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Apostila do Bacharelado em Ciências Econômicas: "Breve História Econômica Geral". Índice que percorre economias pré‑históricas e antigas, escravidão clássica, sistema senhorial, comércio e expansão ultramarina, capitalismo, imperialismo, guerras mundiais, socialismo (URSS/China) e globalização.

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1 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO 
CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE RONDONÓPOLIS 
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS 
BACHARELADO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS 
 
 
 
 
NEY IARED REYNALDO 
 
 
 
 
 
 
 
BREVE HISTÓRIA ECONÔMICA GERAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Rondonópolis, 2019 
 
 
2 
Índice 
 
Introdução. (4). 
 
Capítulo I – CONHECENDO OS PRIMEIROS SISTEMAS ECONÔMICOS. (5). 
 
Introdução. 1.1 Economia pré-histórica; 1.2 As Civilizações Hidráulicas; 1.3 Mesopotâmia; 1.4 
Egito; 1.5 As Civilizações Comerciais; 1.6 A Civilização Minoica de Creta; 1.7 As Cidades 
Fenícias. 
 
Capítulo II – A ESCRAVIDÃO CLÁSSICA. (10). 
 
Introdução. 2.1 A Economia Grega; 2.2 O Período Clássico; 2.3 O Período Arcaico; 2.4 O 
Período Helenístico; 2.5 A Economia Romana; 2.6 A Criação do Estado Itálico; 2.7 O 
Estabelecimento do Império Mediterrâneo; 2.8 O Apogeu e a Escravidão Clássica; 2.9 A 
Economia de Dirigismo Estatal. 
 
Capítulo III – SISTEMA ECONÔMICO FUNCIONAL. (16). 
 
Introdução. 3.1 A Economia Dominial; 3.2 A Vida Urbana, Comércio Externo e 
Monetarização; 3.3 As; Transformações na Técnica Agrícola; 3.4 A Economia Senhorial; 3.5 O 
Comércio, A Urbanização e a Monetarização. 
 
Capítulo IV – SISTEMA ECONÔMICO COMERCIAL. (21). 
 
Introdução. 4.1 A Crise Agrária; 4.2 A Crise Demográfica; 4.3 A Crise Monetária; 4.4 Os 
Resultados da Depressão; 4.5 A Reconversão Agrícola e a Crescente Especialização da 
Produção; 4.6 A Decadência dos Eixos Econômicos Tradicionais; 4.7 A Expansão Ultramarina 
Europeia. 
 
Capítulo V – A MODERNA ECONOMIA – MUNDO. (25). 
 
Introdução. 5.1 As Áreas Periféricas da Economia – Mundo; 5.2 O Sistema Colonial do 
Oriente; 5.3 O Sistema Colonial Americano; 5.4 A Grande Propriedade Rural; 5.5 A 
Especialização Produtiva; 5.6 A Produção para o Mercado Externo; 5.7 As Colônias de 
Povoamento; 5.8 A Europa Oriental e a Especialização Produtiva; 5.9 A Decadência 
Econômica da Europa Central e Mediterrânea; 5.10 As Áreas Centrais da Economia – Mundo; 
5.11 A Fase de Expansão do Século XVI; 5.12 A Fase de Depressão no Século XVIII; 5.13 O 
Mercantilismo; 5.14 A Prática; Mercantilista na Fase de Depressão; 5.15 A Recuperação 
Econômica do Século XVIII. 
 
Capítulo VI – O SISTEMA ECONÔMICO CAPITALISTA. (31). 
 
Introdução. 6.1 A Revolução Industrial Inglesa; 6.2 A Segunda Revolução Industrial; 6.3 A 
Industrialização Fora da Inglaterra; 6.4 A Alemanha; 6.5 A Itália; 6.6 Os Estados Unidos; 6.7 
O Japão; 6.8 A Questão do Liberalismo Econômico. 
 
Capítulo VII – O NOVO COLONIALISMO. (38). 
 
Introdução. 7.1 O Capital Monopolista; 7.2 O Imperialismo; 7.3 As Formas de Trabalho sob o 
Imperialismo; 7.4 O Imperialismo Informal; 7.5 O Imperialismo Formal; 7.6 As Formas de 
Trabalho sob o Imperialismo; 7.7 A Sociedade de Massa. 
 
Capítulo VIII – O DESAFIO DO CAPITALISMO. (44). 
 
 
 
3 
Introdução. 8.1 A Primeira Guerra Mundial; 8.2 A Economia de Guerra; 8.3 Os Efeitos da 
Primeira Guerra Mundial; 8.4 A Década de 1920; 8.5 A Europa e os Anos 1920; 8.6 Os 
Estados Unidos Durante a Década de 1920; 8.7 A Crise de 1929; 8.8 A Grande Depressão; 8.9 
Reação a Grande Depressão I; O Neoliberalismo; 8.10 O Primeiro New Deal; 8.11 O Segundo 
New Deal; 8.12 Reação a Grande Depressão II: Autoritarismo e Industrialização; 8.13 Reação 
a Grande Depressão III: A Segunda Guerra Mundial; 8.14 Os Problemas de Reconstrução; 
8.15 O Plano Marshall; 8.16 A Recuperação do Japão; 8.17 Os Efeitos da Reconstrução para o 
Sistema Capitalista. 
 
Capítulo IX – ALTERNATIVA AO CAPITALISMO. (56). 
 
Introdução. 9.1 Socialismo: A Via Industrializada; 9.2 Da Rússia à União Soviética; 9.3 O 
Comunismo de Guerra; 9.4 A Nova Política Econômica (); 9.5 O Socialismo Planificado; 9.6 
Os Três Planos Quinquenais; 9.7 A Economia de Guerra; 9.8 Planos Quinquenais IV e V; 9.9 
As Modificações no Modelo; 9.10 A Era Khrushev; 9.11 A Era Breshnev; 9.12 A Era 
Gorbatchev; 9.13 Socialismo: A Via Agrícola; 9.14 A China dos Soviéticos; 9.15 O Período de 
Reconstrução; 9.15 Plano Quinquenal I; 9.16 Plano Quinquenal II; 9.16 A China dos Chineses; 
9.17 A Revolução Cultural e as Quatro Modernizações; 9.18 A Nova Política Econômica; 9.19 
As Variantes Nacionais; 9.20 A Iugoslávia; 9.21 A Albânia; 9.22 A Falência Política na 
Década de 1980. 
 
Capítulo X – O CAPITALISMO NA TERCEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. (72). 
 
Introdução. 10.1 O Novo Papel do Estado; 10.2 As Formas de Intervenção Estatal; 10.3 O 
Estado nas Áreas Periféricas; 10.4 A Internacionalização do Capitalismo; 10.5 As Empresas 
Multinacionais; 10.6 As Relações Estados – Empresas Multinacionais; 10.7 A Formação de 
Blocos Econômicos Supranacionais; 10.8 A Hegemonia Norte-Americana; 10.9 A Economia 
dos Estados Unidos, na década de 1990; 10.10 A Emergência do MCE e do Japão; 10.11 
Globalização da Economia; 10. 12 Tecnologia e Desenvolvimento; 10.13 Haverá uma 
Ideologia para a Nova Época? 
 
Conclusão. (85). 
 
Referências Bibliográficas. (87). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
INTRODUÇÃO 
 
A História Econômica Geral tem por definição proposta por Herbert Heaton, 
a história econômica "descreve os esforços que o homem faz ao longo dos séculos para 
satisfazer suas necessidades materiais" (citado por IGLESIAS, 1959, p.27). Essa 
definição oportuniza explorar algumas questões. O que a História Econômica tem em 
comum com uma concepção clássica de História? Marc Bloch definiu a História como a 
"Ciência dos homens no tempo" (p.29), ou seja, trata-se do estudo da atividade humana, 
em suas múltiplas dimensões, na perspectiva da mudança ao longo do tempo. Não é 
diferente a definição de Heaton para a História Econômica, isto é, o foco da pesquisa é a 
atividade voltada à satisfação das necessidades materiais; o que nos permite analisar e 
compreender a evolução e a transformação dos Sistemas Econômicos. 
Esse ensaio busca não dar um “olhar histórico”, e sim econômico, pois 
busca compreender as causas e os motivos que levaram a modificação de uma estrutura 
econômica. Cabe, ainda, dizer quais foram às contribuições de cada sociedade para a 
formação dos dogmas econômicos e a comparar as semelhanças e particularidades de 
cada economia. A HEG refere-se ao desenvolvimento progressivo, ao longo da história 
humana, retratada em cada um dos povos que surgiram desde as mais antigas 
civilizações, as diferentes atividades humanas que se têm por “econômicas”. 
A procura incessante pelos meios de subsistência, o cultivo da terra, o 
sistema de trocas, o conceito de propriedade, são fenômenos que se enquadram nestas 
atividades econômicas, e que evoluíram, de meios bastante rudimentares, para os 
modernos e complexos sistemas econômicos característicos de nosso tempo atual. 
Ressalta-se que a HEG, busca estudar os fatos sociais e históricos dando realce à 
tessitura econômica sobre a qual eles se desenvolveram. 
A HEG difere da história do pensamento econômico em vários aspectos, ou 
seja, enquanto esta investiga as teorias econômicas que vão surgindo à medida que as 
sociedades e as civilizações, em geral se desenvolvem, a primeira dá ênfase às razões 
econômicas (embasadas estas, em teorias econômicas diversas) pelas quais surgem os 
fatos sociais capazes de transformar apropria realidade histórica. Em nossa abordagem, 
quase sempre, os fatos concretos ocorrem no bojo de um substrato teórico que lhes dá 
causa. 
Além disso, o propósito é o entender os fatos econômicos, apelando 
eventualmente para a interdisciplinaridade, tais como a História, Antropologia, Ciência 
Política, entreoutras, mas apenas com o objetivo de elucidar, o modo como se deu tal 
evolução. Aqueles que desejarem expandir seus conhecimentos para além destes tópicos 
encontrarão na bibliografia uma indicação para auxiliar tal intento. 
A obra foi organizada em dez capítulos, numa perspectiva cronológica, que 
possibilita uma visão objetiva da HEG. Cada capítulo reúne subtemas na qual o leitor 
terá de forma resumida, o conteúdo necessário à compreensão da economia em toda sua 
totalidade. 
 
 
 
Ney Iared Reynaldo 
 
 
 
 
 
 
 
5 
Capítulo I – CONHECENDO OS PRIMEIROS SISTEMAS ECONÔMICOS. 
 
Introdução. 1.1 Economia Pré-Histórica; 1.2 As Civilizações Hidráulicas; 1.3 Mesopotâmia; 1.4 
Egito; 1.5 As Civilizações Comerciais; 1.6 A Civilização Minoica de Creta; 1.7 As Cidades 
Fenícias. 
 
Introdução 
 
A formação dos Primeiros Sistemas Econômicos se deu a partir da 
Revolução Neolítica ou Agrícola. Essa revolução ocorreu, no momento em que o 
homem abandonou seus hábitos nômades (caça, pesca, coleta de frutos e vegetais, a não 
fixação em lugar específico), e passou a se fixar em lugares fixos. A plantar frutas e 
legumes e estimular a reprodução de animais para o consumo próprio. A mudança de 
hábitos permitiu que o homem vivesse em comunidades estáveis e se tornasse 
sedentário, o que provocou um grande crescimento demográfico, o início do trabalho 
coletivo, bem como a distribuição de tarefas (a divisão de trabalho). 
Esses avanços permitiram que novos produtos fossem produzidos, como 
ornamentos cerâmicos e tecidos. A diversidade de bens produzidos por comunidade 
permitiu que houvesse o início de um sistema de trocas, ou seja, era o surgimento da 
atividade comercial. A acumulação crescente de bens econômicos viabilizou o 
desenvolvimento de técnicas de mensuração. Assim nasceu o sistema numérico e a 
escrita. 
 
1.1 – Economia Pré-Histórica. 
 
O estudo dos povos pré-históricos, no que tange as relações econômicas, 
pauta-se no sistema de trocas, inexistindo a moeda como base de troca, ou usando-se, 
para tal finalidade, objetos tidos como valiosos, como dentes ou peles de animais, 
clavas, arcos e flechas, etc. Em épocas remotas, supõe-se que os hominídeos não 
possuíam a capacidade de lavrar e/ou semear a terra, com a finalidade de garantir uma 
provisão futura de estoque de alimentos. É possível que houvesse inicialmente apenas 
um sistema simples de coleta de vegetais, e outro na caça coletiva de animais, pela sua 
carne, e de proteção contra as intempéries, pela sua pele. 
A subsistência podia ser suprida também através da pesca e de frutos 
silvestres. Talvez os alimentos fossem consumidos crus, pois não havia como armazená-
los para posterior consumo. Isto transformava a atividade de subsistência em um 
processo permanente, causando a necessidade dos nômades estarem em constante 
deslocamento, sem se fixarem em definitivo em determinada localidade, vagando de 
região a região, entrando em conflito com outros grupos, quando invadiam sua área de 
caça. 
Gradativamente, os grupos foram se fixando em determinados locais, na 
qual puderam desenvolver um sistema de cultivo da terra; foi onde surgiram às 
primeiras comunidades, como a pastoril, com a domesticação de animais, 
principalmente o gado e ovelhas. A nutrição aos poucos mudou para o consumo de 
grãos e sementes, o que acarretou diversas consequências, entre as quais, a necessidade 
de usar instrumentos e utensílios, ainda que rudimentares, para arar a terra, para a 
transformação dos alimentos: trituração; moagem; fermentação; etc. 
A fixação a terra, ainda que criando grupos comunais, pode ter levado à 
necessidade de isolar grupos familiares em terrenos restritos e vivendo em cabanas, o 
que terminou por levar ao conceito de “propriedade”. A necessidade de defender esta 
 
 
6 
propriedade também levou ao desenvolvimento de armas rústicas de defesa. Nada 
causou tanto impacto quanto a domesticação do fogo, ou seja, a capacidade de acender e 
manter uma fogueira, sem ter que esperar pela queda de um raio. O calor do fogo 
permitiu manipular a argila, produzindo vasos, tijolos e telhas. O fogo permitiu também, 
o nascimento de uma incipiente “indústria” de forja, pela manipulação de metais dúcteis 
e de baixo ponto de fusão: inicialmente criando instrumentos de cobre, e depois 
ferramentas de ferro. 
 
1.2 – Civilizações Hidráulicas. 
 
O surgimento da agricultura só foi possível porque o homem se fixou 
próximo às margens dos rios, pois as cheias dos rios molhavam o solo, o deixando fértil 
viabilizando uma alta produtividade agrícola. As sociedades localizadas em regiões 
hídricas aos eram denominadas como Civilizações Hidráulicas. Elas se desenvolveram a 
partir de um sistema burocrático, era o surgimento das primeiras formas de Estado. As 
Civilizações Hidráulicas mais importantes foram à mesopotâmica, localizada entre as 
margens dos rios Tigres e Eufrates – região do Crescente Fértil – e a egípcia às margens 
do rio Nilo. 
 
1.3 – Mesopotâmia. 
 
“A região entre rios” - corresponde atualmente à porção do território 
iraquiano – a Mesopotâmia era uma região extremamente produtiva e amplamente 
habitada. Por se localizada em uma região cercada por povos invasores, o que obrigou a 
Mesopotâmia a investir em exército militar e armamentos bélicos para se proteger. A 
Mesopotâmia era composta por cidades-estados independentes (Lagas, 2500/2360 a. C.; 
Agade, 2350/2230 a. C.; Assur, 1800/1375 a. C.; Babilônia, 1728/1686 a. C.), isto é a 
política mesopotâmica tinha como característica se descentralizada, ou seja, não havia 
um único centro de poder. A estrutura econômica mesopotâmica não se alterou 
significativamente, os pilares econômicos eram a agricultura e o comércio exterior. 
É importante destacar que o êxito na agricultura só foi possível graças à 
construção de um sistema moderno e eficiente de diques, barreiras hidráulicas, canais e 
reservatórios elaborados para manter uma irrigação capaz de fornecer uma alta 
produtividade agrícola, uma vez que as cheias dos rios Tigre e Eufrates não eram 
cíclicas e quando ocorriam eram devastadoras. Apesar de haver um cenário agrícola 
favorável, a Mesopotâmia não possuía uma grande diversidade de matérias-primas, 
como madeira, ouro, prata, ferro, cobre, marfim, etc. 
Por isso, ela precisou fazer contatos com o exterior para adquirir o que não 
possuía, dessa forma nasceu o comércio exterior – tendo como base um sistema de 
trocas de bens com outros povos. Diante deste contexto desfavorável, a Mesopotâmia 
iniciou um processo de fabricação de diversos produtos artesanais, para poder trocá-los 
pelos itens necessários, tais como: 
a) Móveis, esteiras, cestos (feitos a partir da palha); 
b) Tecidos de lã e linho (obtidos de ovinos); 
c) Jarros, potes, azulejos, tijolos, cerâmicas (produzidos com argila); 
d) Cerveja (feita a partir da cevada); 
e) Vinho (produzido a partir da fermentação da seiva da tameira); 
f) Laticínios (derivados do leite). 
Uma característica peculiar da Mesopotâmia é que o trabalho escravo não 
foi amplamente utilizado, pois o custo de se comprar um escravo era altíssimo (em 
 
 
7 
1.700 a. C., o preço de um escravo equiparava-se ao custo de um boi); a escrava que 
tivesse muitos filhos adquiria para seus herdeiros e para si a condição de liberdade, 
assim que o seu patrão morresse; as pessoas que eram escravizadas em decorrência de 
dívidas eram alforriadas após um período de três anos. Além disso, grande parte da 
população mesopotâmica era obrigada a trabalhar gratuitamente durante um 
determinado período (Corveia Real) e o povo deveria também destinar uma parte de sua 
produçãopara o governo de uma determinada cidade-estado, as quais às pessoas 
pertencessem. 
É importante mencionar que a economia mesopotâmica foi monetizada, com 
o objetivo de facilitar as trocas comerciais, no primeiro momento à cevada era um 
padrão de referência para trocar bens, em seguida a monetização foi aprimorada, a 
cevada foi substituída por moedas confeccionadas a partir do ouro e da prata. Outro 
destaque importante são os bancos mesopotâmicos, as primeiras instituições são datadas 
de 3.400 a. C., na cidade de Uruk, no início os bancos emprestavam bens recebidos 
(produzidos pela própria população) a agricultores e comerciantes, a uma determinada 
taxa de juros. 
Depois, os bancos foram espalhados por toda a Mesopotâmia e houve uma 
padronização de empréstimos, os juros correspondiam a 33% e a 20% ao ano, para os 
cereais e metais, respectivamente. Em meados de 800 a. C., as instituições bancárias 
passaram a realizar diversas operações, de forma corriqueira, como pagamento de juros 
sobre depósitos, débitos em contracorrente, e transferências de fundos para outras 
praças. 
 
1.4 – Egito. 
 
O Egito foi uma civilização desenvolvida às margens do rio Nilo em uma 
região desértica, no norte da África. Ao contrário dos rios Tigre e Eufrates, o rio Nilo 
possui um ciclo de cheias regulares e não devastador o que culminou com o sistema 
agrário mais simples em comparação com o sistema mesopotâmico, pois não houve uma 
necessidade imediata de se construir um sistema irrigatório complexo, uma vez que as 
cheias dos rios molhavam as margens uniformemente e despejavam uma quantia de 
húmus apropriada para uma alta produtividade agrícola. 
Por a civilização egípcia está localizada em um deserto, não havia 
preocupação com ameaças. Desse modo, essa sociedade se desenvolveu de uma isolada, 
conservadora e centralizada. Ao contrário de desenvolvimento de cidades-estados na 
Mesopotâmia, o Egito tornou-se um estado unificado, portanto o sistema administrativo 
caracterizou-se como absolutista, cabia exclusivamente ao Faraó, considerado uma 
espécie de divindade, o total controle da nação egípcia. 
Diante desse cenário centralizado, o desenvolvimento da economia se deu 
para sustentar o Faraó, sacerdotes e funcionários do Estado. O sistema de produção se 
baseava na Corveia Real e na apropriação de uma parcela que cada indivíduo 
produzisse, sendo que houve a estimulação do trabalho coletivo e condenação do 
trabalho individual. Vale destacar que no Egito não existiu o conceito de propriedade 
privada, pois toda extensão territorial pertencia ao Faraó e se fosse de sua vontade, ele 
concedia uma porção de terra a um cidadão, enquanto este último vivesse. A quantidade 
de escravos era reduzida, semelhante à situação na Mesopotâmia, decorrência de sempre 
haver um excedente de bens produzidos. 
Os principais bens produzidos pelos egípcios, tendo como características 
agrícolas eram os cereais, linho, papiro, verduras, legumes, rebanho de ovinos e suínos, 
e criação em cativeiro de aves. Produtos artesanais não evoluíram significativamente, 
 
 
8 
uma vez que eram sempre destinados aos templos e palácios reais e também não havia 
uma necessidade de produzi-los para a exportação. 
No Egito não houve a monetização da economia, pois diferente da 
Mesopotâmia, o Estado egípcio conseguiu se tornar autossuficiente, pelo fato de dispor 
de metais (ouro, estanho, cobre, prata, etc.), a única matéria-prima que necessitava 
realmente era a madeira (a qual importava dos fenícios), e alguns itens de luxo (ébano, 
marfim, pedras preciosas da Somália e do Ébano). Assim, as transações comerciais 
egípcias não evoluíram a ponto de ter a necessidade de se criar um instrumento padrão 
de troca (a moeda). 
 
1.5 – A s Civilizações Comerciais. 
 
Nem todas as civilizações antigas dispuseram de porção geográfica e 
climática favoráveis para desenvolvimento da agricultora. Diante desse aspecto, essas 
sociedades foram obrigadas a desenvolverem bens artesanais, com as matérias-primas 
que tinham em abundância, e trocá-los pelos itens necessitados com outros povos. Ou 
seja, essas civilizações tiveram que desenvolver, desde o início para garantir a sua 
sobrevivência, a atividade comercial. Por isso, sob esse aspecto, essas sociedades são 
denominadas de “Civilizações Comerciais”, sendo assim esses povos conseguiram ter o 
domínio das rotas marítimas por estarem localizados em regiões costeiras. As maiores 
civilizações foram a Minoica de Creta e a Fenícia. 
 
1.6 – A Civilização Minoica de Creta. 
 
Não como se definir com precisão os dados do povo minoico, devido ao alto 
grau de complexidade de se decifrar a escrita. Essa civilização se localizava em uma 
ilha do Mediterrâneo Oriental, entre o Egito, a Ásia e o continente grego, e tinha como 
vantagens correntes marítimas favoráveis, abundante em cobre e madeira. Essa 
sociedade foi responsável por iniciar o processo de transação comercial. A sua base 
econômica estava atrelada a uma firme atividade pesqueira, cultivos de vinhas e 
oliveiras (posteriormente deram origem a produção de vinhos e azeites), a produção de 
bens artesanais (jarros. Potes e ânforas), voltados para a exportação, sendo que essa 
civilização foi à pioneira na fabricação de produtos voltados para trocas comerciais. 
As transações comerciais ocorriam entre a ilha Minoica e o continente 
grego, o Egito e a Ásia Menor. É importante saber que, uma característica fundamental 
na fabricação de bens era um moderno sistema de divisão do trabalho, pois a população 
era dividida em: artesãos, ferreiros, carpinteiros, comerciantes e marinheiros. A politica 
minoica era descentralizada e havia diversas cidades espalhadas aos redores de palácios 
reais, estes utilizados como lugares para cultos religiosos, residência real e também 
como centro de produção de itens artesanais endereçados ao exterior e teve como 
principais cidades: Cnossos, Phaitos, Mallia, Gournia, Hagiha Tríada. 
Entre os anos de 1.570 e 1.425 a. C., a cidade de Cnossos dominou as 
demais e houve a supremacia administrativa e política entre as outras. Esse período foi 
caracterizado como o apogeu da Civilização Minoica, uma vez que houve o controle das 
rotas marítimas e comerciais de todo o Mediterrâneo Oriental, tendo como consequência 
o fim da pirataria e o monopólio na exportação de produtos artesanais e impôs que uma 
porção do continente grego pagassem impostos. Essa civilização foi extinta em 1.400 a. 
C., com a invasão dos Aqueus, que conseguiu dominar rapidamente as cidades minoicas 
e levou a destruição de todo sistema comercial. 
 
 
 
9 
1.7 – As Cidades Fenícias. 
 
O surgimento da Civilização Fenícia se deu no início do terceiro milênio 
antes de Cristo. A sua localização corresponde hoje a porção do território do Líbano. A 
região é composta por vales estreitos que dependem da chuva para se mantiver 
irrigados, as terras eram pouco propicias para a agricultura, o que levou a população a 
se dedicar às atividades pesqueiras e comerciais (voltada para a exportação) – com o 
cultivo de vinhas e oliveiras, o relevo acidentado, o que fez com que as pessoas a 
viverem em pontos espalhados ao longo da faixa litorânea, denominadas como portos 
naturais e o desenvolvimento de uma política descentralizada e o surgimento de 
cidades-estados independentes (Ugaria, Aradus, Trípoli, Biblos, Sidon e Tiro). Os 
principais itens produzidos pelos fenícios eram: vinhos, azeites, objetos de cerâmicas e 
metais, sendo que o principal produto é um corante de púrpura extraído de um molusco 
(múrex), o qual foi considerado um item caro e procurado, a ponto de ser considerado 
um título real, uma vez que permitia que os tecidosfossem tingidos de tons roxos até o 
rosa. 
Uma característica peculiar dos fenícios é que eles não se restringiram a 
comercializar as suas próprias mercadorias, sendo que por dominar com precisão as 
rotas marítimas, logo conseguiu obter o controle de todo o comércio mediterrâneo, 
passando a vender e transportar toda mercadoria proveniente daquela região. Para 
aprimorar ainda mais o seu sistema comercial, os fenícios desenvolveram pontos de 
apoio nas regiões litorâneas, denominadas feitorias, com intuito de facilitar o 
escoamento das mercadorias de regiões interioranas e distantes, como o Marrocos e a 
Espanha. 
Um desses pontos de apoio se destacou e deu origem a cidade de Cartago 
(na costa da Tunísia), o qual se tornou uma grande potência, a mais relevante do 
Mediterrâneo Ocidental, até o momento em que se houveram guerras com a Roma, no 
final do século III a. C., e esta última saíram vencedoras. Apesar de os fenícios terem 
desenvolvido um sistema comercial complexo, a monetização da economia foi 
desenvolvida tardiamente, no final do século V a. C., primeiro em Tiro, posteriormente, 
Sidon, Biblos e Cartago. A explicação para este fato se deve a atenção de que a 
monetarização da economia não ser um fator determinante para realizar trocas, ela é 
apenas um meio de se facilitar o comércio entre diferentes povos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
Capítulo II – A ESCRAVIDÃO CLÁSSICA. 
 
Introdução. 2.1 A Economia Grega; 2.2 O Período Clássico (meado do V – final do Século IV a. 
C.); 2.3 O Período Arcaico (século VIII – meados do V a. C.); 2.4 O Período Helenístico (final 
do Século IV – meado do II a. C.; 2.5 A Economia Romana; 2.6 A Criação do Estado Itálico 
(Século VIII – inícios do III a. C.); 2.7 O Estabelecimento do Império Mediterrâneo (séculos III 
– I a. C.); 2.8 O Apogeu e a Escravidão Clássica (Séculos I – III); 2.9 A Economia de Dirigismo 
Estatal (Séculos IV – V). 
 
Introdução 
 
As cidades-estados gregas ampliaram o papel do sistema de trabalho 
escravista no mundo mediterrâneo, pois até então o papel dos escravos era meramente 
secundário e passou a ser dominante, uma vez que existia um método de trabalho 
compulsório desenvolvido pelas civilizações hidráulicas. Essa mudança no sistema de 
trabalho se tornou a mais difundida e utilizada no Mediterrâneo Ocidental e provocou 
um aumento do tempo da Corveia Real no Mediterrâneo Oriental. Essas alterações 
decorreram do avanço da política e filosofia grega, pois o trabalho passou a ser 
considerada uma obrigação dolorosa e não inerente ao homem, um bom exemplo disso 
é a frase proferida por Platão: “o trabalho permanece alheio a qualquer valor humano, e 
em certos aspectos, chega mesmo a ser a antítese do que é essencial ao homem”. 
O sistema escravista viveu seu auge no período que a Civilização romana 
passou a dominar o mundo mediterrâneo, devido o processo contínuo de expansão 
territorial, o que permitiu o acréscimo de escravos. Uma característica peculiar é que a 
manutenção desse sistema não permitiu que as técnicas de produção fossem 
aprimoradas. Dessa forma, a economia se manteve agrária, os principais itens 
produzidos eram os cereais, o vinho e o azeite. É importante frisar que apesar de poucos 
avanços técnicos, a economia foi monetizada tanto na Civilização Grega como na 
Romana. 
 
2.1 – A Economia Grega. 
 
As características geográficas grega propiciaram o desenvolvimento de uma 
economia voltada para o exterior, porque as terras eram poucos férteis para o cultivo e o 
relevo era acidentado. Entretanto, a civilização se localizava em uma península banhada 
pelo mar, com inúmeros portos naturais, e de arquipélagos próximo à sua costa 
(Cíclades, Esporas, Dodecanésio), esses fatores possibilitaram o desenvolvimento de 
técnicas precisas de navegação, e o domínio das rotas comerciais de todo o 
Mediterrâneo. Essa sociedade se desenvolveu a partir de várias cidades-estados, que 
viviam brigando entre si, pelo fato de todas terem a sua própria autonomia, por isso que 
havia essa rivalidade. A economia grega foi distinguida em três períodos: Arcaico, 
Clássico e Helenístico. 
 
2.2 – O Período Clássico (Meados do V – Final do Século IV a. C.). 
 
As características socioeconômicas do Período Arcaico foram mantidas no 
Período Clássico. Nesse período a economia grega atingiu o apogeu. A escravidão se 
tornou a forma de trabalho mais comum, pois os pequenos proprietários agrícolas 
passaram a utilizar o escravismo para a manutenção da produção de azeite e vinho, que 
continuaram nesse período como os principais bens de exportação. Essa época foi 
marcada por constantes conflitos entre as cidades-estados em decorrência de um estado 
 
 
11 
não unificado, as cidades disputavam entre si a hegemonia do comércio exterior, uma 
vez que os gregos dependiam do exterior para obter matérias primas e itens 
alimentícios. 
A escravidão passou a ter uso massivo, em diversos ramos como a 
mineração, em unidades manufatureiras e artesanais, até em atividades administrativas 
(como gari, policial e escrivão). A forma utilizada para se obter escravos era, o 
nascimento, a condenação judicial por inadimplência e a guerra. Para se ter uma noção 
de quão era utilizada a condição de trabalho, em Atenas, uma das maiores cidades-
estados, no século V a. C., havia uma população de 140 mil escravos para uma 
população de 230 mil habitantes. Neste período, basicamente a produção era 
manufatureira voltada para o exterior, destacam itens como: tecidos, objetos de vidros, 
cerâmica, mobílias, armas e utensílios de metal. 
A produção era limitada, em decorrência do número crescente de escravos, 
da distância entre as cidades-estados e o exterior, da divisão social do trabalho e dos 
custos de produção impediram a formação de grandes centros manufatureiros. A forma 
de transporte predominante era a navegação por apresentar custos mais baixos que os 
transportes terrestres. As principais cidades-estados eram Atenas, Corinto e Mileto, 
importavam mais que exportavam. Para manterem o equilíbrio da balança comercial, 
utilizaram-se moedas de prata. Essa situação levou toda a região do Mediterrâneo 
Centro Oriental a monetizar a economia. 
 
2.3 – O Período Arcaico (Século VIII – meados do V a. C.). 
 
O desenvolvimento da estrutura econômica grega se deu entre os séculos 
VIII e V a. C., uma vez atividade agropastoril baseada na propriedade comum da terra 
deu lugar a um sistema econômico mais moderno e robusto. A transformação dos 
pilares econômicos grego foi resultado da expansão demográfica, iniciado no final do 
século IX, porque se percebeu que a produção agrícola sob um regime de propriedade 
comum (dividida em clã ou genos) já não conseguia atender as necessidades da 
população grega. Basicamente, a produção agrícola se restringiu apenas a criação de 
gado e o cultivo de cereais. Com esse boom populacional as áreas destinadas a cultivo 
de cereais foram ampliadas, o impacto imediato foi à diminuição das áreas utilizadas 
para o rebanho bovino, o que levou a uma escassez de carne como alimento, portanto 
viu-se a importância de se obter grandes volumes de cereais para a alimentar a 
população. 
Para conseguir suprir essa demanda por cereal, a alternativa mais eficaz foi 
importá-lo do exterior, a forma dos gregos pagares por essa mercadoria foi passarem a 
cultivarem oliveira e vinha, uma vez que esses frutos se adaptavam facilmente as 
condições adversas do clima e do solo grego. A oliveira e a vinha eram utilizadas para a 
fabricação de azeite e o vinho, respectivamente, a produção dessas duas mercadorias 
consolidou como os principais itens da economiagrega porque marcaram o início de 
uma atividade comercial voltada para o exterior. A explosão demográfica culminou com 
o fim da propriedade comum da terra, dando origem a propriedade privada, esse fator 
somado com a crise de alimentos, levou muitas pessoas a emigrarem para outras partes 
do Mediterrâneo, esse fato denomina-se como colonização grega do Mediterrâneo. 
A colonização teve dois estágios. O primeiro estágio foi entre 775 e 675 a. 
C., a população da Grécia Continental ocupou áreas da Sicília e do Sul da Itália, esses 
colonizadores fundaram diversas cidades-estados e passaram a produzir cereal, uma vez 
que essas terras eram extremamente férteis. O segundo estágio foi entre 675 a 500 a. C., 
essa colonização denomina-se como comercial, uma vez que ela foi utilizada para 
 
 
12 
complementar a economia das primeiras cidades-estados, pois os novos colonos 
forneciam matérias primas para as atividades manufatureiras que se desenvolveram 
substancialmente. 
Essas cidades-estados eram independentes entre si, um único ponto as 
conectavam era a cultura e a religião grega que foram disseminadas nas colônias. Nessa 
época, a urbanização, monetização da economia e atividades comerciais voltadas para o 
exterior e a manutenção das atividades agrícolas simbolizavam a identidade da 
civilização grega. Neste período, observou-se que cada cidade-estado desenvolveu uma 
especialização produtiva, ou seja, houve-se uma divisão social do trabalho. A expansão 
demográfica cessou, mas via-se a necessidade de constante emprego de mão de obra, 
então se intensificou o uso de trabalho escravo, que sempre foi utilizado de uma forma 
auxiliar, passando a ser gradativamente a forma de trabalho predominante. 
 
2.4 – O Período Helenístico (finais do Século IV – meados do II a. C.). 
 
