Constituição de 2010
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Constituição de 2010


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Trabalho de Direito Constitucional 
CONSTITUIÇÃO DE 2010 
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Introdução 
 
 
Constituição, é a lei fundamental de um País, estabelece os princípios básicos 
do ordenamento jurídico, contém as normas relativas à formação dos poderes 
públicos, forma de governo, distribuição das competências, direitos e deveres dos 
cidadãos. Nenhuma outra lei no país pode entrar em conflito com a Constituição. 
Nos países democráticos, a Constituição é elaborada por uma Assembleia 
Constituinte (pertencente ao poder legislativo), eleita pelo povo. A Constituição 
pode receber emendas e reformas, porém elas possuem também as cláusulas 
pétreas (conteúdos que não podem ser abolidos). 
A Constituição da Republica de Angola filia-se e enquadra-se directamente na 
já longa e persistente luta do povo angolano, primeiro para resistir a ocupação 
colonial, depois para conquistar a independência e a dignidade de um Estado 
soberano e, mais tarde, para edificar em Angola um Estado democrático de direito e 
uma sociedade justa. 
A actual Constituição foi vista e aprovada pela Assembleia Constituinte, aos 
21 de Janeiro de 2010 e, na sequência do Acórdão do Tribunal Constitucional nº 
111/2010, de 30 de Janeiro, aos 3 de Fevereiro de 2010. 
O nosso trabalho tem como tema \u201cA Constituição de 2010\u201d. Neste trabalho o 
grupo pretende fazer uma abordagem resumida sobre a Constituição de 2010, sua 
evolução, características, projectos, sistema de governo e sua estrutura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Evolução Constitucional Angolana 
 
A Lei constitucional de 1975 foi sofrendo sucessivas revisões (vide as revisões 
de 1976, 1977, 1978 e 1980) pelo que do ponto de vista substancial em nada alterava 
a estrutura do Estado, sendo certo que as revisões operadas visavam reforçar as 
competências do Presidente da República face ao Conselho de Revolução, bem como 
reforçar as opções ideológicas do Estado (vide Sousa, Bornito e Correia, Aderito \u2013 
História Constitucional de Angola) 
Neste sentido, das sucessivas revisões operadas destacamos as mais 
importantes revisões a de 1980 e a 1991. A revisão de 1980 não alterou o regime 
político até então vigente, mas consideramo-la importante porque: 
- Alterou todo o titulo referente à organização do Estado angolano para 
responder à necessidade de instituição dos órgãos eleitos do poder de Estado, nesta 
altura apesar do sistema de partido único, surge a Assembleia do Povo (vide o 
preâmbulo da Lei no 12/91 de 06 de Maio). 
A revisão constitucional de 1991 (ou também ruptura constitucional em 
virtude de se alter toda estrutura do Estado a partir da institucionalização de um 
novo regime político, vide Gouveia, Jorge Bacelar \u2013 Direito Constitucional de Angola. 
Editor IDILP. Lisboa: 2014, p.82-85) operada através da Lei no 12/91 de 6 de Maio, 
constitui a mais importante transformação do Estado angolano desde à 
independência pelos seguintes aspectos: 
Instaurou a II República através da institucionalização de um novo regime 
político, ou seja, o Estado angolano deixou de ser monista e passou a pluralista ou 
democrático de Direito (vide Miranda, Jorge \u2013 Teoria do Estado e da Constituição. 
Coimbra Editora. Coimbra: 2002, p. 514-516) permitiu a participação organizada de 
todos cidadãos na vida política nacional e na direcção do Estado; ¬ ampliou o 
reconhecimento e protecção dos direitos, liberdades e deveres fundamentais dos 
cidadãos no âmbito de uma sociedade democrática; ¬ assim como consagrou 
constitucionalmente os princípios da reforma económica, sobretudo aqueles que 
visavam estimular a iniciativa e a protecção da actividade de todos os agentes 
económicos. 
A ruptura constitucional de 1991 viu-¬se reforçada com a revisão de 1992 
operada através da lei 23/92 de 16 de Setembro, sendo que as primeiras eleições 
quer presidenciais quanto parlamentares tiveram lugar em 1992 nos termos da Lei 
23/92, que remetia para Assembleia eleita a aprovação da Constituição (vide o art. 
14º da Lei de Revisão constitucional, bem como os artigos 158º e seguintes da Lei 
constitucional) 
 
