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Manaus, 29 de Outubro de 2014 Materiais de Moldagem Anelásticos O gesso tipo I – Paris, a pasta de zinco e eugenol (ou pasta zincoenólico) e a godiva são materiais de moldagem anelásticos ou inelásticos. Os materiais de moldagem anelásticos vão ter aplicações específicas e muitas vezes vão ser legais para utilizarem em algumas confecções de próteses específicas. Hoje em dia os materiais evoluíram muito, os silicones já conseguem substituir os materiais de moldagem anelásticos, mas qual a vantagem de fazer uma moldagem com um material que teoricamente parece que não vai ter tanto efeito satisfatório quando os outros por ficar rígido? A vantagem é que trabalhamos em áreas que muitas vezes são desdentadas e que existem rebordos alveolares, tecido mole, mucosa, e fica sobrejacente a essas áreas, então percebam que se pensarem em uma prótese que vai estar suportada sobre o rebordo alveolar, ela vai necessitar de uma cópia bem fidedigna desse rebordo. Com a vivência clínica vocês vão perceber que esse rebordo se altera, o processo alveolar está presente por causa da existência do dente, a partir do momento que é feita a exodontia ou o dente é perdido por motivo de doença, esse rebordo começa a ser retraído, vai sendo reabsorvido, vai se perdendo. Então, quanto menor esse rebordo mais difícil vai ser para conseguir uma sustentação para uma prótese mucosuportada. Ao pensar em mucosuportada já se pensa que vai ficar numa área de mucosa, mas será que é o tecido mole que vai fazer o suporte dessa prótese? Não, é o osso, o osso que sobrou, residual, o processo alveolar que ainda não foi reabsorvido. Quando ocorre a reabsorção o tecido mole fica sobrando por cima, por isso tem que fazer uma moldagem com um material que empurre, que comprima, que seja mucocompressivo, essa é a vantagem dos materiais anelásticos. Por isso que muitas vezes as pessoas acham que a prótese parcial removível não ficou tão legal ou que a prótese total não consegue segurar, talvez se fizessem uma moldagem com um material mucocompressivo houvesse um sucesso melhor, porque o vedamento marginal da prótese vai ser mais adequado. Perceba que você vai conseguir afastar esse tecido mole e vai conseguir copiar mais fielmente o rebordo alveolar, aliás copiar a mucosa em cima do rebordo alveolar, por isso que o nome da prótese é mucosuportada ou dentomucosuportada (quando são PPR que têm áreas com grampos que apoiam em dente). Existem várias técnicas que têm sido ainda utilizadas pensando em não mais utilizar esse tipo de material. Provavelmente algum professor vai ensinar as técnicas que associam vários materiais, por exemplo, alginato e materiais anelásticos, podem utilizar apenas os materiais elásticos, utilizando outras alterações da técnica, outros artifícios. Por exemplo, fazer uma moldagem de alginato, remover uma parte do alginato (alívio) e aí fazer novamente uma moldagem de alginato em cima, é outra técnica. Outra técnica é moldar com silicone, o de alta viscosidade quando utilizado para moldar também empurra o tecido mole. *GODIVA: - Presente na odontologia desde o século passado até os dias atuais. - Foi introduzida por Charles Stent, 1857 e pelos irmãos Greene. - Termoplástico. A godiva também é um material amorfo, tem vários componentes que vão estar associados e ela vai ter a característica de que eu vou utilizar as melhores propriedades de cada um deles para que eu possa utilizar essa material como um material de moldagem. Os irmãos Greene conseguiram perceber que era possível moldar com a godiva porque o escoamento do material era adequado e a fidelidade de cópia, ou seja, que tinha uma certa estabilidade dimensional. No entanto, a forma como vamos trabalhar com este material vai ser diferente do que como trabalhamos com os outros materiais de moldagem, vocês vão perceber que ele vai ser alterado conforme eu altere a sua temperatura. Então esse material é um material que vai se plastificar, ele vai ser termoplástico, vou utilizá-lo com calor. A godiva é rígida, como faço para modificar isso? Vou precisar de uma chama, vou precisar de uma lamparina e conforme eu aqueça esse material ele vai se plastificar e na temperatura adequada eu consigo utilizá-lo para moldagem. - Composição: (Sua