O estado permanente de guerra entre as cidades-estados, em que uma 
tentava ter o domínio sobre as outras, levou a Grécia Continental a ser invadida e 
dominada pela Macedônia. O rei macedônico, Alexandre Magno, consolidou um grande 
império em um espaço de tempo relativamente curto (334-325 a. C.), constituído pela 
Grécia, Macedônia, Egito, Síria, Fenícia, Mesopotâmia, Pérsia e a Índia (oeste do rio 
Indo). Após a morte de Alexandre Magno (323 a. C.), o império grego se dividiu em 
vários reinos e a unidade politica tornou-se descentralizada. Entretanto, a conquista das 
regiões orientais possibilitou o surgimento da Civilização Helenística, em que a cultura 
grega (ou helênica) se fundiu com as culturas do Oriente. 
O mundo helenístico possibilitou que atividade econômica e comercial 
grega se expandisse, uma vez que distintos mercados e grandes centros econômicos 
estavam interligados. Sendo assim, a produção manufatureira atingiu grandes volumes, 
ao mesmo tempo, a economia grega tornou-se secundária, uma vez que a região da 
Mesopotâmia e da Ásia Menor detinham maiores recursos econômica, demográficos e 
administrativos superiores aos gregos. Nas áreas orientais, no Egito, na Mesopotâmia, o 
escravismo não era forma dominante de escravo, uma vez que nessas áreas 
predominavam o sistema de trabalho compulsório que funcionava bem e neste período 
essa condição acabou sendo reforçada. 
No Período Helenístico, a economia adquiriu traços centralizados, pois 
foram criadas diversas cidades-estados para distribuir civilizações pertencentes ao 
mundo helenístico passaram a ter uma organização administrativa e econômica 
centralizada. Dessa forma, o papel do Estado foi ampliado e iniciou-se um processo de 
burocratização das atividades econômicas, em que homens livres controlavam a 
produção agrícola e as propriedades, que passaram a pertencer aos reis. A atividade 
econômica se manteve mercantil. Nessa época, a monetarização da economia atingiu o 
seu ápice: o sistema econômico passou a ser bi metálico, além da prata, o sistema 
passou a ter ouro também, o que contribuiu para que houvesse capital em abundância, 
mantendo a taxas de juros baixa e a economia estabilizada e em pleno desenvolvimento. 
 
2.5 – A Economia Romana. 
 
Roma era uma cidade-estado da Itália e em alguns séculos, ela se torna a 
capital de um Império de proporções continentais exorbitantes, vai desde a Ásia e o 
Norte da África até o Sul da Inglaterra. Esse Império possui diversas fases de 
desenvolvimento e pode se afirmar que o sistema de escravismo, o carro-chefe da forma 
 
 
13 
de trabalho romana, levou a Civilização Romana a ascensão e, posteriormente, a 
decadência. 
 
2.6 – A Criação do Estado Itálico (século VIII – inícios do III a. C.). 
 
Roma localiza-se numa região central latina da península Itálica. Essa 
posição geográfica era extremamente importante, uma vez ficava as margens do rio 
Tibre, que servia de ponte para ligar o sul e o norte da Itália. Até o século III a. C., a 
economia de Roma era basicamente agrária, pois se baseava na produção de cereais e a 
criação de gado bovino. A maior fonte de riqueza romana era oriunda de 
comercialização de sal das áreas vizinhas, utilizado como uma forma padrão para trocas 
comerciais, uma curiosidade importante é que o sal deu origem as palavras salário e 
assalariado. 
O interessante é que nessa época, os escravos eram poucos utilizados, 
porque existia um sistema em que os homens trabalhavam livremente, desde que 
pagassem impostos ao Estado e prestassem serviços militares gratuitamente quando 
fosse necessário. Após o século III a. C., os romanos viram a necessidade de se ampliar 
as áreas agricultáveis, o que culminou com uma série de disputas territoriais bem-
sucedidas. Em pouco tempo, Roma já controlava toda a região sul da Península Itálica, 
em torno do rio Arno. Depois incorporou sob o seu domínio toda a Itália e o sul da 
península da Magna Grécia. A partir dai, Roma começa a ganhar notoriedade 
econômica e administrativa no mundo helenístico. 
 
2.7 – O Estabelecimento do Império Mediterrâneo (séculos III – I a. C.). 
 
O Estado romano intensifica de “hegemonia territorial”, gradativamente 
Roma consegue dominar ilhas do Mediterrâneo Ocidental, a África do Norte, a 
península Ibérica, a Grécia, a Macedônia e Ásia Menor, a Síria – Palestina, a Gália e o 
Egito. Dessa forma, progressivamente Roma vai se tornando um grande Império, o que 
provoca profundas transformações no sistema econômico romano. 
Com o anexo de diversos territórios, Roma recebeu um fluxo de riquezas 
nunca visto antes na história do mundo antigo, essa entrada de recursos se dava por duas 
formas: a primeira era que os povos submetidos ao domínio romano eram obrigados a 
pagar indenizações ao Estado e a segunda forma refere-se à exploração de grandes 
jazidas de metais preciosos. 
O intenso fluxo de capitais transformou Roma no maior mercado financeiro 
do mundo Mediterrâneo. Nesse período, a economia era monetizada através da 
cunhagem do ouro e prata, o que permitiu a criação de um sistema bancário público e 
privado, além do desenvolvimento de carteira de ações para promover a exploração dos 
sistemas econômicos provinciais. 
A consolidação de uma economia monetizada levou a um processo de 
divisão social do trabalho, a nível regional, pois cada Província se caracterizava na 
produção de itens específicos. É importante destacar que a produtividade da economia 
romana atingiu um grande crescimento e as províncias não competiam entre si, uma vez 
que cada uma produzia e/ou forneciam mercadorias distintas, pois cada região possuía 
características climáticas e geográficas diferenciadas, o que propiciava a cada localidade 
a atuação em segmentos diferentes: 
a) O trigo era produzido pela Sicília, África do Norte e Egito; 
b) O vinho e o azeite eram oriundos da Itália e Grécia; 
c) Os minérioseram extraídos da Península Ibérica; 
 
 
14 
d) O gado era fornecido pela Itália e Ásia Menor; 
e) As manufaturas eram confeccionadas pela Gália e Síria. 
A economia permaneceu com os traços mercantis, uma vez que uma 
província fornecia mercadorias que as outras não possuíam e vice-versa. O Império 
Romano tornou-se o maior concentrador de terras, pois o Estado controlava diversas 
faixas territoriais, pertencidas anteriormente aos reis de províncias derrotadas ou áreas 
confiscadas de cidades e populações hostis. Além disso, todos os tributos arrecadados 
eram oriundos das províncias e eram canalizados para a Roma. A distribuição de terras 
e riquezas era destinada apenas entre cidadãos romanos, o que favoreceu a acumulação 
de imensas fortunas pessoais e a ociosidade da população romana, que ocupava apenas 
cargos administrativos. 
Enquanto isso, nas províncias itálicas, o que se viu foi um cenário de 
devastação, pois como os camponeses de pequeno e médio porte estavam em batalhas 
intermináveis (a batalha cartaginesa durou 15 anos entre 218 a 213). Dessa forma, a 
produção agrícola começou a ruir, pois os agricultores que sobraram começaram a 
migrar para as cidades. Então, a produção que antes era cerealífera, controlada por 
agricultores de pequeno e médio porte, passou a ser de azeite e vinho, controlado por 
grandes latifundiários com o uso de mão de obra escrava de origem não itálica. 
A unificação da economia helenística somado ao esfacelamento do 
campesinato itálico e da vitória de muitas guerras provocaram um fluxo imenso de 
escravos no Império Romano, dado que o preço se manteve relativamente baixo. Dessa 
forma, a mão de obra escrava se tornou a forma de trabalho dominante na Civilização 
Romana, para se ter uma ideia no final do século I a.C., havia três escravos para cinco 
homens livres. 
 
2.8 – O Apogeu e a Crise da Escravidão Clássica (Séculos I – III). 
 
Os dois séculos que se sucederam após a introdução do escravismo como 
forma de trabalho dominante atingiu o seu ápice, no auge escravista iniciou-se a emergir 
falhas desse método adotado, até uma profunda crise no século III. As cidades romanas 
simbolizavam a excelência dessa civilização, porque nelas o cidadão desempenhava 
funções de magistraturas e administrativas para o Estado. A conquista de novos povos 
provocou uma adaptação à cultura e a realidade romana. Com esse enaltecimento, do 
Império Romano, iniciou-se um processo de êxodo rural e aumentou a concentração 
fundiária e expandiu o escravismo rural. 
Com essa combinação de fatores levou os homens livres a pararem de 
trabalhar, uma vez que com ascensão da escravidão (o trabalho se tornou condenável a 
um cidadão comum), a densidade urbana romana atingiu altos índices e a quantidade de 
indivíduos improdutivos. Quem passou a sustentar a população ociosa foi o Estado 
Romano e os cidadãos mais ricos. O fim das grandes guerras externas estabilizou a 
população de escravos no Império Romano, o que culminou que demanda e a produção 
caíssem. 
A queda da produção teve como consequência a diminuição da arrecadação 
de tributos, enquanto os gastos do Estado aumentavam, pois o governo sustentava 
grande parte dos cidadãos improdutivos, mantinha um exército militar profissional, 
realizar obras públicas, além de uma balança comercial desfavorável (os romanos 
importavam grandes quantidades de artigos de luxo do Oriente), logo enviaram um 
enorme volume de metais preciosos para o exterior. Para piorar esse cenário de 
estagnação, o Império Romano passou a ser invadido constantemente pelos povos 
bárbaros e guerras civis intermináveis. 
 
 
15 
Essa conjuntura econômica difícil teve como consequência uma inflação 
crescente, pois o governo para tentar combater o caos econômico fez manipulações 
monetárias mal sucedidas (as moedas de prata com 885 de conteúdo metálico em 54 – 
68, passaram a ter 2% de conteúdo metálico em 260 – 268). O sistema escravista 
começou apresentar sinais de esgotamento em 235, pois o término das guerras externas 
se somou as perdas por pestes e aos sangrentos embates civis, acarretou na diminuição 
de escravos consideravelmente, o que acarretou em um desequilíbrio social e econômico 
que perdurou por algumas décadas. 
 
2.9 – A Economia do Dirigismo Estatal (Séculos IV – V). 
 
Após um período longo de turbulência econômica e social, o Império 
Romano inicia uma fase de melhora do quadro, no século IV. Para combater a crise do 
século anterior, o Estado passou a interferir ativamente na economia e substituir o uso 
do trabalho escravo como forma dominante. A interferência do Estado nos setores 
econômicos não surtiram os efeitos esperados. As medidas tomadas consistiam em: os 
artesãos e comerciantes se escreviam em corporações indicadas pelo Estado, essa 
inscrição garantia que os homens livres pudessem exercer a suas respectivas profissões 
regularmente (desde que eles prestem gratuitamente serviços militares), sistema de 
colonato, os agricultores possuíam uma espécie de vínculo vitalício com áreas nas quais 
plantassem, mesmo se elas fossem vendidas, o Estado passa a receber os impostos em 
espécie, e faz o pagamento de seus funcionários da mesma maneira, as atividades 
profissionais são classificadas como hereditárias, o preço de mercadoria é determinado 
pelo governo. 
O conjunto de metas estabelecidas causou um retrocesso na parte Ocidental 
do Império, pois se iniciou um processo de ruralização, dado que os cidadãos mais 
abastados emigraram para o campo, para se livrar das crescentes obrigações impostas 
pelo Estado para a retomada do crescimento. Os mais ricos foram crescidos pelas 
camadas mais pobres da sociedade, que dependiam dos subsídios dados pelas camadas 
mais altas. A partir do século V, esse processo foi intensificado e gradativamente o 
sistema econômico romano Ocidental centralizado foi substituído por sistemas 
econômicos agrícolas regionais descentralizados. Entretanto, é importante destacar que 
na parte oriental do Império Romano, as cidades-estados não desapareceram e tampouco 
houve um processo de ruralização, pois nessas regiões as cidades-estados se 
desenvolveram a partir de uma economia agrária formando um sistema econômico 
funcional, orgânico e próprio. 
Já no Ocidente, as cidades-estados surgiram para abrigar comunidades 
militares e sede administrativas do governo, ou seja, foi um surgimento artificial. As 
características das cidades orientais possibilitaram que elas fossem capazes de atender 
as necessidades de um Estado em crise. Vale lembrar que nessas regiões o sistema de 
trabalho compulsório ocupou um espaço central na economia, enquanto que o trabalho 
escravo era utilizado de forma secundária. Esse conjunto de características levou ao 
Oriente ser a nova sede do Império Romano, pois aos poucos o lado oriental foi se 
tornando o centro econômico do Estado, e a parte Ocidental foi perdendo interesse e 
importância para o Império. 
 
 
 
 
 
 
 
16 
Capítulo III – SISTEMA ECONÔMICO FUNCIONAL. 
 
Introdução. 3.1 A Economia Dominial; 3.2 A Vida Urbana, Comércio Externo e Monetarização 
(Séculos VI – X); 3.3 As; Transformações na Técnica Agrícola (Séculos IX – X); 3.4 A 
Economia Senhorial (Séculos XI – XIII); 3.5 O Comércio, A Urbanização e a Monetarização 
(Séculos XI – XIII). 
 
Introdução 
 
A ruína do Império Romano da Europa Ocidental, no final do século V, teve 
como consequência o surgimento de reinos: em detrimento da insuficiência da 
manutenção de um Estado unificado; pertencentes aos povos bárbaros germânicos que 
conquistaram grandes extensões territoriais com o enfraquecimento do poder do Império 
Romano. É importante destacar que nesseperíodo há um surgimento de um fator que 
importante nesse novo cenário: a ascensão do Cristianismo, que foi elevado à categoria 
de religião oficial em 395, antes do fim do Império. O clero também dispõe de faixas 
territoriais, oriundas da doação do estado Romano e de benfeitores independentes. 
A disseminação do escravismo, a condenação da Igreja desse método de 
trabalho e a adoção dos métodos germânicos de produção levou a formação de um novo 
sistema econômico, denominado como funcional. A formação desse sistema econômico 
era composta a partir do pressuposto de três funções: trabalhar, rezar e lutar. A 
manutenção dessas funções dependia que cada uma fosse cumprida adequadamente. 
Para que o guerreiro pudesse defender os interesses do religioso e do trabalhador, o 
primeiro deveria rezar para que tudo ocorresse bem nas batalhas, enquanto o último lhe 
fornecessem os suprimentos necessários; para que o religioso pudesse pedir ajuda divina 
para a sociedade, o trabalhador garantia o seu sustento e o guerreiro o defendesse de 
todos os perigos existentes; para que o trabalhador pudesse cumprir as suas obrigações, 
ele necessitava de proteção espiritual e que o guerreiro o protegesse de quaisquer 
adversidades. 
O processo de ruralização da Europa Ocidental e o recuo demográfico 
culminaram com a consolidação do sistema de trabalho compulsório, como forma 
dominante, neste caso estamos nos referindo à classe camponesa (os servos). Os 
indivíduos que protegiam as fronteiras territoriais de seu respectivo reino, além de 
prestarem serviços militares, recebiam como forma de gratificação, enormes porções 
territoriais, e tinham a condição de serem homens livres. Nesse período, os feudos 
(grandes propriedades rurais e/ou castelos que abrigavam funções públicas – 
correspondiam os limites geográficos de cada reino) representavam uma espécie da 
manutenção da política – jurídica da sociedade funcional. O sistema econômico 
funcional se divide em dois períodos distintos. 
 
3.1 – A Economia Dominial. 
 
O processo de ruralização da Europa Ocidental levou ao continente a uma 
queda demográfica consideravelmente alta, esse processo se deve a crise do sistema de 
trabalho escravista, guerras internas incessantes (que provocaram enormes devastações), 
futuro incerto e epidemias de peste. Para se ter uma ideia à população de 70 milhões de 
habitantes foi reduzida para 30 milhões de habitantes. O sistema de produção agrícola 
continuou a ser utilizada nesse período, entretanto houve algumas alterações em relação 
aos métodos utilizadas anteriormente. O sistema de trabalho escravo foi 
“desaparecendo” gradativamente, pela queda da densidade demográfica e a Igreja 
 
 
17 
condenava o escravismo. Entretanto, observou-se que a utilização do trabalho 
compulsório foi acentuada, o agricultor era considerado como parte inseparável da terra, 
o cultivador era uma mão de obra obrigatória e indispensável. Os lavradores eram 
denominados como servos (geralmente era os pequenos e médios camponeses). 
As faixas de cultivo eram pertencentes a grandes latifundiários, entretanto, 
havia algumas pequenas propriedades (agricultura familiar). Os camponeses pagavam 
uma espécie de aluguel para os proprietários de terra, consistia em entregar para os 
donos uma parcela do que era produzido. Os latifundiários delimitavam aonde se 
poderia produzir (daí a expressão domínio), a extensão territorial era dividida em duas 
partes: a primeira era a reserva senhorial (composta pela casa do senhor, oficinas, 
manufaturas, celeiros, estábulos, moinhos, pastagem e áreas agricultáveis – 
correspondiam 50% do território) e área dos mansos (pequenas faixas territoriais 
exploradas pelos camponeses). 
Os domínios também foram grandes centros manufatureiros. As matérias 
primas de origem dos itens cultivados eram transformadas em diversas mercadorias 
como: óleo, vinho, queijo, manteiga, farinha de trigo. Objetos que necessitam processos 
de transformação mais complexos também passavam pelos centros: tecidos, utensílios 
de madeira e de metal. Esses domínios contavam com diversos profissionais 
especializados, como sapateiros, artesãos, carpinteiros, pedreiros, etc. 
O comércio, amplamente difundido na Antiguidade Clássica, inicialmente 
havia perdido a importância no início da ruralização da Europa Ocidental e pelo fato da 
economia ser autossuficiente, entretanto, com o passar dos séculos, o comércio 
gradativamente foi voltando a ter relevância. A economia nunca deixou de ser 
monetizada (devido ao pagamento de tributos dos camponeses aos latifundiários uma 
vez por ano), e passou-se a comercializar o excedente da produção no mundo 
mediterrâneo, através da criação de feiras e mercados locais. Esse processo acendeu a 
chama de reunificar a Europa Ocidental. 
 
3.2 – Vida Urbana. Comércio Externo e Monetarização (Séculos VI – X). 
 
Embora houvesse um desejo crescente da reunificação da Europa, o 
comércio mostrava-se promissor (houve até a criação de barreiras alfandegárias). 
Entretanto, percebia-se que a economia conseguia se manter autossuficiente e as cidades 
ainda não haviam conseguido se restabelecer, uma vez os reinos exerciam concentravam 
grandes riquezas. A partir do século VII, os muçulmanos conquistaram e fecharam a 
rota comercial mediterrânica, houve-se um processo de entesouramento pelos reinos 
germânicos. Graças ao tráfico de escravos, mesmo a prática sendo condenados pelo 
cristianismo, os germânicos vendiam escravos (embora estivesse restringido o uso de 
escravos, eles nunca deixaram de existir) para os muçulmanos que em troca pagavam 
em moedas de ouro. 
O ouro ficava retido nos cofres do reino e tornou-se extremamente 
valorizado, uma vez que o ouro do Império Romano foi drenado para o Oriente, 
portanto o Ocidente possuía poucas reservas desse metal precioso (tanto que nesse 
período o lado ocidental adotou o monometalismo – utilizavam apenas moeda de prata, 
por ela ser mais barata). O entesouramento culminou com a baixa circulação de moedas 
na economia, os bens e serviços eram trocados por outras mercadorias. 
 
 
 
 
 
 
18 
3.3 – As Transformações na Técnica Agrícola (Séculos IX – X). 
 
As técnicas de produção permaneceram rudimentares no período dominial. 
No século IX, introduziu-se uma série de inovações técnicas que possibilitaram o 
aumento significativo dos níveis de produção. Dentre elas, destacam-se: 
a) Adoção do sistema trienal de cultivo, a terra passou a ser dividida em três 
partes: Anteriormente era dividida em duas (sistema bienal), sendo que duas delas eram 
semeadas anualmente, enquanto uma permanecia em descanso. Esse método de cultivo 
possibilitou que 66% da área de cultivo fossem utilizadas, ante 50% do sistema bienal; 
b) Uso de moinho d´água que facilitou a moagem do trigo e o preparo do 
azeite; substituição do arado romano pela charrua germânica (arado com rodas e 
lâminas de metal), o que possibilitou que solos mais pesados fossem melhores 
oxigenadas, resultando em colheitas maiores e no cultivo intensivo de espécies vegetais 
com alto valor proteico (vargens, favas, lentilhas e grão-de-bico). A adoção dessa 
técnica reduziu o emprego de mão de obra manual e melhorou a dieta nutricional dos 
camponeses; 
c) O cavalo passou a ser usado para carregar mercadorias e em trabalhos 
agrícolas, pois se constatou que os cavalos eram mais resistentes e mais rápido que os 
bois na execução de atividades pesadas. 
Essas transformações contribuíram para a volta do crescimento 
demográfico. A revolução das técnicas de produção permitiu que houvesse a expansão 
de áreas agricultáveis e o sistema econômico dominial foi dando espaço para a 
consolidação de um novo sistemaeconômico, o funcional. 
 
3.4 – A Economia Senhorial (Séculos XI – XIII). 
 
A partir do século XI, a Europa Ocidental adquire novos traços 
socioeconômicos. O sistema econômico funcional, graças à revolução das técnicas de 
produção, permitir uma expansão geográfica considerável: alcança a área 
correspondente da atual Inglaterra; a Itália Meridional e a Sicília; a Palestina e partes da 
Síria, a Espanha central e a planície centro-europeia (até o rio Oder e o litoral do mar 
Báltico). Essa expansão relaciona-se também pelo fato do clima europeu ter se tornado 
mais quente e seco (a partir do ano mil), pois se passou fazer cultivos em áreas que 
antes eram consideradas impróprias, como a vinha na Inglaterra e os cereais na 
Escandinávia. Esse período é caracterizado como a Revolução Agrícola ou Revolução 
Demográfica, pois essas revoluções impulsionaram um crescimento populacional 
significativo (a população de 42 milhões de habitantes, no ano mil, saltou para 73 
milhões em 1.300). 
A escravidão desaparece praticamente e o trabalho compulsório é 
suavizado, pois os proprietários de terras passaram a se apropriar pelos resultados do 
que é produzido pelos camponeses, anteriormente se apropriavam do próprio trabalho 
campesino. Os latifundiários passaram a se preocupar pela garantia jurídica e 
administrativa do controle de suas áreas agricultáveis. Logo, começou a surgir uma 
contradição interna, porque essa suavização acabou incentivando que os camponeses 
pudessem ficar com uma parte do excedente produzido, portanto, os campesinos 
começaram a pensar em se tornar independentes de suas obrigações servis. Dessa forma, 
o sistema funcional começa perder a sua legitimidade. Nesta época, a economia pode 
ser caracterizada como senhorial, uma vez que os senhores feudais ditavam os métodos 
de produção, os senhorios eram distintos em dois tipos: o fundiário e o banal. 
 
 
19 
A) Os senhorios fundiários, herdeiro direto dos domínios, dividiam-se entre 
a reserva senhorial e as áreas ocupadas pelos camponeses. Estes consideravam mais 
importantes as parcelas da produção campesina ao trabalho compulsório, que ficou 
restringido apenas a obras públicas (como manutenção de estradas e construção de 
fossos e celeiros). Dessa forma dado ao aumento da densidade populacional, o emprego 
de mão de obra assalariada deu lugar ao arrendamento da terra, de maneira hereditária, 
desde os camponeses pagassem tributação, em montantes de dinheiro fixos, além de 
enviar uma parte da produção para os donos da terra. 
b) Os senhorios banais (termo ban, de tradição germânica significa 
jurisdição), quando possuíam poder sobre determinados territórios, eles detinham 
poderes econômicos, políticos e administrativos. Em troca forneciam proteção às 
populações ameaçadas pelas invasões dos vikings e magiares, o que possibilitou que 
várias aldeias camponesas e áreas pertencentes aos senhores fundiários fossem anexadas 
aos senhores banais. Logo, esse foi o método mais utilizado para expansão da economia 
funcional. 
Os recursos econômicos eram provenientes da alta tributação, imposta para 
todos habitantes do senhorio banal, graças ao cultivo da terra feito pelos camponeses. 
Os impostos eram os mais diversos: taxas alfandegárias, taxas sobre transações 
comerciais, taxas sobre a produção (talha), taxas de utilização de bens dos senhores 
banais (forno, moinho, lagar), entre outras tributações. Além disso, havia o pagamento 
de três taxas consideradas especiais: 
a) A Chevage (paga anualmente em dinheiro, simbolizava a dependência do 
servo para com o seu senhor); 
b) A Formariage (paga quando do casamento com uma pessoa livre, ou 
residente em outro senhorio); 
C) A Mainmorte (paga pelos herdeiros dos servos falecidos para terem 
posse dos bens pessoais, como animais, ferramentas e implementos agrícolas). Como se 
fosse pouco, os servos ainda entregavam à Igreja, cerca de 10% de sua produção 
(dizimo). 
Com a alta carga tributária, iniciou-se uma evasão de camponeses para áreas 
pouco povoadas, uma vez que os encargos eram mais baixos. Para evitar a evasão, os 
senhorios banais tornaram as talhas fixas. A produção agrícola não conseguiu 
acompanhar o crescimento da densidade demográfica, o que provocou uma luta 
generalizada dos preços. Entretanto, como as quantias de impostos eram fixas, em 
colheitas maiores, os camponeses conseguiam acumular reservas monetárias que eram 
utilizadas para pagar pelo fim da condição servil, isso possibilitou que a economia, aos 
poucos, ganhasse contornos comerciais e muito monetizados. 
 
3.5 – O Comércio, a Urbanização e a Monetarização (Séculos XI – XIII). 
 
A alta expansão demográfica e geográfica, a partir do século XI, provocou a 
dispensa de mão de obra para outras atividades. Sendo assim, o comércio volta a 
desempenhar um papel importante na atividade econômica. Então, houve a formação de 
uma camada mercantil composta por homens livres. Estes viabilizaram o comércio à 
longa distância, os mercados começaram a ser ampliados, em decorrência dos 
crescentes excedentes agrícolas que passaram a ser exportados e comercializados em 
feiras espalhadas ao longo de todo o Mediterrâneo. 
Os aristocratas também passaram a depender desses comerciantes, uma vez 
que o excedente agrícola possibilitou a importação de artigos de luxo do Oriente. A 
Igreja, que antes condenava veementemente o comércio passou a olhá-lo diferente, pois 
 
 
20 
entendeu que a atividade comercial era benéfica para o bem comum. Contudo, as 
práticas comerciais só eram aceitáveis desde que se praticassem preços justos (o preço 
deveria ser igual aos custos de produção, embora isso não fosse seguido à risca). 
Com o retorno pleno da atividade comercial, aliado ao crescimento 
demográfico, às cidades se restabeleceram paulatinamente, destaque para as cidades 
italianas de Veneza, Gênova, Nápoles, Gaeta, Salerno, Pisa, Almafi, que por possuírem 
uma condição geográfica privilegiada, são banhadas pelo mar Mediterrâneo, o que 
garantiram o estabelecimento das rotas comerciais e, consequentemente, o seu controle. 
Essas cidades comercializavam itens de luxo vindos do Oriente, como especiarias, 
tecidos de seda, perfumes, etc. Elas contavam também com um império colonial 
mediterrâneo importante que forneciam trigo, açúcar, mel, madeira, etc. 
A reativação dos núcleos urbanos culminou que a atividade econômica se 
concentrasse em dois setores: a construção civil (para a construção de moradias, 
edifícios públicos e catedrais), e o têxtil (o processo de produção de lã – item mais 
utilizado para a confecção de tecidos – comportava cerca de trinta operários diferentes, 
sendo que em cada etapa se necessitava de mão de obra especializada). Nessa época, já 
se iniciou uma política rígida de controle de salários, pois os dispêndios com salário 
representavam a maior parte dos custos de produção (no setor têxtil correspondia cerca 
de 60% dos custos totais). 
A expansão das transações comerciais entre os diversos mercados teve 
como consequência a criação de um sistema bancário altamente desenvolvido, pois esse 
boom comercial evidenciou problemas financeiros, como a diversificação monetária, 
porque cada região possuía um sistema monetário próprio; a quem recorrer quando se 
precisasse de um empréstimo? Apesar da condenação da Igreja Católica (a usura, o 
acúmulo de capital, era abominável, segundo a visão cristã), o sistema bancário acabou 
se desenvolvendo. Dessa forma, os problemas de câmbio foram sanados (conversão 
cambial), transações de fundos para outras praças comerciais e os empréstimos a juros 
se tornaram práticas comuns.21 
Capítulo IV – SISTEMA ECONÔMICO COMERCIAL. 
 
Introdução. 4.1 A Crise Agrária; 4.2 A Crise Demográfica; 4.3 A Crise Monetária; 4.4 Os 
Resultados da Depressão; 4.5 A Reconversão Agrícola e a Crescente Especialização da 
Produção; 4.6 A Decadência dos Eixos Econômicos Tradicionais; 4.7 A Expansão Ultramarina 
Europeia. 
 
Introdução 
 
O sistema econômico funcional, a partir do século XIII, entra em uma 
profunda depressão que culmina com o seu término no século seguinte. A partir daí, há 
a formação de um novo sistema econômico, o comercial, que perdura até o século 
XVIII. Esse novo sistema substituirá o excedente agrícola pelo excedente comercial. O 
fim do sistema funcional está atrelado ao fato que a expansão demográfica superou a 
produção agrícola. As inovações técnicas desenvolvidas no século IX, já se mostravam 
obsoletas e as extensas áreas de cultivo chegaram ao limite máximo, o que culminou 
com déficit na produção de alimentos para abastecer toda a população, que não parava 
de crescer. 
Para piorar a situação, o clima no início do século XIV se tornou mais frio e 
úmido, o que cessou a produção de cereais em algumas regiões, e em outras localidades, 
as quantidades foram reduzidas drasticamente e o cultivo na Inglaterra foi interrompido. 
Essa combinação de fatores provocou um grande desequilíbrio socioeconômico, pois os 
preços de alimentos dispararam e a quantidade ofertada diminuiu significativamente. A 
consequência disso foi períodos prolongados de fome generalizada, culminando coma 
uma crise agrária pavorosa, que inibiu o crescimento demográfico. 
Nessa situação de caos, ocorreram mais dois eventos desastrosos: a Guerra 
dos Cem Anos (1337-1453), que envolveram três centros econômicos: Inglaterra, 
França e Flandres: e a Peste Bubônica (1347-1350), que atingiu todo o continente 
europeu. Esses fatores desencadearam duas outras crises, ou seja. A demográfica e a 
monetária. Ambas as crises acabaram por contribuir na extinção do sistema funcional e 
deu origem ao sistema comercial. 
 
4.1 – A Crise Agrária. 
 
A falta de produtos agrícolas, resultado de uma demanda maior que a oferta, 
foi acentuada com conflitos entre as maiores regiões da Europa (como a Itália, a 
Alemanha e a França), que provocou enormes devastações nos campos. Somado a isso, 
no século XIV, as condições climáticas se tornaram hostis, prejudicando o 
amadurecimento e o tamanho das colheitas, elevando a uma alta dos preços, como o 
preço do trigo que subiu cerca de 300% em 1315-1316. Essa conjuntura ruim levou a 
enormes períodos de fomes e epidemias. 
As colheitas permaneceram durante todo o século XIV, em períodos de 
crescimento estáveis, o descompasso entre oferta e demanda de itens agrícolas eram 
interessantes, pois havia período que a oferta desses itens era maiores que a demanda 
(desestabilizada pelos períodos de fomes e epidemias), e outros períodos que a situação 
era inversa. Essa fase ruim da agricultura só foi substituída no século XV, quando 
houve mudanças nas práticas agrícolas e na mão de obra. 
 
 
 
 
 
22 
4.2 – A Crise Demográfica. 
 
Os longos períodos de fome, epidemias e guerras não foram responsáveis 
pelo recuo demográfico, pois o que realmente provocou a crise demográfica europeia 
foi a Peste Bubônica. Essa epidemia, na metade do século XIV, começou na China e se 
espalhou rapidamente por toda a Europa, em decorrência da transitividade de 
comerciantes entre o Oriente e o Ocidente, cerca de 25 a 35% da população europeia foi 
dizimada entre 1348-1350, embora de algumas regiões a população tenha sido menos 
afetada como na Alemanha, porém em outras a onda de mortes alcançaram índices 
altíssimos, como na França (cerca de 70%). A situação de déficit demográfico só atingiu 
um quadro de melhora no final do século XV, quando há uma reforma política, 
econômica e administrativa. 
 
4.3 – A Crise Monetária. 
 
O progresso urbano, econômico e demográfico pressionava a expansão do 
meio de pagamentos. Entretanto, os governos locais sempre restringiam a cunhagem de 
moedas e o uso de crédito, mesmo os bancos se desenvolvendo, o estoque de moedas 
era baixo. Logo, a situação se agravou com a crise agrária e demográfica, uma vez que a 
primeira aumentava em demasia os preços dos produtos e a segunda causava um recuo 
da circulação de moedas, já que a queda populacional diminuía a demanda por 
alimentos. A situação levou a uma baixa da taxa de juros, dado a redução drástica da 
demanda, e o nível de salários permaneceram extremamente altos, pois a mão de obra 
havia se tornada escassa. 
O quadro econômico se agravou com a guerra entre as maiores potências da 
época, pois os governos começaram a pedir empréstimos a banqueiros para financiar as 
despesas da guerra e diminuir o rombo das contas públicas, o déficit fiscal se deve o 
advento das crises agrária e demográfica. Os governos não conseguiram quitar as 
dívidas para com seus credores, o que levou à falência de inúmeros bancos. Esse 
período de retração culminou com a desvalorização das moedas, o que estimulou o 
entesouramento e pressionou os preços de todas as mercadorias para baixo, que 
acentuou ainda mais esse cenário de retração. 
 
4.4 – Os Resultados da Depressão. 
 
As crises agrária, demográfica e monetária provocou um processo de 
profundas transformações no cenário político, econômico e administrativo. O que se viu 
na Europa nos séculos XV e XVI foi adoção de políticas governamentais extremamente 
intervencionistas, unificação de governos locais em Estados centralizados e a criação de 
associações comerciais privadas. Medidas essas tomadas para, respectivamente, 
reequilibrar as contas públicas e retomar o crescimento econômico, fortalecer o papel 
administrativo e o poder político das monarquias e ampliar as atividades comerciais e 
retomar o investimento em capitais para o alargamento do mercado consumidor. 
 
4.5 – A Reconversão Agrícola e a Crescente Especialização da Produção. 
 
A crise agrária dos séculos XIII e metade do século XV provocaram um 
processo de reconversão agrícola, que correspondeu ao uso de técnicas que gerassem o 
aumento da produtividade para o restabelecimento do equilíbrio agrícola. Basicamente, 
a reestruturação agrária foi possível através da fixação de monoculturas em nível 
 
 
23 
regional. Cada lugar se dedicaria em produzir itens, que fossem característicos da 
região, que o desenvolvimento fosse apropriado as condições climáticas e ambientais. 
Por exemplo, a cultura de cereais se concentrava nas áreas mediterrâneas e 
bálticas; a vinha ocupou a Itália e no norte da França, os pomares são plantados em 
Portugal, Grécia e Espanha; a cana-de-açúcar é cultivada nas ilhas de Creta e Sicília; as 
plantas têxteis passam a ser cultivado no Hainaut, vale dos rios Lãs, na região 
napolitana e no Piemonte; a pecuária torna-se muito difundida, mas regionalmente 
especializada: porcos no Jura, cavalos na Frísia, gado vacum na Noruega, na Suécia e na 
Dinamarca, e ovinos na Espanha e na Inglaterra. A especialização regional conseguiu 
provocar o aumento da produtividade da terra e teve como consequência a retomada do 
crescimento agrícola e o retorno natural da atividade comercial. 
A especialização regional foi aperfeiçoada progressivamente, e acabou 
mudando a visão arcaica sobre a mão de obra camponesa, pois o rendimento qualitativo 
do trabalho, o grau de qualidade de mão de obra, passou a ser mais importante que os 
resultados em termos quantitativos, isto é, o número da quantidade produzida e o 
trabalho em si. Nesse período, os camponeses passaram de meros trabalhadores 
obrigados à condição de camponeses arrendatários, de assalariados quetrabalhavam sob 
supervisão direta dos proprietários e de médios e pequenos proprietários que 
aproveitaram o abandono dos campos. 
Entretanto, apesar da mudança de paradigma, o que se viu em lugares os 
quais o cultivo da cultura de cereais foi especializado (Europa Mediterrânea e Europa 
Oriental), ocorreu um processo inverso, os camponeses ficaram mais dependentes dos 
grandes proprietários de terras. Isso aconteceu, porque os donos de terras ocuparam 
lugares despovoados, que não possuíam um poder real centralizador, considerando que 
os núcleos urbanos estavam enfraquecidos, aliados ao baixo nível de preços dos cereais 
(devido à alta especialização produtiva). O que levou aos latifundiários a se apropriarem 
de maiores números do trabalho camponês, obtendo um aumento quantitativo da 
produção. Era o surgimento das características do mundo moderno. 
 
