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Autores: Profa. Ivete Maria Soares Ramirez Ramirez
 Profa. Cláudia Maria Martins
 Prof. Eduardo Britto
 Prof. Fernando Pinto Ribeiro
 Profa. Lisienne da Silva
 Profa. Mônica Mandaji
Colaborador: Prof. Adilson Rodrigues Camacho
Didática Específica
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Professores conteudistas: Ivete Maria Soares Ramirez Ramirez / 
Cláudia Maria Martins / Eduardo Britto / Fernando Pinto Ribeiro / 
Lisienne da Silva / Mônica Mandaji
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
R173d Ramirez, Ivete Maria Soares Ramirez.
Didática específica. / Ivete Maria Soares Ramirez Ramirez - São 
Paulo: Editora Sol, 2015.
68 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXI, n. 2-106/15, ISSN 1517-9230.
1. Didática. 2. Educação. 3. Geografia. I. Título 
CDU 372.48
Cláudia Maria Martins
Mestre e bacharel em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP), doutora 
em Filosofia das Ciências Humanas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo 
(PUC-SP), atua como docente nas áreas de Epistemologia, História do Pensamento e 
questões temáticas da Geografia Urbana. Realizou estágio de iniciação científica no 
Laboratório de Planejamento Urbano e Territorial em Geografia pela USP, trabalhou 
como geógrafa nas Centrais Elétricas de São Paulo e na Fundação de Desenvolvimento 
Administrativo (Fundap), ocupando-se de questões ambientais e de políticas públicas 
de saneamento, recursos hídricos e educação ambiental. Também é autora convidada 
de livros-texto de Geografia sobre estudos de climatologia e didática da Universidade 
Paulista Interativa (Unip), na modalidade de Ensino à Distância (EaD).
Eduardo Britto
Mestre em Ensino de Ciências, pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul 
(Campo Grande), com especialização em Gestão Ambiental, pela Universidade Federal de 
São Carlos (UFSCar) e graduação em Geografia, pela Universidade Estadual Paulista Júlio 
de Mesquita Filho (Unesp).
Docente do curso pré-vestibular e do colégio Objetivo, São Paulo, e professor 
orientador de iniciação científica do curso de licenciatura em Geografia da Unip 
Interativa EaD.
Fernando Pinto Ribeiro
Doutor em Planejamento Urbano e Regional, pela USP, tendo cumprido parte 
dele no Instituto de Urbanismo de Grenoble, na França, mestre em Desenvolvimento 
Regional e Urbano, pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com graduação 
em Geografia, pela mesma universidade. Também nela e em seu colégio de aplicação, 
trabalhou como docente, além de outros colégios.
Ivete Maria Soares Ramirez Ramirez (Ivy Ramirez)
Mestranda em Educação, na modalidade TI, pós-graduada em jornalismo científico 
pelo Laboratório de Estudos Avançados de Jornalismo Científico da Universidade de 
Campinas (Labjor/Unicamp), bacharel e licenciada em Ciências Sociais e Geografia pela 
USP. Em 2006, estudou as seguintes disciplinas em nível de pós-graduação stricto sensu 
no Nepam/Unicamp (Núcleo de Pesquisas Ambientais): Qualidade de Vida em Sociedades 
Complexas, Sustentabilidade e Políticas Públicas, Desenvolvimento e Meio Ambiente e 
Mudanças Ambientais Globais na área de Sociedade e Ambiente e Economia Ambiental 
como aluna especial do programa de doutorado. É autora de material didático do Ensino 
Médio do Sistema de Ensino Objetivo, da disciplina Geografia, autora do livro Tiwanaku: 
um Olhar sobre os Andes, resultado de pesquisa de campo e residência durante seis anos 
no Chile, na região de Atacama, elaborado em parceria com o laboratório de editoração 
da ECA-USP, em 2005. Realiza trabalho de assessoria de Coordenação do Ensino Médio, 
no Departamento de Programação Geral (DPG), apoio pedagógico do Colégio Objetivo, 
em São Paulo. Ministra cursos para professores nos Encontros Pedagógicos promovidos 
pelo DPG, departamento que assessora as unidades conveniadas do Sistema Objetivo, 
no Brasil, e as unidades situadas no Japão, com cursos para professores e atendimento 
aos alunos. Ministra aulas no programa Atualidades on-line do Sistema Objetivo de 
Ensino e comenta os exames do Enem e vestibulares. Coordena, ministra aulas e elabora 
materiais didáticos para o curso de Licenciatura em Geografia, na modalidade de EaD, 
na Unip.
Lisienne de Morais Navarro Gonçalves da Silva
Doutora pela Unicamp, na área de Psicologia Educacional, mestre em Educação 
pela Universidade Cidade de São Paulo, psicopedagoga atuando na área de formação. 
Realiza cursos e palestras sobre Educação. Professora titular da Unip, ministra aula nos 
cursos presenciais e EaD, líder de disciplina, escreveu livros-texto e é coautora do livro 
A Escola e o Aluno: Relações entre o Sujeito-aluno e o Sujeito-professor. Desenvolve 
projetos para atender à comunidade da região do município de Santana de Parnaíba, 
que faz parte da microrregião de Osasco. Coordena os projetos: Oficinas Pedagógicas 
de Arte e Expressão e Menos Um. Participa do grupo de pesquisa Multiletramento na 
formação contínua de educadores e líder do grupo de Linguagens Pedagógicas de EaD: 
Diversidade em Ação, da Unip, registrados no CNPq. Realiza pesquisa na área e orienta 
trabalhos de iniciação científica.
Mônica Mandaji
Doutora em Educação – Currículo, pela PUC-SP, mestre em Ciências da 
Comunicação, pela ECA-USP. Formada em Comunicação Social com habilitação em 
Jornalismo, com licenciatura plena, pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica 
Paula Souza. Entre seus cursos de especialização, destacam-se o de Mídias Interativas 
aplicadas à Educação, pela PUC/SP, e a pós-graduação em Formação de professores 
para EaD, pela Unip. Participou também de curso de formação para tutoria ministrado 
pela Organização dos Estados Americanos. É professora da Universidade Paulista desde 
2006 e atua como professora virtual na UAB da Universidade Federal de São Carlos. É 
também colaboradora do Instituto Crescer para a Cidadania, em que atua em projetos 
educacionais voltados à formação de professores para uso de tecnologias digitais e 
na formação de gestores escolares para desenvolver sua liderança e do Instituto 
Singularidades. Atuou, por fim, na gestão pública como secretária de cultura de Esporte 
e Turismo, na cidade de São Vicente/SP.
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Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Unidades Universitárias
Prof. Dr. Yugo Okida
Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Unip Interativa – EaD
Profa. Elisabete Brihy 
Prof. Marcelo Souza
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli
 Material Didático – EaD
 Comissão editorial: 
 Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
 Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)
 Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
 Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
 Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)
 Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
 Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos
 Projeto gráfico:
 Prof. Alexandre Ponzetto
 Revisão:
 Gustavo Guiral
 Cristina. Z. Fraracio
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Sumário
Didática Específica
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................71 FUNDAMENTOS DE DIDÁTICA EM GEOGRAFIA ................................................................................... 11
2 OS DESAFIOS DA COMPREENSÃO DA GEOGRAFIA NO SÉCULO XXI .......................................... 12
3 IMPORTÂNCIA E ALCANCE DA DIDÁTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO ................. 15
3.1 Novas necessidades, novos caminhos .......................................................................................... 20
3.2 Didática – conceito, origem e evolução...................................................................................... 21
4 UM NOVO MUNDO: GEOGRAFIA PARA ALÉM DA MEMORIZAÇÃO – 
A EPISTEMOLOGIA E O OBJETO DA GEOGRAFIA ENSINADA NA ESCOLA ..................................... 22
5 O SENTIDO SOCIAL DA ESCOLA E A ORGANIZAÇÃO DOS SABERES 
GEOGRÁFICOS NOS CURRÍCULOS ESCOLARES ....................................................................................... 26
5.1 O planejamento da aula de Geografia ......................................................................................... 33
6 DIFERENTES FORMAS DE AÇÕES DIDÁTICAS ....................................................................................... 35
6.1 Formas de vida contemporânea e reflexão sobre os espaços do 
habitar nas cidades ..................................................................................................................................... 35
6.1.1 Um exemplo de estudo urbano: cidade de São Paulo ............................................................. 35
6.1.2 O alcance e limite desse estudo de caso na aula de Geografia humana ......................... 38
7 UMA DISCIPLINA QUE POSSIBILITE LER O MUNDO E OS ESPAÇOS VIVIDOS .......................... 40
7.1 Os estudos de Geografia econômica e o aluno consumidor .............................................. 42
7.1.1 Do cidadão imperfeito ao consumidor mais que perfeito ..................................................... 42
7.1.2 Conceitos da Geografia econômica ................................................................................................ 43
7.2 A importância da construção de maquetes no ensino fundamental ............................. 45
7.3 Utilização, análise e cruzamento de mapas temáticos em sala de aula ........................ 48
8 O TRABALHO COM JORNAIS VIRTUAIS E OUTRAS FONTES DE NOTÍCIAS ................................. 51
8.1 Jornais ....................................................................................................................................................... 52
8.2 Blogs e wikis ........................................................................................................................................... 54
8.3 Cineaulas .................................................................................................................................................. 55
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INTRODUÇÃO
O bom desempenho da atividade docente exige o domínio de verticalizar, no ambiente escolar, 
os princípios teóricos, superando os diversos desafios que se interpõem cotidianamente em sua tão 
complexa realidade profissional.
Exatamente neste ponto, estende-se o campo da didática como área nuclear da licenciatura, visto 
ser ela o ponto por onde o conhecimento é construído no universo do aluno, colaborando para a criação 
de uma atmosfera propícia ao ensino e à aprendizagem.
Princípios didáticos, quando talhados ao longo da trajetória profissional, tornam a relação 
entre professor e aluno mais prazerosa, bem como potencialmente enriquecida. Tais princípios têm 
por meta estabelecer parâmetros que viabilizem não somente a construção do conhecimento, mas 
também da cidadania. Para tanto, o professor deverá instigar a autonomia de pensamento dos alunos, 
aprofundando-a até tornar significativa a aprendizagem (AUSUBEL, 1982).
Neste sentido, a evolução das capacidades didáticas transparece na execução de um plano de trabalho 
que reconheça diferenças entre turmas, a fim de que se tracem estratégias específicas de atuação dentro 
de sala de aula. Além disso, tal execução deve ser orientada por um conhecimento prévio superior aos 
que os alunos já portam consigo, para que o processo de aprendizagem não se estagne em relativas 
superficialidades, mas permaneça instigante.
O didatismo incide tanto no planejamento como nos objetivos advindos dos contextos diferentes 
para os quais a proposta será elaborada, mas, fundamentalmente, no método. Cabe aos professores, 
então, aprimorar as aptidões de articular disciplinas, aprofundar o potencial interdisciplinar do discurso 
e definir uma sequência de aulas que desafie os alunos, firmando-se em uma lógica de desenvolvimento, 
sem perder o elo com as relações sociais e a conjuntura na qual o aluno e a escola estão imersos.
Cada disciplina requer sua própria exploração didática, entretanto, de modo geral, deve-se reiterar a 
importância do surgimento de domínios transversais evocados no decorrer da explanação de conteúdo.
No que diz respeito à Geografia, sobre a qual nos debruçaremos aqui, são exigidas constantemente 
novas sortes de leituras e atualizações, embora seu objeto – o espaço geográfico – integre essencialmente 
a vida dos alunos e, ao mesmo tempo, seja constantemente transformado por esses agentes diretos.
Por essa razão, a potência do ensino de Geografia ou da produção de conhecimento geográfico 
reside em integrar, cada vez de maneira mais enérgica, imprevista e sagaz as relações entre o 
aluno e os ambientes que ele ocupa hoje, poderá ocupar ao longo da vida e que decerto legará às 
próximas gerações.
Sob este ponto de vista, mesmo o interior da sala de aula não se apartaria de alguma realidade que 
analisável tão somente da porta da rua para fora. Esta abordagem da Geografia, ao contrário, reivindica 
que o espaço geográfico em mutação não seja apenas exterior ao estudante, mas inclua enfaticamente, 
em primeira instância, aquele que o aluno frequenta e atravessa. Nas palavras de Kaercher (2003, p. 5):
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[...] a Geografia é feita no dia a dia, através da construção de uma casa, 
da plantação de uma lavoura, das decisões governamentais, ou ainda em 
nossas ações individuais pela cidade (pegar um ônibus, fazer compras etc.).
Tais premissas alicerçam o processo de construção de um modelo pedagógico sedutor e, ao 
mesmo tempo, eficiente. As habilidades didáticas, por sua vez, facultarão a conexão entre experiências 
conceituais e concretas. E a aprendizagem significativa redunda tanto em apropriação de conceitos 
quanto em evolução intelectual – isto é, o aperfeiçoamento da capacidade de pensar, refletir, intuir, 
deduzir e interpretar o mundo.
Portanto, a prática pedagógica específica da Geografia exige considerar o aporte de experiências 
cotidianas e conhecimentos assistematizados, para organizá-lo e inseri-lo em complexos de relações 
impessoais de maior amplitude, sistematizando-o e fundamentando-o então.
Mas de que maneira se transforma um conhecimento escolar em conhecimento científico? Antes: 
qual a diferença entre eles?
O primeiro é caracterizado por se restringir a uma análise descritiva, rígida e isolada dos fatos, 
pois considera o aluno um mero receptáculo de informações, as quais deveriam ser processadas e 
memorizadas de acordo com um método repetitivo e desinteressante.
Já o segundo proporciona ao aluno a capacidade de aprender. Ora, o que movimenta o conhecimento 
científico, em toda a história do ramo epistemológico, não são respostas prontas ou conclusivas, 
mas as perguntas precisas, os questionamentos implacáveis, as dúvidas certeiras, os saberes ainda 
incompreendidos e incompletos. Por essa razão, asdiferenças naturais de cada indivíduo não podem 
constituir impeditivos à sua aquisição/construção de conhecimentos, mas, antes, ponto de partida 
para reflexões, além de fortalecer esse nexo que os une, paradoxalmente, na mesma medida em que 
os distancia.
Ampliar os espaços de dúvida e debate é o gesto precípuo para elaborar um contexto escolar 
efetivamente pleno e eficaz, seja para fortificar conceitos, seja para consolidar cidadãos críticos, 
autônomos, voluntariosos e transformadores.
O jornalista e escritor uruguaio, Eduardo Galeano, narrava em O Livro dos Abraços:
Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovakloff, levou-o para que 
descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado 
das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram 
aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na 
frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, 
que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu 
falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: – Pai, me ensina a olhar! 
(GALEANO, 2002, p. 12)
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Agora, convocamos, você, aluno, a olhar conosco novas possibilidades de se perspectivar o processo 
de ensino e aprendizagem da Geografia, focalizando a dinâmica das paisagens produzidas, ao longo da 
história, como o cerne do estudo da disciplina.
Para isso, devemos ter como norte alguns questionamentos importantes:
• Como devemos proceder para que o aluno construa o desenvolvimento do pensamento geográfico?
• Como valorizar o patrimônio natural e cultural de tal forma que o aluno compreenda a sua 
importância em suas escalas local e global?
• É possível fazer o aluno compreender e perceber seu papel nas intervenções do espaço?
• Quais instrumentos e métodos adotar para que seja possível compreender a espacialidade e a 
temporalidade dos fenômenos geográficos em suas dinâmicas, interações e contradições?
• Como fazer o aluno sentir-se agente ativo na construção de relações socioespaciais que respeitem 
e admitam as diferenças entre as pessoas, no processo de sua inserção no multiculturalismo?
• Como entender a Geografia social e a contextualização do território?
Adiante, proporemos desenvolvimentos dessas indagações, tratando das bases epistemológicas e 
conceituais próprias à didática da Geografia. No primeiro momento, abordaremos a história da temática, 
o objeto de estudo e as contribuições acadêmicas. Em seguida, nossa ocupação recairá sobre os conceitos 
fundamentais e as principais categorias de análise que um currículo de Geografia deve trazer à tona em 
sala de aulas.
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DIDÁTICA ESPECÍFICA
1 FUNDAMENTOS DE DIDÁTICA EM GEOGRAFIA
Um das palavras de ordem mais em voga na contemporaneidade é a que atrela o desenvolvimento 
social a uma educação de qualidade, o que sem dúvida sobrecarrega as responsabilidades dos professores, 
enquanto isenta a dos governantes.
