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77 UNIDADE 2 O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir desta unidade você estará apto(a) a: • apresentar e esclarecer a conceituação, as características, as espécies e princípios do orçamento público; • demonstrar e distinguir os instrumentos que fazem parte do planejamento orçamentário nacional: Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual; • conhecer o ciclo orçamentário da Lei Orçamentária Anual e suas etapas; • proporcionar o conhecimento dos créditos orçamentário, os tipos de cré- ditos adicionais e os recursos que podem ser utilizados para ampliar ou alterar o orçamento. Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No final de cada um deles você encontrará atividades que o(a) auxiliarão a fixar os conhecimentos desenvol- vidos. TÓPICO 1 – ORÇAMENTO PÚBLICO TÓPICO 2 – PLANO PLURIANUAL – PPA TÓPICO 3 – LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO TÓPICO 4 – LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL – LOA 78 79 TÓPICO 1 ORÇAMENTO PÚBLICO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Planejar é necessário em todas as áreas, tanto na nossa vida particular, como na profissional e, muito mais, nas atividades do Estado, que influenciam na vida, na rotina e nos relacionamentos da sociedade. É através dos instrumentos de planejamento orçamentário, onde resulta o orçamento público, que a administração pública planeja como vai arrecadar, como e onde vai aplicar os recursos financeiros do Estado. Você sabe qual é o tipo de orçamento obrigatório para os entes da Federação? Como a administração pública decide que deverá aumentar tributos? Quais são os princípios que devem ser utilizados para elaborar um orçamento? Quem elabora, quem aprova e quem executa o orçamento público? Essas são algumas das questões que você compreenderá após a leitura deste tópico. Caro(a) acadêmico(a), neste tópico vamos conhecer um pouco da história do orçamento público (no mundo e no Brasil), conheceremos o conceito e a finalidade do orçamento, bem como, quais os tipos de orçamento que já foram utilizados no Brasil. Para finalizar, conheceremos as bases para a elaboração dos orçamentos, os chamados princípios orçamentários. Seja bem-vindo(a), contamos com você a partir de agora. 2 CONCEITO E FINALIDADE DO ORÇAMENTO PÚBLICO Todos os Poderes do Estado (Legislativo, Executivo e Judiciário), em todas as esferas de governo, devem seguir o planejamento orçamentário aprovado. Vejamos os ensinamentos do autor Carvalho (2010, p. 28) sobre o conceito e finalidade do orçamento governamental: Orçamento público é um instrumento de planejamento adotado pela administração pública - União, Estados, Distrito Federal e Municípios -, realizado nas três esferas de poder – Executivo, Legislativo e Judiciário -, o qual prevê ou estima todas as receitas a serem arrecadadas e fixa as despesas a serem realizadas no exercício financeiro seguinte, objetivando a continuidade, eficácia, eficiência, efetividade e economicidade na qualidade dos serviços prestados à sociedade (grifos do autor). UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 80 O Poder Executivo, de cada ente da Federação, deverá reunir as propostas de orçamento dos outros poderes e elaborar um projeto de lei, consolidado com a sua proposta orçamentária. “O orçamento público é uma lei de iniciativa do Poder Executivo [...]” (SLOMSKI, 2010, p. 304). O orçamento público possui enfoque em diversas áreas, como: política econômica, administrativa, jurídica, contábil e financeira. Observe a área que representa suas fases ou conteúdos, conforme a visão de Giacomoni (2012): • Política: quando apresenta o resultado do processo de avaliação de demandas a serem contempladas no orçamento. • Econômica: quando são destacadas as questões fiscais, receitas, despesas, déficits, dívidas públicas. • Jurídica: quando da aprovação da lei do orçamento, ele apresenta a estimativa das receitas e autoriza o limite de despesas. • Administração: quando demonstra a ação governamental e o desempenho durante a execução. • Financeira: perante a demonstração dos fluxos de receitas a arrecadar e de despesas a executar. • Contábil: é realizado através de códigos contábeis para demonstrar programas, funções, órgãos e unidades, bem como antecipa o resultado patrimonial desejado. A Lei de Responsabilidade Fiscal obriga o estímulo da participação popular no processo de elaboração e aprovação dos instrumentos de planejamento orçamentário, na definição do que é prioridade para a população. Além de ser aberto à participação popular, para a definição das prioridades quando da sua elaboração, feita pelo Poder Executivo, deve haver a participação popular no processo de apreciação e aprovação, feita pelo Poder Legislativo, no transcorrer do processo legislativo normal (ANDRADE, 2013). É a nossa Constituição Federal que estabelece os instrumentos de planejamento orçamentário, já a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei nº 4.320/64 os regulamentam. A Lei Orçamentária Anual, conhecida como o orçamento público, é elaborada em consonância com o Plano Plurianual e segue as diretrizes da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Sobre o atual processo orçamentário, orienta o autor Silva (2011, p. 176): Atualmente, o processo orçamentário está definido na Constituição de 1988, que estabeleceu como instrumentos de planejamento governamental os seguintes: • Lei do Plano Plurianual; • Lei de Diretrizes Orçamentárias; • Lei do Orçamento Anual. TÓPICO 1 | ORÇAMENTO PÚBLICO 81 Em síntese, ensina Carvalho (2010, p. 28), o orçamento é “[...] um processo contínuo, dinâmico e flexível, que traduz, em termos financeiros para determinado período (um ano), os planos e programas de trabalho do governo”. Acadêmicos(as), nós vamos estudar os instrumentos de planejamento governamental, detalhadamente, nos Tópicos 2, 3 e 4 desta unidade. 3 BREVE EVOLUÇÃO HISTÓRICA Desde que o homem começou a viver em sociedade, o planejamento se fez presente na história, mesmo que de forma rudimentar (CARVALHO, 2010). No ano de 1215, na Inglaterra, foi imposta uma Carta Magna, pelo então rei João Sem-Terra. Seu ordenamento objetivava dar limites ao poder de tributar, bem como definir a realização dos gastos. Este ato é considerado pela maioria dos estudiosos como um marco na evolução do orçamento público (ARAÚJO; ARRUDA, 2007). O objetivo do orçamento, entre outros, é auxiliar no controle da arrecadação e dos gastos. “[...] o orçamento público representa, historicamente, uma tentativa de restringir, de disciplinar o grau de arbítrio soberano, de estabelecer algum tipo de controle legislativo sobre a ação dos governantes, em face de suas prerrogativas de cobrarem tributos da população” (PISCITELLI; TIMBÓ, 2012, p. 33). A imposição de controle das receitas e despesas introduzidas pela Carta Magna inglesa de 1215 evoluiu como legislação orçamentária e serviu de exemplo a outros países, como: França, Estados Unidos, entre outros. “[...] A trajetória histórica do orçamento inglês é especialmente importante em dois aspectos: primeiro, por delinear a natureza técnica e jurídica desse instrumento e, segundo, por difundir a instituição orçamentária para outros países” (GIACOMONI, 2012, p. 33). O primeiro orçamento público, elaborado segundo os moldes atuais, foi formalmente redigido na Grã-Bretanha (Inglaterra), em 1822, onde o Executivo presta contas para o Parlamento em relação às receitas e despesas (GIACOMONI, 2012). O orçamento público brasileiro começou a ser delineado em 1824, pela Constituição Imperial, porém, apenas em 1827 foi que surgiu a primeira lei que versasse sobre orçamento, ensinam os autores Araújo e Arruda (2007, p. 67): No Brasil, a origem do orçamento está ligada ao surgimento do governo representativo,sendo que a nossa primeira lei orçamentária data de 1827. Vale, todavia, mencionar que a Constituição do Império de 1824 já trazia disposições, ainda que de forma indireta, a respeito da matéria, em seu artigo 172 [...]. UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 82 O processo orçamentário proposto pela Constituição de 1824, segundo Giacomoni (2012), se resumia nas seguintes competências: o Executivo elaborava a proposta orçamentária, a Assembleia Geral (Câmara de Deputados e Senado) aprovava a lei orçamentária e a Câmara de Deputados tinha a prerrogativa da iniciativa das leis sobre impostos. Ressalta Carvalho (2010, p. 1), sobre a evolução orçamentária brasileira, que “A administração pública brasileira, em seu processo histórico, acompanhou o processo mundial, prevendo em suas normas a elaboração de planejamentos ou orçamentos”. As constituições que surgiram após a de 1824 trouxeram retrocessos e evoluções ao processo orçamentário brasileiro. Verifique, no quadro a seguir, um resumo da evolução do orçamento público brasileiro quanto à sua elaboração, aprovação e execução. PERÍODO TIPO DE ORÇAMENTO 1831 – 1891 Misto 1891 – 1934 Legislativo 1934 – 1937 Misto 1937 – 1946 Executivo 1946 – 1964 Misto 1964 – 1988 Executivo 1988 – dias atuais Misto QUADRO 7 – TIPOS DE ORÇAMENTO NAS CONSTITUIÇÕES FEDERAIS FONTE: Soares e Moser (2011, p. 65) Atualmente, encontramos na Constituição Federal de 1988 o ordenamento e a normatização geral sobre o orçamento público brasileiro. Nosso orçamento tem um processo misto, o Poder Executivo elabora e o Poder Legislativo aprova (ALBUQUERQUE, 2008). DICAS Caro(a) acadêmico(a): Para ampliar seus conhecimentos em relação à história do orçamento público nas constituições brasileiras, leia o conteúdo da seguinte referência: GIACOMONI, James. Orçamento público. 16. ed. São Paulo: Atlas, 2012. TÓPICO 1 | ORÇAMENTO PÚBLICO 83 4 ESPÉCIES DE ORÇAMENTO A classificação do orçamento público depende do foco em que será analisado. Vejamos a seguir algumas das classificações utilizadas. “O orçamento governamental não é ainda uma disciplina. É uma área de estudo que interessa a várias disciplinas, o que garante ao orçamento suas diferentes naturezas: política, econômica, administrativa, jurídica, contábil, financeira” (GIACOMONI, 2012, p. 54). Quanto à elaboração do orçamento, segundo o regime jurídico, pode-se classificá-lo em Legislativo, Executivo ou misto. O autor Silva (2011, p. 188-189) apresenta a conceituação de cada um destes tipos: • Legislativo: é o orçamento cuja elaboração, votação e aprovação é da competência do Poder Legislativo, cabendo ao Executivo a sua execução. Esse tipo é utilizado em países parlamentaristas; • Executivo: é o orçamento cuja elaboração, aprovação, execução e controle são da competência do Poder Executivo. É utilizado em países onde impera o poder absoluto; • Misto: é o orçamento elaborado e executado pelo Poder Executivo, cabendo ao Poder Legislativo a sua votação e controle. Esse tipo é utilizado pelos países em que as funções legislativas são exercidas pelo Congresso ou Parlamentarismo, sendo sancionado pelo chefe do Poder Executivo. Este é o tipo utilizado no Brasil (grifos do autor). A classificação constitucional determinada no Art. 165, § 5º, orienta a apresentação segregada no orçamento público no seguinte contexto: fiscal, investimentos e seguridade social. Os autores Piscitelli e Timbó (2012, p. 40) orientam quanto ao significado das três classificações: • O fiscal, referente aos Poderes da União (Legislativo, Executivo e Judiciário), seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público; • O de investimentos das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto (excluída, portanto, a parte referente ao custeio); • O da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo poder público (grifos nossos). Segundo Carvalho (2010), outra classificação é a que considera a forma de elaboração do orçamento e a sua evolução na administração pública. São exemplos dessa classificação: o orçamento-programa, o orçamento tradicional, o orçamento de desempenho, o orçamento de base zero, o orçamento participativo etc. UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 84 Sob a ótica da classificação do orçamento público, através da sua evolução, encontramos também a classificação do orçamento público tradicional e o orçamento público moderno. Esta é a visão de Giacomoni (2012) quando orienta que do ponto de partida tradicional, do orçamento, foram agregando novas funções e nesta evolução surgem: o orçamento-programa, o orçamento por desempenho, entre outros orçamentos. ESTUDOS FU TUROS Os tipos de orçamento fiscal, orçamento de investimentos e orçamento da seguridade social, vão ser abordados no Tópico 4, porque devem compor a Lei Orçamentária Anual. 4.1 ORÇAMENTO TRADICIONAL Este orçamento é o ponto de partida no desenvolvimento do orçamento público, onde seu objetivo é aprovar a previsão de receitas e autorizar as despesas, que serão controladas. O orçamento público tradicional surgiu na Inglaterra e seu principal objetivo era o controle dos gastos públicos para evitar o aumento tributário, segundo ensinamentos do pesquisador Giacomoni (2012, p. 55): [...] o orçamento público surgiu, como instrumento formalmente acabado, na Inglaterra, por volta de 1822. O liberalismo econômico encontrava-se em pleno desenvolvimento, havendo forte consciência contrária ao crescimento das despesas públicas, pois isso determinaria aumentos na carga tributária. Este tipo de orçamento, segundo os ensinamentos dos pesquisadores Soares e Moser (2011), não observava as necessidades da população, era elaborado sem técnicas de planejamento e procurava, através da experiência do ano anterior, alocar receitas para o seu objeto, que eram as despesas. Enfim, era utilizado como um mero instrumento de autorização e não para o planejamento orçamentário de ações públicas. Para os autores Araújo e Arruda (2007, p. 70-71), “O orçamento tradicional, também conhecido como orçamento clássico, é o processo de elaboração do orçamento em que é enfatizado o objeto de gasto”. (grifos dos autores) O estudioso Silva (2011, p. 206) orienta como são as bases de estudo do orçamento tradicional: TÓPICO 1 | ORÇAMENTO PÚBLICO 85 4.1 ORÇAMENTO TRADICIONAL No processo tradicional, os orçamentos de cada exercício são elaborados tomando por base o nível de atividades do exercício anterior, determinando-se o seu custo e acrescentando-se a esse custo um incremento para compensar a inflação e uma carga de trabalho para o ano seguinte. Esse processo não requer revisão detalhada das operações em andamento e dos níveis de gastos. O orçamento tradicional adota a base orçamentária existente e examina apenas os incrementos ou reduções que projetam o nível corrente de despesas para o futuro. Para Piscitelli e Timbó (2012), o orçamento tradicional foi modificando-se de acordo com a evolução da administração pública e as exigências da sociedade. Através da legislação foram implementadas novas funções, para o orçamento, que resultaram em maior controle, avaliação e gerenciamento, não apenas da autorização para o uso das receitas, mas em busca de resultados mais eficientes. A principal função do orçamento público era ser um instrumento disciplinador das finanças públicas, fazendo com que fosse possível um controle político sobre os gestores ou executivos do orçamento (GIACOMONI, 2012). 4.2 ORÇAMENTO ATRAVÉS DE PROGRAMAS OU ORÇAMENTO-PROGRAMAO orçamento realizado através dos programas de governo é o atual modelo de orçamento para os órgãos públicos. O autor Carvalho (2010, p. 6) destaca a sua função e exemplifica: O orçamento-programa caracteriza-se pelo fato de a elaboração orçamentária ser feita em função daquilo que se pretende realizar no futuro, ou seja, é um moderno instrumento de planejamento que permite identificar os programas de trabalho dos governos, seus projetos e atividades a serem realizados e ainda estabelecer os objetivos, as metas, os custos e os resultados alcançados, avaliando-os divulgando seus resultados com a maior transparência possível. O orçamento-programa é o que deve ser adotado no Brasil, encontramos esta normativa no Art. 2º, da Lei nº 4.320/64: “Art. 2° A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de forma a evidenciar a política econômica financeira e o programa de trabalho do governo, obedecidos os princípios de unidade universalidade e anualidade”. (grifo nosso) Ensina o estudioso Andrade (2013, p. 45) como deve ser o controle, após a LRF, deste tipo de orçamento: UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 86 O orçamento-programa é claramente um documento de significado político, e a responsabilidade de geri-lo recai sobre os que detêm, de fato, poder de decisão. Após sua aprovação, pelo Poder Legislativo, as ações prosseguem na fase de execução orçamentária, onde o controle do processo de decisão está inteiramente sob a responsabilidade do Poder Executivo. [...] O orçamento-programa é, pois, a evolução do controle preventivo, sinalizando uma nova sistemática de apropriação e controle de recursos públicos. Afirmam Araújo e Arruda (2007, p. 71) que a principal diferença entre o orçamento tradicional e o orçamento-programa: “[...] é que o orçamento- programa parte da previsão de recursos para que sejam definidos as atividades e os projetos que serão executados, enquanto no orçamento tradicional a previsão dos recursos constitui a etapa final do processo de planejamento”. O professor Albuquerque orienta (2008) que a classificação funcional- programática exigida nos orçamentos públicos é a pura representação do orçamento-programa. Atualmente, a classificação exige os seguintes códigos para identificar os programas de governo: função, subfunção, programa, ações (projeto, atividade ou operações especiais). Aprecie, no quadro a seguir, um comparativo entre o orçamento clássico e sua evolução para o orçamento-programa. QUADRO 8 – COMPARATIVO ENTRE O ORÇAMENTO TRADICIONAL E O ORÇAMENTO-PRO- GRAMA Orçamento tradicional ou clássico Orçamento-programa 1. O orçamento é desvinculado do planejamento, ou seja, não há integração entre planejamento e orçamento. 1. Existe integração entre planejamento e orçamento. Essa integração está prevista em norma legal (CF, LRF e na Lei nº 4.320/1964). 2. As decisões orçamentárias são tomadas a partir das necessidades ou do poder político dos dirigentes das unidades organizacionais. 2. As decisões orçamentárias são tomadas com base em critérios e análises técnicas das alternativas possíveis e em função dos recursos existentes. 