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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS Disciplina: Química Experimental dos Elementos ELEMENTOS DO BLOCO s: Grupos 1 e 2 Discentes: Bruna Carolina de Melo (640956) Matheus Fernandes Vieira (604682) Professor Responsável: Jean Marcel Ribeiro Gallo 1. INTRODUÇÃO O grupo dos Metais Alcalinos é composto pelos seguintes elementos: lítio (Li), sódio (Na), potássio (K), rubídio (Rb), césio (Cs) e frâncio (Fr). São metais moles, excelentes condutores de eletricidade e extremamente reativos, por isso não são encontrados livres na natureza. A camada de valência desses elementos possui apenas um elétron, fracamente ligado ao núcleo, que pode ser facilmente removido, formando compostos iônicos, univalentes e incolores. Todos os elementos do grupo reagem com água formando hidróxidos, tornando- se a reação mais violenta ao descer pelo grupo. Seus sais simples dissolvem-se formando íons capazes de conduzir corrente elétrica, sendo essa capacidade aumentada ao descer pelo grupo. Em contato com o ar, os metais alcalinos perdem o brilho e formam óxidos. Os metais alcalinos são fortes agentes redutores, não sendo possível obtê-los por redução de seus óxidos. Seus hidróxidos e óxidos são bases muito fortes e seus oxo- sais são muito estáveis. Apesar de suas semelhanças químicas, eles não ocorrem juntos devido aos tamanhos diferentes de seus íons. O grupo dos Metais Alcalinos Terrosos é composto pelos seguintes elementos: berílio (Be), magnésio (Mg), cálcio (Ca), estrôncio (Sr), bário (Ba) e rádio (Ra). São metais altamente reativos, porém menos que os Metais Alcalinos. São mais duros (relativamente moles), possuem maiores energias de ligação e pontos de fusão e ebulição mais elevados. A camada de valência desses elementos possui dois elétrons, ou seja, são divalentes e formam compostos iônicos incolores. Assim como os metais alcalinos, eles são fortes agentes redutores e também reagem com água formando hidróxidos, com exceção do berílio. Em contato com o ar, queimam e formam óxidos. A solubilidade, também conhecida como coeficiente de solubilidade, significa que uma determinada substância pode ser dissolvida em um líquido até um determinado limite. A quantidade máxima dissolvida é chamada de solubilidade. Para que uma substância se dissolva, a energia liberada quando os íons se hidratam (energia de hidratação) deve ser maior que a energia necessária para romper o retículo cristalino (energia reticular). Além disso, é importante dizer que, dependendo da polaridade da substância, esta pode ser mais ou menos solúvel, uma vez que substâncias polares se dissolvem mais em líquidos polares, enquanto as substâncias apolares se dissolvem mais em líquidos apolares; outros fatores também influenciam à solubilidade de uma substância, como a natureza do soluto e do solvente e, também, pressão e temperatura. Quando nos referimos à solubilidade estamos falando, expressamente, sobre qualitatividade – no caso, processo de dissolução – como, também, sobre quantitatividade – concentração da solução –, uma vez que a solubilidade está diretamente relacionada a estes dois conceitos. A mistura de um soluto com um solvente implica na formação de três principais tipos de soluções: i. Solução saturada: quando se atingiu o limite de solubilidade, ou seja, quando não é mais possível diluir o soluto; ii. Solução insaturada: aquela em que ainda é possível diluir o soluto, não havendo precipitação; iii. Solução supersaturada: aquela em que houve a total dissolução do soluto e a quantidade restante, não dissolvida, está depositada no fundo do recipiente. O potencial hidrogeniônico – ou pH – é um termo de medida utilizado para determinar o grau de acidez, de neutralidade ou de basicidade de uma solução; é uma escala em que n varia de 0 a 14, onde: i. n < 7 solução ácida; ii. n = 7 solução neutra; iii. n > 7 solução básica. Estes conceitos são necessários para entender a reatividade dos metais do bloco s e a solubilidade de seus sais, além de compreender o teor ácido e básico dos produtos das reações na prática experimental. 