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GEOGRAFIA DO ESTADO DE 
RONDÔNIA 
 
 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 1 
 
 
 
 
Prezados candidatos, por ser nossa matéria, Geografia de 
Rondônia, faremos um abordado geral sobre os fatos 
históricos de Rondônia, em obediência ao presente edital, no 
entanto, remetemos-lhes para um estudo mais detalhado e 
completo, à matéria de História de Rondônia, constante em 
nosso material. 
 
A área que corresponde ao atual estado de Rondônia foi 
denominada, originalmente, Território do Guaporé (nome do 
rio que em parte do seu curso é marco divisório entre o Brasil 
e Bolívia) e foi desmembrada dos estados do Amazonas e Mato 
Grosso. 
A denominação atual foi atribuída em homenagem ao 
sertanista Marechal Cândido da Silva Rondon, conhecido como 
desbravador dos sertões de Mato Grosso e da Amazônia, sendo 
o responsável pela construção das linhas telegráficas que 
ligaria a região aos demais estados brasileiros. 
A população rondoniense é uma das mais diversificadas do 
Brasil, composta de migrantes oriundos de todas as regiões do 
país, dentre os quais se destacam os nordestinos, paranaenses, 
paulistas, mineiros, gaúchos, capixabas, cearenses, baianos, 
além de amazonenses e acreanos que preservam ainda fortes 
traços amazônicos, próprios daquelas populações nativas. 
Registros evidenciam que a história do povoamento da 
região teve início com as missões jesuíticas ao longo do Rio 
Madeira e com as descobertas de ouro nos afluentes do Rio 
Guaporé a partir de 1732. Seguiu-se, então, a fundação da 
Capitania de Mato Grosso em 1748, que abrangia a maior parte 
das terras que hoje compõem o Estado de Rondônia. 
O processo de ocupação do antigo território do Guaporé, 
atual Estado de Rondônia, teve início no período colonial, a 
partir do século XVII. 
Naquela época, Portugal e Espanha empenhava-se na 
ocupação da região centro-oeste através de inúmeras 
expedições destinadas a marcar os limites territoriais, tendo 
assim, contatos ocasionais com os índios. Porém, devido às 
dificuldades de acesso, grande parte dessa região ainda 
permaneceu desconhecida por muito tempo. 
 
Referências Bibliográficas: 
 
SANTOS, Vanubia Sampaio dos. O processo de ocupação de 
Rondônia e o impacto sobre as culturas indígenas. ISSN: 1982-
3916. ITABAIANA: GEPIADDE, Ano 08, Volume 16 | jul./dez. de 
2014. 
 
 
 
Ainda no século XVII, os colonizadores portugueses 
estiveram na região buscando riquezas minerais e 
estabeleceram uma nova rota de comércio. Segundo 
historiadores, os jesuítas espanhóis também chegaram à 
mesma época, com o intuito de instalar as primeiras missões 
religiosas. 
As ocupações mais exitosas aconteceram, principalmente, 
ao longo dos rios navegáveis (Guaporé, Mamoré e Madeira). 
Os colonizadores evitavam adentrar por seus afluentes e 
pelos rios encachoeirados, uma vez que eram perigosos para a 
navegação e para a segurança da expedição. 
Apesar da grande relutância e até mesmo hostilidade dos 
índios, a presença de missionários começou a se estabelecer 
na região na primeira década de 1700. As missões jesuítas 
foram enviadas ao vale do Guaporé, depois ao Mamoré e à foz 
do rio Machado (também conhecido como Ji-Paraná). 
Alguns historiadores afirmaram que a primeira expedição 
pelo leito do rio Madeira ocorreu no ano de 1723; outros, 
disseram que aconteceu em 1725. Não obstante a divergência 
de datas, todos noticiam a presença de índios “hostis” que 
viviam na região. O ataque desses índios atemorizava vilas, 
dificultava o comércio e trazia obstáculos para a comunicação 
fluvial estabelecida entre os portos de Belém do Pará e Vila 
Bela de Mato Grosso. 
Todas as tentativas de estabelecer povoamentos ao longo 
desse percurso teriam fracassado devido à resistência dos 
índios. 
Pelos relatos dos missionários podem-se identificar alguns 
fatores que explicaram o fracasso das tentativas de 
colonização da região até o início do século XVIII. 
Destacam-se os obstáculos naturais, especialmente os rios 
encachoeirados, e a grande resistência dos índios contra 
qualquer iniciativa de contato mais duradouro. 
Os contatos mais permanentes com a população indígena 
local viriam a se fortalecer apenas no final do século XIX com 
uma nova fase de exploração econômica: a produção de 
borracha na calha de diversos rios da região. 
O contato indiscriminado dos povos indígenas com essa 
frente de ocupação da Amazônia produziram resultados 
adversos, como as “correrias” que resultaram na desagregação 
tribal e na implantação de um regime de semiescravidão. 
A sucessão das fases de desenvolvimento da região até 
meados do século XX pode ser assim sintetizada: 
a) Descoberta de ouro na região do rio Corumbiara, no 
século XVIII; 
b) Conquista e o povoamento dos vales do Guaporé, 
Mamoré e Madeira no período de 1669 a 1799; 
c) A construção e povoamento do Real Forte Príncipe da 
Beira, no período de 1776 a 1783; 
d) O primeiro e o segundo ciclos da borracha (extração de 
látex) no período de 1879 a 1945; 
e) A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (um 
acordo entre o governo Boliviano e Brasileiro) no período de 
1907 a 1912; 
f) A comissão Rondon e a linha telegráfica - que atravessou 
os estados de Mato Grosso e Rondônia (será objeto de maior 
aprofundamento adiante); 
g) Abertura da BR-364; 
h) A colonização dirigida na Amazônia nas décadas 70 e 80: 
a ocupação de terra ao longo da BR-364. 
Mas foi com a abertura da rodovia atual BR-364, na década 
de 60, que se iniciou a verdadeira exploração e colonização no 
então Território Federal de Rondônia, principalmente a 
ocupação da terra ao longo do traçado da rodovia, executado 
pelos projetos de colonização oficiais e não oficiais. 
 
Referências Bibliográficas: 
 
SANTOS, Vanubia Sampaio dos. O processo de ocupação de 
Rondônia e o impacto sobre as culturas indígenas. ISSN: 1982-
3916. ITABAIANA: GEPIADDE, Ano 08, Volume 16 | jul./dez. de 
2014. 
 
1. Povoamento e ocupação 
dos Vales do Madeira, 
Mamoré e Guaporé 
2. Colonização ibérica na 
região 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 2 
 
 
A exploração do vale do Guaporé no século XVIII 
 
Para compreender a ocupação do vale do Guaporé pelos 
europeus, temos que analisar as disputas territoriais entre 
Portugal e Espanha no século XVIII. É sabido que anterior a 
este período já havia andanças por parte dos ibéricos por esta 
parte, porém a colonização sistemática passou a ser somente 
no século XVIII, entre outros motivos, a descoberta de ouro e 
também para consolidar as fronteiras lusitanas e hispânicas na 
região. 
No final do século XVII e início do século XVIII foi 
encontrado ouro na região (atual) de Minas Gerais e Goiás. E 
devido à grande imigração dos lusitanos da península para o 
Brasil, vários dos bandeirantes que haviam descobertos tais 
veias auríferas acabaram por serem expulsos destas minas 
descobertas e tiveram deslocar para outras partes em busca de 
novos achados e também de prear as populações nativas. 
Nas andanças destes paulistas pelo interior (no sentindo 
oeste) chegaram então ao atual Mato Grosso, e as margens do 
rio Coxipó, encontraram então ouro. Mais tarde no córrego 
denominado de prainha, o maior achado de ouro daquelas 
bandas foi descoberto, a famosa Lavras do Sutil, tudo isso 
ainda na primeira parte do século XVIII. 
Porém até 1750 as lavras de Cuiabá já apresentaram forte 
esgotamento, pois as técnicas de exploração eram muito 
rudimentares. E esse “rápido” esgotamento levaram a 
importantes consequências na ocupação das terras a oeste: 
“... Assim, os mineiros mais afoitos, na ânsia de encontrar 
ouro em maior profusão, deixavam Cuiabá, seguindo rumos 
diversos. Dessa movimentação, foram descobertas outras 
jazidas de menor proporção, responsáveispelo povoamento de 
área a Oeste que, pelo Tratado de Tordesilhas, não pertenceria 
oficialmente a Portugal...” (SIQUEIRA, p.40) 
 
A movimentação das populações lusitana acabou por 
modificar as fronteiras entre Portugal e Espanha. O Tratado de 
Tordesilhas já havia sido “rasgado” há tempos. Porém a cada 
dia os portugueses ampliavam ainda mais suas fronteiras para 
dentro do território hispânico. As fronteiras chegavam, neste 
momento, até o vale do rio Guaporé, que passou a ser 
sistematicamente ocupado, ora ordenadamente, ora 
desordenadamente. 
Inicialmente a organização não pautou a ocupação, pois 
quem ali chegou primeiro foram garimpeiros sem grandes 
condições financeiras para construção de casas e fundação de 
vilas. E também não era, de início, o interesse da maioria 
desses garimpeiros se fixarem na região, muito pelo contrário, 
o sonho do eldorado, era encontrar riqueza e ir embora, de 
preferência para a terrinha. 
Mas a Coroa lusitana interessada não apenas na riqueza da 
região, mas também na ampliação das fronteiras de seu 
“Império” no Brasil, passou a organizar esta ocupação. A 
primeira medida foi desmembrar esta região a oeste da 
capitania de São Paulo, criando em 1748 a capitania de Mato 
Grosso. 
Foi nomeado para ser o 1º Capitão-General desta capitania 
Dom Antônio Rolim de Moura, que recebeu diversas 
recomendações, diretamente da rainha Mariana para realizar 
no Mato Grosso. 
A principal delas: criar uma capital no extremo oeste da 
capitania, para assegurar o território conquistado. Além disso, 
criar missões jesuíticas (que foi inicialmente criada no atual 
município de Chapada dos Guimarães) e construir fortes e 
fortificações no vale do Guaporé. 
 
Em 1752 foi então criada a capital da nova Capitania, Vila 
Bela da Santíssima Trindade, bem às margens do rio Guaporé 
(apesar de todas as dificuldades da região). 
Para abastecer a região, uma nova estratégia foi utilizada. 
A via Cuiabá-Vila bela por rio era muito complicada, além 
disso, as monções (rios Cuiabá-Tietê), também não tinham o 
trajeto tão simples. A ideia era utilizar uma outra rota fluvial, 
navegar pelos rios Guaporé-Mamoré-Madeira-Amazonas e 
desaguar no Oceano Atlântico e de lá partir para a Europa. 
Além de “facilitar” a entrada de produtos a Vila Bela, 
também serviria para explorar o vale do Guaporé e a bacia 
Amazônica. 
Desta maneira várias regiões passaram a ser conhecidas, e 
exploradas, afastando assim a presença espanhola. Para 
realizar tal empreitada foi criada uma empresa (Companhia de 
Comércio Grão-Pará e Maranhão) que possuía o monopólio do 
comércio nesta região. 
Agindo com cautela e diplomacia, Rolim de Moura 
conseguiu aos poucos fundar vilas e aldeias jesuítas nas 
margens, tanto direita como esquerda, do Guaporé, 
expandindo ainda mais as fronteiras portuguesas: 
 
O 1º capitão-general foi um habilidoso diplomata, sabendo 
avançar para dentro dos territórios espanhóis, ampliando as 
fronteiras lusitanas no oeste da América, e também sabendo 
recuar quando uma possibilidade de conflito com os 
hispânicos era evidente. Criou a Companhia de Pedestres, 
onde recrutava qualquer homem que se disponibilizasse ou 
não para compor um exército, dando maior segurança à região. 
 
Referências Bibliográficas: 
 
ALCÂNTARA, Mauro Henrique Miranda de. A exploração do 
vale do Guaporé no século XVIII. 
 
 
 
Os ciclos da borracha e a mão de obra indígena na 
região de Rondônia 
 
A partir da década de 1870, deu-se início à exploração da 
borracha na Amazônia e, com ela, o surgimento de uma nova 
frente de expansão com o surgimento de novas áreas de 
extrativismo. Esse período foi chamado de 1ª Ciclo da 
Borracha e durou até a segunda década do século XX. O auge 
do desabastecimento dos seringais ocorreu entre 1890 a 1915. 
Essa atividade extrativista tirou a Amazônia da letargia 
econômica em que havia caído no final do século XVIII. Em 
busca de novas áreas de seringais nativos, grupos de 
seringueiros passaram a penetrar regiões ainda não 
colonizadas do Madeira Mamoré e Guaporé. A força de 
trabalho indígena continuou, durante esse período, a 
participar significativamente da economia amazônica, seja “no 
extrativismo, nas atividades de transporte ou na lavoura, os 
dirigentes exploravam cruelmente o trabalho desses índios. 
Eram ainda os nativos vendidos ou trocados dentro da 
região”. Registros mostram também casos de contrabando de 
indígenas que eram objetos de escambo. 
A exploração do látex oportunizou trabalho a inúmeros 
migrantes, trazidos para a região pela instalação das linhas 
telegráficas de Rondon (1907-1915) e pela construção da 
Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, entre os anos de 1907 e 
1912. 
A construção da ferrovia consolidou as cidades de Porto 
Velho (atual capital do estado) e Guajará-Mirim, na divisa com 
a Bolívia. Porém, quando foi inaugurada a EFMM, em 1912, o 
3. A colonização portuguesa 
no Vale do Guaporé 
4. Os séculos XIX e XX e a 
exploração da borracha, 
poia e castanha 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 3 
preço do látex no mercado internacional já entrava em declínio 
e a ferrovia deixou de ter importância estratégica. 
Durante as décadas de 1920 e 1930, a borracha amazônica 
perdeu preço devido à “concorrência da produção da Malásia, 
finalizando assim o primeiro ciclo da borracha ocasionando a 
desvalorização dos látex e o abandono dos seringais em todos 
os vales amazônicos. Os seringais caíram no abandono a 
Amazônia mergulhou num profundo estado de decadência”. 
Os seringueiros abandonavam as suas colocações, que 
eram as áreas do seringal onde a borracha era produzida, e iam 
à busca de outras atividades que lhe permitissem a 
sobrevivência. Essa situação perduraria até o início dos anos 
de 1940. 
O segundo ciclo da borracha, juntamente com a exploração 
da cassiterita, deu- se a partir de 1939 e ocasionou a 
duplicação da população no então Território de Rondônia, 
criado no ano 1943. Esse segundo ciclo ocorreu no período da 
Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Como os países aliados 
não tiveram mais acesso à borracha asiática, devido à invasão 
das tropas japonesas nos seringais da Malásia, os norte-
americanos ficaram desprovidos dessa matéria-prima 
estratégica para a indústria bélica. A partir de 1941, a borracha 
da Amazônia era a única alternativa de abastecimento dos 
Estados Unidos. 
Neste período vários órgãos de fomento foram criados com 
a finalidade de captação de mão de obra, transporte, 
financiamento etc. O governo federal passou a recrutar 
trabalhadores nordestinos para ocuparem os seringais - 
denominados “soldados da borracha” - em analogia aos demais 
soldados que partiram, efetivamente, para os campos de 
batalha. 
Além dos ‘soldados’, a região passou a acolher grande 
contingente de migrantes expulsos pelas fortes secas que 
assolavam o nordeste brasileiro. 
Os nordestinos foram atraídos para os seringais de 
Rondônia, da mesma forma que os sulistas e os outros 
nordestinos foram atraídos pela propaganda governamental 
para os projetos de colonização. Ambas as situações se 
explicam pela demanda de mão de obra, assim: 
Em todas as regiões do Brasil, aliciadores tratavam de 
convencer trabalhadores a se alistar como soldados da 
borracha para auxiliar na vitória aliada. Dizia-se que “na 
Amazônia se junta dinheiro com rodo”. Os velhos mitos do 
eldorado amazônico voltavam a ganhar força no imaginário 
popular, agora considerado o paraíso verde, a terra da fartura, 
onde a seca não tinha vez. 
Entretanto essa evidente contradição no quadro social, nos 
dois ciclos da borracha, devia-se ao sistema de exploração, que 
consumiu a vida de milhares de homens e mulheres. “Nos 
seringais esses homens valiam menos que os escravos. Na 
outra extremidade, os seringalistas e grandes comerciantesusufruíam da riqueza fácil proporcionada pela borracha”. 
A mão de obra indígena foi utilizada, largamente, nos 
seringais e na construção da ferrovia Madeira-Mamoré. Os 
indígenas eram indispensáveis nas atividades realizadas no 
interior e às margens dos rios. “Esses indígenas se 
encarregavam de todo o trabalho braçal, carregar as 
mercadorias e arrastar as embarcações por terra, para 
contornar os acidentes do rio; levantar os acampamentos, 
cozinhar e servir as refeições”. 
Nas décadas de 1950 com a descoberta de pedras e metais 
preciosos e a abertura da rodovia BR 364, na década de 60/70 
fizeram com que os territórios indígenas fossem ocupados 
também por garimpeiros e posseiros, o que agravaram ainda 
mais os conflitos e resultou em massacres e desocupação das 
suas áreas tradicionais. 
Naquele contexto, a exploração madeireira também 
passou a despertar interesse, uma vez que se tornou viável a 
sua retirada em grande escala, quer pelos rios da Amazônia, 
quer pelo eixo da rodovia BR 364. 
Esse conjunto de fatores tornou-se um convite para uma 
nova tentativa de colonização de Rondônia, e com ela, os 
conflitos e com as sociedades indígenas. 
 
