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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE RONDONÓPOLIS INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS BACHARELADO EM CIÊNCIAS ECONÔMICAS NEY IARED REYNALDO BREVE HISTÓRIA ECONÔMICA GERAL Rondonópolis, 2019 2 Índice Introdução. (4). Capítulo I – CONHECENDO OS PRIMEIROS SISTEMAS ECONÔMICOS. (5). Introdução. 1.1 Economia pré-histórica; 1.2 As Civilizações Hidráulicas; 1.3 Mesopotâmia; 1.4 Egito; 1.5 As Civilizações Comerciais; 1.6 A Civilização Minoica de Creta; 1.7 As Cidades Fenícias. Capítulo II – A ESCRAVIDÃO CLÁSSICA. (10). Introdução. 2.1 A Economia Grega; 2.2 O Período Clássico; 2.3 O Período Arcaico; 2.4 O Período Helenístico; 2.5 A Economia Romana; 2.6 A Criação do Estado Itálico; 2.7 O Estabelecimento do Império Mediterrâneo; 2.8 O Apogeu e a Escravidão Clássica; 2.9 A Economia de Dirigismo Estatal. Capítulo III – SISTEMA ECONÔMICO FUNCIONAL. (16). Introdução. 3.1 A Economia Dominial; 3.2 A Vida Urbana, Comércio Externo e Monetarização; 3.3 As; Transformações na Técnica Agrícola; 3.4 A Economia Senhorial; 3.5 O Comércio, A Urbanização e a Monetarização. Capítulo IV – SISTEMA ECONÔMICO COMERCIAL. (21). Introdução. 4.1 A Crise Agrária; 4.2 A Crise Demográfica; 4.3 A Crise Monetária; 4.4 Os Resultados da Depressão; 4.5 A Reconversão Agrícola e a Crescente Especialização da Produção; 4.6 A Decadência dos Eixos Econômicos Tradicionais; 4.7 A Expansão Ultramarina Europeia. Capítulo V – A MODERNA ECONOMIA – MUNDO. (25). Introdução. 5.1 As Áreas Periféricas da Economia – Mundo; 5.2 O Sistema Colonial do Oriente; 5.3 O Sistema Colonial Americano; 5.4 A Grande Propriedade Rural; 5.5 A Especialização Produtiva; 5.6 A Produção para o Mercado Externo; 5.7 As Colônias de Povoamento; 5.8 A Europa Oriental e a Especialização Produtiva; 5.9 A Decadência Econômica da Europa Central e Mediterrânea; 5.10 As Áreas Centrais da Economia – Mundo; 5.11 A Fase de Expansão do Século XVI; 5.12 A Fase de Depressão no Século XVIII; 5.13 O Mercantilismo; 5.14 A Prática; Mercantilista na Fase de Depressão; 5.15 A Recuperação Econômica do Século XVIII. Capítulo VI – O SISTEMA ECONÔMICO CAPITALISTA. (31). Introdução. 6.1 A Revolução Industrial Inglesa; 6.2 A Segunda Revolução Industrial; 6.3 A Industrialização Fora da Inglaterra; 6.4 A Alemanha; 6.5 A Itália; 6.6 Os Estados Unidos; 6.7 O Japão; 6.8 A Questão do Liberalismo Econômico. Capítulo VII – O NOVO COLONIALISMO. (38). Introdução. 7.1 O Capital Monopolista; 7.2 O Imperialismo; 7.3 As Formas de Trabalho sob o Imperialismo; 7.4 O Imperialismo Informal; 7.5 O Imperialismo Formal; 7.6 As Formas de Trabalho sob o Imperialismo; 7.7 A Sociedade de Massa. Capítulo VIII – O DESAFIO DO CAPITALISMO. (44). 3 Introdução. 8.1 A Primeira Guerra Mundial; 8.2 A Economia de Guerra; 8.3 Os Efeitos da Primeira Guerra Mundial; 8.4 A Década de 1920; 8.5 A Europa e os Anos 1920; 8.6 Os Estados Unidos Durante a Década de 1920; 8.7 A Crise de 1929; 8.8 A Grande Depressão; 8.9 Reação a Grande Depressão I; O Neoliberalismo; 8.10 O Primeiro New Deal; 8.11 O Segundo New Deal; 8.12 Reação a Grande Depressão II: Autoritarismo e Industrialização; 8.13 Reação a Grande Depressão III: A Segunda Guerra Mundial; 8.14 Os Problemas de Reconstrução; 8.15 O Plano Marshall; 8.16 A Recuperação do Japão; 8.17 Os Efeitos da Reconstrução para o Sistema Capitalista. Capítulo IX – ALTERNATIVA AO CAPITALISMO. (56). Introdução. 9.1 Socialismo: A Via Industrializada; 9.2 Da Rússia à União Soviética; 9.3 O Comunismo de Guerra; 9.4 A Nova Política Econômica (); 9.5 O Socialismo Planificado; 9.6 Os Três Planos Quinquenais; 9.7 A Economia de Guerra; 9.8 Planos Quinquenais IV e V; 9.9 As Modificações no Modelo; 9.10 A Era Khrushev; 9.11 A Era Breshnev; 9.12 A Era Gorbatchev; 9.13 Socialismo: A Via Agrícola; 9.14 A China dos Soviéticos; 9.15 O Período de Reconstrução; 9.15 Plano Quinquenal I; 9.16 Plano Quinquenal II; 9.16 A China dos Chineses; 9.17 A Revolução Cultural e as Quatro Modernizações; 9.18 A Nova Política Econômica; 9.19 As Variantes Nacionais; 9.20 A Iugoslávia; 9.21 A Albânia; 9.22 A Falência Política na Década de 1980. Capítulo X – O CAPITALISMO NA TERCEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. (72). Introdução. 10.1 O Novo Papel do Estado; 10.2 As Formas de Intervenção Estatal; 10.3 O Estado nas Áreas Periféricas; 10.4 A Internacionalização do Capitalismo; 10.5 As Empresas Multinacionais; 10.6 As Relações Estados – Empresas Multinacionais; 10.7 A Formação de Blocos Econômicos Supranacionais; 10.8 A Hegemonia Norte-Americana; 10.9 A Economia dos Estados Unidos, na década de 1990; 10.10 A Emergência do MCE e do Japão; 10.11 Globalização da Economia; 10. 12 Tecnologia e Desenvolvimento; 10.13 Haverá uma Ideologia para a Nova Época? Conclusão. (85). Referências Bibliográficas. (87). 4 INTRODUÇÃO A História Econômica Geral tem por definição proposta por Herbert Heaton, a história econômica "descreve os esforços que o homem faz ao longo dos séculos para satisfazer suas necessidades materiais" (citado por IGLESIAS, 1959, p.27). Essa definição oportuniza explorar algumas questões. O que a História Econômica tem em comum com uma concepção clássica de História? Marc Bloch definiu a História como a "Ciência dos homens no tempo" (p.29), ou seja, trata-se do estudo da atividade humana, em suas múltiplas dimensões, na perspectiva da mudança ao longo do tempo. Não é diferente a definição de Heaton para a História Econômica, isto é, o foco da pesquisa é a atividade voltada à satisfação das necessidades materiais; o que nos permite analisar e compreender a evolução e a transformação dos Sistemas Econômicos. Esse ensaio busca não dar um “olhar histórico”, e sim econômico, pois busca compreender as causas e os motivos que levaram a modificação de uma estrutura econômica. Cabe, ainda, dizer quais foram às contribuições de cada sociedade para a formação dos dogmas econômicos e a comparar as semelhanças e particularidades de cada economia. A HEG refere-se ao desenvolvimento progressivo, ao longo da história humana, retratada em cada um dos povos que surgiram desde as mais antigas civilizações, as diferentes atividades humanas que se têm por “econômicas”. A procura incessante pelos meios de subsistência, o cultivo da terra, o sistema de trocas, o conceito de propriedade, são fenômenos que se enquadram nestas atividades econômicas, e que evoluíram, de meios bastante rudimentares, para os modernos e complexos sistemas econômicos característicos de nosso tempo atual. Ressalta-se que a HEG, busca estudar os fatos sociais e históricos dando realce à tessitura econômica sobre a qual eles se desenvolveram. A HEG difere da história do pensamento econômico em vários aspectos, ou seja, enquanto esta investiga as teorias econômicas que vão surgindo à medida que as sociedades e as civilizações, em geral se desenvolvem, a primeira dá ênfase às razões econômicas (embasadas estas, em teorias econômicas diversas) pelas quais surgem os fatos sociais capazes de transformar apropria realidade histórica. Em nossa abordagem, quase sempre, os fatos concretos ocorrem no bojo de um substrato teórico que lhes dá causa. Além disso, o propósito é o entender os fatos econômicos, apelando eventualmente para a interdisciplinaridade, tais como a História, Antropologia, Ciência Política, entreoutras, mas apenas com o objetivo de elucidar, o modo como se deu tal evolução. Aqueles que desejarem expandir seus conhecimentos para além destes tópicos encontrarão na bibliografia uma indicação para auxiliar tal intento. A obra foi organizada em dez capítulos, numa perspectiva cronológica, que possibilita uma visão objetiva da HEG. Cada capítulo reúne subtemas na qual o leitor terá de forma resumida, o conteúdo necessário à compreensão da economia em toda sua totalidade. Ney Iared Reynaldo 5 Capítulo I – CONHECENDO OS PRIMEIROS SISTEMAS ECONÔMICOS. Introdução. 1.1 Economia Pré-Histórica; 1.2 As Civilizações Hidráulicas; 1.3 Mesopotâmia; 1.4 Egito; 1.5 As Civilizações Comerciais; 1.6 A Civilização Minoica de Creta; 1.7 As Cidades Fenícias. Introdução A formação dos Primeiros Sistemas Econômicos se deu a partir da Revolução Neolítica ou Agrícola. Essa revolução ocorreu, no momento em que o homem abandonou seus hábitos nômades (caça, pesca, coleta de frutos e vegetais, a não fixação em lugar específico), e passou a se fixar em lugares fixos. A plantar frutas e legumes e estimular a reprodução de animais para o consumo próprio. A mudança de hábitos permitiu que o homem vivesse em comunidades estáveis e se tornasse sedentário, o que provocou um grande crescimento demográfico, o início do trabalho coletivo, bem como a distribuição de tarefas (a divisão de trabalho). Esses avanços permitiram que novos produtos fossem produzidos, como ornamentos cerâmicos e tecidos. A diversidade de bens produzidos por comunidade permitiu que houvesse o início de um sistema de trocas, ou seja, era o surgimento da atividade comercial. A acumulação crescente de bens econômicos viabilizou o desenvolvimento de técnicas de mensuração. Assim nasceu o sistema numérico e a escrita. 1.1 – Economia Pré-Histórica. O estudo dos povos pré-históricos, no que tange as relações econômicas, pauta-se no sistema de trocas, inexistindo a moeda como base de troca, ou usando-se, para tal finalidade, objetos tidos como valiosos, como dentes ou peles de animais, clavas, arcos e flechas, etc. Em épocas remotas, supõe-se que os hominídeos não possuíam a capacidade de lavrar e/ou semear a terra, com a finalidade de garantir uma provisão futura de estoque de alimentos. É possível que houvesse inicialmente apenas um sistema simples de coleta de vegetais, e outro na caça coletiva de animais, pela sua carne, e de proteção contra as intempéries, pela sua pele. A subsistência podia ser suprida também através da pesca e de frutos silvestres. Talvez os alimentos fossem consumidos crus, pois não havia como armazená- los para posterior consumo. Isto transformava a atividade de subsistência em um processo permanente, causando a necessidade dos nômades estarem em constante deslocamento, sem se fixarem em definitivo em determinada localidade, vagando de região a região, entrando em conflito com outros grupos, quando invadiam sua área de caça. Gradativamente, os grupos foram se fixando em determinados locais, na qual puderam desenvolver um sistema de cultivo da terra; foi onde surgiram às primeiras comunidades, como a pastoril, com a domesticação de animais, principalmente o gado e ovelhas. A nutrição aos poucos mudou para o consumo de grãos e sementes, o que acarretou diversas consequências, entre as quais, a necessidade de usar instrumentos e utensílios, ainda que rudimentares, para arar a terra, para a transformação dos alimentos: trituração; moagem; fermentação; etc. A fixação a terra, ainda que criando grupos comunais, pode ter levado à necessidade de isolar grupos familiares em terrenos restritos e vivendo em cabanas, o que terminou por levar ao conceito de “propriedade”. A necessidade de defender esta 6 propriedade também levou ao desenvolvimento de armas rústicas de defesa. Nada causou tanto impacto quanto a domesticação do fogo, ou seja, a capacidade de acender e manter uma fogueira, sem ter que esperar pela queda de um raio. O calor do fogo permitiu manipular a argila, produzindo vasos, tijolos e telhas. O fogo permitiu também, o nascimento de uma incipiente “indústria” de forja, pela manipulação de metais dúcteis e de baixo ponto de fusão: inicialmente criando instrumentos de cobre, e depois ferramentas de ferro. 1.2 – Civilizações Hidráulicas. O surgimento da agricultura só foi possível porque o homem se fixou próximo às margens dos rios, pois as cheias dos rios molhavam o solo, o deixando fértil viabilizando uma alta produtividade agrícola. As sociedades localizadas em regiões hídricas aos eram denominadas como Civilizações Hidráulicas. Elas se desenvolveram a partir de um sistema burocrático, era o surgimento das primeiras formas de Estado. As Civilizações Hidráulicas mais importantes foram à mesopotâmica, localizada entre as margens dos rios Tigres e Eufrates – região do Crescente Fértil – e a egípcia às margens do rio Nilo. 1.3 – Mesopotâmia. “A região entre rios” - corresponde atualmente à porção do território iraquiano – a Mesopotâmia era uma região extremamente produtiva e amplamente habitada. Por se localizada em uma região cercada por povos invasores, o que obrigou a Mesopotâmia a investir em exército militar e armamentos bélicos para se proteger. A Mesopotâmia era composta por cidades-estados independentes (Lagas, 2500/2360 a. C.; Agade, 2350/2230 a. C.; Assur, 1800/1375 a. C.; Babilônia, 1728/1686 a. C.), isto é a política mesopotâmica tinha como característica se descentralizada, ou seja, não havia um único centro de poder. A estrutura econômica mesopotâmica não se alterou significativamente, os pilares econômicos eram a agricultura e o comércio exterior. É importante destacar que o êxito na agricultura só foi possível graças à construção de um sistema moderno e eficiente de diques, barreiras hidráulicas, canais e reservatórios elaborados para manter uma irrigação capaz de fornecer uma alta produtividade agrícola, uma vez que as cheias dos rios Tigre e Eufrates não eram cíclicas e quando ocorriam eram devastadoras. Apesar de haver um cenário agrícola favorável, a Mesopotâmia não possuía uma grande diversidade de matérias-primas, como madeira, ouro, prata, ferro, cobre, marfim, etc. Por isso, ela precisou fazer contatos com o exterior para adquirir o que não possuía, dessa forma nasceu o comércio exterior – tendo como base um sistema de trocas de bens com outros povos. Diante deste contexto desfavorável, a Mesopotâmia iniciou um processo de fabricação de diversos produtos artesanais, para poder trocá-los pelos itens necessários, tais como: a) Móveis, esteiras, cestos (feitos a partir da palha); b) Tecidos de lã e linho (obtidos de ovinos); c) Jarros, potes, azulejos, tijolos, cerâmicas (produzidos com argila); d) Cerveja (feita a partir da cevada); e) Vinho (produzido a partir da fermentação da seiva da tameira); f) Laticínios (derivados do leite). Uma característica peculiar da Mesopotâmia é que o trabalho escravo não foi amplamente utilizado, pois o custo de se comprar um escravo era altíssimo (em 7 1.700 a. C., o preço de um escravo equiparava-se ao custo de um boi); a escrava que tivesse muitos filhos adquiria para seus herdeiros e para si a condição de liberdade, assim que o seu patrão morresse; as pessoas que eram escravizadas em decorrência de dívidas eram alforriadas após um período de três anos. Além disso, grande parte da população mesopotâmica era obrigada a trabalhar gratuitamente durante um determinado período (Corveia Real) e o povo deveria também destinar uma parte de sua produçãopara o governo de uma determinada cidade-estado, as quais às pessoas pertencessem. É importante mencionar que a economia mesopotâmica foi monetizada, com o objetivo de facilitar as trocas comerciais, no primeiro momento à cevada era um padrão de referência para trocar bens, em seguida a monetização foi aprimorada, a cevada foi substituída por moedas confeccionadas a partir do ouro e da prata. Outro destaque importante são os bancos mesopotâmicos, as primeiras instituições são datadas de 3.400 a. C., na cidade de Uruk, no início os bancos emprestavam bens recebidos (produzidos pela própria população) a agricultores e comerciantes, a uma determinada taxa de juros. Depois, os bancos foram espalhados por toda a Mesopotâmia e houve uma padronização de empréstimos, os juros correspondiam a 33% e a 20% ao ano, para os cereais e metais, respectivamente. Em meados de 800 a. C., as instituições bancárias passaram a realizar diversas operações, de forma corriqueira, como pagamento de juros sobre depósitos, débitos em contracorrente, e transferências de fundos para outras praças. 1.4 – Egito. O Egito foi uma civilização desenvolvida às margens do rio Nilo em uma região desértica, no norte da África. Ao contrário dos rios Tigre e Eufrates, o rio Nilo possui um ciclo de cheias regulares e não devastador o que culminou com o sistema agrário mais simples em comparação com o sistema mesopotâmico, pois não houve uma necessidade imediata de se construir um sistema irrigatório complexo, uma vez que as cheias dos rios molhavam as margens uniformemente e despejavam uma quantia de húmus apropriada para uma alta produtividade agrícola. Por a civilização egípcia está localizada em um deserto, não havia preocupação com ameaças. Desse modo, essa sociedade se desenvolveu de uma isolada, conservadora e centralizada. Ao contrário de desenvolvimento de cidades-estados na Mesopotâmia, o Egito tornou-se um estado unificado, portanto o sistema administrativo caracterizou-se como absolutista, cabia exclusivamente ao Faraó, considerado uma espécie de divindade, o total controle da nação egípcia. Diante desse cenário centralizado, o desenvolvimento da economia se deu para sustentar o Faraó, sacerdotes e funcionários do Estado. O sistema de produção se baseava na Corveia Real e na apropriação de uma parcela que cada indivíduo produzisse, sendo que houve a estimulação do trabalho coletivo e condenação do trabalho individual. Vale destacar que no Egito não existiu o conceito de propriedade privada, pois toda extensão territorial pertencia ao Faraó e se fosse de sua vontade, ele concedia uma porção de terra a um cidadão, enquanto este último vivesse. A quantidade de escravos era reduzida, semelhante à situação na Mesopotâmia, decorrência de sempre haver um excedente de bens produzidos. Os principais bens produzidos pelos egípcios, tendo como características agrícolas eram os cereais, linho, papiro, verduras, legumes, rebanho de ovinos e suínos, e criação em cativeiro de aves. Produtos artesanais não evoluíram significativamente, 8 uma vez que eram sempre destinados aos templos e palácios reais e também não havia uma necessidade de produzi-los para a exportação. No Egito não houve a monetização da economia, pois diferente da Mesopotâmia, o Estado egípcio conseguiu se tornar autossuficiente, pelo fato de dispor de metais (ouro, estanho, cobre, prata, etc.), a única matéria-prima que necessitava realmente era a madeira (a qual importava dos fenícios), e alguns itens de luxo (ébano, marfim, pedras preciosas da Somália e do Ébano). Assim, as transações comerciais egípcias não evoluíram a ponto de ter a necessidade de se criar um instrumento padrão de troca (a moeda). 1.5 – A s Civilizações Comerciais. Nem todas as civilizações antigas dispuseram de porção geográfica e climática favoráveis para desenvolvimento da agricultora. Diante desse aspecto, essas sociedades foram obrigadas a desenvolverem bens artesanais, com as matérias-primas que tinham em abundância, e trocá-los pelos itens necessitados com outros povos. Ou seja, essas civilizações tiveram que desenvolver, desde o início para garantir a sua sobrevivência, a atividade comercial. Por isso, sob esse aspecto, essas sociedades são denominadas de “Civilizações Comerciais”, sendo assim esses povos conseguiram ter o domínio das rotas marítimas por estarem localizados em regiões costeiras. As maiores civilizações foram a Minoica de Creta e a Fenícia. 1.6 – A Civilização Minoica de Creta. Não como se definir com precisão os dados do povo minoico, devido ao alto grau de complexidade de se decifrar a escrita. Essa civilização se localizava em uma ilha do Mediterrâneo Oriental, entre o Egito, a Ásia e o continente grego, e tinha como vantagens correntes marítimas favoráveis, abundante em cobre e madeira. Essa sociedade foi responsável por iniciar o processo de transação comercial. A sua base econômica estava atrelada a uma firme atividade pesqueira, cultivos de vinhas e oliveiras (posteriormente deram origem a produção de vinhos e azeites), a produção de bens artesanais (jarros. Potes e ânforas), voltados para a exportação, sendo que essa civilização foi à pioneira na fabricação de produtos voltados para trocas comerciais. As transações comerciais ocorriam entre a ilha Minoica e o continente grego, o Egito e a Ásia Menor. É importante saber que, uma característica fundamental na fabricação de bens era um moderno sistema de divisão do trabalho, pois a população era dividida em: artesãos, ferreiros, carpinteiros, comerciantes e marinheiros. A politica minoica era descentralizada e havia diversas cidades espalhadas aos redores de palácios reais, estes utilizados como lugares para cultos religiosos, residência real e também como centro de produção de itens artesanais endereçados ao exterior e teve como principais cidades: Cnossos, Phaitos, Mallia, Gournia, Hagiha Tríada. Entre os anos de 1.570 e 1.425 a. C., a cidade de Cnossos dominou as demais e houve a supremacia administrativa e política entre as outras. Esse período foi caracterizado como o apogeu da Civilização Minoica, uma vez que houve o controle das rotas marítimas e comerciais de todo o Mediterrâneo Oriental, tendo como consequência o fim da pirataria e o monopólio na exportação de produtos artesanais e impôs que uma porção do continente grego pagassem impostos. Essa civilização foi extinta em 1.400 a. C., com a invasão dos Aqueus, que conseguiu dominar rapidamente as cidades minoicas e levou a destruição de todo sistema comercial. 9 1.7 – As Cidades Fenícias. O surgimento da Civilização Fenícia se deu no início do terceiro milênio antes de Cristo. A sua localização corresponde hoje a porção do território do Líbano. A região é composta por vales estreitos que dependem da chuva para se mantiver irrigados, as terras eram pouco propicias para a agricultura, o que levou a população a se dedicar às atividades pesqueiras e comerciais (voltada para a exportação) – com o cultivo de vinhas e oliveiras, o relevo acidentado, o que fez com que as pessoas a viverem em pontos espalhados ao longo da faixa litorânea, denominadas como portos naturais e o desenvolvimento de uma política descentralizada e o surgimento de cidades-estados independentes (Ugaria, Aradus, Trípoli, Biblos, Sidon e Tiro). Os principais itens produzidos pelos fenícios eram: vinhos, azeites, objetos de cerâmicas e metais, sendo que o principal produto é um corante de púrpura extraído de um molusco (múrex), o qual foi considerado um item caro e procurado, a ponto de ser considerado um título real, uma vez que permitia que os tecidosfossem tingidos de tons roxos até o rosa. Uma característica peculiar dos fenícios é que eles não se restringiram a comercializar as suas próprias mercadorias, sendo que por dominar com precisão as rotas marítimas, logo conseguiu obter o controle de todo o comércio mediterrâneo, passando a vender e transportar toda mercadoria proveniente daquela região. Para aprimorar ainda mais o seu sistema comercial, os fenícios desenvolveram pontos de apoio nas regiões litorâneas, denominadas feitorias, com intuito de facilitar o escoamento das mercadorias de regiões interioranas e distantes, como o Marrocos e a Espanha. Um desses pontos de apoio se destacou e deu origem a cidade de Cartago (na costa da Tunísia), o qual se tornou uma grande potência, a mais relevante do Mediterrâneo Ocidental, até o momento em que se houveram guerras com a Roma, no final do século III a. C., e esta última saíram vencedoras. Apesar de os fenícios terem desenvolvido um sistema comercial complexo, a monetização da economia foi desenvolvida tardiamente, no final do século V a. C., primeiro em Tiro, posteriormente, Sidon, Biblos e Cartago. A explicação para este fato se deve a atenção de que a monetarização da economia não ser um fator determinante para realizar trocas, ela é apenas um meio de se facilitar o comércio entre diferentes povos. 10 Capítulo II – A ESCRAVIDÃO CLÁSSICA. Introdução. 2.1 A Economia Grega; 2.2 O Período Clássico (meado do V – final do Século IV a. C.); 2.3 O Período Arcaico (século VIII – meados do V a. C.); 2.4 O Período Helenístico (final do Século IV – meado do II a. C.; 2.5 A Economia Romana; 2.6 A Criação do Estado Itálico (Século VIII – inícios do III a. C.); 2.7 O Estabelecimento do Império Mediterrâneo (séculos III – I a. C.); 2.8 O Apogeu e a Escravidão Clássica (Séculos I – III); 2.9 A Economia de Dirigismo Estatal (Séculos IV – V). Introdução As cidades-estados gregas ampliaram o papel do sistema de trabalho escravista no mundo mediterrâneo, pois até então o papel dos escravos era meramente secundário e passou a ser dominante, uma vez que existia um método de trabalho compulsório desenvolvido pelas civilizações hidráulicas. Essa mudança no sistema de trabalho se tornou a mais difundida e utilizada no Mediterrâneo Ocidental e provocou um aumento do tempo da Corveia Real no Mediterrâneo Oriental. Essas alterações decorreram do avanço da política e filosofia grega, pois o trabalho passou a ser considerada uma obrigação dolorosa e não inerente ao homem, um bom exemplo disso é a frase proferida por Platão: “o trabalho permanece alheio a qualquer valor humano, e em certos aspectos, chega mesmo a ser a antítese do que é essencial ao homem”. O sistema escravista viveu seu auge no período que a Civilização romana passou a dominar o mundo mediterrâneo, devido o processo contínuo de expansão territorial, o que permitiu o acréscimo de escravos. Uma característica peculiar é que a manutenção desse sistema não permitiu que as técnicas de produção fossem aprimoradas. Dessa forma, a economia se manteve agrária, os principais itens produzidos eram os cereais, o vinho e o azeite. É importante frisar que apesar de poucos avanços técnicos, a economia foi monetizada tanto na Civilização Grega como na Romana. 2.1 – A Economia Grega. As características geográficas grega propiciaram o desenvolvimento de uma economia voltada para o exterior, porque as terras eram poucos férteis para o cultivo e o relevo era acidentado. Entretanto, a civilização se localizava em uma península banhada pelo mar, com inúmeros portos naturais, e de arquipélagos próximo à sua costa (Cíclades, Esporas, Dodecanésio), esses fatores possibilitaram o desenvolvimento de técnicas precisas de navegação, e o domínio das rotas comerciais de todo o Mediterrâneo. Essa sociedade se desenvolveu a partir de várias cidades-estados, que viviam brigando entre si, pelo fato de todas terem a sua própria autonomia, por isso que havia essa rivalidade. A economia grega foi distinguida em três períodos: Arcaico, Clássico e Helenístico. 2.2 – O Período Clássico (Meados do V – Final do Século IV a. C.). As características socioeconômicas do Período Arcaico foram mantidas no Período Clássico. Nesse período a economia grega atingiu o apogeu. A escravidão se tornou a forma de trabalho mais comum, pois os pequenos proprietários agrícolas passaram a utilizar o escravismo para a manutenção da produção de azeite e vinho, que continuaram nesse período como os principais bens de exportação. Essa época foi marcada por constantes conflitos entre as cidades-estados em decorrência de um estado 11 não unificado, as cidades disputavam entre si a hegemonia do comércio exterior, uma vez que os gregos dependiam do exterior para obter matérias primas e itens alimentícios. A escravidão passou a ter uso massivo, em diversos ramos como a mineração, em unidades manufatureiras e artesanais, até em atividades administrativas (como gari, policial e escrivão). A forma utilizada para se obter escravos era, o nascimento, a condenação judicial por inadimplência e a guerra. Para se ter uma noção de quão era utilizada a condição de trabalho, em Atenas, uma das maiores cidades- estados, no século V a. C., havia uma população de 140 mil escravos para uma população de 230 mil habitantes. Neste período, basicamente a produção era manufatureira voltada para o exterior, destacam itens como: tecidos, objetos de vidros, cerâmica, mobílias, armas e utensílios de metal. A produção era limitada, em decorrência do número crescente de escravos, da distância entre as cidades-estados e o exterior, da divisão social do trabalho e dos custos de produção impediram a formação de grandes centros manufatureiros. A forma de transporte predominante era a navegação por apresentar custos mais baixos que os transportes terrestres. As principais cidades-estados eram Atenas, Corinto e Mileto, importavam mais que exportavam. Para manterem o equilíbrio da balança comercial, utilizaram-se moedas de prata. Essa situação levou toda a região do Mediterrâneo Centro Oriental a monetizar a economia. 2.3 – O Período Arcaico (Século VIII – meados do V a. C.). O desenvolvimento da estrutura econômica grega se deu entre os séculos VIII e V a. C., uma vez atividade agropastoril baseada na propriedade comum da terra deu lugar a um sistema econômico mais moderno e robusto. A transformação dos pilares econômicos grego foi resultado da expansão demográfica, iniciado no final do século IX, porque se percebeu que a produção agrícola sob um regime de propriedade comum (dividida em clã ou genos) já não conseguia atender as necessidades da população grega. Basicamente, a produção agrícola se restringiu apenas a criação de gado e o cultivo de cereais. Com esse boom populacional as áreas destinadas a cultivo de cereais foram ampliadas, o impacto imediato foi à diminuição das áreas utilizadas para o rebanho bovino, o que levou a uma escassez de carne como alimento, portanto viu-se a importância de se obter grandes volumes de cereais para a alimentar a população. Para conseguir suprir essa demanda por cereal, a alternativa mais eficaz foi importá-lo do exterior, a forma dos gregos pagares por essa mercadoria foi passarem a cultivarem oliveira e vinha, uma vez que esses frutos se adaptavam facilmente as condições adversas do clima e do solo grego. A oliveira e a vinha eram utilizadas para a fabricação de azeite e o vinho, respectivamente, a produção dessas duas mercadorias consolidou como os principais itens da economiagrega porque marcaram o início de uma atividade comercial voltada para o exterior. A explosão demográfica culminou com o fim da propriedade comum da terra, dando origem a propriedade privada, esse fator somado com a crise de alimentos, levou muitas pessoas a emigrarem para outras partes do Mediterrâneo, esse fato denomina-se como colonização grega do Mediterrâneo. A colonização teve dois estágios. O primeiro estágio foi entre 775 e 675 a. C., a população da Grécia Continental ocupou áreas da Sicília e do Sul da Itália, esses colonizadores fundaram diversas cidades-estados e passaram a produzir cereal, uma vez que essas terras eram extremamente férteis. O segundo estágio foi entre 675 a 500 a. C., essa colonização denomina-se como comercial, uma vez que ela foi utilizada para 12 complementar a economia das primeiras cidades-estados, pois os novos colonos forneciam matérias primas para as atividades manufatureiras que se desenvolveram substancialmente. Essas cidades-estados eram independentes entre si, um único ponto as conectavam era a cultura e a religião grega que foram disseminadas nas colônias. Nessa época, a urbanização, monetização da economia e atividades comerciais voltadas para o exterior e a manutenção das atividades agrícolas simbolizavam a identidade da civilização grega. Neste período, observou-se que cada cidade-estado desenvolveu uma especialização produtiva, ou seja, houve-se uma divisão social do trabalho. A expansão demográfica cessou, mas via-se a necessidade de constante emprego de mão de obra, então se intensificou o uso de trabalho escravo, que sempre foi utilizado de uma forma auxiliar, passando a ser gradativamente a forma de trabalho predominante. 2.4 – O Período Helenístico (finais do Século IV – meados do II a. C.). O estado permanente de guerra entre as cidades-estados, em que uma tentava ter o domínio sobre as outras, levou a Grécia Continental a ser invadida e dominada pela Macedônia. O rei macedônico, Alexandre Magno, consolidou um grande império em um espaço de tempo relativamente curto (334-325 a. C.), constituído pela Grécia, Macedônia, Egito, Síria, Fenícia, Mesopotâmia, Pérsia e a Índia (oeste do rio Indo). Após a morte de Alexandre Magno (323 a. C.), o império grego se dividiu em vários reinos e a unidade politica tornou-se descentralizada. Entretanto, a conquista das regiões orientais possibilitou o surgimento da Civilização Helenística, em que a cultura grega (ou helênica) se fundiu com as culturas do Oriente. O mundo helenístico possibilitou que atividade econômica e comercial grega se expandisse, uma vez que distintos mercados e grandes centros econômicos estavam interligados. Sendo assim, a produção manufatureira atingiu grandes volumes, ao mesmo tempo, a economia grega tornou-se secundária, uma vez que a região da Mesopotâmia e da Ásia Menor detinham maiores recursos econômica, demográficos e administrativos superiores aos gregos. Nas áreas orientais, no Egito, na Mesopotâmia, o escravismo não era forma dominante de escravo, uma vez que nessas áreas predominavam o sistema de trabalho compulsório que funcionava bem e neste período essa condição acabou sendo reforçada. No Período Helenístico, a economia adquiriu traços centralizados, pois foram criadas diversas cidades-estados para distribuir civilizações pertencentes ao mundo helenístico passaram a ter uma organização administrativa e econômica centralizada. Dessa forma, o papel do Estado foi ampliado e iniciou-se um processo de burocratização das atividades econômicas, em que homens livres controlavam a produção agrícola e as propriedades, que passaram a pertencer aos reis. A atividade econômica se manteve mercantil. Nessa época, a monetarização da economia atingiu o seu ápice: o sistema econômico passou a ser bi metálico, além da prata, o sistema passou a ter ouro também, o que contribuiu para que houvesse capital em abundância, mantendo a taxas de juros baixa e a economia estabilizada e em pleno desenvolvimento. 2.5 – A Economia Romana. Roma era uma cidade-estado da Itália e em alguns séculos, ela se torna a capital de um Império de proporções continentais exorbitantes, vai desde a Ásia e o Norte da África até o Sul da Inglaterra. Esse Império possui diversas fases de desenvolvimento e pode se afirmar que o sistema de escravismo, o carro-chefe da forma 13 de trabalho romana, levou a Civilização Romana a ascensão e, posteriormente, a decadência. 