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Sumário 
 
Comunicação, linguagem e expressão 
Unidade 1 
 
1. Teoria da comunicação: 
elementos da comunicação 
elementos da comunicação 
Situações comunicativas com elementos da 
comunicação 
Ruídos na comunicação 
2. Teoria da comunicação: função da 
linguagem 
Elementos da comunicação 
Funções da linguagem por Roman 
Jakobson 
Intenções do emissor 
3. Comunicação, expressão e 
diversidade linguística 
Variação linguística 
Modalidades da língua 
Adequação linguística 
Unidade 2 
 
1. Comunicação oral 
Elementos de variação linguística 
Níveis de variação linguística 
Tipos de variação linguística 
Modalidades de fala e grau de formalidade 
Gêneros de cunho oral, textual e híbrido 
2. Estratégia de leitura – leitura 
textual ou literal 
Estratégias de leitura: concepções 
Leitura moderna e tradicional: diferenças 
Leituras verticais e horizontais 
Estratégias de leitura literal de um texto 
 
Contabilidade introdutória 
Unidade 1 
 
1. Conceitos e definições: 
contabilidade como planejamento 
e controle 
Conceitos e definições: contabilidade como 
planejamento e controle 
2. Campo de aplicação, finalidade e 
objetivos da contabilidade 
Campo de aplicação 
Finalidade da Contabilidade 
Objetividade da contabilidade 
O usuário 
Usuários internos: 
Usuários externos: 
Sócios, Acionistas e Proprietários de 
Quotas Societárias de Maneira Geral: 
Administradores, Diretores e Executivos 
dos mais Variados Escalões: 
Bancos, Capitalistas, Emprestadores de 
Recursos: 
Governo e Economistas Governamentais: 
3. Definições e características da 
situação patrimonial e 
componentes 
Definições e características da situação 
patrimonial 
Bens 
Direitos 
Obrigações 
Aplicações de recursos 
Unidade 2 
 
1. Conceitos e características das 
contas patrimoniais e de 
resultados 
Contas de resultado 
2. Estruturação de um plano de 
contas, agrupamento de contas do 
Balanço Patrimonial 
Estruturação de um plano de contas 
Agrupamento de contas do balanço 
patrimonial e de resultado 
Patrimônio liquido 
Contas de resultados 
Livros fiscais e contábeis, obrigatórios e 
auxiliares 
3. Esquema básico de escrituração 
contábil 
Equação fundamental da contabilidade 
Escrituração contábil 
Livros contábeis 
Definição de patrimônio 
Contas patrimoniais e contas de resultado 
 
Fundamentos da administração 
Unidade 1 
 
1. Conceito de empresa: atividade 
empresária e não empresária 
O conceito de empresa 
Atividade empresarial e atividade não 
empresarial 
Os diferentes tipos de sociedades 
decorrentes das atividades empresária e 
não empresária 
2. Introdução à administração 
Conceito e princípios da administração 
Funções da administração 
Eficiência e eficácia 
3. Definições e conceitos de gestão 
As funções da gestão 
O planejamento nos põe a caminho da 
realização de valor 
A organização reúne os recursos dos quais 
precisamos 
A liderança mobiliza as pessoasControle 
significa aprender e mudar 
A gestão exige todas as quatro funções 
Unidade 2 
 