3. A alocação dos recursos visa à consecução de meios. A ênfase é o objeto do gasto. 3. A alocação de recursos visa à consecução de objetivos, metas, diretrizes e prioridades. 4. Na elaboração do orçamento são consideradas as necessidades financeiras das unidades organizacionais com base em dados históricos (do passado). 4. Na elaboração do orçamento são considerados todos os custos dos programas, inclusive dos que ultrapassam o exercício financeiro. 5. A estrutura do orçamento dá ênfase aos aspectos contábeis da gestão. 5. A estrutura do orçamento está voltada para os aspectos administrativos e de planejamento. 6. Praticamente inexistem sistemas de acompanhamento e avaliação dos programas de trabalho e dos resultados alcançados. 6. Utilização sistemática de indicadores e padrões de medição dos trabalhos e avaliação dos resultados. TÓPICO 1 | ORÇAMENTO PÚBLICO 87 7. Os principais critérios de classificação da despesa são as unidades administrativas. 7. Principal critério de classificação de despesa é o funcional-programático (funções e programas). 8. O controle visava avaliar a legalidade no cumprimento do orçamento. 8. O controle visa avaliar a eficiência, a eficácia e a efetividade das ações governamentais. FONTE: Carvalho (2010, p. 23-24) 4.3 ORÇAMENTO DE DESEMPENHO O orçamento de desempenho busca definir os propósitos, as finalidades que as dotações ou créditos orçamentários são consignados. O objeto do gasto não é tão importante, o que interessa é o que se faz com o produto adquirido (o desempenho). (SOARES; MOSER, 2011) Uma das evoluções do orçamento tradicional é o orçamento de desempenho, o qual busca reconhecer os benefícios que são almejados. Observe os estudos do autor Albuquerque (2008, p. 191): Essa modalidade de orçamento representou uma evolução do orçamento tradicional, buscando melhorar o processo orçamentário de forma que o gestor pudesse ter mecanismo de avaliar não apenas o montante dos gastos, mas também os resultados da ação governamental. O foco, portanto, deixava de ser simplesmente demonstrar em que os recursos eram gastos, mas passava a buscar a indicação dos benefícios que seriam obtidos. Assim, além da dimensão contida no orçamento tradicional, o objeto do gasto, o orçamento de desempenho incorporava uma segunda dimensão, o programa de trabalho, buscando medir o desempenho organizacional. Salienta Albuquerque (2008), sobre a diferença do orçamento-programa e o orçamento de desempenho, que o segundo não é tão eficiente, porque deixa de relacionar e identificar o orçamento com o planejamento das políticas públicas. 4.4 ORÇAMENTO DE BASE ZERO Para os pesquisadores Soares e Moser (2011), o orçamento base zero é uma técnica de elaboração do orçamento-programa. No processo orçamentário ele se baseia na necessidade de justificativa de todos os programas sempre que se inicia um novo ciclo orçamentário, e os valores estabelecidos não são com base no realizado no ano anterior. Na visão do professor Silva (2011, p. 206), o orçamento base zero, também conhecido como orçamento por estratégia, é uma técnica que apresenta as seguintes características: “[...] a revisão crítica dos gastos tradicionais de cada área; [...] a criação de alternativas para facilitar a escala de prioridades a serem levadas para decisão superior”. UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 88 Já o pesquisador Albuquerque (2008, p. 192) apresenta um resumo da criação e do funcionamento do orçamento base zero, vamos apreciar: [...] outra técnica, criada por Peter Phyrr para a empresa Texas Instruments no final dos anos 1960, conhecida como orçamento base zero, que consiste basicamente em se realizar, a cada período de elaboração do orçamento, ampla reavaliação de todas as despesas demandadas pelos órgãos de governo, como se no período anterior nenhuma despesa houvesse se realizado (a base de comparação é zero). Com isso, realiza-se o questionamento quanto às efetivas necessidades de recursos para cada um dos programas, sem nenhuma consideração quanto aos montantes executados no período anterior (grifos nossos). Continuando com os ensinamentos de Albuquerque (2008), o orçamento base zero não é compatível com o planejamento do Plano Plurianual, obrigatório no sistema orçamentário brasileiro, já que as estimativas de recursos são determinadas previamente, e dispensa a revisão anual. 4.5 ORÇAMENTO PARTICIPATIVO Na história brasileira, o orçamento participativo teve início nas administrações públicas municipais. “No Brasil, as administrações municipais participativas tornaram-se realidadea partir da experiência pioneira realizada em Lages (SC), no final dos anos 70, a qual se seguiram, nos anos 80, as experiências de Boa Esperança (ES), de Diadema (SP) e de Recife (PE)” (GIACOMONI, 2012, p. 258). Nesta espécie de orçamento a administração pública, através de legislação própria, chama a população para participar do processo decisório, por meio de lideranças associativas, através de audiências públicas. A sociedade não exerce apenas o poder opinativo, mas também vota em programas mais adequados para a sua comunidade. Este processo orçamentário requer transparência dos critérios em votação e informações que nortearão a tomada de decisões (SOARES; MOSER, 2011). Para que o orçamento seja participativo, deve haver uma estrutura apropriada para organizar as assembleias, as propostas encaminhadas pelas comunidades e a forma de acatar as decisões. Nesse sentido, orienta o autor Giacomoni (2012) que é necessária a instituição de legislação própria, onde seja elencada a estrutura do poder da comunidade, os passos a serem seguidos na elaboração e os papéis destinados a todos os atores do orçamento participativo. TÓPICO 1 | ORÇAMENTO PÚBLICO 89 4.5 ORÇAMENTO PARTICIPATIVO DICAS Quer saber mais sobre orçamento participativo? Pesquise na página oficial, da rede mundial de computadores, da cidade de Porto Alegre (RS), procure pela lei que criou este orçamento, verifique qual é a estrutura e como funciona. Em 2015 iniciou o orçamento participativo na cidade de Rodeio (SC), mais um lugar que você poderá pesquisar. Boa pesquisa! 5 PRINCÍPIOS ORÇAMENTÁRIOS Todos os entes da Federação, em todos os Poderes, devem respeitar os princípios orçamentários (gerais e específicos) no processo de elaboração, estudo e aprovação, execução, controle e avaliação do orçamento público. Estabelece o MCASP (2014, p. 31): Os Princípios Orçamentários visam estabelecer regras norteadoras básicas, a fim de conferir racionalidade, eficiência e transparência para os processos de elaboração, execução e controle do orçamento público. Válidos para os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de todos os entes federativos – União, Estados, Distrito Federal e Municípios –, são estabelecidos e disciplinados por normas constitucionais, infraconstitucionais e pela doutrina. (grifo nosso) Os princípios básicos podem ser gerais ou específicos; gerais quando são aplicados tanto para as receitas quanto para as despesas públicas, como, por exemplo, a uniformidade; já os específicos são destinados a fundamentar apenas as receitas ou apenas as despesas, como, por exemplo, o princípio da não afetação da receita, que está diretamente ligado às receitas do orçamento público. Na figura a seguir você poderá identificar, mais claramente, essa segregação: UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 90 QUADRO 9 – ESTRUTURA DOS PRINCÍPIOS BÁSICOS P r i n c í p i o s orçamentários Princípios orçamentários gerais (de receita e de despesa) Substanciais - Anualidade - Unidade - Universalidade - Equilíbrio - Exclusividade Formais ou de apresentação - Especificação - Publicidade - Clareza - Uniformidade - Precedência Princípios orçamentários específicos (só das receitas) - Não afetação da receita - Legalidade da tributação FONTE: Silva (2011, p. 189) Destacam os estudiosos Araújo e Arruda (2007, p. 67) que: “Os princípios básicos do orçamento são axiomas fundamentais que surgiram da necessidade de apresentar uma linguagem uniforme para elaborar e interpretar apropriadamente os orçamentos anuais”. A importância da utilização dos princípios orçamentários em todos os instrumentos de planejamento orçamentário é destacada pelo estudioso Moraes (2011, p. 1.794): O legislador constituinte reservou à lei complementar a disposição sobre o exercício financeiro, a vigência, os prazos, a elaboração e a organização do plano plurianual, da lei de diretrizes orçamentárias e da lei orçamentária anual; e o estabelecimento de normas de gestão financeira e patrimonial da administração direta e indireta, bem como condições para a instituição e o funcionamento de fundos, que deverão seguir os princípios orçamentários. Os princípios orçamentários são resultados de várias legislações e, também, da doutrina, por este motivo não há consenso absoluto entre os diversos autores. Acadêmicos(as), neste tópico vamos estudar os princípios orçamentários apresentados pelo manual de contabilidade aplicado ao setor público (MCASP). 5.1 UNIDADE OU TOTALIDADE O orçamento público deve respeitar o princípio da unidade, também conhecido por princípio da totalidade. Para atender a este princípio é necessário que a União, Estados, Distrito Federal e Municípios elaborem e aprovem um único orçamento para cada esfera de governo. Por exemplo, o Município, ao elaborar TÓPICO 1 | ORÇAMENTO PÚBLICO 91 5.1 UNIDADE OU TOTALIDADE seu orçamento único (fiscal, seguridade social e de investimentos), reunirá todas as receitas e as despesas dos Poderes: Executivo e Legislativo (PISCITELLI; TIMBÓ, 2012). A finalidade do princípio da unidade é evitar que sejam elaborados vários orçamentos, com valores desencontrados. A previsão legal deste princípio é a Lei nº 4.320/64, que no Art. 2º apresenta o MCASP (2014, p. 31): Previsto, de forma expressa, pelo caput do art. 2º da Lei nº 4.320/1964, determina existência de orçamento único para cada um dos entes federados – União, estados, Distrito Federal e municípios – com a finalidade de se evitarem múltiplos orçamentos paralelos dentro da mesma pessoa política. Albuquerque ressalta (2008) que a nossa Constituição Federal, em seu Art. 165, § 5º, incisos I ao III, também determina que os orçamentos fiscais, da seguridade social e de investimentos sejam apresentados de forma unificada, vindo ao encontro do princípio da unidade determinado pela Lei nº 4.320/64. A apresentação de orçamentos múltiplos (paralelos) facilitaria o descontrole orçamentário e, por consequência, provável déficit de orçamento, é o que destaca o autor Giacomoni (2012). Esclarece o autor Silva (2011) que o princípio orçamentário da unidade também está relacionado ao princípio de unidade de caixa, específico para a fase do recolhimento da receita, onde todos os recursos devem fluir para uma conta única de disponibilidades. 5.2 UNIVERSALIDADE Nos mesmos fundamentos do princípio da unidade, baseia-se o princípio da universalidade. Todas as receitas e todas as despesas devem fazer parte do orçamento, que será uno. Encontramos no MCASP (2014, p. 32) a legislação, a conceituação e a abrangência deste princípio: Estabelecido, de forma expressa, pelo caput do art. 2º da Lei nº 4.320/1964, recepcionado e normatizado pelo § 5º do art. 165 da Constituição Federal, determina que a LOA de cada ente federado deverá conter todas as receitas e despesas de todos os poderes, órgãos, entidades, fundos e fundações instituídas e mantidas pelo poder público. Vários autores, como Andrade et al. (2008), Silva (2011), interpretam o princípio da universalidade como sendo equivalente ao princípio do orçamento bruto. Esse não é o entendimento do MCASP (2014). UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 92 “Este princípio é de fundamental importância, porque estabelece que todas as receitas e todas as despesas devem constar da Lei Orçamentária pelos seus valores totais, vedadas quaisquer deduções. É também denominado princípio do orçamento bruto” (SILVA, 2011, p. 191). Para conhecer o total de potencialidades da arrecadação, dominar a extensão do comprometimento das despesas e controlar essa equação, é importante que seja respeitado o princípio da universalidade, segundo os autores Araújo e Arruda (2007). 5.3 ANUALIDADE OU PERIODICIDADE A anualidade ou periodicidade éo princípio que padroniza o orçamento para ser executado em um determinado período, que no Brasil se refere ao ano civil ou ano financeiro (1º de janeiro até 31 de dezembro de cada ano). Araújo e Arruda (2007, p. 68) explicam detalhadamente que: [...] este princípio orçamentário preconiza que as previsões da receita e a fixação da despesa devem sempre se referir a um período limitado de tempo. Consequentemente, a cada exercício, o Poder Executivo terá que solicitar nova autorização do Poder Legislativo para cobrar e arrecadar tributos, bem como para aplicar os recursos obtidos. A determinação legal deste princípio está inserida no caput do Art. 2º, da Lei nº 4.320/64, que determina o exercício financeiro orçamentário, a execução das receitas e despesas registradas na LOA. Já no Art. 34 da Lei nº 4.320/64, determina que o exercício financeiro coincidirá com o ano civil, ou seja, de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. Em se tratando da lei orçamentária anual, a nossa Constituição Federal menciona o termo anual, o que nos remete ao princípio da anualidade. Essa normatização encontra-se no Art. 165, § 5º e § 8º, no Art. 166, § 3º, e o Art. 167, inciso I (CARVALHO, 2010). 5.4 EXCLUSIVIDADE A previsão legal deste princípio encontra-se no § 8º do Art. 165 da Constituição Federal, onde está expresso que não deverá conter na LOA matéria diversa das previsões das receitas e da fixação das despesas, com exceção da abertura de créditos suplementares e a contratação de operações de crédito. Para Silva (2011, p. 196), o princípio da exclusividade “[...] é o que decorre do aspecto jurídico [...] significando que a lei de meios não poderá conter dispositivo estranho à fixação das despesas e previsão das receitas [...]”. TÓPICO 1 | ORÇAMENTO PÚBLICO 93 5.3 ANUALIDADE OU PERIODICIDADE 5.4 EXCLUSIVIDADE A lei orçamentária deve respeitar as diretrizes da LDO, o princípio da exclusividade determina que o conteúdo da proposta e posteriormente do orçamento aprovado seja exclusivo para receitas e despesas. Há exceções autorizadas que o autor Carvalho (2010, p. 88) explica: Estabelece que a lei orçamentária anual não pode conter dispositivos estranhos à fixação das despesas e previsão das receitas, ressalvada a autorização para a abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação da receita. (grifo do autor) Os autores Andrade et al. (2008) apresentam exemplos de matérias que são estranhas à lei do orçamento, que normalmente os gestores insistiam em inserir nos projetos de lei do orçamento: • Alienação de bens imóveis. • Criação de cargos. • Reestruturação de carreira. • Alteração na estrutura administrativa. • Alteração na legislação tributária, entre outras. O orçamento público tem prazos céleres para sua votação. Por causa da rapidez de sua tramitação foi necessário proibir a inclusão de outras matérias na LOA, explica o autor Giacomoni (2012, p. 78): “Esse princípio surgiu com o objetivo de impedir que a Lei de Orçamento, em função da natural celeridade de sua tramitação no Legislativo, fosse utilizada como meio de aprovação de matérias outras que nada tinham que ver com questões financeiras”. 5.5 ORÇAMENTO BRUTO O princípio do orçamento bruto vem ao encontro da transparência nas contas públicas, está previsto no Art. 6º da Lei nº 4.320/64 (o mesmo que consagra o princípio da universalidade), quando determina que as receitas devem ser registradas pelo valor bruto, vedadas possíveis deduções. Na elaboração e execução do orçamento é necessário que as despesas e receitas apareçam nas suas totalidades. Carvalho (2010, p. 97) apresenta um exemplo deste princípio: Esse princípio estabelece que as receitas e despesas devam ser demonstradas na LOA pelos seus valores totais, isto é, sem deduções ou compensações. Exemplo: a proposta orçamentária da União deve ser apresentada sem as deduções dos recursos a serem transferidos aos fundos de participação dos estados e municípios. (grifo do autor) É importante destacar que este princípio tem o objetivo de impedir a inclusão na LOA de importâncias líquidas, apenas pelo saldo de alguma transação entre receitas, despesas e suas deduções ou compensações (GIACOMONI, 2012). UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 94 5.6 LEGALIDADE A nossa Constituição Federal apresenta vários princípios para a administração pública respeitar: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Entre eles, o da legalidade significa: Apresenta o mesmo fundamento do princípio da legalidade aplicado à administração pública, segundo o qual cabe ao poder público fazer ou deixar de fazer somente aquilo que a lei expressamente autorizar, ou seja, se subordina aos ditames da lei (MCASP, 2014). O princípio da legalidade para o orçamento público também está expresso na Constituição Federal no Art. 165, incisos I ao III, observe: Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: I – o plano plurianual; II – as diretrizes orçamentárias; III – os orçamentos anuais. O sistema orçamentário brasileiro é todo estruturado sob o princípio da legalidade. Por este motivo, os instrumentos de planejamento orçamentário são submetidos à aprovação do Poder Legislativo e se tornam leis. “O princípio da legalidade orienta a estruturação do sistema orçamentário. Em função desse princípio, o planejamento e o orçamento são realizados através de leis (PPA, LDO e LOA)” (CARVALHO, 2010, p. 81). 5.7 PUBLICIDADE Após a aprovação do orçamento, no Legislativo, transforma-se em lei. Todas as leis devem ser publicadas para o conhecimento da população, não é diferente para o orçamento. Orientam Araújo e Arruda (2007, p. 70) que: “[...] o orçamento público deverá ser publicado para que toda a comunidade possa tomar conhecimento dos objetivos do Estado e para que ele possa ter validade [...]”