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RESUMO UN 1 COMPREENDENDO EMPREENDEDORISMO A definição do termo empreendedorismo tem causado uma divergência entre especialistas, visto que a dificuldade de encontrar um significado ocorre pelo: campo de estudo, heterogeneidade da área e novas tendências nos negócios que mudam o mercado mais rapidamente. O campo de estudo do Empreendedorismo é bastante amplo e de grande relevância para a economia, sendo alguns exemplos de campos de estudos: Jovens: de acordo com o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), o maior número de empreendedores está na faixa de 25 a 44 anos. Mulheres: aumento da participação tanto em cargos administrativos E gerenciais, sendo que em algumas regiões brasileiras temos mais mulheres envolvidas na abertura de novos negócios. Mortalidade de empresas: esses estudos são importantes para verificar a situação dos negócios criados pelos empreendedores. Sebrae (2014) mostrou que o índice de negócios brasileiros que sobrevivem até os dois primeiros anos de vida é, em média, de 76%, ou seja, a cada 100 novos negócios, 76 sobrevivem até o segundo ano de vida. Empreendedorismo social: nem todos os negócios são empresariais e visam ao lucro. Existem aqueles que possuem missão social. Outro tema em destaque no empreendedorismo é a área de startups com produtos e serviços ligados à inovação e mecanismos de apoio e incentivo ao empreendedorismo Conforme Dornelas (2005, p. 29), “a palavra empreendedor (entrepreneur) tem origem francesa e quer dizer aquele que assume riscos e começa algo novo”. Isto é, o termo está ligado diretamente a alguém que realiza coisas diferentes, intermediando o produto/serviço com os clientes, por isso corre riscos nesse processo. IDADE MÉDIA MARCO POLO – ESTABELECIMENTO DE ROTA COMERCIAL NO ORIENTE ATUANDO COMO INTERMEDIÁRIO AO ASSINAR CONTRATOS PARA COMERCIALIZAR MERCADORIAS. Idade Média Pessoa que gerenciava projetos de produção. Século XVII Pessoa que assumia riscos de lucro (ou prejuízo) em um contrato de valor fixo com o governo. 1725 Richard Cantillon – Separação de empreendedor (assume riscos) do capitalista (financia os experimentos para a industrialização). 1803 Jean Baptiste Say – lucros do empreendedor separados do lucro do capital. 1876 Francis Walker – distinguiu entre os que forneciam fundos e aqueles que obtinham lucros com atividades administrativas. 1934 Joseph Schumpeter – o empreendedor é inovador e desenvolve tecnologia que ainda não foi testada. 1961 David McClelland – o empreendedor é alguém dinâmico que corre riscos moderados. 1964 Peter Drucker – o empreendedor maximiza oportunidades 1975 Albert Shapero – o empreendedor toma iniciativa, organiza alguns mecanismos sociais e econômicos e aceita riscos de fracassos. 1980 Karl Vesper – o empreendedor é visto de modo diferente por economistas, psicólogos, negociantes e políticos. 1983 Giford Pinchot – o intraempreendedor é um empreendedor que atua dentro de uma organização já estabelecida. 1985 Robert Hisrich – o empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando o tempo e o esforço necessários, assumindo riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação econômica e pessoal. Um conceito clássico que foi bastante utilizado durante muitos anos é o de Schumpeter (1949 apud DORNELAS, 2005, p. 39), ao definir o empreendedor como “aquele que destrói a ordem econômica existente pela introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de organização ou pela exploração de novos recursos e materiais”, porém, esse conceito tem sido deixado de lado Conforme Filion (2012), a tendência do empreendedorismo surgiu nos anos 70, porém vem afirmando- se nas últimas duas décadas. E esse fenômeno emergiu, em função do aumento do número de pequenas empresas e de trabalhadores autônomos, o estopim da década de 90 foi o crescimento do trabalho autônomo, que dos anos 1989 a 1998 aumentou em 74%. Outro fator muito importante é a evolução da participação das mulheres, que dos anos 1976 a 1996 aumentou de 19,6% para 31,2% nessa categoria de trabalho. No Brasil, o movimento do empreendedorismo começou a tomar forma em 1990, quando foram criadas entidades, como o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas) e a SOFTEX (Sociedade Brasileira para Exportação de Softwares). Antes desse período, não havia condições políticas e econômicas propícias ao empreendedor O SEBRAE foi criado para dar suporte ao pequeno empreendedor que pretende abrir o seu negócio, bem como para oferecer consultorias para resolver pequenos problemas pontuais dos negócios já iniciados. A SOFTEX foi criada com o intuito de levar as empresas de softwares do país ao mercado externo, oferecendo capacitação em gestão e tecnologia a esses empresários. As incubadoras de empresas e as universidades/cursos de Ciências da Computação e Informática também foram responsáveis pelo grande avanço do empreendedorismo no Brasil nesse período. Foi, então, que a sociedade brasileira começou a despertar-se para a realização de planos de negócios (até então não valorizados pelos pequenos empresários), a formação para o empreendedorismo e para programas públicos de incentivo. Ações históricas desenvolvidas no Brasil 1990: criação de programas SOFTEX e GENESIS (Geração de Novas Empresas de Software, Informação e Serviços) que apoiavam atividades empreendedoras em softwares. O ensino da disciplina em universidades e a geração de novas empresas de softwares (startups). 1999 a 2002: o Programa Brasil Empreendedor do Governo Federal, dirigido a mais de 6 milhões de empreendedores e destinando recursos financeiros e operações de créditos para estímulo ao empreendedorismo Programas do SEBRAE, como o EMPRETEC (curso de imersão) e o Jovem Empreendedor, voltados à capacitação do empreendedor. Criação de vários cursos e programas universitários para o ensino do empreendedorismo 1999 a 2000: houve o movimento de criação das empresas pontocom do país que, apesar de ter sido pontual, trouxe grande contribuição para disseminação do empreendedorismo local. Crescimento das incubadoras de empresas no país: em 2004, a ANPROTEC (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologia Avançadas) já apontava a existência de 280 incubadoras, com mais de 1700 empresas incubadas, gerando mais 28 mil postos de trabalho Até a metade dos anos 2000, verificava-se, no Brasil, o empreendedorismo por necessidade, ou seja, os empreendedores não possuíam outra opção de trabalho e renda e acabavam criando os negócios de maneira informal, com pouco planejamento, fracassando rápido, não gerando o desenvolvimento esperado e contribuindo para o aumento das estatísticas de mortalidade dos negócios. Uma boa notícia é que, depois disso, o empreendedorismo está ocorrendo na maioria por oportunidade. Isto é, os negócios no país estão sendo criados porque os empreendedores estão preparando-se para abrir os negócios. Conceito clássico Empreendedorismo, como uma área de negócios, busca entender como surgem as oportunidades para criar algo novo (produtos ou serviços, mercados, processos de produção ou matérias-primas, formas de organizar as tecnologias); como são descobertas ou criadas por indivíduos específicos que, a seguir, usam meios diversos para explorar ou desenvolver coisas novas. Alguns pontos interessantes que podemos analisar nesse conceito é que não menciona características do empreendedor. Depois, trata a área como negócio e isso se justificaporque o empreendedor tem que propor iniciativas que tenham viabilidade comercial, principalmente em um sistema de mercado em que o retorno financeiro é importante. Na área social, somente o lucro não é levado em consideração, mas fundações e associações também funcionam como negócios. Segundo esse conceito apresentado pelos autores, envolvem-se diferentes formas de empreender, como produtos, serviços, mercados, processos de produção ou matérias-primas e formas de organizar a tecnologia. Isso representa as possibilidades que os empreendedores podem ter quando empreendem, seja nos negócios próprios ou de terceiros. Outra parte relevante é apresentar que os indivíduos descobrem ou criam oportunidades de negócio e isso é importante porque nem todos compreendem o ambiente da mesma forma. O último ponto é que, a partir da descoberta de uma ideia que possa ser transformada em coisas concretas de sucesso, os empreendedores utilizam meios diversos, como os recursos, a rede de contatos, o conhecimento que possuem e que vão buscar para explorar novas atividades que não fizeram até o momento. Como o empreendedorismo estuda fenômenos sociais que constantemente se modicam, uma abordagem única não seria suficiente para considerar todos os elementos. Vamos partir do pressuposto de que o empreendedorismo só é possível por meio de oportunidades, como consideram Shane e Venkataraman (2000), porque é mediante uma oportunidade que o empreendedor coloca em prática uma novidade. Para sintetizar essa perspectiva uma citação de Read et al. É bastante pertinente: Ideia = alguma coisa + você Oportunidade = ideia + ação Ação = função (interação) do dinheiro, produto e parceiros Viabilidade = oportunidade + comprometimento Dessa forma, uma oportunidade depende de uma ideia e ação dos indivíduos. Para que ocorra essa ação, são necessários recursos e comprometimento dessas pessoas para tornar algo viável. Nós afirmamos que o empreendedor é aquele que possui uma ideia e a coloca em prática, seja sozinho ou com um conjunto de pessoas. Essa definição pode ser complementada conforme Lacombe e Heilborn (2008, p. 128): “pessoa que percebe oportunidades de oferecer no mercado novos produtos, serviços e processos e tem coragem para assumir riscos e habilidades”. O empreendedor é aquele que assume responsabilidade e tem iniciativa para buscar algo diferente, seja uma invenção ou aperfeiçoamento de um produto. TIPOS DE EMPREENDEDORISMO É preciso compreender que um indivíduo que se torna empreendedor pode começar de diferentes formas: abrir o negócio próprio, herdar, comprar, intraempreender. Empreendedor nato (mitológico): em sua maioria, são imigrantes ou filhos destes, são visionários, 100% comprometidos com seu sonho, otimistas, normalmente começaram do nada e cedo adquiriram habilidade de negociação e venda. Empreendedor que aprende (inesperado) – é uma pessoa que, quando menos esperava, descobriu uma oportunidade, então, ele mudou a vida e resolveu abrir o próprio negócio. Normalmente, demora a tomar a decisão de empreender e a acostumar-se com ela. Empreendedor serial (criar novos negócios) – é uma pessoa apaixonada por empreender, assim, não consegue estar à frente de seu negócio até que se torne uma grande corporação, por isso está sempre interessado em novos negócios. Sua maior habilidade é identificar oportunidades e não descansar enquanto não conseguir viabilizar sua implementação. Empreendedor corporativo – podem ser executivos que assumem riscos e possuem habilidades de comunicação e negociação. Também chamado de intraempreendedor, ocorre quando os colaboradores realizam iniciativas empreendedoras dentro dos próprios negócios, visando o aperfeiçoamento da gestão. O intraempreendedor é um indivíduo que trabalha em prol do desenvolvimento de uma organização e possui um papel de destaque pela postura proativa. Nem sempre exerce um cargo gerencial, mas sempre está disposto a contribuir com o desenvolvimento das pessoas e do negócio. Empreendedor social – tem como missão de vida a construção de um mundo melhor para as pessoas. É um empreendedor como os outros, com a diferença de não buscar construir um patrimônio próprio, mas prefere compartilhar seus recursos e contribuir para o desenvolvimento humano. Empreendedor por necessidade – cria seu próprio negócio, porque não tem outra alternativa, está fora do mercado de trabalho e não resta outra opção a não ser trabalhar por conta própria. Praticamente não tem acesso à formação, recursos e a uma maneira estruturada de empreender, por isso, normalmente, trabalha na informalidade e de maneira pouco planejada, o que favorece o não sucesso do empreendimento. Empreendedor por herdeiro (sucessão familiar) – herdam o negócio da família e, normalmente, aprendem cedo a ter responsabilidades e como o negócio funciona. Empreendedor “normal” (planejado) – esse é o empreendedor que faz a lição de casa, buscando minimizar os riscos do negócio por meio do planejamento de suas ações. Além dos tipos tratados pelo autor, existem autores, como Degen (2009), que consideram as franquias como forma de empreender, pois ocorre a abertura de negócio, com auxílio e conhecimento de um franqueador que já possui uma marca conhecida no mercado. FRANQUIA COMO FORMA DE EMPREENDEDORISMO O sistema de franquia tem sido importante alternativa ao empreendedorismo. Conforme Ferreira et al. (2010), franchising é uma palavra de origem francesa que significa: fran – concessão de um privilégio ou de uma autorização. Atualmente, franchising refere-se à filiação a uma empresa líder mediante um contrato de prestação de serviços ou, ainda, caracteriza-se como um modo de organização em que uma empresa que já tem um produto/serviço bem estabelecido no mercado (franqueador) licencia sua marca, sua tecnologia e sua forma de fazer negócios a outras empresas ou indivíduos (franqueados), em troca de um direito de entrada e do recebimento de royalties. Outra explicação que é bastante consistente é a de Stanworth: Franchising é um negócio que essencialmente consiste de uma organização (o franqueador) com um pacote de negócio testado em mercado, centrado num produto ou serviço, entrando em um relacionamento contratual com franqueados, tipicamente pequenas irmãs autofinanciadas e autogeridas, operando sob a marca registrada do franqueador para produzir e/ou comercializar bens e serviços de acordo com um formato especificado pelo franqueador. A legislação brasileira, que se pauta na lei 8.995 de 1994, no artigo segundo, define da seguinte forma: Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços e, eventualmente, também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócios ou sistema operacional, desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta; sem que, no entanto, fique caracterizado vínculo empregatício (BRASIL, 1994, on- - line). Pelo fato de o empreendedor filiar-se a uma empresa com produtos e serviços já existentes, há uma parceria que deve ser bem solidificada, porque duas partes estão diretamente envolvidas: o detentor do negócio e aquele que deseja a autorização para representar a empresa que, em troca, paga remuneração sem que, necessariamente, exista vínculo empregatício. De acordo com Ferreira et al. (2010), uma franquia, em geral, pode ser: De produtos e marcas – o franqueador concede ao franqueado o direito à obrigação de comprar os seusprodutos e utilizar a sua marca. De negócios – o franqueador proporciona ao franqueado a “fórmula” para fazer o negócio, além de formação, treinamento de colaboradores, publicidade e outras formas de assistência técnica e de marketing. OBRIGAÇÕES DO FRANQUEADOR OBRIGAÇÕES DO FRANQUEADO Testar o potencial de sucesso do negócio durante um período, de modo a mostrar que pode ser rentável imagem da marca. Administrar o negócio no dia a dia, selecionar a equipe de colaboradores, tomar decisões, desenvolver ações de comunicação e publicidade. Apresentar um negócio baseado em Realizar o investimento necessário, um know-how distintivo com uma vantagem competitiva diante da concorrência. Fazer os pagamentos acordados. Transmitir o know-how aos franqueados por meio de manuais e programas de formação. Cumprir as regras da rede sobre a forma de operação e garantir a uniformidade do serviço. Esse formato de negociação também prevê algumas vantagens e desvantagens tanto para o franqueado como para o franqueador. VANTAGENS DESVANTAGENS Rapidez de expansão, acesso a ideias e sugestões. Perda parcial do controle sobre os atos dos franqueados. Redução de custo: centralização das compras de distribuição Potencial de criação de concorrente Maior participação no mercado, dado o crescimento da rede. Insuficiência nos serviços de abastecimento de consultoria, dada uma expansão acelerada. Maior cobertura geográfica, com o atendimento a clientes e mercados antes não explorados. Seleção inadequada dos franqueados. Possibilidade de encontrar franqueados estimulados para maximizar as vendas e reduzir os custos para aumentar o lucro. Potencial menor de lucro, em comparação com o crescimento interno por meio de filiais. Gerar rendimento dos royalties e das taxas de franquia sem investir em novas instalações. Potenciais atritos com o franqueados, em particular quando violam termos do contrato. Ressaltamos a relevância de ter um negócio pronto que já esteja dando certo no mercado para, a partir desse momento, pensar na possibilidade de franquear. Existe a necessidade