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GEOGRAFIA DO ESTADO DE RONDÔNIA APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 1 Prezados candidatos, por ser nossa matéria, Geografia de Rondônia, faremos um abordado geral sobre os fatos históricos de Rondônia, em obediência ao presente edital, no entanto, remetemos-lhes para um estudo mais detalhado e completo, à matéria de História de Rondônia, constante em nosso material. A área que corresponde ao atual estado de Rondônia foi denominada, originalmente, Território do Guaporé (nome do rio que em parte do seu curso é marco divisório entre o Brasil e Bolívia) e foi desmembrada dos estados do Amazonas e Mato Grosso. A denominação atual foi atribuída em homenagem ao sertanista Marechal Cândido da Silva Rondon, conhecido como desbravador dos sertões de Mato Grosso e da Amazônia, sendo o responsável pela construção das linhas telegráficas que ligaria a região aos demais estados brasileiros. A população rondoniense é uma das mais diversificadas do Brasil, composta de migrantes oriundos de todas as regiões do país, dentre os quais se destacam os nordestinos, paranaenses, paulistas, mineiros, gaúchos, capixabas, cearenses, baianos, além de amazonenses e acreanos que preservam ainda fortes traços amazônicos, próprios daquelas populações nativas. Registros evidenciam que a história do povoamento da região teve início com as missões jesuíticas ao longo do Rio Madeira e com as descobertas de ouro nos afluentes do Rio Guaporé a partir de 1732. Seguiu-se, então, a fundação da Capitania de Mato Grosso em 1748, que abrangia a maior parte das terras que hoje compõem o Estado de Rondônia. O processo de ocupação do antigo território do Guaporé, atual Estado de Rondônia, teve início no período colonial, a partir do século XVII. Naquela época, Portugal e Espanha empenhava-se na ocupação da região centro-oeste através de inúmeras expedições destinadas a marcar os limites territoriais, tendo assim, contatos ocasionais com os índios. Porém, devido às dificuldades de acesso, grande parte dessa região ainda permaneceu desconhecida por muito tempo. Referências Bibliográficas: SANTOS, Vanubia Sampaio dos. O processo de ocupação de Rondônia e o impacto sobre as culturas indígenas. ISSN: 1982- 3916. ITABAIANA: GEPIADDE, Ano 08, Volume 16 | jul./dez. de 2014. Ainda no século XVII, os colonizadores portugueses estiveram na região buscando riquezas minerais e estabeleceram uma nova rota de comércio. Segundo historiadores, os jesuítas espanhóis também chegaram à mesma época, com o intuito de instalar as primeiras missões religiosas. As ocupações mais exitosas aconteceram, principalmente, ao longo dos rios navegáveis (Guaporé, Mamoré e Madeira). Os colonizadores evitavam adentrar por seus afluentes e pelos rios encachoeirados, uma vez que eram perigosos para a navegação e para a segurança da expedição. Apesar da grande relutância e até mesmo hostilidade dos índios, a presença de missionários começou a se estabelecer na região na primeira década de 1700. As missões jesuítas foram enviadas ao vale do Guaporé, depois ao Mamoré e à foz do rio Machado (também conhecido como Ji-Paraná). Alguns historiadores afirmaram que a primeira expedição pelo leito do rio Madeira ocorreu no ano de 1723; outros, disseram que aconteceu em 1725. Não obstante a divergência de datas, todos noticiam a presença de índios “hostis” que viviam na região. O ataque desses índios atemorizava vilas, dificultava o comércio e trazia obstáculos para a comunicação fluvial estabelecida entre os portos de Belém do Pará e Vila Bela de Mato Grosso. Todas as tentativas de estabelecer povoamentos ao longo desse percurso teriam fracassado devido à resistência dos índios. Pelos relatos dos missionários podem-se identificar alguns fatores que explicaram o fracasso das tentativas de colonização da região até o início do século XVIII. Destacam-se os obstáculos naturais, especialmente os rios encachoeirados, e a grande resistência dos índios contra qualquer iniciativa de contato mais duradouro. Os contatos mais permanentes com a população indígena local viriam a se fortalecer apenas no final do século XIX com uma nova fase de exploração econômica: a produção de borracha na calha de diversos rios da região. O contato indiscriminado dos povos indígenas com essa frente de ocupação da Amazônia produziram resultados adversos, como as “correrias” que resultaram na desagregação tribal e na implantação de um regime de semiescravidão. A sucessão das fases de desenvolvimento da região até meados do século XX pode ser assim sintetizada: a) Descoberta de ouro na região do rio Corumbiara, no século XVIII; b) Conquista e o povoamento dos vales do Guaporé, Mamoré e Madeira no período de 1669 a 1799; c) A construção e povoamento do Real Forte Príncipe da Beira, no período de 1776 a 1783; d) O primeiro e o segundo ciclos da borracha (extração de látex) no período de 1879 a 1945; e) A construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (um acordo entre o governo Boliviano e Brasileiro) no período de 1907 a 1912; f) A comissão Rondon e a linha telegráfica - que atravessou os estados de Mato Grosso e Rondônia (será objeto de maior aprofundamento adiante); g) Abertura da BR-364; h) A colonização dirigida na Amazônia nas décadas 70 e 80: a ocupação de terra ao longo da BR-364. Mas foi com a abertura da rodovia atual BR-364, na década de 60, que se iniciou a verdadeira exploração e colonização no então Território Federal de Rondônia, principalmente a ocupação da terra ao longo do traçado da rodovia, executado pelos projetos de colonização oficiais e não oficiais. Referências Bibliográficas: SANTOS, Vanubia Sampaio dos. O processo de ocupação de Rondônia e o impacto sobre as culturas indígenas. ISSN: 1982- 3916. ITABAIANA: GEPIADDE, Ano 08, Volume 16 | jul./dez. de 2014. 1. Povoamento e ocupação dos Vales do Madeira, Mamoré e Guaporé 2. Colonização ibérica na região APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 2 A exploração do vale do Guaporé no século XVIII Para compreender a ocupação do vale do Guaporé pelos europeus, temos que analisar as disputas territoriais entre Portugal e Espanha no século XVIII. É sabido que anterior a este período já havia andanças por parte dos ibéricos por esta parte, porém a colonização sistemática passou a ser somente no século XVIII, entre outros motivos, a descoberta de ouro e também para consolidar as fronteiras lusitanas e hispânicas na região. No final do século XVII e início do século XVIII foi encontrado ouro na região (atual) de Minas Gerais e Goiás. E devido à grande imigração dos lusitanos da península para o Brasil, vários dos bandeirantes que haviam descobertos tais veias auríferas acabaram por serem expulsos destas minas descobertas e tiveram deslocar para outras partes em busca de novos achados e também de prear as populações nativas. Nas andanças destes paulistas pelo interior (no sentindo oeste) chegaram então ao atual Mato Grosso, e as margens do rio Coxipó, encontraram então ouro. Mais tarde no córrego denominado de prainha, o maior achado de ouro daquelas bandas foi descoberto, a famosa Lavras do Sutil, tudo isso ainda na primeira parte do século XVIII. Porém até 1750 as lavras de Cuiabá já apresentaram forte esgotamento, pois as técnicas de exploração eram muito rudimentares. E esse “rápido” esgotamento levaram a importantes consequências na ocupação das terras a oeste: “... Assim, os mineiros mais afoitos, na ânsia de encontrar ouro em maior profusão, deixavam Cuiabá, seguindo rumos diversos. Dessa movimentação, foram descobertas outras jazidas de menor proporção, responsáveispelo povoamento de área a Oeste que, pelo Tratado de Tordesilhas, não pertenceria oficialmente a Portugal...” (SIQUEIRA, p.40) A movimentação das populações lusitana acabou por modificar as fronteiras entre Portugal e Espanha. O Tratado de Tordesilhas já havia sido “rasgado” há tempos. Porém a cada dia os portugueses ampliavam ainda mais suas fronteiras para dentro do território hispânico. As fronteiras chegavam, neste momento, até o vale do rio Guaporé, que passou a ser sistematicamente ocupado, ora ordenadamente, ora desordenadamente. Inicialmente a organização não pautou a ocupação, pois quem ali chegou primeiro foram garimpeiros sem grandes condições financeiras para construção de casas e fundação de vilas. E também não era, de início, o interesse da maioria desses garimpeiros se fixarem na região, muito pelo contrário, o sonho do eldorado, era encontrar riqueza e ir embora, de preferência para a terrinha. Mas a Coroa lusitana interessada não apenas na riqueza da região, mas também na ampliação das fronteiras de seu “Império” no Brasil, passou a organizar esta ocupação. A primeira medida foi desmembrar esta região a oeste da capitania de São Paulo, criando em 1748 a capitania de Mato Grosso. Foi nomeado para ser o 1º Capitão-General desta capitania Dom Antônio Rolim de Moura, que recebeu diversas recomendações, diretamente da rainha Mariana para realizar no Mato Grosso. A principal delas: criar uma capital no extremo oeste da capitania, para assegurar o território conquistado. Além disso, criar missões jesuíticas (que foi inicialmente criada no atual município de Chapada dos Guimarães) e construir fortes e fortificações no vale do Guaporé. Em 1752 foi então criada a capital da nova Capitania, Vila Bela da Santíssima Trindade, bem às margens do rio Guaporé (apesar de todas as dificuldades da região). Para abastecer a região, uma nova estratégia foi utilizada. A via Cuiabá-Vila bela por rio era muito complicada, além disso, as monções (rios Cuiabá-Tietê), também não tinham o trajeto tão simples. A ideia era utilizar uma outra rota fluvial, navegar pelos rios Guaporé-Mamoré-Madeira-Amazonas e desaguar no Oceano Atlântico e de lá partir para a Europa. Além de “facilitar” a entrada de produtos a Vila Bela, também serviria para explorar o vale do Guaporé e a bacia Amazônica. Desta maneira várias regiões passaram a ser conhecidas, e exploradas, afastando assim a presença espanhola. Para realizar tal empreitada foi criada uma empresa (Companhia de Comércio Grão-Pará e Maranhão) que possuía o monopólio do comércio nesta região. Agindo com cautela e diplomacia, Rolim de Moura conseguiu aos poucos fundar vilas e aldeias jesuítas nas margens, tanto direita como esquerda, do Guaporé, expandindo ainda mais as fronteiras portuguesas: O 1º capitão-general foi um habilidoso diplomata, sabendo avançar para dentro dos territórios espanhóis, ampliando as fronteiras lusitanas no oeste da América, e também sabendo recuar quando uma possibilidade de conflito com os hispânicos era evidente. Criou a Companhia de Pedestres, onde recrutava qualquer homem que se disponibilizasse ou não para compor um exército, dando maior segurança à região. Referências Bibliográficas: ALCÂNTARA, Mauro Henrique Miranda de. A exploração do vale do Guaporé no século XVIII. Os ciclos da borracha e a mão de obra indígena na região de Rondônia A partir da década de 1870, deu-se início à exploração da borracha na Amazônia e, com ela, o surgimento de uma nova frente de expansão com o surgimento de novas áreas de extrativismo. Esse período foi chamado de 1ª Ciclo da Borracha e durou até a segunda década do século XX. O auge do desabastecimento dos seringais ocorreu entre 1890 a 1915. Essa atividade extrativista tirou a Amazônia da letargia econômica em que havia caído no final do século XVIII. Em busca de novas áreas de seringais nativos, grupos de seringueiros passaram a penetrar regiões ainda não colonizadas do Madeira Mamoré e Guaporé. A força de trabalho indígena continuou, durante esse período, a participar significativamente da economia amazônica, seja “no extrativismo, nas atividades de transporte ou na lavoura, os dirigentes exploravam cruelmente o trabalho desses índios. Eram ainda os nativos vendidos ou trocados dentro da região”. Registros mostram também casos de contrabando de indígenas que eram objetos de escambo. A exploração do látex oportunizou trabalho a inúmeros migrantes, trazidos para a região pela instalação das linhas telegráficas de Rondon (1907-1915) e pela construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, entre os anos de 1907 e 1912. A construção da ferrovia consolidou as cidades de Porto Velho (atual capital do estado) e Guajará-Mirim, na divisa com a Bolívia. Porém, quando foi inaugurada a EFMM, em 1912, o 3. A colonização portuguesa no Vale do Guaporé 4. Os séculos XIX e XX e a exploração da borracha, poia e castanha APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 3 preço do látex no mercado internacional já entrava em declínio e a ferrovia deixou de ter importância estratégica. Durante as décadas de 1920 e 1930, a borracha amazônica perdeu preço devido à “concorrência da produção da Malásia, finalizando assim o primeiro ciclo da borracha ocasionando a desvalorização dos látex e o abandono dos seringais em todos os vales amazônicos. Os seringais caíram no abandono a Amazônia mergulhou num profundo estado de decadência”. Os seringueiros abandonavam as suas colocações, que eram as áreas do seringal onde a borracha era produzida, e iam à busca de outras atividades que lhe permitissem a sobrevivência. Essa situação perduraria até o início dos anos de 1940. O segundo ciclo da borracha, juntamente com a exploração da cassiterita, deu- se a partir de 1939 e ocasionou a duplicação da população no então Território de Rondônia, criado no ano 1943. Esse segundo ciclo ocorreu no período da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Como os países aliados não tiveram mais acesso à borracha asiática, devido à invasão das tropas japonesas nos seringais da Malásia, os norte- americanos ficaram desprovidos dessa matéria-prima estratégica para a indústria bélica. A partir de 1941, a borracha da Amazônia era a única alternativa de abastecimento dos Estados Unidos. Neste