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AULA 11 - SISTEMAS SILVIPASTORIS ALTERNATIVA RUMINANTES PASTA(1)

Material sobre sistemas silvipastoris para produção de ruminantes em pastagens. Apresenta efeitos do sombreamento na qualidade da forragem, fertilidade do solo, desempenho animal, estoque de carbono e etapas e critérios de implantação.

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Sistemas silvipastoris como alternativa de 
produção de ruminantes em pastagens 
Domingos Paciullo
Embrapa Gado de Leite
SISTEMAS SILVIPASTORIS
Sistemas diversificados de uso da terra nos 
quais cultivos arbóreos são explorados em 
integração com pastagem/gado
Motivos para uso de sistemas 
silvipastoris
1. SOMBREAMENTO
X
CONFORTO ANIMAL
Foto: Margarida Carvalho
ESTRESSE POR CALOR
• Aumento da necessidade de energia para 
manutenção da temperatura corporal
• Mudança no comportamento de pastejo, 
podendo reduzir a ingestão de alimentos
• Redução da fertilidade
SOMBRA – AMENIZAÇÃO DA TEMPERATURA AMBIENTE
• Reduz necessidades de energia para mantença animal
• Contribuição para adequada ingestão de alimentos e 
manutenção da fertilidade em níveis normais
2. Melhoria do valor nutritivo da forragem
Característica
Sombreamento
Sol pleno 20% 70%
Proteína bruta (% da MS) 9,7 10,7 14,8
FDN (% da MS) 66,5 65,2 64,2
Lignina (% da MS) 5,4 5,9 6,5
DIVMS (%) 60,9 61,0 60,9
(Paciullo et al., 2012)
Características químicas do pasto de braquiária 
em função do sombreamento em SSP
Variável 
Sombra
Sol pleno 20% 30%
a > b na linha (P<0,05)
Adaptado de Castro et al. (2009).
Valor nutritivo da braquiária em função da sombra 
de árvores leguminosas
PB (% MS) 9,5 c 10,1 b 12,0 a
PB (kg/ha) 141 c 193 b 321 a
FDN 72,5 a 73,0 a 73,4 a
DIVMS 44,0 a 43,0 a 44,5 a
- Sombreamento aumenta teores de PB
- Teores de fibra tendem a diminuir com sombra, 
embora existam resultados contraditórios
- DIVMS depende de espécie, época do ano, % 
sombra, idade e suas interações
3. MELHORIA DAS CONDIÇÕES DE SOLO
EFEITOS SOBRE A 
FERTILIDADE DO SOLO
Deposição de serapilheira das árvores
X
Aumento de nutrientes do solo
Deposição e decomposição de folhas favorece 
reciclagem de nutrientes
Sombra
Características químicas do solo
K P
mg/cm3
Sol pleno 30,6 b 1,87 b
20% 35,0 b 2,90ab
30% 47,6 a 5,20 a
Fertilidade solo (0 -10 cm) em pastagem de braquiária em 
SSP com árvores leguminosas*.
* 14 anos após o plantio das árvores.
a > b (P<0,05) na coluna.
(Paciullo et al., 2011)
Sombra
Características químicas do solo
CTC efetiva CTC potencial MO (%)
Cmol/dm3
Sol pleno 1,25 b 5,60 c 1,70 b
20% 1,45 b 6,87 b 2,10ab
30% 1,86 a 7,53 a 2,53 a
Fertilidade solo (0 -10 cm) em pastagem de braquiária em 
SSP com árvores leguminosas*.
* 14 anos após o plantios da árvores.
