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FIGURAS DE CONSTRUÇÃO OU DE SINTAXE UNESPAR – PARANAGUÁ 4º LETRAS/PORTUGUÊS FIGURAS DE CONSTRUÇÃO OU DE SINTAXE “As figuras de construção ou de sintaxe caracterizam-se por apresentar determinadas mudanças na estrutura comum das orações, como inversão, repetição ou omissão de termos” (SARMENTO; TUFANO, 2011, p. 270). Sintaxe: é a parte da gramática que estuda a ordem e as relações das palavras na frase e das frases nos textos. GRUPO 3 Elipse – Magdiélly – 3 minutos; Zeugma – Caroline – 3 minutos; Silepse – Jéssica – 3 minutos; Polissíndeto/assíndeto – Eraoli -3 minutos; Anáfora – Nilton – 5 minutos; Hipérbato/Inversão – Luciane – 5 minutos; Anacoluto - Andréia Verônica – 3 minutos. Pleonasmo – Cleisane – 8 minutos; elipse Definição Etimologicamente, a palavra “elipse” se originou a partir do grego élleipsis, que pode ser traduzido como “falta” ou “defeito”.Na classificação das figuras de linguagem, a elipse é categorizada como uma figura de construção, que acontece quando há a omissão de um termo que pode ser subentendido no texto, sendo identificável unicamente por causa do contexto do texto. Exemplos Elipse do sujeito Neste Carnaval, vou sambar até amanhecer! Gostaríamos de viajar pela Europa, mas não temos dinheiro. Peguei de volta meu casaco. Exemplos Elipse de verbos No fim do dia, nenhum familiar feliz com o desenvolvimento dos acontecimentos. Quanta amargura no seu comentário! As rosas florescem em maio, as margaridas em agosto. Ela está passando mal! Depressa, um médico! Exemplos Elipse de preposições A modelo saiu do camarim, cara lavada, pronta para a sessão de maquiagem. Mariana chorava sem parar, olhos inchados e nariz vermelho. Elipse de conjunções Gostasse você de mim, eu seria a pessoa mais feliz do mundo! Não fosse sua amabilidade, haveria tanta confusão nesta repartição. ZEUGMA Definição Zeugma é uma figura de linguagem que consiste na omissão de uma palavra já mencionada na frase. Esta figura de linguagem está classificada na categoria “Figuras de sintaxe” ou “Figuras de construção”. Este fenômeno ocorre devido a sua interferência na construção sintática das frases Para evitar a repetição sucessiva de termos repetidos, o zeugma garante a omissão destas palavras, sem prejudicar o entendimento total da sentença, de acordo com o contexto e os elementos gráficos que fazem parte da oração. Portanto, ela torna a linguagem do texto mais fluida. Quando é utilizada, o uso da vírgula torna-se necessário. Exemplos Eu gosto de bolo; Maria gosta de leite. Ele gosta de geografia; eu, de português No céu há estrelas; na terra, você. SILEPSE Definição A palavra Silepse vem do Grego sýllepsis, que significa “ato de compreender”, “abranger”, “tomar em conjunto”. Também conhecida como concordância ideológica, ocorre quando uma palavra discorda gramaticalmente de outras expressões. Podendo ser de três tipos: gênero, número e pessoa. Exemplos Gênero: “Vossa Excelência está preocupado.” Número: “A população chegou agitada ao comício, levavam cartazes e apitos.” Pessoa: “O problema é que os três queremos comemorar o aniversário no mesmo dia.” Polissíndeto/ assíndetto Exemplos Enquanto os homens exercem seus podres poderes índios e padres e bichas, negros e mulheres E adolescentes fazem o carnaval (Podres poderes – Caetano Veloso) As ondas vão e vem, e vão, e são como o tempo. (Sereia – Lulu Santos) Exemplo Tem que ser selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado, se quiser voar Pra lua, a taxa é alta Pro sol: identidade Mas para o seu foguete viajar pelo universo é preciso o meu carimbo dando o sim, sim, sim, sim (Carimbador Maluco – Raul Seixas) anáfora Definição Anáfora é a figura da repetição. Ocorre quando uma mesma palavra ou várias são repetidas sucessivamente, no começo de orações, períodos, ou em versos. A repetição tem o objetivo de dar ênfase e tornar mais expressiva a mensagem. Anáfora tem sua origem na palavra grega anaphorá, que indica o ato de trazer ou manter uma repetição. A Anáfora é uma figura que tem destaque nos quadrinhos populares, versos e letras de músicas. Seu uso tão comum é por ser um recurso simples de usar e bastante atrativo. Os vocábulos repetidos dão a mensagem uma rica expressividade. Além disso, esta repetição de palavras torna-se excelente recurso linguístico, que consegue facilitar a rima e cativar muita gente. A música dos Titãs é um exemplo disto. Exemplo As Flores – Titãs (...) Olhei até ficar cansado De ver meus olhos no espelho Chorei por ter despedaçado As flores que estão no canteiro Os pulsos os punhos cortados O resto do meu corpo inteiro Há flores cobrindo o telhado E embaixo do meu travesseiro Há flores por todos os lados Há flores em tudo o que eu vejo A dor vai curar essas lástimas O soro tem gosto de lágrimas As flores tem cheiro de morte A dor vai fechar esses cortes Flores Flores As flores de plástico não morrem (...) POEMA – Carlos Drummond de