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A Lei Constitucional de 1992, Lei nº 23/92 de 16 de Setembro, grosso modo visou o 
seguinte: 
¬ Alterou a designação do Estado para República de Angola, do órgão legislativo para 
Assembleia Nacional e retirou a designação popular da denominação dos tribunais 
(Vide os art. 1º, 2º, 120º); 
¬ Relativamente aos direitos fundamentais, introduziu alguns novos artigos visando 
o reforço do reconhecimento e garantias dos direitos e liberdades fundamentais, 
com base nos principais tratados internacionais sobre os direitos humanos a que 
angola aderiu (vide o titulo II); 
¬ No que concerne aos órgãos do Estado foram introduzidas profundas alterações 
que reformularam toda a redação anterior. Proclamou-se a República de Angola 
como Estado democrático de direito (vide art. 2º) e como consequência os institutos 
típicos deste tipo de Estado constitucional, nomeadamente a supremacia da 
constituição e legalidade; separação de funções e interdependência dos órgãos de 
soberania (vide art. 53º e a alínea c) do art.o 54º), bem como o respeito a vida e 
dignidade da pessoa humana (vide os art. 20º, 21º e 22º). 
¬ Institui-se um sistema de governo semipresidencial; 
¬ Assim como confiou-se os processos de fiscalização constitucional ao 
Tribunal constitucional vide o art. 6º da Lei de revisão constitucional e o art. 125º da 
Lei 23/92, (pelo que do ponto de vista classificatório Angola possui um sistema de 
fiscalização jurisdicional concentrado especial, somente os tribunais têm 
competência para aferir questões jurídico ¬constitucionais, especial \u2013 tendo em 
conta que somente o tribunal no âmbito da estruturação do poder judicial tem como 
competência de decidir questões de natureza jurídico ¬constitucional. vide Miranda, 
Jorge \u2013 Teoria do Estado e da Constituição. Coimbra Editora. Coimbra: 2002, p. 720-
721) 
A Lei constitucional de 92 num sentido de transitoriedade remetia para 
Assembleia eleita a aprovação da constituição angolana, facto não concluído em 92 
como consequência da instabilidade político ¬militar que se instalou em Angola, bem 
como a não tomada de posse de alguns deputados da oposição, pelo que dezasseis 
anos depois, isto é, em 2008, realizou-¬se pela segunda vez as eleições legislativa e 
em 2010, conclui-se o processo desencadeado em 1991e 1992, com a aprovação da 
Constituição da República de Angola \u2013 CRA. 
A constituição da República de Angola, reiterou a vontade do legislador da 
ruptura constitucional e num gesto de continuidade define Angola como República 
soberana, democrática e de direito vide os artigos 1º e 2º respectivamente todos da 
Constituição, pelo que não há uma nova ideia de direito tão pouco alteração 
substancial das estruturas do Estado, ou seja, do Regime político, angola desde a 
ruptura constitucional 91 que instaurou a II República e continua na II República, 
 
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facto que não se pode confundir com a terceira legislatura, assim somente de forma 
errónea se pode afirmar que estamos na III República. 
Do ponto de vista classificatório a constituição que ora completa cinco anos 
é democrática ou popular em virtude de ser aprovada por uma assembleia nacional 
constituinte eleita pelo povo; é unitextual tendo em conta que tudo o que é 
constitucional em termos formais está na constituição; rígida porque as normas 
constitucionais só podem ser modificada através de um procedimento de revisão 
especifico