de dar a devida assessoria para que o franqueado não acabe com a reputação do negócio; para prestar o auxílio, o próprio franqueador precisa estar convicto do negócio, das dificuldades e do que pode ser feito para solucionar os problemas. Vantagens e desvantagens para o franqueado. VANTAGENS DESVANTAGENS Maior probabilidade de sucesso: adota um produto/serviço conhecido e testado no mercado e com uma rede e marca bem-sucedidas. Controle sobre as operações: auditorias frequentes e controle das vendas e do cumprimento de procedimentos e normas. Apoio contínuo do franqueador: experiência de gestão, treino e consultoria. Autonomia e criatividade limitadas: implementar modelo existente. Potencial de maiores lucros: beneficia-se de economias de escala e de marca reconhecida. Restrições no encerramento da atividade e na cessão/venda da propriedade. Proteção da concorrência de outros franqueados da mesma rede: direitos territoriais exclusivos. Custo do franchising pode ser mais elevado do que em um negócio independente. Permite aprender com as experiências de outros franqueados. Fraco desempenho de outros franqueados pode ter efeitos na reputação de toda a rede. Os candidatos ou aqueles que são franqueados possuem responsabilidades e precisam estar cientes. Ao assistir depoimentos de franqueadores de sucesso, eles sempre comentam que o sucesso do negócio está na mão do franqueado em mais de 70%. Isso porque precisa assegurar que todos os processos pré, durante e pós-funcionamento da franquia funcionem diretamente, envolvendo processos logísticos, de recursos humanos, marketing e financeiros. Segundo Ferreira et al. (2010), o perfil do franqueado envolve os seguintes aspectos: Aceitar que há um risco: a franquia não evita o risco, ainda que este possa ser menor do que em um negócio independente. Capacidade de iniciativa: a franquia não é uma fórmula que funciona sozinha, uma vez que as decisões do dia a dia determinam o sucesso ou fracasso do franqueado. Incentivar os colaboradores: cabe ao empreendedor estimular, liderar, criar ambiente de trabalho agradável. Trabalhar com menos autonomia: característica mais marcante que diferencia o empreendedor independente do franqueado. Principais pontos a serem avaliados por quem deseja ser um franqueado: Estrutura física É essencial saber o espaço físico necessário para as instalações, bem como todas as especificidades para o funcionamento. Recursos financeiros Importante avaliar o investimento necessário para adquirir a autorização para abrir uma unidade franqueada. Recursos humanos O número de funcionários necessário para funcionar, bem como as qualificações necessárias para exercer o cargo. Planejamento Para abrir uma unidade, precisa-se pensar bem e também após a abertura do negócio. Autoanálise pessoal Você precisa avaliar se tem o perfil para empreender, se realmente está disposto a correr riscos e, no caso da franquia, se está preparado para seguir padrões impostos pelo franqueador, inibindo sua liberdade para criar ou implementar processos e atividades. Avaliação de mercado O momento das franquias é muito bom. Entretanto, é interessante avaliar o tipo de segmento que se deseja abrir e conhecer a região para saber se existe potencial para o local. Retorno do investimento preciso saber a média de tempo e os esforços necessários para tal feito. Conhecimentos gerais e gerenciais O conhecimento gerencial é fundamental. Conhecer um pouco de Marketing, Finanças, Produção e Recursos Humanos é essencial para gerenciar a unidade franqueada. Manuais de procedimentos Toda franquia tem procedimentos que devem ser seguidos seja na operação, na parte financeira, no layout ou na forma de atender. Contatos da rede Conversar com franqueados da rede é importante para saber como realmente funciona o negócio e as exigências necessárias. Suporte e assessoria Cada rede de franquia oferece serviços diferenciados, como planejamento estratégico, treinamento de recursos humanos, assessoria em marketing, entre outros. Cabe ao candidato avaliar o que a franquia disponibiliza. Dedicação ao negócio A dedicação faz diferença numa franquia. Se for somado a isso o conhecimento gerencial e habilidades interpessoais, as chances de sucesso aumentam. Processo seletivo O candidato a franqueado precisa conhecer os procedimentos necessários para ser selecionado. Circular de Oferta de Franquia (COF) Toda franquia deve ter e disponibilizar antecipadamente ao interessado para que possa avaliar todas as informações, exigências e procedimentos para saber se está preparado e compatibilizado com as expectativas do franqueador Filiação a ABF É comum as franquias serem filiadas com a Associação Brasileira de Franchising - ABF que costuma premiar as melhores franquias com um selo de excelência. Se não for associado, procure conhecer os motivos e as justificativas. As franquias têm sido utilizadas como importante forma de ampliação do negócio, uma vez que propiciam uma grande rede de atuação, sem implicar na concentração de esforços e de recursos para o empreendedor franqueador. E, para o empreendedor franqueado, tem possibilitado maior segurança e conhecimento acerca do negócio que se propõea iniciar. O PAPEL SOCIAL E ECONÔMICO DO EMPREENDEDORISMO O empreendedorismo tem aparecido como um importante fator promotor do desenvolvimento local. É importante destacar a diferença entre os conceitos de crescimento econômico e desenvolvimento. O crescimento econômico se refere apenas a dados econômicos e quantitativos de uma determinada localidade. Assim, podem ser considerados como referências de crescimento econômico o aumento do PIB, a redução da inflação, a melhoria do poder aquisitivo da população, entre outros. Por outro lado, o conceito de desenvolvimento é mais amplo, pois envolve, além do crescimento econômico, os aspectos sociais e ambientais. Só é possível falar em desenvolvimento quando há ganhos quantitativos e qualitativos, como a qualidade de vida de uma população, a geração de trabalho e renda e os cuidados com o meio ambiente. Por isso, são muitos os benefícios gerados pelo empreendedorismo por meio da criação de novos negócios, como os apontados por Stoner e Freeman: Contribui para o crescimento econômico. Promove ganhos com a produtividade, utilizando melhor os recursos produtivos. Realiza investimentos em pesquisas e desenvolvimento, gerando novas tecnologias, produtos e serviços. As evoluções do empreendedorismo mostram grandes possibilidades de se transformarem na mola propulsora da integração do desenvolvimento regional e mundial, como possível solução para os problemas econômicos, políticos e sociais Para isso, a gestão dos negócios precisa pautar-se sob uma conduta ética que se preocupa com seu entorno, formando redes e parcerias em prol das sociedades em que atuam as organizações criadas. Preocupando-se com todos os grupos que se relacionam e têm interesse no negócio em andamento (stakeholders). Existe uma corrente que apresenta o empreendedorismo como estratégia de desenvolvimento local, pois tem as seguintes características: O objetivo de difundir as políticas de desenvolvimento local por meio do empreendedorismo O foco no maior desenvolvimento econômico e social em nível local, cujo lócus são as agências e fóruns de desenvolvimento local. Conforme discute Dornelas (2005), é preciso estimular o empreendedorismo por oportunidade, de maneira a planejar adequadamente a estrutura do negócio, reduzindo a possibilidade de riscos e aumentando a possibilidade de sucesso de cada empreendimento. Assim, é possível gerar trabalho e renda, e atuar por meio de uma conduta sustentavelmente comprometida. MITOS SOBRE O EMPREENDEDORISMO Apresentar os principais mitos e desvendá-los, e vamos utilizar a abordagem de Dornelas (2005, p. 35) que cita os três principais mitos sobre os empreendedores: Empreendedores são natos, nascem para o sucesso: embora alguns empreendedores nasçam com certo nível de inteligência, para obter sucesso é necessário estar preparado. Eles acumulam habilidades, experiências e contatos com o tempo, e a capacidade de ter visão e perseguir oportunidades pode ser desenvolvida e aprimorada. Empreendedores são jogadores que assumem riscos muito altos: os empreendedores de sucesso só assumem riscos calculados, evitam riscos desnecessários, compartilham os riscos e desmembram em partes menores. O planejamento é um importante instrumento. Os empreendedores são „lobos solitários‟ e não conseguem trabalhar em equipe: normalmente, os empreendedores são ótimos líderes, criam equipes competentes e desenvolvem um excelente relacionamento interpessoal. Os mitos criam um pensamento de que o empreendedor é um ser sozinho, egocêntrico e quer toda a glória, mas, se observarmos os grandes exemplos, possuem uma conduta diferente. Vamos, também, abordar outros mitos utilizando o pensamento de Ferreira et al: Qualquer um pode iniciar um negócio: na realidade, é preciso ter conhecimento sobre o negócio, para que ele tenha chance de sucesso, apenas boa vontade não é suficiente. Há a necessidade de protagonismo: o empreendedor de sucesso sabe valorizar sua equipe, reconhecendo o trabalho de cada um, visto que tem consciência de que não consegue nada sozinho. Trabalham muito: o empreendedor, normalmente, dedica muita energia à realização do seu negócio, mas isso não significa que ele não tenha tempo para a família, o lazer e a busca por formação. Iniciam negócios de risco: só iniciam negócios com riscos calculados, conhecem a viabilidade do negócio para fazer o investimento. O empreendimento é apenas para os ricos: os empreendedores costumam ter boas ideias e viabilizar a sua implementação, para isso, acabam por buscar várias formas de financiamento. Idade é uma barreira: não há idade para ser empreendedor. São motivados pelo dinheiro: outras motivações, como realização pessoal, independência e liberdade também fazem parte do interesse do empreendedor. Procuram o poder e o controle sobre os outros: o empreendedor de sucesso tem se mostrado um bom líder, que envolve sua equipe e não tem energias para gastar com disputa de poder e controle sobre os outros. Se tiverem talento, o sucesso chega em um ou dois anos: não há medida de tempo para o sucesso. Qualquer pessoa com uma boa ideia pode enriquecer: apenas uma boa ideia não é suficiente para o sucesso do negócio, pois também é preciso que exista uma oportunidade de mercado. Tendo dinheiro é fácil falhar: o capital não é suficiente para suportar falhas contínuas em um negócio, por isso, o planejamento, mais uma vez, aparece como ferramenta para evitar a falha. Os empreendedores sofrem de estresse: o empreendedor precisa ter cautela e energia para fazer seu negócio dar certo, por isso, também precisa reequilibrar-se com atividades de lazer e descanso. O estresse só atrapalha o negócio. Os mitos abordados neste material são comumente difundidos pela sociedade, o que tem atrapalhado o desenvolvimento e a expansão do empreendedorismo por utilizar um pensamento equivocado RESUMO UN 2 CARACTERÍSTICAS EMPREENDEDORAS Pode ser denominado como empreendedor aquele que tem a capacidade de gerar uma boa ideia, aproveitando uma oportunidade de mercado, conseguindo os recursos necessários para sua implementação. É importante, ao empreendedor, possuir uma boa rede de contatos/relacionamento (networking), de maneira a formar boas parcerias e/ou redes, a fim de viabilizar sua ideia. Por isso, um comportamento ético é algo muito importante ao empreendedor. Segundo Dolabela (1999, p. 44), “o empreendedor é alguém capaz de desenvolver uma visão, mas não só. Deve persuadir terceiros, sócios, colaboradores, investidores, convencê-los de que sua visão poderá levar todos a uma situação confortável no futuro”. Para o autor, um dos principais atributos do empreendedor é a capacidade de identificar oportunidades, agarrando-as por meio da busca de recursos para transformá-las em negócios de sucesso. De acordo com os autores, uma pesquisa realizada por Begley e Boyd identificou cinco dimensões psicológicas dos empreendedores: Necessidade de realização: os empreendedores possuem um estímulo social para se superar, algumas vezes é reforçado por fatores culturais. Localização do controle: é a ideia de estar no controle da própria vida Tolerância ao risco: os empreendedores que correm riscos moderados aparecem no topo das listas de sucesso, mais do que os que não correm risco ou correm riscos extravagantes Tolerância à ambiguidade: em função da busca por inovação, os empreendedores acabam vivendo determinadas situações pela primeira vez e, por isso, enfrentam mais ambiguidades. Comportamento do tipo A: refere-se à tendência de fazer mais coisas em menos tempo e, senecessário, enfrente as objeções alheias. Um aspecto relevante ao falar do empreendedor é sobre a motivação pessoal, isso porque a decisão de empreender está ligada a duas inspirações, conforme Ferreira et al., (2010): Mudança no estilo de vida atual – por situação de desemprego, aposentadoria, formação recente, descontentamento com relação ao empregador atual. Opção de carreira – preparam-se efetivamente para ser empreendedor. Além disso, a história e o contexto em que o empreendedor está inserido, segundo Ferreira et al. (2010), trazem diferenças ao empreender, como: Ambiente familiar na infância: alguns estudos mostram que há propensão em ser um empreendedor se o pai ou outro familiar também for. Isso porque, além da fonte de inspiração, costuma haver maior incentivo de valores, como independência, conquista e realização. A educação: a formação é importante para ajudar o empreendedor a gerenciar os problemas que enfrentará e para adquirir conhecimentos específicos de sua área de atuação. Os valores pessoais: indivíduos bem-sucedidos costumam ter valores, como liderança, criatividade, sucesso, trabalho, ética, objetivos e outros A experiência profissional prévia: o histórico profissional tem demonstrado forte impacto positivo (quando há experiência profissional prévia sobre a área de atuação do negócio) e negativo (quando da ausência de conhecimentos prévios) sobre as carreiras empreendedoras. Uma forma de tratar mais assertivo o assunto é por meio das Características do Comportamento Empreendedor - CCEs, derivado dos estudos de David McClelland (1972) que definiu 30 características divididas em 3 grandes conjuntos (realização, planejamento e poder). O conjunto de realização refere-se às atitudes que o empreendedor toma para tornar concreto aquilo que deseja, aspecto fundamental para quem está à frente dos negócios. Nesse grupo, está incluso 5 características e 15 comportamentos empreendedores: busca de oportunidades e iniciativa, persistência, correr riscos calculados, exigência da qualidade e eficiência e comprometimento. BUSCA DE OPORTUNIDADES E INICIATIVA: Antecipa as tendências para criar oportunidades de negócios como postura proativa, sendo os três comportamentos: Age com pró atividade antecipando-se às situações; Busca a possibilidade de expandir os negócios; Aproveita as oportunidades para progredir. PERSISTÊNCIA: Capacidade de enfrentar obstáculos para obter sucesso. A capacidade de manter-se firme diante dos problemas, reavaliando planos, é fundamental para atingir os objetivos preestabelecidos, sendo que há três comportamentos: Não desiste apesar dos obstáculos; Reavalia e insiste ou mesmo muda os planos para superar objetivos; Esforça-se além da média para atingir objetivos. CORRER RISCOS CALCULADOS: Disponibilidade de assumir desafios. O risco fará parte da rotina do empreendedor que deve minimizar com planejamento, análises e avaliações para encontrar uma alternativa que há mais propensão de dar certo no atual contexto. Os comportamentos referentes a essa característica são: Procura e avalia alternativas para tomar decisões; Busca reduzir as chances de erro; Aceita desafios moderados. EXIGÊNCIA DA QUALIDADE E EFICIÊNCIA: Disposição para fazer mais e melhor, buscando o aperfeiçoamento. É importante estabelecer indicadores e ações para cumprir prazos e obter qualidade, buscando conhecer e satisfazer as expectativas dos consumidores, que, consequentemente, fará a organização aperfeiçoar-se. Os comportamentos adotados são: Melhora continuamente o negócio e produtos; Satisfaz e excede as expectativas dos clientes; Cria procedimentos para cumprir prazos e padrões de qualidade. COMPROMETIMENTO: O sacrifício pessoal quer dizer que o empreendedor se compromete para cumprir os compromissos assumidos, visando manter a relação de parceria acima de objetivos e vantagens individuais. Os comportamentos empreendedores são: Traz para si as responsabilidades de sucesso e fracasso; Atua em conjunto com a equipe para atingir resultados; Coloca o relacionamento com os clientes acima das necessidades de curto prazo. O segundo conjunto do estudo refere-se ao planejamento, atividade subestimada, porém essencial para alcançar