduaneiro de importação é desenvolvido em cinco etapas:
1. Formulação da DI após a chegada da mercadoria ao território nacional.
2. Pagamento dos tributos incidentes à importação.
3. Apresentação dos documentos de importação.
4. Parametrização da mercadoria.
5. Emissão do Comprovante de Importação (C.I.) pela Secretaria da Receita 
Federal.
UNI
A empresa deve, tanto na modalidade de isenção como na de suspensão de 
tributos, utilizar o RelatórioUnificado de Drawback para informar os documentos registrados 
no SISCOMEX, tais como: o RE (Registro de Exportação), a DI (Declaração de Importação), o 
RES (Registro de Exportação Simplificado), bem como manter em seu poder as notas fiscais de 
venda no mercado interno (RECEITA FEDERAL, 2012).
TÓPICO 3 | DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
145
O importador ou seu representante (legalizado), através da documentação 
correspondente à importação LI (quando for o caso), conhecimento de embarque, 
fatura comercial e demais documentos específicos à mercadoria, elaborará a DI ou 
DSI no registro do Siscomex.
O preenchimento da DI é feito off-line através do Siscomex, sendo que cada 
DI corresponde a um conhecimento de embarque. Para cada mercadoria deve ser 
formulada uma adição na DI, a qual gerará um número sequencial agregado à 
mesma pelo sistema. Com o preenchimento dos campos no modo off-line, deve-se 
transmitir a DI para o computador central do Serpro para conferência dos dados 
ou para registro.
Mediante o pagamento dos impostos concernentes à importação (II, IPI, 
ICMS, taxa do Siscomex), efetuará o registro, caracterizando o início do despacho 
aduaneiro de importação.
UNI
Como será visto posteriormente nesse capítulo, existe a modalidade de despacho 
antecipado em que a DI é formulada antes da chegada da mercadoria em território nacional.
NOTA
O procedimento só pode ter início após a chegada da mercadoria na unidade da 
Receita Federal onde será processado. Com o Sistema de Gerência do Manifesto, do Trânsito 
e do Armazenamento (Mantra), pode-se considerar como chegada o momento em que é 
possível vincular, no sistema, a DI ao conhecimento de embarque (FUNDAÇÃO OSWALDO 
CRUZ, 2012).
Após a DI ser elaborada e os impostos pagos, o Siscomex automaticamente 
seleciona a parametrização da mercadoria, indicando-a ao canal de conferência 
aduaneira com as seguintes possibilidades:
● Canal verde: o registro do desembaraço aduaneiro é automático, ou seja, a 
mercadoria já está liberada para ser retirada do local de armazenamento na 
alfândega ou no porto seco. Em alguns casos, o inspetor da alfândega ou um 
auditor da Receita Federal efetua a “malha fina”, selecionando um percentual 
de processos em canal verde para inspeção física e documental.
146
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
● Canal amarelo: o registro do desembaraço aduaneiro é mediante a verificação 
documental da mercadoria, a qual, não apresentando irregularidades, estará 
liberada. O auditor fiscal pode solicitar a conferência física da mercadoria sem 
apresentar qualquer justificativa.
● Canal vermelho: neste canal é realizado tanto o exame documental quanto a 
verificação física da mercadoria para o seu desembaraço.
● Canal cinza: sendo a DI selecionada para o canal cinza, é realizada a verificação 
documental e física da mercadoria e a aplicação de procedimento especial de 
controle aduaneiro que tem por finalidade verificar elementos indiciários de 
fraude.
FONTE: Disponível em: <logisunip.files.wordpress.com/2011/09/importac3a7c3b5es.ppt>. Acesso 
em: 8 out. 2012.
Como mencionado no início deste capítulo, o procedimento do desembaraço 
aduaneiro de importação só pode ter início após a chegada da mercadoria na 
unidade da Receita Federal onde será processado. No entanto, há casos em que se 
deve aplicar o Despacho Antecipado (RECEITA FEDERAL, IN 69 - DISCIPLINA O 
DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO, 1996):
O ato final do Despacho Aduaneiro, uma vez atendidas as exigências 
fiscais inerentes à importação, é a emissão do Comprovante de Importação 
(C.I.) pela Secretaria da Receita Federal, e a mercadoria entregue ao 
importador.
1. Granel descarregado em oleodutos, silos ou depósitos apropriados.
2. Inflamáveis ou mercadorias que apresentem risco.
3. Plantas e animais vivos e produtos perecíveis.
4. Papel para impressão.
5. Mercadorias transportadas via terrestre, fluvial ou lacustre.
6. Mercadorias endereçadas a órgãos de administração pública.
NOTA
Quando o despacho é selecionado para os canais amarelo, vermelho ou cinza, é 
necessário que o importador apresente à Alfândega todos os documentos necessários à sua 
análise.
FONTE: Disponível em: <www.fasul.edu.br/pasta_professor/download=9052>. Acesso em: 8 out. 2012.
TÓPICO 3 | DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
147
8.2 ETAPAS DE UMA IMPORTAÇÃO
NOTA
As mercadorias que estiverem em recintos alfandegados têm até 90 dias para 
iniciar o despacho, sendo que as retiradas para zona secundária têm prazo de 45 dias. Caso 
esses prazos não sejam cumpridos, ou o processo fique paralisado por mais de 60 dias, as 
cargas ficam sujeitas às penas de perdimento. (RECEITA FEDERAL, IN 69 - DISCIPLINA O 
DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO, 1996). 
FONTE: Disponível em: <www.fasul.edu.br/pasta_professor/download=9052>. Acesso em: 8 
out. 2012.
Apresentado o processo do despacho aduaneiro de importação, tem-se 
um resumo de como segue o processo de importação de uma mercadoria. Tal 
metodologia serve como um guia dos procedimentos básicos e registros que devem 
ser providenciados pela empresa importadora e seus agentes. 
A listagem desses procedimentos propostos por Faro; Faro (2012) procura 
separar cada etapa, para que o aluno e interessado no processo de importação 
possa consultar a particularidade do exercício. 
1) Cadastramento: a habilitação da empresa nacional interessada no exercício 
de importação inicia-se com a sua inscrição e cadastro em dois registros: 
Registro de Exportadores e Importadores (REI) e Rastreamento da Atuação 
dos Intervenientes Aduaneiros (RADAR), os quais se encontram sob gestão do 
MDIC/SECEX e MF/RFB.
2) Negociação preliminar: trata-se do contato inicial com o vendedor da mercadoria, 
no qual serão estabelecidas as definições do que se procura importar, além das 
condições de transporte, de pagamento, documentação, embalagens especiais 
etc. Nesse momento é emitida a fatura Proforma.
3) Avaliação mercadológica: neste momento é verificado o correto enquadramento 
da mercadoria na TEC, o que permitirá a formação dos custos da importação e 
também as perspectivas de comercialização da mercadoria no mercado interno.
4) Concretização das negociações: refere-se à concretização da compra/venda da 
mercadoria, em que são assinados os contratos comerciais e emitidas as faturas 
comerciais. A parte final desta etapa é o embarque da mercadoria com destino 
ao exterior.
148
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
5) Pagamento da importação: os pagamentos irão sofrer variação de acordo com 
a modalidade escolhida. Visto anteriormente no item 5 deste tópico, a ordem 
dos passos e procedimentos pode ser guiada de acordo com a negociação 
estabelecida.
6) Licenciamento: nas operações sujeitas a licenciamento não automático é 
necessária a obtenção da LI antes do embarque das mercadorias.
7) Embarque: nesta etapa tem-se a autorização para o exportador embarcar as 
mercadorias.
8) Despacho aduaneiro de importação: é formulada a DI com a chegada da 
mercadoria ao território nacional, posteriormente são pagos os tributos 
incidentes na operação de importação; há a apresentação dos documentos de 
importação; a obtenção do CI; e, por último, a retirada da mercadoria.
9) Controle documental: a última etapa é a do arquivamento dos documentos de 
importação, observando as exigências de ordem fiscal, tributária e contábil.
PORTARIA MF Nº 440, DE 30 DE JULHO DE 2010
DOU de 2.8.2010
Dispõe sobre o tratamento tributário relativo a bens de viajante.
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1º Os bens de viajante procedente do exterior, a ele destinado ou em trânsito 
de saída do país ou de chegada a este, serão submetidos ao tratamento tributário 
estabelecido nesta Portaria.
Art. 2º Para os efeitos desta Portaria, entende-se por:I - bens de viajante: os bens portados por viajante ou que, em razão da sua viagem, 
sejam para ele encaminhados ao país ou por ele remetidos ao exterior, ainda que 
em trânsito pelo território aduaneiro, por qualquer meio de transporte;
II - bagagem: os bens novos ou usados que um viajante, em compatibilidade com 
as circunstâncias de sua viagem, puder destinar para seu uso ou consumo 
pessoal, bem como para presentear, sempre que, pela sua quantidade, natureza 
ou variedade, não permitirem presumir importação ou exportação com fins 
comerciais ou industriais;
LEITURA COMPLEMENTAR
TÓPICO 3 | DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
149
III - bagagem acompanhada: a que o viajante levar consigo e no mesmo meio de 
transporte em que viaje, exceto quando vier em condição de carga;
IV - bagagem desacompanhada: a que chegar ao território aduaneiro ou dele sair, 
antes ou depois do viajante, ou que com ele chegue, mas em condição de carga;
V - bens de uso ou consumo pessoal: os artigos de vestuário, higiene e demais bens 
de caráter manifestamente pessoal, em natureza e quantidade compatíveis com 
as circunstâncias da viagem; e
VI - bens de caráter manifestamente pessoal: aqueles que o viajante possa necessitar 
para uso próprio, considerando as circunstâncias da viagem e a sua condição 
física, bem como os bens portáteis destinados a atividades profissionais a 
serem executadas durante a viagem, excluídos máquinas, aparelhos e outros 
objetos que requeiram alguma instalação para seu uso e máquinas filmadoras e 
computadores pessoais.
Parágrafo único. Não se enquadram no conceito de bagagem constante no 
inciso II do caput, os seguintes bens:
I - veículos automotores em geral, motocicletas, motonetas, bicicletas com motor, 
motores para embarcação, motos aquáticas e similares, casas rodantes (motor 
homes), aeronaves e embarcações de todo tipo; e
II - partes e peças dos bens relacionados no inciso I, exceto os bens unitários, de 
valor inferior aos limites de isenção, relacionados pela Secretaria da Receita 
Federal do Brasil (RFB).
Art. 3º É proibida a importação, mediante a utilização dos procedimentos 
aduaneiros e tributários próprios para as bagagens previstos nesta Portaria, de 
mercadorias que não se enquadrem no conceito de bagagem ou que estejam 
sujeitas a proibições ou restrições de caráter não econômico.
Parágrafo único. O disposto no caput não se aplicará aos bens integrantes 
de bagagem sujeitos a controles específicos, quando houver anuência do órgão 
regulador competente.
CAPÍTULO II
DO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO NA IMPORTAÇÃO
Seção I
Da Não Incidência
Art. 4º Não haverá incidência de tributos no retorno ao país de bens 
nacionais ou nacionalizados de viajante residente no Brasil.
150
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
§ 1º O disposto no caput aplicar-se-á inclusive a animais de vida doméstica.
§ 2º No caso de bens de origem estrangeira, a autoridade aduaneira poderá solicitar 
a comprovação da respectiva nacionalização, para verificação da não incidência.
Seção II
Da Suspensão
Art. 5º Poderão ingressar no país com suspensão do pagamento de tributos 
os bens aos quais se aplique o regime de admissão temporária ou de trânsito 
aduaneiro.
Seção III
Da Isenção
Art. 6º Será concedida isenção do Imposto de Importação (II), do Imposto 
sobre Produtos Industrializados (IPI), da contribuição para os programas de 
integração social e de formação do patrimônio do servidor público incidente na 
importação de produtos estrangeiros ou serviços (Contribuição para o PIS/Pasep-
Importação) e da contribuição social para o financiamento da seguridade social 
devida pelo importador de bens estrangeiros ou serviços do exterior (Cofins-
Importação) incidentes sobre a importação de bagagem de viajantes, observados 
os termos e condições estabelecidos nesta Seção.
§ 1º A isenção a que se refere o caput, estabelecida em favor do viajante, é 
individual e intransferível, observado o disposto no inciso II do caput do art. 
2º desta Portaria e no art. 160 do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 - 
Regulamento Aduaneiro (RA/2009).
§ 2º Independentemente da fruição da isenção de que trata o caput, o viajante 
poderá adquirir bens em loja franca em território brasileiro, por ocasião de 
sua chegada ao país, com isenção, até o limite de valor global de US$ 500,00 
(quinhentos dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente em outra 
moeda, observado o disposto na Portaria MF nº 112, de 10 de junho de 2008, e 
em sua regulamentação.
Subseção I
Da Isenção de Caráter Geral
Art. 7º O viajante procedente do exterior poderá trazer em sua bagagem 
acompanhada, com a isenção dos tributos a que se refere o art. 6º:
I - livros, folhetos e periódicos;
II - bens de uso ou consumo pessoal; e
III - outros bens, observado o disposto nos §§ 1º a 5º, e os limites de valor global de:
TÓPICO 3 | DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
151
a) US$ 500,00 (quinhentos dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente 
em outra moeda, quando o viajante ingressar no país por via aérea ou marítima; e
b) US$ 300,00 (trezentos dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente 
em outra moeda, quando o viajante ingressar no país por via terrestre, fluvial 
ou lacustre.
§ 1º Os bens a que se refere o inciso III do caput, para fruição da isenção, submetem-
se ainda aos seguintes limites quantitativos:
I - bebidas alcoólicas: 12 (doze) litros, no total;
II - cigarros: 10 (dez) maços, no total, contendo, cada um, 20 (vinte) unidades;
III - charutos ou cigarrilhas: 25 (vinte e cinco) unidades, no total;
IV - fumo: 250 (duzentos e cinquenta) gramas, no total;
V - bens não relacionados nos incisos I a IV, de valor unitário inferior a US$ 10,00 
(dez dólares dos Estados Unidos da América): 20 (vinte) unidades, no total, 
desde que não haja mais do que 10 (dez) unidades idênticas; e
VI - bens não relacionados nos incisos I a V: 20 (vinte) unidades, no total, desde 
que não haja mais do que 3 (três) unidades idênticas.
