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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA – UnB INSTITUTO DE QUÍMICA – IQ OPERAÇÕES UNITÁRIAS DA ENGENHARIA QUÍMICA 3 2019/1 ESTUDO DE BALANÇO DE ENERGIA EM COLUNAS DE DESTILAÇÃO ARTHUR DE SOUZA TOMÉ – 15/0118538 JOSÉ GUILHERME BISPO FERNANDES – 15/0132867 NATÁLIA DA ROSA SAPUCAIA – 15/0154437 BRASÍLIA 2019 Introdução A destilação é uma operação básica de separação, amplamente utilizada na indústria química, de um ou vários componentes de uma mistura líquida ou gasosa mediante a ação de um vapor ou um líquido gerado, respectivamente, por calefação ou esfriamento da mistura original. O suporte desta operação é a volatilidade relativa dos diferentes componentes a separarem. Exemplos deste tipo de operações na indústria são a purificação do etanol gerado na indústria da cana, do ar líquido em nitrogênio, oxigênio e argônio, e o fracionamento do petróleo crú nas diferentes frações, etc. O método mais extensamente utilizado na indústria química é a destilação fracionada com refluxo. Trata-se de um método eficaz quando deseja-se separar componentes de volatilidades relativas próximas, onde o vapor e o líquido que seriam gerados no equilíbrio estariam muito distantes de ter composições próximas dos componentes puros. A ideia da destilação fracionada é realizar uma série de etapas de vaporização instantânea, de forma que os vapores e os líquidos gerados em cada uma delas fluam em contracorrente. Em cada uma das etapas entra uma corrente líquida descendente, procedente da etapa superior, e uma corrente vapor, procedente da etapa inferior, que interagem até atingir equilíbrio, gerando duas novas correntes em equilíbrio. Figura 1. Esquema de uma coluna de destilação. Basicamente, a mistura a separar (alimentação, A) se introduz na coluna pelo prato de alimentação, na forma de líquido subresfriado, líquido saturado, mistura líquida-vapor em equilíbrio, vapor saturado ou vapor superaquecido, entrando em contato com as correntes do interior da coluna. Este prato vai determinar as duas seções da coluna, a parte superior, chamada de zona de retificação, e a parte inferior, chamada de zona de esgotamento. Na parte inferior se situa um refervedor que permitirá gerar o vapor que irá ascendendo ao longo da coluna, e por onde se extrairá a corrente de fundo ou resíduo (R), encontrando-se enriquecida no componente mais pesado (maior ponto de ebulição). Na parte superior, extrai-se a corrente de topo ou destilado (D), cuja composição será rica em componente mais volátil (menor ponto de ebulição). Existe outra corrente fundamental, a razão refluxo (LD/D), que permite que exista corrente líquida ao longo da coluna junto com a fração correspondente que entra na alimentação. Esta corrente é fundamental na hora de regular a