característica é heterogênea) Ceras: cera de abelha; Plastificantes: ácido esteárico, guta-percha; Resinas Naturais; Cargas (para dar um pouco mais de consistência para esse material); e Agentes Corantes. - Classificação – ADA: Tipo I - Godiva para Impressão (de baixa fusão) Tipo II - Godiva para Moldeira (de alta fusão) A godiva que vamos utilizar é a de baixa fusão, ela tem a propriedade de se plastificar em temperaturas um pouco mais baixa do que as outras godivas, que seriam as godivas de alta fusão. Por que essa diferença? Vocês vão confeccionar uma moldeira individual de resina acrílica, mas a godiva tipo II, de alta fusão, ela é indicada para confecção de moldeiras individuais também. E por que é interessante usar a tipo II que tem uma temperatura mais alta de fusão? Justamente porque quando nós utilizamos uma moldeira não é um ambiente bucal com uma temperatura diferente do externo? Não vai estar a mais ou menos 36,5°C? Se eu tiver uma maior estabilidade térmica, uma maior estabilidade dimensional por conta de não alterar essa dimensão na temperatura de 36,5°C então vou ter um material que é eleito satisfatoriamente para isso. Se eu tivesse uma godiva de baixa fusão talvez não fosse tão adequado e não tão excitável para que eu utilizasse nessa função. Esse é o motivo principal, temos dois tipos. Hoje em dia a gente utiliza ainda? Muito difícil utilizar o tipo II para confeccionar moldeiras, o que é comum é confeccionar com a resina acrílica. Lembrar que já foi utilizada a moldeira de estoque e nós individualizamos essa moldeira com a cera, moldeiras individuais são aquelas que nós confeccionamos sobre um modelo de estudo e ela vai servir apenas para aquele paciente do modelo de estudo. - Apresentação Comercial: Godiva tipo I: placas; bastões; Godiva tipo II: lâminas. A tipo II tem esse formato justamente para facilitar a confecção da moldeira individual. Tinha que utilizar o termoplastificador para modificar a temperatura de maneira que me seja satisfatória para eu fazer a moldeira. Vocês vão utilizar a godiva em bastão (baixa fusão). A godiva tipo I é utilizada para moldagem de prótese total. Então vocês vão observar que existem kits de moldeiras de estoque que são rasos, justamente pra uso em pacientes sem dentes, edêntulos, como faço uso deles? Faço utilizando esse tipo de material principalmente. Hoje em dia é utilizado ainda? Não, passamos para vocês porque pode cair em prova, para terem um primeiro contato. Mas antigamente só se utilizava a godiva para fazer próteses totais, existia uma certa dificuldade porque não se tinha familiaridade ainda das temperaturas adequadas, tinha que treinar e treinava com o paciente, queimava o paciente porque usa um termoplastificador. Então plastificava a godiva, colocava na moldeira, colocava na boca do paciente e às vezes machucava, às vezes não fica legal e repete. Por isso com os novos materiais ficou muito mais fácil para fazer moldagem. - Indicações: - Godiva Tipo I: moldagem primária de pacientes desdentados totais; selamento periférico de moldeiras individuais; tomada de arco facial; reposicionamento de fragmento fraturado; prender os grampos para isolamento absoluto. - Godiva tipo II: confecção de base-de-prova; confecção de moldeiras individuais. Obs.: O rebordo alveolar inferior reabsorve muito rápido. Então muitas vezes confeccionar uma prótese total superior é mais simples do que quando tem q confeccionar a superior e a inferior. A moldagem com a godiva consegue a cópia de todo fundo de fórnice, do vestíbulo, a cópia adequada do tecido mucoso, do palato, do rebordo. Antes de confeccionar a moldagem preliminar, faria uma moldagem com aquela godiva, confeccionaria uma moldeira individual em resina acrílica. É mais adequadoquando se usa a resina transparente, porque clinicamente você consegue ver através dela e na hora de confeccionar sobre o modelo de estudo se torna mais fácil também. Depois de confeccionada vocês usam a godiva em bastão para fazer o selamento periférico, temos q confeccionar esse selamento a cada terço ou até a cada ¼ do rebordo, porque a godiva não é um material que seja bom condutor térmico, é um péssimo condutor térmico. A partir do momento que eu plastifico a godiva não me preocupo porque a ponta do meu dedo que estiver segurando o bastão