período vários órgãos de fomento foram criados com a finalidade de captação de mão de obra, transporte, financiamento etc. O governo federal passou a recrutar trabalhadores nordestinos para ocuparem os seringais - denominados “soldados da borracha” - em analogia aos demais soldados que partiram, efetivamente, para os campos de batalha. Além dos ‘soldados’, a região passou a acolher grande contingente de migrantes expulsos pelas fortes secas que assolavam o nordeste brasileiro. Os nordestinos foram atraídos para os seringais de Rondônia, da mesma forma que os sulistas e os outros nordestinos foram atraídos pela propaganda governamental para os projetos de colonização. Ambas as situações se explicam pela demanda de mão de obra, assim: Em todas as regiões do Brasil, aliciadores tratavam de convencer trabalhadores a se alistar como soldados da borracha para auxiliar na vitória aliada. Dizia-se que “na Amazônia se junta dinheiro com rodo”. Os velhos mitos do eldorado amazônico voltavam a ganhar força no imaginário popular, agora considerado o paraíso verde, a terra da fartura, onde a seca não tinha vez. Entretanto essa evidente contradição no quadro social, nos dois ciclos da borracha, devia-se ao sistema de exploração, que consumiu a vida de milhares de homens e mulheres. “Nos seringais esses homens valiam menos que os escravos. Na outra extremidade, os seringalistas e grandes comerciantesusufruíam da riqueza fácil proporcionada pela borracha”. A mão de obra indígena foi utilizada, largamente, nos seringais e na construção da ferrovia Madeira-Mamoré. Os indígenas eram indispensáveis nas atividades realizadas no interior e às margens dos rios. “Esses indígenas se encarregavam de todo o trabalho braçal, carregar as mercadorias e arrastar as embarcações por terra, para contornar os acidentes do rio; levantar os acampamentos, cozinhar e servir as refeições”. Nas décadas de 1950 com a descoberta de pedras e metais preciosos e a abertura da rodovia BR 364, na década de 60/70 fizeram com que os territórios indígenas fossem ocupados também por garimpeiros e posseiros, o que agravaram ainda mais os conflitos e resultou em massacres e desocupação das suas áreas tradicionais. Naquele contexto, a exploração madeireira também passou a despertar interesse, uma vez que se tornou viável a sua retirada em grande escala, quer pelos rios da Amazônia, quer pelo eixo da rodovia BR 364. Esse conjunto de fatores tornou-se um convite para uma nova tentativa de colonização de Rondônia, e com ela, os conflitos e com as sociedades indígenas. Referências Bibliográficas: SANTOS, Vanubia Sampaio dos. O processo de ocupação de Rondônia e o impacto sobre as culturas indígenas. ISSN: 1982- 3916. ITABAIANA: GEPIADDE, Ano 08, Volume 16 | jul./dez. de 2014. A linha telegráfica e a BR 364: um encontro com os indígenas da região Uma das preocupações do governo brasileiro por volta de 1907 foi promover a integração do Norte ao restante do país, através da porção ocidental. A Comissão Rondon foi fundamental para a formação do Território Federal do Guaporé, com a implantação das linhas telegráficas entre os anos de 1907 e 1915. No ano de 1907, Mal. Cândido Rondon foi designado oficial do corpo de engenharia militar encarregado de comandar a abertura e instalação de linhas telegráficas para integrar o Sul ao Norte país. Pretendia-se tirar do isolamento as regiões do extremo Oeste e Norte do país e romper os grandes “vazios” do Brasil, incorporando-os à civilização. Paralelamente à construção de ferrovias, o telegrafo deveria assegurar o estabelecimento de núcleos de povoamento, garantindo a segurança das fronteiras e procedia-se a uma política que possibilitaria, ao longo do tempo, a integração dos indígenas considerados arredios e de difícil contato a sociedade brasileira tornando-os “civilizados e úteis”. A descrição dos primeiros contatos com os índios em território pertencente aos atuais estados de Mato Grosso e Rondônia foi realizada por Roquette-Pinto, um médico e etnólogo renomado, diretor do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Coube-lhe a missão de acompanhar e registrar os principais eventos da expedição de Rondon na implantação das linhas telegráficas. A exemplo do que faria mais tarde e de forma não menos brilhante o etnólogo francês Claude Lévi-Strauss, Roquette- Pinto, descreve o contato com os índios Nhambikwara8 grupos situados na região limítrofe entre Mato Grosso e Rondônia. A Comissão Rondon, atribuía-se também as funções de exploração etnológica e antropológica. Em seu avanço sobre os sertões do Oeste, pacificou várias tribos. Na medida em que desenvolvia o trabalho de implantação das linhas telegráficas ia estabelecendo contatos com os indígenas da região. Dentre as populações contatadas por Rondon durante a abertura da linha telegráfica destacam-se os Paresi, Nhambikwara e Arikeme, sendo que esta última etnia pertencia ao tronco linguístico tupi, toda a sua população foi extinta após os contatos com a sociedade envolvente, restando apenas seu nome na história do município de Ariquemes. A comissão Rondon ao longo da abertura das linhas telegráficas, utilizou-se, simultaneamente, de técnicas militares e antropológicas para contato com as etnias. Escolhia um grupo de trabalhadores que conheciam bem a floresta, composto por guias e intérpretes oriundos de etnias vizinhas. Acampavam próximos às aldeias, normalmente perto de cursos d’água e em local bem protegido. Faziam plantações nos acampamentos para assegurarem sua subsistência. Circundavam o acampamento e colocavam presentes para os 5. A construção da EFMM e da Linha Telegráfica APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 4 índios num raio de um quilômetro, iniciando, assim, os primeiros contatos com esses povos. Além dessa, Rondon utilizou outras técnicas nem tão ‘pacíficas’ quanto às descritas nos seus apontamentos e nos relatos de viajantes e cronistas. A ideia idealizada que Rondon pacificou treze povos hostis aos brancos, entrou em contato com dezenas de outros grupos (...) sem que tenha ocorrido uma só morte entre os indígenas. São profundas as modificações que traduziram consequências negativas durante décadas na região, nas quais são: Traduzidas em violações linguísticas – a proibição de se comunicar em suas línguas maternas; a desagregação tribal – potencializada pela dispersão, expulsão de suas terras, perseguições constantes no tempo das correrias; o regime de semiescravidão nos seringais, as epidemias de gripe que levavam à morte sociedades indígenas inteiras, além de outras doenças, que representaram uma verdadeira guerra biológica. Ao abordar-se a relação de Rondon como os índios, evidencia-se que embora haja, de fato, uma polêmica a respeito da relação de Rondon com os povos indígenas, há quem reconheça o seu trabalho como sertanista, e há também quem avalie que sua verdadeira missão era apenas expandir a ação estatal e não proteger os índios. Como sabemos pela história, ao afinal da implantação das linhas telegráficas, em 1915, aquele meio de comunicação já se encontrava totalmente obsoleto. A construção de uma rodovia, no seu traçado, passou a estimular de modo decisivo no processo de colonização de Rondônia a partir da década de 1960, ocasionando lutas violentas pela terra e, principalmente, estabelecendo grande pressão sobre as áreas indígenas. A construção da rodovia começou a se tornar realidade em 1960, no governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961). Em 1966 completou a ligação entre Cuiabá e Porto Velho. As margens do seu traçado já existiam alguns povoados como Vila de Rondônia (hoje Ji-Paraná), Jaru, Ariquemes e Pimenta Bueno, fundada por frentes de ocupação anteriores. A partir dela, o povoamento de Rondônia e dos estados vizinhos, seria incrementado, uma vez que viabilizou o movimento migratório e a colonização, especialmente a partir da década de 1970 O fluxo migratório da década 1970 possui características diferentes dos anteriores. Até esse período, os fluxos migratórios ocorreram em função da busca de riquezas naturais, portanto os migrantes eram extratores, seringueiros e mineradores. A partir desse momento, a migração ocorreu em torno da busca de terras para a agricultura, o acesso a terras. Nessa década ampliaram-se também os processos de grilagem, invasão de terras da União e os conflitos com a população indígena, seringueiros e ocupantes de pequenas posses. Ainda assim, o governo federal, com o argumento de “integrar para não entregar” resolveu promover a colonização do então Território Federal de Rondônia. O Instituto de Colonização e Reforma Agrária – INCRA coordenou a implantação de grandes projetos de colonização. Para legitimar a iniciativa e atrair a população do centro-sul do país, foi deflagrada uma campanha publicitária com o slogan “Rondônia, um novo Eldorado”, o que gerou um considerável fluxo migratório e ofuscou os conflitos locais. Tal campanha, que prometia terra, fartura, progresso e trabalho, foi lastreada pela ideologia da segurança nacional, levada a efeito pelos governos militares. Ao analisar o processo de ocupação daregião e as propagandas do Governo direcionadas a incentivar os migrantes para Rondônia, ressalta-se que foi evidente a flutuação da concepção de migrante no discurso político local: 1 FERNANDES, Tadeu. A formação do Território de Rondônia. Disponível em: http://www.rondoniagora.com/artigos/a-formacao-do-territorio-de-rondonia. ora se é convidado para vir e participar do desenvolvimento do Estado de Rondônia. Assim, preencher o suposto vazio demográfico existente – discurso que ignorava a existência dos povos da floresta que há muito habitavam a região: indígenas, extrativistas, ribeirinhos e quilombolas, além de resolver o problema de excesso de contingente no sul. Dentre as várias consequências desse afluxo desordenado sobre os territórios indígenas, destacam-se o desaparecimento de diversos povos, a redução populacional e dos territórios tradicionais, a desagregação cultural e o confinamento em pequenas áreas demarcadas, muitas delas, invadidas. Da parte dos indígenas, essa nova realidade ensejou novas estratégias de luta e de resistência, como a sua organização em associações e a formação de parcerias e alianças em defesa dos seus interesses, especialmente dos territórios. Um exemplo desse repensar coletivo ocorrem em 1984, entre os povos Surui, Gavião, Arara, Zoró e Cinta-Larga e resultou na definição conjunta de uma agenda de lutas desses povos. Referências Bibliográficas: SANTOS, Vanubia Sampaio dos. O processo de ocupação de Rondônia e o impacto sobre as culturas indígenas. ISSN: 1982- 3916. ITABAIANA: GEPIADDE, Ano 08, Volume 16 | jul./dez. de 2014. A formação do Território de Rondônia1 Por caminhos bem diversos se deu a formação territorial do Estado de Rondônia, quando comparada com a do Estado do Acre. Quando surgiu a "questão acreana", a região correspondente ao Estado de Rondônia não apresentava traços notáveis de ocupação. Os primeiros movimentos são atribuídos ao Frei João de Sampaio, na região onde hoje se encontra a cidade de Porto velho. Isso, por conta da instalação de missões ao longo do Rio Jamari. Registra o sertanista Francisco de Mello Palheta que, quando subiu o Rio Madeira, em 1723, por ordem do Governador do Grão Pará, Maia Gama, se encontrou com o Frei João de Sampaio nas vizinhanças da cachoeira de Santo Antônio. Francisco de Mello palheta, comandando um "troço de gene de guerra", percorreu todo o curso do Rio Madeira, transpondo os trechos encachoeirados e chegando a "Santa Cruz de Los Cajubabas", no Rio Madre de Dios. Foi o primeiro a explorar o curso desse rio, que, a partir de então, se transforma em via de ligação dos altiplanos bolivianos com a planície amazônica. Em 1742, partindo de Mato Grosso, o português Manoel Félix de Lima, atravessa o Sararé, o Guaporé e o Madeira, chegando ao Pará. Em 1749, mesmo derrotado, José Leme do Prado chega a Belém e retorna às minas de Cuiabá. Os espanhóis, em 1743, estabeleceram o Forte de Santa Rosa – a aldeia de Santa Rosa, referenciada no Tratado de Madri, de 1750 -, a leste da margem direita do Rio Guaporé; ao sul de sua foz, no Rio Mamoré. A iniciativa pretendia obstar a busca e a consolidação de uma ligação entre as bacias platina e amazônica, então objeto da movimentação portuguesa na área. Os espanhóis, no início dos anos cinquenta, foram desalojados, como parte da estratégia lusa de evitar a infiltração hispânica nas comunicações do Mato Grosso com Cuiabá. A praça de guerra foi reforçada e rebatizada como 6. Território Federal do Guaporé/Rondônia APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 5 Forte de Nossa Senhora da Conceição, guarnecido com o objetivo de marcar o domínio português na navegação ao longo do Guaporé, Mármore e Madeira. Em 30 de junho de 1776, foi iniciada a construção do Real Forte do Príncipe da Beira, às margens do Guaporé, em substituição ao Forte de Nossa Senhora da Conceição, então desativado. As operações nesta guarnição tiveram continuidade após a Independência, até o ano de 1895, quando foi desativado e abandonado. Em 1904, as ruínas da fortificação foram descobertas pela Comissão de Rondon. Com a assinatura do Tratado de Petrópolis, o Governo brasileiro se comprometeu a garantir as comunicações entre os rios Mamoré e Madeira, vencendo o trecho encachoeirado deste último curso através de uma linha férrea, capaz de garantir o escoamento da produção de borracha na região de "Madre de Dios" para os centros de comercialização no rio Amazonas-Manaus à Belém. O traçado da ferrovia previa os extremos na divisa dos estados do Amazonas e do mato Grosso: na altura, a cachoeira de Santo Antônio, no Madeira e, em um ponto da margem direita do Mamoré, na altura da povoação boliviana, localizada à margem esquerda, conhecida como "Guayara-Mirim". Com a construção da ferrovia, se deu a partida ao processo de ocupação da