1. Funções gerenciais 
Funções gerenciais dentro das 
organizações 
Fatores externos 
Fatores internos 
Administração por objetivos 
Fixação de objetivos 
Gerenciamento versus concretização de 
objetivos 
2. Tipos de gerente 
Modelos de liderança e suas atividades 
Comparando as lideranças 
Liderança nos tempos atuais 
Sensemaking: um auxílio para as lideranças 
atuais 
Sensemaking dentro das organizações 
Mudança organizacional e sensemaking 
3. TI, Habilidades e papeis gerenciais 
Habilidades e papéis gerenciais 
Papéis gerenciais 
Competências requeridas para uma 
gerência eficaz 
Perfil gerencial contemporâneo e a 
Tecnologia da Informação 
Tecnologia da Informação 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Comunicação, linguagem e 
expressão. 
Unidade 1 
Teoria da comunicação: elementos 
da comunicação. 
Elementos da comunicação 
Enquanto processo, a comunicação é 
indissociável do universo em que ocorre. 
Afinal, qualquer ato comunicativo está 
ligado a tudo (SOUSA, 2006). Mas, para 
compreender a realidade e os atos 
comunicativos, diversos teóricos 
desenvolveram modelos dos processos 
comunicacionais. Esses modelos são 
artefatos imaginativos, criados para 
compreender a realidade comunicacional. 
Portanto, você não deve entendê-los como 
espelho do real. 
Os elementos da comunicação foram 
evoluindo ao longo dos tempos e por meio 
de estudos. O primeiro foi proposto pelo 
filósofo Aristóteles (século IV a.C.), que 
apresentou um modelo básico. Este diz que 
para comunicar é preciso que exista 
alguém para transmitir a alguém um 
conteúdo, ou seja, três elementos: o 
emissor, o receptor e o conteúdo. 
Para Sousa (2006), todos os modelos são 
incompletos e imperfeitos, pois se tratam 
de reconstruções intelectuais e 
imaginativas da realidade. O autor cita 
inúmeros modelos entre os que propõem o 
estudo dos elementos de comunicação. 
Além do modelo de Aristóteles, há o 
modelo (ou paradigma) de Lasswell (1948), 
o modelo de Shanon e Weaver (1949), o 
Newcomb (1953), o modelo de Schramm 
(1954) e, ainda, o modelo de Roman 
Jakobson (1960). Outros modelos, como o 
da Escola de Palo Alto e o modelo de 
Maletzke, também são elencados. 
Entre os citados, você vai conhecer melhor 
o modelo de Roman Jakobson (2005). Ele é 
o mais recente e o mais utilizado em 
muitas áreas, como a literatura. O teórico 
construiu um modelo direcionado para o 
estudo da comunicação sob o prisma da 
linguística. 
Considere que o principal objetivo da 
linguagem é transmitir uma informação 
para um ou mais sujeitos. Para que essa 
comunicação ocorra, é necessário que haja 
compreensão dos elementos que fazem 
parte do processo comunicativo, certo? 
Conforme Jakobson, tais elementos são o 
emissor, o receptor, o canal, a mensagem, 
o código e o referente. O destinador envia 
uma mensagem ao destinatário. Para que 
seja operante, a mensagem precisa de um 
contexto para o qual remete. Esse 
contexto, apreensível pelo destinatário, 
ora é verbal, ora é suscetível de ser 
verbalizado. Posteriormente, a mensagem 
requer um código que seja comum aos 
dois, no todo ou, pelo menos, em parte. 
Enfim, a mensagem requer um canal físico 
e uma conexão psicológica entre 
destinador e destinatário, um contato que 
permita o estabelecimento da 
comunicação. A seguir, você pode ver esses 
fatores esquematizados na Figura 1. 
FIGURA 1 
Esses atos comunicativos podem acontecer 
com alguma intenção, seja ela explícita ou 
não. Jakobson elaborou esse esquema para 
mostrar como seis fatores essenciais, os 
chamados elementos da comunicação, 
operam para que a comunicação aconteça. 
A seguir, você pode compreender melhor 
cada um desses elementos: 
Emissor: também conhecido como 
referente, é quem emite a mensagem; 
pode ser um indivíduo ou um grupo. 
Mensagem: é o objeto da comunicação e é 
constituída pelo conteúdo das 
informações. Ou seja, é o conteúdo que o 
emissor quer transmitir. 
Canal: é a via de circulação da mensagem 
(voz, ondas sonoras, uma folha de papel, 
um blog, um livro). É o meio pelo qual a 
mensagem é transmitida. Pode ser por ar 
(ao falar), jornal, televisão, revista, 
internet, rádio, etc. Em Publicidadee 
Propaganda (PP), o canal se relaciona 
bastante com a mídia. 
Código: é o conjunto de regras, de signos e 
códigos utilizados para formar a 
mensagem. Para que a comunicação seja 
bem-sucedida, é preciso que o receptor 
compreenda o código usado pelo emissor. 
Como exemplos de código, você pode 
considerar: letras, idiomas, código morse, 
etc. 
Referente: é constituído pelo contexto, 
pela situação e pelos objetos aos quais a 
mensagem está relacionada. 
Destinatário: é aquele que recebe a 
mensagem, também chamado de receptor; 
pode ser uma pessoa ou um grupo de 
pessoas. 
Jakobson estabeleceu que cada um desses 
seis fatores determina uma diferente 
função da linguagem. O modelo mostra 
que a mensagem deve contar com um 
contexto, ou seja, precisa se referir a algo 
externo a ela. O modelo acrescenta, ainda, 
o contato. Este representa, 
simultaneamente, o canal físico em que a 
mensagem circula e as ligações psicológicas 
entre destinador e destinatário. Isso quer 
dizer que ambos só percebem a mensagem 
porque dominam o mesmo código. 
Fique atento 
No modelo proposto por Jakobson, a 
comunicação só se realiza se o receptor 
decodifica a mensagem transmitida pelo 
emissor. Ou seja, ela só acontece se o 
interlocutor entende a mensagem 
transmitida. Por exemplo, duas pessoas 
que vivem em países diferentes (Brasil e 
Japão) e que não conhecem a língua uma 
da outra utilizarão códigos diferentes. 
Portanto, a mensagem não será inteligível 
para ambas, impossibilitando o processo 
comunicacional. Mas, se, por exemplo, um 
brasileiro morador do Nordeste conversa 
com uma pessoa que vive no Sul, por mais 
que haja diferenças linguísticas, a 
comunicação ocorre, pois a língua é a 
mesma (no caso, a língua portuguesa). 
Situações comunicativas com elementos 
da comunicação 
Os elementos da comunicação podem 
aparecer em diferentes situações 
comunicativas, e um elemento específico 
pode se evidenciar como o mais 
importante. A seguir, você vai ver 
exemplos de situações que envolvem os 
elementos da comunicação, de acordo com 
alguns autores, especialmente Vanoye 
(1993). Em cada uma delas, um dos 
elementos é o principal da situação 
comunicativa. 
Exemplo 1: o governador de Santa Catarina 
envia uma mensagem à população do 
estado por meio de um porta-voz. Nesse 
caso, ele seria a fonte, e o porta-voz, o 
emissor. 
Exemplo 2: um professor envia um e-mail 
para os alunos avisando sobre o material 
para a próxima aula. Aqui, emissor e fonte 
são a mesma pessoa. 
Nesses casos, o foco da situação é o 
emissor da mensagem. Observe que a 
fonte é responsável pela codificação da 
mensagem que será enviada. Ela pode 
utilizar a comunicação oral, a escrita, bem 
como gestos, desenhos. Martins e 
Zilberknop (1997, p. 24) diferenciam o 
emissor da fonte da mensagem. Eles 
consideram que, em alguns contextos 
comunicativos, é possível perceber que a 
fonte (de onde se origina a mensagem) e o 
emissor (quem envia a mensagem) não são 
a mesma pessoa. 
Nos dois exemplos, a população de Santa 
Catarina e os alunos que receberam o e-
mail são os receptores, responsáveis pelo 
recebimento e pela decodificação da 
mensagem. A comunicação só ocorre 
efetivamente quando tiver a incidência de 
um comportamento verbal ou de uma 
atitude sobre a ação do destinatário. Isso 
quer dizer que, se os alunos responderem 
o e-mail, a comunicação será efetivada. 
Mas, se não responderem, você pode 
considerar que o ato comunicativo ocorreu 
da mesma forma, já que o silêncio também 
é uma forma de comunicação não verbal. 
Em outro exemplo de situação 
comunicativa, o foco é na mensagem. Esta 
possui o conteúdo das informações que 
foram codificadas para transmissão. Além 
disso, pode ser visual, auditiva, audiovisual. 
Além disso, pode ser visual, auditiva, 
audiovisual. Por exemplo, uma mensagem 
visual pode ser escrita com o alfabeto que 
você utiliza cotidianamente: Olá! Tudo bem 
com você? Ou ainda pode ser uma 
imagem, uma fotografia, ou mesmo um 
emoticon, como =) ou <3. 
Já a auditiva pode ser uma música, um 
áudio gravado por redes sociais ou pelo 
celular. A audiovisual pode ser um vídeo 
gravado pelo próprio emissor, ou retirado 
da TV, da internet, etc. 
Para enviar essa mensagem, são 
necessários códigos verbais ou não verbais. 
Quanto mais próximos emissor e receptor 
estiverem do repertório que ambos usam, 
maior será a probabilidade de a 
comunicação ser bem-sucedida, pois a 
decodificação ficará mais fácil. 
De acordo com Barros (2004, p. 31), “[...] 
códigos diferentes impedem a 
comunicação (a não ser que ela se 
estabeleça por outro código, que não o 
verbal, por exemplo, como ocorre na 
comunicação gestual entre falantes de 
línguas diferentes).”. O código pode passar 
também por uma flutuação. É quando um 
mesmo significante pode gerar mais de um 
significado. Veja o seguinte exemplo: 
“Bombril, bom de cozinha e bom de copa.” 
(CESAD, c2017) (Propaganda veiculada 
durante o período da Copa Mundial de 
1998). 
Aqui, o signo “copa” remete ao espaço de 
uma residência, mas também está 
relacionado à Copa Mundial de Futebol, já 
que a publicidade era veiculada no período 
da competição. Nesse contexto, o 
referente é o objeto ou a situação a que a 
mensagem remete ou se refere. Ele pode 
ser situacional ou textual. 
Saiba mais 
O referente situacional engloba os 
elementos da situação do emissor, do 
receptor e do contexto em que se dá a 
comunicação. Por exemplo: „ Venha aqui 
em casa e traga teus cadernos para 
estudarmos. O termo “aqui” se refere à 
situação espacial, e “venha e traga”, à 
temporal. O uso das palavras que mostram 
(pronomes demonstrativos, pronomes 
pessoais, tempos verbais, etc.) proporciona 
às línguas naturais uma grande agilidade. 
No entanto, as frases que veiculam esses 
elementos só podem ser compreendidas 
em estreita relação com determinadas 
situações. Já o referente textual engloba os 
elementos do contexto linguístico. Ou seja, 
ele surge quando se faz referência aos 
elementos contidos no próprio texto. Por 
exemplo: 
A garota trouxe os lápis, a borracha e a 
régua e os pôs sobre a escrivaninha que 
está no escritório. 
Compre tudo o que consta na lista: tomate, 
alface, pepino, pimentão e repolho. 
O canal é o meio pelo qual o emissor 
enviará a mensagem codificada para que o 
destinatário a descodifique. É todo e 
qualquer elemento físico usado para levar 
a mensagem até o receptor. O canal pode 
ser: natural ou tecnológico. O primeiro 
trata de meios sonoros (como a voz, as 
ondas sonoras, o ouvido); de meios visuais 
(como a excitação luminosa, a percepção 
da retina); de meios táteis (como a mão, a 
pele); de meio olfativo (o nariz); e ainda de 
meio gustativo (a língua). Já o canal 
tecnológico necessita de meios criados 
para transmitir a mensagem, como rádio, 
TV, telefone, entre outros. O canal deve ser 
escolhido considerando: 
o conteúdo da mensagem; 
os tipos de mensagem (isto é, se será 
verbal ou não verbal); 
os objetivos do remetente; 
as condições de recepção da mensagem, 
etc. 
fique atento 
Na comunicação, é necessário utilizar um 
código conhecido do destinatário e usar, 
preferencialmente, um código fechado. 
Nesse sentido, se deve respeitar a 
bagagem cultural de quem vai receber a 
mensagem, além, é claro, de escolher e 
utilizar o veículo adequado. Certos tipos de 
comunicação podem se dar por meio do 
uso simultâneo de diferentes códigos e 
canaisde comunicação; é o caso do 
cinema. 
Observe a Figura 2. Nela, você pode ver o 
emissor (o menino que fala com a menina), 
a mensagem (o que ele conversa com ela), 
o canal (que é natural, por meio da fala), 
além do código (que é um conjunto de 
signos verbais), do referente (que é 
textual) e do destinatário (que é a 
Mafalda). 
FIGURA 2 
Saiba mais 
Para saber mais sobre outros modelos de 
comunicação, leia Elementos de Teoria e 
Pesquisa da Comunicação e dos Media 
(SOUSA, 2006). 
Ruídos na comunicação 
Para que haja êxito na comunicação, todos 
os elementos precisam funcionar. 
Portanto, não podem ser perturbados por 
alguma barreira ou obstáculo. Quando isso 
acontece, se fala que há um ruído na 
comunicação. O ruído se trata de qualquer 
perturbação que impeça a mensagem de 
chegar devidamente ao receptor, 
interferindo na comunicação como um 
todo. 
As causas dessas barreiras podem ser 
inúmeras. Sousa (2006) explica que 
qualquer tipo de comunicação pode sofrer 
com ruídos, e, por vezes, algumas barreiras 
chegam a impedir a comunicação ou 
mesmo afetar a fluidez das trocas 
comunicacionais. Conforme o autor, essas 
barreiras podem ser (SOUSA, 2006): 
Físicas, como um obstáculo entre dois 
interlocutores que os impede de dialogar. 
Por exemplo: a queda no sinal de um 
telefone quando se está conversando via 
telefonia, ou a queda da internet, quando 
o diálogo se dá por redes sociais. 
Culturais, como o desconhecimento do 
código de comunicação dentro de uma 
cultura (saber uma língua, por exemplo, 
nem sempre é garantia suficiente para 
interpretar adequadamente uma 
mensagem). Por exemplo, um morador de 
Portugal e uma pessoa que vive no Brasil 
podem não se entender, mesmo falando a 
língua portuguesa. Isso ocorre pois em 
cada cultura determinados termos 
significam coisas diferentes, dificultando o 
entendimento. 
Pessoais, como a maneira de estar, de ser 
e de agir de cada sujeito envolvido na 
relação de comunicação, bem como as 
capacidades ou deficiências físicas pessoais 
que facultam ou dificultam a comunicação, 
etc. Por exemplo: uma pessoa que não 
sabe a língua de sinais terá dificuldades 
para conversar com alguém que usa a 
Libras. 
Psicossociais, como o estatuto e o papel 
social que os sujeitos envolvidos na relação 
comunicacional atribuem uns aos outros. 
Estes marcam uma dada distância social, 
ou a saturação dos sujeitos envolvidos na 
comunicação em relação ao tema que 
motiva o ato comunicacional. Problemas 
de relacionamento podem ser um exemplo 
de barreira causada por questões 
psicossociais. FIGURA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Teoria da comunicação: função da 
linguagem. 
Elementos da comunicação 
É impossível falar sobre funções da 
linguagem sem abordar os elementos da 
comunicação. Afinal, cada um deles dá 
origem a uma função linguística. Esses atos 
comunicativos podem acontecer de 
maneira intuitiva ou com alguma intenção, 
seja ela explícita ou não. Como você pode 
ver na Figura 1, Jakobson (2005) elaborou 
um esquema para explicar como operam 
os seis fatores essenciais para que a 
comunicação se realize, os chamados 
elementos da comunicação: 
FIGURA 1 
De acordo com o modelo, a mensagem 
precisa de um contexto. Ou seja, deve se 
referir a algo externo a ela mesma. Quanto 
ao contato, ele representa o canal físico 
em que a mensagem circula e as ligações 
psicológicas entre destinador e 
destinatário. Isso significa que ambos só 
percebem a mensagem porque dominam o 
mesmo código. Veja cada um dos 
elementos descritos: 
Emissor: também conhecido como 
referente, é quem emite a mensagem; 
pode ser um indivíduo ou um grupo. 
Mensagem: é o objeto da comunicação e é 
constituída pelo conteúdo das 
informações. Ou seja, é o conteúdo que o 
emissor quer transmitir. 
Canal: é a via de circulação da mensagem 
(voz, ondas sonoras, uma folha de papel, 
um blog, um livro). É o meio pelo qual a 
mensagem é transmitida. Pode ser por ar 
(ao falar), jornal, televisão, revista, 
internet, rádio, etc. 
Código: é o conjunto de regras, de signos e 
códigos utilizados para formar a 
mensagem. Para que a comunicação seja 
bem-sucedida, é preciso que o receptor 
compreenda o código usado pelo emissor. 
Como exemplo de código, você pode 
considerar: letras, idiomas, código Morse, 
etc. 
Referente: é constituído pelo contexto, 
pela situação e pelos objetos aos quais a 
mensagem está relacionada. 
Destinatário: é aquele que recebe a 
mensagem, também chamado de receptor; 
pode ser uma pessoa ou grupo de pessoas. 
Para Jakobson (2005), cada um desses seis 
fatores determina uma diferente função da 
linguagem, como você verá na próxima 
seção. 
Funções da linguagem por Roman 
Jakobson 
Lev Jakubinskij, em 1916, propôs, pela 
primeira vez, uma teoria que diferenciava 
um sistema de linguagem prática de um 
sistema de linguagem poética. Um pouco 
mais tarde, em 1921, Jakobson afirmou ser 
a poesia uma linguagem que se valia da 
função estética, num sentido autônomo da 
palavra sintonia. Entre os anos de 1933 e 
1934, o teórico identificou na poesia a 
função poética da linguagem, que se 
caracteriza como palavra e sintaxe que 
possui peso e valor próprios. Já em 1935, o 
formalista russo voltou a afirmar que o uso 
dominante da função poética da linguagem 
é da natureza da poesia, num sentido em 
que a linguagem se apresenta orientada 
para o signo enquanto tal. Anos depois, em 
1960, Jakobson retomou suas teorias sobre 
a função estética da linguagem no estudo 
“Linguística e poética”, com quadro teórico 
baseado na Linguística Geral e na Teoria da 
Comunicação (ANDRADE; MEDEIROS, 
1997). 
Então, partindo dos seis elementos, 
Jakobson (2005) elaborou estudos sobre as 
funções da linguagem, necessárias para a 
análise e a produção de textos. De acordo 
com o autor, as seis funções da linguagem 
são (JAKOBSON, 2005): função referencial, 
função emotiva, função conativa ou 
apelativa, função fática, função 
metalinguística e função poética. 
Em todo processo de comunicação, a 
linguagem é expressa de acordo com a 
função que se deseja enfatizar. No 
momento em que se estabelece uma 
comunicação verbal, um dos elementos 
apresentados prevalece e determina uma 
das funções. De acordo com esse modelo, 
a mensagem é o elo entre emissor e 
receptor. 
Desse modo, o esquema de comunicação 
de Jakobson (2005), se preenchido pelas 
funções da linguagem no lugar dos 
elementos, ficaria como na Figura 2. 
FIGURA 2 
Ou seja, cada elemento comunicativo 
possui intrinsecamente uma função. 
Observe a Tabela 1: 
TABELA 1 
A seguir, você pode conhecer melhor cada 
uma das funções da linguagem. 
Função referencial: está relacionada ao 
referente, que é o objeto ou a situação de 
que a mensagem trata. A função 
referencial privilegia justamente o 
referente da mensagem, buscando 
transmitir informações objetivas sobre 
este. A função referencial, voltada ao 
contexto, predomina nos textos de caráter 
científico, em textos dissertativos, técnicos 
e instrucionais. Além disso, é privilegiada 
nos textos jornalísticos, como notícias, 
reportagens. 
Exemplo (G1 RS, 2017): Começa campanha 
de arrecadação para projeto de Memorial 
às Vítimas da Kiss Publicada em 
21/08/2017 às 07h01mG1/RS A 
construção do Memorial às Vítimas da Kiss, 
para lembrar dos 242 mortos no incêndio 
da boate em Santa Maria em 2013, terá 
financiamento coletivo. A arrecadação 
começa nesta segunda-feira (21), com o 
lançamento de uma campanha para 
levantar os fundos. 
Um evento na Praça Saldanha Marinho, no 
centro da cidade, marcou o início da 
campanha pela manhã. A captação de 
recursos deve ocorrer até outubro. A 
iniciativa é da Associação dos Familiares de 
Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de 
Santa Maria (AVTSM). 
Função emotiva: com foco no emissor, é 
conhecida também como função 
expressiva. Imprime no texto as marcas de 
sua atitude pessoal, de sua subjetividade, 
como emoções, avaliações, opiniões. Ao ler 
o texto, o leitor sente a presença do 
emissor. É geralmente escrita em primeira 
pessoa e usa pontuações como as 
reticências e a exclamação. Como 
exemplos, você pode considerar: músicas, 
depoimentos, relatos, poesias. 
Exemplo (SEIXAS, 1976): Eu nasci há dez 
mil anos atrás (Raul Seixas) Um dia, numa 
rua da cidade, eu vi um velhinho sentado 
na calçada Com uma cuia de esmola e uma 
viola na mão O povo parou pra ouvir, ele 
agradeceu as moedas E cantou essa 
música, que contava uma história Que era 
mais ou menos assim: Eu nasci há dez mil 
anos atrás e não tem nada nesse mundo 
que eu não saiba demais. 
Função conativa ou apelativa: procura 
organizar o texto de forma que o emissor 
se imponha sobre o receptor da 
mensagem, com o intuito de persuadi-lo, 
seduzi-lo, influenciá-lo, convencê-lo, 
manipulá-lo. Nas mensagens em que 
predomina essa função, se busca envolver 
o leitor com o conteúdo transmitido, o 
levando a adotar este ou aquele 
comportamento. Alguns tipos de textos 
que possuem a função conativa ou 
apelativa são as campanhas publicitárias e 
as campanhas políticas. Observe um 
exemplo na Figura 3. 
FIGURA 3 
Função fática: está ligada ao canal de 
comunicação. Essa função acontece 
quando a mensagem se orienta sobre o 
canal de comunicação ou contato, 
buscando verificar e fortalecer sua 
eficiência. Normalmente, é usada quando o 
emissor testa o canal, com o objetivo de 
manter a comunicação. 
Exemplo: “Alô”, “Oi?”, “Entendeu?”, 
“Hum”. Exemplo (MENDEZ, 2010): Trecho 
de “Fofinhos”, de Luís Fernando Veríssimo 
— Alô, boneca. Silêncio — Eu topo Mais 
silêncio. — Como é, vamos? — O senhor 
quer fazer o favor de me deixar em paz? — 
Ah, quer dizer que o decalco aí atrás é 
falso? — Por favor... — O tal “Siga-me, 
estou indo para o motel” é papo furado, 
hein? 
Função metalinguística: nessa função, o 
emissor explica um código usando o 
próprio código. É a mensagem sobre a 
mensagem. A linguagem se volta sobre si 
mesma, se transformando em seu próprio 
referente. Quando isso acontece, ocorre a 
função metalinguística. Como exemplo, 
você pode considerar: textos sobre escrita, 
filmes sobre a indústria cinematográfica. 
Exemplo (DICIONÁRIO AURÉLIO DE 
PORTUGUÊS ONLINE, 2017): Verbete de 
dicionário Língua: s.f. Sistema de 
comunicação comum a uma comunidade 
linguística. 
Função poética: essa função é capaz de 
despertar no leitor prazer estético e 
surpresa. Ela se expressa na estrutura da 
mensagem. Assim, se utiliza da criação de 
ritmos, rimas, trocadilhos, tonalidade, etc. 
A manifestação da função poética da 
linguagem ocorre quando a mensagem é 
elaborada de forma inovadora e 
imprevista, utilizando combinações 
sonoras ou rítmicas, jogos de imagem ou 
de ideias. Como exemplo, você pode 
considerar poesias e campanhas 
publicitárias, como a da Figura 4 
FIGURA 4 
Fique atento 
Mesmo que cada função esteja ligada a um 
elemento comunicativo, elas não são 
exploradas isoladamente. De modo geral, 
ocorre a superposição de várias delas. O 
que acontece é que uma se sobressai, o 
que permite a identificação da finalidade 
principal do texto. 
Saiba mais 
Saiba mais sobre as funções da linguagem 
em Do texto ao texto: curso prático de 
leitura e redação (INFANTE, 1998). 
Intenções do emissor 
Considerando o arcabouço teórico de 
Roman Jakobson (2005), você certamente 
já compreendeu que todo evento 
comunicativo se constitui por um emissor, 
que tem o intuito de transmitir 
determinada mensagem a um receptor, 
dentro de um determinado contexto. Para 
tanto, o emissor utiliza um código e envia 
sua mensagem por um canal. Para o 
estudioso, dependendo da intenção de 
quem fala ou escreve, ou seja, do emissor, 
um desses elementos comunicativos será 
enfatizado nesse circuito. 
Nessa esteira, para compreender a 
mensagem e aprimorar o processo de 
leitura e produção de textos, é 
imprescindível entender as 
intencionalidades do emissor. Tais 
intenções podem ser inúmeras, como 
emocionar, esclarecer, persuadir, informar, 
manter contato, encantar, manipular, 
entre outras. Por exemplo, se o emissor 
pretende emocionar o receptor, a ênfase 
será no uso de verbos em primeira pessoa. 
Além disso, ele falará dos seus 
sentimentos, emoções e posicionamentos. 
Ainda que o foco da ação comunicativa 
seja um só, no caso do exemplo, de 
emocionar, a mensagem pode servir para 
várias outras funções. Assim, você 
dificilmente encontrará uma única função 
da linguagem; o que terá é apenas a 
prevalência de uma sobre as outras. Sobre 
isso, Chalhub (1990, p. 8) diz que: 
Numa mesma mensagem [...] várias 
funções podem ocorrer, uma vez que, 
atualizando concretamente possibilidades 
de uso do código, entrecruzam-se 
diferentes níveis de linguagem. A emissão, 
que organiza os sinais físicos em forma de 
mensagem, colocará ênfase em uma das 
funções – e as demais dialogarão em 
subsídio. 
Nesse sentido, a ênfase dada a um dos 
elementos na construção da mensagem 
não descarta o uso dos outros. O que 
ocorre é que a utilização de mais de um 
elemento colabora para o resultado final 
proposto pelo emissor 
Fique atento 
A partir da intencionalidade, o emissor fará 
escolhas linguísticas para chegar ao seu 
objetivo. Assim, ao enfatizar algum 
recurso, ele necessita ativar sua 
capacidade criativa e levar em 
consideração se o receptor terá capacidade 
de responder a ela. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Comunicação, expressão e 
diversidade linguística. 
Variação linguística 
Uma língua viva sempre apresenta 
variações. Isso significa que, enquanto uma 
língua tiver falantes nativos, ela será 
dinâmica e heterogênea (FARACO, 2008). 
Com o passar do tempo, ela passará por 
mudanças e, se estas forem grandes 
demais, pode até se tornar uma outra 
língua, ou outras, como aconteceu, por 
exemplo, com o Latim e as línguas 
românicas que dele se originaram. Se você 
ler um texto de épocas passadas, poderá 
encontrar diferenças, tais como aquelas 
encontradas em palavras, expressões, até 
mesmo na estrutura (para exemplos ver 
textos de romances do período Realista ou 
Naturalista, como os de Machado de Assis 
e Aluísio de Azevedo). Essa diferença pode 
ser observada também entre falantes de 
diferentes gerações. 
A língua também é influenciada pelo 
espaço. Pense em um lago e em atingir sua 
superfície atirando várias pedras. Cada 
uma delas gerará ondulações e, em alguns 
pontos, irão se encontrar e se afetar umas 
às outras. Com a língua ocorre um 
fenômeno análogo, zonas próximas 
apresentam maior similaridade e são 
reconhecidas e diferenciadas, porém,conforme se afastam, as diferenças vão se 
tornando maiores, devido à experiência 
dos falantes, assim como a influência de 
outras comunidades linguísticas, de outras 
línguas. Nesse aspecto, o processo de 
colonização, imigração e migração, assim 
como a presença de diferentes tribos 
autóctones, tem fortes consequências. É 
possível observar a distância entre as 
diferentes regiões do país, e, até mesmo, 
dentro dos estados. 
Outra grande variável que se pode elencar 
é quanto ao indivíduo. Nesta, é possível 
identificar a influência do lugar onde o 
indivíduo cresceu, seu grau de contato com 
a cultura letrada, seu círculo social (mais 
informal, menos informal, entre outros). 
Esse âmbito é o que permite a 
identificação de estilo de um indivíduo 
inserido em uma comunidade linguística, 
ou seja, o que o distingue linguisticamente 
(ainda que não exclusivamente). 
Fique atento 
Comunidade linguística é um agrupamento 
de falantes que têm características 
linguísticas em comum (BELINE, 2014). 
Qualquer língua que ainda seja natural 
(diferentemente de línguas artificiais, como 
Klingon e Dothraki) tem variação, isto é, 
varia no tempo e no espaço (objeto de 
estudo da sociolinguística variacionista) e 
também de um indivíduo para outro, 
modificando-se até quando utilizada por 
um mesmo indivíduo em diferentes 
situações (objeto de estudo da 
sociolinguística interacional). 
Linguisticamente, não há uma variedade 
linguística melhor, mais bonita ou mais 
desenvolvida do que outra. Qualquer que 
seja a variedade, ela será igualmente 
válida, rica e desenvolvida. A valorização 
de uma em detrimento de outra é social, 
isto é, a sociedade (ou parte dela) que 
classifica uma variedade positiva ou 
negativamente. 
Algumas variedades são estigmatizadas, 
como, por exemplo, as do interior dos 
estados em relação às das regiões 
metropolitanas, as de classes sociais 
menos prestigiadas e menos escolarizadas 
em relação às mais prestigiadas e mais 
escolarizadas (BAGNO, 1999; FARACO, 
2008; GÖRSKI; COELHO, 2009). É comum, 
com essa postura, encontrar afirmações 
como: “eu não sei português”, “fala feio”, 
“antes de aprender inglês, francês, tinha 
que aprender português”, “matou a língua 
portuguesa”; todas com relação a falantes 
nativos. Ao dizer isso, a pessoa expõe 
desconhecimento sobre a realidade 
linguística e também sobre o preconceito 
linguístico. De acordo com Görski e Coelho 
(2009, p. 82), “[...] muitas pessoas acham 
que falar uma variedade diferente da 
variedade padrão é um problema sério 
para a sociedade, uma manifestação de 
inferioridade. Sempre que isso acontece, a 
língua se torna um veículo de preconceitos 
e exclusões.” 
Segundo Faraco (2008), todas as 
variedades linguísticas têm uma própria 
norma, isto é, um conjunto de 
características que lhes são normais, 
envolvendo aspectos fonéticos 
(identificados no sotaque), lexicais, 
semânticos, sintáticos e, às vezes, até 
pragmáticos. Contudo, saindo do âmbito 
linguístico, norma é entendida como um 
conjunto de regras que normatizam a 
forma como os falantes deveriam utilizar a 
língua. Esse tipo é chamado pelo autor de 
norma padrão, um “ideal” artificial que, 
apesar de defendido, nenhum falante 
utiliza de fato (é aquela encontrada nas 
gramáticas mais tradicionais, normativas e 
não linguísticas). Para ele, a norma 
associada aos grupos mais escolarizados é 
a norma culta. Essa seria comum aos 
falantes de áreas urbanas em situações 
mais formais, principalmente na escrita, e 
seria balizada pela linguagem urbana 
comum. 
Modalidades da língua 
Além da variação que as línguas 
apresentam, elas também podem ter mais 
de uma modalidade. A língua portuguesa, 
por exemplo, apresenta as modalidades 
oral e escrita, mas nem todas as línguas são 
assim. Algumas apresentam apenas a 
modalidade oral, sendo denominadas 
ágrafas. 
A modalidade oral, sempre primeira com 
relação à escrita, sofre e aceita mudanças 
muito mais rapidamente. Ela é mais 
dinâmica, seja por ser mais propensa à 
variação e à mudança, seja por causa do 
“jogo” comunicativo como palco e fonte. 
Ela influencia as mudanças na modalidade 
escrita, que, por sua vez, tem o poder de 
“frear” a modalidade oral. Com o advento 
da imprensa, esse poder foi intensificado. 
Entretanto, a modalidade escrita continua 
sendo uma representação da oral, 
dependendo de convenções para sua 
inteligibilidade (como ortografia e uso do 
mesmo alfabeto), bem como para questões 
políticas. 
Fique atento 
A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é, 
como o nome diz, uma língua, e não uma 
modalidade da língua portuguesa. A LIBRAS 
apresenta, como qualquer outra língua, os 
sistemas fonológico (em sentido um pouco 
diferente), morfológico, sintático e 
semântico. Além disso, ela é uma língua 
natural e, consequentemente, também 
apresenta variação. 
Apesar de a modalidade oral ser mais 
identificada em registros mais informais, 
ela também ocorre em situações mais 
formais. Da mesma forma, a modalidade 
escrita, que é mais identificada em 
registros formais, ocorre em situações mais 
informais. Assim, uma conversa de texto 
por aplicativos e redes sociais irá se 
aproximar mais da oralidade, ao passo que 
uma palestra acadêmica, da escrita. Essa 
identificação advém de a oralidade 
permitir a realização da comunicação 
linguística de modo mais natural, menos 
rígido e menos regrada quando comparada 
com a escrita, principalmente quando se 
desconsidera a mudança que a cultura 
digital trouxe. Antes, por exemplo, não era 
considerado diálogo uma conversa que não 
fosse feita pessoalmente ou por telefone, 
entretanto, com a mudança de paradigma 
causada pela cultura digital, é contrassenso 
não considerar como diálogo as conversas 
por aplicativos, como Whatsapp, 
Messenger, entre outros. 
Desconsiderando-se um pouco o 
paradigma da cultura digital, qualquer 
produção, seja oral ou escrita, tem uma 
audiência (um destinatário) real ou 
imaginário. Algumas manifestações 
permitem uma interação maior entre os 
envolvidos, que, então, intercalam-se no 
papel de locutor e interlocutor. Na 
modalidade oral, quanto mais informal for 
a situação, mais interrupções e 
sobreposições serão possíveis. Além disso, 
é comum mudanças de estilo estrutural, 
sentenças incompletas na oralidade, que, 
na escrita, tornam-se difíceis de 
compreender. A escrita, enquanto 
representação da fala, apresenta menor 
possibilidade de interferência, mas permite 
que se pense, planeje e revise o texto 
antes de liberá-lo. 
Adequação linguística 
No âmbito acadêmico e profissional, você 
terá de lidar com situações que exigirão 
uma ou outra modalidade (ou até as duas, 
em conjunto). Seja qual for a modalidade a 
ser usada e em qual situação, a adequação 
linguística será fundamental. O uso da 
língua por um falante é sempre 
influenciado por uma série de fatores, 
alguns dos quais foram mencionados 
anteriormente. Em certas situações, é 
esperado o uso de um nível de fala mais 
formal, assim como uma determinada 
norma, como a culta, ao passo que, em 
outras, ocorre o oposto. Essas escolhas 
seriam feitas tendo em vista um fi m 
comunicativo, em outras palavras, como 
atingir da melhor forma um objetivo (ou 
uma série deles). Quanto a isso, até mesmo 
a escolha por não seguir o que se esperaria 
pode ser um meio de conseguir sucesso. 
Fique atento 
Tipos de variação 
Variação diatópica é aquela que ocorre em 
decorrência da região, porexemplo: 
jerimum versus abóbora, mexerica versus 
bergamota, rótico velar (“erre” forte — 
comum no Rio Grande do Sul) versus rótico 
uvular (“erre” forte, caipira — comum no 
interior paulista), etc. 
Variação diastrática é aquela comum a 
estratos sociais, por exemplo: classes mais 
ou menos prestigiadas, advogados, 
influenciadores digitais (que ainda varia de 
acordo com o campo de interesse), etc. 
Variação diafásica é aquela que ocorre em 
função do contexto comunicativo, por 
exemplo: mais ou menos informal, mais ou 
menos afetiva, mais ou menos técnica, etc. 
Variação de registro é um tipo de variação 
diafásica e diz respeito ao nível de 
formalidade ou de informalidade. 
A experiência permite que o falante force 
os limites entre normas e entre níveis de 
fala, do mais formal ao mais coloquial. 
Entretanto, quando ainda não se tem essa 
experiência, algumas orientações se 
tornam úteis. Algumas são mais ou menos 
assumidas como instintivas, outras já 
seguem certos padrões estabelecidos (por 
exemplo, por gêneros textuais ou por 
contexto comunicativo). 
O meio acadêmico apresenta uma grande 
variação de contextos comunicativos, de 
conversas informais com amigos a 
produções formais, como tese de 
doutorado e respectiva defesa oral. 
Considerando-se os textos e discursos 
comuns a esse meio, alguns permitirão 
uma linguagem coloquial, enquanto 
outros, não, de uma linguagem urbana 
comum à norma culta. No Quadro 1, são 
apresentados alguns gêneros textuais, uma 
breve definição e a linguagem esperada. 
Gênero textual – Caracterização – 
Linguagem 
Memorial - Do tipo acadêmico, é uma 
apresentação textual da trajetória 
acadêmica de uma pessoa de modo mais 
detalhado do que o currículo (que 
apresenta os dados através de tópicos). - 
Norma culta. 
Resumo - Apresenta as principais ideias de 
um outro texto ou trabalho, de modo 
conciso, objetivo, coeso e coerente. - A 
linguagem tende a seguir o estilo do 
original, porém, do acadêmico, espera-se a 
norma culta. 
Entrevista - É um diálogo a princípio 
planejado, pois pelo menos uma das partes 
terá se preparado. Consiste em perguntas 
feitas a um entrevistado. Ela pode ser feita 
inteiramente de forma oral, mista (quando 
as perguntas são passadas por escrito para 
que o entrevistado possa se preparar, ou 
quando é transcrita) ou escrita. - A 
linguagem será determinada pelo 
contexto, mais informal ou mais formal. 
Em contexto acadêmico, é comum a 
entrevista de teóricos e pesquisadores, e, 
nesse caso, a linguagem será mais formal. 
Manifesto - É um texto em que um grupo 
de pessoas ou entidades expressam sua 
opinião sobre uma situação-problema. - A 
linguagem pode apresentar uma 
formalidade maior, por meio do uso da 
norma culta, ou um pouco menos formal, 
por meio da linguagem urbana comum. 
Ensaio - Consiste em um texto 
argumentativo acerca de um assunto. - 
Norma culta. 
Procuração - É um documento legal em 
que uma pessoa dá à outra o poder para 
tomar decisões, cuidar de propriedades ou 
negócios no seu lugar. - Linguagem mais 
formal, preferência da norma culta. 
Editorial - É um texto argumentativo que 
expressa a posição de um jornal ou revista 
sobre um assunto. - Linguagem mais 
formal, podendo apresentar elementos 
coloquiais, bem como se manter na norma 
culta. 
Edital - É um documento público que visa a 
comunicar, informar, convocar sobre 
determinado assunto. É comum em 
concursos, informando regras, requisitos, 
datas. - Norma culta. 
Certificado - É um documento 
comprobatório acerca da participação de 
alguém em algum evento ou acerca da 
verdade sobre algo. - Norma culta. 
Ata - É um registro resumido do que foi 
discutido ou tratado em uma reunião, 
assembleia, sessão. - Linguagem mais 
formal, preferência da norma culta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade 2 
Comunicação oral 
Elementos de variação linguística 
A necessidade de se comunicar é natural 
aos seres humanos. A fim de que 
diferentes formas de comunicação 
ocorram, ele utiliza linguagens. Por meio 
delas, é possível realizar trocas. A 
linguagem é a capacidade que o ser 
humano tem de se comunicar. Ela pode ser 
verbal e não verbal. Para Jakobson (2008), 
a linguagem é um dos sistemas de signos 
que pode ser usado como meio de 
comunicação entre sujeitos. 
Já o código é o conjunto de possibilidades 
que proporciona a comunicação e, junto 
com a linguagem, vai permitir que se 
construa uma língua. Esta caracteriza um 
povo, uma sociedade. A língua pode ser 
padrão, (ou língua formal e norma culta) 
ou informal (ou linguagem coloquial, a que 
se usa no dia a dia). Assim, o uso que cada 
indivíduo faz da língua é a fala, que pode 
ser também formal ou informal. 
Variação linguística é a capacidade que a 
língua tem de se transformar e se adaptar 
de acordo com alguns componentes, como 
o histórico, o social, o regional e o estilo 
por meio do qual os indivíduos se 
manifestam verbalmente. Ela é um 
movimento natural da língua, já que o 
sistema linguístico não é unitário e 
comporta vários eixos de diferenciação. 
Assim, a variação pode ocorrer em um ou 
em vários subsistemas de uma língua, seja 
fonético, morfológico, fonológico, 
sintático, léxico ou semântico, 
promovendo a evolução da língua. 
Níveis de variação linguística 
Todo idioma se estabelece em vários 
níveis. Estes estão relacionados à forma de 
pronunciar as palavras, que seria o nível 
fonético-fonológico. Também se 
relacionam com a maneira de organizar os 
enunciados, no caso a sintaxe. Além disso, 
têm relação com a maneira de escolher as 
palavras, que tange ao lexical ou vocabular. 
Ainda estão em jogo o modo de dar 
sentido aos vocábulos, que é o nível 
semântico, ou mesmo a maneira como a 
palavra é escrita ou utilizada, no caso o 
nível morfológico. Observe alguns 
exemplos: 
Nível fonético-fonológico: está relacionado 
à diversificação das maneiras de 
pronunciar palavras ou expressões. Por 
exemplo, gaúchos, cariocas e nordestinos 
falam de forma diferente. 
Nível morfossintático: ocorre na variação 
da estrutura dos enunciados, como na 
organização em períodos. Também há a 
conjugação de verbos irregulares como se 
fossem regulares. Exemplo: “manteu” em 
vez de “manteve”, “ansio” quando o 
correto é “anseio”. Outro exemplo é o fato 
de que em algumas regiões do Brasil se fala 
“você vai” e em outras “tu vais” ou “tu 
vai”. 
Nível vocabular: diz respeito à utilização de 
diferentes palavras para representar o 
mesmo objeto, fenômeno ou ser. Por 
exemplo: os termos moleque, garoto, 
menino e guri significam a mesma coisa, 
assim como mandioca, aipim e macaxeira. 
Outro exemplo de nível vocabular de 
variação linguística é o uso de gírias. 
Nível semântico: esse nível está 
relacionado à variação no sentido que as 
palavras adquirem ao longo do tempo, do 
espaço ou em diferentes grupos sociais. Em 
Portugal, por exemplo, se usa a palavra 
alcatrão com um sentido diferente do uso 
brasileiro. Aqui, alcatrão é um dos 
componentes do cigarro; lá, se refere ao 
asfalto. 
Tipos de variação linguística 
No Brasil, a língua portuguesa possui 
diversos linguajares e é falada de várias 
maneiras. Essas variações linguísticas são 
bastante evidentes. Afinal, cada região 
teve sua história socioeconômica e por isso 
possui peculiaridades linguísticas. Tais 
diferenças são compreendidas por meio 
dos elementos de variação linguística,como questões históricas, geográficas, 
sociais e de estilo. 
A variação linguística histórica é a maneira 
como a língua evolui ao longo do tempo. 
São as mudanças que a língua sofreu ao 
longo da história. Como exemplo, 
considere o pronome você. Ele se originou 
da expressão vossa mercê, passou para 
vosmecê, virou vancê e chegou ao termo 
que se usa atualmente: você. Isso quer 
dizer que a palavra evoluiu e se 
transformou ao longo do tempo. 
Já a variação regional é chamada também 
de diatópica. Ela está relacionada com 
palavras ditas em regiões diferentes, mas 
que significam a mesma coisa. Por 
exemplo: aipim, mandioca e macaxeira são 
três palavras diferentes usadas para 
designar a mesma coisa. Aqui também 
entra a parte fonética, como a forma de 
pronunciar certas letras. O “r” no meio das 
palavras, por exemplo, é pronunciado de 
forma diferente no Paraná e no Rio de 
Janeiro. Isso muda de acordo com a região. 
A variação social ou diastrática tem a ver 
com os diferentes grupos sociais e com os 
contrastes na linguagem. Pode ser por 
idade: quando o avô conversa com a neta, 
as falas são diferentes. Por exemplo: “Seu 
avô era um pão” e “Aquele menino é meu 
crush”. 
Saiba mais 
É difícil falar em diferenças culturais e 
variações de linguagem sem abordar o 
preconceito linguístico. O estudioso 
Marcos Bagno, em seu livro Preconceito 
linguístico: o que é, como se faz, recusa a 
noção que separa o uso da língua em certo 
e errado. O autor apresenta alguns mitos 
sobre o preconceito linguístico, de modo a 
instigar seu combate no dia a dia. Para 
Bagno, o preconceito linguístico está 
ligado, em boa medida, à confusão que foi 
criada, no curso da história, entre língua e 
gramática normativa. Para o autor, esse 
preconceito é alimentado diariamente, 
especialmente pela mídia e por livros e 
manuais que pretendem ensinar o que é 
“certo” e o que é “errado”. Além disso, os 
instrumentos tradicionais de ensino da 
língua, que são a gramática normativa e os 
livros didáticos, também contribuem para 
esse preconceito. De acordo com Bagno 
(1999), o preconceito linguístico se baseia 
na crença de que só existe uma única 
língua portuguesa digna deste nome. Esta 
seria a língua ensinada nas escolas, 
explicada nas gramáticas e catalogada nos 
dicionários. Para Bagno (1999, p. 42): 
“Qualquer manifestação linguística que 
escape desse triângulo escola-gramática- -
dicionário é considerada, sob a ótica do 
preconceito linguístico, ‘errada, feia, 
estropiada, rudimentar, deficiente’, e não é 
raro a gente ouvir que ‘isso não é 
português’. Um exemplo. Na visão 
preconceituosa dos fenômenos da língua, a 
transformação de L em R nos encontros 
consonantais como em Cráudia, chicrete, 
praca, broco, pranta é tremendamente 
estigmatizada e às vezes é considerada até 
como um sinal do ‘atraso mental’ das 
pessoas que falam assim. Ora, estudando 
cientificamente a questão, é fácil descobrir 
que não estamos diante de um traço de 
‘atraso mental’ dos falantes ‘ignorantes’ do 
português, mas simplesmente de um 
fenômeno fonético que contribuiu para a 
formação da própria língua portuguesa 
padrão.” 
Classe social também pode apontar 
variações de linguagem. Isso tem a ver com 
o tipo de cultura com que você tem 
contato. Além disso, o grupo social em que 
os indivíduos estão inseridos, como nerds, 
skatistas, surfistas, indica variação. Se você 
não faz parte de determinado grupo, pode 
não entender parte da linguagem utilizada 
por ele. 
A variação de estilo ou diafásica é a que 
tem relação com a situação de uso da 
língua, do que é e do que não é adequado. 
O estilo pode ser formal e informal, padrão 
e não padrão, coloquial e culto. O modo de 
usar a língua vai se adequar ao momento. 
Por exemplo: diante de um juiz, o sujeito 
vai formalizar a língua, mas quando está 
com a família, amigos ou em intimidade, a 
tendência é falar informalmente. 
Saiba mais 
Você pode encontrar os mesmos tipos de 
variação com outros termos, escritos por 
outros teóricos, como Marcos Bagno. O 
pesquisador explica que há diferenças 
entre os termos utilizados nas definições 
de variações linguísticas. Observe (BAGNO, 
2007): 
Dialeto: uso da língua em determinada 
região. 
Socioleto: variedade linguística de 
determinado grupo com características 
(sociais, profissionais, econômicas) 
comuns. 
Cronoleto: variedade de certa faixa etária. 
Idioleto: modo de falar característico de 
um indivíduo. 
Fique atento 
A transcrição da língua falada é um recurso 
cada vez mais explorado pela literatura, 
tendo em vista a vivacidade que dá ao 
texto. Observe, no trecho a seguir, algumas 
das características da língua falada. Você 
pode perceber, por exemplo, o uso de 
gírias e de expressões populares e 
regionais, além de incorreções gramaticais 
e repetições. “– Menino, eu nada disto sei 
dizer. A outro eu não falava, mas a ti eu 
digo. Eu não sei que gosto tem esse bicho 
de mulher. Eu vi Aparício se pegando nas 
danças, andar por aí atrás das outras, 
contar histórias de namoro. E eu nada. 
Pensei que fosse doença, e quem sabe não 
é? Cantador assim como eu, Bentinho, é 
mesmo que novilho capado. Tenho 
desgosto. A voz de Domício era de quem 
falava para se confessar: – Desgosto eu 
tenho, pra que negar?…” (REGO, 1979). 
Modalidades de fala e grau de 
formalidade 
As modalidades são as diferenças 
presentes entre fala e escrita. Isso porque 
na língua falada há, entre falante e ouvinte, 
uma interação direta. Já na língua escrita, a 
comunicação ocorre geralmente sem a 
presença de um dos sujeitos participantes. 
Estando próximos durante a troca, falante 
e ouvinte podem utilizar diversos outros 
elementos signifi cativos que 
complementam o discurso verbal no 
processo de comunicação. Há, por 
exemplo, gestos, entonação, expressões 
faciais, entre outros. 
Vistas como práticas sociais, já que o 
estudo da língua se funda em usos, as duas 
modalidades de fala da língua portuguesa 
são a oral e a escrita (MARCUSCHI, 2001, p. 
1). Como manifestação da prática oral, a 
fala é adquirida de modo natural em 
contextos informais do dia a dia. Também 
se desenvolve nas relações sociais que se 
estabelecem desde o momento em que 
uma criança nasce e tem os primeiros 
contatos com a mãe. Desse modo, o uso da 
língua natural e o aprendizado são formas 
de socialização e inserção cultural. 
É necessário identificar os elementos que 
fazem parte da situação comunicativa para 
compreender e analisar adequadamente 
um texto, seja ele falado ou escrito. Nesse 
caso, os componentes seriam falante – 
ouvinte/escritor – e leitor. Além disso, é 
importante considerar as condições em 
que cada texto foi produzido. São elas que 
possibilitam a ação social ou de interação 
que é estabelecida entre os sujeitos. Além 
disso, elas são distintas em cada 
modalidade. A fala, por exemplo, possui 
como características, entre outras tantas, o 
uso da palavra sonora e a interação face a 
face. Portanto, requer a presença dos 
interlocutores no mesmo espaço físico e de 
tempo; o planejamento simultâneo ou 
quase simultâneo à execução; a 
espontaneidade e o imediatismo. Além 
disso, pode ser repetitiva e redundante. Ela 
considera o contexto extralinguístico e 
possui recursos como signos acústicos e 
extralinguísticos, gestos, entorno físico e 
psíquico. 
No texto oral, você pode encontrar 
características inerentes à língua falada. 
Há, por exemplo, os marcadores 
conversacionais. Elessão elementos típicos 
da fala que não integram o conteúdo do 
texto, apresentando valor tipicamente 
interacional. Por exemplo: “bom”, “eu 
acho que”, “quer dizer”, “então”, 
“entende?” e “né?”). Há também as 
marcas prosódicas. Elas estão relacionadas 
à pronúncia. Um exemplo são os 
alongamentos, como nos termos “ouVIR::” 
e “faLAR::” (marcados com ::). Outros 
exemplos são a entonação enfática, assim 
como nas palavras do exemplo anterior, 
“ouVIR::” e “faLAR::” (marcado com ::); e as 
hesitações, como “na medida em que... 
ahn” (uso do marcador “ahn” associado ao 
alongamento é uma marca prosódica). 
Outra característica é a repetição. Por 
exemplo: “O rádio de pilha, né? Quer dizer, 
o rádio de pilha”. A correção é outra das 
características, por exemplo: “O rádio eu 
acho que tem um papel até... numa certa 
medida... ele provocou pelo alCANce que 
tem uma revolução até maiOr do que a 
televisão...”. E há ainda a paráfrase. Ela é a 
relação de equivalência semântica: 
“através do rádio de pilha... ele pôde se 
ligar ao resto do mundo, saber que existem 
outros lugares, outras pessoas, que existe 
um governo...” (ANDRADE, 2011). 
Você deve observar também os graus de 
formalidade que se usam na fala. 
Geralmente, em uma situação formal, o 
indivíduo culto procura seguir as regras da 
língua e conversar usando a norma culta, 
procurando também não usar vocabulário 
vulgar. Há pelo menos dois níveis de língua 
falada: a culta ou padrão e a coloquial ou 
popular. Além dessas, a linguagem 
coloquial também é registrada quando há 
o uso de gírias, na linguagem familiar, na 
linguagem vulgar e nos regionalismos e 
dialetos. 
Fique atento 
De acordo com Marcuschi (2000), tanto a 
variedade escrita quanto a falada 
apresentam: língua padrão/variedades não 
padrão; língua culta/língua coloquial; 
norma padrão/ normas não padrão. Afinal, 
a língua em si não é um sistema único e 
abstrato, mas heterogêneo e repleto de 
variação. 
Com relação às nomenclaturas, Bagno 
(2001) questiona a que tipo de norma culta 
se referem aqueles que lidam direta ou 
indiretamente com a língua portuguesa, já 
que há dois sentidos para o termo: (1) o 
que é norma, frequente e habitual; ou (2) o 
que é normativo, elaborado, regra 
imposta. De acordo com o teórico, o 
primeiro conceito está ligado à linguagem 
que é empregada para designar formas 
linguísticas existentes na realidade social. 
Já o segundo sentido é o mais difundido. 
Ele tem circulação maior na sociedade e já 
se tornou senso comum, virando mais um 
preconceito do que um conceito. Isso pois 
trata a língua como única e estática, como 
se existisse apenas uma maneira certa de 
falar ou discorrer. Bagno propôs novas 
nomenclaturas, pois percebeu alguns 
impasses no uso da norma culta. Observe: 
Norma-padrão: designa o modelo ideal de 
língua; algo que está fora e acima da 
atividade linguística dos falantes. 
Variedades prestigiadas: indicam as 
variedades linguísticas faladas pelo cidadão 
com alta escolarização e vivência urbana. 
Variedades estigmatizadas: assinalam as 
variedades linguísticas que caracterizam os 
grupos sociais desprestigiados do Brasil. 
FIGURA 1 
Você pode observar que existe uma zona 
intermediária entre as variedades 
prestigiadas e as estigmatizadas. As 
influências de umas sobre as outras são 
intensas e constantes. Para Bagno (2001, p. 
80), “Isso é mais do que natural numa 
sociedade complexa como a brasileira 
contemporânea, sobretudo por causa dos 
meios de comunicação de massa 
(principalmente a televisão e o rádio)”. 
A norma padrão fica no alto, na 
estratosfera da abstração, do virtual. Para 
o teórico, ela exerce uma influência muito 
forte sobre o imaginário de todos os 
brasileiros. Porém, essa influência diminui 
na medida em que se afasta das camadas 
sociais privilegiadas. Essa norma-padrão 
está ligada à escola, ao ensino formal. Só 
se aproximam dela os brasileiros que 
conseguiram passar pelo funil da educação 
formal, percorrendo até o fim o trajeto de 
formação escolar. 
Por outro lado, há autores que apontam 
três níveis de linguagem que colaboram 
para compreender como o indivíduo 
falante pode se manifestar em diferentes 
situações. De acordo com Preti (1994), é 
possível dividir os níveis de fala em 
espécies. Observe: 
Formal (ou culto): usado em situações de 
formalidade, possui o predomínio de 
linguagem culta, ou seja, obedece à 
gramática normativa. 
Geralmente é usado em situações que 
exigem tal posicionamento do falante, 
como em discursos, sermões, 
apresentações de trabalhos científicos. 
Coloquial (ou informal): é habitual em 
situações familiares ou de menor 
formalidade. Tem predomínio de 
linguagem popular, linguagem afetiva, 
expressões obscenas. É a manifestação 
espontânea da língua. Nela, os falantes 
usam gírias, vocabulário às vezes 
pejorativo, formas subtraídas ou cortes das 
palavras e conjugação verbal inadequada. 
Também é pontuada por problemas de 
concordância verbal e nominal e outras 
marcas da oralidade, como “né”, “daí”, “a 
gente”, etc. Esse nível independe de regras 
e está presente nas conversas entre amigos 
e familiares, por exemplo. Na internet, é 
comum encontrar o nível coloquial em 
textos de diálogos, ou em redes sociais e 
em programas de mensagens instantâneas. 
Comum: recebe contribuições de um e de 
outro. 
FIGURA 2 
Gêneros de cunho oral, textual e híbrido 
Ao compreender como é a funcionalidade 
dos textos na interação dos indivíduos, 
você também investiga os diferentes textos 
utilizados para a comunicação na 
sociedade. Isso leva a uma discussão sobre 
gêneros, já que eles estão presentes em 
todas as circunstâncias e ações humanas. 
Afinal, em qualquer lugar em que exista 
linguagem, há gêneros textuais ou 
discursivos, orais ou escritos. 
Como as esferas de produção da linguagem 
são diversas, também há uma 
multiplicidade de gêneros em diferentes 
situações e em formatos diversos. No 
supermercado, por exemplo, você 
encontra panfletos, placas, indicações de 
ofertas e a conta no caixa. 
Desse modo, cada esfera elabora seus 
gêneros. E faz isso conforme aspectos 
sociais próprios, finalidades comunicativas 
e especificidades das situações de 
interação em que os enunciados estão 
sendo produzidos. 
A denominação de gênero discursivo foi 
apresentada pela primeira vez pelo autor 
russo Mikhail Bakhtin (1979). Ele 
caracterizou os gêneros como tipos 
relativamente estáveis de enunciados. De 
acordo com o teórico, os gêneros de que 
os interlocutores sociais fazem uso nas 
interações verbais são tão variados e 
heterogêneos quanto a diversidade de 
esferas de circulação social nas interações 
verbais e as diferentes atividades humanas. 
Para Bakhtin (1979), nas inúmeras esferas 
de circulação, o uso da língua ocorre ou em 
forma de enunciados ou pela 
heterogeneidade de gêneros que os 
constitui. Você pode encontrar uma 
diversidade de gêneros discursivos que se 
modificam e se ampliam, dependendo dos 
contextos social e histórico em que 
circulam, conforme as condições e 
finalidades de cada uma das esferas. 
Saiba mais 
Circulando em diferentes esferas, os 
gêneros refletem o conjunto de temas e 
relações possíveis nas formas de enunciar 
ou dizer algo. Assim, o enunciado está 
sempre nas relações sociais. Ele constitui a 
unidade formal da língua e incorpora o 
estilo, a composição e o tema. Bakhtin 
considerava esses aspectos 
indissoluvelmente vinculados. Também 
afirmavaque eles se concretizam em 
forma de gêneros. 
De acordo com o teórico Marcuschi (2005), 
os gêneros surgem como formas da 
comunicação para atender a necessidades 
de expressão do ser humano. Eles são 
conformados por influência do contexto 
histórico e social das diversas esferas da 
comunicação humana. Para o estudioso, os 
gêneros textuais são como “[...] entidades 
sociodiscursivas e formas de ação social 
incontornáveis de qualquer situação 
comunicativa [...]” (MARCUSCHI, 2005, p. 
19). 
Isso quer dizer que os gêneros podem se 
modificar com o passar do tempo. Eles 
podem surgir e desaparecer, além de se 
diferenciar de uma cultura para outra. São 
dinâmicos e heterogêneos, variando de um 
diálogo informal até as teses de doutorado, 
por exemplo. Você pode encontrá-los nas 
formas oral, escrita e híbrida. Para 
Marcuschi (2008), não existe comunicação 
que não seja feita por meio de algum 
gênero. Mesmo um indivíduo falante que 
não possua saber técnico tem capacidade 
para se comunicar e ser compreendido por 
seu interlocutor. 
Marcuschi (2002, p. 22-23) explica que: 
Usamos a expressão gênero textual como 
uma noção propositalmente vaga para 
referir os textos materializados que 
encontramos em nossa vida diária e que 
apresentam características sócio-
comunicativas definidas por conteúdos, 
propriedades funcionais, estilo e 
composição característica. 
Exemplo 
De acordo com o Marcuschi (2005), alguns 
exemplos de gêneros textuais seriam: 
telefonema, sermão, carta comercial, carta 
pessoal, romance, bilhete, reportagem 
jornalística, aula expositiva, reunião de 
condomínio, notícia jornalística, 
horóscopo, receita culinária, bula de 
remédio, lista de compras, cardápio de 
restaurante, instruções de uso, outdoor, 
inquérito policial, resenha, edital de 
concurso, piada, conversação espontânea, 
conferência, carta eletrônica, bate-papo 
por computador, aulas virtuais e assim por 
diante. 
Marcuschi (2008) explica que os gêneros 
orais e escritos estão relacionados, mas 
fala e escrita não são idênticas. O que dá 
tal classificação para cada uma é a forma 
em que se originou. Por exemplo, um texto 
jornalístico não deixa de ser um texto 
escrito por ter sido apresentado em um 
telejornal. 
Existem gêneros das culturas orais que 
nunca farão parte de culturas 
caracteristicamente escritas, e vice-versa. 
Também é importante você lembrar que a 
fala nem sempre reproduzirá a escrita, ou a 
escrita reproduzirá a fala. Elas podem 
caminhar juntas sem anular as 
peculiaridades de uma ou outra. Por outro 
lado, Marcuschi (2008) indica que os 
gêneros textuais não podem ser 
considerados estanques. Eles são como 
entidades dinâmicas da materialização de 
ações comunicativas. Podem ser híbridos, 
de modo a atingir determinados objetivos 
comunicativos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Estratégia de leitura – leitura oral e 
textual 
Estratégias de leitura: concepções 
A leitura é um processo em que o leitor 
constrói significados para o texto. Para 
isso, deve considerar o conhecimento que 
possui sobre o tema, o autor, o sistema de 
escrita e o gênero textual. O leitor também 
deve considerar o que busca no texto. As 
informações do texto não são extraídas a 
partir de cada letra ou de cada palavra, 
mas do significado que juntas formam. 
De acordo com as pesquisadoras Marisa 
Lajolo e Regina Zilberman (1982), a leitura 
é um processo de interlocução que ocorre 
entre leitor e autor por meio da mediação 
do texto. Nas palavras das teóricas 
(LAJOLO; ZILBERMAN, 1982, p. 59): 
Ler não é decifrar, como num jogo de 
adivinhações, o sentido de um texto. É, a 
partir do texto, ser capaz de atribuir-lhe 
significado, conseguir relacioná-lo a todos 
os outros textos significativos para cada 
um, reconhecer nele o tipo de leitura que 
seu autor pretendia e, dono da própria 
vontade, entregar-se a esta leitura, ou 
rebelar-se contra ela, propondo outra não 
prevista. 
Cavalcante Filho (2011) explica que ler 
adequadamente vai além de apenas ser 
capaz de decodificar palavras ou 
expressões ordenadas linearmente em 
sentenças ou textos. “Se as pessoas lessem 
assim, não seriam capazes de perceber 
quando um texto é irônico, não 
entenderiam ‘indiretas’ e duplos sentidos, 
muitos avisos, e, além disso, a maior parte 
das piadas e textos de propaganda, por 
exemplo.” (CAVALCANTE FILHO, 2011, p. 
1722). Desse modo, como você viu, a 
leitura é resultado de dois tipos de fatores: 
os propriamente linguísticos, que são os 
significados literais das palavras e os 
fatores sintáticos; e os contextuais ou 
situacionais, que podem ser de natureza 
bastante variada. 
A decodificação é apenas um dos artifícios 
usados na prática da leitura, pois esse 
processo envolve outras estratégias na 
construção de significados. As estratégias 
de leitura são técnicas utilizadas pelos 
leitores para adquirir uma informação. 
Além disso, podem ser consideradas 
procedimentos ou atividades escolhidas 
que facilitam o processo de compreensão 
da leitura. Elas se adaptam a diversas 
situações, variando conforme o texto lido e 
de acordo com a abordagem, que é 
previamente elaborada para facilitar a 
compreensão do leitor. 
Saiba mais 
De acordo com Solé (1998), na literatura 
especializada uma estratégia poderia ser 
considerada um procedimento e, na 
tradição psicopedagógica, “estratégias de 
leitura”. 
Existem estratégias que facilitam a 
compreensão do leitor a respeito do texto. 
De acordo com Solé (1998), essas 
estratégias podem ser invocadas antes da 
leitura para situar o leitor, estimulando-o 
para que assuma um papel ativo no 
processo. Durante a leitura, as estratégias 
podem atuar de modo que o leitor possa 
construir uma interpretação que o ajude a 
resolver problemas. Depois da leitura, elas 
podem unificar de forma concreta as 
etapas anteriores. De acordo com a autora 
(SOLÉ, 1998, p. 72): 
Consideramos as estratégias de 
compreensão leitora como um tipo 
particular de procedimento de ordem 
elevada. Como poderão verificar, cumprem 
todos os requisitos: tendem à obtenção de 
uma meta, permitem avançar o custo da 
ação de leitor, embora não a preservem 
totalmente; caracterizam-se por não 
estarem sujeitas de forma exclusiva a um 
tipo de conteúdo ou a um tipo de texto. 
Leitura moderna e tradicional: diferenças 
Conforme os estudos realizados na área da 
linguística foram evoluindo, os conceitos 
sobre leitura também sofreram variações. 
Nessa esteira, há três principais 
perspectivas de leitura que apareceram no 
decorrer do tempo: são a leitura 
ascendente (estruturalista), a leitura 
descendente (construtivista) e a leitura 
sociointeracionista (interacionista). A 
seguir, você vai conhecer melhor cada uma 
delas. 
Leitura ascendente: o ensino de leitura 
tradicional é fundamentado na concepção 
de leitura ascendente. De acordo com 
Kleiman (2002), alguns definem essa leitura 
como um processo de decodificação 
sonora das unidades linguísticas, e o 
sentido da leitura só pode sair da página 
impressa. É um processo sistêmico, no qual 
se identifica letra por letra, da esquerda 
para a direita, realizando uma 
decodificação. Isso significa que ler seria 
apenas perceber as informações que estão 
implícitas no texto. O leitor fica restrito a 
determinadasestruturas e só atingirá a 
compreensão e o sentido do texto a partir 
da formulação de perguntas superficiais, 
que possuem suas respostas em certos 
excertos do texto, o que não exige do leitor 
uma reflexão ou uma leitura mais atenta. 
Esse tipo de leitura também é conhecido 
como perspectiva do texto. Assim, o texto 
é, de acordo com Kleiman (2002), 
considerado um objeto completo. Quando 
os seus elementos são decodificados, dão o 
seu sentido, sem depender do leitor e das 
circunstâncias em que foi produzido. 
Leitura descendente: essa perspectiva de 
leitura segue uma linha construtivista, 
segundo Figueiredo (1985). Nessa linha, a 
leitura é considerada um complexo 
processo psicolinguístico, e o leitor atinge o 
sentido do texto a partir de seu 
conhecimento de mundo e da criação de 
hipóteses. Tal perspectiva de leitura é 
fundamentada em aspectos cognitivos e 
está centrada no leitor. Nesse processo, ele 
possui a função de dar significado ao texto, 
como em um jogo de adivinhação. Esse 
processo de leitura acontece de forma 
inconsciente pelo aluno, pois não é 
apresentado pelos professores. Desse 
modo, é necessário cuidado ao utilizar 
apenas esse modo de leitura. Isso pois o 
docente é como um facilitador do aluno no 
momento da leitura. Portanto, acredita 
que é o leitor que pode descobrir os 
significados e os sentidos do texto a partir 
de seu conhecimento próprio e da sua 
subjetividade. 
Essa perspectiva é centrada no leitor. Ele é 
a fonte dos sentidos, pois a compreensão 
parte da sua mente. De acordo com 
Goodman (1989) e Smith (1999), o leitor 
toma o texto somente para confirmar 
expectativas e hipóteses. 
Leitura sociointeracionista: essa 
perspectiva está relacionada com a 
psicolinguística, a teoria dos esquemas e a 
pragmática. Aqui, a leitura ocorre a partir 
dos dois movimentos anteriores: o 
ascendente e o descendente. Isso significa 
que ocorre uma integração entre a 
informação que o leitor encontra no texto 
impresso e o seu conhecimento de mundo, 
suas vivências. É o que se conhece por 
perspectiva moderna. 
Fique atento 
Como você viu, a leitura tradicional se trata 
de decodificar o texto, porém a moderna 
pretende que o leitor construa um sentido 
a partir da leitura. As duas primeiras, 
ascendente e descendente, podem ser 
consideradas restritas para a leitura, pois 
confiam ou só no leitor ou só no texto. 
Leituras verticais e horizontais 
As leituras são classificadas de diferentes 
formas por pesquisadores da área. Aqui, 
você vai conhecer melhor a proposta de 
Nascimento (2009), baseada nos tipos de 
leitor de Santaella (2004). Para os autores, 
são quatro os tipos de leitura, como você 
pode ver a seguir. 
Leitura contemplativa, meditativa: de 
acordo com o pesquisador (NASCIMENTO, 
2009), é a leitura típica do livro. Nela, o 
leitor se dedica a uma leitura aprofundada, 
também chamada de vertical. “Esse leitor 
se debruça, contempla, medita sobre o 
texto.” (NASCIMENTO, 2009, p. 100). Sobre 
esse tipo de leitura, Santaella (2004, p. 23) 
diz que “[...] nasce da relação íntima entre 
o leitor e o livro, leitura de manuseio, da 
intimidade, em retiro voluntário, num 
espaço retirado e privado, que tem na 
biblioteca seu lugar de recolhimento, pois 
o espaço da leitura deve ser separado dos 
lugares de um divertimento mundano.”. 
Leitura movente, fragmentária: para 
Nascimento (2009), essa leitura é típica da 
cidade, do leitor que recebe vários 
estímulos o tempo todo, como as pessoas 
que passam na rua, o outdoor, a buzina e o 
anúncio de carro de som. De acordo com 
esse autor, “É a leitura da industrialização, 
da produção em série, de um leitor que 
descobre que o mundo é muito maior do 
que ele imaginava, o qual conhece por 
meio dos jornais, das revistas, das 
publicidades, da fotografia, do rádio, da 
televisão, do cinema.” (NASCIMENTO, 
2009, p. 101). Para o autor (NASCIMENTO, 
2009), esse tipo de leitor fica fascinado 
com tantos textos aos quais possui acesso 
e quer lê-los com avidez. 
Fique atento 
Na leitura movente, o leitor não consegue 
contemplar, meditar sobre o texto, pois 
depende do tempo. Então, ou ele passa 
pelos textos, ou os textos passam por ele. É 
uma leitura horizontal. 
Leitura imersiva, virtual: essa leitura se 
centra na era digital. Exige que o leitor faça 
seleções para não se perder na 
virtualidade. De acordo com Nascimento 
(2009, p. 105), o leitor imersivo “[...] tem 
(ou deveria ter) consciência de que o 
mundo é muito maior do que ele pode 
abraçar e escolhe, na infinidade de textos a 
sua disposição (todos a distância de poucos 
cliques), os textos e caminhos que lhe 
interessam, que deseja.”. 
Leitura oral, dialógica: Nascimento (2009) 
inclui, entre os tipos de leitura anteriores, 
citados por Santaella (2004), essa quarta 
classificação, que ele viu evidenciada à 
leitura contemplativa. “Trata-se de uma 
leitura coletiva, em que alguém narra (a 
partir de um registro escrito ou não) aos 
demais espectadores-leitores.” 
(NASCIMENTO, 2009, p. 107). De acordo 
com o pesquisador, nessa leitura, o leitor 
acaba sendo um coautor. Exemplo disso 
são as lendas passadas de geração em 
geração. 
Saiba mais 
Para saber mais sobre o processo de 
leitura, leia o texto “As multifaces da 
leitura: A construção dos modos de ler” 
(ALMEIDA, 2008). 
Estratégias de leitura literal de um texto 
As leituras literais ou textuais estão 
relacionadas aos níveis de compreensão de 
leitura. Esses níveis são três, de acordo 
com a taxonomia de Barret, apresentada 
por Alliende e Condemarín (1987): nível de 
compreensão literal, nível de compreensão 
interpretativa ou inferencial e nível de 
compreensão crítico. 
A compreensão literal se trata da 
reorganização de ideias, informações ou 
outros elementos do texto a partir das 
atividades de classificação, esboço, resumo 
e síntese. Assim, cada uma dessas 
atividades possui um objetivo na leitura, 
como você pode ver a seguir. 
Classificação: localização de categorias que 
aparecem no texto, como pessoas, lugares 
e ações. 
Esboço: reprodução do texto em forma de 
esquema; usa frases, representações ou 
disposições gráficas. 
Resumo: condensação do texto, que 
ocorre por meio de frases que narram os 
elementos ou fatos principais. 
 