De acordo com o estudo providenciado pelo Ministério da Educação (MEC), a qualidade da educação 
implica:
[...] por um lado, em políticas públicas, programas compensatórios e projetos 
escolares e extraescolares para enfrentamento de questões como: fome, 
violência, drogas, sexualidade, desestruturação familiar, trabalho infantil, 
racismo, transporte escolar, acesso à cultura, saúde e lazer, dentre outros, 
considerando-se as especificidades de cada país e sistema educacional. 
Por outro lado, implica em efetivar uma visão democrática da educação 
como direito e bem social, que deve expressar-se por meio de um trato 
escolar-pedagógico que ao considerar a heterogeneidade sociocultural 
dos sujeitos-alunos seja capaz de implementar processos formativos 
emancipatórios (BRASIL, 1997).
Mediante esse movimento nacional de reclamações por uma educação de qualidade e diante de 
uma nova geração de alunos usuários inarredáveis das redes sociais, dos jogos digitais e das mídias de 
todos os tipos, o professor tem de se haver constantemente com as maneiras pelas quais este garantiria 
a passagem daqueles por processos formativos emancipatórios.
Sem o amparo de paradigmas até pouco tempo admitidos – os quais mantinham segura a posição 
de poder do professor, embora custassem a emancipação de seus alunos – e na contramão de novos 
paradigmas vigentes, próprios de uma sociedade de consumo, em que toda a importância repousa 
apenas sobre as posses e o consumo, ao invés do que a escola pode oferecer: uma existência intelectual 
digna com afetos sofisticados, quando o direito do cidadão se confunde com o direito do consumidor, 
sob o risco severo de uma alienação geral da sociedade, o professor atravessa dificuldades ainda inéditas 
à sua profissão.
Alguns pesquisadores alertam para a tendência de que o tecnicismo e o cientificismo atuais 
cristalizem um processo praticamente irreversível de desumanização das relações sociais. Uma 
constatação disso estaria disponível na frequência mais intensa de nossas relações com máquinas do 
que com humanos.
Os efeitos dessa preferência por luxo, lucro e egocentrismo especificamente na educação são a 
sobrevalorização do pragmatismo, da eficiência meramente técnica e do conformismo, tudo isso com 
o consequente desdém pelos problemas sociais. Nesse contexto, para impedir a perda da identidade 
cultural e, ao mesmo tempo, não sufocar o surgimento de novos referenciais promissores, como lidar 
com esse novo aluno?
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DIDÁTICA ESPECÍFICA
 Saiba mais
Para aguçar a problematização desta sociedade contemporânea, assista 
ao documentário de curta-metragem a seguir:
ILHA das flores. Dir. Jorge Furtado. Brasil: Casa de Cinema de Porto 
Alegre, 1989. 13 minutos. Disponível em: <http://portacurtas.org.br/
filme/?name=ilha_das_flores>. Acesso em: 31 ago. 2015.
2 OS DESAFIOS DA COMPREENSÃO DA GEOGRAFIA NO SÉCULO XXI
O estudo da natureza e da sociedade funda o ensino da Geografia, e a maneira como o professor 
trabalha esses elementos pode alterar decisivamente a construção de visões de mundo, ora aproximando, 
ora distanciando valores éticos e cidadãos. Como lapidar a ideia de natureza? Quais raízes culturais 
edificam os valores atuais e qual será o que melhor se dispõe para os desafios do mundo futuro?
A ciência moderna irrompe a partir do pensamento de René Descartes, filósofo francês que instaura 
um novo marco epistemológico definidor de uma visão de natureza preponderante pelos séculos XIX 
e XX. Basicamente, na visão cartesiana, toda a ciência constaria de conhecimento certo e evidente. 
Tratou-se, então, de estabelecer um mecanismo metodológico baseado na observação dos fenômenos 
universais, na experimentação e na organização das reflexões e dos problemas encontrados segundo 
uma ordem lógica.
Descartes influenciou decisivamente a história da Ciência, comprovando sua utilidade no 
desenvolvimento de teorias que compõem o avanço do conhecimento, porém formulou um modelo 
de interpretação que fragmenta as diversas partes que compõem uma totalidade de fenômenos do 
universo. Em outras palavras, elabora uma visão mecanicista que, por muito tempo, se debruçou 
na análise isolada de um determinado objeto de estudo, compreendido de forma desintegrada de 
um todo no qual é apenas parte constituinte. A separação entre o sujeito observador e o objeto 
investigado pode apresentar consequências devastadoras do ponto de vista ambiental, uma vez 
que a natureza é interpretada ao longo dos séculos XIX e XX como um sistema mecânico, o qual 
deveria ser controlado pela ciência e pelo homem, em sua jornadarumo ao progresso material.
Contudo, a situação a que chegamos tornou fundamental a forjadura de uma visão de natureza 
que saiba desnaturalizar esse modelo, considerando-o em um contexto histórico, o qual inclusive 
não se coaduna com as exigências do século XXI.
Ao professor, é necessário afiar uma visão crítica e ampla no pensamento dos alunos, por meio do 
trabalho das mais diversas perspectivas, a começar pelas prováveis das sociedades antigas, nas quais 
prevaleceria certa relação possivelmente transcendental com a natureza, tida então como elemento que 
incorpora no homem, conectando-o com entidades divinas, além da luta pela sobrevivência de tantos 
povos preservados e constituídos de acordo com as riquezas oferecidas pelo entorno de seu ambiente.
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DIDÁTICA ESPECÍFICA
A falta de uma percepção ambiental suficientemente ampla, no transcorrer dos séculos, tem 
demonstrado seus perigos e, por conseguinte, os colapsos de muitas sociedades decorrentes justamente 
disso.
Na Europa e, sobretudo, na Inglaterra do século XIX, as relações de romantização e de glorificação 
da natureza modificaram-se em função do progressivo conhecimento construído no campo das ciências 
naturais, como efeito das transformações culturais incitadas pelo Iluminismo.
Com a prevalência do pensamento racional, rompem-se os limites de autodeterminação humana, 
anteriormente impostos pela religião, e a natureza, ao ser dominada, expressará o domínio da história 
pelo homem, sendo relegada, portanto, a um objeto, um recurso, um meio de exploração pelos diferentes 
agentes da sociedade.
Embora esta visão fragmentada perdure por muito tempo, a partir da década 1960, conforme se 
ampliam as interpretações acerca dos limites ao progresso material e à manutenção dos padrões de 
consumo no capitalismo, a natureza vem impondo uma questão desafiadora ao desenvolvimento, 
exigindo outra percepção da relação homem-natureza.
A partir da criação da noção de “meio ambiente”, um elemento-chave de representação da 
problemática da civilização, na medida em que comporta as implicações sociais, culturais e econômicas 
que o pensamento racional e mecanicista engendrou na esteira da modernidade, constitui-se um 
discurso ambiental.
Segundo ele, o ambiente integra um conjunto sistêmico e multidimensional que envolve uma 
diversidade de valores que superam o aspecto puramente ecológico, de modo a abarcar os potenciais 
culturais, os processos sociais e políticos. A natureza passa a ser vista como a materialização do 
desenvolvimento, não é mais dominada, mas retoma seu posto de mantenedora do progresso material e 
tecnológico, contanto que sejam respeitados seus ciclos de renovação. Ao homem, pois, cabe novamente 
adequar-se à natureza, e não mais o contrário.
Assim, tal princípio norteador de análise da natureza deve ser apropriado pelo professor, em uma 
atuação sagaz o bastante para descontruir a perspectiva mecanicista, travando uma relação dialógica 
com o aluno, orientando e mesmo criando, com ele, outras maneiras de relacionar-se com o ambiente.
Vale salientar que essa questão não se desassocia da cultura, do rico patrimônio legado pelos 
povos ancestrais e da configuração de uma matriz cultural diversa, a qual seria conveniente a todos ser 
preservada.
Verdade que o exercício docente é atravessado fortemente por matrizes culturais dominantes, 
atualmente estabelecidas no bojo do capitalismo, mais precisamente da globalização, do superconsumo, 
da cata exaustiva de uma espécie de diferenciação, exclusivismo e individualismo – inclusive, não se 
pode esquecer que a própria atividade docente, nos moldes em que está estabelecida hoje, é herdeira 
direta de uma matriz cultura francesa, a qual era dominante à época de sua institucionalização no 
Brasil. Nesse sentido, fundamentalmente, o conteúdo bombardeado pela e na internet, sobretudo nas 
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DIDÁTICA ESPECÍFICA
mídias sociais, distancia o aluno de uma perspectiva efetivamente libertadora e crítica do mundo, isto é, 
daquilo que lhes tornaria indivíduos transformadores.
O reconhecimento da riqueza cultural do planeta é um vetor de compreensão do espaço geográfico, 
na medida em que a evolução social significa, em última análise, o progresso de um conjunto de padrões 
de comportamentos, crenças, conhecimentos, costumes e instituições que distinguem um determinado 
grupo social. Tal grupo é a expressão de um processo histórico formador de valores intelectuais, morais 
e espirituais que fazem parte da análise espacial no âmbito da Geografia.
O espaço geográfico reclama uma contemplação complexa, a partir do reconhecimento da 
complexidade étnica e cultural dos grupos humanos, dada a multiplicidade de facetas das sociedades, 
tanto mais agora, em constante mutação.
Não obstante isso, o contexto histórico atrelado ao processo de globalização, ao mesmo tempo e 
contraditoriamente, enfraquece gradativamente a diversidade cultural do espaço geográfico, reduzindo-a a 
um espaço cujo protagonista acaba sendo o consumidor, o homo economicus, com valores ditados por um 
mercado de massas. Em outras palavras, o cidadão dos direitos, com suas culturas tradicionais e singulares, é 
substituído pelo consumidor, que faz do ato de consumir a conquista da plenitude de sua felicidade.
Nessa medida, os direitos fundamentais do cidadão e o bem-estar social da coletividade, os quais 
foram conquistados à custa de bastante sangue derramado, tornam-se hoje elementos dispensáveis 
quando indivíduos dispõem de elevados padrões de consumo, e isso os diferencia dos demais, reduzindo, 
de certa forma, sua dependência das políticas do Estado.
Nosso intuito, neste ponto, é enfatizar a potência do trabalho do professor em resguardar a afeição 
e aderência ao bem coletivo, pelas quais o aluno, no exercício de suas ações cotidianas, reconhecerá sua 
função social, compreendendo ser ele o maior ganho individual possível do cidadão.
De maneira prática, o senso crítico que o docente de Geografia precisa apurar deve levar em conta 
também algumas noções oriundas da Sociologia, por exemplo, como se viu, a problematização efetiva 
da sociedade do consumo de massa, caracterizando o modo de funcionamento do capitalismo e suas 
engrenagens baseadas na circulação de mercadorias, a partir de dois pontos centrais:
• Consumindo marcas, grifes e produtos, os indivíduos, integrando uma massa de consumidores, 
estarão impedidos de se diferenciar dos demais. Embora se efetue uma sutil distinção de uma 
classe para outra, tais produtos são fabricados em massa e massificam seus consumidores.
• As empresas, além de objetivarem obstinadamente o lucro e então erguer sua riqueza sobre 
a miséria de muitos, também traçam meticulosamente suas estratégias de marketing visando 
forjar necessidades de consumo em todos os potenciais novos consumidores, a partir de padrões 
estéticos de celebridades, coroando-as símbolos de moda social.
Opondo-se a essa condição, importa conduzir o aluno à consciência de que sua força de trabalho, 
no limite e a prosseguir essa marcha, será submetida e aproveitada tão-somente para mobilizar ainda 
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mais o já acelerado processo de produção e consumo. Para isso, estão envolvidos meios de comunicação 
de massa, uma cultura e a publicidade, como elementos interligados de forma a reforçar o sistema 
econômico existente, o capitalismo. A divulgação de imagens falsas, que possuem a função de gerar 
a circulação de mercadorias, também cria um universo unidimensional onde a ideiae os pensamentos 
tornam-se homogêneos e o pensamento crítico é anulado.
Para lidar com todo esse processo de maneira certeira e eficaz, o professor pode valer-se da didática, 
para conseguir construir novos saberes junto a seus alunos afastando-se do que por muito tempo foi a 
pura e simples transmissão de conteúdos.
3 IMPORTÂNCIA E ALCANCE DA DIDÁTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO
Para começar, repare no que o rodeia: a grande maioria de nossos utensílios é tecnológico. Ao 
tomar um ônibus ou metrô, geralmente o ingresso é permitido mediante um cartão para pagamento da 
passagem. Ao adentrar um banco, somos orientados por atendentes a usarmos caixas eletrônicos nos que 
acionamos boa parte das operações por meio de cartões magnéticos. Falamos com nossos amigos por via 
do celular e, com o mesmo aparelho, registramos os momentos em fotografias para postá-las em redes 
sociais. Em suma, é possível afirmar que as revoluções tecnológicas transformaram as relações humanas, 
os processos de comunicação, a dinâmica do conhecimento e as formas de trabalho. As Tecnologias 
de Comunicação e Informação (TIC) alteraram as formas de se construir conhecimento, uma vez que 
agora ele se difunde pelas redes, com a participação de diversos sujeitos, não mais pertencendo a uma 
classe de indivíduos ou de instituições responsáveis por ele. Considerando a totalidade de descobertas 
científicas, invenções e inovações técnicas engendradas pelos seres humanos, espantosamente, mais de 
80% delas surgiu apenas nos últimos 100 anos (SEVCENKO, 2005).
 Saiba mais
Para saber mais sobre a memória biográfica de pessoas mais e menos 
conhecidas do século XX brasileiro, pesquisada em arquivos, assista ao 
documentário:
NÓS que aqui estamos por vós esperamos. Dir. Marcelo Masagão. Brasil: 
Um Minuto Marketing e Produções Culturais, 1998. 73 minutos.
Este novo cenário tem como efeito a exigência de um reequacionamento do papel da educação no 
mundo contemporâneo, o qual, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais:
[...] coloca para a escola um horizonte mais amplo e diversificado do que 
aquele que, até poucas décadas atrás, orientava a concepção e construção 
dos projetos educacionais. Não basta visar à capacitação dos estudantes 
para futuras habilitações em termos das especializações tradicionais, mas 
antes se trata de ter em vista a formação dos estudantes em termos de sua 
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capacitação para a aquisição e o desenvolvimento de novas competências, 
em função de novos saberes que se produzem e demandam um novo tipo de 
profissional, preparado para poder lidar com novas tecnologias e linguagens, 
capaz de responder a novos ritmos e processos. Essas novas relações entre 
conhecimento e trabalho exigem capacidade de iniciativa e inovação e, mais 
do que nunca, “aprender a aprender”. Isso coloca novas demandas para a 
escola. A educação básica tem assim a função de garantir condições para 
que o aluno construa instrumentos que o capacitem para um processo de 
educação permanente (BRASIL, 1997, p. 28).
Para que se compreendam devidamente as orientações dos Parâmetros Curriculares Nacionais, é 
obrigatória uma breve retrospectiva do papel da escola no Brasil.
 Saiba mais
Para conhecer melhor a obra de um dos educadores decisivos na história 
da pedagogia brasileira, assista ao documentário:
EDUCADORES – Anísio Teixeira. Dir. Paulo Nascimento. Brasil: TV Escola/
Fundaj, 2011. 26 minutos. Disponível em: <http://tvescola.mec.gov.br/tve/
video/educadores-anisio-teixeira>. Acesso em: 31 ago. 2015.
A escola, como nos é conhecida, emergiu com a Teoria do Capital Humano, na década de 1960. De 
acordo com Ferretti (1988), foi arranjada uma estreita ligação entre educação (principalmente, a escolar) 
e o trabalho, cuidando que a educação potencial izasse o trabalho. Essa perspectiva balizou por 
muito tempo as expectativas em relação a um professor como ele era e às vezes ainda é, proveniente de 
uma formação taylorista/fordista.
Em virtude disso, as políticas de formação continuada hoje despontam como possibilidade de 
transformar as antigas práticas, decorrentes de saberes mecanicistas, no sentido de consolidar uma 
educação democrática no sentido mais amplo do termo.
Isso vai exigir certa radicalidade no sentido das mudanças tanto da escola quanto dos 
saberes até então difundidos. O conhecimento e a ciência tornam-se produtos materiais e 
industriais que passam a ser generalizados e difundidos pelo processo escrito. Diante deste 
fato, estabelece-se como princípio a escolarização básica para todos uma vez que para se 
incorporar a produção científica como forma de desenvolvimento industrial e social, há a 
necessidade do domínio da escrita.
Essa situação acabou por determinar que a função do Ensino Superior fosse a de formar profissionais 
especialistas que atendessem ao quadro necessário de produção político-econômica do país. De acordo 
com Kuenzer (2001), por algumas décadas, predominou entre nós a ilusão de que o curso superior 
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bastaria para especializar os profissionais para os empregadores, garantindo-lhes emprego, se não 
estável, ao menos certo.
