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Aula 8 – Granulometria dos Solos CENTRO DE CIÊNCIAS TECNOLÓGICAS Disciplina Mecânica dos Solos I Curso de Engenharia Civil Profª Karina S F Pinheiro Mestre em Engenharia de Minas - UFCG Esp. em Gestão de Recursos Hídricos e Meio Ambiente – UEMA Esp. em Geotecnia de Obras de Engenharia - NAVIGARE Índice Introdução Tamanho dos grãos Ensaios granulométricos Peneiramento Sedimentação Curva Granulométrica ❖Análise granulométrica é a determinação do tamanho das partículas presentes em um solo, expressa como uma percentagem do peso seco total. ❖A análise granulométrica dos solos é prescrita pela NBR- 7181/84, realizada por peneiramento ou por uma combinação de sedimentação e peneiramento. ❖Através dos resultados obtidos desse ensaio é possível a construção da curva de distribuição granulométrica, tão importante para a classificação dos solos, bem como a estimativa de parâmetros para filtros, bases estabilizadas, permeabilidade, capilaridade, etc. ❖A composição granulométrica tem grande influência também nas propriedades das argamassas e concretos; importante para determinar a técnica de estabilização do solo; dentre outros. Introdução Tamanho do solo A classificação das partículas segundo seus diâmetros equivalentes, de acordo com a escala granulométrica (NBR 6502, ABNT 1995) Cascalho ou pedregulho Areia Silte Argila Curiosidade! Matacão são grandes rochas arredondadas, que se formam a partir de intemperismo químico e/ou químico. Um verdadeiro empecilho para a engenharia de fundação, pois esses blocos podem ser encontrados em diversos solos, dificultando a fundação de uma obra, levando a mecanismos de perfuração desses matacão, para assim podermos desenvolver uma fundação segura para a construção. Pedregulho É o agregado graúdo resultante da desintegração natural e abrasão da rocha ou do processamento mecânico (britagem) de conglomerados fracamente cimentados. Os solos recebem designações segundo as dimensões das partículas compreendidas entre determinados limites convencionais, conforme figura abaixo. Nesta estão representadas as classificações adotadas pela A.S.T.M (American Society for Testing Materials), A.A.S.H.T.O. (American Association for State Highway and Transportation Officials), ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) e M.I.T (Massachusetts Institute of Technology). No Brasil a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT/NBR 6502/95) Tipos de ensaios São utilizados dois métodos para encontrar a distribuição granulométrica do solo: ❖Ensaio de peneiramento – para partículas com diâmetros > 0,075 mm. ❖Ensaio de sedimentação – para partículas com diâmetros < 0,075 mm. Ensaio de peneiramento ❖ Para as partículas de solo maiores que 0,075 mm (peneira #200). ❖ Consiste em agitar uma amostra de solo em um conjunto de peneiras que possuem aberturas progressivas menores. ❖ O ensaio é desenvolvido segundo normas técnicas: ➢NBR 7181 – ABNT – “Solo – Análise granulométrica” ➢NBR 5734 – ABNT – “Peneiras para ensaio – Especificação” ➢NBR 6457 – ABNT – “Amostras de Solo – Preparação para Ensaios de Compactação e Ensaios de Caracterização”. Definições importantes Porcentagem que Passa - É o peso de material que passa em cada peneira, referido ao peso seco da amostra; Porcentagem Retida - É a percentagem retida numa determinada peneira. Obtemos este percentual, quando conhecendo-se o peso seco da amostra, pesamos o material retido, dividimos este pelo peso seco total e multiplicamos por 100; Porcentagem Acumulada - É a soma dos percentuais retidos nas peneiras superiores, com o percentual retido na peneira em estudo; Módulo de Finura - É a soma dos percentuais acumulados em todas as peneiras da série