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MOVIMENTOS INVOLUNTÁRIOS Discentes: LUANA RIBEIRo MAIARa naldi DISCIPLINA: NEUROLOGIA APLICADA À FISIOTERAPIA PROFª: camila Araújo. MOVIMENTOS INVOLUNTÁRIOS OU Hipercinesias São movimentos anormais e involuntários que surgem em consequência de distúrbios ou lesões em diferentes pontos do sistema motor. Existem diferente tipos de movimentos anormais, cada um é resultado de mecanismos fisiopatológicos diferentes. coréia Movimentos arrítmicos, rápidos, abruptos, não repetitivos no tempo, de caráter simples ou elaborado e com distribuição variável, preferentemente distal. Essas características peculiares criam o aspecto de semelhança com uma dança de movimentos corporais variados. A coréia pode interferir com a respiração e a fonação e os doentes afetados podem ter um discurso arrastado ou fragmentado ou vocalizações involuntárias, como grunhidos. Está, geralmente, presente em repouso e pode intensificar com manobras de distratabilidade (como fazer contas mentalmente) e em resposta à atividade, pode ser parcialmente suprimida e geralmente desaparece no sono. coréia CORÉIA Os doentes com coreia parecem frequentemente inquietos e estão, muitas vezes, inconscientes dos seus movimentos involuntários. Mais tarde, é frequente que tentem encobrir os seus movimentos, incorporando-os em movimentos semi-intencionais, para mascarar a coreia (paracinésia). A marcha e o ortostatismo agravam a coreia, bem como a execução de duas tarefas em simultâneo, podendo revelar movimentos súbitos. ATETOSE Caracterizada por movimentos involuntários mais lentos, mais prolongados e de maior amplitude que os movimentos coreicos. A sua diferenciação com a coreia é, por vezes, muito difícil, preferindo-se o termo coreoatetose para classificar este tipo de hipercinésia e podem se manifestar simultaneamente. GROSSEIROS IRREGULARES DISTAIS ATETOSE Caretas faciais, mais lentas e duradouras que as da coreia, acompanham frequentemente os movimentos das extremidades. Caracteristicamente, a atetose desaparece durante o sono. Está geralmente relacionada com doenças degenerativas (doença de Wilson, kernicterus, status marmoratus, anóxia perinatal), que envolvem os gânglios da base. MOVIMENTOS UNI OU BILATERAIS. BALISMO O balismo é a mais rara das hipercinésias. O termo vem de uma palavra grega que significa “arremessar”, o que sublinha o caráter violento dos movimentos. Acomete preferencialmente os membros na sua porção proximal, tendo grande amplitude que leva a amplo deslocamento das extremidades. Geralmente, apresenta-se confinado a uma metade do corpo, o que é designado de hemibalismo. MONOBALISMO BIBALISMO PARABALISMO BALISMO O hemibalismo é caracterizado pela ocorrência de movimentos semelhantes aos da coreia, mas mais pronunciados. São rápidos, vigorosos e com envolvimento predominante da musculatura proximal dos membros. Estes movimentos são extremamentes incapacitantes para os doentes, que se autolesionam com frequência. BALISMO O hemibalismo tem sido associado a lesões do núcleo subtalâmico contralateral, estando descritas várias causas possíveis (isquemia, hemorragia, tumores, infecções, fármacos e hiperglicémia). distonia A distonia consiste em contrações musculares espontâneas, involuntárias e prolongadas, que forçam as partes do corpo afetadas a movimentos ou posturas anormais, por vezes com contração de músculos agonistas e antagonistas. Pode ser constante ou intermitente, generalizada ou segmentar, focal e multifocal ou em hemidistribuição. Afeta as extremidades, pescoço, tronco, pálpebras e cordas vocais. Os movimentos distônicos são padronizados, tendendo a recorrer no mesmo local. distonia Rápida: Mioclónica Lenta: Atetóide