2.6 – A Criação do Estado Itálico (século VIII – inícios do III a. C.). Roma localiza-se numa região central latina da península Itálica. Essa posição geográfica era extremamente importante, uma vez ficava as margens do rio Tibre, que servia de ponte para ligar o sul e o norte da Itália. Até o século III a. C., a economia de Roma era basicamente agrária, pois se baseava na produção de cereais e a criação de gado bovino. A maior fonte de riqueza romana era oriunda de comercialização de sal das áreas vizinhas, utilizado como uma forma padrão para trocas comerciais, uma curiosidade importante é que o sal deu origem as palavras salário e assalariado. O interessante é que nessa época, os escravos eram poucos utilizados, porque existia um sistema em que os homens trabalhavam livremente, desde que pagassem impostos ao Estado e prestassem serviços militares gratuitamente quando fosse necessário. Após o século III a. C., os romanos viram a necessidade de se ampliar as áreas agricultáveis, o que culminou com uma série de disputas territoriais bem- sucedidas. Em pouco tempo, Roma já controlava toda a região sul da Península Itálica, em torno do rio Arno. Depois incorporou sob o seu domínio toda a Itália e o sul da península da Magna Grécia. A partir dai, Roma começa a ganhar notoriedade econômica e administrativa no mundo helenístico. 2.7 – O Estabelecimento do Império Mediterrâneo (séculos III – I a. C.). O Estado romano intensifica de “hegemonia territorial”, gradativamente Roma consegue dominar ilhas do Mediterrâneo Ocidental, a África do Norte, a península Ibérica, a Grécia, a Macedônia e Ásia Menor, a Síria – Palestina, a Gália e o Egito. Dessa forma, progressivamente Roma vai se tornando um grande Império, o que provoca profundas transformações no sistema econômico romano. Com o anexo de diversos territórios, Roma recebeu um fluxo de riquezas nunca visto antes na história do mundo antigo, essa entrada de recursos se dava por duas formas: a primeira era que os povos submetidos ao domínio romano eram obrigados a pagar indenizações ao Estado e a segunda forma refere-se à exploração de grandes jazidas de metais preciosos. O intenso fluxo de capitais transformou Roma no maior mercado financeiro do mundo Mediterrâneo. Nesse período, a economia era monetizada através da cunhagem do ouro e prata, o que permitiu a criação de um sistema bancário público e privado, além do desenvolvimento de carteira de ações para promover a exploração dos sistemas econômicos provinciais. A consolidação de uma economia monetizada levou a um processo de divisão social do trabalho, a nível regional, pois cada Província se caracterizava na produção de itens específicos. É importante destacar que a produtividade da economia romana atingiu um grande crescimento e as províncias não competiam entre si, uma vez que cada uma produzia e/ou forneciam mercadorias distintas, pois cada região possuía características climáticas e geográficas diferenciadas, o que propiciava a cada localidade a atuação em segmentos diferentes: a) O trigo era produzido pela Sicília, África do Norte e Egito; b) O vinho e o azeite eram oriundos da Itália e Grécia; c) Os minérioseram extraídos da Península Ibérica; 14 d) O gado era fornecido pela Itália e Ásia Menor; e) As manufaturas eram confeccionadas pela Gália e Síria. A economia permaneceu com os traços mercantis, uma vez que uma província fornecia mercadorias que as outras não possuíam e vice-versa. O Império Romano tornou-se o maior concentrador de terras, pois o Estado controlava diversas faixas territoriais, pertencidas anteriormente aos reis de províncias derrotadas ou áreas confiscadas de cidades e populações hostis. Além disso, todos os tributos arrecadados eram oriundos das províncias e eram canalizados para a Roma. A distribuição de terras e riquezas era destinada apenas entre cidadãos romanos, o que favoreceu a acumulação de imensas fortunas pessoais e a ociosidade da população romana, que ocupava apenas cargos administrativos. Enquanto isso, nas províncias itálicas, o que se viu foi um cenário de devastação, pois como os camponeses de pequeno e médio porte estavam em batalhas intermináveis (a batalha cartaginesa durou 15 anos entre 218 a 213). Dessa forma, a produção agrícola começou a ruir, pois os agricultores que sobraram começaram a migrar para as cidades. Então, a produção que antes era cerealífera, controlada por agricultores de pequeno e médio porte, passou a ser de azeite e vinho, controlado por grandes latifundiários com o uso de mão de obra escrava de origem não itálica. A unificação da economia helenística somado ao esfacelamento do campesinato itálico e da vitória de muitas guerras provocaram um fluxo imenso de escravos no Império Romano, dado que o preço se manteve relativamente baixo. Dessa forma, a mão de obra escrava se tornou a forma de trabalho dominante na Civilização Romana, para se ter uma ideia no final do século I a.C., havia três escravos para cinco homens livres. 2.8 – O Apogeu e a Crise da Escravidão Clássica (Séculos I – III). Os dois séculos que se sucederam após a introdução do escravismo como forma de trabalho dominante atingiu o seu ápice, no auge escravista iniciou-se a emergir falhas desse método adotado, até uma profunda crise no século III. As cidades romanas simbolizavam a excelência dessa civilização, porque nelas o cidadão desempenhava funções de magistraturas e administrativas para o Estado. A conquista de novos povos provocou uma adaptação à cultura e a realidade romana. Com esse enaltecimento, do Império Romano, iniciou-se um processo de êxodo rural e aumentou a concentração fundiária e expandiu o escravismo rural. Com essa combinação de fatores levou os homens livres a pararem de trabalhar, uma vez que com ascensão da escravidão (o trabalho se tornou condenável a um cidadão comum), a densidade urbana romana atingiu altos índices e a quantidade de indivíduos improdutivos. Quem passou a sustentar a população ociosa foi o Estado Romano e os cidadãos mais ricos. O fim das grandes guerras externas estabilizou a população de escravos no Império Romano, o que culminou que demanda e a produção caíssem. A queda da produção teve como consequência a diminuição da arrecadação de tributos, enquanto os gastos do Estado aumentavam, pois o governo sustentava grande parte dos cidadãos improdutivos, mantinha um exército militar profissional, realizar obras públicas, além de uma balança comercial desfavorável (os romanos importavam grandes quantidades de artigos de luxo do Oriente), logo enviaram um enorme volume de metais preciosos para o exterior. Para piorar esse cenário de estagnação, o Império Romano passou a ser invadido constantemente pelos povos bárbaros e guerras civis intermináveis. 15 Essa conjuntura econômica difícil teve como consequência uma inflação crescente, pois o governo para tentar combater o caos econômico fez manipulações monetárias mal sucedidas (as moedas de prata com 885 de conteúdo metálico em 54 – 68, passaram a ter 2% de conteúdo metálico em 260 – 268). O sistema escravista começou apresentar sinais de esgotamento em 235, pois o término das guerras externas se somou as perdas por pestes e aos sangrentos embates civis, acarretou na diminuição de escravos consideravelmente, o que acarretou em um desequilíbrio social e econômico que perdurou por algumas décadas. 2.9 – A Economia do Dirigismo Estatal (Séculos IV – V). Após um período longo de turbulência econômica e social, o Império Romano inicia uma fase de melhora do quadro, no século IV. Para combater a crise do século anterior, o Estado passou a interferir ativamente na economia e substituir o uso do trabalho escravo como forma dominante. A interferência do Estado nos setores econômicos não surtiram os efeitos esperados. As medidas tomadas consistiam em: os artesãos e comerciantes se escreviam em corporações indicadas pelo Estado, essa inscrição garantia que os homens livres pudessem exercer a suas respectivas profissões regularmente (desde que eles prestem gratuitamente serviços militares), sistema de colonato, os agricultores possuíam uma espécie de vínculo vitalício com áreas nas quais plantassem, mesmo se elas fossem vendidas, o Estado passa a receber os impostos em espécie, e faz o pagamento de seus funcionários da mesma maneira, as atividades profissionais são classificadas como hereditárias, o preço de mercadoria é determinado pelo governo. O conjunto de metas estabelecidas causou um retrocesso na parte Ocidental do Império, pois se iniciou um processo de ruralização, dado que os cidadãos mais abastados emigraram para o campo, para se livrar das crescentes obrigações impostas pelo Estado para a retomada do crescimento. Os mais ricos foram crescidos pelas camadas mais pobres da sociedade, que dependiam dos subsídios dados pelas camadas mais altas. A partir do século V, esse processo foi intensificado e gradativamente o sistema econômico romano Ocidental centralizado foi substituído por sistemas econômicos agrícolas regionais descentralizados. Entretanto, é importante destacar que na parte oriental do Império Romano, as cidades-estados não desapareceram e tampouco houve um processo de ruralização, pois nessas regiões as cidades-estados se desenvolveram a partir de uma economia agrária formando um sistema econômico funcional, orgânico e próprio. Já no Ocidente, as cidades-estados surgiram para abrigar comunidades militares e sede administrativas do governo, ou seja, foi um surgimento artificial. As características das cidades orientais possibilitaram que elas fossem capazes de atender as necessidades de um Estado em crise. Vale lembrar que nessas regiões o sistema de trabalho compulsório ocupou um espaço central na economia, enquanto que o trabalho escravo era utilizado de forma secundária. Esse conjunto de características levou ao Oriente ser a nova sede do Império Romano, pois aos poucos o lado oriental foi se tornando o centro econômico do Estado, e a parte Ocidental foi perdendo interesse e importância para o Império. 16 Capítulo III – SISTEMA ECONÔMICO FUNCIONAL. Introdução. 3.1 A Economia Dominial; 3.2 A Vida Urbana, Comércio Externo e Monetarização (Séculos VI – X); 3.3 As; Transformações na Técnica Agrícola (Séculos IX – X); 3.4 A Economia Senhorial (Séculos XI – XIII); 3.5 O Comércio, A Urbanização e a Monetarização (Séculos XI – XIII). Introdução A ruína do Império Romano da Europa Ocidental, no final do século V, teve como consequência o surgimento de reinos: em detrimento da insuficiência da manutenção de um Estado unificado; pertencentes aos povos bárbaros germânicos que conquistaram grandes extensões territoriais com o enfraquecimento do poder do Império Romano. É importante destacar que nesseperíodo há um surgimento de um fator que importante nesse novo cenário: a ascensão do Cristianismo, que foi elevado à categoria de religião oficial em 395, antes do fim do Império. O clero também dispõe de faixas territoriais, oriundas da doação do estado Romano e de benfeitores independentes. A disseminação do escravismo, a condenação da Igreja desse método de trabalho e a adoção dos métodos germânicos de produção levou a formação de um novo sistema econômico, denominado como funcional. A formação desse sistema econômico era composta a partir do pressuposto de três funções: trabalhar, rezar e lutar. A manutenção dessas funções dependia que cada uma fosse cumprida adequadamente. Para que o guerreiro pudesse defender os interesses do religioso e do trabalhador, o primeiro deveria rezar para que tudo ocorresse bem nas batalhas, enquanto o último lhe fornecessem os suprimentos necessários; para que o religioso pudesse pedir ajuda divina para a sociedade, o trabalhador garantia o seu sustento e o guerreiro o defendesse de todos os perigos existentes; para que o trabalhador pudesse cumprir as suas obrigações, ele necessitava de proteção espiritual e que o guerreiro o protegesse de quaisquer adversidades. O processo de ruralização da Europa Ocidental e o recuo demográfico culminaram com a consolidação do sistema de trabalho compulsório, como forma dominante, neste caso estamos nos referindo à classe camponesa (os servos). Os indivíduos que protegiam as fronteiras territoriais de seu respectivo reino, além de prestarem serviços militares, recebiam como forma de gratificação, enormes porções territoriais, e tinham a condição de serem homens livres. Nesse período, os feudos (grandes propriedades rurais e/ou castelos que abrigavam funções públicas – correspondiam os limites geográficos de cada reino) representavam uma espécie da manutenção da política – jurídica da sociedade funcional. O sistema econômico funcional se divide em dois períodos distintos. 3.1 – A Economia Dominial. O processo de ruralização da Europa Ocidental levou ao continente a uma queda demográfica consideravelmente alta, esse processo se deve a crise do sistema de trabalho escravista, guerras internas incessantes (que provocaram enormes devastações), futuro incerto e epidemias de peste. Para se ter uma ideia à população de 70 milhões de habitantes foi reduzida para 30 milhões de habitantes. O sistema de produção agrícola continuou a ser utilizada nesse período, entretanto houve algumas alterações em relação aos métodos utilizadas anteriormente. O sistema de trabalho escravo foi “desaparecendo” gradativamente, pela queda da densidade demográfica e a Igreja 17 condenava o escravismo. Entretanto, observou-se que a utilização do trabalho compulsório foi acentuada, o agricultor era considerado como parte inseparável da terra, o cultivador era uma mão de obra obrigatória e indispensável. Os lavradores eram denominados como servos (geralmente era os pequenos e médios camponeses). As faixas de cultivo eram pertencentes a grandes latifundiários, entretanto, havia algumas pequenas propriedades (agricultura familiar). Os camponeses pagavam uma espécie de aluguel para os proprietários de terra, consistia em entregar para os donos uma parcela do que era produzido. Os latifundiários delimitavam aonde se poderia produzir (daí a expressão domínio), a extensão territorial era dividida em duas partes: a primeira era a reserva senhorial (composta pela casa do senhor, oficinas, manufaturas, celeiros, estábulos, moinhos, pastagem e áreas agricultáveis – correspondiam 50% do território) e área dos mansos (pequenas faixas territoriais exploradas pelos camponeses). Os domínios também foram grandes centros manufatureiros. As matérias primas de origem dos itens cultivados eram transformadas em diversas mercadorias como: óleo, vinho, queijo, manteiga, farinha de trigo. Objetos que necessitam processos de transformação mais complexos também passavam pelos centros: tecidos, utensílios de madeira e de metal. Esses domínios contavam com diversos profissionais especializados, como sapateiros, artesãos, carpinteiros, pedreiros, etc. O comércio, amplamente difundido na Antiguidade Clássica, inicialmente havia perdido a importância no início da ruralização da Europa Ocidental e pelo fato da economia ser autossuficiente, entretanto, com o passar dos séculos, o comércio gradativamente foi voltando a ter relevância. A economia nunca deixou de ser monetizada (devido ao pagamento de tributos dos camponeses aos latifundiários uma vez por ano), e passou-se a comercializar o excedente da produção no mundo mediterrâneo, através da criação de feiras e mercados locais. Esse processo acendeu a chama de reunificar a Europa Ocidental. 3.2 – Vida Urbana. Comércio Externo e Monetarização (Séculos VI – X). Embora houvesse um desejo crescente da reunificação da Europa, o comércio mostrava-se promissor (houve até a criação de barreiras alfandegárias). Entretanto, percebia-se que a economia conseguia se manter autossuficiente e as cidades ainda não haviam conseguido se restabelecer, uma vez os reinos exerciam concentravam grandes riquezas. A partir do século VII, os muçulmanos conquistaram e fecharam a rota comercial mediterrânica, houve-se um processo de entesouramento pelos reinos germânicos. Graças ao tráfico de escravos, mesmo a prática sendo condenados pelo cristianismo, os germânicos vendiam escravos (embora estivesse restringido o uso de escravos, eles nunca deixaram de existir) para os muçulmanos que em troca pagavam em moedas de ouro. O ouro ficava retido nos cofres do reino e tornou-se extremamente valorizado, uma vez que o ouro do Império Romano foi drenado para o Oriente, portanto o Ocidente possuía poucas reservas desse metal precioso (tanto que nesse período o lado ocidental adotou o monometalismo – utilizavam apenas moeda de prata, por ela ser mais barata). O entesouramento culminou com a baixa circulação de moedas na economia, os bens e serviços eram trocados por outras mercadorias. 18 3.3 – As Transformações na Técnica Agrícola (Séculos IX – X). As técnicas de produção permaneceram rudimentares no período dominial. No século IX, introduziu-se uma série de inovações técnicas que possibilitaram o aumento significativo dos níveis de produção. Dentre elas, destacam-se: a) Adoção do sistema trienal de cultivo, a terra passou a ser dividida em três partes: Anteriormente era dividida em duas (sistema bienal), sendo que duas delas eram semeadas anualmente, enquanto uma permanecia em descanso. Esse método de cultivo possibilitou que 66% da área de cultivo fossem utilizadas, ante 50% do sistema bienal; b) Uso de moinho d´água que facilitou a moagem do trigo e o preparo do azeite; substituição do arado romano pela charrua germânica (arado com rodas e lâminas de metal), o que possibilitou que solos mais pesados fossem melhores oxigenadas, resultando em colheitas maiores e no cultivo intensivo de espécies vegetais com alto valor proteico (vargens, favas, lentilhas e grão-de-bico). A adoção dessa técnica reduziu o emprego de mão de obra manual e melhorou a dieta nutricional dos camponeses; c) O cavalo passou a ser usado para carregar mercadorias e em trabalhos agrícolas, pois se constatou que os cavalos eram mais resistentes e mais rápido que os bois na execução de atividades pesadas. Essas transformações contribuíram para a volta do crescimento demográfico. A revolução das técnicas de produção permitiu que houvesse a expansão de áreas agricultáveis e o sistema econômico dominial foi dando espaço para a consolidação de um novo sistemaeconômico, o funcional. 3.4 – A Economia Senhorial (Séculos XI – XIII). A partir do século XI, a Europa Ocidental adquire novos traços socioeconômicos. O sistema econômico funcional, graças à revolução das técnicas de produção, permitir uma expansão geográfica considerável: alcança a área correspondente da atual Inglaterra; a Itália Meridional e a Sicília; a Palestina e partes da Síria, a Espanha central e a planície centro-europeia (até o rio Oder e o litoral do mar Báltico). Essa expansão relaciona-se também pelo fato do clima europeu ter se tornado mais quente e seco (a partir do ano mil), pois se passou fazer cultivos em áreas que antes eram consideradas impróprias, como a vinha na Inglaterra e os cereais na Escandinávia. Esse período é caracterizado como a Revolução Agrícola ou Revolução Demográfica, pois essas revoluções impulsionaram um crescimento populacional significativo (a população de 42 milhões de habitantes, no ano mil, saltou para 73 milhões em 1.300). A escravidão desaparece praticamente e o trabalho compulsório é suavizado, pois os proprietários de terras passaram a se apropriar pelos resultados do que é produzido pelos camponeses, anteriormente se apropriavam do próprio trabalho campesino. Os latifundiários passaram a se preocupar pela garantia jurídica e administrativa do controle de suas áreas agricultáveis. Logo, começou a surgir uma contradição interna, porque essa suavização acabou incentivando que os camponeses pudessem ficar com uma parte do excedente produzido, portanto, os campesinos começaram a pensar em se tornar independentes de suas obrigações servis. Dessa forma, o sistema funcional começa perder a sua legitimidade. Nesta época, a economia pode ser caracterizada como senhorial, uma vez que os senhores feudais ditavam os métodos de produção, os senhorios eram distintos em dois tipos: o fundiário e o banal. 19 A) Os senhorios fundiários, herdeiro direto dos domínios, dividiam-se entre a reserva senhorial e as áreas ocupadas pelos camponeses. Estes consideravam mais importantes as parcelas da produção campesina ao trabalho compulsório, que ficou restringido apenas a obras públicas (como manutenção de estradas e construção de fossos e celeiros). Dessa forma dado ao aumento da densidade populacional, o emprego de mão de obra assalariada deu lugar ao arrendamento da terra, de maneira hereditária, desde os camponeses pagassem tributação, em montantes de dinheiro fixos, além de enviar uma parte da produção para os donos da terra. b) Os senhorios banais (termo ban, de tradição germânica significa jurisdição), quando possuíam poder sobre determinados territórios, eles detinham poderes econômicos, políticos e administrativos. Em troca forneciam proteção às populações ameaçadas pelas invasões dos vikings e magiares, o que possibilitou que várias aldeias camponesas e áreas pertencentes aos senhores fundiários fossem anexadas aos senhores banais. Logo, esse foi o método mais utilizado para expansão da economia funcional. Os recursos econômicos eram provenientes da alta tributação, imposta para todos habitantes do senhorio banal, graças ao cultivo da terra feito pelos camponeses. Os impostos eram os mais diversos: taxas alfandegárias, taxas sobre transações comerciais, taxas sobre a produção (talha), taxas de utilização de bens dos senhores banais (forno, moinho, lagar), entre outras tributações. Além disso, havia o pagamento de três taxas consideradas especiais: a) A Chevage (paga anualmente em dinheiro, simbolizava a dependência do servo para com o seu senhor); b) A Formariage (paga quando do casamento com uma pessoa livre, ou residente em outro senhorio); C) A Mainmorte (paga pelos herdeiros dos servos falecidos para terem posse dos bens pessoais, como animais, ferramentas e implementos agrícolas). Como se fosse pouco, os servos ainda entregavam à Igreja, cerca de 10% de sua produção (dizimo). Com a alta carga tributária, iniciou-se uma evasão de camponeses para áreas pouco povoadas, uma vez que os encargos eram mais baixos. Para evitar a evasão, os senhorios banais tornaram as talhas fixas. A produção agrícola não conseguiu acompanhar o crescimento da densidade demográfica, o que provocou uma luta generalizada dos preços. Entretanto, como as quantias de impostos eram fixas, em colheitas maiores, os camponeses conseguiam acumular reservas monetárias que eram utilizadas para pagar pelo fim da condição servil, isso possibilitou que a economia, aos poucos, ganhasse contornos comerciais e muito monetizados. 3.5 – O Comércio, a Urbanização e a Monetarização (Séculos XI – XIII). A alta expansão demográfica e geográfica, a partir do século XI, provocou a dispensa de mão de obra para outras atividades. Sendo assim, o comércio volta a desempenhar um papel importante na atividade econômica. Então, houve a formação de uma camada mercantil composta por homens livres. Estes viabilizaram o comércio à longa distância, os mercados começaram a ser ampliados, em decorrência dos crescentes excedentes agrícolas que passaram a ser exportados e comercializados em feiras espalhadas ao longo de todo o Mediterrâneo. Os aristocratas também passaram a depender desses comerciantes, uma vez que o excedente agrícola possibilitou a importação de artigos de luxo do Oriente. A Igreja, que antes condenava veementemente o comércio passou a olhá-lo diferente, pois 20 entendeu que a atividade comercial era benéfica para o bem comum. Contudo, as práticas comerciais só eram aceitáveis desde que se praticassem preços justos (o preço deveria ser igual aos custos de produção, embora isso não fosse seguido à risca). Com o retorno pleno da atividade comercial, aliado ao crescimento demográfico, às cidades se restabeleceram paulatinamente, destaque para as cidades italianas de Veneza, Gênova, Nápoles, Gaeta, Salerno, Pisa, Almafi, que por possuírem uma condição geográfica privilegiada, são banhadas pelo mar Mediterrâneo, o que garantiram o estabelecimento das rotas comerciais e, consequentemente, o seu controle. Essas cidades comercializavam itens de luxo vindos do Oriente, como especiarias, tecidos de seda, perfumes, etc. Elas contavam também com um império colonial mediterrâneo importante que forneciam trigo, açúcar, mel, madeira, etc. A reativação dos núcleos urbanos culminou que a atividade econômica se concentrasse em dois setores: a construção civil (para a construção de moradias, edifícios públicos e catedrais), e o têxtil (o processo de produção de lã – item mais utilizado para a confecção de tecidos – comportava cerca de trinta operários diferentes, sendo que em cada etapa se necessitava de mão de obra especializada). Nessa época, já se iniciou uma política rígida de controle de salários, pois os dispêndios com salário representavam a maior parte dos custos de produção (no setor têxtil correspondia cerca de 60% dos custos totais). A expansão das transações comerciais entre os diversos mercados teve como consequência a criação de um sistema bancário altamente desenvolvido, pois esse boom comercial evidenciou problemas financeiros, como a diversificação monetária, porque cada região possuía um sistema monetário próprio; a quem recorrer quando se precisasse de um empréstimo? Apesar da condenação da Igreja Católica (a usura, o acúmulo de capital, era abominável, segundo a visão cristã), o sistema bancário acabou se desenvolvendo. Dessa forma, os problemas de câmbio foram sanados (conversão cambial), transações de fundos para outras praças comerciais e os empréstimos a juros se tornaram práticas comuns.21 Capítulo IV – SISTEMA ECONÔMICO COMERCIAL. Introdução. 4.1 A Crise Agrária; 4.2 A Crise Demográfica; 4.3 A Crise Monetária; 4.4 Os Resultados da Depressão; 4.5 A Reconversão Agrícola e a Crescente Especialização da Produção; 4.6 A Decadência dos Eixos Econômicos Tradicionais; 4.7 A Expansão Ultramarina Europeia. Introdução O sistema econômico funcional, a partir do século XIII, entra em uma profunda depressão que culmina com o seu término no século seguinte. A partir daí, há a formação de um novo sistema econômico, o comercial, que perdura até o século XVIII. Esse novo sistema substituirá o excedente agrícola pelo excedente comercial. O fim do sistema funcional está atrelado ao fato que a expansão demográfica superou a produção agrícola. As inovações técnicas desenvolvidas no século IX, já se mostravam obsoletas e as extensas áreas de cultivo chegaram ao limite máximo, o que culminou com déficit na produção de alimentos para abastecer toda a população, que não parava de crescer. Para piorar a situação, o clima no início do século XIV se tornou mais frio e úmido, o que cessou a produção de cereais em algumas regiões, e em outras localidades, as quantidades foram reduzidas drasticamente e o cultivo na Inglaterra foi interrompido. Essa combinação de fatores provocou um grande desequilíbrio socioeconômico, pois os preços de alimentos dispararam e a quantidade ofertada diminuiu significativamente. A consequência disso foi períodos prolongados de fome generalizada, culminando coma uma crise agrária pavorosa, que inibiu o crescimento demográfico. Nessa situação de caos, ocorreram mais dois eventos desastrosos: a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), que envolveram três centros econômicos: Inglaterra, França e Flandres: e a Peste Bubônica (1347-1350), que atingiu todo o continente europeu. Esses fatores desencadearam duas outras crises, ou seja. A demográfica e a monetária. Ambas as crises acabaram por contribuir na extinção do sistema funcional e deu origem ao sistema comercial. 4.1 – A Crise Agrária. A falta de produtos agrícolas, resultado de uma demanda maior que a oferta, foi acentuada com conflitos entre as maiores regiões da Europa (como a Itália, a Alemanha e a França), que provocou enormes devastações nos campos. Somado a isso, no século XIV, as condições climáticas se tornaram hostis, prejudicando o amadurecimento e o tamanho das colheitas, elevando a uma alta dos preços, como o preço do trigo que subiu cerca de 300% em 1315-1316. Essa conjuntura ruim levou a enormes períodos de fomes e epidemias. As colheitas permaneceram durante todo o século XIV, em períodos de crescimento estáveis, o descompasso entre oferta e demanda de itens agrícolas eram interessantes, pois havia período que a oferta desses itens era maiores que a demanda (desestabilizada pelos períodos de fomes e epidemias), e outros períodos que a situação era inversa. Essa fase ruim da agricultura só foi substituída no século XV, quando houve mudanças nas práticas agrícolas e na mão de obra. 22 4.2 – A Crise Demográfica. Os longos períodos de fome, epidemias e guerras não foram responsáveis pelo recuo demográfico, pois o que realmente provocou a crise demográfica europeia foi a Peste Bubônica. Essa epidemia, na metade do século XIV, começou na China e se espalhou rapidamente por toda a Europa, em decorrência da transitividade de comerciantes entre o Oriente e o Ocidente, cerca de 25 a 35% da população europeia foi dizimada entre 1348-1350, embora de algumas regiões a população tenha sido menos afetada como na Alemanha, porém em outras a onda de mortes alcançaram índices altíssimos, como na França (cerca de 70%). A situação de déficit demográfico só atingiu um quadro de melhora no final do século XV, quando há uma reforma política, econômica e administrativa. 4.3 – A Crise Monetária. O progresso urbano, econômico e demográfico pressionava a expansão do meio de pagamentos. Entretanto, os governos locais sempre restringiam a cunhagem de moedas e o uso de crédito, mesmo os bancos se desenvolvendo, o estoque de moedas era baixo. Logo, a situação se agravou com a crise agrária e demográfica, uma vez que a primeira aumentava em demasia os preços dos produtos e a segunda causava um recuo da circulação de moedas, já que a queda populacional diminuía a demanda por alimentos. A situação levou a uma baixa da taxa de juros, dado a redução drástica da demanda, e o nível de salários permaneceram extremamente altos, pois a mão de obra havia se tornada escassa. O quadro econômico se agravou com a guerra entre as maiores potências da época, pois os governos começaram a pedir empréstimos a banqueiros para financiar as despesas da guerra e diminuir o rombo das contas públicas, o déficit fiscal se deve o advento das crises agrária e demográfica. Os governos não conseguiram quitar as dívidas para com seus credores, o que levou à falência de inúmeros bancos. Esse período de retração culminou com a desvalorização das moedas, o que estimulou o entesouramento e pressionou os preços de todas as mercadorias para baixo, que acentuou ainda mais esse cenário de retração. 4.4 – Os Resultados da Depressão. As crises agrária, demográfica e monetária provocou um processo de profundas transformações no cenário político, econômico e administrativo. O que se viu na Europa nos séculos XV e XVI foi adoção de políticas governamentais extremamente intervencionistas, unificação de governos locais em Estados centralizados e a criação de associações comerciais privadas. Medidas essas tomadas para, respectivamente, reequilibrar as contas públicas e retomar o crescimento econômico, fortalecer o papel administrativo e o poder político das monarquias e ampliar as atividades comerciais e retomar o investimento em capitais para o alargamento do mercado consumidor. 4.5 – A Reconversão Agrícola e a Crescente Especialização da Produção. A crise agrária dos séculos XIII e metade do século XV provocaram um processo de reconversão agrícola, que correspondeu ao uso de técnicas que gerassem o aumento da produtividade para o restabelecimento do equilíbrio agrícola. Basicamente, a reestruturação agrária foi possível através da fixação de monoculturas em nível 23 regional. Cada lugar se dedicaria em produzir itens, que fossem característicos da região, que o desenvolvimento fosse apropriado as condições climáticas e ambientais. Por exemplo, a cultura de cereais se concentrava nas áreas mediterrâneas e bálticas; a vinha ocupou a Itália e no norte da França, os pomares são plantados em Portugal, Grécia e Espanha; a cana-de-açúcar é cultivada nas ilhas de Creta e Sicília; as plantas têxteis passam a ser cultivado no Hainaut, vale dos rios Lãs, na região napolitana e no Piemonte; a pecuária torna-se muito difundida, mas regionalmente especializada: porcos no Jura, cavalos na Frísia, gado vacum na Noruega, na Suécia e na Dinamarca, e ovinos na Espanha e na Inglaterra. A especialização regional conseguiu provocar o aumento da produtividade da terra e teve como consequência a retomada do crescimento agrícola e o retorno natural da atividade comercial. A especialização regional foi aperfeiçoada progressivamente, e acabou mudando a visão arcaica sobre a mão de obra camponesa, pois o rendimento qualitativo do trabalho, o grau de qualidade de mão de obra, passou a ser mais importante que os resultados em termos quantitativos, isto é, o número da quantidade produzida e o trabalho em si. Nesse período, os camponeses passaram de meros trabalhadores obrigados à condição de camponeses arrendatários, de assalariados quetrabalhavam sob supervisão direta dos proprietários e de médios e pequenos proprietários que aproveitaram o abandono dos campos. Entretanto, apesar da mudança de paradigma, o que se viu em lugares os quais o cultivo da cultura de cereais foi especializado (Europa Mediterrânea e Europa Oriental), ocorreu um processo inverso, os camponeses ficaram mais dependentes dos grandes proprietários de terras. Isso aconteceu, porque os donos de terras ocuparam lugares despovoados, que não possuíam um poder real centralizador, considerando que os núcleos urbanos estavam enfraquecidos, aliados ao baixo nível de preços dos cereais (devido à alta especialização produtiva). O que levou aos latifundiários a se apropriarem de maiores números do trabalho camponês, obtendo um aumento quantitativo da produção. Era o surgimento das características do mundo moderno. 4.6 – A Decadência dos Eixos Econômicos Tradicionais. Os eixos econômicos tradicionais europeus: O Mediterrâneo e o Báltico – devido à especialização das culturas de cereais acabaram se tornando regiões economicamente periféricas. Isso se deve ao fato que alto nível de especialização das culturas, somado com o aumento da demanda por trabalho qualitativo, levou a região à dependência de trabalho compulsório novamente para elevar os volumes de cereais produzidos. Dessa forma, o preço desse item atingiu valores pouco expressivos, o que culminou com relação de trocas desiguais com o resto da Europa, o que tornou essa região economicamente dependente das demais, logo a região que antes era o centro econômico e comercial passou a ocupar uma posição secundária e/ou periférica. Além da situação explicitada, região Mediterrânea, que antes era famosa pelo papel intermediador do tráfico de artigos de luxos, passou a não exercer essa função, pois os turcos gradativamente foram dominando as rotas comerciais mediterrâneas, dessa forma a ligação entre o Mediterrâneo Oriental e Ocidental foi interrompida, levando a região a uma grande decadência econômica. Enquanto isso, as regiões da Europa Central e da Europa Atlântica paulatinamente foram se firmando como os novos centros econômicos, uma vez que a alta especialização agrícola foi liberando mão de obra camponesa, que acabaram migrando as cidades. Nesse período, os produtos manufaturados, principais itens produzidos por essas regiões, se tornaram 24 relativamente mais caros que os cereais, dado que os custos com os artesãos eram extremamente altos. A abundância de mão de obra, recém-chegada do campo, abriu oportunidades para que os burgueses mercadores reduzissem os dispêndios com a mão de obra, contudo, os seus privilégios, levando a uma instabilidade nos centros manufatureiros. A solução encontrada pelos burgueses foi contratar individualmente a mão de obra rural, fornecer para cada um as matérias-primas necessárias e pagar uma quantia para cada unidade que fosse produzida. Essa tática ficou conhecida como artesanato rural ou manufatureiro doméstico, que reduziu os custos significativamente já que a mão de obra se encontrava dispersa, possibilitou o aumento do volume dos artigos produzidos. Rapidamente, esse método de produção foi difundido, sobretudo, no setor têxtil. Portanto, as regiões centro e atlântica, apresentaram um alto crescimento econômico e acabaram se tornando os principais polos econômicos europeus. 