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Aracaju – SE 2019 PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Biossegurança Etimologia = vida e segurança Conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, amenizar ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam interferir ou comprometer a qualidade de vida dos homens, animais e o meio ambiente. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA O ensino da biossegurança A prática de normas de biossegurança nos diversos espaços da medicina veterinária deve considerar as necessidades institucionais, as espécies animais, o número de profissionais envolvidos e o setor de trabalho. Mesmo com tantas tecnologias, padrões e regulamentação, a maioria dos incidentes ocorre pelo comportamento inadequado dos profissionais. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA O ensino da biossegurança A biossegurança é uma ação educativa e é imprescindível que seja valorizada nos processos de ensino e aprendizagem. Portanto, deve ser ensinada em um contexto que envolva ética e reflexão, para estimular o desenvolvimento de indivíduos com uma consciência mais cidadã, transpondo a ideia da simples normatização. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Regulamentação no Brasil No Brasil, a biossegurança começou a ser institucionalizada a partir da década de 80 quando o Brasil tomou parte do Programa de Treinamento Internacional em Biossegurança ministrado pela OMS que teve como objetivo estabelecer pontos focais na América Latina para o desenvolvimento do tema. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Regulamentação no Brasil A partir daí, deu-se início a uma série de cursos, debates e implantação de medidas para acompanhar os avanços tecnológicos em biossegurança. Em 1985, a FIOCRUZ promoveu o primeiro curso de biossegurança no setor de saúde e passou a implementar medidas de segurança como parte do processo de Boas Práticas em Laboratórios, que desencadeou uma série de cursos sobre o tema. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Regulamentação no Brasil Ainda em 1985, o Ministério da Saúde deu início ao Projeto de Capacitação Científica e Tecnológica para Doenças Emergentes e Reemergentes visando capacitar as instituições de saúde em biossegurança. Primeira Lei de Biossegurança, a Lei nº 8.974, de 05/01/1995, posteriormente revogada pela Lei nº 11.105, de 24/03/2005. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Regulamentação no Brasil Decreto nº 1752, 20/12/1995 que formaliza a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança do Ministério da Ciência e Tecnologia. Portaria GM/MS nº 1.683/2003: Comissão de Biossegurança em Saúde do Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 1.608/2007: Revisão e a atualização da Classificação de Risco dos Agentes Biológicos a cada dois anos e aprovação da primeira “Classificação de Risco dos Agentes Biológicos. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Fatores de Risco Riscos Físicos: Consideram-se agentes de risco físico as diversas formas de energia a que possam estar expostos os profissionais, tais como: ruído, calor, frio, pressão, umidade, radiações, vibração, iluminação etc. Riscos Ergonômicos: Qualquer fator que possa interferir nas características psicofisiológicas do profissional, causando desconforto ou afetando sua saúde. São exemplos: o levantamento de peso, ritmo excessivo de trabalho, monotonia, repetitividade, postura inadequada de trabalho, etc. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Fatores de Risco Riscos Químicos: Consideram-se agentes de risco químico as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo do profissional pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos gases, neblinas, névoas ou vapores, ou que seja, pela natureza da atividade, de exposição, possam ter contato ou ser absorvido pelo organismo através da pele ou por ingestão. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Fatores de Risco Riscos Biológicos: Consideram-se como agentes infecciosos as bactérias, vírus, fungos, parasitos, entre outros. Riscos Mecânicos e de acidentes: Qualquer fator que coloque o profissional em situação vulnerável e possa afetar sua integridade e seu bem estar físico. São exemplos mordeduras, manuseio de equipamentos sem proteção, organização do ambiente de trabalho, rotulagem de produtos inadequada, entre outros. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos A avaliação de risco para o trabalho com agentes biológicos incorpora ações que objetivam o reconhecimento ou a identificação desses agentes e a probabilidade do dano proveniente destes. Essa classificação visa uma padronização em diferentes instituições de ensino, pesquisa e estabelecimentos de saúde. Para essa análise, devemos considerar os seguintes critérios: PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos Critérios: Natureza do Agente Biológico – organismos ou moléculas com potencial ação biológica infecciosa sobre o homem, animais, plantas ou o meio ambiente em geral, incluindo vírus, bactérias, fungos, protozoários e parasitos. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos Critérios: Virulência – é a capacidade patogênica de um agente biológico, medida pelo seu poder de aderir, invadir, multiplicar e disseminar em determinados locais de infecção e tecidos do hospedeiro, considerando os índices de morbi-mortalidade que ele produz. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos Critérios: Modo de transmissão – é o percurso feito pelo agente biológico a partir da fonte de exposição até o hospedeiro. O conhecimento do modo de transmissão do agente biológico é de fundamental importância para a aplicação de medidas que visem conter a disseminação do patógeno. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos Critérios: Estabilidade – é a capacidade de manutenção do potencial infeccioso de um agente biológico no meio ambiente, inclusive em condições adversas tais como a exposição à luz, à radiação ultravioleta, à temperatura, à umidade relativa e aos agentes químicos. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos Critérios: Concentração e volume – a concentração está relacionada à quantidade de agentes biológicos por unidade de volume. Assim, quanto maior a concentração e volume, maior o risco. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos Critérios: Origem do agente biológico potencialmente patogênico – deve ser considerada a origem do hospedeiro do agente biológico (humano ou animal), como também a localização geográfica (áreas endêmicas) e o vetor. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos Critérios: Disponibilidade de medidas profiláticas eficazes – estas incluem profilaxia por vacinação, agentes antimicrobianos, antissoros e imunoglobulinas. Inclui ainda, a adoção de medidas sanitárias, controle de vetores e medidas de quarentena em movimentos transfronteiriços. Quando essas medidas estão disponíveis, o risco é reduzido. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos Critérios: Disponibilidade de tratamento eficaz– tratamento capaz de prover a contenção do agravamento e a cura da doença causada pela exposição ao agente biológico. Inclui a utilização de antissoros, vacinas pós-exposição e medicamentos terapêuticos específicos. Deve ser considerada a possibilidade de ocorrência de resistência a antimicrobianos entre os agentes biológicos envolvidos. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos Critérios: Dose infectante – consiste no número mínimo de agentes biológicos necessários para causar doença. Varia de acordo com a virulência do agente biológico e a susceptibilidade do indivíduo à infecção. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos Critérios: Manipulação do agente biológico – a manipulação pode potencializar o risco, como por exemplo, em procedimentos para multiplicação, centrifugação, manipulação envolvendo a inoculação experimental em animais. Os riscos irão variar de acordo com as espécies e protocolos utilizados. Deve ser considerado ainda risco de infecções latentes que são mais comuns em animais capturados na natureza. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos Critérios: Eliminação do agente biológico – o conhecimento das vias de eliminação do agente é importante para a adoção de medidas de contingenciamento. A eliminação por excreções ou secreções de agentes biológicos pelos organismos infectados, em especial, aqueles transmitidos por via respiratória, podem exigir medidas adicionais de contenção. As pessoas que lidam com animais infectados com agentes biológicos patogênicos apresentam um risco maior de exposição devido à possibilidade de mordidas, arranhões e inalação de aerossóis. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos Classe de risco 1 (baixo risco individual e para a comunidade): Inclui os agentes biológicos conhecidos por não causarem doenças no homem ou nos animais adultos sadios. Exemplos: Lactobacillus spp. e Bacillus subtilis PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos Classe de risco 2 (moderado risco individual e limitado risco para a comunidade): Inclui os agentes biológicos que provocam infecções no homem ou nos animais, cujo potencial de propagação na comunidade e de disseminação no meio ambiente é limitado, e para os quais existem medidas profiláticas e terapêuticas conhecidas eficazes. Exemplos: Schistosoma mansoni e vírus da rubéola. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos Classe de risco 3 (alto risco individual e moderado risco para a comunidade): Inclui os agentes biológicos que possuem capacidade de transmissão, em especial por via respiratória, e que causam doenças em humanos ou animais potencialmente letais, para as quais existem usualmente medidas profiláticas e terapêuticas. Representam risco se disseminados na comunidade e no meio ambiente, podendo se propagar de pessoa a pessoa. Exemplos: Bacillus anthracis e Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos Classe de risco 4 (alto risco individual e para a comunidade): Inclui os agentes biológicos com grande poder de transmissibilidade, em especial por via respiratória, ou de transmissão desconhecida. Até o momento, não há nenhuma medida profilática ou terapêutica eficaz contra infecções ocasionadas por estes. Causam doenças humanas e animais de alta gravidade, com alta capacidade de disseminação na comunidade e no meio ambiente. Esta classe inclui principalmente vírus. Exemplos: vírus Ebola e vírus da varíola. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Classificação de risco dos agentes biológicos PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Níveis de biossegurança O conhecimento da classe de risco de um agente biológico é determinante na definição do nível de contenção laboratorial (Nível de Biossegurança) necessário para se trabalhar em segurança. Os Níveis de Biossegurança (NB) são classificados em NB1, NB2, NB3 e NB4. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Níveis de biossegurança NB-1: É o nível necessário ao trabalho que envolva agentes biológicos da classe de risco 1. Representa um nível básico de contenção, que se fundamenta na aplicação das BPL’s (Boas Práticas Laboratoriais), na utilização de equipamentos de proteção e na adequação das instalações. O trabalho é conduzido, em geral, em bancada. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Níveis de biossegurança NB-2: É o nível exigido para o trabalho com agentes biológicos da classe de risco 2. O acesso ao laboratório deve ser restrito a profissionais da área, mediante autorização do profissional responsável. NB-3: Este nível é aplicável aos locais onde forem desenvolvidos trabalhos com agentes biológicos da classe de risco 3. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Níveis de biossegurança NB-4: Este nível é necessário a trabalhos que envolvam agentes biológicos da classe de risco 4 e agentes biológicos especiais. Nesse tipo de laboratório o acesso dos profissionais deve ser controlado por sistema de segurança rigoroso. PRINCÍPIOS GERAIS DE BIOSSEGURANÇA Medidas de biossegurança Higienização das mãos. Equipamentos de proteção: luvas, máscaras, óculos de segurança, jaleco, avental, gorro, calçados fechados Imunização. Limpeza e desinfecção de instrumentos e ambientes. Armazenamento de instrumentais esterilizados . Descarte de resíduos infectantes e material perfurocortante. OBRIGADA! Rita de Cássia Carvalho Castro Teles Médica Veterinária CRMV-SE 273 Especialização em Saúde Pública e da Família Especialização em Vigilância em Saúde ritaccastro@hotmail.com (79) 9-9997-9446