área. Constituída a empresa "Madeira-Mamoré Rallways Co.", foi escolhida como ponto inicial da ferrovia o antigo Porto de uma barraca, às margens do Rio Madeira, seis quilômetros ao norte da divisa dos Estados, em terras do estado do Amazonas. Em 1907, foi instalado, no local, o núcleo residencial dos empregados da ferrovia e as oficinas. A localidade de Santo Antônio já existia desde o final do século XVII. Portanto, não surgiu em decorrência da construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré ou das Estações Telegráficas da Comissão Rondon. Ao contrário, serviu como ponto de referência para ambos os projetos. Entretanto, sua transformação em município teve como fator principal à ferrovia e a estação telegráfica, em razão de sua importância como um dos dois pontos extremos da linha telegráfica, implantada pela Comissão Rondon. Povoação antiga, pertencente ao Mato Grosso, foi transformada em município pelo Governador mato-grossense, Generoso Paes Leme de Souza Ponce, através da Lei nº 494, de 03 de junho de 1908. O povoado, sede do município, foi elevado à categoria de Vila, em 27 de setembro de 1911, pelo Decreto-Lei nº 576, baixado pelo Governador Joaquim da Costa Marques, de Mato Grosso. O município de Santo Antônio do rio Madeira foi instalado no dia 02 de junho de 1912, na gestão do Governador Costa Marques. Naquele dia, tomou posse o primeiro Prefeito, o médico Joaquim Augusto Tanajura, e os Vereadores, também nomeados, Antônio Marcelino Cavalcante, José Fortunati da Conceição, José Alves Damasceno e Antônio Brito Carneiro da Cunha, que presidiu a Comissão Municipal, designação das Câmaras Municipais de Mato Grosso à época. Em 1º de dezembro de 1914, ocorreram as primeiras eleições no município. Consequentemente, foram as primeiras realizadas nesta região. Os Vereadores tomaram posse m 1º de janeiro de 1915. Foram eles: Alfredo Pereira Neves, Manoel Correa de melo, José Fortunati da Conceição e Antônio Salles Ferreira, todos do Partido Republicano Conservador (PRC). Em rápido progresso, o Termo facilitou a criação do município de Porto Velho, através da lei nº 757, de 2 de outubro de 1914, instalado em 24 de janeiro de 1915. Os limites municipais, inicialmente coincidentes com os do termo, foram descritos pela lei 833, de 11 de outubro de 1915, que fixava o limite com o município de Lábrea do divisor de águas do Itxi-Abunã. Em 1917, o Termo foi elevado a Comarca e, em 7 de setembro de 1919, a vila de porto velho foi elevada à categoria de cidade. Dessa sorte, progrediu Porto Velho. Com a escolha do sítio de porto velho, a povoação de Santo Antônio do Madeira, administrada pelo Governo de Mato Grosso e localizada próximo à cachoeira que lhe emprestava a denominação, acabou sendo absorvida por esta nova povoação. No outro extremo, ocorria fenômeno semelhante, com a formação dopovoado de Guajará-Mirim, elevado a município, em 12 de julho de 1912, através da lei 991, do Estado de Mato Grosso. Em 10 de abril de 1929, Guajará-Mirim foi elevada à categoria de cidade. A formação territorial de Rondônia se inicia com a criação do território Federal do Guaporé, através do Decreto nº 5.812, de 13 de setembro de 1943. Este decreto criou os territórios Federais do Amapá, do Rio Branco, do Guaporé, de Ponta Porã e do Iguaçu, atendendo antiga reivindicação de correntes políticas, que propunha a ampliação da autoridade Federal em defesa de interesses nacionais legítimos. A região que corresponde ao Território federal do Guaporé havia sido objeto, em 17 de junho de 1932, de uma proposta do departamento administrativo do serviço Público (DASP), na forma de exposição de motivos ao Presidente da República, para a criação de um território, denominado Mamoré, cujos limites seriam fixados posteriormente. A despeito da proposta, nenhuma providência foi tomada. Somente em 14 de dezembro de 1938, por proposição do Conselho de Segurança Nacional, a presidência da República resolveu tomar providências para uma efetiva ocupação da área. A Constituição de 1937 – a chamada constituição do Estado Novo -, ao invocar, no artigo 6º, o princípio da segurança nacional, estipulava que "a União poderá criar, no interessa de defesa nacional, partes desmembradas dos Estados, Territórios Federais, cuja administração será regulada em lei especial", o que veio a favorecer a criação desse tipo de Unidade da Federação. O Decreto nº 5.812 dava curso à vontade política, atendido o preceito constitucional de 1937, definindo o contorno territorial do Guaporé. Situado a Noroeste do Estado de Mato grosso e ao Sul do Estado do Amazonas, foi constituído por terras desmembradas dessas mesmas unidades da federação. De Mato Grosso, foi retirado o município de Guajará Mirim e partes dos de Alto Madeira e Mato Grosso; e do Estado do Amazonas, os municípios de Porto Velho e parte de Humaitá. Por este Decreto, o município de Porto Velho fica contido no Território, a menos da porção de terras entre o rio Ituxi e o divisor de águas Ituxi-Abunã, antiga divisa municipal com Lábrea; o de Humaitá, lhe cede parte dos distritos de Humaitá, sem a sede, e de Calama, com a sede. O antigo município de Guajará-Mirim fica totalmente incluído no Território; o de Mato Grosso, lhe cede uma parte do distrito de Alto Madeira e de Ariquemes, além de uma parte do distrito de Tabajara, com a sede municipal. O seu limite Oeste e Sudoeste é dado como referência ao estabelecido pelo Brasil com a República da Bolívia, através do Tratado de Petrópolis. Na divisa com o Acre, recorreu-se ao segmento da linha geodésica Madeira-Javari, no trecho que vai do rio Abunã ao Ituxo; a mesma linha geodésica da extrema brasileira, decorrente do Tratado de 1867. Aqui, mais uma vez, surge a questão do conflito de limites, só que interestadual. De longa data, os Estados do Amazonas e de Mato Grosso disputavam a região em que se fez assente a cidade de Porto Velho e a povoação mato-grossense de Santo Antônio do Madeira. A demanda foi dirimida, em 11 de novembro de 1899, por acórdão do Supremo Tribunal Federal, que fixou como limite entre as duas unidades, o trecho que tem início "na barra do rio São Manuel com Teles Pires, no rio Tapajós, sobe por este até encontrar o paralelo de 8248′ de latitude sul; toma por este, na direção oeste, até alcançar a cachoeira de Santo Antônio, no rio Madeira; sobe pelo eixo APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 6 desde até a barra do rio Abunã, seu afluente da margem esquerda". No ano de 1944, procedeu-se a uma revisão dos limites dos Territórios Federais, criados em 1943, através do Decreto-Lei nº 6.550, de 31 de maio de 1944. A divisa política do território Federal, na ocasião, compreendia três municípios: o de porto velho, abrangendo a área de seu antigo homônimo, mais às áreas desmembradas do município de Humaitá; o de Alto Madeira, formado pelas partes do antigo município homônimo; e o de Guarajá-Mirim, compreendendo, além das áreas de seu antigo homônimo, a área desmembrada do município de Mato Grosso. Como sede da capital, é destinado o município de Porto Velho. Em 1956, o Território Federal do Guaporé teve sua denominação alterada para Território Federal de Rondônia, como uma justa homenagem àquele que tanto contribuiu para a integração da região amazônica à vida nacional, o marechal Cândido Mariano Rondon, através da lei 2.731, de 17 de fevereiro de 1956. O Território foi elevado à categoria de Estado, através da Lei Complementar nº 41, de 22 de dezembro de 1981, que manteve, para os limites territoriais, os descritos em 1944, ao estabelecer: (....); Art. 1º - Fica criado o Estado de Rondônia, mediante à elevação do Território Federal de mesmo nome a essa condição, mantidos os seus atuais limites e confrontações. (....). A elevação do Território Federal à categoria de Estado atendia a reivindicação antiga que havia se acentuado na década anterior, diante da intensificação do movimento migratório, tendo como condicionador o eixo da Rodovia BR- 364, no trecho Cuiabá-Porto Velho. A abertura da BR-029 atual 3642 O principal evento que marca a colonização recente do território federal de Rondônia e a transformação do mesmo em Estado, foi a abertura da BR 029, posterior 364. A “estrada das onças” como ficaria conhecida mais tarde, tem sua origem ligada ao então Governador do Território Federal do Guaporé Aluizio Pinheiro Ferreira que em 1943 inicia sua abertura tendo como ponto inicial Porto Velho. Inicialmente, a rodovia foi chamada de 029. Essa iniciativa avançou algumas dezenas de quilômetros rumo à localidade de Ariquemes. No que pese a iniciativa do então primeiro Governador do Território Federal do Guaporé recém criado, foi somente 17 anos mais tarde que a estrada realmente saiu do plano teórico para o plano prático. A iniciativa foi do então Governador Paulo Nunes Leal, como é relatado em seu livro “O Outro Braço da Cruz”, quando o mesmo assedia o então Presidente JK para construir a estrada. Juscelino Kubistchek aceitou o desafio e iniciou a obra que foi feita em muito pouco tempo, após um ano de trabalho o Presidente visitou a localidade de Vilhena para derrubar, simbolicamente a última árvore na divisa entre o Mato Grosso e as terras do então Território Federal de Rondônia. Com a abertura da rodovia, o caminho estava livre para a gigantesca migração que não demorou a acontecer. 2 GOMES, Emmanoel. A abertura da BR-029 atual 364. Rondônia em pauta. Disponível em: http://rondoniaempauta.com.br/nl/historia/a-abertura-da-br- 029-atual-364-artigo-do-historiador-emmanoel-gomes/. Milhares de famílias, em sua maioria, sulistas buscavam sua terra prometida e com eles, garimpeiros, grileiros e madeireiros, todos os “eiros” da vida pareciam querer aportar nestas bandas, para de alguma maneira construir seus sonhos e devaneios. As pessoas que buscavam um pedaço de terra para garantirem sua sobrevivência foram motivadas a se instalarem na Amazônia Rondoniense sem a estrutura básica necessária. Os últimos quarenta anos são exemplos claros de como não se deve promover uma política de Reforma Agrária. A BR-364, foi erguida nos caminhos de Rondon, para o traçado foram utilizados os estudos do grande General da Paz. Nosso ilustre Rondon, provavelmente não sabia que seus estudos, trabalhos, levantamentos e apontamentos geográficos, geológicos, estudos sobre flora e fauna serviriam para auxiliar a abertura da principal “artéria” do nosso Estado. A BR-364 foi o mais importante passo para o desenvolvimento regionaldas terras de Rondon. Com os seringais, nos tempos anteriores, surgiram praticamente dois municípios: Guajará Mirim e Porto Velho. Com a abertura da BR 364 foram surgindo povoamentos em todas as localidades, principalmente nas margens da nova estrada. Hoje, contamos com mais 50 municípios totalizando com Porto Velho e Guajará Mirim 52 municípios, todos em fraco desenvolvimento. O INCRA foi o principal instrumento governamental encarregado dos projetos de colonização, onde se destacaram o PIC, Projeto Integrado de Colonização com lotes de 50 a 100 hectares, criado em julho de 1970, com área total de 250 mil hectares, tivemos o Pic denominado Sidney Girão, em Guajará- Mirim, com área de 200 mil hectares; PIC Gy-Paraná, criado em 1972 na BR-364, com área de 400 mil hectares; PIC Paulo de Assis Ribeiro, criado em Colorado do Oeste no ano de 1973. Outro modelo de colonização foi o PAD, Projeto de Assentamentos Dirigidos, um pouco maior que o Pic com lotes de 100 a 250 hectares criado em 1971; o PAD Burareiro, em Ariquemes no ano de 1974 para incentivar a plantação de Cacau; PAD Mal. Dutra, criado em 1975 para exploração agropecuária; e, ainda em 1975, o PIC Ouro Preto e o PAD Adolpho Roll. De 1970 a 1984 foram realizados assentamentos em área superior a 3,6 milhões de hectares, beneficiando milhares de agricultores. Criou-se, ainda, o Projeto Fundiário Alto Madeira em Porto Velho, o Projeto Fundiário Ouro Preto, o Projeto Fundiário Corumbiara em Pimenta Bueno e o Projeto Fundiário Guajará-Mirim, que contribuíram para o desenvolvimento da região. Deve-se acrescentar que o INCRA realmente atuava com presteza e agilidade, seus técnicos não mediram esforços para o êxito dos Projetos, sendo que entre 1980 e 1988 desenvolveram condições para a criação dos municípios de Machadinho do Oeste, Cujubim, Seringueiras, São Felipe, Castanheiras e Buritis. Foi graças à regularização das terras que surgiram grandes cidades ainda na década de setenta, obrigando o Governo a promover nova divisão geográfica com a criação dos municípios de Ariquemes, Ji-Paraná, Cacoal, Pimenta Bueno e Vilhena. E finalmente criar, pela Lei complementar nº 41, o Estado de Rondônia que hoje possui 238.512,80 quilômetros 7. A Rodovia BR-364 e os garimpos 8. A ocupação recente da Amazônia e Rondônia, a Colonização Agropastoril APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 7 quadrados, correspondendo a 2,86% da superfície do Brasil e 6,79% da região norte. Quando da posse como primeiro Governador do Estado de Rondônia, Teixeirão assim se manifestou: “Venham brasileiros de todo o Brasil, venham gentes de todos os povos. Rondônia oferece trabalho, solidariedade e respeito. Tragam seus sonhos, anseios e ilusões, compartilhem tudo isso com este povo admirável, assumam com ele os problemas e as dificuldades naturais na trajetória em busca do grande destino do Brasil.” Em 1970, a população era de 100 mil habitantes. De 1979 a 1982 a população de Rondônia cresceu mais de 57%, passando de 423 mil para 608 mil. Atualmente está estimada em mais de um milhão e meio de habitantes. O ordenamento agrário no Estado de Rondônia ocorreu no decorrer de trinta anos com ações discriminatórias de terras, separando as públicas das particulares. Quando o INCRA entrou no Território em 1970, 75% da superfície de sua área foi discriminada, arrecadada e matriculada em nome do Governo Federal. O restante corresponde a áreas institucionais, indígenas, reservas