A própria noção de currículo educacional demonstrava esta visão 
educacional-profissional, ou seja, o bom profissional seria o disciplinado, 
que aceitaria a autoridade socialmente reconhecida, externa a ele e o poder 
instituído, seria memorizador de procedimentos, repetidor do conhecimento; 
cumpridor dos deveres preestabelecidos o que garantiria a segurança de 
emprego (KUENZER, 2001, p. 19).
A base de formação geral, seguida da específica, era a maneira de disponibilizar os conhecimentos 
necessários para que o aluno pudesse adentrar no mercado de trabalho.
Hoje, o paradigma da Tecnologia da Informação expressa a essência da presente transformação 
tecnológica nas relações estabelecidas na economia, na sociedade e na educação. As características 
políticas, sociais e econômicas da sociedade da informação residem em seu próprio símbolo de 
reconhecimento: o computador. E, nesse processo, a inovação e a tecnologia assumem as características 
básicas da força motriz.
Se, na sociedade industrial, quem protagonizava o recurso de produção era sobretudo o capital, na 
da informação é justamente a própria informação. Pois, se se descentralizam as organizações, por serem 
fluidos os mercados, elas mobilizam tarefas complexas, intelectuais e participativas. Essas informações 
precisam sofisticar-se, transformando-se em conhecimento.
A reorganização do regime de acumulação de capital é acompanhada por profundas 
consequências e marcas em um processo educacional. Havia seguranças relativas ao conhecimento 
detido, advindo da formação universitária – como que se adestravam as habilidades – nas 
formações de Ensino Superior, para o trabalho, transformando jovens em profissionais disciplinados, 
cumpridores de metas estabelecidas e, de certo modo, acomodados pela lenta e gradual digestão 
dos sistemas tecnológico-científicos (KUENZER, 2001). Já na nossa dinâmica do mundo globalizado 
muda dentro do processo de produção sua forma de agir, fazer e requerer dos profissionais a 
atualização e competências distintas (CASTELLS, 1999).
Na dinâmica anterior, o processo era gerido pelo saber fazer, agora há a necessidade de que sejam 
desenvolvidas novas competências cognitivas e de relacionamento que envolvem análise, síntese, 
estabelecimento de relações, criação de soluções inovadoras, rapidez de resposta, comunicação clara 
e precisa, interpretação e uso de diferentes formas de linguagem, capacidade para trabalhar em grupo 
entre outras (KUENZER,2001).
Como meio de problematizar isso, de acordo com Morin (2000), compreende-se a necessidade de 
uma formação não mais baseada na memorização e repetição de procedimentos, e sim baseada em 
novos caminhos que venham a despertar a originalidade e a criatividade que só podem ser conseguidas 
por intermédio de um ensino crítico e inovador o que implica não só o domínio de conteúdo por parte 
do educador, como também uma visão de caminhos metodológicos diferentes.
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 Observação
A sociedade da informação caracteriza-se pelo elevado número de 
atividades produtivas que dependem da gestão de fluxos informacionais, 
aliado ao uso intenso das novas tecnologias de informação e comunicação.
 Saiba mais
Em 1999, a Unesco solicitou ao filósofo Edgar Morin a sistematização 
de um conjunto de reflexões que servissem como ponto de partida para se 
repensar a educação do século XXI.
MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 3. ed. São 
Paulo: Cortez; Brasília-DF: Unesco, 2001. Disponível em: <http://www.
sistemas.ufrn.br/shared/verArquivo?idArquivo=1035842&key=13769c1ae
1338dbc536c4b21795c7e27>. Acesso em: 31 ago. 2015.
O relatório foi elaborado em 2000, após o Fórum Mundial de Educação realizado em Dakar, no país 
africano, Senegal; o documento foi elaborado com a anuência de 164 governos, cujo título foi Marco de 
Ação de Dakar, Educação para Todos: Cumprindo nossos Compromissos Coletivos, lançando a partir daí 
uma agenda ambiciosa, com o intuito de atingir seis objetivos educacionais, com amplo alcance até 2015. 
Como resposta a essa elaboração, a Unesco, com o intuito de monitorar o progresso das propostas, deu 
início aos Relatórios de Monitoramento de EPT, pelos quais procurou completar alguns itens e recomendar 
procedimentos a serem inseridos na agenda global de desenvolvimento sustentável posterior a 2015.
A conclusão elaborada constatou que apesar dos esforços que governos, sociedade civil e comunidade 
internacional empreenderam, ainda não foi atingida uma Educação para Todos.
Apontou, no entanto, algo de positivo: o fato de que o número de crianças e adolescentes ausentes 
do ambiente escolar tenha diminuído, relativamente aos indicadores de 2000.
O relatório mostrou ainda, que a desigualdade na educação aumentou entre as camadas mais pobres. 
Os conflitos internacionais contribuíram para isso, somados à baixa qualidade da aprendizagem no nível 
primário.
Observou ainda que apesar das facilidades proporcionadas pela educação à distância, que facilitam 
certos níveis de formação, no que se refere à educação básica ainda há muito que fazer.
Os governos aumentaram seus esforços, no sentido de mensurar os resultados em âmbito nacional 
e internacional por meio de avaliações.
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Muitos problemas ainda deverão ser resolvidos, como:
• Os milhões de crianças fora da escola.
• Cerca de 100 milhões de crianças que não completarão a educação básica.
• A desigualdade social que afeta as oportunidades desses jovens.
• A baixa qualidade no nível básico provocando o abandono dos bancos escolares.
É possível afirmar então que cada época acaba por definir necessidades e leituras diferenciadas 
aos processos educativos, uma vez que, segundo Gadotti (1982), a educação nunca está desapropriada 
historicamente do poder, desta forma, a educação acaba sendo um prolongamento de um projeto 
político.
Como exemplo, sejam os educadores (ou, de todo modo, uma boa parte deles) da década de 1970, 
quando vigorava a pedagogia tecnicista, segundo a qual professores e alunos seriam executores e 
receptores de projetos elaborados em gabinetes e desvinculados do contexto social com o objetivo de 
apagar o entusiasmo e a espontaneidade dos sujeitos da educação. O funcionamento das escolas era 
regido pelos resultados que se obtinham com um planejamento controlador, disciplina, cumprimento de 
horários instituídos pelo Estado e regimento escolar. Nesse sistema educacional, o professor tinha um 
caráter de agente de controle, cujo objetivo era cumprir um currículo mínimo estabelecido pelo Estado 
e controlado por ele, demonstrar seu conhecimento segundo aulas expositivas, levar o aluno a acreditar 
na necessidade de ser um agente memorizador, avaliando o estudante a respeito daquilo que fora dado, 
da maneira como havia sido passado pelo professor (MASETTO, 2001).
 Lembrete
A abordagem tecnicista caracteriza-se por estabelecer o poder da 
autoridade do professor e não ser dialógica, restando ao aluno assimilar 
passivamente os conteúdos transmitidos pelo professor, o que ainda se vê 
em escolas brasileiras.
Atualmente, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, as propostas pedagógicas devem 
visar à formação de indivíduos participativos, conscientes de seus direitos e deveres, preocupados com 
a transformação e o aperfeiçoamento da sociedade.
Por sua natureza aberta, configuram uma proposta flexível, a ser concretizada 
nas decisões regionais e locais sobre currículos e sobre programas de 
transformação da realidade educacional empreendidos pelas autoridades 
governamentais, pelas escolas e pelos professores. Não configuram, 
portanto, um modelo curricular homogêneo e impositivo, que se sobreporia 
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à competência político-executiva dos Estados e Municípios, à diversidade 
sociocultural das diferentes regiões do País ou à autonomia de professores e 
equipes pedagógicas (BRASIL, 1997, p. 13).
Partindo dessa perspectiva, a abordagem de ensino-aprendizagem e o relacionamento professor-aluno 
vão necessariamente passar por mudanças, e elas afetarão a didática aplicada em sala de aula, na 
elaboração de atividades e avaliações.
 Saiba mais
Para saber mais a respeito de um dos educadores mais influentes da 
pedagogia contemporânea no Brasil, Paulo Freire, e seu trabalho com 
alfabetização e educação popular, assista ao documentário:
ESPECIAIS diversos – Paulo Freire – Contemporâneo. Dir. Toni Venturi. 
Brasil: TV Escola; Olhar imaginário, 2006. 53 minutos. Disponível em: 
<http://tvescola.mec.gov.br/tve/video/especiais-diversos-paulo-freire 
-contemporaneo>. Acesso em: 31 ago. 2015.
3.1 Novas necessidades, novos caminhos
Ao nos nortearmos pelos PCN, concebemos o processo educativo como ação que deve preparar 
para a vida e, para tanto, é necessário integrar a recriação do significado das coisas, a cooperação, 
a discussão, a negociação e a solução de problemas. Nesse processo, o professor precisa servir-se de 
metodologias ativas que favoreçam a interação entre os alunos, a interação social, a capacidade de 
comunicação, de colaborar; a mudança de atitudes, o desenvolvimento do pensamento e a descoberta 
do prazer de aprender, ao mesmo tempo em que incentivem atitudes de cooperação.
A sociedade varia em velocidade frenética. E o mais grave, para Claxton (1990), seria que a maior 
parte dos conhecimentos escolares não ensinaria o alunado a sobreviver nesse mundo. Por essa razão, 
as escolas e as instituições educacionais teriam de rever seus conceitos no sentido de proporcionar ao 
aluno do século XXI a formação necessária para não apenas adaptar-se à sua sociedade, mas também 
transformá-la.
 Observação
Muita cautela para que não se equivoque com a falácia dos usos de 
tecnologias, por si, como solução para a pedagogia contemporânea, com 
práticas inovadoras, independentemente dos recursos utilizados. Tudo isso 
necessariamente é filtrado, atravessado, redirecionado e intencionado pormeio da didática.
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Quanto ao professor, para Oliveira (1995), seu papel deve ser ativo, impulsionando o desenvolvimento 
dos indivíduos, a partir dos processos de aprendizagem, de forma a levar adiante a transformação do 
professor tradicional.
Não caberia mais, na atualidade, um professor que assumisse a tarefa de tão somente transmitir o 
conhecimento adquirido; hoje, seria necessário orientar, mediar processos de ensino e aprendizagem, 
atuando colaborativamente com seus alunos.
Além disso, resta ao professor aceitar não ser o único detentor dos conhecimentos e, então, não 
precisar entregar roteiros prontos, mas sim compartilhá-los, norteando os alunos para que sigam sua 
trilha escolhida para alcançar seus objetivos finais de ensino-aprendizagem.
Porém quais qualidades e conhecimentos seriam necessários para um professor cumprir sua função 
educativa, equipando seus alunos para enfrentarem os desafios do século XXI?
De acordo com Sampaio e Leite (2001), ele precisa dispor de um conhecimento aprofundado de sua 
área e de capacitação especializada em educação.
 Lembrete
Não se prioriza, na educação de uma sociedade da informação, o 
aluno solitário, ou um conteúdo disponível, tampouco o professor como 
o elemento chave da educação. Por isso, este precisa preparar-se, valer-se 
das tecnologias, selecionar o que for relevante e integrar seus alunos 
“alfabetizados digitalmente” com os cibercidadãos (SILVA, 2006).
3.2 Didática – conceito, origem e evolução
“Didática”, mesmo no senso comum, difundido por dicionários, significa, segundo o Dicionário do 
Aurélio online: “Arte de ensinar com método os princípios de uma ciência ou as regras e preceitos de 
uma arte. Gênero didático” (DIDÁTICA, [s.d.]). Para o Moderno Dicionário do Português, de Michaelis, 
ainda mais resumidamente, é apenas “arte de ensinar” (DIDÁTICA, 2009).
A palavra derivou de uma expressão grega “techné didaktiké”, que também significa: “arte ou técnica 
de ensinar”.
Portanto, em outro termos, ela é a técnica de dirigir e orientar a aprendizagem.
Esse termo apareceu pela primeira vez associado diretamente à educação na obra de Jan Amos 
Komensky Comenius, de 1657, intitulada “Didática Magna”. Durante séculos, foi compreendida como 
técnicas e métodos de ensino. Era muito comum o desenvolvimento de manuais de didática que 
apresentavam um passo a passo de como o professor deveria atuar, na grande maioria das vezes 
totalmente descontextualizado da realidade social dos alunos e da escola em que atuava.
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Para Piletti (2010), a didática é o ramo específico da Pedagogia que tem como objetivo dirigir 
tecnicamente o ensino rumo à aprendizagem. Já Libâneo (1990) define a didática como “teoria de 
ensino” que converte objetivos sociopolíticos em pedagógicos, uma vez que investiga os fundamentos, 
as condições e as formas de realização do ensino, selecionando conteúdos e métodos em função desses 
objetivos, estabelecendo os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvolvimento 
das capacidades mentais dos alunos, ou seja, tratando da teoria geral do ensino.
Oliveira (1995) complementa ao dizer que os objetivos da didática são:
• refletir sobre o papel sociopolítico da educação, da escola e do ensino;
• compreender o processo de ensino e suas múltiplas determinações;
• instrumentalizar teórica e praticamente, o futuro professor para captar;
• resolver os problemas postos pela prática pedagógica; redimensionar a prática pedagógica através 
da elaboração da proposta de ensino numa perspectiva crítica de educação.
Diante dos conceitos apresentados, tenha-se em mente que, quando se alteram as visões do homem 
e de seu papel no processo de construção de mundo, isso inegavelmente modificará a finalidade da 
educação, assim como o papel do professor, do aluno, a metodologia, a avaliação, e, consequentemente, 
a forma de ensinar.
 Saiba mais
Para acompanhar dois exemplos de práticas não ortodoxas de ensino, 
assista aos dois filmes a seguir:
SOCIEDADE dos poetas mortos. Dir. Peter Weir. EUA: Touchstone 
Pictures; Silver Screen Partners IV, 1989. 129 minutos.
MENTES perigosas. Dir. John N. Smith. EUA: Buena Vista Pictures; Don 
Simpson/Jerry Bruckheimer Films; Hollywood Pictures; Via Rosa Productions, 
1995. 99 minutos.
4 UM NOVO MUNDO: GEOGRAFIA PARA ALÉM DA MEMORIZAÇÃO – A 
EPISTEMOLOGIA E O OBJETO DA GEOGRAFIA ENSINADA NA ESCOLA
As mudanças no modo de vida do ser humano, já na Antiguidade, quando ele adotou o sedentarismo, 
em detrimento do nomadismo, tiveram efeito na forma de obtenção de recursos para sua subsistência. 
Com isso, alteraram-se também as características da paisagem natural do espaço, devido à maior 
interferência humana. Podemos dizer que a Geografia já teria um objeto de estudo desde então.
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Alguns filósofos gregos, mesmo não mencionando diretamente a Geografia, oferecem importantes 
contribuições na percepção de espaço e suas formas de apropriação. Heródoto deixou importantes 
relatos de viagens pelo Mediterrâneo, e Hipócrates apontou elementos que vieram a ser apropriados 
pelo determinismo do século XIX, quando concluiu que o meio influenciava as sociedades.
Porém foi com Estrabão que de fato surgiu uma obra de cunho geográfico, a qual se ocupava de 
classificações físicas e relações de domesticação da natureza pelo homem, com práticas agrárias para 
sua subsistência.
Figura 1 – Arado
Somente no século XIX, entretanto, a Geografia assume seu caráter de disciplina acadêmica. As 
principais escolas que emergem nessa época buscam desenvolver um discurso capaz de justificar a ação 
das nações imperialistas nos continentes asiáticos e africanos.
Com a independência das nações americanas e o advento da Segunda Revolução Industrial, 
tornou-se necessário conquistar e procurar novas áreas, razão pela qual as nações europeias impuseram 
o que ficou definido pela Conferência de Berlim, que resultou na partilha da África, ou seja, na divisão 
de seu continente em territórios neocolonizados pela Europa.
Assim, o discurso adotado pelos imperialistas encontrou fundamento na Geografia que validou 
teoricamente o discurso europeu sobre os novos espaços colonizados. Podemos citar duas escolas 
clássicas desse período:
• Escola alemã (determinista): seus grandes pensadores foram Humboldt, Kant, Ritter e Ratzel, 
segundo os quais, as características do meio definiam as condições sociais, acreditavam que as 
sociedades europeias eram mais desenvolvidas por localizarem em climas temperados, diferente 
dos climas áridos da África.
