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ERSA Logística
Reversa
Adriano Rosa Alves
Márcio Ronald Sella
Alessandra Petrechi de Oliveira
Logística Reversa
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
 Alves, Adriano Rosa 
 
 ISBN 978-85-8482-202-7
 1. Logística empresarial. 2. Administração de material. 
Sella, Márcio Ronald. II. Oliveira, Alexandra Petrechi de. 
Título. 
 CDD 586
Sella, Alessandra Petrechi de Oliveira. – Londrina: Editora e 
Distribuidora Educacional S.A., 2015.
 224 p. : il.
A474L Logística reversa / Adriano Rosa Alves, Márcio Ronald
© 2015 por Editora e Distribuidora Educacional S.A 
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida 
ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, 
incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e 
transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e 
Distribuidora Educacional S.A.
Presidente: Rodrigo Galindo
Vice-Presidente Acadêmico de Graduação: Rui Fava
Diretor de Produção e Disponibilização de Material Didático: Mario Jungbeck
Gerente de Produção: Emanuel Santana
Gerente de Revisão: Cristiane Lisandra Danna
Gerente de Disponibilização: Nilton R. dos Santos Machado
Editoração e Diagramação: eGTB Editora
2015
Editora e Distribuidora Educacional S. A. 
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041 -100 — Londrina — PR
e-mail: editora.educacional@kroton.com.br 
Homepage: http://www.kroton.com.br/
I.
III.
Unidade 1 | Logística e seus conceitos
Seção 1.1 - Os conceitos e fundamentos da logística e canais de distribuição
1.1.1 | Fundamentos da logística
1.1.2 | A importância e a missão da logística
1.1.3 | A interface de marketing e logística
1.1.4 | A cadeia de suprimentos orientada para o mercado
1.1.5 | A cadeia de suprimentos sincrônica
1.1.6 | Gerenciando a cadeia global
Seção 1.2 - Os canais de distribuição reversa: fundamentos; 
competitividade e questões legais
1.2.1 | Conceitos de canais de distribuição e logística reversa
1.2.2 | A logística reversa como estratégia empresarial 
1.2.3 | A legislação aplicada sobre a logística reversa no Brasil
1.2.4 | Aspectos da implantação da Logística Reversa
1.2.5 | O gerenciamento de resíduos sólidos no Brasil
1.2.6 | A logística reversa – elementos de um instrumento sustentável
Unidade 2 | Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo
Seção 2.1 - O produto logístico de pós-consumo
2.1.1 | Natureza e classificação dos bens pós-consumo
2.1.2 | Tendência à descartabilidade dos bens de consumo
2.1.3 | Consumo, consumismo e consumo sustentável
 2.1.3.1 | Lançamento de novos produtos
 2.1.3.2 | Produção de eletroeletrônicos
 2.1.3.2.1 | Telefonia móvel
 2.1.3.2.2 | Informática
 2.1.3.3 | Produção de materiais plásticos
 2.1.3.3.1 | Embalagens descartáveis: indústria alimentícia
 2.1.3.4| Produção de automóveis
Seção 2.2 - Natureza dos canais de distribuição reversos de bens de 
pós-consumo 
2.2.1 | Os canais reversos de reuso
2.2.2 | Os canais reversos de remanufatura
2.2.3 | Os canais reversos de reciclagem
2.2.4 | Planejamento operacional na cadeia de valor da logística reversa
 2.2.4.1 | Plano de preparação e acondicionamento
 2.2.4.2 | Plano para coleta e transporte
 2.2.4.3 | Plano de beneficiamento
 2.2.4.4 | Plano de destinação final
2.2.5 | Ciclos reversos abertos e fechados de reciclagem
 2.2.5.1 | Canais de distribuição reversos de ciclo aberto
 2.2.5.2 | Canais de distribuição reversos de ciclo fechado
2.2.6 | A logística reversa e a política nacional de resíduos sólidos
Sumário
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Unidade 3 | Canais de distribuição reversos de bens pós-venda
Seção 3.1 - Identificação do produto pós-venda
3.1.1 | Barreiras à logística reversa – pós-venda
Seção 3.2 - Categorias de fluxos reversos de pós-venda
3.2.1 | Categoria Comercial
 3.2.1.1 | Retornos não contratuais
 3.2.1.1.1 | E-commerce (erros de expedição do pedido)
 3.2.1.2 | Retornos contratuais
 3.2.1.2.1 | Retorno de produtos em consignação
 3.2.1.2.2 | Retorno de embalagens retornáveis
 3.2.1.3 | Retorno de ajuste de estoques de canal
 3.2.1.3.1 | Baixa rotação de estoque
 3.2.1.3.2 | Excesso de estoque no canal
 3.2.1.3.3 | Efeitos sazonais de produtos
3.2.2 | Categoria garantia/qualidade
 3.2.2.1 | Qualidade intrínseca
 3.2.2.2 | Validade de produto: expiração do prazo de validade
 3.2.2.3 | Recall de produtos
3.2.3 | Seleção e destinos dos produtos que retornam do pós-venda
3.2.4 | Políticas reversas de empresas no Brasil
Unidade 4 | Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade 
empresarial
Seção 4.1 - Sustentabilidade e gestão ambiental 
4.1.1 | Ambientalismo
 4.1.1.1 | Evolução do desenvolvimento sustentável ambiental
4.1.2| Desenvolvimento sustentável
4.1.3 | As organizações e a responsabilidade ambiental
4.1.4 | Gestão ambiental
4.1.5 | Gestão ambiental da cadeia de suprimentos
Seção 4.2 - Logística ambiental como fator de competitividade empresarial
4.2.1 | Logística ambiental
 4.2.2.1 | Logística verde x logística reversa
 4.2.2.2 | Logística reversa 
4.2.3 | Responsabilidade ambiental como prática estratégica de logística
4.2.4 | Práticas estratégicas ambientais de logística
4.2.5 | Estratégias ambientais logísticas
4.2.6 | As práticas de responsabilidade ambiental em logística
4.2.7 | Os fatores motivadores para adoção de práticas de responsabilidade ambiental 
na atividade logística
 4.2.7.1 | Logística verde como fator de competitividade 
 4.2.7.2 | Estratégias de logística ambiental
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Apresentação
A Logística Reversa está associada, normalmente, às funções de 
pós-venda e pós-consumo. Quase sempre o enfoque é em levar de 
volta a alguns poucos centros um conjunto muito grande de materiais 
que foi distribuído para o consumo através da logística direta.
A logística direta tem o papel de levar os produtos e serviços do 
produtor para alguns centros de distribuição, destes para o mercado e 
finalmente para o grande público consumidor. Já a Logística Reversa faz o 
papel inverso, pegando os produtos altamente dispersos e devolvendo-
os às suas origens para tratamento, disposição final ou reciclagem. 
Porém, precisamos começar a ampliar essa visão e começar a enxergar 
o apelo à sustentabilidade da logística reversa, atualmente chamada 
de Logística Verde ou Ambiental. Não podemos mais simplesmente 
dar destino adequado aos produtos no pós-consumo, mas também 
controlar os resíduos gerados nas organizações.
De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos 
(estabelecida pela Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010), a Logística 
Reversa pode ser definida como “instrumento de desenvolvimento 
econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, 
procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição 
dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em 
seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final 
ambientalmente adequada”.
A Logística Reversa, como sabemos, tem uma preocupação 
centrada no fluxo reverso de materiais e produtos tanto no pós-
venda como no pós-consumo. Já a Logística Ambiental tem uma 
preocupação mais abrangente, preocupando-se com a avaliação 
e minimização dos problemas ambientais associados às atividades 
de Logística Empresarial, passando pelas preocupações relativas à 
Logística Reversa. 
É disso que trata este livro, do entendimentoda Logística Reversa 
e seus modelos e processos e da Logística Ambiental como um 
diferencial competitivo empresarial.
Na primeira unidade do livro será feita uma recordação dos 
conceitos de Logística, bem como dos Canais de Distribuição e serão 
abordados os conceitos da Logística Reversa e dos Canais Reversos. 
Apontaremos às questões legais que regem o processo da Logística 
Reversa dos Resíduos Sólidos e qual a importância deste processo para 
a Organização e para o Meio em que atua. 
Conceituaremos, na Unidade 2, os bens de consumo de 
acordo com o critério de vida útil e dividindo-os em três grandes 
categorias: descartáveis, duráveis e semiduráveis. Na sequência serão 
apresentados alguns dos sinais que indicam um elevado crescimento 
na descartabilidade destes bens impactando no aumento dos 
resíduos sólidos.Trataremos vários aspetos envolvendo a reciclagem e 
finalizaremos a unidade com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 
nº 12.305/10), que contém instrumentos importantes para permitir o 
avanço necessário ao País no enfrentamento dos principais problemas 
ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado 
dos resíduos sólidos.
Na terceira unidade do livro abordamos os canais reversos de pós-
venda, com foco nas categorias: comerciais e garantia/qualidade. Nas 
categorias comerciais apresentaremos os retornos não contratuais 
(erros de expedição do pedido), retornos contratuais (retornos de 
produtos em consignação e retornos de embalagens) e retornos 
de ajuste de estoques de canal (excesso no canal, baixa rotação de 
estoque e efeitos sazonais de produtos). Já na categoria garantia/
qualidade, discutiremos os aspectos de qualidade intrínseca (retornos de 
produtos defeituosos e danificados), validade de produto (expiração da 
validade) e recall de produtos (recolhimento de produto do mercado). 
Finalizaremos a unidade com a seleção e destinos dos produtos que 
retornam do pós-venda.
Na quarta unidade, você vai entender como a responsabilidade 
ambiental empresarial vem ganhando destaque no cenário mundial 
e no ambiente dos negócios, principalmente porque a busca por um 
equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental 
é importante para a formação da reputação das organizações. Essa 
nova realidade se dá em virtude de alguns aspectos ambientais que 
imperam transparência nos negócios. Vamos compreender o que é a 
Logística Reversa, dentro do contexto da Logística Ambiental, e como 
as empresas podem e devem utilizá-la para ganhos em competitividade 
empresarial.
O livro fornece uma ampla visão das questões relacionadas à 
Logística Reversa, uma análise dos modelos e a sua participação dentro 
dos diversos sistemas produtivos e da Logística Empresarial.
Finalmente, o livro Logística Reversa é uma porta de entrada bastante 
qualificada para a exploração inicial, dentro de um quadro conceitual 
moderno, da Logística Reversa e da Logística Ambiental.
Após nossa discussão vamos buscar responder: a Logística Reversa 
e a Logística Ambiental são fatores de competitividade empresarial? 
Convidamos você a navegar pelas páginas e assuntos aqui 
apresentados, onde poderá, no final, compreender o papel da Logística 
Reversa para as Organizações e o Meio. A reflexão deste material 
permeia questões legais, mercadológicas e sustentáveis. Esperamos 
e desejamos que você tenha um excelente aproveitamento dos 
apontamentos realizados neste material. Bom estudo!
U1 - Logística e seus conceitos 9
Unidade 1
Logística e seus conceitos
O objetivo desta unidade é apresentar para você os conceitos e 
fundamentos da Logística e dos Canais de Distribuição, bem como 
o impacto que eles podem gerar para as organizações e relatar um 
breve histórico da logística e sua importância para as organizações. 
A intenção é apresentar todos os conceitos que envolvem a logística 
e os canais de distribuição, bem como, enfatizar a importância da 
implantação e execução de uma logística eficaz. Iremos analisar 
também a aplicação dos canais de distribuição reversos nas 
organizações. Através destas informações, você irá compreender 
como é vital a logística nas organizações. Iremos observar alguns 
resultados obtidos pelas políticas de logística reversa aplicadas em 
empresas atuando no Brasil. Vale ressaltar que esta introdução e 
conceitos básicos são necessários para o bom entendimento dos 
Sistemas de Logística Reversa.
Objetivos de aprendizagem
Nesta seção iremos identificar os conceitos de logística e canais 
de distribuição; a importância e a missão da logística frente às 
organizações e o mercado; a interface de marketing e de logística; 
a cadeia de suprimentos orientada para o mercado; a cadeia de 
suprimentos sincrônica e; gerenciando a cadeia global. O objetivo 
desta seção é que você tenha plena visão da atuação dos canais de 
distribuição em uma organização, bem como o resultado gerado 
pelo trabalho executado.
Seção 1.1 | Os conceitos e fundamentos da logística e canais 
de distribuição
Adriano Rosa Alves
Nesta seção será apresentado o conceito de canais de 
distribuição reversa; iremos analisar a competitividade entre as 
organizações originárias da logística reversa; a legislação aplicada 
sobre logística reversa no Brasil; os aspectos da implantação da 
Seção 1.2 | Os canais de distribuição reversa: fundamentos; 
competitividade e questões legais
U1 - Logística e seus conceitos10
logística reversa; o gerenciamento de resíduos sólidos no Brasil. 
O intuito é que você possa compreender a importância do 
conhecimento das questões legais e o impacto gerado pelos 
resíduos sólidos bem como, ratificar a importância de uma política 
sólida para a implantação da logística reversa nas organizações.
Introdução à unidade
Quando abordamos o assunto, logística, ouvimos várias 
teorias e apontamentos; críticas e elogios; definições e dúvidas. 
Uma das definições populares que você já pode ter contemplado: 
“Logística é transporte.” Você talvez pôde, em algum momento, 
ter ouvido esta definição e tê-la aceitado, mas, hoje, você sabe 
que isto não é verdade. 
Você saberia me dizer então qual é a definição de logística? Por 
que, por exemplo, em nosso País, discute-se tanto no Senado e 
na Câmara Federal sobre os custos logísticos para o escoamento 
da safra produzida no Brasil? É neste sentido que, nesta primeira 
parte, iremos abordar os conceitos da logística e dos canais de 
distribuição, bem como sua importância para as organizações e 
os seus benefícios. Dentro deste contexto, traremos para você a 
logística reversa e o seu papel nas organizações. Questões como: 
sustentabilidade, competitividade e legais, serão abordadas dentro 
do nosso material. 
O desejo deste conteúdo elaborado é despertar em você a 
importância de um projeto ou planejamento tangendo a logística 
reversa. Talvez, você irá ouvir que a logística reversa eleva o custo 
da organização, e isso realmente é possível, se não houver um 
planejamento ou controle das atividades, mas, aqui, será um 
lugar que você poderá observar todos os benefícios que ela pode 
acarretar a uma organização, tanto benefícios tangíveis como 
benefícios intangíveis. 
Vamos fazer uma viagem no vasto conhecimento logístico 
e canais de distribuição para poder facilitar o seu entendimento 
da aplicação da logística reversa, assim, você poderá no final do 
conteúdo compreender a necessidade e a importância da análise 
dos conceitos aqui abordados, bem como seus resultados.
U1 - Logística e seus conceitos12
Seção 1.1
Os conceitos e fundamentos da logística e canais 
de distribuição
Introdução à seção
1.1.1 Fundamentos da logística
Nesta seção, você irá compreender as definições e conceitos 
de Logística, Canais de Distribuição, Logística Reversa e Canais 
de Distribuição Reversa. Iremos abordar assuntos como a missãoda logística, sua importância e papel para as organizações e 
resultados esperados.
A humanidade tem uma história vasta, repleta de 
conhecimentos, descobertas e também mistérios. O homem, 
desde as eras remotas, sempre esteve em busca de ferramentas 
para melhorar o desenvolvimento de suas atividades e resultados. 
Sendo assim, conforme o tempo foi transcorrendo, o homem, 
através das inovações e aperfeiçoamentos de suas tecnologias, 
fora aprimorando a forma de realizar o seu trabalho, objetivando 
sempre a satisfação e atendimento de suas necessidades.
Fonte: <https://pixabay.com/pt/evolu%C3%A7%C3%A3o-andar-charles-darwin-297234/>. Acesso em: 15 jun. 2015.
Figura 1.1 | Evolução do homem
É sobre este pensamento que vamos analisar porque as 
empresas necessitam tanto do planejamento e, qual é o papel 
da logística e dos canais de distribuição. Precisamos entender 
antes qual é o conceito destes dois termos, Logística e Canais 
de Distribuição. Como citamos na introdução do nosso material, 
U1 - Logística e seus conceitos 13
talvez você tenha ouvido falar que, logística era o transporte 
realizado das mercadorias. De acordo com Panitz (2006, p. 73): 
Logística, do francês “logistique” parte da arte da 
guerra que trata do Planejamento e da realização do 
Projeto e desenvolvimento, obtenção, armazenamento, 
transporte, distribuição, reparação, manutenção 
e evacuação de material (para fins operativos e 
administrativos); Recrutamento, incorporação, instrução 
e adestramento, designação, transporte, bem-estar, 
evacuação, hospitalização, e desligamento de pessoal; 
Aquisição ou construção, reparação, manutenção e 
operação de instalações e acessórios destinados a ajudar 
o desempenho de qualquer função militar.
Você deve ter plena consciência que a Logística é “o ato de 
planejar, executar e controlar o, fluxo e armazenagem, quanto ao 
tempo, qualidade e custos, observando desde o ponto de obtenção 
da matéria-prima até o consumidor final, sempre tendo como 
objetivo o alcance da satisfação deste consumidor” (NOGUEIRA, 
2012, p. 21). A logística se torna fator importante em nosso cenário 
a partir da década de 1990, quando o então ex-presidente da 
república, Exmo. Sr. Fernando Collor de Mello, abre o mercado 
nacional para todo o mundo, atraindo novas empresas. Este fato 
gerou uma nova realidade, pois, com estas empresas entrantes, veio 
a tecnologia, produtos com qualidade superior, custos mais baixos e 
processos mais ágeis. Neste sentido, as empresas brasileiras sentiram 
a verdadeira necessidade de melhorarem os seus processos e 
evitarem desperdícios e custos desnecessários.
Mas, quando falamos em logística, precisamos compreender que 
ela sempre esteve em nosso meio, antes mesmo da era Cristã. Se 
você observar os fatos históricos como a construção das Pirâmides 
do Egito; a Muralha da China; as conquistas de Alexandre, o Grande, 
irão encontrar vários fatos que nos reportam à logística. O detalhe 
é que naquela época, estes processos de planejamento, controle, 
execução e busca da satisfação não estavam atrelados à logística, 
mas ela estava presente. Nas guerras (1ª e 2ª) mundiais, podemos 
encontrar facilmente os processos logísticos: movimentação de 
homens, máquinas, armamentos, munição, alimentação, estruturas 
para acampamentos, hospitais, informação etc. Observe bem este 
U1 - Logística e seus conceitos14
Uma organizada cadeia de agentes e instituições que, 
combinadas, desenvolvem as atividades necessárias à 
união de fabricantes e usuários para a consolidação das 
atividades de marketing; Uma ou mais companhias ou 
indivíduos que participam do fluxo de bens e serviços, 
desde um produtor até o consumidor; Os canais de 
distribuição desempenham 4 funções básicas: indução 
da demanda, satisfação da demanda, serviços de pós-
venda e troca de informações.
Pode-se observar que logística não tem a mesma definição que 
os canais de distribuição e aqui, enfatizo mais uma informação 
que você precisa ter pleno conhecimento: Canais de Distribuição 
/ Cadeia de Abastecimento / Cadeia de Suprimentos e / Supply 
Chain Management (SCM) – tem o mesmo significado.
Você deve se perguntar: “Mas professor, como podem todas estas 
terminologias ter a mesma concepção?” Analise o que Nogueira (2012, 
p. 29) cita sobre o SCM: “é a integração dos processos de negócios 
desde o usuário final até os fornecedores originais (primários) que 
providenciam produtos, serviços e informações que adicionam valor 
para os clientes e stakeholders”. Observe que ambas as definições 
apresentam, em seu conceito básico, o mesmo princípio.
ponto, quando nos reportamos à logística, estamos falando em 
processos. Segundo Ballou (2006, p. 26) a logística empresarial “é 
um campo relativamente novo do estudo da gestão integrada, das 
áreas tradicionais das finanças, marketing e produção”. 
Quero chamar sua atenção para o termo gestão integrada, 
quando Ballou cita, ele nos reporta a importância de todos 
os departamentos trabalharem em conjunto para alcançarem 
o objetivo da empresa: o sucesso e o lucro. Vale ressaltar que, 
para conseguirmos estes objetivos, necessitamos trabalhar com 
qualidade, ou seja, gerar satisfação e atender às necessidades de 
nossos clientes.
Agora que compreendemos o que é logística, convido você 
para analisarmos os canais de distribuição. Afinal, o que vem a ser 
canais de distribuição? De acordo com Panitz (2006, p. 29), canal 
de distribuição é:
U1 - Logística e seus conceitos 15
A cadeia de abastecimento integrada apresenta uma visão 
mais ampla do que conhecemos como cadeia logística, esta 
mais limitada à obtenção e movimentação de materiais e à 
distribuição física de produtos. A tecnologia da informação 
e a inovação tecnológica tornam possível um futuro no 
qual a cadeia de abastecimento possa ser realmente 
integrada. Nunca se falou tanto em atender às exigências 
dos consumidores como tem acontecido ultimamente.
Assim, esperamos que você possa ter uma ampla visão da diferença 
entre a Logística e os Canais de Distribuição. Fica evidenciado que 
a logística (processos) está presente nas atividades dos canais de 
distribuição. Precisa-se de uma visão sistêmica da organização para 
poder ter uma compreensão plena das atividades desenvolvidas.
Então, quando estamos estudando os canais de distribuição, 
estamos observando um conjunto de processos (logística) que 
ocorre em uma organização, para atender às necessidades dos 
clientes, analisando desde o momento em que adquirimos a 
matéria-prima em nosso fornecedor, até a colocação do produto 
final no ponto de venda (PDV). 
Afirma Bertaglia (2009, p. 5):
1.1.2 A importância e a missão da logística
Diariamente, milhões de pessoas realizam negócios como: troca 
de mercadorias, compra e venda e prestação de serviços. Talvez 
você já tenha se deparado com a seguinte situação: entrar em uma 
determinada empresa para adquirir um produto e não o encontrar 
para atender a sua necessidade. Acredito que sua reação não fora 
muito de satisfação. Este fato ocorre todos os dias devido à falta de 
planejamento das organizações na reposição dos produtos ofertados. 
Vários percalços podem gerar esta falha: atraso de entregas, falta de 
matéria-prima, greves, fatores climáticos, alterações em questões 
legais; controle do estoque de forma errada; falta de análise da oferta x 
demanda; avarias etc. Diante dos fatos expostos, a logística (processos) 
integrada à cadeia de abastecimentos tem como obrigação e missão 
corroborar para que isto não ocorra. Como pode a missão da logística 
corroborar para que estes percalços não ocorram nas organizações 
e prejudiquem os clientes ou gerem insatisfação?
U1 - Logística e seus conceitos16
Fonte: <https://pixabay.com/pt/carrinho-de-m%C3%A3o-steekkar-caixa-564242/>. Acesso em: 15 maio 2015.
Figura 1.2 | Distribuição de mercadoriasPrecisamos entender que a missão da Logística nos canais de 
distribuição é a de colocar o produto/mercadoria no local, hora, 
quantidade e qualidade certa, exatamente no momento que o 
cliente necessita, para atender as suas necessidades e satisfazer 
sua necessidade. Cita Bertaglia (2009, p. 11): “o objetivo clássico 
da cadeia de suprimentos é possibilitar que os produtos certos, 
na quantidade certa, estejam nos pontos de venda no momento 
certo, considerando o menor custo possível”. 
Este fato surge em decorrência da globalização, pois, o aumento 
da competitividade, uma oferta maior de produtos e marcas e, 
a agilidade dos processos de compra e venda também sendo 
ofertados pelo e-commerce cria a necessidade de as empresas 
aprimorarem suas formas de trabalho e atendimento ao cliente. 
Organizações que não se aterem para os processos da cadeia 
terão seu futuro muito afetado.
Analisar a missão não é somente observando os pontos internos 
da organização, seus pontos fortes e fracos, mas deve-se observar 
constantemente o ambiente externo, ou seja, tudo o que circunda 
a organização, que vai desde os fornecedores e concorrentes, até 
questões legais, sustentáveis e clientes.
“As questões da globalização e uma economia global têm 
elevado a competitividade das organizações, forçando-as a 
projetarem produtos para um público globalizado e ao mesmo 
U1 - Logística e seus conceitos 17
tempo racionalizarem seus processos para evitarem os custos 
desnecessários” (NOGUEIRA, 2012, p. 6). Segue a figura que elucida 
o canal de distribuição em funcionamento e suas possíveis fases 
que podem ser encontradas nas organizações.
Figura 1.3 | Canais de distribuição – processos
Fonte: O autor (2015).
Observe que a figura apresentada tem suas etapas inter-
relacionadas, uma vinculada à outra. Qualquer erro ou atraso 
que ocorra em uma etapa irá prejudicar a seguinte. É importante 
ressaltar as questões da qualidade do produto e da prestação de 
serviço que são oferecidos ao cliente. Para que possamos alcançar 
esta qualidade esperada, todas as etapas devem ser muito bem 
planejadas, estudadas e executadas. Cabe então às organizações 
buscarem, também, qualificar os seus colaboradores, pois, não irá 
adiantar nada ter às melhores ferramentas se os colaboradores 
não estiverem aptos a usá-las. Torna-se evidente, com base no que 
expusemos anteriormente, que “a missão da gestão logística é de 
planejar, coordenar e controlar todos os processos necessários para 
se alcançar os níveis esperados de serviços executados e qualidade 
ao menor custo possível” (CHRISTOPHER, 2013, p. 13). Sendo a 
missão da logística tão importante, porque ainda encontramos 
empresas que relutam para aprimorar suas técnicas de trabalho 
e não procuram novas formas de desempenhar suas atividades 
para atender às necessidades dos clientes?
De acordo com Christopher (2013, p. 15):
U1 - Logística e seus conceitos18
A maioria das organizações se vê como entidades 
independentes das outras, e de fato precisam competir 
com elas a fim de sobreviver. No entanto, essa filosofia 
pode ser autodestrutiva se levar a uma falta de disposição 
em cooperar para competir. Por trás desse conceito 
aparentemente paradoxal esta a ideia de integração da 
cadeia de suprimentos.
Fica evidente que, necessitamos dos concorrentes para 
podermos aprimorar nossos negócios, bem como desenvolver 
novas técnicas em função da necessidade de atender a uma 
demanda cada vez mais crítica. Sendo assim, às empresas, 
nos canais de distribuição, devem cooperar entre si para que o 
objeto final, o cliente/consumidor final, possa sair satisfeito com 
o negócio efetuado. “Como nos encontramos em um mercado 
de mercadorias, onde o consumidor observa pouca diferenciação 
entre os produtos ofertados, necessitamos de uma vantagem 
diferencial por meio do valor agregado”. (CHRISTOPHER, 2013, 
p. 28). O atendimento diferenciado, com qualidade, o “olho no 
olho” irá fazer a diferença. Atender ao cliente de forma a superar 
suas expectativas, fornecer ao cliente um canal de pós-vendas, por 
exemplo, já pode ser um diferencial entre várias áreas de prestação 
de serviços. Precisamos conhecer nossos concorrentes, através 
do benchmarking, observar práticas, qualidades e fraquezas para 
podermos conquistar o nosso futuro cliente ou manter os clientes 
ativos na carteira.
1.1.3 A interface de marketing e logística
Quando vamos abordar os canais de distribuição e a logística, 
precisamos entender que esta área da organização, além de atender 
aos anseios e desejos de consumo de um cliente que solicitou um 
produto ou serviço, também está atendendo ao Departamento 
de Marketing da empresa, ou também conhecido como 
Departamento Comercial. Dentro dos conceitos de marketing, 
encontramos o composto mercadológico que é formado pelos 4 
Ps, sendo eles: produto, preço, promoção e praça. A maioria das 
ênfases sempre é sobre os três primeiros Ps apresentados, sendo 
a praça deixada de lado, muito vezes. Mas, segundo Christopher 
(2013) este cenário está apresentando sinais de mudança, pois, 
U1 - Logística e seus conceitos 19
Quando a organização não acredita na importância de 
saber qual o melhor caminho a seguir ou o que deve fazer, 
estará à mercê de um mercado cada vez mais consciente 
e competitivo, e em um curto espaço de tempo pode ser 
massacrada pela concorrência, pois, novas ideias podem 
substituir o seu produto e/ou serviço.
Eis a importância de conhecermos os nossos clientes, bem 
como nossos concorrentes, como citado no item anterior (1.2). 
E para podermos ser e fazer o diferencial para nossos clientes 
é importante que meçamos os processos logísticos, ou seja, 
medir nossos desempenhos, observando às metas e objetivos 
e como a empresa está trilhando estes planejamentos traçados. 
Cita Nogueira (2012, p. 173) que “estas medidas são um grande 
instrumento de comunicação, apresentando benefícios como: 
promover e compartilhar a cultura organizacional; direcionar o 
comportamento gerencial; apresentar o feedback; gerir esforços 
de melhorias e; aperfeiçoar o processo de decisões.”
De acordo com Bertaglia (2009, p. 19), “ouvir e compreender as 
necessidades do seu cliente tornou-se fator principal para o sucesso 
da organização”. Este fato de estarmos “ouvindo” o cliente gera um 
valor adicional ao seu produto, marca e empresa. Vale ressaltar 
que os clientes são disputados pelas empresas, interessadas no 
quando ele esta disposto a desembolsar para adquirir um serviço 
ou um produto. Imagine você, neste momento, escolhendo 
um produto para se presentear. De que forma gostaria de ser 
atendido? Quais benefícios gostaria que a empresa oferecesse 
na aquisição do produto escolhido?
Os clientes, em todos os mercados, querem cada vez maior 
agilidade, sendo que, a disponibilidade de um produto ou 
serviço, no momento exato em que o cliente tem o seu desejo, 
poderá superar a fidelidade a uma marca ou fornecedor, isto nos 
reporta a seguinte reflexão: se o produto que o cliente costuma 
os clientes estão cada vez mais solicitando agilidade no processo 
e entrega de seus produtos / serviços, sendo esta agilidade, um 
potencial de diferença na vasta oferta que o mercado disponibiliza 
todos os dias. Para Nogueira (2012, p. 171):
U1 - Logística e seus conceitos20
consumir não está ao seu alcance, mas, o produto substituto 
sim, a probabilidade de perdermos uma venda será muito grande 
(CHRISTOPHER, 2013). De acordo com Bertaglia (2009, p. 293), “as 
alterações no contexto industrial, transitando de um modelo que 
evidenciava a produtividade para um modelo de competitividade, 
requer que as organizações adotem formas diferentes de 
administração empresarial, com o foco voltado para o serviço e 
ao cliente”. A cadeia de suprimentos exerce um papel fundamental 
a fim de gerar às organizações a vantagem competitivapor meio 
da velocidade nos processos e redução de custos, por estar 
conectada ao transporte.
Afirma Bertaglia (2009, p. 293-294):
A variação e a diversificação na demanda têm sofrido grandes 
modificações, obrigando as organizações a fornecerem uma 
variedade maior de produtos. Os clientes, um dos principais 
elementos da cadeia, estão exigindo maior frequência de 
entrega, com quantidades reduzidas e maior variedade de 
produtos. Para satisfazer essa demanda, as organizações 
precisam ser mais velozes e apresentar um alto grau de 
qualidade nos seus produtos para evitar devoluções. Nesse 
contexto, a área de transporte é fortemente afetada e 
necessidades adicionais lhe são impostas.
Você pode observar que, cada vez mais, as organizações 
precisam correr para melhorar seus processos logísticos, diminuindo 
custos, aumentado a qualidade dos produtos e serviços prestados, 
criando mecanismos para agilizar a distribuição de seus produtos 
frente ao mercado consumidor. Vale enfatizar a importância do 
departamento comercial / marketing na hora de selecionar os 
fornecedores, bem como, saber o que comprar. “Logo, o papel 
do atendimento ao cliente é ofertar utilidade de tempo e lugar na 
transferência de bens e serviços entre o comprador e o vendedor” 
(CHRISTOPHER, 2013, p. 37).
Cita Christopher (2013, p. 41):
U1 - Logística e seus conceitos 21
Muitas empresas sofrem nesse novo ambiente competitivo, 
porque, no passado, elas se focaram nos aspectos 
tradicionais do marketing – desenvolvimento de produtos, 
atividades promocionais e concorrência nos preços. No 
entanto, embora esses aspectos ainda sejam dimensões 
necessárias a uma estratégia bem sucedida de marketing, 
eles não são suficientes.
Ficou evidente que, empresas que se atém somente a preços, 
ações promocionais e desenvolvimento de produtos, estão em 
maior desvantagem em relação às empresas que ampliam o produto 
básico com serviços de valor agregado.
1.1.4 A cadeia de suprimentos orientada para o mercado
Quando a logística começou a ser aplicada nas organizações 
e, através dos processos, houve o surgimento da cadeia de 
suprimentos. Neste contexto primordial, o foco era voltado a 
aperfeiçoar as operações internas da empresa fornecedora. “O 
fabricante era motivado a principiar acordos de fornecimento e 
distribuição que viabilizariam maximizar a eficiência da produção” 
(CHRISTOPHER, 2013, p. 46). Isso nos reporta a visão de que a 
produção seria em larga escala e o transporte seria realizado em 
grandes volumes. O que se pode concluir desta estratégia era que 
o foco não estava nos clientes, mas tão somente nos processos. 
Christopher (2013, p. 46) diz mais: “com a contínua transferência 
de poder do canal de distribuição do produtor para o consumidor, 
essa filosofia convencional se torna cada vez menos apropriada”. 
A nova perspectiva não enxerga mais o consumidor no final da 
cadeia, mas sim em seu início. Christopher apresenta o modelo de 
cadeia de suprimentos da empresa de moda ZARA, que cria valor 
real para seus clientes-alvo.
U1 - Logística e seus conceitos22
Figura 1.4 | Ligando valor do cliente à estratégia de cadeia de suprimentos
Fonte: Christopher (2013, p. 47).
Vale ressaltar que não existem dois clientes iguais. Cada um tem 
seus anseios e desejos. Suas necessidades a serem atendidas são 
diferentes. Os desejos de compras mudam de pessoa para pessoa, 
regiões, culturas. Mas, podemos fazer a classificação de nossos 
clientes por segmentos, buscando semelhanças, características 
aproximadas. O estrategista em logística precisa conhecer quais são 
os problemas de atendimento que diferenciam clientes. Realizar 
uma pesquisa de mercado pode ajudar e muito nesta identificação. 
Christopher (2013, p. 49) nos sugere um processo de três etapas: 
a) Identificar os principais componentes de atendimento 
ao cliente, na visão dos próprios clientes; b) Estabelecer a 
importância relativa de componentes de atendimento aos 
clientes; c) Identificar grupos de clientes de acordo com a 
similaridade de preferências de atendimento.
O primeiro ponto citado refere-se à questão das empresas 
presumirem que sabem o que seus clientes necessitam ou 
buscam no mercado. Para que as organizações não incorram 
neste erro, faz-se necessário a aplicação da pesquisa de mercado, 
sendo o primeiro objeto de pesquisa saber o que o cliente deseja 
U1 - Logística e seus conceitos 23
comprar. “O objetivo destas pesquisas é compreender, no linguajar 
dos clientes, a importância que eles atribuem ao atendimento ao 
cliente perante outros elementos do composto de marketing” 
(CHRISTOPHER, 2013, p. 50). Você já deve ter passado por uma 
entrevista em um PDV ou por telemarketing quando uma empresa 
de pesquisa faz várias perguntas sobre que tipo de produto você 
usaria? Quais os motivos que levariam você a comprar? Quais 
motivos levariam você voltar a comprar? Etc.
O segundo ponto apresentado trata da identificação da 
importância dos componentes de atendimento. Quando você 
efetua a etapa um, a entrevista, em um segundo momento, é 
solicitar aos clientes que classifiquem os fatores de aquisição em 
“mais” e “menos” importante na concepção deles. Um exemplo na 
distribuição seria quanto ao tempo que o comprador poderia estar 
preparado para sacrificar para ganhar confiabilidade na entrega, 
ou para a troca do preenchimento de pedido por melhorias na 
entrada de pedidos.
O terceiro ponto, identificar a similaridade de preferências 
de atendimento, ou seja, pelas preferências, volume de compra, 
tamanho do negócio, segmentação do mercado, distância, 
agendamento, peculiaridades para realização da entrega – são 
fatores que podemos usar na hora de compor uma carga ou um 
pedido para fazer a distribuição.
Sendo assim, o desafio para a gestão logística é gerar soluções 
de cadeia de suprimentos adequadas para acolher os anseios desses 
sortidos segmentos de valor. Seria correto classificar os clientes 
pelo poder de compras e assim gerar atendimentos diferenciados 
dando preferências na hora da entrega quando ocorressem 
atrasos nos processos logísticos? Necessita-se salientar que, todas 
as empresas têm de enfrentar um fato básico: haverá diferenças 
significativas na rentabilidade entre os seus clientes.
Christopher (2013, p. 52) diz que o propósito da cadeia de 
suprimentos e logística é “disponibilizar aos clientes o nível e a 
qualidade de atendimento que eles exigem, e executá-lo ao menor 
custo para a cadeia de suprimentos total”. Embora deva ser objetivo 
de qualquer sistema logístico fornecer a todos os clientes um nível 
U1 - Logística e seus conceitos24
As atividades desempenhadas pelos departamentos nas 
organizações sofreram grandes modificações nos últimos anos. 
Setores que trabalhavam como células isoladas, no contexto de 
planejamento, compras, manufatura e distribuição com interfaces 
e limites definidos, hoje, encontram-se agrupadas em um único 
processo: a cadeia de abastecimento integrada (BERTAGLIA, 
2009). Tal procedimento adotado reduz consideravelmente os 
conflitos e disputas entre os departamentos, e, ao mesmo tempo, 
aumenta a velocidade em que a informação circula entre todos os 
envolvidos no processo. Vale também para o aumento na eficácia 
do atendimento ao cliente que anseia para que seu pedido seja 
atendido o mais rápido possível. A quebra dos paradigmas de se 
aplicar a Tecnologia de Informações tem auxiliado e muito às 
organizações a melhorarem seus resultados frente ao mercado e 
também de acordo com seus objetivos internos. Segundo Bertaglia 
(2009, p. 449), “o profissional que não evoluir, não acompanhar as 
mudanças, estará determinando o seu próprio fim”. 
Como você tem reagido à evolução tecnológica? Você é um 
profissional conectado? Como a empresa em que você atua tem 
se portado com as inovações tecnológicas?
Para sermosmultifuncionais, é necessário sermos competentes. 
Sermos ágeis, produzir baixos custos e sermos criativos. A cadeia 
de suprimentos desempenha um papel especial nesse processo, 
pois é fator decisivo na diferenciação competitiva. Considera 
Bertaglia (2009, p. 450):
1.1.5 A cadeia de suprimentos sincrônica
A necessidade de sobrevivência das organizações 
exige que o seu modelo estrutural seja adaptado às 
novas demandas de negócio. A consequência maior 
é a necessidade de adequar o perfil profissional das 
pessoas que tem a incumbência de administrar os 
de atendimento satisfatório, conforme os acordos estabelecidos 
deve-se reconhecer que serão necessárias as prioridades de 
atendimento. A Lei de Pareto é uma ferramenta válida para ajudar-
nos neste processo de análise, desenvolvendo uma estratégia de 
atendimento mais rentável.
U1 - Logística e seus conceitos 25
O profissional de logística da atualidade necessita de uma 
visão mais ampla, observar o negócio como um todo; necessita 
compreender que o cliente é o foco e, é fundamental maximizar 
os valores para a sua retenção e fidelização junto à empresa. 
Para atuar como gestor logístico, o profissional necessita ter um 
perfil eclético, apresentando características como: conhecimento 
de processos, espírito de liderança, visão externa, ser estrategista, 
ser objetivo, ser comunicador. Queremos chamar sua atenção 
para um fato que também é de suma importância: ele necessita 
de apoio. Preparar o “espelho”, ou a “sombra” não faz mal algum. 
Pessoas para auxiliá-lo são muito bem-vindas, principalmente para 
dividir tarefas na transformação e mudanças da empresa.
Então, por que não trabalharmos sincronizados?
Os setores/departamentos, assim como a empresa toda, não 
podem agir como uma ilha isolada. A ideia da sincronização nos 
reporta a compreender que cada fase da cadeia de suprimentos 
está ligada a outra e todas elas caminham para o mesmo objetivo. 
Eis que o papel da informação é primordial para este funcionamento 
pleno, pois é a informação compartilhada que irá gerar a conexão 
entre todos na cadeia de abastecimento.
Para Christopher (2013) as informações a serem comungadas 
entre todos são os dados e previsões de demanda, cronogramas 
de produção, detalhes de lançamento de novos produtos e lista 
de alterações de materiais. Para que tudo isto possa ser funcional, 
os processos (logística) devem estar em funcionamento pleno e 
correto, ou seja, alinhados com o planejamento da organização.
processos reorganizados. Dessa forma, o profissional 
responsável pela compra de matéria-prima passa a 
interagir fortemente com o profissional que recebe os 
pedidos dos clientes. A cadeia de abastecimento passa a 
ter responsabilidade pela adição de valor aos pedidos dos 
clientes por meio do atendimento do produto correto, 
da embalagem adequada, da emissão da nota fiscal e 
do documento de cobrança no qual constem preço e 
quantidade conforme contratado.
U1 - Logística e seus conceitos26
Cada vez mais as organizações de sucesso parecem ter uma coisa 
em comum: o uso de informações e da tecnologia de informação 
para melhorar a receptividade dos clientes (CHRISTOPHER, 2013). 
Infelizmente, não são todas que partilham desta mesma ideia. 
Várias organizações, em seus quadros de colaboradores, padecem 
por terem “líderes” que se baseiam em ferramentas de “gestão” 
do passado. Geralmente suas justificativas vêm precedidas das 
seguintes frases: “há vinte anos eu faço assim...”; “...no meu tempo 
sempre fizemos desta forma...”. Estes são verdadeiros percalços 
nas organizações, gerando entraves e criando situações negativas 
no desenvolver das atividades. Geralmente recorrem a estas frases 
para não se reportarem às novas tendências do mercado, ou, pelo 
simples fato do medo devido à falta de conhecimento técnico. 
E as organizações ficam à mercê destes “gestores” que acabam 
impactando diretamente nos custos e na satisfação dos clientes.
O desafio para gestão logística é encontrar formas de atender 
às necessidades a serem alcançadas sem uma escalada de 
custos que não seja rentável. Sendo assim, o princípio básico de 
sincronização, segundo Christopher (2013, p. 176) é:
Garantir que todos os elementos da cadeia ajam como 
um e, portanto, deve haver a identificação precoce das 
necessidades de transporte e reabastecimento, e, o mais 
importante de tudo, deve haver o nível mais elevado 
de disciplina de planejamento. Em uma cadeia de 
suprimentos sincronizada, a gestão de fluxo de materiais 
de entrada torna-se uma questão crucial.
A logística deve ser uma resposta rápida ao cliente, e para as 
organizações atingirem este patamar, a cadeia de suprimentos 
sincronizada é essencial. O que auxiliou esta formulação da resposta 
rápida fora a aplicação da tecnologia de informação. De acordo 
com Christopher (2013, p. 179): “a ideia básica por trás da resposta 
rápida (QR, quick response) é que, a fim de aproveitar as vantagens 
da concorrência fundamentada no tempo, é necessário desenvolver 
U1 - Logística e seus conceitos 27
sistemas que sejam capazes de responder rapidamente”. Um fator 
positivo com a aplicação da QR é a redução dos leads times 
cumulativos, podendo resultar em um estoque mais baixo. Somente 
para ilustrar, este processo surgiu na indústria da moda e vestuário. 
Bertaglia (2009, p. 474) cita que: “as organizações tradicionais 
estão sofrendo uma transformação importante ao usar a tecnologia 
como base para alterar os seus padrões de comportamento”. 