biológicas, florestas nacionais, estações ecológicas, reservas extrativistas, áreas de refúgio faunístico. O setor agropecuário do Estado de Rondônia concentra a principal fonte de renda da sua economia. Entretanto, os sucessivos planos ambientais e/ou de proteção indígena, ou ainda, as reservas de matas obrigatórias, tornaram indisponíveis para exploração cerca de 56% (cinquenta e seis por cento) de sua área territorial. Na atualidade foram desencadeados projetos gigantescos que ameaçam o equilíbrio ecológico, esses projetos são compostos por novas estradas, ampliação das redes urbanas em praticamente todos os municípios, a expansão da agricultura, principalmente o soja, e expansão da pecuária. Some a tudo isso os mega projetos que envolvem hidroelétricas como as do Madeira e as pontes do rio Madeira. Referências Bibliográficas: GOMES, Emmanoel. A abertura da BR-029 atual 364. Rondônia em pauta. Disponível em: http://rondoniaempauta.com.br/nl/historia/a-abertura-da- br-029-atual-364-artigo-do-historiador-emmanoel-gomes/. Rondônia O Estado de Rondônia é privilegiado em recursos naturais, para compreender a atual configuração é preciso considerar todos os elementos que compõe o funcionamento do ecossistema e suas características básicas (relevo, clima, vegetação e hidrografia). Clima No território do estado é possível identificar três tipos de climas: - Equatorial: possui temperaturas elevadas aliadas a uma grande umidade, há somente três meses sem ocorrência de precipitação (chuva). Essa característica climática gera influência no norte do Estado, nas áreas limítrofes com o Estado do Amazonas e entorno de Porto Velho. - Quente e úmido: consiste em uma grande quantidade calor e muita chuva, o período de seca dura até dois meses. - Quente e semi-úmido: esse exerce influência restrita a parte oeste do Estado onde estão situados os municípios de Colorado e Cabixi. Em âmbito mais abrangente, em Rondônia as temperaturas médias anuais variam entre 24° a 26ºC, no decorrer dos meses de junho, julho e agosto a temperatura cai, chegando a atingir até 8ºC, isso acontece devido a passagem de uma frente polar. O mês mais seco é julho e o mais chuvoso é setembro. No Estado, os índices pluviométricos anuais variam entre 1.800 a 2.400 mm. Localização e limites entre os municípios O estado de Rondônia está localizado na região Norte do Brasil. Seus limites são os seguintes: Amazonas (Norte), Bolívia (Sul e Oeste), Mato Grosso (Leste) e Acre (Oeste). As cidades mais importantes do estado, além da capital Porto Velho são: Ji-Paraná, Vilhena, Ariquemes, Guajará- Mirim, Cacoal e Ouro Preto do Oeste. Dados Gerais Capital: Porto Velho. Divisão política do Estado Como vimos, o estado de Rondônia está atualmente dividido em 52 municípios, que se constituem as unidades autônomas de menor hierarquia dentro da organização político-administrativa do estado e do país. A criação, incorporação, fusão ou desmembramento de um município se faz por lei estadual. Os municípios podem ser divididos em distritos, que são criados por leis municipais. Formado por terras anteriormente pertencentes aos Estados do Amazonas e Mato Grosso, o Estado de Rondônia foi originalmente criado como Território do Guaporé em 1943. O município de Porto Velho foi criado em 2 de outubro de 1914, por lei estadual do estado do Amazonas, e o município de Guajará-Mirim, em 1928, por lei estadual do estado de Mato Grosso. Isso porque, foram criados antes de ocorrer a criação do Território Federal do Guaporé. A denominação atual foi dada em 17 de fevereiro de 1956, em homenagem ao Marechal Rondon, desbravador dos sertões de Mato Grosso e da Amazônia em 17 de fevereiro de 1956. Os municípios de Ariquemes, Ji-Paraná, Cacoal, Pimenta Bueno e Vilhena foram criados em 11 de outubro de 1977, por decreto-lei federal e os municípios de Ouro Preto do Oeste e Costa Marques, foram criados em 1981, também por decreto- lei federal. Nesse período, Rondônia era Território Federal. Portanto, as emancipações se faziam por atos do Presidente da República. Em 1981, o Território de Rondônia passou a Estado da Federação. Em 1983, ocorreu a emancipaçãodos municípios de Rolim de Moura e Cerejeiras, criados por decreto-lei estadual, porque nesse período, o estado de Rondônia ainda não possuía constituição. Os demais municípios foram criados por leis estaduais do estado de Rondônia, a partir de 1986. Limites O estado de Rondônia está situado ao sul da Linha do Equador, sendo atravessado pelo paralelo de 10º Sul e estando “encaixado” entre os meridianos de 60º e 65ºO. Rondônia limita-se: - Ao norte (nordeste e noroeste), com o estado do Amazonas. 9. O Estado de Rondônia, da criação as questões atuais APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 8 - A leste (e sudeste) com o estado do Mato Grosso. - A oeste, com a República da Bolívia, a ponta extrema ocidental rondoniana, com o Acre. - Ao sul, igualmente com a Bolívia. Referências Bibliográficas: Governo do Estado de Rondônia. Disponível em: http://www.rondonia.ro.gov.br/. IBGE. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/estadosat/perfil.php?sigla=ro. RIBEIRO, Thiago. Aspectos naturais de Rondônia. Brasil Escola. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/brasil/aspectos-naturais- rondonia.htm>. Desafios estratégicos – Região Norte O desenvolvimento socioeconômico da Região Norte é uma questão nacional estratégica que se relaciona com a exploração dos recursos da Amazônia brasileira. A região, que conta com mais de 15,8 milhões de habitantes, que produzem 5,3% do PIB brasileiro, ainda é defasada em muitos indicadores sociais. Referente ao conflito entre o modelo de desenvolvimento econômico da Região Norte e a preservação ambiental, observa-se que ao mesmo tempo que as atividades agropecuária e mineradora contribuem para a geração de riqueza na Amazônia, causam degradação ambiental de grandes áreas de floresta. Quanto à distribuição da população da Região Norte, ela se concentra, sobretudo, nas capitais dos dois maiores estados da região: Belém e Manaus. A ocupação mais efetiva de Rondônia, de Tocantins e da porção leste do Pará denota o avanço da atividade agropecuária sobre a Floresta Amazônica. A região amazônica pertence a sete países, além do Brasil. A construção de diversos eixos rodoviários garantiu a articulação da região ao território nacional. A conquista da Amazônia Colonizada inicialmente pelos espanhóis e cobiçada por ingleses, franceses e holandeses, a bacia amazônica foi ocupada pelos portugueses, o que garantiu a posse ao Império brasileiro. Com cerca de 7,8 milhões de km² que abrangem oito países - Brasil, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana e Suriname - e a Guiana Francesa, a Amazônia Internacional é uma região natural formada pela floresta equatorial e por seus ecossistemas associados. A maior parte dessa área, marcada pelos climas quentes e úmidos, está assentada no interior da bacia fluvial amazônica. Com exceção da Guiana Francesa, departamento da França, os outros países firmaram em 1978 o Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), cujas metas são a cooperação científica, a preservação ambiental, o uso racional dos recursos hídricos e o desenvolvimento regional. O Brasil ocupa um papel de destaque nas políticas do TCA, pois abriga mais de 64% região. No sentido político, porém, a Amazônia começou a se configurar antes mesmo da independência desses países, quando a região passou a ser explorada pelas Coroas de Espanha e de Portugal. Na Amazônia Internacional há outros países com percentual maior de superfície territorial coberta pela Floresta Amazônica, como o Peru, a Guiana e o Suriname. Porém, o Brasil detém a maior parte do bioma amazônico. A ocupação portuguesa Nos termos do Tratado de Tordesilhas (1494), grande parte da Bacia Amazônica pertencia à Coroa espanhola. Em 1541, uma expedição comandada pelo espanhol Gonzalo Pizarro, irmão do conquistador do Império Inca, Francisco Pizarro, partiu de Quito em busca dos lugares lendários que supostamente havia nessas terras florestadas: o "País da Canela", onde a especiaria brotava em abundância, e o "EI Dorado", com suas enormes jazidas de ouro. Ninguém sabe ao certo quantas pessoas integraram essa expedição, mas estima-se que ela contava com algumas centenas de soldados espanhóis e milhares de indígenas, muitos dos quais padeceram de fome e de frio na travessia da Cordilheira dos Andes. Em algum ponto da viagem, quando os expedicionários já estavam bastante debilitados, Gonzalo encarregou um grupo, liderado por seu primo Francisco de Orellana, de seguir pelo rio em busca de alimentos. Entretanto, em vez de retornar com as provisões, o grupo de Orellana prosseguiu no curso do rio que hoje chamamos de Amazonas, viajando nove meses até alcançar a foz, em agosto de 1542. O diário de viagem do frei Gaspar de Carvajal, um dos integrantes do grupo, é o primeiro relato de uma jornada completa pelo Rio Amazonas, dos Andes até o Oceano Atlântico. Apesar de seu valor histórico, o diário não é um documento confiável, já que o frei se esforça em ressaltar os percalços enfrentados durante a viagem para justificar o descumprimento da ordem de regressar o mais rápido possível, levando alimentos para a expedição de Pizarro. A descrição do terrível combate travado com as guerreiras amazonas, que lutavam com a força comparada à de muitos homens e exerciam o poder sobre diversas tribos indígenas, reforça o caráter fantasioso do documento. Nos anos seguintes, diversas outras expedições comandadas pelos espanhóis percorreram trechos da Bacia Amazônica, sempre animadas pela busca de tesouros. Porém, o interesse pela região logo seria ofuscado pela descoberta das imensas jazidas de prata na região de Potosí (atual Bolívia), que atraiu grande parte dos exploradores e aventureiros espanhóis. Enquanto isso, franceses, ingleses e holandeses, inimigos tradicionais dos espanhóis, estabeleciam feitorias no baixo curso do Rio Amazonas. Durante a União Ibérica (1580-1640), período no qual Portugal e Espanha formaram uma única monarquia, os portugueses começaram a se estabelecer na foz do Amazonas. No início do século XVII, as expedições pelo Amazonas tornaram-se oficiais. Partiam da foz e eram organizadas para expulsar holandeses e ingleses, senhores de muitas feitorias ao longo do curso dos rios, e impedir o contrabando de produtos nativos, como madeira e pescado. Com o fim da União Ibérica, a Coroa portuguesa intensificou a ocupação militarizada da região, erguendo uma rede de fortificações lusitanas ao longo da calha central do Rio Amazonas. Entre eles, destaca-se o Forte de São José do Rio Negro, criado em 1668, em torno do qual surgiu o arraial de Lugar da Barra, mais tarde elevado à categoria de vila e, depois, de cidade, com o nome de Barra do Rio Negro. Em 1856, a cidade foi rebatizada e passou a se chamar Manaus, em homenagem aos índios da etnia manaó. 10. O ambiente amazônico, as estruturas físicas e ambientais da região APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 9 Para preservar a hegemonia na região, a Coroa ainda estimulou a ação das missões religiosas, que utilizavam a mão de obra indígena na coleta das "drogas do sertão" e na produção de alimentos. No entanto, foi em meados do século XVIII que o Império Português de fato consolidou sua soberania na área, criando o estado do Grão-Pará, com capital em Belém. Na nova estrutura política e administrativa, o Grão-Pará, marcado pelas baixas densidades demográficas e pelo extrativismo, passou a ser uma unidade distinta de Estado do Brasil. Com a independência do Brasil em 1822, o estado do Grão- Pará foi dissolvido e tornou-se parte do Império Brasileiro, cujo poder administrativo concentrava-se no Rio de Janeiro. Noentanto, dada a precariedade das suas redes de transporte e comunicações, a região permaneceu durante muito tempo isolada do centro político e econômico do país. A conquista da fronteira interna O empreendimento de conquista e incorporação efetiva da vasta porção setentrional do Brasil teve início após a Revolução de 1930, marcada pela centralização do poder, e prosseguiu nas décadas seguintes, quando a Amazônia Legal se tornou uma região de planejamento. As políticas que orientaram essa conquista geraram um conflito entre dois tipos de ocupação do espaço regional. O povoamento tradicional, em grande parte herdeiro das atividades missionárias, marcado pelo extrativismo e pela agricultura de excedente, consistiu numa ocupação linear e ribeirinha, assentada na circulação fluvial e na rede natural de rios e igarapés: a "Amazônia dos rios". O novo povoamento seguia a trajetória dos eixos de circulação viária, na qual eram implantados núcleos urbanos e projetos florestais, agropecuários e minerais; é a chamada "Amazônia das estradas". O conflito entre o modo de ocupação tradicional e o moderno, representado pelos eixos viários, expressou-se na tensão social que envolveu índios, posseiros e grileiros. Até os dias atuais, as disputas por terra configuram um "arco de violência" nos municípios da Amazônia Legal. De outro lado, a conquista da Amazônia resultou na modificação antrópica das paisagens e na degradação progressiva dos ecossistemas naturais. Um "arco da devastação" demarca as áreas de ocupação recente do Grande Norte. Nos estados de Tocantins, Pará e Maranhão, a devastação antrópica atinge formações do Cerrado, da Floresta Amazônica e da Mata dos Cocais. No Mato Grosso e Rondônia, manifesta-se com intensidade no Cerrado, na Floresta Amazônica e nas largas faixas de transição entre esses domínios. Os focos de calor marcam a ocorrência das queimadas que abrem os terrenos para as atividades agropastoris ou minerais, resultando em um arco de devastação dos ecossistemas amazônicos. Os novos eixos de integração e a ocupação do espaço amazônico A construção de rodovias foi fundamental para a inserção da região amazônica nos fluxos