4.6 – A Decadência dos Eixos Econômicos Tradicionais. 
 
Os eixos econômicos tradicionais europeus: O Mediterrâneo e o Báltico – 
devido à especialização das culturas de cereais acabaram se tornando regiões 
economicamente periféricas. Isso se deve ao fato que alto nível de especialização das 
culturas, somado com o aumento da demanda por trabalho qualitativo, levou a região à 
dependência de trabalho compulsório novamente para elevar os volumes de cereais 
produzidos. Dessa forma, o preço desse item atingiu valores pouco expressivos, o que 
culminou com relação de trocas desiguais com o resto da Europa, o que tornou essa 
região economicamente dependente das demais, logo a região que antes era o centro 
econômico e comercial passou a ocupar uma posição secundária e/ou periférica. 
Além da situação explicitada, região Mediterrânea, que antes era famosa 
pelo papel intermediador do tráfico de artigos de luxos, passou a não exercer essa 
função, pois os turcos gradativamente foram dominando as rotas comerciais 
mediterrâneas, dessa forma a ligação entre o Mediterrâneo Oriental e Ocidental foi 
interrompida, levando a região a uma grande decadência econômica. Enquanto isso, as 
regiões da Europa Central e da Europa Atlântica paulatinamente foram se firmando 
como os novos centros econômicos, uma vez que a alta especialização agrícola foi 
liberando mão de obra camponesa, que acabaram migrando as cidades. Nesse período, 
os produtos manufaturados, principais itens produzidos por essas regiões, se tornaram 
 
 
24 
relativamente mais caros que os cereais, dado que os custos com os artesãos eram 
extremamente altos. 
A abundância de mão de obra, recém-chegada do campo, abriu 
oportunidades para que os burgueses mercadores reduzissem os dispêndios com a mão 
de obra, contudo, os seus privilégios, levando a uma instabilidade nos centros 
manufatureiros. A solução encontrada pelos burgueses foi contratar individualmente a 
mão de obra rural, fornecer para cada um as matérias-primas necessárias e pagar uma 
quantia para cada unidade que fosse produzida. Essa tática ficou conhecida como 
artesanato rural ou manufatureiro doméstico, que reduziu os custos significativamente já 
que a mão de obra se encontrava dispersa, possibilitou o aumento do volume dos artigos 
produzidos. Rapidamente, esse método de produção foi difundido, sobretudo, no setor 
têxtil. Portanto, as regiões centro e atlântica, apresentaram um alto crescimento 
econômico e acabaram se tornando os principais polos econômicos europeus. 
 
4.7 – A Expansão Ultramarina Europeia. 
 
A crescente produção agrícola regional, a descentralização da atividade 
manufatureira e o bloqueio das rotas comerciais do Mediterrâneo pelos turcos, 
demandava uma rede de circulação comercial cada vez mais moderna, eficiente e barata 
(para tornar as mercadorias mais baratas e competitivas). A solução para esses 
problemas foi o transporte marítimo que era mais rápido e barato que o terrestre (uma 
vez que não se necessitava pagar tarifas alfandegárias). O século XV é caracterizado 
como o século marítimo, porque foram descobertas novas técnicas de navegação e rotas 
marítimas (região costeira do Oceano Atlântico), que aumentaram a tonelagem e 
melhoraram as condições de navegabilidade. Logo, cada vez mais mercadorias 
passaram a ser transportadas, via transporte marítimo, e este meio de navegação 
continuava a ser aperfeiçoado. 
Entretanto, esse incremento de transporte marítimo, gerou problemas de 
escassez de moeda, em decorrência da alta circulação de mercadorias, elevados 
investimentos nesse tipo de transporte, logo a produção das minas europeias não 
conseguiam atender essa crescente demanda. O que pressionou a procura por metais 
preciosos, impulsionado dessa economia comercial altamente monetizada. Essa 
incessante busca por metais preciosos, levaram aos portugueses a descobrirem ouro no 
norte africano. Somado a necessidade pelos preciosos itens metálicos, retomou-se a 
necessidade de expansão europeia, logo a demanda de alimentos aumentou, um bom 
exemplo disso foi à introdução do cultivo de trigo, pelos portugueses, nos arquipélagos 
atlânticos, e os venezianos introduziram nas ilhas mediterrâneas a cana-de-açúcar. 
Depois se viu a possibilidade de buscar as especiarias (pimenta, noz-
moscada, canela, açafrão, entre outros itens utilizados para fins medicinais e de 
cosméticos) nos mercados orientais, já que os custos desses itens eram extremamente 
altos. O bloqueio da rota mediterrânea obrigaram os portugueses a viajarem pela costa 
africana, até chegar às Índias, o maior mercado de especiarias. As Grandes Navegações 
foram importantes para ampliação do universo econômico do sistema econômico-
comercial, possibilitando à maximização da extração do excedente, dando origem ao 
capitalismo. 
 
 
 
 
 
 
 
25 
Capítulo V – A MODERNA ECONOMIA – MUNDO. 
 
Introdução. 5.1 As Áreas Periféricas da Economia – Mundo; 5.2 O Sistema Colonial do Oriente; 
5.3 O Sistema Colonial Americano; 5.4 A Grande Propriedade Rural; 5.5 A Especialização 
Produtiva; 5.6 A Produção para o Mercado Externo; 5.7 As Colônias de Povoamento; 5.8 A 
Europa Oriental e a Especialização Produtiva; 5.9 A Decadência Econômica da Europa Central 
e Mediterrânea; 5.10 As Áreas Centrais da Economia – Mundo; 5.11 A Fase de Expansão do 
Século XVI; 5.12 A Fase de Depressão no Século XVIII; 5.13 O Mercantilismo; 5.14 A Prática; 
Mercantilista na Fase de Depressão; 5.15 A Recuperação Econômica do Século XVIII. 
 
Introdução 
 
O termo economia – mundo refere-se ao fato que a Europa Ocidental 
desenvolve uma expansão comercial sem precedentes, com o descobrimento da 
América, em 1492 e a circunavegação dos continentes, Africano e Asiático, graças ao 
aperfeiçoamento do transporte marítimo. Essas novas relações comerciais consistiam 
em trocas comerciais desiguais, favoráveis aos europeus, com as demais localidades, 
uma vez que os europeus haviam alcançado um alto grau de especialização produtiva e 
em regime de monopólio comercial. 
Enquanto isso, os continentes africano e americano, são responsáveis por 
fornecerem as matérias-primas, que são enviadas ao continente europeu, e 
transformadas em mercadorias, os produtos quando finalizados são distribuídos 
(comercializados) no próprio continente europeu e reenviados para as colônias (para o 
consumo local). Nessa época, há a consolidação dos Estados intervencionistas e 
absolutistas, garantindo o funcionamento regular do sistema econômico: a segurança 
das rotas comerciais transoceânicas, de pontos de apoio em diferentes continentes, 
sujeição de população em diversas áreas e de mercados privilegiados. 
O sistema econômico-comercial pode ser dito como um sistema pré-
capitalista, pois neste período houve grandes acúmulos de capitais, em decorrência da 
extraçãodo excedente econômico obtido através do aumento dos preços da mercadoria 
e a redução de custos, em decorrência do aprimoramento da divisão social do trabalho, 
que diminuiu o nível de salários, tendo como consequência, o aumento da reserva de 
lucros. 
 
5.1 – As Áreas Periféricas da Economia – Mundo. 
 
A expansão ultramarina europeia, no século XV, permitiu que, o comércio 
exterior ganhasse realmente uma dimensão mundial, com a incorporação de novas e 
vastas áreas a seu universo econômico. Com as descobertas desses novos territórios, os 
principais itens necessitados pelos europeus (metais preciosos, alimento, especiarias) 
poderiam se obtidos de qualquer parte do mundo, o que forçou o desenvolvimento de 
monoculturas regionais em nível mundial. Logo, essas áreas recém-descobertas foram 
forçadas a dependerem economicamente da Europa Ocidental, pois toda a riqueza 
proveniente dessas novas descobertas era canalizada para o continente europeu, onde as 
matérias-primas eram transformadas em mercadorias e comercializadas. 
Inicialmente, o comércio se limitava somente a Europa e, posteriormente, 
eram enviados a essas regiões periféricas. Essa submissão dos povos locais aos 
europeus se deve ao fato da supremacia política e militar ser altamente poderosa. Dessa 
forma, essa relação de dependência entre as regiões periféricas e a Europa Ocidental, 
pode ser denominada como Sistema Colonial. A colonização se deu em duas formas: 
Oriental e Americana. 
 
 
26 
5.2 – O Sistema Colonial do Oriente. 
 
O sistema colonial do Oriente compreende geograficamente o Oceano 
Índico, às regiões costeiras da Índia, da Birmânia, da Indonésia e das Filipinas. 
Basicamente, os principais itens desse comércio oriental são as especiarias que possuem 
alto valor unitário e crescente procura, propiciando, por conseguinte, uma alta 
lucratividade. O alto consumo europeu de especiarias provocou um aumento nos 
volumes produzidos que passou de 3.000 toneladas, no século XV, para 9.000 
toneladas, no século XVII. O que provocou um barateamento nos preços, no mercado 
europeu, tendo como consequência, o monopólio do fornecimento desses itens, por 
parte dos Estados europeus. Além dessas especiarias, o comércio oriental fornecia 
artigos de luxo (como diamantes, pérolas, seda chinesa, porcelana, etc.). 
Embora o comércio colonial fosse extremamente rentável, o acumulo de 
capitais não foi possível, em decorrência do padrão de troca estabelecido, pois a Europa 
não possuía nenhum produto que atraísse atenção dos orientais. Então, ela se viu 
obrigada a canalizar todo seu estoque limitado de prata para o Oriente, uma vez que a 
Índia, a China e a Indonésia tinham costume trocar as suas mercadorias pelo 
entesouramento da prata, para poder adquirir os itens desejados. Dessa forma, percebe-
se que o sistema colonial do Oriente não impactou em mudanças significativas nas 
estruturas de produção. 
 
5.3 – O Sistema Colonial Americano. 
 
A América (Novo Mundo) garantiu que os europeus ocidentais 
acumulassem grandes quantidades de capital, ou seja, neste novo continente foi 
maximizada a extração do excedente econômico. Isso se deve ao sucesso da 
implementação do trabalho compulsório escravo na estrutura produtiva e uma operação 
comercial instituída, a partir de um regime de monopólio. Com exceção do leste dos 
Estados Unidos, todo o continente americano foi dividido em colônias de exploração, 
em que cada colônia dependia economicamente, administrativamente e politicamente da 
sua respectiva metrópole europeia. Essa medida garantia que as metrópoles tivesse 
controle absoluto de explorar as suas colônias, para que o acúmulo de capital fosse 
possível. 
O regime de monopólio estabelecia que as colônias só poderiam vender a 
sua produção para a sua respectiva metrópole (oligopsônio) e, comprar delas aquilo que 
necessitassem (oligopólio), através das mercadorias e/ou companhias autorizadas pelo 
governo. Esse sistema garantiu os metropolitanos uma alta lucratividade, porque os 
mercadores compravam as matérias primas, a custo de produção, depois revendiam os 
produtos a níveis de preços extremamente altos, incorporando sobre lucros. Assim, era 
comum colonos endividados, revoltas populares nas colônias. 
Embora, o trabalho assalariado fosse mais barato que o trabalho 
compulsório escravo, pois utilizando o trabalho assalariado, o custo de produção só é 
relativo ao salário do trabalhador, enquanto que a utilização do trabalho escravo, além 
de se pagar pela compra de um escravo, se pagaria também uma quantia para os 
encargos do supervisor do escravo; o método compulsório acabou sendo adotado, pelo 
fato de os burgueses das metrópoles venderem os escravos, oriundos da África, para o 
colono americano, o que encarecia os custos de produção. 
Quando, o comerciante recebia as mercadorias das colônias, os custos 
adicionais eram absorvidos no preço dos itens vendidos para os consumidores europeus 
e, posteriormente, para os colonos. Portanto, diante dessa estratégia, os burgueses da 
 
 
27 
metrópole lucravam duplamente. Além do regime comercial monopolístico e a 
utilização do trabalho escravo, as colônias possuíam mais três pontos em comum: A 
grande propriedade rural; a especialização produtiva e a comercialização externa de sua 
produção. 
 
5.4 – A Grande Propriedade Rural. 
 
O principal objetivo da colonização da América foi promover a acumulação 
de capital. Dessa forma, os europeus estimulavam o desenvolvimento de concentração 
fundiária, porque a existência de poucos proprietários centralizava a renda, que chegaria 
mais rapidamente nas Metrópoles. Além disso, a implementação de complexos 
produtivos (necessários para a produção em larga escala de açúcar e algodão); áreas 
férteis em abundância (o clima era tropical) e pouco exploradas, culturas que 
rapidamente esgotavam as propriedades do solo e o uso massivo de mão de obra 
escrava, contribuíram para a formação de propriedades latifundiárias. Basicamente, a 
atividade produtiva se restringia ao cultivo de algodão, cana-de-açúcar e criação bovina. 
A produção agrícola se caracterizava por ser altamente especializada. 
 
5.5 – A Especialização Produtiva. 
 
A economia americana tinha como finalidade produzir mercadorias que não 
poderiam ser produzidas na Europa, pois as condições geoclimáticas europeias 
impossibilitavam o cultivo de alguns gêneros alimentícios, enquanto que o clima 
tropical americano era propício para produção de cana-de-açúcar, sobretudo, o Brasil. 
Essas condições levaram as colônias a um processo de especialização produtiva, 
possibilitando o desenvolvimento das monoculturas, voltada para a exportação. Por 
outro lado, as monoculturas foram utilizadas para inibir a diversificação produtiva nas 
colônias, porque elas eram consumidoras dos produtos metropolitanos. 
Só poderia produzir itens que não fossem característicos da Europa, como o 
milho e a mandioca. A agricultura monocultora empregava o uso intensivo de mão de 
obra escrava ajudava impedir o desenvolvimento das policulturas, pois os custos com o 
escravo em elevados e grande parte do montante arrecadado com as atividades agrícolas 
eram utilizados para a compra de novos escravos, sendo que as metrópoles forneciam 
essa mão de obra. 
 
5.6 – A Produção para o Mercado Externo. 
 
A produção das colônias americanas como eram voltadas para o mercado 
externo, e extremamente dependente de suas metrópoles para o fornecimento de 
mercadorias e mão de obra escrava na produção. O comércio interno não se 
desenvolveu, dado que o crescente volume de produção, não criou as condições 
necessárias para o consumo interno. Os únicos locais, em que houve chancespara que o 
mercado interno fosse desenvolvido foi em lugares que a atividade mineradora foi 
explorada, uma vez que o acúmulo de metais preciosos estimulou o desenvolvimento de 
pequenos proprietários de lavras. 
Consequentemente, houve um processo de urbanização dessas regiões, 
provocando o surgimento da atividade comercial interna. Portanto, a extração de metais 
preciosos, pelos colonos, era absolutamente condenável pelas metrópoles europeias, 
pois o aquecimento do mercado interno colonial era visto como sinal de ameaça para o 
mercado europeu. Dessa forma, a atividade mineradora foi suprimida, para que os 
 
 
28 
colonos permanecessem dependentes, economicamente e comercialmente de suas 
metrópoles. 
 
5.7 – As Colônias de Povoamento. 
 
Na região leste dos Estados Unidos, o sistema de colonização foi 
diferenciado do restante da América, porque os imigrantes ingleses mudaram para o 
continente americano com o intuito de povoá-lo, daí a expressão de colônias de 
povoamento, no século XVI. Devido à decorrência da intolerância religiosa (os 
católicos e calvinistas eram perseguidos pela Igreja Anglicana – religião oficial do 
Estado). Então, os ingleses estabeleceram várias colônias que desenvolveram um centro 
comercial local. 
 O trabalho escravo foi substituído pelo assalariado, o que contribuiu para 
uma diversidade produtiva. Enquanto, algumas colônias (da região da Nova Inglaterra) 
cultivam legumes, verduras, cereais, criavam gado, pescavam bacalhau e baleia, e 
produziam tecidos e utensílios domésticos; outras (do Centro) se dedicavam 
exclusivamente ao cultivo de cereais, tinham uma pecuária bastante desenvolvida, e 
possuíam importantes centros manufatureiros. A Inglaterra, por está envolvida em 
contínuas guerras que envolviam todo o continente europeu, inicialmente não deu 
importância para os acontecimentos nas colônias inglesas. 
Entretanto, gradativamente, a Inglaterra passou a cobrar uma série de 
impostos para as colônias de povoamento, além de restringir a entrada de novos colonos 
na região – medidas tomadas para frear o crescimento econômico e comercial das 
colônias. Essas atitudes causaram um descontentamento generalizado nos colonos 
ingleses, que se uniram contra a metrópole, culminando com a independência dos 
Estados Unidos, em 1776. 
 
5.8 – A Europa Oriental e a Especialização Produtiva. 
 
A crescente especialização produtiva do cultivo de cereais, aliado a entrada 
de metais preciosos, da adoção do sistema de trabalho compulsório camponês na Europa 
Oriental, possibilitou que os volumes de cereais produzidos atingissem altos índices. 
Entretanto, observou-se que o preço desse item foi radicalmente reduzido e o lado 
Oriental passou a importar grandes quantidades de mercadorias, relativamente mais 
valorizadas do Ocidente, deixando a balança comercial desfavorável. 
Além disso, os europeus orientais passaram a depender dos ocidentais para 
o transporte de suas mercadorias, em decorrência da hegemonia marítima ocidental. 
Logo, observou-se que a Europa do Mediterrâneo foi se tornando uma região 
meramente periférica para a economia – mundo, entrando em uma decadência 
econômica. 
 
5.9 – A Decadência Econômica da Europa Central e Mediterrânea. 
 
A economia da Europa Central, até o século XVI, era um importante centro 
econômico, graças a suas minas de prata. Entretanto, a situação se inverteu em 
decorrência da descoberta de minas de ouro e prata na América, logo houve a 
introdução desses metais preciosos na economia – mundo, e gradativamente, a produção 
de prata na região central foi reduzida, assim acabou perdendo a importância 
econômica, e se tornou uma região periférica. 
 
 
29 
A Europa Mediterrânea acabou mergulhando em uma decadência 
econômica, como ocorreu na Europa Central. E um ponto interessante entre as duas, é 
que ambas não conseguiram estabelecer Estados nacionais centralizados. Dessa forma, 
não houve uma organização política, econômica e administrativa que pudesse exercer o 
poder sobre várias áreas territoriais da economia – mundo e, também, não houve 
planejamento comercial, voltado para o excedente econômico – essas características se 
configuram com a prática mercantilista, adotados pelos Estados europeus ocidentais. 
 
5.10 – As Áreas Centrais da Economia – Mundo. 
 
Durante os séculos XVI, XVII e XVIII, vários Estados nacionais lutam entre 
si, com o objetivo de permanecessem no centro da economia mundo, para promover o 
acúmulo de capitais. Ocorreu, portanto, um considerável reforço na intervenção estatal 
na vida econômica, a ponto de dominá-la completamente, paralelamente, a uma aberta 
competição entre os mais diversos Estados Nacionais. Essa intervenção na economia é 
denominada como Mercantilismo, em que os Estados disputam a vaga para permanecer 
na área central da economia – mundo. A economia mercantilista é dividida em duas 
fases distintas: A fase de expansão do século XVII e a fase de depressão no século 
XVIII. 
 
5.11 – A Fase de Expansão do Século XVII. 
 
Nessa fase, a economia – mundo atinge o seu apogeu, há o fortalecimento 
dos Estados nacionais, do apogeu do Renascimento e da Reforma. Esse período foi 
marcado por uma alta generalização dos preços, devido aos crescentes volumes de ouro 
e prata. Como os preços nominais de todos os produtos tiveram de se elevar, para se 
adequar a súbita desvalorização da moeda, ocorreu um grande incentivo à produção 
global, o que revitalizou o crescimento da atividade econômica e possibilitou o acúmulo 
de capitais. 
 
5.12 – A Fase de Depressão no Século XVIII. 
 
Após uma longa fase de expansão econômica, a economia – mundo 
registrou no século XVIII, uma desaceleração geral, conhecida por depressão do século 
XVIII. Essa conjuntura econômica desfavorável pode ser explicada, não de uma forma 
muito clara, através desses três eventos: a redução do volume de metais preciosos das 
colônias espanholas; a inconsistência de sua recuperação demográfica e a fraqueza do 
sistema econômico-comercial em se sustentar sozinho. A principal consequência dessa 
conjuntura econômica decadente foi à ampliação dos poderes do Estado, com reforço do 
absolutismo político e da intervenção econômica – Mercantilismo – como forma de 
reativar a economia. 
 
5.13 – O Mercantilismo. 
 
Mercantilismo é o conjunto de práticas e ideias econômicas desenvolvidas 
na Europa entre os séculos XV e XVIII. O nome mercantilismo foi criado pelo 
economista Adam Smith, em 1776. O mercantilismo tinha por objetivo fortalecer o 
Estado e enriquecer a burguesia, para isso, era preciso ampliar a economia para dar mais 
lucro, afim de que a produção pudesse pagar mais imposto. Consideravam que a 
exportação é que traria riquezas e vantagens e, assim começou uma competição 
 
 
30 
comercial. Ocorreu então, o metalismo, que era o acúmulo de moedas dentro do país e, 
isso era considerado um sinal de que o objetivo havia sido alcançado. 
O único recurso encontrado então foi aplicar uma balança comercial 
favorável para manter o equilíbrio monetário que para eles era exportar mais e importar 
menos. O Estado teve que tomar medidas para desenvolver o monopólio já que era 
aplicado com dificuldade. O Estado percebeu que, o acúmulo de riquezas se dava mais 
por operações mercantis e, então condicionou todas as necessidades do comércio 
exterior. Havia vários tipos de mercantilismos onde se destacam como verificar a 
seguir: 
 
5.14 – A Prática Mercantilista, na Fase da Depressão. 
 
A adoção generalizada do mercantilismo, como uma resposta à depressão do 
século XVIII, com seus pontos de balança de comércio favorável e nacionalismo 
econômico, jamais poderia levar à cooperaçãoentre os Estados, Mas à aberta 
competição entre eles. Essa competição fez-se não só em termos econômicos, mas 
principalmente, através de guerras, que abarcaram todo espaço da economia – mundo. 
No período, economia e política identificavam-se, a economia sempre acabava ditando 
as ações da política. Cronologicamente, essa depressão pode ser dividida em dois 
períodos: 1620-1674 e 1675-1720. 
A primeira caracterizou-se pelo predomínio holandês, uma vez que os 
holandeses eram os maiores fretadores marítimos, no transporte transatlântico e a 
segunda pela competição entre a Inglaterra e a França pela hegemonia da economia – 
mundo. Essa competição se definirá a favor da Inglaterra, em 1763; sendo que entre 
1640-1651, essa metrópole passou por profundas transformações, a burguesia inglesa 
estabelece um limite para o absolutismo real e, ganham peso no aparelhamento estatal. 
Paulatinamente, o absolutismo desaparece e a burguesia acaba-se firmando como uma 
poderosa classe social, e o Estado inglês foram-se firmando como importante centro 
comercial. 
 
5.15 – A Recuperação Econômica do Século XVIII. 
 
A partir de 1720, a economia – mundo conheceu uma nova fase de 
crescimento econômico, baseada, notadamente, em um novo afluxo de metais preciosos 
da América, e à expansão demográfica europeia. Essa fase de recuperação econômica, 
que, no entanto, não foi constante, estando sujeita a crises esporádicas, no que diz 
respeito à produção agrícola, marcou um modo definitivo a primazia inglesa, no 
contexto mundial, e possibilitou a concretização da Inglaterra, da assunção do sistema 
econômico capitalista. 
Em algum momento, após a década de 1760, o sistema comercial cede lugar 
ao capitalista, com o advento da forma de produção que assegura sua reprodução 
natural, a fabril. Em 1776, Adam Smith com a publicação d´A Riqueza das Nações, 
ataca violentamente os monopólios e as condições privilegiadas de mercado, refletindo 
a realidade que o desenvolvimento econômico não mais necessitava de trabalho 
compulsório e dos sistemas de monopólios. O sistema econômico comercial cumprira 
exemplarmente a sua função. 
 
 
 
 
 
 
31 
Capítulo VI – O SISTEMA ECONÔMICO CAPITALISTA. 
 
Introdução. 6.1 A Revolução Industrial Inglesa; 6.2 A Segunda Revolução Industrial; 6.3 A 
Industrialização Fora da Inglaterra; 6.4 A Alemanha; 6.5 A Itália; 6.6 Os Estados Unidos; 6.7 O 
Japão; 6.8 A Questão do Liberalismo Econômico. 
 
Introdução 
 
No século XVIII, a Europa passa por uma mudança significativa, no que se 
refere ao sistema de produção. A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, fortalece 
o sistema capitalista e solidifica suas raízes na Europa e em outras regiões do mundo. A 
Revolução Industrial modificou o sistema de produção, pois colocou a máquina para 
fazer o trabalho que antes era realizado pelos artesãos. O dono da fábrica conseguiu, 
desta forma, aumentar sua margem de lucro, pois a produção acontecia com mais 
rapidez. Se por um lado, esta mudança trouxe benefícios (queda no preço das 
mercadorias), por outro a população perdeu muito. O desemprego, baixos salários, 
péssimas condições de trabalho, poluição do ar e rios, e acidentes nas máquinas foram 
problemas enfrentados pelos trabalhadores deste período. 
O lucro ficava com o empresário que pagava um salário baixo pela mão de 
obra dos operários. As indústrias, utilizando máquinas a vapor, espalharam-se 
rapidamente pelos quatro cantos da Europa. É o surgimento do sistema capitalista. 
Muitos países europeus, no século XIX, começaram a incluir a Ásia e a África dentro 
desse sistema. Estes dois continentes foram explorados pelos europeus, dentro de um 
contexto conhecido como neocolonialismo. As populações destes continentes foram 
dominadas a força e tiveram suas matérias-primas e riquezas exploradas pelos europeus. 
Eram também forçados a trabalharem em jazidas de minérios e a consumirem os 
produtos industrializados das fábricas europeias. 
 
6.1 – A Revolução Industrial Inglesa. 
 
A primeira Revolução Industrial teve início, na Inglaterra, por volta de 1750 
e, logo alcançou a França, a Bélgica e, posteriormente, a Itália, a Alemanha, a Rússia, o 
Japão e os Estados Unidos. Por essa época, as atividades comerciais comandavam o 
ritmo da produção. Na Revolução Industrial inglesa, a principal manufatura era a 
tecelagem de lã. Mas foi a produção dos tecidos de algodão que começou o processo de 
mecanização, isto é, da passagem da manufatura para o sistema fabril. A matéria-prima 
vinha das colônias (Índia e Estados Unidos). Cerca de 90% dos tecidos ingleses de 
algodão eram vendidos no exterior, o que teve papel determinante na arrancada 
industrial inglesa. A mecanização se estendeu do setor têxtil para a metalurgia, para os 
transportes, para a agricultura e outros setores da economia. A grande fonte de riqueza 
deslocou-se da atividade comercial para a industrial. Quem desenvolvesse a capacidade 
de produzir mercadorias passaria a ter a liderança econômica no mundo. E foi isso o que 
aconteceu com a Inglaterra, foi o primeiro país a se industrializar utilizando a máquina 
na produção: 
a) A máquina de fiar – que transforma em fios as fibras têxteis de algodão, 
seda e lã, para o fabrico de tecidos. Essa invenção revolucionou a técnica de produção, 
transformando a Inglaterra, no maior produtor de fios para tecidos. Essa invenção 
substituiu a roca, um dos mais simples e antigos instrumentos de fiar; 
 
 
32 
b) O tear mecânico – inventado em 1785, em substituição ao tear manual, 
aumentou de forma considerável a produção de tecidos, colocando a Inglaterra na 
liderança mundial da época; 
c) A máquina a vapor – cujo uso na indústria de tecidos, nas usinas de 
carvão mineral, na industrialização do ferro, nas embarcações fluviais ou marítimas 
(navios a vapor), nas estradas de ferro (locomotivas a vapor), entre outras, representou 
uma revolução no transporte de passageiros e de cargas a longas distâncias. 
Essas invenções, acompanhadas do aproveitamento da energia calorífica do 
carvão mineral e sua transformação em energia mecânica para fazer funcionar as 
máquinas representaram um grande avanço nas técnicas empregadas para a fabricação 
de mercadorias e, consequentemente, no aumento da produção. A Inglaterra passou 
assim, da manufatura para a maquinofatura. Produzia e vendia seus produtos industriais 
em todo o mundo, graças, entre outros fatores, a expansão do sistema colonial. 
Dessa forma, no século XVIII, o país tornou-se a maior nação capitalizada 
do mundo, sendo Londres a capital financeira internacional. Esse momento representou 
uma verdadeira revolução no modo de produzir mercadorias em tempo bastante menor, 
se comparando à manufatura. O desenvolvimento inicial das indústrias têxteis 
mecanizadas em grande parte da Europa e nos Estados Unidos dependia de muitas 
dessas invenções britânicas. Essa revolução ficou conhecida como a Primeira 
Revolução Industrial. 
 
6.2 – A Segunda Revolução Industrial. 
 
Com o desenvolvimento efetivo da atividade industrial em diversas partes 
do mundo, os donos dos meios de produção e capitais começaram a direcionar recursos 
financeiros para o desvendamento e criação de novas tecnologias como procedimentos 
produtivos, máquinas, equipamentos, entre outros, todos com intuito de dinamizar e 
acelerar a produtividade e automaticamente os percentuais de lucros. Desse modo, 
grande parte dos avanços tecnológicos foi derivada de pesquisas científicas que são 
realizadas para o aperfeiçoamento industrial. Esse processo é contínuo, pois 
constantemente, busca novos materiais, novas tecnologias e métodos de produção com o 
objetivo de ampliar as margens de lucros.O período que mais marcou os avanços 
tecnológicos foi entre o final do século XIX até a primeira metade do século XX, 
quando o mundo vivenciou uma série de avanços na tecnologia, medicina, entre outros. 
Os fatos de maior destaque, assim como na Primeira Revolução Industrial, 
foram em relação a inventos e descobertas, dessa vez o que impulsionou foi, sem 
dúvida, o petróleo, o motor a combustão, a utilização do aço e o uso da força das águas 
na geração de energia elétrica (usinas hidrelétricas). O conjunto de novidades 
tecnológicas favoreceu uma flexibilização produtiva na atividade industrial, 
posicionando países que lideram o processo de industrialização como algumas nações 
europeias, além dos Estados Unidos e o Japão que ingressaram na Segunda Revolução 
Industrial. 
A Segunda Revolução Industrial focalizou a produção no surgimento de 
indústrias de grande porte (siderúrgicas, metalúrgicas, petroquímicas, automobilísticas, 
transporte ferroviário e naval). Essa etapa da indústria mundial produziu profundas 
modificações no contexto do espaço geográfico, no qual essa revolução foi 
desenvolvida. As revoluções industriais são processos que estão ligadas diretamente aos 
avanços tecnológicos que determinam o sucesso de cada uma delas. 
 
 
 
 
33 
6.3 – A Industrialização Fora da Inglaterra. 
 
Enquanto, a Inglaterra foi durante muitas décadas a única nação realmente 
industrializada do mundo, os demais países continuaram predominantemente agrários, 
com a maioria da sua população produtiva presa economicamente no setor primário. A 
razão principal dessa defasagem pode ser colocada ao fato de serem suas burguesias 
fracas e desarticuladas para poderem influir politicamente em seus Estados com 
sucesso, a fim de orientá-los economicamente a seu favor. 
A ausência de industrialização não implicava que esses países não fossem 
capitalistas, ou que estivesse sujeito a qualquer outro sistema econômico, pois o que a 
industrialização traz ao país, não é, portanto, a sua inclusão no sistema capitalista, mas 
simplesmente a admissão na área central do sistema. Alguns casos nacionais, pela sua 
relevância ou especificidade de industrialização durante a Segunda Revolução 
Industrial, merecem destaque como: a Alemanha, a Itália, os Estados Unidos e o Japão. 
 
6.4 – A Alemanha. 
 
O processo de industrialização alemão foi rápido. Em fins do século XIX, a 
Alemanha já havia ultrapassado o Reino Unido e a França, e junto com os Estados 
Unidos, liderou os avanços para a Segunda Revolução Industrial. Esse crescimento foi 
muito rápido, mas por quê? Porque com a unificação político territorial, em 1871, a 
Alemanha se tornou não só um único Estado, como também um único mercado, ou seja, 
houve também uma unificação econômica. As possibilidades de se acumular capitais 
aumentaram com a instituição de uma moeda única, com a constituição de um grande 
mercado interno e a padronização das leis. Devido à facilidade de transportes e a 
disponibilidade de jazidas de carvão mineral, se concentrou indústrias quase na fronteira 
com os Países Baixos, aonde os rios Ruhr e Reno se encontram. 
Nessa região, que antes era rota de comércio, ligando o norte da Itália a 
Flandres, os banqueiros concentraram capitais, e passaram a investir cada vez mais na 
indústria. Aos poucos a população que residia no campo, foi migrando para as cidades 
e, formando a mão de obra necessária. Assim, com o trabalho assalariado aumentando, 
crescia paralelamente o mercado consumidor. Também se deve lembrar que a França, 
após perder a guerra de 1871, foi obrigada a pagar uma indenização à Alemanha, de 
acordo com o Tratado de Frankfurt, e ceder às províncias da Alsácia e Lorena, ricos em 
carvão e minério de ferro. Isso significou mais recursos e novas fontes de energia e 
matérias-primas. 
Todos esses fatores juntos ajudaram na industrialização alemã. A Alemanha 
se deparou com vários problemas para sustentar seu processo de industrialização. Com a 
derrota na Primeira Guerra Mundial, os vitoriosos impuseram várias sanções através do 
Tratado de Versalhes, tais como: Pagar indenizações, restrições em termos militares e 
perdas territoriais, sendo que a Alemanha teve de devolver as províncias anexadas, 
citadas acima. Em consequência do Tratado de Versalhes, a Alemanha caiu em uma 
crise econômica e social, que criou as condições necessárias para o surgimento do 
Terceiro Reich, com Adolfo Hitler no poder, em 1933. 
Com a influência nazista, o país procurou conquistar territórios que eram 
considerados vitais para a expansão econômica. Mas o resultado dessa busca de 
territórios foi à derrota na Segunda Guerra Mundial. Os alemães ganharam: destruição, 
maiores perdas territoriais e fragmentação política. Porém, a Alemanha mostraria que 
mesmo sofrendo perdas territoriais é possível um país crescer economicamente. 
 
 
 
34 
6.5 – A Itália. 
 
