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FORMAS ESPECIAIS DE PAGAMENTO 
Lara Maria de Almeida Paz
Graduanda em Direito pela Universidade Federal do Maranhão
Consignação em pagamento: meio de pagamento indireto no qual o devedor, diante da mora do credor, realiza o pagamento em depósito judicial (consignação judicial) ou em estabelecimento bancário (consignação extrajudicial), extinguindo a obrigação (art.334).
Para a consignação em pagamento (art. 335): 
- Se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar a receber o pagamento, ou dar quitação na devida forma (hipótese de mora accipiendi, mora no recebimento – causa subjetiva, pessoal). 
-Se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condições devidas (hipótese de mora accipiendi – causa subjetiva).
-Se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, for declarado ausente, ou residir em lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil (outra causa subjetiva, relacionada com o sujeito ativo da obrigação).
- Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento (também causa subjetiva, denominada dúvida subjetiva ativa, uma vez que o devedor não sabe a quem pagar). 
-Se pender litígio sobre o objeto do pagamento (única causa objetiva para a consignação).
Para haver força de pagamento, a consignação deverá observar os critérios de tempo, local e modo (art. 336):
Consignação deverá ser feita pelo devedor ou quem o represente (quem deve pagar- art. 304 e 308)
O objeto deverá ser pago em sua integralidade. Em caso de insuficiência, o devedor tem até 10 dias para completar pagamento (art. 545 CPC)
Dação em pagamento (datio in solutum): é a realização de uma prestação diferente da que é devida, com o fim de extinguir a obrigação, mediante, seguindo a regra do art. 313, o consentimento do credor. 
OBS: diferença entre obrigações facultativas e dação- na primeira existe prévia combinação entre as partes da prestação subsidiária, já na segunda a prestação diferente é superveniente ao acordo. Diferença entre as obrigações alternativas e dação- na primeira há uma pluralidade de prestações está prevista no contrato, o que não ocorre na última.
Requisitos para haver dação:
a) Existência de uma dívida vencida
b) Consentimento do credor
c) Entrega de coisa diversa da devida
d) Ânimo de solver (animus solvendi): elemento subjetivo necessário para caracterizar o pagamento.
Não poderá haver dação quando: 
- Ocorrer erro compreendendo todos os bens do devedor: credor por má-fé induz o devedor ao erro quanto ao objeto. Dação passível de anulação
- No período suspeito da falência e da insolvência civil do devedor havendo fraude contra credores 
- De ascendente para descendente sem o consentimento dos demais descendentes e do cônjuge (art. 496). 
OBS: pais só podem dar em adiantamento a parte da herança que cabe a cada herdeiro com o consentimento dos demais.
Art. 357: determinado o preço da coisa dada em pagamento, as relações entre as partes regular-se-ão pelas normas do contrato de compra e venda.
Art. 359- dação em caso de evicção: a obrigação primitiva é restaurada, se o bem pago em dação for reivindicado por terceiro. Exemplo: paga a obrigação com parte da herança que acredita ser sua, mas na verdade é direcionada a outrem. 
Transação (art. 840): forma de pagamento indireto consistindo no acordo entre as partes para prevenir ou extinguir o litígio através de concessões mútuas. Envolve boa vontade e diferencia-se da renúncia, quando só uma parte faz concessões. 
Requisitos para transação:
- Agentes maiores capazes. No caso de incapazes e casados na comunhão de bens, deverão pedir autorização judicial e ao cônjuge (respectivamente) 
- Objeto lícito referentes a direitos patrimoniais (concessão de crédito, dívidas) - art. 841. OBS: poderá transigir em relação a direito da família, como guarda, visita.
- Pode ser extrajudicial, com escritura pública (quando o bem for imóvel) ou instrumento particular de transação, ou judicial, através de escritura pública encaminhada ao processo judicial de transação assinado pelas partes e reconhecido em cartório)
- Consentimento de todas as partes.