normal, dividida por 100. Quanto maior o módulo de finura, mais grosso será o solo; Diâmetro Máximo - Corresponde ao número da peneira da série normal na qual a porcentagem acumulada é inferior ou igual a 5%, desde que essa porcentagem seja superior a 5% na peneira imediatamente abaixo; Peneiramento automático Peneiramento manual Representação das peneiras Ensaio de peneiramento Ensaio de peneiramento Ensaio de peneiramento Tamanho de peneiras No. da Peneira Abertura (mm) No. da Peneira Abertura (mm) 4 4,75 35 0,500 5 4,00 40 0,425 6 3,35 50 0,355 7 2,8 60 0,250 8 2,36 70 0,212 10 2,00 80 0,180 12 1,70 100 0,150 14 1,40 120 0,125 16 1,18 140 0,106 18 1,00 170 0,090 20 0,850 200 0,075 25 0,710 270 0,055 30 0,600 Tamanho de peneiras conforme padrão americano PENEIRAMENTO GROSSO Peneira (mm) Parcela retido acumulado (g) Parcela retido na peneira (g) Massa que passa (g) % passante = mt – (3)/mt 37,50 0,00 0,00 1466,20 100,0% 25,00 0,00 0,00 1466,20 100,0% 19,00 70,60 70,60 1395,60 95,2% 12,50 1181,60 1111,00 284,60 19,4% 9,50 1396,20 214,60 70,00 4,8% 4,75 1462,00 65,80 4,20 0,3% 2,00 1463,30 1,30 2,90 0,2% Exemplo. 1. Peneiramento de material grosseiro: mt = 1.466,20 g = + = - =- - = = Massa retida na peneira (g) Massa retida acumulada (g) (1) (2) (3) (4) Curva de distribuição granulométrica ❖ A curva granulométrica indica a porcentagem, em peso, do solo para cada “diâmetro do grão”. ❖ A curva de distribuição granulométrica é representada por um gráfico semi-log, onde a abscissa representa o log do diâmetro da partícula e a ordenada a porcentagem de material com diâmetro menor que o considerado ❖ A porcentagem do material é calculada pela relação entre a massa seca das partículas com diâmetro menor que o considerado e a massa seca total do solo, “Porcentagem que passa”. Parâmetros determinados na Curva Granulométrica ❖Uma curva de distribuição granulométrica pode ser utilizada para determinar os quatro parâmetros de determinado solo: • Diâmetro efetivo (D10); • Coeficiente uniforme (Cu); • Coeficiente de curvatura (Cc) e; • Coeficiente de segregação (S0). Diâmetro efetivo (D10) e Coeficiente uniformidade (Cu) ❖ Diâmetro efetivo (D10) - indica o diâmetro onde passa apenas 10% em massa na curva de distribuição granulométrica, ou seja, um solo com determinado diâmetro efetivo tem 10% em peso de partículas com dimensões inferiores a D10. ➢ Este parâmetro é correlacionado com o coeficiente de permeabilidade do solo. É um bom parâmetro para estimar a condutividade hidráulica e drenagem através do solo, que veremos adiante. ❖ Coeficiente uniformidade (Cu) – Dá uma ideia da distribuição do tamanho das partículas do solo; valores próximos de 1 indicam curva granulométrica quase vertical, com os diâmetros variando em um intervalo pequeno, enquanto que, para valores maiores a curva granulométrica irá se abatendo e aumentando o intervalo de variação dos diâmetros. Cu = 𝑫𝟔𝟎 𝑫𝟏𝟎 Graduação do solo e Uniformidade do solo O Coeficiente de Uniformidade (Cu) dá uma ideia da variedade de dimensões que as partículas de um dado solo possuem, ou seja, este coeficiente permite avaliar se um solo é BEM GRADUADO (Desuniforme) ou MAL graduado (Uniforme). ❖ Bem graduado: Cu entre 4 a 6 Sendo 4 para pedregulhos e 6 para areias (FERNANDES, 2016) ❖ Segundo CAPUTO (6ª Edição): Consideram-se : • UNIFORME: Cu < 5 • UNIFORMIDADE MÉDIA: se 5 < Cu < 1 5 • DESUNIFORME: quando Cu > 1 5 . Diâmetro efetivo (D10) D60 – diâmetro correspondent e a 60% de grãos finos. 