No passado, não muito distante, as empresas eram engessadas 
e departamentalizadas, com inúmeras funções. As organizações 
contemporâneas devem ser muito mais flexíveis e apresentar 
estruturas organizacionais mutáveis, ou seja, adequar-se conforme a 
necessidade e as alterações que o mercado sofre. Um fator primordial 
aqui, novamente é a informação, que passa a ser compartilhada interna 
e externamente. Dessa forma, a TI passa a ter um papel fundamental, 
pois, fornece suporte para processos importantes como avaliação 
de mercado, gestão da distribuição, atendimento aos clientes, entre 
outros. Para encerrarmos este ponto, quero enfatizar a você que para 
uma organização ter lucro, antes ela precisa ter qualidade.
1.1.6 Gerenciando a cadeia global
Antes de navegarmos neste conceito, gostaria de convidar você 
a observar as opções que temos para disponibilizar o produto, 
e também para disponibilizarmos um serviço. Você deve ter 
observado nas citações sobre os canais de distribuição que eu me 
referi ao atendimento dos consumidores, clientes e intermediários. 
Sobre este aspecto que quero falar. Os intermediários têm um 
papel vital para as organizações que desejam ampliar a sua área de 
atendimento. São eles, os intermediários, que efetuam o elo entre 
os fornecedores e os clientes, em vários processos. Podemos citar 
como exemplo um supermercadista que oferece um vasto mix 
de produtos, disponibilizando em suas gôndolas marcas, produtos, 
bens de consumo. Este supermercadista por ser um intermediário 
direto entre o fornecedor e você, ou, ele ainda poder ser um dos 
elos de toda a cadeia de abastecimento. Observe a figura a seguir 
para você compreender os níveis que podemos encontrar nos 
canais de abastecimento.
U1 - Logística e seus conceitos28
Figura 1.5 | Canais de distribuição – níveis de distribuição
Fonte: O autor (2015).
Fornecedor
Fornecedor
Fornecedor
Fornecedor
Fornecedor
Cliente final
Interm. 1 - 
Varejista
Interm. 2 - 
Varejista
Interm. 2 - 
Atacadista
Interm. 3 - 
Varejista
Interm. 2 - 
Distribuidor
Cliente final
Cliente final
Cliente
final
Cliente final
Interm. 1 - 
Atacadista
Interm. 1 - 
Distribuidor
Interm. 1 - 
E-commerce
Todos estes citados na Figura 5 fazem parte do processo 
de distribuição. Quero ressaltar a você que a escolhado tipo 
de distribuição será feita de acordo com o tipo de produto, 
abrangência de mercado, forma de abastecê-lo, segmentação dos 
clientes e política de distribuição do fornecedor. Não existe aqui 
o caminho certo ou o errado, mas sim, o que melhor atende aos 
anseios do fornecedor para atingir o seu público-alvo.
Abordando o gerenciamento, a cadeia global, dentro dos níveis 
de distribuição, as organizações também podem escolher como 
será este processo. Assim precisamos definir o projeto inicial do 
canal de distribuição. Neste processo podemos optar por três 
modalidades, a saber:
• Distribuição Intensiva: quando o fornecedor opta por 
disponibilizar os seus produtos em vários PDVs, ou seja, atua 
junto a todos os meios de distribuição para atingir os seus 
consumidores. Um exemplo clássico que podemos encontrar 
em todos os ambientes é um refrigerante. Você encontra uma 
lata de refrigerante em uma padaria, confeitaria, mercado, 
mercearia, farmácia, lojas de conveniência, restaurantes, 
hotéis etc. O produto é pulverizado, massificado. A ideia é 
que todos possam ter acesso a ele.
• Distribuição Exclusiva: quando o fornecedor opta por 
disponibilizar os seus produtos somente para aqueles 
U1 - Logística e seus conceitos 29
intermediários que garantirem a distribuição exclusiva de sua 
marca. Um exemplo clássico para este tipo de distribuição são 
as concessionárias de veículos zero quilômetro. Você não irá 
encontrar um carro zero da marca X em uma concessionária da 
marca Y. Isso pode ocorrer também com aqueles refrigeradores 
que encontramos nos varejistas, com uma determinada marca 
estampada na geladeira. Aquele imobilizado só pode ser usado 
para expor a marca que está rotulada no refrigerador. Isso é a 
exclusividade. É elaborado um contrato entre as partes.
• Distribuição Seletiva: quando o fornecedor analisa o perfil 
do público que frequenta a empresa que irá representar a 
sua marca, levando em consideração questões de renda, 
localização, status, ambiente de atendimento e exposição do 
produto. Um exemplo clássico para este tipo de distribuição 
é aplicado às marcas de relógios famosos: Rolex, Bulova 
etc. Este tipo de produto é para um público mais seleto, 
que não procurará produtos com estas características em 
uma simples loja no bairro retirado.
Você pode observar que, escolher os canais de distribuição 
não é fácil, muito menos, em qual intensidade o seu produto será 
ofertado e para quem. Aqui, justifica-se a necessidade da aplicação 
de uma pesquisa de mercado, para evitarmos possíveis erros e 
custos desnecessários. A partir destas análises, eu venho apresentar 
para você o que cita Christopher (2013, p. 205):
A lógica da empresa global é clara: pretende expandir 
seus negócios alargando seu mercado, enquanto busca 
redução de custos mediante economias de escala 
na aquisição e na produção, bem como por meio da 
fabricação concentrada e/ou de operações de montagem.
Vale ressaltar que, quando se pretende atender a todos os 
públicos, o trabalho não é fácil. Os mercados e clientes não são 
homogêneos, diferenças econômicas, culturais, sociais, políticas, 
religiosas e legais podem ser barreiras em algumas regiões e 
para outras não. Outro fator preponderante para a distribuição 
maciça é a questão do lead time. Hoje, por mais que as distâncias 
U1 - Logística e seus conceitos30
Questão para reflexão
Na seção 1, você observou as definições de logística e canais de 
distribuição, bem como, o seu papel nas organizações, seus efeitos 
e suas características. Você já parou para analisar como um simples 
produto que você adquiriu na gôndola de um supermercado pode 
estar ali disponível no exato momento em que você o necessita 
ou deseja?
Atividades de aprendizagem
1. De acordo com Nogueira (2012) e Bertaglia (2009), logística e canais de 
distribuição não têm a mesma definição. Discorra sobre quais as definições 
de logística e os canais de distribuição e, como eles se inter-relacionam 
nas organizações?
2. De acordo com os assuntos abordados sobre logística e canais de 
distribuição, analise as sentenças a seguir:
I. “O objetivo clássico da cadeia de suprimentos é possibilitar que os produtos 
certos, na quantidade certa, estejam nos pontos de venda no momento 
certo, considerando o maior custo possível” (BERTAGLIA, 2009, p. 11).
II. A logística deve ser uma resposta rápida ao cliente e para as organizações 
atingirem este patamar a cadeia de suprimentos sincronizada é essencial. 
O que auxiliou esta formulação da resposta rápida foi a aplicação da 
tecnologia de informação.
III. “A maioria das organizações se vê como entidade independente 
das outras, e de fato precisam competir com elas a fim de sobreviver. 
No entanto, essa filosofia pode ser autodestrutiva se levar a uma falta 
de disposição em cooperar para competir. Por trás desse conceito 
aparentemente paradoxal está a ideia de integração da cadeia de 
suprimentos.” (CHRISTOPHER, 2013, p. 15).
IV. Segundo Ballou (2006, p. 26) a logística empresarial “é um campo 
relativamente novo do estudo da gestão integrada, das áreas tradicionais 
das finanças, marketing e produção”.
possam ser reduzidas pelo meio de transporte aéreo, não é em 
todos os lugares e regiões que encontramos um aeroporto fácil, 
bem como, não são todos os produtos que apresentam um valor 
agregado para custear um meio de transporte como esse, que, 
vale relembrar, é o mais caro entre os modais disponíveis. 
U1 - Logística e seus conceitos 31
Assinale a alternativa correta:
a) As sentenças I e IV estão corretas.
b) As sentenças I e III estão corretas.
c) As sentenças I, II e III estão corretas.
d) As sentenças II, III e IV estão corretas.
U1 - Logística e seus conceitos32
Seção 1.2
Os canais de distribuição reversa: fundamentos; 
competitividade e questões legais
Introdução à seção
1.2.1 Conceitos de canais de distribuição e logística reversa
Devido ao grande aumento do consumo de produtos de 
bens de consumo e matérias-primas, descartes, desperdícios, 
exploração do meio ambiente, muitas vezes, de forma agressiva, 
necessitamos aplicar uma política sustentável de negócio para 
tentar diminuir ao máximo os impactos, bem como, buscar uma 
redução na linha de produção aplicando conceitos como o reuso, 
reciclagem e desmanche. O tratamento dos resíduos sólidos 
também é uma fonte de captação de recursos financeiros, sendo 
estes lançados como recursos financeiros não operacionais. Iremos 
observar a importância da aplicação da logística reversa nos canais 
de distribuição, bem como, quais os impactos positivos que as 
organizações podem obter com este processo.
Convido-o a fazer uma pequena reflexão sobre os conceitos 
que abordamos na seção anterior. Você agora está mais do que 
ciente que logística corresponde aos processos aplicados nas 
organizações dentro da cadeia de suprimentos/abastecimento/
distribuição. De acordo com Xavier e Corrêa (2013, p. 3):
Gestão de cadeias de suprimento é a administração 
integrada dos processos principais de negócios 
envolvidos com a gestão das instalações e dos fluxos 
físicos, financeiros e de informações, englobando desde 
os produtos originais de insumos básicos até a disposição 
do produto final pós-consumo, no fornecimento de bens, 
serviços e informações, de forma a agregar valor para 
todos os clientes – intermediários e finais – e para outros 
grupos de interesse legítimos e relevantes para a rede.
Necessitamos entender a cadeia de suprimentos em seu ciclo 
tradicional para podermos aprimorar os conhecimentos dos canais 
de distribuição reversa. É perceptível que nos canais de distribuição 
encontramos um conjunto de empresas vinculadas por processos 
U1 - Logística e seus conceitos 33
de negócio, que possibilitam atender à demanda de um cliente 
por um produto ou serviço. Quero lembrá-lo que, no canalde 
distribuição direto, segundo Tadeu et al. (2012, p. 15):
O fornecedor de matéria-prima realiza a primeira etapa, 
seguida de transporte e armazenagem inicial. A fase 
seguinte corresponde ao transporte do armazém para 
o beneficiamento subsequente. Já na terceira fase, 
identifica-se o transporte da fábrica para os subsistemas 
de atacado/varejo, e, finalmente, o transporte de produtos 
aos clientes/consumidores finais. Os produtos/bens são 
movimentados (manuseio e transporte) com o objetivo 
de entrega ao consumidor final e a esta série de atividades 
denomina-se distribuição física de produtos/bens quando 
ela ocorre unicamente em um território nacional.
Figura 1.6 | Canais de distribuição direta
Fonte: Portal Guia do TRC (2015).
Após esta reflexão podemos discorrer sobre o conceito da 
logística reversa. Para Leite (2009, p. 15) “logística reversa tem o 
seu foco relacionado no retorno de bens a serem processados em 
reciclagem de materiais, denominadas e analisados como canais 
de distribuição reversos”. Já, segundo a CLM – Councilof Logistic 
Management (1993, p. 323) citado por Leite (2009, p. 16), a logística 
reversa é: “um amplo termo relacionado às habilidades e atividades 
envolvidas no gerenciamento de redução, movimentação e 
disposição de resíduos de produtos e embalagens [...]”.
U1 - Logística e seus conceitos34
Você ou a organização em que você atua tem uma política 
de logística reversa dos produtos que são descartáveis / 
resíduos sólidos?
Imaginem todos os produtos que fossem produzidos, ao seu 
descarte não fossem reciclados, retornassem à linha de produção 
para reaproveitamento e/ou reuso dos mesmos, fossem descartados 
de forma inconsciente? Será que haveria espaços para depositar 
todo esse lixo? E as fontes de matéria-prima, principalmente às 
minerais, não seriam extintas devido ao alto volume de exploração 
desenfreado e sem controle do impacto ambiental?
Os canais de distribuição reversos irão tratar de todo o descarte 
originário dos produtos de pós-venda e pós-consumo. Assim como 
o produto tem uma sequência lógica para chegar ao seu destino 
final, o cliente/consumidor final, o caminho inverso irá destinar-se 
a captar o descarte e retornar para o fornecedor que originou este 
bem. Tadeu (2012) divide o conceito de Canais de Distribuição 
Reverso em duas frentes: produto de pós-venda e pós-consumo.
Afirma Tadeu et al. (2012, p. 16):
Canais de distribuição reversos de pós-venda 
constituem-se pelas diferentes modalidades de 
retorno de uma parcela de bens/produtos com pouca 
ou nenhuma utilização à sua origem, ou seja, tem seu 
fluxo inverso/reverso do comprador, consumidor, 
usuário final ao atacadista, varejista ou ao fabricante 
pelo simples fato de defeitos, não conformidades, erros 
de emissão de pedido; Canais de distribuição de pós-
consumo é constituído por diferentes modalidades de 
retorno ao ciclo de produção/geração de matéria prima 
de uma parcela de bens/produtos ou de seus materiais 
constituintes após o fim de sua vida útil, subdividindo-se 
em reuso, desmanche e reciclagem.
A logística reversa deve ser utilizada e explorada como uma 
vantagem competitiva. O conceito de empresa verde, aos poucos, 
vem sendo difundido no mercado consumidor. Clientes com maior 
consciência acabam procurando por empresas e produtos que 
U1 - Logística e seus conceitos 35
A. Canais de distribuição reversos de ciclo aberto são 
formados pelas diversas etapas de retorno de materiais 
constituintes dos produtos de pós-consumo: metais, 
plásticos, vidros, papéis etc., materiais extraídos de 
diferentes produtos de pós-consumo, visando à 
reintegração ao ciclo produtivo e substituindo matérias-
primas novas na fabricação de diferentes tipos de produtos. 
B. Canais de distribuição reversos de ciclo fechado 
são constituídos pelas etapas de retorno de materiais 
constituintes dos produtos de pós-consumo, nas quais os 
materiais constituintes de determinado produto descartado 
ao fim de sua vida útil são extraídos seletivamente dele para 
fabricação de um produto similar ao de origem. Neste caso, 
por interesses tecnológicos, econômicos, logísticos ou de 
outra ordem, todas as fases da cadeia produtiva reversa são 
especializadas para a revalorização do material constituinte 
de determinado produto.
Você pode perceber que tudo o que produzimos hoje, de 
alguma forma, pode ser aproveitado, gerando valores sustentáveis 
para a organização que atua com estes ciclos. Talvez possa ter 
gerado uma dúvida quanto ao Canal Fechado, mas, um exemplo 
bem prático deste sistema é quando descartamos óleos e 
lubrificantes automotivos usados. A operação reversa retira e 
elimina as impurezas, efetua a adição de aditivos e os reintegra ao 
ciclo produtivo como novo óleo.
se preocupam com o meio ambiente. Outro fator importante da 
aplicação da logística reversa é que, podemos reaproveitar os materiais 
descartados no ciclo produtivo, evitando assim a necessidade de 
buscar, no meio e junto aos fornecedores, os insumos.
Depois de concluídas as fases de fluxo logístico direto, grande 
parcela dos bens de pós- consumo retornarão ao ciclo de produção 
de matéria-prima, partes, peças, componentes, e acessórios, por 
meio dos canais reversos de pós-consumo, seja por meio do 
reuso, seja pela reciclagem, constituindo produtos similares ou um 
novo produto (TADEU et al., 2012).
Leite (2009, p. 54-56) classifica as categorias de ciclos reversos 
de retorno ao ciclo produtivo em:
U1 - Logística e seus conceitos36
Sobre a ótica e perspectiva estratégica, refere-se às decisões 
no macroambiente composto pela sociedade e comunidades 
locais, governos e ambiente concorrencial. Assim sendo, levará 
em consideração as características que garantirão competitividade 
e sustentabilidade às empresas nos eixos econômico e ambiental 
por meio de vários objetivos empresariais: recuperação de valores, 
seguimento de legislações, prestação de serviços aos clientes, 
demonstração de responsabilidade empresarial, reforço de 
imagem de marcar ou corporativa e conter os riscos de cenários 
negativos (LEITE, 2009).
Para a organização poder usar a logística reversa como uma 
estratégia empresarial, ela necessita levar em consideração os 
aspectos de relevância para as operações executadas, tais como: 
localizações de origens e destinos, quais modais de transporte 
serão aplicados, observar a forma que será executada a gestão 
de armazenagem e estocagem, qual o sistema de informação 
utilizado etc.
Afirma Leite (2009, p. 17-18):
1.2.2 A logística reversa como estratégia empresarial
A logística reversa, por meio de sistemas operacionais 
diferentes em cada categoria de fluxos reversos, tem como 
objetivo tornar possível o retorno dos bens ou de seus 
materiais constituintes ao ciclo produtivo ou de negócios. 
Agrega valor econômico, de serviço, ecológico, legal e de 
localização ao planejar as redes reversas e as respectivas 
informações e ao operacionalizar o fluxo, desde a coleta 
dos bens de pós-consumo ou de pós-venda, por meio dos 
processamentos logísticos de consolidação, separação e 
seleção, até a reintegração ao ciclo.
U1 - Logística e seus conceitos 37
Figura 1.7 | Estratégia empresarial e a logística reversa
Fonte: O autor (2015).
Sociedade
• Educação
• Hábitos
• Mídia
• Propaganda
Organização empresarial
 Ambiente Interno 
Empresarial
• Recursos disponíveis
• Capacitação
• Fase emprresarial
 Ambiente Empresarial
• Competição
• Empresas das cadeias 
reversas
• Disponibilidade de 
serviço de logística 
reversa
• Setor empresarial
• Tecnologia
 Governo
• Legislação
• Regulamentação
• Penalizações
 Estratégia da 
Logística reversa
• Objetivos 
estratégicos
• Objetivos 
operacionais

Outro fator que também chama a atenção quanto ao empregoda 
logística reversa, reporta-se às questões de sustentabilidade. Segundo 
Christopher (2013, p. 289): 
A crescente preocupação com o meio ambiente, em 
especial a possibilidade de alterações climáticas causadas 
pelo aquecimento global, dirige o foco para o moco 
como as atividades humana e econômica tem potencial 
de afetar negativamente a sustentabilidade do planeta 
em longo prazo.
Assim sendo, necessitamos planejar corretamente às ações 
empresariais, pois estas poderão afetar negativamente o nosso meio. 
Necessitamos enfatizar a importância de se analisar o impacto das 
decisões de negócios sobre três áreas-chaves:
• Meio ambiente: poluição; mudanças climáticas; o 
esgotamento de recursos escassos. 
• Economia: efeitos sobre a vida das pessoas e segurança 
financeira; rentabilidade da empresa.
• Sociedade: redução da pobreza; melhoria das condições de 
vida e de trabalho.
U1 - Logística e seus conceitos38
Esta preocupação se faz necessária para garantir no longo prazo 
a viabilidade e a continuidade da empresa, bem como contribuir 
para o futuro bem-estar da sociedade. Desta forma, quais medidas 
práticas as organizações podem tomar para melhorar a intensidade 
do transporte de suas cadeias de suprimento?
(A) Analisar a concepção de produtos e lista de materiais.
(B) Revisão das opções de transporte.
(C) Melhoria na utilização dos transportes.
(D) Utilização da estratégia de adiamento: produtos que 
podem ser expedidos a granel de seu ponto de origem e serem 
montados ou configurados para os requisitos locais mais próximos 
do ponto de uso podem ser uma oportunidade para reduzir a 
intensidade global de transportes.
No passado, pouca visão fora dada ao desafio da logística 
reversa, muitas vezes resultando em custos extremamente elevados. 
Atualmente, devido às regulamentações cada vez mais rigorosas, a 
questão está muito mais em destaque. O desafio hoje é criar cadeias 
de suprimentos do tipo “trajeto fechado” que permitirão um nível 
muito mais alto de reutilização e reciclagem.
A logística reversa é uma grande oportunidade para as 
empresas reduzirem o impacto, tanto sobre os seus custos 
quanto sobre sua pegada de carbono, assim deve ser 
analisada como uma oportunidade e não como uma ameaça.
Os processos de reduzir, reutilizar e reciclar na gestão 
sustentável da cadeia de distribuição está agora começando 
a receber maior atenção na maioria das empresas. Cresce 
o entendimento de que ela não é só uma estratégia focada 
na redução do impacto ambiental, mas também é uma 
estratégia para a melhoria da rentabilidade global da 
empresa, pois utilizando estes princípios, há um consumo 
menor de recursos (CHRISTOPHER, 2013, p. 301).
E tratando de competitividade e redução de custos e impactos 
ao meio, surge a oportunidade de ganhos com a prestação de 
serviços especializados em logística reversa.
U1 - Logística e seus conceitos 39
As oportunidades nos países mais desenvolvidos e as mais 
recentes experiências no Brasil nos apresentam um amplo campo 
de possibilidades de trabalho aos operadores logísticos que se 
dedicam a logística reversa. Em geral, os processos da logística 
reversa não apresentam economia em escala suficiente para 
serem realizadas por empresas isoladas, exigindo, dessa maneira, 
o intermédio de especialistas em diversas áreas. “Lapidar-se em 
serviços especializados de logística reversa, além de proporcionar 
inovações e acréscimo de valor a seus clientes, pode se tornar um 
importante diferencial competitivo para os operadores logísticos” 
(LEITE, 2009, p. 36).
1.2.3 A legislação aplicada sobre a logística reversa no Brasil
O emprego eficiente dos recursos naturais, bem como a 
diminuição ou eliminação da produção de resíduos, efluentes e 
emissões, têm sido analisados sob a visão da sustentabilidade, por 
intermédio de uma gestão mais ecoeficiente de recursos, processos 
e infraestrutura (XAVIER; CORRÊA, 2013, p. 79). Atualmente, no 
Brasil, existem leis específicas que têm impactado os sistemas 
produtivos de forma considerável.
Entre as décadas de 80 e 90, a política nacional do meio 
ambiente, instituída pela Lei nº 6.938/1981, consolidou-se como o 
principal marco regulatório a tratar do gerenciamento ambiental do 
país. Esta lei, aprovada durante o regime militar, apresentou-se como 
instrumento moderno e inovador em relação aos padrões ambientais 
vigentes na América Latina (Presidência da República – Casa Civil).
A política nacional dos recursos hídricos, estabelecida pela 
Lei nº 9.433/1997, delibera sobre a outorga e cobrança pelo 
uso de recursos hídricos, bem como sobre a compensação dos 
munícipios em que ocorre a exploração de recursos ambientais 
(Presidência da República – Casa Civil). Por meio dessa lei, foram 
regulamentados os mecanismos de gestão dos recursos hídricos e 
também de prevenção da poluição decorrente do lançamento de 
esgotos e resíduos (líquidos ou gasosos) em corpos hídricos.
U1 - Logística e seus conceitos40
A Lei nº 9.605/1998, conhecida como a Lei de Crimes 
Ambientais, regulamenta o uso de sansões e multas para os 
responsáveis por impactos ambientais e considera a pessoa física 
como responsável pelo impacto ambiental decorrente de atividade 
industrial (Presidência da República – Casa Civil).
O principal instrumento regulamentador que define o conceito e 
a implantação da Logística Reversa no Brasil é a Lei nº 12.305/2010, 
que estabelece a política nacional de resíduos sólidos (PNRS). 
Com esta lei, os produtores, importadores e comerciantes são 
corresponsabilizados pelos impactos decorrentes da produção, 
transporte, consumo e destinação de produtos. O texto da PNRS 
inicia fazendo menção à alteração da Lei de Crimes Ambientais, 
justamente por priorizar a aplicação de multas e sanções por danos 
causados por gestão ambientalmente inadequada de resíduos 
(sólidos, líquidos ou gasosos) (Presidência da República – Casa Civil). 
De acordo com Xavier e Corrêa (2013, p. 80-81):
Figura 1.8 | Sustentabilidade
Fonte: <http://www.centralgraos.com.br/timac-agro-sustentabilidade/>. Acesso em: 25 fev. 2015.
Dependendo da forma de uso dos recursos naturais e da 
forma de destinação de resíduos, a qualidade dos recursos 
naturais e, portanto, a qualidade de vida da população pode 
ser seriamente comprometida. Por outro lado, a gestão 
ambiental eficiente evita tanto a exploração abusiva dos 
recursos como a degradação ambiental. A gestão ambiental 
torna-se uma necessidade, tanto pela ótica da preservação 
U1 - Logística e seus conceitos 41
e melhoria da qualidade de vida, como também pelo uso 
ecoeficiente dos recursos visando sua preservação para uso 
das gerações futuras.
Você pode observar que, nossos atos, assim como das 
empresas, estão intimamente ligados com o meio, podendo 
impactar negativamente se não tomarmos os devidos cuidados 
com a preservação deste. 
A política nacional de resíduos sólidos (PNRS) define logística 
reversa como o instrumento de desenvolvimento econômico e 
social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e 
meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos 
sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu 
ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final 
ambientalmente adequada.
Com base no entendimento do PNRS, pode-se analisar a 
influência de cada alternativa na logística reversa. Os rejeitos 
não podem ser objeto de retorno na cadeia produtiva por 
serem considerados como incapazes de serem submetidos a 
qualquer forma de tratamento ou recuperação com tecnologia 
economicamente viável. Por outro lado, as alternativas de 
destinação de resíduos são passíveis de serem incluídas nas cadeias 
que compõem a logística reversa e de ciclo fechado.
A maioria das leis sobre bens de pós-venda e pós-consumo 
está orientada principalmente aosfabricantes, solicitando-se 
destes a responsabilidade sobre produtos e embalagens. Todos 
os fabricantes são responsabilizados pela organização dos 
canais reversos após o seu ciclo de vida útil. Porém, vários países 
não apresentam uma legislação ou programas voltados aos 
consumidores finais. Vale ressaltar que muitos consumidores 
não têm a consciência verde ou sustentável perante a 
sociedade. Sendo assim, cabe ao governo a intervenção por 
meio de legislações. Sobre este aspecto da responsabilidade do 
consumidor final, você é uma pessoa que pensa no futuro? Como 
você se comporta quanto às questões da sustentabilidade? Como 
está sua pegada de carbono?
U1 - Logística e seus conceitos42
É evidente a necessidade da conivência entre o poder público, 
o setor privado e a sociedade para, de um lado, elaborar meios 
de regulamentação e controle e, de outro lado, haver o efetivo 
cumprimento das normas regidas. A revalorização legal de bens 
pós-consumo ocorrerá por meio do cumprimento dessas normas 
e regulamentos, posto que a responsabilidade sobre um produto 
não é encerrada quanto se concretiza a venda, estende-se até a 
disposição segura e correta até o seu destino final, reutilizando, 
reciclando, ou até mesmo gerando novas formas de energia e ou 
utilização (TADEU et al., 2002).
1.2.4 Aspectos da implantação da logística reversa
No meio empresarial, cada vez mais competitivo e acirrado, 
empresas “lutam” por “migalhas”. Qualquer erro ou falta de 
planejamento pode gerar custos desnecessários e elevadíssimos. 
As organizações, quando buscam novas tecnologias ou novas 
ferramentas/processos de trabalho, antes de implantarem, 
necessitam saber quanto isto irá custar e, quanto terá de retorno 
depois que estiverem executando. Com a logística reversa não 
seria diferente. 
As organizações necessitam de fatores motivadores para 
implantarem algo novo em suas atividades e, a logística reversa oferta 
alguns pontos que são relevantes e precisam da nossa apreciação:
• A revalorização econômica de componentes ou materiais.
• A prestação de serviços a clientes ou consumidores finais.
• A proteção da imagem corporativa ou da marca.
• O cumprimento da legislação.
Estes quatro fatores são premissas circunstanciais para que as 
organizações possam olhar com bons olhos para o processo reverso. 
No entanto, “nem tudo o que reluz é ouro”, existem aspectos 
que desafiam a implantação da logística reversa, tais como:
• O custo do retorno.
U1 - Logística e seus conceitos 43
• A localização fragmentada dos pontos de descarte, o que 
compromete a eficiência.
• A contaminação dos produtos recolhidos que podem 
comprometer a qualidade do mesmo.
• A localização dos centros de reciclagem.
• A especialização dos centros de reciclagem por tipo de 
material como forma de garantir o foco dos processos 
desenvolvidos.
Infelizmente um fator que muitas empresas pontuam como 
negativo é a localização dos centros de reciclagem, elevando ainda 
mais os custos devido ao transporte e deslocamento dos materiais 
até o seu destino final, sendo também, a localização fragmentada 
dos pontos de descarte, outra grande agravante negativa para a 
logística reversa.
Tudo o que a sociedade descarta em seus processos humanos 
só passou a ser um problema com o crescimento da população 
mundial em direta correlação com o volume de resíduos. “A 
quantidade de lixo produzido no mundo tem sido grande e má 
gestão, além de provocar gastos financeiros significativos, pode 
provocar graves danos ao meio ambiente e comprometer a saúde 
e o bem-estar da população”. (TADEU et al. 2012, p. 49).
A produção de lixo urbano é de tal intensidade que não é possível 
conceber uma cidade sem considerar a problemática gerada pelos 
resíduos sólidos desde a etapa da geração até a disposição final. 
Em países desenvolvidos como o Brasil, há previsão de que 95% do 
aumento populacional ocorrerá em áreas urbanas. 
A deliberação normativa do Copam nº 118 (COPAM, 2008, art. 
2º) relaciona algumas das áreas permitidas e não permitidas para a 
disposição de resíduos urbanos:
1.2.5 O gerenciamento de resíduos sólidos no Brasil
U1 - Logística e seus conceitos44
a. Área de preservação permanente (APP): área 
protegida coberta ou não por vegetação nativa, com a 
função ambiental de preservar nos recursos hídricos, a 
paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o 
fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar 
o bem-estar das populações humanas. Não pode ser 
destino de resíduos;
b. Lixão: forma inadequada de disposição final de resíduos 
sólidos, caracterizada pela sua descarga sobre o solo, sem 
critérios técnicos e medidas de proteção ambiental ou à 
saúde pública. É o mesmo que descarga ao céu aberto;
c. Aterro Controlado: técnica de disposição de resíduos 
sólidos urbanos no solo, sem causar danos ou riscos à 
saúde pública e à segurança, minimizando os impactos 
ambientais;
d. Depósito de Lixo: denominação genérica do local 
utilizado para destinação final de resíduos sólidos urbanos 
coletados pela municipalidade, que dependendo da 
técnica ou forma de implantação e operação pode ser 
classificado como: aterro sanitário, aterro controlado, 
lixão ou outra técnica pertinente;
e. Aterro Sanitário: técnica adequada de disposição de 
resíduos sólidos urbanos no solo sem causar danos à 
saúde pública e à segurança, minimizando os impactos 
ambientais, que utiliza princípios de engenharia para 
confinar os resíduos sólidos à menor área possível e 
reduzi-los ao menor volume permissível, cobrindo-os 
com uma camada de terra na conclusão de cada jornada 
de trabalho, ou a intervalos menores, se necessário. São 
instalados em área geologicamente apropriadas, distantes 
de rios e outras fontes de água.
Como você pode observar, não é tão simples a gestão dos 
resíduos sólidos. Necessitamos de técnicas e processos adequados 
para que não possamos interferir, negativamente, no meio social 
e ambiental. Vale apontar que, este processo do tratamento dos 
resíduos sólidos urbanos também faz parte da Logística Reversa na 
Cadeia de Distribuição. 
Não cabe somente ao Estado ter às devidas preocupações em 
como será tratado estes resíduos, você também precisa fazer sua 
parte em atos simples, como a seleção do seu lixo doméstico. Parece 
ser insignificante este tema, mas, se todos fizerem, os resultados 
no meio ambiente serão muito mais positivos. Infelizmente, o que 
U1 - Logística e seus conceitos 45
impede que estes processos sejam mais eficientes é a própria falta 
da responsabilidade dos indivíduos, bem como, muito das vezes, 
a falta de conhecimento do que um simples papel de bala pode 
ocasionar ao meio em que vivemos. E você, tem feito sua parte 
para ajudar os processos de Logística Reversa?
1.2.6 A logística reversa – elementos de um instrumento sustentável
Quero convidar você para a seguinte reflexão: Logística reversa 
é sustentabilidade?
Ao contrário do que muitos pensam, a logística reversa é apenas 
um processo com foco empresarial, pensando retornos no mercado, 
e não um processo que foi desenvolvido visando ao alcance da 
sustentabilidade. A logística reversa refere-se a todos os esforços 
para movimentar mercadorias do seu lugar típico da eliminação 
a fim de recuperar valor. Este processo não invoca os preceitos de 
sustentabilidade e sim uma cultura de redução de custos com busca 
pelo lucro. Mas alguns processos da logística reversa têm pressupostos 
de sustentabilidade, como a logística verde ou ecológica. Estes termos 
tratam de compreender e minimizar ao máximo o impacto ecológico 
da logística. A logística verde aparece para ofertar uma alternativa de 
interação entre as dimensões sociais, econômicas e, principalmente, 
ambientais da logística reversa. Um de seus objetivos é apresentar às 
organizações o custoexterno que elas podem gerar.
Figura 1.9 | Custos externos do processo logístico e o papel da logística verde na 
logística reversa
Fonte: Tadeu et al. (2012, p. 153).
Impacto
Sociedade
Meio ambiente
Crescimento
Eficiência
Empregos
Competitividade
Escolhas
Mudanças climáticas
Qualidade do ar
Uso da terra
Biodiversidade
Resíduos sólidos
Segurança
Saúde
Acesso
EquidadeS


Logística verde
U1 - Logística e seus conceitos46
Podemos observar na Figura 1.9, os impactos que são gerados 
devido ao crescimento desenfreado e a falta de responsabilidade 
de todas as partes (setor privado, público e indivíduos). Vale ressaltar 
que, o meio não o único a sofrer com a falta de uma política de 
logística reversa, pois, a empresa poderá sofrer sansões legais devido 
a sua irresponsabilidade quanto ao descarte inapropriado dos seus 
materiais, sobras e resíduos sólidos, bem como, poderá sofrer com 
a falta de insumos que a mesma busque na biodiversidade em 
função da exploração sem os devidos controles e cuidados com o 
meio. Teóricos e pesquisadores têm alertado sobre a escassez de 
recursos naturais devido à exploração errônea ou à falta de cuidados 
no momento da realização dos processos. Como fora citado, a 
logística reversa não é a sustentabilidade, mas, ela ajuda para que 
este princípio possa continuar a existir e atuar. Então, será que você 
irá implantar uma logística reversa em sua empresa?
Questão para reflexão
Diante das notícias que são apresentadas todos os dias pelos meios 
midiáticos, como podemos sanar os problemas hídricos em nosso 
País? Que medidas podem ser tomadas para que a população tenha 
um consumo mais consciente? Qual é o papel da gestão pública 
neste percalço cada vez mais presente em nosso território nacional?
Atividades de aprendizagem
1. Qual é o impacto que a implantação dos processos de logística reversa 
pode acarretar às organizações? Por que empresas ainda desconhecem 
esta ferramenta ou, mesmo tendo conhecimento não aplicam na gestão 
de seus negócios?
2. Qual é o melhor canal de distribuição reversa para ser aplicado nas 
organizações? Qualquer modelo pode ser praticado? Quais podem ser as 
etapas existentes nos canais de distribuição reversa?
U1 - Logística e seus conceitos 47
Fique ligado
• O homem, através das inovações e aperfeiçoamentos de 
suas tecnologias, foi aprimorando a forma de realizar o seu 
trabalho, objetivando sempre a satisfação e atendimento de 
suas necessidades.
• Logística é o ato de planejar, executar e controlar o, fluxo 
e armazenagem, quanto ao tempo, qualidade e custos, 
observando desde o ponto de obtenção da matéria-prima até 
o consumidor final, sempre tendo como objetivo o alcance 
da satisfação deste consumidor.
• SCM é a integração dos processos de negócios desde 
o usuário final até os fornecedores originais (primários) 
que providenciam produtos, serviços e informações que 
adicionam valor para os clientes e stakeholders.
• Quando a organização não acredita na importância de 
saber qual é o melhor caminho a seguir ou o que deve fazer, 
estará à mercê de um mercado cada vez mais consciente 
e competitivo, e em um curto espaço de tempo pode ser 
massacrada pela concorrência, pois, novas ideias podem 
substituir o seu produto e/ou serviço.
• Os clientes, em todos os mercados, querem cada vez maior 
agilidade, sendo que, a disponibilidade de um produto ou 
serviço, no momento exato em que o cliente tem o seu desejo, 
poderá superar a fidelidade a uma marca ou fornecedor, isto 
nos reporta à seguinte reflexão: se o produto que o cliente 
costuma consumir não está ao seu alcance, mas, o produto 
substituto sim, a probabilidade de perdermos uma venda será 
muito grande.
• O propósito da cadeia de suprimentos e logística é 
disponibilizar aos clientes o nível e a qualidade de atendimento 
que eles exigem, e executá-lo ao menor custo para a cadeia 
de suprimentos total.
U1 - Logística e seus conceitos48
• As informações a serem comungadas entre todos são os dados 
e previsões de demanda, cronogramas de produção, detalhes 
de lançamento de novos produtos e lista de alterações de 
materiais. Para que tudo isto possa ser funcional, os processos 
(logística) devem estar em funcionamento pleno e correto, 
ou seja, alinhados com o planejamento da organização.
• A ideia básica por trás da resposta rápida (QR, quick response) 
é que, a fim de aproveitar as vantagens da concorrência 
fundamentada no tempo, é necessário desenvolver sistemas 
que sejam capazes de responder rapidamente. Um fator 
positivo com a aplicação da QR é a redução dos leads times 
cumulativos, podendo resultar em um estoque mais baixo.
• Gestão de cadeias de suprimento é a administração integrada 
dos processos principais de negócios envolvidos com a 
gestão das instalações e dos fluxos físicos, financeiros e 
de informações, englobando desde os produtos originais 
de insumos básicos até a disposição do produto final pós-
consumo, no fornecimento de bens, serviços e informações, 
de forma a agregar valor para todos os clientes – intermediários 
e finais – e para outros grupos de interesse legítimos e 
relevantes para a rede.
• A logística reversa é um amplo termo relacionado às 
habilidades e atividades envolvidas no gerenciamento de 
redução, movimentação e disposição de resíduos de produtos 
e embalagens.
• Canais de distribuição reversos de pós-venda constituem-
se pelas diferentes modalidades de retorno de uma parcela 
de bens/produtos com pouca ou nenhuma utilização à sua 
origem, ou seja, tem seu fluxo inverso/reverso do comprador, 
consumidor, usuário final ao atacadista, varejista ou ao 
fabricante pelo simples fato de defeitos, não conformidades, 
erros de emissão de pedido; canais de distribuição de pós-
consumo são constituídos por diferentes modalidades de 
retorno ao ciclo de produção/geração de matéria-prima 
de uma parcela de bens/produtos ou de seus materiais 
constituintes após o fim de sua vida útil, subdividindo-se em 
reuso, desmanche e reciclagem.
U1 - Logística e seus conceitos 49
• A logística reversa é uma grande oportunidade para as 
empresas reduzirem o impacto, tanto sobre os seus custos 
quanto sobre sua pegada de carbono, assim deve ser analisada 
como uma oportunidade e não como uma ameaça.
Para concluir o estudo da unidade
Ao finalizarmos o estudo desta unidade, você deverá ter pleno 
conhecimento sobre o papel e funcionamento dos canais de 
distribuição frente ao mercado e às organizações; que logísticos 
são os processos que incorporam a cadeia de suprimentos. 
Observou que para distribuirmos um bem, devemos antes 
selecionar qual canal será trabalhado e de que forma será colocado 
no mercado: com intensidade ou não. Compreendeu que a missão 
da logística é proporcionar as melhores práticas para que o canal 
de distribuição possa cumprir com seu papel frente aos clientes 
gerando a satisfação e atendendo as suas necessidades; observou 
que as relações entre o marketing e a logística são de suma 
importância para que o trabalho seja muito bem desempenhado e 
assim o cliente possa fidelizar-se à marca ou à empresa.
Compreender que a logística reversa é um processo que pode 
agregar valores ao serviço prestado ou ao bem ofertado no 
mercado; que existem questões legais que regem e cobram o 
funcionamento correto dos processos reversos; que a logística 
reversa pode ser um fator positivo para a competitividade entre 
os concorrentes; que estes processos ajudam a logística verde 
a medir o grau de impacto no meio ambiente; jamais deverá 
esquecer que logística reversa não é a sustentabilidade, mas sim 
um processo que contribui para que ela possa desempenhar 
suas características.
Não deixe de acessar todos os links aqui nominados para poder 
enriquecer o seu estudo e aumentar a sua compreensão sobre o 
assuntoabordo.
U1 - Logística e seus conceitos50
Atividades de aprendizagem da unidade
1. De acordo com a Lei nº 12.305/2010, que trata sobre a logística reversa 
dos resíduos sólidos no Brasil, é correto afirmar que esta lei monitora as 
atividades do descarte de resíduos sólidos e cobra, através da legislação, 
somente os:
(A) Setores públicos (Município, Estado e Federação).
(B) Setores privados (Indústria, Comércio e Prestadores de Serviço).
(C) Os Produtores, Importadores e Comerciantes.
(D) Consumidores e Usuários Finais.
(E) Das transportadoras e Operadores de Logística Reversa.
2. Quando efetuamos uma compra de um produto eletrônico, este, depois 
que atinge sua vida útil, acaba sendo descartado. Sabe-se que deste descarte, 
muitos componentes poderão ser reaproveitados, reciclados e outros não 
sofreram revalorização de uso. Sendo assim, é correto afirmar que os produtos 
eletrônicos, na logística reversa, são tratados pelos canais de distribuição. 
Assinale a alternativa correta:
(A) Canais de distribuição fechados.
(B) Canais de distribuição abertos.
(C) Canais de distribuição mistos.
(D) Canais de distribuição diretos.
(E) Canais de distribuição flexíveis.
3. A logística reversa é uma grande oportunidade para as empresas reduzirem 
o impacto, tanto sobre os seus custos quanto sobre sua pegada de carbono, 
assim deve ser analisada como uma oportunidade e não como uma ameaça. 
Esta preocupação se faz necessária para garantir no longo prazo a viabilidade 
e a continuidade da empresa, bem como em contribuir para o futuro bem-
estar da sociedade. Desta forma, quais medidas práticas as organizações 
podem tomar para melhorar a intensidade do transporte de suas cadeias de 
suprimento? Assinale a alternativa correta:
(A) Analisar a concepção de produtos e lista de materiais.
(B) Revisão das opções de transporte.
(C) Melhoria na utilização dos transportes.
(D) Utilização da estratégia de adiamento.
(E) Todas as alternativas estão corretas.
U1 - Logística e seus conceitos 51
4. Um determinado fornecedor optou por disponibilizar os seus produtos 
em vários PDVs, ou seja, atuar junto a todos os meios de distribuição para 
atingir os seus consumidores. Ele fornece refrigerante. Este produto pode 
ser encontrado em uma padaria, confeitaria, mercado, mercearia, farmácia, 
lojas de conveniência, restaurantes, hotéis etc. O produto é pulverizado, 
massificado. A ideia é que todos possam ter acesso a ele. O modelo de 
distribuição adotado pelo fornecedor fora qual? Assinale a alternativa correta:
(A) Distribuição viral.
(B) Distribuição seletiva.
(C) Distribuição exclusiva.
(D) Distribuição intensiva.
(E) Distribuição B2B.
5. Quais são os benefícios que uma empresa pode adquirir aplicando e 
implantando a logística reversa em suas atividades? Você acredita que este 
processo seja necessário? Justifique:
U1 - Logística e seus conceitos52
Referências
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empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.
BARTHOLOMEU, Daniela Bacchi, et al. Logística ambiental de resíduos sólidos. 
São Paulo: Atlas, 2011.
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2. ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
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Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras 
providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2 set. 1981. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm>. Acesso em: 28 fev. 2015.
BRASIL. Lei nº 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos 
Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, 
regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da 
Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de 
dezembro de 1989. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 9 jan. 1997. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9433.htm>. Acesso em: 28 fev. 2015.
BRASIL. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais 
e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá 
outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 13 fev. 1998. Disponível em: 
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm>. Acesso em: 28 fev. 2015.
BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos 
Sólidos; altera a Lei no 9.605, de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências. 