Referências Bibliográficas: 
 
SANTOS, Vanubia Sampaio dos. O processo de ocupação de 
Rondônia e o impacto sobre as culturas indígenas. ISSN: 1982-
3916. ITABAIANA: GEPIADDE, Ano 08, Volume 16 | jul./dez. de 
2014. 
 
 
 
A linha telegráfica e a BR 364: um encontro com os 
indígenas da região 
 
Uma das preocupações do governo brasileiro por volta de 
1907 foi promover a integração do Norte ao restante do país, 
através da porção ocidental. A Comissão Rondon foi 
fundamental para a formação do Território Federal do 
Guaporé, com a implantação das linhas telegráficas entre os 
anos de 1907 e 1915. 
No ano de 1907, Mal. Cândido Rondon foi designado oficial 
do corpo de engenharia militar encarregado de comandar a 
abertura e instalação de linhas telegráficas para integrar o Sul 
ao Norte país. Pretendia-se tirar do isolamento as regiões do 
extremo Oeste e Norte do país e romper os grandes “vazios” do 
Brasil, incorporando-os à civilização. 
Paralelamente à construção de ferrovias, o telegrafo 
deveria assegurar o estabelecimento de núcleos de 
povoamento, garantindo a segurança das fronteiras e 
procedia-se a uma política que possibilitaria, ao longo do 
tempo, a integração dos indígenas considerados arredios e de 
difícil contato a sociedade brasileira tornando-os “civilizados 
e úteis”. 
A descrição dos primeiros contatos com os índios em 
território pertencente aos atuais estados de Mato Grosso e 
Rondônia foi realizada por Roquette-Pinto, um médico e 
etnólogo renomado, diretor do Museu Nacional do Rio de 
Janeiro. Coube-lhe a missão de acompanhar e registrar os 
principais eventos da expedição de Rondon na implantação 
das linhas telegráficas. 
A exemplo do que faria mais tarde e de forma não menos 
brilhante o etnólogo francês Claude Lévi-Strauss, Roquette-
Pinto, descreve o contato com os índios Nhambikwara8 grupos 
situados na região limítrofe entre Mato Grosso e Rondônia. 
A Comissão Rondon, atribuía-se também as funções de 
exploração etnológica e antropológica. Em seu avanço sobre os 
sertões do Oeste, pacificou várias tribos. Na medida em que 
desenvolvia o trabalho de implantação das linhas telegráficas 
ia estabelecendo contatos com os indígenas da região. Dentre 
as populações contatadas por Rondon durante a abertura da 
linha telegráfica destacam-se os Paresi, Nhambikwara e 
Arikeme, sendo que esta última etnia pertencia ao tronco 
linguístico tupi, toda a sua população foi extinta após os 
contatos com a sociedade envolvente, restando apenas seu 
nome na história do município de Ariquemes. 
A comissão Rondon ao longo da abertura das linhas 
telegráficas, utilizou-se, simultaneamente, de técnicas 
militares e antropológicas para contato com as etnias. 
Escolhia um grupo de trabalhadores que conheciam bem a 
floresta, composto por guias e intérpretes oriundos de etnias 
vizinhas. Acampavam próximos às aldeias, normalmente perto 
de cursos d’água e em local bem protegido. Faziam plantações 
nos acampamentos para assegurarem sua subsistência. 
Circundavam o acampamento e colocavam presentes para os 
5. A construção da EFMM e 
da Linha Telegráfica 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 4 
índios num raio de um quilômetro, iniciando, assim, os 
primeiros contatos com esses povos. 
Além dessa, Rondon utilizou outras técnicas nem tão 
‘pacíficas’ quanto às descritas nos seus apontamentos e nos 
relatos de viajantes e cronistas. A ideia idealizada que Rondon 
pacificou treze povos hostis aos brancos, entrou em contato 
com dezenas de outros grupos (...) sem que tenha ocorrido 
uma só morte entre os indígenas. 
São profundas as modificações que traduziram 
consequências negativas durante décadas na região, nas quais 
são: 
Traduzidas em violações linguísticas – a proibição de se 
comunicar em suas línguas maternas; a desagregação tribal – 
potencializada pela dispersão, expulsão de suas terras, 
perseguições constantes no tempo das correrias; o regime de 
semiescravidão nos seringais, as epidemias de gripe que 
levavam à morte sociedades indígenas inteiras, além de outras 
doenças, que representaram uma verdadeira guerra biológica. 
Ao abordar-se a relação de Rondon como os índios, 
evidencia-se que embora haja, de fato, uma polêmica a 
respeito da relação de Rondon com os povos indígenas, há 
quem reconheça o seu trabalho como sertanista, e há também 
quem avalie que sua verdadeira missão era apenas expandir a 
ação estatal e não proteger os índios. 
Como sabemos pela história, ao afinal da implantação das 
linhas telegráficas, em 1915, aquele meio de comunicação já se 
encontrava totalmente obsoleto. A construção de uma rodovia, 
no seu traçado, passou a estimular de modo decisivo no 
processo de colonização de Rondônia a partir da década de 
1960, ocasionando lutas violentas pela terra e, principalmente, 
estabelecendo grande pressão sobre as áreas indígenas. A 
construção da rodovia começou a se tornar realidade em 1960, 
no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961). Em 1966 
completou a ligação entre Cuiabá e Porto Velho. 
As margens do seu traçado já existiam alguns povoados 
como Vila de Rondônia (hoje Ji-Paraná), Jaru, Ariquemes e 
Pimenta Bueno, fundada por frentes de ocupação anteriores. A 
partir dela, o povoamento de Rondônia e dos estados vizinhos, 
seria incrementado, uma vez que viabilizou o movimento 
migratório e a colonização, especialmente a partir da década 
de 1970 
O fluxo migratório da década 1970 possui características 
diferentes dos anteriores. Até esse período, os fluxos 
migratórios ocorreram em função da busca de riquezas 
naturais, portanto os migrantes eram extratores, seringueiros 
e mineradores. A partir desse momento, a migração ocorreu 
em torno da busca de terras para a agricultura, o acesso a 
terras. 
Nessa década ampliaram-se também os processos de 
grilagem, invasão de terras da União e os conflitos com a 
população indígena, seringueiros e ocupantes de pequenas 
posses. Ainda assim, o governo federal, com o argumento de 
“integrar para não entregar” resolveu promover a colonização 
do então Território Federal de Rondônia. O Instituto de 
Colonização e Reforma Agrária – INCRA coordenou a 
implantação de grandes projetos de colonização. Para 
legitimar a iniciativa e atrair a população do centro-sul do país, 
foi deflagrada uma campanha publicitária com o slogan 
“Rondônia, um novo Eldorado”, o que gerou um considerável 
fluxo migratório e ofuscou os conflitos locais. 
Tal campanha, que prometia terra, fartura, progresso e 
trabalho, foi lastreada pela ideologia da segurança nacional, 
levada a efeito pelos governos militares. 
Ao analisar o processo de ocupação daregião e as 
propagandas do Governo direcionadas a incentivar os 
migrantes para Rondônia, ressalta-se que foi evidente a 
flutuação da concepção de migrante no discurso político local: 
 
1 FERNANDES, Tadeu. A formação do Território de Rondônia. Disponível em: 
http://www.rondoniagora.com/artigos/a-formacao-do-territorio-de-rondonia. 
ora se é convidado para vir e participar do desenvolvimento 
do Estado de Rondônia. Assim, preencher o suposto vazio 
demográfico existente – discurso que ignorava a existência dos 
povos da floresta que há muito habitavam a região: indígenas, 
extrativistas, ribeirinhos e quilombolas, além de resolver o 
problema de excesso de contingente no sul. 
Dentre as várias consequências desse afluxo desordenado 
sobre os territórios indígenas, destacam-se o desaparecimento 
de diversos povos, a redução populacional e dos territórios 
tradicionais, a desagregação cultural e o confinamento em 
pequenas áreas demarcadas, muitas delas, invadidas. Da parte 
dos indígenas, essa nova realidade ensejou novas estratégias 
de luta e de resistência, como a sua organização em 
associações e a formação de parcerias e alianças em defesa dos 
seus interesses, especialmente dos territórios. Um exemplo 
desse repensar coletivo ocorrem em 1984, entre os povos 
Surui, Gavião, Arara, Zoró e Cinta-Larga e resultou na definição 
conjunta de uma agenda de lutas desses povos. 
 
Referências Bibliográficas: 
 
SANTOS, Vanubia Sampaio dos. O processo de ocupação de 
Rondônia e o impacto sobre as culturas indígenas. ISSN: 1982-
3916. ITABAIANA: GEPIADDE, Ano 08, Volume 16 | jul./dez. de 
2014. 
 
 
 