Quando ocorreu o “milagre italiano” (um rápido crescimento econômico), 
houve uma forte concentração industrial no norte da Itália (Vale do Pó) apesar da 
política de descentralização industrial. Durante muitos séculos (XII ao XVI), as cidades-
estados do Norte tinham um forte comércio com o Oriente Médio e várias regiões da 
Europa. Veneza e Gênova eram cidades que tinham um importante centro comercial. O 
comércio permitiu o surgimento de cidades, nas quais com o tempo foi havendo uma 
concentração de capitais nas mãos da burguesia e, uma aglomeração de população, que, 
com a industrialização, no século XIX, se tornou a mão de obra e mercado consumidor. 
No Norte, com o crescimento comercial e urbano, o feudalismo foi perdendo forças, e 
passou a disseminar uma mentalidade burguesa. Ao mesmo tempo, o Sul ficou por 
muito tempo, preso as estruturas do feudalismo, que preservou uma agricultura atrasada 
realizada por uma abundante mão de obra. 
A industrialização que ocorreu no Sul, depois da Segunda Guerra Mundial, 
foi uma intervenção do Estado italiano, como planejador e concedendo incentivos para a 
iniciativa privada. Já que no Sul, não houve uma grande acumulação de capitais, muitas 
empresas do Norte passaram a abrir suas filiais nessa região. Durante o período em que 
a indústria era movida principalmente por carvão, a Itália tinha grandes barreiras, no 
entanto, com a Segunda Revolução Industrial e a utilização da eletricidade, o país pôde 
aumentar sua industrialização mais rapidamente. Nesse ponto, o Norte também levou 
vantagens. A bacia do Pó passou a produzir boa parte da energia consumida pelas 
indústrias e cidades da região. 
Com a construção de usinas hidrelétricas, a Itália foi diminuindo a sua 
dependência de energia importada. Mas, com o crescimento econômico, o país se tornou 
um grande importador de combustíveis, principalmente petróleo. Em 1946, uma estatal 
de energia descobriu algumas reservas importantes de gás natural no Vale do Pó. Apesar 
da descoberta de novas reservas de gás no Sul, a Itália ainda dependente da importação 
de combustíveis fosse, tornando-se uma grande importadora de petróleo, mas também, 
uma enorme exportadora de produtos derivados de petróleo. 
A Itália possui um grande parque industrial bem diversificado. O país 
aumentou sua competitividade e produtividade, após a Segunda Guerra Mundial, 
quando o capital estatal e privado passou a capacitar tecnologicamente o país. 
A Itália, também, se beneficiou do Plano Marshall para a reconstrução de 
sua indústria. Alguns grupos privados nacionais estão entre os maiores conglomerados 
do mundo, como a Fiat, que além de automóveis, produz aviões, helicópteros, etc. Há 
outros grupos importantes como a Olivetti (eletrônico), a Parmalat (alimentício), a 
Pirelli (químico), etc. Algunsdos principais centros são Milão, Turim, Gênova, Verona 
e Parma. No Sul, as indústrias se localizam em torno de siderúrgicas e petroquímicas 
instaladas pelo Estado. A Itália tem a maior capacidade de refinaria de petróleo da 
Europa. Devido a sua localização entre o Oriente Médio e Europa, suas refinarias 
abastecem vários países. O Estado italiano teve uma grande importância ao longo desse 
processo de industrialização tardia. Mas algumas empresas foram privatizadas, devido 
ao neoliberalismo ter ganhado espaço. 
 
6.6 – Os Estados Unidos. 
 
A Revolução Industrial nos Estados Unidos começou mais tarde, 
conseguindo seu apogeu com a construção de ferrovia, entre 1867 e 1890. Nesse 
processo, as empresas pequenas e médias não tiveram o mesmo protagonismo que na 
 
 
35 
Inglaterra. Nos Estados Unidos, as grandes empresas Oligopolistas foram desde o 
principio os impulsores da construção e exploração das ferrovias, o verdadeiro polo de 
desenvolvimento da economia norte-americana. As ferrovias tornaram-se cada vez 
mais importantes para este país em expansão e havia uma profusão de práticas 
ferroviárias injustas. As empresas ferroviárias concediam descontos para fregueses que 
operavam grandes cargas e, portanto, prejudicavam transportadores menores. As tarifas 
de carga eram frequentemente desproporcionais à distância percorridas; a concorrência 
muitas vezes reduzia as tarifas de carga entre cidades com várias ligações ferroviárias. 
As tarifas tendiam a ser altas entre pontos ligados por apenas uma linha 
férrea. Ficava, portanto, mais barato transportar uma carga de Chicago para Nova 
Iorque, numa distância de 1.280 quilómetros, do que para cidades distantes apenas 
algumas centenas de quilómetros de Chicago. Além do mais, para contornar a 
concorrência às empresas concorrentes às vezes compartilhavam (“pooled”) o mercado 
de cargas de acordo com um entendimento prévio que canalizava os rendimentos totais 
para um fundo comum para distribuição. Foram também grandes empresas as que 
desenvolveram a indústria do aço. Da extração e requintado de petróleo, do carvão, do 
fumo, da madeira, do automóvel, etc. A Revolução Industrial estadunidense está 
protagonizada pelos big business e os grandes empresários como Vanderbilt, 
Rockefeller, Carnegie, Stanford, Morgan, etc., pessoas que acumularam muito 
rapidamente um imenso poder, tanto no setor financeiro, como no setor real. 
Nesse contexto socioeconômico não tinha local para o liberalismo 
competitivo humanista de Adam Smith, Malthus e Stuart Mill. Nos Estados Unidos, de 
fato não teve uma ideologia liberal aplicada aos negócios, embora a revolução 
americana estivesse inspirada fortemente pelos liberais europeus da época. Mas, o 
desenvolvimento econômico que teve local, na segunda metade do século XIX, pouco 
tinha em comum com as ideias de Washington, Jackson e os demais pais da pátria, que 
contemplavam como uma sociedade de pequenos e médios empresários 
majoritariamente rurais que trabalhavam em um mundo onde reinava a igualdade de 
oportunidades. Os imensos poderes que acumularam os banqueiros, ferroviários e 
industrialistas animavam a maioria da população americana, ainda rural, e provocou 
muitos protestos e ainda revoltas políticas contra o poder dos multimilionários. Estes se 
serviram descaradamente da administração pública para aumentar as ocasiões de se 
enriquecer e evitar as regulações e trava a suas manipulações. 
Os grandes tycoons não tinham mais ideologia que a de acumular poder e 
dinheiro. Alguns se serviram da ideologia liberal, embora tardiamente e com não muita 
convicção, para justificar a ausência do governo federal, no mundo dos negócios e para 
recusar suas intervenções, sempre tímidas e insuficientes, destinadas a limitar o poder e 
os abusos dos grandes empresários. Para os grandes empresários, a concentração é 
melhor que a distribuição. Aqui o liberalismo econômico está totalmente superado pela 
Lei dos mais fortes ou the suvival of the fittest, que impulsiona a evolução das espécies 
animais, segundo Charles Darwin. Isto é darwinismo social. 
 
6.7 – O Japão. 
 
Do século XVII ao século XIX, o Japão foi governado pelo clã Tokugawa, 
país isolado do mundo exterior. Em 1639, sob o Xogunato Iyemitsu (regime militar 
feudal), iniciou-se um período de reclusão em que os japoneses não poderiam sair do 
território e os estrangeiros eram proibidos de entrar. A única exceção eram as trocas 
comerciais feitas com os holandeses. Em 1853, os Estados Unidos aportam no Japão, 
pondo fim ao isolamento do país e encontram um país ainda feudal e defasado 
 
 
36 
economicamente. Em 1854, os Estados Unidos forçam a abertura do Japão, através da 
assinatura do tratado de Kanagawa, fato que influência na aceleração da desintegração 
do sistema feudal vigente. Em 1868, é dado fim ao domínio do clã Tokugawa. 
No final do século XIX, os Estados Unidos emergem como potência e se 
lançam a busca de pontos estratégicos, no Oceano Atlântico e no Pacífico. Desde então, 
o Japão se torna um país muito importante. Entretanto, os interesses da elite japonesa se 
chocam com os interesses estrangeiros e o Japão inicia um período de viabilização da 
sua industrialização com intervenção do Estado na economia e do militarismo. Assim 
como na Alemanha, e na Itália, o Japão é um país de capitalismo e imperialismo tardio, 
e em consequência, ocorre uma aliança entre esses três, no contexto da Segunda Guerra 
Mundial, formando o eixo Berlim-Roma-Tóquio, na tentativa de dominar o mundo. 
Nesse momento, a maior pretensão do Japão é dominar territórios que viabilizassem sua 
expansão econômica. 
A industrialização e modernização só ocorrerão efetivamente em 1868, com 
o fim do Xogunato e a restauração do Império com a ascensão do Imperador Mitsuhito, 
dando início a Era Meiji. Essa Era foi de fundamental importância para a arrancada 
industrial do Japão, pois se caracterizou pela implementação de políticas modernizantes 
como: a) Investimentos na criação de infraestrutura; b) Fábricas; c) Maciços 
investimentos na educação, voltada para qualificação de mão de obra e; d) Abertura 
(tecnologia e produtos estrangeiros). A Constituição de 1889, estabeleceu que o 
Imperador seria o Chefe (sagrado e inviolável), e também, a Dieta (Parlamento). 
Por conta dessas políticas modernizantes implantadas pela Era Meiji, o 
Japão passou por um vertiginoso processo de industrialização, mas enfrentava 
problemas estruturais, como escassez de energia e matérias-primas e limitado mercado 
interno. Para suprir esses problemas, o Japão se lança em busca de novos territórios, 
principalmente na Ásia e no Pacífico, investindo maciçamente em seu fortalecimento 
militar. Ocupa Taiwan com a vitória na guerra Sino-japonesa (1894-1895). Em 1910, 
anexa a Coreia ao seu território. Em 1904-1905, tomam as ilhas Sacalinas, até então 
território russo, com vitória na guerra contra a Rússia. Em 1931, ocupam a Manchúria 
(território chinês), e implantam o Manchukuo, em 1934, estabelecendo um Estado 
fantoche, sob o governo de um ex-imperador chinês destituído pela adoção da 
República. 
Em 1937, o Japão inicia uma confrontação total com a China, por conta 
dessa política expansionista, que se estende até a Segunda Guerra Mundial, mas essa 
política irá causar grande destruição do Japão que sai derrotado da guerra. Em 1941, o 
Japão ataca de surpresa, a base naval de Pearl Harbor (Havaí), superestimando seu 
poderio militar e antecipando a entrada dos Estados Unidos, na guerra que acaba o 
derrotando. Em resposta em 1945, os Estados Unidos laçam duas bombas atômicas 
(sobre Hiroshima e Nagasaki). A única saída japonesa foi render-se, fato que acontece 
com a assinatura,em setembro de 1945, da rendição do Japão. Essa rendição torna-se 
símbolo da superioridade tecnológica e militar norte-americana. 
 
6.8 – A Questão do Liberalismo Econômico. 
 
As armas decisivas que a burguesia utilizou em sua luta intelectual contra a 
nobreza e a Igreja foram o Iluminismo – que opôs a razão à tradição e o direito natural 
aos privilégios de classe – e as análises econômicas da escola clássica, cujos principais 
representantes foram os economistas Adam Smith e David Ricardo. A célebre frase 
máxima da Escola Fisiocrática francesa do século XVIII - “Laissez faire, laissez passer: 
Le monde va de lui même” (deixa fazer, deixa passar: o mundo anda por si mesmo) é a 
 
 
37 
que melhor expressa à natureza da economia liberal. Efetivamente, a escola liberal 
acredita que a economia possui seus próprios mecanismos de autorregulamentação, que 
atuam com eficácia sempre que o Estado não dificulte seu funcionamento espontâneo. 
Ainda antes que Smith, Ricardo e demais intelectuais da escola clássica 
estudassem a nova estrutura econômica da sociedade, iniciara-se a critica política do 
absolutismo e dos remanescentes da velha sociedade feudal. Já no século XVII, o 
filosofo britânico Thomas Hobbes tentara fundamentar a legitimidade da monarquia na 
relação contratual dela com seus súditos. Foi depois o Barão de Montesquieu quem, em 
O Espírito das Leis (1748), formulou o principio da separação dos poderes, dificuldades 
fundamentais na gestação de novos Estados democráticos. Coube a Jean Jacques 
Rousseau, a afirmação do principio da soberania do povo, que continha os instrumentos 
teóricos para iniciar o assalto à monarquia absoluta. 
Na Grã-Bretanha, graças a uma precoce aliança com a nobreza, a burguesia 
colheu os primeiros frutos de sua luta política. Durante, o século XVIII, as Cortes 
Britânicas converteram-se, paulatinamente, num Parlamento Moderno, logo proposto 
como modelo no continente. Essa liberalização foi, no entanto, limitada, uma vez que, 
esperar o século XIX, para que o direito ao voto se estendesse a pequena burguesia e as 
primeiras décadas do século XX para que se estabelecesse o sufrágio universal. 
A instauração da nova ordem política foi desiguais nos demais países 
europeus e americanos. Nos Estados Unidos, os direitos do Homem foram proclamados 
em 1776. Na França, foi preciso esperar a Revolução de 1789, para que se desse um 
passo semelhante e se proclamassem constituições populares em 1791 e 1793. Na 
Espanha, o Estado liberal impôs-se nas primeiras décadas do século XIX. Os países 
americanos que fizeram parte de império colonial forjaram, ao contrário, sua 
independência sob a bandeira do liberalismo político e econômico. Na Alemanha, só em 
1918, instituiu-se um Parlamento. Estado liberal. Se o objetivo primeiro da burguesia 
foi o controle do poder legislativo, o fim último da ideia liberal foi à submissão do 
poder executivo aos representantes populares e, consequentemente, a eliminação do 
poder monárquico. 
A tarefa do Parlamento devia ser o controle do executivo, para evitar assim, 
as ingerências arbitrárias deste no âmbito privado e na vida econômica. Os 
representantes parlamentares eram, formalmente, porta-vozes populares, que buscavam 
o bem comum, ainda que, na prática, procedessem da classe de proprietários. A 
progressiva extensão do voto e a permeabilidade cada vez maior entre os diferentes 
setores sociais fez com que, pouco a pouco, aquela representatividade se tornasse 
efetivas. De início, o sistema liberal não previa partidos políticos, entendidos como na 
atualidade, dadas as afinidades básicas que existiam entre os representantes 
parlamentares. 
Observou-se, a princípio, a necessidade de apresentar candidatos e de 
agrupar aqueles de maior proximidade ideológica, ao mesmo tempo, em que se instalava 
entre eles um forte componente de influências pessoais. A irrupção das massas operárias 
na política representou uma grande mudança daquela concepção inicial. O mesmo 
aconteceu com o apogeu da imprensa como órgão de expressão da opinião pública, 
fonte última de legitimidade nos sistemas liberais democráticos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
38 
Capítulo VII – O NOVO COLONIALISMO. 
 
Introdução. 7.1 O Capital Monopolista; 7.2 O Imperialismo; 7.3 As Formas de Trabalho sob o 
Imperialismo; 7.4 O Imperialismo Informal; 7.5 O Imperialismo Formal; 7.6 As Formas de 
Trabalho sob o Imperialismo; 7.7 A Sociedade de Massa. 
 
Introdução. 
 
Na segunda metade do século XIX, países europeus como a Inglaterra, 
França, Alemanha, Bélgica e Itália, eram considerados grandes potências industriais. Na 
América, eram os Estados Unidos quem apresentavam um grande desenvolvimento no 
campo industrial. Todos estes países exerceram atitudes imperialistas, pois estavam 
interessados em formar grandes impérios econômicos, levando suas áreas de influência 
para outros continentes. Com o objetivo de aumentarem sua margem de lucro e também 
de conseguirem um custo consideravelmente baixo, estes países se dirigiram à África, 
Ásia e Oceania, dominando e explorando estes povos. 
Não muito diferente do colonialismo do século XV e XVI, que utilizou 
como desculpa a divulgação do cristianismo; o neocolonialismo do século XIX usou o 
argumento de levar o progresso da ciência e da tecnologia ao mundo. Na verdade, o que 
estes países, realmente queriam era o reconhecimento industrial internacional e, para 
isso, foram em busca de locais onde pudessem encontrar matérias primas e fontes de 
energia. Os países escolhidos foram colonizados e seus povos desrespeitados. Um 
exemplo deste desrespeito foi o ponto culminante da dominação neocolonialista, quando 
países europeus dividiram entre si os territórios africanos e asiáticos, sem sequer levar 
em conta as diferenças éticas e culturais destes povos. 
Entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885, foi realizado o Congresso de 
Berlim. Neste encontro, os países europeus imperialistas organizaram e estabeleceram 
regras para a exploração da África. Na divisão territorial que fizeram a cultura e as 
diferenças étnicas dos povos africanos não foram respeitadas. Devido ao fato de 
possuírem os mesmos interesses, os colonizadores lutavam entre si, para se 
sobressaírem comercialmente. O governo dos Estados Unidos, que já colonizava a 
América Latina, ao perceber a importância de Cuba no mercado mundial, invadiu o 
território, que, até então, era dominado pela Espanha. Após este confronto, as tropas 
espanholas tiveram que ceder lugar às tropas americanas. Em 1898, as tropas espanholas 
foram novamente vencidas pelas norte-americanas e, desta vez, a Espanha, teve que 
ceder as Filipinas aos Estados Unidos. 
Outro ponto importante é à entrada dos ingleses na China, ocorrida após a 
derrota dos chineses durante a Guerra do Ópio (1840-1842). Essa guerra foi iniciada 
pelos ingleses após as autoridades chinesas, que já sabiam do mal causado por esta 
substância, terem queimado uma embarcação inglesa repleta de ópio. Depois de ser 
derrotada pelas tropas britânicas, a China, foi obrigada a assinar o Tratado de Nanquim, 
que favorecia os ingleses em todas as cláusulas. A dominação britânica foi marcante por 
sua crueldade e, só teve fim em 1949, ano da revolução comunista na China. 
 
7.1 — O Capital Monopolista. 
 
A competição capitalista estimulou o crescimento de algumas empresas e 
eliminou muitas outras. As empresas mais fracas foram compradas ou simplesmente 
quebraram (faliram). As grandes ficaram maiores ainda. No final do século XIX, nos 
Estados Unidos e, nos países mais industrializados da Europa Ocidental, como a 
 
 
39 
Inglaterra, a França e a Alemanha, já existiam megaempresas capazesde dominar um 
setor inteiro da economia, ou seja, cerca de quatro empresas, na Alemanha produzia 
mais da metade de todo o aço fabricado naquele país. 
O setor de aço era quase todo monopolizado ou controlado por essas quatro 
empresas. Por isso, se refere a essas quatro megaempresas de monopólios. Nos países 
mais avançados, os “tubarões” econômicos, chamados monopólios já engoliam setores 
importantes como os de produção de aço (siderurgia), de máquinas e motores, 
locomotivas, navios e petróleo (tecnologia da Segunda Revolução Industrial). Essa nova 
etapa econômica em que entravam os países industriais era o capitalismo monopolista. 
 
7.2 – O Imperialismo. 
 
O Imperialismo é um conceito mais amplo, que abrange o conceito mais 
específico de Neocolonialismo. Denomina-se de Imperialismo a fase, na qual, o sistema 
capitalista torna-se industrialmente mais tecnológico, utiliza-se de métodos mais 
agressivos, na busca de mercados, adquire uma abrangência mundial e passa a ser 
conduzido e manipulado por empresas multinacionais e, por grandes bancos. Dois dos 
componentes fundamentais do Imperialismo são o capitalismo monopolista e o 
capitalismo oligopolista, ou seja, o surgimento e a ação de grandes empresas industriais 
que passam a deter a maior parte do mercado (concentração econômica), fato este que 
dificulta a concorrência às pequenas e médias empresas. 
Outro componente do Imperialismo e que age de forma semelhante é o 
capitalismo financeiro dos grandes bancos: poucas e poderosas instituições financeiras 
fornecem empréstimos e provocam endividamentos com a obtenção de fartos lucros. 
Nessa busca desenfreada por novos mercados consumidores de industrializados, pelo 
fornecimento de matérias-primas e de combustíveis, e por locais para novos 
investimentos é que as potências europeias passam a conquistar novas colônias na 
África, Ásia e Oceania. 
O Neocolonialismo, portanto, é o terceiro componente do Imperialismo, isto 
é, um desdobramento da evolução do capitalismo contemporâneo. Toda essa ação mais 
agressiva do capitalismo começou a acontecer na Segunda Revolução Industrial (1850-
1945), época em que foram desenvolvidos os motores elétricos e à explosão, a 
siderurgia do aço, os barcos movidos à hélice, os sistemas ferroviários e rodoviários, o 
telégrafo, o telefone, o automóvel, o avião, etc. 
 
7.3 – As Formas de Imperialismo. 
 
O Imperialismo europeu da Era Moderna é caracterizado pela expansão 
colonialista sobre territórios de ultramar. Os sistemas imperialistas foram estruturados, 
segundo a doutrina do Mercantilismo: cada metrópole buscava controlar o comércio de 
suas colônias para monopolizar os benefícios conseguidos. Os movimentos 
imperialistas da modernidade e contemporaneidade não devem ser confundidos. Apesar 
de ambos objetivarem o enriquecimento de nações poderosas através da exploração de 
países fracos, apresentam muitas diferenças. 
A Inglaterra era a maior potência colonial em 1909, dominava 20% da 
superfície e 23% da população mundial. Contudo, todos os países industrializados 
tentaram obter áreas coloniais que garantissem a continuidade de seu desenvolvimento 
econômico e de seu poderio e prestígio político. As vésperas da Primeira Guerra 
Mundial, em 1914, o imperialismo formal, direto, estendia-se a 90% da África, e 56% 
 
 
40 
da Ásia, no conjunto, 60% da superfície mundial estavam sob imperialismo formal e, 
11% sob o informal. 
 
7.4 – O Imperialismo Informal. 
 
A América Latina, devido ao peso de seu passado colonial, não conseguiu 
alterar suas estruturas, após a independência política. Aliás, a própria independência só 
foi possível, em parte, graças ao apoio da Inglaterra. Caso típico de imperialismo 
informal é o Brasil, mais de 50% de suas importações vinham da Inglaterra. Os 
investimentos estrangeiros eram maciços (os da Inglaterra superavam os de todos os 
outros países juntos). Abriam-se mais empresas de capital europeu que nacional. 
A retração de tráfico de escravos negreiros e a posterior abolição da 
escravatura deveram-se às pressões inglesas, refletindo seu interesse em ampliar o 
mercado consumidor; crescia o endividamento do governo com grupos capitalistas 
estrangeiros. Portanto, se juridicamente a situação do Brasil era de país livre, desde 
1822, na prática mantinha sua dependência, só que agora econômica (não mais política) 
e em relação à Inglaterra (não mais a Portugal). 
 
7.5 – O Imperialismo Formal. 
 
O Imperialismo Formal, ou seja, a ocupação direta territorial foi exercida, 
sobretudo, na Ásia e África, regiões muito populosas (com mercados consumidores 
potencialmente grandes) e de vastos recursos naturais (com as matérias-primas 
necessárias às indústrias). Aproveitando-se dos desentendimentos internos daquelas 
regiões, as potências industrializadas, pretextando levar para lá a superior civilização 
Ocidental, deslavadamente chamada de “o fardo do homem branco”, dividiram as áreas 
entre si, não sem atritos. Na África, a França ficou principalmente, com a parte Norte e 
Noroeste (Tunísia, Argélia, Marrocos, Mauritânia, Mali, Níger, Costa do Marfim); a 
Inglaterra, com o Nordeste (Egito e Sudão); o Sudeste (Quênia, Tanzânia, Zâmbia, 
Rodésia, Botsuana, África do Sul) e a costa atlântica (Nigéria); a Bélgica, com o centro 
(Congo, atual Zaire); a Itália e a Alemanha, com porções menores e dispersas. 
O episódio mais conhecido do imperialismo Ocidental na África foi a 
Guerra dos Bôeres (1899-1902); a descoberta de diamantes no Sul do continente atraiu 
britânico, que encontraram forte resistência dos Bôeres, essa população de origem 
holandesa, estabelecida ali há mais tempo, foi vencida e teve de acatar a soberania 
inglesa, que se consolidava na região. Na Ásia, a Inglaterra ficou com a Índia; a França, 
com o Sudeste, e os demais países, com áreas menores. A China, extremamente atraente 
por sua imensa população, conheceu a penetração de vários imperialismos, com cada 
potência reservando-se uma parte de seu território. 
Tentando introduzir no país, o ópio produzido na Índia, a Inglaterra 
encontrou forte resistência, porém acabou recebendo Hong Kong e forçando os chineses 
a abrirem cinco portos ao comércio internacional. Em 1900, na Revolta dos Boxers, os 
nacionalistas chineses procuraram inutilmente expulsar todos os estrangeiros do país, 
cuja situação se agravava. Essas regiões, criando um clima antiocidental e 
anticapitalista, prepararam o terreno para a revolução socialista do século XX. 
 
7.6 – As Formas de Trabalho sob o Imperialismo. 
 
O traço característico dos métodos coloniais de exploração, que garantem os 
elevados lucros monopolistas ao capital financeiro das metrópoles é a combinação do 
 
 
41 
saque imperialista com as formas feudal-servis de exploração dos trabalhadores. O 
desenvolvimento mercantil e a expansão das relações monetárias, a expropriação da 
terra de massas imensas da população nativa e a destruição de pequena produção 
artesanal se processam ao lado da conservação artificial de sobrevivências feudais e a 
implantação de métodos de trabalho coercitivo e semi-coercitivo. 
Com o desenvolvimento das relações capitalistas, a renda em espécie é 
substituída, numa série de casos, pela renda em dinheiro, os impostos em espécie pelos 
impostos em dinheiro, o que acelera ainda mais, a ruína das massas camponesas. Ao 
mesmo tempo, em muitos países dependentes, a forma predominante de arrendamento 
da terra permanece o arrendamento por uma parte do produto em espécie. As classes 
dominantes nas colônias e semicolônias são os latifundiários feudais e os capitalistas. 
A classe dos capitalistas se divide em burguesia compradora e burguesia 
nacional. A burguesiacompradora é aquela parte da grande burguesia, que se encontra 
estreitamente ligada aos monopólios estrangeiros, das firmas industriais e comerciais, 
etc., que representam os interesses do capital financeiro das potências imperialistas. 
Estes capitalistas ajudam os monopólios estrangeiros a explorar as fontes de matérias-
primas e os mercados de vendas das colônias. Os latifundiários feudais e a burguesia 
compradora constituem os vassalos do capital financeiro estrangeiro, a agência direta do 
imperialismo internacional, que escraviza as colônias e semicolônias. 
Com o desenvolvimento da sua própria indústria, cresce a burguesia 
nacional, que se encontra numa situação dúplice: por um lado, a opressão do 
imperialismo estrangeiro e das sobrevivências feudais barra-lhe o caminho, ao domínio 
político e econômico; mas por outro lado, a sua existência está ligada a exploração da 
classe operária e do campesinato. Na medida em que a luta de libertação nacional dos 
países coloniais e dependentes é dirigida, antes de tudo, no sentido da derrubada do 
domínio do imperialismo, da conquista da independência nacional e da liquidação das 
sobrevivências feudais, a burguesia nacional participa desta luta, desempenhando 
determinado papel progressista. 
A classe operária cresce nas colônias e países dependentes, à medida que se 
desenvolve a indústria e se expandem as relações capitalistas. A sua parte avançada é o 
proletariado industrial. Na composição do proletariado entram também as massas de 
operários agrícolas (jornaleiros), de operários das manufaturas capitalistas e das 
pequenas empresas, de jornaleiros urbanos, ocupados com toda a espécie de trabalho 
manual. Pela sua quantidade, o campesinato é a massa fundamental da população das 
colônias e semicolônias. Em sua parte esmagadora, consiste de camponeses sem terra ou 
com pouca terra – camponeses pobres e médios. 
A burguesia rural consiste camponeses ricos, comerciantes e usuários. A 
numerosa pequena burguesia urbana é representada pelos pequenos comerciantes e 
artesãos. A concentração da propriedade da terra em mãos dos latifundiários e usuários 
é completada pela conquista de vastas posses territoriais pelos colonizadores. Numa 
série de colônias, o imperialismo criou uma economia de plantações. As plantações são 
grandes empresas agrícolas para a produção de determinados tipos de matérias-primas 
vegetais (algodão, borracha, juta, café, etc.), pertencentes de preferência aos 
colonizadores e baseadas numa baixa técnica e no trabalho semiescravo da população 
sem direitos. 
Numa série de países, o colonialismo conserva as formas diretas da corveia 
e do pagamento em trabalho: pelo arrendamento ou por divida, os camponeses sem terra 
são obrigados a trabalhar alguns dias da semana para o latifundiário. A extrema 
necessidade obriga o camponês a contrair dividas e a se tornar um servo e, às vezes, um 
escravo do usuário; ocorrem casos em que o camponês é obrigado a vender membros de 
 
 
42 
sua família como escravos. Amplamente difundido é o parasitário da terra e o 
camponês, que trabalha a terra, intermediários que extorquem do lavrador considerável 
parte da colheita. Habitualmente, o camponês se encontra inteiramente nas mãos do 
latifundiário, com o qual fica endividado. Enormes proporções atinge a superpopulação 
agrária. A economia da China, antes da revolução democrático popular, era 
extremamente atrasada, tendo caráter semicolonial e semifeudal. 
Constituindo de 4 a 5% da população rural da China de antes da Revolução, 
os latifundiários possuíam mais de metade de toda a terra; os camponeses pobres e 
médios, representando 90% da população rural, poluíam somente 30% de toda a terra. 
Os camponeses arrendavam a terra na base do endividamento, pagando ao latifundiário 
pelo o arrendamento da terra e dos instrumentos de trabalho, entre 50% e 70% da 
colheita. Cerca de 60% de todas as economias camponesas permanentemente apelavam 
para a “ajuda” dos usuários a fim de pagar impostos e adquirir objetos de consumo, 
pagando elevadíssimos juros pelos empréstimos. Antes da dominação britânica na Índia, 
o Estado recebia parte da produção dos camponeses sob a forma de impostos. Após a 
ocupação da índia, os poderes britânicos transformaram os antigos coletores de 
impostos do Estado em grandes proprietários de terra, possuidores de latifúndios de 
centenas de milhares de hectares. 
Cerca ¾ da população rural da Índia ficou, de fato, sem terra. O camponês 
foi obrigado a pagar ao latifundiário, sob a forma de arrendamento, de ½ a 2/3 da 
colheita e com a parte restante devia pagar juros ao usuário. Os camponeses 
empobrecidos eram obrigados a tomar empréstimos ao latifundiário, com a obrigação de 
pagá-lo em trabalho. Neste sistema (a chamada “peouagem”), as obrigações passam de 
geração a geração e toda a família do camponês se torna, de fato, propriedade do 
latifundiário. Esmagada pela opressão do latifundiário e do usuário, a economia 
camponesa só estava em condições de aplicar a mais primitiva técnica, que permanecia 
sem modificações essenciais no decurso de séculos e até de milênios. A técnica 
primitiva de cultivo do solo conduz ao extremo esgotamento do solo. 
Em consequência de tudo isso, muitas colônias ainda que sejam países 
agrários, não estão em condições de alimentar sua população, que sistematicamente 
passa fome. O colonialismo significa para a classe operária a ausência de direitos 
políticos e uma feroz exploração. A jornada de trabalho nas colônias atinge 12 a 14 e 
mais horas. Como regra, nas empresas industriais e nos transportes não existe qualquer 
segurança de trabalho. O forte desgaste do equipamento e a recusa do empresário, a 
fazer gastos na reparação e na técnica de segurança conduzem a avarias parciais, nas 
quais morrem ou se tornam mutilados centenas de milhares de seres humanos. A 
inexistência de legislação social priva o operário de quaisquer meios de existência no 
caso de desemprego, de mutilação na produção ou de doença profissional. 
Os salários dos operários das colônias é insuficiente mesmo para a 
satisfação das necessidades mais essenciais. O operário é obrigado a pagar certa parte 
do seu miserável salário a todo gênero de intermediários – ao contratista, ao mestre, ao 
zelador, que lidam com o contrato da força de trabalho. Está amplamente difundido o 
trabalho das mulheres, bem como o trabalho das crianças com 6 e 7 anos de idade, que 
são pagos ainda mais miseravelmente do que os homens. A maioria dos operários vive 
enredada na servidão por dívidas. Em muitos casos, os operários vivem em barracas ou 
campos especiais, numa situação de encarcerados, privado do direito de livre 
locomoção. 
É aplicado, em grande escala, o trabalho coercitivo aberto, tanto na 
agricultura, como na indústria. O nível de vida da grande massa da população é muito 
baixo. A mortalidade é extraordinariamente elevada: a fome e as epidemias levam à 
 
 
43 
extinção a população de regiões inteiras. Reina, nas colônias, a discriminação racial. 
Assim, por exemplo, o salário médio dos operários europeus: em Quênia – 
aproximadamente em quinze vezes, na Rodésia do Sul – em mais de vinte vezes, na 
Rodésia do Norte – em quase trinta vezes. Nas minas do Congo belga, os operários 
africanos recebem de 5 a 10 vezes menos do que os operários europeus; mais de 53% de 
todas as crianças da população nativa morreram na mais tenra infância; a população 
desta colônia, desde o tempo da conquista, diminuiu em quase duas vezes. 
 
7.7 – A sociedade de Massa. 
 
Tem origem no século XIX, com a industrialização. Enormes populações 
deixam suas cidades e concentram-se nos grandes centros urbanos. População atraída 
pelo conforto(transporte, iluminação pública, alimentos, utensílios domésticos), 
emprego, entretenimento. Vivem em condições de vida subumanas. Forma-se uma 
massa: grande quantidade de pessoas sem ordenação, sem rosto, amorfas e 
heterogêneas. A sociedade de massa carrega os seguintes traços: o homem é reificado, 
isto é, destituído de qualidades individuais, despersonalizado, coisificado (transformado 
em coisa, bem de consumo, produto). 
O homem torna-se alienado da vida e dos projetos de vida, da vida do país, 
pois não dispões de tempo livre, nem de instrumentos teóricos para exercer a critica de 
si mesmo e da sociedade. Não pode nem consumir, o que produz, porque é mal 
remunerado. Outras características da sociedade de massa: idolatram estereótipos, 
adoram signos, idolatram conteúdos, desde que se tornem espetáculos. Por isso, a 
estratégia de poder se baseia na apatia e na passividade das massas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
44 
Capítulo VIII – O DESAFIO DO CAPITALISMO. 
 
Introdução. 8.1 A Primeira Guerra Mundial; 8.2 A Economia de Guerra; 8.3 Os Efeitos da 
Primeira Guerra Mundial; 8.4 A Década de 1920; 8.5 A Europa e os Anos 1920; 8.6 Os Estados 
Unidos Durante a Década de 1920; 8.7 A Crise de 1929; 8.8 A Grande Depressão; 8.9 Reação a 
Grande Depressão I: O Neoliberalismo; 8.10 O primeiro New Deal; 8.11 O Segundo New Deal; 
8.12 Reação a Grande Depressão II: Autoritarismo e Industrialização; 8.13 Reação a Grande 
Depressão III: A Segunda Guerra Mundial; 8.14 Os Problemas de Reconstrução; 8.15 O Plano 
Marshall; 8.16 A Recuperação do Japão; 8.17 Os Efeitos da Reconstrução para o Sistema 
Capitalista. 
 
Introdução. 
 
No período que se estende de 1914 a meados da década de 1950, o sistema 
econômico capitalista passou por uma série de eventos conjunturais, que, somados, 
refletem uma crise de crescimento: sua passagem da “juventude” para a idade “adulta”. 
Ao mesmo tempo, esse período submete-o a um verdadeiro teste, experimentando a sua 
solidez e articulação interna, através de duas grandes guerras mundiais, dois períodos de 
reconstrução econômica, uma longa década de profunda depressão econômica geral, e a 
diminuição de seu espaço geográfico pela implantação de soluções econômicas 
alternativas. 
 
8.1 – A Primeira Guerra Mundial. 
 
