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<p>CAPÍTULO 5 APOSTO E VOCATIVO Aposto CONSTRUINDO O CONCEITO Leia esta tira, de Dik Browne ACHA QUE NOS, VIKINGS, NÃO AQUILO FOI FAZEMOS NADA DE BOM? OLHE PRA UMA CIDADE QUELE VALE! VOCE JA ALGO APINHADA DE BONITO ASSIM? GENTE! I 4-25 (0 melhor de Hagar, 0 Porto Alegre: L&PM. 2008 3 28.) 1. No quadrinho da tira, Hagar fala com seu amigo Eddie Sortudo. a) Que palavra desse quadrinho indica que os dois pertencem à mesma comunidade? b) Que palavra Hagar usa para identificar ou explicar qual é a comunidade a que ele e o amigo pertencem? c) Que sinal de pontuação foi empregado para isolar essa palavra do resto da frase? 2. Pela fala de Hagar, supomos que Eddie comentou que os vikings não fazem nada de bom. o quadrinho confirma ou nega esse possível comentário de Eddie? Por quê? 84 CAPÍTULO 5</p><p>CONCEITUANDO Você deve ter observado que, na frase "Você acha que nós, vikings, não fazemos nada de bom?", o termo vikings tem a finalidade de identificar ou explicar a comunidade a que ambas as personagens pertencem. Esse termo da oração chama-se aposto. Aposto é o termo da oração que se junta a um substantivo, a um pronome ou a uma oração para explicá-los, resumi-los ou identificá-los. Entre o aposto e o termo a que ele se refere há quase sempre uma pausa, marcada na escrita pela vírgula ou, em casos especiais, por dois-pontos, travessão ou parênteses. Veja: Duas coisas incomodavam o vovô: o barulho de crianças e o calor intenso. Pode, às vezes, não haver pausa. Isso ocorre quando o aposto especifica ou individualiza o termo a que se refere. Observe: Encontro você às 10 horas, na praça da Independência, em frente às Lojas Americanas. MORFOSSINTAXE DO APOSTO A função de aposto pode ser desempenhada por substantivo, pronome ou oração: pronome Pedrinhas, parafusos, clipes, botões, tudo ele, meu vizinho, guardava numa lata de bolachas. substantivo APOSTO E VOCATIVO 85</p><p>Vocativo Leia a tira: ESTA BEM, ZELADOR ? ISSO E APENAS MEU INFERNO ASTRAL! MELHOR IR PRA QUANDO CASAESE CAMA. NO AGENTE INFERNO NÃO ADIANTA INSISTIR. (Laerte. Striptiras 3 - - 0 zelador, pau pra toda obra, e 0 síndico sempre de olho. Porto Alegre: L&PM, 2008. Releia o primeiro balão da tira. A mulher se dirige ao zelador e diz: "... Você está bem, zelador?" " o termo zelador coloca em evidência o interlocutor. Esse termo da oração recebe o nome de vocativo. Vocativo é o termo da oração por meio do qual chamamos ou interpelamos nosso interlocutor, real ou imaginário. Na escrita, o vocativo aparece isolado por vírgulas ou seguido de ponto de exclamação e pode vir precedido da interjeição de chamamento Veja: ó zelador, você não parece estar bem! Observe novamente o primeiro balão da tira. Note que o vocativo zelador não se subordina a nenhum outro termo da frase. Seu papel é apenas invocar, chamar ou nomear uma pessoa. 86 CAPÍTULO 5</p><p>EXERCÍCIOS Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 3. A cara de "não" é igual no mundo todo [...] Por Helô D'Angelo Sobrancelhas franzidas, lábios pressionados e queixo enrugado: todo mundo conhece a cara de Todo mun- do mesmo: um estudo da universidade de Ohio mostrou, pela primeira vez, que esta expressão é a mesma para falan- tes de inglês, espanhol, mandarim e até para pessoas que se comunicam por linguagem de sinais. Para fazer a análise, os cientistas usaram um programa de computador capaz de reconhecer 21 reações faciais diferentes e suas misturas através de fotos tiradas por uma câmera digital. Se existisse uma cara de "não", pensavam os pesquisadores, ela seria uma combinação dos sentimentos que todos temos quando discordamos de algo e que já estavam no banco de dados do programa: raiva, nojo e desprezo. Foram estudadas as mudanças faciais de 158 estudantes da universidade. Cada um deles foi fotografado enquanto conversava com uma outra pessoa, que ficava atrás da câmera. As conversas eram todas sobre assuntos que poderiam gerar discordância, e se desenvolviam na língua materna do alu- no que estava sendo analisado. Os idiomas usados no estudo inglês, espanhol e mandarim - foram escolhidos para representar todos os atu- ais, que se baseiam no latim (como 0 espanhol), no germânico (como 0 inglês) e nas línguas orientais antigas (como 0 mandarim). A lingua- gem de sinais, por sua vez, entrou no estudo para comprovar se a cara de "não" teria relação com outras formas de comunicação além da fala. [...] (Disponível em: Acesso em: 17/5/2016.) 1. o texto descreve a cara do "não". De acordo com o texto: a) Quais são as características faciais da cara do "não"? b) Como a Universidade de Ohio analisou essas expressões? APOSTO E VOCATIVO 87</p><p>2. Sabendo-se que o aposto é o termo da oração que se junta a um substantivo, a um pronome ou a uma oração para explicá-los, resumi-los ou identificá-los, identifique, no texto, quatro apostos e os termos a que respectivamente se referem. 3. Você acha que a "cara do não" do brasileiro coincide com a de outros povos? E como você imagina que é a cara do "sim"? Leia a tira a seguir, de Dik Browne, para responder às questões de 4 a 6. HAGAR CHRIS BROWNE TODO MUNDO EU só COMETE ERROS, COMETI E QUAL OH UM. FOI? HELGA! 5- 26 (Folha de S. Paulo, 27/6/2006.) 4. De acordo com o contexto, qual foi provavelmente o erro de Helga? 5. Se Helga tornasse explícita sua resposta, ela poderia fazê-lo de dois modos: empregando um aposto ou um predicativo do sujeito. Releia estas frases da tira: "Eu só cometi um." "E qual foi?" Como Helga poderia se expressar para deixar claro o que pensou, na situação da primeira frase ou na resposta à segunda, se empregasse: 88 CAPÍTULO 5</p><p>a) um aposto? b) um predicativo do sujeito? 6. que Hagar achou da resposta? Por quê? VOCATIVO NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO Leia este poema, de Sérgio Capparelli: Doente anônimo (Bilhete encontrado na sala de aula pela turma da limpeza) Doutora, meu amor adoeceu, anda perrengue, estropiado, tem o fígado roto e coração em descompasso. - Doutora, não sei que faço! Meu amor sofre de artrite, stress, falta de viço, magro, magérrimo quase morre de cansaço. Doutora, não sei o que faço! Não sai mais a galope, nem a trote, como antes. Doutora, ele agora, muito triste, segue a passo, lento passo. Doutora, linda doutora, o que é que eu faço? (Restos de 8. ed. Porto Alegre: L&PM, 2005. p. 32.) APOSTO E VOCATIVO 89</p><p>1. Abaixo do título do poema, há a informação: "Bilhete encontrado na sala de aula pela turma da limpeza". a) Levante hipóteses: Por que há esse tipo de informação no texto? b) Quem é o "doente anônimo"? c) Discuta com os colegas: o texto é um poema ou um bilhete? 2.0 locutor ou enunciador se dirige a uma pessoa. a) A quem ele se dirige? Que palavra(s) usa para nomeá-la? b) Qual é a função sintática desse termo no poema? c) Qual é a profissão dessa pessoa? Justifique sua resposta. 3.0 eu lírico, ao recorrer a esse tipo de profissional, tem uma finalidade em vista. a) Para que ou para quem ele procura ajuda? b) Levante hipóteses: o que pode ter acontecido a ponto de o eu lírico procurar ajuda? 4. Note que, na última estrofe, o eu lírico deixa de chamar seu interlocutor de "doutora" e passa a chamá-la de "linda doutora". a) o que essa mudança sugere? 