• Escola francesa: criticava o determinismo alemão, pois fundamentava seu pensamento com 
explicações qualitativas e quantitativas nas relações entre a sociedade e natureza, estabelecendo, 
assim, o possibilismo geográfico. Nessa corrente, a justificativa para o imperialismo na África 
era justiçado pelo fato de que, mesmo em áreas inóspitas, era possível ocupar e dominar dadas 
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as suas técnicas mais desenvolvidas. Paul Vidal de La Blache, liderou o pensamento geográfico 
francês da época.
Fica evidente que a Geografia, em seus primeiros postulados, serviu como base estratégica para a 
geopolítica das principais potências do século XIX.
No Brasil, a escola geográfica também acompanhou a influência das potências mundiais.No século 
XIX, a independência politica do Brasil e de outros países da América do Sul distanciou a influência 
imperialista direta em nosso território tal como observou no hemisfério oriental, mas a influência 
europeia, dada a dependência econômica, permaneceu vigente no Brasil.
Com isso, a escola geográfica europeia também influenciou a produção nas universidades brasileiras. 
Por isso, a escola francesa contribuiu significativamente para a formação e implantação das primeiras 
escolas geográficas no Brasil, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Pierre Monbeig e Pierre Defontaines 
foram os geógrafos franceses que auxiliaram na implantação das escolas.
A Geografia desse período influencia até hoje na elaboração de alguns livros didáticos que optam 
pelo tradicionalismo e pela memorização de dados e informação, neutra e não politizada, distante de 
problematizações e compreensões.
Com a vitória dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial e o momento bipolar da geopolítica 
vivenciada pela Guerra Fria, a Geografia foi influenciada pela escola estadunidense, provocando, então, 
um processo de matematização e do reconhecimento da Geografia como ciência natural, distante de 
qualquer pensamento socialista e marxista: surge a Escola Teorética-Quantitativa, que preconizou a 
estatística, o armazenamento de dados e a disseminação de tecnologias.
Mesmo com as conturbações políticas das décadas de 1970 e 1980, surgiram correntes que 
criticavam a escola positivista que enfatizava a Geografia tradicional. Agora, a dinâmica da sociedade 
era o centro das discussões que preconizavam as diversas relações no espaço de vivência do ser 
humano, a luta de classes sociais e o pensamento marxista. Além de analisar e quantificar, agora é 
necessário criticar e transformar.
Nos livros didáticos, a introdução da Geografia crítica encontra obstáculos, isso porque há divergências 
entre docentes que compreendem a necessidade de construir um pensamento crítico e outros que ainda 
acreditam na prática tradicional da quantificação e memorização.
Na década de 1990, diante de tantas correntes geográficas existentes, sobressai-se a Geografia 
humanista que dará sustentação teórica à legislação educacional brasileira com ênfase à Geografia 
cultural e com entendimento que vai além da ciência, mas também valoriza a percepção das sociedades 
sobre as paisagens transformadas.
O principal geógrafo crítico brasileiro, professor Milton Santos, aponta que a Geografia deve 
dignificar-se a pensar no futuro de maneira ampla, complexa e não segregada. Assim, cabe a ela dominar 
o futuro e o homem de modo generalizado e amplo.
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Por isso, Milton Santos mostra que:
[...] agora, que a natureza modificada pelo trabalho humano é cada vez 
menos a natureza amiga e cada vez mais a natureza hostil, cabe aos que a 
estudam uma vigilância redobrada. E a Geografia, tantas vezes ao serviço da 
dominação, tem de ser urgentemente reformulada para ser o que sempre 
quis ser: uma ciência do homem (SANTOS, 1996, p. 213).
É nesse cerne que a Geografia crítica deve entender que:
A sociedade se transforma em espaço através de sua redistribuição sobre as 
formas geográficas, e isto ela o faz em benefício de alguns e em detrimento 
da maioria; ela também o faz para separar os homens entre si atribuindo-lhes 
um pedaço de espaço segundo um valor comercial: e o espaço-mercadoria 
vai aos consumidores como uma função de seu poder de compra. O estudo 
do espaço exige que se reconheçam os agentes dessa obra, o lugar que 
cabe a cada um, seja como organizador da produção e dono dos meios de 
produção, seja como fornecedor de trabalho (SANTOS, 1996, p. 213-214).
Mas como compreender essa criticidade a partir de fatos que ocorreram no decorrer na história? 
Para isso, vamos analisar a figura a seguir:
Figura 2 – Enchente
Se questionarmos nossos alunos em sala de aula, certamente haverá dificuldades ou respostas 
infinitas sobre qual rio está sendo retratado na foto acima. Porém, a historicidade e a interferência do 
homem no espaço podem promover transformações a partir da evolução das técnicas que somente 
o ser humano é capaz de desenvolver, tudo isso por sua necessidade de subsistência alimentar, sua 
segurança e as características sociais.
As transformações no decorrer do tempo devem importar à Geografia ensinada aos alunos. Por 
isso, ao se pensar numa didática específica para o ensino desta disciplina em sala de aula, devem ser 
priorizadas formas e métodos para evidenciar tais transformações.
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Como exemplo, podemos citar o rio Tietê, que banha a cidade de São Paulo. Nota-se que, em um 
século, ele passou por grandes intervenções, dada a grande ocupação econômica, urbana e espacial, 
mostrando que o homem foi dominando a natureza transformando o espaço natural em espaço 
geográfico.
Por outro lado, podemos também evidenciar essas transformações em ambientes internos nos 
modos de produção capitalista.
Há, por exemplo, os maquinários utilizados pelas indústrias nos Estados Unidos da América 
após sua Revolução Industrial. Naquele período, tais equipamentos evidenciavam um alto nível 
tecnológico para a época. Porém, os modos de produção e os equipamentos industriais também 
sofreram com a evolução das técnicas aperfeiçoadas pelo homem. Aliadas a isso, acrescentaram-se 
a cientificidade e a tecnologia.
Portanto, diante de tantas transformações, os modos de produção capitalistas que antes dava ênfase 
à produção industrial, hoje passou a preconizar a automoção, a mecanização e a robotização. 
O espaço geográfico é, portanto, o objeto de estudo da Geografia que estará carregado história e das 
relações entre homem e meio. Esse espaço não é homogêneo, mas vulnerável a mudanças, por conta 
de sua dinamicidade no decorrer do tempo e da história, isso pode ocorrer tanto numa cidade como no 
campo, dado o avanço tecnológico em ambos os habitats.
O espaço geográfico confunde-se com a sociedade que o constrói, porque ele não é um simples 
palco já que é reflexo e condicionante das mudanças ocorridas e promovidas pelo ser humano.
O ensino e a didática de Geografia merece focalizar sua atenção nessas novas dinâmicas, na 
capacidade de utilizar instrumentos visíveis e comparativos e que estejam próximos a realidade vivida, 
conceitual e problemática do aluno.
5 O SENTIDO SOCIAL DA ESCOLA E A ORGANIZAÇÃO DOS SABERES 
GEOGRÁFICOS NOS CURRÍCULOS ESCOLARES
Os tempos mudaram, vivemos em um mundo marcado pelo uso de materiais novos, instrumentais 
considerados desconhecidos até algumas décadas atrás. A Geografia também mudou, exigindo, dessa 
forma, outra postura dos docentes. A evolução tecnológica e midiática, e o acesso possível por parte dos 
alunos, frente a esses novos referenciais, tiveram de ser incorporados aos estudos e, portanto, exigiram 
do professor mais estudos e atualizações.
Lembremos que a Geografia, como disciplina escolar, ainda é reconhecida algumas vezes por se 
concentrar na memorização de conteúdos que explicam as paisagens, localizam lugares e territórios, 
acidentes geográficos, utilizando-se de mapas.
Realmente, ela faz isso, mas, acima de tudo, a Geografia relaciona os fatos, interpreta as 
características, permite refletir e explicar os fatos, estabelecendo relações entre os lugares, as 
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pessoas e os acontecimentos. Destacamos que, durante um longo tempo, o ensino da Geografia 
caracterizou-se por ser apresentado de maneira tradicional, baseando-seno método positivista 
analítico dedutivo-indutivo, mas foi mudando com o surgimento da Geografia crítica, cuja preocupação 
centralizava-se nas relações entre a sociedade, o trabalho e a natureza, isto é, na nomeada produção 
do espaço, negando os antigos pressupostos.
Atualmente, é privilegiada uma maneira mais dinâmica. Os estudos geográficos devem então 
ser baseados em seus conceitos fundamentais, relacionados a outros campos do conhecimento e 
a didática deve ser, acima de tudo, adaptada às séries, faixas etárias e realidade socioeconômica 
dos alunos.
Com isso, o educador deve ter a consciência de que está apresentando ao aluno a realidade sobre seu 
espaço de vivência e outros espaços, além do fato de não serem eles tão estáticos. Assim, é fundamental 
evidenciar a importância dos estudos geográficos, como campo de conhecimento, e deve ser promovido 
um resgate epistemológico, propondo soluções para qualificar a aprendizagem como uma consequência 
de um ensino adaptado ao mundo contemporâneo.
Caminhos para atrair os melhores
Um professor bem formado valoriza a profissão, é mais seguro em relação a seus saberes 
específicos e tem menos chance de abandonar a carreira, frustrado por não ajudar os alunos 
a avançar.
As deficiências de formação, que começam na Educação Básica, aprofundam-se 
nas Licenciaturas e nos cursos de Pedagogia- que deveriam tomar para si a 
responsabilidade pela ampliação do universo cultural dos futuros docentes. Segundo 
dados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), apenas 3% dos 
cursos de graduação em Pedagogia conquistaram o conceito máximo (nota 5). Além 
disso, apenas 28% das disciplinas dos cursos se referem à formação profissional 
específica, conforme revelou pesquisa da FCC para Nova Escola. A mudança passa 
pela transformação dos currículos da graduação, com o combate ao encurtamento 
do tempo de formação e a abertura de mais espaço para as didáticas específicas e as 
necessidades da Educação Básica.
Fonte: Paganotti (2010).
Assim, entende-se que o trabalho docente depende da transmissão de certos conceitos que fazem 
parte de uma realidade maior, o ato de ensinar determinado pela forma do professor instrumentalizar 
e posicionar-se diante da classe.
O trabalho nas escolas exige uma postura educacional e o desenvolvimento de um mecanismo 
coerente com a realidade à qual se depara o professor. O mecanismo teórico exige traçar uma linha 
didática coerente com os princípios que permitam chegar a um trabalho eficaz.
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 Lembrete
A educação, quanto à sua estrutura sistêmica, para ter um bom 
funcionamento, exige um conjunto de regras orientadoras e normatizadoras 
da vida em sociedade.
A disciplina Didática pretende, dessa forma, apresentar a Geografia de maneira prazerosa e funcional 
no sentido de acompanhar e compreender as transformações que ocorrem mundialmente, dando a ela, 
a Geografia, um status diferenciado daquele tradicional.
Compreender de forma ampla a realidade geográfica, no sentido de apreender as informações a 
respeito da paisagem, do território, do lugar com base na leitura do espaço natural e aquele construído 
pelos grupos humanos.
 Saiba mais
Para saber com maiores detalhes o que determinam os PCN a respeito 
de o aluno operar a Geografia conhecendo os procedimentos e métodos, 
observando, descrevendo, representando e construindo explicações, leia-os 
a seguir:
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros 
curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997. Disponível em: <http://
portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf>. Acesso em: 28 ago. 2015.
O trabalho docente depende da transmissão de certos conceitos que fazem parte de uma realidade 
maior, o ato de ensinar determinado pela forma de o professor instrumentalizar e posicionar-se perante 
a classe, o que é variável de acordo com o alunado e o lugar no qual se insere a escola.
 Lembrete
O trabalho nas escolas exige dos professores postura educacional e 
desenvolvimento de um mecanismo coerente com sua realidade específica, 
a fim de que o aluno aprenda a comparar e diferenciar os espaços e suas 
respectivas características.
Os objetivos a serem atingidos podem ser resumidos, a saber:
• Reconhecer bases cartográficas.
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• Discutir a dinâmica climática e sua influência na biodiversidade.
• Caracterizar as estruturas e os movimentos da população.
• Reconhecer a ação das sociedades na produção do espaço geográfico a partir da observação de 
fenômenos em escala local e mundial.
• Ensinar ao aluno um pensar geográfico conhecendo as especificidades da ciência geográfica, 
relacionando-a às outras ciências.
A Geografia exige uma didática flexível e prática, por meio da qual o aluno aprenda a analisar, 
explicar, representar e contextualizar os processos geográficos.
Quando a Geografia crítica é um pastel de vento e nós, seus profesores, Midas
Nestor André Kaercher
Diagnosticar o estado da arte do ensino de Geografia no Ensino Fundamental e Médio 
(EFM), ainda que seja a partir do microcosmo da cidade de Porto Alegre, pode ser um bom 
motivo para apontarmos entraves – obstáculos epistemológicos, segundo Bachelard (1996) 
– que emperram nossa ação pedagógica. E também, a partir do entendimento do modus 
operandi dos professores, vir a propor pistas para uma outra – entre tantas possíveis – 
forma de se relacionar com a disciplina e com os discentes.
Este trabalho não tem o caráter prescritivo, mas quer ser um pretexto para a discussão 
coletiva na busca da sempre necessária renovação das práticas escolares. A justificativa 
para a discussão desta temática, o ensino, encontro em Unwin (1992, p. 284): a maioria 
daqueles que dizem ser geógrafos profissionais se dedica a dar aula nas distintas etapas do 
sistema educativo. É, por isso, extraordinário que se preste tão pouca atenção ao ensino de 
Geografia nos centros (de ensino) superiores.
Aliado a isso, veremos que muitos autores criticam, além da pouca atenção à reflexão 
sobre o ensino, uma baixa densidade na discussão dos fundamentos epistemológicos da 
Geografia. Esta parca discussão decorre de uma concepção que considera ‘tudo é Geografia’, 
porque tudo ocorre no espaço. Então, qualquer assunto enfocado em aula será entendido 
pelos alunos como... geográfico. A isso chamarei de professor Midas geográfico, em alusão 
ao personagem mitológico que transformava tudo que tocava em ouro/Geografia.
A Geografia Crítica é/era uma utopia que queríamos alcançar: um ensino renovado, 
que fizesse o aluno pensar (= diferente do status quo), que politizasse as temáticas, enfim, 
que fizesse da Geografia uma disciplina atraente e de maior caráter reflexivo. Um sonho a 
perseguir ou a busca do paraíso aqui na Terra!?
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Utopia a construir, a partir de uma prática renovada, a partir de uma maior densidade 
teórica ou, uma quimera, algo inexistente e inexequível, à medida que só se renovou o 
palavreado? Uma casca diferente para um conteúdo que continuasse muito semelhante à 
Geografia Tradicional? Lembrando o clássico ‘O Leopardo’, de Lampedusa (2002, p. 228-231): 
as coisas tem que mudar para... não mudarem!
A hipótese que levantamos é a Geografia Crítica como um obstáculo epistemológico 
(Bachelard), ou como uma palavra-mestra (Morin, 1986). Geografia Crítica uma idéia, uma 
palavra-gesso, pois, o rótulo ‘crítico’ rebaixa, engessa a discussão. Em nome da Geografia 
Crítica criticamos aosoutros, mas esquecemos de pensar em nossas crenças e práticas.
Em nome da Geografia Crítica corre-se o perigo de fazer da Geografia um pastel de 
vento: boa aparência externa, mas pobre na capacidade de reflexão. Muito conteudismo, 
baixa reflexividade.
Parece que a formação inicial dos licenciados em Geografia tem trabalhado numa lógica 
demasiadamente conteudista e dicotômica (primeiro, nos departamentos de Geografia, o 
conteúdo da Geografia, depois, na Faculdade de Educação, os contéudos para se transformar 
em professor).
O modelo de professor está calcado excessivamente na crença da racionalidade, que 
coloca ênfase, quase exclusiva, no professor como um repassador de informações, um 
agente que se relaciona com seus alunos apenas através do seu lado racional.
Que espaço a formação inicial tem dado para se refletir em aspectos ‘não racionais’ da 
docência: o conflito, o medo, a insegurança, a resistência, a indisciplina, o desinteresse, o 
desejo?
Evitamos intencionalmente, definir a priori nossas concepções de Geografia, e, mais 
ainda, evitamos listar também a priori, um somatório de ‘virtudes’ a serem perseguidas 
pelos professores.
Seria um exercício idealista e inócuo: projetar um modelo ideal de professor, a partir da 
adição de uma série de positividades (saber bastante Geografia, fazer bom uso dos recursos 
didáticos, só para citar dois exemplos) que cada um dos professores observados apresentasse. 
Sabemos: não há professor ideal, menos ainda apontado num estudo acadêmico, distante 
do calor do dia a dia da sala.