não vai queimar, a única parte que vai estar aquecida é a ponta, da mesma maneira quando coloco a godiva plastificada na moldeira eu tenho pouco tempo até que ela perca esse calor, de maneira que ela possa perder as propriedades plásticas naquele momento. Então eu preciso colocar uma quantidade, levar a boca do paciente, tiro, coloco outro pedaço e assim eu vou repetindo o procedimento até a parte posterior para terminar o selamento periférico. Até hoje usam porque faz uma diferença grande para retenção da prótese total na boca do paciente. Depois de fazer o selamento periférico a gente pode preencher essa moldeira com uma pasta zinco enólica para fazer a moldagem final, a moldagem funcional ou a moldagem que vai obter o modelo de trabalho, onde será construída a prótese mesmo. Os articuladores a gente coloca dois modelos, um superior e um inferior, que se relacionam interoclusalmente de maneira a imitar, a simular o que acontece na realidade com o paciente. Qual a relação da arcada superior com a inferior. Como faço isso? Eu preciso transferir os dados da craniometria do paciente por meio de um arco facial, esse arco facial é fixado justamente com esta peça, que vou colocar uma quantidade de godiva, uma anterior e duas posteriores, e vou levar na arcada superior do meu paciente, aqui eu vou registrar a oclusão dos dentes superiores e vou fixar isso de maneira que eu vou transferir essas medidas para o articulador. Então a godiva é usada para isso também, eu plastifico, levo a boca do pacinete e depois que ela voltar a temperatura adequada, na hora que eu tirar vai estar registrada a oclusao e eu vou conseguir transferir as medidas conforme for necessário. Já tenho o modelo da boca da pessoa, encaixo o modelo e esse modelo vai estar posicionado no articulador conforme as meninas da cabeça da pessoa. Outra função, muitas vezes é necessário que eu manipule fragmentos dentários, e isso é difícil. Uma das coisas que facilita demais é se eu utilizar uma barra de godiva, que vai posicionar esse fragmento naquela área e eu vou conseguir fazer a colagem desse fragmento com maior facilidade, essa é uma das formas, têm outras também. Outra coisa, para facilitar a estabilidade de grampos em áreas que eu já tentei utilizar vários grampos para isolamente absoluto e eu não consegui estabilidade, uma das coisas que posso fazer é colocar a godiva em bastão para que esse grampo fique estável e eu posso utilizar com um material auxiliar. Confecção de bases-de prova também pode ser utilizada a godiva tipo II além da moldeira. (Base-de-prova é uma das etapas da confecção da prótese total). E confecção de moldeiras individuais, ela vai ser confeccionada em cima de um modelo de estudo. *Requisitos Desejáveis: - Não ser irritante aos tecidos bucais: A godiva não é irritante aos tecidos bucais, o que pode acontecer é eu errar a temperatura e realmente ferir o paciente queimando-o. No entanto, qualquer quantidade de qualquer antígeno, de qualquer material que possa fazer uma reação antígeno-anticorpo vai causar uma reação imunológica e isso pode ser inerperado, então pode ter alergia por uma quantidade mínima de qualquer material. É muito pouco provável que a godiva tenha algum alérgeno com que eu possa me preocupar. - Tomar presa à temperatura da boca: Ela vai voltar a sua temperatura adequada, a sua temperatura em que ela vai estar rígida mesmo à temperatura da boca. Quando eu coloco sobre a chama vou ter temperaturas maiores que 37°C. Então ela plastificou a uma temperatura maior que 37°C e quando eu faço a moldagem e ela chega a 37°C na boca ela já está rígida e eu posso remover. - Plástica à temperatura que não lesione os tecidos bucais: A temperatura que ela vai estar plástica ela está confortável, sem queimar os tecidos bucais, não preciso ultrapassar essa temperatura. Quando ultrapassa a temperatura duas coisas acontecem, principalmente porque você não vai ter tanto controle sobre as queimaduras que você pode causar no paciente ou até em você; segunda coisa, o material começa a sofrer lixiviação, você altera a composição do material porque ele começou a entrar em ebulição, se borbulhar tira aquele pedaço e joga fora, porque ele não tem a propriedade que eu espero mais. - Tomar presa uniformemente, sem deformações ou