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 3 ago. 2010. Disponível em: <http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 28 fev. 
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CHRISTOPHER, Martin. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. 
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U1 - Logística e seus conceitos 53
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TADEU, Hugo Ferreira Braga et al. Logística reversa e sustentabilidade. São Paulo: 
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XAVIER, Lúcia Helena; CORRÊA, Henrique Luiz. Sistemas de logística reversa: 
criando cadeias de suprimento sustentáveis. São Paulo: Atlas, 2013.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo54
Canais de distribuição reversos 
de bens pós-consumo
O objetivo desta unidade destina-se à análise dos produtos 
de pós-consumo, iniciando-se pela sua caracterização, origem 
e classificação sob o ponto de vista de vida útil. Na sequência 
será feita a análise da tendência à ‘descartabilidade’ dos bens 
pós-consumo e os sinais que indicam a produção elevada de 
alguns produtos, resultado do consumo acelerado. Veremos 
como se organizam as cadeias de diferentes segmentos, as 
características dominantes bem comodados e o formato de 
descarte de alguns materiais. Neste contexto espera-se que 
os alunos compreendam a necessidade de revalorização dos 
produtos pós-consumo e as formas de reduzir os impactos 
ao meio ambiente.
Objetivos de aprendizagem
Márcio Ronald Sella
Unidade 2
Nesta seção abordaremos a classificação e natureza dos bens pós-consumo. 
Na sequência apresentaremos os sinais que demonstram a tendência cada vez 
maior de descarte dos bens duráveis e semiduráveis resultante do consumo 
desenfreado que vem ocorrendo deste o final do século XX.
Seção 2.1 | O produto logístico de pós-consumo
Nesta seção serão abordados os canais de pós-consumo de reuso, 
de remanufatura e reciclagem. O foco da discussão será a reciclagem 
e o planejamento operacional envolvendo as etapas de preparação e 
acondicionamento, coleta e transporte beneficiamento e destinação 
final. Ainda sobre a reciclagem, conceituaremos os canais de distribuição 
reversos de ciclo aberto e fechado. Finalizandoa seção apresentaremos 
os aspectos principais da Política Nacional de Resíduos Sólido (Lei 
Federal n° 12.305/2010).
Seção 2.2 | Natureza dos canais de distribuição reversos de bens de 
pós-consumo
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 55
Introdução à unidade
De acordo com o que vimos na Unidade 1, os fluxos de distribuição 
reversos são aqueles que partem do mercado consumidor ou de 
algum ponto ao longo do canal de distribuição em direção à origem 
com a finalidade de retorno.
Esses fluxos reversos definem o papel da logística reversa na 
sustentabilidade, que consiste em reduzir o uso de recursos não 
renováveis e a geração de resíduos nocivos ao ambiente. 
A conscientização quanto ao problema ambiental que vivemos hoje, 
levou à discussão e ao surgimento de novos comportamentos sociais 
e consequentemente a novas propostas e atividades organizacionais. 
Dentre as novas atividades organizacionais temos a logística reversa 
de pós-consumo, despontando como uma proposta de solução para 
o problema ambiental.
“Os canais de distribuição reversos de pós-consumo são 
constituídos pelo fluxo reverso de uma parcela de produtos e de 
matérias originados no descarte dos produtos, depois de finalizada 
sua utilidade original, retornam ao ciclo produtivo de alguma maneira” 
(LEITE, 2009, p. 8).
Aliado à imagem corporativa, as empresas e entidades 
governamentais também devem se preocupar com a escassez 
dos bens ambientais e o consumo desenfreado que tem relação 
direta com o agravamento da crise ambiental do planeta, onde o 
comportamento humano e o estilo de vida trazem impactos negativos 
no frágil equilíbrio da vida sobre a Terra.
Antes de avançarmos nossos estudos sobre os canais de distribuição 
reversos de pós-consumo se faz necessária a caracterização desses 
produtos, sua origem e sua classificação sob o ponto de vista de vida útil.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo56
Seção 2.1
O produto logístico de pós-consumo
Introdução à seção
2.1.1 Natureza e classificação dos bens pós-consumo
Nesta seção serão tratados assuntos relativos à natureza e 
classificação dos bens de utilidade, a tendência à descartabilidade 
dos produtos, consequência do consumo desenfreado.
Os produtos fornecidos pelo sistema produtivo para atender às 
demandas da sociedade possuem uma história que se inicia com 
a obtenção dos recursos necessários do sistema natural e termina 
com a destinação pós-consumo. Esta pode ser uma destinação 
final (aterro sanitário, incineração etc.) ou um retorno para o ciclo 
produtivo (reciclagem, reuso etc.).
Leite (2009, p. 38) complementa que “Os bens industriais 
apresentam ciclos de vida útil de algumas semanas ou de muitos 
anos, após os quais são descartados pela sociedade, de diferentes 
maneiras, constituindo os produtos de pós-consumo e os resíduos 
em geral”.
Na prática, a vida útil de um produto é entendida como o 
tempo decorrido desde sua produção original até o momento em 
que o primeiro possuidor se desembaraça dele. Dessa maneira, 
para efeito da abordagem da logística reversa e dos canais de 
distribuição reversos de pós-consumo, iremos considerar três 
grandes categorias de bens produzidos:
• Bens descartáveis: são os bens que apresentam duração 
média de vida útil de algumas semanas, raramente 
superior a seis meses. Essa categoria de bens produzidos 
constitui-se tipicamente de produtos de embalagens, 
brinquedos, materiais para escritório, suprimentos para 
computadores, artigos cirúrgicos, pilhas de equipamentos 
eletrônicos, fraldas, jornais, revistas, entre outros.
• Bens duráveis: são os bens que apresentam duração 
média de vida útil variando de alguns anos a algumas 
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 57
décadas. São bens produzidos para satisfação de 
necessidades da vida social e incluem os bens de capital 
em geral. Fazem parte dessa categoria os automóveis, 
eletrodomésticos, eletroeletrônicos, máquinas e 
equipamentos industriais, edifícios de diversas naturezas, 
aviões, navios, entre outros.
• Bens semiduráveis: são os bens que apresentam 
duração média de vida útil de alguns meses, raramente 
superior a dois anos. Trata-se de uma categoria 
intermediária que, sob o foco dos canais de distribuição 
reversos dos materiais, apresenta características de bens 
duráveis, ou de bens descartáveis. São bens como baterias 
de veículos,óleos lubrificantes, baterias de celulares, 
computadores e seus periféricos, revistas especializadas, 
dentre outros (LEITE, 2009, p. 39).
A tecnologia, o marketing e a própria logística contribuem 
fortemente para a redução do ciclo de vida observado nas últimas 
décadas. A seguir abordaremos a tendência à descartabilidade dos 
produtos e os sinais que evidenciam este rápido descarte, exigindo 
maior eficiência no equacionamento no retorno e tratamento dos 
produtos pós-consumo.
Desde os tempos mais remotos, o ser humano sempre buscou 
uma relação de domínio sobre a natureza com base na sua 
criatividade, visando garantir a sua existência em um ambiente 
hostil, o que propiciou descobertas que facilitaram diferentes 
formas de dominação sobre os demais seres vivos, considerada 
como início da degradação da natureza por Simão (2008).
O resultado foi o aumento da concorrência em todos os setores 
industriais por meio do avanço tecnológico e a necessidade de 
se prestar serviços cada vez melhores para atender às exigências 
dos consumidores, o que trouxe discussões a respeito de como 
situar uma empresa num ambiente altamente ativo e competitivo 
(SHIBAO et al., 2010).
Isso significa que, para ter sucesso, uma organização deve 
oferecer um produto com maior valor perceptível pelo cliente, ou 
produzir com custos menores, ou, ainda, utilizar a combinação das 
duas estratégias.
2.1.2 Tendência à descartabilidade dos bens de consumo
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo58
Leite (2009, p. 39) reforça que:
[...] principalmente após a Segunda Guerra Mundial, o 
acelerado desenvolvimento tecnológico experimentado 
pela humanidade permitiu a introdução constante, e 
com velocidade constante, de novas tecnologias e de 
novos materiais que contribuem para a melhoria do 
desempenho técnico, para redução de preços e dos 
ciclos de vida útil de grande parcela de bens de consumo 
duráveis e semiduráveis.
A aceleração do tempo de giro na produção em paralelo ao 
crescente o consumo transformou o mundo da instantaneidade, 
e fatores como a descartabilidade dos produtos sem o devido 
planejamento, tem sido perverso para o planeta e seus habitantes.
Eletrodomésticos, computadores, automóveis, embalagens e 
equipamentos de telecomunicações, entre outros, possuem seus 
custos reduzidos e uma obsolescência acelerada, fazendo com 
que a descartabilidade entrasse em momento histórico no final do 
século XX.
Com ciclos de vida cada vez menores, os produtos duráveis 
serão descartados também em ciclos menores, transformando-
se em produtos semiduráveis. Assim um dos maiores problemas 
da atualidade é justamente a geração de resíduos oriundos do 
consumo em massa. 
A Figura 2.1 nos sinaliza resumidamente os principais fatores 
que contribuem para a ‘descartabilidade’ crescente dos produtos.
Figura 2.1 | Impacto da descartabilidade na logística reversa
Fonte: Leite (2009, p. 44).
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 59
A seguir abordaremos alguns sinais que indicam essa tal comentada 
tendência de descarte envolvendo bens duráveis e semiduráveis.
A discussão a respeito da geração de resíduos, passa antes, pela 
análise da cultura do consumismo da sociedade atual. Através da 
criação de falsas necessidades, tal sociedade acaba por consumir 
mais do que realmente necessita. Vive-se a era doconsumo 
desenfreado que caracteriza a sociedade de consumo, no qual 
boa parte do que se consome é descartável. 
Desta forma, tudo o que é produzido, visa, em uma perspectiva 
final, o mercado de consumo. A palavra de ordem é a produção 
padronizada e em grande escala de bens para serem consumidos 
por pessoas que tiveram suas prioridades conduzidas por um 
processo de marketing voltado ao aumento da demanda, ainda 
que não tivessem necessidade real de adquirir tais produtos 
(FAGUNDEZ, 2004).
Em países em desenvolvimento, o caso do Brasil, podemos 
evidenciar tal situação, devido ao crescimento da população, o 
fortalecimento da classe média e a estabilidade econômica, aliados 
ao processo acelerado da expansão urbana, sem planejamento, 
tornam a situação ainda mais crítica. Isso porque tais países 
encontram-se ainda na fase do desenvolvimento de tecnologias 
de reciclagem, não possuem capacidade técnico-profissional 
e contam com um volume de recursos insuficiente para o 
gerenciamento adequado de seus resíduos.
2.1.3 Consumo, consumismo e consumo sustentável
A principal consequência desse cenário tem reflexo direto 
no meio ambiente, uma vez que a demanda constante, 
e cada vez maior, por parte da sociedade de consumo, 
tem aumentado a extração dos recursos naturais, 
tanto renováveis como não renováveis, de modo que a 
capacidade de regeneração desses recursos na natureza 
está sendo seriamente comprometida. Aliado a isso está o 
fato de que o tratamento e a destinação final dos resíduos 
produzidos estão pautados, na maioria das vezes, em 
soluções imediatistas como o simples descarte, muitas 
vezes em lixões, que acentuam a deterioração ambiental, 
além de envolver aspectos sociais, de saúde pública, 
estéticos, econômicos e administrativos (SIQUEIRA; 
MARQUES, 2012, p. 175).
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo60
Entre as causas que impactam diretamente no aumento da 
geração de resíduos podemos citar: lançamentos de novos 
produtos, produção de eletroeletrônicos, produção materiais 
plásticos e por fim o aumento da produção de veículos automotivos.
Todos estes aspectos serão detalhados na sequência.
2.1.3.1 Lançamento de novos produtos
É notório que nos encontramos em um momento de inúmeras 
e profundas mudanças, que se refletem na vida das empresas e do 
consumo tendo como pano de fundo o acelerado processo de 
evolução tecnológica. 
A oportunidade para lançamentos de novos produtos no Brasil 
é imensa, em vista das mudanças nos padrões de consumo serem 
potencialmente mais intensas do que aquelas observadas nos 
países desenvolvidos. Cerca de 40% do faturamento das empresas 
brasileiras já são resultantes do lançamento de novos produtos 
(DAMETTO; SILVA, 1997).
Pensando nisso, o lançamento de novos produtos se tornou 
um dos cernes para a competitividade das empresas. Para muitas 
empresas desenvolverem novos produtos com maior rapidez, mais 
eficiência, e mais efetividade é a grande meta competitiva.
 A velocidade de lançamento de produtos é uma 
característica da competitividade das empresas 
modernas, utilizando uma série de procedimentos 
informatizados de projetos simultâneos que permitem 
ganhos extraordinários na época de lançamento de 
novos produtos. Essa verdadeira ‘corrida’ de lançamentos 
é imposta pela redução sistemática dos ciclos de vida 
mercadológicos dos produtos, devido a fatores como 
moda, status de um modelo, novas tecnologias etc., 
encontrando-se exemplos de produtos em que o tempo 
de elaboração do projeto e de sua realização é maior que 
seu ciclo de vida mercadológico (LEITE, 2009, p. 40).
Por outro lado, o consumidor brasileiro tem-se mostrado 
cada vez mais preocupado com a aquisição e o uso de produtos 
e serviços socioambientais sustentáveis. Nesse contexto, o 
consumidor desejará obter cada vez mais informações sobre 
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 61
os produtos oferecidos, desde a aquisição de matérias-primas, 
passando pelo processo de fabricação, até o seu destino final.
Diante de um consumidor que se mostrará cada vez mais 
exigente nos próximos anos, terá valor crescente a rastreabilidade 
de produtos e processos produtivos. Isto permitirá não somente 
adequá-los às normas de qualidade e aos requisitos de aparência, 
funcionalidade e facilidade de manutenção exigidos pelo 
consumidor, como garantirá também o acesso à informação em 
tempo real da história, aplicação, localização e os processos aos 
quais o produto está relacionado.
Na visão moderna de marketing social, ambiental e 
principalmente de responsabilidade ética empresarial, se adotada 
por organizações em diversos elos da cadeia produtiva de bens em 
geral, certamente serão recompensadas, impactando diretamente 
na sua imagem e por consequência diferenciada como uma 
vantagem competitiva.
Em resumo “a sociedade enfrenta atualmente um grande 
desafio: conseguir transitar, de maneira socialmente responsável, 
para uma organização condizente com sistema natural que a 
suporta” (VALLE; SOUZA, 2014, p. 11).
Ao longo das últimas décadas, vem acontecendo uma revolução 
na indústria eletrônica: produtos eletroeletrônicos1 são fabricados 
em larga escala e passam por evoluções tecnológicas de forma 
mais veloz. Esta produção incentiva o consumo e o descarte em 
curtos períodos de tempo pela população.
As vendas e por consequência o aumento na produção do 
segmento de eletroeletrônico foram impulsionados em todas as 
partes do mundo em função do crescimento da globalização e 
da velocidade de lançamentos de produtos mais baratos e com 
constantes modificações tecnológicas. Com o barateamento 
dos equipamentos e a evolução tecnológica, os consumidores 
tendem a substituir o antigo pela modernidade, ou seja, comprar 
dispositivos mais avançados e descartar produtos antigos.
2.1.3.2 Produção de eletroeletrônicos
1Produtos eletrônicos: são todos aqueles produtos cujo funcionamento depende 
do uso de corrente elétrica ou de campos eletromagnéticos.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo62
Os dados mais recentes sobre a evolução das vendas dos 
produtos eletroeletrônicos são sinalizados no gráfico 2.1 que 
revelam um crescimento acumulado entre os anos de 2006 a 
2013 na ordem de 50%.
2Linha Branca: Fazem parte desta categoria os equipamentos de cozinha (fogões, 
depuradores e exaustores), refrigerados (refrigerador, freezer e congeladores) e 
área de serviço (lavadoras e secadoras).
Gráfico 2.1 | Evolução do faturamento da indústria eletroeletrônica (R$ milhões)
Fonte: Adaptado de ABINEE (2014).
Esse incremento também é impulsionado, entre outros 
fatores, pelo crescimento do poder de compra das classes C e 
D, beneficiadas com o aumento do emprego formal e expansão 
do crédito, com o corte do IPI (Imposto sobre Produtos 
Industrializados) para produtos da chamada linha branca2, pelos 
programas governamentais de estímulo à inclusão digital e a 
constante inovação tecnológica que cria novas “necessidades” e 
desejos para a sociedade (COOPER, 2005).
Quanto às categorias dos produtos, a Associação Brasileira 
da Indústria Eletroeletrônica (ABINEE), agrupa os equipamentos 
eletroeletrônicos (EEE) em quatro linhas que podem ser observadas 
com maiores detalhes na Figura 2.2.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 63
Figura 2.2 | As quatro categorias dos eletroeletrônicos – ABINEE
Gráfico 2.2 | Porcentagem do Faturamento por área na indústria eletroeletrônica 
(2006 – 2013)
Fonte: Adaptado de Análise Inventta; Diagnóstico de Geração de Resíduos Eletrônicos no Esatado de MG (2009); Final 
Report WEEE (2007).
Fonte: Adaptado de ABINNE (2014).
Analisando o Gráfico 2.2 a seguir, constatamos que somente dois 
setores pertencentes à linha verde: informática e telecomunicações, 
representam quase 50% do faturamentosendo a característica 
básica destes produtos um período de vida útil curto.
Outros
54%
Informática 
30%
Telecomunicações
16%
Assim, entende-se pertinente aprofundarmos nossos estudos 
nestes dois setores bem como a evolução no consumo nos 
últimos anos.
2.1.3.2.1 Telefonia móvel
Após anos de monopólio estatal no mercado de 
telecomunicações, a privatização de 1998 fez o Brasil entrar num 
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo64
Gráfico 2.3 | Proporção de aparelhos celulares por habitante por Unidade da Federação
Fonte: Adaptado de Anatel (2013).
modelo de competitividade quanto à telefonia móvel. As obras de 
infraestrutura espalharam-se pelas principais cidades brasileiras 
com instalação de cabos de fibra óptica, antenas de transmissão 
de sinal de celulares, aumentando assim, a oferta de serviços.
Estas melhorias contribuíram para o avanço do sistema como 
um todo colocando o país na trilha do desenvolvimento com a tão 
esperada inclusão social e digital.
As telecomunicações no Brasil desempenham um papel cada 
dia mais relevante na economia e na vida dos brasileiros. Segundo 
a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), o número de 
aparelhos ativos no Brasil chegou a 264 milhões. A internet estava 
ativa em 68,2 milhões de aparelhos (Folha de S. Paulo, 2013).
De acordo com a reguladora, a média nacional equivale a 1,3 
aparelho por habitante.Podemos observar no Gráfico 2.3 que 
as quatro unidades da federação que estavam acima da média 
nacional era o Distrito Federal, São Paulo, Rondônia e Mato Grosso 
do Sul respectivamente.
Rondônia; 1,5
Mato Grosso do 
Sul; 1,4 Distrito Federal; 2,2
São Paulo; 1,5
Quanto às vendas de celulares, podemos observar pelo Gráfico 
2.4 que no período de 2009 a 2013 houve um crescimento na ordem 
de 43%. Também é possível identificar a migração do consumo dos 
aparelhos ditos “tradicionais” para os aparelhos “smartphones”.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 65
Gráfico 2.4 | Evolução do mercado de telefones celulares (mil unidades)
Fonte: Adaptado de ABINEE (2014).
80.000
70.000
60.000
50.000
40.000
30.000
20.000
10.000
0
2009 2010
Total celulares Celulares tradicionais Smartphones
2011 2012 2013
2.1.3.2.2 Informática
Quanto ao mercado de informática (PCs)3 observa-se pelo Gráfico 
2.5 o crescimento das vendas de notebooks e netbooks e a queda 
dos produtos tipo desktops.
Gráfico 2.5 | Evolução do mercado de PCs
Fonte: Adaptado de ABINEE (2014).
Total celulares
18.000
16.000
14.000
12.000
10.000
8.000
6.000
4.000
2.000
0
2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
PC's Desktops Notebooks e Netbooks
3PCs: Personal Computer (Computadores Pessoais).
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo66
Inevitavelmente com a proliferação dos aparelhos 
eletroeletrônicos (PCs, telefones celulares, eletrodomésticos, 
aparelhos de vídeo e som), temos o aumento da quantidade de 
lixo eletrônico descartado rapidamente em todo o mundo.
Os produtos eletroeletrônicos, após consumo, podem ser 
descartados por diferentes motivos:
 • Não atendem mais às necessidades do consumidor.
 • Não são mais utilizados.
 • São substituídos por produtos mais novos, econômicos 
e/ou eficientes.
Entende-se, principalmente, por falta da estrutura adequada de 
coleta e de informação a esse respeito, o consumidor brasileiro 
não tem o hábito de dar a destinação adequada aos resíduos 
eletroeletrônicos ou lixo eletrônico. 
O lixo eletrônico é ainda mais nocivo que o chamado lixo 
convencional, por conter uma grande quantidade de elementos 
químicos altamente nocivos à saúde e ao meio ambiente, quando 
lançados indiscriminadamente na natureza. Tais elementos estão 
presentes principalmente em baterias e capacitores, dispositivos 
cuja função é armazenar energia.
No Brasil, a geração de resíduos provenientes de telefones 
celulares e fixos, televisores, computadores, rádios, máquinas de 
lavar roupa, geladeiras e freezers é cerca de 679.000 t/ano. Para 
o período compreendido entre 2001 e 2030, estima-se que a 
média da geração per capita anual dos resíduos provenientes dos 
aparelhos citados seja de 3,4 kg/habitante. Isso implica que, no 
final desse período, haverá, aproximadamente, 22,4 milhões de 
toneladas de Resíduos de Equipamentos Eletroeletrônicos (REEE) 
para serem descartados no país (ROCHA et al., 2009).
Através da contaminação da natureza, este lixo eletrônico 
acaba afetando a população local que vive e extrai recursos do 
meio contaminado. 
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 67
O auge do desenvolvimento da indústria petroquímica ocorreu 
nos períodos entre guerras e no 2° pós-guerra, quando Alemanha 
e EUA lideraram o progresso tecnológico e a descoberta de novos 
produtos petroquímicos e artigos plásticos. Dentre importantes 
produtos desenvolvidos comercialmente neste período estão a 
fibra de nylon, resinas de acrílico para janelas de avião e fibras de 
PET para confecção (ABIPLAST, 2003).
Na Figura 2.3 podemos visualizar as mais variadas aplicações do 
plástico por tipo de resina.
Figura 2.3 | Aplicação do plástico por tipo de resina
Fonte: PIA Produto (2011) - IBGE
Elaborado: ABIPLAST (2013)
2.1.3.3 Produção de materiais plásticos
Já no Quadro 2.1, relatamos marcos históricos na evolução do 
material plástico.
Ano Marco histórico
1956 Primeiros relatos do uso da goma-laca, uma resina natural, na Índia.
1880 Gravadora alemã usa goma-laca para fabricar discos fonográficos.
1910 Iniciada a fabricação de meias femininas na Alemanha, fabricadas em rayon.
Tabela 2.1 | Balanço aproximado da produção de ATP na respiração celular
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo68
1934 Desenvolvido o nylon, originalmente na forma de fibra, que virá a substituir o rayon.
1936
Uso do PVA, poli(acetato de vinila), e do poli(vinilbutiral) em vidros laminados de 
segurança, como parabrisa de automóveis.
1938
Descoberto o PTFE – poli (tetrafluoretileno), amplamente utilizado como 
revestimento antiaderente.
Surgem fibras de nylon 66, utilizadas na fabricação de tecidos.
1940 Resinas de acrílico (PMMA) são usadas em janelas de aviões.
1941
São produzidas as fibras de PET – poli (tereftalato de etileno), utilizada na fabricação 
de tecidos.
1942 É desenvolvida a primeira embalagem “blister” termoformada.
1952 Comercialização de filmes de PET orientados para a fabricação de embalagens.
1953
Produção experimental de 300 automóveis Corvette (da GM) com carroceria 
totalmente feita em poliéster termofixo reforçado com fibra de vidro.
1954 Primeiro cabo telefônico submarino revestido de PE ligando EUA e Europa.
1956
Aplicação da resina epóxi reforçada com fibra de vidro em circuitos impressos de 
produtos eletrônicos.
1958
Primeira embalagem de PEAD – polietileno de alta densidade – moldada por sopro 
nos EUA.
1961 Construído o primeiro vagão-tanque ferroviário com plástico reforçado nos EUA.
1965 Construção de tanques subterrâneos de gasolina feitos de plástico reforçado.
1966 Introdução de fibras óticas feitas de PBT – Polibutileno Tereftalato.
1968 Fabricação de garrafas de PVC para água e vinho na Europa.
1960 Tanques de combustível em PEAD para veículos militares.
1970
Primeira garrafa plástica para acondicionar bebidas carbonatadas, feita de estireno-
acrilonitrila – ASN, que substituiu totalmente as garrafas de vidro, no final dos anos 
70 nos EUA e anos 90 no Brasil.
Fabricação de garrafas de PVC para óleos comestíveis nos EUA.
1976
Utensílios de plástico para uso em fornos de micro-ondas.
Produzidas as primeiras garrafas de PET para refrigerantes, em substituição ao SAN.
1978
Produção em larga escala de filme de PEBDL, (Polietileno de baixa densidadelinear) 
muito utilizado em embalagens.
1970 
a 
1980
Fabricação de lentes de contato flexíveis em resina plástica.
1990
Era dos plásticos biodegradáveis, fabricados pela primeira vez com resina a base de 
amido.
Primeiras garrafas de PET pós-consumo são recicladas com sucesso.
Fonte: Adaptado de Associação Brasileira da Indústria do Plástico – ABIPLAST (2013).
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 69
Neste contexto diversos países em estágio de crescimento 
elevado também perceberam a importância dessa indústria e de 
seus produtos para o sucesso da estratégia de desenvolvimento 
e crescimento nacional, e assim a indústria petroquímica e de 
transformados plásticos se difundiu principalmente por outros 
países da Europa e Ásia (ABIPLAST, 2013).
O Gráfico 2.6 nos mostra dados de 2012 com o ranking de 
produção de plásticos. O Brasil ocupa a 9ª posição e participa com 
uma produção de 6 milhões de toneladas.
Gráfico 2.6 | Produção mundial de plástico – 2012
Fonte: Plastics Europe (2013).
Elaborado: ABIPLAST (2013, p. 21).
China Europa CISJapão BrasilEUA, 
Canadá e 
México
Oriente 
Médio e 
África
Ásia 
(exceto 
Japão e 
China)
América 
Latina 
(exceto 
Brasil)
0
10
20
30
40
50
60
70
80
Segundo Leite (2009, p. 42), a produção de plásticos no Brasil 
registrou um aumento de cerca de 2,5 vezes entre os anos de 1993 
e 2007. O país está ganhando espaço em termos mundiais, porém 
a participação ainda é pequena em relação à dimensão do país, 
2,0% no volume produzido mundialmente. 
No Gráfico 2.7, observamos a evolução física da produção de 
materiais plásticos no Brasil entre os anos de 2007 e 2013.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo70
Gráfico 2.7 | Evolução física da produção de materiais plásticos (milhões ton.)
Fonte: IBGE/ ABIPLAST (2013).
A versatilidade do material plástico é comprovada pela sua 
presença em segmentos industriais distintos que permeiam toda 
a matriz industrial. 
É amplamente utilizado na construção civil devido à facilidade 
em variar suas características. Dependendo da formulação aplicada 
ao material, ele pode ser rígido, usado para a fabricação de tubos, 
conexões e esquadrias de janelas e pode ser também flexível 
utilizado na fabricação de mangueiras diversas (ABIPLAST, 2013).
O plástico também é largamente utilizado por suas propriedades 
de isolações acústicas e térmicas na construção de lajes para casas 
e edifícios. 
Na indústria alimentícia, os plásticos permitem maior tempo 
de prateleira aos produtos frescos devido as suas propriedades 
de barreira física. Para o setor de bebidas, as garrafas de plástico 
para refrigerantes conferem a impermeabilidade dos gases, não 
deixando que eles escapem antes do consumo (ABIPLAST, 2013).
A produção de embalagens plásticas passou a crescer a partir 
da década de 1960. A produção mundial de plásticos em 1960 era 
de 6 milhões de toneladas por ano e, em 1994, passou para 110 
milhões de toneladas.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 71
Dos anos 70 até os dias atuais, a indústria brasileira de 
embalagem plástica vem acompanhando as tendências mundiais 
produzindo embalagens com características especiais como o 
uso em fornos de micro-ondas, tampas removíveis manualmente, 
proteção contra luz e calor e evidência de violação. Foram 
incorporadas também, novas matérias-primas, como o alumínio 
para latas e o PET para frascos.
Por definição, embalagens descartáveis são aquelas que chegam 
ao usuário ou ao consumidor final e são descartadas imediatamente 
após o uso ou consumo do produto que elas contêm, sendo 
destinadas ao lixo, podendo ou não ser recicladas, dependendo da 
existência de sistemas de coleta seletiva ou diferenciada.
Trata-se de um segmento que tem adaptado e contribuído de 
forma significativa para as modificações mercadológicas e logísticas 
requeridas na distribuição física, garantindo elevada eficiência e 
tornando-se, também, altamente descartável (LEITE, 2009). 
Funções de embalagem:
• Conter o alimento: guardá-lo, armazená-lo, desde a 
produção até o momento do uso pelo consumidor final. 
Produtos alimentícios de natureza distinta como líquidos 
sólidos e pastas requerem uma escolha adequada de 
materiais elaboração da embalagem.
• Vender o produto: quanto mais rapidamente a embalagem 
identificar o produto, maior eficiência técnica ela terá sob 
o ponto de vista de vendas. Esta identificação se baseia em 
sua apresentação gráfica que deve incluir, entre outros, os 
seguintes elementos:
• Descrição concisa do produto.
• Valorização da marca, logotipo e nome do fabricante.
• Conteúdo líquido – peso, volume, e número de unidades.
• Instruções de uso.
• Ilustração do produto.
2.1.3.3.1 Embalagens descartáveis: indústria alimentícia
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo72
• Espaço para o preço.
• Proteger o produto: proteger de condições ambientais 
adversas, tais como luz, ar, umidade e temperatura. 
A embalagem deve ser sempre prática. Deve ser fácil de abrir, 
de fechar, de descartar, de permitir o uso de porções adequadas. 
Atualmente, a indústria de embalagem plástica adota algumas 
classificações que podem ser identificadas como:
a) Rígida: são feitas com os polímeros PEAD4, PP5, PVC6, 
PET7, e podem ser encontradas sob a forma de garrafas, frascos, 
bandejas e caixas. O maior uso de embalagens rígidas está em 
garrafas plásticas.
b) Flexível: o mercado de embalagens flexíveis é estimado 
em uma produção de cerca de US$ 1,7 bilhão, o equivalente a 
9% da produção americana (ABIPLAST, 2013). Segundo ABIEF 
(Associação Brasileira de Embalagens Flexíveis) existem cerca de 
2000 empresas neste setor, sendo que estas são em sua maioria 
médias e pequenas empresas. 
As embalagens descartáveis perdem grande parte do valor 
durante o consumo do produto, tais como as garrafas PET (material 
termoplástico em polietileno tereftalato), ou retornáveis, cujo valor 
sobrevive ao consumo do produto, tais como garrafas de vidro. 
No caso da embalagem tipo PET, pode-se afirmar que é um 
grande causador de degradação do meio ambiente, pois as 
garrafas de refrigerante, água mineral, óleo vegetal, vinagre e 
produtos lácteos são comprados pelos consumidores finais e após 
o consumo do líquido, são geralmente descartadas no resíduo 
doméstico ou abandonadas na natureza. É bem comum serem 
vistas boiando, ou às margens dos córregos e rios.
De acordo com o Gráfico 2.8, verificamos a crescente tendência 
de utilização deste tipo de embalagem plástica.
4PEAD: Polietileno de Alta Densidade.
5PP: Polipropileno.
6PVC: Poli (Cloreto de Vinila).
7PET: Poli (Tereftalato de Etileno).
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 73
Analisando o Gráfico 2.9, observamos que entre as regiões 
brasileiras que mais utilizam as embalagens PET, a região Sudeste 
ocupa a 1a posição com 53%, seguida pelas regiões Nordeste e Sul 
com 19% e 13% respectivamente. 
Gráfico 2.8 | Evolução do consumo de resina PET (mil toneladas)
Fonte: ABIPET/MDIC (2010).
Gráfico 2.9 | Estatística da localização das embalagens PET
Fonte: ABIPET (2012).
O papel da logística reversa neste caso é recolher e dar 
destinação ao material, ou, no máximo, extrair um valor residual. 
Importante dizer que quando na localidade não há coleta seletiva 
destas embalagens, elas são coletadas e direcionadas aos lixões e 
aterros sanitários.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo74
As embalagens descartadas pela sociedade apresentam 
considerável e negativa ‘visibilidade ecológica’ 
em alguns centros urbanos, em virtude do grande 
crescimento de sua utilização, muitas vezes são 
dispostas impropriamente, gerando poluição, mas 
oferecem ao mesmo tempo, importantesoportunidades 
econômicas (LEITE, 2009, p. 12).
2.1.3.4 Produção de automóveis
“A indústria automobilística e o mercado automotivo brasileiro 
posicionam-se entre os maiores do mundo: o Brasil é o 4° maior 
mercado e o 6° maior produtor automotivo mundial (2010) (CNI/
DIRET/ANFAVEA, 2012, p. 13). 
No Gráfico 2.10, podemos visualizar a evolução da produção 
de veículos no Brasil durante o período de 2002 a 2011.
Gráfico 2.10 | Evolução da produção de veículos automotivos no Brasil
Fonte: CNI/DIRET/ANFAVEA (2012, p. 15).
“Em 54 anos de atividades no país, a indústria automobilística 
produziu 63 milhões de veículos” (CNI/DIRET/ANFAVEA, 2012, p. 15).
A indústria automobilística tem efeitos sobre múltiplos setores da 
sociedade. Mais de 200 mil empresas no Brasil têm suas atividades 
ligadas ao setor automotivo. A evolução nas vendas, traduzidas em 
número de licenciamentos, de veículos novos, pode ser observado 
no Gráfico 2.11 a seguir.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 75
Também temos as projeções para o mercado até o ano de 
2020. Se confirmadas, indicam um mercado interno de 6,3 
milhões de veículos/ano em 2020 conforme Gráfico 2.12 (CNI/
DIRET/ANFAVEA, 2012). 
Gráfico 2.11 | Evolução do licenciamento de veículos novos no Brasil
Fonte: CNI/DIRET/ANFAVEA (2012, p.16).
Gráfico 2.12 | Projeções do mercado interno automotivo 
Fonte: ANFAVEA. Tendências. Autofacts. Análise PWC
Elaborado por: CNI/DIRET/ANFAVEA (2012, p. 18).
Para saber mais
A indústria automobilística entende que a sustentabilidade é sistêmica, 
um processo abrangente e contínuo de atuação, com visão de futuro, 
uma questão necessariamente impositiva e prioritária, a ser tratada em 
toda a sua extensão e reflexos na sociedade, com políticas públicas e 
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo76
privadas. A indústria automobilística é parte relevante na equação do 
desenvolvimento com sustentabilidade.
INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA E SUSTENTABILIDADE – Encontro da 
Indústria para a Sustentabilidade.
Questão para reflexão
Nos dias atuais, o ser humano vem sendo assolado pelo consumismo!
O produto comprado, jamais irá satisfazer sua “necessidade”, sendo 
trocado por outro com promessa mais convincente, e por outro e 
mais outros. 
Assim o problema do lixo está estreitamente relacionado ao 
consumismo, agravado pela explosão demográfica, males que 
precisam ser sanados urgentemente pelo ser humano, sob pena 
de levá-lo à degradação. Indivíduos, famílias, sociedades, governos, 
todos devem contribuir para a solução do problema.
a) Qual é o meu papel como consumidor no mercado?
b) A quem compete resolver o problema do lixo resultante da 
crescente ‘descartabilidade’ dos bens?
Atividades de aprendizagem
1. Cite alguns produtos em que se note claramente a redução do ciclo de 
vida útil:
2. Examine o caso dos eletrodomésticos. Como você tem percebido 
a redução do ciclo de vida dos produtos? Como podemos evidenciar a 
tendência à ‘descartabilidade’?
3. são exemplos de bens duráveis que apresentam 
duração média de vida útil variando de alguns anos a algumas décadas. 
São bens produzidos para a satisfação de necessidades da vida social e 
incluem os bens de capital em geral.
A alternativa que contém o texto que completa a lacuna acima é: 
a) Artigos cirúrgicos.
b) Pilhas de equipamentos eletrônicos.
c) Suprimentos para computadores. 
d) Equipamentos eletroeletrônicos.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 77
Seção 2.2
Natureza dos canais de distribuição reversos de 
bens pós-consumo
Introdução à seção
2.2.1 Os canais reversos de reuso
Os bens industriais classificados como duráveis ou 
semiduráveis, após seu desembaraço pelo primeiro possuidor, 
tornam-se produtos pós-consumo. O produto pós-consumo pode 
ser classificado como em condições de uso, fim de vida útil, e 
resíduos industriais. Um produto considerado em condições de 
uso apresenta interesse de reutilização.
Os canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 
constituem-se nas diversas etapas de comercialização 
e industrialização pelas quais fluem os resíduos 
industriais e os diferentes tipos de bens de utilidade ou 
seus materiais constituintes, até sua reintegração ao 
processo produtivo, por meio dos subsistemas de reuso, 
remanufatura ou reciclagem.
Essas etapas apresentam características peculiares nos 
diversos países ou comunidades examinadas, motivadas 
por diferentes disponibilidades de fontes de resíduos de 
pós-consumo, diferentes legislações e regulamentos, 
diferentes sensibilidades ecológicas e hábitos de 
consumo da sociedade (LEITE, 2009, p. 49).
Questão para reflexão
Você já observou entre os produtos que consome quais são aqueles 
que utilizam embalagens retornáveis? Você dá preferência à compra 
de algum produto em razão da embalagem ser retornável?
Trata-se de um canal reverso de grande importância, com 
características econômicas e logísticas de realce, pelo volume de 
comércio envolvido. Fazem parte deste canal os produtos que 
ainda apresentam condições de utilização, podendo ser destinados 
ao mercado de segunda mão, sendo que a comercialização nesse 
caso pode ocorrer várias vezes até atingir o fim da vida útil.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo78
Para exemplificarmos, o caso mais comum desse tipo de canal 
reverso é o de veículos em geral. 
A fase de aquisição do bem de pós-consumo durável é realizada 
por comerciantes estabelecidos, empresários de remanufatura, 
especializados por tipo de bem, ou seja, automóveis, computadores, 
máquinas operatrizes etc., ou por intermediários negociadores 
de lotes que arrematam a totalidade de bens em empresas para 
posterior negociação.
Estes leilões de bens duráveis representam uma grande fonte de 
produtos para reuso alimentando importantes áreas de comércio.
São os canais que permitem que os produtos sejam reaproveitados 
em suas partes essenciais, através da substituição de componentes 
complementares, retornando o produto a sua condição original.
É constituído por empresas industriais, comerciais e de serviços 
que operacionalizam ações no processo de retorno dos produtos 
ou componentes duráveis de pós-consumo, denominados 
‘cores’ ou ‘carcaças’, recapturando o valor de alguma natureza. 
O mercado secundário de bens remanufaturados representa 
uma parcela importante no valor total da economia reversa nas 
sociedades atuais, embora, na maior parte das vezes, seus valores 
sejam estimados e ainda pouco documentados.
A ABNT (2005) define peça remanufaturada como peça ou 
componente de produção original usado, caracterizado por 
Um exemplo de canal reverso de grande importância 
é o da venda de materiais em leilões, em formas de 
sucatas e equipamentos usados, constituindo-se em 
fonte primária de pós-consumo, em que são adquiridos 
e coletados bens pós-consumo ou pós-uso: bens 
de ativo fixo em condições de uso, como máquinas, 
equipamentos, móveis, utensílios, veículos etc.; partes 
de equipamentos ou peças sem condições de uso, 
denominadas genericamente ‘ sucatas’; sobras industriais 
de processos ou subprodutos de processo; excessos de 
estoques de insumos e matérias-primas, dentre outros 
(LEITE, 2009, p. 11).
2.2.2 Os canais reversos de remanufatura
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 79
2.2.3 Os canais reversos de reciclagem 
ter sido submetido a processo industrial pelo próprio fabricante 
original ou em estabelecimento autorizado por esse fabricante, 
para o restabelecimento de funções e requisitos técnicos originais. 
São exemplos deste canal a remanufatura de motores automotivos. 
Embora esse canal reverso possa representar enormes 
possibilidades de economia de recursos e aumento de 
produtividade,e em muitos casos represente importante volume 
financeiro de negócios, ainda é pouco explorado pelas empresas 
fabricantes originais.
A partir do primeiro “Choque do Petróleo”, em 1973, países 
e empresas passaram a ver a reciclagem como uma iniciativa 
estratégica, ganhando popularidade, sobretudo, pelo aspecto 
econômico do impacto provocado pelo aumento significativo no 
preço do barril do petróleo, e não tanto por questões ambientais, 
como preferem destacar os ambientalistas. 
Podemos definir a reciclagem como o conjunto de técnicas que 
tem por objetivo o aproveitamento dos resíduos no ciclo produtivo 
no qual estes tiveram origem. 
Reciclar é garantir matéria-prima para a produção de um novo 
produto, sem precisar agredir o meio ambiente para se remover a 
matéria-prima primária novamente. Isso significa, fazer o ciclo produtivo 
girar sem desperdiçar qualquer resíduo que possa ser reutilizado.
No processo de transformação dos resíduos sólidos8 ocorre a 
alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, 
com vistas à transformação em insumos ou novos produtos. 
Com o aumento das pressões da sociedade para produtos e 
processos ecologicamente corretos, a reciclagem ganha força e 
a logística reversa é um dos principais motores deste movimento. 
Sob uma perspectiva logística, visando garantir a sustentação 
econômica da atividade de reciclagem, devem ser considerados 
alguns aspectos importantes, quais sejam:
8Resíduos sólidos são todos os restos sólidos ou semissólidos das atividades 
humanas ou não humanas, que embora possam não apresentar utilidade para a 
atividade-fim de onde foram gerados, podem virar insumos para outras atividades.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo80
• a demanda existente no mercado para materiais reciclados;
• os custos envolvidos no processo – coleta (transporte), 
separação, armazenagem e revalorização (preparação do 
material antes do processamento, inclusive a sua limpeza);
• os custos de processamento (transformação);
• as quantidades de materiais disponíveis (o volume é 
essencial para garantir economias de escala);
• as distâncias entre a fonte geradora e o local de reciclagem, 
em função dos custos de transportes envolvidos para 
produtos (geralmente) de baixo valor agregado;
• as facilidades logísticas necessárias para o suporte 
operacional (armazéns, equipamentos de movimentação);
• as características e aplicações do resultado da reciclagem.
A questão tornou foco no meio empresarial, e vários fatores cada 
vez mais as destacam, estimulando a responsabilidade da empresa 
sobre o fim da vida de seu produto, que não termina quando, após 
serem utilizados pelos consumidores, são descartados. 
Observando o Gráfico 2.13, podemos verificar que o Brasil tem 
evoluído na reciclagem de alguns materiais, mas em outros ainda 
os índices deixam a desejar (ex.: reciclagem do plástico).
Gráfico 2.13 | Taxa de reciclagem no Brasil de diferentes materiais (%)
Fonte: Adaptado IPEA (2012).
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 81
O caso do plástico no Brasil, observa-se que o índice de 
reciclagem permanece relativamente baixo (menos taxa de 
reciclagem em relação aos outros materiais) sendo boa parte dos 
volumes destinados a aterros e lixões. 