. Em relação à obrigatoriedade e fundamentação legal do princípio básico da publicidade, ensina o MCASP (2014, p. 32): Princípio básico da atividade da administração pública no regime democrático está previsto no caput do art. 37 da Magna Carta de 1988. Justifica-se especialmente pelo fato de o orçamento ser fixado em lei, sendo esta a que autoriza aos Poderes a execução de suas despesas. Alerta Silva (2011) que a publicidade é a base essencial para que a democracia seja consolidada nos governos democráticos. Os atos governamentais devem ter ampla publicidade, para serem conhecidos pelo povo. O orçamento deve ser acessível para que a sociedade controle todo o processo de gerenciamento das contas públicas. TÓPICO 1 | ORÇAMENTO PÚBLICO 95 5.6 LEGALIDADE 5.7 PUBLICIDADE 5.8 TRANSPARÊNCIA A administração pública tem a responsabilidade de divulgar, de forma ampla, o orçamento público, disponibilizar informações orçamentárias a qualquer pessoa. Este princípio é o da transparência, segundo o MCASP (2014, p. 32-33): Aplica-se também ao orçamento público, pelas disposições contidas nos art. 48, 48-A e 49 da LRF, que determinam ao governo, por exemplo: divulgar o orçamento público de forma ampla à sociedade; publicar relatórios sobre a execução orçamentária e a gestão fiscal; disponibilizar, para qualquer pessoa, informações sobre a arrecadação da receita e a execução da despesa. Um dos pilares da Lei de Responsabilidade Fiscal é a transparência na gestão pública financeira. Para atender a este princípio, como verificamos nas orientações do MCASP (2014), não basta apenas publicar, mas fazer com que a informação seja entendida pela população. 5.9 NÃO VINCULAÇÃO A própria Constituição Federal veda a vinculação de impostos para ações governamentais que não sejam as determinadas em seus dispositivos, como: educação, saúde, fundos especiais, como fundo de participaçãodos estados e dos municípios, entre outros. Veja o que prescreve o Art. 167 da Carta Magna: Art. 167. São vedados: [...] IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os art. 158 e 159, a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos art. 198, § 2º, 212 e 37, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, § 8º, bem como o disposto no § 4º deste artigo; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003); [...] § 4º É permitida a vinculação de receitas próprias geradas pelos impostos a que se referem os art. 155 e 156, e dos recursos de que tratam os art. 157, 158 e 159, I, a e b, e II, para a prestação de garantia ou contragarantia à União e para pagamento de débitos para com esta. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Também conhecido como princípio da não afetação da receita, consoante aos ensinamentos de Slomski (2010), preceitua que, além das receitas serem recolhidas em caixa único do Tesouro, não devem sofrer vinculação diferente das apresentadas pelo ordenamento jurídico constitucional. UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 96 Explica Giacomoni (2012) que o propósito desse princípio é não comprometer os impostos com determinados gastos (fixos), inviabilizando as despesas de manutenção, de investimentos e outras que virem a surgir resultantes da administração pública. 5.10 EQUILÍBRIO O princípio do equilíbrio não está expresso no manual de contabilidade aplicado ao setor público, mas, em se tratando de matéria orçamentária, está implícito nos seus ordenamentos. Segundo Giacomoni (2012, p. 79): “De todos os princípios clássicos, esse é o que tem merecido maior atenção, fora do âmbito específico do orçamento, interessando de perto outras áreas econômicas, como finanças públicas, política fiscal, desenvolvimento econômico etc.” Os autores Andrade et al. (2008, p. 155) ensinam o objetivo do equilíbrio orçamentário: “Este princípio visa coibir a previsão de receitas fictícias, sendo sua aplicação obrigatória na formulação do orçamento. Ele orienta que o valor fixado para as despesas num exercício financeiro seja compatível com o valor previsto para as receitas”. O equilíbrio entre as receitas e despesas deve existir, mas Albuquerque ressalta (2008) que muitos autores defendem a premissa deste equilíbrio respeitar o mandato do gestor, não necessariamente que seja anual. 97 5.10 EQUILÍBRIO RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico vimos: • O orçamento público brasileiro é do tipo orçamento-programa e desenvolvido pelo sistema misto. • As peças de planejamento orçamentário no Brasil são: o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária Anual. • Os tipos de orçamento mais utilizados são: orçamento tradicional, orçamento- programa, orçamento por desempenho, orçamento de base zero e o orçamento participativo. • O orçamento é uma técnica de planejamento financeiro utilizada na área pública desde 1822, quando foi redigido e apresentado ao Parlamento inglês. • Os princípios orçamentários representam as bases que deverão ser utilizadas para a elaboração dos orçamentos públicos, estão descritas de forma explícita e implícita nas legislações pertinentes às finanças públicas (Constituição Federal, Lei nº 4.320/64, LRF, etc.). • Tanto a quantidade, como seus nomes e conceitos não são consenso entre os diversos autores desta área. Seguindo o MCASP (2014) encontramos os seguintes princípios orçamentários: o Unidade ou Totalidade. o Universalidade. o Anualidade ou Periodicidade. o Exclusividade. o Orçamento Bruto. o Legalidade. o Publicidade. o Transparência. o Não Vinculação. o Equilíbrio. 98 AUTOATIVIDADE Caro(a) acadêmico(a), vamos avaliar a compreensão dos conceitos aos quais tivemos acesso até agora: responda aos questionamentos dispostos a seguir: 1 A Lei nº 4.320/64 determina, no seu Art. 2º,qual é o tipo de orçamento que deve ser utilizado pelos entes federativos. Quanto à nomenclatura utilizada para indicar o tipo de orçamento utilizado no Brasil, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Orçamento base zero. b) ( ) Orçamento-programa. c) ( ) Orçamento tradicional. d) ( ) Orçamento clássico. 2 Os princípios orçamentários são regras que dão suporte à construção e à execução do orçamento público. Com referência aos princípios orçamentários existentes, assinale as alternativas CORRETAS: a) ( ) Princípio da legalidade. b) ( ) Princípio da exclusividade. c) ( ) Princípio da afetação da receita. d) ( ) Princípio do orçamento bruto. 3 Os princípios orçamentários estão dispostos em várias legislações pertinentes ao orçamento público, como CF, LRF e a Lei nº 4.320/64, entre outras. Com referência aos princípios orçamentários descritos no Art. 2º, da Lei nº 4.320/64, assinale as alternativas CORRETAS: a) ( ) Exclusividade. b) ( ) Unidade. c) ( ) Universalidade. d) ( ) Anualidade. 4 A norma que determina não conter dispositivo estranho à previsão da receita e fixação da despesa na LOA refere-se a qual princípio orçamentário? Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Universalidade. b) ( ) Exclusividade. c) ( ) Legalidade. d) ( ) Não afetação da receita. 99 TÓPICO 2 PLANO PLURIANUAL – PPA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO O processo de planejamento orçamentário brasileiro é desenvolvido através de programas de governo (orçamento-programa), pelo regime misto (para a aprovação e a execução). O primeiro instrumento que deve ser elaborado é o Plano Plurianual – PPA, depois a Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO e, por final, a Lei Orçamentária Anual - LOA. Os instrumentos de planejamento, PPA, LDO e LOA, cada qual com o desempenho das atribuições que lhe foram conferidas por intermédio de leis, não poderão apresentar incoerência entre si, conforme estabelecem a Constituição Federal e a LRF. Para assegurar a ocorrência dessa compatibilidade, a ligação existente entre os três instrumentos de planejamento deve ser expressa deste modo: primeiramente, o PPA é formulado, logo após, a LDO, esta deverá ser compatível com o PPA e, por último, a LOA, que deverá ser compatível com o PPA e a LDO. Os sonhos da administração pública, para quatro anos, são planejados através de programas de governo, onde são expressas as diretrizes de governo, seus objetivos, as ações que serão desenvolvidas e as metas, quantificadas, que deverão ser alcançadas. Esta estrutura resume o conteúdo do PPA. Acadêmicos(as), neste tópico serão apresentados os objetivos e o conceito do Plano Plurianual, também vamos descrever sobre sua estrutura: diretrizes de governo, programas, objetivos, ações e metas. Venha conosco e amplie seus conhecimentos! 2 CONCEITO E OBJETIVOS DO PPA O planejamento orçamentário, governamental, é composto pelo Plano Plurianual - PPA, a Lei de Diretrizes Orçamentárias - LDO e a Lei Orçamentária Anual – LOA. Cabe ao primeiro instrumento o papel de documento estratégico, e, aos demais, desenvolver o planejamento operacional da administração pública (SILVA, 2011). Para a melhor compreensão dos instrumentos de planejamento orçamentário, apresentamos a figura a seguir: UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 100 FIGURA 1 – PLANEJAMENTO ORÇAMENTÁRIO PPA: Programas compostos por ações. Ações têm metas para quatro anos. A Responsabilidade Fiscal e o Planejamento LDO: Define diretrizes para a elaboração e execução do orçamento. Apresenta as metas para cada ano. LOA:Elaborada conforme diretrizes da LDO. Reserva recursos para as metas do ano. FONTE: Lima e Castro (2012, p. 14) O TCE/SC (2002) orienta que o PPA abrangerá as diretrizes, objetivos e metas para o período quadrienal que compreende o segundo ano do mandato do gestor responsável pela sua elaboração e o primeiro ano do mandato do gestor subsequente, e que devem ser especificadas todas as obras que a administração pública pretende realizar. Andrade (2013, p. 24) sintetiza a essência do PPA: “É a transformação, em lei, dos ideais políticos divulgados durante a campanha eleitoral, salientando os interesses sociais [...] atende aos objetivos da Lei de Responsabilidade, que visa ao crescimento econômico e à expansão das ações de governo”. Albuquerque alerta (2008) que no processo de elaboração do PPA devem ser utilizadas metodologias que garantam a visão estratégica na alocação dos recursos públicos e, também, para desenvolver as ações de governo de forma regionalizada e ampla, já que este instrumento contempla um período de aplicação de quatro anos. Observe o que orientam os estudiosos Andrade et al. (2008, p. 20) sobre os objetivos deste instrumento de planejamento orçamentário: O Plano Plurianual (PPA) é o instrumento que expressa o planejamento do governo federal, estadual ou municipal para um período de quatro anos, tendo como objetivo principal conduzir os gastos públicos durante a sua vigência, de maneira racional, de modo a possibilitar a manutenção do patrimônio público e a realização de novos investimentos. TÓPICO 2 | PLANO PLURIANUAL – PPA 101 Na visão de Machado Jr. e Reis (2011, p. 66), o PPA tem como objetivo a continuidade das ações governamentais: “O Plano Plurianual tem por objetivo, em síntese, dar continuidade às administrações, a fim de evitar as paralisações de obras e de outros serviços que, ao invés de beneficiarem, prejudicam em muito as populações municipais”. Quanto à sua abrangência, o PPA deve ser elaborado por todos os entes federativos, consolidando seus poderes, a administração direta e indireta. “É uma lei que abrangerá os respectivos Poderes na União, nos Estados, no Distrito Federal e nos Municípios; será elaborada no primeiro ano de mandato do Executivo e terá vigência de quatro anos” (SLOMSKI, 2010, p. 304). É importante esclarecer que o Plano Plurianual constitui uma obrigação dos administradores públicos e não apenas de uma ferramenta optativa de planejamento. Segundo os autores Toledo Jr. e Rossi (2005, p. 36): [...] sem amparo no plurianual, a expansão da atividade governamental equivale a despesa não autorizada, irregular e lesiva ao patrimônio público (art. 15 c/c os art. 16, II, e 17, § 4º), submetendo o ordenador a responder por crime contra as finanças públicas (Lei nº 10.028, de 19.10.00; inserção do art. 359-D no Código Penal). O PPA é o instrumento que agrega e estabelece as grandes diretrizes, objetivos e metas da administração pública, de todos os entes federativos, para as despesas de capital e as relativas aos programas de duração continuada. Nenhum investimento cuja execução seja superior ao exercício financeiro pode ter início sem que esteja contemplado no Plano Plurianual (ALKMIM, 2009). Tanto a Constituição Federal como a Lei de Responsabilidade Fiscal orientam em relação à necessidade de compatibilidade dos instrumentos de planejamento orçamentário. “O PPA é muito importante porque, além de ser para médio prazo (vigência de quatro anos), é o primeiro instrumento que deverá ser realizado para nortear a elaboração das outras peças orçamentárias” (SOARES; MOSER, 2011, p. 119). 3 A ESTRUTURA DO PPA O ordenamento jurídico brasileiro, segundo orientações do autor Viana (2009), determina que tanto o PPA, como a LDO e a LOA, sejam instrumentos de planejamento orçamentário aprovados por leis ordinárias de iniciativa própria do Poder Executivo. O PPA estabelecerá de forma regionalizada o planejamento estratégico do governo através de programas que devem conter como estrutura: a) as diretrizes, objetivos, metas e ações para as despesas de capital e outras despesas delas decorrentes; b) as diretrizes, objetivos, metas e ações para programas de duração continuada (SILVA, 2011). UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 102 O Plano Plurianual é o instrumento que explicita o modo como o governo enxerga e procura construir o desenvolvimento do Estado. [...] Anteriormente à Constituição de 1988 havia o OPI - Orçamento Plurianual de Investimentos, que se limitava a planejar os investimentos e não chegava a abranger diretrizes, objetivos e metas para toda a administração federal, envolvendo as despesas de capital, as despesas decorrentes das despesas de capital e as despesas dos programas de duração continuada, como hoje contempla o PPA (ALBUQUERQUE, 2008, p. 145). Os pesquisadores Cruz et al. (2012, p. 16) orientam sobre a necessidade das ações de governo para complementar a estrutura do PPA: “O Plano Plurianual deve ser visto como um instrumento necessário que dele derivam todas as demais ações de governo”. O mesmo entendimento é apresentado por Aguiar (2004, p. 40): “O Plano Plurianual também é um Plano de Trabalho de Governo, de natureza político-administrativa, aprovado por lei, em torno do qual a administração reúne todas as ações governamentais [...]”. (grifos do autor) 3.1 DIRETRIZES DE GOVERNO Encontramos na Constituição Federal, no § 1º, do Art. 165, a definição e a obrigação das diretrizes de governo no Plano Plurianual, observe: “Art. 165 [...] § 1º A lei que instituir o Plano Plurianual estabelecerá, de forma regionalizada, as diretrizes [...]”. (grifo nosso) Os estudiosos Andrade et al. (2008, p. 24) apresentam sua interpretação sobre as diretrizes que devem constar no PPA: Portanto, as diretrizes do PPA são orientações, indicações e princípios estratégicos que nortearão as ações do governo municipal durante o período de sua vigência com vistas a alcançar os seus objetivos, atendendo aos anseios da população e melhorando a sua qualidade de vida. No PPA do Governo Federal as diretrizes são tratadas como macro-objetivos. As diretrizes de governo são conhecidas como um nível abstrato da formulação do planejamento governamental, afirmam os autores Luiz; Gomes e Salum (2005, p. 101): “[...] São o conjunto de programas, ações, e de decisões orientadoras dos aspectos envolvidos no planejamento, sendo ainda o nível mais abstrato para a formulação geral do governo. São, portanto, os objetivos por meio de programas”. Nos ensinamentos do autor Andrade (2013, p. 25) verificamos a importância das diretrizes de governo como caminho traçado para um bom planejamento orçamentário: TÓPICO 2 | PLANO PLURIANUAL – PPA 103 3.1 DIRETRIZES DE GOVERNO Apontam ou traçam as direções, regulam os planos de governo, estabelecem critérios para o planejamento. São ‘bússolas’ que dão rumo ao planejamento e são os resultados principais ou maiores, em longo prazo, que necessitarão ser desenvolvidos e que se pretendem alcançar. São, pois, o conjunto de programas, ações e de decisões orientadoras dos aspectos envolvidos no planejamento, sendo ainda o nível mais abstrato para a formulação geral do plano de governo. As diretrizes têm seus objetivos e estabelecem critérios macros que definem as estratégias de governo. Cada diretriz é detalhada por programas, que podem ser especificados por seus respectivos objetivos. As diretrizes de governo devem ser elaboradas pelos gestores, devem ser ajustadas em relação às necessidades regionais e aos recursos de cada ente federativo. Há a necessidade de que a visão estratégica do governo seja convertida em diretrizes que servirão de base para a formulação dos programas de governo (ALBUQUERQUE, 2008). IMPORTANT E Acadêmico(a): Não existe um modeloespecífico de formulário ou demonstrativo preestabelecido, para orientar como se preenche um programa de governo. Por este motivo é necessário que você pesquise nas leis do PPA, da União, dos Estados e dos Municípios, para que reconheça as informações em comum: diretrizes, objetivos, metas e ações. Não esqueça que essas legislações estão nas páginas oficiais, na rede mundial de computadores, da administração pública. 3.2 PROGRAMAS Nos programas estão concretizadas as ações que deverão ser desenvolvidas para que os objetivos do programa sejam atingidos. Os programas: São o instrumento de organização da atuação governamental. Articulam o conjunto de ações que concorrem para um objetivo comum e preestabelecido, mensuradas por indicadores estabelecidos no Plano Plurianual, visando à solução de um problema ou ao atendimento de uma necessidade ou demanda da sociedade. Os programas de governo são instrumentos das diretrizes e devem estabelecer os objetivos (resultados esperados dos programas). São executados pelas ações (mensuráveis por metas). Esses programas integram PPA e orçamento, e são, portanto, o elo de integração entre esses dois instrumentos de planejamento (ANDRADE, 2013, p. 25). UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 104 Encontramos na Portaria nº 42, de 14 de abril de 1999, no Art. 2º, alínea a, o seguinte conceito de programa: “Art. 2º [...]. a) Programa, o instrumento de organização da ação governamental visando à concretização dos objetivos pretendidos, sendo mensurado por indicadores estabelecidos no Plano Plurianual [...]”