A formação do Território de Rondônia1 
 
Por caminhos bem diversos se deu a formação territorial 
do Estado de Rondônia, quando comparada com a do Estado 
do Acre. Quando surgiu a "questão acreana", a região 
correspondente ao Estado de Rondônia não apresentava 
traços notáveis de ocupação. 
Os primeiros movimentos são atribuídos ao Frei João de 
Sampaio, na região onde hoje se encontra a cidade de Porto 
velho. Isso, por conta da instalação de missões ao longo do Rio 
Jamari. Registra o sertanista Francisco de Mello Palheta que, 
quando subiu o Rio Madeira, em 1723, por ordem do 
Governador do Grão Pará, Maia Gama, se encontrou com o Frei 
João de Sampaio nas vizinhanças da cachoeira de Santo 
Antônio. 
Francisco de Mello palheta, comandando um "troço de 
gene de guerra", percorreu todo o curso do Rio Madeira, 
transpondo os trechos encachoeirados e chegando a "Santa 
Cruz de Los Cajubabas", no Rio Madre de Dios. Foi o primeiro 
a explorar o curso desse rio, que, a partir de então, se 
transforma em via de ligação dos altiplanos bolivianos com a 
planície amazônica. 
Em 1742, partindo de Mato Grosso, o português Manoel 
Félix de Lima, atravessa o Sararé, o Guaporé e o Madeira, 
chegando ao Pará. Em 1749, mesmo derrotado, José Leme do 
Prado chega a Belém e retorna às minas de Cuiabá. 
Os espanhóis, em 1743, estabeleceram o Forte de Santa 
Rosa – a aldeia de Santa Rosa, referenciada no Tratado de 
Madri, de 1750 -, a leste da margem direita do Rio Guaporé; ao 
sul de sua foz, no Rio Mamoré. A iniciativa pretendia obstar a 
busca e a consolidação de uma ligação entre as bacias platina 
e amazônica, então objeto da movimentação portuguesa na 
área. Os espanhóis, no início dos anos cinquenta, foram 
desalojados, como parte da estratégia lusa de evitar a 
infiltração hispânica nas comunicações do Mato Grosso com 
Cuiabá. A praça de guerra foi reforçada e rebatizada como 
6. Território Federal do 
Guaporé/Rondônia 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 5 
Forte de Nossa Senhora da Conceição, guarnecido com o 
objetivo de marcar o domínio português na navegação ao 
longo do Guaporé, Mármore e Madeira. 
Em 30 de junho de 1776, foi iniciada a construção do Real 
Forte do Príncipe da Beira, às margens do Guaporé, em 
substituição ao Forte de Nossa Senhora da Conceição, então 
desativado. As operações nesta guarnição tiveram 
continuidade após a Independência, até o ano de 1895, quando 
foi desativado e abandonado. Em 1904, as ruínas da 
fortificação foram descobertas pela Comissão de Rondon. 
Com a assinatura do Tratado de Petrópolis, o Governo 
brasileiro se comprometeu a garantir as comunicações entre 
os rios Mamoré e Madeira, vencendo o trecho encachoeirado 
deste último curso através de uma linha férrea, capaz de 
garantir o escoamento da produção de borracha na região de 
"Madre de Dios" para os centros de comercialização no rio 
Amazonas-Manaus à Belém. 
O traçado da ferrovia previa os extremos na divisa dos 
estados do Amazonas e do mato Grosso: na altura, a cachoeira 
de Santo Antônio, no Madeira e, em um ponto da margem 
direita do Mamoré, na altura da povoação boliviana, localizada 
à margem esquerda, conhecida como "Guayara-Mirim". Com a 
construção da ferrovia, se deu a partida ao processo de 
ocupação da área. 
Constituída a empresa "Madeira-Mamoré Rallways Co.", foi 
escolhida como ponto inicial da ferrovia o antigo Porto de uma 
barraca, às margens do Rio Madeira, seis quilômetros ao norte 
da divisa dos Estados, em terras do estado do Amazonas. Em 
1907, foi instalado, no local, o núcleo residencial dos 
empregados da ferrovia e as oficinas. 
A localidade de Santo Antônio já existia desde o final do 
século XVII. Portanto, não surgiu em decorrência da 
construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré ou das 
Estações Telegráficas da Comissão Rondon. Ao contrário, 
serviu como ponto de referência para ambos os projetos. 
Entretanto, sua transformação em município teve como fator 
principal à ferrovia e a estação telegráfica, em razão de sua 
importância como um dos dois pontos extremos da linha 
telegráfica, implantada pela Comissão Rondon. Povoação 
antiga, pertencente ao Mato Grosso, foi transformada em 
município pelo Governador mato-grossense, Generoso Paes 
Leme de Souza Ponce, através da Lei nº 494, de 03 de junho de 
1908. O povoado, sede do município, foi elevado à categoria de 
Vila, em 27 de setembro de 1911, pelo Decreto-Lei nº 576, 
baixado pelo Governador Joaquim da Costa Marques, de Mato 
Grosso. 
O município de Santo Antônio do rio Madeira foi instalado 
no dia 02 de junho de 1912, na gestão do Governador Costa 
Marques. Naquele dia, tomou posse o primeiro Prefeito, o 
médico Joaquim Augusto Tanajura, e os Vereadores, também 
nomeados, Antônio Marcelino Cavalcante, José Fortunati da 
Conceição, José Alves Damasceno e Antônio Brito Carneiro da 
Cunha, que presidiu a Comissão Municipal, designação das 
Câmaras Municipais de Mato Grosso à época. 
Em 1º de dezembro de 1914, ocorreram as primeiras 
eleições no município. Consequentemente, foram as primeiras 
realizadas nesta região. Os Vereadores tomaram posse m 1º de 
janeiro de 1915. Foram eles: Alfredo Pereira Neves, Manoel 
Correa de melo, José Fortunati da Conceição e Antônio Salles 
Ferreira, todos do Partido Republicano Conservador (PRC). 
Em rápido progresso, o Termo facilitou a criação do 
município de Porto Velho, através da lei nº 757, de 2 de 
outubro de 1914, instalado em 24 de janeiro de 1915. Os 
limites municipais, inicialmente coincidentes com os do termo, 
foram descritos pela lei 833, de 11 de outubro de 1915, que 
fixava o limite com o município de Lábrea do divisor de águas 
do Itxi-Abunã. Em 1917, o Termo foi elevado a Comarca e, em 
7 de setembro de 1919, a vila de porto velho foi elevada à 
categoria de cidade. Dessa sorte, progrediu Porto Velho. 
Com a escolha do sítio de porto velho, a povoação de Santo 
Antônio do Madeira, administrada pelo Governo de Mato 
Grosso e localizada próximo à cachoeira que lhe emprestava a 
denominação, acabou sendo absorvida por esta nova 
povoação. 
No outro extremo, ocorria fenômeno semelhante, com a 
formação dopovoado de Guajará-Mirim, elevado a município, 
em 12 de julho de 1912, através da lei 991, do Estado de Mato 
Grosso. Em 10 de abril de 1929, Guajará-Mirim foi elevada à 
categoria de cidade. 
A formação territorial de Rondônia se inicia com a criação 
do território Federal do Guaporé, através do Decreto nº 5.812, 
de 13 de setembro de 1943. Este decreto criou os territórios 
Federais do Amapá, do Rio Branco, do Guaporé, de Ponta Porã 
e do Iguaçu, atendendo antiga reivindicação de correntes 
políticas, que propunha a ampliação da autoridade Federal em 
defesa de interesses nacionais legítimos. 
A região que corresponde ao Território federal do Guaporé 
havia sido objeto, em 17 de junho de 1932, de uma proposta 
do departamento administrativo do serviço Público (DASP), na 
forma de exposição de motivos ao Presidente da República, 
para a criação de um território, denominado Mamoré, cujos 
limites seriam fixados posteriormente. A despeito da proposta, 
nenhuma providência foi tomada. Somente em 14 de 
dezembro de 1938, por proposição do Conselho de Segurança 
Nacional, a presidência da República resolveu tomar 
providências para uma efetiva ocupação da área. 
A Constituição de 1937 – a chamada constituição do Estado 
Novo -, ao invocar, no artigo 6º, o princípio da segurança 
nacional, estipulava que "a União poderá criar, no interessa de 
defesa nacional, partes desmembradas dos Estados, 
Territórios Federais, cuja administração será regulada em lei 
especial", o que veio a favorecer a criação desse tipo de 
Unidade da Federação. 
O Decreto nº 5.812 dava curso à vontade política, atendido 
o preceito constitucional de 1937, definindo o contorno 
territorial do Guaporé. 
Situado a Noroeste do Estado de Mato grosso e ao Sul do 
Estado do Amazonas, foi constituído por terras desmembradas 
dessas mesmas unidades da federação. De Mato Grosso, foi 
retirado o município de Guajará Mirim e partes dos de Alto 
Madeira e Mato Grosso; e do Estado do Amazonas, os 
municípios de Porto Velho e parte de Humaitá. 
Por este Decreto, o município de Porto Velho fica contido 
no Território, a menos da porção de terras entre o rio Ituxi e o 
divisor de águas Ituxi-Abunã, antiga divisa municipal com 
Lábrea; o de Humaitá, lhe cede parte dos distritos de Humaitá, 
sem a sede, e de Calama, com a sede. O antigo município de 
Guajará-Mirim fica totalmente incluído no Território; o de 
Mato Grosso, lhe cede uma parte do distrito de Alto Madeira e 
de Ariquemes, além de uma parte do distrito de Tabajara, com 
a sede municipal. 
O seu limite Oeste e Sudoeste é dado como referência ao 
estabelecido pelo Brasil com a República da Bolívia, através do 
Tratado de Petrópolis. Na divisa com o Acre, recorreu-se ao 
segmento da linha geodésica Madeira-Javari, no trecho que vai 
do rio Abunã ao Ituxo; a mesma linha geodésica da extrema 
brasileira, decorrente do Tratado de 1867. 
Aqui, mais uma vez, surge a questão do conflito de limites, 
só que interestadual. De longa data, os Estados do Amazonas e 
de Mato Grosso disputavam a região em que se fez assente a 
cidade de Porto Velho e a povoação mato-grossense de Santo 
Antônio do Madeira. A demanda foi dirimida, em 11 de 
novembro de 1899, por acórdão do Supremo Tribunal Federal, 
que fixou como limite entre as duas unidades, o trecho que tem 
início "na barra do rio São Manuel com Teles Pires, no rio 
Tapajós, sobe por este até encontrar o paralelo de 8248′ de 
latitude sul; toma por este, na direção oeste, até alcançar a 
cachoeira de Santo Antônio, no rio Madeira; sobe pelo eixo 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 6 
desde até a barra do rio Abunã, seu afluente da margem 
esquerda". 
No ano de 1944, procedeu-se a uma revisão dos limites dos 
Territórios Federais, criados em 1943, através do Decreto-Lei 
nº 6.550, de 31 de maio de 1944. 
A divisa política do território Federal, na ocasião, 
compreendia três municípios: o de porto velho, abrangendo a 
área de seu antigo homônimo, mais às áreas desmembradas do 
município de Humaitá; o de Alto Madeira, formado pelas 
partes do antigo município homônimo; e o de Guarajá-Mirim, 
compreendendo, além das áreas de seu antigo homônimo, a 
área desmembrada do município de Mato Grosso. Como sede 
da capital, é destinado o município de Porto Velho. 
Em 1956, o Território Federal do Guaporé teve sua 
denominação alterada para Território Federal de Rondônia, 
como uma justa homenagem àquele que tanto contribuiu para 
a integração da região amazônica à vida nacional, o marechal 
Cândido Mariano Rondon, através da lei 2.731, de 17 de 
fevereiro de 1956. 
O Território foi elevado à categoria de Estado, através da 
Lei Complementar nº 41, de 22 de dezembro de 1981, que 
manteve, para os limites territoriais, os descritos em 1944, ao 
estabelecer: 
(....); 
Art. 1º - Fica criado o Estado de Rondônia, mediante à 
elevação do Território Federal de mesmo nome a essa 
condição, mantidos os seus atuais limites e confrontações. 
(....). 
A elevação do Território Federal à categoria de Estado 
atendia a reivindicação antiga que havia se acentuado na 
década anterior, diante da intensificação do movimento 
migratório, tendo como condicionador o eixo da Rodovia BR-
364, no trecho Cuiabá-Porto Velho. 
 
 
 
A abertura da BR-029 atual 3642 
 
O principal evento que marca a colonização recente do 
território federal de Rondônia e a transformação do mesmo 
em Estado, foi a abertura da BR 029, posterior 364. 
A “estrada das onças” como ficaria conhecida mais tarde, 
tem sua origem ligada ao então Governador do Território 
Federal do Guaporé Aluizio Pinheiro Ferreira que em 1943 
inicia sua abertura tendo como ponto inicial Porto Velho. 
Inicialmente, a rodovia foi chamada de 029. 
Essa iniciativa avançou algumas dezenas de quilômetros 
rumo à localidade de Ariquemes. 
No que pese a iniciativa do então primeiro Governador do 
Território Federal do Guaporé recém criado, foi somente 17 
anos mais tarde que a estrada realmente saiu do plano teórico 
para o plano prático. 
A iniciativa foi do então Governador Paulo Nunes Leal, 
como é relatado em seu livro “O Outro Braço da Cruz”, quando 
o mesmo assedia o então Presidente JK para construir a 
estrada. 
Juscelino Kubistchek aceitou o desafio e iniciou a obra que 
foi feita em muito pouco tempo, após um ano de trabalho o 
Presidente visitou a localidade de Vilhena para derrubar, 
simbolicamente a última árvore na divisa entre o Mato Grosso 
e as terras do então Território Federal de Rondônia. 
Com a abertura da rodovia, o caminho estava livre para a 
gigantesca migração que não demorou a acontecer. 
 
2 GOMES, Emmanoel. A abertura da BR-029 atual 364. Rondônia em pauta. 
Disponível em: http://rondoniaempauta.com.br/nl/historia/a-abertura-da-br-
029-atual-364-artigo-do-historiador-emmanoel-gomes/. 
Milhares de famílias, em sua maioria, sulistas buscavam 
sua terra prometida e com eles, garimpeiros, grileiros e 
madeireiros, todos os “eiros” da vida pareciam querer aportar 
nestas bandas, para de alguma maneira construir seus sonhos 
e devaneios. 
As pessoas que buscavam um pedaço de terra para 
garantirem sua sobrevivência foram motivadas a se instalarem 
na Amazônia Rondoniense sem a estrutura básica necessária. 
Os últimos quarenta anos são exemplos claros de como não se 
deve promover uma política de Reforma Agrária. 
A BR-364, foi erguida nos caminhos de Rondon, para o 
traçado foram utilizados os estudos do grande General da Paz. 
Nosso ilustre Rondon, provavelmente não sabia que seus 
estudos, trabalhos, levantamentos e apontamentos 
geográficos, geológicos, estudos sobre flora e fauna serviriam 
para auxiliar a abertura da principal “artéria” do nosso Estado. 
A BR-364 foi o mais importante passo para o 
desenvolvimento regionaldas terras de Rondon. 
Com os seringais, nos tempos anteriores, surgiram 
praticamente dois municípios: Guajará Mirim e Porto Velho. 
Com a abertura da BR 364 foram surgindo povoamentos em 
todas as localidades, principalmente nas margens da nova 
estrada. Hoje, contamos com mais 50 municípios totalizando 
com Porto Velho e Guajará Mirim 52 municípios, todos em 
fraco desenvolvimento. 
 
 
 
O INCRA foi o principal instrumento governamental 
encarregado dos projetos de colonização, onde se destacaram 
o PIC, Projeto Integrado de Colonização com lotes de 50 a 100 
hectares, criado em julho de 1970, com área total de 250 mil 
hectares, tivemos o Pic denominado Sidney Girão, em Guajará-
Mirim, com área de 200 mil hectares; PIC Gy-Paraná, criado em 
1972 na BR-364, com área de 400 mil hectares; PIC Paulo de 
Assis Ribeiro, criado em Colorado do Oeste no ano de 1973. 
Outro modelo de colonização foi o PAD, Projeto de 
Assentamentos Dirigidos, um pouco maior que o Pic com lotes 
de 100 a 250 hectares criado em 1971; o PAD Burareiro, em 
Ariquemes no ano de 1974 para incentivar a plantação de 
Cacau; PAD Mal. Dutra, criado em 1975 para exploração 
agropecuária; e, ainda em 1975, o PIC Ouro Preto e o PAD 
Adolpho Roll. 
De 1970 a 1984 foram realizados assentamentos em área 
superior a 3,6 milhões de hectares, beneficiando milhares de 
agricultores. Criou-se, ainda, o Projeto Fundiário Alto Madeira 
em Porto Velho, o Projeto Fundiário Ouro Preto, o Projeto 
Fundiário Corumbiara em Pimenta Bueno e o Projeto 
Fundiário Guajará-Mirim, que contribuíram para o 
desenvolvimento da região. 
Deve-se acrescentar que o INCRA realmente atuava com 
presteza e agilidade, seus técnicos não mediram esforços para 
o êxito dos Projetos, sendo que entre 1980 e 1988 
desenvolveram condições para a criação dos municípios de 
Machadinho do Oeste, Cujubim, Seringueiras, São Felipe, 
Castanheiras e Buritis. 
Foi graças à regularização das terras que surgiram grandes 
cidades ainda na década de setenta, obrigando o Governo a 
promover nova divisão geográfica com a criação dos 
municípios de Ariquemes, Ji-Paraná, Cacoal, Pimenta Bueno e 
Vilhena. E finalmente criar, pela Lei complementar nº 41, o 
Estado de Rondônia que hoje possui 238.512,80 quilômetros 
7. A Rodovia BR-364 e os 
garimpos 
8. A ocupação recente da 
Amazônia e Rondônia, a 
Colonização Agropastoril 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 7 
quadrados, correspondendo a 2,86% da superfície do Brasil e 
6,79% da região norte. 
Quando da posse como primeiro Governador do Estado de 
Rondônia, Teixeirão assim se manifestou: “Venham brasileiros 
de todo o Brasil, venham gentes de todos os povos. Rondônia 
oferece trabalho, solidariedade e respeito. Tragam seus 
sonhos, anseios e ilusões, compartilhem tudo isso com este 
povo admirável, assumam com ele os problemas e as 
dificuldades naturais na trajetória em busca do grande destino 
do Brasil.” 
Em 1970, a população era de 100 mil habitantes. De 1979 
a 1982 a população de Rondônia cresceu mais de 57%, 
passando de 423 mil para 608 mil. Atualmente está estimada 
em mais de um milhão e meio de habitantes. 
O ordenamento agrário no Estado de Rondônia ocorreu no 
decorrer de trinta anos com ações discriminatórias de terras, 
separando as públicas das particulares. Quando o INCRA 
entrou no Território em 1970, 75% da superfície de sua área 
foi discriminada, arrecadada e matriculada em nome do 
Governo Federal. O restante corresponde a áreas 
institucionais, indígenas, reservas biológicas, florestas 
nacionais, estações ecológicas, reservas extrativistas, áreas de 
refúgio faunístico. 
O setor agropecuário do Estado de Rondônia concentra a 
principal fonte de renda da sua economia. Entretanto, os 
sucessivos planos ambientais e/ou de proteção indígena, ou 
ainda, as reservas de matas obrigatórias, tornaram 
indisponíveis para exploração cerca de 56% (cinquenta e seis 
por cento) de sua área territorial. 
Na atualidade foram desencadeados projetos gigantescos 
que ameaçam o equilíbrio ecológico, esses projetos são 
compostos por novas estradas, ampliação das redes urbanas 
em praticamente todos os municípios, a expansão da 
agricultura, principalmente o soja, e expansão da pecuária. 
Some a tudo isso os mega projetos que envolvem 
hidroelétricas como as do Madeira e as pontes do rio Madeira. 
 