Segundo IPEA (2012), o material plástico é o principal produto 
reciclável e o potencial ambiental e econômico desperdiçado 
com a destinação inadequada de plásticos é em média de R$ 
5,08 bilhões por ano. No entanto, embora o índice brasileiro de 
reciclagem de plástico na fase pós-consumo é considerado baixo 
(22%) no ano de 2012, ainda foi maior que os índices observados 
em países como Portugal (20%) e França (18%) ocupando a 10ª 
posição no ranking ao lado da Eslovênia e próximo ao Reino Unido 
(23%) (ABIPLAST, 2013).
Ainda em relação ao material plástico, os vários polímeros têm 
comportamentos bastante distintos. O PET talvez seja o segmento 
que vem obtendo melhor resultado, com taxas de reciclagem 
pós-consumo da ordem de 60%. O PEBD aparece em segundo 
lugar, com uma reciclagem pós-consumo de cerca de 20%; todos 
os outros polímeros, porém, apresentam taxas inferiores a 10%. 
Dessa forma, comparando os diferentes materiais, os plásticos 
são aqueles que apresentam menor taxa de recuperação, sendo 
potenciais alvos para políticas específicas de estímulo à reciclagem.
Figura 2.4 | Identificação e simbologia de plásticos recicláveis
Fonte: Adaptado de ABIPLAST (2013).
Sinalizamos no Gráfico 2.14 os principais setores que consomem 
plástico reciclado como matéria-prima e a respectiva participação.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo82
Fonte: Adaptado de Plastivida (2012).
Para visualizarmos as diversas possibilidades de comercialização 
e tratamento dos bens e materiais de pós-consumo nos canais de 
distribuição reversos, apresentamos a Figura 2.5 a seguir.
Gráfico 2.14 | Participação dos setores que consomem plástico reciclado como 
matéria-prima
0,00% 2,00% 4,00% 6,00% 8,00% 10,00% 12,00% 14,00% 16,00% 18,00%
Fonte: Adaptado de Leite (1998, p. 24).
Figura 2.5 | Canais de distribuição de pós-consumo direto e reversos
Incineração
Remanufatura
Sobras
Componentes
ReusoDesmanche
Duráveis/ SemiduráveisDescartáveis/ Semiduráveis
Mercados 
secundários
Consumidor final
(empresa / pessoa física)
Mercados 
secundários
Materiais 
reciclados
Resíduos 
industriais
Fabricante de produtos
(duráveis/ descartáveis)
Fabricante de matérias-primas novas
Indústria de reciclagem
Intermediários (sucateiros)
Bens de Pós- consumo
Coleta 
informal
Coleta 
seletiva
Coleta 
do lixo
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 83
Sabemos que os descartes são uma agressão à natureza. 
Desta forma tornou-se necessário um planejamento reverso do 
pós-consumo, visando ao retorno e à recuperação dos produtos 
utilizados, visto que na cadeia comercial, o ciclo dos produtos não 
termina quando são descartados, daí a importância da reciclagem 
e do reaproveitamento destes produtos para o meio empresarial, 
já que tratam da responsabilidade da empresa sobre o fim da vida 
de seus respectivos produtos.
De maneira geral, em administração da produção, o processo 
de planejamento costuma ser dividido em três:
• Planejamento estratégico (longo prazo): Engloba questões 
de natureza muito ampla (ex.: O que será feito com o 
resíduo? Onde buscar os geradores ou fornecedores de 
resíduos? Qual é a capacidade de transporte e recepção 
que necessitamos? Quando devemos aumentá-la?).
• Planejamento tático (médio prazo): Segundo nível de 
planejamento, tem como objetivo alocar materiais e mão de 
obra de forma eficiente, dentro das orientações e restrições 
estratégicas definidas no planejamento estratégico 
(ex.: Quantos coletores, transportadores e receptores 
precisamos? Qual é o intervalo de coleta? Há necessidade 
de estações de transbordo? Como dimensionar o galpão 
de armazenamento?).
• Planejamento operacional (curto prazo): Abordará 
questões mais imediatas e precisas. Deve garantir que todos 
os resíduos serão tratados de forma apropriada e segura, 
desde a sua fonte de geração até a destinação final.
Após a sua implementação, os materiais deverão ter sido 
restituídos a um ciclo produtivo (ao seu próprio ou a outros), sem 
acidentes, danos ambientais ou mesmo descaracterização e perda 
de materiais. Muitos gestores veem isto apenas como uma grande 
fonte geradora de custos. Porém, a logística reversa, por valer-
se de matéria-prima residual ou secundária, mais barata, pode 
trazer vantagens econômicas e gerar lucro, se for bem planejada 
(REZENDE et al., 2006).
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo84
2.2.4 Planejamento operacional na cadeia de valor da logísticareversa
2.2.4.1 Plano de preparação e acondicionamento
Tem como objetivo detalhar o programa de trabalho, em 
curto ou médio prazo, com vistas ao cumprimento das metas de 
prazo maior. O planejamento operacional deverá se traduzir em 
um programa de operações de logística reversa, formado pelos 
seguintes planos:
Explica os tipos e quantidades de materiais a serem coletados 
pela fonte geradora (interna e externa). Exige um conhecimento 
mais detalhado do material e das formas de manter suas 
características. Os principais passos para definição dos processos 
de preparação e acondicionamento são: 
• Localização das fontes geradoras: faz-se necessário 
percorrer o ciclo de vida do produto, a partir da distribuição e 
consumo dos produtos em sua logística direta, conhecendo 
os hábitos dos consumidores através de entrevistas e 
demais investigações. Ao final, é realizada uma análise para 
identificar os locais onde resíduos são dispostos.
• Amostragem: aquisição de uma porção representativa 
de todo o resíduo, para posteriormente caracterizá-lo 
por meio de testes laboratoriais. Por exemplo, resíduos 
aparentemente compostos de papel e papelão úmidos 
podem estar contaminados com substâncias tóxicas e 
inflamáveis. 
• Classificação: análise das amostras em laboratório para 
que sejam definidas suas características de inflamabilidade, 
corrosividade, reatividade, toxidade ou patogenicidade.
• Segregação: é um processo que tem como princípio a 
separação de resíduos em sua origem, pode contar com o auxílio 
de coletores de diferentes cores, segundo Conselho Nacional de 
Meio Ambiente (CONAMA) (BRASIL, 2001, p. 80).
Quadro 2.2 | Relação da cor do recipiente com o tipo de material
Cor do Recipiente Material
Azul Papel/papelão
Vermelho Plástico
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 85
No caso dos produtos perigosos, a segregação impede que haja 
uma contaminação cruzada. Tal fato garante que estes não serão 
misturados ao resíduo não perigoso, minimizando a propagação 
dos riscos, e consequentemente o volume de resíduos perigosos 
gerados. Um exemplo muito observado é a contaminação de 
resíduos recicláveis, tais como embalagens de papelão e copos 
plásticos, por óleo e graxa em setores de manutenção mecânica 
(VALLE; SOUZA, 2014).
• Acondicionamento e Armazenamento Temporário: 
promoção do acondicionamento para o acúmulo dos 
resíduos de madeira segura, para que permaneçam, 
temporariamente, até que sejam coletados para 
encaminhamento adequado ou destinação final.
Fonte: Adaptado de Brasil (2001, p. 80)
9PEV: Posto de Entrega Voluntário.
Caso Tipo de PEV9 Classificação
Resíduos de 
construção
Caçamba
Armazenamento temporário 
para coleta externa
Recicláveis 
(grandes 
instituições)
Coletores coloridos, menores e 
distribuídos
Segregação e armazenamento 
temporário para coleta interna
Coletores coloridos, maiores e 
concentrados 
Armazenamento temporário 
para coleta externa
Recicláveis 
nos 
domicílios 
e pequeno 
comércio
Cestos de resíduos separados Segregação 
Coletores coloridos, nas calçadas
Armazenamento temporário 
para coleta externa
Sacos transparentes na calçada
Armazenamento temporário 
para coleta externa
Quadro 2.2 | Relação da cor do recipiente com o tipo de material
Verde Vidro
Amarelo Metal
Preto Madeira
Laranja Resíduos perigosos
Branco Resíduos ambulatoriais e de serviços de saúde
Roxo Resíduos radioativos
Marrom Resíduos orgânicos
Cinza Resíduos comuns não recicláveis
Fonte: Adaptado de Valle e Souza (2014, p. 113).
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo86
2.2.4.2 Plano para coleta e transporte
É fundamental, por iniciar de fato o fluxo reverso. Estabelece 
o roteiro e a equipe de coleta, a frequência, o tipo de veículo; 
procedimento de carregamento/ manutenções etc. Busca por 
formas seguras e eficientes de garantia de retorno dos resíduos 
sólidos para a sua cadeia produtiva, ou para outras cadeias 
produtivas. Fazem parte do plano para coleta e transporte as 
seguintes etapas:
• Quantificação do resíduo gerador: medição da quantidade 
de resíduos gerados em determinado intervalo de tempo; 
identificação da capacidade de armazenamento local do 
gerador; estabelecimento de uma rotina para coleta.
• Definição dos receptores: identificação dos receptores que 
atendem aos objetivos do gerador; seleção dos receptores 
baseada em fatores legais relacionados ao tipo de serviço 
prestado; identificação da capacidade de processamento 
dos receptores.
• Consolidações prévias: identificação dos transportadores 
que atendem ao objetivo do gerador e do receptor; seleção 
dos transportadores; consolidação entre o fluxo de geração 
dos resíduos, capacidade de processamento do receptor e 
a capacidade de carga dos transportadores.
• Coleta: definição do tipo de serviço entre coleta seletiva e coleta 
particular; definição do tipo de trabalho para a realização da 
coleta, baseado em fatores práticos e legais, relacionados ao 
tipo de serviço prestado; reconhecimento de riscos existentes 
em determinada atividade de coleta; eliminação de dos riscos 
ou definição do uso de EPI adequados; padronização dos 
procedimentos e comportamentos para prevenir acidentes e/
ou doenças ocupacionais.
Os locais onde os resíduos são acumulados e armazenados 
temporariamente para coleta externa devem permitir a aproximação 
dos veículos coletores sem dificuldades.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 87
2.2.4.3 Plano de beneficiamento
• Transporte: identificação das características da carga; 
reconhecimento dos riscos existentes em determinada 
atividade de coleta.
Caracteriza-se pela execução das etapas de beneficiamento, 
que envolvem as escolhas entre as diversas alternativas de 
transformações físicas aplicadas aos materiais, conferindo-lhes 
uma função própria e agregando algum valor ao mesmo. A partir 
dele que são gerados os estímulos necessários à promoção do 
negócio propriamente dito.
Os principais procedimentos/ fases operacionais pertencentes 
ao plano de beneficiamento são: 
• Recebimento: identificação dos riscos, cuidados 
necessários, procedimentos de emergência e uso de 
EPIs10; definição do tipo de beneficiamento e o posterior 
encaminhamento a ser realizado conforme quadro abaixo; 
encaminhamento de resíduos inservíveis para tratamento 
e/ou disposição final adequada; documentação dos dados 
de recebimento como auxílio ao planejamento estratégico, 
financeiro e controle operacional da produção.
10EPIs: Equipamento de Proteção Individual
Quadro 2.4 | Resíduos e o tipo de beneficiamento empregado
Resíduo Tipo de beneficiamento
Papel
• Resíduo/ redução de volume/ comercialização
• Reciclagem (limpeza + alvejamento + refinação + adição)
Plástico
• Reuso/ lavagem/redução de volume/ comercialização
• Reciclagem com separação das resinas (separação + regeneração + 
pós-tratamento + transformação)
• Reciclagem sem separação das resinas (regeneração + 
transformação)
• Incineração
Metais
• Redução de volume/ comercialização
• Reciclagem (fusão + conformação)
• Reciclagem (briquetagem + refusão + transformação em lingote)
Vidro
• Separação + trituração
• Reciclagem (produção de embalagens, tijolos, microesferas, lã, fibra, 
bolinhas ou espuma de vidro/ fritas cerâmicas/ asfalto)
• Reuso (material abrasivo ou de enchimento/ aplicações artísticas)
Pneus
• Recauchutagem + reuso
• Reciclagem (engenharia civil / regeneração da borracha/asfalto)
• Incineração + geração de energia
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo88
Lâmpadas
• Reciclagem (destruição + separação + descontaminação + 
reciclagem/ reuso/ comercialização)
• Separação por sopro + reciclagem
• Esmagamento + solidificação/ encapsulamento
• Disposição em aterrosEletroeletrônicos
• Recondicionamento + reuso/ revenda
• Desmontagem/ desmanche + reciclagem
• Reciclagem (desmontagem + triagem + trituração + separação+ 
transformação)
Pilhas e baterias
• Devolução
• Reutilização/ reciclagem/ disposição final
•Reciclagem (trituração + separação + recuperação + reciclagem)
Embalagens de 
produtos tóxicos
• Tríplice lavagem
• Incineração
Fonte: Adaptado de Vilhena (2010). Guarnieri (2011).
Para saber mais
O Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) é 
uma entidade sem fins lucrativos voltada a promover, em todo o Brasil, 
a correta destinação das embalagens vazias de defensivos agrícolas.
Pesquise mais sobre o procedimento da Tríplice Lavagem, que, como 
o próprio nome diz, consiste em enxaguar três vezes a embalagem 
vazia seguindo alguns critérios.
• Armazenamento temporário: compactação dos resíduos e 
posterior organização.
• Pré-tratamento: segregação ou triagem mais específica 
dos resíduos para assegurar a qualidade exigida pelas 
indústrias recicladoras; compactação para um ganho de 
massa específica, aproveitando o espaço de forma eficiente.
• Opções de tratamento: desmanche apara aproveitamento 
dos materiais contidos nas mercadorias descartadas e 
destinação segura de resíduos complexos; reparo para 
correção de problemas específicos em um produto; 
recondicionamento para recuperação das boas condições 
de uso de um produto, bem como reequipar e embelezar; 
remanufatura para restituir os materiais a sua vida útil; 
reciclagem dos materiais através da utilização na produção 
de novos produtos; descontaminação através da retirada 
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 89
e tratamento de componentes perigosos existentes nos 
diversos materiais; a incineração para reaproveitamento de 
energia; coprocessamento em fornos para fabricação de 
cimento; compostagem e outros processos de biodigestão 
de matéria orgânica para produção de húmus ou energia.
Em relação à nomenclatura apresentada nas diversas fases do 
fluxo reverso dos materiais, algumas adaptações devem ser feitas 
(ex.: o caso da construção civil – Para a fabricação de produtos 
duráveis seria entendida como a construção dos imóveis e o 
desmanche, como sua demolição).
Este plano não faz parte da logística reversa, mas deve ser tratado 
com igual importância. Integra-se ao plano de beneficiamento, 
determinando qual é o volume de produtos beneficiados que 
será encaminhado para cada alternativa de destinação (compra, 
doação, aterro etc.), bem como suas demandas, sazonalidade, 
valor de mercado etc. Além disso estabelece o volume de rejeitos 
dos processos que será destinado aos aterros sanitários, e quais 
são estes aterros, quais os custos, a logística envolvida etc.
Uma parcela dos bens pós-consumo será reintegrada ao ciclo 
produtivo, fluindo pelos canais reversos de reciclagem, ocorrendo 
revalorização de seus materiais constituintes, podendo ou não 
ser reintegrados ao ciclo produtivo na fabricação de um produto 
similar ao que lhe deu origem ou a um produto distinto.
A seguir iremos apresentar e distinguir as duas grandes 
categorias de ciclos reversos de retorno ao ciclo produtivo:
• Canais de distribuição reversos de ciclo aberto.
• Canais de distribuição reversos de ciclo fechado.
2.2.4.4 Plano de destinação final
2.2.5 Ciclos reversos abertos e fechados de reciclagem 
2.2.5.1 Canais de distribuição reversos de ciclo aberto
[...] são constituídos pelas diversas etapas de retorno de 
materiais constituintes dos produtos pós-consumo, como 
metais, plásticos, vidros, papéis, etc., nos quais esses 
materiais são extraídos de diferentes produtos de pós-
consumo, visando à sua integração ao ciclo produtivo 
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo90
e substituindo matérias-primas novas na fabricação de 
diferentes produtos (LEITE, 2009, p. 55).
Fonte: Leite (2009, p. 55).
Figura 2.6 | Exemplos de ciclo reverso aberto
Os canais de ciclo aberto, portanto não distinguem os 
produtos de origem do pós-consumo, mas têm seu foco na 
matéria-prima que os constitui. São característicos dessa 
categoria os metais, como ferro, alumínio, cobre etc., os 
plásticos constituídos de polímeros de diversas naturezas, 
como os polietilenos, os polipropilenos etc., os materiais 
constituintes de diversas naturezas de vidros e os diferentes 
tipos de papéis (LEITE, 2009, p. 55).
"Os canais de distribuição reversos dessa categoria são 
constituídos por etapas de produtos de pós-consumo, 
nas quais os materiais constituintes de determinado 
produto descartado, ao fim de sua vida útil, são extraídos 
seletivamente para fabricação de um produto similar ao de 
origem" (LEITE, 2009, p. 56).
2.2.5.2 Canais de distribuição reversos de ciclo fechado
Quadro 2.5 | Exemplos de canais reversos de ciclo fechado
Produto de origem de 
pós-consumo
Principais materiais 
extraídos
Novo produto
Óleos lubrificantes usados
Eliminação de 
impurezas e acréscimo 
de aditivos
Óleos lubrificantes novos
Baterias de veículos 
descartadas
Plástico e extração do 
chumbo
Baterias de veículos 
novas
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 91
Fonte: Leite (2009, p. 56).
Latas de alumínio de 
embalagens descartadas
Extração da liga de 
alumínio
Latas de alumínio novas
2.2.6 A logística reversa e a política nacional de resíduos sólidos
Um dos maiores problemas da atualidade é a geração de 
resíduos oriundos do consumo em massa. Leite (2009) alerta que 
o grande indicador do crescimento da ‘descartabilidade’ dos bens 
duráveis e semiduráveis é o aumento dos resíduos sólidos urbanos, 
vulgarmente denominados por lixo urbano nos grandes centros 
urbanos em diversas partes do mundo. 
Entre os fatores que têm levado ao crescimento vertiginoso do 
volume de resíduo produzido, principalmente no que tange aos 
produtos pós-consumo, podemos citar: a redução da vida útil de 
alguns produtos, através da obsolescência programada; as práticas 
consumistas existentes nas culturas atuais além do aumento do 
consumo devido ao aumento do poder aquisitivo. 
A situação da produção de lixo mundialmente e também no 
Brasil é preocupante, pois dados do IBGE do ano de 2000, destacam 
que das cerca de 230 mil toneladas de resíduos geradas por ano 
no Brasil, aproximadamente 22% são destinadas a vazadouros 
a céu aberto ou lixões, sendo que 75% são destinadas a aterros 
controlados ou sanitários.
Os problemas decorrentes deste depósito de resíduos 
sólidos são a poluição do ar e contaminação do solo, das 
águas superficiais e dos lençóis freáticos; riscos à saúde 
pública pela proliferação de diversos tipos de doenças; 
agravamento de problemas socioeconômicos pela 
presença de "catadores"; poluição visual da região; mau 
odor e também desvalorização imobiliária (TENÓRIO;s 
ESPINOSA, 2004, p. 164).
Os resíduos sólidos podem ser compostos por: matéria orgânica 
(alimentos em geral), papel e papelão (revistas, jornais, caixas e 
embalagens), plásticos (garrafas PET, garrafões, frascos etc.); vidro 
(garrafas, frascos e copos), metais (latas em geral), outros (tecidos, 
óleos de origem animal e vegetal, resíduos eletrônicos etc.).
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo92
Na Figura 2.7 sinalizamos os materiais mais descartados nos 
lixos urbanos e a participação em percentual conforme dados do 
IPEA (2012).
Fonte: Adaptado de IPEA (2012).
Figura 2.7 | Principais materiais descartados no Brasil
Ao analisar a figura anterior, podemos observar que os quatro 
materiais mais representativos e que juntos somam aproximadamente 
95% são respectivamente: a matéria orgânica (51,4%) seguido por 
outros (16,7%), plástico (13,5%) e papel, papelão (13,1%).
Quanto ao material plástico, mais propriamente o caso dasembalagens, abordaremos mais adiante aspectos adicionais já que é 
um exemplo de canal reverso de importância econômica crescente. 
Estes são apenas alguns dos motivos que têm levado a um 
acréscimo significativo na quantidade de lixo urbano em todo 
mundo e para contextualizar o problema, caso as medidas 
necessárias para o processo de reciclagem não sejam colocadas 
em práticas, vamos apresentar alguns indicadores na sequência.
A definição dos resíduos como material inservível e não 
aproveitável é, na atualidade, com o crescimento da indústria da 
reciclagem, considerada relativa, pois um resíduo poderá ser inútil 
para uma devida necessidade, mas útil para outras.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 93
Na Figura 2.8 sinalizamos algumas informações sobre a coleta 
de resíduos sólidos urbano no Brasil.
Fonte: IPEA (2012).
Elaborado: ABIPLAST (2013).
Figura 2.8 | Destinação do resíduo urbano no Brasil
No Brasil são produzidos cerca de 54,38 milhões de toneladas por 
ano de resíduo sólido urbano (o que equivale a 80% recolhido por 
caminhões no país). Entretanto, uma pesquisa do IPEA (Diagnósticos 
dos Resíduos Sólidos Urbanos, IPEA, 1012) mostra que apesar da 
coleta de lixo ser realizada em quase 90% dos municípios brasileiros, 
a coleta seletiva – que recolhe o material a ser reciclado – não 
chega a 15% dos municípios. Fato este que impõe às autoridades a 
necessidade de tratar a questão com maior seriedade.
Um dos poucos estudos sobre aspectos econômicos da 
reciclagem foi realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica 
Aplicada – IPEA (2010) e foi constatado que o país perde anualmente 
R$ 8 bilhões ao enterrar o lixo que poderia ser reciclado.
De acordo com a publicação LCA (2013), a coleta seletiva 
municipal é imprescindível como fonte de abastecimento do 
mercado da reciclagem. A maior parte dos municípios realiza 
a coleta de porta em porta (88%), mas cresce a alternativa de 
recolhimento por meio dos Postos de Entrega Voluntária (PEVs), 
onde a população deixa resíduos recicláveis.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo94
Em um país como o Brasil, medir a reciclagem é um trabalho 
complexo por vários motivos: o grau de informalidade 
do mercado, a inexistência de dados oficiais consistentes 
e abrangentes, a dimensão territorial e suas diferentes 
realidades, e a diversidade de atores que participam do 
mercado – catadores, atacadistas de materiais recicláveis, 
indústrias recicladoras de pequeno, médio e grande porte, 
prefeituras, empresas de coleta, entre outros (LCA, 2013).
Está em jogo não apenas a viabilidade econômica da reciclagem, 
mas também a geração de empregos e o bem-estar de milhares 
de catadores, organizados em cooperativas. Das caixas de suco às 
garrafas de refrigerantes, o que antes era visto como lixo sem valor vira 
fonte de riquezas e como tal começa a ser tratado pelas estatísticas. 
A resolução dos resíduos sólidos passa necessariamente 
pelo tratamento do resíduo, processo este que pode se tornar 
extremamente caro, principalmente no que diz respeito a produtos 
mais industrializados e também aos resíduos perigosos. 
Para enfrentar o problema, a Política Nacional de Resíduos Sólidos 
(Lei Federal no 12.305/2010), sancionada no dia 2 de agosto de 
2010, é considerada um marco brasileiro para abordar a questão dos 
resíduos sólidos no país, e, neste contexto, atribui à logística reversa 
um papel-chave.
Entre os princípios desta Política, alguns estão diretamente 
associados à logística reversa: prevenção e precaução; poluidor-
pagador e protetor-recebedor; a visão sistêmica que considere as 
variáveis tecnológicas, econômicas, culturais, sociais, ambientais e 
de saúde pública; o desenvolvimento sustentável; a ecoeficiência; a 
cooperação entre diversos setores da sociedade; a responsabilidade 
compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; e o reconhecimento 
do resíduo sólido reutilizável ou reciclável como bem econômico de 
valor social, gerador de trabalho e renda.
A maioria dos objetivos estratégicos determinantes nesta política 
também está diretamente associada à logística reversa. Para citar 
alguns: estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção 
e consumo de bens e serviços; adoção, desenvolvimento e 
aprimoramento de tecnologias limpas; redução do volume e da 
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 95
periculosidade dos resíduos perigosos; incentivo à indústria de 
reciclagem; gestão integrada de resíduos sólidos; capacitação técnica 
continuada na área de resíduos sólidos; estímulo à implementação da 
avaliação do ciclo de vida do produto; incentivo ao desenvolvimento 
de sistemas de gestão ambiental e empresarial.
A política reforça a responsabilidade dos geradores de resíduos, 
sejam pessoas físicas ou jurídicas, em implementar e operacionalizar 
um plano de gerenciamento de resíduos sólidos. Esse plano deve 
contemplar a instalação e o funcionamento de atividades que gerem 
ou operem com resíduos perigosos, podendo haver contratação 
de terceiros para os serviços de gerenciamento dos resíduos, o que 
não isenta o gerador da sua responsabilidade pelos eventuais danos 
provocados pelos seus resíduos.
Ainda segundo a Lei, os consumidores finais são obrigados a 
disponibilizar adequadamente seus resíduos sólidos para a coleta 
seletiva, ou, quando aplicável, à logística reversa de determinados 
produtos. A logística deve ser implementada sob responsabilidade 
conjunta dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, 
e é aplicável, especialmente, aos seguintes resíduos: eletroeletrônicos; 
lâmpadas fluorescentes; pneus; óleos lubrificantes e suas embalagens; 
pilhas e baterias; agrotóxicos e suas embalagens; e outras embalagens 
que se caracterizem como resíduos perigosos, ou cuja logística reversa 
seja viável. No âmbito da responsabilidade destes últimos atores pela 
logística reversa de seus produtos e resíduos, as medidas que devem 
tomar podem incluir: implantação de procedimentos de compra 
de produtos ou embalagens usadas; disponibilização de postos de 
entrega de resíduos recicláveis ou reutilizáveis; e atuação em parceria 
com cooperativas de catadores. Também devem concentrar-se 
no desenvolvimento de produtos e embalagens que gerem menos 
resíduos, e favoreçam posterior reciclagem ou reutilização.
Quanto aos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana 
e manejo de resíduos, devem implementar a coleta seletiva e 
compostagem, dar destinação final adequada aos rejeitos e estabelecer 
acordos setoriais para a operacionalização da logística reversa, dando 
prioridade à organização de associações e cooperativas de catadores 
e sua inclusão nos sistemas.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo96
Fique ligado
Nos canais de distribuição reversos, a reciclagem é o processo 
mais conhecido entre os que caracterizam o beneficiamento na 
logística reversa. A reciclagem consiste na série de atividades em 
que os materiais descartados são coletados, triados, processados e 
utilizados na produção de novos produtos. Mais especificamente, 
consideramos que a reciclagem ocorre no momento em que um 
resíduo entra em uma nova cadeia produtiva, cujos produtos finais 
podem ser os mais diversos. Dessa forma, o resíduo torna-se matéria-
prima para o novo processo, em substituição às matérias virgens. Isso 
pode se traduzir em vantagens econômicas e de sustentabilidade.
Para concluir o estudo da unidade
Os canais reversos de pós-consumo constituem-se nos diferentes 
modos de retorno dos produtos após seu uso, podendo apresentar 
serventia a novos possuidores, caracterizando-se os canais de 
reuso dos bens pós-consumo, ou não apresentando condições de 
reutilização, sendo destinados aos canais reversos de reciclagem de 
seus produtos ou de materiais constituintes. 
Distinguem-seduas categorias de fluxos reversos de pós-consumo: 
• Fluxos reversos abertos: os materiais constituintes têm sua 
origem em diferentes produtos de pós-consumo.
Atividades de aprendizagem
1. Como vimos, as lâmpadas fluorescentes também são descartadas, mas 
devem ser separadas desde a origem. Por possuírem materiais pesados, 
como vapor de mercúrio, são capazes de afetar o meio ambiente e a 
saúde humana. Pesquise na literatura qual é o procedimento correto para 
a reciclagem das lâmpadas fluorescentes e sinalize algumas empresas que 
atuam nesta reciclagem.
2. O vidro, um material 100% reciclável, também possui critérios para 
triagem. A própria indústria de vidreira recebe vidro em cacos ou grãos e 
lavado para reutilizar em seu processo, após separação das cores. Existe 
uma orientação à população sobre a reciclagem do vidro e qual a forma 
correta de segregação e destinação correta?
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 97
Atividades de aprendizagem da unidade
1. Considere o texto apresentado a seguir. 
Plano Nacional para o lixo
A Lei n° 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos 
(PNRS) é bastante atual e contém instrumentos importantes para permitir 
o avanço necessário ao país no enfrentamento dos principais problemas 
ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos 
resíduos sólidos. Prevê a prevenção e a redução na geração de resíduos, 
tendo como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e 
um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem 
e da reutilização dos resíduos sólidos (aquilo que tem valor econômico 
e pode ser reciclado ou reaproveitado) e a destinação ambientalmente 
adequada dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado). 
Institui a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos: 
dos fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, o cidadão e 
titulares de serviços de manejo dos resíduos sólidos urbanos na logística 
reversa dos resíduos e embalagens [...]. Fonte: Disponível em: <www.
mma.gov.br>. Acesso em: 27 dez. 2012.
Analisando as informações apresentadas no texto e considerando 
atividades relacionadas ao lixo, a política nacional de resíduos sólidos 
determinará a extinção:
a) da logística reversa.
b) dos lixões.
c) da reciclagem.
d) da coleta seletiva.
• Fluxos fechados: os materiais constituintes são extraídos de 
um produto pós-consumo e são usados para fabricar produtos da 
mesma natureza.
Os bens duráveis, quando transformados em bens de pós-
consumo e não apresentando condições de serem reutilizados, 
poderão ser enviados diretamente ao ‘lixo urbano’, desmontados nos 
canais reversos de ‘desmanche’ ou diretamente enviados ao canal 
reverso de ‘reciclagem’.
Os bens descartáveis normalmente não têm condições de 
reutilização e podem ser dirigidos aos canais reversos do ‘lixo urbano’ 
ou ‘reciclagem’ por meio de diferentes modos de coleta: coleta de 
lixo urbano, coleta seletiva, ou coleta informal.
Os resíduos industriais constituem importantes quantidades de 
materiais dirigidos aos canais de reciclagem de reuso.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo98
2. Considere as afirmações a seguir acerca da política nacional de 
resíduos sólidos, tal como instituída pela Lei nº 12.305/2010.
I. No gerenciamento de resíduos sólidos, a não geração e a redução de 
resíduos são objetivos preferíveis à reciclagem e ao seu tratamento adequado.
II. Os fabricantes de produtos em geral têm o dever de implementar 
sistemas de logística reversa.
III. Os consumidores têm responsabilidade compartilhada pelo ciclo de 
vida de quaisquer produtos adquiridos.
Está correto o que se afirma em:
a) I, II, III.
b) I e III, apenas.
c) II e III, apenas.
3. A produção de lixo virou uma das grandes preocupações do mundo 
atual e a sua destinação é sempre um motivo de controvérsia. Os 
administradores das cidades apontam para soluções paliativas, tornando 
necessária a criação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). 
Sobre esse tema, assinale a alternativa correta:
a) A logística reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico e 
social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios 
destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao 
setor empresarial.
b) Os lixões a céu aberto só serão permitidos nas áreas mais afastadas das 
principais regiões metropolitanas do País.
c) A incineração dos resíduos sólidos e os aterros sanitários são as 
soluções mais viáveis para a destinação do lixo urbano.
d) A responsabilidade da destinação dos resíduos sólidos fica a cargo dos 
fabricantes e dos importadores, de acordo com a PNRS.
4. Em relação aos canais de distribuição reversos ciclo aberto, os 
materiais são extraídos de diferentes produtos de pós-consumo, visando 
à reintegração ao ciclo produtivo e substituindo matérias-primas novas 
na fabricação de diferentes tipos de produtos. São exemplos:
a) Óleos lubrificantes. → Eliminação de impurezas e acréscimo de aditivos 
→ Óleos lubrificantes novos.
b) Baterias de veículos → Plástico e extração de chumbo → baterias de 
veículos novas.
c) Latas de alumínio → Extração de liga de alumínio → latas novas alumínio.
d) Automóveis → Extração do material ferroso → Chapas e barras.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo 99
5. No Brasil, observa-se que o índice de reciclagem deste material 
permanece relativamente baixo (menos taxa de reciclagem em relação 
aos outros materiais) sendo boa parte dos volumes destinados a aterros 
e lixões. O material a que estamos nos referindo é o:
a) Alumínio.
b) Papel/ papelão.
c) Vidro.
d) Plástico.
U2 - Canais de distribuição reversos de bens pós-consumo100
Referências
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Econômico e Desempenho Setorial 2014. Disponível em: <http://www.abinee.org.
br/programas/50anos/public/panorama/index.htm#1/z>. Acesso em: 17 mar. 2015.
ABIPET – Associação Brasileira da Indústria do Pet. Indústria do PET no Brasil. São 
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BRASIL. Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) no 275, 
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19 jun. 2001, Seção 1, p. 80.
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA (CNI); Diretoria de Educação e 
Tecnologia (DIRET); Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores 
(ANFAVEA). Indústria Automobilística e Sustentabilidade. Encontro da Indústria para 
a Sustentabilidade. Brasília (2012). Disponível em: <http://arquivos.portaldaindustria.
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U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda102
Canais de distribuição reversos 
de bens pós-venda
Esta unidade tem como objetivo apresentar ao aluno as 
formas de retorno dos produtos com pouco ou nenhum uso 
que são devolvidos entre os elos da cadeia de distribuição 
direta e pelo consumidor final. Segue-se uma caracterização 
do produto logístico de pós-venda, as diferentes possibilidades 
de entrada, o destino dos fluxos reversos desses produtos e 
as barreiras para implementação do processo. Também serão 
apresentados os fluxos reversos de pós-venda: categoria 
comercial, categoria garantia/qualidade.
Objetivos de aprendizagem
Márcio Ronald Sella
Unidade 3
Nesta seção serão identificadas as principais características dos produtos que 
retornam ao ciclo de negócios além de compreender as razões que justiçam as 
devoluções dos produtos de pós-venda e as barreiras existentes.
Seção 3.1 | Identificação do produto pós-venda
Avaliaremos, nesta seção, as categorias de fluxos reversos: categoria 
comercial (retornos não contratuais, retornos não contratuais e retornos 
de ajuste de estoque de canal) e a categoria garantia/qualidade (qualidade 
intrínseca, validade de produto e recall de produtos). Finalizando a seção, 
trataremos a seleção e destinos de produtos (comercialização no mercado 
primário e secundário, comercialização de produtos reparados, doação, 
desmanche, remanufatura, reciclagem industrial e sistema de distribuição 
final apropriado) e políticas de logística reversa de empresas brasileiras.
Seção 3.2 | Canais de distribuição reversos de bens de pós-venda
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 103
Introdução à unidade
Dentro do ciclo de comercialização do produto, destaca-se a 
distribuição. Se o processo de distribuição é falho, com certeza, 
todo o esforço desprendido pelas equipes de projeto de produto, 
equipes de produção, equipes de marketing, equipes de vendas, 
terão seus trabalhos e esforços comprometidos pela insatisfação 
do cliente em relação à entrega do produto (KOTLER, 2000).
Depois de encerrado o processo de distribuição do produto, 
começa a atuar a logística reversa. A satisfação do cliente não pode 
ser relacionada somente à entrega do produto, mas, também, 
como a empresa procederá se o produto apresentar algum 
problema (KOTLER, 2000), ou não satisfizer à expectativa criada 
por um anúncio ou propaganda, no caso de se tratar de vendas 
por catálogo ou comércio eletrônico. 
Neste sentido, a logística reversa de pós-venda foi criada para 
atender a uma necessidade do mercado, pois existia uma lacuna 
na logística empresarial para atender aos clientes que precisavam 
fazer trocas de produtos por motivos de defeito de fabricação ou 
problemas com a validade.
Porter e Stern (2001) destacam que no ambiente empresarial, 
mais competitivo e complexo, no qual as empresas desenvolvem 
suas atividades, se faz necessário o uso de estratégias que sirvam 
de alicerce para o bom gerenciamento do empreendimento. No 
entanto, o canal reverso de pós-venda ainda não é tratado por 
muitas empresas como um processo constante dentro da cadeia 
logística e na maioria dos casos não existe um gerenciamento 
desse retorno, impedindo o controle dos resultados.
Assim, a logística reversa, no âmbito do processo de pós-venda, 
poderá suprir as necessidades e expectativas dos clientes de forma 
que os mantenham leais à empresa, mesmo quando ocorrer algum 
problema ou defeito e, também, buscando manter uma imagem 
positiva da empresa perante o mercado consumidor.
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda104
Quando falamos em logística reversa de pós-venda, caracteriza-
se pela devolução de produtos com pouco ou nenhum uso, que 
são devolvidos entre os elos da cadeia de distribuição direta ou 
pelo consumidor final, sendo reintegrados ao ciclo de negócios, 
como os produtos com avarias no transporte, sazonais, produtos 
com defeito, com validade expirada, entre outros aspectos. Esta 
forma de retorno será maisexplorada neste estudo.
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 105
Seção 3.1
Identificação do produto pós-venda
Introdução à seção
No término do processo de distribuição, muito se fala em 
logística reversa sob o prisma de uma crescente conscientização 
ecológica relativa aos impactos que os resíduos dos produtos, 
originados a partir do descarte de pós-consumo, podem causar no 
meio ambiente. No entanto é importante sinalizar que existe outro 
importante aspecto envolvendo a logística reversa a ser abordado, 
que se trata da satisfação do cliente e que não está relacionada 
unicamente à entrega do produto, mas também com a qualidade 
e os níveis de serviços logísticos oferecidos.
[...] logística reversa de pós-venda a área específica de 
atuação da logística reversa que se ocupa do planejamento, 
da operação e do controle físico e das informações logísticas 
correspondentes de bens de pós-venda, sem uso ou com 
pouco uso, que por diferentes motivos retornam pelos elos 
da cadeia de distribuição direta (LEITE, 2009, p. 187).
Os produtos de pós-venda retornam através da própria cadeia 
de distribuição direta, tendo, em geral, como origem do retorno 
um dos elos da cadeia ou o próprio consumidor final e tendo 
como destino o fabricante do produto (CLM, 1993; STOCK, 1998; 
ROGERS; TIBBENLEMBKE, 1999; LEITE, 2003).
As etapas iniciais de retorno dos produtos não consumidos 
constituem-se da coleta nos locais de origem, consolidações 
físicas geográficas e de quantidade, seleção de destino dos 
produtos retornados e expedição aos destinos. 
Recursos logísticos de transporte, de armazenagem e de 
movimentação interna, mão de obra e sistemas de informações 
são consumidos nos processos de retorno. O gerenciamento do 
fluxo reverso envolve, portanto, a administração desses recursos, 
estabelecendo ciclos curtos de tempo de retorno, que repercutirão 
na recuperação de valor das mercadorias retornadas (ROGERS; 
TIBBEN-LEMBKE, 1999; LEITE, 2003).
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda106
Lacerda (2003) destaca que o tempo de retorno adiciona 
custos pelo atraso na geração de caixa e pelo custo de locais 
de armazenagem, ressaltando que tempos altos de retorno são 
gerados por ineficiências e de carência de recursos colocados à 
disposição da logística reversa.
Kotler (2000) complementa que existem outras preocupações 
que atingem as empresas em relação ao pós-venda como: os 
serviços de suporte e assistência ao produto onde, a frequência 
das avarias, a demora nos reparos e os custos de manutenção são 
fatores avaliados pelo cliente no momento da decisão de compra 
e, muitas vezes, são fatores geradores de vantagens competitivas 
para a empresa.
Já Doyle (1997) afirma que as empresas devem monitorar o 
comportamento do consumidor frente às reações apresentadas 
em relação ao produto, de forma que se possa melhorá-lo ou, até 
mesmo, suspender sua comercialização. 
Muitas vezes, como aponta Hartley (2001), medidas drásticas, 
como cancelar a comercialização de um produto, pode evitar que 
a imagem da empresa seja degradada devido ao fraco desempenho 
de seu produto no mercado.
A administração moderna ensina que um dos critérios-
chave para um relacionamento duradouro e a garantia de 
fidelização de clientes, conquistados por meio da logística 
empresarial integrada, é a qualidade ou nível de serviços 
logísticos que lhes são oferecidos. Critérios como rapidez, 
confiabilidade nas entregas, frequência nas entregas, 
disponibilidade de estoques e, mas recentemente, a política 
de flexibilidade empresarial e a prestação de serviços em 
assistência técnica, se adotados em operações de venda 
e pós-venda, agregam valor perceptível aos clientes, 
contribuindo para sua fidelização (LEITE, 2009, p. 186).
Quando mencionamos a assistência técnica de pós-venda, 
temos que ter em mente o formato como ela é constituída, ou 
seja, pelas redes de logística reversa interna e externa, sendo uma 
das atividades de grande impacto na fidelização do cliente, na 
imagem de marca empresarial.
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 107
Dessa maneira, a logística reversa se tornou um assunto de 
prioridade nos negócios da empresa,devido ao seu potencial de 
incremento simultâneo entre a satisfação do cliente e a rentabilidade 
da empresa (MINAHAN, 1998). Um melhor atendimento ao cliente, 
redução dos custos de operação, maior rentabilidade da empresa, 
elevação do prestígio da marca e imagem da empresa no mercado 
de atuação, entre outros fatores, tem sido identificados como 
benefícios potenciais que podem provir de programas efetivos e 
bem estruturados de logística reversa (DAUGHERTY et al., 2001).
Nesse sentido, a logística reversa de pós-venda é importante 
fonte de vantagem competitiva para as empresas no ambiente atual, 
uma vez que as mercadorias devolvidas oferecem oportunidades de 
recuperação de parte do valor empregado no processo produtivo e/
ou negócios, bem como economias de custo em potencial.
Para saber mais
Após a venda e entrega do produto, acabou o atendimento ao cliente?
O cliente recebe a mercadoria, abre a caixa, porém o produto não 
está funcionando. Ele rapidamente procura informações sobre a 
devolução. Se nesse momento a loja não tiver bem definido uma 
política de devolução e troca de mercadorias, iniciaremos uma longa 
batalha para fazer valer os diretos do consumidor além dos prejuízos 
à imagem corporativa. 
O artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor – CDC – concede a 
um prazo de sete dias para o cliente se arrepender da compra realizada 
fora do estabelecimento comercial, em lojas virtuais, por exemplo. Ao 
exercer esse direito, o consumidor pode desfazer a compra e solicitar 
a devolução do valor pago e este deverá ser devolvido, de imediato, 
monetariamente atualizado.
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda108
Fonte: Adaptado de Leite (2009, p. 188).
Figura 3.1 | Destinação do resíduo urbano no Brasil
Logística reversa 
pós-consumo
- Reaproveitamento 
de componentes
- Reaproveitamento 
de materiais
- Incentivo a nova 
aquisição
- Revalorização 
ecológica
Logística 
reversa de pós-
venda
- Liberação de área 
de Loja
- Redistribuição de 
estoques
- Fidelização de 
clientes
- Nível de serviço
- Feedback de 
qualidade
Cadeia de 
distribuição direta
Consumidor
Bens de pós-venda
Bens de pós-
consumo
Imagem corporativa
Competitividade
Redução de custos
A necessidade de lidar com produtos devolvidos ou não 
consumidos torna-se ainda mais importante quando se atua 
num mercado competitivo. A flexibilidade de retorno de 
mercadorias contribui para fidelização dos clientes, aumentando 
a competitividade da empresa no mercado pela diferenciação do 
serviço, garantindo-se também ganhos de imagem corporativa.
De acordo com Leite (2009, p. 187):
Empresas modernas utilizam-se da logística reversa de 
pós-venda, diretamente ou através de terceirizações 
com empresas especializadas, por diferentes objetivos 
estratégicos, como o aumento da competitividade no 
mercado pela diferenciação de serviços, a recuperação de 
valor econômico dos produtos, a obediência à legislação, 
garantindo imagem corporativa, entre outros.
Esses canais reversos apresentam importância crescente, 
tanto do ponto de vista estratégico empresarial como do ponto 
de vista econômico.