VELOCIDADE: DURAÇÃO: Momentânea: Movimento distónico Duradoura: Postura distónica Os movimentos são lentos e grotescos, com caráter ondulante, sinuoso, de torção e voltas, com uma tendência para a contração ser mantida no pico do movimento (distonia de torção). Os músculos estão em estado constante de hipertonia e as contrações musculares provocam dores intensas. distonia Exemplos de patologias que cursam com distonias generalizadas incluem a distonia muscular deformante, a Doença de Wilson, o Síndrome de Hallervorden-Spatz, a DH e distonias induzidas por fármacos. Um exemplo típico é a distonia cervical (torcicolo espasmódico), que afeta os músculos do pescoço e dos ombros, produzindo uma rotação prolongada da cabeça para um lado, frequentemente com um elemento de inclinação. distonia As mioclonias podem ser definidas como contrações involuntárias, isoladas ou repetitivas, abruptas, breves. Pode ser comparada à um choque elétrico, no qual pode envolver partes de um músculo, músculos inteiros ou grupos musculares. São vistas, principalmente, na musculatura das extremidades e do tronco. MIOCLONIA MIOCLONIA As mioclonias podem ser positivas, quando causadas por uma contração muscular ativa, ou negativas, quando causadas por uma pausa súbita numa contração muscular contínua. EXEMPLO DE MIOCLONIA NEGATIVA: ASTERIXIS Mioclonias fisiológicas: ocorrem em indivíduos neurologicamente normais. O sono é a circunstância mais comum nesse tipo, podendo ocorrer duas formas: MIOCLONIA Abalos mioclónicos parciais: Pequenos, multifocais, proeminentes a nível da face e extremidades distais. Abalos hípnicos: Generalizados que afetam o tronco e a musculatura proximal dos membros. MIOCLONIA Mioclonias essenciais: ocorrem sem etiologia aparente e/ou déficit neurológico associado. Antes dos 20 anos Ausência de anormalidades eletroencefalograma Hereditária Melhora com álcool MIOCLONIA Mioclonias epilépticas: frequente em epiléticos. Podem ocorrer como apenas um dos componentes da convulsão, ser a única manifestação da crise ou constituir um dos múltiplos tipos de convulsão dentro do síndrome epiléptico. Neste caso, presume-se que a origem das mioclonias seja cortical. O tratamento é baseado principalmente em drogas antiepilépticas (carbamazepina e a fenitoína). FASCICULAÇÃO São contrações finas e rápidas devido a contração de um fascículo de fibras musculares. É comum confusão com o termo fibrilação. Os potenciais de fibrilação são as contrações musculares individuais, demasiado pequenas para serem visíveis através da pele, pelo que apenas se detectam por eletromiografia com agulha. FASCICULAÇÃO Geralmente não são suficientemente extensas para condicionar o movimento das articulações, exceto nos dedos. Variam quanto a tamanho e intensidade, podendo ser tão leves e pequenas que só conseguem ver como ondulações na superfície. Ocorrem ao acaso e são irregulares, fugazes e inconstantes. É um dos sinais neurológicos mais aterrorizantes para o médico, em geral, devido à sua íntima relação com a esclerose lateral amiotrófica (ELA). A presença isolada de fasciculações na ausência de sinais outros neurológicos é denominada fasciculações benignas e não tem significado patológico sério. FASCICULAÇÃO TREMOR Consiste numa série de movimentos oscilatórios rítmicos, que são produzidos por contrações alternantes ou síncronas de músculos antagonistas inervados reciprocamente. Geralmente, possui uma periodicidade fixa, embora a frequência possa parecer irregular. Simples: um único grupo muscular Composto: mais de um grupo muscular. TREMOR O tremor pode ser classificado de diferentes formas: Localização Frequência Amplitude Ritmicidade Ainda pode ser uni ou bilateral, envolvendo mais frequentemente as partes distais das extremidades. A frequência pode ser lenta, média ou rápida. Oscilações de 3-5 Hz são consideradas lentas e de 10- 20 Hz rápidas. A amplitude pode ser fina ou grosseira. A relação com o repouso ou atividade é a base para a classificação em dois tipos primários de tremor: de repouso e de acção. 