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A-Fisica-Dos-Anjos-Sheldrake

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e dos anjos. E os anjos nos despertarão.
Como os anjos estão íocaíizados?
Um anjo se encontra em um lugar por um contato de poder. Se 
alguém quiser chamar esse contato de ação (operatio), pois ã 
ação é o efeito genuíno do poder, pode dizer que um anjo está 
agindo em determinado lugar - desde que “ação” seja entendida 
como verbo que inclui não apenas movimento ativo (motio), 
mas qualquer tipo de conjunção (unitio) por meio da qual um 
anjo traz seu poder em conexão com o corpo, seja governando- 
o, contendo-o ou de alguma outra maneira.22 Não acontece de 
um anjo ser contido por um lugar, pois a aplicação do poder de 
uma substância espiritual a um corpo é, com efeito, a tomada do 
corpo por essa substância, e não o contrário. Assim, a alma hu­
mana está no corpo como o contendo, e não contida por ele. Da 
mesma forma, um anjo está em determinado espaço corpóreo 
não contido por ele, mas contendo-o.23
MATTHEW: Obviamente, é difícil falar sobre a presença de anjos em 
determinado lugar uma vez que eles, por definição, não têm corpo. Estar em 
um lugar parece ser uma qualidade de algo corpóreo. Fico impressionado 
com a maneira como Aquino identifica a presença dos anjos, relacionando-a
98 A FÍSICA DOS ANJOS
diretamente com suas ações. Um anjo está em um lugar na medida em que 
age sobre nele. Essa ação inclui não apenas movimento, mas também união 
ou conexão, talvez relacionamento.
A idéia de que os anjos não estão contidos por um lugar, mas que, na 
verdade, o contêm, é um pouco misteriosa. Torna a presença dos anjos dife­
rente do que estamos acostumados a ver com frequência.
RUPERT: Creio que a analogia mais próxima é, mais uma vez, dada pelos 
campos. Por exemplo, não diríamos que o campo gravitacional universal é 
contido pelo universo; diríamos que o universo é contido pelo campo. Da 
mesma forma, o campo eletromagnético, por meio da qual a luz viaja, con­
tém aquilo sobre o que está atuando. O campo eletromagnético que nos 
cerca agora, por meio do qual podemos ver as coisas e ser vistos, nos con­
tém; ele age sobre nós e nós agimos sobre ele.
Isso nos leva mais uma vez à questão dos anjos e dos fótons. Um fóton 
é um quantum de ação. Os fótons são localizados por meio de sua ação, as­
sim. como Aquino diz que os anjos são localizados. Há uma semelhança 
adicional no fato de o fóton não ser material, no sentido estrito da palavra. 
O fóton não tem massa. Em. outras palavras, não é realmente um corpo; ele 
é incorpóreo.
Penso que a ciência nos fornece importantes metáforas ou paralelos à 
idéia de que os anjos, mesmo imateriais e incorpóreos, são capazes de conter 
corpos e de estar presentes por meio de sua ação. Na verdade, é esse o sen­
tido da teoria quântica.
MATTHEW: Podemos chamar um campo de lugar?
RUPERT: Não, não podemos. Podemos dizer que um campo contém um 
lugar sobre o qual age. E os campos têm uma localização determinada; mas, 
se você fala sobre um campo que contém um elétron, por exemplo, dã a 
entender que o campo do elétron está disperso com uma probabilidade de­
crescente sobre uma distância infinita. Os campos não têm limites rígidos. 
Um campo magnético ao redor de um imã não tem margens nítidas; ele se 
espalha com força decrescente, indefinidamente. O campo gravitacional da 
Terra mantém a Lua em sua órbita e influencia o Sol e os planetas. Também 
tem influência sobre as estrelas e galáxias distantes, mas tão pequena que 
chega a ser insignificante.
Sáo Tomás de. A quino 99
m a t t h e w : Acho incrível que existam essas analogias entre o pensamen­
to de Aquino, a imaginação e o pensamento científico atual, É fascinante que 
a mente de Aquino, quando pensando sobre os anjos, adentre os tipos de 
relacionamento com os quais a ciência de hoje ainda está às voltas. Anjos e 
fótons aí estão.