90 CAPÍTULO 5</p><p>b) Você acha que o eu lírico vai conseguir resolver seu problema? Por quê? 5.0 vocativo foi empregado seis vezes no poema. Levante hipóteses: o que justifica o emprego tão frequente desse termo no texto? eu lírico destaca seus próprios sentimentos; logo, coloca-se em destaque constantemente por meio do vocativo. eu lírico procura persuadir seu interlocutor a ajudá-lo a resolver seu problema sentimental; a ênfase no interlocutor, expressa pelo vocativo. interlocutor do eu lírico, a doutora, procura enfatizar os sentimentos dele por meio do voca- tivo; a frequência desse termo no poema. SEMÂNTICA E DISCURSO 1. Leia o texto a seguir e, depois, releia em voz alta a frase em destaque. Duas amigas conversam ao telefone. Uma terceira amiga, Mariana, se aproxima e ouve parte da conversa: Minha irmã, Raquel, ficou internada no hospital. No fim de semana, Mariana se encontra com a amiga da qual ouvira a frase e pergunta: Sua irmã Raquel já saiu do hospital? A amiga responde: Não tenho irmã chamada Raquel... Dependendo da situação e da entonação com a qual a frase em destaque seja pronunciada, ela pode ter dois sentidos, um excluindo o outro. a) Quais são esses sentidos? b) Com que sentido Mariana entendeu a frase? APOSTO E VOCATIVO 91</p><p>c) Que função sintática a palavra Raquel desempenha, considerando-se cada um dos possíveis sentidos da frase? d) Dê à frase uma redação na qual Raquel só possa ser vocativo. e) Dê à frase uma redação na qual Raquel só possa ser aposto. 2. Na fala, a entonação pode tornar o sentido dos enun- ciados mais precisos. Na linguagem escrita, entre- tanto, isso não é possível. Nesse caso, a pontuação pode ajudar na captação do sentido pretendido pelo locutor. Compare estas frases: Meu filho, come toda a comida. Meu filho come toda a comida. a) Na primeira frase: Quem é o locutor? E o interlocutor? Qual é a função sintática do termo Meu filho? Em que modo está a forma verbal come? b) Na segunda frase: Quem é o locutor? E o interlocutor? Qual é a função sintática do termo Meu filho? Em que modo está a forma verbal come? 92 CAPÍTULO 5</p><p>DE OLHO NA ESCRITA E ou I ? Leia esta tira, de Fernando Gonsales: MEUS CLARO! VOCE NÃO E MUITO ME OBEDECEM! 6582 1. Muitas palavras da língua portuguesa são pronunciadas de maneira que não corresponde exa- tamente à escrita que apresentam. Complete as seguintes frases da tira com uma das palavras dos pares apresentados entre parênteses, empregando a que é adequada na norma-padrão. a) Meus (filhos ou filhus?) (simplesmente ou simplismenti?) não me obedecem. b) Você é muito (mole ou moli)! 2. Explique a ambiguidade da palavra mole no contexto. Como é possível verificar, nem sempre há correspondência exata entre os sons que produzimos na fala e as letras que os representam na escrita. É o caso, por exemplo, das vogais e e Quando elas são átonas, a tendência da língua oral é transformar o e em i e o o em u. Assim, é comum a pronúncia de moli em vez de mole, mixirica em vez de mexerica, mininu em vez de menino, etc. Veja, a seguir, algumas situações em que devemos estar atentos para, na escrita, empregar ade- quadamente as letras e e i. Emprega-se e: nas formas dos verbos terminados em -oar/-uar: perdoe continue no prefixo ante- (antes): antebraço antecipar Emprega-se i: nas formas dos verbos terminados em -air/-oer/-uir: atrai dói possui no prefixo anti- (contra): antiaéreo antitetânico no plural das terminações -al/-ol/-ul: ramais lençóis pauis APOSTO E VOCATIVO 93</p><p>EXERCÍCIOS Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 3. É BULLYING ? A palavra bullying tem ori- gem na palavra inglesa bully, que significa "valentão, brigão". o bullying se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira frequente, por uma ou mais pessoas contra uma ou mais pessoas. o bullying significa ameaça, tirania, opressão, intimidação, humi- lhação e maus tratos. (Disponível em: sem-graca.html. Acesso em: 17/5/2016.) 1. Observe que no nome da campanha falta um prefixo. a) Que prefixo preenche corretamente o nome: ante ou anti? Justifique sua resposta. b) Dê exemplos de palavras em que se possa empregar o prefixo anti- e o prefixo ante- de forma coerente. 2. Observe a imagem do cartaz e responda: a) o que o grupo de meninas está fazendo? b) Como a menina sozinha está se sentindo? c) o que significa o símbolo vermelho com um corte transversal? Que relação ele tem com a imagem das meninas? 94 CAPÍTULO 5</p><p>d) Que papel tem a imagem, em relação à linguagem verbal do texto? e) Em que lugares costuma ocorrer o bullying? 3. Sobre o bullying: a) Você concorda que não praticar bullying é uma questão de respeito? Por quê? b) Você acha necessário fazer campanhas contra o bullying? Por quê? 4. Complete as frases a seguir, empregando no presente do indicativo o verbo entre parênteses. Aten- ção à grafia da forma verbal! a) Deus te abençoe, filha! - o mendigo à garota. (dizer) b) A fumaça das fábricas a cidade. (poluir) c) Na época da seca, o fogo florestas milenares. (destruir) d) Quem vento colhe tempestade. (semear) e) Ele vive disso casas e depois as vende. (construir) f) A receita diz que primeiro você a carne com o trigo e a cebola e depois acres- centa sal e outros temperos a gosto. (moer) g) Não adianta pedir; ele só uma vez por ano. (contribuir) 5. Forme palavras, empregando antes de cada uma o prefixo ante- ou Quando necessário, utilize hífen. Lembre-se: ante- significa "antes"; anti- significa "contra, oposição". a) penúltimo j) braço b) véspera k) social c) sala l) caspa d) passado m) horário e) ácido n) inflacionário f) aéreo o) projeto g) derrapante p) diluviano h) concepcional q) infeccioso i) herói r) higiênico APOSTO E VOCATIVO 95</p><p>6. Grife, nos pares de palavras a seguir, a forma adequada, de acordo com a norma-padrão. a) esquisito - isquisito g) crânio - crâneo b) quasi - quase h) - pátio c) senão - sinão i) campião - campeão d) adiante - adeante j) umedecer - umidecer e) previlégio - privilégio k) penicilina - pinicilina f) siquer - sequer 7. Leia o cartaz: da www.saude.gov.br DISQUE SAÚDE 0800 61 1997 DA COM COM SUA CASA. SEUS VIZINHOS. A PREFEITURA. BRASIL CONTA COM VOCÊ. DENGUE MATA www.combatadengue.com.b Secretarias SUS Ministério e Municipais de Saúde da Saude TODOS GOVERNO FEDERAL Complete as frases do cartaz, empregando no imperativo afirmativo os verbos cuidar, falar e conversar, nessa ordem. Atenção à ortografia! 8. Em cada um dos itens seguintes, há uma palavra grafada em desacordo com a norma-padrão. Identifique essa palavra e reescreva-a com a grafia apropriada. a) burburinho - polir - cortiça - curtume - nódoa - táboa b) mágoa - tossir - bueiro - jaboticaba - tabuada - capoeira c) guela - régua - costume - regorgitar - engolir - umbigo d) berinjela - calcário - destilar - gorjiar - encher - disenteria e) infarto - penicar - digladiar - enfarte - viger - eletricista 96 CAPÍTULO 5</p><p>DiViRTA-SE Veja como é fácil fazer um rato, usando a arte da dobradura chamada Trava-linguas o rato roeu a roupa do rei de Roma. 1 A Rainha arrumando a roupa não reparou o rombo da roupa que o rato Para fazer Rato você vai precisar de: Um quadrado de 10 X 10 cm e uma tira para fazer rabinho na cor de sua 2 3 4 5 6 7 8 Girar e colocar o rato na horizontal, colar um rabinho e fazer outros detalhes. (Tânia Dias Queiroz e Leila Maria Grillo. Origami & São Paulo: Exito, 2003. p. 89.) APOSTO E VOCATIVO 97</p><p>CAPÍTULO 6 PONTUAÇÃO CONSTRUINDO O CONCEITO Leia esta anedota: A professora pediu que os alunos escrevessem uma redação para Dia das Mães. No final deveriam colocar a frase: "Mãe só tem uma!" Todos os alunos fizeram a redação. Uns elogiavam as mães, outros contavam alguma história, mas todos colocaram no final a frase "Mãe só tem uma!". Faltou Joãozinho. Aí a professora pediu para ele ler seu trabalho. Então Joãozinho levantou-se e começou a ler: - Tinha uma festa lá em casa e a minha mãe pediu para eu buscar duas Cocas na geladeira. Eu fui até a cozinha, abri a geladeira e falei: "Mãe, só tem uma!". (Paulo Tadeu. Proibido para maiores - As melhores piadas para crianças. 