resultados futuros satisfatórios e tem 3 características: busca de informações, estabelecimento de metas e planejamento e monitoramento sistemático. BUSCA DE INFORMAÇÕES: Envolvimento direto do empreendedor é fundamental para buscar, investigar e avaliar as necessidades de melhoria dos produtos e serviços, consultando especialistas sempre que necessário. Os comportamentos que se referem a essa característica são: Envolve-se pessoalmente na avaliação do mercado; Investiga sempre como oferecer novos produtos e serviços; Busca a orientação de especialistas para decidir. ESTABELECIMENTO DE METAS: É a capacidade de criar metas claras e atingíveis. Esse é um dos comportamentos mais requeridos pelos empreendedores que buscam meios de estabelecer e cumprir de forma mais efetiva. O principal indicador de referência é ter um significado para o empreendedor; caso contrário, poderá deixar de agir para cumprir. Dessa forma: Persegue objetivos desafiantes e importantes para si mesmo; Tem clara visão de longo prazo; Cria objetivos mensuráveis, com indicadores de resultado. PLANEJAMENTO E MONITORAMENTO SISTEMÁTICOS: Agir de forma organizada com degraus para alcançar o objetivo é fundamental. As características do comportamento empreendedor são: Enfrenta grandes desafios, agindo por etapas; Adequa rapidamente os planos às mudanças e as variáveis de mercado; Acompanha os indicadores financeiros e os leva em consideração no momento de tomar a decisão. O terceiro conjunto refere-se ao poder e está relacionado com a capacidade de influenciar os outros e seguir o próprio pensamento, sendo as duas características: persuasão e redes de contatos e a independência e autoconfiança. PERSUASÃO E REDE DE CONTATOS: Utilização da estratégia para influenciar e persuadir pessoas, além de relacionar-se com pessoas chaves que possam contribuir para atingir os objetivos do negócio. As características são: Cria estratégias para conseguir apoio para os projetos; Obtém apoio de pessoas chaves para os objetivos; Desenvolve rede de contatos e constrói bons relacionamentos comerciais. INDEPENDÊNCIA E AUTOCONFIANÇA: Desenvolve a autonomia para agir e manter a confiança no sucesso. Confiar nas próprias decisões é muito importante, mesmo quando enfrentar desafios ou houver opiniões contrárias. Dessa forma: Confia nas próprias opiniões mais do que nas dos outros; É otimista e determinado, mesmo diante da oposição; Transmite confiança na própria capacidade. Esses comportamentos citados devem ser praticados continuamente para que o empreendedor tenha possibilidade de obter sucesso. A cada etapa da jornada empreendedora, precisará exercitar características específicas. EMPREENDEDOR X GESTOR X EMPRESÁRIO Nos séculos XVIII, XIX e XX, o empreendedor foi confundido com os gerentes e administradores e essa situação ocorre até os dias atuais. Algumas diferenças entre eles. CARACTERÍST ICAS GESTORES EMPREENDEDORES Motivações primárias. Promoção e outras recompensas corporativas tradicionais. Poder. Independência, oportunidade para criar algo novo e dinheiro. Decisões Usualmente concordam com as decisões tomadas pela alta gestão. Seguem os seus sonhos, tomando decisões. A quem servem Aos outros, seus superiores. A si próprios e aos seus clientes. Atitudeperante o risco. Cautelosos e evitam decisões de risco. Assumem riscos calculados, investem muito e esperam ser bem-sucedidos. Falhas, erros. Tentam evitar erros e surpresas. Adiam o reconhecimento do Aprendem com os erros e as falhas. fracasso. O empreendedor é sempre o idealista e o criativo, enquanto o gerente realiza atividades mais racionais e se reporta a superiores, visto que trabalha numa organização prestando serviços. No entanto, conforme Robbins (2005), nem todos os gerentes e administradores são empreendedores, uma vez que gerente tradicional é aquele que gerencia os recursos de produção, mas sem inovação, buscando uma estabilidade. Dessa forma, o autor ressalta a importância do gerente empreendedor, ou seja, uma pessoa confiante em sua capacidade, que aproveita oportunidades de inovação e que não só espera as surpresas, mas às capitaliza. Dornelas (2005) reforça essa ideia quando diz que o empreendedor é um administrador, mas diferente daqueles padrões tradicionais, pois é mais visionário Quando o gerente contribui para o crescimento da organização, propõe novas ideias na construção, ele poderá se tornar uma espécie de empreendedor que os especialistas chamam de intraempreendedor. Explicada a diferença de gestor e empreendedor, é o momento de explicar de empreendedor para empresário, porque nem todo empresário será empreendedor. Também é importante ressaltar que o empresário é o indivíduo que constitui um negócio e que pode, a partir daí, não buscar inovação, identificar novas oportunidades, mesmo que seja eficiente e realize atividades de planejamento e gestão. O empreendedor, ao contrário, está sempre em busca de aperfeiçoamento, seja proprietário ou colaborador, realizando ações para que o negócio venha a tornar-se próspero porque é um indivíduo questionador e não se contenta com as situações atuais do mercado. OPORTUNIDADE EMPREENDEDORA As oportunidades podem ser caracterizadas por novos produtos, serviços, matérias-primas, métodos de produção e formas de organização, e surge da interação de diferentes fatores: Uma oportunidade pode ocorrer quando há mudança social, regulamentar, econômica e tecnológica. Com isso, o aumento da renda da população pode constituir um ambiente propício para criar novos produtos, serviços, matérias- primas, métodos de produção e formas de organização, ou seja, uma única fonte de oportunidade, como uma mudança econômica, pode gerar as cinco formas de oportunidade. Para isso, é necessário que a janela da oportunidade esteja aberta para implementar Uma oportunidade caracteriza-se por um conjunto de circunstâncias favoráveis, que cria o desejo de um novo produto ou serviço. Segundo Ferreira et al. (2010), uma boa oportunidade deve conter quatro qualidades essenciais: Ser atrativa. Durável. Estar disponível no momento e local certos. Possibilidade de ser transformada em um produto ou serviço que agregue valor ao cliente. Segundo os autores, uma ideia está associada à criatividade e pode ser definida como um pensamento ou noção, que pode ter, ou não, as qualidades de uma oportunidade. As ideias nem sempre podem ser implementadas, por isso as boas ideias não são sinônimo de sucesso. O que garante sua possibilidade de implementação é uma oportunidade, também chamada de uma janela estratégica de mercado, cujo desejo do consumidor pode ser traduzido em um produto ou serviço. FONTES DE OPORTUNIDADES EMPREENDEDORAS Para Ferreira et al. (2010), criatividade é ter a capacidade de olhar para as mesmas coisas de maneira diferente, por outro ângulo. O fomento de novas ideias acontece por meio do estímulo à criatividade da sua equipe de trabalho. Muitos empreendedores já promovem ou incentivam a participação em cursos de outros idiomas, de pintura e artes, de gincanas e atividades recreativas, a fim de estimular o hemisfério cerebral direito, que é responsável pela criatividade. Com as atividades rotineiras estabilizadas, tendemos a usar apenas o hemisfério esquerdo do cérebro e acabamos por boicotar nossa criatividade. Para Ferreira et al. (2010, p. 52-54), o processo de geração de novas ideias pode ser explorado por meio das seguintes fontes: Identificação de necessidades: a razão de existir de um negócio é o atendimento das necessidades do consumidor, assim, é preciso buscar uma ainda não atendida. Observação das deficiências: procurar produtos ou serviços que precisam de melhorias. Observação das tendências: procurar as tendências locais, regionais, nacionais e mundiais de mercado para aproveitar oportunidades emergentes. Derivação da ocupação atual: ter ideias de inovações para empreender no ramo em que já atua como empregado. Procura por novas aplicações: buscar novos usos para bens já existentes. Hobbies: buscar oportunidades de atender necessidades ainda não satisfeitas em atividades de lazer, esporte e entretenimento. Imitação do sucesso do outro (benchmarking): copiar estratégias de sucessos em outras organizações, do mesmo ramo ou não, adaptando- -as à sua realidade. Canais de distribuição: os parceiros são fontes de ideias, pois conhecem bem o mercado. Adaptação a respostas de regulamentações governamentais, por meio da invenção de um novo produto, serviço ou processo. Pesquisa e Desenvolvimento: realizados pelo próprio empreendedor ou pela equipe para desenvolver e ampliar seu negócio. Outros autores que também tratam as fontes de oportunidades são Read et al. (2011). Eles apresentam uma série de fontes, como: Satisfação e insatisfação pessoal: quando uma pessoa está insatisfeita, ela buscará por algo que possa satisfazer essa necessidade. Conhecimento de mercado: as pessoas que conhecem o mercado sabem as particularidades e tendências. Ideias confiáveis: consultores e pesquisadores especializados em determinado assunto podem fornecer ideias confiáveis pelo nível de conhecimento que possuem. Brainstorming: a técnica de estimular ideias é bastante interessante para gerá-las. Novidades e notícias: jornais, revistas e sites podem ser fontes incentivadoras para os empreendedores. Começo pequeno que cresce: negócio estabelecido que vai crescendo ao longo dos anos. Exposições de invenções: eventos que contenham invenções são sempre boas oportunidades para os empreendedores pensarem em ideias de negócios. Patentes: a observação de patentes contribui para o surgimento de novas ideias pela exposição a diferentes invenções. Agências de governo: podem incentivar ideias empreendedoras, quando possibilitam e incentivam a inovação. Transferência tecnológica: uma tecnologia transferida permite, a quem recebe a tecnologia, criar novas oportunidades de negócio. Feiras: participar de feiras ou mesmo eventos é uma ótima possibilidade de conhecer e pensar em novas oportunidades. Ideias de clientes: ouvir os clientes é sempre importante, porque eles podem sugerir ideias ao aperfeiçoamento dos produtos ou mesmo criar outros. Precisamos levar em consideração aspectos considerados por Hisrich e Peters (2004), como: experiência educacional, situações familiares e vivências profissionais. Para estimular a geração de ideias, podemos utilizar alguns métodos que são apresentados por Ferreira et al. (2010): Brainstorming: uma tempestade de ideias em que um grande número de profissionais sugere soluções a um problema previamente estabelecido. Em geral, uma sessão de brainstorming é organizada em círculo de maneira a permitir que todos participem, um após o outro, com total liberdade e criatividade de pensamento, sem o julgamento unsdos outros. Ao final, espera- se que as ideias possam ser lapidadas, a fim de criar inovações consistentes e passíveis de implementação. Grupos de discussões (focus group): elaboração de grupos de discussão sobre as propriedades de um produto ou serviço, a fim de buscar possibilidades de melhorias e inovações deste. Essa técnica busca captar a percepção das pessoas sobre o produto ou serviço. Questionários: os questionários permitem a avaliação direta de um produto ou serviço, sendo utilizados para obter respostas direcionadas. Precisam ser bem elaborados, de maneira a obter as informações realmente necessárias, e a seleção da amostra da população a respondê-los precisa, realmente, representar o público-alvo. Observação direta: observando diretamente a utilização do produto ou serviço, permite levantar informações importantes sobre possibilidades de inovações e melhorias. Análise de inventário de problemas: é um processo de discussão parecido com os grupos de discussão, com a diferença de que os participantes recebem uma folha com uma lista de problemas que precisam de solução. Método check list: elabora-se um conjunto de questões que se precisa resolver para discutir em grupo um determinado assunto. Método de livre associação: escrever ideias relacionadas com o problema, sucessivamente, complementando umas às outras. Método de associações coletivas: com um bloco de notas, cada participante pensa em possíveis soluções para a utilização do bem ou serviço em seu dia a dia. Após o processo de geração de ideias, é preciso avaliá-las, identificando aquelas que possuem melhor viabilidade de implementação e, em seguida, desenvolver um plano de execução dela. PROCESSO EMPREENDEDOR Dornelas (2005) apresenta os principais pontos que são requisitos para ser um empreendedor de sucesso, tanto como um trabalhador em uma organização, como criador do próprio negócio. Os passos são apresentados como: Assumir riscos calculados: uma das primeiras qualidades do empreendedor é arriscar-se na busca de melhores caminhos, mas com moderação e equilíbrio, de maneira calculada. Identificar oportunidades: ser curioso e atento a informações, buscar conhecimento e reunir condições para realizar um bom negócio. Conhecimento, organização e independência: ter domínio sobre o negócio, manter a organização e determinar seus próprios passos aumentarão as chances de êxito. Tomar decisões: o sucesso está, muitas vezes, ligado à capacidade de tomar decisões corretamente, por meio do levantamento de informações, análise da situação, avaliação de alternativas e escolha da mais adequada. Liderança, dinamismo e otimismo: trabalhar em equipe, envolvendo e estimulando as pessoas a participarem no processo de decisão e buscando um espírito de equipe com entusiasmo e otimismo. Planejamento e plano de negócios: definir objetivos, orientar tarefas, combinar métodos e procedimentos, fazer contatos e desenvolver um plano de negócios, a fim de poder calcular seus riscos e chances de sucessos, transformando o sonho em realidade. Tino empresarial: estar atento, despertar a intuição e ter sensibilidade para entender a situação real da organização, do ambiente em que ela está inserida e das possíveis tendências em andamento. Para o autor, a decisão de empreender não pode acontecer por acaso, por isso precisa estar organizada em um processo que se inicia com um evento gerador que possibilita o início de um novo negócio. Alguns fatores que influenciam cada fase do processo: Optamos em apresentar o modelo de Baron e Shane (2010), pois destacam em detalhes o processo empreendedor e demonstram que existem três variáveis que influenciam o empreendedor a todo o momento, conforme a: Variáveis em nível individual: por exemplo, técnicas, motivações, características empreendedoras. Variáveis de nível grupas: por exemplo, ideias, informações, clientes, potenciais funcionários. Variáveis de nível social: por exemplo, políticas governamentais, tecnologias, condições econômicas. A partir desse modelo dos autores, podemos notar que existem seis etapas no processo. Cada uma delas recebe a influência de variáveis individuais, grupais e sociais. Nesses modelos, é relevante ressaltar que o empreendedorismo não é um processo linear, como ocorre em uma linha de produção. Pelo contrário, existem diversos fatores que influenciam esse processo que o torna dinâmico. Esse modelo pode ser aplicado aos diferentes tipos de empreendedores. Para quem empreendeu por necessidade, o processo é mais intuitivo e sem muito planejamento, podendo influenciar no cumprimento das etapas. Para quem empreendeu por oportunidade, as fases foram passadas com mais precaução e análise das informações do ambiente para minimizar riscos. RESUMO UN 3 MODELO DE NEGÓCIO Como o mercado está em mutação, é importante definir um modelo de negócio que tenha um formato adaptável e flexível. Para ser diferente, precisa pensar diferente e isso dá-se por meio da criação de novidades Afinal, o que é um modelo de negócio? Conforme Osterwalder e Pigneur (2011, p. 14) “um modelo de negócios descreve a lógica de criação, entrega e captura de valor por parte de uma organização”. Os autores ainda complementam “é um esquema para a estratégia ser implementada através das estruturas organizacionais dos processos e sistemas” De acordo com Mota (2012), é importante esclarecer o que não é modelo de negócio. Não é uma estratégia, mas é possível elaborar uma a partir da definição de um modelo que representa a estrutura e as características, ou seja, o que permitirá que as ações elaboradas pela estratégia aconteçam. Criar valor é a nova perspectiva de foco, e para que isso aconteça, é fundamental saber para quem será criado e implica em conhecer esse conjunto de pessoas, sejam elas físicas ou jurídicas. A inovação em modelos de negócio acontece quando o modo de ganhar dinheiro cresce, tornando-se lucrativa. Esse modo de crescimento tem feito acontecer a discussão sobre as startups. Segundo Gitahy (2016) “é um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza”. A startup tem que proporcionar uma criação de valor diferenciada; consiste em um erro considerar que toda nova empresa é