A Primeira Guerra Mundial aconteceu entre os anos de 1914 e 1918, porém, 
tempos antes, principalmente entre os anos de 1870 e 1914, o mundo vivia uma grande 
euforia que era conhecida como a Belle Époque (Bela Época). Era um período em que 
se experimentava um grande progresso, tanto no campo econômico, quanto no 
tecnológico. Os países ricos viviam momentos de esperança, crentes de que iriam impor 
seus desejos aos países mais pobres. Porém, na verdade, todo esse clima de festa estava 
escondendo fortes tensões que viriam a deflagrar aquela que também ficou conhecida 
como a Grande Guerra ou Guerra das Guerras, um dos maiores acontecimentos da 
história mundial. 
Quanto mais países europeus se industrializavam, maior ficava a disputa 
entre eles, que queriam dominar não apenas a Europa, mas modernizar sua economia se 
sobrepondo sobre as outras nações. Esse clima acirrado provocou uma forte tensão, pois 
os países industrializados disputavam os mercados consumidores mundiais e as 
matérias-primas com todas as armas que lhes eram possíveis. Com essa disputa acirrada 
pelo mercado mundial, foram surgindo os primeiros sinais de que uma grande guerra 
viria pela frente. Os países da Europa começaram a investir em tecnologia de guerra, 
engrossando as fileiras do exército. 
Além disso, foi desenvolvida uma política que ficou conhecida como 
“política de alianças”. Foram assinados acordos militares que dividiram os países 
europeus em dois blocos, que mais tarde, dariam início a Primeira Guerra Mundial. A 
divisão colocava de um lado a Alemanha, Itália e o Império Austro-húngaro, que 
formavam a Tríplice Aliança, e do outro a Rússia, França e Inglaterra, compondo a 
Tríplice Entente. 
 
 
 
 
 
 
45 
8.2 – A Economia de Guerra. 
 
Mobilizar todos os fatores de produção nacionais e dirigi-los, no sentido de 
maximizar a sua produtividade, é o sentido mais claro que se pode ter a chamada 
“Economia de Guerra”, que os países beligerantes, experimentam durante o conflito, 
alguns como Alemanha, a partir de 1914, e os demais durante o seu desenrolar. De 
qualquer forma, a partir de 1915, a estratégia dos aliados é sufocar o bloco alemão, 
através de um bloqueio total ao seu comércio exterior. 
Isso provoca a represália alemã de bloquear a Rússia, nos Mares Báltico e 
Negro e, principalmente, de impedir o tráfico marítimo inglês, por meio da guerra 
submarina. Os países procuram se tornar autossuficientes, e produz uma notável 
aceleração na produção em massa, na mecanização industrial, na centralização das 
empresas, na emissão monetária e no controle do Estado sobre a economia como um 
todo. 
 
8.3 – Os Efeitos da Primeira Guerra Mundial. 
 
No dia 11 de novembro de 1918, a Primeira Guerra Mundial chegava ao 
fim. O governo alemão assinou a rendição, aceitando todas as imposições dos 
vitoriosos. O país passava por extremas dificuldades econômicas e sociais. A guerra foi 
um duro golpe nas esperanças das sociedades ocidentais, em criar um mundo de paz. A 
irracionalidade dos Chefes de Estado gerou consequências desastrosas e propostas em 
busca da paz mundial: 
a) Provocou a morte de quase 13 milhões de mortos e deixou mais de 20 
milhões de feridos e mutilados; 
b) Resultou em um maior número de vítimas civis, do que de soldados 
mortos em ação de combate; 
c) Foram empregadas armas poderosas, como: gases asfixiantes, canhões de 
longo alcance; metralhadoras lança-chamas, tanques, aviões e submarinos; 
d) Foram desmoronados os Impérios Alemão, Austro Húngaro, Russo e 
Turco; 
e) A instabilidade política e social favoreceu o surgimento de regimes 
totalitários; 
f) surgiram novos países, como: a Polônia, Tchecoslováquia, Iugoslávia, 
Áustria e Hungria; 
g) O declínio da Europa, com os problemas sociais de desemprego, fome e 
miséria; 
h) A criação da Liga das Nações, em abril de 1918, com sede em Genebra, 
Suíça, inspirada nas propostas de paz, pelo presidente estadunidense Woodrow Wilson; 
i) A assinatura do Tratado de Versalhes, em julho de 1919, imposto pelos 
vencedores aos alemães. Sua assinatura aconteceu, na Sala dos Espelhos do Palácio de 
Versalhes, na França; 
j) As sociedades viviam apreensivas com a possibilidade de um novo 
conflito mundial de maiores proporções e, consequências, do que o primeiro, o de fato 
aconteceu com a Segunda Guerra Mundial. 
k) Os Estados Unidos vieram a se tornar o país mais rico do mundo. 
 
 
 
 
 
 
46 
8.4 – A Década de 1920. 
 
Em mais de um aspecto, os anos que separam o armistício alemão de 1918, 
da crise norte-americana de 1929, podem ser considerados como o balizador mais 
seguro das mudanças estruturais por que o sistema capitalista passava, em sua crise da 
passagem da “juventude” para a “idade madura”. Com seu espaço geográfico reduzido, 
o capitalismo assistiu à luta de sua área central originária – a Europa –, para recobrar 
sua antiga posição hegemônica sobre a Economia – Mundo. 
Apoiava-se, basicamente, no reforço de uma prática que apresentava as suas 
primeiras fissuras – o Imperialismo, e para a qual lhe faltavam tanto os necessários 
recursos de capital, como os volumes de produção industrial. Apoiava-se, também, na 
apropriação de recursos de uma Alemanha que se pretendia continuasse 
economicamente dependente e comprometida,prioritariamente com a recuperação 
econômica de seus antigos adversários. 
 
8.5 – A Europa e os Anos de 1920. 
 
O primeiro problema com que a Europa se deparava, no início da década de 
1920, era o de retomar ao padrão ouro, abandonado durante o período de guerra. 
Embora, em 1913, o ouro representasse apenas 10% da circulação monetária total contra 
83% de títulos e depósitos bancários, ele era ainda usado como referência básica para as 
taxas de câmbio. O abandono do padrão ouro que as circunstâncias da guerra obrigaram, 
levou os preços a variarem segundo condições internas de cada país e a inflação passou 
a depender da balança de pagamentos. A crise de 1929 mostrou que a Europa era 
incapaz de aumentar tanto o nível de importações e exportações, sem o afluxo de 
capitais norte-americanos, culminando com os períodos pré-guerra. 
 
8.6 – Os Estados Unidos, durante a Década de 1920. 
 
Enquanto a Europa declinava, os Estados Unidos apresentaram, durante os 
vinte, uma notável prosperidade, que a execução do período de 1920-1922, ligado à 
crise de reconversão do pós-guerra, manteve-se até 1929. Esse período de prosperidade 
que permitiu aos Estados Unidos assumirem o primeiro posto na área central da 
Economia – Mundo capitalista. Refletiu-se no chamado American way of life, em que 
um em cada seis americanos tinha automóvel, por volta de 1929, e os bens de consumo 
duráveis ou semiduráveis (geladeiras, fogões, rádios, etc.), atulhavam as novas casas 
dos subúrbios das cidades industriais, que se construíam às centenas de milhares. 
As razões que permitiram esse notável crescimento podem ser encontradas 
na taxa de acumulação de capital e investimentos – cerca de 20% do PNB, durante 1919 
a 1929 – e no crescimento demográfico, da ordem de 106 para 123 milhões de 
habitantes, no mesmo período, embora a imigração tenha sido severamente limitada 
pelas leis de 1921 a 1924, principalmente, por terror da penetração ideológica socialista. 
Assim, os Estados Unidos haviam se transformado no paraíso. 
Seu crescimento interno foi acompanhado pelo reforço de sua posição 
hegemônica mundial, sendo em 1926-1929, responsável por 42,2% da produção 
mundial de industrializados, primeiros produtores mundiais de carvão, eletricidade, 
petróleo, aço e ferro fundido, metais não ferrosos e fibras têxteis artificiais e, 
acumulando seguido superávit em seus balanços de pagamentos, devido a sua condição 
de primeiro exportador mundial. 
 
 
 
47 
8.7 – A Crise de 1929. 
 
Durante os anos vinte, a taxa de desemprego variou entre 7 e 12% da força 
de trabalho e, enquanto o salário nominal cresceu, o real declinou, o que se deve em 
grande parte um grande aumento da produtividade na produção industrial, que 
dispensava uma maior absorção de mão de obra. Mesmo sabendo que a economia norte-
americana tinha problemas estruturais. A base de sua extraordinária expansão 
concentrou-se na produção de bens de consumo duráveis e semiduráveis para o mercado 
interno. Isso pressupunha um contínuo alargamento desse mercado, fosse para uma 
melhor distribuição de renda, fosse por um aumento constante do salário real. 
Infelizmente, o mercado não acompanhou o ritmo da produção industrial, e acabou 
gerando uma acumulação de estoques, mas já no verão de 1929, percebendo que no 
setor figurava-se uma crise de superprodução, a indústria automobilística cortou suas 
compras de matérias-primas (borracha, aço, vidro, etc.). 
Isso iniciou uma reação em cadeia, uma vez que a indústria de base era 
dominada pela de consumo de bens, respondendo o setor automobilístico pelo consumo 
de 15% da produção total de aço norte-americano. Os especuladores começaram a se 
retirar do mercado acionário, fundamental para a captação de recursos e para a 
manutenção da imagem da prosperidade da economia como um todo. Então, 
paralelamente, às crises de superprodução e subconsumo que se delineavam, a política 
de investimentos norte-americanos no exterior acabava assentando sobre bases 
precárias. 
 
8.8 – A Grande Depressão. 
 
Foi a mais grave crise econômica mundial do século XX. Tudo começou por 
causa de um grande desequilíbrio na economia dos Estados Unidos. Durante, a década 
de 1920, houve um rápido crescimento do mercado de ações no país, com os americanos 
investindo loucamente nas bolsas de valores, acreditando que elas se manteriam sempre 
em alta. Cidadãos comuns vendiam as próprias casas para comprar ações, atrás de um 
lucro fácil e, teoricamente, seguro. No entanto, em meados de 1929, a economia do país 
começou a dar sinais de que as coisas não iam tão bem assim. Os Estados Unidos 
entraram em recessão (queda no crescimento econômico) e muitas empresas haviam se 
endividado, além da conta durante o período de euforia. 
Em outubro de 1929, diante desses sinais negativos, os preços das ações 
despencaram ladeira abaixo, provocando a quebra da Bolsa de Nova York (Crack). O 
colapso da economia americana, logo se espalhou pelo mundo, pois os Estados Unidos 
haviam se tornado o principal financiador dos países da Europa, após a Primeira Guerra 
Mundial, conflito que enfraqueceu o continente. Um em cada quatro trabalhadores 
vagueavam pelas ruas, na penúria e no desespero. Milhares de bancos, centenas de 
milhares de empreendimentos e milhões de agricultores foram à falência ou encerraram 
suas operações definitivamente. 
A Europa, também, sentiu os efeitos políticos da crise, pois a democracia e 
as ideias liberais ficaram desacreditadas, estimulando o surgimento do nazismo, na 
Alemanha e o fascismo na Itália. A crise mundial, nascida nos Estados Unidos, 
começou a ser superada lá mesmo. Em 1933, o presidente Franklin Delano Roosevelt 
lançou um programa chamado New Deal, ou seja, um conjunto de medidas 
socioeconômicas que visavam estabelecer a economia, realizando grandes projetos de 
obras públicas para promover a recuperação econômica. Mas, a Grande Depressão só 
 
 
48 
seria definitivamente encerrada anos depois, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-
1945). 
 
8.9 – Reação à Grande Depressão I: O Neoliberalismo. 
 
Em 1933, Franklin Delano Roosevelt (1882-1945) assumiu o cargo de 
presidente dos Estados Unidos. Seu mandato não foi nada fácil. O novo presidente havia 
assumido o poder e herdado, do governo anterior, do então ex-presidente Herbert Clark 
Hoover (1874–1964), as consequências sociais e econômicas deixadas pela crise 
capitalista de 1929, ou seja, a quebra da Bolsa de Nova York. Essa queda ficou 
conhecida como a crise da superprodução, caracterizando um desequilíbrio entre 
produção e consumo: o excesso de produção de mercadorias superou o consumo dessas 
mercadorias. Isso fez com que os empresários capitalistas diminuíssem a produção e, 
consequentemente, milhões de trabalhadores ficaram sem emprego e salários. Portanto, 
a parcela da população que ficou desempregada também deixou de consumir as 
mercadorias por falta de dinheiro. 
A situação social e econômica nos Estados Unidos, em 1929, ficou marcada 
por enormes filas de desempregados que crescia a cada dia, juntamente com as filas 
para distribuição de refeições gratuitas que eram oferecidas nas cidades. Milhares de 
empresas decretaram falências, juntamente com o setor bancário. Além disso, vários 
chefes de família se suicidaram com a notícia da perda de todos os seus bens. O Estado 
norte-americano não realizou nenhuma forma de intervenção econômica no mercado do 
ano de 1929 até 1932. O presidente Hoover, seguidor assíduo do liberalismo clássico, 
acreditava na recuperação da crise, a partir do próprio mercado, fato que de fato não 
ocorreu. 
Quando Roosevelt assumiu o governo estadunidense, ao contrário de 
Hoover (republicano),logo estipulou algumas medidas e estabeleceu metas para retirar 
a economia dos Estados Unidos da crise que havia entrado. Roosevelt nomeou uma 
comissão de especialistas, economistas adeptos das ideias do economista inglês John 
Maynard Keynes (1883-1946). Essas ideias influenciaram na criação do plano de 
intervenção do Estado na economia – o New Deal (Novo Ajuste). Através deste plano, 
ocorreram grandes emissões monetárias, realizou grandes obras públicas, como as 
construções de hidrelétricas, estradas, pontes, entre outras (estimulando o emprego) e, 
consequentemente, reativou o consumo, o que possibilitou o reaquecimento da 
economia estadunidense. 
 
8.10 – O Primeiro New Deal. 
 
a) Setor Bancário e Finanças. Quando Roosevelt prestou juramento como 
presidente, o sistema bancário e de crédito do país encontrava-se num estado de 
paralisia. Com uma rapidez surpreendente os bancos do país foram primeiro encerrados 
e depois reabertos só se fossem solventes. A administração adotou uma política de 
inflação moderada para iniciar um movimento ascendente nos preços dos produtos e 
permitir alguma ajuda aos devedores. As novas agências do governo trouxeram 
facilidades de crédito generosas à indústria e à agricultura. A Corporação Federal de 
Seguros de Depósitos (FDIC) garantiu os depósitos em caixas económicas até US$ 
5.000. Foram impostas regras federais à venda de títulos na bolsa de valores. 
b) Desemprego. Roosevelt enfrentou um desemprego enorme, sem 
precedentes. Na altura em que assumiu a presidência, 13 milhões de americanos – mais 
de um quarto da população ativa – estavam desempregados. Filas para a sopa eram 
 
 
49 
comuns na maior parte das cidades. Centenas de milhares deambulavam pelo país à 
procura de comida, trabalho e abrigo. “Irmão pode dar-me uma moedinha?” era o refrão 
de uma canção popular. 
Uma das primeiras medidas para os desempregados surgiu sob a forma do 
Corpo Civil de Conservação (CCC), um programa que ajudou homens jovens entre os 
18 e os 25 anos. Os recrutados pelo CCC trabalhavam em campos administrados pelo 
exército. Cerca de dois milhões participaram durante uma década. Participaram numa 
série de projetos de conservação: plantação de árvores para combater a erosão do solo e 
manter as florestas nacionais; eliminação da poluição em cursos de água; criação de 
viveiros reserva de peixe, caça e aves; e conservação de jazidas de carvão, petróleo, 
xisto, gás, sódio e hélio. 
A Administração de Obras Públicas (PWA) deu emprego a trabalhadores da 
construção civil experientes numa grande variedade de projetos, sobretudo de média e 
grande escala. Entre as suas realizações mais notáveis encontram-se as barragens de 
Bonneville e Grand Coulee no Noroeste do Pacífico, um novo sistema de esgotos em 
Chicago, a ponte Triborough na cidade de Nova Iorque e dois porta-aviões (Yorktown e 
Enterprise) para a marinha de guerra americana. A Autoridade do Vale do Tennessee 
(TVA), um programa de emprego e, ao mesmo tempo, um exercício de planeamento 
público, desenvolveu a área empobrecida do vale do rio Tennessee através de uma série 
de barragens construídas para controlarem as cheias e produzirem energia hidroelétrica. 
O fornecimento de energia barata para esta região estimulou algum 
progresso económico, mas granjeou a inimizade de companhias elétricas privadas. Os 
apoiantes do New Deal aclamaram-no como um exemplo de “democracia popular”. A 
Administração Federal de Ajuda de Emergência (FERA), a funcionar de 1933 a 1935, 
distribuiu ajuda direta a centenas de milhares de pessoas, geralmente sob a forma de 
pagamentos diretos. Às vezes responsabilizou-se pelos salários de professores e de 
outros funcionários públicos locais. Também desenvolveu inúmeros pequenos projetos 
de obras públicas tal como fez a Administração de Obras Civis (CWA) de finais de 
1933 à primavera de 1934. Criticada como “fábrica de trabalho”, os postos de trabalho 
criados iam desde a escavação de valas a reparação de autoestradas e ao ensino. 
Roosevelt e os seus principais funcionários estavam preocupados com os custos, mas 
continuaram a privilegiar programas de desemprego baseados na ajuda ao trabalho e não 
na assistência social. 
c) Agricultura. Na primavera de 1933, o setor agrícola da economia estava 
em colapso. Portanto proporcionava um laboratório para a convicção dos apoiantes do 
New Deal de que uma maior regulação resolveria muitos dos problemas do país. Em 
1933, o Congresso aprovou a Lei de Ajuste Agrícola (AAA) para prestar ajuda 
económica aos agricultores. A AAA propunha aumentar os preços das culturas pagando 
aos agricultores um subsídio para compensar por reduções voluntárias na produção. Os 
fundos para os pagamentos seriam gerados por um imposto cobrado às indústrias de 
processamento das culturas. Contudo, na altura em que a lei foi promulgada a época 
agrícola já tinha começado havia muito e a AAA pagou aos agricultores para enterrarem 
as suas colheitas abundantes. A redução das culturas e mais subsídios através da 
Corporação de Crédito para Produtos de Base de Base, que comprava os produtos para 
serem armazenados, baixou a produção e aumentou os preços na exploração agrícola. 
Entre 1932 e 1935, as receitas agrícolas tinham aumentado mais de 50%, 
mas apenas parcialmente devido a programas federais. Durante os mesmos anos em que 
os agricultores estavam a ser incentivados a não cultivar as terras, deslocando rendeiros 
e parceiros, uma seca grave atingiu os estados da planície. Tempestades violentas de 
 
 
50 
vento e poeira durante os anos 30 criaram o que veio a ser conhecido por “Dust Bowl”. 
As culturas foram destruídas e as explorações agrícolas arruinadas. 
Por volta de 1940, 2.5 milhões de pessoas tinham saído dos estados da 
planície, a maior migração da história americana. Dessas, 200.000 mudaram-se para a 
Califórnia. Os migrantes não eram apenas agricultores, mas também profissionais, 
retalhistas e outros cujos meios de subsistência estavam relacionados com o vigor das 
comunidades agrícolas. Muitos acabaram por se candidatar a empregos sazonais, 
colhendo produtos por salários extremamente baixos. 
O governo concedeu ajuda através do Serviço de Conservação dos Solos, 
criado em 1935. As práticas agrícolas que prejudicavam os solos tinham intensificado o 
impacto na seca. O serviço ensinou aos agricultores medidas para reduzir a erosão. 
Além disso, cerca de 30.000 quilómetros de árvores foram plantadas para diminuir a 
força do vento. 
Apesar da AAA ter sido na sua maior parte bem-sucedida, foi abandonada 
em 1936, quando o seu imposto sobre os processadores de alimentos foi declarado 
inconstitucional pelo Supremo Tribunal. O Congresso aprovou rapidamente uma lei de 
apoio à agricultura que autorizava o governo a efetuar pagamentos aos agricultores que 
deixassem de cultivar as suas terras para conservar os solos. Em 1938, com uma nova 
maioria a favor do New Deal no Supremo Tribunal, o Congresso reintroduziu a AAA. 
Até 1940 cerca de seis milhões de agricultores receberam subsídios federais. 
Os programas do New Deal também concediam empréstimos para as culturas 
excedentes, seguros para o trigo e um sistema de armazenamento planeado de modo a 
garantir a estabilidade do fornecimento de alimentos. A estabilidade económica do 
agricultor foi consideravelmente conseguida, apesar de à custa do governo e com a sua 
extraordinária supervisão. 
d) Indústria e Emprego. A Administração Nacional de Recuperação (NRA), 
criada em 1933 com a Lei Nacional de Recuperação Industrial (NIRA), tentou acabar 
com a concorrência desregrada definindo códigos de concorrência justa para criar mais 
empregos e, assim, mais poder de compra. Apesar de tersido bem recebida 
inicialmente, a NRA foi rapidamente criticada por excesso de regulação e não 
conseguiu concretizar a recuperação industrial. Foi declarada inconstitucional em 1935. 
A NIRA tinha garantido aos trabalhadores o direito à negociação coletiva através de 
sindicatos que representavam cada trabalhador, mas a NRA não conseguiu vencer a 
forte oposição das empresas ao sindicalismo independente. 
Após a sua extinção em 1935, o Congresso aprovou a Lei Nacional de 
Relações Laborais, que reintroduziu essa garantia e proibiu os patrões de interferirem 
injustamente nas atividades dos sindicatos. Também criou a Direção Nacional de 
Relações Laborais (NLRB) para supervisionar a negociação coletiva, administrar 
eleições e garantir aos trabalhadores o direito de escolherem a organização que devia 
representá-los perante os patrões. O grande progresso realizado na organização dos 
trabalhadores trouxe-lhes um sentimento crescente de interesses comuns e o poder dos 
trabalhadores aumentou não só na indústria, mas também na política. O Partido 
Democrata de Roosevelt beneficiou enormemente com estes acontecimentos. 
 
8.11 – O Segundo New Deal. 
 
Nos seus primeiros anos, o New Deal apadrinhou uma série notável de 
iniciativas legislativas e conseguiu aumentos significativos na produção e nos preços, 
mas não acabou com a Depressão. À medida que a sensação de crise imediata diminuía, 
surgiam novas exigências. Os homens de negócios lamentaram o fim do “laissez-faire” 
 
 
51 
e irritaram-se com a regulação da NIRA. Os ataques verbais também subiram de tom na 
esquerda e na direita política à medida que sonhadores, intriguistas e políticos surgiam 
com panaceias económicas que atraíam grandes audiências. O Dr. Francis E. Townsend 
defendia pensões generosas para os idosos. O padre Charles Coughlin, o “padre da 
rádio”, apelava a políticas inflacionistas e culpava os banqueiros internacionais em 
discursos cada vez mais apimentados com retórica antissemita. Mais convincente, o 
Senador Huey P. Long de Luisiana, um porta-voz eloquente e implacável dos 
deslocados, defendia uma redistribuição radical da riqueza. (Se não tivesse sido 
assassinado em setembro de 1935, Long muito provavelmente ter-se-ia candidatado à 
presidência contra Franklin Roosevelt em 1936). 
Perante estas pressões, o Presidente Roosevelt apoiou um novo conjunto de 
medidas económicas e sociais. Entre estas destacaram-se medidas para combater a 
pobreza, criar mais trabalho para os desempregados e proporcionar uma rede de 
segurança social. A Administração de Progresso dos Trabalhos (WPA), a principal 
agência de ajuda do chamado segundo New Deal, foi, contudo, a maior agência de obras 
públicas. Realizou pequenos projetos por todo o país, construindo edifícios, estradas, 
aeroportos e escolas. 
Atores, pintores, músicos e escritores conseguiram emprego através do 
Projeto Federal de Teatro, do Projeto Federal de Arte e do Projeto Federal de Escritores. 
A Administração Nacional da Juventude deu emprego em tempo parcial a estudantes, 
criou programas de formação e prestou assistência a jovens desempregados. A WPA 
apenas incluía cerca de três milhões de desempregados de cada vez; quando foi 
abandonada em 1943, tinha ajudado um total de nove milhões de pessoas. 
A pedra angular do New Deal, segundo Roosevelt, foi a Lei de Segurança 
Social de 1935. A Segurança Social criou um sistema de pagamentos da segurança 
social administrado pelo estado, que se dirigia aos pobres, desempregados e deficientes 
com base em contribuições estaduais e federais equivalentes. Também criou um sistema 
nacional de pensões de reforma a partir de um “trust fund” criado por contribuições da 
entidade patronal e do empregado. Muitos outros países industrializados já tinham 
decretado tais programas, mas os apelos a uma iniciativa do género nos Estados Unidos 
tinham passado despercebidos. Atualmente a Segurança Social é o maior programa 
nacional administrado pelo governo dos EUA. 
A estas Roosevelt acrescentou a Lei Nacional de Relações Laborais, a “Lei 
do Imposto para os Ricos”, que aumentou os impostos para os ricos, a Lei da 
Companhia de Utilidade Pública para subdividir grandes grupos de fornecedores de 
energia elétrica e uma Lei Bancária que aumentou imenso os poderes da Direção da 
Reserva Federal sobre os grandes bancos privados. Também foi digno de nota o 
estabelecimento da Administração de Eletrificação Rural, que alargou a eletricidade às 
zonas rurais por todo o país. 
 
8.12 – Reação a Grande Depressão II: Autoritarismo e Industrialização. 
 
 Enquanto, os Estados Unidos experimentavam um reforço no peso do 
Estado, que, no entanto, preservou os princípios básicos do regime democrático, e os 
países da América Latina enveredavam por fórmulas autoritárias e nacionalistas de 
cunho populistas, em alguns países europeus e no Japão desenvolveu-se uma forma de 
Estado autoritário no limite, que se denomina de Fascismo. Com a grande depressão 
como o reflexo da falência tanto da democracia como do liberalismo, coloca a solução 
para está crise econômica, a existência de um Estado forte. Sabe-se existiam, razões 
 
 
52 
particulares para a adoção de regimes autoritários estes em diferentes países, porém, 
podemos citar quatro das principais características da adoção do Fascismo: 
1. A crise de reconversão do pós-guerra, que gerou uma enorme massa de 
desempregados entre os trabalhadores; 
2. A proletarização das classes médias; 
3. A ascensão dos partidos de esquerda, principalmente após a Revolução 
Bolchevique de 1917, na União Soviética; 
4. A redução dos lucros da burguesia, tanto financeira como comercial. 
Assim, as classes dirigentes tradicionais acabaram associando-se aos líderes 
fascistas, com seu jargão nacionalista, esses acabam que anulando as lutas de classes 
internamente, transferindo-as para um inimigo exterior e apelando para o esforço 
comum patriótico, estes, portanto, passam a exercer o poder de forma autoritária. 
Assim, o Fascismo pode ser visto, meramente como uma solução capitalista para uma 
crise do sistema econômico capitalista. A necessária intervenção do Estado para 
solucionar os problemas da grande depressão, sob os regimes fascistas, assume uns 
papéis primordiais, apoiando-se a uma pregação nacionalista extremada, e levando ao 
limite a concentração do capital. 
 
8.13 – Reação a Grande Depressão III: A Segunda Guerra Mundial. 
 
A crise econômica que se abate sobre o sistema capitalista mundial, a partir 
de 1929, vai ser o fator mais poderoso, para que um novo arranjo do poder, em escala 
mundial seja pleiteado. A crise levou os países capitalistas a tomarem medidas 
protecionistas, visando a salvar os mercados internos das importações estrangeiras, 
criando uma verdadeira guerra tarifária. A produção mundial reduziu-se 40%, sendo 
que, a diminuição do ferro atingiu 60%, a do aço, 58%, a do petróleo, 13% e a do 
carvão, 29%. O desemprego grassou nos principais países industrializados: 11 milhões 
nos Estados Unidos; 6 milhões na Alemanha; 2,5 milhões na Inglaterra e um numero 
um pouco superior na França. 
Se forem contados os dependentes, estima-se que o fato provocou aflição e 
desemprego, a mais de 70 milhões de pessoas. Como a economia já estava 
suficientemente internalizada (com exceção da URSS, que se lançava nos Planos 
Quinquenais), todos os continentes foram atingidos, aumentando ainda mais a miséria e 
o desemprego. A América Latina teve que reduzir em 40% as importações e sofreu uma 
queda de 17% nas exportações. É nesse contexto caótico que a Alemanha, no Ocidente, 
e o Japão, no Oriente, vão tentar explorar o debilitamento dos rivais. Uma nova luta por 
mercadose novas fontes de matérias-primas levaria o mundo à Segunda Guerra 
Mundial. 
A conjuntura externa caótica e a situação interna de desespero conduzem 
Hitler ao poder na Alemanha em 1933. Atuando implacavelmente, em menos de um ano 
sufocou todos os movimentos oposicionistas (sociais democratas, comunistas e liberais), 
dando início à “Revolução Nacional-Socialista” que tinha como objetivo fazer a 
Alemanha retornar ao grau de potência europeia. Naturalmente que, para tal, era 
necessário romper com o Tratado de Versalhes, pois este impedia a conquista do 
“espaço vital”, como o rearmamento. Atenuava-se o desemprego e atendia-se a 
necessidades da poderosa burguesia financeira e industrial da Alemanha. 
Para evitar a má vontade das potências ocidentais, Hitler coloca-se como 
campeão do anticomunismo a nível mundial, assinando com o Japão (novembro de 
1936) e com a Itália (janeiro de 1937), o Pacto Anti-Comintern – cujo fim é ampliar o 
isolamento da URSS e, quando for possível, atacá-la. O Japão, que igualmente passa por 
 
 
53 
convulsões internas graves, dá início em 1931 a uma política externa agressiva, 
explorando o enfraquecimento dos Impérios Coloniais europeus que se mostram 
impotentes para superar a crise econômica. Em 1937, após ter ocupado a rica região da 
Manchúria, invade o resto do território chinês, dando início a um longo conflito na Ásia. 
Seu expansionismo vai terminar por chocar-se com os interesses norte-americanos, na 
Ásia (Filipinas) e levar à guerra contra os Estados Unidos. 
 
8.14 – Os Problemas de Reconstrução. 
 
A Segunda Guerra Mundial levou a Europa e vastas parcelas da Ásia à 
exaustão e a destruição. Para pagar a destruição, foram gastas as poupanças 
governamentais, forma contraídos empréstimos e as necessidades da população civil 
passaram a ser satisfeitas no nível mínimo. Paradoxalmente, a guerra aumentou a 
eficiência econômica: a concentração de esforços na produção de guerra fez surgir 
novas fontes de mão de obra e de capital, e a tecnologia desenvolveu-se mais 
rapidamente que nas décadas precedentes. Computando as despesas governamentais, as 
perdas na produção, o valor capitalizado de vida humana, as perdas de bens imóveis e as 
perdas de bens em navios e cargas embarcadas, chegaram ao astronômico custo de 413 
bilhões e 250 milhões de libras esterlinas. 
Com o fim da guerra, a Alemanha e o Japão foram ocupados pelos países 
vitoriosos, perdendo sua autonomia política através da fórmula da rendição 
incondicional, a situação das nações europeias vitoriosas não parecia nada promissora. 
Inglaterra e França acumulavam enormes débitos, tenham grande parte de sua base 
industrial danificada, com sua propriedade imobiliária destruída, e acabavam sendo 
contestadas em suas áreas coloniais asiáticas. Já a União Soviética, graças aos avanços 
militares, na luta contra a Alemanha, havia estabelecido o controle sobre os países da 
Europa Centro Balcânico. A divisão da Europa em uma parte capitalista e outra 
socialista agravou ainda mais os problemas do pós-guerra, pois a economia europeia foi 
dividida em duas unidades econômicas, simbolizada pela Alemanha dividida. 
Os Estados Unidos estavam na posição única, a de potência hegemônica 
dentro da Economia – Mundo Capitalista. Esse país viu-se quase obrigados a adotar 
medidas mais enérgicas e globais, a fim de “assegurarem a sobrevivência do sistema 
capitalista”, que se encontrava ameaçado também pela criação de um Estado de 
rivalidades permanente entre aquele país e a União Soviética (a Guerra Fria), de duas 
“superpotências” que emergiram dos destroços da Segunda Guerra Mundial. 
 
8.15 – O Plano Marshall. 
 
Com o final da Segunda Grande Guerra, muitos países ficaram destruídos. 
Era necessário muito investimento financeiro para a reconstrução destes países. Nesse 
contexto, foi criado nos Estados Unidos pelo então secretario de Estado George 
Marshall, um plano econômico cujo principal objetivo era possibilitar a reconstrução 
dos países capitalistas. O Plano Marshall deve ser entendido dentro do contexto 
histórico da Guerra Fria, pois foi uma forma de estabelecer o capitalismo e a hegemonia 
dos Estados Unidos. O Plano foi colocado em operação em 1947. 
Os principais objetivos do Plano Marshall consistiam em: 
a) Possibilitar a reconstrução material dos países capitalistas destruídos na 
Segunda Guerra Mundial; 
b) Recuperar e organizar a economia dos países capitalistas, aumentando o 
vínculo deles com os Estados Unidos, principalmente, através das relações comerciais; 
 
 
54 
c) Fazer frente aos avanços do socialismo presente, principalmente, no Leste 
europeu e comandado pela extinta União Soviética. 
O Plano Marshall foi exitoso e possibilitou, nas décadas de 1950 e 1960, a 
recuperação econômica de grande parte dos países beneficiados. Para os Estados 
Unidos, o resultado também foi muito positivo, pois aumentou as exportações norte-
americanas para a Europa Ocidental, além de expandir a influência política dos Estados 
Unidos sobre a região, com países capitalistas fortalecidos, ficou mais fácil e seguro 
para o bloco capitalista fazer frente ao socialismo durante a Guerra Fria. Inglaterra e 
França foram os países que receberam mais ajuda financeira dos Estados Unidos, 
através do Plano Marshall. 
 
8.16 – A Recuperação do Japão. 
 
Ao final da Segunda Guerra Mundial, o Japão iniciou uma linha de 
pensamento de política exterior que, o guiou por mais de cinquenta anos, sendo pautada 
principalmente, no crescimento econômico. A parceria com os Estados Unidos era o 
principal pilar dessa política, confiando a eles a segurança do arquipélago, durante a 
Guerra Fria, o que permitiu ao Japão dedicar todos os seus recursos para o 
desenvolvimento econômico, sem se preocupar com sua segurança e a do mundo. Os 
líderes do poder executivo mudavam a cada período, porém, a Doutrina Yoshida 
continuava sendo o pilar da política externa japonesa, mesmo, após o milagre japonês, 
nas décadas de 1970 e 1980. Poucas e fracassadas foram às vezes, em que políticos 
tentaram “dar dentes” a essa política, tentando fazer do Japão, um Estado forte e 
relevante nas Relações Internacionais. A principal barreira é, aparentemente, a 
Constituição. 
Em um curto período, o Japão passou por drásticas mudanças internas. Após 
1945, o grande império nipônico, perdeu o direito de manter suas forças armadas e seu 
líder máximo, o Imperador, perdeu seu poder político e passou a apenas representar o 
Estado. É correto afirmar que o país ainda esteja procurando seu lugar no sistema 
internacional, pois seu papel durante a Guerra Fria era claro: apoiar os Estados Unidos. 
Com o final dela e com o surgimento de novos inimigos e ameaças, o arquipélago 
mostrou-se perdido ao meio da política internacional, sendo a maior prova disso a 
Guerra do Golfo: sem saber como agir, o Japão criou leis que permitissem, o envio de 
tropas sob a bandeira da ONU, a fim de evitar críticas externas e para apagar a imagem 
da diplomacia do cheque. Seguindo a fim da Guerra Fria, debates internos em relação à 
projeção indicaram que o país precisaria aumentar sua participação internacional, tanto 
em assuntos globais, como em regionais. 
O que os diferenciava do Estado Normal acreditavam que o arquipélago 
deveria aumentar suas capacidades militares de acordo com seu poder econômico e, 
assim, destacar-se; já os defensores da Potência Civil, acreditavam que o país, deveria 
participar com mais força nas organizações internacionais e, através da cooperação, 
garantir a segurança e estabilidade mundial. A presença dos Estados Unidos, durante 
todo período pós-guerra, serviu para inserir o Japão de volta ao sistema internacional. 
Comovisto, renovaram o cenário político interno, impediram novos conflitos com 
outros Estados, reanimaram a economia japonesa, que passava por uma séria crise, etc. 
Apesar de serem, na maior parte, reações sistêmicas, não é possível contar a 
história do Japão Contemporâneo, sem citar os Estados Unidos, principalmente, no 
âmbito da segurança, após a Guerra Fria, pois a única proteção que o Japão possuí 
contra as constantes ameaças nucleares são os Estados Unidos. Enfim, o Japão 
reinseriu-se como uma potência incompleta. Surgiu como um gigante econômico, 
 
 
55 
porém, anão político. Entretanto, se não fosse a Doutrina Yoshida, a reinserção 
internacional do Japão, seria muito mais difícil. Sob os cuidados dos Estados Unidos, os 
vizinhos asiáticos não viam mais o Japão, como uma potencial ameaça. 
 