Referências Bibliográficas: 
 
GOMES, Emmanoel. A abertura da BR-029 atual 364. 
Rondônia em pauta. Disponível em: 
http://rondoniaempauta.com.br/nl/historia/a-abertura-da-
br-029-atual-364-artigo-do-historiador-emmanoel-gomes/. 
 
 
 
Rondônia 
 
O Estado de Rondônia é privilegiado em recursos naturais, 
para compreender a atual configuração é preciso considerar 
todos os elementos que compõe o funcionamento do 
ecossistema e suas características básicas (relevo, clima, 
vegetação e hidrografia). 
 
Clima 
 
No território do estado é possível identificar três tipos de 
climas: 
- Equatorial: possui temperaturas elevadas aliadas a uma 
grande umidade, há somente três meses sem ocorrência de 
precipitação (chuva). Essa característica climática gera 
influência no norte do Estado, nas áreas limítrofes com o 
Estado do Amazonas e entorno de Porto Velho. 
- Quente e úmido: consiste em uma grande quantidade 
calor e muita chuva, o período de seca dura até dois meses. 
- Quente e semi-úmido: esse exerce influência restrita a 
parte oeste do Estado onde estão situados os municípios de 
Colorado e Cabixi. 
Em âmbito mais abrangente, em Rondônia as 
temperaturas médias anuais variam entre 24° a 26ºC, no 
decorrer dos meses de junho, julho e agosto a temperatura cai, 
chegando a atingir até 8ºC, isso acontece devido a passagem de 
uma frente polar. O mês mais seco é julho e o mais chuvoso é 
setembro. No Estado, os índices pluviométricos anuais variam 
entre 1.800 a 2.400 mm. 
 
Localização e limites entre os municípios 
 
O estado de Rondônia está localizado na região Norte do 
Brasil. Seus limites são os seguintes: Amazonas (Norte), 
Bolívia (Sul e Oeste), Mato Grosso (Leste) e Acre (Oeste). 
As cidades mais importantes do estado, além da capital 
Porto Velho são: Ji-Paraná, Vilhena, Ariquemes, Guajará-
Mirim, Cacoal e Ouro Preto do Oeste. 
 
Dados Gerais 
 
Capital: Porto Velho. 
 
Divisão política do Estado 
 
Como vimos, o estado de Rondônia está atualmente 
dividido em 52 municípios, que se constituem as unidades 
autônomas de menor hierarquia dentro da organização 
político-administrativa do estado e do país. 
A criação, incorporação, fusão ou desmembramento de um 
município se faz por lei estadual. 
Os municípios podem ser divididos em distritos, que são 
criados por leis municipais. 
 
Formado por terras anteriormente pertencentes aos 
Estados do Amazonas e Mato Grosso, o Estado de Rondônia foi 
originalmente criado como Território do Guaporé em 1943. 
O município de Porto Velho foi criado em 2 de outubro de 
1914, por lei estadual do estado do Amazonas, e o município 
de Guajará-Mirim, em 1928, por lei estadual do estado de Mato 
Grosso. Isso porque, foram criados antes de ocorrer a criação 
do Território Federal do Guaporé. 
A denominação atual foi dada em 17 de fevereiro de 1956, 
em homenagem ao Marechal Rondon, desbravador dos sertões 
de Mato Grosso e da Amazônia em 17 de fevereiro de 1956. 
Os municípios de Ariquemes, Ji-Paraná, Cacoal, Pimenta 
Bueno e Vilhena foram criados em 11 de outubro de 1977, por 
decreto-lei federal e os municípios de Ouro Preto do Oeste e 
Costa Marques, foram criados em 1981, também por decreto-
lei federal. Nesse período, Rondônia era Território Federal. 
Portanto, as emancipações se faziam por atos do Presidente da 
República. 
Em 1981, o Território de Rondônia passou a Estado da 
Federação. 
Em 1983, ocorreu a emancipaçãodos municípios de Rolim 
de Moura e Cerejeiras, criados por decreto-lei estadual, porque 
nesse período, o estado de Rondônia ainda não possuía 
constituição. 
Os demais municípios foram criados por leis estaduais do 
estado de Rondônia, a partir de 1986. 
 
Limites 
 
O estado de Rondônia está situado ao sul da Linha do 
Equador, sendo atravessado pelo paralelo de 10º Sul e estando 
“encaixado” entre os meridianos de 60º e 65ºO. Rondônia 
limita-se: 
- Ao norte (nordeste e noroeste), com o estado do 
Amazonas. 
9. O Estado de Rondônia, da 
criação as questões atuais 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 8 
- A leste (e sudeste) com o estado do Mato Grosso. 
- A oeste, com a República da Bolívia, a ponta extrema 
ocidental rondoniana, com o Acre. 
- Ao sul, igualmente com a Bolívia. 
Referências Bibliográficas: 
 
Governo do Estado de Rondônia. Disponível em: 
http://www.rondonia.ro.gov.br/. 
 
IBGE. Disponível em: 
http://www.ibge.gov.br/estadosat/perfil.php?sigla=ro. 
 
RIBEIRO, Thiago. Aspectos naturais de Rondônia. Brasil 
Escola. Disponível em: 
<http://brasilescola.uol.com.br/brasil/aspectos-naturais-
rondonia.htm>. 
 
 
 
Desafios estratégicos – Região Norte 
 
O desenvolvimento socioeconômico da Região Norte é uma 
questão nacional estratégica que se relaciona com a 
exploração dos recursos da Amazônia brasileira. A região, que 
conta com mais de 15,8 milhões de habitantes, que produzem 
5,3% do PIB brasileiro, ainda é defasada em muitos 
indicadores sociais. 
Referente ao conflito entre o modelo de desenvolvimento 
econômico da Região Norte e a preservação ambiental, 
observa-se que ao mesmo tempo que as atividades 
agropecuária e mineradora contribuem para a geração de 
riqueza na Amazônia, causam degradação ambiental de 
grandes áreas de floresta. 
Quanto à distribuição da população da Região Norte, ela se 
concentra, sobretudo, nas capitais dos dois maiores estados da 
região: Belém e Manaus. A ocupação mais efetiva de Rondônia, 
de Tocantins e da porção leste do Pará denota o avanço da 
atividade agropecuária sobre a Floresta Amazônica. 
 
A região amazônica pertence a sete países, além do Brasil. 
A construção de diversos eixos rodoviários garantiu a 
articulação da região ao território nacional. 
 
A conquista da Amazônia 
 
Colonizada inicialmente pelos espanhóis e cobiçada por 
ingleses, franceses e holandeses, a bacia amazônica foi 
ocupada pelos portugueses, o que garantiu a posse ao Império 
brasileiro. 
 
Com cerca de 7,8 milhões de km² que abrangem oito países 
- Brasil, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana e 
Suriname - e a Guiana Francesa, a Amazônia Internacional é 
uma região natural formada pela floresta equatorial e por 
seus ecossistemas associados. A maior parte dessa área, 
marcada pelos climas quentes e úmidos, está assentada no 
interior da bacia fluvial amazônica. 
Com exceção da Guiana Francesa, departamento da França, 
os outros países firmaram em 1978 o Tratado de Cooperação 
Amazônica (TCA), cujas metas são a cooperação científica, a 
preservação ambiental, o uso racional dos recursos hídricos e 
o desenvolvimento regional. O Brasil ocupa um papel de 
destaque nas políticas do TCA, pois abriga mais de 64% região. 
No sentido político, porém, a Amazônia começou a se 
configurar antes mesmo da independência desses países, 
quando a região passou a ser explorada pelas Coroas de 
Espanha e de Portugal. 
 
Na Amazônia Internacional há outros países com 
percentual maior de superfície territorial coberta pela Floresta 
Amazônica, como o Peru, a Guiana e o Suriname. Porém, o 
Brasil detém a maior parte do bioma amazônico. 
 
A ocupação portuguesa 
 
Nos termos do Tratado de Tordesilhas (1494), grande 
parte da Bacia Amazônica pertencia à Coroa espanhola. Em 
1541, uma expedição comandada pelo espanhol Gonzalo 
Pizarro, irmão do conquistador do Império Inca, Francisco 
Pizarro, partiu de Quito em busca dos lugares lendários que 
supostamente havia nessas terras florestadas: o "País da 
Canela", onde a especiaria brotava em abundância, e o "EI 
Dorado", com suas enormes jazidas de ouro. 
Ninguém sabe ao certo quantas pessoas integraram essa 
expedição, mas estima-se que ela contava com algumas 
centenas de soldados espanhóis e milhares de indígenas, 
muitos dos quais padeceram de fome e de frio na travessia da 
Cordilheira dos Andes. 
Em algum ponto da viagem, quando os expedicionários já 
estavam bastante debilitados, Gonzalo encarregou um grupo, 
liderado por seu primo Francisco de Orellana, de seguir pelo 
rio em busca de alimentos. 
Entretanto, em vez de retornar com as provisões, o grupo 
de Orellana prosseguiu no curso do rio que hoje chamamos de 
Amazonas, viajando nove meses até alcançar a foz, em agosto 
de 1542. 
O diário de viagem do frei Gaspar de Carvajal, um dos 
integrantes do grupo, é o primeiro relato de uma jornada 
completa pelo Rio Amazonas, dos Andes até o Oceano 
Atlântico. Apesar de seu valor histórico, o diário não é um 
documento confiável, já que o frei se esforça em ressaltar os 
percalços enfrentados durante a viagem para justificar o 
descumprimento da ordem de regressar o mais rápido 
possível, levando alimentos para a expedição de Pizarro. A 
descrição do terrível combate travado com as guerreiras 
amazonas, que lutavam com a força comparada à de muitos 
homens e exerciam o poder sobre diversas tribos indígenas, 
reforça o caráter fantasioso do documento. 
Nos anos seguintes, diversas outras expedições 
comandadas pelos espanhóis percorreram trechos da Bacia 
Amazônica, sempre animadas pela busca de tesouros. Porém, 
o interesse pela região logo seria ofuscado pela descoberta das 
imensas jazidas de prata na região de Potosí (atual Bolívia), 
que atraiu grande parte dos exploradores e aventureiros 
espanhóis. 
Enquanto isso, franceses, ingleses e holandeses, inimigos 
tradicionais dos espanhóis, estabeleciam feitorias no baixo 
curso do Rio Amazonas. 
Durante a União Ibérica (1580-1640), período no qual 
Portugal e Espanha formaram uma única monarquia, os 
portugueses começaram a se estabelecer na foz do Amazonas. 
No início do século XVII, as expedições pelo Amazonas 
tornaram-se oficiais. Partiam da foz e eram organizadas para 
expulsar holandeses e ingleses, senhores de muitas feitorias ao 
longo do curso dos rios, e impedir o contrabando de produtos 
nativos, como madeira e pescado. 
Com o fim da União Ibérica, a Coroa portuguesa 
intensificou a ocupação militarizada da região, erguendo uma 
rede de fortificações lusitanas ao longo da calha central do Rio 
Amazonas. Entre eles, destaca-se o Forte de São José do Rio 
Negro, criado em 1668, em torno do qual surgiu o arraial de 
Lugar da Barra, mais tarde elevado à categoria de vila e, depois, 
de cidade, com o nome de Barra do Rio Negro. 
Em 1856, a cidade foi rebatizada e passou a se chamar 
Manaus, em homenagem aos índios da etnia manaó. 
10. O ambiente amazônico, 
as estruturas físicas e 
ambientais da região 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 9 
Para preservar a hegemonia na região, a Coroa ainda 
estimulou a ação das missões religiosas, que utilizavam a 
mão de obra indígena na coleta das "drogas do sertão" e na 
produção de alimentos. 
 
No entanto, foi em meados do século XVIII que o Império 
Português de fato consolidou sua soberania na área, criando o 
estado do Grão-Pará, com capital em Belém. Na nova estrutura 
política e administrativa, o Grão-Pará, marcado pelas baixas 
densidades demográficas e pelo extrativismo, passou a ser 
uma unidade distinta de Estado do Brasil. 
Com a independência do Brasil em 1822, o estado do Grão-
Pará foi dissolvido e tornou-se parte do Império Brasileiro, 
cujo poder administrativo concentrava-se no Rio de Janeiro. 
Noentanto, dada a precariedade das suas redes de transporte 
e comunicações, a região permaneceu durante muito tempo 
isolada do centro político e econômico do país. 
 
A conquista da fronteira interna 
 
O empreendimento de conquista e incorporação efetiva da 
vasta porção setentrional do Brasil teve início após a 
Revolução de 1930, marcada pela centralização do poder, e 
prosseguiu nas décadas seguintes, quando a Amazônia Legal 
se tornou uma região de planejamento. 
As políticas que orientaram essa conquista geraram um 
conflito entre dois tipos de ocupação do espaço regional. O 
povoamento tradicional, em grande parte herdeiro das 
atividades missionárias, marcado pelo extrativismo e pela 
agricultura de excedente, consistiu numa ocupação linear e 
ribeirinha, assentada na circulação fluvial e na rede natural de 
rios e igarapés: a "Amazônia dos rios". O novo povoamento 
seguia a trajetória dos eixos de circulação viária, na qual eram 
implantados núcleos urbanos e projetos florestais, 
agropecuários e minerais; é a chamada "Amazônia das 
estradas". 
O conflito entre o modo de ocupação tradicional e o 
moderno, representado pelos eixos viários, expressou-se na 
tensão social que envolveu índios, posseiros e grileiros. Até os 
dias atuais, as disputas por terra configuram um "arco de 
violência" nos municípios da Amazônia Legal. 
De outro lado, a conquista da Amazônia resultou na 
modificação antrópica das paisagens e na degradação 
progressiva dos ecossistemas naturais. Um "arco da 
devastação" demarca as áreas de ocupação recente do Grande 
Norte. Nos estados de Tocantins, Pará e Maranhão, a 
devastação antrópica atinge formações do Cerrado, da 
Floresta Amazônica e da Mata dos Cocais. No Mato Grosso e 
Rondônia, manifesta-se com intensidade no Cerrado, na 
Floresta Amazônica e nas largas faixas de transição entre esses 
domínios. 
 
Os focos de calor marcam a ocorrência das queimadas que 
abrem os terrenos para as atividades agropastoris ou 
minerais, resultando em um arco de devastação dos 
ecossistemas amazônicos. 
 
Os novos eixos de integração e a ocupação do espaço 
amazônico 
 
A construção de rodovias foi fundamental para a inserção 
da região amazônica nos fluxos e circuitos econômicos 
nacionais. Belém e Manaus são os dois centros urbanos que 
polarizam a rede urbana regional. 
 
