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Sumário Comunicação, linguagem e expressão Unidade 1 1. Teoria da comunicação: elementos da comunicação elementos da comunicação Situações comunicativas com elementos da comunicação Ruídos na comunicação 2. Teoria da comunicação: função da linguagem Elementos da comunicação Funções da linguagem por Roman Jakobson Intenções do emissor 3. Comunicação, expressão e diversidade linguística Variação linguística Modalidades da língua Adequação linguística Unidade 2 1. Comunicação oral Elementos de variação linguística Níveis de variação linguística Tipos de variação linguística Modalidades de fala e grau de formalidade Gêneros de cunho oral, textual e híbrido 2. Estratégia de leitura – leitura textual ou literal Estratégias de leitura: concepções Leitura moderna e tradicional: diferenças Leituras verticais e horizontais Estratégias de leitura literal de um texto Contabilidade introdutória Unidade 1 1. Conceitos e definições: contabilidade como planejamento e controle Conceitos e definições: contabilidade como planejamento e controle 2. Campo de aplicação, finalidade e objetivos da contabilidade Campo de aplicação Finalidade da Contabilidade Objetividade da contabilidade O usuário Usuários internos: Usuários externos: Sócios, Acionistas e Proprietários de Quotas Societárias de Maneira Geral: Administradores, Diretores e Executivos dos mais Variados Escalões: Bancos, Capitalistas, Emprestadores de Recursos: Governo e Economistas Governamentais: 3. Definições e características da situação patrimonial e componentes Definições e características da situação patrimonial Bens Direitos Obrigações Aplicações de recursos Unidade 2 1. Conceitos e características das contas patrimoniais e de resultados Contas de resultado 2. Estruturação de um plano de contas, agrupamento de contas do Balanço Patrimonial Estruturação de um plano de contas Agrupamento de contas do balanço patrimonial e de resultado Patrimônio liquido Contas de resultados Livros fiscais e contábeis, obrigatórios e auxiliares 3. Esquema básico de escrituração contábil Equação fundamental da contabilidade Escrituração contábil Livros contábeis Definição de patrimônio Contas patrimoniais e contas de resultado Fundamentos da administração Unidade 1 1. Conceito de empresa: atividade empresária e não empresária O conceito de empresa Atividade empresarial e atividade não empresarial Os diferentes tipos de sociedades decorrentes das atividades empresária e não empresária 2. Introdução à administração Conceito e princípios da administração Funções da administração Eficiência e eficácia 3. Definições e conceitos de gestão As funções da gestão O planejamento nos põe a caminho da realização de valor A organização reúne os recursos dos quais precisamos A liderança mobiliza as pessoasControle significa aprender e mudar A gestão exige todas as quatro funções Unidade 2 1. Funções gerenciais Funções gerenciais dentro das organizações Fatores externos Fatores internos Administração por objetivos Fixação de objetivos Gerenciamento versus concretização de objetivos 2. Tipos de gerente Modelos de liderança e suas atividades Comparando as lideranças Liderança nos tempos atuais Sensemaking: um auxílio para as lideranças atuais Sensemaking dentro das organizações Mudança organizacional e sensemaking 3. TI, Habilidades e papeis gerenciais Habilidades e papéis gerenciais Papéis gerenciais Competências requeridas para uma gerência eficaz Perfil gerencial contemporâneo e a Tecnologia da Informação Tecnologia da Informação Comunicação, linguagem e expressão. Unidade 1 Teoria da comunicação: elementos da comunicação. Elementos da comunicação Enquanto processo, a comunicação é indissociável do universo em que ocorre. Afinal, qualquer ato comunicativo está ligado a tudo (SOUSA, 2006). Mas, para compreender a realidade e os atos comunicativos, diversos teóricos desenvolveram modelos dos processos comunicacionais. Esses modelos são artefatos imaginativos, criados para compreender a realidade comunicacional. Portanto, você não deve entendê-los como espelho do real. Os elementos da comunicação foram evoluindo ao longo dos tempos e por meio de estudos. O primeiro foi proposto pelo filósofo Aristóteles (século IV a.C.), que apresentou um modelo básico. Este diz que para comunicar é preciso que exista alguém para transmitir a alguém um conteúdo, ou seja, três elementos: o emissor, o receptor e o conteúdo. Para Sousa (2006), todos os modelos são incompletos e imperfeitos, pois se tratam de reconstruções intelectuais e imaginativas da realidade. O autor cita inúmeros modelos entre os que propõem o estudo dos elementos de comunicação. Além do modelo de Aristóteles, há o modelo (ou paradigma) de Lasswell (1948), o modelo de Shanon e Weaver (1949), o Newcomb (1953), o modelo de Schramm (1954) e, ainda, o modelo de Roman Jakobson (1960). Outros modelos, como o da Escola de Palo Alto e o modelo de Maletzke, também são elencados. Entre os citados, você vai conhecer melhor o modelo de Roman Jakobson (2005). Ele é o mais recente e o mais utilizado em muitas áreas, como a literatura. O teórico construiu um modelo direcionado para o estudo da comunicação sob o prisma da linguística. Considere que o principal objetivo da linguagem é transmitir uma informação para um ou mais sujeitos. Para que essa comunicação ocorra, é necessário que haja compreensão dos elementos que fazem parte do processo comunicativo, certo? Conforme Jakobson, tais elementos são o emissor, o receptor, o canal, a mensagem, o código e o referente. O destinador envia uma mensagem ao destinatário. Para que seja operante, a mensagem precisa de um contexto para o qual remete. Esse contexto, apreensível pelo destinatário, ora é verbal, ora é suscetível de ser verbalizado. Posteriormente, a mensagem requer um código que seja comum aos dois, no todo ou, pelo menos, em parte. Enfim, a mensagem requer um canal físico e uma conexão psicológica entre destinador e destinatário, um contato que permita o estabelecimento da comunicação. A seguir, você pode ver esses fatores esquematizados na Figura 1. FIGURA 1 Esses atos comunicativos podem acontecer com alguma intenção, seja ela explícita ou não. Jakobson elaborou esse esquema para mostrar como seis fatores essenciais, os chamados elementos da comunicação, operam para que a comunicação aconteça. A seguir, você pode compreender melhor cada um desses elementos: Emissor: também conhecido como referente, é quem emite a mensagem; pode ser um indivíduo ou um grupo. Mensagem: é o objeto da comunicação e é constituída pelo conteúdo das informações. Ou seja, é o conteúdo que o emissor quer transmitir. Canal: é a via de circulação da mensagem (voz, ondas sonoras, uma folha de papel, um blog, um livro). É o meio pelo qual a mensagem é transmitida. Pode ser por ar (ao falar), jornal, televisão, revista, internet, rádio, etc. Em Publicidadee Propaganda (PP), o canal se relaciona bastante com a mídia. Código: é o conjunto de regras, de signos e códigos utilizados para formar a mensagem. Para que a comunicação seja bem-sucedida, é preciso que o receptor compreenda o código usado pelo emissor. Como exemplos de código, você pode considerar: letras, idiomas, código morse, etc. Referente: é constituído pelo contexto, pela situação e pelos objetos aos quais a mensagem está relacionada. Destinatário: é aquele que recebe a mensagem, também chamado de receptor; pode ser uma pessoa ou um grupo de pessoas. Jakobson estabeleceu que cada um desses seis fatores determina uma diferente função da linguagem. O modelo mostra que a mensagem deve contar com um contexto, ou seja, precisa se referir a algo externo a ela. O modelo acrescenta, ainda, o contato. Este representa, simultaneamente, o canal físico em que a mensagem circula e as ligações psicológicas entre destinador e destinatário. Isso quer dizer que ambos só percebem a mensagem porque dominam o mesmo código. Fique atento No modelo proposto por Jakobson, a comunicação só se realiza se o receptor decodifica a mensagem transmitida pelo emissor. Ou seja, ela só acontece se o interlocutor entende a mensagem transmitida. Por exemplo, duas pessoas que vivem em países diferentes (Brasil e Japão) e que não conhecem a língua uma da outra utilizarão códigos diferentes. Portanto, a mensagem não será inteligível para ambas, impossibilitando o processo comunicacional. Mas, se, por exemplo, um brasileiro morador do Nordeste conversa com uma pessoa que vive no Sul, por mais que haja diferenças linguísticas, a comunicação ocorre, pois a língua é a mesma (no caso, a língua portuguesa). Situações comunicativas com elementos da comunicação Os elementos da comunicação podem aparecer em diferentes situações comunicativas, e um elemento específico pode se evidenciar como o mais importante. A seguir, você vai ver exemplos de situações que envolvem os elementos da comunicação, de acordo com alguns autores, especialmente Vanoye (1993). Em cada uma delas, um dos elementos é o principal da situação comunicativa. Exemplo 1: o governador de Santa Catarina envia uma mensagem à população do estado por meio de um porta-voz. Nesse caso, ele seria a fonte, e o porta-voz, o emissor. Exemplo 2: um professor envia um e-mail para os alunos avisando sobre o material para a próxima aula. Aqui, emissor e fonte são a mesma pessoa. Nesses casos, o foco da situação é o emissor da mensagem. Observe que a fonte é responsável pela codificação da mensagem que será enviada. Ela pode utilizar a comunicação oral, a escrita, bem como gestos, desenhos. Martins e Zilberknop (1997, p. 24) diferenciam o emissor da fonte da mensagem. Eles consideram que, em alguns contextos comunicativos, é possível perceber que a fonte (de onde se origina a mensagem) e o emissor (quem envia a mensagem) não são a mesma pessoa. Nos dois exemplos, a população de Santa Catarina e os alunos que receberam o e- mail são os receptores, responsáveis pelo recebimento e pela decodificação da mensagem. A comunicação só ocorre efetivamente quando tiver a incidência de um comportamento verbal ou de uma atitude sobre a ação do destinatário. Isso quer dizer que, se os alunos responderem o e-mail, a comunicação será efetivada. Mas, se não responderem, você pode considerar que o ato comunicativo ocorreu da mesma forma, já que o silêncio também é uma forma de comunicação não verbal. Em outro exemplo de situação comunicativa, o foco é na mensagem. Esta possui o conteúdo das informações que foram codificadas para transmissão. Além disso, pode ser visual, auditiva, audiovisual. Além disso, pode ser visual, auditiva, audiovisual. Por exemplo, uma mensagem visual pode ser escrita com o alfabeto que você utiliza cotidianamente: Olá! Tudo bem com você? Ou ainda pode ser uma imagem, uma fotografia, ou mesmo um emoticon, como =) ou <3. Já a auditiva pode ser uma música, um áudio gravado por redes sociais ou pelo celular. A audiovisual pode ser um vídeo gravado pelo próprio emissor, ou retirado da TV, da internet, etc. Para enviar essa mensagem, são necessários códigos verbais ou não verbais. Quanto mais próximos emissor e receptor estiverem do repertório que ambos usam, maior será a probabilidade de a comunicação ser bem-sucedida, pois a decodificação ficará mais fácil. De acordo com Barros (2004, p. 31), “[...] códigos diferentes impedem a comunicação (a não ser que ela se estabeleça por outro código, que não o verbal, por exemplo, como ocorre na comunicação gestual entre falantes de línguas diferentes).”. O código pode passar também por uma flutuação. É quando um mesmo significante pode gerar mais de um significado. Veja o seguinte exemplo: “Bombril, bom de cozinha e bom de copa.” (CESAD, c2017) (Propaganda veiculada durante o período da Copa Mundial de 1998). Aqui, o signo “copa” remete ao espaço de uma residência, mas também está relacionado à Copa Mundial de Futebol, já que a publicidade era veiculada no período da competição. Nesse contexto, o referente é o objeto ou a situação a que a mensagem remete ou se refere. Ele pode ser situacional ou textual. Saiba mais O referente situacional engloba os elementos da situação do emissor, do receptor e do contexto em que se dá a comunicação. Por exemplo: „ Venha aqui em casa e traga teus cadernos para estudarmos. O termo “aqui” se refere à situação espacial, e “venha e traga”, à temporal. O uso das palavras que mostram (pronomes demonstrativos, pronomes pessoais, tempos verbais, etc.) proporciona às línguas naturais uma grande agilidade. No entanto, as frases que veiculam esses elementos só podem ser compreendidas em estreita relação com determinadas situações. Já o referente textual engloba os elementos do contexto linguístico. Ou seja, ele surge quando se faz referência aos elementos contidos no próprio texto. Por exemplo: A garota trouxe os lápis, a borracha e a régua e os pôs sobre a escrivaninha que está no escritório. Compre tudo o que consta na lista: tomate, alface, pepino, pimentão e repolho. O canal é o meio pelo qual o emissor enviará a mensagem codificada para que o destinatário a descodifique. É todo e qualquer elemento físico usado para levar a mensagem até o receptor. O canal pode ser: natural ou tecnológico. O primeiro trata de meios sonoros (como a voz, as ondas sonoras, o ouvido); de meios visuais (como a excitação luminosa, a percepção da retina); de meios táteis (como a mão, a pele); de meio olfativo (o nariz); e ainda de meio gustativo (a língua). Já o canal tecnológico necessita de meios criados para transmitir a mensagem, como rádio, TV, telefone, entre outros. O canal deve ser escolhido considerando: o conteúdo da mensagem; os tipos de mensagem (isto é, se será verbal ou não verbal); os objetivos do remetente; as condições de recepção da mensagem, etc. fique atento Na comunicação, é necessário utilizar um código conhecido do destinatário e usar, preferencialmente, um código fechado. Nesse sentido, se deve respeitar a bagagem cultural de quem vai receber a mensagem, além, é claro, de escolher e utilizar o veículo adequado. Certos tipos de comunicação podem se dar por meio do uso simultâneo de diferentes códigos e canaisde comunicação; é o caso do cinema. Observe a Figura 2. Nela, você pode ver o emissor (o menino que fala com a menina), a mensagem (o que ele conversa com ela), o canal (que é natural, por meio da fala), além do código (que é um conjunto de signos verbais), do referente (que é textual) e do destinatário (que é a Mafalda). FIGURA 2 Saiba mais Para saber mais sobre outros modelos de comunicação, leia Elementos de Teoria e Pesquisa da Comunicação e dos Media (SOUSA, 2006). Ruídos na comunicação Para que haja êxito na comunicação, todos os elementos precisam funcionar. Portanto, não podem ser perturbados por alguma barreira ou obstáculo. Quando isso acontece, se fala que há um ruído na comunicação. O ruído se trata de qualquer perturbação que impeça a mensagem de chegar devidamente ao receptor, interferindo na comunicação como um todo. As causas dessas barreiras podem ser inúmeras. Sousa (2006) explica que qualquer tipo de comunicação pode sofrer com ruídos, e, por vezes, algumas barreiras chegam a impedir a comunicação ou mesmo afetar a fluidez das trocas comunicacionais. Conforme o autor, essas barreiras podem ser (SOUSA, 2006): Físicas, como um obstáculo entre dois interlocutores que os impede de dialogar. Por exemplo: a queda no sinal de um telefone quando se está conversando via telefonia, ou a queda da internet, quando o diálogo se dá por redes sociais. Culturais, como o desconhecimento do código de comunicação dentro de uma cultura (saber uma língua, por exemplo, nem sempre é garantia suficiente para interpretar adequadamente uma mensagem). Por exemplo, um morador de Portugal e uma pessoa que vive no Brasil podem não se entender, mesmo falando a língua portuguesa. Isso ocorre pois em cada cultura determinados termos significam coisas diferentes, dificultando o entendimento. Pessoais, como a maneira de estar, de ser e de agir de cada sujeito envolvido na relação de comunicação, bem como as capacidades ou deficiências físicas pessoais que facultam ou dificultam a comunicação, etc. Por exemplo: uma pessoa que não sabe a língua de sinais terá dificuldades para conversar com alguém que usa a Libras. Psicossociais, como o estatuto e o papel social que os sujeitos envolvidos na relação comunicacional atribuem uns aos outros. Estes marcam uma dada distância social, ou a saturação dos sujeitos envolvidos na comunicação em relação ao tema que motiva o ato comunicacional. Problemas de relacionamento podem ser um exemplo de barreira causada por questões psicossociais. FIGURA 3 Teoria da comunicação: função da linguagem. Elementos da comunicação É impossível falar sobre funções da linguagem sem abordar os elementos da comunicação. Afinal, cada um deles dá origem a uma função linguística. Esses atos comunicativos podem acontecer de maneira intuitiva ou com alguma intenção, seja ela explícita ou não. Como você pode ver na Figura 1, Jakobson (2005) elaborou um esquema para explicar como operam os seis fatores essenciais para que a comunicação se realize, os chamados elementos da comunicação: FIGURA 1 De acordo com o modelo, a mensagem precisa de um contexto. Ou seja, deve se referir a algo externo a ela mesma. Quanto ao contato, ele representa o canal físico em que a mensagem circula e as ligações psicológicas entre destinador e destinatário. Isso significa que ambos só percebem a mensagem porque dominam o mesmo código. Veja cada um dos elementos descritos: Emissor: também conhecido como referente, é quem emite a mensagem; pode ser um indivíduo ou um grupo. Mensagem: é o objeto da comunicação e é constituída pelo conteúdo das informações. Ou seja, é o conteúdo que o emissor quer transmitir. Canal: é a via de circulação da mensagem (voz, ondas sonoras, uma folha de papel, um blog, um livro). É o meio pelo qual a mensagem é transmitida. Pode ser por ar (ao falar), jornal, televisão, revista, internet, rádio, etc. Código: é o conjunto de regras, de signos e códigos utilizados para formar a mensagem. Para que a comunicação seja bem-sucedida, é preciso que o receptor compreenda o código usado pelo emissor. Como exemplo de código, você pode considerar: letras, idiomas, código Morse, etc. Referente: é constituído pelo contexto, pela situação e pelos objetos aos quais a mensagem está relacionada. Destinatário: é aquele que recebe a mensagem, também chamado de receptor; pode ser uma pessoa ou grupo de pessoas. Para Jakobson (2005), cada um desses seis fatores determina uma diferente função da linguagem, como você verá na próxima seção. Funções da linguagem por Roman Jakobson Lev Jakubinskij, em 1916, propôs, pela primeira vez, uma teoria que diferenciava um sistema de linguagem prática de um sistema de linguagem poética. Um pouco mais tarde, em 1921, Jakobson afirmou ser a poesia uma linguagem que se valia da função estética, num sentido autônomo da palavra sintonia. Entre os anos de 1933 e 1934, o teórico identificou na poesia a função poética da linguagem, que se caracteriza como palavra e sintaxe que possui peso e valor próprios. Já em 1935, o formalista russo voltou a afirmar que o uso dominante da função poética da linguagem é da natureza da poesia, num sentido em que a linguagem se apresenta orientada para o signo enquanto tal. Anos depois, em 1960, Jakobson retomou suas teorias sobre a função estética da linguagem no estudo “Linguística e poética”, com quadro teórico baseado na Linguística Geral e na Teoria da Comunicação (ANDRADE; MEDEIROS, 1997). Então, partindo dos seis elementos, Jakobson (2005) elaborou estudos sobre as funções da linguagem, necessárias para a análise e a produção de textos. De acordo com o autor, as seis funções da linguagem são (JAKOBSON, 2005): função referencial, função emotiva, função conativa ou apelativa, função fática, função metalinguística e função poética. Em todo processo de comunicação, a linguagem é expressa de acordo com a função que se deseja enfatizar. No momento em que se estabelece uma comunicação verbal, um dos elementos apresentados prevalece e determina uma das funções. De acordo com esse modelo, a mensagem é o elo entre emissor e receptor. Desse modo, o esquema de comunicação de Jakobson (2005), se preenchido pelas funções da linguagem no lugar dos elementos, ficaria como na Figura 2. FIGURA 2 Ou seja, cada elemento comunicativo possui intrinsecamente uma função. Observe a Tabela 1: TABELA 1 A seguir, você pode conhecer melhor cada uma das funções da linguagem. Função referencial: está relacionada ao referente, que é o objeto ou a situação de que a mensagem trata. A função referencial privilegia justamente o referente da mensagem, buscando transmitir informações objetivas sobre este. A função referencial, voltada ao contexto, predomina nos textos de caráter científico, em textos dissertativos, técnicos e instrucionais. Além disso, é privilegiada nos textos jornalísticos, como notícias, reportagens. Exemplo (G1 RS, 2017): Começa campanha de arrecadação para projeto de Memorial às Vítimas da Kiss Publicada em 21/08/2017 às 07h01mG1/RS A construção do Memorial às Vítimas da Kiss, para lembrar dos 242 mortos no incêndio da boate em Santa Maria em 2013, terá financiamento coletivo. A arrecadação começa nesta segunda-feira (21), com o lançamento de uma campanha para levantar os fundos. Um evento na Praça Saldanha Marinho, no centro da cidade, marcou o início da campanha pela manhã. A captação de recursos deve ocorrer até outubro. A iniciativa é da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM). Função emotiva: com foco no emissor, é conhecida também como função expressiva. Imprime no texto as marcas de sua atitude pessoal, de sua subjetividade, como emoções, avaliações, opiniões. Ao ler o texto, o leitor sente a presença do emissor. É geralmente escrita em primeira pessoa e usa pontuações como as reticências e a exclamação. Como exemplos, você pode considerar: músicas, depoimentos, relatos, poesias. Exemplo (SEIXAS, 1976): Eu nasci há dez mil anos atrás (Raul Seixas) Um dia, numa rua da cidade, eu vi um velhinho sentado na calçada Com uma cuia de esmola e uma viola na mão O povo parou pra ouvir, ele agradeceu as moedas E cantou essa música, que contava uma história Que era mais ou menos assim: Eu nasci há dez mil anos atrás e não tem nada nesse mundo que eu não saiba demais. Função conativa ou apelativa: procura organizar o texto de forma que o emissor se imponha sobre o receptor da mensagem, com o intuito de persuadi-lo, seduzi-lo, influenciá-lo, convencê-lo, manipulá-lo. Nas mensagens em que predomina essa função, se busca envolver o leitor com o conteúdo transmitido, o levando a adotar este ou aquele comportamento. Alguns tipos de textos que possuem a função conativa ou apelativa são as campanhas publicitárias e as campanhas políticas. Observe um exemplo na Figura 3. FIGURA 3 Função fática: está ligada ao canal de comunicação. Essa função acontece quando a mensagem se orienta sobre o canal de comunicação ou contato, buscando verificar e fortalecer sua eficiência. Normalmente, é usada quando o emissor testa o canal, com o objetivo de manter a comunicação. Exemplo: “Alô”, “Oi?”, “Entendeu?”, “Hum”. Exemplo (MENDEZ, 2010): Trecho de “Fofinhos”, de Luís Fernando Veríssimo — Alô, boneca. Silêncio — Eu topo Mais silêncio. — Como é, vamos? — O senhor quer fazer o favor de me deixar em paz? — Ah, quer dizer que o decalco aí atrás é falso? — Por favor... — O tal “Siga-me, estou indo para o motel” é papo furado, hein? Função metalinguística: nessa função, o emissor explica um código usando o próprio código. É a mensagem sobre a mensagem. A linguagem se volta sobre si mesma, se transformando em seu próprio referente. Quando isso acontece, ocorre a função metalinguística. Como exemplo, você pode considerar: textos sobre escrita, filmes sobre a indústria cinematográfica. Exemplo (DICIONÁRIO AURÉLIO DE PORTUGUÊS ONLINE, 2017): Verbete de dicionário Língua: s.f. Sistema de comunicação comum a uma comunidade linguística. Função poética: essa função é capaz de despertar no leitor prazer estético e surpresa. Ela se expressa na estrutura da mensagem. Assim, se utiliza da criação de ritmos, rimas, trocadilhos, tonalidade, etc. A manifestação da função poética da linguagem ocorre quando a mensagem é elaborada de forma inovadora e imprevista, utilizando combinações sonoras ou rítmicas, jogos de imagem ou de ideias. Como exemplo, você pode considerar poesias e campanhas publicitárias, como a da Figura 4 FIGURA 4 Fique atento Mesmo que cada função esteja ligada a um elemento comunicativo, elas não são exploradas isoladamente. De modo geral, ocorre a superposição de várias delas. O que acontece é que uma se sobressai, o que permite a identificação da finalidade principal do texto. Saiba mais Saiba mais sobre as funções da linguagem em Do texto ao texto: curso prático de leitura e redação (INFANTE, 1998). Intenções do emissor Considerando o arcabouço teórico de Roman Jakobson (2005), você certamente já compreendeu que todo evento comunicativo se constitui por um emissor, que tem o intuito de transmitir determinada mensagem a um receptor, dentro de um determinado contexto. Para tanto, o emissor utiliza um código e envia sua mensagem por um canal. Para o estudioso, dependendo da intenção de quem fala ou escreve, ou seja, do emissor, um desses elementos comunicativos será enfatizado nesse circuito. Nessa esteira, para compreender a mensagem e aprimorar o processo de leitura e produção de textos, é imprescindível entender as intencionalidades do emissor. Tais intenções podem ser inúmeras, como emocionar, esclarecer, persuadir, informar, manter contato, encantar, manipular, entre outras. Por exemplo, se o emissor pretende emocionar o receptor, a ênfase será no uso de verbos em primeira pessoa. Além disso, ele falará dos seus sentimentos, emoções e posicionamentos. Ainda que o foco da ação comunicativa seja um só, no caso do exemplo, de emocionar, a mensagem pode servir para várias outras funções. Assim, você dificilmente encontrará uma única função da linguagem; o que terá é apenas a prevalência de uma sobre as outras. Sobre isso, Chalhub (1990, p. 8) diz que: Numa mesma mensagem [...] várias funções podem ocorrer, uma vez que, atualizando concretamente possibilidades de uso do código, entrecruzam-se diferentes níveis de linguagem. A emissão, que organiza os sinais físicos em forma de mensagem, colocará ênfase em uma das funções – e as demais dialogarão em subsídio. Nesse sentido, a ênfase dada a um dos elementos na construção da mensagem não descarta o uso dos outros. O que ocorre é que a utilização de mais de um elemento colabora para o resultado final proposto pelo emissor Fique atento A partir da intencionalidade, o emissor fará escolhas linguísticas para chegar ao seu objetivo. Assim, ao enfatizar algum recurso, ele necessita ativar sua capacidade criativa e levar em consideração se o receptor terá capacidade de responder a ela. Comunicação, expressão e diversidade linguística. Variação linguística Uma língua viva sempre apresenta variações. Isso significa que, enquanto uma língua tiver falantes nativos, ela será dinâmica e heterogênea (FARACO, 2008). Com o passar do tempo, ela passará por mudanças e, se estas forem grandes demais, pode até se tornar uma outra língua, ou outras, como aconteceu, por exemplo, com o Latim e as línguas românicas que dele se originaram. Se você ler um texto de épocas passadas, poderá encontrar diferenças, tais como aquelas encontradas em palavras, expressões, até mesmo na estrutura (para exemplos ver textos de romances do período Realista ou Naturalista, como os de Machado de Assis e Aluísio de Azevedo). Essa diferença pode ser observada também entre falantes de diferentes gerações. A língua também é influenciada pelo espaço. Pense em um lago e em atingir sua superfície atirando várias pedras. Cada uma delas gerará ondulações e, em alguns pontos, irão se encontrar e se afetar umas às outras. Com a língua ocorre um fenômeno análogo, zonas próximas apresentam maior similaridade e são reconhecidas e diferenciadas, porém,conforme se afastam, as diferenças vão se tornando maiores, devido à experiência dos falantes, assim como a influência de outras comunidades linguísticas, de outras línguas. Nesse aspecto, o processo de colonização, imigração e migração, assim como a presença de diferentes tribos autóctones, tem fortes consequências. É possível observar a distância entre as diferentes regiões do país, e, até mesmo, dentro dos estados. Outra grande variável que se pode elencar é quanto ao indivíduo. Nesta, é possível identificar a influência do lugar onde o indivíduo cresceu, seu grau de contato com a cultura letrada, seu círculo social (mais informal, menos informal, entre outros). Esse âmbito é o que permite a identificação de estilo de um indivíduo inserido em uma comunidade linguística, ou seja, o que o distingue linguisticamente (ainda que não exclusivamente). Fique atento Comunidade linguística é um agrupamento de falantes que têm características linguísticas em comum (BELINE, 2014). Qualquer língua que ainda seja natural (diferentemente de línguas artificiais, como Klingon e Dothraki) tem variação, isto é, varia no tempo e no espaço (objeto de estudo da sociolinguística variacionista) e também de um indivíduo para outro, modificando-se até quando utilizada por um mesmo indivíduo em diferentes situações (objeto de estudo da sociolinguística interacional). Linguisticamente, não há uma variedade linguística melhor, mais bonita ou mais desenvolvida do que outra. Qualquer que seja a variedade, ela será igualmente válida, rica e desenvolvida. A valorização de uma em detrimento de outra é social, isto é, a sociedade (ou parte dela) que classifica uma variedade positiva ou negativamente. Algumas variedades são estigmatizadas, como, por exemplo, as do interior dos estados em relação às das regiões metropolitanas, as de classes sociais menos prestigiadas e menos escolarizadas em relação às mais prestigiadas e mais escolarizadas (BAGNO, 1999; FARACO, 2008; GÖRSKI; COELHO, 2009). É comum, com essa postura, encontrar afirmações como: “eu não sei português”, “fala feio”, “antes de