startup, visto que o negócio tem que ser repetível, poder ser reproduzido de forma quase ilimitada e escalável, ou seja, crescer sem ter que modificar o modelo de negócio. Isto é, a receita cresce em larga escala, e os custos à baixa escala, isso tudo acontecendo em um ambiente de incerteza. VANTAGENS DE TER UM MODELO DE NEGÓCIO DEFINIDO Para as empresas que estão começando, o modelo definido será importante para tornar o negócio viável, e para as empresas existentes será relevante para inovar e que a melhoria do modelo pode trazer mais inovação que uma boa ideia. O conhecimento das características da organização permitirá traçar estratégias mais efetivas em todas as áreas organizacionais, porque sabendo a capacidade e as atividades de cada um, que é definido no modelo de negócio, estará mais propício a maximizar ações nas áreas. Um modelo definido será importante para ter e possibilitar ideias transformadas em oportunidades de negócios, criar parcerias que podem maximizar os resultados da organização Quando uma organização tem suas características e estilo definidos, está mais preparada para enfrentar as dificuldades e imprevistos do mercado, visto que conhece os seus limites, qualidades e defeitos, permitindo uma vantagem em relação à maioria dos negócios que se adaptam conformeo mercado, sem planejamento e sem saber se realmente devem mudar. A adaptação ocorre, mas é mais pela necessidade e isso provoca, na instituição, retrabalho e desorganização. Osterwalder e Pigneur (2010 apud MOTA, 2012), existem 6 práticas para elaborar um modelo de negócio: Ótica do cliente: é importante estruturar um negócio, tendo em vista a perspectiva de valor do cliente e não somente aos interesses próprios, e isso se faz ao saber o que ele vê, ouve, pensa e sente, diz e faz, sente e ganha. Geração de novas ideias: é importante ter uma equipe comprometida que realize práticas de brainstorming de forma a pensar: E se? Pensamento visual: o uso de ferramentas, como desenhos, esquemas, diagramas e adesivos auto coláveis ajuda a transformar ideias que se têm em informações concretas, o que ajuda a explicitar. Prototipagem: um modelo não é perfeito e imutável. A possibilidade de pensar como um protótipo permite explorar como um novo público-alvo, mudar os parceiros-chave, dentre outras possibilidades. Apresentação do modelo como uma história: permite cativar pessoas a trabalharem e investirem por criar um contexto que apresenta e justiça o modelo de negócio. Cenários: permite pensar nos clientes e nas possibilidades de negócios, o que ajudam no aperfeiçoamento do modelo de negócio. Por que pensar em ter um modelo definido? Vamos demonstrar algumas vantagens: Inovação: permite focar as energias para concentrar os esforços no desenvolvimento de produtos e serviços. Criação de protótipos: o pensamento atual dos negócios é que não há um produto perfeito, não é necessário esperar até que esteja pronto, mas podem ser criadas versões Tomada de decisão mais rápida: ter uma estrutura organizada permite que as decisões sejam feitas de forma mais rápida, porque são rompidos paradigmas que atrapalham a gestão Conhecimento do público-alvo: para definir um modelo de negócio, é preciso escolher um público e, a partir dele, é possível criar proposta de valor a ser atendida. Conhecimento dos objetivos da organização: permite orientar o trabalho dos colaboradores que vão direcionar as energias no trabalho. Adaptação mais rápida ao mercado: por tornar a estrutura mais enxuta, ela pode adaptar-se às inovações do mercado. Flexibilidade na gestão: uma estrutura otimizada permite gestão descentralizada. Flexibilidade na gestão: uma estrutura otimizada permite gestão descentralizada. COMPREENDENDO O BUSINESS MODEL CANVAS O modelo de negócios Canvas foi criado a partir de uma tese, visando uma ferramenta que pudesse ser mais dinâmica ao momento do mercado, que pede mais agilidade na tomada de decisão; e que poderia ajudar a fazer testes e validar ideias; e que a construção ocorresse conforme os próprios objetivos; e que pudesse ser utilizada por inúmeros tipos de negócios. Nos dias atuais, a gestão deve estar pautada numa visão em que considera os stakeholders como parceiros e, para isso, precisa ter uma visão mais aberta e integrada, sendo a colaboração um aspecto essencial. O Business Model Canvas atende ao que foi escrito anteriormente, utilizando uma metodologia visual, definindo claramente pontos que devem ser considerados, seja para uma nova instituição ou para uma organização já estabelecida no mercado. A ferramenta, que é dividida em quadros, ajuda o empreendedor a inovar, podendo ser aplicada a qualquer momento. O Business Model Canvas pressupõe que existem 9 componentes para a definição do modelo de negócio: segmentos de clientes, proposta de valor, canais, relacionamento com clientes, fontes de receita, recursos principais, atividades- -chave, parcerias principais e estrutura de custo. Essas partes tratam de dois componentes essenciais de uma organização: a parte mais estratégica e de posicionamento no mercado e a operação de funcionamento, ligado dentro do negócio, para que possa cumprir a proposta de valor a que se propõe. ELABORANDO O MODELO CANVAS SEGMENTOS DE CLIENTES Os segmentos de clientes representam o público escolhido para ofertar a proposta de valor, e quanto mais bem definido, melhor será cumprida a proposta da organização. Podem ser definidos diferentes segmentos, visto que pode haver mais de uma proposta de valor. As perguntas que auxiliam na definição do segmento são: “Para quem estamos criando valor? Quem são nossos consumidores mais importantes? ” Alguns exemplos de segmentação são: Mercado de massa: comum no setor de eletrônicos de consumo. Nicho de mercado: que atende um público específico e especializado, como os fabricantes de peças de carro que dependem dos fabricantes de automóveis. Segmentado: quando há necessidades e problemas um pouco diferentes, como ocorre com os bancos que atendem grupos maiores e um público mais específico. Diversificado: quando se aposta em segmentos muito diferentes, como uma empresa que vende produtos online resolve ofertar armazenamento em nuvem. Plataforma multilateral: quando há dois segmentos interdependentes; por exemplo, um jornal precisa de leitores para tornar-se viável, bem como precisa atrair anunciantes que possam arcar com os custos de produção e distribuição. PROPOSTA DE VALOR Representa o que a organização pretende trazer de novidade ou aperfeiçoamento em um produto, um serviço, na forma de organizar o negócio para determinado público, sendo o motivo pelo qual o consumidor irá escolher a organização, por isso, precisa ser claro e sucinto, podendo focar para aspectos mais qualitativos ou quantitativos. As perguntas que podem ser feitas para ajudar na definição da proposta de valor são, de acordo com Osterwalder e Pigneur (2011, p. 23): “que valor entregamos ao cliente? Qual problema estamos ajudando a resolver? Que necessidades estamos satisfazendo? Elementos que representam a proposta de valor: Novidade: conjunto de necessidades pouco percebidas pela carência de algo similar. Desempenho: ao oferecer melhoria em produtos e serviços. Personalização: atendendo às necessidades específicas, utilizando termos, como a customização em massa e cocriação. Fazendo o que deve ser feito: ajudando o cliente na execução do serviço. Design: principalmente ao ofertar algo superior para o mercado. Marca/status: podem demonstrar um diferencial pelo uso ou demonstrar que fazem parte do grupo ao utilizar o produto/serviço. Preço: quando se oferta um produto por criar um modelo com baixo custo ou mesmo serviços gratuitos que têm sido uma tendência para alguns mercados. Redução de custo: ao contribuir para que o público reduza os custos de compra ou fabricação. Redução de risco: principalmente ao ofertar garantia de que o produto funcione. Acessibilidade: ao tornar disponível para o consumidor, seja pela novidade ou pela popularização. Conveniência/usabilidade: quando o produto é mais fácil de ser utilizado, torna-se menos necessário o auxílio ao consumidor e tende a ter mais aceitação pelo público. CANAIS Os canais representam a maneira de entregar a proposta de valor para o segmento determinado. Podemos pensar nos canais de comunicação, distribuição e venda, compondo o ponto de contato com os consumidores. As perguntas para definir os canais são, através de quais canais nossos segmentos de clientes querem ser contatados? Como os alcançamos agora? Como nossos canais se integram? Qual funciona melhor? Os canais podem ser parceiros, particulares ou uma mistura de ambos, depende da sua avaliação quanto à proposta do negócio. Pense do ponto de vista do consumidor para entregar a proposta de valor. Analise, por exemplo, se é interessante o relacionamento por drone, e-book,assinatura, consignação, empréstimo, uma entrega por frota própria ou terceirizada. RELACIONAMENTO COM CLIENTES A relação com o cliente é fundamental para que a proposta de valor seja entregue. Por isso, pense com carinho em como quer manter contato e o que pode ser feito para melhorar. Os questionamentos relevantes, nesse momento, são: “que tipo de relacionamento cada um dos nossos segmentos de clientes espera que estabeleçamos com eles? Quais já estabelecemos? Qual o custo de cada um? Podem ser a utilização de assistência pessoal, assistência pessoal dedicada, self-service, serviços automatizados, comunidades com um propósito e cocriação com outros interessados. Devem ser buscadas formas de fazer o público voltar a manter relacionamento com a instituição, sendo a utilização das redes sociais, programa de fidelidade e descontos progressivos, exemplos de formas de criar relacionamento com os clientes. FONTES DE RECEITA A obtenção de dinheiro é uma das ações mais esperadas pelos empreendedores, por isso, é importante pensar em como ter receita. Com isso, é relevante pensar, conforme Osterwalder e Pigneur (2011, p. 31): “quais valores nossos clientes estão realmente dispostos a pagar? Pelo que eles pagam atualmente? Como pagam? Como prefeririam pagar? As formas de ganhar dinheiro ocorrem não somente por meio da venda de produtos, que é o mais comum, mas podem ser utilizadas taxa de uso, taxa de assinatura, empréstimos/aluguéis/leasing, licenciamento, taxa de corretagem, anúncios, representa a forma como a organização ganhará dinheiro. RECURSOS PRINCIPAIS Toda organização, para manter-se funcionando, atendendo as expectativas do consumidor, precisa de recursos que podem ser físicos, intelectuais, humanos e financeiros, que podem ser comprados, alugados ou cedidos, questões para reflexão: “que recursos principais nossa Proposta de Valor requer? Nossos canais de Distribuição? Relacionamento com os clientes? Os recursos representam o que precisa existir para que a proposta de valor seja operacionalizada, sendo algumas exemplos máquinas, equipamentos, mão de obra especializada, softwares e patentes. ATIVIDADES-CHAVE Ter recursos é importante para uma organização, entretanto, só isso não é suficiente. Torna-se fundamental saber as atividades que uma organização precisa executar para entregar a proposta de valor. Que atividades-chave nossa proposta de valor requer? Nossos canais de distribuição? Relacionamento com Clientes? Fontes de Receita? ” Uma organização pode realizar atividade de produção, resolução de problemas, criação de plataforma/rede, atividade de venda, atendimento remoto e assistência técnica, sendo estes exemplos de atividades-chave. PARCERIAS PRINCIPAIS A partir do momento em que o empreendedor decide constituir um negócio, deve ter em mente que precisará relacionar-se com consumidores, concorrentes, fornecedores, Governo, colaboradores e outras organizações. Dessa forma, sempre será necessário manter contato com algum tipo de público. Questões para reflexão para verificar as parcerias principais: “quem são nossos principais parceiros? Quem são nossos fornecedores principais? Os autores apresentam a possibilidade de 4 tipos de parcerias: Alianças estratégicas entre não competidores; Competição: parcerias estratégicas entre concorrentes; Joint ventures para desenvolver novos negócios; Relação comprador-fornecedor para garantir suprimentos confiáveis que podem fazer parcerias para otimização e economia de escala, redução de riscos e incertezas e aquisição de recursos e atividades particulares. As parcerias representam organizações que direta e indiretamente podem realizar ações com o negócio, não se restringindo apenas aos fornecedores. A Associação Comercial, o Sebrae, uma instituição de ensino, Associação de Moradores, ONG´s, outras empresas e o Poder Público representam exemplos de parceiros. ESTRUTURA DE CUSTO Toda organização tem custos, o diferencial em um modelo de negócio claro, com potencial de se tornar escalável, possui custos reduzidos. Consideram relevante pensar nos seguintes pontos: “quais são os custos mais importantes em nosso Modelo de Negócios? Que recursos principais são mais caros? Quais atividades-chave são mais caras? ” Uma organização pode focar a estratégia pelo custo ou por apresentação de um valor. Vale dizer que se o foco é no custo, quando sua organização não tiver mais esse ponto, o consumidor tende a procurar o concorrente. Da mesma forma ocorre quando é proposto ter um valor diferenciado. Se a empresa deixar de apresentar ou os concorrentes proporcionar algo melhor e nada for feito, o valor deixa de ter impacto. DIFERENCIANDO CANVAS DE PLANO DE NEGÓCIO O Canvas teve origem no Plano de Negócio, por isso, não o substitui, mas o complementa, visto que o primeiro tem o objetivo de definir as características do modelo de negócio, e a segunda ferramenta é fundamental para saber o como “chegar lá”, por meio de estratégias estruturadas. O Canvas é estruturado em forma de quadro que o permite ter uma visão geral do projeto, podendo ser cocriado com inúmeras pessoas, sendo reformulado quando necessário, servindo até como ferramenta para antecipar tendências. O Plano de Negócio é uma ferramenta que vai detalhar as informações das áreas de Marketing, Recursos Humanos, Finanças e Operacionais elaborado em forma de documento escrito, projetando tendências para o negócio, sendo atualizado conforme mudanças no ambiente da empresa. RESUMO UN 4 COMPREENDENDO PLANO DE NEGÓCIO Dolabela (2006, p. 77): “é uma forma de pensar sobre o futuro do negócio: para onde ir, como ir mais rapidamente, o que fazer durante o caminho de forma a diminuir incertezas e riscos”. Isto é, o PN nos ajuda a pensar de forma estruturada a alcançar o que desejamos. Outra maneira de considerar um PN é apresentada por Degen: O plano do negócio é a descrição, em um documento, da oportunidade de negócio que o candidato a empreendedor pretende desenvolver, como a descrição do conceito do negócio, dos atributos de valor da oferta, dos riscos, da forma como administrar esses riscos, do potencial de lucro e crescimento do negócio, da estratégia competitiva, bem como o plano de marketing e vendas, o plano de operação e o plano financeiro do novo negócio, com a projeção do luxo de caixa e o cálculo da remuneração esperada, além da avaliação dos riscos e o plano para superá-los. Todo empreendimento deve elaborar um Plano de Negócio, independentemente do porte ou do ramo de atividade. É importante ressaltar que tem diversas utilidades, não só para quem pensa em empreender, mas para aquele que possui algo e pretende expandir. Elencamos seis utilidades do PN para uma organização: Abertura de novo negócio – ajuda a traçar os primeiros passos do empreendedor, principalmente nos dois primeiros anos que são bem críticos. Reestruturar empresa existente – em momentos de dificuldades, a utilização do Plano é importante para superar as dificuldades Projeto para criar novo produto, serviço e método de produção. Pedir financiamento ou empréstimo – importante em momentos de dificuldades financeiras, ou quando recursos são necessários para a compra de matérias-primas, máquinas ou até um novo espaço. Avaliar oportunidades de negócio – possibilidade de investir em novos mercados. Planejar ações futuras – por meio do estudo de mercado, pensa-se em explorar um novo mercado, abrir novas filiais. Essas utilidades do Plano de Negócios nos fazem perceber que é necessário refletir e planejar os passos para minimizar os riscos do insucesso. Essaferramenta contribui para o empreendedor saber os melhores caminhos a seguir, minimizando os riscos para alcançar o tesouro. Os diversos interessados no Plano de Negócios, de acordo com Pavani et al. (1997 apud DORNELAS, 2005): Mantenedores de incubadoras (tais como o SEBRAE, universidades, prefeituras municipais, órgãos do governo, entre outros), com a finalidade de concessão de recursos a essas incubadoras. Parceiros: para definição de estratégias e estabelecimento de mecanismos de interação entre as partes. Bancos: para concessão