Pesquisa realizada nos Estados Unidos em 1997 estimou 
o custo do retorno de bens em 35 bilhões de dólares, ou seja, 
aproximadamente 0,5 % do PNB daquele país, ou 4% dos custos 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 109
logísticos totais (US$ 862 bilhões naquele ano). A mesma pesquisa 
obteve os níveis de retorno de vários setores de atividade 
econômica, que pode ser observado no Quadro 3.1.
Quadro 3.1 | Porcentagem de retornode bens pós-venda – EUA
Ramo de atividade Porcentagem média de retorno
Editores de revistas 50%
Editores de livros 20 - 30%
E-commerce 35%
Distribuidores de livros 10 - 20%
Distribuidores de eletroeletrônicos 10 - 12%
Fabricantes de computadores 10 - 20%
Fabricantes de CD-ROMs 18 - 25%
Impressoras para computador 4 - 8%
Peças para indústria automotiva 4 - 6%
Fonte: Rogers e Tibben-Lembke (1999, p. 7).
Existem outros estudos que estimaram a importância econômica 
dos fluxos reversos, podemos citar o de Blumberg (1999, p. 6) “que 
estima que o custo total da logística reversa somente com o setor 
eletroeletrônicos nos Estados Unidos foi de US$ 4,7 bilhões no ano 
de 1996”.
Já o setor editorial de revistas é apontado pela literatura como 
um dos mais expressivos em termos de retornos de produtos. Este 
fato se deve principalmente ao sistema de comercialização e suas 
variáveis: dificuldade de previsão de retorno devido o surgimento 
crescente de pontos de venda em grandes lojas de varejo e ao 
natural ciclo de vida das edições em geral (alta perecibilidade).
No Brasil, algumas pesquisas nos indicam que o percentual de 
retorno no setor fica próximo a 60% em relação às vendas efetuadas. 
Se compararmos com o percentual encontrado nos EUA (Quadro 
3.1) temos no Brasil um indicador maior para este segmento.
Devido ao elevado percentual de retorno e para um 
entendimento maior dos fatores envolvidos, vamos descrever 
alguns pontos da operação de distribuição de revistas em bancas.
Para melhor compreensão dos retornos, iniciaremos como a 
operação de distribuição de publicações no território nacional, 
ou seja, o recebimento de publicações das editoras clientes. A 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda110
partir da etapa de recebimento os exemplares são separados e 
organizados em lotes, em quantidades previamente definidas pela 
área de logística em função das vendas nas regiões atendidas. 
Grande número de centros de distribuição regional (CDR) no país 
se encarrega de distribuir as publicações para os pontos de venda 
no varejo (ex.: bancas e revistarias) e para isso utilizam o modal 
rodoviário, podendo em alguns casos, utilizar o fluvial. 
O sistema de vendas é o de consignação, sistema este que 
detalharemos à frente. 
Com a expiração do prazo de exposição e venda dos produtos 
nas bancas, temos o início do fluxo reverso das publicações. 
O primeiro passo é a emissão pela área de distribuição de um 
documento denominado ‘encalhe’1, que avisa o varejista sobre o 
término do prazo para venda da publicação.
O varejista então devolve ao CDR toda a publicação não 
vendida e é realizado o acerto financeiro do que foi vendido e 
das respectivas comissões. O CDR, por sua vez, encarrega-se de 
devolver à empresa toda a publicação recebida de seus varejistas e 
de fazer o acerto financeiro das vendas.
O fluxo apresentado na Figura 3.2 poderá servir para o melhor 
entendimento dos retornos de revistas.
1Encalhe: Solicitação de retorno.
Fonte: Leite (2009, p. 199).
Figura 3.2 | Mapeamento do fluxo reverso de publicações na empresa
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 111
Quanto ao ‘encalhe’, uma das alternativas utilizadas para a 
recuperação de valor é a reciclagem (transformação de parte do 
retorno em aparas de papel). A revalorização econômica também 
pode acontecer por meio da venda de publicações encalhadas em 
mercados secundários, ou seja, países que falam a língua portuguesa. 
Além dos mercados secundários, os produtos retornados 
podem servir para atividades de marketing, sendo utilizados como 
‘degustação’, considerada canal de reuso pela literatura.
O tratamento do encalhe também pode servir como fonte 
para projetos que visem à educação e o bem-estar social. Outra 
contribuição é para com a realização dos serviços que são 
prestados ao cliente, por exemplo, atender às solicitações de 
revistas de edições passadas.
Ainda em relação ao mercado editorial, outra variável que 
impacta diretamente nos volumes de ‘encalhe’ são as quantidades 
de publicações e de editoras que crescem em todo planeta. 
Segundo Leite (2009) o crescimento entre os anos de 1990 e 
2006 foi de 22.400 títulos, com 212, milhões de exemplares, para 
46.000 títulos, com 310 milhões de exemplares.
O sistema de produção desse setor está baseado em produção 
em escala e deve incluir os custos da logística reversa, que podem 
atingir alguns dólares por livro ou revista. Novas tecnologias de 
produção gráfica permitem prever lotes econômicos de produção 
menores do que os atuais e, em consequência, consentiram 
grande agilidade para o setor, o que se traduziria na redução de 
devoluções e maior comercialização via internet.
No Quadro 3.2 são relacionados os principais motivos de 
devoluções de produtos na etapa de pós-venda.
Quadro 3.2 | Principais motivos de devoluções de pós-venda
Motivo Percentual (%)
Insatisfação do cliente 32,16
Produto defeituoso 26,05
Pedido incorreto 10,44
Produto na garantia 8,27
Produto danificado 7,10
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda112
Fonte: Daugherty et al. (2001, p. 113 apud GIACOBO. et al. 2003, p. 10).
Produto não vendido 1,35
Produto para recondicionar 0,80
Produto para reciclar 0,67
Renovação de produto 0,64
Outros 8,50
É nesse contexto que se insere o acentuado crescimento da 
logística reversa de pós-venda em todo o mundo, tanto na área 
acadêmica como na área empresarial e para o seu avanço se faz 
necessário equacionar alguns conflitos e barreiras nos diferentes 
elos da cadeia de distribuição.
3.1.1 Barreiras à logística reversa – pós-venda
Apesar da relação entre a logística reversa e as vantagens que esta 
atividade pode agregar, ela encontra barreiras. As barreiras podem 
ser internas e externas à implementação da logística reversa. Elas 
variam desde a falta de sistemas, negligências administrativas, falta 
de recursos financeiros e de pessoal, subestimação da importância 
desse setor perante outros, políticas das empresas, dentre outros 
(CAMPOS, 2006).
No Quadro 3.3 é possível avaliarmos barreiras através das 
respostas de um estudo norte-americano com mais de 150 
administradores sobre as responsabilidades da logística reversa.
Fonte: Rogers e Tibben-Lembke (1998, p. 33).
Quadro 3.3 | Barreiras à logística reversa
Ao analisar o quadro podemos interpretar que as barreiras 
estão inter-relacionadas. Tanto a falta de importância dada à 
logística reversa quanto o descaso da administração e a destinação 
insuficiente de recursos financeiros são evidências de que, para 
muitas empresas, não é justificável um alto investimento no 
processo de logística reversa. 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 113
Já a política da empresa pode representar uma enorme barreira 
quando esta não incentiva e apoia a prática da atividade. 
A falta de sistemas de informação está relacionada à falta 
de padronização do processo da logística reversa. E por fim, os 
recursos humanos por não possuírem mão de obra especializada 
para esse processo. 
Em uma pesquisa desenvolvida na cadeia de alimentos 
processados no oeste paranaense por Chaves (2005), ele afirmou 
que 71,4% das empresas do setor agroalimentar analisadas em 
sua pesquisa não possuem dados relativos à porcentagem dos 
custos do gerenciamento dos fluxos reversos nos custos totais da 
logística. Além disso, 64,3% dos entrevistados assumiram também 
não possuir informações sobre a redução da lucratividade da 
empresa com os retornos, mas há casos em que este percentual 
atinge mais de 30%.
Qualquer empresa busca maximizar suas oportunidades no 
mercado e reduzir os custos e riscos associados ao seu negócio. 
A ausência de dados e informações conduz à incerteza sobre o 
processo logístico reverso. 
Segundo Rogerse Tibben-Lembke (1998, p. 32), as empresas que 
não administram bem a informação e os dados sobre seus processos 
logísticos geralmente não administram seus estoques eficientemente. 
Podemos ainda relatar que os elevados custos de transportes do 
fluxo reverso e a falta de intermediários especializados nas funções 
desse fluxo (coleta, manuseios, armazenagem, processamento e 
troca de materiais recicláveis) também são considerados como 
barreiras à logística reversa (CHAVES, 2009).
Em relação às dificuldades, Lacerda (2003) ainda destaca a falta 
de planejamento que dificulta o controle e o aperfeiçoamento do 
processo e os dos conflitos entre fabricantes e varejistas sobre 
quem é o responsável sobre os danos causados aos produtos, 
como no transporte e na fabricação.
Após identificarmos tais barreiras, fica evidente que os fluxos 
reversos devem ser tratados como parte integrante da estratégia 
logística das empresas. Faz-se necessário planejar, operar e 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda114
controlar o fluxo de retorno dos produtos de pós-venda devolvidos 
por diversos motivos. 
Para trabalharmos as barreiras do processo de implementação 
da logística reversa sugerimos a utilização da metodologia MASP 
(Método de Análise e Solução de Problemas) através de oito etapas 
e que possui relação direta com o ciclo PDCA nas fases de Planejar 
(P- Plan), Executar (D- Do), Verificar (C- Check) e Agir (A- Action) de 
acordo com a Figura 3.3.
Fonte: Portal Administração (2014). <http://www.portal-administracao.com/2014/08/ciclo-
pdca-conceito-e-aplicacao.html>. Acesso em: 15 maio 2015.
Figura 3.3 | Método MASP – Ciclo PDCA
A seguir abordaremos de maneira sucinta as oito etapas da 
metodologia MASP associadas ao ciclo PDCA ilustradas na Figura 3.3.
Para utilizar o Método de Análise e Solução de Problemas é 
preciso conhecer passo a passo todas as suas etapas a fim de 
conseguir o melhor resultado possível.
Etapa 1 – Identificação do problema
A primeira etapa do MASP consiste em identificar e determinar 
com exatidão qual é o problema existente. Para isso, ele deve ser 
detalhado da melhor forma possível. Depois da identificação do 
problema é preciso definir metas (mais uma vez bem detalhadas) e 
bons indicadores que possam ajudar na conclusão dos resultados. 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 115
Etapa 2 – Observação
Este é o momento de observar o problema que foi identificado 
para poder coletar o maior número de informações possíveis 
com o objetivo de ajudar na solução do problema. Podemos 
utilizar ferramentas que ajudam nesta etapa tais como: folha de 
verificação, diagrama de Pareto, brainstorming, histogramas, 
gráficos de controle, entre outras.
Etapa 3 – Análise
Nesta terceira etapa, as informações e dados coletados na 
etapa de observação devem ser analisados. Se você estava 
querendo descobrir as possíveis causas do problema, chegou o 
grande momento. Algumas dicas que podem ajudar é comparar 
se o problema acontece sempre nas mesmas épocas, horários ou 
situações parecidas.
Etapa 4 – Plano de ação
Finalmente nesta etapa chegou o momento de planejar suas ações.
Etapa 5 – Ação
Chegou o momento de agir, ou seja, executar o seu plano de 
ação que foi feito na etapa anterior (etapa 4). É muito importante 
que as pessoas envolvidas neste projeto de melhoria estejam 
treinadas e capacitadas para ajudarem no projeto. 
Etapa 6 – Verificação
A verificação nada mais é do que ver se tudo ocorreu da 
maneira planejada, desde prazos, custos estimados, resultados e 
até as metas iniciais. É uma fase muito importante para analisar se 
tudo está ocorrendo conforme esperado.
Etapa 7 – Padronização
Como já houve a verificação dos resultados, agora é possível 
ver se as ações tomadas trouxeram benefícios para a empresa. 
Se sim, é importante que elas sejam padronizadas para mudar a 
operação de alguns processos e manter sua qualidade.
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda116
Etapa 8 – Conclusão
Etapa de documentação. É importante avaliar as experiências 
obtidas e arquivar documentos e informações utilizados na 
solução do problema porque os mesmos podem ser úteis depois 
para problemas semelhantes.
Questão para reflexão
Na Seção 3.1 apresentamos algumas barreiras à implementação do 
processo eficiente e eficaz de logística reversa nas organizações. 
Sob a ótica da logística reversa no pós-venda, como podemos 
avaliar tais barreiras em uma organização que atua no segmento 
de alimentos (alta perecibilidade) e o seu papel no contexto quanto 
à segurança alimentar?
Atividades de aprendizagem
1. O setor de pós-venda na empresa, pode contribuir para a performance 
empresarial, na prestação de serviços diferenciados, na confiabilidade dos 
serviços prestados, na retenção e na lealdade dos clientes, no processo 
efetivo, estruturado, periódico e duradouro de relacionamento com os 
clientes, na possibilidade da recompra, no desenvolvimento de novos 
serviços, no redirecionamento da estratégia de marketing (ao invés de 
marketing de massa implementar o marketing de relacionamento), no 
fortalecimento da imagem e da reputação da empresa junto ao mercado 
de atuação, no desenvolvimento profissional da força de trabalho, bem 
como no aumento do lucro. Indique empresas do seu conhecimento que 
atua fortemente no setor de pós-venda.
2. Distribuição de revistas em bancas:
Ao analisarmos o mapeamento do fluxo reverso de publicações na 
empresa (Figura 3.2), o ‘encalhe’ pode ser direcionado para os mercados 
secundários (brindes, exportação e doação). Avalie como este fluxo pode 
contribuir como fonte para projetos que visem à educação e o bem-estar 
social? Você conhece algum projeto?
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 117
Seção 3.2
Categorias de fluxos reversos de pós-venda
Introdução à seção
Observamos na Seção 3.1 desta unidade que a logística reversa 
de pós-venda envolve o planejamento, a operacionalização e 
controle do fluxo de retorno dos produtos de pós-venda devolvidos 
por diversos motivos. Esses motivos foram agrupados em 
categorias ‘comerciais’, por ‘garantia/qualidade’ e ‘substituição 
de componentes’. 
Quanto aos retornos que fazem parte da categoria comercial, 
podemos exemplificar: a obsolescência de um produto, retorno 
por erro de expedição, excesso de estoque, mercadoria em 
consignação, mudança de estação, ou ter seu prazo de validade 
vencido entre outros motivos.
Já quanto aos aspectos de garantia de qualidade, entendemos 
que a concorrência acirrada impõe aos fabricantes e varejistas que 
assumam a responsabilidade sobre os produtos danificados durante 
a distribuição. No entanto, para que se tenha um fluxo reverso 
eficiente, é necessário ter-se uma estrutura para recebimento, 
classificação e expedição, a fim de garantir o retorno desses bens.
Entre os bens de pós-venda, existem ainda aqueles que se 
originam a partir da substituição de componentes de bens duráveis 
ou semiduráveis danificados ao longo da sua vida útil e que 
passaram por um processo de manutenção.
Todas essas categorias e subcategorias poderão ser visualizadas 
na figura a seguir.
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda118
Fonte: Adaptado de Leite (2009, p. 191).
Fonte: Leite (2003, p. 211-216) e Rogers e Tibben-Lembke (1999, p. 47-48).
Figura 3.4 | Categorias de retorno de pós-venda
Quadro 3.4 | Principais motivos de retornos de produtos pós-venda
Já o quadro a seguir indica os principais motivos de retorno de 
produtos pós-venda relacionando as categorias comerciais e de 
garantia/qualidade.
Categoria comercial Motivo de retorno
Retornos não contratuais
Erros de expedição do pedido, erros na 
recepção
Retornos comerciais contratuais Retorno de produtos em consignação
Retorno de ajustede estoques 
de canal
Excesso de estoque no canal, baixa rotação 
do estoque, introdução de novos produtos, 
efeitos sazonais de produtos
Categoria garantia / qualidade Motivo de retorno
Qualidade instrínseca Produto na garantia, defeituosos, danificados
Validade de produto Expiração da validade
Fim de vida do produto Expiração da utilidade
Recall de produtos
Manutenção, recolhimento de produto do 
mercado
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 119
3.2.1 Categoria comercial
3.2.1.1 Retornos não contratuais
3.2.1.1.1 E-commerce (erros de expedição do pedido)
A seguir será detalhado cada um dos motivos de retornos 
dentro da respectiva categoria.
Na classificação ‘retornos comerciais’ são destacadas as duas 
grandes subdivisões: retornos comerciais e retornos não contratuais, 
envolvendo movimentos logísticos reversos de mercadorias 
devolvidas devido a erros de expedição, excesso de estoque no 
canal de distribuição, em consignação, liquidação de estação de 
vendas, pontas de estoques etc., que serão retornadas ao ciclo de 
negócios por meio de redistribuição em outros canais de vendas.
Caracterizado pela ocorrência de devoluções por erro do 
fornecedor nas vendas diretas. Entre alguns exemplos podemos 
citar os erros de expedição do pedido e erros de recepção 
principalmente envolvendo o e-commerce.
O comércio eletrônico, subdividido no sistema business to business 
(B2B), atualmente com importantes quantias comercializadas, tem 
experimentado enorme crescimento em todo o planeta. 
Denominado ‘canal direto de vendas’, caracteriza-se como um 
dos mais importantes canais de distribuição reversos de bens de 
pós-venda, com expectativas da ordem de 25 a 30% em relação 
ao total de vendas nos EUA e de 10% no Brasil (LEITE, 2009, p. 11).
Uma das razões para o elevado índice de devoluções se deve 
ao número elevado de pedidos onde os produtos na sua maioria 
são de pequeno porte, entregues de forma fragmentada, exigindo 
investimentos na área de expedição e processamento de pedidos.
De maneira geral, os erros de expedição são diversas falhas que 
costumam ocorrer nos bastidores logísticos e os mais frequentes 
são: tipo de mercadoria, quantidade fornecida, destinação da 
entrega e confecção da embalagem. Tais problemas podem 
acarretar a perda de clientes por deficiência do serviço, perdas 
de recursos pela avaliação equivocada dos custos ou perdas de 
controle devido às operações ultrapassadas. 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda120
3.2.1.2 Retornos contratuais
3.2.1.2.1 Retorno de produtos em consignação
São retornos definidos por meio de um contrato comercial 
entre empresas visando geralmente ao aumento de vendas 
(disponibilização dos produtos em mais pontos de vendas), 
minimizando o efeito negativo do desembolso imediato de caixa 
além da preocupação com a rotatividade de estoques.
A consignação enquadra-se nos retornos contratuais. Conceitua-
se consignação mercantil como a operação entre duas empresas 
em que a primeira chamada de consignante (ex.: indústria) fornece 
a mercadoria a outra chamado de consignatário (ex.: varejo) para 
que seja vendida por ele, com prazo determinado ou não. No caso 
a organização consignatária somente irá desembolsar recursos 
financeiros para pagamento dos produtos que foram vendidos. 
Ao término de um período previamente convencionado, os 
produtos que não foram vendidos, deverão retornar ao consignante. 
É importante sinalizar que durante toda a operação o fornecedor 
(consignante) sempre foi o “dono” do estoque. 
Entre algumas das preocupações da empresa que irá fazer a 
logística reversa se refere às condições de manuseio (transporte, 
condição das embalagens, validade etc.) no sentido de assegurar 
a qualidade do estoque. No entanto a grande vantagem dessa 
modalidade é a possibilidade de fazer a programação de retirada/
retorno dos produtos.
Os segmentos que praticam com frequência a operação de 
consignação mercantil são os fabricantes de brinquedos, editoras 
e as indústrias de confecções.
Morrel (2001) identificou um nível de 30% o retorno dos bens 
comercializados via internet. É importante mencionar que existe 
um relacionamento fiel entre fornecedor e comprador e alguns 
erros podem se tornar aceitáveis, desde que esclarecidos e 
solucionados o mais rápido possível.
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 121
3.2.1.2.2 Retorno de embalagens retornáveis
A embalagem tornou-se item fundamental das atividades 
de qualquer empresa, sendo essencial para atingir o objetivo 
logístico de disponibilizar mercadorias no tempo certo, nas 
condições adequadas e ao menor custo possível, principalmente 
na distribuição internacional. 
Embalagens estão presentes em todos os produtos, com formas 
variadas, e funções variadas, sempre com a evolução das tecnologias 
utilizadas, que as tornam cada vez mais eficientes e estratégicas.
Embalagem é uma função tecnoeconômica, com o objetivo 
de proteger e distribuir produtos ao menor custo possível, 
além de promover as vendas, e consequentemente, 
aumentar os lucros. A embalagem é, por isso, uma 
consequência da integração de arte e ciência, que exige 
conhecimentos de resistências de materiais, fluxogramas, 
logística, fabricação, movimentação de materiais, design, 
cromatografia e mercado, além de elevada dose de bom 
senso e criatividade (MOURA, 1998, p. 11).
As principais funções da embalagem são: contenção, proteção 
e comunicação. 
Além das funções básicas, segundo Vasco (2012), as embalagens 
desempenham uma série de funções e papéis na sociedade. Para 
melhor compreensão, podem ser visualizadas no Quadro 3.5 a seguir.
Quadro 3.5 | Amplitude das embalagens
AMPLITUDE DA EMBALAGEM
Funções Primárias Conter, proteger, transportar.
Econômicas Componente do valor e do custo de produção. Matérias-primas.
Tecnológicas
Sistemas de acondicionamento. Conservação do produto. 
Novos materiais.
Mercadológicas
Transmitir informações. Despertar desejo de compra. 
Vencer a barreira do preço.
Conceituais
Construir a marca do produto. Formar conceito sobre o 
fabricante. Agregar valor significativo ao produto.
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda122
Comunicação e 
Marketing
Principal oportunidade de comunicação do produto, 
suporte de ações promocionais.
Sociocultural
Expressão da cultura e do estágio de desenvolvimento de 
empresas e países.
Meio Ambiente
Importante componente do lixo urbano. Reciclagem/ 
Realidade atual mundial.
Fonte: Vasco (2012).
Segundo Moura (1998), as embalagens podem ser classificadas 
segundo sua finalidade e sua utilidade.
• Finalidade: as embalagens podem ser de consumo (venda 
ou apresentação), expositora, de distribuição física, de 
transporte e exportação, industrial ou de movimentação e 
de armazenagem. 
• Utilidade: as embalagens podem ser classificadas como 
retornáveis e não retornáveis ou descartáveis.
• Classificação das embalagens de acordo com sua finalidade:
Embalagens primárias (ou embalagem de venda): conceitua-
se como embalagem primária qualquer embalagem que esteja em 
contato direto com o produto e que tenha contato direto com o 
consumidor final (ex.: garrafa de vidro para refrigerantes ou cerveja).
São as embalagens que estão em contato direto com o 
produto e que definem o tipo de material constituinte as 
dimensões adequadas compatíveis com as fases logísticas 
seguintes, os aspectos estéticos e mercadológicos, 
os aspectos e a tecnologia de utilização, entre outros 
cuidados. São os recipientes rígidos e as embalagens 
flexíveis de diversos materiais, com conteúdo tecnológico 
crescente, visando à redução de custos e a diferenciação 
mercadológica, normalmente constituído de materiais 
como vidro, alumínio, plásticos, papel, complexos ou 
ligas de materiais(LEITE, 2009, p. 193).
Embalagens secundárias: designada para conter uma ou 
mais embalagens primárias. Seu principal objetivo é a adaptação 
à comercialização de quantidades múltiplas, ao transporte e à 
distribuição física dos produtos sendo que as características do 
produto não serão alteradas se removidas desta embalagem. São 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 123
exemplos os envoltórios plásticos retráteis ou encolhíveis (filme 
stretch 2), entre outros.
Embalagens terciárias ou unitizadoras: agrupa diversas 
embalagens primárias ou secundárias visando principalmente à 
movimentação, à armazenagem e ao transporte na distribuição de 
produtos. Entre as embalagens retornáveis são exemplos as caixas 
metálicas, as caixas de madeira, os contenedores plásticos, os 
paletes, racks, os dispositivos especiais, os contêineres, entre outros.
Para saber mais
Embalagem retornável entre parceiros de negócio
Melhores práticas
Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores 
(ANFAVEA) e Sindipeças elaborou e disponibilizou um manual 
(2011) para aplicação das melhores práticas na gestão e controle de 
embalagem retornável entre parceiros de negócio.
2Filme Stretch: Filme plástico esticável é utilizado principalmente para proteger o 
produto da umidade e poeira, além de unitizar cargas. Tem boa adesão e resistência.
• Classificação das embalagens de acordo com sua utilidade 
(retornáveis):
Abordaremos a utilização de embalagens retornáveis, reutilizáveis 
ou de múltiplas viagens que entre as vantagens exploradas a partir 
de uma boa gestão de embalagens retornáveis, podemos destacar: 
redução de tempo, aumento de produtividade, eficiência na 
utilização dos equipamentos e espaços disponíveis, eficiência no 
transporte e manuseio, na informação interna e externa.
Há uma série de aspectos que envolvem as embalagens 
retornáveis, entre eles:
• requer investimento e, portanto, capital adicional;
• ocupa o mesmo espaço quando vazia ou cheia ou, então, 
como opção mais prática, é desmontável.
• implica custo de transporte para retorno;
• requer controles de expedição e recebimento;
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda124
• exige documentação fiscal para seu transporte;
• requer manutenção e conservação constante;
• é obrigatório por lei, que a empresa a identifique com seu 
nome e numeração sequencial, para fins de controle.
Apesar das embalagens retornáveis apresentarem alguns custos, 
a relação custo-benefício é vantajosa às empresas à medida que o 
tempo de reuso dessas embalagens aumenta. 
Lacerda (2003) complementa que quanto maior o número de 
vezes que se usa a embalagem retornável, menor o custo por viagem 
que tende a ficar menor que o custo da embalagem one way.
Quando mencionamos alta rotatividade das embalagens, 
não podemos deixar de mencionar o segmento alimentar, que 
possui como característica básica o atendimento de grandes 
demandas. Neste segmento, as embalagens retornáveis para as 
frutas e hortaliças frescas têm por função aumentar a eficiência 
no manuseio e movimentação das cargas além de garantir a 
conservação da qualidade desses alimentos prevenindo quanto aos 
danos físicos, que aceleram a senescência3, diminuem o valor do 
produto e podem permitir a entrada e o desenvolvimento de micro-
organismos oportunistas, levando ao apodrecimento do produto. 
De acordo com as figuras a seguir observamos que para as frutas 
e hortaliças frescas é comum utilizarmos embalagens retornáveis de 
madeira e plástico.
Fonte: O autor (2015).
Figura 3.5 | Embalagens retornáveis de madeira e plástico – Frutas e Hortaliças
3 Senescência: Série de processos que ocorre após a maturidade. Envelhecimento 
dos frutos.
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 125
Para saber mais
Embalagens terciárias de frutas e hortaliças.
A Embrapa Hortaliças elaborou a Circular Técnica Nº 44, que trata das 
embalagens para comercialização de hortaliças e frutas. 
Em relação aos custos sinalizados anteriormente envolvendo as 
embalagens retornáveis, Rogers e Tibben-Lembke (2001) vêm em 
defesa comentando que os custos existentes no transporte são 
minimizados, já que estas também afetarão custos de manuseio e 
rastreamento de embarques. Os autores destacam a importância de 
se desenvolverem embalagens leves e resistentes, tendo em vista 
que muitos custos de embarque estão associados ao peso da carga 
e à necessidade de acondicionamento para prevenção de dano no 
transporte. O aproveitamento do espaço das embalagens retornáveis 
também é destacado pelos autores, haja vista que embalagens 
padronizadas podem fazer com que haja espaço perdido e prejudicar 
o aproveitamento dos contêineres e veículos, aumentando o custo 
de transporte. O ganho em ergonomia também é relevante, de 
modo a preservar a saúde ocupacional dos operadores, tanto na 
fabricação como no uso e descarte da embalagem.
O canal reverso de embalagens sejam elas primárias, ou de 
contenção de produtos, sejam secundárias ou de contenção das 
primárias ou utilizadas para transporte merecem destaque devido 
a sua crescente importância econômica.
O maior desafio, porém, é o gerenciamento no sistema de 
transporte e distribuição destas embalagens no que se refere ao 
seu rastreamento durante o fluxo de materiais. As embalagens 
são facilmente perdidas, extraviadas ou utilizadas para outros fins 
quando esta administração carece de eficiência.
Para saber mais
Acesse o site da Associação Brasileira de Embalagem (ABRE), cujo objetivo 
é criar oportunidades de incremento comercial e estimular o contínuo 
aprimoramento da embalagem brasileira. É uma ótima fonte de pesquisas. 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda126
3.2.1.3 Retorno de ajuste de estoques de canal
3.2.1.3.1 Baixa rotação de estoque
A devolução ou a liquidação de estoques dos bens de pós-
venda por ajustes de estoques no canal normalmente envolve duas 
empresas, e os produtos envolvidos ou liquidados serão revalorizados 
por meio de envio, geralmente, ao mercado secundário, entendido 
como um mercado apropriado para esses casos.
Nesses mercados, os produtos são oferecidos a preços mais 
baixos do que no mercado original, com ou sem marca original, e 
em pontos de venda diferentes daqueles dos produtos de origem. 
Em alguns casos, são enviados ao mercado de origem (LEITE, 
2009, p. 195).
Leite (2003, p. 224) alerta que:
O investimento em estoque tem como objetivo estratégico 
maximizar os recursos da empresa, por meio da possibilidade de 
aumento da eficiência operacional, visando a um atendimento 
satisfatório ao cliente, disponibilizando recursos esperados 
pelo consumidor.
Entende-se como rotação de estoques o número de vezes 
que um produto ou mercadoria é reposto nas prateleiras de um 
estabelecimento durante um período de tempo, no decorrer de 
um ano. Quanto maior a rotação, maior será, certamente, o volume 
de vendas e a margem de lucratividade. Porém, os itens com 
Diversas situações de cooperação entre empresas participantes 
da cadeia de suprimento justificam esses contatos. Na sequência 
trataremos de algumas dessas situações.
[...] o tempo de retorno é determinante nas operações 
logísticas, pois a obsolescência rápida dos diversos 
modelos lançados no mercado exige ágeis ações 
empresariais, principalmente no ramo de varejo. Ocorre 
em grande parte pelos mesmos caminhos da distribuição 
direta, entre os diversos integrantes da cadeia. A coleta e 
consolidação têm caminho contrário das entregas sendo 
tanto mais difíceis quanto mais elos houver a serem 
transpostos em seu retorno.
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 127
rotatividade (giro) insatisfatória afetam a rentabilidade da empresa 
e se faz necessário a implantação de processos com o objetivode 
minimizar o efeito negativo no fluxo de caixa das empresas.
Entre os procedimentos para minimizar tal efeito, é definir junto 
aos fornecedores ações para eliminar os itens de baixo giro, seja 
por redução de preço, por devolução de mercadorias (logística 
reversa) ou por ações promocionais conjuntas.
O ramo editorial é um exemplo clássico de excesso de estoque 
no canal. O segmento é caracterizado por dificuldades inerentes de 
previsão de vendas e pela rápida obsolescência de seus produtos, 
necessitando organizar sua logística reversa com eficiência, pois, 
normalmente, é a operação vital para lucratividade para o setor.
A palavra “sazonal” vem da palavra “sazão”, que significa “estação”.
As indústrias em períodos sazonais (ex.: Natal, Páscoa, Dia das 
Mães etc.) antecipam aos clientes (ex.: varejo) estoques que nem 
sempre são vendidos nas quantidades esperadas.
Para amenizar a situação, pode ser feito os contratos de retorno 
visando antecipar-se aos eventos e resolver o problema de excesso 
ou de falta de estoques nos canais de distribuição por meio do 
planejamento de revalorização dos produtos retornados.
Classificam-se como devoluções por ‘garantia/qualidade’ 
aquelas que ocorrem por defeitos de fabricação ou de 
funcionamento dos produtos, por avarias no produto ou na 
embalagem e outros problemas relacionados aos aspectos de 
qualidade intrínseca aos produtos vendidos.
3.2.1.3.2 Excesso de estoque no canal
3.2.1.3.3 Efeitos sazonais de produtos
3.2.2 Categoria garantia/qualidade
Ao retornarem a um dos agentes da cadeia de distribuição 
direta, esses produtos poderão ser submetidos a consertos 
ou reformas que permitirão seu retorno ao mercado como 
produtos novos, ou poderão ser dirigidos a mercados 
diferenciados, denominados mercados secundários, 
recapturando valor comercial (LEITE, 2009, p. 196).
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda128
É importante que os casos que impactam em devoluções na 
categoria de qualidade, além de operacionalizarmos o retorno, 
se faz necessário atuarmos no problema (diagnosticar as causas) 
para que não venha acontecer novamente, principalmente se for 
devido às operações logísticas.
Classificam-se como devoluções por qualidade, os produtos 
que apresentam defeitos de fabricação, falhas de funcionamento, 
avarias no produto e embalagem etc. Leite (2003, p. 216) 
complementa que a devolução por motivo de defeito ou de 
problema de qualidade em geral requer decisão de natureza 
técnica em um dos elos da cadeia de distribuição direta para definir 
o destino dos bens devolvidos.
• Devoluções de produtos defeituosos
Os motivos de devolução entre empresas e o consumidor 
final e entre empresas de venda direta poderão relacionar-se com 
legislações de proteção ao consumidor ou por garantia concebida 
pelo fabricante do produto.
3.2.2.1 Qualidade intrínseca
Os argumentos de devolução poderão ser verdadeiros, 
quando o produto precisa de fato ser consertado ou 
remanufaturado, ou falsos, no caso de devoluções sem 
defeito, mas provocadas por deficiência de manuais de 
uso ou falta de entendimento do comprador (LEITE, 
2009, p. 196).
O conhecimento dos reais motivos de devolução pode ser um 
excelente feedback para correções em termos de qualidade por 
parte do fabricante.
Na Figura 3.6, para exemplificar a devolução de produtos 
defeituosos, descrevemos o fluxo reverso de telefones celulares 
quando existe a necessidade de reparos e consertos.
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 129
Fonte: Leite (2009, p. 202).
Figura 3.6 | Mapeamento dos processos de retorno 
Para saber mais
O prazo de troca de produtos.
O prazo de troca de produtos é um direito garantido a todos os 
consumidores pelo CDC (Código de Defesa do Consumidor). Embora 
algumas lojas/empresas não respeitem as normas apontadas na lei, é 
importante que o consumidor saiba que os fornecedores e fabricantes 
têm 30 dias, a partir da reclamação, para sanar o problema do produto. 
Depois desse período, deve-se exigir um produto similar, a restituição 
imediata da quantia paga ou o abatimento proporcional do preço. 
Vale lembrar ainda que essas exigências podem ser feitas antes dos 
30 dias se a substituição das partes com defeito puder comprometer 
as características do produto, diminuir-lhe o valor, ou quando se tratar 
de um “produto essencial” (como a geladeira, por exemplo).
• Devoluções de produtos danificados
Tipo de devolução que ocorre principalmente por avarias durante 
as etapas de manuseio, o transporte ou por acidentes no trajeto, e 
devem retornar ao fabricante ou a intermediários especializados.
No caso de carga acidentada, em geral, a companhia de 
seguros é responsável pelo destino do bem acidentado.
O conhecimento das condições das avariais, além de 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda130
permitir correções em embalagens e formas de transbordo das 
mercadorias, ainda auxiliará na comercialização orientada dos 
produtos salvos.
As devoluções por expiração do prazo de validade dos produtos 
são situações onde existem contratos/ acordos entre fornecedor, 
atacadistas e varejistas que permitem o retorno dos estoques 
residuais de produtos que perdem a validade. Normalmente, 
nestes casos, a exigência é legal e um exemplo com alto nível de 
fluxo reverso é o de produtos farmacêuticos em geral.
Também é possível observar com frequência no setor de 
alimentos, especificamente no setor varejista, entre indústrias 
e supermercados, que buscam manter relacionamentos 
mutuamente satisfatórios no intuito de assegurar a credibilidade dos 
produtos e garantir a reputação da empresa varejista, utilizando-se 
de práticas de logística reversa que garantam, ao mesmo tempo, 
disponibilidade e confiabilidade dos produtos ofertados pelos 
supermercadistas ao consumidor (CHAVES, 2006). 
Diante disso, as empresas passam a se reestruturar para se 
adequarem a essas novas práticas, sobretudo nas relações 
comerciais entre indústrias, varejistas e consumidor. Assim, 
tendem a se tornar mais competitivas ao utilizar técnicas de 
gestão que maximizem tanto a utilização de recursos quanto 
o cumprimento da legislação que garantam a satisfação dos 
clientes (CHAVES, 2006).
Segundo Chaves e Chicarelli (2005), no setor de alimentos, 
a logística reversa tem um papel diferenciado no que tange à 
segurança do alimento. Através de políticas liberais de retorno 
de produtos alimentícios, a empresa permite a devolução de 
produtos defeituosos ou fora do prazo de validade, evitando 
problemas de infecção ou intoxicação e, desta forma, ela protege 
a sua marca por garantir proteção à saúde do consumidor, pois 
de acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC):
3.2.2.2 Validade de produto: expiração do prazo de validade 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 131
Art. 18 Os fornecedores de produtos de consumo 
duráveis ou não duráveis respondem solidariamente 
pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem 
impróprios ou inadequados ao consumo a que se 
destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por 
aqueles decorrentes da disparidade, com as indicações 
constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem 
ou mensagem publicitária, respeitadas as variações 
decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor 
exigir a substituição das partes viciadas.
[...] § 6° São impróprios ao uso e consumo: 
I - os produtos cujos prazos de validade estejam 
vencidos; 
II - os produtos deteriorados, alterados, adulterados, 
avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, 
nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles 
em desacordo com as normas regulamentares de 
fabricação, distribuição ou apresentação; 
III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem 
inadequados ao fim a que se destinam (BRASIL, 1990).
Estefator é relevante, pois muitos varejistas, frente à 
possibilidade de perder o produto pelo término de sua validade 
e a impossibilidade de retornar este produto ao fabricante, fazem 
promoções para liquidar o estoque. 
Se algum problema de contaminação ocorrer, a marca do 
produto perde credibilidade junto aos consumidores. É de interesse 
de ambas as partes, fabricantes e varejistas, a implantação de um 
sistema reverso para dividir os custos de retorno de produto e 
proteger suas margens de lucro (CHAVES, 2006).
A elevada perecibilidade dos produtos que exige um eficiente 
sistema logístico, em contraposição ao baixo valor agregado de 
seus produtos, tem limitado a expansão da atividade neste setor 
(CHAVES; CHICARELLI, 2005). 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda132
Não obstante, o varejo de alimentos, produtos lácteos, depara-
se com alta perecibilidade e prazo de validade relativamente curto 
o que torna a logística tradicional e, principalmente a reversa, fator 
competitivo para as organizações.
Para saber mais
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) divulgou em 
seu site informações sobre o prazo de validade – alimentos.
Também sinaliza que verificar condições de armazenamento e 
eventuais adulterações devem ser práticas frequentes.
O recall, ou “chamamento”, é o mecanismo que obriga o 
fornecedor a alertar nos meios de comunicação como: jornais, 
rádios e TVs os consumidores que adquiriram produtos defeituosos 
com potencial risco para a saúde e segurança, além de informar 
sobre os procedimentos a serem adotados para a solução do 
problema – o conserto ou troca, por exemplo.
É um procedimento de logística reversa que visa efetuar o 
fluxo de bens, partindo do consumidor em direção à empresa, de 
forma a trocar ou reparar algum defeito de fabricação que possa 
ter ocorrido. 
O recall no Brasil teve seu início na esfera regulamentatória 
com a promulgação da Lei nº 8.078/90, mais conhecida como 
Código de Defesa do Consumidor – CDC, em 1990, onde em seu 
art. 10 estabeleceu as seguintes obrigações:
3.2.2.3 Recall de produtos 
[...] Art. 10 O fornecedor não poderá colocar no 
mercado de consumo produto ou serviço que sabe ou 
deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou 
periculosidade à saúde ou segurança.
§ 1º - O fornecedor de produtos e serviços que, 
posteriormente à sua introdução no mercado de 
consumo, tiver conhecimento da periculosidade que 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 133
apresentem, deverá comunicar o fato imediatamente às 
autoridades competentes e aos consumidores, mediante 
anúncios publicitários. 
§ 2º - Os anúncios publicitários a que se refere o 
parágrafo anterior serão veiculados na imprensa, rádio 
e televisão, às expensas do fornecedor do produto ou 
serviço. 
§ 3º - Sempre que tiverem conhecimento de 
periculosidade de produtos ou serviços à saúde ou 
segurança dos consumidores, a União, os Estados, o 
Distrito Federal e os Municípios deverão informá-los 
a respeito.
Juntamente com o Art. 22, onde se estabelece que a pessoa 
jurídica que descumpra as regulamentações da lei será compelida 
a cumpri-las e a reparar os danos causados, caracterizam e 
regulamentam o recall na esfera legal no Brasil.
A qualidade percebida nas ações de pós-venda altera na lealdade 
e no relacionamento entre cliente e empresa. Assim percebe-se 
a crescente importância dos stakeholders aumentando o foco 
das organizações para os ambientes interno e externo, buscando 
um melhor entendimento e gerenciamento da sua identidade e 
reputação (OLIVEIRA, 2008).
Assim um processo de logística reversa pós-venda bem estruturado 
é importante na construção de um relacionamento duradouro com 
clientes. Os consumidores tendem a ver empresas como mais 
responsáveis quando essas agem de forma proativa, ou seja, antes de 
ser obrigada pela comissão de proteção ao consumidor. Empresas 
percebidas como responsáveis costumam adquirir uma melhor 
imagem para os consumidores (MATOS et al., 2004).
Em outras palavras, por ser um contato pós-venda entre 
empresa e consumidor, o processo deve ser bem gerenciado de 
forma que a imagem da empresa e do produto não seja prejudicada 
(GUARNIERI et al., 2006).
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda134
Com o decorrer do tempo tem sido muito usado pelas empresas, 
seja para defender sua imagem ou mesmo por determinação legal, 
exigindo controle e rastreabilidade dos produtos pós-venda.
Na indústria automobilística, segmento cuja prática é bem 
intensificada, não há precisão sobre qual montadora teria realizado 
o primeiro recall no Brasil. A Ford diz ser a primeira a realizar um 
recall com o chamamento do Ford Corcel em 1968.
Para saber mais
A Fundação Procon-SP possui um banco de dados bastante 
interessante sobre recall. Nele há informações sobre chamamentos 
realizados desde 2002, organizados por segmento, tipo de defeito 
ou marca/modelo. Além de veículos, há medicamentos, produtos 
infantis, alimentos e bebidas e entre outros produtos. 
Também o DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do 
Consumidor), do Ministério da Justiça, registra desde 2000, em 
nível nacional, os recalls de automóveis, medicamentos, alimentos, 
brinquedos, produtos de informática, entre outros.
Para as listas, acesse o site do Idec. 
No caso das indústrias alimentícia e farmacêutica, a 
preocupação com seus consumidores, bem como a marca, não 
pode ser mensurada economicamente. Uma contaminação, por 
exemplo, pode causar danos irreparáveis na imagem de uma 
empresa que atua nesses setores. 
Nesse sentido, para a indústria de bebidas e alimentos, 
a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) propõe 
algumas regras para o recall entre elas é a comunicação ao órgão 
por meio eletrônico em até 24 horas, a partir do momento em 
que as indústrias souberem da necessidade de recolhimento de 
algum produto.
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 135
[...] a empresa responsável pelo alimento que será alvo 
de recall (fabricante ou importadora) deverá elaborar e 
implementar um plano de recolhimento dos produtos, 
na forma de procedimentos operacionais padronizados. 
Esse plano deve contemplar: procedimentos para 
recolhimento do produto, forma de segregação 
dos produtos e destinação final, definição dos 
responsáveis pela execução das atividades previstas e 
os procedimentos de comunicação do recolhimento 
dos alimentos à cadeia de produção, às autoridades 
sanitárias e aos consumidores (ANVISA, 2013, p. 1).