2. OBJETIVOS Verificar a diferença de reatividade entre os elementos do bloco s e em diferentes soluções, comparando-as; Analisar a solubilidade de seus sais e a variação de basicidade ao descermos pelos dois grupos. 3. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Reatividade dos metais Procedimento 1 Após demonstração feita pelo responsável técnico do laboratório, foram cortados pequenos pedaços de lítio, sódio, potássio e cálcio. Em seguida, observaram-se as características físicas que ocorreram nas superfícies recém-cortadas dos metais em contato com o ar. Adicionou-se, então, as amostras de cada um dos metais em diferentes béqueres contendo cerca de 20 mL de água. O pH de cada amostra foi determinado com o auxílio de fitas medidoras. Procedimento 2 Foram cortados pequenos pedaços de sódio e cálcio e colocados em diferentes recipientes contendo 5 mL de álcool etílico absoluto (CH3CH2OH 99,8%), que foram medidos antecipadamente com o auxílio de uma proveta. Comparou-se com o procedimento anterior. Solubilidade Mediu-se 3 mL de solução de sais de magnésio (MgCl2), cálcio (CaCl2), estrôncio (SrCl2) e bário (BaCl) com a ajuda de uma proveta e colocou-se em quatro diferentes tubos de ensaio. As concentrações de cada solução foram verificadas e anotadas: Sal Concentração MgCl2 1 mol/L CaCl2 1 mol/L SrCl2 1 mol/L BaCl 1 mol/L Adicionou-se 3 mL de ácido sulfúrico diluído (H2SO4 1 mol/L) a cada tubo de ensaio e as observações foram anotadas. Colocou-se cristais de cloreto de sódio (NaCl), cloreto de potássio (KCl) e cloreto de lítio (LiCl) em três outros tubos de ensaio. Adicionou-se 3 mL de água e anotou-se as observações. Adicionou-se 3 mL de fluoreto de sódio (NaF 0,1 mol/L) em cada um dos três tubos e anotou-se as observações. Os resíduos foram descartados dois recipientes diferentes para posterior tratamento e todas as vidrarias utilizadas foram lavadas após o experimento. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 1.1 Reatividade dos metais Procedimento 1 Os metais utilizados no experimento eram conservados em soluções específicas. O lítio e o potássio estavam armazenados em óleo mineral e o sódio e o cálcio estavam armazenados em querosene. A justificativa para isso é que os metais alcalinos e metais alcalinos terrosos são altamente reativos. Em contato com o ar oxidam-se rapidamente, devendo ser manipulados em atmosfera inerte, e em contato com a água reagem violentamente, devendo ser armazenados em óleo mineral ou querosene. O óleo mineral e querosene são substâncias ideais para armazenagem desses metais porque são fluidos quimicamente inertes e evitam o contato do metal com a água ou o oxigênio. Ao cortar pequenos pedaços dos metais, pôde ser observada a reação de cada um com o O2 atmosférico, onde houve a perda de brilho característico devido à oxidação dos metais representada pelas equações: 2Li(s) + ½O2(g) → Li2O(s) 2Na(s) + ½O2(g) → Na2O(s) 2K(s) + ½O2(g) → K2O(s) 2Ca(s) + O2(g) → 2CaO(s) Ao colocar cada metal em água, foram observadas cinéticas de reações diferentes, onde segue em ordem crescente: Ca < Li < Na < K. Isso ocorre devido à alta eletropositividade desses metais, em particular os metais alcalinos, que são os maiores elementos químicos da tabela periódica e apresentam apenas um elétron na camada de valência capaz de fazer ligação; além disso, a diferençade reatividade aumenta ao descer-se no grupo exatamente devido à diferença de tamanho destes elementos, onde o único elétron da camada de valência sofre cada vez menos atração do núcleo, o que implica na remoção deste elétron mais facilmente. A cinética de reação do potássio com a água é tão grande que foi possível observar chamas durante a reação. A presença de dois elétrons na camada de valência do cálcio faz com que este elemento reaja mais lentamente, uma vez que a carga nuclear efetiva também é maior. Durante a reação houve liberação de hidrogênio gasoso e formaram-se hidróxidos representados pelas equações: 2Li(s) + 2H2O(l) → 2LiOH(aq) + H2(g) 2Na(s) + 2H2O(l) → 2NaOH(aq) + H2(g) 2K(s) + 2H2O(l) → 2KOH(aq) + H2(g) Ca(s) + 2H2O(l) → Ca(OH)2(aq) + H2(g) Os valores da determinação do pH foram os seguintes: Metal (+ H2O) pH Na 11 Li 10 K 8 Ca 7 A variação dos valores de pH se deve à concentração de ânions OH - em solução; quanto mais houver liberação desses ânions em solução, maior a concentração dos mesmos e, consequentemente, mais básica será a solução. No caso dos metais alcalinos, a basicidade aumenta ao descer-se nos grupos. Isto ocorre porque estas bases são solúveis e dissociam-se facilmente em solução devido ao tamanho elevado dos metais alcalinos, que apresentam uma força de ligação menor. Assim, quanto maior for o metal alcalino ligado ao ânion OH - , mais facilmente este metal alcalino se desligará deste ânion, aumentando a basicidade. Claramente, a tabela de dados coletados nos mostra resultados diferentes do esperado. Isso ocorreu porque as quantidades de reagentes, ao serem cortadas, não foram de tamanhos idênticos. Desta forma, a concentração pode variar de acordo com a quantidade de metal colocado para reagir. Logo, levando em consideração que o pH da água era 7,0 (neutro), concluímos que as soluções resultantes são básicas, com exceção do cálcio, que se aproximou da neutralidade possivelmente por conta de sua quantidade colocada para reagir. Procedimento 2 O sódio reagiu completamente com o álcool etílico absoluto formando sal etóxido de sódio e liberando gás hidrogênio. A equação que demonstra essa reação é: Na(s) + 2CH3CH2OH(l) → CH3CH2ONa(aq) + H2(g) Já o cálcio reagiu parcialmente com o álcool etílico, se oxidando, formando sal e reduzindo o hidrogênio do álcool, liberando gás. Isso ocorre porque o Ca possui um valor de potencial padrão (E° Ca= -2,87V) maior que o do hidrogênio. A equação que demonstra essa reação é: Ca(s) + 2CH3CH2OH(l) → Ca(CH3CH2O)2(s) + H2(g) 1.2 Solubilidade Ao adicionar ácido sulfúrico aos sais inorgânicos de metais alcalinos terrosos obtivemos, como produtos, os seus respectivos sulfatos. Com exceção do MgSO4, todos os sulfatos precipitaram (sólidos brancos), conforme as equações a seguir: MgCl2(aq) + H2SO4(aq) → MgSO4(aq) + 2HCl(aq) CaCl2(aq) + H2SO4(aq) → CaSO4(s)↓ + 2HCl(aq) SrCl2(aq) + H2SO4(aq) → SrSO4(s)↓ + 2HCl(aq) BaCl2(aq) + H2SO4(aq) → BaSO4(s)↓ + 2HCl(aq) A justificativa para tal acontecimento é que a solubilidade do MgSO4 é maior devido à elevada entalpia de solvatação de seu íon, diferente dos demais. Desta forma, o CaSO4 se torna pouco solúvel, enquanto os restantes são considerados praticamente insolúveis. Ao adicionar água aos sais inorgânicos de metais alcalinos, houve a dissolução completa dos sais resultando na liberação de seus íons em solução, conforme as equações: LiCl(s) + H2O(l) → Li + (aq) + Cl - (aq) + H2O(l) NaCl(s) + H2O(l) → Na + (aq) + Cl - (aq) + H2O(l) KCl(s) + H2O(l) → K + (aq) + Cl - (aq) + H2O(l) Ambas as soluções são insaturadas e compostas por cargas polares e apolares. A molécula de H2O, apesar de neutra, é uma substância polar com cargas elétricas distribuídas de modo desigual e possuem pólo positivo e negativo. As cargas polares enfraquecem as ligações iônicas dos sais e promovem a dissolução. Os pólos positivos da molécula de água (próximos ao H) se alinham junto ao íon negativo de Cl, enquanto os pólos negativos (próximos ao O) se alinham ao íon positivo de Na. Assim, as interações entre os pólos e as cargas quebram a atração que mantém a integridade dos sais. Todos os sais simples deste grupo dissolvem-se em água. Entretanto, a solubilidade desses sais diminui ao descer no grupo devido à energia de hidratação diminuir por causa do crescimento dos íons. Portanto, após analisar o experimento, podemos afirmar que o LiCl é mais solúvel que o NaCl que é mais solúvel que o KCl. Já ao adicionar o fluoreto de sódio às soluções resultantes anteriores, obtivemos os seguintes produtos: Li + (aq) + Cl - (aq) + NaF(aq) → LiF(aq) + NaCl(aq) Na + (aq) + Cl - (aq) + NaF(aq) → NaF(aq) + NaCl(aq) K + (aq) + Cl - (aq) + NaF(aq) → KF(aq) + NaCl(aq) As equações acima mostram o caráter iônico das ligações através da doação e recepção de elétrons que ocorrem entre os sais. O flúor do pertence ao grupo dos Halogênios e necessita de apenas 1 elétron (F - ) para completar seu octeto, por isso há uma reação de dupla troca onde os metais alcalinos doam para ele seu único elétron da camada de valência (fracamente ligado ao núcleo) formando seus respectivos fluoretos. O mesmo ocorre com o sódio, que necessita doar seu único elétron da camada de valência (Na + ) para completar seu octeto, logo, ele doa esse elétron para o cloro (Cl - ), formando cloreto de sódio. 