8. São Paulo: Matrix, 2007 p. 21.) 98 CAPÍTULO 6</p><p>P 1. humor da anedota é construído em torno do modo como Joãozinho compreendeu a frase "Mãe só tem uma!". Compare: "Mãe só tem uma!" "Mãe, só tem uma!" a) Pronuncie as duas frases em alta e responda: Qual é a diferença entre elas na fala? b) Qual é a diferença entre as frases na escrita? c) Nessas frases, o verbo ter está no lugar do verbo haver (com o sentido de "existir"), o que confere a elas um tom coloquial. Qual é a função sintática de mãe na primeira frase? E na segunda frase? 2.A frase "Mãe só tem uma!" aparece no texto marcada pelo emprego de aspas. que justifica o emprego desse sinal de pontuação? PONTUAÇÃO 99</p><p>para destacar ou isolar palavras, expressões ou comentários no interior de frases: João Manuel - que Deus o tenha em Sua santa companhia não deve estar em paz com o menino aqui fazendo trabalho de negro escravo, senhora dona Adelaide! (Marisa Lajolo) A vírgula normalmente é empregada: para separar termos que exercem a mesma função sintática - sujeito, completos, adjuntos, predicativos quando não estão unidos por e, ou e nem: Eu, meu irmão, meus primos e Pedro fomos ao cinema ontem. sujeito composto para isolar o aposto: o resto do material escolar, livros, cadernos, lápis de cor, estojo, entregaremos hoje à tarde em sua residência. para isolar o vocativo: "Mãe, só tem uma!" para isolar nomes de lugares antepostos a datas: Salvador, 5 de janeiro de 2013. para isolar o adjunto adverbial quando ele está no início da frase e é longo ou se quer destacá-lo: No final da noite, já não havia mais uma única cadeira no lugar. para isolar expressões explicativas como isto é, por exemplo, ou melhor, ou seja, etc.: Tratei de ir procurando um emprego novo, ou melhor, uma vida nova. para indicar supressão de uma palavra (geralmente um verbo) ou de um grupo de palavras: Na sala, cadeira e sofás vazios. QUANDO NÃO EMPREGAR A VÍRGULA? uso da vírgula segue uma orien- tação básica: não se deve empregá-la entre o sujeito e o predicado e entre o verbo e seus complementos. Assim, no anúncio ao lado, na frase "Exis- tem no Brasil cerca de 16 milhões de crianças fumantes passivas", não se separa por vírgula o sujeito, cerca de 16 milhões de crianças fumantes passivas, do predicado Existem no Brasil. Existem no Brasil cerca de 16 milhões de crianças fumantes passivas. PONTUAÇÃO 101</p><p>Ponto e Vírgula ponto e vírgula é empregado para: separar ou organizar os itens de um enunciado: Os clientes que optarem por nosso plano de viagem terão direito a: a) uma passagem aérea com tarifa reduzida; b) um apartamento em hotéis da classe turística; c) café da manhã no hotel; d) visitas a locais turísticos com guias especializados. organizar com maior clareza as orações interiormente já separadas por vírgulas: Uma coisa é você comprar um carro usado, mais barato; outra coisa, bem mais arriscada, é fazer um financiamento por quatro anos. Aspas As aspas são usadas no início e no final de citações; para destacar palavras estrangeiras e gírias; para indicar a fala de pessoas ou de personagens; para chamar a atenção para uma palavra ou rela- tivizar o seu sentido. [...] a fisionomia de José Maria estava tão transtornada que o padre, também de pé, co- meçou a recuar, trêmulo e pálido. "Não, miserável! não! tu não me fugirás!" bradava José Maria, investindo para ele. Tinha os olhos esbugalhados, as têmporas latejantes; o padre ia recuando... recuando... (Machado de Assis) Reticências As reticências podem indicar interrupções na fala ou sugerir alegria, ironia, silêncio, dúvida, ame- aça, surpresa, etc. Veja uma situação de emprego de reticências para indicar surpresa: Sensacional! Nunca tinha visto um noivo de vermelho, antes. Gostei. Confesso que quando entrei na igreja e vi você no altar, de capacete... (Luis Fernando Verissimo) EXERCÍCIOS 1. Em poemas, a pontuação nem sempre obedece às orientações que devem ser aplicadas aos textos em prosa. No poema a seguir isso não ocorre, pois seu autor pontuou-o como se fosse um texto em prosa. Mas, para fins de estudo, foram suprimidas propositalmente todas as vírgulas. Leia-o e depois faça o que se pede. 102 CAPÍTULO 6</p><p>Menino marinheiro menino marinheiro imaginário navega pelos mares mais bravios em seu barco azul. barco azul é cheio de luz cheio de flores e doces e música que o vento traz. Nos dias quentes vem o sol e amacia e aquece o balanço do barco e dos corpos. A noite fria traz gomos de céus com traços de lua e estrelas pra enfeitar o barco do menino. Muitas vezes leve livre e sereno sem pressa sem rota sem rumo lá vai o barco azul. Outras vezes o barco azul enfrenta tempestades relâmpagos raios e ventania. Quase sempre há piratas e perigos e brigas e perdas e naufrágios. Mas o barco azul vence tudo e todos e segue sem pressa sem rota e sem rumo. Forte e sempre sereno o barco segue. que leva de tão importante o barco? Leva flores doces e colares de estrelas pra namoradinha imaginária do imaginário marinheiro. (Elias José. Forrobodó no São Paulo: Mercuryo Jovem, 2006. p. 37.) a) Empregue, no poema, vírgulas onde convencionalmente elas deveriam ser utilizadas. b) Troque ideias com os colegas e justifique o emprego das vírgulas nestes versos: Muitas vezes leve livre e sereno sem pressa sem rota sem rumo lá vai o barco azul. PONTUAÇÃO 103</p><p>2. No texto a seguir, para fim de estudo, houve eliminação de travessões, aspas e vírgulas. Leia-o e empregue esses sinais Depois faça o que se pede. Pá, pá, pá A americana estava há pouco tempo no Brasil. Queria aprender o português depressa, por isto prestava muita atenção em tudo que os outros diziam. [...] Achava curioso por exemplo o pois é Volta e meia, quando falava com brasileiros, ouvia o pois é Era uma maneira tipicamente brasileira de não ficar quieto e ao mesmo tempo não dizer nada. Quando não sabia o que dizer, ou sabia mas tinha preguiça, o brasi- leiro dizia pois é Ela não aguentava mais o pois é Também tinha dificuldade com o pois sim e o pois não Uma vez quis saber se podia me perguntar uma coisa. Pois não disse eu, polidamente. É exatamente isso! que quer dizer pois não ? Bom. Você me perguntou se podia fazer uma per- gunta. Eu disse pois não Quer dizer pode esteja à vontade estou ouvindo estou às suas ordens... Em outras palavras, quer dizer sim É. Então por que não se diz pois sim ? Porque pois sim quer dizer não quê?! Se você disser alguma coisa que não é verdade, com a qual eu não concordo ou acho difícil de acreditar, eu digo pois sim Que significa pois não ? Isto é não. Porque pois não significa sim Por quê? Porque o pois no caso, dá o sentido contrário, entende? Quando se diz pois não está-se dizendo que seria impossível, no caso, dizer não [...] (In: Luis Fernando Verissimo. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva. by Luis Fernando Verissimo.) Em relação à pontuação que você fez no texto, justifique: a) o emprego de aspas; b) o emprego de travessões; c) o emprego de vírgulas. 104 CAPÍTULO 6</p><p>A PONTUAÇÃO NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO Questão de pontuação Todo mundo aceita que ao homem cabe pontuar a própria vida: que viva em ponto de exclamação (dizem: tem alma dionisíaca); viva em ponto de interrogação (foi filosofia, ora é poesia); viva equilibrando-se entre vírgulas e sem pontuação (na política); o homem só não aceita do homem que use a só pontuação fatal. que use, na frase que ele vive, o inevitável ponto final. (João Cabral de Melo Neto. Agrestes - Poesia, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. by herdeiros de João Cabral de Melo Neto.) filosofia: busca, por meio da razão, de explicações para a vida, o universo, a moral, o bem comum, conjunto de princípios para orientação na vida prática; razão, sabedoria; conjunto de ideias; conjunto de concepções comuns a determinado grupo social; pensamento coletivo. 1. assunto de um texto nem sempre equivale ao tema. tema são as ideias mais profundas de um texto. No poema lido, por exemplo, o assunto é a pontuação, mas o tema é outro. Observe a que são associados os sinais de pontuação e responda: Qual é o tema do poema? 2. Todo o desenvolvimento do poema nasce da afirmação contida nos dois versos iniciais: "Todo mundo aceita que ao homem / cabe pontuar a própria vida". que o eu lírico quer dizer com esses versos? 3. Ao longo do poema são mencionados quatro sinais de pontuação. a) Quais são esses sinais? PONTUAÇÃO 105</p><p>b) que eles representam em relação à vida? Assinale a melhor resposta. PARA QUE SERVE A PONTUAÇÃO? ( ) Representam os erros que o homem co- mete na vida. Diferentemente da fala, que, além da palavra, conta com vários outros recur- ( ) Representam diferentes formas de viver, que cabe ao homem escolher. para construir sentido expressão facial, entonação, gestos, postura corpo- ( ) Representam os problemas que cada ser ral, ambiente, etc. a linguagem escrita humano encontra em sua trajetória de vida. dispõe apenas de recursos gráficos. Entre esses recursos gráficos, a pontuação é 4. Na estrofe do poema, a vida é associada um dos mais importantes, pois ajuda a ao ponto de exclamação, relacionado ao ver- organizar sintaticamente o texto e a tor- so "(dizem: tem alma Veja alguns nar as ideias mais claras e precisas. dos sentidos da palavra dionisíaco registrados no dicionário: dionisíaco: relativo a Dioniso, deus da mitologia grega; o mesmo que desinibido, espontâneo, vibrante, entusiástico, agitado, natural, irracional, anárquico. a) Qual ou quais desses sentidos essa palavra apresenta no contexto? b) Que relação existe entre a palavra dionisíaco e o ponto de ex- clamação? 5. Na estrofe, há referências a viver "em ponto de interrogação" e "equilibrando-se entre vírgulas". a) Por que o ponto de interrogação é associado à filosofia e à poesia? b) Para você, o que é viver "equilibrando-se entre vírgulas"? c) Levante hipóteses: que poderia ser uma vida "sem pontuação (na política)"? 6. Leia a última estrofe: a) que representa a "frase" que cada um de nós vive? b) E o que representa, na frase da vida, o ponto final? 106 CAPÍTULO 6</p><p>c) Troque ideias com os colegas e dê uma interpretação coerente aos versos "o homem só não aceita do homem / que use a só pontuação fatal". SEMÂNTICA E DISCURSO Leia o poema a seguir e responda às questões de 1 a 3. Reticências um pensamento que ficou parado no ar. Uma frase sem complemento, alguma coisa que o vento trouxe e não quis contar. essa frase... esse silêncio, esse "quase" que me faria feliz. Reticência, não me arrase! Me diga o que foi... o que é? De quem o segredo, qual é? Me fale, me diga, me diz... Que vírgulas não devo usar, pra que você faça as pazes com essa minha aflição? Reticência, veja agora: pra terminar essa história, não tenho mais paciência. Só tenho uma reticência.. dentro do meu coração. (Antonio Barreto. Mochila - Poemas para viagem. São Paulo: Mercuryo Jovem, 2004. p. 28.) 1. poema emprega as palavras reticências e reticência com significados bem distintos. a) que são as reticências? b) que é uma reticência? PONTUAÇÃO 107</p><p>2. Há, no poema, uma relação entre o emprego dessas palavras e o emprego das próprias reticên- cias como sinal de pontuação. Identifique no poema um trecho em que o sinal de pontuação tenha relação com: a) os motivos porque foi empregado; b) o sentido da palavra reticência. 3. Releia a segunda estrofe do poema. a) Como se sente o eu lírico? b) Levante hipóteses: Por que ele se sente assim? 4. Leia esta piada: A professora ensina como deve ser usada a vírgula e faz um ditado para os alunos coloca- rem as vírgulas. Eis a redação de Chico: homem saiu de casa na cabeça, trazia um chapéu amarelo nos pés, sapatos de lona escu- ra nos olhos, óculos contra o sol na lapela, um bonito cravo vermelho. (Donaldo Buchweitz, org. Piadas para você morrer de Belo Horizonte: Leitura, 2001. p. 182.) a) Explique em que consiste o humor do texto. b) Reescreva o segundo parágrafo do texto e pontue-o adequadamente, de forma a dar sentido lógico ao texto. 108 CAPÍTULO 6</p><p>5. Transforme as interrogações diretas em interrogações indiretas. Veja o exemplo: Quem quebrou a vidraça? Eu gostaria de saber quem quebrou a vidraça. a) Que horas são, por favor? b) Você quer almoçar agora? c) shopping abre neste feriado? d) Em que dia vai ser comemorado o aniversário do Renato? 6. Leia as frases, observando a pontuação. Depois explique a diferença de sentido entre as duas frases de cada item. a) Francisco, o assaltante de joias foi pego pela polícia. Francisco, o assaltante de joias, foi pego pela polícia. b) Todos observaram, sem interferir, os pais repreendendo o menino injustamente; eu não me mani- festei contra. Todos observaram, sem interferir, os pais repreendendo o menino injustamente; eu não, me mani- festei contra. 7. Leia esta frase: rapaz cavalgava pelo campo. a) Acrescente à frase, no final, o adjetivo silencioso de modo que essa palavra represente uma característica: do campo do rapaz PONTUAÇÃO 109</p><p>b) Dê outras redações à frase, a ela o adjetivo silencioso de modo que essa palavra represente uma característica: do rapaz da maneira como o rapaz cavalgava ou como ele estava ao cavalgar 8. Leia esta frase: Encontrei no banco uma pessoa que eu conheci rapaz. Explique a mudança de sentido que ocorreria nessa frase se fosse colocada uma vírgula depois da palavra conheci. DE OLHO NA ESCRITA ou A ? Leia este texto: Se o homem evoluiu dos macacos, por que eles ainda existem? Hussam Zaher, professor de Zoologia do Instituto de Biociências da USP, afirma que o homem não evoluiu dos macacos atuais: "Viemos de um grupo mais antigo, que hoje está de fato extinto". Zaher explica que homem, o gorila, o chimpanzé e o orangotan- go derivam desse mesmo ancestral primata. Assim como o gorila e o orangotango são macacos distintos entre si, os homens de Neanderthal e os Homo sapiens pertencem a espécies diferentes. Ambos apareceram mais ou menos na mesma época, há mais de 130 mil anos. Os Homo neanderthalensis desapareceram há 30 mil anos e os Homo sapiens deram origem ao homem moderno. (Disponível em: 20/5/2016.) 