10% do solo possui partículas < 0,1 mm 60% do solo possui partículas < 0,5 mm Cu = D60 / D10 = 0,5 / 0,1 Cu =5 (Solo bem graduado ou desuniforme) Coeficiente de curvatura (Cc) ❖ Coeficiente de curvatura (Cc) – está relacionado com a forma da curva granulométrica entre D60 eD10, sendo este representado pela equação: Cc = 𝐷30 2 𝐷60 𝑥 𝐷10 (Desuniforme) (Uniforme). Para solos BEM GRADUADOS o valor de Cc fica compreendido entre 1 e 3 (CAPUTO, 6ª Edição) Coeficiente de curvatura (Cc) e Uniformidade do solo Bem graduado Mal graduado Por definição temos: Exemplo 1 Abaixo estão os resultados de uma análise de peneiramento No. da peneira com padrão americano Massa de solo retida em cada peneira (g) 4 0 10 21,6 20 49,5 40 102,6 60 89,1 100 95,6 200 60,4 Recipiente (fundo) 31,2 a) Faça os cálculos necessários e trace uma curva de distribuição granulométrica b) Determine D10, D30 e D60 da curva de distribuição granulométrica c) Calcule o coeficiente de uniformidade, Cu d) Calcule o coeficiente de curvatura, Cc Solução do Exemplo 1 - Parte (a) No. da peneira padrão americana (1) Abertura (mm) (2) Massa retida em cada peneira (g) (3) Massa acumulada retida em cada peneira (g) (4) Massa passante em cada peneira (g) (5) % passante em cada peneira (6) = mt – (4)/mt 4 4,75 0 0 450,0 100 10 2,00 21,6 21,6 450,0 95,2 20 0,850 49,5 71,1 428,4 84,2 40 0,425 102,6 173,7 378,9 61,4 60 0,250 89,1 262,8 276,3 41,6 100 0,150 95,6 357,4 187,2 20,4 200 0,075 60,4 418,8 92,6 6,9 Recipiente (fundo) - 31,2 450,0 31,2 - Solução do Exemplo 1 - Parte (b), (C) e (d) Da curva temos: D10 = 0,09 mm D60 = 0,41 mm D30 = 0,185 mm Logo: Cu = D60/D10 = 0,41/0,09 = 4,56 Cc = (D30)2/D60xD10 = 0,93 Portanto é um solo mal graduado. Relação entre a curva granulométrica e o intervalo entre os índices de vazios máximos (emáx) e (emin) ❖ Designam-se como solos granulares ou, simplesmente, como AREIAS os solos em que há um predomínio de partículas grossas (partículas que se distinguem macroscopicamente como maior ou menor facilidade), nomeadamente partículas com dimensão de areia e pedregulho. É para esses solos que os conceitos já aflorados de BOA ou MÁ GRADUAÇÃO se aplicam e tem relevância. ❖ Os valores de emáx e emin estão intimamente associados à curva granulométrica. • Nos solos bem graduados, ou seja, nos solos cujas partículas são muito variadas em termos de dimensão, geralmente a gama de índices de (emáx – emin) é mais ampla e, sobretudo , emin atinge valores mais baixos. As partículas de diâmetro menores podem se arrumar nos espaços entre as maiores, gerando arranjos com um pequeno índice de vazios. emin emáx Relação entre a curva granulométrica e o intervalo entre os índices de vazios máximos (emáx) e (emin) emin emáx ❖ Nos solos de granulometria pobre ou mal graduados, a gama de índices de vazios é mais estreita e, em especial, o índice de vazios mínimo é significamente mais alto do que nos solos bem graduados. ❖ Sendo as partículas muito semelhantes em termos de dimensões, mesmo para um arranjo muito compacto, é praticamente impossível deixarem de existir vazios relativamente grandes. Relação entre a curva granulométrica e o intervalo entre os índices de vazios máximos (emáx) e (emin) ➢ O peso específico seco é o que reflete maior ou menor compacidade do solo, já que é independente da água eventualmente presente nele. ➢ As partículas grossas são, em muitos casos, aproximadamente equidimensionais Relação entre a curva granulométrica e o intervalo entre os índices de vazios máximos (emáx) e (emin) Para se ter ideia do índice de vazios máximo de m solo granular uniforme, a figura abaixo apresenta o arranjo de um conjunto de esferas de igual diâmetro no estado menos compacto possível. Portanto, observa-se que, aquele índice de vazios máximo é próximo da unidade, embora um pouco inferior. São de fato, dessa ordem de grandeza os índices de vazios máximos dos solos granulares, como apresentado na tabela anterior. Para um grande número de solos arenosos naturais, a