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BIOTERÁPICOS Prof. MSc. Rian Felipe de M. Araújo ASSOCIAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DO PIAUÍ CURSO DE FARMÁCIA HOMEOPATIA • Hahnemann permitiu que sua obra fosse amplamente discutida, ensaiada e ensinada; • Permitiu outras fontes para o preparo de medicamento e tratamento do paciente; • Surge assim, novos medicamentos e conceitos; BREVE HISTÓRICO • Constantine Hering (1800 – 1880), médico e discípulo de Hahnemann, inspirado nas descobertas sobre a varíola, em 1834 escreveu: “Por ocasião das minhas experiências com venenos de cobras, emiti a hipótese de que o vírus devia ser um poderoso agente patogenético. Utilizei esta hipótese no vírus da varíola. Com os resultados convidei meus colegas para realizar experiências patogenéticas...” • O medicamento preparado da serosidade da vesícula da sarna foi o primeiro nosódio; • Termo empregado por Hering, designa a preparação homeopática a partir de produto patológico de origem animal ou vegetal; • Órgãos doentes e secreções patológicas; • Johann Wilhelm Lux (1777 – 1839), primeiro veterinário homeopata; • Em 1831, curou uma epidemia de mormo em uma criação de gado • Muco nasal de um animal doente na potência de 30CH; • Não obedecia à coincidência patogenética como Hering, preconizava as dinamizações a partir de secreções com o agente causal; • A isopatia dos contágios – em que todas as doenças contagiosas trazem em seus próprios produtos de contágio o meio de cura. • Isopatia: método terapêutico que visa combater a doença com produto elaborado pela própria doença ou materiais provenientes do organismo doente • Órgãos doentes, secreções patológicas, microorganismos e suas toxinas; • Preparados pela farmacotécnica homeopática, são denominados isoterápicos • Johann Ernst Stapf (1788 – 1860) defendeu os trabalhos de Hering e Lux, preconizando o emprego de nosódios do próprio doente; • Autoisoterápicos; • Secreção patológica deve conter a causa da enfermidade dinamizados; E HAHNEMANN, O QUE ACHA DO MÉTODO ISOPÁTICO? • Em nota do § 56 da 6ª edição do Organon, formulou uma crítica contundente ao método isopático de tratamento; • Isopatia leva ao raciocínio simples em função do agente causal; • Negligencia os aspectos psicossomáticos relacionados à doença • Estimulava a paliação em detrimento da cura pelo semelhante, bem mais complexa e científica; • Médicos e pesquisadores começaram estudar, testar e adotar novos medicamentos preparados por meio da farmacotécnica homeopática; • Dr. Licínio Cardoso, publicou a obra Dyniotherapia autonosica ou tratamento das doenças pelos agentes e produtos delas dinamisados • Dinioterapia autonósica (dynamis = força, autós = por si próprio, nósos = doença) • Auto-hemoterapia: variante da isopatia, onde se utiliza sangue venoso após ser submetido à temperatura de 37,5°C por 24 horas, para em seguida ser dinamizado e administrado IM • Isopatia direta: colheita do material patológico do próprio paciente ou de pacientes diversos para outros doentes; • Isopatia indireta: material coletado é o elemento desencadeador do processo patológico que deseja tratar – Tóxico dinamizado (veneno, medicamento) – no caso de intoxicações – Todos os alérgenos (alimentos, pólens, tintas) – no caso de processos alérgicos Bioterápicos Nosódios, Autoisoterápicos, Isoterápicos Etc... BIOTERÁPICOS Farmacotécnica homeopática Produtos biológicos, quimicamente indefinidos Secreções, excreções, tecidos, órgãos Origem microbiana, alérgenos • Bioterápicos podem ou não apresentar patogenesia; • Nosódios de Hering são bioterápicos que apresentam patogenesia: Experimentação no homem sadio e lei do semelhante; • Tuberculina de Koch é a fonte do bioterápico Tuberculinum • Apresenta rica patogenesia obtida pela observação de pacientes tratados com essa tuberculina • Bioterápicos são utilizados nas seguintes situações: – Quando se identifica totalidade sintomática – Quadros infecciosos de etiologia conhecida, atuando como coadjuvante terapêutico – Reações de hipersensibilidade, como dessensibilizantes (poeira, pólen, alimentos) – Agentes tóxicos, atuando como estimulante da eliminação – Quadros sintomáticos provocados por substâncias biológicas, atuando como inibidor de sua formação e/ou estimulante de sua eliminação • Bioterápicos são divididos em 2 grandes categorias: bioterápicos de estoque e isoterápicos • Produtos cujo insumo ativo é constituído por amostras preparadas e fornecidas por laboratórios industriais especializados; • São classificados em: codex, simples, complexos, ingleses e vivos • Codex: obtidos a partir de vacinas, soros, toxinas • Simples: obtidos a partir de culturas microbianas puras, lisadas e atenuadas • Complexos: obtidos a partir de órgãos doentes, secreções ou excreções patológicas • Ingleses (nosódios de Bach-Paterson): obtidos a partir de m.o. da flora intestinal que não fermentam a lactose, presentes nas fezes de doentes crônicos Bioterápicos de estoque Codex Simples Complexos Ingleses EXEMPLOS Bioterápico Obtido a partir de Experimentação Classificação Diphtericum Soro antidiftérico de animais imunizados com toxina Corynebacterium diphteriae Observação clínica Codex Eberthinum Cultura de Salmonella typhi Observação clínica Simples Luesinum Lisado de serosidades treponêmicas de cancro sifilítico Experimentação patogenética Complexo Bacilo de Morgan Bacilo gram-negativo (Proteus morgani) isolado de fezes de crianças com diarreia estival (sazonal) Observação clínica Ingleses • Preparações medicamentosas feitas com a farmacotécnica homeopática a partir de insumos relacionados com a enfermidade do paciente; • São divididos em autoisoterápicos e heteroisoterápicos • Autoisoterápicos: insumos são obtidos do próprio paciente, como cálculos, fezes, urina, sangue, secreções; • Heteroisoterápicos: insumos ativos são externos ao paciente, de alguma forma o sensibilizam/intoxicam, como alérgenos, poeira, pólen, solventes, medicamentos, toxinas PREPARAÇÃO DE ISOTERÁPICOS • Os bioterápicos de estoques são matrizes homeopáticas normalmente adquiridas de laboratórios homeopáticos na potência de 5CH ou acima • O isoterápicos são preparações realizadas na própria farmácia homeopática; COLETA PARA O PREPARO DE ISOTERÁPICOS • Poderá ser realizada em consutório, laboratório de análises clínicas, ou farmácia quando possuir sala específica • Normas técnicas de segurança e proteção devem ser observadas e seguidas; • Conter informações sobre a natureza do material, potência, escala, método e forma farmacêutica; • Descarte segundo o Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde; • Deve ser encaminhado em até 4 horas para a farmácia ou mantido sob refrigeração; TÉCNICA DE PREPARO DOS ISOTERÁPICOS • Deve possuir sala específica para a coleta e manipulação, seguindo a Farmacopeia; • Poderá manipular na sala de manipulação destinada aos homeopáticos; • POPs de biossegurança, a fim de garantir a segurança microbiológica do manipulador, da sala de coleta e do