4.7 – A Expansão Ultramarina Europeia. A crescente produção agrícola regional, a descentralização da atividade manufatureira e o bloqueio das rotas comerciais do Mediterrâneo pelos turcos, demandava uma rede de circulação comercial cada vez mais moderna, eficiente e barata (para tornar as mercadorias mais baratas e competitivas). A solução para esses problemas foi o transporte marítimo que era mais rápido e barato que o terrestre (uma vez que não se necessitava pagar tarifas alfandegárias). O século XV é caracterizado como o século marítimo, porque foram descobertas novas técnicas de navegação e rotas marítimas (região costeira do Oceano Atlântico), que aumentaram a tonelagem e melhoraram as condições de navegabilidade. Logo, cada vez mais mercadorias passaram a ser transportadas, via transporte marítimo, e este meio de navegação continuava a ser aperfeiçoado. Entretanto, esse incremento de transporte marítimo, gerou problemas de escassez de moeda, em decorrência da alta circulação de mercadorias, elevados investimentos nesse tipo de transporte, logo a produção das minas europeias não conseguiam atender essa crescente demanda. O que pressionou a procura por metais preciosos, impulsionado dessa economia comercial altamente monetizada. Essa incessante busca por metais preciosos, levaram aos portugueses a descobrirem ouro no norte africano. Somado a necessidade pelos preciosos itens metálicos, retomou-se a necessidade de expansão europeia, logo a demanda de alimentos aumentou, um bom exemplo disso foi à introdução do cultivo de trigo, pelos portugueses, nos arquipélagos atlânticos, e os venezianos introduziram nas ilhas mediterrâneas a cana-de-açúcar. Depois se viu a possibilidade de buscar as especiarias (pimenta, noz- moscada, canela, açafrão, entre outros itens utilizados para fins medicinais e de cosméticos) nos mercados orientais, já que os custos desses itens eram extremamente altos. O bloqueio da rota mediterrânea obrigaram os portugueses a viajarem pela costa africana, até chegar às Índias, o maior mercado de especiarias. As Grandes Navegações foram importantes para ampliação do universo econômico do sistema econômico- comercial, possibilitando à maximização da extração do excedente, dando origem ao capitalismo. 25 Capítulo V – A MODERNA ECONOMIA – MUNDO. Introdução. 5.1 As Áreas Periféricas da Economia – Mundo; 5.2 O Sistema Colonial do Oriente; 5.3 O Sistema Colonial Americano; 5.4 A Grande Propriedade Rural; 5.5 A Especialização Produtiva; 5.6 A Produção para o Mercado Externo; 5.7 As Colônias de Povoamento; 5.8 A Europa Oriental e a Especialização Produtiva; 5.9 A Decadência Econômica da Europa Central e Mediterrânea; 5.10 As Áreas Centrais da Economia – Mundo; 5.11 A Fase de Expansão do Século XVI; 5.12 A Fase de Depressão no Século XVIII; 5.13 O Mercantilismo; 5.14 A Prática; Mercantilista na Fase de Depressão; 5.15 A Recuperação Econômica do Século XVIII. Introdução O termo economia – mundo refere-se ao fato que a Europa Ocidental desenvolve uma expansão comercial sem precedentes, com o descobrimento da América, em 1492 e a circunavegação dos continentes, Africano e Asiático, graças ao aperfeiçoamento do transporte marítimo. Essas novas relações comerciais consistiam em trocas comerciais desiguais, favoráveis aos europeus, com as demais localidades, uma vez que os europeus haviam alcançado um alto grau de especialização produtiva e em regime de monopólio comercial. Enquanto isso, os continentes africano e americano, são responsáveis por fornecerem as matérias-primas, que são enviadas ao continente europeu, e transformadas em mercadorias, os produtos quando finalizados são distribuídos (comercializados) no próprio continente europeu e reenviados para as colônias (para o consumo local). Nessa época, há a consolidação dos Estados intervencionistas e absolutistas, garantindo o funcionamento regular do sistema econômico: a segurança das rotas comerciais transoceânicas, de pontos de apoio em diferentes continentes, sujeição de população em diversas áreas e de mercados privilegiados. O sistema econômico-comercial pode ser dito como um sistema pré- capitalista, pois neste período houve grandes acúmulos de capitais, em decorrência da extraçãodo excedente econômico obtido através do aumento dos preços da mercadoria e a redução de custos, em decorrência do aprimoramento da divisão social do trabalho, que diminuiu o nível de salários, tendo como consequência, o aumento da reserva de lucros. 5.1 – As Áreas Periféricas da Economia – Mundo. A expansão ultramarina europeia, no século XV, permitiu que, o comércio exterior ganhasse realmente uma dimensão mundial, com a incorporação de novas e vastas áreas a seu universo econômico. Com as descobertas desses novos territórios, os principais itens necessitados pelos europeus (metais preciosos, alimento, especiarias) poderiam se obtidos de qualquer parte do mundo, o que forçou o desenvolvimento de monoculturas regionais em nível mundial. Logo, essas áreas recém-descobertas foram forçadas a dependerem economicamente da Europa Ocidental, pois toda a riqueza proveniente dessas novas descobertas era canalizada para o continente europeu, onde as matérias-primas eram transformadas em mercadorias e comercializadas. Inicialmente, o comércio se limitava somente a Europa e, posteriormente, eram enviados a essas regiões periféricas. Essa submissão dos povos locais aos europeus se deve ao fato da supremacia política e militar ser altamente poderosa. Dessa forma, essa relação de dependência entre as regiões periféricas e a Europa Ocidental, pode ser denominada como Sistema Colonial. A colonização se deu em duas formas: Oriental e Americana. 26 5.2 – O Sistema Colonial do Oriente. O sistema colonial do Oriente compreende geograficamente o Oceano Índico, às regiões costeiras da Índia, da Birmânia, da Indonésia e das Filipinas. Basicamente, os principais itens desse comércio oriental são as especiarias que possuem alto valor unitário e crescente procura, propiciando, por conseguinte, uma alta lucratividade. O alto consumo europeu de especiarias provocou um aumento nos volumes produzidos que passou de 3.000 toneladas, no século XV, para 9.000 toneladas, no século XVII. O que provocou um barateamento nos preços, no mercado europeu, tendo como consequência, o monopólio do fornecimento desses itens, por parte dos Estados europeus. Além dessas especiarias, o comércio oriental fornecia artigos de luxo (como diamantes, pérolas, seda chinesa, porcelana, etc.). Embora o comércio colonial fosse extremamente rentável, o acumulo de capitais não foi possível, em decorrência do padrão de troca estabelecido, pois a Europa não possuía nenhum produto que atraísse atenção dos orientais. Então, ela se viu obrigada a canalizar todo seu estoque limitado de prata para o Oriente, uma vez que a Índia, a China e a Indonésia tinham costume trocar as suas mercadorias pelo entesouramento da prata, para poder adquirir os itens desejados. Dessa forma, percebe- se que o sistema colonial do Oriente não impactou em mudanças significativas nas estruturas de produção. 5.3 – O Sistema Colonial Americano. A América (Novo Mundo) garantiu que os europeus ocidentais acumulassem grandes quantidades de capital, ou seja, neste novo continente foi maximizada a extração do excedente econômico. Isso se deve ao sucesso da implementação do trabalho compulsório escravo na estrutura produtiva e uma operação comercial instituída, a partir de um regime de monopólio. Com exceção do leste dos Estados Unidos, todo o continente americano foi dividido em colônias de exploração, em que cada colônia dependia economicamente, administrativamente e politicamente da sua respectiva metrópole europeia. Essa medida garantia que as metrópoles tivesse controle absoluto de explorar as suas colônias, para que o acúmulo de capital fosse possível. O regime de monopólio estabelecia que as colônias só poderiam vender a sua produção para a sua respectiva metrópole (oligopsônio) e, comprar delas aquilo que necessitassem (oligopólio), através das mercadorias e/ou companhias autorizadas pelo governo. Esse sistema garantiu os metropolitanos uma alta lucratividade, porque os mercadores compravam as matérias primas, a custo de produção, depois revendiam os produtos a níveis de preços extremamente altos, incorporando sobre lucros. Assim, era comum colonos endividados, revoltas populares nas colônias. Embora, o trabalho assalariado fosse mais barato que o trabalho compulsório escravo, pois utilizando o trabalho assalariado, o custo de produção só é relativo ao salário do trabalhador, enquanto que a utilização do trabalho escravo, além de se pagar pela compra de um escravo, se pagaria também uma quantia para os encargos do supervisor do escravo; o método compulsório acabou sendo adotado, pelo fato de os burgueses das metrópoles venderem os escravos, oriundos da África, para o colono americano, o que encarecia os custos de produção. Quando, o comerciante recebia as mercadorias das colônias, os custos adicionais eram absorvidos no preço dos itens vendidos para os consumidores europeus e, posteriormente, para os colonos. Portanto, diante dessa estratégia, os burgueses da 27 metrópole lucravam duplamente. Além do regime comercial monopolístico e a utilização do trabalho escravo, as colônias possuíam mais três pontos em comum: A grande propriedade rural; a especialização produtiva e a comercialização externa de sua produção. 5.4 – A Grande Propriedade Rural. O principal objetivo da colonização da América foi promover a acumulação de capital. Dessa forma, os europeus estimulavam o desenvolvimento de concentração fundiária, porque a existência de poucos proprietários centralizava a renda, que chegaria mais rapidamente nas Metrópoles. Além disso, a implementação de complexos produtivos (necessários para a produção em larga escala de açúcar e algodão); áreas férteis em abundância (o clima era tropical) e pouco exploradas, culturas que rapidamente esgotavam as propriedades do solo e o uso massivo de mão de obra escrava, contribuíram para a formação de propriedades latifundiárias. Basicamente, a atividade produtiva se restringia ao cultivo de algodão, cana-de-açúcar e criação bovina. A produção agrícola se caracterizava por ser altamente especializada. 5.5 – A Especialização Produtiva. A economia americana tinha como finalidade produzir mercadorias que não poderiam ser produzidas na Europa, pois as condições geoclimáticas europeias impossibilitavam o cultivo de alguns gêneros alimentícios, enquanto que o clima tropical americano era propício para produção de cana-de-açúcar, sobretudo, o Brasil. Essas condições levaram as colônias a um processo de especialização produtiva, possibilitando o desenvolvimento das monoculturas, voltada para a exportação. Por outro lado, as monoculturas foram utilizadas para inibir a diversificação produtiva nas colônias, porque elas eram consumidoras dos produtos metropolitanos. Só poderia produzir itens que não fossem característicos da Europa, como o milho e a mandioca. A agricultura monocultora empregava o uso intensivo de mão de obra escrava ajudava impedir o desenvolvimento das policulturas, pois os custos com o escravo em elevados e grande parte do montante arrecadado com as atividades agrícolas eram utilizados para a compra de novos escravos, sendo que as metrópoles forneciam essa mão de obra. 5.6 – A Produção para o Mercado Externo. A produção das colônias americanas como eram voltadas para o mercado externo, e extremamente dependente de suas metrópoles para o fornecimento de mercadorias e mão de obra escrava na produção. O comércio interno não se desenvolveu, dado que o crescente volume de produção, não criou as condições necessárias para o consumo interno. Os únicos locais, em que houve chancespara que o mercado interno fosse desenvolvido foi em lugares que a atividade mineradora foi explorada, uma vez que o acúmulo de metais preciosos estimulou o desenvolvimento de pequenos proprietários de lavras. Consequentemente, houve um processo de urbanização dessas regiões, provocando o surgimento da atividade comercial interna. Portanto, a extração de metais preciosos, pelos colonos, era absolutamente condenável pelas metrópoles europeias, pois o aquecimento do mercado interno colonial era visto como sinal de ameaça para o mercado europeu. Dessa forma, a atividade mineradora foi suprimida, para que os 28 colonos permanecessem dependentes, economicamente e comercialmente de suas metrópoles. 5.7 – As Colônias de Povoamento. Na região leste dos Estados Unidos, o sistema de colonização foi diferenciado do restante da América, porque os imigrantes ingleses mudaram para o continente americano com o intuito de povoá-lo, daí a expressão de colônias de povoamento, no século XVI. Devido à decorrência da intolerância religiosa (os católicos e calvinistas eram perseguidos pela Igreja Anglicana – religião oficial do Estado). Então, os ingleses estabeleceram várias colônias que desenvolveram um centro comercial local. O trabalho escravo foi substituído pelo assalariado, o que contribuiu para uma diversidade produtiva. Enquanto, algumas colônias (da região da Nova Inglaterra) cultivam legumes, verduras, cereais, criavam gado, pescavam bacalhau e baleia, e produziam tecidos e utensílios domésticos; outras (do Centro) se dedicavam exclusivamente ao cultivo de cereais, tinham uma pecuária bastante desenvolvida, e possuíam importantes centros manufatureiros. A Inglaterra, por está envolvida em contínuas guerras que envolviam todo o continente europeu, inicialmente não deu importância para os acontecimentos nas colônias inglesas. Entretanto, gradativamente, a Inglaterra passou a cobrar uma série de impostos para as colônias de povoamento, além de restringir a entrada de novos colonos na região – medidas tomadas para frear o crescimento econômico e comercial das colônias. Essas atitudes causaram um descontentamento generalizado nos colonos ingleses, que se uniram contra a metrópole, culminando com a independência dos Estados Unidos, em 1776. 5.8 – A Europa Oriental e a Especialização Produtiva. A crescente especialização produtiva do cultivo de cereais, aliado a entrada de metais preciosos, da adoção do sistema de trabalho compulsório camponês na Europa Oriental, possibilitou que os volumes de cereais produzidos atingissem altos índices. Entretanto, observou-se que o preço desse item foi radicalmente reduzido e o lado Oriental passou a importar grandes quantidades de mercadorias, relativamente mais valorizadas do Ocidente, deixando a balança comercial desfavorável. Além disso, os europeus orientais passaram a depender dos ocidentais para o transporte de suas mercadorias, em decorrência da hegemonia marítima ocidental. Logo, observou-se que a Europa do Mediterrâneo foi se tornando uma região meramente periférica para a economia – mundo, entrando em uma decadência econômica. 5.9 – A Decadência Econômica da Europa Central e Mediterrânea. A economia da Europa Central, até o século XVI, era um importante centro econômico, graças a suas minas de prata. Entretanto, a situação se inverteu em decorrência da descoberta de minas de ouro e prata na América, logo houve a introdução desses metais preciosos na economia – mundo, e gradativamente, a produção de prata na região central foi reduzida, assim acabou perdendo a importância econômica, e se tornou uma região periférica. 29 A Europa Mediterrânea acabou mergulhando em uma decadência econômica, como ocorreu na Europa Central. E um ponto interessante entre as duas, é que ambas não conseguiram estabelecer Estados nacionais centralizados. Dessa forma, não houve uma organização política, econômica e administrativa que pudesse exercer o poder sobre várias áreas territoriais da economia – mundo e, também, não houve planejamento comercial, voltado para o excedente econômico – essas características se configuram com a prática mercantilista, adotados pelos Estados europeus ocidentais. 5.10 – As Áreas Centrais da Economia – Mundo. Durante os séculos XVI, XVII e XVIII, vários Estados nacionais lutam entre si, com o objetivo de permanecessem no centro da economia mundo, para promover o acúmulo de capitais. Ocorreu, portanto, um considerável reforço na intervenção estatal na vida econômica, a ponto de dominá-la completamente, paralelamente, a uma aberta competição entre os mais diversos Estados Nacionais. Essa intervenção na economia é denominada como Mercantilismo, em que os Estados disputam a vaga para permanecer na área central da economia – mundo. A economia mercantilista é dividida em duas fases distintas: A fase de expansão do século XVII e a fase de depressão no século XVIII. 5.11 – A Fase de Expansão do Século XVII. Nessa fase, a economia – mundo atinge o seu apogeu, há o fortalecimento dos Estados nacionais, do apogeu do Renascimento e da Reforma. Esse período foi marcado por uma alta generalização dos preços, devido aos crescentes volumes de ouro e prata. Como os preços nominais de todos os produtos tiveram de se elevar, para se adequar a súbita desvalorização da moeda, ocorreu um grande incentivo à produção global, o que revitalizou o crescimento da atividade econômica e possibilitou o acúmulo de capitais. 5.12 – A Fase de Depressão no Século XVIII. Após uma longa fase de expansão econômica, a economia – mundo registrou no século XVIII, uma desaceleração geral, conhecida por depressão do século XVIII. Essa conjuntura econômica desfavorável pode ser explicada, não de uma forma muito clara, através desses três eventos: a redução do volume de metais preciosos das colônias espanholas; a inconsistência de sua recuperação demográfica e a fraqueza do sistema econômico-comercial em se sustentar sozinho. A principal consequência dessa conjuntura econômica decadente foi à ampliação dos poderes do Estado, com reforço do absolutismo político e da intervenção econômica – Mercantilismo – como forma de reativar a economia. 5.13 – O Mercantilismo. Mercantilismo é o conjunto de práticas e ideias econômicas desenvolvidas na Europa entre os séculos XV e XVIII. O nome mercantilismo foi criado pelo economista Adam Smith, em 1776. O mercantilismo tinha por objetivo fortalecer o Estado e enriquecer a burguesia, para isso, era preciso ampliar a economia para dar mais lucro, afim de que a produção pudesse pagar mais imposto. Consideravam que a exportação é que traria riquezas e vantagens e, assim começou uma competição 30 comercial. Ocorreu então, o metalismo, que era o acúmulo de moedas dentro do país e, isso era considerado um sinal de que o objetivo havia sido alcançado. O único recurso encontrado então foi aplicar uma balança comercial favorável para manter o equilíbrio monetário que para eles era exportar mais e importar menos. O Estado teve que tomar medidas para desenvolver o monopólio já que era aplicado com dificuldade. O Estado percebeu que, o acúmulo de riquezas se dava mais por operações mercantis e, então condicionou todas as necessidades do comércio exterior. Havia vários tipos de mercantilismos onde se destacam como verificar a seguir: 5.14 – A Prática Mercantilista, na Fase da Depressão. A adoção generalizada do mercantilismo, como uma resposta à depressão do século XVIII, com seus pontos de balança de comércio favorável e nacionalismo econômico, jamais poderia levar à cooperaçãoentre os Estados, Mas à aberta competição entre eles. Essa competição fez-se não só em termos econômicos, mas principalmente, através de guerras, que abarcaram todo espaço da economia – mundo. No período, economia e política identificavam-se, a economia sempre acabava ditando as ações da política. Cronologicamente, essa depressão pode ser dividida em dois períodos: 1620-1674 e 1675-1720. A primeira caracterizou-se pelo predomínio holandês, uma vez que os holandeses eram os maiores fretadores marítimos, no transporte transatlântico e a segunda pela competição entre a Inglaterra e a França pela hegemonia da economia – mundo. Essa competição se definirá a favor da Inglaterra, em 1763; sendo que entre 1640-1651, essa metrópole passou por profundas transformações, a burguesia inglesa estabelece um limite para o absolutismo real e, ganham peso no aparelhamento estatal. Paulatinamente, o absolutismo desaparece e a burguesia acaba-se firmando como uma poderosa classe social, e o Estado inglês foram-se firmando como importante centro comercial. 5.15 – A Recuperação Econômica do Século XVIII. A partir de 1720, a economia – mundo conheceu uma nova fase de crescimento econômico, baseada, notadamente, em um novo afluxo de metais preciosos da América, e à expansão demográfica europeia. Essa fase de recuperação econômica, que, no entanto, não foi constante, estando sujeita a crises esporádicas, no que diz respeito à produção agrícola, marcou um modo definitivo a primazia inglesa, no contexto mundial, e possibilitou a concretização da Inglaterra, da assunção do sistema econômico capitalista. Em algum momento, após a década de 1760, o sistema comercial cede lugar ao capitalista, com o advento da forma de produção que assegura sua reprodução natural, a fabril. Em 1776, Adam Smith com a publicação d´A Riqueza das Nações, ataca violentamente os monopólios e as condições privilegiadas de mercado, refletindo a realidade que o desenvolvimento econômico não mais necessitava de trabalho compulsório e dos sistemas de monopólios. O sistema econômico comercial cumprira exemplarmente a sua função. 31 Capítulo VI – O SISTEMA ECONÔMICO CAPITALISTA. Introdução. 6.1 A Revolução Industrial Inglesa; 6.2 A Segunda Revolução Industrial; 6.3 A Industrialização Fora da Inglaterra; 6.4 A Alemanha; 6.5 A Itália; 6.6 Os Estados Unidos; 6.7 O Japão; 6.8 A Questão do Liberalismo Econômico. Introdução No século XVIII, a Europa passa por uma mudança significativa, no que se refere ao sistema de produção. A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, fortalece o sistema capitalista e solidifica suas raízes na Europa e em outras regiões do mundo. A Revolução Industrial modificou o sistema de produção, pois colocou a máquina para fazer o trabalho que antes era realizado pelos artesãos. O dono da fábrica conseguiu, desta forma, aumentar sua margem de lucro, pois a produção acontecia com mais rapidez. Se por um lado, esta mudança trouxe benefícios (queda no preço das mercadorias), por outro a população perdeu muito. O desemprego, baixos salários, péssimas condições de trabalho, poluição do ar e rios, e acidentes nas máquinas foram problemas enfrentados pelos trabalhadores deste período. O lucro ficava com o empresário que pagava um salário baixo pela mão de obra dos operários. As indústrias, utilizando máquinas a vapor, espalharam-se rapidamente pelos quatro cantos da Europa. É o surgimento do sistema capitalista. Muitos países europeus, no século XIX, começaram a incluir a Ásia e a África dentro desse sistema. Estes dois continentes foram explorados pelos europeus, dentro de um contexto conhecido como neocolonialismo. As populações destes continentes foram dominadas a força e tiveram suas matérias-primas e riquezas exploradas pelos europeus. Eram também forçados a trabalharem em jazidas de minérios e a consumirem os produtos industrializados das fábricas europeias. 6.1 – A Revolução Industrial Inglesa. A primeira Revolução Industrial teve início, na Inglaterra, por volta de 1750 e, logo alcançou a França, a Bélgica e, posteriormente, a Itália, a Alemanha, a Rússia, o Japão e os Estados Unidos. Por essa época, as atividades comerciais comandavam o ritmo da produção. Na Revolução Industrial inglesa, a principal manufatura era a tecelagem de lã. Mas foi a produção dos tecidos de algodão que começou o processo de mecanização, isto é, da passagem da manufatura para o sistema fabril. A matéria-prima vinha das colônias (Índia e Estados Unidos). Cerca de 90% dos tecidos ingleses de algodão eram vendidos no exterior, o que teve papel determinante na arrancada industrial inglesa. A mecanização se estendeu do setor têxtil para a metalurgia, para os transportes, para a agricultura e outros setores da economia. A grande fonte de riqueza deslocou-se da atividade comercial para a industrial. Quem desenvolvesse a capacidade de produzir mercadorias passaria a ter a liderança econômica no mundo. E foi isso o que aconteceu com a Inglaterra, foi o primeiro país a se industrializar utilizando a máquina na produção: a) A máquina de fiar – que transforma em fios as fibras têxteis de algodão, seda e lã, para o fabrico de tecidos. Essa invenção revolucionou a técnica de produção, transformando a Inglaterra, no maior produtor de fios para tecidos. Essa invenção substituiu a roca, um dos mais simples e antigos instrumentos de fiar; 32 b) O tear mecânico – inventado em 1785, em substituição ao tear manual, aumentou de forma considerável a produção de tecidos, colocando a Inglaterra na liderança mundial da época; c) A máquina a vapor – cujo uso na indústria de tecidos, nas usinas de carvão mineral, na industrialização do ferro, nas embarcações fluviais ou marítimas (navios a vapor), nas estradas de ferro (locomotivas a vapor), entre outras, representou uma revolução no transporte de passageiros e de cargas a longas distâncias. Essas invenções, acompanhadas do aproveitamento da energia calorífica do carvão mineral e sua transformação em energia mecânica para fazer funcionar as máquinas representaram um grande avanço nas técnicas empregadas para a fabricação de mercadorias e, consequentemente, no aumento da produção. A Inglaterra passou assim, da manufatura para a maquinofatura. Produzia e vendia seus produtos industriais em todo o mundo, graças, entre outros fatores, a expansão do sistema colonial. Dessa forma, no século XVIII, o país tornou-se a maior nação capitalizada do mundo, sendo Londres a capital financeira internacional. Esse momento representou uma verdadeira revolução no modo de produzir mercadorias em tempo bastante menor, se comparando à manufatura. O desenvolvimento inicial das indústrias têxteis mecanizadas em grande parte da Europa e nos Estados Unidos dependia de muitas dessas invenções britânicas. Essa revolução ficou conhecida como a Primeira Revolução Industrial. 6.2 – A Segunda Revolução Industrial. Com o desenvolvimento efetivo da atividade industrial em diversas partes do mundo, os donos dos meios de produção e capitais começaram a direcionar recursos financeiros para o desvendamento e criação de novas tecnologias como procedimentos produtivos, máquinas, equipamentos, entre outros, todos com intuito de dinamizar e acelerar a produtividade e automaticamente os percentuais de lucros. Desse modo, grande parte dos avanços tecnológicos foi derivada de pesquisas científicas que são realizadas para o aperfeiçoamento industrial. Esse processo é contínuo, pois constantemente, busca novos materiais, novas tecnologias e métodos de produção com o objetivo de ampliar as margens de lucros.O período que mais marcou os avanços tecnológicos foi entre o final do século XIX até a primeira metade do século XX, quando o mundo vivenciou uma série de avanços na tecnologia, medicina, entre outros. Os fatos de maior destaque, assim como na Primeira Revolução Industrial, foram em relação a inventos e descobertas, dessa vez o que impulsionou foi, sem dúvida, o petróleo, o motor a combustão, a utilização do aço e o uso da força das águas na geração de energia elétrica (usinas hidrelétricas). O conjunto de novidades tecnológicas favoreceu uma flexibilização produtiva na atividade industrial, posicionando países que lideram o processo de industrialização como algumas nações europeias, além dos Estados Unidos e o Japão que ingressaram na Segunda Revolução Industrial. A Segunda Revolução Industrial focalizou a produção no surgimento de indústrias de grande porte (siderúrgicas, metalúrgicas, petroquímicas, automobilísticas, transporte ferroviário e naval). Essa etapa da indústria mundial produziu profundas modificações no contexto do espaço geográfico, no qual essa revolução foi desenvolvida. As revoluções industriais são processos que estão ligadas diretamente aos avanços tecnológicos que determinam o sucesso de cada uma delas. 33 6.3 – A Industrialização Fora da Inglaterra. Enquanto, a Inglaterra foi durante muitas décadas a única nação realmente industrializada do mundo, os demais países continuaram predominantemente agrários, com a maioria da sua população produtiva presa economicamente no setor primário. A razão principal dessa defasagem pode ser colocada ao fato de serem suas burguesias fracas e desarticuladas para poderem influir politicamente em seus Estados com sucesso, a fim de orientá-los economicamente a seu favor. A ausência de industrialização não implicava que esses países não fossem capitalistas, ou que estivesse sujeito a qualquer outro sistema econômico, pois o que a industrialização traz ao país, não é, portanto, a sua inclusão no sistema capitalista, mas simplesmente a admissão na área central do sistema. Alguns casos nacionais, pela sua relevância ou especificidade de industrialização durante a Segunda Revolução Industrial, merecem destaque como: a Alemanha, a Itália, os Estados Unidos e o Japão. 6.4 – A Alemanha. O processo de industrialização alemão foi rápido. Em fins do século XIX, a Alemanha já havia ultrapassado o Reino Unido e a França, e junto com os Estados Unidos, liderou os avanços para a Segunda Revolução Industrial. Esse crescimento foi muito rápido, mas por quê? Porque com a unificação político territorial, em 1871, a Alemanha se tornou não só um único Estado, como também um único mercado, ou seja, houve também uma unificação econômica. As possibilidades de se acumular capitais aumentaram com a instituição de uma moeda única, com a constituição de um grande mercado interno e a padronização das leis. Devido à facilidade de transportes e a disponibilidade de jazidas de carvão mineral, se concentrou indústrias quase na fronteira com os Países Baixos, aonde os rios Ruhr e Reno se encontram. Nessa região, que antes era rota de comércio, ligando o norte da Itália a Flandres, os banqueiros concentraram capitais, e passaram a investir cada vez mais na indústria. Aos poucos a população que residia no campo, foi migrando para as cidades e, formando a mão de obra necessária. Assim, com o trabalho assalariado aumentando, crescia paralelamente o mercado consumidor. Também se deve lembrar que a França, após perder a guerra de 1871, foi obrigada a pagar uma indenização à Alemanha, de acordo com o Tratado de Frankfurt, e ceder às províncias da Alsácia e Lorena, ricos em carvão e minério de ferro. Isso significou mais recursos e novas fontes de energia e matérias-primas. Todos esses fatores juntos ajudaram na industrialização alemã. A Alemanha se deparou com vários problemas para sustentar seu processo de industrialização. Com a derrota na Primeira Guerra Mundial, os vitoriosos impuseram várias sanções através do Tratado de Versalhes, tais como: Pagar indenizações, restrições em termos militares e perdas territoriais, sendo que a Alemanha teve de devolver as províncias anexadas, citadas acima. Em consequência do Tratado de Versalhes, a Alemanha caiu em uma crise econômica e social, que criou as condições necessárias para o surgimento do Terceiro Reich, com Adolfo Hitler no poder, em 1933. Com a influência nazista, o país procurou conquistar territórios que eram considerados vitais para a expansão econômica. Mas o resultado dessa busca de territórios foi à derrota na Segunda Guerra Mundial. Os alemães ganharam: destruição, maiores perdas territoriais e fragmentação política. Porém, a Alemanha mostraria que mesmo sofrendo perdas territoriais é possível um país crescer economicamente. 34 6.5 – A Itália. Quando ocorreu o “milagre italiano” (um rápido crescimento econômico), houve uma forte concentração industrial no norte da Itália (Vale do Pó) apesar da política de descentralização industrial. Durante muitos séculos (XII ao XVI), as cidades- estados do Norte tinham um forte comércio com o Oriente Médio e várias regiões da Europa. Veneza e Gênova eram cidades que tinham um importante centro comercial. O comércio permitiu o surgimento de cidades, nas quais com o tempo foi havendo uma concentração de capitais nas mãos da burguesia e, uma aglomeração de população, que, com a industrialização, no século XIX, se tornou a mão de obra e mercado consumidor. No Norte, com o crescimento comercial e urbano, o feudalismo foi perdendo forças, e passou a disseminar uma mentalidade burguesa. Ao mesmo tempo, o Sul ficou por muito tempo, preso as estruturas do feudalismo, que preservou uma agricultura atrasada realizada por uma abundante mão de obra. A industrialização que ocorreu no Sul, depois da Segunda Guerra Mundial, foi uma intervenção do Estado italiano, como planejador e concedendo incentivos para a iniciativa privada. Já que no Sul, não houve uma grande acumulação de capitais, muitas empresas do Norte passaram a abrir suas filiais nessa região. Durante o período em que a indústria era movida principalmente por carvão, a Itália tinha grandes barreiras, no entanto, com a Segunda Revolução Industrial e a utilização da eletricidade, o país pôde aumentar sua industrialização mais rapidamente. Nesse ponto, o Norte também levou vantagens. A bacia do Pó passou a produzir boa parte da energia consumida pelas indústrias e cidades da região. Com a construção de usinas hidrelétricas, a Itália foi diminuindo a sua dependência de energia importada. Mas, com o crescimento econômico, o país se tornou um grande importador de combustíveis, principalmente petróleo. Em 1946, uma estatal de energia descobriu algumas reservas importantes de gás natural no Vale do Pó. Apesar da descoberta de novas reservas de gás no Sul, a Itália ainda dependente da importação de combustíveis fosse, tornando-se uma grande importadora de petróleo, mas também, uma enorme exportadora de produtos derivados de petróleo. A Itália possui um grande parque industrial bem diversificado. O país aumentou sua competitividade e produtividade, após a Segunda Guerra Mundial, quando o capital estatal e privado passou a capacitar tecnologicamente o país. A Itália, também, se beneficiou do Plano Marshall para a reconstrução de sua indústria. Alguns grupos privados nacionais estão entre os maiores conglomerados do mundo, como a Fiat, que além de automóveis, produz aviões, helicópteros, etc. Há outros grupos importantes como a Olivetti (eletrônico), a Parmalat (alimentício), a Pirelli (químico), etc. Algunsdos principais centros são Milão, Turim, Gênova, Verona e Parma. No Sul, as indústrias se localizam em torno de siderúrgicas e petroquímicas instaladas pelo Estado. A Itália tem a maior capacidade de refinaria de petróleo da Europa. Devido a sua localização entre o Oriente Médio e Europa, suas refinarias abastecem vários países. O Estado italiano teve uma grande importância ao longo desse processo de industrialização tardia. Mas algumas empresas foram privatizadas, devido ao neoliberalismo ter ganhado espaço. 