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HISTÓRIA DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO Discentes: Abimael Silva; Bruna Castro; Bianca Scarano e Natália Magalhães Prof° Me. Thiago Sabino MORAES, A. C. R. Geografia: pequena história crítica. 21ª ed. São Paulo: Annablume, 2007. A SISTEMATIZAÇÃO DA GEOGRAFIA Principais pensadores e correntes de pensamento GEOGRAFIA – PEQUENA HISTÓRIA CRÍTICA O livro possui 12 capítulos; De acordo com Benac (2007), o livro está dividido em quatro partes, Do quarto ao oitavo capítulo, está compreendida a terceira parte, onde o autor fala da geografia clássica (também chamada de tradicional) (BENAC, 2007). Fonte: Cia. dos Livros https://www.ciadoslivros.com.br/buscacustom/310713 CAPÍTULO 4 A SISTEMATIZAÇÃO DA GEOGRAFIA: HUMBOLDT E RITTER O CONTEXTO HISTÓRICO DA SISTEMATIZAÇÃO DA GEOGRAFIA ALEMÃ/PRUSSIANA A estrutura feudal permanece intacta. “Feudalismo modernizado” Temas como domínio e organização do espaço, apropriação do território, variação regional, entre outros, estarão na ordem do dia na prática da sociedade alemã. Figura 1: Alexander Von Humboldt ALEXANDER VON HUMBOLDT (1769 – 1859) o Formação naturalista, estudava geologia e botânica; o Principais obras: Quadros da Natureza, Cosmos, o Deu inicio as expedições naturalistas no final do séc. XIX. Figura 1: Alexander Von Humboldt ALEXANDER VON HUMBOLDT (1769 – 1859) Caberia ao estudo geográfico: “reconhecer a unidade na imensa variedade dos fenômenos, descobrir pelo livre exercício do pensamento e combinando as observações, a constância dos fenômenos em meio as suas variações aparentes” o O pensamento de Humboldt foi profundamente influenciado pelo racionalismo francês e pelo idealismo filosófico alemão, sendo um profundo adepto dos ideais positivistas que se encontravam em voga durante a sua época (PENA) Figura 2: Karl Ritter KARL RITTER (1779 – 1859) o Professor na Universidade de Berlim; o Priorizava as revisões bibliográficas; o Atuava nos estudos de Filosofia e História, o Principal obra: Geografia comparada. Figura 2: Karl Ritter KARL RITTER (1779 – 1859) o Professor na Universidade de Berlim; o Priorizava as revisões bibliográficas; o Atuava nos estudos de Filosofia e História, o Principal obra: Geografia comparada. o Preocupou-se em sistematizar o conhecimento geográfico para oferecer uma explicação racional e científica para a relação entre o homem e a natureza (BOFF, 2018). Caberia a geografia explicar a individualidade dos sistemas naturais, pois nesta se expressaria o desígnio da divindade ao criar aquele lugar específico O. PESCHEL E F. VON RICHTHOFEN O. PESCHEL Realizou uma visão crítica da obra de Ritter contestando-a, para ele a geografia era um estudo das formas existentes nas paisagens terrestres, o qual entre ela, deveria buscar semelhanças, através da comparação. F. VON RICHTHOFEN Realizou inúmeros trabalhos de campo, aprimorando as técnicas de descrição. Propunha uma das definições mais empíricas do objeto geográfico, vendo-o como “a superfície terrestre”. Além das formulações de Humboldt e Ritter, a sistematização da geografia, dois autores alemães merecem destaque neste sentido: CAPÍTULO 5 RATZEL E A ANTROPOGEOGRAFIA Figura 3: Friendrich Ratzel FRIENDRICH RATZEL (1844-1904) o Alemão e prussiano o Um dos principais teóricos clássicos da Geografia o Precursor da Geopolítica. o As Relações capitalistas A Geografia de Ratzel foi um instrumento poderoso de legitimação dos desígnios expansionistas do Estado alemão recém- constituído. PROCESSO DE UNIFICAÇÃO ALEMÃ o Confederação Germânica o Áustria X Prússia o Otto Von Bismarck Figura 3: O império alemão - Segundo Reich (1871 – 1918) Figura 4: Ilustração britânica do século XIX retrata Otto von Bismarck e seus generais durante a Guerra Franco-Prussiana Figura 5: Otto Von Bismarck EXPANSIONISMO BISMARCKIANO o A Obra de Ratzel propõe uma legitimação do expansionismo bismarckiano. o A Geografia de Ratzel expressa um elogio do Imperialismo, como ao dizer por exemplo: “Semelhante à luta pela vida, cuja finalidade básica é obter espaço, as lutas dos povos são quase sempre pelo mesmo objetivo. Na Historia moderna a recompensa da vitória foi sempre um proveito territorial”. RATZEL E A ANTROPOGEOGRAFIA Antropogeografia foi o principal livro de Ratzel Publicado em 1882. A Sociedade é um organismo vivo O conceito de “Espaço Vital”. Visão naturalista Determinismo Geográfico Geopolítica Figura 6: Região nordeste CAPÍTULO 6 PAUL VIDAL DE LA BLACHE E A GEOGRAFIA HUMANA CONTEXTO HISTÓRICO A França, em relação