e circuitos econômicos nacionais. Belém e Manaus são os dois centros urbanos que polarizam a rede urbana regional. As políticas voltadas para a conquista integraram a Amazônia às dinâmicas territoriais nacionais. Esse processo se realizou por meio de dois vetores. Um primeiro vetor estruturou-se originalmente na década de 1960, em torno do eixo viário da Belém-Brasília. Nas décadas seguintes, a exploração dos minérios da Serra de Carajás, a implantação da E. F. Carajás e do Porto de Itaqui e a construção da hidrelétrica de Tucuruí reforçaram esse vetor, estendendo-o até São Luís (MA). Uma vasta mancha de povoamento, nucleada por áreas de intensa modificação das paisagens naturais, desdobrou-se de sul a norte no estado de Tocantins e avançou pelas porções meridional e oriental do Pará e por todo o oeste maranhense. Um segundo vetor estruturou-se a partir da década de 1970, em torno do segmento sul da Cuiabá-Santarém (BR- 163) e da Brasília-Acre (BR-364). Portanto, a integração viária com o Centro-Oeste ocorre através de Rondônia, até Rio Branco, no Acre. Ao longo desse eixo aparecem as principais áreas de desflorestamento, associadas à expansão da fronteira agrícola. No norte de Mato Grosso e em Rondônia, a colonização agrícola impulsionada por migrantes do Centro-Sul originou dezenas de novos núcleos urbanos. Ao mesmo tempo, a criação e consolidação da Zona Franca de Manaus (ZFM) transformava a capital amazonense em importante centro industrial e reforçava seus vínculos externos com os capitais e mercados do Centro-Sul. Os novos caminhos para Manaus Na década de 1980, a ocupação intensiva de Roraima foi facilitada pela pavimentação da rodovia Manaus-Boa Vista (BR-174), que atravessa a fronteira setentrional do país, interligando-se às rodovias da Venezuela. Ao longo do seu eixo, na porção central de Roraima e nas proximidades de Manaus, surgiram em poucos anos largas faixas de devastação. A construção dessa estrada e a concomitante implantação do imenso reservatório da hidrelétrica de Balbina desfiguraram a reserva indígena Waimiri-Atroari, localizada no vale do Rio Jauaperi, a oriente do Rio Branco. A BR-174 foi a primeira rodovia pavimentada a alcançar Manaus, que até então só podia ser atingida por via fluvial ou aérea. O novo eixo destina-se a projetar a influência da ZFM para os países vizinhos. A produção industrial do enclave amazonense é parcialmente responsável pelo superávit do Brasil nas trocas comerciais realizadas com a Venezuela e pode impulsionar os fluxos de comércio do país com as economias centro-americanas. No entanto, o isolamento físico do enclave de Manaus está sendo rompido em outra direção. O projeto de pavimentação da Porto Velho-Manaus (BR-319) pretende conectar a metrópole da Amazônia Ocidental e o vetor de ocupação estabelecido em Rondônia. Com a Hidrovia do Madeira, essa estrada tem como objetivo consolidar um corredor de exportação para os produtos agrícolas de Rondônia e Mato Grosso, através do Rio Amazonas. O eixo em implantação pode acarretar, porém, nova frente de devastação da Floresta Amazônica. A fronteira agrícola de Rondônia já se moveu até Humaitá, no sudoeste do Amazonas, primeira cidade alcançada pela pavimentação da BR-319. Em torno da cidade, uma larga mancha de desflorestamento assinala a abertura da floresta para a exploração da madeira, acompanhada pelo avanço da agropecuária. Os impactos da BR-319 "Se por um lado a construção e a pavimentação de estradas na Amazônia geram benefícios na forma de redução de custos de transportes, por outro lado impulsionam o desmatamento, os conflitos sociais e a ilegalidade. A eficiência econômica e os efeitos diversos dos projetos precisam ser identificados e instrumentos que garantam uma distribuição mais equânime de custos e benefícios entre os atores afetados precisam ser implantados. Neste estudo, utilizamos a análise custo-benefício para avaliar a eficiência econômica do projeto de recuperação do APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 10 principal segmento da Rodovia BR-319, localizado entre os quilômetros 250,00 e 655,70, no estado do Amazonas, de forma a contribuir com a discussão dessas questões. Este trecho encontra-se fortemente deteriorado e virtualmente intransitável desde 1986. Planeja-se sua recuperação dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal. [...] As obras aqui analisadas, com custo de implantação de cerca de 557 milhões de reais, incluem a recuperação e a pavimentação da rodovia e a construção de quatro novas pontes entre Manaus e Porto Velho, o que viabilizará o tráfego continuado entre Manaus e o resto do país. A análise [...] demonstra que o projeto é inviável economicamente, gerando prejuízos de cerca de 316 milhões de reais, ou 33 centavos de benefícios para cada real de custos, em valores atuais. Isso significa que para que o projeto alcance viabilidade econômica, os benefícios brutos estimados teriam de ser multiplicados por três. [...] Modelagens recentes indicam que o projeto provocará forte desmatamento no Interflúvio Madeira-Purus, com a perda de importantes recursos naturais ainda em excelente estado de conservação, caso políticas eficazes de contenção do desmatamento não sejam implantadas. Estimamos que o custo econômico parcial do desmatamento [...] poderia alcançar aproximadamente 1,9 bilhão de reais, em valores atuais. Destes, 1,4 bilhão corresponderia ao efeito negativo do projeto sobre as mudanças climáticas globais, valor muito superioraos benefícios brutos gerados pelo projeto, de 153 milhões de reais." FLECK. Leonardo C. Eficiência econômica, riscos e custos ambientais da reconstrução da rodovia BR-319. Lagoa Santa: Conservação Estratégica, 2009. p. 19-20. Redes urbanas regionais Enquanto a Amazônia se integrava ao Centro-Sul, a rede urbana regional tornava-se mais complexa e diferenciada. Nesse processo, a influência vasta e difusa de Belém sobre todo o espaço amazônico desvanecia-se, em razão da emergência de Manaus. Na última década, configurou-se uma situação de dupla polarização, na qual se desenham esferas de influência distintas das metrópoles do Amazonas. Durante a década de 1970, com a fronteira agrícola avançando em Mato Grosso e em Rondônia, ocorreu o acelerado desenvolvimento de Porto Velho e, em grau menor, dos núcleos instalados junto à rodovia, como Vilhena, Cacoal, Ji-Paraná e Ariquemes. Na década seguinte, a fronteira agrícola moveu-se até o sul do Acre, acompanhando o trecho pavimentado da BR-364. Nas áreas das cidades de Xapuri e Brasileia, as atividades madeireiras avançaram sobre os seringais, provocando conflitos e impulsionando a organização dos seringueiros. Cenários futuros: entre a devastação e a tecnologia Para romper o ciclo de devastação e desigualdade social será preciso o desenvolvimento de políticas territoriais que valorizem as comunidades locais e a preservação da biodiversidade. As políticas territoriais amazônicas implementadas pela ditadura militar nortearam-se pela meta geopolítica de “conquista” da Amazônia. O planejamento regional elaborado nesse contexto fundamentou-se num conceito distorcido de desenvolvimento, que estimula a acumulação de capital por grandes empresas e o uso predatório dos recursos naturais. Os largos e extensos corredores de devastação ambiental e as vastas manchas de desflorestamento, assim como a poluição de rios e igarapés pelos subprodutos do garimpo, são resultado das opções de planejamento adotadas nesse período. As políticas amazônicas dissociaram a noção de desenvolvimento de seu conteúdo social. A abertura de rodovias de integração e a implantação de grandes projetos geraram intensos fluxos migratórios para a Amazônia, além do esvaziamento demográfico de várzeas e igarapés. A exclusão social se materializa nas periferias das cidades médias, nos povoados miseráveis nascidos junto a empreendimentos minerais e florestais e no surgimento de populações itinerantes, que vagueiam à procura de escassas oportunidades de trabalho. O novo ciclo de obras rodoviárias na Amazônia, especialmente a Cuiabá-Santarém (BR-163) e a Porto Velho- Manaus (BR-319), visa estabelecer a ligação entre Manaus e Porto Velho, mas ameaçava reproduzir, em escala ampliada, os desastres sociais e ambientais do ciclo anterior. A alternativa consistia em redefinir o sentido do planejamento regional, priorizando o desenvolvimento social e a valorização dos ecossistemas naturais. A geração de empregos e a exploração sustentável dos recursos naturais são as metas a serem perseguidas por um planejamento regional renovado. Um zoneamento econômico e ecológico O planejamento regional da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) baseou-se em estudos de pequena escala, inadequados para a definição das realidades sociais e vocações ecológicas de áreas de médias e pequenas dimensões. Contudo, um planejamento regional voltado para o desenvolvimento sustentável não pode abrir mão do reconhecimento dessas áreas e suas peculiaridades. Atualmente, as imagens de satélite e as técnicas de cartografia computadorizada fornecem os meios necessários para a elaboração de estudos em média e grande escala, produzindo um zoneamento econômico e ecológico do imenso espaço amazônico. A "conquista" da Amazônia deixou como herança um mosaico complexo, no qual vastas áreas de paisagens naturais quase intactas intercalam-se com zonas de garimpo, grandes projetos e corredores de devastação. Um zoneamento econômico e ecológico destina-se a elucidar a organização desse mosaico, criando bases para a seleção de políticas específicas para cada área. Um passo inicial consistiria em distinguir os espaços de preservação (reservas indígenas e unidades de proteção ambiental) dos espaços disponíveis para a valorização econômica, e cartografá-Ios nas escalas adequadas. Um segundo passo consistiria no planejamento das modalidades de uso do solo, das instalações de infraestrutura viária e energética e no desenvolvimento urbano dos espaços disponíveis. O incentivo ao aproveitamento econômico da biodiversidade também pode proporcionar vantagens econômicas. Os produtos naturais da floresta encontraram novas e sofisticadas aplicações nas indústrias farmacêutica, de cosméticos e de alimentos. Além disso, as universidades e os institutos científicos da Amazônia pesquisam técnicas adequadas para o cultivo de espécies como a seringueira e a castanheira. Esses projetos experimentais sugerem caminhos para a elaboração de modelos agrícolas a serem implantados em áreas degradadas dos corredores de ocupação. Referências Bibliográficas: TERRA, Lygia. Conexões: estudos de geografia geral e do Brasil – Lygia Terra; Regina Araújo; Raul Borges Guimarães. 2ª edição. São Paulo: Moderna. APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 11 Relevo O relevo do Estado de Rondônia é composto basicamente por planícies e planaltos baixos, esses possuem, em média, altitudes que variam entre 90 a 1000 metros em relação ao nível do mar. Desse modo, o tipo de relevo que predomina no território varia de 100 a 600 metros, isso em, aproximadamente, 94% de toda área estadual, o restante atinge elevações superiores a 600 metros. No entanto, o relevo apresentado é constituído por quatro unidades geomorfológicas: Planície Amazônica, Setentrional do Planalto Brasileiro, Chapada dos Parecis e Paacás Novos e Vale do Guaporé-Mamoré. Nesta serra localiza-se o ponto mais elevado de Rondônia, o Pico do Tracuá. Vegetação A cobertura vegetal do Estado é diversificada, apresentando vários tipos de vegetação dos quais se destacam: Floresta Ombrófila Aberta Esse tipo de vegetação é a que mais predomina no Estado, principalmente no leste, sul, norte e na área central do território. As Florestas Ombrófilas são constituídas por quatro fisionomias vegetais (floresta de cipó, palmeiras, bambu e sorocaba). Floresta Ombrófila Densa Ocorre em uma área restrita localizada na parte central, é formada basicamente por palmeiras, trepadeiras lenhosas, epífitas e árvores de médio e grande porte. Floresta Estacional Semidecidual Esse tipo de cobertura vegetal ocorre no sul do Estado, apresenta árvores em número restrito denominadas de caducifólia (árvores que perdem as folhas na seca ou no inverno). Cerrado Existem “manchas” do cerrado no centro do Estado, esse tipo de vegetação é constituído por árvores de pequeno porte, troncos retorcidos, folhas e cascas grossas e raízes profundas. Vegetação Aluvial Apresenta-se nos arredores do rio Guaporé, possui características de uma cobertura vegetal formada a partir de arbustos (acácias, mimosa) e herbáceas (junco, rabo-de- burro). Hidrografia A rede hidrográfica de Rondônia é composta por três principais bacias e uma secundária. Bacia do Rio Madeira O rio principal é o Madeira e seus afluentes principais são: Margem direita: - rio Ribeirão, - Igarapé das Araras, - rio Castanho, - rio Mutum-Paraná, - garapé Cirilo, - rio Jaci-Paraná, - rio Caracol, - rio Jamari, - Igarapé Mururé e - rio Ji-Paraná. Já os afluentes da margem esquerda são os rios: - Albuná, - rio Ferreiros,- Igarapé São Simão, - rio São Lourenço, - rio Caripunas, - Igarapé Maparaná, - Igarapé Cuniã e - rio Aponiã. Bacia dos Rios Guaporé e Mamoré Principais rios: Guaporé e Mamoré. Bacia do Rio Ji-Paraná Rio principal: Ji-Paraná. Bacia do rio Rooselvet, bacia secundária. Rio principal: Rooselvet. Referências Bibliográficas: Governo do Estado de Rondônia. Disponível em: http://www.rondonia.ro.gov.br/. IBGE. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/estadosat/perfil.php?sigla=ro. RIBEIRO, Thiago. Aspectos naturais de Rondônia. Brasil Escola. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/brasil/aspectos-naturais- rondonia.htm>. População: De acordo com dados disponibilizados pelo IBGE, em 2010, a população de Rondônia era estimada em 562.409 habitantes, aproximadamente, com densidade demográfica de 6,58 (hab./km²). Em 2016, esse número passou para 1.787.279 habitantes, aproximadamente, distribuídos numa área de 237.765,293 (km²). O Rendimento nominal mensal domiciliar per capita da população residente em 2016, foi divulgado, também pelo IBGE, em aproximadamente, R$901,00. Número de Municípios: 52. Municípios Rondonienses Guajará-Mirim, Nova Mamoré, Porto Velho, Candeias do Jamary, Itapuã do Oeste, Alto Paraíso, Monte Negro, Buritis, Campo Novo de Rondônia, Rio Crespo, Cujubim, Ariquemes, Cacaulândia, Machadinho do Oeste, Vale do Anari, Theobroma, Governador Jorge Teixeira, Jaru, Vale do Paraíso, Nova União, Mirante da Serra, Teixeirópolis, Ouro Preto do Oeste, Ji- Paraná, Presidente Médice, Urupá, Alvorada do Oeste, São Miguel do Guaporé, Seringueiras, São Francisco do Guaporé, Costa Marques, Nova Brasilândia do Oeste, Novo Horizonte do Oeste, Castanheiras, Alta Floresta do Oeste, Alto Alegre dos Parecis, Santa Luzia do Oeste, Rolim de Moura, Ministro 11. O Estado de Rondônia, componentes do meio físico e ambiental 12. Populações e ocupação do espaço APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 12 Andreazza, Cacoal, Espigão do Oeste, Primavera de Rondônia, São Felipe d'Oeste, Parecis, Pimenta Bueno, Chupinguaia, Colorado do Oeste, Corumbiara, Cerejeiras, Pimenteiras do Oeste, Cabixi e Vilhena. Dois municípios rondonienses estão entre os 15 municípios brasileiros que obtiveram as maiores taxas nacionais de médias de crescimento populacional. Buritis, com 29,09% e Campo Novo de Rondônia com 23,20%. Divisas e fronteiras do estado de Rondônia O estado de Rondônia possui a terceira maior população da região norte, perdendo apenas para os estados do Pará e Amazonas. O estado de Rondônia é dividido geograficamente em duas mesorregiões Mesorregião do Leste Rondoniense é uma das duas mesorregiões do estado de Rondônia. É a maior mesorregião territorialmente e também em número de habitantes, apesar de não contar com o município mais populoso. Por este motivo, grande parte dos políticos que comandam o estado vem desta região, e não da capital, Porto Velho. Esta mesorregião é dividida em seis microrregiões. - Alvorada d'Oeste - Ariquemes - Cacoal - Colorado do Oeste - Ji-Paraná - Vilhena Mesorregião de Madeira-Guaporé é uma das duas mesorregiões do estado de Rondônia. Foi a primeira região a ser habitada no estado de Rondônia por conta da construção do Forte Príncipe da Beira em 1776 no vale do Rio Guaporé. Foi nessa região também onde foi construída a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré que impulsionou a fundação de Guajará-Mirim e Porto Velho e, por conta disso, são estas as únicas microrregiões em que está dividida a mesorregião. - Porto Velho - Guajará-Mirim O estado de Rondônia é dividido geograficamente em oito microrregiões: 1 – Alvorada D’Oeste 2 – Arquimedes 3 – Cacoal 4 – Colorado do Oeste 5 - Guajará-Mirim 6 – Ji-Paraná 7 – Porto Velho 8 - Vilhena Os critérios de divisão regional do território O Brasil é um país muito extenso e variado. Cada lugar apresenta suas particularidades e existem muitos contrastes sociais, naturais e econômicos. Como cada região diferencia-se das demais com base em suas características próprias, a escolha do critério de regionalização é muito importante. Um dos critérios utilizados para regionalizar o espaço pode ser relacionado a aspectos naturais, como clima, relevo, hidrografia, vegetação, etc. A regionalização também pode ser feita com base em aspectos sociais, econômicos ou culturais. Cada um apresenta uma série de possibilidades: regiões demográficas, uso do solo e regiões industrializadas, entre outras. As regiões geoeconômicas A fim de compreender melhor as diferenças econômicas e sociais do território brasileiro, na década de 1960, surgiu uma proposta de regionalização que dividiu o espaço em regiões geoeconômicas, criada pelo geógrafo Pedro Geiger. Nessa regionalização, o critério utilizado foi o nível de desenvolvimento semelhante foram agrupados dentro da mesma região. De acordo com esse critério, o Brasil está dividido em três grandes regiões: Amazônia, Nordeste e Centro-Sul. Os limites da Amazônia correspondem à área de cobertura original da Floresta Amazônica. Essa região é caracterizada pelo baixo índice de ocupação humana e pelo extrativismo vegetal e mineral. Nas últimas décadas, a Amazônia vem sofrendo com o desmatamento de boa parte de sua cobertura original para a implantação de atividades agropecuárias, como o cultivo de soja e a criação de gado. A região Nordeste é tradicionalmente caracterizada pela grande desigualdade socioeconômica. Historicamente, essa região é marcada pela presença de uma forte elite composta basicamente por grandes proprietários de terra, que dominam também o cenário político local. A região Centro-Sul é marcada pela concentração industrial e urbana. Além disso, apresenta elevada concentração populacional e a maior quantidade e diversidade de atividades econômicas. Essa proposta de divisão possibilita a identificação de desigualdades socioeconômicas e de diferentes graus de desenvolvimento econômico do território nacional. Seus limites territoriais não coincidem com os dos estados. Assim, partes do mesmo estado que apresentam distintos graus de desenvolvimento podem ser colocadas em regiões diferentes. Porém, esses limites não são imutáveis: caso as atividades econômicas, as quais influenciam as áreas do território, passem por alguma modificação, a configuração geoeconômica também pode mudar. Outras propostas de regionalização Regionalização do Brasil por Roberto Lobato Corrêa Outro geógrafo, chamado Roberto Lobato Corrêa, também fez uma proposta de regionalização que dividia o território em três: Amazônia, Centro-Sul e Nordeste. No entanto, em sua proposta ele respeitava os limites territoriais dos estados, diferentemente da proposta das regiões geoeconômicas. Os geógrafos Milton Santos e Maria Laura Silveira propuseram outra regionalização para o Brasil, que divide o território em quatro regiões: Amazônia, Mordeste, Centro- Oeste e Concentrada. Essa divisão foi feita com base no grau de desenvolvimento científico, técnico e informacional de cada lugar e sua influência na desigualdade territorial do país. A região Concentrada apresenta os níveis mais altos de concentração de técnicas, meios de comunicação e população, além de atos índices produtivos. Já a região Centro-Oeste caracteriza-se pela agricultura moderna, com elevado consumo de insumos químicos e utilização de tecnologia agrícola de ponta. A região Nordeste apresenta uma área de povoamento antigo, agricultura com baixos níveis de mecanização e núcleos 13. As divisões regionais APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 13urbanos menos desenvolvidos do que no restante do país. Por fim, a Amazônia, que foi a última região a ampliar suas vias de comunicação e acesso, possui algumas áreas de agricultura moderna. As regiões do Brasil ao longo do tempo Os estudos da Divisão Regional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) tiveram início em 1941. O objetivo principal deste trabalho foi o de sistematizar as várias divisões regionais que vinham sendo propostas, de forma que fosse organizada uma única divisão regional do Brasil para a divulgação das estatísticas brasileiras. A proposta de regionalização de 1940 apresentava o território dividido em cinco grandes regiões: Norte, Nordeste, Este, Sul e Centro. Essa divisão era baseada em critérios tanto físicos como socioeconômicos. IBGE e a proposta de regionalização O IBGE surgiu em 1934 com a função de auxiliar o planejamento territorial e a integração nacional do país. Consequentemente, a proposta de regionalização criada pelo IBGE baseava-se na assistência à elaboração de políticas públicas e na tomada de decisões no que se refere ao planejamento territorial, por meio do estudo das estruturas espaciais presentes no território brasileiro. Na década de 1950, uma nova regionalização foi proposta, a qual levava em consideração as mudanças no território brasileiro durante aqueles anos. Foram criados os territórios federais de Fernando de Noronha, Amapá, Rio Branco, Guaporé, Ponta Porã e Iguaçu – esses dois últimos posteriormente extintos. Note também que a denominação das regiões foi alterada e que alguns estados, como Minas Gerais, mudaram de região. Regionalização do Brasil → década de 1950 Na década de 1960, houve a inauguração da nova capital federal, Brasília. Além disso, o Território de Guaporé passou a se chamar Território de Rondônia e foi criado o estado da Guanabara. Regionalização do Brasil → década de 1960 Na década de 1970, o Brasil ganha o desenho regional atual. É criada a região Sudeste, que abriga os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. O Acre é elevado à categoria de estado e o Território Federal do Rio Branco recebe o nome de Território Federal de Roraima. Regionalização do Brasil → década de 1970 A regionalização da década de 1980 mantém os mesmos limites regionais. No entanto, ocorre a fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro e a criação do estado do Mato Grosso do Sul. A mudança nas regionalizações ao longo dos anos é fruto do processo de transformação espacial como resultado das ações do ser humano na natureza. Assim, reflete a organização da produção em função do desenvolvimento industrial. A regionalização oficial do Brasil atual A regionalização oficial do Brasil é a de 1990 e apresenta as modificações instituídas com a criação da Constituição de 1988. Os territórios de Roraima e Amapá são elevados à categoria de estado (o território de Rondônia já havia sofrido essa mudança em 1981); é criado o estado de Tocantins; e é extinto o Território Federal de Fernando de Noronha, que passa a ser incorporado ao estado de Pernambuco. Regionalização oficial do Brasil atual É importante refletir sobre a regionalização atual proposta pelo IBGE, já que ela não apresenta uma solução definitiva para a compreensão dos fenômenos do território brasileiro. A produção do espaço é um processo complexo, resultado da interação de diferentes fatores e não pode ser encaixada dentro de uma categoria única e específica. A atual divisão regional obedece aos limites dos estados brasileiros, mas não necessariamente aos limites naturais e humanos das paisagens, os quais, muitas vezes, não são tão evidentes. É o caso, por exemplo, do Maranhão. Grande parte de seu território apresenta características naturais comuns à região Norte, principalmente devido à presença da Floresta Amazônica. Além disso, o estado apresenta fortes marcas culturais que também remetem ao Norte, como a tradicional festa do Boi-Bumbá. No entanto, segundo a regionalização oficial, o Maranhão faz parte da região Nordeste. O Estado brasileiro e o planejamento regional No século XX, a concentração espacial das indústrias na região Sudeste impactou de maneira negativa as estruturas produtivas de outras regiões brasileiras. Para promover a desconcentração da economia, foram criadas políticas de integração e de desenvolvimento regional. Introdução: território e políticas públicas Por meio das políticas de desenvolvimento regional, propunha-se a implantação de infraestruturas nas regiões menos desenvolvidas, com a finalidade de atrair investimentos e aumentar a oferta de empregos. O desenvolvimento industrial iniciado na década de 1930 transformou, ao mesmo tempo, a economia e a geografia do Brasil. No plano da economia, o modelo agroexportador foi, aos poucos, sendo substituído pelo modelo urbano e industrial que vigora no país até hoje. No plano da geografia, as diferentes regiões brasileiras passaram a se articular de maneira cada vez mais intensa, de forma a prover tanto a matéria-prima quanto a força de trabalho necessárias à produção industrial fortemente concentrada na Região Sudeste. Esse novo contexto de industrialização e de integração nacional tornou, evidente a desigualdade de desenvolvimento entre as regiões brasileiras. O crescimento da economia da Região Sudeste contrastava vivamente com a estagnação da economia nordestina. No Nordeste, diante do desemprego resultante do declínio das atividades nas lavouras de cana-de- açúcar e nas indústrias têxteis, dos baixos salários e da concentração de terras nas mãos de poucos, muitos optaram por tentar a vida em outras regiões do país. A Região Nordeste transformou-se em grande fornecedora de mão de obra para os principais centros urbanos e industriais do país. São Paulo tornou-se o principal destino dos migrantes nordestinos: na década de 1940, eles foram APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 14 responsáveis por cerca de 60 do incremento populacional ocorrido na cidade. Para combater a desigualdade, o governo federal lançou políticas de desenvolvimento regional. Por meio delas, esperava-se promover a desconcentração da economia, atraindo investimentos e ampliando a oferta de empregos nas regiões menos desenvolvidas. As regiões selecionadas receberiam infraestrutura (energia, estradas, portos) e incentivos fiscais, ou seja, o governo passaria a isentar ou cobrar menos impostos dos empresários que lá implantassem novos negócios. Em meados da década de 1950, começaram a ser implementadas as agências de desenvolvimento regional, órgãos federais que tinham o objetivo de centralizar e implementar essas políticas. A Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a primeira delas, entrou em funcionamento em 1959. A Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) foi criada em 1966. Sudene e Sudam foram as mais importantes agencias implantadas no Brasil. Por isso, vamos estuda-las mais de perto. O Estado e a valorização da Amazônia Para a valorização da economia regional da Amazônia e sua conexão aos centros mais dinâmicos do território brasileiro, o governo federal priorizou a construção de estradas e a implantação de projetos industriais (zona franca), minerais e de colonização. • A integração nacional O propósito de