6.6 – Os Estados Unidos. A Revolução Industrial nos Estados Unidos começou mais tarde, conseguindo seu apogeu com a construção de ferrovia, entre 1867 e 1890. Nesse processo, as empresas pequenas e médias não tiveram o mesmo protagonismo que na 35 Inglaterra. Nos Estados Unidos, as grandes empresas Oligopolistas foram desde o principio os impulsores da construção e exploração das ferrovias, o verdadeiro polo de desenvolvimento da economia norte-americana. As ferrovias tornaram-se cada vez mais importantes para este país em expansão e havia uma profusão de práticas ferroviárias injustas. As empresas ferroviárias concediam descontos para fregueses que operavam grandes cargas e, portanto, prejudicavam transportadores menores. As tarifas de carga eram frequentemente desproporcionais à distância percorridas; a concorrência muitas vezes reduzia as tarifas de carga entre cidades com várias ligações ferroviárias. As tarifas tendiam a ser altas entre pontos ligados por apenas uma linha férrea. Ficava, portanto, mais barato transportar uma carga de Chicago para Nova Iorque, numa distância de 1.280 quilómetros, do que para cidades distantes apenas algumas centenas de quilómetros de Chicago. Além do mais, para contornar a concorrência às empresas concorrentes às vezes compartilhavam (“pooled”) o mercado de cargas de acordo com um entendimento prévio que canalizava os rendimentos totais para um fundo comum para distribuição. Foram também grandes empresas as que desenvolveram a indústria do aço. Da extração e requintado de petróleo, do carvão, do fumo, da madeira, do automóvel, etc. A Revolução Industrial estadunidense está protagonizada pelos big business e os grandes empresários como Vanderbilt, Rockefeller, Carnegie, Stanford, Morgan, etc., pessoas que acumularam muito rapidamente um imenso poder, tanto no setor financeiro, como no setor real. Nesse contexto socioeconômico não tinha local para o liberalismo competitivo humanista de Adam Smith, Malthus e Stuart Mill. Nos Estados Unidos, de fato não teve uma ideologia liberal aplicada aos negócios, embora a revolução americana estivesse inspirada fortemente pelos liberais europeus da época. Mas, o desenvolvimento econômico que teve local, na segunda metade do século XIX, pouco tinha em comum com as ideias de Washington, Jackson e os demais pais da pátria, que contemplavam como uma sociedade de pequenos e médios empresários majoritariamente rurais que trabalhavam em um mundo onde reinava a igualdade de oportunidades. Os imensos poderes que acumularam os banqueiros, ferroviários e industrialistas animavam a maioria da população americana, ainda rural, e provocou muitos protestos e ainda revoltas políticas contra o poder dos multimilionários. Estes se serviram descaradamente da administração pública para aumentar as ocasiões de se enriquecer e evitar as regulações e trava a suas manipulações. Os grandes tycoons não tinham mais ideologia que a de acumular poder e dinheiro. Alguns se serviram da ideologia liberal, embora tardiamente e com não muita convicção, para justificar a ausência do governo federal, no mundo dos negócios e para recusar suas intervenções, sempre tímidas e insuficientes, destinadas a limitar o poder e os abusos dos grandes empresários. Para os grandes empresários, a concentração é melhor que a distribuição. Aqui o liberalismo econômico está totalmente superado pela Lei dos mais fortes ou the suvival of the fittest, que impulsiona a evolução das espécies animais, segundo Charles Darwin. Isto é darwinismo social. 6.7 – O Japão. Do século XVII ao século XIX, o Japão foi governado pelo clã Tokugawa, país isolado do mundo exterior. Em 1639, sob o Xogunato Iyemitsu (regime militar feudal), iniciou-se um período de reclusão em que os japoneses não poderiam sair do território e os estrangeiros eram proibidos de entrar. A única exceção eram as trocas comerciais feitas com os holandeses. Em 1853, os Estados Unidos aportam no Japão, pondo fim ao isolamento do país e encontram um país ainda feudal e defasado 36 economicamente. Em 1854, os Estados Unidos forçam a abertura do Japão, através da assinatura do tratado de Kanagawa, fato que influência na aceleração da desintegração do sistema feudal vigente. Em 1868, é dado fim ao domínio do clã Tokugawa. No final do século XIX, os Estados Unidos emergem como potência e se lançam a busca de pontos estratégicos, no Oceano Atlântico e no Pacífico. Desde então, o Japão se torna um país muito importante. Entretanto, os interesses da elite japonesa se chocam com os interesses estrangeiros e o Japão inicia um período de viabilização da sua industrialização com intervenção do Estado na economia e do militarismo. Assim como na Alemanha, e na Itália, o Japão é um país de capitalismo e imperialismo tardio, e em consequência, ocorre uma aliança entre esses três, no contexto da Segunda Guerra Mundial, formando o eixo Berlim-Roma-Tóquio, na tentativa de dominar o mundo. Nesse momento, a maior pretensão do Japão é dominar territórios que viabilizassem sua expansão econômica. A industrialização e modernização só ocorrerão efetivamente em 1868, com o fim do Xogunato e a restauração do Império com a ascensão do Imperador Mitsuhito, dando início a Era Meiji. Essa Era foi de fundamental importância para a arrancada industrial do Japão, pois se caracterizou pela implementação de políticas modernizantes como: a) Investimentos na criação de infraestrutura; b) Fábricas; c) Maciços investimentos na educação, voltada para qualificação de mão de obra e; d) Abertura (tecnologia e produtos estrangeiros). A Constituição de 1889, estabeleceu que o Imperador seria o Chefe (sagrado e inviolável), e também, a Dieta (Parlamento). Por conta dessas políticas modernizantes implantadas pela Era Meiji, o Japão passou por um vertiginoso processo de industrialização, mas enfrentava problemas estruturais, como escassez de energia e matérias-primas e limitado mercado interno. Para suprir esses problemas, o Japão se lança em busca de novos territórios, principalmente na Ásia e no Pacífico, investindo maciçamente em seu fortalecimento militar. Ocupa Taiwan com a vitória na guerra Sino-japonesa (1894-1895). Em 1910, anexa a Coreia ao seu território. Em 1904-1905, tomam as ilhas Sacalinas, até então território russo, com vitória na guerra contra a Rússia. Em 1931, ocupam a Manchúria (território chinês), e implantam o Manchukuo, em 1934, estabelecendo um Estado fantoche, sob o governo de um ex-imperador chinês destituído pela adoção da República. Em 1937, o Japão inicia uma confrontação total com a China, por conta dessa política expansionista, que se estende até a Segunda Guerra Mundial, mas essa política irá causar grande destruição do Japão que sai derrotado da guerra. Em 1941, o Japão ataca de surpresa, a base naval de Pearl Harbor (Havaí), superestimando seu poderio militar e antecipando a entrada dos Estados Unidos, na guerra que acaba o derrotando. Em resposta em 1945, os Estados Unidos laçam duas bombas atômicas (sobre Hiroshima e Nagasaki). A única saída japonesa foi render-se, fato que acontece com a assinatura,em setembro de 1945, da rendição do Japão. Essa rendição torna-se símbolo da superioridade tecnológica e militar norte-americana. 6.8 – A Questão do Liberalismo Econômico. As armas decisivas que a burguesia utilizou em sua luta intelectual contra a nobreza e a Igreja foram o Iluminismo – que opôs a razão à tradição e o direito natural aos privilégios de classe – e as análises econômicas da escola clássica, cujos principais representantes foram os economistas Adam Smith e David Ricardo. A célebre frase máxima da Escola Fisiocrática francesa do século XVIII - “Laissez faire, laissez passer: Le monde va de lui même” (deixa fazer, deixa passar: o mundo anda por si mesmo) é a 37 que melhor expressa à natureza da economia liberal. Efetivamente, a escola liberal acredita que a economia possui seus próprios mecanismos de autorregulamentação, que atuam com eficácia sempre que o Estado não dificulte seu funcionamento espontâneo. Ainda antes que Smith, Ricardo e demais intelectuais da escola clássica estudassem a nova estrutura econômica da sociedade, iniciara-se a critica política do absolutismo e dos remanescentes da velha sociedade feudal. Já no século XVII, o filosofo britânico Thomas Hobbes tentara fundamentar a legitimidade da monarquia na relação contratual dela com seus súditos. Foi depois o Barão de Montesquieu quem, em O Espírito das Leis (1748), formulou o principio da separação dos poderes, dificuldades fundamentais na gestação de novos Estados democráticos. Coube a Jean Jacques Rousseau, a afirmação do principio da soberania do povo, que continha os instrumentos teóricos para iniciar o assalto à monarquia absoluta. Na Grã-Bretanha, graças a uma precoce aliança com a nobreza, a burguesia colheu os primeiros frutos de sua luta política. Durante, o século XVIII, as Cortes Britânicas converteram-se, paulatinamente, num Parlamento Moderno, logo proposto como modelo no continente. Essa liberalização foi, no entanto, limitada, uma vez que, esperar o século XIX, para que o direito ao voto se estendesse a pequena burguesia e as primeiras décadas do século XX para que se estabelecesse o sufrágio universal. A instauração da nova ordem política foi desiguais nos demais países europeus e americanos. Nos Estados Unidos, os direitos do Homem foram proclamados em 1776. Na França, foi preciso esperar a Revolução de 1789, para que se desse um passo semelhante e se proclamassem constituições populares em 1791 e 1793. Na Espanha, o Estado liberal impôs-se nas primeiras décadas do século XIX. Os países americanos que fizeram parte de império colonial forjaram, ao contrário, sua independência sob a bandeira do liberalismo político e econômico. Na Alemanha, só em 1918, instituiu-se um Parlamento. Estado liberal. Se o objetivo primeiro da burguesia foi o controle do poder legislativo, o fim último da ideia liberal foi à submissão do poder executivo aos representantes populares e, consequentemente, a eliminação do poder monárquico. A tarefa do Parlamento devia ser o controle do executivo, para evitar assim, as ingerências arbitrárias deste no âmbito privado e na vida econômica. Os representantes parlamentares eram, formalmente, porta-vozes populares, que buscavam o bem comum, ainda que, na prática, procedessem da classe de proprietários. A progressiva extensão do voto e a permeabilidade cada vez maior entre os diferentes setores sociais fez com que, pouco a pouco, aquela representatividade se tornasse efetivas. De início, o sistema liberal não previa partidos políticos, entendidos como na atualidade, dadas as afinidades básicas que existiam entre os representantes parlamentares. Observou-se, a princípio, a necessidade de apresentar candidatos e de agrupar aqueles de maior proximidade ideológica, ao mesmo tempo, em que se instalava entre eles um forte componente de influências pessoais. A irrupção das massas operárias na política representou uma grande mudança daquela concepção inicial. O mesmo aconteceu com o apogeu da imprensa como órgão de expressão da opinião pública, fonte última de legitimidade nos sistemas liberais democráticos. 38 Capítulo VII – O NOVO COLONIALISMO. Introdução. 7.1 O Capital Monopolista; 7.2 O Imperialismo; 7.3 As Formas de Trabalho sob o Imperialismo; 7.4 O Imperialismo Informal; 7.5 O Imperialismo Formal; 7.6 As Formas de Trabalho sob o Imperialismo; 7.7 A Sociedade de Massa. Introdução. Na segunda metade do século XIX, países europeus como a Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica e Itália, eram considerados grandes potências industriais. Na América, eram os Estados Unidos quem apresentavam um grande desenvolvimento no campo industrial. Todos estes países exerceram atitudes imperialistas, pois estavam interessados em formar grandes impérios econômicos, levando suas áreas de influência para outros continentes. Com o objetivo de aumentarem sua margem de lucro e também de conseguirem um custo consideravelmente baixo, estes países se dirigiram à África, Ásia e Oceania, dominando e explorando estes povos. Não muito diferente do colonialismo do século XV e XVI, que utilizou como desculpa a divulgação do cristianismo; o neocolonialismo do século XIX usou o argumento de levar o progresso da ciência e da tecnologia ao mundo. Na verdade, o que estes países, realmente queriam era o reconhecimento industrial internacional e, para isso, foram em busca de locais onde pudessem encontrar matérias primas e fontes de energia. Os países escolhidos foram colonizados e seus povos desrespeitados. Um exemplo deste desrespeito foi o ponto culminante da dominação neocolonialista, quando países europeus dividiram entre si os territórios africanos e asiáticos, sem sequer levar em conta as diferenças éticas e culturais destes povos. Entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885, foi realizado o Congresso de Berlim. Neste encontro, os países europeus imperialistas organizaram e estabeleceram regras para a exploração da África. Na divisão territorial que fizeram a cultura e as diferenças étnicas dos povos africanos não foram respeitadas. Devido ao fato de possuírem os mesmos interesses, os colonizadores lutavam entre si, para se sobressaírem comercialmente. O governo dos Estados Unidos, que já colonizava a América Latina, ao perceber a importância de Cuba no mercado mundial, invadiu o território, que, até então, era dominado pela Espanha. Após este confronto, as tropas espanholas tiveram que ceder lugar às tropas americanas. Em 1898, as tropas espanholas foram novamente vencidas pelas norte-americanas e, desta vez, a Espanha, teve que ceder as Filipinas aos Estados Unidos. Outro ponto importante é à entrada dos ingleses na China, ocorrida após a derrota dos chineses durante a Guerra do Ópio (1840-1842). Essa guerra foi iniciada pelos ingleses após as autoridades chinesas, que já sabiam do mal causado por esta substância, terem queimado uma embarcação inglesa repleta de ópio. Depois de ser derrotada pelas tropas britânicas, a China, foi obrigada a assinar o Tratado de Nanquim, que favorecia os ingleses em todas as cláusulas. A dominação britânica foi marcante por sua crueldade e, só teve fim em 1949, ano da revolução comunista na China. 7.1 — O Capital Monopolista. A competição capitalista estimulou o crescimento de algumas empresas e eliminou muitas outras. As empresas mais fracas foram compradas ou simplesmente quebraram (faliram). As grandes ficaram maiores ainda. No final do século XIX, nos Estados Unidos e, nos países mais industrializados da Europa Ocidental, como a 39 Inglaterra, a França e a Alemanha, já existiam megaempresas capazesde dominar um setor inteiro da economia, ou seja, cerca de quatro empresas, na Alemanha produzia mais da metade de todo o aço fabricado naquele país. O setor de aço era quase todo monopolizado ou controlado por essas quatro empresas. Por isso, se refere a essas quatro megaempresas de monopólios. Nos países mais avançados, os “tubarões” econômicos, chamados monopólios já engoliam setores importantes como os de produção de aço (siderurgia), de máquinas e motores, locomotivas, navios e petróleo (tecnologia da Segunda Revolução Industrial). Essa nova etapa econômica em que entravam os países industriais era o capitalismo monopolista. 7.2 – O Imperialismo. O Imperialismo é um conceito mais amplo, que abrange o conceito mais específico de Neocolonialismo. Denomina-se de Imperialismo a fase, na qual, o sistema capitalista torna-se industrialmente mais tecnológico, utiliza-se de métodos mais agressivos, na busca de mercados, adquire uma abrangência mundial e passa a ser conduzido e manipulado por empresas multinacionais e, por grandes bancos. Dois dos componentes fundamentais do Imperialismo são o capitalismo monopolista e o capitalismo oligopolista, ou seja, o surgimento e a ação de grandes empresas industriais que passam a deter a maior parte do mercado (concentração econômica), fato este que dificulta a concorrência às pequenas e médias empresas. Outro componente do Imperialismo e que age de forma semelhante é o capitalismo financeiro dos grandes bancos: poucas e poderosas instituições financeiras fornecem empréstimos e provocam endividamentos com a obtenção de fartos lucros. Nessa busca desenfreada por novos mercados consumidores de industrializados, pelo fornecimento de matérias-primas e de combustíveis, e por locais para novos investimentos é que as potências europeias passam a conquistar novas colônias na África, Ásia e Oceania. O Neocolonialismo, portanto, é o terceiro componente do Imperialismo, isto é, um desdobramento da evolução do capitalismo contemporâneo. Toda essa ação mais agressiva do capitalismo começou a acontecer na Segunda Revolução Industrial (1850- 1945), época em que foram desenvolvidos os motores elétricos e à explosão, a siderurgia do aço, os barcos movidos à hélice, os sistemas ferroviários e rodoviários, o telégrafo, o telefone, o automóvel, o avião, etc. 7.3 – As Formas de Imperialismo. O Imperialismo europeu da Era Moderna é caracterizado pela expansão colonialista sobre territórios de ultramar. Os sistemas imperialistas foram estruturados, segundo a doutrina do Mercantilismo: cada metrópole buscava controlar o comércio de suas colônias para monopolizar os benefícios conseguidos. Os movimentos imperialistas da modernidade e contemporaneidade não devem ser confundidos. Apesar de ambos objetivarem o enriquecimento de nações poderosas através da exploração de países fracos, apresentam muitas diferenças. A Inglaterra era a maior potência colonial em 1909, dominava 20% da superfície e 23% da população mundial. Contudo, todos os países industrializados tentaram obter áreas coloniais que garantissem a continuidade de seu desenvolvimento econômico e de seu poderio e prestígio político. As vésperas da Primeira Guerra Mundial, em 1914, o imperialismo formal, direto, estendia-se a 90% da África, e 56% 40 da Ásia, no conjunto, 60% da superfície mundial estavam sob imperialismo formal e, 11% sob o informal. 7.4 – O Imperialismo Informal. A América Latina, devido ao peso de seu passado colonial, não conseguiu alterar suas estruturas, após a independência política. Aliás, a própria independência só foi possível, em parte, graças ao apoio da Inglaterra. Caso típico de imperialismo informal é o Brasil, mais de 50% de suas importações vinham da Inglaterra. Os investimentos estrangeiros eram maciços (os da Inglaterra superavam os de todos os outros países juntos). Abriam-se mais empresas de capital europeu que nacional. A retração de tráfico de escravos negreiros e a posterior abolição da escravatura deveram-se às pressões inglesas, refletindo seu interesse em ampliar o mercado consumidor; crescia o endividamento do governo com grupos capitalistas estrangeiros. Portanto, se juridicamente a situação do Brasil era de país livre, desde 1822, na prática mantinha sua dependência, só que agora econômica (não mais política) e em relação à Inglaterra (não mais a Portugal). 7.5 – O Imperialismo Formal. O Imperialismo Formal, ou seja, a ocupação direta territorial foi exercida, sobretudo, na Ásia e África, regiões muito populosas (com mercados consumidores potencialmente grandes) e de vastos recursos naturais (com as matérias-primas necessárias às indústrias). Aproveitando-se dos desentendimentos internos daquelas regiões, as potências industrializadas, pretextando levar para lá a superior civilização Ocidental, deslavadamente chamada de “o fardo do homem branco”, dividiram as áreas entre si, não sem atritos. Na África, a França ficou principalmente, com a parte Norte e Noroeste (Tunísia, Argélia, Marrocos, Mauritânia, Mali, Níger, Costa do Marfim); a Inglaterra, com o Nordeste (Egito e Sudão); o Sudeste (Quênia, Tanzânia, Zâmbia, Rodésia, Botsuana, África do Sul) e a costa atlântica (Nigéria); a Bélgica, com o centro (Congo, atual Zaire); a Itália e a Alemanha, com porções menores e dispersas. O episódio mais conhecido do imperialismo Ocidental na África foi a Guerra dos Bôeres (1899-1902); a descoberta de diamantes no Sul do continente atraiu britânico, que encontraram forte resistência dos Bôeres, essa população de origem holandesa, estabelecida ali há mais tempo, foi vencida e teve de acatar a soberania inglesa, que se consolidava na região. Na Ásia, a Inglaterra ficou com a Índia; a França, com o Sudeste, e os demais países, com áreas menores. A China, extremamente atraente por sua imensa população, conheceu a penetração de vários imperialismos, com cada potência reservando-se uma parte de seu território. Tentando introduzir no país, o ópio produzido na Índia, a Inglaterra encontrou forte resistência, porém acabou recebendo Hong Kong e forçando os chineses a abrirem cinco portos ao comércio internacional. Em 1900, na Revolta dos Boxers, os nacionalistas chineses procuraram inutilmente expulsar todos os estrangeiros do país, cuja situação se agravava. Essas regiões, criando um clima antiocidental e anticapitalista, prepararam o terreno para a revolução socialista do século XX. 7.6 – As Formas de Trabalho sob o Imperialismo. O traço característico dos métodos coloniais de exploração, que garantem os elevados lucros monopolistas ao capital financeiro das metrópoles é a combinação do 41 saque imperialista com as formas feudal-servis de exploração dos trabalhadores. O desenvolvimento mercantil e a expansão das relações monetárias, a expropriação da terra de massas imensas da população nativa e a destruição de pequena produção artesanal se processam ao lado da conservação artificial de sobrevivências feudais e a implantação de métodos de trabalho coercitivo e semi-coercitivo. Com o desenvolvimento das relações capitalistas, a renda em espécie é substituída, numa série de casos, pela renda em dinheiro, os impostos em espécie pelos impostos em dinheiro, o que acelera ainda mais, a ruína das massas camponesas. Ao mesmo tempo, em muitos países dependentes, a forma predominante de arrendamento da terra permanece o arrendamento por uma parte do produto em espécie. As classes dominantes nas colônias e semicolônias são os latifundiários feudais e os capitalistas. A classe dos capitalistas se divide em burguesia compradora e burguesia nacional. A burguesiacompradora é aquela parte da grande burguesia, que se encontra estreitamente ligada aos monopólios estrangeiros, das firmas industriais e comerciais, etc., que representam os interesses do capital financeiro das potências imperialistas. Estes capitalistas ajudam os monopólios estrangeiros a explorar as fontes de matérias- primas e os mercados de vendas das colônias. Os latifundiários feudais e a burguesia compradora constituem os vassalos do capital financeiro estrangeiro, a agência direta do imperialismo internacional, que escraviza as colônias e semicolônias. Com o desenvolvimento da sua própria indústria, cresce a burguesia nacional, que se encontra numa situação dúplice: por um lado, a opressão do imperialismo estrangeiro e das sobrevivências feudais barra-lhe o caminho, ao domínio político e econômico; mas por outro lado, a sua existência está ligada a exploração da classe operária e do campesinato. Na medida em que a luta de libertação nacional dos países coloniais e dependentes é dirigida, antes de tudo, no sentido da derrubada do domínio do imperialismo, da conquista da independência nacional e da liquidação das sobrevivências feudais, a burguesia nacional participa desta luta, desempenhando determinado papel progressista. A classe operária cresce nas colônias e países dependentes, à medida que se desenvolve a indústria e se expandem as relações capitalistas. A sua parte avançada é o proletariado industrial. Na composição do proletariado entram também as massas de operários agrícolas (jornaleiros), de operários das manufaturas capitalistas e das pequenas empresas, de jornaleiros urbanos, ocupados com toda a espécie de trabalho manual. Pela sua quantidade, o campesinato é a massa fundamental da população das colônias e semicolônias. Em sua parte esmagadora, consiste de camponeses sem terra ou com pouca terra – camponeses pobres e médios. A burguesia rural consiste camponeses ricos, comerciantes e usuários. A numerosa pequena burguesia urbana é representada pelos pequenos comerciantes e artesãos. A concentração da propriedade da terra em mãos dos latifundiários e usuários é completada pela conquista de vastas posses territoriais pelos colonizadores. Numa série de colônias, o imperialismo criou uma economia de plantações. As plantações são grandes empresas agrícolas para a produção de determinados tipos de matérias-primas vegetais (algodão, borracha, juta, café, etc.), pertencentes de preferência aos colonizadores e baseadas numa baixa técnica e no trabalho semiescravo da população sem direitos. Numa série de países, o colonialismo conserva as formas diretas da corveia e do pagamento em trabalho: pelo arrendamento ou por divida, os camponeses sem terra são obrigados a trabalhar alguns dias da semana para o latifundiário. A extrema necessidade obriga o camponês a contrair dividas e a se tornar um servo e, às vezes, um escravo do usuário; ocorrem casos em que o camponês é obrigado a vender membros de 42 sua família como escravos. Amplamente difundido é o parasitário da terra e o camponês, que trabalha a terra, intermediários que extorquem do lavrador considerável parte da colheita. Habitualmente, o camponês se encontra inteiramente nas mãos do latifundiário, com o qual fica endividado. Enormes proporções atinge a superpopulação agrária. A economia da China, antes da revolução democrático popular, era extremamente atrasada, tendo caráter semicolonial e semifeudal. Constituindo de 4 a 5% da população rural da China de antes da Revolução, os latifundiários possuíam mais de metade de toda a terra; os camponeses pobres e médios, representando 90% da população rural, poluíam somente 30% de toda a terra. Os camponeses arrendavam a terra na base do endividamento, pagando ao latifundiário pelo o arrendamento da terra e dos instrumentos de trabalho, entre 50% e 70% da colheita. Cerca de 60% de todas as economias camponesas permanentemente apelavam para a “ajuda” dos usuários a fim de pagar impostos e adquirir objetos de consumo, pagando elevadíssimos juros pelos empréstimos. Antes da dominação britânica na Índia, o Estado recebia parte da produção dos camponeses sob a forma de impostos. Após a ocupação da índia, os poderes britânicos transformaram os antigos coletores de impostos do Estado em grandes proprietários de terra, possuidores de latifúndios de centenas de milhares de hectares. Cerca ¾ da população rural da Índia ficou, de fato, sem terra. O camponês foi obrigado a pagar ao latifundiário, sob a forma de arrendamento, de ½ a 2/3 da colheita e com a parte restante devia pagar juros ao usuário. Os camponeses empobrecidos eram obrigados a tomar empréstimos ao latifundiário, com a obrigação de pagá-lo em trabalho. Neste sistema (a chamada “peouagem”), as obrigações passam de geração a geração e toda a família do camponês se torna, de fato, propriedade do latifundiário. Esmagada pela opressão do latifundiário e do usuário, a economia camponesa só estava em condições de aplicar a mais primitiva técnica, que permanecia sem modificações essenciais no decurso de séculos e até de milênios. A técnica primitiva de cultivo do solo conduz ao extremo esgotamento do solo. Em consequência de tudo isso, muitas colônias ainda que sejam países agrários, não estão em condições de alimentar sua população, que sistematicamente passa fome. O colonialismo significa para a classe operária a ausência de direitos políticos e uma feroz exploração. A jornada de trabalho nas colônias atinge 12 a 14 e mais horas. Como regra, nas empresas industriais e nos transportes não existe qualquer segurança de trabalho. O forte desgaste do equipamento e a recusa do empresário, a fazer gastos na reparação e na técnica de segurança conduzem a avarias parciais, nas quais morrem ou se tornam mutilados centenas de milhares de seres humanos. A inexistência de legislação social priva o operário de quaisquer meios de existência no caso de desemprego, de mutilação na produção ou de doença profissional. Os salários dos operários das colônias é insuficiente mesmo para a satisfação das necessidades mais essenciais. O operário é obrigado a pagar certa parte do seu miserável salário a todo gênero de intermediários – ao contratista, ao mestre, ao zelador, que lidam com o contrato da força de trabalho. Está amplamente difundido o trabalho das mulheres, bem como o trabalho das crianças com 6 e 7 anos de idade, que são pagos ainda mais miseravelmente do que os homens. A maioria dos operários vive enredada na servidão por dívidas. Em muitos casos, os operários vivem em barracas ou campos especiais, numa situação de encarcerados, privado do direito de livre locomoção. É aplicado, em grande escala, o trabalho coercitivo aberto, tanto na agricultura, como na indústria. O nível de vida da grande massa da população é muito baixo. A mortalidade é extraordinariamente elevada: a fome e as epidemias levam à 43 extinção a população de regiões inteiras. Reina, nas colônias, a discriminação racial. Assim, por exemplo, o salário médio dos operários europeus: em Quênia – aproximadamente em quinze vezes, na Rodésia do Sul – em mais de vinte vezes, na Rodésia do Norte – em quase trinta vezes. Nas minas do Congo belga, os operários africanos recebem de 5 a 10 vezes menos do que os operários europeus; mais de 53% de todas as crianças da população nativa morreram na mais tenra infância; a população desta colônia, desde o tempo da conquista, diminuiu em quase duas vezes. 7.7 – A sociedade de Massa. Tem origem no século XIX, com a industrialização. Enormes populações deixam suas cidades e concentram-se nos grandes centros urbanos. População atraída pelo conforto(transporte, iluminação pública, alimentos, utensílios domésticos), emprego, entretenimento. Vivem em condições de vida subumanas. Forma-se uma massa: grande quantidade de pessoas sem ordenação, sem rosto, amorfas e heterogêneas. A sociedade de massa carrega os seguintes traços: o homem é reificado, isto é, destituído de qualidades individuais, despersonalizado, coisificado (transformado em coisa, bem de consumo, produto). O homem torna-se alienado da vida e dos projetos de vida, da vida do país, pois não dispões de tempo livre, nem de instrumentos teóricos para exercer a critica de si mesmo e da sociedade. Não pode nem consumir, o que produz, porque é mal remunerado. Outras características da sociedade de massa: idolatram estereótipos, adoram signos, idolatram conteúdos, desde que se tornem espetáculos. Por isso, a estratégia de poder se baseia na apatia e na passividade das massas. 44 Capítulo VIII – O DESAFIO DO CAPITALISMO. Introdução. 8.1 A Primeira Guerra Mundial; 8.2 A Economia de Guerra; 8.3 Os Efeitos da Primeira Guerra Mundial; 8.4 A Década de 1920; 8.5 A Europa e os Anos 1920; 8.6 Os Estados Unidos Durante a Década de 1920; 8.7 A Crise de 1929; 8.8 A Grande Depressão; 8.9 Reação a Grande Depressão I: O Neoliberalismo; 8.10 O primeiro New Deal; 8.11 O Segundo New Deal; 8.12 Reação a Grande Depressão II: Autoritarismo e Industrialização; 8.13 Reação a Grande Depressão III: A Segunda Guerra Mundial; 8.14 Os Problemas de Reconstrução; 8.15 O Plano Marshall; 8.16 A Recuperação do Japão; 8.17 Os Efeitos da Reconstrução para o Sistema Capitalista. Introdução. No período que se estende de 1914 a meados da década de 1950, o sistema econômico capitalista passou por uma série de eventos conjunturais, que, somados, refletem uma crise de crescimento: sua passagem da “juventude” para a idade “adulta”. Ao mesmo tempo, esse período submete-o a um verdadeiro teste, experimentando a sua solidez e articulação interna, através de duas grandes guerras mundiais, dois períodos de reconstrução econômica, uma longa década de profunda depressão econômica geral, e a diminuição de seu espaço geográfico pela implantação de soluções econômicas alternativas. 8.1 – A Primeira Guerra Mundial. A Primeira Guerra Mundial aconteceu entre os anos de 1914 e 1918, porém, tempos antes, principalmente entre os anos de 1870 e 1914, o mundo vivia uma grande euforia que era conhecida como a Belle Époque (Bela Época). Era um período em que se experimentava um grande progresso, tanto no campo econômico, quanto no tecnológico. Os países ricos viviam momentos de esperança, crentes de que iriam impor seus desejos aos países mais pobres. Porém, na verdade, todo esse clima de festa estava escondendo fortes tensões que viriam a deflagrar aquela que também ficou conhecida como a Grande Guerra ou Guerra das Guerras, um dos maiores acontecimentos da história mundial. Quanto mais países europeus se industrializavam, maior ficava a disputa entre eles, que queriam dominar não apenas a Europa, mas modernizar sua economia se sobrepondo sobre as outras nações. Esse clima acirrado provocou uma forte tensão, pois os países industrializados disputavam os mercados consumidores mundiais e as matérias-primas com todas as armas que lhes eram possíveis. Com essa disputa acirrada pelo mercado mundial, foram surgindo os primeiros sinais de que uma grande guerra viria pela frente. Os países da Europa começaram a investir em tecnologia de guerra, engrossando as fileiras do exército. Além disso, foi desenvolvida uma política que ficou conhecida como “política de alianças”. Foram assinados acordos militares que dividiram os países europeus em dois blocos, que mais tarde, dariam início a Primeira Guerra Mundial. A divisão colocava de um lado a Alemanha, Itália e o Império Austro-húngaro, que formavam a Tríplice Aliança, e do outro a Rússia, França e Inglaterra, compondo a Tríplice Entente. 