de financiamentos para aquisição de equipamentos, máquinas, capital de giro e projetos de expansão, entre outros. Investidores: empresas de capital de giro, pessoas físicas e jurídicas interessadas em investir no negócio, bancos de desenvolvimento (como BNDES, por exemplo), entre outros. Fornecedores: para concessão de crédito na venda de mercadorias, matéria- prima e insumos. A própria empresa: como instrumento de comunicação dos gerentes com o conselho de administração e com os próprios funcionários. Os clientes: para comercialização dos produtos e/ou serviços da empresa e publicidade da empresa. Sócios: como instrumento de convencimento e participação na sociedade. ERROS CAPITAIS NA ELABORAÇÃO DO PLANO DE NEGÓCIO Nunca é demais frisar que o Plano de Negócio será examinado por diversos públicos interessados, ele serve como apresentação formal de sua empresa, do seu negócio. Que impressão você quer causar em quem for utilizá-lo? Outra recomendação se refere ao próprio dinamismo do Plano de Negócios, mundo dos negócios e a economia são muito dinâmicos. Por isso, não faz sentido você fazer de seu Plano uma peça de museu a ser preservada. Pelo contrário, deve acompanhar essas mudanças de cenário, refletindo a realidade do mercado de modo que também sirvam como uma bússola a guiá-lo em suas decisões, é muito importante adaptar o Plano de Negócios de acordo com sua organização e conforme o objetivo. A preocupação não deve estar na quantidade de páginas, mas em enfatizar as informações e destacar as qualidades do seu projeto. É importante, durante a elaboração, procurar fontes confiáveis de informações e averiguar se a informação é verdadeira. Por isso, buscar informações em fontes relevantes é fundamental, como órgãos oficiais do governo, associações de classe ou centros de pesquisas. Informações somente de jornais ou blogs podem não ser tão confiáveis e é preciso ter cautela antes de utilizar. Baron e Shane (2010) destacam a existência de sete pecados capitais cometidos na elaboração e apresentação do PN. O Plano é muito pretensioso – durante a elaboração, as análises e as projeções estão acima das expectativas de mercado. As projeções financeiras são imoderadas e irracionalmente otimistas – os cálculos financeiros são elaborados de forma equivocada. Não é levado em consideração se o produto/serviço terá aceitação de mercado, a reação dos concorrentes, a possibilidade de períodos de sazonalidade do negócio ou mesmo problemas na empresa. Não está claro como está o produto em termos de produção – durante a escrita do Plano, não se explicitou como o produto/serviço vai ser feito e o que é necessário para que seja concluído. O Plano foi preparado de forma deficiente e não tem aparência profissional – a falta de preparação e cuidado do indivíduo pode levar a esse pecado. Não fazer revisão ortográfica e a escrita na norma culta, documento entregue amassado, molhado e falha de impressão demonstra descompromisso. Não há definição clara das qualificações da equipe administrativa – a intenção é dar credibilidade demonstrando as capacidades e habilidades de cada um. Entretanto, é necessário escrever com clareza, inserindo a função a formação que possui para desempenhar a função. Não está claro por que alguém iria querer comprar o produto ou serviço – é necessário deixar claro o (s) motivo (s) das pessoas optarem pela sua empresa. O seu produto deve atender a determinadas necessidades das pessoas, é necessário deixar claro e não implícito. O resumo executivo é muito longo e não vai direto ao ponto – apesar de ser uma das primeiras partes do Plano, deve ser o último a ser elaborado, pois deve ressaltar de forma sucinta os principais aspectos do Plano, levando em consideração o motivo pelo qual foi elaborado. O que precisa ficar claro é que um Plano de Negócios é um documento fundamental e precisa ser elaborado com muito empenho, pois você pode colocar qualquer informação no seu Plano, sem isso corresponder à realidade do mercado. Outros erros que são cometidos no documento, conforme o Sebrae SP (2015, on-line), são: desconhecer o ramo de atuação; não pesquisar o mercado consumidor; desconhecer o mercado fornecedor; desconhecer o mercado concorrente; indefinição de produtos e serviços; não analisar a localização da empresa; desconhecer o processo operacional; desconhecer o volume de produção, de vendas ou de serviços; não dar atenção à necessidade de pessoal; e não fazer a análise de viabilidade da empresa. Para terminar esse tópico, destacamos o pensamento de Sarfati (2017), que trata como obstáculos o excesso de otimismo do empreendedor, ignorar que existe competição no mercado e a falta de integridade do empreendedor, ou seja, como é o histórico de atuação no mercado. INICIANDO O PLANO DE NEGÓCIO Um Plano de Negócio não possui uma estrutura rígida e, ao pesquisar por modelos, iremos encontrar diferentes estruturas. Segue uma sugestão com base no Sebrae. Não é um modelo engessado, porque cada tipo de negócio tem particularidades, podendo ser manufatureiras, serviços, virtuais e microempresas em geral. A partir desses modelos, vamos explicar, de forma geral, cada uma das principais etapas do Plano de Negócios. SUMÁRIO OU RESUMO EXECUTIVO É a principal parte do Plano de Negócios, isso porque contêm as principais partes do Plano. Se a elaboração não estiver boa, o leitor pode nem querer ler o conteúdo, por isso é necessária atenção total, A recomendação é que tenha até três páginas, visto que deve ressaltar os principais pontos da organização. Rosa (2007) considera que deve ser inserido um resumo dos principais pontos, destacando os diferenciais competitivos do negócio, dados que descrevam a área de atuação do negócio, enquadramento tributário, missão e visão da empresa, forma jurídica e dados dos empreendedores. Orientações para elaboração do Sumário Executivo: O que? Qual é o propósito do plano? O que está apresentando? O que é a empresa? Qual é o produto/serviço? Onde? Onde a empresa está localizada? Onde estão os clientes? Por que? Por que você precisa do dinheiro? Como? Como investirá o dinheiro? Como está a saúde financeira? Como está crescendo a empresa? Quanto? De quanto dinheiro precisa? Como será o retorno do investimento? Quando? Quando o negócio foi criado? Quando precisará do capital? Quando será o pagamento? ANÁLISE DE MERCADO Nessa fase, é necessário pensar sobre o seu mercado e o público-alvo. Por isso, precisa ser feito com cautela e buscar informações que correspondam à realidade que devem ser: qualitativas - ajudam a compreender particularidades do mercado - e quantitativas - retratam em números e cifras. Perguntas para orientar na análise do mercado e do público-alvo: MERCADO DE FORMA GERAL SEGMENTO DE MERCADO CONSUMIDORES Quais fatores estão influenciando as projeções de mercado? Por que o mercado se mostra promissor? Qual o tamanho do mercado em reais, número de clientes e competidores?Como o mercado está estruturado e segmentado? Quais são as oportunidades e ameaças (riscos) desse mercado? Qual o perfil do comprador? O que ele está comprando atualmente? Por que ele está comprando? Quais fatores influenciam na compra? Quando, como e com que periodicidade é feita a compra? Onde moram? (Geografia) Como eles são? (Perfil) Como vivem e o que fazem? (Estilo de vida) Como agem? (Personalidade) O que estão comprando? Por que estão comprando? Rosa (2007, p. 22-23), com outra forma de abordagem, considera ser necessário pensar a análise de mercado em quatro passos, quando falamos em clientes: Identificando as características gerais dos clientes: As pessoas físicas. Se pessoas jurídicas (outras empresas). Identificando os interesses e comportamentos dos clientes. Identificando o que leva essas pessoas a comprarem. Identificando onde estão os seus clientes. Não podemos esquecer dos concorrentes. Rosa (2007) considera importante aprender lições com a concorrência por atuar no mesmo ramo, importante para pensar nos pontos fortes e fracos entre a concorrência e o seu negócio. Os principais aspectos a serem analisados são, conforme Rosa (2007): a qualidade dos materiais empregados, o preço cobrado, a localização, as condições de pagamento, o atendimento prestado, os serviços disponibilizados e as garantias oferecidas. Tudo começa com uma pesquisa de mercado em que vai coletar informações sobre o que ocorre hoje e as tendências para o futuro. Após a coleta, haverá a a análise de mercado que é o momento de também abordar sobre produtos e serviços. Estudar o grau de desenvolvimento do produto no mercado é importante para saber se o mercado está em expansão, em baixa ou estável. A partir daí, é possível fazer alterações no produto por meio de pesquisa e desenvolvimento, criar nova linha, tirar do mercado ou mudar o posicionamento no mercado. ELABORANDO O PLANO: MARKETING, OPERAÇÕES E RECURSOS HUMANOS MARKETING É por meio desse Plano que vamos pensar em ações para chamar a atenção do nosso produto/serviço. Essas ações se tornam possíveis ao conhecermos bem o mercado e o nosso público-alvo. O Plano de Marketing é uma das partes fundamentais do negócio, porque propicia entender as melhores formas de criar estratégias adequadas para o negócio, sendo que pode ser utilizado para diferentes tipos de organizações. Produtos e serviços: A descrição dos produtos e serviços que serão produzidos, vendidos ou prestados é importante para posicionar como a organização irá atuar no mercado. A escolha da linha ofertada deve estar alinhada ao definido na análise de mercado, podendo sofrer alterações conforme se percebe mudanças. É importante quando analisamos possibilidades de estratégias de marketing, conhecer o ciclo de vida do produto. Esse ciclo se refere ao grau de maturação que está no mercado: se o mercado está no início, em crescimento, atingiu a maturidade ou se está em declínio. Outro aspecto importante, conforme Dolabela (2006), é pensar nas características dos produtos, porque é a partir daí que vamos pensar em estratégias específicas. É importante analisar os atributos do produto, como a marca, a logo, a embalagem, a cor, o design e a qualidade. Conhecendo o mercado, você pode optar por diferenciações nos aspectos citados, para conquistar determinado segmento. A partir desses produtos, podemos tomar as seguintes decisões, conforme Dornelas (2005, p. 150): Promover mudanças na combinação/portfólio de produtos. Retirar, adicionar ou modificar o (s) produto (s). Mudar design, embalagem, qualidade, desempenho, características técnicas, tamanho, estilo e opcionais. Consolidar, padronizar ou diversificar os modelos. Para conseguirmos a diferenciação no mercado, é necessário refletir aspectos- -chave do produto. O SEBRAE (2003) sugere uma pergunta principal: que produto vender? Tendo isso em mente, perguntas secundárias podem ser feitas, como: Qual o fator decisivo para a compra? Que benefícios o cliente espera? O que o cliente mais valoriza? Devemos ter em mente que todos os atributos relativos ao produto devem ser pensados. Preço: É o valor do seu produto ou serviço. O preço é determinado por diferentes fatores: a pesquisa de mercado que foi feita para a escolha do público- alvo, os concorrentes, os custos fixos e variáveis, as metas estabelecidas para alcançar os objetivos, por exemplo, a conquista de clientes e o lançamento de produtos. Dornelas (2005, p. 150) nos fornece alguns atributos essenciais para a elaboração de estratégias: Definir preços, prazos e formas de pagamentos para produtos ou grupos de produtos específicos, para determinados segmentos de mercado. Definir políticas de atuação em mercados seletivos. Definir políticas de penetração em determinado mercado. Definir políticas de descontos especiais. Vamos utilizar a metodologia em forma de pergunta norteadora do SEBRAE (2003): quanto cobrar pelo produto? Com base nisso, pensamos em questões secundárias para elaborarmos estratégias adequadas: Está igual, mais alto ou mais baixos que os preços do resto do mercado? Se for diferente, qual a razão? Os preços do principal concorrente são mais altos ou mais baixos? O cliente acha que preço mais alto significa qualidade? O cliente está disposto a pagar o preço do produto ou serviço? Não há uma receita mágica para deixar o preço no valor ideal. Isso porque aspectos, como o aumento e a diminuição da demanda, o clima, as greves, os impostos, afetam o valor do preço. Outro ponto levantado por Gomes (2005) é a prática de descontos e promoções, sendo os mais comuns: o preço promocional (diminuição do valor temporariamente), preço por segmentos diferentes (escolha de critério para conceder descontos, sendo crianças até 12 anos, um exemplo), preços por regiões geográficas (adequação conforme a realidade de cada local e os custos embutidos para transporte e armazenamento), preços por sazonalidade (escolha de períodos favoráveis a venda de produto), preços personalizados (conforme necessidade do cliente, como exemplo, pacotes de viagem), descontos para pagamento a vista, descontos por volume de compra e concessões para promoções de venda (incentivos para promover um produto colocando num local de destaque). Os custos e despesas podem ser mais controláveis pela organização com a utilização de recursos tecnológicos, mas há o fator posicionamento de mercado que afetará o valor do preço final e que deve ser analisado com atenção para não dar prejuízo ao negócio. Estratégias promocionais: A forma de divulgar o produto é essencial. A Promoção tem 3 objetivos: “Informar aos clientes potenciais a existência dos produtos e serviços e de suas vantagens; informar aos clientes potenciais onde e como obter esses serviços; lembrar aos clientes a existência dos produtos e serviços oferecidos. ” Para Dornelas (2005, p. 151), o que pode ser feito na escolha de estratégias mais adequadas, levando em consideração negócios existentes, é: “Definir novas formas de vendas; mudar equipe e canais de vendas; mudar política de relações públicas; mudar agência de publicidade e definir novas mídias prioritárias; definir feiras/exposições que serão priorizadas” Para negócios que estejam sendo criados, é necessário elaborar as formas de vendas, escolher e capacitar a equipe e os canais de vendas, estabelecer políticas de relações públicas, caso seja possível, contratar agência de publicidade e definir mídias prioritárias e pensar se é importante e conveniente escolher feiras/exposiçõespara divulgar o produto. Dornelas (2005) ainda destaca três aspectos na elaboração das estratégias: quantidade de pessoas envolvidas, a propaganda e as promoções. Com isso, a propaganda deve estar em uma linguagem adequada e as promoções devem ser feitas para chamar a atenção. Só comunicar não resolve o problema, é necessário que a mensagem seja clara. O cuidado deve ser uma palavra-chave, porque o lógico e claro para você pode não ser para o seu público. O ponto-chave é que esse conjunto de indivíduos compreenda e responda adequadamente. Novamente, vamos recorrer ao SEBRAE (2003), que utiliza como pergunta- base: como promover o produto? A partir daí questões secundárias servem para nos orientar: como você promove ou pretende promover a empresa, produtos e serviços? Alguma promoção chamou a atenção ultimamente? Descubra por quê. Pense uma forma diferente de chamar a atenção do consumidor. Atualmente, existem diferentes veículos de comunicação com o cliente, como: redes sociais, e-mail, banner online, banner impresso, panfleto, faixa, brindes, televisão, rádio, jornal, revista, mala direta, busdoor, carro e moto de som, eventos, outdoor, venda por meio de displays no próprio ponto de venda, dentre outros. Praça e estrutura de distribuição: A escolha do ponto é importante, para que seja acessível ao público-alvo na própria organização e também para a entrega. Em vista desse pensamento, Dornelas (2005, p. 150) considera três aspectos importantes a serem pensados para elaboração de estratégias adequadas ao negócio: “usar canais alternativos; melhorar prazo de entrega; otimizar logística de distribuição”. A escolha do local e dos parceiros é importante, porque existem diversas formas de interação entre uma organização e o cliente. Dolabela (2006) aborda as diferentes formas de distribuir os produtos que se referem à possibilidade de criar canais alternativos: Indústria – Consumidor. Indústria – Varejista – Consumidor. Indústria – Distribuidor – Varejista – Consumidor. Indústria – Atacadista – Distribuidor – Varejista – Consumidor. Porém, no caso de serviços, podemos considerar que o prestador de serviço pode oferecer este diretamente ou tenha um intermediário que realiza uma etapa antes de entregar ao cliente, como acontece com os serviços prestados por um contabilista e um advogado, por exemplo. Para a elaboração de estratégias adequadas, o SEBRAE (2003) apresenta uma pergunta norteadora: como distribuir o produto? Com base nessa pergunta, um comércio, uma