Andrade E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? (...) Observamos que está se repetindo insistentemente a conjunção “se” e o pronome de tratamento “você”. TERMO ANAFÓRICO ATENÇÃO! Além de ser uma figura de linguagem, anáfora é também o nome dado a um processo sintático através do qual um termo faz referência a uma informação previamente mencionada. Esse termo pode ser chamado de termo anafórico ou elemento anafórico. Exemplo: Paulo não foi à festa. Ele estava fazendo serão no trabalho. São chamados de pronomes anafóricos aqueles que estabelecem uma referência dependente com um termo antecedente, é uma palavra herdada do grego “anaphorá” e do latim “anaphora”. Exemplo 1 - João está doente. Vi-o na semana passada. (pronome “o” retoma o termo “João”.) 2 - Ana comprou um cão. O animal já conhece todos os cantos da casa. (o termo “o animal” faz referência ao termo antecedente “o cão”) 3 - A sala de aula está degradada. As carteiras estão todas riscadas. (O termo “as carteiras” é compreendido mediante a compreensão do termo anterior “sala de aula”) Hipérbato/inversão Definição O hipérbato refere-se a uma inversão brusca da ordem sintática dos termos de uma oração provocando um rompimento da ordem direta dos termos da oração (sujeito, verbo, complementos, adjuntos) ou de nomes e seus determinantes. Sendo uma figura de linguagem, atua como um recurso que aumenta a expressividade da mensagem, passível de ser utilizado na linguagem oral e escrita. Embora por vezes possa prejudicar a clareza da mensagem, causando alguma ambiguidade, o hipérbato não cria a obscuridade do sentido da mensagem, comprometendo o seu entendimento. Na poesia, esta figura de linguagem é muitas vezes utilizada para cumprir as exigências do verso relativamente à métrica e às rimas. Exemplos: Brincavam antigamente na rua as crianças. As crianças brincavam na rua antigamente Que como estas flores seja a vida bonita e perfumada. Como estas flores que a vida seja bonita e perfurmada. Hipérbato na literatura “Do tamarindo a flor abriu-se, há pouco.” (Gonçalves Dias) A flor do tamarindo abriu-se há pouco. “Não te esqueças daquele amor ardente/que já nos olhos meus tão puro viste.” (Camões). Não te esqueças daquele amor ardente/ que nos meu olhos tão puro já viste. 31 Hino Nacional “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas de um povo heroico o brado retumbante.” “As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heroico.” (Osório Duque Estrada) O uso do hipérbato Com este tipo de formação, consegue-se que a linguagem adquira certa elegância e beleza. Em síntese, é uma figura retórica que se emprega por razões estéticas e técnicas, pois através dela se realça a dimensãoestética da linguagem e, ao mesmo tempo, é possível adaptar um verso a uma rima determinada. anacoluto Definição: Anacoluto: - é uma figura de linguagem que, segundo a retórica clássica, consiste numa irregularidade gramatical na estrutura de uma frase, como se o locutor começasse uma frase e houvesse uma mudança de rumo no pensamento — por exemplo, mediante o desrespeito das regras de concordância verbal ou da sintaxe. Etimologia: - O termo anacoluto vem do latim anacoluthon, que tem origem no grego anakoluthos. A palavra grega, por sua vez, deriva do termo também grego koluthos, que significa “caminho”. Assim, originalmente, anacoluto quer dizer “que não segue o mesmo caminho”. Exemplos de anacoluto: Eu, toda vez que chego, você me chama pra conversar. A princípio, o pronome “eu” parece ser o sujeito da oração, mas em seguida é introduzido um novo período: “toda vez que chego, você me chama pra conversar”. Embora pareça que esse período tem o “eu” como sujeito, na verdade o sujeito está oculto. Se o sujeito fosse claro, teríamos “toda vez que eu chego, você me chama pra conversar”. Assim, constatamos que o “eu” presente no início do exemplo não possui função sintática alguma. Esse chapéu que está na moda, você que gosta de chapéu devia comprar um. Note que a oração “você que gosta de chapéu devia comprar um” tem sentido completo. Enquanto isso, a oração “esse chapéu que está na moda” fica esperando um complemento que não chega, fica sintaticamente solta. pleonasmo Definição O Pleonasmo é um recurso estilístico que está presente em nosso cotidiano e que tem a finalidade de dar ênfase a uma frase. Está presente em livros, musicas, fala e é um termo que se repete na oração para enriquecer o sentido do texto, porém essa repetição é desnecessária. O pleonasmo ocorre em duas formas: Pleonasmo literário – tem como finalidade dar maior ênfase a uma mensagem, chamar atenção ao que está sendo transmitido. Exemplos em poemas “chovia uma chuva de resignação” “e ali dançavam tanta dança” “e rir meu riso e derramar meu pranto” Pleonasmo vicioso – acontece na fala, muitas vezes o emissor não percebe que está praticando um pleonasmo vicioso. “hemorragia de sangue” “fato real” “ambos os dois” “sair pra fora” “adiar pra depois”