45 8.2 – A Economia de Guerra. Mobilizar todos os fatores de produção nacionais e dirigi-los, no sentido de maximizar a sua produtividade, é o sentido mais claro que se pode ter a chamada “Economia de Guerra”, que os países beligerantes, experimentam durante o conflito, alguns como Alemanha, a partir de 1914, e os demais durante o seu desenrolar. De qualquer forma, a partir de 1915, a estratégia dos aliados é sufocar o bloco alemão, através de um bloqueio total ao seu comércio exterior. Isso provoca a represália alemã de bloquear a Rússia, nos Mares Báltico e Negro e, principalmente, de impedir o tráfico marítimo inglês, por meio da guerra submarina. Os países procuram se tornar autossuficientes, e produz uma notável aceleração na produção em massa, na mecanização industrial, na centralização das empresas, na emissão monetária e no controle do Estado sobre a economia como um todo. 8.3 – Os Efeitos da Primeira Guerra Mundial. No dia 11 de novembro de 1918, a Primeira Guerra Mundial chegava ao fim. O governo alemão assinou a rendição, aceitando todas as imposições dos vitoriosos. O país passava por extremas dificuldades econômicas e sociais. A guerra foi um duro golpe nas esperanças das sociedades ocidentais, em criar um mundo de paz. A irracionalidade dos Chefes de Estado gerou consequências desastrosas e propostas em busca da paz mundial: a) Provocou a morte de quase 13 milhões de mortos e deixou mais de 20 milhões de feridos e mutilados; b) Resultou em um maior número de vítimas civis, do que de soldados mortos em ação de combate; c) Foram empregadas armas poderosas, como: gases asfixiantes, canhões de longo alcance; metralhadoras lança-chamas, tanques, aviões e submarinos; d) Foram desmoronados os Impérios Alemão, Austro Húngaro, Russo e Turco; e) A instabilidade política e social favoreceu o surgimento de regimes totalitários; f) surgiram novos países, como: a Polônia, Tchecoslováquia, Iugoslávia, Áustria e Hungria; g) O declínio da Europa, com os problemas sociais de desemprego, fome e miséria; h) A criação da Liga das Nações, em abril de 1918, com sede em Genebra, Suíça, inspirada nas propostas de paz, pelo presidente estadunidense Woodrow Wilson; i) A assinatura do Tratado de Versalhes, em julho de 1919, imposto pelos vencedores aos alemães. Sua assinatura aconteceu, na Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes, na França; j) As sociedades viviam apreensivas com a possibilidade de um novo conflito mundial de maiores proporções e, consequências, do que o primeiro, o de fato aconteceu com a Segunda Guerra Mundial. k) Os Estados Unidos vieram a se tornar o país mais rico do mundo. 46 8.4 – A Década de 1920. Em mais de um aspecto, os anos que separam o armistício alemão de 1918, da crise norte-americana de 1929, podem ser considerados como o balizador mais seguro das mudanças estruturais por que o sistema capitalista passava, em sua crise da passagem da “juventude” para a “idade madura”. Com seu espaço geográfico reduzido, o capitalismo assistiu à luta de sua área central originária – a Europa –, para recobrar sua antiga posição hegemônica sobre a Economia – Mundo. Apoiava-se, basicamente, no reforço de uma prática que apresentava as suas primeiras fissuras – o Imperialismo, e para a qual lhe faltavam tanto os necessários recursos de capital, como os volumes de produção industrial. Apoiava-se, também, na apropriação de recursos de uma Alemanha que se pretendia continuasse economicamente dependente e comprometida,prioritariamente com a recuperação econômica de seus antigos adversários. 8.5 – A Europa e os Anos de 1920. O primeiro problema com que a Europa se deparava, no início da década de 1920, era o de retomar ao padrão ouro, abandonado durante o período de guerra. Embora, em 1913, o ouro representasse apenas 10% da circulação monetária total contra 83% de títulos e depósitos bancários, ele era ainda usado como referência básica para as taxas de câmbio. O abandono do padrão ouro que as circunstâncias da guerra obrigaram, levou os preços a variarem segundo condições internas de cada país e a inflação passou a depender da balança de pagamentos. A crise de 1929 mostrou que a Europa era incapaz de aumentar tanto o nível de importações e exportações, sem o afluxo de capitais norte-americanos, culminando com os períodos pré-guerra. 8.6 – Os Estados Unidos, durante a Década de 1920. Enquanto a Europa declinava, os Estados Unidos apresentaram, durante os vinte, uma notável prosperidade, que a execução do período de 1920-1922, ligado à crise de reconversão do pós-guerra, manteve-se até 1929. Esse período de prosperidade que permitiu aos Estados Unidos assumirem o primeiro posto na área central da Economia – Mundo capitalista. Refletiu-se no chamado American way of life, em que um em cada seis americanos tinha automóvel, por volta de 1929, e os bens de consumo duráveis ou semiduráveis (geladeiras, fogões, rádios, etc.), atulhavam as novas casas dos subúrbios das cidades industriais, que se construíam às centenas de milhares. As razões que permitiram esse notável crescimento podem ser encontradas na taxa de acumulação de capital e investimentos – cerca de 20% do PNB, durante 1919 a 1929 – e no crescimento demográfico, da ordem de 106 para 123 milhões de habitantes, no mesmo período, embora a imigração tenha sido severamente limitada pelas leis de 1921 a 1924, principalmente, por terror da penetração ideológica socialista. Assim, os Estados Unidos haviam se transformado no paraíso. Seu crescimento interno foi acompanhado pelo reforço de sua posição hegemônica mundial, sendo em 1926-1929, responsável por 42,2% da produção mundial de industrializados, primeiros produtores mundiais de carvão, eletricidade, petróleo, aço e ferro fundido, metais não ferrosos e fibras têxteis artificiais e, acumulando seguido superávit em seus balanços de pagamentos, devido a sua condição de primeiro exportador mundial. 47 8.7 – A Crise de 1929. Durante os anos vinte, a taxa de desemprego variou entre 7 e 12% da força de trabalho e, enquanto o salário nominal cresceu, o real declinou, o que se deve em grande parte um grande aumento da produtividade na produção industrial, que dispensava uma maior absorção de mão de obra. Mesmo sabendo que a economia norte- americana tinha problemas estruturais. A base de sua extraordinária expansão concentrou-se na produção de bens de consumo duráveis e semiduráveis para o mercado interno. Isso pressupunha um contínuo alargamento desse mercado, fosse para uma melhor distribuição de renda, fosse por um aumento constante do salário real. Infelizmente, o mercado não acompanhou o ritmo da produção industrial, e acabou gerando uma acumulação de estoques, mas já no verão de 1929, percebendo que no setor figurava-se uma crise de superprodução, a indústria automobilística cortou suas compras de matérias-primas (borracha, aço, vidro, etc.). Isso iniciou uma reação em cadeia, uma vez que a indústria de base era dominada pela de consumo de bens, respondendo o setor automobilístico pelo consumo de 15% da produção total de aço norte-americano. Os especuladores começaram a se retirar do mercado acionário, fundamental para a captação de recursos e para a manutenção da imagem da prosperidade da economia como um todo. Então, paralelamente, às crises de superprodução e subconsumo que se delineavam, a política de investimentos norte-americanos no exterior acabava assentando sobre bases precárias. 8.8 – A Grande Depressão. Foi a mais grave crise econômica mundial do século XX. Tudo começou por causa de um grande desequilíbrio na economia dos Estados Unidos. Durante, a década de 1920, houve um rápido crescimento do mercado de ações no país, com os americanos investindo loucamente nas bolsas de valores, acreditando que elas se manteriam sempre em alta. Cidadãos comuns vendiam as próprias casas para comprar ações, atrás de um lucro fácil e, teoricamente, seguro. No entanto, em meados de 1929, a economia do país começou a dar sinais de que as coisas não iam tão bem assim. Os Estados Unidos entraram em recessão (queda no crescimento econômico) e muitas empresas haviam se endividado, além da conta durante o período de euforia. Em outubro de 1929, diante desses sinais negativos, os preços das ações despencaram ladeira abaixo, provocando a quebra da Bolsa de Nova York (Crack). O colapso da economia americana, logo se espalhou pelo mundo, pois os Estados Unidos haviam se tornado o principal financiador dos países da Europa, após a Primeira Guerra Mundial, conflito que enfraqueceu o continente. Um em cada quatro trabalhadores vagueavam pelas ruas, na penúria e no desespero. Milhares de bancos, centenas de milhares de empreendimentos e milhões de agricultores foram à falência ou encerraram suas operações definitivamente. A Europa, também, sentiu os efeitos políticos da crise, pois a democracia e as ideias liberais ficaram desacreditadas, estimulando o surgimento do nazismo, na Alemanha e o fascismo na Itália. A crise mundial, nascida nos Estados Unidos, começou a ser superada lá mesmo. Em 1933, o presidente Franklin Delano Roosevelt lançou um programa chamado New Deal, ou seja, um conjunto de medidas socioeconômicas que visavam estabelecer a economia, realizando grandes projetos de obras públicas para promover a recuperação econômica. Mas, a Grande Depressão só 48 seria definitivamente encerrada anos depois, durante a Segunda Guerra Mundial (1939- 1945). 8.9 – Reação à Grande Depressão I: O Neoliberalismo. Em 1933, Franklin Delano Roosevelt (1882-1945) assumiu o cargo de presidente dos Estados Unidos. Seu mandato não foi nada fácil. O novo presidente havia assumido o poder e herdado, do governo anterior, do então ex-presidente Herbert Clark Hoover (1874–1964), as consequências sociais e econômicas deixadas pela crise capitalista de 1929, ou seja, a quebra da Bolsa de Nova York. Essa queda ficou conhecida como a crise da superprodução, caracterizando um desequilíbrio entre produção e consumo: o excesso de produção de mercadorias superou o consumo dessas mercadorias. Isso fez com que os empresários capitalistas diminuíssem a produção e, consequentemente, milhões de trabalhadores ficaram sem emprego e salários. Portanto, a parcela da população que ficou desempregada também deixou de consumir as mercadorias por falta de dinheiro. A situação social e econômica nos Estados Unidos, em 1929, ficou marcada por enormes filas de desempregados que crescia a cada dia, juntamente com as filas para distribuição de refeições gratuitas que eram oferecidas nas cidades. Milhares de empresas decretaram falências, juntamente com o setor bancário. Além disso, vários chefes de família se suicidaram com a notícia da perda de todos os seus bens. O Estado norte-americano não realizou nenhuma forma de intervenção econômica no mercado do ano de 1929 até 1932. O presidente Hoover, seguidor assíduo do liberalismo clássico, acreditava na recuperação da crise, a partir do próprio mercado, fato que de fato não ocorreu. Quando Roosevelt assumiu o governo estadunidense, ao contrário de Hoover (republicano),logo estipulou algumas medidas e estabeleceu metas para retirar a economia dos Estados Unidos da crise que havia entrado. Roosevelt nomeou uma comissão de especialistas, economistas adeptos das ideias do economista inglês John Maynard Keynes (1883-1946). Essas ideias influenciaram na criação do plano de intervenção do Estado na economia – o New Deal (Novo Ajuste). Através deste plano, ocorreram grandes emissões monetárias, realizou grandes obras públicas, como as construções de hidrelétricas, estradas, pontes, entre outras (estimulando o emprego) e, consequentemente, reativou o consumo, o que possibilitou o reaquecimento da economia estadunidense. 8.10 – O Primeiro New Deal. a) Setor Bancário e Finanças. Quando Roosevelt prestou juramento como presidente, o sistema bancário e de crédito do país encontrava-se num estado de paralisia. Com uma rapidez surpreendente os bancos do país foram primeiro encerrados e depois reabertos só se fossem solventes. A administração adotou uma política de inflação moderada para iniciar um movimento ascendente nos preços dos produtos e permitir alguma ajuda aos devedores. As novas agências do governo trouxeram facilidades de crédito generosas à indústria e à agricultura. A Corporação Federal de Seguros de Depósitos (FDIC) garantiu os depósitos em caixas económicas até US$ 5.000. Foram impostas regras federais à venda de títulos na bolsa de valores. b) Desemprego. Roosevelt enfrentou um desemprego enorme, sem precedentes. Na altura em que assumiu a presidência, 13 milhões de americanos – mais de um quarto da população ativa – estavam desempregados. Filas para a sopa eram 49 comuns na maior parte das cidades. Centenas de milhares deambulavam pelo país à procura de comida, trabalho e abrigo. “Irmão pode dar-me uma moedinha?” era o refrão de uma canção popular. Uma das primeiras medidas para os desempregados surgiu sob a forma do Corpo Civil de Conservação (CCC), um programa que ajudou homens jovens entre os 18 e os 25 anos. Os recrutados pelo CCC trabalhavam em campos administrados pelo exército. Cerca de dois milhões participaram durante uma década. Participaram numa série de projetos de conservação: plantação de árvores para combater a erosão do solo e manter as florestas nacionais; eliminação da poluição em cursos de água; criação de viveiros reserva de peixe, caça e aves; e conservação de jazidas de carvão, petróleo, xisto, gás, sódio e hélio. A Administração de Obras Públicas (PWA) deu emprego a trabalhadores da construção civil experientes numa grande variedade de projetos, sobretudo de média e grande escala. Entre as suas realizações mais notáveis encontram-se as barragens de Bonneville e Grand Coulee no Noroeste do Pacífico, um novo sistema de esgotos em Chicago, a ponte Triborough na cidade de Nova Iorque e dois porta-aviões (Yorktown e Enterprise) para a marinha de guerra americana. A Autoridade do Vale do Tennessee (TVA), um programa de emprego e, ao mesmo tempo, um exercício de planeamento público, desenvolveu a área empobrecida do vale do rio Tennessee através de uma série de barragens construídas para controlarem as cheias e produzirem energia hidroelétrica. O fornecimento de energia barata para esta região estimulou algum progresso económico, mas granjeou a inimizade de companhias elétricas privadas. Os apoiantes do New Deal aclamaram-no como um exemplo de “democracia popular”. A Administração Federal de Ajuda de Emergência (FERA), a funcionar de 1933 a 1935, distribuiu ajuda direta a centenas de milhares de pessoas, geralmente sob a forma de pagamentos diretos. Às vezes responsabilizou-se pelos salários de professores e de outros funcionários públicos locais. Também desenvolveu inúmeros pequenos projetos de obras públicas tal como fez a Administração de Obras Civis (CWA) de finais de 1933 à primavera de 1934. Criticada como “fábrica de trabalho”, os postos de trabalho criados iam desde a escavação de valas a reparação de autoestradas e ao ensino. Roosevelt e os seus principais funcionários estavam preocupados com os custos, mas continuaram a privilegiar programas de desemprego baseados na ajuda ao trabalho e não na assistência social. c) Agricultura. Na primavera de 1933, o setor agrícola da economia estava em colapso. Portanto proporcionava um laboratório para a convicção dos apoiantes do New Deal de que uma maior regulação resolveria muitos dos problemas do país. Em 1933, o Congresso aprovou a Lei de Ajuste Agrícola (AAA) para prestar ajuda económica aos agricultores. A AAA propunha aumentar os preços das culturas pagando aos agricultores um subsídio para compensar por reduções voluntárias na produção. Os fundos para os pagamentos seriam gerados por um imposto cobrado às indústrias de processamento das culturas. Contudo, na altura em que a lei foi promulgada a época agrícola já tinha começado havia muito e a AAA pagou aos agricultores para enterrarem as suas colheitas abundantes. A redução das culturas e mais subsídios através da Corporação de Crédito para Produtos de Base de Base, que comprava os produtos para serem armazenados, baixou a produção e aumentou os preços na exploração agrícola. Entre 1932 e 1935, as receitas agrícolas tinham aumentado mais de 50%, mas apenas parcialmente devido a programas federais. Durante os mesmos anos em que os agricultores estavam a ser incentivados a não cultivar as terras, deslocando rendeiros e parceiros, uma seca grave atingiu os estados da planície. Tempestades violentas de 50 vento e poeira durante os anos 30 criaram o que veio a ser conhecido por “Dust Bowl”. As culturas foram destruídas e as explorações agrícolas arruinadas. Por volta de 1940, 2.5 milhões de pessoas tinham saído dos estados da planície, a maior migração da história americana. Dessas, 200.000 mudaram-se para a Califórnia. Os migrantes não eram apenas agricultores, mas também profissionais, retalhistas e outros cujos meios de subsistência estavam relacionados com o vigor das comunidades agrícolas. Muitos acabaram por se candidatar a empregos sazonais, colhendo produtos por salários extremamente baixos. O governo concedeu ajuda através do Serviço de Conservação dos Solos, criado em 1935. As práticas agrícolas que prejudicavam os solos tinham intensificado o impacto na seca. O serviço ensinou aos agricultores medidas para reduzir a erosão. Além disso, cerca de 30.000 quilómetros de árvores foram plantadas para diminuir a força do vento. Apesar da AAA ter sido na sua maior parte bem-sucedida, foi abandonada em 1936, quando o seu imposto sobre os processadores de alimentos foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal. O Congresso aprovou rapidamente uma lei de apoio à agricultura que autorizava o governo a efetuar pagamentos aos agricultores que deixassem de cultivar as suas terras para conservar os solos. Em 1938, com uma nova maioria a favor do New Deal no Supremo Tribunal, o Congresso reintroduziu a AAA. Até 1940 cerca de seis milhões de agricultores receberam subsídios federais. Os programas do New Deal também concediam empréstimos para as culturas excedentes, seguros para o trigo e um sistema de armazenamento planeado de modo a garantir a estabilidade do fornecimento de alimentos. A estabilidade económica do agricultor foi consideravelmente conseguida, apesar de à custa do governo e com a sua extraordinária supervisão. d) Indústria e Emprego. A Administração Nacional de Recuperação (NRA), criada em 1933 com a Lei Nacional de Recuperação Industrial (NIRA), tentou acabar com a concorrência desregrada definindo códigos de concorrência justa para criar mais empregos e, assim, mais poder de compra. Apesar de tersido bem recebida inicialmente, a NRA foi rapidamente criticada por excesso de regulação e não conseguiu concretizar a recuperação industrial. Foi declarada inconstitucional em 1935. A NIRA tinha garantido aos trabalhadores o direito à negociação coletiva através de sindicatos que representavam cada trabalhador, mas a NRA não conseguiu vencer a forte oposição das empresas ao sindicalismo independente. Após a sua extinção em 1935, o Congresso aprovou a Lei Nacional de Relações Laborais, que reintroduziu essa garantia e proibiu os patrões de interferirem injustamente nas atividades dos sindicatos. Também criou a Direção Nacional de Relações Laborais (NLRB) para supervisionar a negociação coletiva, administrar eleições e garantir aos trabalhadores o direito de escolherem a organização que devia representá-los perante os patrões. O grande progresso realizado na organização dos trabalhadores trouxe-lhes um sentimento crescente de interesses comuns e o poder dos trabalhadores aumentou não só na indústria, mas também na política. O Partido Democrata de Roosevelt beneficiou enormemente com estes acontecimentos. 8.11 – O Segundo New Deal. Nos seus primeiros anos, o New Deal apadrinhou uma série notável de iniciativas legislativas e conseguiu aumentos significativos na produção e nos preços, mas não acabou com a Depressão. À medida que a sensação de crise imediata diminuía, surgiam novas exigências. Os homens de negócios lamentaram o fim do “laissez-faire” 51 e irritaram-se com a regulação da NIRA. Os ataques verbais também subiram de tom na esquerda e na direita política à medida que sonhadores, intriguistas e políticos surgiam com panaceias económicas que atraíam grandes audiências. O Dr. Francis E. Townsend defendia pensões generosas para os idosos. O padre Charles Coughlin, o “padre da rádio”, apelava a políticas inflacionistas e culpava os banqueiros internacionais em discursos cada vez mais apimentados com retórica antissemita. Mais convincente, o Senador Huey P. Long de Luisiana, um porta-voz eloquente e implacável dos deslocados, defendia uma redistribuição radical da riqueza. (Se não tivesse sido assassinado em setembro de 1935, Long muito provavelmente ter-se-ia candidatado à presidência contra Franklin Roosevelt em 1936). Perante estas pressões, o Presidente Roosevelt apoiou um novo conjunto de medidas económicas e sociais. Entre estas destacaram-se medidas para combater a pobreza, criar mais trabalho para os desempregados e proporcionar uma rede de segurança social. A Administração de Progresso dos Trabalhos (WPA), a principal agência de ajuda do chamado segundo New Deal, foi, contudo, a maior agência de obras públicas. Realizou pequenos projetos por todo o país, construindo edifícios, estradas, aeroportos e escolas. Atores, pintores, músicos e escritores conseguiram emprego através do Projeto Federal de Teatro, do Projeto Federal de Arte e do Projeto Federal de Escritores. A Administração Nacional da Juventude deu emprego em tempo parcial a estudantes, criou programas de formação e prestou assistência a jovens desempregados. A WPA apenas incluía cerca de três milhões de desempregados de cada vez; quando foi abandonada em 1943, tinha ajudado um total de nove milhões de pessoas. A pedra angular do New Deal, segundo Roosevelt, foi a Lei de Segurança Social de 1935. A Segurança Social criou um sistema de pagamentos da segurança social administrado pelo estado, que se dirigia aos pobres, desempregados e deficientes com base em contribuições estaduais e federais equivalentes. Também criou um sistema nacional de pensões de reforma a partir de um “trust fund” criado por contribuições da entidade patronal e do empregado. Muitos outros países industrializados já tinham decretado tais programas, mas os apelos a uma iniciativa do género nos Estados Unidos tinham passado despercebidos. Atualmente a Segurança Social é o maior programa nacional administrado pelo governo dos EUA. A estas Roosevelt acrescentou a Lei Nacional de Relações Laborais, a “Lei do Imposto para os Ricos”, que aumentou os impostos para os ricos, a Lei da Companhia de Utilidade Pública para subdividir grandes grupos de fornecedores de energia elétrica e uma Lei Bancária que aumentou imenso os poderes da Direção da Reserva Federal sobre os grandes bancos privados. Também foi digno de nota o estabelecimento da Administração de Eletrificação Rural, que alargou a eletricidade às zonas rurais por todo o país. 8.12 – Reação a Grande Depressão II: Autoritarismo e Industrialização. Enquanto, os Estados Unidos experimentavam um reforço no peso do Estado, que, no entanto, preservou os princípios básicos do regime democrático, e os países da América Latina enveredavam por fórmulas autoritárias e nacionalistas de cunho populistas, em alguns países europeus e no Japão desenvolveu-se uma forma de Estado autoritário no limite, que se denomina de Fascismo. Com a grande depressão como o reflexo da falência tanto da democracia como do liberalismo, coloca a solução para está crise econômica, a existência de um Estado forte. Sabe-se existiam, razões 52 particulares para a adoção de regimes autoritários estes em diferentes países, porém, podemos citar quatro das principais características da adoção do Fascismo: 1. A crise de reconversão do pós-guerra, que gerou uma enorme massa de desempregados entre os trabalhadores; 2. A proletarização das classes médias; 3. A ascensão dos partidos de esquerda, principalmente após a Revolução Bolchevique de 1917, na União Soviética; 4. A redução dos lucros da burguesia, tanto financeira como comercial. Assim, as classes dirigentes tradicionais acabaram associando-se aos líderes fascistas, com seu jargão nacionalista, esses acabam que anulando as lutas de classes internamente, transferindo-as para um inimigo exterior e apelando para o esforço comum patriótico, estes, portanto, passam a exercer o poder de forma autoritária. Assim, o Fascismo pode ser visto, meramente como uma solução capitalista para uma crise do sistema econômico capitalista. A necessária intervenção do Estado para solucionar os problemas da grande depressão, sob os regimes fascistas, assume uns papéis primordiais, apoiando-se a uma pregação nacionalista extremada, e levando ao limite a concentração do capital. 8.13 – Reação a Grande Depressão III: A Segunda Guerra Mundial. A crise econômica que se abate sobre o sistema capitalista mundial, a partir de 1929, vai ser o fator mais poderoso, para que um novo arranjo do poder, em escala mundial seja pleiteado. A crise levou os países capitalistas a tomarem medidas protecionistas, visando a salvar os mercados internos das importações estrangeiras, criando uma verdadeira guerra tarifária. A produção mundial reduziu-se 40%, sendo que, a diminuição do ferro atingiu 60%, a do aço, 58%, a do petróleo, 13% e a do carvão, 29%. O desemprego grassou nos principais países industrializados: 11 milhões nos Estados Unidos; 6 milhões na Alemanha; 2,5 milhões na Inglaterra e um numero um pouco superior na França. Se forem contados os dependentes, estima-se que o fato provocou aflição e desemprego, a mais de 70 milhões de pessoas. Como a economia já estava suficientemente internalizada (com exceção da URSS, que se lançava nos Planos Quinquenais), todos os continentes foram atingidos, aumentando ainda mais a miséria e o desemprego. A América Latina teve que reduzir em 40% as importações e sofreu uma queda de 17% nas exportações. É nesse contexto caótico que a Alemanha, no Ocidente, e o Japão, no Oriente, vão tentar explorar o debilitamento dos rivais. Uma nova luta por mercadose novas fontes de matérias-primas levaria o mundo à Segunda Guerra Mundial. A conjuntura externa caótica e a situação interna de desespero conduzem Hitler ao poder na Alemanha em 1933. Atuando implacavelmente, em menos de um ano sufocou todos os movimentos oposicionistas (sociais democratas, comunistas e liberais), dando início à “Revolução Nacional-Socialista” que tinha como objetivo fazer a Alemanha retornar ao grau de potência europeia. Naturalmente que, para tal, era necessário romper com o Tratado de Versalhes, pois este impedia a conquista do “espaço vital”, como o rearmamento. Atenuava-se o desemprego e atendia-se a necessidades da poderosa burguesia financeira e industrial da Alemanha. Para evitar a má vontade das potências ocidentais, Hitler coloca-se como campeão do anticomunismo a nível mundial, assinando com o Japão (novembro de 1936) e com a Itália (janeiro de 1937), o Pacto Anti-Comintern – cujo fim é ampliar o isolamento da URSS e, quando for possível, atacá-la. O Japão, que igualmente passa por 53 convulsões internas graves, dá início em 1931 a uma política externa agressiva, explorando o enfraquecimento dos Impérios Coloniais europeus que se mostram impotentes para superar a crise econômica. Em 1937, após ter ocupado a rica região da Manchúria, invade o resto do território chinês, dando início a um longo conflito na Ásia. Seu expansionismo vai terminar por chocar-se com os interesses norte-americanos, na Ásia (Filipinas) e levar à guerra contra os Estados Unidos. 8.14 – Os Problemas de Reconstrução. A Segunda Guerra Mundial levou a Europa e vastas parcelas da Ásia à exaustão e a destruição. Para pagar a destruição, foram gastas as poupanças governamentais, forma contraídos empréstimos e as necessidades da população civil passaram a ser satisfeitas no nível mínimo. Paradoxalmente, a guerra aumentou a eficiência econômica: a concentração de esforços na produção de guerra fez surgir novas fontes de mão de obra e de capital, e a tecnologia desenvolveu-se mais rapidamente que nas décadas precedentes. Computando as despesas governamentais, as perdas na produção, o valor capitalizado de vida humana, as perdas de bens imóveis e as perdas de bens em navios e cargas embarcadas, chegaram ao astronômico custo de 413 bilhões e 250 milhões de libras esterlinas. Com o fim da guerra, a Alemanha e o Japão foram ocupados pelos países vitoriosos, perdendo sua autonomia política através da fórmula da rendição incondicional, a situação das nações europeias vitoriosas não parecia nada promissora. Inglaterra e França acumulavam enormes débitos, tenham grande parte de sua base industrial danificada, com sua propriedade imobiliária destruída, e acabavam sendo contestadas em suas áreas coloniais asiáticas. Já a União Soviética, graças aos avanços militares, na luta contra a Alemanha, havia estabelecido o controle sobre os países da Europa Centro Balcânico. A divisão da Europa em uma parte capitalista e outra socialista agravou ainda mais os problemas do pós-guerra, pois a economia europeia foi dividida em duas unidades econômicas, simbolizada pela Alemanha dividida. Os Estados Unidos estavam na posição única, a de potência hegemônica dentro da Economia – Mundo Capitalista. Esse país viu-se quase obrigados a adotar medidas mais enérgicas e globais, a fim de “assegurarem a sobrevivência do sistema capitalista”, que se encontrava ameaçado também pela criação de um Estado de rivalidades permanente entre aquele país e a União Soviética (a Guerra Fria), de duas “superpotências” que emergiram dos destroços da Segunda Guerra Mundial. 8.15 – O Plano Marshall. Com o final da Segunda Grande Guerra, muitos países ficaram destruídos. Era necessário muito investimento financeiro para a reconstrução destes países. Nesse contexto, foi criado nos Estados Unidos pelo então secretario de Estado George Marshall, um plano econômico cujo principal objetivo era possibilitar a reconstrução dos países capitalistas. O Plano Marshall deve ser entendido dentro do contexto histórico da Guerra Fria, pois foi uma forma de estabelecer o capitalismo e a hegemonia dos Estados Unidos. O Plano foi colocado em operação em 1947. Os principais objetivos do Plano Marshall consistiam em: a) Possibilitar a reconstrução material dos países capitalistas destruídos na Segunda Guerra Mundial; b) Recuperar e organizar a economia dos países capitalistas, aumentando o vínculo deles com os Estados Unidos, principalmente, através das relações comerciais; 54 c) Fazer frente aos avanços do socialismo presente, principalmente, no Leste europeu e comandado pela extinta União Soviética. O Plano Marshall foi exitoso e possibilitou, nas décadas de 1950 e 1960, a recuperação econômica de grande parte dos países beneficiados. Para os Estados Unidos, o resultado também foi muito positivo, pois aumentou as exportações norte- americanas para a Europa Ocidental, além de expandir a influência política dos Estados Unidos sobre a região, com países capitalistas fortalecidos, ficou mais fácil e seguro para o bloco capitalista fazer frente ao socialismo durante a Guerra Fria. Inglaterra e França foram os países que receberam mais ajuda financeira dos Estados Unidos, através do Plano Marshall. 8.16 – A Recuperação do Japão. Ao final da Segunda Guerra Mundial, o Japão iniciou uma linha de pensamento de política exterior que, o guiou por mais de cinquenta anos, sendo pautada principalmente, no crescimento econômico. A parceria com os Estados Unidos era o principal pilar dessa política, confiando a eles a segurança do arquipélago, durante a Guerra Fria, o que permitiu ao Japão dedicar todos os seus recursos para o desenvolvimento econômico, sem se preocupar com sua segurança e a do mundo. Os líderes do poder executivo mudavam a cada período, porém, a Doutrina Yoshida continuava sendo o pilar da política externa japonesa, mesmo, após o milagre japonês, nas décadas de 1970 e 1980. Poucas e fracassadas foram às vezes, em que políticos tentaram “dar dentes” a essa política, tentando fazer do Japão, um Estado forte e relevante nas Relações Internacionais. A principal barreira é, aparentemente, a Constituição. Em um curto período, o Japão passou por drásticas mudanças internas. Após 1945, o grande império nipônico, perdeu o direito de manter suas forças armadas e seu líder máximo, o Imperador, perdeu seu poder político e passou a apenas representar o Estado. É correto afirmar que o país ainda esteja procurando seu lugar no sistema internacional, pois seu papel durante a Guerra Fria era claro: apoiar os Estados Unidos. Com o final dela e com o surgimento de novos inimigos e ameaças, o arquipélago mostrou-se perdido ao meio da política internacional, sendo a maior prova disso a Guerra do Golfo: sem saber como agir, o Japão criou leis que permitissem, o envio de tropas sob a bandeira da ONU, a fim de evitar críticas externas e para apagar a imagem da diplomacia do cheque. Seguindo a fim da Guerra Fria, debates internos em relação à projeção indicaram que o país precisaria aumentar sua participação internacional, tanto em assuntos globais, como em regionais. O que os diferenciava do Estado Normal acreditavam que o arquipélago deveria aumentar suas capacidades militares de acordo com seu poder econômico e, assim, destacar-se; já os defensores da Potência Civil, acreditavam que o país, deveria participar com mais força nas organizações internacionais e, através da cooperação, garantir a segurança e estabilidade mundial. A presença dos Estados Unidos, durante todo período pós-guerra, serviu para inserir o Japão de volta ao sistema internacional. Comovisto, renovaram o cenário político interno, impediram novos conflitos com outros Estados, reanimaram a economia japonesa, que passava por uma séria crise, etc. Apesar de serem, na maior parte, reações sistêmicas, não é possível contar a história do Japão Contemporâneo, sem citar os Estados Unidos, principalmente, no âmbito da segurança, após a Guerra Fria, pois a única proteção que o Japão possuí contra as constantes ameaças nucleares são os Estados Unidos. Enfim, o Japão reinseriu-se como uma potência incompleta. Surgiu como um gigante econômico, 55 porém, anão político. Entretanto, se não fosse a Doutrina Yoshida, a reinserção internacional do Japão, seria muito mais difícil. Sob os cuidados dos Estados Unidos, os vizinhos asiáticos não viam mais o Japão, como uma potencial ameaça. 8.17 – Os Efeitos da Reconstrução para o sistema Capitalista. Ao término da Segunda guerra Mundial, os Estados Unidos, era o país mais rico do mundo, porém eles teriam que enfrentar um rival, ou seja, o segundo país mais rico do mundo: A URSS. Tanto os Estados Unidos (capitalista), como a URSS (socialista), tinham ideias contrárias para a reconstrução do equilíbrio mundial, foi então que começou uma grande rivalidade, entre esses dois países. Quem era melhor? Esse conflito de interesses que assustou o mundo e ficou conhecido como a Guerra Fria. Tanto os Estados Unidos, criticavam o socialismo, quanto a URSS, criticava o capitalismo. Europa Ocidental, Canadá e Japão, se aliaram aos Estados Unidos, enquanto que a Tchecoslováquia, Polônia, Hungria, Iugoslávia, Romênia, Albânia, e parte da Alemanha (Oriental) e a China se uniram com a URSS. 56 Capítulo IX – ALTERNATIVA AO CAPITALISMO. Introdução. 