indústria e as prestadoras de serviços podem pensar nos canais de distribuição mais adequados, de acordo com as características do negócio. Outras perguntas também sugeridas são: Os produtos ou serviços são de fácil acesso para o mercado consumidor? Que vantagem o ponto ou a distribuição tem para o consumidor? Que desvantagem o ponto ou a distribuição tem para o consumidor? Você oferece alguma facilidade para a compra? O ponto ou a distribuição é adequado (a) ao produto ou serviço? Por quê? Quantos concorrentes estão ou estarão próximos do negócio? OPERAÇÕES Cada negócio tem que direcionar atenção ao funcionamento, afinal, se esse setor não funcionar, a organização não terá receita, ou seja, é essencial planejar formas de maximizar o processo de transformação, que consiste na entrada de matéria-prima ou informações que geram os bens e serviços dos empreendimentos. Cada tipo de negócio tem características próprias, ou seja, indústrias, comércios e prestadores de serviços e, também, em negócios físicos e virtuais que funcionam de maneira diferenciada. O processo operacional deve funcionar conforme o que for decidido em nível estratégico e o setor de operações vai executar. Cabe ressaltar que o Plano de Marketing, abordado anteriormente, está alinhado diretamente com a parte Produto e Praça. Os principais pontos abordados no Plano Operacional são: Espaço físico – para abrigar atividades de atendimento ao público, recebimento, armazenagem, escritório e outras necessidades conforme a organização necessita para desempenhar as atividades Layout – refere-se à disposição das máquinas e equipamentos, de modo a aproveitar os espaços e otimizar a capacidade produtiva. Em comércios, consiste em aproveitar o espaço para apresentar os produtos na vitrine, alocar o escritório, espaço para os consumidores degustarem o produto, o caixa, dentre outras particularidades. Na prestação de serviços, é importante que o ponto seja adequado para a instalação dos equipamentos e materiais administrativos para atender os consumidores. Necessidades para funcionamento – se for uma indústria, devem existir as máquinas, funcionários devidamente qualificados, os EPIs (Equipamentos de Proteção individual) e controle de qualidade. Em comércios, há a necessidade da força de vendas, dos produtos, dos materiais administrativos, entre outros. Nas prestações de serviço, há necessidade de computadores, de softwares gerenciais, de internet e outras necessidades conforme o negócio. Exigências legais – para negócios que lidam com alimentos, é exigido o curso de boas práticas, autorizações de segurança para operar o negócio. Descrição técnica do produto/serviço – é importante saber os atributos e os processos para fabricar o produto e serviço. Saber a necessidade de mão de obra, de matéria-prima, de recursos financeiros e do tempo para içar pronto. Fluxograma das atividades – tem como objetivo planejar desde a entrada até a saída do produto e/ou serviço e o que pode ser feito no caso de uma atividade não ser cumprida satisfatoriamente. A importância do fluxograma é orientar a todos de todas as etapas existentes e o que deve ser feito no caso de problemas. O fluxograma também pode ser utilizado para organizar os processos de compra, armazenamento e vendas. Tipo de produção – é elaborada a forma de produção, se será personalizado, produzido em pequenos lotes, de forma contínua, como no caso de energia, petróleo e água. Outro tipo de produção é feito em massa, ou seja, em grandes quantidades, sem a necessidade de mudança, Just in time, é orientado para ter o mínimo de estoque possível. Planejamento da capacidade de produção – é estruturada a capacidade da produção durante o turno de funcionamento. Cabe ressaltar que as máquinas não produzem durante todo o turno, pois é necessário esperar que o maquinário seja ligado até estar à disposição para a produção e ser acionado pelos trabalhadores e, depois, o período necessário para que a máquina seja desligada. Também é importante dimensionar o período de tempo para percorrer as etapas do processo produtivo. Em comércios e serviços, é importante dimensionar a capacidade de atendimento e venda, bem como etapas de compra, recebimento e armazenagem para evitar a falta dos bens e serviços além do tempo necessário para produzir cada produto/serviço. Pesquisa e desenvolvimento (P&D) – existem organizações que possuem um setor ligado ao desenvolvimento de produtos, como verificamos em montadoras de veículos, empresas de tecnologia e laboratórios, entre outras. Formas de controle para o negócio – é exemplificado por softwares gerenciais, programas de qualidade, treinamento para assegurar a diminuição do desperdício, aumentar a produtividade e diminuir os gargalos na produção. Empregados necessários e possibilidade de turnos de trabalho – é necessário dimensionar a quantidade de pessoas necessárias para executar a produção. Terceirização de processos – alguns negócios optam por terceirizar parte do processo de fabricação, no caso de indústrias, por exemplo, para atender uma demanda extra ou mesmopara diminuição de custos, como ocorre no ramo vestuário. Na prestação de serviços, também ocorre com outros agentes, realizando processos ou mesmo quando existe necessidade de solicitação de serviços para o Poder Público para, depois disso, entregar o serviço finalizado. Transporte – a entrega dos produtos e serviços. Essa atividade é importante e exige planejamento e dinheiro, pois é necessário dimensionar a forma de distribuir (entrega terceirizada ou própria) e também o meio de entrega (moto, carro, van, caminhão, barco, navio, trem, avião). Também, o tempo necessário para entregar, o possível seguro da carga no caso de acidente, por isso algumas empresas utilizam rastreadores. No caso de frota própria, é preciso fazer a manutenção dos meios utilizados. Parece uma atividade simples, entregar um produto/serviço, mas é bastante difícil, pois envolve recursos e tempo de entrega e locomoção. Logística reversa – hoje, não devemos nos preocupar somente em entregar os produtos, mas também com o descarte, reciclagem ou a reutilização. A preocupação com o meio ambiente é uma realidade, pois cada vez consumimos mais, explorando os recursos naturais e poluindo o ambiente. A elaboração do plano operacional contribui para eliminar gargalos na produção/prestação do serviço, otimizar processos, aumentando a eficiência da organização. Recursos humanos O fator humano torna-se uma forma de obter um diferencial nos negócios por meio do atendimento ou da disponibilização de serviços. O RH também tem como responsabilidade por assegurar que a organização tenha diferenciais competitivos e cumpra a missão, a visão por meio de valores definidos e praticados. Os principais aspectos a serem elaborados são: Recrutamento – uma organização deve direcionar esforços desde o momento do recrutamento. Esta é a fase de abrir a vaga para o mercado. Existem duas formas de recrutamento: interno e externo. A primeira é feita no próprio negócio, ou seja, o gestor busca entre os colaboradores aquele que pode preencher o cargo em aberto; em negócios que estão sendo criados, não há como fazer esse tipo de recrutamento. O externo busca a vaga no mercado. Seleção – a seleção dos funcionários é a etapa posterior ao recrutamento. As empresas podem fazer essa triagem por meio da análise do currículo, entrevistas, provas, dinâmicas de grupo, prova de aptidão física, dentre outros, que a organização considerar mais relevante conforme o tipo do negócio. Análise e descrição de cargos – as organizações são estruturadas de forma que há a divisão de cargos, sendo que cada indivíduo terá atribuições específicas, ou seja, a especialização do trabalho. Essa atividade considera o detalhamento das atividades, das habilidades requeridas e da posição na hierarquia do negócio sendo fundamental para evitar retrabalhos ou tarefas que deixam de ser feitas por falta de clareza. Plano de cargos e salários – a valorização profissional é algo que pode reter as pessoas para que permaneçam por mais tempo em uma organização. Integração – é fundamental lidar com o processo de socialização do colaborador, ou seja, preocupar-se com a inserção do colaborador nas atividades que irá realizar, na segurança do trabalho, no relacionamento das pessoas que fazem parte do negócio. Remuneração – é um aspecto para atrair e reter colaboradores. Quanto mais a organização se predispor a pagar um valor acima do mercado, tende a chamar mais a atenção das pessoas. Entretanto, ressaltamos que não é suficiente pensar em pagar bem. Podem ser concedidos benefícios para complementar o valor, como bonificações, recompensas, prêmios, incentivo para estudo, auxílio creche ou participações no lucro. Treinamento e Desenvolvimento – O treinamento dos colaboradores é fundamental para que prestem serviço ou produzam mantendo padrão de qualidade, porque cada atividade exige habilidades técnicas e sociais. É importante definir os cursos necessários, bem como o prazo e a frequência que será aplicado aos colaboradores de forma a se preocupar com a saúde física e mental. O empreendedor precisa ser um líder e saber conduzir a sua equipe. Problemas de liderança podem atrapalhar o negócio, e Lam (2013, online) aponta cinco erros cometidos por um empreendedor com os membros da equipe: não ser claro; somente cobrar; não incentivar a capacitação; ignorar o feedback; e ser muito centralizador. É importante conhecer práticas de gestão de pessoas, cabe dizer que as práticas devem levar em consideração a missão, o tipo de negócio, os níveis hierárquicos, o perfil dos membros que trabalham e as práticas do mercado. ELABORANDO O PLANO: FINANÇAS E CENÁRIOS DE NEGÓCIOS É muito importante que, desde o início do negócio, o empreendedor entenda que é fundamental separar as finanças pessoais com os valores da empresa. A não separação desses valores é apontada como uma das causas que levam empreendedores a dificuldades financeiras e que podem até levar ao fechamento do negócio. É por isso que existe o chamado pró-labore que é a retirada dos sócios, ou seja, o salário que os proprietários recebem. As Projeções de vendas são feitas com base na análise de mercado. Por isso é muito importante dimensionar corretamente os valores. Ao dimensionar a receita, precisamos levar em consideração a aceitação do mercado, as oscilações do mercado, as particularidades do negócio, como inadimplência, furtos, perdas no deslocamento, e a sazonalidade. Se a procura pelo produto/serviço aumentar, é necessário preparar-se para adequar ao aumento no movimento o mesmo em períodos de baixa. O investimento inicial é formado pelas despesas pré-operacionais, o investimento fixo mais o capital de giro inicial (estoque de materiais diretos para produção/prestação de serviço, custo fixo, reserva de capital para suporte de vendas a prazo) (DOLABELA, 2006). Outro aspecto importante são os gastos com máquinas, equipamentos, imóveis, seguros e aluguel (caso exista), essenciais para quem vai começar o negócio. De acordo com Dolabela (2006, p. 217), os custos fixos são “valores monetários pagos pelos recursos utilizados para manter o funcionamento do negócio”. Os custos variáveis, ainda conforme Dolabela (2006, p. 217), são os “valores monetários pagos para obter e utilizar recursos aplicados para produzir os produtos ou serviços”. Esses custos ocorrem em função da produção, venda ou prestação de serviço, como no caso das matérias-primas. É fundamental ter reserva financeira para evitar problemas no capital de giro, encurtar o ciclo operacional, ou seja, diminuir a diferença de tempo entre o recebimento e as despesas, para que ocorra o recebimento antes do pagamento das despesas. O SEBRAE (2003) dá como sugestões, quando existe falta de recursos: Melhorar o sistema de cobrança da empresa, controlando, de perto, as contas a receber. Melhorar o sistema de cobrança da empresa, controlando, de perto, as contas a receber. Melhorar o desempenho dos estoques. Programar o pagamento das compras em função dos recebimentos da empresa. Negociar prazos de pagamento com seus fornecedores. Vender ou negociar bens e equipamentos ociosos. Pode-se recorrer às soluções externas, como negociar com fornecedor e solicitar financiamento. É necessário ter em mente, também, que os ativos fixos acabam desgastando- se com o tempo. Por isso, é muito importante saber que um dos pontos abordados no Plano Financeiro é a depreciação. Conforme Dolabela (2006), depreciação é um valor que não sai do caixa da empresa, mas que precisa ser mensurado, porque a máquina, o equipamento e os recursos acabam tendo desgaste e precisamser trocados. Outro ponto fundamental no Plano Financeiro é o financiamento dos negócios, pode ser por meio de capital próprio, família, anjos, programa governamental, bancos, cooperativas, financeiras e até crowdfundings (financiamento coletivo). Também é relevante, no Plano Financeiro, definir o regime de tributação. Vale ressaltar que é importante conhecer o ramo em que atua, pois não deve considerar apenas o faturamento, mas a atividade econômica que desenvolve. O empreendedor precisa estar atento a alguns conceitos importantes para lidar com o aspecto financeiro: Capital de Giro – é uma reserva de recursos para enfrentar possíveis despesas extras, compras de matérias-primas, pagamentos de fornecedores e redução de vendas. A importância em administrar o capital de giro é conseguir receber antes de pagar, mas, como isso não é uma situação comum, é necessário ter um valor até que receba os recursos para que o negócio se mantenha aberto, sem a necessidade de pedir recursos emprestados Margem de contribuição – é a diferença que sobra entre receitas e custos variáveis que é utilizada para cobrir os custos fixos. A fórmula é: Preço de Venda (PV) menos Custos Variáveis (CV). Ponto de equilíbrio – volume de vendas necessário para cobrir os custos fixos. Existe uma fórmula para saber, que é dividir o valor total dos custos fixos pela margem de contribuição. Com isso, saberá se precisa vender mais ou menos para alcançar o ponto de equilíbrio. Formação do preço – o preço é formado pela medição dos custos mais o lucro desejado. É necessário dimensionar e controlar a entrada de recursos na organização. Vamos apresentar o Fluxo de Caixa, o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício. O Fluxo de Caixa é importante porque é possível trabalhar com valores previstos e realizados. Com isso, podemos conhecer o saldo, ou seja, se os valores que realmente foram previstos se confirmaram. É importante fazer isso diariamente para ter um detalhe maior, contudo, deve ser feito pelo menos mensalmente. A utilização de um Livro Caixa permite anotar com detalhes os recursos, pois serve para registro, e o Fluxo de Caixa, uma análise mais completa, gerar relatório diário. O Balanço Patrimonial é um documento que permite ter informações gerenciais sobre recursos que a organização possui, tanto o dinheiro quanto o patrimônio e as obrigações. Uma explicação sobre o Balanço Patrimonial bastante pertinente é encontrada em Dornelas (2005), que a define como uma ferramenta gerencial que trata do ativo, ou seja, bens e direitos, e do passivo, as obrigações, além do patrimônio líquido que são os recursos dos proprietários aplicados à empresa. Exemplo de Balanço Patrimonial – BP: É necessário saber que o ativo sempre será igual à soma do passivo com o patrimônio líquido. Todo valor que entrar em um dos lados deve ser compensado no outro. Nossa legislação normalmente solicita que o balanço seja divulgado no final de cada exercício social, mas, como exigem exceções, consulte um contabilista para saber a respeito do ramo de negócio em que trabalha. O Demonstrativo do Resultado do Exercício permite conhecer de forma mais aprofundada se o negócio está dando lucro ou prejuízo e os valores envolvidos com impostos, custos, despesas e receitas. Exemplo de Demonstrativo do Resultado do Exercício - DRE ITEM EXPLICAÇÃO Receita Bruta Total Geral das Vendas (-) Deduções Impostos, devoluções e abatimentos = Receita Líquida (-) Custos do Período Gastos referentes à produção e à comercialização ou aos serviços prestados = Lucro Bruto (-) Despesas Gastos necessários para que a atividade seja desenvolvida (atividades administrativas, de vendas e financeiras) = Lucro Operacional (+/-) Receita/Despesa não operacional Não proveniente das operações = Lucro antes do Imposto de Renda (-) Imposto de Renda = Lucro Líquido É necessário registrar todos os recursos que entram e saem do negócio, porque nesse demonstrativo constam apenas os valores finais. Vale ressaltar que, geralmente, o DRE deve contemplar as movimentações até o dia 31 de dezembro. O empreendedor, além desses demonstrativos, possui, também, outros indicadores que são importantes para avaliar a viabilidade do negócio. Vamos conhecer alguns deles Liquidez – se a empresa é capaz