distorções. - Reproduzir perfeitamente quando plástica e manter detalhes quando solidificada: Então a godiva tem uma boa propriedade de moldagem; consegue reproduzir detalhes (não igual ao silicone), detalhes suficientes para sua aplicação. - Não deformar nem fraturar durante a remoção da boca: Como ela se torna rígida é muito difícil ela quebrar, consegue-se uma estabilidade legal. - Apresentar superfície brilhante depois de flambada: Quando se utiliza a temperatura adequada eu começo a notar que sua plastificação teve início quando começa a emitir um brilho. Então se você pegar uma godiva em bastão ela tem uma certa opacidade, ela não tem brilho, se eu começo a aquecê-la eu começo a perceber que está mudando o seu para plástico quando eu percebo que ela está ficando brilhante. - Permitir corte sem fraturar após solidificada: Utilizando um instrumento afiado, adequado você consegue cortar sem haver um comprometimento da área que você vai utilizar, que seja importante para sua aplicação ou no laboratório ou na clínica. - Não apresentar alteração dimensional após removida da boca e armazenada: É uma boa forma de você conseguir, por exemplo, um registro oclusal por muito anos, porque ela não se altera, não interage com o ambiente. Isso é importante também até para fins legais. Muitas vezes temos costume de fazer esse registro oclusal, quando falei na aula de cera, quando usa cera para registro oclusal que a cera não tem muita estabilidade dimensional, e a genet coloca uma pasta de moldagem, a pasta zinco enólica, e aí sim a cera vai ter estabilidade dimensional semelhante à godiva. Então para registros é muito interessante esse tipo de material. Propriedades: - Temperatura de fusão: indicativo da redução de plasticidade durante o resfriamento. A plasticidade de moldagem é 42,5°C mais ou menos. (Ele explica como fazia prótese na época dele). - Condutibilidade térmica: é baixa, conduz lentamente o calor. Longos tempos de aquecimento ou resfriamento. A ponta da chama é a área onde existe maior emissão de calor, se eu colocar no meio da chama praticamente não se tem a temperatura quente o suficiente para fazer os procedimentos com a godiva. Como faço para fazer com que a temperatura de uma godiva que não tem condução legal de calor, esteja homogênea, que eu consiga fazer isso adequadamente? Vocês vão trabalhar a com a chamar na ponta, um pouco acima dela, indo de um lado para o outro e rodando o bastão. Isso é o adequado, vai chegar até um momento que ele vai pender, vai ficar mole, vai se plastificar. Cuidados durante o aquecimento e resfriamento: porção externa plastifica-se primeiro que a porção interna. Por isso manter uma distância da ponta da chama e ir rodando e passando para lá e para cá o bastão de godiva. Muito comum que a parte externa, quando não se tem muita habilidade, comece então a ebulir, a sofrer lixiviação, e a parte interna ainda estar até rígida. - Coeficiente de expansão térmica. - Escoamento. *Cuidados durante a plastificação e durante o resfriamento: A plastificaçãopode ser feita das seguintes maneiras: - Calor seco (estufa) - Sobre a chama (lamparina) - Banho de água (plastificador) - Micro-ondasTodos eles vão conseguir alterar a temperatura da godiva, muitos deles vocês vão ter uma dificuldade de controle, vocês vão ter que dominar um deles. É comum utilizar a lamparina, hoje em dia é o que tem sido utilizado mais comumente. Antigamente usava a estufa, era muito comum, quando ninguém usava ainda autoclave por ser muito caro todo mundo no consultório tinha estufa para esterilizar materiais. Aqui a chama; o plastificador, seria no banho maria; e no micro-ondas. O plastificador tinha como se fosse aqueles “coadores de café da vovó”, onde se coloca a godiva e depois se recolhe com essa rede, e aí podemos manipulá-la de maneira satisfatória. Algumas vezes quando não se tem certeza se a godiva já plastificou inteira, eu começo a manipular e volto no plastificador, até eu conseguir um material todo, homogeneamente tenha a mesma temperatura e esteja no mesmo estado de plastificação. Então a gente consegue manipular como se tivesse fazendo com o material pesado que vocês fizeram com a silicone, vocês manipulam como se fosse uma massa de modelar, preenchem a moldeira de estoque e levam a boca do paciente para obter