operação da coluna, definindo a chamada razão de refluxo (RR), pois permite regular parte do que será extraído da coluna com o que será devolvido. Quanto maior for esta razão de refluxo, mais eficiente será a separação para uma coluna determinada, pois o tempo de contato entre as fases será maior, porém é necessário encontrar um ponto de equilíbrio para razão de refluxo, ou seja, um valor entre o número máximo e o número mínimo de pratos teóricos. Outro parâmetro importante de controle destas colunas é o calor fornecido ao refervedor, pois este determinará a quantidade de vapor que irá subir pela coluna, e que entrará em contanto com o líquido. Por fim, o último parâmetro de operação será a pressão da coluna, que influenciará nas volatilidades relativas dos compostos que serão separados. Balanço de energia Têm-se que energia é a capacidade de um certo sistema em realizar trabalho ou produzir calor, e a partir desse conceito é possível definir formas de energia. A primeira forma de energia é a que o sistema apresenta em um determinado estado, ou seja, correntes que entram e saem de processos contínuos ou semicontínuos, sendo assim a energia total do sistema. São elas: • Energia cinética devido ao movimento do sistema como um todo: 𝐸𝑐 = 1 2 𝑚𝑣2 (1) • Energia potencial devido à posição do sistema num campo potencial com uma altura z relativa a um plano de referência: 𝐸𝑝 = 𝑚𝑔𝑧 (2) • Energia interna devido ao movimento de interação entre os átomos e moléculas em relação ao centro de massa do sistema. A transferência de energia entre sistema e vizinhança é uma segunda forma de energia, seja ela na forma de calor ou trabalho, sendo que essas formas de energia não podem ser armazenadas. São formas da energia em trânsito: • Calor: transferência a partir de uma diferença de temperatura. • Trabalho: ocorre a transferência como resposta a qualquer força motriz que não seja a diferença de temperatura. Para o estudo dos balanços de energia nas principais partes de uma coluna de destilação, sendo o condensador, refervedor e os pratos utilizados para realizar a separação dos componentes da mistura, determinou-se que a contagem dos pratos teóricos seria dada de cima para baixo. Balanço de energia no condensador Na região de retificação, acima do estágio de alimentação, é conveniente fazer os balanços em torno dos estágios e do condensador. A seguir será mostrado balanços nos pratos 1, 2 e j e condensador a partir das figuras abaixo. Figura 2. Balanço interno em volta do estágio 1. Figura 3. Balanço internos em volta do estágio 2. Figura 4. Balanço em volta do estágio j. As seguintes observações devem ser levadas em consideração, a primeira é que vapor e líquido estão em equilíbrio uma com a outra e segundo, as temperaturas e pressões podem ser assumidas constantes em cada estágio. Os