§ 2º Os limites quantitativos de que tratam os incisos V e VI do § 1º referem-
se à unidade nas quais os bens são usualmente comercializados, ainda que 
apresentados em conjunto ou sortidos.
§ 3º A RFB poderá estabelecer limites quantitativos diferenciados tendo em conta 
o tipo de mercadoria, a via de ingresso do viajante e as características regionais 
ou locais.
§ 4º O direito a isenção a que se refere o inciso III do caput somente poderá ser 
exercido uma vez a cada intervalo de 1 (um) mês.
§ 5º O controle da fruição do direito a que se refere o § 4º independerá da existência 
de tributos a recolher em relação aos bens do viajante.
Art. 8º A bagagem desacompanhada é isenta de tributos relativamente a 
roupas e bens de uso pessoal, usados, livros, folhetos e periódicos, não se beneficiando 
dos limites de isenção previstos no inciso III do art. 7º.
152
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
Parágrafo único. Para fruição da isenção, a bagagem desacompanhada deverá:
I - chegar ao território aduaneiro dentro dos 3 (três) meses anteriores ou até os 6 
(seis) meses posteriores à chegada do viajante; e
II - provir do local ou de um dos locais de estada ou de procedência do viajante.
Subseção II
Da Isenção de Caráter Especial
Art. 9º Os residentes no exterior que ingressem no país para nele residir de 
forma permanente, e os brasileiros que retornem ao país, provenientes do exterior, 
depois de lá residirem há mais de 1 (um) ano, poderão ingressar no território 
aduaneiro os seguintes bens, novos ou usados, isentos de tributos:
I - móveis e outros bens de uso doméstico; e
II - ferramentas, máquinas, aparelhos e instrumentos necessários ao exercício de 
sua profissão, arte ou ofício, individualmente considerados.
§ 1º A fruição da isenção para os bensreferidos no inciso II do caput estará sujeita 
à prévia comprovação da atividade desenvolvida pelo viajante e, no caso de 
residente no exterior que regresse, do decurso do prazo estabelecido no caput.
§ 2º No caso de estrangeiro, enquanto não lhe for concedido o visto permanente, 
seus bens poderão ingressar no território aduaneiro sob o regime de admissão 
temporária.
§ 3º O disposto neste artigo não prejudica a aplicação dos tratamentos tributários 
gerais de isenção e de tributação especial para viajantes procedentes do exterior, 
referidos, respectivamente, nos arts. 7º e 12 desta Portaria.
Art. 10. A bagagem de tripulante, assim considerada a pessoa que esteja a 
serviço no veículo durante o percurso da viagem, estará isenta de tributos somente 
quanto a roupas e outros bens de uso pessoal, livros, folhetos e periódicos, não se 
beneficiando o tripulante dos limites de isenção previstos nesta Portaria.
§ 1º Sem prejuízo do disposto no caput, a bagagem dos tripulantes dos navios de 
longo curso procedentes do exterior será submetida aos tratamentos de isenção e 
de tributação especial referidos, respectivamente, nos arts. 7º e 12 desta Portaria, 
quando os tripulantes desembarcarem definitivamente no país.
§ 2º Na hipótese a que se refere o § 1º, o direito à isenção de que trata o inciso III do 
caput do art. 7º somente poderá ser exercido uma vez a cada intervalo de 1 (um) ano.
TÓPICO 3 | DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
153
§ 3º O tratamento previsto neste artigo estende-se à bagagem de viajante, civil ou 
militar, embarcado em veículo militar procedente do exterior.
Art. 11. O disposto nesta Subseção não prejudicará a aplicação das isenções 
de caráter especial para viajantes procedentes do exterior previstas nos arts. 142, 
143, 163 e 187 do Decreto nº 6.759, de 2009 (RA/2009).
Seção IV
Da Tributação Especial
Art. 12. O regime de tributação especial é o que permite o despacho de bens 
integrantes de bagagem mediante a exigência somente do Imposto de Importação, 
calculado pela aplicação da alíquota de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor 
tributável dos bens.
§ 1º O valor tributável a que se refere o caput corresponde ao valor:
I - global que exceder o limite de isenção previsto para:
a) a via de transporte, expresso no inciso III do caput do art. 7º; e
b) aquisição de bens em loja franca de chegada no país, a que se refere o § 2º do 
art. 6º; ou
II - dos bens a que se refere o inciso III do caput do art. 7º, integrantes de bagagem:
a) desacompanhada, atendidos os requisitos de que trata o parágrafo único do art. 8º;
b) acompanhada de viajante que já tiver usufruído a isenção de tributos dentro do 
período a que se refere o § 4º do art. 7º;
c) de tripulante; e
d) de viajante, civil ou militar, embarcado em veículo militar procedente do 
exterior.
§ 2º Aos bens do viajante que excederem os limites quantitativos de que tratam os 
§§ 1º a 3º do art. 7º, aplicar-se-á o regime previsto no art. 13.
§ 3º Os bens tributados pelo regime de que trata o caput são isentos do IPI, da 
Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação.
§ 4º O disposto neste artigo não se aplicará aos bens de viajante de que trata o 
art.13.
154
UNIDADE 2 | REGULAMENTO ADUANEIRO E O COMÉRCIO EXTERIOR
Seção V
Da Tributação Comum
Art. 13. Aplicar-se-á o regime comum de importação aos bens trazidos por 
viajante:
I - que não se enquadrem como bagagem, conforme disposto no inciso II do caput 
e no parágrafo único do art. 2º, e no art. 3º;
II - que excedam os limites quantitativos de que tratam os §§ 1º a 3º do art. 7º; ou
III - integrantes de bagagem desacompanhada, quando não atendidas as condições 
estabelecidas no parágrafo único do art. 8º.
§ 1º As pessoas físicas somente podem importar mercadorias para uso próprio, 
nos termos do art. 161 do Decreto nº 6.759, de 2009 (RA/2009), com a redação 
dada pelo art. 1º do Decreto nº 7.213, de 15 de junho de 2010, e observada a 
regulamentação a ser expedida pela RFB, no âmbito de sua competência.
§ 2º O disposto no § 1º não se aplica se o viajante, antes do início de qualquer 
procedimento fiscal, informar que os bens destinam-se a pessoa jurídica 
determinada, estabelecida no país, à qual incumbe promover o despacho 
aduaneiro para uso ou consumo próprio.
CAPÍTULO III
DO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO NA EXPORTAÇÃO
Art. 14. Os bens integrantes de bagagem de viajante, acompanhada ou 
desacompanhada, que se destine ao exterior estão isentos de tributos.
Art. 15. Será dado o tratamento de bagagem a outros bens adquiridos 
no país, levados pessoalmente pelo viajante para o exterior, até o limite de US$ 
2.000,00 (dois mil dólares dos Estados Unidos da América) ou o equivalente 
em outra moeda, observado o disposto no art. 225 do Decreto nº 6.759, de 2009 
(RA/2009), com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 7.213, de 2010.
Art. 16. Aplicar-se-á o regime comum de exportação aos bens levados por 
viajante que não se enquadrem como bagagem, conforme disposto no parágrafo 
único do art. 2º e no art. 3º.
TÓPICO 3 | DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO
155
CAPÍTULO IV
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 17. O recolhimento de bens a depósito de mercadorias apreendidas, 
por necessidade logística da administração aduaneira, não prejudica a contagem 
dos prazos referidos na alínea "c" do inciso II do caput e no § 3º do art. 642 do 
Decreto no 6.759, de 2009 (RA/2009).
Art. 18. A RFB, no âmbito de sua competência, disciplinará os procedimentos 
para a aplicação do disposto nesta Portaria.
Art. 19. Esta Portaria entra em vigor no dia 1º de outubro de 2010.
Art. 20. Ficam revogadas a Portaria MF nº 39, de 3 de fevereiro de 1995, e a 
Portaria MF no 141, de 12 de abril de 1995.
 
FONTE: Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/legislacao/Portarias/2010/
MinisteriodaFazenda/portmf440.htm>. Acesso em: 9 out. 2012.
156
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico você:
● Identificou os registros necessários para que o importador possa iniciar o 
procedimento de importação. 
● Distinguiu a nomenclatura ou classificação fiscal com o objetivo de ordenar as 
mercadorias através de códigos no que se refere à sua natureza e características.
● Apontou os documentos utilizados no sentido de ingressar no país mercadorias 
oriundas do exterior.
● Compreendeu a cobertura cambial e as formas de pagamento da mercadoria 
no exterior e a formação dos custos na importação, os impostos incidentes na 
importação.
● Entendeu o regime aduaneiro especial de drawback na importação como forma 
de incentivar as exportações nacionais.
● Assinalou as etapas do despacho aduaneiro de importação e as etapas do 
processo de importação. 
157
1 Após o processo de despacho aduaneiro de importação, segue um processo 
de importação de mercadoria que tem procedimentos básicos e registros 
que necessitam ser realizados. Com relação às etapas de uma importação, 
associe os itens, utilizando o código a seguir:
I- Negociações preliminares.
II- Controle documental.
III- Licenciamento.
IV- Concretização das negociações.
( ) Serão definidas as formas de pagamento, os produtos, as embalagens, os 
preços do que será importado.
( ) Consiste na observação das exigências fiscais, tributárias e contábeis, no 
momento do arquivamento.
( ) Quando necessário, é indispensável que se obtenha o licenciamento em 
momento anterior à importação.
( ) Neste momento serão assinados os contratos e emitidas as notas fiscais que 
formalizarão a importação.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) IV – III – II – I.
b) ( ) III – IV – II – I.
c) ( ) I – II – IV – III.
d) ( ) I – II – III – IV.
2 Os processos e procedimentos de importação integram o despacho 
aduaneiro de importação. Qual o significado deste contexto?
3 O Extrato da Declaraçãode Importação contém um resumo das informações 
da importação. É o documento base do processo de despacho de importação, 
comprovando que a transação está autorizada. Com relação a estas 
declarações, conceitue Declaração de Importação Comum e Antecipada.
AUTOATIVIDADE
158
159
UNIDADE 3
CONTRATOS INTERNACIONAIS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• identificar com relação ao direito privado internacional os conceitos de 
atos, contratos e contratos internacionais;
• compreender a convergência dos estados, no sentido de padronizar os 
contratos internacionais;
• distinguir as organizações e fóruns internacionais como instrumentos de 
uniformidade dos contratos e apontar as pessoas físicas e jurídicas como 
contratantes nas relações de comércio internacional;
• assinalar considerações acerca da autonomia da vontade e liberdade con-
tratual, além das regras gerais de conexão dos contratos;
• identificar o conceito e o ambiente onde se encontram inseridos os con-
tratos internacionais de compra e venda e sua classificação em relação ao 
aspecto jurídico; 
• compreender a importância do Foro Internacional e da sua escolha, como 
forma de saber que leis serão aplicadas para regular a forma do contrato, 
assim como os direitos e as obrigações das partes;
• entender a importância das cláusulas convencionais e específicas nos 
contratos internacionais e assinalar as sanções aplicadas à parte descum-
pridora dos contratos como forma de dissuadir as defecções no contrato 
internacional;
• identificar o conceito, os elementos componentes, os tipos existentes, a re-
lação entre as empresas, as fases, cláusulas específicas, o aspecto jurídico, 
o foro internacional dos contratos internacionais de produtos e serviços
A Unidade 3 está dividida em três tópicos. Ao final de cada um deles você terá a 
oportunidade de fixar seus conhecimentos, realizando as atividades propostas.
TÓPICO 1 – PRESSUPOSTOS DOS CONTRATOS INTERNACIONAIS
TÓPICO 2 – OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – PRI-
MEIRA PARTE: CONTRATOS DE COMPRA E VENDA IN-
TERNACIONAL 
TÓPICO 3 – OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – SE-
GUNDA PARTE: OUTROS TIPOS DE CONTRATOS INTER-
NACIONAIS
160
161
TÓPICO 1
PRESSUPOSTOS DOS CONTRATOS 
INTERNACIONAIS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
A economia mundial encontra-se em constante dinâmica, alterando-
se numa rapidez projetada pelos meios de transportes e comunicação cada vez 
mais eficientes. Este cenário propicia o surgimento de novas e complexas relações 
comerciais interestatais, que vão muito além da aquisição de mercadorias e 
serviços. 
O comércio internacional possibilitou a criação de diferentes formas de 
contratação, aperfeiçoando suas técnicas e gerando novos institutos jurídicos. O 
mesmo, ainda, contribui para o desenvolvimento das disciplinas do direito, pois 
permite que os contratos internacionais funcionem como a lei entre as partes 
envolvidas.
Este tópico tem por objetivo apresentar a evolução e as potencialidades dos 
contratos internacionais, que intercala as inovações e os aspectos fundamentais na 
ciência do direito internacional. 
Trata-se do estabelecimento dos regulamentos a serem respeitados 
em negócios interestatais, observando não somente as fronteiras físicas, como 
culturais. Ou seja, a uniformização de regras ou normas mais incidentes no 
comércio internacional refletirá na concretização de contratos internacionais em 
que as partes, sejam de acordos bilaterais ou multilaterais, irão convergir suas 
vontades. 
Antes de discutir sobre o objeto de estudo, contratos internacionais, faz-se 
necessário entender o que corresponde a um contrato e sua diferenciação de ato. 
É este o conteúdo que iremos estudar a partir deste momento.
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
162
2 ATOS E CONTRATOS INTERNACIONAIS
Em relação ao direito privado, os conceitos de atos e contratos internacionais, 
muitas vezes, são usados como se fosse a mesma coisa, e decerto é tênue a diferença 
entre os mesmos. 
O ato refere-se a “uma manifestação unilateral de vontade, ou como 
uma adesão de uma parte às condições elaboradas unilateralmente pela outra” 
(SALEME, 2008, p. 17).