medicamento • Adotar a técnica mais adequada até a potência desejada; • Não devem contaminar o ambiente e outros seres vivos; • Serviço terceirizado que cuida do processo de coleta; • Deve haver um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Saúde (PGRSS), conforme a RDC n. 306/2004 de 20104; • Material plástico descartável como bulbo, tampa, batoque usados para >12CH ou 24DH vão para o lixo comum; • Material reutilizável: – Quando acima de 12CH ou 24DH, como devem ser lavados com água corrente e purificada – Depois esterilizados por calor seco a 180°C/30 min, 140°C/60min ou calor úmido 120°C/30 min• Mantidos da mesma maneira que os homeopáticos; • Heteroisoterápicos integram o estoque e podem ser utilizado por vários pacientes • Autoisoterápicos são mantidos para caso haja necessidade de repetir a prescrição, ou se o prescritor aumentar a potência; • Autoisoterápicos só podem ser estocados em etanol 77% ou superior e dispensados a partir de 12CH ou 24DH; • Farmácia deve manter os dados do paciente, prescritor, nome do isoterápico, forma de manipulação • Matriz deve ficar estocada de 6 meses a 1 ano; ROTULAGEM • Requisitos mínimos da Farmacopeia e RDC 67/2007; FARMÁCIA RIAN FELIPE Av. Ininga, 1165 – 64043-290 – Teresina, Pi – Tel: 86xxxxxxxx Farmacêutico responsável: Dr. Rian Felipe de M. Araújo – CRF-Pi 1284 CNPJ 38.009 – Licença n° XXX Paciente: Diógenes M Diniz Prescritor: Dr Amarildo Figueiredo Medorrhiunum 30CH glóbulos. Conteúdo: 15 g Tomar conforme prescrição médica Farmacopeia Homeopática, 3ª edição Uso Interno Lote G0899 Data de manipulação: 09.01.2016 Validade: 2 anos BIOTERÁPICO DE ESTOQUE FARMÁCIA RIAN FELIPE Av. Ininga, 1165 – 64043-290 – Teresina, Pi – Tel: 86xxxxxxxx Farmacêutico responsável: Dr. Rian Felipe de M. Araújo – CRF-Pi 1284 CNPJ 38.009 – Licença n° XXX Paciente: Diógenes M Diniz Prescritor: Dr Amarildo Figueiredo Autoisoterápico de sangue 30CH líquida. Conteúdo: 15 mL Tomar conforme prescrição médica Farmacopeia Homeopática, 3ª edição Uso Interno Lote G0899 Data de manipulação: 09.01.2016 Validade: 1 anos AUTOISOTERÁPICO FARMÁCIA RIAN FELIPE Av. Ininga, 1165 – 64043-290 – Teresina, Pi – Tel: 86xxxxxxxx Farmacêutico responsável: Dr. Rian Felipe de M. Araújo – CRF-Pi 1284 CNPJ 38.009 – Licença n° XXX Paciente: Diógenes M Diniz Prescritor: Dr Amarildo Figueiredo Pó de casa 12CH líquida. Conteúdo: 15 mL Tomar conforme prescrição médica Farmacopeia Homeopática, 3ª edição Uso Interno Lote G0899 Data de manipulação: 09.01.2016 Validade: 2 anos HETEROISOTERÁPICO • RDC 67/2007 e 214/2004 • Para manipular autoisoterápico deverá ter área específica para coleta e manipulação até 12CH ou 24DH • O local de coleta não pode servir para outro fim, nem como área de circulação; • Como o ponto de partida dos isoterápicos pode ser um material contaminado com relativa patogenicidade, necessita incluir técnicas de biossegurança e assepsia; • Normas e condutas de segurança biológica, ocupacional e ambiental; • Instruções de uso de EPIs • Procedimentos em caso de acidentes; • Manuseio do material; • Sistema de Garantia da Qualidade: obter medicamento de qualidade padronizado; • POPs: – Orientação em relação à coleta; – Coleta de material; – Técnica de preparação; – Descarte de material; – Armazenamento das matrizes; – Rotulagem e dispensação – Limpeza do local de coleta – Monitoramento do ambiente BIOTERÁPICOS Prof. Rian Felipe de M. Araújo ASSOCIAÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DO PIAUÍ CURSO DE FARMÁCIA HOMEOPATIA