Os anjos atuam em um íugar por vez
Quando relacionamos qualquer coisa a um poder único, nós a 
unificamos. Assim, quando relacionado ao poder universal de 
Deus, o universo inteiro é um uno; e, de forma semelhante, 
qualquer parte do universo, quando relacionada ao poder de um 
anjo, é una. Uma vez que um anjo está presente em um lugar na 
medida em que seu poder é aplicado a esse lugar, ele nunca se 
encontra em toda parte ao mesmo tempo, mas apenas em um 
lugar em um dado momento [...] Não é necessário que o lugar 
onde um anjo esteja seja espacialmente indivisível; pode ser di­
visível ou indivisível, maior ou menor, de acordo com as esco­
lhas do anjo, feitas de modo voluntário, para aplicar seu poder 
com maior ou menor intensidade. E o corpo todo, qualquer que 
seja, será como um lugar para ele.24
RUPERT: Aqui, a analogia com os campos surge com clareza ainda maior. 
Um campo é uma totalidade. Não é possível ter um pouco de campo mag­
nético, por exemplo. Se você cortar um imã em pequenos pedaços, cada 
qual será um imã completo com um campo magnético completo. Se você 
reunir os pedacinhos para formar um imã, todos os campos se juntam para 
formar um campo único.
É da natureza dos campos unificar as coisas sobre as quais eles atuam, 
relacionando-as como um todo. Por exemplo, o campo gravitacional do sis­
tema solar relaciona o Sol e os planetas entre si, conferindo unidade ao sis­
tema. Na biologia, os campos morfogenéticos que modelam o corpo têm a 
mesma qualidade. O campo morfogenético que forma um embrião de girafa
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reúne sob sua influência todos os órgãos em desenvolvimento, conforme 
cresce esse organismo; ele coordena seu crescimento para que possam se 
desenvolver e trabalhar juntos para formar uma girafa. O campo relaciona 
as partes como uma unidade, como um organismo vivo.
A visão de Aquino se encaixa bem com as modernas teorias dos cam­
pos, mas vai além. Essas teorias lembram o conceito medieval de alma como 
princípio organizador e abrangente de um corpo vivo. Aquino explica essa 
idéia e traça um paralelo entre a natureza abrangedora da alma e a maneira 
com que os anjos estão presentes nos lugares. Mas a ação dos anjos vai além 
da ação das almas ou dos campos; não é uma parte inconsciente e corriquei­
ra do curso da natureza - envolve consciência e escolha.
MATTHEW: Isso é algo que Aquino enfatiza quando diz que um anjo, 
voluntariamente, opta por aplicar seu poder em um corpo mais ou menos 
estendido. Existe uma escolha por parte do anjo, uma disposição e uma 
opção por ser criativo neste ou naquele lugar, conectado a estes ou àqueles 
corpos. Logo, uma opção de amor.
Amor angélico
A vontade dos anjos é amorosa por natureza.25 Os anjos não
podem ajudar a amar, por força da natureza.26
MATTHEW: Acho importante o fato de não estarmos lidando apenas com 
seres inteligentes, mas também com seres amorosos. Os poderes angélicos 
não são neutros. Einstein disse que a pergunta mais importante que pode­
mos fazer na vida é: “O universo é amistoso ou não?” Aquino afirma que os 
anjos, esses seres angélicos que governam o universo, são amorosos.
Não temos a propensão de analisar os campos como necessariamente 
amorosos. Eles cumprem seu papel no universo, que é sustentar e tornar as 
coisas possíveis. Mas aqui temos seres que também são protetores, amorosos 
e cuidadosos; temos a confirmação de que a interconectividade no universo 
não é apenas impessoal, mas depende de seres compassivos que amam e 
cuidam.
r u p e r t : Acho isso importante. O campo gravitacional unifica todo o 
universo. Assim como o amor, ele é unificador por natureza, mas geralmen­
te pensamos na atração gravitacional como um processo completamente in­
consciente. Introduzir o elemento da consciência vai muito além do concei­
to de campo da ciência contemporânea.
MATTHEW: E temos metáforas que relacionam gravidade e amor, como 
“cair de amor”. Se “desantropocentralizarmos” nosso idioma, poderemos per­
ceber como somos amados por forças cósmicas como os anjos. E, às vezes,

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