o molde. Uso do micro-ondas é um método alternativo, diminui o risco da infecção cruzada, apresenta bons resultados (biossegurança). A água do banho maria muita gente não troca, ou então se troca mesmo assim nas paredes tem bactérias, e bactéria pra crescer precisa de escuro e alta temperatura, então na plastificadora as paredes estão quentes e não tem luz, então as bactérias começam a se multiplicar, é uma área muito propícia ao crescimento de biofilme. Por conta disso fica mais simples porque eu posso colocar dentro de uma cuba, dentro da água e levo no micro-ondas. *Temperatura de Plastificação: Tipo I: de 55 a 60°C (baixa fusão) e Tipo II: de 65 a 75°C (alta fusão) *Superaquecimento: dissolução ou volatilização de alguns componentes de baixo peso molecular. Altera adversamente as propriedades, acontece a lixiviação. *Resfriamento: realizado com água a temperatura entre 16 e 18°C e o tempo vai depender do tamanho do molde, pensando que quanto maior a quantidade de godiva, como demorou para aquecer demora também para resfriar por ser um baixo condutor térmico. Mas e na boca do paciente quando moldava a boca dele inteira, o que se fazia? Se já tivesse sucesso com a moldagem e quisesse tirar logo eu resfriava com jatos de água, e nesse momento tinha que tomar cuidado porque muitas vezes o que se conseguia logo era resfriar a parte externa, e se não tomar cuidado posso deixar a parte interna ainda sem estar resfriada, remover antes e aí altera dimensionalmente. O tempo depende além do tamanho do molde, do tipo de godiva também. *Estabilidade Dimensional: as liberações de tensões induzidas podem acontecer, mas não necessariamente vão ser muito importantes. *Limitação de Distorções: - O resfriamento do molde antes de sua remoção da boca é importante para se realizar a técnica de moldagem adequada, inclusive para fazer o selamento periférico, que é o que normalmente se faz ainda hoje em dia. - A confecção imediata do modelo a fim de evitar distorções. - Separação do modelo do molde. - Imersão em água quente. Para eu separar o modelo do molde eu poderia utilizar esse artifício. *Conclusões: Critérios durante o manuseio do material - pensando nas suas propriedades: baixo condutor térmico, se plastifica a temperatura adequada, se é tipoI ou II - são de grande importância para garantir a manutenção das propriedades físicas do material e um molde com fidelidade de cópia. Então se a gente pensar em como vai ser a manipulação a gente vai utilizar as propriedades físicas desse material, o calor. A godiva é um dos poucos materiais, assim como a cera, que se plastifica pela alteração de temperatura. Eu não vou misturar duas coisas. *PASTA DE ÓXIDO DE ZINCO E EUGENOL: Material de moldagem anelástico a base de óxido de zinco e eugenol. Qual material que usamos que tem óxido de zinco e eugenol? Material protetor. Então o óxido de zinco e eugenol tem várias aplicações em odontologia, os materiais proterores são um dele, que fazem um efeito anódino desde que a distância a polpa, ou seja, diminui a dor, que é o chamado curativo. É utilizado também como cimentos endodônticos, quando a carie destrói muito o dente a ponto de sofrer uma necrose do tecido pulpar, necessitando de um tratamento local, debelando as infecções ali presentes, fazendo uma modelagem dos canais radiculares, depois de fazer toda essa sanitização nesses canais eu preciso obturar o canal, a obturação é feita com guta-percha, que também é um material termoplástico, e para que ele tenha uma linha de contato com as paredes do canal radicular a gente usa um cimento endodôntico. Há cimentos endodônticos à base de vários materiais, mas o mais barato e mais utilizado é o a base de óxido de zinco e eugenol. Em odontopediatria não se usa guta-percha, mas obtura os canais com vários tipos de materiais utilizados, um deles é o cimento de óxido de zinco e eugenol. Na medicina é utilizada porque o zinco tem propriedade antibacteriana também. - Cimentos: I: Cimentação temporária; II: Cimentação permanente; III: Restaurações temporárias: base para isolamento térmico; IV: Forramento. - Pasta: Moldagem de arcos edentados; Pasta Cirúrgica; e Registro de mordida. Existe uma pasta cirúrgica, que é chamado de cimento cirúrgico e é à base de óxido de zinco e eugenol. Os cimentos cirúrgicos