Síntese: conversão de diversas ideias, fatos 
ou elementos por meio de amplas 
formulações. 
Esse tipo de leitura vai levar você a 
identificar o gênero do texto, o domínio 
discursivo, a linguagem usada, o veículo em 
que é difundido, as informações literais, 
entre outros aspectos. Observe, a partir do 
texto a seguir (G1, 2017), como funcionam 
essas estratégias de leitura. 
Vingadores: Guerra Infinita bate recorde 
de trailer mais visto em 24 horas, diz 
Marvel “O primeiro trailer de Vingadores: 
Guerra Infinita, lançado na quarta-feira 
(29), bateu o recorde de trailer mais visto 
em 24 horas. Foram 230 milhões de 
reproduções, de acordo com a Marvel, 
superando a prévia de It – A Coisa, antiga 
dona da marca com 197 milhões de 
visualizações. A editora postou uma 
mensagem de agradecimento aos fãs no 
Twitter. “Obrigado aos melhores fãs do 
universo por fazer de Vingadores: Guerra 
Infinita o trailer mais visto da história em 
24 horas, com 230 milhões de 
visualizações”, disse o perfil da Marvel na 
rede social. O filme estreia no Brasil no dia 
26 de abril de 2018. 
Vingadores x Thanos Guerra Infinita é o 
terceiro filme da equipe de super-heróis 
que conta com CapitãoAmérica (Chris 
Evans), Homem de Ferro (Robert Downey 
Jr.), Thor (Chris Hemsworth), entre outros 
personagens da editora. Dirigido pelos 
irmãos Anthony e Joe Russo, responsáveis 
por Capitão América: Guerra Civil, o filme 
colocará os heróis da Marvel finalmente 
contra o vilão Thanos (Josh Brolin), que 
busca destruir o universo com a ajuda das 
Joias do Infinito. Além de reunir o time 
mais uma vez, que ainda tem a Feiticeira 
Escarlate (Elizabeth Olsen), Hulk (Mark 
Ruffalo), Visão (Paul Bettany), Gavião 
Arqueiro (Jeremy Renner, ausente no 
trailer), Viúva Negra (Scarlett Johansson), 
Máquina de Guerra (Don Cheadle) e Falcão 
(Anthony Mackie), o filme contará com 
outros personagens. Na prévia, é possível 
ver a participação do Doutor Estranho 
(Benedict Cumberbatch), do Homem-
Aranha (Tom Holland), de Bucky Barnes 
(Sebastian Stan), do Pantera Negra 
(Chadwick Boseman), de Loki (Tom 
Hiddleston) e dos Guardiões da Galáxia”. 
Agora, que tal refletir sobre o que você 
acabou de ler? Pelo funcionamento das 
diferentes estratégias de leitura, é possível 
compreender os seguintes elementos a 
respeito do texto: 
Classificação 
Pessoas: Anthony e Joe Russo, Benedict 
Cumberbatch, Tom Holland, Sebastian 
Stan, Chadwick Boseman, Tom Hiddleston; 
Lugares: Brasil; 
Ações: divulgação do primeiro trailer. 
Esboço 
Frases: “O primeiro trailer de Vingadores: 
Guerra Infinita, lançado na quarta-feira 
(29), bateu o recorde de trailer mais visto 
em 24 horas”. 
Resumo 
O filme Vingadores: Guerra Infinita lançou 
seu trailer e teve 230 milhões de 
reproduções em menos de 24 horas e a 
editora agradeceu aos fãs. No trailer, é 
possível ver a participação de vários 
personagens. 
 
 
Contabilidade introdutório. 
Unidade 1 
Conceitos e definições: 
contabilidade como planejamento e 
controle 
Pode-se dizer que a contabilidade existe 
desde que o homem, pisando a face da 
terra, principiou a preocupar-se com suas 
posses: animais, escravos, etc. o homem 
enriquecia e isso demandava o 
estabelecimento de técnicas para controlar 
e preservar seus bens. Aí se inicia a história 
da contabilidade. 
A contabilidade é uma ciência social, e 
como tal, histórica. As transformações 
sociais obrigam-na a mudanças constantes, 
pois variáveis externas produzem reflexos 
nos relatórios contábeis, haja vista o papel 
da inflação. O profissional de contabilidade 
exerce importante papel no contexto 
político empresarial. Informações, controle 
e outras produções da contabilidade 
devem ser cada vez mais eficientes para a 
eficácia dos negócios. 
A contabilidade existe desde os primórdios 
da civilização e, durante longo período, foi 
tida como a arte da escrituração mercantil. 
Utilizavam-se técnicas específicas que 
forem se aperfeiçoando e se 
especializando, sendo alguma delas 
utilizadas até hoje. Conclui-se que o 
sistema de custos, embora interagindo 
com o sistema contábil, constitui uma 
ciência em separado, o que define a 
contabilidade como um conjunto de 
ciências – as ciências contábeis. 
A contabilidade empírica, praticada pelo 
homem primitivo, já tinha como objetivo o 
patrimônio, representado pelos rebanhos e 
outros bens em seus aspectos 
quantitativos. 
Curiosidade 
A contabilidade surgiu da necessidade de 
se controlar o patrimônio, pois seria difícil 
controlar o patrimônio que se constitui no 
conjunto de bens, direitos e obrigações das 
empresas se não houvessem registros 
padronizados sobre todas as mutações 
ocorridas. Assim sendo, o objetivo da 
contabilidade é o patrimônio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Campo de aplicação, finalidade e 
objetivos da contabilidade. 
Campo de aplicação, finalidade e 
objetivos. Usuários da informação 
Campo de aplicação 
Abrange todas as entidades econômico-
administrativas, até mesmo as pessoas de 
direito público (União, Estados, 
Municípios). 
Entidades econômico-administrativas: são 
organizações que reúnem os seguintes 
elementos: pessoas, patrimônio, titular, 
ação administrativa e fim determinado. 
Quanto ao fim a que se destinam as 
entidades econômico-administrativas 
podem ser: 
Entidades com fins econômicos: são as 
empresas, visam lucro para preservar e/ou 
aumentar o patrimônio líquido. Ex.: 
empresas comerciais, industriais, agrícolas 
etc. 
Entidades com fim sócio-econômico: 
intituladas instituições, visam lucro que 
reverterá em benefício de seus integrantes. 
Ex.: associações, clubes sociais etc. 
Entidades com fins sociais: também 
chamadas instituições, têm por obrigação 
atender às necessidades da coletividade a 
que pertencem. Ex.: hospitais. 
Fique atento 
Embora o campo de aplicação da 
contabilidade seja nas entidades, ela se faz 
presente na vida cotidiana de todos nós. 
A Contabilidade Financeira serve na 
tomada de decisões externas, bancos, 
acionistas e governo. 
Finalidade da Contabilidade 
A finalidade da Contabilidade é gerar 
informações e avaliações visando prover 
seus usuários com demonstrações e 
análises de natureza econômica, financeira, 
física e de produtividade, que possibilitem: 
CONTROLE - é o processo pelo qual a alta 
administração se certifica, na medida do 
possível, de que a organização esta agindo 
de conformidade com os planos políticos 
traçados pelo dono do capital e pela 
própria alta administração. 
A informação contábil é útil no processo de 
controle das seguintes formas: 
• COMO MEIO DE COMUNICAÇÃO: os 
relatórios contábeis podem ser de grande 
auxilio, ao informar a organização a 
respeito dos planos e políticas da 
administração. 
• COMO MEIO DE MOTIVAÇÃO: a não ser 
que a empresa ou negócio seja do tipo 
individual, não compete à administração 
fazer ou executar o serviço. Isto quer dizer 
que a administração não fabrica e vende 
pessoalmente o produto. Pelo contrário, a 
responsabilidade da administração consiste 
em saber se o trabalho está sendo 
executado pelos outros. Isto requer, em 
primeiro lugar, que o pessoal seja 
contratado e formado na organização e em 
segundo lugar, que a organização seja 
motivada de forma que venha a fazer o 
que a administração quer que se faça. A 
informação contábil pode auxiliar nesse 
processo de motivação. Se for utilizada de 
forma inadequada, pode prejudicar o 
processo. 
• COMO MEIO DE VERIFICAÇÃO: 
periodicamente, a administração necessita 
avaliar a qualidade dos serviços executados 
pelos empregados. A apreciação desse 
resultado pode resultar em acréscimos de 
salários, promoções e readmissões, ações 
corretivas mais variadas ou, em casos 
extremos, demissões. A informação 
contábil pode auxiliar esse processo de 
avaliação, embora o desempenho humano 
não possa ser julgado apenas pela 
informação contida nos registros 
contábeis. 
Características da informação contábil: 
• Útil - atende às necessidades dos 
usuários. 
• Oportuna - está à disposição na época 
certa. 
• Clara - é facilmente entendida pelo 
usuário. 
• Íntegra - baseia-se em dados confiáveis. 
• Relevante - aborda diretamente os 
pontos fundamentais, com transparência. 
• Flexível - apresenta-se de várias formas e 
na linguagem do usuário. 
• Completa - incorpora dados físicos e 
outros complementares à informação. 
• Preditiva - fornece indicadores de 
tendência. 
PLANEJAMENTO - é o processo de decidir 
que curso de ação deverá ser tomado para 
o futuro da organização. A informaçãocontábil, principalmente a partir dos planos 
orçamentários, é de grande utilidade no 
planejamento empresarial. 
Objetividade da contabilidade 
A Contabilidade é objetivamente um 
sistema de informação e avaliação 
destinado a prover seus usuários com 
demonstrações e análises de natureza 
econômica, financeira, física e de 
produtividade, em relação à entidade 
objeto de contabilização. 
O SISTEMA DE INFORMAÇÃO é um 
conjunto de dados articulados, técnicas de 
acumulação de ajustes e edição de 
relatórios que permite: 
• Tratar as informações de natureza 
repetitiva como máximo de relevância e 
mínimo de custo. 
• Dar condições para, por meio da 
utilização de informações primárias, 
constantes em arquivos básicos, 
juntamente com técnicas derivantes da 
própria Contabilidade, fornecer relatórios 
de exceção para finalidades especificas, em 
oportunidades definidas. 
O objetivo principal da contabilidade, 
portanto, é permitir a cada grupo principal 
de usuários a avaliação da situação 
econômica e financeira da entidade, num 
sentido estático, bem como fazer 
inferências sobre tendências futuras. Em 
ambas as avaliações, as demonstrações 
contábeis constituirão elemento 
necessário, mas não suficiente. Sob o 
ponto de vista do usuário externo, quanto 
mais a utilização das demonstrações 
contábeis se referir à exploração de 
tendências futuras, mais tenderá a 
diminuir o grau de segurança das 
estimativas envolvidas. Quanto mais a 
análise se detiver na constatação do 
passado-presente, mais acrescerá e 
avolumará a importância da demonstração 
contábil. 
Os objetivos da Contabilidade devem ser 
aderidos, de alguma forma explícita ou 
implícita, àquilo que o usuário considera 
importante em seu processo decisório. A 
verdade da Contabilidade reside em ser 
instrumento útil para a tomada de decisões 
pelo usuário tendo em vista a entidade. 
O usuário 
Toda pessoa física ou jurídica que tenha 
interesse na avaliação da situação e do 
progresso de determinada entidade, seja 
empresa, finalidades não lucrativas ou 
mesmo o patrimônio familiar. São, por 
exemplo, os acionistas de uma empresa 
que querem saber se ela está dando lucro 
ou prejuízo. São as instituições financeiras 
que desejam avaliar o patrimônio da 
entidade para saber se lhe concedem ou 
não um empréstimo. São os 
administradores da entidade, que desejam 
saber como se comporta o 
desenvolvimento das atividades da 
empresa e qual o resultado que está 
advindo das mesmas. É o fisco, que 
também se interessa pelo resultado da 
pessoa jurídica, para lançar os impostos 
sobre ele incidentes. 
Usuários internos: 
1. Proprietários; 
2. Administradores de todos os níveis da 
entidade. 
Usuários externos: 
1. Acionistas e investidores; 
2. Emprestadores em geral (bancos, 
fornecedores) 
3. Entidades governamentais (fisco) 
4. Outros. 
Cada usuário possui um interesse 
diferenciado nas informações da 
Contabilidade. A seguir, alguns exemplos. 
Sócios, Acionistas e Proprietários de 
Quotas Societárias de Maneira Geral: 
Essas pessoas, interessadas primariamente 
na rentabilidade e segurança de seus 
investimentos, que muitas vezes se 
mantêm afastadas da direção das 
empresas, necessitam de informações 
resumidas que deem respostas claras e 
concisas a suas perguntas. 
Exemplo: 
1. Qual a taxa de lucratividade 
proporcionada a seu investimento em 
ações ou quotas-partes da sociedade? 
2. Será que a empresa continua a oferecer, 
a médio e longo prazo, perspectivas de 
rentabilidade e segurança para seu 
investimento? 
3. Existe alguma alternativa mais adequada 
para seus investimentos? 
Normalmente, relatórios elaborados pela 
Contabilidade e esclarecimentos prestados 
pela Administração por ocasião das 
assembleias ou reuniões de sócios 
realizadas algum tempo após o 
encerramento dos exercícios são 
suficientes para responder tais perguntas. 
Administradores, Diretores e Executivos 
dos mais Variados Escalões: 
O interesse nos dados contábeis dessas 
pessoas atinge um grau de profundidade e 
análise, bem como de frequência, muito 
maior do que para os demais grupos. De 
fato, são eles os agentes responsáveis 
pelas tomadas de decisões dentro de cada 
entidade a que pertencem. Tais decisões 
visam principalmente ao futuro, mas, para 
se preparar para agir no futuro, é 
necessário não apenas conhecer 
detalhadamente o que aconteceu no 
passado, como também o que está 
acontecendo no momento. 
Note-se que as informações fornecidas 
pela Contabilidade não se limitam, como 
julgam muitos, ao Balanço Patrimonial e à 
Demonstração do Resultado do Exercício. 
Além dessas demonstrações básicas e 
finais de um período contábil, a 
Contabilidade fornece aos administradores 
um fluxo contínuo de informações sobre os 
mais variados aspectos da gestão 
financeira e econômica das empresas. 
Alguns autores, chegam a distinguir dois 
grandes ramos ou ênfases pelos quais a 
Contabilidade pode desempenhar seu 
papel informativo. A Contabilidade 
Financeira, cujos relatórios finais básicos 
são o Balanço Patrimonial, a Demonstração 
de Resultado do Exercício, a Demonstração 
de Origem e Aplicação de Recursos, a 
Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Líquido e os Fluxos de Caixa, 
teria maior utilidade ou visaria mais 
diretamente aos agentes econômicos 
externos à empresa, assim como os sócios 
desligados da direção, ao passo que a 
Contabilidade Gerencial, mais analítica, 
incluindo em seu campo de atuação 
também a Contabilidade de Custos, visaria 
primariamente à administração da 
empresa. 
Bancos, Capitalistas, Emprestadores de 
Recursos: 
Para estas entidades e pessoas, o interesse 
está na rentabilidade e segurança de seus 
investimentos, necessitam de informações 
resumidas que forneçam respostas claras 
as suas perguntas. 
As perguntas são mais ou menos parecidas 
às formuladas pelos sócios, acionistas e 
proprietários de quotas societárias de 
maneira geral, com a diferença de que o 
interesse destes às vezes vai algo além do 
puro escopo de retorno, estando 
associadas também razões sentimentais, 
profissionais e de pioneirismo em seus 
investimentos. 
Quando a empresa opera em prejuízo ou 
começa a operar ineficientemente, é muito 
provável que os sócios continuem a investir 
nela seus capitais na esperança de uma 
melhoria (isto é um tanto mais verídico à 
medida que existir maior ligação entre as 
figuras dos sócios e dos administradores, 
principalmente nas médias e pequenas 
empresas), ao passo que os emprestadores 
de recursos, cuja única finalidade é a 
rentabilidade e segurança de retorno de 
seus investimentos, serão os primeiros a 
abandonar o barco em perigo de naufrágio. 
Basicamente, todavia, o nível, a quantidade 
e, principalmente, a qualidade da 
informação requerida são parecidos, com 
maior ênfase para os fluxos financeiros, no 
que se refere aos emprestadores de 
recursos em geral. 
Governo e Economistas Governamentais: 
As repartições e os economistas 
governamentais têm duplo interesse nas 
informações contábeis. 
A INFORMAÇÃO DE NATUREZA 
ECONÔMICA: deve ser sempre entendida 
na visão de que a Contabilidade tem do 
que seja econômico e não, 
necessariamente, do tratamento que a 
Economia daria ao mesmo fenômeno. 
Pode-se afirmar que os fluxos de receitas e 
despesas (DRE) bem como o capital e 
patrimônio, em geral, são dimensões 
econômicas da Contabilidade, uma vez que 
os fluxos de caixa de capital degiro 
caracterizam a dimensão financeira 
A INFORMAÇÃO DE NATUREZA FÍSICA: 
constitui importante desdobramento na 
evolução contábil, pois as mais recentes 
pesquisas sobre evolução de 
empreendimentos revelam que um bom 
sistema de informação e avaliação não 
pode repousar apenas em valores 
monetários, mas deveria incluir, na medida 
do possível, mensurações de natureza 
física, tais como: quantidades geradas de 
produtos ou serviços, número de 
depositantes em estabelecimento 
bancários e outras que melhor possam 
permitir inferência da evolução do 
empreendimento por parte do usuário. 
A INFORMAÇÃO DE NATUREZA DE 
PRODUTIVIDADE – compreende a 
utilização mista de conceitos valorativos 
(financeiros no sentido restrito) e 
quantitativos (físicos no sentido restrito). 
Exemplo: receita bruta per capita - 
depósitos por clientes. 
AS INFORMAÇÕES DE NATUREZA 
ECONÔMICA E FINANCEIRA - constituem o 
núcleo central da Contabilidade. O sistema 
de informação deveria ser capaz de, com 
mínimo de custo, suprir as dimensões 
físicas e de produtividade. 
 
 
Definições e características da 
situação patrimonial e 
componentes patrimoniais. 
Definições e características da situação 
patrimonial 
Patrimônio é o conjunto de bens, direitos e 
obrigações de uma entidade. É por essa 
razão que o Balanço costuma ser 
denominado Balanço Patrimonial. 
Bens 
São coisas capazes de satisfazer as 
necessidades humanas e suscetíveis de 
avaliação econômica. 
Bens materiais - como o próprio nome diz, 
possuem corpo, matéria. Por sua vez, 
dividem-se em; 
• Bens móveis – os que podem ser 
removidos do seu lugar. Exemplos: 
mesas, veículos, maquinas de 
escrever, dinheiro, mercadorias, 
etc.; 
• Bens imóveis – os que não podem 
ser deslocados do seu lugar 
natural. Exemplos: casas, terrenos, 
edifícios, etc. 
Bens imateriais - são aqueles que, embora 
considerados bens, não possuem corpo, 
não tem matéria. São determinados gastos 
que a empresa faz, os quais, por natureza, 
devem ser considerados parte de seu 
patrimônio. Exemplos: benfeitorias em 
imóveis de terceiros, fundo de comércio e 
patentes. 
Direitos 
Constituem direitos para a empresa todos 
os valores que ela tem a receber de 
terceiros (terceiros, no caso, são clientes, 
fregueses da empresa). 
Obrigações 
Constituem obrigações para a empresa 
todos os valores que ela tiver que pagar 
para terceiros (terceiros, neste caso, são os 
fornecedores, isto é, as pessoas que 
vendem para a empresa). 
As fontes de recursos podem ser 
classificadas em duas categorias: 
Capital próprio – composto dos recursos 
que são postos à disposição da empresa 
por seus proprietários e pelos lucros 
gerados pelo desenvolvimento das 
atividades das atividades do negócio. 
Capital de terceiros – composto de 
empréstimos de numerário e de 
fornecimento de bens para pagamento a 
prazo. 
Aplicações de recursos 
Os recursos oriundos dos proprietários, das 
atividades e de terceiros são aplicados em: 
Bens realizáveis – compostos de 
mercadorias que serão comercializadas ou 
insumos que serão consumidos no 
processo de produção de novos bens no 
desenvolvimento das atividades. 
Bens permanentes – compostos de 
edifícios, máquinas, equipamentos, 
instalação, móveis, utensílios, veículos e 
outros bens que serão utilizados no 
desenvolvimento das atividades; 
Direitos – compostos de contas a receber 
decorrentes de vendas a prazo e do 
empréstimo de recursos a terceiros. 
Fique atento 
A contabilidade sempre estará presente, 
direta ou indiretamente, onde houver 
patrimônio= riqueza. 
 
