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Questão Social e Serviço Social

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do Homem e do Cidadão.
Na Europa, até pelo início das diversas transformações e revoluções, pela 
própria transformação do mundo feudal para o industrial, em âmbitos muito 
gerais, vamos destacar algumas dimensões e aspectos históricos do Estado, e suas 
ações governamentais voltadas para a proteção social e posteriormente para a 
efetivação da seguridade social.
Em todo o continente europeu ocorreram inúmeras manifestações populares 
e diversas revoluções. Em vários países, muitos movimentos de trabalhadores 
começaram a eclodir, pois começaram a perceber a dominação e exploração e 
começaram a negar a manutenção do poder burguês, a criticar a crise econômica, 
UNI
A Revolução Industrial teve início na Inglaterra, emergindo aproximadamente 
em 1775, se espalhou por toda a Europa. Assim, concomitantemente com o crescimento 
econômico, crescia também o pauperismo, um número exorbitante de situações desumanas 
e degradantes às quais os trabalhadores eram submetidos na época.
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UNIDADE 2 | O NEODESENVOLVIMENTO NO CAPITALISMO E O ACIRRAMENTO DAS
 EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL
a exigir melhores condições sociais, econômicas e políticas, a favor da democracia 
e cidadania. 
Nessa época, o alemão Karl Marx (1818-1883) criticava severamente o modo 
de produção capitalista. Não publicou nenhuma carta nem encíclica, mas sim um 
manifesto, chegando a publicar uma obra chamada “O Manifesto Comunista”. 
Visto que era ateu, também criticava o poder institucionalizado da Igreja, enfatizava 
que a religião era o ópio do povo, pois as pessoas, ao invés de lutarem pelos seus 
direitos, acabavam se acomodando e se conformando pela doutrina da Igreja e 
seus mandamentos. 
O Manifesto Comunista foi escrito em uma época em que o capitalismo 
desenfreado já fazia suas vítimas: homens, mulheres e mesmo crianças, 
que trabalhavam até 18 horas por dia em condições subumanas. Tal 
documento falava em liberdade e igualdade para o trabalhador, e 
na união da classe trabalhadora contra os abusos do capitalismo: 
“Trabalhadores do mundo, uni-vos”, clamava Marx. No manifesto, 
Marx afirma que não há liberdade sem igualdade econômica (BRAYNER; 
LONGO; PEREIRA, 2014). 
Nesse interim, na Alemanha se implantou o primeiro regime de seguros 
sociais, isso em 1883, por Otto von Bismark, assim que o Estado do Bem-Estar Social 
(Welfare State) foi originado, tendo como características setores sociais de grande 
importância na época, tais como a previdência, a assistência social e a educação. 
Assim, os cidadãos passaram a ter acesso a esses direitos sociais. “O primeiro 
seguro social de que se tem notícia foi instituído por Bismarck, na Alemanha, nos 
anos 1880”. (VIANNA, 2002, p. 4).
Historicamente, a questão social tem a ver com o surgimento da classe 
operária e seu ingresso no cenário político por meio das lutas em prol 
de direitos trabalhistas. Foram as lutas sociais que romperam o domínio 
privado nas relações entre capital e trabalho, extrapolando a questão 
social para a esfera pública, exigindo a interferência do Estado para o 
reconhecimento e a legalização de direitos e deveres dos sujeitos sociais 
envolvidos (IAMAMOTO, 2001, p.17). 
Já em 1889 foi criada uma lei que enfatizava o seguro invalidez e o seguro 
velhice, custeados pelos trabalhadores, empregadores e Estado. Assim, podemos 
perceber, em termos gerais, que o nascimento da previdência social se deu na 
Alemanha, onde se processava uma transição entre o Estado Liberal para o Estado 
do Bem-Estar Social. Também na Grã-Bretanha, em 1864, foram criadas algumas 
legislações trabalhistas, sendo adotado, posteriormente, entre 1905 e 1911, um 
sistema progressivo de proteção nacional (PEREIRA, 2001).
Foi assim que o sistema previdenciário alemão, implantado entre 
1883 e 1889, pelo chanceler Otto von Bismarck, representou a primeira 
intervenção orgânica do Estado nas relações de trabalho industrial. 