. Orientam Luiz; Gomes e Salum (2005, p. 101) que os programas são: “[...] os instrumentos das diretrizes e devem estabelecer os objetivos (resultados esperados dos programas) [...] executados pelas ações (mensuráveis por metas)”. Os programas organizam e estruturam o planejamento governamental, já que são conjuntos de ações orçamentárias e não orçamentárias, na forma de ações, projetos, atividades e operações especiais que resultam em mudanças na realidade concreta (GIACOMONI, 2012). Na visão dos pesquisadores Andrade et al. (2008), os programas procuram racionalizar as ações do governo, são de fácil apresentação à sociedade, vindo ao encontro da transparência exigida pela LRF. Segundo os mesmos autores, o programa deverá conter os seguintes elementos: • Código identificador: um número sequencial que identificará o programa e será utilizado para identificar sua realização na Lei Orçamentária Anual. • Denominação: o nome que o distinguirá dos demais, normalmente relacionado com a sua finalidade. • Objetivos: os resultados a serem alcançados. • Público-alvo: a quem se destina o programa, identifica com maior precisão os beneficiados pelo programa. • Indicadores: unidades de medida para identificar o desempenho da execução. • Órgão responsável pelo seu gerenciamento: setor responsável pelo controle do programa, mesmo no caso de realização por mais de um órgão ou unidade. • Gerente de programa: pessoa responsável para viabilizar, controlar e prestar contas do programa. • Custo global do programa: valor estimado para a realização das ações com as metas determinadas. Segundo Lima e Castro (2012), toda a ação do Estado deve ser estruturada em programas que podem ser classificados em: a) finalísticos; b) de gestão das políticas públicas; c) de serviços ao Estado; d) de apoio administrativo. Cada programa deverá evidenciar o órgão ou gerente que será responsável pelo seu gerenciamento, independente se for desenvolvido por diversas unidades governamentais, também deverá ser introduzido um sistema informatizado de gerenciamento e, por final, deverá controlar prazos e custos dos programas. Conforme a visão do doutrinador Giacomoni (2012), os programas são classificados segundo a finalidade que pretendem atingir ou desenvolver, observe as duas modalidades que o autor apresenta: TÓPICO 2 | PLANO PLURIANUAL – PPA 105 • Programas finalísticos: correspondem aos que desenvolvem ações para atender as necessidades da sociedade, são ofertados bens e serviços diretamente à sociedade e podem ser controlados através dos resultados medidos por indicadores. • Programas de apoio às políticas públicas e áreas especiais: são as ações voltadas para a oferta de serviços do Estado, bem como para a formulação, coordenação, supervisão e a avaliação das políticas públicas. Apresentamos, na figura a seguir, com o intuito de melhorar a vossa compreensão, um resumo do conteúdo que deve compor um programa do Plano Plurianual: FIGURA 2 – RESUMO DO CONTEÚDO DE UM PROGRAMA DO PPA AS DIRETRIZES OS OBJETIVOS E METAS DA DMINISTRAÇÃO PÚBLICA PARA AS DESPESAS DE CAPITAL E OUTRAS DELAS DECCORENTES; E PARA AS RELATIVAS AOS PROGRAMAS DE DURAÇÃO CONTINUADA. PLANO PLURIANUAL - PPA DIRETRIZES OBJETIVOS METAS FONTE: Carvalho (2010, p. 36) 3.3 OBJETIVOS Para que as diretrizes governamentais sejam alcançadas através de programas, finalísticos ou de apoio, necessitam ser detalhados os resultados esperados, que são os objetivos. O autor Andrade (2013, p. 25) apresenta o seguinte conceito: Os objetivos são o detalhamento ou a decomposição dos programas, que deverão ser atendidos, de forma a concretizar as diretrizes, indicando os resultados pretendidos pela administração a serem realizados pelas ações. Em linguagem comum, o objetivo é o histórico ou a descrição que se dá para uma diretriz ou para um programa. Os objetivos que estão nos programas são mais analíticos (programáticos), ensinam os estudiosos Luiz; Gomes e Salum (2005, p. 91/92): “[...] Programas resultantes da decomposição das grandes linhas de ação em objetivos mais analíticos (programáticos) e, portanto, mais específicos”. UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 106 Para que o programa seja elaborado de forma eficiente é necessário o detalhamento dos objetivos do programa, evidenciar com clareza o problema que se quer combater ou qual demanda da sociedade se pretende satisfazer. Os objetivos devem esclarecer o público-alvo a ser atingido, bem como identificar os indicadores que serão utilizados para satisfazer os resultados pretendidos (ANDRADE et al., 2008). 3.4 AÇÕES O objetivo, ou o que se pretende alcançar, é realizado através das ações planejadas e posteriormente executadas. Sobre este tema, Andrade (2013, p. 26) ensina: “As ações são as iniciativas necessárias para cumprir os objetivos dos programas sobre os quais devem ser estabelecidas as metas”. A realização dos objetivos dos programas acontecerá pela execução de ações, é o que orientam Luiz; Gomes e Salum (2005, p. 92): “[...] Ações estabelecidas para a execução em conjunto, contribuindo para a concretização dos objetivos dos programas. O desdobramento das ações dar-se-á de acordo com a sua natureza, dividindo-se em projetos, atividades e operações especiais”. As ações governamentais podem ser representadas no planejamento orçamentário brasileiro conforme a determinação da Portaria nº 42, de 14 de abril de 1999, no seu Art. 2º, leia atentamente: Art. 2º Para os efeitos da presente Portaria, entendem-se por: a) Programa, o instrumento de organização da ação governamental visando à concretização dos objetivos pretendidos, sendo mensurado por indicadores estabelecidos no Plano Plurianual; b) Projeto, um instrumento de programação para alcançar o objetivo de um programa, envolvendo um conjunto de operações, limitadas no tempo, das quais resulta um produto que concorre para a expansão ou o aperfeiçoamento da ação de governo; c) Atividade, um instrumento de programação para alcançar o objetivo de um programa, envolvendo um conjunto de operações que se realizam de modo contínuo e permanente, das quais resulta um produto necessário à manutenção da ação de governo; d) OperaçõesEspeciais, as despesas que não contribuem para a manutenção das ações de governo, das quais não resulta um produto, e não geram contraprestação direta sob a forma de bens ou serviços. (grifos nossos) Observe que a ação deve ser classificada em projeto, atividade ou operação especial, conforme o resultado de sua ação, o tempo de realização e o produto a ser alcançado ou agregado ao patrimônio público. Segundo as orientações dos autores Andrade et al. (2008), no momento da criação das ações devem ser observadas e identificadas as seguintes informações: código identificador, denominação, tipo de ação (projeto, atividade ou operação TÓPICO 2 | PLANO PLURIANUAL – PPA 107 3.4 AÇÕES especial), unidade orçamentária responsável pela sua execução, supervisão da ação, produto, unidade de medida, metas, região a ser atendida pela ação e custo da ação. Acadêmico(a), observe que a ação reúne várias informações, tanto econômicas, como sociais e gerenciais. É através da ação que serão realizados os objetivos dos programas, ou melhor, são concretizadas as mudanças desejadas para implementar programas finalísticos ou de apoio às políticas públicas. 3.5 METAS As metas são os verdadeiros mecanismos de indicadores que permitem a avaliação ou mensuração de forma qualitativa e quantitativa das ações do governo, essas são as orientações do autor Andrade (2013, p. 26): “São a mensuração das ações de governo para definir quantitativa e qualitativamente o que se propõe ser atendido e qual parcela da população se beneficiará com a referida ação”. Apontam para o mesmo sentido os ensinamentos dos autores Luiz; Gomes e Salum (2005, p. 101-102): [...] Metas – São a mensuração das ações de governo para definir quantitativamente o que se propõe ser atendido e qual parcela da população se beneficiará com a referida ação. É a unidade de medida que explicita, em termos concretos, o volume de trabalho a ser realizado e o tempo necessário para realizá-lo, permitindo a mensuração e a avaliação de políticas, programas, atividades e projetos. É importante ressaltar, de acordo com Albuquerque (2008), que os indicadores das ações (metas) devem proporcionar o controle do desempenho da execução da ação. Para isto devem apresentar os custos ou investimentos projetados para o atendimento da ação, a indicação do tempo (período) para executar, a determinação do público-alvo (beneficiários) e quais recursos serão utilizados para o seu financiamento. 108 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico você viu: • O PPA abrangerá as diretrizes, objetivos e metas para o período quadrienal que compreende o segundo ano do mandato do gestor responsável pela sua elaboração e o primeiro ano do mandato do gestor subsequente, e que devem ser especificados todos os investimentos que a administração pública pretende realizar. • O PPA estabelecerá de forma regionalizada o planejamento estratégico do governo através de programas que devem conter como estrutura: o As diretrizes, objetivos, metas e ações para as despesas de capital e outras despesas delas decorrentes. o As diretrizes, objetivos, metas e ações para programas de duração continuada. • Os programas são classificados segundo a finalidade que pretendem atingir ou desenvolver. • Os elementos básicos para compor um programa, segundo doutrina majoritária, são: o Código identificador. o Denominação. o Objetivos. o Público-alvo. o Indicadores. o Órgão responsável pelo gerenciamento. o Custo global do programa. 109 AUTOATIVIDADE Acadêmico(a), para que possamos avaliar a compreensão dos conceitos aos quais tivemos acesso até o momento, os convido a responder aos questionamentos dispostos a seguir: 1 O Plano Plurianual representa o planejamento estratégico da administração pública. Quanto ao PPA e ao período que compreende sua vigência, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) O PPA é o planejamento para quatro anos. b) ( ) O PPA é o planejamento para cinco anos. c) ( ) O PPA é o planejamento para três anos. d) ( ) O PPA é o planejamento para dois anos. 2 Os programas podem ser classificados segundo sua finalidade. Com referência aos ensinamentos de Giacomoni (2012), os programas são classificados em duas categorias, assinale as alternativas CORRETAS: a) ( ) Programas finalísticos. b) ( ) Programas educacionais. c) ( ) Programas de atendimento ao público. d) ( ) Programas de apoio às políticas públicas e áreas especiais. 3 O PPA é elaborado pelo Poder Executivo e encaminhado para análise e aprovação pelo Poder Legislativo. Quanto ao período de elaboração do PPA, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A elaboração será realizada no último ano de mandato do gestor. b) ( ) A elaboração será realizada no primeiro ano de mandato do gestor. c) ( ) A elaboração será realizada no segundo ano de mandato do gestor. d) ( ) A elaboração será realizada no terceiro ano de mandato do gestor. 4 Os programas de governo são elaborados respeitando um conteúdo preestabelecido. Com referência ao conteúdo necessário dos programas de governo, assinale as alternativas CORRETAS: a) ( ) Diretrizes. b) ( ) Objetivos. c) ( ) Atualização monetária. d) ( ) Metas. 110 111 TÓPICO 3 LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO A Lei de Diretrizes Orçamentárias é o segundo instrumento de planejamento orçamentário, nesta lei estarão evidenciados os resultados almejados pelo gestor público em relação à execução do orçamento público e as medidas que garantirão o equilíbrio fiscal. Já os anexos de prioridades e metas, riscos fiscais e metas fiscais, partes integrante da LDO, são os instrumentos para avaliar se a gestão pública realizou um planejamento adequado. A LDO atua como intermediadora entre os outros instrumentos orçamentários, pois, além de priorizar as metas do PPA, ela também determina a forma de apresentação da LOA. Tanto a Constituição Federal como a LRF elegeram esta peça orçamentária para determinar as regras que deverão ser obedecidas pela LOA, tanto na elaboração como, principalmente, na execução dos programas de governo. Essas regras preestabelecidas são os pilares para que seja alcançado o tão almejado equilíbrio das finanças públicas e a gestão responsável dos recursos públicos. A Lei de Diretrizes Orçamentárias define limites gerenciais que devem ser respeitados no cálculo das metas fiscais, como, por exemplo: os limites e condições para renúncia de receitas, a geração de novas despesas, a contratação de dívidas, a realização de operações de crédito e a concessão de garantias, a conservação e evolução do patrimônio público, a origem e a aplicação dos recursos de alienação de bens patrimoniais, a margem da expansão das despesas de caráter continuado, entre outros. Vamos proporcionar a você, acadêmico(a), neste tópico, o conhecimento da finalidade e do conceito de LDO, bem como apresentar suas competências e os objetivos dos anexos obrigatórios: o anexo de metas e prioridades, o anexo de riscos fiscais e o anexo de metas fiscais. Vamos aos estudos! 112 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS Os parâmetros que devem ser utilizados na elaboração do orçamento público anual, as prioridades que serão executadas, bem como as metas a serem atingidas são a razão da edição da Lei de Diretrizes Orçamentárias, consoante com os ensinamentos de Alkmim (2009). Encontramos a fundamentação legal para a obrigatoriedade da Lei de Diretrizes Orçamentárias na Constituição Federal, no Art. 165, inciso II, e seu conteúdo básico no § 2º do mesmo artigo, verifique: Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: [...] II - as diretrizes orçamentárias; [...] § 2º A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da administraçãopública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento. Já toda a regulamentação do seu conteúdo é discorrida na Lei de Responsabilidade Fiscal, no Art. 4º, como podemos observar na Unidade 1 desde caderno de estudos. Nesse sentido, o estudioso Slomski (2010, p. 305) apresenta um resumo da finalidade da LDO: a) equilíbrio entre receitas e despesas; b) critérios e forma de limitação de empenho, a ser efetivada nas hipóteses previstas na alínea b do inciso II do art. 4º, no art. 9º e no inciso II do § 1º do art. 31 da LRF; c) normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos; d) demais condições e exigências para transferência de recursos a entidades públicas e privadas. (grifo do autor) O principal objetivo da LDO é o de atuar como norteadora do orçamento do exercício subsequente (LOA), com base nos programas do PPA. Conforme os autores Luiz; Gomes e Salum (2005, p. 102): “Constituindo parte integrante de um sistema orçamentário, a LDO deverá ter seu conteúdo compatível com o PPA (Plano Plurianual), que é o plano que antecede no processo de planejamento, e com a LOA (Lei Orçamentária Anual), que lhe sucede”. A respeito da vigência da LDO, um exercício financeiro, sua finalidade, dar o norte para a LOA, ressalta Viana (2009, p. 38) que: 2 CONCEITO E FINALIDADE TÓPICO 3 | LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO 113 Diferentemente do que ocorre com o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias é elaborada apenas para um exercício financeiro, devendo se guiar pelas premissas que foram aprovadas pela lei do PPA. No que pese ser elaborada para um determinado exercício financeiro, seus efeitos sempre extrapolam um ano, tendo em vista que uma de suas funções é estabelecer nortes para elaboração da lei orçamentária, [...]. (grifos nossos) Sobre a essência ou finalidade da Lei de Diretrizes Orçamentárias, o autor Carvalho (2010, p. 40) esclarece que: “A LDO é o instrumento propugnado pela Constituição para fazer a ligação (transição) entre o PPA (planejamento estratégico) e as leis orçamentárias anuais”. A respeito dos prazos de envio e de devolução para sanção do projeto de lei para a LDO, orienta Silva (2011, p. 184) que: Até a entrada em vigor da Lei Complementar que regule o assunto, o projeto de Lei das Diretrizes Orçamentárias será encaminhado ao Poder Legislativo até oito meses antes do encerramento do exercício financeiro e devolvido para sanção até o encerramento do primeiro período da seção legislativa. É importante que a sanção da LDO seja anterior ao envio do projeto da LOA. “Fato importante é que o projeto da LDO deverá ser encaminhado e aprovado antes da remessa da LOA, uma vez que o Orçamento-Programa Anual terá que ser elaborado com base na LDO já aprovada” (LUIZ; GOMES; SALUM (2005, p. 102-103, grifos dos autores). A LDO é um instrumento de planejamento orçamentário, de iniciativa do chefe do Poder Executivo, que veio trazer ao sistema orçamentário público normas mais exigentes relacionadas às metas fiscais, para atingir equilíbrio nas contas públicas, e a prevenção de riscos fiscais para inibir a surpresa, sem reservas, na execução orçamentária (ALBUQUERQUE, 2008). DICAS Caro(a) acadêmico(a): É importante que você pesquise e conheça exemplos de LDOs. Novamente sugerimos que acesse a rede mundial de computadores, nas páginas oficiais dos entes federativos, procure a Lei de Diretrizes Orçamentárias vigente e leia os dispositivos que regulam a LOA. Compare a LDO de um município com a de outro município e relacione as semelhanças e as diferenças. 