relação (em abscissas) entre o coeficiente de uniformidade (Cu) e (em ordenadas) o peso específico seco máximo e o peso específico seco máximo e o índice de vazios mínimos. A análise dessa figura confirma as considerações anteriormente apresentadas: • O índice de vazios mínimo é tanto maior quanto mais bem graduado é o solo. • A forma das partículas influencia o índice de vazios mínimo. • Para um dado valor de coeficiente de uniformidade (Cu), o índice de vazios mínimo é maior no caso de as partículas serem angulosas, o que parece razoável. Relação entre a curva granulométrica e o intervalo entre os índices de vazios máximos (emáx) e (emin) Coeficiente de uniformidade (Cc) x peso específico seco máximo e índice de vazios mínimo para solos arenosos naturais (MAYNE et. al., 2001) Coeficiente de uniformidade ou de não uniformidade (Cu) Sedimentação Indicado para partículas de solo menores que 0,075 mm. O ensaio da SEDIMENTAÇÃO tem como base o principio da sedimentação dos grãos de solo na água. Quando uma amostra de solo é dispersa na água, as partículas sedimentam em velocidades diferentes, dependendo de sua forma, tamanho, peso e da viscosidade da água. Para simplificação, é presumido que todas as partículas de solo sejam redondas e que a velocidade das partículas de solo possam ser expressas pela lei de Stoke de acordo com: v = [(s - w)/18n] Xd2 Onde: v = velocidade s = densidade das partículas de solo w = densidade da água n = porosidade D = diâmetro das partículas Logo temos que: Onde: v = Distância / tempo = L / t Observe que: s = Gs.w, onde Gs é o peso específico sólido Portanto temos que: Então: Desta deduções temos que: Valores de K em função da temperatura (oC) e peso específico (Gs) Sedimentação Indicado para partículas de solo menores que 0,075 mm. Conhecendo a quantidade de solo em suspensão, L e t, podemos calcular melhor a porcentagem de solo por peso mais fino que dado diâmetro. Onde L é a profundidade medida a partir da superfície da água até o centro de gravidade do bulbo do densímetro, no qual a densidade da suspensão é medida. O valor de L mudará com o tempo t. O ensaio de sedimentação é eficaz para separar as frações de solo para um tamanho de aproximadamente 0,5 µm. O valor de L (cm) para o densímetro ASTM 152H pode ser expresso por: L = L1 * ½(L2 – Vb/A) Onde: L1 = distância ao longo da haste do densímetro do topo do bulbo até a marca para a leitura do densímetro (cm) L2 = comprimento do bulbo de densímetro = 14cm Vb = volume do bulbo de densímetro = 67 cm3 A = área seccional cruzada do cilindro de sedimentação = 27,8 cm2 O valor de L1 = 10,5 cm para uma leitura de R=0 e 2,3 para uma leitura de R = 50. Consequentemente, para qualquer leitura de R, L1 = 10,5 – [(10,5-2,5)/50]xR = 10,5-0,16R (cm) Portanto: L = 10,5 – 0,164R + ½[14-67/27,8] L = 16,29 -0,164R Onde R= leitura de densímetro corrigida para o menisco. Litura de densímetro, R L (cm) 0 16,3 1 16,1 2 16,0 3 15,8 4 15,6 Sedimentação Indicado para partículas de solo menores que 0,075 mm. Sedimentação Indicado para partículas de solo menores que 0,075 mm. Sedimentação Indicado para partículas de solo menores que 0,075 mm. Sedimentação Indicado para partículas de solo menores que 0,075 mm. OBRIGADA! Karina S. F. Pinheiro 98- 999911905 karinapinheiro@professor.uema.br karina17.uema@gmail.com Bibliografia Bibliografia Sites interessantes! https://slideplayer.com.br/slide/5676064/ https://www.youtube.com/watch?v=_PQei5Z5wJ8 https://www.youtube.com/watch?v=ulZ4ylaYXGk https://www.youtube.com/watch?v=dAW7N6zHv-Q https://pt.slideshare.net/ezequielborges7/ensaio-de- granulometria https://slideplayer.com.br/slide/3387445/ Como fazer curvagranulométrica no EXCEL https://www.youtube.com/watch?v=jR_1j3GGQyY