O contrato, por sua vez, está relacionado a uma manifestação bilateral 
ou multilateral que se encerra num acordo conjunto e integralizado. Em outras 
palavras, pode-se dizer que “o contrato é uma cadência de atos que resultam em 
um acordo final de vontades” (SALEME, 2008, p. 7).
Nas palavras de Murta (2005, p. 1), “num sentido mais amplo, contrato é 
o acordo de vontades de duas ou mais partes, que visa constituir, modificar ou 
extinguir uma relação jurídica (grifo no original)”.
O uso dos contratos não se encerra no direito das obrigações, mas constitui 
uma relação multitocante aos diversos setores do direito privado, como o direito 
comercial, o direito tributário, direito de família, direito público e direito 
internacional. 
Tendo assim o entendimento de que a manifestação dos atos se dá através 
de um contrato, passa-se para a próxima etapa, que é relacionar o aspecto 
internacional ao termo analisado. Mais do que um predicativo do objeto ou 
um adjetivo que relaciona o contrato à esfera internacional, o termo contrato 
internacional é complexo, pois reitera a percepção de vários atores no sentido de 
celebrar a vontade dos mesmos. Ao mesmo tempo em que cumpre as exigências 
de suas legislações domésticas.
No passado, os acordos eram estabelecidos de forma tácita entre os 
contratantes. Não obstante, com o comércio internacional em plena expansão, esses 
acordos tiveram a necessidade de serem firmados por escrito e com características 
peculiares à sua natureza de atividade e finalidade.
A conceitualização de Strenger (1980) explicitada no trabalho de Saleme (2008) 
fortalece o entendimento do que seria o contrato internacional. Para o mesmo, trata-se 
do “acordo de vontades através do qual os atos concernentes à conclusão, capacidade 
das partes e objeto se relacionam a mais de um sistema jurídico” (STRENGER, 1980, p. 
63).
Assim, num contrato internacional será encontrado “um elemento de 
estraneidade que pode ligá-lo a mais de um sistema jurídico” (ENGELBERG, 2007, 
p. 20).
TÓPICO 1 | PRESSUPOSTOS DOS CONTRATOS INTERNACIONAIS
163
De fato, visualiza-se nos contratos internacionais um terreno fértil em 
relação a desacordos e também conflitos entre os atores internacionais (estados, 
ONGs, empresas, membros da sociedade civil etc.), sendo que este tema foi objeto 
de trabalho de vários organismos burocráticos internacionais. 
Dentre esses organismos internacionais temos a UNCITRAL, Comissão 
das Nações Unidas para o Direito Mercantil Internacional, que foi responsável 
pelo texto final da UNCISG, cujo objetivo principal seria uma uniformização de 
regras para o comércio internacional.
O item a seguir irá discorrer amiúde sobre os contratos internacionais, esse 
complexo tema do direito internacional privado. 
2.1 CONTRATOS INTERNACIONAIS
UNI
UNI
Estraneidade é a situação jurídica do indivíduo forâneo no país em que se 
encontra, conforme o Dicionário Houaiss. 
A Convenção de Viena das Nações Unidas sobre Contratos de Compra e Venda 
Internacional de Mercadorias foi unanimemente aprovada no dia 10 de abril de 1980, por uma 
conferência diplomática que contou com a participação de 62 Estados, e aberta para assinatura 
e adesão no dia 11 de abril de 1980. O Brasil, apesar de ter participado nos travaux préparatoires, 
não aderiu, até o momento, à Convenção. Porém, seu texto encontra-se, desde fins de 2010, 
em tramitação no Congresso Nacional. CISG-BRASIL.NET. Disponível em: <http://www.cisg-
brasil.net/a_cisg_3.html>.
Segundo Saleme (2008), as características dos contratos internacionais se 
igualam às aplicáveis aos negóciosjurídicos em geral: bilateralidade, capacidade, 
comutatividade etc. Não obstante, “o que caracteriza a contratação internacional 
é a presença de um ou mais elementos contratuais que possam conectar-se a mais 
de um sistema jurídico” (SALEME, 2008, p. 18).
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
164
Assim, o contrato internacional se submete a mais de uma legislação e 
possui um fato híbrido, seja nos contratantes, no local da prestação do serviço ou 
do objeto, ou mesmo no lugar em que é firmado o contrato.
Segundo Drebes (2010), os elementos de estraneidade, ou seja, as 
características que ligam um contrato a mais sistemas jurídicos, determinando a 
sua internacionalidade, são: “domicílio, nacionalidade, Lex voluntatis, localização 
da sede, centro das principais atividades, foro etc” (DREBES, 2010, p. 7).
Quando analisamos o desenvolvimento econômico e social dos países, 
percebemos que este é desigual e que grande parte da população 
ainda se encontra num estado de pobreza. Não obstante, após a II 
Guerra Mundial, houve uma significativa convergência do processo de 
desenvolvimento dos países mais pobres através de uma mobilidade de 
bens e recursos (SEABRA et al., 2006, p. 72). 
“Essa mobilidade se dá através do comércio internacional, conjuntamente 
com a liberalização dos fluxos de capitais, os quais têm sido dados como respostas 
para a superação da pobreza pelas nações” (SEABRA et al., 2006, p. 72).
Verifica-se uma convergência de interesses dos estados na intensificação 
do comércio internacional e, com isso, o surgimento de acordos regionais, como o 
Mercosul e a União Europeia. 
O primeiro grupo intensificou suas relações no sentido de procurar novos 
parceiros comerciais que pudessem fortalecer as trocas de produtos e serviços e 
assegurar o escoamento e abastecimento de suas nações. 
A União Europeia, por sua vez, teve o seu processo de integração associado 
a questões de proteção de suas economias frente a possíveis ameaças de outros 
países na corrida comercial.
Numa esfera mais abrangente, em que os blocos econômicos não se 
encerram em si no estabelecimento de relações comerciais internacionais, surgiu 
a UNSISG, com o objetivo de uniformização das regras e diminuição de barreiras 
comerciais internacionais.
Em 1994, na V Conferência Interamericana de Direito Internacional Privado, 
CIDIP, da Organização dos Estados Americanos, OEA, foi discutido o direito 
aplicável aos contratos internacionais, sendo que os mesmos seriam aqueles que 
tenham sua residência habitual ou estabelecimento sediado em diferentes Estados 
Partes ou que possam ter vinculação objetiva com mais de um Estado Parte.
TÓPICO 1 | PRESSUPOSTOS DOS CONTRATOS INTERNACIONAIS
165
UNI
ORGANIZATION OF AMERICAN STATES. Inter-American Convention on the Law 
applicable to International Contracts. (Tradução livre). Disponível em: <http://www.oas.org/
juridico/English/Treaties/b-56.html>. Acesso em: 29 de Junho de 2012.
Antes de apresentar os diferentes tipos de contratos internacionais 
existentes e quais as regras e peculiaridades que incidem em cada um dos mesmos, 
é necessário observar a capacidade dos contratantes, ou seja, a sua natureza (física 
ou jurídica).
2.2 PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS COMO 
CONTRATANTES
De acordo com cada sistema jurídico em que as pessoas jurídicas ou 
físicas são conectadas, são outorgados ajustes que lhes proporcionem segurança 
jurídica às partes contratantes. No entanto, uma coisa é primordial, seja qual for a 
característica das partes de um acordo internacional: a capacidade para contratar.
Em relação à pessoa física, deve ter capacidade dentro do que prescrevem 
as normas estatais a que se submete, ou mesmo do sistema jurídico, ou seja, 
que a contratação esteja relacionada a objeto lícito, possível, determinado ou 
determinável.
“Uma vez que a lei estrangeira é passível de aplicação para regular a 
capacidade das partes, deve-se ainda verificar se sua aplicação se opõe a alguma 
lei de ordem pública internacional” (SALEME, 2008, p. 22).
2.2.1 Pessoas jurídicas
A pessoa jurídica com existência e responsabilidade próprias deve ser 
considerada de acordo com os termos da lei do local de sua constituição. 
O artigo 5º da Convenção Interamericana sobre Personalidade e Capacidade 
de Pessoas Jurídicas no Direito Internacional Privado não admite a fixação da 
pessoa jurídica, em outros Estados-partes, sem que estas cumpram os requisitos 
estabelecidos nas legislações dos mesmos.
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
166
No Brasil, a pessoa jurídica tem personalidade própria, independente dos 
seus membros, sendo que o objeto social não indique prática de atividades ilícitas 
ou nocivas ao interesse nacional. Da mesma forma que a pessoa jurídica nacional, 
a estrangeira deve ter autorização para prática de atos, ser constituída por CNPJ, 
mantendo-se observadora das regras a ela atribuídas no local.
 
Segundo Saleme (2008, p. 22-23), ocorrem três situações distintas em relação 
às pessoas jurídicas:
a) Prática descontínua de atos empresariais - as empresas estrangeiras 
que não negociem habitualmente no Brasil, desde que não configure 
exercício contínuo de atividade mercantil a que se dedica, não 
necessitam de formalização de seus atos constitutivos e tampouco obter 
licença especial para comercialização.
b) Fixação de empresa ou subsidiária - as empresas que nos termos do 
artigo 11 §1° da LICC, tiveram seus atos constitutivos devidamente 
aprovados pela autoridade nacional competente, podem figurar como 
empresas principais ou subsidiárias.
c) Empresas constituídas no Brasil - empresas estrangeiras devidamente 
constituídas no Brasil com participação ou não de sócios nacionais.
2.2.2 Pessoas físicas
O direito internacional privado tem a capacidade civil como imprescindível, 
sendo que nos sistemas jurídicos positivos o indivíduo pode contrair obrigações e 
exercer o ato por si.
Em relação à capacidade do indivíduo, esta pode estar conectada a três 
tipos de elementos distintos: A Lex fori, em que no ato incide a lei do Estado, 
independente do indivíduo ser nacional ou estrangeiro; a Lex patriae, em que a 
capacidade está elencada à lei nacional; e a Lex domicilii, lei do local em que a pessoa 
tem domicílio determina a capacidade da mesma.
A regra geral em relação à capacidade do indivíduo é a aplicação da lei 
domiciliar, sendo exceção quando esta for contrária à ordem pública nacional, 
aplicando assim o direito brasileiro.
UNI
A convenção pode ser encontrada dentro do sítio eletrônico da Organização dos 
Estados Americanos, disponível em: <http://www.oas.org/juridico/portuguese/treaties/B-49.
htm>. Acesso em: 7 jul. 2012.
TÓPICO 1 | PRESSUPOSTOS DOS CONTRATOS INTERNACIONAIS
167
Segundo Saleme (2008, p. 25), “a lei do domicílio é a que sempre se adequou 
às necessidades de nosso país, sendo que o juiz nacional possui familiaridade 
com a lei, promovendo uma interpretação mais previsível para os residentes da 
localidade, tornando-se assim mais fácil o deslinde das questões”. 
2.3 AUTONOMIA DA VONTADE E LIBERDADE 
CONTRATUAL
“No que se refere ao contrato, a vontade das partes é soberana, sendo 
que aos juízes cabe apurar o sentido da disposição desejada que tenha um efeito 
universal” (ENGELBERG, 2007, p. 23).
O princípio da autonomia da vontade se popularizou entre diversos 
autores, os quais se basearam na premissa de que “tudo se resumia em questão 
de fato, mais do que em qualquer questão de direito” (ENGELBERG, 2007, p. 23).
No entanto, o que se percebe é uma ausência de autonomia da vontade, 
pois tem-se a liberdade concedida e limitada pelo direito. Conforme Castro (1951, 
p. 171-173):
Como ficou visto, os contratos em geral são essencialmente dominados 
pela liberdade das convenções, mas isso não quer dizer que as partes 
possam fugir do direito que lhesdeve ser imposto, escolhendo outro 
mais de seu agrado, e sim apenas que, dentro de certos limites, mais 
ou menos amplos, traçados por disposições imperativas, as disposições 
facultativas deixam à vontade dos particulares a regulamentação 
contratual de seus interesses privados, o que é coisa muito diferente de 
escolha do direito por autonomia da vontade.
 
No direito internacional privado, o objeto da vontade das partes é a 
escolha do lugar a ser firmado o contrato e não o direito. Pode ser colocado no 
contrato pelas partes a qual direito as mesmas querem se submeter. 
UNI
O Dr. Edson Ricardo Saleme faz menção à obra de LOPES, Miguel Maria de Serpa: 
Comentários à Lei de Introdução ao Código Civil. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1959, p. 62, v. II.
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
168
3 CONSIDERAÇÕES GERAIS
Antes que os tipos de contratos existentes sejam apresentados, será feita 
uma série de considerações sobre esta primeira parte, possibilitando ao acadêmico 
entender pontos-chave sobre os contratos internacionais.
Primeiramente, deve estar claro que os contratos internacionais têm 
os procedimentos estabelecidos nos costumes comerciais entre os atores desse 
exercício no extrapolar das fronteiras territoriais e nacionais. Os mesmos são de 
natureza oral ou escrita, sendo os últimos mais usuais e garantidores de uma 
melhor segurança de seu cumprimento.
Por muito explícitas que sejam suas cláusulas, uma lei que lhe sirva de base 
deve ser prevista no mesmo, evitando assim possíveis ambiguidades ou problemas 
de interpretação que possam aparecer.
Segurança jurídica deve ser prevista nos contratos, principalmente nos de 
longo prazo, permitindo a continuidade de seu cumprimento e evitando que haja 
frequentes pontos de litígio e recorrências à arbitragem.
Comumente, as partes, ao estabelecer um contrato, recorrem a consultores 
especializados para que os mesmos possam analisar os eventuais riscos do acordo, 
de maneira a tentar minimizar ou prever as inconveniências. Devem-se observar 
todos os incidentes que poderão surgir no percurso do acordo, assim como as 
soluções viáveis para eliminar ou atenuar os efeitos de percalços possíveis.
Segundo Maristela Basso (2002), o contrato possui três fases básicas: formação 
contratual (geração); a conclusão (aperfeiçoamento); e a execução (consumação). 