A práxis, a existência humana necessitam/implicam a modelagem do espaço. O homem 
configura os espaços conforme seus interesses e necessidades – claro que com as limitações 
da natureza – e, ao fazer-se civilização, deixa suas marcas no espaço. Estas marcas, uma 
vez construídas (uma casa, uma estrada, uma fábrica, uma drenagem, uma irrigação, etc.) 
muitas vezes condicionarão a existência das futuras gerações.
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Vários autores (SPOSITO, 2004, p. 28; CASTRO, 1995, p. 347; UNWIN, 1992, p. 
269, VALCÁRCEL, 2000, p. 104-105), dentre muitos outros, falam da fragilidade 
da discussão epistemológica e/ou filosófica da Geografia. Ao mesmo tempo que 
constatamos essa consensual pobreza na discussão – com a qual, muitas vezes, 
concordamos -, convém também não desconsiderar dois aspectos que relativizam 
tal crítica. Primeiro: o debate está ocorrendo permanentemente e o aumento 
de autores e publicações que se atrevem neste campo é dado nada desprezível. 
Segundo, e talvez, mais importante: não haverá ‘conselho de sábios’ nem congresso 
que conseguirá, de uma vez por todas, resolver nossas carências teóricas. Para 
tais lacunas, que são históricas de nossa constituição como saber acadêmico, 
não há solução, a não ser fazer o que já está ocorrendo: estudar e escrever sobre 
a Geografia e seus temas. Publicizar nossas idéias para que elas sejam postas à 
discussão pública e assim fazer avançar a Geografia.
Como educador-geógrafo partimos de dois a prioris. Primeiro: que os alunos são 
capazes de melhoria, capazes de superarem o estado atual em que estão na direção 
de outro estado que nós reputamos – e eles aceitam, não sem conflitos e impasses 
– preferível ao anterior. Aposto no crescimento deles, mas sem jamais estar certo do 
resultado, sem jamais poder dizer se o crescimento ocorrerá, nem quando e nem como. 
E, segundo: nossa atuação pode fazer diferença. Ou seja, ao mesmo tempo que a razão 
é limitada em seu poder de educar e de seduzir, ela pode melhorar minha capacidade 
de educar e de seduzir. Em outras palavras o educador não é nada nem tudo, mas um 
algo não desprezível.
Todo aquele que ensina, é, portanto um crente e um apostador: ele sabe o que ensina, 
mas, além disso, precisa acreditar no que ensina. Precisa crer, também, que é capaz de 
fazê-lo e, sumamente importante, que tenha vontade de fazê-lo. Veremos que a falta 
de vontade de educar constitui um importante obstáculo epistemológico na busca 
de uma educação mais atrativa ao educando. Falta despertar desafios cognitivos para 
os alunos, falta relacionar escola e vida, a fim de que o aluno perceba o vínculo dos 
assuntos trabalhados com sua vida extra-escolar. Sonhar: é preciso despertar o ‘potencial 
adormecido’ nos alunos.
Ao mesmo tempo, concordamos com Hannoun (p. 32), quando diz que, a educação 
assume todo o seu sentido, quando o educador constrói seu ‘suicídio pedagógico’, isto 
é, quando, em consequência de sua própria ação, visar a pavimentação do caminho de 
sua própria inutilidade junto ao educando, ao facilitar sua autonomia, ou seja “o suícidio 
pedagógico do mestre e a autonomia do aluno são as duas facetas inseparáveis do ato 
educacional” (p. 32).
O professor pode muito; pode aperfeiçoar seus métodos de ensinar. Mas, o mais 
essencial na relação de ensino e aprendizagem está em outro ‘lugar’; – que não sua técnica 
ou vontade – está no aluno, no seu desejo de saber, aprender. Desejo este que é imprevisível 
e, com certeza, incontrolável por nós. Esse é um não-poder importante dos educadores: 
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atuar sobre o desejo do outro. Fabricar este desejo será possível? Quimera ou necessária 
utopia? Atualmente, creio na segunda hipótese.
Buscamos a Educação não para manipular, controlar e/ou sujeitar os educandos, 
mas para desenvolver neles o desejo de aprender, não só a beleza e a complexidade da 
Geografia, mas sobretudo, a partir dela, pensarem a beleza, a miséria e a complexidade 
da nossa existência (KAERCHER, 2003a), o saber não apenas como algo possível 
ou necessário, mas algo desejável. Aqui, mais um obstáculo: para que seja possível 
desenvolver o desejo do aluno em aprender é preciso que o (futuro) professor também 
tenham este desejo. E, neste quesito, a situação atual da educação pública brasileira 
não é alvissareira.
Uma ‘boa’ educação é aquela que ajuda o educando a criar-se na autonomia 
e a independentizar-se, desenvolvendo nele a capacidade de agir livremente, mas 
sempre lembrando que nossa opinião é uma crença com a consciência de ser 
insuficiente. E, por saber-se insuficiente, muitas vezes, formula mais questões do 
que finaliza com respostas.
Todo educador, ao se deparar com um grupo de alunos, vá além dos conhecimentos 
de sua disciplina! Então, que ele faça filosofia quando lecionar Geografia! Que faça da 
Geografia uma forma de filosofar.
O aluno devedor e o professor que não professa levam a uma baixa aprendizagem
As considerações que seguem resumem nossas observações (154 horas/aula de dez 
professores – aqui nominados P1, P2,... P10 – de Geografia) acerca do uso – ou não – de 
alguns suportes didáticos: mapas, livro-didático e quadro negro.
Nem sempre o mapa é importante, pois a aula, o conteúdo se baseiam em textos ou 
tarefas que o dispensam. Mas, de pronto se pode concluir das observações: é muito, muito 
mais comum o assunto requerer explicitamente o uso de mapas e este não ser usado.
Quando dizemos que o mapa seria ‘imprescindível’ ou ‘muito útil’ estamos nos referindo 
a situações tais como: início de um novo conteúdo (continente africano, por exemplo); ou 
quando os alunos têm um texto (livro-didático ou fotocópia) que contém um mapa; ou 
quando o professor cita vários lugares pressupondo que os alunos estão se localizando; ou 
até mesmo quando o assunto é mapa/escala/legenda, em suma, quando o uso do mapa, 
mais do que um complemento ou mera informação é/seria componente fundamental para 
o entendimento e a visualização do que está se falando.
E quando o mapa aparece, isto é, é levado para a sala, é pendurado, é muitocomum 
ele não ser usado. Se usado, geralmente é apenas para apontar genericamente uma região. 
É muito mais um elemento decorativo do que didático. Fazendo uso das palavras de 
Souza e Katuta (2001, p. 120) e mais, incluindo-nos nesta orfandade:
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A contradição relatada ocorre porque, apesar de alguns pesquisadores 
afirmarem ou darem a impressão de que o mapa sempre foi utilizado no 
ensino de Geografia, o que vemos ou podemos observar na realidade é, como 
dissemos anteriormente, um paradoxo entre o que os pesquisadores afirmam 
e o que ocorre no ensino dessa disciplina, porque na maioria das vezes impera 
um certo abandono, descaso e subutilização desse meio de comunicação em 
razão de um discurso tido como geográfico, mas que na verdade empobrece 
o papel da escola e da própria Geografia. Foi o que ocorreu com boa parte de 
professores de Geografia formados sob a égide daquilo que conhecemos sob o 
rótulo de Geografia Crítica. A nosso ver, num determinado momento histórico 
houve um certo descuido com sua formação cartográfica.
Então, se pode dizer que o uso do mapa, nas aulas de Geografia observadas, é bastante reduzido. 
O mesmo vale para a análise/explicação dos mapas, gráficos, tabelas e outros dados que aparecem 
nos livro-didático. O que nos leva a algumas hipóteses: ou o professor não julga importante as 
informações ali contidas, ou ainda, acredita que tais informações já estão incorporadas, entendidas 
pelos alunos, ou pior, ele próprio domina pouco este importante instrumental.
Fonte: Kaercher (2007).
5.1 O planejamento da aula de Geografia
O planejamento de uma aula de Geografia ou de qualquer outra disciplina, seja ela do ensino básico 
ou do Ensino Médio, como vimos no livro-texto e no que concerne à didática, tem como prioridade o ato 
de ensinar e para que isto seja possível é necessário planejar, de forma detalhada como será realizada a 
proposta didática.
O que representa então o planejamento?
Planejar para a educação é tomar determinadas decisões para traduzi-las, posteriormente, em 
termos operacionais. São os procedimentos necessários na escola e na sala de aula. De acordo 
com Oliveira (2007), o ato de planejar exige o conhecimento da realidade daquilo que se deseja 
planejar, pois assim se conseguem evidenciar quais são as principais necessidades que precisam 
ser trabalhadas. Para que isto seja possível o professor deve partir de um processo de sondagem 
da realidade daquilo que ele pretende planejar, para assim traçar finalidades, metas ou objetivos a 
serem trabalhados.
 Lembrete
Um bom planejamento deve ser elaborado em função das necessidades 
e condições reais do local, do público envolvido e dos recursos 
disponibilizados. Por isso, ele deve ser flexível para ajustes posteriores, mas 
sempre expressando os conteúdos com clareza e precisão.
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 Saiba mais
Para saber mais sobre o momento certo e a importância da aula 
expositiva, leia a reportagem a seguir:
FERNANDES, E. Aula expositiva: o professor no centro das atenções. 
Revista Nova Escola, Planejamento, São Paulo, out. 2011. Disponível em: 
<http://revistaescola.abril.com.br/formacao/formacao-continuada/50-ideias- 
2010-518585.shtml>. Acesso em: 31 ago. 2015.
Então, o que significa planejar uma aula?
Vamos recordar que, no processo ensino e aprendizagem, para que alcancemos bons resultados, 
devemos sempre organizar nossa aula, nos prepararmos para tal desempenho; então, como fazer isso?
• Inicialmente tomando contato com o tipo de público com que vai trabalhar.
• Conhecendo a programação daquilo que vai ensinar.
• Estabelecendo estratégias para administrar aquele conteúdo.
• Quais os mecanismos utilizados para a aula: mapas, lousa, power points, vídeos, computador, 
músicas, obras literárias, artigos publicados, enfim, uma variedade de ferramentas complementares 
ou que reforcem o conteúdo ensinado.
• Cumprir com os objetivos traçados que é levar os alunos a:
— Reconhecerem as bases cartográficas necessárias para a identificação dos fatos geográficos.
— Discutirem a dinâmica climática, a biodiversidade e as alterações ambientais.
— Caracterizarem as estruturas e os movimentos populacionais.
— Reconhecerem a ação das sociedades na produção do espaço geográfico a partir da observação 
de fenômenos em escala local e mundial.
— Ensinar o aluno a pensar geograficamente, conhecendo as especificidades da Ciência 
relacionando-as às demais ciências.
A Geografia exige uma didática flexível e prática por meio da qual o aluno possa aprender a analisar, 
explicar, representar e contextualizar os processos geográficos, bem como as relações entre homem, 
sociedade e meio ambiente, ou seja, a contextualização do território.
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Estratégias de trabalho:
• aulas expositivas e dialogadas;
• pesquisas, leituras complementares e discussões sobre textos teóricos e exemplos didáticos do 
ensino da Geografia. Sugestões de filmes, textos literários, letras de música e outras formas 
didáticas sobre a melhor maneira de transmitir os conteúdos geográficos.
São sugeridos também, pelos PCN, temas transversais para serem trabalhados em aula, Ética, Meio 
Ambiente, Saúde, Orientação Sexual e Pluralidade Cultural.
Quanto ao uso de mapas conceituais, os quais têm importância muito significativa para o ensino 
geográfico, Ausubel (1982), em sua obra, indica vantagens e desvantagens do uso de mapas conceituais 
do ponto de vista instrucional.
6 DIFERENTES FORMAS DE AÇÕES DIDÁTICAS
6.1 Formas de vida contemporânea e reflexão sobre os espaços do habitar 
nas cidades
Aqui, pretendemos mostrar como podemos encaminhar em sala de aula boas discussões sobre 
Geografia urbana. O tema dessa aula pode ser planejado junto com os professores de história, sociologia 
e filosofia, pois os temas de que trataremos dizem respeito a todas as áreas das ciências humanas, 
inclusive as atividades artísticas.
Em primeiro lugar, é preciso começar com um estudo de caso de Geografia urbana ou urbanismo 
para os alunos terem ideia do que significa elaborar um estudo sistemático e científico sobre uma 
cidade. Tomamos como exemplo a obra de Teresa Caldeira: Cidade de Muros: Crime, Segregação e 
Cidadania em São Paulo (2000). A análise desse estudo propiciará ao aluno compreender a complexidade 
e interdisciplinariedade da abordagem pedagógica do fenômeno urbano.
Num segundo momento, de posse do diagnóstico dos problemas urbanos trazidos pela autora, 
pode-se ponderar, junto com os alunos, o quanto este estudo de caso nos ensinou um novo modo de 
pensar a cidade, um novo modo de olhar a paisagem e uma compreensão mais concreta da produção 
do espaço nas cidades.
6.1.1 Um exemplo de estudo urbano: cidade de São Paulo
Um dos trabalhos clássicos que congrega Geografia urbana, sociologia urbana e urbanismo, foi 
elaborado por Teresa Caldeira, no início deste século, em 2000, tomando como caso a cidade de São 
Paulo e traçando uma retrospectiva histórica da urbanização paulistana, sempre interrogando o modo 
de circulação das pessoas na cidade. Ela classifica o processo de urbanização em três fases:
• uma primeira, em que a cidade era relativamente concentrada;
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• a segunda, em que ela assume o padrão centro-periferia;
• a terceira, em que prevalece um padrão geográfico heterogêneo,com áreas centrais e distanciadas, 
contendo bolsões de pobreza e riqueza convivendo lado a lado.
A primeira fase em que a cidade não era tão grande e congregava a elite na parte mais alta da 
cidade, próximo ao espigão da Av. Paulista e os pobres nas partes mais baixas, próximos às várzeas dos 
rios e linhas férreas. Na época, a preocupação com a ordem e a limpeza, bem como a tentativa de copiar 
as cidades europeias resultaram em nomes de bairros como Higienópolis e Campos Elíseos, sempre 
relacionados à moralidade.
Na segunda fase, época de crescimento vertiginoso, veloz e desordenado da cidade, o padrão 
centro-periferia consolida-se graças a uma miríade de fatores, privilegiando a lógica da especulação 
imobiliária que forçou os trabalhadores a se deslocarem cada vez mais para as periferias, deixando as 
áreas intermediárias ociosas para a especulação.
Nos anos 1970, essas áreas intermediárias serão cada vez mais ocupadas por edifícios de classe 
média, cujos apartamentos seriam ironicamente financiados pelo BNH. A construção das casas dos 
trabalhadores na periferia, em geral, era deixada a cargo dos próprios trabalhadores que as iam 
construindo aos poucos, cômodo por cômodo. Caldeira diz que do total de recursos fornecidos pelo 
SFH entre 1965 e 1985, apenas 6,4% foi para famílias com renda menor do que 3,5 salários mínimos. 
(CALDEIRA, 2000, p. 226).
Figura 3 – Verticalização das áreas intermediárias da cidade de São Paulo
O sistema de transporte era o uso de ônibus para os pobres e automóveis para os mais ricos, não 
havia metrô; os automóveis custavam ainda muito caro, a malha ferroviária cobria uma área muito 
escassa, considerando-se a dimensão da cidade. Data dessa época a gigantesca expansão urbana que 
extrapolou a cidade para além dos limites administrativos do município criando a região metropolitana 
de São Paulo ou a Grande São Paulo (GSP), cuja característica mais marcante era dos municípios 
limítrofes desta grande área abrigarem as cidades dormitórios, assim conhecidas devido ao tempo 
enorme de deslocamento entre a casa e o trabalho a que esses trabalhadores tinham de submeter-se, 
como consequência, a permanência em casa limitava-se ao período de dormir. A criação do metrô, 
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décadas depois, diminuiria em mais da metade o tempo de deslocamento deles. Também foi nesse 
período que ocorreu o grande movimento migratório do Nordeste com destino às grandes cidades do 
Sudeste, população pobre destinada a preencher os cargos menos remunerados e habitar os municípios 
periféricos da GSP.
Caldeira também afirma que, enquanto as áreas centrais recebiam investimentos públicos na 
instalação de equipamentos urbanos, praças, asfaltamento, instalação de redes de água e esgoto 
sanitário, iluminação e demais equipamentos urbanos, na periferia a urbanização ficou por conta da 
iniciativa privada que fazia os loteamentos. O resultado foi uma periferia sem asfalto, eletricidade, 
esgotos, escolas, telefones e equipamentos de saúde, e o mais agravante é que esses loteamentos 
deixados a cargo da lógica da especulação imobiliária forçou trabalhadores a deslocarem-se cada vez 
mais para a periferia, sem falar na quantidade de projetos ilegais que acabaram vendendo lotes que não 
existiam ou que nunca sabiam sua localização no “meio do mato” (CALDEIRA, 2000, p. 220).