110 CAPÍTULO 6</p><p>1. Segundo o cientista, o homem não evoluiu dos macacos atuais. a) De qual primata evoluiu o homem? b) Que outros mamíferos derivam do mesmo ancestral do homem? c) É correto dizer que o ser humano provém do Homo sapiens ou Homo neanderthalensis? Justifique sua resposta. 2. No texto, nas orações "há mais de 130 mil anos" e "há 30 mil anos", foi empregado o verbo haver para indicar tempo decorrido. Nesse caso, o verbo é impessoal, isto é, não tem variações de pessoa e é empregado apenas na pessoa do singular. Nessas situações, o verbo haver pode ser substituído pelo verbo fazer, também impessoal. Substituindo o verbo haver por fazer, como ficariam as orações? Você viu, nos exercícios, que o verbo haver, quando tem o sentido de tempo decorrido, é impessoal e deve ser empregado no singular: há. Ocorre que a preposição a também pode, em alguns casos, indicar tempo. Veja, a seguir, as situações em que devemos empregar há ou a. TRÊS ANOS" E "TRÊS ANOS ATRÁS" Há, com referência a tempo passado, é equivalente a atrás. Por isso, a norma-padrão recomenda empregar uma forma ou outra: Há três anos fiz uma excursão ao Rio de Janeiro. Três anos atrás fiz uma excursão ao Rio de Janeiro. Emprega-se há: com referência a tempo passado (equivale a faz): Estive em Belo Horizonte há quatro anos. quando é uma forma do verbo haver: Há uma pessoa na sala esperando você. Emprega-se a: com referência a tempo futuro: Iremos jantar daqui a cinco minutos. com referência a distância: Moro a dez da escola. PONTUAÇÃO 111</p><p>EXERCÍCIOS 1. Leia esta anedota: Um sujeito convidou um colega do trabalho para sua festa de aniversário. Deu o en- dereço e É fácil achar meu apartamento. Siga até o fundo do edifício. Lá dois ele- vadores. Tome o da esquerda e aperte o andar. Minha porta é a da direita. Toque a campainha com o cotovelo e pronto! Chegou. Ficou claro? Ficou. Mas eu não entendi só uma coisa: por que eu tenho de apertar a campainha com o cotovelo? Ora, você não vai à minha festa de aniversário com as mãos abanando, vai? a) Que palavra completa convenientemente a terceira frase do segundo parágrafo: há ou a? Justifique sua resposta. b) Caso fosse pedido a você que completasse a frase com o verbo existir, como ela ficaria? 2. Complete as frases com a ou há: a) poucos dias do exame, o professor achou melhor fazer uma revisão, pois alegou que ainda muitas dúvidas na classe. b) pouco, vi-o entrar na sala. Disse que vai começar trabalhar e só vai deixar o local daqui três horas. c) várias lojas de tecidos na região. trezentos metros, por exemplo, uma especia- lizada em seda. d) Estamos dois meses do Natal e já se vê Papai Noel nas lojas! e) uma borracharia poucos quilômetros Nesta avenida, mais à frente, um posto. Siga até o posto e, quando a avenida começar subir, você verá a borracharia uns 50 metros, à direita. 112 CAPÍTULO 6</p><p>3. Leia esta tira: HAGAR CHRIS BROWNE À MULHER POR QUEM ME APAIXONEI HÁ MUITOS ANOS ATRÁSI NÃO VAI DIZER QUEM ERA ELA? BROWNE Reescreva a fala de Hagar, adequando-a à norma-padrão formal. DiViRTA-SE O2 2 Eder Santos. Salão Internacional Pátio Brasil de Humor sobre Meio Ambiente - Tema: poluição urbana. p. 84.) PONTUAÇÃO 113</p><p>CAPÍTULO 7 FIGURAS DE SINTAXE CONSTRUINDO O CONCEITO Quando escrevemos, ficamos tempo todo atentos ao sentido que pretendemos dar ao texto e, por isso, escolhemos cuidadosamente cada palavra. Contudo, a escolha das palavras não é único fator responsável pela construção do sentido de um texto. Entre outros fatores, também é importante modo como construímos sintaticamente os enunciados. Leia os textos a seguir. O primeiro é um anúncio publicitário, e segundo, um trecho do poema "A mosca azul", de Machado de Assis. Texto I Semana do Meio Ambiente Direito de ter, dever de cuidar (Disponível em: 20/4/2016.) 114 CAPÍTULO 7</p><p>Texto II Era uma mosca azul, asas de ouro e granada. Filha da China ou do Indostão, Que entre as folhas brotou de uma rosa encarnada, Em certa noite de verão. E zumbia, e voava, e voava, e zumbia, Refulgindo ao clarão do sol E da lua, - melhor do que refulgiria Um brilhante do Grão-Mogol. (In: Alfredo Bosi et al. Machado de São Paulo: Ática, 1982. p. 308.) encarnada: vermelha. refulgir: brilhar intensamente. Grão-Mogol: grande diamante encontrado na Índia em 1550; imperador do Império Mogol; cidade mineira da Chapada 1. o texto I faz parte de uma campanha desenvolvida pela Empresa Baiana de Águas e Sane- amento (Embasa) em favor do meio ambiente. Observe a imagem mostrada no anúncio. a) Que animal é sugerido pela imagem? b) Observe as formas desse animal e do que ele tem no bico. A que se associam essas formas? c) que a forma verde sobreposta ao animal lembra? d) que as cores verde e azul do animal podem representar? FIGURAS DE SINTAXE 115</p><p>e) Conclua: que o animal representa? f) Que relação há entre o que o animal representa e o anunciante? 2. Releia o enunciado: "Direito de ter, dever de cuidar". a) Nesse enunciado, há um termo Qual é esse termo? b) Reescreva o enunciado, explicitando o termo subentendido. c) Levante hipóteses: Por que esse termo não foi explicitado no enunciado? d) Que recurso não verbal foi utilizado para que o leitor pudesse deduzir o termo? 3. Considerando que o texto faz parte de uma campanha da Embasa, responda: a) Qual é o destinatário do anúncio? b) Qual é a finalidade principal dele? 4. No texto II, no verso da estrofe, há inversão de palavras, isto é, os termos da oração não estão na ordem direta. Reescreva o verso, colocando os termos da oração na seguinte ordem: sujeito (representado pelo pronome relativo que) + verbo + adjunto adverbial de lugar. 116 CAPÍTULO 7</p><p>5. No verso "E zumbia, e voava, e voava, e a) Qual é a conjunção que se repete? b) Que efeito de sentido a repetição da conjunção e antes dos verbos confere ao texto? CONCEITUANDO Ao responder às questões anteriores, você certamente observou que os autores, na busca de maior expressividade para os seus textos, ou de maior interatividade com o leitor, construíram enun- ciados de uma forma diferente da convencional. Para isso empregaram inversões, supressão de ter- mos, repetição intencional de algumas palavras, etc. Recursos como esses são chamados de figuras de sintaxe. Figuras de sintaxe são recursos estilísticos de expressão criados com base na construção sintática dos enunciados. Estudaremos a seguir algumas das figuras de sintaxe mais utilizadas nas linguagens publicitária e literária. Elipse Ocorre quando há omissão, espontânea ou voluntária, de termos que se podem subentender fa- cilmente pelo contexto: "Era uma mosca azul, [com] asas de ouro e granada." A omissão da preposição com é facilmente percebida pelo leitor e torna mais expressivo esse verso de Machado de Assis. Zeugma É a omissão de um termo expresso anteriormente em outra oração: "Semana do Meio ambiente. Direito de ter, dever de cuidar." Nessa frase, se não houvesse omissão intencional, teríamos "Direito de ter o meio ambiente [preservado], dever de cuidar do meio ambiente. o zeugma evita a repetição desnecessária e torna a frase mais direta e elegante. Polissíndeto É o uso repetido da conjunção coordenativa e: "E zumbia, e voava, e voava, e zumbia" (Machado de Assis) Esse recurso confere ritmo e fluidez ao verso e dá ênfase às ações verbais. FIGURAS