As políticas voltadas para a conquista integraram a 
Amazônia às dinâmicas territoriais nacionais. Esse processo se 
realizou por meio de dois vetores. 
Um primeiro vetor estruturou-se originalmente na década 
de 1960, em torno do eixo viário da Belém-Brasília. Nas 
décadas seguintes, a exploração dos minérios da Serra de 
Carajás, a implantação da E. F. Carajás e do Porto de Itaqui e a 
construção da hidrelétrica de Tucuruí reforçaram esse vetor, 
estendendo-o até São Luís (MA). 
Uma vasta mancha de povoamento, nucleada por áreas de 
intensa modificação das paisagens naturais, desdobrou-se de 
sul a norte no estado de Tocantins e avançou pelas porções 
meridional e oriental do Pará e por todo o oeste maranhense. 
Um segundo vetor estruturou-se a partir da década de 
1970, em torno do segmento sul da Cuiabá-Santarém (BR-
163) e da Brasília-Acre (BR-364). Portanto, a integração 
viária com o Centro-Oeste ocorre através de Rondônia, até Rio 
Branco, no Acre. Ao longo desse eixo aparecem as principais 
áreas de desflorestamento, associadas à expansão da fronteira 
agrícola. 
No norte de Mato Grosso e em Rondônia, a colonização 
agrícola impulsionada por migrantes do Centro-Sul originou 
dezenas de novos núcleos urbanos. Ao mesmo tempo, a criação 
e consolidação da Zona Franca de Manaus (ZFM) 
transformava a capital amazonense em importante centro 
industrial e reforçava seus vínculos externos com os capitais e 
mercados do Centro-Sul. 
 
Os novos caminhos para Manaus 
 
Na década de 1980, a ocupação intensiva de Roraima foi 
facilitada pela pavimentação da rodovia Manaus-Boa Vista 
(BR-174), que atravessa a fronteira setentrional do país, 
interligando-se às rodovias da Venezuela. Ao longo do seu eixo, 
na porção central de Roraima e nas proximidades de Manaus, 
surgiram em poucos anos largas faixas de devastação. A 
construção dessa estrada e a concomitante implantação do 
imenso reservatório da hidrelétrica de Balbina desfiguraram a 
reserva indígena Waimiri-Atroari, localizada no vale do Rio 
Jauaperi, a oriente do Rio Branco. A BR-174 foi a primeira 
rodovia pavimentada a alcançar Manaus, que até então só 
podia ser atingida por via fluvial ou aérea. 
O novo eixo destina-se a projetar a influência da ZFM para 
os países vizinhos. A produção industrial do enclave 
amazonense é parcialmente responsável pelo superávit do 
Brasil nas trocas comerciais realizadas com a Venezuela e pode 
impulsionar os fluxos de comércio do país com as economias 
centro-americanas. 
No entanto, o isolamento físico do enclave de Manaus está 
sendo rompido em outra direção. O projeto de pavimentação 
da Porto Velho-Manaus (BR-319) pretende conectar a 
metrópole da Amazônia Ocidental e o vetor de ocupação 
estabelecido em Rondônia. Com a Hidrovia do Madeira, essa 
estrada tem como objetivo consolidar um corredor de 
exportação para os produtos agrícolas de Rondônia e Mato 
Grosso, através do Rio Amazonas. 
O eixo em implantação pode acarretar, porém, nova frente 
de devastação da Floresta Amazônica. A fronteira agrícola de 
Rondônia já se moveu até Humaitá, no sudoeste do Amazonas, 
primeira cidade alcançada pela pavimentação da BR-319. Em 
torno da cidade, uma larga mancha de desflorestamento 
assinala a abertura da floresta para a exploração da madeira, 
acompanhada pelo avanço da agropecuária. 
Os impactos da BR-319 
 
"Se por um lado a construção e a pavimentação de estradas 
na Amazônia geram benefícios na forma de redução de custos 
de transportes, por outro lado impulsionam o desmatamento, 
os conflitos sociais e a ilegalidade. A eficiência econômica e os 
efeitos diversos dos projetos precisam ser identificados e 
instrumentos que garantam uma distribuição mais equânime 
de custos e benefícios entre os atores afetados precisam ser 
implantados. 
Neste estudo, utilizamos a análise custo-benefício para 
avaliar a eficiência econômica do projeto de recuperação do 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 10 
principal segmento da Rodovia BR-319, localizado entre os 
quilômetros 250,00 e 655,70, no estado do Amazonas, de 
forma a contribuir com a discussão dessas questões. Este 
trecho encontra-se fortemente deteriorado e virtualmente 
intransitável desde 1986. 
Planeja-se sua recuperação dentro do Programa de 
Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal. 
[...] As obras aqui analisadas, com custo de implantação de 
cerca de 557 milhões de reais, incluem a recuperação e a 
pavimentação da rodovia e a construção de quatro novas 
pontes entre Manaus e Porto Velho, o que viabilizará o tráfego 
continuado entre Manaus e o resto do país. 
A análise [...] demonstra que o projeto é inviável 
economicamente, gerando prejuízos de cerca de 316 milhões 
de reais, ou 33 centavos de benefícios para cada real de custos, 
em valores atuais. Isso significa que para que o projeto alcance 
viabilidade econômica, os benefícios brutos estimados teriam 
de ser multiplicados por três. [...] 
Modelagens recentes indicam que o projeto provocará 
forte desmatamento no Interflúvio Madeira-Purus, com a 
perda de importantes recursos naturais ainda em excelente 
estado de conservação, caso políticas eficazes de contenção do 
desmatamento não sejam implantadas. Estimamos que o custo 
econômico parcial do desmatamento [...] poderia alcançar 
aproximadamente 1,9 bilhão de reais, em valores atuais. 
Destes, 1,4 bilhão corresponderia ao efeito negativo do projeto 
sobre as mudanças climáticas globais, valor muito superioraos benefícios brutos gerados pelo projeto, de 153 milhões de 
reais." 
FLECK. Leonardo C. Eficiência econômica, riscos e custos 
ambientais da reconstrução da rodovia BR-319. Lagoa Santa: 
Conservação Estratégica, 2009. p. 19-20. 
 
Redes urbanas regionais 
 
Enquanto a Amazônia se integrava ao Centro-Sul, a rede 
urbana regional tornava-se mais complexa e diferenciada. 
Nesse processo, a influência vasta e difusa de Belém sobre 
todo o espaço amazônico desvanecia-se, em razão da 
emergência de Manaus. 
Na última década, configurou-se uma situação de dupla 
polarização, na qual se desenham esferas de influência 
distintas das metrópoles do Amazonas. 
Durante a década de 1970, com a fronteira agrícola 
avançando em Mato Grosso e em Rondônia, ocorreu o 
acelerado desenvolvimento de Porto Velho e, em grau menor, 
dos núcleos instalados junto à rodovia, como Vilhena, Cacoal, 
Ji-Paraná e Ariquemes. 
Na década seguinte, a fronteira agrícola moveu-se até o sul 
do Acre, acompanhando o trecho pavimentado da BR-364. Nas 
áreas das cidades de Xapuri e Brasileia, as atividades 
madeireiras avançaram sobre os seringais, provocando 
conflitos e impulsionando a organização dos seringueiros. 
 
Cenários futuros: entre a devastação e a tecnologia 
 
Para romper o ciclo de devastação e desigualdade social 
será preciso o desenvolvimento de políticas territoriais que 
valorizem as comunidades locais e a preservação da 
biodiversidade. 
 
As políticas territoriais amazônicas implementadas pela 
ditadura militar nortearam-se pela meta geopolítica de 
“conquista” da Amazônia. O planejamento regional 
elaborado nesse contexto fundamentou-se num conceito 
distorcido de desenvolvimento, que estimula a acumulação 
de capital por grandes empresas e o uso predatório dos 
recursos naturais. Os largos e extensos corredores de 
devastação ambiental e as vastas manchas de 
desflorestamento, assim como a poluição de rios e igarapés 
pelos subprodutos do garimpo, são resultado das opções de 
planejamento adotadas nesse período. 
As políticas amazônicas dissociaram a noção de 
desenvolvimento de seu conteúdo social. A abertura de 
rodovias de integração e a implantação de grandes projetos 
geraram intensos fluxos migratórios para a Amazônia, além do 
esvaziamento demográfico de várzeas e igarapés. A exclusão 
social se materializa nas periferias das cidades médias, nos 
povoados miseráveis nascidos junto a empreendimentos 
minerais e florestais e no surgimento de populações 
itinerantes, que vagueiam à procura de escassas 
oportunidades de trabalho. 
O novo ciclo de obras rodoviárias na Amazônia, 
especialmente a Cuiabá-Santarém (BR-163) e a Porto Velho-
Manaus (BR-319), visa estabelecer a ligação entre Manaus e 
Porto Velho, mas ameaçava reproduzir, em escala ampliada, os 
desastres sociais e ambientais do ciclo anterior. A alternativa 
consistia em redefinir o sentido do planejamento regional, 
priorizando o desenvolvimento social e a valorização dos 
ecossistemas naturais. A geração de empregos e a exploração 
sustentável dos recursos naturais são as metas a serem 
perseguidas por um planejamento regional renovado. 
 
Um zoneamento econômico e ecológico 
 
O planejamento regional da Superintendência de 
Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) baseou-se em 
estudos de pequena escala, inadequados para a definição das 
realidades sociais e vocações ecológicas de áreas de médias e 
pequenas dimensões. Contudo, um planejamento regional 
voltado para o desenvolvimento sustentável não pode abrir 
mão do reconhecimento dessas áreas e suas peculiaridades. 
Atualmente, as imagens de satélite e as técnicas de cartografia 
computadorizada fornecem os meios necessários para a 
elaboração de estudos em média e grande escala, produzindo 
um zoneamento econômico e ecológico do imenso espaço 
amazônico. 
A "conquista" da Amazônia deixou como herança um 
mosaico complexo, no qual vastas áreas de paisagens naturais 
quase intactas intercalam-se com zonas de garimpo, grandes 
projetos e corredores de devastação. Um zoneamento 
econômico e ecológico destina-se a elucidar a organização 
desse mosaico, criando bases para a seleção de políticas 
específicas para cada área. 
Um passo inicial consistiria em distinguir os espaços de 
preservação (reservas indígenas e unidades de proteção 
ambiental) dos espaços disponíveis para a valorização 
econômica, e cartografá-Ios nas escalas adequadas. Um 
segundo passo consistiria no planejamento das modalidades 
de uso do solo, das instalações de infraestrutura viária e 
energética e no desenvolvimento urbano dos espaços 
disponíveis. 
O incentivo ao aproveitamento econômico da 
biodiversidade também pode proporcionar vantagens 
econômicas. Os produtos naturais da floresta encontraram 
novas e sofisticadas aplicações nas indústrias farmacêutica, de 
cosméticos e de alimentos. Além disso, as universidades e os 
institutos científicos da Amazônia pesquisam técnicas 
adequadas para o cultivo de espécies como a seringueira e a 
castanheira. Esses projetos experimentais sugerem caminhos 
para a elaboração de modelos agrícolas a serem implantados 
em áreas degradadas dos corredores de ocupação. 
 
Referências Bibliográficas: 
 
TERRA, Lygia. Conexões: estudos de geografia geral e do 
Brasil – Lygia Terra; Regina Araújo; Raul Borges Guimarães. 2ª 
edição. São Paulo: Moderna. 
 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 11 
 
 
Relevo 
 
O relevo do Estado de Rondônia é composto basicamente 
por planícies e planaltos baixos, esses possuem, em média, 
altitudes que variam entre 90 a 1000 metros em relação ao 
nível do mar. 
Desse modo, o tipo de relevo que predomina no território 
varia de 100 a 600 metros, isso em, aproximadamente, 94% de 
toda área estadual, o restante atinge elevações superiores a 
600 metros. 
No entanto, o relevo apresentado é constituído por quatro 
unidades geomorfológicas: Planície Amazônica, Setentrional 
do Planalto Brasileiro, Chapada dos Parecis e Paacás Novos e 
Vale do Guaporé-Mamoré. Nesta serra localiza-se o ponto mais 
elevado de Rondônia, o Pico do Tracuá. 
 
Vegetação 
 
A cobertura vegetal do Estado é diversificada, 
apresentando vários tipos de vegetação dos quais se destacam: 
 
Floresta Ombrófila Aberta 
Esse tipo de vegetação é a que mais predomina no Estado, 
principalmente no leste, sul, norte e na área central do 
território. 
As Florestas Ombrófilas são constituídas por quatro 
fisionomias vegetais (floresta de cipó, palmeiras, bambu e 
sorocaba). 
 
Floresta Ombrófila Densa 
Ocorre em uma área restrita localizada na parte central, é 
formada basicamente por palmeiras, trepadeiras lenhosas, 
epífitas e árvores de médio e grande porte. 
 
Floresta Estacional Semidecidual 
Esse tipo de cobertura vegetal ocorre no sul do Estado, 
apresenta árvores em número restrito denominadas de 
caducifólia (árvores que perdem as folhas na seca ou no 
inverno). 
 
Cerrado 
Existem “manchas” do cerrado no centro do Estado, esse 
tipo de vegetação é constituído por árvores de pequeno porte, 
troncos retorcidos, folhas e cascas grossas e raízes profundas. 
 
Vegetação Aluvial 
Apresenta-se nos arredores do rio Guaporé, possui 
características de uma cobertura vegetal formada a partir de 
arbustos (acácias, mimosa) e herbáceas (junco, rabo-de-
burro). 
 
Hidrografia 
 
A rede hidrográfica de Rondônia é composta por três 
principais bacias e uma secundária. 
 
Bacia do Rio Madeira 
O rio principal é o Madeira e seus afluentes principais são: 
Margem direita: 
- rio Ribeirão, 
- Igarapé das Araras, 
- rio Castanho, 
- rio Mutum-Paraná, 
- garapé Cirilo, 
- rio Jaci-Paraná, 
- rio Caracol, 
- rio Jamari, 
- Igarapé Mururé e 
- rio Ji-Paraná. 
 
Já os afluentes da margem esquerda são os rios: 
- Albuná, 
- rio Ferreiros,- Igarapé São Simão, 
- rio São Lourenço, 
- rio Caripunas, 
- Igarapé Maparaná, 
- Igarapé Cuniã e 
- rio Aponiã. 
 
Bacia dos Rios Guaporé e Mamoré 
Principais rios: Guaporé e Mamoré. 
 
Bacia do Rio Ji-Paraná 
Rio principal: Ji-Paraná. 
 
Bacia do rio Rooselvet, bacia secundária. 
Rio principal: Rooselvet. 
 
Referências Bibliográficas: 
 
Governo do Estado de Rondônia. Disponível em: 
http://www.rondonia.ro.gov.br/. 
 
IBGE. Disponível em: 
http://www.ibge.gov.br/estadosat/perfil.php?sigla=ro. 
 
RIBEIRO, Thiago. Aspectos naturais de Rondônia. Brasil 
Escola. Disponível em: 
<http://brasilescola.uol.com.br/brasil/aspectos-naturais-
rondonia.htm>. 
 