A primeira fase “é longa e envolve a redação das cláusulas, pareceres, análise de 
legislação, opção por câmaras arbitrais, entre outros procedimentos” (SALEME, 
2008, p. 28). A formação e a conclusão seriam momentos complementares do 
contrato, sendo que na formação existe o conjunto de atos que leva ao consentimento 
contratual e a conclusão encerraria a fase final da mesma.
Ainda, toda contratação é precedida dos elementos básicos, oferta e 
proposta. As ofertas são emitidas por propostas (atualmente, eletrônicas) nas 
NOTA
“Apesar de que a forma escrita seja a mais usual, o contrato oral tem sido respeitado 
em determinadas ocasiões. A Convenção das Nações Unidas de Compra e Venda Internacional 
de Mercadorias (CISG) tem reconhecido essa forma contratual, sendo que a mesma pode ser 
provada por diversos meios, inclusive testemunhas” (SALEME, 2008, p. 26).
TÓPICO 1 | PRESSUPOSTOS DOS CONTRATOS INTERNACIONAIS
169
quais a proponente indica os termos em que o produto deve ser comercializado. 
A parte economicamente mais forte conduz à negociação e redução das cláusulas 
ao seu favor.
Segundo Saleme (2008, p. 30), “no direito internacional privado há grandes 
esforços em harmonizar as regras aplicáveis às obrigações e contratos”. 
A regra de conexão aplicável às obrigações é a do local da celebração da 
mesma (Lex celebrationis), nos termos do artigo 7º da LICC; quando o contrato for 
executado no Brasil, aplica-se o da lei do local da execução (lex executionis). 
No que se refere aos contratos entre os elementos de conexão existentes, 
pode-se dizer que: nos relativos à pessoa física a regra é a Lex domicilii, sendo 
exceção a contrariedade à ordem pública nacional; As pessoas jurídicas, nos termos 
do artigo 11, § 1º, detêm capacidade quanto a seus atos constitutivos a lócus regit 
actum, como sendo o local onde o ato foi feito como competente para definir sua 
validade e quanto aos aspectos de fundo ou à substância dos contratos, nos termos 
do artigo 9º da LICC, a Lex loci contractus ou Lex loci celebrations.
NOTA
SAIBA O SIGNIFICADO PARA O DIREITO INTERNACIONAL:
Lex domicilii: lei do domicílio.
Lex Executionis: lei do local onde se procede à execução forçada de uma obrigação.
Lócus Regit Actum: lei do local da realização do ato jurídico.
Lex loci contractus: lei da celebração do contrato.
Lex Loci celebrations: a lei do local da celebração rege as formalidades.
FONTE: SALEME, Edson Ricardo. Pressupostos dos Contratos Internacionais. In Contratos 
Internacionais: aspectos gerais e com o poder público. São Paulo: Editora Lex, 2008, p. 30.
Saleme também chama a atenção para o fato de que as regras de conexão 
ainda sofrem inúmeras críticas, devido ao crescimento acelerado do comércio 
internacional e do processo liberalizante do mercado, cada vez mais ágil e 
desburocratizado. 
Para o mesmo, “deve existir possibilidade expressa do emprego da 
autonomia da vontade privada nos contratos internacionais, de modo a elevá-
los a um patamar mais adequado às atuais tendências mercantis do comércio 
internacional” (SALEME, 2008, p. 30).
170
 Neste tópico você: 
• Identificou com relação ao direito privado internacional os conceitos de atos, 
contratos e contratos internacionais.
• Compreendeu a convergência dos estados no sentido de padronizar os contratos 
internacionais.
• Distinguiu as organizações e fóruns internacionais como instrumentos de 
uniformidade dos contratos.
• Apontou as pessoas físicas e jurídicas como contratantes nas relações de 
comércio internacionais.
• Assinalou considerações acerca da autonomia da vontade e liberdade contratual, 
além das regras gerais de conexão dos contratos.
RESUMO DO TÓPICO 1
171
1 O contrato, para sua consecução, atende a normas para que não seja 
invalidado ou nulo. Para sua formação, encontramos identificadas fases. Com 
relação a estas fases, associe os itens, utilizando o código a seguir:
I- Primeira fase.
II- Formação.
III- Conclusão.
( ) Fase longa.
( ) Encerra a fase da formação.
( ) Conjunto de atos levando ao consentimento contratual.
( ) Redação de cláusulas.
Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) III – II – I – I.
b) ( ) II – III – I – I.
c) ( ) I – III – II – I.
d) ( ) I – II – III – I.
2 Os contratos internacionais podem ser celebrados por pessoas jurídicas 
e físicas, desde que o objeto do contrato seja lícito e as pessoas envolvidas 
cumpram com as proposições contidas em lei. 
a) ( ) Verdadeiro.
b) ( ) Falso.
3 A celebração de um contrato internacional abrange algumas especificidades, 
dentre elas encontramos as que fazem referência aos textos legais, que podem 
híbridos, em razão dos contratantes, do local da prestação do serviço ou do 
objeto, dentre outras. Quanto à sua forma, descreva de que maneira ele é 
expresso?
AUTOATIVIDADE
172
173
TÓPICO 2
OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS
PRIMEIRA PARTE: CONTRATOS DE 
COMPRA E VENDA INTERNACIONAL
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Como visto no primeiro tópico desta unidade, o contrato corresponde a um 
acordo de vontade entre duas ou mais partes em construir, modificar ou extinguir 
uma relação de direito.
 O contrato de compra e venda tem por objetivo regulamentar os direitos e 
obrigações entre as partes sobre um objeto e estabelecer um pacto jurídico entre os 
parceiros comerciais de maneira imparcial. 
O caráter internacional, também já mencionado, refere-se ao objetode 
estraneidade, ou seja, quando a relação jurídica é pactuada entre parceiros 
comerciais de nações (jurisdições) diferentes, um exportador (vendedor) e um 
importador (comprador). 
Devido à diminuição do tempo e espaço entre a comunicação e o transporte 
entre os estados, muito impulsionado pela internet e as inovações no translado de 
pessoas e materiais, o comércio internacional tem ficado cada vez mais dinâmico. 
Não somente as trocas comerciais, mas o intercâmbio de conhecimentos, 
têm corroborado para uma economia cada vez mais dependente, em que o 
isolamento geográfico ou a pretensão de se produzir todas as mercadorias e 
serviços é impraticável.
Assim, o overseas trade ou comércio internacional permite que um país 
garanta o suprimento de alguns produtos escassos em seu território e exporte 
outros de que disponha em abundância.
Para que esse comércio possa existir, os agentes (exportador e importador) 
devem firmar um processo lógico e coerente, um modus operandi que possa 
formalizar, garantir e oficializar a negociação internacional para ambas as partes.
Todas as questões devem estar claras para as partes, estabelecendo os 
direitos e obrigações de cada uma, a vigência do acordo e, principalmente, a que 
legislação ficará subordinado.
Aos estudos!
174
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
2 PARTES (ELEMENTOS) DO CONTRATO DE 
COMPRA E VENDA INTERNACIONAL
Para que se tenha um contrato de compra, Murta (2005) aponta três 
elementos essenciais:
1) Proponente: vendedor (exportador).
2) Proposto: comprador (importador).
3) Objeto: mercadoria que se pretende negociar.
 Este contrato não requer um padrão para formalizar a negociação. No 
entanto, é necessário que o documento tenha todos os detalhes da negociação e os 
mesmos estejam claramente definidos, com informações claras e sem ambiguidades 
que levem a confusões e litígios futuros.
Uma das formas mais utilizadas é a fatura Pro Forma, a qual descreve em 
detalhes a negociação e que o exportador apresenta as condições do negócio ao 
importador. O importador, por sua vez, irá analisar essas condições e aprová-las 
ou contestá-las, segundo seus interesses.
3 ASPECTO JURÍDICO
A classificação de um contrato de compra e venda, segundo os termos 
jurídicos apresentados por Murta (2005, p. 3-4) estão dispostos em:
Consensual: é estabelecido com base na vontade e consentimento 
mútuo, característica indispensável e primordial a todos os tipos de 
contratos.
Bilateral: realizado o acordo, surgem os direitos e obrigações, tanto 
para o exportador (transferir a propriedade do objeto negociado ao 
importador) quanto para o importador (pagar o objeto negociado ao 
exportador).
Oneroso: gera obrigações de ordem financeira para ambas as partes.
Comutativo: sempre que seu objeto puder ser considerado certo, seguro 
e definido.
Algumas vezes será aleatório: quando o exportador não possui o objeto 
fisicamente no momento da formação do contrato, devem ser colocadas 
no contrato as características que explicitem a qualidade e o gênero do 
objeto negociado.
Típico: por ser um ato jurídico regulamentado por diploma legal 
específico.
175
TÓPICO 2 | OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – PRIMEIRA PARTE: 
CONTRATOS DE COMPRA E VENDA INTERNACIONAL 
4 FORO INTERNACIONAL
O sistema jurídico do país em que o contrato está vinculado representa o 
foro internacional. Nele serão dispostas as leis aplicadas para regular a forma do 
contrato, assim como as obrigações e direitos atribuídos às partes contratantes.
É uma tarefa de significativa complexidade o estabelecimento de foro 
internacional de um contrato. Isto advém da característica de que as partes 
pertencem a nações distintas, regidas por costumes e leis diferentes umas das 
outras. 
Apesar de terem sido criadas algumas regras internacionais de comércio 
para facilitar as negociações e agilizar o comércio entre as partes, ainda não foi 
cogitado um sistema jurídico internacional padronizado.
FIGURA 13 – MODELO DE CLÁUSULA DE ESCOLHA DE FORO INTERNACIONAL
FONTE: MURTA, Roberto de Oliveira. Princípios e contratos em comércio. São Paulo: Saraiva, 
2005, p. 5.
Como regra geral, o foro dos contratos internacionais de compra e venda é 
o do domicílio do exportador. Assim, as leis do país exportador regulamentarão 
os termos contratuais, independente de onde o contrato tenha sido celebrado. Não 
obstante seja essa a regra geral, faz-se necessária uma cláusula específica para essa 
finalidade e que pode seguir o exemplo que Murta (2005, p. 5) apresenta, conforme 
figura acima.
A omissão ou dubiedade em relação ao foro internacional pode gerar 
conflitos, impossibilitando a decisão, rescisão do contrato, prejuízos irremediáveis 
e a ruptura das relações comerciais.
As partes elegem desde já, e de comum acordo, o foro da cidade 
de São Paulo, Brasil, com renúncia expressa a qualquer outro, que será o 
único competente para dirimir as questões decorrentes da execução deste 
contrato, inclusive para homologação e execução da sentença arbitral.
176
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
5 CLÁUSULAS
Roberto Murta (2005, p. 6) enumera dois tipos de cláusulas nos contratos 
internacionais: “convencionais e específicas”.
As cláusulas convencionais são aquelas que, independentemente de outro 
acordo, devem constituir a essência do contrato de compra e venda internacional. 
Dentre essas cláusulas temos:
NOTA
Quando o objeto negociado for um serviço, por esse ser um bem não tangível e 
que não é gerado no país exportador, realizado no país importador, esse objeto se sujeitará ao 
foro do país importador.
• Nomes e/ou razões sociais dos contratantes e seus endereços completos.
• Descrição detalhada da mercadoria, objeto do contrato, especificando 
quantidade, pesos líquido e bruto, preços unitário e total, embalagem.
• Condições de pagamento.
• Condição de venda: FOB, CIF, outras.
• Banco encarregado da cobrança.
• Documentos exigidos.
• Moeda utilizada na negociação.
• Data de embarque.
• Coberturas de seguro.
• Modalidade de transporte.
• Empresa contratada para efetuar o transporte.
• Nome do navio ou prefixo da aeronave.
• Local de embarque de desembarque; possibilidade ou não de transbordo 
ou redespacho.
• Permissão ou não para embarques parciais.
• Percentual de multa sobre o valor da mercadoria, no caso de não 
cumprimento, no todo ou parcialmente, das obrigações pactuadas pelas 
partes.
• Responsabilidades por despesas operacionais.
• Controle da qualidade e garantia de desempenho.
• Exigência de veículo transportador dotado de características especiais 
para determinados tipos de mercadorias;
• Outras cláusulas consideradas necessárias para maior perfeição e 
legitimidade do contrato e garantia das partes intervenientes.
FONTE: Adaptado de: <http://www.slideshare.net/mortaza/comercio-internacional-regular-8>. 
Acesso em: 9 out. 2012.
177
TÓPICO 2 | OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – PRIMEIRA PARTE: 
CONTRATOS DE COMPRA E VENDA INTERNACIONAL 
6 O FATOR ALEATÓRIO
O fator aleatório corresponde a qualquer ocorrência que independa 
da vontade das partes contratantes, que venha interferir no termo 
contratual durante o seu prazo de vigência, podendo afetá-lo, prejudicá-
lo ou até mesmo causar sua inexecução direta ou indireta, parcial ou 
total (MURTA, 2005, p. 7).
Assim, nos contratos internacionais é de grande importância se ter cláusulas 
que prevejam e salvaguardem as partes em caso de fator aleatório, principalmente 
nos de longo prazo. Duas cláusulas devem ser inseridas nos contratos: força maior 
e salvaguarda.
A cláusula de força maior, também conhecida como force majeure, é 
necessária devido à imprevisibilidade que pode se abater sobre o contrato e o 
objeto contratado de forma alheia à vontade das partes, como fenômenos naturais 
(tempestades, naufrágios, terremotosetc.) e acontecimentos sociais, políticos e 
administrativos (guerras, crises e revoltas).
A cláusula de salvaguarda, também conhecida como hardship, também 
defende as partes contra fatos que independem de suas vontades e que não estão 
ligadas aos fenômenos naturais ou político-administrativos. Trata-se de uma 
maneira de evitar prejuízos para as partes, a partir de eventos novos que venham a 
surgir, como, por exemplo, a reposição de tecnologias, que venham a ficar obsoletas 
com o passar do tempo.