aprender inglês, francês, tinha que aprender português”, “matou a língua portuguesa”; todas com relação a falantes nativos. Ao dizer isso, a pessoa expõe desconhecimento sobre a realidade linguística e também sobre o preconceito linguístico. De acordo com Görski e Coelho (2009, p. 82), “[...] muitas pessoas acham que falar uma variedade diferente da variedade padrão é um problema sério para a sociedade, uma manifestação de inferioridade. Sempre que isso acontece, a língua se torna um veículo de preconceitos e exclusões.” Segundo Faraco (2008), todas as variedades linguísticas têm uma própria norma, isto é, um conjunto de características que lhes são normais, envolvendo aspectos fonéticos (identificados no sotaque), lexicais, semânticos, sintáticos e, às vezes, até pragmáticos. Contudo, saindo do âmbito linguístico, norma é entendida como um conjunto de regras que normatizam a forma como os falantes deveriam utilizar a língua. Esse tipo é chamado pelo autor de norma padrão, um “ideal” artificial que, apesar de defendido, nenhum falante utiliza de fato (é aquela encontrada nas gramáticas mais tradicionais, normativas e não linguísticas). Para ele, a norma associada aos grupos mais escolarizados é a norma culta. Essa seria comum aos falantes de áreas urbanas em situações mais formais, principalmente na escrita, e seria balizada pela linguagem urbana comum. Modalidades da língua Além da variação que as línguas apresentam, elas também podem ter mais de uma modalidade. A língua portuguesa, por exemplo, apresenta as modalidades oral e escrita, mas nem todas as línguas são assim. Algumas apresentam apenas a modalidade oral, sendo denominadas ágrafas. A modalidade oral, sempre primeira com relação à escrita, sofre e aceita mudanças muito mais rapidamente. Ela é mais dinâmica, seja por ser mais propensa à variação e à mudança, seja por causa do “jogo” comunicativo como palco e fonte. Ela influencia as mudanças na modalidade escrita, que, por sua vez, tem o poder de “frear” a modalidade oral. Com o advento da imprensa, esse poder foi intensificado. Entretanto, a modalidade escrita continua sendo uma representação da oral, dependendo de convenções para sua inteligibilidade (como ortografia e uso do mesmo alfabeto), bem como para questões políticas. Fique atento A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) é, como o nome diz, uma língua, e não uma modalidade da língua portuguesa. A LIBRAS apresenta, como qualquer outra língua, os sistemas fonológico (em sentido um pouco diferente), morfológico, sintático e semântico. Além disso, ela é uma língua natural e, consequentemente, também apresenta variação. Apesar de a modalidade oral ser mais identificada em registros mais informais, ela também ocorre em situações mais formais. Da mesma forma, a modalidade escrita, que é mais identificada em registros formais, ocorre em situações mais informais. Assim, uma conversa de texto por aplicativos e redes sociais irá se aproximar mais da oralidade, ao passo que uma palestra acadêmica, da escrita. Essa identificação advém de a oralidade permitir a realização da comunicação linguística de modo mais natural, menos rígido e menos regrada quando comparada com a escrita, principalmente quando se desconsidera a mudança que a cultura digital trouxe. Antes, por exemplo, não era considerado diálogo uma conversa que não fosse feita pessoalmente ou por telefone, entretanto, com a mudança de paradigma causada pela cultura digital, é contrassenso não considerar como diálogo as conversas por aplicativos, como Whatsapp, Messenger, entre outros. Desconsiderando-se um pouco o paradigma da cultura digital, qualquer produção, seja oral ou escrita, tem uma audiência (um destinatário) real ou imaginário. Algumas manifestações permitem uma interação maior entre os envolvidos, que, então, intercalam-se no papel de locutor e interlocutor. Na modalidade oral, quanto mais informal for a situação, mais interrupções e sobreposições serão possíveis. Além disso, é comum mudanças de estilo estrutural, sentenças incompletas na oralidade, que, na escrita, tornam-se difíceis de compreender. A escrita, enquanto representação da fala, apresenta menor possibilidade de interferência, mas permite que se pense, planeje e revise o texto antes de liberá-lo. Adequação linguística No âmbito acadêmico e profissional, você terá de lidar com situações que exigirão uma ou outra modalidade (ou até as duas, em conjunto). Seja qual for a modalidade a ser usada e em qual situação, a adequação linguística será fundamental. O uso da língua por um falante é sempre influenciado por uma série de fatores, alguns dos quais foram mencionados anteriormente. Em certas situações, é esperado o uso de um nível de fala mais formal, assim como uma determinada norma, como a culta, ao passo que, em outras, ocorre o oposto. Essas escolhas seriam feitas tendo em vista um fi m comunicativo, em outras palavras, como atingir da melhor forma um objetivo (ou uma série deles). Quanto a isso, até mesmo a escolha por não seguir o que se esperaria pode ser um meio de conseguir sucesso. Fique atento Tipos de variação Variação diatópica é aquela que ocorre em decorrência da região, porexemplo: jerimum versus abóbora, mexerica versus bergamota, rótico velar (“erre” forte — comum no Rio Grande do Sul) versus rótico uvular (“erre” forte, caipira — comum no interior paulista), etc. Variação diastrática é aquela comum a estratos sociais, por exemplo: classes mais ou menos prestigiadas, advogados, influenciadores digitais (que ainda varia de acordo com o campo de interesse), etc. Variação diafásica é aquela que ocorre em função do contexto comunicativo, por exemplo: mais ou menos informal, mais ou menos afetiva, mais ou menos técnica, etc. Variação de registro é um tipo de variação diafásica e diz respeito ao nível de formalidade ou de informalidade. A experiência permite que o falante force os limites entre normas e entre níveis de fala, do mais formal ao mais coloquial. Entretanto, quando ainda não se tem essa experiência, algumas orientações se tornam úteis. Algumas são mais ou menos assumidas como instintivas, outras já seguem certos padrões estabelecidos (por exemplo, por gêneros textuais ou por contexto comunicativo). O meio acadêmico apresenta uma grande variação de contextos comunicativos, de conversas informais com amigos a produções formais, como tese de doutorado e respectiva defesa oral. Considerando-se os textos e discursos comuns a esse meio, alguns permitirão uma linguagem coloquial, enquanto outros, não, de uma linguagem urbana comum à norma culta. No Quadro 1, são apresentados alguns gêneros textuais, uma breve definição e a linguagem esperada. Gênero textual – Caracterização – Linguagem Memorial - Do tipo acadêmico, é uma apresentação textual da trajetória acadêmica de uma pessoa de modo mais detalhado do que o currículo (que apresenta os dados através de tópicos). - Norma culta. Resumo - Apresenta as principais ideias de um outro texto ou trabalho, de modo conciso, objetivo, coeso e coerente. - A linguagem tende a seguir o estilo do original, porém, do acadêmico, espera-se a norma culta. Entrevista - É um diálogo a princípio planejado, pois pelo menos uma das partes terá se preparado. Consiste em perguntas feitas a um entrevistado. Ela pode ser feita inteiramente de forma oral, mista (quando as perguntas são passadas por escrito para que o entrevistado possa se preparar, ou quando é transcrita) ou escrita. - A linguagem será determinada pelo contexto, mais informal ou mais formal. Em contexto acadêmico, é comum a entrevista de teóricos e pesquisadores, e, nesse caso, a linguagem será mais formal. Manifesto - É um texto em que um grupo de pessoas ou entidades expressam sua opinião sobre uma situação-problema. - A linguagem pode apresentar uma formalidade maior, por meio do uso da norma culta, ou um pouco menos formal, por meio da linguagem urbana comum. Ensaio - Consiste em um texto argumentativo acerca de um assunto. - Norma culta. Procuração - É um documento legal em que uma pessoa dá à outra o poder para tomar decisões, cuidar de propriedades ou negócios no seu lugar. - Linguagem mais formal, preferência da norma culta. Editorial - É um texto argumentativo que expressa a posição de um jornal ou revista sobre um assunto. - Linguagem mais formal, podendo apresentar elementos coloquiais, bem como se manter na norma culta. Edital - É um documento público que visa a comunicar, informar, convocar sobre determinado assunto. É comum em concursos, informando regras, requisitos, datas. - Norma culta. Certificado - É um documento comprobatório acerca da participação de alguém em algum evento ou acerca da verdade sobre algo. - Norma culta. Ata - É um registro resumido do que foi discutido ou tratado em uma reunião, assembleia, sessão. - Linguagem mais formal, preferência da norma culta. Unidade 2 Comunicação oral Elementos de variação linguística A necessidade de se comunicar é natural aos seres humanos. A fim de que diferentes formas de comunicação ocorram, ele utiliza linguagens. Por meio delas, é possível realizar trocas. A linguagem é a capacidade que o ser humano tem de se comunicar. Ela pode ser verbal e não verbal. Para Jakobson (2008), a linguagem é um dos sistemas de signos que pode ser usado como meio de comunicação entre sujeitos. Já o código é o conjunto de possibilidades que proporciona a comunicação e, junto com a linguagem, vai permitir que se construa uma língua. Esta caracteriza um povo, uma sociedade. A língua pode ser padrão, (ou língua formal e norma culta) ou informal (ou linguagem coloquial, a que se usa no dia a dia). Assim, o uso que cada indivíduo faz da língua é a fala, que pode ser também formal ou informal. Variação linguística é a capacidade que a língua tem de se transformar e se adaptar de acordo com alguns componentes, como o histórico, o social, o regional e o estilo por meio do qual os indivíduos se manifestam verbalmente. Ela é um movimento natural da língua, já que o sistema linguístico não é unitário e comporta vários eixos de diferenciação. Assim, a variação pode ocorrer em um ou em vários subsistemas de uma língua, seja fonético, morfológico, fonológico, sintático, léxico ou semântico, promovendo a evolução da língua. Níveis de variação linguística Todo idioma se estabelece em vários níveis. Estes estão relacionados à forma de pronunciar as palavras, que seria o nível fonético-fonológico. Também se relacionam com a maneira de organizar os enunciados, no caso a sintaxe. Além disso, têm relação com a maneira de escolher as palavras, que tange ao lexical ou vocabular. Ainda estão em jogo o modo de dar sentido aos vocábulos, que é o nível semântico, ou mesmo a maneira como a palavra é escrita ou utilizada, no caso o nível morfológico. Observe alguns exemplos: Nível fonético-fonológico: está relacionado à diversificação das maneiras de pronunciar palavras ou expressões. Por exemplo, gaúchos, cariocas e nordestinos falam de forma diferente. Nível morfossintático: ocorre na variação da estrutura dos enunciados, como na organização em períodos. Também há a conjugação de verbos irregulares como se fossem regulares. Exemplo: “manteu” em vez de “manteve”, “ansio” quando o correto é “anseio”. Outro exemplo é o fato de que em algumas regiões do Brasil se fala “você vai” e em outras “tu vais” ou “tu vai”. Nível vocabular: diz respeito à utilização de diferentes palavras para representar o mesmo objeto, fenômeno ou ser. Por exemplo: os termos moleque, garoto, menino e guri significam a mesma coisa, assim como mandioca, aipim e macaxeira. Outro exemplo de nível vocabular de variação linguística é o uso de gírias. Nível semântico: esse nível está relacionado à variação no sentido que as palavras adquirem ao longo do tempo, do espaço ou em diferentes grupos sociais. Em Portugal, por exemplo, se usa a palavra alcatrão com um sentido diferente do uso brasileiro. Aqui, alcatrão é um dos componentes do cigarro; lá, se refere ao asfalto. Tipos de variação linguística No Brasil, a língua portuguesa possui diversos linguajares e é falada de várias maneiras. Essas variações linguísticas são bastante evidentes. Afinal, cada região teve sua história socioeconômica e por isso possui peculiaridades linguísticas. Tais diferenças são compreendidas por meio dos elementos de variação linguística,como questões históricas, geográficas, sociais e de estilo. A variação linguística histórica é a maneira como a língua evolui ao longo do tempo. São as mudanças que a língua sofreu ao longo da história. Como exemplo, considere o pronome você. Ele se originou da expressão vossa mercê, passou para vosmecê, virou vancê e chegou ao termo que se usa atualmente: você. Isso quer dizer que a palavra evoluiu e se transformou ao longo do tempo. Já a variação regional é chamada também de diatópica. Ela está relacionada com palavras ditas em regiões diferentes, mas que significam a mesma coisa. Por exemplo: aipim, mandioca e macaxeira são três palavras diferentes usadas para designar a mesma coisa. Aqui também entra a parte fonética, como a forma de pronunciar certas letras. O “r” no meio das palavras, por exemplo, é pronunciado de forma diferente no Paraná e no Rio de Janeiro. Isso muda de acordo com a região. A variação social ou diastrática tem a ver com os diferentes grupos sociais e com os contrastes na linguagem. Pode ser por idade: quando o avô conversa com a neta, as falas são diferentes. Por exemplo: “Seu avô era um pão” e “Aquele menino é meu crush”. Saiba mais É difícil falar em diferenças culturais e variações de linguagem sem abordar o preconceito linguístico. O estudioso Marcos Bagno, em seu livro Preconceito linguístico: o que é, como se faz, recusa a noção que separa o uso da língua em certo e errado. O autor apresenta alguns mitos sobre o preconceito linguístico, de modo a instigar seu combate no dia a dia. Para Bagno, o preconceito linguístico está ligado, em boa medida, à confusão que foi criada, no curso da história, entre língua e gramática normativa. Para o autor, esse preconceito é alimentado diariamente, especialmente pela mídia e por livros e manuais que pretendem ensinar o que é “certo” e o que é “errado”. Além disso, os instrumentos tradicionais de ensino da língua, que são a gramática normativa e os livros didáticos, também contribuem para esse preconceito. De acordo com Bagno (1999), o preconceito linguístico se baseia na crença de que só existe uma única língua portuguesa digna deste nome. Esta seria a língua ensinada nas escolas, explicada nas gramáticas e catalogada nos dicionários. Para Bagno (1999, p. 42): “Qualquer manifestação linguística que escape desse triângulo escola-gramática- - dicionário é considerada, sob a ótica do preconceito linguístico, ‘errada, feia, estropiada, rudimentar, deficiente’, e não é raro a gente ouvir que ‘isso não é português’. Um exemplo. Na visão preconceituosa dos fenômenos da língua, a transformação de L em R nos encontros consonantais como em Cráudia, chicrete, praca, broco, pranta é tremendamente estigmatizada e às vezes é considerada até como um sinal do ‘atraso mental’ das pessoas que falam assim. Ora, estudando cientificamente a questão, é fácil descobrir que não estamos diante de um traço de ‘atraso mental’ dos falantes ‘ignorantes’ do português, mas simplesmente de um fenômeno fonético que contribuiu para a formação da própria língua portuguesa padrão.” Classe social também pode apontar variações de linguagem. Isso tem a ver com o tipo de cultura com que você tem contato. Além disso, o grupo social em que os indivíduos estão inseridos, como nerds, skatistas, surfistas, indica variação. Se você não faz parte de determinado grupo, pode não entender parte da linguagem utilizada por ele. A variação de estilo ou diafásica é a que tem relação com a situação de uso da língua, do que é e do que não é adequado. O estilo pode ser formal e informal, padrão e não padrão, coloquial e culto. O modo de usar a língua vai se adequar ao momento. Por exemplo: diante de um juiz, o sujeito vai formalizar a língua, mas quando está com a família, amigos ou em intimidade, a tendência é falar informalmente. Saiba mais Você pode encontrar os mesmos tipos de variação com outros termos, escritos por outros teóricos, como Marcos Bagno. O pesquisador explica que há diferenças entre os termos utilizados nas definições de variações linguísticas. Observe (BAGNO, 2007): Dialeto: uso da língua em determinada região. Socioleto: variedade linguística de determinado grupo com características (sociais, profissionais, econômicas) comuns. Cronoleto: variedade de certa faixa etária. Idioleto: modo de falar característico de um indivíduo. Fique atento A transcrição da língua falada é um recurso cada vez mais explorado pela literatura, tendo em vista a vivacidade que dá ao texto. Observe, no trecho a seguir, algumas das características da língua falada. Você pode perceber, por exemplo, o uso de gírias e de expressões populares e regionais, além de incorreções gramaticais e repetições. “– Menino, eu nada disto sei dizer. A outro eu não falava, mas a ti eu digo. Eu não sei que gosto tem esse bicho de mulher. Eu vi Aparício se pegando nas danças, andar por aí atrás das outras, contar histórias de namoro. E eu nada. Pensei que fosse doença, e quem sabe não é? Cantador assim como eu, Bentinho, é mesmo que novilho capado. Tenho desgosto. A voz de Domício era de quem falava para se confessar: – Desgosto eu tenho, pra que negar?…” (REGO, 1979). Modalidades de fala e grau de formalidade As modalidades são as diferenças presentes entre fala e escrita. Isso porque na língua falada há, entre falante e ouvinte, uma interação direta. Já na língua escrita, a comunicação ocorre geralmente sem a presença de um dos sujeitos participantes. Estando próximos durante a troca, falante e ouvinte podem utilizar diversos outros elementos signifi cativos que complementam o discurso verbal no processo de comunicação. Há, por exemplo, gestos, entonação, expressões faciais, entre outros. Vistas como práticas sociais, já que o estudo da língua se funda em usos, as duas modalidades de fala da língua portuguesa são a oral e a escrita (MARCUSCHI, 2001, p. 1). Como manifestação da prática oral, a fala é adquirida de modo natural em contextos informais do dia a dia. Também se desenvolve nas relações sociais que se estabelecem desde o momento em que uma criança nasce e tem os primeiros contatos com a mãe. Desse modo, o uso da língua natural e o aprendizado são formas de socialização e inserção cultural. É necessário identificar os elementos que fazem parte da situação comunicativa para compreender e analisar adequadamente um texto, seja ele falado ou escrito. Nesse caso, os componentes seriam falante – ouvinte/escritor – e leitor. Além disso, é importante considerar as condições em que cada texto foi produzido. São elas que possibilitam a ação social ou de interação que é estabelecida entre os sujeitos. Além disso, elas são distintas em cada modalidade. A fala, por exemplo, possui como características, entre outras tantas, o uso da palavra sonora e a interação face a face. Portanto, requer a presença dos interlocutores no mesmo espaço físico e de tempo; o planejamento simultâneo ou quase simultâneo à execução; a espontaneidade e o imediatismo. Além disso, pode ser repetitiva e redundante. Ela considera o contexto extralinguístico e possui recursos como signos acústicos e extralinguísticos, gestos, entorno físico e psíquico. No texto oral, você pode encontrar características inerentes à língua falada. Há, por exemplo, os marcadores conversacionais. Elessão elementos típicos da fala que não integram o conteúdo do texto, apresentando valor tipicamente interacional. Por exemplo: “bom”, “eu acho que”, “quer dizer”, “então”, “entende?” e “né?”). Há também as marcas prosódicas. Elas estão relacionadas à pronúncia. Um exemplo são os alongamentos, como nos termos “ouVIR::” e “faLAR::” (marcados com ::). Outros exemplos são a entonação enfática, assim como nas palavras do exemplo anterior, “ouVIR::” e “faLAR::” (marcado com ::); e as hesitações, como “na medida em que... ahn” (uso do marcador “ahn” associado ao alongamento é uma marca prosódica). Outra característica é a repetição. Por exemplo: “O rádio de pilha, né? Quer dizer, o rádio de pilha”. A correção é outra das características, por exemplo: “O rádio eu acho que tem um papel até... numa certa medida... ele provocou pelo alCANce que tem uma revolução até maiOr do que a televisão...”. E há ainda a paráfrase. Ela é a relação de equivalência semântica: “através do rádio de pilha... ele pôde se ligar ao resto do mundo, saber que existem outros lugares, outras pessoas, que existe um governo...” (ANDRADE, 2011). Você deve observar também os graus de formalidade que se usam na fala. Geralmente, em uma situação formal, o indivíduo culto procura seguir as regras da língua e conversar usando a norma culta, procurando também não usar vocabulário vulgar. Há pelo menos dois níveis de língua falada: a culta ou padrão e a coloquial ou popular. Além dessas, a linguagem coloquial também é registrada quando há o uso de gírias, na linguagem familiar, na linguagem vulgar e nos regionalismos e dialetos. Fique atento De acordo com Marcuschi (2000), tanto a variedade escrita quanto a falada apresentam: língua padrão/variedades não padrão; língua culta/língua coloquial; norma padrão/ normas não padrão. Afinal, a língua em si não é um sistema único e abstrato, mas heterogêneo e repleto de variação. Com relação às nomenclaturas, Bagno (2001) questiona a que tipo de norma culta se referem aqueles que lidam direta ou indiretamente com a língua portuguesa, já que há dois sentidos para o termo: (1) o que é norma, frequente e habitual; ou (2) o que é normativo, elaborado, regra imposta. De acordo com o teórico, o primeiro conceito está ligado à linguagem que é empregada para designar formas linguísticas existentes na realidade social. Já o segundo sentido é o mais difundido. Ele tem circulação maior na sociedade e já se tornou senso comum, virando mais um preconceito do que um conceito. Isso pois trata a língua como única e estática, como se existisse apenas uma maneira certa de falar ou discorrer. Bagno propôs novas nomenclaturas, pois percebeu alguns impasses no uso da norma culta. Observe: Norma-padrão: designa o modelo ideal de língua; algo que está fora e acima da atividade linguística dos falantes. Variedades prestigiadas: indicam as variedades linguísticas faladas pelo cidadão com alta escolarização e vivência urbana. Variedades estigmatizadas: assinalam as variedades linguísticas que caracterizam os grupos sociais desprestigiados do Brasil. FIGURA 1 Você pode observar que existe uma zona intermediária entre as variedades prestigiadas e as estigmatizadas. As influências de umas sobre as outras são intensas e constantes. Para Bagno (2001, p. 80), “Isso é mais do que natural numa sociedade complexa como a brasileira contemporânea, sobretudo por causa dos meios de comunicação de massa (principalmente a televisão e o rádio)”. A norma padrão fica no alto, na estratosfera da abstração, do virtual. Para o teórico, ela exerce uma influência muito forte sobre o imaginário de todos os brasileiros. Porém, essa influência diminui na medida em que se afasta das camadas sociais privilegiadas. Essa norma-padrão está ligada à escola, ao ensino formal. Só se aproximam dela os brasileiros que conseguiram passar pelo funil da educação formal, percorrendo até o fim o trajeto de formação escolar. Por outro lado, há autores que apontam três níveis de linguagem que colaboram para compreender como o indivíduo falante pode se manifestar em diferentes situações. De acordo com Preti (1994), é possível dividir os níveis de fala em espécies. Observe: Formal (ou culto): usado em situações de formalidade, possui o predomínio de linguagem culta, ou seja, obedece à gramática normativa. Geralmente é usado em situações que exigem tal posicionamento do falante, como em discursos, sermões, apresentações de trabalhos científicos. Coloquial (ou informal): é habitual em situações familiares ou de menor formalidade. Tem predomínio de linguagem popular, linguagem afetiva, expressões obscenas. É a manifestação espontânea da língua. Nela, os falantes usam gírias, vocabulário às vezes pejorativo, formas subtraídas ou cortes das palavras e conjugação verbal inadequada. Também é pontuada por problemas de concordância verbal e nominal e outras marcas da oralidade, como “né”, “daí”, “a gente”, etc. Esse nível independe de regras e está presente nas conversas entre amigos e familiares, por exemplo. Na internet, é comum encontrar o nível coloquial em textos de diálogos, ou em redes sociais e em programas de mensagens instantâneas. Comum: recebe contribuições de um e de outro. FIGURA 2 Gêneros de cunho oral, textual e híbrido Ao compreender como é a funcionalidade dos textos na interação dos indivíduos, você também investiga os diferentes textos utilizados para a comunicação na sociedade. Isso leva a uma discussão sobre gêneros, já que eles estão presentes em todas as circunstâncias e ações humanas. Afinal, em qualquer lugar em que exista linguagem, há gêneros textuais ou discursivos, orais ou escritos. Como as esferas de produção da linguagem são diversas, também há uma multiplicidade de gêneros em diferentes situações e em formatos diversos. No supermercado, por exemplo, você encontra panfletos, placas, indicações de ofertas e a conta no caixa. Desse modo, cada esfera elabora seus gêneros. E faz isso conforme aspectos sociais próprios, finalidades comunicativas e especificidades das situações de interação em que os enunciados estão sendo produzidos. A denominação de gênero discursivo foi apresentada pela primeira vez pelo autor russo Mikhail Bakhtin (1979). Ele caracterizou os gêneros como tipos relativamente estáveis de enunciados. De acordo com o teórico, os gêneros de que os interlocutores sociais fazem uso nas interações verbais são tão variados e heterogêneos quanto a diversidade de esferas de circulação social nas interações verbais e as diferentes atividades humanas. Para Bakhtin (1979), nas inúmeras esferas de circulação, o uso da língua ocorre ou em forma de enunciados ou pela heterogeneidade de gêneros que os constitui. Você pode encontrar uma diversidade de gêneros discursivos que se modificam e se ampliam, dependendo dos contextos social e histórico em que circulam, conforme as condições e finalidades de cada uma das esferas. Saiba mais Circulando em diferentes esferas, os gêneros refletem o conjunto de temas e relações possíveis nas formas de enunciar ou dizer algo. Assim, o enunciado está sempre nas relações sociais. Ele constitui a unidade formal da língua e incorpora o estilo, a composição e o tema. Bakhtin considerava esses aspectos indissoluvelmente vinculados. Também afirmavaque eles se concretizam em forma de gêneros. De acordo com o teórico Marcuschi (2005), os gêneros surgem como formas da comunicação para atender a necessidades de expressão do ser humano. Eles são conformados por influência do contexto histórico e social das diversas esferas da comunicação humana. Para o estudioso, os gêneros textuais são como “[...] entidades sociodiscursivas e formas de ação social incontornáveis de qualquer situação comunicativa [...]” (MARCUSCHI, 2005, p. 19). Isso quer dizer que os gêneros podem se modificar com o passar do tempo. Eles podem surgir e desaparecer, além de se diferenciar de uma cultura para outra. São dinâmicos e heterogêneos, variando de um diálogo informal até as teses de doutorado, por exemplo. Você pode encontrá-los nas formas oral, escrita e híbrida. Para Marcuschi (2008), não existe comunicação que não seja feita por meio de algum gênero. Mesmo um indivíduo falante que não possua saber técnico tem capacidade para se comunicar e ser compreendido por seu interlocutor. Marcuschi (2002, p. 22-23) explica que: Usamos a expressão gênero textual como uma noção propositalmente vaga para referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sócio- comunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica. Exemplo De acordo com o Marcuschi (2005), alguns exemplos de gêneros textuais seriam: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, instruções de uso, outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador, aulas virtuais e assim por diante. Marcuschi (2008) explica que os gêneros orais e escritos estão relacionados, mas fala e escrita não são idênticas. O que dá tal classificação para cada uma é a forma em que se originou. Por exemplo, um texto jornalístico não deixa de ser um texto escrito por ter sido apresentado em um telejornal. Existem gêneros das culturas orais que nunca farão parte de culturas caracteristicamente escritas, e vice-versa. Também é importante você lembrar que a fala nem sempre reproduzirá a escrita, ou a escrita reproduzirá a fala. Elas podem caminhar juntas sem anular as peculiaridades de uma ou outra. Por outro lado, Marcuschi (2008) indica que os gêneros textuais não podem ser considerados estanques. Eles são como entidades dinâmicas da materialização de ações comunicativas. Podem ser híbridos, de modo a atingir determinados objetivos comunicativos. Estratégia de leitura – leitura oral e textual Estratégias de leitura: concepções A leitura é um processo em que o leitor constrói significados para o texto. Para isso, deve considerar o conhecimento que possui sobre o tema, o autor, o sistema de escrita e o gênero textual. O leitor também deve considerar o que busca no texto. As informações do texto não são extraídas a partir de cada letra ou de cada palavra, mas do significado que juntas formam. De acordo com as pesquisadoras Marisa Lajolo e Regina Zilberman (1982), a leitura é um processo de interlocução que ocorre entre leitor e autor por meio da mediação do texto. Nas palavras das teóricas (LAJOLO; ZILBERMAN, 1982, p. 59): Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o sentido de um texto. É, a partir do texto, ser capaz de atribuir-lhe significado, conseguir relacioná-lo a todos os outros textos significativos para cada um, reconhecer nele o tipo de leitura que seu autor pretendia e, dono da própria vontade, entregar-se a esta leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo outra não prevista. Cavalcante Filho (2011) explica que ler adequadamente vai além de apenas ser capaz de decodificar palavras ou expressões ordenadas linearmente em sentenças ou textos. “Se as pessoas lessem assim, não seriam capazes de perceber quando um texto é irônico, não entenderiam ‘indiretas’ e duplos sentidos, muitos avisos, e, além disso, a maior parte das piadas e textos de propaganda, por exemplo.” (CAVALCANTE FILHO, 2011, p. 1722). Desse modo, como você viu, a leitura é resultado de dois tipos de fatores: os propriamente linguísticos, que são os significados literais das palavras e os fatores sintáticos; e os contextuais ou situacionais, que podem ser de natureza bastante variada. A decodificação é apenas um dos artifícios usados na prática da leitura, pois esse processo envolve outras estratégias na construção de significados. As estratégias de leitura são técnicas utilizadas pelos leitores para adquirir uma informação. Além disso, podem ser consideradas procedimentos ou atividades escolhidas que facilitam o processo de compreensão da leitura. Elas se adaptam a diversas situações, variando conforme o texto lido e de acordo com a abordagem, que é previamente elaborada para facilitar a compreensão do leitor. Saiba mais De acordo com Solé (1998), na literatura especializada uma estratégia poderia ser considerada um procedimento e, na tradição psicopedagógica, “estratégias de leitura”. Existem estratégias que facilitam a compreensão do leitor a respeito do texto. De acordo com Solé (1998), essas estratégias podem ser invocadas antes da leitura para situar o leitor, estimulando-o para que assuma um papel ativo no processo. Durante a leitura, as estratégias podem atuar de modo que o leitor possa construir uma interpretação que o ajude a resolver problemas. Depois da leitura, elas podem unificar de forma concreta as etapas anteriores. De acordo com a autora (SOLÉ, 1998, p. 72): Consideramos as estratégias de compreensão leitora como um tipo particular de procedimento de ordem elevada. Como poderão verificar, cumprem todos os requisitos: tendem à obtenção de uma meta, permitem avançar o custo da ação de leitor, embora não a preservem totalmente; caracterizam-se por não estarem sujeitas de forma exclusiva a um tipo de conteúdo ou a um tipo de texto. Leitura moderna e tradicional: diferenças Conforme os estudos realizados na área da linguística foram evoluindo, os conceitos sobre leitura também sofreram variações. Nessa esteira, há três principais perspectivas de leitura que apareceram no decorrer do tempo: são a leitura ascendente (estruturalista), a leitura descendente (construtivista) e a leitura sociointeracionista (interacionista). A seguir, você vai conhecer melhor cada uma delas. Leitura ascendente: o ensino de leitura tradicional é fundamentado na concepção de leitura ascendente. De acordo com Kleiman (2002), alguns definem essa leitura como um processo de decodificação sonora das unidades linguísticas, e o sentido da leitura só pode sair da página impressa. É um processo sistêmico, no qual se identifica letra por letra, da esquerda para a direita, realizando uma decodificação. Isso significa que ler seria apenas perceber as informações que estão implícitas no texto. O leitor fica restrito a determinadasestruturas e só atingirá a compreensão e o sentido do texto a partir da formulação de perguntas superficiais, que possuem suas respostas em certos excertos do texto, o que não exige do leitor uma reflexão ou uma leitura mais atenta. Esse tipo de leitura também é conhecido como perspectiva do texto. Assim, o texto é, de acordo com Kleiman (2002), considerado um objeto completo. Quando os seus elementos são decodificados, dão o seu sentido, sem depender do leitor e das circunstâncias em que foi produzido. Leitura descendente: essa perspectiva de leitura segue uma linha construtivista, segundo Figueiredo (1985). Nessa linha, a leitura é considerada um complexo processo psicolinguístico, e o leitor atinge o sentido do texto a partir de seu conhecimento de mundo e da criação de hipóteses. Tal perspectiva de leitura é fundamentada em aspectos cognitivos e está centrada no leitor. Nesse processo, ele possui a função de dar significado ao texto, como em um jogo de adivinhação. Esse processo de leitura acontece de forma inconsciente pelo aluno, pois não é apresentado pelos professores. Desse modo, é necessário cuidado ao utilizar apenas esse modo de leitura. Isso pois o docente é como um facilitador do aluno no momento da leitura. Portanto, acredita que é o leitor que pode descobrir os significados e os sentidos do texto a partir de seu conhecimento próprio e da sua subjetividade. Essa perspectiva é centrada no leitor. Ele é a fonte dos sentidos, pois a compreensão parte da sua mente. De acordo com Goodman (1989) e Smith (1999), o leitor toma o texto somente para confirmar expectativas e hipóteses. Leitura sociointeracionista: essa perspectiva está relacionada com a psicolinguística, a teoria dos esquemas e a pragmática. Aqui, a leitura ocorre a partir dos dois movimentos anteriores: o ascendente e o descendente. Isso significa que ocorre uma integração entre a informação que o leitor encontra no texto impresso e o seu conhecimento de mundo, suas vivências. É o que se conhece por perspectiva moderna. Fique atento Como você viu, a leitura tradicional se trata de decodificar o texto, porém a moderna pretende que o leitor construa um sentido a partir da leitura. As duas primeiras, ascendente e descendente, podem ser consideradas restritas para a leitura, pois confiam ou só no leitor ou só no texto. Leituras verticais e horizontais As leituras são classificadas de diferentes formas por pesquisadores da área. Aqui, você vai conhecer melhor a proposta de Nascimento (2009), baseada nos tipos de leitor de Santaella (2004). Para os autores, são quatro os tipos de leitura, como você pode ver a seguir. Leitura contemplativa, meditativa: de acordo com o pesquisador (NASCIMENTO, 2009), é a leitura típica do livro. Nela, o leitor se dedica a uma leitura aprofundada, também chamada de vertical. “Esse leitor se debruça, contempla, medita sobre o texto.” (NASCIMENTO, 2009, p. 100). Sobre esse tipo de leitura, Santaella (2004, p. 23) diz que “[...] nasce da relação íntima entre o leitor e o livro, leitura de manuseio, da intimidade, em retiro voluntário, num espaço retirado e privado, que tem na biblioteca seu lugar de recolhimento, pois o espaço da leitura deve ser separado dos lugares de um divertimento mundano.”. Leitura movente, fragmentária: para Nascimento (2009), essa leitura é típica da cidade, do leitor que recebe vários estímulos o tempo todo, como as pessoas que passam na rua, o outdoor, a buzina e o anúncio de carro de som. De acordo com esse autor, “É a leitura da industrialização, da produção em série, de um leitor que descobre que o mundo é muito maior do que ele imaginava, o qual conhece por meio dos jornais, das revistas, das publicidades, da fotografia, do rádio, da televisão, do cinema.” (NASCIMENTO, 2009, p. 101). Para o autor (NASCIMENTO, 2009), esse tipo de leitor fica fascinado com tantos textos aos quais possui acesso e quer lê-los com avidez. Fique atento Na leitura movente, o leitor não consegue contemplar, meditar sobre o texto, pois depende do tempo. Então, ou ele passa pelos textos, ou os textos passam por ele. É uma leitura horizontal. Leitura imersiva, virtual: essa leitura se centra na era digital. Exige que o leitor faça seleções para não se perder na virtualidade. De acordo com Nascimento (2009, p. 105), o leitor imersivo “[...] tem (ou deveria ter) consciência de que o mundo é muito maior do que ele pode abraçar e escolhe, na infinidade de textos a sua disposição (todos a distância de poucos cliques), os textos e caminhos que lhe interessam, que deseja.”. Leitura oral, dialógica: Nascimento (2009) inclui, entre os tipos de leitura anteriores, citados por Santaella (2004), essa quarta classificação, que ele viu evidenciada à leitura contemplativa. “Trata-se de uma leitura coletiva, em que alguém narra (a partir de um registro escrito ou não) aos demais espectadores-leitores.” (NASCIMENTO, 2009, p. 107). De acordo com o pesquisador, nessa leitura, o leitor acaba sendo um coautor. Exemplo disso são as lendas passadas de geração em geração. Saiba mais Para saber mais sobre o processo de leitura, leia o texto “As multifaces da leitura: A construção dos modos de ler” (ALMEIDA, 2008). Estratégias de leitura literal de um texto As leituras literais ou textuais estão relacionadas aos níveis de compreensão de leitura. Esses níveis são três, de acordo com a taxonomia de Barret, apresentada por Alliende e Condemarín (1987): nível de compreensão literal, nível de compreensão interpretativa ou inferencial e nível de compreensão crítico. A compreensão literal se trata da reorganização de ideias, informações ou outros elementos do texto a partir das atividades de classificação, esboço, resumo e síntese. Assim, cada uma dessas atividades possui um objetivo na leitura, como você pode ver a seguir. Classificação: localização de categorias que aparecem no texto, como pessoas, lugares e ações. Esboço: reprodução do texto em forma de esquema; usa frases, representações ou disposições gráficas. Resumo: condensação do texto, que ocorre por meio de frases que narram os elementos ou fatos principais. Síntese: conversão de diversas ideias, fatos ou elementos por meio de amplas formulações. Esse tipo de leitura vai levar você a identificar o gênero do texto, o domínio discursivo, a linguagem usada, o veículo em que é difundido, as informações literais, entre outros aspectos. Observe, a partir do texto a seguir (G1, 2017), como funcionam essas estratégias de leitura. Vingadores: Guerra Infinita bate recorde de trailer mais visto em 24 horas, diz Marvel “O primeiro trailer de Vingadores: Guerra Infinita, lançado na quarta-feira (29), bateu o recorde de trailer mais visto em 24 horas. Foram 230 milhões de reproduções, de acordo com a Marvel, superando a prévia de It – A Coisa, antiga dona da marca com 197 milhões de visualizações. A editora postou uma mensagem de agradecimento aos fãs no Twitter. “Obrigado aos melhores fãs do universo por fazer de Vingadores: Guerra Infinita o trailer mais visto da história em 24 horas, com 230 milhões de visualizações”, disse o perfil da Marvel na rede social. O filme estreia no Brasil no dia 26 de abril de 2018. Vingadores x Thanos Guerra Infinita é o terceiro filme da equipe de super-heróis que conta com CapitãoAmérica (Chris Evans), Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Thor (Chris Hemsworth), entre outros personagens da editora. Dirigido pelos irmãos Anthony e Joe Russo, responsáveis por Capitão América: Guerra Civil, o filme colocará os heróis da Marvel finalmente contra o vilão Thanos (Josh Brolin), que busca destruir o universo com a ajuda das Joias do Infinito. Além de reunir o time mais uma vez, que ainda tem a Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Hulk (Mark Ruffalo), Visão (Paul Bettany), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner, ausente no trailer), Viúva Negra (Scarlett Johansson), Máquina de Guerra (Don Cheadle) e Falcão (Anthony Mackie), o filme contará com outros personagens. Na prévia, é possível ver a participação do Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), do Homem- Aranha (Tom Holland), de Bucky Barnes (Sebastian Stan), do Pantera Negra (Chadwick Boseman), de Loki (Tom Hiddleston) e dos Guardiões da Galáxia”. Agora, que tal refletir sobre o que você acabou de ler? Pelo funcionamento das diferentes estratégias de leitura, é possível compreender os seguintes elementos a respeito do texto: Classificação Pessoas: Anthony e Joe Russo, Benedict Cumberbatch, Tom Holland, Sebastian Stan, Chadwick Boseman, Tom Hiddleston; Lugares: Brasil; Ações: divulgação do primeiro trailer. Esboço Frases: “O primeiro trailer de Vingadores: Guerra Infinita, lançado na quarta-feira (29), bateu o recorde de trailer mais visto em 24 horas”. Resumo O filme Vingadores: Guerra Infinita lançou seu trailer e teve 230 milhões de reproduções em menos de 24 horas e a editora agradeceu aos fãs. No trailer, é possível ver a participação de vários personagens. Contabilidade introdutório. Unidade 1 Conceitos e definições: contabilidade como planejamento e controle Pode-se dizer que a contabilidade existe desde que o homem, pisando a face da terra, principiou a preocupar-se com suas posses: animais, escravos, etc. o homem enriquecia e isso demandava o estabelecimento de técnicas para controlar e preservar seus bens. Aí se inicia a história da contabilidade. A contabilidade é uma ciência social, e como tal, histórica. As transformações sociais obrigam-na a mudanças constantes, pois variáveis externas produzem reflexos nos relatórios contábeis, haja vista o papel da inflação. O profissional de contabilidade exerce importante papel no contexto político empresarial. Informações, controle e outras produções da contabilidade devem ser cada vez mais eficientes para a eficácia dos negócios. A contabilidade existe desde os primórdios da civilização e, durante longo período, foi tida como a arte da escrituração mercantil. Utilizavam-se técnicas específicas que forem se aperfeiçoando e se especializando, sendo alguma delas utilizadas até hoje. Conclui-se que o sistema de custos, embora interagindo com o sistema contábil, constitui uma ciência em separado, o que define a contabilidade como um conjunto de ciências – as ciências contábeis. A contabilidade empírica, praticada pelo homem primitivo, já tinha como objetivo o patrimônio, representado pelos rebanhos e outros bens em seus aspectos quantitativos. Curiosidade A contabilidade surgiu da necessidade de se controlar o patrimônio, pois seria difícil controlar o patrimônio que se constitui no conjunto de bens, direitos e obrigações das empresas se não houvessem registros padronizados sobre todas as mutações ocorridas. Assim sendo, o objetivo da contabilidade é o patrimônio. Campo de aplicação, finalidade e objetivos da contabilidade. Campo de aplicação, finalidade e objetivos. Usuários da informação Campo de aplicação Abrange todas as entidades econômico- administrativas, até mesmo as pessoas de direito público (União, Estados, Municípios). Entidades econômico-administrativas: são organizações que reúnem os seguintes elementos: pessoas, patrimônio, titular, ação administrativa e fim determinado. Quanto ao fim a que se destinam as entidades econômico-administrativas podem ser: Entidades com fins econômicos: são as empresas, visam lucro para preservar e/ou aumentar o patrimônio líquido. Ex.: empresas comerciais, industriais, agrícolas etc. Entidades com fim sócio-econômico: intituladas instituições, visam lucro que reverterá em benefício de seus integrantes. Ex.: associações, clubes sociais etc. Entidades com fins sociais: também chamadas instituições, têm por obrigação atender às necessidades da coletividade a que pertencem. Ex.: hospitais. Fique atento Embora o campo de aplicação da contabilidade seja nas entidades, ela se faz presente na vida cotidiana de todos nós. A Contabilidade Financeira serve na tomada de decisões externas, bancos, acionistas e governo. Finalidade da Contabilidade A finalidade da Contabilidade é gerar informações e avaliações visando prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, que possibilitem: CONTROLE - é o processo pelo qual a alta administração se certifica, na medida do possível, de que a organização esta agindo de conformidade com os planos políticos traçados pelo dono do capital e pela própria alta administração. A informação contábil é útil no processo de controle das seguintes formas: • COMO MEIO DE COMUNICAÇÃO: os relatórios contábeis podem ser de grande auxilio, ao informar a organização a respeito dos planos e políticas da administração. • COMO MEIO DE MOTIVAÇÃO: a não ser que a empresa ou negócio seja do tipo individual, não compete à administração fazer ou executar o serviço. Isto quer dizer que a administração não fabrica e vende pessoalmente o produto. Pelo contrário, a responsabilidade da administração consiste em saber se o trabalho está sendo executado pelos outros. Isto requer, em primeiro lugar, que o pessoal seja contratado e formado na organização e em segundo lugar, que a organização seja motivada de forma que venha a fazer o que a administração quer que se faça. A informação contábil pode auxiliar nesse processo de motivação. Se for utilizada de forma inadequada, pode prejudicar o processo. • COMO MEIO DE VERIFICAÇÃO: periodicamente, a administração necessita avaliar a qualidade dos serviços executados pelos empregados. A apreciação desse resultado pode resultar em acréscimos de salários, promoções e readmissões, ações corretivas mais variadas ou, em casos extremos, demissões. A informação contábil pode auxiliar esse processo de avaliação, embora o desempenho humano não possa ser julgado apenas pela informação contida nos registros contábeis. Características da informação contábil: • Útil - atende às necessidades dos usuários. • Oportuna - está à disposição na época certa. • Clara - é facilmente entendida pelo usuário. • Íntegra - baseia-se em dados confiáveis. • Relevante - aborda diretamente os pontos fundamentais, com transparência. • Flexível - apresenta-se de várias formas e na linguagem do usuário. • Completa - incorpora dados físicos e outros complementares à informação. • Preditiva - fornece indicadores de tendência. PLANEJAMENTO - é o processo de decidir que curso de ação deverá ser tomado para o futuro da organização. A informaçãocontábil, principalmente a partir dos planos orçamentários, é de grande utilidade no planejamento empresarial. Objetividade da contabilidade A Contabilidade é objetivamente um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, em relação à entidade objeto de contabilização. O SISTEMA DE INFORMAÇÃO é um conjunto de dados articulados, técnicas de acumulação de ajustes e edição de relatórios que permite: • Tratar as informações de natureza repetitiva como máximo de relevância e mínimo de custo. • Dar condições para, por meio da utilização de informações primárias, constantes em arquivos básicos, juntamente com técnicas derivantes da própria Contabilidade, fornecer relatórios de exceção para finalidades especificas, em oportunidades definidas. O objetivo principal da contabilidade, portanto, é permitir a cada grupo principal de usuários a avaliação da situação econômica e financeira da entidade, num sentido estático, bem como fazer inferências sobre tendências futuras. Em ambas as avaliações, as demonstrações contábeis constituirão elemento necessário, mas não suficiente. Sob o ponto de vista do usuário externo, quanto mais a utilização das demonstrações contábeis se referir à exploração de tendências futuras, mais tenderá a diminuir o grau de segurança das estimativas envolvidas. Quanto mais a análise se detiver na constatação do passado-presente, mais acrescerá e avolumará a importância da demonstração contábil. Os objetivos da Contabilidade devem ser aderidos, de alguma forma explícita ou implícita, àquilo que o usuário considera importante em seu processo decisório. A verdade da Contabilidade reside em ser instrumento útil para a tomada de decisões pelo usuário tendo em vista a entidade. O usuário Toda pessoa física ou jurídica que tenha interesse na avaliação da situação e do progresso de determinada entidade, seja empresa, finalidades não lucrativas ou mesmo o patrimônio familiar. São, por exemplo, os acionistas de uma empresa que querem saber se ela está dando lucro ou prejuízo. São as instituições financeiras que desejam avaliar o patrimônio da entidade para saber se lhe concedem ou não um empréstimo. São os administradores da entidade, que desejam saber como se comporta o desenvolvimento das atividades da empresa e qual o resultado que está advindo das mesmas. É o fisco, que também se interessa pelo resultado da pessoa jurídica, para lançar os impostos sobre ele incidentes. Usuários internos: 1. Proprietários; 2. Administradores de todos os níveis da entidade. Usuários externos: 1. Acionistas e investidores; 2. Emprestadores em geral (bancos, fornecedores) 3. Entidades governamentais (fisco) 4. Outros. Cada usuário possui um interesse diferenciado nas informações da Contabilidade. A seguir, alguns exemplos. Sócios, Acionistas e Proprietários de Quotas Societárias de Maneira Geral: Essas pessoas, interessadas primariamente na rentabilidade e segurança de seus investimentos, que muitas vezes se mantêm afastadas da direção das empresas, necessitam de informações resumidas que deem respostas claras e concisas a suas perguntas. Exemplo: 1. Qual a taxa de lucratividade proporcionada a seu investimento em ações ou quotas-partes da sociedade? 2. Será que a empresa continua a oferecer, a médio e longo prazo, perspectivas de rentabilidade e segurança para seu investimento? 3. Existe alguma alternativa mais adequada para seus investimentos? Normalmente, relatórios elaborados pela Contabilidade e esclarecimentos prestados pela Administração por ocasião das assembleias ou reuniões de sócios realizadas algum tempo após o encerramento dos exercícios são suficientes para responder tais perguntas. Administradores, Diretores e Executivos dos mais Variados Escalões: O interesse nos dados contábeis dessas pessoas atinge um grau de profundidade e análise, bem como de frequência, muito maior do que para os demais grupos. De fato, são eles os agentes responsáveis pelas tomadas de decisões dentro de cada entidade a que pertencem. Tais decisões visam principalmente ao futuro, mas, para se preparar para agir no futuro, é necessário não apenas conhecer detalhadamente o que aconteceu no passado, como também o que está acontecendo no momento. Note-se que as informações fornecidas pela Contabilidade não se limitam, como julgam muitos, ao Balanço Patrimonial e à Demonstração do Resultado do Exercício. Além dessas demonstrações básicas e finais de um período contábil, a Contabilidade fornece aos administradores um fluxo contínuo de informações sobre os mais variados aspectos da gestão financeira e econômica das empresas. Alguns autores, chegam a distinguir dois grandes ramos ou ênfases pelos quais a Contabilidade pode desempenhar seu papel informativo. A Contabilidade Financeira, cujos relatórios finais básicos são o Balanço Patrimonial, a Demonstração de Resultado do Exercício, a Demonstração de Origem e Aplicação de Recursos, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido e os Fluxos de Caixa, teria maior utilidade ou visaria mais diretamente aos agentes econômicos externos à empresa, assim como os sócios desligados da direção, ao passo que a Contabilidade Gerencial, mais analítica, incluindo em seu campo de atuação também a Contabilidade de Custos, visaria primariamente à administração da empresa. Bancos, Capitalistas, Emprestadores de Recursos: Para estas entidades e pessoas, o interesse está na rentabilidade e segurança de seus investimentos, necessitam de informações resumidas que forneçam respostas claras as suas perguntas. As perguntas são mais ou menos parecidas às formuladas pelos sócios, acionistas e proprietários de quotas societárias de maneira geral, com a diferença de que o interesse destes às vezes vai algo além do puro escopo de retorno, estando associadas também razões sentimentais, profissionais e de pioneirismo em seus investimentos. Quando a empresa opera em prejuízo ou começa a operar ineficientemente, é muito provável que os sócios continuem a investir nela seus capitais na esperança de uma melhoria (isto é um tanto mais verídico à medida que existir maior ligação entre as figuras dos sócios e dos administradores, principalmente nas médias e pequenas empresas), ao passo que os emprestadores de recursos, cuja única finalidade é a rentabilidade e segurança de retorno de seus investimentos, serão os primeiros a abandonar o barco em perigo de naufrágio. Basicamente, todavia, o nível, a quantidade e, principalmente, a qualidade da informação requerida são parecidos, com maior ênfase para os fluxos financeiros, no que se refere aos emprestadores de recursos em geral. Governo e Economistas Governamentais: As repartições e os economistas governamentais têm duplo interesse nas informações contábeis. A INFORMAÇÃO DE NATUREZA ECONÔMICA: deve ser sempre entendida na visão de que a Contabilidade tem do que seja econômico e não, necessariamente, do tratamento que a Economia daria ao mesmo fenômeno. Pode-se afirmar que os fluxos de receitas e despesas (DRE) bem como o capital e patrimônio, em geral, são dimensões econômicas da Contabilidade, uma vez que os fluxos de caixa de capital degiro caracterizam a dimensão financeira A INFORMAÇÃO DE NATUREZA FÍSICA: constitui importante desdobramento na evolução contábil, pois as mais recentes pesquisas sobre evolução de empreendimentos revelam que um bom sistema de informação e avaliação não pode repousar apenas em valores monetários, mas deveria incluir, na medida do possível, mensurações de natureza física, tais como: quantidades geradas de produtos ou serviços, número de depositantes em estabelecimento bancários e outras que melhor possam permitir inferência da evolução do empreendimento por parte do usuário. A INFORMAÇÃO DE NATUREZA DE PRODUTIVIDADE – compreende a utilização mista de conceitos valorativos (financeiros no sentido restrito) e quantitativos (físicos no sentido restrito). Exemplo: receita bruta per capita - depósitos por clientes. AS INFORMAÇÕES DE NATUREZA ECONÔMICA E FINANCEIRA - constituem o núcleo central da Contabilidade. O sistema de informação deveria ser capaz de, com mínimo de custo, suprir as dimensões físicas e de produtividade. Definições e características da situação patrimonial e componentes patrimoniais. Definições e características da situação patrimonial Patrimônio é o conjunto de bens, direitos e obrigações de uma entidade. É por essa razão que o Balanço costuma ser denominado Balanço Patrimonial. Bens São coisas capazes de satisfazer as necessidades humanas e suscetíveis de avaliação econômica. Bens materiais - como o próprio nome diz, possuem corpo, matéria. Por sua vez, dividem-se em; • Bens móveis – os que podem ser removidos do seu lugar. Exemplos: mesas, veículos, maquinas de escrever, dinheiro, mercadorias, etc.; • Bens imóveis – os que não podem ser deslocados do seu lugar natural. Exemplos: casas, terrenos, edifícios, etc. Bens imateriais - são aqueles que, embora considerados bens, não possuem corpo, não tem matéria. São determinados gastos que a empresa faz, os quais, por natureza, devem ser considerados parte de seu patrimônio. Exemplos: benfeitorias em imóveis de terceiros, fundo de comércio e patentes. Direitos Constituem direitos para a empresa todos os valores que ela tem a receber de terceiros (terceiros, no caso, são clientes, fregueses da empresa). Obrigações Constituem obrigações para a empresa todos os valores que ela tiver que pagar para terceiros (terceiros, neste caso, são os fornecedores, isto é, as pessoas que vendem para a empresa). As fontes de recursos podem ser classificadas em duas categorias: Capital próprio – composto dos recursos que são postos à disposição da empresa por seus proprietários e pelos lucros gerados pelo desenvolvimento das atividades das atividades do negócio. Capital de terceiros – composto de empréstimos de numerário e de fornecimento de bens para pagamento a prazo. Aplicações de recursos Os recursos oriundos dos proprietários, das atividades e de terceiros são aplicados em: Bens realizáveis – compostos de mercadorias que serão comercializadas ou insumos que serão consumidos no processo de produção de novos bens no desenvolvimento das atividades. Bens permanentes – compostos de edifícios, máquinas, equipamentos, instalação, móveis, utensílios, veículos e outros bens que serão utilizados no desenvolvimento das atividades; Direitos – compostos de contas a receber decorrentes de vendas a prazo e do empréstimo de recursos a terceiros. Fique atento A contabilidade sempre estará presente, direta ou indiretamente, onde houver patrimônio= riqueza. Unidade 2 Conceitos e características das contas patrimoniais e de resultados As contas patrimoniais representam os bens, as obrigações e o Patrimônio Líquido. Dividem-se em ativas e passivas e são elas que representam o patrimônio da empresa em dado momento no Balanço Patrimonial. Na prática, porém, há dificuldade de se preparar um Balanço após cada operação. Em qualquer empresa, registrar operações que se sucedem a cada instante exige um processo de registro que permita a apresentação instantânea de seus resultados, o que atualmente é muito oneroso. Por outro lado, as pessoas interessadas nos Balanços, como administradores, acionistas, entidades governamentais, etc. contentam-se apenas com os Balanços periódicos que são confeccionados com dado s fornecidos pelos registros das operações. Fique atento! Em geral, as operações ocasionam aumentos e diminuições no ativo, no passivo e no patrimônio líquido. Esses aumentos e diminuições são registrados em contas. As contas podem ser classificadas com vários critérios. Entretanto, aquele que interessa aqui é o que as classifica em dois grupos (teoria patrimonialista): • Contas patrimoniais • Contas de resultado Contas Patrimoniais As contas patrimoniais representam os bens, as obrigações, e o patrimônio líquido. Dividem-se em ativas e passivas e são elas que representam o patrimônio da empresa em dado momento, no Balanço Patrimonial. ATIVO PASSIVO Bens Obrigações Caixa Fornecedores Veículo Duplicata a pagar Direitos Patrimônio Líquido Duplicata a receber Capital social Promissórias a receber Lucros acumulados Contas de resultado As contas de resultado dividem-se em contas de despesas e contas de receitas, aparecem durante a exercício social, encerrando-se no final do mesmo. Não fazem parte do balanço patrimonial, mas permitem apurar o resultado do exercício. As despesas são registradas pela contabilidade a partir das contas de resultado. Como exemplo de contas de despesas, a seguir identifica-se o tipo de despesas: • Despesas água e esgoto • Despesa encargos sociais • Despesa fretes e carretos • Despesas financeiros • Despesa salários • Despesa de alugueis • Descontos concedidos • Impostos incidentes sem vendas • Despesa com energia elétrica • Despesa com prêmio de seguros • Despesa de alimentação • Despesas bancarias • Despesa material de expediente • Despesa material de limpeza • Despesa com comunicação As receitas decorrem da venda de bens e da prestação de serviços. Existe um número menor que as despesas, sendo as mais comuns pelas seguintes contas: • Receitas de vendas • Receita de aluguéis • Receitas financeiras • Descontos obtidos Estruturação de um plano de contas, agrupamento de contas do Balanço Patrimonial e de Resultado, livros fiscais e contábeis: obrigatórios e auxiliares Estruturação de um plano de contas A elaboração de um bom plano de contas é fundamental no sentido de se utilizar todo o potencial da contabilidade em seu valor informativo para os inúmeros usuários, cada empresa deverá elaborar seu plano de contas mediante as suas peculiaridades de operação, necessidades internas, transações e contas específicas. Agrupamento de contas do balanço patrimonial e de resultado Ativo circulante – no ativo circulante estão registrados os bens e direitos com realização inferior a 360 dias da data do balanço, ou seja, que serão realizados no exercício social, seguinte. Caixa, bancos, conta movimento, aplicaçõesfinanceiras, clientes, estoques, etc. Ativo não circulante – estão registrados os bens e direitos com realização superior a 360 dias da data do balanço, ou seja, que serão realizados após o exercício social seguinte. Realizável a longo prazo – são classificáveis no realizável a longo prazo contas da mesma natureza do ativo circulante que, todavia, tenham sua realização, certa ou provável, após o término do exercício seguinte, o que normalmente significa realização num prazo superior a um ano a partir do próprio balanço. Créditos de coligadas e controladas, impostos a recuperar, investimentos temporários, despesas antecipadas, etc. Investimentos – as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa. Participações em empresas controladas e investimentos com incentivos fiscais. Imobilizado – os direitos que tenham por objetos bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa. São incluídos neste grupo todos os bens de permanência duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e dos seus empreendimentos. Bens tangíveis - que têm corpo físico, tais como terreno, obra civis, máquinas, móveis, veículos, etc. Bens intangíveis – cujo valor reside não em qualquer propriedade que são legalmente conferidos aos seus possuidores, tais como patentes, direitos autorais, marcas, etc. Depreciação – com exceção de terrenos e de alguns outros itens, os elementos que integram o ativo imobilizado têm um período limitado de vida útil econômica. Dessa forma, o custo de tais ativos deve ser alocado aos exercícios beneficiados pelo seu uso no decorrer de sua vida útil econômica. Taxas de depreciação – edifícios 4% 3m 25 anos – maquinas e equipamentos 10% em 10 anos – instalações 10% em 10 anos – móveis e utensílios 10% em 10 anos – veículos 20% em 5 anos – sistema de processamento de dados 20% em 5 anos. Exemplos de cálculo: Custo corrigido do bem – R$ 6.000.00 Vida útil – 5 anos (60 meses) Depreciação – 6.000,00/60 = R$100,00 ao mês Passivo circulante – estão registadas as obrigações com exigibilidade inferior a 360 dias, ou seja, cuja liquidação se espera que ocorra dentro do exercício social seguinte. Fornecedores, impostos a pagar, salários a pagar etc. Passivo não circulante – estão registradas as obrigações com exibilidade superior a 360 dias, ou seja, cuja liquidação se espera ocorra após o exercício social seguinte. Exigível a longo prazo – estão registradas as obrigações com exigibilidade superior a 360 dias, ou seja, que serão pagas ou após o exercício social seguinte. Imposto de renda deferido, financiamentos, etc. Patrimônio liquido O patrimônio líquido e o valor contábil pertencente aos acionistas e sócios. No balanço patrimonial, é a diferença entre o valor dos ativos e dos passivos. Capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, prejuízos acumulados. Contas de resultados Demonstração do resultado do exercício – a demonstração do resultado do exercício é a apresentação, em forma resumida, das operações realizadas pela empresa, durante o exercício social, demostradas de forma a destacar o resultado líquido do período. Na determinação do resultado do exercício, serão computados: As receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente de sua realização em moeda; Os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Curiosidades Essas conceituações da lei representam basicamente o princípio da competência, que também aparece desmembrado na forma de dois outros princípios: Princípio da realização da receita princípio do conforto das despesas. Faturamento bruto, deduções da receita bruta, custos dos produtos vendidos e dos serviços prestados, despesas e receitas operacionais, despesas e receitas não- operacionais, imposto de renda e contribuição social. Livros fiscais e contábeis, obrigatórios e auxiliares Todos os acontecimentos que ocorrem diariamente na empresa, responsáveis pela sua gestão, são registrados em livros próprios, nos quais fica configurado sua própria vida. Os livros de escrituração têm várias finalidades. Uns servem para registrar as compras, outros para registrar as vendas, controlar os estoques, os lucros ou prejuízos fiscais. Há livros onde são registrados os empregados e outros em que se registram Atas da Assembleia. Enfim, podemos dividir os livros em três grupos: livros fiscais, livros contábeis e livros sociais. Esquema Básico de Escrituração Contábil Equação fundamental da contabilidade A contabilidade é uma ciência que estuda e interpreta a situação econômica, financeira e patrimonial das empresas mediante os fatos ocorridos na empresa. O objeto de estudo da contabilidade é o patrimônio da empresa. Escrituração é uma técnica que consiste em registar nos livros todos os fatos contábeis que ocorrem na empresa. Esses livros são o livro-diário, o livro-razão, o livro- -caixa, entre outros. Os fatos contábeis são os acontecimentos que provocam variações nos valores patrimoniais na empresa, sendo contabilizado em contas patrimoniais e contas de resultados. Os fatos contábeis classificam-se em: Variação/fatos qualitativo ou permutativo: consiste em qualificar os componentes do patrimônio. Não alteram o patrimônio líquido, ocorrendo apenas trocas entre os elementos do patrimônio. Variação/fatos quantitativos ou modificativos: consiste em atribuir valor aos componentes do patrimônio. Alteram o patrimônio líquido, aumentando ou diminuindo as despesas. Variação/fatos mistos: combina fatos permutativos e modificativos. A equação básica do patrimônio, também conhecida por equação fundamental do patrimônio, é a que evidencia o patrimônio em situação normal, sendo expressa da seguinte maneira: Patrimônio Líquido = Ativo – Passivo A equação também pode ser demonstrada da seguinte maneira: Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido Por essa equação, é possível identificar a situação líquida da entidade. Existem três tipos de situações líquidas: positiva, negativa e nula. A situação líquida positiva é quando o ativo (bens e direitos) tem um valor superior ao passivo (obrigações) (ativo > passivo = situação líquida positiva). A situação líquida negativa é quando o ativo (bens e direitos) tem um valor inferior ao passivo (obrigações) (ativo < passivo = situação líquida negativa). A situação líquida nula é quando o ativo (bens e direitos) tem o mesmo valor do passivo (obrigações) (ativo = passivo = situação líquida nula). Fique atento Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (art. 10 do Decreto-Lei nº. 486, de 1969, e § 1º do art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 — RIR/99). A legalização de novoslivros ou fichas só será providenciada depois de observada as citadas formalidades (BALAMINUT, 2018, documento on-line). Escrituração contábil Escrituração é uma técnica contábil que consiste em registrar nos livros próprios (diário, razão ou caixa) todos os fatos contábeis que ocorreram na empresa e que modifiquem sua situação patrimonial, seja ela qualitativa ou quantitativa. Segundo estabelece o art. 1.179 do Código Civil brasileiro (Lei nº. 10.406/2002), todas as empresas (sejam elas caracterizadas como empresário, antiga empresa individual, ou como sociedade empresária limitada ou sociedade anônima) estão obrigadas a seguir um sistema de contabilidade com base na escrituração uniforme de seus livros, tendo suas movimentações comprovadas com documentos válidos e fidedignos (RIBEIRO, 2013b). Os lançamentos contábeis são efetuados pelo método das partidas dobradas, que consiste em não lançamento a débito sem que haja um crédito de igual valor. Lançamento é o meio pelo qual se processa a escrituração e registra os fatos contábeis, também chamados por alguns autores de fatos administrativos, sendo comprovado mediante documentos que comprovem a legitimidade da operação (notas fiscais ou contratos) (RIBEIRO, 2013b). Livros contábeis Os principais livros utilizados pela contabilidade são o diário e o razão. A elaboração desses dois livros é obrigatória. Porém, a contabilidade também utiliza livros auxiliares para suportar a escrituração do diário e do razão, como o livro-caixa, o contas-correntes, o contas a receber e o contas a pagar. Existem livros que são utilizados como auxiliares do diário e do razão, como ocorre com o livro de registro de entradas, registro de saídas e registro de inventários (RIBEIRO, 2013b). O livro diário é um livro obrigatório, no qual serão lançados, com individualização, clareza e indicação do documento comprobatório, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todos os fatos contábeis que ocorreram na empresa. O uso do livro- diário está previsto na legislação civil, no art. 1.180 do Código Civil brasileiro (Lei nº. 10.406/2002), na legislação comercial, no art. 5º do Decreto-Lei nº. 486/1969, e na legislação tributária, no art. 258 do RIR/1999. O livro-diário deve ser encadernado com folhas numeradas sequencial e tipograficamente e apresentado em idioma e moeda corrente nacional (RIBEIRO, 2013b). O Decreto-Lei nº. 486, de 3 de março de 1969, que trata sobre escrituração e livro mercantis, determina, em seu art. 2º, que a escrituração deverá ser completa, em idioma e moeda corrente nacional, em forma mercantil, com individuação e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco nem entrelinhas, itens borrados, rasuras, emendas e transportes para as margens. Seu art. 5º complementa que a utilização e a elaboração do livro-diário é obrigatória. Ele deve ser encadernado, com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados seus fatos contábeis dia a dia, contendo termos de abertura e de fechamento e ser registrado nas Juntas Comerciais do estado da empresa (PASA, 2001). É um livro contábil obrigatório, exigido pela Lei nº. 10.406/2002, que, no seu art. 1.180, acrescenta que o livro-diário pode ser substituído por fichas, caso sua escrituração seja mecanizada ou eletrônica, porém, não dispensa o uso de livro para o lançamento do balanço patrimonial e do resultado econômico. O art. 1.183 da mesma Lei define que a escrituração que consta no livro- -diário deverá ser “feita em idioma e moeda corrente nacionais e em forma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as margens”. Porém, no parágrafo único, permite o uso de código de números ou de abreviaturas, que constem de livro próprio, desde que esteja regularmente autenticado. Deve conter no lançamento o histórico, ou seja, a sua identificação e o número do documento que o embasa (PASA, 2001). Os lançamentos no livro-diário devem ser feitos de forma clara e objetiva e obrigatoriamente devem conter os seguintes itens: (a) a data e o local do lançamento da operação realizada; (b) a conta devedora do lançamento; (c) a conta credora do lançamento; (d) o histórico do lançamento da operação realizada; e (e) o valor do lançamento da operação realizada. O Quadro 1 apresenta um modelo de lançamento do livro-diário. QUADRO 1 No livro-diário deve-se incluir, ainda, conforme os arts. 1.184 e 1.1185 da Lei nº. 10.406/2002, o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ser assinados pelo responsável pela contabilidade e pelo empresário responsável pela sociedade. Ainda sobre o livro-diário, o § 4º do art. 258 do RIR/99 determina que os livros ou fichas do diário: [...] deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (PASA, 2001). Pasa (2001) complementa que o Decreto nº. 64.567, de 22 de maio de 1969, que regulamentou o Decreto-Lei nº. 486/69 determinou também: a) a individualização da escrituração compreende a consignação expressa, no lançamento, das características principais dos documentos ou papéis que deram à própria escrituração, como a identificação do número da nota fiscal; b) só poderão ser usados em lançamentos, processos e reprodução que não prejudiquem a clareza e a nitidez da escrituração, sem rasuras e emendas; c) os livros deverão conter, respectivamente, na primeira e na última página, numeradas, os termos de abertura e de encerramento, respectivamente; os termos devem ser datados, devem identificar o número do livro e devem ser assinados por administrador e contador habilitado. Já o livro-razão, diferentemente do livro- diário, é definido no art. 259 do RIR/99, que prevê que a escrituração contida no livro-razão deverá ser realizada de maneira individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações, ou seja, será mantido neste livro o controle por conta patrimonial. O § 3º do mesmo artigo dispensa de autenticação o livro-razão. Ou seja, o livro razão apresentará os registros contábeis por ordem cronológica das ocorrências de cada conta. É um livro de grande utilidade para a contabilidade, porque nele é registrado o movimento individualizado por conta. A escrituração do livro-razão passou a ser pré-requisito obrigatório a partir de 1991 (art. 14 da Lei nº. 8.218, de 29 de agosto de 1991) para empresas optantes pelo lucro real como forma de tributação (RIBEIRO, 2013a). No Quadro 2, é apresentado um modelo de lançamentos no livro-razão. QUADRO 2 O livro contas-correntes é utilizado para controlar a movimentação das contas que representam direitos e obrigações (muitas empresas separam esse livro em dois livros separados: o livro de contas a receber para os direitos e o livro de contas a pagar para as obrigações). Já no livro-caixa são registrados fatos contábeis que envolvam entradas e saídas de dinheiro (RIBEIRO, 2013b). Saiba mais O projeto SA Escrituração Contábil Digital (ECD) parte integrante do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) — criado pelo Governo Federal — tem como objetivo:[...] a substituição da escrituração em papel pela escrituração transmitida via arquivo, ou seja, corresponde à obrigação de transmitir, em versão digital, os seguintes livros: I - Livro Diário e seus auxiliares, se houver; II - Livro Razão e seus auxiliares, se houver; III - Livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento comprobatórias dos assentamentos neles transcritos. Segundo o art. 3º da Instrução Normativa RFB nº. 1.420/2013b, estão obrigadas a adotar a ECD, em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014: I - as pessoas jurídicas sujeitas à tributação do Imposto sobre a Renda com base no lucro real; II - as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido, que distribuírem, a título de lucros, sem incidência do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), parcela dos lucros ou dividendos superior ao valor da base de cálculo do Imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita; e III - As pessoas jurídicas imunes e isentas que, em relação aos fatos ocorridos no ano calendário, tenham sido obrigadas à apresentação da Escrituração Fiscal Digital das Contribuições, nos termos da Instrução Normativa RFB nº. 1.252, de 1º de março de 2012. IV – As Sociedades em Conta de Participação (SCP), como livros auxiliares do sócio ostensivo. § 1º Fica facultada a entrega da ECD às demais pessoas jurídicas. § 2º As declarações relativas a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) exigidas das pessoas jurídicas que tenham apresentado a ECD, em relação ao mesmo período, serão simplificadas, com vistas a eliminar eventuais redundâncias de informação. § 3º A obrigatoriedade a que se refere este artigo e o art. 3º-A não se aplica: I - às pessoas jurídicas optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), de que trata a Lei Complementar nº. 123, de 14 de dezembro de 2006; II - aos órgãos públicos, às autarquias e às fundações públicas; e III - às pessoas jurídicas inativas de que trata a Instrução Normativa RFB nº. 1.536, de 22 de dezembro de 2014. § 4º Em relação aos fatos contábeis ocorridos no ano de 2013b, ficam obrigadas a adotar a ECD as sociedades empresárias sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real. § 5º As pessoas jurídicas do segmento de construção civil dispensadas de apresentar a Escrituração Fiscal Digital (EFD) e obrigadas a escriturar o livro Registro de Inventário, devem apresentá-lo na ECD, como um livro auxiliar. § 6º A obrigatoriedade prevista nos incisos III e IV do caput aplica-se em relação aos fatos contábeis ocorridos até 31 de dezembro de 2015. Segundo o art. 3º-A da Instrução Normativa RFB nº. 1.420/2015, estão obrigadas a adotar a ECD, em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2016: I - as pessoas jurídicas imunes e isentas obrigadas a manter escrituração contábil, nos termos da alínea c do § 2º do art. 12 e do § 3º do art. 15, ambos da Lei nº. 9.532, de 10 de dezembro de 1997, que no ano-calendário, ou proporcional ao período a que se refere: a) apurarem Contribuição para o PIS/Pasep, Cofins, Contribuição Previdenciária incidente sobre a Receita de que tratam os arts. 7º a 9º da Lei nº. 12.546, de 14 de dezembro de 2011, e a Contribuição incidente sobre a Folha de Salários, cuja soma seja superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais); ou b) auferirem receitas, doações, incentivos, subvenções, contribuições, auxílios, convênios e ingressos assemelhados, cuja soma seja superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). II - as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido que não se utilizem da prerrogativa prevista no parágrafo único do art. 45 da Lei nº. 8.981, de 1995. Parágrafo Único. As Sociedades em Conta de Participação (SCP), enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a II do caput do art. 3º e do caput do art. 3º-A devem apresentar a ECD como livros próprios ou livros auxiliares do sócio ostensivo. O prazo de entrega foi fixado pelo art. 5º da Instrução Normativa RFB nº. 1.420/2013b, reproduzido abaixo: Art. 5º A ECD será transmitida anualmente ao Sped até o último dia útil do mês de maio do ano seguinte ao ano-calendário a que se refira a escrituração. § 1º Nos casos de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação, a ECD deverá ser entregue pelas pessoas jurídicas extintas, cindidas, fusionadas, incorporadas e incorporadoras até o último dia útil do mês subsequente ao do evento. § 2º O prazo para entrega da ECD será encerrado às 23h59min59s (vinte e três horas, cinquenta e nove minutos e cinquenta e nove segundos), horário de Brasília, do dia fixado para entrega da escrituração. § 3º A obrigatoriedade de entrega da ECD, na forma prevista no § 1º, não se aplica à incorporadora, nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o ano-calendário anterior ao do evento. § 4º Nos casos de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação, ocorridos de janeiro a abril do ano da entrega da ECD para situações normais, o prazo de que trata o § 1º será até o último dia útil do mês de maio do referido ano. § 5º Nos casos de extinção, cisão parcial, cisão total, fusão ou incorporação, ocorridos de janeiro a dezembro de 2014, o prazo de que trata o § 1º será até o último dia útil do mês de junho de 2015 (BRASIL, c2019, documento on-line). Definição de patrimônio O patrimônio é definido como o conjunto de bens (têm valor econômico, podendo ser tangível ou intangível, por exemplo, imóveis e marcas), direitos (são valores a receber que a empresa tem, por exemplo, cartão de crédito e vendas a prazo) e obrigações (são valores a pagar que a empresa tem, por exemplo, salários e compras a prazo). Bens são os elementos materiais e imateriais ou nominais à disposição de uma entidade, que concorrem para que a empresa alcance seus objetivos. Eles são capazes de satisfazer as necessidades humanas e suscetíveis de avaliação econômica. Sob o ponto de vista contábil, pode-se definir bem tudo aquilo que a empresa tem, seja para uso, troca ou consumo. Bens de usos são móveis e utensílios e máquinas de produção. Bens de consumo são matérias-primas e material de embalagem. Já bens de troca são mercadorias para revenda (RIBEIRO, 2013a). Os bens podem ser classificados de acordo com suas características físicas. A primeira classificação dos bens é em relação à definição, se têm ou não corpo. Essa classificação é dividida em bens tangíveis e bens intangíveis. Os bens tangíveis são aqueles que têm corpo, matéria. Por sua vez, dividem-se em: 1. bens móveis são os que podem ser removidos do lugar (como mesas e veículos); 2. bens imóveis são os que não podem ser deslocados do seu lugar natural (como casa, terreno e edifício). Os bens intangíveis são aqueles que, embora considerados bens, não têm corpo, como fundo de comércio, direitos autorais e marcas e patentes (RIBEIRO, 2013a). Os direitos constituem todos os valores que a empresa tem a receber de terceiros (clientes e impostos a recuperar). Esses direitos geralmente aparecem com os nomes dos elementos seguidos da expressão a receber. São exemplos dedireitos as duplicatas a receber, os aluguéis a receber e as notas promissórias a receber (RIBEIRO, 2013a). Por fim, as obrigações constituem obrigações para a empresa todos os valores que ela tiver a pagar para terceiros (fornecedores). Essas obrigações geralmente aparecem com os nomes dos elementos seguidos da expressão a pagar. São exemplos de obrigações aluguéis a pagar, energia elétrica a pagar, fornecedores a pagar e salários a pagar (RIBEIRO, 2013a). Outro conceito do patrimônio que é importante conhecer é o conceito de capital. Sendo assim o patrimônio é o conjunto de recursos ou potenciais recursos que estão ligados à posse de uma rede durável de relações. Sob o ponto de vista econômico, capital é todo o bem capaz de produzir riquezas, renda ou utilidades, isto é, representa bens capazes de produzir outros bens, como caixa e banco (recursos financeiros disponíveis), estoques (mercadorias que serão vendias para geração de recursos), imobilizados (bens utilizado para a execução da atividade da empresa) e duplicadas a receber (promessas de recebimento de vendas efetuadas) (CHAGAS, 2014). Sob o ponto de vista contábil, o capital é o investimento inicial feito pelo proprietário ou pelos sócios de uma empresa, sendo registrado em uma conta denominada capital social. O capital pode ser próprio, que são valores próprios da empresa (capital social, lucros), ou de terceiros, que são valores que a empresa deve a terceiros (fornecedores) (PADOVEZE, 2017). Contas patrimoniais e contas de resultado As contas patrimoniais representam os bens, os direitos, as obrigações e o patrimônio líquido. Dividem-se em ativas e passivas e são elas que representam o patrimônio da empresa num dado momento, mediante o balanço patrimonial. São exemplos de contas patrimoniais: bens (caixa e veículos), direitos (duplicatas a receber e promissórias a receber), obrigações (fornecedores e duplicatas a pagar) e patrimônio líquido (capital social e reservas) (RIBEIRO, 2013b). Já as contas de resultado dividem-se em contas de despesas e contas de receitas. Elas são utilizadas durante o exercício social, encerrando-se (zerando- -as) ao final de tal exercício. Não fazem parte do balanço patrimonial, mas é por meio delas que a empresa apura seu resultado. Existem dois tipos de contas de resultado: despesas e receitas. As contas de despesas decorrem do consumo de bens e da utilização de serviços. Por exemplo: a energia elétrica consumida, os materiais de limpeza consumidos (sabões, desinfetantes, vassouras e detergentes), o café consumido, os materiais de expediente consumidos (canetas, papéis, cartuchos de tintas para impressoras, impressos e outros), etc. Já as receitas decorrem da venda de bens e da prestação de serviços. Existem em número menor do que as despesas, sendo as mais comuns representadas pelas seguintes contas: aluguéis ativos, descontos obtidos, juros ativos, receitas de serviços e vendas de mercadorias (RIBEIRO, 2013b). Enquanto as contas patrimoniais são apresentadas no balanço patrimonial, as contas de resultado são apresentadas na demonstração do resultado do exercício e, ao final do exercício, o saldo das contas de resultado são transferidos para o balanço patrimonial, sendo classificados no patrimônio líquido, como apresentado na Figura 1. FIGURA 1 Como observado na Figura 1 anterior, ao final do exercício, o resultado obtido nele (lucro ou prejuízo) deverá ser transferido para o patrimônio líquido. Essa operação chama-se apuração do resultado do exercício. Fundamentos da administração. Unidade 1 Conceito de empresa atividade empresária e não empresária O conceito de empresa A empresa pode ser definida como uma atividade econômica que tem o propósito de fazer a produção e incentivar a circulação de bens e serviços para o mercado. Ela tem à frente a figura de um empresário, que tem a empresa como profissão. Depois da globalização, observa- se que a empresa perdeu as características que limitavam suas fronteiras e seu nacionalismo (DINIZ, 2011). A empresa é uma das forças mais poderosas da atualidade, unindo pessoas que trabalham para um mesmo empresário ou sociedade empresária, mas que exercem suas atividades dos mais diversos pontos do mundo. Fique atento A globalização foi um processo, ocorrido no final do século XX, que permitiu o relacionamento internacional estimulado pela redução dos custos de transporte e comunicação entre os países. Isso facilitou a disseminação do conhecimento, o comércio e as transações financeiras, bem como a migração e a movimentação de pessoas. A globalização afeta vários setores da sociedade, em intensidades diferentes, dependendo do nível de desenvolvimento dos países envolvidos. Um dos principais impactos causados pela globalização, na área da comunicação, foi a disseminação da internet, que foi possível por meio de acordos firmados entre entidades privadas de telecomunicações e governos ao redor do mundo. O advento da internet permitiu a troca de informações entre a população de todo o planeta. Com relação à qualidade de vida das pessoas, a globalização permitiu facilitar o acesso a avanços tecnológicos, novos medicamentos, novas metodologias cirúrgicas, novos tipos de alimentos, etc. O mercado de trabalho também se modificou com a globalização, pois as pessoas podem ter empregos fora do seu país de origem de forma facilitada, e os produtos e serviços produzidos podem ser distribuídos para vários países. Uma empresa é uma unidade econômica, formada por elementos humanos, materiais e técnicos, que trabalham para um objetivo comum. Esse objetivo é obter lucro por meio da participação no mercado produtor de bens e serviços. Nesse sentido, os requisitos para que uma empresa exista são a natureza da sua atividade, o capital para que ela funcione, o trabalho de pessoas em prol de um objetivo comum e, certamente, o risco que todo empresário assume quando produz bens ou serviços. Fique atento A gestão empresarial é uma ciência social. Ela se dedica ao estudo da organização das empresas. Assim, analisa a forma como é feita a gestão de seus recursos, sejam eles humanos ou materiais, e seus processos, bem como os resultados obtidos por meio das atividades executadas por todos. Saiba mais O advogado italiano Alberto Asquini participou da guerra da Líbia após sua formatura, em Pádua, em 1912, e depois foi capitão na Segunda Guerra Mundial. Teve uma longa vida acadêmica, sendo professor de Direito em diversas universidades, como as de Sassari, Messina, Trieste, Pávia, Pádua e Sapienza, de Roma. Foi membro da comissão da reforma do Código Comercial e do Código Civil italianos. Além disso, contribuiu de forma relevante para a ciência jurídica com as suas teorias. Para Maria Helena Diniz (2011, p. 13), doutrinadora da área do Direito, o conceito de empresa é o seguinte: [...] é uma instituição jurídica despersonalizada, caracterizada pela atividade econômica organizada ou unitariamente estruturada, destinada à produção ou circulação de bens ou de serviços para o mercado ou à intermediação deles no circuito econômico, colocando em funcionamento o estabelecimento a que se vincula, por meio do empresário individual ou societário, entre personalizado, que a representa no mundo negocial. As empresas podem serclassificadas por diversos critérios (SERVIÇO..., 2017; INSTITUTO..., 2017; BANCO..., 2017), como você pode ver a seguir. Pelo seu setor de atuação, as empresas podem ser: empresa de setor primário — são as empresas que trabalham com a exploração dos recursos da natureza, que são a agricultura, a mineração, a pecuária, o extrativismo vegetal e a pesca; empresa de setor secundário — são as empresas que trabalham transformando a matéria-prima, normalmente produzida pelas empresas do setor primário, em produtos industrializados como roupas, máquinas, eletrônicos, construções, alimentos industrializados, automóveis, etc.; empresa de setor terciário — são as empresas que trabalham com prestação de serviços, que são produtos não materiais que satisfazem às necessidades de pessoas ou outras empresas. Como exemplo, você pode considerar o comércio, a educação, a saúde, o turismo, os transportes e os serviços de limpeza. Pela sua forma jurídica, as empresas podem ser: sociedade simples — é o tipo de empresa que realiza atividade intelectual ou presta serviços unindo profissionais da mesma área, como advogados, médicos, engenheiros, arquitetos, contadores; sociedade limitada — é o tipo de empresa formada por um número conhecido de sócios, que possuem cotas da empresa. A responsabilidade de cada um é conhecida e limitada ao valor investido na empresa, mas, apesar disso, todos eles respondem de forma solidária pelo capital social integral; sociedade cooperativa — é o tipo de empresa formada por um número ilimitado de pessoas, com o objetivo de prestar um serviço à sociedade. O seu controle é democrático, e cada cooperado tem direito a voto. Pode ser formada por profissionais que desejam melhorar suas condições de trabalho, ou mesmo por pessoas em desvantagem no mercado de trabalho, como os empregados domésticos, os recicladores de lixo, entre outros; microempreendedor individual (MEI) — é o tipo de empresa em que a pessoa trabalha sozinha, por conta própria, de forma regularizada. O MEI não pode ser sócio ou titular de outra empresa, e só pode ter um empregado contratado, desde que ele receba somente o salário mínimo ou o piso da categoria; sociedade anônima de capital aberto — é o tipo de empresa na qual o capital social é formado por ações que são negociadas na bolsa de valores. Normalmente é uma empresa grande que objetiva grandes retornos financeiros com as operações de compra e venda de ações; sociedade anônima de capital fechado — é o tipo de empresa que não pode ter suas ações negociadas na bolsa de valores, pois é de menor porte e possui restrição na aceitação de novos sócios. Pelo seu porte, as empresas podem ser: microempresa, pequena empresa, média empresa e grande empresa. Não existe um consenso para a definição desses tipos de empresas. O que existem são critérios, estipulados por lei específica ou órgãos ligados ao Governo Federal, que auxiliam na definição das empresas pelo seu porte, levando em conta seu faturamento anual ou sua quantidade de funcionários. É importante você notar que são as microempresas e as pequenas empresas que predominam na economia brasileira, cada uma com suas características próprias. Elas são muito importantes para o sistema econômico, principalmente por gerarem emprego e formarem especialistas para atuar, mais tarde, no mercado de trabalho. A empresa não é considerada um sujeito de direitos. Logo, quem exerce os direitos e contrai as obrigações em nome da empresa é o empresário, não a própria organização. A empresa é a atividade que o empresário executa. Em outras palavras, a empresa não pode ser confundida com quem exerce a atividade empresária, que pode ser o empresário individual ou a sociedade empresária. Uma das principais características da empresa é o seu fim econômico, ou seja, a empresa visa à obtenção de lucros por meio da atividade exercida pelo empresário. Não se pode confundir o empresário, que é o sujeito da empresa, com o estabelecimento empresarial, que é o objeto. Uma empresa é uma entidade que tem como obrigação principal a de apresentar lucro. Tal lucro deve ser suficiente para permitir que a empresa arque com o atendimento de suas despesas e com todas as suas necessidades, bem como deve permitir a expansão do negócio. Atividade empresarial e atividade não empresarial Tanto a atividade empresarial quanto a atividade não empresarial têm o lucro como um de seus objetivos, portanto não se pode identificar se uma entidade é uma empresa ou não apenas a observando sob esse aspecto. É necessário analisar a forma de exploração da atividade (SIMÃO FILHO; MEDEIROS NETO, 2015). Há algum tempo, o vocábulo “comerciante” vem caindo em desuso, dando espaço para a expressão “atividade empresarial”. Essa expressão, além de designar o trabalho com o comércio, ainda se refere à atividade da indústria. A atividade empresarial é traduzida em atividades que são coordenadas entre si, com uma finalidade em comum. O tipo de atividade prestada é que vai definir se a atividade empresária se refere à indústria ou ao comércio. A atividade empresarial é uma atividade profissional exercida com o objetivo de ser habitual e gerar lucro. Além disso, ela envolve uma atividade econômica, que requer recursos tecnológicos, humanos e materiais em prol da circulação ou da produção de bens e serviços. FIGURA 1 Fique atento Existem algumas pessoas que não podem exercer atividade empresarial, pois estão impedidas pela legislação. São elas: os servidores públicos no exercício da atividade pública; os militares na ativa; os magistrados e os membros do Ministério Público; o leiloeiro; os diplomatas estrangeiros; os estrangeiros não residentes no País; a pessoa física com débitos no INSS; a pessoa física com condenação que vede a atividade empresária. Conforme o art. 973 do Código Civil brasileiro, a pessoa que estiver impedida pela lei de exercer atividade empresária e assim o fizer vai responder pelas obrigações que tiver contraído. Já a atividade não empresarial é aquela em que os empresários, ou sócios da sociedade empresária, apesar de visarem ao lucro com a sua atividade, não possuem uma meta de produção ou de vendas para atingir em determinado período de tempo. Na atividade não empresarial, existem tipicamente serviços prestados com qualidade por um profissional liberal, mas não necessariamente a venda deles. O Código Civil brasileiro define quem é empresário e quem não é empresário, ou seja, quem são os titulares de atividades empresárias e não empresárias: LIVRO II Do Direito de Empresa TÍTULO I Do Empresário CAPÍTULO I Da Caracterização e da Inscrição Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa (BRASIL, 2002, documento on-line). FIGURA 2 Todos os profissionais que trabalham com atividades não empresárias têm como elemento principal a qualidade do serviço prestado nas profissões nas quais são especializados, visando ao lucro.Esses profissionais podem ser autônomos, quando trabalham sozinhos, ou sócios de sociedade empresária, mas sempre profissionais liberais, como o médico, o advogado, o contador, o engenheiro, o arquiteto, o escritor, o artista, entre outros (PASSARELI, 2010). Note que, para todas as profissões citadas, não há como estipular uma meta de produção para a atividade desempenhada. Não é possível estipular, para um médico, uma meta de atender uma quantidade definida de pacientes por mês. É praticamente impossível exigir que um artista pinte um quadro em um dia de serviço, ou ainda é inconcebível exigir de um advogado uma quantidade certa de causas ganhas em um mês de trabalho. Fique atento O fato de alguns profissionais praticarem atos isolados não caracteriza o seu trabalho como atividade empresarial, nem o indivíduo como empresário. Isso pois há a necessidade de a atividade empresária ser realizada de maneira contínua para ser considerada como tal. É importante ressaltar que o elemento que caracteriza se uma atividade é empresária ou não empresária é tão somente a forma de exploração da atividade de quem trabalha, ou seja, a produção. Quando se juntam trabalhadores dentro de uma fábrica, uma indústria, uma concessionária de veículos, eles precisam trabalhar para que sua produção atinja metas predefinidas, visando à obtenção de lucro. Já em um escritório de advocacia, de arquitetura, de contabilidade, de engenharia, em um consultório médico ou em um atelier de um artista plástico, todos os trabalhadores vão estar envolvidos em prestar suas atividades oferecendo qualidade para os clientes, visando também à obtenção de lucro. O lucro é requerido para a manutenção e a expansão do negócio. Os diferentes tipos de sociedades decorrentes das atividades empresária e não empresária Os tipos de sociedade existentes são diferentes devido à maneira como elas exercem a sua atividade econômica. Quando a sociedade é empresária, é porque a atividade econômica é organizada e tem finalidade de empresa. Já quando a sociedade é não empresária, a sua atividade é exercida pelos sócios (CUNHA, 2014). A sociedade empresária é aquela formada por um ou mais sócios, que têm como objetivo uma atividade econômica organizada, voltada para a circulação ou a produção de bens ou serviços. Ou seja, ela está diretamente relacionada à produção, ao atingimento de metas comuns. O fato de ela envolver uma atividade econômica organizada indica que não são os seus sócios que vão produzir os bens ou serviços diretamente, e sim a própria empresa. É por esse motivo que existem muitos tipos diferentes de sociedades empresárias. Já a sociedade não empresária, ou sociedade simples, como é chamada pela legislação, é aquela em que se juntam dois ou mais indivíduos com o propósito de prestar serviços. Na sociedade não empresária, os sócios exercem as profissões nas quais são especializados, ou prestam serviços de natureza pessoal. Esse é o caso da sociedade formada por médicos, dentistas, contadores, arquitetos, engenheiros, escritores, que se juntam para prestar serviços de qualidade, de acordo com sua formação pessoal. Fique atento O termo “simples”, utilizado para caracterizar as sociedades não empresárias, pode não ser o mais adequado. Isso porque ele passa uma ideia de que a constituição de uma sociedade formada por esse tipo de profissional será sempre menor, terá uma estrutura de pessoal pequena, e isso não se aplica como regra. É interessante que, ao constituir uma sociedade, seja analisada a vontade dos profissionais que serão sócios, levando em conta que qualquer tipo de sociedade deseja obter lucro: se a intenção dos profissionais for desenvolver uma atividade econômica voltada à prestação de serviços, para concorrer com outros estabelecimentos no mercado e trabalhar em prol do atingimento de metas comuns, essa sociedade deverá ser empresária, e não simples (SIMÃO FILHO; MEDEIROS NETO, 2015). O Código Civil brasileiro estabelece, nos seus arts. 981 e 982, o que são as sociedades. Além disso, também conceitua a sociedade empresária e a simples: TÍTULO II Da Sociedade CAPÍTULO ÚNICO Disposições Gerais Art. 981 Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringir-se à realização de um ou mais negócios determinados (BRASIL, 2018, art. 981). Art. 982 Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa (BRASIL, 2002, documento on-line). De maneira resumida, todos os comerciantes, todos os prestadores de serviços e todos os produtores que atuarem de maneira habitual no mercado e decidirem constituir uma sociedade estarão constituindo uma sociedade empresarial. Por outro lado, quando profissionais decidirem se juntar para prestar serviço de qualidade aos seus clientes, estará caracterizada uma sociedade não empresária. A legislação estabelece ainda formas diferentes de registro para as sociedades empresárias e para as sociedades simples, dependendo do seu formato (civil ou empresarial) e da sua constituição. As sociedades empresárias deverão ser registradas na junta comercial. Já as sociedades simples, em que figura a atividade pessoal dos sócios, devem ser registradas como simples junto ao registro civil de pessoas jurídicas (SIMÃO FILHO; MEDEIROS NETO, 2015). É fundamental que o tipo de sociedade venha caracterizado de forma expressa no contrato social (como empresária ou simples). Assim, o registro pode ser feito de maneira adequada no órgão correto, a fim de que a sociedade adquira personalidade jurídica. Exemplo É importante você notar que, caso um grupo de médicos se una para formar uma sociedade criando um hospital ou uma clínica médica, o seu registro deverá ser feito como uma sociedade empresária, e não como uma sociedade não empresária, como seria o óbvio. Nesse caso, deve ser levado em consideração o fato de que toda sociedade, quando passa a ter o propósito único de auferir ganhos, passa também a ter um caráter empresarial, de organização. Nesse sentido, os clientes passarão a contratar a clínica ou o hospital, e não diretamente o médico, e o seu serviço passará a figurar como o de qualquer outro trabalhador do estabelecimento. A sociedade não empresária, então, diz respeito basicamente às parcerias que são formadas por profissionais prestadores de serviços, para que eles mesmos exerçam suas atividades. São atividades que envolvem claramente o lado intelectual do indivíduo do profissional, a cooperação. No entanto, na sociedade empresária o valor entregue ao cliente é um produto ou serviço produzido pela empresa, e não diretamente pelos seus sócios. Existem vários tipos de sociedade empresária e vários formatos que as empresas podem ter, como você já viu (PASSARELI, 2010). A seguir, você pode verificar mais alguns detalhes relativos a cada um dos tipos. Microempreendedor individual: aplica-se quando o empreendedor quertrabalhar sozinho, pois não admite sócios. Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI): é interessante para o empreendedor que não quer ter sócios, mas envolve algumas exigências, como o fato de uma pessoa física só poder ter uma EIRELI e dever ter um capital social de pelo menos cem vezes o valor do salário mínimo vigente no Brasil. Sociedade limitada: é um dos tipos de sociedade mais utilizados, quando há mais de um sócio. É mais flexível com relação às exigências e possui um custo reduzido. Uma das suas vantagens é que é possível optar pela tributação pelo Simples Nacional, muitas vezes mais favorável para a longevidade do negócio. Sociedade anônima: é indicada para as empresas que já possuem uma estrutura mais consolidada no mercado, mas que desejam captar investimentos. A constituição da sociedade envolve os tipos societários possíveis. Basicamente, os tipos de sociedades empresárias são: sociedade em nome coletivo; sociedade limitada; sociedade em comandita simples; sociedade por ações. E as sociedades simples podem ser, tipicamente: sociedade simples pura; sociedade em nome coletivo; sociedade limitada; sociedade em comandita simples; cooperativa. Como você viu, uma sociedade empresária pode se diferenciar de uma sociedade não empresária pela maneira como a atividade econômica é exercida. Na primeira, ela é exercida pela empresa; na segunda, pelos sócios. Além disso, há diferença com relação ao órgão em que deve ser feito o registro da sociedade. Outra distinção muito importante diz respeito à falência. A sociedade empresária pode entrar em processo de falência, sendo que, nesse caso, o empreendedor tem a opção de abrir mão da sua recuperação. No entanto, a sociedade simples não pode sofrer falência, ou seja, os sócios não podem abrir mão da sua recuperação. Introdução a administração Conceito e princípios da administração Ao longo de toda a história, o ser humano vem buscando os melhores resultados em suas ações a fim de atender às suas necessidades. Quando aprendeu a unir esforços, juntar pessoas, trocar ideias e experiências e trabalhar em conjunto, o homem inventou a organização: forma estruturada de trabalhar, criar, projetar, produzir e distribuir bens e serviços. Dessa forma, o mundo contemporâneo é um mundo de organizações. Tudo o que a sociedade necessita para viver é inventado, projetado, desenvolvido, produzido e comercializado por organizações. Você pode considerar que as organizações são formadas por grupos de pessoas que se juntam para alcançar objetivos comuns, atuando de modo estruturado. Afinal, de forma isolada não conseguiriam atingir esses objetivos, dada a complexidade e a variedade de tarefas envolvidas no trabalho (MORGAN, 2002). As organizações são agrupamentos humanos construídos e reconstruídos com a intenção de atingir determinados objetivos, ou seja, são unidades sociais que podem ser reestruturadas e redefinidas à medida que os objetivos são alcançados, ou que surgem melhores meios de atingi- los com menor custo, tempo e esforço. Dessa forma, a organização é uma unidade inacabada, uma vez que está sujeita a mudanças contínuas (CHIAVENATO, 2014). Se as organizações crescem, o número de pessoas que atuam nelas também aumenta, provocando aumento no número de relações entre elas e complexificando o cenário. Você deve notar que um dos principais objetivos das organizações é produzir algo de que a sociedade necessita. Quando a sociedade aceita aquilo que é produzido para satisfazer suas necessidades, a organização assume uma função social. Você já pensou em quantas pessoas dependem das organizações para sobreviver? Quantas dependem do salário que recebem para manter a sua família? Todos os seres humanos dependem delas, não é? A história das organizações compreende seis fases, como você pode ver na Figura 1. FIGURA 1 Atualmente, as organizações funcionam em ambientes diferentes e cercadas por fatores econômicos, políticos, sociais, legais, tecnológicos, culturais e demográficos que imprimem a elas maior complexidade. Esses fatores são dinâmicos e mudam o tempo todo, trazendo certa instabilidade ao ambiente, que influencia e é influenciado pelas organizações. Contudo, você deve notar que as organizações não são autônomas ou autossuficientes, ou seja, elas precisam ser administradas para sobreviver, crescer e ser bem-sucedidas. É por meio da administração que as organizações são ajustadas e conduzidas para o alcance dos resultados pretendidos. Dessa forma, administração e organizações andam de mãos dadas e não existem isoladas umas das outras (MAXIMIANO, 2012; CHIAVENATO, 2014). A palavra “administração” tem origem latina. O prefixo ad significa “direção para”, “tendência para”; e minister é um comparativo de inferioridade cujo sufixo ter significa subordinação ou obediência. Ou seja, administração é a função desenvolvida sob o controle de outro; é um serviço prestado a outro. No entanto, para entender o significado do termo, é necessário ir além da interpretação da palavra, compreendendo o papel da administração nas organizações e na sociedade. Você já pensou em como a administração afeta a sua vida? Já parou para pensar que exerce funções de administração em seu dia a dia, fora das organizações? A administração foi a responsável pelo desenvolvimento econômico e tecnológico no mundo, mostrando como inovações, tecnologias e ferramentas podem ser utilizadas e transformadas em resultados. Não é à toa que a administração é considerada uma das mais importantes áreas da atividade humana. Ela lida com toda a complexidade que envolve as organizações, com mudanças e com o incerto cenário contemporâneo. Seu papel principal é fazer com que “as coisas aconteçam” por meio das pessoas, da combinação e da integração de vários recursos. Sem ela, as organizações não conseguiriam atingir seus objetivos (CHIAVENATO, 2014). Assim, a administração pode ser vista como uma ciência, uma técnica e uma arte. Ciência porque possui princípios bem definidos e tem por base conhecimentos científicos; técnica porque produz ferramentas para a obtenção de resultados; e arte porque, além de o administrador lidar com situações concretas, necessita lidar também com situações incertas e inesperadas. Entre essas situações estão conflitos entre as pessoas, recursos escassos, insatisfação dos funcionários e outros fatores internos e externos. Dessa forma, a administração tem como missão compreender e interpretar os objetivos estabelecidos pela organização. Ela deve realizar ações que permitam o alcance dessas metas. Isso se dá por meio de planejamento, organização, direção e controle dos esforços gerados nos diversos âmbitos da organização (SILVA, 2013). Você sabia que a administração, apesar de existir desde o início dos tempos, sofreu forte impulso no século XX, influenciando o mundo todo? Nessa época, a complexidade crescente das organizações exigia a adoção de novos conhecimentos que as ajudassem a compreender os problemas administrativos que surgiam. Dessa perspectiva, todas as teorias administrativas elaboradasnesse período foram bem-sucedidas, pois apresentaram soluções específicas para tais problemas. A administração começou a ser estruturada em meados do século XIX. Inicialmente, surgiram os estudos de Frederick Taylor, que criou um modelo de administração baseado na aplicação de métodos científicos para a resolução dos problemas. Além dele, se destaca Henry Fayol, que idealizou a teoria clássica da administração. Mais tarde, surgiram vários estudos que elaboraram teorias da administração. Você pode considerar que esse é um conjunto de conhecimentos organizados e produzidos por meio da observação e da análise crítica das práticas das organizações. Esses estudos se valem de afirmações e regras estruturadas para explicar a realidade e ajudar as organizações a se adaptarem às mudanças contínuas, necessárias à sua sobrevivência (MAXIMIANO, 2012). Saiba mais As teorias da administração mais importantes e que contribuíram para o desenvolvimento das organizações são: teoria clássica da administração; teoria da burocracia; teoria das relações humanas; teoria comportamental; teoria estruturalista; teoria dos sistemas; teoria neoclássica da administração; teoria comportamental; e teoria da contingência (SCHULTZ, 2016). Os conhecimentos práticos gerados desde que as organizações existem vêm contribuindo para a criação de acervos teóricos e empíricos e sendo refinados ao longo dos tempos. Tanto que algumas teorias, além de gerarem novos conhecimentos, mantiveram os princípios de outras teorias, aperfeiçoando-os com novas ideias. Um exemplo disso é a versão modernizada dos princípios da administração científica de Taylor apresentada por Chiavenato (2014): princípio do planejamento — substitui a improvisação por métodos científicos; princípio do preparo — visa à seleção do melhor trabalhador para cada tarefa, ensinando-o e treinando-o para produzir mais e melhor; e ao preparo de máquinas e equipamentos de produção, o que inclui arranjo físico, ferramentas e materiais adequados; princípio da execução — visa a delegar atribuições e responsabilidades de forma precisa para disciplinar a execução do trabalho; princípio do controle — controla a execução do trabalho; princípio da exceção — determina que apenas as ocorrências fora do padrão devem chamar a atenção do gerente para que sejam corrigidas. Fayol, por sua vez, apresentou 14 princípios gerais da administração. Entre eles, você pode considerar os seguintes (MAXIMIANO, 2012): princípio da divisão do trabalho — marcado pela especialização necessária para a eficiência na utilização das pessoas e pela determinação de tarefas específicas a cada um dos órgãos que compõem a estrutura da organização; princípio da autoridade e da responsabilidade — a autoridade e o poder são consequência da posição ocupada pela pessoa, da mesma forma que o direito de dar ordens e ser obedecido; a responsabilidade é consequência natural da autoridade; princípio da unidade de comando — é o princípio da autoridade única, ou seja, cada pessoa deve receber ordens de apenas um chefe; princípio da hierarquia ou cadeia escalar — a autoridade deve seguir uma hierarquia, de forma que um nível esteja sempre subordinado a outro; princípio da departamentalização — marcado pela divisão do trabalho, que leva à especialização e à diferenciação de tarefas e órgãos, ou seja, é a heterogeneidade e a fragmentação do trabalho; princípio da coordenação — todos os esforços da organização são distribuídos visando ao objetivo comum. Ao conjunto integrado de teorias que tratam do estudo da administração e das organizações, deu-se o nome de teoria geral da administração (TGA). Saiba mais A TGA atravessou diversas fases distintas e que se sobrepõem: ênfase nas tarefas; ênfase na estrutura; ênfase nas pessoas; ênfase na tecnologia; ênfase no ambiente; e ênfase na competitividade (MAXIMIANO, 2012). Agora é interessante que você se questione o seguinte: será que todas as teorias administrativas podem ser aplicadas às situações atuais? Se você respondeu que sim, acertou! Todas as organizações possuem um ou mais aspectos de uma ou várias teorias da administração. Esses aspectos podem ser as normas e regulamentos que orientam sua operação, a hierarquia, a divisão do trabalho, etc. Assim, cabe aos administradores escolher os modelos ou estilos de gestão mais adequados a cada situação ou a cada problema a ser solucionado. Por isso, é fundamental que possuam conhecimento sobre as teorias administrativas para que tenham, entre as alternativas disponíveis para cada situação, condições de decidir adequadamente, agregando novos valores aos seus conhecimentos (SOBRAL; PECI, 2013). Além dos conhecimentos técnicos e científicos, é importante que os administradores desenvolvam habilidades que lhes permitam lidar com a complexidade do mundo organizacional contemporâneo. Esse mundo é marcado não apenas por tarefas programadas e padronizadas, mas também pela imprevisibilidade de problemas administrativos, conflitos na equipe, pressão, cobrança de prazos, reuniões, interrupções, etc., aspectos que interferem na atuação dos gestores (MOTTA, 2001). Fique atento Todas as pessoas que administram qualquer conjunto de recursos, que tomam decisões e levam a sua equipe a desempenhar seu papel na busca pelos objetivos organizacionais são chamadas de administradores, gerentes ou gestores (MAXIMIANO, 2011). No cenário atual, é cada vez mais necessário que os gestores desenvolvam novas habilidades gerenciais com o intuito de complementar os conhecimentos e habilidades já existentes. Afinal, as formas clássicas de gestão — rígidas, precisas e com base em experiências passadas — já não atendem às novas demandas e necessidades das organizações modernas (MOTTA, 2001). Fique atento São habilidades básicas para um gestor (KATZ, 1955 apud SOBRAL; PECI, 2013): habilidade técnica (conhecimento sobre métodos e equipamentos necessários para a realização das atividades organizacionais); habilidade humana (capacidade de compreender as pessoas e suas necessidades, interesses e atitudes; de entender, liderar e trabalhar com pessoas); habilidade conceitual (capacidade de compreender e lidar com a complexidade da organização como um todo, utilizando a inteligência na formulação de estratégias, além de planejamento, raciocínio e criatividade). Além das habilidades, são exigidas dos gestores algumas competências, que são fundamentadas nas próprias habilidades. Você sabia que uma das habilidades mais valorizadas nas organizações é a capacidade de se relacionar com as pessoas? Você possui essa habilidade? Veja as competências essenciais do administrador, segundo Chiavenato (2014), na Figura 2. FIGURA 2 Funções da administração A administração possui várias definições. Fayol a define como um processo dinâmico, constituído pelas funções interligadas de prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. Ao longo do tempo, as funções de comando e coordenação foram substituídas pela função de direção. Para alcançar os objetivos estabelecidos pelas organizações, os administradores executam cada uma dessas funções, que, apesar de serem diferentes, estão relacionadas e são interdependentes, como você pode ver na Figura 3. FIGURA 3 O planejamentoé a primeira função do processo administrativo, uma vez que serve de base para as demais funções. Nesse contexto, planejar significa definir os objetivos a serem perseguidos pela organização e decidir com antecedência quais ações serão executadas para o seu atingimento. Ou seja, é no planejamento que as estratégias que vão orientar o trabalho dos administradores são definidas e os planos de ação são desenvolvidos, visando à coordenação das atividades necessárias à consecução dos objetivos. Portanto, o planejamento é a função administrativa que determina antecipadamente o que será feito, quais objetivos deverão ser alcançados e como isso se dará, com o mínimo de esforço e o menor custo (SOBRAL; PECI, 2013). Você já percebeu que o planejamento também faz parte do seu dia a dia? O que você faz quando decide preparar um jantar para os amigos? E quando resolve fazer uma viagem? Você planeja! São atividades de planejamento: verificação e análise da situação atual; definição de objetivos; desenvolvimento de premissas sobre as condições futuras; determinação de estratégias organizacionais; estabelecimento dos recursos necessários para atingir os objetivos; implementação dos planos de ação necessários ao alcance dos objetivos. Agora considere essas atividades aplicadas à preparação do seu jantar ou da sua viagem. Percebeu que o planejamento é fundamental para que ambos os eventos aconteçam sem imprevistos e com sucesso? Veja, na Figura 4, as premissas básicas do planejamento. FIGURA 4 Outro ponto importante é que o planejamento é elaborado de forma diferente em cada nível organizacional, ou seja, existe uma hierarquia de planos (BATEMAN; SNELL, 1998). Veja a seguir. Planejamento estratégico: é aquele que se dá no nível institucional, ou seja, no nível mais alto da organização, correspondente ao plano maior, ao qual os demais planos estão subordinados. Possui como característica a projeção para o longo prazo (acima de dois anos) que envolve toda a organização e é voltada ao alcance dos objetivos globais. Planejamento tático: é aquele elaborado no nível intermediário da organização, ou seja, em cada unidade organizacional, e que é subordinado ao planejamento estratégico. Tem como característica a projeção para o médio prazo (até um ano), envolve cada departamento ou unidade da organização, abrangendo recursos específicos, e é voltado para a coordenação e as atividades internas, visando a atingir os objetivos departamentais. Planejamento operacional: é aquele que se dá nos setores em que as ações acontecem e que se refere a cada atividade ou tarefa específica. Possui como característica a projeção para curto prazo (imediato, semanal ou mensal). Além disso, envolve cada tarefa isoladamente e tem a preocupação de alcançar metas específicas. Veja, na Figura 5, os níveis da organização e o planejamento estratégico correspondente. FIGURA 5 A organização é a segunda função administrativa. É a responsável pela distribuição de tarefas e dos recursos entre os membros organizacionais. Ela coloca em prática tudo aquilo que foi planejado na função anterior, organizando, estruturando e integrando todos os recursos e órgãos, bem como a direção e o controle da ação organizacional (SOBRAL; PECI, 2013; SILVA, 2013). Se você parar para pensar, vai notar que