DE SINTAXE 117</p><p>Ocorre quando há omissão da conjunção e entre termos ou orações: "Entraram em casa, as armas na mão, os olhos atentos, procurando." (Jorge Amado) Nessa frase, se não houvesse a omissão intencional da conjunção e, teríamos: Entraram em casa, as armas na mão e os olhos atentos, procurando. Pleonasmo É a repetição, por meio do uso de palavras diferentes, de uma ideia já apresentada: conde atirava à mísera cantora alguns soldos que ainda lhe reforçavam a ela as cordas vocais" (Júlio Ribeiro) efeito que se obtém com o uso desse recurso é a ênfase na ideia que é repetida. Inversão Ocorre quando se dá, com finalidade expressiva, uma mudança na ordem normal das palayras na oração ou das orações no período: "Estava de ouro na janela o poente. (Guilherme de Almeida) Na ordem direta, teríamos: o poente de ouro estava na janela... Silepse É a concordância que se faz não com a forma ENTRAR PRA DENTRO gramatical das palavras, mas com o seu sentido, ou seja, com a ideia que elas expressam. Há três emprego de um pleonasmo só se tipos de silepse: justifica quando há uma intencionali- dade estilística, isto a finalidade de silepse de número: ocorre principalmente com enfatizar uma ideia. Quando ele nada termos coletivos: acrescenta, é uma desne- cessária e, de acordo com a norma- A multidão ouviu o discurso do político padrão, deve ser evitado. É o caso de e aplaudiram no final. pleonasmos como entrar pra dentro, sair pra fora, subir pra cima, descer Observe que o substantivo multidão é co- pra baixo, etc. letivo e, portanto, o verbo aplaudir deveria Certas construções pleonásticas estar na pessoa do singular (a multidão consagradas pela linguagem coloquial são, porém, aceitáveis na norma-pa- aplaudiu). Entretanto, nesse caso, por es- drão: chover chuva, abismo sem fun- tar distanciado do sujeito, o verbo aplaudir do, jornal diário, ver com os próprios pode ficar também na pessoa do plural, olhos, apalpar com a mão, pisar com concordando com a ideia expressa por mul- os pés, etc. tidão (muitas pessoas). 118 CAPÍTULO 7</p><p>silepse de gênero: ocorre principalmente com as expressões de tratamento, como Sua/Vossa Majestade, Sua/Vossa Excelência, Sua/Vossa Senhoria, que têm forma gramatical feminina mesmo quando aplicadas a pessoas do sexo masculino: Sua Majestade, o bebê, é sempre tratado com muito carinho. Observe que o adjetivo tratado está no masculino, concordando com a ideia de masculino refe- rente a bebê, embora Sua Majestade seja uma forma feminina. silepse de pessoa: ocorre quando o locutor se inclui em um sujeito expresso na pessoa: Ali ficamos os quatro conversando e rindo a tarde toda. Observe que, sendo os quatro o sujeito da oração, o verbo ficar deveria estar na pessoa do plural (ficaram). fato de o verbo estar na pessoa do plural (ficamos) indica que o locutor se incluiu em os quatro, que é o sujeito expresso na frase EXERCÍCIOS 1. Leia este poema, de José Paulo Paes: Tão Tão bom barbeiro que cortava até juba de leão. Tão bom bombeiro que apagava até fogo de vulcão. Tão bom veterinário que fazia condor ficar sem dor. Tão bom professor primário que transformava um burro num doutor. Tão bom atleta que só ouvia dizer: "Venceste!" Mas não tão mau poeta que escrevesse um poema como este. (© José Paulo Paes. Lé com cré. São Paulo: Ática, 2000.) Há, no poema, uma figura de sintaxe que se repete em todos os versos. Identifique-a e explique em que ela consiste. FIGURAS DE SINTAXE 119</p><p>2. Identifique as figuras de sintaxe das frases a seguir. Atenção: há frases em que ocorrem duas figuras. a) "És bela eu moço; tens amor - eu medo!" (Casimiro de Abreu) b) "Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua." c) Aquela garota, eu a conheci ontem na festa de um amigo. d) Senhor prefeito, os abaixo assinados pedimos a Vossa Senhoria que seja justo na cobrança dos impostos prediais da Vila dos Operários. 3. Leia este poema, de Werner Bergengruen: duende Construí a minha casa - Porão, sótão e fachada - Quem instalou um duende Lá, debaixo da escada? Ele bebe do meu vinho, Come do meu toucinho, Meu açúcar no saco, Fuma do meu bom tabaco; Na despensa, o brincalhão Faz minguar a provisão. E cadê a tinta minha? À noite, ele, com mão leve, Remexe na escrivaninha - Para quem será que escreve? E o que me dá ele em troca? Meu violão de noite toca, Cuida pra que a criançada Não despenque da escada, E, como agradecimento, Dá na lua um polimento Para que, lustrosa, ela Brilhe na minha janela. (Tatiana Belinky, org. Um caldeirão de poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. p. 20-1.) 120 0 7</p><p>a) Identifique no poema os versos em que há inversão. b) Além da inversão, que outras figuras de sintaxe ocorrem na segunda estrofe? Leia a tira a seguir e responda às questões 4 e 5. A vida é A gente pode ser muito próximo de alguém... 9-29 meu prato de comida E daí, sem qualquer motivo, costumava ficar a sessenta podemos nos distanciar centímetros de distância... Agora aos poucos. está a noventa (Charles M. Schulz. Snoopy Posso fazer uma pergunta, Porto Alegre: L&PM, 2010. p. 94.) 4. Observe a oração que constitui a fala do quadrinho da tira: "A gente pode ser muito próximo de alguém..." a) Qual é o sujeito dessa oração? b) Na oração, em que gênero está o predicativo do sujeito: no masculino ou no feminino? c) Qual é a figura de sintaxe que ocorre na oração? Explique em que ela consiste. 5. Na fala do quadrinho da tira, há silepse de pessoa, considerando-se a fala do quadrinho anterior. Reescreva a fala da personagem, eliminando a silepse. FIGURAS DE SINTAXE 121</p><p>AS FIGURAS DE SINTAXE NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO Leia este poema, de Mário Quintana: Três amores Três amores... Quem me deu Tão estranha sorte assim? Três amores, tenho-os eu E nenhum me tem a mim! (Preparativos de viagem. Rio de Janeiro: Objetiva. by Elena Quintana.) 1. Observe o emprego do verbo ter no e no versos do poema. a) Qual é a predicação desse verbo nas duas situações? b) Identifique e classifique os complementos do verbo em cada uma das situações. c) Que figura de linguagem o emprego desses objetos constitui? Por quê? 2. Compare estas orações: "Três amores, tenho-os eu" Eu tenho três amores Na primeira oração, o objeto está anteposto ao verbo. Que efeito de sentido essa posição do objeto e a presença do pleonasmo produzem? Justifique sua resposta. 