Pagamento em sub-rogação: cumprimento da dívida por terceiro, com a consequente substituição de sujeitos na relação jurídica obrigacional originária. Nesse caso, o terceiro tem garantido os direitos do credor originário (pagamento com sub-rogação pessoal)
Pagamento em sub-rogação legal: conforme a lei, em três hipóteses:
a) em favor do credor que paga a dívida do devedor comum (art. 346, I): duas ou mais pessoas são credoras de um devedor. Um deles paga a dívida ao credor principal, sub-rogando assim os direitos deste.
b) em favor do adquirente do imóvel hipotecário (art. 346, II): sujeito adquire uma casa hipotecada e paga a hipoteca, assim o dono originário do imóvel (aquele quem contraiu a hipoteca) deverá não mais ao banco, mas sim ao novo proprietário da casa.
c) em favor do terceiro interessado (art. 346, III): fiador paga a dívida do devedor principal, podendo exigir o valor pago a este 
OBS: terceiro não interessado que paga a dívida em seu próprio nome terá o direito de ser reembolsado, mas não sub-rogará as garantias de credor (art. 305)
Sub-rogação convencional: acertada entre as partes (art. 347):
a) quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transmite todos seus direitos (art. 347, I)
b) quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, sob a condição expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito (art.347, II)
OBS: no caso da sub-rogação convencional, as partes podem convencionar a diminuição de privilégios ao credor novo.
O efeito da sub-rogação é a transferência de todos os direitos, ações, privilégios e garantias referentes à dívida do credor primitivo ao novo.
Caso de concorrência entre o credor originário e o sub-rogado: prevalece o credor originário na satisfação do crédito e se os bens do devedor não forem suficientes para honrar a dívida.
Imputação do pagamento: determinação feita pelo devedor entre dois ou mais débitos da mesma natureza, líquidos e vencidos, devidos a um só credor, indicando qual das dívidas quer solver. Requisitos da imputação:
Igualdade entre os sujeitos: as dívidas podem ser diferentes, mas devem ser prestações da relação obrigacional entre o mesmo devedor e credor
Liquidez (expressão numérica da dívida, determinação certa) e vencimento da dívida (ocorre a imputação em dívidas já vencidas)
Dívidas da mesma natureza
OBS: todas as limitações à imputação do pagamento podem ser relevadas por mútuo consentimento das partes.
Escolha das dívidas a serem imputadas:
Devedor 
No silêncio do devedor, o credor 
Na ausência de manifestação de ambos, a lei que estabelece o seguinte critério: primeiro a dívida mais antiga; se todas as dívidas tiverem a mesma data, imputa-se a mais onerosa
Novação: por meio de uma estipulação negocial, as partes criam uma nova obrigação, destinada a substituir e extinguir a obrigação anterior.
Requisitos para novação: 
Existência de uma obrigação anterior
Criação de uma nova obrigação substancialmente diversa da primeira: o conteúdo da obrigação há de ter sofrido modificação substancial, mesmo que o objeto da prestação não venha a ser alterado. 
Ânimo de novar: requisito subjetivo referente à vontade das partes em modificar o aspecto do negócio.
OBS: se a obrigação primitiva for anulável, nada impede a novação, mas caso for nula ou estiver extinta não haverá como novar.
Espécies de novação: 
Novação objetiva: nova obrigação tem objeto diferente da primitiva. Por exemplo, na obrigação inicial o objeto era a prestação de um serviço e na nova é uma obrigação pecuniária.