NOTA
Caso haja omissão de alguma cláusula específica e o objeto exportado sofrer 
algum dano ou perda, o exportador fica desobrigado das responsabilidades com o objeto que 
o importador adquiriu.
Já as cláusulas específicas são aquelas que amparam determinados tipos 
de mercadorias que necessitam de tratamentos especiais, como: embalagens 
diferenciadas, manuseio especializado, temperatura diferenciada, autorizações 
especiais e demais situações que venham a extrapolar as cláusulas convencionais.
178
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
7 CONDIÇÕES DE VENDA (INCOTERMS)
Um ponto-chave em qualquer transação comercial, principalmente 
internacional, é a transparência e operacionalidade das questões relacionadas ao 
transporte (frete) das mercadorias, os riscos incidentes sobre elas, as formas de 
pagamento etc. 
Essas questões possuem diversas formas de serem contratadas, e a efetiva 
entrega das mercadorias, pelo vendedor (exportador) ao comprador (importador), 
oferece uma diversidade de maneiras de se dividir entre as partes as despesas, 
riscos e responsabilidade sobre as mercadorias.
Os termos ou condições de venda, INCOTERMS – International 
Commercial Terms são elaborados pela CCI (Câmara de Comércio Internacional), 
órgão mundialmente conhecido, cuja “competência é orientar e administrar 
as práticas comerciais internacionais, bem como dirimir e resolver eventuais 
conflitos, controvérsias e litígio, eventualmente oriundos dos contratos celebrados 
em âmbito internacional” (MURTA, 2005, p. 8).
As fórmulas contratuais expressas pelos INCOTERMS fixam direitos e 
obrigações, tanto do exportador como do importador, estabelecendo com precisão 
o significado do preço negociado entre ambas as partes. As condições de compra e 
venda reduzem a possibilidade de mal- entendidos e interpretações controvertidas, 
o risco de prejuízos às partes envolvidas na transação. 
Cada termo representa uma divisão diferente de custos, riscos e 
responsabilidades entre vendedor e comprador, abrangendo desde o caso 
da máxima responsabilidade do vendedor, até o caso em que a máxima 
responsabilidade é atribuída ao comprador. 
A edição de 2000 manteve os mesmos 13 termos e os mesmos quatro 
grupos (E, F, C e D) da revisão de 1990. Isto não ocorreu, entretanto, com a 
revisão de 2010, que foi apresentada pela Câmara de Comércio Internacional 
FONTE: Disponível em: <logisunip.files.wordpress.com/2011/11/incoterms-historico.doc>. Acesso 
em: 9 out. 2012.
Os INCOTERMS sofrem alterações, de acordo com a necessidade presente e 
as circunstâncias no comércio exterior. A primeira edição dos INCOTERMS foi em 
1936, na qual existiam apenas sete termos. Em 1957, a primeira revisão adicionou dois 
novos termos, houve outras duas revisões em 1967 e 1976. Em 1980 existiam 14 termos 
de compra e venda, e foi modificada em função das exigências e da modernização das 
práticas comerciais por processamento eletrônico de dados em 1990.
179
TÓPICO 2 | OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – PRIMEIRA PARTE: 
CONTRATOS DE COMPRA E VENDA INTERNACIONAL 
FIGURA 14 - INCOTERMS 2010/2011 (Quadro de classes dos INCOTERMS 2010/2011)
do Rio de Janeiro, em seu auditório, através de um seminário no dia 7 de 
outubro de 2010. Na verdade, os 13 termos de comércio, até então existentes, 
foram reduzidos, agora, com a revisão 2010, para 11, tendo sido extintos 
quatro termos da revisão 2000 e acrescidos dois novos termos para a revisão 
2010 (MURTA, 2005; MURTA, 2011).
FONTE: Disponível em: <logisunip.files.wordpress.com/2011/11/incoterms-historico.doc>. Acesso 
em: 9 out. 2012.
Desta forma, o objetivo específico dos 11 INCOTERMS é explicar e mostrar 
como as funções, os custos e riscos devem ser divididos entre as partes, em relação 
à entrega de mercadorias, do vendedor ao comprador. Isto é feito ao estabelecer 
e indicar local onde as mercadorias passam das mãos do exportador para as do 
importador, de acordo com as regras do termo pactuado entre as partes.
Com finalidade didática, será mostrado o quadro seguido de um resumo, 
englobando os atuais 11 termos dos INCOTERMS 2010/2011, agrupados em suas 
quatro classes (E, F, C, D), os quais foram elaborados por Murta (2011): 
Grupo “E” (Partida) EXW EX Works – A partir do local de produção (…local 
designado: fábrica, armazém etc.).
Grupo “F” 
(Transporte principal 
não pago)
 FCA
 FAS
 
 FOB
Free Carrier– Transportador livre (… local 
designado).
Free Alongside Ship- Livre junto ao costado do 
navio. (… porto de embarque designado).
Free on Board – Livre a bordo (… porto de 
embarque designado).
Grupo “C” 
(Transporte principal 
pago)
CFR
 
CIF
CPT
 
CIP
Cost and Freight- Custo e frete (… porto de destino 
designado).
Cost, Insurance and Freight- Custo, seguro e frete. 
(… porto de destino designado).
Carriage Paid to… - Transporte pago até... (local de 
destino designado…).
Carriage and Insurance Paid to…- Transporte 
e seguros pagos até… (…local de destino 
designado).
180
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
FONTE: Murta (2011) Guia de Consulta Rápida do INCOTERMS – 2010/2011
Grupo “D” 
(Chegada)
DAT
DAP
DDP
 
Delivered At Terminal – Entregue no Terminal (… 
local de destino designado).
Delivered At Place– Entregue no Lugar (…local de 
destino não designado).
Delivered Duty Paid – Entregue, Diretos Pagos 
(local de destino designado).
7.1 GRUPO E – CONTRATO DE PARTIDA
FONTE: Disponível em: <professor.ucg.br/siteDocente/.../AULA%209%20-%20ICOTERMS.pp...>. 
Acesso em: 9 out. 2012.
• EXW – Ex Works – o produto e a fatura devem estar à disposição do 
importador no estabelecimento do exportador. Todas as despesas e 
quaisquer perdas e danos a partir da entrega da mercadoria, inclusive 
o despacho da mercadoria para o exterior, são da responsabilidade do 
importador. Quando solicitado, o exportador deverá prestar ao importador 
assistência na obtenção de documentos para o despacho do produto. Esta 
modalidade pode ser utilizada com relação a qualquer via de transporte.
NOTA
Nesta modalidade, o exportador possui a menor responsabilidade em relação 
ao produto, no entanto deve fornecer todas as condições para o despacho de exportação, 
cabendo ao importador se ocupar com a saída do produto da fábrica ou empresa do 
exportador, inclusive com o veículo coletor dentro da fábrica, até o seu destino final no país a 
que o produto terá destino. 
O importador deve obter por sua própria conta e risco a licença de exportação e importação 
e demais formalidades aduaneiras para a exportação das mercadorias.
181
TÓPICO 2 | OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – PRIMEIRA PARTE: 
CONTRATOS DE COMPRA E VENDA INTERNACIONAL 
• FCA – Free Carrier : o exportador entrega as mercadorias, desembaraçadas 
para exportação, à custódia do transportador, no local indicado pelo 
importador, cessando aí todas as responsabilidades do exportador. Essa 
condição pode ser utilizada em qualquer tipo de transporte, inclusive o 
multimodal.
• FAS – Free Alongside Ship: as obrigações do exportador encerram-se ao 
colocar a mercadoria, já desembaraçada para exportação, no cais, livre 
junto ao costado do navio. A partir desse momento, o importador assume 
todos os riscos, devendo pagar inclusive as despesas de colocação da 
mercadoria dentro do navio. O termo é utilizadopara transporte marítimo 
ou hidroviário interior.
NOTA
O vendedor deverá fornecer a mercadoria e a fatura comercial, além de obter 
por sua conta e risco a licença de exportação e assumir as formalidades alfandegárias para a 
exportação. Se o local indicado a entregar a mercadoria ao transportador for nas dependências 
do exportador, este é responsável pelo embarque. 
Se ocorrer em outro local, o vendedor deixa de ser responsável pelo embarque. A obrigação 
do vendedor é considerada cumprida quando a mercadoria estiver nas mãos da pessoa 
indicada pelo comprador.
7.2 GRUPO F – TRANSPORTE PRINCIPAL NÃO PAGO
FONTE: Disponível em: <http://www.aprendendoaexportar.gov.br/maquinas/como_exp/pop/
pop_fca.asp>. Acesso em: 9 out. 2012.
FONTE: Disponível em: <www.fiesp.com.br/derex/operacoes-comercio/pdf/Incoterms.pdf>. 
Acesso em: 9 out. 2012.
UNI
A FAS exige que o vendedor desembarace as mercadorias para exportação.
182
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
• FOB – Free on Board: o exportador deve entregar a mercadoria, desembaraçada, 
a bordo do navio indicado pelo importador, no porto de embarque. Esta 
modalidade é válida para o transporte marítimo ou hidroviário interior. Todas 
as despesas, até o momento em que o produto é colocado a bordo do veículo 
transportador, são da responsabilidade do exportador. Ao importador cabem 
as despesas e os riscos de perda ou dano do produto a partir do momento em 
que este transpuser a amurada do navio.
• CFR – Cost and Freight: o exportador deve entregar a mercadoria no 
porto de destino escolhido pelo importador. As despesas de transporte 
ficam, portanto, a cargo do exportador. O importador deve arcar com as 
despesas de seguro e de desembarque da mercadoria. A utilização desse 
termo obriga o exportador a desembaraçar a mercadoria para exportação 
e utilizar apenas o transporte marítimo ou hidroviário interior.
• CIF – Cost, Insurance and Freight: modalidade equivalente ao CFR, com 
a diferença de que as despesas de seguro ficam a cargo do exportador. 
O exportador deve entregar a mercadoria a bordo do navio, no porto de 
embarque, com frete e seguro pagos. A responsabilidade do exportador 
cessa no momento em que o produto cruza a amurada do navio no 
porto de destino. Esta modalidade só pode ser utilizada para transporte 
marítimo ou hidroviário interior.
• CPT – Carriage Paid to… similarmente ao termo CFR: esta condição 
estipula que o exportador deverá pagar as despesas de embarque da 
FONTE: Disponível em: <www.fiesp.com.br/derex/operacoes-comercio/pdf/Incoterms.pdf>. 
Acesso em: 9 out. 2012.
7.3 GRUPO C – TRANSPORTE PRINCIPAL PAGO
FONTE: Disponível em: <www.fiesp.com.br/derex/operacoes-comercio/pdf/Incoterms.pdf>. 
Acesso em: 9 out. 2012.
NOTA
Esse INCOTERM é semelhante ao FOB, ou seja, é responsabilidade do exportador 
colocar a mercadoria a bordo do navio, a diferença é que neste termo o exportador paga o 
frete, ou seja, o transporte até o porto de destino.
183
TÓPICO 2 | OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – PRIMEIRA PARTE: 
CONTRATOS DE COMPRA E VENDA INTERNACIONAL 
mercadoria e seu frete internacional até o local de destino designado. 
Dessa forma, o risco de perda ou dano dos bens, assim como quaisquer 
aumentos de custos, são transferidos do exportador para o importador, 
quando as mercadorias forem entregues à custódia do transportador. 
Este INCOTERM pode ser utilizado com relação a qualquer meio de 
transporte.
• CIP – Carriage and Insurance Paid to…: adota princípio semelhante ao 
CPT. O exportador, além de pagar as despesas de embarque da mercadoria 
e do frete até o local de destino, também arca com as despesas do seguro de 
transporte da mercadoria até o local de destino indicado. O CIP pode ser 
utilizado com qualquer modalidade de transporte, inclusive multimodal.
• DAT – Delivered At Terminal: este novo termo foi inserido praticamente 
em substituição ao DEQ e – similarmente ao termo extinto, estabelece 
que as mercadorias possam ser colocadas à disposição do comprador 
NOTA
O importador deve observar que o termo CIP requer do exportador a obtenção 
do seguro com cobertura mínima. Se o importador quiser uma cobertura maior do seguro, 
deve estar pactuado com o exportador ou tomar as providências por conta própria.
FONTE: Disponível em: <www.fiesp.com.br/derex/operacoes-comercio/pdf/Incoterms.pdf>. 
Acesso em: 9 out. 2012.
7.4 GRUPO D – CONTRATO DE CHEGADA
UNI
O INCOTERM CPT requer que o vendedor (exportador) desembarace a 
mercadoria para a exportação.
FONTE: Adaptado de: <www.fiesp.com.br/derex/operacoes-comercio/pdf/Incoterms.pdf>. 
Acesso em: 9 out. 2012.
184
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
(importador), não desembaraçadas para importação, num terminal 
portuário, e introduz a possibilidade de que as mercadorias possam 
também ser dispostas ao comprador (importador) em outro terminal, fora 
do porto de destino.
• DAP – Delivered At Place: este novo termo foi introduzido em substituição 
aos termos DAF, DES e DDU. Com sua aplicação, as mercadorias poderão 
ser postas à disposição do comprador (importador) no porto de destino 
designado, ainda no interior do navio transportador e antes do desembaraço 
para importação, como já ocorria com o termo DES, ou ainda, em qualquer 
outro local, como ocorria com os termos DAF, em que a entrega dar-se-
ia na fronteira designada, e DDU, em que a entrega seria realizada em 
algum local designado pelo próprio comprador (importador), todavia, 
em quaisquer dos casos, antes do desembaraço das mercadorias para 
importação.
• DDP – Delivered Duty Paid: o exportador assume o compromisso de 
entregar a mercadoria, desembaraçada para importação, no local designado 
pelo importador, pagando todas as despesas, inclusive impostos e outros 
encargos de importação. Não é de responsabilidade do exportador, 
porém, o desembarque da mercadoria. O exportador é responsável 
também pelo frete interno do local de desembarque até o local designado 
pelo importador. Este termo pode ser utilizado com qualquer modalidade 
de transporte. Trata-se do INCOTERM que estabelece o maior grau de 
compromissos para o exportador.