2 CONCEITO E FINALIDADE 114 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS As competências da Lei de Diretrizes Orçamentárias estão dispostas na Constituição Federal e também na Lei de Responsabilidade Fiscal, a principal competência é definir as prioridades que deverão ser escolhidas nas ações do PPA para serem executadas na LOA do próximo ano: Na LDO são definidas as diretrizes que orientarão a administração na elaboração da proposta orçamentária e na sua execução, sendo selecionadas dentre as diversas ações governamentais constantes no PPA aquelas que serão prioritárias durante a elaboração da LOA e da execução, compatibilizando-as com os recursos públicos arrecadados, proporcionando assim condições para que as demandas específicas da sociedade sejam priorizadas (ANDRADE et al., 2008, p. 73). O estudioso Albuquerque (2008) destaca como competências para a LDO: a) realizar o papel intermediário entre o PPA e a LOA; b) a apresentação do anexo de prioridades, anexo de riscos fiscais e metas fiscais; c) a definição de formas de avaliação de resultados dos programas; d) a orientação para o orçamento; e) a definição da política de aplicação dos recursos das agências financeiras oficiais de fomento; f) a alteração na legislação tributária, entre outras. Buscamos no entendimento dos autores Luiz; Gomes e Salum (2005, p. 103) as explicações sobre a necessidade de incluir no projeto de lei da LDO as alterações tributárias e as que interfiram nas despesas de pessoal: A LDO, como se verifica, é um meio para se atingir um fim: o Orçamento-Programa Anual. Para tanto, caberá a ela definir tanto as normas para a elaboração da LOA quanto conter dispositivos sobre questões que, de alguma forma, se reflitam diretamente no Orçamento- Programa. Por isto, devem constar da LDO as alterações na legislação tributária da entidade, que se refletem na receita orçamentária, bem como a autorização para a concessão de qualquer vantagem ou aumento de remuneração, a criação de cargos, empregos e funções ou alteração de estrutura de carreiras, a admissão ou contratação de pessoal, a qualquer título, pelos órgãos da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público [...]. (grifos nossos) As competências legais, dispostas para este instrumento de planejamento orçamentário, podem ser interpretadas como o conteúdo que deve ser apresentado no projeto de lei das diretrizes orçamentárias. No quadro a seguir adaptamos um resumo dos conteúdos obrigatórios a serem apresentados no projeto que deverá ser encaminhado ao Poder Legislativo: 3 COMPETÊNCIAS DA LDO TÓPICO 3 | LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO 115 Conteúdo da LDO CF/1988 LRF/2000 - definir as metas e prioridades da administração pública; - dar orientações básicas para a elaboração da lei orçamentária anual; - dispor sobre as alterações na legislação tributária; - estabelecer a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento; - dispor sobre a política de pessoal e encargos sociais. - dispor sobre o equilíbrio entre receitas e despesas; - definir os critérios e formas de limitação de empenho; - estabelecer as normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos; - estabelecer as condições e exigências para a transferência de recursos a entidades públicas e privadas; - definir o montante e forma de utilização da reserva de contingência; - dispor sobre a contratação excepcional de horas extras; - autorizar o Ente a auxiliar o custeio de despesas atribuídas a outros Entes da Federação; - definir critérios para o início de novos projetos; - definir as despesas consideradas irrelevantes; - definir as condições para a renúncia de receitas; - definir as prioridades para o próximo exercício; - definir o anexo de metas fiscais; - definir o anexo de riscos fiscais. QUADRO 10 – RESUMO DO CONTEÚDODA LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS3 COMPETÊNCIAS DA LDO FONTE: Adaptado de Andrade et al. (2008, p. 74) Corrobora com os mesmos ensinamentos em relação às matérias constitucionais para a LDO o autor Moraes (2011, p. 1794): A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento. A LRF projetou maior relevância à LDO, que, além da definição das prioridades, da definição e avaliação das metas fiscais e da determinação de medidas para recompor os riscos fiscais, segundo Carvalho (2010, p. 41), deve dispor sobre: • Equilíbrio entre receitas e despesas; • Critérios e forma de limitação de empenho, a ser verificado no final de cada bimestre quando se verificar que a realização da receita poderá comprometer os resultados nominal e primário estabelecidos no anexo de metas fiscais e para reduzir a dívida ao limite estabelecido pelo Senado Federal; • Normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos; 116 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS • Demais condições e exigências para as transferências de recursos a entidades públicas e privadas. (grifos do autor) Alerta Aguiar (2004) que a ausência, no projeto de lei da LDO, de anexos obrigatórios, como o de metas fiscais, permitirá a cobrança de multa pelo Tribunal de Contas ao chefe do Poder Executivo. DICAS Caro(a) acadêmico(a): É importante que você pesquise e aprofunde seus conhecimentos a respeito do processo legislativo das leis orçamentárias e as possibilidades de emendas parlamentares. Sugerimos a leitura do Livro: Constituição do Brasil interpretada e legislação constitucional. FONTE: MORAES, Alexandre de. Constituição do Brasil interpretada e legislação constitu- cional. 8. ed. São Paulo, Atlas, 2011. 4 RISCOS FISCAIS, PRIORIDADES E METAS FISCAIS Até a constituição do Conselho de Gestão Fiscal, previsto no artigo 67, da LRF, não ser formada, a Secretaria do Tesouro Nacional – STN é o órgão da União competente para editar normas gerais de contabilidade pública e dos anexos que devem constar na LDO. Utilizando-se de portarias, a STN atualiza a forma de como demonstrar as informações obrigatórias dos anexos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (SOARES; MOSER, 2011). Em 22 de setembro de 2014, com a publicação da Portaria nº 553, a 6ª edição dos Manuais de Demonstrativos Fiscais – MDF vem orientar a elaboração dos anexos de riscos fiscais e metas fiscais para todos os entes da Federação a partir de 2015. Podemos observar que tanto o anexo de riscos fiscais, como o anexo de metas fiscais, são modelos previamente estabelecidos para uniformizar as informações no território nacional. Já para o anexo das prioridades e metas utiliza-se do formato apresentado no PPA (ANDRADE et al. 2008). TÓPICO 3 | LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO 117 4 RISCOS FISCAIS, PRIORIDADES E METAS FISCAIS 4.1 ANEXO DE RISCOS FISCAIS Os riscos fiscais ficarão evidenciados no Anexo de Riscos Fiscais. O pesquisador Carvalho (2010, p. 41) comenta a respeito da prevenção de riscos: “A LRF prevê ainda que a lei de diretrizes orçamentárias conterá Anexo de Riscos Fiscais, no qual serão avaliados os passivos contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas públicas, informando as providências a serem tomadas, caso se concretizem”. (grifo do autor) A Secretaria do Tesouro Nacional publicou o Manual dos Demonstrativos Fiscais – MDF, com o intuito de que se apresentem informações mínimas e uniformizadas para todos os entes federativos. Vejamos a conceituação de riscos fiscais apresentada no MDF (2014, p. 31), para a melhor compreensão do tema: Riscos Fiscais podem ser conceituados como a possibilidade da ocorrência de eventos que venham a impactar negativamente as contas públicas, eventos estes resultantes da realização das ações previstas no programa de trabalho para o exercício ou decorrentes das metas de resultados, correspondendo, assim, aos riscos provenientes das obrigações financeiras do governo. Os riscos fiscais podem ser classificados em dois grandes grupos: os riscos orçamentários e os riscos da dívida. Observe como o autor Carvalho (2010, p. 42- 43) os identifica ou diferencia: Os riscos orçamentários referem-se à possibilidade de as receitas previstas não se realizarem ou a necessidade de execução de despesas inicialmente não fixadas ou orçadas a menor durante a execução do orçamento. [...] Os riscos da dívida referem-se a possíveis ocorrências, externas à administração, que, caso sejam efetivadas, resultarão em aumento do serviço da dívida pública no ano de referência. (grifos do autor) Orienta Viana (2009) que este anexo tem como objetivo definir a forma de utilização e o montante da reserva de contingência, com base na receita corrente líquida, para o atendimento unicamente de passivos contingentes e riscos fiscais eventuais e imprevistos. O Anexo de Riscos Fiscais é obrigatório na composição da LDO, segundo a LRF, Art. 4º, § 3º. O MDF (2014, p. 36) ressalta a função deste anexo como instrumento orientador da LOA: “O Anexo de Riscos Fiscais deverá integrar o projeto de lei de diretrizes orçamentárias de cada ente da Federação que orientará a elaboração do projeto de lei orçamentária anual”. 118 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 4.2 ANEXO DE PRIORIDADES E METAS A Constituição Federal, no Art. 166, § 2º e § 4º, determina que a Lei de Diretrizes Orçamentárias deve dispor das prioridades da administração e apresentar compatibilidade com os programas apresentados no Plano Plurianual: Art. 165. [...] § 2º A lei de diretrizes orçamentárias compreenderá as metas e prioridades da administração pública federal [...]. § 4º Os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos nesta Constituição serão elaborados em consonância com o plano plurianual e apreciados pelo Congresso Nacional. (grifos nossos) Buscamos nos conhecimentos do pesquisador Albuquerque (2008, p. 165) a explicação sobre o conteúdo do Anexo de Prioridades e sua finalidade: “A Lei de Diretrizes Orçamentárias definirá, em seu Anexo de Prioridades e Metas, as despesas que terão precedência na alocação dos recursos no projeto e na Lei Orçamentária do exercício subsequente, bem como em sua execução”. (grifo nosso) A LDO é a lei intermediadora entre os instrumentos orçamentários, prioriza as metas do PPA e determina a forma de apresentação da LOA. A comprovação de que as despesas do orçamento anual são compatíveis com o PPA é necessária, deve ser elaborado um demonstrativo que comprove a observância da compatibilidade (SOARES; MOSER, 2011). O autor Albuquerque (2008) ressalta que, neste anexo, não há necessidade de serem elencadas, ou apresentadas como prioridade as despesas relativas aos programas sociais existentes e as de manutenção dos órgãos e entidades que integram os orçamentos fiscal e da seguridade social. Na sua justificativa, explica que a Constituição Federal já privilegia estas despesas em relação às determinadas no Anexo de Prioridades e Metas. 4.3 ANEXO DE METAS FISCAIS As metas fiscais foram normatizadas pela LRF e objetivam apresentar o planejamento da administração pública em relação ao equilíbrio fiscal nas contas públicas, são orientações do estudioso Andrade (2013, p. 32): “Entende-se como o relatório-base para o equilíbrio das contas públicas e a chave para a gestão responsável”. A Lei de Crimes Fiscais, Lei nº 10.028/2000, é bastante severa em relação à ausência deste anexo naLDO. No seu Art. 5º, II, § 1º, determina a aplicação de multa no valor de trinta por cento dos vencimentos anuais do agente que lhe der causa, sendo o pagamento da multa de sua responsabilidade pessoal. TÓPICO 3 | LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO 119 4.2 ANEXO DE PRIORIDADES E METAS 4.3 ANEXO DE METAS FISCAIS A abrangência necessária para a elaboração do anexo de metas fiscais, que compõe a LDO, é apresentada no MDF (2014, p. 47), verifique: O Anexo de Metas Fiscais abrangerá os órgãos da administração direta dos Poderes, e entidades da administração indireta, constituídas pelas autarquias, fundações, fundos especiais, e as empresas públicas e sociedades de economia mista que recebem recursos dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social (empresas estatais dependentes), inclusive sob a forma de subvenções para pagamento de pessoal e custeio, ou de auxílios para pagamento de despesas de capital, excluídas, neste caso, aquelas empresas lucrativas que recebam recursos para aumento de capital. Viana (2009, p. 39) resume o conteúdo que deve ser apresentado no anexo de metas fiscais como: [...] metas anuais relativas a receitas, despesas, resultados nominal e primário, montante da dívida pública, evolução do patrimônio líquido, origem e a aplicação dos recursos obtidos com a alienação de ativos, avaliação da situação financeira e atuarial dos regimes geral de previdência social, próprio dos servidores e outros programas estatais de natureza atuarial e demonstrativo da estimativa e compensação da renúncia de receita e da margem de expansão das despesas obrigatórias de caráter continuado. Resumimos, no quadro a seguir, o objetivo individual de cada demonstrativo necessário na composição do anexo de metas fiscais. Leia com atenção e analise o quão importantes são estes demonstrativos, para evidenciar o comprometimento do gestor público com o alcance de uma gestão responsável. QUADRO 11 – DEMONSTRATIVOS DE METAS FISCAIS QUE DEVEM COMPOR A LEI DE DIRETRI- ZES FISCAIS DEMONSTRATIVO NOME OBJETIVO SEGUNDO MDF (2014) METAS ANUAIS O demonstrativo tem por objetivo, além de dar transparência sobre as metas fiscais relativas ao ente da Federação, dando base à avaliação da política fiscal estabelecida pelo chefe do Poder Executivo para o triênio, orientar a elaboração do projeto de lei orçamentária anual de forma a permitir o alcance das metas conforme planejado. 120 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS AVALIAÇÃO DO CUMPRIMENTO DAS METAS FISCAIS DO EXERCÍCIO ANTERIOR A finalidade desse demonstrativo é estabelecer uma comparação entre as metas fixadas e o resultado obtido no exercício financeiro do segundo ano anterior ao ano de referência da LDO, incluindo análise dos fatores determinantes para o alcance ou não dos valores estabelecidos como metas. METAS FISCAIS ATUAIS COMPARADAS COM AS FIXADAS NOS TRÊS EXERCÍCIOS ANTERIORES O objetivo do demonstrativo é dar transparência às informações sobre as metas fiscais dos três exercícios anteriores e dos três exercícios seguintes, para uma melhor avaliação da política fiscal do ente federativo, de forma a permitir a análise da política fiscal em uma linha do tempo, combinando execução passada e perspectivas futuras, validando a consistência dessas últimas. EVOLUÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO O Demonstrativo da Evolução do Patrimônio Líquido deve trazer em conjunto uma análise dos valores apresentados, com as causas das variações do PL do ente da Federação, como, por exemplo, fatos que venham a causar desequilíbrio entre as variações ativas e passivas e outros que contribuam para o aumento ou a diminuição da situação líquida patrimonial. ORIGEM E APLICAÇÃO DOS RECURSOS OBTIDOS COM A ALIENAÇÃO DE ATIVOS O objetivo do demonstrativo é assegurar a transparência da forma como o ente utilizou os recursos obtidos com a alienação de ativos, com vistas à preservação do patrimônio público. TÓPICO 3 | LEI DE DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS – LDO 121 AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO FINANCEIRA E ATUARIAL DO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA DOS SERVIDORES A avaliação atuarial deve ser feita com base no Anexo 10 – Demonstrativo da Projeção Atuarial do Regime Próprio dos Servidores, publicado no RREO do último bimestre do segundo ano anterior ao ano de referência da LDO. Eventuais mudanças no cenário socioeconômico que ensejem revisão das variáveis consideradas nas projeções atuariais implicam a elaboração de novas projeções. ESTIMATIVA E COMPENSAÇÃO DA RENÚNCIA DE RECEITA O demonstrativo tem por objetivo dar transparência às renúncias de receita previstas no projeto de LDO, para uma melhor avaliação do seu impacto nas metas fiscais fixadas, além de orientar a elaboração da LOA considerando o montante das renúncias fiscais concedidas. Apesar de esse demonstrativo ter por base legal o art. 4°, § 2°, inciso V, da Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF, ele visa a dar transparência também ao cumprimento dos requisitos exigidos para a concessão ou ampliação de benefícios de natureza tributária, dispostos no art. 14 da LRF. MARGEM DE EXPANSÃO DAS DESPESAS OBRIGATÓRIAS DE CARÁTER CONTINUADO O objetivo do Demonstrativo é dar transparência às novas Despesas Obrigatórias de Caráter Continuado previstas, se estão cobertas por aumento permanente de receita e redução permanente de despesa, para avaliação do impacto nas metas fiscais estabelecidas pelo ente, além de orientar a elaboração da LOA considerando o montante das Despesas Obrigatórias de Caráter Continuado concedidas. FONTE: Adaptado de MDF (2014) 122 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS Continuando com os ensinamentos do MDF (2014, p. 48), entendemos que todos os indicadores para conduzir a política fiscal do ente da Federação estão resumidos no anexo de metas fiscais, observe: Representam os resultados a serem alcançados para variáveis fiscais visando atingir os objetivos desejados pelo ente da Federação quanto à trajetória de endividamento no médio prazo. Pelo princípio da gestão fiscal responsável, as metas representam a conexão entre o planejamento, a elaboração e a execução do orçamento. Esses parâmetros indicam os rumos da condução da política fiscal para os próximos exercícios e servem de indicadores para a promoção da limitação de empenho e de movimentação financeira. Acadêmico(a), fica evidente a preocupação da LRF em demonstrar, de forma transparente, o acompanhamento das metas fiscais projetadas nos anos anteriores com os resultados obtidos. Perceba que o demonstrativo 2 e o demonstrativo 3 servem de base para avaliar o resultado do planejamento da administração pública (se obteve equilíbrio fiscal ou não). IMPORTANT E Acadêmico(a): Para complementar seus estudos é necessário que você pesquise no MDF (2014) como são elaborados os anexos de riscos fiscais e o de metas fiscais. Neste manual constam todas as informações necessárias para preencher os anexos de acordo com as informações de cada ente federativo. Disponível em: <https://www.tesouro. fazenda.gov.br/documents/10180/422237/CPU_MDF_6_edicao_versao_24_04_2015/ dd31d661-2131-411c-901b-d482e4f31c86>. Acesso em: 11 jun. 2015. 123 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico vimos: • O principal objetivo da LDO é o de atuar como norteadora do Orçamento do exercício subsequente (LOA), com base nos programas do PPA. • A Lei de Diretrizes Orçamentárias, segundo a Constituição Federal e a Lei de Responsabilidade Fiscal, deverá: o Dispor sobre o equilíbrio entre receitas e despesas. o Definir os critérios e formas de limitação de empenho. o Definir as normas relativas ao controle de custos e à avaliaçãodos resultados dos programas financiados com recursos dos orçamentos. o Dispor sobre as condições e exigências para a transferência de recursos a entidades públicas e privadas. o Definir o montante e forma de utilização da reserva de contingência. o Dispor sobre a contratação excepcional de horas extras. o Autorizar o Ente a auxiliar o custeio de despesas atribuídas a outros Entes da Federação. o Definir critérios para o início de novos projetos. o Definir as despesas consideradas irrelevantes. o Definir as condições para a renúncia de receitas. o Definir e apresentar as prioridades para o próximo exercício. o Definir e apresentar o anexo de metas fiscais. o Definir e apresentar o anexo de riscos fiscais. • São anexos obrigatórios na composição da LDO: anexo de prioridades e metas, o anexo de riscos fiscais e o anexo de metas fiscais. 