de saldar dívidas. Atividade – a rapidez com que os recursos são convertidos em vendas. Endividamento – o grau de endividamento do negócio. Lucratividade – o quanto é atrativa para o investidor. Existem, também, outras técnicas utilizadas para análise e retorno de investimentos, como: Payback – tempo para recuperar o investimento. Valor Presente Líquido (VPL) – serve para saber o quanto um valor representava no passado. Taxa interna de retorno (TIR) – serve para avaliar alternativas de investimento. É estabelecida uma taxa de retorno desejada conforme projeções pessoais e/ou de mercado e, depois, compara-la com a taxa interna de retorno do investimento. Se a TIR for maior que a taxa projetada, o projeto deve ser aceito, pois está acima do que se pensou. Caso a TIR seja menor, o projeto pode ser descartado ou reestruturado (DOLABELA, 2006). Outro ponto importante é que para ajudar na elaboração do Plano, uma organização precisa ter foco. Você deve ter percebido que ao elaborar um plano há inúmeras opções a serem escolhidas. Esse é um dos motivos que três indicadores são elaborados: a missão, a visão e os valores. É por meio deles que se torna possível estabelecer objetivos que possam realmente ser alcançados. Missão é o principal orientador da empresa. Deve ser construída em forma de afirmação, visando apresentar o motivo da existência do negócio. A existência não é pensar somente no produto, mas no benefício que trará para o público, devendo ser inspiradora, desafiadora e dificilmente alterada. Visão é a situação que o negócio deseja alcançar, também construída em afirmação, pode ser alterada, porque o cenário de mercado também muda. Valores representam posturas, atitudes e comportamentos necessários na relação com o público e que orientam a execução das atividades. A estruturação desses norteadores permite à organização fazer uma avaliação do cenário em que está e projetar perspectivas para os próximos anos. A elaboração dessas possibilidades deve ser tratada de três formas: pessimista, realista e otimista. A primeira trata de quando aquilo que foi analisado não aconteceu da forma esperada, sendo comum nos primeiros passos do negócio. Por isso, é importante iniciar com cautela e projetar os valores financeiros (receitas, despesas, imprevistos), e uma dica é projetar por meio de porcentagens. Em um cenário negativo, por exemplo, pode se pensar em 20% a menos do que esperado. A segunda trata do cenário realista, ou seja, a real possibilidade conforme as projeções do empreendedor. A última é o cenário otimista em que as situações ocorrem além do esperado, sendo, também, importante pensar em ações caso isso ocorra. Para ajudar a fazer a elaboração de cenários pode ser utilizada a Análise SWOT (Strength, Weakness, Opportunity, hreat) ou também chamada de Análise FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas, Ameaças). Trata-se de uma ferramenta gerencial para conhecer pontos internos e externos ao negócio. Nessa ferramenta, estudamos dois aspectos: interno e externo. Com as oportunidades e ameaças, pensamos fora da empresa, ou seja, os aspectos do ambiente (social, econômico, geográfico, demográfico, tecnológico, regulamentar) que podem ser positivos ou negativos. Internamente, realizamosanálises das forças e fraquezas, ou seja, tudo que na empresa contribui para um bom desempenho e também o que atrapalha na realização do negócio e que precisa ser melhorado. Com isso, conseguimos ter um panorama geral do negócio, Pontos internos: pontos fortes e fracos – em relação aos concorrentes. Ex.: treinamento, capital disponível, marketing, colaboradores, máquinas e equipamentos. Pontos externos: oportunidades e ameaças – em relação ao ambiente em que está inserido. Ex.: clima, economia, tecnologia, política e natureza. Por fim, o sucesso do plano de negócio não depende apenas da elaboração de cada parte, mas saber gerenciar e agir para assegurar que o planejado seja realizado e se adaptar aos imprevistos que ocorreram ao longo do caminho. RESUMO UN 5 INFORMAÇÕES RECENTES SOBRE EMPREENDEDORISMO NO BRASIL De acordo com Degen (2009), o empreendedorismo pode ser considerado como uma carreira, podemos acrescentar que isso se dá tanto naquele indivíduo que empreende como também naquele que intraempreende, ou seja, o empreendedor com postura e comportamentos que atua dentro de um negócio. Há plataformas de projetos em que as pessoas podem ajudar umas as outras para que iniciativas sejam colocadas em práticas em nível local, ou seja, na mesma região, ou até em outros países e continentes, dando escala global e possibilidade de criação de uma rede de empreendedores internacionais. Além dessa possibilidade, os escritórios compartilhados, denominados coworking, permitem praticar essas atividades presencialmente visto que um mesmo local é dividido por empreendedores de diferentes ramos de atuação que, por meio de taxas divididas, frequentam o mesmo espaço e podem se ajudar para que todos sejam beneficiados. O termo startup também tem sido bastante utilizado, tratando de novas iniciativas de negócios geralmente vinculados à tecnologia que tem um alto potencial de impacto na economia, porque possuem uma característica de negócio diferenciado que lhe permite expandir rapidamente, ganhar dinheiro e resolver um problema da sociedade. A demanda por produtos e serviços na economia brasileira é grande e as startups preenchem essa lacuna ao facilitar acesso. A situação para o empreendedorismo no Brasil, hoje, é mais favorável, pois não vivemos mais em uma era em que a inflação alcançava patamares altíssimos em curto período de tempo. A legislação brasileira ainda precisa avançar, mas o fato da figura do MEI (Microempreendedor Individual) é uma alternativa interessante para formalizar empreendedores, abrindo novas possibilidades de negócios pela formalização da empresa. Na atualidade, o próprio Poder Público disponibiliza algumas iniciativas empreendedoras, criando casas do empreendedor, disponibilizando serviços necessários para criar e gerir negócios, investimento em escolas técnicas que promovem capacitação, ou mesmo incentivem negócios, como incubadoras, encontros de negócios, feiras e eventos. Além disso, temos a atuação de organizações, como o SEBRAE, que estão atendendo com mais efetividade os pequenos negócios em diversas regiões. A Endeavor é um exemplo de organização que apoia empreendedores, contando com a participação de indivíduos que já conseguiram sucesso nos respectivos negócios. Também há cursos que incentivam iniciativas empreendedoras e também capacitam empreendedores em diversas organizações, sendo ofertados de forma presencial e a distância que são pagos e também gratuitos. A situação ainda está longe de ser ideal, mas há mais acesso à informação e ao crédito, sendo que existem possibilidades a fundo perdido, ou seja, não é necessário devolver o dinheiro ou a juro zero. Conforme apresentado anteriormente, essas iniciativas são importantes porque a maioria dos negócios no Brasil é micro e pequeno, os quais geram a maior parte dos empregos. Quando os empreendedores abrem os empreendimentos, não recorrem aos professores que, nesse caso, podem ser mentores, consultores, entidades de apoio ou outras pessoas habilitadas. Com isso, quem sofre a consequência é o próprio indivíduo que enfrentará dificuldades que poderiam ser solucionadas com ajuda de especialistas. O empreendedor precisa tomar decisões no cotidiano do negócio, vamos partir do pensamento de Maximiano, para explicar a tomada de decisão, conforme a Figura: A primeira fase é o problema que tem origem em uma frustração, ansiedade, dúvida, curiosidade, ou seja, o que incomoda o empreendedor. Em um negócio, o problema pode ser a falta de consumidores e a diminuição da venda, por exemplo. A partir disso, é necessário diagnosticar a situação, entender a situação que se passa. É nesse momento que se torna importante avaliar a situação de forma correta; as diversas formas de apoio ao negócio são fundamentais para esse processo e capacitar o empreendedor para que saiba avaliar bem o problema. Na terceira fase, é fundamental buscar alternativas mais viáveis para a solução do problema. Como não é possível seguir vários caminhos ao mesmo tempo, será essencial avaliar e escolher o que será feito. A quarta etapa é o momento de decidir e implementar o que foi pensado. Essa é uma fase crítica, porque, além de ter decidido a ação mais adequada, é fundamental implementar da forma certa. Somente na quinta etapa, avaliação, será possível saber se o que foi feito resolveu o problema ou será necessário reavaliar toda a situação. Uma coisa que se torna importante é entender a diferença entre sintoma e causa, conforme considera Schmitt (1996). De acordo com o autor, o papel do gestor é identificar a causa do problema, ou seja, a origem da situação, porque poderá resolver os problemas do negócio com planejamento. É preciso não confundir com sintoma, que é uma exteriorização da causa. CAUSAS DE MORTALIDADES DE NEGÓCIOS Referimos a um negócio que não deu certo e faliu, sendo essa situação definida como “incapacidade crônica de pagar o que se deve a alguém” (VIAPIANA, 2001, p. 513). Isto é, mortalidade de um negócio é quando uma organização interrompe as atividades que estava realizando de forma definitiva, que pode acontecer no início das atividades de forma precoce ou quando o empreendimento possui um tempo de mercado. Falta de planejamento prévio: a elaboração de planejamento antes de abrir a empresa é fundamental e não se atentar a essa atividade influencia na continuidade da empresa. São o não conhecimento de local apropriado para iniciar as atividades, não ter informações sobre os fornecedores, não conhecer os aspectos legais do negócio, não ter conhecimento sobre o investimento necessário para abrir a empresa e com menor grau de relevância não saberem a qualificação necessária dos trabalhadores (SEBRAE, 2014). Um fato que vale a pena destacar é que além de não fazer planejamento, os empreendedores não buscaram ajuda de especialistas que poderiam ajudar no planejamento. Gestão empresarial ineficiente: acontece quando as atividades da empresa não são feitas de forma estruturada, o que pode acarretar em sérios problemas para a organização. As empresas que costumam, com frequência, aperfeiçoar produtos e serviços, permanecer atualizada com respeito às tecnologias, buscar a inovação em processos e procedimentos e investir em capacitação, tendem a sobreviver mais no mercado. A gestão ineficiente não valoriza o investimento em propaganda e divulgação, não acompanha os concorrentes, pouco investe em capacitação e foca somente na estratégia de preços baixos que nem sempre é a opção mais adequada. Comportamento empreendedor inadequado: iniciativa é importante para se anteciparàs tendências, e isso tem um propósito que é minimizar riscos que fazem parte da rotina de quem assumiu um negócio. Como a jornada empreendedora é árdua, torna-se fundamental intensificar o contato com outras empresas, bancos, entidades e o Governo para que tenha o apoio e acesso às informações para aumentar as chances de sobrevivência da empresa. O empreendedor precisa mais do que apenas gerenciar um negócio assegurando de que os processos sejam bem feitos, mas precisa permanecer atento ao que ocorre no ambiente. As causas citadas abordam a falta de cuidados com a gestão e a preocupação com o desenvolvimento da empresa. Ter um negócio não é suficiente, é preciso gerenciar de forma planejamento e proativa. Condições do mercado desfavoráveis: um dos pontos que deve ser analisado pelo empreendedor é o mercado. Não adianta tentar empreender em locais desfavoráveis ou mesmo quando o produto está em declínio. Falta de conhecimento do mercado: para abrir e manter um negócio nos dias de hoje, é importante conhecer o mercado. Isso porque as mudanças acontecem de forma cada vez mais rápida, e se você não estiver preparado para agir quando se deparar com o problema no nível operacional, ou seja, no caixa decrescente, pode ser muito tarde. Ainda mais se não houver um bom gerenciamento do luxo de caixa, a situação se agravará ainda mais, aumentando as chances de o negócio fechar. A falta de clientes no estabelecimento pode ser justamente pela falta de conhecimento do comportamento dos consumidores, seja na questão de hábitos, vitrines que atraem e práticas feitas pelos concorrentes e fornecedores. Carência de legislações: apesar de algumas medidas nos últimos tempos, com a criação de secretarias municipais e estaduais, o MEI, o Simples Nacional, entre outras, a legislação brasileira possui inúmeras especificidades, o que dificulta a atuação das empresas. A carga tributária também é outro ponto que dificulta os empreendedores e que deve ser repensada pelo Poder Público. Os impostos são importantíssimos para serviços essenciais disponibilizados para a população e para manter a atual forma de governo que temos, mas o que poderia ser repensado é a forma de cobrança e a unificação de processos. A legislação também não regula ou não tem orientações para inúmeras áreas, o que dificulta os empreendedores. Outro aspecto é que há muitas exigências em alguns setores, o que representa uma dificuldade a ser contornada. Essa complexidade leva a outro fator que é o desconhecimento dos impostos que são cobrados e o que pode ser feito dentro da legalidade para diminuir os valores recolhidos. Incapacidade de pagamento: este é outro ponto bastante relevante e que deve ser muito destacado: problema financeiro. A incapacidade de pagamento é apenas um efeito da falta de controle do empreendedor, causado seja pela desorganização ou pela carência de conhecimento gerencial. O problema da incapacidade de pagamento ocorre quando existem mais despesas e gastos em comparação as receitas. Quando a situação é sazonal, pode ocorrer por situações e momentos inesperados, mas quando a situação perdura e leva ao fechamento do negócio, o problema é mais sério. A falta de receita ou o aumento dos valores que sai do negócio devem ser sinais de alerta quando começarem a ocorrer. A situação é diagnosticada no início quando há o controle das finanças e pode ser mudada. Outro ponto que deve ser analisado para evitar a incapacidade de pagamento é considerar que existem maus pagadores, ou seja, aqueles que atrasam os valores ou não pagam, seja por má-fé ou falta de condição financeira. Habilidades sociais: este é um ponto bastante sério: o tratamento com as pessoas. Cada vez mais, as tecnologias estão disponíveis para todos e o que faz a diferença é o atendimento. Se não souber tratar bem os colaboradores que fazem o negócio funcionar todo dia, executando tarefas administrativas e fazendo contato com os consumidores, haverá muitas queixas de ambos os públicos. Também, é essencial saber lidar com os consumidores, o que não é uma tarefa fácil, que exige paciência, firmeza e poder de negociação. Mesmo que não tenha realizado o planejamento, é ao público que deve atender, porque abriu um negócio e não tem sentido tratar mal. Outros agentes importantes são os fornecedores, a mídia, o sindicato, sócios e Poder Público. Como os negócios são formados e gerenciados por pessoas, é fundamental saber conviver com as diferenças humanas e com os diferentes interesses que cada agente tem no negócio. Falta de qualificação e experiência dos gestores: aqueles que vão gerenciar o negócio precisam estar capacitados. É muito difícil gerenciar um negócio se você não tem nenhuma informação e conhecimento na área. A experiência no negócio pode diminuir a falta de qualificação, mas se não tiver nenhum dos dois, a situação será bem complicada. Alguns dos principais pontos ressaltados nas pesquisas de mortalidade são a falta de planejamento e controle financeiro. O primeiro exige conhecimentos na área de gestão e o segundo de organização e disciplina. FINANCIAMENTO COLETIVO E INVESTIDOR ANJO Desde o início dos anos 2010, no Brasil, começaram a surgir alternativas que pudessem compensar a forma tradicional de obtenção de crédito via instituição bancária. As próprias instituições financeiras criaram novos serviços para auxiliar os negócios, mas ainda continuava basicamente as mesmas práticas. FINANCIAMENTO COLETIVO O financiamento coletivo é uma forma que tem expandido no Brasil, em que o objetivo é contribuir para que terceiros possam realizar os projetos. O termo em inglês utilizado é crowdfunding e, por meio da internet, as pessoas arrecadam recursos para negócios, atividades filantrópicas, viagens, entre outros. Em entrevista para o Sebrae (2017, online), Dorly Neto define como: O crowdfunding segue a dinâmica da “vaquinha”, ao partir do princípio de que pessoas colaboram e, juntas, realizam o que antes não poderiam fazer sozinhas. A diferença é que, agora, essa modalidade é potencializada pela internet. Não existe nada de mágico nesse processo, é apenas uma forma poderosa