8.17 – Os Efeitos da Reconstrução para o sistema Capitalista. 
 
Ao término da Segunda guerra Mundial, os Estados Unidos, era o país mais 
rico do mundo, porém eles teriam que enfrentar um rival, ou seja, o segundo país mais 
rico do mundo: A URSS. Tanto os Estados Unidos (capitalista), como a URSS 
(socialista), tinham ideias contrárias para a reconstrução do equilíbrio mundial, foi então 
que começou uma grande rivalidade, entre esses dois países. Quem era melhor? 
Esse conflito de interesses que assustou o mundo e ficou conhecido como a 
Guerra Fria. Tanto os Estados Unidos, criticavam o socialismo, quanto a URSS, 
criticava o capitalismo. Europa Ocidental, Canadá e Japão, se aliaram aos Estados 
Unidos, enquanto que a Tchecoslováquia, Polônia, Hungria, Iugoslávia, Romênia, 
Albânia, e parte da Alemanha (Oriental) e a China se uniram com a URSS. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
56 
Capítulo IX – ALTERNATIVA AO CAPITALISMO. 
 
Introdução. 9.1 Socialismo: A Via Industrializada; 9.2 Da Rússia à União Soviética; 9.3 O 
Comunismo de Guerra; 9.4 A Nova Política Econômica; 9.5 O Socialismo Planificado; 9.6 Os 
Três Planos Quinquenais; 9.7 A Economia de Guerra; 9.8 Planos Quinquenais IV e V; 9.9 As 
Modificações no Modelo; 9.10 A Era Khrushev; 9.11 A Era Breshnev; 9.12 A Era Mikhail 
Gorbatchev; 9.13 Socialismo: A Via Agrícola; 9.14 A China dos Soviéticos; 9.15 O Período de 
Reconstrução; 9.16 Plano Quinquenal I; 9.17 Plano Quinquenal II; 9.18 A China dos Chineses; 
9.19 A Revolução Cultural e as Quatro Modernizações; 9.20 A Nova Política Econômica (1978 
- Atualmente); 9.21 As Variantes Nacionais; 9.22 A Iugoslávia; 9.23 A Albânia; 9.24 A 
Falência Política na Década de 1980. 
 
Introdução. 
 
Quando o capitalismo se constitui como sistema econômico dominante, já 
apareceram criticas e questionamentos sobre a sua situação. As criticas eram sempre 
direcionadas a forma de exploração que eram submetidas às classes operárias. No 
século XVIII, alguns estudiosos, como Saint Simon e Charles Fourier, apresentaram 
soluções alternativas, para resolver esse problema, baseadas na “cooperação entre as 
classes”. Essa corrente de pensamento era denominada como Socialismo Utópico. No 
século XIX, sob a liderança de Karl Marx e Friedrich Engels, inaugurou-se o 
Socialismo Científico. 
A partir da Análise do Capitalismo, essa linha de pensamento, apontou que 
o sistema capitalista, naturalmente seria substituído pelo sistema socialista e, 
posteriormente, onde as desigualdades sociais, o regime de propriedade privada e o 
Estado desaparecem. No início do século XX, houve-se a implementação das ideias 
comunistas; inicialmente na Rússia e, posteriormente, por toda a Europa Oriental e uma 
porção do continente asiático (China); como uma alternativa ao sistema capitalista. 
 
9.1 – Socialismo: A Via Industrializada. 
 
A Rússia, durante séculos foi comandada por uma elite aristocrática, 
conhecida como Czares, enquanto que a maioria da população era camponesa. Até o 
início do século XX, a Rússia era um Estado agrícola e com o desenvolvimento 
industrial preconizado. Havia também enorme problema de concentração fundiária (os 
aristocratas detinham as maiores extensões territoriais). Esses fatos implicaram na 
formação de uma revolta socialista, sob a liderança de uma classe operária 
extremamente pequena, que mudaria o cenário político e econômica completamente. 
 
9.2 – Da Rússia à União Soviética. 
 
No início do século XX, a Rússia era ainda um país com resquícios do 
feudalismo e dominada por um monarca absolutista: o czarismo garantia que uma 
minoria pudesse explorar uma imensa população camponesa bastante depauperada. Os 
últimos czares da Dinastia Romanoff (Alexandre II, Alexandre III e Nicolau II) 
aperceberam-se, no entanto, da necessidade de modernização da economia russa e ao 
estabelecerem uma política de desenvolvimento industrial, acabaram por determinar as 
bases sobre as quais, posteriormente, se assentariam a critica e a derrubada do czarismo. 
Nicolau II, o último czar russo, foi perdendo o prestígio, pouco a pouco, devido a uma 
desastrada política externa. 
 
 
57 
Duas correntes políticas principais opunham-se ao seu governo: os 
Mencheviques, partidários de uma revolução de caráter liberal e burguês que, na 
sequencia permitisse a implantação do socialismo; e os Bolcheviques, socialistas 
radicais que defendiam a implantação imediata do poder do proletariado. A entrada da 
Rússia, na Primeira Guerra Mundial e a constante derrota sofrida pelo exército czarista, 
diante dos alemães, minou irremediavelmente o poder de Nicolau II. Sendo que muitos 
trabalhadores foram enviados para os campos de batalha, culminando com uma escassez 
de alimentos, que provocou enormes ondas de fome e insatisfação popular generalizada. 
Em março de 1917, foi obrigado a abandonar o trono, substituindo-se a monarquia russa 
pela república. Um Parlamento (Dumas) ficava encarregado das principais decisões 
políticas tendo a frente o Menchevique Kerensky. 
Os Mencheviques, porém, foram incapazes de minimizar as dificuldades 
herdadas do regime czarista, desgastando-se progressivamente. A manutenção da 
Rússia, na Primeira Guerra Mundial e a sucessiva derrota constituiu-se nos elementos 
decisivos para a ascensão da oposição Bolchevique, em novembro de 1917. Lênin 
tornou-se, assim, o homem forte da Rússia, acompanhado por Leon Trotsky e Stálin. 
Seu governo foi marcado pela tentativa de superar a crise econômica e social, que se 
abatia sobre a nação, retirando-a da Primeira Guerra Mundial e realizando profundas 
reformas de caráter socioeconômicas. Contra a adoção do socialismo na Rússia ergueu-
se uma violenta reação do mundo capitalista, opondo os russos brancos (Mencheviques 
Czaristas), apoiados militarmente pelas potências europeias, ao Exército Vermelho. 
Porém, os socialistas resistiram às pressões contrárias ao seu governo e, em 
1921, conseguiram estabelecer-se definitivamente no poder. Lênin então adotou a NEP, 
uma planificação econômica com determinados elementos capitalistas que visavam 
reerguer a produtividade nacional e normalizar a economia, viabilizando a consolidação 
socialista. Em 1922, diversas repúblicas asiáticas e europeias agregaram-se à Rússia, 
originando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. A morte de Lênin, em 1924, 
desencadeou uma acirrada disputa pelo poder político entre Trotsky e Stálin. Este 
conseguiu vencer a proposta trotskista de generalização da Revolução Socialista pelo 
mundo e instalou-se no poder, onde permaneceu até 1953. Durante seu governo, Stálin, 
através dos Planos Quinquenais, conseguiu transformar a União Soviética, numa 
importante potência mundial. Tais planos representaram a completa socializaçãoda 
economia soviética. 
 
9.3 – O Comunismo de Guerra. 
 
O comunismo de guerra foi uma política que visava reorientar a produção 
industrial e agrícola russa para enfrentar as forças do Exército Branco, como ficaram 
conhecidas as forças que enfrentaram os Bolcheviques e o Exército Vermelho. A 
economia russa já estava em crise, como consequência dos estragos causados pela 
Primeira Guerra Mundial. Para manter munido dos suprimentos necessários o Exército 
Vermelho, o governo Bolchevique lançou mão de medidas coercitivas para alcançar 
esse objetivo. Na área agrícola, o comunismo de guerra representou o confisco da 
produção realizada pelos camponeses para alimentar as tropas vermelhas e também o 
controlar o comércio clandestino que estava desenvolvendo. 
O privilégio da distribuição era dado aos combatentes, sendo que o restante 
da população era submetido a um duro racionamento de alimentos. Neste aspecto, o 
comunismo de guerra representou uma forte oposição dos camponeses ao governo, já 
que se viam privados de comercializar livremente sua produção agrícola. Mas a 
argumentação Bolchevique era que tal medida era necessária para a vitória da 
 
 
58 
Revolução, um objetivo mais amplo que as necessidades imediatas dessa classe rural. 
Nas indústrias, o comunismo de guerra representou a militarização do trabalho, 
submetendo os operários a uma rígida disciplina laboral e a manutenção de uma 
hierarquia dentro das fábricas. 
Foi neste período que os Bolcheviques passaram adotar métodos tayloristas 
de organização do processo de produção e a centralizar a administração das fábricas em 
um único administrador. O resultado destas medidas foi à perda do poder que detinha os 
comitês de fábrica, órgãos pelos quais, os operários exerciam o poder dentro das 
empresas. Oposições a essas medidas surgiram dentro do próprio partido Bolchevique, 
através da oposição de Esquerda, que criticava a centralização, a hierarquização e a 
reprodução da disciplina de trabalho capitalista. Dentro desse esforço de guerra, os 
sindicatos ficaram submetidos ao Estado, não podendo atuar com autonomia frente ao 
governo. As estradas de ferro passaram a ser administradas pelo Exército Vermelho, em 
virtude da importância logística que tinham para os combates contra o Exército Branco. 
Mesmo dentro do Exército Vermelho práticas militares autoritárias foram 
adotadas, como o fim das eleições de oficiais, a necessidade de prestar continência aos 
superiores e a pena de morte. Os principais líderes do comunismo de guerra foram 
Lênin, presidente do Conselho de Comissários do Povo, que administrava o Estado 
soviético e, Leon Trotsky, comandante do Exército Vermelho. Essas medidas tornavam 
o nascente Estado Bolchevique muito semelhante aos demais Estados capitalistas, com 
a diferença de que boa parte dos meios de produção havia passado para o Estado. 
Dessa forma, eliminavam-se os proprietários privados e formava-se uma 
nova classe de burocratas e tecnocratas que controlavam os meios de produção através 
do Estado, passando a gerir os rumos da sociedade soviética. O comunismo de guerra 
acabou quando teve o fim da Guerra Civil, em março de 1921. Em seu lugar foi adotada 
a Nova Política Econômica (NEP), que pretendia liberar o comércio interno para que se 
realizasse uma acumulação de capitais, com o objetivo de desenvolver a economia, 
dentro dos moldes de um capitalismo de Estado, e aplicar a insatisfação camponesa ao 
liberar a comercialização dos excedentes agrícolas. 
 
9.4 – A Nova Política Econômica. 
 
Para produzir a Guerra Civil detonada com o processo revolucionário, Lênin 
e seus companheiros instituíram o chamado “comunismo de Guerra”. Nessa situação, os 
Bolcheviques russos promoveram o rígido controle da produção econômica e 
eliminaram as liberdades do sistema capitalista. Dessa forma, os revolucionários 
regravam os recursos necessários para que o Exército Vermelho combatesse as forças 
internas e externas que censuravam a experiência socialista. No ano ode 1921, os 
Bolcheviques alcançaram a vitória e, assim, abriram campo para que os trabalhadores 
conduzissem a nação. Entretanto, o sabor da conquista não apagava a delicada crise 
abastecimento e a estagnação econômica que tomava o país. Dessa maneira, os líderes 
russos tiveram que se desdobrar em um plano que conseguisse reverter à situação. 
Em outros termos, o grande desafio era conciliar a adoção do socialismo 
juntos aos problemas da população. Em março desse ano, o governo de Vladimir Ilyich 
Ulyanov (Lênin) anunciou a Nova Política Econômica (NEP). Em sua, esse novo Plano, 
recuava com as ações centralizadoras do comunismo de guerra e permita que algumas 
práticas do sistema capitalista ainda fossem empregadas. Dessa forma, pretendia-se dar 
“um passo para trás, para depois dar dois pra frente”. Ou seja, reaquecer a economia, 
através do capitalismo e, logo em seguida, ampliar o conjunto de ações socialistas. No 
âmbito comercial, a NEP autorizou a presença de um setor privado que atuaria no 
 
 
59 
comércio varejista, a formação de cooperativas que poderiam atuar em toda economia e 
preservava boa parte do setor atacadista, sob a administração do Estado. No campo, o 
processo de coletivização das propriedades mantido. Além disso, as famílias 
camponesas que tivessem acumulado recursos financeiros estavam autorizadas a alugar 
outras terras, para a produção. 
Nos centros urbanos, o governo russo determinou que nenhuma fábrica 
poderia ser nacionalizada sem a autorização oficial. O trabalho compulsório em 
ambiente fabril foi abolido, assim como a paridade salarial entre os trabalhadores. A 
partir da NEP, os trabalhadores poderiam receber salários que variavam de acordo com 
o potencial produtivo de cada operário. Paralelamente, vários serviços que antes 
estavam dispostos gratuitamente voltaram a ser cobrados. Em pouco tempo, os efeitos 
da NEP indicavam que a situação econômica da Rússia melhorava e que a condição de 
vida da população seguia a mesma tendência. A permissão de ações capitalistas chegou 
a reconstruir o diálogo econômico junto a outras nações. Mesmo com bios resultados, a 
NEP foi descartada, após a morte de Lênin, em 1924. A partir de 1928, sob a 
administração do Josef Stalin, a União Soviética passou a orientar sua economia, a 
partir dos Planos Quinquenais. 
 
9.5 – O Socialismo Planificado. 
 
O Socialismo Planificado, ou popularmente conhecido como Economia 
Planificada, também chamada de economia centralizada, é um modelo econômico que 
defende o controle do Estado sobre a economia. Esse modelo ficou conhecido, após sua 
aplicação durante mais de setenta anos na União Soviética. Na economia centralizada, a 
maioria das empresas que atuam na economia é estatal, ou seja, pertence ao Estado. Ao 
contrário do que acontece na economia de mercado, a lei da oferta e da procura não dita 
às leis do comércio, o governo toma as decisões. Assim, um produto que esteja em falta 
não sofre com o aumento e, do mesmo modo, um produto que esteja acumulado não 
sofre reduções. 
Assim, as lógicas e estratégias de mercado seguem a elaboração de planos. 
Esses planos, que na União Soviética eram chamados de “Planos Quinquenais”, têm a 
função de desvendar e resolver os problemas e fragilidades da economia. Outro objetivo 
é conter o desemprego, através da ampliação do setor produtivo. Com a Planificação da 
Economia, seria possível o controle da problemática da distribuição de renda, pois todos 
teriam emprego e salários que não seriam suficientes para a acumulação, mas que 
permitiriam a manutenção dos custos de vida na sociedade. Atualmente, apenas Cuba, 
Coréia do Norte, Vietnã e Mianmar adotam a Planificação daEconomia. O declínio 
desse modelo está ligado ao fim da URSS e, as sanções impostas pelos países 
capitalistas, liderados pelos Estados Unidos, contra aqueles países que aderem à 
Economia Planificada. 
Outro motivo é o alto índice de burocratização, visto que todas as ações 
comerciais são controladas pelo Estado, o que desfavorece a dinamização e o 
desenvolvimento, além de contribuir para o aumento da corrupção. Além disso, em 
todos os países que adotaram a Economia Planificada, observou-se a formação de uma 
classe dominante, atrelada ao Estado, que detinha maiores e melhores privilégios sociais 
que eram pagos à conta da grande parcela da população, o que também ocorre na 
economia de mercado. 
 
 
 
 
 
60 
9.6 – Os Três Primeiros Planos Quinquenais (1928-1941). 
 
A Comissão Estatal de Planejamento, liderada por uma equipe de 
economistas e estatísticos, elaborava e enviava os planos para todas as indústrias. Em 
lugar das decisões individuais, a economia seria supervisionada por um grupo de 
técnicos, sob o controle do partido com uma visão geral da economia. Com a invasão da 
Alemanha, a União Soviética perdeu territórios que abrigavam 40% da população. 
Esforço do governo para evitar a evacuação de milhões de operários, milhares de 
empresas e milhões de cargas de fretes de caminhão - “A Grande Guerra Patriótica”. O 
Plano Quinquenal procurava estabilizar a economia soviética. 
O PNB caiu pela metade. Somente em 1945, voltaram-se aos níveis de 
produção antes da Guerra. A ajuda dos países aliados e dos Estados Unidos forneceu o 
equivalente a 10% da produção soviética. Foi banido o direito de abandonar livremente 
o trabalho e a jornada aumentou de oito horas para doze horas. Em alguns setores 
introduziu-se o regime militar. Queda de consumo, em decorrência do racionamento de 
mercadorias. Perda de 20 milhões de pessoas e destruição de milhares de cidades, 
rodovias, campos e animais. Queda do índice de produtividade industrial de 100 (1940 
para 58 (1945). 
 
9.7 – A Economia de Guerra (1941-1945). 
 
Em 1940, a Comissão Estatal de Planejamento (GOSPLAN), elaborou o 
Quarto Plano (1945-1950), com os seguintes objetivos: recuperação; reconstrução e 
aumento dos níveis de produção: incremento à indústria de bens de consumo; e aumento 
do nível técnico mediante o incentivo a educação. O sucesso do Plano declarado pela 
GOSPLAN foi viabilizado, houve aumentos consideráveis nos índices de produção, em 
parte significativa, graças às reparações de seus antigos inimigos. A Criação de 
Companhias Acionistas Soviéticas – Empresas estatais com participação sempre de 
50%. 
Reforma Monetária: controle da inflação e da exagerada demanda 
aumentando as oportunidades de especulação. Abandono da obsoleta tabela de preços 
(1926/1927), superada pelo crescimento no setor industrial e de engenharia. A reforma 
também reduzia a dívida interna, perda de benefícios aos camponeses durante a guerra, 
mercado livre para produtos agrícolas. O Plano falhou no setor agrícola (30% da meta). 
O racionamento de gêneros alimentícios suprimidos, em 1949, por conta da redução 
drástica dos preços pelo governo, desde 1947. 
 
9.8 – Planos Quinquenais IV e V (1945-1955). 
 
Em 1950, o crescimento era relativo, uma vez que a URSS era a segunda 
Potência industrial em nível mundial. Entretanto, a produção de bens de capitais e de 
produtos básicos era menor que a norte-americana e a produtividade per capita de seus 
operários era menor que os países industrializados da Europa Ocidental. O Plano 
Quinquenal V, retomou os objetivos anteriores, sendo as metas consideradas 
moderadas, segundo os padrões soviéticos. A agricultura teve fixadas metas mais 
ambiciosas. 
Como nos anteriores seus maiores sucessos foram no setor de indústria 
pesada, tendo um crescimento menor que o esperado, bem como os salários reais dos 
operários devido à redução dos preços dos produtos agrícolas. Os Planos Quinquenais 
foram atrapalhados, em parte pela Guerra Fria, pois o governo soviético foi obrigado a 
 
 
61 
redirecionar uma parte de seu orçamento, para o setor militar e pesquisas atômicas. Com 
a recusa de participar e juntamente proibir, os países socialistas europeus do Plano 
Marshall. 
A resposta foi à articulação do Plano Molotov, também conhecido como 
Conselho para a Assistência Econômica Mútua (COMECON), formulada em 1949, que 
propunha a organização da produção industrial e a coordenação do comércio exterior 
dos países na zona de influência soviética, com aumento de 7 para 80% no 
estabelecimento de pactos comerciais bilaterais controlados pela URSS, o Plano 
Molotov organizou-se a coordenação dos diferentes planos econômicos nacionais. Os 
objetivos básicos eram: a constituição de espaços econômica único com economias 
complementares e a padronização cambial. A URSS beneficiou-se, com tais medidas e, 
pode estreitar relações comerciais, principalmente com a Tchecoslováquia e da 
Alemanha Oriental. 
 
9.9 – As Modificações no Modelo. 
 
Após a morte Stálin em 1953, o Partido Comunista, introduziu uma série de 
mudanças, no modelo econômico soviético, imprevisível para os planejadores estatais: 
1. Vislumbravam a alteração na relação da planificação / gerenciamento dos 
bens de consumo e alimentícios, no plano interno; 
2. Uma convivência pacífica com o Ocidente capitalista, com o intuito de se 
ampliar o mercado interno. O que acarretou uma queda da renda estatal soviética, 
porque houve uma transferência de renda real do setor público para o privado; 
3. Deixou de levar em consideração, que não se pode aumentar, o consumo 
sem um aumento na quantidade ofertada de bens e serviços, suficiente para equivaler á 
queda dos preços no varejo e/ou no aumento real dos salários. 
 
9.10 – A Era de Krushev (1956-1964). 
 
A morte de Stálin gerou uma crise sucessória, marcada pela acirrada disputa 
pelo poder soviético entre Lavrent Bería (Chefe da Polícia Política), Georgi Malenkov 
(vinculado à burocracia administrativa) e Nikita Krushev (ligado ao Partido Comunista). 
De 1953 a 1955, Malenkov governou o país, sendo sucedido por Krushev. Este iniciou 
um processo de liberalização do regime: fim da burocratização, direção de áreas 
econômicas por conselhos locais, maior produtividade, rápida urbanização, aumento das 
áreas cultivadas e grande desenvolvimento tecnológico no setor espacial. Com uma 
política descentralizada, diminuiu o poder da policia, fechou campos de trabalhos 
forçados e denunciaram formalmente, no XX Congresso da PCUS, em 1956, os abusos 
e crimes cometidos durante a ditadura de Stálin. 
A exploração espacial começou em 4 de outubro de 1957, quando a União 
Soviética, lançou o Sputnik-1, primeiro satélite artificial em órbita na Terra. O feito 
russo abalou o bloco capitalista, em especial os Estados Unidos, que acreditavam em 
sua superioridade no campo científico. A competição aumentou quando, um mês depois 
desse lançamento, os soviéticos enviam pro espaço um satélite ainda maior, o Sputnik-
2, que levava a bordo, a cadelinha Laika. Somente, em 31 de janeiro de 1958, os 
Estados Unidos, conseguiram colocar em órbita seu primeiro satélite artificial, o 
Explorer. Na busca de primazia em desvendar a lua, novamente os soviéticos saíram na 
frente, por meio do Programa Luna, quando o Luna-1 venceu a gravidade da Terra, e 
enviou fotos do lado escuro da Lua. Os americanos só conseguiram igualar o feito dois 
meses depois, com o Pioneer-4. 
 
 
62 
Em 1961, os soviéticos obtiveram um notável triunfo ao lançar no espaço o 
primeiro satélite artificial tripulado e Iúri Gagárin tornou-se o primeiro cosmonauta da 
história. A nave espacial Apollo com trêstripulantes demonstrou ao mundo que os 
Estados Unidos tinham ultrapassado as capacidades soviéticas no espaço. A 20 de julho 
de 1969, com centenas de milhares de espectadores de televisão a ver no mundo inteiro, 
Neil Armstrong tornou-se o primeiro ser humano a andar na lua. Seguiram-se outros 
voos Apollo, mas muitos americanos começaram a questionar o valor de voos espaciais 
tripulados. No início dos anos 70, como outras prioridades se tornaram mais prementes, 
os EUA reduziram o programa espacial. Algumas missões Apollo foram descartadas; 
apenas uma das duas estações espaciais Skylab propostas foi construída. 
A desestalinização repercutiu diretamente nos países europeus do bloco 
socialista, de onde emergiram diversas dissidências e ameaças à estabilidade do Leste 
europeu. Um importante fato ocorrido, nesse período, foi à violenta ação armada 
soviética na Hungria, em 1956, para depor Imre Nagy, que pretendia retirar o país do 
Pacto de Varsóvia e, consequentemente, do controle de Moscou. Paralelamente, o 
processo de “liberalizar” o regime, facilitou a aproximação da União Soviética com os 
Estados Unidos, em particular depois que Krushev passou a defender uma política de 
coexistência pacífica, único meio para evitar um confronto atômico e direto entre as 
superpotências. 
O novo caminho das relações da Guerra Fria permitiu que, pela primeira 
vez, um líder socialista soviético visitasse os Estados Unidos. Por outro lado, a nova 
política externa defendida por Krushev levou a República Popular da China, em 1960, a 
romper relações com a União Soviética, por discordar da desestalinização e do processo 
de aproximação com o Ocidente, por conflitos de fronteiras e quebra soviética, em 
1959, do acordo nuclear. 
Seguindo os passos da China, a Albânia, 1961, também rompeu relações 
com a União Soviética. O interesse em impedir fugas para o lado capitalista de Berlim 
levou a União Soviética, na noite de 12 para 13 de agosto de 1961, a erguer uma cerca 
de arame farpado e postos de vigia entre os dois lados da cidade alemã. Essa cerca, mais 
tarde, foi substituída por um muro de alvenaria. Nascia assim, o Muro de Berlim, 
principal símbolo da Guerra Fria. A perda de prestígio com a fracassada tentativa de 
instalar misseis em Cuba (1962) e a ação das dissidências internas do partido, que não 
apoiavam as reformas provocaram a queda de Krushev, em 1964. 
 
9.11 – A Era de Breshnev (1965-1985). 
 
Retorno da burocratização, do centralismo político-administrativo e da 
repressão às dissidências – enfim, do velho modelo stalinista – foram características do 
período de Breshnev. Essa política causou uma perda de competitividade tecnológica 
com o Ocidente, principalmente, na produção de bens de consumo. O ritmo produtivo 
caiu, apresentando reduções nas taxas de crescimento industrial e agrícola, assim como 
na produtividade do trabalho. O rigor também se fez presente nas relações da União 
Soviética, com os países do seu bloco, sendo a Primavera de Praga, o melhor exemplo, 
dessa nova orientação na política externa. 
Os contatos com os Estados Unidos foram restabelecidos, a partir de 1973 
(período da Détente). A melhoria nas relações possibilitou o primeiro voo espacial 
conjunto Soiuz-Apolo, 1975. Na então, Tchecoslováquia, desde o início de 1968, 
reformas pretendia modernizar a economia e transformar o papel do Estado. Com o 
apoio de intelectuais, operários e estudantes, o presidente Dubcek buscou uma via 
própria e mais humanizada de socialismo. Esse reformismo encontrou seu maior 
 
 
63 
opositor na União Soviética de Brejjnev. A fim de manter sua hegemonia no Leste 
europeu, tropas do Pacto de Varsóvia invadiram a Tchecoslováquia. 
Dubeek e seus companheiros foram presos, extraditados para Moscou e 
expulsos do Partido. Temendo que a Revolução Islâmica atingisse territórios 
estratégicos de seu interesse e procurando ajudar o governo afegão a sufocar uma 
rebelião muçulmana, a União Soviética ocupou militarmente o Afeganistão, em 27 de 
dezembro de 1979. Essa invasão atrapalhou as conversações sobre a limitação de armas 
nucleares. A retirada das tropas soviéticas só aconteceu em 1988. A morte de Brejnev, 
em 1982, levou ao poder líderes idosos e com problemas de saúde, da “ala Tradicional” 
do Estado soviético: Iúri Andropov (1982-1984) e Konstantin Tchernenko (1984-1985). 
 
9.12 – A Era Mikhail Gorbatchev (1985-1991). 
 
A saída de antigo líder do Partido e a renovação dos quadros dirigentes 
possibilitou o fortalecimento político de Mikhail Gorbatchev e de seu programa de 
mudanças. Em seu governo, ocorreram reformas nas Forças Armadas, na legislação 
eleitoral, na administração popular, na economia e na política externa, mas foi em 1985, 
que os planos mais amplos de transformações foram lançados – a Perestroika e a 
Glasnost. Mikhail Gorbatchev acreditava que esses planos estabeleceriam o “socialismo 
humanitário”. No plano político, Mikhail Gorbatchev propôs a separação entre o Partido 
Comunista e o Estado, a desburocratização do Estado, com fusões ou extinção de 
ministérios e organismos, a reforma da legislação eleitoral e o retorno do poder para os 
sovietes. 
No plano econômico, defendeu o fim do planejamento rígido central e do 
sistema de preços ditado pelo governo: autogestão das empresas estatais e liberdade 
para competirem entre si no mercado; o fim da política de subsídios e a permissão para 
a existência de pequenos negócios privados. Bem vistas no exterior, às reformas 
provocaram a reação da oposição conservadora (comunistas ortodoxos, burocratas do 
antigo modelo politico-militar). Apesar das dificuldades, as mudanças caminhavam e, 
em 1988, Mikhail Gorbatchev conseguiu ser eleito presidente. O fim do monopólio do 
Partido abriu as portas ao multipartidarismo e às eleições diretas, que só aconteceram no 
início da década de 1990. 
Os “ventos de liberdade” dessa política estimularam, nas repúblicas 
soviéticas, movimentos nacionalistas e separatistas, com os dos povos bálticos (Letônia, 
Estônia e Lituânia). A Glasnost e a Perestroika colaboraram no avanço das relações 
entre os Estados Unidos e a União Soviética, levando a assinatura de novos acordos 
referentes à desativação de armas nucleares. Começava a mais abrangente fase de 
distensão de todo período da Guerra Fria, que poria fim ao bloco soviético, à 
bipolarização e a própria União Soviética. 
 
9.13 – Socialismo: A Via Agrícola. 
 
O povo chinês, que havia sido saqueado, dividido e humilhado pelas 
chamadas potências imperialistas, durante os séculos XIX e XX, lutou contra a 
sangrenta invasão japonesa, que chegou a ocupar mais da metade do território chinês, 
nos anos trinta e quarenta, do século XX. Por isso, os comunistas liderados por Mao 
Tsé-Tung acabaram por receber grande apoio da população, que via o esforço dos 
militantes comunistas, como uma luta anti-imperialista que devolveria à China, o seu 
lugar de grandiosidade, ocupado no passado. No imaginário da população chinesa, era 
como se uma nova dinastia imperial, jovem e forte, chegasse ao poder. 
 
 
64 
 
9.14 – A China dos Soviéticos. 
 
Em 1949, os trabalhadores chineses organizaram e venceram o conflito que 
estabeleceu a formação da República Popular da China. Tomado por orientações 
nitidamente comunistas, o novo governo teria peso e importância política fundamental 
para que um bloco de nações socialistas tomasse corpo, no contexto político 
internacional. Afinal, a União Soviética era o único país de grande expressão capaz de 
fomentar a presença de governos socialistas pelo mundo. Inicialmente, a experiência 
revolucionária chinesa for abertamente apoiada pelo governo socialista soviético. Até o 
ano de 1954,os soviéticos apoiavam a China com a realização de diversos acordos de 
cooperação econômica que vieram a fortalecer a economia do recém-formado Estado de 
Esquerda. 
No entanto, a partir de 1957, essa relação de cooperação política e 
econômica chegou ao seu fim, quando o governo soviético passou a ser liderado por 
Nikita Khruschchev. Sob o comando de Krushchev, a União Soviética passou a 
vivenciar uma política de reforma de várias ações tomadas por Josef Stalin e a abertura 
de diálogo com as nações capitalistas. Essa nova situação abriu caminho para uma grave 
crise entre soviéticos e chineses. O primeiro sinal desse abalo aconteceu em 1959, 
quando a União Soviética decidiu romper o compromisso de fornecer armas nucleares 
aos chineses, para então viabilizar um encontro com o presidente norte-americano 
Dwigt Eisenhower. 
Enquanto, o governo soviético se preocupava em desenvolver o setor de 
bens de consumo e enfraquecer a ideia de Stalin como grande líder do socialismo 
soviético, os chineses buscavam a formação de sua indústria de base, em uma época em 
que a veneração à figura de Mao Tse-Tung atingia o seu auge. Assim, percebe-se que as 
duas grandes nações socialistas dessa época, viviam momentos distintos em várias 
esferas de atuação política. O auge dessa crise acabou sendo consumado em 1962, 
quando o Partido Comunista Chinês declarou abertamente que o Partido Comunista da 
União Soviética, praticava um socialismo revisionista. 
Tal acusação sugeria que os soviéticos deturpavam as doutrinas socialistas, 
a favor de ações que não estariam de acordo com as ideias dos grandes pensadores 
socialistas. Legitima ou não, a acusação acabou servindo de justificativa para que as 
relações entre os países fossem rompidas. Na década de 1970, a diferença de 
comportamento que diferenciava chineses e soviéticos sofreu uma curiosa mudança. 
Naquela década, o governo chinês, já não mais sob tutela de Mao Tse-Tung, começou a 
abrir as portas para um diálogo com os Estados Unidos. Além da simples aproximação 
diplomática, percebe-se que a China passou, também, a abrir as portas para ações 
econômicas de natureza capitalista que viessem a fortalecer o país. 
Por outro lado, o imobilismo e a grande estrutura burocrática soviética 
foram responsáveis por uma grande crise econômica, que acabou forçando a extinção do 
socialismo no país. No governo de Mikhail Gorbatchev foram tomadas medidas 
diversas que modernizaram as instituições políticas da União Soviética e estabeleceram 
a introdução do capitalismo no seu território. Somente em 1986, foi que os chineses e 
soviéticos se reaproximariam. 
 
9.15 – O Período da Reconstrução (1949-1952). 
 
Nos primeiros anos da República Popular (1949-1953), a China possuía um 
regime misto, Pequeno comércio, manutenção de algumas propriedades privadas rurais, 
 
 
65 
permissão do “lucro justo” e de alguns setores privados industriais representariam a 
manutenção de determinadas foram capitalistas. Paralelamente, ocorria a socialização 
progressiva dos meios de produção com a nacionalização de bancos e de empresas. Na 
política externa, a China socialista desviou recursos humanos e materiais para os norte-
americanos, durante a Guerra da Coréia (1950-1953). 
 
9.16 – Plano Quinquenal I (1953-1957). 
 
O primeiro Plano Quinquenal organizou a economia chinesa, dando 
prioridade ao campo, com uma reforma agrária radical e a formação de cooperativas 
camponesas. Mão Tsé-Tung acreditava que as bases para a industrialização deveriam 
partir do campo, adotando um caminho próprio e inverso do soviético. Abolição dos 
privilégios feudais e o estabelecimento da educação obrigatória para todos completaram 
as metas do primeiro Plano. 
 
9.17 – Plano Quinquenal II (1958-1962). 
 