 
 
 
Unidade 2 
Conceitos e características das 
contas patrimoniais e de resultados 
As contas patrimoniais representam os 
bens, as obrigações e o Patrimônio Líquido. 
Dividem-se em ativas e passivas e são elas 
que representam o patrimônio da empresa 
em dado momento no Balanço Patrimonial. 
Na prática, porém, há dificuldade de se 
preparar um Balanço após cada operação. 
Em qualquer empresa, registrar operações 
que se sucedem a cada instante exige um 
processo de registro que permita a 
apresentação instantânea de seus 
resultados, o que atualmente é muito 
oneroso. Por outro lado, as pessoas 
interessadas nos Balanços, como 
administradores, acionistas, entidades 
governamentais, etc. contentam-se apenas 
com os Balanços periódicos que são 
confeccionados com dado s fornecidos 
pelos registros das operações. 
Fique atento! 
Em geral, as operações ocasionam 
aumentos e diminuições no ativo, no 
passivo e no patrimônio líquido. Esses 
aumentos e diminuições são registrados 
em contas. 
As contas podem ser classificadas com 
vários critérios. Entretanto, aquele que 
interessa aqui é o que as classifica em dois 
grupos (teoria patrimonialista): 
• Contas patrimoniais 
• Contas de resultado 
Contas Patrimoniais 
As contas patrimoniais representam os 
bens, as obrigações, e o patrimônio líquido. 
Dividem-se em ativas e passivas e são elas 
que representam o patrimônio da empresa 
em dado momento, no Balanço 
Patrimonial. 
ATIVO PASSIVO 
Bens Obrigações 
Caixa Fornecedores 
Veículo Duplicata a pagar 
Direitos Patrimônio Líquido 
Duplicata a 
receber 
Capital social 
Promissórias a 
receber 
Lucros acumulados 
 