9.1 Socialismo: A Via Industrializada; 9.2 Da Rússia à União Soviética; 9.3 O Comunismo de Guerra; 9.4 A Nova Política Econômica; 9.5 O Socialismo Planificado; 9.6 Os Três Planos Quinquenais; 9.7 A Economia de Guerra; 9.8 Planos Quinquenais IV e V; 9.9 As Modificações no Modelo; 9.10 A Era Khrushev; 9.11 A Era Breshnev; 9.12 A Era Mikhail Gorbatchev; 9.13 Socialismo: A Via Agrícola; 9.14 A China dos Soviéticos; 9.15 O Período de Reconstrução; 9.16 Plano Quinquenal I; 9.17 Plano Quinquenal II; 9.18 A China dos Chineses; 9.19 A Revolução Cultural e as Quatro Modernizações; 9.20 A Nova Política Econômica (1978 - Atualmente); 9.21 As Variantes Nacionais; 9.22 A Iugoslávia; 9.23 A Albânia; 9.24 A Falência Política na Década de 1980. Introdução. Quando o capitalismo se constitui como sistema econômico dominante, já apareceram criticas e questionamentos sobre a sua situação. As criticas eram sempre direcionadas a forma de exploração que eram submetidas às classes operárias. No século XVIII, alguns estudiosos, como Saint Simon e Charles Fourier, apresentaram soluções alternativas, para resolver esse problema, baseadas na “cooperação entre as classes”. Essa corrente de pensamento era denominada como Socialismo Utópico. No século XIX, sob a liderança de Karl Marx e Friedrich Engels, inaugurou-se o Socialismo Científico. A partir da Análise do Capitalismo, essa linha de pensamento, apontou que o sistema capitalista, naturalmente seria substituído pelo sistema socialista e, posteriormente, onde as desigualdades sociais, o regime de propriedade privada e o Estado desaparecem. No início do século XX, houve-se a implementação das ideias comunistas; inicialmente na Rússia e, posteriormente, por toda a Europa Oriental e uma porção do continente asiático (China); como uma alternativa ao sistema capitalista. 9.1 – Socialismo: A Via Industrializada. A Rússia, durante séculos foi comandada por uma elite aristocrática, conhecida como Czares, enquanto que a maioria da população era camponesa. Até o início do século XX, a Rússia era um Estado agrícola e com o desenvolvimento industrial preconizado. Havia também enorme problema de concentração fundiária (os aristocratas detinham as maiores extensões territoriais). Esses fatos implicaram na formação de uma revolta socialista, sob a liderança de uma classe operária extremamente pequena, que mudaria o cenário político e econômica completamente. 9.2 – Da Rússia à União Soviética. No início do século XX, a Rússia era ainda um país com resquícios do feudalismo e dominada por um monarca absolutista: o czarismo garantia que uma minoria pudesse explorar uma imensa população camponesa bastante depauperada. Os últimos czares da Dinastia Romanoff (Alexandre II, Alexandre III e Nicolau II) aperceberam-se, no entanto, da necessidade de modernização da economia russa e ao estabelecerem uma política de desenvolvimento industrial, acabaram por determinar as bases sobre as quais, posteriormente, se assentariam a critica e a derrubada do czarismo. Nicolau II, o último czar russo, foi perdendo o prestígio, pouco a pouco, devido a uma desastrada política externa. 57 Duas correntes políticas principais opunham-se ao seu governo: os Mencheviques, partidários de uma revolução de caráter liberal e burguês que, na sequencia permitisse a implantação do socialismo; e os Bolcheviques, socialistas radicais que defendiam a implantação imediata do poder do proletariado. A entrada da Rússia, na Primeira Guerra Mundial e a constante derrota sofrida pelo exército czarista, diante dos alemães, minou irremediavelmente o poder de Nicolau II. Sendo que muitos trabalhadores foram enviados para os campos de batalha, culminando com uma escassez de alimentos, que provocou enormes ondas de fome e insatisfação popular generalizada. Em março de 1917, foi obrigado a abandonar o trono, substituindo-se a monarquia russa pela república. Um Parlamento (Dumas) ficava encarregado das principais decisões políticas tendo a frente o Menchevique Kerensky. Os Mencheviques, porém, foram incapazes de minimizar as dificuldades herdadas do regime czarista, desgastando-se progressivamente. A manutenção da Rússia, na Primeira Guerra Mundial e a sucessiva derrota constituiu-se nos elementos decisivos para a ascensão da oposição Bolchevique, em novembro de 1917. Lênin tornou-se, assim, o homem forte da Rússia, acompanhado por Leon Trotsky e Stálin. Seu governo foi marcado pela tentativa de superar a crise econômica e social, que se abatia sobre a nação, retirando-a da Primeira Guerra Mundial e realizando profundas reformas de caráter socioeconômicas. Contra a adoção do socialismo na Rússia ergueu- se uma violenta reação do mundo capitalista, opondo os russos brancos (Mencheviques Czaristas), apoiados militarmente pelas potências europeias, ao Exército Vermelho. Porém, os socialistas resistiram às pressões contrárias ao seu governo e, em 1921, conseguiram estabelecer-se definitivamente no poder. Lênin então adotou a NEP, uma planificação econômica com determinados elementos capitalistas que visavam reerguer a produtividade nacional e normalizar a economia, viabilizando a consolidação socialista. Em 1922, diversas repúblicas asiáticas e europeias agregaram-se à Rússia, originando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. A morte de Lênin, em 1924, desencadeou uma acirrada disputa pelo poder político entre Trotsky e Stálin. Este conseguiu vencer a proposta trotskista de generalização da Revolução Socialista pelo mundo e instalou-se no poder, onde permaneceu até 1953. Durante seu governo, Stálin, através dos Planos Quinquenais, conseguiu transformar a União Soviética, numa importante potência mundial. Tais planos representaram a completa socializaçãoda economia soviética. 9.3 – O Comunismo de Guerra. O comunismo de guerra foi uma política que visava reorientar a produção industrial e agrícola russa para enfrentar as forças do Exército Branco, como ficaram conhecidas as forças que enfrentaram os Bolcheviques e o Exército Vermelho. A economia russa já estava em crise, como consequência dos estragos causados pela Primeira Guerra Mundial. Para manter munido dos suprimentos necessários o Exército Vermelho, o governo Bolchevique lançou mão de medidas coercitivas para alcançar esse objetivo. Na área agrícola, o comunismo de guerra representou o confisco da produção realizada pelos camponeses para alimentar as tropas vermelhas e também o controlar o comércio clandestino que estava desenvolvendo. O privilégio da distribuição era dado aos combatentes, sendo que o restante da população era submetido a um duro racionamento de alimentos. Neste aspecto, o comunismo de guerra representou uma forte oposição dos camponeses ao governo, já que se viam privados de comercializar livremente sua produção agrícola. Mas a argumentação Bolchevique era que tal medida era necessária para a vitória da 58 Revolução, um objetivo mais amplo que as necessidades imediatas dessa classe rural. Nas indústrias, o comunismo de guerra representou a militarização do trabalho, submetendo os operários a uma rígida disciplina laboral e a manutenção de uma hierarquia dentro das fábricas. Foi neste período que os Bolcheviques passaram adotar métodos tayloristas de organização do processo de produção e a centralizar a administração das fábricas em um único administrador. O resultado destas medidas foi à perda do poder que detinha os comitês de fábrica, órgãos pelos quais, os operários exerciam o poder dentro das empresas. Oposições a essas medidas surgiram dentro do próprio partido Bolchevique, através da oposição de Esquerda, que criticava a centralização, a hierarquização e a reprodução da disciplina de trabalho capitalista. Dentro desse esforço de guerra, os sindicatos ficaram submetidos ao Estado, não podendo atuar com autonomia frente ao governo. As estradas de ferro passaram a ser administradas pelo Exército Vermelho, em virtude da importância logística que tinham para os combates contra o Exército Branco. Mesmo dentro do Exército Vermelho práticas militares autoritárias foram adotadas, como o fim das eleições de oficiais, a necessidade de prestar continência aos superiores e a pena de morte. Os principais líderes do comunismo de guerra foram Lênin, presidente do Conselho de Comissários do Povo, que administrava o Estado soviético e, Leon Trotsky, comandante do Exército Vermelho. Essas medidas tornavam o nascente Estado Bolchevique muito semelhante aos demais Estados capitalistas, com a diferença de que boa parte dos meios de produção havia passado para o Estado. Dessa forma, eliminavam-se os proprietários privados e formava-se uma nova classe de burocratas e tecnocratas que controlavam os meios de produção através do Estado, passando a gerir os rumos da sociedade soviética. O comunismo de guerra acabou quando teve o fim da Guerra Civil, em março de 1921. Em seu lugar foi adotada a Nova Política Econômica (NEP), que pretendia liberar o comércio interno para que se realizasse uma acumulação de capitais, com o objetivo de desenvolver a economia, dentro dos moldes de um capitalismo de Estado, e aplicar a insatisfação camponesa ao liberar a comercialização dos excedentes agrícolas. 9.4 – A Nova Política Econômica. Para produzir a Guerra Civil detonada com o processo revolucionário, Lênin e seus companheiros instituíram o chamado “comunismo de Guerra”. Nessa situação, os Bolcheviques russos promoveram o rígido controle da produção econômica e eliminaram as liberdades do sistema capitalista. Dessa forma, os revolucionários regravam os recursos necessários para que o Exército Vermelho combatesse as forças internas e externas que censuravam a experiência socialista. No ano ode 1921, os Bolcheviques alcançaram a vitória e, assim, abriram campo para que os trabalhadores conduzissem a nação. Entretanto, o sabor da conquista não apagava a delicada crise abastecimento e a estagnação econômica que tomava o país. Dessa maneira, os líderes russos tiveram que se desdobrar em um plano que conseguisse reverter à situação. Em outros termos, o grande desafio era conciliar a adoção do socialismo juntos aos problemas da população. Em março desse ano, o governo de Vladimir Ilyich Ulyanov (Lênin) anunciou a Nova Política Econômica (NEP). Em sua, esse novo Plano, recuava com as ações centralizadoras do comunismo de guerra e permita que algumas práticas do sistema capitalista ainda fossem empregadas. Dessa forma, pretendia-se dar “um passo para trás, para depois dar dois pra frente”. Ou seja, reaquecer a economia, através do capitalismo e, logo em seguida, ampliar o conjunto de ações socialistas. No âmbito comercial, a NEP autorizou a presença de um setor privado que atuaria no 59 comércio varejista, a formação de cooperativas que poderiam atuar em toda economia e preservava boa parte do setor atacadista, sob a administração do Estado. No campo, o processo de coletivização das propriedades mantido. Além disso, as famílias camponesas que tivessem acumulado recursos financeiros estavam autorizadas a alugar outras terras, para a produção. Nos centros urbanos, o governo russo determinou que nenhuma fábrica poderia ser nacionalizada sem a autorização oficial. O trabalho compulsório em ambiente fabril foi abolido, assim como a paridade salarial entre os trabalhadores. A partir da NEP, os trabalhadores poderiam receber salários que variavam de acordo com o potencial produtivo de cada operário. Paralelamente, vários serviços que antes estavam dispostos gratuitamente voltaram a ser cobrados. Em pouco tempo, os efeitos da NEP indicavam que a situação econômica da Rússia melhorava e que a condição de vida da população seguia a mesma tendência. A permissão de ações capitalistas chegou a reconstruir o diálogo econômico junto a outras nações. Mesmo com bios resultados, a NEP foi descartada, após a morte de Lênin, em 1924. A partir de 1928, sob a administração do Josef Stalin, a União Soviética passou a orientar sua economia, a partir dos Planos Quinquenais. 9.5 – O Socialismo Planificado. O Socialismo Planificado, ou popularmente conhecido como Economia Planificada, também chamada de economia centralizada, é um modelo econômico que defende o controle do Estado sobre a economia. Esse modelo ficou conhecido, após sua aplicação durante mais de setenta anos na União Soviética. Na economia centralizada, a maioria das empresas que atuam na economia é estatal, ou seja, pertence ao Estado. Ao contrário do que acontece na economia de mercado, a lei da oferta e da procura não dita às leis do comércio, o governo toma as decisões. Assim, um produto que esteja em falta não sofre com o aumento e, do mesmo modo, um produto que esteja acumulado não sofre reduções. Assim, as lógicas e estratégias de mercado seguem a elaboração de planos. Esses planos, que na União Soviética eram chamados de “Planos Quinquenais”, têm a função de desvendar e resolver os problemas e fragilidades da economia. Outro objetivo é conter o desemprego, através da ampliação do setor produtivo. Com a Planificação da Economia, seria possível o controle da problemática da distribuição de renda, pois todos teriam emprego e salários que não seriam suficientes para a acumulação, mas que permitiriam a manutenção dos custos de vida na sociedade. Atualmente, apenas Cuba, Coréia do Norte, Vietnã e Mianmar adotam a Planificação daEconomia. O declínio desse modelo está ligado ao fim da URSS e, as sanções impostas pelos países capitalistas, liderados pelos Estados Unidos, contra aqueles países que aderem à Economia Planificada. Outro motivo é o alto índice de burocratização, visto que todas as ações comerciais são controladas pelo Estado, o que desfavorece a dinamização e o desenvolvimento, além de contribuir para o aumento da corrupção. Além disso, em todos os países que adotaram a Economia Planificada, observou-se a formação de uma classe dominante, atrelada ao Estado, que detinha maiores e melhores privilégios sociais que eram pagos à conta da grande parcela da população, o que também ocorre na economia de mercado. 60 9.6 – Os Três Primeiros Planos Quinquenais (1928-1941). A Comissão Estatal de Planejamento, liderada por uma equipe de economistas e estatísticos, elaborava e enviava os planos para todas as indústrias. Em lugar das decisões individuais, a economia seria supervisionada por um grupo de técnicos, sob o controle do partido com uma visão geral da economia. Com a invasão da Alemanha, a União Soviética perdeu territórios que abrigavam 40% da população. Esforço do governo para evitar a evacuação de milhões de operários, milhares de empresas e milhões de cargas de fretes de caminhão - “A Grande Guerra Patriótica”. O Plano Quinquenal procurava estabilizar a economia soviética. O PNB caiu pela metade. Somente em 1945, voltaram-se aos níveis de produção antes da Guerra. A ajuda dos países aliados e dos Estados Unidos forneceu o equivalente a 10% da produção soviética. Foi banido o direito de abandonar livremente o trabalho e a jornada aumentou de oito horas para doze horas. Em alguns setores introduziu-se o regime militar. Queda de consumo, em decorrência do racionamento de mercadorias. Perda de 20 milhões de pessoas e destruição de milhares de cidades, rodovias, campos e animais. Queda do índice de produtividade industrial de 100 (1940 para 58 (1945). 9.7 – A Economia de Guerra (1941-1945). Em 1940, a Comissão Estatal de Planejamento (GOSPLAN), elaborou o Quarto Plano (1945-1950), com os seguintes objetivos: recuperação; reconstrução e aumento dos níveis de produção: incremento à indústria de bens de consumo; e aumento do nível técnico mediante o incentivo a educação. O sucesso do Plano declarado pela GOSPLAN foi viabilizado, houve aumentos consideráveis nos índices de produção, em parte significativa, graças às reparações de seus antigos inimigos. A Criação de Companhias Acionistas Soviéticas – Empresas estatais com participação sempre de 50%. Reforma Monetária: controle da inflação e da exagerada demanda aumentando as oportunidades de especulação. Abandono da obsoleta tabela de preços (1926/1927), superada pelo crescimento no setor industrial e de engenharia. A reforma também reduzia a dívida interna, perda de benefícios aos camponeses durante a guerra, mercado livre para produtos agrícolas. O Plano falhou no setor agrícola (30% da meta). O racionamento de gêneros alimentícios suprimidos, em 1949, por conta da redução drástica dos preços pelo governo, desde 1947. 9.8 – Planos Quinquenais IV e V (1945-1955). Em 1950, o crescimento era relativo, uma vez que a URSS era a segunda Potência industrial em nível mundial. Entretanto, a produção de bens de capitais e de produtos básicos era menor que a norte-americana e a produtividade per capita de seus operários era menor que os países industrializados da Europa Ocidental. O Plano Quinquenal V, retomou os objetivos anteriores, sendo as metas consideradas moderadas, segundo os padrões soviéticos. A agricultura teve fixadas metas mais ambiciosas. Como nos anteriores seus maiores sucessos foram no setor de indústria pesada, tendo um crescimento menor que o esperado, bem como os salários reais dos operários devido à redução dos preços dos produtos agrícolas. Os Planos Quinquenais foram atrapalhados, em parte pela Guerra Fria, pois o governo soviético foi obrigado a 61 redirecionar uma parte de seu orçamento, para o setor militar e pesquisas atômicas. Com a recusa de participar e juntamente proibir, os países socialistas europeus do Plano Marshall. A resposta foi à articulação do Plano Molotov, também conhecido como Conselho para a Assistência Econômica Mútua (COMECON), formulada em 1949, que propunha a organização da produção industrial e a coordenação do comércio exterior dos países na zona de influência soviética, com aumento de 7 para 80% no estabelecimento de pactos comerciais bilaterais controlados pela URSS, o Plano Molotov organizou-se a coordenação dos diferentes planos econômicos nacionais. Os objetivos básicos eram: a constituição de espaços econômica único com economias complementares e a padronização cambial. A URSS beneficiou-se, com tais medidas e, pode estreitar relações comerciais, principalmente com a Tchecoslováquia e da Alemanha Oriental. 9.9 – As Modificações no Modelo. Após a morte Stálin em 1953, o Partido Comunista, introduziu uma série de mudanças, no modelo econômico soviético, imprevisível para os planejadores estatais: 1. Vislumbravam a alteração na relação da planificação / gerenciamento dos bens de consumo e alimentícios, no plano interno; 2. Uma convivência pacífica com o Ocidente capitalista, com o intuito de se ampliar o mercado interno. O que acarretou uma queda da renda estatal soviética, porque houve uma transferência de renda real do setor público para o privado; 3. Deixou de levar em consideração, que não se pode aumentar, o consumo sem um aumento na quantidade ofertada de bens e serviços, suficiente para equivaler á queda dos preços no varejo e/ou no aumento real dos salários. 9.10 – A Era de Krushev (1956-1964). A morte de Stálin gerou uma crise sucessória, marcada pela acirrada disputa pelo poder soviético entre Lavrent Bería (Chefe da Polícia Política), Georgi Malenkov (vinculado à burocracia administrativa) e Nikita Krushev (ligado ao Partido Comunista). De 1953 a 1955, Malenkov governou o país, sendo sucedido por Krushev. Este iniciou um processo de liberalização do regime: fim da burocratização, direção de áreas econômicas por conselhos locais, maior produtividade, rápida urbanização, aumento das áreas cultivadas e grande desenvolvimento tecnológico no setor espacial. Com uma política descentralizada, diminuiu o poder da policia, fechou campos de trabalhos forçados e denunciaram formalmente, no XX Congresso da PCUS, em 1956, os abusos e crimes cometidos durante a ditadura de Stálin. A exploração espacial começou em 4 de outubro de 1957, quando a União Soviética, lançou o Sputnik-1, primeiro satélite artificial em órbita na Terra. O feito russo abalou o bloco capitalista, em especial os Estados Unidos, que acreditavam em sua superioridade no campo científico. A competição aumentou quando, um mês depois desse lançamento, os soviéticos enviam pro espaço um satélite ainda maior, o Sputnik- 2, que levava a bordo, a cadelinha Laika. Somente, em 31 de janeiro de 1958, os Estados Unidos, conseguiram colocar em órbita seu primeiro satélite artificial, o Explorer. Na busca de primazia em desvendar a lua, novamente os soviéticos saíram na frente, por meio do Programa Luna, quando o Luna-1 venceu a gravidade da Terra, e enviou fotos do lado escuro da Lua. Os americanos só conseguiram igualar o feito dois meses depois, com o Pioneer-4. 62 Em 1961, os soviéticos obtiveram um notável triunfo ao lançar no espaço o primeiro satélite artificial tripulado e Iúri Gagárin tornou-se o primeiro cosmonauta da história. A nave espacial Apollo com trêstripulantes demonstrou ao mundo que os Estados Unidos tinham ultrapassado as capacidades soviéticas no espaço. A 20 de julho de 1969, com centenas de milhares de espectadores de televisão a ver no mundo inteiro, Neil Armstrong tornou-se o primeiro ser humano a andar na lua. Seguiram-se outros voos Apollo, mas muitos americanos começaram a questionar o valor de voos espaciais tripulados. No início dos anos 70, como outras prioridades se tornaram mais prementes, os EUA reduziram o programa espacial. Algumas missões Apollo foram descartadas; apenas uma das duas estações espaciais Skylab propostas foi construída. A desestalinização repercutiu diretamente nos países europeus do bloco socialista, de onde emergiram diversas dissidências e ameaças à estabilidade do Leste europeu. Um importante fato ocorrido, nesse período, foi à violenta ação armada soviética na Hungria, em 1956, para depor Imre Nagy, que pretendia retirar o país do Pacto de Varsóvia e, consequentemente, do controle de Moscou. Paralelamente, o processo de “liberalizar” o regime, facilitou a aproximação da União Soviética com os Estados Unidos, em particular depois que Krushev passou a defender uma política de coexistência pacífica, único meio para evitar um confronto atômico e direto entre as superpotências. O novo caminho das relações da Guerra Fria permitiu que, pela primeira vez, um líder socialista soviético visitasse os Estados Unidos. Por outro lado, a nova política externa defendida por Krushev levou a República Popular da China, em 1960, a romper relações com a União Soviética, por discordar da desestalinização e do processo de aproximação com o Ocidente, por conflitos de fronteiras e quebra soviética, em 1959, do acordo nuclear. Seguindo os passos da China, a Albânia, 1961, também rompeu relações com a União Soviética. O interesse em impedir fugas para o lado capitalista de Berlim levou a União Soviética, na noite de 12 para 13 de agosto de 1961, a erguer uma cerca de arame farpado e postos de vigia entre os dois lados da cidade alemã. Essa cerca, mais tarde, foi substituída por um muro de alvenaria. Nascia assim, o Muro de Berlim, principal símbolo da Guerra Fria. A perda de prestígio com a fracassada tentativa de instalar misseis em Cuba (1962) e a ação das dissidências internas do partido, que não apoiavam as reformas provocaram a queda de Krushev, em 1964. 9.11 – A Era de Breshnev (1965-1985). Retorno da burocratização, do centralismo político-administrativo e da repressão às dissidências – enfim, do velho modelo stalinista – foram características do período de Breshnev. Essa política causou uma perda de competitividade tecnológica com o Ocidente, principalmente, na produção de bens de consumo. O ritmo produtivo caiu, apresentando reduções nas taxas de crescimento industrial e agrícola, assim como na produtividade do trabalho. O rigor também se fez presente nas relações da União Soviética, com os países do seu bloco, sendo a Primavera de Praga, o melhor exemplo, dessa nova orientação na política externa. Os contatos com os Estados Unidos foram restabelecidos, a partir de 1973 (período da Détente). A melhoria nas relações possibilitou o primeiro voo espacial conjunto Soiuz-Apolo, 1975. Na então, Tchecoslováquia, desde o início de 1968, reformas pretendia modernizar a economia e transformar o papel do Estado. Com o apoio de intelectuais, operários e estudantes, o presidente Dubcek buscou uma via própria e mais humanizada de socialismo. Esse reformismo encontrou seu maior 63 opositor na União Soviética de Brejjnev. A fim de manter sua hegemonia no Leste europeu, tropas do Pacto de Varsóvia invadiram a Tchecoslováquia. Dubeek e seus companheiros foram presos, extraditados para Moscou e expulsos do Partido. Temendo que a Revolução Islâmica atingisse territórios estratégicos de seu interesse e procurando ajudar o governo afegão a sufocar uma rebelião muçulmana, a União Soviética ocupou militarmente o Afeganistão, em 27 de dezembro de 1979. Essa invasão atrapalhou as conversações sobre a limitação de armas nucleares. A retirada das tropas soviéticas só aconteceu em 1988. A morte de Brejnev, em 1982, levou ao poder líderes idosos e com problemas de saúde, da “ala Tradicional” do Estado soviético: Iúri Andropov (1982-1984) e Konstantin Tchernenko (1984-1985). 9.12 – A Era Mikhail Gorbatchev (1985-1991). A saída de antigo líder do Partido e a renovação dos quadros dirigentes possibilitou o fortalecimento político de Mikhail Gorbatchev e de seu programa de mudanças. Em seu governo, ocorreram reformas nas Forças Armadas, na legislação eleitoral, na administração popular, na economia e na política externa, mas foi em 1985, que os planos mais amplos de transformações foram lançados – a Perestroika e a Glasnost. Mikhail Gorbatchev acreditava que esses planos estabeleceriam o “socialismo humanitário”. No plano político, Mikhail Gorbatchev propôs a separação entre o Partido Comunista e o Estado, a desburocratização do Estado, com fusões ou extinção de ministérios e organismos, a reforma da legislação eleitoral e o retorno do poder para os sovietes. No plano econômico, defendeu o fim do planejamento rígido central e do sistema de preços ditado pelo governo: autogestão das empresas estatais e liberdade para competirem entre si no mercado; o fim da política de subsídios e a permissão para a existência de pequenos negócios privados. Bem vistas no exterior, às reformas provocaram a reação da oposição conservadora (comunistas ortodoxos, burocratas do antigo modelo politico-militar). Apesar das dificuldades, as mudanças caminhavam e, em 1988, Mikhail Gorbatchev conseguiu ser eleito presidente. O fim do monopólio do Partido abriu as portas ao multipartidarismo e às eleições diretas, que só aconteceram no início da década de 1990. Os “ventos de liberdade” dessa política estimularam, nas repúblicas soviéticas, movimentos nacionalistas e separatistas, com os dos povos bálticos (Letônia, Estônia e Lituânia). A Glasnost e a Perestroika colaboraram no avanço das relações entre os Estados Unidos e a União Soviética, levando a assinatura de novos acordos referentes à desativação de armas nucleares. Começava a mais abrangente fase de distensão de todo período da Guerra Fria, que poria fim ao bloco soviético, à bipolarização e a própria União Soviética. 9.13 – Socialismo: A Via Agrícola. O povo chinês, que havia sido saqueado, dividido e humilhado pelas chamadas potências imperialistas, durante os séculos XIX e XX, lutou contra a sangrenta invasão japonesa, que chegou a ocupar mais da metade do território chinês, nos anos trinta e quarenta, do século XX. Por isso, os comunistas liderados por Mao Tsé-Tung acabaram por receber grande apoio da população, que via o esforço dos militantes comunistas, como uma luta anti-imperialista que devolveria à China, o seu lugar de grandiosidade, ocupado no passado. No imaginário da população chinesa, era como se uma nova dinastia imperial, jovem e forte, chegasse ao poder. 64 9.14 – A China dos Soviéticos. Em 1949, os trabalhadores chineses organizaram e venceram o conflito que estabeleceu a formação da República Popular da China. Tomado por orientações nitidamente comunistas, o novo governo teria peso e importância política fundamental para que um bloco de nações socialistas tomasse corpo, no contexto político internacional. Afinal, a União Soviética era o único país de grande expressão capaz de fomentar a presença de governos socialistas pelo mundo. Inicialmente, a experiência revolucionária chinesa for abertamente apoiada pelo governo socialista soviético. Até o ano de 1954,os soviéticos apoiavam a China com a realização de diversos acordos de cooperação econômica que vieram a fortalecer a economia do recém-formado Estado de Esquerda. No entanto, a partir de 1957, essa relação de cooperação política e econômica chegou ao seu fim, quando o governo soviético passou a ser liderado por Nikita Khruschchev. Sob o comando de Krushchev, a União Soviética passou a vivenciar uma política de reforma de várias ações tomadas por Josef Stalin e a abertura de diálogo com as nações capitalistas. Essa nova situação abriu caminho para uma grave crise entre soviéticos e chineses. O primeiro sinal desse abalo aconteceu em 1959, quando a União Soviética decidiu romper o compromisso de fornecer armas nucleares aos chineses, para então viabilizar um encontro com o presidente norte-americano Dwigt Eisenhower. Enquanto, o governo soviético se preocupava em desenvolver o setor de bens de consumo e enfraquecer a ideia de Stalin como grande líder do socialismo soviético, os chineses buscavam a formação de sua indústria de base, em uma época em que a veneração à figura de Mao Tse-Tung atingia o seu auge. Assim, percebe-se que as duas grandes nações socialistas dessa época, viviam momentos distintos em várias esferas de atuação política. O auge dessa crise acabou sendo consumado em 1962, quando o Partido Comunista Chinês declarou abertamente que o Partido Comunista da União Soviética, praticava um socialismo revisionista. Tal acusação sugeria que os soviéticos deturpavam as doutrinas socialistas, a favor de ações que não estariam de acordo com as ideias dos grandes pensadores socialistas. Legitima ou não, a acusação acabou servindo de justificativa para que as relações entre os países fossem rompidas. Na década de 1970, a diferença de comportamento que diferenciava chineses e soviéticos sofreu uma curiosa mudança. Naquela década, o governo chinês, já não mais sob tutela de Mao Tse-Tung, começou a abrir as portas para um diálogo com os Estados Unidos. Além da simples aproximação diplomática, percebe-se que a China passou, também, a abrir as portas para ações econômicas de natureza capitalista que viessem a fortalecer o país. Por outro lado, o imobilismo e a grande estrutura burocrática soviética foram responsáveis por uma grande crise econômica, que acabou forçando a extinção do socialismo no país. No governo de Mikhail Gorbatchev foram tomadas medidas diversas que modernizaram as instituições políticas da União Soviética e estabeleceram a introdução do capitalismo no seu território. Somente em 1986, foi que os chineses e soviéticos se reaproximariam. 9.15 – O Período da Reconstrução (1949-1952). Nos primeiros anos da República Popular (1949-1953), a China possuía um regime misto, Pequeno comércio, manutenção de algumas propriedades privadas rurais, 65 permissão do “lucro justo” e de alguns setores privados industriais representariam a manutenção de determinadas foram capitalistas. Paralelamente, ocorria a socialização progressiva dos meios de produção com a nacionalização de bancos e de empresas. Na política externa, a China socialista desviou recursos humanos e materiais para os norte- americanos, durante a Guerra da Coréia (1950-1953). 9.16 – Plano Quinquenal I (1953-1957). O primeiro Plano Quinquenal organizou a economia chinesa, dando prioridade ao campo, com uma reforma agrária radical e a formação de cooperativas camponesas. Mão Tsé-Tung acreditava que as bases para a industrialização deveriam partir do campo, adotando um caminho próprio e inverso do soviético. Abolição dos privilégios feudais e o estabelecimento da educação obrigatória para todos completaram as metas do primeiro Plano. 9.17 – Plano Quinquenal II (1958-1962). A partir da década de 1950, a china revolucionária começou a seguir um caminho próprio, reforçando a justificativa da “origem camponesa” da Revolução. Também conhecido como “O Grande Salto para Frente”, o segundo Plano Quinquenal tinha como meta principal estruturar as bases para o estabelecimento de um amplo e diversificado parque industrial, “queimando etapas”. O Plano suprimiu os últimos vestígios da propriedade individual, quando as Comunas Populares substituíram as cooperativas agrícolas. O projeto de uma rápida e ampla industrialização entrou em colapso a partir de 1960, causado por graves secas e inundações, que trouxeram colheitas ruins e a consequente redução de alimentos e matérias-primas. Outros motivos do colapso do projeto chinês foram à inexistência técnica, a insuficiência de transporte ferroviário, o deslocamento de mão de obra do campo para a indústria e retirada de técnicos soviéticos, após o rompimento de relações entre China e União Soviética. A consequência política do fracasso do Segundo Plano Quinquenal foi o afastamento de Mao-Tsé-Tung da condução dos assuntos internos. 9.18 – A China dos Chineses. Ao fracasso do Grande Salto, seguiu-se uma fase de ajustamento, que durará até 1965, quando se instala uma situação paradoxal. A influência de Mao declina dentro do Partido, frente à ascensão de um grupo técnico-burocrata; quanto mais a China se afastava publicamente da URSS, mais sua economia tendia a seguir o modelo soviético. Embora, as unidades produtivas (As Comunas), apresentassem alguns problemas, como diferenciações regionais, fraco rendimento do trabalho coletivo em face da parca mecanização consome de cerca de 80% do total de sua produção, e inexistência de uma estrutura urbana equivalente, era necessário que elas “revolucionassem” as cidades, mediante a crítica que os camponeses fariam aos setores mais reacionários do Partido, obrigando os seus dirigentes a uma autocrítica e a volta do pensamento original do Mao. Esse foi o sentido, mais profundo da denominada Grande Revolução Cultural Proletária. 