124 Prezado(a) acadêmico(a), vamos avaliar a compreensão dos conceitos a que tivemos acesso até o momento, então responda: 1 A LDO, entre outras funções constitucionais e trazidas pela LRF, norteia a elaboração do orçamento anual da administração pública. Quanto ao prazo constitucional de envio para apreciação do Legislativo, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) O prazo coincide com 15 de maio de todos os anos. b) ( ) O prazo coincide com 15 de agosto de todos os anos. c) ( ) O prazo coincide com 15 de abril de todos os anos. d) ( ) O prazo coincide com 31 de agosto de todos os anos. 2 A LDO é o instrumento que define regras para alcançar o equilíbrio fiscal. Com referência aos anexos obrigatórios a serem apresentados na LDO, assinale as alternativas CORRETAS: a) ( ) Prioridades e metas. b) ( ) Riscos fiscais. c) ( ) Eventos constantes e frequentes. d) ( ) Metas fiscais. 3 Os riscos fiscais podem ser classificados em dois grandes grupos. Com referência à classificação dos riscos fiscais, assinale as alternativas CORRETAS: a) ( ) Podem ser riscos previsíveis. b) ( ) Podem ser riscos orçamentários. c) ( ) Podem ser riscos da dívida. d) ( ) Podem ser excesso de receitas. 4 O anexo de metas fiscais é composto por oito demonstrativos, já definidos no MDF. Quanto ao nome desses demonstrativos, assinale as alternativas CORRETAS: a) ( ) Metas anuais. b) ( ) Evolução do patrimônio líquido. c) ( ) Atualização monetária. d) ( ) Estimativa e compensação da renúncia de receitas. AUTOATIVIDADE 125 TÓPICO 4 LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL - LOA UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Todo o processo de planejamento orçamentário governamental se concretiza na execução do terceiro e último instrumento de planejamento: a Lei Orçamentária Anual. Nesta fase é que são arrecadadas as receitas públicas e podem ser autorizadas as despesas públicas consignadas no orçamento. A LOA, ao obedecer aos critérios de elaboração impostos pela Lei de Diretrizes Orçamentárias, terá como objetivo disponibilizar orçamento para as obras, investimentos e despesas para a manutenção das atividades priorizadas na LDO e estabelecidas no PPA. Todos os recursos planejados para desenvolver as políticas públicas que atendem às demandas da sociedade estão autorizados na Lei Orçamentária Anual, que, também, é conhecida como lei dos meios ou orçamento público anual. A transparência e o controle dos recursos públicos são princípios que sustentam a responsabilidade na gestão fiscal. A execução da LOA proporciona que a administração pública elabore e publique o Relatório de Gestão Fiscal e o Relatório Resumido da Execução Orçamentária, tornando suas ações transparentes e permitindo que o controle interno e externo fiscalize as ações públicas. Acadêmico(a), abordaremos, no Tópico 4, as características e a conceituação da Lei Orçamentária Anual, as normas que são aplicadas no orçamento público anual, os tipos de orçamento que compõem a LOA, bem como os créditos do orçamento e as etapas do ciclo orçamentário. Vamos, juntos, conhecer a famosa Lei de Meios, ou LOA! 2 CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DA LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL A Lei Orçamentária Anual é o instrumento de planejamento orçamentário que contém a apresentação da previsão das receitas do próximo ano, bem como promoverá a fixação e liberação das despesas para as ações definidas para o ano seguinte. Orienta Andrade (2013, p. 42) que a LOA, “[...] também chamada Lei de Meios, é, pois, uma lei especial que contém a discriminação da receita e da despesa pública, de forma a evidenciar a política econômica financeira e o programa de trabalho do governo [...]”. 126 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS O autor Albuquerque ressalta (2008, p. 189) que a LOA não é apenas utilizada para controle de gastos e, sim, um planejamento das ações a serem realizadas: “Com a evolução dos conhecimentos e técnicas de planejamento e de gestão das ações de política pública, o orçamento deixou de ser exclusivo sistema de controle do poder político e passou a adquirir caráter de instrumento inerente ao planejamento”. O Poder Executivo elabora o orçamento a partir de estimativas de quanto se espera arrecadar e quais ações do PPA (despesas) se pretende realizar. Na LOA os atos programados no PPA, e destacados como prioridade na LDO, são quantificados em dotações ou despesas, com o objetivo de serem autorizadas, pelo Poder Legislativo, e realizadas na execução do orçamento (LIMA; CASTRO, 2012). A LOA é uma lei que abrange a totalidade dos Poderes, órgãos, administração direta e indireta de determinado ente da Federação (União, Estados, DF e Municípios). Resume a finalidade da LOA o estudioso Carvalho (2010, p. 46): “Tem por finalidade a concretização dos objetivos e metas estabelecidos no Plano Plurianual. É o que podemos chamar de orçamento por excelência ou orçamento propriamente dito”. Vejamos o entendimento de Alkmim (2009, p. 742) em relação ao conceito e características da Lei Orçamentária Anual: A lei orçamentária anual compreende o orçamento propriamente dito e contém, na verdade, três espécies de orçamento: o orçamento fiscal, o orçamento dos investimentos e o orçamento da seguridade social. Qualquer projeto ou programa para ser iniciado depende de sua inclusão na lei orçamentária anual. Corrobora neste mesmo sentido, sobre a integração do orçamento fiscal, de investimentos e da seguridade social na Lei Orçamentária Anual, o autor Moraes (2011, p. 1794): A lei orçamentária anual compreenderá o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público; o orçamento de investimentos das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta e indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo poder público. (grifos nossos) O orçamento anual é um instrumento que pode ser alterado, com anuência do Poder Legislativo, para adequar o planejado às condições econômicas e sociais do exercício em execução. Verifique a interpretação do pesquisador Carvalho (2010, p. 46): “É um processo contínuo, dinâmico e flexível, que traduz em TÓPICO 4 | LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL - LOA 127 termos financeiros para determinado período – um ano – os planos e programas de trabalho do governo. É o cumprimento ano a ano das etapas do PPA, em consonância com a LDO e a LRF”. O prazo de encaminhamento do projeto de lei da LOA para a apreciação e votação do Poder Legislativo é 31 de agosto ou quatro meses antes do encerramento do exercício financeiro. Ressaltam, também, os autores Luiz; Gomes e Salum (2005) que, segundo a legislação, o projeto deverá ser devolvido para sanção atéo encerramento da sessão legislativa. O pesquisador Moraes (2011, p. 1794) salienta o princípio da exclusividade para a Lei Orçamentária Anual: “[...] não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e a contratação de operação de crédito, [...]”. Verifique que a vedação de dispositivos estranhos dá-se para evitar o oportunismo de gestores, mal intencionados, que se utilizariam do processo célere de tramitação da LOA. 2.1 NORMAS LEGAIS APLICÁVEIS A Lei Orçamentária Anual segue várias legislações que regulamentam seu ciclo orçamentário, como, por exemplo: a Constituição Federal, a Lei nº 4.320/64, a Lei de Responsabilidade Fiscal, entre outras normas aplicáveis apenas aos Estados e aos Municípios (Constituições Estaduais e Leis Orgânicas). Na Constituição Federal as matérias orçamentárias encontram-se contidas no Art. 163 ao Art. 169. É importante ressaltar que a Lei nº 4.320/94 foi recepcionada pela nossa Carta Magna e continuou a regulamentar a contabilidade pública, bem como a lei orçamentária dos entes federativos (CARVALHO, 2010). Em termos de legislação pertinente ao orçamento anual, que está em vigor, os estudiosos Andrade et al. (2008, p. 145) citam a Lei nº 4.320/64 como importante norma balizadora, leia atentamente: A Lei nº 4.320/1964, norma que regulamentou a Contabilidade Pública brasileira, institucionalizou a classificação funcional-programática, inseriu princípios orçamentários, definiu os conceitos e as classificações das receitas e despesas públicas, dispôs sobre o conteúdo da proposta orçamentária e da Lei Orçamentária Anual (LOA), introduziu, portanto, as regras básicas sobre o planejamento orçamentário. Em conformidade com o autor Viana (2009, p. 42), os gestores devem observar as Portarias interministeriais nº 42 e, também, nº 163: 128 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS [...] A Lei Orçamentária Anual deverá ser elaborada considerando os anexos da Lei 4.320/64, bem como regulamentações posteriores, em especial quanto à classificação da receita e da despesa, conforme Portaria nº 42, de 14 de abril de 1999, Portaria Interministerial STN/ SOF nº 163, de 04 de maio de 2001 e a Portaria Conjunta nº 3, de 14 de outubro de 2008. A Lei de Responsabilidade Fiscal, nos Artigos 5º ao 7º, apresenta as normas aplicáveis à Lei Orçamentária Anual. Este tema foi abordado na Unidade 1, quando apresentamos as regras da LRF e o planejamento orçamentário. Vejamos as orientações dos autores Andrade et al. (2008, p. 145) para complementar o assunto: A LRF também trouxe diversos dispositivos que tratam da elaboração da LOA, destacando a necessidade de comprovação da compatibilidade de seu projeto com os demais instrumentos de planejamento, definindo regras sobre a previsão da receita e fixação da despesa, introduzindo normas para a inclusão de novos projetos, revigorando alguns princípios orçamentários, exigindo a inclusão dos orçamentos das empresas estatais dependentes na LOA, dentre outros assuntos. O autor Albuquerque (2008) ressalta que o Ministério do Orçamento e Gestão, o Ministério do Planejamento e o Ministério da Fazenda editam normas regulamentares, através de portarias ou instruções, sobre questões orçamentárias que devem ser seguidas, no que couber, pelos Estados, Distrito Federal e Municípios. 2.2 TIPOS DE ORÇAMENTO QUE COMPÕEM A LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL Destacam os pesquisadores Piscitelli e Timbó (2012, p. 79) que, antes de 1987, o projeto de lei da Lei Orçamentária Anual apenas era elaborado com o destaque de um orçamento, o fiscal: [...] A lei orçamentária anual compõe-se dos orçamentos fiscal – que chegou a ser o único formalmente submetido ao Congresso (e que, inclusive, até 1987, sequer incluía as operações de crédito) -, de investimento das estatais (empresas sob o controle da União) e o da seguridade social (das áreas de previdência, saúde e assistência social). Observe que a LOA é um documento único, um projeto de lei que abrangerá todos os órgãos do ente federativo, mas na composição deste projeto que virará a lei do orçamento estarão destacados de forma individual e depois consolidados os demonstrativos relacionados às informações fiscais, as de investimentos e as de seguridade social. Esta normatização é encontrada na Constituição Federal, no Art. 165, § 5º, incisos I, II e III. TÓPICO 4 | LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL - LOA 129 2.2.1 Orçamento Fiscal O orçamento fiscal é o mais conhecido, onde contempla as receitas e as despesas destinadas para manter a maioria dos serviços públicos, segundo o autor Slomski (2010, p. 306) compreende: “[...] orçamento fiscal referente aos Poderes da União, dos Estados e dos Municípios, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público”. (grifo do autor) Na interpretação dos termos “orçamento” e “fiscal”, podemos ser levados a interpretar este tipo de orçamento de forma equivocada e não conseguimos nos aproximar ao entendimento dos constituintes, quando da elaboração da Constituição Federal. O termo orçamento é a previsão das receitas e das despesas em um determinado período, já o termo fiscal está relacionado ao fisco, ao poder de tributar, porém, este orçamento não contém apenas as receitas tributárias, contém todos os tipos de receitas (originárias, ordinárias, derivadas) (ANDRADE et al., 2008). Continuando com os ensinamentos dos pesquisadores Andrade et al. (2008, p. 147), encontramos explicações sobre o conteúdo do orçamento fiscal: O orçamento fiscal, portanto, abrange todas as receitas e todas as despesas projetadas para o exercício financeiro a que se refere à LOA, referentes aos Poderes Legislativo e Executivo, seus órgãos, fundos, autarquias, fundações e empresas estatais dependentes, excetuando- se apenas as receitas e despesas das entidades que compõem o orçamento de investimentos e da seguridade social. Na mesma linha de conceituação, os professores Araújo e Arruda (2007, p. 78) ensinam que: O orçamento fiscal representa o plano de ação fiscal implementado pelo setor governamental para um determinado exercício financeiro. Conforme podemos inferir da Constituição Federal, esse orçamento detalha as receitas que poderão ser arrecadadas pelo Estado, pelo exercício do poder fiscalizador, entre outras, assim como suas respectivas utilizações em programas governamentais. (grifo dos autores) Acadêmico(a), note que este orçamento é o que envolve a maioria das despesas do governo, em todos os entes federativos, porque contempla a grande força arrecadadora do Estado e, em contrapartida, é de onde são oferecidos os diversos serviços que dão suporte ao funcionamento da administração pública. “[...] Por sua abrangência e dimensão, o orçamento fiscal constitui-se no principal dos três orçamentos [...] há evidente exagero na amplitude concedida pela Constituição Federal ao conteúdo do orçamento fiscal” (GIACOMONI, 2012, p. 230). 130 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 2.2.2 Orçamento de investimentos O orçamento de investimentos deve consolidar as informações sobre os investimentos do governo nas empresas estatais, são aportes direcionados ao capital social e ao destino dessas integrações, segundo o autor Slomski (2010, p. 306) compreende: “[...] orçamento de investimento das empresas em que a União, os Estados e os Municípios, direta ou indiretamente, detenham a maioria do capital social com direito a voto”. (grifo do autor) Os autores Araújo e Arruda (2007, p. 78) conceituam o orçamento de investimentos e ressaltam a necessidade de implementar legislação apropriada para este orçamento: O orçamento de investimento, conformea Constituição Federal, corresponde à programação de investimentos de todas as empresas de que a União, o Estado ou o Município participem direta ou indiretamente, detendo a maioria do capital social com direito a voto. Em função da ausência de critérios específicos na Lei nº 4.320/64, o orçamento de investimentos carece de normas sobre a elaboração, execução, prestação de contas e avaliação. (grifo dos autores) Em relação à composição do orçamento de investimentos, orienta o estudioso Silva (2011, p. 185): O orçamento de investimentos das empresas em que a administração pública detenha direta ou indiretamente a maioria do capital social com direito a voto detalhará as fontes de recursos e a programação de seus investimentos. Para cumprir o mandamento constitucional, o orçamento de investimentos de cada empresa deverá indicar os objetivos e metas compatibilizadas com o plano plurianual e as diretrizes orçamentárias e, ainda, discriminar as receitas e despesas operacionais para evidenciar o déficit ou superávit resultante. O dispositivo constitucional que versa sobre o orçamento foi regulamentado pela LRF, onde determina que as estatais dependentes devem ser excluídas do orçamento de investimentos e, por consequência, compor o orçamento fiscal. Apenas as estatais independentes comporão o orçamento de investimentos. Observe a afirmação de Albuquerque (2008, p. 205): “Em relação ao Orçamento de investimento, nele somente constarão as empresas estatais independentes. [...] que devem seguir as regras orçamentárias estabelecidas na Constituição e na Lei nº 4.320/64 apenas no que se refere às despesas de investimentos”. TÓPICO 4 | LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL - LOA 131 2.2.2 Orçamento de investimentos NOTA Caro(a) acadêmico(a), você sabe distinguir empresa estatal dependente das independentes? Pesquise, é importante você dominar estes conceitos e saber diferenciá-las. 2.2.3 Orçamento da seguridade social O orçamento da seguridade social reúne as informações básicas que envolvem todas as entidades vinculadas à administração direta e indireta, bem como os fundos instituídos e mantidos nas áreas de saúde, assistência social e previdência social. A Seguridade Social [...] compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Quanto ao orçamento da seguridade social, é importante mencionar que envolve três grandes áreas: • Saúde; • Previdência; • Assistência Social. (CARVALHO, 2010, p. 52) No mesmo sentido são os ensinamentos dos autores Lima e Castro (2012, p. 22) sobre este orçamento: “[...] o orçamento da seguridade social, que abrange todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta e administração indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo poder público”. (grifo dos autores) A abrangência das informações de seguridade social, que os constituintes idealizaram, está expressa no Art. 194, da Constituição Federal: “[...] A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinados a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social”. Apesar do orçamento da seguridade social estar consolidado na LOA, é importante destacar, segundo os autores Andrade et al. (2008), que seus recursos vinculados não poderão ser utilizados para atender despesas diversas às finalidades para as quais foram arrecadados (saúde, assistência ou previdência). Exemplifica que normalmente estes recursos são provenientes do Sistema Único de Saúde, do Fundo Nacional de Assistência Social, do Regime Geral de Previdência Social e dos Regimes Próprios de Previdência Social, entre outros. 