122 CAPÍTULO 7</p><p>3. Observe a posição do sujeito, do verbo e dos objetos nas orações constituídas por estes versos: "Três amores, tenho-os eu E nenhum me tem a mim!" PARA QUE SERVEM AS a) Qual é o sujeito da primeira oração? FIGURAS DE SINTAXE? Quando nos comunicamos por meio de palavras, nem sempre estamos in- b) Qual é o sujeito da segunda oração? teressados apenas na informação que elas transmitem. Podemos também estar preocupados com a forma de c) Nesses versos, que figura de linguagem a dis- dizer ou escrever um texto. E essa posição sintática dos termos de cada oração forma de dizer também interfere no constitui? sentido do texto. As figuras de sintaxe cumprem esse papel. Seja pela repetição, seja pela omissão ou pela inversão de ter- 4. poema trata da situação amorosa do eu lírico, mos, elas, ao mesmo tempo que ma- que tem a estranha sorte de ter três amores. nifestam um estilo do autor, também Troque ideias com os colegas: participam da construção do sentido do texto. a) Entre o eu lírico e seus três amores, existe reciprocidade no amor? b) Na sua opinião, quem ama quem: o eu lírico ama três pessoas ou é amado por elas? 5. sentido dos textos geralmente é construído não apenas pela seleção de ideias e palavras, mas também pela forma como essas palavras e ideias são dispostas no texto. Entre os itens que seguem, assinale aqueles que expressam afirmações verdadeiras quanto à relação entre a forma e o conteúdo do poema. a) Entre o eu lírico e seus três amores, não há sintonia amorosa, o que corresponde, no plano sintático, ao pleonasmo, que introduz a noção de intensos sentimentos não correspondidos. b) próprio eu lírico se surpreende com o fato de ter três amores e, apesar disso, não haver corres- pondência amorosa. emprego de pleonasmos intensifica estranhamento do eu lírico diante da impossibilidade amorosa. c) Da mesma forma que as inversões representam uma quebra na estrutura sintática normal da oração, no plano da vida a falta de sintonia amorosa entre o eu lírico e seus amores também representa uma quebra da expectativa amorosa. FIGURAS DE SINTAXE 123</p><p>SEMÂNTICA E DISCURSO 1. Leia este poema: Madrigal Meu amor é simples, Dora, Como a água e o pão. Como o céu refletido Nas pupilas de um (José Paulo Paes. 0 melhor poeta da minha rua. São Paulo: Ática, 2008. p. 53.) Weberson Santiago a) No poema, há duas comparações. Quais são elas? b) Nas comparações, que expressão é omitida? c) Qual é o nome da figura de sintaxe correspondente à omissão verificada no poema? d) Releia o poema, inserindo nele as expressões subentendidas. Se o autor não empregasse essa figura de sintaxe, que consequência isso traria para o texto? 2. Os provérbios são geralmente frases curtas, quase sempre de origem popular, que expressam ensinamentos. Por terem forma sucinta, há neles, muitas vezes, termos subentendidos, isto é, elipses ou zeugmas. Fazendo as adaptações necessárias, reescreva os provérbios a seguir, explicitando os termos subentendidos. Veja o exemplo: A bom entendedor, poucas palavras. Para um bom entendedor, bastam poucas palavras. a) Língua afiada, ferida na boca. b) Depois da tempestade, a bonança. 124 CAPÍTULO 7</p><p>c) Dia de muito, véspera de pouco. d) Rebanho unido, leão com fome e) Barriga cheia, coração contente. Leia as seguintes "Observações sem nenhuma importância", de Soares, e responda às questões de 3 a 5. Já se deu conta de como a gente usa palavras a mais em português, como, por exem- plo: "Situação de emergência"? Não bastaria dizer emergência? "Este filme foi produzido em preto e branco." Se não fosse, qual o motivo de a emis- sora exibi-lo assim? Economia? Também se diz muito: "Eu pessoalmente". Já viu alguém conseguir ir sem ser pessoalmente? E a frase tão usada: "Ele tinha um sorriso nos lábios"? Onde mais ele poderia ter o tal sorriso? (Veja, 1 297.) 3. Nessas "observações", Soares cria humor a partir de uma figura de sintaxe. Qual é ela? 4. As frases abaixo apresentam a mesma figura de sintaxe para a qual Soares chama a atenção. Identifique os termos que constituem essa figura e reescreva as frases, eliminando-a. a) Ela previa de antemão muitos acontecimentos. b) Mateus tem uma bela caligrafia. FIGURAS DE SINTAXE 125</p><p>c) Esta noite sonhei um sonho muito esquisito. d) Desculpe-me, foi um esquecimento involuntário. e) Decapitaram-lhe a cabeça. f) No dia da festa, não apareceu ninguém. 5. Crie você também algumas frases humorísticas com "palavras a mais". PARA ESCREVER COM ADEQUAÇÃO Denotação e conotação Leia estes textos: Texto I Desespero Não há nada mais triste do que o grito de um trem no silên- cio noturno. É a queixa de um estranho animal perdido, único sobrevivente de alguma espécie extinta, e que corre, corre, de- sesperado, noite em fora, como para escapar à sua orfandade solidão de monstro. (In: Mário Quintana. Sapo amarelo. São Paulo: Global. by Elena Quintana.) 126 CAPÍTUL 0 7</p><p>Texto II Se eu fosse fazer um filme [...] 0 Expresso Turístico vai a Jun- diaí em hora e meia. Parte de ma- nhã, volta no final da tarde. Na- quela cidade, na minha infância, trocava-se a locomotiva da Paulista pela da Estrada de Ferro Santos a Jundiaí e meu pai descia para comprar coxinhas. Na estação, os passageiros se dividiram. Uns pre- feriram o Circuito das Frutas, das uvas, figos, goiabas, caquis, maçãs, ameixas, pêssegos. Outros partiram para restaurantes localizados em velhas fazendas de café, foram para pousadas, cantinas, adegas (há vinhos artesanais), ranchos, produ- tores de cogumelos, ervas e especiarias, cachaça, mel suco de uva. Passagem obriga- tória é o Museu da Companhia Paulista, reconstituindo o que foram e como foram as ferrovias, a Paulista era perfeição. Pois não está ali a imponente V-8, que era tão poderosa? [...] (Ignácio de Loyola Brandão. 0 Estado de S. Paulo, 11/9/2009. Caderno 2.) 1. Apesar de terem linguagem e finalidades diferentes, os dois textos falam de trem. Compare estes trechos dos textos: grito de um trem no silêncio noturno. É a queixa de um estranho animal perdido [...] que corre, corre, desesperado, noite em fora, como para escapar à sua orfandade e solidão de monstro." Expresso Turístico vai a Jundiaí em hora e meia. Parte de manhã, volta no final da tarde." a) Em qual trecho o locutor refere-se a trem de uma forma subjetiva e emprega palavras em um sentido incomum, resultante de associações de ideias? Justifique a resposta. b) Em qual dos trechos o locutor fala de trem de uma forma objetiva, empregando as palavras em seu sentido comum? Justifique a resposta. FIGURAS DE SINTAXE 127</p><p>2. Releia os dois textos. a) Qual deles revela emoções do autor e pode despertar emoções no leitor? b) Qual deles é impessoal e se ocupa em dar informações? Ao responder às questões anteriores, você observou que, no texto II, para dar informações sobre o Expresso Turístico, o locutor emprega as palavras em seu sentido próprio, comum, que consta nos dicionários. No texto I, o locutor usa palavras em um sentido diferente daquele em que normalmente são empregadas. Por exemplo, atribui ao trem ações próprias de um animal monstruoso, associando- as a sentimentos humanos, como o desespero, a tristeza e a solidão. Assim, a linguagem empregada no texto é denotativa, enquanto a linguagem do texto I é conotativa. Denotação é o emprego de palavra(s) no seu sentido próprio, comum, habitual, preciso, aquele que consta nos dicionários. Conotação é o emprego de palavras tomadas em um sentido figurado, que depende do contexto. EXERCÍCIOS 1. Três dos textos seguintes apresentam linguagem conotativa. Identifique-os. a) Meu amor me ensinou a ser simples Como um largo de igreja. (Oswald de Andrade) b) Amyr Klink, navegador brasileiro, foi o primeiro a realizar uma viagem a remo, sozinho, desde a África até o Brasil. (Almanaque Recreio) c) As andorinhas recolhem PARATY a cauda do aguaceiro com alfinetes de trinos e redondilhas de vento. (Carmen Alicia Cadilla) Amyr Klink, ao lado de seu barco Paraty. d) Não há criação nem morte perante a poesia Diante dela a vida é um sol estático Não aquece, nem ilumina. (Carlos Drummond de Andrade) 128 CAPÍTULO 7</p><p>e) Alimentos integrais são, basicamente, grãos e cereais - como arroz, trigo, aveia e centeio (e seus derivados farelo, farinha e pão) - que não passaram por nenhum processo de refinação. Por