Entre outras definições, as empresas também deverão informar 
a cadeia de distribuição sobre o início do recolhimento dos 
alimentos e manter registro dessa comunicação. De acordo com 
a proposta, a ação de recolher o produto do mercado é uma 
responsabilidade de todos os estabelecimentos da cadeia.
As empresas precisam, ainda, dispor, prontamente, dos 
registros de distribuição dos alimentos para assegurar a 
rastreabilidade dos mesmos. 
A ANVISA propõe também que os alimentos alvo de recall sejam 
divididos em duas categorias:
• Classe I – Produtos considerados impróprios para o consumo. 
A empresa deverá encaminhar a cada 15 dias, um relatório 
de acompanhamento do recall. Fazem parte desta classe 
alimentos contaminados com formol e soda cáustica. O 
prazo para finalização do recall deve ocorrer em até 60 dias.
• Classe II – Produtos em descumprimento da legislação 
sanitária, mas que o consumo do alimento não implique 
risco à saúde, o relatório deverá ser encaminhado a cada 
30 dias. São exemplo os alimentos com erros simples de 
rotulagem, como declaração errada do número do lote ou 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda136
identificação da empresa. O prazo para finalização do recall 
deve ocorrer em até 120 dias.
A mensagem de alerta veiculadana mídia pelas empresas 
responsáveis deve conter no mínimo:
[...] denominação de venda do produto, marca, 
lote, prazo de validade, conteúdo líquido, tipo 
de embalagem, identificação do fabricante 
ou importador, motivo do recolhimento, 
consequências à saúde dos consumidores, 
recomendações aos consumidores e telefone 
ou outros meios de contato de atendimento ao 
consumidor. (ANVISA, 2013, p. 1).
O recall também atingiu a indústria de brinquedos no ano de 
2007. A gigante no segmento, a Mattel, realizou um recall que 
incluiu 850 mil brinquedos no Brasil. Na verdade dos cerca de 
21,8 milhões de produtos fabricados na China, 4% deveriam ser 
retirados do mercado brasileiro.
Embora todos os pontos de vendas fossem notificados, a 
assessoria da Mattel no país, informou que grande parte dos 
produtos relacionados já havia sido vendida. 
Os itens comercializados no país que foram afetados por 
esse recall são todos da linha Polly com ímãs aparentes, a pá do 
conjunto Barbie e Tanner e algumas figuras magnéticas do Batman. 
Segundo o site em inglês da empresa, os ímãs dos brinquedos 
Polly Pocket, Batman Magna, Doggie Daycare e Shonen Jump's 
One Piece poderiam se soltar sem serem detectados pelos pais ou 
responsáveis. Estes ímãs poderiam ser engolidos ou aspirados por 
crianças, o que poderia causar perfuração no intestino, infecções, 
entre outros problemas. 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 137
Na ocasião, os consumidores que haviam adquirido os 
produtos envolvidos no recall deveriam mandar um e-mail para 
<recall.brasil@mattel.com> ou ligar no 0800 77 01207 para 
maiores informações de como proceder. Após o cadastro ou 
contato telefônico, os consumidores receberam um documento 
com orientações sobre a identificação, devoluções de peças e 
ressarcimento ou substituição do produto por similar.
Este recall foi anunciado pela Mattel menos de duas semanas 
depois de divulgada a retirada de 1,5 milhão de brinquedos da 
fabricante (carros de brinquedo Pixar Sarge), produzidos na China, 
por excesso de chumbo na pintura (VALLONE, 2007).
Este exemplo de recall, exigiu mega operações logísticas (pós-
venda), para retirada dos seus produtos do mercado.
Comercialização – mercado primário
São operações características, deste mercado, os produtos que 
retornam por motivos puramente comerciais, devido a ajustes de 
estoques de canais de distribuição diretos. Esses produtos possuem 
condições gerais de reenvio/ revenda ao mercado primário, ou 
seja, o mercado original, com a marca do fabricante, e por meio 
de distribuição. Podemos exemplificar como participantes deste 
mercado os setores da moda, têxtil e calçados, entre outros, 
A devolução por causa de um defeito ou de um problema 
de qualidade em geral requer decisão de natureza 
técnica em um dos elos da cadeia de distribuição direta 
para definir o destino dos bens envolvidos, que poderão 
ser dirigidos ao mercado secundário, a processos de 
remanufatura ou de reforma, à reciclagem de materiais 
constituintes ou a um dos sistemas de disposição final 
apropriados (LEITE, 2009, p. 197).
3.2.3 Seleção e destinos dos produtos que retornam do pós-venda
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda138
apresentam essa movimentação de recuperação de valor quando 
é possível a realocação.
Comercialização – mercado secundário
Este caso refere-se aos produtos que retornam ao longo da 
cadeia de distribuição direta e não podem voltar ao mercado 
original por diferentes motivos. Visa recapturar valor do produto 
por meio de políticas de baixo preço, como é o caso das pontas 
de estoque e de leilões pela internet. 
Os setores de moda têxtil e de calçados, artigos sazonais 
em geral, podem ser beneficiados por uma política de retorno 
planejado dirigindo vendas a outlets, lojas especializadas, de preços 
menores, ou lojas do tipo ‘tudo por um real’.
Os ganhos oferecidos com as vendas ao mercado secundário 
são muito interessantes para os varejistas, que conseguem comprar 
produtos em fim de estação ou de estoque em condições que 
revalorizam os produtos para o varejista ou para o fabricante. 
A estratégia de um mercado secundário, de acordo com Rogers 
(2002), está dividida em quatro pontos: 
• encontrar boas negociações para comprar e vender;
• altas taxas de retorno com o inventário; 
• nível de estoque mínimo; 
• manter relações de confiança com produtores e fornecedores.
Comercialização – produtos reparados 
São processos de retornos de produtos destinados à reparação 
necessária e que após conserto poderão ser comercializados no 
mercado primário ou, mais frequentemente no mercado secundário. 
O produto pode ser reaproveitado e retornar ao ciclo de 
negócios, por meio do mercado primário ou secundário.
Doação
“É o destino de produtos retornados quando existe interesse de 
fixação de imagem por parte do fabricante e em geral é associada 
a produtos com certo grau de obsolescência” (LEITE, 2009, p. 198). 
Trata-se de um caso muito comum no setor de computadores, que 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 139
possuem vida média útil muito curta, mas apresentam interesse no 
mesmo país ou em outros países mais necessitados.
Desmanche (canibalização)
Ocorre quando o bem retornado se apresenta em condições 
de funcionamento para utilidade de projeto e existe valor de uso 
em seus componentes. Os produtos salvo em acidentes de trajeto 
e a destinação de peças e veículos ao mercado secundário são 
exemplos dessa categoria de canal reverso.
Remanufatura
Ocorre quando os componentes do desmanche de 
bens retornados apresentam defeitos e devem ser para o 
encaminhamento secundário.
Reciclagem industrial
Da mesma maneira que os produtos de pós-consumo, tanto 
os subconjuntos quanto as partes da estrutura dos bens são 
comercializados com empresas especializadas na reciclagem dos 
materiais constituintes desses produtos. 
Sistema de distribuição final apropriado
Não existe possibilidade de qualquer reaproveitamento. O 
produto retornado ou as suas partes ou materiais são destinados 
aos aterros sanitários ou a processo de incineração dependendo 
das particularidades de cada região ou país.
Os ganhos econômicos por meio do desmanche (canibalização), 
remanufatura, reciclagem industrial e disposição final podem ser 
assim definidos como:
[...] a recuperação do valor, de diferentes maneiras: por 
meio de reuso dos bens ainda em condições de reutilização 
em mercados de segunda mão; por meio dos desmanche 
dos bens, aproveitando o valor residual dos componentes 
do bem retornado; por meio da remanufatura do bem ou 
dos seus componentes, de modo que se recapture o valor 
de mercado; por meio de reciclagem industrial, na qual os 
materiais constituintes serão recuperados e comercializados 
no mercado de materiais secundários; ou, finalmente, por 
meio da disposição final cujo valor recuperado poderá 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda140
3.2.4 Políticas reversas de empresas no Brasil
No ano de 2007 foi realizada uma pesquisa com 188 respondentes 
em empresas independentes no Brasil com o objetivo de conhecer 
suas políticas de retornos de produtos, considerando empresas 
que recebem produtos do mercado, tendo como clientes outras 
empresas ou consumidor final. A seguir sinalizaremos os resultados 
da pesquisa publicada por Leite (2009).
• Ramo de atividade das empresas respondentes: operadores 
logísticos, alimentos industrializados, eletroeletrônicos, químico, 
automotivo, material de construção, farmacêutico, bebidas, 
higiene pessoal, papel, têxtil, móveis, e alimentos in natura.
• Razão para aceitar o retorno dos produtos: não há motivos 
que se destaquem, mas observamos pelo Quadro 3.6 que o 
motivo mais citado está relacionado com a capacidade de 
competição daempresa.
• Motivo para retorno para a empresa: podemos observar 
pelo Quadro 3.7 que as empresas respondentes estão 
associadas principalmente a problemas de qualidade do 
produto ou dos serviços executados e menos a problemas 
comerciais, como venda em excesso ou giro de produtos.
Fonte: Adaptado de Leite (2009, p. 233).
Quadro 3.6 | Principais motivos para aceitar o retorno dos produtos
Motivo
Ter diferencial competitivo 18%
Eliminar produtos impróprios para uso do canal de distribuição 17%
Recuperar produtos para reprocesso 16%
Responsabilidade ecológica 15%
Recuperar produtos para revenda 14%
Cumprimento da lei 11%
Outras 13%
Quadro 3.7 | Classificação da importância do motivo de retorno
Motivo do retorno Importância do motivo 
Defeitos de produtos 66%
Danos em trânsito 60%
ser econômico, se os produtos forem transformados em 
energia térmica ou elétrica. (LEITE, 2009, p. 204).
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 141
Fonte: Adaptado Leite (2009, p. 233).
Erro de expedição 50%
Conserto ou reparo 50%
Troca de componente 44%
Validade expirada 43%
Excesso de estoque no canal 39%
Baixo giro 35%
Produto em consignação 32%
Fim de estação 29%
• Tempo médio para completar a operação de retorno: 
segundo o autor, a ideia referia-se a entender como os 
respondentes estimam o nível de retorno de mercadorias 
no pós-venda.
A pesquisa revelou que 90% das empresas respondentes 
disseram que completam a operação de retorno em até 30 
dias, sendo mais 50% que concluem o retorno em até uma 
semana (7 dias).
Gráfico 3.1 | Prazo médio para completar a operação de retorno
Fonte: Adaptado de Leite (2009, p. 234).
Atualmente, quando há defeito ou vício, o consumidor precisa 
enviar a mercadoria à assistência técnica e deve aguardar até 30 
dias para a troca, ou seja, de acordo com o artigo 18 do CDC, o 
fornecedor e o fabricante têm 30 dias, a partir da reclamação, para 
sanar o problema do produto. Analisando a pesquisa sob esta ótica, 
90% dos problemas deveriam ser solucionados em até 30 dias. 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda142
Será que realmente os entrevistados foram sinceros quanto ao 
prazo médio para completar a operação de retorno?
Questão para reflexão
Na Seção 3.2, entre outros aspectos, estudamos o retorno das 
embalagens retornáveis. Você já observou entre os produtos que 
você consome quais são aqueles que utilizam mais embalagens 
retornáveis? Você dá preferência à compra de algum produto em 
razão da embalagem ser retornável?
Atividades de aprendizagem
1. Em sua opinião, como os consumidores reagem ao Recall de produtos?
2. Conforme foi visto, uma das razões para o elevado índice de 
devoluções no E-commerce se deve ao número elevado de pedidos 
onde os produtos na sua maioria são de pequeno porte, entregues de 
forma fragmentada, exigindo investimentos na área de expedição e 
processamento de pedidos. De maneira geral, os erros de expedição 
são diversas falhas que costumam ocorrer nos bastidores logísticos. Que 
ações estratégias poderiam ser propostas para minimizar os problemas 
das devoluções envolvendo o e-commerce?
Fique ligado
Os correios também oferecem serviços de Logística Reversa (LR) 
do pós-consumo e pós-venda.
Atuando como Operador Logístico, as operações de LR nos 
correios tiveram início em 2006, especificamente nos segmentos 
de eletroeletrônicos, telefonia e e-commerce. “O fato de nosso 
atendimento cobrir todo o território nacional foi determinante para 
iniciarmos a prestação deste serviço. Com o boom de vendas pela 
internet, ainda mais em um país de dimensões continentais como o 
Brasil, a LR passou a ser essencial para qualquer corporação”, conta o 
diretor regional dos Correios, José Floriano Filho, informando, ainda, 
que a LR tem apoiado o incremento das vendas de Sedex.
O serviço funciona da seguinte forma: o cliente com um 
contrato de encomenda PAC, Sedex ou e-sedex faz o pedido pela 
internet, um carteiro coleta o produto e os Correios entregam-no 
no endereço indicado. 
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 143
Existem duas opções de coleta domiciliar: a que leva este mesmo 
nome e é feita porta a porta em mais de 2.000 cidades e, hoje, 
representa 20% das coletas de LR realizadas pelos Correios; e a coleta 
simultânea, que tem a mesma abrangência e é realizada no momento 
da entrega do produto substituto ao usuário.
Há, ainda, uma terceira opção que é a coleta em agência – que 
representa 80% das coletas de LR –, realizada mediante apresentação 
do e-ticket ou do formulário “Instrumento de Habilitação de Postagem 
– IHP”, por parte do remetente do objeto, em uma das cerca de 500 
agências próprias dos Correios em todo o país.
Portal Logweb 
20/10/2009
Para concluir o estudo da unidade
Objetivo legal de retorno de produtos pós-venda
As preocupações com o relacionamento entre fornecedores e 
clientes finais de produtos e serviços não são novas nas sociedades, 
porém se formam tornando visíveis à medida que cresceram a 
quantidade de produtos, a diversidade, a complexidade de modelos, a 
redução do ciclo de vida, entre outros fatores, o que intensificou com 
o desenvolvimento dos mercados mundiais, graças à comunicação e 
globalização dos anos 90.
Dentro dessa perspectiva de relacionamento, o retorno de 
produtos e seus respectivos serviços merecem destaque nas 
regulamentações legais.
Pós-venda: regulamentação sobre a garantia de informações 
adequadas antes, durante e após a compra do bem, sobre consertos 
e reparos de produtos e componentes, sobre chamamentos (recall) 
de produtos em casos de problemas funcionais posteriormente 
descobertos pelo fabricante, sobre trocas ou devoluções no varejo 
em geral, sobre prazo de validade de produtos, entre outros casos.
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda144
Atividades de aprendizagem
1. Um tema recorrente em notícias de jornais e na televisão é o recall, o 
qual consiste na troca de componentes ou do produto pelo fabricante 
que constatou algum defeito ou mau funcionamento desse produto ou 
de um de seus componentes. O recall é:
a) Opcional e gratuito, sendo o consumidor aconselhado a procurar os 
postos de troca ou reparo do produto.
b) Opcional, sendo o consumidor aconselhado a procurar os postos de 
troca ou reparo do produto e incumbido de pagar pelo serviço.
c) Compulsório, sendo o consumidor obrigado a procurar os postos de 
troca ou reparo do produto e a pagar pelo serviço.
d) Opcional em alguns casos, gratuito em outros, porém sempre com o 
consumidor sendo ressarcido pelo fabricante do produto.
2. Um fabricante de refrigerantes, dentro de uma nova estratégia de gestão 
dos resíduos optou por usar garrafas de vidro que são recolhidas, para 
lavagem e reenchimento, no ato da compra do produto. 
O método de gerenciamento de resíduos utilizado neste caso é: 
a) Redução na fonte.
b) Reutilização.
c) Reciclagem.
d) Recuperação.
3. Um cliente compra um produto eletrônico numa loja e, ao instalá-lo 
em casa, constata um defeito de fabricação. Devolve-o, então, ao varejista, 
que reembolsa, sem problemas, o valor da compra. O varejista, por sua vez, 
devolve o produto danificado ao fabricante e este conserta o produto e o 
coloca à venda no mercado de artigos de segunda mão.
Este ciclo de procedimento corresponde:
a) Corrigir os erros do processo pós-consumo.
b) Organizar o processo de produção e gerar estoques.
c) Deixar clientes satisfeitos para alavancar as vendas.
d) Administrar o canal logístico reverso pós-venda.
4. Em relação às embalagens, aquela que estiver em contato direto com 
o produto e que tenha contato direto com o consumidor final é chamada 
de embalagem:
a) Embalagem unitizadora.
b) Embalagem secundária.
c) Embalagem primária.
d) Embalagemterciária.
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda 145
5. Os produtos que retornam por motivos puramente comerciais, devido 
a ajustes de estoques de canais de distribuição diretos e que possuem 
condições gerais de reenvio/ revenda ao mercado original serão 
destinados a:
a) Comercialização – mercado secundário.
b) Comercialização – mercado de reparações e consertos.
c) Comercialização – mercado primário.
d) Desmanche (canibalização).
U3 - Canais de distribuição reversos de bens pós-venda146
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5 maio 2013.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 149
Logística ambiental: 
competitividade e 
sustentabilidade empresarial
Nesta unidade, você vai ser levado a compreender o que 
é a Logística Reversa, dentro do contexto da Logística Verde. 
Para isso buscamos analisar a evolução da sustentabilidade 
ambiental e empresarial e da Gestão Ambiental, oportunizando 
novos conceitos como da Cadeia de Suprimentos Sustentável. 
Estes estudos nos levarão ao entendimento da Logística 
Reversa como fator de competitividade empresarial.
Objetivos de aprendizagem
Alessandra Petrechi de Oliveira
Unidade 4
Nesta seção, você vai entender como a responsabilidade ambiental 
empresarial, vem ganhando destaque no cenário mundial e no ambiente 
dos negócios, principalmente porque a busca por um equilíbrio entre o 
desenvolvimento econômico e a proteção ambiental é importante para 
a formação da reputação das organizações. Essa nova realidade se dá em 
virtude de alguns aspectos ambientais que imperam transparência nos 
negócios, que são: cuidado em atender à legislação, preocupação com os 
stakeholders e preocupação com o que pensam os consumidores, cada vez 
mais conscientes de seu papel na sociedade em busca do desenvolvimento 
sustentável, cobrando das organizações novos posicionamentos.
Seção 4.1 | Sustentabilidade e gestão ambiental
Na seção 4.2, você vai compreender que assim como as empresas 
vem evoluindo, na busca por competitividade, a logística evolui 
constantemente para se adaptar às novas exigências legais e de mercado, 
sendo uma das principais tendências a adoção de práticas sustentáveis. 
Assim, surge a logística sustentável, que engloba a variável ambiental nos 
negócios das empresas, agregando-lhes valores de diversas naturezas: 
legal, econômica, competitiva, de imagem corporativa e ambiental. 
Assim, nesta seção, vamos compreender o que é a Logística Reversa, 
dentro do contexto da Logística Verde, e como as empresas podem e 
devem utilizá-la para ganhos em competitividade empresarial.
Seção 4.2 | Logística ambiental como fator de 
competitividade empresarial
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial150
Introdução à unidade
Os termos Logística Verde e Logística Reversa, inseridos na questão 
da responsabilidade ambiental empresarial, vêm ganhando destaque 
no cenário mundial e no ambiente dos negócios, principalmente, 
porque a busca por um equilíbrio entre o desenvolvimento econômico 
e a proteção ambiental, são importantes para a formação da reputação 
das organizações. Essa nova realidade se dá em virtude de alguns 
aspectos ambientais que imperam transparência nos negócios, como 
o cuidado em atender à legislação, a preocupação com os stakeholders 
e a preocupação com o que pensam os consumidores, cada vez mais 
conscientes de seu papel na sociedade em busca do desenvolvimento 
sustentável, cobrando das organizações novos posicionamentos.
As regulamentações governamentais, pressões das organizações 
não governamentais (ONGs) e a maior conscientização dos 
consumidores fazem com que as organizações se vejam obrigadas 
a modificar sua posição quanto às questões ambientais. Observa-
se que em um primeiro momento as empresas estão mudando 
para se enquadrar na nova legislação, mas atualmente a imagem 
ecologicamente correta é vista pelas empresas como uma estratégia 
de competitividade. Assim, surge nas organizações uma maior 
preocupação com práticas e ações que afetam o meio ambiente e 
a questão da responsabilidade ambiental ganha importância e corpo.
Diante desses desafios, as organizações estão buscando desenvolver 
práticas de responsabilidade ambiental, um comportamento 
socialmente correto e economicamente viável. Assim, é preciso buscar 
uma postura estratégica que responda adequadamente tanto às leis, 
quanto aos consumidores e a preservação do meio ambiente, como 
as capacidades da organização, procurando um estado de equilíbrio 
entre o social e o funcional. Percebe-se que a questão econômica e 
de marketing ambiental são cada vez mais relevantes nesse sentido. 
Percebe-se o início de uma era da responsabilidade, sendo esta a 
conjuntura em que as empresas necessitam aceitar e comprometer-se 
com as consequências e impactos de suas decisões e ações de responder 
às demandas de todos os afetados pelas suas atividades.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 151
Diante do que foi discutido, vamos buscar responder: A Logística 
Reversa é um fator de competitividade empresarial?
Esta nossa unidade será dividida em duas seções. Na Seção 4.1 
vamos estudar a Sustentabilidade e a Gestão Ambiental, buscando 
entender como a responsabilidade ambiental empresarial vem 
ganhando destaque no cenário mundial e no ambiente dos negócios. 
Na Seção 4.2 vamos compreender a Logística Verde e a Logística 
Reversa como fator de competitividade empresarial.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial152
Seção 4.1
Responsabilidade, sustentabilidade e gestão 
ambiental
Introdução à seção
Responsabilidade é uma palavra que chegou ao português pelo 
francês responsablee tem origem do latim responsus, particípio 
passado de respondere, “responder”. O termo é resultado de 
várias camadas sucessivas de sentidos acumulados sobre o 
mesmo vocábulo. “Responsável é o que responde por seus atos 
e responsabilidade é a característica – ou virtude – de quem faz”. 
(OLIVEIRA; MACHADO, 2009, p. 23).
Estas preocupações tiveram início de maneira mais efetiva nas 
últimas três décadas do século XX, entrando definitivamente na 
agenda dos governos de muitos países e de diversos segmentos 
da sociedade civil organizada e algumas empresas e entidades 
empresariais já vêm buscado práticas ambientalmente saudáveis 
em tempos quando o ambientalismo apenas começava a despertar 
interesse fora dos círculos restritos de especialistas e das comunidades 
afetadas diretamente pelos problemas.
Foi nos anos 1970, com mobilizações sociais contra os 
acidentes ecológicos e a poluição e o surgimento das ONGs 
ambientais, destacando o surgimento em 1971 do Greenpeace, 
que o meio ambiente e as ações responsáveis ganharam corpo. 
Em 1972 aconteceu a Conferência das Nações Unidas sobre 
o Meio Ambiente e Desenvolvimento, também conhecida 
como Conferência de Estocolmo. Esta foi a primeira grande 
conferência mundial sobre temas ligados ao meio ambiente, com 
a participação de 113 países. Em 1992 realizou-se a Conferência 
das Nações Unidas no Rio de Janeiro (Eco-92), que trouxe ainda 
mais consciência aos consumidores e aos governos. 
No Brasil, em pesquisa realizada em 2000 pelo Banco 
Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pela 
Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Serviço de Apoio à 
Micro e Pequena Empresa (SEBRAE) com 1.158 indústrias de diversos 
portes, verificou-se que o principal motivador para investimentos na 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 153
área ambiental era o atendimentoà legislação, mas que o segundo 
motivador era a melhoria da imagem da empresa.
A maior conscientização e as pressões levaram as organizações 
a adotarem uma nova postura em relação às questões ambientais. 
Em 2010, a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) realizou 
a Sondagem Especial sobre Meio Ambiente junto a indústrias de 
todo o país, buscando verificar a adoção de procedimentos e 
práticas ambientalmente corretas. A pesquisa revelou os dados 
apresentados no Quadro 4.1.
Fica evidente a adoção da responsabilidade ambiental pelas 
organizações, apresentando percentuais superiores a 50% em 
todos os portes, indicando que cada vez mais as organizações 
estão procurando incorporar a gestão ambiental. 
A pesquisa realizada pela CNI aponta ainda os fatores que 
levaram as organizações à utilização de práticas de responsabilidade 
ambiental, apresentadas no Gráfico 4.1.
Quadro 4.1 | Adoção de procedimento gerencial associado à gestão ambiental
Fonte: CNI (2010)
Total Pequenas Médias Grandes
Adota 71,3% 61,0% 77,3% 94,9%
Não Adota 28,7% 39,0% 22,7% 5,1%
Gráfico 4.1 | Principais fatores para a adoção de procedimentos de gestão ambiental
Fonte: CNI (2010).
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial154
A sondagem da CNI aponta que as organizações vêm optando 
por práticas ambientalmente responsáveis, principalmente 
preocupadas com sua imagem e reputação, seguida das exigências 
do licenciamento ambiental, dos regulamentos ambientais e, 
destacando-se, a política interna da empresa.
No novo ambiente de negócios, a imagem da marca torna-
se um importante fator estratégico, e influencia fortemente o 
preço das ações e a fidelidade dos clientes. A reputação baseia-
se na síntese de como os stakeholders (clientes, fornecedores, 
governos, acionistas, organizações não governamentais, mídia, 
colaboradores, concorrentes) veem a empresa. 
Questão para reflexão
Para se manterem competitivas, as empresas almejam produzir um 
retrato atraente para vários públicos de relacionamento, o que no 
contexto atual esbarra na responsabilidade ambiental.
As pressões sobre as organizações advêm principalmente de 
fatores externos como as regulamentações ambientais, que têm 
se desenvolvido em número, especificidade, abrangência e rigor. 
Um segundo motivo é a influência da sociedade civil organizada, 
principalmente através dos movimentos ambientalistas, que 
têm multiplicado o número dos seus integrantes e têm se 
especializado e profissionalizado, tornando as suas ações cada vez 
mais eficazes. O terceiro motivo são os mercados de produtos, 
que têm apresentado uma crescente tendência dos consumidores 
em valorizar atributos ambientais de empresas e produtos, o que 
é também reforçado por um aumento na concorrência interna 
e externa derivada da abertura internacional dos mercados. Por 
fim, podem-se apontar as fontes de recursos naturais, sobretudo 
água e energia, que têm dado sinais de que podem tornar-se 
limitantes para o desempenho e crescimento futuro das empresas 
(SCHMIDHEINY, 1992; HOFFMANN, 2001).
Essa configuração atual do cenário dos negócios leva as 
organizações a repensarem seu modo de atuar buscando 
adequar-se às novas exigências por responsabilidade ambiental, 
mas também se preocupando com as questões econômicas que 
estão envolvidas nas mudanças. 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 155
Para saber mais
Leia o artigo: “Educação ambiental, sustentabilidade e ciência: 
o papel da mídia na difusão de conhecimentos científicos”. Este 
artigo fala dos problemas de ordem ambiental: aquecimento global, 
mudanças climáticas, escassez de recursos naturais e resíduos.
4.1.1 Ambientalismo
A partir dos anos 1970 o ambientalismo começa a ser 
propagado, originando-se a partir dos desastres ambientais 
causados por organizações, fazendo com que as questões 
ambientais começassem a ocupar um lugar nas preocupações 
da humanidade. Segundo Lora (2000), os problemas ambientais 
adquiriram uma nova dimensão após os acidentes industriais graves 
e derrames de quantidades consideráveis de petróleo no mar, 
além dos problemas globais como o efeito estufa e a destruição 
da camada de ozônio. Esses problemas ambientais, causados pelo 
homem desde a sua evolução até a atualidade, tem ultrapassado a 
capacidade da natureza de restaurar-se, tornando-se um problema 
de caráter global.
O debate ambiental contemporâneo assume, 
predominantemente, que a preocupação ambiental está ligada 
ao problema da poluição industrial. Corrobora com esta visão 
Donaire (1995, p. 102), dizendo que “a degradação da natureza 
surgiu com as primeiras indústrias, em um tempo em que os 
problemas ambientais eram de pequena expressão, principalmente 
pelas reduzidas escalas de produção”. Nesse contexto as 
exigências ambientais eram poucas, e a fumaça era vista como 
sinal de progresso e desenvolvimento, muitas vezes, utilizado 
como símbolo de desenvolvimento em propagandas. 
Verifica-se que era inevitável o surgimento de problemas de 
caráter ambiental, mais na ocasião os problemas econômicos eram 
prioritários e atuais. O processo de desenvolvimento econômico, 
afirma Chehebe (1997, p. 22), não considerava os efeitos adversos 
nos ecossistemas e na própria sociedade, “permitindo que 
problemas sociais e ambientais se tornassem críticos para o 
bem-estar da sociedade, surgindo miséria, pobreza, desemprego, 
devastação de solos produtivos, poluição da água e do ar”.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial156
A globalização do movimento ambientalista ocorreu 
definitivamente no século XX com a Conferência Científica da ONU 
sobre a Conservação e Utilização de Recursos, em 1949, e com a 
Conferência sobre a Biosfera, realizada em Paris, em 1968. 
Porém, o grande marco do despertar de uma consciência 
ecológica mundial foi a publicação do Relatório Limites do 
Crescimento, elaborado pelo Clube de Roma e a Conferência de 
Estocolmo, em 1972 (I CNUMAD), que teve por objetivo conscientizar 
os países sobre a importância da conservação ambiental como fator 
fundamental para a manutenção da espécie humana. 
O quadro a seguir apresenta um resumo dos principais acidentes 
e impactos causados ao meio ambiente.
Quadro 4.2 | Principais acidentes ambientais
Fonte: Lerípio e Pinto (1998, p. 8).
ACIDENTE IMPACTO
Minamata
Lançamento de mercúrio, Japão, anos 50, 700 mortos, 9.000 
doentes crônicos.
Seveso Desastre industrial, Itália, 1976, fábrica de pesticidas, Dioxina.
Bhopal
Desastre com gás metil isocianeto, 1984, Índia, Union Carbide, 
3.300 mortos e 20.000 doentes crônicos.
Chernobyl
Acidente nuclear, Ucrânia, abril de 1986, 50 a 100 milhões de 
curies no ar, 29 mortos, 200 condenados, 135.000 casos de câncer 
e 35.000 mortes subsequentes.
Basiléia
Incêndio e derramamento, Suíça, novembro de 1986, 30 toneladas 
de pesticida no rio Reno, 193 Km do rio morto, 500.000 peixes e 
130 enguias.
Valdez
Desastre com óleo no Alasca, 1989, 37 milhões de litros de óleo, 
23.000 aves migratórias, 730 lontras e 50 aves de rapina.
Goiânia Acidente com césio 137, Brasil.
Rio Grande
Derramamento de 8.000 toneladas de ácido sulfúrico no mar, 
Brasil.
Sabe-se que o ambientalismo é responsável pela ampliação da 
sensibilidade para com a deterioração ambiental no mundo inteiro, 
e contribuiu para modernização dos processos produtivos, que, 
assim, tendem a ser menos predatórios. Sua contribuição reside 
na formulação de processos produtivos mais limpos, e fracassa na 
reformulação de padrões de consumo que se expandiram nos 
últimos dez anos (VIOLA, 2001).
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 157
O ambientalismo se apresenta em duas frentes: uma conservadora 
do status quo, e outra transformadora, quedefende um mundo 
ecologicamente sustentável, e que está tensionada por duas forças 
principais: a do ambientalismo radical, orientado pela ética e pela 
crítica aos valores predominantes na sociedade; e a do ambientalismo 
renovado, que compatibiliza o modelo de desenvolvimento 
econômico com a conservação dos recursos naturais (ALMEIDA, 
1997; LAYRARGUES, 2003).
Questão para reflexão
Como foi observado, os problemas ambientais levaram ao surgimento 
de pressões de cunho ambiental que começaram a influenciar 
diretamente as organizações e a forma como são administradas. Você 
sabe que pressões são essas?
Constata-se, em um primeiro momento, que a poluição ambiental 
é cada vez mais globalizada, ultrapassando as fronteiras nacionais, 
causando estragos em todos os países. Em segundo momento, 
a opinião pública e os consumidores mais sensíveis às questões 
ambientais, em virtude da acessibilidade, cada vez maior e imediata, 
aos meios de comunicação, sendo os desastres ecológicos, a 
pobreza e a miséria de alguns países notícias com grande poder de 
repercussão. Verifica-se, em um terceiro momento, o aumento da 
competitividade, o surgimento de leis mais rigorosas, as mudanças 
tecnológicas e outros acontecimentos que delineiam um novo 
caminho a ser percorrido pelas organizações que não querem 
perder espaço no mercado.
Figura 4.1 | O futuro do planeta em nossas mãos
Fonte: <http://www.engenhonacional.com/2010/01/logistica-verde/>. Acesso em: 15 mar. 
2015.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial158
Percebe-se que as pressões para o surgimento de soluções aos 
problemas ambientais ocasionaram o surgimento de organizações 
não governamentais (ONGs) voltadas ao meio ambiente, 
reuniões entre especialistas e governos, maior conscientização 
da população, legislação específica, e uma evolução natural do 
pensamento ambiental.
4.1.1.1 Evolução do desenvolvimento sustentável ambiental
Os problemas cada vez mais evidentes de desgaste do meio 
ambiente e a maior conscientização de parcela da população 
levaram ao surgimento de um conceito de desenvolvimento 
sustentável nos anos 60 e 70, surgido de reuniões, debates e 
encontros entre governos, especialistas e sociedade.
O primeiro encontro mundial sobre meio ambiente foi realizado 
em 1968, ficando conhecido como Clube de Roma. Foi uma 
organização informal que se reuniu com o objetivo de promover 
o entendimento entre fatores econômicos, políticos, naturais 
e sociais e de colocar em evidencia os problemas ambientais 
chamando a atenção da sociedade e dos governos. O Clube de 
Roma tinha como objetivo examinar os problemas que assolavam 
os países como: pobreza, degradação ambiental, expansão urbana 
descontrolada, insegurança de emprego, transtornos econômicos 
e monetários dentre outros (MEADOWS, 1972). Do encontro 
surgiu o relatório “Limites do Crescimento”, que alertava para 
um caos ambiental em futuro próximo, se não fossem realizadas 
modificações nos modelos de desenvolvimento econômico 
praticados por organizações e governos, modelos que levam ao 
acúmulo de capital e produtos, não considerando o alto custo 
ambiental deste modo de vida insustentável.
No mesmo ano do Clube de Roma foi realizada a Conferência 
da Biosfera (Conferência Intergovernamental de Especialistas 
sobre as Bases Científicas para Uso e Conservação Racionais dos 
Recursos da Biosfera), em Paris, em que cientistas demonstraram 
as condições naturais do ambiente. “O objetivo foi a análise do uso 
e da conservação da biosfera e o impacto humano sobre a mesma. 
A Conferência chamou a atenção da sociedade para a importância 
e urgência de se programarem sistemas de preservação ecológica” 
(TACHIZAWA; ANDRADE, 2008, p. 2).
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 159
Em 1972, realizou-se a Conferência de Estocolmo (Conferência 
Mundial das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento), 
primeira reunião de líderes mundiais para discutir as relações entre o 
homem e o meio ambiente e a necessidade da adoção de medidas 
efetivas de controle dos fatores de degradação da natureza. 
Em 1974 foi realizada na Holanda o Primeiro Congresso 
Internacional de Ecologia, alertando sobre a redução da camada 
de ozônio.
Em 1975 foi publicada a Carta de Belgrado, um documento que 
marca a evolução do ambientalismo no mundo.
A partir dos anos 1980, o termo desenvolvimento sustentável 
passou a ser difundido globalmente, após a apresentação do 
documento Estratégia de Conservação Ambiental, divulgado pela 
União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), com 
o objetivo de alcançar o desenvolvimento sustentável através da 
conservação dos recursos vivos (BARONI, 1992). 
Em 1983 foi criada a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente 
e Desenvolvimento (CMMAD), também conhecida por Comissão 
Brundtland, principal desenvolvedora e criadora de conceitos e 
propostas relacionados ao desenvolvimento sustentável. 
Em outubro de 1984, em Oslo, foi proposta pela primeira vez no 
mundo “uma agenda global para a mudança”, cujo foco reside na 
formulação de estratégias de conciliação entre desenvolvimento 
econômico e meio ambiente e na disseminação de noções 
comuns relativas a questões ambientais de longo prazo, visando à 
cooperação entre os países, para o desenvolvimento sustentável. 
Essa agenda compôs o relatório final, intitulado Nosso Futuro 
Comum ou Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão 
Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pela 
Assembleia Geral da ONU, em 1983.
Questão para reflexão
“O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades 
do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras 
de atenderem as suas próprias necessidades”.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial160
Em 1987 foi lançado o Protocolo de Montreal, que trata sobre as 
substâncias que destroem a camada de ozônio. Até o ano de 2014, 
193 países já faziam participavam do Protocolo e da Convenção. O 
documento apresenta obrigações comuns a todos os participantes, 
mas os países desenvolvidos, que historicamente tiveram maior 
consumo de SDOs, devem contribuir financeiramente para apoiar 
a implementação de medidas para eliminar essas substâncias em 
países em desenvolvimento, como o Brasil.
Em 1987, a Comissão Brundtland, através do documento Our 
Common Future (Nosso Futuro Comum), formulou os princípios 
do desenvolvimento sustentável, recomendando os principais 
objetivos de políticas derivados do conceito de desenvolvimento 
sustentável, sendo estes:
a) retomar o crescimento como condição necessária para 
erradicar a pobreza; 
b) mudar a qualidade do crescimento para torná-lo mais justo, 
equitativo e menos intensivo em matérias-primas e energia; 
c) atender às necessidades humanas essenciais de emprego, 
alimentação, energia, água e saneamento; 
d) manter um nível populacional sustentável; 
e) conservar e melhorar a base dos recursos; 
f) reorientar a tecnologia e administrar os riscos, e incluir o 
meio ambiente e a economia no processo decisório das políticas 
governamentais. Referindo-se ao desempenho ambiental do 
setor industrial, o relatório ressalta que este deverá produzir mais, 
utilizando menos recursos (BARBIERI, 2009).
Em 1992, foi realizada a Conferência das Nações Unidas sobre 
Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO 92), no Rio de Janeiro. O 
conceito de desenvolvimento sustentável e as recomendações da 
Comissão Brundtland foram aprovados e incorporados a Agenda 
21, confirmando as linhas mestras do relatório, principalmente a 
relação entre pobreza e degradação ambiental (NÓBILE, 2003). 
Como destaque, as orientações de redução dos impactos 
ambientais decorrentes da operação das empresas: a) 
implementação de políticas e programas de manejoresponsável 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 161
do meio ambiente; b) emprego de processos de produção 
mais eficientes, de estratégias preventivas e de tecnologias e 
procedimentos mais limpos de produção ao longo do ciclo de vida 
do bem fabricado; c) redução dos impactos da atividade produtiva 
sobre a saúde humana e o meio ambiente.
Em 1997, acontece em Kyoto, no Japão, a Conferência sobre 
Mudança no Clima (RIO + 5). Aprovado em 11 de dezembro de 
1997, o documento oficial da Conferência conhecido como 
Protocolo de Kyoto, estabeleceu uma meta média de cerca de 
6% de redução de emissões de gases de efeito estufa nos países 
industrializados até o período de 2008 a 2012. 
No ano de 2000, a Comissão de Desenvolvimento Sustentável 
da ONU (CDS) sugeriu a realização de uma nova cúpula mundial, 
desta vez sobre Desenvolvimento Sustentável. Assim, em dezembro 
de 2000, a Assembleia Geral das Nações Unidas resolveu realizar, 
em 2002, a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável 
em Johanesburgo, na África do Sul.
Em 1999, por iniciativa da Organização das Nações Unidas, 
foi lançado o Pacto Global. O documento tem como objetivo 
incentivar as organizações a contribuírem com a construção de 
uma economia global mais sustentável e inclusiva. Mais de 200 
companhias brasileiras aderiram ao movimento, que promove 
os direitos humanos e de trabalho, protege o meio ambiente e 
combate à corrupção.
Como visto o desenvolvimento sustentável ambiental percorreu 
um longo caminho de construção conceitual e prática, estando 
seu delineamento e entendimento ainda em elaboração.
4.1.2 Desenvolvimento sustentável
O conceito de ecodesenvolvimento é anterior ao conceito de 
desenvolvimento sustentável, caracterizado por propor um novo 
pensamento, buscando o uso cuidadoso dos recursos naturais e a 
utilização de processos e tecnologias que minimizem os impactos 
ambientais e sociais. “O ecodesenvolvimento é o lugar obrigatório 
por onde devem passar os movimentos políticos conducentes a 
outro (tipo) de desenvolvimento” (SACHS, 1986, p. 116). Segundo 
Félix (2009), o ecodesenvolvimento busca uma alteração nos 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial162
padrões de produção e de consumo procurando a preservação do 
meio ambiente.
O ecodesenvolvimento está embasado em cinco dimensões 
de sustentabilidade, sendo: 
(1) sustentabilidade social, relacionada à equitativa distribuição 
de renda entre os povos; 
(2) sustentabilidade econômica, que é a busca por um equilíbrio 
entre investimentos do setor privado e do setor público; 
(3) sustentabilidade ecológica, buscando novos estilos e padrões 
de consumo e produção, caracterizados por processos produtivos 
e novas tecnologias menos destrutivas ao meio ambiente e por 
uma legislação ambiental aparatada por mecanismos de proteção 
e cumprimento; 
(4) sustentabilidade espacial, com objetivo de promover 
um equilíbrio entre o rural e o urbano, procurando oportunizar 
moradia, assentamento e emprego/produtividade econômica; e 
(5) sustentabilidade cultural, primando pelo respeito às culturas 
dos povos (SACHS, 1986).
Segundo o Relatório de Brundtland (1987), desenvolvimento 
sustentável é aquele que satisfaz as necessidades do presente sem 
comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem 
suas próprias necessidades. A Figura 4.2 demonstra figurativamente 
o tripé da sustentabilidade.
Sustentabilidade
Figura 4.2 | Tripé da sustentabilidade
Fonte: Elkington (2011).
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 163
Segundo Sachs (1993, p. 27), é necessário que sejam consideradas, 
simultaneamente, cinco dimensões, para uma apreensão completa 
de seu significado:
Quadro 4.3 | Significados da sustentabilidade
Fonte: Sachs (1993, p. 32).
Sustentabilidade social 
Igualdade de direitos e das condições de vida das 
populações. 
Sustentabilidade 
econômica 
Viabiliza a alocação e a gestão eficiente dos recursos.
Sustentabilidade 
ecológica 
Coloca em favor da harmonização do desenvolvimento 
e da preservação ambiental, com atenção aos limites 
dados pela capacidade de suporte dos sistemas 
envolvidos.
Sustentabilidade 
espacial 
Dada pela distribuição mais racional das atividades 
produtivas e sociais no espaço físico, com ênfase no 
equilíbrio entre o meio rural e o urbano.
Sustentabilidade 
cultural 
Ligada à questão dos valores da sociedade, da 
educação, da pluralidade de interesses e necessidades 
humanas, das peculiaridades de cada sistema cultural.
Questão para reflexão
Você acredita que o desenvolvimento sustentável ocorre quando o 
crescimento econômico traz justiça e oportunidade para todos os 
seres humanos do planeta, sem privilégio de algumas espécies, sem 
destruir os recursos naturais finitos e sem ultrapassar a capacidade 
de carga do sistema?
O conceito de desenvolvimento sustentável circunscreve o de 
proteção ambiental e está fundamentado em valores éticos e sociais, 
marcando uma filosofia de desenvolvimento que conjuga eficiência 
econômica, justiça social e prudência ecológica. Novos princípios 
precisam ser formulados, para que a sociedade ultrapasse as etapas 
de reconhecimento das ineficiências e deficiências da chamada 
sociedade de consumo e de proposições de linhas de ação para 
a de “sistematização real de um novo patamar científico”, que se 
concretizará com o avanço da ciência econômica na incorporação 
da natureza como um “valor intrínseco e como parte do patrimônio 
humano” (BUARQUE, 1990, p. 133).