5. CUSTOS DO EXPERIMENTO E SUGESTÃO PARA TRATAMENTO DE RESÍDUOS GERADOS Custos do experimento Vidrarias Volume Preço/unidade Quantidade Preço Tubo de ensaio 13 mL R$0,83 7 R$5,81 Béquer 100 mL R$8,55 3 R$25,65 Proveta 100 mL R$12,56 1 R$12,56 Proveta 5 mL R$9,66 1 R$9,66 Pipeta 10 mL R$5,18 6 R$31,08 Total R$84,76 Reagentes Volume ou Massa Preço Volume utilizado Preço Álcool Etílico Absoluto 500 mL R$201,00 5 mL R$2,01 Ácido Sulfúrico 100 mL R$365,00 3 mL R$10,95 Cloreto de Magnésio 100 mL R$ 408,00 3 mL R$12,24 Cloreto de Cálcio 1 mL R$ 258,00 3 mL R$774,00 Cloreto de Estrôncio 1 mL R$ 246,00 3 mL R$738,00 Cloreto de Bário 1000 mL R$ 213,00 3 mL R$0,64 Cloreto de Sódio 250 g R$ 193,00 3 g R$2,32 Cloreto de Potássio 500 g R$ 466,00 3 g R$2,80 Cloreto de Lítio 100 g R$ 371,00 3 g R$11,13 Fluoreto de Sódio 100 mL R$ 253,00 3 mL R$7,59 Água deionizada 1000 mL R$ 75,00 23 mL R$1,72 Total R$1.563,40 O custo total do experimento foi cerca de R$1.648,16. Tratamento de resíduos gerados Os resíduos gerados foram descartados em dois recipientes diferentes: Recipiente 1 LiOH(aq), NaOH(aq), KOH(aq) e Ca(OH)2(aq); CH3CH2ONa(aq) e Ca(CH3CH2O)2(s); LiF(aq), NaF(aq), KF(aq) e NaCl(aq). Ou seja, há a presença de íons, álcool etílico (CH3CH2OH) e água (H2O). Os íons presentes no recipiente para tratamento são: Li + , Na + , K + , Ca + , F - , Cl - . Uma proposta para o tratamento é: Recipiente 2 MgSO4(aq), CaSO4(s), SrSO4(s), BaSO4(s) e HCl. Uma proposta para o tratamento a ser realizado é a decantação dos sulfatos e filtração do mesmos, restando apenas solução ácida de HCl que deve ser neutralizada com uma solução básica, por exemplo, Mg(OH)2, formando água e um sal básico que podem ser descartados na pia. Já os sulfatos podem ser descartados no lixo. HCl + Mg(OH)2 → H2O + Mg(OH)Cl6. CONCLUSÕES Reatividade dos metais Óleo mineral e querosene podem ser utilizados para armazenar e manter os metais alcalinos e alcalinos terrosos em atmosfera inerte, prevenindo a oxidação e reações indesejadas; A baixa energia de ionização favorece uma cinética de reação elevada (exemplo de reatividade dos metais alcalinos com a água); A presença de mais prótons e elétrons na configuração eletrônica do cálcio, comparado aos metais alcalinos, dificultam a remoção destes elétrons da camada de valência e, como consequência, desaceleram a reação com a água; A baixa energia de ionização dos metais do bloco s faz com que a oxidação ocorra rapidamente e efeitos visuais podem ser observados quase instantaneamente; Uma base é fraca ou forte dependendo da concentração de íons OH- em solução; Metais alcalinos formam bases fortes devido ao raio atômico elevado que, por sua vez, faz com que a dissociação ocorra mais facilmente. Desta forma, haverá uma grande concentração de íons OH - em solução; O grau de basicidade do Grupo 1 aumenta de cima para baixo, pois um tamanho maior de raio atômico favorece o desligamento do metal com a hidroxila. Assim, a base será mais forte; A presença de mais elétrons e prótons faz com que o Grupo 2 produza bases mais fracas, uma vez que haverá uma concentração menor de íons OH - em solução; Solubilidade Elevada entalpia de solvatação de um íon favorece a solubilidade de seu sal; Á agua é capaz de dissociar as ligações dos sais simples de metais alcalinos que, por sua vez, devido às interações entre os pólos e as cargas, sofrem enfraquecimento na ligação; Para que um composto se dissolva, a energia de hidratação deve ser maior que a energia reticular; como os átomos menores se hidratam mais, a solubilidade dos sais simples de metais alcalinos diminui ao descer no grupo, uma vez que se tem um aumento do raio atômico. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS LEE, J. D. 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