integrar a Amazônia ao conjunto da economia nacional já estava na agenda do governo federal na década de 1940, mas foi apenas na década de 1950 que as políticas de planejamento começaram a atuar de fato na região. Em 1953, nasceu a Superintendência do Plano de ValorizaçãoEconômica da Amazônia (SPVEA), um órgão federal encarregado de valorizar a economia regional e conectá-la aos centros mais dinâmicos do território brasileiro. A área de atuação da SPVEA recebeu o nome de Amazônia Brasileira, uma região de planejamento. Na época, o processo de industrialização demandava a criação de um mercado interno de dimensões nacionais, o que exigia grandes transformações no território. A construção de estradas que possibilitassem o intercâmbio de mercadorias e pessoas entre as diversas regiões brasileiras era considerada uma tarefa prioritária para o governo federal. Uma nova capital, Brasília, estava sendo construída em um planalto situado no Brasil central, até então pouco integrado. Por meio de Brasília, pretendia-se integrar não apenas o Centro-Oeste mas também a Amazônia, escassamente povoada e detentora de imensas potencial idades naturais. O planejamento e a execução da Rodovia Belém-Brasília, por meio da qual o sistema viário brasileiro alcançou a Amazônia pela primeira vez, contou com a colaboração da SPVEA. • Sudam: a devastação planejada A política de planejamento regional voltada para a Amazônia ganhou novos contornos após o golpe de 196Q, quando os destinos do país passaram a ser comandados pela ditadura militar. Em 1966, a SPVEA foi extinta e substituída por outro órgão, a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), cuja área de atuação recebeu o nome de Amazônia Legal. No ano seguinte, foi criada a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). A indústria na Amazônia A implantação de complexos industriais figurava entre as prioridades do projeto de valorização econômica da Amazônia concebido pelos militares. Como vimos, a Sudam foi criada em 1966. No ano seguinte, seria a vez da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Com ela, Manaus foi transformada em zona franca. Essa nova condição significou para Manaus a isenção de taxas de importação das máquinas e matérias-primas necessárias à produção industrial, bem como dos impostos de exportação das mercadorias industrializadas. Com esses incentivos, indústrias transnacionais e nacionais foram atraídas para a cidade, e Manaus transformou-se em um polo industrial importante, principalmente no setor de bens de consumo duráveis (televisores, aparelhos portáteis e eletrodomésticos). Atualmente, o polo industrial instalado em Manaus dinamiza boa parte da economia regional e emprega diretamente cerca de 85 mil pessoas. A indústria local, no entanto, depende da manutenção da zona franca. As mercadorias produzidas em Manaus viajam milhares de quilômetros até chegar aos principais centros de consumo do país e incorporam em seu custo o preço desse transporte. Na década de 1970, teve início o processo de crescimento industrial de Belém. Nesse caso, predominam as indústrias de transformação mineral, em especial a siderurgia do ferro e do alumínio, atraídas pela presença de matérias-primas e da energia proveniente da Usina Hidrelétrica de Tucuruí. Uma das siderúrgicas mais importantes do setor de produção de alumínio está instalada no Porto de Barcarena, situado nos arredores de Belém. A Amazônia Legal Na visão dos militares, a Amazônia era um imenso vazio demográfico que precisava ser conquistado e explorado, de forma a transformar seu enorme potencial natural em riquezas que iriam financiar o desenvolvimento do país. Para isso, eles propunham integrar a Amazônia implantando grandes projetos minerais, industriais e agropecuários. A população local, em grande parte concentrada nas margens dos rios e dos igarapés e vivendo do cultivo de pequenos lotes de terra, foi praticamente desconsiderada nos novos planos do governo para a região. A Sudam foi criada para ser uma espécie de intermediária entre o governo e os empresários no processo de valorização econômica da Amazônia. Além disso, o órgão também deveria formular projetos de atração de migrantes, para promover o povoamento e consolidar um mercado de trabalho regional. Muitos desses migrantes, a maior parte de origem nordestina, acabaram por se fixar nas periferias das cidades amazônicas, que conheceram um crescimento explosivo a partir da década de 1870. A Transamazônica, rodovia que corta a região no sentido latitudinal, foi planejada para ligar o Amazonas à Paraíba e viabilizar o assentamento dos migrantes recém-chegados e representar uma rota para os novos investimentos - ou, nas palavras do próprio governo, "a pista da mina de ouro". A Transamazônica não cumpriu o papel almejado por seus planejadores. Encravada no meio da floresta e desconectada da rede viária nacional, a estrada não foi capaz de dinamizar os fluxos regionais e acabou por se tornar um imenso atoleiro. Nessas condições, os dois mais importantes eixos de penetração para a Amazônia passaram a ser as rodovias Belém-Brasília e Brasília-Acre. Em suas margens, foi implantada a maior parte dos projetos minerais e agropecuários incentivados pela Sudam. Não por acaso, esses eixos apresentam a maior taxa de desmatamento e de degradação ambiental. Além disso, também são palcos de APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 15 violentos conflitos, já que posseiros, fazendeiros e madeireiros disputam a posse da terra valorizada pela presença das estradas. O eixo da Belém-Brasília se estende até a Serra dos Carajás, onde se encontra a maior reserva de minério de ferro do mundo. O ferro de Carajás, em exploração desde a década de 1970 pela Companhia Vale do Rio Doce (privatizada em 1997), é escoado pela Estrada de Ferro Carajás, até o Complexo Portuário de São Luís, no Maranhão. Nas margens da rodovia e da ferrovia, a floresta equatorial já foi quase toda derrubada. Em seu lugar, surgiram núcleos urbanos e os mais diversos empreendimentos. Anúncio da Sudam e do Banco da Amazônia, publicado em dezembro de 1970. No outro extremo da Amazônia, o principal eixo de ocupação foi a Rodovia Brasília-Acre. O estado de Rondônia, atravessado por esse eixo, foi alvo de um grande projeto de colonização e recebeu milhares de migrantes, vindos especialmente das regiões Nordeste e Sul. Atualmente, Rondônia figura entre os estados mais devastados da região. A herança da Sudam permanece na realidade amazônica: está presente tanto na destruição do modo de vida tradicional das populações ribeirinhas e indígenas quanto na grande mancha de devastação ambiental produzida pelos empreendimentos aprovados pelo órgão. Definitivamente, esse modo predatório de ocupação está em descompasso com os parâmetros atuais de valorização do patrimônio ambiental amazônico, sobretudo no que se refere à enorme biodiversidade da formação florestal e à presença de imensos reservatórios de água doce. Referências Bibliográficas: FURQUIM Junior, Laercio. Geografia cidadã. 1ª edição. São Paulo: Editora AJS, 2015. TERRA, Lygia. Conexões: estudos de geografia geral e do Brasil – Lygia Terra; Regina Araújo; Raul Borges Guimarães. 2ª edição. São Paulo: Moderna. Aspectos Econômicos de Rondônia Vários ciclos econômicos fizeram parte do desenvolvimento regional, mas, na atualidade, predomina o agropecuário, com destaque para a cafeicultura e bovinocultura (gado leiteiro e de corte) entre outros produtos e um setor industrial nascente. O primeiro ciclo econômico ocorreu com as descobertas de ouro no rio Corumbiara, afluente da margem direita do rio Guaporé, a partir de 1744; nessa mesma época houve também o período das drogas do sertão, mas o primeiro grande ciclo econômico foi o da borracha. Este ciclo dividiu-se em dois. O primeiro teve início por volta de 1877, quando uma grande leva de nordestinos migrou para o valedo Madeira e seus afluentes: rio Machado ou Ji- Paraná, Mamoré, Guaporé e Jamari e o segundo ciclo teve início em 1942, ocasião da Segunda Guerra Mundial. No período do Primeiro Ciclo de Extração de Látex foi construída a maior obra da história da Amazonas, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, hoje Museu Histórico. O Primeiro Ciclo de Extração de Látex, (borracha) começou a decair a partir de 1912 e, em 1918, já estava em pleno declínio, não pela falta do produto, mas pelo preço praticado no mercado internacional, principalmente no continente Asiático, mais precisamente na Malásia. A retomada da demanda de extração de látex, seiva da árvore seringueira, nativa da Amazônia, ocorreu em decorrência da Segunda Guerra Mundial, isto porque os seringais da Malásia foram ocupados por tropas japonesas. Naquele período, as atenções do mundo convergiram para a produção do látex na Amazônia. O próprio governo brasileiro (Getúlio Vargas), convocou trabalhadores para trabalharem na extração de látex. Foi neste período que surgiu o soldado da borracha. Os vales amazônicos foram novamente ocupados. Em 1952, ocorreu a descoberta de existência de estanho, que foi importante para a economia regional de Porto Velho, surgindo ai o ciclo da extração da cassiterita, que também divide-se em dois períodos: - o primeiro período foi o da garimpagem manual, que durou até 31 de março de 1971, quando foi proibida pelo Governo Federal; - a partir dessa data, iniciou-se o período da garimpagem mecanizada. Ainda na década de 50, do século XX, existiram os garimpos de diamante no rio Machado, nas proximidades de Vila Rondônia, atualmente cidade de Ji-Paraná, e Pimenta Bueno, que tiveram pouca durabilidade. O atual ciclo econômico de Rondônia iniciou-se na década de 70, do século XX, com a chegada de migrantes oriundos, principalmente, das regiões Sul e Sudeste do Brasil, cuja maioria era proveniente dos estados do Paraná, Espírito Santo e Minas Gerais, começando assim o plantio de lavoura de café e a formação de pastagem. Nesse mesmo período, deu-se início às instalações de indústrias madeireiras que, do final da década de 70 e durante a de 80, do século XX, eram responsáveis absolutas pela geração de empregos, renda e ainda hoje são de suma importância para a economia do Estado. Em 1971, a CEPLAC Comissão Executiva da Lavoura Cacaueira, respaldada em estudos que apontavam a viabilidade da lavoura cacaueira na região, deu incentivo ao plantio nas localidades de Ouro Preto, Jaru e Ariquemes. Em 1976, foi implantado o programa PROCACAU, que incentivou ainda mais o plantio da lavoura, chagando a 54.000 hectares, em seis mil pequenas propriedades rurais. Paralelamente a esse acontecimento, as lavouras de café e a criação de rebanho bovino se desenvolveram por uma vasta região, mas, no início dos anos 1990, os cafeicultores rondonienses enfrentaram outro problema, o baixo preço na saca do café, que, às vezes, não compensava nem colher. Muitos foram os que, cortaram os cafezais e substituíram as áreas por pastagens. A partir de 1997, os preços voltaram a subir e chegou, em 1999, a R$ 150,00. Novamente ocorreram novas plantações, porém, o preço da saca começou a cair a partir do ano de 2000, e em 2001 chegou a R$ 25,00, voltando a ser desestimulado. O rebanho bovino sempre continuou crescendo e é predominante em todo o Estado, formando uma grande bacia leiteira, com destaque para a região de Ouro Preto, Jaru e Ji- Paraná. Outros investimentos já começam a florescer, na economia regional, são plantações de pupunha (palmito, piscicultura), e o cultivo de soja e arroz, em áreas mecanizadas, no sul do Estado. Rondônia é um Estado de vocação agropecuária, o solo rondoniense produz, não só os já citados produtos, mas uma diversidade de cereais, frutos, verduras e legumes. 14. Produção econômica regional APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 16 Principais impactos ambientais O estado de Rondônia possui o delineamento das diferentes áreas geográficas efetivado pelo Zoneamento Socioeconômico ecológico, que distribui entre os ecossistemas uma diversidade de formas de organização de produção sustentável. Os aspectos econômicos envolvem diversas atividades projetadas para determinadas localidades e situação econômica das comunidades. A caracterização do Zoneamento, como elemento-chave da utilização de recursos das florestas e dos rios, consistiu, ao mesmo tempo, em preocupação ecológica pelas autoridades que temem o mau uso dos espaços econômicos com atividades que possam degradar o ambiente e prejudicar os ecossistemas. A nova Lei de Crimes Ambientais é oportuna porque vincula os espaços produtivos aos órgãos de representação ambiental, desta forma, qualquer acidente envolvendo áreas de proteção ambiental, ou desastre ecológico, prevendo situações de risco para a vida vegetal e animal será objeto de investigação. Esses órgãos públicos, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA e a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental – SEDAM, que estão equipados para atender às necessidades de informações acerca de atitudes preservacionistas. A extensão da fronteira agropecuária em Rondônia teve início na década de 70, do século XX, com a implantação de projetos de colonização oficial, implantados pelo Governo Federal, por meio do INCRA, substituindo as grandes áreas de seringais nativos por uma nova situação fundiária, que mudou radicalmente o espaço geográfico. Rondônia é um estado que passou a ter problemas ambientais em decorrência de sua rápida expansão, como espaço de fronteira agrícola. Essa nova realidade gerou preocupações acerca dos desmatamentos, erosão fluvial, garimpagem, atividades mineralógicas e extrativistas, que contribuíram, desde o processo de colonização, para o desequilíbrio dos ecossistemas, influindo em mudanças climáticas que atingiram a região. A partir da segunda metade da década de 80, do século XX, os organismos internacionais, em especial o Banco Mundial, que investiram nos projetos de colonização