Contas de resultado 
As contas de resultado dividem-se em 
contas de despesas e contas de receitas, 
aparecem durante a exercício social, 
encerrando-se no final do mesmo. Não 
fazem parte do balanço patrimonial, mas 
permitem apurar o resultado do exercício. 
As despesas são registradas pela 
contabilidade a partir das contas de 
resultado. Como exemplo de contas de 
despesas, a seguir identifica-se o tipo de 
despesas: 
• Despesas água e esgoto 
• Despesa encargos sociais 
• Despesa fretes e carretos 
• Despesas financeiros 
• Despesa salários 
• Despesa de alugueis 
• Descontos concedidos 
• Impostos incidentes sem vendas 
• Despesa com energia elétrica 
• Despesa com prêmio de seguros 
• Despesa de alimentação 
• Despesas bancarias 
• Despesa material de expediente 
• Despesa material de limpeza 
• Despesa com comunicação 
As receitas decorrem da venda de bens e 
da prestação de serviços. Existe um 
número menor que as despesas, sendo as 
mais comuns pelas seguintes contas: 
• Receitas de vendas 
• Receita de aluguéis 
• Receitas financeiras 
• Descontos obtidos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Estruturação de um plano de 
contas, agrupamento de contas do 
Balanço Patrimonial e de 
Resultado, livros fiscais e contábeis: 
obrigatórios e auxiliares 
Estruturação de um plano de contas 
A elaboração de um bom plano de contas é 
fundamental no sentido de se utilizar todo 
o potencial da contabilidade em seu valor 
informativo para os inúmeros usuários, 
cada empresa deverá elaborar seu plano 
de contas mediante as suas peculiaridades 
de operação, necessidades internas, 
transações e contas específicas. 
Agrupamento de contas do balanço 
patrimonial e de resultado 
Ativo circulante – no ativo circulante estão 
registrados os bens e direitos com 
realização inferior a 360 dias da data do 
balanço, ou seja, que serão realizados no 
exercício social, seguinte. Caixa, bancos, 
conta movimento, aplicaçõesfinanceiras, 
clientes, estoques, etc. 
Ativo não circulante – estão registrados os 
bens e direitos com realização superior a 
360 dias da data do balanço, ou seja, que 
serão realizados após o exercício social 
seguinte. 
Realizável a longo prazo – são classificáveis 
no realizável a longo prazo contas da 
mesma natureza do ativo circulante que, 
todavia, tenham sua realização, certa ou 
provável, após o término do exercício 
seguinte, o que normalmente significa 
realização num prazo superior a um ano a 
partir do próprio balanço. 
Créditos de coligadas e controladas, 
impostos a recuperar, investimentos 
temporários, despesas antecipadas, etc. 
Investimentos – as participações 
permanentes em outras sociedades e os 
direitos de qualquer natureza, não 
classificáveis no ativo circulante e que não 
se destinem à manutenção da atividade da 
companhia ou empresa. 
Participações em empresas controladas e 
investimentos com incentivos fiscais. 
Imobilizado – os direitos que tenham por 
objetos bens destinados à manutenção das 
atividades da companhia e da empresa. 
São incluídos neste grupo todos os bens de 
permanência duradoura, destinados ao 
funcionamento normal da sociedade e dos 
seus empreendimentos. 
Bens tangíveis - que têm corpo físico, tais 
como terreno, obra civis, máquinas, 
móveis, veículos, etc. 
Bens intangíveis – cujo valor reside não em 
qualquer propriedade que são legalmente 
conferidos aos seus possuidores, tais como 
patentes, direitos autorais, marcas, etc. 
Depreciação – com exceção de terrenos e 
de alguns outros itens, os elementos que 
integram o ativo imobilizado têm um 
período limitado de vida útil econômica. 
Dessa forma, o custo de tais ativos deve ser 
alocado aos exercícios beneficiados pelo 
seu uso no decorrer de sua vida útil 
econômica. 
Taxas de depreciação – edifícios 4% 3m 25 
anos – maquinas e equipamentos 10% em 
10 anos – instalações 10% em 10 anos – 
móveis e utensílios 10% em 10 anos – 
veículos 20% em 5 anos – sistema de 
processamento de dados 20% em 5 anos. 
Exemplos de cálculo: 
Custo corrigido do bem – R$ 6.000.00 
Vida útil – 5 anos (60 meses) 
Depreciação – 6.000,00/60 = R$100,00 ao 
mês 
Passivo circulante – estão registadas as 
obrigações com exigibilidade inferior a 360 
dias, ou seja, cuja liquidação se espera que 
ocorra dentro do exercício social seguinte. 
Fornecedores, impostos a pagar, salários a 
pagar etc. 
Passivo não circulante – estão registradas 
as obrigações com exibilidade superior a 
360 dias, ou seja, cuja liquidação se espera 
ocorra após o exercício social seguinte. 
Exigível a longo prazo – estão registradas 
as obrigações com exigibilidade superior a 
360 dias, ou seja, que serão pagas ou após 
o exercício social seguinte. 
Imposto de renda deferido, 
financiamentos, etc. 
Patrimônio liquido 
O patrimônio líquido e o valor contábil 
pertencente aos acionistas e sócios. No 
balanço patrimonial, é a diferença entre o 
valor dos ativos e dos passivos. 
Capital social, reservas de capital, ajustes 
de avaliação patrimonial, reservas de 
lucros, prejuízos acumulados. 
Contas de resultados 
Demonstração do resultado do exercício – 
a demonstração do resultado do exercício 
é a apresentação, em forma resumida, das 
operações realizadas pela empresa, 
durante o exercício social, demostradas de 
forma a destacar o resultado líquido do 
período. 
Na determinação do resultado do 
exercício, serão computados: 
As receitas e os rendimentos ganhos no 
período, independentemente de sua 
realização em moeda; 
Os custos, despesas, encargos e perdas, 
pagos ou incorridos, correspondentes a 
essas receitas e rendimentos. 
Curiosidades 
Essas conceituações da lei representam 
basicamente o princípio da competência, 
que também aparece desmembrado na 
forma de dois outros princípios: 
Princípio da realização da receita 
princípio do conforto das despesas. 
Faturamento bruto, deduções da receita 
bruta, custos dos produtos vendidos e dos 
serviços prestados, despesas e receitas 
operacionais, despesas e receitas não-
operacionais, imposto de renda e 
contribuição social. 
Livros fiscais e contábeis, obrigatórios e 
auxiliares 
Todos os acontecimentos que ocorrem 
diariamente na empresa, responsáveis pela 
sua gestão, são registrados em livros 
próprios, nos quais fica configurado sua 
própria vida. 
Os livros de escrituração têm várias 
finalidades. Uns servem para registrar as 
compras, outros para registrar as vendas, 
controlar os estoques, os lucros ou 
prejuízos fiscais. Há livros onde são 
registrados os empregados e outros em 
que se registram Atas da Assembleia. 
Enfim, podemos dividir os livros em três 
grupos: livros fiscais, livros contábeis e 
livros sociais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esquema Básico de Escrituração 
Contábil 
Equação fundamental da contabilidade 
A contabilidade é uma ciência que estuda e 
interpreta a situação econômica, financeira 
e patrimonial das empresas mediante os 
fatos ocorridos na empresa. O objeto de 
estudo da contabilidade é o patrimônio da 
empresa. Escrituração é uma técnica que 
consiste em registar nos livros todos os 
fatos contábeis que ocorrem na empresa. 
Esses livros são o livro-diário, o livro-razão, 
o livro- -caixa, entre outros. Os fatos 
contábeis são os acontecimentos que 
provocam variações nos valores 
patrimoniais na empresa, sendo 
contabilizado em contas patrimoniais e 
contas de resultados. Os fatos contábeis 
classificam-se em: 
Variação/fatos qualitativo ou 
permutativo: consiste em qualificar os 
componentes do patrimônio. Não alteram 
o patrimônio líquido, ocorrendo apenas 
trocas entre os elementos do patrimônio. 
Variação/fatos quantitativos ou 
modificativos: consiste em atribuir valor 
aos componentes do patrimônio. Alteram 
o patrimônio líquido, aumentando ou 
diminuindo as despesas. 
Variação/fatos mistos: combina fatos 
permutativos e modificativos. 
A equação básica do patrimônio, também 
conhecida por equação fundamental do 
patrimônio, é a que evidencia o patrimônio 
em situação normal, sendo expressa da 
seguinte maneira: 
Patrimônio Líquido = Ativo – Passivo 
 A equação também pode ser demonstrada 
da seguinte maneira: 
Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido 
Por essa equação, é possível identificar a 
situação líquida da entidade. Existem três 
tipos de situações líquidas: positiva, 
negativa e nula. A situação líquida positiva 
é quando o ativo (bens e direitos) tem um 
valor superior ao passivo (obrigações) 
(ativo > passivo = situação líquida positiva). 
A situação líquida negativa é quando o 
ativo (bens e direitos) tem um valor 
inferior ao passivo (obrigações) (ativo < 
passivo = situação líquida negativa). A 
situação líquida nula é quando o ativo 
(bens e direitos) tem o mesmo valor do 
passivo (obrigações) (ativo = passivo = 
situação líquida nula). 
Fique atento 
Ocorrendo extravio, deterioração ou 
destruição de livros, fichas, documentos ou 
papéis de interesse da escrituração, a 
pessoa jurídica fará publicar, em jornal de 
grande circulação do local de seu 
estabelecimento, aviso concernente ao 
fato e deste dará minuciosa informação, 
dentro de 48 horas, ao órgão competente 
do Registro do Comércio, remetendo cópia 
da comunicação ao órgão da Secretaria da 
Receita Federal de sua jurisdição (art. 10 
do Decreto-Lei nº. 486, de 1969, e § 1º do 
art. 264 do Regulamento do Imposto de 
Renda de 1999 — RIR/99). A legalização de 
novoslivros ou fichas só será 
providenciada depois de observada as 
citadas formalidades (BALAMINUT, 2018, 
documento on-line). 
Escrituração contábil 
Escrituração é uma técnica contábil que 
consiste em registrar nos livros próprios 
(diário, razão ou caixa) todos os fatos 
contábeis que ocorreram na empresa e 
que modifiquem sua situação patrimonial, 
seja ela qualitativa ou quantitativa. 
Segundo estabelece o art. 1.179 do Código 
Civil brasileiro (Lei nº. 10.406/2002), todas 
as empresas (sejam elas caracterizadas 
como empresário, antiga empresa 
individual, ou como sociedade empresária 
limitada ou sociedade anônima) estão 
obrigadas a seguir um sistema de 
contabilidade com base na escrituração 
uniforme de seus livros, tendo suas 
movimentações comprovadas com 
documentos válidos e fidedignos (RIBEIRO, 
2013b). 
Os lançamentos contábeis são efetuados 
pelo método das partidas dobradas, que 
consiste em não lançamento a débito sem 
que haja um crédito de igual valor. 
Lançamento é o meio pelo qual se processa 
a escrituração e registra os fatos contábeis, 
também chamados por alguns autores de 
fatos administrativos, sendo comprovado 
mediante documentos que comprovem a 
legitimidade da operação (notas fiscais ou 
contratos) (RIBEIRO, 2013b). 
Livros contábeis 
Os principais livros utilizados pela 
contabilidade são o diário e o razão. A 
elaboração desses dois livros é obrigatória. 
Porém, a contabilidade também utiliza 
livros auxiliares para suportar a 
escrituração do diário e do razão, como o 
livro-caixa, o contas-correntes, o contas a 
receber e o contas a pagar. Existem livros 
que são utilizados como auxiliares do diário 
e do razão, como ocorre com o livro de 
registro de entradas, registro de saídas e 
registro de inventários (RIBEIRO, 2013b). 
O livro diário é um livro obrigatório, no 
qual serão lançados, com individualização, 
clareza e indicação do documento 
comprobatório, dia a dia, por escrita direta 
ou reprodução, todos os fatos contábeis 
que ocorreram na empresa. O uso do livro-
diário está previsto na legislação civil, no 
art. 1.180 do Código Civil brasileiro (Lei nº. 
10.406/2002), na legislação comercial, no 
art. 5º do Decreto-Lei nº. 486/1969, e na 
legislação tributária, no art. 258 do 
RIR/1999. O livro-diário deve ser 
encadernado com folhas numeradas 
sequencial e tipograficamente e 
apresentado em idioma e moeda corrente 
nacional (RIBEIRO, 2013b). 
O Decreto-Lei nº. 486, de 3 de março de 
1969, que trata sobre escrituração e livro 
mercantis, determina, em seu art. 2º, que a 
escrituração deverá ser completa, em 
idioma e moeda corrente nacional, em 
forma mercantil, com individuação e 
clareza, por ordem cronológica de dia, mês 
e ano, sem intervalos em branco nem 
entrelinhas, itens borrados, rasuras, 
emendas e transportes para as margens. 
Seu art. 5º complementa que a utilização e 
a elaboração do livro-diário é obrigatória. 
Ele deve ser encadernado, com folhas 
numeradas seguidamente, em que serão 
lançados seus fatos contábeis dia a dia, 
contendo termos de abertura e de 
fechamento e ser registrado nas Juntas 
Comerciais do estado da empresa (PASA, 
2001). 
É um livro contábil obrigatório, exigido pela 
Lei nº. 10.406/2002, que, no seu art. 1.180, 
acrescenta que o livro-diário pode ser 
substituído por fichas, caso sua 
escrituração seja mecanizada ou 
eletrônica, porém, não dispensa o uso de 
livro para o lançamento do balanço 
patrimonial e do resultado econômico. 
O art. 1.183 da mesma Lei define que a 
escrituração que consta no livro- -diário 
deverá ser “feita em idioma e moeda 
corrente nacionais e em forma contábil, 
por ordem cronológica de dia, mês e ano, 
sem intervalos em branco, nem 
entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou 
transportes para as margens”. Porém, no 
parágrafo único, permite o uso de código 
de números ou de abreviaturas, que 
constem de livro próprio, desde que esteja 
regularmente autenticado. Deve conter no 
lançamento o histórico, ou seja, a sua 
identificação e o número do documento 
que o embasa (PASA, 2001). 
Os lançamentos no livro-diário devem ser 
feitos de forma clara e objetiva e 
obrigatoriamente devem conter os 
seguintes itens: (a) a data e o local do 
lançamento da operação realizada; (b) a 
conta devedora do lançamento; (c) a conta 
credora do lançamento; (d) o histórico do 
lançamento da operação realizada; e (e) o 
valor do lançamento da operação 
realizada. O Quadro 1 apresenta um 
modelo de lançamento do livro-diário. 
QUADRO 1 
No livro-diário deve-se incluir, ainda, 
conforme os arts. 1.184 e 1.1185 da Lei nº. 
10.406/2002, o balanço patrimonial e o de 
resultado econômico, devendo ser 
assinados pelo responsável pela 
contabilidade e pelo empresário 
responsável pela sociedade. Ainda sobre o 
livro-diário, o § 4º do art. 258 do RIR/99 
determina que os livros ou fichas do diário: 
[...] deverão conter termos de abertura e 
de encerramento, e ser submetidos à 
autenticação no órgão competente do 
Registro do Comércio, e, quando se tratar 
de sociedade civil, no Registro Civil de 
Pessoas Jurídicas ou no Cartório de 
Registro de Títulos e Documentos (PASA, 
2001). 
Pasa (2001) complementa que o Decreto 
nº. 64.567, de 22 de maio de 1969, que 
regulamentou o Decreto-Lei nº. 486/69 
determinou também: 
a) a individualização da escrituração 
compreende a consignação expressa, no 
lançamento, das características principais 
dos documentos ou papéis que deram à 
própria escrituração, como a identificação 
do número da nota fiscal; 
b) só poderão ser usados em lançamentos, 
processos e reprodução que não 
prejudiquem a clareza e a nitidez da 
escrituração, sem rasuras e emendas; 
c) os livros deverão conter, 
respectivamente, na primeira e na última 
página, numeradas, os termos de abertura 
e de encerramento, respectivamente; os 
termos devem ser datados, devem 
identificar o número do livro e devem ser 
assinados por administrador e contador 
habilitado. 
Já o livro-razão, diferentemente do livro-
diário, é definido no art. 259 do RIR/99, 
que prevê que a escrituração contida no 
livro-razão deverá ser realizada de maneira 
individualizada, obedecendo à ordem 
cronológica das operações, ou seja, será 
mantido neste livro o controle por conta 
patrimonial. O § 3º do mesmo artigo 
dispensa de autenticação o livro-razão. Ou 
seja, o livro razão apresentará os registros 
contábeis por ordem cronológica das 
ocorrências de cada conta. É um livro de 
grande utilidade para a contabilidade, 
porque nele é registrado o movimento 
individualizado por conta. A escrituração 
do livro-razão passou a ser pré-requisito 
obrigatório a partir de 1991 (art. 14 da Lei 
nº. 8.218, de 29 de agosto de 1991) para 
empresas optantes pelo lucro real como 
forma de tributação (RIBEIRO, 2013a). No 
Quadro 2, é apresentado um modelo de 
lançamentos no livro-razão. 
QUADRO 2 
O livro contas-correntes é utilizado para 
controlar a movimentação das contas que 
representam direitos e obrigações (muitas 
empresas separam esse livro em dois livros 
separados: o livro de contas a receber para 
os direitos e o livro de contas a pagar para 
as obrigações). Já no livro-caixa são 
registrados fatos contábeis que envolvam 
entradas e saídas de dinheiro (RIBEIRO, 
2013b). 
Saiba mais 
O projeto SA Escrituração Contábil Digital 
(ECD) parte integrante do Sistema Público 
de Escrituração Digital (Sped) — criado 
pelo Governo Federal — tem como 
objetivo:[...] a substituição da escrituração em papel 
pela escrituração transmitida via arquivo, 
ou seja, corresponde à obrigação de 
transmitir, em versão digital, os seguintes 
livros: I - Livro Diário e seus auxiliares, se 
houver; II - Livro Razão e seus auxiliares, se 
houver; III - Livro Balancetes Diários, 
Balanços e fichas de lançamento 
comprobatórias dos assentamentos neles 
transcritos. Segundo o art. 3º da Instrução 
Normativa RFB nº. 1.420/2013b, estão 
obrigadas a adotar a ECD, em relação aos 
fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de 
janeiro de 2014: I - as pessoas jurídicas 
sujeitas à tributação do Imposto sobre a 
Renda com base no lucro real; II - as 
pessoas jurídicas tributadas com base no 
lucro presumido, que distribuírem, a título 
de lucros, sem incidência do Imposto sobre 
a Renda Retido na Fonte (IRRF), parcela 
dos lucros ou dividendos superior ao valor 
da base de cálculo do Imposto, diminuída 
de todos os impostos e contribuições a que 
estiver sujeita; e III - As pessoas jurídicas 
imunes e isentas que, em relação aos fatos 
ocorridos no ano calendário, tenham sido 
obrigadas à apresentação da Escrituração 
Fiscal Digital das Contribuições, nos termos 
da Instrução Normativa RFB nº. 1.252, de 
1º de março de 2012. IV – As Sociedades 
em Conta de Participação (SCP), como 
livros auxiliares do sócio ostensivo. 
§ 1º Fica facultada a entrega da ECD às 
demais pessoas jurídicas. § 2º As 
declarações relativas a tributos 
administrados pela Secretaria da Receita 
Federal do Brasil (RFB) exigidas das pessoas 
jurídicas que tenham apresentado a ECD, 
em relação ao mesmo período, serão 
simplificadas, com vistas a eliminar 
eventuais redundâncias de informação. § 
3º A obrigatoriedade a que se refere este 
artigo e o art. 3º-A não se aplica: I - às 
pessoas jurídicas optantes pelo Regime 
Especial Unificado de Arrecadação de 
Tributos e Contribuições devidos pelas 
Microempresas e Empresas de Pequeno 
Porte (Simples Nacional), de que trata a Lei 
Complementar nº. 123, de 14 de dezembro 
de 2006; II - aos órgãos públicos, às 
autarquias e às fundações públicas; e III - 
às pessoas jurídicas inativas de que trata a 
Instrução Normativa RFB nº. 1.536, de 22 
de dezembro de 2014. § 4º Em relação aos 
fatos contábeis ocorridos no ano de 2013b, 
ficam obrigadas a adotar a ECD as 
sociedades empresárias sujeitas à 
tributação do Imposto de Renda com base 
no Lucro Real. § 5º As pessoas jurídicas do 
segmento de construção civil dispensadas 
de apresentar a Escrituração Fiscal Digital 
(EFD) e obrigadas a escriturar o livro 
Registro de Inventário, devem apresentá-lo 
na ECD, como um livro auxiliar. § 6º A 
obrigatoriedade prevista nos incisos III e IV 
do caput aplica-se em relação aos fatos 
contábeis ocorridos até 31 de dezembro de 
2015. Segundo o art. 3º-A da Instrução 
Normativa RFB nº. 1.420/2015, estão 
obrigadas a adotar a ECD, em relação aos 
fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de 
janeiro de 2016: I - as pessoas jurídicas 
imunes e isentas obrigadas a manter 
escrituração contábil, nos termos da alínea 
c do § 2º do art. 12 e do § 3º do art. 15, 
ambos da Lei nº. 9.532, de 10 de dezembro 
de 1997, que no ano-calendário, ou 
proporcional ao período a que se refere: a) 
apurarem Contribuição para o PIS/Pasep, 
Cofins, Contribuição Previdenciária 
incidente sobre a Receita de que tratam os 
arts. 7º a 9º da Lei nº. 12.546, de 14 de 
dezembro de 2011, e a Contribuição 
incidente sobre a Folha de Salários, cuja 
soma seja superior a R$ 10.000,00 (dez mil 
reais); ou b) auferirem receitas, doações, 
incentivos, subvenções, contribuições, 
auxílios, convênios e ingressos 
assemelhados, cuja soma seja superior a 
R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil 
reais). 
II - as pessoas jurídicas tributadas com base 
no lucro presumido que não se utilizem da 
prerrogativa prevista no parágrafo único 
do art. 45 da Lei nº. 8.981, de 1995. 
Parágrafo Único. As Sociedades em Conta 
de Participação (SCP), enquadradas nas 
hipóteses previstas nos incisos I a II do 
caput do art. 3º e do caput do art. 3º-A 
devem apresentar a ECD como livros 
próprios ou livros auxiliares do sócio 
ostensivo. O prazo de entrega foi fixado 
pelo art. 5º da Instrução Normativa RFB nº. 
1.420/2013b, reproduzido abaixo: Art. 5º A 
ECD será transmitida anualmente ao Sped 
até o último dia útil do mês de maio do ano 
seguinte ao ano-calendário a que se refira 
a escrituração. § 1º Nos casos de extinção, 
cisão parcial, cisão total, fusão ou 
incorporação, a ECD deverá ser entregue 
pelas pessoas jurídicas extintas, cindidas, 
fusionadas, incorporadas e incorporadoras 
até o último dia útil do mês subsequente 
ao do evento. § 2º O prazo para entrega da 
ECD será encerrado às 23h59min59s (vinte 
e três horas, cinquenta e nove minutos e 
cinquenta e nove segundos), horário de 
Brasília, do dia fixado para entrega da 
escrituração. § 3º A obrigatoriedade de 
entrega da ECD, na forma prevista no § 1º, 
não se aplica à incorporadora, nos casos 
em que as pessoas jurídicas, incorporadora 
e incorporada, estejam sob o mesmo 
controle societário desde o ano-calendário 
anterior ao do evento. § 4º Nos casos de 
extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou 
incorporação, ocorridos de janeiro a abril 
do ano da entrega da ECD para situações 
normais, o prazo de que trata o § 1º será 
até o último dia útil do mês de maio do 
referido ano. § 5º Nos casos de extinção, 
cisão parcial, cisão total, fusão ou 
incorporação, ocorridos de janeiro a 
dezembro de 2014, o prazo de que trata o 
§ 1º será até o último dia útil do mês de 
junho de 2015 (BRASIL, c2019, documento 
on-line). 
Definição de patrimônio 
O patrimônio é definido como o conjunto 
de bens (têm valor econômico, podendo 
ser tangível ou intangível, por exemplo, 
imóveis e marcas), direitos (são valores a 
receber que a empresa tem, por exemplo, 
cartão de crédito e vendas a prazo) e 
obrigações (são valores a pagar que a 
empresa tem, por exemplo, salários e 
compras a prazo). 
Bens são os elementos materiais e 
imateriais ou nominais à disposição de uma 
entidade, que concorrem para que a 
empresa alcance seus objetivos. Eles são 
capazes de satisfazer as necessidades 
humanas e suscetíveis de avaliação 
econômica. Sob o ponto de vista contábil, 
pode-se definir bem tudo aquilo que a 
empresa tem, seja para uso, troca ou 
consumo. Bens de usos são móveis e 
utensílios e máquinas de produção. Bens 
de consumo são matérias-primas e 
material de embalagem. Já bens de troca 
são mercadorias para revenda (RIBEIRO, 
2013a). 
Os bens podem ser classificados de acordo 
com suas características físicas. A primeira 
classificação dos bens é em relação à 
definição, se têm ou não corpo. Essa 
classificação é dividida em bens tangíveis e 
bens intangíveis. Os bens tangíveis são 
aqueles que têm corpo, matéria. Por sua 
vez, dividem-se em: 
1. bens móveis são os que podem ser 
removidos do lugar (como mesas e 
veículos); 
2. bens imóveis são os que não podem ser 
deslocados do seu lugar natural (como 
casa, terreno e edifício). 
Os bens intangíveis são aqueles que, 
embora considerados bens, não têm corpo, 
como fundo de comércio, direitos autorais 
e marcas e patentes (RIBEIRO, 2013a). 
Os direitos constituem todos os valores 
que a empresa tem a receber de terceiros 
(clientes e impostos a recuperar). Esses 
direitos geralmente aparecem com os 
nomes dos elementos seguidos da 
expressão a receber. São exemplos dedireitos as duplicatas a receber, os aluguéis 
a receber e as notas promissórias a receber 
(RIBEIRO, 2013a). 
Por fim, as obrigações constituem 
obrigações para a empresa todos os 
valores que ela tiver a pagar para terceiros 
(fornecedores). Essas obrigações 
geralmente aparecem com os nomes dos 
elementos seguidos da expressão a pagar. 
São exemplos de obrigações aluguéis a 
pagar, energia elétrica a pagar, 
fornecedores a pagar e salários a pagar 
(RIBEIRO, 2013a). 
Outro conceito do patrimônio que é 
importante conhecer é o conceito de 
capital. Sendo assim o patrimônio é o 
conjunto de recursos ou potenciais 
recursos que estão ligados à posse de uma 
rede durável de relações. Sob o ponto de 
vista econômico, capital é todo o bem 
capaz de produzir riquezas, renda ou 
utilidades, isto é, representa bens capazes 
de produzir outros bens, como caixa e 
banco (recursos financeiros disponíveis), 
estoques (mercadorias que serão vendias 
para geração de recursos), imobilizados 
(bens utilizado para a execução da 
atividade da empresa) e duplicadas a 
receber (promessas de recebimento de 
vendas efetuadas) (CHAGAS, 2014). 
Sob o ponto de vista contábil, o capital é o 
investimento inicial feito pelo proprietário 
ou pelos sócios de uma empresa, sendo 
registrado em uma conta denominada 
capital social. O capital pode ser próprio, 
que são valores próprios da empresa 
(capital social, lucros), ou de terceiros, que 
são valores que a empresa deve a terceiros 
(fornecedores) (PADOVEZE, 2017). 
Contas patrimoniais e contas de resultado 
As contas patrimoniais representam os 
bens, os direitos, as obrigações e o 
patrimônio líquido. Dividem-se em ativas e 
passivas e são elas que representam o 
patrimônio da empresa num dado 
momento, mediante o balanço 
patrimonial. São exemplos de contas 
patrimoniais: bens (caixa e veículos), 
direitos (duplicatas a receber e 
promissórias a receber), obrigações 
(fornecedores e duplicatas a pagar) e 
patrimônio líquido (capital social e 
reservas) (RIBEIRO, 2013b). 
Já as contas de resultado dividem-se em 
contas de despesas e contas de receitas. 
Elas são utilizadas durante o exercício 
social, encerrando-se (zerando- -as) ao 
final de tal exercício. Não fazem parte do 
balanço patrimonial, mas é por meio delas 
que a empresa apura seu resultado. 
Existem dois tipos de contas de resultado: 
despesas e receitas. As contas de despesas 
decorrem do consumo de bens e da 
utilização de serviços. Por exemplo: a 
energia elétrica consumida, os materiais de 
limpeza consumidos (sabões, 
desinfetantes, vassouras e detergentes), o 
café consumido, os materiais de 
expediente consumidos (canetas, papéis, 
cartuchos de tintas para impressoras, 
impressos e outros), etc. Já as receitas 
decorrem da venda de bens e da prestação 
de serviços. Existem em número menor do 
que as despesas, sendo as mais comuns 
representadas pelas seguintes contas: 
aluguéis ativos, descontos obtidos, juros 
ativos, receitas de serviços e vendas de 
mercadorias (RIBEIRO, 2013b). 
Enquanto as contas patrimoniais são 
apresentadas no balanço patrimonial, as 
contas de resultado são apresentadas na 
demonstração do resultado do exercício e, 
ao final do exercício, o saldo das contas de 
resultado são transferidos para o balanço 
patrimonial, sendo classificados no 
patrimônio líquido, como apresentado na 
Figura 1. 
FIGURA 1 
Como observado na Figura 1 anterior, ao 
final do exercício, o resultado obtido nele 
(lucro ou prejuízo) deverá ser transferido 
para o patrimônio líquido. Essa operação 
chama-se apuração do resultado do 
exercício. 
Fundamentos da administração. 
Unidade 1 
Conceito de empresa atividade 
empresária e não empresária 
O conceito de empresa 
A empresa pode ser definida como uma 
atividade econômica que tem o propósito 
de fazer a produção e incentivar a 
circulação de bens e serviços para o 
mercado. Ela tem à frente a figura de um 
empresário, que tem a empresa como 
profissão. Depois da globalização, observa-
se que a empresa perdeu as características 
que limitavam suas fronteiras e seu 
nacionalismo (DINIZ, 2011). A empresa é 
uma das forças mais poderosas da 
atualidade, unindo pessoas que trabalham 
para um mesmo empresário ou sociedade 
empresária, mas que exercem suas 
atividades dos mais diversos pontos do 
mundo. 
Fique atento 
A globalização foi um processo, ocorrido no 
final do século XX, que permitiu o 
relacionamento internacional estimulado 
pela redução dos custos de transporte e 
comunicação entre os países. Isso facilitou 
a disseminação do conhecimento, o 
comércio e as transações financeiras, bem 
como a migração e a movimentação de 
pessoas. A globalização afeta vários setores 
da sociedade, em intensidades diferentes, 
dependendo do nível de desenvolvimento 
dos países envolvidos. Um dos principais 
impactos causados pela globalização, na 
área da comunicação, foi a disseminação 
da internet, que foi possível por meio de 
acordos firmados entre entidades privadas 
de telecomunicações e governos ao redor 
do mundo. O advento da internet permitiu 
a troca de informações entre a população 
de todo o planeta. Com relação à qualidade 
de vida das pessoas, a globalização 
permitiu facilitar o acesso a avanços 
tecnológicos, novos medicamentos, novas 
metodologias cirúrgicas, novos tipos de 
alimentos, etc. O mercado de trabalho 
também se modificou com a globalização, 
pois as pessoas podem ter empregos fora 
do seu país de origem de forma facilitada, 
e os produtos e serviços produzidos podem 
ser distribuídos para vários países. 
Uma empresa é uma unidade econômica, 
formada por elementos humanos, 
materiais e técnicos, que trabalham para 
um objetivo comum. Esse objetivo é obter 
lucro por meio da participação no mercado 
produtor de bens e serviços. 
Nesse sentido, os requisitos para que uma 
empresa exista são a natureza da sua 
atividade, o capital para que ela funcione, 
o trabalho de pessoas em prol de um 
objetivo comum e, certamente, o risco que 
todo empresário assume quando produz 
bens ou serviços. 
Fique atento 
A gestão empresarial é uma ciência social. 
Ela se dedica ao estudo da organização das 
empresas. Assim, analisa a forma como é 
feita a gestão de seus recursos, sejam eles 
humanos ou materiais, e seus processos, 
bem como os resultados obtidos por meio 
das atividades executadas por todos. 
Saiba mais 
O advogado italiano Alberto Asquini 
participou da guerra da Líbia após sua 
formatura, em Pádua, em 1912, e depois 
foi capitão na Segunda Guerra Mundial. 
Teve uma longa vida acadêmica, sendo 
professor de Direito em diversas 
universidades, como as de Sassari, 
Messina, Trieste, Pávia, Pádua e Sapienza, 
de Roma. Foi membro da comissão da 
reforma do Código Comercial e do Código 
Civil italianos. Além disso, contribuiu de 
forma relevante para a ciência jurídica com 
as suas teorias. 
Para Maria Helena Diniz (2011, p. 13), 
doutrinadora da área do Direito, o conceito 
de empresa é o seguinte: 
[...] é uma instituição jurídica 
despersonalizada, caracterizada pela 
atividade econômica organizada ou 
unitariamente estruturada, destinada à 
produção ou circulação de bens ou de 
serviços para o mercado ou à 
intermediação deles no circuito 
econômico, colocando em funcionamento 
o estabelecimento a que se vincula, por 
meio do empresário individual ou 
societário, entre personalizado, que a 
representa no mundo negocial. 
As empresas podem serclassificadas por 
diversos critérios (SERVIÇO..., 2017; 
INSTITUTO..., 2017; BANCO..., 2017), como 
você pode ver a seguir.  Pelo seu setor de 
atuação, as empresas podem ser: 
empresa de setor primário — são as 
empresas que trabalham com a exploração 
dos recursos da natureza, que são a 
agricultura, a mineração, a pecuária, o 
extrativismo vegetal e a pesca; 
empresa de setor secundário — são as 
empresas que trabalham transformando a 
matéria-prima, normalmente produzida 
pelas empresas do setor primário, em 
produtos industrializados como roupas, 
máquinas, eletrônicos, construções, 
alimentos industrializados, automóveis, 
etc.; 
empresa de setor terciário — são as 
empresas que trabalham com prestação de 
serviços, que são produtos não materiais 
que satisfazem às necessidades de pessoas 
ou outras empresas. Como exemplo, você 
pode considerar o comércio, a educação, a 
saúde, o turismo, os transportes e os 
serviços de limpeza. 
Pela sua forma jurídica, as empresas 
podem ser: 
sociedade simples — é o tipo de empresa 
que realiza atividade intelectual ou presta 
serviços unindo profissionais da mesma 
área, como advogados, médicos, 
engenheiros, arquitetos, contadores; 
sociedade limitada — é o tipo de empresa 
formada por um número conhecido de 
sócios, que possuem cotas da empresa. A 
responsabilidade de cada um é conhecida e 
limitada ao valor investido na empresa, 
mas, apesar disso, todos eles respondem 
de forma solidária pelo capital social 
integral; 
sociedade cooperativa — é o tipo de 
empresa formada por um número ilimitado 
de pessoas, com o objetivo de prestar um 
serviço à sociedade. O seu controle é 
democrático, e cada cooperado tem direito 
a voto. Pode ser formada por profissionais 
que desejam melhorar suas condições de 
trabalho, ou mesmo por pessoas em 
desvantagem no mercado de trabalho, 
como os empregados domésticos, os 
recicladores de lixo, entre outros; 
microempreendedor individual (MEI) — é 
o tipo de empresa em que a pessoa 
trabalha sozinha, por conta própria, de 
forma regularizada. O MEI não pode ser 
sócio ou titular de outra empresa, e só 
pode ter um empregado contratado, desde 
que ele receba somente o salário mínimo 
ou o piso da categoria; 
sociedade anônima de capital aberto — é 
o tipo de empresa na qual o capital social é 
formado por ações que são negociadas na 
bolsa de valores. Normalmente é uma 
empresa grande que objetiva grandes 
retornos financeiros com as operações de 
compra e venda de ações; 
sociedade anônima de capital fechado — 
é o tipo de empresa que não pode ter suas 
ações negociadas na bolsa de valores, pois 
é de menor porte e possui restrição na 
aceitação de novos sócios. 
Pelo seu porte, as empresas podem ser: 
microempresa, pequena empresa, média 
empresa e grande empresa. Não existe um 
consenso para a definição desses tipos de 
empresas. O que existem são critérios, 
estipulados por lei específica ou órgãos 
ligados ao Governo Federal, que auxiliam 
na definição das empresas pelo seu porte, 
levando em conta seu faturamento anual 
ou sua quantidade de funcionários. É 
importante você notar que são as 
microempresas e as pequenas empresas 
que predominam na economia brasileira, 
cada uma com suas características 
próprias. Elas são muito importantes para 
o sistema econômico, principalmente por 
gerarem emprego e formarem especialistas 
para atuar, mais tarde, no mercado de 
trabalho. 
A empresa não é considerada um sujeito 
de direitos. Logo, quem exerce os direitos e 
contrai as obrigações em nome da empresa 
é o empresário, não a própria organização. 
A empresa é a atividade que o empresário 
executa. Em outras palavras, a empresa 
não pode ser confundida com quem exerce 
a atividade empresária, que pode ser o 
empresário individual ou a sociedade 
empresária. 
Uma das principais características da 
empresa é o seu fim econômico, ou seja, a 
empresa visa à obtenção de lucros por 
meio da atividade exercida pelo 
empresário. Não se pode confundir o 
empresário, que é o sujeito da empresa, 
com o estabelecimento empresarial, que é 
o objeto. Uma empresa é uma entidade 
que tem como obrigação principal a de 
apresentar lucro. Tal lucro deve ser 
suficiente para permitir que a empresa 
arque com o atendimento de suas 
despesas e com todas as suas 
necessidades, bem como deve permitir a 
expansão do negócio. 
Atividade empresarial e atividade não 
empresarial 
Tanto a atividade empresarial quanto a 
atividade não empresarial têm o lucro 
como um de seus objetivos, portanto não 
se pode identificar se uma entidade é uma 
empresa ou não apenas a observando sob 
esse aspecto. É necessário analisar a forma 
de exploração da atividade (SIMÃO FILHO; 
MEDEIROS NETO, 2015). 
Há algum tempo, o vocábulo 
“comerciante” vem caindo em desuso, 
dando espaço para a expressão “atividade 
empresarial”. Essa expressão, além de 
designar o trabalho com o comércio, ainda 
se refere à atividade da indústria. A 
atividade empresarial é traduzida em 
atividades que são coordenadas entre si, 
com uma finalidade em comum. O tipo de 
atividade prestada é que vai definir se a 
atividade empresária se refere à indústria 
ou ao comércio. A atividade empresarial é 
uma atividade profissional exercida com o 
objetivo de ser habitual e gerar lucro. Além 
disso, ela envolve uma atividade 
econômica, que requer recursos 
tecnológicos, humanos e materiais em prol 
da circulação ou da produção de bens e 
serviços. 
FIGURA 1 
Fique atento 
Existem algumas pessoas que não podem 
exercer atividade empresarial, pois estão 
impedidas pela legislação. São elas: 
os servidores públicos no exercício da 
atividade pública; 
os militares na ativa; 
os magistrados e os membros do 
Ministério Público; 
o leiloeiro; 
os diplomatas estrangeiros; 
os estrangeiros não residentes no País; 
a pessoa física com débitos no INSS; 
a pessoa física com condenação que vede a 
atividade empresária. Conforme o art. 973 
do Código Civil brasileiro, a pessoa que 
estiver impedida pela lei de exercer 
atividade empresária e assim o fizer vai 
responder pelas obrigações que tiver 
contraído. 
Já a atividade não empresarial é aquela em 
que os empresários, ou sócios da 
sociedade empresária, apesar de visarem 
ao lucro com a sua atividade, não possuem 
uma meta de produção ou de vendas para 
atingir em determinado período de tempo. 
Na atividade não empresarial, existem 
tipicamente serviços prestados com 
qualidade por um profissional liberal, mas 
não necessariamente a venda deles. 
O Código Civil brasileiro define quem é 
empresário e quem não é empresário, ou 
seja, quem são os titulares de atividades 
empresárias e não empresárias: 
LIVRO II Do Direito de Empresa TÍTULO I Do 
Empresário CAPÍTULO I Da Caracterização e 
da Inscrição Art. 966. Considera-se 
empresário quem exerce 
profissionalmente atividade econômica 
organizada para a produção ou a circulação 
de bens ou de serviços. Parágrafo único. 
Não se considera empresário quem exerce 
profissão intelectual, de natureza 
científica, literária ou artística, ainda com o 
concurso de auxiliares ou colaboradores, 
salvo se o exercício da profissão constituir 
elemento de empresa (BRASIL, 2002, 
