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Graduação em Fisioterapia Fisioterapia Dermatofuncional Atividade Avaliativa Aluna: Maria Luiza Pinto Tema: Métodos de Drenagem Linfática A drenagem linfática pode ser definida como uma técnica de estimulação física que objetiva tanto o estimulo para a formação quanto a drenagem da linfa. A linfa se localiza dentro dos vasos, portanto para drená-la é fundamental conhecer a anatomia, fisiologia, fisiopatologia e as regras de hidrodinâmica fisiológicas. A linfa é um líquido claro, ligeiramente amarelado, que flui lentamente no corpo através dos vasos linfáticos. (Santos, 2018) Ao contrário do sangue, impulsionado pelo coração, o sistema linfático não tem uma bomba central. A linfa depende exclusivamente da ação de agentes externos. Ela move-se lentamente e sob baixa pressão devido à compressão provocada pelos movimentos dos músculos esqueléticos que pressionam o fluido. (Santos, 2018) Por volta de 1930, os doutores dinamarqueses Emil Vodder e Estrid Vodder, trabalhavam tratando de pacientes com sinusites e outros sintomas. O casal notou que os pacientes tinham como característica comum os linfonodos estavam inchados. Em 1932, depois de estudar por diversas vezes o sistema linfático, eles perceberam que poderiam estimular a movimentação das linfas através de movimentos manuais. A Técnica Vodder é considerada a técnica original de Drenagem Linfática Manual. Seu método consistia em, através de movimentos, estimular os linfonodos através de pressão leve e encaminhar a linfa para o sistema sanguíneo. Para isso, a massagem era iniciada no pescoço e gradativamente em outras áreas do corpo. Ele dizia que era impossível eliminar as impurezas contidas no sistema linfático sem antes limpar o canal de saída. Esta técnica pode ser feita de forma manual, mecânica ou por estimulação elétrica. É aplicada com movimentos de pressão leve, suave, rítmica, lenta e precisa. Assim, não há a necessidade de manobras que provoquem dor ou desconforto, podendo, no entanto, acontecer nos locais com inflamação ou cicatrizes recentes por estes estarem mais sensíveis. (Domene, 2002) Albert Leduc foi aluno dos Vodders na Belgica. Para Leduc, o assunto parecia coerente, mas sem muita base cientifica. O que era óbvio, já que as pesquisas estavam sendo iniciadas. Isso lhe motivou a pesquisar mais a respeito do sistema linfático e da drenagem como um todo. Suas pesquisas o levaram a conclusão de que o sistema linfático era composto por órgãos e tecidos linfoides. Com um estudo mais aprofundado, passou a desenvolver seu próprio método de drenagem linfática manual. Portanto, o método de drenagem de Leduc segue alguns princípios do método de Vodder, mas levando em consideração a movimentação do sistema linfático, Leduc não inicia sua massagem pelo pescoço, porque acreditava que tal pratica não teria tanto efeito para edemas que estivessem em regiões mais distantes. Sua técnica consiste em estimular o sistema linfático através de movimentos circulares. As bases científicas desta técnica são que devem ser realizados tais movimentos com o intuito de melhorar a absorção e captação de substancias “perdidas” nos tecidos intersticiais, alguns tipos de celulites e líquidos em excesso, encaminhando-os para o sistema linfático, circulatório e assim acelerando o processo de eliminação. Utilizando menos combinações de movimentos, a técnica foca mais nos problemas relatados pelo paciente e na compressão dos nodos. Já a técnica de drenagem linfática manual Godoy & Godoy foi desenvolvida pelos professores Prof. Dr. José Maria Pereira de Godoy, médico e cirurgião vascular e pela Profa. Dra. Maria de Fátima Guerreiro Godoy, Terapeuta Ocupacional. Em 1999, Godoy e Godoy descreveram uma nova técnica de drenagem linfática, que utilizava roletes como mecanismos de drenagem. Com essa técnica, passou-se a questionar a utilização dos movimentos circulares preconizados pela técnica considerada padrão. (DE GODOY, 2004) A técnica de Godoy e Godoy consiste na utilização de roletes que seguem o sentido de fluxo dos vasos linfáticos e mantêm a sequência de drenagem proposta anteriormente por Vodder. Além dos roletes, a técnica também pode utilizar as mãos ou de outro instrumento que permita a realização da drenagem linfática seguindo o sentido dos vasos linfáticos ou da corrente linfática, assim simplificando toda a técnica de drenagem linfática (GODOY, 2004). Em associação a esses movimentos de drenagem, a técnica de Godoy valoriza o estímulo na região cervical como parte importante no tratamento desses pacientes. Então, de maneira geral, podemos resumir que a drenagem linfática tem como objetivo tanto a formação quanto a drenagem de linfa, dependendo do prognóstico do paciente. Para chegar até esses objetivos, a compressão manual (que é o mecanismo de formação da linfa) e o deslocamento manual (que favorece a drenagem da linfa) são os dois mecanismos cinéticos realizados pelas mãos para a realização do tratamento. O que diferencia as técnicas de maneira geral são os movimentos e a compressão: na técnica Vodder, os movimentos são realizados em círculos e semicírculos. Na técnica de Leduc, os movimentos são de “chamada e absorção”, de maneira que os vasos tenham um período de reenchimento a ser drenado novamente. Já na técnica de Godoy &Godoy, os movimentos são realizados de maneira linear e favorecendo o deslocamento natural da linfa de maneira mais fisiológica e prática, baseados em anatomia, fisiologia, fisiopatologia e hidrodinâmica. DOMENE, F. A. Drenaje linfático manual (método original Dr. Vodder). Barcelona: Nueva estética, 2002 GODOY, J. M.; GODOY, M. F. Drenagem linfática no tratamento de linfedema em adolescentes. Ver Angiol Cir Vasc, v. 1, p. 6-7, 2004 Santos, D. A. F. d., 2018. Análise comparativa das técnicas de drenagem linfática manual: Método Vodder e Método Godoy & Godoy.