também executa essa função ao preparar o jantar com os amigos ou a sua viagem. A organização envolve quatro componentes: tarefas — devem ser realizadas de acordo com a divisão do trabalho e as funções organizacionais; pessoas — são designadas para a ocupação de cargos, considerando habilidades, aptidões, interesses, experiências e comportamento; órgãos — representam divisões, departamentos, setores ou unidades dispostos em uma estrutura, assim como níveis hierárquicos; relações — são importantes entre órgãos e pessoas da organização e também com os stakeholders (clientes, fornecedores, acionistas, entre outros). Organizar, no processo administrativo, consiste em reunir e coordenar os recursos humanos, financeiros, físicos, de informação e outros necessários para atingir os objetivos organizacionais. A divisão do trabalho, o agrupamento de atividades em uma estrutura lógica, a distribuição de pessoas para a execução do trabalho, a alocação de recursos necessários e a coordenação dos esforços são algumas das atividades da função organização (SOBRAL; PECI, 2013; CHIAVENATO, 2014). É importante você notar que essa função se desdobra nos seguintes níveis organizacionais: Nível global — abrange a organização em sua totalidade; é tratado no nível institucional; pode assumir diversos tipos e refere-se ao desenho organizacional (compreende a estrutura da organização, o formato organizacional e os processos de comportamento). Nível departamental — abrange cada departamento ou unidade da organização; é tratado no nível intermediário; pode assumir diversos tipos e refere-se ao desenho departamental (compreende o agrupamento de unidades em subsistemas com departamentos e divisões). Nível das tarefas e operações — diz respeito a cada tarefa executada; é tratado no nível operacional; refere-se ao desenho dos cargos (modelagem do trabalho, estrutura das posições e das atividades em cada cargo) e das tarefas que juntos utilizam as tecnologias e originam produtos e serviços. Veja a representação da função organização nos níveis organizacionais na Figura 6. FIGURA 6 A direção é a terceira função administrativa e diz respeito a garantir o funcionamento da organização por meio das pessoas. Ou seja, após a definição do planejamento e da configuração da organização, é hora de iniciar o trabalho. Para isso, as pessoas são fundamentais. Assim, é preciso que sejam contratadas, ajustadas aos seus cargos, treinadas, avaliadas e recompensadas. Além disso, precisam ser estimuladas e orientadas sobre como devem desempenhar suas funções e sobre o que se espera delas para que os objetivos sejam atingidos. Dessa forma, a direção é a função administrativa referente à gestão de pessoas na organização. São atividades dessa função: liderar, motivar e coordenar os trabalhadores para desenvolverem suas atividades visando ao alcance dos objetivos organizacionais; comunicar, gerir conflitos, reconhecer e recompensar. Essa é uma função que exige mais ação do que planejamento e organização. O gestor tem como responsabilidade proporcionar um ambiente adequado e propício para o desenvolvimento de um trabalho de qualidade, de modo que os trabalhadores se sintam satisfeitos (SOBRAL; PECI, 2013; SILVA, 2013). Você também pode executar ações de direção em seu trabalho, pois, mesmo que não seja oficialmente um gestor, pode ser um líder e motivar seus colegas. Além disso, pode executar essa função em sua família, resolvendo conflitos entre seus irmãos ou irmãs, por exemplo. Veja, no Quadro 1, a abrangência da direção na organização. QUADRO 1 A função de controle está diretamente relacionada com as outras funções do processo administrativo, ou seja, com o planejamento, a organização e a direção. Apesar de ser menos envolvente que as demais funções, é uma parte de todas elas, pois consiste no monitoramento e na avaliação do desempenho da organização, comparando-o aos objetivos planejados e corrigindo os desvios que podem ocorrer.Você pode considerar que nenhum plano está totalmente acabado se não houver meios de avaliar seus resultados e consequências. São funções do controle no processo administrativo: definir medidas de desempenho; verificar e monitorar o desempenho; compará-lo com os padrões e objetivos determinados; e estabelecer medidas corretivas garantindo o alcance dos objetivos. Veja, no Quadro 2, a representação da função controle nos níveis da organização. QUADRO 2 A finalidade do controle é garantir que os resultados das estratégias, das políticas e diretrizes (estabelecidas no nível institucional), dos planos táticos (elaborados no nível intermediário) e dos planos operacionais (elaborados no nível operacional) estejam perfeitamente ajustados aos objetivos previamente traçados. Os três níveis de controle estão interligados e relacionados, ou seja, na prática, não há uma separação clara entre eles (SOBRAL; PECI, 2013). Você ainda deve notar que as funções administrativas atuam como parâmetros fundamentais para o sucesso de uma organização. Sem essas funções, provavelmente as organizações estariam condenadas à desordem e ao insucesso. No entanto, cabe reforçar a importância do administrador e de suas habilidades para que essas funções sejam exercidas adequadamente, facilitando a obtenção dos resultados esperados. Será que as funções administrativas sofrem variação dependendo do nível hierárquico ocupado pelo administrador? A resposta é sim. Veja tal variação na Figura 7. FIGURA 7 Eficiência e eficácia As mudanças no ambiente são dinâmicas. Por isso, as organizações necessitam reajustar, realocar e reestruturar continuamente suas competências e recursos de acordo com os seus objetivos. O atual cenário, marcado por rápidas e constantes transformações, exerce pressão sobre as organizações. Assim, elas têm de se antecipar às mudanças, aproveitar as oportunidades que surgem, bem como reagir e responder com flexibilidade às ameaças e pressões ambientais. Nesse contexto, a estratégia é o principal meio para que a organização consiga responder a mudanças (SOBRAL; PECI, 2013). São muitas as definições do termo “estratégia” e muitos os autores que se referem a ela, o que dificulta um consenso. Veja a seguir como alguns autores a definem. • Estratégia é a definição dos objetivos básicos de longo prazo de uma organização, a adoção das ações e recursos adequados para atingir esses objetivos (CHANDLER, 1962). • Estratégia é um conjunto de regras referentes à tomada de decisão em condições de desconhecimento parcial, em que as decisões estratégicas referem-se à relação entre a organização e o ambiente que a cerca (ANSOFF, 1965). • Estratégia refere-se à relação entre a organização e o meio em que está inserida: relação atual (situação estratégica) e relação futura (plano estratégico) (KATZ, 1970). • Estratégia refere-se às ações ofensivas ou defensivas que criam uma posição de defesa na indústria para que ela obtenha sucesso frente às forças competitivas e atinja maior retorno sobre o investimento (PORTER, 1980). • Estratégia é uma força mediadora entre a organização e o seu meio envolvente. É um padrão no processo de tomada de decisões organizacionais para enfrentar seu meio envolvente (MINTZBERG, 1988). Saiba mais O plano estratégico é o conjunto de objetivos e ações a serem executados pela organização para atingir seus objetivos (KATZ, 1970). A estratégia representa aquilo que a organização deseja fazer; o negócio que pretende realizar; o rumo que deseja seguir. O ponto central da administração da estratégia é a preparação para o futuro. Ou seja, a estratégia tem por finalidade orientar a organização em relação ao futuro, no sentido de guiá-la de forma consciente e sistemática para alcançar seus objetivos, tendo por base análises de suas condições e capacidades, bem como do ambiente que a cerca. A administração da estratégia é tratada no nível institucional, responsável por analisar, desenvolver e modificar os processos internos e externos da organização para torná-la eficiente e eficaz em condições de incerteza, de constantes mudanças. É a administração estratégica que formula e implementa a estratégia organizacional, buscando o alcance dos objetivos da organização. Ou seja, a estratégia é elaborada no mais alto nível da organização. Assim como a estratégia, a administração também possui muitos conceitos, mas, de forma mais ampla, pode ser definida como um processo de coordenação do trabalho e de alocação de recursos organizacionais que visa ao alcance de objetivos estabelecidos, de forma eficaz e eficiente. Nessa definição, há quatro elementos que se destacam (SOBRAL; PECI, 2013), como você pode ver a seguir. Processo: é uma forma sistemática de fazer alguma coisa. A administração é um processo, pois é formada por um conjunto de atividades e tarefas relacionadas a fim de atingir determinados objetivos. Coordenação: a administração consiste na coordenação do trabalho e dos diversos recursos organizacionais para garantir que todas as partes interdependentes funcionem de forma alinhada e coerente com os processos e objetivos da organização. Eficiência: é a capacidade de realizar as atividades organizacionais com o mínimo de recursos. Eficácia: é a capacidade de realizar as atividades organizacionais para atingir os objetivos estabelecidos. Eficiência e eficácia são termos muito utilizados na administração para demonstrar o desempenho em relação ao objetivo alcançado. Eficácia diz respeito ao alcance de resultados, enquanto eficiência refere-se à utilização de recursos. Na dimensão econômica, a eficácia é a capacidade de as organizações satisfazerem as necessidades da sociedade produzindo bens e serviços. Já a eficiência está relacionada aos custos e benefícios da relação técnica entre entradas (insumos) e saídas (produtos ou serviços). Dessa forma, quando se quer verificar a relação entre os recursos aplicados e o produto final obtido, a razão entre o esforço e o resultado, entre a despesa e a receita, se utiliza o conceito de eficiência (SILVA, 2013). Quanto mais o administrador se preocupa em fazer corretamente as coisas, mais perto de ser eficiente ele está, ou seja, melhor utiliza os recursos disponíveis. No entanto, quando usa ferramentas fornecidas por quem executa para avaliar se os resultados estão sendo alcançados, ou seja, se as coisas bem feitas são as que realmente deveriam ser feitas, ele está focado no conceito de eficácia, que é alcançar resultados por meio dos recursos disponíveis (SORAL; PECI, 2013). Dessa forma, você pode considerar que (SILVA, 2013): eficiência é a capacidade de realizar as atividades organizacionais utilizando o mínimo de recursos. Nesse contexto, quanto maior a produtividade, mais eficiente será a organização. Ou seja, a preocupação aqui é com a otimização dos recursos utilizados para atingir os objetivos, economizando recursos sem prejudicar a produtividade e a qualidade dos produtos e serviços prestados; eficácia é a capacidade de realizar os objetivos propostos pela organização. Implica escolher os objetivos certos e atingi-los, ou seja, a preocupação é com os fins. A eficácia é a chave para o sucesso das organizações. Veja, na Figura 8, a diferença entre eficiência e eficácia.FIGURA 8 Os conceitos de eficiência e eficácia são muito utilizados na administração contemporânea, no entanto muitas pessoas ainda os confundem. Apesar de se complementarem, no contexto administrativo, possuem significados diferentes. Para Maximiano (2012), a eficiência realiza as tarefas de modo inteligente, com o mínimo de esforço e o melhor aproveitamento possível dos recursos. Já a eficácia é o conceito de desempenho relacionado aos objetivos e resultados. Veja as diferenças entre eficiência e eficácia, segundo Chiavenato (2011), no Quadro 3. QUADRO 3 Você já parou para pensar que, dependendo do modo como as organizações são administradas, elas podem se tornar eficientes e eficazes, ou ineficientes e ineficazes? Ou seja, nem sempre eficiência e eficácia andam juntas. Uma organização pode ser eficiente em suas atividades e não ser eficaz ou vice- versa. O ideal é que a organização seja igualmente eficiente e eficaz (MAXIMIANO, 2011; CHIAVENATO, 2014). Dessa forma, a eficiência se preocupa em fazer corretamente as coisas e da melhor forma possível, o que explica a ênfase nos métodos e procedimentos internos. A eficácia, por sua vez, tem a preocupação em fazer as coisas corretas visando a atender às necessidades da organização e do ambiente em que ela se insere. Então, enquanto a eficiência está concentrada nas operações e tem sua atenção voltada aos aspectos internos da organização, a eficácia se concentra no alcance dos objetivos, com sua atenção voltada aos aspectos externos (BATEMAN; SNELL, 1998). Assim, o administrador precisa estar atento às tarefas para alcançar a eficiência e aos objetivos e resultados para alcançar a eficácia. E você, consegue ser eficiente e eficaz em seu trabalho e em sua vida pessoal? Definições e conceitos de gestão AS FUNÇÕES DA GESTÃO Gestão é o processo de trabalhar com pessoas e recursos para atingir metas organizacionais. Os bons gestores fazem isso de maneira eficaz e eficiente: • Ser eficaz significa atingir metas organizacionais. • Ser eficiente é atingir metas com o mínimo desperdício de recursos, ou seja, fazer o melhor uso possível do dinheiro, do tempo, dos materiais e das pessoas. Alguns gestores fracassam segundo os dois critérios, ou concentram -se em um em detrimento do outro. Os melhores gestores mantêm um foco claro sobre a eficácia e a eficiência. Essas definições existem há muito tempo. Mas, como sabemos, o mundo dos negócios está mudando radical- mente. A verdadeira questão está no que fazer. Embora o contexto geral e os aspectos específicos dos negócios estejam mudando, ainda há muitos princípios atemporais que fazem com que sejam grandiosos os maiores gestores e empresas. Embora novas ideias e abordagens sejam mais necessárias do que nunca, muito do que já se aprendeu sobre as práticas bem -sucedidas de gestão permanece relevante, útil e adaptável – associado a novas maneiras de pensar – no ambiente empresarial do século XXI. No atual mundo dos negócios, os grandes executivos não apenas se adaptam às mudanças das condições, mas também aplicam – fanática, rigorosa, coerente e disciplinadamente – os princípios fundamentais da gestão. Esses fundamentos abrangem as quatro funções tradicionais da gestão: planejamento, organização, liderança e controle. Essas funções permanecem tão relevantes quanto sempre o foram e ainda fornecem os fundamentos necessários tanto em empresas iniciantes quanto em corporações estabeleci- das. Mas evoluíram em sua forma. O planejamento nos põe a caminho da realização de valor Planejamento é especificar as metas a serem atingidas e decidir antecipadamente as medidas necessárias para atingi -las. As atividades de planejamento abrangem analisar a conjuntura, projetar o futuro, determinar objetivos, decidir os tipos de atividade a que a empresa irá se dedicar, escolher estratégias corporativas e de negócios, e determinar os recursos necessários para atingir as metas da empresa. Os planos preparam o terreno para a ação e para grandes realizações. No novo ambiente empresarial, a função de planeja- mento é mais dinamicamente descrita como fornecimento de valor estratégico. Valor é um conceito complexo.53 Essencialmente, descreve a quantia monetária associada a quão bem um emprego, uma tarefa, um bem, ou um serviço atente as necessidades de seus usuários. Estes podem ser os donos de empresas, clientes, funcionários, a sociedade e até mesmo nações. Quanto melhor entendermos essas necessidades (em termos de qualidade, velocidade, eficiência etc.), mais valor iremos fornecer. Esse valor é “estratégico” quando contribui para a realização das metas da empresa. No nível pessoal, devemos periodicamente perguntar a nós mesmos e a nossos chefes: “Como posso agregar valor?”. Responder a esta pergunta irá aprimorar suas contribuições, seu desempenho profissional e sua carreira. Antigamente, o planejamento era uma abordagem descendente segundo a qual os executivos estabeleciam planos de negócios e mandavam que outros os implementassem. Atualmente e no futuro, o fornecimento de valor estratégico é e será um processo contínuo no qual as pessoas de toda a empresa usam e usarão seus cérebros e os de seus clientes, fornecedores e outros interessados para identificar oportunidades de criar, conquistar, reforçar e sustentar a vantagem competitiva. Esse processo dinâmico gira em torno do objetivo de criar cada vez mais valor para o cliente. A criação eficaz de valor exige levar plenamente em consideração um novo e mutável conjunto de interessados e questões que abrangem o governo, o meio ambiente, a globalização e a economia dinâmica nas quais as ideias mandam e os empreendedores são, ao mesmo tempo, concorrentes formidáveis e colaboradores em potencial. Iremos tratar desses e outros assuntos correlatos nos Capítulos 3 (Ética e Responsabilidade Corporativa), 4 (Planejamento Estratégico) e 5 (Empreendedorismo). A organização reúne os recursos dos quais precisamos Organizar é reunir e coordenar os recursos humanos, financeiros, físicos, informacionais e outros necessários para atingir metas. Suas atividades abrangem atrair pessoas para a empresa, especificar as responsabilidades dos cargos, agrupar funções em unidades de trabalho, levantar e alocar recursos, e estabelecer as condições necessárias para que as pessoas e as máquinas trabalhem juntas para obter o máximo de sucesso. A meta da função de organização é construir uma empresa dinâmica. Antigamente, organizar envolvia a criação de um organograma por meio da identificação de funções de negócio, o estabelecimento de relações hierárquicas e a criação de um departamento pessoal que administrasse planos, programas e documentos. Atualmente e no futuro, os gestores eficazes usam e usarão novas formas de organização e encaram e encararão as pessoas como seus mais valiosos recursos. Irão construir empresas flexíveis e adaptáveis, especialmente no que tange à reação a ameaças competitivas e necessidades da clientela. Práticas progressistas de recursos humanos que atraiam e retenham o que há de melhor em uma população altamente diversificada serão aspectos essenciais das empresas bem -sucedidas. Iremos tratar desses temas nos Capítulos 6 (Estrutura Organizacional), 7 (Gestão de Recursos Humanos),8 (Gestão de uma Força de Trabalho Diversificada) e 14 (Inovação e Mudança). A liderança mobiliza as pessoas Liderar é estimular as pessoas para que apresentem alto desempenho. Abrange motivar os funcionários e comunicar -se com eles tanto individual quanto coletivamente. Os líderes mantêm contato próximo e diário com as pessoas, orientando -as e inspirando -as para que se atenham às metas da equipe e da empresa. A liderança é estabelecida em equipes, departamentos e divisões, além do topo da pirâmide das grandes empresas. Em livros anteriores, a função de liderança descrevia como os gesto- res motivavam os trabalhadores para vir ao trabalho e, cumprindo suas tarefas, executar os planos da alta administração. Atual- mente e daqui por diante, os gestores devem ser bons em mobilizar as pessoas para que contribuam com suas ideias – usem seus cérebros de maneiras jamais imaginadas ou necessárias no passado. Os gestores atuais devem empregar um tipo muito diferente de liderança (Capítulo 9) que dê poderes às pessoas e as motive (Capítulo 10). Muito mais do que no passado, um bom trabalho será resultado de um bom trabalho em equipe (Capítulo 11) tanto dentro de cada grupo quanto além de suas fronteiras. Esses processos estão fundamenta- dos em uma comunicação interpessoal e organizacional eficaz (Capítulo 12). Controle significa aprender e mudar Planejamento, organização e liderança não garantem o sucesso. A quarta função, o controle, monitora o desempenho e implementa as mudanças necessárias. Ao exercer o controle, os gestores garantem que os recursos da empresa sejam utilizados da maneira planejada e que ela atinja suas metas de qualidade e segurança. O controle envolve, necessariamente, monitoramento. Para eliminar quaisquer dúvidas a respeito da importância dessa função, vejamos algumas falhas de controle que causaram problemas sérios. Depois de uma explosão na refina- ria de petróleo da BP no Texas, que causou a morte de 15 pessoas, investigações sugeriram que a causa da tragédia teria sido o fracasso generalizado na implementação de medidas de segurança. Os investigadores relataram que a administração da BP estava focada em medidas de corte de custos que contribuíram para condições de risco no trabalho. Apesar de um ano de lucros recorde, o principal executivo da empresa anunciou sua intenção de aposentar -se precocemente e sua bonificação foi cortada quase pela metade.54 Outros lapsos de controle podem afetar os clientes. Um recente surto de infecções por salmonela – que pode causar febre, diarreia, desidratação e até morte –, teve sua origem na manteiga de amendoim das marcas Peter Pan e Great Value, produzidas pela ConAgra Foods, na fábrica de Sylvester, Georgia. O processamento dos amendoins costuma matar a salmonela e outros germes, de modo que o provável culpado foi a contaminação dos frascos ou do equipamento. A ConAgra anunciou rapidamente um recall, porém mais de 400 pessoas em 44 Estados dos Esta- dos Unidos relataram ter sido contaminadas e 71 delas precisaram ser hospitalizadas. Estima -se que o recall por si só custe à ConAgra pelo menos US$ 50 milhões; processos judiciais, a limpeza do equipamento e o dano causado à reputação das marcas aumentam esses custos.55 Quando os gestores implementam seus planos, muitas vezes percebem que as coisas não andam conforme o planejado. A função de controle garante a realização das metas; faz e dá resposta à seguinte pergunta: “Nossos resultados efetivos condizem com nossas metas?”. Em seguida, fazem- -se os ajustes necessários. Elon Musk, da Tesla Motors, aplicou essa função para realizar mudanças necessárias na empresa. Como muitas empresas iniciantes, a Tesla teve per- calços no caminho. Conflitos com o fundador e problemas técnicos durante o desenvolvimento adiaram por mais de um ano o lançamento do primeiro carro da empresa, causando problemas de fluxo de caixa. Musk foi obrigado a fechar uma unidade e demitir quase 25% dos quadros. Mas também foi responsável pelo levantamento, com investidores, de US$ 55 milhões em capital, e o Roadster agora está em plena produção.56 As empresas bem -sucedi- das, sejam de que tamanho forem, dão muita atenção à função de controle. Mas atual- mente e futuramente, os principais desafios gerenciais são e serão mais dinâmicos do que no passado; envolvem aprendizado e mudanças constantes. Os controles ainda são necessários, como veremos no Capítulo 13. Mas novas tecnologias e outras inovações (Capítulo 14) permitem controlar de maneiras mais eficazes, ajudar todos os integrantes de uma empresa e para além de suas fronteiras – inclusive clientes e fornece- dores – a usar seus cérebros, aprender, fazer uma série de novas contribuições e ajudar a empresa a inovar de maneiras que levem a um futuro de sucesso. A gestão exige todas as quatro funções O dia típico de um gestor não se divide precisamente entre as quatro funções. Fazemos muitas coisas mais ou menos simultaneamente.58 Nossos dias são ativos e fragmentados, com interrupções, reuniões e incêndios a apagar. Haverá muitas atividades que gostaríamos de realizar, mas que nos parecem inalcançáveis. Essas atividades incluem as quatro funções da gestão. Alguns gestores apresentam interesse, dedicação ou habi- lidade especial em uma ou duas dessas funções. Mas deve- mos dedicar atenção e recursos o bastante a todas elas. Você talvez seja um planejador e controlador habilidoso, mas, se organizar sua equipe incorretamente ou deixar de inspirá -la para que apresente desempenho de alto nível, não irá realizar seu potencial de gestor. Da mesma forma, não adianta nada ser o tipo de gestor que adora organizar e liderar, mas não sabe para onde ir ou como determinar se está no caminho certo. Os bons gestores não negligenciam nenhuma das qua- tro funções da gestão. Sabendo quais são, podemos nos per- guntar periodicamente se estamos dando a devida atenção a todas elas. As quatro funções da gestão também se aplicam a cada um de nós. Precisamos encontrar maneiras de criar valor; organizar -nos para realizar a própria eficácia; mobilizar nossos talentos e habilidades como mobilizamos os dos outros; monitorar nosso desempenho; e aprender, desen- volver e mudar constantemente tendo em vista o futuro. À medida que avançarmos neste livro e no curso, não devemos tomá -los apenas como um aprendizado impes- soal, mas pensar nessas questões também do ponto de vista individual, usando as ideias para nosso desenvolvi- mento pessoal. GESTÃO O processo de trabalhar com pessoas e recursos para atingir metas organizacionais. PLANEJAMENTO A função da gestão que toma decisões sistemáticas sobre as metas e atividades a serem cumpridas por uma pessoa, um grupo, uma unidade, ou pela empresa como um todo. VALOR A quantia monetária associada a quão bem um emprego, uma tarefa, um bem ou um serviço atende as necessidades de seus usuários. ORGANIZAÇÃO A função de gestão que envolve reunir e coordenar os recursos humanos, financeiros físicos, informacionais e outros necessários para atingir metas. LIDERANÇA A função de gestão que envolve os esforços do gestor para estimular seus funcionários e fazê-los apresentar alto desempenho. CONTROLE A função de gestão que se refere a monitorar o desempenho e realizar as mudançasnecessárias. Unidade 2 Funções gerenciais Funções gerenciais dentro das organizações O conceito de Administração é amplo, pois são diversas as características que compõem as nuances das funções administrativas. Utilizando os conceitos de Fayol, as funções gerenciais são definidas como os papéis de um gerente, embora elas ocorram nos diversos níveis e setores da organização. Pois se estes processos não se realizam em conjunto, seria impossível imaginar que se concluam com êxito. As funções gerenciais determinam primeiramente: • planejar, organizar, dirigir e controlar; • gerir com eficiência e eficácia; • estabelecer os processos organizacionais em prol de seus objetivos; • compor outras funções em conjunto com as coordenações de produção, financeiro e segurança. Segundo Amorim e Fischer (2013), no artigo A aprendizagem organizacional e suas bases econômicas, podemos apresentar as seguintes definições: Planejamento: caracteriza-se pela forma com a qual as pessoas e as empresas se relacionam com o futuro. Defendido por alguns autores como uma tomada de decisão precavida, é utilizado para planejar o que se espera do futuro. Para as organizações, o planejamento é fundamental, pois estabelece uma relação que pode acontecer, fazendo com que a empresa faça uma simulação de seu futuro. O planejamento consiste em três etapas que se subdividem em outras: 1. Estabelecer os objetivos: é neste momento em que os objetivos devem mostram os pontos desejados a alcançar. 2. Tomar decisões, que podemos subdividir em quatro processos: a) experiências anteriores: estudar o passado e construir o futuro; b) experimentação: estudar alternativas; c) árvore de decisões: serve para tomar decisões e definir qual vai contribuir com mais resultados e menos possibilidades de erro; d) pesquisa operacional: utiliza a matemática, auxiliando na relação das escolhas organizacionais. 3. Elaborar planos: o plano resulta do planejamento e possui correlação entre o processo e a implementação, e subdivide- se em: a) programas (programação); b) procedimentos (métodos); c) orçamento (recursos financeiros); d) regras (mudança de comportamentos). Aplica-se ao planejamento: • definição dos objetivos; • flexibilidade do planejamento (correlação). Para Drucker (1981), é possível montar o plano teórico com a primeira função, assim completando o planejamento, e iniciando a próxima etapa, que é a organização, conforme apresentamos: 1. Organização: podemos definir como os requisitos externos. Podemos citar como exemplo quando uma organização compra equipamentos, aumenta sua estrutura ou contrata pessoas, preparando-se e se planejando. Observamos que as empresas possuem duas funções determinantes: incorporar recursos (trazer recursos externos) e distribui-los, como recursos materiais, financeiros e tecnológicos. Concluímos, assim, que a organização tem a responsabilidade de montar sua estrutura organizacional. 2. Controle: é a função que determina que os demais recursos e valores funcionem dentro de limites estabelecidos. Esta função também é avaliada, comparada e medida por seu desempenho, visto se tratar de ações de correção. Podemos definir como funções básicas do controle: a) a legitimidade do negócio (ética); b) controle: centralizado (aprovação de decisões não rotineiras por gestores) e descentralizado (aprovação de decisões não rotineiras por níveis hierárquicos médios e baixos). 