hoje em dia têm vindo livres de eugenol, têm vindo o óxido de zinco associado a ácidos carboxílicos no lugar do eugenol para substituir e acontecer a reação. Porque apesar do eugenol ter efeito anódino (diminuir a dor) mas quando ele é colocado direto sobre um tecido conjuntivo ele não tem um efeito de reparo, o efeito dele é a distância, então quando uso como curativo não pode ser direto na polpa. Uma das principais diferenças entre a pasta de moldagem e a pasta cirúrgica, que é o cimento cirúrgico, seja que eles sejam livres de eugenol. - Pasta para Moldagem: A formulação em pasta é específica para moldagem; Utilizada para prótese total e parcial em pacientes desdentados; É um material rígido; Quando penetra nos espaços interdentais é de difícil remoção. A pasta mais conhecida é a pasta Lysanda, que têm óxido de zinco e eugenol, chamada de pasta de moldagem anelástica, pasta zinco enólica. Essa pasta tem uma viscosidade muito alta, ela é muito pesada, chega a ser quase dura, principalmente por ser armazenada dentro do refrigerador para aumentar seu tempo de vida, então quando vou fazer moldagem com ela é bom tirar antes do refrigerador. Para manipulá-la usa-se a espátula 36. - Composição: No tubo 1 (pasta base) contém óxido de zinco (87%) e óleo vegetal ou mineral - age como plastificador e auxilia a neutralização do eugenol (13%). No tubo 2 (acelerador) contém o óleo de cravo ou eugenol (12%), goma ou resina polimerizada (50%), carga - sílica (20%), lanolina (3%), bálsamo resinoso (10%), solução aceleradora (CACl2) e corante (5%). O óleo de cravo vai ter a mesma função que o eugenol, que a sofrer reação com o óxido de zinco; a resina vai alterar a velocidade da reação e vai deixar o produto final cremoso e homogêneo; o bálsamo aumenta o escoamento e melhora a facilidade de manipulação e a carga aumenta sua resistência. Os materiais são apresentados na forma de duas pastas separadas, com diâmetros diferentes. Coloca-se comprimentos iguais e manipulo. Normalmente quando se utiliza a placa de vidro, se pega uma folha de sulfite ou uma folha de papel e coloca por cima da placa para manipular, porque a pasta é extremamente chata de fazer a higienização depois, ela gruda. E a espátula depois da manipulação e terminou de tomar presa, a gente pode aquecê-la e ir limpando depois que ela plastificou. Quando a gente manipula, como ela é mais densa, vocês vão sentir um pouco mais de dificuldade para deixar de uma cor só, não pode ter estriar para que a propriedade dela seja respeitada. *Reação de Presa: A reaçãode presa do óxido de zinco e eugenol é uma reação do tipo ácido-base. O óxido de zinco vai se ligar a água gerando o hidróxido de zinco. O hidróxido de zinco se liga ao ácido, que é o eugenol, e então se tem o eugenolato de zinco e água. Essa é a reação básica, praticamente todo produto a base de óxido de zinco e eugenol. Ele toma presa e endurece depois. Por isso que muitas vezes quando vocês vão fazer uma restauração temporária à base de óxido de zinco e eugenol e vocês levam à boca como vocês fazem para que acelere a presa? Umedece, a própria saliva vai ajudar nisso, mas se vocês quiserem podem umedecer. *Estrutura da Massa: Vai ser formada uma matriz de cristais alongados. As partículas de pó do óxido de zinco presentes são aprisionadas na matriz do eugenolato de zinco. E as porções deóxido de zinco e eugenol que não reagiram vão permanecer afastadas, quando não tem possibilidade de contato. Pelo fato das cadeias começarem a se formar muitas vezes um óxido de zinco ficou lá na ponta e o eugenol ficou longe dele, então eles não mais podem se aproximar para reagir e existe sempre um resíduo de alguns dos componentes. Por isso a importância de espatular adequadamente para diminuir ao mínimo a quantidade de resíduos que não reagiram. *Tempo de presa: Tempo de presa inicial: tempo necessário para espatulação, carregamento da moldeira e seu assentamento na boca. Tempo de presa final: tempo decorrido no qual o material se encontra rígido. Preciso respeitar esses tempos de presa pra conseguir o sucesso clínico. - Tipo 1 (Dura): Tempo de presa inicial = 3 a 6 minutos; Tempo de presa final = 10 minutos. - Tipo 2 (Mole): Tempo de presa inicial = 3 a 6 minutos; Tempo de presa final = 15 minutos. Muitas vezes talvez