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial164
Questão para reflexão
Precisamos parar de pensar: 
O que e para quem produzir?
E começar a pensar na questão: 
Como produzir?
Dentro dessa dinâmica, a proteção ambiental vem sendo observada 
sob as mais diversas perspectivas. De acordo com Valle (1995, p. 13), 
“a responsabilidade ambiental passou a ser vista pelas organizações 
como uma necessidade, pois reduz os desperdícios com materiais 
e assegura uma boa imagem da empresa”. Essas considerações 
evidenciam que as empresas não podem mais atuar como um 
sistema fechado, operando independentemente dos sistemas social 
e natural. Para Albuquerque (2009, p. 87) “as organizações em busca 
da sobrevivência em longo prazo, faz com que exista como objetivo 
o equilíbrio entre o desempenho econômico, social e ambiental”. 
É dentro desta dinâmica que surge a responsabilidade ambiental 
empresarial, ou seja, a responsabilidade que as organizações 
devem ter em produzir de forma consciente sem prejudicar o meio 
ambiente, utilizando processos que acabem ou reduzam os impactos 
ambientais, observando uma menor utilização de recursos naturais, 
um descarte ecológico de resíduos e ainda uma logística reversa.
Constata-se após este estudo que o desenvolvimento 
sustentável é um conceito que circunscreve o de proteção 
ambiental e está fundamentado em valores éticos e sociais. Assim, 
adota-se como referencial o conceito de que o desenvolvimento 
sustentável é: uma proposta que tem em seu horizonte uma 
modernidade ética, não apenas uma modernidade técnica (uma 
vez que absorve), o compromisso com a perenização da vida.
4.1.3 As organizações e a responsabilidade ambiental
A variável ambiental, gerada pelas transformações culturais 
ocorridas entre os anos 60 e 90, adquiriu extrema importância 
em direção à proteção e preservação ambiental como valor 
fundamental do novo ser humano e da organização dos novos 
tempos. Para Savitz (2007, p. 45) a responsabilidade socioambiental 
é “aquela que gera lucro para o acionista, ao mesmo tempo em 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 165
que protege o meio ambientee melhora a qualidade de vida das 
pessoas com que mantém relações”.
A Responsabilidade Ambiental é um conjunto de atitudes, 
individuais ou empresarias, voltado para o desenvolvimento 
sustentável do planeta. Ou seja, estas atitudes devem levar em conta 
o crescimento econômico ajustado à proteção do meio ambiente na 
atualidade e para as gerações futuras, garantindo a sustentabilidade.
Como exemplos de atitudes que envolvem a responsabilidade 
ambiental individual, temos:
Como exemplos de atitudes que envolvem a responsabilidade 
ambiental empresarial, temos:
1. Fazer a reciclagem de lixo de nossas casas (resíduos sólidos).
2. Não jogar pelo ralo (sistema de esgoto) líquidos, como: óleo de 
cozinha, óleo de motor.
3. Utilizar a água de forma racional e econômica.
4. Consumir produtos de empresas com certificação ambiental e 
que tenham práticas responsáveis para com o meio ambiente em 
seus processos produtivos.
5. Recorrer ao transporte público coletivo e bicicleta.
6. Comprar e usar eletrodomésticos com selo de baixo consumo 
de energia.
7. Desligar da tomada os aparelhos eletrônicos como TV e micro-
ondas quando não estiverem em uso.
8. Levar sua sacola para carregar suas compras de mercado, 
quitanda, açougue e outras.
9. Diminuir o uso de produtos químicos para a limpeza.
1. Adoção de práticas e de sistemas de gestão ambiental.
2. Criar sistema de tratamento e reutilização da água dentro do 
processo produtivo.
3. Tratar materiais poluentes (resíduos sólidos e líquidos) antes de 
devolvê-los a natureza.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial166
4. Criar formas de reaproveitamento de resíduos (sólidos e líquidos).
5. Investir em pesquisa, desenvolvimento e criação de produtos e 
serviços que causem o mínimo possível de impacto ambiental.
6. Criar um sistema de gestão de transportes que priorize a utilização 
de uma matriz com transportes menos poluentes, como o ferroviário.
7. Criar e desenvolver equipes de trabalho responsáveis pela 
disseminação de ideias sustentáveis dentro da empresa.
8. Procurar fornecedores certificados ambientalmente 
9. Utilizar fontes de energia limpas e renováveis no processo produtivo.
Nesses novos tempos, as questões de desenvolvimento 
sustentável deixaram de girar em torno de um mero controle da 
poluição, passando a se referir a controle ambiental integrado às 
práticas e processos produtivos das organizações. A perspectiva 
futura é a de que as questões relativas à preservação do meio 
ambiente deixem de ser um problema meramente legal, com 
ênfase nas punições legais, para evoluírem para um contexto 
empresarial pleno de ameaças e oportunidades, em que as 
decorrências ambientais e ecológicas passem a significar posições 
competitivas que ditarão a própria sobrevivência da organização 
em seu mercado de atuação.
Para o Instituto Ethos (apud BARBIERI, 2009, p. 32) a 
sustentabilidade é entendida como sendo:
A forma de gestão que se define pela relação ética e 
transparente da empresa com todos os públicos com 
os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de 
metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento 
sustentável da sociedade, preservando recursos 
ambientais e culturais para as gerações futuras, 
respeitando a diversidade e promovendo a redução das 
desigualdades sociais.
Diante dos desafios de conservação do meio ambiente, do 
cumprimento às leis e da procura por uma imagem organizacional 
condizente com as expectativas da opinião pública surge, na 
prática, a produção mais limpa e a eco eficiência na estratégia, que 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 167
vem contribuir de forma efetiva para o fim das práticas das técnicas 
de “fim de tubo” e construir uma nova estrutura necessária para 
integrar os conceitos de desempenho econômico e ambiental.
A responsabilidade social ou responsabilidade socioambiental 
empresarial (RSE), termo que vem sendo mais utilizado, é o 
conjunto de ações socioambientais desenvolvidas por uma 
determinada empresa. Estas ações visam a identificar e a minimizar 
os possíveis impactos negativos resultantes de sua atuação, bem 
como desenvolver ações para construir uma imagem positiva, 
fortalecendo as condições favoráveis aos negócios da empresa.
As empresas que estão engajadas no aperfeiçoamento da 
responsabilidade ambiental, que desempenham um papel de 
liderança por suas iniciativas, evidenciam que a responsabilidade 
ambiental é mais do que uma série de iniciativas, gestos ou práticas 
isoladas motivadas por marketing social, relações públicas ou outros 
benefícios. Permeando várias atividades das empresas, as iniciativas 
podem ser tomadas em vários setores da empresa, mas devem ser 
expressões de um esforço sistemático para atingir as metas e os 
objetivos sociais, ambientais e éticos. Políticas, processos, práticas 
e programas são vistos como parte integrante das operações de 
negócio das empresas, do processo de tomada de decisão, com o 
apoio da alta administração.
Questão para reflexão
O debate da responsabilidade ambiental intensificou-se porque 
a atuação das empresas e o impacto de suas atividades estavam 
afetando a qualidade de vida e comprometendo o futuro do planeta. 
O foco do debate é o cerne da estruturação da relação empresas 
com a sociedade: o papel das empresas e dos negócios na sociedade.
Foi a partir da década de 1970 que em vários países começam 
a surgir políticas governamentais que procuram tratar as questões 
ambientais de modo integrado e introduzir uma abordagem 
preventiva. Contribuíram para essa mudança os debates sobre as 
relações entre meio ambiente e desenvolvimento e os acordos 
ambientais multilaterais após a Conferência de Estocolmo – 72. 
No quadro a seguir podem-se verificar os instrumentos de 
política pública ambiental utilizados pelos governos.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial168
Quadro 4.4 | Instrumentos de política pública ambiental – classificação e exemplos
Fonte: Barbieri (2004, p. 84).
GÊNERO ESPÉCIES
Comando e 
Controle
- padrão de emissão
- padrão de qualidade
- padrão de desempenho
- padrões tecnológicos
- proibições e restrições sobre produção, comercialização e uso 
de produtos e processos
- licenciamento ambiental
- zoneamento ambiental
- estudo prévio de impacto ambiental
Econômico
- tributação sobre poluição
- tributação sobre uso de recursos naturais
- incentivos fiscais para reduzir emissões e conservar recursos
- financiamento em condições especiais
- criação e sustentação de mercados de produtos 
ambientalmente saudáveis
- permissões negociáveis
- sistema de depósito-retorno
- poder de compra do Estado
Outros 
- apoio ao desenvolvimento tecnológico e científico
- educação ambiental
- unidades de conservação
- informações o público
Na década de 1980, as organizações não governamentais em 
prol do meio ambiente iniciam um trabalho incisivo e direto no 
direcionamento das estratégias ambientais corporativas. Com 
o aumento expressivo de pessoas envolvidas nas ONGs, estes 
começaram a desenvolver-se, ganhando poder, influência e 
recursos financeiros e especializaram-se em suas atividades, 
causando pressões sociais que levaram muitas organizações a 
adotarem novas práticas ambientais responsáveis.
Foi no período de 1970 a 1985 que se viu o começo de 
uma integração, embora fraca, entre preocupações ambientais 
e estratégias de negócios, o que alguns autores chamaram 
de "adaptação resistente". A partir deste período, as empresas 
começaram a criar departamentos especiais para tratar das 
questões ambientais. 
Após a segunda metade da década de 1980 começou a surgir 
uma espécie de "ambientalismo de livre mercado", que trocou ênfase 
das regulações dos insumos e das atividades para os resultados.“Os 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 169
novos instrumentos de política ambiental mudaram as possibilidades 
de utilização das ações ambientais como instrumentos de marketing e 
estratégia competitiva pelas empresas” (MENON; MENON, 1997, p. 52).
Na década de 1990, as organizações começam a integrar 
definitivamente as práticas ambientais as suas estratégias e tem 
início uma nova realidade do ambientalismo organizacional:
Proteção ambiental e competitividade econômica têm se 
entrelaçado. O que anteriormente foi dirigido por pressões que 
estavam fora do mundo dos negócios é agora direcionado por 
interesses que existem dentro dos ambientes econômico, político, 
social e mercadológico das empresas (SOUZA, 2004).
Muitas organizações, ao obterem boa performance 
ambiental, com boa gestão operacional, baixo risco 
financeiro e boas perspectivas de sucesso econômico 
futuro, estão começando a influenciar as normas de práticas 
corporativas e estão transformando o ambientalismo, 
de algo externo para algo que está dentro do sistema de 
mercado e que é central para os objetivos das empresas 
(HOFFMAN, 2000, p. 33).
Todo este panorama, com enfoque na relação desenvolvimento 
e meio ambiente, interfere diretamente nas atividades empresariais 
uma vez que, estas estão no centro de todo o processo que 
envolve principalmente: a utilização de recursos naturais, a 
geração de resíduos e a capacidade de suporte do planeta (tanto 
no suprimento de recursos, quanto na recepção de resíduos).
Paulatinamente, as empresas vêm percebendo que preservar 
a qualidade socioambiental pode ser uma oportunidade de 
investimento e de ganhos futuros e, paradoxalmente, pode se 
transformar numa vantagem competitiva. O modelo da gestão 
da qualidade introduziu novos conceitos e valores na gestão das 
empresas, buscando qualidade, satisfação dos clientes, abordagens 
preventivas em vez de corretivas, processos integrados, e 
reconheceu que os funcionários são colaboradores ativos para o 
sucesso das empresas (ALIGLERI, ALIGLERI; KRUGLIANSKAS, 2009). 
As relações entre a sociedade e as empresas se baseiam num 
contrato social que vai evoluindo conforme as mudanças sociais 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial170
e as consequentes expectativas da sociedade. Nesse contrato, a 
sociedade legitima a existência da empresa, reconhecendo suas 
atividades e obrigações, bem como estabelecendo limites legais 
para sua atuação. 
Questão para reflexão
Você acredita que a sociedade tem o direito de mudar suas expectativas 
dos negócios como um instrumento da própria sociedade?
Em consequência disso, as empresas são obrigadas a assumir 
suas responsabilidades e a responder às exigências da sociedade, 
cumprindo o papel que delas é esperado. Em princípio, as empresas 
são responsáveis pelas consequências de suas operações, 
incluindo os impactos diretos, assim como as externalidades que 
afetam terceiros, o que envolve toda a cadeia produtiva e o ciclo de 
vida dos seus produtos e serviços. Essa nova realidade impera que 
as organizações se moldem, principalmente ao novo consumidor 
que emerge, está mais maduro e requer mais responsabilidade 
das organizações. Para os consumidores a responsabilidade das 
organizações é evidenciada em suas ações, produtos e serviços. 
Assim a responsabilidade das organizações é evidenciada através 
da imagem que passa à sociedade através de sua comunicação de 
suas práticas e políticas.
As políticas ambientais ganham destaque nas organizações, 
principalmente pela cobrança dos consumidores, pelas ações dos 
ativistas e ONGs, exigências das certificações ISO 9000, ISO 14000, 
SA 8000 e a legislação vigente sobre proteção ao meio ambiente. 
Essas questões colaboram para uma maior responsabilidade social 
das organizações. Para obter bons resultados, a gestão ambiental 
nas organizações dependerá fundamentalmente de um marketing 
bem administrado, devendo fazer parte da política global e das 
estratégias adotadas pela empresa, com programas engajados nos 
objetivos gerais e no cumprimento da missão da organização.
Nos ambientes externo e interno, as organizações estabelecem 
oportunidades, ameaças, parâmetros, limites e desafios que têm de 
ser interpretados e se tornar significativos pelos diversos níveis da 
administração da empresa, por intermédio da leitura através de lente 
defletora representada por seu modelo de gestão, crenças e valores. 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 171
Por outro lado, o que se procura é complementar essa abordagem 
social das organizações por um enfoque econômico, ambiental e 
principalmente pela análise do ambiente externo às empresas, de 
forma a delinear os fatores de influência presentes nas organizações 
em função de seu ramo de negócios ou setor econômico.
O nível de competitividade de uma empresa depende de um 
conjunto de fatores, variados e complexos, que se inter-relacionam 
e são mutuamente dependentes, tais como: custos, qualidade 
dos produtos e serviços, nível de controle de qualidade, capital 
humano, tecnologia e capacidade de inovação. Nos últimos anos, 
a gestão ambiental tem adquirido cada vez mais uma posição 
destacada, em termos de competitividade, devido aos benefícios 
que traz ao processo produtivo como um todo e a alguns fatores 
em particular que são potencializados. 
Entre as vantagens competitivas da gestão ambiental, podemos 
encontrar:
Quadro 4.5 | Vantagens competitivas da gestão ambiental
Fonte: Dias (2011, p. 65)
(1) Com o cumprimento das exigências normativas, há melhora no 
desempenho ambiental de uma empresa, abrindo-se a possibilidade de 
maior inserção num mercado cada vez mais exigente em termos ecológicos, 
com a melhoria da imagem junto aos clientes e a comunidade;
(2) adotando um design do produto de acordo com as exigências 
ambientais, é possível torná-lo mais flexível do ponto de vista de 
instalações e operação, com um custo menor e uma vida útil maior;
(3) com a redução do consumo de recursos energéticos, ocorre a melhoria 
na gestão ambiental, com a consequente redução nos custos de produção;
(4) ao se reduzir ao mínimo a quantidade de material utilizado por produto, 
há redução dos custos de matéria-prima e do consumo de recursos;
(5) quando se utilizam materiais renováveis, empregando-se menos energia 
pela facilidade de reciclagem, melhora-se a imagem da organização;
(6) com a otimização das técnicas de produção, pode ocorrer melhoria 
na capacidade de inovação da empresa, redução das etapas de processo 
produtivo, acelerando o tempo de entrega do produto e minimizando o 
impacto ambiental do processo.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial172
É possível dizer que cada vez mais a questão ambiental começa 
a ser integrada ao planejamento das organizações, tornando-
se uma questão estratégica, através da utilização e da adoção 
de certificações socioambientais, da adoção de práticas e de 
programas de responsabilidade ambiental e da adoção de sistemas 
de gestão ambiental.
4.1.4 Gestão ambiental
A inclusão da proteção ambiental entre os objetivos estratégicos 
da organização amplia substancialmente todo o conceito de 
administração. Administradores, executivos e empresários têm 
introduzido nas empresas programas de reciclagem, medidas 
para poupar energia e outras inovações ecológicas. Esse novo 
pensamento precisa ser acompanhado de uma mudança de valores, 
passando da expansão para a conservação, da quantidade para a 
qualidade, da dominação para a parceria. O novo pensamento e 
o novo sistema de valores, juntamente com as correspondentes 
percepções e novas práticas, constituem o que se denomina de 
“novo paradigma”, com reflexos imediatos nas escolas de formação 
e preparaçãode administradores.
A expressão gestão ambiental pode ser entendida como as 
diretrizes e atividades administrativas e operacionais que têm 
como objetivo obter efeitos positivos sobre o meio ambiente. Para 
Barbieri (2004, p. 21) a expressão gestão ambiental aplica-se a uma 
grande variedade de iniciativas relativas a qualquer tipo de problema 
ambiental. Na sua origem, estão as ações governamentais para 
enfrentar a escassez de recursos. A gestão ambiental começou 
efetivamente pelos governos dos Estados nacionais e desenvolveu-
se à medida que os problemas foram surgindo. Por um longo período 
as iniciativas dos governos eram quase exclusivamente corretivas, 
isto é, os governos só enfrentavam os problemas ambientais depois 
que eles já haviam sido criados, embora isso ainda ocorra. Esse 
modo de agir produz ações fragmentadas apoiadas em medidas 
pontuais, pouco integradas e de baixa eficácia. 
Centrada nos recursos, a gestão ambiental pressupõe escolher 
entre alternativas, que não sejam somente tecnológicas e criar as 
condições para que aconteça o que se pretende que aconteça, 
a sustentabilidade ambiental. Deve controlar e assegurar o 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 173
cumprimento da lei ou normas que estão estabelecidas e regulam 
os comportamentos das pessoas, das sociedades, das empresas, 
das formas de produção e seus efeitos.
A gestão ambiental envolve o diagnóstico, o planejamento 
e o gerenciamento. O diagnóstico representa a identificação 
das potencialidades e problemas que ocorrem em determinado 
sistema. O planejamento ambiental é um processo que busca 
identificar e hierarquizar alternativas de uso dos recursos naturais, 
privilegiando o potencial em detrimento da demanda, a qualidade 
de vida do ser humano, sob o enfoque da felicidade, a participação 
da comunidade e a premissa de desenvolvimento sustentável.
Questão para reflexão
As empresas não competem e não crescem no vácuo, mas crescem 
refletindo a lógica e a dinâmica de setor econômico (ou ramos de 
atividades dos quais fazem parte), significa dizer que este último 
tem seu comportamento típico e parte da estratégia genérica das 
organizações, refletindo, necessariamente, essas características.
No macroambiente, tem-se maior amplitude das forças 
societárias que afetam todos os agentes no meio ambiente da 
organização, em termos de condições ou forças, quais sejam: 
econômicas; demográficas; físicas/ecológicas; tecnológicas; 
político/legais; e socioculturais.
Dependendo de como a empresa atua em relação aos problemas 
ambientais decorrentes de suas atividades, ela pode desenvolver 
diferentes abordagens, as quais podem ser também compreendidas 
como estágios evolutivos de um processo de implementação 
gradual de práticas de gestão ambiental (BARBIERI, 2004).
Nesse sentido, vários autores (HUNT; AUSTER, 1990; HOFFMAN, 
1999; SHARMA; PABLO; VREDENBURG, 1999; BARBIERI, 2004; 
JABBOUR; SANTOS, 2004) realizaram estudos no sentido de 
identificar as fases evolutivas da gestão ambiental empresarial, 
procurando distinguir ou caracterizar cada uma das fases 
encontradas em seus trabalhos. Os achados desses autores serão 
abordados no intuito de melhor compreender o desenvolvimento 
da gestão ambiental nas organizações.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial174
Hunt e Auster (1990) identificaram um continuum de cinco estágios 
de desenvolvimento ambiental nas organizações, conforme 
discriminadas a seguir: 
O estágio 1 (beginner) é aquele em que não há nenhuma prevenção 
para os riscos ambientais e a gestão ambiental não é percebida como 
uma função necessária. Não há esforços por parte da empresa no 
sentido de identificar os requisitos ambientais ou as repercussões 
de potenciais impactos negativos das operações sobre o meio 
ambiente. Além disso, a alta administração não se envolve com as 
questões ambientais, tendo como consequência a disponibilização 
mínima de recursos voltados para esse propósito.
No estágio 2 (fire fighter), empreende-se uma mínima proteção 
contra os riscos ambientais por meio de esforços pontuais de 
pequenos grupos centralizados de apoio para resolver problemas 
após eles ocorreram. A alta administração se envolve de forma 
gradativa e os recursos apenas são disponibilizados na medida 
em que há necessidade e interesse da organização de lidar com 
questões ambientais específicas.
No estágio 3 (concerned citizen), há uma moderada proteção contra 
os riscos ambientais. A gestão ambiental é uma função percebida 
como relevante para a organização. A alta administração está 
teoricamente comprometida e, apesar de os recursos ainda serem 
mínimos, estes se tornam consistentes.
O estágio 4 (pragmatist) provê uma ampla proteção contra os 
riscos ambientais. A gestão ambiental é compreendida como 
uma função importante na organização. A alta administração, por 
estar moderadamente envolvida e atenta às questões ambientais, 
disponibiliza recursos suficientes para lidar com as demandas. São 
realizados os primeiros programas de educação e treinamento 
ambiental para os empregados. As áreas de produção e projeto do 
produto começam, ainda que moderadamente, a se envolverem e 
integrarem suas atividades em prol do meio ambiente.
No estágio 5 (proactivist), há uma máxima proteção contra os riscos 
ambientais. A gestão ambiental é um item prioritário na organização. 
A alta administração está ativamente envolvida, existe forte 
integração entre as áreas e os programas de educação ambiental 
são estendidos para todas as pessoas da organização. Os requisitos 
e metas são claros e existem relatórios formais e reuniões periódicas 
para discutir e expor as questões ambientais.
Hoffman (1999 e 2001), em pesquisa realizada junto a indústrias 
químicas e petrolíferas, entre 1960 e 1993, para entender como estas 
indústrias se moveram de uma postura de veemente resistência ao 
ambientalismo para uma postura proativa, e por que esta transformação 
ocorreu, verificou quatro períodos no ambientalismo corporativo:
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 175
(1) ambientalismo industrial (1960-70), que focava sobre a resolução 
interna de problemas como um adjunto para a área de operações; 
(2) ambientalismo regulatório (1970-82), cujo foco era sobre a 
conformidade com as regulamentações, dada a imposição externa 
de novas leis ambientais cada vez mais rigorosas; 
(3) ambientalismo como responsabilidade social (1982-88), cujo 
foco era sobre a redução de poluição e minimização de resíduos 
dirigidos externamente por associações de indústrias e iniciativas 
voluntárias; e. 
(4) ambientalismo estratégico (1988-93), que focava na integração 
de estratégias ambientais proativas a partir da administração superior.
Sharma et al. (1999) também estudaram a evolução do ambientalismo 
nas empresas, por meio de pesquisa com sete empresas do setor 
petrolífero canadense. A pesquisa tinha como objetivo verificar quais 
fatores, e como eles operavam e levavam as estratégias ambientais. 
O trabalho constatou que existem quatro fases de evolução da 
estratégia de responsabilidade: gestação, politização, legislação e 
litigação.
Na fase de gestação (1980-85), tanto a intensidade regulatória 
quanto a preocupação pública com a preservação ambiental eram 
de baixo nível. Contudo, grupos ambientalistas mobilizaram-se 
neste período para aumentar a consciência social sobre os danos 
ambientais causados pelas indústrias de petróleo. 
Na fase de politização (1986-87), o meio ambiente tornou-se 
incrementalmente importante nos debates de políticas públicas, e as 
agências governamentais incumbiram-se de revisar as regulamentações 
e recomendaram que elas fossem racionalizadas e intensificadas. As 
empresas tinham pouco interesse nas questões ambientaise, na sua 
maioria, apenas limitavam-se a atender à legislação. 
Durante a fase legislativa (1988-92) intensificou-se dramaticamente 
a preocupação pública com o meio ambiente devido a vários 
"eventos críticos" que ocorreram no período, como alguns acidentes 
ambientais bastante publicados (o derramamento de petróleo da 
Exxon Valdez, por exemplo), a descoberta do buraco na camada 
de ozônio, os recordes de temperatura alcançados na América do 
Norte e Europa e interpretados como um sinal de aquecimento 
global, entre outros. Grandes acordos e conferências internacionais, 
como o Protocolo de Montreal e o Relatório Brundtland, também 
contribuíram para o acirramento da pressão da opinião pública e 
das regulamentações sobre as empresas. Vários administradores 
das empresas estudadas foram unânimes em sua opinião de que 
a motivação para a redução de riscos ambientais neste período foi 
evitar perturbações e perdas financeiras. 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial176
Por fim, na fase de mitigação (1993 em diante), o nível de 
preocupação pública com as questões ambientais permaneceu alto 
e, em 1993, regulações federais e provinciais foram consolidadas 
e os administradores passaram a ser considerados responsáveis 
criminalmente pelos acidentes e danos ambientais causados por 
suas companhias. Este foi o grande "evento crítico" desta fase. Estas 
regulamentações causaram pânico, pois representavam perda pessoal 
aos gestores das empresas, obrigando-as a incorporar definitivamente 
as preocupações ambientais em suas decisões e ações.
Estudando os referenciais teóricos sobre o desenvolvimento da 
gestão ambiental, Jabbour e Santos (2006, p. 441) estabeleceram 
uma taxonomia comum sobre as fases evolutivas da gestão 
ambiental nas organizações que partem de uma atitude reativa 
para uma atitude proativa, conforme apresenta o quadro a seguir:
Quadro 4.6 | Fases evolutivas da gestão ambiental
Fases 
evolutivas
Práticas de gestão ambiental
Especialização 
funcional
As ações são predominantemente reativas. As principais preocupações 
estão no atendimento às regulamentações ambientais e em evitar a 
geração de problemas ecológicos para a alta administração. Ocorre 
tipicamente em organizações que não consideram a variável ambiental 
como uma oportunidade de negócios, mas sim como um entrave ao 
sucesso das estratégias organizacionais.
Integração 
interna
O desempenho ecológico da organização não é tratado como fator 
estratégico, forçando a área de gestão ambiental a adaptar os programas e 
políticas às estratégias em vigor. As principais atividades desempenhadas 
dizem respeito à prevenção da poluição. A variável ambiental é tratada em 
projetos de negócios específicos, não sendo considerada relevante por 
todas as divisões da organização.
Integração 
externa
As atividades de gestão ambiental são alinhadas ao planejamento 
estratégico da empresa. Entende-se o meio ambiente como uma 
oportunidade de negócios. Nesse sentido, buscam-se oportunidades 
no mercado que possam ser exploradas por meio de uma abordagem 
ambiental proativa. São elaboradas, portanto, estratégias, as quais se 
destacam pela participação ativa de todos da organização em prol 
de vantagens competitivas. Costuma ocorrer em organizações mais 
dinâmicas, que constantemente procuram reforçar as variáveis de sua 
vantagem competitiva.
Fonte: Adaptado de Jabbour e Santos (2006, p. 442).
O estudo da evolução da gestão ambiental empresarial leva 
à compreensão de que as decisões que as organizações tomam 
devem ser resultantes de um processo de análise de variáveis 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 177
interna e externa à organização, alinhadas aos propósitos, princípios 
e objetivos de longo prazo. Deve-se, portanto, inserir as questões 
ambientais na administração estratégica organizacional.
No contexto da gestão ambiental surge a gestão ambiental da 
cadeia de suprimentos (do inglês, Green Supply Chain Management 
– GSCM).
4.1.5 Gestão ambiental da cadeia de suprimentos
Figura 4.3 | Gestão ambiental da cadeia de suprimentos
Fonte: <http://globalogistics.blogspot.com.br/2013_09_01_archive.html>. Acesso em: 30 
abr. 2015.
A gestão da cadeia de suprimentos pode ser definida como 
a integração dos principais processos de negócios desde o 
consumidor final até os fornecedores de matérias-primas, 
fornecendo produtos, serviços e informação que adicionam valor 
aos consumidores e demais partes interessadas das organizações 
(GLOBAL SUPPLY CHAIN FÓRUM, 2008 apud SEIFFERT, 2005).
A GSCM amplia o conceito tradicional da gestão da cadeia 
de suprimentos, englobando as questões de logística reversa 
e as questões de sustentabilidade ambientais, a fim de que os 
impactos ambientais sejam minimizados durante todo o ciclo de 
vida do produto. 
Dessa forma, a questão cadeia de suprimentos sustentável se 
insere definitivamente no cenário da logística empresarial, como um 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial178
conjunto de políticas, ações adotadas e os relacionamentos formados 
pelas empresas objetivando a preservação do meio ambiente. 
Entende-se que a GSCM é a integração das preocupações 
ambientais, incluindo a Logística Verde e a Logística Reversa, 
procurando minimizar os impactos ambientais e sociais de 
um produto ou serviço, tendo início no processo de compras 
mais sustentáveis até a integração de todo o fluxo da cadeia de 
suprimentos, do fornecedor ao consumidor.
Questão para reflexão
Você acha que a GSCM é um modismo ou veio para ficar?
Podemos dizer que a GSCM diz respeito ao conjunto de políticas e 
práticas administrativas e operacionais que levam em conta a saúde e 
a segurança das pessoas e a proteção do meio ambiente por meio da 
eliminação ou mitigação de impactos e danos ambientais decorrentes 
do planejamento, implantação, operação, ampliação, realocação ou 
desativação de empreendimentos ou atividades, incluindo-se todas 
as fases do ciclo de vida do produto. Assim, a gestão ambiental 
envolve as atividades de planejamento e organização do tratamento 
da variável ambiental pela empresa, objetivando-se alcançar metas 
ecológicas específicas (SEIFFERT, 2005).
Devemos perceber que a sustentabilidade da cadeia de 
suprimentos é a expressão utilizada para se denominar a gestão 
que se orienta para evitar, na medida do possível, problemas para 
o meio ambiente. Em outros termos, é a gestão cujo objetivo é 
conseguir que os efeitos ambientais não ultrapassem a capacidade 
de carga do meio onde se encontra a organização, ou seja, obter 
um desenvolvimento sustentável da logística.
A GSCM pode ser dividida em interna e externa. A gestão 
ambiental interna refere-se às questões relativas a um Sistema 
de Gestão Ambiental (SGA). Esse sistema procura desenvolver 
as atividades de logísticas com vistas à diminuição dos impactos 
ambientais durante os processos logísticos internos da empresa. A 
gestão externa refere-se às atividades como: 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 179
(1) compras, procura por fornecedores certificados 
ambientalmente, aquisição de insumos com selo verde, compras 
verdes, a partir de critérios de seleção, monitoramento e avaliação 
de fornecedores ambientalmente adequados; 
(2) projeção de produtos, tendo em vista aspectos de ecoeficiência; 
(3) cooperação com os clientes, a fim de apoiar mudanças de 
projeto de produto e produção mais limpa; 
(4) recuperação do investimento, com o objetivo de destinar 
corretamente sucata, máquinas obsoletas etc. 
(5) logística reversa, fazer o fluxo reverso do produto pós-
consumo de forma a buscar a alternativa mais viável entre o reuso, 
a reciclagem, a remanufaturaou o descarte. 
Fan Wang e Gupta (2011, p. 37) definem GSCM da seguinte forma:
A ideia principal é reduzir o impacto ambiental por meio de 
uma cadeia de valor, da matéria-prima até o produto final. 
Nesse caso, a redução dos impactos ambientais inclui a 
redução do uso de energia, do consumo de recursos naturais 
e inclui também redução de problemas relacionados à 
poluição. [...] Para esse efeito, a GSCM deve aumentar as 
atividades de gestão da Logística Reversa (que incluem 
redução do uso de recursos naturais, uso de matérias-
primas renováveis, reciclagem de materiais residuais e de 
substâncias perigosas) para integrar todos os aspectos da 
gestão ambiental relacionados ao seu domínio.
Como vemos, a GSCM emprega as práticas de responsabilidade 
ambiental da gestão ambiental procurando a diminuição dos 
impactos ambientais de produtos e serviços incluindo ações em 
toda a cadeia de suprimentos. 
Fan Wang e Gupta (2011) descrevem a evolução do conceito da 
cadeia de suprimentos verdes. Veja a figura a seguir:
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial180
Figura 4.4 | Evolução da cadeia de suprimentos verde
Fonte: Fan Wang e Gupta (2011).
BAIXA Complexidade da cadeia de 
suprimentos
1960-1970
- normas ambientais focadas apenas no controle da poluição do ar
- cadeias de suprimentos mais simples e havia apenas o planejamento 
da rentabilidade
- cadeias de suprimentos e normas ambientais não estavam 
relacionadas
1970-1980
- início do planejamento dos recursos materiais na cadeia de 
suprimentos
- regulamentação a respeito de aspectos ambientais para a manufatura
- início da gestão de riscos
1980-1990
- gestão de resíduos e controle da poluição
- introdução da sustentabilidade ambiental na manufatura localmente
- introdução da sustentabilidade ambiental nos processos por meio 
de terceirização
- nenhum impacto na cadeia de suprimentos
1990-2000
- melhoria dos processos para reduzir o consumo de matéria-prima
- minimização de resíduos e melhoria da eficiência
2000-2010
- gestão sistemática de produtos e processos para maximizar a 
rentabilidade e garantir a qualidade ambiental
- foco nos efeitos ambientais do ciclo de vida de produtos e 
processos 
2010 +
- sustentabilidade ambiental da cadeia de suprimentos
- foco na redução da pegada de carbono da cadeia de suprimentos
- gestão da energia
- prevenção da poluição, ao invés do controle da poluição
- uso de produtos recicláveis e reutilizáveis
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A GSCM é um importante instrumento gerencial para 
capacitação e criação de condições de competitividade para as 
organizações, qualquer que seja seu segmento econômico. 
Para algumas empresas as práticas de sustentabilidade ambiental 
voltadas para a cadeia logística são apenas respostas às exigências 
legais. Para Xavier (2013), poucas empresas percebem o potencial 
econômico e social da consolidação de estratégias e implementação 
de práticas ambientais, e somente as empresas de grande porte têm 
investido nesse nicho e alcançado ganhos significativos, conforme 
evidenciam indicadores como o Índice de Sustentabilidade 
Empresarial (ISE) ou o Índice Dow Jones de sustentabilidade.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 181
Acesse a página do Índice de Sustentabilidade Empresarial 
(ISE). Disponível em: <http://www.sustainability-indices.
com/>. Acesso em: 21 maio 2015.
Acesse a página do Índice Dow Jones de sustentabilidade.
Disponível em: <http://www.atitudessustentaveis.com.br/
sustentabilidade/indice-dow-jones-de-sustentabilidade-
empresas-sustentaveis/>. Acesso em: 21 maio 2015.
Foi nos Estados Unidos, no final da década de 1990, que surgiram 
as primeiras práticas de responsabilidade ambiental voltadas para 
a gestão logística, o que se deu em virtude do estabelecimento de 
leis voltadas à diminuição das emissões de poluentes de modais 
de transporte como o rodoviário, evidenciando a interação entre a 
logística e o meio ambiente.
Foi exatamente a preocupação com a poluição dos caminhões 
que oportunizou o surgimento das primeiras práticas e leis focadas 
em logística. As questões de responsabilidade ambiental foram 
evoluindo ao longo dos tempos, e em paralelo as questões logísticas 
também, sendo cada vez mais vinculadas à sustentabilidade, dando 
origem à Logística Ambiental ou Logística Verde.
A Logística Ambiental enfoca a questão ambiental, atuando 
como proposta da sustentabilidade dos sistemas produtivos.
Fique ligado
• A responsabilidade ambiental empresarial, vem ganhando 
destaque no cenário mundial e no ambiente dos negócios, 
principalmente porque a busca por um equilíbrio entre o 
desenvolvimento econômico e a proteção ambiental são 
importantes para a formação da reputação das organizações. 
• Os termos Logística Verde e Logística Reversa, inseridos na 
questão da responsabilidade ambiental empresarial, vem 
ganhando destaque no cenário mundial e no ambiente 
dos negócios, principalmente porque a busca por um 
equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a proteção 
ambiental, são importantes para a formação da reputação 
das organizações. 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial182
• Essa nova realidade se dá em virtude de alguns aspectos 
ambientais que imperam transparência nos negócios, sendo 
estes: cuidado em atender à legislação, preocupação com 
os stakeholders e preocupação com o que pensam os 
consumidores, cada vez mais conscientes de seu papel 
na sociedade em busca do desenvolvimento sustentável, 
cobrando das organizações novos posicionamentos.
• A maior conscientização e as pressões levaram as 
organizações a adotarem uma nova postura em relação às 
questões ambientais. 
• No novo ambiente de negócios a imagem da marca torna-
se um importante fator estratégico, e influencia fortemente o 
preço das ações e a fidelidade dos clientes. A reputação baseia-
se na síntese de como os stakeholders (clientes, fornecedores, 
governos, acionistas, organizações não governamentais, 
mídia, colaboradores, concorrentes) como veem a empresa. 
• O debate ambiental contemporâneo assume, 
predominantemente, que a preocupação ambiental está 
ligada ao problema da poluição industrial. Nesse contexto, as 
exigências ambientais eram poucas, e a fumaça era vista como 
sinal de progresso e desenvolvimento, muitas vezes, utilizado 
como símbolo de desenvolvimento em propagandas. 
• O ambientalismo se apresenta em duas frentes: uma 
conservadora do status quo, e outra transformadora, que 
defende um mundo ecologicamente sustentável, e que está 
tensionada por duas forças principais: a do ambientalismo 
radical, orientado pela ética e pela crítica aos valores 
predominantes na sociedade; e a do ambientalismo renovado, 
que compatibiliza o modelo de desenvolvimento econômico 
com a conservação dos recursos naturais.
• Percebe-se que as pressões para o surgimento de soluções 
aos problemas ambientais ocasionaram o surgimento de 
organizações não governamentais (ONGs) voltadas ao meio 
ambiente, reuniões entre especialistas e governos, maior 
conscientização da população, legislação específica, e uma 
evolução natural do pensamento ambiental. 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 183
• O desenvolvimento sustentável ambiental percorreu um 
longo caminho de construção conceitual e prática, estando 
seu delineamento e entendimento ainda em elaboração.
• O conceito de desenvolvimento sustentável circunscreve o de 
proteção ambiental e está fundamentado em valores éticos e 
sociais, marcando uma filosofia de desenvolvimento que conjuga 
eficiência econômica, justiça social e prudência ecológica. 
• Novos princípios precisam ser formulados,para que a 
sociedade ultrapasse as etapas de reconhecimento das 
ineficiências e deficiências da chamada sociedade de consumo 
e de proposições de linhas de ação para a de “sistematização 
real de um novo patamar científico”, que se concretizará com 
o avanço da ciência econômica na incorporação da natureza 
como um “valor intrínseco e como parte do patrimônio 
humano” (BUARQUE, 1990, p. 133).
• Constata-se que o desenvolvimento sustentável é um conceito 
que circunscreve o de proteção ambiental e está fundamentado 
em valores éticos e sociais, assim, adota-se como referencial 
o conceito de que o desenvolvimento sustentável é: uma 
proposta que tem em seu horizonte uma modernidade ética, 
não apenas uma modernidade técnica (uma vez que absorve), 
o compromisso com a perenização da vida.
• Diante dos desafios de conservação do meio ambiente, 
do cumprimento às leis e da procura por uma imagem 
organizacional condizente com as expectativas da opinião 
pública surge, na prática, a produção mais limpa e a eco 
eficiência na estratégia, que vem contribuir de forma efetiva 
para o fim das práticas das técnicas de “fim de tubo” e construir 
uma nova estrutura necessária para integrar os conceitos de 
desempenho econômico e ambiental.
• Paulatinamente as empresas vêm percebendo que preservar 
a qualidade socioambiental pode ser uma oportunidade de 
investimento e de ganhos futuros e, paradoxalmente, pode 
se transformar numa vantagem competitiva. O modelo da 
gestão da qualidade introduziu novos conceitos e valores 
na gestão das empresas, buscando qualidade, satisfação 
dos clientes, abordagens preventivas, em vez de corretivas, 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial184
processos integrados, e reconheceu que os funcionários são 
colaboradores ativos para o sucesso das empresas.
• A inclusão da proteção ambiental entre os objetivos 
estratégicos da organização amplia substancialmente todo 
o conceito de administração. Administradores, executivos 
e empresários têm introduzido nas empresas programas de 
reciclagem, medidas para poupar energia e outras inovações 
ecológicas. Esse novo pensamento precisa ser acompanhado 
de uma mudança de valores, passando da expansão para a 
conservação, da quantidade para a qualidade, da dominação 
para a parceria. O novo pensamento e o novo sistema de 
valores, juntamente com as correspondentes percepções 
e novas práticas, constituem o que se denomina de “novo 
paradigma”, com reflexos imediatos nas escolas de formação 
e preparação de administradores.
• A expressão gestão ambiental pode ser entendida como as 
diretrizes e atividades administrativas e operacionais que têm 
como objetivo obter efeitos positivos sobre o meio ambiente. 
Para Barbieri (2004, p. 21) a expressão gestão ambiental aplica-
se a uma grande variedade de iniciativas relativas a qualquer 
tipo de problema ambiental. Na sua origem, estão as ações 
governamentais para enfrentar a escassez de recursos. A 
gestão ambiental começou efetivamente pelos governos 
dos Estados nacionais e desenvolveu-se à medida que os 
problemas foram surgindo. Por um longo período as iniciativas 
dos governos eram quase exclusivamente corretivas, isto é, 
os governos só enfrentavam os problemas ambientais depois 
que eles já haviam sido criados, embora isso ainda ocorra. 
Esse modo de agir produz ações fragmentadas apoiadas em 
medidas pontuais, pouco integradas e de baixa eficácia. 
• A GSCM amplia o conceito tradicional da gestão da cadeia de 
suprimentos, englobando as questões de logística reversa e 
as questões de sustentabilidade ambientais, a fim de que os 
impactos ambientais sejam minimizados durante todo o ciclo 
de vida do produto. 
• Para algumas empresas as práticas de sustentabilidade 
ambiental voltadas para a cadeia logística são apenas 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 185
respostas às exigências legais. Poucas empresas percebem o 
potencial econômico e social da consolidação de estratégias 
e implementação de práticas ambientais, e somente as 
empresas de grande porte têm investido nesse nicho e 
alcançado ganhos significativos, conforme evidenciam 
indicadores como o Índice de Sustentabilidade Empresarial 
(ISE) ou o Índice Dow Jones de sustentabilidade.
• A Logística Ambiental enfoca a questão ambiental, atuando 
como proposta da sustentabilidade dos sistemas produtivos.
Atividades de aprendizagem
1. Diante dos desafios de conservação do meio ambiente, do cumprimento 
às leis e da procura por uma imagem organizacional condizente com as 
expectativas da opinião pública surge, na prática, a produção mais limpa e 
a eco eficiência na estratégia. De que forma estas duas práticas contribuem 
com as empresas e com a gestão ambiental?
2. Paulatinamente as empresas vêm percebendo que preservar a qualidade 
socioambiental pode ser uma oportunidade de investimento e de 
ganhos futuros e, paradoxalmente, pode se transformar numa vantagem 
competitiva. O modelo da gestão da qualidade introduziu novos conceitos 
e valores na gestão das empresas. Quais são estes novos conceitos?
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial186
Seção 4.2
Logística Ambiental e Reversa como fator de 
competitividade empresarial
4.2.1 Logística Ambiental
A logística evolui constantemente para se adaptar às novas 
exigências do mercado e, atualmente, a tendência dominante é a 
adoção de práticas sustentáveis. Assim, surge a Logística Ambiental, 
que engloba a variável ambiental nos negócios das empresas, 
agregando-lhes valores de diversas naturezas: legal, econômica, 
competitiva, de imagem corporativa e ambiental.