de realização e de engajamento de pessoas. É uma maneira acessível de artistas, ativistas sociais, estudantes, dirigentes, empreendedores, pessoas físicas e jurídicas em geral arrecadarem fundos para realizarem os objetivos. Um aspecto interessante é que qualquer pessoa pode contribuir para os projetos que consideram mais interessantes e, ainda, recebe recompensas pela ajuda, que podem ser prêmios, brindes, inclusão do nome como patrocinador, entre outros, conforme as particularidades do projeto. Cada campanha tem uma página em que são detalhadas as informações do projeto, valor arrecadado, o que falta e o tempo restante. A divulgação depende da própria pessoa que pode utilizar os contatos do e-mail, redes sociais, celular e círculos de convivência para solicitar a contribuição e, também, para que divulgue aos contatos de cada um. Os valores doados são conforme a campanha que se queira criar, e as recompensas pela colaboração também variam conforme o projeto, sendo que as doações podem ficar disponíveis para todos visualizarem, ou somente o nome ou esconder somente o valor. Os projetos podem ter tempo limitado ou não, vale analisar as características de cada um. A Kickante ([2018], on-line)1, por exemplo, possui duas formas de campanhas: a flexível, que mantém os valores arrecadados mesmo que o prazo terminar, ou o formato tudo ou nada, em que o indivíduo tem que devolver o dinheiro caso o valor não seja arrecadado dentro do prazo. É necessário ter contas em empresas financeirasque realizam transações pela internet, sendo que uma bastante conhecida é a Paypal, no caso de quem cria a campanha. Para quem financia pode contribuir por boleto, débito automático, crédito ou mesmo pelas empresas financeiras do tipo carteira digital. Segundo Maximiliano (2015), existem quatro segmentos macros: projetos em troca de recompensas; empréstimos para empresas; financiamento de startups; e investimento imobiliário. O Começaki (2012, on-line)2, por exemplo, atua em oito categorias: ambiental, social, empreendedorismo, cultural, jornalística, eventos, esportiva e pessoal. Conforme a Kickante ([2018], on-line)1, os sites de financiamento coletivo permitem superar a dificuldade dos empréstimos bancários e, até mesmo, de patrocínio Conforme Pascoal (2015, on-line)3, os principais passos para obter sucesso em financiamentos coletivos são: Tenha uma meta realista: é importante pensar no valor mínimo que precisa, incluindo as despesas com envios de prêmios, o número de pessoas necessárias, todos os custos necessários, os valores a serem repassados para a empresa que está disponibilizando o serviço, como taxas administrativas, e um percentual de margem de segurança. Ofereça recompensas generosas e criativas: para atrair interessados, é necessário fornecer um bom incentivo para quem vai doar. Além da identificação com o projeto que é importante, recompensar o outro que colaborou para a realização do projeto é necessário. Mantenha o tema claro: o foco precisa ser claro. Escreva um texto pessoal: é importante se identificar fazendo a apresentação, disponibilizando vídeo do produto/serviço e do objetivo e isso faz as pessoas criarem identificação. Também é importante deixar outras formas de contato, porque é comum as pessoas procurarem conhecer se a ideia é realmente legítima e o indivíduo que está divulgando na plataforma. Divulgue diariamente: é essencial a divulgação, porque somente dessa forma conseguirá atingir a meta. Persista no plano de Marketing: nada melhor que um conjunto de estratégias para atrair pessoas para o seu projeto. Engaje seus colaboradores: além de conseguir a doação dos amigos, é essencial que as pessoas comprem a ideia e, também, divulguem para a rede de contatos. Faça as entregas: depois da finalização do projeto e o resultado positivo, é o momento de entregar as recompensas para todos aqueles que colaboraram para o seu objetivo ser concretizado. Atualize o mini blog: é essencial a prestação de contas para quem contribuiu e agradecer a todos. Finalize a campanha: momento de pagar as taxas administrativas, encerrar a campanha e colocar em ação o projeto. INVESTIDOR ANJO Geralmente empreendedores que apostam em novas ideias, fornecendo recursos em troca de participação no negócio. Além do fato do apoio financeiro, que varia de R$ 50 mil a R$ 1 milhão, segundo Moreira (2011, on-line)4, o investidor anjo visa orientar o empreendedor, contribuindo na formatação do modelo de negócio. De acordo com Botelho (2015, on-line), os investidores anjo são formados por pessoas físicas que investem recursos em ideias de negócios com possibilidades de crescimento e, em troca, tornam-se sócios minoritários, geralmente 10 a 20%. Os anjos investem quando os negócios estão em processo de formação, por isso, escolhem empreendedores que não estejam muito distantes, para que possam fazer o acompanhamento mais de perto. Ainda conforme Botelho (2015, on-line), é essencial que o empreendedor conheça os grupos de investidores anjo existentes e os segmentos que procuram investir, bem como os valores geralmente investidos, os critérios que costumam levar em consideração para investir em uma empresa, o processo seletivo e o acordo para efetivar o investimento. De acordo com o SEBRAE (2015), o termo anjo é utilizado porque, além do dinheiro investido, também há o aconselhamento para o crescimento do negócio e a apresentação para a rede de contatos, o que os diferencia de um simples investidor. Os anjos buscam como requisitos de apoio, ainda conforme o SEBRAE (2015, on-line): Negócios inovadores. Mercado com potencial significativo. Negócio com potencial de crescimento e alta rentabilidade. Valor do investimento abaixo de R$ 1 milhão. ACELERADORA E INCUBADORA INCUBADORAS As incubadoras são organizações criadas para o desenvolvimento dos negócios. Com uma equipe especializada, essas entidades proporcionam a ajuda necessária para o produto e o empreendedor amadurecer no início das atividades. Para compreender a relevância dessas organizações, vamos compreender o que elas são e o que fazem. Miyatake (2009) levantou um conjunto de definições: Dolabela (2006, p. 201): Pode ser chamada de “fábrica de empresas”. Tem sido o instrumento mais eficiente de suporte às pessoas que querem transformar seus projetos em produtos e serviços e um grande estímulo à criação de novos negócios. Ela abriga empresas emergentes, em muitos ramos de negócios, nos seus dois primeiros anos de vida. Dornelas (2005, p. 196): É um mecanismo – mantido por entidades governamentais, universidades, grupos comunitários etc. – de aceleração do desenvolvimento de empreendimentos (incubados ou associados), por meio de um regime de negócios, serviços e suporte técnico compartilhado, além de orientação prática e profissional. Brasil (2000, p. 6): É um mecanismo que estimula a criação e o desenvolvimento de micro e pequenas empresas industriais ou de prestação de serviços, de base tecnológica ou de manufaturas leves por meio da formação complementar do empreendedor em seus aspectos técnicos e gerenciais e que, além disso, facilita e agiliza o processo de inovação tecnológica nas micro e pequenas empresas. As incubadoras, como se percebe, são organizações que visam impulsionar as chances de sucesso dos negócios ao disponibilizar mecanismos para orientar, aperfeiçoar novos negócios com potencial de sucesso. Os ramos de atuação são diversificados e podemos conhecer as áreas conforme: Brasil (2000): Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (relacionados com informática, biotecnologia, química, mecânica de precisão e novos materiais); Incubadora de Empresas dos Setores Tradicionais (opera no desenvolvimento econômico, como mecânica, eletrônica, confecção, alimentos, agroindústria); Incubadoras de Empresas Mistas (assessora empresas de base tecnológica e de setores tradicionais). Oliveira e Dagnino (2004, p. 9): Software/informática; Eletroeletrônica/ automação, Internet/E-commerce; Telecomunicações; Químico/ fármaco; Mecânica; Biotecnologia; Design. As incubadoras funcionam como ambientes de estimulação ao empreendedorismo. Como via de regra, as principais características das incubadoras são, Brasil (2000, p. 6): Espaço físico individualizado (instalação de escritórios e laboratórios de cada empresa admitida); Espaço físico para uso compartilhado (sala de reunião, auditórios, área para demonstração dos produtos, processos e serviços das empresas incubadas, secretaria, serviços administrativos e instalações laboratoriais; Recursos humanos e serviços especializados (auxílio às empresas incubadas em suas atividades e necessidades específicas); Capacitação/Formação/Treinamento de empresários-empreendedores nos principais aspectos gerenciais (gestão empresarial, gestão da inovação tecnológica, comercialização de produtos e serviços no mercado doméstico e externo, contabilidade, marketing, assistência jurídica, captação de recursos, contratos com financiadores, engenharia de produção e Propriedade Intelectual); Acesso a laboratórios e bibliotecasde universidades e instituições que desenvolvam atividades tecnológicas; Custos iniciais abaixo dos praticados no mercado; Mecanismos de estímulo ao empreendedorismo; Mecanismos de busca de parcerias comerciais e tecnológicas; Promoção e divulgação das empresas (além da inclusão em redes e feiras que permitam a troca de informações e de experiências e que propiciem o surgimento de novos negócios); Apoio às empresas em vias de deixar a incubadora (objetivo de auxiliá-las a encontrar instalações adequadas e investidores, entre outros); Continuidade de prestação de serviços (para aquelas que deixam a incubadora após o período de consolidação e graduação). O processo de apoio das incubadoras geralmente varia de dois a três anos. O objetivo de uma incubadora é preparar o negócio para que possa prosseguir por conta própria e isso é importante para testar a viabilidade do negócio e a aceitação do público. Por isso, o ambiente deve ser o mais próximo de como se já estivesse no mercado. Antes das incubadoras aceitarem os empreendimentos para fazer a incubação, geralmente, é necessário passar por triagem que varia conforme o tipo de incubadora. Podemos resumir as vantagens de passar por um processo de incubação, conforme Miyatake (2009).: Lalkaka (1996 apud CARMO; NASSIF, 2005, p. 5): A seleção de bons parceiros na comunidade; Estabelecimento de metas realistas; Equipe gerencial capacitada e dinâmica; Instalações que estimulam a criatividade e a interação entre as empresas incubadas. ANPROTEC (on-line, 2008b: Espaços e serviços oferecidos; a própria concepção do sistema de incubação propicia o intercâmbio de ideias e tecnologias entre empresários incubados; Aprendizado da importância de compartilhar o mesmo espaço, realizar parcerias e cultivar relacionamentos interpessoais de forma efetiva; Ter um projeto incubado significa ter um negócio com grande potencial de sucesso, que se desenvolve num ambiente propício para que possa se estabelecer no mercado. O papel das incubadoras deve estar pautado na geração de trabalho e renda e o desenvolvimento local sustentável por meio do estímulo no desenvolvimento de novas organizações e dos empreendedores por meio de espaços de discussão no coletivo e de valorização do indivíduo. ACELERADORAS Enquanto em uma incubadora o tempo pode durar dois anos ou até mais, na aceleradora o período é entre três e oito meses. Outra característica é que, geralmente, as aceleradoras possuem fins lucrativos e possuem recursos para ajudar o empreendedor a implementar a ideia, ao contrário das incubadoras que podem cobrar taxas pela utilização do espaço físico. Uma peculiaridade das aceleradoras é atuar, geralmente, com negócios de base tecnológica. De acordo com Spina (2013), se o negócio precisa de mais tempo para crescer e não necessita de investimentos, a incubadora pode ser uma opção mais viável. Caso contrário, uma aceleradora é mais recomendada. Conforme Matos (2013, on-line), as diferenças entre os dois tipos de organizações são: INCUBADORA ACELERADORA Modelo de Negócio Sem fins lucrativos, mantida por outras instituições Com fins lucrativos, mantida por investidores privados que esperam ganhar dinheiro com o retorno da venda das ações das empresas apoiadas Oferta de serviços Focada em infraestrutura e espaço físico Focada na gestão do negócio, mentora e networking Tempo de apoio 1 a 3 anos 4 a 6 meses Investimento Não investe capital no negócio Investe capital inicial no negócio, de R$ 20 mil a R$ 100 mil, em geral Contrapartidas Pagamento de taxas, geralmente subsidiadas, pela empresa incubada Cessão de um percentual de participação acionária da empresa para a aceleradora Processo Seletivo Normalmente, com pouca competição Muito concorrido A proposta da aceleradora é proporcionar, em pouco tempo, todo o conhecimento do mercado necessário para que as empresas comecem a ter o retorno do investimento, alavancando a proposta do negócio, por isso, a metodologia é diferenciada. Não é necessário enviar Plano de Negócio para participar, mas ter um modelo de negócio claro. As aceleradoras são formadas por empreendedores ou especialistas de negócios que investem nos empreendimentos e, em troca, tornam-se acionistas da empresa. De acordo com o SEBRAE (2015, on-line), as aceleradoras buscam negócios que podem trazer alto retorno, e não negócios comuns. Outra característica é que os empreendedores são os responsáveis pelas aceleradoras e o capital é privado. Os serviços oferecidos pela aceleradora são espaços de trabalho, consultorias, treinamentos e eventos envolvendo empreendedores com muita experiência de mercado, em que é possível ter conversas com especialistas para orientação e, também, para encontrar anjos ou, até mesmo, outros empreendedores. Conforme Bernardes (2013), existem sete lições que as aceleradoras transmitem para as empresas: Sócios: de preferência, não atuar sozinho. Networking: troca de experiência é fundamental para amadurecer ideias e conhecer melhor o mercado. Novos produtos: não precisa estar totalmente pronto, mas ter uma versão que já possibilita entrar no mercado. Marketing: o discurso deve ser sucinto e, ao mesmo tempo, consistente, sendo importante refletir em cinco pontos: quem é você, que tipo de problema o produto se propõe a resolver, de onde vêm (ou virão) as receitas, quais são os pontos fortes e fracos do negócio em relação à concorrência e que tipo de ajuda você precisa neste momento. Vendas: sugestões de aprimoramento com clientes em potenciais. Dinheiro: a busca de investimento é importante e deve ser feita com antecedência. Estratégias: os fracassos ocorrem e o negócio pode não sobreviver por muito tempo, por isso, é importante saber quando é hora de abandonar uma ideia e partir para outra. EMPRESA JÚNIOR Nos dias de hoje, temos a atuação de consultorias juniores que são formadas a partir dos cursos de graduação, nas áreas de administração, secretariado, engenharia, entre outras. São orientados por professores das áreas, e os alunos têm a possibilidade de aplicarem o que aprenderam nas empresas que realizam consultorias. De acordo com Richardson (on-line), Empresa Júnior é uma associação civil que não possui fim econômico, sendo gerenciada por alunos de graduação de estabelecimentos de ensino superior, que presta serviços e desenvolve projetos para empresas, entidades e sociedade em geral, nas suas áreas de atuação, sob a orientação de professores e profissionais especializados. Ainda conforme o autor, os objetivos estão ligados a proporcionar o aprendizado de conhecimentos na área de formação, proporcionar uma relação com o mercado de trabalho, gerência com autonomia, ou seja, não precisa ser dependente da direção da faculdade ou mesmo do centro acadêmico e a elaboração de projetos de consultoria na área em que os alunos estão estudando. Como a maior parte dos negócios são pequenos, uma boa alternativa é recorrer às empresas juniores. Os valores são mais baixos que consultorias de forma geral, mas isso não quer dizer que a qualidade seja inferior. Empresas de eventos, imobiliárias, padarias, pequenas indústrias, empresas de varejo, pizzarias, bares, entre outros tipos de negócios são exemplos de empresas que podem ser atendidas pelas consultorias juniores. Os serviços disponibilizados dependem do porte da organização e, também, dos cursos pertencentes à empresa júnior. As empresas com foco em gestão, por exemplo, promovem apoio em Administração Estratégica, Análise e Estratégiasde Marketing, Gerenciamento Financeiro, Gestão de Pessoas, Planejamento e Controle da Produção e Plano de Negócios, entre outros, conforme o curso de graduação. Para quem pensa em empreender, pode acumular experiência nas empresas juniores, porque o trabalho é de um consultor, com isso, saem do mercado com conhecimento técnico da graduação e a experiência de ter prestado serviço para outros negócios.