3. Direção: a função da direção é ativar as pessoas através de procedimentos, tais como ordem, comunicação, motivação, coordenação e liderança. Dinamizar o processo é ativar as pessoas ao processo de desenvolvimento, satisfazendo o colaborador e a organização em busca da realização de seus objetivos. O Quadro 1 resume as atribuições em cada etapa. QUADRO 1 Entretanto, para o gerenciamento destes processos, é necessário ser criado um alinhamento organizacional, onde se prevejam que as metas pessoais dos colaboradores estejam em conjunto com as da organização. Assim, estabelecemos a relação de eficiência e eficácia nos processos. Entendemos que uma empresa bem organizada é aquela em que cada colaborador desempenha seu papel com suas atribuições em busca de atender os objetivos propostos. Embora saibamos que não existe uma receita pronta para realizarmos um plano, o objetivo é a busca constante pelo alinhamento destes processos. O cuidado que deve ser adotado dentro das organizações serve ao gestor como uma forma de não se transformar em um “resolvedor” de problemas, e sim o gestor que prevê e cria processos na resolução e na busca do sucesso da organização. Dentro deste alinhamento organizacional, evidenciamos fatores e forças que influenciam nesses processos. Iniciamos relatando duas forças principais citadas na obra de Amorim e Fischer (2013): fatores externos e fatores internos. Fatores externos Podemos denominar como “normas” que a sociedade exige, ou regras, fatores. Estes fatores variam de acordo com cada região. Na maioria das vezes, quando uma empresa se estabelece em uma cidade, faz um estudo para verificar em que nível se encontram estes fatores, como clima, número de habitantes, idade, entre outros. Fatores internos Denominamos como “cultura da empresa”. São suas crenças, seus propósitos e sua missão propriamente dita. A cultura de uma empresa define quem ela é, diferenciando-a das demais. Embora apresentem as mesmas condições físicas, a cultura é algo que se constrói individualmente dentro de cada organização, com a ajuda das pessoas que a compõem. Algumas práticas tornam-se rituais, mantendo a cultura de uma empresa intacta por anos, a ponto de serem executadas automaticamente. Sabemos também que a cultura das empresas é influenciada pelo nível hierárquico de gestores mais antigos. Havendo sindicalização, a cultura cria mais força ainda, fazendo com que as tratativas de alteração se confrontem na busca de mudanças. Saiba mais Para aprofundar seus conhecimentos, leia o artigo “Competências e funções gerenciais” (UCHÔA, 2012). Administração por objetivos Em qualquer área de nossa vida, seja no trabalho, na família, ou em um grupo social, estamos vinculados a metas e planos para concretizá-los. Referindo-se ao mundo empresarial, existem ferramentas que auxiliam gestores e organizações na luta pela concretização destes objetivos, através de ferramentas, indicadores de desempenho, dentre outros. Em um primeiro momento, pode parecer redundante falar da importância de objetivos em uma organização. Entretanto, ressaltamos que, na grande maioria das organizações, a questão referente aos objetivos não é clara, gerando impactos gigantescos no momento da tomada de decisão. Ao falarmos do alcance de objetivos nas funções gerenciais, não podemos deixar de citar Drucker (1981), autor que nos apresenta as primeiras ideias sobre administração por objetivos. Drucker (1981) afirma que o gestor pode ter o controle de suas próprias atividades, realizando um trabalho em conjunto com o seu superior, atrelado ao conhecimento que ele possui no trabalho direto com a equipe. A ideia é fazer com que o gestor se torne mais independente, não sendo necessário requisitar seu superior a cadarealização de atividade. Entretanto, o objetivo geral nesta situação não é tirar o poder do superior, mas fazer com que seja um trabalho mais independente, tornando- o superior, um ponto chave dentro da organização, e não o resolvedor de problemas simples do dia a dia. Os gerentes podem ser melhor desenvolvidos ao perceberem que são avaliados de acordo com as atribuições de seu cargo. O crucial é focarmos nos objetivos como algo primordial para o sucesso da organização. Devemos ter o cuidado para que os objetivos pessoais do profissional não ultrapassem a linha tênue dos objetivos da organização. Nos dias de hoje, cada vez mais os funcionários questionam a finalidade e o sentido de seu trabalho. Cabe aos administradores e gestores dizerem que é possível sim trabalhar em conjunto na realização deste objetivo, garantindo o sucesso da organização e o sucesso profissional do trabalhador. Fique atento Toda mudança enfrenta algum tipo de resistência, ainda mais dentro de uma organização onde transitam várias pessoas, cada uma com sua personalidade, identificando e vivenciando o que poderia ser melhor diante da situação apresentada. Podemos definir dois tipos clássicos de pessoas: as que não aderem a mudanças por entenderem que é algo simples que não gera retorno imediato, e as que não as aceitam, pois gostam de trabalhar com o improviso e vão tomando decisões na medida em que as coisas vão acontecendo. O desempenho dos gerentes apresenta características que se mostram além de suas vontades, tais como (CHIAVENATO, 2000): • economia do país; • legislação; • matérias-primas, como produtos importados, safras; • financiamento bancário; • poder aquisitivo. Lembramos que estes fatores também resultam em regras fixas para a organização: quanto mais um gerente estiver preparado, conhecendo as pesquisas de mercado que influenciaram em sua organização, melhor será seu desempenho. Não há como sermos específicos ao falarmos das funções do gerente. Quanto mais baixo for seu nível de atividade dentro da organização, mais quantificado será o seu trabalho. Um trabalhador operacional terá seus rendimentos medidos pelo nível de produção, já o funcionário com cargo elevado terá seu desempenho medido por diferentes fatores, como a tomada de decisão e a visão sistêmica. A realidade dos acontecimentos dos objetivos se dá no momento em que são idealizados e no momento em que ocorrem, devendo apresentar uma crucial importância. Quando se estabelecem níveis de desempenho, pode-se correr o risco de que estes sejam inatingíveis, ou cômodos. Cabe ao gerente definir um nível “intermediário” a ser adotado para se conquistar determinado objetivo, não desanimando a equipe, mas tampouco deixando-os acomodados. É fundamental que os objetivos estejam em comunhão com a proposta da organização. Quando todo trabalho está alinhado para atingir determinadas condições quanto à qualidade e quantidade, podemos dizer que está de acordo com o princípio da Administração por Objetivos, alinhado ao plano de negócios. O esforço do gestor em dirigir, estipular e estimular ideias inovadoras deve ser medido por sua eficiência e eficácia nas ações. Segundo Drucker (1981), autor precursor da Administração de Objetivos, a ideia central é ser a união entre uma administração visionária com a cultura da organização. Uma das principais vantagens de se administrar com foco nos objetivos é possuir o controle de sua própria empresa. O controle é focado nos objetivos a atingir e baseado no desempenho do gestor conforme os objetivos da organização. A administração por objetivos e controle pode e deve ser considerada um estudo da administração, pois a mesma defende o bom desempenho do administrador na ânsia dos objetivos e necessidades pessoais. Isto é liberdade aliada à legalidade da administração. Remetendo este processo aos dias atuais, esta visão de administração por objetivos carrega uma nova esperança aos gestores, resultando no processo determinante do que realmente é importante para alcançar os objetivos da organização. Nos últimos anos, as organizações vêm centralizando informações para agir de uma forma clara nesta relação de objetivos versus organização versus tarefas. Para isso, é necessária a implementação de alguns documentos. Em um primeiro momento, é importante que os gestores desenhem a descrição de funções de acordo com os objetivos, as normas e a cultura da organização (Quadro 2). Esta descrição pode e deve ser atualizada e renovada a qualquer momento, desde que haja uma comunicação da organização. QUADRO 2 Alves, Brennand e Soares (2016), no artigo Conectando inteligências múltiplas através de aplicações interativas na formação de gestores nos apontam que podemos definir alguns requisitos básicos que devem constar na elaboração dos objetivos organizacionais, ressaltando que, hoje, uma das maiores preocupações dentro da organização é para que este objetivo não seja vago. Os requisitos básicos podem ser os seguintes: • estipular metas para as áreas que abrange (respeitando as particularidades de cada área e objetivos individuais em conjunto com a organização/ plano anual); • ser pertinente ao que se pretende atingir (difícil, não impossível); • ser específico (na questão de quanto, quando e como); • mensurar os resultados esperados (uma ideia clara do que se espera). Infelizmente, evidenciamos casos em que há uma divergência de propósitos dentro de uma mesma organização, como a de pessoal e legal. Cabe aos gestores alinharem esses processos junto a todas as áreas para que a visão desses gestores possa precaver situações antes do acontecimento. Fixação de objetivos Para Silva et al. (2016), a política de objetivos é classificada em três níveis básicos, descritos a seguir. Política geral: é determinada com o intuito de estabelecer um processo de alinhamento de todos os objetivos da organização. Compreende-se que cada área tenha objetivos especificamente particulares, entretanto, ressalta-se a importância de estes estarem alinhados em prol da realização e da concretização dos mesmos, visando a atender às expectativas da organização. Política em nível de divisão: nesse nível, os objetivos são verificados após a aprovação dos gestores e dos diretores definidos para cada equipe, determinando o que se refere a cada divisão de área, alocando-os no calendário anual da organização, e avaliando o desempenho de cada divisão. Política em nível de departamento: nesse momento, cada gerente trabalha junto a sua equipe. O gerente pode utilizar recursos de planejamento interno para sua área (relacionados com os objetivos da organização). Considerando os objetivos individuais em quantitativo e qualitativo, estes devem conter uma linguagem simples, porém específica, para que atenda à compreensão de todas as áreas da organização. Cada modelo de objetivos, plano anual e demais definições de processos gerenciais de uma organização podem ser utilizados por gerentes, gestores e demais colaboradores. Assim que estes forem alterados, todos os envolvidos devem ser sinalizados. Entretanto, mesmo respeitando a possibilidade de alteração, deve-se considerar o envolvimento de todas as partes. Gerenciamento versus concretização de objetivos Conforme Amorim e Fischer(2013), em todas as atividades humanas é imprescindível citarmos o capital humano. É ele que move todas as ações sociais e organizacionais. Os ativos envolventes, como tecnologia da informação e conhecimento, são determinantes do ambiente externo. Tratam-se de ferramentas que necessitam do bem mais precioso de uma organização, o capital humano. Uma organização que possui um alinhamento entre profissionais e tecnologia, terá sucesso certo em seu desenvolvimento. Nos dias atuais, ainda vemos empresas que optam por seguir uma linha de mão única: conhecimento ou tecnologia. É comum identificarmos casos de empresas que detêm o conhecimento apenas em uma pessoa, e quando esta não faz mais parte da equipe, a empresa se vê no prejuízo, tanto para ela quanto para seus clientes. O foco, então, deve ser um trabalho em conjunto de pessoas que buscam atingir um determinado fim. Na construção, na qualificação e no desenvolvimento das competências do profissional dentro das organizações, utilizam-se tecnologias educacionais para auxiliar na interpretação do processo educativo corporativo. Tais tecnologias podem ser: Instrução: estruturação dos processos de aprendizagem de forma simples. Compõem, nesta etapa, objetos e processos que definirão o andamento do curso/atividade, podendo até serem auto instrucionais. Treinamento: são eventos que atendem às necessidades organizacionais em um momento determinado, talvez específico. Um programa que também pode englobar, na prática, a vivência de determinada situação, capacitando o colaborador e tornando-o multiplicador do conhecimento adquirido. Para a realização de um treinamento é necessária uma programação efetiva, evidenciando os pontos a serem trabalhados. Desenvolvimento: trata-se do grau de aprendizado colaborador/aluno que, através dos processos de aprendizagem, irá nivelar o grau de conhecimento adquirido por parte das atividades realizadas do multiplicador e de seus colegas. Educação: programas de ação continuada de longa ou curta duração que visam atender um objetivo estabelecido pela organização, disseminar o conhecimento em diversos níveis, profissionalizante, técnico, graduação, pós-graduação, mestrado e doutorado. O foco dentro das organizações são as mudanças, e as pessoas entrelaçam elos com a organização. Isso ocorre no momento em que o indivíduo se identifica com a cultura da organização, referindo-se aqui aos valores, caráter, o que popularmente podemos dizer do “cara que veste a camiseta”. Essas particularidades remetem aos colaboradores a motivação, dedicação, segurança e a autorrealização, itens que compõem a pirâmide das necessidades, segundo Maslow. Considerando a complexidade deste processo, citamos que a visão estratégica que um gestor deve ter compõe o processo de tomadas de decisões em ação conjunta para que essas particularidades se concretizem. A competitividade dos dias atuais exige das organizações uma preparação além do presente. O uso da tecnologia e de ferramentas técnicas possuem, hoje em dia, inúmeros recursos para satisfazer essa necessidade na organização. A eficiência de um equipamento já não traz tantos resultados a uma organização, senão em comum parceria de profissionais capacitados. Também ressaltamos que o fácil acesso e as opções ilimitadas a alternativas alinham-se a vantagens e desvantagens. As empresas devem investir na sua capacidade de inovação para liderar o mercado onde atuam, visto que a concorrência é cada vez mais acirrada. Porém, isso deve ser responsabilidade de todos dentro da organização. Este processo pode ocorrer em um trabalho em conjunto com todas as áreas, através de estratégias, evidenciando as mudanças organizacionais. Em cada organização, as formas de comando variam, tornando-se bem- - sucedidas ou não. Com isso, definimos que os estilos pessoais interferem no comando, na cultura e no andamento das atividades da empresa. Tanto as organizações quanto as economias nacionais enfrentam dificuldades no momento da mensuração dos ativos tangíveis e intangíveis. Com isso, fazem uso de ferramentas ligadas às tecnologias da informação (TICs) (Figura 1). Com estes parâmetros de mensuração, é possível verificarmos se os indicadores estão ocorrendo com eficiência e eficácia junto aos objetivos da organização. FIGURA 1 A inovação impulsiona os processos da organização para com a concorrência. O conhecimento, ou seja, o capital humano da organização, aliado às novas tecnologias, são ferramentas básicas para o desenvolvimento da empresa. A inovação dentro das organizações voltada à política deve estar relacionada ao conhecimento das pessoas. O objetivo deve ser o foco geral em todos os lugares para as funções, processos e desenvolvimento da organização. O aprendizado e a mudança são faces de uma mesma moeda. A sobrevivência de uma organização está aliada ao controle de reter o conhecimento e desenvolver competências, em uma contínua melhoria nos processos. As perspectivas da aprendizagem organizacional estão atreladas aos estudos e às pesquisas realizadas no assunto, caracterizando a aproximação destes. Os fatores aqui citados são apresentados por Silva et al. (2016) como determinantes do aprendizado organizacional: • aquisição de conhecimento; • distribuição de conhecimento; • interpretação da informação; • memória organizacional. Entretanto, há autores que defendem a aprendizagem organizacional com outros fatores, tais como: • experiência institucional; • fenômeno de adaptação; • processo de mudança de pressupostos compartilhados; • processo de relações resultantes de ações e conhecimentos desenvolvidos. Com isso, dizemos que existe um enorme número de estudos voltados à pesquisa do tema aprendizagem organizacional. Apesar disto, identificamos carência de compreensão do mesmo nas organizações. No entanto, em meio a diversos paradigmas sobre o assunto, neste trabalho, a aprendizagem organizacional é tratada com base em três conceitos. Desta forma, concluímos que aprendizagem organizacional envolve manipulação e combinação de conhecimentos, sendo que quando não há engajamento por parte dos membros, torna-se trabalhosa a aprendizagem. Ressaltamos também a importância do ambiente externo no processo das mudanças dentro das organizações, tendo em vista que o mercado se baseia nas adaptações que surgem do ambiente externo. A criatividade para a organização dos processos deve ser liderada, em alguns momentos, de forma paralela (em conjunto) e, em outros, individualmente (entre as áreas). Tipos de gerente Modelos de liderança e suas atividades Por meio de seus autores, a Administração nos apresenta diferentes tipos de líderes. São os estilos de liderança que denominam o comportamento do líder, independentemente de suas características pessoais. Ramos (2014) nos diz que o tipo de líder está ligado à personalidade, enquanto o estilo de liderança está associado ao que o líder faz. O Quadro 1 mostra os três principais tipos de líderes. QUADRO 1 Considerando que a liderança é atrelada às competências de inteligência e ao clima de trabalho, podemos categorizar a liderança em ressonante e dissonante, conforme apresenta o Quadro 2. QUADRO2 Saiba mais Liderança diretiva: quando a tomada de decisão parte de um único líder. Normalmente, esse modelo de liderança não prepara seu sucessor. Liderança participativa: é um líder provisório, um líder itinerário ou itinerante. Podemos dizer que é diretivo, mas não definitivo. Liderança delegativa: é um líder que delega a função de liderança a outro representante. Liderança estilo coaching: é um líder treinador, que estimula o grupo a tomar decisões estratégicas em busca dos objetivos da organização. Os líderes devem ter uma posição impessoal e passiva quanto às metas da organização, pois apesar de estarem liderando pessoas em prol dos objetivos da empresa, também estão sendo avaliados pelo desempenho de suas funções. A partir das necessidades e dos sonhos da organização, nascem as metas ligadas à sua história e à sua cultura. O trabalho é considerado, pelos líderes, um processo rotineiro que permite a interação de pessoas e a tomada de decisões. Neste momento é que se pode negociar, barganhar, usar recompensas e demais formas de interação, de acordo com o papel que cada pessoa desempenha no processo. Os líderes também devem ter cuidado na relação estabelecida com o grupo, para que o emocional não afete significativamente o desempenho das tarefas. Não se considera negativo esse tipo de liderança, mas necessário. Atualmente, acompanhamos inúmeros modelos de liderança no mercado, com sucesso ou não. O papel do líder é conservar o principal valor da empresa em menor tempo e custo. Para Ramos (2014), a liderança é uma grande conquista para as organizações. O administrador deve ser um líder nato para nortear os funcionários que o acompanham, como forma de influenciar pessoas em busca do objetivo esperado, auxiliando na modificação de seu comportamento e o meio no qual atuam na busca de atingir os objetivos de ambos. O gerente também deve ter em mente que as pessoas devem ser vistas como colaboradoras do processo, e não subordinadas, pois os funcionários atuam junto aos seus líderes na conquista de metas. Na liderança visionária, a preocupação central é o futuro e o fato de poder correr riscos. Os líderes que partem dos princípios visionários não dependem do recebimento dos processos detalhados que devem ser realizados. A liderança visionária garante viabilidade a longo prazo. Contudo, as empresas geridas por visionários correm mais riscos de fracassar no curto prazo, pois os líderes estão mais dispostos a correr riscos, considerando mais seus objetivos do que os reais valores da empresa. Sempre preocupados em utilizar a criatividade, a inovação e a tecnologia, não aceitam desculpas quanto a colocar a empresa em um novo formato, quando julgam ser considerável ao sucesso desta. Ao iniciar um trabalho neste modelo de liderança, a identidade empresarial parte do que se está sendo construído, pois o futuro não é garantido. A instabilidade é parceria certa neste modelo, pois não há como prever os percalços do caminho. Este modelo desagrada muitas pessoas por ser desconhecido e aventureiro. Porém, quando atinge os objetivos esperados, é líder no quesito sucesso. Nos dias atuais, o que vemos no comportamento das empresas são estas fazendo um link com este modelo de liderança visionário, em contrapartida com o modelo democrático, atendendo seus diferentes públicos. Entretanto, com um único objetivo: cativar, fidelizar e concretizar os objetivos organizacionais. Comparando as lideranças Diferentemente dos gerenciais e dos visionários, os líderes estratégicos são sonhadores e lutam para concretizar seus objetivos. Um líder estratégico procura agregar mais valor no decorrer dos processos realizados. Quando a junção desses dois modelos de liderança acontece, é agregado valor tanto para o profissional quanto para a organização, ou seja, todos ganham nesse momento. O indivíduo que possua sinergia e qualidades visionárias e gerenciais potencializará um grau considerável de realização para a empresa. Conforme Salles e Villard (2017), o que destaca os líderes estratégicos dos demais é o comportamento ético, um modelo de gestão muito raro de ser encontrado dentro das organizações. Ainda para os autores (2017), é necessário que haja um bom relacionamento e envolvimento entre estes diferentes modelos de liderança, pois é neste envolvimento que podem ocorrer a partilha de conhecimento e a troca de experiências em busca da realização dos objetivos em comum. O Quadro 3 nos mostra alguns tipos de liderança, conforme Ramos (2014). QUADRO 3 Saiba mais Aprofunde seus conhecimentos lendo o texto “Competências do gestor/gerente/ administrador: seus diferentes tipos e seus papéis” (VIEIRA, 2013). Liderança nos tempos atuais As empresas precisam de líderes competentes para atuar e motivar o desenvolvimento de pessoas. Como já vimos anteriormente, a liderança é um requisito básico para o sucesso de uma organização em qualquer momento. Quando há turbulência, a liderança é o diferencial para o fracasso ou o sucesso de uma empresa. Podemos definir liderança como a influência de alguém sobre o comportamento de um indivíduo ou grupo com qualquer finalidade, sendo exercida para objetivos de terceiros ou objetivos organizacionais. Com o atual momento organizacional, as empresas estão se desmembrando e reconstruindo a maneira como são dirigidas, formando novos grupos, conduzidos por profissionais focados em determinados processos, propondo-se a atingir o que a empresa busca com inovação, tecnologia e formas diferenciadas de gerenciamento. A liderança deve aprimorar o trabalho de homens e de máquinas, melhorando a produção; deve fazer com que as pessoas sintam orgulho na realização de seu trabalho; deve procurar sanar as dificuldades e realizar o melhor trabalho em menor tempo. Neste contexto, o papel do gerente entra como norteador do grupo na realização dos processos. As responsabilidades do líder vão além, atuando através de ferramentas, conhecimentos, visualizando o desempenho de seu grupo e identificando se estes estão correspondendo ao sistema de gestão da empresa, pois o líder deve ser o que visualiza a melhoria do grupo na atuação das tarefas. Assim, há redução de problemas para as pessoas e a empresa. Em algumas organizações, a liderança é até mesmo mais importante que o processo estratégico, pois é o líder quem irá conduzir as pessoas na realização dos demais processos. É neste momento que a empresa deve estar atenta ao perfil dos líderes de suas operações, pois partirá deste o sucesso ou o fracasso na realização das tarefas. No cenário atual, as empresas enfrentam uma luta árdua na busca de seus profissionais, e estes, muitas vezes, enfrentam a mesma luta em busca de aperfeiçoamento para responder às exigências determinadas pelos cargos. As pessoas e as organizações estão constantemente sujeitas a um grande número de situações, com o intuito de sanar suas dificuldades e manter o andamento natural, a necessidade de pertencer a um grupo social reflete nas pessoas o desejo de autorrealização. O principal motivo que faz com que as pessoas ajam de determinada maneira se dá pela origem de comportamentos sociais e físicos, pois as pessoas buscam o poder do status, julgando afetar o processo de sua autoestima. A Qualidade de Vida noTrabalho (QVT), apresentada por Gomes, Gomes e Magalhães (2016), distingue-se pelo respeito às pessoas. Assim, as organizações precisam de pessoas motivadas e felizes para alcançar os níveis desejados de qualidade e de produtividade, e a QVT garante o pleno sucesso da organização. As pessoas evoluem pelos costumes, necessidades e regras da sociedade ou de determinado cunho organizacional. Estas mudanças são substanciais, influenciando a sociedade na obtenção ou na manutenção de novos comportamentos. Quando estas mudanças são radicais, produzem comportamentos através de gerações. Os conceitos socioeconômicos, junto à tecnologia, são predominantes neste processo de mutação. A sociedade é composta de organizações de pessoas que produzem serviços e produtos, e de pessoas que os consomem, compondo a constante mudança e adequação ao mercado. Assim, as diversas necessidades compõem as realizações pessoais, morais ou coletivas. Estas necessidades físicas, intelectuais ou morais desenham a evolução social e a aquisição de demais conhecimentos em prol das atualizações constantes. Ressaltamos ainda que, para dirigirem, liderarem ou administrarem as organizações, as pessoas precisam ter e respeitar regras sociais, econômicas e jurídicas, para que possam resolver as diferentes situações que devem aparecer no decorrer do caminho, e cumprirem seus objetivos. Determinadas regras e teorias são aplicadas e desenvolvidas para mostrarem a realidade prática e objetivar, às organizações, na metodologia da conquista dos objetivos. Para Gomes, Gomes e Magalhães (2016), a forma que apresenta as mudanças positivas sociais que contribuem para a organização e envolvidos, exige atitude de ambas as partes. As mudanças só serão possíveis com postura e atitude no conceito organizacional disciplinar. Para alcançar os objetivos, as funções dos produtos são desenvolvidas, assim como as da sociedade e as dos fatores econômicos. É preciso estar preparado para as mudanças, pois a imprevisibilidade age em constante mutação. Identificar as ações que auxiliam o futuro é estar liderando a competitividade. Sabemos que, como qualquer organização, uma empresa tem uma missão, visão, uma razão para existir. O objetivo funciona como norteador comportamental canalizando todos os esforços, desde financeiros, tecnológicos, mercadológicos, chegando aos esforços humanos, que estão alinhados a um objetivo maior, porém possui como primeira tarefa controlar o foco de todas as áreas neste processo. Tal processo inicia-se no momento de contratar estes profissionais, onde procuram-se os mais preparados para corresponderem à missão da empresa, pois a organização visa buscar profissionais que completem seus objetivos e que ajudem a buscar novos. O trabalho da Administração, junto aos líderes organizacionais, é a gerência de todos os processos, cumprindo com desempenho e responsabilidade os processos organizacionais, para que todos trabalhem com satisfação. Mantendo o equilíbrio entre todas as partes envolvidas, estes pontos podem ser abordados com o apoio dos Recursos Humanos, com projetos que satisfaçam os interesses de todos. Saiba mais Os Recursos Humanos auxiliam os processos de gerência, pois estão sempre visando ao desenvolvimento do capital humano da organização, evidenciando o maior nível de eficiência e eficácia, com isso lucrando e objetivando na realização das atividades, resumindo-se em auxiliar para que a organização atinja seu propósito, seja ele qualquer que possa ser. O capital humano nas organizações tem função primária, conforme apresentada por Gomes, Gomes e Magalhães (2016). Após isso, os gestores devem focar sua atenção nos demais processos. Com esta tendência no mundo corporativista, o objetivo é o de obter a valorização das pessoas como fator predominante dentro da empresa. Tal realidade chocaria na época da revolução industrial, já que o principal fator considerado era o tecnológico, e não o humano. Compreende-se, hoje, que a globalização é predominante na mudança da sociedade, o que impulsiona diretamente na capacidade de informações adquirida pelas pessoas. Com isso, definimos este ponto de partida da informação, com os Recursos Humanos realizando suas atividades, recrutando, estruturando e qualificando as pessoas. Os Recursos Humanos, junto aos demais setores, é primordial quando possui projetos planejados e estruturados, pois denomina toda a importância da organização para os colaboradores, gerando conhecimento formal e informal, além de os motivarem para o desenvolvimento de todos. Saiba mais Saiba mais quanto aos estilos de lideranças no meio organizacional lendo o texto “Liderança: o dia a dia e a evolução nas habilidades de liderança” (SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS, 2017). Sensemaking: um auxílio para as lideranças atuais As ferramentas de gestão organizacional objetivam satisfazer e sanar dúvidas e conhecimentos dos colaboradores dentro da organização. Também fomentam e potencializam a ação do ambiente interno e externo sem surpresas desagradáveis ao longo do caminho. As ferramentas organizacionais nada mais são do que precursores no desenvolvimento e informação ágil para a organização. Conforme nos apresenta Ramos (2014), o sensemaking é um termo que vem sendo estudado há cerca de trinta anos. Trata-se de “fazer sentido”, o que pode gerar significado para as pessoas e para a organização. É utilizado dentro das empresas como mais um método de aceleramento e habilidade na comunicação. O sensemaking ganhou espaço nas organizações por ser uma fonte de aprendizado, onde as pessoas compartilham conhecimento e ideias através de ferramentas interativas. Utilizado anteriormente como ferramenta de medicação, já percorre hoje os caminhos empresariais. Apresentamos sete características para melhor definir o sensemaking: • construção de identidade; • retrospecção e experiência; • ambiente sensível; • sociedade; • continuidade; • pistas extraídas; • plausibilidade. Tais características defendem o pensamento de que não há uma sessão particular onde ideias e conhecimento fiquem limitados à estrutura da empresa, e sim um nível elevado de compartilhamento