 
 
População: 
De acordo com dados disponibilizados pelo IBGE, em 2010, 
a população de Rondônia era estimada em 562.409 habitantes, 
aproximadamente, com densidade demográfica de 6,58 
(hab./km²). 
Em 2016, esse número passou para 1.787.279 habitantes, 
aproximadamente, distribuídos numa área de 237.765,293 
(km²). 
O Rendimento nominal mensal domiciliar per capita da 
população residente em 2016, foi divulgado, também pelo 
IBGE, em aproximadamente, R$901,00. 
 
Número de Municípios: 52. 
 
Municípios Rondonienses 
 
Guajará-Mirim, Nova Mamoré, Porto Velho, Candeias do 
Jamary, Itapuã do Oeste, Alto Paraíso, Monte Negro, Buritis, 
Campo Novo de Rondônia, Rio Crespo, Cujubim, Ariquemes, 
Cacaulândia, Machadinho do Oeste, Vale do Anari, Theobroma, 
Governador Jorge Teixeira, Jaru, Vale do Paraíso, Nova União, 
Mirante da Serra, Teixeirópolis, Ouro Preto do Oeste, Ji-
Paraná, Presidente Médice, Urupá, Alvorada do Oeste, São 
Miguel do Guaporé, Seringueiras, São Francisco do Guaporé, 
Costa Marques, Nova Brasilândia do Oeste, Novo Horizonte do 
Oeste, Castanheiras, Alta Floresta do Oeste, Alto Alegre dos 
Parecis, Santa Luzia do Oeste, Rolim de Moura, Ministro 
11. O Estado de Rondônia, 
componentes do meio físico 
e ambiental 
12. Populações e ocupação 
do espaço 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 12 
Andreazza, Cacoal, Espigão do Oeste, Primavera de Rondônia, 
São Felipe d'Oeste, Parecis, Pimenta Bueno, Chupinguaia, 
Colorado do Oeste, Corumbiara, Cerejeiras, Pimenteiras do 
Oeste, Cabixi e Vilhena. Dois municípios rondonienses estão 
entre os 15 municípios brasileiros que obtiveram as maiores 
taxas nacionais de médias de crescimento populacional. 
Buritis, com 29,09% e Campo Novo de Rondônia com 23,20%. 
 
Divisas e fronteiras do estado de Rondônia 
 
O estado de Rondônia possui a terceira maior população da 
região norte, perdendo apenas para os estados do Pará e 
Amazonas. 
 
O estado de Rondônia é dividido geograficamente em duas 
mesorregiões 
 
Mesorregião do Leste Rondoniense é uma das duas 
mesorregiões do estado de Rondônia. É a maior mesorregião 
territorialmente e também em número de habitantes, apesar 
de não contar com o município mais populoso. Por este motivo, 
grande parte dos políticos que comandam o estado vem desta 
região, e não da capital, Porto Velho. Esta mesorregião é 
dividida em seis microrregiões. 
- Alvorada d'Oeste 
- Ariquemes 
- Cacoal 
- Colorado do Oeste 
- Ji-Paraná 
- Vilhena 
 
Mesorregião de Madeira-Guaporé é uma das duas 
mesorregiões do estado de Rondônia. Foi a primeira região a 
ser habitada no estado de Rondônia por conta da construção 
do Forte Príncipe da Beira em 1776 no vale do Rio Guaporé. 
Foi nessa região também onde foi construída a Estrada de 
Ferro Madeira-Mamoré que impulsionou a fundação de 
Guajará-Mirim e Porto Velho e, por conta disso, são estas as 
únicas microrregiões em que está dividida a mesorregião. 
- Porto Velho 
- Guajará-Mirim 
 
O estado de Rondônia é dividido geograficamente em oito 
microrregiões: 
1 – Alvorada D’Oeste 
2 – Arquimedes 
3 – Cacoal 
4 – Colorado do Oeste 
5 - Guajará-Mirim 
6 – Ji-Paraná 
7 – Porto Velho 
8 - Vilhena 
 
 
 
Os critérios de divisão regional do território 
 
O Brasil é um país muito extenso e variado. Cada lugar 
apresenta suas particularidades e existem muitos contrastes 
sociais, naturais e econômicos. 
Como cada região diferencia-se das demais com base em 
suas características próprias, a escolha do critério de 
regionalização é muito importante. 
Um dos critérios utilizados para regionalizar o espaço 
pode ser relacionado a aspectos naturais, como clima, relevo, 
hidrografia, vegetação, etc. 
A regionalização também pode ser feita com base em 
aspectos sociais, econômicos ou culturais. Cada um apresenta 
uma série de possibilidades: regiões demográficas, uso do solo 
e regiões industrializadas, entre outras. 
 
As regiões geoeconômicas 
 
A fim de compreender melhor as diferenças econômicas e 
sociais do território brasileiro, na década de 1960, surgiu uma 
proposta de regionalização que dividiu o espaço em regiões 
geoeconômicas, criada pelo geógrafo Pedro Geiger. 
Nessa regionalização, o critério utilizado foi o nível de 
desenvolvimento semelhante foram agrupados dentro da 
mesma região. De acordo com esse critério, o Brasil está 
dividido em três grandes regiões: Amazônia, Nordeste e 
Centro-Sul. 
Os limites da Amazônia correspondem à área de 
cobertura original da Floresta Amazônica. Essa região é 
caracterizada pelo baixo índice de ocupação humana e pelo 
extrativismo vegetal e mineral. 
Nas últimas décadas, a Amazônia vem sofrendo com o 
desmatamento de boa parte de sua cobertura original para a 
implantação de atividades agropecuárias, como o cultivo de 
soja e a criação de gado. 
A região Nordeste é tradicionalmente caracterizada pela 
grande desigualdade socioeconômica. Historicamente, essa 
região é marcada pela presença de uma forte elite composta 
basicamente por grandes proprietários de terra, que dominam 
também o cenário político local. 
A região Centro-Sul é marcada pela concentração 
industrial e urbana. Além disso, apresenta elevada 
concentração populacional e a maior quantidade e diversidade 
de atividades econômicas. 
Essa proposta de divisão possibilita a identificação de 
desigualdades socioeconômicas e de diferentes graus de 
desenvolvimento econômico do território nacional. 
Seus limites territoriais não coincidem com os dos estados. 
Assim, partes do mesmo estado que apresentam distintos 
graus de desenvolvimento podem ser colocadas em regiões 
diferentes. Porém, esses limites não são imutáveis: caso as 
atividades econômicas, as quais influenciam as áreas do 
território, passem por alguma modificação, a configuração 
geoeconômica também pode mudar. 
 
Outras propostas de regionalização 
 
Regionalização do Brasil por Roberto Lobato Corrêa 
 
Outro geógrafo, chamado Roberto Lobato Corrêa, também 
fez uma proposta de regionalização que dividia o território em 
três: Amazônia, Centro-Sul e Nordeste. 
No entanto, em sua proposta ele respeitava os limites 
territoriais dos estados, diferentemente da proposta das 
regiões geoeconômicas. 
 
Os geógrafos Milton Santos e Maria Laura Silveira 
propuseram outra regionalização para o Brasil, que divide o 
território em quatro regiões: Amazônia, Mordeste, Centro-
Oeste e Concentrada. 
Essa divisão foi feita com base no grau de desenvolvimento 
científico, técnico e informacional de cada lugar e sua 
influência na desigualdade territorial do país. 
A região Concentrada apresenta os níveis mais altos de 
concentração de técnicas, meios de comunicação e população, 
além de atos índices produtivos. 
Já a região Centro-Oeste caracteriza-se pela agricultura 
moderna, com elevado consumo de insumos químicos e 
utilização de tecnologia agrícola de ponta. 
A região Nordeste apresenta uma área de povoamento 
antigo, agricultura com baixos níveis de mecanização e núcleos 
13. As divisões regionais 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 13urbanos menos desenvolvidos do que no restante do país. Por 
fim, a Amazônia, que foi a última região a ampliar suas vias de 
comunicação e acesso, possui algumas áreas de agricultura 
moderna. 
 
 
As regiões do Brasil ao longo do tempo 
 
Os estudos da Divisão Regional do Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatísticas (IBGE) tiveram início em 1941. O 
objetivo principal deste trabalho foi o de sistematizar as várias 
divisões regionais que vinham sendo propostas, de forma que 
fosse organizada uma única divisão regional do Brasil para a 
divulgação das estatísticas brasileiras. 
A proposta de regionalização de 1940 apresentava o 
território dividido em cinco grandes regiões: Norte, Nordeste, 
Este, Sul e Centro. Essa divisão era baseada em critérios tanto 
físicos como socioeconômicos. 
 
IBGE e a proposta de regionalização 
 
O IBGE surgiu em 1934 com a função de auxiliar o 
planejamento territorial e a integração nacional do país. 
Consequentemente, a proposta de regionalização criada pelo 
IBGE baseava-se na assistência à elaboração de políticas 
públicas e na tomada de decisões no que se refere ao 
planejamento territorial, por meio do estudo das estruturas 
espaciais presentes no território brasileiro. 
Na década de 1950, uma nova regionalização foi proposta, 
a qual levava em consideração as mudanças no território 
brasileiro durante aqueles anos. 
Foram criados os territórios federais de Fernando de 
Noronha, Amapá, Rio Branco, Guaporé, Ponta Porã e Iguaçu – 
esses dois últimos posteriormente extintos. 
Note também que a denominação das regiões foi alterada 
e que alguns estados, como Minas Gerais, mudaram de região. 
 
Regionalização do Brasil → década de 1950 
 
Na década de 1960, houve a inauguração da nova capital 
federal, Brasília. Além disso, o Território de Guaporé passou a 
se chamar Território de Rondônia e foi criado o estado da 
Guanabara. 
 
Regionalização do Brasil → década de 1960 
 
Na década de 1970, o Brasil ganha o desenho regional 
atual. 
É criada a região Sudeste, que abriga os Estados de São 
Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. 
O Acre é elevado à categoria de estado e o Território 
Federal do Rio Branco recebe o nome de Território Federal de 
Roraima. 
 
Regionalização do Brasil → década de 1970 
 
A regionalização da década de 1980 mantém os mesmos 
limites regionais. No entanto, ocorre a fusão dos Estados da 
Guanabara e do Rio de Janeiro e a criação do estado do Mato 
Grosso do Sul. 
A mudança nas regionalizações ao longo dos anos é fruto 
do processo de transformação espacial como resultado das 
ações do ser humano na natureza. 
Assim, reflete a organização da produção em função do 
desenvolvimento industrial. 
 
 
 
 
 
A regionalização oficial do Brasil atual 
 
A regionalização oficial do Brasil é a de 1990 e apresenta 
as modificações instituídas com a criação da Constituição de 
1988. 
Os territórios de Roraima e Amapá são elevados à 
categoria de estado (o território de Rondônia já havia sofrido 
essa mudança em 1981); é criado o estado de Tocantins; e é 
extinto o Território Federal de Fernando de Noronha, que 
passa a ser incorporado ao estado de Pernambuco. 
 
Regionalização oficial do Brasil atual 
 
É importante refletir sobre a regionalização atual proposta 
pelo IBGE, já que ela não apresenta uma solução definitiva para 
a compreensão dos fenômenos do território brasileiro. 
A produção do espaço é um processo complexo, resultado 
da interação de diferentes fatores e não pode ser encaixada 
dentro de uma categoria única e específica. 
A atual divisão regional obedece aos limites dos estados 
brasileiros, mas não necessariamente aos limites naturais e 
humanos das paisagens, os quais, muitas vezes, não são tão 
evidentes. 
É o caso, por exemplo, do Maranhão. Grande parte de seu 
território apresenta características naturais comuns à região 
Norte, principalmente devido à presença da Floresta 
Amazônica. Além disso, o estado apresenta fortes marcas 
culturais que também remetem ao Norte, como a tradicional 
festa do Boi-Bumbá. 
No entanto, segundo a regionalização oficial, o Maranhão 
faz parte da região Nordeste. 
 
O Estado brasileiro e o planejamento regional 
 
No século XX, a concentração espacial das indústrias na 
região Sudeste impactou de maneira negativa as estruturas 
produtivas de outras regiões brasileiras. 
Para promover a desconcentração da economia, foram 
criadas políticas de integração e de desenvolvimento regional. 
 
Introdução: território e políticas públicas 
 
Por meio das políticas de desenvolvimento regional, 
propunha-se a implantação de infraestruturas nas regiões 
menos desenvolvidas, com a finalidade de atrair investimentos e 
aumentar a oferta de empregos. 
 
O desenvolvimento industrial iniciado na década de 1930 
transformou, ao mesmo tempo, a economia e a geografia do 
Brasil. 
No plano da economia, o modelo agroexportador foi, aos 
poucos, sendo substituído pelo modelo urbano e industrial que 
vigora no país até hoje. No plano da geografia, as diferentes 
regiões brasileiras passaram a se articular de maneira cada vez 
mais intensa, de forma a prover tanto a matéria-prima quanto 
a força de trabalho necessárias à produção industrial 
fortemente concentrada na Região Sudeste. 
Esse novo contexto de industrialização e de integração 
nacional tornou, evidente a desigualdade de desenvolvimento 
entre as regiões brasileiras. O crescimento da economia da 
Região Sudeste contrastava vivamente com a estagnação da 
economia nordestina. No Nordeste, diante do desemprego 
resultante do declínio das atividades nas lavouras de cana-de-
açúcar e nas indústrias têxteis, dos baixos salários e da 
concentração de terras nas mãos de poucos, muitos optaram 
por tentar a vida em outras regiões do país. 
A Região Nordeste transformou-se em grande fornecedora 
de mão de obra para os principais centros urbanos e 
industriais do país. São Paulo tornou-se o principal destino dos 
migrantes nordestinos: na década de 1940, eles foram 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 14 
responsáveis por cerca de 60 do incremento populacional 
ocorrido na cidade. 
Para combater a desigualdade, o governo federal lançou 
políticas de desenvolvimento regional. Por meio delas, 
esperava-se promover a desconcentração da economia, 
atraindo investimentos e ampliando a oferta de empregos nas 
regiões menos desenvolvidas. As regiões selecionadas 
receberiam infraestrutura (energia, estradas, portos) e 
incentivos fiscais, ou seja, o governo passaria a isentar ou 
cobrar menos impostos dos empresários que lá implantassem 
novos negócios. 
Em meados da década de 1950, começaram a ser 
implementadas as agências de desenvolvimento regional, 
órgãos federais que tinham o objetivo de centralizar e 
implementar essas políticas. A Superintendência de 
Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a primeira delas, 
entrou em funcionamento em 1959. A Superintendência de 
Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) foi criada em 1966. 
Sudene e Sudam foram as mais importantes agencias 
implantadas no Brasil. Por isso, vamos estuda-las mais de 
perto. 
 
O Estado e a valorização da Amazônia 
 
Para a valorização da economia regional da Amazônia e sua 
conexão aos centros mais dinâmicos do território brasileiro, o 
governo federal priorizou a construção de estradas e a 
implantação de projetos industriais (zona franca), minerais e de 
colonização. 
 