isso, eles conservam todos seus componentes originais, incluindo cascas e películas protetoras. (Superinteressante) 2. Nas frases a seguir há expressões empregadas usualmente na linguagem popular com sentido co- notativo. Identifique o sentido denotativo de cada frase. a) Ele vive de papo pro ar. b) Com a crise, a vaca foi pro brejo. c) Foi grosseiro com a namorada e ficou a ver navios. d) Aquela insistência do garoto era chover no molhado: a mãe não mudava de e) o jogador adversário começou a fazer cera. 3. As expressões destacadas nas frases a seguir estão empregadas em sentido denotativo. Reescreva as frases, substituindo as expressões denotativas por expressões conotativas. Se possível, empregue a expressão conotativa usual da linguagem popular adequada a cada contexto. a) Criou coragem e começou a mostrar valentia. b) Não se preparou e ficou com medo de passar vergonha. c) Como não conhecia as pessoas, ficou desconfiado. d) Estava arrependido; chegou com olhos baixos. e) Disse que não estava ali para ouvir desaforo. f) Pediu dinheiro emprestado, pois estava precisando muito. g) Ele não tinha ninguém, estava sempre sozinho. 4. Dê os sentidos denotativo e conotativo do seguinte provérbio: De gota em gota, transborda o FIGURAS DE SINTAXE 129</p><p>5. Construa frases em que as palavras de cada um dos itens a seguir sejam empregadas em sentido conotativo. Veja, no exemplo, o emprego em sentido conotativo de cama e veleiro. A minha cama é um veleiro; nela me sinto seguro; com minha roupa de marinheiro, vou navegando no escuro. (Robert Louis Stevenson. Ri melhor quem ri primeiro - Poemas para crianças. Seleção e tradução de José Paulo Paes. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2007. p. 22.) a) pensamento e pipa b) menino e pássaro c) casa e árvore d) alegria e rio 6. Certos nomes de animais costumam ser empregados em sentido figurado. Touro, por exemplo, é empregado com o sentido de pessoa forte, musculosa. Veja: campeão de luta livre é forte e musculoso. campeão de luta livre é um touro. Reescreva as frases a seguir, substituindo a expressão destacada em cada uma pelo nome do animal que, conotativamente, corresponde a ela. Procure entre os animais da ilustração aquele cujo nome é adequado a cada expressão. a) Meu colega é muito esperto, astucioso à beça. b) o goleiro da atual seleção de futebol é bonito e charmoso. c) o menino é sagaz. d) Você fala demais, não sabe que diz. e) Aquela mulher é perigosa e traiçoeira. 130 CAPÍTULO 7</p><p>CAPÍTULO 8 FIGURAS DE LINGUAGEM CONSTRUINDO O CONCEITO Leia este poema Camila é sonho Camila é sonho, é luz que entra no quarto. Dá brilho aos meus olhos e me aquece e me leva de leve para país só da ternura. Camila é azul e verde se misturando em nova cor de um arco-íris feito só de carinho. Camila é estrela que surge no quarto. E toca minhas mãos e beija meu rosto e alisa meus cabelos e fica quando acordo. Camila está sempre no ar, com seu perfume, sua luz, suas cores e formas de flor e estrela. Camila, cansei de você vivendo só no sonho. Eu te quero só minha no mundo do real. (Elias José. Cantigas de adolescer. 20. ed. Paulo: Atual, 2009. p. 67.) 132</p><p>1. Nas primeiras quatro estrofes do poema, o eu lírico descreve Camila. Observe o primeiro verso das quatro primeiras estrofes do poema: "Camila é sonho, é luz" "Camila é o azul" "Camila é estrela" "Camila está sempre no ar" a) Quem é Camila? Como o eu lírico a vê? b) Tente substituir as palavras ou expressões destacadas nos versos acima por outras, de sentido aproximado. sonho, luz: azul, verde: estrela: está sempre no ar: 2. Observe a descrição de Camila na segunda estrofe. Com base nessa descrição, marque os itens que expressam o tipo de visão que o eu lírico tem de Camila. a) subjetiva d) realista b) figurada e) idealizada c) materialista 3. Na última estrofe, o eu lírico mantém em relação a Camila a mesma postura que tem nas estrofes anteriores? Por quê? Justifique sua resposta com elementos dessa estrofe. FIGURAS DE LINGUAGEM 133</p><p>CONCEITUANDO Se o eu lírico do poema tivesse afirmado "Tive um sonho com Camila", a palavra sonho estaria sendo empregada no seu sentido denotativo, habitual. Entretanto, na afirmação "Camila é sonho", a palavra sonho ganha um outro sentido, figurado, que não tem a finalidade de informar, mas de expressar um estado emocional, afetivo. Uma palavra ou expressão empregada com um sentido que não lhe é próprio constitui uma figura de linguagem. Figura de linguagem é uma forma de expressão que consiste no uso de palavras em sentido figurado, isto é, em um sentido diferente daquele em que elas são empregadas normalmente. Muitas figuras de linguagem são empregadas tanto na língua escrita quanto na língua falada. Neste capítulo, veremos algumas delas. Comparação e metáfora Leia este poema: Pássaros As mãos que dizem adeus são pássaros Que vão morrendo lentamente... (Mário Quintana. A do Rio de Janeiro: Objetiva. by Elena Quintana.) Se tomarmos o primeiro verso desse poema no sentido denotativo, teremos: As mãos que dizem adeus acenam Estabelecendo uma relação de semelhança entre acenar e pássaros voando, podemos fazer esta comparação: As mãos que dizem adeus são como pássaros voando. Eliminando a comparação e empregando o segundo termo (pássaros voando) com o valor do primeiro (acenar), temos uma metáfora: "As mãos que dizem adeus são pássaros" Assim, concluímos: Comparação é a figura de linguagem que consiste em aproximar dois seres pela semelhança, de modo que as características de um são atribuídas ao outro, e sempre por meio de um elemento comparativo expresso: como, tal qual, semelhante a, que nem, etc. Metáfora é a figura de linguagem que consiste no emprego de uma palavra com um sentido que não é comum ou próprio, sendo esse novo sentido resultante de uma relação de semelhança, de intersecção entre dois termos. 134 CAPÍTULO 8</p><p>Metonímia Observe o anúncio Repare que a figura central é formada por galhos. Parte desses galhos está seca, sem folhas verdes. A outra parte está coberta por folhas de samambaia, e lembra a cabeça de um índio. Querem desmatar metade da Assine contra projeto de lei que ameaça as florestas brasileiras em Se relacionarmos o índio com o verde destruído (os galhos secos), podemos deduzir que o anún- cio faz uma denúncia relacionada ao meio ambiente: o desmatamento das florestas destrói tudo, a fauna, a flora e até o ser humano que vive nelas. Essa interpretação é confirmada pela parte verbal do anúncio. No alto, lê-se: "Querem desmatar metade da Amazônia. Assine contra o projeto de lei que ameaça as florestas brasileiras em meiaama- E, embaixo, à esquerda: "Esta é uma iniciativa do Greenpeace". Greenpeace é uma organização não governamental que luta pela preservação do meio ambiente. Ao representar a natureza pela silhueta do índio e a destruição da natureza pelos galhos secos, o anunciante empregou uma metonímia visual. Na linguagem verbal, metonímia é a figura de linguagem que consiste na substituição de uma palavra por outra em razão de haver entre elas uma relação de interdependência, de contiguidade, de proximidade. A metonímia ocorre quando empregamos: a parte no lugar do todo: Os sem-teto estão negociando com a Prefeitura o uso de um imóvel abandonado. (O teto é uma parte da casa. A expressão sem-teto quer dizer "sem casa".) FIGURAS DE LINGUAGEM 135</p>