66 9.19 – A Revolução Cultural e as Quatro Modernizações. Os fracos resultados do “Grande Salto para Frente” e a luta interna pelo poder no Partido Comunista Chinês fizeram Mao Tsé-Tung adotar medidas radicais, visando garantir a consolidação do socialismo e ro reforço da origem camponesa da Revolução. A Revolução Cultural ficou marcada por expurgos, “depuração” do partido dos “revisionistas” e intensa mobilização da massa popular, em particular dos jovens, em torno do culto à personalidade de Mao (maoísmo) e da rigidez ideológica, orientada pelo Livro Vermelho. Essa Revolução introduziu reformas econômicas, através do “Programa das Quatro Modernizações”, (agricultura, indústria, defesa nacional e tecnologia) que, por sua vez, visava à completa transformação da estrutura econômica do país e a tentativa de recuperar as décadas de atraso. Além disso, essas reformas possuíam dois objetivos fundamentais. O primeiro dizia respeito à criação de uma economia de mercado com características socialistas, visando à obtenção de lucros e sua maximização, mas mantendo a propriedade estatal dos meios de produção. O segundo buscava atingir o crescimento econômico, especialmente, por meio de investimento direto estrangeiro e da assistência técnica. 9.20 – A Nova Política Econômica (1978 – Atualmente). As reformas econômicas, iniciadas em 1978, e conhecidas como “Políticas de Portas Abertas”, fizeram com o país vivenciasse um processo econômico formidável, nunca antes visto, evidenciado pelas altas taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e do PIB per capita. De 1980 a 2004, o PIB do país registrou uma média de crescimento real de 9,5%, tornando-se a sexta maior economia do mundo, em 2004. Isto se deve principalmente ao seu rápido crescimento na área do comércio internacional, cujaparticipação total nesta área passou de 1% para quase 6%, em 2003. No entanto, a economia chinesa nas duas fases do comunismo, se diverge quanto ao seu posicionamento perante o mercado externo, seus planejamentos econômicos pelas características socioeconômicas de sua população. A primeira fase, que durou entre 1949-1978, sob o governo de Mao Tsé-Tung, foi caracterizada pelo isolamento do país do mundo dito Ocidental, em comércio e relações políticas; por uma população predominantemente rural e empobrecida; pela existência de planejamento centralizado das atividades econômicas; pelo controle estatal dos meios de produção e pela adoção dos Planos Quinquenais que, por sua vez, deram ênfase ao desenvolvimento dos setores base da atividade econômica, como a extração mineral, siderurgia, petroquímica e agricultura. Na segunda fase, iniciada em 1978, houve mudanças socioeconômicas com a ascensão de Deng Xiaoping ao poder presidencial. Alguns anos após a aprovação de um novo plano de reforma do sistema econômico chinês, proposto pelo novo presidente, durante a reunião da 3 a . Sessão planária do XI Comitê Central do Partido Comunista Chinês, o país deu um salto econômico significativo, se compararmos com a fase anterior, gerando efeitos positivos e negativos dentro e fora do país. O salto econômico chinês não ocorreu por acaso, vários fatores foram responsáveis pelo sucesso da economia chinesa. Contudo, apesar da colaboração de diversos fatores para o crescimento econômico do país, nenhum deles pode ser apontado como o principal. O que houve, na verdade, foi uma coincidência de fatores geográficos, históricos, políticos e econômicos, que não podem ser replicados em outros países ou outras ocasiões. 67 Entre alguns dos fatores que propiciaram o crescimento econômico chinês, é possível destacar, o processo de liberalização do sistema de formação de preços, que teve o seu início em 1979, no setor rural. Além disso, a liberalização do comércio exterior, também foi um fator importante para o crescimento econômico, tendo as medidas de liberalização do comércio aceleradas, após o ingresso do país, na Organização Mundial do Comércio, em 2001. Outra base para a evolução do crescimento chinês foi à criação de Zonas Econômicas Especiais (ZEE). Essas zonas possuem como objetivos principais: atrair investimentos estrangeiros, desenvolver a produção tecnológica do país, e absorver as inovações tecnológicas desenvolvidas nos países mais avançados. Junto a esses fatores, é possível acrescentar o gigantesco tamanho da população da China que favoreceu a existência de economia de escala, na maior parte das indústrias. No entanto, apesar desse crescimento ter gerado efeitos positivos dentro do país, não se pode dizer que esses efeitos impactaram toda a população chinesa de forma igualitária, pois ainda é possível observar um desequilíbrio socioeconômico entre os chineses, apesar de ter ocorrido uma redução dessas desigualdades em relação ao governo de Mao Tsé-Tung. Além disso, as condições de trabalho dos chineses, na maioria das empresas nacionais e estrangeiras, são precárias. Sobre o cenário externo, estas reformas foram benéficas para vários países, uma vez que a abertura do mercado chinês ajudou estes países a terem a acesso ao maior mercado consumidor do mundo, além de ter fornecido locais produtivos para que suas empresas pudessem crescer e se expandir, utilizando-se da mão de obra barata do país, e aproveitando-se dos impostos baixos. Entretanto, apesar desses impactos positivos gerados pelas reformas, houve consequências negativas no mundo, como o fato do país ter se tornado o maior emissor de gases-estufa do mundo, superando os Estados Unidos e o aumento dos preços de commodities, no mercado internacional. 9.21 – As Variantes Nacionais. Os países do Leste europeu, que passaram para o campo socialista, em virtude das vitórias militares do Exército Vermelho, tiveram um padrão paralelo de desenvolvimento, reforçado pelo COMECON e sua versão militar, o Pacto de Varsóvia, constituído, em 1955. Após uma fase de ajustamento, que durou de 1945 a 1949, em que companhias de seguros, fontes produtoras de energia, minas, metalúrgicas e todas as grandes empresas foram nacionalizadas, as denominadas Democracias Populares, foram submetidas a um planejamento centralizado. Isso também ocorreu nos Planos Quinquenais soviéticos, tiveram a tarefa de promover uma industrialização acelerada em regiões largamente agrícolas. Os resultados foram diversos, sendo que dois países socialistas desenvolveram variantes nacionais, que merecem especial atenção. 9.22 – A Iugoslávia. A despeito de origens em comum, a economia da Iugoslávia socialista foi muito diferente das economias da União Soviética e de outros países socialistas do Leste europeu, especialmente, após o cisma sugo-soviético de 1948. A ocupação e luta pela libertação na Segunda Guerra Mundial deixaram a infraestrutura da Iugoslávia devastada. Até as partes mais desenvolvidas do país, eram predominantemente rurais e as poucas indústrias que tinham foram danificadas ou destruídas. Os primeiros anos do pós-guerra viram a implementação de Planos Quinquenais, no estilo soviético e a reconstrução por meio do trabalho voluntário em massa. 68 O campo recebeu eletricidade e a indústria pesada foi desenvolvida. A economia foi organizada como uma economia mista de planejamento socialista e socialismo de mercado: fábricas foram nacionalizadas e trabalhadores tinham direito a certa parcela de lucros. Manufaturas de propriedade privada podiam empregar até 4 (quatro) pessoas por proprietário. A terra foi parcialmente nacionalizada e redistribuída, além de parcialmente coletivizada. Propriedades rurais podiam possuir até 10 hectares de terras por pessoa e o excesso de terra cultivável era de propriedade de cooperativas, empresas agrícolas ou comunidades locais. Estas podiam vender e comprar a terra, bem como dá-la a pessoas em arrendamento perpétuo. Em 1950, a autogestão socialista foi introduzida, reduzindo o controle da economia pelo Estado. Gerentes de empresas de propriedade social eram supervisionados por Conselhos Operários, compostos por todos os funcionários, com um voto para cada. Os conselhos também elegiam a gerência das empresas, frequentemente por voto secreto. O Partido Comunista (SKJ) foi organizado em todas as empresas e os funcionários mais influentes eram em geral membros do Partido. Assim, os gerentes eram, mas nem sempre, indicados somente com o aval do Partido. Com a exceção de uma recessão em meados dos anos de 1960, a economia do país prosperou formidavelmente. O desemprego era baixo e o nível educacional da força de trabalho aumentava velozmente. Devido à neutralidade da Iugoslávia e ao papel de liderança no Movimento Não-Alinhamento, as empresas iugoslavas exportavam tanto para os mercados Ocidentais e Orientais. Essas empresas realizaram construções de inúmeras grandes obras de infraestrutura e projetos industriais na África, Europa e Ásia. O fato de que os iugoslavos tinham permissão para emigrar livremente, desde os anos de 1960, levou muitos a procurar trabalho na Europa Ocidental, notavelmente, na Alemanha. Isto contribuiu para manter o desemprego, sob controle e, também, funcionou como uma fonte de capital e geração de divisas. Na década de 1970, a economia foi organizada de acordo com a teoria do trabalho, associado de Edvard Kardelj, segundo, o qual o direito à tomada de decisão e a uma parcela dos lucros de empresas de propriedade social é baseado no investimento de trabalho. Todas as empresas foram transformadasem organizações de trabalho associado. As menores, organizações básicas de trabalho associado, mal comparadamente correspondendo a uma pequena empresa ou a uma repartição de uma grande empresa. Estas eram organizadas em empreendimentos, também conhecidas como organizações laborais, que por sua vez, se associavam em organizações compostas de trabalho associado, que podiam ser grandes empresas ou até setores industriais inteiros em certa área. Organizações básicas de trabalho associado às vezes eram compostas por unidades de trabalho até menores, mas não tinham autonomia financeira. Além disso, organizações composta de trabalho associado eram às vezes membros de comunidades empresariais, que representavam setores industriais inteiros. A maior parte das decisões executivas era baseada em empreendimentos. De forma que estas continuavam a competir até certo grau, quando faziam parte de uma mesma organização composta. A indicação de gerentes e a política estratégica de organizações compostas eram, dependendo de seu tamanho e importância, na prática frequentemente submetida a controle político e de influência pessoal. Com o objetivo de dar a todos os funcionários, o mesmo acesso à tomada de decisão, as organizações básicas de trabalho associado, também foram introduzidas nos serviços públicos, incluindo a saúde e a educação. As organizações básicas eram normalmente feitas de apenas dezenas de pessoas e tinham seus próprios conselhos de trabalhadores, cujo aval era necessário para 69 decisões estratégicas e indicação de gerentes em empreendimentos ou instituições públicas. Os trabalhadores se organizavam em sindicatos que abrangiam todo o país. Greves podiam ser convocadas por qualquer trabalhador, ou qualquer grupo de trabalhadores, e chegou ser comuns em certos períodos. Greves por reivindicações claras e genuínas, sem motivação política, normalmente resultavam em pronta substituição da gerência e aumentos de salários ou benefícios. Greves com motivação política real ou implícita eram frequentemente tratadas da mesma maneira (alguns indivíduos eram processados ou perseguido separadamente), mas ocasionalmente, também, enfrentaram posições intransigentes ou em alguns casos, a luta bruta. Greves ocorreram em todas as épocas de instabilidade política ou carestia econômica, mas tornaram-se cada vez mais comuns nos anos da década de 1980, quando governos consecutivos tentaram salvar a economia decadente com um programa de austeridade, sob os auspícios do FMI – Fundo Monetário Internacional. Durante e após a crise do petróleo de 1973, a divida externa cresceu maciçamente e, desde o início dos anos oitenta, atingiu mais de US$ 20 bilhões. Os governos de Milka Planiné e Branko Mikulié renegociaram a divida externa sob o preço de introduzir a política de databilização que, na prática consistia em fortes medidas de austeridade – a chamada terapia de choque. Durante, a década de 1980, a população iugoslava suportou a introdução de cotas de uso de combustível (40 litros por carro por mês), rodizio de automóveis (limitação do uso de carros para 6 dias, a cada semana, baseada no último algarismo da placa), severa limitações sobre a importação de mercadorias e um depósito compulsório, para quem saía do país, principalmente para ir às compras, para ser devolvido um ano depois (com a inflação em alta, isto efetivamente se transformou em um imposto sobre viagem). Houve falta de café, chocolate e sabão em pó. Durante vários verões de estiagem, o governo, sem conseguir empréstimos para importação de eletricidade, foi forçado a decretar racionamentos de energia. A Iugoslávia chegou a ser um sucesso regional em termos econômicos, industriais e de energia. Duas décadas antes da década de 1980, o crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) era de 6,1%, o serviço público e gratuito de saúde era universalizado, o analfabetismo era de 9% e a expectativa de vida era de 72 anos. Mas, após uma década de administrações econômicas socialistas/comunistas e cinco anos de desintegração, guerra, boicote e embargo, a economia da Iugoslávia entrou em colapso. 9.23 – A Albânia. Último reduto do stalinismo na Europa, a Albânia resistiu o quanto pôde “aos ventos” da abertura. Sob a condução de Enver Hohxa, que governou o país, desde o fim da Segunda Guerra Mundial até 1985, a Albânia se isolou do mundo. Em 1961, afastou-se até da União Soviética e do COMECON, por não concordar com a desestanilização proposta por Kruschev. Alinhou-se então, com a China. Sua política econômica sempre privilegiou a indústria pesada, aproveitando as fontes de matéria- prima existentes no país, como o petróleo e o cromo. Na agricultura, a regra era a coletivização. O médio prazo, esse modelo fez o país atingir a autossuficiência em alimentos. Trocas no exterior, só a dinheiro, e quando absolutamente imprescindíveis. A partir dos anos oitenta, já rompia também com a China, a Albânia iniciou uma pequena aproximação econômica com Ocidente. Mas sua política permaneceu inalterada até 1985, quando faleceu. Seu sucessor continuou com essas diretrizes e o país chegou ao final da década, com um padrão de consumo muito restrito. Produtos banais – absorventes, por exemplo –, existiam no mercado local. O governo 70 apresentava, como conquistas importantes, bons sistemas de saúde, educação, transporte e habitação. Mas esse argumento não sensibilizava os mais jovens, que ansiavam por um padrão de vida melhor, que conheciam pelos programas de televisão captados da Iugoslávia, da Itália e da Grécia. Em julho de 1990, milhares de albaneses começaram a invadir embaixadas estrangeiras na capital, Tirana, em busca de asilo. O governo acabou autorizando a emigração, junto a isso, tomou medidas para afastar os ministros mais duros, que queriam reprimir a população. Os albaneses conseguiram obter legalmente seus passaportes, pequenas empresas familiares foram autorizadas a funcionar, a entrada de capital estrangeiro foi permitida, ainda que timidamente, e os camponeses foram autorizados a vender sua produção aos preços de mercado. Após, o relaxamento da censura, foi concedida também liberdade religiosa e partidária. Finalmente, em março de 1991, realizaram-se eleições parlamentares, que deram 60% dos votos aos candidatos do Partido do Trabalho, o Partido Comunista local. Apesar desses avanços, parte da população decidiu não esperar, mais pela melhoria das condições de vida, ainda bastante duras, em comparação com os vizinhos mais prósperos. Em agosto de 1991, uma leva de 22 mil albaneses tentou emigrar para a Itália, através de Brindeis, no sul do país. O governo italiano, que havia colhido os albaneses anteriormente, dessa vez se recusou, pois o mercado de trabalho no sul da Itália, região menos desenvolvida do país, não comportaria tal volume de imigrantes. Sob protestos, 17 mil albaneses foram repatriados. Em março de 1992, novas eleições para o Parlamento, deram vitória ao Partido Democrático (não comunista). Era, assim, o fim da experiência socialista na Albânia. 9.24 – A Falência Política na Década de 1980. Após o término da Segunda Guerra Mundial, a Europa entrou em um processo de reconstrução, e não demorou muito para ingressar em um intenso desenvolvimento industrial e econômico, salvo os países do Leste europeu, que nesse mesmo período enfrentou sucessivas crises de caráter financeiro. A critica situação, na qual a população convivia ocasionou o surgimento de inúmeros movimentos, decorrentes da imposição do sistema socialista que estava em vigor no bloco de países socialistas liderados pela União Soviética. Todas as formas de manifestaçõescontra o governo e seu regime político eram repreendidas pelo uso da força, ordenados pelos líderes dos governos dos países em que tais fatos ocorriam, inclusive a União Soviética. Na segunda metade década de 1980, o sentimento de insatisfação por parte da população atingiu a União Soviética, com isso foi necessária à implantação de inúmeras reformas no território. Dentre as várias mudanças, uma delas era uma menor interferência por parte dos soviéticos no Leste europeu, desse modo, os países que integravam o Bloco Socialista ganharam sua independência para buscar sua inserção em outras formas de governo, regime político e econômico. Todas as medidas de mudança a desenvolvidas, no Leste europeu foram executadas de forma pacífica e levou ao desmembramento do Bloco socialista na Europa, proveniente das decisões dos países que integravam o bloco em questão de não dar continuidade ao regime político-econômico oriundo da União Soviética, a partir desse ato buscou estabelecer medidas e reformas com intuito de integrar suas economias internacionalmente no mundo capitalista para que as respectivas nações alcançassem um maior desenvolvimento e oferecessem uma melhor qualidade de vida às suas populações. 71 Em toda fase de transição dos regimes de governos e a queda do socialismo aconteceram várias transformações e mudanças. No entanto, a mais importante delas ocorreu na segunda metade da década de 1980, quando, em 1989, houve a queda do Muro de Berlim, esse fato marcou o fim da Guerra Fria e o começo da implantação de reunificação da Alemanha que no ano seguinte veio a ser executado. Todas as transformações ocorridas no processo de desmembramento político geraram uma modificação nas relações diplomáticas entre os líderes das nações que integravam o bloco socialista e o governo da União Soviética. Além disso, houve uma intensa dispersão de sentimentos de autonomia na região, derivando a independência de várias Repúblicas em 1991, decretando assim o fim da União Soviética e do mundo bipolar. A Federação Russa, devido o seu enorme arsenal militar foi designada pela comunidade internacional para ocupar o espaço da União Soviética, reconhecida também pelo Conselho de Segurança Permanente da Organização das Nações Unidas. Apesar da fragmentação da União Soviética e a unificação da Alemanha, a configuração cartográfica e geopolítica da região não terminou, pois logo depois, houve a independência da Tchecoslováquia e da Iugoslávia. Com isso, ficam evidente que, o Leste europeu ainda tem grandes possibilidades de outras fragmentações, principalmente derivados de divergência étnico-religiosa. 72 Capítulo X – O CAPITALISMO NA TERCEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL. Introdução. 10.1 O Novo Papel do Estado; 10.2 As Formas de Intervenção Estatal; 10.3 O Estado nas Áreas Periféricas; 10.4 A Internacionalização do Capitalismo; 10.5 As Empresas Multinacionais; 10.6 As Relações Estados – Empresas Multinacionais; 10.7 A Formação de Blocos Econômicos Supranacionais; 10.8 A Hegemonia Norte-americana; 10.9 A Economia dos Estados Unidos, na década de 1990; 10.10 A Emergência do MCE e do Japão; 10.11 A Globalização da Economia; 10.12 Tecnologia e Desenvolvimento; 10.13 Haverá uma Ideologia para a Nova Época? Introdução. O mundo, após a segunda metade do século XX, depois da Segunda Guerra Mundial, ingressou em uma etapa de profundas evoluções, no campo tecnológico desencadeada principalmente pela junção entre conhecimento científico e produção industrial. O processo industrial pautado no conhecimento e na pesquisa caracteriza a chamada Terceira Revolução Industrial. Nessa etapa ou fase produtiva, todos os conhecimentos gerados em pesquisas são repassados quase que simultaneamente para o desenvolvimento industrial. A Terceira Revolução Industrial ou Revolução Tecno-científica permitiu o desenvolvimento de atividades na indústria que aplicam tecnologias de ponta, em todas as etapas produtivas. A produção de tecnologias é um ramo que apresenta como um dos mais promissores no âmbito global. Essa nova fase produtiva não se limita a produtos de pouco valor agregado, como nas revoluções industriais anteriores, pelo contrário, o conhecimento inserido, no qual foram gastos anos de estudos e pesquisas, agregam elevados valores no produto final, mesmo que tenha sido gastos pouca quantidade de matéria-prima. Nesse sentido, as atividades que mais se destacam no mercado estão vinculadas à produção de computadores, softwares, microeletrônica, chips, transistores, circuitos eletrônicos, além da robótica com grande aceitação nas indústrias, telecomunicações, informática em geral. Destacam-se, ainda, a expansão de transmissores de rádio e televisão, telefonia fixa, móvel e internet, indústria aeroespacial, biotecnologia e muitas outras inovações. É bom ressaltar que, a inovação de um dos itens mencionados contribui diretamente ou indiretamente para o desenvolvimento de outro, desse modo, fica evidente que ocorre uma intensa interdependência entre eles. No mundo capitalista, a inserção de tecnologias e o aprimoramento constante da mesma promovem uma dinamização produtiva, intensifica o trabalho, cria produtos e mercadorias de maior qualidade para concorrer em um mercado cada vez mais competitivo, gera diminuição de custos. Esse processo desencadeia uma enorme acumulação de capitais pelos donos dos meios de produção, que posteriormente, serão usados para realizar investimentos no desenvolvimento de novos produtos e na geração de inéditas tecnologias de ponta, sempre a serviço da indústria. 10.1 – O Novo Papel do Estado. Essa Terceira Revolução caracterizou-se pelo emprego do binômio informática/robótica, que implicou a difusão da automação dos processos produtivos dos países centrais da economia capitalista. Os efeitos imediatos foram à concentração de capital em um maior papel intervencionista do Estado, nas áreas centrais do sistema. As condições antigas de preço e qualidade foram superadas pela propaganda como 73 condição para o incremento do mercado consumidor. O Estado deixa de ser um mero solucionador de problemas e passa ase dedicar à própria atividade produtiva, detendo o monopólio de alguns setores. A participação do capital público intensificou, o papel de empregador privilegiado aumentou acarretando um substancial crescimento do déficit público. O sistema deixa de incentivar as áreas periféricas a importarem produtos industrializados, de forma a desenvolverem suas próprias bases industriais, financiadas pelos países centrais, com defasados processos tecnológicos. As condições de dependência são refletidas pela dependência financeira, tecnológica, comercial, produtiva e cultural. 10.2 – As Formas de Intervenção Estatal. O Estado de Bem-Estar social (Welfare-State) é um modo de organização, o qual, o Estado se encarrega da promoção social e da economia. Ao longo dos séculos, as escolas de pensamento econômico retiraram a participação do Estado da organização da economia, concedendo grande espaço e influência ao que se designou como liberalismo. Este tipo de orientação ideológica, que prevê maior liberdade para o mercado, sem a regulamentação do Estado, vigorou no século XIX, mas entrou em profunda crise, no início do século XX. A Primeira Guerra Mundial foi resultado da intensa de disputa por mercados travada pelos países europeus. Encerrando um período de grande desenvolvimento. Pior ainda para a economia seria a Crisede 1929, decorrente da superprodução que o mercado foi incapaz de absorver. Até então, estava em pauta à retirada do Estado da regulamentação econômica, mas a solução da crise foi juntamente a retomada do Estado. Defensores do Liberalismo acreditavam que intervenção do Estado na economia e o investimento em políticas sociais eram, na verdade, ganhos maléficos para a economia. No entanto, essas duas medidas reativaram a economia. A partir de 1930, então, expandiu-se o modelo chamado de Bem-Estar social, no qual o Estado é organizador da economia e da política, encarregando-se da promoção e defesa social. O Estado atua ao lado de sindicatos e empresas privadas, atendendo às características de cada país, com o intuito de garantir serviços públicos e proteção à população. Os países europeus foram os primeiros e principais incorporadores do modelo que agradou os defensores da socialdemocracia. A principal referência no continente veio da região escandinava. Até hoje, Noruega, Suécia, Finlândia e Dinamarca são destaques na aplicação do Estado de Bem-Estar Social e são países que estão no topo do ranking de melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O Estado de Bem-Estar Social ganhou ainda mais terreno, com a inclusão do conceito de cidadania, propagado, após a queda dos regimes totalitários na Europa. Associou-se a ideia de que os indivíduos são dotados de direitos sociais. O modelo de organização estatal concede aos indivíduos, bens e serviços públicos, durante toda a vida. Os direitos sociais conferem serviços de educação, saúde, seguridade e lazer. Esta organização, também é chamada de Estado Previdência e Estado Social. Foi o modelo predominante nos países Ocidentais, na segunda metade do século XX, defendendo o desenvolvimento do mercado, porém acompanhado de políticas públicas e da interferência do Estado na economia para corrigir os erros e proteger a população. 74 Atualmente, diz-se que o modelo está em crise. O primeiro país a abandonar esse modelo foi à Inglaterra, no governo da Primeira-Ministra Margareth Thatcher. Ela alegou que o Estado não dispunha mais de recursos para sustentar o Estado de Bem-Estar Social e retirou os direitos que os cidadãos ingleses haviam conquistado, no decorrer de várias décadas. Nasceria, então, o Estado Neoliberal. A consequência seria o embate entre os dois modelos. Mas o Estado Neoliberal, também já se mostra em crise e políticos e ideólogos de direita e de esquerda, debatem qual modelo seria mais viável. O fato é que a maior parte dos países que investiram quantidades significativas do Produto Interno Bruto (PIB), em políticas sociais possui elevados Índices de Desenvolvimento Humano. No entanto, a relação não é direta, pois não se trata apenas de investir, mas da maneira como é investido. Outra evidência que está associada ao investimento em políticas sociais é a redução da pobreza. 10.3 – O Estado nas Áreas Periféricas. No sistema econômico mundial, contêm países centrais, estes dominam a hegemonia tecnológica e comercial: e os periféricos fornecedores de matérias-primas e produtos manufaturados, e são extremamente dependentes dos recursos tecnológicos e financeiros, pertencentes aos países desenvolvidos. Observa-se que as nações do Centro desenvolveram poderosos aparelhos de Estado ligados por uma forte identificação nacional ou integração. O que representou um mecanismo para proteger e mascarar as disparidades, surgidas no interior do sistema mundial. Nas áreas periféricas, o Estado se caracterizou como ineficiente, com pouca força política decisória, devido ao colonialismo instituído em alguns casos no passado, ou ainda pelo neocolonialismo. 10.4 – A Internacionalização do Capitalismo. O movimento das Bolsas de Valores, na atual fase do capitalismo retrata bem as transformações pelas quais o sistema financeiro tem passado. Há uma separação no mercado financeiro: de um lado, as empresas tradicionais, medidas pelo índice Dow Jones da Bolsa de Valores de New York. Do outro, a Nasdaq, da mesma instituição e referente às empresas de computadores, informática e telefonia. O índice Dow Jones mede as ações da “Velha” economia e o Nasdaq faz o mesmo com as ações da “Nova” Economia. Como Velha Economia, entende-se, o mercado das empresas tradicionais: indústrias de automóvel, de tabaco, companhias de petróleo, etc. Mas, a grande novidade da “Globalização” é o que chamamos de Nova Economia. De certa forma, a Nova economia veio alterar profundamente, o mercado dos negócios e o mercado de trabalho. Como reúne as empresas de computadores, a Internet e a telefonia, ela é, em última análise, a responsável pelo processo de internacionalização dos mercados, uma vez que, forneceu as facilidades tecnológicas para que isso ocorresse. Na Nova Economia, o dinheiro passa de um lugar para outro ao simples toque de um computador. A Internet é a grande “estrela” desse sistema. Ela pode significar maior contato, entre as pessoas ou um maior mercado para as empresas. Entretanto, essa mesma Nova Economia, que trouxe inúmeras vantagens, tem o seu lado negativo. Dependentes de altos investimentos de capital e de tecnologia de ponta, as facilidades oferecidas por essas empresas se restringem a uma parcela da humanidade. Países pobres não acesso a elas, o que aprofunda ainda mais as diferenças entre países subdesenvolvidos e desenvolvidos. Por outro lado, a tecnologia sofisticada 75 extingue postos de trabalho. É a máquina substituindo o homem. Essa situação fica evidente, no uso de caixas eletrônicos pelos bancos (privados e/ou públicos), em estacionamentos que dispensam recepcionistas e em ônibus sem a presença de cobradores. Outras vagas são criadas nas empresas da Nova Economia, porém é necessária uma qualificação, mais apurada para realizar, os diferentes tipos de tarefas e serviços que elas requerem. O funcionário que desempenhava funções mais simples, e foi substituído pela máquina, quase sempre não tem condições de assumir nenhum dos novos postos de trabalho criados, engrossando, sobremaneira os índices de desemprego em vários países. As ditas “empresas Ponto Com”, que utilizam da internet, principalmente para realizar o “e-commerce” (comércio eletrônico), foram os destaques na Bolsa Eletrônica Nasdaq, até 1999. Desde então, os tempos mudaram. Passada a euforia, muitas empresas fecharam, demitiram funcionários e colocaram seus endereços na internet (URL). À venda. A instabilidade dessas empresas permanece nos anos seguidos, após 2001. 10.5 – As Empresas Multinacionais. Uma empresa multinacional é caracterizada por ter sua matriz em um determinado país e atuar no mercado de outros países. Sua origem é do final do século XIX, porém, atuação dessas empresas no mercado mundial se intensificou, após a Segunda Guerra Mundial, ou seja, a partir de 1945. O principal objetivo da empresa multinacional é instalar filiais em outros países com o intuito de obter a máxima lucratividade, os fatores que contribuem para a construção de filiais são: a isenção de impostos, amplo mercado consumidor, infraestrutura, matéria-prima, energia e mão de obra. A instalação de uma filial em países em desenvolvimento ocorre, na maioria das vezes, através de benefícios do governo (doação de terrenos e isenção de impostos). Nos locais onde ocorre a construção de uma filial há geração de empregos e desenvolvimento industrial. No entanto, os lucros obtidos por essas empresas são destinados à construção de novas filiais em outros locais, e uma parte vai para matriz localizada no país de origem. Pode ocorrer a divisão regional do trabalho, onde as empresas multinacionaisproduzem cada parte de um produto em localidades diferentes, com objetivo de reduzir custos na produção. O processo de “globalização” contribuiu bastante para a atuação das empresas multinacionais, pois proporcionaram condições de telecomunicação e transporte, elementos essenciais para atuação dessas empresas em escala mundial. O termo “multinacional” está saindo de uso, pois passa a ideia de que uma empresa é composta por várias nações. Sendo substituído pela denominação de empresa transnacional, que se refere à atuação de uma empresa em outros países. 10.6 – As Relações Estados – Empresas Multinacionais. As empresas multinacionais são atores de grande importância, no contexto das relações internacionais e das economias nacionais. Essa empresa atual dentro da lógica capitalista e buscam maximizar o seu lucro por meio da internacionalização, buscam, se estabelecer em países que lhes fornece maiores incentivos e isenções fiscais. Com isso gera-se uma realidade, na qual os Estados devem buscar conduzir de forma a obter maiores benefícios. Há muito receio de que as empresas multinacionais venham a diminuir o poder dos Estados e, por vezes, venham ameaçar a sua vivência. Embora esse perigo seja real, a existência das multinacionais, cada vez se consolida mais. Os Estados 76 hospedeiros param se proteger, buscam estabelecer uma política industrial, que procure minimizar os aspectos negativos da presença das empresas multinacionais em seu território. 