seja interessante começar utilizando a mole, que é a tipo 2, porque é necessário uma certa habilidade para que vocês possam preencher adequadamente a moldeira e até levar a boca do paciente. Depois com o tempo, pensando no tempo clínico, podem utilizar a dura. *Controle do tempo de presa: Temos que respeitar a proporção entre as pastas. Esse tempo de presa pode ser aumentado quando são adicionados retardadores, adição de óleos e ceras inertes. E esse tempo diminui quando eu aumento o tempo de manipulação, quando a temperatura está maior, quando adiciono água ou se eu tenho a presença de algum outro acelerador que o próprio fabricante pode colocar. Lembrem-se que resfriar a placa, nessa caso, muitas vezes pode ser um fator que altere a sua manipulação, pelo fato de, primeiro você respeitar aquela temperatura em que eu tiro a placa do refrigerador e não causa nenhuma gotícula de água, que ela não orvalhe, ou seja, a temperatura está mais baixa, eu vou conseguir aumentar o tempo de presa, se eu fizer isso corretamente. Se não, se formar água em cima da placa e eu manipular ali eu vou conseguir ao contrário, porque a água diminui o tempo de presa, porque ela é justamente o que inicia a reação. Cuidado! *Manipulação: - Espatulação por 1 minuto. - Cuidado! Pasta gruda na mucosa, tecidos. Então utilizem o papel impermeável ou a placa de vidro, espátula 36, dois comprimentos iguais sobre o bloco, manipule. No começo vão perceber a resistência porque é uma pasta mais dura e aí a gente vai espalhando sobre a placa, utilizando a grande área da placa e aí a gente passa por dentro da moldeira e pensando já que essa borda está com godiva de baixa fusão, feita a moldagem e o selamento periférico. Então eu vou colocando sobre a godiva de baixa fusão a pasta zinco enólica e ela vai ter que escorrer por fora até eu obter esse tipo de moldagem. Um dos grandes problemas de moldar o paciente é que dependendo da onde eu colocar essa pasta é que além de manchar as roupas gruda na pele (se for o caso passar vaselina em volta na pele). *Estabilidade Dimensional: - Bastante satisfatória; - Contração insignificante (0,1%); - Molde pode ser preservado indefinidamente - Apresenta alta rigidez e ótima estabilidade dimensional; - Não deforma ou fratura ao ser removida da boca. Obs.: Dá para saber quando não foi bem manipulado porque muitas vezes ele não desgruda tão fácil e fica pedaços no modelo. *Desinfecção Pode se fazer a imersão em glutaraldeído por 10 minutos. O método de borrifar pode ser utilizado para os registros oclusais. Desinfetantes recomendados: Glutaraldeído e Iodóforos, porém hoje em dia pouco se utiliza os iodóforos devido ao seu cheiro muito forte. Não compatíveis com compostos a base de cloro. *Considerações Finais: O carregamento da moldeira tem que ser feito com o material de forma adequada, tentando manter a pasta antes de levar a boca do paciente o mais liso possível, se eu deixo muitos grumos pode interferir na técnica de moldagem. A posição que eu coloco, vou levar a boca do paciente e segurar firmemente em posição para que haja a mucocompressão e se eu remover imediatamente pode ser que o tecido, as bridas até, ele tente voltar a posição eu não consiga fazer a moldagem, aproveitar essa propriedade de fazer a mucocompressão, ou seja, empurrar os tecidos moles. O calor da boca e a saliva acelera o tempo de presa. O eugenol pode causar uma sensação de queimação, por isso que muitas vezes também, inclusive as pastas de moldagem, algumas têm sido fabricadas sem o eugenol, que é substituído por um ácido carboxílico – o ácido ortoretoxibenzóico (EBA). Muitas vezes também tem sido adicionado agentes bactericidas e outros medicamentos na composição das pastas de óxido de zinco para moldagem. A diferença principal dos materiais anelásticos é que eles têm a capacidade de ficarbem rígidos, e quando se tornam rígidos eles nos dão estabilidade dimensional. Pensando que a fidelidade anatômica eu consigo mais com a pasta zinco enólica, fazendo moldagens mucompressivas e que as godivas têm uma aplicação principal fazendoselamento periférico e a moldagem do fórnice do vestíbulo para eu conseguir uma prótese que possa estar muito bem adaptada e isso vai refletir no meu sucesso clínico, que é a prótese ficar mais fixa na boca do paciente.