documento on-line). 
FIGURA 2 
Todos os profissionais que trabalham com 
atividades não empresárias têm como 
elemento principal a qualidade do serviço 
prestado nas profissões nas quais são 
especializados, visando ao lucro.Esses 
profissionais podem ser autônomos, 
quando trabalham sozinhos, ou sócios de 
sociedade empresária, mas sempre 
profissionais liberais, como o médico, o 
advogado, o contador, o engenheiro, o 
arquiteto, o escritor, o artista, entre outros 
(PASSARELI, 2010). 
Note que, para todas as profissões citadas, 
não há como estipular uma meta de 
produção para a atividade desempenhada. 
Não é possível estipular, para um médico, 
uma meta de atender uma quantidade 
definida de pacientes por mês. É 
praticamente impossível exigir que um 
artista pinte um quadro em um dia de 
serviço, ou ainda é inconcebível exigir de 
um advogado uma quantidade certa de 
causas ganhas em um mês de trabalho. 
Fique atento 
O fato de alguns profissionais praticarem 
atos isolados não caracteriza o seu 
trabalho como atividade empresarial, nem 
o indivíduo como empresário. Isso pois há 
a necessidade de a atividade empresária 
ser realizada de maneira contínua para ser 
considerada como tal. 
É importante ressaltar que o elemento que 
caracteriza se uma atividade é empresária 
ou não empresária é tão somente a forma 
de exploração da atividade de quem 
trabalha, ou seja, a produção. Quando se 
juntam trabalhadores dentro de uma 
fábrica, uma indústria, uma concessionária 
de veículos, eles precisam trabalhar para 
que sua produção atinja metas 
predefinidas, visando à obtenção de lucro. 
Já em um escritório de advocacia, de 
arquitetura, de contabilidade, de 
engenharia, em um consultório médico ou 
em um atelier de um artista plástico, todos 
os trabalhadores vão estar envolvidos em 
prestar suas atividades oferecendo 
qualidade para os clientes, visando 
também à obtenção de lucro. O lucro é 
requerido para a manutenção e a expansão 
do negócio. 
Os diferentes tipos de sociedades 
decorrentes das atividades empresária e 
não empresária 
Os tipos de sociedade existentes são 
diferentes devido à maneira como elas 
exercem a sua atividade econômica. 
Quando a sociedade é empresária, é 
porque a atividade econômica é organizada 
e tem finalidade de empresa. Já quando a 
sociedade é não empresária, a sua 
atividade é exercida pelos sócios (CUNHA, 
2014). 
A sociedade empresária é aquela formada 
por um ou mais sócios, que têm como 
objetivo uma atividade econômica 
organizada, voltada para a circulação ou a 
produção de bens ou serviços. Ou seja, ela 
está diretamente relacionada à produção, 
ao atingimento de metas comuns. O fato 
de ela envolver uma atividade econômica 
organizada indica que não são os seus 
sócios que vão produzir os bens ou serviços 
diretamente, e sim a própria empresa. É 
por esse motivo que existem muitos tipos 
diferentes de sociedades empresárias. 
Já a sociedade não empresária, ou 
sociedade simples, como é chamada pela 
legislação, é aquela em que se juntam dois 
ou mais indivíduos com o propósito de 
prestar serviços. Na sociedade não 
empresária, os sócios exercem as 
profissões nas quais são especializados, ou 
prestam serviços de natureza pessoal. Esse 
é o caso da sociedade formada por 
médicos, dentistas, contadores, arquitetos, 
engenheiros, escritores, que se juntam 
para prestar serviços de qualidade, de 
acordo com sua formação pessoal. 
Fique atento 
O termo “simples”, utilizado para 
caracterizar as sociedades não 
empresárias, pode não ser o mais 
adequado. Isso porque ele passa uma ideia 
de que a constituição de uma sociedade 
formada por esse tipo de profissional será 
sempre menor, terá uma estrutura de 
pessoal pequena, e isso não se aplica como 
regra. 
É interessante que, ao constituir uma 
sociedade, seja analisada a vontade dos 
profissionais que serão sócios, levando em 
conta que qualquer tipo de sociedade 
deseja obter lucro: se a intenção dos 
profissionais for desenvolver uma atividade 
econômica voltada à prestação de serviços, 
para concorrer com outros 
estabelecimentos no mercado e trabalhar 
em prol do atingimento de metas comuns, 
essa sociedade deverá ser empresária, e 
não simples (SIMÃO FILHO; MEDEIROS 
NETO, 2015). 
O Código Civil brasileiro estabelece, nos 
seus arts. 981 e 982, o que são as 
sociedades. Além disso, também conceitua 
a sociedade empresária e a simples: 
TÍTULO II Da Sociedade CAPÍTULO ÚNICO 
Disposições Gerais Art. 981 Celebram 
contrato de sociedade as pessoas que 
reciprocamente se obrigam a contribuir, 
com bens ou serviços, para o exercício de 
atividade econômica e a partilha, entre si, 
dos resultados. 
Parágrafo único. A atividade pode 
restringir-se à realização de um ou mais 
negócios determinados (BRASIL, 2018, art. 
981). Art. 982 Salvo as exceções expressas, 
considera-se empresária a sociedade que 
tem por objeto o exercício de atividade 
própria de empresário sujeito a registro 
(art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo 
único. Independentemente de seu objeto, 
considera-se empresária a sociedade por 
ações; e, simples, a cooperativa (BRASIL, 
2002, documento on-line). 
De maneira resumida, todos os 
comerciantes, todos os prestadores de 
serviços e todos os produtores que 
atuarem de maneira habitual no mercado e 
decidirem constituir uma sociedade 
estarão constituindo uma sociedade 
empresarial. Por outro lado, quando 
profissionais decidirem se juntar para 
prestar serviço de qualidade aos seus 
clientes, estará caracterizada uma 
sociedade não empresária. 
A legislação estabelece ainda formas 
diferentes de registro para as sociedades 
empresárias e para as sociedades simples, 
dependendo do seu formato (civil ou 
empresarial) e da sua constituição. As 
sociedades empresárias deverão ser 
registradas na junta comercial. Já as 
sociedades simples, em que figura a 
atividade pessoal dos sócios, devem ser 
registradas como simples junto ao registro 
civil de pessoas jurídicas (SIMÃO FILHO; 
MEDEIROS NETO, 2015). 
É fundamental que o tipo de sociedade 
venha caracterizado de forma expressa no 
contrato social (como empresária ou 
simples). Assim, o registro pode ser feito 
de maneira adequada no órgão correto, a 
fim de que a sociedade adquira 
personalidade jurídica. 
Exemplo 
É importante você notar que, caso um 
grupo de médicos se una para formar uma 
sociedade criando um hospital ou uma 
clínica médica, o seu registro deverá ser 
feito como uma sociedade empresária, e 
não como uma sociedade não empresária, 
como seria o óbvio. Nesse caso, deve ser 
levado em consideração o fato de que toda 
sociedade, quando passa a ter o propósito 
único de auferir ganhos, passa também a 
ter um caráter empresarial, de 
organização. Nesse sentido, os clientes 
passarão a contratar a clínica ou o hospital, 
e não diretamente o médico, e o seu 
serviço passará a figurar como o de 
qualquer outro trabalhador do 
estabelecimento. 
A sociedade não empresária, então, diz 
respeito basicamente às parcerias que são 
formadas por profissionais prestadores de 
serviços, para que eles mesmos exerçam 
suas atividades. São atividades que 
envolvem claramente o lado intelectual do 
indivíduo do profissional, a cooperação. No 
entanto, na sociedade empresária o valor 
entregue ao cliente é um produto ou 
serviço produzido pela empresa, e não 
diretamente pelos seus sócios. 
Existem vários tipos de sociedade 
empresária e vários formatos que as 
empresas podem ter, como você já viu 
(PASSARELI, 2010). A seguir, você pode 
verificar mais alguns detalhes relativos a 
cada um dos tipos. 
Microempreendedor individual: aplica-se 
quando o empreendedor quertrabalhar 
sozinho, pois não admite sócios. 
Empresa Individual de Responsabilidade 
Limitada (EIRELI): é interessante para o 
empreendedor que não quer ter sócios, 
mas envolve algumas exigências, como o 
fato de uma pessoa física só poder ter uma 
EIRELI e dever ter um capital social de pelo 
menos cem vezes o valor do salário mínimo 
vigente no Brasil. 
Sociedade limitada: é um dos tipos de 
sociedade mais utilizados, quando há mais 
de um sócio. É mais flexível com relação às 
exigências e possui um custo reduzido. 
Uma das suas vantagens é que é possível 
optar pela tributação pelo Simples 
Nacional, muitas vezes mais favorável para 
a longevidade do negócio. 
Sociedade anônima: é indicada para as 
empresas que já possuem uma estrutura 
mais consolidada no mercado, mas que 
desejam captar investimentos. 
A constituição da sociedade envolve os 
tipos societários possíveis. Basicamente, os 
tipos de sociedades empresárias são: 
sociedade em nome coletivo; 
sociedade limitada; 
sociedade em comandita simples; 
sociedade por ações. 
E as sociedades simples podem ser, 
tipicamente: 
sociedade simples pura; 
sociedade em nome coletivo; 
sociedade limitada; 
sociedade em comandita simples; 
cooperativa. 
Como você viu, uma sociedade empresária 
pode se diferenciar de uma sociedade não 
empresária pela maneira como a atividade 
econômica é exercida. Na primeira, ela é 
exercida pela empresa; na segunda, pelos 
sócios. Além disso, há diferença com 
relação ao órgão em que deve ser feito o 
registro da sociedade. Outra distinção 
muito importante diz respeito à falência. A 
sociedade empresária pode entrar em 
processo de falência, sendo que, nesse 
caso, o empreendedor tem a opção de 
abrir mão da sua recuperação. No entanto, 
a sociedade simples não pode sofrer 
falência, ou seja, os sócios não podem abrir 
mão da sua recuperação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Introdução a administração 
Conceito e princípios da administração 
Ao longo de toda a história, o ser humano 
vem buscando os melhores resultados em 
suas ações a fim de atender às suas 
necessidades. Quando aprendeu a unir 
esforços, juntar pessoas, trocar ideias e 
experiências e trabalhar em conjunto, o 
homem inventou a organização: forma 
estruturada de trabalhar, criar, projetar, 
produzir e distribuir bens e serviços. Dessa 
forma, o mundo contemporâneo é um 
mundo de organizações. Tudo o que a 
sociedade necessita para viver é inventado, 
projetado, desenvolvido, produzido e 
comercializado por organizações. Você 
pode considerar que as organizações são 
formadas por grupos de pessoas que se 
juntam para alcançar objetivos comuns, 
atuando de modo estruturado. Afinal, de 
forma isolada não conseguiriam atingir 
esses objetivos, dada a complexidade e a 
variedade de tarefas envolvidas no 
trabalho (MORGAN, 2002). 
As organizações são agrupamentos 
humanos construídos e reconstruídos com 
a intenção de atingir determinados 
objetivos, ou seja, são unidades sociais que 
podem ser reestruturadas e redefinidas à 
medida que os objetivos são alcançados, 
ou que surgem melhores meios de atingi-
los com menor custo, tempo e esforço. 
Dessa forma, a organização é uma unidade 
inacabada, uma vez que está sujeita a 
mudanças contínuas (CHIAVENATO, 2014). 
Se as organizações crescem, o número de 
pessoas que atuam nelas também 
aumenta, provocando aumento no número 
de relações entre elas e complexificando o 
cenário. Você deve notar que um dos 
principais objetivos das organizações é 
produzir algo de que a sociedade necessita. 
Quando a sociedade aceita aquilo que é 
produzido para satisfazer suas 
necessidades, a organização assume uma 
função social. Você já pensou em quantas 
pessoas dependem das organizações para 
sobreviver? Quantas dependem do salário 
que recebem para manter a sua família? 
Todos os seres humanos dependem delas, 
não é? A história das organizações 
compreende seis fases, como você pode 
ver na Figura 1. 
FIGURA 1 
Atualmente, as organizações funcionam 
em ambientes diferentes e cercadas por 
fatores econômicos, políticos, sociais, 
legais, tecnológicos, culturais e 
demográficos que imprimem a elas maior 
complexidade. Esses fatores são dinâmicos 
e mudam o tempo todo, trazendo certa 
instabilidade ao ambiente, que influencia e 
é influenciado pelas organizações. 
Contudo, você deve notar que as 
organizações não são autônomas ou 
autossuficientes, ou seja, elas precisam ser 
administradas para sobreviver, crescer e 
ser bem-sucedidas. É por meio da 
administração que as organizações são 
ajustadas e conduzidas para o alcance dos 
resultados pretendidos. Dessa forma, 
administração e organizações andam de 
mãos dadas e não existem isoladas umas 
das outras (MAXIMIANO, 2012; 
CHIAVENATO, 2014). 
A palavra “administração” tem origem 
latina. O prefixo ad significa “direção para”, 
“tendência para”; e minister é um 
comparativo de inferioridade cujo sufixo 
ter significa subordinação ou obediência. 
Ou seja, administração é a função 
desenvolvida sob o controle de outro; é um 
serviço prestado a outro. No entanto, para 
entender o significado do termo, é 
necessário ir além da interpretação da 
palavra, compreendendo o papel da 
administração nas organizações e na 
sociedade. Você já pensou em como a 
administração afeta a sua vida? Já parou 
para pensar que exerce funções de 
administração em seu dia a dia, fora das 
organizações? 
A administração foi a responsável pelo 
desenvolvimento econômico e tecnológico 
no mundo, mostrando como inovações, 
tecnologias e ferramentas podem ser 
utilizadas e transformadas em resultados. 
Não é à toa que a administração é 
considerada uma das mais importantes 
áreas da atividade humana. Ela lida com 
toda a complexidade que envolve as 
organizações, com mudanças e com o 
incerto cenário contemporâneo. Seu papel 
principal é fazer com que “as coisas 
aconteçam” por meio das pessoas, da 
combinação e da integração de vários 
recursos. Sem ela, as organizações não 
conseguiriam atingir seus objetivos 
(CHIAVENATO, 2014). 
Assim, a administração pode ser vista 
como uma ciência, uma técnica e uma arte. 
Ciência porque possui princípios bem 
definidos e tem por base conhecimentos 
científicos; técnica porque produz 
ferramentas para a obtenção de 
resultados; e arte porque, além de o 
administrador lidar com situações 
concretas, necessita lidar também com 
situações incertas e inesperadas. Entre 
essas situações estão conflitos entre as 
pessoas, recursos escassos, insatisfação 
dos funcionários e outros fatores internos 
e externos. 
Dessa forma, a administração tem como 
missão compreender e interpretar os 
objetivos estabelecidos pela organização. 
Ela deve realizar ações que permitam o 
alcance dessas metas. Isso se dá por meio 
de planejamento, organização, direção e 
controle dos esforços gerados nos diversos 
âmbitos da organização (SILVA, 2013). 
Você sabia que a administração, apesar de 
existir desde o início dos tempos, sofreu 
forte impulso no século XX, influenciando o 
mundo todo? Nessa época, a complexidade 
crescente das organizações exigia a adoção 
de novos conhecimentos que as ajudassem 
a compreender os problemas 
administrativos que surgiam. Dessa 
perspectiva, todas as teorias 
administrativas elaboradasnesse período 
foram bem-sucedidas, pois apresentaram 
soluções específicas para tais problemas. 
A administração começou a ser estruturada 
em meados do século XIX. Inicialmente, 
surgiram os estudos de Frederick Taylor, 
que criou um modelo de administração 
baseado na aplicação de métodos 
científicos para a resolução dos problemas. 
Além dele, se destaca Henry Fayol, que 
idealizou a teoria clássica da 
administração. Mais tarde, surgiram vários 
estudos que elaboraram teorias da 
administração. Você pode considerar que 
esse é um conjunto de conhecimentos 
organizados e produzidos por meio da 
observação e da análise crítica das práticas 
das organizações. Esses estudos se valem 
de afirmações e regras estruturadas para 
explicar a realidade e ajudar as 
organizações a se adaptarem às mudanças 
contínuas, necessárias à sua sobrevivência 
(MAXIMIANO, 2012). 
Saiba mais 
As teorias da administração mais 
importantes e que contribuíram para o 
desenvolvimento das organizações são: 
teoria clássica da administração; teoria da 
burocracia; teoria das relações humanas; 
teoria comportamental; teoria 
estruturalista; teoria dos sistemas; teoria 
neoclássica da administração; teoria 
comportamental; e teoria da contingência 
(SCHULTZ, 2016). 
Os conhecimentos práticos gerados desde 
que as organizações existem vêm 
contribuindo para a criação de acervos 
teóricos e empíricos e sendo refinados ao 
longo dos tempos. Tanto que algumas 
teorias, além de gerarem novos 
conhecimentos, mantiveram os princípios 
de outras teorias, aperfeiçoando-os com 
novas ideias. Um exemplo disso é a versão 
modernizada dos princípios da 
administração científica de Taylor 
apresentada por Chiavenato (2014): 
princípio do planejamento — substitui a 
improvisação por métodos científicos; 
princípio do preparo — visa à seleção do 
melhor trabalhador para cada tarefa, 
ensinando-o e treinando-o para produzir 
mais e melhor; e ao preparo de máquinas e 
equipamentos de produção, o que inclui 
arranjo físico, ferramentas e materiais 
adequados; 
princípio da execução — visa a delegar 
atribuições e responsabilidades de forma 
precisa para disciplinar a execução do 
trabalho; 
princípio do controle — controla a 
execução do trabalho; 
princípio da exceção — determina que 
apenas as ocorrências fora do padrão 
devem chamar a atenção do gerente para 
que sejam corrigidas. 
Fayol, por sua vez, apresentou 14 
princípios gerais da administração. Entre 
eles, você pode considerar os seguintes 
(MAXIMIANO, 2012): 
princípio da divisão do trabalho — 
marcado pela especialização necessária 
para a eficiência na utilização das pessoas e 
pela determinação de tarefas específicas a 
cada um dos órgãos que compõem a 
estrutura da organização; 
princípio da autoridade e da 
responsabilidade — a autoridade e o 
poder são consequência da posição 
ocupada pela pessoa, da mesma forma que 
o direito de dar ordens e ser obedecido; a 
responsabilidade é consequência natural 
da autoridade; 
princípio da unidade de comando — é o 
princípio da autoridade única, ou seja, cada 
pessoa deve receber ordens de apenas um 
chefe; 
princípio da hierarquia ou cadeia escalar 
— a autoridade deve seguir uma 
hierarquia, de forma que um nível esteja 
sempre subordinado a outro; 
princípio da departamentalização — 
marcado pela divisão do trabalho, que leva 
à especialização e à diferenciação de 
tarefas e órgãos, ou seja, é a 
heterogeneidade e a fragmentação do 
trabalho; 
princípio da coordenação — todos os 
esforços da organização são distribuídos 
visando ao objetivo comum. 
Ao conjunto integrado de teorias que 
tratam do estudo da administração e das 
organizações, deu-se o nome de teoria 
geral da administração (TGA). 
Saiba mais 
A TGA atravessou diversas fases distintas e 
que se sobrepõem: ênfase nas tarefas; 
ênfase na estrutura; ênfase nas pessoas; 
ênfase na tecnologia; ênfase no ambiente; 
e ênfase na competitividade (MAXIMIANO, 
2012). 
Agora é interessante que você se questione 
o seguinte: será que todas as teorias 
administrativas podem ser aplicadas às 
situações atuais? Se você respondeu que 
sim, acertou! Todas as organizações 
possuem um ou mais aspectos de uma ou 
várias teorias da administração. Esses 
aspectos podem ser as normas e 
regulamentos que orientam sua operação, 
a hierarquia, a divisão do trabalho, etc. 
Assim, cabe aos administradores escolher 
os modelos ou estilos de gestão mais 
adequados a cada situação ou a cada 
problema a ser solucionado. Por isso, é 
fundamental que possuam conhecimento 
sobre as teorias administrativas para que 
tenham, entre as alternativas disponíveis 
para cada situação, condições de decidir 
adequadamente, agregando novos valores 
aos seus conhecimentos (SOBRAL; PECI, 
2013). 
Além dos conhecimentos técnicos e 
científicos, é importante que os 
administradores desenvolvam habilidades 
que lhes permitam lidar com a 
complexidade do mundo organizacional 
contemporâneo. Esse mundo é marcado 
não apenas por tarefas programadas e 
padronizadas, mas também pela 
imprevisibilidade de problemas 
administrativos, conflitos na equipe, 
pressão, cobrança de prazos, reuniões, 
interrupções, etc., aspectos que interferem 
na atuação dos gestores (MOTTA, 2001). 
Fique atento 
Todas as pessoas que administram 
qualquer conjunto de recursos, que tomam 
decisões e levam a sua equipe a 
desempenhar seu papel na busca pelos 
objetivos organizacionais são chamadas de 
administradores, gerentes ou gestores 
(MAXIMIANO, 2011). 
No cenário atual, é cada vez mais 
necessário que os gestores desenvolvam 
novas habilidades gerenciais com o intuito 
de complementar os conhecimentos e 
habilidades já existentes. Afinal, as formas 
clássicas de gestão — rígidas, precisas e 
com base em experiências passadas — já 
não atendem às novas demandas e 
necessidades das organizações modernas 
(MOTTA, 2001). 
Fique atento 
São habilidades básicas para um gestor 
(KATZ, 1955 apud SOBRAL; PECI, 2013): 
habilidade técnica (conhecimento sobre 
métodos e equipamentos necessários para 
a realização das atividades 
organizacionais); 
habilidade humana (capacidade de 
compreender as pessoas e suas 
necessidades, interesses e atitudes; de 
entender, liderar e trabalhar com pessoas); 
habilidade conceitual (capacidade de 
compreender e lidar com a complexidade 
da organização como um todo, utilizando a 
inteligência na formulação de estratégias, 
além de planejamento, raciocínio e 
criatividade). 
Além das habilidades, são exigidas dos 
gestores algumas competências, que são 
fundamentadas nas próprias habilidades. 
Você sabia que uma das habilidades mais 
valorizadas nas organizações é a 
capacidade de se relacionar com as 
pessoas? Você possui essa habilidade? Veja 
as competências essenciais do 
administrador, segundo Chiavenato (2014), 
na Figura 2. 
FIGURA 2 
Funções da administração 
A administração possui várias definições. 
Fayol a define como um processo 
dinâmico, constituído pelas funções 
interligadas de prever, organizar, 
comandar, coordenar e controlar. Ao longo 
do tempo, as funções de comando e 
coordenação foram substituídas pela 
função de direção. Para alcançar os 
objetivos estabelecidos pelas organizações, 
os administradores executam cada uma 
dessas funções, que, apesar de serem 
diferentes, estão relacionadas e são 
interdependentes, como você pode ver na 
Figura 3. 
FIGURA 3 
O planejamentoé a primeira função do 
processo administrativo, uma vez que 
serve de base para as demais funções. 
Nesse contexto, planejar significa definir os 
objetivos a serem perseguidos pela 
organização e decidir com antecedência 
quais ações serão executadas para o seu 
atingimento. Ou seja, é no planejamento 
que as estratégias que vão orientar o 
trabalho dos administradores são definidas 
e os planos de ação são desenvolvidos, 
visando à coordenação das atividades 
necessárias à consecução dos objetivos. 
Portanto, o planejamento é a função 
administrativa que determina 
antecipadamente o que será feito, quais 
objetivos deverão ser alcançados e como 
isso se dará, com o mínimo de esforço e o 
menor custo (SOBRAL; PECI, 2013). Você já 
percebeu que o planejamento também faz 
parte do seu dia a dia? O que você faz 
quando decide preparar um jantar para os 
amigos? E quando resolve fazer uma 
viagem? Você planeja! 
São atividades de planejamento: 
verificação e análise da situação atual; 
definição de objetivos; desenvolvimento de 
premissas sobre as condições futuras; 
determinação de estratégias 
organizacionais; estabelecimento dos 
recursos necessários para atingir os 
objetivos; implementação dos planos de 
ação necessários ao alcance dos objetivos. 
Agora considere essas atividades aplicadas 
à preparação do seu jantar ou da sua 
viagem. Percebeu que o planejamento é 
fundamental para que ambos os eventos 
aconteçam sem imprevistos e com 
sucesso? Veja, na Figura 4, as premissas 
básicas do planejamento. 
FIGURA 4 
Outro ponto importante é que o 
planejamento é elaborado de forma 
diferente em cada nível organizacional, ou 
seja, existe uma hierarquia de planos 
(BATEMAN; SNELL, 1998). Veja a seguir. 
Planejamento estratégico: é aquele que se 
dá no nível institucional, ou seja, no nível 
mais alto da organização, correspondente 
ao plano maior, ao qual os demais planos 
estão subordinados. Possui como 
característica a projeção para o longo 
prazo (acima de dois anos) que envolve 
toda a organização e é voltada ao alcance 
dos objetivos globais. 
Planejamento tático: é aquele elaborado 
no nível intermediário da organização, ou 
seja, em cada unidade organizacional, e 
que é subordinado ao planejamento 
estratégico. Tem como característica a 
projeção para o médio prazo (até um ano), 
envolve cada departamento ou unidade da 
organização, abrangendo recursos 
específicos, e é voltado para a coordenação 
e as atividades internas, visando a atingir 
os objetivos departamentais. 
Planejamento operacional: é aquele que 
se dá nos setores em que as ações 
acontecem e que se refere a cada atividade 
ou tarefa específica. Possui como 
característica a projeção para curto prazo 
(imediato, semanal ou mensal). Além disso, 
envolve cada tarefa isoladamente e tem a 
preocupação de alcançar metas 
específicas. 
Veja, na Figura 5, os níveis da organização 
e o planejamento estratégico 
correspondente. 
FIGURA 5 
A organização é a segunda função 
administrativa. É a responsável pela 
distribuição de tarefas e dos recursos entre 
os membros organizacionais. Ela coloca em 
prática tudo aquilo que foi planejado na 
função anterior, organizando, estruturando 
e integrando todos os recursos e órgãos, 
bem como a direção e o controle da ação 
organizacional (SOBRAL; PECI, 2013; SILVA, 
2013). Se você parar para pensar, vai notar 
que também executa essa função ao 
preparar o jantar com os amigos ou a sua 
viagem. A organização envolve quatro 
componentes: 
tarefas — devem ser realizadas de acordo 
com a divisão do trabalho e as funções 
organizacionais; 
pessoas — são designadas para a ocupação 
de cargos, considerando habilidades, 
aptidões, interesses, experiências e 
comportamento; 
órgãos — representam divisões, 
departamentos, setores ou unidades 
dispostos em uma estrutura, assim como 
níveis hierárquicos; 
relações — são importantes entre órgãos e 
pessoas da organização e também com os 
stakeholders (clientes, fornecedores, 
acionistas, entre outros). 
Organizar, no processo administrativo, 
consiste em reunir e coordenar os recursos 
humanos, financeiros, físicos, de 
informação e outros necessários para 
atingir os objetivos organizacionais. A 
divisão do trabalho, o agrupamento de 
atividades em uma estrutura lógica, a 
distribuição de pessoas para a execução do 
trabalho, a alocação de recursos 
necessários e a coordenação dos esforços 
são algumas das atividades da função 
organização (SOBRAL; PECI, 2013; 
CHIAVENATO, 2014). É importante você 
notar que essa função se desdobra nos 
seguintes níveis organizacionais: 
Nível global — abrange a organização em 
sua totalidade; é tratado no nível 
institucional; pode assumir diversos tipos e 
refere-se ao desenho organizacional 
(compreende a estrutura da organização, o 
formato organizacional e os processos de 
comportamento). 
Nível departamental — abrange cada 
departamento ou unidade da organização; 
é tratado no nível intermediário; pode 
assumir diversos tipos e refere-se ao 
desenho departamental (compreende o 
agrupamento de unidades em subsistemas 
com departamentos e divisões). 
Nível das tarefas e operações — diz 
respeito a cada tarefa executada; é tratado 
no nível operacional; refere-se ao desenho 
dos cargos (modelagem do trabalho, 
estrutura das posições e das atividades em 
cada cargo) e das tarefas que juntos 
utilizam as tecnologias e originam produtos 
e serviços. 
Veja a representação da função 
organização nos níveis organizacionais na 
Figura 6. 
FIGURA 6 
A direção é a terceira função 
administrativa e diz respeito a garantir o 
funcionamento da organização por meio 
das pessoas. Ou seja, após a definição do 
planejamento e da configuração da 
organização, é hora de iniciar o trabalho. 
Para isso, as pessoas são fundamentais. 
Assim, é preciso que sejam contratadas, 
ajustadas aos seus cargos, treinadas, 
avaliadas e recompensadas. Além disso, 
precisam ser estimuladas e orientadas 
sobre como devem desempenhar suas 
funções e sobre o que se espera delas para 
que os objetivos sejam atingidos. 
Dessa forma, a direção é a função 
administrativa referente à gestão de 
pessoas na organização. São atividades 
dessa função: liderar, motivar e coordenar 
os trabalhadores para desenvolverem suas 
atividades visando ao alcance dos objetivos 
organizacionais; comunicar, gerir conflitos, 
reconhecer e recompensar. Essa é uma 
função que exige mais ação do que 
planejamento e organização. O gestor tem 
como responsabilidade proporcionar um 
ambiente adequado e propício para o 
desenvolvimento de um trabalho de 
qualidade, de modo que os trabalhadores 
se sintam satisfeitos (SOBRAL; PECI, 2013; 
SILVA, 2013). 
Você também pode executar ações de 
direção em seu trabalho, pois, mesmo que 
não seja oficialmente um gestor, pode ser 
um líder e motivar seus colegas. Além 
disso, pode executar essa função em sua 
família, resolvendo conflitos entre seus 
irmãos ou irmãs, por exemplo. Veja, no 
Quadro 1, a abrangência da direção na 
organização. 
QUADRO 1 
A função de controle está diretamente 
relacionada com as outras funções do 
processo administrativo, ou seja, com o 
planejamento, a organização e a direção. 
Apesar de ser menos envolvente que as 
demais funções, é uma parte de todas elas, 
pois consiste no monitoramento e na 
avaliação do desempenho da organização, 
comparando-o aos objetivos planejados e 
corrigindo os desvios que podem ocorrer.Você pode considerar que nenhum plano 
está totalmente acabado se não houver 
meios de avaliar seus resultados e 
consequências. 
São funções do controle no processo 
administrativo: definir medidas de 
desempenho; verificar e monitorar o 
desempenho; compará-lo com os padrões 
e objetivos determinados; e estabelecer 
medidas corretivas garantindo o alcance 
dos objetivos. Veja, no Quadro 2, a 
representação da função controle nos 
níveis da organização. 
QUADRO 2 
A finalidade do controle é garantir que os 
resultados das estratégias, das políticas e 
diretrizes (estabelecidas no nível 
institucional), dos planos táticos 
(elaborados no nível intermediário) e dos 
planos operacionais (elaborados no nível 
operacional) estejam perfeitamente 
ajustados aos objetivos previamente 
traçados. Os três níveis de controle estão 
interligados e relacionados, ou seja, na 
prática, não há uma separação clara entre 
eles (SOBRAL; PECI, 2013). 
Você ainda deve notar que as funções 
administrativas atuam como parâmetros 
fundamentais para o sucesso de uma 
organização. Sem essas funções, 
provavelmente as organizações estariam 
condenadas à desordem e ao insucesso. No 
entanto, cabe reforçar a importância do 
administrador e de suas habilidades para 
que essas funções sejam exercidas 
adequadamente, facilitando a obtenção 
dos resultados esperados. 
Será que as funções administrativas sofrem 
variação dependendo do nível hierárquico 
ocupado pelo administrador? A resposta é 
sim. Veja tal variação na Figura 7. 
FIGURA 7 
Eficiência e eficácia 
As mudanças no ambiente são dinâmicas. 
Por isso, as organizações necessitam 
reajustar, realocar e reestruturar 
continuamente suas competências e 
recursos de acordo com os seus objetivos. 
O atual cenário, marcado por rápidas e 
constantes transformações, exerce pressão 
sobre as organizações. Assim, elas têm de 
se antecipar às mudanças, aproveitar as 
oportunidades que surgem, bem como 
reagir e responder com flexibilidade às 
ameaças e pressões ambientais. Nesse 
contexto, a estratégia é o principal meio 
para que a organização consiga responder 
a mudanças (SOBRAL; PECI, 2013). 
São muitas as definições do termo 
“estratégia” e muitos os autores que se 
referem a ela, o que dificulta um consenso. 
Veja a seguir como alguns autores a 
definem. 
• Estratégia é a definição dos 
objetivos básicos de longo prazo de 
uma organização, a adoção das 
ações e recursos adequados para 
atingir esses objetivos (CHANDLER, 
1962). 
• Estratégia é um conjunto de regras 
referentes à tomada de decisão em 
condições de desconhecimento 
parcial, em que as decisões 
estratégicas referem-se à relação 
entre a organização e o ambiente 
que a cerca (ANSOFF, 1965). 
• Estratégia refere-se à relação entre 
a organização e o meio em que 
está inserida: relação atual 
(situação estratégica) e relação 
futura (plano estratégico) (KATZ, 
1970). 
• Estratégia refere-se às ações 
ofensivas ou defensivas que criam 
uma posição de defesa na indústria 
para que ela obtenha sucesso 
frente às forças competitivas e 
atinja maior retorno sobre o 
investimento (PORTER, 1980). 
• Estratégia é uma força mediadora 
entre a organização e o seu meio 
envolvente. É um padrão no 
processo de tomada de decisões 
organizacionais para enfrentar seu 
meio envolvente (MINTZBERG, 
1988). 
Saiba mais 
O plano estratégico é o conjunto de 
objetivos e ações a serem executados pela 
organização para atingir seus objetivos 
(KATZ, 1970). 
A estratégia representa aquilo que a 
organização deseja fazer; o negócio que 
pretende realizar; o rumo que deseja 
seguir. O ponto central da administração 
da estratégia é a preparação para o futuro. 
Ou seja, a estratégia tem por finalidade 
orientar a organização em relação ao 
futuro, no sentido de guiá-la de forma 
consciente e sistemática para alcançar seus 
objetivos, tendo por base análises de suas 
condições e capacidades, bem como do 
ambiente que a cerca. 
A administração da estratégia é tratada no 
nível institucional, responsável por 
analisar, desenvolver e modificar os 
processos internos e externos da 
organização para torná-la eficiente e eficaz 
em condições de incerteza, de constantes 
mudanças. É a administração estratégica 
que formula e implementa a estratégia 
organizacional, buscando o alcance dos 
objetivos da organização. Ou seja, a 
estratégia é elaborada no mais alto nível da 
organização. 
Assim como a estratégia, a administração 
também possui muitos conceitos, mas, de 
forma mais ampla, pode ser definida como 
um processo de coordenação do trabalho e 
de alocação de recursos organizacionais 
que visa ao alcance de objetivos 
estabelecidos, de forma eficaz e eficiente. 
Nessa definição, há quatro elementos que 
se destacam (SOBRAL; PECI, 2013), como 
você pode ver a seguir. 
Processo: é uma forma sistemática de fazer 
alguma coisa. A administração é um 
processo, pois é formada por um conjunto 
de atividades e tarefas relacionadas a fim 
de atingir determinados objetivos. 
Coordenação: a administração consiste na 
coordenação do trabalho e dos diversos 
recursos organizacionais para garantir que 
todas as partes interdependentes 
funcionem de forma alinhada e coerente 
com os processos e objetivos da 
organização. 
Eficiência: é a capacidade de realizar as 
atividades organizacionais com o mínimo 
de recursos. 
Eficácia: é a capacidade de realizar as 
atividades organizacionais para atingir os 
objetivos estabelecidos. 
Eficiência e eficácia são termos muito 
utilizados na administração para 
demonstrar o desempenho em relação ao 
objetivo alcançado. Eficácia diz respeito ao 
alcance de resultados, enquanto eficiência 
refere-se à utilização de recursos. Na 
dimensão econômica, a eficácia é a 
capacidade de as organizações 
satisfazerem as necessidades da sociedade 
produzindo bens e serviços. Já a eficiência 
está relacionada aos custos e benefícios da 
relação técnica entre entradas (insumos) e 
saídas (produtos ou serviços). Dessa forma, 
quando se quer verificar a relação entre os 
recursos aplicados e o produto final obtido, 
a razão entre o esforço e o resultado, entre 
a despesa e a receita, se utiliza o conceito 
de eficiência (SILVA, 2013). 
Quanto mais o administrador se preocupa 
em fazer corretamente as coisas, mais 
perto de ser eficiente ele está, ou seja, 
melhor utiliza os recursos disponíveis. No 
entanto, quando usa ferramentas 
fornecidas por quem executa para avaliar 
se os resultados estão sendo alcançados, 
ou seja, se as coisas bem feitas são as que 
realmente deveriam ser feitas, ele está 
focado no conceito de eficácia, que é 
alcançar resultados por meio dos recursos 
disponíveis (SORAL; PECI, 2013). 
Dessa forma, você pode considerar que 
(SILVA, 2013): 
eficiência é a capacidade de realizar as 
atividades organizacionais utilizando o 
mínimo de recursos. Nesse contexto, 
quanto maior a produtividade, mais 
eficiente será a organização. Ou seja, a 
preocupação aqui é com a otimização dos 
recursos utilizados para atingir os 
objetivos, economizando recursos sem 
prejudicar a produtividade e a qualidade 
dos produtos e serviços prestados; 
eficácia é a capacidade de realizar os 
objetivos propostos pela organização. 
Implica escolher os objetivos certos e 
atingi-los, ou seja, a preocupação é com os 
fins. A eficácia é a chave para o sucesso das 
organizações. Veja, na Figura 8, a diferença 
entre eficiência e eficácia.FIGURA 8 
Os conceitos de eficiência e eficácia são 
muito utilizados na administração 
contemporânea, no entanto muitas 
pessoas ainda os confundem. Apesar de se 
complementarem, no contexto 
administrativo, possuem significados 
diferentes. Para Maximiano (2012), a 
eficiência realiza as tarefas de modo 
inteligente, com o mínimo de esforço e o 
melhor aproveitamento possível dos 
recursos. Já a eficácia é o conceito de 
desempenho relacionado aos objetivos e 
resultados. Veja as diferenças entre 
eficiência e eficácia, segundo Chiavenato 
(2011), no Quadro 3. 
QUADRO 3 
Você já parou para pensar que, 
dependendo do modo como as 
organizações são administradas, elas 
podem se tornar eficientes e eficazes, ou 
ineficientes e ineficazes? Ou seja, nem 
sempre eficiência e eficácia andam juntas. 
Uma organização pode ser eficiente em 
suas atividades e não ser eficaz ou vice-
versa. O ideal é que a organização seja 
igualmente eficiente e eficaz (MAXIMIANO, 
2011; CHIAVENATO, 2014). 
Dessa forma, a eficiência se preocupa em 
fazer corretamente as coisas e da melhor 
forma possível, o que explica a ênfase nos 
métodos e procedimentos internos. A 
eficácia, por sua vez, tem a preocupação 
em fazer as coisas corretas visando a 
atender às necessidades da organização e 
do ambiente em que ela se insere. Então, 
enquanto a eficiência está concentrada nas 
operações e tem sua atenção voltada aos 
aspectos internos da organização, a 
eficácia se concentra no alcance dos 
objetivos, com sua atenção voltada aos 
aspectos externos (BATEMAN; SNELL, 
1998). 
Assim, o administrador precisa estar atento 
às tarefas para alcançar a eficiência e aos 
objetivos e resultados para alcançar a 
eficácia. E você, consegue ser eficiente e 
eficaz em seu trabalho e em sua vida 
pessoal? 
 