balanços para o primeiro estágio (Figura 2) são: Balanço Global 𝑉2 = 𝐿1 + 𝐷 (3) Balanço por componente 𝑦2𝑉2 = 𝑥1𝐿1 + 𝑥𝐷𝐷 (4) Balanço de energia 𝐻2𝑉2 + 𝑄𝑐 = ℎ1𝐿1 + ℎ𝐷𝐷 (5) Note que pra evitar confusão, as entalpias referentes ao vapor são utilizadas letras maiúsculas, enquanto para o líquido letras minúsculas. Assumindo que a fase vapor é vapor saturado e a fase líquida é líquido saturado, obtém-se que: ℎ1 = ℎ1(𝑥1) ou 𝐻2 = 𝐻2(𝑦2) (6) Além de assumir que as fases vapor e líquido estão em equilíbrio, a fração molar da corrente de vapor (y1) deixando o estágio 1 é proporcional à corrente de líquido deixando o mesmo estágio (x1), então: 𝑥1 = 𝑥1(𝑦1) (7) 𝑦1 = 𝑦1(𝑥1) (8) As seguintes equações são para o balanço no estágio 2: 𝑉3 = 𝐿2 + 𝐷 (9) 𝑦3𝑉3 = 𝑥2𝐿2 + 𝑥𝐷𝐷 (10) 𝐻3𝑉3 + 𝑄𝑐 = ℎ2𝐿2 + ℎ𝐷𝐷 (11) ℎ2 = ℎ2(𝑥2) (12) 𝐻3 = 𝐻3(𝑦3) (13) 𝑥2 = 𝑥2(𝑦2) (14) Da mesma formo as equações do estágio j são: 𝑉𝑗+1 = 𝐿𝑗 + 𝐷 (15) 𝑦𝑗+1𝑉𝑗+1 = 𝑥𝑗𝐿𝑗 + 𝑥𝐷𝐷 (16) 𝐻𝑗+1𝑉𝑗+1 + 𝑄𝑐 = ℎ𝑗𝐿𝑗 + ℎ𝐷𝐷 (17) ℎ𝑗 = ℎ𝑗(𝑥𝑗) (18) 𝐻𝑗+1 = 𝐻𝑗+1(𝑦𝑗+1) (19) 𝑥𝑗 = 𝑥𝑗(𝑦𝑗) (20) Os valores conhecidos, obtidos pelo balanço externo, são yj, D, Qc e hD, como têm-se 6 variáveis e 6 equações é possível encontrar uma solução. Balanço de energia no refervedor Para a região de esgotamento, ou seja, abaixo do prato de alimentação da coluna, faz-se os balanços como mostrado na figura 5 e equação 21. �̅�𝑓 = �̅�𝑓+1 + 𝐵 (21) Figura 5 - Balanços internos para o estágioimediatamente abaixo da alimentação (feed). OBS: As barras acima de V e L indicam as taxas de fluxo de líquido e vapor na região de stripping, respectivamente. O balanço por espécie é dado pela equação 22. 𝑥𝑓 �̅�𝑓 = 𝑦𝑓+1 �̅�𝑓+1 + 𝑥𝑏 𝐵 (22) Já o de energia é dado pela equação 23. ℎ𝑓 �̅�𝑓 + 𝑄𝑅 = 𝐻𝑓+1 �̅�𝑓+1 + ℎ𝑏 𝐵 (23) Assim como no condensador, temos 6 varáveis desconhecidas para 6 equações referentes a parte abaixo da alimentação da coluna. ℎ𝑓 = ℎ𝑓(𝑥𝑓) (24) 𝐻𝑓+1 = 𝐻𝑓+1(𝑦𝑓+1) (25) 𝑥𝑓 = 𝑥𝑓(𝑦𝑓) (26) O mesmo raciocínio pode ser feito para um prato qualquer (k) abaixo do prato de alimentação, ilustrado na figura 6. Figura 6 - Balanços internos para um estágio k qualquer abaixo da alimentação. Encontramos agora as equações 27, 28, 29, 30, 31 e 32. �̅�𝑘−1 = �̅�𝑘 + 𝐵 (27) 𝑥𝑘−1 �̅�𝑘−1 = 𝑦𝑘 �̅�𝑘 + 𝑥𝑏 𝐵 (28) ℎ𝑘−1 �̅�𝑘−1 + 𝑄𝑅 = 𝐻𝑘 �̅�𝑘 + ℎ𝑏 𝐵 (29) ℎ𝑘−1 = ℎ𝑘−1(𝑥𝑘−1) (30) 𝐻𝑘 = 𝐻𝑘(𝑦𝑘) (31) 𝑥𝑘−1 = 𝑥𝑘−1(𝑦𝑘−1) (32) Para encontrarmos as variáveis desconhecidas é necessário assumir: • Coluna adiabática; • A mudança de entalpia é pequena entre estágios adjacentes, comparada à mudança de calor latente (𝜆); |𝐻𝑗+1 − 𝐻𝑗| ≪ 𝜆 e |ℎ𝑗+1 − ℎ𝑗| ≪ 𝜆 (33) • O calor latente de vaporização (ou condensação) por mol (𝜆), é relativamente constante ao longo da coluna. Com as suposições feitas anteriormente, chega-se nos seguintes fatos: 𝐿1 ≈ 𝐿2 ≈ 𝐿3 ≈ ⋯ 𝐿𝑗 ≈ 𝐿𝑓−1 ≈ 𝐿 𝑉1 ≈ 𝑉2 ≈ 𝑉3 ≈ ⋯ 𝑉𝑗 ≈ 𝑉𝑓−1 ≈ 𝑉 �̅�𝑓 ≈ �̅�𝑓+1 ≈ ⋯ ≈ �̅�𝑘−1 ≈ �̅�𝑘 ≈ ⋯ ≈ �̅�𝑁 ≈ �̅� �̅�𝑓 ≈ �̅�𝑓+1 ≈ ⋯ ≈ �̅�𝑘−1 ≈ �̅�𝑘 ≈ ⋯ ≈ �̅�𝑁 ≈ �̅� É importante lembrar que as taxas na região de retificação e de esgotamento não são iguais, dependendo do tipo de alimentação feito na coluna, ou seja: 𝐿 ≠ 𝐿 ̅ e 𝑉 ≠ �̅� Para o estágio j, na região de enriquecimento temos: 𝑉𝑗+1 = 𝐿𝑗 + 𝐷 (34) 𝑦𝑗+1 𝑉𝑗+1 = 𝑥𝑗 𝐿𝑗 + 𝑥𝐷𝐷 (35) Combinando as equações 34 e 35, obtêm-se a equação 36: 𝑦𝑗+1 𝑉𝑗+1 = 𝑥𝑗 𝐿𝑗 + 𝑥𝐷( 𝑉𝑗+1 − 𝐿𝑗) (36) Como concluímos que L e V são constantes na região de retificação, e dividindo toda a equação 36 por V, tem-se a equação 37. 𝑦𝑗+1 = 𝐿 𝑉 𝑥𝑗 + (1 − 𝐿 𝑉 ) 𝑥𝐷 (37) Sendo esta a equação de operação da região de retificação, fazendo as devidas analogias, é possível encontrar a equação de operação da região de esgotamento, sendo ela: 𝑦𝑘 = �̅� �̅� 𝑥𝑘−1 + ( �̅� �̅� − 1) 𝑥𝐵 (38) Para o estágio de alimentação, os balanços podem ser feitos conforme a figura 7, e as equações 39 e 40. Figura 7 - Balanços em torno do prato de alimentação. 𝐹 + �̅� + 𝐿 = 𝑉 + �̅� (39) ℎ𝐹𝐹 + 𝐻𝑓+1 �̅� + ℎ𝑓−1 𝐿 = 𝐻𝑓 𝑉 + ℎ𝑓�̅� (40) A partir da segunda suposição feita anteriormente, conclui-se que 𝐻𝑓+1 ≈ 𝐻𝑓 e ℎ𝑓 ≈ ℎ𝑓−1. A equação 40 se torna a equação 41. ℎ𝑓𝐹 + 𝐻�̅� + ℎ𝐿 = 𝐻𝑉 + ℎ�̅� (41) ℎ𝑓𝐹 + 𝐻(�̅� − 𝑉) ≈ ℎ(�̅� − 𝐿) (42) Rearranja a equação 39, tem-se: �̅� − 𝑉 = �̅� − 𝐿 − 𝐹 (43) Substituindo a equação 43 na equação 42 têm-se: ℎ𝑓𝐹 + 𝐻(�̅� − 𝐿 − 𝐹) ≈ ℎ(�̅� − 𝐿) → (𝐻 − ℎ𝑓)𝐹 ≈ (�̅� − 𝐿)(𝐻 − ℎ) (44) Rearranjando mais uma vez, têm-se a equação 45: �̅�−𝐿 𝐹 ≈ 𝐻−ℎ𝑓 𝐻−ℎ (45) Note que �̅� − 𝐿 é a quantidade de líquido que sai da região de retificação até a região de esgotamento. Consequentemente, a razão �̅�−𝐿 𝐹 é essencialmente q na destilação flash, assim a equação 45 pode ser reescrita como: 𝑞 = �̅�−𝐿 𝐹 ≈ 𝐻−ℎ𝑓 𝐻−ℎ (46) Nominalmente a equação acima pode ser descrita da seguinte forma: 𝑞 = 𝑓𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝑙í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 𝑎𝑏𝑎𝑖𝑥𝑜 𝑑𝑎 𝑎𝑙𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎çã𝑜 − 𝑓𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝑙í𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 𝑎𝑐𝑖𝑚𝑎 𝑑𝑎 𝑎𝑙𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎çã𝑜 𝑓𝑙𝑢𝑥𝑜 𝑑𝑒 𝑎𝑙𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑎çã𝑜 Rearranjando a equação 46, �̅� − 𝐿 = 𝐹𝑞 (47) Combinando as equações 47 com a equação 43 e rearranjando resulta na equação de rendimento: �̅� = 𝑉 − (1 − 𝑞)𝐹 (48) Referências bibliográficas [1] Warren L. McCabe e Julian C. Smith. Operaciones Básicas de Ingeniería Química. Traduzido por Fidel Mato Vázquez, José Coca Prado e Pablo Mogollón Sánchez. Ed. Reverté, Barcelona, 1986. [2] C.J. Geankoplis. Procesos de transporte y operaciones unitarias. Ed. Cecsa, México, 1998. [3] Levenspiel, O. Flujo de Fluidos. Transmisión de Calor. Ed. Reverté. Barcelona. 1996.