que está cada vez mais dominando o mercado. O sensemaking também define que o indivíduo não faz somente parte da organização, da sociedade, e sim de mais grupos compartilhadores na resolução de qualquer situação. Com isso, a interação consolida a base social, justificando a importância da identidade do indivíduo. O mundo está em constante evolução, remodelando e modificando significados nas organizações, este impacto é gigantesco, o sensemaking, então, auxilia, sendo um processo contínuo. Nesta continuidade é que as pessoas aproveitam para verificar os sinais para a obtenção dos objetivos organizacionais. Ainda conforme Ramos (2014), dentro das organizações, o sensemaking é caracterizado como uma vantagem competitiva perante as demais, entendendo processos, compartilhando conhecimentos e informações. Enquanto a organização estabelece uma relação de generalização e institucionalização com a sociedade, o sensemaking estabelece a relação de informação e transporte de informação. Nas empresas atuais, visualizamos o sensemaking atingindo o que seria inatingível atravésde meios tradicionais. Pois com o nível acelerado de transformações que o mundo vem sofrendo, as organizações devem utilizar de todos os meios possíveis para as atualizações. O que oportuniza o sensemaking dentro das organizações são as rupturas evidenciadas pelo ambiente interno e externo, caracterizadas também como experiências no cotidiano empresarial. Existe uma linha tênue que predispõe as insatisfações ou satisfações com as condições atuais. Sensemaking dentro das organizações: Carga de informações: quantidade de informações. Complexidade: nível de interpretação. Turbulência: situações do ambiente. Conforme o nível de adequação aumenta, as pessoas procuram meios de gerenciar e sobreviver às situações através da segmentação de informações. Essas características atuam no ambiente organizacional como precursores no funcionamento contínuo que determina as ocasiões para utilização do sensemaking. Sensemaking dentro das organizações As organizações são vistas como mediadoras para a construção de sentido, que nivela o fluxo de informações nas rotinas organizacionais. Ressaltamos também que, na rotina diária, as organizações estão em constante mudança, com o auxílio das pessoas, fazendo sentido as informações recebidas, ordenando-as, gerando significado ao fluxo compartilhado de informações. O sensemaking age dando espaço às histórias na construção de uma interação cotidiana, gerando, compartilhando e agregando conhecimentos e valores às pessoas e às organizações. Para identificar, conhecer e vivenciar o contexto organizacional, faz-se necessário conhecer os sentidos compartilhados quanto ao contexto. Desta forma, o sensemaking auxilia o processo de gestão e de geração de conhecimento para as organizações. As organizações nos dias atuais têm a necessidade de estabelecer processos de comunicação, tanto em seu ambiente externo quanto interno, autores defendem esta necessidade empresarial. O sensemaking, neste contexto, age como ferramenta transmitindo valor e contextualizando a interpretação das pessoas no modo de gerar o conhecimento necessário, definindo como uma atividade, ou uma definição de objetivo. O sensemaking se constrói diariamente dentro das organizações, resignificando a rede estruturada, pois a mudança depende das pessoas envolvidas e dos valores compartilhados. Mudança organizacional e sensemaking A mudança dentro das organizações acontece tanto no curto quanto no logo prazo, e impacta os processos organizacionais da mesma forma, com transformações que envolvem todos os agentes e aspectos estruturais, tecnológicos e comportamentais. Estas mudanças de qualquer natureza interferem de forma positiva ou negativa na sustentabilidade organizacional. Conforme Ramos (2014), o sensemaking e o sensegiving agem em parceria, evidenciando os níveis organizacionais em uma dinâmica relação no envolvimento de todos os membros da organização. Esta relação destaca o caráter social dos membros da organização, ao mesmo tempo que sua integração nas dinâmicas de arranjos de decisões de ideias. Podemos dizer que a criação gera informação e os processos se adaptam, evidenciando critérios que se constroem com experiências atuais e passadas, assim como uma retenção de armazenamento, integrando informações aos processos relacionados através de alguns agentes que se caracterizam: • agentes que tomam decisões de mudança; • os que têm a visão de organização; • os que interpretam das mudanças. Há outros agentes que auxiliam nas mudanças organizacionais, também estes de cunho político e público. Considerando o processo de mudanças organizacionais, podemos dizer que a flexibilidade contribui como agente das mudanças, possibilitando que as mudanças ocorram para potencializar o sucesso da organização, deixando-a atualizada com o que ocorre no mercado externo e interno. Em relação às mudanças, ainda comentamos que a crise é um agente que responsabiliza determinada cobrança ao sensemaking, pois pode desafiá-lo a alterações que ameacem os objetivos da organização. Neste contexto é que ressaltamos que o sensemaking deve estar adequado às situações externas que venham a ocorrer. Por fim, as mudanças ocorrem para evidenciar o preparo das organizações e possibilitar seu desenvolvimento na rotina dos processos diários. TI, Habilidades e papéis gerenciais Habilidades e papéis gerenciais No cenário atual, competitivo e dinâmico, onde as transformações acontecem rapidamente e aceleram o crescimento, o desenvolvimento e a complexidade das organizações modernas, torna-se imprescindível que estas aprendam a desenvolver habilidades que as permitam detectar precocemente tendências e padrões, criar novas oportunidades e adquirir ou melhorar sua capacidade de adaptação, bem como suas relações com o ambiente externo (MORGAN, 2010; CHIAVENATO 2014). As organizações buscam, cada vez mais, a maximização de seus resultados através da diferenciação com o intuito de manterem-se competitivas. Neste contexto, surge a necessidade de aprimoramento da gestão, pois as formas clássicas, rígidas e precisas já não atendem às novas demandas e, por isso, torna-se necessário que os profissionais desenvolvam suas habilidades, busquem novos conhecimentos e aptidões que os tornem capazes de atuar em diversas áreas. Hoje, aspectos como produtividade, iniciativa, criatividade, conhecimento e inovação são vistos como diferenciais competitivos, e o indivíduo é olhado como o vetor de criação de valor na organização. Sendo assim, as empresas voltaram o olhar para seu capital humano com foco nas competências (conhecimentos, habilidades e atitudes), tendo como desafio promover ações e instrumentos capazes de interferir e direcionar o comportamento humano no ambiente de trabalho. O trabalho de um gerente compreende desempenhar funções administrativas e alcançar objetivos e vantagens competitivas. No entanto, para que ele tenha sucesso em suas funções, é necessária uma série de habilidades, ou seja, conhecimentos específicos, informação, prática e aptidão (BATEMANN; SNELL, 1998). Veja a seguir as definições de habilidades de acordo com alguns autores. Habilidades gerenciais sob o olhar de Katz (1955 apud MAXIMIANO, 2012). Habilidade técnica: diz respeito à atividade específica do gerente. São os conhecimentos que ele possui para a realização das atividades organizacionais que estão sob sua competência. Habilidade humana: está relacionada à capacidade de se relacionar com as pessoas, entendendo seus anseios e necessidades. É a capacidade de trabalhar com elas e liderá-las. Habilidade conceitual: refere-se à capacidade de lidar com a complexidade da organização, usando a inteligência para a formulação de estratégias. Fatores como planejamento, raciocínio e criatividade são exemplos de habilidade conceitual. O autor afirma que quanto maior for a posição hierárquica, menor a necessidade da habilidade técnica e maior a necessidade da habilidade conceitual. Por exemplo, um supervisor de uma linha de montagem em uma fábrica de automóveis necessita muito mais de habilidades técnicas do que de habilidades conceituais. Ele precisa destes conhecimentos para aplicá-los na solução de problemas que ocorram na linha de montagem, impedindo que o trabalho seja interrompido pormuito tempo. Nesta mesma empresa, um gerente necessita mais de habilidades humanas, uma vez que lida com pessoas, com a diversidade de ideias, pensamentos e comportamentos, e precisa fazer com que elas trabalhem em prol do alcance dos objetivos organizacionais. Ele tem que saber se comunicar e unir a equipe de trabalho, potencializando o melhor de cada funcionário. Já a diretoria precisa muito mais da habilidade conceitual do que das demais, uma vez que seu papel principal é o de formular estratégias capazes de alavancar os negócios e manter a empresa competitiva. Habilidades gerenciais sob o olhar de Mintzberg (1973 apud MAXIMIANO, 2012). Habilidade de relacionamento com os colegas: é a capacidade de manter relações formais e informais, principalmente com os colegas do mesmo nível hierárquico. Habilidade de liderança: capacidade de orientar, estimular, treinar sua equipe e exercer sua autoridade. Habilidade de resolução de conflitos: capacidade de julgar e tomar decisões na resolução de conflitos. Nesse contexto, exige também a habilidade de tolerância a tensões. Habilidade de processamento de informações: capacidade de comunicação, sabendo expressar suas ideias e representando oficialmente a empresa. Habilidade de tomar decisões em condições de ambiguidade: capacidade de tomar inúmeras decisões frente ao inesperado, ao imprevisto. Habilidade de alocação de recursos: capacidade de alocar os recursos limitados para a concretização de atividades, definindo prioridades. Habilidade de empreendedor: capacidade de buscar oportunidades e implementar mudanças. Habilidade de introspecção: capacidade de refletir e de autoanálise, de compreender sua atuação e o impacto de sua prática, na organização. Você sabia que as habilidades gerenciais podem ser aprendidas e desenvolvidas? Isso é possível por meio de processos educacionais ou mesmo em seu dia a dia, enquanto exerce suas atividades, no enfrentamento dos problemas e das mudanças organizacionais. É importante ressaltar que o desenvolvimento de habilidades gerenciais deve ter o intuito de somar conhecimentos e habilidades já existentes, e nunca o de substituir qualquer tipo de conhecimento ou habilidade que o indivíduo já possua (MOTTA, 1999). Veja as quatro habilidades que Motta (1999) considera que os gerentes devem desenvolver: • habilidade cognitiva; • habilidade analítica; • habilidade comportamental; • habilidade de ação. Imagine que você é um gerente e vai desenvolver novas habilidades. No desenvolvimento da habilidade cognitiva, você aprenderá sobre administração, considerando os conhecimentos que já possui e sobre a definição de objetivos e formulação de políticas, conhecendo também a estrutura, os processos e comportamentos organizacionais. Ao desenvolver a habilidade analítica, como gerente, você aprenderá a identificar e a diagnosticar os problemas administrativos, decompondo-os e rearranjando-os para buscar novas soluções. Aprenderá também a relacionar os fatores organizacionais, sua importância e potencialidades das técnicas e instrumentos disponíveis para a solução dos problemas administrativos. No desenvolvimento das habilidades comportamentais, você adquire novas formas de se relacionar com outras pessoas, de se comunicar, interagir em pequenos grupos e exercer e lidar com a autoridade e o poder conferidos pelo cargo. Já no desenvolvimento das habilidades de ação, você será estimulado a interferir na realidade, transformando conhecimentos em ação. Essa habilidade lhe permite melhor conhecimento sobre si próprio, sobre seu papel e objetivos organizacionais, sobre o contexto em que atua, além de reforçar seu comprometimento com a missão socioeconômica da organização. Papéis gerenciais O trabalho gerencial e o papel do gerente têm sido temas de vários estudos ao longo do tempo e constituem-se como as principais fontes de informação e de conhecimento sobre a arte de administrar (MAXIMIANO, 2011). Muitos autores tentam definir o trabalho gerencial, no entanto, a complexidade do mundo empresarial contemporâneo tem alterado as dimensões tradicionais de gestão, substituindo sua rigidez e precisão por formas de gestão mais flexíveis e ambíguas, o que dificulta a definição do trabalho gerencial. Essas mudanças acabam se dando pela evolução dos meios social, econômico e político em que as organizações se inserem (MOTTA, 1999). Na visão de Maximiano (2011, p. 15), “todas as pessoas que administram qualquer conjunto de recursos são administradores, gerentes ou gestores”. Nas organizações, especificamente, o trabalho gerencial consiste em tomar decisões e levar sua equipe a desempenhar seu papel, em busca da realização dos objetivos organizacionais. Para Chiavenato (2014, p. 325), “o termo gerência surgiu a partir das primeiras noções de administração como tentativa de ciência. Quase sempre o termo significa basicamente supervisionar pessoas dentro dos padrões tradicionais”. Para Drucker (2001), o trabalho gerencial consiste em fazer com que os outros trabalhem, utilizando todo o conhecimento necessário para alcançar eficiência e resultados. Na visão tradicional de gerência, a função do gerente é vista como racional e padronizada, e ele, visto como alguém que, além de planejar, organizar, dirigir e controlar, também decide, coordena e supervisiona as atividades organizacionais. No entanto, em uma visão mais moderna, além de todas as funções já citadas, os gerentes possuem outras responsabilidades. Mintzberg concluiu em seus estudos que: (1) Há três aspectos básicos no trabalho de qualquer gerente: decisões, relações interpessoais e processamento de informações. (2) O trabalho dos gerentes varia de acordo com o nível hierárquico, especialidade, tamanho da empresa, conjuntura econômica e outros fatores. A personalidade e os valores do gerente também influenciam a maneira como ele trabalha. (3) O trabalho do gerente não consiste apenas em planejar, organizar, dirigir e controlar. Essas funções do processo administrativo diluem-se e combinam- -se com o desempenho dos papéis, especialmente com os que envolvem a administração de recursos e tomada de decisões (Mintzberg, 1973 apud MAXIMIANO, 2012, p. 140). A Figura 1 mostra de forma mais ilustrativa os papéis desempenhados pelos gerentes, segundo Mintzberg FIGURA 1 Os papéis interpessoais referem-se às relações dos gerentes com pessoas de dentro e de fora da organização, como funcionários, colegas, fornecedores, diretores etc. Os papéis desempenhados pelos gerentes são (MAXIMIANO, 2011): Símbolo (imagem do chefe) ou figura de proa: o gerente representa a organização desempenhando atividades como falar em público, representar a empresa em eventos e solenidades e manter relacionamentos com autoridades. Líder: o gerente desempenha tarefas de liderança que envolve motivação, negociação, influência e todas as demais atividades permeadas pelas relações humanas. Ligação: o gerente desempenha atividades de intercâmbio de recursos e de informações que facilitam seu trabalho, e cria vínculos entre sua equipe com outras equipes. Os papéis de informação dizem respeito à obtenção e transmissão de informações que os gerentes necessitam para exercer atividades como tomada de decisão, análise e elaboraçãode relatórios, avaliação de desempenho e outras atividades administrativas. Ao trabalhar com a informação, o gerente desempenha os seguintes papéis (MAXIMIANO, 2011): Monitor: o gerente busca informações sobre tudo o que acontece na organização e no ambiente externo, trabalha com ampla variedade de dados e busca saber mais em fontes técnicas e até mesmo na “rádio peão”. Disseminador: o gerente é o responsável por disseminar informações internas, de um colaborador para outro, e de informações externas para o interior da organização. Porta-voz: o papel do gerente aqui é o de levar informações internas para fora da organização. Nesta função, o gerente fala oficialmente em nome da organização. O papel de decisão diz respeito à tomada de decisão, essência do trabalho de administrar. Esses papéis são os seguintes: Empreendedor: nesse papel, o gerente identifica e aproveita oportunidades e planeja e toma a iniciativa para implementar as mudanças que deseja, visando melhorias para a organização. Controlador de distúrbios: nesse papel, o gerente necessita lidar com crises, conflitos e situações inesperadas. Administrador de recursos: aqui, o gerente precisa administrar o próprio tempo, programar o trabalho de sua equipe e autorizar decisões tomadas por terceiros. A maioria das decisões tomadas pelo gerente envolve a alocação de recursos. Negociador: nesse papel, o gerente representa a empresa em negociações não rotineiras com sindicatos, clientes, outras organizações e funcionários. O trabalho gerencial possui não só uma dimensão objetiva, como também subjetiva. Na dimensão objetiva podemos considerar a gerência como algo científico e racional, marcada pela previsibilidade de ações planejadas e a racionalidade das decisões, essência do trabalho do administrador. No entanto, na prática, o trabalho gerencial é sempre carregado de muitas tarefas programadas e padronizadas, mas acompanhado da imprevisibilidade de problemas administrativos, conflitos na equipe, pressão, cobrança de prazos, O trabalho gerencial possui não só uma dimensão objetiva, como também subjetiva. Na dimensão objetiva podemos considerar a gerência como algo científico e racional, marcada pela previsibilidade de ações planejadas e a racionalidade das decisões, essência do trabalho do administrador. No entanto, na prática, o trabalho gerencial é sempre carregado de muitas tarefas programadas e padronizadas, mas acompanhado da imprevisibilidade de problemas administrativos, conflitos na equipe, pressão, cobrança de prazos, reuniões, interrupções, o que acaba fragmentando as ações e interferindo em sua atuação. Na dimensão subjetiva, o trabalho gerencial é marcado pela imprevisibilidade das relações humanas, o que lhe confere um perfil mais ilógico e irracional, tornando o trabalho mais complexo e exigindo dos gerentes maior intuição, espontaneidade e habilidade emocional (MOTTA, 2001). Dessa forma, é fundamental que os gerentes considerem a gestão nas duas dimensões. Diferenciando habilidade de papel gerencial, é possível afirmar que habilidade é o saber fazer, e o papel gerencial é a incumbência de fazer, conferida pelo cargo. Saiba mais Para saber um pouco mais sobre desenvolvimento gerencial, leia o texto “O aprendizado da função gerencial: os gerentes como atores e autores do seu processo de desenvolvimento” (LEITE; GODOY; ANTONELLO, 2006). Competências requeridas para uma gerência eficaz Com certeza, você já ouviu falar em competências, termo com definições variadas, mas semelhantes em sua essência. Veja algumas definições: “Competência é assumir responsabilidades frente a situações de trabalho complexas buscando lidar com eventos inéditos, surpreendentes, de natureza singular” (LE BOTERF, 1997, p. 267). “Competência é um saber agir responsável e reconhecido, que implica mobilizar, integrar, transferir conhecimentos, recursos, habilidades, que agreguem valor à organização e valor social ao indivíduo” (FLEURY; FLEURY, 2001, p. 188). “Conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes interdependentes e necessárias à consecução de determinado propósito” (DURAN, 1998, p. 3). “Combinação de conhecimentos, de saber- fazer, de experiências e comportamentos que se exerce em um contexto preciso. Ela é constatada quando de sua utilização em situação profissional a partir da qual é passível de avaliação. Compete, então, à empresa, identificá-la, avaliá-la, validá-la e fazê-la evoluir” (ZARIFIAN, 2001, p. 66). “Conjunto de conhecimentos, habilidades e experiências que credenciam um profissional a exercer determinada função” (MAGALHÃES; WANDERLEY; ROCHA, 1997, p. 14). De forma resumida e com base em diversos autores, vamos aqui definir competência como um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para o desenvolvimento das atribuições e responsabilidades do indivíduo em seu ambiente de trabalho. É importante lembrar que as competências também podem ser desenvolvidas por meio da educação formal e informal, da experiência profissional e até mesmo com as relações familiares e sociais. Vamos destacar aqui as competências mais importantes para o desempenho de um gerente, veja (MAXIMIANO, 2011): Competências intelectuais: referem-se às formas de raciocínio, utilizado para a elaboração de relatórios, análises, planejamento, definição de estratégia e tomadas de decisão. Duas competências específicas aqui são a habilidade de pensar de forma racional e a habilidade conceitual, que é a capacidade de pensamento abstrato, ou seja, aquele que se manifesta intuitivamente, por meio da imaginação e criatividade e que não necessita de informações concretas sobre a realidade. Competências interpessoais: são aquelas utilizadas pelo gerente para lidar com sua equipe, colegas de trabalho, superiores e demais pessoas envolvidas no universo organizacional. Muitas vezes, dependendo da posição ocupada pelo indivíduo, essa competência tem maior valor que a competência técnica. São competências interpessoais importantes a capacidade de lidar com a diversidade de singularidade das pessoas; capacidade de estimular a motivação nas pessoas, considerando as diferenças entre elas e a capacidade de comunicação. Competências técnicas: referem-se aos conhecimentos específicos de cada profissão. O indivíduo precisa conhecer profundamente as técnicas relacionadas à sua profissão e ao seu ramo de negócio. Essa competência pode ser adquirida nas escolas, universidades e no exercício da profissão. Competência intrapessoal: refere-se à capacidade de autoanálise, automotivação, autocontrole, de organização e administração do tempo. As competências intrapessoais importantes são a capacidade de entendimento sobre o cargo exercido e o impacto dele na organização; capacidade de refletir sobre a própria prática, comportamento e emoções; capacidade de entender as emoções e comportamentos do próximo; capacidade de aprender com a própria experiência e a dos outros e capacidade de identificar, refletir e desenvolver as próprias potencialidades e reconhecer e superar as limitações. Você pode relacionar os conceitos aprendidos com os verbos saber, agir, mobilizar recursos, integrar múltiplos e complexos saberes, saber aprender, se engajar, assumir responsabilidades, ter visão estratégica. As competências,além de agregarem valor social para o indivíduo, agregam também valor econômico para a organização, uma vez que estão diretamente ligadas à área estratégica da empresa, constituindo-se em um recurso importante para a gestão de pessoas e a organização, tendo como consequência uma atuação voltada para resultado e fornecendo suporte para o cumprimento dos objetivos e metas organizacionais (FLEURY; FLEURY, 2006; RUANO, 2003 apud Urbanavicius et al., 2007). É importante destacar que competências organizacionais dizem respeito ao conjunto de competências coletivas e atributos organizacionais capazes de criar vantagem competitiva, agregando valor para o negócio e seus stakeholders (LUSTRI, 2005). Perfil gerencial contemporâneo e a Tecnologia da Informação Você já percebeu que o ambiente empresarial se depara com diversos fatores que o influenciam diretamente: os ambientes de trabalho estão em plena evolução, e as pessoas conversam sobre o sentido de seu trabalho, desejando serem mais do que os cargos que ocupam e sentirem orgulho da empresa onde trabalham (CHILDRE; CRYER, 2000 apud CAVALCANTI et al., 2009). Neste cenário, algumas perguntas são inevitáveis: como preparar as empresas para o enfrentamento dos problemas atuais e futuros? Como conseguir o equilíbrio dos objetivos organizacionais e pessoais e fazer com que todos na organização estejam envolvidos, motivados e comprometidos com os resultados organizacionais? Qual o papel do gerente nesse contexto? Que competências são necessárias a ele? A liderança faz a diferença? Há uma busca por nova inteligência capaz de preparar as empresas para as mudanças e crises com harmonia e equilíbrio. Assim, torna-se recomendável que os gerentes se dediquem ao aprendizado da liderança que, por se constituir essencialmente em uma interação pessoal, pode ser vista como uma função gerencial, embora não seja privativa dela. Portanto, se a liderança facilita a interação pessoal e grupal e contribui para o alcance de objetivos comuns, deve ser perseguida não somente pelos gerentes, como em todas as esferas da organização. É importante ressaltar que a liderança pode ser ensinada e aprendida por meio de ensinamentos e de experiências de vida a qualquer pessoa, independentemente da posição que ocupa (MOTTA, 2009; MAXIMIANO, 2012). Isso porque, muitas vezes, as pessoas possuem as habilidades, mas não a utilizam ou a utilizam pouco, ou seja, é preciso desenvolvê-las, e, portanto, qualquer um pode aprender (BENNIS, 1985 apud BATEMANN; SNELL, 1998). Você já viu que o gerente deve conhecer as dimensões formais da organização na qual trabalha, o que inclui missão, visão, objetivos, formas de divisão e especialização do trabalho; também a distribuição da autoridade para melhor utilização dos recursos de poder; a captação, o processamento e a análise de informações externas e internas para a formulação de estratégias e solução de problemas; além da coordenação e do controle de comportamentos individuais e coletivos. Deve também saber adequar novas ideias e projetos à realidade da organização; exercitar-se na busca de soluções para os problemas que surgirem; trabalhar na busca de novas oportunidades; articular, agregar e processar continuamente ideias e alternativas de ação; debater e divulgar problemas, alternativas e objetivos de forma compartilhada, adotando a gestão participativa; possibilitar o desenvolvimento de sua equipe por meio de treinamentos, recompensas e incentivos; estimular a criatividade por meio de atividades desafiadoras; ter visão de futuro. Além dessas, outras habilidades necessárias aos gerentes nos dias atuais são a capacidade de inovar, ter flexibilidade, liderar pessoas e construir relações interpessoais, comunicar, ouvir, dar e receber feedback, trabalhar em equipe, estabelecer limites, negociar, planejar, organizar e analisar e ter controle nas decisões; compreensão de si e dos outros; comunicação eficaz; construção de equipes; uso do processo decisório participativo; administração de conflito; monitoramento do desempenho individual; análise de informações com pensamento crítico; gerenciamento de projetos; planejamento do trabalho; estabelecimento de metas e objetivos; planejamento e organização; construção de um ambiente agradável; gerenciamento do tempo e do estresse; pensamento criativo e gerenciamento da mudança (BOOG, 2002; QUINN et al., 2003). Muitos estudiosos diferenciam gerentes de líderes, destacando as principais características de cada um, conforme mostra o Quadro 1. QUADRO 1 Você pode estar se perguntando: então, qual é o melhor perfil de atuação nos dias atuais? Apenas gerente ou apenas líder? A resposta é que o ideal para os dias atuais é o gerente-líder contemporâneo, que deve ser um libertador da mente e da capacidade dos liderados. Essa liberdade favorece comportamentos administrativos de empreendedorismo e iniciativa, de responsabilidade e comprometimento, de confiança e respeito. Tenha em mente que gerenciar uma empresa é gerenciar mudanças e, portanto, é necessária uma constante revisão de comportamento e atitudes gerenciais. O perfil do gerente nos dias atuais é aquele que deixa de lado a mentalidade tradicional da gestão, que os impede de se envolver com sua equipe, e assume a responsabilidade de gerar um clima de trabalho que envolva as pessoas e que estas possam levar às suas atividades não apenas sua mente, mas sua alma (KOUZES; POSNER, 1991). Ganhar o coração das pessoas é o maior desafio que se pode ter. Uma vez que se ganha, consegue-se tudo. Mas, o importante é saber como chegar até o coração delas... esse é o caminho árduo e sem fim, no exercício da liderança. Tecnologia da Informação A Tecnologia da Informação (TI) configura- se como um componente decisivo para a integração e a reestruturação das empresas, fundamental para as atividades de serviço, coordenação e organização. Há algum tempo, gerenciar a tecnologia era um desafio para as empresas e os técnicos e especialistas em informática dominavam a organização, com seu linguajar específico e praticamente inacessível para os leigos. Na última década, as empresas se viram obrigadas a se preocupar com o gerenciamento do uso da tecnologia, cada vez mais presente na vida das pessoas. Assim, a TI passou de um departamento específico das empresas e do mercado, para o centro das atenções nas organizações, uma vez que é crescente o número de pessoas que utilizam as ferramentas computacionais. A TI é, hoje, parte integrante das organizações e da linguagem dos negócios. As empresas a utilizam para potencializar o controle centralizado e para criar novos processos de informação capazes de apoiar tomadas de decisão mais eficazes. A tecnologia é cada vez mais poderosa e diversificada, e fortemente interligada com os processos críticos dos negócios das organizações, o que confere aos líderes gerenciais maior necessidade de adequação às demandas de seu cargo e maior responsabilidade sobre as decisões em relação ao processo tecnológico. Além disso, é importante que estes conheçam a terminologia da linguagem da informação, bem como a finalidade e aplicabilidade correta das novas ferramentas que surgem a cada instante, potencializando seu impacto na criação de vantagem competitiva para a organização. O grandedesafio que se impõe é o acompanhamento das transformações da tecnologia, extremamente rápidas. Os gerentes necessitam cada vez mais de maior conhecimento, criatividade, competência, transparência e flexibilidade (ROSINI; PALMISANO, 2006).