A partir da década de 1950, a china revolucionária começou a seguir um 
caminho próprio, reforçando a justificativa da “origem camponesa” da Revolução. 
Também conhecido como “O Grande Salto para Frente”, o segundo Plano Quinquenal 
tinha como meta principal estruturar as bases para o estabelecimento de um amplo e 
diversificado parque industrial, “queimando etapas”. O Plano suprimiu os últimos 
vestígios da propriedade individual, quando as Comunas Populares substituíram as 
cooperativas agrícolas. 
O projeto de uma rápida e ampla industrialização entrou em colapso a partir 
de 1960, causado por graves secas e inundações, que trouxeram colheitas ruins e a 
consequente redução de alimentos e matérias-primas. Outros motivos do colapso do 
projeto chinês foram à inexistência técnica, a insuficiência de transporte ferroviário, o 
deslocamento de mão de obra do campo para a indústria e retirada de técnicos 
soviéticos, após o rompimento de relações entre China e União Soviética. A 
consequência política do fracasso do Segundo Plano Quinquenal foi o afastamento de 
Mao-Tsé-Tung da condução dos assuntos internos. 
 
9.18 – A China dos Chineses. 
 
Ao fracasso do Grande Salto, seguiu-se uma fase de ajustamento, que durará 
até 1965, quando se instala uma situação paradoxal. A influência de Mao declina dentro 
do Partido, frente à ascensão de um grupo técnico-burocrata; quanto mais a China se 
afastava publicamente da URSS, mais sua economia tendia a seguir o modelo soviético. 
Embora, as unidades produtivas (As Comunas), apresentassem alguns 
problemas, como diferenciações regionais, fraco rendimento do trabalho coletivo em 
face da parca mecanização consome de cerca de 80% do total de sua produção, e 
inexistência de uma estrutura urbana equivalente, era necessário que elas 
“revolucionassem” as cidades, mediante a crítica que os camponeses fariam aos setores 
mais reacionários do Partido, obrigando os seus dirigentes a uma autocrítica e a volta do 
pensamento original do Mao. Esse foi o sentido, mais profundo da denominada Grande 
Revolução Cultural Proletária. 
 
 
 
 
 
66 
9.19 – A Revolução Cultural e as Quatro Modernizações. 
 
Os fracos resultados do “Grande Salto para Frente” e a luta interna pelo 
poder no Partido Comunista Chinês fizeram Mao Tsé-Tung adotar medidas radicais, 
visando garantir a consolidação do socialismo e ro reforço da origem camponesa da 
Revolução. A Revolução Cultural ficou marcada por expurgos, “depuração” do partido 
dos “revisionistas” e intensa mobilização da massa popular, em particular dos jovens, 
em torno do culto à personalidade de Mao (maoísmo) e da rigidez ideológica, orientada 
pelo Livro Vermelho. 
Essa Revolução introduziu reformas econômicas, através do “Programa das 
Quatro Modernizações”, (agricultura, indústria, defesa nacional e tecnologia) que, por 
sua vez, visava à completa transformação da estrutura econômica do país e a tentativa 
de recuperar as décadas de atraso. Além disso, essas reformas possuíam dois objetivos 
fundamentais. O primeiro dizia respeito à criação de uma economia de mercado com 
características socialistas, visando à obtenção de lucros e sua maximização, mas 
mantendo a propriedade estatal dos meios de produção. O segundo buscava atingir o 
crescimento econômico, especialmente, por meio de investimento direto estrangeiro e 
da assistência técnica. 
 
9.20 – A Nova Política Econômica (1978 – Atualmente). 
 
As reformas econômicas, iniciadas em 1978, e conhecidas como “Políticas 
de Portas Abertas”, fizeram com o país vivenciasse um processo econômico formidável, 
nunca antes visto, evidenciado pelas altas taxas de crescimento do Produto Interno 
Bruto (PIB) e do PIB per capita. De 1980 a 2004, o PIB do país registrou uma média de 
crescimento real de 9,5%, tornando-se a sexta maior economia do mundo, em 2004. Isto 
se deve principalmente ao seu rápido crescimento na área do comércio internacional, 
cujaparticipação total nesta área passou de 1% para quase 6%, em 2003. 
No entanto, a economia chinesa nas duas fases do comunismo, se diverge 
quanto ao seu posicionamento perante o mercado externo, seus planejamentos 
econômicos pelas características socioeconômicas de sua população. A primeira fase, 
que durou entre 1949-1978, sob o governo de Mao Tsé-Tung, foi caracterizada pelo 
isolamento do país do mundo dito Ocidental, em comércio e relações políticas; por uma 
população predominantemente rural e empobrecida; pela existência de planejamento 
centralizado das atividades econômicas; pelo controle estatal dos meios de produção e 
pela adoção dos Planos Quinquenais que, por sua vez, deram ênfase ao 
desenvolvimento dos setores base da atividade econômica, como a extração mineral, 
siderurgia, petroquímica e agricultura. 
Na segunda fase, iniciada em 1978, houve mudanças socioeconômicas com 
a ascensão de Deng Xiaoping ao poder presidencial. Alguns anos após a aprovação de 
um novo plano de reforma do sistema econômico chinês, proposto pelo novo presidente, 
durante a reunião da 3
a
. Sessão planária do XI Comitê Central do Partido Comunista 
Chinês, o país deu um salto econômico significativo, se compararmos com a fase 
anterior, gerando efeitos positivos e negativos dentro e fora do país. O salto econômico 
chinês não ocorreu por acaso, vários fatores foram responsáveis pelo sucesso da 
economia chinesa. Contudo, apesar da colaboração de diversos fatores para o 
crescimento econômico do país, nenhum deles pode ser apontado como o principal. O 
que houve, na verdade, foi uma coincidência de fatores geográficos, históricos, políticos 
e econômicos, que não podem ser replicados em outros países ou outras ocasiões. 
 
 
67 
Entre alguns dos fatores que propiciaram o crescimento econômico chinês, é 
possível destacar, o processo de liberalização do sistema de formação de preços, que 
teve o seu início em 1979, no setor rural. Além disso, a liberalização do comércio 
exterior, também foi um fator importante para o crescimento econômico, tendo as 
medidas de liberalização do comércio aceleradas, após o ingresso do país, na 
Organização Mundial do Comércio, em 2001. Outra base para a evolução do 
crescimento chinês foi à criação de Zonas Econômicas Especiais (ZEE). Essas zonas 
possuem como objetivos principais: atrair investimentos estrangeiros, desenvolver a 
produção tecnológica do país, e absorver as inovações tecnológicas desenvolvidas nos 
países mais avançados. 
Junto a esses fatores, é possível acrescentar o gigantesco tamanho da 
população da China que favoreceu a existência de economia de escala, na maior parte 
das indústrias. No entanto, apesar desse crescimento ter gerado efeitos positivos dentro 
do país, não se pode dizer que esses efeitos impactaram toda a população chinesa de 
forma igualitária, pois ainda é possível observar um desequilíbrio socioeconômico entre 
os chineses, apesar de ter ocorrido uma redução dessas desigualdades em relação ao 
governo de Mao Tsé-Tung. Além disso, as condições de trabalho dos chineses, na 
maioria das empresas nacionais e estrangeiras, são precárias. 
Sobre o cenário externo, estas reformas foram benéficas para vários países, 
uma vez que a abertura do mercado chinês ajudou estes países a terem a acesso ao maior 
mercado consumidor do mundo, além de ter fornecido locais produtivos para que suas 
empresas pudessem crescer e se expandir, utilizando-se da mão de obra barata do país, e 
aproveitando-se dos impostos baixos. Entretanto, apesar desses impactos positivos 
gerados pelas reformas, houve consequências negativas no mundo, como o fato do país 
ter se tornado o maior emissor de gases-estufa do mundo, superando os Estados Unidos 
e o aumento dos preços de commodities, no mercado internacional. 
 
9.21 – As Variantes Nacionais. 
 
Os países do Leste europeu, que passaram para o campo socialista, em 
virtude das vitórias militares do Exército Vermelho, tiveram um padrão paralelo de 
desenvolvimento, reforçado pelo COMECON e sua versão militar, o Pacto de Varsóvia, 
constituído, em 1955. Após uma fase de ajustamento, que durou de 1945 a 1949, em 
que companhias de seguros, fontes produtoras de energia, minas, metalúrgicas e todas 
as grandes empresas foram nacionalizadas, as denominadas Democracias Populares, 
foram submetidas a um planejamento centralizado. Isso também ocorreu nos Planos 
Quinquenais soviéticos, tiveram a tarefa de promover uma industrialização acelerada 
em regiões largamente agrícolas. Os resultados foram diversos, sendo que dois países 
socialistas desenvolveram variantes nacionais, que merecem especial atenção. 
 
9.22 – A Iugoslávia. 
 
A despeito de origens em comum, a economia da Iugoslávia socialista foi 
muito diferente das economias da União Soviética e de outros países socialistas do 
Leste europeu, especialmente, após o cisma sugo-soviético de 1948. A ocupação e luta 
pela libertação na Segunda Guerra Mundial deixaram a infraestrutura da Iugoslávia 
devastada. Até as partes mais desenvolvidas do país, eram predominantemente rurais e 
as poucas indústrias que tinham foram danificadas ou destruídas. Os primeiros anos do 
pós-guerra viram a implementação de Planos Quinquenais, no estilo soviético e a 
reconstrução por meio do trabalho voluntário em massa. 
 
 
68 
O campo recebeu eletricidade e a indústria pesada foi desenvolvida. A 
economia foi organizada como uma economia mista de planejamento socialista e 
socialismo de mercado: fábricas foram nacionalizadas e trabalhadores tinham direito a 
certa parcela de lucros. Manufaturas de propriedade privada podiam empregar até 4 
(quatro) pessoas por proprietário. A terra foi parcialmente nacionalizada e redistribuída, 
além de parcialmente coletivizada. Propriedades rurais podiam possuir até 10 hectares 
de terras por pessoa e o excesso de terra cultivável era de propriedade de cooperativas, 
empresas agrícolas ou comunidades locais. Estas podiam vender e comprar a terra, bem 
como dá-la a pessoas em arrendamento perpétuo. 
Em 1950, a autogestão socialista foi introduzida, reduzindo o controle da 
economia pelo Estado. Gerentes de empresas de propriedade social eram 
supervisionados por Conselhos Operários, compostos por todos os funcionários, com 
um voto para cada. Os conselhos também elegiam a gerência das empresas, 
frequentemente por voto secreto. O Partido Comunista (SKJ) foi organizado em todas as 
empresas e os funcionários mais influentes eram em geral membros do Partido. Assim, 
os gerentes eram, mas nem sempre, indicados somente com o aval do Partido. Com a 
exceção de uma recessão em meados dos anos de 1960, a economia do país prosperou 
formidavelmente. 
O desemprego era baixo e o nível educacional da força de trabalho 
aumentava velozmente. Devido à neutralidade da Iugoslávia e ao papel de liderança no 
Movimento Não-Alinhamento, as empresas iugoslavas exportavam tanto para os 
mercados Ocidentais e Orientais. Essas empresas realizaram construções de inúmeras 
grandes obras de infraestrutura e projetos industriais na África, Europa e Ásia. O fato de 
que os iugoslavos tinham permissão para emigrar livremente, desde os anos de 1960, 
levou muitos a procurar trabalho na Europa Ocidental, notavelmente, na Alemanha. 
Isto contribuiu para manter o desemprego, sob controle e, também, funcionou como 
uma fonte de capital e geração de divisas. 
Na década de 1970, a economia foi organizada de acordo com a teoria do 
trabalho, associado de Edvard Kardelj, segundo, o qual o direito à tomada de decisão e a 
uma parcela dos lucros de empresas de propriedade social é baseado no investimento de 
trabalho. Todas as empresas foram transformadasem organizações de trabalho 
associado. As menores, organizações básicas de trabalho associado, mal 
comparadamente correspondendo a uma pequena empresa ou a uma repartição de uma 
grande empresa. Estas eram organizadas em empreendimentos, também conhecidas 
como organizações laborais, que por sua vez, se associavam em organizações 
compostas de trabalho associado, que podiam ser grandes empresas ou até setores 
industriais inteiros em certa área. 
Organizações básicas de trabalho associado às vezes eram compostas por 
unidades de trabalho até menores, mas não tinham autonomia financeira. Além disso, 
organizações composta de trabalho associado eram às vezes membros de comunidades 
empresariais, que representavam setores industriais inteiros. A maior parte das decisões 
executivas era baseada em empreendimentos. De forma que estas continuavam a 
competir até certo grau, quando faziam parte de uma mesma organização composta. A 
indicação de gerentes e a política estratégica de organizações compostas eram, 
dependendo de seu tamanho e importância, na prática frequentemente submetida a 
controle político e de influência pessoal. Com o objetivo de dar a todos os funcionários, 
o mesmo acesso à tomada de decisão, as organizações básicas de trabalho associado, 
também foram introduzidas nos serviços públicos, incluindo a saúde e a educação. 
As organizações básicas eram normalmente feitas de apenas dezenas de 
pessoas e tinham seus próprios conselhos de trabalhadores, cujo aval era necessário para 
 
 
69 
decisões estratégicas e indicação de gerentes em empreendimentos ou instituições 
públicas. Os trabalhadores se organizavam em sindicatos que abrangiam todo o país. 
Greves podiam ser convocadas por qualquer trabalhador, ou qualquer grupo de 
trabalhadores, e chegou ser comuns em certos períodos. Greves por reivindicações 
claras e genuínas, sem motivação política, normalmente resultavam em pronta 
substituição da gerência e aumentos de salários ou benefícios. 
Greves com motivação política real ou implícita eram frequentemente 
tratadas da mesma maneira (alguns indivíduos eram processados ou perseguido 
separadamente), mas ocasionalmente, também, enfrentaram posições intransigentes ou 
em alguns casos, a luta bruta. Greves ocorreram em todas as épocas de instabilidade 
política ou carestia econômica, mas tornaram-se cada vez mais comuns nos anos da 
década de 1980, quando governos consecutivos tentaram salvar a economia decadente 
com um programa de austeridade, sob os auspícios do FMI – Fundo Monetário 
Internacional. Durante e após a crise do petróleo de 1973, a divida externa cresceu 
maciçamente e, desde o início dos anos oitenta, atingiu mais de US$ 20 bilhões. 
Os governos de Milka Planiné e Branko Mikulié renegociaram a divida 
externa sob o preço de introduzir a política de databilização que, na prática consistia em 
fortes medidas de austeridade – a chamada terapia de choque. Durante, a década de 
1980, a população iugoslava suportou a introdução de cotas de uso de combustível (40 
litros por carro por mês), rodizio de automóveis (limitação do uso de carros para 6 dias, 
a cada semana, baseada no último algarismo da placa), severa limitações sobre a 
importação de mercadorias e um depósito compulsório, para quem saía do país, 
principalmente para ir às compras, para ser devolvido um ano depois (com a inflação 
em alta, isto efetivamente se transformou em um imposto sobre viagem). 
Houve falta de café, chocolate e sabão em pó. Durante vários verões de 
estiagem, o governo, sem conseguir empréstimos para importação de eletricidade, foi 
forçado a decretar racionamentos de energia. A Iugoslávia chegou a ser um sucesso 
regional em termos econômicos, industriais e de energia. Duas décadas antes da década 
de 1980, o crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) era de 6,1%, o 
serviço público e gratuito de saúde era universalizado, o analfabetismo era de 9% e a 
expectativa de vida era de 72 anos. Mas, após uma década de administrações 
econômicas socialistas/comunistas e cinco anos de desintegração, guerra, boicote e 
embargo, a economia da Iugoslávia entrou em colapso. 
 
9.23 – A Albânia. 
 
Último reduto do stalinismo na Europa, a Albânia resistiu o quanto pôde 
“aos ventos” da abertura. Sob a condução de Enver Hohxa, que governou o país, desde 
o fim da Segunda Guerra Mundial até 1985, a Albânia se isolou do mundo. Em 1961, 
afastou-se até da União Soviética e do COMECON, por não concordar com a 
desestanilização proposta por Kruschev. Alinhou-se então, com a China. Sua política 
econômica sempre privilegiou a indústria pesada, aproveitando as fontes de matéria-
prima existentes no país, como o petróleo e o cromo. Na agricultura, a regra era a 
coletivização. O médio prazo, esse modelo fez o país atingir a autossuficiência em 
alimentos. Trocas no exterior, só a dinheiro, e quando absolutamente imprescindíveis. 
A partir dos anos oitenta, já rompia também com a China, a Albânia iniciou 
uma pequena aproximação econômica com Ocidente. Mas sua política permaneceu 
inalterada até 1985, quando faleceu. Seu sucessor continuou com essas diretrizes e o 
país chegou ao final da década, com um padrão de consumo muito restrito. Produtos 
banais – absorventes, por exemplo –, existiam no mercado local. O governo 
 
 
70 
apresentava, como conquistas importantes, bons sistemas de saúde, educação, transporte 
e habitação. Mas esse argumento não sensibilizava os mais jovens, que ansiavam por 
um padrão de vida melhor, que conheciam pelos programas de televisão captados da 
Iugoslávia, da Itália e da Grécia. 
Em julho de 1990, milhares de albaneses começaram a invadir embaixadas 
estrangeiras na capital, Tirana, em busca de asilo. O governo acabou autorizando a 
emigração, junto a isso, tomou medidas para afastar os ministros mais duros, que 
queriam reprimir a população. Os albaneses conseguiram obter legalmente seus 
passaportes, pequenas empresas familiares foram autorizadas a funcionar, a entrada de 
capital estrangeiro foi permitida, ainda que timidamente, e os camponeses foram 
autorizados a vender sua produção aos preços de mercado. Após, o relaxamento da 
censura, foi concedida também liberdade religiosa e partidária. 
Finalmente, em março de 1991, realizaram-se eleições parlamentares, que 
deram 60% dos votos aos candidatos do Partido do Trabalho, o Partido Comunista local. 
Apesar desses avanços, parte da população decidiu não esperar, mais pela melhoria das 
condições de vida, ainda bastante duras, em comparação com os vizinhos mais 
prósperos. Em agosto de 1991, uma leva de 22 mil albaneses tentou emigrar para a 
Itália, através de Brindeis, no sul do país. O governo italiano, que havia colhido os 
albaneses anteriormente, dessa vez se recusou, pois o mercado de trabalho no sul da 
Itália, região menos desenvolvida do país, não comportaria tal volume de imigrantes. 
Sob protestos, 17 mil albaneses foram repatriados. Em março de 1992, novas eleições 
para o Parlamento, deram vitória ao Partido Democrático (não comunista). Era, assim, o 
fim da experiência socialista na Albânia. 
 
9.24 – A Falência Política na Década de 1980. 
 
Após o término da Segunda Guerra Mundial, a Europa entrou em um 
processo de reconstrução, e não demorou muito para ingressar em um intenso 
desenvolvimento industrial e econômico, salvo os países do Leste europeu, que nesse 
mesmo período enfrentou sucessivas crises de caráter financeiro. A critica situação, na 
qual a população convivia ocasionou o surgimento de inúmeros movimentos, 
decorrentes da imposição do sistema socialista que estava em vigor no bloco de países 
socialistas liderados pela União Soviética. Todas as formas de manifestaçõescontra o 
governo e seu regime político eram repreendidas pelo uso da força, ordenados pelos 
líderes dos governos dos países em que tais fatos ocorriam, inclusive a União Soviética. 
Na segunda metade década de 1980, o sentimento de insatisfação por parte 
da população atingiu a União Soviética, com isso foi necessária à implantação de 
inúmeras reformas no território. Dentre as várias mudanças, uma delas era uma menor 
interferência por parte dos soviéticos no Leste europeu, desse modo, os países que 
integravam o Bloco Socialista ganharam sua independência para buscar sua inserção em 
outras formas de governo, regime político e econômico. 
Todas as medidas de mudança a desenvolvidas, no Leste europeu foram 
executadas de forma pacífica e levou ao desmembramento do Bloco socialista na 
Europa, proveniente das decisões dos países que integravam o bloco em questão de não 
dar continuidade ao regime político-econômico oriundo da União Soviética, a partir 
desse ato buscou estabelecer medidas e reformas com intuito de integrar suas economias 
internacionalmente no mundo capitalista para que as respectivas nações alcançassem um 
maior desenvolvimento e oferecessem uma melhor qualidade de vida às suas 
populações. 
 
 
71 
Em toda fase de transição dos regimes de governos e a queda do socialismo 
aconteceram várias transformações e mudanças. No entanto, a mais importante delas 
ocorreu na segunda metade da década de 1980, quando, em 1989, houve a queda do 
Muro de Berlim, esse fato marcou o fim da Guerra Fria e o começo da implantação de 
reunificação da Alemanha que no ano seguinte veio a ser executado. Todas as 
transformações ocorridas no processo de desmembramento político geraram uma 
modificação nas relações diplomáticas entre os líderes das nações que integravam o 
bloco socialista e o governo da União Soviética. Além disso, houve uma intensa 
dispersão de sentimentos de autonomia na região, derivando a independência de várias 
Repúblicas em 1991, decretando assim o fim da União Soviética e do mundo bipolar. 
A Federação Russa, devido o seu enorme arsenal militar foi designada pela 
comunidade internacional para ocupar o espaço da União Soviética, reconhecida 
também pelo Conselho de Segurança Permanente da Organização das Nações Unidas. 
Apesar da fragmentação da União Soviética e a unificação da Alemanha, a configuração 
cartográfica e geopolítica da região não terminou, pois logo depois, houve a 
independência da Tchecoslováquia e da Iugoslávia. Com isso, ficam evidente que, o 
Leste europeu ainda tem grandes possibilidades de outras fragmentações, 
principalmente derivados de divergência étnico-religiosa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
72 
Capítulo X – O CAPITALISMO NA TERCEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. 
 
Introdução. 10.1 O Novo Papel do Estado; 10.2 As Formas de Intervenção Estatal; 10.3 O 
Estado nas Áreas Periféricas; 10.4 A Internacionalização do Capitalismo; 10.5 As Empresas 
Multinacionais; 10.6 As Relações Estados – Empresas Multinacionais; 10.7 A Formação de 
Blocos Econômicos Supranacionais; 10.8 A Hegemonia Norte-americana; 10.9 A Economia dos 
Estados Unidos, na década de 1990; 10.10 A Emergência do MCE e do Japão; 10.11 A 
Globalização da Economia; 10.12 Tecnologia e Desenvolvimento; 10.13 Haverá uma Ideologia 
para a Nova Época? 
 
Introdução. 
 
O mundo, após a segunda metade do século XX, depois da Segunda Guerra 
Mundial, ingressou em uma etapa de profundas evoluções, no campo tecnológico 
desencadeada principalmente pela junção entre conhecimento científico e produção 
industrial. O processo industrial pautado no conhecimento e na pesquisa caracteriza a 
chamada Terceira Revolução Industrial. Nessa etapa ou fase produtiva, todos os 
conhecimentos gerados em pesquisas são repassados quase que simultaneamente para o 
desenvolvimento industrial. 
A Terceira Revolução Industrial ou Revolução Tecno-científica permitiu o 
desenvolvimento de atividades na indústria que aplicam tecnologias de ponta, em todas 
as etapas produtivas. A produção de tecnologias é um ramo que apresenta como um dos 
mais promissores no âmbito global. Essa nova fase produtiva não se limita a produtos 
de pouco valor agregado, como nas revoluções industriais anteriores, pelo contrário, o 
conhecimento inserido, no qual foram gastos anos de estudos e pesquisas, agregam 
elevados valores no produto final, mesmo que tenha sido gastos pouca quantidade de 
matéria-prima. 
Nesse sentido, as atividades que mais se destacam no mercado estão 
vinculadas à produção de computadores, softwares, microeletrônica, chips, transistores, 
circuitos eletrônicos, além da robótica com grande aceitação nas indústrias, 
telecomunicações, informática em geral. Destacam-se, ainda, a expansão de 
transmissores de rádio e televisão, telefonia fixa, móvel e internet, indústria 
aeroespacial, biotecnologia e muitas outras inovações. É bom ressaltar que, a inovação 
de um dos itens mencionados contribui diretamente ou indiretamente para o 
desenvolvimento de outro, desse modo, fica evidente que ocorre uma intensa 
interdependência entre eles. 
No mundo capitalista, a inserção de tecnologias e o aprimoramento 
constante da mesma promovem uma dinamização produtiva, intensifica o trabalho, cria 
produtos e mercadorias de maior qualidade para concorrer em um mercado cada vez 
mais competitivo, gera diminuição de custos. Esse processo desencadeia uma enorme 
acumulação de capitais pelos donos dos meios de produção, que posteriormente, serão 
usados para realizar investimentos no desenvolvimento de novos produtos e na geração 
de inéditas tecnologias de ponta, sempre a serviço da indústria. 
 
10.1 – O Novo Papel do Estado. 
 
Essa Terceira Revolução caracterizou-se pelo emprego do binômio 
informática/robótica, que implicou a difusão da automação dos processos produtivos 
dos países centrais da economia capitalista. Os efeitos imediatos foram à concentração 
de capital em um maior papel intervencionista do Estado, nas áreas centrais do sistema. 
As condições antigas de preço e qualidade foram superadas pela propaganda como 
 
 
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condição para o incremento do mercado consumidor. O Estado deixa de ser um mero 
solucionador de problemas e passa ase dedicar à própria atividade produtiva, detendo o 
monopólio de alguns setores. 
A participação do capital público intensificou, o papel de empregador 
privilegiado aumentou acarretando um substancial crescimento do déficit público. O 
sistema deixa de incentivar as áreas periféricas a importarem produtos industrializados, 
de forma a desenvolverem suas próprias bases industriais, financiadas pelos países 
centrais, com defasados processos tecnológicos. As condições de dependência são 
refletidas pela dependência financeira, tecnológica, comercial, produtiva e cultural. 
 
10.2 – As Formas de Intervenção Estatal. 
 
O Estado de Bem-Estar social (Welfare-State) é um modo de organização, o 
qual, o Estado se encarrega da promoção social e da economia. Ao longo dos séculos, as 
escolas de pensamento econômico retiraram a participação do Estado da organização da 
economia, concedendo grande espaço e influência ao que se designou como liberalismo. 
Este tipo de orientação ideológica, que prevê maior liberdade para o mercado, sem a 
regulamentação do Estado, vigorou no século XIX, mas entrou em profunda crise, no 
início do século XX. A Primeira Guerra Mundial foi resultado da intensa de disputa por 
mercados travada pelos países europeus. Encerrando um período de grande 
desenvolvimento. 
Pior ainda para a economia seria a Crisede 1929, decorrente da 
superprodução que o mercado foi incapaz de absorver. Até então, estava em pauta à 
retirada do Estado da regulamentação econômica, mas a solução da crise foi juntamente 
a retomada do Estado. Defensores do Liberalismo acreditavam que intervenção do 
Estado na economia e o investimento em políticas sociais eram, na verdade, ganhos 
maléficos para a economia. No entanto, essas duas medidas reativaram a economia. A 
partir de 1930, então, expandiu-se o modelo chamado de Bem-Estar social, no qual o 
Estado é organizador da economia e da política, encarregando-se da promoção e defesa 
social. 
O Estado atua ao lado de sindicatos e empresas privadas, atendendo às 
características de cada país, com o intuito de garantir serviços públicos e proteção à 
população. Os países europeus foram os primeiros e principais incorporadores do 
modelo que agradou os defensores da socialdemocracia. A principal referência no 
continente veio da região escandinava. Até hoje, Noruega, Suécia, Finlândia e 
Dinamarca são destaques na aplicação do Estado de Bem-Estar Social e são países que 
estão no topo do ranking de melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O 
Estado de Bem-Estar Social ganhou ainda mais terreno, com a inclusão do conceito de 
cidadania, propagado, após a queda dos regimes totalitários na Europa. 
Associou-se a ideia de que os indivíduos são dotados de direitos sociais. O 
modelo de organização estatal concede aos indivíduos, bens e serviços públicos, durante 
toda a vida. Os direitos sociais conferem serviços de educação, saúde, seguridade e 
lazer. Esta organização, também é chamada de Estado Previdência e Estado Social. Foi 
o modelo predominante nos países Ocidentais, na segunda metade do século XX, 
defendendo o desenvolvimento do mercado, porém acompanhado de políticas públicas e 
da interferência do Estado na economia para corrigir os erros e proteger a população. 
 
 
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Atualmente, diz-se que o modelo está em crise. O primeiro país a abandonar esse 
modelo foi à Inglaterra, no governo da Primeira-Ministra Margareth Thatcher. 
Ela alegou que o Estado não dispunha mais de recursos para sustentar o 
Estado de Bem-Estar Social e retirou os direitos que os cidadãos ingleses haviam 
conquistado, no decorrer de várias décadas. Nasceria, então, o Estado Neoliberal. A 
consequência seria o embate entre os dois modelos. Mas o Estado Neoliberal, também 
já se mostra em crise e políticos e ideólogos de direita e de esquerda, debatem qual 
modelo seria mais viável. O fato é que a maior parte dos países que investiram 
quantidades significativas do Produto Interno Bruto (PIB), em políticas sociais possui 
elevados Índices de Desenvolvimento Humano. No entanto, a relação não é direta, pois 
não se trata apenas de investir, mas da maneira como é investido. Outra evidência que 
está associada ao investimento em políticas sociais é a redução da pobreza. 
 
10.3 – O Estado nas Áreas Periféricas. 
 
No sistema econômico mundial, contêm países centrais, estes dominam a 
hegemonia tecnológica e comercial: e os periféricos fornecedores de matérias-primas e 
produtos manufaturados, e são extremamente dependentes dos recursos tecnológicos e 
financeiros, pertencentes aos países desenvolvidos. Observa-se que as nações do Centro 
desenvolveram poderosos aparelhos de Estado ligados por uma forte identificação 
nacional ou integração. 
O que representou um mecanismo para proteger e mascarar as disparidades, 
surgidas no interior do sistema mundial. Nas áreas periféricas, o Estado se caracterizou 
como ineficiente, com pouca força política decisória, devido ao colonialismo instituído 
em alguns casos no passado, ou ainda pelo neocolonialismo. 
 
10.4 – A Internacionalização do Capitalismo. 
 
O movimento das Bolsas de Valores, na atual fase do capitalismo retrata 
bem as transformações pelas quais o sistema financeiro tem passado. Há uma separação 
no mercado financeiro: de um lado, as empresas tradicionais, medidas pelo índice Dow 
Jones da Bolsa de Valores de New York. Do outro, a Nasdaq, da mesma instituição e 
referente às empresas de computadores, informática e telefonia. O índice Dow Jones 
mede as ações da “Velha” economia e o Nasdaq faz o mesmo com as ações da “Nova” 
Economia. Como Velha Economia, entende-se, o mercado das empresas tradicionais: 
indústrias de automóvel, de tabaco, companhias de petróleo, etc. Mas, a grande 
novidade da “Globalização” é o que chamamos de Nova Economia. De certa forma, a 
Nova economia veio alterar profundamente, o mercado dos negócios e o mercado de 
trabalho. 
Como reúne as empresas de computadores, a Internet e a telefonia, ela é, em 
última análise, a responsável pelo processo de internacionalização dos mercados, uma 
vez que, forneceu as facilidades tecnológicas para que isso ocorresse. Na Nova 
Economia, o dinheiro passa de um lugar para outro ao simples toque de um computador. 
A Internet é a grande “estrela” desse sistema. Ela pode significar maior contato, entre as 
pessoas ou um maior mercado para as empresas. Entretanto, essa mesma Nova 
Economia, que trouxe inúmeras vantagens, tem o seu lado negativo. Dependentes de 
altos investimentos de capital e de tecnologia de ponta, as facilidades oferecidas por 
essas empresas se restringem a uma parcela da humanidade. 
Países pobres não acesso a elas, o que aprofunda ainda mais as diferenças 
entre países subdesenvolvidos e desenvolvidos. Por outro lado, a tecnologia sofisticada 
 
 
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extingue postos de trabalho. É a máquina substituindo o homem. Essa situação fica 
evidente, no uso de caixas eletrônicos pelos bancos (privados e/ou públicos), em 
estacionamentos que dispensam recepcionistas e em ônibus sem a presença de 
cobradores. Outras vagas são criadas nas empresas da Nova Economia, porém é 
necessária uma qualificação, mais apurada para realizar, os diferentes tipos de tarefas e 
serviços que elas requerem. 
O funcionário que desempenhava funções mais simples, e foi substituído 
pela máquina, quase sempre não tem condições de assumir nenhum dos novos postos de 
trabalho criados, engrossando, sobremaneira os índices de desemprego em vários países. 
As ditas “empresas Ponto Com”, que utilizam da internet, principalmente para realizar o 
“e-commerce” (comércio eletrônico), foram os destaques na Bolsa Eletrônica Nasdaq, 
até 1999. Desde então, os tempos mudaram. Passada a euforia, muitas empresas 
fecharam, demitiram funcionários e colocaram seus endereços na internet (URL). À 
venda. A instabilidade dessas empresas permanece nos anos seguidos, após 2001. 
 
10.5 – As Empresas Multinacionais. 
 
Uma empresa multinacional é caracterizada por ter sua matriz em um 
determinado país e atuar no mercado de outros países. Sua origem é do final do século 
XIX, porém, atuação dessas empresas no mercado mundial se intensificou, após a 
Segunda Guerra Mundial, ou seja, a partir de 1945. O principal objetivo da empresa 
multinacional é instalar filiais em outros países com o intuito de obter a máxima 
lucratividade, os fatores que contribuem para a construção de filiais são: a isenção de 
impostos, amplo mercado consumidor, infraestrutura, matéria-prima, energia e mão de 
obra. A instalação de uma filial em países em desenvolvimento ocorre, na maioria das 
vezes, através de benefícios do governo (doação de terrenos e isenção de impostos). 
Nos locais onde ocorre a construção de uma filial há geração de empregos e 
desenvolvimento industrial. No entanto, os lucros obtidos por essas empresas são 
destinados à construção de novas filiais em outros locais, e uma parte vai para matriz 
localizada no país de origem. Pode ocorrer a divisão regional do trabalho, onde as 
empresas multinacionaisproduzem cada parte de um produto em localidades diferentes, 
com objetivo de reduzir custos na produção. 
O processo de “globalização” contribuiu bastante para a atuação das 
empresas multinacionais, pois proporcionaram condições de telecomunicação e 
transporte, elementos essenciais para atuação dessas empresas em escala mundial. O 
termo “multinacional” está saindo de uso, pois passa a ideia de que uma empresa é 
composta por várias nações. Sendo substituído pela denominação de empresa 
transnacional, que se refere à atuação de uma empresa em outros países. 
 
10.6 – As Relações Estados – Empresas Multinacionais. 
 
As empresas multinacionais são atores de grande importância, no contexto 
das relações internacionais e das economias nacionais. Essa empresa atual dentro da 
lógica capitalista e buscam maximizar o seu lucro por meio da internacionalização, 
buscam, se estabelecer em países que lhes fornece maiores incentivos e isenções fiscais. 
Com isso gera-se uma realidade, na qual os Estados devem buscar conduzir de forma a 
obter maiores benefícios. 
Há muito receio de que as empresas multinacionais venham a diminuir o 
poder dos Estados e, por vezes, venham ameaçar a sua vivência. Embora esse perigo 
seja real, a existência das multinacionais, cada vez se consolida mais. Os Estados 
 
 
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hospedeiros param se proteger, buscam estabelecer uma política industrial, que procure 
minimizar os aspectos negativos da presença das empresas multinacionais em seu 
território. 
 
10.7 – A Formação de Blocos Econômicos Supranacionais. 
 