a > b (P<0,05) na coluna. (Paciullo et al., 2011)
4. Melhoria no desempenho 
animal
Alguns estudos indicam
aumentos de até 20% na
produção animal
Ganho de peso vivo (g/novilha/dia) de novilhas 
leiteiras em pastagem de braquiária e SSP (chuvas)
Ano
Monocultivo 
braquiária
SSP
04/05 624 722
05/06 563 647
06/07 515 628
Paciullo et al. (2011)
Diferença 
(%)
+ 15,7
+ 14,9 
+ 21,9
Ano
Ganho de peso por ha (anual)
Monocultivo 
braquiária
SSP
04/05 353 386 
05/06 298 317
06/07 300 363
Ganho de peso vivo (kg/ha/ano) de novilhas em 
pastagem de braquiária exclusiva e SSP
Diferença 
(%)
+ 9,3
+ 6,4 
+ 21,0
Paciullo et al. (2011)
Consumo PB = 538 g/nov/dia
Consumo PB = 607 g/nov/dia
Braquiária monocultivo
Silvipastoril
5. Agregação de renda - Produtos Florestais
Diversificação e estabilização
da renda do produtor
6. Oportunidade para responder à pressão 
por boas práticas na agropecuária
• Maior sequestro de carbono
• Conservação de solo
• Redução da pressão sobre floresta nativa
CO2
CH4
Pastagem Recuperada
Fermentação Entérica
CO2
Biomassa Florestal
Bosque 
secundário
Pastagem 
monocultivo
Pastagem 
degradada
Silvipastoril
Uso da terra
0
200
150
100
50
C
a
rb
o
n
o
 t
o
ta
l 
(t
/h
a
)
Armazenamento de carbono total em diferentes usos 
do solo na Nicaragua. (Adaptado de Ibrahim et al., 2007)
Veget. 
nativa
Eucalipto 
antigo (1985)
Silvipastoril 
antigo (1994)
0
80
60
40
20
C
 o
rg
â
n
ic
o
 d
o
 s
o
lo
 (
M
g
/h
a
)
Conteúdo de carbono orgânico do solo (1m profundidade) em 
diferentes usos do solo no Cerrado. (Tonucci, 2010)
160
120
140
100
Pastagem Silvipastoril 
novo (2004)
Eucalipto 
novo (2005)
abc
c
ab
a
bc
abc
0 80604020
B. brizantha + P. saman
B. brizantha + D. retusa
B. brizantha + D. robinioides 
B. brizantha monocultivo 
Carbono orgânico total do solo (Mg/ha)
Carbono orgânico do solo em três sistemas silvipastoris 
e em pastagem de Brachiaria. (Andrade et al., 2008)
0 80604020
B. brizantha + P. saman
B. brizantha + D. retusa
B. brizantha + D. robinioides 
B. brizantha monocultivo 
Carbono orgânico total do solo (Mg/ha)
Carbono orgânico do solo em três sistemas silvipastoris 
e em pastagem de Brachiaria. (Andrade et al., 2008)
ETAPAS DA IMPLANTAÇÃO DE SSP
1. Escolha das espécies
- Árvores
- Forrageiras
QUAL ESPÉCIE ARBÓREA ESCOLHER?
Definir objetivo do sistema e 
adaptação da espécie
ESCOLHA DA ESPÉCIE: ÁRVORES COM 
CARACTERÍSTICAS DESEJÁVEIS
• Adaptação ao clima e solos da região
• Finalidade do plantio – conhecer o mercado e sua
dimensão (potencial econômico)
• Rápido crescimento
• Tolerância a pragas e doenças
• Copa alta e pouco densa
Nome comum Nome científico
Acácia Acacia mangium
Acácia negra Acacia mearnsii
Amoreira Morus alba
Angico-mirim Mimosa arthemisiana
Angico-vermelho Anadenathera peregrina
Araucária Aracauria angustifolia
Bracatinga Mimosa scabrella
Cratília Cratylia argentea
Eucalipto Eucalyptus spp.
Gliricídia Gliricidia sepium
Leucena Leucaena leucocephala
Pinus Pinus spp.
Cedro-australiano Toona ciliata
(Adaptado de Garcia et al. 2005)
Espécies arbóreas usadas em SSP no Brasil
QUAL O MELHOR CAPIM PARA 
SISTEMAS SILVIPASTORIS ??