O terceiro padrão urbano, o atual, segundo Caldeira, tem sua gênese no final dos anos 1980 e início 
dos anos 1990, caracterizando-se pelo rompimento do padrão centro-periferia e pela “co-habitação” 
em espaços muito próximos geograficamente de ricos e pobres, fato que não tardará em resultar na 
construção de enclaves e condomínios fortificados, residenciais ou de escritório. “Uma cidade de muros 
com uma população obcecada por segurança e discriminação social” (CALDEIRA, 2000, p. 231).
O quadro tem origem em vários fatores:
• O padrão demográfico mostrava uma população rica que se mantinha estável e uma população 
pobre que se reproduzia rapidamente.
• Parte da classe média desloca-se para condomínios fechados em áreas distantes do centro.
• Como consequência disso, os bairros centrais começam a perder população.
• Os cortiços começam a ser uma opção de moradia para os novos pobres para os quais mesmo a 
autoconstrução nas periferias era uma alternativa inviável (nos bairros do Brás, Moóca, Liberdade 
e Belém).
• Contribuíram para este quadro, também, as fábricas que deixaram as áreas centrais para se 
instalarem em outras localidades, em cidades médias.
• Então, ao invés de um padrão clássico centro-periferia, assiste-se a um padrão heterogêneo que 
mistura bolsões de riqueza e pobreza em todos os lugares.
Ao final dos anos 1980 e com a crise dos 1990, fica difícil para a classe média financiar seus 
apartamentos, e os incorporadores centram-se no mercado das classes médias altas. Nascem, assim, os 
bolsões de riquezas em áreas periféricas, como Morumbi e Vila Andrade. Nesses bairros, são construídos 
os primeiros condomínios murados em áreas de grande extensão territorial, no mesmo distrito que 
abriga uma das maiores favelas de São Paulo, Paraisópolis.
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Figura 4 – Favela Paraisópolis e condomínios verticais de luxo
Então, em vez do padrão clássico centro-periferia, assiste-se a um padrão heterogêneo, que mistura 
bolsões de riqueza e pobreza em centros, áreas intermediárias e periferias, não somente para moradia, 
mas também lazer, comércio e escritórios. Quando instaladas em áreas não centrais, os condomínios 
e escritórios de classe média engendram um forte esquema de segurança com muros e policiamento, 
inclusive às vezes com fechamento de pequenas ruas com guaritas ou portões, demarcando ali os 
contornos de uma área de circulação privada.
Condomínios horizontais de moradia de classe alta passam a incluir também shoppings, centros de 
escritório, escolas e equipamentos de saúde, consultórios etc. Estes primeiros exemplos de condomínios 
podem ser encontrados em municípios distanciados da GSP, como os de Barueri (o famoso Alphaville) e 
Cotia ou Carapicuíba (Granja Viana).
 Observação
Caldeira nos lembra que, ironicamente, o nome Alphaville faz alusão a 
um famoso filme do cineasta Jean-Luc Godard, que versa sobre uma cidade 
imaginária num futuro dominado pela tecnologia (CALDEIRA, 2000, p. 254).
O forte esquema de segurança e o isolamento dessas áreas fizeram delas conhecidas pela alcunha 
de “enclaves fortificados”.
6.1.2 O alcance e limite desse estudo de caso na aula de Geografia humana
De posse do diagnóstico dos problemas urbanos desse estudo de caso, pode-se avaliar, junto aos 
alunos, o quanto o exemplo nos ensinou um novo modo de pensar os espaços da cidade, de olhar a 
paisagem e uma compreensão mais concreta da produção do espaço.
Concluindo, a elucidação do estudo ajuda o aluno a compreender que a gênese da configuração de 
um espaço, como a da região metropolitana de São Paulo, assim como de outras grandes cidades, é uma 
questão complexa que requer a consideração de vários fatores de natureza distinta, a saber:
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• O aluno compreende que a configuração do espaço não se dá por acaso. Compreende que 
esses fatores envolvem questões econômicas: recessão econômica, desindustrialização e 
expansão de atividades terciárias, especulação imobiliária, importação de mão de obra 
barata etc.
• O aluno compreende que as questões econômicas estão intimamente relacionadas com os padrões 
demográficos. Compreendeque esse novo padrão urbano resultou da reversão do crescimento 
demográfico das áreas centrais. Percebe que as mulheres de classe média e alta assumem padrões 
reprodutivos diversos (os fatores serão estudos no curso de Geografia da população). Percebe que o 
deslocamento das populações revela o padrão migratório de uma época, no caso, o deslocamento 
dos pobres do Nordeste às periferias de São Paulo.
• Percebe aspectos culturais da cidade, por exemplo, que os preconceitos contra os nordestinos não 
têm origem numa suposta “essência” ruim do povo, mas no desnível em relação à sua condição 
social precária e condições sub-humanas de vida a que ele esteve submetido na GSP.
• Os alunos percebem que a relação entre ética, política e economia é fundamental para definir 
padrões espaciais. Percebe que, quando o Estado ou a população organizada não intervém, nem 
vigia as ações de certos atores sociais, as consequências podem ser danosas à população. Por 
exemplo, os loteamentos realizados “no meio do mato”, onde não se dispunha de infraestrutura 
alguma, em contraposição à reserva das áreas centrais para a especulação imobiliária, ou então o 
privilégio de o financiamento pelo BNH ser direcionado às classes médias, relegando aos pobres 
apenas a alternativa da autoconstrução.
• Percebe como a configuração espacial, decorrente de inúmeros fatores, influencia numa certa 
psicologia social, como a ampla difusão do medo do crime, típica da terceira etapa da urbanização 
de São Paulo, não apenas porque houve aumento do crime, mas porque a desigualdade social 
tornou-se mais visível e explícita, fenômeno que instiga o crescimento da intolerância entre os 
grupos e o desenvolvimento de técnicas sofisticadas de isolamento e de segurança, alimentando 
os ciclos de medo, preconceito, segregação e violência.
• Fica clara, para o aluno, uma das questões mais importantes da ciência geográfica: a de que o 
espaço urbano, ou melhor, a configuração espacial urbana não é somente reflexo ou consequência 
de fatores socioeconômicos, mas também, e sobretudo, causa de outros fatores econômicos, 
demográficos, sociais, culturais etc.
• A consequência do conhecimento desse processo social será a do apuramento crítico do 
alunado em relação a certos comportamentos que, antes, poderiam parecer automatizados. 
Por exemplo, quando seu pai resolve colocar insufilme preto nas janelas do carro, ele pode 
questionar o sentido disso, colaborando então para diminuir a cultura do medo na cidade, ou 
seja, um estudo geográfico bem conduzido pode levar o aluno a perceber que gestos simples 
como esse tomam lugar numa estrutura muito maior e que, a ação consciente de cada um faz 
muita diferença.
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7 UMA DISCIPLINA QUE POSSIBILITE LER O MUNDO E OS ESPAÇOS VIVIDOS
[...] Compreender o lugar em que vive, permite ao sujeito conhecer 
a sua história e conseguir entender as coisas que ali acontecem. 
Nenhum lugar é neutro, pelo contrário é repleto de história e com 
pessoas historicamente situadas num tempo e num espaço, que pode 
ser o recorte de um espaço maior, mas por hipótese alguma é isolado, 
independente [...] (CALLAI, 2000, p. 35).
A ênfase recente para o ensino de Geografia toma como referencial importante o lugar, o espaço 
vivido pelos sujeitos, facilitando a relação dessa realidade com outros espaços e sociedades.
Estudamos os espaços vividos por meio da análise dos lugares. Para a Geografia, “lugar” quer 
dizer cada um dos espaços em que uma pessoa vive e com os quais cria diferentes vínculos afetivos; 
significa entender o que acontece no espaço onde se vive, para além das suas condições naturais 
ou humanas. O conjunto dos lugares onde cada indivíduo mora e cumpre sua rotina diária é o 
espaço vivido.
Um mesmo lugar pode ter significados diferentes para cada pessoa, considerando as experiências e 
vivências estabelecidas. Por exemplo, a escola é um lugar com significados diferentes para o professor, 
o aluno e o vigia que nela trabalham. Uma floresta e um rio terão significados diferentes para cada 
grupo em função das relações sociais e econômicas estabelecidas: um grupo indígena concebe a 
floresta e o rio como recursos naturais dos quais pode retirar seu sustento; e o rio, também como 
meio de transporte. Assim, a floresta é seu meio de subsistência e sobrevivência, bem diferente de 
um grupo de turistas, por exemplo, que vai à floresta a passeio ou ao rio para pescar: neste caso, a 
floresta e o rio representam lazer.
O lugar também é o espaço de produção e reprodução da vida, que se dá com base nas relações de 
trabalho.
Compreender o lugar em que vive, permite ao sujeito conhecer sua história e conseguir entender as 
coisas que ali acontecem.
Um lugar também é a reprodução, num determinado tempo e espaço, do mundo.
Essas são reflexões voltadas a dar um novo sentido para a Geografia e pensar num ensino que possa 
desenvolver no aluno a capacidade de raciocínio, análise e compreensão no mundo em que vive.
Uma prática pedagógica que se propõe a inovar deve permitir ao aluno observar, descrever, comparar 
e analisar o que acontece na realidade, desenvolvendo habilidades intelectuais mais complexas. Para 
isso acontecer, faz-se necessário que o aluno aprenda a ler mapas, conheça os símbolos das legendas, 
consiga hierarquizar os fenômenos e perceber os detalhes em diferentes escalas, o que significa ser 
alfabetizado em Geografia.
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Os conhecimentos devem ser ressignificados, reelaborados a partir dos contextos para que eles 
possam ser efetivamente apropriados. Eles devem servir como instrumento de compreensão e de 
transformações do mundo e não como matéria de prova. Os alunos devem trabalhar os conhecimentos 
escolares não só na sua escola, mas na própria vida.
As construções didáticas das aulas também devem passar por uma articulação de ações. É 
preciso que o professor, ao elaborar a aula, desenvolva uma consciência e uma mediação que 
promovam o conhecimento dos alunos, por meio de procedimentos pertinentes para articular 
os saberes geográficos ao cotidiano do aluno e que, na execução dessas ações, transponha os 
conteúdos e os conceitos da disciplina, a fim de que o aluno compreenda, por meio dos fenômenos 
geográficos, seu cotidiano.
O papel da didática em Geografia é encaminhar ações dos professores para que trabalhem o espaço 
como vivência do aluno como um palco de possibilidade de ensino e aprendizagem. Buscando uma 
reflexão de conteúdos e conceitos a serem escolhidos, promovendo seu papel político, social e crítico 
para auxiliar a compreensão desse espaço. Fazer análise geográfica significa dar conta de estudar, 
analisar, compreender o mundo com o olhar específico da Geografia – entender as dinâmicas sociais, 
como se dão as relações entre os homens e as deles com a natureza, quais as limitações, condições e 
possibilidades econômicas e políticas que interferem.
O professor de Geografia, ao selecionar determinado conteúdo, precisa estruturar suas aulas 
e prepará-las, criando métodos de aprendizagem, fazendo o aluno perceber e transpor aquele 
conhecimento apreendido para seu cotidiano. O processo de ensino é uma ação conjunta e indissociável 
entre o professor e o aluno, pois o objetivo central da aula é a transposição do conhecimento, para 
que, assim, o aluno possa fazer uma leitura crítica do espaço em que vive, deixando de ser um mero 
reprodutor de conteúdos.
O ensino e a aprendizagem são possibilidades de intervir e mediar saberes que desenvolvam 
competências, habilidades e um conhecimento escolar que contribuirá para que o aluno conduza sua 
vida sem alienação,cabendo à Geografia escolar possibilitar aos alunos um pensamento crítico sobre o 
espaço e o lugar, buscando a construção da cidadania.
[...] A educação geográfica contribui para que os alunos reconheçam a ação 
social e cultural de diferentes lugares, as interações entre as sociedades e a 
dinâmica da natureza que ocorrem em diferentes momentos históricos. Isso 
porque a vida em sociedade é dinâmica, e o espaço geográfico absorve as 
contradições em relação aos ritmos estabelecidos pelas inovações no campo 
da informação e da técnica, o que implica de certa maneira, alterações 
no comportamento e na cultura da população dos diferentes lugares [...] 
(CASTELLAR; MORAES, 2010).
Ensinar Geografia é permitir que o aluno compreenda as transformações dos fenômenos geográficos 
que interferem no modo de vida não só do aluno, mas da sociedade na qual vive.
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7.1 Os estudos de Geografia econômica e o aluno consumidor
7.1.1 Do cidadão imperfeito ao consumidor mais que perfeito
Em O Espaço do Cidadão, de 1987, o geógrafo Milton Santos propõe a ideia dicotômica de que o 
povo brasileiro teria passado, graças a um longo período de exposição a políticas neoliberais, da condição 
de “cidadão imperfeito”, ou seja, condição anterior à cidadania plena, ao estatuto de “consumidores 
mais-que-perfeitos”, ou seja, sociedade brasileira ter-se-ia composto de indivíduos dotados do direito 
universal ao consumo, e essa prática passaria a justificar as práticas mais especulativas do capital 
financeiro, a fim de abocanhar seu exército de consumidores, ou seja, a primeira conclusão a que se 
pode chegar disso é que consumidor e cidadão não se equivalem. Nesse sentido, pode-se perguntar que 
mudanças teriam se dado no decorrer desses 30 anos: os brasileiros ainda vivem esta dicotomia? Como 
se pode superá-la?
O cidadão é aquele que se apropria dos instrumentos necessários para uma participação consciente 
e crítica da vida cultural, social, política e econômica de uma sociedade. Segundo Paulo Freire (1993), 
esse cidadão deve estar no gozo dos seus direitos civis e políticos e ter consciência social e política que o 
habilite a transformar a si mesmo e engajar-se na luta por transformações, seja em seu local de moradia 
e trabalho, seja em níveis mais abrangentes.
Para essa transformação acontecer, um dos papéis mais importantes é o da educação com o 
objetivo de eliminar a distância entre o texto da lei e o efetivo reconhecimento do direito nas relações 
cotidianas. Nesse processo de conhecimento, desenvolve-se a consciência desses direitos e deveres, e 
sua consequente mobilização que direciona e orienta a ação política.
O amadurecimento da condição de consumidor – a não aceitação de qualquer produto, a questionar 
a qualidade e as condições de oferta desse produto – passa pela reflexão de como devem ser as relações 
entre os indivíduos da sociedade brasileira e desta com a natureza. Faz-se necessário pensar fora da 
estrutura que lhe é dada, não é apenas reclamar, e sim superar as imposições de um mercado.
Para a construção desse aluno, é necessário:
• ter consciência crítica para distinguir necessidade e desejo;
• responsabilidade social, consciente das consequências das ações junto a outros grupos sociais;
• responsabilidade ecológica de suas ações no meio ambiente e o uso dos recursos naturais;
• responsabilidade política e consideração dos seus interesses nas políticas que o afeta e a outros 
grupos de cidadãos;
• exercício da prática política na construção de espaços públicos de direitos e participação 
consciente;
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• desenvolver técnicas para tomar decisões sobre a compra de bens e serviços à luz dos valores 
pessoais, sobre a utilização dos seus recursos, sobre alternativas que estão disponíveis, as mudanças 
na economia e aspectos ecológicos;
• adquirir conhecimentos sobre as leis, direitos e métodos para participar efetivamente e com 
segurança no mercado e entender os mecanismos de reparação de danos;
• desenvolver a percepção de um novo papel na sociedade: do cidadão/consumidor na economia, 
no sistema social e no governo e atuar politicamente para que esses sistemas se tornem sensíveis 
às necessidades de todos.
Enfim, atuar com ética e solidariedade, exercendo o dever de agir ante a injustiça, a liberdade de 
escolha, a atualidade de manter e cobrar sempre o senso de responsabilidade diante do outro com 
atitudes e valores conscientes que levam ao caminho de superar a dicotomia cidadão-consumidor.
7.1.2 Conceitos da Geografia econômica
Para compreender a gênese dos processos econômicos, o professor de Geografia, desde o Ensino 
Fundamental, é relevante. O aluno deve compreender que os principais aspectos da economia de um 
lugar são apreensíveis a partir de conceitos que fornecem o caminho do ciclo econômico capitalista, 
desde os conceitos de matéria-prima, tecnologia, valor de troca, mercadoria, trabalho, aos de circulação 
de bens, acumulação de capitais e relações de trabalho. A partir de sua compreensão, avança a discussão 
da espacialidade dos processos econômicos.