• A integração nacional 
 
O propósito de integrar a Amazônia ao conjunto da 
economia nacional já estava na agenda do governo federal na 
década de 1940, mas foi apenas na década de 1950 que as 
políticas de planejamento começaram a atuar de fato na 
região. 
Em 1953, nasceu a Superintendência do Plano de 
ValorizaçãoEconômica da Amazônia (SPVEA), um órgão 
federal encarregado de valorizar a economia regional e 
conectá-la aos centros mais dinâmicos do território brasileiro. 
A área de atuação da SPVEA recebeu o nome de Amazônia 
Brasileira, uma região de planejamento. 
Na época, o processo de industrialização demandava a 
criação de um mercado interno de dimensões nacionais, o que 
exigia grandes transformações no território. A construção de 
estradas que possibilitassem o intercâmbio de mercadorias e 
pessoas entre as diversas regiões brasileiras era considerada 
uma tarefa prioritária para o governo federal. Uma nova 
capital, Brasília, estava sendo construída em um planalto 
situado no Brasil central, até então pouco integrado. 
Por meio de Brasília, pretendia-se integrar não apenas o 
Centro-Oeste mas também a Amazônia, escassamente 
povoada e detentora de imensas potencial idades naturais. O 
planejamento e a execução da Rodovia Belém-Brasília, por 
meio da qual o sistema viário brasileiro alcançou a Amazônia 
pela primeira vez, contou com a colaboração da SPVEA. 
 
• Sudam: a devastação planejada 
 
A política de planejamento regional voltada para a 
Amazônia ganhou novos contornos após o golpe de 196Q, 
quando os destinos do país passaram a ser comandados pela 
ditadura militar. Em 1966, a SPVEA foi extinta e substituída 
por outro órgão, a Superintendência do Desenvolvimento 
da Amazônia (Sudam), cuja área de atuação recebeu o nome 
de Amazônia Legal. No ano seguinte, foi criada a 
Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). 
 
 
A indústria na Amazônia 
 
A implantação de complexos industriais figurava entre as 
prioridades do projeto de valorização econômica da Amazônia 
concebido pelos militares. 
Como vimos, a Sudam foi criada em 1966. No ano seguinte, 
seria a vez da Superintendência da Zona Franca de Manaus 
(Suframa). Com ela, Manaus foi transformada em zona franca. 
Essa nova condição significou para Manaus a isenção de taxas 
de importação das máquinas e matérias-primas necessárias à 
produção industrial, bem como dos impostos de exportação 
das mercadorias industrializadas. Com esses incentivos, 
indústrias transnacionais e nacionais foram atraídas para a 
cidade, e Manaus transformou-se em um polo industrial 
importante, principalmente no setor de bens de consumo 
duráveis (televisores, aparelhos portáteis e eletrodomésticos). 
Atualmente, o polo industrial instalado em Manaus 
dinamiza boa parte da economia regional e emprega 
diretamente cerca de 85 mil pessoas. A indústria local, no 
entanto, depende da manutenção da zona franca. As 
mercadorias produzidas em Manaus viajam milhares de 
quilômetros até chegar aos principais centros de consumo do 
país e incorporam em seu custo o preço desse transporte. 
Na década de 1970, teve início o processo de crescimento 
industrial de Belém. Nesse caso, predominam as indústrias de 
transformação mineral, em especial a siderurgia do ferro e do 
alumínio, atraídas pela presença de matérias-primas e da 
energia proveniente da Usina Hidrelétrica de Tucuruí. Uma 
das siderúrgicas mais importantes do setor de produção de 
alumínio está instalada no Porto de Barcarena, situado nos 
arredores de Belém. 
 
A Amazônia Legal 
 
Na visão dos militares, a Amazônia era um imenso vazio 
demográfico que precisava ser conquistado e explorado, de 
forma a transformar seu enorme potencial natural em 
riquezas que iriam financiar o desenvolvimento do país. Para 
isso, eles propunham integrar a Amazônia implantando 
grandes projetos minerais, industriais e agropecuários. 
A população local, em grande parte concentrada nas 
margens dos rios e dos igarapés e vivendo do cultivo de 
pequenos lotes de terra, foi praticamente desconsiderada nos 
novos planos do governo para a região. 
A Sudam foi criada para ser uma espécie de intermediária 
entre o governo e os empresários no processo de valorização 
econômica da Amazônia. Além disso, o órgão também deveria 
formular projetos de atração de migrantes, para promover o 
povoamento e consolidar um mercado de trabalho regional. 
Muitos desses migrantes, a maior parte de origem nordestina, 
acabaram por se fixar nas periferias das cidades amazônicas, 
que conheceram um crescimento explosivo a partir da década 
de 1870. 
A Transamazônica, rodovia que corta a região no sentido 
latitudinal, foi planejada para ligar o Amazonas à Paraíba e 
viabilizar o assentamento dos migrantes recém-chegados e 
representar uma rota para os novos investimentos - ou, nas 
palavras do próprio governo, "a pista da mina de ouro". 
A Transamazônica não cumpriu o papel almejado por seus 
planejadores. Encravada no meio da floresta e desconectada 
da rede viária nacional, a estrada não foi capaz de dinamizar 
os fluxos regionais e acabou por se tornar um imenso atoleiro. 
 
Nessas condições, os dois mais importantes eixos de 
penetração para a Amazônia passaram a ser as rodovias 
Belém-Brasília e Brasília-Acre. Em suas margens, foi 
implantada a maior parte dos projetos minerais e 
agropecuários incentivados pela Sudam. Não por acaso, esses 
eixos apresentam a maior taxa de desmatamento e de 
degradação ambiental. Além disso, também são palcos de 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 15 
violentos conflitos, já que posseiros, fazendeiros e madeireiros 
disputam a posse da terra valorizada pela presença das 
estradas. 
O eixo da Belém-Brasília se estende até a Serra dos Carajás, 
onde se encontra a maior reserva de minério de ferro do 
mundo. O ferro de Carajás, em exploração desde a década de 
1970 pela Companhia Vale do Rio Doce (privatizada em 
1997), é escoado pela Estrada de Ferro Carajás, até o Complexo 
Portuário de São Luís, no Maranhão. Nas margens da rodovia 
e da ferrovia, a floresta equatorial já foi quase toda derrubada. 
Em seu lugar, surgiram núcleos urbanos e os mais diversos 
empreendimentos. 
 
Anúncio da Sudam e do Banco da Amazônia, 
publicado em dezembro de 1970. 
 
No outro extremo da Amazônia, o principal eixo de 
ocupação foi a Rodovia Brasília-Acre. O estado de Rondônia, 
atravessado por esse eixo, foi alvo de um grande projeto de 
colonização e recebeu milhares de migrantes, vindos 
especialmente das regiões Nordeste e Sul. Atualmente, 
Rondônia figura entre os estados mais devastados da região. 
A herança da Sudam permanece na realidade amazônica: 
está presente tanto na destruição do modo de vida tradicional 
das populações ribeirinhas e indígenas quanto na grande 
mancha de devastação ambiental produzida pelos 
empreendimentos aprovados pelo órgão. Definitivamente, 
esse modo predatório de ocupação está em descompasso com 
os parâmetros atuais de valorização do patrimônio ambiental 
amazônico, sobretudo no que se refere à enorme 
biodiversidade da formação florestal e à presença de imensos 
reservatórios de água doce. 
 
Referências Bibliográficas: 
 
FURQUIM Junior, Laercio. Geografia cidadã. 1ª edição. São 
Paulo: Editora AJS, 2015. 
 
TERRA, Lygia. Conexões: estudos de geografia geral e do 
Brasil – Lygia Terra; Regina Araújo; Raul Borges Guimarães. 2ª 
edição. São Paulo: Moderna. 
 
 
 
Aspectos Econômicos de Rondônia 
 
Vários ciclos econômicos fizeram parte do 
desenvolvimento regional, mas, na atualidade, predomina o 
agropecuário, com destaque para a cafeicultura e 
bovinocultura (gado leiteiro e de corte) entre outros produtos 
e um setor industrial nascente. 
O primeiro ciclo econômico ocorreu com as descobertas de 
ouro no rio Corumbiara, afluente da margem direita do rio 
Guaporé, a partir de 1744; nessa mesma época houve também 
o período das drogas do sertão, mas o primeiro grande ciclo 
econômico foi o da borracha. 
Este ciclo dividiu-se em dois. O primeiro teve início por 
volta de 1877, quando uma grande leva de nordestinos migrou 
para o valedo Madeira e seus afluentes: rio Machado ou Ji-
Paraná, Mamoré, Guaporé e Jamari e o segundo ciclo teve início 
em 1942, ocasião da Segunda Guerra Mundial. 
No período do Primeiro Ciclo de Extração de Látex foi 
construída a maior obra da história da Amazonas, a Estrada de 
Ferro Madeira-Mamoré, hoje Museu Histórico. 
O Primeiro Ciclo de Extração de Látex, (borracha) começou 
a decair a partir de 1912 e, em 1918, já estava em pleno 
declínio, não pela falta do produto, mas pelo preço praticado 
no mercado internacional, principalmente no continente 
Asiático, mais precisamente na Malásia. 
A retomada da demanda de extração de látex, seiva da 
árvore seringueira, nativa da Amazônia, ocorreu em 
decorrência da Segunda Guerra Mundial, isto porque os 
seringais da Malásia foram ocupados por tropas japonesas. 
Naquele período, as atenções do mundo convergiram para a 
produção do látex na Amazônia. O próprio governo brasileiro 
(Getúlio Vargas), convocou trabalhadores para trabalharem na 
extração de látex. Foi neste período que surgiu o soldado da 
borracha. Os vales amazônicos foram novamente ocupados. 
Em 1952, ocorreu a descoberta de existência de estanho, 
que foi importante para a economia regional de Porto Velho, 
surgindo ai o ciclo da extração da cassiterita, que também 
divide-se em dois períodos: 
- o primeiro período foi o da garimpagem manual, que 
durou até 31 de março de 1971, quando foi proibida pelo 
Governo Federal; 
- a partir dessa data, iniciou-se o período da garimpagem 
mecanizada. 
Ainda na década de 50, do século XX, existiram os garimpos 
de diamante no rio Machado, nas proximidades de Vila 
Rondônia, atualmente cidade de Ji-Paraná, e Pimenta Bueno, 
que tiveram pouca durabilidade. 
O atual ciclo econômico de Rondônia iniciou-se na década 
de 70, do século XX, com a chegada de migrantes oriundos, 
principalmente, das regiões Sul e Sudeste do Brasil, cuja 
maioria era proveniente dos estados do Paraná, Espírito Santo 
e Minas Gerais, começando assim o plantio de lavoura de café 
e a formação de pastagem. 
Nesse mesmo período, deu-se início às instalações de 
indústrias madeireiras que, do final da década de 70 e durante 
a de 80, do século XX, eram responsáveis absolutas pela 
geração de empregos, renda e ainda hoje são de suma 
importância para a economia do Estado. 
Em 1971, a CEPLAC Comissão Executiva da Lavoura 
Cacaueira, respaldada em estudos que apontavam a 
viabilidade da lavoura cacaueira na região, deu incentivo ao 
plantio nas localidades de Ouro Preto, Jaru e Ariquemes. 
Em 1976, foi implantado o programa PROCACAU, que 
incentivou ainda mais o plantio da lavoura, chagando a 54.000 
hectares, em seis mil pequenas propriedades rurais. 
Paralelamente a esse acontecimento, as lavouras de café e 
a criação de rebanho bovino se desenvolveram por uma vasta 
região, mas, no início dos anos 1990, os cafeicultores 
rondonienses enfrentaram outro problema, o baixo preço na 
saca do café, que, às vezes, não compensava nem colher. 
Muitos foram os que, cortaram os cafezais e substituíram 
as áreas por pastagens. 
A partir de 1997, os preços voltaram a subir e chegou, em 
1999, a R$ 150,00. Novamente ocorreram novas plantações, 
porém, o preço da saca começou a cair a partir do ano de 2000, 
e em 2001 chegou a R$ 25,00, voltando a ser desestimulado. 
O rebanho bovino sempre continuou crescendo e é 
predominante em todo o Estado, formando uma grande bacia 
leiteira, com destaque para a região de Ouro Preto, Jaru e Ji-
Paraná. 
Outros investimentos já começam a florescer, na economia 
regional, são plantações de pupunha (palmito, piscicultura), e 
o cultivo de soja e arroz, em áreas mecanizadas, no sul do 
Estado. 
Rondônia é um Estado de vocação agropecuária, o solo 
rondoniense produz, não só os já citados produtos, mas uma 
diversidade de cereais, frutos, verduras e legumes. 
 
 
 