FONTE: Disponível em: <caribbeanexpress.com.br/caribbean/livros/imp_exp.pdf>. Acesso em: 9 
out. 2012.
8 ARBITRAGEM INTERNACIONAL
“A arbitragem internacional corresponde à resolução de controvérsias 
entre as partes contratantes, por meio de um órgão imparcial” (MURTA, 2005, p. 
80). Esta deve ser previamente estabelecida pelas partes com o intuito de prevenir 
um eventual descumprimento do contrato, seja em parte ou em sua totalidade.
Tanto o exportador quanto o importador comprometem-se a submeter-se a 
um árbitro, singular ou coletivo, estabelecendo os limites e as regras competentes, 
o modo do tribunal, a sede, o objeto de litígio e a promessa de obediência à sentença 
proferida.
Conforme chamado a atenção por Roberto Murta (2005, p. 81), “a (CCI), 
Câmara de Comércio Internacional, sugere que nos contratos cuja arbitragem 
internacional esteja sob suas regras” seja inserida a seguinte cláusula padrão:
185
TÓPICO 2 | OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – PRIMEIRA PARTE: 
CONTRATOS DE COMPRA E VENDA INTERNACIONAL 
FIGURA 15 – CLÁUSULA CONTRATUAL PARA SOLUÇÃO DE CONTROVÉRSIAS PELA 
ARBITRAGEM
FONTE: Murta (2005, p. 81)
9 SANÇÕES
Os riscos que possam vir a incorrer sobre a carga fazem com que importador 
e exportador pensem em maneiras de serem resguardados, aplicando sanções 
aplicáveis à parte que não venha a cumprir as cláusulas do contrato, que devem 
ser definidas e avaliadas, para que sejam evitados prejuízos e danos a alguma das 
partes.
A multa paga pelo infrator se baseia normalmente num percentual 
preestabelecido, conforme o valor da mercadoria. O não cumprimento do prazo 
de entrega da mercadoria pelo exportador, o não pagamento dela, ou pagamentofora do prazo pelo importador, são ocorrências passíveis de sanção, muitas vezes 
refletidas como multa contratual.
10 RESCISÃO OU REVOGAÇÃO
Todo contrato bilateral é passível de rescisão, sendo assim é possível que o 
contrato de compra e venda seja revogado. 
 Murta (2005, p. 82) cita três tipos de rescisão existentes num contrato 
internacional: automática, voluntária e involuntária.
A primeira, a rescisão automática: se dá com o término do prazo de 
vigência contratual, em que não haja interesse das partes em renovar o 
contrato. 
A rescisão voluntária: se dá quando uma das partes se sente prejudicada 
ou desfavorecida em relação a outra, seja por descumprimento de 
cláusulas ou por expectativas frustradas, pedindo a revogação do 
contrato. A legislação da maioria dos países tem como nulo o contrato 
que beneficie de forma desigual uma das partes. 
186
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
A terceira forma de revogação é a involuntária: nesta, uma das partes 
pode se tornar incapaz de continuar a exercer seus direitos e obrigações 
na vigência do contrato. São motivos deste tipo de rescisão: óbito 
de pessoa física responsável por uma parte contratante, alienação, 
prodigalidade, alcoolismo, dependência química atribuída a alguma 
das partes. No entanto, trata-se de uma situação muito peculiar esse 
tipo de rescisão, não sendo comum devido ao fato de a maioria dos 
contratos estar atrelada a pessoas jurídicas, com mais de um sócio ou 
diretores envolvidos.
11 MODELO DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA
A seguir, baseado no modelo oferecido por Murta (2005, p. 83-96), será 
apresentado um modelo de contrato internacional de compra e venda redigido na 
língua portuguesa. Faz-se necessário dizer que as empresas e pessoas referidas em 
tal modelo de contrato são fictícias e que a existência de tais na vida real trataria 
de uma mera coincidência.
Contrato de compra e venda internacional, que entre si fazem a empresa 
X, constituída sob as leis da República Federativa do Brasil, inscrita no 
CNPJ-MF sob o n° 00.000.000/0000-00, com sede na Rua Y, na cidade de XX–
SC, Brasil (doravante denominada Pommer Ltda.), representada por seus 
diretores in fine assinados, e a firma Z., empresa legalmente constituída 
sob as leis da República Federal da Alemanha, sediada na cidade de Berlim 
(doravante denominada Z S.A), representada por seu presidente, Sr. XZ e 
seu vice-presidente, Sr. YZ, igualmente in fine assinados.
Considerando:
Que a Z S.A. deseja adquirir equipamento completo destinado à produção de 
sucos em lata (somente de alumínio), a ser montado em suas dependências, 
na cidade de Berlim, Alemanha;
1. Que a Z S.A. procedeu ao concurso internacional para aquisição do 
mencionado equipamento completo.
2. Que a X Ltda. possui toda a tecnologia necessária para o fornecimento, 
supervisão, montagem, colocação em funcionamento e futuros fornecimentos 
de peças sobressalentes do referido equipamento, que é caracterizado em 
outras cláusulas deste contrato, que está disposta a garantir integralmente 
a execução de todos os objetos contidos neste acordo, bem como assegurar 
o envio de um ou mais técnicos especializados, toda vez que a firma 
importadora o solicite quando necessário, isto é, com um mínimo de 8 (oito) 
dias de antecedência, caso em que o importador assumirá a responsabilidade 
de todas as despesas do(s) técnico(s) enviado(s), as partes acordam e 
estipulam as cláusulas que se seguem:
CLÁUSULA CONTRATUAL PARA SOLUÇÃO DE CONTROVÉRSIAS 
PELA ARBITRAGEM
187
TÓPICO 2 | OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – PRIMEIRA PARTE: 
CONTRATOS DE COMPRA E VENDA INTERNACIONAL 
1ª) Do objeto
1.1. O objeto do presente contrato é a compra e venda do equipamento 
fabricado pela X Ltda., bem como a montagem, até sua efetiva colocação 
em operação útil nas dependências da firma importadora Z S.A., que ora o 
adquire, de acordo com as cláusulas e definições deste contrato.
1.2. A compra e venda ora ajustada refere-se a equipamento completo de 
linha de produção de sucos em lata de alumínio, produzido pelo sistema 
lift pull, com capacidade para produzir 100.000 unidades/dia, composto das 
máquinas e equipamentos discriminados na Fatura Pro Forma datada de 26 
de julho de 2012, enviada pela X Ltda, à Z S.A e aprovada por esta e que 
ampara a exportação ora ajustada.
2ª) Documentos Contratuais e Definições
2.1 A palavra contrato significa o conjunto de todos os documentos 
representativos do acordo de vontades entre as partes contratantes em 
relação ao fornecimento das máquinas e equipamentos discriminados na 
fatura Pro Forma mencionada em 1.2, acima.
2.2 As expressões a seguir definidas e aplicadas ao presente contrato terão 
o significado abaixo transcrito, exceto quando estabelecidas expressamente 
em contrário, ou assim exigido pelo contexto:
2.2.1 Compradora: conforme usada no presente contrato, representará a 
empresa Z S.A., ou qualquer empresa que a suceda.
2.2.2 Vendedora: conforme usada no presente contrato, significará a empresa 
X Ltda., ou qualquer empresa sucessora.
2.2.3 Equipamentos: conforme utilizada no presente contrato, significarão, 
artigos, máquinas, partes e peças de reposição, apetrechos industriais etc., 
enfim, todo o material necessário para o fornecimento do equipamento 
encomendado e contratado pela Z S.A., consistindo de parte importada se 
for o caso) e parte nacional, conforme estabelecido nas cláusulas seguintes.
2.2.4 Preço contratual: conforme definido na cláusula 3ª do presente contrato.
2.2.5 Local de entrega: o local em que será colocado o equipamento à 
disposição da firma compradora, isto é, na cidade de Berlim, Alemanha.
2.2.6 Expressões no singular abrangerão igualmente o plural e vice-versa, 
onde exigido pelo contrato.
2.2.7 As expressões “meses e dias”, constantes do presente termo, deverão 
ser entendidas como meses civis e dias corridos, respectivamente.
3ª) Do Preço Contratual e Condições de Venda
3.1 A Z S.A. pagará à X Ltda. o preço mencionado nesta cláusula, em 
conformidade com os procedimentos e outras condições aqui estipuladas.
3.2 O preço total da venda dos equipamentos discriminados na fatura 
Pro Forma e objeto deste contrato, aqui representado em dólares norte-
americanos e na condição CIF Berlim, Lima (INCOTERMS 2010/2011), é de 
188
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
US$ 21.000.000,00 (vinte e um milhões de dólares dos Estados Unidos da 
América).
4ª) Das Condições de Pagamento
4.1 Os preços estipulados no item 3.2 supra deverão ser pagos da seguinte 
forma:
4.1.1 Dez por cento (10%) do total do contrato, isto é US$ 2.100.000,00 (Dois 
milhões e cem mil dólares dos Estados Unidos da América), como parcela 
inicial, pago à vista, resgatável mediante simples recibo.
4.1.2 Noventa por cento (90%) do total do contrato, isto é, US$ 18. 900.000,00 
(dezoito milhões e novecentos mil dólares dos Estados Unidos da América), 
pago por financiamento, resgatável segundo critérios de obtenção de crédito 
internacional, por parte da adquirente Z S.A.
4.1.3 Preferencialmente, pela obtenção de uma Carta de Crédito Irrevogável, 
intransferível e confirmada pelo Banco H S.A., Agência Blumenau, XX-SC, 
emitida em favor do exportador, pagável à vista, contra apresentação dos 
documentos de embarque. Tal hipótese decorre da obtenção, por parte do 
importador, de financiamento por Carta de Crédito para aquisição dos 
equipamentos no Banco da República da Alemanha e confirmada pelo Banco 
H S.A.
Todos os custos da Carta de Crédito, incluindo os de confirmação, correrão 
por conta da empresa importadora. Esta Carta de crédito deverá ser entregue 
e confirmada à X Ltda., simultaneamente com os 10% (4.1.1) e com a validade 
de 1 (um) ano, a partir da data de sua emissão.
4.1.4 Se, entretanto, por quaisquer razões, não houver a obtenção, por parte 
do importador, da referida Carta de Crédito,desde logo, as partes estipulam 
que o pagamento do preço equivalente aos 90% do total do contrato, isto 
é US$ 18.900.000,00, será pago em 10 (dez) cotas semestrais e sucessivas, 
representadas por igual número de cambiais do mesmo valor, vencendo-
se a primeira 6 (seis) meses após o vencimento do ano de carência; este se 
computará a partir do momento do recebimento dos equipamentos pela 
firma importadora em sua sede em Berlim, todas emitidas pela X Ltda., 
sacáveis contra a Z S.A. e devidamente avalizadas pelo Banco da República 
da Alemanha.
4.1.5 Sobre os saldos devedores existentes a partir do pagamento da primeira 
parcela de US$ 2.100.000,00, equivalentes aos 10% do total do contrato, 
conforme previsto em 4.1.1 supra, vencerão juros determinados pelos 
acordos efetuados entre o Banco da República da Alemanha e o Banco H S.A., 
e serão calculados antecipadamente sobre os saldos devedores, juros estes 
cujos pagamentos dar-se-ão em parcelas semestrais, igualmente mediante 
cambiais emitidas pela firma exportadora contra a firma importadora.
4.1.6 Os pagamentos, tanto do principal (90%) como dos juros, conforme 
acima definidos, serão representados por 10 (dez) cambiais emitidas pela X 
Ltda. à sua própria ordem e aceitas pela Z S.A. com garantia do aval por parte 
do Banco da República da Alemanha garantindo o seu pontual pagamento e 
transferência das correspondentes importâncias para o Brasil.
189
TÓPICO 2 | OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – PRIMEIRA PARTE: 
CONTRATOS DE COMPRA E VENDA INTERNACIONAL 
4.1.7 As cambiais aceitas e garantidas serão irrevogáveis, e representarão 
obrigações exequíveis da Z S.A. e do Banco da República da Alemanha, em 
conformidade com a natureza legal dessas espécies de crédito e as disposições 
deste contrato.
4.1.8 Ao depositar as cambiais sob custódia, o banco avalista alemão 
entregará ao Banco H S.A. uma carta atestando a competência e a autoridade 
das assinaturas que constituem o aceite da firma importadora.
4.1.9 Os pagamentos decorrentes da cláusula 4ª serão efetuados sem atraso 
e sem nenhuma dedução de impostos, emolumentos, selos ou comissões 
bancárias pela transferência com fundos para o Brasil, presentes ou futuros, 
incidentes na Alemanha.
4.1.10 Serão de responsabilidade da firma importadora as despesas com a 
obtenção do aval do banco avalista, Banco da República da Alemanha.
4.1.11 Todos os pagamentos em dólares dos Estados Unidos da América, 
estipulados neste contrato, somente serão considerados efetivos uma vez 
recebidos, sem restrições, livremente disponíveis na data designada, no 
Banco do Brasil.
5ª) Do Prazo e Condições de Entrega - Transporte e Seguro
5.1 Os equipamentos adquiridos por força do presente contrato deverão ser 
embarcados por via marítima e entregues na condição CIF (INCOTERMS 
2010/2011), nas dependências do importador, em até 6 (seis) meses após a 
abertura de crédito de financiamento para exportação no Banco H S.A., salvo 
ocorrência de causa fortuita ou força maior (v. 8.4).
5.2 O equipamento será embalado de acordo com os métodos das normas de 
embalagem para exportação. Toda a carga será montada e conteinerizada de 
modo a oferecer a máxima segurança e proteção contra furto, danos e perdas, 
tudo sob os Padrões Internacionais amparados pela ISO 9002, assegurados e 
garantidos pelo exportador.
5.3 Todas as despesas e demais encargos referentes a seguro e transporte da 
mercadoria entre as dependências do exportador e o porto de embarque, e 
até o porto de destino no país importador, correrão por conta do exportador 
e deverão constar na Fatura Comercial que ampara as mercadorias a serem 
exportadas.