A espacialidade dos processos econômicos, para ser analisada, pressupõe uma noção de valor e de 
valorização da natureza. Apanha-se esse conceito, analisando as relações do homem com a natureza e, 
consequentemente, da sociedade com o espaço.
Partindo-se do pressuposto de que a relação do homem com a natureza é de trabalho, com 
a apropriação desta por parte daquele, agregando-lhe um valor ao transformá-la em segunda 
natureza; então, a relação da sociedade com o espaço resultará na criação de novos espaços, 
aos quais serão atribuídos novos valores. Por exemplo, numa cidade, descobre-se uma mina da 
qual se pode extrair bauxita (valor contido). Os mineiros irão explorá-la (trabalho), apossando-se 
daquele lugar, transformarão aquela paisagem para viabilizar a extração (criação da segunda 
natureza) e imprimirão um valor àquela cidade que, antes, ela não tinha. Depois de estabilizada a 
mina de bauxita, vai instalar-se uma indústria de alumínio no local. Sendo assim, em escala social, 
dar-se-á a apropriação da segunda natureza, e o espaço tomará feições cada vez mais humanas. 
Os novos valores serão associados àquela localidade, gerando novas riquezas, dinamizando o 
ciclo econômico.
O aluno deve notar que, em certo momento, o valor atribuído àquela cidade não estará mais 
relacionado ao do espaço original, mas ao que foi impresso no espaço, com o desenvolvimento da 
indústria e do comércio dos produtos e serviços que nele se instalaram.
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O professor deve levar o aluno a estudar como se dá a fixação desses valores no espaço, assim como 
conhecer o circuito percorrido de uma matéria-prima até chegar ao produto final e seus consumidores, 
transferindo geograficamente, nesse circuito, valores.
Eu, etiqueta
Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de baptismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camisola, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu ténis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem — anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registadas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso dos outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
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Da sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
Ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou — vê lá — anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objecto pulsante mas objecto
que se oferece como signo de outros
objectos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome rectifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.
Fonte: Andrade (2001, p. 86).
7.2 A importância da construção de maquetes no ensino fundamental
[...] O objetivo principal de estudo em Geografia continua sendo o espaço 
geográfico, entendido como um produto histórico, como um conjunto de 
objetos e de ações que revela as práticas sociais dos diferentes grupos que 
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vivem num determinado lugar, interagem, sonham, produzem, lutam e o (re) 
constroem [...] (CASTROGIOVANNI, 2000).
Compreender esse espaço geográfico exige a análise de uma paisagem, a investigação das dinâmicas 
de suas transformações, para entender e aprender a diferenciar um sistema que se encontra em 
transformação constante. O conhecimento em Geografia só se tornará atrativo se for relacionado com 
a realidade e os interesses dos alunos.
Um dos recursos didáticos mais interessantes é a maquete.
Maquetes são representações espaciais, utilizadas para compreender a paisagem: representações 
sociais de um determinado espaço concreto e representam uma organização de elementos que compõem 
esse espaço. São modelos de comunicação que se utiliza de uma linguagem cartográfica.
Seu uso permite trabalhar a Geografia de forma inovadora, relacionando conteúdos ao cotidiano 
e à realidade dos alunos, contribuindo para uma melhor compreensão de conceitos cartográficos e 
geográficos.
A construção de maquetes no Ensino Fundamental parte da necessidade de fazer com que o 
aluno compreenda o espaço tridimensional representado por elas, estabelecendo diferenças entre 
a bidimensionalidade do mapa ou da carta e as dimensões da maquete. Possibilita a visualização 
do objeto a ser estudado percebido do abstrato ao concreto. Ao construir um modelo o aluno 
também passa a ter noções práticas de proporção, orientação, localização, relações de fenômenos 
físicos e humanos na modificação do espaço geográfico. Com a introdução de diferentes dados 
e informações com o objetivo de desenvolver a capacidade de observar, pensar, interpretar a 
realidade física da Terra, com toda a sua dinâmica interna e externa, produz-se – em seu nível de 
aprendizado – um conhecimento.
Segundo Castrogiovanni (2000), a maquete funciona como um laboratório geográfico, em que as 
interações sociais do aluno, em sua vivência, são percebidas. É um processo interacionista porque tanto 
o sujeito como o objeto modificam-se na ação.
Outra possibilidade é a interdisciplinaridade, pois é possível explorar os conteúdos de Geografia e 
relacioná-los a outras disciplinas.
[...] O trabalho com maqueta mistura o real com o possível imaginário. 
É justamente na possibilidade desta amálgama que se desenvolve a 
criatividade individual ou trocas coletivas. A interação do sujeito com 
o objeto intensifica-se na medida em que ocorrem os desequilíbrios 
provocados pelos exercícios (propostas) de contextualizações – Por quê? 
Para quê? Para quem? Como? Quando? Onde? Tais atividades aceleram e 
tornam complexos os movimentos reflexivos (abstração – ação x reflexão), 
favorecendo o processo construtivo [...] (CASTROGIOVANNI, 2000).
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A construção de maquetes
A construção de uma maquete, por meio de um projeto, é um os primeiros passos para um trabalho 
de sistematização de representações geográficas, devendo constar: o tema, a justificativa, os objetivos 
do professor ao solicitar a atividade e dos alunos ao executá-la, as “dimensões” (razão e proporção), 
os elementos que serão representados, onde estarão situados, por que devem estar presentes e como 
estarão representados.
Figura 5 – Maquetes
Por exemplo, se o projeto for a representação de dados físicos de um determinado lugar, a próxima 
etapa será definir o mapa topográfico, a escola cartográfica e o exagero vertical que serão a base para 
definição da maquete. A seguir, definir os materiais para confecção, como EVA ou placas de gesso com 
massa corrida, por exemplo.
O importante é retirar através de moldes os valores correspondentes às curvas de nível 
separadamente (todas), junto com outras informações necessárias, em um papel transparente. Esse 
desenho será transcrito para a base que será recortada conforme cada cota de nível representada na 
carta topográfica.
Recortadas as placas com o material utilizado, a próxima etapa será a montagem da maquete e a 
transposição dos fenômenos do terreno (picos, rios, lagos, mancha urbana etc.) para a maquete, podendo 
ser utilizada para vários temas da Geografia, tantos aspectos físicos como humanos, nunca esquecendo 
a legenda.
Em uma maquete desse tipo, duas formas de reprodução são mobilizadas:
• escala horizontal: representa a escala do mapa;
• escala vertical: representa a relação da altitude real.
O exagero vertical representa a proporcionalidade dessa relação entre escala vertical e horizontal.
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 Observação
A construção de maquetes é uma prática importante no processo 
ensino-aprendizagem, pois contribui para que o aluno, através da ação, 
compreenda gradativamente as particularidades do que é representado, 
a seleção dos dados relevantes, a codificação por meio de legendas e a 
redução da realidade através do uso de escalas.
Concluída a maquete, em que o aluno tem a oportunidade de compreender o seu espaço tridimensional, 
diferenciando-a do mapa, por exemplo, que é bidimensional, desenvolvendo noções de proporcionalidade, 
altimetria, localização, orientação, concreto e abstrato, passa-se para a etapa da análise geográfica, para 
interpretar o relevo, descrever suas formas e entender o porquê delas, bem como a transformação no 
decorrer do tempo, compreendendo os problemas e as dinâmicas sociais e refletindosua realidade.
7.3 Utilização, análise e cruzamento de mapas temáticos em sala de aula
Aprender a ler e utilizar um mapa ou uma representação do espaço é elemento fundamental para a 
formação de um cidadão independente e consciente. O mapa é essencial na medida em que há a possibilidade 
de acesso a informações históricas, políticas, econômicas, físicas e biológicas de diferentes lugares do mundo 
e, com isso, a possibilidade de compreensão das transformações e problemas do mundo atual.
Todo o bom mapa deve possuir algumas características que assegurem a leitura e a interpretação 
corretas das informações nele contidas. As principais características são: visão oblíqua e vertical 
(diferenciar a observação realizada pelo olho humano, seja em qualquer altura, daquela que é realizada 
por meio de instrumentos técnicos), área geográfica, coordenadas, escala (saber que se trata de uma 
relação de proporção), orientação (estabelecer as relações de proximidade e localização – pontos 
cardeais), legenda (compreender que são símbolos que representam dados da realidade), título e fonte 
de onde foi extraído o mapa.
Ler mapas significa dominar a linguagem cartográfica e começa com a observação do título, qual o 
espaço representado, seus limites e demais informações. Para o aluno, também é preciso ter desenvolvido 
a lateralidade, a orientação, o sentido de referência em relação a si próprio e em relação a outros, 
o significado de tamanho e distâncias. É necessário compreender e relacionar as informações com a 
legenda apresentada e a escala indicada para calcular a relação entre o real e o representado no mapa.
O objetivo é possibilitar ao aluno desenvolver habilidades de reconhecimento e localização dos 
diversos dados de um mapa e a correlação entre eles. Realizando análises desse espaço geográfico para 
que passe a interpretar mapas, em vez de apenas transcrevê-los.
O mapa temático deve dizer: “o que”, “onde”, “como ocorre”, determinado fenômeno geográfico, 
utilizando símbolos gráficos (signos) especialmente planejados para facilitar a compreensão de 
diferenças, semelhanças e possibilitar a visualização de correlações pelo usuário.
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A utilização de mapas temáticos se torna um recurso muito importante na medida em que diante 
das informações contidas o professor pode encaminhar as análises por meio de problematizações que 
exijam dos alunos comparação e relação dos dados apresentados.
Como exemplo:
Figura 6 – Mapa da densidade demográfica brasileira
A aula em questão debateria a ocupação da população brasileira; assim, seria possível desenvolver 
os conceitos de população, densidade demográfica e concentração populacional. Diante de mapas 
temáticos de densidade demográfica brasileira, o professor pode encaminhar as questões pertinentes 
ao tema, como comparações e diferenças entre as regiões brasileiras e o histórico de concentração 
populacional.
Outro exemplo:
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Mata Atlântica
Floresta Amazônica
Matas Intermediárias
Manguezais e Restinga
Mata de Araucárias
Mata de Cocais
Caatinga
Campos
Cerrado
Complexo do Pantanal
Pampas
Figura 7 – Vegetação e biomas brasileiros
Nesse mapa, podemos identificar os diferentes tipos de vegetação presentes no Brasil e biomas brasileiros. 
Pode-se debater o conceito de bioma e a questão dos biomas originais e a sua preservação na atualidade.
Os alunos podem também relacionar os dois mapas: observar, comparar e a partir de outras 
informações debater a questão do desmatamento em razão da ocupação humana. Observando alguns 
dos diferentes aspectos representados no mapa, podem estabelecer relações entre os fenômenos e sua 
localização e compreendendo a leitura de mapas, podem dominar a linguagem cartográfica.
A mediação do professor é fundamental nessa atividade, porque é preciso analisar o nível de 
conhecimento conceitual dos alunos e, a partir desse ponto, introduzir as informações necessárias à 
interpretação das representações cartográficas.
A atividade com mapas temáticos deve ser suporte para a compreensão de temas e conceitos que 
estão sendo debatidos e estudados em sala de aula; é um complemento para auxiliar na aprendizagem 
de conteúdos representados graficamente. Portanto, trata-se de um meio, não de um fim, resultando 
em um ensino pelo mapa, não do mapa.
Esquematizando as informações para apresentar a estratégia de ensino-aprendizagem na atividade 
prática com mapas temáticos, acompanhamos os seguintes momentos de leitura:
• Antes: apresentação dos mapas temáticos e outros dados que serão necessários para a elaboração 
da análise final e introdução do tema principal.
• Durante: organização dos trabalhos em grupos e desenvolvimento com a avaliação parcial – 
elaboração do registro escrito.
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• Depois: socialização dos resultados alcançados e síntese com a avaliação global, com necessidade 
de registro escrito das apresentações.
A seguir, mais um exemplo de trabalho com mapas:
Saldo positivo
Saldo negativo
Equilíbrio
Comércio exterior
Investimentos diretos
Ajuda pública ao desenvolvimento
Figura 8 – A posição do Japão no mundo
Você apresentará aos alunos a posição geopolítica e econômica do Japão, no contexto mundial:
Com base nas informações contidas no mapa e em seus conhecimentos sobre a temática abordada, 
pode-se fazer a seguinte leitura do panorama das relações econômicas japonesas, na década de 1990: o 
fato de o Japão ter sido um dos principais responsáveis pelo crescimento da economia em vários países 
asiáticos, na qualidade de grande investidor, exportador e importador de mercadorias da região, seus 
investimentos nos Tigres Asiáticos (Coreia do Sul, Singapura, Taiwan e em Hong Kong – na China ) e nos 
Novos Tigres ( Malásia, Indonésia, Tailândia, Filipinas, Camboja, Laos, Vietnã).
8 O TRABALHO COM JORNAIS VIRTUAIS E OUTRAS FONTES DE NOTÍCIAS
[...] uma das saídas para a educação consiste em conhecer melhor os 
meios de comunicação, sua linguagem para integrá-las dentro do processo 
educacional e perceber os mecanismos de comunicação, como um todo, que 
acontecem nas nossas vidas, fundamentais para um processo de educação 
mais rico e participativo [...] (MORAN, 1993).
O uso dessas informações no ensino de Geografia deve sempre ser de caráter instrumental, 
somente auxiliando.
Nesse contexto, os meios de comunicação modernos ganham muita importância, porque 
apresentam informações de forma instantânea e em grande quantidade, influenciando a visão 
dos indivíduos, criando ou transformando as suas percepções de espaço e tempo. E, ao mesmo 
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tempo, essas informações sãos perspectivas de uma seleção que são vinculadas nesses veículos, 
cujas escolhas refletem a opinião de alguém, de um grupo, enfim representam uma parte dessa 
informação.
Mas a escola deve ser um lugar em que esses meios de comunicação devem ser estudados 
e o professor tem de assumir o compromisso de trabalhar com a mídia, a fim de entender as 
expectativas da própria sociedade e, nesse contexto educacional, estabelecer estratégias para o 
desenvolvimento de sujeitos mais preparados para lidar com o universo midiático. Até mesmo 
porque os alunos podem passar de meros leitores para criadores de conteúdos na internet, alterando 
sua forma de conviver com as redes, por meio da criação de blogs, participaçãoem fóruns online, 
páginas no Facebook, por exemplo, ou tweetando com frequência, desenvolvendo, desse modo, 
uma melhor compreensão da realidade.
8.1 Jornais
A atividade com jornais, em seu formato tradicional ou virtual, pode ser realizada em 4 momentos:
1 – Observação: descrição do que se vê para perceber o domínio conceitual do observador.
2 – Análise: estabelecer relações.
3 – Interpretação: atribuir significado ao aparente.
4 – Avaliação: avaliar a disposição, inter-relações e outras possibilidades.
No uso de jornais com fins didáticos, espera-se potencializar a aprendizagem dos conteúdos de 
Geografia. As atividades propostas devem basear-se na leitura simultânea de imagens e textos.
A leitura de fotos ou imagens contribui para que o estudante compreenda a dinâmica dos lugares, 
podendo ser estudada nas relações que estabelece com os diversos gêneros: literários, científicos, 
jornalísticos e escolares; deve efetivar-se de forma consciente, crítica e contextualizada, para tornar-se 
fonte de conhecimento. Os alunos devem saber ler e interpretar corretamente, para compreender os 
diversos processos, formas e funções dos objetos e paisagens ao longo da história.
Propor a leitura de fotos do ponto de vista da didática significa que, além de desenvolvermos a 
observação e a sensibilidade, também estamos trabalhando com as representações que os alunos têm 
da realidade vivida ou que estão construindo por meio das fotografias, que devem ser trabalhadas 
como um documento, um registro de um tempo e um lugar, em prol da aprendizagem da leitura e 
de reconhecimento de diferentes paisagens por parte do aluno. Outro dois pontos importantes das 
atividades que visam ao uso de fotografias e imagens é a possibilidade de compará-las com o dia a dia 
e de servirem de referência para compreender outros lugares que eles não podem conhecer, seja por 
questões socioeconômicas, seja por culturais.
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O uso do texto contribui para o tratamento de temas pertinentes à Geografia em linguagem não científica.