a Alemanha (Prússia) já era unificada. A revolução burguesa no império francês aconteceu de forma mais pura. A burguesia formulou a implantação do domínio total das relações capitalistas Napoleão Bonaparte teve grande importância neste processo de desenvolvimento do capitalismo na França. A França foi o berço do socialismo militante e o lugar onde o caráter classista da democracia burguesa primeiro se revelou CONTEXTO HISTÓRICO Na segunda metade do séc. XIX a França e a Prússia, disputaram a hegemonia do controle continental da Europa. A França perdeu na guerra territórios importantes para a sua industrialização, pois neles se localizavam suas principais reservas de carvão. A partir disso, a geografia se desenvolveu com o apoio deliberado do estado francês que precisava deslegitimar os alemães e fundamentar o expansionismo francês. Figura 7: Paul Vidal de La Blache VIDAL DE LA BLACHE (1845-1918) o Formulou a escola geográfica francesa que era oposta ao pensamento geográfico prussiano. o A proposta de Vidal de La Blache era mais liberal, consoante com a evolução francesa e sua análise partiu do homem abstrato do liberalismo. CRÍTICAS DE VIDAL DE LA BLACHE AS COLOCAÇÕES DE RATZEL PRIMEIRA CRÍTICA • Era a respeito da politização explicita nos discursos de Ratzel; SEGUNDA CRÍTICA • Era a respeito do caráter naturalista, TERCEIRA CRÍTICA • Era em relação a concepção fatalista e mecanista da relação entre o homem e a natureza Figura 8: Críticas feitas por La Blache a Ratzel Fonte: Adaptado de Moraes (2007) PROPOSTAS DE VIDAL DE LA BLACHE PARA A GEOGRAFIA Adotou uma postura mais relativista, afirmando que tudo o que se refere ao homem “é mediado pela contingência”; Definiu o objeto da Geografia como a relação homem-natureza, na perspectiva de paisagem; Colocou o homem como um ser ativo que sofre influência do meio, porém que atua sobre este transformando-o; As necessidades humanas são condicionadas pela natureza, e que o homem busca as soluções para satisfazer suas necessidades nos materiais e nas condições oferecidas pelo meio. PROPOSTAS DE VIDAL DE LA BLACHE PARA A GEOGRAFIA Na perspectiva Vidalina, a natureza passou a ser vista como possibilidade para a ação humana; A diversidade dos meios explicaria a diversidade dos gêneros de vida. Caberia a geografia estudar os gêneros de vida, os motivos de sua manutenção ou transformação e sua difusão, com a formação dos domínios de civilização, levando em consideração as obras humanas em relação ao espaço. PROPOSTAS DE VIDAL DE LA BLACHE EM RELAÇÃO AO MÉTODO Observação de campo Indução a partir da paisagem Particularização da área enfocada (em seus traços históricos naturais) Classificação das áreas e dos gêneros de vida (em séries de tipos genéricos) Composição das áreas estudadas e do material levado Figura 9: Processos para a análise geográfica Fonte:Adaptado de Moraes (2007) CAPÍTULO 7 OS DESDOBRAMENTOS DA PROPOSTA LABLACHIANA Figura 7: Paul Vidal de La Blache VIDAL DE LA BLACHE (1845-1918) o Fundação majoritária do pensamento geográfico o Obra coletiva de Vidal de La Blache o Geografia regional o Geografia econômica na especializações dos estudos regionais o Proposta de Max Sorre o As propostas posteriores que fecharam o ciclo da geografia. OBRA COLETIVA DE VIDAL DE LA BLACHE o A obra geografia universal foi executada por seus discípulos, aproximando-os. o Cada um escreveu sobre determinadas porções do planeta. Figura 10: (A) Coleção, (B) Livro Geografia Universal – La Blache e L. Gallois A B GEOGRAFIA REGIONAL Propõe a realização de monografias, análises circunscritas a área em foco, que busca chegar a um conhecimento mais profundo dela pela descrição e observação dos elementos presentes. O acúmulo de estudos regionais favoreceu o aparecimento de especializações, fazendo a síntese de elementos por eles levantados . Destas especializações a que teve perspectiva mais globalizante foi a geografia econômica. Figura 11: Max Sorre MAX SORRE (1880-1962) o O geógrafo francês Max Sorre foi seguidor da Escola Possibilista da Geografia. Formou-se professor e lecionou até a Primeira Guerra Mundial. Trabalhou no sentido de integrar os estudos de Geografia Física aos de Geografia Humana. Este autor, manteve- se dentro da proposta vidalina, aperfeiçoando-a. Apresentou a ideia de que a geografia deve estudar as formas pelas quais os homens organiza seu meio, entendendo o espaço como moradia. PROPOSTAS POSTERIORES QUE FECHARAM O CICLO DA GEOGRAFIA M. le Lannou e A. Cholly publicados na década de 50. Lannou concebeu a geografia como eminente