 
 
 
 
Definições e conceitos de gestão 
AS FUNÇÕES DA GESTÃO 
Gestão é o processo de trabalhar com 
pessoas e recursos para atingir metas 
organizacionais. Os bons gestores fazem 
isso de maneira eficaz e eficiente: 
• Ser eficaz significa atingir metas 
organizacionais. 
• Ser eficiente é atingir metas com o 
mínimo desperdício de recursos, ou seja, 
fazer o melhor uso possível do dinheiro, do 
tempo, dos materiais e das pessoas. 
Alguns gestores fracassam segundo os dois 
critérios, ou concentram -se em um em 
detrimento do outro. Os melhores gestores 
mantêm um foco claro sobre a eficácia e a 
eficiência. Essas definições existem há 
muito tempo. Mas, como sabemos, o 
mundo dos negócios está mudando 
radical- mente. A verdadeira questão está 
no que fazer. 
Embora o contexto geral e os aspectos 
específicos dos negócios estejam 
mudando, ainda há muitos princípios 
atemporais que fazem com que sejam 
grandiosos os maiores gestores e 
empresas. Embora novas ideias e 
abordagens sejam mais necessárias do que 
nunca, muito do que já se aprendeu sobre 
as práticas bem -sucedidas de gestão 
permanece relevante, útil e adaptável – 
associado a novas maneiras de pensar – no 
ambiente empresarial do século XXI. 
No atual mundo dos negócios, os grandes 
executivos não apenas se adaptam às 
mudanças das condições, mas também 
aplicam – fanática, rigorosa, coerente e 
disciplinadamente – os princípios 
fundamentais da gestão. Esses 
fundamentos abrangem as quatro funções 
tradicionais da gestão: planejamento, 
organização, liderança e controle. Essas 
funções permanecem tão relevantes 
quanto sempre o foram e ainda fornecem 
os fundamentos necessários tanto em 
empresas iniciantes quanto em 
corporações estabeleci- das. Mas 
evoluíram em sua forma. 
O planejamento nos põe a caminho da 
realização de valor 
Planejamento é especificar as metas a 
serem atingidas e decidir antecipadamente 
as medidas necessárias para atingi -las. As 
atividades de planejamento abrangem 
analisar a conjuntura, projetar o futuro, 
determinar objetivos, decidir os tipos de 
atividade a que a empresa irá se dedicar, 
escolher estratégias corporativas e de 
negócios, e determinar os recursos 
necessários para atingir as metas da 
empresa. Os planos preparam o terreno 
para a ação e para grandes realizações. 
No novo ambiente empresarial, a função 
de planeja- mento é mais dinamicamente 
descrita como fornecimento de valor 
estratégico. Valor é um conceito 
complexo.53 Essencialmente, descreve a 
quantia monetária associada a quão bem 
um emprego, uma tarefa, um bem, ou um 
serviço atente as necessidades de seus 
usuários. Estes podem ser os donos de 
empresas, clientes, funcionários, a 
sociedade e até mesmo nações. Quanto 
melhor entendermos essas necessidades 
(em termos de qualidade, velocidade, 
eficiência etc.), mais valor iremos fornecer. 
Esse valor é “estratégico” quando contribui 
para a realização das metas da empresa. 
No nível pessoal, devemos periodicamente 
perguntar a nós mesmos e a nossos chefes: 
“Como posso agregar valor?”. Responder a 
esta pergunta irá aprimorar suas 
contribuições, seu desempenho 
profissional e sua carreira. 
Antigamente, o planejamento era uma 
abordagem descendente segundo a qual os 
executivos estabeleciam planos de 
negócios e mandavam que outros os 
implementassem. Atualmente e no futuro, 
o fornecimento de valor estratégico é e 
será um processo contínuo no qual as 
pessoas de toda a empresa usam e usarão 
seus cérebros e os de seus clientes, 
fornecedores e outros interessados para 
identificar oportunidades de criar, 
conquistar, reforçar e sustentar a 
vantagem competitiva. Esse processo 
dinâmico gira em torno do objetivo de criar 
cada vez mais valor para o cliente. A 
criação eficaz de valor exige levar 
plenamente em consideração um novo e 
mutável conjunto de interessados e 
questões que abrangem o governo, o meio 
ambiente, a globalização e a economia 
dinâmica nas quais as ideias mandam e os 
empreendedores são, ao mesmo tempo, 
concorrentes formidáveis e colaboradores 
em potencial. Iremos tratar desses e outros 
assuntos correlatos nos Capítulos 3 (Ética e 
Responsabilidade Corporativa), 4 
(Planejamento Estratégico) e 5 
(Empreendedorismo). 
A organização reúne os recursos dos quais 
precisamos 
Organizar é reunir e coordenar os recursos 
humanos, financeiros, físicos, 
informacionais e outros necessários para 
atingir metas. Suas atividades abrangem 
atrair pessoas para a empresa, especificar 
as responsabilidades dos cargos, agrupar 
funções em unidades de trabalho, levantar 
e alocar recursos, e estabelecer as 
condições necessárias para que as pessoas 
e as máquinas trabalhem juntas para obter 
o máximo de sucesso. 
A meta da função de organização é 
construir uma empresa dinâmica. 
Antigamente, organizar envolvia a criação 
de um organograma por meio da 
identificação de funções de negócio, o 
estabelecimento de relações hierárquicas e 
a criação de um departamento pessoal que 
administrasse planos, programas e 
documentos. Atualmente e no futuro, os 
gestores eficazes usam e usarão novas 
formas de organização e encaram e 
encararão as pessoas como seus mais 
valiosos recursos. Irão construir empresas 
flexíveis e adaptáveis, especialmente no 
que tange à reação a ameaças competitivas 
e necessidades da clientela. Práticas 
progressistas de recursos humanos que 
atraiam e retenham o que há de melhor 
em uma população altamente diversificada 
serão aspectos essenciais das empresas 
bem -sucedidas. Iremos tratar desses 
temas nos Capítulos 6 (Estrutura 
Organizacional), 7 (Gestão de Recursos 
Humanos),8 (Gestão de uma Força de 
Trabalho Diversificada) e 14 (Inovação e 
Mudança). 
A liderança mobiliza as pessoas 
Liderar é estimular as pessoas para que 
apresentem alto desempenho. Abrange 
motivar os funcionários e comunicar -se 
com eles tanto individual quanto 
coletivamente. Os líderes mantêm contato 
próximo e diário com as pessoas, 
orientando -as e inspirando -as para que se 
atenham às metas da equipe e da empresa. 
A liderança é estabelecida em equipes, 
departamentos e divisões, além do topo da 
pirâmide das grandes empresas. Em livros 
anteriores, a função de liderança descrevia 
como os gesto- res motivavam os 
trabalhadores para vir ao trabalho e, 
cumprindo suas tarefas, executar os planos 
da alta administração. Atual- mente e 
daqui por diante, os gestores devem ser 
bons em mobilizar as pessoas para que 
contribuam com suas ideias – usem seus 
cérebros de maneiras jamais imaginadas 
ou necessárias no passado. Os gestores 
atuais devem empregar um tipo muito 
diferente de liderança (Capítulo 9) que dê 
poderes às pessoas e as motive (Capítulo 
10). Muito mais do que no passado, um 
bom trabalho será resultado de um bom 
trabalho em equipe (Capítulo 11) tanto 
dentro de cada grupo quanto além de suas 
fronteiras. Esses processos estão 
fundamenta- dos em uma comunicação 
interpessoal e organizacional eficaz 
(Capítulo 12). 
Controle significa aprender e mudar 
Planejamento, organização e liderança não 
garantem o sucesso. A quarta função, o 
controle, monitora o desempenho e 
implementa as mudanças necessárias. Ao 
exercer o controle, os gestores garantem 
que os recursos da empresa sejam 
utilizados da maneira planejada e que ela 
atinja suas metas de qualidade e 
segurança. 
O controle envolve, necessariamente, 
monitoramento. Para eliminar quaisquer 
dúvidas a respeito da importância dessa 
função, vejamos algumas falhas de 
controle que causaram problemas sérios. 
Depois de uma explosão na refina- ria de 
petróleo da BP no Texas, que causou a 
morte de 15 pessoas, investigações 
sugeriram que a causa da tragédia teria 
sido o fracasso generalizado na 
implementação de medidas de segurança. 
Os investigadores relataram que a 
administração da BP estava focada em 
medidas de corte de custos que 
contribuíram para condições de risco no 
trabalho. Apesar de um ano de lucros 
recorde, o principal executivo da empresa 
anunciou sua intenção de aposentar -se 
precocemente e sua bonificação foi 
cortada quase pela metade.54 Outros 
lapsos de controle podem afetar os 
clientes. Um recente surto de infecções por 
salmonela – que pode causar febre, 
diarreia, desidratação e até morte –, teve 
sua origem na manteiga de amendoim das 
marcas Peter Pan e Great Value, 
produzidas pela ConAgra Foods, na fábrica 
de Sylvester, Georgia. O processamento 
dos amendoins costuma matar a salmonela 
e outros germes, de modo que o provável 
culpado foi a contaminação dos frascos ou 
do equipamento. A ConAgra anunciou 
rapidamente um recall, porém mais de 400 
pessoas em 44 Estados dos Esta- dos 
Unidos relataram ter sido contaminadas e 
71 delas precisaram ser hospitalizadas. 
Estima -se que o recall por si só custe à 
ConAgra pelo menos US$ 50 milhões; 
processos judiciais, a limpeza do 
equipamento e o dano causado à 
reputação das marcas aumentam esses 
custos.55 
Quando os gestores implementam seus 
planos, muitas vezes percebem que as 
coisas não andam conforme o planejado. A 
função de controle garante a realização das 
metas; faz e dá resposta à seguinte 
pergunta: “Nossos resultados efetivos 
condizem com nossas metas?”. Em 
seguida, fazem- -se os ajustes necessários. 
Elon Musk, da Tesla Motors, aplicou essa 
função para realizar mudanças necessárias 
na empresa. Como muitas empresas 
iniciantes, a Tesla teve per- calços no 
caminho. Conflitos com o fundador e 
problemas técnicos durante o 
desenvolvimento adiaram por mais de um 
ano o lançamento do primeiro carro da 
empresa, causando problemas de fluxo de 
caixa. Musk foi obrigado a fechar uma 
unidade e demitir quase 25% dos quadros. 
Mas também foi responsável pelo 
levantamento, com investidores, de US$ 55 
milhões em capital, e o Roadster agora está 
em plena produção.56 
As empresas bem -sucedi- das, sejam de 
que tamanho forem, dão muita atenção à 
função de controle. Mas atual- mente e 
futuramente, os principais desafios 
gerenciais são e serão mais dinâmicos do 
que no passado; envolvem aprendizado e 
mudanças constantes. Os controles ainda 
são necessários, como veremos no 
Capítulo 13. Mas novas tecnologias e 
outras inovações (Capítulo 14) permitem 
controlar de maneiras mais eficazes, ajudar 
todos os integrantes de uma empresa e 
para além de suas fronteiras – inclusive 
clientes e fornece- dores – a usar seus 
cérebros, aprender, fazer uma série de 
novas contribuições e ajudar a empresa a 
inovar de maneiras que levem a um futuro 
de sucesso. 
A gestão exige todas as quatro funções 
O dia típico de um gestor não se divide 
precisamente entre as quatro funções. 
Fazemos muitas coisas mais ou menos 
simultaneamente.58 Nossos dias são ativos 
e fragmentados, com interrupções, 
reuniões e incêndios a apagar. Haverá 
muitas atividades que gostaríamos de 
realizar, mas que nos parecem 
inalcançáveis. Essas atividades incluem as 
quatro funções da gestão. 
Alguns gestores apresentam interesse, 
dedicação ou habi- lidade especial em uma 
ou duas dessas funções. Mas deve- mos 
dedicar atenção e recursos o bastante a 
todas elas. Você talvez seja um planejador 
e controlador habilidoso, mas, se organizar 
sua equipe incorretamente ou deixar de 
inspirá -la para que apresente desempenho 
de alto nível, não irá realizar seu potencial 
de gestor. Da mesma forma, não adianta 
nada ser o tipo de gestor que adora 
organizar e liderar, mas não sabe para 
onde ir ou como determinar se está no 
caminho certo. Os bons gestores não 
negligenciam nenhuma das qua- tro 
funções da gestão. Sabendo quais são, 
podemos nos per- guntar periodicamente 
se estamos dando a devida atenção a todas 
elas. 
As quatro funções da gestão também se 
aplicam a cada um de nós. Precisamos 
encontrar maneiras de criar valor; 
organizar -nos para realizar a própria 
eficácia; mobilizar nossos talentos e 
habilidades como mobilizamos os dos 
outros; monitorar nosso desempenho; e 
aprender, desen- volver e mudar 
constantemente tendo em vista o futuro. À 
medida que avançarmos neste livro e no 
curso, não devemos tomá -los apenas 
como um aprendizado impes- soal, mas 
pensar nessas questões também do ponto 
de vista individual, usando as ideias para 
nosso desenvolvi- mento pessoal. 
GESTÃO O processo de trabalhar com 
pessoas e recursos para atingir metas 
organizacionais. 
PLANEJAMENTO A função da gestão que 
toma decisões sistemáticas sobre as metas 
e atividades a serem cumpridas por uma 
pessoa, um grupo, uma unidade, ou pela 
empresa como um todo. 
VALOR A quantia monetária associada a 
quão bem um emprego, uma tarefa, um 
bem ou um serviço atende as necessidades 
de seus usuários. 
ORGANIZAÇÃO A função de gestão que 
envolve reunir e coordenar os recursos 
humanos, financeiros físicos, 
informacionais e outros necessários para 
atingir metas. 
LIDERANÇA A função de gestão que 
envolve os esforços do gestor para 
estimular seus funcionários e fazê-los 
apresentar alto desempenho. 
CONTROLE A função de gestão que se 
refere a monitorar o desempenho e 
realizar as mudançasnecessárias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade 2 
Funções gerenciais 
Funções gerenciais dentro das 
organizações 
O conceito de Administração é amplo, pois 
são diversas as características que 
compõem as nuances das funções 
administrativas. Utilizando os conceitos de 
Fayol, as funções gerenciais são definidas 
como os papéis de um gerente, embora 
elas ocorram nos diversos níveis e setores 
da organização. Pois se estes processos 
não se realizam em conjunto, seria 
impossível imaginar que se concluam com 
êxito. 
As funções gerenciais determinam 
primeiramente: 
• planejar, organizar, dirigir e 
controlar; 
• gerir com eficiência e eficácia; 
• estabelecer os processos 
organizacionais em prol de seus 
objetivos; 
• compor outras funções em 
conjunto com as coordenações de 
produção, financeiro e segurança. 
Segundo Amorim e Fischer (2013), no 
artigo A aprendizagem organizacional e 
suas bases econômicas, podemos 
apresentar as seguintes definições: 
Planejamento: caracteriza-se pela forma 
com a qual as pessoas e as empresas se 
relacionam com o futuro. Defendido por 
alguns autores como uma tomada de 
decisão precavida, é utilizado para planejar 
o que se espera do futuro. Para as 
organizações, o planejamento é 
fundamental, pois estabelece uma relação 
que pode acontecer, fazendo com que a 
empresa faça uma simulação de seu 
futuro. 
O planejamento consiste em três etapas 
que se subdividem em outras: 
1. Estabelecer os objetivos: é neste 
momento em que os objetivos devem 
mostram os pontos desejados a alcançar. 
2. Tomar decisões, que podemos 
subdividir em quatro processos: 
a) experiências anteriores: estudar o 
passado e construir o futuro; 
b) experimentação: estudar alternativas; 
c) árvore de decisões: serve para tomar 
decisões e definir qual vai contribuir com 
mais resultados e menos possibilidades de 
erro; 
d) pesquisa operacional: utiliza a 
matemática, auxiliando na relação das 
escolhas organizacionais. 
3. Elaborar planos: o plano resulta do 
planejamento e possui correlação entre o 
processo e a implementação, e subdivide-
se em: 
a) programas (programação); 
 b) procedimentos (métodos); 
c) orçamento (recursos financeiros); 
d) regras (mudança de comportamentos). 
 Aplica-se ao planejamento: 
• definição dos objetivos; 
• flexibilidade do planejamento 
(correlação). 
Para Drucker (1981), é possível montar o 
plano teórico com a primeira função, assim 
completando o planejamento, e iniciando a 
próxima etapa, que é a organização, 
conforme apresentamos: 
1. Organização: podemos definir como os 
requisitos externos. Podemos citar como 
exemplo quando uma organização compra 
equipamentos, aumenta sua estrutura ou 
contrata pessoas, preparando-se e se 
planejando. 
Observamos que as empresas possuem 
duas funções determinantes: incorporar 
recursos (trazer recursos externos) e 
distribui-los, como recursos materiais, 
financeiros e tecnológicos. Concluímos, 
assim, que a organização tem a 
responsabilidade de montar sua estrutura 
organizacional. 
2. Controle: é a função que determina que 
os demais recursos e valores funcionem 
dentro de limites estabelecidos. Esta 
função também é avaliada, comparada e 
medida por seu desempenho, visto se 
tratar de ações de correção. Podemos 
definir como funções básicas do controle: 
a) a legitimidade do negócio (ética); 
b) controle: centralizado (aprovação de 
decisões não rotineiras por gestores) e 
descentralizado (aprovação de decisões 
não rotineiras por níveis hierárquicos 
médios e baixos). 
3. Direção: a função da direção é ativar as 
pessoas através de procedimentos, tais 
como ordem, comunicação, motivação, 
coordenação e liderança. Dinamizar o 
processo é ativar as pessoas ao processo 
de desenvolvimento, satisfazendo o 
colaborador e a organização em busca da 
realização de seus objetivos. O Quadro 1 
resume as atribuições em cada etapa. 
QUADRO 1 
Entretanto, para o gerenciamento destes 
processos, é necessário ser criado um 
alinhamento organizacional, onde se 
prevejam que as metas pessoais dos 
colaboradores estejam em conjunto com 
as da organização. Assim, estabelecemos a 
relação de eficiência e eficácia nos 
processos. Entendemos que uma empresa 
bem organizada é aquela em que cada 
colaborador desempenha seu papel com 
suas atribuições em busca de atender os 
objetivos propostos. Embora saibamos que 
não existe uma receita pronta para 
realizarmos um plano, o objetivo é a busca 
constante pelo alinhamento destes 
processos. 
O cuidado que deve ser adotado dentro 
das organizações serve ao gestor como 
uma forma de não se transformar em um 
“resolvedor” de problemas, e sim o gestor 
que prevê e cria processos na resolução e 
na busca do sucesso da organização. 
Dentro deste alinhamento organizacional, 
evidenciamos fatores e forças que 
influenciam nesses processos. Iniciamos 
relatando duas forças principais citadas na 
obra de Amorim e Fischer (2013): fatores 
externos e fatores internos. 
Fatores externos 
Podemos denominar como “normas” que a 
sociedade exige, ou regras, fatores. Estes 
fatores variam de acordo com cada região. 
Na maioria das vezes, quando uma 
empresa se estabelece em uma cidade, faz 
um estudo para verificar em que nível se 
encontram estes fatores, como clima, 
número de habitantes, idade, entre outros. 
Fatores internos 
Denominamos como “cultura da empresa”. 
São suas crenças, seus propósitos e sua 
missão propriamente dita. A cultura de 
uma empresa define quem ela é, 
diferenciando-a das demais. Embora 
apresentem as mesmas condições físicas, a 
cultura é algo que se constrói 
individualmente dentro de cada 
organização, com a ajuda das pessoas que 
a compõem. 
Algumas práticas tornam-se rituais, 
mantendo a cultura de uma empresa 
intacta por anos, a ponto de serem 
executadas automaticamente. Sabemos 
também que a cultura das empresas é 
influenciada pelo nível hierárquico de 
gestores mais antigos. Havendo 
sindicalização, a cultura cria mais força 
ainda, fazendo com que as tratativas de 
alteração se confrontem na busca de 
mudanças. 
Saiba mais 
Para aprofundar seus conhecimentos, leia 
o artigo “Competências e funções 
gerenciais” (UCHÔA, 2012). 
Administração por objetivos 
Em qualquer área de nossa vida, seja no 
trabalho, na família, ou em um grupo 
social, estamos vinculados a metas e 
planos para concretizá-los. Referindo-se ao 
mundo empresarial, existem ferramentas 
que auxiliam gestores e organizações na 
luta pela concretização destes objetivos, 
através de ferramentas, indicadores de 
desempenho, dentre outros. 
Em um primeiro momento, pode parecer 
redundante falar da importância de 
objetivos em uma organização. Entretanto, 
ressaltamos que, na grande maioria das 
organizações, a questão referente aos 
objetivos não é clara, gerando impactos 
gigantescos no momento da tomada de 
decisão. 
Ao falarmos do alcance de objetivos nas 
funções gerenciais, não podemos deixar de 
citar Drucker (1981), autor que nos 
apresenta as primeiras ideias sobre 
administração por objetivos. 
Drucker (1981) afirma que o gestor pode 
ter o controle de suas próprias atividades, 
realizando um trabalho em conjunto com o 
seu superior, atrelado ao conhecimento 
que ele possui no trabalho direto com a 
equipe. A ideia é fazer com que o gestor se 
torne mais independente, não sendo 
necessário requisitar seu superior a cadarealização de atividade. Entretanto, o 
objetivo geral nesta situação não é tirar o 
poder do superior, mas fazer com que seja 
um trabalho mais independente, tornando-
o superior, um ponto chave dentro da 
organização, e não o resolvedor de 
problemas simples do dia a dia. Os 
gerentes podem ser melhor desenvolvidos 
ao perceberem que são avaliados de 
acordo com as atribuições de seu cargo. 
O crucial é focarmos nos objetivos como 
algo primordial para o sucesso da 
organização. Devemos ter o cuidado para 
que os objetivos pessoais do profissional 
não ultrapassem a linha tênue dos 
objetivos da organização. Nos dias de hoje, 
cada vez mais os funcionários questionam 
a finalidade e o sentido de seu trabalho. 
Cabe aos administradores e gestores 
dizerem que é possível sim trabalhar em 
conjunto na realização deste objetivo, 
garantindo o sucesso da organização e o 
sucesso profissional do trabalhador. 
Fique atento 
Toda mudança enfrenta algum tipo de 
resistência, ainda mais dentro de uma 
organização onde transitam várias pessoas, 
cada uma com sua personalidade, 
identificando e vivenciando o que poderia 
ser melhor diante da situação apresentada. 
Podemos definir dois tipos clássicos de 
pessoas: as que não aderem a mudanças 
por entenderem que é algo simples que 
não gera retorno imediato, e as que não as 
aceitam, pois gostam de trabalhar com o 
improviso e vão tomando decisões na 
medida em que as coisas vão acontecendo. 
O desempenho dos gerentes apresenta 
características que se mostram além de 
suas vontades, tais como (CHIAVENATO, 
2000): 
• economia do país; 
• legislação; 
• matérias-primas, como produtos 
importados, safras; 
• financiamento bancário; 
• poder aquisitivo. 
Lembramos que estes fatores também 
resultam em regras fixas para a 
organização: quanto mais um gerente 
estiver preparado, conhecendo as 
pesquisas de mercado que influenciaram 
em sua organização, melhor será seu 
desempenho. 
Não há como sermos específicos ao 
falarmos das funções do gerente. Quanto 
mais baixo for seu nível de atividade 
dentro da organização, mais quantificado 
será o seu trabalho. Um trabalhador 
operacional terá seus rendimentos 
medidos pelo nível de produção, já o 
funcionário com cargo elevado terá seu 
desempenho medido por diferentes 
fatores, como a tomada de decisão e a 
visão sistêmica. 
A realidade dos acontecimentos dos 
objetivos se dá no momento em que são 
idealizados e no momento em que 
ocorrem, devendo apresentar uma crucial 
importância. 
Quando se estabelecem níveis de 
desempenho, pode-se correr o risco de que 
estes sejam inatingíveis, ou cômodos. Cabe 
ao gerente definir um nível “intermediário” 
a ser adotado para se conquistar 
determinado objetivo, não desanimando a 
equipe, mas tampouco deixando-os 
acomodados. É fundamental que os 
objetivos estejam em comunhão com a 
proposta da organização. 
Quando todo trabalho está alinhado para 
atingir determinadas condições quanto à 
qualidade e quantidade, podemos dizer 
que está de acordo com o princípio da 
Administração por Objetivos, alinhado ao 
plano de negócios. 
O esforço do gestor em dirigir, estipular e 
estimular ideias inovadoras deve ser 
medido por sua eficiência e eficácia nas 
ações. Segundo Drucker (1981), autor 
precursor da Administração de Objetivos, a 
ideia central é ser a união entre uma 
administração visionária com a cultura da 
organização. 
Uma das principais vantagens de se 
administrar com foco nos objetivos é 
possuir o controle de sua própria empresa. 
O controle é focado nos objetivos a atingir 
e baseado no desempenho do gestor 
conforme os objetivos da organização. 
A administração por objetivos e controle 
pode e deve ser considerada um estudo da 
administração, pois a mesma defende o 
bom desempenho do administrador na 
ânsia dos objetivos e necessidades 
pessoais. Isto é liberdade aliada à 
legalidade da administração. Remetendo 
este processo aos dias atuais, esta visão de 
administração por objetivos carrega uma 
nova esperança aos gestores, resultando 
no processo determinante do que 
realmente é importante para alcançar os 
objetivos da organização. 
Nos últimos anos, as organizações vêm 
centralizando informações para agir de 
uma forma clara nesta relação de objetivos 
versus organização versus tarefas. Para 
isso, é necessária a implementação de 
alguns documentos. Em um primeiro 
momento, é importante que os gestores 
desenhem a descrição de funções de 
acordo com os objetivos, as normas e a 
cultura da organização (Quadro 2). Esta 
descrição pode e deve ser atualizada e 
renovada a qualquer momento, desde que 
haja uma comunicação da organização. 
QUADRO 2 
Alves, Brennand e Soares (2016), no artigo 
Conectando inteligências múltiplas através 
de aplicações interativas na formação de 
gestores nos apontam que podemos definir 
alguns requisitos básicos que devem 
constar na elaboração dos objetivos 
organizacionais, ressaltando que, hoje, 
uma das maiores preocupações dentro da 
organização é para que este objetivo não 
seja vago. Os requisitos básicos podem ser 
os seguintes: 
• estipular metas para as áreas que 
abrange (respeitando as 
particularidades de cada área e 
objetivos individuais em conjunto 
com a organização/ plano anual); 
• ser pertinente ao que se pretende 
atingir (difícil, não impossível); 
• ser específico (na questão de 
quanto, quando e como); 
• mensurar os resultados esperados 
(uma ideia clara do que se espera). 
Infelizmente, evidenciamos casos em que 
há uma divergência de propósitos dentro 
de uma mesma organização, como a de 
pessoal e legal. Cabe aos gestores 
alinharem esses processos junto a todas as 
áreas para que a visão desses gestores 
possa precaver situações antes do 
acontecimento. 
Fixação de objetivos 
Para Silva et al. (2016), a política de 
objetivos é classificada em três níveis 
básicos, descritos a seguir. 
Política geral: é determinada com o intuito 
de estabelecer um processo de 
alinhamento de todos os objetivos da 
organização. Compreende-se que cada 
área tenha objetivos especificamente 
particulares, entretanto, ressalta-se a 
importância de estes estarem alinhados 
em prol da realização e da concretização 
dos mesmos, visando a atender às 
expectativas da organização. 
Política em nível de divisão: nesse nível, os 
objetivos são verificados após a aprovação 
dos gestores e dos diretores definidos para 
cada equipe, determinando o que se refere 
a cada divisão de área, alocando-os no 
calendário anual da organização, e 
avaliando o desempenho de cada divisão. 
Política em nível de departamento: nesse 
momento, cada gerente trabalha junto a 
sua equipe. O gerente pode utilizar 
recursos de planejamento interno para sua 
área (relacionados com os objetivos da 
organização). 
Considerando os objetivos individuais em 
quantitativo e qualitativo, estes devem 
conter uma linguagem simples, porém 
específica, para que atenda à compreensão 
de todas as áreas da organização. 
Cada modelo de objetivos, plano anual e 
demais definições de processos gerenciais 
de uma organização podem ser utilizados 
por gerentes, gestores e demais 
colaboradores. Assim que estes forem 
alterados, todos os envolvidos devem ser 
sinalizados. Entretanto, mesmo 
respeitando a possibilidade de alteração, 
deve-se considerar o envolvimento de 
todas as partes. 
Gerenciamento versus concretização de 
objetivos 
Conforme Amorim e Fischer(2013), em 
todas as atividades humanas é 
imprescindível citarmos o capital humano. 
É ele que move todas as ações sociais e 
organizacionais. Os ativos envolventes, 
como tecnologia da informação e 
conhecimento, são determinantes do 
ambiente externo. Tratam-se de 
ferramentas que necessitam do bem mais 
precioso de uma organização, o capital 
humano. Uma organização que possui um 
alinhamento entre profissionais e 
tecnologia, terá sucesso certo em seu 
desenvolvimento. 
Nos dias atuais, ainda vemos empresas que 
optam por seguir uma linha de mão única: 
conhecimento ou tecnologia. É comum 
identificarmos casos de empresas que 
detêm o conhecimento apenas em uma 
pessoa, e quando esta não faz mais parte 
da equipe, a empresa se vê no prejuízo, 
tanto para ela quanto para seus clientes. O 
foco, então, deve ser um trabalho em 
conjunto de pessoas que buscam atingir 
um determinado fim. 
Na construção, na qualificação e no 
desenvolvimento das competências do 
profissional dentro das organizações, 
utilizam-se tecnologias educacionais para 
auxiliar na interpretação do processo 
educativo corporativo. Tais tecnologias 
podem ser: 
Instrução: estruturação dos processos de 
aprendizagem de forma simples. 
Compõem, nesta etapa, objetos e 
processos que definirão o andamento do 
curso/atividade, podendo até serem auto 
instrucionais. 
Treinamento: são eventos que atendem às 
necessidades organizacionais em um 
momento determinado, talvez específico. 
Um programa que também pode englobar, 
na prática, a vivência de determinada 
situação, capacitando o colaborador e 
tornando-o multiplicador do conhecimento 
adquirido. Para a realização de um 
treinamento é necessária uma 
programação efetiva, evidenciando os 
pontos a serem trabalhados. 
Desenvolvimento: trata-se do grau de 
aprendizado colaborador/aluno que, 
através dos processos de aprendizagem, irá 
nivelar o grau de conhecimento adquirido 
por parte das atividades realizadas do 
multiplicador e de seus colegas. 
Educação: programas de ação continuada 
de longa ou curta duração que visam 
atender um objetivo estabelecido pela 
organização, disseminar o conhecimento 
em diversos níveis, profissionalizante, 
técnico, graduação, pós-graduação, 
mestrado e doutorado. 
O foco dentro das organizações são as 
mudanças, e as pessoas entrelaçam elos 
com a organização. Isso ocorre no 
momento em que o indivíduo se identifica 
com a cultura da organização, referindo-se 
aqui aos valores, caráter, o que 
popularmente podemos dizer do “cara que 
veste a camiseta”. 
Essas particularidades remetem aos 
colaboradores a motivação, dedicação, 
segurança e a autorrealização, itens que 
compõem a pirâmide das necessidades, 
segundo Maslow. Considerando a 
complexidade deste processo, citamos que 
a visão estratégica que um gestor deve ter 
compõe o processo de tomadas de 
decisões em ação conjunta para que essas 
particularidades se concretizem. A 
competitividade dos dias atuais exige das 
organizações uma preparação além do 
presente. O uso da tecnologia e de 
ferramentas técnicas possuem, hoje em 
dia, inúmeros recursos para satisfazer essa 
necessidade na organização. 
A eficiência de um equipamento já não traz 
tantos resultados a uma organização, 
senão em comum parceria de profissionais 
capacitados. Também ressaltamos que o 
fácil acesso e as opções ilimitadas a 
alternativas alinham-se a vantagens e 
desvantagens. As empresas devem investir 
na sua capacidade de inovação para liderar 
o mercado onde atuam, visto que a 
concorrência é cada vez mais acirrada. 
Porém, isso deve ser responsabilidade de 
todos dentro da organização. Este processo 
pode ocorrer em um trabalho em conjunto 
com todas as áreas, através de estratégias, 
evidenciando as mudanças organizacionais. 
Em cada organização, as formas de 
comando variam, tornando-se bem- -
sucedidas ou não. Com isso, definimos que 
os estilos pessoais interferem no comando, 
na cultura e no andamento das atividades 
da empresa. 
Tanto as organizações quanto as 
economias nacionais enfrentam 
dificuldades no momento da mensuração 
dos ativos tangíveis e intangíveis. Com isso, 
fazem uso de ferramentas ligadas às 
tecnologias da informação (TICs) (Figura 1). 
Com estes parâmetros de mensuração, é 
possível verificarmos se os indicadores 
estão ocorrendo com eficiência e eficácia 
junto aos objetivos da organização. 
FIGURA 1 
A inovação impulsiona os processos da 
organização para com a concorrência. O 
conhecimento, ou seja, o capital humano 
da organização, aliado às novas 
tecnologias, são ferramentas básicas para o 
desenvolvimento da empresa. 
A inovação dentro das organizações 
voltada à política deve estar relacionada ao 
conhecimento das pessoas. O objetivo 
deve ser o foco geral em todos os lugares 
para as funções, processos e 
desenvolvimento da organização. O 
aprendizado e a mudança são faces de uma 
mesma moeda. A sobrevivência de uma 
organização está aliada ao controle de 
reter o conhecimento e desenvolver 
competências, em uma contínua melhoria 
nos processos. 
As perspectivas da aprendizagem 
organizacional estão atreladas aos estudos 
e às pesquisas realizadas no assunto, 
caracterizando a aproximação destes. Os 
fatores aqui citados são apresentados por 
Silva et al. (2016) como determinantes do 
aprendizado organizacional: 
• aquisição de conhecimento; 
• distribuição de conhecimento; 
• interpretação da informação; 
• memória organizacional. 
Entretanto, há autores que defendem a 
aprendizagem organizacional com outros 
fatores, tais como: 
• experiência institucional; 
• fenômeno de adaptação; 
• processo de mudança de 
pressupostos compartilhados; 
• processo de relações resultantes 
de ações e conhecimentos 
desenvolvidos. 
Com isso, dizemos que existe um enorme 
número de estudos voltados à pesquisa do 
tema aprendizagem organizacional. Apesar 
disto, identificamos carência de 
compreensão do mesmo nas organizações. 
No entanto, em meio a diversos 
paradigmas sobre o assunto, neste 
trabalho, a aprendizagem organizacional é 
tratada com base em três conceitos. 
Desta forma, concluímos que 
aprendizagem organizacional envolve 
manipulação e combinação de 
conhecimentos, sendo que quando não há 
engajamento por parte dos membros, 
torna-se trabalhosa a aprendizagem. 
Ressaltamos também a importância do 
ambiente externo no processo das 
mudanças dentro das organizações, tendo 
em vista que o mercado se baseia nas 
adaptações que surgem do ambiente 
externo. A criatividade para a organização 
dos processos deve ser liderada, em alguns 
momentos, de forma paralela (em 
conjunto) e, em outros, individualmente 
(entre as áreas). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tipos de gerente 
Modelos de liderança e suas atividades 
Por meio de seus autores, a Administração 
nos apresenta diferentes tipos de líderes. 
São os estilos de liderança que denominam 
o comportamento do líder, 
independentemente de suas características 
pessoais. Ramos (2014) nos diz que o tipo 
de líder está ligado à personalidade, 
enquanto o estilo de liderança está 
associado ao que o líder faz. O Quadro 1 
mostra os três principais tipos de líderes. 
QUADRO 1 
Considerando que a liderança é atrelada às 
competências de inteligência e ao clima de 
trabalho, podemos categorizar a liderança 
em ressonante e dissonante, conforme 
apresenta o Quadro 2. 
QUADRO2 
Saiba mais 
Liderança diretiva: quando a tomada de 
decisão parte de um único líder. 
Normalmente, esse modelo de liderança 
não prepara seu sucessor. 
Liderança participativa: é um líder 
provisório, um líder itinerário ou itinerante. 
Podemos dizer que é diretivo, mas não 
definitivo. 
Liderança delegativa: é um líder que delega 
a função de liderança a outro 
representante. 
Liderança estilo coaching: é um líder 
treinador, que estimula o grupo a tomar 
decisões estratégicas em busca dos 
objetivos da organização. 
Os líderes devem ter uma posição 
impessoal e passiva quanto às metas da 
organização, pois apesar de estarem 
liderando pessoas em prol dos objetivos da 
empresa, também estão sendo avaliados 
pelo desempenho de suas funções. A partir 
das necessidades e dos sonhos da 
organização, nascem as metas ligadas à sua 
história e à sua cultura. 
O trabalho é considerado, pelos líderes, um 
processo rotineiro que permite a interação 
de pessoas e a tomada de decisões. Neste 
momento é que se pode negociar, 
barganhar, usar recompensas e demais 
formas de interação, de acordo com o 
papel que cada pessoa desempenha no 
processo. Os líderes também devem ter 
cuidado na relação estabelecida com o 
grupo, para que o emocional não afete 
significativamente o desempenho das 
tarefas. Não se considera negativo esse 
tipo de liderança, mas necessário. 
Atualmente, acompanhamos inúmeros 
modelos de liderança no mercado, com 
sucesso ou não. O papel do líder é 
conservar o principal valor da empresa em 
menor tempo e custo. 
Para Ramos (2014), a liderança é uma 
grande conquista para as organizações. O 
administrador deve ser um líder nato para 
nortear os funcionários que o 
acompanham, como forma de influenciar 
pessoas em busca do objetivo esperado, 
auxiliando na modificação de seu 
comportamento e o meio no qual atuam 
na busca de atingir os objetivos de ambos. 
O gerente também deve ter em mente que 
as pessoas devem ser vistas como 
colaboradoras do processo, e não 
subordinadas, pois os funcionários atuam 
junto aos seus líderes na conquista de 
metas. 
Na liderança visionária, a preocupação 
central é o futuro e o fato de poder correr 
riscos. Os líderes que partem dos princípios 
visionários não dependem do recebimento 
dos processos detalhados que devem ser 
realizados. A liderança visionária garante 
viabilidade a longo prazo. Contudo, as 
empresas geridas por visionários correm 
mais riscos de fracassar no curto prazo, 
pois os líderes estão mais dispostos a 
correr riscos, considerando mais seus 
objetivos do que os reais valores da 
empresa. 
Sempre preocupados em utilizar a 
criatividade, a inovação e a tecnologia, não 
aceitam desculpas quanto a colocar a 
empresa em um novo formato, quando 
julgam ser considerável ao sucesso desta. 
Ao iniciar um trabalho neste modelo de 
liderança, a identidade empresarial parte 
do que se está sendo construído, pois o 
futuro não é garantido. A instabilidade é 
parceria certa neste modelo, pois não há 
como prever os percalços do caminho. Este 
modelo desagrada muitas pessoas por ser 
desconhecido e aventureiro. Porém, 
quando atinge os objetivos esperados, é 
líder no quesito sucesso. 
Nos dias atuais, o que vemos no 
comportamento das empresas são estas 
fazendo um link com este modelo de 
liderança visionário, em contrapartida com 
o modelo democrático, atendendo seus 
diferentes públicos. Entretanto, com um 
único objetivo: cativar, fidelizar e 
concretizar os objetivos organizacionais. 
Comparando as lideranças 
Diferentemente dos gerenciais e dos 
visionários, os líderes estratégicos são 
sonhadores e lutam para concretizar seus 
objetivos. Um líder estratégico procura 
agregar mais valor no decorrer dos 
processos realizados. Quando a junção 
desses dois modelos de liderança acontece, 
é agregado valor tanto para o profissional 
quanto para a organização, ou seja, todos 
ganham nesse momento. O indivíduo que 
possua sinergia e qualidades visionárias e 
gerenciais potencializará um grau 
considerável de realização para a empresa. 
Conforme Salles e Villard (2017), o que 
destaca os líderes estratégicos dos demais 
é o comportamento ético, um modelo de 
gestão muito raro de ser encontrado 
dentro das organizações. Ainda para os 
autores (2017), é necessário que haja um 
bom relacionamento e envolvimento entre 
estes diferentes modelos de liderança, pois 
é neste envolvimento que podem ocorrer a 
partilha de conhecimento e a troca de 
experiências em busca da realização dos 
objetivos em comum. O Quadro 3 nos 
mostra alguns tipos de liderança, conforme 
Ramos (2014). 
QUADRO 3 
Saiba mais 
Aprofunde seus conhecimentos lendo o 
texto “Competências do gestor/gerente/ 
administrador: seus diferentes tipos e seus 
papéis” (VIEIRA, 2013). 
Liderança nos tempos atuais 
As empresas precisam de líderes 
competentes para atuar e motivar o 
desenvolvimento de pessoas. Como já 
vimos anteriormente, a liderança é um 
requisito básico para o sucesso de uma 
organização em qualquer momento. 
Quando há turbulência, a liderança é o 
diferencial para o fracasso ou o sucesso de 
uma empresa. Podemos definir liderança 
como a influência de alguém sobre o 
comportamento de um indivíduo ou grupo 
com qualquer finalidade, sendo exercida 
para objetivos de terceiros ou objetivos 
organizacionais. 
Com o atual momento organizacional, as 
empresas estão se desmembrando e 
reconstruindo a maneira como são 
dirigidas, formando novos grupos, 
conduzidos por profissionais focados em 
determinados processos, propondo-se a 
atingir o que a empresa busca com 
inovação, tecnologia e formas 
diferenciadas de gerenciamento. 
A liderança deve aprimorar o trabalho de 
homens e de máquinas, melhorando a 
produção; deve fazer com que as pessoas 
sintam orgulho na realização de seu 
trabalho; deve procurar sanar as 
dificuldades e realizar o melhor trabalho 
em menor tempo. Neste contexto, o papel 
do gerente entra como norteador do grupo 
na realização dos processos. As 
responsabilidades do líder vão além, 
atuando através de ferramentas, 
conhecimentos, visualizando o 
desempenho de seu grupo e identificando 
se estes estão correspondendo ao sistema 
de gestão da empresa, pois o líder deve ser 
o que visualiza a melhoria do grupo na 
atuação das tarefas. Assim, há redução de 
problemas para as pessoas e a empresa. 
Em algumas organizações, a liderança é até 
mesmo mais importante que o processo 
estratégico, pois é o líder quem irá 
conduzir as pessoas na realização dos 
demais processos. É neste momento que a 
empresa deve estar atenta ao perfil dos 
líderes de suas operações, pois partirá 
deste o sucesso ou o fracasso na realização 
das tarefas. 
No cenário atual, as empresas enfrentam 
uma luta árdua na busca de seus 
profissionais, e estes, muitas vezes, 
enfrentam a mesma luta em busca de 
aperfeiçoamento para responder às 
exigências determinadas pelos cargos. 
As pessoas e as organizações estão 
constantemente sujeitas a um grande 
número de situações, com o intuito de 
sanar suas dificuldades e manter o 
andamento natural, a necessidade de 
pertencer a um grupo social reflete nas 
pessoas o desejo de autorrealização. O 
principal motivo que faz com que as 
pessoas ajam de determinada maneira se 
dá pela origem de comportamentos sociais 
e físicos, pois as pessoas buscam o poder 
do status, julgando afetar o processo de 
sua autoestima. 
A Qualidade de Vida noTrabalho (QVT), 
apresentada por Gomes, Gomes e 
Magalhães (2016), distingue-se pelo 
respeito às pessoas. Assim, as organizações 
precisam de pessoas motivadas e felizes 
para alcançar os níveis desejados de 
qualidade e de produtividade, e a QVT 
garante o pleno sucesso da organização. As 
pessoas evoluem pelos costumes, 
necessidades e regras da sociedade ou de 
determinado cunho organizacional. Estas 
mudanças são substanciais, influenciando a 
sociedade na obtenção ou na manutenção 
de novos comportamentos. Quando estas 
mudanças são radicais, produzem 
comportamentos através de gerações. Os 
conceitos socioeconômicos, junto à 
tecnologia, são predominantes neste 
processo de mutação. A sociedade é 
composta de organizações de pessoas que 
produzem serviços e produtos, e de 
pessoas que os consomem, compondo a 
constante mudança e adequação ao 
mercado. Assim, as diversas necessidades 
compõem as realizações pessoais, morais 
ou coletivas. Estas necessidades físicas, 
intelectuais ou morais desenham a 
evolução social e a aquisição de demais 
conhecimentos em prol das atualizações 
constantes. Ressaltamos ainda que, para 
dirigirem, liderarem ou administrarem as 
organizações, as pessoas precisam ter e 
respeitar regras sociais, econômicas e 
jurídicas, para que possam resolver as 
diferentes situações que devem aparecer 
no decorrer do caminho, e cumprirem seus 
objetivos. Determinadas regras e teorias 
são aplicadas e desenvolvidas para 
mostrarem a realidade prática e objetivar, 
às organizações, na metodologia da 
conquista dos objetivos. 
Para Gomes, Gomes e Magalhães (2016), a 
forma que apresenta as mudanças 
positivas sociais que contribuem para a 
organização e envolvidos, exige atitude de 
ambas as partes. As mudanças só serão 
possíveis com postura e atitude no 
conceito organizacional disciplinar. Para 
alcançar os objetivos, as funções dos 
produtos são desenvolvidas, assim como as 
da sociedade e as dos fatores econômicos. 
É preciso estar preparado para as 
mudanças, pois a imprevisibilidade age em 
constante mutação. Identificar as ações 
que auxiliam o futuro é estar liderando a 
competitividade. 
Sabemos que, como qualquer organização, 
uma empresa tem uma missão, visão, uma 
razão para existir. O objetivo funciona 
como norteador comportamental 
canalizando todos os esforços, desde 
financeiros, tecnológicos, mercadológicos, 
chegando aos esforços humanos, que estão 
alinhados a um objetivo maior, porém 
possui como primeira tarefa controlar o 
foco de todas as áreas neste processo. Tal 
processo inicia-se no momento de 
contratar estes profissionais, onde 
procuram-se os mais preparados para 
corresponderem à missão da empresa, pois 
a organização visa buscar profissionais que 
completem seus objetivos e que ajudem a 
buscar novos. 
O trabalho da Administração, junto aos 
líderes organizacionais, é a gerência de 
todos os processos, cumprindo com 
desempenho e responsabilidade os 
processos organizacionais, para que todos 
trabalhem com satisfação. Mantendo o 
equilíbrio entre todas as partes envolvidas, 
estes pontos podem ser abordados com o 
apoio dos Recursos Humanos, com 
projetos que satisfaçam os interesses de 
todos. 
Saiba mais 
Os Recursos Humanos auxiliam os 
processos de gerência, pois estão sempre 
visando ao desenvolvimento do capital 
humano da organização, evidenciando o 
maior nível de eficiência e eficácia, com 
isso lucrando e objetivando na realização 
das atividades, resumindo-se em auxiliar 
para que a organização atinja seu 
propósito, seja ele qualquer que possa ser. 
O capital humano nas organizações tem 
função primária, conforme apresentada 
por Gomes, Gomes e Magalhães (2016). 
Após isso, os gestores devem focar sua 
atenção nos demais processos. Com esta 
tendência no mundo corporativista, o 
objetivo é o de obter a valorização das 
pessoas como fator predominante dentro 
da empresa. Tal realidade chocaria na 
época da revolução industrial, já que o 
principal fator considerado era o 
tecnológico, e não o humano. 
Compreende-se, hoje, que a globalização é 
predominante na mudança da sociedade, o 
que impulsiona diretamente na capacidade 
de informações adquirida pelas pessoas. 
Com isso, definimos este ponto de partida 
da informação, com os Recursos Humanos 
realizando suas atividades, recrutando, 
estruturando e qualificando as pessoas. Os 
Recursos Humanos, junto aos demais 
setores, é primordial quando possui 
projetos planejados e estruturados, pois 
denomina toda a importância da 
organização para os colaboradores, 
gerando conhecimento formal e informal, 
além de os motivarem para o 
desenvolvimento de todos. 
Saiba mais 
Saiba mais quanto aos estilos de lideranças 
no meio organizacional lendo o texto 
“Liderança: o dia a dia e a evolução nas 
habilidades de liderança” (SERVIÇO 
BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E 
PEQUENAS EMPRESAS, 2017). 
Sensemaking: um auxílio para as 
lideranças atuais 
As ferramentas de gestão organizacional 
objetivam satisfazer e sanar dúvidas e 
conhecimentos dos colaboradores dentro 
da organização. Também fomentam e 
potencializam a ação do ambiente interno 
e externo sem surpresas desagradáveis ao 
longo do caminho. As ferramentas 
organizacionais nada mais são do que 
precursores no desenvolvimento e 
informação ágil para a organização. 
Conforme nos apresenta Ramos (2014), o 
sensemaking é um termo que vem sendo 
estudado há cerca de trinta anos. Trata-se 
de “fazer sentido”, o que pode gerar 
significado para as pessoas e para a 
organização. É utilizado dentro das 
empresas como mais um método de 
aceleramento e habilidade na 
comunicação. O sensemaking ganhou 
espaço nas organizações por ser uma fonte 
de aprendizado, onde as pessoas 
compartilham conhecimento e ideias 
através de ferramentas interativas. 
Utilizado anteriormente como ferramenta 
de medicação, já percorre hoje os 
caminhos empresariais. 
Apresentamos sete características para 
melhor definir o sensemaking: 
• construção de identidade; 
• retrospecção e experiência; 
• ambiente sensível; 
• sociedade; 
• continuidade; 
• pistas extraídas; 
• plausibilidade. 
Tais características defendem o 
pensamento de que não há uma sessão 
particular onde ideias e conhecimento 
fiquem limitados à estrutura da empresa, e 
sim um nível elevado de compartilhamento 
que está cada vez mais dominando o 
mercado. O sensemaking também define 
que o indivíduo não faz somente parte da 
organização, da sociedade, e sim de mais 
grupos compartilhadores na resolução de 
qualquer situação. Com isso, a interação 
consolida a base social, justificando a 
importância da identidade do indivíduo. 
O mundo está em constante evolução, 
remodelando e modificando significados 
nas organizações, este impacto é 
gigantesco, o sensemaking, então, auxilia, 
sendo um processo contínuo. Nesta 
continuidade é que as pessoas aproveitam 
para verificar os sinais para a obtenção dos 
objetivos organizacionais. Ainda conforme 
Ramos (2014), dentro das organizações, o 
sensemaking é caracterizado como uma 
vantagem competitiva perante as demais, 
entendendo processos, compartilhando 
conhecimentos e informações. 
Enquanto a organização estabelece uma 
relação de generalização e 
institucionalização com a sociedade, o 
sensemaking estabelece a relação de 
informação e transporte de informação. 
Nas empresas atuais, visualizamos o 
sensemaking atingindo o que seria 
inatingível atravésde meios tradicionais. 
Pois com o nível acelerado de 
transformações que o mundo vem 
sofrendo, as organizações devem utilizar 
de todos os meios possíveis para as 
atualizações. O que oportuniza o 
sensemaking dentro das organizações são 
as rupturas evidenciadas pelo ambiente 
interno e externo, caracterizadas também 
como experiências no cotidiano 
empresarial. Existe uma linha tênue que 
predispõe as insatisfações ou satisfações 
com as condições atuais. 
Sensemaking dentro das organizações: 
Carga de informações: quantidade de 
informações. 
Complexidade: nível de interpretação. 
Turbulência: situações do ambiente. 
Conforme o nível de adequação aumenta, 
as pessoas procuram meios de gerenciar e 
sobreviver às situações através da 
segmentação de informações. Essas 
características atuam no ambiente 
organizacional como precursores no 
funcionamento contínuo que determina as 
ocasiões para utilização do sensemaking. 
Sensemaking dentro das organizações 
As organizações são vistas como 
mediadoras para a construção de sentido, 
que nivela o fluxo de informações nas 
rotinas organizacionais. Ressaltamos 
também que, na rotina diária, as 
organizações estão em constante 
mudança, com o auxílio das pessoas, 
fazendo sentido as informações recebidas, 
ordenando-as, gerando significado ao fluxo 
compartilhado de informações. 
O sensemaking age dando espaço às 
histórias na construção de uma interação 
cotidiana, gerando, compartilhando e 
agregando conhecimentos e valores às 
pessoas e às organizações. Para identificar, 
conhecer e vivenciar o contexto 
organizacional, faz-se necessário conhecer 
os sentidos compartilhados quanto ao 
contexto. Desta forma, o sensemaking 
auxilia o processo de gestão e de geração 
de conhecimento para as organizações. 
As organizações nos dias atuais têm a 
necessidade de estabelecer processos de 
comunicação, tanto em seu ambiente 
externo quanto interno, autores defendem 
esta necessidade empresarial. 
O sensemaking, neste contexto, age como 
ferramenta transmitindo valor e 
contextualizando a interpretação das 
pessoas no modo de gerar o conhecimento 
necessário, definindo como uma atividade, 
ou uma definição de objetivo. O 
sensemaking se constrói diariamente 
dentro das organizações, resignificando a 
rede estruturada, pois a mudança depende 
das pessoas envolvidas e dos valores 
compartilhados. 
Mudança organizacional e sensemaking 
A mudança dentro das organizações 
acontece tanto no curto quanto no logo 
prazo, e impacta os processos 
organizacionais da mesma forma, com 
transformações que envolvem todos os 
agentes e aspectos estruturais, 
tecnológicos e comportamentais. Estas 
mudanças de qualquer natureza interferem 
de forma positiva ou negativa na 
sustentabilidade organizacional. 
Conforme Ramos (2014), o sensemaking e 
o sensegiving agem em parceria, 
evidenciando os níveis organizacionais em 
uma dinâmica relação no envolvimento de 
todos os membros da organização. Esta 
relação destaca o caráter social dos 
membros da organização, ao mesmo 
tempo que sua integração nas dinâmicas 
de arranjos de decisões de ideias. 
Podemos dizer que a criação gera 
informação e os processos se adaptam, 
evidenciando critérios que se constroem 
com experiências atuais e passadas, assim 
como uma retenção de armazenamento, 
integrando informações aos processos 
relacionados através de alguns agentes que 
se caracterizam: 
• agentes que tomam decisões de 
mudança; 
• os que têm a visão de organização; 
• os que interpretam das mudanças. 
Há outros agentes que auxiliam nas 
mudanças organizacionais, também estes 
de cunho político e público. 
Considerando o processo de mudanças 
organizacionais, podemos dizer que a 
flexibilidade contribui como agente das 
mudanças, possibilitando que as mudanças 
ocorram para potencializar o sucesso da 
organização, deixando-a atualizada com o 
que ocorre no mercado externo e interno. 
Em relação às mudanças, ainda 
comentamos que a crise é um agente que 
responsabiliza determinada cobrança ao 
sensemaking, pois pode desafiá-lo a 
alterações que ameacem os objetivos da 
organização. Neste contexto é que 
ressaltamos que o sensemaking deve estar 
adequado às situações externas que 
venham a ocorrer. 
Por fim, as mudanças ocorrem para 
evidenciar o preparo das organizações e 
possibilitar seu desenvolvimento na rotina 
dos processos diários. 
 