Foi assim, também, que na Grã-Bretanha surgiu em, 1864, a legislação 
fabril e, entre 1905 e 1911, foi adotado um sistema de seguro nacional 
progressivo. (PEREIRA, 2001, p. 31).
Assim, em busca de uma alternativa para o liberalismo, nasceu o Estado 
capitalista regulador ou essencialmente intervencionista que, no século XX, 
TÓPICO 2 | A NOVA INSTITUCIONALIDADE BRASILEIRA FRENTE ÀS EXPRESSÕES SOCIAIS
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recebeu o título de Estado de Bem-Estar ou Estado Social, garantindo, financiando 
e administrando seguros sociais, favorecendo gradativamente aos trabalhadores 
direitos sociais, rede previdenciária, saúde e educação públicas e outras atividades 
afins diversas.
Vamos perceber que a partir do modelo de Bismark, a maioria dos países 
ocidentais passou a adotar medidas de proteção social e de seguridade social, 
técnicas protetivas, aos que delas necessitavam, principalmente aos trabalhadores, 
atores sociais importantes para o desenvolvimento capitalista como um todo. De 
modo geral, o modelo de seguro social difundiu-se por toda a Europa, visto que 
na medida em que a democracia avançava, ampliavam-se também os direitos 
sociais, tais como o direito ao voto, a legalização das centrais sindicais, chegada 
dos partidos trabalhistas, participação política, entre outros.
Vianna (2002, p. 3) cita que “A pobreza, nesta fase, é o risco social 
predominante. O Estado age para proteger a sociedade da ameaça representada 
pela pobreza (à qual se associam a indigência, a doença, o furto, a degradação dos 
costumes) e para proteger os pobres”.
Como novo modelo dominante de proteção social, surgiram os seguros 
sociais, em fins do século XIX. É uma segunda fase da política social que se inicia, 
frente aos riscos sociais associados ao trabalho assalariado e aos direitos sociais 
não garantidos dos trabalhadores. 
No novo cenário, de capitalismo industrial consolidado, aparecem 
novos atores – sindicatos, partidos políticos – e arranjos institucionais 
capazes de incluir, na agenda pública, demandas de setores emergentes 
no mundo do trabalho. Para a sociedade, mais que a pobreza, a 
ameaça agora está na recusa ao assalariamento. Recusa que se expressa 
passivamente no absenteísmo (em razão de doença, de acidente, de 
maternidade, ou sem razão nenhuma) e ativamente, de forma anárquica 
como nos ataques e quebradeiras promovidos por trabalhadores 
ingleses em várias ocasiões, ou de forma organizada pelos sindicatos 
operários, crescentemente contestadores do próprio sistema capitalista. 
(VIANNA, 2002, p. 3-4). 
Muitas organizações surgiram e foram se mobilizando em torno da questão 
do trabalho no capitalismo industrial. Conforme as adversidades a que todos os 
assalariados eram submetidos, surgiam concomitantemente inúmeros protestos 
de novos atores, sujeitos sociais e instituições consolidadas a favor da classe 
proletariada.
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Caracteriza-se a segunda fase da evolução das políticas sociais no sentido da 
garantia, financiamento e administração de seguros sociais aos trabalhadores.
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UNIDADE 2 | O NEODESENVOLVIMENTO NO CAPITALISMO E O ACIRRAMENTO DAS
 EXPRESSÕES DA QUESTÃO SOCIAL
Inúmeras transformações ocorreram ao longo da história, importantes 
acontecimentos econômicos e políticos contribuíram para a efetivação do Estado 
Social, crescimento do capitalismo e, ao mesmo tempo, a vitória do socialismo 
na antiga União Soviética, conflitos econômicos, as duas guerras mundiais, a 
grande depressão de 1929, o aumento assustador do desemprego, dentre outros 
acontecimentos, se configuraram como um novo contexto sociopolítico. Assim 
surge a terceira fase da política social no Ocidente, onde a concepção de seguro 
é substituída pela de seguridade social, universalista, tendo como prioridade a 
cidadania (VIANNA, 2002). 
A crise dos anos 20, transformações ocorridas no padrão de produção 
capitalista, a vitória do socialismo na URSS, a valorização do 
planejamento na própria teoria econômica,