Como vimos, as questões ambientais estão cada vez mais 
em pauta, levando as organizações a repensarem seu modo de 
atuar. A logística está entre as áreas empresariais que mais têm 
sofrido pressões legais, econômicas e de mercado para uma maior 
responsabilidade ambiental, fazendo surgir, assim, uma Logística 
Ambiental ou Logística Verde. 
A Logística Verde é a área da logística que tem como objetivo a 
redução dos impactos das atividades logísticas sobre seu entorno 
(população e natureza), como por exemplo: contenção de 
emissão de resíduos ao meio ambiente; diminuição do desperdício 
de materiais (sólidos e líquidos) resultantes do processo logístico; 
busca pelo reaproveitamento de materiais que antes eram 
encaminhados ao lixo; guarda segura de estoques; compra 
de materiais de fornecedores certificados; reaproveitamento 
e reutilização de materiais antes descartados; novos usos para 
matérias antes descartadas; uso consciente de materiais no 
processo logístico (papel, água, combustível, embalagem); cuidado 
mais zeloso com materiais para que tenham longa durabilidade 
(contenedores, contâineres, embalagens, paletes etc.); aquisição 
de equipamentos de movimentação de maior durabilidade; 
parceria (uso compartilhado) para utilização de equipamentos de 
movimentação de materiais; uso compartilhado de frota etc.
Percebe-se que Logística Verde (LV) e Logística Reversa (LR) 
não são diferentes, porém a Logística Verde tem uma abrangência 
muito maior, assim a LR está dentro do universo da Logística Verde.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 187
4.2.2.1 Logística verde x logística reversa
A LR trata do retorno de produtos, embalagens ou materiais ao 
seu centro produtivo. Esse processo já ocorre há alguns anos nas 
indústrias de bebidas (retorno de vasilhames de vidro) e distribuição 
de gás, tanto os especiais como os de cozinha, com a reutilização 
de seus vasilhames, isto é, o produto chega ao consumidor e a 
embalagem retorna ao centro produtivo para que seja reutilizada e 
volte ao consumidor final em um ciclo contínuo.
É importante observar que a logística tradicional não considerouaspectos ambientais quando de sua concepção original, 
considerando-se como externalidades de seus processos. Nos 
dias de hoje, o apelo da sustentabilidade de produtos e serviços 
(entre eles os serviços logísticos) pode ser um critério relevante 
para a conquista e manutenção de mercados, ou seja, para a 
competitividade empresarial.
Para iniciar nosso estudo sobre competitividade da LV e do LR, 
primeiro precisamos diferenciá-las de forma mais contundente.
A Logística Reversa, como sabemos, tem uma preocupação 
centrada no fluxo reverso de materiais e produtos tanto no pós-
venda como no pós-consumo. Já a Logística Verde tem uma 
preocupação mais abrangente, preocupando-se com a avaliação 
e minimização dos problemas ambientais associados às atividades 
de logística empresarial, passando pelas preocupações relativas à 
Logística Reversa. Assim, podemos dizer que a LV engloba a LR, 
como vemos na figura a seguir:
Figura 4.5 | Logística verde engloba logística reversa
Fonte: A autora (2015).
Logística Verde
Logística 
Reversa
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial188
A LV procura atuar em cinco frentes de trabalho:
(1) Redução das externalidades dos transportes de carga: impactos 
no volume do tráfego e poluição atmosférica e sonora gerada.
(2) Logística urbana: além da avaliação dos impactos acima, 
envolve a avaliação dos benefícios econômicos, alocação de 
espaço viário e investimento em transportes.
(3) Logística reversa: retorno dos resíduos à cadeia produtiva 
e redução do volume de resíduos destinados à disposição final 
(aterros e incineração).
(4) Estratégias ambientais organizacionais no sentido da logística: 
incorporação do meio ambiente como elemento-chave do modelo 
de negócio da organização, iniciativas e programas ambientais.
(5) Gestão verde da cadeia de suprimentos: alinhamento e 
integração da gestão ambiental na gestão da cadeia de suprimentos.
Questão para reflexão
A Logística Verde é a parte da logística que se preocupa com os 
aspectos e impactos ambientais causados pela atividade logística, 
que pode trazer ganhos ambientais, pois tem como finalidade o 
desenvolvimento sustentável.
Tanto a Logística Reversa quanto a LV se preocupam com a 
reciclagem, com a remanufatura e com as embalagens reutilizáveis, 
conforme a figura a seguir:
Figura 4.6 | Logística verde e sua integração com a logística reversa
Fonte: Rogers e Tibben-Lembke (2001, p. 131).
- Retorno dos produtos
- Retornos comerciais
- Materiais secundários
- Redução de embalagens
- Redução de emissões
- Impacto ambiental de 
operações logísticas
- Reciclagem
- Remanufatura
- Embalagens 
reutilizáveis
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 189
Percebe-se que a LR não é, portanto, apenas um processo a ser 
implementado pela organização, mas uma filosofia que deve ser 
considerada sob diversos pontos de vista. A partir daí, precisa ser 
traduzida para a estratégia e então para os processos operacionais 
da organização.
Os conceitos de logística verde não se aplicam somente à 
logística reversa, como também são utilizados na logística direta. 
Por exemplo, um estudo para reutilização de pilhas e baterias trata 
ao mesmo tempo da logística reversa e da logística verde. Por 
outro lado, a redução no consumo de energia de um determinado 
processo é um estudo de LV, porém trata de LR.
A ‘Logística Sustentável ou Verde’ tem como objetivo 
principal atender aos princípios de sustentabilidade ambiental, 
considerando a responsabilidade do ‘berço à cova’ ou do ‘berço 
ao berço’. Na responsabilidade do ‘berço à cova’, quem produz 
deve responsabilizar-se também pelo destino final dos produtos 
gerados, de forma a reduzir o impacto ambiental que eles 
causam, incinerando-os ou dispondo-os em um aterro sanitário. 
No entanto, já existem críticas a esse modelo, que vem sendo 
substituído paulatinamente pela responsabilidade do ‘berço ao 
berço’, que propõe que a sociedade continue a consumir e a se 
desenvolver, porém, invés de destruir o meio ambiente, deve-
se alimentar o ciclo biológico da Terra (lixo = comida) e o ciclo 
tecnológico das indústrias. Neste contexto, o que não puder ser 
utilizado como nutriente/comida para o meio ambiente, deverá 
ser quebrado em elementos que possam ser reabsorvidos pelas 
indústrias como matérias-primas de qualidade (MCDONOUGH; 
BRAUNGART, 2002).
O conceito proposto por McDonough e Braungart e chamado 
de ‘Cradleto Cradle’, pressupõe que o conceito de gestão do 
ciclo de vida do berço à cova não pode mais ser considerado 
viável econômica e ambientalmente é muito menos eficiente, 
pois é notório que muitos resíduos possuem possibilidades de 
revalorização e reinserção nos processos produtivos e/ou de 
negócios e não devem simplesmente ser incinerados ou dispostos 
em um aterro sanitário.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial190
Questão para reflexão
O gerenciamento logístico tem como foco a integração das 
atividades da empresa e sua intensa troca de informações, pois 
se considerando que todas estas atividades fazem parte de um 
processo único, cujo objetivo é satisfazer as necessidades do 
cliente final, não há razões para gerenciá-las separadamente 
incorrendo em riscos desnecessários à empresa.
4.2.2.2 Logística reversa
A logística ambiental ou logística verde é uma importante 
ferramenta que, aliando a gestão ambiental à gestão logística, 
representa um importante avanço na gestão de sistemas produtivos: 
a logística ambiental compreende atividades como o planejamento 
de embalagens para a redução do uso de materiais e energia e 
redução da geração de emissões pelo transporte. Entretanto, a 
logística reversa representa muito mais que reuso de embalagem e 
reciclagem de materiais. Pode compreender operações, por exemplo, 
de remanufatura e recondicionamento e pode ser definida como o 
processo de movimentar produtos, a partir de seu descarte, com o 
objetivo de agregar valor a eles ou promover a sua destinação adequada.
De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos 
(estabelecida pela Lei nº 12.305 de 2/08/2010), a logística reversa 
pode ser definida como “instrumento de desenvolvimento 
econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, 
procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição 
dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, 
em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação 
final ambientalmente adequada”.
Figura 4.7 | Logística reversa
Fonte: <http://www.doeseulixo.org.br/ultimas-noticias/page/3/>. Acesso em: 30 abr. 2015.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 191
De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), 
a logística reversa passará a vigorar em 2014 e deverá estar 
implantada em todo país até o ano de 2015. Porém, já existem 
muitas indústrias utilizando a logística reversa em função da política 
de responsabilidade ambiental que possuem.
Vantagens para a sociedade e meio ambiente
• Possibilita o retorno de resíduos sólidos para as empresas de 
origem, evitando que eles possam poluir ou contaminar o 
meio ambiente (solo, rios, mares, florestas etc.).
• Permite economia nos processos produtivos das empresas, 
uma vez que estes resíduos entram novamente na cadeia 
produtiva, diminuindo o consumo de matérias-primas.
• Cria um sistema de responsabilidade compartilhada para 
o destino dos resíduos sólidos. Governos, empresas e 
consumidores passam a ser responsáveis pela coleta 
seletiva, separação, descarte e destino dos resíduos sólidos 
(principalmente recicláveis).
• As indústrias passarão a usar tecnologias mais limpas e, para 
facilitar a reutilização, criarão embalagens e produtos que 
sejam mais facilmentereciclados.
A implantação do sistema de logística reversa é mais um elemento 
rumo ao desenvolvimento sustentável do planeta, pois possibilita a 
reutilização e redução no consumo de matérias-primas. Na prática, 
a LR deve funcionar da seguinte forma: uma empresa fabricante de 
pneus deverá receber de volta seus produtos já usados.
Figura 4.8 | Logística reversa
Fonte: <http://www.doeseulixo.org.br/ultimas-noticias/page/3/>. Acesso em: 30 abr. 2015.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial192
A função de cada setor no processo:
• Consumidores: devolver os produtos que não são mais usados 
em postos (locais) específicos.
• Comerciantes: instalar locais específicos para a coleta 
(devolução) destes produtos.
• Indústrias: retirar estes produtos, através de um sistema de 
logística, reciclá-los ou reutilizá-los.
• Governo: criar campanhas de educação e conscientização 
para os consumidores, além de fiscalizar a execução das 
etapas da logística reversa.
Principais produtos que farão parte do sistema de logística reversa:
• Pneus.
• Pilhas e baterias.
• Embalagens e resíduos de agrotóxicos.
• Lâmpadas fluorescentes, de mercúrio e vapor de sódio.
• Óleos lubrificantes automotivos.
• Peças e equipamentos eletrônicos e de informática.
• Eletrodomésticos (geladeiras, fogões, micro-ondas, freezers etc.).
4.2.3 Responsabilidade ambiental como prática estratégica de logística
A questão socioambiental tem assumido proporções estratégicas 
em algumas organizações, pois a prática de ações com base na 
responsabilidade socioambiental corporativa tem sido vista pelo 
mercado como uma forma inovadora de diferenciar-se das demais 
organizações ou de criar vantagens competitivas em mercados 
saturados e de concorrência sem fronteiras.
• Por que as organizações deveriam adotar estratégias 
empresariais que levam em conta a questão ambiental 
e ecológica? 
• Não seria um mero surto de preocupações passageiras que 
demandam medidas com pesado ônus para as empresas 
que a adotarem? 
Conforme Wood Júnior e Zuffo (1997, p. 3), as “organizações 
estão deixando de ser sistemas relativamente fechados para se 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 193
4.2.4 Práticas estratégicas ambientais de logística
tornarem sistemas cada vez mais abertos. Suas fronteiras estão se 
tornando mais permeáveis e, em muitos casos, difíceis de identificar”.
Aligleri, Aligleri e Kruglianskas (2009, p. 30) salientam que:
De acordo com Shrivasta (1995) para que as organizações 
alcancem os objetivos da sustentabilidade, precisam ser 
reformadas, redesenhadas, e reestruturadas para minimizar seus 
impactos ecológicos negativos. 
A busca para solucionar os problemas ambientais não deve 
ficar circunscrita apenas a inovações tecnológicas em processos, 
mantendo a exploração dos recursos e produção de resíduos, pois, 
desta maneira, os problemas somente aumentaram. Conforme 
alerta Câmara (2009, p. 67), há necessidade de uma alteração do 
pensamento empresarial buscando incorporar, desde o projeto de 
produtos e regulamentação, variáveis ligadas ao meio ambiente e 
à qualidade de vida da população. 
Para Souza (2004) a complexa relação entre o meio ambiente 
e o mundo dos negócios requer boas técnicas administrativas 
e habilidade organizacional para que as empresas alcancem 
a aprendizagem necessária para transformar suas estratégias 
ambientais em vantagens competitivas e financeiras. 
Percebe-se que o problema da implantação da gestão ambiental e 
de práticas e ações ambientalmente corretas não passa somente pela 
lucratividade e competitividade, mas pelas condições da organização 
e de que forma elas podem atuar.
Conclui-se que as práticas estratégicas ambientais, como 
destaca Roome (1992), vão do não cumprimento da legislação, 
Empresas com imagem e marcas fortes têm se preocupado 
com a reputação e legitimidade dos outros agentes da 
cadeia. A habilidade de compartilhar atividades na cadeia 
de valor é a base para a competitividade empresarial, 
porque a integração realça a vantagem competitiva por 
aumentar a diferenciação com outras redes de negócios. 
Esta condição sugere que o alcance da sustentabilidade 
só ocorre se for integrada ao longo da cadeia de negócios.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial194
passando pelo cumprimento, cumprimento a mais, excelência 
comercial e ambiental e finalizando com a liderança ambiental.
As estratégias ambientais são resultado das pressões do ambiente 
e do foco que as organizações dão a essas estratégias, que acabam 
resultando em estratégias ambientais, visualizadas pelas empresas 
como práticas e ações de responsabilidade ambiental. 
De acordo com Dias (2011, p. 67), há diversas razões que 
podem incentivar uma empresa a adotar estratégias ambientais; 
além dos interesses econômicos, podem surgir de estímulos 
internos e externos. Esses estímulos podem ser descritos como 
fatores motivadores para a adoção de estratégias e práticas de 
responsabilidade ambiental. Os estímulos externos, segundo Dias 
(2011, p. 69) são:
4.2.5 Estratégias ambientais logísticas
(1) demanda do mercado; 
(2) a concorrência; 
(3) o poder público e a legislação ambiental; 
(4) e meio sociocultural; 
(5) as certificações ambientais; e 
(6) os fornecedores.
(1) a necessidade de redução de custos; 
(2) incremento na qualidade do produto; 
(3) melhoria da imagem do produto e da empresa; 
(4) a necessidade de inovação; 
(5) aumento da responsabilidade social; e 
(6) sensibilização do pessoal interno.
Já os estímulos internos, segundo o autor são: 
Miles e Covin (2000) estabelecem outra tipologia para 
as estratégias ambientais. Segundo estes autores, existem 
basicamente dois modelos (que os autores chamam de “filosofias 
de comportamento organizacional"): o modelo da conformidade 
e o modelo estratégico de gestão ambiental. O modelo de 
conformidade sugere que as firmas apenas cumpram com todas 
as regulações e leis aplicáveis, visando maximizar o retorno para os 
stackholders. Por este modelo, as despesas ambientais são vistas 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 195
como custos ou taxas para poder conduzir os negócios em uma 
sociedade, e nunca como um investimento no desenvolvimento 
de uma vantagem competitiva. 
Questão para reflexão
Questão para reflexão
Os administradores destas empresas viam as estratégias ambientais 
como fonte de melhoria da imagem corporativa, de diferenciação 
de produtos, redução de custos, melhoria na produtividade e de 
inovação através da reengenharia de vários processos operacionais.
Os ganhos na adoção destas práticas não refletem somente na 
imagem corporativa, na diferenciação de produtos, e na redução de 
custos, mas também na melhoria na produtividade e na inovação, 
fato que parece ser cada vez mais percebido por administradores 
como oportunidades.
As estratégias ambientais (se mais proativas ou mais reativas) são 
uma função da percepção que os administradores têm da questão 
ambiental, se uma ameaça ou uma oportunidade. A orientação 
das estratégias ambientais, portanto, é uma questão cognitiva dos 
administradores quanto ao significado da questão ambiental, se 
representa perdas ou ganhos, ameaças ou oportunidades, se são 
controláveis ou incontroláveis, se são negativos ou positivos.
Como se pode depreender as estratégias ambientais são ações 
que levam as organizações a uma melhora ambiental exponencial, 
procurando não degradar o ambiente através de práticas de 
melhor utilização de matéria-prima, procurando por fornecedores 
conscientes ambientalmente e engajados em práticas ambientais, 
evitando os desperdícios, diminuindo a poluição, o consumo 
de água e energia, reuso e renovação de descartese uma forte 
conscientização de todos envolvidos com a organização. Estas 
práticas, conforme Barbieri (2011), estão sendo cada vez mais 
difundidas no meio das organizações, por vários tipos de pressões, 
e têm levado as empresas a adotá-las.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial196
As práticas de responsabilidade ambiental são impulsionadas, 
como visto, por diversos fatores. Entre eles, os principais são os 
fatores externos, como as regulamentações governamentais, a 
mídia, os consumidores e a sociedade civil organizada; e os fatores 
internos, como a cultura e a visão empresarial. 
Aligleri, Aligleri e Kruglianskas (2009) apresentam uma análise 
das práticas de responsabilidade ambientais baseadas em um olhar 
para as áreas organizacionais de: produção, gestão de pessoas, 
marketing e varejo. As estratégias ambientais são feitas através 
de ações responsáveis nestas áreas, e as estratégias têm como 
intuito melhorar a imagem das organizações, que ganham maior 
visibilidade, mas também, e principalmente, tornar-se realmente 
responsáveis ambientalmente.
As organizações devem buscar inovar em seus processos 
internos e desenvolver práticas e políticas que reduzam ou 
eliminem os problemas ambientais. O alcance de um melhor 
desempenho ambiental em produtos e serviços está diretamente 
relacionado com as decisões da gestão da produção, conforme 
veremos no quadro a seguir:
4.2.6 As práticas de responsabilidade ambiental em logística
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 197
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U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 199
A adoção das práticas observadas em Aligleri, Aligleri e Kruglianskas 
(2009) levam, segundo os autores, a um novo posicionamento 
organizacional, oferecendo uma imagem empresarial positiva 
diante da sociedade e tem alcances econômicos muito positivos.
Para Aligleri, Aligleri e Kruglianskas 2009, p. 92:
A melhoria ambiental em uma organização é capaz de 
beneficiar a produtividade dos recursos e dos processos 
devido à economia de materiais e redução de lixo e 
resíduos. Além disso, pode trazer ganhos econômicos 
devido à substituição, reutilização ou reciclagem dos 
insumos da produção e menor consumo de energia ao 
longo do processo.
Com a adoção das práticas ambientais, a organização 
consegue se posicionar diante de seus públicos e com isso tem 
ganhado em competitividade e em sua imagem corporativa. Na 
figura a seguir, elaborada pelos autores, com base em Bellen e 
Trevisan (2005), verifica-se um resumo da discussão retratando as 
diferentes estratégias que podem ser adotadas pelas empresas e 
os motivadores para as novas posturas e práticas.
- revolução
- tecnologia limpa
- marcas
- poluição
- consumo
- resíduos
- sociedade civil
- transparência
- conectividade
- população
- pobreza
- desigualdade
Figura 4.10 | Modelo de valor sustentável
Fonte: Bellen e Trevisan (2005).
Com base nos estudos de Hart e Milstein (2004), Aligleri, Aligleri 
e Kruglianskas (2009) explicitam que existem novos modelos de 
produção sustentável, que não se baseiam somente em melhorias 
feitas para diminuir a poluição, mas às inovações que ultrapassam 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial200
as rotinas e o conhecimento comum. Os autores analisando os 
relatórios da United Nations Industrial Development Organization 
(UNIDO) verificam que os modelos de produção sustentável:
Envolvem o uso de processo ao longo da cadeia 
produtiva que não polui o meio ambiente, evita a geração 
de resíduos, apresenta alternativas de reaproveitamento 
e a reciclagem que permita a reinserção de resíduos na 
cadeia de consumo. Já para o Programa das Nações 
Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o conceito de 
produção mais limpa foca a aplicação contínua de uma 
estratégia ambiental integrada aos processos, produtos e 
serviços para aumentar a ecoeficiência e reduzir os riscos 
ao homem e ao meio ambiente. (ALIGLERI; ALIGLERI; 
KRUGLIANSKAS, 2009, p. 99).
Quanto às práticas responsáveis de gestão de pessoas, Aligleri, 
Aligleri e Kruglianskas (2009) explanam que é necessário haver 
a disseminação de uma cultura interna de responsabilidade 
ambiental que deve ser criada junto aos colaboradores. Essa 
criação de cultura torna possível o desenvolvimento de políticas 
interna, que propiciam:
(1) institucionalizar práticas responsáveis vinculadas ao 
recrutamento e à seleção de pessoas; 
(2) definir políticas éticas e de gestão socialmente responsáveis 
para a orientação de pessoas, modelagem de cargos e avaliação 
do desempenho dos colaboradores; 
(3) deselvolver programas de higiene, segurança e qualidade de 
vida dos colaboradores; 
(4) institucionalizar sistemas de informações de recursos 
humanos que possibilitem tranparência da organização; 
(5) criar ações que possibilitem o desenvolvimento integral dos 
colaboradores e da organização; e 
(6) criar políticas de remuneração, programas de incentivos 
e benefícios. 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 201
Pode se observar no trabalho desenvolvido por Aligleri, Aligleri e 
Kruglianskas (2009) que as práticas de responsabilidade ambiental 
devem estar presentes em todas as áreas da organização, criando 
um corpo único de gestão ambiental.
Como se observou, as práticas de responsabilidade ambiental 
devem estar presentes em todas as áreas de atuação da empresa 
e em todos os seus processos. Dessa forma fica evidenciado 
que uma organização só pode ser considerada uma empresa 
responsável com o meio ambiente se cada setor e funcionários da 
empresa compreenderem seu papel ambiental.
As organizações podem querem mudar seu pensamento 
estratégico ambiental, procurando atender a três razões: 1) a 
crescente degradação ambiental tem feito com que a legislação 
mude e evolua no sentido de proteger cada vez mais o meio 
ambiente; 2) o mercado tem dadomostrar de uma profunda e 
intensa mudança, buscando produtos menos danosos ao meio 
ambiente; e 3) a opinião pública esta cada vez mais preocupada 
com os danos causados ao meio ambiente e tem cobrado 
mudanças das organizações para que estas se tornem mais 
protetoras do meio ambiente. 
Tais fatos têm feito com que a gestão ambiental se condicione 
às pressões legais, de mercado e da opinião pública e assim 
consigam uma reputação melhor. As pressões exercidas por estes 
atores parecem ser os indicadores das mudanças nas organizações, 
para a maioria dos autores. 
Neder (1992) em uma pesquisa realizada no início dos anos 1990, 
feita com 48 organizações industriais brasileiras de grande porte. 
Verificou que as práticas ambientais buscam a modernização dos 
Questão para reflexão
A preocupação da empresa com as práticas e os impactos da 
sua gestão, demonstrada por seus atos, é que diferenciará uma 
organização comprometida com a sociedade daquelas que praticam 
atividades de cunho social sem maior compromisso.
4.2.7 Os fatores motivadores para adoção de práticas de responsabilidade 
ambiental na atividade logística
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial202
sistemas de controle da poluição, buscando atender à legislação. 
O estudo também verificou que a gestão ambiental era focada em 
atividades meio, na maioria das vezes, na área produtiva, não sendo 
observadas inovações organizacionais, tecnológicas ou de produto. 
Para Lau e Ragothaman (1997) existem cinco fatores principais 
envolvidos nas pressões que as organizações sofrem que as 
levam a mudanças ambientais. No estudo desenvolvido pelos 
autores com 69 empresas americanas, identificaram, em ordem 
de importância: as regulamentações ambientais; a reputação da 
companhia; iniciativas da alta administração; a redução de custos; 
e a demanda dos consumidores. 
O estudo foi realizado com o intuito de verificar, junto à indústria 
química americana, um sumário de estatísticas descritivas sobre 
questões estratégicas da gestão ambiental da indústria química 
americana (SOUZA, 2004). O estudo conclui que a maioria das 
empresas desenvolve suas ações ambientais mais como resposta 
às regulamentações ambientais do que como uma política proativa 
que vai ao encontro dos interesses de toda a sociedade. Isto 
certamente está relacionado ao fato da indústria química ser um 
setor fortemente regulamentado em função de seus potenciais 
impactos ambientais.
Na ótica da decisão estratégica a logística reversa é um 
processo holístico que ocorre no macroambiente empresarial, 
com o objetivo de garantir competitividade e sustentabilidade às 
empresas. Portanto, supera e ao mesmo tempo amplia o conceito 
de gerenciamento da cadeia de suprimentos.
Em suma, podemos dizer que a logística reversa no contexto 
da estratégia:
Questão para reflexão
Apesar desta predominância das regulamentações como fonte de 
direcionamento das ações ambientais das empresas, a questão da 
reputação aparece como um fator também importante.
4.2.7.1 Logística verde como fator de competitividade 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 203
• como competência-chave, considerando a moderna 
cadeia de suprimentos;
• como equilíbrio dinâmico entre a visão global da ação 
organizacional e as especificidades dos processos;
• como vantagem competitiva e forma de agregação de 
valor aos clientes, shareholders e stakeholders;
• como ciclo contínuo de logística;
• como contribuição de garantias de competitividade e 
sustentabilidade.
As empresas precisam intuir que a logística reversa, assim como 
a logística verde, devem ser encaradas como uma estratégia, que 
deve denotar um comprometimento com o ambiente e com os 
atores de produção.
Dessa forma, as organizações conseguem assumir garantias 
de que os bens e serviços produzidos e entregues não se tornarão 
problemas futuros para os consumidores, os cidadãos, os governos 
ou para a ecologia, ao longo de sua vida útil. Ao mesmo tempo, 
a ação da empresa se constituirá em oportunidades de novos 
negócios, de novos relacionamentos, de novas intercessões entre 
cadeias de suprimentos, na diversificação do escopo organizacional 
e em ganhos de escala. 
As organizações que vem trabalhando com a gestão ambiental 
há mais tempo foram movidas por vários fatores. Esses fatores 
são estratégicos e levam as empresas a repensarem seu modo de 
atuação, adotando práticas modernas de engajamento ambiental. 
Os principais fatores que levam as organizações a adoção de 
estratégias ambientais são: 
• impulsionadores econômicos
Leite (2009) argumenta que a logística reversa traz ganhos 
de competitividade às empresas, decorrente da possibilidade de 
tornar produtos e serviços mãos atraentes e capazes de resultar 
na fidelização de clientes ao longo de toda a cadeia logística. Para 
Leite (2009) os ganhos com impacto econômico incidem sobre o 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial204
custo, a imagem corporativa, a fidelização dos clientes às marcas. 
Além disso, a LR na perspectiva econômica gera valor pela melhoria 
da gestão dos estoques, pela recuperação do valor do produto no 
ciclo de vida, pela melhoria do processo de prestação de serviços 
aos clientes, por racionalização de espaços, estoques.
Questão para reflexão
As vantagens da LR podem ser sentidas no macroambiente 
pela geração pela geração de emprego e renda, pela educação 
ambiental, pelo uso parcimonioso de recursos naturais em função 
do aproveitamento de insumos em diversas cadeias de suprimentos, 
pela expansão e formalização de pequenas empresas e consequentes 
ganhos tributários de formação de mão de obra.
Possíveis relutâncias para a implementação da LR podem 
advir de pressões dos investidores, devido aos investimentos que 
são necessários para operacionalizar as estratégias de LR. Esses 
investimentos podem afetar resultados de curto prazo (ALVARES-
GIL et al., 2007).
• impulsionadores legais
Os impulsionadores legais dizem respeito tanto ao 
desenvolvimento de novas legislações e formas de regulação 
governamental, como também às novas inovações gerenciais 
decorrentes do esforço das empresas para se adaptarem às 
exigências legais. O marco legal e regulador constitui o arcabouço 
de regras que orientam as revisões estratégias. A formulação 
de normas e leis impõe às empresas maior compromisso e 
proximidade com governos, entidades reguladoras e organismos 
de controle social. As obrigações previstas em leis determinam 
mudanças no modo de produção e nas práticas de modernização 
dos processos de trabalho.
Leite (2009) destaca que é crescente e qualitativo o 
desenvolvimento da legislação ambiental em todo o mundo, tanto 
dirigida à preservação de gerações futuras como à proteção do 
consumidor ao adquirir e utilizar os produtos.
No Brasil, o principal marco legal é a Política Nacional de 
Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010), que define responsabilidades, 
diretrizes e metas para a adequação dos sistemas de gerenciamento 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 205
de resíduos, o que inclui a implementação da logística reversa de 
determinados resíduos.
• impulsionadores da cidadania corporativa
Dentre os impulsionadores, é preciso incluir as estratégias de 
implementação da LR orientadas para aspectos ambientais e de 
imagem corporativa. De fato, a consciência ecológica e noção 
de sustentabilidade podem alavancar a adoção de processos de 
LR (ALVARES-GIL et al., 2007; LEITE, 2009). Para Leite (2009) o 
comportamento da sociedade no sentido de consumo crescente 
exige o equacionamento da destinação final dos produtos sob pena 
de gerar poluição e contaminação.
Segundo Leite (2009) aponta a consciência ecológica como 
um valorgerencial universal, que afeta o comportamento 
organizacional e individual. Para esse autor, as empresas mais atentas 
às relações entre criação de riqueza e danos ambientais podem 
alcançar vantagens estratégicas e compartilhar com a sociedade 
e funcionários um valor socialmente percebido. Por outro lado, a 
proteção ambiental como valor pode trazer custos que deverão ser 
assumidos socialmente.
Leite (2009) insere a imagem corporativa no contexto valorativo e 
evidencia as contribuições da LR para o desenvolvimento da cultura 
de consumo orientada para o serviço, que privilegia a redução 
consciente do consumo em favor da cultura de sustentabilidade. 
A imagem corporativa também está associada a valores gerenciais 
como ética e responsabilidade social.
Em resumo, a adoção da LR como estratégia se justifica por 
impulsionadores econômicos, legais e de cidadania corporativa. Mas 
o entendimento sobre o peso da influência dos stakeholders sobre 
o processo decisório interno, o comportamento organizacional 
relativo ao uso de folgas de recursos e a atitude dos gestores 
determinam as decisões finais e a possível configuração estratégica 
do sistema de LR a ser adotado.
Cada vez mais as empresas procuram promover negócios 
sustentáveis, pois consistem em um dos principais desafios das 
4.2.7.2 Estratégias de Logística Ambiental
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial206
organizações. A busca pelo desenvolvimento de estratégias de 
sustentabilidade visa fornecer produtos e serviços para outras 
empresas que passam gradualmente a exigir isso como critério 
qualificador. As restrições legais e a necessidade de conquistar 
e manter fatias de mercado consistem em alguns dos principais 
desafios gerenciais das últimas décadas. A Logística Reversa surge 
nesse cenário motivada por exigências legais, mas também como 
oportunidade de negócios. 
Muitas organizações, quando buscam estabelecer estratégias, 
sabem que precisam estabelecer um processo contínuo e dinâmico, 
com um conjunto de ações intencionais, integradas, coordenadas e 
orientadas para o cumprimento da missão institucional.
As empresas que pretendem trabalhar com estratégias de 
logística reversa devem buscar desenvolver um modelo estratégico 
adequado ao seu ambiente e posicionamento no mercado. A 
seguir, encontra-se um modelo básico inicial para organizações que 
desejem trabalhar com logística reversa e ambiental. O modelo é 
composto por quatro passos e é baseado na proposta de O’Laughlin 
e Copacino (1994), desenvolvido originalmente para a logística 
direta. O modelo estratégico pode ser visto na figura a seguir:
Gestão da mudança
Figura 4.10 | Passos do planejamento estratégico de logística reversa
Fonte: A autora (2015).
Passo 1 – Estabelecimento da visão
No primeiro momento se dá o estabelecimento da visão de 
logística reversa da empresa, que consiste no desenvolvimento 
sistemático de um consenso organizacional sobre os pontos-
chave para o processo de planejamento da logística reversa. 
O estabelecimento da visão é uma maneira efetiva para 
desenvolvimento do consenso em três pontos-chave para a 
definição do processo de planejamento estratégico:
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 207
• atribuir clareza à direção estratégica e às implicações para a 
logística reversa, bem como articular uma visão concisa das 
necessidades da logística reversa;
• entender os requisitos dos serviços necessários para 
responder a diferentes contextos e segmentos de clientes 
e demais partes interessadas;
• explorar as condições de fatores externos, tais como 
serviços de transporte e taxas, restrições ambientais e 
regulatórias; legislação social, fatores competitivos e outros 
eventos que podem impactar na logística reversa.
A figura a seguir mostra um fluxo básico para o estabelecimento 
da visão de logística reversa.
Figura 4.11 | Visão geral do processo de estabelecimento da visão
Fonte: A autora (2015).
Passo 2 – Análise estratégica
No segundo momento deve-se conduzir uma análise, para 
que se possa embasar melhor a escolha de uma alternativa. Neste 
processo é salutar entender como os componentes do sistema de 
logística reversa criam valor para o cliente, para as demais partes 
interessadas e para a organização. Roberson e Copacino (1994) 
sugerem dez componentes-chave para a estratégia de logística 
direta que, com algumas adaptações, podem ser aplicados à 
logística reversa, como vemos na figura a seguir:
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial208
ESTRATÉGICO
ESTRUTURAL
FUNCIONAL
IMPLEMENTAÇÃO
Serviço ao cliente e partes 
interessadas
Análise da rede e dos 
canais de coleta e de 
distribuição
(políticas e procedimentos, gestão da 
mudança, instalações e equipamentos, 
sistemas de informação)
Figura 4.12 | Componentes-chave para a estratégia de logística reversa
Fonte: Adaptado de Roberson e Copacino (1994).
Os componentes-chave se distribuem em quatro níveis 
estratégicos, que devem ser coordenados e integrados, a fim de 
alcançar alto desempenho logístico.
O primeiro nível refere-se à definição da direção estratégica 
através do serviço ao cliente. É essencial ter uma visão clara dos 
requisitos e demandas dos clientes e demais partes interessadas, para 
desenvolver-se uma estratégia que atenda a essas expectativas. São as 
necessidades dos clientes que devem direcionar todo o desenho da 
cadeia de valor e da cadeia de suprimentos da logística reversa.
O nível estrutural do sistema de logística define como satisfazer 
as expectativas dos clientes através da cadeia de atividades e as 
funções necessárias para a atividade logística e de facilidades da 
rede estrutural. Importantes decisões estratégicas sobre a forma 
de servir ao cliente são tomadas nesse plano, tais como utilizar 
intermediários ou desenvolver internamente os serviços.
A estratégia da rede física de instalações inclui definições quanto 
à quantidade e localização de instalações, tipos de clientes que 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 209
serão atendidos em cada instalação, tipo de serviço de transporte 
que será utilizado e como organizar o fluxo entre instalações.
O terceiro nível envolve uma análise aprofundada dos 
componentes funcionais da estratégia de logística reversa, 
especificamente com relação a transporte, armazenamento e 
gestão de materiais.
Deve-se considerar ainda, para a logística reversa, o tipo de 
destinação pretendida para o resíduo e as estruturas necessárias 
para estes resíduos. 
O quarto nível da pirâmide envolve a implementação. Inclui o 
sistema de informação para suporte da logística reversa, políticas 
e procedimentos para orientar o dia a dia da operação da logística 
reversa, instalações e manutenção de instalações e equipamentos, 
e questões de organização e de pessoal.
Passo 3 – Plano de logística reversa
Após a análise estratégica, segue-se com a montagem do plano 
de logística reversa, como vemos na figura a seguir:
Figura 4.13 | Conteúdo do plano estratégico de logística reversa
Fonte: Adaptado de Roberson e Copacino (1994).
O plano deve ser um guia que destaca a missão e objetivos 
da logística reversa, bem como os programas e atividades para 
alcançar esses objetivos. Pode conter ainda metas de desempenho 
para os custos e os serviços aos clientes e a especificação das 
metas de desempenho.
Os passos 1, 2 e 3 do planejamento são processos interativos (ou 
seja, frequentemente repetidos) e que se sobrepõem. Isso significa 
que algumas tarefas e atividades (como pesquisas de satisfação 
dos clientes, análise da configuração da rede de coleta ou análise 
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial210
funcionaldo transporte) do processo de planejamento estratégico 
podem ser incorporadas como projetos específicos no plano. 
A atividade de desenvolvimento da estratégia de logística 
reversa é, portanto, um processo que nunca termina e continua a 
ser redefinido e refinado ao longo do tempo.
Questão para reflexão
A atividade de planejamento deve ser percebida mais como um 
momento para estabelecer objetivos anuais e analisar as atividades 
que devem ser executadas durante o ano corrente.
Passo 4 – Gerir mudanças
A etapa final do processo de planejamento da estratégia envolve 
gerir as mudanças, isto é, preparar a organização para implementar 
efetivamente formas melhores de condução do negócio. Vários 
fatores são importantes para gerir efetivamente mudanças:
• Plano visível: a missão, os objetivos, direção para as atividades 
de logística reversa precisam ser claros. Um processo 
formalizado para desenvolvimento da estratégia é uma 
atividade importante para conseguir o comprometimento 
de toda a organização. Mais ainda, um plano contendo 
iniciativas e objetivos prioritários se torna um importante 
veículo de comunicação.
• Um patrocinador: mudanças bem-sucedidas possuem 
maior probabilidade com líderes que representem bem, 
dentro e fora da organização, os objetivos estratégicos. 
Para cada projeto definido no plano também é necessário 
um líder com responsabilidade por aquela atividade.
• Treinamentos: os líderes devem reconhecer que a 
mudança é normalmente difícil e que treinamentos 
podem ser necessários. Os treinamentos devem focar 
no desenvolvimento do conhecimento requerido e nas 
habilidades para operar no novo ambiente.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 211
Atividades de aprendizagem
1. A ‘Logística Sustentável ou Verde’ tem como objetivo principal 
atender aos princípios de sustentabilidade ambiental, considerando a 
responsabilidade do ‘berço à cova’ ou do ‘berço ao berço’. Descreva a 
responsabilidade do berço à cova:
2. As organizações podem querer mudar seu pensamento estratégico 
ambiental, procurando atender a três razões. A primeira delas é a crescente 
degradação ambiental que tem feito com que a legislação mude e evolua 
no sentido de proteger cada vez mais o meio ambiente. Quais são as 
outras duas razões?
Fique ligado
• A logística evolui constantemente para se adaptar às novas 
exigências do mercado e, atualmente, a tendência dominante 
é a adoção de práticas sustentáveis. Assim, surge a Logística 
Ambiental, que engloba a variável ambiental nos negócios das 
empresas, agregando-lhes valores de diversas naturezas: legal, 
econômica, competitiva, de imagem corporativa e ambiental. 
• A Logística Verde é a área da logística que tem como objetivo 
a redução dos impactos das atividades logísticas sobre 
seu entorno (população e natureza), como por exemplo: 
contenção de emissão de resíduos ao meio ambiente; 
diminuição do desperdício de materiais (sólidos e líquidos) 
resultantes do processo logístico.
• Percebe-se, que Logística Verde (LV) e Logística Reversa 
(LR) não são diferentes, porém a Logística Verde tem uma 
abrangência muito maior, assim a LR está dentro do universo 
da Logística Verde.
• A LR trata do retorno de produtos, embalagens ou materiais ao 
seu centro produtivo. Esse processo já ocorre há alguns anos 
nas indústrias de bebidas (retorno de vasilhames de vidro) e 
distribuição de gás, tanto os especiais como os de cozinha, 
com a reutilização de seus vasilhames, isto é, o produto chega 
ao consumidor e a embalagem retorna ao centro produtivo 
para que seja reutilizada e volte ao consumidor final em um 
ciclo contínuo.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial212
• Os conceitos de logística verde não se aplicam somente à 
logística reversa, como também são utilizados na logística 
direta. Por exemplo, um estudo para reutilização de pilhas 
e baterias trata ao mesmo tempo da logística reversa e da 
logística verde. Por outro lado, a redução no consumo de 
energia de um determinado processo é um estudo de LV, 
porém trata de LR.
• A ‘Logística Sustentável ou Verde’ tem como objetivo 
principal atender aos princípios de sustentabilidade ambiental, 
considerando a responsabilidade do ‘berço à cova’ ou do 
‘berço ao berço’. Na responsabilidade do ‘berço à cova’, quem 
produz deve responsabilizar-se também pelo destino final dos 
produtos gerados, de forma a reduzir o impacto ambiental que 
eles causam, incinerando-os ou dispondo-os em um aterro 
sanitário. No entanto, já existem críticas a esse modelo, que 
vem sendo substituído paulatinamente pela responsabilidade 
do ‘berço ao berço’, a qual propõe que a sociedade continue 
a consumir e a se desenvolver, porém, invés de destruir o 
meio ambiente, deve-se alimentar o ciclo biológico da Terra 
(lixo = comida) e o ciclo tecnológico das indústrias. 
• A questão socioambiental tem assumido proporções 
estratégicas em algumas organizações, pois, a prática de ações 
com base na responsabilidade socioambiental corporativa 
tem sido vista pelo mercado como uma forma inovadora de 
diferenciar-se das demais organizações ou de criar vantagens 
competitivas em mercados saturados e de concorrência sem 
fronteiras.
• Percebe-se que o problema da implantação da gestão 
ambiental e de práticas e ações ambientalmente corretas não 
passa somente pela lucratividade e competitividade, mas pelas 
condições da organização e de que forma elas podem atuar.
• Conclui-se que as práticas estratégicas ambientais, como 
destaca Roome (1992), vão do não cumprimento da 
legislação, passando pelo cumprimento, cumprimento a 
mais, excelência comercial e ambiental e finalizando com a 
liderança ambiental.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial 213
• Como se pode depreender as estratégias ambientais são 
ações que levam as organizações a uma melhora ambiental 
exponencial, procurando não degradar o ambiente através de 
práticas de melhor utilização de matéria-prima, procura por 
fornecedores conscientes ambientalmente e engajados em 
práticas ambientais, evitar os desperdícios, evitar ou diminuir 
a poluição, o consumo de água e energia, reuso e renovação 
de descartes e uma forte conscientização de todos envolvidos 
com a organização. 
• Com a adoção das práticas ambientais, a organização 
consegue se posicionar diante de seus públicos e com isso tem 
ganhado em competitividade e em sua imagem corporativa. 
• Na ótica da decisão estratégica a logística reversa é um 
processo holístico que ocorre no macroambiente empresarial, 
com o objetivo de garantir competitividade e sustentabilidade 
às empresas. Portanto, supera e ao mesmo tempo amplia o 
conceito de gerenciamento da cadeia de suprimentos.
• As organizações podem querer mudar seu pensamento 
estratégico ambiental, procurando atender a três razões: 
1) a crescente degradação ambiental tem feito com que a 
legislação mude e evolua no sentido de proteger cada vez 
mais o meio ambiente; 2) o mercado tem dado mostrar de 
uma profunda e intensa mudança, buscando produtos menos 
danosos ao meio ambiente; e 3) a opinião pública esta cada 
vez mais preocupada com os danos causados ao meio 
ambiente, e cobrado mudanças das organizações para que 
estas se tornem mais protetoras do meio ambiente. 
• Tais fatos têm feito com que a gestão ambiental se condicione 
às pressões legais, de mercado e da opinião pública e assim 
consigam uma reputação melhor. As pressões exercidas por 
estes atores parecem ser os indicadores das mudanças nas 
organizações, para a maioria dos autores.
U4 - Logística ambiental: competitividade e sustentabilidade empresarial214
Para concluir o estudo da unidade
Nesta unidade, você estudou que promover negócios sustentáveis 
consiste num dos principais desafios atuais

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