TI, Habilidades e papéis gerenciais 
Habilidades e papéis gerenciais 
No cenário atual, competitivo e dinâmico, 
onde as transformações acontecem 
rapidamente e aceleram o crescimento, o 
desenvolvimento e a complexidade das 
organizações modernas, torna-se 
imprescindível que estas aprendam a 
desenvolver habilidades que as permitam 
detectar precocemente tendências e 
padrões, criar novas oportunidades e 
adquirir ou melhorar sua capacidade de 
adaptação, bem como suas relações com o 
ambiente externo (MORGAN, 2010; 
CHIAVENATO 2014). As organizações 
buscam, cada vez mais, a maximização de 
seus resultados através da diferenciação 
com o intuito de manterem-se 
competitivas. 
Neste contexto, surge a necessidade de 
aprimoramento da gestão, pois as formas 
clássicas, rígidas e precisas já não atendem 
às novas demandas e, por isso, torna-se 
necessário que os profissionais 
desenvolvam suas habilidades, busquem 
novos conhecimentos e aptidões que os 
tornem capazes de atuar em diversas 
áreas. Hoje, aspectos como produtividade, 
iniciativa, criatividade, conhecimento e 
inovação são vistos como diferenciais 
competitivos, e o indivíduo é olhado como 
o vetor de criação de valor na organização. 
Sendo assim, as empresas voltaram o olhar 
para seu capital humano com foco nas 
competências (conhecimentos, habilidades 
e atitudes), tendo como desafio promover 
ações e instrumentos capazes de interferir 
e direcionar o comportamento humano no 
ambiente de trabalho. 
O trabalho de um gerente compreende 
desempenhar funções administrativas e 
alcançar objetivos e vantagens 
competitivas. No entanto, para que ele 
tenha sucesso em suas funções, é 
necessária uma série de habilidades, ou 
seja, conhecimentos específicos, 
informação, prática e aptidão (BATEMANN; 
SNELL, 1998). Veja a seguir as definições de 
habilidades de acordo com alguns autores. 
Habilidades gerenciais sob o olhar de Katz 
(1955 apud MAXIMIANO, 2012). 
Habilidade técnica: diz respeito à atividade 
específica do gerente. São os 
conhecimentos que ele possui para a 
realização das atividades organizacionais 
que estão sob sua competência. 
Habilidade humana: está relacionada à 
capacidade de se relacionar com as 
pessoas, entendendo seus anseios e 
necessidades. É a capacidade de trabalhar 
com elas e liderá-las. 
Habilidade conceitual: refere-se à 
capacidade de lidar com a complexidade da 
organização, usando a inteligência para a 
formulação de estratégias. Fatores como 
planejamento, raciocínio e criatividade são 
exemplos de habilidade conceitual. 
O autor afirma que quanto maior for a 
posição hierárquica, menor a necessidade 
da habilidade técnica e maior a 
necessidade da habilidade conceitual. Por 
exemplo, um supervisor de uma linha de 
montagem em uma fábrica de automóveis 
necessita muito mais de habilidades 
técnicas do que de habilidades conceituais. 
Ele precisa destes conhecimentos para 
aplicá-los na solução de problemas que 
ocorram na linha de montagem, impedindo 
que o trabalho seja interrompido pormuito tempo. 
Nesta mesma empresa, um gerente 
necessita mais de habilidades humanas, 
uma vez que lida com pessoas, com a 
diversidade de ideias, pensamentos e 
comportamentos, e precisa fazer com que 
elas trabalhem em prol do alcance dos 
objetivos organizacionais. Ele tem que 
saber se comunicar e unir a equipe de 
trabalho, potencializando o melhor de cada 
funcionário. 
Já a diretoria precisa muito mais da 
habilidade conceitual do que das demais, 
uma vez que seu papel principal é o de 
formular estratégias capazes de alavancar 
os negócios e manter a empresa 
competitiva. 
Habilidades gerenciais sob o olhar de 
Mintzberg (1973 apud MAXIMIANO, 2012). 
Habilidade de relacionamento com os 
colegas: é a capacidade de manter relações 
formais e informais, principalmente com os 
colegas do mesmo nível hierárquico. 
Habilidade de liderança: capacidade de 
orientar, estimular, treinar sua equipe e 
exercer sua autoridade. 
Habilidade de resolução de conflitos: 
capacidade de julgar e tomar decisões na 
resolução de conflitos. Nesse contexto, 
exige também a habilidade de tolerância a 
tensões. 
Habilidade de processamento de 
informações: capacidade de comunicação, 
sabendo expressar suas ideias e 
representando oficialmente a empresa. 
Habilidade de tomar decisões em 
condições de ambiguidade: capacidade de 
tomar inúmeras decisões frente ao 
inesperado, ao imprevisto. 
Habilidade de alocação de recursos: 
capacidade de alocar os recursos limitados 
para a concretização de atividades, 
definindo prioridades. 
Habilidade de empreendedor: capacidade 
de buscar oportunidades e implementar 
mudanças. 
Habilidade de introspecção: capacidade de 
refletir e de autoanálise, de compreender 
sua atuação e o impacto de sua prática, na 
organização. 
Você sabia que as habilidades gerenciais 
podem ser aprendidas e desenvolvidas? 
Isso é possível por meio de processos 
educacionais ou mesmo em seu dia a dia, 
enquanto exerce suas atividades, no 
enfrentamento dos problemas e das 
mudanças organizacionais. É importante 
ressaltar que o desenvolvimento de 
habilidades gerenciais deve ter o intuito de 
somar conhecimentos e habilidades já 
existentes, e nunca o de substituir 
qualquer tipo de conhecimento ou 
habilidade que o indivíduo já possua 
(MOTTA, 1999). 
Veja as quatro habilidades que Motta 
(1999) considera que os gerentes devem 
desenvolver: 
• habilidade cognitiva; 
• habilidade analítica; 
• habilidade comportamental; 
• habilidade de ação. 
Imagine que você é um gerente e vai 
desenvolver novas habilidades. No 
desenvolvimento da habilidade cognitiva, 
você aprenderá sobre administração, 
considerando os conhecimentos que já 
possui e sobre a definição de objetivos e 
formulação de políticas, conhecendo 
também a estrutura, os processos e 
comportamentos organizacionais. 
Ao desenvolver a habilidade analítica, 
como gerente, você aprenderá a identificar 
e a diagnosticar os problemas 
administrativos, decompondo-os e 
rearranjando-os para buscar novas 
soluções. Aprenderá também a relacionar 
os fatores organizacionais, sua importância 
e potencialidades das técnicas e 
instrumentos disponíveis para a solução 
dos problemas administrativos. 
No desenvolvimento das habilidades 
comportamentais, você adquire novas 
formas de se relacionar com outras 
pessoas, de se comunicar, interagir em 
pequenos grupos e exercer e lidar com a 
autoridade e o poder conferidos pelo 
cargo. Já no desenvolvimento das 
habilidades de ação, você será estimulado 
a interferir na realidade, transformando 
conhecimentos em ação. Essa habilidade 
lhe permite melhor conhecimento sobre si 
próprio, sobre seu papel e objetivos 
organizacionais, sobre o contexto em que 
atua, além de reforçar seu 
comprometimento com a missão 
socioeconômica da organização. 
Papéis gerenciais 
O trabalho gerencial e o papel do gerente 
têm sido temas de vários estudos ao longo 
do tempo e constituem-se como as 
principais fontes de informação e de 
conhecimento sobre a arte de administrar 
(MAXIMIANO, 2011). 
Muitos autores tentam definir o trabalho 
gerencial, no entanto, a complexidade do 
mundo empresarial contemporâneo tem 
alterado as dimensões tradicionais de 
gestão, substituindo sua rigidez e precisão 
por formas de gestão mais flexíveis e 
ambíguas, o que dificulta a definição do 
trabalho gerencial. Essas mudanças 
acabam se dando pela evolução dos meios 
social, econômico e político em que as 
organizações se inserem (MOTTA, 1999). 
Na visão de Maximiano (2011, p. 15), 
“todas as pessoas que administram 
qualquer conjunto de recursos são 
administradores, gerentes ou gestores”. 
Nas organizações, especificamente, o 
trabalho gerencial consiste em tomar 
decisões e levar sua equipe a desempenhar 
seu papel, em busca da realização dos 
objetivos organizacionais. 
Para Chiavenato (2014, p. 325), “o termo 
gerência surgiu a partir das primeiras 
noções de administração como tentativa 
de ciência. Quase sempre o termo significa 
basicamente supervisionar pessoas dentro 
dos padrões tradicionais”. 
Para Drucker (2001), o trabalho gerencial 
consiste em fazer com que os outros 
trabalhem, utilizando todo o conhecimento 
necessário para alcançar eficiência e 
resultados. Na visão tradicional de 
gerência, a função do gerente é vista como 
racional e padronizada, e ele, visto como 
alguém que, além de planejar, organizar, 
dirigir e controlar, também decide, 
coordena e supervisiona as atividades 
organizacionais. No entanto, em uma visão 
mais moderna, além de todas as funções já 
citadas, os gerentes possuem outras 
responsabilidades. Mintzberg concluiu em 
seus estudos que: 
(1) Há três aspectos básicos no trabalho de 
qualquer gerente: decisões, relações 
interpessoais e processamento de 
informações. (2) O trabalho dos gerentes 
varia de acordo com o nível hierárquico, 
especialidade, tamanho da empresa, 
conjuntura econômica e outros fatores. A 
personalidade e os valores do gerente 
também influenciam a maneira como ele 
trabalha. (3) O trabalho do gerente não 
consiste apenas em planejar, organizar, 
dirigir e controlar. Essas funções do 
processo administrativo diluem-se e 
combinam- -se com o desempenho dos 
papéis, especialmente com os que 
envolvem a administração de recursos e 
tomada de decisões (Mintzberg, 1973 apud 
MAXIMIANO, 2012, p. 140). 
A Figura 1 mostra de forma mais ilustrativa 
os papéis desempenhados pelos gerentes, 
segundo Mintzberg 
FIGURA 1 
Os papéis interpessoais referem-se às 
relações dos gerentes com pessoas de 
dentro e de fora da organização, como 
funcionários, colegas, fornecedores, 
diretores etc. Os papéis desempenhados 
pelos gerentes são (MAXIMIANO, 2011): 
Símbolo (imagem do chefe) ou figura de 
proa: o gerente representa a organização 
desempenhando atividades como falar em 
público, representar a empresa em eventos 
e solenidades e manter relacionamentos 
com autoridades. 
Líder: o gerente desempenha tarefas de 
liderança que envolve motivação, 
negociação, influência e todas as demais 
atividades permeadas pelas relações 
humanas. 
Ligação: o gerente desempenha atividades 
de intercâmbio de recursos e de 
informações que facilitam seu trabalho, e 
cria vínculos entre sua equipe com outras 
equipes. 
Os papéis de informação dizem respeito à 
obtenção e transmissão de informações 
que os gerentes necessitam para exercer 
atividades como tomada de decisão, 
análise e elaboraçãode relatórios, 
avaliação de desempenho e outras 
atividades administrativas. Ao trabalhar 
com a informação, o gerente desempenha 
os seguintes papéis (MAXIMIANO, 2011): 
Monitor: o gerente busca informações 
sobre tudo o que acontece na organização 
e no ambiente externo, trabalha com 
ampla variedade de dados e busca saber 
mais em fontes técnicas e até mesmo na 
“rádio peão”. 
Disseminador: o gerente é o responsável 
por disseminar informações internas, de 
um colaborador para outro, e de 
informações externas para o interior da 
organização. 
Porta-voz: o papel do gerente aqui é o de 
levar informações internas para fora da 
organização. Nesta função, o gerente fala 
oficialmente em nome da organização. 
O papel de decisão diz respeito à tomada 
de decisão, essência do trabalho de 
administrar. Esses papéis são os seguintes: 
Empreendedor: nesse papel, o gerente 
identifica e aproveita oportunidades e 
planeja e toma a iniciativa para 
implementar as mudanças que deseja, 
visando melhorias para a organização. 
Controlador de distúrbios: nesse papel, o 
gerente necessita lidar com crises, conflitos 
e situações inesperadas. 
Administrador de recursos: aqui, o gerente 
precisa administrar o próprio tempo, 
programar o trabalho de sua equipe e 
autorizar decisões tomadas por terceiros. A 
maioria das decisões tomadas pelo gerente 
envolve a alocação de recursos. 
Negociador: nesse papel, o gerente 
representa a empresa em negociações não 
rotineiras com sindicatos, clientes, outras 
organizações e funcionários. 
O trabalho gerencial possui não só uma 
dimensão objetiva, como também 
subjetiva. Na dimensão objetiva podemos 
considerar a gerência como algo científico 
e racional, marcada pela previsibilidade de 
ações planejadas e a racionalidade das 
decisões, essência do trabalho do 
administrador. No entanto, na prática, o 
trabalho gerencial é sempre carregado de 
muitas tarefas programadas e 
padronizadas, mas acompanhado da 
imprevisibilidade de problemas 
administrativos, conflitos na equipe, 
pressão, cobrança de prazos, O trabalho 
gerencial possui não só uma dimensão 
objetiva, como também subjetiva. Na 
dimensão objetiva podemos considerar a 
gerência como algo científico e racional, 
marcada pela previsibilidade de ações 
planejadas e a racionalidade das decisões, 
essência do trabalho do administrador. No 
entanto, na prática, o trabalho gerencial é 
sempre carregado de muitas tarefas 
programadas e padronizadas, mas 
acompanhado da imprevisibilidade de 
problemas administrativos, conflitos na 
equipe, pressão, cobrança de prazos, 
reuniões, interrupções, o que acaba 
fragmentando as ações e interferindo em 
sua atuação. Na dimensão subjetiva, o 
trabalho gerencial é marcado pela 
imprevisibilidade das relações humanas, o 
que lhe confere um perfil mais ilógico e 
irracional, tornando o trabalho mais 
complexo e exigindo dos gerentes maior 
intuição, espontaneidade e habilidade 
emocional (MOTTA, 2001). Dessa forma, é 
fundamental que os gerentes considerem a 
gestão nas duas dimensões. Diferenciando 
habilidade de papel gerencial, é possível 
afirmar que habilidade é o saber fazer, e o 
papel gerencial é a incumbência de fazer, 
conferida pelo cargo. 
Saiba mais 
Para saber um pouco mais sobre 
desenvolvimento gerencial, leia o texto “O 
aprendizado da função gerencial: os 
gerentes como atores e autores do seu 
processo de desenvolvimento” (LEITE; 
GODOY; ANTONELLO, 2006). 
Competências requeridas para uma 
gerência eficaz 
Com certeza, você já ouviu falar em 
competências, termo com definições 
variadas, mas semelhantes em sua 
essência. Veja algumas definições: 
“Competência é assumir responsabilidades 
frente a situações de trabalho complexas 
buscando lidar com eventos inéditos, 
surpreendentes, de natureza singular” (LE 
BOTERF, 1997, p. 267). 
“Competência é um saber agir responsável 
e reconhecido, que implica mobilizar, 
integrar, transferir conhecimentos, 
recursos, habilidades, que agreguem valor 
à organização e valor social ao indivíduo” 
(FLEURY; FLEURY, 2001, p. 188). 
“Conjunto de conhecimentos, habilidades e 
atitudes interdependentes e necessárias à 
consecução de determinado propósito” 
(DURAN, 1998, p. 3). 
“Combinação de conhecimentos, de saber-
fazer, de experiências e comportamentos 
que se exerce em um contexto preciso. Ela 
é constatada quando de sua utilização em 
situação profissional a partir da qual é 
passível de avaliação. Compete, então, à 
empresa, identificá-la, avaliá-la, validá-la e 
fazê-la evoluir” (ZARIFIAN, 2001, p. 66). 
“Conjunto de conhecimentos, habilidades e 
experiências que credenciam um 
profissional a exercer determinada função” 
(MAGALHÃES; WANDERLEY; ROCHA, 1997, 
p. 14). 
De forma resumida e com base em 
diversos autores, vamos aqui definir 
competência como um conjunto de 
conhecimentos, habilidades e atitudes 
necessárias para o desenvolvimento das 
atribuições e responsabilidades do 
indivíduo em seu ambiente de trabalho. É 
importante lembrar que as competências 
também podem ser desenvolvidas por 
meio da educação formal e informal, da 
experiência profissional e até mesmo com 
as relações familiares e sociais. Vamos 
destacar aqui as competências mais 
importantes para o desempenho de um 
gerente, veja (MAXIMIANO, 2011): 
Competências intelectuais: referem-se às 
formas de raciocínio, utilizado para a 
elaboração de relatórios, análises, 
planejamento, definição de estratégia e 
tomadas de decisão. Duas competências 
específicas aqui são a habilidade de pensar 
de forma racional e a habilidade 
conceitual, que é a capacidade de 
pensamento abstrato, ou seja, aquele que 
se manifesta intuitivamente, por meio da 
imaginação e criatividade e que não 
necessita de informações concretas sobre a 
realidade. 
Competências interpessoais: são aquelas 
utilizadas pelo gerente para lidar com sua 
equipe, colegas de trabalho, superiores e 
demais pessoas envolvidas no universo 
organizacional. Muitas vezes, dependendo 
da posição ocupada pelo indivíduo, essa 
competência tem maior valor que a 
competência técnica. São competências 
interpessoais importantes a capacidade de 
lidar com a diversidade de singularidade 
das pessoas; capacidade de estimular a 
motivação nas pessoas, considerando as 
diferenças entre elas e a capacidade de 
comunicação. 
Competências técnicas: referem-se aos 
conhecimentos específicos de cada 
profissão. O indivíduo precisa conhecer 
profundamente as técnicas relacionadas à 
sua profissão e ao seu ramo de negócio. 
Essa competência pode ser adquirida nas 
escolas, universidades e no exercício da 
profissão. 
Competência intrapessoal: refere-se à 
capacidade de autoanálise, automotivação, 
autocontrole, de organização e 
administração do tempo. As competências 
intrapessoais importantes são a capacidade 
de entendimento sobre o cargo exercido e 
o impacto dele na organização; capacidade 
de refletir sobre a própria prática, 
comportamento e emoções; capacidade de 
entender as emoções e comportamentos 
do próximo; capacidade de aprender com a 
própria experiência e a dos outros e 
capacidade de identificar, refletir e 
desenvolver as próprias potencialidades e 
reconhecer e superar as limitações. 
Você pode relacionar os conceitos 
aprendidos com os verbos saber, agir, 
mobilizar recursos, integrar múltiplos e 
complexos saberes, saber aprender, se 
engajar, assumir responsabilidades, ter 
visão estratégica. As competências,além 
de agregarem valor social para o indivíduo, 
agregam também valor econômico para a 
organização, uma vez que estão 
diretamente ligadas à área estratégica da 
empresa, constituindo-se em um recurso 
importante para a gestão de pessoas e a 
organização, tendo como consequência 
uma atuação voltada para resultado e 
fornecendo suporte para o cumprimento 
dos objetivos e metas organizacionais 
(FLEURY; FLEURY, 2006; RUANO, 2003 
apud Urbanavicius et al., 2007). 
É importante destacar que competências 
organizacionais dizem respeito ao conjunto 
de competências coletivas e atributos 
organizacionais capazes de criar vantagem 
competitiva, agregando valor para o 
negócio e seus stakeholders (LUSTRI, 
2005). 
Perfil gerencial contemporâneo e a 
Tecnologia da Informação 
Você já percebeu que o ambiente 
empresarial se depara com diversos fatores 
que o influenciam diretamente: os 
ambientes de trabalho estão em plena 
evolução, e as pessoas conversam sobre o 
sentido de seu trabalho, desejando serem 
mais do que os cargos que ocupam e 
sentirem orgulho da empresa onde 
trabalham (CHILDRE; CRYER, 2000 apud 
CAVALCANTI et al., 2009). 
Neste cenário, algumas perguntas são 
inevitáveis: como preparar as empresas 
para o enfrentamento dos problemas 
atuais e futuros? Como conseguir o 
equilíbrio dos objetivos organizacionais e 
pessoais e fazer com que todos na 
organização estejam envolvidos, motivados 
e comprometidos com os resultados 
organizacionais? Qual o papel do gerente 
nesse contexto? Que competências são 
necessárias a ele? A liderança faz a 
diferença? 
Há uma busca por nova inteligência capaz 
de preparar as empresas para as mudanças 
e crises com harmonia e equilíbrio. Assim, 
torna-se recomendável que os gerentes se 
dediquem ao aprendizado da liderança 
que, por se constituir essencialmente em 
uma interação pessoal, pode ser vista 
como uma função gerencial, embora não 
seja privativa dela. Portanto, se a liderança 
facilita a interação pessoal e grupal e 
contribui para o alcance de objetivos 
comuns, deve ser perseguida não somente 
pelos gerentes, como em todas as esferas 
da organização. 
É importante ressaltar que a liderança 
pode ser ensinada e aprendida por meio de 
ensinamentos e de experiências de vida a 
qualquer pessoa, independentemente da 
posição que ocupa (MOTTA, 2009; 
MAXIMIANO, 2012). Isso porque, muitas 
vezes, as pessoas possuem as habilidades, 
mas não a utilizam ou a utilizam pouco, ou 
seja, é preciso desenvolvê-las, e, portanto, 
qualquer um pode aprender (BENNIS, 1985 
apud BATEMANN; SNELL, 1998). 
Você já viu que o gerente deve conhecer as 
dimensões formais da organização na qual 
trabalha, o que inclui missão, visão, 
objetivos, formas de divisão e 
especialização do trabalho; também a 
distribuição da autoridade para melhor 
utilização dos recursos de poder; a 
captação, o processamento e a análise de 
informações externas e internas para a 
formulação de estratégias e solução de 
problemas; além da coordenação e do 
controle de comportamentos individuais e 
coletivos. 
Deve também saber adequar novas ideias e 
projetos à realidade da organização; 
exercitar-se na busca de soluções para os 
problemas que surgirem; trabalhar na 
busca de novas oportunidades; articular, 
agregar e processar continuamente ideias 
e alternativas de ação; debater e divulgar 
problemas, alternativas e objetivos de 
forma compartilhada, adotando a gestão 
participativa; possibilitar o 
desenvolvimento de sua equipe por meio 
de treinamentos, recompensas e 
incentivos; estimular a criatividade por 
meio de atividades desafiadoras; ter visão 
de futuro. 
Além dessas, outras habilidades 
necessárias aos gerentes nos dias atuais 
são a capacidade de inovar, ter 
flexibilidade, liderar pessoas e construir 
relações interpessoais, comunicar, ouvir, 
dar e receber feedback, trabalhar em 
equipe, estabelecer limites, negociar, 
planejar, organizar e analisar e ter controle 
nas decisões; compreensão de si e dos 
outros; comunicação eficaz; construção de 
equipes; uso do processo decisório 
participativo; administração de conflito; 
monitoramento do desempenho 
individual; análise de informações com 
pensamento crítico; gerenciamento de 
projetos; planejamento do trabalho; 
estabelecimento de metas e objetivos; 
planejamento e organização; construção 
de um ambiente agradável; gerenciamento 
do tempo e do estresse; pensamento 
criativo e gerenciamento da mudança 
(BOOG, 2002; QUINN et al., 2003). 
Muitos estudiosos diferenciam gerentes de 
líderes, destacando as principais 
características de cada um, conforme 
mostra o Quadro 1. 
QUADRO 1 
Você pode estar se perguntando: então, 
qual é o melhor perfil de atuação nos dias 
atuais? Apenas gerente ou apenas líder? A 
resposta é que o ideal para os dias atuais é 
o gerente-líder contemporâneo, que deve 
ser um libertador da mente e da 
capacidade dos liderados. Essa liberdade 
favorece comportamentos administrativos 
de empreendedorismo e iniciativa, de 
responsabilidade e comprometimento, de 
confiança e respeito. 
Tenha em mente que gerenciar uma 
empresa é gerenciar mudanças e, 
portanto, é necessária uma constante 
revisão de comportamento e atitudes 
gerenciais. O perfil do gerente nos dias 
atuais é aquele que deixa de lado a 
mentalidade tradicional da gestão, que os 
impede de se envolver com sua equipe, e 
assume a responsabilidade de gerar um 
clima de trabalho que envolva as pessoas e 
que estas possam levar às suas atividades 
não apenas sua mente, mas sua alma 
(KOUZES; POSNER, 1991). Ganhar o 
coração das pessoas é o maior desafio que 
se pode ter. Uma vez que se ganha, 
consegue-se tudo. Mas, o importante é 
saber como chegar até o coração delas... 
esse é o caminho árduo e sem fim, no 
exercício da liderança. 
Tecnologia da Informação 
A Tecnologia da Informação (TI) configura-
se como um componente decisivo para a 
integração e a reestruturação das 
empresas, fundamental para as atividades 
de serviço, coordenação e organização. 
Há algum tempo, gerenciar a tecnologia 
era um desafio para as empresas e os 
técnicos e especialistas em informática 
dominavam a organização, com seu 
linguajar específico e praticamente 
inacessível para os leigos. Na última 
década, as empresas se viram obrigadas a 
se preocupar com o gerenciamento do uso 
da tecnologia, cada vez mais presente na 
vida das pessoas. Assim, a TI passou de um 
departamento específico das empresas e 
do mercado, para o centro das atenções 
nas organizações, uma vez que é crescente 
o número de pessoas que utilizam as 
ferramentas computacionais. 
A TI é, hoje, parte integrante das 
organizações e da linguagem dos negócios. 
As empresas a utilizam para potencializar o 
controle centralizado e para criar novos 
processos de informação capazes de apoiar 
tomadas de decisão mais eficazes. A 
tecnologia é cada vez mais poderosa e 
diversificada, e fortemente interligada com 
os processos críticos dos negócios das 
organizações, o que confere aos líderes 
gerenciais maior necessidade de 
adequação às demandas de seu cargo e 
maior responsabilidade sobre as decisões 
em relação ao processo tecnológico. Além 
disso, é importante que estes conheçam a 
terminologia da linguagem da informação, 
bem como a finalidade e aplicabilidade 
correta das novas ferramentas que surgem 
a cada instante, potencializando seu 
impacto na criação de vantagem 
competitiva para a organização. O grandedesafio que se impõe é o 
acompanhamento das transformações da 
tecnologia, extremamente rápidas. Os 
gerentes necessitam cada vez mais de 
maior conhecimento, criatividade, 
competência, transparência e flexibilidade 
(ROSINI; PALMISANO, 2006).

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