Novação subjetiva: quando um novo devedor sucede o antigo, ficando este quite com o credor (art. 360)
Novação subjetiva ativa: mudança do credor; significa a liberalidade do devedor em relação ao sujeito ativo anterior, uma vez que sua dívida estará líquida em relação a ele
Novação subjetiva passiva: mudança dodevedor; poderá ser por expromissão, quando a substituição do devedor acontece independente do seu consentimento, por simples ato de vontade do credor (por exemplo, filho que assume as dívidas do pai), ou através da delegação, quando o devedor indica uma terceira pessoa para assumir o débito com a aquiescência do credor
Novação mista: quando tanto o polo passivo, quanto o ativo da relação obrigacional são substituídos (incidência simultânea dos incisos II e III do art. 360, CC)
Novação mista: mudança tanto do sujeito da obrigação como no objeto. Exemplo: o pai que assume a dívida do filho na condição de pagá-la mediante a prestação de um serviço.
Efeitos da novação: 
- Libertário: força extintiva em relação à obrigação primitiva, excluindo-a e seus frutos, havendo a paralisação dos juros inerentes à dívida extinta, o desaparecimento do estado da mora em que porventura se encontrasse o devedor, o reinício do prazo prescricional e no cenário de solidariedade passiva, atua na exoneração dos devedores solidários
- Criador: cria uma nova obrigação
Compensação: forma de extinção de pagamento em que as partes são reciprocamente devedores e credores, sendo a relação creditícia e debitória a mesma.
Exemplo: Alberto empresta a importância de 1000 reais a João. Tempos depois, antes da prescrição da sua dívida, Alberto pede a João um empréstimo de 1000 reais. 
Art. 368: a extinção dará até o limite da existência do crédito recíproco, remanescendo, se houver, o saldo em favor do maior credor. 
Espécies de compensação:
Legal: é a regra geral, com os seguintes requisitos: reciprocidade das obrigações (simultaneidade de obrigações com inversão dos sujeitos em seus polos), a liquidez das dívidas (valor numérico exato), exigibilidade atual das prestações (vencimento da dívida) e fungibilidade dos débitos (coisas da mesma natureza).
Convencional: não tem os mesmos requisitos da legal, podendo compensar obrigações de natureza diversa 
NÃO é admissível a compensação no caso de:
- Dívidas provenientes de esbulho, furto ou roubo: ilicitude do fato contamina sua validade
- Dívida originada de comodato, depósito ou alimentos: no caso do comodato e depósito, são objeto de contrato com corpo certo e determinado; os alimentos obstam a compensação por serem dirigidos à subsistência do indivíduo.
- Dívida com objeto não suscetível a penhora (art. 833 CPC): a determinação da incapacidade da penhora de algo significa sua relevância.
Confusão: acontece quando as qualidades de credor e devedor são reunidas na mesma pessoa, extinguindo a relação obrigacional totalmente (confusão total) ou parcialmente (confusão parcial).
Exemplo: Maria empresta 2000 reais a João. Tempos depois, antes de prescrever a dívida, João e Maria casam em comunhão total de bens. Outro caso: André pede 1000 reais emprestado ao seu tio. O tio morre e deixa a André uma parte da herança. Em ambas as situações há confusão, sendo a primeira inter vivos, e a segunda ato mortis.
OBS: confusão imprópria quando se reúne na mesma pessoa a condição de credor e devedor. Exemplo: quando a mesma pessoa é devedora e fiadora.
No caso de solidariedade, a confusão só extingue parte da obrigação relativa ao sujeito confundido. Aos demais subsiste a dívida (solidariedade passiva) ou o crédito (solidariedade ativa).
Remissão: perdão da dívida, quando o credor não mais interessado no cumprimento da prestação, renuncia a exigibilidade do crédito.
Requisitos para remissão:
Ânimo de perdoar: manifestação da vontade de perdoar do credor (podendo ser expressa ou tácita), por quem tem capacidade jurídica e legitimação para tal ato.
Aceitação do perdão: o devedor pode aceitar ou não o perdão do credor (art. 385). Caso não o faça, poderá pagar através da consignação.
Pode ser total ou parcial (persiste o débito da parcela não perdoada)
OBS: no caso de solidariedade passiva, apenas o devedor remido estará livre da obrigação, os demais haverão de cumprir a parte que lhes cabe.

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