10.7 – A Formação de Blocos Econômicos Supranacionais. As transformações econômicas mundiais ocorridas nas últimas décadas, sobretudo, no pós-Segunda Guerra Mundial, são fundamentais para entendermos as dinâmicas de poder estabelecidas pelo grande capital e, também, pelas grandes corporações transnacionais. Além delas, não podemos deixar de mencionar a importância crescente das instituições supranacionais, que atuam como verdadeiros agentes nesse jogo de interesses, como por exemplo, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial, entre outros. O cenário que se afigura com a chegada destes novos agentes econômicos são imprescindíveis para compreendermos o significado da chamada “Globalização Econômicas”. Esta tem como características: 1. A ruptura de fronteiras, ou seja, tal ruptura é obtida à dinâmica do capital, que circula livremente pelo globo, sem respeitar a delimitação de fronteiras territoriais; 2. Perda da soberania local, isto é, países, estados e cidades tem que se submeter à lógica do capital, para conseguir gerar lucros em seus orçamentos; 3. Expansão da dinâmica do capital, fato que se relaciona à ruptura de fronteiras, de modo que o capital se dirige, agora, também à periferia do capitalismo, uma vez que as transnacionais compreenderam que a exploração (no sentido de explorar a força de trabalho diretamente) dos países subdesenvolvidos promoveria grandes lucros para estes. Com o crescimento expressivo da atuação do capital em nível mundial, chegou-se a questionar o papel do Estado, isto é, o Estado seria de fato um agente importante neste processo ou atuaria como um impeditivo para a livre circulação do capital, uma vez que poderia criar regras ou leis que inviabilizariam a livre circulação de capital? Segundo esse raciocínio, as transnacionais estariam comandando a dinâmica econômica mundial em detrimento dos Estados. Vale destacar que, muitas empresas transnacionais passaram a desempenhar papéis que antes eram oferecidas pelo Estado, como serviços ligados à infraestrutura básica (transporte, saneamento básico, telefonia móvel e fixa, entre outros). No entanto, as sucessivas crises geradas pelo capitalismo mostraram que, o papel do Estado, não se apagou como pensavam alguns, pelo contrário, em momentos de crise financeira, o Estado é chamado a ajudar as empresas em dificuldade econômica. Portanto, o papel do Estado, no contexto de “globalização” reestruturou-se, passando este atuar como um salvador dos excessos econômicos, promovidos pelas empresas nacionais ou internacionais, controlando taxas de juros, câmbios, manutenção de subsídios em setores estratégicos, bem como fiscalizando, direta e indiretamente, os recursos estratégicos. A integração da economia mundial é um dos principais fatores responsáveis pela constituição dos diversos blocos econômicos em várias partes do globo. A sua existência atende ao mais elevado interesse das empresas multinacionais porquanto, por seu intermédio, haverá uma maior liberalização do mercado mundial, principalmente intra-blocos. Em outras palavras, a formação de blocos econômicos abre caminho à constituição de um mercado mundial sem barreiras no futuro sob a ótica das empresas multinacionais. Na atualidade, estão constituídos como blocos econômicos a União Europeia, o Nafta, a APEC - Associação de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico, a CEI - Comunidade de Estados Independentes, o MERCOSUL, o Pacto 77 Andino, a APEC - Associação de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico e o COMESA - Mercado Comum dos Países do Leste e Sul da África. Neste aspecto que está em processo de gestação a ALCA - Associação de Livre Comércio das Américas da qual devem participar todos os países das Américas à exceção de Cuba. A ALCA, proposta pelos EUA, constitui uma pressão atualmente exercida pelo governo dos EUA sobre os países do continente americano visando à constituição da ALCA, como parte integrante de sua estratégia de manter todas as Américas sob seu controle e se impor, dessa forma, hegemonicamente em nível mundial no confronto com outros blocos econômicos, principalmente com a União Europeia. Em contrapartida, o fortalecimento do MERCOSUL – Mercado Comum do Cone Sul é de vital importância para os países integrantes porque, por seu intermédio, poderão barganhar com o NAFTA, a União Europeia e outros blocos econômicos suas participações nesses mercados, bem como atrair investimentos. Os fatos da realidade estão demonstrando que as estruturas atuais, como a ONU, o FMI, Banco Mundial, estão defasadas em relação às atuais necessidades. A existência de uma superestrutura política e jurídica internacional erigida em bases democráticas é a garantia do respeito à soberania popular em bases mundiais. Cabe observar que, o bloco econômico mais bem concebido e implementado até o momento é a União Europeia. Sobre o processo de unificação europeia, quando completada, representará uma das tendências mais importantes na definição de novo mundo. Uma Europa unificada, com seu poderio econômico e tecnológico e influência cultural e política, aliados ao desenvolvimento da região do Pacífico, servirá de apoio ao sistema de poder mundial em uma estrutura policêntrica, impedindo a existência de qualquer superpotência hegemônica, apesar da contínua preeminência militar e tecnológica dos EUA. No contexto atual de globalização, um Estado-Nação só terá condições de fazer frente ao poder das gigantescas corporações transnacionais e preservar sua soberania desde que participe de blocos regionais ou supranacionais organizados política e economicamente. Ao decidir pela criação do “euro” e do IME - Instituto Monetário Europeu, bem como pela harmonização das políticas fiscais, o Tratado de Maastricht assumiu um compromisso irreversível para a unificação total da economia europeia. A União Europeia é essencialmente organizada como uma rede que envolve mais a concentração e o compartilhamento de soberania que a transferência de soberania para um nível mais alto. A unificação europeia vem gerando resistências porque a aceleração do processo de integração coincidiu com a estagnação dos padrões de vida,com o surgimento do desemprego e com a maior desigualdade social na década de 1990. Partes significativas da população da Europa tendem a afirmar suas nações contra os respectivos Estados, consideradas cativos da supranacionalidade europeia. Podemos afirmar, que a expansão da economia-mundo Europa, movida pelo incessante processo de acumulação do capital, levou à integração progressiva da economia mundial em benefício das classes dominantes das potências capitalistas mais desenvolvidas que lideraram esse processo ao longo dos últimos anos. Constatou-se que o crescimento econômico dos países capitalistas avançados resultou do incessante processo de acumulação do capital e do progresso técnico que se realizou ao longo de cinco séculos à custa de desigualdades sociais e regionais de renda entre seus habitantes e à custa de outros países por eles explorados. Ficou evidenciado que a ação colonialista e imperialista é o principal fator inibidor do desenvolvimento e gerador da dependência política, econômica, financeira e tecnológica dos países semiperiféricos e periféricos da economia capitalista mundial em relação aos países desenvolvidos e que o atraso econômico desses países resulta, entre 78 outros fatores, do progresso alcançado pelos países capitalistas mais desenvolvidos. Constataram-se, também, que a organização da classe operária e seu fortalecimento contribuíram decisivamente para arrancar das classes dominantes inúmeras concessões durante o Século XX. O uso de novas tecnologias, ao invés de se transformar em instrumentos de elevação do bem-estar social, representou seu algoz ao longo da história. A reestruturação produtiva, baseada no Toyotismo, aumentará o abismo social entre os pobres e ricos. Diferentemente dos países capitalistas desenvolvidos que acumularam grande volume de capital no período mercantilista, os países periféricos ou semiperiféricos não passaram por esse estágio. O progresso técnico não avançou nesses países porque quando possuíam o status de colônia se tornavam dependentes de tecnologia oriunda da metrópole e, mais tarde, quando se tornaram formalmente independentes, não dispunham de capitais e não reuniam condições estruturais para promover o desenvolvimento científico e tecnológico. As localidades e regiões que disponham de melhores condições em termos de recursos humanos, naturais, mercados, infraestrutura econômica e social e redes de empresariais que se articulem entre si como supridoras de matérias-primas ou insumos de matérias-primas e produtos intermediários ou acabados são as mais credenciadas a fazerem parte do circuito de acumulação de capital. Nessas primeiras décadas do século XXI, está claro o declínio no progresso econômico e social de todos os países. O surgimento dos blocos econômicos coincide com a mudança exercida pelo Estado. Em um primeiro momento, a ideia dos blocos econômicos era de diminuir a influência do Estado, na economia mundial. Mas, a formação destas organizações supranacionais fez com o Estado passasse a garantir a paz e o crescimento em períodos de grave crise econômica. Assim, a iniciativa de maior sucesso, até hoje, foi à experiência vivida pelos europeus. A União Europeia iniciou-se como uma simples entidade econômica setorial, a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, surgida em 1951) e, depois se expandiu por toda economia como “Comunidade Econômica Europeia”, até atingir a conformação atual, que extrapola as questões econômicas, perpassando por aspectos políticos e culturais. 10.8 – A Hegemonia Norte-americana. Os Estados Unidos exerceram uma posição hegemônica dentro do sistema capitalista, praticamente sem encontrar contestação. Isso ocorreu em uma época em que o sistema se apresentava em uma notável fase de expansão, crescendo como um todo ao ritmo médio de 5% ao ano, e sendo capaz de controlar o efeito critico de suas passagens conjunturais desfavoráveis (Crise de Suez, 1956; depressão nas indústrias têxteis e químicas norte-americanas, 1952-1954; crise monetária, 1957). Se a balança comercial norte-americana se manteve superavitária, desde finais da Segunda Guerra Mundial, até finais dos anos de 1950, seu balanço de pagamento, ao contrário, manteve-se constantemente deficitário, totalizando, em 1958, um déficit permanente de cerca de três bilhões de dólares anuais. Com a queda nas exportações norte-americanas, simultânea à elevação das importações (causada por movimentos conjunturais grevistas em certos setores, como de aço), que se configura a partir de 1958, o déficit passa a representar claramente uma transferência de reservas de ouro para os países industrializados da Europa Ocidental e para o Japão, gerando um excesso de dólares internacionalmente. Característica desta etapa de internacionalização do capitalismo foi o fato de que grande volume desse déficit dos Estados Unidos foi utilizado como exportação maciça de capitais para as 79 áreas industrializadas da Europa Ocidental, para programas de “ajuda” aos países do Terceiro Mundo e, para o financiamento de gastos militares na Ásia. Na realidade se fazia investimentos que geravam lucros em curto prazo, mas cuja maior percentagem acabou sendo reinvestida in loco, consoante a busca de uma maior lucratividade inerente ao sistema, simplesmente agravando a situação externa dos Estados Unidos. A situação caminhou rapidamente para um impasse. Por volta de 1968, os bancos centrais dos países industrializados não desejavam mais acumular dólares e, principalmente, houve uma desproporção entre as reservas norte-americanas de ouro em montante de suas dívidas em curto prazo, transformando a conversibilidade do dólar em impossibilidade prática. O golpe final sobre a hegemonia norte-americana veio com o aumento do preço do petróleo pelos países da OPEP, em 1973, que mergulhou o país em uma forte recessão, aliada à permanência de uma pressão inflacionária e a manutenção de um déficit, em seu balanço de pagamentos, pois os Estados Unidos importavam, por volta de 1973, cerca de 30% de suas necessidades globais de petróleo. 10.9 - A Economia dos Estados Unidos, na década de 1990. Em meados dos anos noventa, o país não tinha apenas recuperado da recessão breve, mas aguda da presidência George W. Bush. Estava a entrar numa era de grande prosperidade e isso apesar do declínio da sua base industrial tradicional. Provavelmente, a força principal por detrás deste novo crescimento era o grande uso do computador pessoal. Menos de 20 anos após a sua introdução, o computador pessoal tinha-se tornado um artigo comum não só em todo o tipo de escritórios, mas também nos lares na América. Muito mais poderoso do que se podia imaginar duas décadas antes, capaz de restaurar quantidades enormes de dados, disponível ao preço dum bom frigorífico, tornou-se um aparelho comum nos lares americanos. Empregando pacotes de programas, as pessoas utilizavam-no para contabilidade, tratamento de texto ou para guardar música, fotografias e vídeos. A ascensão da Internet, que deixou de ser uma rede de dados de defesa fechada, possibilitou o acesso a todo o tipo de informações, criou novas oportunidades de compra e criou o correio eletrônico (e-mail) como um modo normal de comunicação. A popularidade do tele móvel gerou uma nova grande indústria que se desenvolveu juntamente com o computador pessoal. A comunicação instantânea e a manipulação de dados à velocidade da luz aceleraram o ritmo de muitos negócios, melhorando muito a produtividade e criando novas oportunidades de lucro. Indústrias recentes que respondiam à procura de novos equipamentos tornaram-se companhias multimilionáriaspraticamente de um dia para o outro, criando uma classe média enorme de técnicos, gestores e pessoas versadas em direitos de software. Um ímpeto final foi à passagem para o novo milénio. Um impulso enorme para atualizar equipamento informático antiquado, que podia não reconhecer o ano 2000, fez com que as despesas com tecnologia de dados atingissem o seu ponto máximo. Estes acontecimentos começaram a tomar forma durante o primeiro mandato de Bill Clinton. No fim do seu segundo mandato estava a promover uma economia em crescimento. Quando foi eleito presidente, a taxa de desemprego era de 7.4%. Quando se candidatou à reeleição em 1996, o desemprego era de 5.4%. Quando os eleitores foram às urnas para escolher o seu sucessor, em novembro de 2000, era de 3.9%. Em muitos locais, a questão que se colocava não era cuidar dos desempregados, mas sim encontrar mão de obra adequada. 80 Uma pessoa tão conceituada como Alan Greenspan, Presidente da Reserva Federal, encarou o crescimento rápido do mercado de capitais com preocupação e avisou sobre o “entusiasmo irracional”. O entusiasmo dos investidores, no seu ponto mais alto desde os anos 20, prosseguiu com a convicção de que os critérios normais de avaliação se tinham tornado obsoletos devido a uma “nova economia” de potencial ilimitado. Os bons tempos estavam a passar perigosamente depressa, mas a maioria dos americanos estava mais inclinada a desfrutar o momento enquanto durasse do que em planear para uma falência futura. 10.10 – A Emergência do MCE e do Japão. Após a queda do regime socialista, diversos países se aproximaram do mundo capitalista com a finalidade de ingressar nesse sistema e alcançar uma integração no mercado. No entanto, isso não tem sido uma tarefa fácil, em virtude da complexidade que envolve a transição de um regime para outro. Os países que se encontram nessa fase devem submeter a vários anos de adaptação para o novo regime. Isso porque as mudanças executadas englobam fatores políticos, econômicos e sociais. O que aconteceu na maioria das vezes, com esses países é o surgimento de problemas que anteriormente não possuíam; como: inflação dos preços, desemprego, salários baixos, ascensão da desigualdade social, violência, criminalidade, entre diversos outros. Com o declínio do regime socialista em âmbito geral, o capitalismo despontou hegemonicamente, como sistema político-econômico mundial. No período da Guerra Fria existiam duas potências mundiais: EUA e URSS. Naquele momento, o mundo era considerado bipolar. Mas após tais acontecimentos históricos, o mundo passou a ter uma nova organização geopolítica, de forma que há distintos centros de poder, exercendo influência, no campo político, econômico e militar, isto é, um mundo multipolar. Hoje, a principal potência militar, econômica e política, os Estados Unidos, essa nação superou em todos os aspectos os soviéticos, após o seu declínio e, assim é responsável pela maioria das intervenções de caráter militar no globo. No campo econômico, o Japão atualmente ocupa a posição, juntamente com a China a segunda potencia mundial. Sua ascensão financeira ocorreu a partir do término da Segunda Guerra Mundial. A aplicação de medidas direcionadas à saúde e educação, resultou-se em crescimento acelerado de sua economia. A Europa é considerada, também, como uma potência econômica, condição que resultou do sucesso da União Europeia (corresponde, atualmente, ao Mercado Comum Europeu – MCE), o principal bloco econômico do globo, que tem como principais líderes: Alemanha, França e Inglaterra. 10.11 – Globalização da Economia. É necessário observar o quanto a globalização da economia, torna o cenário do conjunto de relações internacionais mais complexo e conflituoso. Em seu bojo, verificam-se inúmeros problemas e desafios comuns aos estados-nações, bem como a figura de “novos” atores no sistema internacional, ou seja, as grandes Corporações. As metáforas e analogias mecânicas outrora utilizadas com vista a entender as relações internacionais, acabam-se perdendo o seu conteúdo explicativo, isto é, em função da fragmentação dos recursos de poder e, em consequência, dos polos mundiais de poder. Cremos que já não tem sentido, pensar a atual distribuição de poder mundial, partindo do principio de equilíbrio de poder, tal como se concebe o Concerto das Nações 81 Europeias, visto porque nenhuma potência atual consegue desempenho seja nos planos políticos, econômicos e militares semelhantes a que desfrutaram, em 1815, a Prússia, a Rússia, a Inglaterra, a França e o Império Austro-húngaro. Portanto, embora os Estados Unidos detenham a supremacia mundial na esfera militar, pode-se dizer que esta não é absoluta, pois outras potências detêm recursos nucleares, com poder de destruição total: mesmo ao que poderíamos denominar de armamentos convencionais, nações como a Rússia, a China, a Índia, a França, a Coreia do Norte, Israel entre outros, possuem-nos em quantidades e sofisticação tais que, se não bastam para intimidar os norte-americanos, no mínimo os incomodam e, certamente, suficientes para fazê-los reconhecer alguma restrição à sua supremacia militar. Por outro lado ainda sob o ponto de vista econômico, o Japão e os “Tigres Asiáticos”, junto com a Alemanha unificada – acaso a União Europeia tornam-se tão dinâmicos quanto aos EUA. Haja vista que, dados recentes ilustram com veemência a importância econômica de alguns destes países indicam que entre os anos de 1979 e 1989, PIB (Produto Interno Bruto) conjunto do Japão, China e dos “Tigres Asiáticos” (Novos países industrializados – Coréia do Sul, Cingapura, Taiwan, Tailândia, Malásia e Indonésia, exceto Hong Kong), tiveram um crescimento na ordem de 166%, em contraste com o PIB internacional, que foi em torno de 109%. Ademais, o fenômeno da interdependência tende a tornar muitas vezes dificultoso julgar isoladamente o papel de cada país, particularmente, em sua esfera comercial. Em paralelo, vale ressaltar que os países que competem com os EUA no plano econômico fazem-no, sobretudo, em virtude do domínio tecnológico que possuem sobre a produção industrial em setores estratégicos da economia global. Bem, mas afinal quem são essas Grandes Corporações? Pra onde eles vão? E que grau de incerteza e de constrangimento eles criam na economia mundial? Vejamos as cinco maiores Corporações (2008) são: a General Motors, a Ford, a Ericsson, a IBM e a AGF essas empresas juntas reúnem um faturamento de ordem de US$ 500 bilhões de dólares por ano, não podemos comparar diretamente que estamos referindo de coisas, um pouco diferente, porém, de qualquer forma é sempre bom lembrar que o PIB brasileiro é de US$ 500 bilhões de dólares, o que significa dizer, que as cinco Corporações, no globo, produzem sozinhas o equivalente ao nosso PIB, se colocar as outras cinco Corporações, temos então totalizado as Dez maiores empresas, isso acrescentando a Shell, a Toyota, a Hitachi e a Matchuchitas, elas em conjunto produzem US$ 900 bilhões de dólares por ano, isto é, o equivalente ao que produz todos os países do MERCOSUL, somados ainda com o México. Essa é a nova realidade econômica internacional, ou nós a entendemos essa lógica com clareza e com realismo, ou simplesmente, seremos varridos por ela. No entanto, temos que separar entre o pânico e o receio justificado e entre as possibilidades, que o inevitável nos abre e, pra isso somos obrigados e entrar no vector tecnológico, pois a tecnologia foi durante esse vindouro século e deverá ser no próximo, o fator fundamental de mudança e revolução na estrutura de produção, com essa brutal e estonteante, quenos deixa a todos perplexos. Mal está iniciando sua revolução, automação violenta, radical e irreversível, introduziram novos materiais, as antigas matérias-primas em que se apoiavam os países subdesenvolvidos e terceiro mundo, passaram a ser substituídos por novos materiais vindos de derivados de petróleo e de outros componentes variados. Essa é uma fantasia aterrorizante, mas é na realidade um instrumento que a ciência está dando efetivamente aos nossos “aprendizes de feiticeiros”, que estão certamente cada vez mais perigosos e mais potentes (Revolução Biotecnologia). Com 82 essa revolução tecnológica, afeta brutalmente os países periféricos, à medida que, automação veio violenta e à proporção que a máquina – robô passou a ter uma eficiência crescente e um preço em queda, o fator mão de obra barata deixou de ser importante, que era um dos fatores que sustentava ainda a inserção dos países pobres na divisão internacional do trabalho. Vamos acompanhar mais de perto, a indústria automobilística, esta passou pelo século XX, por uma importante revolução desde o “fordismo” (linha de montagem em série), passando gradativamente ao processo de automação, pois bem, os processos foram se sofisticando e, hoje, a questão da automação na indústria automobilística, está nas chamadas linhas flexíveis, “se supusermos por um instante” que a indústria automobilística tivesse evoluído desde o pós-guerra na mesma velocidade que a indústria microeletrônica, então seria possível hoje comprar um Roll Royee por dois dólares, que faria 1.200.000 quilômetros por litro e teria a potência do transatlântico Queen Elizabeth II. E se comparássemos também a diminuição de tamanho, poderíamos hoje colocar seis Roll Royee sobre a “cabeça de um alfinete”, isto é tem que ser capaz na realidade de atender um novo tipo de consumidor. Qual a revolução que esta ocorrendo no setor automobilístico? Para exemplificar, vamos citar alguns números, de 1989 para 1998, portanto, uma década o numero de horas de montagem de um carro passara de 39 para 19 horas em média, no mundo, o numero de meses para o projeto e desenvolvimento de um novo modelo, passara de 72 para 36 meses, o numero de componentes do carro, cairá de 3.200 para 2.000 e o numero de fornecedores de um carro será de 500 para 100. Sendo assim, a dificuldade de entender a evolução contemporânea das relações internacionais e, em especial, da globalização da economia certamente se relaciona com as transformações que as Estados-nações e empresas (as grandes corporações mundiais) vêm sofrendo em sua natureza e em sua estrutura. Até o momento do século XXI tem dois registros marcantes: o poder do Estado-nacional e o poder da empresa transnacional. O Estado-nacional detém o monopólio da força e é o lócus do poder político e militar. A empresa transnacional é o principal lócus de acumulação e de poder econômico, a partir do seu controle sobre ativos específicos (capital, tecnologia, competência gerencial, organizacional e mercadológica). Na realidade, cada um deles é o principal lócus de poder político (Estado-nação) e econômico (empresa transnacional). 10.12 - Tecnologia e Desenvolvimento. Na atualidade, pode-se dizer que a tecnologia é sinônima de desenvolvimento e importante fator para a prosperidade dos países avançados. O alto grau de dependência da ciência em relação à tecnologia força a que as nações lancem cada vez mais mão dos recursos disponíveis com o fim de possibilitar a pesquisa científica, pesquisa esta que, aplicada praticamente, contribui para que estas nações mantenham os seus altos índices de progresso e crescimento econômico. Nenhuma nação que esteja em vias de desenvolvimento deve desdenhar este esforço, ou jamais alcançará a sua emancipação. No entanto, ainda assim parece existir, nestas nações, uma dicotomia entre esta necessidade e o esforço que despende para tal. Um equívoco, contudo, parece imperar entre os responsáveis por este esforço. Quando se trata de adquirir tecnologia, sustentam a tese de que esta deve ser adquirida no exterior, justificando que assim se pode “queimar etapas” inúteis. Agindo assim, ou demonstram má-fé ou parecem ignorar que isso só faz dar continuidade à dependência cultural, científica e econômica do país que age assim. O pior é que, além 83 da tecnologia, o país absorve uma infraestrutura cultural que não lhe é própria, na forma aparentemente inocente de métodos educacionais estranhos, que apenas fazem tumultuar o esforço nacional. A dependência tecnológica que se cria é perpetuada pelo fato de que qualquer atualização, além de dispendiosa, não acompanha o desenvolvimento tecnológico interno, porque este fica amarrado à produção de ciência feita no exterior. Este monopólio da tecnologia cria aspectos inusitados de dominação econômica, porque a carência de pesquisa interna não cria os benefícios que se poderia esperar dos avanços científicos. O próprio sistema internacional de patentes cria obstáculos à pesquisa, além de criar monopólios de comercialização em diversas áreas sensíveis, tais como defensivos agrícolas e remédios. Além do mais, a tecnologia transferida sempre constitui, para quem a recebe, autêntica “caixa preta” da qual não tem ideia do conteúdo. Em várias ocasiões, a ONU posicionou-se quanto a este assunto, manifestando uma preocupação neste sentido. Para este órgão internacional, os seguintes fatores devem ser considerados: 1. O custo real da tecnologia é superior ao que se poderia desejar; 2. Os modos atuais de transmissão de tecnologia tendem a perpetuar a dependência tecnológica dos países que a recebem, e impedem o incremento de uma tecnologia nacional; 3. A tecnologia estrangeira, ainda que possa fortalecer a capacidade produtiva nacional, frequentemente se converte em fator de elevação dos custos de produção; 4. A tecnologia transferida nem sempre contribui para a expansão das exportações de produtos manufaturados; 5. Muitas vezes, a tecnologia importada é incompatível com as condições locais. A implantação de uma tecnologia genuinamente nacional choca-se muitas vezes com diversos obstáculos. O núcleo natural do qual ela deveria provir, universidade e centros de pesquisa avançadas, muitas vezes sofre de alta de recursos, pela falta de apoio governamental, ausência de uma educação de alto nível, baixos salários, etc. Este último fator tem levado a uma intensa evasão de talentos, que agrava ainda mais o problema. Outras vezes a pesquisa é mal orientada, dando prioridade a setores não tão importantes. Com isso, recursos preciosos são mal gastos, piorando o problema. Também falta de planejamento ou até mesmo planejamentos errôneos, bem como a falta de técnicos de nível médio capazes de dar suporte (montagem, conserto e manutenção) aos equipamentos de alta complexidade tecnológica acaba por tornar-se um obstáculo absolutamente intransponível. 10.13 - Haverá uma Ideologia para a Nova Época? Neste mundo novo que se avizinha no século XXI, a antiga pregação ideológica perde o seu matiz. A “queda” do Muro de Berlim em 1989 foi um marco referencial para uma mudança de paradigma, a passagem para uma nova época na qual perde o sentido qualquer discussão ou separação entre “esquerda” e “direita”, ambos órfãos de uma filosofia social capaz de dar sentido e finalidade a qualquer discussão, debate ou confronto entre ideologias. Doravante, apenas um discurso de novo tipo, voltado para a conservação ecológica, pois, 84 Calcula-se que, atualmente, os negócios são responsáveis por mais de 25 bilhões de toneladas de poluentes, dispersos no ar e lançados na água e na terra;cerca de 125 toneladas de dejetos, anualmente, para cada homem, mulher e criança nos Estados Unidos. Incluídos nessa quantidade estão cerca de 150 milhões de toneladas de fumaça que escurece o céu e envenena o ar, 22 milhões de toneladas de produtos de papel jogados fora, três milhões de toneladas de sobras de fábricas, e 50 trilhões de galões de líquidos aquecidos e poluídos que são despejados em rios, cursos d’água e lagos, todos os anos. Isto é, para a tentativa de realização de um ideal social baseia-se em premissas possíveis, pode conseguir a atenção do habitante deste mundo novo, e será capaz de lançar os modelos para uma nova sociedade, modelos estes calcado em novas teorias sociais e econômicas capazes não só de trazer prosperidade e eliminar o fosso existente entre as classes privilegiadas e as classes desfavorecidas, mas principalmente trazer condições não apenas para que este mundo novo seja, além de próspero e feliz, também mais equilibrado e mais racional. 85 Conclusão. Pela observação dos aspectos aqui analisados, conclui-se que a estrutura primordial de um Sistema Econômico, depende de dois fatores condicionantes: a manutenção da atividade comercial e a atualização sistemática da política econômica. O Primeiro é importante porque é impossível para um país ser autossuficiente em toda cadeia produtiva, em decorrência das particularidades climáticas e geográficas de cada região. Por isso, grosso modo, que cada civilização sempre trocava mercadorias que não possuísse em seu respectivo território, enquanto que a outra fornecia o item deficitário, também obtinha aquilo que não fosse proveniente da sua região. Contudo, vale ressaltar que, a balança comercial que nem sempre eram favoráveis para ambas as partes, pois sempre um lado conseguia e consegue ter maiores vantagens econômicas que o outro. Já, a atualização sistemática da política econômica é de suma relevância, pois se observa que, a atividade econômica está em um eterno processo de transformação, devido que a evolução cronológica permite o aperfeiçoamento e a criação de tecnologias, como consequência o surgimento de novas necessidades e modificações de hábitos. Verifica-se que a adoção de uma política econômica estática leva a uma crise econômica, a exemplo disso, é a Economia Planificada da União Soviética e o Capitalismo liberal dos Estados Unidos. Na nação socialista, a implementação de um Plano econômico rígido, centralizado, estatal e burocrático, levou à Rússia e as suas repúblicas a uma profunda crise de abastecimento generalizada (faltava itens alimentícios, vestuários, etc.), e a adoção tardia de medidas desastrosas levou ao desmonte a ideologia socialista na década de 1990. Enquanto isso, na terra do capitalismo, a não intervenção do governo na economia, uma política de incentivo ao crédito exagerada e uma superprodução. Essa combinação de fatores levou à América a um período longo de depressão econômica, que só foi superada com a adoção de políticas Keynesianas, o qual o Estado deveria interferir na economia, entretanto, com a crise do petróleo, em 1973, iniciou-se um questionamento, de até que ponto o Estado deveria interferir na economia. Dessa forma, verifica-se que a hegemonia do capitalismo perdurada, até a contemporaneidade, se deve por ele ser aberto a modificações. É importante destacar também que, os sistemas econômicos se mantiveram condicionados aos mesmos objetivos: ao acumulo de riqueza, a exploração social (mão de obra) e a monetarização da economia. O acumulo de riquezas sempre foi o maior símbolo do poder, pois na Antiguidade, os imperadores e os reis detinham as maiores fortunas e dirigiam às áreas que lhes fossem subordinas, obtidas por meio de guerras, pois os derrotados deveriam pagar indenizações ao vencedor, já no medievo, os monarcas absolutistas possuíam grandes extensões territoriais e determinava quem vivesse sob sua jurisdição lhe entregasse uma parcela considerável do que fosse produzido. Enquanto que na modernidade, os capitalistas controlavam os meios produtivos (fábricas, matérias-primas e máquinas), por consequência, eram os detentores dos lucros (resultante das receitas serem maiores, que os custos de produção, obviamente o que chamamos de excedente de capital). A sujeição de um povo a outra sociedade, a submissão de uma colônia a uma metrópole e a hegemonia burguesa sobre o proletariado permite-nos auferir que independente do contexto histórico, a exploração de um indivíduo ou classe social é o determinante para o excedente econômico. Observa-se que o trabalho é uma atividade desgastante, abominável, mas necessária, seja por via de um sistema escravista, servil (compulsório) ou assalariado, 86 por ser o método mais eficiente de se gerar acumulo de capital. A exploração do homem pelo homem aumentou ainda mais com o uso das novas tecnologias, o que significa dizer que a modernização do sistema capitalista, de um lado, gera uma riqueza extremamente polarizada e, de outro, incrementa os grupos de exclusão social. As mudanças tecnológicas e gerenciais do capitalismo na contemporaneidade amplia o abismo de injustiça social que beneficia muito os donos de empresa e prejudica, sobremodo o proletariado. A monetarização da economia foi imprescindível para a viabilidade das atividades comerciais, porque estabeleceu um padrão de trocas para mercadorias distintas e a criação de centros financeiros, que facilitaram as transações comerciais de mercados distantes e/ou de características específicas, além de conceder empréstimos para o investimento em setores produtivos – sendo que, o pagamento de juros é mais uma maneira de se acumular capital. Nesse aspecto, existiram quatro ciclos sistêmicos de acumulação de capital durante a evolução do capitalismo como sistema mundial: um ciclo genovês, do Século XV ao início do século XVII; holandês, do fim do século XVI até decorrida a maior parte do século XVIII; britânico, da segunda metade do século XVIII até o início do século XX; norte-americano, iniciado no fim do século XIX e que prossegue na atual fase de expansão financeira. O regime genovês durou 160 anos, o holandês 140 anos, o britânico 160 anos e o norte-americano 100 anos. Existe um moderno sistema-mundo que se originou no Século XVI. De 1450 a 1640, denominado capitalismo. Capitalismo e economia-mundo são, pois, as faces de uma mesma moeda. O capitalismo foi, desde o início, um assunto da economia-mundo e não de estado-nações, o que se trata na verdade de um equívoco afirmar que somente no Século XX, que o capitalismo se tornou mundial ou dizer, ainda que fosse apenas com a emergência da moderna economia-mundo, na Europa do século XVI, que se viu o pleno desenvolvimento e a predominância econômica do comércio. Todavia, o cumprimento das funções básicas dos Estados-nações já não pode ter lugar sem uma concertação; a própria noção de segurança e soberania nacional precisa urgentemente ser repensada num mundo sem fronteiras. Dessa forma, na verdade, estas perspectivas complementam-se e ainda não parecem suficientes para promover umas explicações satisfatórias do papel dos Estados e das empresas como agentes transformadores da realidade histórica internacional, em particular no que diz respeito aos processos de globalização e regionalização da economia; nem, muito menos das transformações a que estão sendo submetidos frente a estes processos. Ainda, vale salientar que as profundas transformações dos SistemasEconômicos, nos permite verificar que apesar das disparidades sociais serem gritantes, elas está em um processo paulatino de decadência, porque o crescente acesso a educação; graças ao surgimento do Estado, provedor do Bem-Estar Social; permite que indivíduos saíssem da condição de ignorância e tornem-se cidadãos com um senso critico que irá contribuir para um mundo mais justo e igualitário. 87 Referências Bibliográficas AGGIO, A. Revolução e Democracia no Nosso Tempo. 2 a . Ed. 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