28 TREMOR DE REPOUSO Ocorre quando a parte corporal afetada se encontra em repouso completo e diminui ou desaparece com a ação.É um tremor lento, grosseiro e de tipo composto. Desaparece durante o sono e pode ser transitoriamente suprimido quando o membro se envolve numa atividade voluntária. tremor lento (frequência de 4-6 Hz) Nos membros, o tremor é mais pronunciado distalmente. Na mão consiste em contrações alternadas de músculos agonistas e antagonistas, com resultante movimento repetitivo do polegar sobre os dois primeiros dedos, juntamente com movimentos alternantes do punho. 29 TREMOR DE AÇÃO O tremor de ação aparece ao executar alguma atividade, podendo ser subdividido em vários subtipos: Postural Cinético TREMOR POSTURAL O tremor postural é revelado, sem latência significativa, pela manutenção de uma postura, com os membros mantidos numa posição antigravitária. Ex: braços estendidos paralelamente ao chão. A maioria dos doentes apercebe-se inicialmente do tremor em actividades diárias, como comer e escrever; têm dificuldade em pegar numa chávena de café ou em levar uma colher à boca e a escrita torna-se trémula e imperceptível, com alteração da assinatura, que se torna irreconhecível 31 TREMOR POSTURAL A maioria dos doentes percebe-se inicialmente do tremor em atividades diárias, como comer e escrever; têm dificuldade em pegar xícara de café ou em levar uma colher à boca e a escrita torna-se trêmula e imperceptível, com alteração da assinatura, que se torna irreconhecível. A voz pode estar envolvida. Ansiedade e o stress agravam o tremor. TREMOR POSTURAL Doentes passam a adotar estratégias compensatórias características, como usar as duas mãos para levar algo à boca ou segurar a mão que escreve com a outra. A frequência do tremor postural varia dependendo da sua causa e severidade. Os tipos mais comuns de tremor postural são o tremor fisiológico aumentado e o tremor essencial. TREMOR POSTURAL Tende a afetar as mãos, a cabeça e a voz. O movimento da cabeça pode ser numa direção anterior/posterior (tremor afirmativo, “sim-sim”) ou lateral (tremor negativo, “não-não”). Fisiológico aumentado: É visível em pessoas normais em condições com estimulação da atividade adrenérgica, como a ansiedade, o susto e a fadiga. Essencial: TREMOR CINÉTICO O tremor cinético aparece durante a realização de um movimento voluntário, podendo ocorrer no início, no decorrer ou no final do movimento. O exemplo mais comum é um tremor intencional ou terminal, que surge quando há necessidade de precisão para tocar num alvo. Agrava progressivamente durante o movimento. A aproximação ao alvo faz com que o membro trema, de um lado para o outro e a amplitude da oscilação aumenta próximo do final do movimento. ex: nariz, na prova dedo-nariz, ou joelho, na prova calcanhar-joelho-tornozelo. 35 REFERÊNCIAS BUAINAIN, R.P; MOURA, L.S. & OLIVEIRA, A.S.B.- Fasciculação. Rev. Neurociências, 2000. MENDES, M.F; ANDRADE, L.A.F & FERRAZ, H.B. Coréia. Arq neuropsiquiatr, 1996. AGUIAR, P.M.C. & FERRAZ, H.B. – Genética das Distonias Rev. Neurociências , 2000. BORGES, V & FERRAZ, H.B. Tremores. Revista neurociências - JAN/MAR, 2006. MARANHÃO-FILHO, P. Desordens do movimento: 40 aspectos e muitas dicas – Neurossemiologia. Rev Bras Neurol. 49(1):3-12, 2013. ALVES, R.C; BARBOSA, E. G.B; LIMONGI & J.C, SILVA, L.J.B. Mioclonia essencial hereditária. Arq neuropsiquiatr, 1994.