5.4 O importador obriga-se e compromete-se, nos termos deste contrato, a 
segurar por sua própria conta e risco todo o equipamento ora adquirido, 
imediatamente após recebê-lo em suas instalações.
6ª) Garantia s e Regulamentos Relevantes
6.1 A empresa exportadora afirma e garante que os equipamentos ora 
transacionados se encontram conforme disposto no item 1.2 (objeto) e que 
são apropriados para a produção garantida de suco em lata de alumínio. 
Por outro lado, a boa e perfeita produção exige o uso de matéria-prima de 
boa qualidade, conforme previsto no projeto, além de possuir a adquirente 
190
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
sistema de energia elétrica e água em suas dependências, também igualmente 
já especificadas no projeto.
6.2 A empresa exportadora garante que todas as peças fornecidas – no 
presente ou no futuro – ao amparo do presente acordo são livres de defeitos 
prejudiciais de material ou de fabricação, que possam comprometer a sua 
utilização normal e pacífica, em conformidade com o disposto neste contrato.
Os termos desta garantia são válidos por um prazo de 6 (seis) meses, a contar 
da data do recebimento do certificado de conclusão de montagem transcrito 
no item 6.7. Nos termos da presente garantia, a exportadora manterá, durante 
a montagem e para supervisionar o seu funcionamento após instalados nas 
dependência da importadora, por um período mínimo de 6 (seis) meses.
6.3 A empresa exportadora, para perfeito cumprimento das obrigações de 
garantia especificadas conforme o item 6.2, após a expedição do certificado 
de conclusão de montagem, oferecerá garantia bancária irrevogável, 
automática e integral, no valor equivalente a 10% (dez por cento) do total 
do contrato, isto é US$ 2.100.000,00 com validade igualmente para 6 (seis) 
meses, emitidas por um banco de primeira linha, no Brasil.
6.4 O pagamento de qualquer importância referente à garantia estipulada no 
item 6.3 só será feito mediante comprovação dos danos ocorridos, tudo em 
função de defeitos de fabricação e qualidade do material aplicado. Em caso 
de desacordo entre as partes sobre o valor a ser pago, resolver-se-á mediante 
arbitramento, na forma da cláusula 9ª deste acordo.
6.5 Independente da garantia estipulada em 6.3, a qual, na verdade, é uma 
garantia pecuniária para o cumprimento dos itens 7.1 e 7.2, caso ocorram 
quaisquer defeitos no equipamento vendido, a empresa exportadora, 
após comunicado por escrito da empresa importadora, dentro dos prazos 
desta garantia, procederá a reparo, modificação ou substituição das partes 
defeituosas, sem nenhum ônus para a compradora.
As medidas para o reparo dos eventuais defeitos e/ou a substituição das 
partes deverão ser tomadas de comum acordo entre as partes contratantes, 
criando critérios para que tais reparos ou substituições sejam efetuados 
no menor prazo possível. Ditos reparos ou substituições, entretanto, serão 
realizados pela empresa exportadora, sob as seguintes condições:
6.5.1 A montagem e a colocação em funcionamento dos aparelhos terem sido 
executadas sob a supervisão da exportadora, conforme disposto no contrato.
6.5.2 A firma importadora deverá manter um registro diário de ocorrências, 
no qual serão anotados todos os fatos pertinentes à montagem, colocação em 
serviço, operação e manutenção do equipamento e onde também registrar-
se-á o tempo da operação durante todo o período de garantia. O livro de 
registro mencionará ainda todas as observações relativas às montagens 
efetuadas pelo supervisor do fabricante. Dito registro será plenamente 
acessível à X Ltda., por meio de seus supervisores, durante o período de 
montagem, colocação em serviço e garantias do maquinário.
6.6 A presente transação de compras e venda de equipamentos não inclui 
obras civis de supraestrutura para completo funcionamento do complexo 
industrial do importador, sendo certo que, para o bom e fiel cumprimento 
191
TÓPICO 2 | OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – PRIMEIRA PARTE: 
CONTRATOS DE COMPRA E VENDA INTERNACIONAL 
das cláusulas que compõem o capítulo referente a garantias e regulamentos 
relevantes, este se obrigará a providenciar e/ou construir, de conformidade 
com o projeto:
6.6.1 Obras civis, se essenciaisà montagem do equipamento;
6.6.2 balança;
6.6.3 subestação elétrica;
6.6.4 captação de água;
6.6.5 tanques de combustível;
6.6.6 empilhadeiras;
6.6.7 iluminação.
6.6.8 O Certificado de conclusão de montagem será emitido e assinado pelos 
representantes da Z S.A., e da X Ltda. no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, 
após finalizados os trabalhos de montagem e aprovados todos os testes de 
plena operação de todo o equipamento, dentro de um período considerado 
satisfatório, a critério do fabricante, que poderá ser de até 72 horas após a 
montagem.
7ª) Responsabilidade
7.1 Fica entendido e acertado entre as partes contratantes que, na aceitação 
final do equipamento, todas as obrigações da X Ltda., resultantes do presente 
contrato, serão reconhecidas como inteiramente cumpridas, à exceção das 
obrigações definidas na cláusula 6ª (Garantias e Regulamentos Relevantes) 
deste contrato, que serão reconhecidas como inteiramente cumpridas na 
data do término do período de garantia como disposto no item 7.2.
7.2 Nenhuma desistência, omissão ou tolerância demonstrada por nenhuma 
das partes em exigir o cumprimento pela outra, de nenhuma das cláusulas, 
dispositivos, condições ou obrigações deste contrato importará na perda 
do direito da parte desistente, omissa ou tolerante, de exigir da outra parte, 
a qualquer tempo e sem aviso prévio, o cumprimento de ditas cláusulas, 
dispositivos, condições ou obrigações. 
7.3 A responsabilidade da X Ltda. limitar-se-á ao cumprimento de todas as 
garantias estabelecidas neste contrato.
8ª) Rescisão ou Revogação
8.1 Se qualquer das partes cometer uma infração considerada grave em 
relação às suas obrigações, conforme previsto no presente acordo, a parte 
afetada ou não infratora deverá, para os efeitos desta cláusula, notificar de 
imediato por e-mail a parte culpada ou infratora, para que esta, no prazo 
máximo de 30 (trinta) dias:
a) corrija a infração apontada, de modo a que se possa prosseguir na execução 
deste contrato, sem atraso ou prejuízo para a parte não infratora; ou
b) comprove que a falta ocorreu por motivo de força maior, tal como previsto 
no item 8.3, propondo, então, à parte prejudicada, soluções alternativas 
192
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
razoáveis para que seja superado o obstáculo e se possa prosseguir na 
execução do presente contrato sem atrasos que venham a criar entraves ou 
provocar atrasos, ou mesmo, sua rescisão total ou parcial.
8.2 Caso a parte infratora não atenda à notificação que lhe for feita pela parte 
não infratora, ou não corrija falta apontada, ou ainda, não proponha nenhuma 
outra solução razoável para superar os obstáculos, conforme previsto no item 
8.1, e a execução do contrato ficar paralisada por força de infração apontada, 
ou eventuais ocorrências de força maior verificadas, terão as partes um prazo 
adicional de 90 (noventa) dias para, livremente, acordarem soluções para 
resolver o impasse. Se, mesmo assim, não chegarem a qualquer conclusão, 
a controvérsia será então levada à deliberação do Juízo Arbitral, conforme 
previsto na cláusula 9ª.
8.3 No caso de rescisão do contrato, por motivo de força maior, as partes 
fixarão, de comum acordo, as importâncias que deverão ser pagas. Na 
eventualidade, ainda, de não chegarem a um consenso, nesse sentido, 
recorrer-se-á ao Juízo Arbitral, conforme previsto na Cláusula 9ª a seguir.
8.4 Pela presente, as partes contratantes estão, desde já, salvaguardadas 
e protegidas sem nenhum dano ou prejuízo a ambas, contra quaisquer 
eventos oriundos de force majeure e/ou hardship, ocorridos durante o prazo 
de validade deste contrato, e que possam afetá-lo direta ou indiretamente, 
causando interrupção, inexecução, ou mesmo rescisão, total ou parcial.
A validade do contrato prosseguirá, dentro das mesmas condições anteriores, 
tão logo as partes contratantes cheguem a um acordo, relativamente à solução 
do impasse assim surgido.
9ª ) Arbitragem Internacional
9.1 As dúvidas e controvérsias resultantes do não cumprimento, por 
qualquer das partes, do presente contrato serão decididas por arbitragem, 
homologada na forma da lei brasileira, que regerá o presente acordo, ficando 
dita arbitragem a cargo do presidente da Câmara de Comércio Internacional 
de Buenos Aires, de comum acordo entre as partes, sendo a arbitragem 
realizada segundo os regulamentos de conciliação e arbitragem da Câmara 
de Comércio Internacional de Paris. Os árbitros decidirão as questões a 
eles submetidas, de acordo com as praxes comerciais internacionais e os 
princípios gerais do Direito.
9.2 A execução do presente termo prosseguirá durante o processo de 
arbitragem, salvo se ocorrer a hipótese prevista na primeira parte do item 
8.3.
9.3 Os ônus referentes à arbitragem caberão à parte desfavorecida no laudo 
arbitral, em decisão homologada pela autoridade judicial brasileira, na forma 
da lei.
193
TÓPICO 2 | OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – PRIMEIRA PARTE: 
CONTRATOS DE COMPRA E VENDA INTERNACIONAL 
10ª ) Idiomas
10.1 As definições das expressões aqui utilizadas, bem como as interpretações 
do presente termo contratual e direitos das partes contratantes, serão 
reguladas pelas leis brasileiras competentes, respeitando o disposto no item 
9.1.
10.2 Com exceção deste contrato, que será elaborado nos idiomas português 
e alemão, alguns dos documentos estipulados na Cláusula 2ª (documentos 
contratuais e definições) poderão ser elaborados tanto em um quanto no 
outro idioma. Entretanto, os documentos técnicos, tais como manuais 
de manutenção, planos de lubrificação e permutas de partes e peças de 
equipamentos, deverão ser elaborados no idioma alemão.
10.3 A critério das partes contratantes, durante a execução deste contrato, 
quaisquer avisos, comunicações e documentos técnicos, relativos a outras 
notificações previstas no contrato, poderão ser feitos no idioma alemão.
11ª) Alterações
11.1 Nenhuma modificação nos termos deste contrato, ou nos documentos a 
ele pertinentes, será válida sem o prévio e expresso consentimento de ambas 
as partes contratantes.
11.2 Qualquer alteração ou modificação que não obedecer ao que determina 
o item 11.1, acima, será considerada dolosa e de má-fé.
12ª) Data e Prazo de Validade
12.1 Este contrato entrará em vigor na data de sua efetiva assinatura, e todos 
os prazos passarão a ser contados a partir dessa data, salvo se for estabelecida 
expressamente, em alguma outra cláusula deste contrato, outra data para a 
contagem do prazo, a qual, nesse caso, prevalecerá, para tal efeito, sobre a 
data da efetiva assinatura.
13ª) Foro Contratual
13.1 Fica desde já eleito o Foro da Cidade de XX, Estado de Santa Catarina, 
com renúncia expressa a qualquer outro, que será o único competente para 
dirimir as questões decorrentes da execução deste contrato, incluindo a 
homologação e a execução da sentença arbitral.
13.2 As partes contratantes obrigam-se a manter na cidade de XX, Estado de 
Santa Catarina, durante o período de vigência do contrato, um mandatário 
especial com poderes ad judicia, até mesmo para receber citação judicial e 
firmar compromisso arbitral; a citação poderá ser feita por edital, no caso de 
ausência ou incapacidade do citado mandatário.
194
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
E, por estarem ajustadas e contratadas, firmam as partes o presente contrato, 
em 3 (três) vias de igual teor e forma, em testemunho da verdade e na forma 
da lei brasileira, na cidade de Berlim, Alemanha, na presença das duas 
testemunhas igualmente abaixo assinadas.
Berlim, ___________de ____________________ de 2012.
_________________________________________________________________
X Indústria e Comércio Ltda. 
_________________________________________________________
Import Z S.A.
__________________________________________________________
Primeira Testemunha
___________________________________________________________Segunda Testemunha
FONTE: Adaptado de Murta (2005, p. 85)
Encerramos o Tópico 2 da Unidade 3 com a apresentação deste modelo de 
contrato internacional de compra e venda. 
195
Neste tópico, você viu que: 
● Identificou o conceito e o ambiente onde se encontram inseridos os contratos 
internacionais de compra e venda e sua classificação em relação ao aspecto 
jurídico.
● Compreendeu a importância do Foro Internacional e da escolha do mesmo, 
como forma de saber que leis serão aplicadas para regular a forma do contrato, 
assim como os direitos e as obrigações das partes.
● Entendeu a importância das cláusulas convencionais e específicas nos contratos 
internacionais.
● Distinguiu o conhecimento sobre o fator aleatório, a importância de se 
precaver com cláusulas de força maior e hardship, a importância da arbitragem 
internacional, por um órgão imparcial, de controvérsias existentes entre as 
partes contratantes, relativas aos termos do contrato.
● Assinalou as sanções aplicadas à parte descumpridora dos contratos como 
forma de dissuadir as defecções no contrato internacional.
● Apontou os tipos de rescisão contratual que podem ocorrer nos contratos 
internacionais e sob quais circunstâncias pode haver cada tipo de revogação.
RESUMO DO TÓPICO 2
196
AUTOATIVIDADE
1 Os contratos internacionais são formalizados, com cláusulas que 
identificam o objeto, prazo de entrega do produto, forma de pagamento, 
eventuais garantias. Quais as formas encontradas de rescisão dos contratos 
internacionais?
2 A solução de controvérsias diante de alguma lide nos contratos internacionais, 
é preferencialmente executada pela arbitragem internacional. Atribua um 
conceito a esta forma de solução de controvérsias.