132 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS DICAS Caro(a) acadêmico(a), parte dos recursos arrecadados nas loterias oficiais (Mega Sena, Quina etc.) compõe as receitas do Instituto Nacional da Previdência Social - INSS. Pesquise a respeito, confirme esta informação, saiba qual é o percentual destinado à previdência social. Você pode acessar este endereço eletrônico: <http://www1.caixa.gov.br/loterias/loterias/ megasena/distribuicao.asp> 3 CRÉDITOS DO ORÇAMENTO Ao aprovar a lei do orçamento são aprovados os créditos do orçamento, estes créditos estão vinculados às ações governamentais onde indicam a instituição que os utilizarão, a função e subfunção das despesas, o programa de governo e qual a natureza da despesa, conforme orientações de Andrade (2013, p. 122): “São definidos pela combinação da classificação institucional, funcional, programática e econômica, tendo um valor definido para a execução orçamentária anual, na forma adotada pelo planejamento”. Orienta Giacomoni (2012, p. 303) que os créditos do orçamento são resultado da programação das ações governamentais: Considerando que é a programação de trabalho constante do orçamento que condiciona a execução financeira da instituição pública, como providência preliminar são preparados registros, em âmbito analítico, que possibilitam a classificação e o lançamento de cada despesa nos títulos orçamentários apropriados. (grifo nosso) Os créditos do orçamento são regulamentados pela Lei nº 4.320/64, do Art. 40 ao Art. 46, e dividem-se em créditos orçamentários e créditos adicionais. 3.1 CRÉDITOS ORÇAMENTÁRIOS Os créditos orçamentários são os recursos disponíveis para a realização das despesas e são lançados conforme a LOA, no primeiro dia do exercício financeiro, segundo orientações de Andrade (2013, p. 122): “São autorizações abertas que designam o montante de recursos disponíveis numa dotação, consignada na própria lei do orçamento. Seus lançamentos ocorrem, normalmente, no início do exercício”. Os créditos orçamentários são os originários da aprovação da LOA, seguindo os ensinamentos do autor Silva (2011, p. 212): TÓPICO 4 | LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL - LOA 133 3 CRÉDITOS DO ORÇAMENTO 3.1 CRÉDITOS ORÇAMENTÁRIOS Os recursos para execução dos programas de trabalho do governo são especificados através dos Créditos Orçamentários aprovados pelo Poder Legislativo no orçamento anual. Tais créditos são discriminados pelos órgãos e unidades orçamentárias segundo a classificação institucional [...]. (grifo do autor) Orienta o estudioso Giacomoni (2012, p. 303) a diferença entre os créditos orçamentários e as dotações orçamentárias, expressões normalmente confusas para o leitor: A lei orçamentária é organizada na forma de créditos orçamentários, aos quais estão consignadas dotações. Em consequência da imprecisão com que são utilizadas na legislação, é comum o emprego das expressões crédito orçamentário e dotação como sinônimos. Na realidade, o crédito orçamentário é constituído pelo conjunto de categorias classificatórias e contas que especificam as ações e operações autorizadas pela lei orçamentária. [...] Por seu turno, dotação é o montante de recursos financeiros com que conta o crédito orçamentário. (grifos do autor) Analisando os ensinamentos do autor Giacomoni (2012), ao iniciar o exercício financeiro registram-se os créditos do orçamento, com as classificações necessárias para reconhecer quem vai desenvolver as ações programadas, e no mesmo instante são registradas as dotações para que fique evidenciado o acompanhamento da evolução dos saldos das dotações e, por consequência, identificar o desempenho da programação do orçamento. 3.2 CRÉDITOS ADICIONAIS Os créditos adicionais são apropriados durante a execução orçamentária, através de autorizações, para suprir dotações não relacionadas ou insuficientes para a realização das despesas necessárias, de acordo com o estudioso Silva (2011, p. 212): “Os créditos adicionais são autorizações de despesasnão computadas ou insuficientemente dotadas na lei do orçamento”. A fundamentação legal para os créditos adicionais, seus tipos possíveis destes créditos, estão expressos na Lei nº 4.320/64, no Art. 40 e Art. 41, leia atentamente: Art. 40. São créditos adicionais as autorizações de despesa não computadas ou insuficientemente dotadas na Lei de Orçamento. Art. 41. Os créditos adicionais classificam-se em: I - suplementares, os destinados a reforço de dotação orçamentária; II - especiais, os destinados a despesas para as quais não haja dotação orçamentária específica; III - extraordinários, os destinados a despesas urgentes e imprevistas, em caso de guerra, comoção intestina ou calamidade pública. Destaca, resumidamente, o autor Albuquerque (2008, p. 207), quais situações podem alterar os créditos do orçamento e justifica os créditos adicionais: 134 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS O orçamento anual é produto de um processo de planejamento que incorpora as intenções e as prioridades da coletividade. Entretanto, é possível que durante a execução do orçamento ocorram situações, fatos novos ou mesmo problemas não previstos na fase de elaboração. Assim, existe a necessidade de mecanismos que venham a corrigir estas falhas de previsão e retifiquem o orçamento. Estes mecanismos são denominados Créditos Adicionais. Os créditos adicionais podem ser classificados em suplementares, especiais ou extraordinários, de acordo com a natureza da necessidade de suplementação, dotações insuficientes, não autorizadas e até pela sua urgência (MACHADO JR; REIS, 2011). FIGURA 3 – CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS ADICIONAIS CRÉDITOS ADICIONAIS CRÉDITOS EXTRAORDINÁRIOS CRÉDITOS ESPECIAIS CRÉDITOS SUPLEMENTARES FONTE: A autora DICAS Acadêmico(a), é importante que você compreenda a diferença de créditos adicionais e os institutos dos remanejamentos, transposições e transferências. Sugerimos a leitura do livro A Lei 4.320 comentada e a Lei de Responsabilidade Fiscal. FONTE: MACHADO JR, J. Teixeira; REIS, Heraldo da Costa. A Lei 4.320 comentada: e a Lei de Responsabilidade Fiscal. 33. ed. Rio de Janeiro: IBAM, 2011. 3.2.1 Créditos Suplementares Nas situações em que os créditos orçamentários e, também, os créditos especiais que foram abertos, forem insuficientes para atender as despesas programadas, a legislação permite a abertura de créditos orçamentários suplementares, segundo Machado Jr. e Reis (2011). TÓPICO 4 | LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL - LOA 135 FONTE: A autora 3.2.1 Créditos Suplementares Os créditos suplementares são utilizados para complementar ou aumentar, dentro do exercício financeiro, os créditos orçamentários insuficientes, é o que esclarece Andrade (2013, p. 122): São créditos que visam suplementar, complementar ou reforçar despesas insuficientemente consignadas no orçamento, autorizadas por lei e abertos por decreto do chefe do Poder Executivo, com obrigatória indicação de recursos que viabilizam o crédito, conforme o § 1º do art. 43 da Lei nº 4.320/64. A Lei Orçamentária pode, desde já, prever um limite em percentual ou valor. Sua vigência limita-se ao exercício financeiro. Nos ensinamentos de Piscitelli e Timbó (2012, p. 49) encontramos exemplos aplicáveis aos créditos suplementares: “[...] destinados a reforço de dotação orçamentária (caso típico dos acréscimos de despesas de pessoal, por subestimativa da previsão, por aumento dos vencimentos etc.);”. (grifo nosso) A autorização para os créditos suplementares deverá ser através de lei, pode ser a própria LOA, já a abertura deverá ser por decreto do chefe do Poder Executivo, sendo necessário informar quais recursos serão utilizados para esses créditos adicionais (SLOMSKI, 2010). Nota-se que os créditos suplementares podem ser frequentes nas épocas em que a economia nacional não estiver controlada, a inflação ou a valorização de determinados produtos ou serviços podem interferir diretamente nas projeções das dotações de despesas públicas e torná-las insuficientes. 3.2.2 Créditos Especiais Quando for necessária a abertura de novos programas, ou a criação de despesas não contempladas na Lei Orçamentária Anual, são utilizados os créditos especiais para regularizar a situação orçamentária, segundo o estudioso Andrade (2013, p. 123): São créditos abertos durante o exercício para amparar novos programas e despesas que não figuram no orçamento, ou seja, que não possuam dotações orçamentárias específicas. São autorizadas por lei específica e abertos por decreto do chefe do Poder Executivo e exigem indicação de recursos conforme o § 1º do art. 43 da Lei nº 4.320/64. Os créditos especiais são utilizados, conforme orientação dos autores Piscitelli e Timbó (2012, p. 49), nos seguintes casos, por exemplo: [...] os especiais, destinados a despesas para as quais não haja dotação específica (o que geralmente ocorre, por exemplo, em relação às despesas decorrentes da criação de órgãos, ou o que se torna, enfim, necessário sempre que não tenha havido previsão para determinada categoria ou grupo de despesa, de qualquer atividade ou projeto de uma unidade). 136 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS Diferentemente dos créditos suplementares, a vigência dos créditos especiais pode ser superior ao exercício financeiro. “Sua vigência é para o exercício financeiro e pode-se estender até o exercício seguinte, se for aberto nos últimos quatro meses do exercício, desde que sejam reabertos por decreto do Executivo e até os limites dos saldos residuais”. (ANDRADE, 2013, p. 123). 3.2.3 Créditos Extraordinários Nas situações em que o poder público necessita agir prontamente para atender despesas imprevisíveis, urgentes e por este motivo não serem previstas no orçamento, foram instituídos os créditos extraordinários, vejam a explicação de Lima e Castro (2012, p. 26): [...] créditos extraordinários: destinam-se a atender a despesas urgentes e imprevisíveis, como em caso de guerra, comoção interna ou calamidade pública. Caracterizam-se pela imprevisibilidade do fato, que requer ação urgente do poder público, e por não decorrerem de planejamento e, pois, de orçamento. (grifo dos autores) Esse tipo de crédito adicional não é comum nos orçamentos públicos, devido à sua especificidade (despesas decorrentes de guerra, calamidade pública etc.). A Lei nº 4.320/64, no Art. 44, esclarece qual o instrumento necessário para autorizar e abrir os créditos extraordinários: “Art. 44. Os créditos extraordinários serão abertos por decreto do Poder Executivo, que deles dará imediato conhecimento ao Poder Legislativo”. 3.2.4 Fontes dos Créditos Adicionais Para a abertura de créditos adicionais, exceto os extraordinários, é necessário justificar e identificar quais os recursos que serão utilizados para que o orçamento continue apresentando equilíbrio. A Lei nº 4.320/64 apresenta no art. 43, §1º ao § 3º e seus incisos, o ordenamento legal e as diversas fontes de recursos que poderão ser utilizadas: Art. 43. A abertura dos créditos suplementares e especiais depende da existência de recursos disponíveis para ocorrer a despesa e será precedida de exposição justificativa. § 1º Consideram-se recursos para o fim deste artigo, desde que não comprometidos: I - o superávit financeiro apurado em balanço patrimonial do exercício anterior; II - os provenientes de excesso de arrecadação; III - os resultantes de anulação parcial ou total de dotações orçamentárias ou de créditos adicionais, autorizados em Lei; IV - o produto de operações de crédito autorizadas, em forma que juridicamente possibilite ao Poder Executivo realizá-las. TÓPICO 4 | LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL - LOA 137 3.2.3 Créditos Extraordinários 3.2.4 Fontes dos Créditos Adicionais § 2º Entende-se por superávitfinanceiro a diferença positiva entre o ativo financeiro e o passivo financeiro, conjugando-se, ainda, os saldos dos créditos adicionais transferidos e as operações de crédito a eles vinculadas. § 3º Entende-se por excesso de arrecadação, para os fins deste artigo, o saldo positivo das diferenças acumuladas mês a mês entre a arrecadação prevista e a realizada, considerando-se, ainda, a tendência do exercício. § 4° Para o fim de apurar os recursos utilizáveis, provenientes de excesso de arrecadação, deduzir-se-á a importância dos créditos extraordinários abertos no exercício. Já os créditos extraordinários, pela característica da urgência e emergência, não necessitarão de apresentação da fonte de recursos, dispensa a indicação de recursos. No quadro a seguir reunimos as principais características das modalidades de créditos adicionais para que você possa visualizar e compreender de forma simplificada: QUADRO 12 – PRINCIPAIS CARCTERÍSTICAS DAS MODALIDADES DE CRÉDITOS ADICIONAIS Espécie Suplementares Especiais Extraordinários Finalidade Reforço da categoria de programação existente na LOA Atender a categoria d e p r o g r a m a ç ã o não contemplada no orçamento Atender a despesas i m p r e v i s í v e i s e urgentes Autorização Prévia , podendo ser incluída na própria lei de orçamento ou lei especial Prévia em lei especial Independente F o r m a d e Abertura Decreto do Presidente da República até o limite estabelecido em lei Decreto do Presidente da República até o limite estabelecido em lei Por meio de Medida Provisória Recursos Indicação obrigatória Indicação obrigatória Independente de indicação Valor/Limite Obrigatório, indicado na lei de autorização e no decreto de abertura Obrigatório, indicado na lei de autorização e no decreto de abertura O b r i g a t ó r i o , indicado na Medida Provisória Vigência No exercício em que foi aberto No exercício em que foi aberto No exercício em que foi aberto Prorrogação Jamais permitida Só para o exercício seguinte, se autorizado em um dos quatro úl t imos meses do exercício. Só para o exercício s e g u i n t e , s e autorizado em um dos quatro últimos meses do exercício. FONTE: Lima e Castro (2012, p. 27) 138 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS DICAS Caro(a) acadêmico(a), é fundamental que você conheça e entenda quais os recursos que poderão servir de fontes para os créditos adicionais. Sugerimos a leitura do Livro: Contabilidade aplicada: uma abordagem da administração financeira pública. FONTE: PISCITELLI, Roberto Bocaccio; TIMBÓ, Maria Zulene Farias. Contabilidade aplicada: uma abordagem da administração financeira pública. 12. ed. São Paulo: Atlas, 2012. 4 CICLO ORÇAMENTÁRIO E SUAS ETAPAS A Lei Orçamentária Anual é construída e executada seguindo várias etapas distintas, que nomeamos de ciclo orçamentário ou processo orçamentário. As etapas mais comuns são denominadas: elaboração, estudo e aprovação, execução e avaliação (SLOMSKI, 2010). Concordam com o mesmo conceito os estudiosos Soares e Moser (2011, p. 77): “O ciclo orçamentário, ou sistema orçamentário, é definido como um processo de caráter contínuo e simultâneo, por meio do qual se elabora, aprova, executa e avalia a programação dos gastos do setor público nos aspectos físico e financeiro”. O ciclo orçamentário é um conjunto de etapas que se iniciam antes da execução do orçamento. Os estudiosos divergem tanto da denominação das etapas, quanto da quantidade de etapas. Vejamos o resultado dos estudos do autor Silva (2011, p. 225), em relação ao tema: O ciclo orçamentário corresponde ao período em que se processam as atividades peculiares do processo orçamentário, definindo-se como uma série de etapas que se repetem em períodos prefixados, segundo os quais os orçamentos são aprovados, votados, executados, os resultados, avaliados, e as contas, finalmente, aprovadas. Já para o pesquisador Giacomoni (2012), são quatro etapas, denominadas: elaboração da proposta orçamentária, discussão, votação e aprovação da lei orçamentária, execução orçamentária, controle de avaliação da execução orçamentária. Observe com atenção a sequência das etapas que representam o ciclo orçamentário da Lei Orçamentária Anual, resumido na figura a seguir: TÓPICO 4 | LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL - LOA 139 4 CICLO ORÇAMENTÁRIO E SUAS ETAPAS FIGURA 4 – RESUMO DO CICLO ORÇAMENTÁRIO DA LOA ELABORAÇÃO AVALIAÇÃO E CONTROLE ESTUDOS E APROVAÇÃOCICLO ORÇAMENTÁRIO EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO 3 21 4 FONTE: A autora É importante visualizar, conforme o autor Giacomoni (2012), que o processo orçamentário ou ciclo orçamentário não é autossuficiente ou independente. Ressalta o mesmo estudioso que a LOA é o resultado de definições constantes do PPA, que foram priorizadas pela LDO. Então, caso ocorram alterações nos outros instrumentos de planejamento orçamentário, o ciclo orçamentário poderá ter interferências. Acadêmico(a), note que, apesar de não haver consenso na denominação das etapas do processo orçamentário, elas representam atividades que devem ser desempenhadas em um período maior que o exercício financeiro, inicial no ano anterior à execução e vai até o término do exercício financeiro da execução orçamentária. 4.1 ELABORAÇÃO A elaboração da proposta orçamentária processa-se em passos determinados, desde a proposta orçamentária inicial, proveniente de cada unidade gestora, até a aprovação do projeto de lei do orçamento, que será encaminhado ao Poder Legislativo, o qual poderá emendá-lo antes da aprovação (SOARES; MOSER, 2011). Quanto à duração que a fase de elaboração compreende, orientam Piscitelli e Timbó (2012, p. 45) que “o processo de elaboração e discussão da proposta orçamentária desenvolve-se praticamente durante todo o ano, a fim de permitir que o orçamento seja executado a partir do início do exercício financeiro seguinte”. A elaboração do projeto de lei da LOA inicia com as propostas individuais de cada unidade executora, que são consolidadas e encaminhadas a um grupo técnico ou setor de planejamento que, por sua vez, faz os ajustes finais do projeto (inclui mensagem, tabelas, anexos) e o envia para o setor que encaminha ao Poder Legislativo (LIMA; CASTRO, 2012). 