As transformações econômicas mundiais ocorridas nas últimas décadas, 
sobretudo, no pós-Segunda Guerra Mundial, são fundamentais para entendermos as 
dinâmicas de poder estabelecidas pelo grande capital e, também, pelas grandes 
corporações transnacionais. Além delas, não podemos deixar de mencionar a 
importância crescente das instituições supranacionais, que atuam como verdadeiros 
agentes nesse jogo de interesses, como por exemplo, o Fundo Monetário Internacional 
(FMI), o Banco Mundial, entre outros. O cenário que se afigura com a chegada destes 
novos agentes econômicos são imprescindíveis para compreendermos o significado da 
chamada “Globalização Econômicas”. Esta tem como características: 
1. A ruptura de fronteiras, ou seja, tal ruptura é obtida à dinâmica do capital, 
que circula livremente pelo globo, sem respeitar a delimitação de fronteiras territoriais; 
2. Perda da soberania local, isto é, países, estados e cidades tem que se 
submeter à lógica do capital, para conseguir gerar lucros em seus orçamentos; 
3. Expansão da dinâmica do capital, fato que se relaciona à ruptura de 
fronteiras, de modo que o capital se dirige, agora, também à periferia do capitalismo, 
uma vez que as transnacionais compreenderam que a exploração (no sentido de explorar 
a força de trabalho diretamente) dos países subdesenvolvidos promoveria grandes lucros 
para estes. 
Com o crescimento expressivo da atuação do capital em nível mundial, 
chegou-se a questionar o papel do Estado, isto é, o Estado seria de fato um agente 
importante neste processo ou atuaria como um impeditivo para a livre circulação do 
capital, uma vez que poderia criar regras ou leis que inviabilizariam a livre circulação 
de capital? Segundo esse raciocínio, as transnacionais estariam comandando a dinâmica 
econômica mundial em detrimento dos Estados. Vale destacar que, muitas empresas 
transnacionais passaram a desempenhar papéis que antes eram oferecidas pelo Estado, 
como serviços ligados à infraestrutura básica (transporte, saneamento básico, telefonia 
móvel e fixa, entre outros). 
No entanto, as sucessivas crises geradas pelo capitalismo mostraram que, o 
papel do Estado, não se apagou como pensavam alguns, pelo contrário, em momentos 
de crise financeira, o Estado é chamado a ajudar as empresas em dificuldade econômica. 
Portanto, o papel do Estado, no contexto de “globalização” reestruturou-se, passando 
este atuar como um salvador dos excessos econômicos, promovidos pelas empresas 
nacionais ou internacionais, controlando taxas de juros, câmbios, manutenção de 
subsídios em setores estratégicos, bem como fiscalizando, direta e indiretamente, os 
recursos estratégicos. 
A integração da economia mundial é um dos principais fatores responsáveis 
pela constituição dos diversos blocos econômicos em várias partes do globo. A sua 
existência atende ao mais elevado interesse das empresas multinacionais porquanto, por 
seu intermédio, haverá uma maior liberalização do mercado mundial, principalmente 
intra-blocos. Em outras palavras, a formação de blocos econômicos abre caminho à 
constituição de um mercado mundial sem barreiras no futuro sob a ótica das empresas 
multinacionais. Na atualidade, estão constituídos como blocos econômicos a União 
Europeia, o Nafta, a APEC - Associação de Cooperação Econômica da Ásia e do 
Pacífico, a CEI - Comunidade de Estados Independentes, o MERCOSUL, o Pacto 
 
 
77 
Andino, a APEC - Associação de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico e o 
COMESA - Mercado Comum dos Países do Leste e Sul da África. 
Neste aspecto que está em processo de gestação a ALCA - Associação de 
Livre Comércio das Américas da qual devem participar todos os países das Américas à 
exceção de Cuba. A ALCA, proposta pelos EUA, constitui uma pressão atualmente 
exercida pelo governo dos EUA sobre os países do continente americano visando à 
constituição da ALCA, como parte integrante de sua estratégia de manter todas as 
Américas sob seu controle e se impor, dessa forma, hegemonicamente em nível mundial 
no confronto com outros blocos econômicos, principalmente com a União Europeia. Em 
contrapartida, o fortalecimento do MERCOSUL – Mercado Comum do Cone Sul é de 
vital importância para os países integrantes porque, por seu intermédio, poderão 
barganhar com o NAFTA, a União Europeia e outros blocos econômicos suas 
participações nesses mercados, bem como atrair investimentos. Os fatos da realidade 
estão demonstrando que as estruturas atuais, como a ONU, o FMI, Banco Mundial, 
estão defasadas em relação às atuais necessidades. A existência de uma superestrutura 
política e jurídica internacional erigida em bases democráticas é a garantia do respeito à 
soberania popular em bases mundiais. 
Cabe observar que, o bloco econômico mais bem concebido e implementado 
até o momento é a União Europeia. Sobre o processo de unificação europeia, quando 
completada, representará uma das tendências mais importantes na definição de novo 
mundo. Uma Europa unificada, com seu poderio econômico e tecnológico e influência 
cultural e política, aliados ao desenvolvimento da região do Pacífico, servirá de apoio ao 
sistema de poder mundial em uma estrutura policêntrica, impedindo a existência de 
qualquer superpotência hegemônica, apesar da contínua preeminência militar e 
tecnológica dos EUA. No contexto atual de globalização, um Estado-Nação só terá 
condições de fazer frente ao poder das gigantescas corporações transnacionais e 
preservar sua soberania desde que participe de blocos regionais ou supranacionais 
organizados política e economicamente. 
Ao decidir pela criação do “euro” e do IME - Instituto Monetário Europeu, 
bem como pela harmonização das políticas fiscais, o Tratado de Maastricht assumiu um 
compromisso irreversível para a unificação total da economia europeia. A União 
Europeia é essencialmente organizada como uma rede que envolve mais a concentração 
e o compartilhamento de soberania que a transferência de soberania para um nível mais 
alto. A unificação europeia vem gerando resistências porque a aceleração do processo 
de integração coincidiu com a estagnação dos padrões de vida,com o surgimento do 
desemprego e com a maior desigualdade social na década de 1990. Partes significativas 
da população da Europa tendem a afirmar suas nações contra os respectivos Estados, 
consideradas cativos da supranacionalidade europeia. 
Podemos afirmar, que a expansão da economia-mundo Europa, movida pelo 
incessante processo de acumulação do capital, levou à integração progressiva da 
economia mundial em benefício das classes dominantes das potências capitalistas mais 
desenvolvidas que lideraram esse processo ao longo dos últimos anos. Constatou-se que 
o crescimento econômico dos países capitalistas avançados resultou do incessante 
processo de acumulação do capital e do progresso técnico que se realizou ao longo de 
cinco séculos à custa de desigualdades sociais e regionais de renda entre seus habitantes 
e à custa de outros países por eles explorados. 
Ficou evidenciado que a ação colonialista e imperialista é o principal fator 
inibidor do desenvolvimento e gerador da dependência política, econômica, financeira e 
tecnológica dos países semiperiféricos e periféricos da economia capitalista mundial em 
relação aos países desenvolvidos e que o atraso econômico desses países resulta, entre 
 
 
78 
outros fatores, do progresso alcançado pelos países capitalistas mais desenvolvidos. 
Constataram-se, também, que a organização da classe operária e seu fortalecimento 
contribuíram decisivamente para arrancar das classes dominantes inúmeras concessões 
durante o Século XX. O uso de novas tecnologias, ao invés de se transformar em 
instrumentos de elevação do bem-estar social, representou seu algoz ao longo da 
história. 
A reestruturação produtiva, baseada no Toyotismo, aumentará o abismo 
social entre os pobres e ricos. Diferentemente dos países capitalistas desenvolvidos que 
acumularam grande volume de capital no período mercantilista, os países periféricos ou 
semiperiféricos não passaram por esse estágio. O progresso técnico não avançou nesses 
países porque quando possuíam o status de colônia se tornavam dependentes de 
tecnologia oriunda da metrópole e, mais tarde, quando se tornaram formalmente 
independentes, não dispunham de capitais e não reuniam condições estruturais para 
promover o desenvolvimento científico e tecnológico. 
As localidades e regiões que disponham de melhores condições em termos 
de recursos humanos, naturais, mercados, infraestrutura econômica e social e redes de 
empresariais que se articulem entre si como supridoras de matérias-primas ou insumos 
de matérias-primas e produtos intermediários ou acabados são as mais credenciadas a 
fazerem parte do circuito de acumulação de capital. Nessas primeiras décadas do século 
XXI, está claro o declínio no progresso econômico e social de todos os países. 
O surgimento dos blocos econômicos coincide com a mudança exercida 
pelo Estado. Em um primeiro momento, a ideia dos blocos econômicos era de diminuir 
a influência do Estado, na economia mundial. Mas, a formação destas organizações 
supranacionais fez com o Estado passasse a garantir a paz e o crescimento em períodos 
de grave crise econômica. Assim, a iniciativa de maior sucesso, até hoje, foi à 
experiência vivida pelos europeus. A União Europeia iniciou-se como uma simples 
entidade econômica setorial, a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, 
surgida em 1951) e, depois se expandiu por toda economia como “Comunidade 
Econômica Europeia”, até atingir a conformação atual, que extrapola as questões 
econômicas, perpassando por aspectos políticos e culturais. 
 
10.8 – A Hegemonia Norte-americana. 
 
Os Estados Unidos exerceram uma posição hegemônica dentro do sistema 
capitalista, praticamente sem encontrar contestação. Isso ocorreu em uma época em que 
o sistema se apresentava em uma notável fase de expansão, crescendo como um todo ao 
ritmo médio de 5% ao ano, e sendo capaz de controlar o efeito critico de suas passagens 
conjunturais desfavoráveis (Crise de Suez, 1956; depressão nas indústrias têxteis e 
químicas norte-americanas, 1952-1954; crise monetária, 1957). Se a balança comercial 
norte-americana se manteve superavitária, desde finais da Segunda Guerra Mundial, até 
finais dos anos de 1950, seu balanço de pagamento, ao contrário, manteve-se 
constantemente deficitário, totalizando, em 1958, um déficit permanente de cerca de três 
bilhões de dólares anuais. 
Com a queda nas exportações norte-americanas, simultânea à elevação das 
importações (causada por movimentos conjunturais grevistas em certos setores, como 
de aço), que se configura a partir de 1958, o déficit passa a representar claramente uma 
transferência de reservas de ouro para os países industrializados da Europa Ocidental e 
para o Japão, gerando um excesso de dólares internacionalmente. Característica desta 
etapa de internacionalização do capitalismo foi o fato de que grande volume desse 
déficit dos Estados Unidos foi utilizado como exportação maciça de capitais para as 
 
 
79 
áreas industrializadas da Europa Ocidental, para programas de “ajuda” aos países do 
Terceiro Mundo e, para o financiamento de gastos militares na Ásia. Na realidade se 
fazia investimentos que geravam lucros em curto prazo, mas cuja maior percentagem 
acabou sendo reinvestida in loco, consoante a busca de uma maior lucratividade 
inerente ao sistema, simplesmente agravando a situação externa dos Estados Unidos. 
A situação caminhou rapidamente para um impasse. Por volta de 1968, os 
bancos centrais dos países industrializados não desejavam mais acumular dólares e, 
principalmente, houve uma desproporção entre as reservas norte-americanas de ouro em 
montante de suas dívidas em curto prazo, transformando a conversibilidade do dólar em 
impossibilidade prática. O golpe final sobre a hegemonia norte-americana veio com o 
aumento do preço do petróleo pelos países da OPEP, em 1973, que mergulhou o país 
em uma forte recessão, aliada à permanência de uma pressão inflacionária e a 
manutenção de um déficit, em seu balanço de pagamentos, pois os Estados Unidos 
importavam, por volta de 1973, cerca de 30% de suas necessidades globais de petróleo. 
 
10.9 - A Economia dos Estados Unidos, na década de 1990. 
 
Em meados dos anos noventa, o país não tinha apenas recuperado da 
recessão breve, mas aguda da presidência George W. Bush. Estava a entrar numa era de 
grande prosperidade e isso apesar do declínio da sua base industrial tradicional. 
Provavelmente, a força principal por detrás deste novo crescimento era o grande uso do 
computador pessoal. Menos de 20 anos após a sua introdução, o computador pessoal 
tinha-se tornado um artigo comum não só em todo o tipo de escritórios, mas também 
nos lares na América. Muito mais poderoso do que se podia imaginar duas décadas 
antes, capaz de restaurar quantidades enormes de dados, disponível ao preço dum bom 
frigorífico, tornou-se um aparelho comum nos lares americanos. 
Empregando pacotes de programas, as pessoas utilizavam-no para 
contabilidade, tratamento de texto ou para guardar música, fotografias e vídeos. A 
ascensão da Internet, que deixou de ser uma rede de dados de defesa fechada, 
possibilitou o acesso a todo o tipo de informações, criou novas oportunidades de 
compra e criou o correio eletrônico (e-mail) como um modo normal de comunicação. A 
popularidade do tele móvel gerou uma nova grande indústria que se desenvolveu 
juntamente com o computador pessoal. 
A comunicação instantânea e a manipulação de dados à velocidade da luz 
aceleraram o ritmo de muitos negócios, melhorando muito a produtividade e criando 
novas oportunidades de lucro. Indústrias recentes que respondiam à procura de novos 
equipamentos tornaram-se companhias multimilionáriaspraticamente de um dia para o 
outro, criando uma classe média enorme de técnicos, gestores e pessoas versadas em 
direitos de software. Um ímpeto final foi à passagem para o novo milénio. Um impulso 
enorme para atualizar equipamento informático antiquado, que podia não reconhecer o 
ano 2000, fez com que as despesas com tecnologia de dados atingissem o seu ponto 
máximo. 
Estes acontecimentos começaram a tomar forma durante o primeiro 
mandato de Bill Clinton. No fim do seu segundo mandato estava a promover uma 
economia em crescimento. Quando foi eleito presidente, a taxa de desemprego era de 
7.4%. Quando se candidatou à reeleição em 1996, o desemprego era de 5.4%. Quando 
os eleitores foram às urnas para escolher o seu sucessor, em novembro de 2000, era de 
3.9%. Em muitos locais, a questão que se colocava não era cuidar dos desempregados, 
mas sim encontrar mão de obra adequada. 
 
 
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Uma pessoa tão conceituada como Alan Greenspan, Presidente da Reserva 
Federal, encarou o crescimento rápido do mercado de capitais com preocupação e 
avisou sobre o “entusiasmo irracional”. O entusiasmo dos investidores, no seu ponto 
mais alto desde os anos 20, prosseguiu com a convicção de que os critérios normais de 
avaliação se tinham tornado obsoletos devido a uma “nova economia” de potencial 
ilimitado. Os bons tempos estavam a passar perigosamente depressa, mas a maioria dos 
americanos estava mais inclinada a desfrutar o momento enquanto durasse do que em 
planear para uma falência futura. 
 
10.10 – A Emergência do MCE e do Japão. 
 
Após a queda do regime socialista, diversos países se aproximaram do 
mundo capitalista com a finalidade de ingressar nesse sistema e alcançar uma integração 
no mercado. No entanto, isso não tem sido uma tarefa fácil, em virtude da complexidade 
que envolve a transição de um regime para outro. Os países que se encontram nessa fase 
devem submeter a vários anos de adaptação para o novo regime. Isso porque as 
mudanças executadas englobam fatores políticos, econômicos e sociais. O que 
aconteceu na maioria das vezes, com esses países é o surgimento de problemas que 
anteriormente não possuíam; como: inflação dos preços, desemprego, salários baixos, 
ascensão da desigualdade social, violência, criminalidade, entre diversos outros. 
Com o declínio do regime socialista em âmbito geral, o capitalismo 
despontou hegemonicamente, como sistema político-econômico mundial. No período da 
Guerra Fria existiam duas potências mundiais: EUA e URSS. Naquele momento, o 
mundo era considerado bipolar. Mas após tais acontecimentos históricos, o mundo 
passou a ter uma nova organização geopolítica, de forma que há distintos centros de 
poder, exercendo influência, no campo político, econômico e militar, isto é, um mundo 
multipolar. 
Hoje, a principal potência militar, econômica e política, os Estados Unidos, 
essa nação superou em todos os aspectos os soviéticos, após o seu declínio e, assim é 
responsável pela maioria das intervenções de caráter militar no globo. No campo 
econômico, o Japão atualmente ocupa a posição, juntamente com a China a segunda 
potencia mundial. 
Sua ascensão financeira ocorreu a partir do término da Segunda Guerra 
Mundial. A aplicação de medidas direcionadas à saúde e educação, resultou-se em 
crescimento acelerado de sua economia. A Europa é considerada, também, como uma 
potência econômica, condição que resultou do sucesso da União Europeia (corresponde, 
atualmente, ao Mercado Comum Europeu – MCE), o principal bloco econômico do 
globo, que tem como principais líderes: Alemanha, França e Inglaterra. 
 
10.11 – Globalização da Economia. 
 
É necessário observar o quanto a globalização da economia, torna o cenário 
do conjunto de relações internacionais mais complexo e conflituoso. Em seu bojo, 
verificam-se inúmeros problemas e desafios comuns aos estados-nações, bem como a 
figura de “novos” atores no sistema internacional, ou seja, as grandes Corporações. As 
metáforas e analogias mecânicas outrora utilizadas com vista a entender as relações 
internacionais, acabam-se perdendo o seu conteúdo explicativo, isto é, em função da 
fragmentação dos recursos de poder e, em consequência, dos polos mundiais de poder. 
Cremos que já não tem sentido, pensar a atual distribuição de poder mundial, partindo 
do principio de equilíbrio de poder, tal como se concebe o Concerto das Nações 
 
 
81 
Europeias, visto porque nenhuma potência atual consegue desempenho seja nos planos 
políticos, econômicos e militares semelhantes a que desfrutaram, em 1815, a Prússia, a 
Rússia, a Inglaterra, a França e o Império Austro-húngaro. 
Portanto, embora os Estados Unidos detenham a supremacia mundial na 
esfera militar, pode-se dizer que esta não é absoluta, pois outras potências detêm 
recursos nucleares, com poder de destruição total: mesmo ao que poderíamos denominar 
de armamentos convencionais, nações como a Rússia, a China, a Índia, a França, a 
Coreia do Norte, Israel entre outros, possuem-nos em quantidades e sofisticação tais 
que, se não bastam para intimidar os norte-americanos, no mínimo os incomodam e, 
certamente, suficientes para fazê-los reconhecer alguma restrição à sua supremacia 
militar. 
Por outro lado ainda sob o ponto de vista econômico, o Japão e os “Tigres 
Asiáticos”, junto com a Alemanha unificada – acaso a União Europeia tornam-se tão 
dinâmicos quanto aos EUA. Haja vista que, dados recentes ilustram com veemência a 
importância econômica de alguns destes países indicam que entre os anos de 1979 e 
1989, PIB (Produto Interno Bruto) conjunto do Japão, China e dos “Tigres Asiáticos” 
(Novos países industrializados – Coréia do Sul, Cingapura, Taiwan, Tailândia, Malásia 
e Indonésia, exceto Hong Kong), tiveram um crescimento na ordem de 166%, em 
contraste com o PIB internacional, que foi em torno de 109%. 
Ademais, o fenômeno da interdependência tende a tornar muitas vezes 
dificultoso julgar isoladamente o papel de cada país, particularmente, em sua esfera 
comercial. Em paralelo, vale ressaltar que os países que competem com os EUA no 
plano econômico fazem-no, sobretudo, em virtude do domínio tecnológico que possuem 
sobre a produção industrial em setores estratégicos da economia global. 
Bem, mas afinal quem são essas Grandes Corporações? Pra onde eles vão? 
E que grau de incerteza e de constrangimento eles criam na economia mundial? 
Vejamos as cinco maiores Corporações (2008) são: a General Motors, a Ford, a 
Ericsson, a IBM e a AGF essas empresas juntas reúnem um faturamento de ordem de 
US$ 500 bilhões de dólares por ano, não podemos comparar diretamente que estamos 
referindo de coisas, um pouco diferente, porém, de qualquer forma é sempre bom 
lembrar que o PIB brasileiro é de US$ 500 bilhões de dólares, o que significa dizer, que 
as cinco Corporações, no globo, produzem sozinhas o equivalente ao nosso PIB, se 
colocar as outras cinco Corporações, temos então totalizado as Dez maiores empresas, 
isso acrescentando a Shell, a Toyota, a Hitachi e a Matchuchitas, elas em conjunto 
produzem US$ 900 bilhões de dólares por ano, isto é, o equivalente ao que produz todos 
os países do MERCOSUL, somados ainda com o México. 
Essa é a nova realidade econômica internacional, ou nós a entendemos essa 
lógica com clareza e com realismo, ou simplesmente, seremos varridos por ela. No 
entanto, temos que separar entre o pânico e o receio justificado e entre as possibilidades, 
que o inevitável nos abre e, pra isso somos obrigados e entrar no vector tecnológico, 
pois a tecnologia foi durante esse vindouro século e deverá ser no próximo, o fator 
fundamental de mudança e revolução na estrutura de produção, com essa brutal e 
estonteante, quenos deixa a todos perplexos. Mal está iniciando sua revolução, 
automação violenta, radical e irreversível, introduziram novos materiais, as antigas 
matérias-primas em que se apoiavam os países subdesenvolvidos e terceiro mundo, 
passaram a ser substituídos por novos materiais vindos de derivados de petróleo e de 
outros componentes variados. 
Essa é uma fantasia aterrorizante, mas é na realidade um instrumento que a 
ciência está dando efetivamente aos nossos “aprendizes de feiticeiros”, que estão 
certamente cada vez mais perigosos e mais potentes (Revolução Biotecnologia). Com 
 
 
82 
essa revolução tecnológica, afeta brutalmente os países periféricos, à medida que, 
automação veio violenta e à proporção que a máquina – robô passou a ter uma 
eficiência crescente e um preço em queda, o fator mão de obra barata deixou de ser 
importante, que era um dos fatores que sustentava ainda a inserção dos países pobres na 
divisão internacional do trabalho. 
Vamos acompanhar mais de perto, a indústria automobilística, esta passou 
pelo século XX, por uma importante revolução desde o “fordismo” (linha de montagem 
em série), passando gradativamente ao processo de automação, pois bem, os processos 
foram se sofisticando e, hoje, a questão da automação na indústria automobilística, está 
nas chamadas linhas flexíveis, “se supusermos por um instante” que a indústria 
automobilística tivesse evoluído desde o pós-guerra na mesma velocidade que a 
indústria microeletrônica, então seria possível hoje comprar um Roll Royee por dois 
dólares, que faria 1.200.000 quilômetros por litro e teria a potência do transatlântico 
Queen Elizabeth II. E se comparássemos também a diminuição de tamanho, poderíamos 
hoje colocar seis Roll Royee sobre a “cabeça de um alfinete”, isto é tem que ser capaz 
na realidade de atender um novo tipo de consumidor. 
Qual a revolução que esta ocorrendo no setor automobilístico? Para 
exemplificar, vamos citar alguns números, de 1989 para 1998, portanto, uma década o 
numero de horas de montagem de um carro passara de 39 para 19 horas em média, no 
mundo, o numero de meses para o projeto e desenvolvimento de um novo modelo, 
passara de 72 para 36 meses, o numero de componentes do carro, cairá de 3.200 para 
2.000 e o numero de fornecedores de um carro será de 500 para 100. Sendo assim, a 
dificuldade de entender a evolução contemporânea das relações internacionais e, em 
especial, da globalização da economia certamente se relaciona com as transformações 
que as Estados-nações e empresas (as grandes corporações mundiais) vêm sofrendo em 
sua natureza e em sua estrutura. 
Até o momento do século XXI tem dois registros marcantes: o poder do 
Estado-nacional e o poder da empresa transnacional. O Estado-nacional detém o 
monopólio da força e é o lócus do poder político e militar. A empresa transnacional é o 
principal lócus de acumulação e de poder econômico, a partir do seu controle sobre 
ativos específicos (capital, tecnologia, competência gerencial, organizacional e 
mercadológica). Na realidade, cada um deles é o principal lócus de poder político 
(Estado-nação) e econômico (empresa transnacional). 
 
10.12 - Tecnologia e Desenvolvimento. 
 
Na atualidade, pode-se dizer que a tecnologia é sinônima de 
desenvolvimento e importante fator para a prosperidade dos países avançados. O alto 
grau de dependência da ciência em relação à tecnologia força a que as nações lancem 
cada vez mais mão dos recursos disponíveis com o fim de possibilitar a pesquisa 
científica, pesquisa esta que, aplicada praticamente, contribui para que estas nações 
mantenham os seus altos índices de progresso e crescimento econômico. Nenhuma 
nação que esteja em vias de desenvolvimento deve desdenhar este esforço, ou jamais 
alcançará a sua emancipação. No entanto, ainda assim parece existir, nestas nações, 
uma dicotomia entre esta necessidade e o esforço que despende para tal. Um equívoco, 
contudo, parece imperar entre os responsáveis por este esforço. 
Quando se trata de adquirir tecnologia, sustentam a tese de que esta deve ser 
adquirida no exterior, justificando que assim se pode “queimar etapas” inúteis. Agindo 
assim, ou demonstram má-fé ou parecem ignorar que isso só faz dar continuidade à 
dependência cultural, científica e econômica do país que age assim. O pior é que, além 
 
 
83 
da tecnologia, o país absorve uma infraestrutura cultural que não lhe é própria, na forma 
aparentemente inocente de métodos educacionais estranhos, que apenas fazem 
tumultuar o esforço nacional. 
A dependência tecnológica que se cria é perpetuada pelo fato de que 
qualquer atualização, além de dispendiosa, não acompanha o desenvolvimento 
tecnológico interno, porque este fica amarrado à produção de ciência feita no exterior. 
Este monopólio da tecnologia cria aspectos inusitados de dominação econômica, porque 
a carência de pesquisa interna não cria os benefícios que se poderia esperar dos avanços 
científicos. 
O próprio sistema internacional de patentes cria obstáculos à pesquisa, além 
de criar monopólios de comercialização em diversas áreas sensíveis, tais como 
defensivos agrícolas e remédios. Além do mais, a tecnologia transferida sempre 
constitui, para quem a recebe, autêntica “caixa preta” da qual não tem ideia do 
conteúdo. Em várias ocasiões, a ONU posicionou-se quanto a este assunto, 
manifestando uma preocupação neste sentido. Para este órgão internacional, os 
seguintes fatores devem ser considerados: 
1. O custo real da tecnologia é superior ao que se poderia desejar; 
2. Os modos atuais de transmissão de tecnologia tendem a perpetuar a 
dependência tecnológica dos países que a recebem, e impedem o incremento de uma 
tecnologia nacional; 
3. A tecnologia estrangeira, ainda que possa fortalecer a capacidade 
produtiva nacional, frequentemente se converte em fator de elevação dos custos de 
produção; 
4. A tecnologia transferida nem sempre contribui para a expansão das 
exportações de produtos manufaturados; 
5. Muitas vezes, a tecnologia importada é incompatível com as condições 
locais. 
A implantação de uma tecnologia genuinamente nacional choca-se muitas 
vezes com diversos obstáculos. O núcleo natural do qual ela deveria provir, 
universidade e centros de pesquisa avançadas, muitas vezes sofre de alta de recursos, 
pela falta de apoio governamental, ausência de uma educação de alto nível, baixos 
salários, etc. Este último fator tem levado a uma intensa evasão de talentos, que agrava 
ainda mais o problema. 
Outras vezes a pesquisa é mal orientada, dando prioridade a setores não tão 
importantes. Com isso, recursos preciosos são mal gastos, piorando o problema. 
Também falta de planejamento ou até mesmo planejamentos errôneos, bem como a falta 
de técnicos de nível médio capazes de dar suporte (montagem, conserto e manutenção) 
aos equipamentos de alta complexidade tecnológica acaba por tornar-se um obstáculo 
absolutamente intransponível. 
 
10.13 - Haverá uma Ideologia para a Nova Época? 
 
Neste mundo novo que se avizinha no século XXI, a antiga pregação 
ideológica perde o seu matiz. A “queda” do Muro de Berlim em 1989 foi um marco 
referencial para uma mudança de paradigma, a passagem para uma nova época na qual 
perde o sentido qualquer discussão ou separação entre “esquerda” e “direita”, ambos 
órfãos de uma filosofia social capaz de dar sentido e finalidade a qualquer discussão, 
debate ou confronto entre ideologias. Doravante, apenas um discurso de novo tipo, 
voltado para a conservação ecológica, pois, 
 
 
84 
Calcula-se que, atualmente, os negócios são responsáveis por mais de 25 
bilhões de toneladas de poluentes, dispersos no ar e lançados na água e na terra;cerca 
de 125 toneladas de dejetos, anualmente, para cada homem, mulher e criança nos 
Estados Unidos. Incluídos nessa quantidade estão cerca de 150 milhões de toneladas de 
fumaça que escurece o céu e envenena o ar, 22 milhões de toneladas de produtos de 
papel jogados fora, três milhões de toneladas de sobras de fábricas, e 50 trilhões de 
galões de líquidos aquecidos e poluídos que são despejados em rios, cursos d’água e 
lagos, todos os anos. 
Isto é, para a tentativa de realização de um ideal social baseia-se em 
premissas possíveis, pode conseguir a atenção do habitante deste mundo novo, e será 
capaz de lançar os modelos para uma nova sociedade, modelos estes calcado em novas 
teorias sociais e econômicas capazes não só de trazer prosperidade e eliminar o fosso 
existente entre as classes privilegiadas e as classes desfavorecidas, mas principalmente 
trazer condições não apenas para que este mundo novo seja, além de próspero e feliz, 
também mais equilibrado e mais racional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Conclusão. 
 
Pela observação dos aspectos aqui analisados, conclui-se que a estrutura 
primordial de um Sistema Econômico, depende de dois fatores condicionantes: a 
manutenção da atividade comercial e a atualização sistemática da política econômica. 
O Primeiro é importante porque é impossível para um país ser autossuficiente em toda 
cadeia produtiva, em decorrência das particularidades climáticas e geográficas de cada 
região. Por isso, grosso modo, que cada civilização sempre trocava mercadorias que não 
possuísse em seu respectivo território, enquanto que a outra fornecia o item deficitário, 
também obtinha aquilo que não fosse proveniente da sua região. 
Contudo, vale ressaltar que, a balança comercial que nem sempre eram 
favoráveis para ambas as partes, pois sempre um lado conseguia e consegue ter maiores 
vantagens econômicas que o outro. Já, a atualização sistemática da política econômica é 
de suma relevância, pois se observa que, a atividade econômica está em um eterno 
processo de transformação, devido que a evolução cronológica permite o 
aperfeiçoamento e a criação de tecnologias, como consequência o surgimento de novas 
necessidades e modificações de hábitos. 
Verifica-se que a adoção de uma política econômica estática leva a uma 
crise econômica, a exemplo disso, é a Economia Planificada da União Soviética e o 
Capitalismo liberal dos Estados Unidos. Na nação socialista, a implementação de um 
Plano econômico rígido, centralizado, estatal e burocrático, levou à Rússia e as suas 
repúblicas a uma profunda crise de abastecimento generalizada (faltava itens 
alimentícios, vestuários, etc.), e a adoção tardia de medidas desastrosas levou ao 
desmonte a ideologia socialista na década de 1990. 
Enquanto isso, na terra do capitalismo, a não intervenção do governo na 
economia, uma política de incentivo ao crédito exagerada e uma superprodução. Essa 
combinação de fatores levou à América a um período longo de depressão econômica, 
que só foi superada com a adoção de políticas Keynesianas, o qual o Estado deveria 
interferir na economia, entretanto, com a crise do petróleo, em 1973, iniciou-se um 
questionamento, de até que ponto o Estado deveria interferir na economia. Dessa forma, 
verifica-se que a hegemonia do capitalismo perdurada, até a contemporaneidade, se 
deve por ele ser aberto a modificações. 
É importante destacar também que, os sistemas econômicos se mantiveram 
condicionados aos mesmos objetivos: ao acumulo de riqueza, a exploração social (mão 
de obra) e a monetarização da economia. O acumulo de riquezas sempre foi o maior 
símbolo do poder, pois na Antiguidade, os imperadores e os reis detinham as maiores 
fortunas e dirigiam às áreas que lhes fossem subordinas, obtidas por meio de guerras, 
pois os derrotados deveriam pagar indenizações ao vencedor, já no medievo, os 
monarcas absolutistas possuíam grandes extensões territoriais e determinava quem 
vivesse sob sua jurisdição lhe entregasse uma parcela considerável do que fosse 
produzido. 
Enquanto que na modernidade, os capitalistas controlavam os meios 
produtivos (fábricas, matérias-primas e máquinas), por consequência, eram os 
detentores dos lucros (resultante das receitas serem maiores, que os custos de produção, 
obviamente o que chamamos de excedente de capital). A sujeição de um povo a outra 
sociedade, a submissão de uma colônia a uma metrópole e a hegemonia burguesa sobre 
o proletariado permite-nos auferir que independente do contexto histórico, a exploração 
de um indivíduo ou classe social é o determinante para o excedente econômico. 
Observa-se que o trabalho é uma atividade desgastante, abominável, mas 
necessária, seja por via de um sistema escravista, servil (compulsório) ou assalariado, 
 
 
86 
por ser o método mais eficiente de se gerar acumulo de capital. A exploração do homem 
pelo homem aumentou ainda mais com o uso das novas tecnologias, o que significa 
dizer que a modernização do sistema capitalista, de um lado, gera uma riqueza 
extremamente polarizada e, de outro, incrementa os grupos de exclusão social. As 
mudanças tecnológicas e gerenciais do capitalismo na contemporaneidade amplia o 
abismo de injustiça social que beneficia muito os donos de empresa e prejudica, 
sobremodo o proletariado. 
A monetarização da economia foi imprescindível para a viabilidade das 
atividades comerciais, porque estabeleceu um padrão de trocas para mercadorias 
distintas e a criação de centros financeiros, que facilitaram as transações comerciais de 
mercados distantes e/ou de características específicas, além de conceder empréstimos 
para o investimento em setores produtivos – sendo que, o pagamento de juros é mais 
uma maneira de se acumular capital. 
Nesse aspecto, existiram quatro ciclos sistêmicos de acumulação de capital 
durante a evolução do capitalismo como sistema mundial: um ciclo genovês, do Século 
XV ao início do século XVII; holandês, do fim do século XVI até decorrida a maior 
parte do século XVIII; britânico, da segunda metade do século XVIII até o início do 
século XX; norte-americano, iniciado no fim do século XIX e que prossegue na atual 
fase de expansão financeira. O regime genovês durou 160 anos, o holandês 140 anos, o 
britânico 160 anos e o norte-americano 100 anos. Existe um moderno sistema-mundo 
que se originou no Século XVI. De 1450 a 1640, denominado capitalismo. 
Capitalismo e economia-mundo são, pois, as faces de uma mesma moeda. O 
capitalismo foi, desde o início, um assunto da economia-mundo e não de estado-nações, 
o que se trata na verdade de um equívoco afirmar que somente no Século XX, que o 
capitalismo se tornou mundial ou dizer, ainda que fosse apenas com a emergência da 
moderna economia-mundo, na Europa do século XVI, que se viu o pleno 
desenvolvimento e a predominância econômica do comércio. 
Todavia, o cumprimento das funções básicas dos Estados-nações já não 
pode ter lugar sem uma concertação; a própria noção de segurança e soberania nacional 
precisa urgentemente ser repensada num mundo sem fronteiras. Dessa forma, na 
verdade, estas perspectivas complementam-se e ainda não parecem suficientes para 
promover umas explicações satisfatórias do papel dos Estados e das empresas como 
agentes transformadores da realidade histórica internacional, em particular no que diz 
respeito aos processos de globalização e regionalização da economia; nem, muito menos 
das transformações a que estão sendo submetidos frente a estes processos. 
Ainda, vale salientar que as profundas transformações dos SistemasEconômicos, nos permite verificar que apesar das disparidades sociais serem gritantes, 
elas está em um processo paulatino de decadência, porque o crescente acesso a 
educação; graças ao surgimento do Estado, provedor do Bem-Estar Social; permite que 
indivíduos saíssem da condição de ignorância e tornem-se cidadãos com um senso 
critico que irá contribuir para um mundo mais justo e igualitário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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