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## Resumo do Caso Clínico 17: Dor Lancinante na Asa do Nariz Esquerdo em Mulher de 65 AnosEste caso clínico apresenta uma mulher de 65 anos que procura atendimento emergencial devido a dores intensas, descritas como lancinantes e de curta duração, localizadas na asa do nariz à esquerda. O quadro doloroso teve início há cerca de 15 dias, inicialmente associado a estímulos como mastigação ou toque na gengiva próxima ao canino superior esquerdo. A paciente buscou atendimento odontológico, onde foram indicados bochechos, porém a dor evoluiu progressivamente até tornar-se insuportável, manifestando-se inclusive durante a fala, com sensação semelhante a uma agulha fincada na região afetada.No exame clínico e neurológico, não foram encontradas alterações significativas, exceto pela impossibilidade de avaliar a sensibilidade facial devido à dor desencadeada pelo toque na face. Essa característica sugere um quadro de dor neuropática, possivelmente relacionada a um nervo trigêmeo, dado o local da dor (asa do nariz) e os estímulos desencadeantes (mastigação, toque na gengiva). A dor lancinante e breve, associada a estímulos táteis, é típica da neuralgia do trigêmeo, especialmente do ramo maxilar (V2), que inerva a região da asa do nariz e gengiva superior.### Impressões IniciaisA descrição clínica é altamente sugestiva de neuralgia do trigêmeo, uma condição caracterizada por episódios de dor intensa, breve e lancinante, geralmente unilateral, que pode ser desencadeada por estímulos mínimos, como toque ou movimentos faciais. A ausência de alterações neurológicas significativas, além da sensibilidade exacerbada, reforça essa hipótese. A neuralgia do trigêmeo pode ser idiopática ou secundária a compressão vascular, lesões tumorais ou outras causas estruturais.### Necessidade de Exames SubsidiáriosEmbora o diagnóstico clínico seja bastante sugestivo, é fundamental realizar exames complementares para excluir causas secundárias, especialmente em pacientes com idade avançada. A ressonância magnética (RM) do encéfalo com foco no trajeto do nervo trigêmeo é o exame de escolha para identificar compressões vasculares, tumores ou outras lesões que possam estar causando a neuralgia. Além disso, exames laboratoriais básicos podem ser úteis para descartar outras condições associadas, como diabetes ou esclerose múltipla, que podem causar neuropatias faciais.### Conduta na Unidade de EmergênciaNo atendimento emergencial, o principal objetivo é o controle da dor, que está insuportável para a paciente. O tratamento inicial pode incluir o uso de anticonvulsivantes, como a carbamazepina, que é o medicamento de primeira linha para neuralgia do trigêmeo, devido à sua eficácia em reduzir a excitabilidade neuronal e controlar as crises dolorosas. Analgésicos comuns geralmente são insuficientes para esse tipo de dor neuropática.Além do controle medicamentoso, é importante orientar a paciente sobre a natureza da doença, os possíveis gatilhos para as crises e a necessidade de acompanhamento neurológico para avaliação e ajuste do tratamento. Caso a dor não responda ao tratamento clínico ou haja suspeita de causa secundária, encaminhamento para avaliação especializada e possível intervenção cirúrgica pode ser necessário.### ConclusãoEste caso ilustra um quadro clássico de neuralgia do trigêmeo, caracterizado por dor facial intensa, breve e desencadeada por estímulos mínimos, com localização compatível ao ramo maxilar do nervo trigêmeo. A avaliação clínica cuidadosa, aliada a exames complementares, é essencial para confirmar o diagnóstico e excluir causas secundárias. O manejo inicial visa o controle da dor com anticonvulsivantes, seguido de acompanhamento especializado para tratamento definitivo.---### Destaques- Dor lancinante, breve e unilateral na asa do nariz, desencadeada por estímulos táteis, sugere neuralgia do trigêmeo.- Exame neurológico pode ser normal, exceto pela sensibilidade exacerbada devido à dor.- Ressonância magnética é fundamental para excluir causas secundárias, como compressão vascular ou tumores.- Carbamazepina é o tratamento inicial de escolha para controle da dor neuropática.- Acompanhamento neurológico é necessário para ajuste terapêutico e avaliação de possíveis intervenções.