regional, definindo o objeto com o homem habitante Para A. Cholly a geografia teria “por objetivo as combinações existentes, os fatos, equilíbrio”. Definiu a geografia como ciência dos complexos . CAPÍTULO 8 ALÉM DO DETERMINISMO E DO POSSIBILISMO: A PROPOSTA DE HARTSHORNE GEOGRAFIA RACIONALISTA Ratzel e Vidal: positivismo de Augusto Comte Hettner e Hartshorne: neokantismo de Rickert e Windelband deram início a Geografia Racionalista. É denominada Racionalista, pois tem uma menor carga empirista em relação as anteriores, e privilegia o raciocínio dedutivo. o Geografia racionalista não rompeu com todos os preceitos que a Geografia já possuía. Figura 12: Alfred Hettner ALFRED HETTNER (1859–1941) o Geografo alemão o Professor da Universidade de Heidelberg o Editor da revista Geographische Zeitchrift o Publicou suas obras entre 1890 - 1910 Propôs a geografia como a ciência que estuda a "diferenciação de áreas", uma ciência que visa explicar "por quê" e "em que" se diferem as proporções da superfície terrestre. Figura 12: Alfred Hettner ALFRED HETTNER (1859–1941) o Para Hettner, o caráter singular das diferentes parcelas do espaço adviria da particular forma de inter-relação dos fenômenos existentes. A geografia seria então o estudo dessas formas de inter- relação dos elementos, no espaço terrestre. o Suas ideias não tiveram muita relevância na época devido ao: o Domínio incontestado do Possibilismo o Isolamento cultural da Alemanha Figura 13: Richard HartshorneRICHARD HARTSHORNE (1888-1975) o Desenvolveu e aprimorou as ideias de Hettner. o Após a Primeira Guerra Mundial o 1930 a geografia norte-americana começou a se desenvolver o A produção de Hartshorne possuía caráter amplo (em busca de uma Geografia Geral) e explicitamente metodológico. HARTSHORNE COMPREENDEU A GEOGRAFIA COMO UM "PONTO DE VISTA". Estudaria as inter-relações entre os fenômenos heterogêneos, apresentando-as numa visão sintética. Inter-relações não interessariam em si e sim na medida em que "desvendam o caráter variável das diferentes áreas da superfície da Terra". A geografia seria um estudo da "variação de áreas" ÁREA Instrumento de análise. A área é construída idealmente pelo pesquisador, a partir da observação dos dados escolhidos. Parcela da superfície terrestre, diferenciada pelo observador, que a delimita por seu caráter. Essa delimitação é um processo de escolha do observador, que seleciona os fenômenos enfocados, dependendo dos dados selecionados, a delimitação será diferente (pois a abrangência destes varia desigualmente) Região ou Território Que são vistos como realidades objetivas exteriores ao observador Construída no processo de investigação Possui múltiplos processos integrados, sendo uma fonte inesgotável de inter- relações. Figura 14: Conceito de área Fonte: Adaptado de Moraes (2007) O conjunto de todas as inter-relações possíveis daria a realidade total da área, porém sua apreensão seria impossível; logo, buscar a exaustão seria anticientífico Necessidade de seleção dos elementos a serem analisados, que deveriam ser os mais significativos. Geografia Idiográfica Análise singular (de um só lugar) e unitária (tentando apreender vários elementos) Conhecimento bastante profundo de determinado local Geografia Nomotética O pesquisador pararia na primeira integração e iria reproduzi-la em outros lugares e comparar “Padrão de variação", daqueles fenômenos tratados. Figura 15: Diferenças entre Geografia Idiográfica e Nomotética Fonte: Adaptado de Moraes (2007) CONTEÚDO COMPLEMENTAR INDICADO SILVA, D. N. Unificação Alemã. História do Mundo. Disponível em: <https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/unificacao-alema.htm>. Acesso em: 23 mai. 2019 PASSEI DIRETO. O sistema das ciências e o lugar da geografia Alfred Hettner. UNEB. Disponível em: <https://www.passeidireto.com/arquivo/30349814/alfred-hettner>. Acesso em 23 mai. 2019 JOSHI, T. Paul Vidal de La Blache. Alchetron. 16 jul. 2018. Disponível em: <https://alchetron.com/Paul-Vidal-de-La-Blache>. Acesso em 25 mai. 2019 REFERÊNCIAS MORAES, A. C. R. Geografia: pequena história crítica. 21ª ed. São Paulo: Annablume, 2007. BOFF, M. A Geografia segundo Carl Ritter. Jornal da Unicamp. 7 de fev. 2018. Disponível em: <https://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2018/02/07/geografia-segundo-carl-ritter>. Acesso em: 27 de mai. 2019. PENA, R. F. A. Humboldt e Ritter, os pais da Geografia. Brasil Escola. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/geografia/humboldt-ritter-os-pais-geografia.htm>. Acesso em 27 de maio de 2019.