em Rondônia, foram alvo de críticas de ambientalistas e outras entidades mundiais, em decorrência do desastre ecológico nas imensas áreas florestais. O Banco Mundial investiu em um novo projeto, o “PLANAFLORO”, com o intuito de diminuir o desmatamento acelerado, iniciado nos anos anteriores, e reverter o processo de desordenação causado pelo fluxo migratório no Estado. A consolidação da BR-29, em 1968, permitiu que Rondônia firmasse sua vocação agrícola com maciços investimentos federais em projetos de colonização e a intensificação do fluxo migratório gerou a rápida formação de aglomerados urbanos, principalmente ao longo do eixo da BR-364. Isso provocou uma ruptura da estrutura espacial existente, já que, anteriormente, concentrava a economia nos municípios de Porto Velho e Guajará-Mirim, que não sofreram agregações populacionais como às registradas na área de influência da BR- 364. A consequência mais drástica se constitui no acelerado processo de desmatamento ao longo da BR-364. A implantação dos projetos de colonização existentes e a expansão da fronteira agrícola na floresta demonstraram exemplos edificantes da catástrofe ecológica induzida pela exploração de terras impróprias para a agricultura. Os organismos internacionais e o Banco Mundial, quando reconheceram a problemática ambiental de Rondônia, na segunda metade da década de 80, do século XX, começaram a frear o envio de verbas aos projetos de assentamento e colonização, em decorrência do escândalo mundial causado pelo acelerado desmatamento de parte da floresta amazônica. A floresta sofreu intenso processo dequeimadas durante o processo de preparação da terra para o plantio de lavouras e pastagens. Os agricultores instalaram-se em grandes e pequenas propriedades, ou em projetos agropecuários implantados por empresas nacionais privadas ou pelo governo. Em função da ausência de planejamento adequado, alguns desses projetos foram instalados em regiões impróprias para a atividade agrícola. Os agricultores utilizaram sistemas de produção e cultivo nem sempre coerentes com as características agroecológicas da região. Essa ocupação desordenada conferiu a agricultura uma dinâmica marcada pela baixa produtividade, impactos ambientais crescentes e pobreza na qualidade de vida das populações. A região central do Estado, ao longo da BR-364 e próximo a ela, foi transformada em áreas onde ocorreu intenso desmatamento da floresta, eliminando-se praticamente a fauna e a flora. A colonização influenciou um ritmo acelerado de extração de madeiras nobres, fato que praticamente extinguiu as espécies de mogno, cerejeiras e castanheiras. Atualmente, as madeiras já extraem outras espécies que também já se encontram praticamente em processo de extinção. As atividades garimpeiras no rio Madeira, nas décadas de 80 e 90 do século XX, prejudicaram o fluxo das águas do rio com o uso do mercúrio, provocando a contaminação de peixes. Após a proibição da garimpagem no rio Madeira, iniciaram-se as atividades de forma clandestina, fato que produziu um efeito mais devastador sobre o meio ambiente e a recuperação plena da flora de fundo e dos peixes que, por acaso, tenham sofrido efeitos teratogênicos ou mutagênicos. Outra forma de garimpo que causou problemas ambientais constituiu-se na exploração de cassiterita no Bom Futuro, na bacia do rio Candeias, produzindo um índice elevado de poluição nas águas em decorrência do assoreamento do leito do rio. O processo de desmatamento na região tendeu a ser controlado tanto por organismos internacionais quanto pelos órgãos encarregados do meio ambiente, que trataram de fiscalizar as ações predatórias. O desmatamento diminuiu, mas os efeitos que geraram as problemáticas ambientais ainda se perpetuarão por longas décadas, considerando-se os aspectos de produção florestal propriamente dita, além dos aspectos econômicos e ambientais (regeneração da floresta). A migração, a influência midiática e as mudanças na dinâmica dos contextos sociais na Amazônia rondoniense A Amazônia se caracteriza por diversas correntes migratórias. A primeira teria ocorrido entre os anos 1877 – 1879, sendo composta de populações rurais do Nordeste e que teriam vindo para a região fugindo da seca. Anos mais tarde, no período compreendido entre 1890 – 1910, outro fluxo migratório também de origem nordestina, tendo a seca e a borracha como principais fontes motivadoras, chegou para trabalhar nos seringais. 15. As questões socioambientais 16. Populações tradicionais APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 17 A segunda corrente migratória ocorreu no ano de 1942, estimulada pela seca no Nordeste e em função da propaganda do governo federal que necessitava de mão de obra para trabalhar nos seringais. Os chamados soldados da borracha iriam coletar tal produto, que por sua vez, manteria os meios de transportes térreos dos países aliados na Segunda Guerra Mundial. Este momento em específico ficou conhecido como batalha da borracha. Após chegarem a Amazônia, os soldados da borracha, ficaram sabendo que a propaganda do governo era enganosa. Muito mais que isso, os seringueiros ao chegarem a região tiveram atritos com os indígenas, obrigando-os a um processo de adaptação biótica, pois, não havia outra alternativa para eles dentro do “ciclo” da borracha. Outro fator importante nesse processo foram os ciclos econômicos, que proporcionaram a vinda de milhares de migrantes para a Amazônia e Rondônia. Em específico, a descoberta da cassiterita no início da década de 1950, o ouro no Rio Madeira na década de 1980 e posteriormente os projetos de colonização que impulsionaram e intensificaram a rota migratória sem precedentes na história do Brasil. Diante de tal demanda, o governo federal, fez a tentativa de controlar a situação, e atuou nos últimos anos no sentido de bloquear ou desviar os fluxos migratórios espontâneos que se dirigiam ou continuam a dirigir-se para Rondônia, o Acre e outras partes da região. Essa restrição dificultou o acesso à terra na região amazônica e contribuiu para a ineficácia da Reforma Agrária. Levando em consideração às promessas do governo e da propaganda midiática da distribuição de terras nesta região, os migrantes trazem consigo um estereótipo já produzido a partir do que a própria mídia divulgava. Ao se deparar com tantas identidades constituídas, o migrante passa da estranheza a identificação e a sociabilidade dos saberes com estes grupos. Esses fatores proporcionaram diversos confrontos, em detrimento dos interesses capitalistas, que envolviam os grupos sociais na busca por aquisição de terras. Em relação a questão da corrida pela terra aponta-se que o aumento da população em Rondônia triplicou em função de inúmeros fatores entre os quais destacam a exploração de recursos minerais e o processo de colonização. Em tese, inicialmente os migrantes que chegaram neste espaço geográfico desconsideraram as populações e as técnicas de produção herdadas e desenvolvidas por esses grupos na floresta constituindo o que denomina-se de morada habitual e cultura efetiva, garantindo a posse e o uso da terra. Oliveira Filho destaca que muitos autores apresentam os colonos que chegam à região com a visão de que a floresta precisa ser domada, pois até o momento isso não ocorre, visto que as populações tradicionais não o faziam, permanecendo no privitivismo secular. Pode-se dizer entretanto, que com o passar do tempo os próprios migrantes reavaliam o sentimento de indiferença para com os seringueiros em relação ao modo de agir para com a floresta considerando as peculiaridades da região. Portanto, para que houvesse tal relação era essencial uma adequação ao meio, neste visto que eles não sabiam manipular os recursos naturais e não havia estrutura viável para que isso acontecesse. Referências Bibliográficas: SILVA, Maria Aparecida da Silva; CRUZ, José Aparecido da. Das Tradições dos Povos e Comunidades Tradicionais a Migração das Décadas de 1970-1980 ao Hibridismo Cultural Rondoniense. Questões 01. (PGE/RO – Técnico da Procuradoria – FGV/2015) O desenvolvimento econômico da região norte pode ser entendido a partir da criação de um projeto ferroviário para interligar a região amazônica entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX. No entanto, com o advento do regime militar brasileiro, nos anos 60 do século XX, o projeto ferroviário foi abandonado em razão da prioridade dada pelo regime militar ao transporte: (A) pluvial na região norte; (B) naval pelo litoral da região norte; (C) aéreo na região norte; (D) misto aéreo e pluvial da região norte; (E) rodoviário da região norte. 02. (PGE/RO – Técnico da Procuradoria – FGV/2015) “A sensação térmica pode chegar a 38ºC neste sábado (5) na capital de Rondônia. De acordo com o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), o tempo deve ser firme em todo o estado no final de semana”. A previsão é de céu claro sem chuvas em todo o centro sul. Já nas demais regiões, incluindo Porto Velho, céu claro a parcialmente nublado com pancadas de chuvas e trovoadas em áreas isoladas, podendo ser acompanhada de rajadas de ventos no período da tarde e noite. (Fonte: http://g1.globo.com/, 05/09/2015. Acesso em 20/09/2015). A descrição do tempo apresentada na notícia revela característicasde temperatura e pluviosidade comuns na região norte do Brasil, onde predomina o clima: (A) equatorial, com baixa amplitude térmica anual e estações bem diferenciadas em termos de precipitação; (B) tropical úmido, mesotérmico em termos de temperatura e de pluviosidade irregular; (C) tropical semiúmido, de baixa amplitude térmica anual e duas estações pluviométricas bem definidas; (D) equatorial, com pequena variação de temperatura ao longo do ano e total pluviométrico anual elevado; (E) tropical, com temperaturas médias elevadas ao longo do ano e precipitação distribuída de forma irregular ao longo do ano. 03. (SESAU/RO – Técnico – FUNRIO/2017) O Estado de Rondônia foi criado no período: (A) da Primeira República. (B) do Estado Novo. (C) da ditadura militar. (D) da Nova República. (E) da revolução constitucionalista. 04. (SESAU/RO – Técnico – FUNRIO/2017) A população atual do estado de Rondônia é, aproximadamente, de: (A) 1.800.000. (B) 2.500.000. (C) 3.200.000. (D) 3.800.000. (E) 4.200.000. 05. (SESAU/RO – Técnico – FUNRIO/2017) O estado de Rondônia faz divisa com, EXCETO: (A) o estado do Amazonas. (B) o estado de Mato Grosso. (C) o estado do Acre. (D) o estado do Pará (E) a Bolívia. 06. (SEDUC/RO – Técnico – IBADE/2016) Entre os relevos a seguir assinale o que é marcante no estado de Rondônia. APOSTILAS OPÇÃO Geografia do Estado de Rondônia 18 (A) Falésias (B) Fossas abissais (C) Dorsais (D) Cordilheiras (E) Chapadas 07. (SEDUC/RO – Analista – IBADE/2016) Entre os municípios de Rondônia a seguir, assinale o que se localiza mais ao sul. (A) Ji-Paraná (B) Ariquemes (C) Porto Velho (D) Presidente Medici (E) Colorado do Oeste 08. (SEDUC/RO – Técnico – IBADE/2016) Entre os rios a seguir, assinale o principal que possui a nascente no estado de Rondônia. (A) Araçá (B) Caetê (C) Tarauacá (D) Juruá (E) Jamari 09. (CERON/RO – EXATUS/2016) Segundo dados oficiais do IBGE a densidade demográfica do Estado de Rondônia atualmente é de: (A) 5,86 habitantes por km². (B) 6,58 habitantes por km². (C) 6,85 habitantes por km². (D) 8,56 habitantes por km². 10. (SEDUC/RO – Analista – IBADE/2016) O estado de Rondônia é composto por diferentes unidades de relevo, sendo uma delas a seguinte: (A) Serras da Canastra. (B) Planalto dos Guimarães. (C) Depressão dos Rios Paraguai \ Guaporé (D) Planalto da Bacia do Paraná. (E) Serra do Espinhaço. 11. (CRC/RO – Auxiliar – FUNCAB/2015) O clima predominante no estado de Rondônia é: (A) frio de pluviosidade. (B) árido. (C) frio. (D) temperado frio. (E) tropical úmido. 12. (SUPEL/RO – Engenheiro Civil – FUNCAB/2014) A criação do Estado de Rondônia, em 1981, deu-se por: (A) desmembramento. (B) fusão. (C) elevação. (D) territorialização. (E) decreto. 13. (SEDF – Professor de Geografia – CESPE/2017) No atual período histórico, caracterizado pela forte internacionalização do modo de produção capitalista, importantes transformações de ordem técnica, política e econômica têm promovido intensa reestruturação produtiva e regional do Brasil e do mundo. A intensificação do poder das empresas transnacionais sobre o espaço mundial é uma dessas manifestações. Iná Elias de Castro. Política pública e conflito no espaço urbano. In: GEOgraphia, ano 18, n.º 36, 2016 (com adaptações). Considerando esse texto, julgue o item a seguir. A divisão regional do Brasil em cinco macrorregiões de planejamento é uma referência para o ensino de geografia atualmente. Entretanto, para a compreensão das dinâmicas atuais de uso e reorganização do território nacional, é necessário abordar as novas regionalizações, como a divisão por complexos regionais (Amazônia, Nordeste e Centro-Sul) e a divisão em quatro regiões (Concentrada, Centro-Oeste, Amazônia e Nordeste). (....) Certo (....) Errado 14. (Prefeitura de Sobral/CE – Agente Administrativo – UVA/2016) Entre as últimas alterações da divisão regional oficial do Brasil, podem-se destacar: (A) a extinção dos territórios federais e a criação do Distrito Federal. (B) a criação de Fernando de Noronha e a do território de Roraima. (C) a extinção do Distrito Federal e a criação do território federal de Tocantins. (D) a extinção dos territórios e a criação do Estado de Tocantins. 15. (SEDF – Professor de Geografia – CESPE/2017) Com relação aos processos de regionalização no Brasil e no mundo, julgue o item subsequente. Décadas depois da implementação do primeiro órgão responsável pelos estudos de planejamento macrorregional no Brasil, a SUDENE, os principais problemas e disparidades regionais do país persistem. (....) Certo (....) Errado Respostas 01. E/02. D/03. C/04. A/ 05. D/06. E/07. E/08. E/ 09. B/10. C/11. E/12. C/13. Certo/14. D/15. Certo Anotações