140 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS A fase da elaboração, do ciclo orçamentário, segundo o autor Slomski (2010, p. 308), compreende: • Fase de competência do Poder Executivo, em que, com base na Lei de Diretrizes Orçamentárias, são fixados os objetivos para o período, levando-se em conta as despesas correntes já existentes e aquelas a serem criadas. São feitos, também, estudos para a definição do montante de recursos orçamentários necessários para fazer frente às despesas de capital, com base no plano plurianual. Deve, nessa fase, ser formalizada a lei, de acordo com os anexos consoantes da Lei nº 4.320/64. É na LDO, aprovada para dar as diretrizes à Lei Orçamentária, que estão descritos os anexos e documentos necessários para acompanhar a proposta orçamentária ao Legislativo de cada ente federativo. Destaca, resumidamente, o autor Giacomoni (2012, p. 234) como a proposta orçamentária deve estar organizada, segundo a Lei nº 4.320/64, para enviar ao Poder Legislativo: I - Mensagem, que conterá: exposição circunstanciada da situação econômico-financeira, documentada com demonstração da dívida fundada e flutuante, saldos de créditos especiais, restos a pagar e outros compromissos financeiros exigíveis; exposição e justificação da política econômico-financeira do governo; justificação da receita e da despesa, particularmente no tocante ao orçamento de capital. II - Projeto de Lei do Orçamento. III - Tabelas explicativas,das quais, além das estimativas de receita e despesas, constarão em colunas distintas e para fins de comparação [...]. IV - Especificação dos programas especiais de trabalho custeados por dotações globais, em termos de metas visadas, decompostas em estimativas de custo das obras a realizar e dos serviços a prestar, acompanhadas de justificação econômica, financeira, social e administrativa. V - Descrição sucinta das principais finalidades de cada unidade administrativa, com indicação da respectiva legislação. Quando apresentamos o planejamento segundo a LRF, na Unidade 1, percebemos que esta lei, no intuito de tornar a gestão pública eficiente, com responsabilidade, criou regras relacionadas ao planejamento, transparência, controle, entre outros. Na etapa da elaboração, do ciclo orçamento, foi introduzido o procedimento, obrigatório, da realização de audiência pública, fundamentado na LRF, Art. 48, Inciso I, verifique: “Art. 48 [...]. I – incentivo à participação popular e realização de audiências públicas, durante os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes orçamentárias e orçamentos [...]”. 4.2 ESTUDO E APROVAÇÃO O projeto de lei da LOA deve ser encaminhado para a apreciação do Poder Legislativo até quatro meses (31 de agosto) antes do encerramento do exercício financeiro e devolvido para sanção até o término da sessão legislativa (22 de dezembro) (CARVALHO, 2010). TÓPICO 4 | LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL - LOA 141 4.2 ESTUDO E APROVAÇÃO Nesta fase do ciclo orçamentário, segundo o autor Slomski (2010, p. 308), são executadas as seguintes tarefas pelo Poder Legislativo: “[...] Fase de competência do Poder Legislativo, em que os representantes do povo, vereadores, deputados, senadores, aprovam e/ou emendam”. Os pesquisadores Soares e Moser (2011, p. 80) destacam como exemplo de aprovação a Lei Orçamentária da União, confira a seguir: “Após ser discutida e aprovada no Congresso Nacional, sancionada pelo Presidente da República, a proposta orçamentária é transformada em Lei (Lei Orçamentária Anual - LOA), e será utilizada por toda administração direta e indireta”. A etapa dos estudos e aprovação da LOA envolve o recebimento da proposta orçamentária (feita pelo Poder Executivo), a análise pelas diversas comissões do Poder Legislativo, a apreciação da população, a inserção de emendas, a votação da proposta, a devolução da proposta para o chefe do Executivo sancionar ou vetar, é o que esclarecem os pesquisadores Andrade et al. (2008, p. 145): [...] o Poder Executivo deve elaborar uma boa proposta orçamentária, a qual deverá ser devidamente apreciada e aprovada pelo Poder Legislativo e sancionada pelo Poder Executivo ou promulgada pelos Poderes Executivo ou Legislativo, transformando-se então na LOA, a qual conterá os orçamentos que viabilizarão a manutenção e a implementação das ações governamentais durante um exercício financeiro. Segundo Lima e Castro (2012, p. 10), nesta fase os procedimentos devem compreender: Ao chegar ao Poder Legislativo, a proposta orçamentária é analisada pela Comissão de Orçamento e Finanças, onde recebe emendas parlamentares. Depois de aprovada pelo Poder Legislativo e sancionada pelo chefe do Poder Executivo, a proposta orçamentária é transformada na Lei Orçamentária Anual (LOA). Nesta etapa, também fundamentada na LRF, Art. 48, Inciso I, fica evidente a necessidade de o Poder Legislativo incentivar a população para que participe de audiências públicas, que deverão ser realizadas obrigatoriamente antes do início das votações. NOTA Acadêmico(a), você já participou de uma audiência pública para discutir a LOA do seu município? Participe desses eventos e exerça a cidadania. Normalmente, os convites para as audiências estão nas páginas oficiais dos municípios, na rede mundial de computadores. 142 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS 4.3 EXECUÇÃO A execução é a fase do ciclo orçamentário, segundo o autor Slomski (2010, p. 309), que cabe a todos os órgãos do governo, verifique: “[...] Fase em que é realizado aquilo que fora previsto nos projetos e atividades da referida Lei do Orçamento”. A arrecadação dos tributos e a autorização da despesa, durante o exercício financeiro, são as principais características da execução da LOA, é o que esclarecem Lima e Castro (2012, p. 11): A execução orçamentária inicia-se no primeiro dia de janeiro e termina em 31 de dezembro, coincidindo com o ano civil. Consiste na arrecadação de receitas de impostos, taxas, contribuição de melhoria, transferências [...] e na aplicação desses recursos nos projetos e atividades aprovadas na Lei Orçamentária Anual. Nesta etapa, onde são arrecadados os tributos e realizadas as despesas para que as ações do governo possam se concretizar, também são realizados, através da contabilidade pública, os registros das atividades orçamentárias. O resultado desses registros são os diversos relatórios produzidos para o acompanhamento, tanto do orçamento, quanto da evolução do patrimônio público e dos relatórios de controle. É importante destacar que na fase da execução orçamentária a LRF trouxe, através do Art. 48 e Art. 48ª, a obrigatoriedade da publicação do Relatório Resumido da Execução Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal, bem como a necessidade de apresentar, em tempo real, na rede mundial de computadores, o desenrolar das atividades de arrecadação e autorização de despesas. Sobre o início da execução orçamentária, alertam os pesquisadores Soares e Moser (2011, p. 81) que, segundo a LRF, é necessário fazer e publicar a programação financeira, que são metas de arrecadação bimestral e o cronograma do seu desembolso: “A execução orçamentária deve ser precedida de uma programação financeira de desembolso que terá como objetivo alcançar a máxima racionalidade possível para a melhor aplicação dos recursos públicos”. Os estudiosos Piscitelli e Timbó (2012, p. 650) reforçam o mesmo ensinamento: “Após a publicação da Lei Orçamentária, o Poder Executivo dispõe de 30 dias para estabelecer a programação financeira e o cronograma de execução mensal de desembolso, de forma a cumprir as metas estabelecidas”. 4.4 AVALIAÇÃO E CONTROLE “A avaliação trata da organização, critérios e trabalhos que são utilizados para medir o nível dos objetivos fixados no orçamento e as modificações que ocorreram durante a sua execução” (SOARES; MOSER, 2011, p. 82). TÓPICO 4 | LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL - LOA 143 4.3 EXECUÇÃO 4.4 AVALIAÇÃO E CONTROLE Ensinam os estudiosos Lima e Castro (2012, p. 11) que o controle da execução orçamentária é atividade exercida por dois segmentos, o controle interno e o controle externo, concomitantemente, tendo como objeto a verificação da legalidade, fidelidade e cumprimento dos programas: O controle da execução orçamentária e financeira se dará interna e externamente, devendo ser efetuados os controles sobre os seguintes aspectos (art. 75 a 82 da Lei nº 4.320/64): • legalidade dos atos de que resultem a arrecadação da receita ou a realização da despesa, o surgimento ou a extinção de direitos e obrigações; • fidelidade funcional dos agentes da administração, responsáveis por bens e valores públicos; • cumprimento do programa de trabalho expresso em termos monetários e em termos de realização de obras e prestação de serviços. (grifo nosso) A fase da avaliação, do ciclo orçamentário, segundo o autor Slomski (2010, p. 309), é muitas vezes esquecida ou ignorada pelo Poder Executivo: • Essa fase, apesar de prevista, raramente é de fato realizada, pois, normalmente, ao se encerrar o exercício financeiro, o Executivo toma as iniciativas para iniciar a execução do novo orçamento e, assim, poucos recursos são destinados à avaliação do orçamento encerrado, naquilo que se refere à suaexecução. Tanto no controle como na avaliação da execução orçamentária, a Lei de Responsabilidade Fiscal foi a legislação que trouxe mudanças, necessárias, que visam a gestão responsável e o equilíbrio fiscal. Dentre as iniciativas da LRF, citamos a divulgação periódica de relatórios, como RGF e RREO e a divulgação em tempo real dos registros da execução orçamentária, como grandes aliados para provocar e facilitar o controle social das finanças públicas e, em contrapartida, a avaliação social do desempenho dos gestores. IMPORTANT E No texto a seguir vamos conhecer uma reportagem especial sobre a importância do Orçamento Público. Esta reportagem faz parte de um programa de educação financeira da Câmara dos Deputados que se chama “Para entender o Orçamento”. Você pode compreender porque é importante a participação popular e o controle social do orçamento. Leia com atenção, é importante para a sua melhor compreensão dos conteúdos apresentados na Unidade 2. 144 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS LEITURA COMPLEMENTAR PARA ENTENDER O ORÇAMENTO: A IMPORTÂNCIA - BLOCO 1 Você já parou alguma vez para observar sua cidade? Olhe à sua volta. As escolas e os hospitais estão funcionando direitinho? As ruas estão asfaltadas e iluminadas à noite? A coleta de lixo é feita? E a polícia garante a segurança? O funcionamento destes e de outros serviços depende do orçamento público. A babá Marta Carvalho, por exemplo, esperou dois anos por uma operação de catarata. Quando questionada, ela não tem dúvida sobre a qualidade do atendimento do SUS: “É péssimo porque, às vezes, você começa com um médico. Quando consegue, depois de seis meses, ser chamada novamente, você vai, seu médico não existe mais. Você tem de passar para a mão de outro médico. Você tem de recomeçar tudo de novo. Como vai ser o meu caso? Eu tenho problema de osteoporose e de fibromialgia. Tem mais de seis meses que eu tive a última consulta. Minhas receitas estão vencidas há dois meses. E agora é que conseguiram remarcar, já para outro hospital. Eu comecei em Santa Maria e, agora, é no Hospital de Base. E já é outro médico, que eu nem conheço. Então, eu vou recomeçar tudo de novo”. Além da demora no atendimento, Dona Marta reclama das condições dos hospitais públicos: “É imundo. Atendimento demorado. Muitas vezes você passa oito horas no pronto-socorro e não consegue ser atendida”. O especialista em orçamento explica que o atendimento recebido pela dona Marta no SUS tem tudo a ver com a lei orçamentária: “Como o SUS é um sistema unificado, tanto no âmbito federal, quanto no âmbito de estados e municípios, todos estes entes têm de destinar recursos para o atendimento de saúde. E o orçamento vai determinar quanto você vai alocar dos recursos dos tributos, que são arrecadados, para a saúde, para o SUS. Então, o orçamento determina no que será gasto e quanto será gasto no SUS”. Pois é, para prestar esses serviços e manter as cidades funcionando, o governo precisa de dinheiro. Por isso, ele arrecada recursos que, em sua maior parte, vêm dos tributos que a população paga. É com esse dinheiro que o governo tem que resolver os problemas da população. Por exemplo, construir postos de saúde, comprar aparelhos de raio-x, remédios, contratar médicos e enfermeiros. O orçamento público mostra quanto de impostos, taxas e contribuições o governo recolhe e quanto ele gasta em cada área. Ou seja: mostra quanto o governo arrecada da sociedade e como ele gasta esse dinheiro. TÓPICO 4 | LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL - LOA 145 Marcos Mognatti acha que o contribuinte, o cidadão e o eleitor deveriam participar mais da elaboração do orçamento, para garantir que os recursos sejam destinados de forma correta: “A sociedade precisa ter um conhecimento maior sobre essa atuação do orçamento, o que o orçamento pode trazer de benefício para ela. E participar, de forma mais ativa, na escolha de seus parlamentares e no controle dos parlamentares para poder cobrar que venham mais recursos, que os recursos sejam destinados de forma correta”. O governo cobra tributos para ter dinheiro para poder resolver os problemas da população: na educação, na segurança, nos transportes, na economia. Mas são tantos os problemas que não dá para resolver tudo de uma vez. É preciso definir prioridades. Por isso, antes de fazer o orçamento, o governo prepara uma lei, chamada Lei de Diretrizes Orçamentárias, a LDO. É a LDO que define o que é mais importante e como o governo deve montar e aplicar o orçamento a cada ano. Agora, tanto a LDO quanto o orçamento seguem um plano maior, que define os grandes investimentos que o governante irá realizar no seu mandato. Esse plano é o chamado Plano Plurianual, ou PPA. Ele define, por exemplo, grandes obras que duram mais de um ano para ficar prontas, como rodovias e hidrelétricas a serem construídas e aeroportos a serem reformados. Mas não são somente obras. O PPA também define ações do governo como financiamento a agricultores, compra de equipamentos para hospitais e delegacias e muitas outras despesas. Portanto, temos três importantes leis orçamentárias – o PPA, a LDO e a Lei Orçamentária Anual, a LOA, que é o orçamento propriamente dito – cada qual com uma função. É o que explica Marcos Mognatti: “Nossa Constituição veio dar uma importância maior ao planejamento. E o planejamento, para dar uma visão de maior longo prazo, precisa de um instrumento que ultrapasse mais de um ano. E o PPA vem trazendo uma visão um pouco mais estratégica, um pouco mais abrangente, que alcança quatro anos. Então, o PPA tem um direcionamento do que o governo vai fazer num período de quatro anos. A LDO tem outro objetivo, de fazer como o governo vai executar este planejamento. E a lei orçamentária anual vai alocar recursos em cada ação para atingir os objetivos delimitados no plano, o PPA”. Para ficar mais fácil, vamos imaginar uma partida de futebol. As estratégias das equipes, o que elas podem ou não fazer para ganhar a partida, são definidas na LDO, na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Já o planejamento do campeonato é o PPA, o Plano Plurianual. Agora, a partida de futebol, o jogo mesmo, esse é o orçamento, que é a LOA, a Lei Orçamentária Anual. 146 UNIDADE 2 | O ORÇAMENTO PÚBLICO E SUAS CARACTERÍSTICAS Vale lembrar que nenhuma despesa pública pode ser executada sem estar prevista na Lei Orçamentária Anual. Por isso ela é tão importante. FONTE: CECCHERINI, Mauro. Para entender o orçamento: a importância - bloco 1. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/radio/materias/REPORTAGEM-ESPECIAL/ 474598-PARA-ENTENDER-O-ORCAMENTO-A-IMPORTANCIA-BLOCO-1.html>. Acesso em: 14 jul. 2015. 147 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico vimos: • A Lei Orçamentária Anual é o instrumento de planejamento orçamentário que contém a apresentação da previsão das receitas do próximo ano, bem como promoverá a fixação e liberação das despesas para as ações definidas ao ano seguinte. • A Lei Orçamentária Anual segue várias legislações que regulamentam seu ciclo orçamentário, como, por exemplo: a Constituição Federal, a Lei nº 4.320/64, a Lei de Responsabilidade Fiscal, entre outras normas aplicáveis apenas aos Estados e aos Municípios (Constituições Estaduais e Leis Orgânicas). • Ao aprovar a lei do orçamento são aprovados os créditos do orçamento, estes créditos estão vinculados às ações governamentais, onde indicam a instituição que os utilizará, a função e subfunção das despesas, o programa de governo e qual a natureza da despesa. • Os créditos do orçamento são regulamentados pela Lei nº 4.320/64, do Art. 40 ao Art. 46, e dividem-se em créditos orçamentários e créditos adicionais. • Os créditos adicionais podem ser: créditos suplementares, créditos especiais e créditos extraordinários. • A Lei OrçamentáriaAnual é construída e executada através de várias etapas distintas, que nomeamos de ciclo orçamentário ou processo orçamentário. • O ciclo orçamentário é formado pelas seguintes etapas: elaboração, estudo e aprovação, execução e avaliação. 148 Prezado(a) acadêmico(a), para que possamos avaliar a compreensão dos conceitos a que tivemos acesso até o momento, os convido a responder aos questionamentos dispostos a seguir: 1 A LOA é o terceiro e último instrumento de planejamento orçamentário. Quanto ao prazo constitucional para envio ao Poder Legislativo para apreciação, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A LOA deve ser enviada até 31 de agosto de todos os anos. b) ( ) A LOA deve ser enviada até 31 de julho de todos os anos. c) ( ) A LOA deve ser enviada até 15 de abril de todos os anos. d) ( ) A LOA deve ser enviada até 15 de agosto de todos os anos. 2 A LOA é composta pelo conjunto de três orçamentos. Quanto à denominação desses orçamentos que devem compor a LOA, assinale as alternativas CORRETAS: a) ( ) Orçamento de investimentos. b) ( ) Orçamento da seguridade social. c) ( ) Orçamento de entidades parafiscais. d) ( ) Orçamento fiscal. 3 Os créditos do orçamento podem ser alterados para adequar o planejamento à execução, através de créditos adicionais. Com referência aos tipos de créditos adicionais, assinale as alternativas CORRETAS: a) ( ) Créditos suplementares. b) ( ) Créditos especiais. c) ( ) Créditos voluntários. d) ( ) Créditos extraordinários. 4 O ciclo ou processo orçamentário é o conjunto de etapas que são desenvolvidas na LOA. Com referência à denominação dessas etapas, assinale as alternativas CORRETAS: AUTOATIVIDADE 149 a) ( ) Elaboração. b) ( ) Estudos e aprovação. c) ( ) Controle e avaliação. d) ( ) Execução.