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Análise do Discurso - Manhã Professora: RESENHA CRÍTICA FERNANDES, A. C. Análise de discurso crítica: para leitura de textos da contemporaneidade. Curitiba: Intersaberes, 2014. (p.23-48) CREDENCIAIS DA AUTORA Alessandra Coutinho Fernandes é docente no Departamento de Línguas Estrangeiras Modernas da Universidade Federal do Paraná e Doutora em Estudos Linguísticos - Análise de Discurso - pela Universidade Federal do Paraná (2011). Possui mestrado em Letras (Inglês e Literatura Correspondente) pela Universidade Federal de Santa Catarina (1996), especialização em Inglês e Literatura Correspondente pela Universidade Federal da Paraíba (1991) e Licenciatura em Letras - Português e Inglês pela Universidade Federal da Paraíba (1990). Realizou pós-doutorado na University of Illinois at Urbana-Champaign (agosto/2016 a janeiro/2017) e na USP (fevereiro/2017 a julho/2017), com foco nos multiletramentos e na formação inicial de professores de línguas. Participa do grupo de pesquisa Identidade e Leitura, na UFPR. Participa também do grupo de pesquisa Projeto Nacional de Letramentos: Linguagem, Cultura, Educação e Tecnologia, sediado na USP. RESUMO DA OBRA Neste livro, Fernandes tem como objetivo difundir e debater acerca da análise de discurso crítica a fim de assimilar os pontos sobre a ligação entre linguagem e sociedade na atualidade. No capítulo a ser relatado a autora discorre a respeito da história da análise do discurso crítica (ADC) clarificando as características e abordagens da mesma utilizando teorias variadas de diferentes pesquisadores. A primeira parte do capítulo é iniciada com os dois acontecimentos que resultaram em uma grande mudança nos estudos da linguística, colaborando para o nascimento da análise de discurso crítica: a consolidação do funcionalismo, advindo de conflitos sociais no fim da década de 60, e a aparição da linguística crítica (LC) no final dos anos 70. A autora mostra que ambos o funcionalismo e a LC debatem a respeito da proximidade entre linguagem e sociedade. O primeiro tem a função social como um dos principais pressupostos e o segundo compreende a linguagem como prática social, analisando a relação entre linguagem, ideologia e poder. Ao finalizar esta seção a escritora explica que apesar da LC ter grande participação na eclosão da ADC, uma não é seguimento da outra. A segunda parcela do capítulo introduz a origem da análise de discurso crítica que deu-se na década de 80 a partir de publicações de Norman Fairclough. Todavia, fortaleceu-se somente nos anos 90 por meio de um congresso onde diversos linguistas de diferentes países tiveram a oportunidade de compartilhar suas pesquisas. Segundo o livro Methods for Critical Discourse Analysis, a ADC não oferece somente uma teoria ou metodologia, embora tenham características em comum. Suas convicções consistem em: interdisciplinaridade; a apuração do caráter social do discurso; a investigação oral e escrita visando desnaturalizar ideais e relações de poder; a separação entre o analista e seu objeto de estudo. Como mencionado anteriormente existem variadas alternativas teóricas e metodológicas para pesquisar em ADC. A autora destaca três: A abordagem sócio-cognitiva tem como um dos principais formantes o holandês Teun van Dijk. O pesquisador opta por nomear suas abordagens de estudos críticos do discurso (ECD). Conforme esta teoria, os discursos devem ser analisados tendo como ponto de partida as representações sociais. É fundamental compreender a inter-relação entre a ação sócio-discursiva, o contexto, atores e estruturas sociais para que seja possível entender o discurso. Na abordagem histórico-discursiva, sendo a inglesa Ruth Wodak uma das grandes componentes, a investigação de discursos políticos é a base e criam-se ferramentas de pesquisa próprios para seus objetos de estudo. Além disso, em um de seus livros a autora decreta que esta aborgadem é feita em três passos: primeiramente o conteúdo do discurso é identificado, seguidamente examina-se as estratégias sócio-discursivas e, finalmente, apura-se os feitos linguísticos em situações específicas. Analistas desta teoria baseiam sua pesquisa a partir de 5 perguntas que demarcam suas estratégias. Nesta versão o discurso é estudado historicamente, analisando as tranformações temporais. Por fim, o britânico Norman Fairclough é um dos notáveis pesquisadores da abordagem dialética/relacional — que pode também ser chamada de análise do discurso textualmente orientada (ADTO) — que é fundamentada na concepção de discurso do mesmo. Fairclough acredita que esta palavra pode ser concreta ou abstrata (chamada pelo autor de semiose): pode significar uma parte do processo social, uma linguagem correlacionada a certa prática social ou um modo de formar conceitos de pontos de vista específicos. Esta abordagem enfatiza as particularidades linguísticas do texto, que pode ser escrito, oral ou multimodal. O autor defende que a partir da investigação do texto é possível fazer a análise de discurso crítica que transita socialmente. Para isso, Fairclogh utiliza um aparato transdisciplinar, permitindo utilizar diferentes teorias para auxiliar sua pesquisa e dar maior atenção na vinculação entre linguagem e sociedade. Ademais, esta proposta também tem propriedade autônoma ao contribuir para a desnaturalização de relações desiguais de poder. CONCLUSÃO O capítulo inicia de modo que o leitor entenda os fatores que levaram a criação da análise de discurso crítica, explicando com clareza o que é funcionalismo linguístico e linguística crítica, além de apontar as diferenças entre eles. Logo em seguida, fica esclarecido o que é a ADC, seus princípios e suas metodologias e principais abordagens. CRÍTICAS O livro na demonstra uma grande capacidade em termos de explicação, desenvolvendo melhor entendimento. Em uma leitura fácil, Fernandes consegue mostrar com clareza, mesmo rapidamente, o funcionalismo e a linguística crítica e suas contribuições para o surgimento da ADC. O tópico principal, a ADC, é explicado de modo eficiente, fica claro que existem vários caminhos para produzir uma análise do discurso crítica, apesar de mostrar mais detalhadamente apenas as três mais populares. A autora exibe um vasto conhecimento na área de linguística e pesquisas, o que acarreta em grande valor para o livro. INDICAÇÕES A leitura é recomendável a estudantes nas áreas de interesse da Linguística, e para quaisquer interessados. Além da parte acadêmica, pode ser usada como objeto de pesquisa e forma de desenvolver um conhecimento sobre o meio em vivemos e falamos, criando uma visão mais ampla sobre a conexão entre linguagem, ideologias e relações de poder.