3 Diante das relações comerciais internacionais estabelecidas entre os Estados 
internacionais, qual o papel da Câmara de Comércio Internacional?
197
TÓPICO 3
OS MODELOS DE CONTRATOS 
INTERNACIONAIS SEGUNDA PARTE: OUTROS 
TIPOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Este tópico tem como objetivo apresentar outros tipos de contratos 
internacionais existentes, além dos de compra e venda, vistos no tópico anterior. 
Por existir uma gama significativa de tais contratos, faremos a apresentação 
de forma mais objetiva, sendo que, caso o aluno tenha interesse de se aprofundar 
em determinado tipo de contrato, deve adentrar aos trabalhos e referências dos 
autores de cada área em particular.
Assim, este se torna um sucinto guia contendo a apresentação, os elementos 
componentes, o aspecto jurídico, o foro internacional, as cláusulas, a arbitragem 
internacional, as sanções e a rescisão de cada um dos seguintes contratos:
- representação ou agenciamento internacional;
- leasing ou arrendamento mercantil; 
- factoring ou faturamento; 
- franchising ou franquia; 
- transferência de tecnologia ou know-how;
- joint venture; e
- exportação de serviços. 
2 CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO OU 
AGENCIAMENTO INTERNACIONAL
Este tipo de contrato refere-se ao acordo entre a parte contratante e um 
terceiro (pessoa física ou jurídica), o qual será o representante legal de seus 
produtos, nos mercados internacionais.
Normalmente, a remuneração deste agente está atrelada pela comissão de 
venda sobre as mercadorias negociadas. Este se assemelha ao contrato de compra 
e venda, porém a transação comercial não se dá de via direta entre exportador e 
importador, mas por interveniente de ambos.
A efetivação da venda ao importador pelo agente interveniente levará a 
um contrato de compra e venda internacional entre o exportador e o importador.
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
198
FIGURA 16 - RELAÇÃO ENTRE EXPORTADOR, AGENTE AGENCIADO E IMPORTADOR EM 
RELAÇÃO AOS CONTRATOS INTERNACIONAIS
FONTE: Elaborado pelos autores
NOTA
Quando se tem por objetivo contratar os serviços de representação no exterior, 
uma análise muito importante deve ser feita pelo exportador, referente à idoneidade do 
profissional ou da empresa em questão, além da pesquisa sobre como é a eficiência da 
mesma no país para o qual se pretende exportar.
Os elementos referentes ao contrato de agenciamento são: 
- o proponente (exportador); 
- o proposto (agente), o objeto (serviços a serem prestados pelo agente). 
Neste caso, o objeto de contrato não é a venda em si, mas a divulgação e a 
representação em um mercado externo estando a cargo do proposto (agente). 
Na emissão do contrato de agenciamento utiliza-se a forma jurídica 
convencional, não sendo essa obrigatória. Porém, mais utilizada e capaz de 
evidenciar todos os direitos e obrigações das partes contratantes.
Segundo Murta (2005, p. 126), em relação aos termos jurídicos, “o contrato 
de agente classifica-se como: consensual, bilateral, oneroso e típico”.
Tem o caráter consensual, pois é formado pela livre e espontânea 
vontade do proponente e proposto. Como outros tipos de contrato, é bilateral, 
pois as obrigações e direitos são para ambas as partes, sendo a obrigação de o 
contratante credenciar o agente para que este o represente e aos seus produtos no 
país estrangeiro, e a do contratado, colocar os produtos do exportador no mercado 
exterior.
TÓPICO 3 | OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – SEGUNDA PARTE: 
OUTROS TIPOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS
199
Em relação aos direitos, ao contratante é devido ter seus produtos 
representados satisfatoriamente no exterior, enquanto ao contratado é devido o 
pagamento das comissões de suas vendas e representação. O contrato também é 
oneroso e típico, pois gera obrigações de ordem financeira e é regulado por lei.
O foro internacional eleito para regular os termos do contrato de 
agenciamento deverá ser o do local da parte contratante.
As cláusulas capazes de proporcionar garantias legais ao contratante.
 Segundo Murta (2005. p. 127), são:
 Nomes e/ou razões sociais dos contratantes e seus endereços 
completos;
 Descrição pormenorizada do(s) produto(s) que deverão constituir 
a representação objeto do contrato, especificando: preços unitário e 
total, pesos líquido e bruto, quantidade, tipo de embalagem utilizada.
 Garantia de exclusividade, em relação ao agente, da representação 
contratada, nos mercados e/ou regiões a ele atribuídos.
 Remuneração do agente, estabelecendo-se previamente, a critério 
das partes, a forma e o momento em que será feita a mencionada 
remuneração.
 Percentual da comissão do agente.
 Condições de pagamento da exportação contratada pelo agente com 
importador do país de sua representação.
 Fornecimento de material de divulgação ao agente, assim como suas 
responsabilidades.
 Definição das principais atividades do agente, como: pesquisa 
de mercado, visitas sistemáticas aos compradores, propaganda 
e divulgação do produto representado, levantamento de preço de 
produtos similares, etc.
 Regiões ou países a serem cobertos pelo agente, bem como viagens 
que necessite fazer.
 Limites mínimo e máximo de vendas a serem efetivadas por 
importador conquistado.
 Determinação das cotas de cada importador, país e do próprio 
agente.
 Idiomas em que será elaborado o contrato.
 Fornecimento, ao agente, de cópia do documento comprobatório da 
efetivação da venda ao importador.
 Constituição da arbitragem internacional para dirimir dúvidas e 
controvérsias eventualmente resultantes do não cumprimento do 
termo contratual.
 Casos de rescisão, bem como o prazo de sua vigência.
Como visto no tópico anterior referente ao contrato de compra e venda 
internacional, no contrato de representação a arbitragem internacional tem como 
objetivo dirimir conflitos, mediante o acatamento de decisões baseadas em normas 
do direito internacional, vindas de países escolhidos pelas partes do contrato. 
Estes se comprometem a submeter a disputa a um árbitro, cuja competênciae as regras sejam observadas no contrato. Em caso de litígio, as partes se 
comprometem a obedecer à sentença que venha a ser proferida.
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
200
Caso os termos contratuais não sejam respeitados, sanções poderão ser 
aplicadas, sendo a mais comum uma multa contratual, estabelecida e determinada 
pelo valor da mercadoria negociada, segundo porcentagem acordada pelas partes. 
No caso do agente ser o infrator, poderão ser aplicados outros tipos de sanções, 
como o não pagamento da comissão.
Se alguma das partes se sentir lesada em algum momento, ou seja, for 
verificado que uma ou mais cláusulas não estão sendo cumpridas, as partes podem 
pedir a rescisão contratual, também chamada de rescisão voluntária. 
Também pode ocorrer a rescisão involuntária. Aliás, mais comum nesse tipo 
de contrato, pois se o agente torna-se incapaz de continuar a exercer a atividade de 
representação, o contrato se rescindirá involuntariamente, cabendo ao exportador 
contratar os serviços de outro profissional.
3 CONTRATO DE ARRENDAMENTO 
MERCANTIL (LEASING)
Este contrato tem por finalidade o arrendamento de equipamentos, 
tais como máquinas, veículos, materiais diversos por um determinado 
tempo, mediante renda estabelecida pelo arrendador (leaser) e 
arrendatário (leased ou leaseholder), ou como percentagem sobre os lucros 
auferidos por este (MURTA, 2005, p. 163).
Trata-se de um instrumento capaz de reduzir a imobilização do capital 
e melhorar a produção de produtos. É uma operação realizada entre pessoas 
jurídicas ou entre pessoas jurídicas e pessoa física, cujo objeto específico é a locação 
a terceiros de bens adquiridos pelo arrendador, com a finalidade de sua utilização 
pelo arrendatário.
O contrato de arrendamento mercantil está regulamentado no Brasil pela 
Lei nº 6.099, de 12 de setembro de 1974, e pelas resoluções do Banco Central do 
Brasil nº 2523/88, 2309/96, 2465/98, 2595/99 e 2659/99. Em favor do arrendatário 
caracteriza-se por ter cláusulas de opção de compra ou de garantia de renovação.
O leasing apresenta duas modalidades diferentes: Leasing financeiro e 
Leasing de retorno (lease-back).
TÓPICO 3 | OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – SEGUNDA PARTE: 
OUTROS TIPOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS
201
FIGURA 17 – RELAÇÃO ENTRE EMPRESAS EM UM CONTRATO DE LEASING FINANCEIRO
FONTE: Elaborado pelos autores
O leasing financeiro é aquele em que uma empresa busca adquirir bens 
produzidos por terceiros, para arrendá-los a outra empresa que precise destes 
bens, mediante uma retribuição acordada. Assim, o bem é escolhido e indicado 
pela empresa arrendatária, estabelecendo contato com o vendedor, discutindo o 
preço com este. O bem então é indicado à empresa de leasing, a qual o adquire e em 
seguida arrenda à empresa que o indicou.
Passado o tempo e findo o prazo, o arrendatário terá a opção de comprar o 
bem. O valor deste é acordado em contrato, sendo que as prestações fixadas costumam 
ser elevadas. Ao pagar uma parcela do leasing, o arrendatário paga simultaneamente 
uma parte do valor do bem e uma parte do leasing propriamente dito.
UNI
Deve-se levar em conta o tempo em que o bem será útil ao arrendatário, 
considerando a possibilidade de bens similares mais modernos e que venham a deixar 
aquele em que se contratou o leasing obsoleto. Uma vez efetivado o contrato de leasing, o 
seu cumprimento assume o caráter obrigatório. Devido ao risco de obsolescência dos bens 
arrendados, deve-se estipular nos contratos a cláusula de hardship.
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
202
O leasing de retorno, também conhecido como lease-back, pode ser 
traduzido como um arrendamento de retorno, sendo uma operação mais complexa 
que o leasing financeiro. Este procedimento ocorre quando uma empresa possui 
um bem, seja um imóvel, um maquinário, e vende para outra empresa, que por 
sua vez arrenda este bem para a empresa que lhe vendeu. Neste caso, apenas duas 
empresas estão envolvidas.
Assim como no caso do leasing financeiro, nesta operação o arrendatário, 
com o fim do contrato, tem a opção de readquirir o bem pelo seu valor residual. Tal 
operação tem por finalidade se desfazer de parte do ativo imobilizado, utilizando 
os recursos dessa venda como capital de giro. Trata-se de uma importante 
ferramenta, pois possibilita que a empresa continue a utilizar o bem e ainda tenha 
uma suavização de sua estrutura econômica e empresarial.
FIGURA 18 – RELAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NUM CONTRATO DE LEASE-BACK
FONTE: Murta (2005)
NOTA
A fixação do valor residual é deveras importante, pois se no final do contrato o 
arrendatário resolver comprar o bem, terá explícitas todas as condições para tal. Assim, poderá 
adquirir o bem ou restituí-lo ao arrendador, ou ainda renovar o contrato.
TÓPICO 3 | OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – SEGUNDA PARTE: 
OUTROS TIPOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS
203
FIGURA 19 – PASSOS DE UM CONTRATO DE LEASING
FONTE: Murta (2005)
“As categorias de leasing que se pode encontrar são duas: mobiliário ou 
imobiliário” (MURTA, 2005, p. 164). O primeiro tipo refere-se a bens móveis de 
considerável valor, tais como: máquinas e utensílios sofisticados de alto valor 
agregado e que são arrendados por uma empresa diferente da que o produz. 
UNIDADE 3 | CONTRATOS INTERNACIONAIS
204
● O leasing de bens imobiliários: se refere ao arrendamento de prédios ou 
construções que serão utilizados pela empresa que arrendou. Geralmente, a 
empresa de leasing compra o terreno e financia a construção do prédio, segundo 
o interesse de seu cliente, para que o mesmo possa arrendá-lo. Por seu caráter 
de onerosidade, os contratos desse tipo de leasing podem ser muito longos, 
chegando a até 50 anos.
● A fase inicial do contrato de leasing: as partes escolhem o bem, seu preço e 
as diversas características do mesmo que servirão para a feitura do contrato. 
São fixadas nessa etapa as prestações, reembolso, vigência de contrato, valor 
residual, enfim, aspectos que salvaguardem ambas as partes em relação aos seus 
deveres e direitos.
● Posteriormente: o arrendador adquire efetivamente o bem. Neste momento, 
tem-se um contrato de compra e venda em que participam o vendedor e o 
arrendador. 
● O terceiro passo: é o firmamento do contrato de arrendamento entre o arrendador 
e arrendatário, ou seja, o leasing.
Segundo o aspecto jurídico do contrato de leasing, este é consensual, 
bilateral, oneroso e comutativo. Ainda poderá ser típico, caso trate-se 
de uma importação, sendo protegido por lei, ou atípico, caso o Brasil seja 
exportador, pois o leasing não é ainda amparado por dispositivo legal 
(MURTA, 2005, p. 167).
4 CONTRATO DE FATURAMENTO (FACTORING)
“Também conhecido como contrato de faturização, o factoring refere-se 
à concessão por parte de uma empresa a outra, o todo ou parte de suas vendas a 
terceiros, recebendo o primeiro montante dos créditos, mediante o pagamento de 
uma remuneração” (MURTA, 2005, p. 181).
As partes envolvidas são: o faturizador (factorer) e o faturizado (factored). 
A nomenclatura usual define o proponente de factor e o proposto de factored, 
sendo o contrato denominado factoring.
NOTA
Caso o arrendatário deseja extinguir ou rescindir o contrato, de deverá devolver 
o bem ao arrendador, além de pagar as prestações devidas até o término da vigência do 
contrato.
TÓPICO 3 | OS MODELOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS – SEGUNDA PARTE: 
OUTROS TIPOS DE CONTRATOS INTERNACIONAIS
205
Neste tipo de contrato houve uma evolução, passando de um simples 
contrato de comissão para outro em que o factor assume-se como financiador das 
empresas de comércio, adquirindo seus créditos, mediante o pagamento destes em 
um tempo fixado. 
Este contrato é muito usado entre outros países, como Estados Unidos da 
América, o qual elabora leis próprias a respeito