 
14. Produção econômica 
regional 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 16 
 
 
Principais impactos ambientais 
 
O estado de Rondônia possui o delineamento das 
diferentes áreas geográficas efetivado pelo Zoneamento 
Socioeconômico ecológico, que distribui entre os ecossistemas 
uma diversidade de formas de organização de produção 
sustentável. 
Os aspectos econômicos envolvem diversas atividades 
projetadas para determinadas localidades e situação 
econômica das comunidades. 
A caracterização do Zoneamento, como elemento-chave da 
utilização de recursos das florestas e dos rios, consistiu, ao 
mesmo tempo, em preocupação ecológica pelas autoridades 
que temem o mau uso dos espaços econômicos com atividades 
que possam degradar o ambiente e prejudicar os ecossistemas. 
A nova Lei de Crimes Ambientais é oportuna porque 
vincula os espaços produtivos aos órgãos de representação 
ambiental, desta forma, qualquer acidente envolvendo áreas 
de proteção ambiental, ou desastre ecológico, prevendo 
situações de risco para a vida vegetal e animal será objeto de 
investigação. 
Esses órgãos públicos, como o Instituto Brasileiro do Meio 
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA e a 
Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental – SEDAM, 
que estão equipados para atender às necessidades de 
informações acerca de atitudes preservacionistas. 
A extensão da fronteira agropecuária em Rondônia teve 
início na década de 70, do século XX, com a implantação de 
projetos de colonização oficial, implantados pelo Governo 
Federal, por meio do INCRA, substituindo as grandes áreas de 
seringais nativos por uma nova situação fundiária, que mudou 
radicalmente o espaço geográfico. 
Rondônia é um estado que passou a ter problemas 
ambientais em decorrência de sua rápida expansão, como 
espaço de fronteira agrícola. Essa nova realidade gerou 
preocupações acerca dos desmatamentos, erosão fluvial, 
garimpagem, atividades mineralógicas e extrativistas, que 
contribuíram, desde o processo de colonização, para o 
desequilíbrio dos ecossistemas, influindo em mudanças 
climáticas que atingiram a região. 
A partir da segunda metade da década de 80, do século XX, 
os organismos internacionais, em especial o Banco Mundial, 
que investiram nos projetos de colonização em Rondônia, 
foram alvo de críticas de ambientalistas e outras entidades 
mundiais, em decorrência do desastre ecológico nas imensas 
áreas florestais. 
O Banco Mundial investiu em um novo projeto, o 
“PLANAFLORO”, com o intuito de diminuir o desmatamento 
acelerado, iniciado nos anos anteriores, e reverter o processo 
de desordenação causado pelo fluxo migratório no Estado. 
A consolidação da BR-29, em 1968, permitiu que Rondônia 
firmasse sua vocação agrícola com maciços investimentos 
federais em projetos de colonização e a intensificação do fluxo 
migratório gerou a rápida formação de aglomerados urbanos, 
principalmente ao longo do eixo da BR-364. 
Isso provocou uma ruptura da estrutura espacial existente, 
já que, anteriormente, concentrava a economia nos municípios 
de Porto Velho e Guajará-Mirim, que não sofreram agregações 
populacionais como às registradas na área de influência da BR-
364. 
A consequência mais drástica se constitui no acelerado 
processo de desmatamento ao longo da BR-364. A implantação 
dos projetos de colonização existentes e a expansão da 
fronteira agrícola na floresta demonstraram exemplos 
edificantes da catástrofe ecológica induzida pela exploração de 
terras impróprias para a agricultura. 
Os organismos internacionais e o Banco Mundial, quando 
reconheceram a problemática ambiental de Rondônia, na 
segunda metade da década de 80, do século XX, começaram a 
frear o envio de verbas aos projetos de assentamento e 
colonização, em decorrência do escândalo mundial causado 
pelo acelerado desmatamento de parte da floresta amazônica. 
A floresta sofreu intenso processo dequeimadas durante o 
processo de preparação da terra para o plantio de lavouras e 
pastagens. Os agricultores instalaram-se em grandes e 
pequenas propriedades, ou em projetos agropecuários 
implantados por empresas nacionais privadas ou pelo 
governo. 
Em função da ausência de planejamento adequado, alguns 
desses projetos foram instalados em regiões impróprias para 
a atividade agrícola. Os agricultores utilizaram sistemas de 
produção e cultivo nem sempre coerentes com as 
características agroecológicas da região. Essa ocupação 
desordenada conferiu a agricultura uma dinâmica marcada 
pela baixa produtividade, impactos ambientais crescentes e 
pobreza na qualidade de vida das populações. 
A região central do Estado, ao longo da BR-364 e próximo 
a ela, foi transformada em áreas onde ocorreu intenso 
desmatamento da floresta, eliminando-se praticamente a 
fauna e a flora. A colonização influenciou um ritmo acelerado 
de extração de madeiras nobres, fato que praticamente 
extinguiu as espécies de mogno, cerejeiras e castanheiras. 
Atualmente, as madeiras já extraem outras espécies que 
também já se encontram praticamente em processo de 
extinção. 
As atividades garimpeiras no rio Madeira, nas décadas de 
80 e 90 do século XX, prejudicaram o fluxo das águas do rio 
com o uso do mercúrio, provocando a contaminação de peixes. 
Após a proibição da garimpagem no rio Madeira, iniciaram-se 
as atividades de forma clandestina, fato que produziu um 
efeito mais devastador sobre o meio ambiente e a recuperação 
plena da flora de fundo e dos peixes que, por acaso, tenham 
sofrido efeitos teratogênicos ou mutagênicos. 
Outra forma de garimpo que causou problemas ambientais 
constituiu-se na exploração de cassiterita no Bom Futuro, na 
bacia do rio Candeias, produzindo um índice elevado de 
poluição nas águas em decorrência do assoreamento do leito 
do rio. 
O processo de desmatamento na região tendeu a ser 
controlado tanto por organismos internacionais quanto pelos 
órgãos encarregados do meio ambiente, que trataram de 
fiscalizar as ações predatórias. O desmatamento diminuiu, mas 
os efeitos que geraram as problemáticas ambientais ainda se 
perpetuarão por longas décadas, considerando-se os aspectos 
de produção florestal propriamente dita, além dos aspectos 
econômicos e ambientais (regeneração da floresta). 
 
 
 
A migração, a influência midiática e as mudanças na 
dinâmica dos contextos sociais na Amazônia rondoniense 
 
A Amazônia se caracteriza por diversas correntes 
migratórias. A primeira teria ocorrido entre os anos 1877 – 
1879, sendo composta de populações rurais do Nordeste e que 
teriam vindo para a região fugindo da seca. Anos mais tarde, 
no período compreendido entre 1890 – 1910, outro fluxo 
migratório também de origem nordestina, tendo a seca e a 
borracha como principais fontes motivadoras, chegou para 
trabalhar nos seringais. 
15. As questões 
socioambientais 
16. Populações tradicionais 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 17 
A segunda corrente migratória ocorreu no ano de 1942, 
estimulada pela seca no Nordeste e em função da propaganda 
do governo federal que necessitava de mão de obra para 
trabalhar nos seringais. Os chamados soldados da borracha 
iriam coletar tal produto, que por sua vez, manteria os meios 
de transportes térreos dos países aliados na Segunda Guerra 
Mundial. 
Este momento em específico ficou conhecido como batalha 
da borracha. Após chegarem a Amazônia, os soldados da 
borracha, ficaram sabendo que a propaganda do governo era 
enganosa. 
Muito mais que isso, os seringueiros ao chegarem a região 
tiveram atritos com os indígenas, obrigando-os a um processo 
de adaptação biótica, pois, não havia outra alternativa para 
eles dentro do “ciclo” da borracha. 
Outro fator importante nesse processo foram os ciclos 
econômicos, que proporcionaram a vinda de milhares de 
migrantes para a Amazônia e Rondônia. Em específico, a 
descoberta da cassiterita no início da década de 1950, o ouro 
no Rio Madeira na década de 1980 e posteriormente os 
projetos de colonização que impulsionaram e intensificaram a 
rota migratória sem precedentes na história do Brasil. 
Diante de tal demanda, o governo federal, fez a tentativa de 
controlar a situação, e atuou nos últimos anos no sentido de 
bloquear ou desviar os fluxos migratórios espontâneos que se 
dirigiam ou continuam a dirigir-se para Rondônia, o Acre e 
outras partes da região. Essa restrição dificultou o acesso à 
terra na região amazônica e contribuiu para a ineficácia da 
Reforma Agrária. 
Levando em consideração às promessas do governo e da 
propaganda midiática da distribuição de terras nesta região, 
os migrantes trazem consigo um estereótipo já produzido a 
partir do que a própria mídia divulgava. Ao se deparar com 
tantas identidades constituídas, o migrante passa da 
estranheza a identificação e a sociabilidade dos saberes com 
estes grupos. 
Esses fatores proporcionaram diversos confrontos, em 
detrimento dos interesses capitalistas, que envolviam os 
grupos sociais na busca por aquisição de terras. Em relação a 
questão da corrida pela terra aponta-se que o aumento da 
população em Rondônia triplicou em função de inúmeros 
fatores entre os quais destacam a exploração de recursos 
minerais e o processo de colonização. 
Em tese, inicialmente os migrantes que chegaram neste 
espaço geográfico desconsideraram as populações e as 
técnicas de produção herdadas e desenvolvidas por esses 
grupos na floresta constituindo o que denomina-se de morada 
habitual e cultura efetiva, garantindo a posse e o uso da terra. 
Oliveira Filho destaca que muitos autores apresentam os 
colonos que chegam à região com a visão de que a floresta 
precisa ser domada, pois até o momento isso não ocorre, visto 
que as populações tradicionais não o faziam, permanecendo 
no privitivismo secular. 
Pode-se dizer entretanto, que com o passar do tempo os 
próprios migrantes reavaliam o sentimento de indiferença 
para com os seringueiros em relação ao modo de agir para com 
a floresta considerando as peculiaridades da região. Portanto, 
para que houvesse tal relação era essencial uma adequação ao 
meio, neste visto que eles não sabiam manipular os recursos 
naturais e não havia estrutura viável para que isso 
acontecesse. 
 
Referências Bibliográficas: 
 
SILVA, Maria Aparecida da Silva; CRUZ, José Aparecido da. 
Das Tradições dos Povos e Comunidades Tradicionais a 
Migração das Décadas de 1970-1980 ao Hibridismo Cultural 
Rondoniense. 
 
 
Questões 
 
01. (PGE/RO – Técnico da Procuradoria – FGV/2015) O 
desenvolvimento econômico da região norte pode ser 
entendido a partir da criação de um projeto ferroviário para 
interligar a região amazônica entre o final do século XIX e a 
primeira metade do século XX. No entanto, com o advento do 
regime militar brasileiro, nos anos 60 do século XX, o projeto 
ferroviário foi abandonado em razão da prioridade dada pelo 
regime militar ao transporte: 
(A) pluvial na região norte; 
(B) naval pelo litoral da região norte; 
(C) aéreo na região norte; 
(D) misto aéreo e pluvial da região norte; 
(E) rodoviário da região norte. 
 
02. (PGE/RO – Técnico da Procuradoria – FGV/2015) 
“A sensação térmica pode chegar a 38ºC neste sábado (5) na 
capital de Rondônia. De acordo com o Sistema de Proteção da 
Amazônia (Sipam), o tempo deve ser firme em todo o estado 
no final de semana”. 
A previsão é de céu claro sem chuvas em todo o centro sul. 
Já nas demais regiões, incluindo Porto Velho, céu claro a 
parcialmente nublado com pancadas de chuvas e trovoadas em 
áreas isoladas, podendo ser acompanhada de rajadas de 
ventos no período da tarde e noite. 
(Fonte: http://g1.globo.com/, 05/09/2015. Acesso em 
20/09/2015). 
A descrição do tempo apresentada na notícia revela 
característicasde temperatura e pluviosidade comuns na 
região norte do Brasil, onde predomina o clima: 
(A) equatorial, com baixa amplitude térmica anual e 
estações bem diferenciadas em termos de precipitação; 
(B) tropical úmido, mesotérmico em termos de 
temperatura e de pluviosidade irregular; 
(C) tropical semiúmido, de baixa amplitude térmica anual 
e duas estações pluviométricas bem definidas; 
(D) equatorial, com pequena variação de temperatura ao 
longo do ano e total pluviométrico anual elevado; 
(E) tropical, com temperaturas médias elevadas ao longo 
do ano e precipitação distribuída de forma irregular ao longo 
do ano. 
 
03. (SESAU/RO – Técnico – FUNRIO/2017) O Estado de 
Rondônia foi criado no período: 
(A) da Primeira República. 
(B) do Estado Novo. 
(C) da ditadura militar. 
(D) da Nova República. 
(E) da revolução constitucionalista. 
 
04. (SESAU/RO – Técnico – FUNRIO/2017) A população 
atual do estado de Rondônia é, aproximadamente, de: 
(A) 1.800.000. 
(B) 2.500.000. 
(C) 3.200.000. 
(D) 3.800.000. 
(E) 4.200.000. 
 
05. (SESAU/RO – Técnico – FUNRIO/2017) O estado de 
Rondônia faz divisa com, EXCETO: 
(A) o estado do Amazonas. 
(B) o estado de Mato Grosso. 
(C) o estado do Acre. 
(D) o estado do Pará 
(E) a Bolívia. 
 
06. (SEDUC/RO – Técnico – IBADE/2016) Entre os 
relevos a seguir assinale o que é marcante no estado de 
Rondônia. 
APOSTILAS OPÇÃO 
 
 
Geografia do Estado de Rondônia 18 
(A) Falésias 
(B) Fossas abissais 
(C) Dorsais 
(D) Cordilheiras 
(E) Chapadas 
 
07. (SEDUC/RO – Analista – IBADE/2016) Entre os 
municípios de Rondônia a seguir, assinale o que se localiza 
mais ao sul. 
(A) Ji-Paraná 
(B) Ariquemes 
(C) Porto Velho 
(D) Presidente Medici 
(E) Colorado do Oeste 
 
08. (SEDUC/RO – Técnico – IBADE/2016) Entre os rios a 
seguir, assinale o principal que possui a nascente no estado de 
Rondônia. 
(A) Araçá 
(B) Caetê 
(C) Tarauacá 
(D) Juruá 
(E) Jamari 
 
09. (CERON/RO – EXATUS/2016) Segundo dados oficiais 
do IBGE a densidade demográfica do Estado de Rondônia 
atualmente é de: 
(A) 5,86 habitantes por km². 
(B) 6,58 habitantes por km². 
(C) 6,85 habitantes por km². 
(D) 8,56 habitantes por km². 
 
10. (SEDUC/RO – Analista – IBADE/2016) O estado de 
Rondônia é composto por diferentes unidades de relevo, sendo 
uma delas a seguinte: 
(A) Serras da Canastra. 
(B) Planalto dos Guimarães. 
(C) Depressão dos Rios Paraguai \ Guaporé 
(D) Planalto da Bacia do Paraná. 
(E) Serra do Espinhaço. 
 
11. (CRC/RO – Auxiliar – FUNCAB/2015) O clima 
predominante no estado de Rondônia é: 
(A) frio de pluviosidade. 
(B) árido. 
(C) frio. 
(D) temperado frio. 
(E) tropical úmido. 
 
12. (SUPEL/RO – Engenheiro Civil – FUNCAB/2014) A 
criação do Estado de Rondônia, em 1981, deu-se por: 
(A) desmembramento. 
(B) fusão. 
(C) elevação. 
(D) territorialização. 
(E) decreto. 
 
13. (SEDF – Professor de Geografia – CESPE/2017) No 
atual período histórico, caracterizado pela forte 
internacionalização do modo de produção capitalista, 
importantes transformações de ordem técnica, política e 
econômica têm promovido intensa reestruturação produtiva e 
regional do Brasil e do mundo. A intensificação do poder das 
empresas transnacionais sobre o espaço mundial é uma dessas 
manifestações. 
Iná Elias de Castro. Política pública e conflito no espaço urbano. In: 
GEOgraphia, ano 18, n.º 36, 2016 (com adaptações). 
 
Considerando esse texto, julgue o item a seguir. 
 
A divisão regional do Brasil em cinco macrorregiões de 
planejamento é uma referência para o ensino de geografia 
atualmente. Entretanto, para a compreensão das dinâmicas 
atuais de uso e reorganização do território nacional, é 
necessário abordar as novas regionalizações, como a divisão 
por complexos regionais (Amazônia, Nordeste e Centro-Sul) e 
a divisão em quatro regiões (Concentrada, Centro-Oeste, 
Amazônia e Nordeste). 
(....) Certo (....) Errado 
 
14. (Prefeitura de Sobral/CE – Agente Administrativo – 
UVA/2016) Entre as últimas alterações da divisão regional 
oficial do Brasil, podem-se destacar: 
(A) a extinção dos territórios federais e a criação do 
Distrito Federal. 
(B) a criação de Fernando de Noronha e a do território de 
Roraima. 
(C) a extinção do Distrito Federal e a criação do território 
federal de Tocantins. 
(D) a extinção dos territórios e a criação do Estado de 
Tocantins. 
 
15. (SEDF – Professor de Geografia – CESPE/2017) Com 
relação aos processos de regionalização no Brasil e no mundo, 
julgue o item subsequente. 
Décadas depois da implementação do primeiro órgão 
responsável pelos estudos de planejamento macrorregional 
no Brasil, a SUDENE, os principais problemas e disparidades 
regionais do país persistem. 
(....) Certo (....) Errado 
 
Respostas 
 
01. E/02. D/03. C/04. A/ 05. D/06. E/07. E/08. E/ 
09. B/10. C/11. E/12. C/13. Certo/14. D/15. Certo 
 
 Anotações

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