1. Adaptação a clima, solo, topografia, ...
2. Tolerância ao sombreamento
Sombra influencia produção de 
forragem
Duas questões importantes
Tolerância da espécie 
forrageira ao 
sombreamento 
(relacionada à 
plasticidade 
fenotípica)
Grau de redução da 
radiação 
fotossinteticamente 
ativa para o pasto 
(% de sombreamento) 
x
Plasticidade fenotípica = capacidade de ajuste 
em resposta às modificações ambientais
• Redução densidade perfilhos/aumento peso perfilhos
• Aumento da relação parte aérea/raiz
• Aumento da taxa de alongamento foliar e de colmos
• Aumento do comprimento da folha
• Aumento do teor de clorofila
• Redução do ponto de compensação de luz
REDUÇÃO DA RFA = SOMBREAMENTO
Produtividade de forragem
Arranjo espacial
(distribuição das árvores
na área, espaçamento)
Idade das árvores (altura, 
densidade de copa)
Espécie arbórea
Orientação do plantio
(leste/oeste – norte/sul)
Competição
árvore/pasto
Redução da radiação
Sombreamento intenso (mais 
de 50% radiação plena = 
redução acentuada da 
produção forragem)
Sombreamento moderado (até 
30-35% radiação plena = sem 
prejuízos para produção 
forragem )
Nome comum Nome científico
Brquiária decumbens Brachiaria decumbens
Braquiarão (Marandu) Brachiaria brizantha
Quicuio da Amazônia Brachiaria humidicola
Colonião, Tanzânia, Mombaça, 
Aruana, Vencedor
Panicum maximum
Panicum maximum
Bufell Cenchrus ciliares
Estrela Cynodon nlemfuensis
TOLERÂNCIA AO SOMBREAMENTO MODERADO
(Shelton et al., 1997; Carvalho et al., 1994; 
Castro et al., 1999; Paciullo et al., 2011)
2. ARRANJOESPACIAL DAS ÁRVORES
Distribuição espacial das árvores na área e 
espaçamento entre elas
Plantio em linha simples
Plantio em linhas duplas
Plantio com mais de duas linhas
Plantio em bosquetes
Árvores dispersas na pastagem
ÁRVORES DISPOSTAS EM RENQUE (LINHAS 
SIMPLES, DUPLAS OU MAIS)
• Plantio em nível x leste/oeste
• Espaçamento entre renques: 10 a 30 m 
• Espaçamento entre plantas na linha: 1,5 a 4,0 m
Arranjos Nº árv./ha Área/planta (m2)
10 x 4 m 250 40
15 x 2 m 333 30
20 x 1,5 m 333 30
27 x (3 x 2) m 333 30 
(3 x 3) + 15 m 370 27
18 x 1,5 m 370 27
(3 x 4) + 10 m 385 26
21 x (3x2) m 416 24
(3 x 3) + 10 m 512 19
Arranjos, densidades de plantio e área por árvore
3. Estabelecimento de árvores e
pasto e inserção dos animais
no sistema
1. Plantio de árvores em pastagem estabelecida
2. Plantio simultâneo de árvores e forrageiras
Proteção das mudas de árvores = animais 1º ano
Sem proteção mudas = animais no 2º ano*
Proteção – cerca elétrica
Foto: Marcelo Müller
Proteção – cerca 
elétrica
Manter limpa a faixa 
de plantio
1,5 a 2m
4,5 a 5m
Linhas duplas
3. Plantio de árvores antes do plantio das forrageiras
• Culturas anuais (milho e outras) por um ou dois anos
• Animais a partir do segundo ano
iLPF (agrossilvipastoril)
Foto: Companhia Mineira de Metais
Arroz + eucalipto Soja + eucalipto
Braquiária + eucalipto Pecuária + eucalipto
Práticas silviculturais
• Combate à formigas
• Preparo, correção e adubação do solo
• Manejo: desramas e desbastes
(qualidade da madeira, renda
intermediária, controle do sombreamento)
Manejo da pastagem
• Adubação do solo
• Período de descanso piquete
• Período de ocupação piquete
• Taxa de lotação adequada
• Suplementação na seca
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES
1) Definir objetivos do SSP e planejar etapas de 
implantação e condução do sistema
2) Conhecer as exigências de manejo das espécies
3) Plantar forrageiras tolerantes à sombra
4) Manejar árvores para sombra moderada
5) Não esperar produtividade máxima dos 
componentes e sim geração de retornos 
satisfatórios
Muito obrigado
domingos@cnpgl.embrapa.br

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