No que se refere à plataforma de jornal virtual, ele se insere no aproveitamento dos recursos 
virtuais sobre ensino e conteúdo em Geografia, para gerar comunicação entre alunos e professores, 
pois a sociedade atual vive em meio a grandes mudanças e transformações de diferentes segmentos, 
que alteram a maneira de viver e conviver. O jornal virtual surge como uma alternativa capaz de 
oferecer uma conexão do meio em que se encontram os alunos, o tecnológico, com os conhecimentos 
produzidos pela escola, para a compreensão e o domínio dos conhecimentos científicos e a construção 
de um olhar crítico, utilizando linguagem e tecnologia que facilitarão o desenvolvimento da produção 
de conhecimento.
Veja a seguir uma forma de se trabalhar com imagem e contextualização:
Figura 9 – A jovem paquistanesa, Malala Yousafzai em discurso na ONU
Leia trechos do discurso de Malala:
Queridos amigos, em 09 de outubro de 2012, o Talibã atirou no lado esquerdo da minha 
testa. Atiraram nos meus amigos também. Eles acharam que aquelas balas nos silenciariam. 
Mas falharam e, então, do silêncio vieram milhares de vozes. (...) O sábio ditado que diz “A 
caneta é mais poderosa que a espada” é verdadeiro. Os extremistas têm medo dos livros e 
das canetas. O poder da educação os assusta e eles têm medo das mulheres. (...) É por isto 
que eles mataram 14 estudantes inocentes no recente ataque em Quetta. E é por isto que 
eles matam professoras. É por isto que eles atacam escolas todos os dias: porque tiveram 
e têm medo da mudança, da igualdade que vamos trazer para a nossa sociedade. (...) 
Deixem-nos pegar nossos livros e canetas porque estas são as nossas armas mais poderosas. 
Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo.
Fonte: McCarrey (2014, p. 14).
O professor pode ainda criar espaços de álbuns virtuais, como Picassa, Flickr, entre outros gratuitos, 
que ampliam o alcance das informações, principalmente da Geografia social.
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A seguir, há sugestões de trabalhos com as redes sociais.
8.2 Blogs e wikis
A utilização de blogs em Geografia possibilita, além de novas experiências metodológicas de 
aprendizagem, a seleção, a análise, a troca e o processamento de informações em tempo real e em 
diferentes contextos espaciais e temporais porque os alunos ao elaborar esse blog devem produzir 
conteúdo próprio, e com isso desenvolver várias habilidades e competências.
Os blogs funcionam como suporte e interface tecnológicos para diversas atividades de aprendizagem 
e compreensão da ciência geográfica e das transformações no meio social decorrentes dessa evolução 
tecnológica.
Os blogs, na contemporaneidade, têm muitas funções, e são usados para relatar, comentar, divulgar 
informações, debater as novidades de qualquer assunto. Não são simples páginas para postar mensagens, 
mas são formados por hiperlinks, que permitem a conexão com diversas áreas da web. A intenção é de 
aproximar os autores/produtores de conteúdo aos seus leitores.
Um dos papéis sociais da escola é o de atualizar as formas de produção de conhecimento, e com os 
blogs é possível trabalhar essa questão de buscar, classificar e interpretar informações; quando, como e 
em que condições utilizar esse conhecimento, e, finalmente, como produzir conhecimento.
Em ambiente escolar, no processo ensino-aprendizagem, além da questão do conhecimento, os blogs 
podem estabelecer um canal informal entre professor e aluno, contribuir para a gestão da quantidade 
de informação disponível na internet e desenvolver, no aluno, sua experiência como autor e aproveitar 
as possibilidades de publicação como interface de interação na rede.
[...] o blog na educação tem sido utilizado como um objeto de aprendizagem 
por ser o vetor de um modelo de ensino-aprendizagem no qual a construção 
coletiva de significados representa um novo fazer educativo, pois surge no 
momento em que as instituições sócias exigem esse novo fazer e agir [...] 
(OLIVEIRA, 2006).
Outra ferramenta de trabalho interessante para ser utilizada com os alunos são os wikis que tem por 
objetivo produzir informações em coautoria. O sistema wiki utiliza o conceito de folksonomia em sua 
estrutura, por meio da liberdade na construção dos verbetes para inserção de novas informações.
 Observação
Folksonomia é um termo formado pela junção da palavra “folk” (povo) 
com a ideia de “taxonomia” (a ciência de classificar organismos vivos). O 
resultado seria “classificação do povo” ou, para sermos mais específicos, 
uma classificação feita por pessoas. A folksonomia cria relações entre coisas, 
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categorizando-as e classificando-as na web. Para fazer isso, o usuário vai 
escolher palavras-chave (ou tags), que classificarão a informação ou partes 
dela.
Em um wiki, todos os usuários editam os conteúdos, com isso, o material produzido passa a não 
ter mais autoria própria e sim a ser fruto de um processo coletivo de aperfeiçoamento. De acordo com 
Recuero e Primo (2006), o sistema wiki veio permitir não apenas a reunião de dados, mas a própria 
geração de novos conhecimentos de forma compartilhada entre diferentes sujeitos, a qualquer tempo 
e de qualquer lugar.
O wiki pode ser entendido como forma colaborativa de construção de informações na 
qual diversos usuários editam um mesmo documento podendo ainda acrescentar hipertextos 
ou hiperlinks a outros temas do ambiente, o que amplia as possibilidadesda construção do 
conhecimento. Todas as alterações e construções ficam registradas em um histórico que tem a 
função de informar aos usuários todas as contribuições que ocorreram no tema, o que de certa 
forma garante a integridade do conteúdo, pois qualquer um dos usuários cadastrados pode 
retornar a uma versão anterior do documento.
Ferramentas wiki podem ser utilizadas em atividades pedagógicas voltadas para o desenvolvimento 
da reflexão e da autonomia do aluno. Entre as possibilidades de utilização que se apresentam 
destaca-se a elaboração conjunta de textos, documentação e realização de trabalhos e projetos, as 
quais potencializam o trabalho colaborativo. Neste caso o trabalho colaborativo tende a utilizar-se dos 
conhecimentos individuais que podem ser compartilhados, debatidos e comentados formando novos 
conhecimentos e que ao final podem vir a produzir conteúdos mais elaborados. Pode-se até afirmar ser 
ela uma ferramenta que fornece suporte aos paradigmas construcionistas.
8.3 Cineaulas
Dando continuidade às nossas sugestões de práticas metodológicas para o ensino de Geografia, 
contextualizando competências e habilidades com os conteúdos históricos, sociológicos e filosóficos 
que se acrescentarão aos geográficos, sugerimos que o docente trabalhe com temas que reportem seus 
alunos a determinados filmes com temas específicos.
O que o filme, como arte, pode nos trazer ao universo geográfico?
• Você, professor, deve associar o tema principal ao conteúdo programático que está ou será 
trabalhado em suas aulas.
• Levar seus alunos a refletirem acerca da problemática, teoria ou leitura de algum livro relativo ao 
tema.
• Buscar formas de a classe participar das discussões sobre os lugares e as características que serão 
apreendidas.
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• Procurar, com a classe, construir um questionário que será respondido após a visualização do 
filme, uma sinopse em grupos, por exemplo.
• Comentar com a classe as conclusões possíveis que foram obtidas após a videoaula, na tentativa 
de chegar-se a um consenso, elaborando seu painel.
Os filmes e temas sugeridos:
• Relativo ao histórico problematizando no Oriente Médio o conflito entre cristãos, judeus e 
muçulmanos:
— CRUZADA. Dir. Ridley Scott. Inglaterra; Estados Unidos da América; Alemanha: Scott Free 
Productions; Inside Track; Studio Babelsberg Motion Pictures GmbH, 2005. 144 minutos.
• Filme histórico sobre o empreendedorismo de Irineu Evangelista de Souza (o barão de Mauá):
— MAUÁ, o imperador e o rei. Dir. Sérgio Rezende. Brasil: Europa Filmes, 1999. 135 minutos.
• Sobre a filosofia da Idade Média, preservação do patrimônio cultural eclesiástico, na Europa 
oriental:
— O NOME da Rosa. Dir. Jean-Jacques Annaud. Alemanha; França; Itália: Cristaldifilm; France 3 
Cinéma; Les Films Ariane; Neue Constantin Film; Rai Uno Radiotelevisione Italiana; Zweites 
Deutsches Fernsehen, 1986. 131 minutos.
• A biografia de Olga Benário apresenta um período do país e o ideal de uma jovem, dentre tantos 
outros jovens:
— OLGA. Dir. Jaime Monjardim. Brasil: Europa Filmes, 2004. 141 minutos.
• Sobre a crise dos mísseis de Cuba e o bloqueio de Berlim, momentos críticos da Guerra Fria:
— TREZE dias que abalaram o mundo. Dir. Roger Donaldson. Estados Unidos da América: Beacon 
Pictures, 2000. 145 minutos.
• Enredo ficcional também sobre o muro de Berlim:
— ADEUS, Lenin. Dir. Wolfgang Becker. Alemanha: Senator Films, 2003. 121 minutos.
• Sobre a questão do país basco:
— O LOBO. Dir. Miguel Courtois. Espanha: Castelao Producciones S.A.; Mundo Ficción, 2004. 
123 minutos.
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• Sobre a libertação da Irlanda:
— VENTOS da liberdade. Dir. Ken Loach. Irlanda, Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha, França: 
BIM Distribuzione, Bórd Scannán na hÉireann, EMC Produktion, Element Films, Film Coop, 
Filmstiftung Nordrhein-Westfalen, Matador Pictures, Pathé, Regent Capital, Sixteen Films, TV3 
Television Network Ireland, Tornasol Films, UK Film Council, 2007. 127 minutos.
 Resumo
Descrevemos o que é didática e quais suas finalidades, destacando 
os distintos momentos históricos relativos à ocupação dos espaços pelos 
grupos humanos e suas alterações, no sentido de satisfazer às suas 
necessidades, e as ferramentas utilizadas para tal fim.
Retomamos as principais escolas geográficas, seus pensadores e 
pressupostos acerca da caracterização dessa ciência. Abordamos ainda 
as críticas feitas à forma de ensinar os conceitos geográficos da maneira 
clássica, que se utiliza da memorização, e as outras formas de ensinar e 
aprender, pelo uso de novas tecnologias e inovações permitidas em um 
mundo globalizado e midiático.
Dessa maneira, o desempenho da atividade docente passa por uma 
ampla gama de princípios teóricos no ambiente escolar, procurando 
sempre a superação dos desafios que automaticamente enfrentamos em 
uma sala de aula, lidando com realidades complexas nessa nossa trajetória 
profissional.
A Geografia exige uma forma específica de proceder à didática e cada 
docente deve criar sua didática própria, consideradas algumas prerrogativas 
de lugar, público e condições de trabalho e materiais.
Depois, elencamos algumas maneiras práticas de ensinar Geografia, 
com exemplos de contextualização e praticidade no uso dos conceitos. Tais 
reflexões são de extrema importância no processo de construção de um 
modelo pedagógico agradável e ao mesmo tempo eficiente, sob o ponto de 
vista cognitivo. A apropriação dos conceitos básicos da disciplina pode ser 
feita por meio de distintas maneiras como sugerimos no estudo de caso: 
imagens publicadas em jornais e fotos, leitura de mapas, trabalho em grupo, 
seminários, elaboração de blogs, publicação na internet, vídeo, análise de 
filmes, letras de música, obras literárias. Assim, a prática pedagógica da 
Geografia, deve considerar também o aporte de experiências cotidianas 
e conhecimentos sistemáticos e assistematizados, eles não podem ser 
substimados no ambiente escolar. 
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Ao professor, cabe tornar evidente para o aluno aquilo que supostamente 
estaria distante de seu mundo e sua compreensão, evoluindo sua capacidade 
intelectual e cognitiva. Devemos ampliar os espaços de questionamento, 
construindo com o aluno uma relação dialógica e sistêmica que o orientará 
para a valorização do ambiente e da sociedade.
 Exercícios
Questão 1. (Enade 2008, adaptada) Com relação ao ensino da geografia, analise as 
afirmativas a seguir.
A localização e o mapeamento de dados e informações espaciais não encerram uma análise 
geográfica, ao contrário, marcam seu início
porque
tal análise ocorre quando o sujeito aprendiz reporta-se ao processo de produção do espaço e, entre 
outras atividades, confronta-o com a configuração espacial do mapa.
Acerca dessas afirmativas, assinale a opção correta.
A) As duas afirmativas estão corretas, e a segunda é uma justificativa correta da primeira.
B) As duas afirmativas estão corretas, e a segunda não é uma justificativa correta da primeira.
C) A primeira afirmativa está correta, e a segunda é uma proposição incorreta.
D) A primeira afirmativa está incorreta, e a segunda está correta.
E) As duas afirmativas são proposições falsas.
Resposta correta: alternativa B.
Análise das alternativas
A) Alternativa incorreta.
Justificativa: as proposições são verdadeiras, mas a referida confrontação na segunda afirmativa 
ainda é um momento da investigação metodológica,não seu desfecho, pois a configuração espacial 
representada no mapa será móvel enquanto os levantamentos acontecerem, fazendo dos sucessivos 
confrontos, etapas; e não, sua conclusão.
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B) Alternativa correta.
Justificativa: pelas razões expostas a segunda, de fato, não justifica a primeira, embora trate do 
mesmo processo.
C) Alternativa incorreta.
Justificativa: a segunda é verdadeira.
D) Alternativa incorreta.
Justificativa: a primeira afirmativa trata da preparação da pesquisa; é verdadeira.
E) Alternativa incorreta.
Justificativa: conforme os comentários anteriores, ambas as afirmativas são verdadeiras.
Questão 2. (Enade 2008, adaptada) Em 1994, Manuel Correa de Andrade escreveu acerca do processo 
de globalização: “O contexto da universalidade dos problemas e da mobilidade das transformações 
forçará o geógrafo a pensar com mais rapidez e dinamismo; a procurar adaptar e readaptar o seu 
pensamento e a sua reflexão cada vez que houver um desafio; a repensar a sua formação filosófica, 
epistemológica e ideológica e procurar atuar de forma menos corporativa, mais interdisciplinar.”
Não corrobora com esse pensamento a ideia de que:
A) A geografia não poderá realizar sua tarefa somente com descrições, mas terá de fazer um esforço 
de comparações e generalizações que lhe permitam concluir a respeito da globalização.
B) A geografia manterá o status de ciência interdisciplinar caso adote, na análise ambiental, uma 
abordagem geossistêmica.
C) A geografia dos naturalistas e funcionalistas deverá passar por uma modernização inegável, 
tornando-se mais preparada para interpretar a complexidade do espaço geográfico.
D) A geografia da racionalidade científica dominará o cenário das pesquisas, subvertendo a noção 
expressa pela relação homem-meio da geografia tradicional.
E) O estudo da geografia deverá optar pela compreensão da complexidade do espaço a fim de 
equilibrar dialeticamente a especialização com a generalidade.
Resolução desta questão na plataforma.
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FIGURAS E ILUSTRAÇÕES
Figura 1
MVMM2E. Disponível em: <http://mrg.bz/mvMM2E>. Acesso em: 31 ago. 2015.
Figura 2
FGAGAG. Disponível em: <http://mrg.bz/fgAGag>. Acesso em: 31 ago. 2015.
Figura 6
SANTOS. M. Avião e prédios da metrópole. Jornal da USP, USP Imagens, 25 nov. 2014. Disponível em: 
<http://www.imagens.usp.br/wp-content/uploads/18112014vistaultimoandarmacfotomarcossant
os026.jpg>. Acesso em: 31 ago. 2015.
Figura 7
MARUTA, J. Favela Paraisópolis, Morumbi. Jornal USP, USP Imagens, 29 set. 2011. Disponível em: 
<http://www.imagens.usp.br/wp-content/uploads/Morumbi_-Favela-Paraisopolis-209-07-jm197.
jpeg>. Acesso em: 31 ago. 2015.
Figura 8
036.JPG. Disponível em: <http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/conteudo_8591/036.jpg>. 
Acesso em: 31 ago. 2015.
Figura 9
018B.JPG. Disponível em: <http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/conteudo_9629/018b.
jpg>. Acesso em: 31 ago. 2015.
Figura 10
MAPA.JPG. Disponível em: <http://www.soGeografia.com.br/Conteudos/GeografiaFisica/Vegetacao/>. 
Acesso em: 31 ago. 2015.
Figura 11
CERUTI, D.; CERUTI, S. Histoire – Géographie. Paris: Hachette, 1998. p. 236.
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Figura 12
PAQUISTANESA atacada por defender educação discursa na sede da ONU. Uol Educação, 12 jul. 2013. 
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Les Films Ariane; Neue Constantin Film; Rai Uno Radiotelevisione Italiana; Zweites Deutsches 
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Unidade I – Questão 2: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO 
TEIXEIRA (Inep). Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2008: Geografia. Questão 11. 
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Informações:
www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000

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